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Hibisco

Ano I – junho/julho 2010

edição 02 - R$ 4,00

A revista que lê você

Valéria Zoppello: O estilo radical da eterna namorada do Dinho, do Mamonas Assassinas

Carisma:

Precisamos dele – mesmo – para sermos bem-sucedidos?

Artigo:

Administração do tempo

Crônica:

As subjetividades do filme “Alice no País das Maravilhas”


editorial

A Sombra do Vento

Uma vez um amigo me falou de um romance, vivenciado na Barcelona franquista, sobre o fascínio que provocam os livros nas pessoas, de um autor espanhol ainda pouco conhecido por aqui. De imediato quis comprar, mas ainda não estava disponível no Brasil. Logo que vi na livraria, não perdi tempo. As frases tinham uma cadência poética, e os personagens, de tão interessantes, parecia que ganhavam vida e se tornavam amigos meus, de longa data. Depois, com um certo ciúme, emprestei para mais duas pessoas, e elas tiveram sensações semelhantes. O livro se chama A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón. E esta magia provocada por esta obra em seus leitores, me fez pensar sobre quais são os caminhos que temos que trilhar para que o nosso trabalho chegue à alma das pessoas. O que separa o sublime, brilhante, do banal? O que sei é que ao ouvir grandes mestres falarem de suas obras, percebo uma poética diferente, um tom apaixonado, um brilho de criança nos olhos... Em seus trabalhos, cada detalhe, mesmo aqueles que nem sempre são notados, têm uma razão de ser e de estar ali. E, enquanto nós, “normais”, achamos sua obra está impecável, ele acha que precisa de retoque. Tudo isso, digo para lembrarmos que estamos em constante descoberta do mundo e de nós mesmos. Que nenhum pensamento ou pessoa são absolutos. Para ser grande é preciso ser inquieto. E mudar. Aprimorar. Crescer. Até a próxima!

Editora: Claudia Sá Mtb 49233 claudia.csa@uol.com.br Reportagem: Juliano Picceli jpicceli@uol.com.br

Ano I – junho/julho 2010 – edição nº 02

Hibisco

Projeto gráfico e editoração: Eduardo Garcia Marques arte.hibisco@uol.com.br Publicidade: Renato Stefani Carvalho publicidade.hibisco@uol.com.br Circulação e Assinaturas: Jéssica Sá revistahibisco@uol.com.br

Colaboradores desta edição: Christian Barbosa, Leda Gomes, Marcelo Restivo, Sylvana Braga e Zilma Caricati. Hibisco é uma publicação mensal da Voz Ativa Press. As opiniões expressas em artigos assinados são de responsabilidade exclusiva de seus autores. É proibida a reprodução total ou parcial das matérias publicadas sem autorização prévia, por escrito, da editora.

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A revista que lê você


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comportamento

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artigo

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natureza curiosa

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saúde

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cá entre nós

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crônica

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índice

perfil

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cartas

Parabéns! Gostaria de parabenizálos pelo lançamento da revista Hibisco. Adorei o visual, as matérias, tudo! Jociane Bezerra Casa Verde Obrigado pelo envio da revista. Ficou leve e acessível. Parabéns pela realização. Tiago Corbisier Matheus Psicanalista / Pinheiros

todos os meses. Conheci a revista no condomínio da minha irmã, que fica no Limão. Maria Selma Barros Imirim Você pode obter a revista gratuitamente em vários pontos comerciais do seu bairro, como padarias, lanchonetes e bancas. Uma lista de endereços será enviada para o seu e-mail, caso nenhum deles fique perto da sua residência, entre em contato e indique um local próximo.

Escrevo para parabenizar toda a equipe da revista Hibisco pelo excelente trabalho. A zona norte precisava mesmo de uma publicação assim, rica em informação. Vida longa! Arnaldo César de Sousa Santana Parabéns a toda a equipe da revista Hibisco pelo belo trabalho. A revista é um luxo! Muito bem organizada e com um conteúdo bastante abrangente. Selma Lopes Vila Nova Cachoeirinha

Gostaria de saber como faço para adquirir a Hibisco

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Elisabeth Torres Vila Gustavo

Sugestão de pauta Gostaria de sugerir uma matéria sobre bulimia, pois acho que vai ser bem útil para as mulheres, que muitas vezes sofrem com esse problema e têm vergonha de falar sobre o assunto. Lídia Soares dos Santos Limão

Próxima edição Ronny Kriwat Nossa! Fiquei surpresa e feliz com a qualidade da revista. Adorei a entrevista com o ator Ronny Kriwat. Ele é um gato! Michelle Silva Vila Maria

Adolescência Onde encontrar

me bastante com os casos relatados, pois tenho dois filhos que estão nessa fase, e adorei as observações do psicanalista Tiago Matheus. Obrigada!

Achei a reportagem sobre adolescência muito esclarecedora. Identifiquei-

Gostaria de saber quando vai sair a próxima edição da revista. Estou aguardando ansiosamente! Leda Pereira de Carvalho Limão A revista circula todos os meses, entre os dias 10 e 15. Envie suas sugestões, críticas e comentários para o e-mail revistahibisco@uol.com.br, com nome seu nome completo e bairro onde mora.


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Arquivo pessoal

perfil

Em Ayutthaya, na Tail창ndia (fevereiro de 2010).


Por Claudia Sá

Modelo, atriz, piloto de automobilismo, adepta aos esportes radicais, produtora, empresária, fotógrafa, colunista... E, por muito pouco, seria também veterinária, já que chegou até o último ano do curso. Essa, por incrível que pareça, é Valéria Zoppello, a moça doce, que encantou, há 14 anos, o vocalista do Mamonas Assassinas, e ficou famosa em todo o Brasil após a trágica morte da banda, em um acidente de avião. Nesta entrevista exclusiva, Valéria conta um pouco sobre sua relação com a zona norte de São Paulo, onde nasceu, cresceu, fez amigos e ainda hoje é sua referência, já que a mãe e parte da família moram na Serra da Cantareira. Fala sobre suas expedições mundo afora e destaca sua última aventura: a viagem que acabou de fazer pela Ásia, em busca de imagens e histórias, que agora serão transformadas em livro e documentário. Hibisco: Você nasceu e cresceu na zona norte? Valéria Zoppello: Sim. Nasci em Santana, mas passei minha infância toda entre Santa Terezinha e a Serra da Cantareira, lugar que, até hoje, é meu refúgio.

perfil

Valéria Zoppello O estilo radical da eterna namorada do Dinho, do Mamonas Assassinas

Hibisco: Como foi sua infância? Valéria Zoppello: Tive uma infância deliciosa. Brincava na rua, andava de bicicleta, subia em árvores... Meu bairro era lotado de crianças e, muitas vezes, só ia pra casa por medo de levar uns cascudos do meu pai, por eu ser tão rueira! (risos). Passava minhas férias e finais de semana no meio do mato, na Serra da Cantareira, o que influenciou toda minha vida, tanto que estudei veterinária e sou apaixonada pela natureza até hoje.

nasceram no bairro, casaram-se com pessoas dali e vivem muito bem, sem pensar em sair da região.

Hibisco: Você ainda mora na região? Valéria Zoppello: Não moro mais na zona norte, mas visito meus pais todas as semanas e não fico muito tempo longe da Serra da Cantareira também. Além de meus pais terem uma casa deliciosa no alto dessa bela montanha, minha irmã também mora na região.

Hibisco: Quais são os lugares que você mais gosta aqui na região? Valéria Zoppello: Sou bairrista de verdade. Amo a zona norte! Adoro visitar minhas amigas Beta e Ula, donas do “Conspiração do Jogo”, bar descolado, perfeito para uma partida de sinuca, uma disputa de jogos de tabuleiro com os amigos e até mesmo para namorar. Comida árabe é no “Garabed”, restaurante tradicional, sem placa na porta, e considerado por mim o melhor restaurante árabe do mundo! Há também muitos paraísos para se visitar. A trilha do Parque da Águas, por exemplo, é imperdível! Caminhar no Horto Florestal, vendo os macaquinhos e pacas, não tem preço!

Hibisco: O que você acha que a zona norte tem, ou preserva, que as outras regiões não têm? Valéria Zoppello: A zona norte preserva muito do charme de “bairro”, mesmo. Todos se conhecem. É impressionante como muitos amigos meus que

Hibisco: Você gosta de viver em São Paulo? Por quê? Valéria Zoppello: Gosto muito de viver em São Paulo porque aqui está meu clã, minha família, meus amigos. São Paulo é uma cidade de muitas oportunidades profissionais, diversidade cultural,

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perfil

gastronomia farta, vida noturna agitada e de qualidade. Como gosto demais de viajar, tornei-me fotógrafa de expedições internacionais e nunca vi uma cidade tão frenética quanto nossa Sampa. Hibisco: Veterinária, atriz, modelo, piloto, fotógrafa, produtora de televisão... Você ainda tem outras profissões, além destas? Valéria Zoppello: Atualmente não trabalho mais como modelo e não me formei em veterinária, estudei até o último ano. Fui piloto de automobilismo por quase 15 anos e, hoje, sou fotografa de expedições internacionais, tenho uma agência de elenco e sou proprietária do portal www. mulheraovolante.com.br, que mantém um programa ao vivo pela web todas as segundasfeiras, das 21h às 22h no www. alltv.com.br. Hibisco: Em qual ou quais dessas atividades você é mais atuante? Valéria Zoppello: Por incrível que pareça, toco todas as empresas ao mesmo tempo. Acabei de chegar da “Expedição Indochina”, na qual viajei por três meses por países como a Tailândia, Laos, Vietnã

e Camboja. Tenho 30 mil fotos pra editar e escrever os posts a respeito, portanto, a fotografia é o que tenho mais me dedicado, atualmente.

“Passava minhas férias e finais de semana no meio do mato, na Serra da Cantareira, o que influenciou toda minha vida” Hibisco: Qual foi o objetivo da expedição? Valéria Zoppello: Viajei com minha cinegrafista Isis Splendore, também da zona norte, em uma missão simbólica de paz. Atravessamos a Tailândia, o Vietnã, o Laos e o Camboja de ponta a ponta visitando tribos, templos, monastérios e regiões de conflito, captando imagens para meus blogs, revistas, livro e documentário. Foi a experiência mais mágica da minha vida. Conhecer as entranhas do sudeste asiático foi um grande presente. Hibisco: E o automobilismo, como aconteceu na sua vida? Valéria Zoppello: Comecei a correr de kart em 95. Em 98, comecei a correr na categoria

turismo, mas sem abandonar o kart. Em 2000, interessei-me pelo off road e corri o Rally dos Sertões. Até 2007, mantive-me em categorias de turismo nos campeonatos paulista e brasileiro, além das “500 Milhas de Kart Granja Viana”, onde pude correr lado a lado com as maiores feras do automobilismo internacional. Hibisco: Quais foram as principais corridas em que você participou? Valéria Zoppello: A Copa Gonzalo Rodriguez de kart em Punta del Este, Uruguai, Rally dos Sertões, Copa Corsa Metrocar e 500 Milhas de Kart Granja Viana, todos aqui no Brasil. Hibisco: Como surgiu o interesse pelos esportes radicais? Valéria Zoppello: Sempre gostei de adrenalina. Lutei caratê no Clube Esperia, por quase 10 anos. Quando me tornei colunista para a Internet, em 1999, o mercado me descobriu como uma boa repórter desse nicho e passei a trabalhar na área de esportes, desde então. Hibisco: Quais esportes você pratica, hoje? Valéria Zoppello: Ainda ando de kart, sempre que posso, e meu

No Kartódromo Internacional Granja Viana, em Cotia - SP (2007).

“Como gosto demais de viajar, tornei-me fotógrafa de expedições internacionais e nunca vi uma cidade tão frenética quanto nossa Sampa”

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Hibisco: Você é sempre agitada ou gosta, também, de um pouco de sossego, de vez em quando? Valéria Zoppello: Eu tenho muita energia e gosto de estar sempre produzindo, mas sossego pra mim é essencial. Gosto de silêncio para trabalhar e adoro estar sozinha ou com meu cachorro, o Rei, um Border Collie de 6 anos. Hibisco: Além do Rei, você tem outros bichos de estimação? Valéria Zoppello: Tenho uma Maltês de 17 anos, um Labrador de 11, um Rottweiler de 10, outro Border de 5 e um bebê Rottweiler de 1, um gigante! Hibisco: Quando você quer relaxar, para onde você vai e o que faz? Valéria Zoppello: Vou para meu refúgio na Serra da Cantareira. Acendo a lareira, fico abraçada

com meu cachorro, vendo filmes ou lendo um bom livro. Adoro ir para a praia também, não posso viver muito tempo longe do mar. Quando a vontade aperta, vou pra casa de um dos meus melhores amigos, o Carlão (também da zona norte), que mora em Maresias, no litoral norte. Hibisco: Você prefere viver em casa ou apartamento? Valéria Zoppello: Sem dúvida alguma casa. Gosto de ter minhas plantinhas, espaço e luz. Hibisco: Você é vaidosa? Valéria Zoppello: Eu me cuido. Presto muita atenção na minha saúde, não como carne vermelha e gosto de sentir que meu corpo está ágil o bastante para agüentar o tranco que é viajar pra cima e pra baixo carregando tanto peso... (risos) Hibisco: O que você faz para cuidar da beleza? Valéria Zoppello: Bebo muito

“Minha história de amor com o Dinho marcou minha vida definitivamente. Sei que vai ser assim pra sempre.”

No Deserto do Saara, no Marrocos (julho de 2008).

chá verde, escolho bem minha alimentação; eu também me exercito, uso bons cremes hidratantes no rosto e não me descuido com o Sol...

perfil

treinamento físico é aprimorado no Centro Articular, com o Espanhol.

Hibisco: Você se incomoda de ser lembrada como a eterna namorada do Dinho da banda Mamonas Assassinas? Valéria Zoppello: Minha história de amor com o Dinho marcou minha vida definitivamente. Sei que vai ser assim pra sempre.

Em São Paulo, eu indico: Onde comer: No Casa Garabed, em Santana; o Ráscal, na Alameda Santos, Jardins; A Firma Pizzas, em Maresias; o São Cristovão, na Vila Madalena; o Jardim di Napoli, em Higienópolis; o Caetano’s Bar, na Avenida Engenheiro Caetano Álvares, Imirim. O que pedir: não como carne vermelha, portanto, não dispenso um ótimo peixe, frutos do mar, risotos, legumes... Hummm... Onde dançar: na sala de casa O que visitar: Horto Florestal, exposições fotográficas e de grafites, o quadrilátero fervente da Vila Madalena, o Templo Budista Zu Lai, em Cotia, o Autódromo de Interlagos... O que não reparar: no estresse do dia a dia.

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Banco de imagens Hxc.hu

comportamento

Você tem?

Por Claudia Sá

Carismáticos e não-carismáticos. Aos primeiros, tudo! Aos segundos, nada! Essa é muitas vezes uma forma de dividir a humanidade e, por isso mesmo, muita gente entra em pânico só de pensar se tem ou não esse charme, esse poder de agradar e atrair as pessoas para si. Mas, será que essa “dádiva” é tudo o que precisamos para sermos bem-sucedidos? Será - mesmo que os bem-aventurados são assim por obra da Natureza e os outros estão fadados ao fracasso? Não, necessariamente. É claro que o ser carismático, aquele que desde cedo é admirado – e também invejado - pelos coleguinhas, tem muita chance de se tornar ícone em algum campo do conhecimento. Mas, é bom lembrar que quem tem esse poder de fascinar as pessoas pode ir longe, mas, não basta chegar onde se quer, é preciso permanecer lá, e, para isso, é preciso ter uma boa dose de talento. De acordo com a psicóloga Leda Gomes, carisma é “uma atração exercida entre pessoas,

que pode gerar persuasão”, diz. “É quase como a força de um imã. Os carismáticos parecem confiáveis e seguros no que dizem, pensam e fazem. Isso é um elemento tranqüilizador para quem tem dúvidas”, explica. No entanto, ela afirma que o atributo não é garantia de sucesso. “Confiar nisso, apenas, não garante nada. A admiração traz cobranças, e satisfazê-las requer muito trabalho”, alerta. “No âmbito pessoal é o mesmo, se esse atributo subir à cabeça pode ser fonte de perdas afetivas. Sabe quando as pessoas se sentem com o jogo ganho?”, completa. Carisma e liderança A psicóloga lembra que carisma também não é sinônimo de liderança, como muitos costumam pensar, ou condição fundamental para exercê-la. Para ela, “bons líderes não são, necessariamente, carismáticos. Alguns teóricos

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comportamento

presidência e para o governo do Estado, só por estarem onde estão são pessoas bem-sucedidas, personalidades reconhecidas internacionalmente. Ou não? E qual deles poderia ser apontado como carismático? Bem, eles podem ter alcançado êxito por inúmeros motivos, entre eles, o esforço pessoal, o conhecimento, a inteligência... Mas, certamente, nessa lista não entra o carisma. Simpatia e carisma

chegam a dizer que o líder é quem é obedecido, com variados graus de autoritarismo”, afirma. O tema também é analisado pelo empresário e consultor de carreira espanhol Ferran Soriano, em seu livro “A Bola não Entra por Acaso”. Na obra, ele fala sobre liderança à luz da transformação que empreendeu no FC Barcelona, de 2003 a 2008, quando foi vice-presidente econômico do clube, tornando-o uma das marcas mais valorizadas do mundo. Para ele, todo carismático é, sim, líder, mas, nem todo líder tem que ser carismático. “O carisma não é uma qualidade imprescindível para alguém que pretenda ser o chefe de um grupo. Apesar de ser muito útil na hora de ganhar a liderança ou nos momentos de grandes dificuldades” afirma. No entanto, ele alerta mais adiante: “Da mesma maneira que o melhor que pode acontecer a um artista é que a inspiração o encontre em pleno trabalho, o mais oportuno para um líder é que o carisma o encontre trabalhando”. Para concordar, nem é preciso forçar tanto os miolos, basta pensar nas eleições deste ano. Todos hão de concordar que os candidatos, para

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Outra coisa que quase sempre gera confusão é a relação entre carisma e simpatia. O que se esquece é que os carismáticos são mais conhecidos por suas habilidades do que pelo sorriso afável, pela batidinha nas costas. Ao contrário do que muitos possam pensar, há pessoas de carisma incontestável, que nem de longe podem ser chamadas de simpáticas. Exemplos? Que tal começarmos por Adolf Hitler? E Napoleão Bonaparte? Martim Luther King? Zagallo? São personagens que nada teriam a ver um com o outro, se não fosse o poder que eles têm de provocar, nos outros, o amor e o ódio. Ou seja, capacidade inata de arrebanhar seguidores, bem como inimigos. Mas, qual deles é famoso pela simpatia? Como explica Leda, essas dois atributos são distintos e independentes. “Simpatia sugere mesmo grau ‘hierárquico’ nas relações, e os carismáticos são colocados pelos demais num grau superior”. Do que é feito um ser carismático Para tentar descobrir o segredo dos carismáticos, um bom exemplo pode ser o presidente Lula, o homem que tem cativado não só brasileiros, mas, gente do mundo inteiro. Ele não deixa de ser simpático, porém, certamente, não é a simpatia que faz dele o que é, nem de seus diplomas, já que é de conhecimento público que ele não os tem. Porém, ele dispõe de três características, que são comuns em outros grandes líderes da História: inteligência, autenticidade e paixão. Sim, porque ninguém vai querer seguir ou ouvir alguém que não tenha nada a dizer, ou seja, a acrescentar à sua vida, e, para ter repertório, é preciso ser inteligente. Quem vai acreditar em alguém de personalidade fraca, que não acredita em si mesmo ou que tenha vergonha de ser o que


Mas, é possível desenvolver o carisma? Uma das questões que vêm à tona ao se pensar em carisma é se alguém, que nasceu desprovido de tal atributo, pode, ao longo da vida, desenvolvê-lo. A resposta, segundo Leda, é não, até porque a “graça” do carismático é, exatamente, ser natural, espontâneo, e não é de se esperar que livros ou treinamentos mudem a natureza de alguém. No entanto, segundo consultores de carreira, é possível adquirir alguns hábitos que

podem contribuir não com a “criação” de um ser carismático, mas com a formação de um líder ou de um bom comunicador. O estadunidense Dale Carnegie, por exemplo, é autor de um dos mais antigos livros do gênero, o best-seller “Como fazer Amigos e Influenciar as Pessoas”, escrito em 1937. Na obra, ele dá conselhos aos leitores sobre como cativar equipes e indivíduos e incutir neles o seu próprio pensamento. De todas as orientações, uma delas, que aparece já no primeiro capítulo, parece resumir todas as outras: “o único meio existente na Terra para influenciar uma pessoa é falar sobre o que ela quer e mostrar-lhe como realizar seu intento”. Em seguida, ele exemplifica: “se, por exemplo, não quiser que seu filho fume, não lhe pregue sermões nem fale sobre o seu desejo, mostre-lhe, porém, que os cigarros diminuem as suas possibilidades no futebol ou na vitória da corrida de cem metros”.

comportamento

é? Ou, o que mais desperta paixão, senão a própria paixão que alguém tem por outrem, por uma causa ou, simplesmente, pela vida? Amados ou odiados, bons ou maus, esses personagens são, notadamente, inteligentes, autênticos e apaixonados. Ou há dúvidas sobre a paixão de Zagallo pelo futebol? Ou de Lula pelo Brasil e pela causa dos trabalhadores? Ou, ainda, que Che Guevara, outro líder inato, não sentiu na carne a mesma dor da qual padecia e ainda padece a América Latina? Além dessas características comuns a esses homens, há outro fator fundamental para que eles tivessem seus nomes eternizados na História é exatamente o assinalado por Soriano: o trabalho árduo. De nada adiantariam suas virtudes, se eles tivessem ficado assistindo de longe a realidade acontecer ou se confiasse o seu sucesso ao carisma.

Carisma prêt-à-porter Um dos grandes erros que cometem aqueles que “fabricam” celebridades é justamente acreditar que personalidades se fabricam. Chega a ser ingênuo crer que uma pessoa sisuda, de poucas palavras por natureza, da noite para o dia, possa ser transformada em alguém eloquente, bem-humorado, “descolado”. Segundo Leda, o máximo que se pode conseguir é “uma espécie de caricatura, um simulacro, mas isso sempre terá o aspecto falso”, afirma. Mas isso não se resume ao meio dos famosos ou dos que almejam ser. No mundo dos anônimos também há muitos que insistem em querer forjar imagens que não condizem com o seu real modo de ser. Mas, porque será que ao invés de tentar inventar um personagem, porque não descobrir o que cada um tem, realmente, de bom para mostrar? Sim, porque todo ser é dotado de qualidades e defeitos próprios. Por que não desenvolver e expor o que cada um tem de melhor ao invés de tentar criar a “pessoa ideal”? Por que teimamos em acreditar que não somos bons o suficiente para sermos vistos como somos, de fato, e insistimos em nos esconder detrás de comportamentos padronizados?

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comportamento A receita A receita para ser aceito, admirado e – carismático – pasmem – pode não existir, como pode não haver para nem um dos nossos outros anseios de ser e de ter. Ou o segredo pode ser, exatamente, não seguir “fórmulas mágicas”, pois cada uma delas foi feita por alguém, com uma

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realidade e num tempo específicos, e, se serviu para o seu autor, não significa que servirá para todo mundo. É bom, sim, ouvir as experiências dos outros, para evitar muitos enganos, mas, não adianta tentar copiá-las, pois cada pessoa tem seu “caminho das pedras”, descoberto e a descobrir. Para uns, pode ser encontrar ou reencontrar o próprio talento, o gosto pessoal, sem se deixar manipular pelas famigeradas “tendências”, tampouco pelo que é considerado – pelo pensamento vigente - bom ou ruim. Para outros, pode ser ousar expor o seu pensamento, a sua visão de mundo, sua arte, sem se preocupar se eles serão aceitos ou não. Afinal, é só assim que se cria algo de verdade. Quem tem medo se conforma em copiar a genialidade dos outros. Talvez o segredo seja viver, simplesmente, sem se ligar para os rótulos, os conceitos e preconceitos aos quais vive acorrentada e acorrenta a sociedade. Seja ter coragem de ser o que, de fato, é e fazer o que, de fato, gosta... Talvez também não seja simples assim, mas, certamente, é um bom começo.

Livros: A bola não entra por acaso – Ferran Soriano (editora Larousse). Como fazer amigos e influenciar as pessoas – Dale Carnegie (Companhia Editora Nacional).


artigo Muitas pessoas reclamam que estão repletas de urgências, que vivem em cima do prazo e suas atividades na empresa são sempre para ontem. A urgência tende a ser um dos principais causadores de infartos, do fim de relacionamentos e dos bons momentos. Tem gente que tem tanta urgência que só vive de “rapidinhas”, e a vida vai correndo e ficando sem graça. Que estamos ocupados e cheios de atividades para fazer, sem dúvida, todos estamos. Agora, a pergunta que fica é: será que você está ocupado com tarefas realmente importantes? Que vão trazer resultados de fato para sua vida, para sua empresa? Ou apenas está correndo atrás de sabe-se lá o que? Pare por um momento e analise as suas urgências. Você vai descobrir que a maioria delas foram esquecimentos, afazeres importantes negligenciadas, erros de comunicação, falhas de processo, pessoas que não sabem se planejar e por aí vai. Boa parte do urgente poderia ser evitado, mas nossa mente é focada em resolver urgências, não em preveni-las. Se não quiser viver com a síndrome do bombeiro por toda a sua vida, aceite que é possível mudar isso. Eu consegui, muitos conseguiram e você também pode fazer. Comece a pensar: como eu posso antecipar minha vida em dois dias? Lembre-se que o bombeiro é um profissional especializado em resolver urgências, este é o objetivo central dele, já o seu, qual é?

Divulgação

Por Christian Barbosa

O que quero dizer com isso é que você deve começar a olhar para a frente e ver tudo aquilo que deve ser feito nos próximos três dias e trazer essas atividades a “tempo presente”, ou seja, se a tarefa deve ser cumprida na quartafeira, faça-a na segunda-feira. Essa é a forma mais simples e básica de começar a diminuir as urgências. Elas nunca deixarão de existir, mas precisam ser colocadas sobre controle no seu tempo. Adiantar sua vida. É isso que prego e é isso que começa a te dar mais controle sobre a sua vida. A ideia que devemos centralizar é evoluir ao invés de simplesmente agirmos freneticamente. E então, o que você pode fazer para adiantar sua vida e minimizar as urgências? Christian Barbosa é especialista em administração de tempo e produtividade, fundador da Triad PS, empresa multinacional especializada em programas e consultoria na área de produtividade, colaboração e administração do tempo. Ministra treinamentos e palestras para as maiores empresas do País e da Fortune 100 e é autor dos livros A Tríade do Tempo e Você, Dona do Seu Tempo e Estou em Reunião e co-autor do Mais Tempo, Mais Dinheiro. Sites: www.triadedotempo.com.br e www.maistempo.com.br

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natureza curiosa

Bichos Uma arma preciosa! Metais e pedras quase sempre são as matérias-primas das jóias, porém, as pérolas são encontradas dentro de uma criatura viva, a ostra, e são resultado de um processo biológico - é a maneira do molusco se proteger de substâncias estranhas. A maioria das pérolas é produzida pelas ostras, tanto em ambientes de água doce quanto de água salgada, porém, a preciosidade também é oriunda de mexilhões e amêijoas (espécies de mariscos), mas esta é uma ocorrência muito mais rara.

Galão natural de água?

Há quem ache que os camelos carregam água na corcova, para se abastecer durante suas longas viagens no deserto. Mas, na verdade, as protuberâncias são montes de gordura, que, em um animal saudável e bem alimentado, podem pesar até 35 quilos! Com essa reserva, o bicho pode sobreviver por um período de até duas semanas sem precisar se alimentar.

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Quem nunca ficou fascinado com o pisca-pisca dos vagalumes? Esse espetáculo gratuito, feito por esses bichinhos, é um dispositivo sexual utilizado pelo macho, para avisar que está se aproximando, e da fêmea, para dar o consentimento, mostrando onde está. Esse processo (também feito por outros organismos) é chamado de bioluminescência, que também serve de instrumento de defesa e de chamariz para atrair presas. A luz é produzida por uma reação química de células especiais, situadas no abdômen do inseto.

natureza curiosa

Alerta do amor!

O boleiro alado!

Sxc.hu

Eles estão em quase todos os jogos de futebol, voam para lá e para cá, e, de quando em quando, chegam até a ser alvejados – de tanto que se intrometem entre os jogadores e a bola: são os quero-queros. Mas, por que eles gostam tanto de estádios? São boleiros também? Esportistas? Na verdade, essas aves gostam de áreas abertas e, em alguns períodos do ano, elas se juntam para o acasalamento e fazem ninhos, criam filhotes nesses espaços e, por isso, durante as partidas, ficam em alerta, com o intuito de defender sua casa e sua prole dos intrusos.

Ele tem a força!

Sabe qual é o animal mais forte do mundo? Esqueçam o tubarão-branco, o leão ou qualquer outro ser vivo. Proporcionalmente, ninguém é mais forte que o Dynastinae, mais conhecido como besouro-hércules e besouro-rinoceronte. Apesar de caber na palma da mão de qualquer criança - mede apenas 13 centímetros - ele consegue levantar 850 vezes o próprio peso! Todas imagens desta seção são do banco de imagens Hxc.hu

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Banco de imagens Hxc.hu.

saúde Por Sylvana Braga

As cascas de alguns alimentos carregam propriedades tão benéficas à saúde quanto a polpa. Coloridas e altamente nutritivas, as farinhas de fruta são fontes de fibras naturais que auxiliam no bom funcionamento do organismo. As farinhas podem ser extraídas de frutas como: maracujá, uva, laranja, maçã e banana verde. A trituração da casca da uva vermelha resulta num excelente antioxidante natural que ajuda a evitar acidentes vasculares e problemas cardíacos, além de diminuir o conhecido mau colesterol, o LDL. Para auxiliar no emagrecimento e no bom funcionamento do organismo, a farinha obtida da casca da banana verde é rica em

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fibras de amido resistente, enquanto a farinha de maracujá também ajuda no emagrecimento, no mau colesterol e é rica em pectina que bloqueia a absorção de gorduras pelo intestino. A maçã reduz o colesterol e triglicérides, além de aumentar a saciedade e reduzir a fome. A casca da laranja amarga proporciona uma farinha que é rica em fibras naturais. Reduz o apetite, regula o funcionamento do intestino e também contribui para a redução do colesterol. As farinhas de fruta podem ser consumidas em saladas, iogurtes, no arroz, nas vitaminas de frutas, leite ou em pó antes das refeições. Podem ser encontradas em lojas de produtos naturais.


cá entre nós Divulgação

Da Redação

Que as locadoras tiveram que se reinventar, para se manterem no mercado, não é novidade para ninguém. Para “sobreviver” à onda da pirataria, todas elas tiveram de incluir outros atrativos, além dos filmes no rol de produtos, como livros, doces, sorvetes, bem como cafeteria e serviços de recarga de celular, bilhete único, entre outros. Mas, no Bairro do Limão, uma delas foi além: criou um espaço cultural, onde são realizados eventos relacionados ao cinema. Trata-se da Mega Star Vídeo Locadora (Avenida deputado Emílio Carlos, 792), que criou uma programação permanente de atividades, voltada à análise crítica de obras cinematográficas, à luz do contexto histórico contemporâneo. De acordo com o gerente e produtor de eventos da casa, Rafael Noronha, o espaço vem preencher uma necessidade da região. “Estamos felizes por ser o primeiro espaço cultural do Limão”, comemorou. Entre os destaques, está um bate-papo,

no dia 27 de junho, com Paulo Lins, autor do livro “Cidade de Deus”, que deu origem ao filme de mesmo nome, dirigido por Fernando Meireles. Na ocasião, haverá um coquetel, e Lins, que também é roteirista da minissérie global “Cidade dos Homens” e do filme “Quase dois Irmãos”, falará sobre sua trajetória na produção literária, cinematográfica e televisiva. “Acreditamos que Lins pode nos acrescentar muito, partilhando um pouco de suas experiências e possibilitando uma conversa sobre seus trabalhos e sobre nossa realidade tão paradoxal”, afirmou Rafael. Para obter outras informações e conhecer a agenda completa de eventos, os interessados devem entrar em contato com os organizadores, pelo telefone: 3857-7717. Palestra com Paulo Lins Data: 27/06/2010 (domingo) Horário: das 18h às 21h Local: Avenida Deputado Emílio Carlos, 792. Limão. Preço: 30 reais

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cá entre nós

Da redação

Além do acervo de 30 mil livros, mil audiolivros e quatro mil CDS e DVDs, jogos, computadores com acesso à internet, rede wireless e brinquedos educativos, entre outros, a Biblioteca de São Paulo ainda oferece uma programação cultural variada. Na casa, inaugurada em fevereiro, no Parque da Juventude, onde ficava a antiga Casa de Detenção do Carandiru, é possível assistir a shows musicais, peças de teatro, sessões de cinema, participar de oficinas de arte, saraus, entre outras atividades.

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Para utilizar todos os serviços, basta apresentar na recepção da biblioteca um documento de identidade e comprovante de residência. A lista de eventos pode ser conferida no site: www.bibliotecadesaopaulo.org.br. Serviço: Biblioteca de São Paulo Endereço: Avenida Cruzeiro do Sul, 2.630. Santana. Horário de funcionamento: de terça a sexta, das 9h às 21h. Sábados, domingos e feriados, das 9h às 19h. Tel.: 2089-0800 Entrada gratuita


cá entre nós Divulgação

Por Juliano Picceli

No dia 27 de junho, o Centro Cultural Ruth Cardoso (CCJ), receberá o grupo “Pequeno Cidadão”. Trata-se de um projeto de Arnaldo Antunes, Antonio Pinto, Edgard Scandurra e Taciana Barros só com músicas pras crianças. Com a proposta de fazer “música de verdade” para crianças, eles se reuniram na gravação de um disco com composições feitas para seus filhos. Na ocasião, eles tocarão as músicas do álbum “Pequeno Cidadão”, de maneira teatral e lúdica, como se brincassem de ser criança. O trabalho tem letras que falam dos primeiros “pepinos existenciais” - como os próprios artistas denominam – das pessoas, como a hora de largar a chupeta, obrigação, a diversão e o banho, colocando o público infantil em contato com estilos que vão do pop ao forró. Além disso, abordam as criaturas encantadas do CD de “MPC” (Música

Psicodélica para Crianças), entre elas: a lagartixa e os cruzamentos da chupeta com a guitarra e do sapo-boi com o baixo elétrico. O evento é indicado para todas as idades. A entrada é gratuita, e os ingressos devem ser retirados na data do show, a partir das 17h, na recepção do CCJ. Algumas das faixas podem ser ouvidas no my space do grupo: http://www.myspace. com/pequenocidadao

Show do Pequeno Cidadão Local: Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso (Anfiteatro). Capacidade: 280 lugares Data: 27 de junho (domingo) Horário: 18 horas Endereço: Av. Deputado Emílio Carlos, 3641. Vila Nova Cachoeirinha. Tel.: (11) 3984-2466. Entrada gratuita

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crônica

Arquivo pessoal

Por Zilma Caricati

Uma coisa que sempre me chama a atenção nos clássicos infantis é que escondido neles existe um universo de mensagens a serem decifradas. Sutilezas que muitas vezes podem passar despercebidas, porém incitam muitas pessoas a investigá-las. Muitas dessas histórias são tão ricas e atemporais que são capazes de explicar os acontecimentos de nossa vida cotidiana e muito de nossos comportamentos. “Alice no país das maravilhas”, por exemplo, escrito em 1865, por Lewis Carroll, que tem enchido as salas de cinema, numa versão de Tim Burton. Como esses clássicos são capazes de vencer o tempo? Será porque traduzem os conflitos que existem em comum entre as gerações? O drama vivido pela personagem Alice é o mesmo da maioria das meninas em seu rito de passagem da infância para a adolescência. Na história, a garota está constantemente mudando de tamanho, ora grande demais, depois tão pequena que quase chega a desaparecer... Quem de nós não se sentiu estranha quando adolescente? Frequentemente me via desproporcional, como se de uma hora para outra, passasse a pertencer a um mundo desconhecido. Além desses conflitos internos, a personagem se depara com “o mundo subterrâneo” ou “país das maravilhas”, em que o autor dá sinais de como eram as pessoas na época em que o clássico foi escrito. Na sociedade vitoriana, a Inglaterra foi inserida em rígidas normas de conduta, que ditavam

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o comportamento de quem vivia nela. O período se tornou sinônimo de pontualidade, sobriedade e sofisticação, porém a hipocrisia não podia deixar de se fazer presente, já que o povo vivia esquecido e padecia em miséria e doenças. Naquela época, os jogos e as bebidas alcoólicas passaram a ser consideradas impróprias para homens distintos. Assim, esses mesmos senhores que se escondiam atrás das formalidades impostas, no cair da noite, refugiavam-se em obscuros e clandestinos prostíbulos e casas de jogos. O que se esperava da mulher era que agisse como um ser frágil, prudente e fútil. Era educada para “arranjar” um marido e vivia na busca de ter ao menos um filho homem, já que se ficasse viúva, ela e suas filhas não teriam direito a herança. Todos os bens iriam para o parente do sexo masculino mais próximo do falecido. Esse é outro conflito da trama na versão de Burton, pois a história se inicia quando a moça chega com a mãe em uma festa e é surpreendida com a notícia de que ficaria noiva de um rapaz que não amava. Estas são apenas algumas entre várias mensagens a serem decifradas nessa surpreendente história, que, no decorrer dos séculos, ganhou muitas versões que ajudam a alimentar a nossa curiosidade em relação aos “inocentes” clássicos infantis, que para alguns, nada mais são que doces histórias para entreter crianças, porém elas representam muito mais que isso.



Hibisco edição 2