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arte

> movimentos, textos abstratos e pano pra manga para ler ouvindo: a música Bike, de Pink Floyd REPRODUÇÃO

DADAÍSMO: a abolição da lógica e dança dos impotentes da criação > por Rian Néri Cavalo de pau, gugu dada, ou uma palavra aleatória em um dicionário francês: todas essas caracterizam o nome do tal movimento, que ocorreu em Zurique, na Suíça. Mais uma vez dentro de ‘‘tavernas’’ (leia-se Cabaret Voltaire) por escritores poetas e artistas plásticos. Mais uma vanguarda, já que o tema dessa vez é o novo. Tudo bem, não tem como dizer que algo criado em 1916, em plena I Guerra Mundial, é novo, mas seus conceitos são o mais puro reexo de novidade na arte até hoje. O dadaísmo foi criado dentre discussões sobre os caminhos que a arte havia tomado durantes essas décadas, uma mistura de classicismo pomposo com ideias ainda alienadas. Então Tristan Tzara, o grande mentor do movimento, se fez aquela velha pergunta de gênio: porque não criar algo novo, algo que vai à contracultura do que esta sendo feito? Eis que surge o dadaísmo. Se eu pudesse resumir tal palavra, seria “deboche”, tendo em vista que a obra dadaísta mais famosa é um mictório de ponta cabeça. Mas com a assinatura de um dos artistas mais inuentes da vanguarda - nada mais nada menos que Marcel Duchamp. É, aquele que aparece nos vestibulares e provas de certos concursos. Um dadaísta, por ofício, tinha como objetivo mostrar que uma obra de arte não deveria ter beleza em si mesma,

pois a beleza já estava morta (palavras de Tzara), e então surgiram os poemas sem pé nem cabeça, as pinturas debochadas - como a réplica da Monalisa com bigodes - e garfos de bicicletas acopladas em bancos de bar. Enfim, apesar de que parecesse impossível levar os olhos da crítica para outro caminho e talvez mostrar o futuro da arte para o mundo, o que aconteceu, finalmente, foi o início de uma legião de artistas pretensiosos,

como usar o

O novo estava sendo feito enquanto Áustria e outros países faziam uma grande lambança chamada Guerra Mundial

> Escultura: Hans Arp é o nome certo pra quem procura esculturas dadaístas. Mas cuidado: é muito comum confundir as esculturas dadaístas com as surrealistas. Aí vai uma dica: quando olhar uma escultura e não entender absolutamente nada e ela te prender por mais de hora, provavelmente trata-se de uma dadaísta. Agora, quando não entender uma obra e ela te causar uma certa perturbação dos sentidos - e até uma certa vertigem - essa é surreal. Literatura: Nojo Dadaísta, poema do mentor do dadaísmo Tristan Tzara, é uma justificativa, um apelo, um pretexto, um legado original e uma oração aos artistas modernistas pra todo sempre.

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arte modernos e visionários. O dadaísmo era feito com materiais achados na rua, nos fundos de casa, totalmente na contramão do que já havia sido visto. Tudo inuenciado por pensamentos embebidos de champanhe, café e absinto. O novo estava sendo feito enquanto Áustria e outros países faziam uma grande lambança chamada Guerra Mundial. Pois é, ainda existia gente inteligente naquela época, que não precisava apertar gatilhos pra mostrar algo ao mundo. Tal movimento é de extrema importância para artistas até hoje, pois os novos conceitos de arte perfuraram a barreira do clássico e inuenciaram outras importantes vanguardas como os surrealistas e,posteriormente, os cubistas. Os dadaístas levaram ares de liberdade artística a todas as futuras gerações de artistas. Basta entrar em uma exposição de arte moderna (quem foi à última Bienal sabe do que estou a falar). Hoje, uma colagem, uma manequim rabiscada e vendada só é arte graças ao dadaísmo. Mas eis que surge nos tempo de hoje novos conceitos de arte, tais como uma questão que cresce a todo o momento: jogos eletrônicos e gráficos computadorizados são ou não arte? Eles têm o elemento visceral da arte palpável? Eles são planejados dentro de escritórios estressantes, suas idéias já não são as embebidas no absinto, já não se suja mais nada. Será que ainda estamos falando de arte? Será que a arte também vai ser digitalizada, afinal vamos esperar tudo se automatizar ou virar robô, ou vamos fazer algo novo e vanguardista usando antigos métodos? Penso que o dadaísmo já nos levou ao limite do que pode virar a arte. Basta colher as novas maçãs daquela antiguíssima macieira e inventar uma nova receita.

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RODRIGO ROSP (37)é autor dos livros A Virgem que não conhecia Picasso, Fora do Lugar e Fingidores. O e-mail dele é rosp@naoeditora.com.br O que é melhor: ser novo ou ser bom? Parece uma pergunta estúpida, eu sei. Mas tenho a sensação que, na literatura atual, tem-se voltado mais as atenções para o novo que para o bom. O importante parece ser a quantidade de inovações, a ideia nova (ou reciclada de uma forma que pareça nova), a acrobacia. Um tempo atrás, li uma frase de um consagrado profissional do marketing, que dizia algo do tipo: “É melhor fazer antes que fazer melhor”. Isso nunca fez o menor sentido para mim. Não vejo nenhum caminho possível a não ser a busca pela qualidade, por fazer melhor. Num cenário onde mais de cinco mil títulos de ficção em primeira edição chegam às livrarias brasileiras, há uma ânsia natural por se diferenciar. Para chamar a atenção, é preciso ser muito original, criar algo realmente novo, que jamais tenha sido feito, certo? Errado. O problema dessa lógica é deixar de lado aspectos fundamentais da literatura, como uma boa composição de personagens e a capacidade de contar uma história. Se alguém conseguir narrar um romance do ponto de vista de um ouriço do mar e construir um personagem tão interessante quanto os de Shakespeare ou de Machado de Assis, por favor, me avise. Não sou nem pretendo ser aquele velho ranzinza que começa as frases com “no meu tempo...”, que diz que a juventude está perdida, etc. Só acho que a busca pela novidade em si é algo vazio se não for acompanhada pela ambição de ser – com o perdão da singeleza – bom.

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