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índice

motivos 30 para ler! É como se a universidade não nos pertencesse

Em entrevista à Haley, o rapper MV Bill destaca a visão que os jovens da periferia brasileira têm da universidade.

Carta do leitor

pag. 10

Minha história

pag. 14

Melzinho na chupeta

pag. 16

Conheça um pouco da história do fotógrafo Goldenberg Fonseca e de sua paixão pela fotografia.

No Brasil, o descuido com a higiene bucal das crianças faz com que 27% dos bebês menores de três anos apresentem cáries.

pag. 8

Profissão: estagiário

pag.20

Só este ano, em Dourados, 1.500 universitários estão atuando no mercado, sendo que 70% destes têm a chance de ser efetivados. 4 | outubro • 2009 | haley

Filhos múltiplos

pag. 24

Comunicação

pag. 26

Naqueles dias...

pag. 28

A TPM é o motivo das mulheres irem à loucura todos os meses, mas saiba que os homens também sofrem juntos.

Ano novo no azul!

pag. 32

E a turma dos 50tões

pag. 36

Professor, substantivo abstrato

pag. 38

Se antes eram vistos com respeito, hoje precisam saber lidar com agressões e doenças que esta situação acarreta.

74 anos de história

pag. 42

O gambá do meu quintal e a Conferência de Copenhague pag. 44 Com eira e com beira

pag. 52


Você é do tipo que checa e-mail, celular, bolso ou bolsa? Mais que cuidado, o ciúme em excesso pode ser doença.

pag. 12

Mais que presentes...

Em Dourados, entidades e pessoas se dedicam a alegrar, mesmo que por instantes, a vida de próximos-distantes .

pag. 46

Alerta animal

Desmatamento insustentável

pag. 56

pag. 60

A destruição das florestas é um problema mundial, já que restam apenas 22% da cobertura florestal original no Planeta.

Internacionalização: nova realidade do ensino superior

pag. 62

Beleza se põe à mesa

pag. 64

Safra 2009/10 promete ser melhor

pag. 68

Crítica de Mídia Eles disseram Curiosidades do Natal Soluções em pequenos espaços O verdadeiro Natal

pag. 72 pag. 74

pag. 76

pag. 78

pag. 80

Glória a Deus nas alturas, Paz na terra, boa vontade para com os homens.

(Lucas 2: 14) .

Falar, fazer e ser compreendido Antes de viajar, é hora de revisar Sem riscos no verão Estilo no verão

pag. 84

pag. 86

pag. 90

pag. 94

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edição anterior

editorial Leitores e leitoras,

DIRETORIA EXECUTIVA: João dos Santos / Ailton Dias DIRETOR ADMINISTRATIVO: João dos Santos DIRETORIA FINANCEIRA: Claudete dos Santos CONSELHO EDITORIAL: Ailton Dias / João dos Santos Claudete dos Santos REDAÇÃO: Maria Alice Campagnoli Otre / Caroline Oliveira COLABORADORES: Andressa Mello / Ellen Kotai / Isabela Schwemberg / Karine Segatto / Marcos Antônio / Karen Gaigher / Flávio Fagundes REVISÃO: Rafaela Bonardi FOTOGRAFIA: Ellen Kotai CAPA FOTO-MONTAGEM: Thomas Henrique DIREÇÃO DE ARTE: Acácio Junior / Thomas Henrique CHEFE DE IMPRESSÃO: Fernando Hoston DIAGRAMAÇÃO: Acácio Junior / Thomas Henrique ASSINATURAS: Ozeni Silva Ferbonio - 67•3425-7264 CARTAS À REDAÇÃO: redacao@revistahaley.com.br

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A Revista Haley é uma publicação mensal da Marindress Editora Gráfica. É proibida a reprodução de reportagens e anúncios sem autorização. Os anúncios e ofertas são de inteira responsabilidade dos anunciantes. Os artigos publicados refletem as opiniões dos articulistas. AVULSO: R$ 9,50. ASSINATURA ANUAL: R$ 100,00

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É com fitas, laços e muito cuidado que a Revista Haley traz a você, neste fim de ano, uma edição especialíssima, que retrata o clima do Natal e Ano-Novo. O foco aqui não é fazer alusões aos consumismos que marcam esse período, representado pela imagem dos presentes, mas destacar a necessidade de refletirmos um ambiente de paz, fraternidade, solidariedade e amor, e nos tornarmos presentes para os que nos cercam. Nesse pacote de fim de ano, você vai conhecer algumas entidades e pessoas que se dedicam, de alguma forma, em favor do próximo, oferecendo-lhes, acima de tudo, esperança. Além disso, vai desvendar algumas curiosidades do Natal. Uma matéria especial de decoração traz dicas de como deixar uma mesa bonita para as festas de fim de ano, reunindo de maneira agradável os familiares e amigos. E para os que vão viajar, a revisão do carro, item importantíssimo, também não foi esquecida pela Haley. Da mesma forma, não nos esquecemos de cuidar de você, trazendo um guia para o verão, com os cuidados que devem ser tomados diante das altas temperaturas, sol e vento. Por fim, um texto de economia alerta nossos leitores sobre os riscos que se aproximam: férias, festas de fim de ano, contas de começo de ano e o descontrole total. Apesar do vermelho do Papai Noel, o objetivo é que se comece o ano no azul! Você vê ainda, nesta edição, temas polêmicos como o limite entre o ciúme natural e o patológico e os desafios que professores enfrentam em sala de aula. Outros temas trazem abordagem mais informativa, como a importância do estágio para os futuros profissionais, o desmatamento insustentável, os cuidados com a higiene bucal das crianças, os problemas causados às mulheres – e homens! – pela TPM e a andropausa, e como prestar os primeiros socorros para cães e gatos. A relação entre irmãos gêmeos, cuidados e a necessidade de diferenciações também foi abordada nesta oitava edição da revista. Relacionada diretamente com a temática regional, expectativas quanto à safra 2009/2010, o aniversário de Dourados e os traços da arquitetura que a cidade esbanja propõem localizar, você leitor, dentro da dinâmica social, cultural e econômica douradense. Os artigos, editorial de moda, a coluna “Crítica de Mídia” trazem, na diversidade de abordagens, a possibilidade de que você esteja em contato com diversos temas que podem contribuir com sua visão de mundo e, ao mesmo tempo, o entreter. É dessa forma que a Haley o convida a encerrar 2009 com chave de ouro, e a se preparar para o ano que já começa a despontar. Com os objetivos para o novo ano traçados, continuaremos trabalhando por você, leitor, debatendo temas que influenciem positivamente a sua vida. Um fim de ano abençoado e até 2010!


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entrevista y

É como se a universidade

não nos pertencesse É com essa frase que o conclamado Mensageiro da Verdade de uma das maiores favelas do Brasil, Cidade de Deus, destaca a visão que os jovens da periferia brasileira têm da universidade. Maria Alice Otre

M

V Bill é, atualmente, um dos grandes nomes do Hip Hop no País, da luta pela inclusão de negros e contra a criminalização generalizada do morador de periferia. Estudou até a quinta série, mas devorou autores como Darcy Ribeiro, Abdias do Nascimento e Malcom X e, a partir daí, passou a fazer com que suas composições musicais apresentassem o dia a dia das periferias e o que a população em geral desconhece. Com uma crítica aguçada, principalmente à mídia que estigmatiza o favelado, ele se faz porta-voz dos excluídos e apresenta, também por meio da literatura, a

Haley – Geralmente os moradores das favelas se excluem da universidade. O que você acha que está faltando para tentar mudar isso? MV Bill – Bom, primeiro quando você consegue constatar, identificar um abismo, uma distância entre as pessoas que deveriam olhar a universidade como uma coisa que vá ajudar a formar, a brilhar o futuro delas, mas ao invés disso, olha com um distanciamento, como se não fizesse parte disso, a gente já vê que tem alguma coisa muito errada. Não é um erro atual, é um erro que vem de gerações. Eu acho que ações como essa (UFGD) podem ajudar a diminuir o distanciamento. É como se

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realidade que convive. Após o sucesso de “Falcão: meninos do tráfico”, MV Bill lançou, em Dourados, “Falcão: mulheres e o tráfico”, e discutiu ainda a relação entre universidade e sociedade em evento promovido pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). Foi um dos criadores da Central Única das Favelas (Cufa), que, espalhada em cidades de todos os estados brasileiros, também em Dourados, busca desenvolver trabalhos culturais, educacionais e esportivos com jovens que transitam pelas favelas do Brasil, com ou sem morro. tivesse tido um movimento no passado que impusesse pra nós, moradores da periferia, que a universidade não é um espaço pertencente a nós, que a faculdade não nos pertence. Eles [moradores das favelas] só servem para os estudantes das universidades como ratos de laboratório, como objetos de pesquisa. A gente tem trabalhado bastante para os periféricos também aprenderem que têm direito à universidade. Haley –Que poder a comunicação e a cultura têm de transformar a sociedade? MV Bill - Bem, a primeira coisa é educação, conhecimento,


informação, se as pessoas fossem educadas, elas não teriam um pensamento como esse de olhar a universidade com aversão, com distanciamento. Penso que educação é tudo na vida das pessoas. Eu vejo assim, vejo vocês transformados, educados, é o retrato que eu gostaria de ver dentro do meu lar também, e acredito que com a educação e transformação dentro das periferias, com certeza, haverá menos jovens envolvidos com a criminalidade, menos jovens delinquindo, mais jovens sonhando com um futuro promissor. Acho que não é só um ganho para a periferia, mas é um ganho coletivo, em que todo mundo se beneficia. Haley – Sabe-se que o Hip Hop é muito mais do que um movimento artístico. É político, cultural, social e inclusório. Estando dentro dele, como você o define? MV Bill - Eu nem falaria tanto de movimento, mas de cultura Hip Hop, que cresceu bastante e ficou um pouco descontrolada. As pessoas começaram a entender o Hip Hop de uma forma um pouco diferente, muitas vezes, indo mais pelo lado americanizado, quando, em contrapartida, o Hip Hop se espalhou por várias partes do mundo com esse cunho social de dar voz aos excluídos. Nos países onde mais há injustiça, é onde o Hip Hop mais se estabelece como um instrumento político. Isso acontece principalmente em todo o continente africano, nos países do Oriente Médio, em alguns países da Europa, que abrigam estudantes de vários outros países e, na América do Sul, ele tem uma força muito ativa. Mas existem outras pessoas que enxergam dentro do Hip Hop uma forma também de ficar famoso, botar roupas legais, mas acho que o Hip Hop tem um poder de intervir na sociedade de uma forma impressionante, basta saber usá-lo. Haley – Você ainda mora na Cidade de Deus. Qual o lado da favela que a mídia não mostra e a população desconhece? MV Bill - Na verdade, parece que a mídia durante muito tempo só demonstrou um único lado: o lado da violência, o lado feio, né, de se ver. E quando a gente identifica que apenas 1% ou menos de 1% de uma comunidade pobre é envolvida com o crime, a gente esquece que está falando da maioria que acaba ‘pagando o pato’ pela minoria. Eu acho extremamente danoso e cruel eu passar pra toda a comunidade, pra toda a população, o que uma minoria faz. Hoje não dá mais pra fazer isso, por conta da agenda, mas sempre que possível, eu sempre fiz minhas entrevistas todas na Cidade de Deus, que, para alguns jornalistas, soava como marra, mas não era, era uma forma também de levar a imprensa a um local que ela só visitava quando tinha alguma coisa trágica. Isso não fez com que a Cidade de Deus saísse da página policial, mas que também transitasse pela página cultural. Se cada comunidade tiver pessoas atentas em tentar extrair o que há de bom, acho que ajuda a tirar um pouco do estigma.

interessante. Eu penso que, da mesma forma com que o preto precisa ser incluído, pessoas nordestinas também precisam de inclusão e eu penso na questão indígena da mesma forma. Tem até uma campanha do governo federal que pedia para que empresários empregassem descendentes indígenas, descendentes africanos, descendentes de nordestino, porque mesmo essas pessoas tendo formação acadêmica, elas têm dificuldades de ser inseridas no mercado de trabalho, então eu penso que é a mesma inclusão que muitos povos que abrigam a periferia precisam; a questão indígena é igual. Em relação ao diferencial, lógico que temos muita diferença, né, de algumas comunidades. Há algumas que vão ter que lutar com armas peculiares, mas eu penso também que há uma uniformidade em alguns aspectos. Acho que o primeiro aspecto uniforme é o distanciamento, o desdém. A distância em que vive sociedade e periferias, assim, mesmo que a distância seja apenas uma rua, um muro, um circuito de segurança, mas ainda é vista como distante, a não ser que a violência que assola aquele local chegue, aí acabam sendo unidas pela violência. Haley – Você tem vários prêmios conquistados, nacional e internacionalmente. Qual sua maior conquista? MV Bill - Minha maior conquista não é necessariamente os prêmios, mas o reconhecimento. Cada prêmio pra mim é um reconhecimento de que o que a gente está fazendo é uma coisa boa, importante. Eu procuro sempre dividir os prêmios com as pessoas que trabalham comigo, transformar em prêmio coletivo, porque as coisas que eu faço na área social envolvem um grande número de gente que me acompanha, então, minha premiação é essa. A gente já está há quatro anos, após a exibição do documentário (Falcão: meninos do tráfico), e ainda assim as pessoas estão interessadas em discutir essa realidade. Isso pra mim é impressionante, porque existe o histórico que o brasileiro tem memória curta, né? E essa obra é uma coisa que ficou na memória de todos. y

Haley – Os indígenas de Dourados vivem numa realidade de ‘favelização’, apesar da ausência do morro. Eles curtem o Hip Hop e inclusive existe um grupo que canta um rap em guarani. Quais os desafios que as periferias do Brasil têm em comum? MV Bill – Eu conheci um pessoal também descendente de indígenas em Manaus que se intitulam Movimento Hip Hop da Floresta, também é um movimento interessante, porque eles não só assimilavam a cultura Hip Hop do jeito que ela é, mas transformavam, agregavam suas coisas pessoais, seus valores pessoais, sua cultura local. Então, acaba ficando uma coisa bem

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carta do leitor “Impossível não utilizar este espaço para parabenizar o trabalho que esta revista vem desenvolvendo. Ela, que chegou tímida no mercado, vem se superando a cada edição; como prova disso, temos a criação deste espaço - que vem oportunizar voz aos leitores - e os assuntos abordados, privilegiando o local, o regional. Espero, sinceramente, que ela sobreviva em meio aos grandes, que continue constantemente aperfeiçoando seu trabalho e que os douradenses valorizem essa nova opção de leitura – tão difícil de se inserir em regiões de interior como a nossa.” Clarissa Josgrilberg, acadêmica de jornalismo da Unigran

“Olá amigos, com prazer entro em contato com vocês para elogiar o trabalho que estão desenvolvendo em Dourados. Há tempos o mercado já necessitava de uma publicação assim com tanta qualidade, visual e editorial. Acredito que com a criação da revista Haley o bom gosto acabou se popularizando e o mercado publicitário ganhou muito com isso. Gostaria de indicar uma reportagem, sobre “Fumante passivo, principalmente crianças - males e doenças.” Kauhê Prieto, jornalista

“Uma revista que despontou com um planejamento gráfico e impressão que impõem respeito. Realmente muito boa.”

Ricardo Fava, Departamento de Marketing da Unigran

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“O que dizer de uma revista que surgiu com a frase: “Mais que uma bonitinha?” A Haley provou que é possível, sim, produzir uma revista de qualidade, tanto na impressão como também no conteúdo e o melhor, é feita inteiramente por profissionais douradenses. Não é preciso ir até a capital, ou grandes centros para mostrar capacidade e comprometimento. Eu como assinante e profissional da comunicação vejo que vocês estão no caminho certo e que este projeto só tem a prosperar. Parabenizo pelo espaço do ‘carta do leitor’, assim nós, leitores, podemos nos sentir parte da redação e contribuir para o sucesso da Haley. Afinal, vocês não são apenas uma bonitinha, vocês ‘garantem conteúdo’.” Fred Saldivar, assinante e publicitário

“Mais que uma bonitinha, mas mesmo assim linda! Claro que basta abrir as páginas e conferir a seriedade com que são tratados todos os assuntos e, mais que isso, há uma preocupação aparente com a apresentação gráfica da revista, contrariando antigos meios de nossa cidade. Muito bom gosto na moderna diagramação. Era o que faltava em Dourados. Parabéns a todos os diretores da Revista Haley. Precisamos de coisas novas, novas ideias, novos conceitos. Abração e sucesso.” Amarildo Leite, artista gráfico

“A Secretaria Municipal de Educação (SEMED) está finalizando o curso GESTAR II oferecido aos professores de Língua Portuguesa da Rede Municipal de Ensino de Dourados, em parceria com o MEC. Agradecemos à Revista Haley que contribuiu com duas edições da revista para cada cursista e também para alguns alunos. Os professores puderam levar para a sala de aula alguns dos assuntos abordados pela revista, trabalhando com textos verbais e imagéticos pois as imagens estampadas na revista são muito ricas, em alguns casos, verdadeiras metáforas visuais.” Daura Del Vigna Galvão - Coordenadora do Programa GESTAR II

“Parabenizo a equipe da Revista Haley pela abordagem de temas atuais e complexos como a pedofilia e o uso do crack que requerem da sociedade medidas educacionais, sociais e de saúde para o seu enfrentamento. O destaque para a questão local é fundamental para evidenciar a proximidade dos problemas sociais com a nossa região.” Beatriz dos Santos Landa, Pró-reitora de Extensão, Cultura e Assuntos Comunitários da UEMS

seja qual for o assunto a haley quer saber!!!

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redacao

revistahaley.com.br haley| 2009 • outubro |11


comportamento

Mas eu me mordo Você desconfia de de ciúme seu parceiro ou parceira, checa e-mail, celular, bilhetes no bolso, marcas no colarinho ou tamanho da saia? Mais que cuidado, ciúme em excesso pode ser doença

Ellen Kotai

T

er ciúme apimenta o relacionamento, diz a sabedoria popular dos quatro cantos do País e, além disso, é uma forma de demonstrar amor e cuidado por aquele/aquilo que amamos. Correto? Porém, o ciúme em excesso e as atitudes que o acarretam podem transformar-se em doença. Conhecido também como Síndrome de Otelo – devido ao personagem de Shakespeare, que mata sua mulher por ciúmes, acreditando que ela o havia traído –, o ciúme patológico vem sendo um dos grandes causadores de sofrimento nas pessoas, tornando-se também, nos últimos tempos, alvo de estudos e pesquisas. Além da literatura, a ficção também tem seus retratos marcantes deste ciúme, como

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a inesquecível personagem Heloísa, interpretada por Giulia Gam, na novela Mulheres Apaixonadas (Rede Globo), de Manoel Carlos. A personagem enlouquecia e tinha atitudes bizarras quando o assunto era seu marido e tudo que o rodeava, imaginando e inventando situações de possíveis traições e envolvimento com outras mulheres. Da ficção para a realidade, pouca coisa muda. “O ciúme está diretamente ligado à perda de algo querido, e todo mundo tem medo de perder alguém ou alguma coisa, porém, tem gente que sente muito ou menos medo, e há ainda aqueles que não expressam”, declara a psicóloga e professora de Psicologia, Adriana Onofre. Ela explica que a grande diferença entre o ciúme e o patológico é que o ci-

Adriana Onofre - Psicóloga e professora


úme ‘normal’ é plantado em fatos verídicos, em coisas que acontecem e/ou que deixam indícios. Já o ciúme patológico passa a ser doentio quando está relacionado a ideias que não são reais, quando são imaginativas e dominam a vida dos relacionados. A linha que divide a fantasia da certeza se torna imprecisa e todas as situações e circunstâncias levam a desconfianças e atitudes de extremo ciúme. Tudo o que a pessoa faz gira em torno de descobrir uma traição do parceiro, de “pegar no flagra”. Atitudes como olhar bolsos, bolsa, checar colarinho das camisas, perfume, fuçar e-mail, agenda e ligações no celular, ligar a todo o momento e até contratar detetives passam a ser constantes. São comportamentos obsessivos, declara Adriana. A comerciante Fernanda, nome fictício, já que a entrevistada não quis se identificar, contou algumas de suas atitudes e sentimentos obsessivos ao sofrer do ciúme patológico. “Certa vez, eu me vesti de homem e me plantei na frente da casa do meu ex-namorado para ver se entrava alguém. Eu chegava inspecionando cada cômodo da casa para ver se tinha algo suspeito, algum vestígio de traição e, certa vez, encontrei uma tiara de cabelos que se tornou alvo de muitas discussões e brigas”, relata. Sustentando um amor doentio por seu parceiro na época, Fernanda diz não só ter alimentado o ciúme negativo e patológico, mas ter perdido o sentido de sua própria vida em função da vida do outro. “Perdi a noção de mim, mudei o meu comportamento, meus valores. Arrastava-me aos pés dele por causa desse amor e ciúme doentio”, conta. O que há no ciúme patológico é um desejo de controle total sobre os sentimentos e comportamentos do parceiro que, segundo Adriana, muitas vezes o próprio parceiro alimenta, quando permite que as opiniões e ações do outro se sobreponha pelo medo e ameaças. A jornalista G.B. relata como se relacionava com seu ex-namorado, ciumento em excesso e sufocador. “No meu namoro, fui me anulando pouco a pouco, até chegar o momento em que o ciúme dele era tão exagerado, a ponto de eu sentir medo das atitudes que ele poderia ter em relação às minhas amizades, roupas e, principalmente de, num momento em que eu me interessasse por outro homem. Isso geraria um inconformismo tão grande a ponto de ele ter atitudes passionais, o que se tornou um forte argumento para eu não me separar dele.

Por um medo muito grande daquilo que ele pudesse fazer, eu levava a situação como podia. Entretanto, eu não era feliz e no fundo sabia que quanto mais tempo eu tolerasse essa situação, mais difícil seria para me desvincular”, relata G.B. que depois de alguns anos de namoro, terminou o relacionamento. Também vítima do ciúme patológico, o estudante universitário que aqui será chamado de João, relata a postura de sua ex-namorada. “Ela via todas as pessoas do sexo feminino com quem eu conversava como potenciais amantes, e isso gerava muitos conflitos. Como sempre morei no lugar onde nasci, tenho muitas amizades de infância, pessoas que cresceram junto comigo, e muitas delas são mulheres, além disso, não sou do tipo que abandona tudo e passa a viver num mundo de duas pessoas, quando começo a namorar”, declara João. Ele relembra atitudes da ex-namorada que o incomodavam e que foram cruciais para o fim do relacionamento. “Ela bisbilhotava meu celular e meu computador e todo dia, certamente, iria encontrar chamadas feitas ou recebidas de pessoas do sexo feminino, afinal, todos convivem e interagem com pessoas do sexo oposto. Além disso, sair para algum lugar era um tormento, bastava eu cumprimentar alguma menina e já acabava a noite, e como as minhas amigas sabiam que ela era neurótica, aí que provocavam legal”, diz. O estudante conta que num determinado momento percebeu que a relação havia se tornado insustentável, pois vivia num ambiente conflituoso e hostil, que só gerava estresse e que com todas essas exigências e transtornos, o relacionamento começou a atrapalhar em outros âmbitos de sua vida. “A meu ver, um namoro tem que ser algo que me acrescente algo, que me faça feliz, sendo assim, foi melhor ficar só do que mal acompanhado. Peguei trauma de namoro”, afirma. Embora não haja dados precisos sobre a quantidade de pessoas que sofrem do ciúme patológico, no livro “Jealousy: a community study”, de Mullen, há relatos de uma pesquisa realizada dizendo que de 100 pessoas entrevistadas, todas assentiram ter ciúme,

porém, somente dez delas disseram que o ciúme atrapalha no relacionamento, levando a crer o indício de ciúme patológico. Quem sofre deste distúrbio leva uma vida muito difícil e penosa, pois a constante dúvida sobre o parceiro, pensamentos obsessivos e imaginativos sobre o outro transformam a vida do ciumento em um tormento constante. Essas pessoas normalmente apresentam características de ansiedade, pensamentos persecutórios, entre outros males, o que pode levar a atitudes de violência e extremo perigo, como sequestros e até a morte (suicídios e/ou homicídios), como se viu no caso da adolescente Eloá, noticiado na tevê, que foi mantida sob arma de fogo por horas e morta pelo então ex-namorado, Lindemberg. Porém, o ciúme patológico não deve ser sinônimo de morte e desgraça. Embora a cura para este transtorno ainda não seja possível, os resultados de tratamentos que se evidenciam perante a doença são animadores. Num trabalho terapêutico, é possível fazer análise do ciúme e transformar a patologia/doença em algo controlável e saudável, melhorando a qualidade de vida e dos relacionamentos do ciumento, garante Adriana. E se o ciúme apimenta mesmo a relação, é melhor tomar cuidado na quantidade, porque pimenta demais não faz nada bem para a saúde. y

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minha história

Uma das mais complicadas escolhas a se fazer nesse mundo é optar por apenas uma história interessante das várias que se tem quando sua profissão, ou melhor, paixão é fotografia. Só de começar a escrever estas poucas linhas, sinto em minha mente uma torrente de momentos que poderiam ser até mesmo um livro no futuro. Porém, seletividade é a palavra-chave ao se escrever um pequeno texto de minhas jornadas fotográficas.

Diário fotográfico Goldemberg Fonseca, fotógrafo

A próxima pode ser a sua, envie-nos com algumas fotos

F

otografia é um bicho esquisito que faz com que nós procuremos sempre alçar novos rumos em busca de novas informações, que sentencie o nosso fotografar como algo de qualidade. Nessa busca, me pus a passar uma bela temporada de três meses na cidade de Nova Iorque, antro obrigatório para quem quer fazer, viver ou apenas ter contato com todo o tipo de arte. Pois bem, estive eu fazendo cursos num dos mais conceituados institutos de fotografia do mundo (é o que dizem pelo menos!), o ICP – International Center of Photography, localizado na 6º Avenue com a 43rd Street; próximo à New York Public Library; a poucos metros da Time Square; e a poucos passos de uma das mais elegantes e caras avenidas do mundo, a Fifth Avenue. Foi nesse local que, em um dos cursos, comecei a ter contato com o que é realmente fazer uma fotografia. Um mundo além das técnicas. Estava matriculado numa aula de retratos com Billy Cunningham e, lá, o que mais falávamos era sobre quais fatores nos levavam a fazer tais imagens em cima de um tema dado pelo professor. E numa sala onde estavam presentes americanos, brasileiro (eu era o único), britânico, francês, equatoriano e espanhol, tudo era sempre uma dose de aprendizado em criatividade, respeito e autoconhecimento. Em toda aula, uma por semana, tínhamos 15 minutos para expor o nosso trabalho e com isso gerar uma discussão a respeito do que foi feito, como foi feito e o que todos viam além da ótica do autor em questão. Para ilustrar, lembro-me especialmente da primeira vez em que tive que apresentar minhas fotos. Não foi nada fácil em razão das dificuldades de idioma, pois estava em Nova Iorque há apenas uma semana, e o cursinho de inglês que fiz no Brasil ajudou unicamente a balbuciar algumas poucas palavras. Para se ter uma ideia, desejava que acabasse a luz ou que o tempo da aula esgotasse, ou que eu fosse esquecido no meu canto sem a precisão de apresentar os autorretratos que havia feito. Não aconteceu, claro! Então, chegado a minha vez, fui até a frente da sala e tive minhas fotos projetadas num telão na parede. Um silêncio de um minuto se fez presente nesse momento, o que me fez ficar um pouco mais nervoso. Pensei que, pelo silêncio, ninguém havia gostado do que fiz. Mas para alívio meu, após o professor começar a me fazer pergunta, e eu responder balbuciando, os comentários a respeito de minhas fotos começaram e houve um gostar mútuo do que viam. Desse momento guardo um comentário muito bem feito pela colega Jennifer McClure ao dizer que minhas fotos refletiam muito bem o meu estado de espírito solitário, pois me mostrava preso em meu próprio mundo, olhando a cidade que corria através da janela, e os fones de ouvido que usava fortalecia essa ideia. Consequência? Realmente concordei com o que disse, pois eu me sentia totalmente deslocado e um pouco assustado com tudo que estava acontecendo. Mas confesso que passaria por isso tudo novamente se fosse preciso. Aliás, já decidi que morarei por lá e não vai demorar muito.”

redacao@revistahaley.com.br 14 | outubro • 2009 | haley


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saúde

O desconhecimento ou descuido quanto aos hábitos de higiene bucal em crianças faz com que 27% dos bebês menores de três anos apresentem cáries, no Brasil Maria Alice Otre

S

ucos, chazinhos, leite e chupetas adoçadas para acalmar o bebê são os maiores inimigos da saúde bucal das crianças. E, aliados à falta de esclarecimento e de conscientização dos pais quanto ao início do acompanhamento odontológico, produzem no Brasil dados preocupantes: quase 27% das crianças de 18 a 36 meses (um ano e meio a três anos) apresentam pelo menos um dentinho com lesão de cárie e esse valor chega a quase 60% em criança de cinco anos de idade. Isso é o que garantem os dados do Ministério da Saúde – Projeto SB Brasil 2003. E os problemas não param por aí. Diante do descuido no início de vida, os dados apresentam um cenário muito desfavorável também aos “mais crescidinhos”. Cerca de 70% das crianças brasileiras de 12 anos e 90% dos adolescen-

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tes de 15 a 19 já tiveram pelo menos um dente permanente cariado. De uma forma geral, são valores considerados altos, particularmente quando são levadas em conta as faixas etárias de 18 a 36 meses e a idade de cinco anos, garante o Relatório. Em média, uma criança brasileira de três anos ou menos já possui, pelo menos, um dente com cárie. Aos cinco anos, essa média aumenta para quase três dentes. O que fazer e quando começar a cuidar dos dentinhos da criança são pontos principais nessa discussão. A orientação é que, desde o nascimento, os pais higienizem a boca do bebê com uma fralda molhada em água filtrada, passando pela gengiva e língua do neném. Após o surgimento dos primeiros dentinhos, que acontece por volta dos seis meses, a orientação é que os pais utilizem uma

dedeira e, a partir daí, a escova própria para crianças. Essas ações, desde o nascimento, além de removerem os resíduos do leite ou outros alimentos que se acumulam na boquinha da criança, fazem com que ela se acostume com a intervenção e não rejeite futuramente as ações do dentista, evitando traumas e medos que muitos adultos carregam até hoje. Para o Dr. Fernando Lamers, que trabalha há 30 anos com atendimento especializado a crianças, as causas para a resistência delas ao tratamento podem ser várias. “O medo do desconhecido, uma experiência anterior de tratamento dentário sem a utilização de anestesia (muitos profissionais não anestesiam seus pacientes, daí o medo pelo “motorzinho”), a ansiedade dos pais frente ao tratamento e a falta de experiência


não pode! profissional para o atendimento infantil” são algumas delas. Com consultórios preparados para os “pequenos”, com brinquedos e desenhinhos, fica mais fácil tornar o tratamento mais agradável e menos traumático. “A importância do odontopediatra na prevenção do medo entre as crianças e os jovens está diretamente ligada ao manejo correto destes na primeira consulta odontológica, depois que se adquire o medo é muito difícil retirá-lo”, garante Lamers. O fato é que a odontologia passou ao longo dos anos por vários paradigmas: pelo modelo inicial de mutilações dentárias, pelo cirúrgico restaurador, o de prevenção e hoje atua com um olhar de promoção de saúde. Segundo o odontopediatra, “este modelo visa a atuar não só na doença, mas sim na saúde e, assim, chegamos ao ponto de enfatizar a odontologia intrauterina: a preparação dos pais para a importância da saúde oral de seu futuro rebento, a educação dos pais como proposta para uma perfeita dentição sem medos e traumas e a aquisição de hábitos saudá-

veis, o que se consegue logo no nascimento da criança”. Com a conscientização dos pais do processo de adoecimento dos dentes e gengivas, fica mais fácil de prevenir as lesões, a começar com os problemas decorrentes da má-alimentação dos bebês. Dr. Lamers aponta como grandes vilões os alimentos que contenham açúcar ou carboidratos fermentáveis, que são os que apresentam mais propensão ao desenvolvimento das cáries e das doenças das gengivas. “Mas não é por isso que devemos negar tais alimentos às nossas crianças”, alerta Lamers. “Devemos respeitar algumas regras importantes como o horário de consumo, a quantidade, o tempo que este alimento permanecerá na boca e etc.” Rosemeire Martins, mãe da Alice, de um aninho, fala sobre os cuidados com o sorriso de seis dentinhos que a neném esbanja. Segundo ela, os sucos e chazinhos são preparados sem a adição de açúcar, “mesmo porque ela prefere sem, no máximo adoçamos com açúcar mascavo, pois a aceitação é melhor”,

garante a mãe. Ainda, segundo ela, não foram introduzidos na dieta da criança doces e refrigerantes, e até por recomendação médica, nem o mel. A procura por um odontopediatra, aos 11 meses, foi instigada por uma matéria de televisão em que se advertia sobre a importância e os benefícios de acompanhar o desenvolvimento dos primeiros dentinhos, especialmente, com a higienização, devido à introdução de alimentos mais consistentes e à presença de açúcares. Além disso, Rosemeire acredita que levar a criança desde pequena ao dentista só pode ser positivo. “Além da importância da promoção da saúde bucal, vimos também que estaríamos favorecendo o estabelecimento do hábito na criança de visitas periódicas ao dentista e a própria profilaxia (prevenção de doenças)”, conclui a mãe. Ouvir a opinião de um profissional, além de deixar os pais mais seguros quanto como agir, evita problemas futuros que podem ser causados pelo desconhecimento. A odontopediatra Simone Martelato, especialista pela UNESP

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de Araçatuba, nos alerta quanto ao cuidado que se precisa ter com a utilização do flúor. “Na verdade, o flúor aplicado sobre os dentes é realmente muito bom, pois diminui a ação das bactérias causadoras da cárie. O problema é quando o flúor é ingerido em excesso, principalmente por meio da pasta de dente, o que é difícil controlar nas crianças”. Essa ingestão pode causar o que os dentistas chamam de fluorose,

que afetará os dentes permanentes que surgem após os “de leite”, ou decíduos. “Quando se ingere flúor em excesso durante a formação, o esmalte desses dentes não se forma adequadamente. A princípio, aparece só uma manchinha branca, mas pode chegar a ser marrom e ter depressões, o que facilita a cárie”. Para evitar esse problema, ela deixa a dica aos pais: é preciso usar o creme dental adequado, com indicação

de um dentista, pois vai depender de cada caso se usa sem flúor ou com baixa quantidade de flúor. “O importante é nunca acima de 550ppm de flúor para crianças com menos de seis anos”. Além disso, alerta sobre o fato de que o creme dental deve ser usado em quantidade mínima (uma gota), estimulando a criança a cuspir toda a espuma.

Outras dicas para ajudar na saúde bucal dos pequenos • Desde que a criança nasça sem apresentar nenhum problema oral, seus pais deverão procurar o odontopediatra assim que o primeiro dente apareça na cavidade bucal. • Evitar colocar produtos adocicados na chupeta dos bebês para acalmá-los. • A partir de um ano de idade, diminuir a alimentação noturna e, quando ela acontece com frequência, redobrar os cuidados de higiene. • E quanto aos antibióticos. Eles re-

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almente promovem um enfraquecimento da saúde bucal? “Ah, o antibiótico!”, brinca o Dr. Lamers. Para ele, os antibióticos só favorecem o controle bacteriano. “Entretanto, para que as crianças possam tomar tal substância, chegamos à conclusão que precisaríamos adoçálas. Assim, podemos pensar que não é o efeito do antibiótico o vilão da história e sim o açúcar”. • As principais doenças bucais são a cárie dentária e a doença periodon-

tal (gengiva). Elas são determinadas pela presença da placa (biofilme) que é formada pelos restos alimentares e as bactérias presentes na boca. Segundo o odontopediatra, “outros determinantes também atuam neste processo como o próprio dente, o tempo em que este alimento permanece grudado no dente, o tipo de alimento e para evitarmos estas doenças, fica claro que devemos interpor hábitos de limpeza e escovação dentária o mais cedo possível”. y


artigo

Na palavra de Deus, onde são descritas as passagens do desenvolvimento de Jesus, podemos observar cinco áreas de cuidados da família para que haja um bom desenvolvimento da personalidade dos filhos.

O exemplo do crescimento

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de Jesus em família

. Física - “O menino crescia e se fortalecia.” O aspecto mais elementar é o sustento corporal - proteção provida pelo suprimento das necessidades básicas. Embora seja física, relaciona-se com o desenvolvimento total da pessoa. É preciso estar muito atento ao que entra em nossos lares com relação à nutrição: comidas industrializadas, excesso de açúcar, fumo, drogas, bebidas, alcoólicas... Estes lares aparentemente abastados, produzem crianças subnutridas, tanto quanto nos lares, carentes , as quais sofrerão consequências danosas à saúde.

2. Mental - “Jesus crescia em sabedoria e a graça de Deus estava sobre Ele.” Do ponto de vista bíblico o crescimento inclui conhecimento , mas que vai muito além... A Sabedoria é a arte de chegar aos fins corretos utilizando os meios corretos... O lar de Jesus providenciou uma atmosfera de incentivo para um desenvolvimento mental pleno, através da compreensão das escrituras e sua aplicação prática na vida diária. 3. Social e Relacional - Jesus cresceu no plano horizontal e interpessoal, “em graça perante Deus e os homens.” Ser amado e cuidado pelos pais cria um forte sentimento de segurança e de pertinência, capacitando os filhos a entrar

em contato com outras pessoas e a relacionar-se com elas. “Sou amado, então posso arriscar-me a te amar...”

4. Pessoal, Emocional - “...e desceu com eles para Nazaré e era-lhes submisso...” Um dos princípios fundamentais da educação é ensinar a obediência. O amor genuíno oferece limites: Afeto e Disciplina devem caminhar juntos. É preciso que os pais ensinem esses princípios aos filhos. São necessários ao desenvolvimento sadio da personalidade. É de suma importância perceberem que as ordens e regulamentos dos pais, se forem dadas aos filhos com autoridade e não através do autoritarismo, desde pequenos, farão com que os mesmos aceitem os limites e a disciplina sem se sentirem frustrados, irritados ou mesmo que guardem profundos ressentimentos. É importante notar que a criança que aprende desde cedo a obediência e a submissão à autoridade dos pais estará sendo preparada para render-se à Vontade de Deus... Tal aprendizagem encontra-se no cerne da verdadeira maturidade. 5. Espiritual e Relacional - Jesus cresceu também no plano vertical . “Em graça perante Deus”. Assim como João Batista preparou o

caminho, ele foi um precursor de Cristo, os pais devem preparar “o caminho de o Senhor endireitar suas veredas”, para que as crianças possam vivenciar desde cedo uma intimidade natural com Deus. Infelizmente os pais têm também o poder de espalhar pedras no caminho dos filhos e, realmente serem bloqueios de estradas em vez de precursores de desenvolvimento, Estar atento a isso é muito importante. Os erros cometidos no seu passado podem ser recuperados se os pais se dispuserem a fazer um projeto diferente de Família, segundo o Evangelho de Jesus Cristo. y

Pr. Ailton de Souza

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universidade

No Estado, anualmente, 12 mil estudantes são contratados por meio do estágio e só este ano, em Dourados, 1.500 universitários estão atuando no mercado, sendo que 70% destes têm a chance de ser efetivados

Profissão estagiário

Caroline Oliveira

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o chegar perto da metade do curso de graduação é normal o universitário sentir aquela sensação de insegurança: ‘E agora, a carreira já começou?’. E se você está nessa fase, com certeza, já ouviu falar que o estágio é uma ótima opção para entrar no mercado de trabalho e construir uma carreira estável. Dados do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) revelam que em Dourados são 1.500 universitários atuando no mercado como estagiários. Enquanto isso, cinco mil estudantes estão cadastrados aguardando uma vaga. As áreas mais procura-

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das para aplicar todo o conhecimento adquirido na faculdade são administração, direito, educação física, comunicação, educação, letras e pedagogia. Sendo que as empresas que mais contratam são os órgãos públicos. Só a Prefeitura Municipal possui, atualmente, 239 estagiários. “Além disso, cresce também a procura de estágio para cursos tecnológicos e sequenciais e o resultado não podia ser diferente, 70% dos estagiários são efetivados nas empresas que trabalham”, explica o consultor empresarial do CIEE, Alessandro Vieira.


Em Mato Grosso do Sul, são contratados, anualmente, por intermédio do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), 12 mil estudantes. Segundo o superintendente da instituição, Bergson Amarilla, o estágio é fundamental, pois o conhecimento teórico e prático é aperfeiçoado. “O estágio, além de estimular a criatividade e o empreendedorismo do estudante, auxilia ainda na escolha de qual área profissional será seguida após a formação”. Em 2008, após as inovações feitas na Lei do Estágio, houve uma verdadeira evolução na política pública de empregos para jovens no Brasil, ao reconhecer o estágio como um vínculo educativo-profissionalizante. Desta forma, o estagiário tem, além de deveres, também alguns direitos, entre eles: bolsa-auxílio, vale-transporte, período de recesso de 30 dias após um ano de trabalho e todas as garantias da legislação vigente sobre saúde, segurança do trabalho e de seguro de acidentes pessoais. Vale ressaltar que é preciso fixar uma jornada máxima de atividades de acordo com o nível e modalidade de ensino que estiver cursando. No caso dos universitários, a jornada deve ser de seis horas diárias e para cursos que alternam teoria e prática, nos períodos que não estão programadas aulas presenciais, a carga horária deve ser de oito horas diárias. Para o secretário de Políticas Públicas de Emprego do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Ezequiel Souza do Nascimento, “a proposta da nova lei é aperfeiçoar o estágio”.

A aprendiz Hayesha Motta, que desde março começou estágio em uma agência de publicidade

Entretanto, de acordo com Bergson Amarilla, a Lei do Estágio reduziu no início de 2009 em 30% a contratação de estudantes noEstado. “Esse impacto foi ocasionado, principalmente, pela falta de informações seguras sobre as mudanças na lei”. Queda que já foi amenizada no segundo semestre do ano, quando ocorreu a retomada no número de vagas ofertadas. A grande diferença do estágio é o não vínculo empregatício. “O estudante pode estagiar em uma determinada empresa no prazo máximo de dois anos e o empresário não precisa pagar encargos sociais, trabalhistas e previdenciários”, explica o consultor do CIEE. Mas o consultor empresarial alerta quanto ao rótulo de que estagiário é sinônimo de mão de obra barata. “Essa visão tem que mudar, porque ao contratar um estudante que está, por exemplo, no 3º ano de administração, o empresário tem a oportunidade de moldar esse futuro profissional de acordo com a filosofia da empresa, tendo grandes chances de contratálo”. Já quanto à possível rivalidade que pode ocorrer entre estagiário e funcionário, o superintendente do IEL explica que isso deve ser encarado como uma competição saudável. “Sabemos que para se manter no mercado é necessário ser um profissional completo e que, acima de tudo, saiba trabalhar em equipe e ter um bom relacionamento interpessoal. Desta forma, devemos ter em mente que as empresas são como uma máquina que só funciona bem se todas as suas engrenagens trabalharem juntas, em sintonia e com um mesmo objetivo. Sendo o colaborador, um funcionário efetivo ou um estagiário, ambos devem aprender a conviver e alcançar os resultados esperados”, diz Amarilla.

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Por isso, características como espírito de equipe, iniciativa e boa comunicação são, cada vez mais, valorizadas na hora da contratação. O que isso significa? As empresas esperam dedicação e coletividade. E esses requisitos são valorizados por Antonio Marcos Espricido, editor regional de Jornalismo da TV Morena (filiada Rede Globo), que em Dourados possui três estagiários no setor de comunicação. “A capacidade de trabalhar em equipe é fundamental na hora da contratação. Quem tem força de vontade, interesse em aprender e capacidade de relacionamento acaba levando vantagem”. Além disso, na hora de escolher um estagiário, o editor busca outras informações. “Tento ver com os professores se o candidato ao cargo é um aluno interessado, pois este é meu primeiro critério, depois, analiso o perfil e a necessidade do departamento”. A universitária Hayesha Alves Motta está no último ano do curso de Produção Publicitária e desde março começou a esta-

giar na área em uma agência de propaganda da cidade. “Comecei auxiliando no setor de planejamento de mídias e hoje estou atuando no setor de criação. Está sendo uma ótima experiência, pois estou tendo noção de como as coisas funcionam”. Quanto às dificuldades do dia a dia, a jovem diz que “na faculdade, a gente aprende como tudo deveria ser feito e na prática, pelo menos no setor de publicidade e propaganda, lidamos com prazo de entrega das peças, com a opinião dos clientes. E, às vezes, não dá tempo de fazer tudo. É preciso muito jogo de cintura”. Hayesha ressalta ainda que seu rendimento dentro de sala de aula tem melhorado, graças ao estágio. E isso foi comprovado após pesquisa realizada pelo CIEE com 6.688 estudantes. Apenas 1% dos entrevistados disse que estagiar trouxe dificuldade em manter as notas na média exigida, enquanto 45% apontaram o desenvolvimento do raciocínio e 37% acham que a experiência trouxe maior senso de responsabilidade e agilidade na hora de fazer provas e trabalhos.

De estagiária à âncora de jornal

A jornalista Miriam Névola destaca a importância do estágio na formação profissional

Demorou dois anos e seis meses para que a ex-estagiária Miriam Névola alcançasse o sonho de qualquer jornalista iniciante: tornar-se âncora de um telejornal. Conquistar essa posição exigiu muito esforço e dedicação, principalmente, quando ainda era acadêmica de jornalismo e dividia sua rotina de estudos com o estágio. “Desde o começo da faculdade fiz estágio. Minha função era fazer rondas, produzir pautas, auxiliar no estúdio. Chegava às 7 horas da manhã e saía às 11h”, diz Névola. Para ela, a maior dificuldade era saber o que era notícia. “A TV é muito criteriosa em relação à escolha de pautas, pois os assuntos precisam ser bem trabalhados e ter realmente uma utilidade e interesse público. Quem está começando a fazer jornalismo não tem muita noção do trabalho que dá para encontrar uma “boa” notícia, nem sabe por onde começar. Aprender isso foi um desafio grande”, relembra. Além da oportunidade de efetivação, o estágio foi fundamental para a formação profissional de Miriam Névola. “Jornalista precisa ter prática, precisa ter convívio com jornal diário, com

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a rotina puxada de uma redação, com a pressão do tempo e da qualidade. Considero a faculdade de suma importância, mas é na prática do estágio que eu convivi com a pressão de ter um jornal para colocar no ar, que milhares de pessoas vão assistir e vão ser informadas por meio da notícia que você apurou”. Hoje formada, ela apresenta a segunda edição de um telejornal local e para isso acontecer foi preciso ter muita vontade de aprender, para “sugar” todo o conhecimento que estava disponível. Por isso, fica a dica: “não importa o quanto você vai ganhar, nem se vai trabalhar demais, ou se vai ser cansativo conciliar estudos com estágio. Faça. Se dedique! Busque o seu melhor”, destaca a jornalista. Esse é apenas um exemplo de que abraçar, portanto, uma chance assim é importante. Se tiver, então, uma oportunidade para aprender e ganhar experiência, não a troque por ‘má vontade’, ou aquela ‘preguicinha’. Aproveite, aprenda, teste seus conhecimentos, mostre trabalho e batalhe pela efetivação. y


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comportamento

Filhos múltiplos Andressa Mello

A gemialidade está muito além das aparências. É preciso identificar as individualidades de cada um para não transformar a relação de cumplicidade em dependência 24 | outubro • 2009 | haley

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er um filho, hoje em dia, não é nada fácil. Agora imagine dois ou três de uma só vez? Filhos aos pares significam, em geral, uma grande mudança na casa e na vida dos pais. Laura Pires sabe muito bem o que é isso. Depois de cinco anos da primeira filha, engravidou naturalmente de trigêmeos. “Quando soube que estava grávida de três, fiquei muito nervosa! Depois fui me acalmando. Tanto eu quanto meu marido temos gêmeos na família, mas foi uma surpresa”. Letícia, Lucas e Luan nasceram apenas 15 dias antes da mãe completar os nove meses de gestação, com uma média de 2,3 kg, os bebês logo foram para casa, e foi a partir daí que a vida da família Pires mudou. Para acompanhar a correria de ter três crianças em casa, Laura contou com a ajuda da mãe, da sogra, do marido, das irmãs e até dos vizinhos. “Eles choravam todos ao mesmo tempo. Era aquela correria. Quando um sarava, o outro ficava doente, todos queriam mamar ao mesmo tempo... E eu confundia os meninos. Uma vez amamentei o mesmo duas vezes”, conta aos risos a mãe. “Para resolver o problema, eu fiz uma pulseirinha com o nome deles”. Laura, como a maioria das mães de gêmeos, não resistia e reforçava a semelhança. “Eu os vestia todos iguais, mas agora eles não querem mais”. Hoje com 13 anos, os trigêmeos

já se diferenciam, tanto na aparência, quanto na personalidade. “A Letícia e o Luan são mais sossegados, já o Lucas é agitado. Hoje, cada um tem seu jeito. Os meninos se parecem fisicamente, mas um é menor e mais magro do que o outro”. Para a psicóloga Rosemeire Souza Martins, não existe problema em vesti-los da mesma forma, desde que seja a vontade dos gêmeos. “Quando estes decidem não utilizar roupas iguais, ou se sentem incomodados com esse desejo dos pais, torna-se desrespeito com a individualidade de cada um, mas há casos em que os irmãos se divertem com a confusão”. As gêmeas Natália e Naiara Lemos, hoje com 21 anos, vivem em dose dupla e têm a mesma opinião da mestra em psicologia. As duas são univitelinas (gêmeas idênticas) e dizem não se incomodar nem um pouco com isso. “Quanto mais parecida, mais legal”, diz Naiara. As duas já foram vítimas de várias confusões, mas dizem que levam tudo na brincadeira. “Fazíamos estágio na farmácia da faculdade, mas minha irmã saía e eu chegava, uma senhora que trabalha lá não sabia que éramos gêmeas e sempre ficava encabulada em como eu tinha tomado banho e trocado de roupa tão rápido. Também achava estranho porque às vezes eu parecia mais magra. Ela só foi descobrir quando fomos juntas à farmácia. Ela ficou doidinha”, conta Natália. “Professor nunca sabe quem é quem, já


contribuir para o desenvolvimento saudável dessa identificação pessoal. A educação precisa ser individualizada, destacando as habilidades e dificuldades de cada um. É preciso respeitar gostos, vontades, escolhas, ou seja, compreender a diversidade entre eles, embora na aparência isso não se evidencie”, coloca Rosemeire Martins. Natália e Naiara dizem que não se veem uma sem a outra. “Crescemos fazendo tudo juntas, e o que acho mais legal em ter uma irmã gêmea é que nós somos muito amigas. Você sempre tem alguém pra te fazer companhia, pedir uma opinião, contar algo, dar conselho, fofocar toda noite antes de dormir, tirar alguma dúvida de prova, dar aquela caminhadinha”, comenta Naiara. “Eu adoro ter uma irmã gêmea, uma companheira para a vida toda. Você nunca fica sozinha no primeiro dia de aula e, aliás, coitado de quem mexer comigo, porque são duas para brigar!”, brinca Natália.

Saiba como tratar seus filhos!

Laura Pires usou pulseirinha para identificar os três filhos

perdemos a conta de quantas vezes nos aproveitamos da semelhança. Às vezes uma faltava e a outra respondia chamada pelas duas. Pra falar a verdade, até nossa mãe confunde por telefone”, diz Natália. “Sempre que preciso, pego o cartão dela pra ir à biblioteca, o pessoal nem desconfia e eu nem ligo que me confunda ou me chamem de Natália, acho superengraçado. Quando conheço uma pessoa, chego em casa e já aviso: ‘ô, conheci fulana, quando você encontrá-la, cumprimente-a’, porque às vezes ficamos com fama de metida”, se diverte Naiara. Mas nem sempre os gêmeos podem ter essa relação de cumplicidade. Lia Dauber, psicóloga e mestra em psicologia da saúde e comportamento social, explica que os pais precisam tomar certos cuidados no tratamento com os filhos. “Gêmeos nunca tiveram uma mãe só para eles, nem dentro do útero, situação que determina as particularidades da relação entre os dois (ou mais). A rivalidade entre eles tem características diferentes e pode ser maior do que entre irmãos comuns. Mas se tudo segue bem no desenvolvimento, a confusão de identidades que surge nestas situações vai sendo resolvida lentamente, com a conquista de um espaço próprio da parte de cada um”. Laura Pires diz que se desdobrou para não errar com seus trigêmeos. “Sempre dei atenção para todos e acho que deu certo. Agora já estão grandes e cada um tem sua identidade. Eles são diferentes e reconheço isso”. Para as gêmeas Natália e Naiara, a maior diferença veio no gênio. “Minha irmã é muito mais calma que eu”, diz Naiara. Mas quando o assunto é gosto, as duas não têm distinções. “Gostamos das mesmas roupas, das mesmas comidas e, geralmente, temos a mesma opinião. Fazemos até o mesmo curso na faculdade, mas isso foi por acaso”, complementa Natália. E quando os filhos vêm multiplicados, os gastos também aumentam. “Não é fácil, os gastos são muitos. É tudo três vezes mais. Tivemos até que aumentar a casa”, conta a mãe dos trigêmeos. “O que tem de pior é que é tudo em dobro: duas faculdades, duas calças, duas blusinhas, tudo! Coitada da minha mãe!”, diz Naiara. Para as especialistas, o principal é que os pais não confundam a semelhança física com a personalidade de cada um. “Os pais podem

A psicóloga Lia Dauber separou algumas dicas de como os pais devem agir: A distinção precisa começar durante a gravidez. Evite pensar em seus filhos como ‘os gêmeos’, considere-os separadamente; Evite ceder ao desejo de formar uma ‘duplinha idêntica’, com roupas iguais e o mesmo corte de cabelo, tratando cada criança do mesmo modo. Faça distinção das diferenças no temperamento de cada uma, a fim de poder lidar com elas; Evite comparações de igualdade; Tenha uma relação completa com cada uma, oferecendo cuidados personalizados para que uma e outra se reconheçam em sua individualidade. y

Natália e Naiara Lemos se divertem com a duplicidade

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tpm

naqueles dias...

A TPM é o motivo das mulheres irem à loucura todos os meses, mas saiba que os homens também sofrem juntos e, muitas vezes, acabam cedendo ao mau humor delas Caroline Oliveira

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m dia ela é só sorriso, no outro, as lágrimas fazem companhia e tudo é motivo para melancolia, sem falar quando o nível do mau humor está tão alto que é impossível ficar ao seu lado. Pois é, homens, atenção, se sua mulher, namorada, amiga, chefe ou irmã apresenta alguma dessas características, uma vez por mês, saibam que ela é uma das 18,5 milhões de brasileiras que sofrem de Tensão Pré-Menstrual (TPM), período que dura, em média, de quatro a sete dias antes da menstruação. As alterações, tanto físicas como psíquicas, muitas vezes interferem no desempenho profissional e nas relações sociais e familiares. Os sintomas somam mais de 150, como inchaço, insônia, ansiedade, crises de choro e irritação. Para quase quatro milhões de mulheres, as mudanças são tão intensas que a vida vira de cabeça para baixo a ponto de afetar até quem está ao redor. Pesquisa promovida pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) ouviu 1.500 homens e mulheres de várias regiões do País com a faixa etária de 20 e 35 anos. O resultado foi que oito em cada dez homens têm em seu convívio mulheres que sofrem de TPM. Os dados revelaram também que três em cada dez homens ao perceberam os sintomas da síndrome tentam tocar no assunto com cuidado. Já 10% dos entrevistados acabam cedendo ao mau humor e à irritação delas. Ainda de acordo com a pesquisa, 85% dos homens acreditam que a TPM é a causa dos problemas que afetam o relaciona-

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mento do casal. Por isso, o assunto não é restrito às mulheres, já que os homens também precisam saber e, principalmente como agir, é o que explica a psicóloga Elizete Comerlato. “A TPM não é mais assunto apenas das mulheres, é interessante que as pessoas em geral, inclusive os homens, também entendam essa síndrome que afeta cerca de 80% das mulheres todos os meses. A quantidade e intensidade dos sintomas é o que vai caracterizar o transtorno e também determinar a necessidade de encaminhamento para o tratamento”. A jornalista Lílian Rech conta que começa a sentir-se diferente três dias antes da menstruação. “Não tenho mudança de humor, mas meu corpo acaba reagindo mais do que meu sentimento. Sinto que fico mais inchada, com algumas espinhas e acabo comendo mais nesses dias”. O marido Nilton Raiol explica que quando percebe que a mulher está com TPM, tenta agradá-la ao máximo. “Ela fica um pouco mais sensível, por isso, tento evitar discussões e brigas. Nesse período, sempre dou um jeito de agradá-la de todas as formas possíveis, seja com uma comida gostosa, ou um passeio”. Já a servidora pública Janielli Sotolani fica com os sentimentos à flor da pele. “Três dias antes fico chorona e sentimental, mas ao mesmo tempo também fico sem paciência e me irrito fácil”. Ela relembra que por causa da TPM já passou por uma saia-justa. “Uma vez, de tão estressada, acabei falando mal de uma pessoa no trânsito e quando fui ver era um amigo do meu pai. Morri de vergonha, mas me desculpei”. Para os especialistas, o grande vilão por esses dias de instabilidade é a oscilação hormonal. Tudo porque na metade do ciclo menstrual, inicia-se a produção de progesterona, que se estende até a menstruação. É nesse período que o estrógeno cai ao ponto de desaparecer um ou dois dias antes da mulher menstruar. O impacto que isso provoca no organismo é o responsável por tornar aqueles dias tão difíceis. A universitária Anna Paula Cazzati revela que o mau humor

é seu companheiro durante cinco dias. Ela segue à risca o ditado: “Ou é oito ou 80”, mas o fato curioso é que ela não aguenta ouvir nenhuma voz masculina quando está com TPM.“É pai, irmão, até a televisão me irrita. Se fico assim no final de semana, passo o dia no meu quarto sem falar com ninguém e ao ficar sozinha, choro muito”, conta. Ela relembra que uma vez perdeu o controle e acabou machucando fisicamente alguém que gostava. “Fiquei tão irritada com meu irmão, porque ele não parava de falar que joguei um copo na cabeça dele”. Além disso, quando o assunto é namorado, ela confessa: “quando estou na TPM, tenho crises de ciúmes e acabo discutindo sem ter realmente um motivo”. Situações assim fizeram com que seu ginecologista e a família a ela para procurar tratamento psicológico. “Hoje estou melhor e consigo me controlar, mas confesso que é difícil”. Por morar no Balneário Camboriú, em Santa Catarina, para cursar a faculdade, a jovem explica que ultimamente tem tido crises de choros. “A TPM, mais a saudade da família, dos amigos e até mesmo de Dourados, fazem com que eu fique chorando ainda mais pelos cantos. Ano passado eu ia ficar aqui [Camboriú] nas férias de julho, mas acordei do nada sentindo uma angústia e resolvi ir para casa sem avisar ninguém, depois de alguns dias, tudo isso passou como se nada tivesse acontecido”. Elizete ressalta que comportamentos exagerados podem gerar sentimento de culpa posteriormente. “O mínimo que a pessoa pode fazer é tentar reparar possíveis erros e ser condescendente consigo mesma em relação ao que não puder mais ser consertado, mas é preciso estar sempre atenta à prevenção e evitar a recorrência. Além disso, deve contar com ajuda profissional, desde a consulta com seu ginecologista ao tratamento psicoterápico”, diz a psicóloga. O fato é que na dúvida sobre como agir, dizem os especialistas, o melhor é ter paciência, muita paciência, até a crise passar.

TPM e seus estragos Elas dizem...

...para eles

 54% afirmam que a TPM interfere no namoro ou casamento.

 85% apontam a TPM como causa dos problemas do relacionamento.

 48% acreditam que ela influencia no relacionamento familiar.

 77% rebatem que ela atrapalha o relacionamento familiar.

 46% consideram que ela afeta no ambiente de trabalho.

 72% dizem que ela interfere no trabalho.

 43% dizem que a TPM tem impacto negativo nas atividades sociais do dia a dia.

 69% associam a TPM a prejuízos das atividades sociais.

 20% dizem que por causa da TPM são incapazes de tomar uma decisão profissional racional.

 30% dos homens dizem pisar em ovos quando a colega de trabalho está naqueles dias e 50% relatam hostilidade por parte delas no ambiente profissional.

 70% das filhas de mulheres com TPM podem manifestar os mesmos sinais das mães.

 94% consideram o nervosismo uma das principais características da TPM.

 85% ficam mais vulneráveis a discutir e brigar.

 76% afirmam ficar nervosa nesse período.

 52% perdem o controle. y

 35% ficam mais vulneráveis a discutir e brigar.  16% perdem o controle.

Fonte: Unicamp

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economia

Ano novo no

AZUL

Com planejamento e organização, você pode deixar o vermelho só para a roupa de Papai Noel Maria Alice Otre

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ara muitos brasileiros, é tradicional virar o ano cantando: “Que tudo se realize no ano que vai nascer. Muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender”. O problema é que cantar a música sem planejamento algum não garante dinheiro no bolso ou saúde a ninguém. O resultado são dívidas, financiamentos, cartões estourados, estresse e assim por diante. As expectativas para o fim de ano começam a ganhar vida já por volta de setembro e outubro. Afinal, férias, 13º salário, festas, presentes, rendas extras e passeios diversos são capazes de animar qualquer um. E é nessa animação que mora o perigo! De acordo com pesquisa realizada pela empresa estadunidense, Burst Media, 62,8% dos consumidores planejam

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gastar o mesmo ou reduzir os gastos neste fim de ano em comparação a 2008. Os problemas são dois: primeiro que, muitas vezes, as expectativas não se cumprem e os gastos se excedem, e, depois, não é só com presentes e diversão que o final/começo de ano oferece gastos e mais gastos. Compromissos financeiros que ocupam a agenda econômica de muita gente só são lembrados após as festas e o resultado é começar o novo ano no vermelho. Matrículas dos filhos que estudam em escolas particulares, uniformes, material escolar; Imposto para Veículos Automotivos (IPVA); Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU); seguros dos carros; 13º de empregados domésticos e de prestadores de serviços são algumas das surpresas – que não deveriam mais surpreender! – que pegam o brasileiro.


Alessandra Narciso é funcionária pública e mantém, juntamente com o marido, uma casa e três filhas com uma renda média de R$3.500,00. Segundo ela, os gastos, que em meses normais são de R$3.200,00, aumentam muito no fim de ano, pois soma-se ao aluguel, financiamento do carro, prestação do terreno e gastos mensais, festas, presentes, amigos-secretos e o aniversário da filha do meio, que festeja em 24 de dezembro. Apesar de ter uma agenda em que faz projeções durante o ano do que pode ou não fazer, os gastos extras chegam a 60% do valor de um mês comum. “Vai quase todo o 13º, porque é tempo de férias, há os passeios, aumentam os gastos no mercado e aí já viu”. Apesar de as filhas não estudarem em escola particular, existem ainda gastos como roupa pra educação física, um tênis a cada três ou quatro meses, material escolar. De acordo com a economista Gabriele Pagliusi Paes de Lima, o fim de ano parece implacável até pra quem é extremamente controlado. E esse é o caso de Alessandra. “Tenho gastos fixos com bolacha recheada, refrigerante, leite, chocolate. Tudo tem cota lá em casa, controlo todos os gastos do mês”, destaca. Mas para a economista, além do controle, pensar na tranquilidade do final de 2009 requer economias durante todo o ano. “Sem dúvida, aqueles que estão terminando 2009 endividados (a grande maioria dos brasileiros) devem aproveitar uma parte do 13º para se livrar dos juros de cartão de crédito, cheque especial e também de juros de financiamentos. A liquidez, ou seja, o fato de ter dinheiro em mãos traz a vantagem de poder negociar a dívida em seu favor. Procure não parcelar, mesmo que as parcelas sejam baixas, o melhor a fazer é barganhar um bom desconto pagando à vista. Com o dinheiro em mãos, você tem maior poder de barganha!”, garante. É apostando nessa iniciativa da população, de quitar suas dívidas, que a Associação Comercial e Empresarial de Dourados lança a campanha “Seu Nome Legal Neste Natal”, objetivando reduzir o número de inadimplentes no Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), neste período de fim de ano. As perspectivas da entidade são de que consumidores deverão quitar mais de R$ 5 milhões de dívidas, elevando para cerca de 17 milhões os recebimentos em 2009. É o terceiro ano que a Aced lança essa proposta, e os resultados têm sido bastante positivos. Mesmo com tanta dívida pra pagar, a previsão da entidade é de que o aumento das vendas no Natal em relação ao ano passado chegue a 20%.

Gabriele Pagliusi Paes de Lima

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Dicas de fim de ano Para evitar surpresas, a Haley preparou junto com a economista Gabriele Pagliusi algumas dicas para terminar e começar o novo ano no azul, ou pelo menos com menos dívidas. Confira!

 Programe-se. Por exemplo, poupe de 10 a 30% da renda mensal durante todo o ano;  Também é muito importante ter o controle de suas despesas mensais, por exemplo, tenha anotado, em uma planilha do Excel ou em sua própria agenda, todas as contas a pagar (energia elétrica, água, telefone fixo e celular, mensalidade escolar, aluguel, condomínio, financiamentos, seguros, cartão de crédito) do mês corrente e dos três meses subsequentes;  Aqueles que não estão endividados podem destinar uma parte do 13º para o pagamento de IPTU, IPVA, matrícula e material escolar;  Para os endividados, é importante fazer as compras, principalmente de material escolar, com antecedência, enquanto os preços ainda não estão mais altos;  Quanto ao IPTU, IPVA e matrículas, uma saída para os endividados é o parcelamento, lembrando sempre de anotar as parcelas em seu controle mensal de despesas;  Economize nas compras de Natal: consumir com bom senso para evitar mais dívidas;  Muitos produtos costumam ser oferecidos com preços promocionais após o Natal, nas liquidações de shoppings centers e de lojas de rua;  É extremamente importante não fazer novas dívidas com o 13º, principalmente se, além de fazê-las, deixar de pagar dívidas antigas.

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artigo

ação

Comunic Estamos no período do Natal e das festas de Fim de Ano, momento em que as empresas de comércio têm seu número em atendimentos e vendas muito elevado por conta das

M

as o que vemos é a preparação, arrumação, decoração e estocagem de mercadorias para suportar a demanda dos pedidos e vendas desse período. E como está a qualidade da comunicação dessas empresas e seus colaboradores? Sabemos que é comum a correria no atendimento, principalmente nos últimos dias, com lojas cheias de clientes e vendedores desesperados para atender e faturar o máximo possível, até parece que o mundo está acabando – já vimos essa cena dezenas de vezes. Mas a

pergunta é: como está a comunicação com o cliente? Não podemos nos esquecer de que estamos diante de uma grande oportunidade de conquistar e fidelizar um bom número de clientes nesse período. Por isso que digo que a comunicação é uma arma fundamental, e que se for utilizada de forma correta, você terá conquistado muitos clientes nesta época de vendas fantástica. Uma boa comunicação ajuda você a atrair e convidar clientes para a sua empresa. E é essencial para verificar se os clientes e colaboradores estão sendo compreendidos. Na verdade, a arte da comunicação é uma habilidade que necessita ser exercitada entre todos, isto é necessário para você reconhecer, com clareza, quais os desejos, necessidades e vontades dos clientes e colaboradores. Existem diversas formas de comunicação, por exemplo: sons, escritas, visuais e auditivas. Há várias formas de você aprender esta habilidade. Exemplos: cursos, treinamentos, livros, CD, DVD e etc. Eu recomendo uma primeira atitude antes de qualquer outra: aprenda a ouvir

os seus clientes, preste muita atenção neles e atenda-os dentro da suas perspectivas, surpreenda-os, para que eles se sintam felizes em comprar com você muita outras vezes. Lembre-se: cliente fiel compra sempre e não só apenas uma vez por ano. E não se esqueça da regra: “Não é o que se fala, mas como se fala”, pense nisso e tenha muito sucesso em vendas. y

Flávio Fagundes.

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andropausa

E a turma dos

tões 50 Eles somam mais de 22 milhões de homens acima dos 45 anos. Idade em que se deve ficar atento à reposição hormonal masculina para ter uma qualidade de vida melhor e prevenir futuras doenças

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Caroline Oliveira

T

odos nós sabemos que por volta dos 40 anos de idade as mulheres sofrem com a diminuição da produção de hormônios ao entrarem na menopausa. Entretanto, o que poucas pessoas sabem é que os homens também passam por alterações no organismo, quando vão ficando mais velhos. Essa fase da vida masculina é conhecida como andropausa. Alterações, principalmente, causadas pela redução na produção do hormônio chamado testosterona atinge de 15% a 20% do público masculino acima dos 45 anos de idade e 33% com mais de 60 anos. Segundo o médico urologista Ricardo De Lucia, a andropausa se manifesta diferente em cada homem. “Por isso, pode ser confundida com o processo natural do envelhecimento, o que faz com que muitos homens não procurem tratamento”, explica. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que a expectativa de vida dos brasileiros tem, progressivamente, aumentado. Em 2005, o número de homens mais velhos no Brasil era de 18 milhões. Hoje, mais de 22 milhões estão acima dos 45 anos, sendo que esse número deve aumentar para 47 milhões até 2030. Com esse aumento de homens mais velhos no Brasil, atenção aos efeitos da andropausa. “O homem percebe que está entrando na andropausa quando começam a aparecer os sinais ou sintomas de diminuição na massa muscular, de libido, disfunção erétil, suor intenso, mudanças de humor, depressão e aumento da gordura visceral”, explica o


médico urologista Amauri Esposito. É preciso, antes de qualquer coisa, entender que ela só pode ser realmente diagnosticada se a diminuição na produção de testosterona for muito grande. Afinal, é comum a queda natural na quantidade do hormônio a partir dos 40 anos, mas, em média, de apenas 1% por ano. O diagnóstico só pode ser dado se feita a dosagem de testosterona no sangue e compará-la a um conjunto de sinais clínicos. O médico Amauri Esposito explica que se o resultado do exame for positivo, o tratamento consiste em corrigir as causas da queda de hormônio e, quando necessário, reposição hormonal. “O tratamento deve prover uma quantidade fisiológica de testosterona, mantendo os níveis no sangue dentro dos limites da normalidade”. Já De Lucia complementa que a reposição hormonal deve ser acompanha por um médico para não desenvolver uma série de doenças. “O uso inadequado pode aumentar os níveis de colesterol ruim, câncer de fígado e, principalmente, câncer de próstata. Por essa razão, é fundamental que se afaste um câncer de próstata incipiente antes de se iniciar o tratamento, ou seja, se um homem com este câncer usar hormônio, haverá um aumento do tumor e piora de seu prognóstico”. Mais de 55% dos homens acima dos 55 anos e 85% entre 60 a 69 anos de idade apresentam queda nos níveis de testosterona quando comparados aos níveis encontrados nos jovens. Porém, a andropausa não põe um ponto final na vida reprodutiva do homem, como acontece com as mulheres na menopausa. Apesar de haver uma menor produção de espermatozoides, o homem continua fértil.

1 Do nascimento à puberdade, crescem lentamente as taxas de testosterona, hormônio sexual masculino.

2 Com a chegada da puberdade, os níveis sobem. Período em que ocorrem mudanças significativas como: crescimento de pelos, a voz engrossa e o homem fica apto para a reprodução.

Por isso, De Lucia ressalta que homens com níveis de testosterona normal, que fizerem uso de uma suplementação de hormônio, não vão obter nenhuma vantagem e ainda serão expostos aos efeitos colaterais. “Portanto, um homem de 50 ou 60 anos nunca vai voltar a ter a forma física dos 20 ou 30 anos, porém, é possível envelhecer com uma ótima saúde física, mental e claro, sexual”. Além disso, o médico Amauri Esposito explica que existem outros cuidados simples ao entrar nessa fase de vida. “É preciso ter consciência e afastar todos os fatores de risco que podem levar a uma vida sedentária, como obesidade, tabagismo, alcoolismo”. Para o médico De Lucia, uma alimentação balanceada aliada à prática de exercícios físicos também fazem parte da prevenção. “Pois o excesso de peso aumenta as taxas de hormônio feminino (estrogênio) e diminui as taxas de testosterona”. Mas não espere entrar na turma dos cinquentões para cuidar da saúde. Como diz um velho e sábio ditado popular, ‘prevenir é o melhor remédio’, por isso é recomendado que os homens realizem consultas regulares ao urologista após os 40 anos de idade. E se você se identificou com o que leu, mexase imediatamente! Não fique aí parado, pensando que está ficando velho, ou que isso não tem mais jeito, porque apesar dos anos passarem, é perfeitamente possível envelhecer com mais saúde e prazer de viver! y

Amauri Esposito

3 É aos 20 anos de idade que a produção de testosterona atinge o ponto máximo. Já aos 30 anos as taxas se estabilizam.

4 Aos 50 anos ocorre uma significativa baixa na produção do hormônio, o que chamamos de andropausa. As mudanças são: falta de libido, distúrbios eréteis, irritação, lapso de memória, depressão, entre outros.

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educação

Professor,

substantivo

abstra

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Se antes os professores eram vistos com respeito e autoridade, hoje precisam saber lidar com a desvalorização social, agressões de pais e alunos e com as doenças que esta situação acarreta

to

Maria Alice Otre

Se você está, neste momento, juntando letrinhas e entendendo os significados do que está escrito na Haley, é porque, certamente, professores passaram por sua vida. Uns marcantes, muito queridos, outros exigentes, outros “bravos”, não importa. Colecionamos frases e ensinamentos que fizeram parte de nossa infância, adolescência, juventude e, ainda hoje, nos ensinam a ler mais que letrinhas: fazem-nos ler, compreender e tentar modificar o mundo. Há quem veja com saudades o tempo da palmatória, chapéu de burro e do castigo no milho. “Naquela época, os professores eram tão respeitados como nossos pais”, dizem os mais velhos. O fato é que os conceitos sobre a educação foram transformados e atitudes como essas não fazem sentido: castigos e agressões estão fora de cogitação. O problema é quando vemos que as “armas” nas escolas não foram extintas, mas mudaram de mãos. Atualmente, de acordo com pesquisa realizada no Rio Grande do Sul, 58% dos professores não se sentem seguros no trabalho e 87% não se consideram amparados pela lei quando são vítimas de violência. São cada vez mais comuns as agressões físicas e verbais sofridas pelos professores, sendo que, muitas vezes, não só os alunos, mas seus pais são também agressores. “Antes o professor tinha um valor de autoridade perante a cidade, a sociedade”, aponta Maria da Conceição Anunciação, psicóloga que trabalha há mais de 20 anos com educação. Segundo ela, essa inversão na forma como o professor passa a ser visto também contribui para a desvalorização do profissional. O surgimento de outras profissões de destaque fez com que o professor “perdesse” um pouco da aura de respeito e autoridade que o envolvia e, desestimulado, deixasse de lado, muitas vezes, todo o poder que tem de transformar a realidade. “A impressão é de que nos dias de hoje o professor entra fazendo um papel que a sociedade tenta impor, uma ideologia de desvalor do ser humano: vale o dinheiro, a corrupção, o que se tem e assim por diante”, destaca Conceição. E não é difícil percebermos quais os desafios enfrentados pelos professores atualmente. Comunidades de sites de relacionamentos como “Adoro uma briga com professor”, “Eu quero matar meu professor”, “Mato aula p/ ñ matar professor” estimulam os “causos” e conflitos entre alunos e educadores. Um dos tópicos postados pelos alunos questiona “Qual o professor q vcs mais adoram brigar?” Dentre as respostas encontramos jovens das diversas classes sociais que destacam o desrespeito e a desvalorização para com o professor. Com a finalidade de tornar os depoimentos compreensíveis para os leitores, “traduzimos” as abreviações típicas da linguagem utilizada pelos jovens na internet, sem alterar o teor das falas. Um dos que responde ao tópico diz “nada melhor que discutir com professor(a) de português.. é muito excitante.. me sinto tão bem.. mas com a de inglês também é bom, a maioria dos professores de inglês são ignorantes!”. Para a psicóloga, em casos como esse, o aluno está amparado pela vontade de transgredir regras ou autoridades e pela sensação de impunidade. E essa sensação de que nada acontece está muito clara na fala dos alunos. Identificada por Dani, uma aluna se engrandece contando com quais professores já brigou: “Putzzz váriosss! A de História já mandei ela calar a boca e ela não fez nada... O de Biologiaaa fica chamando minha atençãooo pra fazer a lição aí eu falo pra parar de encher que eu não to afim de fazer essa droga agora... quero que todos esses morram... ahuahua” E a guerra está declarada, não só virtualmente, mas no contato em sala de aula. Uma professora de Dourados, que preferiu não se identificar, e, portanto, chamaremos aqui de Juliana, conta os maus momentos que passou em sala de aula. Grávida de sete meses, durante uma atividade ela pediu silêncio para os alunos. Ela conta que nesse momento um deles levantou e começou a xingála e dizer que queria dar um murro na “cara” dela. “Ele me chamou de tudo quanto é nome e disse que queria chutar minha barriga, que não tava nem aí porque eu estava grávida”, relembra a cena. Ela ainda destaca que ele disse isso tudo muito à vontade, porque trazia consigo um sentimento de impunidade. “Ele sabia que não aconteceria nada com ele. A escola não tomou providências e da próxima vez que acontecer algo do tipo, eu vou ligar direto pra polícia”.

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Com medo, a professora destaca estar frágil e não pretende colocar a vida dela e do filho em risco. “Já é um problema social, não é com o professor. Não se tem respeito por categoria nenhuma, hoje em dia parece que é bonito ser infrator. Os jovens perderam os valores”, desabafa. A psicóloga Maria da Conceição concorda que os problemas enfrentados em sala de aula não são específicos deste ambiente, mas advêm da distorção de valores da sociedade em geral, que interfere diretamente nessa realidade. “O que eles presenciam em casa, o que veem na mídia, eles levam pra escola. Se o aluno está inserido num núcleo de respeito pelo ser humano, ele certamente reproduzirá isso na escola”. E os problemas se agravam num momento em que se presenciam estruturas sociais enfraquecidas. E dentre elas, a família. O fato de os pais também terem mudado de lado, legitima que o aluno se coloque contrário ao professor ou não veja nele uma autoridade. Uma das alunas que respondeu sobre qual professor mais gostava de brigar deixa isso claro. “Primeiramente não posso esquecer daquele *** do professor de filosofia, o Eustaquio... Até minha mãe já brigou com ele.... e em segundo o de matemática..”. Está claro na fala da aluna que o fato de a mãe ter brigado com ele legitima suas ações. E as ações dos pais, maus-exemplos, ainda vão além. Segundo pesquisa do Sindicato dos Professores de São Paulo (Apeoesp), em 25% dos casos de agressões verbais e físicas contra os educadores da rede estadual, são os parentes dos estudantes os autores das ameaças,

tapas e xingamentos. Rosely Teixeira de Faria tem dois filhos e estava há 24 anos longe das salas de aula. Este ano decidiu cursar Jornalismo em Dourados para melhorar a fundamentação teórica que a ajudará em sua profissão. Pelo fato de ter presenciado a escola de ontem e a de hoje, a diretora de TV diz perceber uma diferença muito grande na relação entre professores e alunos. “O que vejo de positivo hoje é que há uma proximidade maior com o professor, mais diálogo e compreensão. Na minha época de Ensino Fundamental (há mais de 30 anos) os professores eram autoritários e intimidavam os alunos”, conta. Uma transformação negativa apontada por ela, porém, se dá por parte dos alunos, principalmente os mais jovens, e a imaturidade, para ela, pode ser um dos

grandes vilões. “O aluno chega atrasado à sala de aula, entra sem pedir licença, bate a porta, sai e entra na sala de aula como se estivesse em sua casa. Quase sempre quando os professores estão explicando a matéria, o aluno passa na frente dele e sai, isso atrapalha a linha de raciocínio do professor e a concentração dos alunos”. Talvez pra quem vivenciou as duas situações, seja mais fácil administrar a relação professor e aluno. Para os filhos de Rosely, o discurso está ensaiado. “Sempre peço a meus filhos para que sejam educados, respeitem os professores, mantenham o diálogo, não saiam da sala de aula sem necessidade, e se isso acontecer, peçam licença; que tirem todas as dúvidas sobre o conteúdo explicado e que não olhem o professor como uma pessoa punitiva, mas sim, como alguém que está na sala pronto para ajudá-los”.

Ação e reação Como nem todos os pais pensam dessa forma, e as crianças e adolescentes chegam às escolas cada vez com menos limites, as reações estão sendo sentidas em todos os níveis educacionais: do Ensino Infantil ao Superior. Das agressões verbais às físicas, aliadas à falta de reconhecimento profissional, ao peso de serem responsabilizados por todas as mazelas sociais, aos baixos salários e jornadas duplas ou triplas de trabalho, os professores vêm dando sinais de esgotamento. A assistente social do Instituto de Previdência Social dos Servidores do Município de Dourados – PreviD, Cláudia Viana Schwaab, pesquisou, analisando os Boletins de Inspeção Médica dos professores submetidos à perícia no ano de 2008. Dos 1.109 professores efetivos, 137 estiveram afastados por algum, ou vários momentos, no ano passado. O que assusta

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é que destes, em 38% dos casos, o diagnóstico aponta para transtornos mentais e comportamentais. No trabalho, a assistente social chama a atenção para a Síndrome de Burnout, caracterizada por uma exaustão emocional, falta de entusiasmo, sensação de esgotamento e infelicidade pessoal e nas relações profissionais, que tem se tornado comum em professores, enfermeiros e trabalhadores que lidam no cuidado com o outro. Em 14% dos casos, os professores ficaram afastados por mais de seis meses e os horários destes são preenchidos por professores substitutos. A pesquisa de Cláudia aponta que “nesse contexto, as consequências do esgotamento dos professores não se manifestam somente no sujeito acometido pela doença, mas também trazem repercussões sobre a organização escolar e em relação aos alunos”. y


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saúde Depois de décadas de desenvolvimento, moradores da segunda maior cidade do Mato Grosso do Sul comemoram e esperam crescimento com mais segurança

74 anos

de história Andressa Mello

U

ma vasta paisagem de cerrado, solos férteis e um clima tropical. Difícil resistir a tantas belezas e esperanças prometidas pela terra. No início, a região era habitada pelos índios das tribos Terena e Kaiowá. Foi no final do século XIX que chegaram os primeiros migrantes. Esse novo aglomerado que se formou recebeu o nome de São João Batista de Dourados, pelas proximidades com o rio que nomeou o povoado. Os anos se passaram, outros nomes vieram e o local tornou-se, em 13 de junho de 1914, Distrito de Paz. Em 20 de dezembro de 1935, com áreas desmembradas do município de Ponta Porã, pelo Decreto nº 30 do então governador do Estado, Mário Corrêa da Costa, Dourados teve sua emancipação político-administrativa. Nessa época, existiam em torno de 15 mil habitantes nas proximidades. A economia ainda se

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baseava no pequeno comércio e a cidade vivia às sombras da Cia Erva Mate Laranjeira, que monopolizava a exploração de erva-mate na região. O desenvolvimento foi lento até a segunda década do século XX, por causa, principalmente, das deficiências de meios de transporte e vias de comunicação. Mas a partir dos anos 50, o processo acelerou-se e Dourados tornouse importante centro agropecuário e de serviços. Nos anos 60, a cidade teve um crescente aumento populacional, fruto da migração e imigração que ocorreram na região. Dourados já contava com migrantes, principalmente, paulistas, catarinenses e paranaenses, além dos imigrantes japoneses e paraguaios. Ramão Pires, neto de um dos fundadores de Dourados (Marcelino Pires), fiscal aposentado, hoje com 63 anos, também vi-

veu todo esse processo de evolução da cidade. “Quando eu nasci, Dourados não tinha 11 anos completos. Eu era criança e lembro que não tinha um palmo de asfalto, tudo era mato e havia poucas casas. Era tudo de tábua. A luz era a motor e só das três da tarde às dez da noite. E nem era todos os dias. Foi de 1969 pra cá que o negócio começou a desenvolver mesmo”. Waldemar Delabio, nascido no Estado de São Paulo, hoje com 83 anos, morador da cidade há 43, lembra com saudade da época em que a vida era mais simples por aqui. “A cidade era pequena quando cheguei. O local onde eu moro era campo. Mas Dourados tinha uma grande promessa de progresso. A cidade cresceu muito, desde então. E cresceu muito rápido”.


Waldemar Delabio mora há 43 anos em Dourados.

Você sabia? • A primeira casa foi construída em 1907 por Januário Pereira de Araújo. • Foi também em 1907 que Dourados recebeu sua primeira escola. O professor era Manoel Santiago de Oliveira. • A primeira instituição religiosa a surgir foi a Igreja Matriz, construída por um mutirão. A obra iniciou em 1925 e foi concluída em 1926. • No início, os casamentos eram feitos em

E não era só a paisagem que era diferente. Ramão Pires conta que o transporte na época da sua infância era de tração animal. “Nós andávamos de carro de boi, carroça e charrete, só depois que passou para a bicicleta. Quando eu tinha uns 10 anos só existiam dois ou três carros em Dourados”. Foi a partir dos anos 70, em razão das terras em abundância e dos preços baixos que os migrantes do Sul, especialmente os gaúchos, vieram em maior quantidade para fazer moradia na região. Com isso, a área plantada passou de 3.500 para 134 mil hectares. Os anos se passaram e o crescimento se instalou na cidade. Na década de 90, além da agropecuária, o desenvolvimento comercial e de serviços foi essencial para que Dourados viesse a ser um polo regional. O solo rico em matéria-prima trouxe uma agricultura diversificada e a posição geográfica favoreceu um papel central na geopolítica do Brasil com o Paraguai. Tudo isso, somado às mudanças e à modernidade fizeram de Dourados uma cidade importante para a região, o Estado e para o País. Dourados é hoje uma das 39 cidades brasileiras com classificação de capital regional e conta com a segunda maior arrecadação de ICMS de Mato Grosso do Sul. O município exerce o papel de centro de serviços para uma região que compreende quase 1 milhão de pessoas. Uma cidade que cresceu rapidamente e que ainda promete desenvolvimento. Para Delabio, “Dourados não tem outra saída senão progredir. A cidade

conjunto e as festas duravam quatro dias, começavam dois dias antes e terminavam dois dias depois. Os moradores aproveitavam a passagem do juiz de paz e do escrivão para realizar a cerimônia. • A mulher teve papel importante na construção da cidade. Albertina Pereira de Matos foi vereadora entre 1946 e 1950. Já Olívia Pereira Brum foi fotógrafa na década de 30. •Em13/11/1952, Dourados ganhou uma salva-de-prata por salvar a tripulação de um avião. No dia 18/09/1952, a po-

não para e não vai parar”. O aposentado também se diz encantado pelo local que o acolheu. “Já me considero douradense. Sou muito mais sul-mato-grossense do que paulista. E peço a Deus que ponha a mão sobre essa terra”. Mas nem tudo é comemoração. Com as mudanças e o crescimento da cidade aumentam também as taxas de criminalidade e desemprego. É preciso estar atento à estrutura de transporte, saúde, moradia e educação. O desenvolvimento não anda sozinho, mas com responsabilidade e competência, não só dos órgãos públicos, mas também do povo douradense, a cidade tende a caminhar a passos largos. Ramão Pires, que se orgulha de ter nascido em Dourados, reconhece que a cidade melhorou muito, mas diz que falta muita coisa ainda para ser feita. “Acho que o que poderia ser resgatado daquela época é a honestidade das pessoas”. Para seu Waldemar, a solução do problema está no trabalho. “Trabalhei muitos anos de minha vida e acho que com emprego, 99% dos problemas são resolvidos”.

pulação se deslocou até o aeroporto e providenciou uma sinalização para o pouso de um precioso avião das forças aéreas, salvando a vida de toda a tripulação.

Raio-X Área: 4.086 km² População: 189.762 hab.* Densidade: 44,51 hab./ km² PIB: R$ 1.930.401 mil (BR: 181º MS: 3º) ** PIB per capita: R$ 10.359,00** y Fontes:*Est. IBGE/2009 / **Est. IBGE/2006

Ramão Pires tem orgulho de ser douradense.

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artigo

O gambá do meu quintal

e a Conferência de Copenhague Em meados de novembro, numa manhã em que a chuva deu uma trégua na Ilha, meu companheiro se deparou com uma agradável presença em nosso jardim: um gambá, que há dois anos nascera nas proximidades e que na época não seguira com a família, provavelmente por não ter a mesma força dos demais. Desde o seu nascimento, nos acostumamos às suas eventuais visitas e esperamos o amanhecer com ansiedade para ver se ele comeu as frutas que lhe deixamos no quintal. Há meses não o víamos. De dia isso nunca havia acontecido, já que suas incursões à procura de comida começam com o cair da noite.

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omo animal onívoro, o gambá se alimenta de praticamente tudo: raízes, frutas, insetos, moluscos, aves. Nesse aspecto, nosso quintal é um banquete para ele. A surpresa maior foi descobrir que esse animalzinho tão indefeso construiu sua toca debaixo de um dos nossos hibiscos. Até aí tudo normal, se eu não morasse na área urbana de uma capital brasileira. Sinto-me feliz por minha casa ter um ambiente que proporcione segurança a tantas espécies, mas a presença do gambá me causou certa preocupação. A área urbana avança cada vez mais e o habitat dessa e de outras espécies está se acabando. Logo será a vez delas. E o que estamos fazendo para evitar isso? Temos a mania de achar que o desmatamento no Brasil é problema para o governo resolver. E com esse discurso, a gente corta a árvore em

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frente de casa porque ela só faz sujeira (nem vou discutir aqui o conceito de sujo), ou porque os passarinhos que nela habitam sujam o carro que fica embaixo, ou ainda porque os galhos impedem que os passantes vejam a beleza da casa (também não vou discutir o conceito de belo). E essa postura egoísta se repete com tanta frequência que nos tornamos indiferentes aos avisos da natureza. Se encontrarmos cobras dormindo no motor do carro, vamos achar o fato no mínimo pitoresco (isso aconteceu com uma amiga); se descobrirmos um gambá morando no quintal, o episódio será tema de piadas, satirizando o fato de termos um animal de estimação um pouco fora do padrão. E assim, não nos damos conta de que os atos de nosso cotidiano resultam na destruição do meio ambiente, que reflete diretamente no aquecimento global. A cada ano, segundo a Earth Save Foundation, milhares de km² de florestas são destruídos de forma permanente, ocasionando a extinção de mais de mil espécies de plantas e animais. As mudanças climáticas que isso pode provocar ameaçam grande parte das espécies em risco no mundo, entre elas 25% dos mamíferos e 12% dos pássaros, que poderão ser extintas nas próximas décadas, em virtude das alterações que serão provocadas pelo aquecimento em florestas e outros biomas. No meio de toda essa preocupação,

eis que aparece uma boa notícia: o Brasil registrou, de agosto de 2008 a julho de 2009, o menor índice de desmatamento anual na Amazônia nos últimos 21 anos, com a marca de 7.008 km (pesquisa do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Essa redução é um trunfo para o País na Conferência do Clima de Copenhague, que reúne representantes de 170 países este mês e onde um dos principais temas de negociação é a inclusão do desmatamento evitado como mecanismo de combate ao aquecimento global. A reunião na capital dinamarquesa pode ser uma oportunidade para se chegar a um novo compromisso sobre o clima antes do término do Protocolo de Kyoto, que entrou em vigor em fevereiro de 2005 e se encerra em 2012. Se esse cenário não se concretizar, nem mesmo o meu quintal vai conseguir salvar o gambá de Jurerê. y

Isabela Schwengber, jornalista.


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solidariedade

Caroline Oliveira e Maria Alice Otre

Em Dourados, entidades e pessoas se dedicam a alegrar, mesmo que por instantes, a vida de próximos-distantes . Diante das vitrines convidativas de fim de ano, a Haley destaca a importância de estar e ser presente para o outro 46 | outubro • 2009 | haley

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asas e ruas iluminadas, árvores enfeitadas, muito verde, vermelho, dourado e o famoso Papai Noel por todos os cantos. É nessa descrição que reconhecemos como se transforma o nosso cotidiano com a chegada do fim do ano. Listas de presentes, festas de confraternização, amigossecretos e conhecidos. Perspectivas de viagens, reencontros, a busca pelo sentido religioso das comemorações e tantas outras situações nos remetem às festividades de Natal e Ano-Novo. Para algumas pessoas, porém, esse período traduz solidariedade à flor da pele. Vários motivos favorecem as ações de cuidado com o próximo, como o fato de

refletir sobre o que se espera do próximo ano, uma disponibilidade maior de tempo, uma renda extra com o 13º, ou ainda, o fato de se sentir tocado com a realidade do outro num momento em que paz, harmonia, perdão e solidariedade são as bandeiras da vez. Mônica Roberta Marin de Medeiros, diretora de uma instituição que cuida de crianças e adolescentes, atesta essa realidade. “No final do ano, sempre contamos com uma ajuda extra das pessoas que já nos auxiliam durante o ano todo”, destaca. Segundo ela, as pessoas se sensibilizam mais e mesmo as que não podem contribuir com ajuda financeira, se colocam à disposição de alguma forma. “Temos pessoas


que se colocam como voluntárias, ensinando a tocar violão, contando histórias para as crianças ou fazendo um trabalho mais de bastidores, como ajudar a costurar as roupas, fazer tapetes, organizar a despensa e assim por diante”. E as crianças esperam ansiosas por essas festividades. Na companhia da mãe social, Marcela Marta de Araújo, que cuida de 10 crianças do lar e mais dois filhos biológicos, um de 6 e de 7 anos, falaram sobre as expectativas. “Gostamos muito do Natal”, disseram animadas! Para elas, esse momento é tão esperado, pois além dos presentes que ganham, elas também recebem muitas visitas. “O pouco que vem é bem-vindo”, garante Marcela. Uma das dúvidas dos que querem ajudar é justamente em como fazer isso garantindo o maior benefício para os atendidos. Muitos procuram as entidades para levarem as crianças para passarem um

final de semana ou as comemorações com eles. O problema é que esse “passeio” gerava muitos transtornos, já que as crianças não entendiam que não estavam ganhando uma nova família e só estavam passeando. Para a coordenadora do curso de Serviço Social da Unigran, Maria Madalena Gehm, essa prática era muito comum em muitas entidades, mas a frustração se dava nos dois sentidos: as famílias criavam a expectativa de ter uma criança e a criança de ter uma família, casa com piscina ou passeios o dia todo. “A criação de vínculos afetivos se tornava então complexa para os dois lados, mas as crianças acabavam sofrendo mais”, aponta a professora. Atualmente, já não é mais autorizada a saída das crianças nesse sentido, mas a sociedade pode ajudar de diversas formas, sendo que o importante é que a ajuda tenha um objetivo que vá além da ne-

cessidade momentânea. “Isso não significa que se vá deixar de dar alimento ou roupas pra quem precisa, mas que essa ação venha acompanhada de um incentivo, um carinho”, ver no outro uma pessoa que tenha potencialidades tanto quanto quem está lhe oferecendo esta atenção. “O que falta muitas vezes, são oportunidades”, propõe Maria Madalena. Passando pelos teóricos do serviço social, ela diz que a caridade não deve satisfazer um desejo de tranquilizar a consciência de quem está doando, como um “já fiz minha parte”. É preciso que se pense no melhor para o outro e o melhor é oferecer algo, por menor que seja, para que a pessoa possa crescer, se transformar. “A doação deve ser um símbolo de que o ano que vem a pessoa poderá ter aquilo por ela mesma”, daí a importância de que ela seja estimulada, acreditada por quem faz a doação. Conforme diz a coordenadora, a

assistência social é uma política pública de direito, que veio para tirar a característica da ‘ajuda eterna’, do pobre que é ‘coitadinho’, e sim para a garantia de direitos. “Hoje, a gente pensa que é preciso incentivar oportunidades da pessoa estudar, se desenvolver, criar estratégias para que essa família possa evoluir”. É interessante também destacar que para muitas pessoas carentes, qualquer ação que lhes diga “olha, alguém se importou comigo” já lhes fazem muito bem. E pessoas que se importam com o outro realmente fazem a diferença. Buscando apresentar algumas dessas ações, a Haley selecionou experiências de pessoas ou instituições, que fazem das festas de fim de ano, mais que presentes: se fazem presentes para impulsioná-las a seguir adiante.

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De mãe para filho Compaixão, solidariedade e amor ao próximo. Não basta ser Papai Noel, é preciso estar presente. É com esse espírito que Doné de Matos realiza, há 36 anos, uma tarde especial no dia 25 de dezembro para toda a comunidade de Culturama. Mas essa história vem de longa data e começou com sua mãe, dona Araci Pereira de Matos. “Meus pais se casaram no dia do Natal em 1927, no município de Dourados, por isso, minha mãe resolveu fazer todos os anos uma comemoração com as crianças das fazendas vizinhas, distribuindo doces caseiros”, relembra. Após o falecimento da mãe, o projeto ficou parado, mas em 1974 foi retomado por ele. “Quando mudei para Culturama (distrito de Fátima do Sul com pouco mais de três mil habitantes), percebi que tinha de continuar a semear o que minha mãe começou. Somos nove irmãos e todo mundo ajuda de alguma forma. O que no início presenteava 30 crianças, hoje, soma mais de 1.100, que aguardam ansiosas o dia de Natal”. E a tradição dos doces continua. São balas, chocolates, picolés, sucos, refrigerantes. Tudo arrecadado por meio de doações. “É uma verdadeira festa. É um

irmão que doa uma coisa, um cunhado ou vizinho que doa outra. Uma semana antes, vou a pé, de casa em casa, para convidar todas as famílias para participarem e levarem seus filhos”. Além disso, todos os irmãos pagam uma mensalidade durante o ano. Dinheiro que é destinado à ação do Natal. Doné de Matos conta que crianças que participavam antigamente, agora levam seus filhos e até netos, sendo que muitos também contribuem para a organização da festa. “Fico muito feliz de ver que uma simples ação da minha mãe tem dado tantos frutos”. Segundo ele, o seu maior medo é ter que um dia parar. “Estou com 78 anos e sei que em breve não terei mais a mesma disposição física, mas sei que meus dois filhos devem continuar a tradição, talvez de uma forma diferente, mas o importante é não deixar a nossa história acabar”. E, emocionado, dá uma verdadeira lição de vida e solidariedade. “Sem amor ao próximo não existe felicidade. Não há dinheiro que pague a sensação que temos ao ajudar uma criança, de proporcionar a ela, pelo menos uma vez ao ano, um dia especial. Por isso, procurem sempre fazer algo de bom ao próximo”.

Cartinha para

o Papai Noel

Com o objetivo principal de manter a magia do Natal, representado pelos pedidos que as crianças fazem ao “bom velhinho”, os Correios realizam desde 1997 o Projeto Papai Noel dos Correios. Todos os anos, milhares de crianças de todo o Brasil escrevem suas cartinhas ao Papai Noel, mas, além de pendurarem nas árvores de Natal, levam-nas até a empresa. A cada ano, o número de cartas só aumenta e a quantidade de pedidos realizados também. No ano passado, mais de um milhão de cartas foram entregues aos Correios do Brasil todo, sendo que 465 mil delas foram adotadas. Além de manter a magia do Natal e atender aos pedidos das crianças que estão em situação de vulnerabilidade social, fazem parte também dos objetivos da entidade: incentivar a redação de cartas manuscritas pelas crianças; fomentar o voluntariado e a solidariedade; e difundir a prática da responsabilidade social. “O problema é que muitas vezes as

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pessoas confundem o intuito do projeto”, garante o coordenador da região sul do MS, Walter dos Anjos Barbosa. Todas as cartas recebidas passam por uma triagem, para identificar as que serão ou não encaminhadas para a adoção. Os pedidos aceitos não ultrapassam o valor de R$100,00. Em Dourados, no ano passado, chegaram até a empresa mais de 3.000 cartas, sendo que apenas 1.500 foram encaminhadas para adoção, e destas, 700 foram adotadas. Muitas instituições retiram as cartas nos Correios e as redistribuem, ajudando bastante no projeto. Os que ajudam são de todas as classes sociais, garante Walter Barbosa. “Às vezes vêm pessoas tão simples que poderiam estar pedindo ajuda e deixando cartinhas, mas vêm pra ajudar”. Dentre os pedidos que mais aparecem estão carrinhos de controle remoto, patins, bonecas e bicicletas. Ademar Soares dos Santos conta que a primeira vez que participou do projeto adotando uma

carta, se emocionou. Na carta, a criança escrevia “Papai Noel, este ano não quero presentes, roupas nem materiais escolares. Queria que o senhor me desse um pedaço de carne para eu comer no Natal”. Outras situações inusitadas foram registradas quando os Correios foram entregar os presentes e encontraram famílias inteiras dormindo no chão, e na cartinha para o Papai Noel o pedido de uma cama. De acordo com Barbosa, são situações difíceis como essas que os funcionários dos Correios têm que passar. “Às vezes, cinco filhos de uma família mandaram cartinha, mas só uma foi adotada e a gente precisa ir entregar”. Em casos como esses, os funcionários já levam alguns brinquedos avulsos ou balas e doces para entregar aos que não tiveram suas cartinhas adotadas. São voluntários e funcionários, tomando pra si a obrigação de manter a magia do Natal e se tornando, mesmo que por momentos, realizadores de sonhos.


Faça

a diferença

Funcionando há oito anos em Campo Grande e com uma experiência reconhecida em outras cidades do País, o Projeto Padrinho existe para auxiliar menores em situação de risco pessoal ou que estão acolhidos em entidades por algum motivo. Implantado pelo Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul, o Projeto é uma opção aos que pretendem acompanhar crianças e jovens que precisam de uma atenção adicional. Daí o nome do Projeto, sendo que o padrinho não é aquele que substitui o papel dos pais ou da família, mas uma pessoa capacitada para doar atenção, carinho ou ajuda material a fim de favorecer o futuro profissional do novo afilhado. Para o juiz de Direito da Vara de Infância e da Juventude, Zaloar Murat Martins de Souza, a função do projeto é “selecio-

nar voluntários para prestarem assistência a crianças e adolescentes, bem como às suas respectivas famílias”. Ele explica que estes padrinhos ou madrinhas assumirão compromisso com o Juizado da Infância e da Juventude para auxiliar na solução dos problemas que originaram o processo. Estando claro que o afilhado tem uma família e precisa apenas de um suporte, o Projeto permite que os inscritos acolham as crianças em seus lares, como se fossem realmente levá-las para passear com o padrinho ou ficar um tempo com ele até os pais se restabelecerem. Vale destacar que o objetivo principal do projeto é possibilitar o retorno das crianças e jovens ao convívio familiar, estimular o exercício de cidadania e, principalmente, levar amor a cada um deles. Dados do Núcleo de Orientação e

Fiscalização de Abrigo (Nofe) revelam que existem no município quatro abrigos que atendem 80 menores. Destes, 40% são filhos de pais dependentes de álcool e drogas e as demais histórias vão desde abandono à violência física, sexual e psicológica. Segundo a coordenadora e assistente social do Fórum, Eneida Martins, muitas crianças que estavam, por exemplo, em abrigos devido às más condições que viviam em seus lares, hoje estão de volta às suas famílias. “Isso aconteceu porque tiveram ajuda de padrinhos”. O mais importante desse projeto é que ele não está relacionado apenas às festas de fim de ano, então, você não precisa esperar o Natal de 2010 para ajudar. Vale à pena ter um feliz ano novo fazendo pessoas felizes em cada um dos 365 dias.

Formas de

Apadrinhamento

Padrinho Afetivo – Além de atenção e carinho, também orienta quanto à saúde e educação.

de acordo com a natureza de sua profissão, como dentista, médico, professor, entre outros.

Padrinho Material – Presta atendimento às necessidades materiais das crianças e adolescentes como auxílio financeiro ou patrimonial, podendo conhecer, ou não, os afilhados.

Família Acolhedora – Neste caso, o padrinho pode acolher a criança e o adolescente em casa por determinado período, até que a situação seja decidida pela justiça. y

Padrinho Prestador de Serviço – Ajuda gratuitamente,

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casa

Com eira e com beira

Ellen Kotai

A casa, mais que uma simples construção, é o abrigo da alma, onde as relações humanas mais próximas são construídas, e, portanto, torna-se o referencial da pessoa . [Cynara Tessoni Bono] 52 | outubro • 2009 | haley

É

o velho e grande sonho do brasileiro, o local onde todas as vontades e planos de uma vida feliz podem se realizar e onde a história de uma família fica realmente marcada. Sim, a casa, também chamada de lar, local que vai além das paredes, tetos e chão. E o carinho pelo lar onde moramos é normalmente tão grande que tentamos a cada dia deixá-lo da maneira mais agradável possível, afinal, é onde passamos os momentos de descanso e lazer, e nada mais justo que ter esses momentos em ambientes de aconchego. Toques aqui, retoques ali, uma textura na parede, uma cor diferente, espelho em tal lugar, um vaso de flores, jardim com pedrinhas brancas, e os lares vão ganhando a cara das famílias que ali moram. Para sanar nossos desejos de uma casa com detalhes perfeitos, seguindo a linha de decoração e estilo escolhido da casa, que encontramos os arquitetos, decoradores e paisagistas, aqueles que dão o toque profissional em todo o desejo da fa-


mília de tornar a casa um local único e especial. Um serviço que costuma começar de mansinho, mas que, no final das contas, faz toda a diferença. “A casa é o retrato de seu dono”. Essa frase do escritor português Antero de Figueiredo traduz o sentido que o lar representa para o homem. Indo ao encontro do trecho citado, a arquiteta e coordenadora do curso de Arquitetura e Urbanismo de uma universidade de Dourados, Cynara Tessoni Bono, acrescenta que o projeto de uma casa tem que traduzir as necessidades das pessoas, dos grupos sociais e também da comunidade, isso levando em consideração desde o urbanismo, a edificação, o paisagismo, além da conservação e a valorização do patrimônio construído, a proteção do equilíbrio do ambiente natural e a utilização racional dos recursos disponíveis. Todos esses elementos em harmonia é que transformam o sonho de uma casa bonita, útil e agradável em realidade. Ela afirma que uma das tarefas mais importantes é fazer com que os espaços da casa proporcionem a convivência da família. “O que mais se procura, atualmente, é cuidar das relações humanas, sejam elas familiares, de trabalho, afetivas. A arquitetura deve se atentar para o compartilhamento dos espaços, sejam eles palpáveis (edificados) ou não (emotivos), e isto pode ser conseguido com a proposta de uma piscina, de um jardim, ou de um lugar para se guardar bugigangas.”. E essa necessidade de compartilhamento e bem-estar das pessoas em suas casas se justifica na vivência da professora Terezinha Bazé de Lima, que finalizou há cerca de um ano sua nova residência. Terezinha Bazé, além de se preocupar com a beleza do imóvel, também se atentou à funcionalidade e disposição de cada cômodo. “Na construção da minha casa, levei em consideração, primeiramente, o convívio entre a família e os possíveis amigos e convidados que sempre estão aqui. A partir daí, como gosto muito de cozinhar, descobri que queria que minha cozinha tivesse contato com as pessoas, pois essa seria uma maneira de mesmo estando cozinhando, poder participar da conversa em todos os espaços. Por isso fiz questão que esse cômodo também fosse um espaço de convivência e que tivesse ligação com outros espaços da casa. Dessa maneira, mesmo pequena, minha cozinha representa a amplitude. Com janelas e porta de ‘blindex’ ela entra em convivência com os outros cômodos, tem participação em vários ângulos da casa” declara, acrescentando que o cômodo proporciona momentos de prazer em família e entre amigos. E nada melhor do que conquistar a casa dos sonhos e poder deixá-la do jeito desejado. Desde a escolha pela planta, os materiais a serem utilizados, as cores, as formas e tantos outros detalhes que vêm com a composição da decoração. São elementos que, além de reunirem o gosto e a identidade da família, tornam a casa mais agradável e bonita. A arquiteta explica que todo o ser humano necessita do que é belo para viver, por isso queremos na maioria das situações o

mais bonito, e a construção da casa não foge dessa regra. E justo por essa necessidade do belo na vida das pessoas que surgiram todas as manifestações artísticas, como a pintura, a escultura, a dança, a música, entre outras. “A casa, por ser o abrigo da alma, onde as relações humanas mais próximas são construídas, torna-se um referencial da pessoa, e por isso necessita refletir o belo. Eis aí uma das inúmeras razões da beleza fazer parte do imaginário das pessoas”, explica Cynara Bono, acrescentando que a funcionalidade de uma casa também reflete a própria organização interna das pessoas, que no mundo atual, desejam diminuir o trabalho com as tarefas cotidianas e aumentar os momentos de lazer e convívio. Algo típico da arquitetura brasileira e que agrega beleza, charme e conforto nas casas são os jardins e áreas de descanso. Na maioria das vezes, ricos em detalhes e em toques pessoais, esses espaços ganham cada vez mais atenção. Cynara afirma que, por o Brasil se tratar de um país tropical, o beiral e a varanda são dois elementos praticamente obrigatórios nas casas, o que caracteriza muito a nossa arquitetura brasileira, podendo assim valorizar a natureza, aproveitando-se dos elementos e situações do clima, iluminação,

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cultivo de plantas, entre outros. Terezinha Bazé, que desde o planejamento de sua casa priorizou uma área de jardim e descanso, afirma que este tipo de área é muito importante para a composição do espaço total da casa. “No fundo de casa, fizemos um jardim para receber as pessoas, lá é um lugar bem agradável e que gosto muito”, declara. Também próximo ao jardim e ao escritório, o corredor com plantas, xaxins e decoração em madeira é um dos locais preferidos da professora. “O corredor traz paz pra quem está trabalhando”, afirma. É uma área que diminui o calor e conserva o frescor e o clima ameno devido às plantas do local e as madeiras da decoração. Outro elemento apreciado pela arquitetura local e bastante utilizado nas construções de Dourados e região são as ‘tesouras’, aquelas armações triangulares de madeira (e hoje também de outros materiais) usadas em telhados e que cobrem grandes vãos sem a necessidade de auxílio das paredes internas. Cynara diz que este é um elemento recorrente das coberturas na arquitetura local, “talvez porque a tesoura faça parte da genética brasileira desde a sua colonização pelos portugueses, italianos, franceses e alemães”, mas que mesmo com o uso deste elemento característico, sua proposta tem sido repensada e utilizada em combinação com materiais diversos como vidros como fechamento, aço ou mesmo concreto armado, buscando uma identidade contemporânea na proposta da arquitetura. Hoje, com tantas opções de estilos e profissionais no mercado, sonhar com a casa ideal não é algo tão distante, e priorizar a felicidade e vivência em momentos especiais dentro de casa é o que mais está em moda. “Pra mim, minha casa é sinônimo de bem-estar, realização, conforto e, sobretudo, um sonho realizado”, finaliza Terezinha Bazé de Lima. y

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Todo decorado com plantas e madeira, o corredor permite uma corrente de vento para outras áreas da casa


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bichos

Alerta

animal

Ser dono de um

animal de estimação

não é tão fácil

quanto parece. É preciso cuidados

e responsabilidade

para que seu

bichinho cresça

saudável e feliz

Andressa Mello

O

s grandes companheiros dos homens são os animais de estimação. E eles, como bons amigos, merecem cuidados especiais. Na hora de escolher o seu bichinho é preciso estar atento às responsabilidades que surgem com ele. Tratar de um animal não é apenas dar banho, comida e uma tosa quando preciso. O cuidado vai muito mais além das necessidades básicas do animal, exige carinho e uma lista de horários e gastos extras todo mês. O principal fator para deixar seu bichinho sempre bem é evitar que

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acidentes aconteçam. A médica veterinária Edimara Munhos Correa Melo ressalta que com atitudes simples é possível manter uma vida saudável. “Os animais devem ser impedidos de terem acesso livre à rua. Eles devem sair para passeios junto com seus proprietários, mas sempre com coleiras e guias e, em alguns casos, também com focinheiras”. Entre as emergências mais comuns, segundo Edimara, estão complicações que impedem um parto normal, acidentes, envenenamento, traumas e reações alérgicas. De acordo com a médica

veterinária, o melhor conselho em qualquer um dos casos é entrar em contato imediatamente com um profissional. “Como existem vários tipos de emergências, o proprietário deve falar com um médico veterinário. Caso não consiga uma orientação direta com o profissional, o animal deve ser encaminhado de uma forma segura”. Edimara enfatiza que a comunicação prévia entre o dono e o especialista pode ser decisiva no procedimento. “A precisão e um rápido atendimento podem salvar uma vida”.

A médica veterinária Edimara Munhos Correa Melo


A administradora Priscila Goulart viveu uma situação que comprova as palavras da médica veterinária. Seu cão, um boxer chamado Luke, que mora na fazenda da família, foi picado por uma cobra no último dia 27 de outubro. O peão da fazenda ligou dizendo que meu cachorro estava quieto, meio arredio e com uma ferida na perna. Suspeitamos que fosse picada de cobra. Então, mesmo já sendo noite, liguei e avisei a médica veterinária, que pediu que o trouxéssemos imediatamente . Com o cachorro na propriedade rural, o marido de

Priscila foi de carro para buscá-lo. Ela falou pra não mexer no animal e eu orientei o pessoal que estava na fazenda. Ele chegou com 40°C de febre e com a perna muito inchada. Fiquei muito preocupada , diz com lágrimas nos olhos. Com o aviso prévio, as médicas veterinárias já estavam prontas no momento da chegada do animal e fizeram o atendimento rapidamente. Se elas não estivessem prontas, com tudo organizado, ninguém sabe o que poderia acontecer , afirma a dona do animal.

O carinho de Priscila com seu cão Luke.

Rottweiler coberto de espinhos após ataque ao ouriço.

Depois do incidente, Luke, o boxer de Priscila, voltou à sua vida de cão arteiro. “Ele está ótimo, ficou sem nenhuma sequela, está andando e correndo como se nada tivesse acontecido”, conta aos risos. “Isso mexeu muito comigo, porque ele já faz parte da família”. Os donos precisam estar atentos às reações e ao comportamento dos animais de estimação. Segundo a médica veterinária, alguns fatores podem significar um pedido de ajuda, como perda ou ganho de peso, alteração na urina, vômito, tosse, anormalidades nos olhos, coceira, febre e dor. Muitas pessoas dizem que os animais são como crianças. Pois muitos são crianças levadas! Em uma propriedade rural de Dourados, um cão da raça rottweiler atacou um ouriço. O cachorro teve sua face, boca e patas recobertas pelos espinhos do animal silvestre. Esse tipo de acidente causa muita dor, desconforto, inflamação, o que impossibilita até mesmo a ingestão de água. Uma vez atingido, é preciso sedar o cão para retirar os espinhos. Por isso, observe sempre o espaço no qual o animal vive! Evite material cortante, tomadas e fios elétricos, plantas tóxicas, animais peçonhentos ou algum material que possa causar danos. O ambiente tem que ser limpo, de fácil higienização, ventilado, sem umidade e com proteção contra chuva e sol. Outro cuidado deve ser com o verão. O calor na região de Dourados é muito intenso. Por isso evite expor seu animal ao sol e não se esqueça de deixar água fresca sempre disponível. É nessa época também que as pulgas e carrapatos se proliferam, esteja atento e passe produtos específicos, sempre com orientação.

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COMO SOCORRER • Asfixia: Olhe na garganta para ver se o objeto está visível. Se puder, limpe as vias respiratórias removendo-o com a mão ou uma gaze, com cuidado para não empurrá-lo garganta abaixo. Se o animal tiver parada respiratória, abra a boca e puxe a língua. Assopre a boca do animal para ajudar na respiração. Tente auxiliar o movimento respiratório até chegar ao veterinário. • Convulsões: Afaste o animal de qualquer objeto que possa ser perigoso. Use um cobertor para acolchoar e proteger, em especial a cabeça. Evite abraçar ou mexer no animal. • Diarreia: Suspensa a alimentação por 12 horas, menos a água. Não tente nenhum tratamento caseiro, isso pode piorar a situação. Evite alimentos líquidos. • Envenenamento: Ligue imediatamente para o veterinário. Não indu-

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za ao vômito. Se possível, comunique o tipo de veneno ingerido, para que o veterinário esteja com todos os medicamentos prontos ao encontrar o animal. • Atropelamento: Evite manipular seu bichinho de estimação, pois ele pode ter alguma lesão séria. Se o animal estiver inconsciente ou consciente, mas imóvel, use um dispositivo de sustentação nas costas que poderá ser feito com uma tabua, uma caixa, um cobertor ou um lençol. Mantenha-o quieto e leve-o ao veterinário imediatamente. • Ferida por mordida: Amordace o animal e coloque uma luva, quando possível. Olhe a ferida para verificar se há contaminação (areia, terra, etc.). Limpe-a com grande quantidade de soro ou água potável. Se sangrar muito, pressione o local. Não use torniquetes. Procure um profissional, por menor que seja o ferimento, pois há um grande ris-

co de infecção. • Fraturas: Coloque uma focinheira no animal e procure o sangramento. Não tente consertar a fratura puxando ou deslocando o membro. Transporte o animal ao veterinário sem movimentá-lo muito. Envolvê-lo com uma toalha pode ajudar na imobilização. • Choque: Este estado perigoso pode ser causado por lesões ou trauma e requer ação imediata. Os sintomas são olhos vítreos, corpo frio, pulso fraco e respiração superficial. Cubra o animal com um cobertor e use uma bolsa de água quente. Assegure-se de que a cabeça está mais baixa do que o corpo. Encaminhe ao veterinário imediatamente, pois existem vários tipos de choques e o animal precisa de medicamentos intravenosos. y


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greenpeace

Desmatamento A

Amazônia tem a maior reserva de madeira tropical do planeta e a exploração deste recurso é importante para a economia da região e do País. No entanto, o modelo que temos hoje é insustentável e predatório, com alguns poucos empresários obtendo lucros sem se comprometer com o desenvolvimento econômico e social da região. Conter a destruição das florestas se tornou uma prioridade mundial, e não apenas um problema brasileiro. Restam hoje, em todo o planeta, apenas 22% da cobertura florestal original. A Europa Ocidental já perdeu 99% de suas florestas primárias; a Ásia, 94%; África, 92%; Oceania, 78%; América do Norte, 66% e América do Sul, 54%. No caso específico da Amazônia brasileira, o desmatamento, que era de 1% até 1970, pulou para quase 15%. Por isso, é hora de dar um basta nisso. Uma das ferramentas mais eficazes que se dispõem no momento para enfrentar o problema é o manejo florestal sustentável, que pode ser aplicado não só à madeira, mas também a sementes, fibras e outros produtos florestais. No caso específico da madeira, o corte seletivo em áreas já afetadas pela

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A destruição das florestas é um problema mundial, já que restam apenas 22% da cobertura florestal original no Planeta. No Brasil, o Pará foi o responsável por 50% do desmatamento da Amazônia só este ano

atividade humana usa técnicas e conhecimento científico de forma planejada para minimizar os impactos no ecossistema e permitir que a floresta se regenere. Atualmente, os melhores padrões e critérios de manejo florestal são os estabelecidos pelo Conselho de Manejo Florestal (CMF), que tem um selo amplamente reconhecimento em todo o mundo e garante a integridade da madeira, desde o corte da árvore até o produto final que chega às mãos dos consumidores. Os critérios estabelecidos são a melhor garantia disponível no momento para que a atividade madeireira ocorra de maneira legal e não acarreta destruição de florestas primárias como a da Amazônia.

O governo federal anunciou que o desmatamento na Amazônia brasileira caiu pelo terceiro ano consecutivo, desta vez para cerca de 11 mil km². Esse número representa uma redução de 20% em relação à taxa de desmatamento do mesmo período do ano anterior. “A queda é expressiva”, afirma Paulo Adario, coordenador da campanha Amazônia do Greenpeace. Entretanto, revela: “o governo sabe, assim como nós, que o desmatamento mensal voltou a aumentar desde maio, puxado pelo aumento nos preços agrícolas”, revela Adario. Em agosto, o Ministério do Meio Ambiente deixou claro que apostava num recorde histórico. Falava em um desmata-


insustentável mento anual em torno de 9.600 km², baseado em estimativas preliminares do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Porém, o desmatamento real foi 17% maior do que o estimado. Caso as expectativas do governo se confirmassem, teria nas mãos não apenas a menor taxa desde 1998, quando o Inpe começou a monitorar a derrubada das árvores na Amazônia, mas também um argumento forte para enfrentar a pressão para assumir compromissos concretos com metas de redução de emissões, resultado do desmatamento. A análise dos dados do Inpe revela que o Pará destruiu 5,569 km² de florestas no período e se manteve, pelo segundo ano consecutivo, como o campeão do desmatamento. Sozinho, o Estado governado por Ana Júlia Carepa foi responsável por 50% do desmatamento de toda a Amazônia brasileira no ano. Já o Mato Grosso de Blairo Maggi, o grande vilão da floresta e do clima até 2005, apresentou quedas espetaculares: em 2004 era 12 mil km² e três anos depois caiu para 2,4 mil km². Entre 2006 e 2007, a queda na taxa de desmatamento foi de 43%. Um dos principais motivos desta queda foi a moratória no desmatamento para soja, principal grão plantado no Estado. A moratória, resultado de uma forte campanha do Greenpeace, tende a ter influenciado esses números positivos. “Desmatar custa caro e os fazendeiros da soja pensaram várias vezes antes de tomar a decisão de pôr a floresta abaixo, com medo de perder dinheiro nas futuras safras da soja”, diz Paulo Adario. A queda no desmatamento na Amazônia pelo terceiro ano consecutivo demonstra que maior governança, aliada a vetores econômicos favoráveis atuam em benefício da floresta amazônica, e em consequência, do clima do planeta.

Desmatamento Zero

O Brasil precisa adotar imediatamente um programa nacional de combate ao desmatamento na Amazônia, com apoio financeiro da comunidade internacional. O programa criaria uma força-tarefa interministerial, com a participação de entidades representativas da sociedade civil e dos setores produtivos, para deter o avanço do desmatamento e reduzi-lo a zero. Entre as medidas necessárias para impedir uma maior destruição da Amazônia, destacam-se: • A implementação dos compromissos nacionais e internacionais assumidos em 1992 durante a Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB); • A destinação das áreas griladas na região amazônica (que, de acordo com dados das CPI da Grilagem, chegam a 100 milhões de hectares, ou 20% da Amazônia Legal) para a criação de áreas de proteção como parques e reservas extrativistas de

uso sustentável; • A implantação das unidades de conservação já aprovadas e que até hoje não saíram do papel; • Redirecionamento do programa nacional de reforma agrária para áreas já desmatadas; • Fortalecimento das instituições encarregadas da proteção ambiental como Ibama e secretarias estaduais de Meio Ambiente; • Adoção de mecanismos fiscais que punam a extração ilegal de madeira e beneficiem exclusivamente a produção de madeira através de manejo florestal sustentável e certificado pelo CMF. • Fortalecimento institucional e financeiro a projetos de manejo florestal comunitário; • Expansão dos programas governamentais de combate às queimadas; • Demarcação de todas as terras indígenas. y

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artigo

Internacionalização:

nova realidade do

ensino superior

Desde que Maclhunan proclamou, ainda nos anos 60, que o mundo havia se tornado uma Aldeia Global e com o advento da atual onda de globalização, a interação entre as sociedades humanas tornou-se cada vez mais intensa e constante.

A

globalização apresenta múltiplas dimensões, entre elas a educacional (criação de redes universitárias e de pesquisadores, aumento da mobilidade estudantil, associações de caráter global,...), desafiando a Universidade a responder aos novos desafios de produção do conhecimento e sua aplicação (não necessariamente imediatista). Além deste processo, devemos considerar a condição estratégica de Mato Grosso do Sul. Tal condição, sintetizada na ideia de que estamos no coração da América do Sul e, principalmente, possuímos fronteiras (grande parte destas, consideradas secas) com dois países sulamericanos (Bolívia e Paraguai), possibilita ao Estado um enorme potencial, ainda que não esteja sendo adequadamente aproveitado. Diante destes cenários, global e regio-

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nal, emergem, entre outras, as seguintes questões: Como a Universidade deve lidar com isso? Como preparar um profissional global? Como contribuir para o desenvolvimento de um cidadão universal? Sendo assim, os novos desafios que a Universidade e a sociedade contemporâneas enfrentam só poderão ser superados com estratégias que incorporem a internacionalização. O atual processo deve conduzir a Universidade (e, principalmente, aquelas localizadas no MS) a desenvolver estratégias que englobam a atuação em diferentes frentes. Neste caso, propomos, para iniciar o debate, que as universidades (e a sociedade) reflitam e desenvolvam sobre os seguintes aspectos para produzir um processo de internacionalização: incorporem os conceitos de Educação Internacional e Inteligência Cultural na totalidade das atividades desenvolvidas em seus campi; criem mecanismos efetivos de cooperação e integração com Universidades próximas (Bolívia e Paraguai), desenvolvendo eventos e gerando conhecimento recíproco; desenvolvam (em conjunto com o governo do Estado) programas destinados a transformar o MS em destino educacional, não apenas turístico; criem programas destinados ao envio e recepção de um número maior de estudantes e professores ao exterior; desenvolvam em nossos alunos a sensibilidade e a compreensão de que num mundo globalizado o profissional de qualquer área necessita

de um período de vivência (estudo ou estágio) no exterior; promovam a internacionalização dos currículos acadêmicos, desenvolvendo aulas e cursos em inglês e espanhol; incentivem a criação de redes de pesquisadores da América do Sul; desenvolvam programas que possibilitem aproveitar a história, as tradições e culturas locais, a biodiversidade, a geografia, o desenvolvimento (e potencial) econômico do Estado na interação com outras instituições estrangeiras, entre outras ações. Isto significa, portanto, que só uma formação ampla (global) pode preparar os profissionais de diferentes áreas para a nova realidade do mercado de trabalho e, muito importante, permitir a emergência do “cidadão universal”, como sonhava o velho Kant. y

Prof. Dr. Marcos Antônio da Silva, professor de Relações Internacionais, chefe do Escritório de Assuntos Internacionais da UFGD.


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decoração

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No mês de dezembro, o mundo ganha cores e luzes, e o espírito da magia do Natal enfeita todos os lugares, trazendo sentimentos de fraternidade e união

Belezase

põe à mesa Ellen Kotai

D

entro das casas, a alegria proporcionada pelas cores e objetos que esperam pelo Natal demonstra o espírito de fraternidade e paz proporcionado por este momento. As árvores de Natal são montadas, os enfeites do ano anterior retirados do armário, novos enfeites são providenciados e, de detalhe em detalhe, a mãe, que na maioria das vezes é a responsável por esses ajustes, vai dando uma cara nova à chegada da tão esperada ceia. Tudo pronto e, como num passe de mágica, as casas se transformam em verdadeiros reinos natalinos, prontos para recontar e reviver em família, através dos símbolos da decoração, a magia do Natal. E é justo o espírito de união em família que leva o consumidor a querer decorar a casa, os arredores, a mesa da ceia e

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diversos ambientes, afirma a decoradora Laceni Hidalgo Jorge, que tem uma casa de decorações em Dourados. “O grande significado do Natal nos dias de hoje é a relação que essa data tem com a união da família e o Brasil, como é um país de maioria cristã, acredita e incorpora essa época”. Em sua loja, ela lida com muitas clientes que garantem que a saudade dos filhos que moram longe e passam a maior parte do ano afastados é uma motivação para enfeitar a casa. “É nesse momento de reencontro que entra a decoração de Natal, pois elas vêm à loja porque querem receber bem os seus, sejam filhos, irmãos ou sobrinhos”, afirma, e acrescenta dizendo que ambientar a casa com decoração de Natal é uma forma de receber bem as pessoas queridas. “Decoro a minha casa não por obrigação, mas por prazer e


emoção, e isso faz bem para o coração de todos. Quando os filhos ou parentes veem o que preparamos pra eles, sempre se alegram e entram no clima para viver as emoções do Natal”, garante Zelma Martinez, professora aposentada e avó. Ela ainda diz que essa riqueza cultural do Natal deve ser passada às nossas crianças, para não deixarmos o encantamento e a magia do Natal morrer. Dentre os produtos que compõem a decoração natalina de uma casa, a árvore de Natal ainda é o que faz mais sucesso, garante Laceni. Segundo a decoradora, muitas pessoas enfeitam as casas com guirlandas, colocam arranjos nas mesas e fazem o que podem em pequenos espaços, transformando-os em ambientes muito agradáveis. Porém, o grande desejo é sempre ter uma árvore de Natal. Para o bolso, o significado da decoração é variado. Enquanto muitas lojas exibem enfeites industrializados, muitas vezes importados e com custos altos, há opções fáceis e de custo insignificante. “Isso varia muito do que o consumidor está querendo e

vai muito da criatividade das pessoas. Estamos no cerrado, que é um ambiente muito propício para decorações. Com galhos secos de árvores, pinhos, fitas e bolas, pode-se fazer um lindo arranjo para mesa, sem custo algum, colhendo material na natureza e acrescentando os enfeites de outros anos”, declara. Zelma Martinez concorda com a decoradora e diz que não há Natal sem enfeites nem músicas natalinas. “Também o Papai Noel é eterno e até os adultos gostam de vê-lo, por isso o destaco também. Devemos aprender que essa criatividade para decoração está dentro de nós e que não devemos ficar escravos do comércio”, acrescenta. O Natal é a época mais esperada do ano, devemos aproveitá-lo para curtir em família, pois é benéfico e saudável ao coração e à alma. “Os enfeites e decorações fazem parte da magia da época, mas tudo tem que ser dentro das capacidades de cada um”, finaliza. “A intenção do Natal não é gastar, é alegrar a família”, insiste Laceni, reforçando que o que importa nessa época é o espírito de bondade e união familiar.

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Decore você também! A Haley, com a ajuda de Laceni, selecionou algumas opções de composição da mesa e montou exemplos de como preparar a decoração da ceia e o almoço do dia 25. Aprecie e experimente em sua casa. Os resultados são repletos de elogios.

Ceia Composição simples e elegante. Tende a cores quentes que a época do Natal tanto enfatiza. 1 Jogo Americano artesanal de fibras ou palha, um prato redondo claro, talheres imitando bambu, guardanapo no tom do jogo americano e taça. Um Papai Noel prende o guardanapo exprimindo a alegria e a magia do Natal. Também a flor vermelha, ao lado do prato, demonstra essa alegria e comemoração da data.

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Almoço Esta composição aposta na leveza e delicadeza das cores, acrescida de estampas e tropicalidade. 2 Jogo americano tropical, florido. Sousplat e prato quadrados em cores claras, respectivos, verde e branco. Talheres e porta-guardanapo imitando madrepérola. Porta-copo imitando uma folha de árvore, taça verde e, ao lado do prato, um galho artificial com frutos vermelhos, dando o charme do almoço de Natal. Uma opção moderna para aqueles que curtem o Natal e querem inovar, mas sem perder o foco. Sousplat redondo metálico, prato estampado monocromático e com detalhes dourados. Talheres com detalhes nas cores preta e branca, taças diferentes, porém, em sintonia com os pratos e talheres, seguindo as cores propostas. É uma tendência usar taças de diferentes jogos para compor a mesa. 3 Uma flor vermelha e guardanapo branco arrematam a composição com um arranjo de frutos vermelhos que prendem o guardanapo, colorindo a ceia e alegrando o ambiente natalino. y

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Incomparável A dupla Elvis & Junior se prepara para o lançamento do primeiro CD ao vivo, e se destaca como a nova promessa do sertanejo universitário. Com a música ‘Incomparável’ – carro-chefe da dupla – o CD possui 13 faixas que trazem releituras de grandes sucessos, entre eles, ‘Saudade dela’, ‘De cara cheia’ e ‘Amor demais’. Sucessos que não vão deixar você parado. O CD foi gravado pela Companhia Disc, mixado e masterizado por Cláudio Abuchan, teve arranjo musical e produção de Heverton Gaido (Amarelo) e conta com apoio do Auto Posto Costa Matos de Deodápolis. Elvis e Junior estão há três anos na estrada e vêm realizando uma série de apresentações. Se você quer saber mais informações da dupla acesse:

www.elvisejunior.com.br contatos para shows (67)9921-9054 ou (67)9611-2825

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agronegócio

Safra

2009/10

promete ser melhor

Depois das perdas, produtores e especialistas apostam nas expectativas futuras para alavancar a agricultura na região sul do Estado

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Andressa Mello

A

produção nacional de grãos da temporada 2008/09 é a segunda maior da história do País, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A estimativa atual de produção brasileira é de 134,3 milhões de toneladas, 6,8% inferior ao volume produzido na safra anterior. De acordo com o levantamento, a redução de produtividade mais acentuada no País manifestou-se nas produções do milho (8,5 milhões de toneladas) e da soja (2,9 milhões de toneladas), realidade que o produtor do sul de Mato Grosso do Sul viu de perto e que trouxe perdas significativas para o agricultor da região da Grande Dourados. A produtividade média da soja, que era estimada em 2.627 kg/ha, teve uma redução de 6,7% em relação à safra anterior (2.816 kg/ha). O clima quente e seco, somado à falta de chuva, afetou a granação, provocou o aborto das flores e vagens e reduziu o tamanho dos grãos, tornando as plantas ainda mais susceptíveis aos ataques de pragas e doenças. “Maracaju e Dourados, os dois maiores municípios produtores de soja do Estado, com áreas plantadas de 185 mil e 140 mil hectares, respectivamente, tiveram perdas estimadas em 40% da produção. Ainda nesta safra, tivemos um aumento no custo de produção de 56%, comparado à safra anterior, com os preços dos insumos puxados principalmente pelos fertilizantes. Assim, a reação natural foi a diminuição da adubação, contribuindo ainda mais para a queda de produtividade”,


afirma o engenheiro agrônomo e especialista em Agrobusiness, Miguel Catharini Neto. A safra foi ruim e os valores subiram. “O preço em 2009 bateu todos os recordes, chegamos a comercializar a soja até a R$ 48”, afirma o engenheiro agrônomo e presidente do Grupo Plantio na Palha (GPP) de Dourados, Ângelo Ximenes. “Na safra passada, o preço estava bom, mas não tivemos uma boa colheita, então não adiantou muito”, acrescenta o produtor José Antônio Tozzi Filho. No milho safrinha, as perdas foram ainda maiores. A previsão de colheita, que era de dois milhões de toneladas, ficou em cerca de 1,2 milhão, segundo Catharini. “Ainda assistimos uma supersafra no Mato Grosso, engrossando os estoques do produto no mercado interno. As indústrias se abasteceram e ditaram os preços em queda livre, com algumas freadas momentâneas através dos Leilões de Prêmio do Governo”, complementa. De acordo com o levantamento da Conab, Mato Grosso do Sul teve a maior redução de produtividade na safrinha do milho, 34,9%. “A safrinha, devido ao estresse hídrico, associado às geadas de 3 e 4 de junho, teve perdas consideráveis e, em muitas áreas, perda total”, coloca Ximenes. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que, no Brasil, as duas maiores culturas de verão, o milho e a soja, tiveram reduções de 13,3% e 4,8%, respectivamente. No caso do milho, o decréscimo pode ser creditado aos grandes estoques nacionais observados no final de 2008, como também aos baixos preços praticados na época do plantio e incertezas sobre a demanda futura do produto. No caso da soja, embora a área plantada tenha crescido 2,2%, as condições climáticas adversas, especialmente a estiagem, determinaram decréscimo de 6,9% no rendimento médio da cultura. “Foi um ano muito ruim. Nós recebemos alguns incentivos, mas as perdas foram muito grandes. Tivemos muita seca. Pra mim, foi um ano terrível. Podemos considerar que tive uma perda de uns 70%”, diz o produtor Tozzi Filho. “As últimas safras de soja e milho foram bastante ruins para nossa região e, consequentemente, para o produtor rural, que ainda assiste atônito aos resultados fantásticos da safra americana de soja e milho, que mesmo não apurados, apontam para algo em torno de 88 milhões de toneladas e 353 milhões de toneladas, respectivamente”, coloca o especialista em Agribusiness.

Nem tudo está perdido Se as condições não foram nada animadoras na safra passada, as expectativas para a próxima são as melhores. “A safra 2009/10 terá uma redução nos custos de produção de 23% a 25%, comparada com a anterior, puxada pelos preços dos fertilizantes”, diz Miguel Catharini. “Como aceleradores, teremos já, em janeiro próximo, a adição de biodiesel no óleo diesel em níveis de 5%, o que representa demanda de algo em torno de 4 milhões de toneladas de grãos de soja, só para este segmento”, complementa. Segundo o produtor José Tozzi Filho, com uma safra como a do ano anterior, o agricultor fica endividado e agora espera recuperar um pouco na próxima safra. “As expectativas são as melhores! Mas não é em apenas um ano que vamos superar um período tão ruim, mesmo assim, estamos com a esperança de começar essa recuperação”. Para Ângelo Ximenes, as probabilidades também são positivas. “Teremos uma boa produção, pois as previsões meteorológicas são boas, mas não podemos nos esquecer do controle de pragas e doenças”. Os analistas estão otimistas em relação à produtividade e produção de soja, principalmente pelo fato do plantio ter começado com excelentes índices pluviométricos. “Os agricultores e os técnicos também estão mais familiarizados com as doenças, principalmente a ferrugem, fatos que elevam as estimativas de produção em 63 milhões de toneladas no Brasil, ou 11,4% a mais, comparados à safra anterior”, afirma Catharini. E se por um lado a perspectiva é de uma ótima safra, por outro, há a preocupação com os preços no momento da venda. Hoje, a saca de 60 quilos de soja é comercializada entre R$ 44 e R$ 46. “Nesta safra vindoura, deveremos comercializar um pouco acima dos R$ 30. Teremos uma boa produção e apostaremos no mercado internacional para termos um bom retorno econômico”, coloca Ximenes. “Não podemos nos esquecer que a crise já está passando e os grandes consumidores mundiais, como China e Índia, continuam crescendo, com a primeira mantendo os estímulos às exportações. Dados da empresa de consultoria Célere já mostram indicações de que até dezembro, 1,5 milhão de tonelada de milho deve ser exportado, com contratos já negociados. Sem contar que a Argentina, com a área reduzida, vem sofrendo déficit hídrico, podendo favorecer o Brasil nas exportações, não só com este produto, como também com a soja”, conclui o especialista em Agribusiness.

MS é o maior produtor de grãos Segundo dados do IBGE, Mato Grosso do Sul participou, na safra passada, de 5,1% da produção nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas, levando o 6º lugar no ranking brasileiro, enquanto o Mato Grosso ficou com 21,1% da produção, alcançando a posição de maior produtor nacional de grãos. O segundo lugar foi para o Paraná com 18,3% e o terceiro, para o Rio Grande do Sul, com 16,6%. Mas a liderança deve mudar na próxima safra. Estimativas da Conab apontam que em 2010, o primeiro lugar na produção de grãos será do Paraná, com uma estimativa de produção entre 28,9 e 29,5 milhões de toneladas. O Mato Grosso não deverá ultrapassar os 27,4 milhões de toneladas. Mato Grosso do Sul deverá se manter na 6ª posição, mas terá um aumento de 1,5 milhão de toneladas na produção. y

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crítica de mídia

Fênix a saga do M

Maria Alice Otre

uitos anunciam a morte do jornalismo impresso. Mais do que visões catastróficas causadas principalmente pelo advento da internet, é preciso que entendamos o momento pelo qual a sociedade está passando. Primeiro, vale lembrar que quando o rádio surgiu, ele não acabou com o impresso, embora muitos apostassem que isso aconteceria. Afinal, pensemos com a cabeça da época: não era mais preciso ler! O rádio virou febre, e se alastrou por quase todos os lares brasileiros. E por causa dele os jornais e revistas acabaram? Não. Isso não significa, porém que os veículos impressos se mantiveram inalterados. O rádio exigiu dos impressos uma nova linguagem, abordagem, pontuação. Eles precisaram oferecer também diferenciais que o rádio não era capaz de fornecer, como o aprofundamento de discussões, a opinião de mais especialistas nos assuntos e a possibilidade de perdurar mais no tempo e no espaço. Após o rádio, surge a televisão. O milagre comunicacional! Não bastava ouvir o som, podia-se ver a imagem do que era

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O jornal de hoje não só embrulhará a carne de amanhã, mas contará a história de pessoas, cidades, países. dito! Era como se de um momento a outro, o mundo real fosse transportado para dentro daquela caixa. E por causa dela, jornais e revistas acabaram? Não! Mas os impressos, mais uma vez, precisaram se readaptar. A imagem ganhou outras proporções, tornou-se, em muitos momentos, personagem principal do jornalismo impresso. Afinal, era ela que garantia a “realidade” que a TV apresentava. Quem não conhece a frase que garante que uma imagem vale mais que mil palavras? Embora eu brigue e defenda o poder da palavra de dizer o que está dito, a força das imagens no encantamento do receptor é incontestável.

diante. Mais uma vez, entendemos que a readaptação garantiu às revistas permanência firme no mercado. É justamente no diferencial de jornal impresso que ele precisa se apegar. Alguns pontos fazem com que ele sempre tenha espaço: o que se fala no rádio ou na TV, o que era manchete no jornal on-line há 20 minutos, passa de maneira muito rápida e quando vemos, se perdeu, pereceu. Já a comunicação impressa é documental. Se quisermos saber quais os principais problemas que assolavam o Mato Grosso em 1970, teremos nos jornais ou revistas da época um retrato, no mínimo, interessante. Esse caráter documental chama a atenção também pra que nós, jornalistas, nos atentemos quanto à importância das informações veiculadas. O jornal de hoje não só embrulhará a carne de amanhã, mas contará a história de pessoas, cidades, países. Além disso, os impressos são fontes de pesquisa. Podem ser consultados em trabalhos posteriores ou levados às salas de aula, principalmente àquelas que não têm uma boa sala de informática, o que é comum no Brasil. Também vale dizer que, a magia de folhear um jornal ou uma revista é insubstituível. Rolar a bolinha do mouse dá tendinite aguda, DORT e algumas doenças mais. Deitar no sofá pra ler uma revista dá dor nas costas, mas como diz a propaganda, não tem preço. Isso não significa que os materiais impressos não acabarão por um conjunto de fatores externos e históricos. Para dar conta de tal cenário, eles precisam se reinventar, se redefinir, se adaptar à lógica de recepção midiática que vivenciamos. Dentre seus maiores desafios, está o de promover participação. Afinal, por que as pessoas gostam tanto da internet? Porque, além de terem informações diversas em suas mãos, elas participam da produção do conteúdo. Mandam fotos, postam

jornalismo impresso Uma professora do Ensino Fundamental me convenceu, certa vez, que era necessário que conhecêssemos história para aprendermos com nossos erros e desenharmos um futuro melhor. E o que temos feito dessas lições que tivemos com o surgimento do rádio e da TV, principalmente no Brasil? Será que realmente nos cabe pintar o temido monstro da internet que devorará as mídias mais tradicionais como jornais e revistas? Não é isso que o mercado vem nos dizer. A vendagem de revistas, por exemplo, continua estável com oscilações para mais ou menos de acordo com a qualidade/aceitação do material. Dentre suas adaptações, está a necessidade de especialização de conteúdos. Se você reparar bem, em todas as reportagens da Revista Haley, destacamos, em cima do título, no que chamamos de retranca ou chapéu, qual o tema principal da matéria, para que o leitor identifique se o tema lhe interessa ou não. Ex: educação, economia, bichos, saúde, comportamento e assim por diante. Isso faz com que o leitor selecione o tema específico que lhe interessa consumir. Em âmbitos maiores, surgem revistas dedicadas apenas a um tema: carros, cinema, música e assim por

comentários, exibem seus vídeos, seus textos nos blogs e miniblogs. Lá, elas não são apenas “recebedoras” de informação, elas produzem! E uma das maiores brigas da atualidade é por conseguir fazer com que uma mensagem, vídeo, áudio, texto seja disseminado para o maior número possível de pessoas. Como se fossem vírus informacionais. Outro ponto que precisa ser considerado é que as pessoas não têm tempo para ler dois ou três impressos por dia. Mas ainda sentem a necessidade do veículo que documente, aprofunde a temática, garanta seriedade, então, a previsão é de que os impressos melhores e mais credíveis se destaquem, os mais imparciais e comprometidos com a sociedade se fortaleçam e os que favorecem novas formas de interação e que reconhecem o que o público quer receber/produzir se mantenham. Que a internet está com tudo, isso é fato indiscutível. A possibilidade de substituir entre si mídias tão diferentes que me parece inexistente. Elas não se excluem, não se substituem, mas se completam. Desde o princípio foi assim. y

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eles disseram... “MEU IDEAL É QUE ATÉ A HIENA PARE

“QUANTO MAIOR O DESAFIO, MAIS EU ME ENTREGO. QUANTO MAIS PEDRA NO MEU CAMINHO, MAIS EU VOU JUNTANDO ELAS PRA CRIAR UMA MONTANHA”, DISSE DUNGA EM ENTREVISTA COLETIVA COM

PARA PENSAR UM POUCO ANTES DE RIR DE MIM”, DISSE SEU

MILLÔR FERNANDES, EM

TWITTER

RELAÇÃO À BOA FASE QUE ELE VIVE COMO TÉCNICO DA SELEÇÃO BRASILEIRA, APÓS ALGUNS CONFLITOS.

“O BRASIL NÃO PODE CORRER O RISCO DE SE TORNAR OBSOLETO ANTES DE FICAR PRONTO”, CLAUDE LÉVI-STRAUSS

“TEM QUE VER ANTES DA COPA DO MUNDO COMO ELE VAI ESTAR”, DISSE DUNGA AO SER QUESTIONADO SOBRE A PARTICIPAÇÃO DE RONALDO NA COPA DA ÁFRICA, PRATICAMENTE DESCARTANDO A CONVOCAÇÃO DO JOGADOR.

“A FORÇA QUE ALGUMAS PESSOAS FAZEM PARA CHEGAR AO PODER, SERIA MAIS ÚTIL SE UTILIZADA EM PROL DOS INTERESSES COLETIVOS, E NÃO DOS INDIVIDUAIS”, FALOU

ARNALDO

JABOR.

“VAMOS FAZER O QUE FOR NECESSÁRIO PARA LIMPAR A SUJEIRA QUE ESSA GENTE DEIXA NO

BRASIL INTEIRO”, DISSE O PRESIDENTE LULA EM ENTREVISTA SOBRE A VIOLÊNCIA NO RIO DE JANEIRO.

“FOI UM MICROPROBLEMA”, DISSE O MINISTRO DA JUSTIÇA TARSO GENRO, QUANTO AO APAGÃO QUE AFETOU

22 ESTADOS DO BRASIL. 74 | outubro • 2009 | haley

“PAULO FREIRE NÃO MORREU NEM NUNCA MORRERÁ”, GRITARAM ALGUNS PEDAGOGOS DURANTE AUDIÊNCIA PÚBLICA QUE INDENIZOU A VIÚVA DE

PAULO FREIRE, ANISTIADO POLÍTICO PELA PERSEGUIÇÃO QUE SOFREU NO PERÍODO DITATORIAL.


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curiosidades

Curiosidades

de

NATAL

A celebração do Natal é repleta de símbolos que fizeram desta tradição uma das festas mais ornamentadas. Conheça o significado dos mais comuns no País 76 | outubro • 2009 | haley


Guirlanda na porta Árvore de Natal

A guirlanda é um símbolo de prosperidade e recomeço. É colocada nas portas como sinal de boas-vindas a todos que adentram a casa.

Sinos Os sinos representam o anúncio angelical do nascimento de Jesus aos pastores.

A árvore de Natal representa o agradecimento pela vinda de Jesus Cristo à Terra. Isso porque relatos diziam que na noite de seu nascimento, árvores floresceram. Como a única árvore a resistir com folhas verdes na Europa eram pinheiros, eles é que foram usados para ornamentar os jardins das casas em homenagem a Jesus.

Presépio O presépio reconstrói o nascimento de Jesus. Uma homenagem feita por muitas famílias para reforçar o significado mais forte do Natal e poder recontar às crianças como foi que tudo aconteceu.

Papai Noel A figura do Papai Noel foi inspirada em São Nicolau, um bispo que costumava deixar moedas nas chaminés das casas para ajudar os pobres. A figura do velhinho gordo e simpático, de barba branca e cintos largos, porém, surge de uma propaganda da Coca-Cola, desenvolvida em 1931.

Ceia A ceia natalina é uma reunião familiar, íntima e carinhosa, quando afloram nos corações das pessoas os sentimentos mais variados. Há a alegria do encontro, a saudade de quem partiu, a presença de um novo membro, mesclando emoções diversas, pois todos ficam predispostos a se entregar afetivamente, trazendo a mensagem de que Cristo quer renascer no coração de cada um de nós. y

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artigo

Soluções em Pequenos Espaços P

ara se obter boas soluções, cabe ao profissional – seja ele designer, arquiteto ou decorador – procurar saídas inteligentes em materiais e formas para o melhor aproveitamento e organização funcional. O conforto atrela-se ao modo de morar e não ao tamanho do ambiente. Em vista disso, o importante está em analisar o uso dos espaços de acordo com o estilo de vida e a rotina do usuário. Existem várias maneiras interessantes de otimizar o aproveitamento de pequenas áreas. Atualmente o mercado dispõe de alternativas inovadoras como, por exemplo, os eletrodomésticos cada vez mais práticos e adaptáveis. Assim, a cozinha tende a diminuir e a integrar-se à área social. Móveis planejados, além de personalidade e sofisticação, economizam espaço por serem feitos sob medidas. É de grande importância que a execução seja feita por profissionais eficientes que ofereçam material de qualidade e um bom acabamento. Poucas paredes, portas de correr e cores claras e neutras ampliam e trazem leveza ao ambiente. Pisos integrados e espelhos também dão a sensação de amplitude. Divisórias de marcenaria ou dry wall podem substituir paredes em alvenaria. Os materiais devem estar em harmonia e as cores são essenciais nesse sentido. Investir na iluminação também favorece a ampliação. Luz natural deve ser explorada sempre que possível. O forro de gesso traz versatilidade ao projeto, possibilitando melhor distribuição dos pontos de luz. As luminárias embutidas não poluem o visual se distribuídas corretamente seguindo a disposição dos móveis e acompanhando a cor do teto, pois o importante

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Diferente das enormes casas de tempos atrás, hoje, as residências tendem a ser menores, independente das razões. O aproveitamento do espaço está cada vez mais presente no cotidiano da casa, portanto, integrar ambientes e torná-los multifuncionais são necessidades em busca de maior conforto e praticidade. Eliminação de paredes e cômodos é comum, principalmente em pequenos apartamentos. O conceito de integração dos ambientes proporciona amplitude e favorece a comunicação.

é o efeito que elas proporcionam. Devese evitar um forro cheio de pontos de luz. Para cada projeto, existe uma solução. Morar bem não significa seguir tendências, pois cada um tem o seu jeito peculiar de viver. Mesmo com as mudanças de redução dos ambientes, quando bem pensados tornam-se aconchegantes e multifuncionais. Uma sala, por exemplo, pode desempenhar outras funções: além de recepcionar os amigos e local de descanso, serve como biblioteca ou escritório. As cozinhas passaram a fazer parte das áreas sociais e as áreas externas integraram-se às internas. Uma mistura de conforto e funcionalidade é o que define o jeito de morar em pequenos espaços planejados e pode ser obtida com muita criatividade e bom gosto. y

Karen Gaigher, Arquiteta e Urbanista


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bíblia

O verdadeiro

Natal

Algumas curiosidades sobre o Natal A palavra natal vem do latim natale. Em nossos dicionários, definida como adjetivo de dois gêneros, como relativo ao nascimento ou onde ocorreu o nascimento, e como substantivo masculino refere-se ao dia do nascimento, restritivo ao nascimento de Cristo (25 de dezembro) , mas isto não é provado na Bíblia Sagrada. 80 | outubro • 2009 | haley

N

a antiguidade, era comemorado em várias datas diferentes. Antes do nascimento de Jesus, a história do Natal tem início com os europeus, que já celebravam a chegada da luz e dos dias mais longos ao fim do inverno; tratava-se de uma comemoração pagã do “Retorno do Sol”, na verdade, sem data fixa. Os Celtas, por exemplo, tratavam o Solstício de Inverno, em 25 de dezembro, como um momento extremamente importante em suas vidas. O inverno ia chegar, longas noites de frio, por vezes, com poucos alimentos para si e para os animais e não sabiam se ficariam vivos até a próxima estação; faziam então um grande banquete de despedida, seguidos de 12 dias de festas, terminando em 6 de janeiro. Já em Roma, o Solstício de Inverno era celebrado muitos séculos antes de Jesus; os romanos chamavam de Saturnálias (férias de inverno), em homenagem a Saturno, o deus da agricultura, que permitia o descanso da terra durante o inverno. Em 274, o imperador Aureliano proclamou o dia 25 de dezembro como “Dies Natalis Invicti Solis” (O dia do nascimento do


sol inconquistável), onde o sol passou a ser venerado, pois, buscava-se o seu calor que ficava no espaço muito acima do frio; era festejado então como o dia do deus sol. Na cronologia ocidental, é muito importante, pois marca o ano 1 da nossa história. Mas no século IV d.C. (ano 350) o então Papa Julius I muda para sempre a história do Natal escolhendo o dia 25 de dezembro como data fixa, a ideia era substituir os rituais pagãos de veneração ao deus sol pela adoração ao Salvador Jesus Cristo, mas em 24 de fevereiro 1582, o Papa Gregório XIII decretou um novo calendário, usado até hoje, assinado através da bula papal “Inter Gravissimus”, formulada por Aloysius Lilius (físico napolitano) e aprovada no Concílio de Trento (1545/1563), nessa ocasião, foi corrigido um erro na contagem do tempo, desaparecendo 11 dias do calendário, esta decisão fez com que ao dia 4 de outubro de 1582 sucedesse imediatamente o dia 15 de outubro do mesmo ano. No ano de 1752, quando os cristãos abandonaram o calendário Juliano para adotar o Gregoriano, a data da celebração do Natal foi adiantada em 11 dias para compensar esta mudança no calendário. Os chamados “calendaristas”, ainda festejam o Natal em sua data original, antes da mudança do calendário cristão, no dia 7 de janeiro. Nos relatos bíblicos, não encontramos nenhuma referência sobre a data do nascimento de Jesus, naquela época, os calendários eram muito confusos, os calendários romanos tinham, às vezes, semanas de quinze dias e meses de dez dias, de acordo com a vontade do imperador reinante. O povo em geral não conhecia as datas de nascimento, casamento ou falecimento. Sobre o nascimento de Jesus sabemos muito pouco. Ele nasceu antes da morte de Herodes Magno (Mt 2.1; Lc 1.5), que faleceu na primavera de 750 da era romana, quer dizer: no ano 4 antes de Cristo. Conforme estudos, o ano mais provável do nascimento de Jesus é 7 ou 6 antes da era cristã. As primeiras comunidades cristãs não comemoram o nascimento de Jesus. As antigas comemorações de Natal costumavam durar até 12 dias, pois este foi o tempo que levou para os três reis magos chegarem até a cidade de Belém e entregarem os presentes ao menino Jesus.

Datas prováveis para o Natal: 19 de março a 7 de abril; 27-28 de maio (celebrado pela Igreja Copta); 19 de agosto; os ortodoxos celebram o Natal e o Batismo juntos em 6/7 de janeiro porque Lucas disse que Jesus está completando 30 anos (Lucas 3: 23).

Seria isto, então, celebração

a Jesus Cristo? Pois bem, muitas são as perguntas sobre a origem desta comemoração, qual foi realmente o dia do nascimento de Jesus Cristo, etc... O fato é que, a princípio, e por muito tempo, foi pregado que o dia de Natal, sendo ou não dia 25 de dezembro, seria uma data para celebrar o grande amor de Deus, que permitiu que Seu filho Jesus Cristo nascesse para trazer uma nova esperança aos homens, que estavam afastados de Deus, mediante pecados já dantes cometidos (Rm 3: 25). O homem havia se esquecido de seu Criador. Preferiram andar em desobediência ao mandato do Deus Todo-Poderoso; e de todas as formas procuravam “escapar” de diante da face do Senhor, criando torres (Torre de Babel; Gn 11: 1,6); criaram e adoraram deuses (demônios) com seus sacrifícios, alguns lançavam seus próprios filhos ao fogo; outros usam seus próprios corpos em oferendas de todo tipo (orgias sexuais; penitencias; etc...); mas o Apóstolo Paulo nos diz que tudo isto faz parte do “Tempo da ignorância’, ensinando assim: “O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens; nem tampouco é servido por mãos de homens, como que necessitando de alguma coisa; pois ele mesmo é quem dá a todos a vida, e a respiração, e todas as coisas; e de um só sangue fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos já dantes ordenados, e os limites da sua habitação; para que buscassem ao Senhor, se porventura, tateando, o pudessem achar; ainda que não esteja longe de cada um de nós; porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos; como também alguns dos vossos poetas disseram: Pois somos também sua geração. Sendo nós, pois, geração de Deus, não havemos de cuidar que a divindade seja semelhante ao ouro, ou à prata, ou à pedra esculpida por artifício e imaginação dos homens. Mas Deus, não tendo em conta

os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam; porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do homem que destinou; e disso deu certeza a todos, ressuscitando-o dentre os mortos. (Atos 17: 24-31)”. Mas chegou o dia em que Jesus nasceu; o dia em que os anjos cantaram: “Glória a Deus nas alturas, Paz na terra, boa vontade para com os homens. (Lucas 2: 14)”. Esse maravilhoso Jesus, o verdadeiro Deus, cumpriu com muito valor seu ministério terreno, ensinando aos homens o caminho que leva ao Reino dos Céus: “Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim. (João 14:6); Desde então começou Jesus a pregar, e a dizer: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus. (Mateus 4: 17)”. Infelizmente, muitos não quiseram e crucificaram-no, odiaram-no sem causa (João 15: 25), mas Ele foi vitorioso sobre a morte, ressuscitando ao terceiro dia (Atos 10: 40) e assentou-se novamente à direita de Deus (Hebreus 1: 3; 12: 2). Grande parte da humanidade que viveu na época (até hoje também), não creu nisto e por causa da culpa em suas consciências, cito aqui um ditado bem popular, que para “limpar a sua barra com Deus”, por terem crucificado Seu Filho, em lugar de aceitarem a Salvação oferecida por Ele através da Sua graça, mediante Seu sangue derramado (Efésios 2. 5 e 8); outra vez inventaram novas formas de “se lembrar de Deus”, alguns através de boas ações (o que é muito bom, mas não basta); outros através de diversos intercessores (vivos ou mortos ídolos e deuses); outros ainda através de sacrifícios vãos e penitentes até mesmo por aqueles que já morreram; e por fim, inventaram um dia (DIA DE NATAL, 25 DE DEZEMBRO), que, supostamente, ou melhor, em primeiro plano, seria o dia em que se lembraria de Jesus, um dia que seria especial-

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mente dedicado ao Filho de Deus. Mas com o passar do tempo não foi bem isso o que aconteceu; criaram muitas ocupações para este dia (compras, negócios, banquetes intermináveis, trocas de presentes, decorações luxuosas, etc...); por fim, certo tipo de árvore decorada, um suposto bom velhinho chamado Noel, distribuindo presentes (mentira que perdurou por décadas enganando pessoas, principalmente crianças do mundo todo), etc... E o que sobrou foi um sentimento de nostalgia quando famílias deixaram de reunir para boas coisas, e tornou pra muitos um dia que nem de perto deva ser comemorado. Por quê? Simples a resposta: PORQUE SE ESQUECERAM DE JESUS CRISTO. Acaso seria celebração ao Filho do Deus Altíssimo, esperar até meia noite e comer tanto até precisar de um remédio para ajudar na digestão? Seria celebração ao Único Deus, a ingestão de bebidas alcoólicas, que destroem famílias, sonhos e projetos, causando tantos acidentes de trânsito, tantas mortes, etc.? Sendo que o Apóstolo Paulo nos ensina em Romanos 14.17: “... porque o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo”. E ainda em 1º Coríntios 10:31: “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para a glória de Deus”. Ou talvez seria veneração á Cristo, através de trocas de presentes, que muitos comprometem seus salários, décimo terceiro, férias e alguns meses do ano seguinte procurando uma forma de pagar? Quem sabe seria através de arrecadações de gêneros alimentícios e vestimentas aos mais necessitados, somente por alguns dias de fim de ano, e durante o ano todo não serem ajudados? Mas em Tiago (1:27) é dito: “A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações

O REI JESUS,

QUE

“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. (Isaías 9.6)”. Foi dito acima que por causa da escolha do homem pelo pecado, o caminho pra chegar até Deus estava inacessível, pois, a Bíblia diz que éramos por natureza filhos da ira, sem salvação, mas “As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim (Lm 3: 22)”; e através de Jesus Cristo, nos proporcionou novamente a reconciliação com Deus, pois é dito assim: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo; como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para

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e guardar-se da corrupção do mundo”. Quantos cônjuges nestes dias (em sua suposta celebração ao Filho de Deus), que durante o ano todo foram infiéis uns com os outros, adulterando e tudo mais; mas no dia 25 ou 31 de dezembro, fazem juras de amor, mas que vão embora juntamente com as festividades, desobedecendo ao mandato do Senhor: “A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei. Com efeito: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não darás falso testemunho, não cobiçarás, e, se há algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. O amor não faz mal ao próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor. (Romanos 13. 8 ao 10)”... Perguntamos a nós mesmo, então, se isto seria agradável á Deus? Com certeza não é assim que se deve “Celebrar” a Pessoa Amada do Filho de Deus, pois, nem presentes, nem obras de caridade, nem promessas vazias, removem a culpa do pecado, mas somente o Sangue de Jesus derramado na Cruz do Calvário, pois, só Jesus tem poder pra perdoar pecado (Marcos 2.10; Lucas 5.24; João 1.29; 1º João 1. 7 ao 10; 1º João 2. 1 e 2). O Senhor, através do profeta Isaías falou que mediante a conversão, estaria junto a salvação (Is. 30.15), e o próprio Jesus Cristo declarou: “Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. (João 15.14)”. Portanto, não somente nesta data, mas em todos os dias, procuremos fazer o que é agradável ao Verdadeiro Filho de Deus. “E sabemos que já o Filho de Deus é vindo e nos deu entendimento para conhecermos o que é verdadeiro; e no que é verdadeiro estamos, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna. (1º Jo 5.20)”.

MUITOS

ESQUECERAM

que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de Sua vontade, para louvor e glória da Sua graça, pela qual nos fez agradáveis a Si no Amado, em quem temos a redenção pelo Seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça, que Ele fez abundar para conosco em toda a sabedoria e prudência; descobrindonos o mistério da sua vontade, segundo o Seu beneplácito, que propusera em Si mesmo, de tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra; Nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito Daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da Sua vontade; com o fim de sermos para


louvor da sua glória, nós os que primeiro esperamos em Cristo; em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa. O qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão adquirida, para louvor da sua glória. Por isso, ouvindo eu também a fé que entre vós há no Senhor Jesus, e o vosso amor para com todos os santos, não cesso de dar graças a Deus por vós, lembrando-me de vós nas minhas orações: Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê em Seu conhecimento o espírito de sabedoria e de revelação; Tendo iluminados os olhos do vosso entendimento, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos; e qual a sobreexcelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder, que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos, e pondo-o à sua direita nos céus. Acima de todo o principado, e poder, e potestade, e domínio, e de todo o nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro; e sujeitou todas as coisas a Seus pés, e sobre todas as coisas O constituiu como cabeça da igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos. E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados, em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência. Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também. Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo Seu muito amor com que

nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus; Para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus. Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie; Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas. Portanto, lembrai-vos de que vós noutro tempo éreis gentios na carne, e chamados incircuncisão pelos que na carne se chamam circuncisão feita pela mão dos homens; Que naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança e sem Deus no mundo. Mas agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto. Porque Ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio, na Sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz, E pela cruz reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades. E, vindo, Ele evangelizou a paz, a vós que estáveis longe, e aos que estavam perto; porque por Ele ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito. Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos, e da família de Deus; edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor. (Efésios 1 e 2)”.

Alguém pode perguntar então se é errado comemorar o dia de Natal; creio que não; mas o poder libertador de Jesus Cristo não está retido apenas a um dia; o correto seria lembrarmo-nos Dele todos os dias, toda hora, todo momento, todo segundo, com todo nosso ser, com toda nossa força, com todos nossos bens, etc... Mas para isto, é necessário lembrar as palavras de Paulo aos Romanos (10: 9-11): “A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação. Porque a Escritura diz: Todo aquele que nele crer não será confundido”. Alguns ainda veneram aquele menino Jesus lá da manjedoura do presépio de Natal, mas a Palavra de Deus, diz que realmente Jesus nasceu numa manjedoura, mas Ele não continua lá. Ele morreu na cruz, derramando Seu sangue por amor de nós, e devemos anunciar a sua morte (obra redentora, até que Ele venha nos buscar I Co 11: 26); mas a sepultura também não O pôde suportar, e Ele foi vitorioso sobre a morte também, e vive para todo sempre (Ap 1: 18). Nós O Adoramos porque Ele é o salvador das nossas almas; devemos adorá-Lo todos os dias, pela saúde, pelo alimento, pela vida etc... Por tudo; pois em lugar de um menino no presépio, Ele é Juiz dos vivos e dos mortos, Aquele em que um dia todo joelho se dobrará diante Dele e toda língua O confessará, que verdadeiramente é o SENHOR (Atos 10: 42; Rm 14: 11; Fp 2: 9-11). Quem aceita Jesus, celebra e O adora com uma certeza diária de que está sendo aceito por Deus, pois até o fim dos séculos, Jesus estará presente (Mateus 28: 20). Esta é nossa alegria, e motivo de nossa comemoração, dizemos assim:

JESUS ESTÁ AO NOSSO LADO!

Amém.

y

Thiago Rodrigues Teixeira, cooperador do Evangelho.

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artigo

Falar, fazer

e ser compreendido Não é tão fácil quanto parece. As palavras são poderosas e podem trazer tanto resultados positivos quanto negativos. Quem nunca brigou com o amor da sua vida e percebeu depois que o que faltou foi uma boa comunicação? É assim na vida pessoal e profissional.

E

ntre marido e esposa, pai e filho, professor e aluno, patrão e empregado, empresa e cliente, instituição e público. Desempenhamos diversos papéis sociais e nessa lida, sabemos que é fácil “brigar” com vários desses “amores das nossas vidas”, na maioria das vezes, sem querer e por culpa de uma comunicação ruim. As palavras colocam para fora nossos pensamentos e sentimentos, tornam público o que está na nossa cabeça, lugar que mesmo com os avanços da ciência, ainda é inacessível aos outros, pertencendo exclusivamente ao indivíduo (ainda bem!). Precisamos ser compreendidos, sem ruídos, ambiguidades, seja na comunicação pessoal ou institucional. Vou citar um exemplo do meu cotidiano e que acredito que vale de exemplo para várias situações, seja com o namorado ou com o patrão. Durante a Ação Social da UFGD/SESI/Perdigão, no Parque das Nações II, fiquei chocada com a surpresa dos jovens, pais e mães de família, quando eu entregava um catálogo de cursos e um jornal da universidade e dizia: “Bom dia, posso te entregar esse material que apresenta a UFGD, aí você mostra pros filhos, amigos e vizinhos e podem ir pensando em que curso vão querer fazer,

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a universidade é pública”. Muitos ficavam com medo de pegar o informativo, outros perguntaram se tinham que pagar pelo jornal e o pior de tudo, foi quando os mais interessados (não eram em grande quantidade) me perguntaram se tinham que pagar mensalidade para fazer faculdade. Choquei! Um choque triste, desses que derrubam o sorriso da gente. Isso porque escrevo tantas e tantas notícias, coloco no site, envio para toda imprensa local, muito conteúdo é divulgado, mas quem disse que chega a todos os lugares? Onde mais precisa? Voltando ao Parque das Nações. Eu engoli em seco e respondi: “É de graça, não paga nada para estudar, é pra quem não pode pagar mesmo”. Trocar “público” por “de graça”, foi muito mais claro. Então, trazendo para a vida de todo mundo, o que proponho nessa virada para 2010 é que você pense bastante se as palavras que usa são bem compreendidas pelo outro, independente de quem seja o outro. E quando as palavras não dizem tanto quanto a gente queria, o melhor são as ações. E por falar em ações, meu sorriso voltou quanto vi no Teatro Municipal aproxi-

madamente 400 jovens das periferias, que muitos chamam de “manos”, participando do III Seminário de Assuntos Estudantis que teve público até no “apagão” e foi encerrado com show do MV Bill em praça pública. Como o tema era “Universidade e Sociedade. Sociedade e Universidade”, o envolvimento foi real. Acredito que a partir daí e conhecendo os programas da UFGD para acesso (cota social, isenção da taxa de inscrição para carentes e para estudantes das escolas públicas), muitos perceberam a Universidade como algo próximo, possível de se alcançar. y

Karine Segatto, Jornalista e redatora da UFGD


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carros

Antes Antes de de viajar, viajar,

é hora de revisar Numa época de destinos ousados e distantes, a atenção com a viagem deve ser redobrada e escolher o roteiro não é a única preocupação que se deve ter

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Ellen Kotai

F

érias de final de ano, acrescidas de verão e festas, tornamse um ótimo argumento e período propício para se aventurar pelas estradas do Brasil, seja praia ou campo, Norte ou Sul, acompanhado de amigos ou da família. Um veículo em perfeitas condições e com capacidade para realizar a viagem desejada é fundamental para que suas férias de final de ano fiquem marcadas positivamente no álbum de fotos e não se transformem num pesadelo. Por isso, algumas precauções devem ser tomadas pelos proprietários de veículos automotores antes de pegar a estrada, a fim de evitar transtornos, multas e até mesmo acidentes. Uma revisão preventiva do veículo é a melhor opção antes de colocar as rodas na estrada e é, justamente, isso que aconselha Ricardo Dauria da Costa, auxiliar administrativo de uma automecânica de Dourados, destacando a importância desse tipo de serviço. “É importante que se faça a revisão do automóvel antes de viajar, em primeiro lugar, pela segurança, e em segundo, pelo custo-benefício da manutenção”, diz. Ele afirma que muitas vezes, por falta de tempo, motoristas aca-


bam não revisando seus automóveis, pois é necessário cerca de um dia (manhã e tarde) para revisar um carro. “Há também a situação em que os motoristas tentam economizar o dinheiro de uma revisão e acabam tendo que pagar um guincho na estrada”, acrescenta. O que ocorre é que essa prática, embora importante, não é tão valorizada e poucas vezes colocada em prática. “A única coisa que faço antes de botar o carro na estrada é olhar o óleo, calibrar os pneus e, claro, encher o tanque, porque ficar sem gasosa dá multa”, declara a técnica administrativa Aline de Oliveira. O fotógrafo Éder Gonçalves diz não se sentir beneficiado por revisões preventivas. “Quando eu faço a revisão do meu carro, o custo-benefício não é compensador, principalmente, porque eu entendo um pouco de carro”. Segundo ele, muitas vezes há troca de peças desnecessárias e uma manutenção que o próprio motorista é capaz de realizar. Ricardo Dauria rebate explicando que a danificação ou desajuste de algum componente do carro pode acarretar o comprometimento e mau funcionamento de outros componentes, levando ao risco de acidentes com o veículo. Portanto, fazer uma revisão preventiva torna a viagem mais tranquila e até mais prazerosa. São diversos itens que são vistoriados e analisados numa revisão preventiva, desde componentes da parte elétrica, freios, suspensão, direção, vazamentos, até o encaixe de peças externas do carro, as palhetas, que são colocadas em uso em ocasiões de chuva ou poeira extrema. Geralmente, a revisão não tem custo algum. As automecânicas cobram apenas a troca de peças e os serviços de reparo. Para quem costuma revisar o carro a cada 10 mil km rodados, a revisão preventiva é dispensada, já que o carro está em permanente manutenção. Além de auxiliar na segurança do motorista e dos passageiros, o bom funcionamento do veículo e de seus componentes é obrigatório por lei. Segundo o Conselho Nacional de Trânsito (Contran), os veículos em circulação devem estar obrigatoriamente equipados e em funcionamento satisfatório. O desacordo às leis leva a multas que variam de três a sete pontos na carteira, de multas leves a gravíssimas. O órgão aponta algumas irregularidades cometidas por motoristas pelo não cumprimento da lei que acarretam infrações graves, correspondendo a cinco pontos na carteira. Há exemplos como, conduzir o veículo com o equipamento de sistema de iluminação e de sinalização alterado; conduzir o veículo sem acionar o limpador de parabrisas sob chuva, e fazer ou deixar que se faça reparo em veículo em via pública, em pistas de rolamento de rodovias ou vias de trânsito rápido. Vale ressaltar que cada motorista não pode ultrapassar 20 pontos na carteira por ano, ou cometer alguma infração gravíssima sujeita à suspensão, correndo o risco de perder a permissão para dirigir por um ano. Para o bolso, as pontuações, que variam entre três (leve), quatro (média), cinco (grave) e sete (gravíssima), significam nada menos que uma variação de R$53,20 a R$957,69, dependendo da infração.

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Atenção quanto aos seguintes itens: • Calibragem dos pneus, que deve sempre ser feita antes das viagens. Além de ajudar o carro a manter o equilíbrio, contribui para a integridade da estrutura do pneu e evita o desgaste irregular, que pode prejudicar na aderência à pista e afetar na estabilidade em curvas, principalmente em dias de chuva. • Alinhamento e balanceamento, que auxiliam num desgaste regular dos pneus. Estar com seu veículo alinhado e balanceado é fundamental, pois garante uma direção mais segura e, possivelmente até mais barata. • Fluido de freio que é responsável pela agilidade de frear o veículo e por isso deve sempre estar em dia. O baixo nível ou má qualidade do produto pode comprometer o funcionamento e eficácia do freio. • Nível do óleo do motor: deve sempre ser trocado nas datas recomendadas pelos fabricantes, a fim de lubrificar o motor do veículo. Vale ressaltar que, com o tempo e uso, o óleo perde sua viscosidade e passa a desempenhar não satisfatoriamente sua função, por isso a necessidade de trocá-lo. • Água do radiador: deve sempre estar dentro da quantidade estipulada. Como sua função é regular a temperatura do motor, é importante sempre tê-la no nível adequado. • Sistema elétrico, que garante o funcionamento dos faróis, da carga de bateria e do sistema de desembaçamento. • Esguicho e palhetas, que são muitas vezes esquecidos pelos motoristas, exercem funções muito importantes para uma viagem, principalmente em adversidades como muita poeira ou chuva. Por isso, tê-los em bom funcionamento é muito importante. • Extintor de incêndio deve estar dentro da data de validade e com o lacre • Acessórios de emergência como triângulo, chave de roda, macaco e chave de fenda são ferramentas importantes para incidentes de apuro durante uma viagem, por isso vale tê-los no porta-malas. • Para que tudo dê certo, planeje, revise seu veículo, faça suas malas, encha o tanque, aperte os cintos e boa viagem! y

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beleza

Sem riscos no

VERÃO

Ah o verão! O período mais esperado do ano, e para melhor aproveitá-lo a Haley traz medidas simples para você não correr grandes perigos nesta estação

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Caroline Oliveira

C

om a chegada do verão e a proximidade das festas de fim de ano, muitos exageram nos momentos de lazer e consomem mais bebidas, comidas gordurosas e abusam do sol. E para não cometer deslizes graves e depois sofrer as consequências quando as férias acabarem, fique atento às doenças mais comuns desta estação, como desidratação, insolação, intoxicação alimentar e doenças de pele, que podem ser facilmente evitadas! A Haley procurou a médica Kátia Calheiros de Melo, o dermatologista Pedro Zanúncio e a nutricionista Rita de Cássia Mendes para você curtir esta estação sem correr riscos.


SOL

ALIMENTAÇÃO

Rico em vitamina D, mas que precisa ser aproveitado corretamente. Claro que todos querem pegar aquela corzinha no verão, o problema é que muitas vezes as pessoas se esquecem de medidas preventivas e acabam sofrendo com a insolação (exposição excessiva ao sol) e sofrem com a falta de ar, dores de cabeça, náuseas e até tonturas. Ainda no verão, aumentam as incidências das doenças de pele, como queimaduras (limão), acne, micoses, bicho geográfico. É necessário respeitar os horários e o tempo de exposição ao sol, além do uso correto do filtro solar. Por isso, o sol deve ser tomado antes das 10h e depois das 16h, quando é menor a incidência dos raios solares ultravioletas (UVA/UVB).

É nas férias que as pessoas costumam exagerar quando o assunto é alimentação, ao preferirem alimentos gordurosos, frituras, doces ou ingredientes, que não fazem parte do cardápio do dia a dia. Esse descuido é um dos principais fatores para intoxicação alimentar. O consumo excessivo de sal no verão contribui para o inchaço do corpo, porque provoca retenção de líquidos. Por isso, faça escolhas inteligentes e procure alimentos de fácil digestão. A alimentação saudável é composta por alimentos de todos os grupos da Pirâmide Alimentar, composta por cereais, verduras e legumes, frutas, leite e derivados, carnes e feijões.

CÂNCER DE PELE No verão, esta é a doença de maior risco, porque a irradiação ultravioleta (UVA/UVB) pode alterar o DNA das células e desencadear uma multiplicação desordenada das mesmas. O sol é o responsável por mais de 90% de todos os cânceres de pele e por seu efeito ser cumulativo, hoje 80% dos danos apresentados na idade adulta foram acumulados no período de 0 a 18 anos de idade.

FILTRO SOLAR Para escolher o melhor filtro solar, deve-se levar em conta a sensibilidade da pele. Quanto mais rapidamente a pessoa fica vermelha, maior precisa ser o fator de proteção solar (FPS). Recomenda-se, no mínimo, que seja utilizado o FPS 30. Peles mais morenas e negras podem se beneficiar com o FSP 15, desde que seguidas corretamente as instruções de uso: evitar exposição após as 10h e antes das 16h, aplicar o filtro solar pelo menos 30 minutos antes de se expor ao sol e reaplicá-lo a cada duas horas. y

DESIDRATAÇÃO

Pode ser grave, portanto, deve ser evitada com medidas simples, como preferir locais arejados e com sombra, usar roupas leves. Além disso, é recomendado tomar água à vontade. Este consumo deve ser de oito a 10 copos de água entre as refeições. Outras opções saudáveis são: água-de-coco, chá gelado e sucos de frutas naturais. Assim você repõe os minerais essenciais à saúde. Atenção aos sucos artificiais e refrigerantes. Eles não são as melhores escolhas, pois o excesso de açúcar e o gás da bebida gaseificada contribuem para o aparecimento da celulite, o terror das mulheres no verão. Quanto às bebidas alcoólicas, elas são calóricas e, em excesso, contribuem para o aumento do peso corporal.

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moda

A

MODELO: Buale Mustafá

temperatura sobe e vem aquela vontade de viver com mais intensidade, liberdade e aventura. Atenção, homens, às tendências do verão 2010.

Tecidos leves e confortáveis refrescam o visual com atitude. Calça branca Camiseta branca Colar Chinelo de couro

verão

Estilo no 94 | outubro • 2009 | haley

R$ 192,90 R$ 74,90 R$ 62,90 R$ 111,90


O coringa da estação são as bermudas. Para um look casual, escolha uma polo ou camisa manga longa para um visual mais estiloso. Bermuda xadrez Camiseta polo Chinelo de couro

R$ 149,90 R$ 135,90 R$ 143,90

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Locação: Clube Indaiá

Arrojado, este look brinca na sobreposição camisa manga curta com camiseta. Atenção às cores e estampas e consiga um resultado moderno e sem exageros. Calça jeans Camiseta Cinto (dupla face)

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R$ 165,90 R$ 78,90 R$ 86,90


ROUPAS: Mr. Kitsch

Camisas com listras ou xadrez continuam com força total neste verão, tanto para o casual como para o clássico: paletó e gravata. Calça alfaiataria Camisa colarinho Blazer Cinto de couro Gravata de seda

R$ 219,90 R$ 193,90 R$ 349,90 R$ 104,90 R$ 72,90 y

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Mais que presente  

Revista Haley,