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GESTÃO GLOBAL JULHO 2012

LUIS MIRA AMARAL Antigo Ministro e CEO do BIC Português numa conversa aberta sobre a expansão do BIC

ACREDITAR EM PORTUGAL Empresas nacionais nos trilhos da inovação

ADEGA COOPERATIVA PONTE DE LIMA Ano internacional das cooperativas Revista Mensal #002


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SUMÁRIO

CONTRARIAR O DESEMPREGO JOVEM COM MAIS EMPREENDEDORISMO

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Opinião de Francisco Maria Balsemão

Estilistas Portugueses Conquistam Mercado Internacional

Calçado em Ascensão

p.24

Portugal Afastado do Euro 2012 na “lotaria” dos Penaltis

p.28

Ano Internacional das Cooperativas

p.30

p.36

Diretor: Ferreira da Silva Subdiretor: Alberto Antunes Editora: Rita Almeida e Silva (rita.gestaoglobal@gmail.com) Redação: Marta Cabral; Adélia Abreu; Liliana Marinho (gestaoglobal.redacao@gmail.com) Accounts: Fernando Lopes; Manuel Fernando; Paulo Padilha; António Carlos; Pereira Domingues; Olavo Pereira Secretariado: Cristiana Sousa Fotografia: Banco de imagens Gestão Global Design Gráfico: Ricardo Chemega geral@gestaoglobal.pt www.gestaoglobal.pt Telef.: 22 093 42 22 / 96 285 20 91 Distribuição gratuita com o Jornal de Notícias e Diário de Notícias Publicação editada ao abrigo do novo acordo ortográfico Julho 2012

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ACREDITAR EM PORTUGAL

A inspiração para escrever este editorial chegou-me depois de ouvir o discurso de António Sampaio da Nóvoa, presidente da Comissão Organizadora das Comemoração do Dia de Portugal, durante a sessão solene do dia 10 de Junho. “As palavras não mudam a realidade. Mas ajudam-nos a pensar, a conversar, a tomar consciência. E a consciência, essa sim, pode mudar a realidade”, disse. Uma grande verdade! De facto as palavras não mudam o atual estado do nosso país, mas sim as ações. Mas antes de agirmos, devemos tomar consciência da real situação de Portugal para então agirmos em prol da mudança. Portugal atravessa um momento conturbado, com aumentos de impostos, mais cortes orçamentais, uma taxa de 15,2 % de desempregados e cerca de 150 mil portugueses a emigrarem por ano, o que nos traz reminiscências da vaga de emigração dos anos 60. Então por que motivo os portugueses são caraterizados como os mais “complacentes” com

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a austeridade numa recente notícia do New York Times? Talvez porque sucumbiram à ideia que este é o seu triste fado e que o cenário poderia ser pior. Citando Sampaio da Nóvoa: “Façamos um armistício connosco, e com o país. Mas não façamos, uma vez mais, o erro de pensar que a tempestade é passageira e que logo virá a bonança. Não virá. Tudo está a mudar à nossa volta. E nós também”. Acredito que o poder da mudança se encontra nas mãos de todos nós, se acreditarmos nas qualidades intrínsecas de Portugal e nos inspirarmos nos vários casos de empreendedorismo. Recentemente, o Financial Times iniciou um artigo sobre Portugal com uma pergunta comum entre os portugueses. “O que pode Portugal

produzir que o resto do mundo queira comprar?” Para o Financial Times a pergunta tem uma resposta bastante óbvia dando exemplos como o Renova Black, “papel higiénico de designer ganhou status de culto, e é apenas um exemplo de inovação e diferenciação”, e o calçado da marca Helsar que calçou a mãe e a irmã de Kate Middleton no dia do seu casamento com o príncipe William. Recordemos ainda que o troféu de Melhor Empresária da Europa 2011 foi atribuído à portuguesa Sandra Correia, presidente da empresa de cortiça Pelcor, e no campo artístico, Joana Vasconcelos é um nome português cada vez mais conhecido além-fronteiras. Aliás, a artista plástica foi a primeira mulher convidada a expor no palácio de Versalhes, de 19 de Junho a 30 de Setembro. Inspirem-se, acreditem, lutem e arrisquem, apesar dos tempos difíceis. A mudança está nas nossas mãos e o futuro de Portugal depende apenas dos portugueses. Adélia Abreu


MISCELÂNEA DE INDIVIDUALISMOS Somos tão parecidos, temos tanto em comum, e fazemos questão de acentuar as pequenas disparidades a cada dia, a cada momento que nos cruzamos com o outro. Observar as sociedades é uma coisa que me fascina. Faz-me questionar o mundo. Gosto de analisar cada passo, cada olhar, cada decisão de quem, por ordem do destino, se cruza comigo. Seja lá onde eu estiver e onde me possam prender a atenção, sinto que nos construímos a cada segundo mais. Carros que perfazem filas intermináveis ao mudar de direção fazem lembrar puzzles dos que jogava em miúda e as luzes florescentes que disparam e que se evidenciam ao modo que a claridade do dia se vai tornando mais diminuta, fazem-me reparar na rodopio através do qual a sociedade se edifica. Ninguém sai impune. Buzinam-se uns aos outros, quase atropelam o idoso que atravessa a passadeira e fazem o frete de abrir o vidro para dar alguma informação a quem lhes pede ajuda. Os velhos, sentados nos bancos de jardim a folhear os jornais gratuitos, uns ao pé dos outros, todos os dias, sempre no mesmo sítio, viram-se pra lados opostos e ignoram quem, podia, para si, ser uma companhia. As principais ruas de comércio que existem no nosso país estão repletas de pessoas que se atropelam umas às outras sem qualquer justificação da pressa que as leva a agir daquela forma. E a menor das consequências são os empurrões que aleijam o corpo e aborrecem quem os sofre. O pior são os atropelos mentais que nos confundem, que nos retiram a sanidade e que nos consomem aos pouquinhos. Valha-nos o pintor ou o cantor na praça! Esses sim, estão na calçada não só por eles mas também por nós. São eles que dão animação a ruas esquecidas no tempo, carentes de uma nova oportunidade que revigore a importância que outrora lhes era reconhecida.

No próprio supermercado, todos separamos as compras pela plaqueta que dita: “cliente seguinte”, como se nos pudessem roubar as compras depois de termos enchidos carrinhos e cestos infindáveis de produtos, na sua maioria supérfluos e pouco úteis, ou como se estivessem, de alguma forma, a penetrar no nosso espaço. É um facto irremediável. Denota-se individualismo em cada um de nós. Pensase pouco no coletivo, o que perturba a mente e entorpece o espírito. O que as pessoas não sabem é que não podemos viver sozinhos se não camuflados pelo vazio do que não temos, e do que nos faz falta. Ser ‘Eu’ num turbilhão de individualismos é o mais desafiante paradoxo contemporâneo! Marta Cabral

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Tema de Capa

BIC PORTUGUÊS UMA PONTE ENTRE PORTUGAL E ANGOLA Numa conversa fluída e franca, Luís Mira Amaral, CEO do BIC Portugal, falou à revista “Gestão Global” do passado, presente e futuro do banco e da internacionalização das empresas portuguesas para Angola.

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Implementado no mercado desde 2005, o banco BIC Angola surgiu pelas mãos de Fernando Teles, que devido à experiência adquirida no Banco de Fomento em Angola, foi convidado por Américo Amorim e Isabel Santos para fundar um novo projeto. Graças à experiência de Fernando Teles, o BIC Angola tornou-se rapidamente num dos grandes bancos do sistema financeiro angolano. No seguimento deste sucesso, os acionistas cedo perceberam que fazia sentido investirem na criação de um BIC Português, devido ao crescente volume de negócios entre Portugal e Angola. Com esta ideia em vista, o BIC Angola convida Luís Mira Amaral para comandar e dar forma a este novo projeto. Assim, em 2008, nasce o BIC Português. Importa, contudo, realçar que “BIC Português é um banco de direito português e não uma filial do BIC Angola. São dois bancos formalmente distintos, tendo em comum a estrutura acionista. O BIC Português e BIC Angola são irmãos gémeos”, afirma Mira Amaral, acrescentando que esta é a melhor forma que encontra para caracterizar ambos os bancos. A fim de fomentar as relações bilaterais entre Portugal e Angola, o Banco BIC Português assenta a sua atuação em três áreas de atividade: a banca de empresas, banca de correspondentes e private banking. Sendo estas direcionadas para empresas portuguesas a operar em Angola, o primeiro passo do BIC Português foi abordar as empresas já clientes do BIC Angola. Após fidelizar os clientes já existentes, o BIC Português tem vindo a apostar na angariação de novos clientes nacionais, com e sem ligações a Angola. Apesar do banco não financiar diretamente investimentos em Angola, este tem tido um papel ativo no aconselhamento e apoio às empresas portuguesas interessadas em exportar e/ou investir em Angola. Para as empresas que estão a pensar apostar no mercado angolano, Mira Amaral dá alguns conselhos: “Recomendo uma viagem, de uma ou duas semanas, a Angola para terem perceção da realidade local, bastante diferente da portuguesa. Este é um mercado promissor, mas é importante lembrar que Luanda é uma das cidades mais caras do mundo e por isso os investidores não devem concentrar-se apenas na capital, mas também nas restantes cidades do país que já possuem boas vias de comunicação”. Quanto às exportações portuguesas para Angola as mesmas têm vindo a aumentar, contudo Mira Amaral alerta que “os portugueses não devem alimentar a ideia de que Angola é um El Dorado. Angola é um mercado emergente para produtos de qualidade e os empresários não devem cair no erro de exportar produtos de qualidade

inferior. Os angolanos têm uma boa imagem dos nossos produtos, identificando-os com qualidade”. Por outro lado, o CEO do BIC Português realça ainda a importância dos empresários escolherem cuidadosamente os seus parceiros e compreenderem que o investimento estrangeiro é visto pelo governo angolano como um instrumento para a angolanização da sua economia: “Espera-se que os investidores estrangeiros arranjem um parceiro angolano e formem a mão-de-obra local. Aliás, o próprio Banco BIC Português é exemplo desta política. Recebemos estudantes angolanos, que concluíram o curso em universidades portuguesas, para realizarem estágio no BIC Português e no final têm a possibilidade de integrarem os quadros do BIC Angola”, refere Mira Amaral.

Aquisição do BPN Após a consolidação do BIC Português, este entra numa nova etapa com a aquisição do BPN. Como referido, desde início, o banco atua em três linhas de negócio, mas sem nunca enveredar pela área de retalho. Sabendo que criar uma rede de retalho de raiz é complicado, a compra do BPN significa para o BIC a aquisição de uma rede de retalho já operacional. Até este momento, o BIC possui seis agências nacionais, mas com a compra do BPN passará a ter uma extensa rede de balcões em todo o país, permitindo-lhe estar mais próximo dos seus clientes: “Os acionistas do BIC não esperam obter lucros a curto prazo com esta operação, devido à atual crise económica. Trata-se de um investimento a longo prazo, cujo racional é criar um banco de grande escala em Portugal”, comenta. E às críticas contra a aquisição do BPN por parte do BIC, Mira Amaral é perentório ao afirmar que: “Desta forma, asseguramos a integração de metade dos atuais colaboradores do BPN, isto é 750 funcionários. E por outro lado, Portugal ganha um operador à escala nacional, com uma estrutura acionista muito forte e um banco em Angola que goza de saúde financeira, que pode injetar liquidez na economia nacional”. Além da compra do BPN, o BIC está atento a novas oportunidades. O BIC Angola está a avaliar a possibilidade de aquisição do BPN Brasil, o que permitirá ao banco angolano criar uma interessante plataforma financeira entre os mercados português, brasileiro e angolano. Simultaneamente, o BIC Angola já anunciou a criação de uma instituição financeira em Cabo Verde e a possibilidade de extensão da operação do BIC para o Congo e Namíbia. Para o BIC Português as oportunidades de crescimento centram-se no sector exportador devido à sua excelente performance.

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Tema de Capa

“Q

ue Portugal possa voltar aos mercados externos, mas para tal é necessário transmitir sinais de confiança”

Um olhar sobre a banca portuguesa…

PERFIL Luís Mira Amaral, atual CEO do banco BIC Português, é um nome incontornável no panorama político e económico nacional devido à sua experiência em posições de relevância e destaque. Além da licenciatura em Engenharia Eletrotécnica e mestrado em Economia, Mira Amaral adquiriu uma longa formação na área financeira e de gestão o que conduziu a um percurso profissional preenchido por vários cargos no sector da banca e ensino. Iniciou a sua carreira profissional em 1969, como engenheiro na Direção-Geral de Aeronáutica Civil, altura em que se tornou assistente do Instituto Superior Técnico, onde ainda é professor catedrático convidado. De 1979 a 1984 foi técnico do Banco de Fomento Nacional e, de 1984 a 1985, foi presidente do Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social. Posteriormente, Mira Amaral desempenhou a função de Ministro do Trabalho e Segurança Social do X Governo Constitucional e, mais tarde, foi Ministro da Indústria e Energia do XI e XII Governo Constitucional. Antes de presidir o banco BIC Português, Mira Amaral foi vogal dos conselhos de Administração do Banco Português de Investimento, do Banco de Fomento Angola e do BCI Fomento, entre 1998 e 2002. Presidiu à Comissão Executiva da Caixa Geral de Depósitos, em 2004.

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Profundo conhecedor do meio político e económico, Mira Amaral atribui atual situação da banca nacional aos desequilíbrios do país. “Desde a entrada do Euro, as famílias portuguesas deixaram de poupar. Nos últimos anos, o consumo disparou e a poupança evaporou-se. Isto resultou numa perda de fonte de financiamento para os bancos que, assim, passaram a pedir emprestado aos mercados externos. Mas com a crise mundial, os mercados externos fecharam-se para Portugal e como a poupança doméstica não é suficiente para financiar a economia, surge então um sério problema de liquidez da banca. Como também não há neste momento investidores nacionais e estrangeiros para se tornarem accionistas, o Estado Português vai ter de injetar capital nalguns bancos nacionais”, reitera. Mas qual é a situação desejada? “Que Portugal possa voltar aos mercados externos, mas para tal é necessário transmitir sinais de confiança”, responde.

…e Portugal Quanto à recuperação de Portugal, Mira Amaral defende que deviam ser aplicadas as diretrizes consagradas no relatório Porter, feito há 20 anos. “Este chama a atenção que a política económica não se deve concentrar apenas nas finanças públicas, pois deve considerar também a economia real”, ressalva. A aposta nos sectores tradicionais e nos clusters são também opções apontadas pelo relatório Porter. “Neste é referido que não devemos esquecer os sectores que fazem parte da tradição da indústria portuguesa, onde existem empresas de enorme potencial e nas quais devemos apostar”, comenta. Simultaneamente, Mira Amaral apela ainda ao entendimento entre governo e partidos da oposição, pois acredita que este é um importante sinal de confiança que Portugal pode transmitir aos mercados externos e que pode diferenciá-lo da situação da Grécia. “Enquanto os mercados externos virem o PSD, CDS e PS no mesmo comboio acredita que a recuperação nacional é viável. E por isso mesmo oponho-me às declarações do vice-presidente do PSD, Jorge Moreira da Silva, afirmando que o “PSD não pode andar com o PS ao colo. Não temos o papel de babysitter do PS”. Apelo ao sentido de responsabilidade dos dois partidos, pois o entendimento e coesão social são fatores importantes para nos diferenciar da Grécia”, conclui.


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CONTRARIAR O DESEMPREGO JOVEM COM MAIS EMPREENDEDORISMO A taxa de desemprego dos jovens entre os 15 e os 24 anos atingiu os 36,2% no primeiro trimestre de 2012, segundo números do INE. Trata-se de um máximo histórico e que representa, por comparação com o mesmo trimestre de 2011, uma subida de 8,4% no desemprego jovem. De resto, os mais jovens são, proporcionalmente, o grupo mais afetado pelo desemprego em Portugal. Por sua vez, o grupo com a segunda taxa de desemprego mais alta é o dos jovens entre os 25 e os 34 anos: 16,9%. Perante tão sombrio cenário, o empreendedorismo jovem surge como uma via credível e eficaz de criação de novos empregos. Ao avançarem com projetos empresariais, os jovens empreendedores estão inevitavelmente a criar o seu posto de trabalho (e porventura o de outros), fugindo assim ao desemprego. O empreendedorismo é, em muitos casos, a alternativa mais expedita para encontrar emprego quer por trabalhadores pouco qualificados, quer por quadros especializados que a economia portuguesa, ainda pouco sofisticada, não consegue absorver totalmente. As cerca de 300.000 micro, pequenas e médias empresas portuguesas são responsáveis por quase dois milhões de postos de trabalho, o que diz bem da sua capacidade para criar emprego. Contudo, apenas 4% do emprego em Portugal é criado por startups. Na Irlanda, o empreendedorismo gera 7% do emprego, nos Estados Unidos 8% e na Grécia 6%. Em Portugal, há ainda uma larga margem de crescimento da capacidade de criação de emprego pelo empreendedorismo. Por outro lado, o empreendedorismo pode evitar a emigração jovem e a consequente fuga de cérebros para o exterior. Importa lembrar que a emigração jovem representa uma perda de capital humano para o país, tanto mais grave se pensarmos que se trata da geração de portugueses mais qualificada de sempre. Sendo a nossa economia deficitária ao nível de recursos humanos qualificados, a saída desses jovens pode comprometer a modernização económica do país. É, pois, desejável é que o nosso país crie condições para fixar os jovens qualificados, garantindo-lhes oportunidades de realização profissional – o que passa, em boa medida, pela criação de um ecossistema que favoreça o empreendedorismo jovem. Francisco Maria Balsemão Presidente da ANJE – Associação Nacional de Jovens Empresários

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Empresas e Negócios

PRODUZIR CONHECIMENTO NA ÁREA CLÍNICA “Clarificar, em termos comparativos, qual o desempenho de cada hospital” - Esta foi a ideia que há vinte anos deu origem à IASIST. Criada em Espanha, chegou a Portugal em 2004 e desde então tem assumido o compromisso de contribuir para a melhoria da prestação de cuidados de saúde no nosso país.

“Por norma, a análise do funcionamento dos nossos hospitais é feita tendo apenas em conta a quantidade de atos praticados e os custos que lhes estão associados. Mas a IASIST vai mais além identificando por cada hospital a gravidade dos seus doentes, tendo em conta factores de risco, doenças associadas e a própria doença que está em causa, procedendo depois à comparação com outros hospitais”. Manuel Delgado, diretor geral da IASIST Portugal, resume assim a atividade desta empresa que para além de quantificar os resultados clínicos do doente, também avalia o consumo interno do hospital em dias de internamento. Na prática, a IASIST recorre à tecnologia para desenvolver um trabalho de avaliação, no qual os hospitais baseiam a sua gestão: “Todos os doentes que têm alta hospitalar são registados com um código clínico que permite saber qual é o Grupo de Diagnóstico Homogéneo (GDH) onde se incluem. Quanto maior for a complexidade clínica do GDH, maiores serão os custos associados por doente. Depois de somados todos os casos previstos ou realizados, estamos em condições de fazer o orçamento de um hospital”, explica o diretor.

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Agentes de mudança Dar aos hospitais a noção clara dos seus problemas clínicos é a missão que a IASIST assume. Para tal analisa variáveis mais concretas que, no global, vão dar um estudo mais consistente e ajustado à realidade do doente. Além do perfil genérico do hospital, a empresa faz uma análise exaustiva da informação, serviço a serviço, procedimento a procedimento, dando assim a possibilidade aos hospitais de efetuarem, por exemplo, estudos de mortalidade. A análise é feita tendo por base entre outros três indicadores de qualidade: mortalidade, complicações e readmissões e identifica, por cada serviço hospitalar, os problemas e os sucessos.

Manuel Delgado exemplifica: “Quando fazemos a avaliação de um determinado serviço e a conclusão é de que há uma mortalidade num determinado GDH superior à dos hospitais com que está a ser comparado, estamos a dar sinais de que para esta patologia o hospital tem de perceber qual o problema que está a originar tais resultados. Há portanto um conjunto de áreas onde nós demonstramos claramente o que é que o hospital está a fazer e o que é que poderia fazer”. O diretor ressalva no entanto que para que o projeto se desenvolva é necessário os hospitais terem informação clínica disponível e de qualidade: “Depois de os hospitais terem os processos codificados, estes são exportados para nós e tratados estatisticamente em Barcelona, sendo que num espaço de 48 a 72 horas os resultados estão disponíveis numa plataforma web para consulta”, elucida o diretor. Além das soluções para os hospitais, a IASIST apresenta também análises de benchmarking para cuidados primários, cuidados continuados e cuidados de reabilitação, assegurando em todos os serviços a qualidade e o rigor na recolha, tratamento e apresentação dos dados.

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Empresas e Negócios

INOVAR PARA CRESCER

“E

mpresas pequenas têm por obrigação conseguir ultrapassar melhor as crises. O mercado encolhe, mas não desaparece. As empresas têm de se reinventar, descobrir nichos de mercado”. A revista Gestão Global esteve à conversa com Bruno Pinto, diretor da JOMAPE.

Quando José Maria Pinto criou a JOMAPE, em 1940, a produção de redes de arame era bastante artesanal. “A maior parte da produção era subcontratada a pessoas que teciam as redes nos teares que tinham em casa”, conta Bruno Pinto, diretor da empresa e neto do fundador. Atualmente com um leque diversificado de produtos - redes de arame para vedações, arames farpados, malhas electrossoldadas, pregos e grampos - a JOMAPE aposta fortemente na inovação tecnológica da maquinaria e no rigoroso controlo de qualidade dos seus produtos, tendo a sua rede electrossoldada sido homologada pelo LNEC e certificada pela CERTIF: “Desde o início, a nossa preocupação foi a diversidade e flexibilidade dos nossos produtos para que estes pudessem ser adaptados às necessidades específicas dos clientes”, reforça o diretor.

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Na pré-fabricação é que está o ganho A diferença no mercado faz-se, nas palavras de Bruno Pinto, “apresentando ao cliente soluções customizadas que acrescentem valor aos produtos”. Foi precisamente esta “filosofia de inovação” que fez a JOMAPE trazer para Portugal o sistema BAMTEC – um sistema inovador de montagem de armaduras pré-fabricadas (para lajes, pavimentos e muros de betão armado), desenvolvido por uma empresa alemã, que consiste na utilização de camadas completas de armadura de reforço em forma de rolo, substituindo assim a tradicional execução completa em obra. “É muito mais eficaz a produção em fábrica do que em obra. Em fábrica as coisa são feitas por empresas mais especializadas, conseguindo-se apresentar soluções mais eficientes ao nível de tempo e custo”, explica o administrador. Otimizar recursos é, na opinião de Bruno Pinto, “o fator essencial que implica uma estratégia de mudança na tendência, ainda muito enraizada no nosso país, de se fazer tudo em obra”. Uma mudança que, de resto, já decorre na obra de ampliação de instalações da Lankhorst Euronete Portugal, SA a cargo da empresa Manuel da Costa Ferreira & Filhos, Lda, a primeira onde a JOMAPE colocou o novo produto. Dentre as vantagens da colocação do BAMTEC, Alberto Carvalho e Melo, diretor técnico da obra, frisa a poupança significativa de mão-de-obra e o elevadíssimo rendimento de montagem: “Neste caso o trabalho deveria ocupar seis homens durante vinte dias e foi executado por quatro em apenas dois dias!” Além da rapidez de colocação, o sistema BAMTEC consegue ainda uma rentabilização da utilização do aço. “Com estas armaduras há uma simplificação da colocação o que permite a reprodução exata do cálculo do engenheiro, algo muito mais difícil e impreciso de forma manual”, completa Bruno Pinto.

Vencer na adversidade

Marco de Canaveses - Portugal Telf. +351 255 732 359 Fax. +351 255 732 349 info@industriasjomape.pt www.industriasjomape.pt

Apesar da atual quebra no mercado da construção civil que também afeta a JOMAPE, o diretor revela que esta conjuntura tem funcionado como alavanca para se reinventarem e considera mesmo que é nessa capacidade que reside a superação das dificuldades: “Empresas pequenas têm por obrigação conseguir ultrapassar melhor as crises. O mercado encolhe, mas não desaparece. As empresas têm de se reinventar, descobrir nichos de mercado”. Embora o escape da empresa assente sobretudo na diversidade dos seus produtos e nas novas soluções que coloca no mercado, a internacionalização é apontada por Bruno Pinto como uma saída viável para a crise: “Em Portugal é difícil crescer de forma sustentada no mercado interno. Nós queremos crescer, por isso apostamos no mercado externo. No ano passado a exportação teve 25 por cento de peso na faturação e este ano vamos duplicala”, garante o administrador.

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BREVES Cerveira Creative Camp

Em julho, Vila Nova de Cerveira será invadida por dezenas de jovens estudantes e profissionais de diferentes áreas criativas e artísticas. Serão duas semanas de criação vídeo, intervenção urbana, masterclasses, workshops e talks com alguns dos mais inovadores criadores nacionais e internacionais das áreas do cinema, música, vídeo, arquitetura, publicidade, instalação e arte urbana.

Empreendedorismo no setor agroalimentar

Encontram-se abertas até 31 de julho as candidaturas à 3ª edição dos Nutrition Awards, uma iniciativa da Associação Portuguesa de Nutricionistas e da GCI. Este ano o concurso conta com a parceria do IAPMEI e tem como lema distinguir o empreendedorismo, a valorização da produção nacional e a promoção de hábitos de vida saudáveis, premiando a inovação e o mérito científico associados à área da nutrição. O objetivo da iniciativa é sensibilizar as empresas para a importância de valorizar a produção nacional em cada um dos produtos ou família de produtos que produzem e comercializam. Os projetos vencedores serão conhecidos a 16 de outubro, no Dia Mundial da Alimentação.

Autoeuropa quer Investigação, Desenvolvimento recém-licenciados e Inovação em Aveiro A fábrica portuguesa da Volkswagen, em Palmela, lançou um programa internacional para selecionar 32 recém-licenciados nas áreas da engenharia e das tecnologias de informação. Inicialmente os contratos serão de dois anos, sendo que os candidatos selecionados terão um período máximo de trabalho de três meses na sede da Autoeuropa, em Portugal, e os restantes 21 meses serão passados em fábricas do grupo na Alemanha.

Canal parlamento disponível na TDT A Assembleia da República aprovou, no final de junho, o diploma que permite que o canal Parlamento (AR TV) passe a ser transmitido em sinal aberto na Televisão Digital Terrestre (TDT). Desenvolver e alargar o âmbito das emissões do canal tem sido um dos objetivos prioritários da acão da presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves.

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A Inova-Ria - Associação de Empresas para uma Rede de Inovação em Aveiro e a Sociedade Portuguesa de Inovação (SPI) estão a organizar em conjunto um Ciclo de Workshops - Gestão da Investigação, Desenvolvimento e Inovação. O objetivo é sensibilizar as empresas para a importância da gestão da IDI e esclarecer aspetos operacionais associados aos Sistemas de Gestão.

Programa Move PME

O Instituto para o Fomento e Desenvolvimento do Empreendedorismo em Portugal (IFDEP) encontra-se a desenvolver em parceria com a Associação Industrial Portuguesa (AIP) o Programa MOVE PME. Com o objetivo de melhorar os processos de gestão das micro, pequenas e médias empresas e reforçar as competências dos seus dirigentes, quadros e trabalhadores este modelo visa conduzir e apoiar as Micro, Pequenas e Médias Empresas a atingirem padrões de desempenho mais competitivos.


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Empresas e Negócios

MAIS DO QUE UMA EMPRESA DE TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO Desenvolver a qualidade de dados nas diferentes plataformas. Este foi, em 2009, o objetivo que fez nascer a DataLab pelas mãos de Osvaldo Godinho e Pedro Agostinho. Embora a empresa seja recente no mercado, desde 1998 que os dois sócios desenvolvem uma parceria com a Uniserv - empresa alemã líder no mercado de address management. Desde então têm vindo a adaptar as ferramentas do software “Post” à realidade do nosso país e em apenas três anos vingaram no mercado de que só agora se começa a falar.

“A

Porquê a qualidade de dados? Dentro de uma empresa, a estratégia para vingar no mercado passa muito pela informação que esta dispõe do seu público-alvo. A utilização de bases de dados assume por isso um papel de extrema importância em atividades de marketing, através das quais qualquer empresa consegue encontrar novos clientes, fornecedores, concorrentes ou parceiros nas mais diversas áreas empresariais. O diretor da DataLab não tem por isso dúvidas que, “devido à evolução do mercado, as empresas têm uma maior necessidade de terem um conjunto de especificidades de cada público-alvo, o que faz com que deem cada vez mais importância à qualidade de dados”. A par desta necessidade vigente, começaram também a aparecer estudos internacionais que mostram a urgência de tomar decisões orientadas para a qualidade de dados, fazendo diminuir os custos e aumentando a produtividade. E é precisamente neste cenário que a DataLab se destaca ao apresentar ao cliente a solução de ‘single view of costumer’, segundo a qual um cliente apenas existe uma vez na base de dados da empresa, evitando a duplicação de informação e privilegiando um registo completo e minucioso. “Em termos de qualidade de dados os benefícios são imensos: desde a redução do tempo de inserção dos dados até à anulação do envio duplicado de mailing para o cliente, o que é favorável à imagem da empresa que não está a bombardear o cliente com duas ou três cartas. Para além disso há também a anulação da duplicação de dados em caso de fusão entre empresas”, explicita Osvaldo Godinho.

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qualidade de dados é, neste momento, uma ferramenta indispensável de negócio”. Quem o garante é Osvaldo Godinho, diretor geral da DataLab que apresentou à revista Gestão Global as soluções que a empresa desenvolve no âmbito da qualidade de dados.


DataLab e Uniserv: parceria vencedora Dentro de uma empresa, as moradas dos clientes são a base de muitas aplicações diferentes pelo que é essencial que estas estejam devidamente catalogadas e o mais completas possível. É precisamente esta mais-valia que a DataLab oferece aos seus clientes através do software “Post”, uma ferramenta desenvolvida em parceria com a Uniserv, de resto o maior fornecedor de soluções de qualidade de dados na Europa. “É comum existirem dados incorretos nas bases de dados devido a abreviaturas, códigos postais e números de porta errados, erros de perceção, leitura ou escrita. O que nós fazemos, além do procedimento normal de análise aos dados, deteção dos problemas e normalização dos dados é, depois da limpeza, colocar ferramentas de firewall. Estas ferramentas – as primeiras a serem certificadas a nível internacional pela SAP - são integradas dentro das plataformas e trabalham online”, explica o diretor. A instalação destas firewall é efetuada na vertente de address management, permitindo a colocação automática das coordenadas geográficas dentro do sistema aquando da normalização, mas também em termos de duplicação, ou seja é efetuada a busca automática por dados duplicados que eventualmente possam existir.

Tudo isto é possível graças ao trabalho conjunto que a DataLab e a Uniserv têm vindo a desenvolver e que se baseia essencialmente na adaptação das ferramentas informáticas às características do nosso país. Normalmente, elucida Osvaldo Godinho, “os grandes players internacionais colocam o software no mercado com funcionalidades genéricas. A abordagem da Uniserv é diferente porque adapta o software consoante as especificidades de cada país”. Na prática, em Portugal as ferramentas da Uniserv contemplam campos específicos para “avenida”, “rua” e até “travessa”, o que permite uma abordagem mais concreta, específica e objetiva que o diretor não tem dúvidas em classificar como sendo “completamente diferente de tudo o que existe no mercado”. Com um crescimento que Osvaldo Godinho classifica de “considerável e sustentado”, as expectativas a curto prazo para a DataLab são de “desenvolvimento e crescimento” no mercado da qualidade de dados que, de resto, “tem vindo a assumir uma visibilidade e importância crescente na gestão empresarial”, completa o diretor.

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SUPLANTAR AS VICISSITUDES RUMO A UMA EMPRESA DE SUCESSO Nascida no concelho de Matosinhos, a Frigomato é uma empresa que está há mais de 60 anos no mercado português focada no armazenamento e logística sobretudo de produtos alimentares que carecem de temperatura controlada. Numa altura em que o sector primário era dominante, Matosinhos destacou-se pelo seu impacto no sector das conservas. No entanto, o aumento da importância progressivamente atribuída ao sector terciário foi relegando, cada vez mais para segundo plano, o sector das pescas e conservas. Este contexto obrigou a Frigomato, nos anos 90, a readaptar-se às nova linhas impostas pelo mercado. Foi nesta altura que a empresa recebeu a entrada de um novo Presidente do Conselho Administrativo. Eduardo Lopes, advogado de profissão, vestiu a pele de gestor e engenheiro e aceitou ocupar o cargo com empenho, confiante na importância e rentabilidade que a atividade logística significa para a economia. Desta feita, mãos à obra, delineou e desenvolveu um projeto de viabilidade económica para a Empresa que começou pela criação de parcerias, a seu ver, largamente vantajosas a nível económico para as partes envolvidas. “As parcerias tornam as empresas mais fortes e competitivas”, reafirma o administrador.

“F

ui saltando pedregulho a pedregulho para construir este castelo”

Todas estas perspetivas de crescimento e desenvolvimento de uma empresa que passava por sérias dificuldades de sobrevivência levaram Eduardo Lopes a vocacionar a sua atividade não somente para a armazenagem mas também para a logística, um sector de actividade algo atrasado em Portugal quando comparada com os restantes países da Europa. A história da empresa contada à Revista Gestão Global na primeira pessoa por Eduardo Lopes não esconde que as dificuldades andaram ‘passo a passo’ com a Frigomato ao longo de todo o seu processo de reabilitação. “Um processo que deveria ter ocorrido com celeridade demorou seis ou sete anos a estar concluído”, afirma.

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Indignado, o administrador pronuncia-se face à falta de apoios, nomeadamente financeiros, comparando ainda os benefícios fiscais recebidos por empresas de capital estrangeiro. Sublinhando que a Frigomato é uma empresa suportada exclusivamente por capital português.


Prossegue afirmando que o primeiro obstáculo foi o de encontrar local para instalar a empresa que necessitava de infraestruturas amplas para exercer a sua atividade de forma adequada, vendo recusado qualquer apoio por parte do município de Matosinhos, onde a empresa desenvolveu durante décadas um papel social e económico de reconhecida importância. “Fui saltando pedregulho a pedregulho para construir este castelo”, graceja. Investidos 30 milhões de Euro nas novas instalações, agora em Aveleda, Eduardo Lopes orgulha-se do projeto final e de toda a trajetória cruzada em que manteve sempre presente a relação entre a vertente social e económica. Atualmente, a empresa tem capacidade para 60.000m3 de frio, o correspondente a cerca de 14.500 euro paletes armazenadas. Não descorando nunca a equipa, a Frigomato emprega 50 pessoas que, segundo o administrador, perfazem um grupo unido e dedicado que, em muito tem contribuído para o crescimento sustentado da empresa ano após ano: “A Frigomato tem crescido como um exemplo de união entre todos os sectores respeitando-se as hierarquias mas trabalhando em conjunto”. Apetrechada com tecnologia de ponta adequada aos serviços que desenvolve, Eduardo Lopes salienta a importância da formação dos trabalhadores: “É imprescindível formar pessoas com os conhecimentos técnicos e científicos requeridos pelo trabalho que executam”, realça. O Presidente do Conselho de Administração destaca as preocupações ambientais que se fizeram incluir no projeto do novo complexo logístico, nomeadamente no reaproveitamento da água utilizada na linha de produção de frio e no reaproveitamento do calor produzido pelos compressores para o aquecimento de água. Neste âmbito, alia-se ainda a preocupação na reeducação energética que o administrador garante que é feita diariamente por toda a equipa como o permanente objectivo de reduzir um dos principais custos da actividade. Para além de congelados e refrigerados, atualmente a Frigomato integra condições para armazenar produtos à temperatura ambiente trabalhando assim, igualmente, com produtos secos. “respondendo às necessidades do mercado passamos recentemente a dispor de condições para trabalhar com produtos de temperatura ambiente”, confirma o interlocutor.

O mandato de Eduardo Lopes termina no ultimo dia de presente ano e, por isso, faz um balanço dos seus 13 anos de trabalho na empresa que afirma, convicto, terem sido muito positivo. Apesar de ter todo o gosto em continuar neste projeto que é tão seu, acredita que, mesmo que não seja consigo na presidência, a empresa continuará a crescer e a desenvolverse de forma segura, uma vez que, foram criadas todas as condições para o sucesso do negócio. Para o futuro próximo a Frigomato projeta aumentar em 3.000m2 o espaço destinado a cross docking, processo de movimentação onde a mercadoria recebida é direcionada sem armazenamento prévio, o que permite um acentuado crescimento da actividade logística da empresa. O administrador expressa ainda interesse em aproveitar a relação de proximidade com a Galiza ao mesmo tempo que acredita na oportunidade de desenvolver novas áreas de negócio facilitados pela proximidade ao Porto de Leixões e ao aeroporto Sá Carneiro. Em jeito de conclusão, o Presidente do Conselho de Administração alude que “O caminho da empresa é o de continuar a prosseguir o seu crescimento com a qualidade que lhe tem sido reconhecida pelo mercado e especialmente pelos clientes que se vem fidelizando como prova da satisfação plena ”.

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Empresas e Negócios

DESENVOLVER QUALQUER TIPO DE CONSTRUÇÃO METÁLICA… … é no sector das estufas que esta empresa se classifica como uma das mais bem cotadas a nível nacional. A EstufasMinho, SA começou por ser uma pequena serralharia civil. Hoje, é a prova de solidez empresarial assente na tecnologia e inovação.

Em 1986, chamado a reparar a estrutura metálica de uma estufa, Joaquim Rocha, serralheiro, viu no mercado agrícola a oportunidade de fugir à crise que então se vivia. Com o início da produção de estufas veio também a produção em série e a forte aposta na tecnologia como motor de desenvolvimento quer das máquinas, quer de linhas de fabrico.

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“A ideia era sermos rentáveis e ao mesmo tempo competitivos no mercado, pois estávamos a concorrer com empresas espanholas e francesas muito grandes”. José Manuel, filho do fundador e diretor comercial da EstufasMinho, sintetiza assim a estratégia que comprova o seu sucesso e diferencia esta empresa familiar no mercado. Embora a empresa se tenha especializado no desenvolvimento e conceção de estufas, na última década tem vindo a diversificar os sectores de atuação: “a nossa preocupação sempre foi estarmos equipados para fazer estufas ou qualquer outro tipo de trabalho em metalomecânica ligeira. Assumimos qualquer projeto”, assegura José Manuel. Além do desenvolvimento e execução de qualquer tipo de estrutura metálica, o diretor comercial garante possuírem conhecimento noutras áreas de desenvolvimento agrícola, nomeadamente na área hortícola e florícola, que lhes permite aconselhar e desenvolver projetos em parceria com os clientes. E exemplifica: “no ano passado surgiu-nos uma empresa que tinha a ideia de construir uma estufa com suporte de painéis fotovoltaicos e pediu-nos para desenvolvermos o sistema de arejamento”.


Rua das Pedreiras Apartado 8 4741-908 Fão-Esposende t: 253 989 360 f: 253 989 369 geral@estufasminho.pt www.estufasminho.pt

Serviço personalizado O cliente que chega à EstufasMinho tem garantido desde a primeira hora um acompanhamento permanente e adaptado às suas reais necessidades. José Manuel diz mesmo que “a principal preocupação da empresa é saber qual é o objetivo final do cliente quando nos pede uma estufa: que tipo de cultivo vai fazer, que sistema de produção vai utilizar, a zona em que vai ser implementada. Há uma série de aspetos que gostamos de saber para poder aconselhar melhor”. Foi aliás a pensar na comodidade do cliente que em 2007 a Estufasminho criou a Litoral Regas, Lda, uma empresa vocacionada para regas e automação. José Manuel não tem dúvidas: “é uma mais-valia para a empresa, na medida em que conseguimos apresentar uma solução completa ao cliente. Hoje em dia, o empresário agrícola não quer trabalhar com três ou quatro empresas. Se houver uma que execute o projeto completo ele prefere. Nós damos a solução chave-na-mão”. É pois na LitoralRegas que estão neste momento a desenvolver um tubo para hidroponia, uma técnica de cultivo de plantas sem solo: “Antecipamos as necessidades do mercado, o que o cliente tenciona produzir e a partir daí criamos a solução”, remata o diretor.

Exportar e certificar para crescer Além da aposta na diversificação de produtos, de há cinco anos para cá a EstufasMinho está apostada na exportação de estufas para horticultura e floricultura: “Estamos nos PALOP, na América do Sul, México, República Dominicana, e no próximo ano vamos começar a fabricar no Brasil”, refere o nosso interlocutor. Quando José Manuel começou a pensar na exportação, o mercado nacional do sector estava a crescer, mas acreditando que a uma fase de crescimento exponencial se sucede uma contração, o diretor comercial preferiu “trabalhar antes que a quebra se desse, optando por explorar outros mercados, diferentes e que trouxessem valor acrescentado”. Um valor acrescentado que tenciona solidificar através da certificação de qualidade: “Até ao final do ano pretendemos certificar a EstufasMinho com as normas de Sistema de Gestão Ambiental e Sistemas de Gestão de Recursos Humanos”, conclui.

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ESTILISTAS PORTUGUESES CONQUISTAM MERCADO INTERNACIONAL Apesar da sua alma lusitana, Londres foi o berço da jovem marca MARQUES’ALMEIDA. Concluída a formação no CITEX, Marta Marques e Paulo Almeida, dois jovens estilistas portugueses, emigraram para Londres em busca de mais e melhores oportunidades profissionais. Inevitável é, segundo Marta Marques, a melhor forma de descrever a situação da dupla de estilistas na altura. “Sentíamos que em Portugal as oportunidades eram reduzidas. Londres foi a nossa escolha, pois possui uma rede de apoios a jovens empresas de design de moda bem instituída”. Um bom exemplo disso foi o convite da plataforma Fashion East para participarem na semana de moda de Londres, após terem concluído o mestrado na Central Saint Martins. Além da visibilidade na imprensa internacional, esta oportunidade permitiu à dupla de estilistas participar num showroom na semana de moda de Paris, o que permitiu estabelecer importantes contactos com compradores internacionais, em especial dos mercados norte-americano e asiático. A marca já se encontra presente nas lojas Opening Ceremony Nova Iorque e Los Angeles, Desperado em Tóquio e Joyce em Hong Kong. Devido à sua estética cool, fast forward e inspirada no vestuário de rua dos anos 90 a Marques’ Almeida tem vindo a conquistar ambos os mercados. Marta Marques confessa que: “Mesmo sendo uma empresa nova e pequena, ambos os mercados tiveram vontade de arriscar na nossa marca. Reagiram muito bem à nossa estética”. Já o mesmo não tem acontecido na Europa. Talvez devido às atuais condições económicas, o mercado encontra-se mais retraído. Também em Portugal o cenário não é ideal. Mas a ligação com o país de origem não se perdeu. Além da presença na Moda Lisboa, a dupla de estilistas tem apostado na produção em Portugal. Um dos objetivos iniciais da Marques’ Almeida é depender exclusivamente da indústria nacional. “Consideramos que a mesma tem um enorme potencial”, afirma Marta Marques. E assim nasceram algumas colaborações com a Eureka Shoes, a Troficolor e o Centro Tecnológico das Indústrias do Couro. “São colaborações que queremos manter e expandir”, confirma.

Regresso a Portugal Foram com a ideia de um dia regressar, mas as oportunidades continuam todas a aparecer em Londres. Ainda agora a dupla de estilistas foi selecionada para integrar a NEWGEN, uma plataforma que resulta de uma parceria entre o British Fashion Council e Topshop. O futuro continua em Londres.

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Calçado em Ascensão

TRÊS GERAÇÕES MAIS DE MEIO SÉCULO DA FÁBRICA DE CALÇADO NETOS

S. João da Madeira foi o sítio escolhido pelos irmãos Augusto Neto e Domingos Neto para a criação de uma empresa de sapatos que conta já com mais de meio século de existência. Na capital do calçado, a empresa Netos sobressai pela sua gestão peculiar onde se contam várias gerações de uma mesma família. Atualmente, a administração da empresa esta a cargo de José Neto, filho do fundador Augusto Neto e sobrinho de Domingos Neto, responsável pelo departamento comercial. Os seus dois irmãos Graça Neto e Manuel Neto, também administradores, renderam-se igualmente à industria estando encarregues pelo departamento informático e produtivo, respetivamente. A terceira geração está, igualmente, imbuída do gosto pelo calçado. No seio dos atuais 120 trabalhadores que compõem os quadros da empresa, encontra-se Bruno Neto, Pedro Neto e João Neto.

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Os mais novos elementos da família estão já a trabalhar nesta empresa que, fiel aos seus clientes de há décadas, conjetura manter as portas abertas por longos e prósperos anos. Grande parte da produção é destinada à exportação, como conta José Neto: “Exportamos 95% do que produzimos, apenas 5% é confinado ao mercado interno”. Nos anos sessenta, a empresa começou a exportar para as ex-colónias portuguesas nomeadamente Angola e Moçambique. Na década de setenta direciona as suas vendas para o continente Europeu para onde, atualmente, mantém grande parte da sua exportação direta. Com um vasto número de empresas de calçado que se podem contar em Portugal, José Neto salienta as características principais que conferem grande competitividade aos seus produtos. “A rapidez na resposta, qualidade, cumprimento nos prazos, flexibilidade nos sistemas de fabrico e o conforto dos sapatos são os nossos pontos fortes”, salienta o administrador. A Netos estreou-se a expor os seus produtos na MOCAP, uma feira de calçado português que acolhia, até ao seu termo, empresas do sector provenientes de todo o mundo. A passagem da MOCAP para as feiras internacionais foi feita num curto espaço de tempo: “Atualmente estamos em diversas feiras por toda a Europa, o que nos permite mostrar os nossos produtos e a evolução do design a potenciais clientes”, afirma José Neto.


Apesar da crise, a gestão da empresa Netos parece manter-se eficaz e sólida. As estatísticas da empresa contrariam todos os sinais de tempos conturbados que têm, frequentemente, assinalado o nosso país. Com uma produção diária na ordem dos 900 pares de sapatos e um volume de faturação de 6 milhões de euros anuais, a empresa Netos apresenta-se segura e estável.

Distinguida como PME Líder, a Netos pretende manter a sua atividade estável e os índices de produção nunca inferiores aos verificados presentemente. “Vamos trabalhar para não registar quebras no volume de faturação (...) somos uma empresa equilibrada que se esforça por evitar grandes oscilações”, conclui José Neto.

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PORTUGAL AFASTADO DO EURO 2012 NA “LOTARIA” DOS PENALTIS A PRESTAÇÃO DA SELEÇÃO PORTUGUESA NO EURO 2012 SUPEROU AS EXPECTATIVAS DA MAIORIA CONSEGUINDO CHEGAR ATÉ ÀS MEIAS-FINAIS. MAS TAL COMO NO MUNDIAL 2010, PORTUGAL VOLTOU A SER AFASTADO DE UMA COMPETIÇÃO INTERNACIONAL PELA VIZINHA ESPANHA. Depois de um início mais conturbado com a derrota por 1-0 contra a Alemanha, Portugal voltou a reerguer-se com duas vitórias contra Holanda e Dinamarca. A equipa das quinas conseguiu assim o segundo lugar no grupo B e qualificar-se para os quartos-de-final do Euro 2012. O seguinte adversário de Portugal foi um velho conhecido. Tal como no Euro 1996, a República Checa voltou a cruzar-se no caminho da seleção nacional e novamente nos quartos-de-final. Mas desta vez o resultado foi diferente. Portugal saiu vitorioso e conseguiu qualificar-se para as meias-finais do Euro 2012. Chegado às meias-finais, tão próximo da ambicionada final europeia, Portugal apenas foi eliminado nas grandes penalidades contra a campeã da Europa e do Mundo, Espanha. Apesar da derrota, a equipa das quinas comandada por Paulo Bento foi elogiada pela imprensa estrangeira e, até o ministro-Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, elogiou o trabalho e a qualidade demonstrada pelos jogadores: “Estamos entre os quatro melhores da Europa”. Terminado o percurso no Euro 2012, agora é altura da seleção nacional preparar a qualificação para o Mundial 2014 no Rio de Janeiro. O primeiro jogo é já a 9 de Setembro deste ano frente ao Luxemburgo. Adélia Abreu

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Empresas inovadoras

SMAS OEIRAS E AMADORA COMO INCREMENTAR O VALOR DA ÁGUA O SMAS de Oeiras e Amadora são a entidade responsável pelo fornecimento de água a dois importantes concelhos que, em conjunto, perfazem cerca de 345.250 habitantes. Estes números refletem a sua responsabilidade acrescida em fornecer água com qualidade e em quantidade a uma população numerosa e com exigências distintas: “A nossa capacidade de abastecimento tem sido consolidada ao longo dos anos, com variadíssimos investimentos ao nível da rede de abastecimento e saneamento de águas residuais que, por esta altura, já se encontra quase completa” refere Nuno Campilho, administrador da Instituição. vvPara fechar o ciclo de abastecimento, estão em construção os últimos reservatórios, o que permitirá assegurar, em condições extremas, o abastecimento aos dois municípios na ordem dos dois dias e meio: “É a isto que se chama ‘reserva estratégica de água’, que permite que, caso a entrada de água nos dois municípios seja vedada, consigamos aguentar dois dias e meio só a abastecer a população através dos reservatórios”, explica. Nuno Campilho acrescenta ainda que os reservatórios dos SMAS de Oeiras e Amadora estão colocados em zonas elevadas, o que permite que o abastecimento seja feito de forma gravítica, evitando bombear a água e gastar energia. Apesar de já receber a água tratada pela EPAL, os SMAS Oeiras e Amadora têm um laboratório devidamente acreditado pelo IPAC – Instituto Português de Acreditação – onde são feitas cerca de 70 análises por cada amostra de água. Focado na inovação, tem ainda um sistema integrado de telegestão através do qual dispõe de 32

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mecanismos de bombagem de cloro. Nuno Campilho explica que, quanto mais água entra nos dois conselhos, maior é a tendência de se misturar com corpos estranhos e de evaporarem os seus elementos. As preocupações ambientais dos SMAS de Oeiras e Amadora levam-no a pôr em curso um conjunto de atividades destinadas às camadas mais jovens: “Temos um público devidamente identificado que são as crianças entre o 1º e o 3º ciclos do ensino básico”, esclarece Nuno Campilho. Neste âmbito os SMAS de Oeiras e Amadora organizam anualmente o “Clube da água”, um projeto com cerca de 6.000 associados que acolhe crianças entre os 4 e os 6 anos e promove dezenas de parcerias municipais. Ao nível deste programa, são desenvolvidas atividades lúdicas e pedagógicas que têm como missão consciencializar as crianças para a importância da água e da sua racionalização.


Junto das escolas, o SMAS Oeiras e Amadora organiza outro projeto denominado ‘A tua ideia pode fazer a diferença, juntos vamos salvar o planeta’ em que todos os alunos apresentam uma proposta de trabalho integrada no tema ‘Água’: “O retorno é extraordinário, os miúdos motivamse para as aulas e levam para casa a mensagem que pretendemos”, confirma o interlocutor. Desde 2007 até ao ano passado, fizeram um percurso determinante na afirmação da qualidade e confiança da água da torneira para o consumo, que lhes valeu um prémio nacional pela melhor campanha de sensibilização para o uso da água da torneira.

Nuno Campilho foi eleito personalidade do ano pela RH Magazine, reconhecimento público da política de recursos humanos praticada pela Instituição. O administrador salienta que os recursos humanos são uma área com forte aposta nos últimos anos, através de um rejuvenescimento dos trabalhadores e da formação que abrangeu todas as áreas operacionais. Este projeto ficou denominado ‘Passo a Passo Adquira Novas Competências’ proporcionou uma última e recente atribuição de 216 diplomas. No ano passado os SMAS de Oeiras e Amadora arrecadaram ainda o prémio de melhor empresa para trabalhar no sector público, renovado este ano pela revista Exame. Nuno Campilho conclui salientando a importância das atividades e a atenção que é reconhecida aos funcionários quer a nível pessoal como laboral, o que incrementa a produtividade e gera um clima de harmonia e concordância por todas as instalações dos SMAS de Oeiras e Amadora que não deixa indiferente ninguém que por lá passe.

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EXCELÊNCIA E INOVAÇÃO NO SISTEMA DE SAÚDE PORTUGUÊS O nível de saúde da população portuguesa tem registado uma grande melhoria ao longo dos anos. Segundo o INE, “O valor da esperança média de vida à nascença foi estimado em 79,45 anos para ambos os sexos, sendo de 76,43 anos para os homens e de 82,30 anos para as mulheres”. Este incremento, para além das melhorias com a alimentação, condições de higiene, de trabalho ou habitação, muito se deve à melhoria da assistência médica e à inovação e modernização tecnológica bem como à colocação no mercado de uma gama cada vez mais abrangente de medicamentos. O Sistema Nacional de Saúde deve atender todas as faixas etárias, dos jovens aos idosos, promovendo o seu bem-estar. Contudo, deve-se ter em consideração o custo com o avanço terapêutico real por forma a torná-lo um valor justo e comportável para toda a sociedade. O HPP Saúde, fundado em 1998, é um grupo de referência no sector da saúde em Portugal. Desde a sua criação mantém como princípios a qualidade e o rigor dos seus serviços que transparecem através de uma rede de cinco hospitais privados estabelecidos por todo o país (Hospital da Boavista; Hospital da Misericórdia de Sangalhos, Hospital dos Lusíadas, Hospital de Santa Maria de Faro e Hospital São Gonçalo de Lagos). A estes acrescenta-se ainda o Hospital de Cascais, em regime de parceria público-privada. Para o HPP, o investimento tecnológico é um fator decisivo para a modernização dos serviços e equipamentos e, consequente, para a promoção da gestão e do atendimento ao público que, por sua vez, favorece o cliente. Os Hospitais Privados Portugueses têm vindo, ao longo dos anos, a ser distinguidos com vários prémios e menções honrosas nacionais e internacionais, que os congratulam, acentuando a competência dos seus serviços e infraestruturas já reconhecidos a nível nacional. Os sectores da Farmácia e dos medicamentos genéricos, num âmbito mais particular, têm sido alvo de atenções avultadas entre o Governo e a Troika. Como é sabido, no inicio do mês de Maio, no âmbito da revisão anual obrigatória, os medicamentos genéricos atingiram baixas superiores a 50% do seu valor. Na próxima edição da Revista Gestão Global focaremos a temática da Indústria dos Medicamentos Genéricos em Portugal através de uma agradável conversa com o Dr. Paulo Lilaia, Presidente da Apogen – Associação de Medicamentos Genéricos - e Administrador da Generis, Empresa pioneira no lançamento de medicamentos genéricos em Portugal e líder de mercado neste sector no nosso país. A indústria dos medicamentos genéricos já detém 24% do mercado nacional e está em continuada expansão, motivo pelo qual consideramos imprescindível desmistificar as suas características e indicações terapêuticas quando integrados no sector farmacêutico em Portugal. Os medicamentos genéricos vieram abrir portas aos mais desfavorecidos que viram, desta forma, aumentadas as suas possibilidades em adquirir os medicamentos que necessitam, a preços muito inferiores do que os medicamentos de referência. 34

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Inovação no tratamento ao Cancro da mama O Hospitalcuf Porto é o primeiro do país a realizar, num único ato operatório, a cirurgia do cancro da mama e o seu tratamento complementar de radioterapia. O tratamento clássico é diário e demora em média cinco semanas. Através desta intervenção, indicada para casos em fase precoce, pode durar apenas 25 minutos. Desde o mês de Maio do presente ano, depois de muitos anos de pesquisa e investigação nomeadamente com instituições internacionais, o Hospitalcuf Porto decidiu apostar nesta tecnologia ao serviço do bem-estar e da qualidade de vida das mulheres.

Microchip de DNA previne morte súbita Depois de sete anos de pesquisa, investigadores portugueses do Instituto Superior Técnico, desenvolvem este teste destinado a prevenir e combater a morte súbita, sobretudo nos atletas. Este Microchip promete analisar as mutações de DNA , detetando se a pessoa tem elevado risco de sofrer de miocardiopatia hipertrófica, condição especialmente grave nos desportistas que pode levar à morte. Considera-se ainda que a exportação deste Microchip pode enriquecer a economia nacional.


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Ano Internacional das Cooperativas

EM CONTÍNUO CRESCIMENTO OS VINHOS VERDES DA VILA MAIS ANTIGA DE PORTUGAL

Fundada em 1959, a Adega Cooperativa de Ponte de Lima (ACPL) conta, hoje em dia, com dois mil associados assumindo uma enorme relevância económica e social no concelho. Na ótica de Celeste Patrocínio, presidente da direção da ACPL, a relevância da instituição resulta não só dos mais de 2000 associados e dos seis milhões de litros de vinho produzidos em 2011, mas também da dinamização de outros sectores económicos complementares e associados à atividade vitivinícola. E numa época de crise é fundamental recordar os postos de trabalho gerados pela atividade da Adega. Focada no crescimento, a ACPL tem vindo a apostar na exportação dos seus vinhos verdes para países como E.U.A., Brasil, Canadá, França, Alemanha, Reino Unido, Suíça, Noruega e Polónia com confirmado sucesso. Também os sucessivos prémios atribuídos em concursos internacionais são importantes selos de qualidade dos vinhos verdes da Adega de Ponte de Lima. Além dos prémios, Celeste Patrocínio sublinha a avaliação dos consumidores ao escolherem os vinhos e espumantes da ACPL. “Só assim conseguimos estabilizar a situação económica e financeira da ACPL e contribuir para a motivação dos nossos associados na viticultura e no papel da cooperativa, bem como na atração de novos associados”, comenta. Mas qual é o segredo dos vinhos verdes e espumantes de Ponte de Lima? Uma harmoniosa aliança entre a vinificação de boas uvas das castas regionais, com especial expressão da casta Loureiro nos vinhos brancos e da casta Vinhão nos vinhos tintos, o trabalho desenvolvido pelo prestigiado enólogo, Engenheiro Fernando Moura, e a excelente equipa de produção coordenada por uma talentosa enóloga residente.

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O futuro em mente Celeste Patrocínio confessa que uma das preocupações constantes da atual direção é a sustentabilidade do sector vitivinícola no concelho. “Um aspeto que nos faz temer o futuro é a questão do preço médio de venda do vinho verde que tem vindo a registar uma quebra significativa que, a manter-se, dificultará o pagamento das uvas a preços compensadores, até porque os custos de produção têm aumentado, como é sabido. Este problema aliado ao envelhecimento dos atuais produtores da região não facilitará certamente a atração dos jovens para o desenvolvimento desta atividade”, reitera.

Contudo, a ACPL mantém um esforço sistemático para continuar a produzir vinhos de alta qualidade, empenhando-se com vista à sua colocação no mercado interno e também no mercado externo. Celeste Patrocínio considera interessante referir que no âmbito do programa VITIS – de reestruturação e reconversão das vinhas – a Adega de Ponte de Lima viu já aprovadas e pôs em execução cinco candidaturas que envolveram uma área e um número de associados muito significativos. Sublinha ainda que em 2011, foi atribuído à Adega o estatuto “PME Excelência” pelo IAPMEI, uma iniciativa conjunta com a banca que distingue as empresas em função do seu desempenho económico e financeiro e do seu perfil de risco.

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Qualidade no Ensino

ENSINAR PARA A VIDA Situado em Vale de Cambra, o Agrupamento de Escolas de Búzio acolhe maioritariamente alunos do concelho, mas também de outros concelhos como Arouca, Oliveira de Azeméis, Sever do Vouga e São João da Madeira. Esta multiplicidade na proveniência dos alunos deve-se, segundo Catarina Paiva, presidente do Agrupamento, à diversidade e especificidade dos cursos que disponibilizam que, salienta, “é variável de ano para ano para não esgotar o mercado de trabalho”. Todos os anos, o Agrupamento faz uma prospeção para perceber quais as necessidades vigentes e adequar a oferta formativa às carências profissionais do mercado a nível regional, mas também nacional: “Este ano, por exemplo, os cursos que temos respondem a 80 por cento das falhas que há no mercado de trabalho”, conta a diretora do Agrupamento. Dos cursos de que fala consta o de “Restauração: Restaurante-Bar” e “Metalomecânica”, cursos que, de resto, têm registado altas taxas de empregabilidade.

Estar sempre por perto Exigente no que toca a questões de Educação e cumprimento de regras, Catarina Paiva diz estar sempre atenta às dúvidas e necessidades que os jovens possam ter para assim poder acompanhá-los de perto e resolver eventuais conflitos que possam surgir: “Por vezes os pais não conseguem estar muito presentes na vida dos filhos. Aqui tentamos colmatar essa lacuna fazendo-os sentir que têm sempre alguém em quem podem confiar para os acompanhar”, declara a diretora. A par do acompanhamento permanente dos jovens, Catarina Paiva mostra-se preocupada com os pais que não sabem como ajudar os filhos nas suas escolhas e por isso mesmo, tem já estruturado um projeto de intervenção junto dos progenitores: “Neste momento temos em mente um projeto em colaboração com a EDP para que para o ano possamos implementar um processo de acompanhamento de pais que se sintam desorientados”. A ideia- completa a diretora - é “promover uma formação em contínuo que indique aos pais a postura a adotar perante as dúvidas e escolhas dos filhos”.

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Quando foi constituído, em 2007, o Agrupamento de Escolas de Búzio tinha 2800 alunos (na altura um dos maiores a nível nacional) o que acarretou um grande trabalho de organização e estruturação por parte de Catarina Paiva e de toda a sua equipa. As maiores dificuldades diz, “foram (e ainda são) as distâncias entre escolas e o elevado número de alunos. O ideal era que o agrupamento fosse todo no mesmo local e com um menor número de alunos”, conclui.


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Qualidade no Ensino

QUANDO HUMANIZAR O ENSINO FAZ A DIFERENÇA “LIDERAR ATRAVÉS DE UMA POLÍTICA DE PROXIMIDADE.” É assim que Manuel Pereira resume a filosofia do Agrupamento de Escolas de Cinfães, que preside.

Com cerca de 1500 alunos este agrupamento, identificado como Território Educativo de Intervenção Prioritária (TEIP) – medida de promoção do sucesso educativo, combate da indisciplina e do abandono escolar - está inserido numa comunidade com dificuldades acrescidas em termos económicos e sociais: “Na região há uma elevada taxa de desemprego, o que faz com que diariamente cheguem à escola alguns problemas aos quais temos de dar resposta”, revela Manuel Pereira.

O Agrupamento de Escolas de Cinfães assume assim a responsabilidade de receber todos os alunos, procurando dar sempre resposta às suas necessidades e simultaneamente contribuir para que tenham o máximo de sucesso possível, quer na formação académica, quer pessoal. “O nosso principal objetivo é, não obstante a crise e os problemas sociais e económicos das famílias, tentar que todos tenham as mesmas oportunidades de aprendizagem e sucesso”, continua o diretor.

Na motivação se aguça a mudança No trabalho de motivação dos alunos e da comunidade local, as escolas procuram diferentes estratégias que de alguma forma despertem interesse e provoquem mudanças. No caso deste agrupamento a estratégia também passa pela sensibilização para o Desporto Escolar (DE). “No último ano fizemos um forte investimento no basquetebol feminino. A nossa equipa competiu a nível nacional e foi campeã distrital de Viseu, nos juvenis”, conta Manuel Pereira.

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Para além do DE, o agrupamento procura também promover a participação dos seus jovens em vários projetos nas áreas ambiental, saúde e educação. O presidente salienta ainda o programa ‘Comenius’ como sendo um dos que mais envolve a comunidade escolar, uma vez que a coordenação de um destes projectos a nível europeu, que visa promover a cooperação e a mobilidade entre os sistemas de ensino e formação na União Europeia, cabe ao agrupamento de Cinfães. Só assim, declara Manuel Pereira, “com muito trabalho e estando permanentemente atentos ao que se passa no ambiente escolar, conseguimos dar resposta às necessidades dos alunos e, através destes, às comunidades. O nosso objetivo será sempre o de, pelo menos, tentar promover o desenvolvimento e fazer da escola um lugar apetecível”.


Formação de Adultos Foi precisamente este papel, de agentes de intervenção no desenvolvimento social da comunidade que, há cerca de oito anos levou o agrupamento a investir na formação de adultos: “Tínhamos aqui uma comunidade com baixa taxa de escolaridade. A formação de adultos foi uma porta de saída para que a população visse certificadas as competências que foram adquiridas ao longo da vida, ou então dar-lhes oportunidade de formação”, constata o presidente. E continua: “Chegamos a ter cerca de vinte turmas de educação e formação de adultos nas localidades. Fomos inclusive apontados pela Direção Regional de educação como um bom exemplo a seguir porque fomos à procura e ao encontro dos adultos às localidades”. Manuel Pereira evidencia ainda que, ao formarem adultos, estão a investir na formação dos pais dos alunos do agrupamento, “o que por si só já é um exemplo de perseverança para estes jovens que nem sempre valorizam a educação”, conclui.

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Qualidade no Ensino

O TURISMO COMO PROMOTOR DO DESENVOLVIMENTO DAS REGIÕES Regina Pinto - Diretora da EPC - em entrevista Como surgiu a Escola Profissional de Cinfães? A Escola Profissional de Cinfães é um estabelecimento de ensino vocacionado para a formação no âmbito da Hotelaria, Restauração e Turismo. Resultou de uma preocupação da autarquia e concretizou-se com a celebração de um contrato entre a Câmara Municipal de Cinfães e o então Gabinete de Educação Tecnológica, Artística e Profissional (GETAP). Atualmente possui como entidade proprietária a Quinta de Tuberais, Ensino Profissional de Cinfães, E.M., cujo objeto é o desenvolvimento do ensino profissional e, acessoriamente, prestar serviços de restauração.

Como tem sido o desenvolvimento da escola ao longo de mais de 20 anos de atividades? A EPC tem vindo a “crescer”. Alicerçamos o nosso projeto numa missão de formar técnicos qualificados necessários ao desenvolvimento local e regional por forma a garantir a formação na área da restauração. O nosso grande projeto é levar os alunos a aprender. Para tal, garantimos uma proximidade muito forte entre todos os elementos da comunidade educativa. Respeitamos as normas de aprendizagem de todos e de qualquer aluno. Praticamos sistematicamente a diferenciação pedagógica como forma inequívoca do respeito pelas diversas formas de aprender. Uma equipa de professores/formadores entusiasta e profissional garante ambientes de aprendizagem estimulantes e de qualidade, solidários mas exigentes, norteados por querer saber mais e mais. Os alunos progridem de acordo com os seus ritmos, havendo flexibilização, humanização, contextualização e adequação de procedimentos. A prática de avaliação modular concretiza esta forma de progredir, qual peça de mobiliário que, aos poucos vamos adquirindo…

Ao nível de formação oferecem cursos de Educação e Formação de Adultos, Cursos Profissionais e Formações Modulares. Quais os cursos que oferecem em cada um destes níveis de ensino? Neste momento, nomeadamente para o próximo ano letivo, temos como oferta formativa, para quem termina o 9ºano ou CEF, o Curso de Técnico de Restauração – (variante Restaurante / Bar e Cozinha / Pastelaria ). Possuímos mais três turmas, em diferentes anos do mesmo curso.

Sendo esta escola vocacionada para a área da hotelaria e turismo, são estes os cursos com maiores perspectivas de empregabilidade? Sim. Entendo que o sucesso dos locais, das regiões, dos países assenta na qualificação dos seus recursos humanos. Assim, se os diplomados se capacitarem para um desempenho profissional de qualidade, as perspectivas de empregabilidade serão maiores. Acredito que é neste sector que o mercado de trabalho abre ( ainda ) algumas portas… 42

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Qual a média de empregabilidade dos alunos da escola Profissional de Cinfães? A Escola Profissional de Cinfães tem uma taxa de conclusão muito elevada, muito próximo dos 100%, a taxa de empregabilidade ronda as 87%, esta de acordo com os dados que possuímos no acompanhamento pós-formação.

Ao nível dos estágios, de que forma são feitas as parcerias com empresas e instituições de que forma os estágios podem ser uma porta aberta para o aluno entrar no mercado de trabalho? O sucesso do ensino profissional está intimamente associado à qualidade de Formação em Contexto de Trabalho. As parcerias com unidades de restauração são elaboradas através de convites que a escola implementa. Temos sempre a preocupação em garantir ambientes diferenciados que vão desde a unidade local simples a outra mais sofisticada, de um pequeno restaurante a uma cadeia de maiores dimensões. Acreditamos que a diversificação de experiências de aprendizagem é determinante para aumentar os saberes e as capacidades de inovação, de compromisso, de pertença, de autonomia. A experiência diz-nos que uma boa Formação em Contexto de Trabalho é, na maioria dos casos, um caminho seguro para o mundo do trabalho. Solicitamos a todos quantos connosco colaboram que facultem ambientes de responsabilidade, trabalho e dedicação para bem dos nossos jovens.


O que é que a Escola tem para oferecer ao nível das infraestruturas? A escola possui as infraestruturas compatíveis com a formação que ministra. Possuímos uma cozinha bem equipada, um restaurante acolhedor e salas de aulas pequenas, mas envolventes. Para além disso estamos rodeados de uma paisagem magnífica, com o Douro como companhia inspiradora!

No contexto de instabilidade económica em que nos encontramos, de que forma o turismo pode ajudar a reabilitar o país? Vejo o turismo como excelente promotor do desenvolvimento das regiões. Concretamente para os nossos contextos, necessitamos do efeito multiplicador que o turismo possuiu, pois associadas ao turismo temos um conjunto de atividades a montante e a jusante, que poderão e deverão criar riqueza, fixar as populações, valorizar as autenticidades deste espaço rural, associar-lhe os sabores próprios e os saberes genuínos.

Que lacunas considera necessárias colmatar neste sector e de que forma a formação que a Escola oferece pode contribuir para isso mesmo? Como vejo que a riqueza das regiões está nas pessoas, na sua atitude, na sua capacidade de trabalho, na excelência, no rigor, no respeito pelos outros, tentamos que a formação na Escola Profissional de Cinfães contribua para ultrapassar as dificuldades existentes. Modéstia à parte, creio que estamos no bom caminho!!

Já há projetos definidos pela Escola para o próximo ano letivo? Para o próximo ano letivo desejamos continuar a garantir a qualidade da nossa formação com o início, a continuação e conclusão do percurso formativo dos nossos alunos. Queremos continuar a cuidar deles. Daremos ênfase especial à comemoração dos 20 anos da nossa escola, que esperamos ver associada a 20 ações que passarão por atividades que dignifiquem o nosso trabalho, as nossas gentes e a nossa região. Continuaremos com as parcerias de cooperação que possuímos pois entendemos que todos necessitamos de todos. Julho 2012

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Qualidade no Ensino

DESDE 1991 A FORMAR PROFISSIONAIS A Escola Profissional de Valongo (EPV) foi criada em 1991 com o objectivo de preencher uma lacuna detectada na rede da oferta formativa do concelho. A sua criação nasceu, pois, da necessidade de satisfazer um território local/regional onde a formação profissional e, principalmente, a problemática da preparação de jovens para o mundo trabalho não existiam.

Desta forma, tentou-se combater o insucesso, o abandono e o desinteresse escolar patentes, abrindo caminhos de mudança e de aperfeiçoamento dirigidos ao modelo de um Escola Profissional. Por outro lado, pretendia-se, também, a promoção e integração social dos jovens, adequando a articulação do sistema educativo com a realidade exterior do mundo do trabalho. A escola tem desenvolvido as suas atividades direcionadas a públicos alvos distintos, com níveis etários e académicos diferentes: cursos profissionais (CP), para jovens com idade entre os 15 e 20 anos e com habilitações escolares mínimas do 9º ano, que após três anos de formação, obtinham dupla certificação – 12º ano de escolaridade e nível IV da CE; cursos de educação formação para adultos (EFA), para ativos empregados e desempregados em horário laboral e pós-laboral, qua após percursos diferenciados obtinham, também, a dupla certificação – 9º ou 12º ano e nível II ou IV da CE, respectivamente; cursos de especialização tecnológica (CET), para jovens com o 12º ano e certificação profissional, que após ano e meio de formação, obtinham certificação profissional de nível V da CE; cursos de educação formação para jovens (CEF), para jovens com idade superior a 15 anos e com historial de insucesso escolar, que após percursos escolares de 1 ou 2 anos, obtinham dupla certificação ao nível do 9º ano e nível II da CE; unidades de formação de curta duração (UFCD), que têm por destinatários adultos com idade igual ou superior a 18 anos, sem a qualificação adequada para efeitos ou progressão no mercado de trabalho e, prioritariamente, sem a conclusão do ensino básico ou secundário.

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A escola já diplomou mais de 1.000 profissionais em diversas áreas de formação/cursos, tais como: Informática, Gestão, Banca e Seguros, Serviços Jurídicos, Projetistas de Mobiliário, Electrónica de Comando, Comércio, Artes Gráficas, Comunicação – Marketing, Relações Públicas e Publicidade, Ambiente, Turismo, Cabeleireiro, Serviços de Bar, Apoio Domiciliário, Ajudantes de Lar, Apoio Familiar e á Comunidade, Amas, Agentes de Ação Educativa, Geriatria, Logística, Segurança e Higiene no Trabalho, Cuidados de Saúde/1os Socorros, Desporto e regista uma taxa de empregabilidade na ordem dos 70 por cento. A escola celebra protocolos e parcerias com empresas e instituições públicas para a realização da formação em contexto de trabalho (FCT). Esta relação tem sido produtiva, uma vez que muitos dos formandos ficam a trabalhar na empresa onde estagiam. O sucesso da escola também se deve às excelentes instalações onde está sediada, apetrechada com o equipamento necessário às disciplinas dos cursos, nomeadamente da vertente tecnológica e ainda ao corpo docente, uma vez que, na sua maioria, os formadores têm, para além das habilitações académicas, experiência profissional na área tecnológica que leccionam.

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Qualidade no Ensino

UMA ESCOLA DE SUCESSO Mais um ano letivo chega ao fim, o equivalente a férias para os alunos. Mas para a Escola Secundária D. Sancho I significa a preparação de um novo ciclo, de mais um ano letivo.

Para António Pinto, diretor da D. Sancho I, é fácil encontrar as palavras para descrever a escola, que foi recentemente intervencionada pela Parque Escolar. “Além de ser uma escola renovada, com uma imagem bastante apelativa e fantásticos espaços de ensino e aprendizagem, a D. Sancho I tem uma excelente reputação em receber muito bem os novos alunos”, sublinha. A par do bom ambiente, a escola caracteriza-se pela qualidade de ensino, resultado de um quadro docente estabilizado e competente. “Aliás, a D. Sancho I é a escola pública do concelho com melhores resultados no ranking dos

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exames nacionais, uma garantia de sucesso e melhores condições para o acesso ao ensino superior”, refere António Pinto. A fim de oferecer as melhores condições académicas aos seus alunos, a Escola D. Sancho I disponibiliza uma oferta formativa diversificada. “Temos os cursos científico-humanísticos, nas suas três vertentes: ciências e tecnologias, ciências socioeconómicas e línguas e humanidades. Além naturalmente dos cursos profissionais que vão desde os de eletrotecnia, secretariado, contabilidade e análise laboratorial, aos de técnico de eletrónica, automação e computadores e técnico de manutenção industrial-eletromecânica sendo este um curso com elevada taxa de empregabilidade”, enumera o nosso interlocutor. De igual modo, a D. Sancho I é uma das escolas do concelho com larga tradição no ensino noturno e, hoje em dia, é considerada e reconhecida como “uma escola de referência no ensino recorrente”. Toda a oferta formativa é pensada atendendo às especificidades do atual mercado de trabalho. Aliás, a seleção é determinada por um trabalho em rede orientado pela Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, sendo os cursos escolhidos em função das necessidades de mercado local e, naturalmente, atendendo às condições

existentes nas escolas. E a pensar no sucesso profissional dos seus alunos, a D. Sancho I desenvolveu um projeto de estágios internacionais colocado em prática no ano transato. “Cerca de 18 alunos realizaram estágio em Barcelona e, no próximo ano, haverá um novo grupo de alunos a estagiar em Madrid. Para a escola é uma maisvalia, mas para os nossos alunos representa uma oportunidade de alargar horizontes e contactar com outros métodos de trabalho e outras culturas que certamente, constituem uma mais-valia para o seu futuro profissional”, avança António Pinto.


Integrada na comunidade Mais que uma escola, a D. Sancho I é um elemento integrante da comunidade envolvente. “Estamos integrados na Rede Local de Educação e Formação e no «Famalicão Empreende», uma rede local das entidades de promoção e de apoio ao empreendedorismo. Estamos ainda a desenvolver o projeto «Empresa na Escola» em parceria com a Arga Tintas, que conta também com a participação e orientação da Câmara Municipal. Pretendemos estabelecer uma relação de proximidade entre o mundo empresarial e a escola, para que os alunos possam ter uma diferente perspetiva do mundo de trabalho”, comenta. A par dos projetos abertos à comunidade, a D. Sancho I possui um extenso plano de atividades internas de ocupação de tempos livres, como desporto escolar e educação para a saúde. Promove ainda a participação dos alunos em projetos como os Laboratórios Abertos

promovidos pelos nossos alunos e dirigidos a alunos do 1º ciclo, o Plano Nacional de Leitura, no projeto “Interrogar a Ciência” e num outro orientado pela Fundação Ilídio Pinho, intitulado “Ciência que gira”, como em muitas outras atividades e projetos. “Esta é uma escola viva, movimentada e aberta à comunidade e procura dar resposta às necessidades da mesma”, refere o nosso interlocutor.

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Qualidade de Vida

APOIO NA 3ª IDADE Situado na freguesia de Penamacor, distrito de Castelo Branco, o Lar Residencial Dª Bárbara Tavares da Silva é uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS), sem fins lucrativos, que presta apoio à terceira idade da região. Como “não era viável manter uma cozinha em cada centro de dia, criámos uma cozinha única na Quinta de Nossa Senhora do Incenso, onde refeições são confecionadas e depois levadas devidamente acondicionadas e fornecidas às pessoas”, conta o administrador.

Estar sempre por perto

Quando foi fundada, em 1981, a instituição era um asilo que prestava auxilio aos idosos mais carenciados, apenas com a valência de internamento. Com o aumento do número de pessoas a necessitar deste apoio a instituição passou a disponibilizar também centros de dia e apoio domiciliário com serviço de limpeza das habitações, higiene pessoal e lavagem de roupa. “A instituição está vocacionada para pessoas que efetivamente necessitam de todos estes serviços. Há um carater social que está enraizado”, declara Nuno Lucas, administrador da instituição. Atualmente com cinco centros de dia, o Lar Residencial Dª Bárbara Tavares da Silva viu-se obrigado a reestruturar os seus serviços nestes centros devido à quebra de utentes.

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Acompanhar todos os seus utentes nas suas mais diversas necessidades. Esta foi desde o início a filosofia do Lar. Para tal, além da visita frequente da assistente social e da diretora técnica nos centros de dia, Nuno Lucas fala numa intervenção de maior proximidade com a introdução do conceito de recolha de informação através dos animadores culturais: “As pessoas têm mais facilidade em falar das suas necessidades e problemas nos momentos lúdicos de maior descontração, e é aí que os nossos animadores recolhem a informação das necessidades que depois tentamos resolver”. Esta preocupação com o bem-estar de cada utente é também evidente no cuidado que o lar tem em adaptar as refeições às necessidades nutricionais, mas também ao gosto gastronómico de cada um. Nuno Lucas conta que “grande parte das pessoas tinha uma alimentação desequilibrada do ponto de vista nutricional” - Assim, a instituição socorreu-se da ajuda de nutricionistas para elaborarem ementas saudáveis, tendo sempre em atenção os gostos de cada utente - “Implementamos uma alimentação saudável de forma gradual. Melhoramos o nosso desempenho também na confeção e preparação para que consigamos satisfazer as exigências”, declara.


Novas instalações Com vista a prestar um serviço cada vez mais próximo e consonante com as necessidades dos seus utentes e em resposta ao número cada vez maior, de idosos da região, o Lar Residencial Dª Bárbara Tavares tem já em processo de conclusão as novas instalações na Quinta Nossa Senhora do Incenso. Nesta nova unidade, os idosos irão dispor de um espaço mais amplo de área verde, mas também de mais e melhores serviços de apoio médico, nomeadamente fisioterapia: “Os idosos da região, sejam ou não utentes da instituição, poderão ter acesso à fisioterapia sem terem de percorrer grandes distâncias para fora do concelho. Será uma maneira de rentabilizar o espaço e os recursos. Faremos acordos com outras instituições para utilização do espaço, como sejam clínicas com as mais variadas especialidades, mediante as áreas de saúde que as pessoas mais necessitem, conclui Nuno Lucas.

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Gestão Global #2  

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