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CONTEÚDO 06

LEITOR DIGITAL

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ESTANTES

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CONTRACAPA REDESCOBRINDO O BRASIL

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LETRAS FANTÁSTICAS

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LOUCOS POR QUOTES Evelyn Santana – Doce Amargo

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LETRAS IMORTAIS Clarice Lispector

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RESENHAS

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MANUSCRITOS

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CAPÍTULO BÔNUS

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THATI MACHADO

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JULIANA ALBUQUERQUE

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INSPIRAÇÃO LITERÁRIA

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ÚLTIMA PRATELEIRA

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THAÍS LOPES LIVROS DE CABECEIRA

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CAFÉ LITERÁRIO

Juliana Skwara: Contos de Arrepio

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Segundas Intenções Dezembro/2016

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Lançamento Assista a Esse Livro

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Comic Con Experience 2016

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ESTANTE NERD

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SALÃO COSPLAY

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LEITURA EM SÉRIE

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DÉBORA FALCÃO

Os Instrumentos Mortais

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CARTA DO EDITOR Edição Multicultural: E Viva 2017! O Brasil é um celeiro de culturas. Somos um país em tamanho continental; dentro de seu território caberia 15 Franças, e ainda sobraria espaço para Portugal e Holanda. Somos fruto de vários povos diferentes. Só de índios, tínhamos tantos povos indígenas que acabaram sendo dizimados, mas que deixaram grande legado na culinária, na música, na dança, no modo de vida. Isso só para falar de uma etnia. Fora africanos, portugueses, alemães, italianos, japoneses e muitos outros povos que vieram até o Brasil para tentar a vida nessa nova terra. Claro que todas as marcas desses povos estariam impressas em nossa cultura, formando uma grande mistura. E isso se reflete, obviamente, nas artes, e não seria diferente na Literatura. Nós produzimos grandes e diferentes tipos de leitura por aqui. Infelizmente, por sermos um país tão grande, acabamos deixando muitos escritores de lado, e descobrir o Brasil a cada leitura se torna quase que um exercício de desbravar os sete mares. A revista Geração Bookaholic tomou para si também esta missão: encontrar novos autores, novos escritores, novos livros, novas aventuras e novas histórias para que os brasileiros tenham cada vez mais opções. E não é tarefa tão difícil, pois há muitos escritores querendo também o ____

seu lugar ao sol. Na primeira edição de 2017, a Geração Bookaholic traz para você um compêndio de escritores nacionais, com informações, resenhas e entrevistas, como sempre, primando pela qualidade para nossos leitores. Na reportagem de capa, você encontra o projeto MARMOR, com o trabalho Alma Celta, que apesar de inicialmente ser uma banda nacional de rock, os músicos Marcelo Moreira (idealizador do projeto), Alexei Leão e Antonio Teoli quiseram ir além, trazendo um projeto multimídia, que inclui literatura, música, poesia, games, design gráfico, RPG, quadrinhos e muito mais. Uma das integrantes do projeto, Rowena Seneween, também vem com uma entrevista sobre seu livro Brumas do Tempo, dentro da mesma temática do Alma Celta. Mas temos outras temáticas, outras paragens, outros ventos, como a representatividade da comunidade LGBTT na literatura, das pessoas que não se encaixam num padrão de beleza mas que são lindas e podem, sim, protagonizar uma história maravilhosa. Portanto, aproveite esta edição multicultural, multigênero, multi-ideias, multiestilos, multi-tudo! E tenha uma ótima leitura! ■

GERAÇÃO BOOKAHOLIC Edição #5

Janeiro a Março/2017

EDITORA Débora Falcão... deboratriz@gmail.com

Ano 02

COLABORADORES Renata Frade, Fiamma Lira, Juliana Cury

DIRETORIA ADMINISTRATIVA Débora Falcão

LITERAVÍDEO Dois Irmãos e Projeto Assista a Esse Livro

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ANIMAIS FANTÁSTICOS

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LEITURA PUNCH! BOOKAHOLIKIDS

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HORA DA POESIA

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PERFIL

REDATOR-CHEFE (Redação) Débora Falcão... deboratriz@gmail.com

COLABORARAM NESTA EDIÇÃO Ana Paula Cury (blog Estante da Ana)

REDATORES Claudia Marini Leonardi, Renata Vasconcelos, Roberta Costa Suelane Passavante, Helena Souza

DIAGRAMAÇÃO E ARTE Débora Falcão... deboratriz@gmail.com

Débora Falcão

FOTOS/CAPA Projeto Marmor: Divulgação PUBLICIDADE Depto Comercial: comercialbookaholic@gmail.com GERAÇÃO BOOKAHOLIC é uma publicação independente de Débora Falcão, escritora e viciada em livros. Email: redacaobookaholic@gmail.com Blog: www.geracaobookaholic.blogspot.com ISSN Proibida a reprodução total ou parcial sem autorização expressa dos editores. Todos os artigos aqui publicados são de responsabilidade dos autores, não representando necessariamente a opinião da revista.

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Geração Bookaholic – Sua Revista Literária


E-GALÁXIA! ~ Diversidade cultural e liberdade criativa ~

LEITOR DIGITAL

Por Cláudia Marini Leonardi Nesta edição vamos falar sobre a editora E-Galáxia. Em seu site, na apresentação, os editores explicam que a EGaláxia é um espaço cultural especializado em e-books que aposta na diversidade cultural e na liberdade criativa. Aposta em cada autor, em todos os autores. Para eles, diversidade gera intensidade. O mundo da E-Galáxia é o mundo digital. É por meio de bytes, algoritmos e fibras ópticas que a produção de livros e o acesso são potencializados como nunca antes na história. A nova utopia cultural passa pelo digital e pela absoluta autonomia dos autores. E é irreversível. O que eu acho mais interessante na proposta desta conceituada editora é que ela é 100% digital, ou seja, eles trabalham somente com e-books.

E-Galáxia) na Bienal do Livro de São Paulo. Este evento aconteceu no Estande Edições Sesc São Paulo. A proposta foi mostrar que os hábitos de leitura estão mudando. Até onde eles podem chegar? O que os e-books podem oferecer como diferencial para a geração atual que já nasce com dispositivos eletrônicos nas mãos? E para as gerações anteriores, acostumadas ao papel? Camila Cabete (Kobo), Jézio Gutierre (Ed. Unesp) e Tiago Ferro (E-Galáxia) conversaram sobre possibilidades, inovações, modelos de negócio, experiências, experimentações e potencialidades para este novo universo de conhecimento compartilhado. Foi uma experiência muito interessante e enriquecedora, e mais uma vez mostrou o potencial que o mercado digital tem por aqui. Muitos leitores prestigiaram o evento e chamou a atenção o alto nível da discussão, graças a esse trio competente. Também faz parte do time da EGaláxia a escritora, professora e crítica literária Noemi Jaffe. Ela coordena um grupo particular de escritores há cerca de cinco anos. Pela E-Galáxia lançou o ebook “Comum de Dois”, composto por textos curtos escritos na forma de diálogos entre casais, que engenhosamente não revelam o gênero dos envolvidos. Misturando a todo tempo questões em registro erudito com preocupações banais do cotidiano, a autora entra de forma inesperada e com fina ironia em alguns debates centrais deste início de século: a rapidez das novas mídias; o valor do conhecimento em tempos de autoajuda; o papel da comunicação como geradora de consenso. Olha só que interessante e diferente, o livro contou com noite de autógrafos digitais na Livraria Cultura da Avenida Paulista e a notícia ga__

nhou a capa da Ilustrada. O livro também foi lançado na Casa Folha na FLIP e na Bienal do Livro de São Paulo de 2016. Noemi é também idealizadora e curadora de uma coleção de livros da EGaláxia: o Selo Jota. O selo pretende brincar com as possibilidades criativas de autores novos e não tão novos, oferecendo desafios formais, com os quais eles elaboram séries de narrativas curtas. Conhecida como formadora de autores e reveladora de jovens talentos literários, na E-Galáxia Noemi encontrou o espaço ideal para publicar e divulgar esse importante trabalho que realiza por meio de oficinas de escrita criativa. Além de Flavio Cafiero (“O Frio Aqui Fora” e “Dez Centímetros Acima do Chão”, ambos pela Cosac Naif), Estevão Azevedo (vencedor do Prêmio São Paulo com “Tempo de Espalhar Pedras”, Cosac Naif), Samir Mesquita (“Dois Palitos” e “18:30”) e Ana Estaregui (“Chá de Jasmim”, Editora Patuá), estão previstas as publicações de livros de Alice Sant’Anna, Laura Liuzzi e Natércia Pontes. Ano passado, nosso contato com a E-Galáxia ficou ainda mais próximo, pois desde o segundo semestre de 2016 meu blog, o MãeLiteratura, é parceiro da EGaláxia. Fiquei muito feliz e orgulhosa com esta escolha. Na próxima edição da Geração Bookaholic contarei para vocês em detalhes desta parceria e trarei os livros lidos através dela. Aguardem! Qualquer dúvida, sugestão ou comentário, me escreva, eu vou adorar! Cláudia Marini Leonardi é blogueira responsável pelo blog MãeLiteratura, apaixonada por livros e psicóloga, e responde através do e-mail claudia.maeliteratu ra@gmail.com. Você também pode enviar suas sugestões e dúvidas para o email redacaobookaholic@gmail.com colocando no campo assunto “LEITOR DIGITAL”. ■

Tenho acompanhado há um bom tempo este trabalho. Participei, em 2015, de um encontro literário para blogueiros com o escritor João Anzanello Carrascoza. Foi uma experiência maravilhosa. Carrascoza contou sobre o processo de criação, sobre a despedida da Cosac Naif e sobre seu trabalho. Concorremos a um e-reader da Kobo (que infelizmente não ganhei). A E-Galáxia usa a plataforma Kobo (representada pela Livraria Cultura aqui no Brasil) para comercializar seus e-books. Ano passado, no dia 26 de agosto, acompanhei a mesa redonda bate-papo: “Livro Digital, Etc e Tal”, com Camila Cabete (responsável pela Kobo no Brasil e que foi entrevistada para a seção Leitor Digital na edição #4), Jézio Gutierre (da Editora Unesp) e Tiago Ferro (editor da __ Esta seção vai trazer para você, em todas as edições da Geração Bookaholic, tudo sobre leitores digitais e livros digitais, e o que tiver de informações sobre o mundo digital para a leitura. Sugestões de matérias e reclamações, envie para redacaobookaholic@gmail.com

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Geração Bookaholic – Sua Revista Literária


MÁRCIO MUNIZ: AMOR, SOMENTE AMOR! Por Maria Lygia Ele recebeu o título de Embaixador Imortal da Academia Virtual de Letras, Arte e Cultura Embaixada da Poesia. Nem sempre escreve o que sente, adora o desafio do eu lírico feminino e grande parte de sua obra versa o amor. Este é Márcio Muniz, que nos concedeu entrevista exclusiva, e você confere agora!

ESTANTES

Você recebeu o título de Embaixador Imortal da Academia Virtual de Letras, Arte e Cultura Embaixada da Poesia. Como você se sentiu ao receber essa notícia? Conte-nos mais sobre esse título. Márcio Muniz: É sempre gratificante ser reconhecido por algo que você faz com amor. A poesia é a forma que eu tenho de me expressar, de dar ao mundo retrato de como o vejo. Fiquei muito feliz em receber este título por ajudar a disseminar e divulgar a poesia, pois no fim é disto que se trata, dar voz aos poetas e poesias, fazer a poesia ganhar o mundo e mostrar às pessoas que esta é uma expressão artística popular e não erudita. Em uma entrevista, você disse que nem sempre escreve o que sente, nem todo escrito é autobiográfico. Como o que você escreve te afeta? De onde vem a inspiração para escrever aquilo que não sente? Seria você um exímio observador? Márcio: Claro que a maior parte do que escrevemos é, sim, baseado em nós mesmos. Não que necessariamente tenhamos vivenciado aquilo, mas como enxergamos e somos afetados pelos fatos ou sentimentos, nossa percepção acerca do que vemos. Todavia, é possível, sim, ser mero observador dos fatos, captar a essência do acontecido, do dito e do que ficou apenas nas entrelinhas. Supor desfechos diferentes para um fato que experimentamos. Na verdade, escrever é um grande exercício de equilíbrio entre realidade e fantasia, entre a primeira e terceira pessoas quando escrevemos uma história. Qual o desafio em escrever textos com o eu lírico feminino? Além de instigar seus leitores, é uma forma de estimular a si mesmo? Márcio: Primeiro, é um grande desafio, um exercício de enxergar o mundo através de outro olhar, ter percepções distin__

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Geração Bookaholic – Sua Revista Literária

tas. Acho muito legal quando consigo passar esta sensação, a de que o leitor possa se colocar no lugar do personagem, sentir o que ele sente. Afinal, um mesmo fato visto pela ótica de um homem pode ser totalmente diferente quando observado pelo prisma feminino. Como eu disse no começo, é um grande desafio transitar entre gêneros e formas textuais distintos. De que modo encontra inspiração para seus escritos em eu lírico feminino? Você buscou alguma fonte a fim de entender a mente feminina? Ou vo__

Grande parte de sua obra versa o amor. Qual o intuito de abordar este tema? O que você espera mostrar aos seus leitores? Márcio: Para mim, o amor é a mola mestra do mundo. O amor nas suas mais diversas formas, amor de homem e de mulher, de pai para filho, amor ao próximo ou amor à profissão. Gosto muito de mostrar que o amor está sempre com um pé na realidade e outro na fantasia, que é possível de estar em toda a parte da vida real.

cê escreve aquilo que acredita ser os sentimentos alheios? Márcio: Primeiramente, lendo livros com autoras mulheres. Segundo, observando bastante as mulheres e suas reações, tentando desenvolver empatia e colocando-se no lugar do outro, que, ao meu ver, é algo que devíamos fazer o tempo todo em todos os sentidos. Por fim, tenho algumas amigas e leitoras beta com as quais tento conversar a respeito de certos temas e textos, antes e depois de têlos escrito. Desde adolescente minhas amigas de colégio vinham conversar e desabafar comigo. Acho que sempre fui um bom ouvinte e pude, assim, captar em parte a alma feminina.

Sobre o romance “Amor, Somente Amor”, embora tenha este título, não fala apenas disso. O que você pode nos falar sobre o pano de fundo deste livro? Márcio: “Amor, Somente Amor” é uma tentativa de ir além, de mostrar como o amor pode influenciar na relação familiar por exemplo. De como o amor pode encarar a barra do preconceito social, racial e até das drogas. O amor move, inspira e faz superar. Basta acreditar e dar uma chance a ele. No livro o amor é apenas um pano de fundo para histórias reais e uma grande motivação para os personagens seguirem suas vidas apesar das dificuldades e obstáculos.

Em 2015 você foi entrevistado pelo programa de TV Cotidiano. Como foi essa experiência? Qual foi a sensação ao saber que a sua obra estava sendo reconhecida? Márcio: A sensação é boa demais, é um sonho que a gente sonha e pouco a pouco vê desabrochar. Um passo por vez, pé ante pé para não tropeçar nas próprias pernas. Apesar de ser um canal pequeno e um programa novo, fiquei muito nervoso, mas foi uma super experiência.

A ideia do livro ocorreu quando viu uma cena dentro de um ônibus no Rio de Janeiro. De que forma você colocou isso no papel? Márcio: A cena que inspirou o livro inteiro acabou de certa forma virando um dos principais momentos do livro. Foi o momento em que os personagens se veem e se percebem pela primeira vez. Para quem não sabe, a cena que me levou a escrever o livro foi ver um carro de luxo parado em um semáforo diante de um menino negro e pobre que fazia malabares para tentar descolar uns trocados. Ver as duas realidades tão distintas diante uma da outra me fez pensar e me inspirou. Desta cena saiu o encontro de Breno e Sabrina no livro.

Você já havia participado de antologias com poesias e contos. Como você esperava que seus leitores recebessem seu romance “Amor, Somente Amor”? Foi da maneira que você imaginou? Márcio: Como disse anteriormente, gosto desta coisa de me desafiar e sair da zona de conforto. Transitar por gêneros literários e formas textuais distintas. Acho que os leitores receberam bem, ainda que não estivessem tão acostumados a me ver escrever um romance. Aos poucos acho que vou plantando esta semente no coração dos meus leitores, pois até hoje acho que sou mais reconhecido por escrever poesias e contos.

Deixe uma mensagem aos leitores! Márcio: Agradeço a oportunidade e peço que os leitores da revista continuem apoiando a literatura e os autores nacionais. Que ajudem a divulgar, pois temos muitas boas histórias para contar, cada uma ao seu estilo. Para conhecer mais ou acompanhar meu trabalho, convidoos a visitar meu site: http://augustomar cio.wixsite.com/marciomuniz e minha fanpage FB/marcioanmuniz. ■


AGATHA DE ASSIS: RENOVAÇÃO DE PROJETOS E O PROJETO #ESCREVENDOPARARENASCER Por Roberta Costa Agatha de Assis, uma autora jovem que já abarca um grande número de leitores e fãs em todo o Brasil. Quando criança, a literatura já estava em seu sangue, como numa predestinação. Ainda sem saber ler ou escrever, pegava canetas dos pais e tios e fazia rabiscos, imitando uma caligrafia organizada. Brincava de escritório, e sempre falava que queria ser escritora. Quando aprendeu a ler, ficava imaginando como eles (os escritores) podiam ter essa capacidade mágica de passar para o papel tudo o que imaginavam. Então, aos 9 anos, Agatha resolveu criar seu próprio livro, desenhando a capa de caneta, colando folhas que a mãe lhe dava e escrevendo todos os dias suas próprias historinhas. “Era um caderno horrível, mas na época era meu bem mais precioso”, afirma a escritora. Começou então a escrever sobre suas emoções em um diário e nunca mais parou de escrever. Saiba sobre os seus livros e também conheça o projeto #EscrevendoParaRenascer. Ficou curioso sobre essa autora? Então leia esta entrevista e saiba mais sobre Agatha de Assis, que se você não conhece, vale à pena conhecer! Como a literatura entrou em sua vida? Agatha de Assis: A literatura, com constância na infância, só se aprofundou mesmo quando tive o privilégio de estudar com a magnífica professora Sônia Silva. Ela me ensinou a enxergar o mundo de outra forma, e mostrou a mim que eu tinha o poder de fazer deste mundo um lugar melhor. Eu sou de família humilde, estudei minha vida toda em escolas públicas e sempre tive essa sede de lutar, de crescer, de fazer a diferença na vida das pessoas, como muitas fizeram na minha. Como surgiu a ideia de “Melancolia - Crônicas entre o Bem e o Mal”? As crônicas foram escritas como cartas, sendo a maioria em primeira pessoa; você escreveu ao longo dos anos ou exclusivamente para a obra? Agatha: Na realidade, eu resolvi escrevê-las num blog (como um desabafo de coisas que vivi no passado, que vi pessoas próximas vivendo, etc.), e como trabalhava como revisora de textos para a antiga Editora Deuses, o editor achou bacana os pensamentos e me convidou a reuni-los em um livro. Essas crônicas foram escritas em pouquíssimo tempo, tanto que estou preparando a segunda edição de “Melancolia” de forma mais caprichada. Não sei se terá no formato físico, por enquanto, mas pretendo relançá-lo no começo deste ano em e-book. “Desolada” é um livro bem intenso, por tratar de questões intrínsecas ao ser humano. O que você poderia nos falar sobre esta obra? Agatha: Sim, acredito que se eu tivesse escrito este livro hoje, ele seria ainda mais profundo nestas mensagens. Minha proposta inicial era escrever um livro comum, simples... Mas achei que superficialidade em temas __

sobrenaturais não cai muito bem, uma vez que você pode usá-los para trazer o ser humano a uma refle-xão. “Desolada” é um livro narrado para todas as idades; muitos pensam que são só para adolescentes pelo fa-to de a protagonista e a maioria dos personagens serem adolescentes, mas não é verdade. Eu trato o livro do ponto de vista de um adolescente, porém trago nas entrelinhas reflexões que são servidas para todos os tipos de idade. Como o volume 2 de “Desolada” – “Redimida”, já trata de uma ___

mulher jovem, casada, avó da protagonista do livro 1, narrada em sua juventude pós-guerra. Todos os meus livros, não só “Desolada”, têm um objetivo em comum. Todos são criados para trazer conhecimento, fazer a pessoa pensar nas consequências de seus atos e, a partir daí, mostrar a elas o quanto podem crescer como ser humano. Como foi para você participar de “Catarse - A Apoteose dos Contos”? Agatha: Foi uma experiência única. Aprendi muito, e graças ao meu conto percebi que tinha capacidade de escrever um romance, o que me estimulou bastante. Participar desta seleção e passar foi uma mensagem para mim mesma de que eu podia, se quisesse e lutasse, alcançar de fato o que almejo; não importa se terão pedras no caminho, dificuldades para tentar retardar meu sucesso. Eu aprendi que quanto maior é o obstáculo, maior a garra para vencê-lo, e maior também a vitória (dentro do con-texto daquilo que você, e não os outros, acredita ser sucesso). Você mostra uma grande preocupação pelo melhoramento do ser humano, principalmente em relação às questões espirituais e sociais. Como surgiu o projeto “Escrevendo para Renascer”? Você poderia apresentá-lo e contar como participar? Agatha: Nossa! É uma grande surpresa ler a respeito disso! Estou muito feliz! Sim, eu sou um tipo de pessoa que gosta de dividir o que aprendo e nos dias atuais observamos o ser humano muito mais alienado a coisas que não acrescentam nada. Você pode perceber que isso é um grande problema não só espiritual / pessoal, como também social e que ___

afeta todos nós. Não podemos pensar com individualidade, mas sim no “sistema”; uma pessoa corrompida corrompe outra e assim sucessivamente; fazendo com que nosso mundo fique do jeito que está. Nas minhas escritas, principalmente em meu blog, eu debato este assunto de forma bem penetrante, tento ser o mais clara e direta possível. Porque sei que posso, assim como qualquer ser humano, influenciar as pessoas. E se tenho esse poder nas mãos, por que não usá-lo a favor da veracidade _

da vida, do propósito dela? Por conviver com pessoas necessitadas, eu acumulei um certo tipo de experiência e pude observar que o mundo é completamente cego e vazio, e por possuir este vazio, correm atrás de coisas supérfluas e se tornam egoístas. Quando você vive na pele de quem necessita, seu ponto de vista muda, você percebe que seu coração vazio não passa de uma ilusão criada por você mesmo, por não possuir a visão que precisa para poder se libertar das amarras que o mundo, para nos dominar, nos coloca. O projeto #EscrevendoParaRenascer inicialmente era uma corrente de coisas boas, escritas por quem quisesse a favor da vida, do amor, da paz, da plenitude, de Deus etc. Mas, com o que vivi em 2016, pretendo fazer dele algo muito maior. Já comecei a fazer projetos sociais, principalmente na área de educação dentro deste projeto, e todos os meus livros terão a logomarca dele, porque o intuito é “viralizar” a escrita edificante, a escrita que acolhe, a escrita que leva esperança, amor, humildade, que arrebata pessoas, que as trazem de volta de uma depressão, de um problema de síndrome do pânico, de qualquer situação, e diga a ela que ela pode, sim, vencer a vida, assim como eu venci e hoje me considero um milagre. E para isso, eu não preciso ser rica, eu só preciso ser plena. Se alguém quiser fazer parte deste projeto, podem aderir ao selo “Escrevendo Para Renascer” em seus livros. Compartilhar coisas boas com a hashtag e vir junto que ainda tem muita coisa para ser criada, como, por exemplo, dar aulas voluntárias a crianças carentes em seu bairro. Quais suas inspirações literárias? Os personagens de suas histórias __

apresentam traços seus? Agatha: Eu por muito tempo li livros contemporâneos sobrenaturais e inicialmente deixei isso me inspirar. Mas, conforme o tempo passou e eu amadureci, já não vejo hoje muito interesse em obras contemporâneas de ficção, embora eu seja autora neste patamar. Eu sempre percebi que para mim, eu conseguia extrair mais de obras clássicas ou baseadas em histórias reais. Isso começou através de pesquisas na Universidade, e me fez ser apaixonada por isso. Desde então, nunca mais parei de pesquisar, e quanto mais o assunto é complexo, mais me sinto atraída. Talvez o que eu realmente esteja fazendo nisso tudo é resgatar em minha obra um pouco da visão que se perdeu do passado. Quando as coisas eram mais simples e o sentido da vida era mais valorizado. Quanto aos personagens carregarem meus traços, acredito que só um pouco. Eles têm personalidades diferentes entre si pelo fato de eu ser muito empática e escrever algo sempre me colocando no lugar de outro. Por isso, criar personalidades para mim não é tão difícil. E sobre novos projetos literários? Pode nos adiantar alguma novidade? Agatha: Sim! Claro que sim! Afinal, estou muito entusiasmada em poder voltar a abraçar o público com novas histórias. Tenho como objetivos maiores relançar meus livros com nova edição e com certas modificações (essas modificações seriam só para acompanhar meu desenvolvimento e selo literário), sem abrir mão da essência de cada livro. Estou terminando “Redimida” (livro 2 da série “Desolada”) e pretendo também lançar em breve. O desfecho desta história está ficando muito bom e não vejo a hora de ver meus leitores devorando-o! Outros projetos que estão na lista são os que já comentei anteriormente, tendo a ver com meus projetos de ações sociais. Bom, Agatha, gostaríamos de agradecer sua participação! Agatha: Eu que agradeço pela linda oportunidade! Quanto aos que querem ser escritores, primeiramente digo não só como escritora, mas como profissional em outras áreas da escrita, que vocês precisam saber primeiro se têm talento para isso. Se tiverem, não escrevam jamais pensando em dinheiro, em ficar rico. Tenham os pés no chão e saibam que a mensagem que você leva para o mundo é muito mais importante que qualquer riqueza desta terra. Sejam sábios e saibam esperar sem deixar de correr atrás. Tudo a seu tempo, e tudo colabora para quem faz de coração. Tenho certeza de que no tempo certo encontrarás reconhecimento. Aprendam a receber críticas construtivas e eliminar as destrutivas. Se tem um dom, você pode. Deus jamais te daria algo do qual você não conseguisse vencer. Mas lembre-se: Deus só age no impossível. Enquanto for possível para você, nada cairá do céu. ■

www.geracaobookaholic.blogspot.com

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ESTANTES

JACK MICHEL: A ESCRITORA 2 EM 1 Por Suelane Passavante

CINCO MELHORES LIVROS SEGUNDO Marcella Rossetti – Filhos da Lua Senhor dos Aneis – Tolkien Harry Potter – J.K. Rowling A Incendiária – Stephen King Corte de Névoa e Fúria –

Sarah J. Maas

Vale dos Mortos – Rodrigo

de Oliveira

CINCO MELHORES LIVROS SEGUNDO Pâm Possani – Blog Interrupted Dreamer Guerra dos Tronos – George. R.

R. Martin

Calafrio – Maggie Stiefvater

Se Eu Ficar – Gayle Forman Escuridão – Elena P. Melodia

A Menina que Roubava LIvros – Markus Zusak

Talvez você não tenha compreendido o subtítulo dessa entrevista. Mas compreenderá no momento em que souber que Jack Michel é, na verdade, o pseudônimo para duas irmãs que, juntas, formam o primeiro grupo literário na história da literatura mundial composto por duas escritoras: Jaqueline e Micheline Ramos. As irmãs nasceram na cidade de Belém-PA (Brasil). Os temas de suas obras são variados, e possuem livros escritos nos gêneros ficção, poesia, romance, fábula e conto de fadas. Jack Michel Ramos publicou seu primeiro livro, “Arco-Jesus-Íris” em 2015 pela Chiado Editora. Em 2016 lançou pela Drago Editorial as obras “LSD Lua”, “1 Anjo MacDermot”, “Sorvete de Pizza Mentolado x Torpedo Tomate” e “Ovo”. É associada (e colocamos no singular, por ser uma dupla que se apresenta como uma única autora) à A.C.I.M.A. (Associazione Culturale Internazionale Mandala) e à LITERARTE (Associação Internacional de Escritores e Artistas). Seus poemas constam em duas antologias bilíngues: “Amor & Amore”, pela A.C.I.M.A., e “Os Melhores Poemas de 2016”, pela ZL Editora. Também foi destaque de diversas revistas online de literatura, artes e cultura, como: Varal do Brasil, Revista Literária, Ami, Divulga Escritor, Conexão Literatura. Participou do XXIX Salão Internacional do Livro de Turim 2016, I Salão do Livro de Lisboa 2016 e I Salão do Livro de Berlim 2016. Este ano, tomará parte nos eventos XVIII Bienal do Livro do Rio, XXX Salão Internacional do Livro de Berlim, Salão Internacional do Livro de Milão, Feiras Literárias de Modena, Mântua, Bolonha e Roma. Então, está pensando que é pouca coisa? E ainda assim, Jack Michel Ramos ainda arranjou tempo para dedicar a uma entrevista exclusiva com a Geração Bookaholic, que você confere agora! Vocês sempre quiseram ser escritoras? Tiveram alguma influência? JackMichel Ramos: Saudações, Geração Bookaholic! Jack Michel nunca dirigiu seu it para outro ideal que não fosse a escrita. A autora é o produto da _

CINCO MELHORES LIVROS SEGUNDO Victoria Almeida – Blog Victoria Almeida A Menina Que Roubava Livros – Markus Zusak A Culpa é das Estrelas –

John Green

Trilogia Jogos Vorazes –

Suzanne Collins Os Sete – Andre Vianco

O Teorema de Katherine –

John Green

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Geração Bookaholic – Sua Revista Literária

junção de dois estilos diferentes: um crítico-analítico, e outro hilário e utopista. Mas, veja bem... Jack e Michel não escrevem junto! A concepção de uma obra é planejada pelo know-how criativo de ambas; já o critério utilizado para a elaboração da narrativa se dá unindo as cotas de texto a posteriori. Trocando em miúdos: às vezes, Jack escreve a maior parte de um livro e separa terchos para Michel preencher... Outras, esta cria o título e aquela a compõe... Sendo que, ao final do trabalho, não se _

detecta os enxertos realizados, que de tão coesos, são o primor linguístico e a estilística da expressão. Algo perfeito como a sinergia entre o queijo e a goiabada. Influências? Para ilustrar a questão, cito Alessandro Pavolini, autor de “Scomparsa D’Angela”. Como surgiu a ideia de se tornarem um grupo literário? JackMichel: O primeiro grupo literário da história da literatura mundial surgiu por acaso, da necessidade de juntar textos. Tudo começou assim: quando Michel começou a rascunhar seus primeiros manuscritos, com cerca de 12 anos de idade, mais ou menos (fase da adolescência em que lia amiúde vates do século XIX com a mesma velocidade que se come pipocas, bebe refrigerante e masca chicletes), Jack, sua irmã e parceira literária, já pegava na pena estando, portanto, na pole position. Anos mais tarde, haja vista ambas terem acumulado muito material escrito, decidiram unir os calhamaços. Daí tiveram o timing para mover este meio tão estático da literatura convencional, composto somente por autores individuais: dar vida a uma terceira pessoa, JackMichel, cujo slogan é “A escritora 2 em 1”. De todos os livros que já escreveram, qual mais gostaram? Por quê? JackMichel: Não é fácil preferir um livro a outro, pois muitos são os volumes de poemas maravilhosos, os romances delicados, os contos fortes que a autora escreveu e lhe imprimiram marcas profundas na alma. Não há absolutamente nenhum com destaque especial; cada um traz em si a essência do tempo em __

que foi concebido e para quem possui senso artístico apurado, isso pode significar muito em muitíssimos aspectos da existência. Com razão, Jack Kerouac disse que “Toda vida é um país estrangeiro”. Já estão pensando numa nova obra literária? Se sim, podem nos contar um pouco? JackMichel: A “Escritora 2 em 1” declara aqui, sem falsa modéstia, que detém imenso material literário, id est, _

livros dos mais diversos gêneros de ficção, poesia, romance, fábula e conto de fadas. Destarte, tendo mantido tal produção de escritos arquivada por anos, agora só precisa ir ao baú de suas criações e lançar mão delas: uma espécie de pirata na Ilha do Tesouro. Ainda este ano publicará pela Drago Editorial a obra “Ovo”, um drama que monta cautelosamente o quebra-cabeça dos traumas psicológicos do ser humano dentro do cosmo freudiano. Confira agora alguns releases dos livros de JackMichel Ramos e também os links de seus vídeos no youtube, e conheça mais os trabalhos da autora 2 em 1! “Arco-Jesus-Íris” (Chiado Editora, 2015): Na colorida época do Flower Power, Satanás decide visitar o arcoíris psicodélico de Jesus Cristo e, lá chegando, o louro e jovem Jesus hippie, vestindo calça boca-de-sino e jaqueta jeans, conta a ele como faz para fazer o bem vencer o mal e o leva a conhecer os 7 círculos de seu arco-íris, que são 7 círculos de cores diferentes. No Círculo Violeta ele encontra Sharon Tate e Charles Manson, bem como as demais pessoas envolvidas no caso Tate. No Círculo Anil, ele encontra Mao Tsé-Tung e os chineses massacrados durante a Revolução Cultural. No Círculo Azul, ele encontra Heinrich Hittler e os prisioneiros mortos nos campos de concentração nazistas. No Círculo Verde ele encontra a Talidomida e algumas crianças deformadas pela pílula. No Círcu_


lo Amarelo, ele encontra Jim Morrison e as entidades indígenas que o levaram à morte. No Círculo Alaranjado ele encontra Oscar Wilde e os responsáveis por sua tragédia particular. No Círculo Vermelho ele encontra Thomas Blanton e as vítimas do atentado de uma igreja batista em 15 de setembro de 1963. Após constatar que o mal realmente não existe naquele paraíso, Satã vai e conta ao mundo que é tempo de Paz e Amor. O livro “Arco-JesusÍris” está à venda na Livraria Chiado Editora (Portugal) e na Livraria Cultura (Brasil). Confira o booktrailer da obra no link: https://www.youtube.com/watch ?v=iBjgF0DkAik&t=34s (copie e cole em seu navegador). LSD Lua (Drago Editorial, 2016): J. Jack Jack é um jovem normal que leva uma vida convencional: mora com sua namorada numa casa com pássaros de louça dependurados nas paredes e gatos domésticos. A época é a colorida década de 60 com seus slogans de igualdade racial, liberação das drogas, contracultura, sexo livre e Flower Power. Aos 20 anos, ele decide experimentar o ácido lisérgico e, como consequência, chega em LSD Lua, a lua de sua cabeça, e vira o Astronauta dos Desregramentos. Neste lugar alucinógeno, cheio de multifacetadas sensações, ele se depara com personagens psicodélicos criados pelo poder de sua alucinação. Ali, o jovem astronauta J. Jack Jack passa pela terrível experiência de uma bad trip, onde se vê metamorfoseado em animal grotesco, caçado por caçadores homicidas e morto. Passado o efeito da droga, ele percebe que está em sua casa e que o aparelho de televisão está ligado em alto volume. Apurando a vista, nota que as imagens mostradas na TV são as enviadas ao vivo pelo módulo lunar da Apollo 11, que mostram quando Neil Armstrong estendeu seu pé esquerdo e imprimiu na lua a primeira pegada humana e, em seguida, pronunciou a frase que passou à história: “É um passo pequeno para o homem, mas um salto gigantesco para a humanidade”. Ao ouvir tais palavras que jogavam de vez o homem no futuro, o astronauta J. Jack Jack sorriu ao pensar que, enquanto ele voltava da LSD Lua de sua cabeça, os três astronautas da Apollo 11 chegavam de fato à Lua, satélite da Terra, _

Sorvete de Pizza Mentolado x Torpedo Tomate (Drago Editorial, 2016): No um do um de nenhum existe o alto País do Isopor que sempre vai rumo ao nada, que é tudo. Dentro da deslumbrante Colina de Papel fica a Cidade de Papel, que finalmente fica dentro do isolante térmico País do Isopor. Neste lugar mágico, certo dia, foram parar um imenso sorvete com cascalho de trigo e cremosa cabeça redonda de pizza de mozzarella lambuzada de menta e um descomunal torpedo de explosivo corpo alongado feito de atomatada massa de tomate temperado. Lá chegando, encontraram Clarenvaldo, o feliz feiticeiro feito de fitas finas de flexível papel, com seu cavalo de gelado e escuro corpo de Pepsi-Cola, salgada-estalada crina de batatas fritas e suculentos cascos de sanduíche recheados de queijo, presunto e maionese. Então, o feiticeiro os convida a fazer Viagens do Por e que tudo aquilo aconteceu no dia 20 Aí. Montados no louco cavalo Pepside julho de 1969. O livro “LSD Lua” está Cola Cola-Pepsi, os três conhecem: o à venda na livraria Drago Editorial. Spot _ televisivo da obra você confere no link: https://www.youtube.com/watch?v=Khg 1oKH6WKo (copie e cole em seu navegador). 1 Anjo MacDermot (Drago Editorial, 2016): Um cara é atropelado por um caminhão e fica jogado dias à beira de uma estrada, pedindo ajuda a qualquer um. Como não aparecia sequer viva alma para lhe oferecer auxílio, ele grita com toda a força de seus pulmões: “Ei, louco anjo de fumaça! Pare aí o teu carro e me dê uma carona até o Mundo do Incenso Colorido, onde sorrir é preciso e a juventude se dá bem! Pois lá não se pagam impostos, lá não existem conflitos, lá não se ferem os ouvidos com as bombas do Vietnã! Pois tudo lá é brilhante, (oh, anjo) e a magia se sobrepõe à razão, nos dedos plenos da ‘erva’ que estão na tua mão!” No exato instante em que foi proferida esta prece psicodélica, surge ante ele 1 Anjo MacDermot todo feito da mais rarefeita fumaça cor de cinza clara, que diz: “Ok. Vamos girar entre as flores vítreas do plástico jardim das árvores de aço!” Então, esse anjo o leva para um lisérgico lugar chamado Mundo do Incenso Colorido. Neste paraíso artificial, ele passa a viver e a ser feliz: o anjo de fumaça cuida de suas feridas com desvelo de médico amigo e ele volta a andar. Logo, o cara acidentado deslumbra-se com as flores de vidro, as árvores de aço, a grama plástica e o brilho purpurinado do incenso furta-cor que paira na atmosfera. Visita a ermida erguida em honra de Nossa Senhora da Psicodelia e conhece todos os cinco níveis que compõem este jardim: o primeiro (mais claro e espaçoso), o segundo (onde há a ermida), o terceiro (o mais exuberante de todos), o quarto (onde o incenso é mais denso) e o quinto (onde fica o estranho Cemitério do Tempo). Certo dia, porém, o anjo revela-lhe a história de sua vida contada na ordem cronológica dos fatos que constituem a década de 60. E após descobrir a verdadeira identidade desse anjo, o cara perde tudo o que conseguira ganhar. O livro “1 Anjo MacDermot” está à venda na livraria Drago Editorial. Spot televisivo da obra disponível no link: https://www.youtube.com/watch?v=dmV R-jE07pU&t=31s (copie e cole no seu navegador).

País do Isopor, todo leveza, com seu brilhoso céu incolor todo envernizado de isopor e solo transparente alcochoado de isopor com embolados sacos plásticos, onde ouvem as Falantes Vozes Faladas que nunca falavam nada, mas que sempre respondiam tudo o que lhes era perguntado. A Cidade de Papel, que nada mais era do que um imenso campo com solo de papelão, onde cresciam os Papelins-Capins, pastavam os Cavalos-Gelatina e pingavam os Olhos de Cílios-Bar. A Colina de Papel, que era tão alta e distante de tudo quanto se pudesse estar, onde flores, pássaros e besouros isoporados fugiam na forma de bolotas móveis de poliestireno e na qual viviam os Marcianos-Bichos-Miolos-Flores. Enquanto fazem as maravilhosas viagens montados no cavalo de Pepsi-Cola, o Sorvete e o Torpedo vão ensinando coisas sobre a Guerra do Vietnã a Clarenvaldo que, cada vez mais envolvido no contexto do conflito, passa a procurar uma fórmula anti-guerra que torne o mundo feliz. O livro “Sorvete de Pizza Mentolado X Torpedo Tomate” está à venda na livraria Drago Editorial. Spot televisivo da obra no link: https://www.youtube. com/watch?v=Zn5xRdnwJvQ&t=2s (copie e cole no seu navegador). ■

ACONTECEU ENCONTRO DE BLOGUEIROS DA INTRÍNSECA E OFICINA LITERÁRIA DO SESC

Aconteceu, durante a Bienal do Livro de São Paulo em 2016, um encontro de blogueiros literários da Editora Intrínseca no Auditório do Sesc. Vários blogueiros se reuniram, alguns que já se conheciam no mundo virtual e que puderam se conhecer pessoalmente. Lá rolou brindes, debates, conhecer os novos lançamentos da editora e entrevistas com autores. O encontro não aconteceu somente neste período, pois fez parte de uma turnê de encontros de blogueiros da editora.

Quem esteve na Bienal de São Paulo também pôde participar da Oficina Literária “Quem é o Editor”, promovida pelo Sesc, com Pedro Almeida, Rogério de Campos, Eduardo Lacerda e Plínio Martins. Os quatro contaram sobre sua carreira de editores, cada um sobre sua linha editorial com obras totalmente distintas.

O pequeno auditório montado na Bienal era charmoso e isolava o barulho vindo de fora. Outro assunto discutido lá foi o mercado editorial atual. A oficina durou pouco mais de uma hora, e foi divertida e bastante informativa para quem participou e especialmente para quem tem vontade de se tornar editor. ■

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ESTANTES

ROWENA SENEWEEN: BRUMAS DO TEMPO NOVIDADES LITERÁRIAS 2017 O novo ano chegou e com ele trouxe novidades literárias incríveis. Por isso, a dica desta edição da Geração Bookaholic é pegar papel e caneta e anotar os livros desejados, e preparar o bolso para uma lista que vai crescer bastante.

A primeira novidade é o romance de época “Escândalos na Primavera”, de Lisa Kleypas, publicado pela Editora Arqueiro. Nesta mesma linha temos “O Perfume da Folha de Chá”, de Dinah Jefferies, que já é número 1 na Inglaterra.

Para quem gosta um pouco mais de fantasia e curte coisas novas, a dica é “A Garota do Cemitério”, HQ criada pela mesma autora de True Blood.

E para quem é super fã de Julia Quinn, comecem a gritar de felicidade. A Julia virá este ano para uma turnê de lançamento no Brasil da sua nova série “Quarteto Smythe-Smith”, pela editora Arqueiro. A editora além de trazer a autora, resolveu lançar a série de uma vez com um Box super charmoso que você vai entrar em cólicas para ter na sua estante. ■

Por Débora Falcão Rowena Seneween. Este é o nome com o qual esta estudiosa do Paganismo assina todos os seus livros. Webdesigner, escritora e oraculista, Rowena busca intuição e fluidez na natureza como fonte de inspiração para seus estudos direcionados ao paganismo desde 1999. Pesquisa e vivencia o Druidismo e Reconstrucionismo Celta e é a idealizadora do site “Templo de Avalon: Caer Siddi” e do Clann Fidnemed and Síd. Rowena é uma das integrantes do projeto MARMOR, e participou da construção do primeiro trabalho multiplataformas desse projeto, o “Alma Celta” (cujos idealizadores estão na capa desta edição). A escritora concedeu entrevista exclusiva à Geração Bookaholic sobre o seu livro mais expressivo, “Brumas do Tempo”, e você confere esse papo agora!

Primeiramente, Rowena, é um prazer estar entrevistando você. Antes de conhecer o seu trabalho na literatura com Brumas do Tempo, e também sua participação em Alma Celta, do Marmor, eu já vinha pesquisando sobre o assunto e acabei, inevitavelmente, encontrando seu site, o “Templo de Avalon: Caer Siddi”. Surpresa minha quando comprei o livro “Alma Celta” e, entre os participantes do projeto, estava sua foto e seu nome. Fiquei muito feliz, e foi assim que descobri sobre “Brumas do Tempo”. Seja bem vinda à quinta edição da revista Geração Bookaholic, primeira edição de 2017! Rowena Seneween: Agradeço o carinho e a recepção, Débora! É um prazer poder participar de projetos que incentivam a leitura e o conhecimento, como o proposto pela revista Geração Bookaholic! “Brumas do Tempo” trata-se de um livro onde são compartilhadas vivências pessoais, poesias e pensamentos focados no Druidismo e na cultura Celta. Como se dá a organização desse livro? Para que o leitor compreenda, como você organizou essas vivências, os pensamentos e as poesias contidas nele? RS: A organização do livro se deu após um longo período de estudos e pesquisas sobre a Cultura Celta e o Druidismo, do qual sou praticante desde 2004, visando facilitar o resgate da espiritualidade dos druidas nos dias atuais, através do estudo da história, antropologia e arqueologia, sob uma ótica reconstrucionista, principalmente anterior à cristianização, tomando como base os mitos irlandeses e galeses. Inicialmente, sur__

giu a temática relativa à concepção do Outro Mundo e aos seres sobrenaturais que compõem o mito sobre Avalon ou “Caer Siddi”, na tradição galesa, e que, por sua vez, tem correlação à misteriosa ilha “Tir na nÓg”, da tradição irlandesa, cantada em verso e prosa por bardos e trovadores medievais, inspirados nos antigos povos celtas. Posteriormente, a linha de pensamento fluiu rumo à inspiração conforme a cosmologia ritualística da ordem druídica americana ADF (Ár nDraíocht Féin) e a visão da triplicidade dos mundos inserida no conceito indo-europeu. É um livro que deva ser lido do começo ao fim, como numa história, com cronologia especialmente organizada, ou é um livro que o leitor possa ter em sua cabeceira, consultando-o e marcando as páginas prediletas, como num oráculo ou livro de poemas? Como você sugeriria a leitura de Brumas do Tempo? RS: A sugestão seria lê-lo do começo ao fim para que o leitor possa se familiarizar com os conceitos druídicos praticados dentro da nossa visão pessoal. O livro também pode ser utilizado como base de estudos aos iniciantes e simpatizantes do Druidismo, levando-se em consideração que existem outros grupos com práticas bem diferentes da nossa. Os poemas são devocionais, e podem ser utilizados para essa conexão com o sagrado.

como parte inseparável do ser, porque a natureza está dentro de nós e não apenas fora.

Tudo isso, obviamente, influenciou em sua escrita de “Brumas do Tempo”. Eu diria até que foi sua inspiração primordial. Como foi escrever os versos, reunir os pensamentos para este livro? Como foi o processo de escrita de “Brumas do Tempo” e quanto tempo você levou para ter o projeto pronto? RS: Escrever foi natural e apenas deixei que a inspiração fluísse. Apesar da facilidade na escrita, levei cinco anos para concretizar o projeto, pois cada rito, poema devocional e pesqui“Brumas do Tempo” é totalmente sa foram vivenciados e revisados duinspirado no Paganismo, Druidismo rante todo o andamento do livro. e Cultura Celta. Você vem estudando Você também integrou o projeto Alo Paganismo há quase dezessete a- ma Celta, servindo de consultora e nos o que a levou a estudar a Cultura assinando, inclusive, alguns treCelta e o Druidismo? O que a impul- chos, partes integrantes do livro. sionou a este aspecto cultural tão ri- Como foi participar desse projeto co e, ao mesmo tempo, tão misterio- tão grandioso, com a participação so? de artistas de tão variadas formas RS: A busca pelo desconhecido, o so- de arte? brenatural e todo este conceito do Ou- RS: A participação aconteceu devido tro Mundo. Compreender essa dinâmi- ao convite do amigo e escritor Eduarca que está intimamente ligada à natu- do Amaro, que compôs todo o corpo reza através da vida, morte e renasci- literário da trama do projeto. Foi um mento, bem como as divindades que longo processo de orientação, pesquiregem este universo mágico. sa e de muitas conversas para que eVocê é formada em Educação Física. E inclusive é afiliada à Ordem Druídica ADF, e realiza palestras sobre a Cultura Celta, meditação através de mitos célticos, leitura de oráculos, biodança como forma de autoconhecimento. Essa espiritualidade e busca, bem como essa ligação sua com essa cultura, mudou a forma de você enxergar a própria profissão, integrando seus estudos da faculdade com os estudos do The Summerland Druid Seminary, alterando sua visão de saúde física antes e depois? O que veio primeiro? A faculdade de Educação Física ou o Paganismo em sua vida? E como você integra as duas coisas para haver harmonia no movimento com a natureza? RS: A faculdade de Educação Física veio primeiro, mas paralelamente sempre busquei a visão holística e a espiritualidade como um caminho a ser estudado e vivenciado, seja através de práticas como o Ikebana (arte floral japonesa) ou da Biodança. Os cursos de treinamento dentro do Druidismo foram sendo agregados conforme a necessidade do aprofundamento dos estudos. Integrar tudo isso é vivenciar o caminho _

le pudesse mergulhar neste universo céltico. Simplesmente posso dizer que foi envolvente e apaixonante! A cada verso e conto criado era como se a narrativa se desenrolasse aos nossos olhos de uma forma muito vívida. Sentir Amergin e a conquista mítica da Irlanda através do livro “Alma Celta” foi fantástico. E as músicas são maravilhosas! Enfim, toda a consultoria também teve a supervisão do amigo druida Bellovesos Isarnos. Como leitores podem adquirir “Brumas do Tempo” e saber mais sobre a cultura celta e seus estudos? RS: O livro encontra-se à venda no Clube de Autores. Sobre a cultura celta é só acessar templodeavalon.com. Deixe uma mensagem! RS: Incentivar a boa leitura e a pesquisa, além do estudo não convencional e até mesmo dentro de uma visão mitologia, são formas de elevar a consciência e nos dar liberdade de escolhas através do conhecimento, que deve ser visto não de forma cumulativa, mas uma ferramenta vívida que nos inspira a sermos pessoas fortes e empoderadas! Que assim seja! ■


MARCELLA ROSSETTI: FILHOS DA LUA

AGENDA DE CONCURSOS LITERÁRIOS 2017

Por Débora Falcão Se ligue na agenda nacional de concursos literários deste ano. Se você quiser participar, então preste bem atenção nas datas para não perder sua inscrição!

Marcella Rossetti é uma autora que talvez seja desconhecida para você, mas a partir de agora você poderá conhecer uma série de fantasia urbana, criação dela, e que está captando a atenção de muita gente. O aviso é claro: leu o livro de Marcella, tornou-se fã da Marcella. E ela nos concedeu entrevista exclusiva sobre “Filhos da Lua”, que você confere agora! A primeira coisa que temos contato com seu livro “Filhos da Lua – O Legado” é o fato de a personagem Bianca sofrer de sonambulismo. Você conhece alguém que sofre de algo semelhante? Em que você se inspirou para esta faceta da personagem? Marcella Rossetti: Sim, conheço algumas pessoas com histórias muito engraçadas sobre sonambulismo e eu mesma, algumas vezes, já tive algumas crises sonambúlicas conscientes. Entretanto, com relação à Bianca, eu usei o sonambulismo para expressar o trauma que ela havia sofrido quando criança e como servir de ligação com o universo de “Filhos da Lua”, mostrando que o sonambulismo poderia não ser apenas isso.

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Você criou quatro linhagens de karibakis para seu livro: Destemidos, Furiosos, Furtivos e Uivadores, cada um com suas características básicas. Há ainda a linhagem de Farejadores, que se acredita que está extinta, mas tem surpresas no livro. A criação dessas linhagens lembra um pouco as classes que separam as pessoas nos livros da série “Divergente”, e também os diferentes distritos da série “Jogos Vorazes”. Esses livros foram marcantes para você em sua vida como leitora e sua carreira de escritora, te influenciando de alguma forma, ainda que sutil, mesmo que não tenham nada a ver com a trama que você criou? Quais são suas influências literárias? MR: Para falar a verdade, eu só li Divergente e Jogos Vorazes após já ter criado o universo dos Filhos da Lua e enquanto eu escrevia a trama. Entretanto, essas obras me marcaram sim. Principalmente devido às protagonistas femininas fortes. Apesar de Bianca começar como uma personagem frágil eu já sabia para onde levaria a trama. Obras de fantasia como as que você citou me inspiraram durante o desenvolvimento de Bianca. Minhas maiores influências literárias são Stephen King, devido aos seus personagens complexos e bem construídos; Tolkien, devido à forma incrível que criou e expandiu seu universo, tornando-o quase real para nós; e Cassandra Clare, por causa de seu estilo de escrita jovem, capaz de fazer o leitor não conseguir parar de ler até o final.

Você criou uma mitologia única para seu livro, envolvendo os “karibakis”, uma espécie de lobisomens. Como foi o processo de criação dessa mitologia? Você teve que ler muitas coisas de outras mitologias, foi uma miscelânea de várias outras lendas ou você criou tudo do zero? MR: Adoro o processo de criação, é uma das partes mais divertidas da escrita! Sempre gostei do tema lobisomens e pesquisei sobre sua mitologia ao redor do mundo, porém o que fiz foi uma releitura do tema desses seres e tentei me afastar de seu mito original. Acredito que nada venha do zero (risos), todo o processo criativo parte de algo que lhe tenha inspirado anteriormente, e aí criamos algo diferente. No meu caso, tive muita influência do universo RPG. Joguei por muito tempo temas sobre lobisomens, onde eles não eram apenas criaturas destruidoras, mas tinham seu lado heroico. Essa ideia me influenciou O crescimento da personagem Bie a partir disso construí os karibakis. anca no texto é claro e visível. Como você construiu esse personagem? Ele tem um pouco a ver com você mesma? MR: Acho que a Bianca reflete um pouco de todos nós, pois, apesar de ser um cenário de fantasia, as dificuldades e desafios da personagem são muito parecidos com os reais. Ela precisa encontrar uma forma de descobrir como se encaixar no mundo apresentado a ela. E como ela, se nós não encontrarmos nossa força interior para enfrentar os desafios, e se não formos capazes de transformar a nós mesmos, jamais conseguiremos aquilo que nos fará felizes. Pegando um gancho na pergunta anterior, o quanto de você mesma é impresso em seus personagens quando está escrevendo? Ou você tenta separar as coisas? Como vo_

cê consegue lidar com essas misturas – ou não misturas – na sua escrita? MR: Durante a construção dos personagens tentei criar para eles personalidades próprias. Quando escrevo uma reação deles na trama, sempre penso no que fariam a partir da personalidade criada para eles e não no que eu faria. Sempre tento não misturar minha personalidade com as de meus personagens.

46º Concurso Internacional de Redação de Cartas Promovido pela União Postal Universal (UPU), sediada em Berna na Suíça. O Tema é “Imagine que você é um assessor do novo secretário geral da ONU – Qual o problema mundial que você o ajudaria a resolver em primeiro lugar e de que forma você o aconselharia para isso?” Inscrições até 17 de fevereiro. *** 13º Prêmio Barco a Vapor de Literatura Infantil e Juvenil Inscrições até 21 de fevereiro no site da SM Edições (www.edicoessm.co m.br). ***

“Filhos da Lua” se trata de uma série? Teremos continuações de “O Legado” ou o livro é completo em si mesmo? MR: Sim, é uma série. A continuação sai este ano. Entretanto, já é possível ler contos gratuitos no site. Esses contos têm o objetivo de expandir o universo karibaki. Quais as próximas novidades literárias de Marcella Rossetti? Quais os projetos futuros? Tem algum livro no “forno” pra sair? MR: A novidade para este ano é a continuação de “Filhos da Lua” e mais dois contos, que se unirão ao primeiro em um e-book. Em 2018 sairá o último volume da série e estarei desenvolvendo um projeto de ficção científica, juntamente com o autor Enéias Tavares. Deixe uma mensagem para os leitores da Geração Bookaholic! MR: Quero deixar um convite a todos para conhecer o universo dos Filhos da Lua e se deixarem envolver numa história cheia de aventura e mistérios que têm cativado leitores de todos os gêneros e idades. E depois gostaria muito que me dissessem o que acharam! O mundo é dos leitores, pessoal! ■

Prêmio Poesia Livre 2017 Inscrições gratuitas até 05 de março através do site www.poesialivre.com. br. O objetivo é revelar novos poetas sem gênero específico para inscrições. Se você escreve poesias, este é o concurso que você deve se inscrever. *** Prêmio Leya 2017 O objetivo do concurso é incentivar a produção de obras originais de escritores de Língua Portuguesa e publicar uma obra inédita de ficção literária. Mínimo de 200 mil caracteres. Os interessados deverão enviar cópias físicas e digitais para a sede da Leya em Portugal. O vencedor além de ter sua obra publicada, receberá um prêmio de 100 mil euros, cerca de 340 mil reais. O concurso é internacional, então você também pode participar. Inscrições até 30 de abril. Para saber mais, acesse prosas.com.br/editais/191 1-premio-leya-2017 ■

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CONTRACAPA Por Helena Souza

REDESCOBRINDO O BRASIL Por Débora Falcão

Livrarias, Editoras e o Autor Iniciante no Brasil

Para Começar bem o Ano Você já passou por algum bloqueio criativo? Já sentiu preguiça de abrir o editor de texto e continuar aquele capítulo sem muitos acontecimentos empolgantes, mas que deve ser escrito, afinal, ele faz parte da história? Acho que todos nós escritores já passamos por algo semelhante. Somos pessoas, então, por mais que escrever seja nossa paixão, algumas vezes não estamos tão dispostos a fazer isso. Mas o que fazer para mudar esse cenário? Nas últimas semanas tenho pensado muito sobre isso. Não que eu esteja empacada ou com preguiça de continuar a escrever meu próximo livro, mas sim... Férias. As férias realmente dão tempo suficiente para que pensemos em tudo quanto é coisa. Inclusive como nos ajudar e também ajudar ao próximo. É, não cheguei a alguma resposta mágica que resolveria o problema de todo mundo, mas isso me levou para outro pensamento: e se ajudar ao próximo for uma espécie de desbloqueio criativo e um “xô preguiça” que precisamos? Se envolver na história de terceiros (deixando bem claro que isso é diferente de querer decidir o curso deles) acaba sendo uma espécie de remédio para nós mesmos, ajudar a desenvolver o enredo, orientar na escolha dos tipos de personagens, dar dicas de desenvolvimento, tudo isso aflora nosso lado criativo e, se souber aproveitar, dá para usar o ritmo e trabalhar em sua própria história! Não que devamos ajudar aos outros pensando em nós mesmos, mas qual problema teria em aproveitarmos um pouco essa situação? Conseguiu pensar em algum escritor ou escritora iniciante que esteja morrendo de medo de começar a construir sua própria história? Lembra que, muito provavelmente, há algum tempo aquela pessoa era você? Estenda sua mão e ajude! Ela vai se sentir bem, você vai se sentir bem e as histórias vão agradecer imensamente por serem escritas da melhor maneira e com os melhores dos humores. Olha aí uma ótima meta para 2017. Pense nisso! ■

Helena Souza é blogueira e escritora, seu livro foi lançado em 2016 e teve uma cobertura por um de nossos colaboradores em nossa edição #4, e uma nota na seção Estantes. Confira!

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Geração Bookaholic – Sua Revista Literária

Ponto de encontro de amigos, as livrarias dos shoppings estão cada vez mais completas. Várias seções diferenciadas para encontrar os mais diversos títulos enchem os olhos dos leitores. Algumas livrarias contam com um café, servindo lanches e bebidas para os que ali estão escolhendo seus exemplares. Locais de convivência, onde há sofás e poltronas confortáveis para aqueles que decidem iniciar suas leituras ali mesmo. Música ambiente, ar-condicionado, carpetes que silenciam os passos dos muitos frequentadores, tornam o local ainda mais aprazível. Não é à toa que é um dos meus lugares preferidos para lazer. E felizmente, para muitas pessoas de todas as idades. Encontramos lá jovens, adolescentes, crianças, adultos e idosos, todos embevecidos com suas prateleiras de gêneros favoritos de leitura. Romance, ficção, fantasia, autoajuda, infantojuvenil, terror, literatura erótica e os clássicos. Qual é o seu preferido? Infelizmente, a lei da selva ainda impera nesses lugares, e quem tem lugar de destaque são apenas alguns poucos, aqueles que conseguem contratos em grandes editoras, ou mesmo as traduções de livros estrangeiros, já com bagagem de best seller e com retorno financeiro garantido. Os títulos são como um imenso iceberg. O que nós vemos nas vitrines e nas prateleiras dos destaques são apenas o que está emerso; enquanto a maioria dos títulos está submersa em prateleiras diversas espalhadas pela loja. Encontrar um bom livro não é mais questão de olhar para os lados. Tem que “garimpar”. Então, como um autor iniciante poderia competir com tantos exemplares, belas capas, títulos chamativos e, principalmente, com a política de marketing adotada por editoras e livrarias? Conseguir um lugar ao sol tem sido cada vez mais difícil por parte dos escritores. Editoras surgem a cada mês, absorvendo uma parte dessa leva, mas não é o suficiente para mantê-los nas prateleiras de destaque por mais que quinze dias. Por causa da alta quantidade de títulos que são despejados no mercado por editoras pequenas e médias, e por autores independentes, as livrarias adotam a seguinte prática: mantêm o livro exposto em suas bancas por apenas 15 dias, no máximo um mês. Caso aqueles exemplares não sejam vendidos todos neste prazo, as livrarias devolvem os livros e já manifestam desinteresse de fazer um novo pedido. Isso acontece porque é o tempo que uma livraria leva para renovar seu estoque. Caso aquele título não venda no prazo uma quantidade “x”, não é interessante para a livraria mantê-lo em suas prateleiras de destaque. Então, ele só tem dois caminhos: sala de estoque ou de volta à editora. Infelizmente isso acaba “queimando” o autor, que se torna rotulado de “autor que não vende” para os que trabalham com vendas de livros. Essa prática fecha as portas para mais e mais escritores, que batalham para terem seus livros expostos e vendidos. E acabam tornando ainda mais distante o caminho entre o autor e uma grande editora. Hoje, para um autor ter acesso a editoras grandes e boas vendagens, é preciso estar representado por um agente literário, que, infelizmente, também existem aos montes a cada esquina, e fica ainda mais difícil para o autor identificar aqueles que realmente fazem um trabalho sério e aqueles que se alimentam de sonhos alheios. Há lugar para todos? Sim. Todos terão a mesma chance? Não. Qual a diferença? Criação de uma identidade literária forte e trabalho árduo. É fácil? Não. Mas foque naquele espaço na prateleira da grande livraria e siga em frente. Esperança é a definição desta profissão tão importante!■


LETRAS FANTÁSTICAS Por Roberta Costa

Autores Nacionais Quem me conhece, sabe que adoro a Literatura Nacional e que estou sempre buscando novidades no meio. Não é de se espantar que, para minha alegria (e desespero por não conseguir tempo para ler todos os nacionais que quero!), tais novidades vêm se multiplicando e revelando uma gama de autores com uma criatividade ímpar! Hoje quero falar de um livro nacional que me chamou bastante a atenção já nas primeiras páginas. Refiro-me a DOCE AMARGO, livro de estreia da autora Evelyn Santana, publicado pela Editora Coerência. A sinopse já tinha despertado minha curiosidade. A leitura inicial me deixou mais surpresa ainda devido ao ritmo da história: inebriante! Estou muito ansiosa para finalizar esta leitura! Sobre a história: Melinda é uma jovem muito reservada que, após infância e adolescência conturbadas, acaba, por sorte, azar ou destino, conhecendo Robert, atualmente seu chefe, mas por quem, mesmo sem tê-lo conhecido pessoalmente antes, guarda uma paixão. Robert, apenas alguns anos mais velho que Linda, e também com um passado um tanto complicado, é avesso a envolvimentos amorosos. Contudo, novamente sem sabermos se por golpe de sorte ou destino, acaba “precisando” se envolver com Linda. Mal sabia Rob que nossa protagonista, além de diferente de todas as mulheres que já tivera em seus braços, seria também aquela que não reagiria de acordo com suas vontades e lhe causaria novas e estranhas sensações. Com ela, ele entenderia que nem tudo estava sob seu controle. Um romance que me fez apaixonar quase que instantaneamente! A leitura me envolveu de uma forma incrível! A autora escreve de forma encantadora e faz com que o leitor se delicie a cada linha. Diálogos inteligentes e muitas situações inusitadas para ambos. Uma pitada de comédia na medida exata! Logo me vi encantada por Melinda e em um caso de amor e ódio por Robert (risos). O enredo é cheio de reviravoltas e surpresas, os capítulos se alternam entre os protagonistas, fazendo com que vejamos a história do ponto de vista de ambos e com que a leitura seja muito mais dinâmica. Evelyn Santana acertou em cheio e mostrou a que veio, acredito que ainda teremos o prazer de ler muitos textos de qualidade assinados por ela. Espero encontrar ainda muitas obras que ganhem meu coração, como esta ganhou, e principalmente poder conhecer vários outros novos talentos. Se você gostou da coluna e tem indicação de autores e livros que gostaria de ver por aqui, entre em contato e deixe sua sugestão! ■

Roberta Costa é blogueira literária, dona do blog “Livros da Beta”, e você pode encontrá-la em todas as redes sociais.


Por Débora Falcão

Muita gente talvez ainda não conheça o projeto Marmor. Um projeto grandioso que envolve várias plataformas artísticas diferentes, e que tem conquistado leitores em todo o Brasil. Criado pelo músico Marcelo Moreira e desenvolvido pelos músicos Marcelo Moreira, Alexei Leão e Antônio Teoli, o projeto conta com a colaboração de uma grande equipe, que envolve músicos, desenhistas, designers, escritores e pesquisadores. E assim surgiu a primeira parte desse projeto, o “Alma Celta”, um livro de ficção que conta a história de Amergin, uma das lendas mais importantes da mitologia celta, e contém ainda um ALbum musical, desenhos, um estudo introdutório sobre a cultura celta e outros. Mas isso não é tudo. Os shows do Marmor também contam com dramatizações ao vivo com figurinos de alta qualidade, além de RPG, quadrinhos e muito mais. Outros também participaram dessa produção, desde o momento da criação até o momento do produto final. Um deles foi Alexei Leão, um dos produtores do projeto, e também um dos músicos ao lado de grandes nomes que compõem o Marmor. Também conversamos com outros participantes, como Rowena Seneween, que foi consultora do projeto através do autor do livro Eduardo Amaro. Rowena está intimamente ligada aos estudos druídicos modernos, além de dar palestras sobre a cultura celta e ser praticante dessa cultura hoje no Brasil. Ela é autora, e lançou recentemente o livro “Brumas do Tempo”, um livro cheio de sensibilidade, com pensamentos, poesias e contos relacionados à cultura Celta, e que também pode ser usado como um oráculo, com cantos e orações. Você poderá conferir uma entrevista exclusiva com Rowena na seção “Estantes”, onde ela fala sobre o livro “Brumas do Tempo”, sua carreira, e também sobre sua participação no projeto Marmor, no livro “Alma Celta”. Além disso, você também pode conferir nesta reportagem de capa informações não só sobre Rowena, mas também sobre outros participantes do projeto. Nós da Geração Bookaholic conversamos com Marcelo Moreira e Antônio Teoli sobre este projeto ousado, que você confere nas próximas páginas!

minha carreira. Quando começamos o Marmor em meados de 2009, tive a ideia de fazer uma sequência de livros com uma trilha sonora, tendo como base alguma cultura que admiramos. A escolha dos Celtas foi algo natural, pelo fato de o rock/metal, em diversas vertentes, ter bastante influência dessa cultura, além de a nossa influência literária também beber dessa fonte, como vemos em casos como “O Senhor dos Anéis”, “Game Of Thrones”, entre outros. Bom, entrando mais no assunto “Alma Celta”, trata-se de parte do projeto multimídia, o Marmor, composto por vários artistas nacionais e internacionais, entre eles músicos, historiadores, designers, desenhistas, escritores etc. Como foi juntar todo esse time para tirar o projeto Marmor do papel e fazer acontecer em tantas áreas, como literatura, música, quadrinhos, e RPG? MM: Foi e é um trabalho muito difícil, pois contamos com artistas do mundo todo. Pesquisamos muita gente para ver quem teria o perfil do nosso projeto e que acreditasse nele. A arte é uma paixão, além de, para muitos, ser o seu trabalho. Acho que o ponto mais difícil foi saber como lidar com o ser humano, como lidar com os problemas de cada um, pois tudo o que você está vivendo é absorvido em sua arte. Muitas pessoas que fazem parte do Marmor tiveram alguma ligação com a minha vida no passado. De uma forma ou _

“Nossa influência literária também bebe da fonte celta, como os livros ‘Senhor dos Anéis’ e Guerra dos Tronos’.””

Marcelo, eu já conhecia teu trabalho como baterista antes, principalmente na banda nacional Almah (tenho dois CDs – risos), e seu trabalho dentro do heavy metal e seus vários gêneros. E calhou de, num momento em que eu estava bastante interessada na cultura Celta, consumindo vários produtos entre CDs, revistas e livros com a temática, qual não foi minha surpresa quando me deparei com o livro “Alma Celta” na prateleira de uma grande livraria. Mais interessante ainda foi saber que se tratava de um projeto multiplataforma, e que era você o fundador do projeto Marmor. Qual foi o seu interesse por esse universo? O que te levou a criar algo voltado para a cultura Celta? Já era algo que você tinha interesse antes, ou foi algum acontecimento que o levou nesse momento específico a se dedicar a um projeto tão ousado e interessante? Marcelo Moreira: Olá. Fico feliz por seu interesse nesse trabalho e por conhecer um pouco da __

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Marcelo Moreira

Marcelo Moreira, idealizador do projeto Marmor outra, a gente tinha uma ligação, às vezes gerada por um trabalho ou mesmo pela amizade. Alguns a gente acabou entrando em contato e a pessoa topou o desafio, como é o caso da violinista Anna Phoebe, da Inglaterra. Ela já trabalhou com Jon Lord (Deep Purple), Ian Anderson (Jethro Tull), entre muitos outros. Você é o compositor de todas as melodias, seja em parceria com outro músico do projeto, seja sozinho. O que veio primeiro? A ideia para o livro ou as melodias das canções? Como foi compor músicas em cima de uma cultura tão diversa da nossa, e ao mesmo tempo tão fascinante que tem atraído milhares de pessoas a estudá-la hoje? MM: Na verdade, comecei a rascunhar algumas músicas e elas naturalmente nasceram com uma influência celta. Isso foi definitivo para escolher a temática. O escritor do livro e letras fori trabalhando ao mesmo tempo que os músicos. Quando as músicas estavam mais definidas, pegamos as letras e encaixamos nas músicas, adaptando para que funcionasse bem sonoramente. Tentamos não nos ater apenas à influência Celta na parte musical. Ela faz parte do disco, mas diversas outras influências também. Queríamos um disco que não ficasse tão preso a um tipo de melodia. Com base celta, mas que tivesse uma espécie de “liberdade poética musical”, já que juntamos tantos músicos com diferentes influências. Quem adquire o livro, também leva para casa o CD, incluso, com as músicas referentes a cada um dos capítulos, e pode viajar na história do mago Amergin. Você se focou mais na parte musical, que é a sua praia, ou você também participou da parte literária, com Eduardo Amaro, autor da ficção no livro? MM: Tive função importante em todas as áreas do projeto. Desde a parte gráfica, onde tivemos capas para todos os capítulos, capa para livro, todos os artistas foram transformados em desenho e aparecem no livro em formato de Card RPG, indo até a parte musical, desde a composi_


ção, arranjo com orquestra, produção e, por fim, na parte literária. Claro que todos tiveram liberdades para contribuir em suas áreas, mas procurava manter uma linha ligando todas as áreas e mantendo todos numa mesma direção. Como foi a escolha da parte da mitologia que iria ser explorada em “Alma Celta”? Por que a história de Amergin? Você participou dessa escolha desde o início, orientando os demais participantes do projeto? MM: Nesse caso, foi uma ideia do escritor Eduardo Amaro. Após definirmos a temática, Eduardo começou um intenso estudo sobre os Celtas e desenvolveu o enredo da história. Eu já conhecia o blog da Rowena Seneween antes, pois, como eu disse, vinha já há algum tempo pesquisando o assunto, e fiquei muito feliz de ver que ela também participou do projeto como consultora da mitologia celta. Como foi essa parceria entre vocês? E, primeiramente, como você a encontrou? MM: Rowena foi indicação do Eduardo. Em suas pesquisas sobre o tema, acabou conhecendo diversos estudiosos e especialistas na área, entre eles a talentosíssima Rowena. Ela é apaixonada pelos Celtas e isso serviu de muita inspiração ao livro. O druida Bellovesos Isarnos também participou como consultor do projeto, e fez as notas no final do livro, explicando termos e situações da cultura Celta. Como foi também trabalhar com Isarnos e como foi esse contato? MM: Bellovesos também foi indicação do Eduardo, e acabou entrando no projeto de uma forma parecida com a Rowena. Ambos contribuíram significativamente para termos um embasamento histórico dentro do livro. A gente queria que as pessoas tivessem uma grande experiência sobre os celtas quando lessem o livro. Temos a história criada com o personagem Amergin mas com bases reais na história Celta. O símbolo do projeto Marmor – o Marmoroboros – é baseado na serpente ouroboros, que morde a própria cauda e simboliza o ciclo da evolução. Foi você quem criou o símbolo? Como foi o processo de construção desse símbolo? MM: Dessa vez, o crédito vai para a nossa artista gráfica Luciana Lebel. Ela é um gênio da arte e da computação gráfica. Quando apresentou o conceito de ouroboros, que representa o ciclo da evolução voltando-se sobre si mesmo, acha-mos que tinha tudo a ver com o que estávamos desenvolvendo com o Marmor. Pois era a junção de vários artistas, com bastante experiência em cada área, desenvolvendo um novo conceito e um novo produto dentro das próprias áreas. O projeto multiplataforma também inclui RPG, que já se trata de um jogo de interpretação, que também precisa de uma literatura. Como podemos encontrar essa parte do projeto? Como os leitores poderão ter acesso a essa parte? MM: O RPG ainda está em desenvolvimento, assim como HQs e outros produtos. Acabamos atrasando alguns lançamentos para nos dedicarmos à trilha sonora de “O Espadachim de Carvão” do renomado escritor Affonso Solano. Após lançarmos o “Alma Celta”, recebemos o convite do próprio Solano para desenvolvermos esse trabalho em conjunto, que será lançado junto ao terceiro livro da série. Isso está nos tomando muito tempo, mas tenho certeza que será algo bem impactante. Puxa, que legal, Marcelo, parabéns! Bom, falando sobre a parte musical do projeto, “Alma Celta” traz uma música para cada capítulo. Desde o início foi essa a intenção, ou essa i__

CONHEÇA ALGUNS DOS INTEGRANTES DO MARMOR QUE PARTICIPARAM DO “ALMA CELTA”: Eduardo Amaro Autor Escritor de literatura fantástica e mitologia, Eduardo Amaro é Mestre em Literatura e Vida Social pela UNESP, pesquisador e doutorando em Literatura pela mesma instituição, professor de Pós-Graduação Lato Sensu em Língua Portuguesa e Linguística, além de ser webmaster e escritor. Atua como cronista do jornal Assis Notícias e do periódico Caderno Literário. Atua em dois grandes gêneros literários: conto e poesia. Sua prosa é pertinente ao estilo fantástico, com tendência à arquitetura de Poe na narrativa; sua poesia é um amálgama entre Pessoa e o simbolismo, procurando sempre representar a realidade do mundo e a introspecção do ser. Convidado pelo fundador do Marmor, Marcelo Moreira, Amaro fez várias pesquisas pertinentes à cultura Celta, tendo como consultores Rowena Seneween (confira entrevista na seção Estantes) e o druida Bellovesos Isarnos, para construir a história de Amergin e sua aventura pelo Outro Mundo em “Alma Celta”, primeiro livro do projeto multiplataformas Marmor. Partindo de um episódio histórico real (a invasão dos milesianos na Irlanda), Amaro construiu a trama unindo fatos históricos e mitologia celta numa trama de ficção profundamente embasada nesta cultura.

Claudia Barron de Wayar Cantora Cantora, professora de canto, compositora, Claudia Barron estudou no Conservatório Nacional de Música da Bolívia, na Academia de Música Fermatta, na Instituição de Ensino LA Music Academy, e atualmente mora em La Paz. Convidada por Marcelo Moreira, participou do projeto Marmor emprestando sua voz forte e marcante para as músicas que compõem “Alma Celta”, primeira fase publicada do projeto multiplataformas Marmor.

Suzy Hekamiah Escritora e Roteirista Escritora, roteirista, Suzy Hekamiah também atua na área de tecnologias digitais. Já participou de mais de 25 antologias como coautora, e publicou seu primeiro livro solo de fantasia em 2013, intitulado “Código dos Mares – Os Contos do Tempo”, um dos mais vendidos da editora. Atualmente Suzy participa de diversos eventos literários do país e desenvolve projetos que misturam arte e tecnologia. Convidada por Marcelo Moreira, participou de “Alma Celta”, primeira fase do projeto multiplataformas Marmor, como roteirista e escritora da fase RPG do projeto, que você conferirá em breve – promessa do Marcelo Moreira!

Ana Jaber Ilustradora Desenhista autodidata desde os 10 anos de idade, Ana Jaber iniciou sua carreira profissional aos 20 anos. Apaixonada por ilustrações de fantasia, ficção e quadrinhos, Ana vem desenvolvendo cada vez mais o seu estilo próprio e, convidada por Marcelo Moreira a participar do projeto multiplataformas, está empregando isso no HQ do Marmor (em desenvolvimento). Atualmente cursa Belas Artes em São Paulo, e tem se dedicado à sua carreira de ilustradora e desenhista, participando de projetos como este.

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deia foi surgindo durante o processo? MM: Essa ideia já veio desde o começo. Definimos a quantidade de músicas que queríamos ter no disco, e o escritor definiu as histórias que teriam em cada capítulo. A ideia desse produto é que você possa ouvir o disco junto ao livro, mas que também possa ler o livro sem precisar ouvir o disco, ou ouvir o disco sem ler o livro. Dessa forma, os produtos funcionam de forma independente mesmo estando interligados.

as suas dificuldades. Depende do momento que você está vivendo. No caso do Marmor, o mais difícil foi alinhar a linguagem das orquestras e trilhas sonoras com um disco de rock. Quatro vocalistas com vozes bem distintas, aonde tinhamos que compor especificamente para cada voz. Todo esse aprendizado me enriqueceu muito como artista. Ser um álbum conceitual não foi uma dificuldade maior, eu acho, foi apenas uma forma diferente de trabalho.

Podemos chamar a parte musical de “Alma Celta” de um álbum conceitual. O que é mais fácil de fazer, para você como músico? Um álbum comum ou um álbum conceitual, já que, neste último, há uma ideia central para conduzir as composições? MM: Acho que todos os discos que já fiz tiveram _

Foi difícil tirar o projeto Marmor do papel? Foi difícil coordenar tudo para chegar ao resultado final? MM: O mais difícil foi ter a ideia do todo. O desenvolvimento nos tomou muito tempo, mas por estarmos fazendo algo que estávamos muito empolgados e apaixonados, acabamos passando __

Marcelo Moreira, Anna Phoebe e Alexei Leão, Marmor.

pelas dificuldades de uma forma positiva. Fizemos um projeto colaborativo. Dessa forma, todos acrescentaram no resultado final. Arte é algo muito pessoal, então você tem que usar muita psicologia para fazer com que as pessoas andem numa mesma direção e que entendam quando você fala algo sobre a sua criação. Eu sempre brinco que quando falamos sobre criação artística, é o mesmo que falar sobre o filho de alguém. Todos acham os seus filhos os mais lindos do mundo. Imagina você falando algo sobre isso! Mas no final das contas, achamos uma forma saudável de trabalhar em conjunto e o resultado ficou satisfatório para todos! Como foi ver o livro “Alma Celta”, com o CD pronto e os desenhos, tudo pronto em suas mãos? MM: Confesso que chorei! É um trabalho que impressiona as pessoas quando pegam na mão. A qualidade de impressão e tudo o mais. Eu era acostumado a lançar CDs, mas o formato de livro é bem mais bonito. E eu vi o livro pela primeira vez durante a Comic Con Experience em São Paulo, no estande da Leya, com uma grande pilha de livros “Alma Celta” em destaque no estande ao lado da pilha de livros do “Game of Thrones”. Imagina a cara do “pai”! (risos). Há uma promessa de uma segunda parte do projeto. Como será essa outra parte? Já tem uma previsão de lançamento? Será ainda sobre cultura Celta? Se sim, que aspectos serão abordados? E, se não, abordará que assunto? MM: Já estamos no processo de trabalho da segunda parte. Iremos mudar a temática. A princípio, queremos usar temáticas diferentes em cada trabalho. Nada impede de revisitarmos uma temática a qualquer momento. Depende do que estivermos sentindo. Estamos pensando seriamen_ te em trabalhar sobre os “Vikings” nesse segundo livro, mas essa temática ainda não está 100% definida.

“Eu vi o livro pela primeira vez durante a Comic Con Experience em SP no estande da Leya em destaque ao lado de Game of Thrones. Confesso que chorei! Imagine a cara do ‘pai’!” Marcelo Moreira

Marcelo, foi um prazer enorme conversar com você sobre o Marmor e sobre o “Alma Celta”. Deixe uma mensagem para os leitores! MM: Obrigado pelo espaço e convido a todos para fazer parte do Marmor através das nossas redes sociais e que nunca deixem de acreditar em seus sonhos. A arte é algo imortal. ■

Capa de um dos capítulos de “Alma Celta” em cores. Esta e outras capas podem ser encontradas na fanpage do Marmor. Nos livros, elas estão em preto e branco.

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ANTONIO TEOLI Músico, Arranjador e Orquestrador Antonio Teoli é um dos nomes do projeto Marmor. Participou não só como músico. Sua vasta experiência como orquestrador e arranjador de músicas para games no Brasil rendeu arranjos dignos de trilha sonora de filmes e games para as músicas do “Alma Celta”. O clima celta, com arranjos de cordas e orquestras sinfônicas presentes no disco que acompanha o livro, são obra da mente orquestradora de Antonio Teoli. Participou da produção desde o início, e também como músico (guitarrista) dentro do projeto, com shows ao vivo, além de criar os arranjos para outros músicos. O álbum conceitual que acompanha o livro contém a marca, a assinatura de Antonio Teoli, em conjunto com outros artistas da música nacional e internacional. Nomes de brasileiros que, inclusive, circulam fora do país com grande respeito da comunidade heavy metal em todo o mundo. E agora você confere uma entrevista exclusiva que o músico concedeu para nossa revista, para ajudar o leitor da Geração Bookaholic a compreender melhor este projeto tão cheio de facetas, influências, gêneros e estilos artísticos, completos num só projeto grandioso, o Marmor.

CONHEÇA ALGUNS INTEGRANTES DO MARMOR QUE PARTICIPARAM DO “ALMA CELTA”: Gabriel Fox Desenhista Ilustrador e retratista, Gabriel Fox começou a se dedicar seriamente à profissão desde muito novo, aos 10 anos de idade. Graduado em Artes Visuais, é professor de Arte e Música em São Paulo, além de levar paralelamente o trabalho como fotógrafo. Profundo pesquisador de novas técnicas e materiais para desenho, recebeu o convite de Marcelo Moreira para retratar todos os integrantes do Marmor em formato de Cards para RPG, e todos eles estão presentes no final do livro “Alma Celta”. Também fez os desenhos-capa para cada capítulo do livro.

Jonathan Faganello Harpista Natural de Rio Claro, São Paulo, Jonathan Faganello iniciou seus estudos com harpa aos 11 anos de idade. Estudou com renomados harpistas da Alemanha, Estados Unidos, Venezuela e Brasil. Pioneiro em tocar Heavy Metal na harpa, desde 2010 representa o Brasil no Festival Internacional de Harpas no Rio de Janeiro. Considerado pela crítica um dos harpistas mais influentes do Brasil pela sua versatilidade, aceitou o convite de Marcelo Moreira para participar do Marmor, e gravou todas as harpas presentes no disco “Alma Celta”, além de ter participado da Comic Con Experience ao lado de outros integrantes no estande da Leya, ao lado de sua inseparável harpa.

Luciana Lebel Designer Gráfico Publicitária e artista digital, Luciana Lebel utiliza dos recursos gráficos atuais e a combinação de fotos objetivando a composição de universos ficcionais. Busca a sua inspiração nas projeções cinematográficas, mesclando a cultura visual de filmes, games, quadrinhos, adequando tais conceitos às ferramentas dos programas gráficos da atualidade na produção de novas artes. Convidada por Marcelo Moreira a participar do projeto multiplataformas Marmor, está desenvolvendo não só as imagens para os games RPG, mas também desenvolveu as imagens que aparecem nos lyric vídeos que estão disponíveis no canal do Youtube do Marmor.

Antonio Teoli, arranjador e orquestrador do projeto Marmor

Bom, entrando no assunto “Alma Celta”, um projeto que teve a participação de tantos artistas nacionais e internacionais, em várias áreas de atuação, como foi participar dele não só como músico, mas também como orquestrador desse projeto? Antonio Teoli: É fantástico exatamente pelo fato de ser um projeto super amplo em termos de áreas. Orquestração para mim nada mais é do que cores, intenções musicais, ideias e floreios que deixam a música mais completa como um todo e, de certa maneira, na orquestração eu busquei remeter um pouco ao trabalho feito por cada profissional das distintas áreas aqui presentes. A sua vasta experiência como orquestrador e arranjador de músicas para games no Brasil ajudou nos arranjos das músicas de “Alma Celta”. Quando ouvimos o CD, somos transportados a uma atmosfera como os games ___

Anna Phoebe Violinista Anna Phoebe iniciou seus estudos no violino aos sete anos de idade. Trabalhou com diversos artistas e produtores renomados, entre eles Jan Anderson (Jethro Tull), John Lord (Deep Purple), Steven Tyler (Aerosmith) e Trans-Siberian Orchestra, esta última como “Violin Master” durante vários anos e inúmeras turnês. Construiu uma sólida carreira solo, atuando também como compositora. Recebeu e aceitou o convite de Marcelo Moreira para integrar o projeto multiplataformas Marmor, e participou fazendo todos os solos de violinos do CD que compõe essa primeira fase do projeto, o “Alma Celta”.

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medievais etc. Como essa influência se deu? Você já fez isso pensando na parte RPG do projeto ou isso já é outra história? AT: Os games modernos sempre foram muito influenciados por referências que vêm do RPG tradicional, portanto, existe uma relação natural de identidade por essas áreas. A referência é natural, e por um lado é até bacana, pois cria essa conexão com esses mundos que você mencionou. Foi legal trabalhar a cultura Celta também nas melodias e nos arranjos das músicas? Como foi produzir o CD “Alma Celta”? AT: A produção como um todo foi muito legal e recompensante. Ao mesmo tempo em que teve suas turbulências pelo fato de se ter tantos profissionais criativos envolvidos. Aprendi bastante durante esses anos em termos de arranjo e o core criativo; Moreira, Xei (Alexei) e eu frequentemente tínhamos ideias gigantescas quando fazíamos os tópicos brainstormings. É um projeto único no Brasil, do qual tenho muito carinho. Como foi trabalhar com músicos tão competentes e renomados no Brasil, unindo música e jogos, que são áreas às quais você já estava habituado, e também à literatura? Como você viu o projeto quando ele foi apresentado no início? AT: O Moreira me chamou para o projeto _

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em sua fase embrionária, quando havia apenas o conceito e alguns rascunhos musicais. Eu acompanhava o trabalho do Moreira, e fiquei muito feliz quando recebi um e-mail dele me fazendo o convite. Do ponto de vista criativo, naturalmente, o projeto teve seus desafios, mas como já componho para games há muito tempo, e os inputs vêm de diversas áreas, eu já estava bem preparado para o desafio.

AT: Existe a preocupação de manter uma linguagem única para o projeto como um todo, até pelo quesito do tempo onde a história acontece. Havia momentos onde eu gostaria de adicionar algum instrumento eletrônico, mas acabaria destoando do universo e do conceito do projeto. Portanto, sim, existe essa preocupação em manter uma linguagem coerente com a identidade do conceito do projeto.

Podemos chamar a parte musical de “Alma Celta” de um álbum conceitual. O que é mais fácil de fazer, para você como arranjador e orquestrador? Um álbum comum ou um álbum conceitual, já que neste último há uma ideia central para conduzir as composições das melodias e letras?

Teoli, foi um prazer enorme conversar com você sobre o Marmor e sobre o “Alma Celta”. Deixe uma mensagem para os leitores não só do livro, mas também da Geração Bookaholic! AT: Muito obrigado pelo espaço! Convido a todos a conhecerem o projeto Marmor, pois é algo realmente único no Brasil. Temos uma página no Facebook, @marmorofficial, onde as pessoas poderão ter acesso às novidades do projeto, assim como nosso kickante que está no ar: http://kickante. com.br/espadachimdecarvao (basta copiar o link e colar em seu navegador para acessar). Quem quiser saber mais sobre o meu trabalho como compositor e sound designer de games, eu tenho uma página no Facebook @antonioteoli official e meu website www.antonioteoli. com. Um abraço a todos!

“Do ponto de vista criativo, naturalmente o projeto teve seus desafios, mas como já componho para games há muito tempo, eu já estava bem preparado para mais este desafio.”

Antonio Teoli, músico e orquestrador do Marmor

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É isso aí! E você pode adquirir seu “Alma Celta” em todas as livrarias do Brasil. Não perca! ■


ALEXEI LEÃO Músico e Produtor

CONHEÇA ALGUNS INTEGRANTES DO MARMOR QUE PARTICIPARAM DO “ALMA CELTA”:

Baixista, produtor musical, compositor e vocalista, Alexei “Xei” Leão atua na área de produção, gravação, mixagem e masterização de CDs desde 1998. Também trabalha como compositor de trilhas sonoras em diversas áreas (dança, cinema, espetáculos teatrais, musicais etc.). Como técnico de som e produtor de shows, trabalhou em diversos eventos não só no Brasil, mas também na Argentina, Estados Unidos e Canadá.

Bellovesos Isarnos Consultor e Revisor Bellovesos Isarnos é um druida renomado, não só no Brasil, mas fora dele. Conhecedor de línguas antigas, supostas e atestadas, e mitologia, ele é o responsável pelas notas sobre mitologia da cultura celta presentes no livro “Alma Celta”, durante e no final da história escrita por Eduardo Amaro. Também foi consultor do projeto ao lado de Rowena Seneween, e ajudou a construir o universo ficcional criado por Amaro para contar a história do mago Amergin, e foi o revisor de todo projeto, observando as informações dadas na parte histórica e cultural dos antigos irlandeses, galeses e gauleses.

Rodrigo Gnomo Vocalista

Proprietário do AML Studio (Florianópolis, Santa Catarina) onde trabalha com rock e metal desde 1998. Como produtor de shows, organizou diversas apresentações de bandas e workshops de artistas em Florianópolis, sendo sócio da Célula Cultural desde 2011. Alexei é compositor e vocalista da banda Stormental, integrante do Marmor e mora atualmente em Nova Iorque, nos Estados Unidos, onde se formou com honras em Engenharia de Áudio e Produção Musical pelo Institute of Audio Research – o mais antigo instituto de áudio do mundo. À frente do projeto Marmor ao lado de Marcelo Moreira, capitaneia mais de 20 artistas de vários lugares do mundo neste projeto que inclui música, HQs, literatura fantástica, RPG, teatro, animações e outras áreas criativas. Sobre comparações entre o “Alma Celta” e a banda “Eluveitie” (banda que se aprofundou nos estudos celtas e que mistura instrumentos e melodias tradicionais aos instrumentos e melodias de heavy/death metal), Alexei rebate: “Não queremos ser o ‘Eluveitie’ brasileiro, queremos ser o Marmor!”. Alexei também explica sobre o CD: “O álbum é baseado no livro Alma Celta. Funciona como trilha sonora, mas também pode ser apreciado de forma independente. Somos um projeto brasileiro e fazer algo baseado somente na cultura celta já é algo diferenciado por aqui, porém, pelo fato de sermos brasileiros, a nossa musicalidade e influências vão além da música celta exclusivamente. Portanto, para nós não faria sentido criar um livro inspirado na cultura celta e sua trilha sonora ser exclusivamente celta. Ao nosso ver, soaria redundante. Tente encarar como algo novo, um choque de culturas mesmo, afinal, somos contemporâneos a toda a história!” Segundo o produtor, a segunda música, “From My Heart”, é a música mais celta do projeto, inclusive com o uso de Hurdy Curdy – instrumento tradicional celta. ■

Vocalista desde 1991, Rodrigo “Gnomo” Matos sempre bebeu da fonte do Rock and Roll. Voz rasgada, com muita potência e timbragem única, são as definições diretas e precisas sobre esta voz moldada sob a luz de mestres como: Ronnie James Dio (Rainbow, Black Sabbath e Dio), Joe Cocker (The Avengers, Big Blues, Grease Band e carreira solo), Chris Cornell (Soundgarden e Audioslave), John Fogerty (Creedance Clearwater Revival e The Golliwogs) entre outros.

Siddharta Gabriella Vocalista Cantora de música lírica/erudita que descobriu sua vocação aos 17 anos, passando a estudar no Teatro Carlos Gomes, em Blumenal – Santa Catarina. Participou de oficinas e Masterclass com sopranos atuantes conhecidas, tais como Denise Sartori e Marília Vargas, entre outros cursos relacionados. Também é professora de Técnica Vocal/Canto Lírico, atua, e também trabalha como vocalista da banda Soturno, além de tocar baixo, teclado, violoncello, flauta doce e flauta transversal. “Meu contato com a música é muito profundo, algo que vem das profundezas de minha alma, me traz um sentimento que meu cérebro desconhece e com o mesmo tento passar a todos o que meu espírito sente”.

Na foto, a maior parte da equipe Marmor reunida para comemorar o lançamento de “Alma Celta”, após a Comic Con Experience. Ainda há vários outros artistas participantes do projeto, todos eles com uma minibiografia presente no final do livro Alma Celta. Confira! ■

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Texto: Roberta Costa Fotos: Divulgação

“Esperança é a única coisa mais forte que o medo. Um pouco de esperança é eficaz, muita esperança é perigoso. Faíscas são boas enquanto são contidas.”

LOUCOS POR QUOTES

Suzanne Collins, através de Presidente Snow, na Trilogia Jogos Vorazes.

“Ainda que eu sentisse a mesma fome, a mesma sede, as mesmas dores e mesmos anseios, o fato de não possuir a mesma aparência física era suficiente para apagar todo o resto. O que importava para mim era que Melissa via além de tudo isso, e que mesmo que eu não pudesse estar dentro de sua casa, eu podia estar dentro de seu coração.” Camila Pelegrine, através de Zoe no livro “Aos Olhos de Zoe”.

“Concordo com você sobre o beijo ser uma linguagem mais eficiente do que mil palavras de amor. Sou o tipo de homem que prefere a ação às palavras...” Shirlei Ramos, através de Gael Faustini em “O Par Perfeito”.

“Ela falava que se casar era perda de tempo e que só traria problemas, como brigas desnecessárias e traições. E eu nunca entendi como ela conseguia escrever romances sem ao menos ‘gostar’ do amor.” Giovanna Vaccaro, através de Logan Moore no livro “E Se”.

“Os pensamentos ardiam e flamejavam, até que a mente se esvaziou de toda emoção, a não ser uma única: vingança. Não era uma vingança dirigida contra suas companheiras de cela. As três eram tão vítimas quanto ela. Nada disso. Ela queria vingança contra os homens que haviam destruído sua vida.” Sidney Sheldon, em “Se Houver Amanhã”.

Evelyn Santana é autora brasileira, e seu livro de estreia é “Doce Amargo”. Leia também sobre o livro na coluna “Letras Fantásticas” e também encontre uma resenha na seção Resenhas. Você encontra a autora Evelyn Santana através das redes sociais: Facebook: FB/evelynthuaness Instagram: @evelyn.tss

O autor/personalidade escolhe trechos de seus livros preferidos e compartilha com a revista.

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publicou “Água Viva”, “A Imitação da Rosa”, “Via Crucis do Corpo” e “Onde Estivestes de Noite?”. Em 1976, recebeu o prêmio da Fundação Cultural do Distrito Federal pelo conjunto de sua obra. No ano seguinte, publicou “A Hora da Estrela”, seu último romance, que foi adaptado para o cinema em 1985. “Quando se ama não é preciso entender o que se passa lá fora, pois tudo passa a acontecer dentro de nós.”

LETRAS IMORTAIS

Por Suelane Passavante “Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.” Nascida no dia 10 de dezembro de 1920, em Tchetchelnik, na Ucrânia, durante a viagem de emigração da família para a América, Clarice Lispector chegou ao Brasil em março de 1922, em Maceió, Alagoas. Por iniciativa de seu pai, todos os familiares mudaram de nome, e a antes Haia passou a se chamar Clarice. Em 1925, mudou-se com a família para o Recife, onde ela passou sua infância no Bairro da Boa Vista. Aos nove anos, ela escreve “Pobre Menina Rica”, uma peça em três atos, cujos originais foram perdidos. Em 1937, mudou-se para o Rio de Janeiro, e com 19 anos publica seu primeiro conto, “Triunfo”, no semanário Pan. Formou-se em Direito e em 1943 se casou com seu amigo de turma e diplomata Maury Gurgel Valente. Em 1944 estreou na literatura com o romance “Perto do Coração Selvagem”, que retrata uma visão interiorizada do mundo da adolescência, recebendo o Prêmio Graça Aranha. Dois anos depois, publicou “O Lustre”. Clarice Lispector acompanhou seu marido nas viagens, devido ao seu cargo de diplomata no Ministério das Relações Exteriores.

“Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome.” Passou a morar em vários países como Inglaterra, Suíça (onde nasceu seu primeiro filho, Pedro, em 1949) e Estados Unidos (onde nasceu seu segundo filho, Paulo, em 1953). Em 1959, Clarice se separa do marido e retorna ao Rio de Janeiro com os filhos. Começa a trabalhar no jornal Correio da Manhã, assumindo a coluna Correio Feminino. Logo em seguida, em 1960, publicou seu primeiro livro de contos, “Laços de Família”, que recebe o Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro. Seguem-se a este livro os títulos “A Legião Estrangeira” e “A Paixão Segundo G.H.”, este último considerado um marco na literatura brasileira. Após Clarice Lispector ferirse gravemente num incêndio em sua casa, devido a um cigarro, ela se isola, mas continua escrevendo. Dessa vez, com os contos infantis “A Mulher que Matou os Peixes”, “Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres” e “Felicidade Clandestina”. Nos anos 1970, Clarice ainda _

Na véspera de seu aniversário de 57 anos, Clarice morre, vítima de câncer. Suas obras publicadas são: “Perto do Coração Selvagem”, romance (1944); “O Lustre”, romance (1946); “A Cidade Sitiada”, romance (1949); “Alguns Contos”, conto (1952); “Laços de Família”, contos (1960); “A Maçã no Escuro”, romance (1961); “A Paixão Segundo G.H.”, romance (1961); “A Legião Estrangeira”, conto (1964); “O Mistério do Coelho Pensante”, literatura infantil (1967); “A Mulher que Matou os Peixes”, literatura infantil (1969); “Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres”, romance (1969); “Felicidade de Clandestina”, conto (1971); “Água Viva”, romance (1973); “Imitação da Rosa”, conto (1973); “A Via Crucis do Corpo”, conto (1974); “A Vida Íntima de Laura”, literatura infantil (1974); “A Hora da Estrela”, romance (1977). ■

Nesta seção apresentamos imortais da literatura, já falecidos, que deixaram seu legado para a posteridade e serviram de referência para outros escritores.

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RESENHAS

A escrita do prefácio já deixa o leitor instigado a continuar a leitura. “A Boneca Fantasma”, de Fernando Nery, é um livro curtinho de 136 páginas, bastante fluido. O livro inicia-se sendo narrado em terceira pessoa e conta a história de Laura, uma talentosa estilista de bonecas que possui suas ambições, amores e desejos. A narrativa também intercala em primeira pessoa. A linguagem é coloquial, o que torna a leitura do livro leve, nos deixando completamente envolvidos. Laura, com seu talento, é contratada por uma empresa de roupas de bonecas, e é quando ela conhece Merlin, uma atriz famosa, e se tornam amigas. Mas toda fama traz consigo a exposição, o que às vezes não é nada agradável, e elas viram alvo de fofocas. Merlin propõe que elas arrumem um namorado. Então, Merlin passa a namorar Rodrigo, e Laura o Rafael. Porém, Laura vê-se secretamente apaixonada por sua amiga. As fofocas não param e elas se afastam. E é aí o ponto-chave onde toda a loucura começa. Uma escrita maravilhosa! Suelane Passavante 9,0

“Asas de Vidro – Elos”, de Isie Fernandes. Como definir este livro? Apaixonante, viciante e avassalador já seria um começo. Personagens e enredo muito bem construídos, lindos cenários... Segredos de família, mistérios da ciência, romance e pitadas de comédia na medida exata, enfim. Impossível não se envolver nem se apaixonar pela história! É o primeiro volume de uma série que tem tudo para conquistar (mais ainda) os corações dos leitores. Tudo começa com um projeto que criou uma nova espécie a partir do DNA humano. Mutantes que, apesar de serem muito parecidos com os humanos comuns, possuem uma série de singulares habilidades. No decorrer da pesquisa, alguns mutantes desaparecem ainda quando crianças e, com isso, muitas reviravoltas ocorreram e outras ainda estão por vir. A história se passa na Vila de Cacha Pregos – BA, cenário __

AVALIAÇÃO

10.......................................... INCRÍVEL 9,0 a 9,5........................EXCELENTE 7,0 a 8,5....................................... BOM 4,5 a 6,5........................... REGULAR 2,5 a 4,0..................................... RUIM 0 a 2,0..................................PÉSSIMO 26

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paradisíaco, e gira em torno de Amélia e Benjamin que, após tornarem-se amigos, acabam se apaixonando, para tristeza de alguns. Ben tem consciência de sua natureza, mas Amel é apenas uma jovem com sonhos... Ou seria algo mais? Muitos obstáculos – digamos, familiares e genéticos – estão no caminho do casal. Eles serão mais fortes do que isso tudo? A química entre os personagens principais é incrível, inclusive a dos secundários que, no decorrer da história mostram, cada um, a sua importância. Mas não se engane. Quem é mocinho e quem é vilão? Ler “Elos” foi uma experiência incrível, tudo é tão forte e tão real que me envolvi quase que instantaneamente... Torci, me desesperei, xinguei, me emocionei... A autora tem uma escrita fácil de assimilar, fazendo com que a leitura flua rapidamente. Isie escreve de forma tão intensa e cativante que me vi várias vezes atônita, com vontade de me perder na “realidade de Elos”. Sobre o desfecho, ainda estou me recuperando do susto e aguardando ansiosamente pela continuação, “Asas de Vidro – Quimera”, que já tem alguns capítulos publicados no Wattpad, mostrando que tem tudo para ser tão ou até mais intenso quanto “Elos”. Esse é o segundo livro da autora que tenho o prazer de ler e confesso que fui pega completamente de surpresa. Para ela, o céu é o limite! “Asas de Vidro – Elos” é o tipo de livro que todo leitor merece conhecer! E que venham os próximos volumes! Roberta Costa 10,0

Mesmo já estando acostumada com a escrita de André Vianco (tenho quase todos os livros publicados pelo autor), o livro “A Noite Maldita – Crônicas do Fim do Mundo” me surpreendeu. Sou suspeita para falar, afinal, sou fã da saga “O Vampiro-Rei”, principalmente o primeiro livro, “Bento” (que, na minha opinião, merece um filme nacional com efeitos especiais e tudo o que tem direito). Mas conhecer a história, o começo de tudo, através de alguns personagens coadjuvantes da saga foi impressionante. Coeso em sua narrativa, Vianco conta como Raquel, a vampira sádica e temida da saga “O Vampiro-Rei”, era quando humana e como sua vida foi completamente transformada e transtornada durante a Noite Maldita e nos dias que se seguiram a ela. Mas também conhecemos o passado de outros personagens, como o Bento Amintas, o soldado Cássio (este é quem está na capa do livro e protagoniza muitas aventuras durante a Noite Maldita e dias seguintes, além de planejar a mudança dos adormecidos e sobreviventes para o Hospital Geral de São Vítor, criando assim a primeira e principal cidade fortificada do novo mundo). Esbarramos com Lucas – já adormecido –, com Lúcio, antes de se tornar Mulo do Vampiro-Rei, e outros personagens importantes. A escrita de André Vianco neste livro está tão boa quanto em “Bento”, “Os Sete” e “Sé__

timo”. Encontramos, aqui e ali, algumas “gafes literárias”, mas que, para quem já está acostumado com a escrita de Vianco, é totalmente fácil de ignorar, visto que o suspense, a aventura, a leitura em geral é tão cativante que é impossível se apegar a um ou outro erro – geralmente de figuras de linguagem, o que pode ser bastante subjetivo para os leitores como um todo, não desmerecendo a obra. Um livro recomendadíssimo, principalmente para quem já leu a saga “O VampiroRei”. Mas, se você não leu a saga, este livro não atrapalhará em nada sua leitura posterior. Trata-se de acontecimentos que ocorreram 30 anos antes da saga, então, se você quiser seguir uma leitura cronológica, a ideia é ler “A Noite Maldita” antes da saga. De qualquer maneira, trata-se de um dos ícones da literatura fantástica/urbana brasileira. Vale muito à pena conferir. Débora Falcão 9,0

Ao ler “Meu Erro Predileto”, de Giselle Tavares, pude ver que pode, sim, existir livros de romance sem ser “água com açúcar”, e que te surpreenda no final. A história é narrada por diversos personagens, mas os principais são a Jully e o Daniel. Jully, uma garota bonita e sociável, tinha uma paixão por Pedro, um nerd que estudava com ela, e que era o excluído da sala. Até que um dia eles começaram a namorar e Pedro acabou se modificando. Fisicamente, ele se tornou um garoto bonito e sociável, porém seu jeito de ser também mudou, e no aniversário de namoro deles, Jully o pega traindo-a, e o namoro de 6 anos chega ao fim. Isso faz com que Jully também acabe mudando. Mas, será que ela mudou mesmo? Jully divide apartamento com Luz, sua melhor amiga, e com Ana. Com a saída de Pedro, era necessário uma quarta pessoa para dividir os gastos. Dessa forma, as meninas anunciaram a vaga na faculdade e, para desgosto de Jully, o novo morador é Daniel, e tudo o que Jully queria era não precisar dividir seu quarto com um homem, principalmente sendo lindo e fazendo com que ela se lembre sempre de seu ex. E é nesse ponto em que a história de fato se inicia. Ele entra na vida de Jully e as coisas mudam de aspecto. Às vezes, quem vê um rostinho bonito não sabe o que se encontra por trás dele. Cabem aos futuros leitores descobrirem. As narrativas vão se diversificando, passam de Jully para Pedro, para Luz, para Ana, para o Thi, para Daniel e para Vicky (irmã odiada de Jully), e é essa diversidade de narrativas que torna o livro super dinâmico, com uma leitura bastante fluida. Aí vocês devem me perguntar: “E o que faz com que este livro não se torne aquele romance ‘água com açúcar’?” É que no meio da história aparecem narrativas anônimas e você fica pensando: Quem é a pessoa “filha da mãe” que vai ferrar com tudo? Mas, será que ferra mesmo? Suelane Passavante 9,0


“Deixe-me Entrar”, de Letícia Godoy, conta a história de Julianne, uma solitária adolescente que crescera longe de sua família e que não aceitava a justificativa dada para isso – melhores estudos. Inesperadamente, seu pai foi buscá-la antes do previsto e, mesmo sem entender o motivo, ficou feliz de estar novamente junto dos seus. Sua família morava em um castelo, em Stone Forest, e tinha alguns hábitos considerados estranhos por Julianne, até que ela descobre toda a verdade, ou melhor, parte dela. De uma hora para outra, Julianne viu sua vida virar do avesso, e quanto mais descobria a seu respeito, mais perigoso ficava ao seu redor. Tais descobertas iam muito além do que podia imaginar, a começar pelo mundo real e os seres que nele habitavam. À medida que descobria sobre seu passado, Julianne adentrava em um mundo sombrio e perigoso, repleto de criaturas que acreditava existirem apenas nos livros. Sim, vampiros existiam e mais próximos do que ela esperava (se é que é possível esperar por algo assim). A trégua existente entre as principais facções vampirescas estava na iminência do fim, os últimos acontecimentos mostravam isso. Julianne, durante suas buscas pelo seu passado, acabou sendo levada até um diário, onde desvendaria sobre uma antepassada, e o motivo de ser tão procurada pelas criaturas. Descobriria também sobre o amor de sua encarnação anterior – Gerard Chevalier – e sobre os sacrifícios que fizera para manter um segredo que, em mãos erradas, poderia causar o caos na humanidade. Há muito tempo que não lia um livro com esta temática que me prendia tanto, a ponto de vibrar a cada página! Aventura, suspense, terror e romance na medida certa. A leitura flui de tal forma que você simplesmente não consegue parar. Os personagens foram tão bem estruturados que não há como ignorá-los, beirando à realidade. As cenas de terror e aventura, para mim, foram as melhores, e cheguei a sentir calafrios e adrenalina a mil, parecia estar participando de cada detalhe... A autora Letícia Godoy escreve de um modo que nos leva a “grudar” no livro, e ficamos naquele dilema de querer terminar a leitura, e ao mesmo tempo sem querer que o livro acabe. Ressaca literária, saudade dos personagens... Lembro perfeitamente quando a história me enlaçou de vez... No Prólogo, página 17 (risos). Só lendo para entender! Por isso eu recomendo totalmente a leitura de “Deixe-me Entrar”. Roberta Costa 10,0

acompanhe até o casarão. Coisas estranhas começam a acontecer e Cláudia quer resolver os mistérios que os envolve. Na realidade, ela quer saber mais sobre sua “família” e a razão de algumas coisas. De início, Cláudia acha tudo uma crença boba, mas com o passar da leitura/história ela vê que está enganada. Outros personagens não menos importantes vão aparecendo, e tudo no final tem uma ligação e se explica. “Delenda” é um livro A maior dificuldade que senti recheado de mistérios e segredos, e durante a leitura de “Mão Crua”, da se você acha que sabe o que vai aautora Sílvia Gil, foi a linguagem. Ape- contecer, está muito enganado. 9,0 sar de termos o Acordo Ortográfico, Suelane Passavante que foi realizado exatamente para homogeneizar a Língua Portuguesa, ainda há muitas figuras de linguagem e palavras que não fazem parte da realidade brasileira, o que tornou a leitura bastante atravancada. Muitas vezes eu tive que recorrer ao dicionário (o que não foi lá tão ruim, pois adquiri mais vocabulário). Mas esta não foi a única dificuldade em “Mão Crua”. O livro tem como temática o BDSM – mais um livro nesta temática. Mas, infelizmente, os capítulos se perdem em Lara é irmã de Gabe, principal contar exatamente como se dão as ce- personagem de “O Quarto do Conto – nas, as brincadeiras, os “plays” (como Livro 3”, de Renata Dias, que desta a autora chama os momentos sexuais vez aparece bem menos, o suficiente de sadomasoquismo). E a história cen- para matarmos as saudades e termos tral, a qual é mencionada na sinopse certeza de que ele está ótimo! Lara é contida na contracapa do livro, é dei- uma profissional com um futuro muito xada de lado muitas vezes, e acabei promissor, dona de uma agência de chegando exatamente à metade do li- publicidade em Salvador-BA. Contuvro (sim, metade exata de páginas), do, após uma grande decepção amosem que nada além de sexo aconte- rosa há 3 anos, fechou-se para o acesse. A sensação que tive ao ler o li- mor e até mesmo para a vida. Mora vro é que se tratava apenas de um em uma cobertura linda e praticamenpretexto para se escrever cenas eróti- te não recebe visitas: ali é seu refúcas, sem história, sem desenlace, sem gio. Para expressar seus sentimentos nada interessante. Para quem gosta e desejos mais profundos, começou a de BDSM e quer aprender como chi- escrever contos eróticos e sensuais, cotear alguém ou alguns truques feti- escondendo-se atrás de um pseudôchistas para utilizar num parceiro, é nimo – Amante Confessa –, e através um livro bastante esclarecedor. E só. desse hobby podia experimentar as Se você procura uma história (aquela mais diversas fantasias. Ali tudo era prometida na sinopse), será uma de- permitido em nome do prazer que ela cepção. Pois ela, como disse, é ape- mesma havia reprimido. Em um dia nas um pretexto. não muito bom, acaba conhecendo Débora Falcão 4,0 seu novo vizinho, Vicenzo Bianco, um lindo italiano que morava um andar abaixo do seu. Foi instantâneo. Um sentimento avassalador tomou conta de Lara. Todo seu corpo reagia ao olhar daquele homem. Mas as coisas não seriam assim tão fáceis. Ela teria que travar uma grande batalha consigo mesma na busca de seu amor próprio e de sua autoestima, deixados de lado durante muito tempo. Em meio a altos e baixos, nossa protagonista começa a se redescobrir enquanto mu“Delenda e o Vale dos Segre- lher e pessoa. Aprende a se colocar dos”, de Amanda Reznor, inicia-se em primeiro lugar e não mais reprimir com Cláudia acordando com um pesa- os seus desejos. Quanto ao desfedelo no dia de seu aniversário. Sua a- cho? Não podia ter sido melhor, mosvó Georgia lhe traz café na cama e, trando mais uma vez que, se dermos quando Cláudia desce, dá de cara uma nova chance a nós mesmos, a com Klaus, seu vizinho “tarado”, que vida poderá nos surpreender. PERMIlhe entrega uma caixa. Cláudia fica es- TA-SE!!! Muitos de nós já passamos pantada com o conteúdo e pede à sua por decepções que afetaram toda a avó que lhe conte sobre seus pais e forma de enxergar o mundo e a nós seu avô. A senhora hesita, mas conta mesmos. Foi impossível não me idenalgumas coisas. Certo dia, quando tificar com Lara e suas inseguranças, Cláudia está voltando da faculdade, seus medos... O que mais me chama encontra sua avó morta e decide des- a atenção nas histórias escritas por cobrir do que se trata o conteúdo da Renata Dias é a leveza com que trata caixa. Ela segue para uma vila e lá co- temas tão importantes para o autoconhece o Sr. José, que explica algumas nhecimento do ser humano e como coisas a ela e pede ao Maurício que a essas questões fazem a diferença na _ _

vida e no viver. Sim, muitos buscam tanto se adequar aos padrões exigidos que se esquecem de como é importante viver... É aquela história: “a maioria apenas existe”. Em relação ao primeiro livro da série, a escrita está ainda mais madura, mas não perdeu sua essência, a de buscar mostrar o quanto precisamos nos aceitar e nos conhecer, independente de regras e padrões sociais. A diagramação está impecável, as borboletas no início de cada capítulo chamaram-me bastante atenção, sempre me levando a pensar em metamorfose, transformação, evolução, que é exatamente o que ocorre na história. Enfim, detalhes que enriquecem ainda mais a obra. Roberta Costa 10,0

“Encanto” é o segundo livro da série “Sereia”, de Tricia Rayburn. Série que decidi acompanhar por causa do primeiro livro, que apesar do título, me cativou. Não que o título do primeiro livro, “Sereia”, seja ruim. Como eu expliquei em resenha deste livro em edição anterior da Geração Bookaholic, a trama tem todo um mistério, um suspense em relação ao que está acontecendo, e o título dá spoiler: “Ah, ok, essas criaturas são sereias.” Mas nada que desmereça a história e, claro, sua continuação. Trata-se de uma trilogia, ainda não li o terceiro livro, mas assim que lêlo haverá uma resenha dele aqui também. Mas, nos concentrando no segundo livro, posso dizer que superou as minhas expectativas. A autora mantém a carga de mistério em volta dos acontecimentos de Winter Harbor, um possível retorno das sereias que, supostamente, Vanessa havia conseguido “neutralizar” no fim do livro um. A sensação é desesperadora, à media que vemos a transformação de Vanessa durante a trama, além dos encontros e desencontros entre ela e seu amado, a problemática entre seus pais – afinal, se Vanessa é uma sereia, seu pai traiu sua mãe no passado. Entre vasculhar a cidade para ter certeza de que ela está segura, e vasculhar seu passado para descobrir sobre sua verdadeira mãe, novas mortes começam a acontecer na cidade, com as mesmas características do livro anterior, e um personagem novo adere ao enredo. Muitas coisas começam a acontecer, e a leitura passa a ser uma agonia entre querer descobrir tudo e querer que o livro não termine. Mantém a mesma qualidade de “Sereia”, e a arte da capa, como o primeiro, é linda. Débora Falcão 8,5

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Resenhas

“Como Eu Era Antes de Você”, de Jojo Moyes, é narrado por Louise e intercalado com pequenos capítulos de outros personagens. Lou, com 26 anos, trata a vida de forma pacata, cheia de ambições, mas sem querer magoar as pessoas se satisfaz com o que tem. Após ser demitida do café em que trabalha, vai em busca de outro emprego, pois as condições de sua família não são boas. Depois de algumas tentativas, ela consegue um emprego de cuidadora na casa dos Traynor. E é quando ela conhece Will, a pessoa mais arrogante para quem ela já trabalhou, e com o tempo este arrogante irá se tornar uma pessoa amiga e leal com Lou. Ela tem um namorado há anos, de nome Patrick, que só pensa em seu próprio corpo e nas corridas que irá fazer. Um baita “pé no saco”. Então, Lou escuta uma conversa entre a mãe e a irmã de Will, que a deixa chocada, e a torna decidida a transformar os dias de Will melhores. E o inevitável acontece: Lou se apaixona por Will, que já sente algo diferente por ela e quer que ela torne a própria vida diferente, que ela curta sua vida e busque expandir seus horizontes. E por mais que você pense que a história é ela querendo que ele supere seus desafios, eu particularmente achei o contrário: é Will quem faz com que Lou supere seus desafios. Suelane Passavante 8,5

“Em Busca das Borboletas - Volume II” é ainda mais envolvente que o volume I. Temos a continuação da história de amor entre Maria Mendes e Dale Sloan que, até então, estavam separados devido a uma mentira. A leitura flui muito bem e, mesmo sendo “Português de Portugal”, o entendimento é pleno. Nesta continuação, regada a muito romance, o que me surpreendeu foram as cenas de ação, aventura e suspense. Sim, a história foi muito mais movimentada do que no primeiro livro. Sentimentos e emoções se misturavam e a torcida para que tudo saísse bem foi grande. A montanha russa de emoções na qual esta leitura nos faz embarcar leva-nos dos maravilhosos sentimentos de amor e felicidade até o triste sentimento de luto, com casamentos, salva___

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mentos, nascimentos e a perda inesperada de uma das personagens, ao meu ver, mais carismáticas da história (confesso que fiquei um pouco abalada com o susto da notícia e a reação de outros personagens!). A Música, novamente presente no decorrer da obra, nos ajuda a realmente entender a forma como os personagens são atingidos pelos acontecimentos ao seu redor, deixando a leitura ainda mais interessante. Enfim, este é um livro completo para os amantes de romances... Mas não é apenas isso. A obra é enriquecida com questões sociais que, independente de nossa nacionalidade, estão sempre presentes. Se o amor realmente supera tudo? Prefiro acreditar que sim, independentemente do tipo (maternal, fraternal, carnal etc.) e, desde que usado para o bem, sempre será um sentimento válido! Roberta Costa 9,0

O livro “Alma Celta”, do projeto “Marmor” (capa desta edição), é um livro difícil de ser resenhado. Porque não basta resenhar apenas o livro, já que se trata de um projeto multiplataformas. Portanto, esta resenha acabará sendo uma resenha também multiplataformas. Em primeiro lugar, como diz o nome, o livro gira em torno da cultura Celta. Para quem conhece o mínimo da cultura, já é um deleite para a leitura. O é dividido em algumas partes. Logo na introdução, você tem um texto do autor Eduardo Amaro e do colaborador Bellovesos Isarnos a respeito do que você irá encontrar no livro. Em seguida, um texto bastante revelador sobre os Aspectos Histórico-Mitológicos do livro: informações sobre a cultura celta, o panteão, as divisões, algumas lendas, os períodos etc., escrito por Rowena Seneween, autodidata e estudiosa da cultura celta e druidismo (você confere uma entrevista exclusiva com ela na seção Estantes). Depois, você tem a história do livro, escrita por Eduardo Amaro, com prólogo e 10 capítulos, baseada no mito de Amergin – um dos mais importantes mitos da cultura celta. Após essa parte, você encontra uma bibliografia e sugestões de sites e leituras sobre o assunto; notas explicativas (escrita por Bellovesos Isarnos, estudioso do druidismo); e também um apêndice muito legal, onde você pode conhecer toda a equipe Marmor, com cards e desenhos dessas pessoas. Mas se você pensa que isso é tudo, está enganado. O livro traz, ao final de cada parte e de cada capítulo, desenhos incríveis, feitos pelo desenhista Gabriel Fox, integrante do Marmor, que não só fez os desenhos do livro como também fez a parte gráfica do RPG (sim, Alma Celta também tem RPG). O livro também acompanha um álbum musical, com 10 faixas, uma referente a cada capítulo __

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(e traz as letras das músicas e suas traduções no final de cada um dos capítulos para você acompanhar). E devo salientar que essas canções são “cinematográficas”. Não há outra palavra para descrevê-las. Quando você ouve, é como se ouvisse uma trilha sonora para o livro, como se mergulhasse num filme. E ainda tem mais: o projeto inclui, além de livro, música, desenho e RPG, quadrinhos, shows temáticos com figurino e teatro, e outras plataformas. O livro é muito bem escrito, com uma aventura de Amergin em busca de salvar o mundo de uma guerra contra os Fomorianos (que deu origem ao povo Celta, segundo a mitologia), e traz personagens variados dessa cultura. E você ainda encontra na internet os desenhos dos livros disponíveis em cores, e no canal do Marmor no Youtube, todas as faixas em liric vídeo (com as letras para acompanhar). A capa do livro está um primor, e o símbolo do Marmor (o marmoroboros), criado por Marcelo Moreira (fundador e idealizador do projeto) é perfeito. É uma obra que todos os amantes da cultura celta – e curiosos também – devem ter em suas prateleiras. Faço apenas algumas ressalvas quanto à parte musical da obra. Por ser no estilo “Heavy Metal Melódico” – uma vertente do heavy metal em que se usa bastante melodia e cadência próprias –, acredito que os compositores poderiam ter explorado mais o estilo “Folk Metal”, que se utiliza mais de elementos de raiz dessas culturas. Neste caso, na minha opinião, as melodias poderiam ter sido “menos heavy melódico” e “mais celtas”, já que se trata de um trabalho voltado para esta área. Mas não desmerece o trabalho como um todo, de maneira alguma. A produção do disco está impecável, os vocais líricos de Siddharta Gabriella são de cair o queixo, a voz rouca de Rodrigo Gnomo é perfeita, e a junção desses dois vocalistas com a voz forte de Cláudia Barron e a voz aguda de Gus Monsanto deixaram o trabalho rico. Não posso deixar de citar os arranjos para orquestra e violinos, e de toda a equipe que participou desta parte musical. Mesmo quem não gosta do estilo “rock” e “heavy” vai gostar, por causa da influência da música sinfônica e da sensação de estar numa trilha sonora. “Uma jornada Fantasy Rock”. Débora Falcão 8,5

“Vida Até Ser Poesia”, de Kathryn Barbosa, trata-se de uma coletânea de poesias muito tocante, onde o maior destaque se dá no tom de sutileza e simplicidade de seus versos. Sentimentos do cotidiano, emoções à flor da pele, tudo traduzido em palavras. A autora soube como conduzir cada verso de forma a envolver o lei_

tor. Outro ponto positivo vai para a diagramação, que enriqueceu ainda mais a obra. É notório como cada detalhe foi pensado com carinho, para o deleite do leitor, mostrando que a poesia faz parte de tudo e de todos! Roberta Costa 8,5

Romântico, sexy, hilário, cativante ao extremo. Ganhou-me já na sinopse! Joseph, um mineiro muito tímido, noivo e com a vida pacata e “certinha”; Pauline, uma paulistana que vive intensamente e totalmente liberal. Dificilmente os dois formariam um casal com futuro. Mas, e aquela história de que os opostos se atraem? Uma desilusão amorosa e um empurrãozinho do destino (ou sorte?) e eles não apenas se esbarram, mas acabam ganhando na loteria. Mesmo tendo acabado de se conhecer, Pauline o convida para fazer uma viagem pelos quatro cantos do Brasil e, para sua surpresa, Joseph aceita a proposta. Começa a aventura. De conhecidos tornamse amigos e mais tarde se apaixonam. Mas não seria tudo tão simples assim. Antes de assumirem este sentimento, teriam de resolver várias questões, inclusive internas. Apenas descobrindo a si mesmos um poderia fazer o outro verdadeiramente feliz. Que história intensa! Acompanhar a evolução dos personagens, desprendendo-se de imposições da sociedade e de ideias impostas por eles mesmos me foi extremamente prazeroso! Não tem como o leitor não se identificar com ao menos um detalhe entre as diversas situações que o casal enfrenta. Todas merecemos um Joseph em nossas vidas e precisamos de ao menos um dia de Pauline. E não digo isso apenas no sentido “físico”, mas na forma de enxergar o mundo à nossa volta! As autoras criaram um enredo que inebria qualquer leitor. A cada página, maior a curiosidade tanto sobre as peripécias desses dois quanto pelo roteiro de viagem. Sobre este último, quanta riqueza de detalhes! Os capítulos são intercalados entre os pontos de vista de Joseph e Pauline, dando mais dinamismo à história. A carga emocional transmitida é alucinante! Peguei-me dando risadas com lágrimas no rosto. Na primeira discussão séria do “casal de amigos” quase não consigo continuar a leitura. Precisei respirar fundo de tão envolvida. Sobre a mensagem, dispa-se de conceitos prées-tabelecidos pela sociedade, siga seu coração, não se compare a ninguém. Você é único e quem te enxergar com o coração o notará! Roberta Costa 10,0


IMAGEM DA CAPA NÃO DISPONÍVEL

“É Preciso Sonhar”, de Jesuíno Lacerda de Oliveira, conta a história de Maritza La Blanc, uma jovem que embarcou em um navio no Porto de Santos, o mesmo estava sob o comando de Peter Hekel. À bordo, Maritza trabalhava com a administração e conforto dos passageiros. Com o passar do tempo e convivência, a jovem acaba se apaixonando loucamente por Hekel. Mas ela vivia sobre o mar e conhecia empresários de vários países que se apaixonavam por ela pelo jeito como a tratavam. Com a eminente perda de seu marido, ela foi obrigada a abandonar o mar e seguir uma vida calma ao lado de um novo companheiro, Albert, um dono de empresas muito conhecido. Vivendo romances proibidos e avassaladores, Maritza La Blanc conseguiu realizar todos os desejos de uma mulher, esposa, madrasta e outras realizações femininas de seu próprio ponto de vista, possuindo, assim, uma vida agradável e uma gama de histórias para contar. Renata Vasconcelos 6,5

“As Aventuras de Sherlock Holmes”, de Sir Arthur Conan Doyle”, traz o detetive mais famoso da história da literatura mundial, pelas ruas e vielas de Londres, desvendando casos que, aos olhos dos leigos, não têm solução, mas que para ele tem sempre uma solução simples. Tudo começa quando um caso vai até ele (ou vice-versa). Ao ouvir o relatório sobre o acontecido, Holmes busca pistas desde as vestimentas ao comportamento do cliente, buscando, assim, ter acesso a algo útil para a investigação. Mesmo tendo dificuldades em suas investigações, a busca por provas nunca foi um problema para Holmes. Usando de sua memória fotográfica, ele consegue guardar a maior quantidade de informações, sendo sua mente uma arma para solucionar até os piores e mais complicados casos. Nas histórias de Sherlock escritas por Conan Doyle, ele descreve várias aventuras deste desafiador e astuto investigador particular que fez sucesso durante décadas em suas incríveis aventuras em Londres. Renata Vasconcelos 8,0

“Boa Companhia – Haicai”, da Companhia das Letras, organizado por Rodolfo Witzig Gutilla, é uma coletânea de poesias no estilo Haicai, um estilo japonês de poesia que se difundiu no Brasil através de vários autores, tais como Érico Veríssimo, Paulo Leminski, Monteiro Lobato, Afrânio Peixoto, Oswald de Andrade e Millôr Fernandes, entre vários outros nomes de peso na literatura e poesia brasileira. São vinte e quatro autores reunidos nessa coletânea, e logo no início, o organizador Rodolfo Gutilla faz uma breve e esclarecedora introdução histórica sobre o gênero haicai no Japão e seus surpreendentes desdobramentos no Brasil, onde ganhou um bocado de humor bem brasileiro. Estão reunidos neste livro alguns dos melhores exemplos dessas verdadeiras pílulas de poesia concentrada, como Carlos Drummond de Andrade. Monteiro Lobato, entre eles, foi o pioneiro do gênero no Brasil, em 1906. Trata-se de um livro fácil de ler, pois as poesias têm suas estrofes bastante espaçadas uma da outra, e dá uma sensação de leveza na leitura. Para os amantes da poesia é uma boa pedida! Débora Falcão 8,5

Em “Os Segredos da Ficção – Um Guia da Arte de Escrever”, do renomado autor pernambucano Raimundo Carrero (vencedor do Prêmio Jabuti em 2000 e dos prêmios APCA e Machado de Assis em 1999), revela os caminhos da arte de escrever narrativas. Reunindo experiência e técnica a exemplos comentados de diferentes correntes literárias, Raimundo Carrero torna este um livro indispensável à biblioteca daqueles que sonham em ser escritores, autores de livros interessantes, principalmente no gênero ficção. O livro é dividido em três partes: “A Voz Narrativa”; “O Processo Criador” e “A Construção do Personagem”. Possui várias dicas valiosas para organizar as ideias e concatená-las num texto coeso, sem fugir do tema. Numa linguagem de fácil compreensão, este livro não pode faltar na estante. Autores iniciantes que estão lendo esta resenha: eu recomendo bastante o livro. Para aqueles que já acreditam ser bons autores: este livro vai abrir sua mente para compreender que tudo o que você sabe ainda é pouco a saber sobre a arte da escrita. Um livro para ser lido e manter junto para ser consultado a qualquer momento. Débora Falcão 8,5

Após os acontecimentos mais tristes na vida de Louisa Clark, ela tenta seguir em frente em um apartamento pequeno no centro de Londres e um trabalho mais ou menos em um bar no aeroporto. Vivendo uma vida sofrida e normal, ela acaba sofrendo um acidente. Ao se recuperar totalmente de seus ferimentos ela começa a frequentar um grupo de apoio, e neste grupo ela conhece algumas pessoas. Retomando sua vida aos poucos e tendo um relacionamento sério com um bombeiro que a salvou, Lou estava bem até uma garota, se intitulando filha do homem que ela mais amou em toda a vida, aparece e Lou acaba se vendo obrigada a ajudá-la. Muitos acontecimentos assombraram a vida de Louisa Clark, mas ela aprendeu com o seu sofrimento, se motivando então a continuar seguindo em frente, tendo um namorado, uma amiga e um novo emprego esperando por ela do outro lado do oceano, um trabalho no qual só ela sabe fazer com excelência. E esse emprego se resume a cuidar das pessoas e a trazer alegrias para elas, pois isso é o que Lou melhor sabe fazer. Renata Vasconcelos 9,0

Depois de esperar ansiosamente para saber como continuava a intrigante e envolvente história de Guerra Negra, primeiro volume da série “Cidade de Cristal”, finalmente terminei “O Império da Luz”. Aqui encontramos Keren liderando os Rejeitados, após o desaparecimento de milhares de pessoas no dia 31 de dezembro de 2033, chamado Dia da Purificação pela Irmandade da Luz. Junius está no auge de seu poder político. Como secretário da ONU, utiliza seus falsos discursos de paz em rede mundial para hipnotizar as pessoas, levando-as a vê-lo como grande benfeitor da humanidade. Declarado como Filho da Profecia, ele está prestes a assinar um acordo de paz que irá por fim definitivamente à Guerra Negra, mas Keren representa uma ameaça importante em sua trajetória. Além de lutar contra Junius, Keren enfrenta um problema enorme: seu grande amor, Josh, sob o efeito da programação Delta, que tem como único objetivo de vida matar Keren. A trama se desenrola _____

mostrando mais detalhadamente o lado sombrio da Irmandade da Luz, programações mentais violentas baseadas em trauma e sofrimento. Do lado dos Rejeitados, Keren conta com os gêmeos-gênios e a fidelidade de seus amigos, o que não impede que uma pessoa se infiltre no QG e ameace a segurança de todos, justamente quando tudo parece se encaminhar para um grande acontecimento. De novo, a autora Débora Falcão nos deixou com gostinho de “quero saber o que acontece agora”. Assim como Guerra Negra, o livro é muito bem escrito, com uma narrativa fluente. E a autora ainda brinda o leitor com um apêndice sensacional, onde explica o que tem de realidade e ficção na obra, e também suas inspirações para algumas criações. Agora, é só esperar o próximo volume da série! Ana Paula Cury 9,0

“A Sétima Colina” nos apresenta Benjamin, um homem estrategista, corajoso e inteligente que, após ter perdido sua esposa para a Guerra Negra, consegue tomar para si o controle da cidade de Garanhuns, com suas sete colinas, e agora só pensa em proteger seus filhos e seu povo da ameaça da Irmandade da Luz, uma religião que não aceita qualquer outro tipo de crença e para cujos líderes os fins justificam os meios. No comando do exército de rebeldes, Benjamin constrói um verdadeiro forte em torno da cidade, e abastece seu povo em troca de recursos que se tornam valorosos naquela região, como água potável, por exemplo. Por conta de sua bravura e determinação, ele é respeitado por todos, independente de crenças, cargos ou religião. Porém, a chegada de duas gêmeas estrangeiras misteriosas vem para atormentar a mente do comandante, e para confirmar um sonho que ele tivera há pouco tempo. Mesmo sem saber de onde vinham ou quem eram, Benjamin as manteve consigo, e seguiu com seu plano de abrigar os habitantes da região na Sétima Colina, um lugar que há muito vivia nas lendas dos antigos e que se tornou uma verdadeira esperança no caos. Quando a Peregrina chega à cidade, cumprindo uma antiga profecia, tudo fica mais misterioso. O meu primeiro contato com a escrita da autora não poderia ser mais promissor! Com linguagem simples, Débora nos apresenta seu universo e introduz conflitos e elementos de sua trama, com personagens bem construídos na medida certa. O leitor é recompensado com momentos de tirar o fôlego! O spin-off tem apenas quatro capítulos e é um brinde via e-mail para quem comprar um de seus livros. Patrini Viero 9,0

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MANUSCRITOS

um conto de apenas 4 capítulos da autora Débora Falcão, e está disponível para leitura gratuita no Wattpad (Prata Fosca) e na edição #4 (Especial Contos de Fadas) da nossa revista Geração Bookaholic. Débora Falcão

A série “Crônicas da Maldição” apresenta como seu primeiro volume romancista “A Casa Maldita”. Trata-se de uma homenagem a Stephen King, em uma história de arrepiar todos os pelos do corpo. Uma busca implacável, cheia de horrores contraditórios. Jazia a maldita hora em que três historiadores quiseram visitar uma casa do século XVIII. Se buscavam assombração, encontraram muito mais do que isso. Uma história contada de três pontos de vista diversos, passando pelas mais brilhantes mentes tenebrosas e assombrosas. Do autor Arley França, mesmo autor de “A Guerra dos Anjos” (cuja entrevista especial você encontra na edição #4 da nossa Geração Bookaholic). Disponível no site da Amazon. Roberta Costa

Branca de Neve e o seu esposo completam 25 anos de casados. A festa das Bodas de Prata promete ser memorável, com a presença de ilustres convidados, entre eles, as melhores amigas da rainha: Aurora com seu hiperativismo e ansiedade; Rapunzel e suas tranças longas como nunca, causando incômodos, dores no pescoço e deixando-a viciada em bolinhos fornecidos por Alice direto do País das Maravilhas; e Cinderela, sempre esquecida. Mas as coisas não seriam como Branca imaginou, pois uma pessoa que não fora convidada acaba de chegar: Scarlett, mais conhecida como “Chapeuzinho Vermelho”. O que deveria ser uma comemoração acaba sendo um problema, quando Branca flagra seu esposo, o Rei, em uma situação embaraçosa com Scarlett. Parece que as Bodas de Prata estão prestes a virar um pesadelo, principalmente quando três pessoas, que não deveriam ter sido esquecidas, aparecem para destruir de vez aquela festa, sendo uma delas completamente traumatizada por ser comumente esquecida em se tratando de convites para festas; e esse evento marca, na mente de Branca, quem realmente importa para ela. “Prata Fosca – 25 anos após o Felizes para Sempre” é __

Olívia é uma mulher independente, dedicada ao trabalho e à família. Ela não fazia ideia do quanto era emocionalmente dependente do marido, o manipulador Guto Vasconcellos. Em meio ao turbilhão de problemas e acontecimentos misteriosos, ela tem de lidar com o tormento da confusão e culpa, por sentir uma inexplicável atração pela nova professora de jiu-jitsu. Fernanda é uma mulher forte, corajosa, geniosa e envolvente. Acostumada a lutar por tudo o que deseja, ela não vai desistir de conquistar a única mulher por quem se apaixonou. Se vai valer à pena, e como elas vão reagir ao confrontar segredos do passado, você descobre em “DUO Plenilúnio”, da autora Lunnah de Maria. Disponível no site da Amazon. Roberta Costa

“Onde está Vincent?” É o que Amélia pensa quando acorda e percebe que está sozinha, com um livro descansando sobre o peito, pesando e causando a sensação de que algo está muito errado. Benjamin viajou contra sua vontade e ela terminou, mais uma vez, sendo drogada por Vincent. Porém, o maior de todos os problemas é o fato de ela não conseguir se lembrar de quase nada do que fez durante os últimos três dias. Raiva, medo e confusão estão rondando sua mente. O que significará a frase “eu preciso de você, minha princesa”? Por que Amélia sempre se esquece de tudo quando está com Vincent? E qual será a reação de Benjamin quando souber o que houve em sua ausência? Mistérios, grandes revelações e conflitos intensos são a promessa de “Quimera”, segundo volume da série “Asas de Vidro”, da autora Isie Fernandes, disponível para leitura gratuita no site do Wattpad. Roberta Costa

Carlos era um cara comum, afundando em sua rotina. Relatórios infindáveis, pessoas vazias, uma cidade deprimente. Nada fazia sentido e tudo o que ele desejava era ter um pouco de paz. Quem sabe ficar longe de todos. Acontece que, certa manhã, seu sonho se realizou. Ao acordar, ele se viu completamente sozinho no mundo. Mas isso não trouxe a paz que ele esperava, e agora, ele tenta descobrir o significado dessa insólita situação. “1 Dia Sozinho no Mundo”, do autor Carlos Fleury (saga “A Última Era”), está disponível para leitura gratuita no site do Wattpad. Roberta Costa

Charlotte Helstone só precisa dizer a verdade, porém isso pode ser mais difícil do que realmente parece. Depois de ser presa acusada do assassinato de sua madrasta, Charlie terá que provar que não é a real culpada do crime. Mas como se livrar disso, se todas as provas apontam para ela? Para tanto, terá que contar tudo o que aconteceu e que a levou até a cena do crime, inclusive o seu ambíguo relacionamento com seu primo, Jayden Raikkönen. Uma história sensual, envolvente e cheia de mistérios. Ela está esperando o próximo passo dele. E você? Está preparado para adentrar “O Quarto Ao Lado”? Da autora Letícia Godoy, o livro está disponível para leitura gratuita no site do Wattpad. Roberta Costa

Envie o link para compra do seu livro, acompanhado de uma foto em alta resolução (em arquivo JPG e 300dpi) da capa do livro e sinopse (em arquivo de texto), para o endereço de email redacaobookaholic@gmail.com com o assunto MANUSCRITOS.

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Geração Bookaholic – Sua Revista Literária


CAPÍTULO BÔNUS

Por Débora Falcão Todos nós gostamos de ler. Ao menos, se você está lendo a revista Geração Bookaholic, supõe-se que você seja um viciado em livros. E muitos de nós leitores também gostamos de escrever. Acaba sendo um processo natural. Depois de lermos e mergulharmos em tantas histórias, acabamos por criarmos nossos próprios universos, nossas próprias tramas, nossos próprios enredos. E isso nos leva a querer publicar nossos escritos. Temos, então, vários caminhos a percorrer: procurar plataformas independentes – tais como wattpad, fanfictions online, Clubes de Autores, Bookess entre outras – ou correr atrás de editoras para publicar nossas histórias. Mas, antes, é preciso ter certeza de que nossos originais estão bem escritos. Os nossos livros são como filhos, e sempre achamos que eles estão perfeitos, que vão chamar a atenção do público leitor. Mas, e se não estiverem tão bons assim? Como saber? Como ter certeza? Como escrever ficção de forma a ter um livro que seja não só vendável, mas também que prenda o leitor e o deixe completamente cativo de sua história? Ainda bem que contamos com o renomado escritor brasileiro Raimundo Carrero. Ganhador dos prêmios Jabuti (2000 – As sombrias ruínas da alma) e APCA e Machado de Assis (1999 – Somos pedras que se consomem), nasceu no sertão pernambucano em 1947. Deixou para nós, leitores e escritores, um legado. E é desse legado que vamos falar na seção Capítulo Bônus desta edição. Apesar de ser um grande autor, Raimundo Carrero não teve em seu livro “Os Segredos da Ficção – Um Guia da Arte de Escrever” a grande repercussão que merecia. Portanto, ele merece estar em nossa seção Capítulo Bônus, que você confere agora!

SOBRE O AUTOR Raimundo Carrero, 1947, dedicouse aos estudos de criação literária já aos 22 anos de idade. Nessa época, conheceu um livro que foi fundamental e decisivo para seu aprendizado: “Aspectos do Romance”, de Edward M. Forster. Quando o lia, o fazia com atenção, anotando, riscando, acrescentando, apagando. Era um estudo particular sobre como escrever. As lições foram eternas. Por ser sempre muito disciplinado, acabou ganhando com isso. Seus dois orientadores e amigos eram dois dos maiores escritores brasileiros: Ariano Suassuna e Hermilo Borba Filho. Com eles Carrero aprendeu bastante, e ras__

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cunhou vários romances e contos de aprendiz, até alcançar “A História da Bernarda Soledade”, em 1973. Seu primeiro livro de contos, “O Domador de Espelhos”, não foi publicado, pois Carrero o a-chava ainda imaturo. Sua história passa por diversas criações, momentos difíceis de criação, momentos de criação intensa, e publica seus livros mais conhecidos no Brasil, tornando-se, assim, um dos grandes ícones de nossa literatura. Foi quando percebeu então que, diante da falha da escola brasileira no que diz respeito à criação, as pessoas acreditavam demais em talento e inspiração. E que – o que é mais grave – muitas delas foram sufocadas nas salas de aulas, absolutamente bloqueadas. Estavam travadas. Precisava desmanchar o mito de que só algumas pessoas têm capacidade para a invenção. E então nasceu “Os Segredos da Ficção”.

SOBRE A OBRA “Não se pretende aqui ditar normas à criação”, começa o autor em sua primeira página introdutória. “No entanto, é preciso acreditar que o trabalho literário exige disciplina e método. Com rigor. Cada palavra deve ser trabalhada, cada momento, cada circunstância.” (...) “Nenhuma obra nasce do acaso. E não se deseja o retorno a uma espécie de parnasianismo retardado nem a um formalismo insípido e vazio. Muito contrario, proclama-se, inclusive, a oportunidade do erro – desde que tratado conscientemente. Se podemos qualificar o erro, por que tratá-lo como matéria feia, fria, brutal e sombria?” E assim, temos um livro que se torna um oráculo para o escritor. Um livro que todo escritor deveria ter em sua cabeceira. O livro é dividido em três partes: “A Voz Narrativa”; “O Processo Criador” e “A Construção do Personagem”. O autor dá nomes às diversas fases e facetas da criação, como Impulso, Intuição, Técnica, Pulsação Narrativa. Também apresenta aos escritores várias fases da construção de personagens, para que não sejam totalmente maniqueístas e superficiais, criando personagens vivos, reais e verossimilhantes. Classifica, desenvolve, conhece, inicia. Assim, vamos construindo não só personagens mas também enredos completos e complexos para a nossa ficção. Vários textos são examinados através de traduções durante o livro. O autor não dispensa o exemplo de autores consagrados, ainda que com as suas imperfeições. Respeitando as soluções dadas por tradutores, Carrero vai mostrando e ensinando as várias possi_

bilidades de escrita para nos auxiliar em nossas próprias criações. Em “Os Segredos da Criação – Um Guia da Arte de Escrever”, Raimundo Carrero revela os caminhos da arte de escrever narrativas. Reunindo experiência e técnica a exemplos comentados de diferentes correntes literárias, torna este um livro indispensável à biblioteca do autor iniciante.

SOBRE A EDIÇÃO Não há o que dizer muito sobre esta edição. A capa imita o rascunho do próprio livro, com fotos de seu manuscrito original rascunhado, após a revisão do próprio autor, com escritos de caneta de próprio punho. Os capítulos são bem organizados, bem elaborados e são claros para o autor que deseje aprender cada vez mais. É possível ir e voltar nos capítulos, para diante e para trás, sem se perder no meio deles, como num livro didático, de aprendizado da arte de escrever. Trata-se de um guia, como o próprio livro traz em seu subtítulo, onde o autor iniciante (ou não) poderá consultar sempre que possível e necessário. Ler “Os Segredos da Ficção” é aprender, como num curso particular de escrita. Se você é um autor, precisa ter em sua coleção particular um exemplar deste livro. Vale muito à pena! ■


Por Renata Frade Com as bênçãos do Santo Protetor das Obesas Gostosas e Bem Resolvidas, Thati Machado viu seu Poder Extra G se tornar um sucesso de público. Trata-se de uma obra emblemática na história da literatura inclusiva, ou de representatividade, no mercado editorial brasileiro. Associa entretenimento à tomada de consciência a respeito de temas ainda debatidos de maneira árdua na sociedade, os quais a autora niteroiense tira de letra com muito humor e leveza. Cada vez mais surgem lançamentos voltados a esta literatura, sobretudo para o público jovem. Thati Machado conseguiu, em uma curta carreira como escritora, criar um estilo próprio, corajoso para produzir obras que discutem obesidade, sexualidade, igualdade de direitos, empoderamento feminino, entre outros temas tabus que cada vez mais são encarados com naturalidade por autores e leitores. Em meio à rotina puxada de compromissos de promoção do livro e na conclusão de seu próximo título, Singular, ela concedeu esta entrevista à Geração Bookaholic. Se você não a conhece, fique ligado! Se já é fã, pode encontrar surpresas e detalhes de uma criadora que tem muito a dizer!

e nunca me deparei com uma protagonista que se assemelhasse a mim. Isso é bastante frustrante, pois faz parecer que você não é digna de protagonizar uma história bacana e que, para tal, você deve estar dentro de um padrão que, convenhamos, é surreal. Depois de criar a Nina, pensei: “Por que não incluir mais gente que, normalmente, é marginalizada?”. Ao invés de jogar as pessoas diferentes para as margens, resolvi abraçá-las e colocá-las em meus livros. Isso, inclusive, começou antes de “Poder Extra G”. “Com Outros Olhos” (romance independente), por exemplo, é protagonizado e narrado em primeira pessoa por uma jovem cega. O livro também aborda, sutilmente, a questão do racismo. Essa mesma obra será lançada em formato de audiolivro pela Ubook. É tanta representatividade que só posso ficar satisfeita com o resultado. Achar uma editora para publicar a obra foi difícil, mas não apenas pelos assuntos abordados. Sou uma escritora iniciante e estou há apenas dois anos no mercado. Felizmente, a Astral Cultural me recebeu de braços abertos e aposta muito em literatura de representatividade. Seu livro abraça a igualdade entre as pessoas para serem quem são, para amar, escolher caminhos na vida, profissionais, pessoais, e as diferenças são incorporadas como semelhanças, pois tanto personagens quanto leitores, todos nós somos pessoas com as mes__

“Muitas mulheres descobriram que a gorda não serve apenas para aquele papel ridículo da melhor amiga encalhada ou da derrotada preguiçosa.” Thati Machado

A literatura inclusiva, ou de representatividade, tem crescido muito nos últimos dois anos, graças ao surgimento de editoras e novos selos que encontraram esta grande demanda então reprimida de leitores que não se reconheciam na ficção. Quando foi o momento, situação, que se tornou uma guinada para não só se tornar autora, mas para escrever uma ficção de entretenimento (Poder Extra G), que tem como protagonistas uma jovem gorda e muito feliz com sua aparência e jeito de ser, além de um transexual? Poderia falar sobre o processo de criação deste livro e como foi o caminho até a edição? Foi difícil ou fácil encontrar uma editora? Thati Machado: Comecei a escrever “Poder Extra G” na tentativa de, finalmente, me sentir representada em algum romance. Sempre li muito _

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mas condições humanas. Como tem sido a receptividade do público desde que lançou? Poderia destacar depoimentos mais impactantes que tenham sido recompensadores por esta escolha como autora? TM: “Poder Extra G” tem empoderado muitas pessoas (principalmente mulheres) por onde passa. Desde que publiquei a obra no Wattpad, tenho recebido um feedback incrível, pois assim como eu, outras mulheres estão finalmente se sentindo representadas. É importante mencionar que a Nina, protagonista da trama, é uma mulher bem sucedida profissionalmente, além de ser muito divertida, autoconfiante e sexy. Depois dela, muitas mulheres descobriram que a gorda não serve apenas para aquele papel ridículo da melhor amiga encalhada, ou da derrotada preguiçosa. Por causa da obra, recebi diversos depoimentos emocionantes. Teve leitora fazendo as pazes com o espelho; finalmente tomando coragem de usar um biquíni ou um cropped; rompendo com um relacionamento abusivo; teve até uma que me contou que estava namorando um cara trans e que a história tinha ajudado muito no quesito empatia. Como escritora, isso é tudo o que eu podia querer.

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Seu próximo lançamento, Singular, será um conteúdo estendido do universo de Poder Extra G. Além dele, pretende lançar outros livros que sejam continuidades do primeiro? Caso sim, por quê? TM: “Poder Extra G” seria uma história de volume único, a princípio. Isso mudou porque durante o processo de escrita da obra recebi diversos pedidos para que contasse mais detalhadamente a história do Noah e da Marcela. Não estava nos meus planos, confesso, mas fiquei extremamente grata por perceber que as pessoas criaram tanta empatia pelos meus personagens a ponto de quererem saber mais sobre eles. Por isso, “Poder Extra G” acabou virando uma trilogia, onde cada livro será narrado por um personagem diferente. “Singular”, segundo livro da série, é narrado pelo Noah e tem previsão de ser lançado este ano. Já “A Rainha do Pouco Caso”, terceiro e último da série, narrado pela Marcela, ainda será escrito! O mercado editorial busca rótulos para auxiliar a venda de seus produtos. Você se considera uma autora de gênero, ou pretende abordar as temáticas deste universo além de outras em seus livros? Como você define sua identidade literária? TM: Eu me considero uma escritora de entretenimento que preza pela representatividade. Independente do gênero que esteja escrevendo, tento sempre trazer pessoas reais para minhas histórias. Quais são os maiores desafios para um autor que aborde questões de gênero e de inclusão e quais são as maiores recompensas? TM: Para escrever sobre temas tão atuais é preciso estar sempre atualizada. Para isso, faço constantes pesquisas e acompanho diversas figuras de extrema importância no meio. A maior recompensa, para mim, é receber o feedback de alguém que se sentiu (bem) representado. Quais são suas maiores influências literárias dentro e fora do país (pode englobar na litera-


tura inclusiva)? TM: No quesito representatividade, admiro o trabalho do David Levithan, que escreve literatura jovem adulto com temática LGBTT*. Também fiquei encantadíssima pelo livro “A Arte de Ser Normal”, da Lisa Williamson. Também se trata de um jovem adulto, mas protagonizado por duas pessoas trans. No Brasil, acho que ainda estamos engatinhando nessa área, mas o mercado tem nos dado cada vez mais espaço, o que é inspirador. Quais livros de literatura de gênero recomenda a leitores e por quê? TM: Sem querer, acho que acabei respondendo essa pergunta na anterior (risos). Eu recomendo “A Arte de Ser Normal”. É um livro jovem, contemporâneo, muito envolvente e o principal: cheio de representatividade. Quando o assunto é a representatividade da mulher gorda, recomen-do, além de minhas obras, “Amor Plus Size”, da Larissa Siriani. Inclusive, estamos juntas em um projeto chamado GPower, que também vai virar livro, e conta com a participação das escritoras Mila Wander e Janaina Rico. Quando você escreve um livro, você pensa em legado, sente que tem uma responsabilidade social como autora, ou apenas foca na produção de bons romances? TM: Entreter é bom, mas entreter com conteúdo _

é melhor ainda. Eu sempre tento trazer questões que considero importantes para as minhas obras, na tentativa de plantar uma sementinha na cabeça do leitor, por menor que seja. Aprendi que a empatia pode mudar o mundo, então por que não gerá-la através das minhas palavras? O que um autor de literatura de representatividade deve e nunca deve fazer ao produzir um romance? TM: Para abordar a representatividade, acho de extrema importância reconhecer os próprios privilégios e nunca diminuir a luta de outras pessoas. Não vale dizer “eu sei pelo que você passa” se essa vivência não é sua. Você pode tentar entender e criar empatia, mas só quem vive na pele é que sabe de verdade. Você desenvolve projetos literários de cunho social ou educacional que envolvam a questão de representatividade e inclusão? Caso sim, poderia falar quais são e de que forma? TM: Desde que comecei no mercado literário, tenho visitado escolas e universidades propondo debates sobre os temas abordados em minhas obras. É importante ressaltar que não é todo colegio que está pronto para receber e debater tais assuntos com

seus alunos, mas acredito que, aos poucos, estamos tendo evoluções.

“Desde que comecei, tenho visitado escolas e universidades propondo debates sobre os temas abordados em minhas obras. Não é todo colé-gio que está pronto para debater tais assuntos, mas acredito que estamos tendo evoluções.”

Sua carreira literária é bem recente e já vitoriosa. Quais são seus maiores desafios e sonhos como autora? TM: Espero, algum dia, conseguir viver apenas da minha escrita. Em um país onde pouco se lê, sei que é difícil, mas tenho trabalhado arduamente para isso e não pretendo parar. Também sonho em ver minhas obras ganhando outras mídias, como a TV, ou o cinema... Seria muito bacana! ■

Thati Machado Você encontra a Thati Machado tanto nas redes sociais quanto em seu blog, o “Nem Te Conto!”. Thati aborda assuntos tais como obesidade, sexualidade, igualdade, preconceito e autoestima. Os livros da autora estão disponíveis para compra no blog da autora e também no site da Amazon. A autora promove em seu blog assuntos diversos dentro das temáticas propostas, além de promover projetos literários, apoio a escritores nacionais e iniciantes, entre outros. Para encontrar a autora, adquirir seus livros ou convidá-la para eventos e palestras em escolas, universidades e encontros literários, você poderá encontrá-la através da guia de contato em seu blog e também nas diversas redes sociais que a autora participa. Thati Machado é extremamente solícita em responder às questões mais diversas.

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Por Renata Frade

Em tempos de crise no mercado editorial brasileiro, como em muitos outros segmentos da economia, existem empreendedores que, com inovação, garra e visão, conseguem fazer das dificuldades oportunidades para a realização de sonhos disruptivos. É o caso de Juliana Albuquerque, editora da Hoo, primeira no país a publicar livros exclusivamente ligados à temática LGBTT. Confira na entrevista a bonita história da empresa e porque, cada vez mais, destaca-se no cenário nacional de livros. A Hoo Editora surgiu com a proposta de ser a primeira no país a publicar literatura com temática LGBTT para todo o mundo e acabar com a heteronormatividade na literatura, conforme a apresentação no site. Cada vez mais este segmento de leitores está se tornando uma massa de consumidores, saindo de guetos e ganhando representatividade em prateleiras de livrarias, selos em grandes editoras. Poderia falar sobre como a proposta da editora foi aceita e sua evolução? Juliana Albuquerque: Nossos livros são mais bem aceitos pelo público LGBTT, é verdade. Mas nossa proposta de aumentar a representatividade LGBTT na literatura se mantém. Nosso ideal é que todos os leitores consumam literatura LGBTT assim como consomem literatura hétero. E temos conseguido alcançar esse objetivo por meio das grandes redes de livrarias: o público dessas lojas é bem diverso e tem acesso aos nossos livros assim como a todo o tipo de literatura. Alguns títulos da Hoo obtiveram grande destaque junto a formadores de opinião e de vendas. Poderia falar um pouco sobre essas conquistas, como estes títulos chegaram a vocês e como essa repercussão pode abrir portas para outros desafios? Juliana: Atualmente o livro “E se eu fosse puta”, da Amara Moira, é o mais vendido de nosso catálogo. Conhecemos a Amara quando uma amiga indicou o blog dela. Li os primeiros posts e fiquei totalmente hipnotizada por aquelas histórias. Fiz contato com ela na mesma hora e alguns dias depois estávamos almoçando e discutindo a possibilidade de publicarmos um livro dela. E, sem dúvida, “E se eu fosse puta” abriu as portas para novos desafios. Por intermédio da Amara, conhecemos outras pessoas com histórias incríveis para contar. E também conseguimos divulgar ainda mais nosso nome no mercado, o que acabou atraindo autores também. Nosso último lançamento, o “Diário de P. Landucci”, também já começou fazendo barulho no mercado. Esse título ficou em primeiro lugar dos Mais Vendidos da Livraria Cultura na primeira semana de prévenda. A tarde de autógrafos aconteceu no dia 26 de novembro, às 13h, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, e foi um sucesso de público e vendas. Vocês pretendem investir em leitores infantojuvenis? Caso sim, existe algum tipo de critério específico para aquisição de títulos, ou seguem o mesmo critério dos demais adquiridos? Juliana: Atualmente, temos dois livros infantojuvenis no catálogo: “Volto Quando Puder”, da Isa Prospero e da Márcia Oliveira, e “O Livro das Coisas que Nunca Aconteceram”, da Ana Luiza Savioli. Ambos foram muito bem recebidos tanto _

por leitores quanto por booktubers (confira o vídeo da Tatiana Feltrin: https://www.youtube. com/watch?v=c-Au7yxOKvg). Isso é muito recompensador, pois sabemos que os jovens leem muito e são bastante exigentes. E temos planos de publicar livros infantis ano que vem. A ideia é sempre selecionar originais que tratem de temas LGBTT, do ponto de vista da diversidade, que discutam a inclusão, as diversas famílias, o amor, entre outros temas pertinentes para a educação de jovens e adolescentes. Quais são os critérios de publicação da Hoo? O que um autor que admire a editora deve fazer para submeter um original? Há algum tema proibido? Juliana: O primeiro critério é a temática LGBTT. A obra deve, necessariamente, discutir algum aspecto dentro dessa temática. A princípio, não há temas proibidos, mas barramos obras que trazem machismo, que perpetuem estereótipos de gênero ou orientação sexual, entre outros preconceitos. Caso algum(a) escritor(a) queira submeter seu original à nossa avaliação, deve enviar um PDF com um trecho da obra, além de uma apresentação da obra e do(a) autor(a) para o email: juliana@hooeditora.com.br. Existe algum projeto de educação e adoção de livros da Hoo em escolas, ou isto ainda é um passo futuro? Juliana: Ainda é um passo futuro. Os primeiros passos da editora foram no sentido de se conso_

“Queremos formar leitores conscientes, que problematizam as questões de gênero e se sintam representados ao abrir um livro.” Juliana Albuquerque, Hoo Editora lidar no mercado. Mas temos, sim, um projeto para este ano, que envolve material para os pais e professores e, consequentemente, programas para adoção escolar de alguns de nossos títulos. Qual é o legado dos livros publicados pela Hoo para o mercado editorial e sociedade brasileiros? Juliana: Gostaria que o primeiro legado fosse desbancar a heteronormatividade. Sempre que se fala em “um casal”, por exemplo, a imagem que ainda vem à cabeça da maioria das pessoas é um casal hétero, composto de duas pessoas cisgênero. Dificilmente a pessoa imagina um homem cis e uma travesti, ou duas mulheres cis, ou um homem trans e uma mulher cis, ou dois homens cis, ou... Viu só como as possibilidades são muitas? Por que a gente insiste em limitar tudo ao ponto de vista cis heterossexual? Então, publicar livros que tentem dar conta dessa diversidade toda é fundamental, tanto para o mercado editorial quanto para a sociedade. E, claro, queremos formar leitores conscientes, que problematizam as questões de gênero, que se sintam representados ao abrir um livro e deparar com uma história parecida com a dele. Não é uma delícia quando isso acontece? O livro “E se eu fosse puta”, por exemplo, apresentou para os leitores uma travesti, doutoranda da Unicamp, pros tituta e escritora de altíssimo nível. Foram vários _

eventos e noites de autógrafo pelo Brasil, em que muitas travestis ocuparam espaços que geralmente são negados a elas por nossa sociedade transfóbica. O teatro Eva Hertz, da Livraria Cultura do Conjunto Nacional, ficou lotado na noite de autógrafos, e no palco havia duas prostitutas (Amara Moira e Monique Prada), uma jornalista e escritora feminista (Clara Averbuck), uma cantora e compositora travesti (MC Linn da Quebrada) e uma travesti cartunista (Laerte Coutinho). Na plateia, homens e mulheres trans, gays, lésbicas e bissexuais lotaram o teatro. Foi uma grande conquista para a editora ocupar de maneira tão contundente um espaço que pode ser lido como tradicional em muitos aspectos. Quais são os objetivos da Hoo, projetos de expansão que possam ser revelados? Juliana: Em breve teremos novidades para contar, mas por enquanto não podemos divulgar os projetos. Poderia mencionar qual é o leitor predominante da Hoo, ou esse perfil é bem diversificado? Juliana: Olha, o nosso público é bem diversificado, mas diria que uma grande parcela é de mulheres. Em termos de faixa etária, a maior parte dos(as) nossos(as) leitores(as) tem entre 18 e 30 anos. É possível dizer que já existe disputa para aquisição de autores nacionais de literatura de gênero entre as editoras? Juliana: Ainda é pouca, mas existe. Principalmente das pessoas que estão em evidência na mídia e na internet. Os youtubers, como sensação do momento, são bastante disputados pelas editoras. Mas infelizmente os escritores nacionais ainda não são muito valorizados no Brasil. As editoras costumam dar mais atenção aos títulos estrangeiros. Onde podemos comprar os livros da Hoo? Juliana: Nossos livros físicos estão à venda nas lojas físicas e nos sites da Livraria Cultura, na Martins Fontes, na Livraria da Vila, na Livraria Travessa, na Blooks (SP e RJ); e também no site da Livraria Saraiva e Amazon brasileira. Em breve estaremos com livros nas lojas físicas da Saraiva também. E nossos livros digitais estão em todas as redes, inclusive Amazon, Google Play e Apple Store. Deixe uma mensagem para os leitores! Juliana: Leiam sempre e cada vez mais! E nunca deixem que te digam o que é certo ou errado quando se trata de leitura. Leia o que você gosta, precisa ou simplesmente queira ler. E viva a diversidade! ■


INSPIRAÇÃO LITERÁRIA ÚLTIMA PRATELEIRA 38

O Mito das Sereias Por Débora Falcão

A ORIGEM DO MITO

tando a todos os seres vivos não aquáticos que ficaram fora da arca. Teria sido por isso que as mães dos Nephilim teriam sido transformadas em sereias? Teriam elas sobrevivido e dado origem a tantos mitos espalhados pelo mundo, como o mito das sereias na mitologia grega? As sereias sofreram diversas modificações ao longo de séculos de tradição oral e escrita. Em algumas culturas, as sereias são seres belos e encantadores. Em outras, são monstros aterradores. Mas a maioria concorda que elas seduziam os marinheiros para que morressem afogados ou com seus barcos destruídos em áreas de arrecifes, rochas e penhascos. Nada disso é mencionado no primeiro relato, de Enoque, mas é mencionado em outros livros.

do tanto quanto a sua própria fonte de inspiração. Podemos citar algumas outras obras que se inspiram nesse mito, tais como: “A Dríade do Mar”, de Débora Falcão (disponível para leitura gratuita no site da autora – EstradaEscrita.blogspot.com); “O Canto das Sereias”, novela exibida na extinta Rede Manchete; “Splash, Uma Sereia em Minha Vida”, filme icônico com Tom Hanks em início de carreira; um episódio de “Supernatural”, tratando as sereias como seres monstruosos que se transmutam em seres belos e atraentes para seduzir suas vítimas; entre tantos outros livros e filmes que ficaram conhecidos nos anos 1990 por passarem em looping na Sessão da Tarde, da Rede Globo. Sem dúvida, as sereias são ainda um mistério e uma fonte de inspiração para tantas e tantas obras de arte pelo mundo até os dias atuais. ■

Encantadoras, destruidoras, belas, feias, não importa. O mito das Sereias está permeado de diversas lendas no mundo inteiro, e vem influenciando diversas obras não só literárias, mas em outras vertentes artísticas. Há quem diga que seu surgimento se deu na mitologia grega, recheada de seres metade peixe, metade humano. Mas há uma origem ainda mais antiga que essa. No misterioso livro apócrifo de Enoque – aquele mesmo livro que conta a história do surgimento dos Nephilins, bem como a queda dos anjos que se atraíram pelas mulheres da terra – há a primeira menção das tais criaturas marinhas. Ser transformadas em sereias foi o INSPIRANDO OUTRAS OBRAS castigo dado por Deus para as mulheres que se deitaram com anjos sentinelas, As sereias inspiraram muitas ogerando, assim, os seres híbridos, al- bras. Dentre elas, a mais recente se trata guns deles se tornando aberrações, co- da série de literatura moderna e fantástimo os gigantes. ca de Tricia Rayburn, a trilogia “Sereia”. Não há detalhes no livro sobre co- Os três livros – “Sereia”, “Encanto” e mo seriam essas sereias, se elas real- “Profundezas” – contam a história de Vamente teriam a aparência que os gregos nessa, uma garota que acaba de descoderam a elas em sua mitologia (metade brir ser uma filha de sereia, e deve paspeixe, metade mulheres), mas se sabe sar pelo processo de transformação ou que, logo após o castigo dos Nephilim poderá morrer. O problema é o que as (lutarem até morrerem) e dos anjos (as- sereias fazem para viver: seduzem e masistirem seus filhos morrerem por suas tam os homens de uma cidade litorânea. próprias mãos e também serem acorrenHá inúmeros livros que contam a tados até o julgamento), aconteceu o fa- história das sereias. Clássicos ou modermoso dilúvio, quando as águas dos rios, nos, esses livros mexem com o imaginámares e céus encheram toda a terra, ma- rio das pessoas, fascinando e encantan_ _ Nesta seção contamos um pouco sobre várias obras inspiradas em um livro, ou vários livros inspirados em uma obra, não exatamente literária. Mande sua sugestão para redacaobookaholic@gmail.com

Fortaleza Digital Dan Brown Por Débora Falcão

depara com um novo código que não pode ser quebrado, a agência recorre à sua mais brilhante criptografa, a bela matemática Susan Fletcher. Presa numa teia de segredos e mentiras, sem saber em quem confiar, Susan precisa encontrar a chave do engenhoso código para evitar o maior desastre da história da inteligência americana e para salvar a sua vida e a do homem que ama.

sendo adaptados para o cinema – tendo sua última adaptação em 2016 com o livro “Inferno”.

DETALHES Dan Brown conserva no livro as suas principais características de outros sucessos de vendas: capítulos curtos, acontecimentos marcantes, final inusitado e, principalmente, personagens dúbios e lugares reais, com riqueza de detalhes. Aliás, o livro passeia por vários locais, tais como Sevilha, na Espanha; Tóquio, no Japão, e Estados Unidos. Um livro rápido e fluente, como todos os outros, que preza pelos detalhes como sendo essenciais para a solução do caso. Um livro tão surpreendente quanto os demais livros do autor. ■

Todo mundo conhece ou já ouviu falar do autor Dan Brown. Seus livros alcançaram marcas impressionantes de vendas em todo o mundo, e a coleção que compreende o personagem Robert Langdon tem sido sucesso de bilheteria nos cinemas. Mas o que poucas pessoas sabem – ou dão o devido valor – são as obras que não compreendem esse universo. E nesta edição do Última Prateleira trouxemos para vocês o livro “FortaleAS CRÍTICAS za Digital”, um livro que teve pouca projeSegundo o The Midwest Book ção, mas que merece muito ser lido. Review, “Fortaleza Digital é o melhor e mais realístico suspense tecnológico lanA OBRA çado em muitos anos. A habilidade de Em “Fortaleza Digital”, Brown mer- Dan Brown para tratar do conflito entre gulha no intrigante universo dos serviços as liberdades individuais e as questões de informação e ambienta sua história na de segurança nacional é impressionante. ultra-secreta e multibilionária NSA, a Impossível não ficar arrepiado a cada páAgência de Segurança Nacional america- gina”. na, mais poderosa do que a CIA ou qualEsta é apenas uma das críticas esquer outra organização de inteligência do pecializadas na literatura moderna. Publimundo. cado no Brasil pela editora Sextante em Quando o supercomputador da 2005, não teve o mesmo sucesso de NSA, até então considerado uma arma vendas do carro chefe “O Código da Vininvencível para decodificar mensagens ci” e outros livros do autor, como “Anjos e terroristas transmitidas pela Internet, se Demônios” e “Inferno”. Estes três últimos __ _ Nesta seção, falamos a respeito de um livro que não teve muita projeção, mas merece ser lido.

Geração Bookaholic – Sua Revista Literária


Por Maria Lygia Ela cresceu cercada de livros. Filha e neta de professoras de Português, começou a escrever histórias praticamente na mesma época em que aprendeu a ler e a escrever. Sucesso com a série “Crônicas de Táiran”, agora está também com a série em andamento “Filhos do Acordo”, já abarcando leitores por diversas partes do Brasil. Se você ainda não conhece os livros, esta entrevista com a autora Thaís Lopes fará você mergulhar num universo cheio de romance e aventura. Preparado? Então vamos lá!

crever esta história? TL: A ideia de “Filhos do Acordo” apareceu já faz um bom tempo, na verdade. Amo ficção científica, e nos últimos três ou quatro anos andei lendo umas tantas séries de romance sci-fi. Gostei da mistura, suas possibilidades, e resolvi tentar fazer alguma coisa assim. Escrevi dois começos de livro, que mal passaram das cinco páginas antes de eu travar, e acabei desistindo. Meses depois, logo antes do lançamento de “O Despertar da Força”, aconteceu uma maratona de Star Wars aqui, e eu fui com uma amiga. Entre comentários, surtos e brincadeiras, brotou outra ideia. Mas eu já estava meio desanimada com isso, então fui deixando para lá. Até que no carnaval, esta mesma amiga e eu saímos com um bloco de Star Wars (não sou fã, imagina!). Acabei pensando mais sobre o projeto, comentando umas ideias com ela, que adorou – e até escreveu uma cena que aproveitei em Kernos). Demorou para eu criar coragem e começar a escrever mesmo, mas depois que comecei, a história rendeu quase como se tivesse vida própria. Essa série está sendo a mais divertida de escrever, principalmente por causa da farofa de referências que eu estou jogando (protagonistas nerds dá nisso!). São histórias um pouco mais leves que o meu normal, com um foco muito maior no romance que nos conflitos, e no fim das contas, está sendo muito melhor de trabalhar do que eu pensei que seria.

“Se era livro, e minha mãe não escondia por não ser próprio para minha idade, eu estava lendo.” Thaís Lopes Quem é a Thaís Lopes, pelo seu próprio ponto de vista? Thaís Lopes: Uma louca tagarela com probleminhas de excesso de imaginação. (risos) Qual foi a inspiração quando criança para escrever um livro? Nesta mesma época, quais eram seus interesses literários (livros, autores etc.)? TL: É até complicado falar de inspiração. Cresci cercada por livros e lendo. Minha mãe é professora de Português... Minha avó era professora de Português... Então, os livros sempre foram uma parte muito importante da minha vida. Comecei a escrever histórias basicamente na mesma época em que aprendi a escrever. O primeiro livro mesmo comecei quando tinha uns dez anos de idade, por causa de um sonho que eu tinha com muita frequência. Um tempo depois, quando eu tinha doze anos, li “O Senhor dos Anéis” que acabou influenciando bastante a reescrita dessa história e as continuações. Mas nessa época eu lia qualquer coisa que aparecesse na minha frente. Julio Verne, Agatha Christie, coleção Vagalume, clássicos da literatura nacional... Se era livro e minha mãe não escondia por não ser para minha idade, eu estava lendo. Fale-nos um pouco sobre “Filhos do Acordo”. De onde surgiu a ideia e como está sendo es_

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Geração Bookaholic – Sua Revista Literária

Kernos é um personagem forte e quente. Você se inspirou em alguém para construí-lo, ou mesmo, quem sabe, seria este o seu modelo de companheiro? TL: Honestamente? Se eu tivesse me inspirado em alguém, eu não estaria solteira (risos). Eu costumo criar meus personagens pensando nas características que preciso para a história e para o casal funcionarem. Não digo que seria meu modelo de companheiro, mas não acharia nem um pouco ruim se encontrasse um cara assim na vida real (risos). No livro “Kernos”, primeiro livro da série “Filhos do Acordo”, a personagem Gabi foi raptada por extraterrestres, e em vez de entrar em desespero, ela agiu com a razão e raciocínio. No lugar dela, o que você teria feito? TL: Essa é uma das coisas que a Gabi e eu temos em comum. Eu provavelmente teria mais sangue frio do que ela, aliás. Se entrar em desespero não vai adiantar de nada, para quê vou perder tempo? Gabi tem algumas coisas em comum com você, como a imaginação hiperativa. Este foi um toque seu que adicionou à personagem ou foi apenas coincidência? TL: A Gabi é uma mistura de características minhas e de uma amiga, que, por acaso, tem um bocado de coisas em comum comigo, incluindo a imaginação hiperativa. Alguns de seus amigos fazem parte das histórias através de seus personagens. Como é, para você e para eles, lidar com isso? TL: Eu ainda acho estranho os amigos loucos se oferecerem para ser um de meus personagens (especialmente quando eu falo que tenho vaga para um personagem que vai morrer em algum livro e, mesmo assim, eles começam a se oferecer). São poucas as vezes que transformo os amigos em personagem para valer. Normalmente uso só o nome, ou uma ou outra característica. Quando eles realmente viram personagens, sem_


pre falo que vai ter mudanças, que posso acabar fazendo alguma coisa que não concordam, mas que preciso para o andamento da história. No fim das contas, eles são a base para eu construir o personagem, mas não garanto que vai ser 100% eles. E até agora, as amigas que viraram personagens gostaram bastante. O que podemos esperar para este ano? TL: Estou com muitos planos para este ano, a ___

questão é só ver até onde vou conseguir seguir com o que planejei. “Darius”, o segundo livro de “Filhos do Acordo”, vai ser lançado este mês. “Guardiã”, último livro desse arco das “Crônicas de Táiran”, já está para ser lançado mês que vem (e o box em e-book da série também). Devo lançar até o livro 5 de “Filhos do Acordo”, e, possivelmente, começar uma nova série. Dos físicos, é certeza que vai sair “Protetora” e, possivelmente, “Nilue” e “Kernos”.

Deixo este espaço para que você deixe uma mensagem para os leitores da revista Geração Bookaholic. TL: Muito obrigada por serem parte do meio literário. Pode ser a coisa mais clichê do mundo, mas sem leitores, não seríamos escritores. Então, se continuamos escrevendo, em grande parte é por causa de vocês. Obrigada! É isso aí. Para encontrar os livros da Thaís Lopes, basta procurar nos principais sites de venda de e-books pela internet. A autora é super simpática e atende, na medida do possível, às mensagens de seus leitores através das redes sociais. Se você quiser deixar um recadinho, basta procurá-la por lá. E tenha uma boa leitura! ■

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JULIANA SKWARA: CONTOS DE ARREPIO

LIVROS DE CABECEIRA

Por Helena Souza “Maratona do Terror: Perdidos – Contos de Arrepio” é o primeiro livro da autora Juliana Skwara, e foi publicado na Bienal do Rio de Janeiro em 2015. Juliana o escreveu numa oficina de contos de sua faculdade. Juliana cursa Letras na UFRJ e foi inspirada por séries dos anos 90, como “Clube do Terror”, “Goosebumps”, “The Haunting Hout” e “Twilight Zone”, bem como filmes dos anos 80. Já participou de diversos eventos com “Contos de Arrepio” e ainda continua na lista dos e-books de terror de dar calafrios mais vendidos na Amazon. E agora, Juliana Skwara traz para a gente seu TOP 5, os seus cinco livros de cabeceira, para você curtir. Confira!

HARRY POTTER J. K. Rowling Poderia citar um deles, mas seria uma maldade muito grande. Então, deixo a saga inteira em primeiro lugar. HP mudou a minha vida e se tornou um dos meus livros favoritos. Amo a narrativa, a mitologia criada por J.K. e as lições que a história nos passa e carregamos em nossos corações.

ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS

LEWIS CAROLL

ferências a músicas e culturas pop, e isso Agatha ter o título de rainha do crime me deixou imensamente feliz. Mas um dos não é à toa. Nunca vai existir escritora motivos para ter gostado tanto é que, além como ela. da escrita gostosa, irreverente e, de vez em quando, irônica, o livro tem muito dos A HISTÓRIA ESQUECIDA DA anos 80. Aquele clima de nostalgia e de aHOSPEDARIA NA ESTRADA ventura que só encontramos nos filmes da C.A. Saltoris década perdida. Meu conto favorito é “Magia para Iniciantes”, que conta a história de um grupo de amigos que se reúne para assistir “A Biblioteca”, série favorita deles, estrelada por uma raposa detetive, e se metem em altas aventuras por conta disso. Eu que sou fã de séries, super me identifiquei e, em alguns momentos, me senti como se estivesse ao lado deles, curtindo os episódios e vivendo aquela história muito louca, diga-se de passagem.

É um dos livros que mais amo, desde criança. Aos seis anos, ao invés de ficar por aí carregando uma boneca, eu gostava de andar com um exemplar detonado da Alice, que era da minha tia e em pouco tempo eu adotei. Um dos ASSASSINATO NO EXPRESSO motivos para a história ser uma das miDO ORIENTE nhas favoritas é que o livro é todo fofo, Agatha Christie lúdico e narra a trajetória da descoberta de Alice sobre si mesma. Diferente de É um dos meus livros favoritos e foi escrito outras personagens, ela não precisa de pela Agatha Christie, de quem sou muito uma história amorosa para que se torne fã. Adoro a forma como ela elabora suas importante. Alice brilha sozinha. tramas e os mistérios. O que mais me deixa louca nesse livro é que ele se passa O ESTRANHO MUNDO DE ZOFIA em um trem, e eu sempre tive muita Kelly Link curiosidade em histórias que se passam no trem, principalmente as que envolvem É um livro de contos, fantasia urbana e mistérios e assassinatos. O final é eletrimuito “non sense”. O livro é cheio de re- zante e a gente tem que concordar que _ ____

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Geração Bookaholic – Sua Revista Literária

O livro é escrito pela C.A. Saltoris, uma autora brasileira que mora na Alemanha. Já imaginou uma história contada pelo tempo? Pois então, aqui é o Tempo que conta uma história de amor, terror, morte e sonhos mortos em uma hospedaria sombria. Eletrizante, enigmático e muito sombrio. É um livro muito gostoso e que sempre curto reler de tempos em tempos. ■


CAFÉ LITERÁRIO

SEGUNDAS INTENÇÕES Data: 26/11/2016 Local: Biblioteca de São Paulo Autor Convidado: Antonio Prata Entrada: Gratuita Por Cláudia Marini Leonardi Todos os meses acontece na Biblioteca de São Paulo o evento literário “Segundas Intenções”. Em novembro, pude participar mais uma vez, desta vez ele teve como convidado o escritor Antônio Prata, com mediação do jornalista Manuel da Costa Pinto. Eu adoro e participo do evento sempre que posso, e este foi muito especial, pois adoro a escrita do autor e o acompanho desde o início. Além de talentoso, o escritor é muito simpático. Antônio Prata é autor do livro “Trinta e Poucos – Crônicas”. ■

DEBATE “O PAPEL DA TV NO ACESSO A GRANDES OBRAS LITERÁRIAS” LANÇAMENTO DO PROJETO ASSISTA A ESSE LIVRO Data: 07/12/2016 Local: Instituto Europeo Di Design (IED-Rio), na Urca Promoção: Rede Globo Por Flora DeAbaco Como parte das ações de lançamento do projeto “Assista a Esse Livro”, a Rede Globo promoveu na manhã do dia 07 de dezembro o debate “O Papel da TV no Acesso a Grandes Obras Literárias”, no Instituto Europeo Di Design (IED-Rio), na Urca. O encontro – que abordou a formação de novos leitores e a importância das adaptações televisivas – reuniu o escritor Milton Hatoum, autor do romance “Dois Irmãos”; a roteirista e autora da minissérie homônima Maria Camargo, exibida na emissora no mês de janeiro deste ano; o autor Fernando Bonassi e o jornalista e editor Paulo Werneck, com mediação do jornalista e escritor Edney Silvestre. Durante o evento foi apresentado um protótipo do e-book hiperlinkado, ação inédita que faz parte da plataforma de “Assista a Esse Livro”. Em parceria com a Companhia das Letras, o primeiro título a ser relançado em formato eletrônico será “Gabriela, Cravo e Canela”, de Jorge Amado. Transformando páginas de livros em imagens e som, o leitor poderá navegar no universo da história enquanto assiste às cenas exibidas pela Globo na adaptação do clássico brasileiro. Diante de uma plateia formada por booktubers e convidados, Maria Camargo destacou a importância das adaptações televisivas não apenas para a geração de novos leitores, mas também, de novos espectadores. “Esses produtos são uma forma de conquistar novos públicos de TV, pois experimentam mais em formatos, usos da linguagem, mas sem perder a sofisticação da literatura”. Na parte da tarde, estudantes e professores de cursos como moda, design, arquitetura e comunicação social participaram de um bate-papo criativo sobre a história do figurino e sobre cenografia a partir das inspirações e criações de “Dois Irmãos”. A exposição que leva o público a um passeio através das produções da Globo nascidas a partir de grandes textos literários ficou aberta ao público ainda na quinta e sexta-feira, dias 08 e 09, com entrada franca. O público pôde visualizar os vários figurinos expostos de outras adaptações da emissora. ■

COMIC CON EXPERIENCE 2016 Data: 01 a 04/12/2016 Local: São Paulo Expo Por Débora Falcão A terceira edição da Comic Con Experience aconteceu no São Paulo Expo, e teve um público estimado de 197 mil pessoas pelos quatro dias de convenção. A versão brasileira da feira de cultura pop mais badalada da indústria é realizada em São Paulo desde 2014, e em 2016 aconteceu de 01 a 04 de dezembro. O objetivo foi trazer ao país grandes convidados, painéis de grandes franquias, artistas renomados e lançamentos em áreas como quadrinhos, televisão e cinema. A edição teve, claro, convidados badalados como os atores Vin Diesel e Neil Patrick Harris, e o quadrinista Brian Azzarello, além de muitos estandes de grandes marcas, um espaço especial dedicado a ilustradores dos mais diversos estilos e, claro, cosplayers dos mais diversos temas espalhados pelo local. ■


centro Kamar Taj, e a anciã o ensina a recobrar estes movimentos. Mas, com sede de conhecimento, ele começa a ler livros tecnicamente proibidos. Alguns que os leram passaram para o outro laPor Renata Vasconcelos não apresentando mais resquícios de do, por sede de vingança. No caso de sua lesão. Stephen, ele os leu com único intuito de Procurando então pelo centro cha- salvar a humanidade. Para a Estante Nerd desta edição, vamos falar sobre um herói um pouco di- mado Kamar Taj e pela anciã, com o inNuma escala de 0 a 10, a obra ferente, especializado em lidar com se- tuito de se curar, ele acaba se deparan- mereceu nota 9. Claro, toda produção res de outras dimensões. Isso mesmo. do com uma nova realidade. Se encan- tem seus defeitos, e um deles é a pesEstamos falando do Doutor Estranho. tando por ela e pelos seus níveis de a- soa leiga no assunto de poderes e técniEste personagem pouco conhecido por prendizado, acaba buscando por apren- cas sobrenaturais tomar conhecimento alguns leitores e telespectadores das der mais. Sendo assim, recupera as fun- delas e de seus artefatos tão rapidaproduções da Marvel Studios vieram a ções de suas mãos e ganha poderes in- mente, sendo capaz de realizar atividaconhecê-lo recentemente nas telinhas do compreendidos por muitos. des desconhecidas a ele há tão pouco Salvando vidas mais uma vez, e a- tempo. cinema. Antes de ser herói, ele era um neurocirurgião e um civil. Após um aci- gora sendo conhecido como Dr. StranSão com estas considerações que dente, tudo começou a mudar para Ste- ger, ele lida com criaturas de outras di- terminamos a resenha deste mais novo mensões, mantendo Manhatam a salvo phen Stranger. filme da Marvel, o qual todos espede terríveis ameaças. raram. Esperamos conhecer e ver mais SOBRE O FILME do Doutor Estranho em ação nos próxiOPINIÃO DA NERD Doutor Stephen Stranger, o melhor mos filmes, já que o personagem possui cirurgião da Ilha de Manhatan, conhecido O filme Doutor Estranho foi muito ligação com os Vingadores e outros hepor salvar diversas vidas com pleno su- aguardado por todos os telespectadores róis. ■ cesso. Uma noite, ele não teve tanta sor- por ser uma produção sobre um persote ou sucesso quando estava se encami- nagem claramente novo para alguns. nhando para um evento e, por um des- Tendo uma narrativa linear, eles comecuido de sua parte, seu carro derrapou çam tratando do alter ego do mesmo, ou na pista. Naquele momento, seu legado seja, o neurocirurgião, dando assim uma era mantido como imaculado e sua vida base para o começo da história. Só então vêm as explicações de sua ida ao de luxo seria deixada para trás. Ao sofrer um acidente grave após centro que o tornou um herói devido aos a derrapagem, Stephen, além dos diver- seus segredos. O vilão tem um destaque signifisos ossos lesionados, sofreu a maior decepção de sua vida ao saber que tinha cante, pois é o primeiro que enfrenta em perdido o movimento de suas mãos. Elas sua trajetória como combatente de crianas quais era destaque nos procedimen- turas de outras dimensões. Dormammu tos. Com esse diagnóstico, ele buscou mexe exatamente com as característitodos os tratamentos e cirurgias possí- cas de várias dimensões e com jogos veis, gastando todo o seu dinheiro. Sua mentais. A respeito de nosso herói, chamabusca acabou quando soube que um paciente, o qual tinha operado, viajou para mos atenção para os aprendizados do os Himalaias e, ao retornar, tinha totais Doutor Estranho. Logo após perder os condições de andar e se movimentar, movimentos das mãos, ele busca pelo __ ___ Nesta seção, traremos sempre novidades sobre o mundo geek, com informações sobre quadrinhos, séries, filmes e livros, além de eventos.

ESTANTE NERD

DOUTOR ESTRANHO

SALÃO COSPLAY

Camila Silva – Harley Quinn Contato para eventos: camilasardothien@gmail.com

Ramon Billa – Dona Hermínia Contato para eventos: ramonbilla@hotmail.com

Camila Silva e Viviane Oliveira – Harley Quinn e Joker Contato para eventos: camilasardothien@gmail.com

Renata Vasconcelos – Feiticeira Escarlate Contato para eventos: renata101.cp@gmail.com Participe e envie sua foto no formato JPG 300dpi com dados para contato para salaocosplaygb@gmail.com

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Geração Bookaholic – Sua Revista Literária


LEITURA EM SÉRIE

Por Débora Falcão

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tre os anos de 2007 e 2014. Em 4 de agosto de 2010, Clare anunciou em uma Clary Fray e Simon Lewis estão em transmissão online ao vivo que mais três uma casa noturna, onde Clary é testemu- livros seriam lançados antes do fim da nha de algo bizarro: um assassinato, co- série, dando início a uma segunda trilometido por um grupo de adolescentes. O gia na série principal, onde o foco de narmais bizarro é que Simon e o guarda se- ração mudaria para Simon Lewis, o megurança do clube não podem ver o as- lhor amigo de Clary. O primeiro livro dessassino, um menino chamado Jace que sa segunda parte, “Cidade dos Anjos Caafirma que a pessoa que ele matou era ídos”, teve seu lançamento estaduninum demônio. No dia seguinte, Jace se o- dense em abril de 2011; o segundo, “Ciferece para levar Clary para se encontrar dade das Almas Perdidas”, em maio de com o seu tutor, mas antes que pudesse 2012, e “Cidade do Fogo Celestial”, últiaceitar, ela recebe um telefonema pertur- mo livro da série, foi lançado em maio de bador de sua mãe. Ela volta para casa e 2014 nos Estados Unidos. Todos os livros da autora foram não encontra sua mãe, o apartamento está revirado, e uma criatura monstruo- lançados pela editora Simon & Schuster sa: um demônio Ravener estava espe- _ rando por ela. Tudo isso está acontecendo porque iniciou-se uma caçada para encontrar os Instrumentos Mortais, que estão muito bem escondidos magicamente. Esses instrumentos mortais são: O Cálice, com o poder de invocar ou controlar deno ALA Teen’s Top Tem em uma votamônios; A Espada, que obriga caçadores ção para os melhores dez livros infantode sombra a dizer a verdade; e O Espejuvenis do ano. “Cidade das Cinzas” lho, cujos poderes são desconhecidos. ficou em sexto lugar. É assim que começa o livro “Cida“Cidade de Vidro” também recebeu de dos Ossos”, primeiro livro da série críticas positivas, com “Booklist” dizendo criada por Cassandra Clare. que o livro foi uma “abundância de romance, perda, honra e traição para fazer a viagem valer à pena. Uma contadora nos Estados Unidos, pela editora Galera de histórias experiente, Clare carrega a Os Livros Record no Brasil, e pela editora Planeta trama rapidamente a um final satisfatóem Portugal. rio”. O “School Library Journal” disse: A saga completa vendeu cerca de “Embora a história seja dificultada pela 15 milhões de exemplares mundialmen- previsibilidade e escrita exagerada, Clare te. continua com seu talento para misturar hip, humor moderno, com fantasia tradiRecepção Crítica cional, e os fãs que aguardam ansiosamente a conclusão da série devem estar “Cidade dos Ossos” foi bastante mais que satisfeitos”. popular na época de lançamento, alcançando a posição #8 na Lista de Best-Sellers do New York Times na categoria liAs Peças Infernais vros infantojuvenis em abril de 2007. A “Publishers Weekly” comentou que o livro Em 2009, Cassandra Clare anuné “uma extensa fantasia urbana sobre to- ciou uma nova trilogia conjunta, “As Pedo tipo de criatura conhecida no gênero”. ças Infernais”, situada no mesmo univer“Locus” elogiou o livro como “um primeiro so que “Instrumentos Mortais”, mas na romance altamente legível”. Uma rese- era vitoriana, sendo que a história se nha no School Library Journal observou passa 128 anos antes dos acontecimenque o livro continha uma variedade de fa- tos de “Cidade dos Ossos”. A série conlhas narrativas, incluindo personagens siste em três livros: “Anjo Mecânico”, puque eram “esporadicamente caracteriza- blicado em agosto de 2010 nos Estados dos”, e cujo comportamento era previsí- Unidos e lançado em agosto de 2012 no vel. Apesar disso, eles observaram que o Brasil; “Príncipe Mecânico”, publicado em livro era divertido e deixaria os leitores dezembro de 2011 nos Estados Unidos e ansiosos pela continuação. Holly Black, lançado em março de 2013 no Brasil; e “Os Instrumentos Mortais” é uma autora do best-seller “As Crônicas de “Princesa Mecânica”, publicado em marsérie literária composta por duas triloSpiderwick, afirma que “Cidade dos Os- ço de 2013 nos Estados Unidos e no final gias, somando seis livros de fantasia ursos” é “engraçado, sombrio e sexy. Um do mesmo ano no Brasil. bana, escritos por Cassandra Clare. Os dos meus livros favoritos”. A autora Kelly seis livros que formam a série já foram Link disse: “São vampiros contra lobisotodos lançados, sendo eles: “Cidade dos mens em Harlem, enquanto sensuais caOssos”, “Cidade das Cinzas”, “Cidade de çadores de demônios rondam os clubes Adaptação Para o Cinema Vidro”, “Cidade dos Anjos Caídos”, “Cidado centro e cafeterias do Brooklyn – ‘Cide das Almas Perdidas” e “Cidade do FoEm 10 de junho de 2010, a Screen dade dos Ossos’ é uma épica fantasia go Celestial”. Gems anunciou que estavam entrando urbana. Cassandra Clare é um gênio”. Todos os livros foram lançados en“Cidade das Cinzas” foi nomeado em produção do filme dos Instrumentos __ __ __

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A saga completa vendeu cerca de quinze milhões de exemplares mundialmente.


Mortais, baseado em “Cidade dos Ossos” com um roteiro de Jessica Postigo. Em 10 de dezembro de 2010, foi oficialmente anunciado que Lily Collins foi escalada como Clary Fray e que Scott Charles Stewart estaria na direção do longa. Em junho de 2011, Jamie Campbell Bower foi escalado para interpretar o papel de Jace Wayland. Em março de 2012, a Sony Pictures e o diretor Scott Charles Stewart se afastaram do

projeto do filme. Entretanto, a Constantin Filme e a Unique Features continuam a desenvolver a chegada da saga literária de Cassandra Clare aos cinemas. O novo diretor escalado foi Harald Zwart, diretor do remake de Karatê Kid. Lily Collins de Jamie Campbell Bower continuaram escalados para serem os protagonistas da trama. Em abril de 2012, a Sony/Screen Gems voltou ao projeto, já dando uma data certa para o filme estrear no cine-ma: 23 de agosto de 2013. Em 2015 foi anunciado que haveria uma série de TV baseada nos livros, e seria intitulada “Shadowhunters”, ou seja, Caçadores de Sombra. A série estreou em 12 de janeiro, sendo transmitida pelo canal Freeform, antiga ABC Family. A primeira temporada teve uma boa recepção de público, e a segunda tempo-rada já foi anunciada e comemorada pe-los fãs no mundo inteiro.

Valentim Morgenstern: Antagonista, Caçador de Sombras. Forjou a própria morte e roubou os Instrumentos Mortais para invocar Raziel, mas isso não lhe rendeu algo bom. É ex-marido de Jocelyn Fairchild. Muitas informações aparecem ao longo dos livros sobre Valentim, trazendo reviravoltas ao enredo e principalmente ao personagem.

Isabelle “Izzy” Lightwood: Irmã de Alec e Max Lightwood e filha de Maryse e Robert Lightwood. Vive no Instituto e é uma Caçadora de Sombras. Clarissa “Clary” Adele Fairchild: Protagonista Irmã de criação de Jace, mantém um relacionade 16 anos que mora no Brooklyn e descobre ser mento com Simon Lewis. Sua arma de escolha é uma Caçadora de Sombras. Melhor amiga de Si- um chicote de electrum. mon Lewis e filha de Jocelyn Fray. Sua mãe foi alimentada com sangue de anjo durante sua gra- Simon Lewis: Melhor amigo de Clary Fray. Inicividez, por isso, pode criar novas runas. Mantém almente apaixonado por Clary, apesar de não faum relacionamento com Jace Herondale por lar a ela até a metade do livro “Cidade dos Ossos”. Várias coisas acontecem com ele mudando quem é completamente apaixonada. seu destino durante a trama. Jonathan “Jace” Christopher Wayland: Protagonista de 17 anos, que é um Caçador de Som- Alexander “Alec” Gideon Lightwood: Irmão de bras. Ele acredita ser filho de Michael Wayland. Isabelle e Max Lightwood e filho de Maryse e RoMas, nos livros posteriores, ele tem algumas re- bert Lightwood. Vive no Instituto e é um Caçador velações sobre sua filiação. Mantém um relacio- de Sombras. Irmão de criação de Jace. Atualnamento com Clary Fray por quem é completa- mente mantém um relacionamento com o Alto Feiticeiro do Brooklyn, Magnus Bane. ■ mente apaixonado.

Alguns Personagens

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Por Flora DeAbaco

Ambientado no Egito Antigo, numa época em que o Reino de Cuxe estava subordinado ao Faraó, “A Princesa de Cuxe” traz um romance cheio de mistérios, cuja protagonista foi esquecida pelo mundo inteiro. Inaugurando a série “Protagonistas Esquecidos”, da autora Débora Falcão, o livro conta a história de Iana Urbi, filha dos reis de Cuxe no ano 24 de Ramsés II, que é enviada ao palácio de Avaris para aprender mais na Casa Jeneret, a casa de educação de moças nobres localizada dentro do próprio palácio do Faraó, para atender à educação das mulheres do Senhor das Duas Terras e outras nobres do reino. E é lá que Iana conhece Moisés, o famoso líder hebreu que volta após quarenta anos para libertar seu povo da escravidão no Egito. E é nesse cenário que os dois se apaixonam, nascendo aos poucos o amor que irá vencer as dez pragas do Egito, bem como a luta entre os deuses para a recuperação da terra do Nilo. Com um trabalho de pesquisa minucioso, a autora nos leva a conhecer os usos e costumes cuxitas numa época em que os mitos egípcios e seus costumes se misturam com os da Núbia, mesclados em uma única e homogênea religião e cultura. Através dos olhos de Iana Urbi, conhecemos a história de Ramsés II, de sua Grande Esposa Real Nefertari, de sua ressentida e ardilosa esposa Isisnefer e seus jogos de manipulação, bem como outros personagens não menos importantes, como o general núbio Menik, apaixonado por Iana e disposto a fazer de tudo para conquistá-la. “A da coleção ideia é contar as histórias de pessoas desconhecidas, que sequer foram citadas seus nomes na Bíblia, mas que fizeram diferença nas histórias dos grandes protagonistas”, diz a Débora Falcão. “Começar com a esposa cuxita de Moisés, citada apenas uma única vez no livro de Números, capítulo 12 e versículo 1, foi um desafio, pois não havia absolutamente nada __

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além de uma única citação de que ela existiu verdadeiramente, e causou uma discórdia tão grande que Miriam, irmã de Moisés, ficou leprosa por sete dias – o que era uma abominação ao povo hebreu”.

“Começar a coleção com a esposa cuxita de Moisés foi um desafio, pois não havia nada sobre ela na Bíblia.”

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Débora Falcão

O livro será lançado ainda este semestre, e a autora conta com exclusividade para a Geração Bookaholic que alguns eventos farão parte da programação de lançamento. “Serão realizadas palestras sobre os usos e costumes dos povos: hebreu, cuxita e egípcio, entre outros, bem como suas mitologias e culturas em escolas e instituições de ensino em conjunto e parceria com professores de história, além de palestras nesses mesmos locais sobre a arte da escrita, o processo de criação de uma ficção e a fase de pesquisa de um escritor, em parceria com os professores de redação, língua portuguesa e literatura”, informa a autora. O livro também será lançado em formato digital, e o lançamento virtual acontecerá em maio. A autora também revela que já há disponíveis para leitura gratuita o prólogo e os três primeiros capítulos como degustação. Eles podem ser acessados através do blog pessoal da autora, o EstradaEscrita.blogspot.com. ■


LITERAVÍDEO

Por Débora Falcão

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Durante as primeiras semanas do mês de Janeiro, a Rede Globo transmitiu a série “Dois Irmãos”, baseada no livro homônimo de Milton Hatoum. Não é a primeira vez que a emissora adapta um livro de literatura nacional para uma série de TV, mas parece abrir uma nova safra de adaptações, o que aguardamos com muita ansiedade. Nesta edição, o Literavídeo fala mais sobre esta adaptação específica, os recursos utilizados, a história em si, como os atores receberam seus personagens e outras curiosidades, além de trazermos para você relembrar outras obras de literatura que foram adaptadas em nossa televisão aberta, seja na Rede Globo, seja em outras emissoras. Então, vamos lá e boa leitura!

Sobre a obra literária

O romance narra a tumultuada relação de ódio entre dois irmãos gêmeos numa família libanesa que vive em Manaus. O livro começa com uma breve introdução onde é narrada a morte de Zana, mãe dos gêmeos Yaqub e Omar, em situação de enorme angústia. Na cena descrita, o silencio que responde negativamente à última pergunta da mulher (“Meus filhos já fizeram as pazes?”) coincide com o fim do dia. O livro se trata de uma sucessão de episódios onde se mostra a guerra entre os irmãos Yaqub e Omar, inclusive mostrando o início de tudo. Em alguns momentos o leitor pode achar que tudo começa com uma personagem chamada Lívia, alvo da paixão dos dois irmãos, e que brigam, desde a infância por ela. Mas, se o leitor prestar bem atenção, na verdade o pivô de toda a guerra entre os irmãos é a mãe, Zana, que desde o nascimento dos gêmeos sempre preferiu o caçula, Omar. Em algumas situações, podemos ver a interferência dessa mãe de diver___

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sas formas, para impedir uma educação mais veemente do pai Halim, e também sempre protegendo a Omar em deferência a Yaqub. Não que Zana não amasse Yaqub, mas claramente seu preferido era Omar. E isso as crianças percebem desde cedo, e seu ódio e sua raiva se voltam um para o outro.

Sobre a Adaptação para TV

Sobre Milton Hatoum Filho de imigrantes libaneses, Milton Hatoum nasceu em Manaus, Amazonas, em 19 de agosto de 1952. Na decada de 1970 viveu em São Paulo, onde ___

O romance narra a tumultuada relação de ódio entre dois irmãos gêmeos numa família libanesa que vive em Manaus.

cursou Arquitetura na USP. Em seguida, direcionou-se para os estudos literários. Nos anos 1980, depois de morar na Espanha, foi para a França e fez pós-graduação na Universidade de Paris III. De volta a Manaus, lecionou Língua e Literatura Francesas na Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Foi também professor-visitante da Universidade da Califórnia, em Berkeley, nos Estados Unidos. Em 1989, aos 37 anos, publicou seu primeiro romance, “Relato de um Certo Oriente”. Voltou a morar em São Paulo em 1998, onde fez doutorado em teoria literária na USP. Publicou ainda “Dois Irmãos” (2000) e “Cinzas do Norte” (2005). Seus três romances foram ganhadores do Prêmio Jabuti, um dos mais importantes do país. Muitas de suas histórias foram traduzidas e publicadas em outros países. Hatoum, que ocupa lugar de destaque entre os autores de sua geração, lançou em 2008 a novela “Órfãos do Eldorado”.

Primeiramente, vamos falar dos pontos altos e positivos da série de dez capítulos, que foi ao ar na Rede Globo após a novela do horário nobre, durante duas semanas do mês de janeiro. Na adaptação para a TV, feita por Maria Camargo e dirigida por Luiz Fernando Carvalho, vários recursos esteticos foram utilizados para dar um tom mais dramático e poético às cenas, tentando preservar o tom literário nas imagens audiovisuais. O que de certa forma foi interessante, uma alternativa válida para se realizar uma história adaptada de um livro premiado. Outro ponto positivo da adaptação foi a escolha dos atores. Três gerações foram escolhidas para interpretar cada um dos personagens, desde Halim e Zana, o casal que dá vida à trama, até os gêmeos Yaqub e Omar, passando por Nael, narrador da história, cuja paternidade é um mistério até determinada revelação em um dos capítulos.

O elenco contou com: Halim: Bruno Anacleto, Antonio Calloni e Antonio Fagundes Zana: Gabriella Mustafá, Juliana Paes e Eliane Giardini Omar: Enrico Rocha, Matheus Abreu e Cauã Reymond Yaqub: Lorenzo Rocha, Matheus Abreu e Cauã Reymond Rânia: Raphaela Miguel, Letícia Almeida e Bruna Caram Nael: Theo Kasper, Ryan Soares e Irandhir Santos Lívia: Monique Bourscheid e Bárbara Evans Domingas: Sandra Paramirim, Zahy Guajajara e Silvia Nobre Estelita Reinoso: Maria Fernanda Cândido e Carmem Verônica Abelardo: Emilio Orciollo Netto e Ary Fontoura


Posso ainda citar como pontos positivos na série a fotografia, a caracterização dos personagens com atores muito parecidos entre si, além da tecnologia utilizada quando os irmãos dividiam a mesma cena (coisa que é feita com maestria pela emissora desde a novela Mulheres de Areia, de 1993). Mas isso foram apenas alguns pontos que destaco nesta seção. Há ainda alguns pontos que não são tão positivos na adaptação, que precisam ser destacados. O primeiro deles é a narração. Realizada pelo ator Irandhir Santos, que interpreta o personagem Nael adulto, a narração é monótona e monocórdia, causando enfado durante as cenas. A ideia era ter uma narração calma, tranquila e bastante introspectiva, que é realmente algumas características do próprio personagem. Mas a voz monocórdia passa dos limites, dando uma sensação de “pseudopoesia” à trama.

Ator Irandhir Santos, interpreta Nael em “Dois Irmãos”, também narrador da série. Outra problemática é algo que faz parte da maioria dos filmes nacionais de drama: longos períodos de silêncio e nada acontecendo. Cenas em que os personagens ficam parados, admirando uma paisagem ou pensando em algo, com um semblante introspectivo, por longos e preciosos minutos. A ideia talvez seja poetizar este momento e deixar os espectadores “enlevados” por _

O personagem Omar parece, muitas vezes, um autista em crise. Em algumas cenas chega a ser cansativo o quanto ele baba e grita e esperneia. Cheguei a pensar que o personagem tinha algum problema mental, além do problema “educacional”.

Yaqub em uma de suas longas “contemplações” na série. tanto drama. Mas isso só torna a sequência mais longa do que seria necessário, e talvez seja uma técnica para “preencher lacunas”, ou, trocando em miúdos, “encher linguiça”, que é quando queremos que o filme ou produção visual tenha mais tempo do que o tempo que teríamos se filmássemos no tempo normal, e para preencher essas lacunas, colocamos cenas desnecessárias ou esses longos períodos de “silêncios e contemplações”. Isso não é poesia, é apenas “pseudopoesia", ou seja, um algo que “quer ser” sem realmente ser.

Outro problema da adaptação são as inúmeras cenas que se alternam entre gritos e silêncios de seus personagens. Estamos falando de uma família de origem libanesa, portanto, a cultura é totalmente diferente da nossa, e se trata de um povo realmente alegre, que gosta de falar alto etc. Mas a quantidade desnecessária de gritos, principalmente partindo dos personagens Zana e Omar, é irritante. Muitas vezes esses gritos surgem do nada, como quando Zana simplesmente começa a gritar em cenas em que Omar está quebrando objetos pela casa. A gritaria só torna o espectador tenso por uma agonia causada não pela tensão e drama da cena, mas pelo barulho. Uma técnica muito ruim, de quem não sabe como resolver esse problema.

Pensar na história de Milton Hatoum, adaptada para a TV, como sendo uma história profunda de dramas e relações pessoais é não ver a história como ela realmente é, e acabar caindo na ideia de uma das muitas histórias “pseudo-cabeças” produzidas no Brasil pelo cinema nacional. Não que a história “Dois Irmãos” seja ruim. É apenas uma história. Em primeiro lugar, vemos claramente uma mulher mimada, que foi criada pelo pai como uma princesinha, e que finalmente fora conquistada por um vendedor, Halim. Este, por sua vez, quer dar à esposa a mesma vida que ela tinha antes, fazendo-lhe todos os gostos, tornando-a ainda mais mimada. O que é pior do que uma criança e uma adolescente mimadas? Uma mulher adulta mimada, que não tem maturidade para lidar com diversas situações, inclusive, com seus dois filhos gêmeos e seu casamento. Esta personagem com esta personalidade acaba por ir minando sua própria família aos poucos, começando pela forma como ela cria seus dois filhos. Omar, seu filho mais novo, recebe todos os seus carinhos, cuidados e atenção, enquanto o mais velho, Yaqub, acaba recebendo essa atenção de mãe de Domingas, a índia que trabalha em sua casa. Quando Omar faz algo ruim, a mãe sempre “passa a mão em sua cabeça”, e isso também acaba minando seu casamento com Halim, por causa da falta de maturidade e sabedoria de Zana. O resultado disso é: Yaqub precisa sempre se superar para conseguir a admiração da mãe, e se destaca em diversas áreas da vida. Já Omar, que nunca precisou fazer nada, se torna um boêmio, problemático e violento, um homem adulto ainda mais mimado e sem maturidade do que sua mãe. A grande “profundidade” do enredo na verdade se trata de uma sequência de episódios envolvendo esses personagens mimados e imaturos interagindo entre si, até que não reste mais nada a acontecer.

Antônio Fagundes interpreta o personagem Halim


Literavídeo

“Assista a Esse Livro” e outras adaptações para a TV aberta Não é a primeira vez que uma emissora de TV brasileira ou o cinema nacional promove a adaptação de um livro para audiovisual. Mas é a primeira vez que um projeto como o “Assista a Esse Livro” é promovido por uma emissora de TV. Como parte das ações de lançamento do projeto “Assista a Esse Livro”, a Rede Globo promoveu na manhã da quarta-feira, dia 7 de dezembro de 2016, o debate “O papel da TV no acesso a grandes obras literárias”, no Instituto Europeo di Design (IED-Rio), na Urca. O encontro, que abordou a formação de novos leitores e a importância das adaptações televisivas, reuniu o escritor Milton Hatoum, autor do romance “Dois Irmãos”, a roteirista e autora da minissérie homônima, “Maria Camargo”, o autor Fernando Bonassi e o jornalista e editor Paulo Werneck, com mediação do jornalista e escritor Edney Silvestre. “Grandes histórias já foram escritas, por que não olhar para elas e para talentos como a Maria (Camargo) e tantos diretores, capazes de dar outros passos nas histórias que a literatura começou? Acho isso mágico. Assim, surgiu a ideia de transformar esse vínculo da Globo com a literatura num projeto que tenha futuro, e que a gente possa criar novos leitores. Precisamos mostrar que basta ligar a TV para ser encantado por produtos de qualidade, e que muitos deles nasceram da literatura”, disse o diretor de Comunicação da Globo, Sérgio Valente. Mas outras adaptações, que a própria Globo realizou, devem ser mencionadas, como a “Gabriela, Cravo e Canela”, baseada na obra homônima de Jorge Amado e que faz parte do projeto “Assista a Esse Livro” (que você encontra mais informações na seção “Café Literário” desta edição, falando mais sobre o evento de lançamento do projeto). Vamos citar aqui algumas adaptações literárias para TV aberta, que você pode conferir agora. Acompanhe! 1.

Lucélia Santos e Bianca Rinaldi, as duas “Isauras” 3.

“A Casa das Sete Mulheres”, de Letícia Wierzchowski

Thiago Lacerda e Giovana Antonelli: Giuseppe e Anita Garibaldi

“Gabriela, Cravo e Canela”, de Jorge Amado

Publicado em 2002, logo no ano seguinte foi adaptado e ganhou uma minissérie de mesmo nome. Conta a história da família de Bento Gonçalves durante a Revolução Farroupilha, focando nas mulheres que ficaram na estância da família. Apesar de ter recebido diversos prêmios após o lançamento na televisão, no processo de adaptação da minissérie foram feitas diversas mudanças em relação ao texto original. Dentre os principais atores que participaram do projeto estão Thiago Lacerda no papel de Giuseppe Garibaldi, Giovana Antonelli como Anita Garibaldi, e Camila Morgado como Manuela de Paula Ferreira. Janete Vollu, Sônia Braga e Juliana Paes, as três “Gabrielas”

4.

Quando o assunto é adaptações de livros para a televisão brasileira, é impossível não associá-lo a Jorge Amado. Ao todo, dez de suas obras foram adaptadas para a televisão, virando novelas e minisséries, porém a que mais chama a atenção, sem dúvida, é “Gabriela, Cravo e Canela”. A célebre obra do autor baiano, publicada em 1958, já foi adaptada três vezes. A primeira delas, produzida pela extinta TV Tupi em 1960, trouxe Janete Vollu, atriz pouco conhecida, no papel de Gabriela. Outros atores que fizeram parte da adaptação foram Renato Consorte como Nacib, Paulo Autran como Tonico Bastos e Suely Franco no papel de Malvina. A segunda e mais conhecida adaptação foi a de 1975, responsável por elevar a atriz Sônia Braga à categoria de estrela. A novela era focada na fuga de Gabriela da seca do sertão nordestino para a cidade de Ilhéus e seu envolvimento com o estrangeiro Nacib, que não aceitava seu comportamento. Entre os atores que participaram desta adaptação está José Wilker, Nívea Maria, Elizabeth Savalla e Ary Fontoura. A mais recente adaptação foi exibida em 2012, pela Rede Globo, trazendo dessa vez Juliana Paes como Gabriela. A novela, que quase foi um remake da trama de 1975, trouxe uma enxurrada de atores consagrados da emissora, entre eles José Wilker (que participou da segunda versão como Mundinho Falcão e voltou à novela na pele do coronel Jesuíno). Outros nomes que fizeram parte da novela são Humberto Martins, Antônio Fagundes, Mateus Solano e Maitê Proença. 2.

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Maria Fernanda Cândido no papel de Capitu Considerado o maior romance de todos os tempos, “Dom Casmurro” já ganhou diversas adaptações, porém apenas uma para a televisão. Em 2008, em homenagem ao centenário da morte do autor, foi ao ar a microssérie intitulada “Capitu”, exibida pela Rede Globo, as memórias de Bento Santiago foram recriadas com um forte aspecto circense, teatral e contemporâneo, o que fez com que muitos críticos reprovassem a adaptação – o que, para mim, não foi nada interessante, visto que a estética de “Capitu” é bem mais poética que a utilizada na adaptação de “Dois Irmãos”, por exemplo. Os diálogos são originais, porém sofreram pequenas mudanças para se encaixarem na proposta do diretor, Luiz Fernando Carvalho. As atrizes que deram vida à personagem Capitu, que possuía “olhos de cigana, oblíqua e dissimulada”, foram Letícia Persiles e Maria Fernanda Cândido.

“A Escrava Isaura”, de Bernardo Guimarães O livro, que conta a história de uma escrava de cor branca que tenta fugir das mãos de seu dono, já foi adaptado duas vezes para a televisão. A primeira delas foi em 1976, com o título de “Escrava Isaura”, trazendo Lucélia Santos como protagonista e o ator Rubens Falco como Leôncio. A novela é até hoje a mais assistida em todo o mundo, sendo até hoje reprisada em vários países e dublada em diversos idiomas. A segunda versão foi ao ar pela Rede Record em 2004, tendo Bianca Rinaldi no papel da escrava.

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“Dom Casmurro”, de Machado de Assis

5.

“O Canto da Sereia”, de Nelson Motta Este romance policial foi publicado pelo jornalista Nelson Motta em 2002 e narra o assassinato de uma cantora baiana durante uma apresentação ao vivo e a investigação do crime em plena terça-feira _


ratura brasileira e ganhou sua versão audiovisual em 1985. A trama se passa nas primeiras décadas do século XX com a narrativa focada nas aventuras de Ribaldo (Tony Ramos) tornando-se um herói do sertão brasileiro. Com muito drama, suspense e romance, a minissérie também contou com Bruna Lombardi, Tarcísio Meira, Yoná Magalhães, Mário Lago, Ney Latorraca e outros atores da emissora. 9.

“O Primo Basílio”, de Eça de Queirós

Isis Valverde no papel de “Sereia” de carnaval, na Bahia. O romance foi adaptado, tornando-se uma microssérie, sendo exibida pela Rede Globo com a atriz Isis Valverde no papel de Sereia, protagonista da obra. 6.

“Anarquistas, Graças a Deus”, de Zélia Gattai

Giulia Gam interpretou Luisa

Elenco principal de “Anarquistas, Graças a Deus” Adaptação do romance autobiográfico de Zélia Gattai, que leva o mesmo nome da minissérie, o livro de 1979 ganhou sua versão audiovisual em 1984, retratando as lembranças da autora em uma família de imigrantes italianos que vem para São Paulo no início do século XX e acompanha o crescimento da capital, as complexidades do mundo operário e o movimento anarquista da cidade. A minissérie contou com Débora Duarte no papel de Angelina Gattai, a mãe da autora, Ney Latorraca como Ernesto Gattai, o pai de Zélia, e, como protagonista, Daniele Rodrigues, caçula de cinco irmãos. 7.

Do clássico de Eça de Queirós de 1878, a Rede Globo trouxe para a televisão uma adaptação da história do jovem Basílio (Marcos Paulo) que, entre idas e vindas, firma um relacionamento extraconjugal com sua prima Luísa (Giulia Gam), desencadeando uma série de eventos que, no fim, fazem com que Luísa perceba seu verdadeiro amor pelo marido Jorge (Tony Ramos). A minissérie recebeu muitas críticas e elogios na época e a Federação das Associações Portuguesas e Luso-Brasileiras entendeu que o programa era fundamental para a divulgação da cultura portuguesa. 10. “O Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna

“O Tempo e O Vento”, de Érico Veríssimo

Selton Mello e Matheus Nachtergaele como Chicó e João Grilo

A clássica série de livros de Érico Veríssimo também foi adaptada para a televisão com a novela da extinta TV Excelsior em 1967, a minissérie da Rede Globo em 1985, ganhando uma nova versão pela Globo em 2014. A história da formação do Estado do Rio Grande do Sul é recuperada através da obra com a família Terra Cambará liderando o enredo. Por ser uma obra extensa, a adaptação para a televisão de 1985 teve que ser ousada e com um grande investimento que contou com cerca de 100 personagens em sua execução. Entre os atores, participaram da trama Glória Pires, Lima Duarte, Tarcísio Meira, Liliam Lemertz e Bete Mendes. A minissérie ganhou um especial no mesmo ano contando como foram os bastidores da gravação. A segunda versão da emissora teve nos papeis principais os atores Thiago Lacerda e Marjorie Estiano. 8.

De Ariano Suassuna, a peça teatral “Auto da Compadecida” também ganhou uma adaptação audiovisual no ano de 1999. A obra, por sua vez, ganhou também elementos de “O Santo e a Porca” e “Torturas de Um Coração”, obras também do autor paraibano. A trama se passa em um vilarejo da Paraíba, onde diversos personagens vivem histórias de traição, amor, drama e, sobretudo, comédia. Tudo culmina no reencontro deles no céu, para o Juízo Final, onde o Diabo e Jesus vão ouvir as acusações e as defesas de cada um. O destino de cada um deles fica na mão de Nossa Senhora, a Compadecida, interpretada por Fernanda Montenegro. O elenco da minissérie contou com Matheus Nachtergaele, Selton Melo, Rogério Cardoso, Denise Fraga, Diego Vilela, Luís Melo, Virgínia Cavendish e outros atores. A minissérie ganhou o Grande Prêmio da Crítica no mesmo ano, concedido pela Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA). 11. “Senhora”, “Lucíola” e “Diva”, de José de Alencar

“Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa

Fotos das atrizes em “Essas Mulheres” (2005) e “Senhora” (1975)

Tony Ramos e Bruna Lombardi De Guimarães Rosa, “Grande Sertão: Veredas” é um clássico da lite_

Os romances “Senhora”, “Lucíola” e “Diva”, de José de Alencar, também ganharam uma adaptação para a televisão. Desta vez, a Rede Record juntou os personagens e as tramas das três histórias numa única novela, denominada “Essas Mulheres”, contando com as atrizes Christine Fernandes, Miriam Freeland e Carla Cabral nos papéis de Aurélia, Lucíola e Diva. Contou ainda com as atuações __

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Literavídeo de Gabriel Braga Nunes, Adriana Garambone e Paulo Gorgulho. O livro “Senhora” foi o carro chefe para esta adaptação, mas também já foi adaptado para outra novela, de mesmo nome, desta vez para a Rede Globo em 1975, adaptada por Gilberto Braga e foi a primeira novela em cores do canal.

15. “Os Maias”, de Eça de Queirós

12. “Éramos Seis”, de Maria José Dupré A minissérie foi produzida pela TV Globo em parceria com a emissora portuguesa SIC e exibida em 2001. Adaptada por Maria Adelaide Amaral, João Emanuel Carneiro e Vincent Villarie, uniu tramas e elementos de outros romances de Eça, como “A Relíquia” e “A Capital”. As atuações de Ana Paula Arósio, Fábio Assunção, Leonardo Vieira e Simone Spoladore nos papeis principais. A minissérie contou ainda com a narração de Raul Cortez como Eça de Queirós. 16. “Música Ao Longe”, de Érico Veríssimo

O SBT também fez uma adaptação para novela de um clássico literário. A obra foi “Éramos Seis”, de Maria José Dupré, e foi ao ar na emissora em 1995, sendo uma regravação da novela produzida pela TV Tupi em 1977. Foi considerada pela imprensa como uma produção séria da emissora, mas tiveram outras divergências por parte das críticas. Segundo a Folha de S. Paulo tiveram um “sucesso discreto”; segundo O Globo a novela “ficou com fama de um pequeno sucesso”; enquanto o Teledramaturgia disse que “foi um grande sucesso para o SBT”. Em termos de Ibope, ela foi superando a meta de 10 pontos da emissora, chegando a dar mais de 20 pontos de audiência em horário nobre, batendo de frente com a Rede Globo e vencendo a 35ª edição do Troféu Imprensa de melhor novela, sendo até hoje a única novela do SBT a ganhar este prêmio. 13. “Meu Pé de Laranja Lima”, de José Mauro Vasconcelos

A adaptação de “Meu Pé de Laranja Lima”, de José Mauro Vasconcelos, ocorreu três vezes. A primeira foi feita pela TV Tupi entre 1970 e 1971 e foi escrita por Ivani Ribeiro. Em 1980, a Rede Bandeirantes aproveitou o mesmo texto de Ivani Ribeiro e produziu a segunda versão da novela. A terceira versão... 14. “Cabocla”, de Ribeiro Couto

Adaptada pela TV Cultura em 1982, foi escrita por Mário Prata, e teve atuações de Djenane Machado, Fausto Rocha, Irene Stefânia e Maria Célia Camargo. 17. “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, de Jorge Amado

A adaptação para a TV ficou por conta da Globo, numa minissérie produzida em 1998, escrita por Dias Gomes com colaboração de Ferreira Gullar e Marcílio Moraes. Contou com as atuações de Giulia Gam, Edson Celulari e Marco Nanini. Os personagens dos três atores, Dona Flor, Vadinho e Teodoro, foram imortalizados em 1976 pelos atores Sônia Braga, José Wilker e Mauro Mendonça em um filme homônimo. 18. “O Tronco do Ipê”, de José de Alencar

As duas adaptações mais recentes do romance de Ribeiro Couto foram feitas pela Rede Globo. A primeira foi em 1979, adaptada por Benedito Ruy Barbosa, e era a segunda versão para a TV do romance. A primeira havia sido apresentada pela extinta TV Rio na época em que as novelas ainda não eram diárias. Nesta primeira versão, os papeis eram interpretados por Glauce Rocha e Sebastião Vasconcelos. Na adaptação da Rede Globo de 1979, tivemos as atuações de Glória Pires e do cantor Fábio Jr. nos papeis principais. Já em 2004, a Globo fez um remake com o mesmo escritor, e Benedito Ruy Barbosa contou com a colaboração de roteiro dos escritores Edmara Barbosa e Edilene Barbosa. Com atuações Vanessa Giácomo e Daniel de Oliveira nos papeis principais.

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A TV Cultura adaptou o romance para novela em 1982, e teve as atuações de Osmar Prado, Orlando Barros, Fúlvio Stefanini e Maria Isabel de Lizandra. Adaptada por Edmara Barbosa, a novela teve sucesso de audiência naquele ano. 19. “Olhai os Lírios do Campo”, de Érico Veríssimo Produzida pela Rede Globo em 1980, foi adaptada por Geraldo Vietri e Wilson Rocha, e foi baseada no romance homônimo de Érico Veríssimo, publicado em 1938. Teve atuações nos papéis principais de Cláudio Marzo e Nívea Maria.


23. “Tenda dos Milagres”, de Jorge Amado

Cláudio Marzo e Nívea Maria em “Olhai os Lírios do Campo” 20. “Mar Morto” e “A Descoberta da América Pelos Turcos”, de Jorge Amado

Adaptado para minissérie em 1985 por Aguinaldo Silva e Regina Braga, foi gravada em Salvador e Cachoeira, ambos municípios do Estado da Bahia, e foi exibida na Globo daquele mesmo ano. 24. “Brida”, de Paulo Coelho

As duas obras de Jorge Amado foram adaptadas numa única novela pela Rede Globo, a novela “Porto dos Milagres”, produzida em 2001 e escrita por Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares. Contou com as atuações de Marcos Palmeira, Flávia Alessandra e Camila Pitanga, Arlete Salles, Antônio Fagundes, Cássia Kiss e Joana Fomm. 21. “Helena”, de Machado de Assis

Escrita por Manoel Carlos, a primeira adaptação de “Helena” foi exibida na TV Paulista em 1952, tendo em seu elenco Jane Batista e Paulo Goulart. Em 1975, o romance teve sua segunda adaptação, desta vez por Gilberto Braga, produzida pela Rede Globo, e contou com as atuações de Lúcia Alves e Osmar Prado. A terceira adaptação foi feita pela extinta Rede Manchete em 1987, escrita por Mário Prata, Dagomir Marquezi e Reinaldo Moraes, dirigida por Denise Saraceni e Luís Fernando Carvalho, com supervisão de José Wilker.

A extinta Rede Manchete produziu a adaptação do romance best seller de Paulo Coelho em 1998. Adaptada por Jayme Camargo, Sônia Mota e Angélica Lopes, foi dirigida por Walter Avancini e foi a última telenovela a ser exibida pela Rede Manchete. O livro homônimo vendeu 800 mil cópias no Brasil e 8 milhões em 36 países de língua portuguesa e espanhola. O contrato com a emissora constava que Paulo Coelho não poderia interferir na adaptação. A Manchete apostava que a novela “Brida” fosse exportada para o exterior, uma vez que o livro foi publicado em mais de 40 países. Por isso, a emissora investiu cerca de R$ 45 mil em cada um dos 180 capítulos previstos. Quem estava cotada para viver o papel principal eram Christine Fernandes (Aurélia em Essas Mulheres), Drica Moraes e Teresa Seiblitz. Mas Christine não concordou com as cenas de nudez, e Carolina Kasting, que inicialmente faria o papel de Inês, ficou com o papel-título. Apesar de tudo, foi um fracasso de audiência. A meta era de 10 pontos, mas atingiu média de 2 pontos. 25. “Ciranda de Pedra”, de Lygia Fagundes Telles

22. “As Minas de Prata”, de José de Alencar

O romance foi adaptado por Walcyr Carrasco, com colaboração de Mário Teixeira e Duca Rachid, com direção de Walter Avancini e Roberto Talma na novela intitulada “A Padroeira”. Nos papeis principais, Deborah Secco e Luigi Baricelli, contou ainda com as atuações de Maurício Mattar, Mariana Ximenes, Patrícia França, Paulo Goulart, Suzana Vieira e Elizabeth Savalla. O texto também foi baseado no texto de Ivani Ribeiro em sua primeira adaptação para a extinta TV Excelsior, nos anos 1960.

Embora as versões de 1981 e 2008 sejam diferentes, o escritor Alcides Nogueira (2008) disse ter bebido da mesma fonte que o primeiro autor. A maior mudança na adaptação mais recente, segundo ele, foi a ambientação da trama, já que a nova versão se passa em 1958, enquanto a primeira passava nos anos 40. O único elemento aproveitado da primeira versão foi o personagem Eduardo (Bruno Gagliasso), um engenheiro recém-chegado que se apaixona por Margarida (Cléo Pires) e, mais tarde, por Virgínia (Tammy Di Calafiori). Uma novela não se trata de um remake da outra, mas sim de uma nova adaptação do livro homônimo. A versão mais recente contou com atuações de Ana Paula Arósio, Tammy Di Calafiori, Marcello Antony, Ariela Massotti, Anna Sophia Folch, Max Fercondini, Bruno Gagliasso, Cléo Pires, Leandra Leal, Osmar Prado, Mônica Torres, Daniele Suzuki, Caio Blat, Paolla Oliveira e Daniel Dantas, entre outros. 26. “Os Miseráveis”, de Victor Hugo Produzida pela TV Bandeirantes, em 1967, foi adaptada por Walter Negrão, e esta adaptação inaugurou sua produção de novelas. Te_

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Literavídeo ções de Patrícia França, Humberto Martins, Hugo Gross, Herson Capri, Jorge Dória e Stepan Nercessian nos papéis principais. 30. “Tieta do Agreste”, de Jorge Amado

ve atuações de Leonardo Villar como Jean Valjean, e Maria Isabel de Lizandra como Cosette. 27. “A Muralha”, de Dinah Silveira Queiroz

O livro teve três adaptações para a TV. A primeira foi em 1961, pela TV Cultura, dirigida por Benjamin Cattan e Raul Roulien. A segunda, entre 1968 e 1969, foi exibida pela extinta TV Excelsior, e foi adaptada por Ivani Ribeiro e dirigida por Sérgio Britto e Gonzaga Blota, tendo no papel principal a atriz Rosamaria Murtinho. A versão mais recente foi produzida pela Rede Globo em 2000, comemorando os 500 anos do Brasil, e foi uma série de 51 capítulos adaptada por Maria Adelaide Amaral, João Emanuel Carneiro e Vincent Vilari, com direção de Denise Saraceni, tendo em sua adaptação as atuações de Leonardo Brício, Leandra Leal, Alessandra Negrini, entre outros grandes nomes da emissora. 28. “Sinhá Moça”, de Maria Dezonne Pacheco Fernandes

A Rede Globo produziu duas adaptações do livro homônimo, sendo a primeira em 1986, com as atuações de Lucélia Santos e Marcos Paulo nos papeis principais, e a segunda vinte anos depois, em 2006, com as atuações de Débora Falabela e Danton Mello. As duas adaptações foram feitas por Benedito Ruy Barbosa, com colaboração de Edmara Barbosa e Edilene Barbosa, tendo sido a primeira dirigida por Jayme Monjardim, e a segunda por Ricardo Waddington. 29. “Tereza Batista Cansada de Guerra”, de Jorge Amado

A Rede Globo produziu a minissérie “Tereza Batista” em 1992, com 28 capítulos. Foi adaptada do romance “Tereza Batista Cansada de Guerra”, de Jorge Amado, por Vicente Sesso, e contou com as atua_

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A Rede Globo adaptou a obra de Jorge Amado na novela “Tieta”, entre os anos de 1989 e 1990. Adaptada por Aguinaldo Silva, Ricardo Linhares e Ana Maria Moretzsohn, contou com a direção de Reynaldo Boury, Ricardo Waddington e Luiz Fernando Carvalho, direção geral e núcleo de Paulo Ubiratan. No papel da protagonista título, a primeira fase teve Cláudia Ohana, e no restante Betty Faria. Ainda contou com José Mayer, Lídia Brondi, Yoná Magalhães, Sebastião Vasconcelos, Cassio Gabus Mendes, Marcos Paulo, Arlete Salles, Flávio Galvão, Ary Fontoura, Reginaldo Faria e Joana Fomm. Em junho de 2012 foi lançada em DVD pela Globo Marcas. 31. “Tocaia Grande”, de Jorge Amado

Mais um livro de Jorge Amado vai para as telinhas. Desta vez foi produzida pela extinta TV Manchete em 1995, ficando quase um ano no ar. Adaptada por Duca Rachid, Mário Teixeira e Marcos Lazarini, contou com direção geral de Walter Avancini. Nos papéis principais, Roberto Bomfim, Tânia Alves e Giovana Antonelli (foto).

Estas foram apenas algumas das adaptações de livros para a TV. Houveram outras adaptações, como “Capitães da Areia” (Jorge Amado), “A Moreninha” (Joaquim Manoel de Macedo), e outras novelas que tiveram inspiração em mais de um livro, não sendo uma adaptação na íntegra, como “Fera Ferida”, que teve um núcleo todo adaptado do livro “Clara dos Anjos”, de Jorge Amado, e “Magia”, com adaptações de livros de Paulo Coelho – contando ainda com participação especial do autor em alguns capítulos da novela. Algumas adaptações foram ótimas, outras boas, outras nem tanto. Mas o que importa é que, ao longo de tantos anos, muitas histórias boas foram contadas em livros e conquistaram os diretores de televisão, popularizando histórias, clássicos da literatura, livros desconhecidos do grande público e das massas, trazendo mais cultura e mais conhecimento para os amantes da TV. O projeto “Assista a Esse Livro” foi produzido apenas pela Rede Globo, mas, como pudemos ver aqui, na seção Literavídeo, muitas outras emissoras ao longo dos anos também fizeram adaptações de livros, como o SBT, a Band (antiga Bandeirantes), a TV Cultura, a Rede Record, e as extintas TV Tupi, TV Excelsior, Rede Manchete, entre outras. Novelas, séries e minisséries que popularizaram livros de Jorge Amado, Machado de Assis, Joaquim Manoel de Macedo, José de Alencar, Lygia Fagundes Telles, entre outros tantos autores que estão tarimbados pelas escolas literárias e que tanto estudamos, finalmente podem ser assistidos. Algumas dessas adaptações foram reprisadas nas próprias emissoras, e também no canal VIVA, canal fechado pertencente à Rede Globo para retransmissão de novelas e programas antigos da casa. Outras dessas adaptações já podem ser adquiridas em coleções de DVDs, Boxes, entre outros. E você? Já assistiu alguma(s) dessas adaptações? Possui alguma delas? Reassistiu? Qual sua opinião sobre isso e sobre as adaptações de livros pela TV? E quanto ao projeto “Assista a Esse Livro”? Deixe sua opinião para nós no redacaobookaholic@gmail.com e ela poderá ser publicada na próxima edição! ■


Por Renata Vasconcelos

Em sua mala cheia de segredos e criaturas, Newt Scarmander dá vida a mais uma história derivada do universo bruxo de Harry Potter, escrito pela J.K. Rowling. Embarcando, então, nessa aventura com um magizoologista um pouco atrapalhado, chegaremos a Nova York, uma cidade totalmente diferente de Londres, onde os animais, ao invés de serem aceitos, ainda passam por discriminações e são caçados ferozmente. Em solo americano, a missão dele é mudar essa visão e nos fazer conhecer um novo mundo do universo mágico dos escritos de J.K. Então, venha conferir mais essa matéria!

“Animais Fantásticos e Onde Habitam” foi uma produção muito esperada pelos fãs da saga Harry Potter, pois é mais uma chance de conferir as produções da autora britânica J.K. Rowling. A história foi retirada de um livro já existente, que leva o mesmo nome, e que possui poucas páginas e um conhecimento imenso para os amantes das criaturas, pois podem conhecer mais a fundo a função de cada animal e onde ele se encontra nos países por onde são relatadas suas aparições. No filme, Newt Scarmander é um magi__

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zoologista ex-estudante de Hogwarts e participante da casa da lufa-lufa, e decide embarcar em uma aventura pela América do Norte a fim de defender e orientar o setor de controle de magia, da qual as criaturas causadoras de tantos problemas domésticos pela cidade precisam e devem ser compreendidas e estudadas. Ao chegar em Nova York, acaba se metendo em uma pequena confusão com um não maj chamado Jacob, que leva por um bom tempo a mala de Newt sem saber o que continha dentro dela. Quando as autoridades são acionadas sobre um acontecido em um prédio, o jovem protetor dessas criaturas tem de tomar uma rápida decisão sobre explicar o seu trabalho para uma ex-auror; ao compreender o trabalho dele, ela e sua irmã o acabam ajudando. Contando a história deste jovem bruxo da década de 1920, as informações alcançadas pelos fãs não contidas no livro foram sendo liberadas aos poucos no site Pottermore, onde todos ficavam animados a cada comentário, trecho ou foto liberada. Os fãs ficavam, assim, cada vez mais ansiosos pela produção cinematográfica chegar às telonas. A mensagem passada pelo personagem e pela autora é sobre passar a mensagem militante que diz o seguinte: “Diga não à intolerância e ao preconceito; não segregue os diferentes”. Sendo assim, “Animais Fantásticos e Onde Habitam” acaba sendo um filme com uma linha _____

“‘Diga não à intolerância e ao preconceito; não segregue os diferentes.’ Esta é a mensagem central de animais fantásticos.”

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Renata Vasconelos

mais madura, mas permanecendo e preservando os mesmos princípios das histórias propagadas pela saga Harry Potter. Tendo uma postura mais adulta para o universo construído pela autora nos tempos de Harry Potter, “Animais Fantásticos e Onde Habitam” atraiu justamente o público que acompanhou todas as oito produções e cresceu esperando mais filmes e produções, como a peça “The Cruise Child”. Com mais dois filmes encaminhados e um já pronto, para os loucos pelo novo personagem e queridinho dos potterhards, Newt será muito aguardado por todos. Então, assim como esse aventureiro voraz, ficamos por aqui. Espero que tenham gostado da matéria, e nos vemos com mais novidades na próxima edição da Geração Bookaholic. Não perca! Para maiores informações, sugestões de matérias, adaptações de livros, envie um email para a colunista e colaboradora Renata Vasconcelos através de redacaobookaholic@gmail. com. ■


CAMINHO DAS PEDRAS PARA ESCRITORES Por Renata Frade Olá, querido leitor e leitora. É com muito entusiasmo que tenho uma novidade ótima para contar. Acaba de ser lançado, oficialmente, o Punch! For Writers (http://punch forwriters.wordpress.com), o programa mais completo no país de construção de carreira literária e de comunicação para escritores. Fruto de nosso trabalho incansável e sistemático de quase quinze anos atuando para profissionais do livro, é voltado para escritores de alta literatura e entretenimento, em qualquer etapa, autopublicados, publicados, nunca publicados mas com originais em busca de um espaço. CONSTRUINDO A CARREIRA DO ESCRITOR

LEITURA

AS POSSIBILIDADES PARA OS ESCRITORES

É um desafio enorme lançar um empreendimento editorial inovador, inédito e de grande complexidade e porte como esse. Eu e nós da Punch!, desde nosso surgimento há seis anos, temos esse jeitinho de levar qualidade, fazer bem o diferente, fazer bem o que já existe. Temos em nosso DNA o incessante desejo de apresentar a cada um de nossos clientes-escritores possibilidades únicas de engajamento e carreira. Afinal, seu conteúdo é único, assim como sua personalidade. Inovamos porque entendemos o que é conteúdo e fluxos de informação, consumo e mercado.

Nosso projeto diferenciado de comunicação para sua carreira segue uma lógica gradual de relacionamento entre diversos públicos. Diagnóstico do melhor da biografia e bibliografia de autores para realizar estratégias customizadas de comunicação, inovadoras e de sucesso para que você alcance mais leitores, mantenha seus fãs cada vez mais fiéis e cresça a presença no mercado editorial: boas editoras, presenças em eventos literários, repercussão junto a formadores de opinião através de nossa metodologia.

Estamos trabalhando com autores de diversos cantos do país, felizes com os desafios de levar, sem fronteiras, páginas de criadores ficcionais e de não-ficção. Somos todos feitos de sonhos, e a Punch! For Writers é um deles, feito para realizar os sonhos de muitos contadores de histórias.

Para saber mais sobre o projeto e como você pode integrá-lo, além de obter informações valiosas para sua carreira, tendo a chance de realmente tirá-la do papel e levá-la ao público leitor de todo o Brasil, ou simplesmente se informar sem nenhum compromisso, escreva para mim através do e-mail renatafrade@ punchcomunicacao.com.br. Visite nosso site agora mesmo: http://punchforwriters.word press.com e saiba mais sobre o projeto e nossas ideias. ■

Nesta seção, a redatora Renata Frade fala sobre diversos assuntos dentro de sua área de atuação na esfera literária de sua empresa Punch!

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Por Roberta Costa

BOOKAHOLIKIDS

“Clássicos Para Sempre – Turma da Mônica” chegou para ficar. Os estúdios Maurício de Sousa trazem livros numa coleção, onde você encontrará as histórias clássicas com os personagens fofos e cativantes do universo criado pelo quadrinista mais querido das crianças do Brasil. Crianças de todas as idades – contando as adultas também! Uma coleção que encherá os olhos, não somente das crianças, mas de muitos adultos. Livros muito coloridos e de linguagem fácil, perfeitos para estimular desde cedo o gosto pela leitura! Uma dica é, primeiramente, ler a história para a criança e, em um outro momento, pedir para que ela conte a história para você. Daí surgirão muitas novidades divertidas a serem contadas pelos pequenos, que terão sua criatividade sempre incentivada.

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Cada livro desta coleção traz um dos clássicos mais famosos do mundo, representados pelos divertidos personagens de Maurício de Sousa, interpretando catorze inesquecíveis histórias da literatura infantil mundial. Histórias como “A Bela e A Fera”, “A Princesa Arrogante”, “A Princesa e A Ervilha”, “Alice No País das Maravilhas”, “As Doze Princesas Dançarinas”, “Cachinhos Dourados”, “As Aventuras de Gulliver”, “João e o Pé de Feijão”, “O Flautista de Hamelin”, “O Mágico de Oz”, “Os Três Porquinhos”, “Pinóquio” e “Ro__

meu e Julieta”. Os detalhes prateados na capa, as lindas ilustrações como pano de fundo das páginas e o texto simples despertam o prazer e o encanto, especialmente de quem está aprendendo a ler. Uma maravilhosa coleção para aumentar o encanto das crianças pelo momento da leitura. DADOS DA OBRA Os livros podem ser adquiridos em livrarias e em diversos sites, tais como: Saraiva, Lojas America- Título: Clássicos Para Sempre – Turma da nas, Travessa, Cia dos Livros entre Mônica outros. Autor: Estúdios Maurício de Sousa

CONFIRA ALGUNS TÍTULOS DA OBRA:

Geração Bookaholic – Sua Revista Literária

Ilustrações: Estúdios Maurício de Sousa Editora: Girassol Livros: 14 Número de páginas de cada livro: 16-20 Encadernação: Brochura Gênero: Literatura Infantil Ano de Lançamento: 2016


Por Débora Falcão

HORA DA POESIA

Um dos grandes autores da literatura brasileira, Erico Veríssimo participa de “Boa Companhia – Haicai”, uma coletânea de poesias organizada pela Companhia das Letras, com participação de diversos autores consagrados, como Monteiro Lobato, Oswald de Andrade, Millôr Fernandes, Décio Pignatari, Paulo Leminski, Carlos Drummond de Andrade entre tantos outros. O tema central é o Haicai, um estilo de poesia japonesa, cujo pioneiro no Brasil é Monteiro Lobato. Rodolfo Guttilla, responsável por reunir esses grandes nomes num único livro, nos informa que “o haicai descende de uma antiquíssima linhagem que remonta ao século VII depois de Cristo”. Com temática de coisas simples e cotidianas, o haicai se popularizou não só no Japão, mas em todo o mundo, vindo parar inclusive no Brasil, com vários poetas se inspirando e escrevendo no mesmo estilo. Nos anos 1980, o haicai irá consolidar-se na cena literária como uma das mais populares formas poéticas no país. Apresentado em 1906 ao leitor brasileiro por Monteiro Lobato, o haicai entra no século XXI completamente abrasileirado.

O poema apresentado nesta edição da Geração Bookaholic trata-se na verdade de cinco poemas haicai de Erico Veríssimo, ao qual intitulamos “Quatro Estações”. Os poemas são curtinhos, de apenas três linhas, e são facilmente absorvidos e lidos pelos leitores. De fácil compreensão e linguagem simples, não é à toa que o haicai caiu nos gostos dos brasileiros antes mesmo da Semana de Arte Moderna revolucionar a arte e a história do Brasil em 1922. Você inclusive poderá ler uma resenha sobre “Boa Companhia – Haicai” nesta mesma edição, na seção “Resenhas”, onde encontrará uma breve expli_

cação sobre o livro e algumas informações sobre a obra. Por se tratar de um livro relativamente raro, tendo sido publicado em 2009 pela Companhia das Letras, talvez haja dificuldades de encontrá-lo nas livrarias tradicionais, devendo os sebos de sua cidade serem incluídos em sua lista de procuras – o que poderá lhe render um livro em ótimo estado por até metade do preço do livro nas livrarias. Uma ótima companhia para leitores que apreciam boa leitura, acompanhada de uma boa bebida quente e um dia chuvoso para completar o cenário de aconchego e alimento para a alma. Boa leitura! ■

CONFIRA UMA DAS POESIAS PRESENTES NO LIVRO: DADOS DA OBRA PRIMAVERA Libélulas? Qual! Flores de cerejeira Ao vento de abril. VERÃO Moscardo verde, Fruta madura no chão... Ó mel da vida! Gota de orvalho Na corola dum lírio: Joia do tempo. OUTONO Bosque de cobre, Borboleta amarela, Esquilo fulvo. INVERNO Na alva neve, A rígida mancha azul Da ave morta. JARDINEIRO INSENSATO Passou a vida A cultivar sem saber A flor da morte.

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Geração Bookaholic – Sua Revista Literária

Organização: Rodolfo Witzig Guttila Autores: Abel Pereira, Afrânio Peixoto, Alice Ruiz, Antonio Fernando de Franceschi, Carlos Drummond de Andrade, Carlos Vogt, Cyro Armando Catta Preta, Décio Pignatari, Erico Veríssimo, Guilherme de Almeida, Haroldo de Campos, Helena Kolody, José Lino Grünewald, José Paulo Paes, Lêdo Ivo, Luís Aranha, Millôr Fernandes, Monteiro Lobato, Oldegar Vieira, Olga Savary, Oswald de Andrade, Paulo Leminski, Pedro Xisto, Waldomiro Siqueira Jr. Capa: Jeff Fischer Editora: Companhia das Letras Páginas: 188 Gênero: Poesia Ano de Lançamento: 2009 DADOS PARA CONTATO COM A EDITORA Site: www.companhiadasletras.com.br www.blogdacompanhia.com.br Telefone: (11) 3707-3500


Por Flora DeAbaco Primeiro livro que comprou “Cura Fatal”, de Robin Cook Melhor livro que já leu “O Assassinato no Expresso do Oriente”, de Agatha Christie Último livro que comprou “Encanto”, de Tricia Rayburn Livro que mudou sua vida “A Incendiária”, de Stephen King Livro que mais leu na vida “Esfinge”, de Robin Cook Melhor capa de livro “Os Sete”, de Andre Vianco, edição Calíope

PERFIL

Livro que gostaria de ter escrito Resposta Quatro autores que gostaria de ter em um evento literário seu Andre Vianco, Eduardo Spohr, Raphael Draccon e Simone O. Marques. Já escrevi de tudo. Amo escrever fantasia urbana, gosto de adaptar personagens e histórias bíblicas para um universo mais complexo, e já escrevi romance (embora não o tenha publicado ainda, trata-se de um projeto futuro). Tenho livros de poesias, ensaios filosóficos, todos publicados. Acho que os gêneros que gosto de escrevi eu simplesmente escrevo. Além do estilo que você escreve, quais seus outros gêneros preferidos? Eu gosto de ler os gêneros que gosto de escrever. Gosto de ler também os suspenses policiais e terror psicológico, e já escrevi contos nesses dois estilos (publicados em meu blog pessoal e no Wattpad). Frase que gostaria de ter escrito “Se você tivesse acreditado em minha brincadeira de dizer verdades, teria ouvido verdades que teimo em dizer brincando.” Charles Chaplin Livro clássico que recomenda “Senhora”, José de Alencar Livro moderno que recomenda “O Senhor da Chuva”, de Andre Vianco

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Se não fosse escritor, o que gostaria de ser? Sou artista, acima de tudo. Sou formada em Artes Cênicas, e comecei a escrever pensando em peças e filmes que gostaria de atuar. Também fui criada em meio musical, toco teclado e canto, também componho, amo desenhar, pintar, etc. Se eu não fosse escritora, seria alguma coisa dentro da arte (provavelmente seria muitas coisas, pois sou hiperativa artisticamente!). Complete a frase: “Eu sou um sucesso quando...” ...estou com a minha família em paz em minha casa.” Sites: www.estradaescrita.blogspot.com

Livro que melhor o define “Império da Luz”, Saga Cidade de Cristal Livro II, de minha autoria.

facebook.com/livrosdedeborafalcao

Além do gênero que escreve, que gênero gostaria de escrever/se aventurar?

Livros disponíveis em: www.clubedeautores.com.br www.amazon.com.br

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www.livroscidadedecristal.blogspot.com


Revista Geração Bookaholic Edição #5  

A revista literária mais completa do Brasil traz, em sua quinta edição, uma entrevista exclusiva com os fundadores do projeto MARMOR, projet...

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