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FOTO ANDÉ DE LIMA

Revista mensal de informação

ANO I — N. 1 SETEMBRO 2001 ISSN 1519-9533

47

SAÚDE Desde o

38 TURISMO Financiamento e

início do Plano Real, em 1994, o fenômeno da cirurgia plástica cresce a cada ano. O Brasil é o segundo país no ranking mundial da plástica, com 350 mil cirurgias em 2000. Atrizes como Pamela Anderson foram pioneiras em mudar os seios

SEÇÕES 7 Carta ao leitor

A OPINIÃO DO EDITOR

8 Cartas

A OPINIÃO DO LEITOR

10 Talking Heads

QUEM PENSA E FALA

12 Arena Política

OS BASTIDORES

14 Online

TECH E INFORMÁTICA

16 Babélia

O QUE PASSA PELO MUNDO

18 Telecom

TELEFONIA E MERCADO

37 Carros

LANÇAMENTOS

profisisionalização consolidam turismo no Nordeste como atividade viável e sustentável. Na cadeia de desenvolvimento, US$ 6,6 bilhões investidos pelo setor privado e 3,8 milhões de empregos gerados nos últimos seis anos

56 PERFIL Conheça um workholic, o

empresário cearense José Abraão Otoch

25

sensibilidade e poesia do compositor e arquiteto cearense Fausto Nilo. O maior letrista do Brasil remonta sua trajetória artística e profissional, fala sobre inspiração, sucessos e política, numa extensa e rica entrevista FAUSTO NILO EM AUTORETRATO

50 Livros

O MERCADO EDITORIAL

64 Fortaleza — Aonde ir DICAS DA CIDADE

55 Pensata

A OPINIÃO DO AUTOR

58 Gente

SOCIEDADE E EVENTOS

66 Última Página

PONTO DE VISTA

CAPA: FOTO ANDRÉ DE LIMA DIREÇÃO DE ARTE: JON ROMANO EDITORAÇÃO: REGINALDO MARINHO

52POLÍTICA

CAPA Conheça a

20

BRASIL Incomodado com atuação

de procuradores da República, que já chegaram à ante-sala da Presidência no caso Eduardo Jorge, o governo de Fernando Henrique Cardoso limita raio de ação do Ministério Público Federal

Com enfoque no bem-estar social, a nova gestão de Ilário Marques, em Quixadá, no sertão do Ceará, mostra um PT que amadureceu e sabe governar com parcerias estratégicas

50 ARTE O livro Mar de

Luz é um documento criativo e requintado, com trabalhos assinados por alguns dos melhores fotógrafos brasileiros

COPYRIGHT © 2001 OMNI EDITORA ASSOCIADOS LTDA.

Fale! #

SETEMBRO 2001


publieditorial

O casamento do texto editorial com o publicitário – também chamado de publieditorial – tem sido uma das mais importantes soluções de comunicação integrada para contornar a indiferença do consumidor. O segredo do sucesso é integrar o comercial ao conteúdo e, também, ao formato do veículo.

Walter Longo

Publieditoriais: (85) 247.6100 !

$Fale

SETEMBRO 2001

Luís-Sérgio Santos EDITOR&PUBLISHER

Isabela Martin Luis Carlos Martins Jon Romano Karina Aguiar Erivaldo Carvalho Marcel Bezerra Vidal Cavalcante Manoel Vaz Reginaldo Marinho

Editor Senior Editor Associado Diretor de Arte Diretoria Comercial Repórter especial Estagiário São Paulo Comercial São Paulo Arte

COLABORADORES

Antonio Costa, Italo Gurgel, Roberto Martins Rodrigues, Roberto Costa, Jacques Antunes (fotografia), André de Lima (fotografia), José Rodrigues (fotografia), Luís Sergio Santos Jr, George Bevilácqua (logística) REDAÇÃO E PUBLICIDADE

OMNI EDITORA ASSOCIADOS LTDA. Rua Joaquim Sá, 746 — Fones: (85) 247.6100 e 247.6101 CEP 60.130-050 Dionísio Torres, Fortaleza, Ceará e-mail: fale@fortalnet.com.br web page: www.fale.com.br

Fale é publicada pela Omni Editora Associados Ltda. São Paulo: Vidal Cavalcante/BR Mídia — Rua Caetés, 262 CEP 05.011-001 Perdizes, São Paulo, SP Fone (11) 3875.5779 e-mail: brfoto@terra.com.br PREÇO DA ASSINATURA ANUAL NO BRASIL (12 EDIÇÕES): R$ 48,00 OU O PREÇO COM DESCONTO ANUNCIADO EM PROMOÇÃO. EXEMPLAR EM VENDA AVULSA: R$ 4,50, EXCETO EM PROMOÇÃO COM PREÇO MENOR. NÚMEROS ANTERIORES PODEM SER SOLICITADOS PELO CORREIO OU FAX. REPRINTES PODEM SER ADQUIRIDOS PELO TELEFONE (85) 247.6100. OS ARTIGOS ASSINADOS NÃO REFLETEM NECESSARIAMENTE O PENSAMENTO DA REVISTA. Fale NÃO SE RESPONSABILIZA PELA DEVOLUÇÃO DE MATÉRIAS EDITORIAIS NÃO SOLICITADAS. Sugestões e comentários sobre o conteúdo editorial de Fale  podem ser feitas por fax, telefone ou e-mail. CARTAS E MENSAGENS DEVEM TRAZER O NOME E ENDEREÇO DO AUTOR. Fale é marca registrada da Omni Editora Associados Ltda. Fale  é marca registrada no INPI. COPYRIGHT © 2001 OMNI EDITORA ASSOCIADOS LTDA. TODOS OS DIREITOS RESERVADOS. IMPRESSO NO BRASIL/PRINTED IN BRAZIL Impressão: Prol — Distribuição: Alaor Fale is published monthly by OMNI EDITORA ASSOCIADOS LTDA. A yearly subscription abroad costs US$ 99,00. To subscribe call (55+85) 265.3310 or by e-mail: fale@fortalnet.com.br

Luís-Sérgio Santos Isabela Martin DIRETORES


Informação em profundidade

domínio do conhecimento tecnológico relativo à fase anterior à impressão faz com que hoje tenhamos um custo extremamente compatível com as nossas necessidades e com o nosso orçamento. Devemos muito aos softwares de editoração cada vez mais utilitários, aos criação desta nova revista, Fale!, decorre de dois va- nossos parceiros industriais e aos nossos colaboradores de lores essenciais: a necessidade de transformar, den- texto, de imagem, de editoração digital, empresariais e aos tro do jornalismo, idéias em mercadoria tangível e, nossos anunciantes. segundo, atender a uma demanda específica de É relevante dizermos que temos o pleno domínio daquilo leitores que acreditam que, num país do tamanho que estamos fazendo. O segmento editorial é, de fato, o nosdo Brasil, a produção intelectual da mídia impressa não pode so negócio, primeiro e único. Não apenas como editores de estar totalmente concentrada num único pólo. revistas, mas também de livros. O crescimento do mercado A concentração é o que de fato acontece. Esse desvio editorial é algo desconcertante, principalmente para aqueles geopolítico — quase uma perversão — tem um enorme im- que, há seis, sete anos, com a explosão da internet, vaticinapacto na formação do imaginário do ram o fim da mídia impressa. povo brasileiro. O caráter utópico da Aconteceu o contrário. O que veCONCEITO idéia da descentralização da produção mos hoje é uma apropriação, pelas intelectual de um produto editorial, no tecnologias de impressão, de todos formato revista, encontra guarida numa os recursos tecnológicos e digitais das variáveis primárias do conceito disponíveis. Isso tem um enorme immarxista de ideologia. De fato, ainda pacto na formação dos preços — para hoje, a produção de bens simbólicos baixo —, e assegura a continuidade não se desvencilhou do viés corporado negócio considerando que o hotivo, quando não, do interesse meramem é um animal que parece não esmente mercantil, ou mantenedor do statar disposto a abrir mão de um sentitus quo, ou os dois. No entanto, é predo muito especial, o tato. Assim como ciso provocar uma distensão nessa na“nada substitui o talento” — um tureza material das coisas. marcante slogan —, nada substitui o Fale! vem na perspectiva estratégiprazer de tocar um livro — ou uma ca da região em que se insere, o Norrevista —, mover suas páginas para deste, pelo simples fato de que o imfrente e para trás, riscá-las, marcá-las pacto da região na formação dos valoe, se precisar, rasgá-las. res culturais dos seus editores e jornalistas é bem maior que o natural Uma das regras marcantes do joraculturamento civilizatório. Não é sem nalismo investigativo é o “slogan” do propósito que nossa história de capa Garganta Profunda, narrado pelos jorinaugural enfoca um dos mais criatinalistas Carl Bernstein e Bob Woovos intelectuais brasileiros, o cearense dward, no livro “Todos os Homens Fausto Nilo, um tradutor da do Presidente”. De fato a frase “siga contemporaneidade, janela e espelho o dinheiro” — follow the money! — do mundo. repetida exaustivamente pelo GarganFale!, de certo modo, continua o projeto editorial iniciado ta Profunda aos dois jornalistas durante as investigações do em novembro de 1996, quando criamos a revista Inside Bra- Caso Watergate continua sendo a variável número um quansil. Naquela época, achávamos que nosso conhecimento, do vamos investigar alguma coisa. Naturalmente, os escânacumulado nas redações de jornais como Diário do Nordes- dalos de corrupção são movidos pela ganância do dinheiro, te, O Povo e, cedo, Tribuna do Ceará, seria facilmente trans- escuso, informal, lavado e, quase como regra, público. posto para o novo formato. Logo vimos que não era bem Fale! tem a frase “siga o dinheiro” bem clara em sua mente assim. Na verdade, ao longo dos quase cinco anos à frente e, ironicamente, seguindo o dinheiro, chega-se sempre ao daquele veículo desenvolvemos um know-how sofisticado, cerne da questão. não apenas em relação ao estilo do texto ideal para revista, O mais importante. Com o foco no seu objetivo que é fazer mas, principalmente, na esfera digital, no que se refere à jornalismo de qualidade e preciso, Fale! não se privará de editoração e à pre-impressão. Isso se deve, em muito, aos nos- levar ao seu leitor a informação relevante. sos parceiros industriais, em Fortaleza e em São Paulo. O LUÍS-SÉRGIO SANTOS

A

Fale! é uma revista mensal de informação com foco para temas como Política, Economia, Negócios, Comportamento, Meio Ambiente e Sociedade. A revista tem postura de independência em relação a abordagem dos temas e se pauta pela densidade de conteúdo.

SETEMBRO 2001

Fale! %


C ARTAS

fale@revistafale.com.br

>>Integridade

>>Inteligência cearense

Há muita gente que gostaria de falar e não tem meio de passar a sua mensagem. Espero que os dirigentes da Fale! tenham a capacidade de ouvir os anseios do seu público-alvo, captar a essência de suas questões e transmiti-las com integridade. Boa sorte, JOÃO SOARES NETO

O amadurecimento da imprensa cearense criou condições para que tivéssemos uma revista do porte da que nos traz o jornalista Luís-Sérgio Santos. A proposta é de uma publicação moderna, independente, direcionada para os mais diferentes temas. O mais importante no meu entendimento, é que Fale! propiciará uma visão nossa, uma interpretação nossa da realidade local e nacional. Isso enriquece o cenário cultural, social e econômico e permite à província passar de mera copiadora a geradora e propagadora de novas idéias e conceitos. Luís-Sérgio saberá, com certeza, emprestar à revista a qualidade que traz credibilidade e que transformará Fale! em mais um produto de sucesso da inteligência cearense. RENÉ BARREIRA

Empresário FORTALEZA, CE

>>Indústria cultural Uma nova revista é sempre uma ótima notícia. Os leitores têm alternativas fora dos centros hegemônicos. Novos empregos são criados. Enfim, a Indústria Cultural no Ceará se fortalece, o que pode significar um aumento de público leitor que, por sua vez, pode consumir mais livros, teatro, música, artes plásticas, dança. Penso na formação de um leitor crítico e na possibilidade de recepção de textos produzidos aqui que não percam de vista um caráter mais amplo de inserção em um universo maior. Bem, desejo sucesso e vida longuíssima para a revista Fale! E como leitor estou curioso para fruir seu primeiro número. GILMAR DE CARVALHO Professor, PhD FORTALEZA, CE

>>Jornalismo moderno Mais um lançamento editorial é sempre positivo. A imprensa do Ceará ganha com este veículo de informação, que mantém compromissos com o jornalismo moderno. LÚCIO ALCÂNTARA Senador da República BRASÍLIA, DF

>>Paixão

Vice-reitor da UFC FORTALEZA, CE

Acredito que só o sentimento é capaz de mover as pessoas para o caminho do sucesso. Esse sentimento é paixão. E paixão e talento certamente não faltam a toda equipe de Fale! comandada pelo jornalista Luís-Sérgio Santos. O Ceará, mais do que nunca, precisa de pessoas que se preocupem com suas questões, que entendam nossos problemas e que, por fim, falem o que nos interessa. A Fale! vem ocupar esse privilegiado espaço entre os veículos de comunicação. Os cearenses estão precisando de vez e voz. Um veículo que se coloque como canal para os anseios e as necessidades do nosso povo só pode receber os aplausos e as boas vindas de toda a sociedade. SÉRGIO MACHADO Senador da República FORTALEZA, CE

>>Parceria

Parabéns à equipe da revista Fale! pela coragem de criar um novo veículo de comunicação que certamente irá contribuir para enriquecer a discussão de questões tão importantes para o desenvolvimento sustentável do Brasil. LENO F. SILVA

Ficamos muito felizes em saber do lançamento da revista Fale!. Estamos testemunhando o nascimento de uma publicação com potencial para brilhar nacionalmente, principalmente por estar sob seu comando. Parabéns e conte com nossa parceria. Cordialmente, MAURO COSTA, Jornalista

Gerente de Marketing e Comunicação do Instituto Ethos SÃO PAULO, SP

Diretor da AD2M Engenharia de Comunicação FORTALEZA, CE

>>Coragem

!

&Fale

SETEMBRO 2001

>>Know-how

A Fale! vem ocupar um espaço nobre no segmento editorial do Estado. Informação de qualidade é um importante esteio para nortear as ações do político. A equipe de Fale! tem talento e know-how para atingir esse objetivo. Boa sorte para Fale!. BENI VERAS Vice-governador do Ceará FORTALEZA, CE

>>Informação

Comunicação e informação são imprescindíveis no mundo de hoje. O nascimento de um novo veículo de comunicação é motivo de alegria e merece o nosso incentivo. Parabéns aos editores de Fale!. Que a revista seja porta-voz dos anseios populares e das conquistas do mundo político, econômico e científico do nosso país. Sociedade bem informada é sociedade consciente. Sucesso! PATRÍCIA GOMES Deputada estadual FORTALEZA, CE

>>Maturidade Sempre fui um admirador e aliado dos projetos do jornalista Luis-Sérgio Santos, um dos maiores talentos jornalísticos da nossa terra. Vejo na Fale! uma obra de maturidade. Com certeza, atingirá um nível como nenhum outro veículo desse segmento atingiu até hoje no nosso Estado. É essa a minha crença, e certeza. CLÁUDIO FERREIRA LIMA Economista Ex-secretário do Planejamento do Ceará FORTALEZA, CE

>>A favor da ética Conheço a sua capacidade profissional desde o Curso de Comunicação Social da UFC, quando integramos a mesma turma, de 1978. Você mostrou o seu talento e competência no jornalismo por onde atuou: no nosso jornal CALO (da Faculdade), na Tribuna do Ceará, no Diário do Nordeste, no O Povo e na Inside Brasil. Que Deus o abençoe no seu novo projeto da revista Fale!, para que sua mensagem seja sempre construtiva para a sociedade, em favor da ética, da verdade, da justiça, da solidariedade e da paz. Fraternalmente, PAULO ERNESTO SERPA Jornalista, diretor da TV Ceará FORTALEZA, CE


T ALKING H EADS .4)5-5 um dado da realidade. “NãoÉ podemos optar entre ficar fora ou dentro. Ela está aí. Podemos somente definir como vamos nos relacionar com ela.

”

BILL CLINTON,

falando a empresários , em São Paulo, rejeitando a satanização da globalização

“

O bem-estar dos EUA depende do sucesso de vocês. BILL CLINTON,

”

na mesma platéia

“

Um horror inqualificável diante do qual qualquer comentário parece inadequado, mas ainda que a força das trevas pareça prevalecer, o crente sabe que o mal e a morte não têm a última palavra.

”

PAPA JOÃO PAULO II,

sobre o atentado terrorista que fez milahres de vítimas fatais nos Estados Unidos

O presidente Bush é um “tremendo ignorante. ”

ROBERT REDFORD,

ator

“

A África é uma nação que sofre de uma incrível doença. GEORGE W. BUSH,

”

confundindo nação com continente

“

Estamos trabalhando para criar uma Argentina sustentável, não uma que continue a consumir o dinheiro de encanadores e carpinteiros dos EUA.

”

PAUL O’NEIL,

Secretário do Tesouro dos Estados Unidos

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Fale

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Meu senso de humor não “chegaria a tanto. ” Do ministro da Fazenda, Pedro Malan, sobre continuar titular na pasta em um eventual governo petista (no foto com Domingo Cavallo)

BILL GATES: O REI DO MUNDO “Para entrar na era digital, o Brasil precisa de escolas e bibliotecas.” “Se você pensar na distribuição de renda no mundo, verá que há muitas outras exclusões além da digital. Há direitos humanos, alfabetização, saúde, água limpa.” Sobre a exclusão digital

“Somos uma empresa de longo prazo. Podemos despejar bilhões de dólares no que achamos que será importante e depois descobrir pelo que os clientes estão dispostos a pagar.” Sobre a entrada da Microsoft em negócios onde as margens de lucro não são tão altas.

“Gastamos o dinheiro antes de saber como é a demanda.” Idem “Somos uma das empresas mais conservadoras do mundo. Quando os analistas perguntam de onde virão lucros e receitas, sempre falamos: software é um negócio duro e competitivo.” Questionado se teria cometido um grande erro ao investir em software enquanto a ‘loucura’ da Internet crescia.

“Na economia capitalista, só há um vencedor conhecido: quem compra os produtos, não quem vende. Esse é um ponto.” Sobre a perspectiva de recuperação da

indústria de tecnologia da informação.

“Quando há muitas empresas perseguindo um ideal, é fato que será difícil para qualquer uma ganhar dinheiro.” Idem “Nossa vida é competir com nós mesmos. Só temos de ir sempre além. Sempre tivemos de fazer nossos produtos com inovações que tornassem obsoletos nossos próprios produtos.” Sobre se pensaria em outros modelos, com o declínio no crescimento do mercado de PCs.

“A grande ironia é que, se tivéssemos um monopólio, não haveria competidos para reclamar, certo?” Sobre se o processo na Justiça mudou a forma de fazer negócios.


“

Eu me dou tão bem com os homens que, de vez em quando, eles esquecem que sou mulher.

”

TAIS ARAÚJO,

a Selminha Aluada, da novela Porto dos Milagres

É interessante que no Brasil se critica mais os bancos que dão resultados elevados do que os que quebram, que dão prejuízos fantásticos, geram bilhões e bilhões de dívidas para o Tesouro.

ROBERTO SETÚBAL,

]

A informática é a eletricidade do futuro, e qualquer atividade social, econômica, educacional estará inevitável e inextricavelmente associada ao uso de ferramentas e ambientes informatizados para sua SÍLVIO MEIRA, realização.

^

professor da UFPE e um dos pioneiros da Internet brasileira

]

Não se resolve a inclusão digital apenas com o micro barato ou popular e tarifa fixa — mas obviamente estes são componentes importantes da solução do problema. É preciso expandir a infra-estrutura. Tarefa hoje movida pela cenoura-eporrete dos contratos de concessão das telefônicas. E é uma infra-estrutura necessariamente digital.

^

CARLOS AFONSO,

secretário do conselho do Ibase

diretor-presidente do Banco Itaú

BRIZOLIANAS De Leonel Brizola, 79 anos, ainda na cena pública

No início, eu defendia até ]enfrentamento armado,

insurreição popular-militar. Chegamos a estar prontos, mas nos frustramos. Depois, tentei chegar lá sozinho, assim como o PT. Em seguida juntamos a esquerda, e batemos no nosso teto. Precisamos ampliar. Lula é um filme que já vimos.

^

..........................................................................................................................................................................................................................

T ALKING H EADS

, ATABASE

900

mil pessoas usam cocaína no Brasil. Isso é 0,7% da população.Nos EUA, são 5,3 milhões ou 3% da população. FONTE: ONU

25%

de seu valor frente ao dólar foi quanto o Real perdeu desde o início do ano. É a moeda mais enfraquecida do mundo, depois da lira turca. De cada 100 brasileiros, 23 têm telefone. Nos EUA, essa relação é 75 para 100

54,6%

do total da população brasileira são brancos, 40% são pardos e 5,4% são pretos.

45,4%

é a soma de pessoas pardas com a população negra no Brasil.

Quando tem algum ]problema na família eu ajudo, mas minha vida é 100% 34% pública. ^

da população brasileira é pobre, cercda de 53 milhões de brasileiros.

DESVALORIZAÇÃO DO REAL O presidente Fernando Henrique Cardosojá admite que o real está subvalorizado. O alerta aconteceu numa solenidade no Palácio do Planalto em que recebeu o primeiro-ministro de Portugal, António Guterres. Questionado se a expressiva desvalorização da moeda brasileira estava prejudicando o país, Fernando Henrique calculou que o real perdeu 25% de seu valor em relação ao dólar neste ano. Mas Fernando Henrique lembra que há alguns anos, cinco francos equivaliam a um dólar e, agora, essa relação é de sete e meio francos para um dólar. Essa desvalorização,

segundo ele, não balançou a França. Para FHC a inflação está relativamente sob controle. A previsão era de 4% para este ano, podendo variar dois ponto para cima e para baixo. — Deve estar no dois a mais, cerca de 6%. Não houve transferência para os preços. A economia não é mais indexada. Não há corrida contra o real.

FOTO ROOSEWELT PINHEIRO

<<< O primeiro-ministro de Portugal, António Guterres, ouve o presidente Fernando Henrique Cardoso, na sala de briefing do Palácio do Planalto

Fale! 

SETEMBRO 2001


ARENA POLÍTICA

fale@revistafale.com.br

Barbalhidade O senador Jader Barbalho (PMDBPA) deve responder a inquérito policial, a ser conduzido pelo Supremo Tribunal Federal, sobre o desvio de R$2,5 milhões do banco paraense para as contas dele e de familiares, quando era governador do Pará. O pedido foi formalizado junto ao procurador geral da República, Geraldo Brindeiro, pela Quinta Câmara de Defesa do Patrimônio Público, ligada ao Ministério Público Federal. Resta saber se, dessa vez, Brindeiro vai dar ouvidos ao pedido, uma vez que o relatório do Banco Central sobre o sumiço do dinheiro, de 1991, já apontava as irregularidades cometidas por Barbalho.

Tribunal de Contas I O governo do Ceará recebeu um sinal de alerta em junho. Veio do Tribunal de Contas do Estado que, ao concluir a análise sobre os números do ano passado, viu que “agravou-se ainda mais a situação financeira e patrimonial examinadas”. Segundo o relatório, assinado pelo conselheiro José Luciano Gomes Barreira, todos os créditos e o patrimônio do Estado não são bastante para cobrir as suas obrigações, considerados os dados do balanço geral. A diferença chega a quase um bilhão de reais (R$936.777.137,71).

Tribunal de Contas II Um dos argumentos estratégicos do governo das mudanças, iniciado com Tasso Jereissati há 15 anos, foi o saneamento das contas públicas. A advertência do TCE é preocupante. Ainda mais porque o perfil do próximo governador pode piorar a situação: depende, essencialmente, do grau de intimidade que tenha com a caneta. Apesar de algumas ilegalidades indicadas, o TCE considerou que, tecnicamente, a prestação do exercício de 2000 merecia parecer favorável. Barulho mesmo quem vai fazer é a bancada de oposição ao governo na Assembléia Legislativa do Ceará.

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 Fale 

SETEMBRO 2001

Gracias, pero no mucho

.. .

Os comentários críticos do governador do Ceará ao BID FOTO ANDRÉ DE LIMA

ter aeroportos construíEm visita ao Ceará para dos ou reformados se lançar a segunda fase do não existirem vôos”, disProdetur, o presidente do se. Com tanta cobrança BID, Enrique Iglesias, oue maldizença do anfitrião, viu poucas — e não tão a 43ª Reunião Anual do boas — do anfitrião e goBID, prevista para aconvernador do Ceará, Tasso tecer em Fortaleza, no Jereissati. Na penca de reano que vem, corre o risclamações de Tasso estaco de receber um balde vam as metas do prograde água fria. ma de desenvolvimento do O Programa de Desenturismo no Nordeste, que volvimento do Turismo no segundo ele, “não preciNordeste (Prodetur) tem sam ser iguais em todos os o objetivo de dotar as ciEstados” . Até porque o dades turísticas da região Ceará, segundo Tasso, tem Jereissati: direto ao ponto de melhores condições algumas prioridades que para receber o turista. As outros Estados não têm. Entre elas a construção do Parque de Fei- obras financiadas tentam promover o cresras e Centro de Convenções do Estado cimento auto-sustentado, atrair investido Ceará. Esse espaço seria uma espécie mentos privados e, desta forma, gerar mais de aglutinador de grandes eventos de empregos e renda para a população local. negócios, que daria ao setor turístico a Já são 500 projetos em execução em todo o estabilidade durante todo o ano. O pro- Nordeste. Mais de 100 municípios estão blema é que projetos desse tipo fogem às sendo beneficiados. São obras de limpeza características das metas do Prodetur. O urbana, ampliação e modernização de aegovernador não poupou nem o governo roportos, esgotamento sanitário e abastefederal, de quem cobrou medidas para re- cimento de água, recuperação de estradas, gularizar vôos internacionais no aeropor- aparelhamento de portos e recuperação do to Pinto Martins. “De quase nada adianta patrimônio histórico.

AOS AMIGOS, TUDO É incrível como a lei brasileira se flexibiliza diante de criminosos de colarinho branco. A decisão do STJ de conceder liminar permitindo que o juiz aposentado Nicolau dos Santos Neto voltasse a cumprir prisão domiciliar é um bom exemplo. O ministro Nilson Neves alegou que “é impossível utilizar mandado de segurança para levar um réu à prisão”. Impossível — pelo visto — é dar o tratamento que merece quem desviou R$169 milhões do dinheiro público. Ainda mais quando se sabe que no Brasil a imperícia e o desrespeito à lei levam e deixam inocentes na prisão. O fato da irregularidade ter sido cometida por um homem da lei só aumenta a gravidade do problema. Pelo visto, aos olhos da corporação, esse detalhe passa a ser um atenuante.

Em 2002 O governador do Ceará, Tasso Jereissati, defende que o candidato do PSDB à presidência da República não deve sair “a partir de uma escolha pessoal, do coração, do momento ou da vontade de uma pessoa, do presidente Fernando Henrique Cardoso.” Ele não sabe se “prévias ou primárias seriam factíveis, mas, com certeza, é preciso inverter a discussão da maneira como foi colocada, que é o Fernando Henrique que vai escolher [o candidato].” Para ele, o candidato tem que emergir das bases, depois de uma discussão dentro do partido, fora do partido e na sociedade.


Calote privatizado

O Brasil é maior do que o CNPq pensa O Ministério da Ciência e Tecnologia fez uma radiografia detalhada da ciência no Brasil que, em parte, mostra o que já se sabia. As empresas privadas nacionais investem bem menos em ciência e tecnologia do que suas congêneres estrangeiras. Para o secretário-executivo do ministério, Carlos Américo Pacheco, trata-se de um traço cultural, dos tempos em que a tecnologia era um dos principais itens da nossa pauta de importação. Uma das grandes surpresas foi descobrir que o número de pesquisadores com doutorado catalogados pelo CNPq passou de 10.994 em 1993 para 27.662 em 2000. A listagem inclui apenas pesquisadores que respondem ao questionário, mas dá uma medida do crescimento do financiamento à pesquisa. Resta saber se a distribuição do financiamento público de pesquisa ainda mantém a lógica perversa da discrimina-

ção. Segundo estudo feito pelo ex-senador Beni Veras (PSDB-CE) – Brasil, um País Desigual – 81% dos projetos patrocinados pelo programa de apoio ao desenvolvimento científico e tecnológico (PADCT), executado conjuntamente pelo CNPq, Finep, e Capes, se localizam no Sudeste e no Sul (dados de 1996). Uma recente pesquisa do consultor de empresas paulista Ramon Armesto Mondelo revelou mais um índice negativo para o Brasil. Trata-se do desperdício que, anualmente, equivale a 40% do Produto Interno Bruto. As empresas perdem 20% de seu faturamento anual e as donas-de-casa jogam no lixo 15% dos alimentos que compram. Segundo seus cálculos se o Brasil conseguisse economizar 6% do que perde, cerca de R$ 60 bilhões, seria possível: fornecer mais de 41 milhões de cestas básicas de alimentos ou 10 milhões de empregos no valor de R$6 mil.

FALANDO

NO REINO DA FARSA

Se existe ]mentiroso nessa

história, não sou eu.

]

“Nada é mais grave hoje, nem mesmo a crise na Argentina, do que esta revolta das polícias militares. Os governadores, legitimamente eleitos, ficam nas mãos de grupos armados. Isso é que é subversão de valores”, do governador Tasso Jereissati ao jornalista Ancelmo Góis no site no.com. É bom as autoridades e executivos se prevenirem. Em tempos de grampo, só fazendo como o ministro Eliseu Padilha, dos Transportes, que deixa o seu apartamento para ligar de um orelhão na rua. Parece que só um milagre conseguirá mudar os rumos do projeto que prevê a construção de uma refinaria de petróleo no Ceará. O protocolo assinado em 1998 entre o governo do Estado e o grupo alemão Thyssen não passou das intenções. Por fim – após bater em várias portas – o governo procurou a estatal saudita Saudi Aramco. Será que agora vai? Um novo adesivo circula nos párabrisas de Brasília: FHora! Numa de suas mais recentes falas no programa Palavra do Presidente, Fernando Henrique Cardoso disse

Senador Jader Barbalho (PMDB-PA), exibindo parecer do BC que o inocentaria

que a sua “preocupação maior é com os idosos, os portadores de deficiência, os jovens sob ameaça de derivar para o crime e as crianças que trabalhavam para se sustentar”. Os sertões do nordeste concentram o maior número desse contingente de abandonados sociais. No entanto, as ações são todas paliativas reforçando a incoerência entre o discurso e a prática política. Cresce em número e em peso político o grupo de apoiadores da candidatura do ministro da Fazenda, Pedro Malan, à sucessão do presidente Fernando Henrique. Mas estão no PSDB e no FPL os grandes focos de resistência à idéia.

Federalizado desde 1999, a privatização do Banco do Estado do Ceará (BEC) entrou em contagem regressiva. Segundo a agenda do BNDES para 2001, a venda do BEC e de outros cinco bancos estaduais está prevista para esse ano. São eles, o de Santa Catarina (Besc), do Piauí (Bep), do Amazonas (Bea), de Goiás (Beg) e do Maranhão (Bem). A despeito de qualquer argumento favorável à entrega desses bancos para as mãos da iniciativa privada, não dá para ignorar que no rito de passagem muita poeira vai ser jogada para debaixo do tapete. Como calotes de empréstimos milionários feitos com ingerência política.

Se a moda pega Recentemente, um juiz proibiu modelos de desfilarem no Brasil porque estavam fora da escola. Provavelmente vai ter que rever sua posição. A mais nova decisão do Ministério Público Federal sobre os direitos dos pais considera que eles têm o direito de escolher se a educação dos filhos será feita na escola ou em casa. Nos Estados Unidos, pais que não levam os filhos para a escola podem ser presos. No Brasil, esse também era o entendimento mas o MP mudou de idéia após apreciar o pedido de um casal de Anápolis (GO). Se a moda pega...

Telhado de vidro Pelo menos oito governadores precisam fazer as pazes com a opinião pública. Enfrentam denúncias de corrupção, desvio de verbas, nepotismo, e sonegação de impostos. Um escândalo recente mostra que o governador Anthony Garotinho (PSB), teria subornado um fiscal da Receita por uma autorização para sortear sete carros e uma casa no programa “Show do Garotinho”, em 1995. Também enfrentam problemas José Ignácio Ferreira (Espírito Santo), Joaquim Roriz (DF), Amazonino Mendes (Amazonas), Francisco de Assis Morais, o Mão Santa (Piauí), Marconi Perillo (Goiás), Siqueira Campos (Tocantins), e José Orcírio Miranda, o Zeca do PT (Mato Grosso do Sul).

Fale! !

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AIBO. Aquele cãozinho com inteligência artificial lançado pela Sony completa dois anos e ganha novos atributos que podem ser conferidos no site www.aibo.com. O cão faz mais sucesso na mídia que no mercado e, por conta disso, é um excelente garoto propaganda da Sony. SITES PERSONALIZAM EMAILS GRÁTIS

Um e-mail que é a sua cara. Com os chamados redirecionadores, é possível dar um toque especial e pessoal no endereço eletrônico. O site Pmail[www.pmail.com.br], mostra que o e-mail impronunciável pode ficar xx@seunome.com.br. Outro serviço é o Email [www.email.com.br]. Cidade, time, profissão, vícios e sentimentos estão entre as opções, sempre seguidas de .net. Assim temos xx@arquiteto.net. Outra opção, o MailBR [www.mailbr.com.br] dá direito a cinco megabytes de espaço. ONDE ENCONTRAR DICAS PROFISSIONAIS

Bastante útil e funcional o site Infoloides [www.infoloides.com.br]. No link “profissões” estão dicas imperdíveis de como enfrentar uma entrevista de trabalho, sugestões e modelos para currículos e cartas de apresentação, além de informações sobre as principais profissões e cursos universitários. De quebra, links para sites com bancos de empregos. FMD COM CAPACIDADE DE DEZ DVD’S

A americana Constellation 3D [www.c3d.net] anuncia para o final do ano o FMD — Fluorescent Multi-layer Disc, com capacidade de dez atuais DVD’s — cerca de 4.7GB. E o melhor, poderá ser lido por um leitor normal de DVD após uma ligeira modificação.

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ONLINE

Pentium 4, de 2 Gigas, vem aí

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A maravilha tecnológica é anunciada pela Intel, na Califórnia A apresentação do primeiro processador Pentium 4, de 2 gigas, foi o ponto alto do Intel Developer Forum, em San José, Califórnia. O Pentium 4 vem na velocidade de 2 gigahertz e de 1.9 gigas, revela Anand Chandrasekher, vice presidente do Intel Architecture Group. Para a empresa, este é o perfeito companheiro para o novo sistema operacional Windows XP, da Microsoft, que deve ser lançado antes do final de outubro. “O Windows XP é otimizado para o Pentium 4”, diz Chandrasekher. A dupla Intel e Microsoft têm dado declarações otimistas sobre a combinação perfeita entre o chip Pentium 4 e o Microsoft XP para estimular o aumento de vendas de computa-

dores pessoais. O processador Pentium 4 2 gigahertz vai colocar em xeque a linha Pentium III, da Intel, que fica mais próxima de sair de linha. “O mercado de computadores desktops entrará até o final deste ano na era dos

Alemanha contra a xenofobia na rede EUA é líder com mais de dois mil sites de extrema direita O que é proibido offline deve ser proibido online. Pelo menos para a ministra da Justiça alemã, Herta Daeubler-Gmelin. A ministra está empenhada em um consenso global para o mínimo de regulamentação internacional sobre sites racistas. “É preciso que as empresas e os próprios usuários reforcem as suas atitudes”, disse Gmelin, durante conferência, Hitler realizada em Berlim, sobre xenofobia virtual. No encontro foi apontado o dedo aos Estados Unidos, país que apresenta o maior número de sites com mensagens extremistas. Abraham Cooper, sócio do Centro Simon Wiesenthal de Los Angeles,

afirmou que a explosão de sites extremistas nos Estados Unidos provam que são necessárias ações que combatam os discursos xenófobos. Segundo Cooper, existem hoje mais de dois mil sites de ódio nos EUA, quando em 1995 era apenas um. Na Alemanha, o número de sites de extrema-direita passou para 330 este ano, cerca de dez vezes mais do que há quatro anos. Em tempo: a Amazon.com, maior livraria virtual do planeta, decidiu não vender na Alemanha a obra “Mein Kampf” de Adolf Hitler, embora a obra esteja à venda nos outros países.

Pentium 4”, diz Chandrasekher. O Pentium III ficará rapidamente obsoleto. A Intel já solta balões de ensaio sobre um futuro processador, que só deverá chegar ao mercado depois de 2003, e tem como público-alvo o mercado de comunicação móvel — celulares, laptops, palmtops e outros. Num painel sobre o tema “Architecting the Digital Universe” o fabricante de chips mostra-se otimista sobre o futuro da indústria de microprocessadores. “Nós não acreditamos que o crescimento da economia pare, nós pensamos exatamente ao contrário. Estamos contribuindo para que assim seja”, diz Chandrasekher.

TESTE COM DIREITO A BRINDES

Alguns sites uniram entretenimento e informação e o resultado são verdadeiras gincanas virtuais. A maioria premia o internauta de acordo com os pontos acumulados com os acertos. Veja alguns: www.ganhei.com.br www.fulano.com.br www.papagames.com.br www.gincanapremiada.com.br www.mandabala.com.br Mas para os que preferem a internet como ferramenta de trabalho e pesquisa, o site Google.com continua o buscador mais recomendado.


Fundações oferecem desde estadia com tudo pago nos Estados Unidos a mestrado em Direito e Administração na Europa

Quem não gostaria de ir aos Estados Unidos adquirir conhecimento e experiência? No site da Fundação Fulbright [www.fulbright.org.br] estão disponívies informações para quem pretende tentar uma vaga em algum programa de intercâmbio, como fizeram mais de 23 mil estudantes — entre eles americanos — nos mais de 50 anos da instituição. No Brasil, o programa é administrado por comissões binacionais que priorizam as ciências humanas e sociais. Os requisitos básicos exigidos são cidadania brasileira, residência no Brasil no ato da candidatura, domínio do idioma inglês, qualificação profissional para a atividade a que se propõe e, claro, saúde física e mental. Os benefícios oferecidos são passagens aéreas — ida e volta — para os EUA, bolsa mensal de manutenção, auxílio para aquisição de material acadêmico, seguro saúde e pagamento de taxas acadêmicas, conhecidas como “fees”. Já a Fundação Estudar [www.estudar.org.br] oferece oportunidades para estudantes que buscam cursos fora do país. Reconhecida no Brasil como uma das poucas instituições de capital privado que concedem esse tipo de ajuda financeira, a Fundação abrange os níveis de graduação e pós em Administração de Empresas. Também há a possibilidade de cursar mestrado em Direito nos EUA ou Europa. Entre as exigências estão ser brasileiro nato com residência fixa no país e já ter sido aceito pela instituição de ensino para onde vai solicitar a bolsa. Os custeios são parciais. As bolsas 100% são reembolsáveis, através de doações espontâneas para a fundação, depois do curso.

O Linux cresce no mundo

Uma acreditada empresa especializada em tendências em tecnologia da informação, a IDC, projetou o crescimento do Linux em 28% ao ano — sem contar os downloads gratuitos via internet. Nesse ritmo ele vai se tornar o mais usado sistema operacional do mundo por volta de 2005. No Brasil, a principal distribuidora de Linux, colocou no mercado, no ano passado, mais de um milhão de cópias. Em 1997, havia distribuído três mil cópias. Te cuida Microsoft.

Aprimoramento profissional grátis

Quem quer — e precisa — se vender bem para o mercado de trabalho não pode deixar de visitar o site Marketing Pessoal [www.marketingpessoal.com.br]. De maneira organizada e atraente, estão disponíveis, gratuitamente, muitas dicas para o aprimoramento da carreira. Entre elas, como se sair bem ao falar em público, atitudes e posturas em determinadas situações e a preocupação com o visual e a etiqueta. O site conta ainda com artigos assinados por profissionais de RH, com indicação de leituras e livros sobre carreira e gestão.

dicas

Bolsas de estudo e intercâmbio internacional

Profissões.med tem informações sobre mais de 200 cursos O site Orientação Profissional coloca à disposição de escolas e vestibulandos um instrumento de avaliação e tendência profissional. São fornecidas informações sobre o equilíbrio emocional e a aptidão de cada candidato, a partir de um questionário respondido online pelo aluno. Também dispõe de informações detalhadas sobre mais de 200 cursos superiores, com áreas de atuação e traços de personalidade. Tudo grátis.www.profissoes.med.br

Saiba onde reclamar e como economizar A Globo.com criou um espaço inteiramente dedicado ao racionamento de energia elétrica. Consultando os simuladores é possível saber como fica a conta de luz com ou sem a sobretaxa, com boas dicas para economizar. Se tudo isso falhar, ainda tem a legislação sobre o assunto e, claro, dicas de como reclamar na Justiça. www.globo.com/apagao. Outro site de direito do consumidor. Vá até o site Desconfiômetro [www.desconfiometro.com.br] e veja a maneira mais segura de fazer compras pela Internet.

Útil para que estuda e ensina Estudantes e educadores têm à sua disposição uma biblioteca de softwares educacionais e uma agenda de eventos pelo Brasil, além das últimas notícias sobre Educação, atualizadas diariamente. O endereço www.educacional.com.br. O serviço de busca do site é rápido e rico em conteúdo. Procura por palavras-chave ou temáticas em catálogos de outros sites especializados, ou nas seções do Educacioal, divididas por assuntos.

Os bons de bolinha >> Anna Kournikova O site oficial da tenista ww.kournikova.com fornece não apenas todo tipo de informação sobre sua carreira e repercussão na imprensa mas principalmente uma quantidade gigantesca de fotografias da estrela. >> Guga No http:// guga.globo.com/ Gustavo Kuerten aparece num belo site. “Eu me dou bem com praticamente todos os tenistas, mas com certeza tem alguns que sou mais amigo, como aqueles que conheço desde os tempos de juvenil”, conta ele, em entrevista.

Fale! #

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Em nome do filho O THE WALL STREET JOURNAL diz que a cultura da operação cesareana é algo profundamente enraizado no Brasil, onde um grande número de mulheres a consideram um método moderno de dar à luz, em oposição ao parto normal, tido como coisa primitiva. O jornal lembra que algumas celebridades ajudam a disseminar a idéia. “Em 1998, por exemplo, a televisão brasileira interrompeu sua programação para anunciar que a apresentadora de TV e modelo Xuxa Meneghel tinha dado à luz sua fila através de cesareana”. Em São Paulo, cesareanas marcadas para sexta-feira à tarde são chamadas de ‘cesareanas de praia’. Os médicos as concentram nesse horário porque querem um fim de semana sem interrupções.

BABÉLIA

Jazz legal com inspiração nacional Estrela americana é admiradora de Elis Regina e Sérgio Mendes Dianne Reeves (foto), apontada como sucessora de divas do jazz como Sarah Vaughan, Ella Fitzgerald e Betty Carter, explica ao crítico de música do jornal Boston Globe, Bob Blumenthal, a sua afinidade com a música brasileira. “O jazz faz você ter respeito por outros gêneros. Quando você ouve alguém como Elis Regina se sente pequena, porque a ouve cantar sua vida assim como sua brilhante musicalidade. Tudo o que quer é estar lá, conhecer mais,” disse Reeves. “Ao longo de sua carreira”, conta Blumenthal, “Reeves mergulhou na música brasileira, com Sérgio Mendes, e na música africana, com Harry Belafonte. A soma dessas experiências é um estilo de flexibilidade incomum. Em seu CD ‘In the Moment’, com o qual ganhou recentemente um Grammy, ela canta de Tom Jobim a Leonard Cohen”.

deu no nyt >>GUERRA DA SOJA O New York Times relata que os plantadores de soja do Brasil estão vencendo os americanos, os antigos campeões, na corrida para colocar seu produto no mercado global. “Fazendeiros americanos não sabem o que fazer para competir com os rivais mais ágeis e empreendedores do Brasil, onde a terra é abundante e barata e os reguladores do governo ficam distantes”, escreve Jennifer Rich, correspondente do NYT. “Nos últimos cinco anos, a fatia dos EUA nas exportações mundiais de soja diminuiu 27%, ficando em 53% do mercado global. Nesse período, os brasileiros mais que

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dobraram sua participação no mercado de exportação de soja. >>BRASILEIRO NO GUGGENHEIM Um dos trabalhos do artista plástico Ernesto Neto foi escolhido para fazer parte da cooleção permanente de arte contemporânea do museu Guggenheim de Nova York,

noticia o New York Times. O Guggenheim procurou artistas que expuseram na Bienal de Veneza deste ano, como foi o caso do brasileiro. O trabalho de Ernesto Neto que foi escolhido pelo museu é “Vivemos em um amor simbiótico”, descrito pela crítica do NYT como “uma escultura biomorfa de parede que o artista encheu com

O jornal comenta a

THE BOSTON GLOBE

dificuldade que o Southside Health Center, de Framington — Massachussetts, EUA —, enfrenta para atender seus quatro mil pacientes por ano, a maioria imigrantes latinos ou brasileiros sem seguro-saúde. A clínica precisa desesperadamente de pessoal fluente em português ou espanhol, mas, devido a sua localização, não consegue contratar médicos e enfermeiras com tal perfil. Situada na parte rica da cidade, a instituição não consegue o status de hospital voltado para os desvalidos.

© 2001 Artists Rights Society

e tem em seu carnaval um palco anual para exibir seus talentos. Mesmo assim, a calma cidade de Joinville dificilmente seria vista como a primeira opção dos diretores do balé Bolshoi quando eles começaram a buscar um local para instalar sua primeira escola fora da Óleo sobre tela de Piet Rússia. Mas este é de Mondrian, no Guggenheim, NY fato o lar da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil”, escreve o alfazema”. Em outubro estréia correspondente do NYT Larry no museu em Nova York, a Rohter. exposição Brasil de corpo e Hoje, em salas de aula alma, com peças que vão do banhadas pelo sol, 256 barroco ao contemporâneo. crianças brasileiras entre >>DE JOINVILLE PARA O BOLSHOI oito anos e a adolescência O New York Times conta como vestem malhas em preto e em Joinville estão sendo branco com o logotipo do treinadas as futuras estrelas do Bolshoi para ensaiar com balé mundial. “Os brasileiros se alguns dos mais respeitados consideram os melhores bailarinos russos. dançarinos e músicos do mundo

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Dança que emancipa

Gisele Bündchen e a política do corpo A supermodel resiste aos apelos para fotos de do nu total

A coluna NAMES & FACES, do THE WASHINGTON POST, cita uma frase da modelo Gisele Bündchen depois de desfilar para a grife brasileira de maiôs e biquínis Cia. Marítima. “Não tenho vontade de mostrar meu corpo todo para o mundo todo”, disse a supermodelo — e namorada do ator Leonardo DiCaprio — sobre seu retorno aos desfiles da bem-comportada grife Cia. Maritima. A editora de moda do GUARDIAN, Jess Cartner-Morley , comenta o fato de a modelo brasileira gostar de dizer que o retorno do cinto — um acessório-chave da moda nesta temporada — deve-se à imitação de seu estilo pessoal de vestir. “A explicação mais plausível, entretanto”, diz a editora, “é de que os cinturões são a versão-mundo real que os estilistas estão lançando para esta e a próxima temporada.”

O apagão visto de fora Alex Bellos, do THE GUARDIAN, conta como o Brasil mudou nesse período de racionamento de energia. Iluminação das ruas desligada, lojas fechando mais cedo e jogos de futebol noturnos transferidos para o dia claro. A crise aumentou a instabilidade política no Brasil e o real vem tendo sucessivas desvalorizações frente ao dólar. O Congresso tentou dar o seu exemplo desligando a iluminação externa e o ar condicionado das salas das comissões. Já o FINANCIAL TIMES comenta que os brasileiros vêm dando um impressionante show de responsabilidade cívica, frente à perspectiva de cortes de luz se o consumo de energia não cair substancialmente.

A dona da camisinha

Nada mais adequado, para quem faz questão de um marketing picante. Um fabricante norteamericano lançou as camisinhas Madonna, com uma foto antiga da cantora nas caixas. Ainda não dá para medir o sucesso das vendas.

SEX-APPEAL

Ela não economiza o corpo

A beldade Britney Spears (foto) é saudada na capa da revista Rolling Stone tendo como gancho sua nova mansão em Hollywood Hills, Los Angeles. A reportagem conta detalhes que vão desde a escolha das cores ao suntuoso banheiro com um conjunto de sofás, posters da estrela, um jardim de inverno. Spears faz um enorme sucesso entre a junventude americana, estimulada por uma mídia forte que inclui canais de músicas como MTV e outros e uma intensa exposição que não abre mão de um sexappeal cada vez mais influenciado pelo modo caliente de estrelas hispânicas, como Jennifer Lopez.

O inglês THE INDEPENDENT conta como é o esforço da Escola de Dança e Integração Social para Crianças e Adolescentes — Edisca, para ajudar meninas pobres de Fortaleza a fugir da miséria através da dança. “Dora Andrade sabia que seu sonho seria uma tarefa árdua.” Na instituição, as meninas recebem uma refeição di��ria e aprendem a cuidar e respeitar seus corpos. “Através da Edisca, Andrade criou um novo paradigma na educação dos pobres brasileiros. Escolas de dança baseadas no modelo da Edisca foram abertas em Santa Catarina, Minas Gerais e São Paulo. Outros projetos semelhantes mostram a crianças pobres de favelas do Brasil como expandir seus horizontes.” Na revista TIME, a fundadora da Edisca, Dora Andrade, ganhou perfil na série Inovadores, que aborda saídas criativas e originais em todo o mundo. O texto “Ensinando a dança da vida”, por Andrew Downie, conta a saga da escola e aplaude seu papel social. >>>http://www.time.com/time/ innovators_v2/civic_leaders/ profile_andrade.html

Um teatro magnífico A semanal NEWSWEEK destaca o renascimento do “magnífico Teatro Amazonas”, onde uma orquestra formada por músicos do leste europeu delicia platéias com obras de Puccini, Mozart e outros. Graças a dezenas de músicos da Rússia, Bulgária e Bielorússia, a floresta tropical tem um novo repertório. Eles são as novas estrelas da Filarmônica do Amazonas, com 65 músicos profissionais que vem colocando Manaus no mapa cultural internacional e a dar à ópera seu mais novo e talvez mais excitante cenário” diz a revista. Fale! %

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Modelo anacrônico Passados oito anos do início da operação de televisão fechada, via cabo coaxial, no Brasil, apenas 3,5 milhões de residências têm acesso ao sistema e as estimativas sobre o futuro são extremamente incertas. As previsões para o número de assinantes variam de 5 a 10 milhões, em 10 anos. “É uma faixa muito larga de projeção, o que evidencia a desorientação do setor”, acredita Marcelo Sant’ Anna, diretor geral da Terayon para o Brasil e América Latina. Além dos percalços econômicos, o executivo da Terayon acredita que o modelo do sistema desestimula a expansão das redes e os investimentos em novos assinantes. “Cada assinante acaba sendo uma despesa ainda maior para as operadoras”, afirma Marcelo Sant’ Anna.

Modelo anacrônico II Santa’Ana explica que, além dos investimentos nas redes físicas para o acesso à televisão a cabo, as operadoras pagam, por assinante, o conteúdo a cada novo assinante. Desta forma, as operadoras despendem recursos, ao invés de gerar receitas, quando entram novos participantes nas redes a cabo. Segundo Sant´Anna, este modelo é um fator de grande peso que impede a expansão do sistema de televisão a cabo. “O conteúdo é pago em dólar, e a alta da moeda acarreta um aumento de despesas muito grande para as operadoras”, diz.

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TELECOM

O objeto de desejo é portátil

O Motorola V60 é um aparelho sofisticado e diferente de tudo Com a meta ambiciosa de vender 1 milhão de aparelhos até o final do ano no Brasil — e isto inclui upgrades de aparelhos de celular — a Motorola, em parceria com a BCP Telecomunicações lançam o V60 na sua versão TDMA, uma máquina de layout sofisticado, estilo Matrix, e muitas funções, algumas até prosaicas como o acesso a rádio FM. O V60 está disponível para usuários corporativos, os heavy users, em regime de comodato, com um consumo mínimo de 1000 minutos/mês e adesão por pelo menos 12 meses. O gerente da filial da BCP no Ceará, Rômulo César Gomes de Paula, diz que “entre as vantagens, o V60 possui display externo e interno, facilitando a visualização do número que está chamando e a opção zoom, que dobra o tamanho das letras de três para duas linhas.” O V60 tem opções diferenciadas que podem facilitar a vida dos clientes corporativos da BCP. O aparelho é produzido em alumínio anodizado, com dobradiças de titanium. “O V60 suplanta o modelo Startac, principalmente em funções”, diz Gilberto Russo, gerente de treinamento da Motorola. O aparelho permite acesso a sites WAP através do micro browser. “Grandes portais e sites da Internet já têm sua versão em WAP e o usuário poderá acessá-las do V60 usando as funções de discagem”, lembra Rômulo de Paula. O V60 envia e recebe e-mails, tem vibracall, agenda com capacidade de memória para 400 nomes e uma digitação inteligente. “Basta a pessoa ir pressionando as teclas que o telefone vai completando a palavra”, detalha Rômulo. A novidade ainda é que o executivo poderá gravar as ligações em andamento no telefone ou mensagens pessoais para serem escutadas posteriormente. O aparelho tem um acessório para ouvir suas estações de Rádios FM’s preferidas. Se a pessoa receber uma ligação ou mensagem de texto, a música é interrompida e o aparelho toca ou vibra. A BCP Telecomunicações opera na banda B na área 10 ( de Alagoas ao Piauí ), e na grande São Paulo.

Sistema CDMA

Conheça alguns serviços do V60

>>Acesso a Internet por voz >>Envio e recebimento de mensagens e e-mails >>Display externo com identificador de chamada, dia e hora >>Zoom no display interno >>Exclusivo design em alumínio escovado >>Voice notes: gravação de conversa e lembretes >>Assistente de texto inteligente >>400 posições de memória e agenda de compromissos com alarme >>Alerta VibraCall >>32 tipos de campainha Truesync: sincroniza a agenda do telefone com a do computador e a do PalmTop* >>Bateria com até 150 minutos de conversação e até 5 dias em stand-by ** (*) Requer acessório extra (**) Os tempos de conversação e espera são aproximados e dependem da configuração da rede, da intensidade do sinal e das funções selecionadas.

Sony entra na arena dos cinco mega-pixels FOTO COM CÂMERA DIGITAL

Os fabricantes de cameras digitais entram numa fase arrojada. A Sony lançou a Cyber-shot DSCF707, uma câmera digital de cinco mega-pixels que consegue realizar fotos em altíssima resolução, coisa possível até há pouco tempo somente através de caros modelos profissionais. Nos últimos cinco anos a evolução das câmeras digitais tem sido impressionante.

Há dois anos a Sony introduziu a DSC-F505, de dois mega-pixels. A F707 usa lentes de zoom ótico de Carl Zeiss Vario Sonnar 5X, que consegue imagens com a resolução máxima de 2,560 por 1,720 pixels. A imagem fica tão grande que é impossível vê-la em tamanho original no na tema de um PC doméstico. A cãmera também pode gravar pequenos clips, imagens de still, voice memos, e- mail e mensagens em texto.


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POLÍTICA FOTO JOSÉ RODRIGUES

Com a Constituição de 1988, o Ministério Público ganhou novos poderes e atribuições. Passou a defender a sociedade em ações civis públicas, casos de danos ao meio ambiente, aos direitos do consumidor e ao patrimônio público. Foi dimensionado como poder independente dos clássicos três poderes da República — Executivo, Legislativo e Judiciário. Com isso, promotores e procuradores têm uma boa dose de independência — que ainda não é plena. Os procuradoresgerais de Justiça — chefes dos Ministérios Públicos em cada Estado — são escolhidos pelo Executivo com base em uma lista tríplice, eleita pelos promotores e procuradores. Já o procurador-geral da República é escolhido pelo presidente da República com base numa lista de subprocuradores da União e posterior referendo do Senado.

A cultura da

CORRUPÇÃO Incomodado com atuação de procuradores da República, que já chegaram à ante-sala da Presidência no caso Eduardo Jorge, o governo de Fernando Henrique Cardoso limita raio de ação do Ministério Público Federal

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ara combater um dos maiores males do Brasil — a corrupção — seriam necessários novos mecanismos de investigação e aperfeiçoar os já existentes, certo? Para o governo, não é essa a resposta. Pelo contrário. De acordo com o procurador da República Luiz Francisco de Souza, o presidente Fernando Henrique não só tem sido complacente com a corrupção, como limitou a ação de órgãos responsáveis pela fiscalização e investigação. “O governo é cúmplice e conivente com a corrupção”, denuncia. Segundo o procurador do Distrito Federal, o Palácio do Planalto proibiu, por meio de Medidas Provisórias, o Tribunal de Contas da União(TCU), o Banco Central e a Receita Federal de informar para o Ministério Público o andamento das investigações. “Isso faz com que o Ministério Público e a Polícia Federal não investiguem crimes de colarinho branco”, diz. Luiz Francisco conta que qualquer investigação de crime contra o sistema financeiro que vai para o Banco Central fica seis ou sete anos totalmente secreta, até o final do processo. “O Banco Central é totalmente desconectado com os organismos de combate à corrup-



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ção” afirma. Segundo o procurador, de 694 casos de falcatru- Acre, Hildebrando Pascoal. O militar comandava um grupo de as envolvendo banqueiros, apenas nove geraram algum tipo extermínio no Estado e ficou conhecido pelo uso de motosserra de condenação. “É uma caixa-preta”, avalia. em suas vítimas. Perdeu o mandato de deputado federal há No Tribunal de Contas não é diferente. Segundo o repre- quase dois anos e está preso em Rio Branco. Quem também sentante do Ministério Público, o TCU tem se limitado a mul- perdeu o mandato por obra do procurador foi o ex-senador tar. “Quando tentamos qualquer investigação mais aprofun- Luiz Estevão, por envolvimento no caso do desvio de verbas dada eles fecham tudo”, diz. Na opinião de Francisco de Sou- do TRT-SP. A Justiça atendeu ao pedido de Luiz Francisco e za, o órgão deveria ter um histórico dos bens e dos rendimen- Estevão passou uma noite na cadeia. Mas o procurador também não sabe o que é tranqüilidade. tos de todos que entram na vida pública, como acontece na França. "Você mataria uma das fontes do crime” , diz. “Pegaria A ofensiva começou na época em que assumiu a investigação pela prática do crime ou pela sonegação”. O governo também sobre o ex-secretário-geral da Presidência, Eduardo Jorge Calreformulou a Secretaria Federal de Controle — órgão indepen- das Pereira. A defesa de Eduardo Jorge chegou a pedir ao dente que fiscalizava ações ministeriais. Ficou subordinada Conselho Superior do Ministério Público o afastamento de aos ministros de Estado. “ Agora nunca vai pegar grandes Luiz Francisco. Já o deputado Arthur Virgílio (PSDB-AM), acusa-o de ter permanecido filiado ao PT depois de ingressar no contratos que têm ingerência de ministros”, afirma. Nem a Receita Federal escapou. Antes o auditor autuava os Ministério Público. sonegadores e enviava o caso para o Ministério Público. Hoje, só vai para o MP depois de passar pelo Conselho de Contribuintes, composto por empresários e indicados pelo ministério da Fazenda. Segundo Luiz Ministra do STJ, Fátima Nancy define ética Francisco, se o sonegador tiver influência, tem boas como o direito do cidadão à justiça chances de se livrar da condenação, já que o conselho tem poderes de barrar processos contra empresas. independente e imparcial “São tão bons para os empresários que no térmiuem nunca ouviu — ou mesmo no do mandato são escolhidos por eles para pronunciou — que a justiça é um continuarem lá”, afirma. poder distante do povo? Que é Outro obstáculo apontado por Luiz Franmais fácil trocar duas palavras com o precisco é o Refis — programa de refinanciamensidente da República do que com um juiz to fiscal do ministério da Fazenda. “O goverde direito? Que a justiça tarda e – pior – no Fernando Henrique teve a proeza de criar às vezes falha? Que as leis são anacrôniuma linha de crédito para sonegador”, ironicas? E, ainda, que a justiça está se corza. De acordo com a legislação, o contribuinte rompendo? Entre a população, as resposautuado pode recorrer ao programa e se comtas a essas perguntas são consensuais. prometer a quitar a dívida abatendo em média Mas será também entre os próprios ho0,5% dos lucros da empresa. Ele cita o caso mens e mulheres da lei? Para a ministra de um complexo hoteleiro de Brasília, que não do Superior Tribunal de Justiça (STJ), recolheu tributos e ganhou 1.666 anos para Fátima Nancy Andrighi, a metáfora que pagar R$7 milhões. “Nos Estados Unidos um Procurador Luiz Francisco, melhor define o papel do juiz é a de “escara desse estaria preso, mas aqui ele ganha referindo-se a escândalos como pelho social”. Com isso ela quer dizer que dezessete séculos para pagar”, desabafa. o que envolve Eduardo Jorge a sociedade se mira no exemplo de quem Além dos entraves legais, o Ministério Pú- (foto), ex-secretário do simboliza autoridade, imparcialidade, jusblico enfrenta a falta de procuradores. Em todo presidente FHC tiça, ética e moralidade. o Brasil, são 554 — um para 300 mil habitan“O juiz, ao ser investido nas funções tes. Número insuficiente, segundo Luiz Francisco, para levar adiante todas as investigações. “O governo jurisdicionais, agrega ao seu ser a responsabilidade da imagem sabe que está tudo congestionado”, diz ele. “A gente mal arra- da instituição que representa. No ser, no estar e no participar, as nha o total de corrupção que tem nesse governo”, diz Luiz imagens do homem juiz e do poder judiciário estarão sempre, e Francisco, fazendo-nos lembrar da célebre frase do estadista de forma indissolúvel, associadas”, afirma a ministra. Aos 47 francês Charles De Gaulle, segundo a qual, “O Brasil não é um anos — a maior parte deles dedicados à carreira (foram 25 anos País sério”. Se depender do governo, o Brasil vai continuar só na justiça comum) — Fátima Nancy acha que a discussão da ética na magistratura remete aos bancos universitários e obriga fazendo jus à fama que tem. Sem trégua. Luiz Francisco de Souza, 38, ex-seminarista, tra- uma reflexão sobre o esfacelamento do ensino jurídico no País. balha 14 horas por dia farejando suspeitas de corrupção. Que Para ela, “professores com duvidosa capacidade técnica, dotao diga o ex-governador do Acre Orleir Cameli (PFL). Cameli dos de pouco idealismo e pouco preocupados com os princípinão teve sossego entre 1995 e 1996, período em que Luiz Fran- os éticos estão formando profissionais com limites muito tênues cisco foi procurador no Estado. Foi réu em sete inquéritos e de moral e ética”. É dela, também, a voz quase solitária que emerge do poder duas vezes denunciado por peculato. Souza também descobriu que Cameli usava quatro números de CPF. Era a única Judiciário em defesa do controle externo. Com a ressalva de que não “trisque” na independência e imparcialidade da atividade autoridade que desafiava o governador no Acre. Outro fisgado foi o ex-comandante da Polícia Militar do jurisdicional. “O juiz sério, trabalhador e cioso das suas incum-

Espelho do social

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A gente mal arranha o total de corrupção que tem nesse governo.

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decodificação, dando bências, não receia e mais agilidade e fidelidanem se preocupa com de à tradução dos depoa existência ou não de imentos. Ética — para um órgão controlador. Fátima Nancy — pode O juiz vocacionado, ser demonstrada pelo idealista, atende muito juiz que, em vez de só remais ao controle interceber o advogados, conno da sua alma, da sua versa olho no olho com consciência, do comas partes envolvidas no promisso com a sua processo ao menos uma vida e a parte da vida vez. do seu semelhante”, Existem muitas coisas pensa. Ética no vocaruins a se falar da justiça bulário da ministra O nosso sistema brasileira. Mas se acerFátima Nancy não se tos podem gerar mais resume à definição processual tem DNA: acertos, também temos filosófica de estoicis- data de nascimento um exemplo a dar. Tratamo, à austeridade mo- avançada. É ultrapasse dos juizados especiral, ou à rigidez do ais de pequenas causas. caráter. Ética na magis- sado e incompatível tratura, para ela, além com a vida nos tempos Eles são um bom exemplo da justiça que funcide tudo isso, é garanda globalização. ona, que tem agilidade, tir ao cidadão o acesso à justiça; é promoMinistra Fátima Nancy que é acessível aos menos afortunados e, sover uma reforma no judiciário “de dentro para fora” com o obje- bretudo, que resolve. Para quem apregoa tivo de agilizar as decisões; modernizar o a função política e social da magistratura, aparato judicial substituindo, por exem- não é de se estranhar que Fátima Nancy plo, o computador pela estenotipia com seja a grande idealizadora dos juizados

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E D U A R D O

S U P L I C Y

Mais que um desvio ético

Para o senador do PT, a corrupção também tem um forte impcato na economia e na concentração de renda

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m menos de dois anos o Brasil assistiu atônito ao desfecho de histórias que exalavam ilegalidade e corrupção da primeira à ultima linha. A cassação do senador Luis Estevão, no ano passado — e a recente renúncia dos senadores José Roberto Arruda e do antes imbatível ACM, reascenderam o debate sobre ética na política. "Mais do que um desvio ético, a corrupção é uma ameaça à economia e ao desenvolvimento social, afetando a imagem do Brasil no exterior, afastando investimentos internacionais e o progresso da nação", afirma Eduardo Suplicy, em evento promovido pelo Observatório do Judiciário, uma rede de entidades criada

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especiais. “A sociedade repudia o erro judiciário tanto quanto, e com a mesma intensidade, repudia o erro médico. Lidamos com a liberdade, valor máximo do ser humano, lidamos com o patrimônio, que na maioria das vezes é o resumo do trabalho de uma vida toda. Esta é uma preocupação que deve ser permanentemente reavivada na lembrança dos juízes porque eles também podem causar clamor público”, pondera a ministra. A justiça está precisando de um banho de modernização. Não só um volume significativo das leis estão ultrapassadas. Mas toda a operacionalização do judiciário é anacrônica. Nos últimos três séculos — de 1600 a 1985 —, segundo a ministra do STJ, só houve duas mudanças significativas no sistema processual brasileiro. Uma foi a introdução da máquina de escrever. A outra, em 1985, foi a criação dos juizados especiais civis e criminais. “Afora esses dois marcos, nada podemos acrescer. O nosso sistema processual tem DNA: data de nascimento avançada. É ultrapassado e incompatível com a vida nos tempos da globalização e a sua morosidade só interessa a poucos”. A reforma do judiciário que está

para fiscalizar as ações da Justiça. Segundo Suplicy, a maior preocupação pelo exercício da ética deve vir dos próprios políticos, “por serem esses os mandatários do poder que lhe é atribuído pelo povo". A concepção que os políticos têm do poder é uma inquietação do senador. Ao citar o bispo Dom Cândido Padim, ele lembra que “o exercício de uma função política não se caracteriza rigorosamente como uma profissão, principalmente por sua natureza eletiva e transitória, trata-se de um mandato conferido pelo povo para representá-lo nos órgãos que detém o poder”. A adoção de um código de ética da atividade política é defendida por Suplicy como forma de representar um compromisso moral de todos os políticos. A elaboração desse código por instituições da sociedade dedicadas ao estudo e acompanhamento da vida política da nação resolveria a questão da legitimidade. Isso porque, como considera o senador, “a corrupção é o mais conhecido dos crimes cometidos contra a administração pública e talvez o menos punido na esfera administrativa”.

Suplicy ressalta as graves exigências éticas que o cumprimento da função política exige, pois consiste “num compromisso de bem servir não só aos que o elegeram, mas a toda a sociedade”. Assim, a ética se configura um instrumento em busca da moralidade e da responsabilidade pública pelo político. Suplicy classifica a ciência política como a mais importante de todas as ciências, pois usa as outras para “legislar sobre o que devemos fazer e sobre aquilo que devemos nos abster, incluindo em sua finalidade, necessariamente, a finalidade das outras, que gira em torno do bem do homem". Dessa forma, ele destaca como fundamental um comportamento pró-ativo da sociedade brasileira na fiscalização da ética na política. Diante do cenário da política nacional, Suplicy é taxativo. “É preciso que o povo recupere sua auto-estima.” Para ele, “estamos cercados num mar de lama, com denúncias de inúmeros desvios de verbas públicas no Executivo, que ao invés de administrar a sociedade de um forma isonômica, teima em arvorar-se na função de legislador”, avalia, ao criticar o uso de


tramitando no Congresso Nacional, segundo ela, “vai atender parte das mazelas do judiciário como instituição. Mas o cidadão, que é o fim maior dos serviços judiciários, pouco ou nada irá sentir na solução dos seus processos e dos seus problemas jurídicos”. Um dos aspectos que essa reforma não deve tocar, mas que é crucial, diz respeito à morosidade. Enquanto isso “por trás de cada página do processo está um cidadão aflito aguardando a decisão do juiz”. Para ela, “o juiz de mesa limpa, como qualquer outro operador do Direito, é o espelho do burocrata e não do julgador”. O que para a maioria das pessoas pode parecer simplesmente um direito, para Fátima Nancy é mais do que isso. “Ética na magistratura compreende o dever de garantir o acesso à justiça.” Por isso entenda-se o direito do cidadão de ter um “processo justo que passa, necessariamente, pelo juiz independente, imparcial e que não subverte a ordem legal”. Segundo ela, os critérios de julgamento do juiz não devem ser nem sua consciência nem seus princípios ideológicos e, sim, a lei. “Se as leis são injustas, mudem-se as leis. Se são inconstitucionais, que sejam assim declaradas”.  O senador Eduardo Suplicy, PT-SP

medidas provisórias pelo governo. Na sua ótica, após o enterro da CPI da Corrupção, avolumaram-se críticas à falta de ética no atual governo. O senador retoma o conceito de ética para lembrar que não se trata de algo acabado. Leonardo Boff, citado no discurso, ensina que, em um de seus conceitos, o termo ética vem do grego ethos, que significa a morada, o abrigo do ser humano. De acordo com Boff, “a morada não é, de antemão, dada pela natureza, mas tem de ser construída pela sociedade humana, deve ser cuidada e continuamente retrabalhada, enfeitada e melhorada”. Por isso, a ética vive em constante aperfeiçoamento. Para Suplicy, “é necessário que a sociedade, o Executivo, o Judiciário e o Legislativo cumpram o seu papel na busca pela ética na política, para que o povo brasileiro possa se sentir feliz em seu país”. 

P E S Q U I S A

Brasil

em 2000, o país considerado o menos corrupto do mundo foi a Finlândia. Aquele com maior percepção de corrupção foi Bangladesh (que não constava da lista do ano passado). Na comparação com os demais países da América Latina, em 2001 o Brasil ficou no sexto lugar entre 18 países, após Chile, Trinidad & Tobago, Uruguai, Costa Rica e Peru. Em 2000, apenas 10 países haviam sido incluídos, e o Brasil foi o quinto. Na compilação do Índice, a Transparência Internacional emprega Diferente do que poderiam sugerir uma metodologia que parte de as discussões sobre corrupção que avaliações realizadas por diversas se têm travado no Brasil nos últimos instituições junto a empresários e meses, as opiniões internacionais analistas, tanto residentes no exterior sobre a intensidade do problema não quanto em cada país. sofreram modificação significativa Além disso, de modo a minimizar em relação ao ano passado. É isso o efeitos localizados, empregam-se que revela a posição do Brasil no levantamentos executados em três Índice de Percepções de Corrupção/ anos: 1999, 2000 e 2001. Só entram no 2001 compilado pela Transparência índice da TI países que tenham sido Internacional (TI). Em 2001, o país objeto de ao menos três recebeu a “nota” 4,0 (3,9 levantamentos. em 2000 e 4,1 em 1999), No caso do Como aconteceu posicionando-se na 46ª Brasil, eles posição entre 91 países em 2000, o país foram nove, (49ª entre 90 países em provenientes considerado o menos 2000, e 45ª entre 99 em cinco corrupto do mundo foi de 1999). No Índice de 2001, instituições a Finlândia. O de maior diferentes. deixaram de comparecer oito países que A relativa percepção de constavam da edição de constância corrupção foi 2000. Mas nove países das avaliações Bangladesh. Na ausentes em 2000 foram sobre o Brasil comparação com os incluídos em 2001. (O desvio Contudo, se a padrão do demais países da percepção sobre o índice América Latina, em Brasil não piorou, brasileiro, isto 2001 o Brasil ficou no é, o grau tampouco melhorou. Os números sexto lugar entre 18 médio de confirmam disparidade países, após Chile, que o entre os Trinidad & Tobago, problema diferentes Uruguai, Costa Rica e da valores, foi de corrupção Peru. apenas 0,3, o no país segundo mais continua sem baixo do levantamento; em outras receber a palavras, de modo geral as avaliações atenção foram bastante uniformes) mostra que estratégica a intensificação da discussão sobre a que seria corrupção que se tem verificado no exigida. país desde o ano passado não foi Como interpretada como refletindo um  aconteceu agravamento do problema.

e o Índice de Percepções de Corrupção-2001

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FOTO JOSE RODRIGUES

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CAPA

FAUSTO O dono da letra NILO

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A sensibilidade e poesia do compositor e arquiteto cearense Fausto Nilo. O maior letrista do Brasil remonta sua trajetória artística e profissional, fala sobre inspiração, sucessos e política

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POR ERIVALDO CARVALHO, LUIS-SÉRGIO SANTOS E ORLANDO MOTA VIDA É BELA. TEM POESIA NELA. QUE O DIGA FAUSTO NILO

Costa Júnior, 57 anos, 29 dos quais enriquecendo o cancioneiro brasileiro. Cearense de Quixeramobim, Fausto Nilo é o autor de sucessos avassaladores da música popular brasileira. Ariano, de 5 de abril de 1944, é típico exemplar do pós-guerra. Logo cedo teve contato com a música, através da eletrola da tia e dos milhares de discos de vinil da radiadora da cidade, enquanto aprendia com o pai, a fazer pão. “Conheço todo o ritual”, revela. Aos 11 se atira para Fortaleza, para “estudar no Liceu, construir Deuses boêmios e torcer Ceará”. Aos 20 ingressa na Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Ceará, conhece Fagner e outros jovens compositores, como Rodger Rogério, Teti, Petrúcio Maia e Ricardo Bezerra, que logo depois formariam o “Pessoal do Ceará”. Hoje, ele lembra que o Ceará foi o último lugar onde o “Pessoal do Ceará” tocou. O sucesso veio de baixo (Sudeste) para cima. Em 1971, problemas políticos o levaram a outras paragens, entre elas Brasília, — onde passou a escrever suas primeiras letras —, São Paulo e Rio de Janeiro. A primeira gravação foi “Fim do Mundo”, em 1972. Uma grande ironia, já que ali um novo mundo começava. De lá para cá, quase 400 sucessos — só perde para o Vinícius de Moraes e o Noel Rosa —, na voz de parceiros como Fagner, Gal Costa, Ney Matogrosso, Geraldo Azevedo, Elba Ramalho, Dominguinhos, Moraes Moreira, Simone, Amelinha, Lulu Santos, Pepeu Gomes e Luiz Gonzaga, o “Gonzagão”. Tem sucessos incríveis como “Amor nas Estrelas”, “Bloco do Prazer”, “Meninas do Brasil”, “Tudo com você”, “ Zanzibar”, “Pequenino cão”. A letra de Fausto é veículo intuitivo, às vezes paralelo às regras da gramá"

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Fausto Nilo, Fagner e Nara Leão, na casa de Nara, no Rio de Janeiro, em 1981. Ao lado, autoretrato de 1981, feito em Sevilha. Abaixo, desenho para a capa de programa da peça “Bodas de Sangue”, 1966


FOTO FREDERICO MENDES

tica e da sintaxe, externo ao conhecimento metódico, mas capaz de penetrar, vagabundamente, no universo próprio dessa língua desconhecida. Puro transe no processo criativo. Sua arte não explica, mas tem o poder de nos fazer sentir. Fausto Nilo é low profile, tem um método criativo heterodoxo. Neste momento está escrevendo uma música com Zeca Baleiro, via internet, a partir de um letra briefing que fica indo e vindo entre os dois, até dar o ponto. Fausto Nilo conseguiu a equação perfeita entre duas atividades profissionais criativas e, aparentemente, divergentes. Como arquiteto, tem intervenções marcantes na cidade, como o Centro Cultural Dragão do Mar, a Praça do Ferreira — o marco zero de Fortaleza — e a Ponte Metálica, na Praia de Iracema. Esses dois últimos, eleitos ícones da cidade, em consulta pública. Agora está totalmente envolvido num projeto arquitetônico e urbanístico que vai

mudar a região central de Fortaleza nas adjacências do Dragão do Mar. Ele sabe que o artista sempre trabalha em nome de causas ou ideais. Fausto Nilo tem os seus. Trabalha para si mesmo, pois se alimenta da própria criação. Com o seu talento, a arquitetura do Brasil ganhou um grande nome e os manicômios perderam um hóspede ilustre. “Se não fosse o desenho, provavelmente eu estaria de pijama dentro de casa. Talvez internado”. Como designer gráfico — é admirador incondicional de Milton Glaser —, assina mais de 30 capas de disco e, nos anos 70, criou uma logomarca que hoje foi apropriada por uma grande empresa de turismo. Assina roteiros de shows de Fagner, Moraes Moreira, Amelinha e de Robertinho do Recife. Participou da criação coletiva do hit “Chega de Mágoas”, em 1985, escrito em duas noitadas. Uma, na casa do Fagner, no Rio. A outra, na noite seguinte, na casa do Chico Buarque. O grupo era formado por Gilberto Gil, Caetano Veloso, Chico Buarque, Roberto SETEMBRO 2001

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1. Fausto Nilo, Fagner e Abel Silva — 1982 2. Mercedes Soza e Fernando Falcão, Paris, 1981 3. Com Ney Matogrosso, Fortaleza, 1994. 4. Com Gonzaguinha, Fernando Brant, Hermínio Belo de Carvalho, Moraes Moreira e Zeca Barreto, 1982. 5. Com Caetano Veloso 6. Com Fernando Brant 7. Com Milton e Brant 8. Prisão em Ibiúna, 1968, no Congresso da UNE 9. Foto “ oficial” do Pessoal do Ceará, 1972: Jorge Melo, Wilson Cirino, Belchior, Fagner, Sérgio Costa, Luís Fiúza e Fausto Nilo


Eu sou por natureza adepto do surrealismo. É a poesia do inconsciente, com liberdade e flutuação Carlos, Djavan, Erasmo Carlos, Fausto Nilo e Fagner. Fausto Nilo ganhou dois Prêmios Sharp, na categoria Melhor Música Popular, em 1987 e 1995, e o troféu Playboy, em 1982. Mas nem tudo são sonhos e poesia. As veias abertas do Nordeste e do Ceará o incomodam muito, ao ponto de manter certa distância do cenário político, condição necessária para declarar seu voto, falar das simpatias político-partidárias e assumir posturas críticas a administradores públicos. Rí, de modo discretamente jocoso, quando lembra que em 1991 teve seu nome

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ale! — Vamos começar falando da sua formação acadêmica. A sua formação é de arquiteto. Como se deu isso e quais as suas influências? FAUSTO NILO — Minha origem é sertaneja. Nasci num lugar onde meu amigo Liberal diz que é onde o bom falar cearense termina. Daí em diante começa a mistura alagoana, sergipana e baiana, que vai dar no Cariri. Não estou falando isso de maneira pejorativa. Eu nasci lá no Quixeramobim, uma das vilas mais antigas. Na história era lugar de criação de gado. Em 1951, minha família tentou morar em Fortaleza. Meu pai tinha uma padaria. Inclusive eu sei como é que faz pão. Conheço todo o ritual. Na cabeça dos meus pais tinha uma crença, segundo a qual, para eu me formar bem, ele tinha que me ensinar a trabalhar. Mesmo que essa força de trabalho não coubesse na minha cabeça de criança. Ele não precisava dessa minha mão-de-obra, mas se via nessa obrigação. Em 1951 nós viemos morar na rua Padre Cícero, no Porangabussu. Era na época do sucesso “Dez Anos”, um grande sucesso da Emilinha Borba. Foi um deslumbramento. Nessa época eu tinha sete anos. Viemos de trem, ficamos uns oito meses e voltamos. Meu pai não aguentou o anonimato da cidade grande. Eu me lembro do argumento que ele usava. Ele dizia que não morava num lugar onde o chamavam de ‘seu José’ e a mulher dele de ‘dona Maria’. Essas são as minhas primeiras lembranças de Fortaleza.

Fale! — Você ficou deslumbrado com a cidade grande. FAUSTO NILO — No interior, a sonoridade dessa palavra tem algo de engraçado com a qual eu convivo até hoje. Fortaleza significa um forte. Mas para mim, eu não sei se misturado a descrições que se faziam — que aliás, de certa forma correspondem à realidade — sempre denotavam o nome de uma cidade moderna. Eu ouvia muitas rádios da Bahia e de Pernambuco. Mais do que de Fortaleza. Naquela época, nós éramos uma ampliação cultural de rádios como Rádio Nacional, Rádio Tamandaré, Jornal do Comércio e Rádio Sociedade da Bahia. Ouvia futebol e tudo o mais. Só passei a torcer Ceará quando vim morar aqui de forma definitiva, em 1955. Eu torcia Vasco da Gama e me informava do campeonato pernambucano. Fale! — E o fascínio pela arquitetura, começou quando? FAUSTO NILO — Na minha infância interiorana eu não sabia o que era arquitetura. Tinha sete anos mas já desenhava. Foi quando hospedamos uma menina em nossa casa em Quixerambim e ela desenhava com uma facilidade absurda. Tinha a minha idade, ficava conversando com a gente e desenhando. Fiquei apaixonado não só pela menina, como por essa coisa que eu nunca tinha visto. Minha mãe desenhava razoavelmente bem, mas eram dese-

cotado para a Secretaria de Cultura do Ceará. Não aceitaria de modo algum. Nessa entrevista à revista Fale!, Fausto Nilo disseca histórias de seu percurso profissional e artístico e costura retalhos do passado, ao sabor da lembrança, entre elas a gratidão por anônimos que muito o ajudaram. Ele abre seu baú pessoal e espiritual e nos dá uma idéia do que seja o Fausto Nilo: um universo onde se acumulam a estranha poesia, o talento insuspeito e a insistente timidez. Tudo em forma de poesia, porque a vida é bela. nhos aplicados. Mas essa menina desenhava, copiando da revista o Pinduca e o Popeye. Ela foi embora e eu fiquei imitando aquilo o tempo todo. Excessivamente. Passei a conciliar essa atividade mágica — parecida com a época das cavernas que desenhava bisontes nas paDorothy Lamour redes como forma de Petrúcio Maia e Fausto Nilo possuí-lo — com o deGravações: Ednardo, Fausto Nilo, senho de objetos tecnoPetrúcio Maia, Claudia Matarazzo lógicos mais sofisticados na época, que eu Dorothy Lamour conhecia em QuixeraCom amor te matei mobim, o trem e o camiSereia nhão. O meu bisonte Na areia do cinema eram os caminhões. Dorothy Lamour Com ardor te adorei Tudo o mais era artesaNo drama da primeira fila nato. Não havia consuAdorei no drama mo de massa. Ninguém O teu sabor azul comprava um objeto por Estranho como a primeira razões que não fossem A primeira coca-cola de uso. Eu vivi essa época. Uma lata de bisEra miragem coito bonita virava utenFantasia de um mundo blues sílio eternamente. Esse E eu fui chorar era o universo que eu e Na areia Dorothy Lamour Por que sangrar ? os meninos lá do interiMeu nativo coração do sul or vivíamos. Luz elétrica Ai eu fui naufragar até nove horas da noite Em teus olhos de mar azul com o gerador da cidade, conhecido na época A tua cor como ‘motor da luz’. O teu nome mentira azul Tudo passou

Fale! — Os desenhos do Teu veneno, teu sorriso blues caminhão e o do trem Ai hoje eu sou foram marcantes. Água viva nos mares do sul Não quero mais chorar FAUSTO NILO — A históTe rever Dorothy Lamour. ria da arquitetura veio Brasília, 71 muito depois. Começa em minha vida com o desenho de fachadas de caminhão, para tê-las comigo. Quando eu consegui desenhar um Ford 1948, do meu vizinho, que tinha uma fábrica de beneficiamento e que recebia caminhões vindos de Teresina, Bacabal, todas essas cidades rodoviárias. Tudo isso povoa a minha mente. Os grandes motoristas que eu admirava eram de Maranguape. Inclusive lá tinha uma família Tinoco, onde cada um tinha um caminhão. Caminhões Dodge novos, recentíssimos, super modernos, com os faróis já embutidos. Na minha infância eu só conhecia aqueles caminhões antigos. O Fale!  %

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Acho que nós temos que organizar nosso território para todo mundo ganhar grana e viver com dignidade. primeiro que eu desenhei foi um Ford 1948. O apelido dele era fumaça. Eles paravam na calçada e eu ficava olhando e desenhando. O meu objetivo era ter no papel um caminhão parecido com o real. Eu media minha mágica e minha eficiência por isso. E distinguia um do outro. Na medida em que eu desenhava um Chevrolet Marta Rocha 1957 não era igual a desenhar um Ford 1948, e não era a mesma coisa de eu desenhar um Fargo 1950. Esse universo levou-me para o campo do desenho. Durante algum tempo, eu identifiquei que eu tinha uma tendência, um dom, uma vocação para o desenho. Não era para a pintura. Eu sou um cara de traço. Eu desenho uma cidade todinha com lápis, sem usar nenhuma cor. Sou capaz de desenhar territórios e cidades, tudo com lápis, usando apenas valores de cinza, que é a minha arma. Tem a ver com o cinema preto e branco, que é a minha admiração, incluindo a França. Eu sou cara preto e branco. Isso forma um conjunto estético. Fale! — Você era muito introspectivo nesse período? FAUSTO NILO — Eu era tímido, radical e problemático. Muito solitário em algumas coisas. Mas eu sempre tive um lado moleque. Eu apanhava muito de meus pais porque eu fugia para ir para a rua. Hoje em dia eu sou um cara super doméstico. A minha vida sempre foi sair, sair, sair... pra rua, pra rua, pra rua... Então, chegando à arquitetura, essa habilidade de desenhar foi reconhecida. No meu grupo de amigos da rua, em minha casa e na escola. Eu sabia que tinha de ter uma atividade. Eu nunca pensei em fazer teste para o Banco do Brasil ou Escola Preparatória de Cadetes do Exército. Eu nunca tive nenhum projeto profissional que não fosse fazer algo com aqueles meus desenhos. Eu tinha admiração por duas atividades: jogador de futebol e motorista de caminhão. Mas quando o desenho foi crescendo, eu comecei a perceber e acreditar que eu fazia alguma coisa que nem todo garoto fazia. Eles me reconheciam por isso. E aquilo deu-me um poder, mesmo com a timidez. Eu sempre digo que se não fosse o desenho, provavelmente eu estaria de pijama dentro de casa, pela psicologia de garoto que eu tinha. Talvez internado. Fale! — O desenho lhe emancipou .... FAUSTO NILO — O desenho me salvou. Também o Fenelon, dono da ‘radiadora’ Cristal, o antigo trem da Rffsa que trazia filmes,

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revistas e discos, e, depois, o reitor Martins Filho quando criou a universidade, o meu conhecimento com o Augusto Pontes e minha amizade com o mestre Liberal de Castro. Isso tudo deu um polimento no ‘matutinho’ que eu era. Fale! — Por que o Fenelon, dono da ‘radiadora’ Cristal? FAUSTO NILO — Ele tinha milhares de discos de cera e eu aprendi todo o repertório. A ‘radiadora’ tinha quatro alto-falantes, tinha quatro programas durante o dia. E eu que achava que ninguém tinha alto-falante igual aos da minha cidade. A qualidade técnica porque a audição era perfeita em qualquer lugar. Através da ‘radiadora” eu ouvia até música clássica que qualquer conterrâneo da minha idade, de qualquer classe conhece. Quando anunciava a morte de alguém ela tocava a “Ária na Quinta Corda”, de Bach. Quando anunciava enterro usava o “Largo’, de Haendel ou a obra “Thaís”, de Massenet. Fenelon já morreu, mas o filho dele guarda tudo lá, em Quixeramobim. Sou reconhecido como um cara que conhece muita música antiga, como os torneios na Beira-mar que ficaram lendários. Até hoje vou à fazenda do Flávio Torres, passar três dias bebendo cachaça e cantando música em grupo. Essa radiadora me deu esse conhecimento. O seu Kalil Skeff, um galego de Quixeramobim, me deu o cinema. O trem me deu dentro do carro-restaurante o Edmilson, que eu não sei mais onde anda, que era um vendedor de discos, livros e revistas. Revista “O Cruzeiro”, “Esporte Ilustrado”, “Revista do Craque”, “Vida do Craque”. E os discos que saíam toda quarta-feira. Eu ia comprar para minha tia, que tinha uma eletrola. Ângela Maria cantando “Fósforo Queimado” Nora Ney cantando “Ninguém me Ama.” Fale! — Desde os anos 50 você já era cosmopolita. FAUSTO NILO — Eu já sabia que existia o Rio de Janeiro, a Rádio Nacional, e tinha planos de ir para lá. Sempre tive. Fale! — Eram planos ou eram apenas sonhos? FAUSTO NILO — Era certeza. Fale! — Você passou do desenho de caminhão para a porta de saída... FAUSTO NILO — Com onze, eu cheguei em casa e pedi para ir embora. Disse que eu

queria estudar e lá [Quixeramobim] só tinha primário. Eu não queria ficar lá. Minha mãe era uma mulher empreendedora e só pensava nisso. Trabalhava muito mas só pensava nos filhos. Eu sofri muito quando saí de casa porque eu amava muito aquele lugar. Tenho uma memória valiosa dele, de quando eu tinha dez anos de idade. Eu era apenas um garoto. Fale! — Qual era o seu apoio em Fortaleza? FAUSTO NILO — Casa de parente. Morei em mais de 20 endereços. Sou doutor em morar em casa dos outros, repúblicas e pensões. Doutor diplomadíssimo. Qualquer coisa que você me perguntar sobre isso eu sei. Todas as manhas. Histórias muito doidas. Eu tive sorte porque entre umas doze casas em que morei tem algumas inesquecíveis, cuja importância para mim jamais poderei retribuir. Eram casas de famílias, parentes e alguns amigos quase parentes. Amigos dos pais etc. Fale! — Qual o seu primeiro contato com a arquitetura? FAUSTO NILO — Só veio quando eu conheci o Arialdo Pinho, decorador e pai do nosso Arialdo, do Beach Park. Com 15 anos de idade fui funcionário dele um período, mas eu já conhecia o que era arquitetura. Eu conheci essa história de arquitetura na revista Readers Digest’s Seleções, da qual era leitor inveterado. Li uma reportagem sobre Oscar Niemeyer, quando ele desenhou Pampulha e uma notícia na qual o Juscelino Kubistcheck o chamara para desenhar o perfil de Brasília. Foi quando eu tomei notícia disso. A minha mãe dizia que apoiava qualquer atividade de desenho minha, mas ela não queria que eu fosse pintor, hoje artista plástico, porque segundo ela não tinha futuro. Havia a boêmia e não se ganhava nada. Eu tinha que orientar isso para uma atividade com a qual eu pudesse sobreviver. Eu morava de mesada e ela dizia ‘veja o exemplo do Otacílio Azevedo, que tem grande talento’. Meu pai também falava muito sobre isso e é verdade. Hoje o nome da família Azevedo está no nosso planetário [do Centro Dragão do Mar]. Era uma família maravilhosa. Mas a minha mãe dizia assim: ‘você é uma pessoa de talento, mas vai ter de lutar muito porque é muito difícil essa carreira’. Aos 14 anos fiz um curso por correspondência no Instituto Radiotécnico Monitor. Com direito a cartão de visita, que eu guardo com muito carinho, e diploma. Fiz um


curso de datilografia, também com direito a diploma, e fiquei preparado para algum trabalho que eu pudesse, com essas duas coisas, ganhar minha autonomia. Consegui isso aos 15 anos e meio, no escritório do Arialdo. Quase aos 16, ganhando trezentos cruzeiros por semana. Dava para eu comprar toda semana uma camisa Ban-lon, se eu quisesse, tomar meu Run Montilla no Restaurante Italianinha e ir à zona com meus amigos do interior. Toda semana. Um excelente salário para a época e para a idade. Em Quixeramobim nós éramos elite local, mas não ricos. Descobri isso quando viemos para Fortaleza. Os pobres, quando brigavam com a gente, diziam ‘vocês ricos...’. Meu avô era coletor federal. O outro avô era um vaqueiro que virou fazendeiro. Tinha uma fazenda enorme onde plantava algodão. Fale! — E o primeiro contato com a cidade? FAUSTO NILO — Cheguei aqui, me hospedei em uma casa fantástica, na rua Princesa Isabel. Cheguei à estação do Otávio Bonfim, à noite. A imagem que eu tenho de Fortaleza, à noite, é dos automóveis Hillman, um modelo inglês de carrinhos econômicos. Eu fui de Hillman. Achei que era o melhor automóvel que existia do mundo. De automóvel sedan, eu só conhecia uma baratinha do Joaquim Mamede. Era um dentista, que passava férias no Quixeramobim. Eu acho que um Plymouth, belíssimo. Era o único automóvel que eu conhecia. Eu não compreendia muito aquilo. Nós estávamos dentro de um carro que não era nosso. Depois vim a compreender que era um carro alugado — um carro de posto. Quando chegou a noite, naturalmente eu não dormi. Uma excitação terrível. Era uma família fantástica e tipicamente fortalezense. Acordei cedíssimo. Eu me lembro que a primeira coisa que eu fiz de manhã foi sentar na porta. O primeiro choque foi a rua e as coisas que eu nunca tinha visto. Calçamento eu não conhecia. Falava-se de calçamento lá em Quixeramobim e eu julgava que se tratava de um mosaico lindíssimo, tipo uma sala — e a cidade fosse um enorme salão polido. Eu vi aquele pedra tosca do Ceará e aquilo me surpreendeu. Aquilo

foi surpresa porque eu só via rua de areia, tão grande, mas ao mesmo tempo uma decepção. Não era o que eu pensava anteriormente. O termo ‘vender água’ também chocou muito. Era um barril enorme, puxado por um burro. Os caras vendiam água. Na minha terra ninguém vendia água. Também os vendedores de verdura, com uma caixinha que levavam na cabeça. Tinha quatro pernas e eles baixavam aquela caixinha. Os vendedores de carne, sujos de sangue naquela rua gigantesca, gritavam coisas incríveis que as crianças tinham medo. Eram os antigos pregões de rua. A partir dali eu fui explorando o universo gradativamente. Depois fui morar noutra casa, também fantástica. A casa era o seguinte: tinha um rapaz, uma moça e aquela menina que desenhava. A mocinha e o rapaz eram artistas amadores em um programa dominical na Rádio Iracema. Artistas mirins. Ele era cantor e ela tocava acordeon. Já pensou um negócio desse? Fui morar nessa casa. Essa casa tinha uma eletrola mais moderna do que a da minha tia. Quase hi-fi. O dia todo se ouvia repetidamente o bolero “Calla”, grande sucesso da época com o cubano Bievenido Granda e a Orquestra Sonora Matancera. Aquela era uma família de alta ludicidade. O pai, a mãe, não tinham assunto chato. Nessa casa eu conheci esse negócio moderno, o Cine Diogo. Eu só via filme antigaço em Quixeramobim. Conheci a praia, futebol, o velho PV, passei a torcer Ceará. Me diverti muito e fui reprovado no exame de admissão ao Liceu [o melhor colégio de Fortaleza, na época]. Fale! — Qual foi o primeiro filme que você assistiu? Qual foi o impacto? FAUSTO NILO — King Kong. Pesadelo a noite toda. Gostei do filme mas sofri com os pesadelos. Tenho uma lembrança nítida disso. Não era ainda o cine do seu Kalil, era o cine paroquial. O cinema do padre. Fale! — Um medo mas uma fascinação... FAUSTO NILO — Uma atração violenta. Depois do King Kong passei a ver muitos filmes. Não via mais porque esses filmes tinham que ser conquistados por resultado de comportamento e de produção escolar. Era a moeda da minha mãe. Por exemplo, a nota veio baixa essa semana então não tem cinema. O cinema dependia muito disso. Por mim, eu iria quarta e sábado, que eram os dois dias que tinha sessão. A palavra ‘enredo’ é engraçada para mim porque os adultos diziam ‘mas o enredo não é bom’. Aí vem a Dorothy Lamour, o Gilbert Roland, o Charles Starret, as séries “O Sombra”, “Flash Gordon nos Planetas

Marte e Mingo” e “Falcões do Deserto”, sobre a Legião Estrangeira, os filmes noir americanos, detetives de capa, aquele negócio todo. Quando eu entrei ali, no escuro do cinema, pronto. Foi a minha primeira âncora. Fale! — Como você convive com o sucesso? FAUSTO NILO — Essa coisa do Fausto ser um ilustre conhecido que se transforma em um ilustre desconhecido. Por exemplo, a minha filha, um dia, no almoço, me disse: ‘pai, o professor falou de ti hoje. As meninas disseram que eu era sua filha’. Minhas filhas trazem mensagens muito positivas. Os professores gostam muito de mim. Eu fico impressionado com isso. Professores de colégio, principalmente. Um dia minhas filhas me disseram que eu e a mãe delas tínhamos criado as duas sem fazer uma idéia da figura do pai que tinham. E que isso estava vindo do colégio, das pessoas. Essas novidades, no momento, principalmente esse ano, estavam desconcertando-as um pouco. Não no sentido negativo. A mais velha um dia me perguntou por que eu não dizia para ela que eu era um compositor com algum destaque. E eu respondi: Mas você não me via dizendo ‘gravei com fulano’, ‘gravei com não sei quem’?. Na realidade, elas agora que perceberam isso. Fale! — A Arquitetura não disfarça um pouco o lado compositor? FAUSTO NILO — Confunde. Mas eu gosto da confusão. Confunde no sentido de serem coisas descontínuas. Mas não prejudica a unidade aristotélica. Unidade na variedade. Modéstia à parte, eu acho que nessa coisinha merreca nossa, até que eu produzo bem. É um método de compor, em arquitetura e em palavras, em arquitetura e na música, que para mim é novidade. Não que eu tenha inaugurado tal método. Mas demonstrar que a lógica dos períodos, de seqüências, de assuntos, não é o que existe de fato com vitalidade na cabeça e nos destinos da pessoas. Por exemplo, o Dragão do Mar é um edifício que contém a arquitetura do Fausto Nilo e do Delberg Ponce de Leon, traduzindo a única herança que nós temos, que é a arquitetura sertaneja, a vernacular cearense. Uma arquitetura singela e pobre, de oitões, de alvenaria, sombra, cal, sol, brisa, buraquinhos etc etc. Luminosidade fora e dentro do prédio, mas olhando ele de fora ele é moderno. Eu trabalhei com esses elementos bem cearenses para fazer um centro de cultura do Ceará, embora tenha gente que diga assim: ‘Isso é de Miami’. Só por sacanagem. A tentativa de se colocar numa arquitetuFale!  '

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A arquitetura é uma arte pública. É um artifício por excelência. Eu sou um profissional do artifício sobre a natureza. ra pretensamente culta elementos do vernacular pobre não é uma tarefa fácil. Eu fiz já com cinqüenta anos de idade. Quando eu era jovem, eu fiz o [prédio do] Dentel, que muita gente acha legal porque tem similitude, tem referência com a arquitetura internacional. Tudo bem. Mas agora eu estou velho, não quero mais aquilo. Entrar no clube dos desenhos assimiláveis. O [colégio] 7 de Setembro, muita gente acha horroroso, mas eu gosto muito. Fale! — O 7 de Setembro tem convergências grandes com o Dragão do Mar... FAUSTO NILO — É o caminho. Fale! — O [colégio] Geo também é projeto seu. FAUSTO NILO — O Geo é uma encomenda em que os proprietários não me restringiram em nada. Pelo contrário. Me apoiaram em todas as idéias. Existem idéias avançadíssimas no Geo. O que ele teria de problema como obra de arquitetura é que é uma obra feita em três meses. Nunca houve isso no Ceará. Têm detalhes carinhosos que não vão poder ser executados. De madrugada o cara te liga e diz assim: ‘Fausto, o detalhe vai para o lixo porque a escada tem de ser feita de hoje para amanhã’. Mas isso não é grave em nenhum dos três casos. Nem no Geo, nem no Dragão do Mar e nem no 7 de Setembro. O que é fundamental é que nós conquistamos o início de uma tentativa no Ceará de ter uma arquitetura local, com seus signos. Pode ser melhor? Pode. Mas esse melhor em arquitetura é que você não pode errar no atacado, no conceito. No varejo tudo se resolve em qualquer tempo. Onde a gente é pobre essa é a estratégia, onde muitas vêzes há limitações materiais e circunstâncias que atrapalham a confecção ‘britânica’ de um bom desenho. Você tem que se segurar no atacado. No dia em que você tiver dinheiro, você muda a roupa dele e melhora. Não tem problema nenhum. Essa é a minha estratégia. Fale! — O Dragão do Mar se esparrama, se espraia naquela área... FAUSTO NILO — É uma arquitetura urbana. Ele é uma arquitetura com escala de cidade Fale! — Existe alguma possibilidade de uma música do Ceará? FAUSTO NILO — O chamado “Pessoal do Ceará” não é uma ficção. Há um mistério em torno do “Pessoal do Ceará” que eu nun-

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ca desvendei. Eu atribuo isso a um período em que esse trabalho começou a aparecer no Brasil. É o período em que o Caetano foi embora. Só tinha a Elis [Regina] e o Roberto [Carlos] cantando para as festas do Exército. Nós aparecemos no meio da ‘grande noite’ da MPB. O festival universitário é de 1971. O festival que o Belchior ganhou com “A Hora do Almoço” é de 1971, o disco do Fagner é de 1971. O disco do Ednardo é de 1972, o disco do Belchior, aquele azul, é de 1972. Então, quando chegou essa música no Brasil havia uma viuvez tão radical de Chico e Caetano... Elis cantando, e Roberto e tal, e Don e Ravel cantando “Meu Brasil, eu te amo”. Era uma época tão infeliz de cenário que eu acho que fomos um pouco esquecidos pela intelectualidade. Paradoxalmente até hoje fazemos músicas que o povo continua ouvindo. Veja bem: o Belchior até hoje faz show todo dia Brasil afora. O Fagner é um grande artista popular, com vendagem de disco expressiva. Eu sou compositor há trinta anos sem nunca ter passado um ano sem gravar. Fale! — O “Pessoal do Ceará” morreu? FAUSTO NILO — Eu acho que não apareceu ainda aquele cara que estuda a nossa importância histórica. Aquele cara que aprofunde, que estude e monte uma leitura para outrem, do que realmente foi aquilo. Eu não digo isso com nenhum tipo de ressentimento. Primeiro porque eu sempre fui no grupo aquele que questionava o título. Nunca fizemos um manifesto, nunca fomos um grupo na realidade. A primeira vez que se publicou esse títutlo, de modo acidental, foi no Programa do Flávio Cavalcanti. O meu amigo de Guaramiranga, o Juarez Barroso, não sei se vocês se recordam, escreveu um livro chamado “Mundinha Panchico e o Resto do Pessoal”. [Foi seu livro de estréia e ganhou o Prêmio José Lins do Rego, da Livraria José Olympio Editora]. Juarez era nosso amigo, e em conversa com Belchior teria tido essa idéia de ‘Pessoal do Ceará’. Ele dizia que esse negócio de ‘Pessoal do Ceará’ era uma coisa bacana e tal. Acho que em São Paulo, o Walter Silva, o ‘Pica-Pau’ — um radialista muito influente na época —, que ajudou muito no começo, produziu o disco ‘ Pessoal do Ceará’ com Ednardo, Rodger e Téti. Lançou a legenda e pegou. Caracterizou. Naquela época tinha muito isso dos grupos regionais. O grupo da Bahia... Fale! — Como você se relaciona com re-

gionalismos? FAUSTO NILO — Eu sou do interior do Ceará, do limite entre Quixeramobim e Senador Pompeu, mas eu não sou muito entusiasmado com essa coisa do Nordeste, da cultura literária, folclórica. Eu não vejo essa coisa como brincadeira, estética. Eu não acaricio muito isso não. Desde os meus dezoito anos de idade, eu sempre tive meus projetos artísticos e de cidadania muito ligados às conquistas de melhorias sociais para todos. Radicalmente. Eu preferiria um Ceará com todo mundo com emprego, com renda boa e educado, com os dentes legais e comendo todo dia. E parar de botar a gente na televisão com aquela terra rachada, aquele fim de mundo. Eu sofro com isso. Não acho legal. Não gosto do termo nordestino. Não transo bem com isso. E não transo bem exteriormente. Mas também não sou xenófobo. Eu não gosto disso não. Acho provinciano. Não tenho raiva do cara de São Paulo, de Porto Alegre, o cara não sei de onde. Mas também toda a minha energia, das coisas que eu faço, é concentrada em cima do Ceará que deve ser. E não em cima do Ceará que é. Eu não gosto do Ceará que é. Eu acho muito miserável. Fale! — Em artigo publicado no Jornal O Povo, você se dizia irritado com o barulho dos alto-falantes na avenida Beira-mar. FAUSTO NILO — Eu não rejeito minha origem semi-agrária. Não é agrária porque meu pai não era camponês e nós não morávamos no mato. Morávamos na cidade. Mas próximos da situação agrária. Mas universalmente eu tenho que compreender que a situação agrária é uma situação que tem mais distância de benefícios, de conquistas de toda ordem, que são compatíveis com a condição urbana. Eu não gosto da idéia de que todo mundo tem que ficar no campo, na seca, morrendo de fome. Acho que nós temos que organizar nosso território para todo mundo ganhar grana e viver com dignidade. E deixar de migrar para terrenos estranhos e sofrer tanto com isso. Gerações e gerações, nunca mais voltar. Para ter aqui, na sua terra, com aquilo. Os grandes garçons de São Paulo, os grandes maitre, poderiam estar aqui. É a minha visão. Fale! — Como foi sua decisão de voltar a morar no Ceará depois de tanto tempo no Rio? FAUSTO NILO — Morei 14 anos no Rio. Passei treze anos lá achando que não voltaria


nunca. Em um ano eu endoidei e vim embora. Minha mulher, a Sílvia, é daqui. Ela foi para o Rio e a gente se encontrou por lá. Quando eu pensei em voltar para cá, eu conheço muito a minha terra e pensei: ‘eu tenho que voltar para o Ceará de uma forma que meu dinheiro seja ganho no Brasil, que venha para minha conta todo mês, me dê condições de eu votar em quem eu quiser, para que eu possa ter a opinião que eu quiser sobre qualquer coisa em minha terra, e que possa contribuir para a comunidade com essa liberdade. Porque de outro modo eu fico preso. Eu nunca me senti em uma situação de não poder ter uma opinião crítica, nas duas atividades que eu exerço. Não falo isso com arrogância e até compreendo como essas coisas funcionam. Isso não quer dizer que alguém não possa se encontrar em uma situação em que a cadeia dos acontecimentos e dos poderes definam o seu cotidiano em um período da tua vida. O Brecht foi escrever porcaria em Hollywood para sobreviver, quando saiu da Alemanha. O problema não é esse. Eu estou querendo dizer que se você pode orientar sua vida, é bem melhor assim. Fale! — Qual o “Cearense do Século

XX”? FAUSTO NILO — Acho que o Alberto Nepo-

muceno. Dizem que ele não é porque nasceu no século anterior. Também acho a Raquel de Queiroz bacana, mas não gosto do que ela diz hoje. Mas a obra dela é legal. Fale! — Qual o “Brasileiro do Século XX”? FAUSTO NILO — Tom Jobim. Eu vejo isso de uma maneira cristalina. Cada dia mais. Poderia ser também Oscar Niemeyer. Fale! — Você conviveu com Tom Jobim? FAUSTO NILO — Rapidamente. Eu tenho uma história com o Tom Jobim absurdamente louca. Eu sempre tive medo dele porque ele era um sujeito irônico e o típico gozador carioca. Lá no Rio tem uma turma que eu freqüento — na Cobal do Leblon, um bar onde a gente sempre encontra os amigos. O Macalé, o Antônio Pedro, o Abel... Um dia de sábado o Abel me liga, dizendo: ‘eu

estou morrendo de ciúmes de você. Estou puto com você. Eu passei o dia com o maestro, passei o dia com ele, fomos ao Plataforma, ele se embebedou e não parava de cantar ‘Quem é rico mora na praia’... Eu dizia que o autor era meu amigo e ele dizia ‘quero conhecer esse cara, essa música é linda’. O Abel me ligou cedo. Achei que fosse trote do Tom Jobim e do Abel. Fiquei na minha. Um dia, afinal, fui levado pelo Abel ao encontro do maestro. Nesse dia estavam numa mesa o João Ubaldo Ribeiro, José Lewgoy, Abel, Tom Jobim e o Dico, um amigo dos artistas no Rio de Janeiro. Já morreu, infelizmente. Quando eu cheguei, o Abel: ‘tá aqui um grande letrista’. O Tom Jobim pegou uma cadeira para mim e disse: ‘pô, esse cara vive me enchendo o saco, sabe que eu gosto da música. Que letra linda! É sua e de quem? Do Dominguinhos? Às vezes eu fico ouvindo ali, a novela, é linda essa letra. Para você saber que eu gostei mesmo eu vou cantar’. E cantou toda. Quando terminou de cantar, disse ‘Fausto, você é do Ceará?’. Sou, respondi. E ele: ‘Meu parente. Sou de Aracati’. Na verdade, o avô dele é de Aracati. Eu disse que havia comprado um apartamento na Gávea que era de sua tia. E ele: ‘Nós temos muita coisa em comum e tal’. Eu não conseguia me conter no meio daquela história com uma pessoa que eu tanto admiro. O José Lewgoy disse assim: ‘Estou com ciúmes desse cearense, Tom. Você não está dando nem bola prá mim.’ O Tom Jobim, depois disse, ‘Fausto, se você não se incomodar, eu fiz uma paródia. Eu inverti. É assim: ‘quem é pobre mora na praia e quem é rico não tem onde morar’. Na parte da letra que fala ‘quem não chora morre com fome, mas quem tem nome joga prata no ar’. Ele inverteu e disse o rico é quem passa fome, por causa da dieta e assim por diante. A segunda parte ficou super engraçada. Quando terminou cantou de novo. Infelizmente, o grande maestro morreu um mês depois desse encontro. Fale! — Você tem medo de morrer? FAUSTO NILO — Com 57 anos você toma mais conhecimento de casos de colegas que se foram, gente na família, e vê que morre mesmo, o médico alerta... Eu não sou obsessivo com essa coisa. Eu tenho medo de morrer. Eu tenho um sentido de autopreservação, mas até agora preside tudo num vetor maior que é essa coisa de me ver todo dia. Tenho momentos de angústia que são sempre ligados a impasses nas minhas atividades. Eu só fico mal se um

projeto de trabalho sofrer. Fale! — Como é sua relação com o meio artístico e arquitetônico? FAUSTO NILO — Minha vida não foi uma vida de grandes dificuldades, intransponíveis. Sempre eu fui muito querido e tive grandes amigos. Me dei conta disso muito recentemente. Eu sou uma pessoa muito querida. Eu não tenho inimigos declarados. Isso a gente sabe, por meio de linguagens sofisticadas, que é natural do ser humano, que todas pessoas não ficam totalmente satisfeitas com o sucesso dos outros. Mas nunca para mim ganhou uma escala paranóica, ao ponto de atrapalhar minha vida. Fale! — Como é que acontece para alguém gravar uma música sua? As pessoas ligam, pedem música? FAUSTO NILO — Ligam, a minha editora, Sony Music, e os produtores. Poucas vezes mandei eu próprio as músicas para intérpretes e só faço isso quando sou solicitado. Fale! — Como você avalia esse estágio de reconhecimento hoje? FAUSTO NILO — Isso vem a a partir de algumas conquistas. Depois você vai estabilizando os patamares de conquistas no trabalho, que é muito importante. Digo trabalhar no sentido de produzir. Não é nem no sentido formal. É estar envolvido com problemas que você resolve. Tem produtos que você compartilha. Quando você passa a ter isso sempre, de maneira renovada e acontecendo, você tem de ter mais capacidade para não se tocar demais com isso também. Claro, tem hora que você se irrita. O cara chega e diz que estava não sei onde e alguém disse que o Dragão do Mar é uma merda, que não sei o quê. Por mais que você tenha uma autocrítica, é um sentimento ruim. Mas eu me habituei, ainda mais porque trabalho em coisas que dependem da publicação — a arquitetura é uma arte pública por natureza e como tal o cidadão tem total direito de opinar. Mesmo sendo privada. É um artifício por excelência. Eu sou um profissional do artifício sobre a natureza. Eu tenho que aliar minhas éticas ecológicas, minhas éticas culturais, tudo, com um registro muito bom. Por isso é que é uma profissão difícil. Não estou valorizando, não. Mas é muito difícil. Você passar pela vida para ser lembrado como um grande arquiteto — coisa que eu não pretendo e não espero — , mas como alguém que num edifício beneficiou uma Fale! !

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Eu jogo muita letra no lixo. Só me emociono com uma letra minha quando no outro dia eu olho e digo ‘De onde veio isso?’ parcela da sociedade com a forma de espaço de coisas que tenha significação e que ganha legitimidade, não deixa de ser uma coisa que lhe deixa contente. E saber que você às vezes está tratando com aplicação de um recurso que é de todo mundo e que é uma arte. Você vai dormir todo dia com a ansiedade de saber se vai ser rejeitado ou não. Imagine se o Dragão do Mar não tivesse nenhuma utilidade e a população quisesse transformar aquilo em um lugar imprestável, onde era que o Fausto Nilo estaria morando? Talvez em Quixeramobim, de pijama. Fale! — A realização do Dragão durou quanto tempo? FAUSTO NILO — Cinco anos. Fale! — Você viveu o dilema do dar certo, dar errado? FAUSTO NILO —Todo dia. Eu não sofro mais porque tenho uma coisa que não sei explicar, que é uma coisa que me favorece muito. Eu sou possuído violentamente por essa atitude de risco que é uma condição essencial para um criador. Aqueles que forem ler essa entrevista tem de compreender isso: está presente em tudo que eu faço uma parcela de risco. Eu já fiz letras de músicas que são consideradas ridículas e outras que são consideradas razoavelmente legais. Eu já estive aqui e a pessoa ali, sem saber quem eu era e, ao ouvir o uma canção minha no rádio dizia ‘Que letra horrorosa!’. Faz parte. Fale! — O senhor já enfrentou temas como trabalho e dignidade? FAUSTO NILO — Eu enfrentei esse tema, na música ‘Pão e Poesia’, em 1971. Pela via artística. Não a via acadêmica, de análise. Mas era uma coisa consciente, de você contemplar esse problema do trabalho e do sentido do trabalho. Fale! — Como foi o episódio que acabou numa ruptura com a cantora Simone? FAUSTO NILO — Aquilo foi porque a CBS resolveu fazer uma série de discos de autor. Inaugurava com o meu. Depois vinha o de Fernando Brant, o do Abel Silva e outros. Ela ia fazer com todos mas parou aí. Era uma coletânea com as grandes interpretações de cada autor. Na minha coletânea foi incluída uma música que a Simone cantava, ‘Pequenino Cão’. Todas as quatro letras minhas que ela gravou foram

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grandiosos sucessos. Eu e a Simone, eu tenho a impressão que se a gente tivesse junto... A Simone cantou muito bem as minhas músicas: ‘Pequenino Cão’, ‘Pão e Poesia’, ‘Você é Real’, ‘Um Desejo Só Não Basta’. O meu problema com a Simone é que eu sempre fui uma pessoa muito discreta, principalmente com pessoas de grande volume, de estrelato, essas coisas. E sempre tive uma regra, que é uma coisa meio matuta, que é assim, ‘Só vou quando for chamado’. E com uma certa discrição. Nem se eu quisesse não é mais necessário eu fazer essa correria toda. A Simone tinha mais intimidade comigo do que eu com ela. Ela me ligava ‘Gracinha, não sei o que . . .’ Incluímos uma música da cantada pela Simone na coletânea e um cara da gravadora me ligou dizendo: ‘Temos problemas. A Simone não autorizou. Ela tem um contrato com a CBS que dá a ela o direito de não autorizar o fonograma, que é o disco de montagem’. Ela estava na Polygram e como ela me tratava muito bem, fiquei à vontade. Fui ao estúdio e disse a ela o que estava acontecendo. Indignada, disse que aquilo era uma campanha da gravadora contra ela. Contou que a gravadora a perseguia tanto que a última da gravadora era promover rompimento e inimizades entre ela e os autores que ela mais gostava. E me disse que jamais faria um veto daqueles e que teria o maior prazer de entrar em minha coletânea. Liguei para a CBS, contei a história e disse que era lá que estava o problema. A gravadora perguntou se podia imprimir o CD e eu disse que sim. Um dia de sexta-feira o cara me ligou dizendo que ia ter de quebrar o disco porque a Simone esteve na gravadora e confirmou que não autoriza. Eu não sou acostumado a tratar a coisa dessa maneira e fiquei possesso. Liguei para a Simone, todos os telefones que eu tinha, todos os caminhos secretos de comunicação, e não consegui falar com ela. Quando foi seis horas de sexta-feira eu liguei para a gravadora e disse que podia quebrar. Eu perdi o Natal, que é um período para lançar esse tipo de produto. Fale! — A gravadora quebrou todos os

CD’s? FAUSTO NILO — Quebrou toda a tiragem.

Na época eu fiquei indignado. Não sei se hoje eu faria isso porque eu tive de envolver meus parceiros em uma situação que era minha. O que foi que eu fiz? Cheguei para o meu editor e perguntei que se a Si-

mone teve o direito de atrapalhar um projeto meu e mutilá-lo e que direitos eu teria com relação a esses quatro megasucessos que ela tem e que são meus. Fui informado que tinha direito a 50%. Ele me instruiu para eu fazer uma comunicação para a sociedade arrecadadora, para o Ecad e desautorizar a execução das músicas ao vivo. Eu não poderia desautorizar a gravadora porque tem um contrato de edição. Mas o ao vivo eu desautorizei e ela nunca mais canta. Liguei para o Maurício Tapajós, da sociedade arrecadadora. Quando o papel já tinha ido, me liga o advogado dela, dez ou quinze dias depois, dizendo que o episódio dos CDs não era nada contra mim. Ela tinha me mandado dizer que me adorava, eu era um dos compositores preferidos dela e aquela coisa não era contra mim. Era contra as baianas Gal Costa e Maria Bethânia. Ela não queria entrar no disco que tivesse essas duas baianas. Eu perguntei: ‘Mas ela também não é baiana?’. ‘Pois é, mas não era com você’, disse ele. Tenho uma carta da editora de Gal e Betânia dizendo que era muita honra estar na minha coletânea. Eu guardo isso como um troféu fantástico. E nenhuma delas mencionava a intriga. Eu ignorava esse problema. Disse, então para o advogado que fiquei muito prejudicado e que a Simone não retornou as ligações quando eu a procurei e agora mandava ele me dar recado. ‘Você diga para ela que eu não ligarei mais e da mesma maneira que ela fez, eu estou mandando um recado por você. Não existe nada contra ela, tem a ver com o Canecão, o Teatro Municipal e vários outros lugares’. Ele disse que não estava entendendo e eu mandei ele transmitir o recado do jeito que estava ouvindo. Um dia, o Geraldo Azevedo estava tocando violão lá na minha coberturinha, toca o telefone. Era a Simone. ‘Estou estupefata. Esse papel é verdade? Estou a dois dias de um show em São Paulo, esse papel na minha mão, não estou entendendo nada. O que que fizeram conosco?’ Eu disse que estava acontecendo com ela a mesma coisa que aconteceu comigo quando o disco foi quebrado, porque só porque ela não queria aparecer com as baianas. Eu achei que tinha alguns direitos e que poderia exercêlos contra ela. Não para prejudicá-la. Mas também para ter domínio sobre aquilo que acontece com o meu trabalho. ‘Eu fiquei com raiva de você e não quero mais que você cante minhas músicas’, disse. ‘Mas


que absurdo! Quer dizer que nunca mais eu canto nenhuma música sua?’, ela retruca. ‘Sim’, respondí. Depois o Abel, a Suely e outras pessoas me ligaram pedindo para eu manerar, conversar com ela, resolver, mas realmente eu fiquei inflexível. Tive notícia de que ela, no programa do Jô Soares, quando questionada se já teria tido algum problema com autor, ela disse que só teve um. Ela disse que queriam que cantasse algumas músicas no disco de um compositor. ‘Como eu não quis, ele me proibiu de cantar as músicas dele’. Eu não vi isso. Minha mulher viu. Ela não citou meu nome. Se ela dissesse que era eu, eu poderia ir ao Jô Soares e contar a minha história. Fale! — Ela mesma deu duas versões para o problema... FAUSTO NILO — E no Jô Soares não deu a versão correta. Existem muitas testemunhas disso. O que é mais engraçado de tudo isso é que o Zeca Baleiro, o meu mais recente parceiro, sem saber dessa história, mandou um música nossa para ela. Quando ele me disse eu falei ‘rapaz, tu é louco, ela está proibida de cantar as minhas músicas’. Ele perguntou se eu queria pegar de volta, mas eu disse que não. Talvez ela pense que eu estou querendo uma reaproximação. Fale! — Você tem muitas parcerias marcantes? FAUSTO NILO — Nara Leão cantando “Amor nas Estrelas” eu acho que é um clássico. Moraes Moreira cantando “Menina do Brasil”, Lulu Santos cantando “Tudo com Você” eu acho legal, Ney Matogrosso cantando “Retrato Marrom” eu acho bom, Fagner cantando “ Pedras que Cantam” e “Astro Vagabundo”, Gal Costa cantando “Bloco do Prazer”, no cancioneiro do carnaval, Caetano que gravou “Vida Boa”, e agora Nana Caimmy que gravou uma música nova chamada “ Fumaça das Horas”. Há muito tempo a Nana me cobrava uma música. Isso aconteceu agora. Ela gravou essa música que é minha e da Suely. Fale! — Como é o acesso junto ao Fausto Nilo? Quando aparece algum material de algum ilustre desconhecido, o senhor tem saco de ler?

FAUSTO NILO — Tenho saco de ler tudo sem fazer triagem. Aqui em Fortaleza acontece uma coisa que eu nunca pensei que pudesse acontecer. Eu gosto de ser reconhecido. Eu ando na rua, nos lugares populares e sempre alguém me aborda, me abraça, me chama de poeta e eu acho isso bom. Principalmente pessoas simples. Me chamam de parceiro do Fagner etc. Dos jovens compositores eu ouço tudo. Ouço mesmo. Agora eu aprendi a dizer para eles, com toda sinceridade, que eu não gosto de dar opinião. Primeiro porque não adianta. Todos esperam que se fale bem. E depois vai uma psicologia própria dessas ocasiões, onde você quer um estímulo. Quer ouvir que está muito bom. Então fica uma situação muito curiosa. A única crítica que um compositor tem de considerar é o cidadão anônimo, que é para quem ele dirige a mensagem. Se estiver chegando, é porque você está crescendo. As pessoas acham que o caminho das pedras resolve, que um padrinho resolve, que um empresário que bota no rádio resolve. Fale! — Como você vê o fato de todo mundo gravar hoje? FAUSTO NILO — Isso complicou quando os equipamentos de gravação, que são um privilégio da classe média para cima, passaram a ser acessíveis. Você faz demo, faz CD para mostrar, faz não sei o quê. O pobre não pode. O Cartola, se fosse vivo, não poderia fazer isso. Isso criou uma grande confusão sobre o real valor da obra. Para quem produz. O cara ouve uma coisa bem produzida e coloca no disco. Hoje você faz CD antes de fazer show, que é uma coisa engraçada, não é verdade? Antigamente você trabalhava dez anos, quando a voz já estava no ponto você chegava em casa e dizia: ‘vamos gravar’. Hoje em dia não. Qualquer dona-de-casa é cantora. Não tenho nada contra as donas-de-casa, mas a maioria das donas-de-casa virou cantora. Hoje você faz um CD por hobby e você é obrigado a dar opinião sobre tudo isso. Então eu prefiro dizer que vou ouvir com atenção, mas que não espere minha opinião. ‘Canta para o vizinho, canta no colégio, canta na praça, canta para anônimos, vai vendo, conversa com todos’. Esse é o signo do verdadeiro artista. Fale! — Música popular é entretenimento? FAUSTO NILO — Em primeiro lugar, sim. Mas isso não quer dizer que a música popular francesa não tenha produzido, em um determinado período, canções de grande valor, e nem que a Broadway não tenha mú-

sicas fantásticas. Ao contrário do que muita gente diz, as músicas americanas não são bobagens. E a música brasileira é especial como nenhuma outra. A pessoa que só vê a música como entretenimento faz aquilo com um intuito inicial de um lugar, em um período, ganhar uma grana, enfim. Fale! — Quanto tempo de estrada? FAUSTO NILO — Eu estou com 29 anos de fonografia profissional, perto de 400 músicas. Estou atrás do Vinícius e do Noel. Talvez recordista entre os cearenses. Faço música todo dia. A não ser que eu viaje para um lugar totalmente... Antes era em um caderno. Hoje tenho um laptop. Eu faço em cima de melodias. Aparece a primeira frase, eu anoto. Aparece outra do meio, eu coloco no meio do papel, aparece outra música fechando a música, que é a mais difícil. No popular bem feito, o final da música é o mais difícil. Fale! — Quais suas referências? FAUSTO NILO — Os grandes letristas com quem aprendi são Lupiscínio Rodrigues e Adelino Moreira. Mas tem momentos que eu posso dizer que aprendi com a genialidade do Noel. A lista inclui Miltinho, Orestes Barbosa, Chico Buarque de Holanda, Caetano Veloso. De outra maneira, Jorge Ben, Luís Melodia. Aí também vem a influência da música estrangeira, não somente pelo conteúdo e embora sendo em outra língua gosto de apreciar as boas soluções de sonoridade das palavras sobre a melodia. Aí eu aprendo também com Cole Porter, Jacques Brel, Bob Dylan e Leonard Cohen. Tudo isso junto com Adelino e Lupiscínio fica ótimo. Isso é importante porque a letra de música tem de cantar. Você não quer gravar uma letra de música só pelo que ela diz. ‘Ah! essa música é linda porque ela diz uma coisa importante’. Mas tem de ser pela estética global que está ligada a sonoridade. Quem inventou colocar letra em encarte de discos foi o John Lennon. Então as letras têm acompanhado os discos. Você não pode ouvir uma música lendo. Você tem de ouvir uma música ouvindo. Se não está ‘sentindo’ ou o cantor é ruim ou a letra está mal feita. Quando eu digo entender não é só no sentido especial de entendimento. É entendimento estético. Comunicação global perfeita. Mesmo com algo estranho. Realizar isso é procurar palavras, assuntos, significados, melodia e ritmo que, quando a música chega naquele momento, para quem canta fica boa de cantar e para quem ouve fica boa de ouvir. Tem os macetes. A música mais tradicional brasileira tem a primeira e a seFale! !!

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Dorothy Lamour foi a primeira letra que eu fiz. Era uma letra quase ingênua. A idéia era usar a personagem como signo. gunda parte, às vezes quando é muito popular tem aquele relativo, tipo assim ‘ele voltou, o boêmio voltou novamente...’ Nessa hora, se o letrista tiver colocado um ‘ai’ no lugar errado, a música morreu. Acaba. Jogou fora a melodia e não vai ter música nenhuma. Fale! — Como você se define? FAUSTO NILO — Sou maneirista, no fundo. Os maneiristas foram condenados durante muito tempo. Não tenho pretensão de dizer que eu sou um autor de letras totalmente originais. Embora as pessoas me digam isso. Às vezes alguém me diz ‘eu ouvi uma música no rádio que eu acho que é tua’. Ele identifica nas minhas músicas alguma coisa que elas têm em comum. O trato com as palavras, musicalmente. Hoje em dia — uma parte conservadora minha —, tenho dificuldade de acompanhamento de músicas mais do momento. A dificuldade é uma rejeição. Eu escuto aquela música, fico ouvindo ela falar naquele assunto horas e horas e acho ruim de cantar. No entanto, as crianças adoram. Eu acho que é como aquilo que diziam: ‘O Vandré lançou Caetano, mas descobriram depois que o cara de esquerda achou o Vandré melhor porque ele dizia coisas que o cara de esquerda queria ouvir’. Não adianta julgar a obra de arte por esse aspecto. A música tem de ser boa. Tem de ser pelo viés estético. Você tem obrigação de cumprir isso dentro daquela obra de arte, senão você vai estar fazendo um relatório. Os aspectos mais primitivos da música estão sendo realçados hoje. A música hoje está muito ligada a uma coisa de movimento, de comportamento. Mais do que da estética. Você gosta de músicas que falam coisas da garotada e da jovialidade. Fale! — O senhor não pode abrir mão dessa postura de esteta? FAUSTO NILO — É por isso que o compositor se acaba. Com a idade e o tempo. Existem certos valores em uma determinada época. O Chico está dizendo que não sabe escrever aquelas músicas. É porque as músicas vão ficando complicadas. Você aprimorando a sua linguagem, os signos, leu mais, ficou mais culto. Eu não escreveria minhas letras atendendo um cara de gravadora quando ele me diz que a garotada está gostando muito de falar de natureza. Eu não vou escrever sobre natureza ou problema de ordem ecológica. Primeiro porque eu nunca escrevo aquilo como uma

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!"Fale

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aula. Eu gosto de me colocar como um ser humano qualquer. Escrevo como quem escreve para teatro. Nenhuma delas é sincera e nem sou eu ali. Jamais. Fale! — Você entra em transe quando escreve? FAUSTO NILO — Total. Essa é que é a viagem verdadeiramente estética. Eu sou por natureza adepto — desde criança e compreendia cultivar sem saber o que era — do tal do surrealismo. É a poesia do inconsciente, com liberdade e flutuação. A escrita é automática. A escrita foi uma invenção. O que não quer dizer que o sujeito escreve mal. É tirar o medo da expressão e deixar que as coisas mais surpreendentes, mas nunca vistas por você próprio de maneira clara. Eu jogo muita letra no lixo. Eu só me emociono com uma letra minha quando no outro dia eu olho e digo ‘De onde veio isso? Que porra é essa?’ Poesia é uma forma de conhecimento porque o imaginário popular produziu aquilo, circulou por muitos lugares, passou na tua cabeça e as antenas captaram. Não é possível eu ter escrito ‘a fotografia nos olhos de Hiroshima das meninas do sertão’ por uma decisão racional, estudada e de pesquisa. Isso foi um insight. Eu escrevi e depois eu vi ‘É mesmo’. É valorizar esse aparente lixo. Eu deixo isso claro nas minhas letras até brincalhonamente. Eu faço de um jeito que tem uma frase de multiplicidade, como o cinema. Coisas dentro de outras, volta para o assunto principal, coisas entre parênteses, flashback. Eu brinco com isso e o povo entende. Fale! — Alguns comentários sobre sua música destacam que, à primeira vista, ela é estranha. Como a primeira Cocacola, que é sempre muito estranha... FAUSTO NILO — Sabe aquele negócio do surrealismo, em que você coloca objetos que nunca estiveram juntos e fica contemplando? O Caetano disse que o Caimmy passou uma semana com problemas com o ventilador porque ele não sabia onde colocar o ventilador. Nunca encontrava um lugar bacana para ele. Todas as pessoas são assim, mas não podem valorizar isso em suas atividades cotidianas. Seria uma loucura. Mas o poeta trabalha com isso. Quando eu vejo uma coisa escrita numa parede, quando eu vejo uma frase no meio da rua... Eu me lembro que uma vez, os meninos do grupo ‘Cor do Som’ estavam gravando no estúdio e faltava uma frase

de um certo sentido. Eu não me conformava com a frase que eles me mostravam e não conseguia encontrar outra. Eles já haviam feito a base. Era a última música e faltava botar a voz porque não tinha essa frase. Tinha que ser naquela noite. Eu estava pressionado mesmo. Eu vinha andando numa rua do Jardim Botânico, tinha um boteco muito cheio, perto da Globo. Eu vou passando e cantarolando, quando alguém gritou um ‘aliás’ meio berrado de dentro do bar. Encaixou perfeitamente para a frase que faltava para a letra da música Zanzibar. Fale! — Outro caso de criação com insights? FAUSTO NILO — Eu estava escrevendo ‘Baião da Rua’ — que conta a história de um menino nu que brotou do chão —, com o Nonato Luís, lá em casa. Fiquei de terminar depois. Quando eu estava terminando — eu trabalho com tudo ligado, rádio, televisão —, de repente, lá estava a Hebe Camargo fazendo um discurso como que protestando por uma coisa que não tem causa. Eu não sabia qual a causa e ficou assim. Eu não estava ouvindo, mas interferiu um pouco. Parei e olhei. Ela olha para um artista que estava lá e disse ‘e são muitos esses garotos. Parecem que eles brotam do chão’. Pronto. Eu tenho muitas histórias desse tipo. Por exemplo, ‘Lua do Leblon’ tem uma passagem engraçadíssima. A irmã da Suely Costa, uma menina lá do Rio, chegou, falou sobre música e me deu uma fita linda. Eu coloquei no gravador e tanto a fita como a gravação eram ruins. Eu escutei um pedacinho e deixei ali. Mas eu ouço tudo. Numa noite, que eu não ia compor nada, eu tinha chegado do Baixo Leblon, cansado, não fui protelar. Fui direto me deitar. Nesse tempo eu estava produzindo o disco da Nara, uma grande amiga. Eu ia deitar e lembrei que ela tinha me cobrado aquela fitinha há vários dias. Eu pensei: ‘Não custa nada eu ouvir a fitinha da menina agora’. Ai eu coloquei para rodar, no escuro. Aquela vozinha daquela mulher no escuro, misturou com o negócio da Nara. Eu pensei é agora. Fiz direto, igual ao Chico Xavier. Depois fui dormir. A Nara morava em Ipanema. Não podia colocar Leblon. Não abri e tive que adaptar. Eu vou para a poesia. Por isso que eu digo que é mentira alguém dizer que fez uma música para uma pessoa. Ele pode até começar, mas no meio ele tem de adaptar. Sai para outra. Você começa a escrever uma coisa, por um fato ou por uma pessoa. Mas


vem um verso tão lindo, de uma sonoridade tão bonita, você vai perder? Claro que não. Fale! — Qual a relação entre a música e a arquitetura? Onde uma toca a outra? FAUSTO NILO — Todas as arquiteturas que eu fiz têm minha letra e todas as letras que eu fiz têm minha arquitetura. Fale! — O Dragão é tão bom quanto uma música? FAUSTO NILO — Foi uma obra difícil. Mais do que a Praça [do Ferreira]. Uma praça parece ser um negócio fácil. Fale! — Por que a Praça do Ferreira não é tão musical como o Dragão, na vida da cidade? FAUSTO NILO — No meu julgamento, a Praça do Ferreira é um problema complicado. Fortaleza tinha uma praça odiada por 90% dos habitantes. Nós trabalhamos com essa pesquisa na frente. Qual era o nosso medo: será que vamos fazer de novo uma merda? Tínhamos de fazer um resgate. Fale! — Como surgiu a idéia do resgate? FAUSTO NILO — Primeiro Ciro [Gomes, então prefeito de Fortaleza] nos chamou para uma reunião. Nós éramos um grupo de cinco arquitetos, uma espécie de pequeno conselho da classe, na época. Houve muita discussão e se decidiu que não íamos fazer uma reconstrução e sim uma pequena reforma. Íamos fazer uma pequena maquiagem. Eu e não lembro quem mais, fomos contra, pois queríamos a reconstrução radical. Fomos voto vencido e assinamos um documento em conjunto que foi entregue ao prefeito Ciro Gomes sugerindo essa maquiagem. Até, às vêzes, Ciro brinca comigo dizendo que eu não quiz fazer a reforma dele. Mas acho que ele compreendeu que eu estava num grupo de colegas e era minoria. O segundo convite foi feito pessoalmente. Consultei umas pessoas — acho que todo mundo tem que ter uns mestres na vida —, que eu dou importância, que é o Liberal de Castro. Nós nos entendemos muito bem pelo respeito e pelo temperamento de cada um. Gosto muito de ouví-lo e ele não me trata de ma-

neira tutelada. Há debates entre nós, respeitando sua cultura e seu conhecimento, naturalmente, mas nossa relação tem muita autonomia intelectual. É uma pessoa com quem recentemente tive o prazer colaborar em algumas tarefas arquitetônicas. Mas em aguns momentos na vida que você tem que pegar ou largar. Não é nem no sentido das vantagens. É no sentido da tua obrigação profissional, auto-exigência cívica e de tudo no mundo. Junta tudo isso. Eu pensei que se eu não fizesse, o homem quebraria tudo ou faria outra coisa. Eu fiquei de dar a resposta no outro dia. Quando chegamos o prefeito perguntou o que seria feito e eu disse: ‘Um trator’. Ele olhou em volta e perguntou quando era a inauguração. Foi na época de Natal. Eu me orgulhei muito porque foi de orgulho popular. Alguma coisa de espaço público. Eu acho que está legitimada. Porque sobrevive sozinha em meio a um lugar que está caído. Segundo o Caetano — que foi comigo lá de madrugada —, “é uma praça Toquioará”, disse. Porque tem uma estética universal, que parece Tóquio, mas é cearense. Fale! — Uma coisa que eu acho estranho é o Dragão do Mar não estar incluído na pesquisa do Itaú. Mas é uma pesquisa mal conduzida. Porque que a gente chega na Praça do Ferreira e não encontra o Ferreira e chega no Dragão do Mar e não encontra o Dragão do Mar? FAUSTO NILO — Na praça do Ferreira você encontra o Ferreira. Só que ele está mal. Dentro do buraco. Ali é uma cacimba portuguesa cuja arqueologia nos foi sugerida pelo Liberal. A gente queria escavar e os engenheiros não queriam. Se eu tivesse que monitorar os erros arquitetônicos e as melhorias daquela praça, eu redesenhava aquela fonte, hoje em dia, melhor, e melhoraria aquela referência ao Ferreira, que foi uma luta pessoal do professor Mozart Soriano Aderaldo. Nós tivemos que aceitar. Poderíamos muito bem rever isso e colocar alí outro tipo de referência, que poderia ser outra forma. Fale! — E o Centro Cultural Dragão do Mar? FAUSTO NILO — Nós tínhamos uma idéia, segundo a qual um texto em granito, na entrada das duas cabeças dele deveria ser feito, cavando o granito. Deveria ter uma referência. Mas ali foi o Paulo Linhares. O Dragão do Mar foi uma obra do Paulo Linhares. O nosso mérito ali foi ter sido doidão de desenhar. E o mérito do Dragão... Estou querendo registrar uma coisa que publicamente eu nunca fiz. O Paulo Linhares

inventou esse Dragão do Mar, o Ciro tocou e eles viram um desenho daquela loucura, que eu mesmo, no lugar deles, não sendo arquiteto, não teria coragem. Eles viram o desenho e eu nunca esqueço isso. O Ciro disse: ‘poeta, vamos fazer’. Fale! — O que ele viu primeiro? O desenho ou a maquete? FAUSTO NILO — Primeiro o desenho. Aquela coisa louca. Tenho muito admiração pelo Ciro e pelo Paulo Linhares por terem aceitado este desafio. Acho mais notável do que desenhar o prédio. É aquela coisa meio Juscelino. Fale! — E a relação com o Ciro, como está? FAUSTO NILO — Eu sou um ser altamente político e ao mesmo tempo muito discreto nas políticas partidárias, jornais etc. Eu tenho muita dificuldade de fazer isso, mas eu o admiro muito e ele é meu amigo. Fale! — Por isso que o senhor nunca pensou em ser secretário de cultura? FAUSTO NILO — Inclusive. Acho que eu nunca teria um cargo de nada. Acho que não. Se eu for, pode perguntar para a minha mulher se eu não estou com algum problema, alguma coisa. Mas veja bem. Eu estou dizendo isso, mas pessoas legais têm que ir. Eu não sou contra político. Não sou idiotas que dizem que têm raiva de políticos. Não sou contra políticos. Fale! — Qual sua relação com a política? FAUSTO NILO — Eu sempre digo para os meus amigos que eu tenho um limbo de situação política organizada. Não é ideológico. Com o ideológico não tenho problema. Eu sou um dos inúmeros caras no mundo que continua a achar que a sociedade tem de ser redesenhada, mas que considera que as experiências revolucionárias e os projetos nos quais eu acreditei na juventude tiveram um conjunto de problemas e que essas coisas tem de ser vistas de outra forma. Não há possibilidade de eu aderir ao fascismo, nem ao autoritarismo, ou à opressão nem de achar que a vida brasileira é justa para a maioria. Continua tudo igual à minha juventude. Exatamente igual. Agora, eu não tenho mais uma estratégia profissional que diz assim: ‘eu só faço projeto no dia que tiver um governo revolucionário, que coincida com todo o programa’ ou então ‘eu só acredito numa mudança da sociedade com uma revolução’. Para que eu opere politicamente, eu preciso que tenha os dados completos da Fale! !#

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Eu sempre declaro meu voto, publicamente. Mas só quando chega a época eleitoral. sua veracidade e se são projetos eu preciso saber de custos, benefícios e orçamentos. Eu não tenho mais idade nem paciência para conversar sobre utopias de verborragias e adiamentos da ação concreta por conta de uma expectativa chamada revolucionária. O que quer dizer isso? Quer dizer que eu não encontro guarida nem num partido de centro, nem da direita nem da esquerda conforme é hoje. Nunca tive chefe. Meu pai também nunca teve. Na minha família nunca teve alguém que tivesse cargo público, entendeu? Nunca tivemos coisa política, do tipo emprego público. Nunca entrei na Lei Jereissati, embora seja lícito. Eu gosto dessa coisa republicana. Eu gosto muito disso. Meu pai tinha muito isso: ‘olha, isso é público’. Meu problema é só esse. Quando chega o tempo das eleições, o meu critério é sempre ir amadurecendo o processo. Por isso que tem hora que eu posso votar no Lula como votei. Não votei no Fernando Henrique, mas também não tenho nenhuma decepção pelo Fernando Henrique. Ser sociólogo, chegar à presidência e não ser mais sociólogo? Acho uma ingenuidade pensar que alguém sentado na cadeira de presidente seja igual a um professor da USP. Tendo de um lado o PFL e do outro o PMDB. Com o PSDB querendo somar votos para obter os resultados que ele quer para o governo. Eu compreendi e sabia disso antes. A democracia de vez em quando tem esses problemas. Nascemos e vivemos em ditaduras e tem gente com muita dificuldade de assimilar a construção da democracia que país que nunca a teve. Os adversários tem que ser derrotados pelo voto. Não adiante matá-los Não adianta eliminá-los. Isso só se faz nas ditaduras. Qual é a minha bandeira hoje? Não sei dizer se voto no Ciro, no Malan ou no Lula. Já votei no Lula duas vezes, chorei quando o Collor foi eleito. Não é que eu achasse que o Lula fosse fazer um governo para a salvação do Brasil. Mas naquele momento, a história daquele cara significava algo para mim. Fui brizolista no Rio de Janeiro, porque naquele momento achei que era mais Brizola na cabeça, no primeiro governo e ajudei a derrotar a Proconsult, de forma militante. Talvez o Brizola não esteja com a nitidez total hoje. Mas nunca foi acusado de nada. É um homem de caráter e de extrema dignidade. Ainda tenho disposição para ouví-lo. Fale! — E no Ceará? FAUSTO NILO — Acho que o Ceará tem muitos problemas com a pobreza ainda. Todos

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nós juntos ajudamos a superar, primeiro com Tasso, depois veio o Ciro. Eu reconheço que os governos têm que incorporar um pouco da cultura do planejamento. Nunca está dando muito certo. Há muita dificuldade técnica, no quadro geral. A cultura do planejamento ainda está começando. Fale! — Qual é o seu candidato ideal a a presidente? FAUSTO NILO — Eu não sei te dizer. Eu estou observando. Eu não estou animado com o caminho até agora. Estou acompanhando as notícias. Vi o Ciro com o Itamar. Itamar é um homem seríssimo. Acho que ninguém pode atacá-lo em nada. Tem aquela coisa do topete, aquelas idéias do fusca, é complicado. Mas ninguém dá o voto com 100% de exigência ou 100% de acerto. Acho o Ciro um cara de muito valor. Mas as coisas ainda estão se definindo. Fale! — Quais variáveis influenciaram na escrita de Dorothy Lamour? FAUSTO NILO — Era no cenário do pós-guerra, os objetos culturais americanos chegando aqui. Peeper, drops, cinema, aquela coisas — a razão de eu ter escrito Dorothy. Foi a minha primeira letra. Era algo quase ingênuo. Uma letra de iniciante e me surpreendí muito quando ela ganhou popularidade. Se todo mundo gosta hoje em dia também eu tenho grande afeição por esta música. A idéia era usar a personagem como signo. A primeira vez que eu vi Dorothy Lamour foi em Quixeramobim. Depois, comprei vários filmes em Los Angeles. Ela era uma estrela daqueles filmes super B. A atriz participou de séries que depois tomaram o sentido da ‘política da boa vizinhança’. Nos filmes a dupla Bob Hope e Bing Crosby viajavam sempre para lugares expticos onde sempre encontrariam uma nativa interpretada pela Dorothy Lamour. Os filmes tinham nomes como Road to Cingapura, Road to Morrocco. Depois, na época decadente, veio o Road to Rio. Quando o trem atrasava e os filmes programados não chegavam esses filmes entravam. Eram do acervo permanente. Isso explica por que qualquer cara da minha idade, da minha época e da minha classe social de Quixeramobim conhecia esses filmes. Fale! — Em que ano você entrou na Faculdade de Arquitetura? FAUSTO NILO — Entrei em 1965, na época do Castello. Só que, desde 1963, eu já parti-

cipava das discussões da Praça do Ferreira. Na Faculdade encontrei o Rodger Rogério e o Augusto Pontes. Era raro encontrar no Ceará um sujeito que soubesse arquitetura. No Estado só existiam uns pouco arquitetos. Eram o Liberal de Castro, Neudson Braga, Enéas Botelho, Armando Farias e outros. Na época, na faculdade, a incultura era tão grande sobre essa profissão que as pessoas me diziam ‘ah, você faz aqruitetura, então você só pode projetar edifícios de até três andares, a partir daí somente os engenheiros.’ Era uma humilhação, para uma atividade que existe há cinco mil anos. Para você ter idéia do que era a coisa. A atividade de arquiteto aqui era muito incipiente. Os caras faziam um projeto uma vez ou outra ou trabalhavam na universidade lecionando na engenharia. Fale! — Por que você foi embora do Ceará? FAUSTO NILO — Agradeço ao ex-prefeito Evandro Ayres de Moura. Eu tinha ganho a concorrência para fazer um projeto do prédio do Incra. Aquele prédio que hoje está meio abandonado. Como frequentávamos o bar do Anísio, às vezes eu acordava de ressaca. Mas eu sempre tive responsabilidade com as coisas que assumia. Naquele dia eu tinha que ir ao Incra porque o prefeito estaria lá e eu ia explicar o prédio. Acompanhei a comitiva, cabeludíssimo, naquela época. O prefeito elogiou. Depois, formaram uma meia lua, todos olhando para mim e eu fiquei no foco. Senti isso. Seguiu-se um silêncio quebrado pelo prefeito. Ele me disse ‘Parabéns, gostei muito do prédio, mas eu queria lhe deixar um conselho. Um arquiteto tem que aprender não só a decorar um edifício. Mas decorar primeiramente a si mesmo’. Todos riram e eu não disse nada. Eu tinha recebido um convite para trabalhar no metrô de São Paulo como arquiteto-sênior. Entrei no meu Chevette, cheguei em casa, liguei para São Paulo, preparei meu currículo, e com uma semana eu estava trabalhando no metrô de São Paulo. Um mês depois mandaram uma carta de demissão e eu assinei. Fiquei no metrô um ano e chegou um ponto que a música cresceu e passei a ganhar com ela o mesmo tanto que eu ganhava no metrô. Morava em São Paulo, tinha novos parceiros, apareceram outros parceiros, como Moraes Moreira. Fui saindo do âmbito estrito dos cearenses. Passei a ganhar parceiros, conheci muita gente etc. Mudei de São Paulo para o Rio de Janeiro e fiquei lá 14 anos. !


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CARROS

POR ROBERTO COSTA

>>>500 Km de Interlagos

Um verdadeiro encontro de gerações aconteceu em Interlagos durante a realização de mais uma edição dos 500 Km de Interlagos. Como tradicionalmente acontece nas provas de endurance realizadas na capital paulista, diversos pilotos da “velha guarda” participam ao lado de jovens pilotos ou mesmo refazem as gloriosas duplas. Este ano o encontro de gerações recebeu um tempero extra com a realização de prova válida pelo campeonato de veículos antigos vencida por um Ford Maverick pilotado por “Batistinha” seguido de uma lendária Alfa Romeo GTA do piloto Totó Porto. Outra grande atração foi o verdadeiro museu montado nos boxes onde diversos modelos históricos preciosamente restaurados pareciam prontos para uma corrida de estreia, lá estavam o Ford Maverick da extinta equipe Holywood que tantas vitórias trouxe para Luiz Pereira Bueno e Tite Catapani, o Maserati de Luigi Villoresi remanescente do Circuito da Gávea, diversas carreteras gaúchas que tanto sucesso fizeram dos anos trinta ao inicio da década de setenta.

>>>Lançamentos A Peugeot está anunciando para o mês de outubro a chegada ao Brasil modelo 706 importado da França.Com acabamento sofisticado, motorização moderna e amplo espaço interno a Peugeot espera conquistar uma boa fatia do mercado de veículos de luxo.Embora não pareça mas este seguimento é bastante disputado com muitas marcas dividindo um segmento consumidor relativamente pequeno. Então aqui, mais uma vez, o preço poderá fazer a diferença.

O Automóvel Clube Paulista promoveu emocionante homenagem a diversos pioneiros do automobilismo brasileiro como Piero Gancia,Emilio Zambelo, Luiz Pereira Bueno, Ricardo Aschar, Jan Balder, Jorge Lettry entre muitos outros. A principal corrida do dia os 500 Km de Interlagos levou para a pista o outro lado da festa. Protótipos, carros de turismo e até Gt’s importados compunham um belo grid digno dos melhores tempos das competições nacionais e, como não poderia deixar de ser, o movimento dos boxes foi um espetáculo a parte com o pessoal de apoio fazendo de tudo para não perder tempo nas paradas para reabastecimento e troca de pilotos ou recolocar na pista aqueles que não suportavam o esforço da longa disputa. Ao final de quase quatro horas de prova a dupla Ruyter Pacheco e Flavio Andrade, de Brasilia, vençeu com duas voltas de vantagem para Urubantan Helou e Urubatan Júnior que com um esquema simples e competente superaram muitas equipes poderosas. Com mais esta prova longa aliada ao campeonato de endurance organizado pelas federações de automobilismo dos estados do Rio Grande do Sul e Paraná pode-se começar a sonhar com um Cam-

peonato Brasileiro de Marcas que por incompetência gerencial deixou de ser realizado há mais de dez anos.

>>>Salão de Frankfurt

O maior e mais importante salão automotivo do mundo aconteçeu na primeira quinzena de setembro na cidade de Frankfurt,Alemanha,e lá foram mostradas as principais novidades que o setor deverá colocar no mercado nos próximos anos.O salão é uma fotografia real de tudo que é produzido no mundo,desde os sofisticadíssimos modelos de alto luxo a esportivos passando pelos “populares” que hoje representam 40% do mercado global chegando a quase 70% no Brasil. Entre os muitos modelos expostos em Frankfurt vários chegarão ao mercado brasileiro via importação enquanto outros como o Citroen C3 o Corsa reestilizado a nova geração do Ford Fiesta, e o Fiat Doble (Doblô) serão produzidos nas fábricas nacionais. Embora seja segredo mas o outro modelo o da Mercedes-benz a ser produzido conjuntamente com o Classe A em Juiz de Fora certamente será um presentes aos estandes das montadoras do Grupo Daimler-Chrysler. É esperar e conferir. ! Fale! !%

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ECONOMIA&NEGÓCIOS

A ESTRATÉGICA

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INDÚSTRIA do

turismo

Financiamento e profisisionalização consolidam turismo no Nordeste como atividade viável e sustentável. Na cadeia de desenvolvimento, US$ 6,6 bilhões investidos pelo setor privado e 3,8 milhões de empregos gerados nos últimos seis anos POR ERIVALDO CARVALHO

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MA BELEZA DE NEGÓCIO. RECONHECIDO MUNDO AFORA COMO UM DOS MAIS BELOS CENÁRIOS NATURAIS DO BRASIL —, O NORDESTE ESTÁ TRANSFORMANDO ÍCONES NATURAIS EM SÍMBOLOS DE UMA REGIÃO QUE CRESCE E DÁ CERTO. GRAÇAS A ESTRATÉGIAS COMO O PRODETUR — PROGRAMA DE DESEN-

volvimento do Turismo no Nordeste — o setor hoje dispõe de infra-estrutura e ampla oferta de produtos e serviços de qualidade internacional. Agora na segunda fase, o Prodetur deve complementar os investimentos iniciais, agregando componentes não contemplados na etapa inicial, como capacitação de mão-de-obra, preservação do meio ambiente e marketing. Além disso, o Prodetur II pretende enfatizar os investimentos e ações na gestão municipal do turismo, assegurando emprego e renda para a população local. “Tudo isso combinado faz do turismo no Nordeste uma das grandes fontes de riqueza e melhoria de vida”, afirma Enrique Iglesias, presidente do BanPROFISSIONAL co Interamericano de Desenvolvimento BID —, órgão financiador do programa. "Estamos apenas começando a descobrir as grandes oportunidades", diz. A viabilidade da indústria do turismo no Nordeste é fruto de estratégias de médio e longo prazos. Com o financiamento de toda infra-estrutura na primeira etapa, em meados dos anos 1990, abriram-se caminhos para os Pólos de Turismo, em parceria com governos estaduais, prefeituras municipais, investidores e sociedade produtiva local. Juntos, esses organismos formaram os Conselhos de Turismo(veja quadro) para nortear o desenvolvimento da atividade turística nos Estados. Toda a Martus Tavares ação é implementada dentro da filosofia de pólos, ou seja, de tratamento do pro-

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Turismo não é apenas lazer e praias bonitas. A indústria do lazer tem alto retorno e requer mão-deobra intensiva. É um negócio profissional.

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duto turismo de forma integrada, vendo toda a cadeia produtiva do setor. O próximo passo é garantir o fluxo de turistas — nacionais e internacionais — o ano inteiro, através da conjugação do turismo de lazer com um Tavares: calendário anual de correndo atrás dos resultados eventos (Leia LAdo Prodetur I ZER E NEGÓCIOS à pagina 38). Do total de US$ 670 milhões estimados para o Prodetur II — o mesmo mon-


FOTO ANDRÉ DE LIMA

tante da primeira fase —, US$ 400 milhões vêm do BID e o restante cabe aos Estados. Dessa contrapartida estadual, no total de US$ 270 milhões, o governo federal ficará responsável por 50% do financiamento. Os recursos são repassados pelo Banco do Nordeste, cuja liberação está prevista para janeiro de 2002. O BN também elabora os projetos, em parceria com os Estados. Juntando as duas etapas, o Prodetur no Nordeste financia cerca de 550 projetos nos nove Estados da região. “O Prodetur é um dos raros casos de programas anunciados e que realmente dão resultados”, diz Tasso Jereissati, governador do Ceará. “O primeiro grande passo concreto para desenvolver o potenci-

al turístico no Nordeste em moldes modernos e competitivos”, completa. Os números confirmam o entusiasmo do governador cearense. No vácuo de US$ 670 milhões do Prodetur I, aportaram por aqui mais US$ 6,6 bilhões em investimentos privados. De 1994 a 1999, o fluxo turístico da região aumentou em 81%, alcançando 11,8 milhões de turistas no final desse período, gerando, em seis anos, 3,8 milhões de empregos. A expectativa do ministro do Planejamento e Gestão, Martus Tavares, é que o Prodetur II repita, no mínimo, os resultados atingidos pela primeira etapa. Segundo Tavares, o turismo no Nordeste passou a ser viável depois que deixou de ser encarado como

Vista aérea da Praia de Iracema, em Fortaleza, pólo de entretenimento noturno

uma atividade romântica e de geração expontânea. “Turismo não é apenas lazer e praias bonitas”, analisa ele. “A indústria do lazer tem alto retor no e requer mão-de-obra intensiva. É um negócio profissional”. E como a palavra de ordem no mundo dos negócios é otimizar os investimentos, a indústria do turismo na região não poderia fugir à regra. Superada a fase amadora e identificados os pólos, o desenvolvimento institucional do setor vai garantir investimentos de longo prazo. Como? "Cada grande evento que acontece é uma oportunidade de grandes negócios futuros", responde o governador e empresário Jereissati. Para ele, a grande aposta é que o turismo de lazer junto com o turismo de negócios atraia os investimentos. “Não é algo para acontecer só naquele momento”, diz. Os Estados têm até setembro de 2001 para apresentar os projetos e até novembro do mesmo ano deve ser anunciado quanto cabe a cada um. Mas segundo os governadores mais céticos, o acordo de financiamento pode não ser assinado este ano por causa das exigências do BID para a elaboração e aprovação dos projetos (leia reportagem à página 40). Um dos primeiros Estados a apresentar propostas foi o Rio Grande do Norte, que pretende investir US$ 250 milhões nessa segunda fase. Pernambuco, US$ 180,92 milhões, e o Ceará, US$ 200 milhões. Para abocanhar a maior fatia possível do bolo destinado à segunda fase do Prodetur, os Estados nordestinos sabem que terão de enfatizar a qualificação profissional do turismo na Região, com ênfase em campanhas de marketing. “Agora vamos vender o que foi embalado e colocado nas prateleiras”, compara Caio Luiz de Carvalho, presidente da Embratur. Fale! !'

SETEMBRO 2001


ECONOMIA&NEGÓCIOS

O P I N I Õ E S

AGILIDADE e

flexibilidade

Novos critérios do BID e lei eleitoral deflagram corrida contra o tempo

)

pesar dos animadores resultados do Prodetur I, os governadores nordestinos não estão lá muito satisfeitos com as regras do programa. Por isso tentam pressionar o BID e o BN na definição de regras mais leves para aprovar os projetos e mais rapidez na liberação dos recursos. O consenso entre eles é que os projetos sejam definidos a partir do que for melhor para a estratégia turística de cada Estado. Entre os novos critérios para aprovação dos projetos estão completar ou complementar os investimentos realizados pelo Prodetur I, inserir-se nos Planos

de Desenvolvimento Integrado de Turismo Sustentável — PDITS, além de autorização de endividamento junto ao Banco Central, através da Secretaria do Tesouro Nacional. Outra limitação é o montante de recursos financiados pelo BID, insuficientes para as demandas estaduais, segundo a maioria dos governadores. A segunda fase do programa mantém o mesmo volume de investimentos e inclui os Estados de Minas Gerais e Espírito Santo. “O foco é importante”, considera Jereissati. O governador cita o caso da extinta Sudene - inicialmente órgão

Turismo e desenvolvimento econômico Indústria do lazer tem alto retorno e requer mãode-obra intensiva e qualificada

)

indústria do turismo vem crescendo de maneira extremamente veloz em todo o mundo, com reflexos diretos no mercado de trabalho. De acordo com a Organização Mundial do Turismo — OMT —, para se criar um posto de trabalho no setor turístico são necessários US$ 7 mil em investimentos, contra US$ 70 mil no setor automobilístico. Em um hotel, US$ 8 mil geram um emprego direto; US$ 4 mil empregam uma pessoa num restaurante e US$ 20 podem garantir matéria-prima e emprego a um artesão. Os impactos na economia não param por aí. Comparado a outros itens importantes da pauta de exportações brasileira, o crescimento da receita gerada com o turismo não deixa dúvida. Entre 1997 e 1998, aumentou 41,28% acima do crescimento da receita do minério de ferro exportado no mesmo período, e 30% acima do açúcar. Em volume de divisas, o turismo só perde para a soja. Diante das perspectivas de crescimento da indústria mundial do turismo — segundo a OMT dobrará nos próximos 20

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"Fale 

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articulador do desenvolvimento regional -, que passou a atuar no norte de Minas Gerais, estendendo-se depois ao Espírito Santo. “O próximo passo era a Sudene estar em Copacabana”, ironiza ele. Além de parcos, os recursos podem chegar em descompasso com o ritmo político-administrativo dos Estados. Isso porque a partir de abril de 2002, seis meses antes da eleição, a contratação de empréstimos fica inviabilizada por lei. Na pior das hipóteses, a liberação do dinheiro, na prática, pode ficar para 2003. “Quase todos vão deixar o governo em abril”, diz Francisco de Assis Morais Sousa, governador do Piauí. “Passe o dinheiro que nós saberemos empregá-lo bem”, afirma Sousa, também conhecido pelo inusitado apelido de “Mão Santa”. Segundo ele, as novas regras do banco — que requerem estudos de demanda turística por município — podem atrasar em até dois anos os novos investimentos na Região. “Quanto mais rápido os projetos forem preparados, mais cedo os recursos serão liberados”, esclarece o

anos —, o Brasil trabalha com o objetivo de acompanhar essa tendência e consolidar-se como um dos principais destinos do mundo. A estimativa da Embratur é alcançar 6,5 milhões de turistas estrangeiros anuais até 2003. Pouca coisa diante dos 73 milhões de turistas que a França recebe todo ano ou 51 milhões de pessoas que visitam a Espanha anualmente. Mas isso representa um reforço e tanto na economia brasileira, uma vez que essa indústria requer mão-de-obra intensiva, maciços investimentos privados e sempre atrai outros negócios. “O trade de turismo é muito amplo”, lembra Byron Queiroz, presidente do Banco do Nordeste. Segundo ele, o BN vai financiar a cadeia produtiva e o setor privado no Nordeste, além de atuar na capacitação e gerenciamento dos órgãos públicos. Mas muito ainda precisa META ser feito — interna e externamente. Segundo o ministro do Esporte e Turismo, Carlos Melles, o Programa Nacional de Municipalização do Turismo atingirá 1.680 municípios de todo o Brasil. Segundo ele, R$ 90 milhões serão investidos pelo ministério em treinamento, limpeza e sinalização dos municípios. “Temos de apresentar bem esse país lá fora”, diz. Outra ação é revitalizar o Fungetur — um programa de

A Embratur ]quer 6,5 milhões de turistas estrangeiros anuais até 2003. Só a França recebe todo ano 73 milhões de turistas.

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presidente Iglesisas, do BID. Segundo ele, “a palavra exclusão não está no alfabeto do Prodetur (sic)". Segundo Maria Cláudia Perraza, técnica do BID, a posição do banco para pólos de turismo já consolidados será menos rigorosa. Ela insiste, no entanto, na importância do detalhamento econômico, técnico, ambiental, financeiro e institucional, além do estudo de demanda. “As informações são de grande valia para priorizar a aplicação dos recursos”, pondera. De acordo com Perraza, as obras que estão sendo executadas podem entrar nos novos projetos. Francisco Carlos Cavalcante, superintendente de Processo Operacional do BN, também acredita que é possível flexibilizar a posição da instituição. Ele admite que os recursos estão aquém

das demandas da Região. "Seriam necessários cerca de US$ 2 bilhões para atender aos pleitos dos Estados", estima. O diretor de Articulação e Desenvolvimento da Secretaria de Turismo de Pernambuco, Fernando Jordão, é mais pragmático em relação à mudança de posição do BID. Segundo ele, do ponto de vista técnico, os representantes dos Estados nas reuniões com o BID já esgotaram os argumentos. "A solução agora tem de ser no nível político”, diz. Ceará. O eventual atraso nos financiamentos do BID, além de prejudicar a consolidação de obras do Prodetur I no Estado — iniciado a partir de 1995 e que resultou em investimentos próximos de US$ 136 milhões, 40% rateados entre governos estadual e federal -, compromete novos projetos considera-

dos fundamentais para consolidar o turismo na Região Metropolitana de Fortaleza e nos litorais leste e oeste do Estado. Com o Prodetur II, a intenção do governo é, pelo menos, repetir os investimentos da primeira fase do programa. Entre os novos projetos estão construir os aeroportos de Aracati e Granja, continuar a rodovia estruturante Itapipoca-Camocim, duplicar a CE-040 entre Aquiraz e Aracati e revitalizar os centros históricos. Segundo o secretário de Turismo do Estado, Raimundo Viana, o aeroporto na localidade de Parazinho, em Granja, vai ficar a 40 quilômetros de Gigoca/Jericoacoara e Camocim, além de atender a região de Sobral. Ele diz que o governo já tem reserva para dar a contrapartida nos projetos. FOTO JOSE RODRIGUES

Enrique Iglesias, Garibaldi Alves e detalhe da mesa que conduziu a reunião do BID no Banco do Nordeste

externo, ele destaca também o programa do governo federal Visite o Brasil, que pretende abrir escritórios em embaixadas do Brasil em todo o mundo, a exemplo das que já existem na Inglaterra, Alemanha, Estados UniPerfil do turista estrangeiro dos, Argentina e França. “É Quem é, quanto tempo fica e quanto simples mas de uma sinergia gasta o turista estrangeiro no Brasil muito grande”, afirma. PERMANÊNCIA GASTO MÉDIO PAÍS

microcrédito para pequenos e médios negócios de turismo. “Não tem inadimplência porque o pobre paga bem”, conta. No plano

DE ORIGEM

Alemanha Estados Unidos Argentina Chile Espanha França Inglaterra Itália Paraguai Portugal Uruguai Média

MÉDIA DIÁRIA

PER CAPITA/DIA (US$)

21 13 12 12 16 14 18 24 08 17 09 14

77,03 115,57 60,51 79,87 97,56 101,16 80,68 93,72 50,94 84,99 67,26 79,08

Fonte: OMT/Embratur/Infraero

“Queremos o BID no Nordeste”. Um bom teste

que aponta na direção do Ceará como centro de eventos e mescla turismo e negócios vai acontecer em Fortaleza, em março de 2002. Trata-se da 43ª Reunião Anual do Banco Interamericano, quando o Nordeste vai ter a rara chance de se integrar aos grandes eventos econômicos e turísticos mundiais. “O banco aproveita para fazer seminários paralelos em muitas áre-

as de interesse do BID, do Brasil e da comunidade internacional”, antecipa Iglesias. “Vai ser a chance definitiva de nós mostrarmos o Nordeste brasileiro para o mundo”, completa Tasso Jereissati, governador do Ceará. O evento, que vai contar com a presença de banqueiros e empresários de todas as áreas econômicas e comerciais, vai concentrar os 46 governos acionistas da instituição, sendo 26 da América Latina, Estados Unidos e Canadá, 16 de países europeus, mais Israel e Japão. “Fizemos questão de trazer a reunião para o Nordeste brasileiro”, diz Iglesias. Os investimentos do BID no Brasil oscilam, anualmente, ente US$ 1,5 bilhão e US$ 2 bilhões. “Em 2001 vamos superar os dois bilhões", estima o presidente. Segundo Iglesias, os grandes desafios do BID na América Latina estavam no Nordeste. "Os problemas continuam, mas o progresso está chegando”, diz. ! Fale! "

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ECONOMIA&NEGÓCIOS

FOTO TROPICAL STOCK

C E A R Á

Lazer e

negócios Ceará aposta no binômio para garantir sustentabilidade e investimentos no setor de turismo na região

)

FOTOJOSÉ RODRIGUES

O parque, associado a vôos regulares, daria sustentabilidade ao turismo durante o ano todo no Ceará. “Os aeroportos novos ou reformados valem pouco ou nada valem se não tiverem vôos internacionais regulares”, alfineta Jereissati. “Temos de combater a sazonalidade do turismo e equilibrar a alta e a baixa estação”, apóia o secretário de Planejamento do Ceará, Maia Júnior. Dados da Embratur revelam que os vôos charters representam 7% do transporte de turistas no Brasil. Na Europa, esse percentual chega a 56%. “Se a grande expectativa do governo federal em relação ao Nordeste é o turismo, então tem de ter uma política diferenciada”, diz o governador. Segundo ele, a regularização dos vôos também daria segurança aos turistas, operadores e demais setores envolvidos. “É preciso romper o ciclo vicioso”, diz Tasso, referindo-se ao argumento segundo o qual não tem mercado porque não tem vôo e não tem vôo porque não tem mercado. “O transporte aéreo é a melhor alternativa para increMetas do Prodetur II mentar o fluxo turístico”', concorda Ga>> Campanhas de marketing ribaldi Alves Filho, >> Capacitação profissional governador do Rio >> Fortalecimento institucional Grande do Norte. Se>> Enfatizar a gestão municipal de turismo gundo Alves Filho, o >> Consolidar os pólos da primeira fase Prodetur II não deve >> Desenvolver novos pólos se limitar às restri>> Infra-estrutura para os pólos ções e diretrizes pró>> Estudar e planejar a demanda prias de outros pro>> Garantir acessibilidade aos pólos turísticos gramas, de cunho estritamente social, >> Integrar espaços nas áreas selecionadas que têm a finalidade >> Valorizar patrimônio ambiental e cultural específica de minimi>> Melhorar serviços públicos locais zar a pobreza e suas >> Assegurar emprego e renda para população fixa conseqüências. !

Fortaleza. “A previsão é lém de sol, o Ceará quer concluir a obra até setemmostrar para o Brasil e bro de 2002”, diz Viana. o mundo que tem muiO problema é que a to mais a oferecer durante construção do parque foge todo o ano. A estratégia do às diretrizes do programa governo está traçada. Transde financiamento do BID, formar o Estado em um centro critério que o governador de grandes eventos de negócearense contesta. O Procios e encontros. Para isso, detur, segundo ele, tem de anunciou a construção do Pardar aos governos estaduque de Feiras e Centro de ConMaia Júnior: ais a possibilidade de ter venções do Estado do Ceará. contra a sazonalidaestratégias para estimular “É um investimento de baixo de no turismo e, retorno em si, mas significa um acima, o Theatro José a elevação do gasto e a permanência dos turistas. dos saltos que precisamos dar de Alencar “Não precisam ser exaao turismo", diz o governador Tasso Jereissati. O Centro integraria ativi- tamente iguais em todos os Estados”. O dades de lazer, hotelaria e serviços, atrain- governador vai além. No melhor estilo um do investimentos no turismo de negócios. olho no peixe e outro no gato, Jereissati Segundo o secretário de Turismo do Cea- acha que o Prodetur deve se integrar a rá, Raimundo Viana, o empreendimento ações do governo federal nas áreas de será o maior da segunda fase do Prodetur saneamento, educação a assistência sono Estado, devendo consumir US$ 80 mi- cial. “Tudo está consorciado e faz parte lhões. Segundo ele, será construído em de um contexto maior voltado para o detempo recorde, a exemplo do aeroporto de senvolvimento”, afirma.

O Impacto do Prodetur I 3,8 US$ 6,6 08 81% 1.000 1 90 70 47 33 10 02 20

milhões de empregos gerados bilhões em investimentos privados aeroportos construídos ou ampliados de aumento do fluxo turístico na região km de estradas ou acessos construídos/melhorados milhão de pessoas atendidas com água e esgoto edifícios e espaços histórico-culturais recuperados mil hectares de áreas frágeis recuperadas e preservadas edifícios de valor histórico-cultural recuperados praças, logradouros e largos revitalizados; museus/igrejas recuperados áreas de proteção ambiental construídas Fonte: BID/BN lagoas/praias/dunas recuperadas

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" Fale

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EDUCAÇÃO

Lições de excelência

FOTO JOSE RODRIGUES

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Faculdade e projeto educacional focado na formação integral do aluno consolidam história de sucesso do Colégio 7 de Setembro

E

POR ERIVALDO CARVALHO

ntre as mudanças introduzidas na educação brasileira pela Lei de Diretrizes de Bases — LDB —, nenhuma está causando tanto impacto como a expansão de vagas no ensino superior. No rastro dessas transformações — que também incluem avaliação da qualidade do ensino e flexibilização do conteúdo — os mais tradicionais colégios do Ceará investem no ensino de terceiro grau. “A concorrência é grande mas estamos acostumados e os resultados têm sido favoráveis”, afirma Ednilo Soárez, diretor da Faculdade 7 de Setembro — FA7. Para ele, essa nova realidade vai fazer com que todas as faculdades e universidades se mobilizem para não perder espaço. “Acabou a época da improvisação”, diz. Nessa perspectiva, a FA7 tem um objetivo inegociável, ser uma referência de ensino superior no Ceará e no Brasil. O 7 de Setembro não quer ser apenas mais uma faculdade atrelada a uma escola. Por isso, tem investido em infra-estrutura de ensino — a sede própria — e na excelência educacional de seu corpo docente — CRONOLOGIA Colégio 7 de Setembro 1935 1937 1939 1947 1971 1973 1986 1993 1995 1998

Fundado o Instituto Erasmo Braga — nome original do Colégio 7 de Setembro. Rua do Rosário, 77 Transferido para a rua Joaquim Távora, 1617. Muda o nome para Ginásio 7 de Setembro Reconhecido pelo Ministério da Educação. Muda para a rua Floriano Peixoto, 765 Muda para a Av. do Imperador, 1330 Adquirido o prédio da Av. do Imperador Iniciado o 2º grau. Muda o nome para Colégio 7 de Setembro Comprado terreno da futura sede da Aldeota Começa a funcionar a sede da Aldeota, professor Edilson Brasil Soárez Inaugurada a sede Diplomata Ednildo Gomes de Soárez. Rua do Imperador, 1055. Inicia pré-universitário Inaugurado Centro de Treinamento 7 de Setembro, em Pajuçara.

Ednilo Gomes de Soárez: gestão profissional incrementa a qualidade do ensino

98% formado por mestres e doutores. De há muito, o 7 de Setembro se insere no alto nível do ensino privado no Estado. Em toda lista de campeões de olimpíadas — nacionais e internacionais —, há cearenses incluídos, quase sempre conquistando a maioria dos troféus e medalhas. “Isso prova que os colégios do Ceará são fortes”, entusiasma-se o diretor da FA7, Ednilo Soarez. Segundo ele, a ampliação da oferta de vagas com o surgimento de faculdades e outras formas de acesso ao ensino superior, como o Exame Nacional de Cursos — Enem —, vai abrandar a grande demanda reprimida. “O governo nunca priorizou tanto a educação como agora”, afirma. Entre as inovações da LDB, o educador destaca a possibilidade de a escola adequar o currículo à realidade local, a partir dos parâmetros curriculares nacionais. “A escola hoje tem uma flexibilidade enorme”. Soárez sabe do que está falando. O Colégio 7 de Setembro sempre teve um olhar inovador para a educação. A começar pelo fato de ter sido fundado, em 1935, por um educador, o professor de português Edilson Brasil Soárez. De lá para cá, know how e credibilidade construídos em 66 anos de excelência de ensino (leia histórico e cronologia do colégio). Hoje, com a concretização da faculdade, “o colégio atingiu a maturidade”, nas palavras de seu diretor acadêmico. “Nós éramos um adolescente promissor”, diz jovialmente o professor Ednilo Soárez. Ele acredita que esse foi o penúltimo passo para fechar o ciclo. “Seria necessário uma universidade, mas este é um sonho para o futuro”, diz, anunciando para 2002 as Fale! "!

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O Colégio 7 de Setembro reconhece a futuras e modernas instaimportância fundamental de auxiliar os lações da FA7. Não existe seus alunos no processo decisório da fuSegundo Ednilo, o educação de tura profissão. Por isso, realiza encontros, novo sistema do MEC qualidade sem palestras e debates sobre o processo de abriu a possibilidade de a organização e escolha profissional e mercado de trabaeducação ser encarada de professores lho. Parcerias com o Sebrae complemenmaneira integral. “O Cocapacitados. tam esse apoio, através de experiências légio tem de preparar o que possibilitam vivências empresariais aluno para ser um solver Nila Gomes de Soárez, reais de empreendimentos Além disso, problem.” Na avaliação diretora do 7 de Setembro através do Centro de Desenvolvimento do professor, o aluno Educacional, o colégio participa de olimdeve saber pensar, escreeducação cada vez melhor?” píadas regionais, nacionais e internaciover e expressar-se, apoiaCom sua experiência e matu- nais, conquistando alguns dos melhores do em conceitos teóricos ridade, ela assegura que “fa- resultados do Ceará e do Brasil e promoe desenvolver leitura crítica. “Aquele modelo de ensino em que mília e escola formam uma parceria de re- vendo atividades de interesse cultural (palestras, debates). se conhecia a História do Brasil para de- sultados”. Excelência. De acordo com a educacolégio firmou convênio com pois estudar História Geral está ultrapasa universidade norte-americasado”, exemplifica. O ensino deve ser in- dora, o aluno do Colégio 7 de Setembro é na King College, incluindo integral e contextualizado. Atualmente, os estimulado a desenvolver as competêntercâmbio educacional e a troprofissionais que atuam na área, devem cias e habilidades que serão decisivas ca de experiências acadêmicas ter no mínimo o mestrado para lecionar para o futuro intelectual e profissional. entre as duas instituições. Nas no ensino superior, o que já acontece na “O desafio de hoje é administrar a nós mesmos”, resume. Isso significa, segun- viagens ao exterior, são incluídas no roteiFA7. “Os profissionais acomodados predo a filosofia do colégio, que não basta ro visitas a museus, universidades e meicisam reciclar-se”, avisa. A professora Nila Gomes de Soárez possuir graduação do ponto de vista for- os de comunicação, como forma de o aluconta que “o 7 de Setembro sempre con- mal. É fundamental ser competente, de- no vivenciar outras culturas e despertar o siderou a parceria com a família como um senvolver conhecimentos que transcen- interesse de cursar o mestrado fora do Brafator decisivo para a formação de aluno dam aos de sua área de atuação e, acima sil. No mês de julho um grupo de 25 aluplenamente capacitado para construir uma de tudo, saber conjugar com eficiência um nos viajou em intercâmbio para o vida de grandes realizações do ponto de forte compromisso moral, ético e social. Tennessee (EUA). vista espiritual e material.” Para ela, “não “Nossa proposta é abrangente”, declara. Civismo Social. “Não há responsaexiste educação de qualibilidade sem uma contrapartida”, enfatiza dade sem organização e a diretora Ednilze Soárez, CRONOLOGIA Faculdade 7 de Setembro — FA7 professores capacitapara quem lições de cidos.” Nila Soárez conta dadania são parte essenNov1999 Credenciada junto ao MEC; que o “o segredo para cial no processo de Ago2000 Aprovado o curso de Administração; manter um ensino de alta aprendizagem. Por isso, Ago2000 Aprovado o curso de Administração e Supervisão Escolar qualidade ao longo de 66 o Colégio incentiva a Fev2001 Aprovado o curso de Sistemas de Informação anos é não abrir mão do prática da solidariedade Jun2001 Aprovado o curso de Ciências Contábeis questionamento: como aos seus alunos. “O Fev2001 Primeiro Vestibular podemos construir uma Brasil tem 32 milhões de Fev2001 Aula Inaugural

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O

Núcleo de idiomas é referência

Criado há 9 anos, o 7 Setembro Idiomas virou sinônimo de eficiência no ensino de línguas estrangeiras Cada vez a sociedade exige mais. Não é difícil imaginar que um colégio com essa convicção e excelênca de ensino também

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""Fale 

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se destacaria no ensino de línguas estrangeiras. Assim, há nove anos nasceu o 7 de Setembro Idiomas, um projeto educacional ousado, dirigido ao ensino de inglês e espanhol para crianças e adultos, alunos e nãoalunos. O núcleo, além de contar com uma experiência educacional de 66 anos do Colégio 7 de Setembro, concilia o ensino prático da língua, considerando a fluência como centro do processo; a objetividade, eliminando etapas desnecessárias, e uma das mais avançadas tecnologias a serviço do aprendizado, o English Language Learning and Instruction System — Ellis. O programa conta com mais de 2 mil

horas de instrução, abordando as mais variadas situações práticas do uso da língua. Com uma interface amigável de orientação educacional, o sistema oferece a possibilidade de o aluno gravar a própria voz e corrigir em tempo real a sua pronúncia. Além disso, o programa possui 65 mil questões com evolução programada, distribuídas por idade e nível. Com o software, alunos de todos os níveis participam de aulas nos laboratórios de multimeios. Para completar o processo, todos os professores do 7 de Setembro Idiomas recebem amplo treinamento para o uso do software, combinando os estudos em sala com abordagens práticas.


Maquete da fachada da sede da Faculdade 7 de Setembro, no bairro Água Fria, em Fortaleza, que passará a funcionar em fevereiro de 2002

campanhas de vacinação e aplicação de flúor nas crianças. O colégio mantém a tradição do hasteamento mensal da bandeira e participa dos desfiles do dia 7 de setembro com mensagens éticas e morais. Com relação a isso, o professor Ednilo lembra que em países como a França, Noruega, Japão e Estados Unidos há um intenso sentimento de patriopessoas carentes”, ressalta. Entre as atividades de cunho social, destaca-se o apoio à comunidades carentes, como a adoção da Comunidade do Trilho, doando material escolar, roupas e higiente pessoal. Também oferece, em parcerias com órgãos públicos, serviços de documentos e participa ativamente das

tismo, de auto-estima. Ednilo Soárez lembra que o Colégio 7 de Setembro procura desenvolver esse espírito ético e patriótico de maneira participativa e solidária. “Podemos ser sérios sem ser sisudos”.

Navegar é preciso

Site do Colégio 7 de Setembro interage com o aluno na sala de aula e em qualquer lugar Aprender ficou mais divertido. Com a revolucionária tecnologia educacional, o Colégio 7 de Setembro, através do portal www.c7s.com.br, garante as mais avançadas ferramentas de pesquisa e interatividade a pais, alunos e docentes. O espaço virtual foi planejado respeitando cada faixa etária, o que significa conteúdos específicos, despertando, dessa forma, o interesse de todos os seus usuários. O mais importante, porém, é que o Colégio planejou a inclusão desses recursos no dia-a-dia da sala de aula, o que garante um contato integrado do ensino e aprendizagem com a internet, no seu aspecto mais proveitoso: desenvolvimento educacional e humano. Planejado em parceria com o Educacional —um dos mais completos portais de educação do Brasil —, o espaço virtual oferece conta de e-mail com login e senha exclusivos para usufruir de todas as ferramentas educacionais do portal, além de oferecer espaços exclusivos aos pais, onde é possível tirar dúvidas e debater com especialistas em educação. Entre as

seções específicas estão agenda virtual, pesquisa em enciclopédia, banco de imagens, clássicos da literatura brasileira e, claro, salas de bate-papo. O portal também conta com um guia de orientação profissional, informações sobre o vestibular, boletim on-line e entrevistas com artistas, escritores, autores e políticos. Fale! "#

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Quando fundou o Instituto Erasmo Braga, em 1935, Edilson Brasil Soárez se inspirava em modelos de excelência em educação do Rio e São Paulo

O ano é 1935. O jovem estudante de Direito, Edilson Brasil Soárez, inicia sua trajetória educacional em Fortaleza, fundando o Instituto Erasmo Braga, mais tarde Colégio 7 de Setembro. A busca permanente por uma educação compatível com a praticada nos grandes centros urbanos do Brasil — São Paulo e Rio de Janeiro —, transcende os limites da pequena província, transformando o instituto em uma escola de prestígio, reconhecido pelo Ministério da Educação.

PRINCÍPIOS Faculdade 7 de Setembro — FA7

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13

Forte compromisso com o mercado de trabalho e ênfase na excelência acadêmica Prática como elemento indissociável do aprendizado teórico Compromisso com a difusão dos princípios éticos e humanitários Permanente conexão com as novas competências exigidas pela sociedade do conhecimento Parceria com empresas e instituições que garantam estágios e contato com o mundo real do trabalho e da informação; Mais de 98% dos professores com mestrado e doutorado Tecnologia de informática como forte aliada no processo educacional Ampla biblioteca com títulos fundamentais para formação nível “A” do universitário Parcerias com bibliotecas nacionais e uso da internet para pesquisa e aprofundamento Intercâmbio com universidades para intercâmbios e experiências Programas de Monitoria e Empresa Júnior Cursos regulares de extensão e nivelamento em Inglês, Gramática Instrumental e Informática Centro de Ensino Superior confortável, com recursos para a prática educacional e desenvolvimento pessoal do universitário

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"$Fale 

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O aluno estuda no 7 de ]Setembro e depois sai para vencer na vida.

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Busca de qualidade desde o início

Edilson Brasil Soárez, fundador do 7 de Setembro

Hoje, 66 anos depois, o Colégio 7 de Setembro é um sólido empreendimento na área educacional. São mais de 10.000 alunos, da Educação Infantil ao Ensino Superior, distribuídos em três sedes e um centro de desenvolvimento educacional. Toda a estrutura é compatível com a melhor tecnologia de ensino, aliada a um forte compromisso de investir no aperfeiçoamento do corpo docente e na formação ética e cidadã de seus alunos. Em 2001, o 7 de Setembro dá mais um importante passo e inaugura a Faculdade 7 de Setembro — FA7. Foi planejada para oferecer aos seus estudantes o mesmo padrão de excelência educacional desenvolvido ao longo de 66 anos pelo Colégio 7 de Setembro. A FA7 reforça a meta de oferecer um ensino que valoriza as competências para o mundo do trabalho, dando continuidade ao sonho de seu fundador.

NÚCLEOS DE ENSINO Excelência Acadêmica - Preparação para Olimpíadas Nacionais e Internacionais; - Atividades e cursos especiais; - Concursos literários; - Centro de Idiomas. Desenvolvimento educacional - Treinamento de docentes; - Intercâmbio cultural; - Fóruns, debates e encontros de educadores; - Simpósio de Desenvolvimento educacional; - Centro de Desenvolvimento Educacional, em Pajuçara. Núcleo Tecnológico - Portal Educacional; - Projetos de Ciências, pesquisa e desenvolvimento; - Feiras de Ciências, - Projetos de webpages; - Centro de informática aplicada; - Observatório astronômico Cidadania e Ética - Interact club; - Parcerias com a comunidade; - Campanhas de combate às drogas; - Campanhas ecológicas e comunitárias. Idiomas -Ensinodeinglêseespanhol,utilizandoumdosmaisavançados recursoseducacionaisdomundo-osoftwareELLIS,deaprendizado continuado. Centro de Artes - Academia de dança; - Grupo de teatro; - Coral, musicalização, pintura e oficinas literárias. Complexo esportivo - Centro de atividades que inclui escolinhas esportivas de vôlei, basquete e futsal; - Prática esportiva como elemento de socialização entre os alunos. Editorial - Produção do próprio material didático utilizado pelos alunos; - Fornecimento de livros didáticos para mais de 30 escolas do Nordeste.


CIÊNCIA&SAÚDE

O BOOM DA

>> A rainha da web >> Um dos maiores símbolos sexuais do mundo, a canadense Pamela Anderson Lee, é também uma adepta da cirurgia plástica. Mas as intervenções cirurgias no corpo da atriz estão longe de ser o motivo da sua fama. Depois de posar nua várias vezes para a PLAYBOY americana, Pamela Anderson se transformou em um fenômeno mundial. Se o seu nome for digitado em qualquer buscador na internet, certamente aparecerá uma quantidade infinita de sites com tudo sobre a personalidade mais famosa da rede. Com uma vida pessoal recheada de factóides, principalmente relacionamentos com celebridades, todos massivamente divulgados na mídia, Pamela Anderson chega a receber hoje centenas de mensagens diárias em sua caixa de e-mails, provindas de milhares de fãs pelo globo. Dentre os inúmeros em

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CIRURGIA

plástica Desde a sua popularização, no início do Plano Real em 1994, o fenômeno da cirurgia plástica cresce a cada ano. Influenciado pela mídia, ele faz do Brasil o segundo país do ranking mundial da plástica, com 350 mil cirurgias realizadas no ano passado

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POR MARCEL BEZERRA Não foi por causa da moda não. Eu não colocava biquíni e nem uma blusinha mais apertada. Não me sentia bem, não gostava de mim”. Essas palavras fora de um contexto parecem estranhas. Ainda mais se forem ditas por alguém com apenas 17 anos. A autora delas é a modelo Germana Queiroz. Dias antes, Germana realizara uma cirurgia plástica em Fortaleza, onde implantou duas próteses de 220 ml de silicone nos seios. Ainda em recuperação, ela não concordou em ser fotografada. O motivo: preocupação com a aparência. Apesar disso, o resultado parece ter sido bom. “Me sinto completa agora”, diz. Germana Queiroz é mais um caso que mostra a importância da beleza para as pessoas, e uma das suas principais inquietações. Não é à toa a existência de uma verdadeira indústria que investe pesado nisso. A beleza envolve várias indústrias: cosméticos, roupas, plástica. Essa indústria procura atender às necessidades e satisfações estéticas dos clientes. E em meio a essa “indústria da beleza”, aparece a indústria da cirurgia plástica como merecedora de um capítulo à parte. No mês passado, o assunto foi capa da versão latina da revista americana TIME, uma das publicações de maior prestígio no mundo. Intitulada “A loucura da cirurgia plástica” (Plastic surgery’s crazy), a reportagem atentou para o crescimento desse fenômeno nos países da América Latina, e coloca o Brasil no front do processo. E não é

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A atriz e modelo

sua vida pública, um dos acon- Pamela Anderson: tecimentos mais polêmicos se adepta do silicone deu por causa de um suposto vídeo em que Pamela aparece fazendo sexo com o seu marido, Tommy Lee, e cuja edição clandestina se espalhou mundo afora. O vídeo acabou gerando dividendos para a atriz e seu marido, assim como suspeitas sobre sua veracidade. O site oficial de Pamela Anderson <www.planetpamela.com> recebe em torno de 250 mil visitas por dia. Como atriz, Pamela atuou em vários filmes, mas foi o programa BAYWATCH, batizado no Brasil de SOS MALIBU, um dos responsáveis por grande parte de sua fama. Com milhões de telespectadores em 150 países, o programa ajudou a difundir Yhelda Felício, os dotes de Pamela nos quatro cantos médica do planeta. Mas a cirurgia plástica tem os seus revezes. Em 1999, Pamela fez uma cirurgia para retirada das próteses de silicone nos seios.

Hoje os procedimentos estão cada vez menos agressivos, mais econômicos, há maiores facilidades de acesso e com resultados mais satisfatórios.

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O PROBLEMA

seios dos

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ais do que alterar somente a estética das pessoas, a cirurgia plástica mexe também com outros aspectos da personalidade do ser humano. Ela influi na auto-estima, no relacionamento com outras pessoas e até no trabalho diário. O caso da modelo Germana Queiroz, citada no começo da matéria, é um bom exemplo. A insatisfação pessoal com o tamanho dos seios começou a se configurar um problema para a adolescente. Além de não usar certos tipos de roupa, Germana tinha ainda problemas com sua auto-estima. Depois de começar a desfilar no ano passando, então com 16 anos, ela decidiu implantar silicone. Primeiro enfrentou a oposição dos pais. “No começo meus pais não quiseram. Mas depois viam que eu sofria muito. Resolveram aceitar porque viram que era melhor para mim”, lembra. O caminho foi mesmo o consultório. Ao invés da cirurgia, o primeiro médico recomendou que ela praticasse musculação, em virtude da constatação de uma atrofia no músculo peitoral. Germana optou então por consultar um outro profissional, com o qual acabou realizando a cirurgia, após chegar à conclusão de que era o melhor caminho. “Antes eu vivia com raiva. Mas é muito bom saber que agora eu vou poder passar em frente a uma loja e poder comprar qualquer coisa, usar qualquer roupa. Agora posso usar biquíni”, e “minha auto-estima ficou 100%”, diz. “A cirurgia plástica trabalha junto a isso. Como é que uma pessoa pode amar ao próximo se ela não ama a si próprio?", indaga a médica Yhelda Felício. “Tem pessoas que estão desestimuladas em viver, e quando vêem que isso pode mudar através da cirurgia plástica, o fazem”, afirma. O caso de Germana Queiroz chama a atenção para uma questão importante. Acima do ego e da vaidade

das pessoas, está o exercício da ética médica. Diante da pressa e da busca cada vez maior pelas cirurgias plásticas, cabe aos profissionais de medicina discernir e orientar os pacientes sobre o que é necessário ou não fazer. De acordo com a SBCP, é preciso que as pessoas entendam as limitações e os benefícios da plástica antes de se submeterem a qualquer tipo de procedimento. Por conta disso, o médico Geraldo Sérgio já convenceu vários clientes a não realizar algum tipo de cirurgia. “Eu digo a ele: ‘a cirurgia plástica é para você, e não para mostrar para os outros’”, e “por isso, a primeira consulta é muito importante. É sentir o que o paciente quer”, explica. Esclarecer sobre os resultados também tem papel fundamental. “A gente tem que orientar o paciente de que ela é ela melhorada”, adverte Yhelda Felício. Antes de se submeter a qualquer tipo de intervenção, o paciente deve tomar algumas precauções. O Brasil é hoje umas melhores escolas do mundo em cirurgia plástica. Existem profissionais qualificados não apenas em grandes centros, mas também espalhados pelo interior dos diversos estados. Mas a SBCP adverte que, além de ouvir opiniões de profissionais diferentes, o paciente deve verificar também sua qualificação. A legislação permite que qualquer médico realize procedimentos em cirurgia plástica, embora só possa intitular-se especialista se passar pelo treinamento e provas indicadas pela Sociedade Brasileira da especialidade. Daí a importância de conferir se ele é A modelo e ou não credenciado pela dançarina Scheila SBCP . Isso contribui para Carvalho, evitar aborrecimentos. antes e depois O crescimento da “indúsdo implante de tria da beleza” em Fortaleza silicone nos também tem os seus probleseios mas. Por isso, obter informações sobre o local onde a cirurgia será realizada é outro aspecto preponderante. Alguns médicos denunciam que a cidade está sendo “invadida” por alguns profissionais de outros estados. São os “doutores de salão”. Segundo esses médicos, os “doutores de salão” trabalham em algumas clínicas de estética ou gabinetes de beleza, onde praticam certos procedimentos cirúrgicos sem estarem devidamente equipados. Isso acontece ao contrário das clínicas de cirurgia plástica, que são aparelhadas de modo que, em virtude da ocorrência de qualquer complicação com o paciente durante a operação, o médico tem condições de reverter o quadro. Com a vinda desse tipo de concorrência, consequentemente o preço cai. “Estão banalizando os tratamentos” e “praticamente pagam para operar”, declara a médica Yhelda Felicio.

FOTOS PLAYBOY

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FOTOS JOSÉ RODRIGUES

para menos. De acordo com os dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), somente em 2000 foram realizadas cerca de 350 mil cirurgias plásticas no País. Em 1994, quando esse tipo de operação começou a se popularizar por aqui, foram feitas 100 mil. Naquela época, início do Plano Real, haviam 2.800 cirurgiões plásticos credenciados pela SBCP. Hoje, esse número subiu para 3.400. O Brasil só perde para os EUA em número de cirurgias plásticas realizadas, sendo seguido por Itália (3º), França (4º), Alemanha (5º) e Argentina (6º). s principais motivos apontados pela SBCP para o aumento da incidência de cirurgias plásticas são os avanços tecnológicos e a redução ou dispensa de internação hospitalar. “Hoje os procedimentos estão cada vez menos agressivos, mais econômicos, há maiores facilidades de acesso e com resultados mais satisfatórios”, afirma a médica Yhelda Felício, membro da SBCP. Outro motivo é o reforço dado pela mídia. Nos últimos anos, o Brasil tem assistido a um constante desfile de personalidades que, sem o menor constrangimento, assumem publicamente terem feito algum tipo de cirurgia plástica. Isso funcionou como combustível para a massificação da plástica, e acabou provocando inclusive mudanças de conceito. O exemplo que melhor ilustra isso é o do silicone. Depois de aderirem às próteses, personagens como Carla Perez, Scheila Carvalho, Xuxa e Joana Prado acabaram se transformando em estereótipos de beleza a serem almejados por muitas outras mulheres. Elas exibem seus dotes na televisão, nos jornais e até em revistas especializadas em plástica. A mania do busto avantajado mostra que as mulheres estão abandonado o conceito do “corpo de violão”, em voga no Brasil durante muitos anos. A médica Yhelda Felício considera isso “puro modismo”. Para ela, “o sucesso da plástica é ninguém saber que você fez”. Yhelda conta que, até cinco anos atrás, realizava poucas cirurgias de mama. Atualmente, ela chega a operar entre três e cinco mamas por mês. Mudam os números e também o perfil da cirurgia plástica no Brasil. Hoje, cada vez mais jovens estão aderindo ao bisturi na busca da satisfação estética. “Nos dias de hoje, o cliente é mais jovem. Isso por causa do silicone e da lipoaspiração”, revela o médico Geraldo Sérgio, que trabalha desde 1975 como cirurgião plástico. O

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O número de homens que recorrem à cirurgia plástica cresceu. Em 1994, apenas 10% das 100 mil cirurgias realizadas no ano foram feitas em homens. Em 2000, o público masculino atingiu 30% de um total de 350 mil procedimentos. A cada ano, cresce em torno de 30% o número de pessoas que fazem pela primeira vez ou tornam a fazer uma cirurgia plástica. <<<A médica Yhelda Felício e médico Geraldo Sérgio: conselhos antes do bisturi

número de homens que procuram modificar sua aparência cirurgicamente também cresceu. Em 1994, apenas 10% das 100 mil cirurgias realizadas no ano foram feitas em homens. Já em 2000, o público masculino atingiu 30% de um total de 350 mil procedimentos. Na clínica da médica Yhelda, 45% dos pacientes são homens. A cada ano, cresce em torno de 30% o número de pessoas que fazem pela primeira vez ou tornam a fazer uma cirurgia plástica. As mais realizadas são as de lipoaspiração, mama e face. Outro aspecto importante diz respeito à equivalência entre cirurgias estéticas e reparadoras. Apesar da crescente procura pelas cirurgias estéticas, as intervenções com finalidade de reparação ou reconstrução passaram de 20%, em 1994, para 40% em

2000. A SBCP alega que o aumento do número de cirurgias reparadoras se deu em virtude da violência urbana ter avançado nas capitais onde as cirurgias plásticas são realizadas. Porém, há médicos que discordam desses dados. Eles acreditam que o número de procedimentos de reparação são maiores do que os estéticos, e questionam se também são contabilizados os dados das cirurgias realizadas em hospitais, ou se somente os de clínicas e consultórios de cirurgiões plásticos. A popularização da cirurgia plástica tem ainda a contribuição do preço e da tecnologia. Operações que antigamente custavam caro hoje podem ser efetuadas a preços bem mais acessíveis. Em Fortaleza, uma intervenção para o implante de silicone nos seios pode custar entre R$ 2 mil e R$ 6 mil. Além disso, o cliente pode optar por fazer o pagamento parcelado. Algumas clínicas financiam em até 15 meses um implante de silicone. Em outras, existe até uma espécie de consórcio, em que o cliente só se opera após ter quitado as prestações. Por outro lado, a utilização de novas tecnologias, dentre elas o laser, além de otimizar o tempo e a recuperação do paciente, podem ainda ser mais baratas. Há cirurgias a laser custando em torno de R$ 300 e R$ 400. !

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LIVROS

Luz e forma

O livro Mar de Luz é um documento criativo e requintado com trabalhos assinados por alguns dos melhores fotográfos brasileiros

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Fotos de Celso Oliveira e Tiago Santana, reunidas em livro

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lguns dos melhores fotógrafos de uma geração que domina com toque de mestre a relação sutil entre luz, cor e forma, estão reunidos no livro MAR DE LUZ, uma edição de luxo, com acabamento e qualidade gráfica primorosos, editado pela Tempo d’Imagens, sob os auspícios da lei de incentivo à cultura. Os 13 fotógrafos, dentres os quais Celso Oliveira e Ed Viggiani — que tem uma carreira entre o jornalismo e a arte —, viajam numa overdose de cores e paisagens reconstruídas sob olhares sensíveis demais. A proposta do livro é congelar na história lugares lúdicos, exóticos, rústicos, primitivos espalhados pelos 573 quilômetros de litoral do Ceará, uma costa onde a luz incidental é rebatida por dunas e pelas águas do mar. Lançado no Centro Cultural Dragão do Mar, em Fortaleza, o livro está à venda em livrarias, ao mesmo tempo em que a exposição homônima, com 14 fotos em tamanho gigante, 2,30m x 1,60m, foram espalhadas pelas duas salas do Memorial da Cultura Cearense. Agora, as fotos vão viajar pelo litoral, em mostras itinerantes. As fotos de Celso Oliveira, Chico Albuquerque, Drawlio Joca, Ed Viggiani, Gentil Barreira, José Albano, Marcos Guilherme, Maurício Albano, Pedro David, Pedro Martins, Tiago Santana, Tibico Brasil e Márcio Figueredo, são uma espécie de obra de arte e, com certeza, citação e homenagem ao mestre de todos eles, Chico Albuquerque, o fotógrafo visionário que formou gerações ao mesmo tempo em que suas fotografias, da publicidade ao memorial, se impunham como obra de arte. Mais importante que o domínio da técnica fotográfica é o olhar que cada um dos autores exerce sobre a obra retratada, numa espécie de assinatura digital que nos dá informações para discernir entre o estilo de um e outro. Paisagens paradisíacas como Jericoacoara e canoa Quebrada ganham leituras originais dos autores. Cenas do cotidiano, ritos e costumes cearenses são recontados num jogo de luzes e sombras. O resultado só não surpreende a quem já conhece o talento do time escalado para compor esta obra de referência técnica. Para selecionar as 100 fotos que constam no livro, cujo projeto editorial coube ao Tempo d’Imagem, foi


.. . feito um criterioso trabalho em 3.000 slides. “Tivemos o trabalho de selecionar trabalhos que revelam o social, a realidade das pessoas do litoral, o seu cotidiano”, diz Celso Oliveira, um dos autores e integrante da Tempo D’Imagem. O livro tem o patrocínio da Companhia Energética do Ceará — Coelce —, e Tim, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, com o Apoio do Banco do Nordeste e Centro Dragão do Mar.

Alma e sangue

A maranhense Nazaré Fonseca estréia como escritora em livro sobre vampiros num realismo mágico cheio de criatividade

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nspirada pelos mistérios e seduções da literatura fantástica, por lendas regionais, histórias universais e filmes hollywoodianos sobre vampiros, Nazaré Fonseca escreveu Alma e Sangue, um emocionante e surpreendente romance, transportando a figura do envolvente e aterrador ser imortal para cenários mais nordestinos, sem perder o sabor do suspense e terror que envolve o universo do vampirismo. Este é o primeiro livro de Nazaré Fonseca, maranhense radicada há cinco anos em Fortaleza. É também o primeiro romance sobre o misterioso e envolvente universo dos vampiros escrito por uma mulher brasileira. ALMA E SANGUE mostra, em suas 500 páginas, uma movimentada, romântica e tenebrosa aventura de vampiros. A ficção se inicia num velho casarão em São Luis do MaraNazaré Fonseca: nhão, quando Kara, uma jorealismo mágico vem restauradora, depara-se com um secular vampiro. A partir desse primeiro e decisivo encontro, ela narra como compartilhou com o vampiro uma série de experiências e constantes perigos. São inúmeros confrontos entre a vida e a morte, traição e desejo, além de instigantes passagens que vão do século XIV ao vigente, da Antiga Europa, passando pela colonização francesa de São Luis e o Nordeste brasileiro. Editado com dinheiro captado pela Lei Jereissati, o livro está também no no site www.papelvirtual.com.br. Nazaré Fonseca, 28 anos, artesã e autodidata na literatura, passou a infância e juventude em capitais e cidades do interior nordestino, que alimentaram seu imaginário. “Em lugares pequenos se ouve de tudo, histórias verdadeiras, de fantasmas, lendas, mitos.” A isto somou-se a indignação de ver Drácula morrer no cinema, em 1995. !

Fale! RECOMENDA Brasil: Um Século de Transformações Trabalhos de dezenove imagem consistente do país, especialistas — dentre os quais com lucidez conceitual e Paul Singer, Celso Lafer, Paulo densidade crítica. Sérgio Pinheiro, Celso Furtado, Os recortes temáticos já Aspásia Camargo e Cristovam são reveladores por si Buarque — estão reunidos mesmos, não só ao evocar neste livro. O conjunto forma o Brasil múltiplo, mas ao um grande mapa do Brasil, das encontrar, na multiplicidade, mudanças que se as questões que operaram em seu originaram o relevo nos planos momento econômico, político, contemporâneo. social e cultural A partir daí, durante o século torna-se viável e XX. necessário Colhendo e especular sobre o analisando dados, futuro, desenhar interpretando-os, cenários, projetar repensando caminhos possíveis. proposições de E nesse ponto o Celso Lafer cunho teórico, livro é incisivo ao propondo veios renovar o senso de novos de compreensão, os urgência diante do nosso ensaístas chegam a uma destino coletivo.

Trecho METRÓPOLES E FAROESTE NO SÉCULO XXI

Por Jorge Wilheim O Brasil apresenta, no início do novo século, um panorama diferençado e sedutor: abriga (e ostenta) dezenove regiões metropolitanas, produto de conurbações, entre as quais duas megacidades de vulto, Rio de Janeiro e São Paulo, e cerca de trinta conurbações de caráter metropolitano moderno. Ao mesmo tempo, o país está a conquistar terras novas, abrindo sua fronteira econômica para além de seu planalto central, adentrando a frágil Amazônia, semeando cidades novas ao longo de suas vias de penetração. Em outros termos, trata-se de um país altamente urbanizado, lidando com enormes aglomerados assim como com um colar de cidades novas em sua região noroeste. O panorama é interessante e variado porque, se por um lado exige soluções dramáticas nas metrópoles, engenhosas na consolidação da rede de cidades médias e inovadoras na das cidades novas, por outro oferece o dinamismo de uma população criativa, de grande mobilidade, miscigenação racial e sincretismo cultural. A este panorama contrapõem-se uma crônica inapetência pelo planejamento urbano e uma estranha omissão do Estado federal, que não estabeleceu políticas públicas para essa realidade fortemente urbana. Na realidade, o governo federal “pensa” que possui uma política urbana, pois estabeleceu em 2000 um orçamento plurianual com alguma consistência, no qual são considerados programas de saúde e de transporte de implantação urbana.

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GESTÃO PÚBLICA O prefeito de Quixadá, Ilário Marques

UM OLHAR

social Com enfoque no bem-estar, nova administração de Ilário Marques em Quixadá mostra que o PT amadureceu e sabe governar

POR ERIVALDO CARVALHO

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ela segunda vez prefeito de Quixadá, José Ilário Gonçalves Marques, advogado, 40 anos, tem pela frente um novo desafio. Retomar o projeto da primeira administração. Um projeto, segundo ele, inovador, criativo, que se assenta no desenvolvimento local, a partir do planejamento participativo, do desenvolvimento econômico, social e humano. “Estamos retomando a partir de uma ruptura”, diz Ilário Marques, referindo-se à administração passada, do PSDB. “Vamos consolidar uma nova elite política, responsável pela renovação, uma nova elite econômica empreendedora e uma nova elite cultural que trabalhe a auto-estima do povo”, afirma o prefeito, eleito com 63,48% dos votos. Ilário Marques é um petista de resultados. Ainda na primeira gestão — de 1992 a 1996 — implantou o programa Saúde da Família, hoje referência nos governos federal e estaduais na municipalização da saúde no Brasil. Foi pioneiro, também à época, em programas de geração de emprego e renda. O reconhecimento veio com o prêmio Prefeito Destaque, por quatro anos consecutivos, concedido pela Fundação Carlos Chagas. A fórmula do sucesso? “Conhecimento técnico associado ao modo petista de governar”, revela. A atual administração municipal, segundo Ilário Marques, precisou passar por um forte ajuste financeiro, retornando ao

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patamar de 1996. “As finanças estavam destroçadas”, afirma. A partir daí foi possível retomar projetos e programas de saúde, educação e cultura, com especial ênfase nas necessidades do sertanejo vítima da seca. Segundo o prefeito, a administração municipal pretende trabalhar o perfil próprio do homem do sertão, associando a ele as características do conceito de cidadania. “Nosso desafio é garantir condições dignas em meio ao semi-árido, à pobreza e ao desemprego”, afirma. “Queremos inaugurar em Quixadá o conceito de sertanidade”, diz. Para combater as consquências da seca no município, Ilário diz que ainda não sabe qual será o tratamento dado pelo governo federal nem pelo governo estadual ao problema. “Temos uma expectativa mas não temos um projeto definido”, lamenta. Segundo ele, mais de três milhões de pessoas já morreram no Nordeste, nos últimos 150 anos, vítimas da seca. Para Ilário Marques, os problemas sociais do interior cearense não são apenas de escassez de chuva. “Sabemos que mesmo em períodos chuvosos, a pobreza no Ceará, principalmente na zona rural, é muito grande”, diz o prefeito, duas vezes deputado estadual. Na educação, Ilário Marques mostra que o PT está fazendo o dever de casa. Segundo ele, todo o sistema educacional de Quixadá foi reformulado. Hoje funciona a partir de 13 distritos educacionais, distribuídos por todo o município. Para a zona rural, Marques anuncia a construção de campos agrícolas, onde deverão ser desenvolvidas atividades agro-pastoris para alunos a partir da 5ª série. Esses estudantes terão complementos esportivos e culturais na cidade. “A educação em Quixadá tem a possibilidade de ser um novo exemplo para o Ceará”, avisa. Já na área da saúde, Quixadá forneceu a receita para o Brasil. Quando o Ministério da Saúde lançou, em 1994, o Programa Saúde da Família, o município já contava com o Conselho Municipal e os agentes de saúde. O programa consiste em uma equipe fornada por um médico, um enfermeiro e cerca de dez agentes de saúde, atuando em um território definido, desenvolvendo ações de vigilância à saúde de aproximadamente 1.000 famílias. Outro projeto destacado pelo prefeito é o Saúde através da Educação. Hábitos de higiene são ensinados a crianças, e daí vivenciados na escola, na família e na comunidade ao longo da vida, formando uma consciência crítica sobre a saúde associada à educação. Afinidade. Do ponto de vista das políticas públicas, Marques reconhece uma “profunda convergência” entre os projetos da sua administração e as metas traçadas pelo governo do Estado.


ALGUMAS CONCLUSÕES DO SEMINÁRIO DE PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO

Pontos fortes n Aceitação

popular do Prefeito

n Credibilidade n Gestão

participativa dos recursos do Fundef e SUS nMotivação e criatividade da equipe gestora n Projetos em andamento (Prourb e Proares) nGerenciamento

Oportunidades nMobilização

social na Câmara Municipal n Credibilidade para desenvolver parcerias nExperiência e compromisso do PT para trabalhar o social nPotencial econômico (turismo, comércio, agropecuária) nLocalização geográfica nLei de Responsabilidade Fiscal nEquipamentos como Universidade, Liceu, CVT, Aeroporto nMaioria

FOCOS ESTRATÉGICOS

Área Social nMelhorar

as condições de vida da população buscando a excelência na qualidade dos serviços prestados e construindo mecanismos que garantam a mobilização e participação comunitária.

Área de Desenvolvimento nPromover

o planejamento estratégico no desenvolvimento local e ações que, em parceria, desencadeiem resultados visíveis nos níveis de emprego melhorando a condição de vida da população.

Área Administrativa e Apoio Logístico

nOtimizar condições técnicas, administrativas, financeiras e humanas para modernização da máquina municipal, observando o sistema legal vigente, visando os interesses da administração e atender os anseios da comunidade.

Comunicação Interna e Externa

n Manter canais de comunicação permanentemente abertos para o cliente interno e externo, no sentido de ouvir sugestões e manter informados o serviço municipal e a população.

Isso se deve, segundo o prefeito, porque “há um tratamento honesto e correto do governo em não discriminar a atual administração”. Segundo ele, isso mostra que o Estado — de 1997 a 2000 — viveu uma contradição, tendo programas e projetos semelhantes, mas governos locais que não correspondiam ao mesmo nível de compromisso com esses projetos, embora fossem do mesmo partido”. Segundo Marques, a administração do PSDB em Quixadá trouxe problemas não só para a cidade, mas para o próprio governo”, declara. “Foi desmoralizante para o PSDB”. Na avaliação de Marques, a correspondência entre os projetos sociais do PT e os programas do governo do Estado não são apenas em Quixadá mas, segundo ele, em outros municípios onde o partido faz parte da administração. “Por que não podemos dizer que em Sobral existe o modo petista de governar?”, questiona. “As políticas públicas desenvolvidas em Sobral têm a cara do PT”. Na cidade da zona norte, administrada por Cid Gomes

Estilo original de gestão

José Ilário Gonçalves Marques, 40 anos, do Partido dos Trabalhadores (PT), exerceu dois mandatos de deputado estadual e, também pela segunda vez, está exercendo o mandato de prefeito de Quixadá. Natural daquele município, Ilário é advogado, tendo se engajado no movimento político ainda quando universitário, sendo eleito presidente do Centro Acadêmico Clóvis Beviláqua, da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará (UFC). Formado, passou a atuar junto a diversos sindicatos rurais e, em 1986, foi eleito deputado estadual, tendo marcante atuação na Constituinte Estadual. No seu primeiro mandato de deputado estadual, Ilário foi membro da mesa diretora e presidente regional do Partido dos Trabalhadores. Em 1992, foi eleito prefeito de Quixadá; em 1998, conquistou novo mandato no parlamento estadual, onde ocupou o cargo de terceiro secretário na mesa diretora e, novamente, retorna à chefia do Executivo quixadaense. A gestão do então prefeito Ilário Marques tem sido pautada no compromisso, transparência e intersetorialidade. Suas ações inovadoras têm servido de modelo para o cenário político a nível estadual e nacional, o que assegura, portanto, o desenvolvimento sustentável para a construção de um município saudável. Pela sua forma peculiar de administrar, Ilário Marques foi eleito pela crônica política e municipalista, um dos melhores prefeitos da década.

A pedra da Galinha Choca e o açude Cedro: atrações

(PPS), o vice-prefeito é do PT. Em Quixadá, em 1992, Ilário Marques se elegeu prefeito pela primeira vez, através de uma aliança inovadora entre o PT e o então governador Ciro Gomes. Com relação à situação do partido no Estado, Ilário Marques admite que “o PT está bem e com problemas”. Segundo o prefeito, o partido “tem uma elevada média ética, conta com o cansaço do governo estadual e o desastre que tem sido o governo de Fernando Henrique Cardoso”. No entanto, diz, o PT não tem uma base organizada que se permita constituir como um projeto de governo no Ceará. O PT tem mais de 100 diretórios no Estado, três deputados estaduais, quase 70 vereadores, mas apenas dois prefeitos — o outro é Icapuí. “Daí porque o PT ter de se associar o mais que puder com os partidos de esquerda e abrir para partidos de centro-esquerda, e até de centro, para viabilizar um projeto de governo”, avalia. “O PT tem de se firmar com o seu projeto e consolidar experiências locais”, diz Ilário.

Segundo ele, o partido deveria estar mais aberto ao diálogo para constituir uma alternativa de centro-esquerda, mas não tem coragem de dizer isso para a sociedade. “O PT quer ser governo e para isso precisa crescer com alianças”, afirma Ilário, ex-dirigene do diretório nacional do partido. Curral de pedras. Localizada no Sertão Central cearense, a 168 quilômetros de Fortaleza, Quixadá — “Curral de Pedra”, numa alusão evidente aos monólitos que cercam a cidade —, é também conhecida como “Terra da Galinha Choca”. O clima quente e seco com temperaturas anuais elevadas — em torno de 28ºC — logo transformou a cidade em ponto de encontro para os praticantes de esportes radicais e de lazer. Entre eles, destacam-se o vôo livre, rally, trekking — trilhas para exploração por pedestre — dentre outros. Hoje com 65 mil habitantes, a cidade já foi centro comercial e agroindustrial do Ceará. Nos anos 80, com o declínio dos coronéis, a cidade entrou num processo de decadência político-econômica muito forte. ! SETEMBRO 2001

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PUBLIEDITORIAL

Com bom gosto e personalidade, o Vela e Mar Hotel em Fortaleza se destaca entre os pequenos hotéis de luxo

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ferecer tratamento diferenciado — requisito de sucesso no setor de serviços — não é tarefa fácil. Quem viaja sabe disso. Para porteiros, recepcionistas e telefonistas de grandes hotéis, por exemplo, é impossível se familiarizar com centenas de nomes e fisionomias de hóspedes e associá-los com facilidade. Nesses lugares, a pessoa informa o apartamento e tem a incômoda sensação de ter sido resumido a números. A saída é apostar em hotéis de pequeno porte, sem abrir mão do requinte e elegância, como fez o Vela e Mar Hotel, em Fortaleza. Com 60 apartamentos executivos e individuais, o Vela e Mar atende à demanda reprimida de personalização em todos os serviços oferecidos. “Não tem igual em Fortaleza”, garante Victor Salcedo, da Hoteltec, empresa de consultoria em hotelaria da cidade. “No Vela e Mar o cliente não é um número”, diz ele, com trinta anos de experiência no setor. Salcedo tem razão. Sem poupar investimento e profissionalismo, o empresário Norton Duarte, idealizador do empreendimento, apostou alto na fatia de mercado e hoje oferece, para hóspedes, promotores de eventos em geral, o requinte e a sofisticação do Vela e Mar. O resultado foi o perfeito equilíbrio entre o aconchego dos lugares bem ambientados com o bom gosto, fazendo do Vela e Mar o

primeiro na categoria dos hotéis de luxo de pequeno porte do Ceará. Não foi por menos que apenas um ano depois de inaugurado, o hotel se tornou na mais nova opção de hospedagem em Fortaleza. As dependências do Vela e Mar são show de decoração e conforto. Com riqueza e atenção nos detalhes, o hotel foi projetado de forma a atender aos mais exigentes padrões de design, tendo sido concebido segundo critérios rigorosos de classe e funcionalidade, como frigobar e telefonia com discagem direta para qualquer lugar do mundo. Já a área de eventos e reuniões, com capacidade para 70 pessoas em confortável auditório, é o que há de mais atual em equipamentos para apresentação, como Flip chart, projetores de slides, e retroprojetores, além de data show, vídeo, TV e sistema de som. Se a personalização no atendimento é diferencial no Vela e Mar, nos serviços oferecidos não é diferente. Entre eles um luxuoso restaurante, que além do deleite visual, oferece os mais ricos sabores. O Snack-bar tem uma imperdível vista para a mais famosa Praia do Ceará, a Praia do Mucuripe, com suas velas abertas ao sabor dos ventos. O hotel também conta com piscina com vista para o mar e oferece área reservada para banho de sol, ducha e serviço de bar. SERVIÇO Vela e Mar Hotel — Av. Beira Mar, 4520, Mucuripe, Fortaleza, CE. Fone: (0xx85) 263.1033 Fax: (0xx85) 263.3392. e-mail: velaemar@secrel.com.br


PENSATA

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POR FELICE CARDINALE

Platão e a internet

O mundo real não é o das sombras e sim o da luz da rede mundial

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título dessa minha primeira colaboração para Fale! pode gerar curiosidade, hilaridade ou até risos... O que Platão tem a ver com a Internet? A paciência do leitor será recompensada nos próximos minutos! Antes de tudo, em homenagem ao filósofo por excelência, é necessário reconhecer a atualidade do pensamento filosófico de Platão. O estudioso italiano Umberto Eco, em uma de suas últimas participações em eventos culturais, expressou claramente que considera Platão como o mais atual entre os pensadores do passado, assim como considera moderna a leitura da obra do filósofo. Longe de mim polemizar com o meu “ídolo culturale”, e por isto me adequo e exponho as minhas idéias sobre a importância que o pensamento do filósofo grego pode ter em relação ao desenvolvimento da internet. Repito, só para me lembrar, que através de uma belíssima metáfora no livro VII da obra “A República”, Platão mostrava homens cujas sombras projetadas pelo fogo nas paredes de uma caverna escura, substituíam a realidade. Os pobres coitados acreditavam que a realidade fosse a projeção de suas sombras! Isto é, eles não entendiam que estavam imobilizados na caverna. Fazendo uso de um pouco de imaginação, tornarse-á claro por que, em minha opinião, Platão tem muito a dizer sobre internet. Antes do seu surgimento, éramos iguais aos homens da caverna de Platão. Muitos de nós até hoje mal conseguem acreditar que o mundo real não é o das sombras, e sim o da luz da internet. Com um paradoxo de “matrixiana” memória, poderíamos considerar que a vida que já vivemos antes da chegada da internet é, aquela sim, virtual, e a vida real seria aquela que vivemos na rede. Voltando um pouco com os pés no chão, virtual ou real, neste ponto já não sei, uma simples consideração é que a vida virtual na rede não é mais assim tão virtual, porque produz efeitos no mundo real. Apesar do comércio eletrônico, da co-

municação instantânea, da navegação pelos infindáveis sites disponíveis, ninguém pode prever — hoje — quais os infinitos desenvolvimentos que poderão resultar da evolução da internet. Não consigo imaginar quais serão as mudanças em nossa forma de viver, pensar e trabalhar... Tenho certeza, porém, de que nossos filhos comunicarão entre si de formas diferentes da atual. Estou ciente de que há quem olhe para a internet com ceticismo, mas para essa pessoa, o futuro não será fácil... Baseando-me nisso, considero apropriado comparar o cético com o personagem de um livro de meu conterrâneo Umberto Eco, “A Ilha do Dia Anterior”. Nele, o protagonista naufragava num navio totalmente sem tripulação, que estava ancorado próximo a uma ilha. Umberto Eco, que considero culturalmente mágico, pois apenas com sua magia, ou aquela dos contos de “Harry Potter”, pode-se imaginar que um náufrago comece e acabe num navio. O pior: o protagonista não sabia comandar o navio e tampouco nadar, estando a apenas 100 metros de uma ilha tropical repleta de frutas, água potável, animais, peixes...enfim, tudo aquilo que um homem poderia desejar! Mas ele estava lá. Em pé. Num navio deserto, olhando com desejo o paraíso que o esperava a apenas poucas braçadas! Porém este era, para ele, um paraíso inalcançável! Assim é e será para aqueles que não aceitarão o advento da internet e que, por isso, não se organizarão, permanecendo imóveis, em pé, admirando e almejando os paraísos virtuais! Antes de deixar vocês, por motivos de honestidade intelectual e devoção sincera, é impossível não citar meu caro amigo, Dr. Newton que, com suas idéias, muito contribuiu para este meu artigo. Tchau Brasil. Felice Cardinale, italiano, é advogado e Doutor em Direito Internacional pela Universidade de Nápoles. Professor do Instituto dos Advogados de São Paulo e do Centro Cultural Brasil — Itália.

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FOTO MAURI MELO

PERFIL

O homem que não pára

O empresário cearense José Abraão Otoch é homenageado nos 68 anos do Sindilojas e mostra como o trabalho transformou o Esplanada num dos ícones do comércio varejista nacional

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POR MARCEL BEZERRA

Eu ainda trabalho de 12 a 14 horas por dia”. Essa frase não teria nenhum impacto se fosse proferida por alguém com 20, 30 anos, em pleno auge da juventude. Entretanto, é natural que fiquemos surpresos se ela for dita por um senhor de 73 anos. Para o autor dessa frase, o empresário José Abraão Otoch, a idade não parece ser nenhum empecilho e muito menos influi na disposição de quem trabalha desde os 15 anos. Presidente do Grupo Abraão Otoch e Cia. Ltda., o empresário foi um dos agraciados com a primeira edição da Comenda Edson Queiroz, na festa de aniversário de 68 anos do Sindicato do Comércio Varejista e Lojista de Fortaleza. O outro agraciado foi o empresário José Romcy, presidente da Romcy S.A. Indústria e Comércio. Descendente de libaneses, José Abraão Otoch fundou, há 52 anos, junto com o pai e mais três irmãos, a primeira loja do Armazém Esplanada, na Praça do Ferreira, Centro de Fortaleza. Na época, então com 20 anos, Otoch havia se formado em odontologia, profissão que exerceu por apenas seis meses, e cuja vocação para o comércio fez com que ele largasse. “Aí nós fomos continuando, abrindo lojas e mais lojas”, conta. Da primeira loja de tecidos no Centro, hoje já são 45 em todo Brasil. Elas estão em todos os estados do Nordeste, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Pará e na capital federal. O sucesso do Armazém Esplanada, que começou com o varejo e depois passou

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pações do empresário. Diante de concorrentes de grande porte, como C&A, Riachuelo e Lojas Americanas, há a iminência da vinda de outros maiores, como o Walmart americano e o Carrefour francês. Com relação a isso, Otoch é taxativo: “ou você se prepara para uma concorrência internacional, ou então é melhor pendurar as chuteiras.” José Abraão Otoch é um apaixonado pelo trabalho. Como se não bastasse a carga horária diária elevada, o empresário normalmente leva trabalho para casa nos fins de semana. Um outro orgulho dele é trabalhar aos sábados e domingos pela ao atacado, deu origem ao Grupo Abraão manhã no Hospital Monte Klinikum, em Otoch e Cia. Ltda. Além das lojas de de- Fortaleza, que mantém em sociedade com partamento, os negócios do grupo abran- o genro e com uma filha. “Eu gosto de gem empresas de confecção, construto- estimular meu genro”, revela. De acordo ras e hotel (cuja socicom ele, o hospital está edade inclui o goverentre os 25 melhores de “Ou você se prepara nador Tasso todo o Brasil, e é considepara uma Jereissati). Mesmo rado o melhor do Nordesassim, o principal nete. Otoch se considera um concorrência gócio do grupo conhomem realizado. Parar de internacional, ou tinua sendo as lojas trabalhar? Não quer. “Se Esplanada. Detentora então é melhor Deus me der saúde, eu de um faturamento vou morrer trabalhando”, pendurar as anual de mais de R$ afirma. “Quando a gente chuteiras.” 200 milhões, elas emse aposenta, encurta a capregam cerca de 3 mil beça, encurta a memória, Abraão Otoch pessoas e contribuencurta a inteligência, e em para a manuteneu sou um homem que tem ção de 15 mil empregos indiretos. O cres- uma memória extraordinária”. Dos cimento é uma idéia sempre constante. quatro irmãos que começaram, em 1949, “Eu tenho idéia de crescer, tudo depende hoje só restam ele e o irmão Deib Otoch. do governo estimular a gente”, diz, referin- A Comenda do Sindilojas se soma a do-se às incertezas da economia do País. outras homenagens recebidas pelo emSegundo ele, o grupo pretende abrir, ainda presário. Dentre elas, estão a medalha no segundo semestre, pelo menos duas da Aumec, como maior fornecedor do unidades. Nós últimos anos, foram feitos artesanato local (1964), Lojista do Ano investimentos na modernização e (1984), o Troféu Clóvis Rolim, a Sereia informatização das lojas, através da de Ouro (2000), o Empresário do Ano, contratação de consultorias e aquisição de pela Assembléia Legislativa (2000), o equipamentos, na tentativa de se adequar Destaque Empresarial de 1990 até 2000, às exigências do mercado. E é exatamente e o prêmio Summit de varejo, em São esse mercado uma das principais preocu- Paulo, no ano passado. !


A nova coleção de Elleonora Brazil

FOTO VANIA TOLEDO

Recém chegada de Nova York, a designer paulista de jóias Elleonora Zancaner Johnson, expôs toda a beleza e elegância da sua nova coleção na Collection Nossa Casa, em Fortaleza. Pérola e pedras coloridas seguem as últimas tendências da moda internacional: longos sautoirs, colares de contas com inspiração nos anos 20 e 40. Um estilo clássico, retrô, Chanel, que está sempre atual, moderno e muito versátil. Além disso, a pedido da Colletion, foi desenvolvida uma coleção religiosa com cruz da guarda e belíssimas pulseiras de proteção, com destaque para as lapidações inusitadas que captam a luz e transmitem a beleza das pedras para quem está usando. Realmente belo.

>>> O lançamento dos perfumes Annick Goutal, na Collection, teve parte da renda revertida para o Instituto do Câncer do Ceará. O evento teve o apoio das senhoras Karisia Pontes e Consuelo Dias Branco.

Karísia Pontes, Nilda Andrade e Emília Patrício #&

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Beatriz Philomeno Gomes, Consuelo Dias Branco entre amigas no evento da Collection NC


FOTOS BY RODRIGUES

Paula Alencar Pinto é a Garota Ideal 2001

Paula, filha de Ana Maria e Roberto Alencar Pinto foi a vencedora do concorrido concurso Garota Ideal 2001 disputando o título com 14 concorrentes, no Ideal Clube, em Fortaleza. Levou para casa um Celta 0 Km. As outras quatro finalistas foram Ana Amélia Barros de Oliveira, Paula Carvalho Goyana, Mara Carneiro de Paula Pessoa e Ana Cristina Teixeira de Souza.

Ana e Paulo Bandeira de Melo, presidente do Ideal, ladeando Paula Pinto e Marcela Mota

A atual Garota Ideal, Paula Pinto (de vermelho) e Marcela Mota, Garota Ideal 2000, na cintilante noite

A vencedora Paula Pinto ladeada pelos pais Ana Maria e Roberto, com a cerimonialista Alódia Guimarães, Ana e Paulo Bandeira

A Garota Ideal 2001, Paula Pinto

Ana Amélia Barros de Oliveira, Paula Carvalho Goyana, Mara Carneiro de Paula Pessoa e Ana Cristina Teixeira de Souza e Paula Pinto Fale #'

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>>> A concorrida posse de João Araújo Sobrinho, da presidência da CDL, em Fortaleza (By Rodrigues)

O empresário lojista João Araújo Sobrinho reforçou seu compromisso com a classe

Casais Iran Ribeiro (o presidente sainte) e senhora e João Araújo Sobrinho (o presidente entrante) e senhora, durante a solenidade no Ideal Clube, em Fortaleza

Edir Rolim, o homenageado Petrônio Andrade (Troféu Clóvis Rolim) e Gervásio Pegado

Edir Rolim, Yolanda Queiroz e Nilda Andrade (senhora Petronio Andrade)

Deputado estadual Artur Bruno (PT-CE) e senhora e a jornalista Wanda Palhano (Jornal O Estado)

O vice-governador do Ceará, Beni Veras e senhora, dona Vanda Veras

O prefeito Juraci Magalhães, de Fortaleza, com o senador Luís Pontes (PSDB-CE)

Sérgio Alcântara, presidente do Centro Gervásio Pegado e o empresário Pio Industrial do Ceará, e Carlos Fujita Rodrigues Neto, do Grupo C. Rolim

Eduardo e Sandra Rolim

Nilda Andrade (com o Troféu conferido ao seu marido, Petronio Andrade), ao lado das filhas


Casantes de agosto: Melânia Ribeiro de Melo Nunes e Fernando Rodrigues Filho

Inês e o engenheiro Fernando Rodrigues — Makro Engenharia —, pais do noivo

O secretário Barros Pinho, falando em homenagem ao centenário do poeta Jáder de Carvalho, tendo ao lado o fundador da UFC, Antonio Martins Filho

Antonio Carlos Chaves Antero, novo juiz do TRT-Ce, ao lado dos juízes Jefferson Quezado e Manoel Arísio de Castro, presidente daquele órgão trabalhista Itamar e Ednardo Montenegro por ocasião do desfile de lançamentos (bijouterias) das lojas Pirineus, no Shopping Avenda, em Fortaleza


Norma Soares e o vice-reitor da UVA, Evaristo Linhares

O deputado estadual Paulo Linhares, o reitor da UVA, Teodoro Soares e o deputado federal Inácio Arruda

>>> Ao concorrido seminário internacional sobre globalização que a Universidade Estadual Vale do Acaraú promoveu em Fortaleza, seguiu-se coquetel de contraternização e boas vindas aos conferencistas estrangeiros Carlos Moore, Timothy Power e aos convidados nacionais Estevão Rezende, Benício Schmidt e João Paulo Peixoto.



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FOTOS DE JOSÉ RODRIGUES

>>> Guilherme, filho de Leninha e Ednilton Soarez casou com Patrícia Coelho, filha Inocêncio e Graça Coelho

Os nubentes Guilherme e Patrícia posam ao lado do bolo na recepção no La Maison Dunas

Byron Queiroz, do Banco do Nordeste, e Laurinho Fiúza

Os noivos entre os padrinhos, a primeira dama Renata Jereissati e o governador do Ceará, Tasso Jereissati

Patrícia e Guilherme, com os pais dele, o secretário da Fazenda do Ceará Ednilton Gomes Soarez e Leninha

Artur Silva Filho, Tomaz Figueiredo, Edilmar Norões, Airton Maia Nogueira e Ernesto Saboya no rol dos convidados

Economista Lima Matos e Jorge Parente, presidente da Fiec

>>> O arcebisto de São Paulo, dom Cláudio Hummes, oficializou o casamento religioso de Ronaldo Otoch e Beatriz Canamary, na Catedral Metropolitana de Fortaleza FOTOS: AUSTON

Ronaldo Otoch e Beatriz Canamary após o sim

Ronaldo com a mãe, Eliane Otoch

A bonita noiva Beatriz com o pai Aristóteles Canamary

Madalena e Renato Barroso Braga

Sandra Vieira e Marlene Couto

Beatriz Philomeno Gomes e Consuelo Dias Branco: marcantes presenças

Beatriz e Manoel Viana Fale $!

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SERVIÇO>> Aonde ir — Fortaleza ALEMÃO

Alt Heidelberg Fone: (85) 234.1174. Rua Aberto Sá, 1315. Papicu. Horário: Segunda a sábado, 19h/ último cliente. Capacidade: 40 lugares Cc: A, Visa. T: não aceita Estac: não tem Prato Principal: Peixe ou Camarão com molho holandês. $$$ Hofbräuhaus Fones: (85) 261.4417 e 221.6170. Rua Costa Barros, 1080, casa 2, Aldeota Horário: Terça a sábado, 18h/2h; Domingo, 12h/23h. Capacidade: 48 lugares Cc.: A, D, M. T.: não aceita Estac.: 10 vagas Prato Principal: Coelho à moda do caçador. $$ CHURRASCARIAS Assis da Picanha Fones: (85) 267.3021 e (85) 267.3366 Rua Ana Bilhar, 1356 – Varjota Horário: 11h/ último cliente Cc.: Todos. Estac.: 300 carros Prato Principal: Picanha. $ Picanha À Moda Fone: (85) 272 8444. Av. Rui Barbosa, 2777, Aldeota. Horário: 8h/últ. cliente. Capacidade: 90 mesas. Cc.: C, M, V, A, HC. T.: TR, VR. Estac.: não tem. Prato Principal: Picanha. Dallas Grill Fones: (85) 267.3200. Av. D. Luiz, 1219, Meireles. Horário: 11:30h/15h – 19h/0h. Capacidade: 220 lugares. Cc: A, C, V. T.: Não aceita. Estac.: 170 vagas. Prato Principal: Bife de tira. Dom Churrasco Fone: (85) 242.2644. Endereço Beira Mar, 3222 loja 12. Horário: 16h/ último cliente. Capacidade: 200 pessoas. Cc.: C, V, A. Estac.: no Shopping Beira-Mar Plaza (50 vagas) Prato Principal: Picanha $ Labareda’s Fone(s): (85) 241.1980 Avenida Washington Soares, 85, Shopping Iguatemi, loja 84. Horário: Segunda a Sexta, 11h30/21h30; Sábado e Domingo, 11h30/22h Capacidade: 130 lugares Cc.: todos. T: NC, TC, VR, TR. Estac.: no shopping. Prato Principal: Rodízio de carnes ; Saladas. $$ Picanha Grill Fones: (85) 241.2443 Avenida Washington Soares, 550 – Água Fria Horário: 9h/ últ. cliente. Capacidade: 60 mesas Cc.: Todos, exceto Hipercard. Estac.: não tem Prato Principal: Picanha $ Picanha do Raul Fones: (85) 219.5582 Rua Joaquim Alves, 73 — Praia de Iracema Horário: 9h/último cliente Cc.: V, C, D, T, H. T.: todos. Capacidade: 300 pessoas Prato Principal: Picanha. $ Parque Recreio Fone: (85) 246.1770. Avenida Rui Barbosa, 2727, Aldeota Horário: Segunda a Quinta, 11h/1h; Sexta e Sábado, 11h/2h; Domingo, 11h/0h Capacidade: 2000 lugares. Cc.: só não recebe o Hipercard. T: todos Estac.:250 vagas Prato Principal: Picanha, Filé. $$ Rodeio’s Fone(s): (85) 246.3312 Avenida Rui Barbosa, 2513, Aldeota Horário: 11h/5h. Capacidade: 600 lugares Cc.: Todos, exceto ACC Card. T: todos Estac: não tem Prato Principal: Picanha. $ Spettus — Steak House/Família Giulianno Fone: (85) 241.2525 Avenida Washington Soares, 909 Salinas Casa Shopping. Capacidade: 560 pessoas. Cc.: V, A, C. Horário: 11h30/Últ. cliente. Estac.: No shopping. Pratos Principais: Rodízio de carnes / Massas Tourão Fone: (85) 219.3599. Avenida Monsenhor Tabosa, 825, Praia de Iracema. Horário: 11h/16h Capacidade: 200 lugares Cc: Todos. T.: não aceita. Estac: 30 vagas. Prato Principal: Rodízio e self-service. $

ORIENTAIS

Banzai Fone: (85) 242.0043. Rua Silva Jatahi, 760, Meireles.

Horário: diariamente, 11h/17h e 18h/0h. Capacidade: 120 lugares. Cc.: C, D, V. T.: TA, TR, CC, EC, VA, VR. Estac.: não tem. Prato Principal: Steak Banzai. $$ Mikado Fone: (85) 244.2024. Avenida Barão de Studart, 600, Aldeota Horário: Terça a Sábado, 11h/14h e 18h/23h; Domingo, 11h/23h. Capacidade: 160 lugares Cc.: C, V, RS, A, S. T.: não aceita. Estac.: 20 vagas. Prato Principal: Sushi e Sashimi. $$ Moyash Fone: (85) 267.1888. Rua Frederico Borges, 427, Varjota. Horário: diariamente, 11h/15h e 18h/0h Capacidade: 140 lugares. Cc.: C, D, A, V. T.: não aceita. Estac.: não tem Prato Principal: Sushi e Sashimi. $$ Daruma Sushibar Fone: 234.0598. Av. Eng. Alberto Sá, 119, Papicu. Horário: 19h/0h. Capacidade: 50 lugares. Cc: não aceita. T.: TA. Estac.: não tem. Prato Principal: Sushi. $ China Brasil Fone: (85) 254.4040. Rua Antônio Augusto, 1070 Aldeota. Horário: segunda a sexta 11h/14h30 e 18h/23h. Sab. e dom. 10h30min/23h Capacidade: 120 pessoas Estac.: 5 carros Cc.: D, M, V. T: todos. Prato Principal: China Brasil. $$ Chinatown Fone: (85) 241.3776 Avenida Washington Soares, 85, Shopping Iguatemi, loja 342. Horário: Segunda a Quinta, 11h/21h30 e Sexta a Domingo, 11h /22h Capacidade: 85 lugares Cc.: M, A, V, HC. T: VR, NC, TC (refeição) Estac.: no shopping Prato Principal: China 1. $$ Restaurante China Fone: (85) 268.2939 Rua Carolina Sucupira, 565, Aldeota Horário: diariamente, 11h/15h e 18h/0h Capacidade: 150 lugares Cc.: V, C. T: Todos. Estac.: não tem Prato Principal: Família Feliz. $$

ESPANHOL

La Paella Fone: (85) 219.8873 Fax: 219. 1522. Rua Idelfonso Albano, 603, Aldeota. Horário: diariamente, 10h30min/0h. Capacidade: 80 lugares. Cc.: Todos. T.: todos. Estac.: não tem Prato Principal: Paella $$

FRANCESES

Café Matisse Fone: (85) 242.1377 Rua Silva Jatahy, 942, Meireles Horário: Segunda, 19h/0h; Terça a Quinta: 12h às 15h e 19h/0h ; Sexta e Sábado12h/15h e 19h/2h; Domingo, 12h/15h. Capacidade: 90 lugares. Cc.: todos. T: não aceita. Estac.: não tem. Prato Principal: Filé do bêbado $$ La Bohème Fone: (85) 219.3311. Rua dos Tabajaras, 380, Praia de Iracema. Horário: Segunda a sábado, 18h/ último cliente Capacidade: 220 lugares Cc.: Todos. T.: não aceita. Estac.: não tem. Pratos principais: Peixe Marcel Fone(s): 219.7246. Av. Hist. Raimundo Girão, 800, Praia de Iracema. Hotel Holliday Inn. Horários: Segunda à quinta, 12/14h30 - 19h/0h, sexta e sábado 19h/1h. Capacidade: 56 pessoas. Cc: Todos. Estac.: No Hotel. Prato Principal: Suflê

INTERNACIONAL

Mil Mares Fone: 267.6200. Frederico Borges, 496, Varjota. Horário:11h30/15h - 18h/0h. Capacidade:140 lugares. Cc: V, M, A. T.: não aceita. Estac.: 45 vagas. Prato Principal: Frutos do mar. $$ Cemoara Fone(s): (85) 263.5001 e (85) 263.5333. Avenida Abolição, 3340, Meireles. Horário: Segunda a Quinta 12h/0h; Sexta e Sábado, 12h/2h. Capacidade: 100 lugares Cc.: todos. T: não aceita Estac.: 35 vagas. Pratos Principais: Frutos do mar; Bacalhau. $$$ Moana Fone: (85) 263.4635. Av. Beira-Mar, 4260. Horário: 12h/2h. Capacidade: 60 lugares. Cc: A, M. Estac.: 20

vagas. Especialidade: cozinha internacional. Fogão a lenha Fone: (85) 278.7184. Rua Crisanto Moreira da Rocha, 1068, Seis Bocas Horário: Segunda a Quinta: 11h/15h e 18h/ 0h Sexta 11h/18h/1h; Sábado11h/0h; Domingo: 11h/23h. Capacidade: 600 pessoas. Cc.: A, V, M HC. T.: TR Estac.: 50 carros Prato Principal: Frutos do mar, camarão e churrasco. $$ Arcadas Fone(s): (85) 248.3020 e (85) 248.3111. Avenida Monsenhor Tabosa, 1381, Meireles, no Ideal Club. Horário: Terça a Sábado, 12h/15h e 18h/1h; Domingo, 12h/16h. Capacidade: 100 lugares. Cc.: todos. T: não aceita. Estac.: 30 vagas (com manobrista). Pratos Principais: Lagosta ao molho de frutas; Filé ao molho cítrico. $$$ Moenda Fone(s): (85) 455.9644. Rua Barão de Aracati, 145, Hotel Colonial. Horário: todos os dias, 6h/10h (café da manhã), 12h/15h (almoço) e 18h/ 22h (jantar) Capacidade: 60 lugares Cc.: C, V, A, D, S. T.: não aceita. Estac.: 20 vagas. Prato Principal: Peixe à peixeira. $$ Ugarte Fone: (85) 226.6979 e fax (85) 226.1007. Praia do Cumbuco, município Caucaia. Horário: Sábado, 20h/último cliente. Capacidade: 300 lugares. Cc.: Não aceita. T.: Não aceita. Estac.: 200 vagas. Prato Principal: Posta de peixe frita. $$

ITALIANOS

Buongustaio Ristorante Fone: (85) 242. 6269. Avenida Desembargador Moreira , 533 – Aldeota. Horário: Terça a Sábado, 19h/1h; Domingo, 12h/17h. Cc.: V, A. T.: não aceita Capacidade: 140 lugares Prato Principal: Raviolo Aperto. $$$ Casanostra Fone(s): (85) 261.1820. Av. Senador Virgílio Távora, 1800, Aldeota. Horário: Terça a Quinta, 10h/0h; Sexta a domingo, 10h/2h Capacidade: 137 lugares. Cc.: V, A, C. T: não aceita. Estac.: 30 vagas Prato Principal: Filé à Parmegiana. $$ La Trattoria Fone(s): (85) 219.3666. Rua dos Pacajus, 125, Praia de Iracema. Horário: Segunda a quinta 18h/ 0h, sexta a domingo 18h/2h. Capacidade: 250 lugares. Cc.: todos. T: não aceita. Estac: não tem. Prato Principal: Grelhado à Mista. $ Nova Vitchenza Fone: (85) 224.0611 Rua Monsenhor Bruno, 559, Meireles. Horário: Quarta a Sábado, 11h/ 14h e 18h/23h; Domingo, 11h/16h Capacidade: 60 lugares. Cc.: V, A, S. T.: não aceita. Estac.: não tem. Prato Principal: Galeto Primocanto. $ Pulcinella Fone: (85) 261.3411. Rua Osvaldo Cruz, 640, Meireles. Horário: Segunda a Quinta, 12h/15h e 17h/1h; Sexta e Sábado, 12h/2h. Capacidade: 100 lugares. Cc.: todos. T: não aceita. Estac.: não tem. Prato Principal: Spaghetti com frutos do mar. $$ Tavernelle Fone: (85) 261.9923. Avenida Santos Dumont, 2161, Galeria Dr. Ibiapina, 2161, Aldeota. Horário: Segunda à sexta, 12h/14h30 - 18h/23h, Sábado e domingo 12h/14h, 18h/24h. Capacidade: 50 lugares. Cc.: A, C, T.: não aceita. Estac.: 20 vagas. Prato Principal: Spaghetti a quatro queijos. $$

LIBANÊS

Restaurante Libanês Fone(s): (85) 244.7161. Avenida Desembargador Moreira, 2620, Dionísio Torres. Horário: todos os dias, 11h/0h Capacidade: 120 lugares. Cc.: Todos. T.:


todos Estac.: 20 vagas. Prato Principal: Árabe Completo. $

PESCADOS

Água na Boca Fone(s): (85) 267.1296. Rua República do Líbano, 1084, Varjota. Horário: diariamente, 10h/ 2h. Capacidade: 70 lugares. Cc.: não aceita. T: TA. Estac.: não tem. Prato Principal: Moqueca água na boca. $$$ Alfredo, O Rei da Peixada Fone(s): (85) 263.1803 e (85) 263.1188. Avenida Presidente Kennedy, 4616, Mucuripe. Horário: Segunda a Quinta, 10h/1h; Sexta e Sábado, 10h/ 5h; Domingo, 10h/0h Capacidade: 300 lugares Cc.: A, V, M. T: todos Estac.: não tem. Prato Principal: Peixada. $$ As Nativas Fone: (85) 270.1166. Av. Manoel Mavignier, 6433, Abreulândia. Horário: diariamente, 6h/22h. Capacidade: 170 pessoas. Cc.: todos. T.: não aceita. Estac.: 80 carros. Prato Principal: Peixada. $$ João Branco Fone: (85) 263-1401. Endereço: Rua Olga Barroso, 404, Mucuripe. Horário: Terça a Domingo 11h30/ último cliente. Capacidade: 80 lugares. Cc.: V. T: não aceita. Estac.: não tem. Prato Principal: Coroa de Camarão e Peixe João Branco. $$ Marquinhos Delícias Cearenses Fone: (85) 263.1204. Avenida Beira Mar, 4566, Mucuripe. Horário: todos os dias, 11h/0h. Capacidade: 240 lugares. Cc.: D, M, V. T: TR, TC, VR, VA, TA. Estac.: não tem. Prato Principal: Frutos do mar. $$ Osmar Fone: (85) 263.2812. Rua São João, 147, Mucuripe. Horário: Segunda a Sábado, 11h/0h; Em alta estação, abre aos domingos de 10h/0h. Capacidade: 100 lugares. Cc.: não aceita. T: não aceita. Estac.: 30 carros. Prato Principal: Camarão ao alho e óleo. $$ Peixada do Meio Fone: (85) 263.1799. Avenida Presidente Kennedy, 4632, Beira Mar. Horário: Domingo a Quinta, 12h/1h; Sexta e Sábado, 11h/5h. Capacidade: 250 lugares. Cc.: V, A, C, H. T: TR. Estac.: 50 vagas Prato Principal: Peixada do meio. $$ Restaurante Al Mare Fone(s): (85) 263.3888 Avenida Beira Mar, 3821, Meireles. Horário: Segunda a Segunda, 12h/0h. Capacidade: 250 lugares. Cc.: V, A, C, D. T.: não aceita. Estac.: 20 carros. Prato Principal: Grelhado Al Mare. $$$ Restaurante O Ozanan Fone(s): (85) 263.6339. Rua da Paz, 471, Mucuripe. Horário: Segunda a Quarta 11h/1h, Quinta a Domingo 11h/2h. Capacidade: 90 lugares. Cc.: A, S. T.: TA Estac.: não tem. Prato Principal: Camarão. $ Sirigado Fone: (85) 267.5858 e (85) 267.7774. Rua Aloísio Mamede, 227, Varjota. Horário: 11h/ último cliente. Capacidade: 200 pessoas. Cc.: V e M. T.: TA. Estac.: Não tem. Prato Principal: Sirigado na Brasa. $$ Sobre O Mar Fone: (85) 219.6999. Rua dos Tremembés, 2, Praia de Iracema. Horário: todos os dias, 12h/últ. cliente. Capacidade: 450 lugares. Cc.: A, HC. T.: não aceita. Estac: 80 vagas. Prato Principal: Grelhado de Marisco. $$ Tudo Em Cima Fone(s): (85) 263.2777. Rua do Mirante, 107, Conjunto Santa Teresinha, Mirante. Horário: Domingo a Quinta, 11h/1h; Sexta e Sábado, 11h/último cliente. Capacidade: 220 lugares. Cc.: A, V, HC, C, D. T.: não aceita. Estac.: não tem. Prato Principal: Peixe na telha. $$

REGIONAIS

Caicó Fone: (85) 234.1915. Avenida Engenheiro Santana Júnior, 1002, Papicu. Horário: diariamente, 11h/0h Capacidade: 130 lugares. Cc.: V, HC. T: TA, TR, VA, VR. Estac.: 20 carros. Prato Principal: Carne de Sol. $ Restaurante e Chopperia Boi do Sertão Fone: 272 9022. Av. Pontes Vieira, 2340, Horário: Diariamente, 12h/2h. Capacidade: 800 lugares. Cc: Todos. T.: Todos e TR. Estac.:

300 vagas. Prato Principal: Carne de Sol na Brasa. Carneiro do Ordones Fone: (85) 283.6579 e 281.6576. Rua Azevedo Bolão, 571, Parque Araxá. Horário: diariamente, 9h/últ. cliente. Capacidade: 720 lugares. Cc.: C, V, HC. T.: VR, TR. Estac.: não tem. Prato Principal: Carneiro na brasa. A maior variedade de pratos com carneiro no mundo (68 tipos diferentes) $ Colher de Pau Fone: (85) 267.3773. Rua Frederico Borges, 204, Varjota. Horário: domingo a quinta, 11h/1h, sexta e sábado 11h/2h. Capacidade: 380 lugares. Cc.: todos. T: não aceita. Estac.: 20 vagas. Prato Principal: Carne de Sol. $$ Paulinho da Maraponga Fone: (85) 296.1526 e (85) 296.3123. Avenida Godofredo Maciel, 3884, Maraponga. Horário: 11h/22h. Capacidade: 250 lugares. Cc.: todos T.: TR. Estac.: 50 vagas. Prato Principal: Comidas Regionais. $ Tia América Fone: (85) 267.7055. Avenida Antônio Justa 3947, Varjota. Horário: Quinta 18/0h, sexta 11h/20h, sábado e domingo 8h /22h. Capacidade: 250 lugares. Estac.: não tem. Cc. e T.: não aceita. Prato Principal: Galinha Caipira. $

SUÍÇOS

La Raclete Fone(s): (85) 262.1719. Rua Vilebaldo Aguiarm 352, Papicu. Horário: Quarta e quinta, 9h/18h. sexta e sábado 9h/4h. Capacidade: 200 lugares. Cc: C, D, A, V. T.: não aceita. Estac.: 6 vagas. Prato Principal: Fondue de carne, queijo e camarão. Zug Choperia Fone(s): (85) 224.4193. Rua Prof. Dias da Rocha, 579, Meireles, loja 4. Horário: 9h/2h. Capacidade: 250 lugares. Cc: C, M. T.: não aceita. Estac.: 15 vagas. Pratos Principais: comidas alemâ, suíça e nacional.

VARIADOS

Caravelle Fone: (85) 272.1384. Avenida Luciano Carneiro, 1936. Horário: Segunda a Quinta 10h/0h, sexta e Sábado 10h/2h Capacidade: 300 lugares. Cc.: C e V. T: todos. Estac: Não tem. Prato Principal: Lula. $ Cantinho do Faustino Fone: (85) 267-5348. Rua Delmiro Gouveia, 1520, Varjota. Horário: Terça a sexta, 12h/15h e 18h/0h, Sábado, 12h/0h, Domingo, 12h/16h. Capacidade: 100 lugares. Cc.: HC, M, V, C, A, D, S. Estac: não tem. T: não aceita. Prato Principal: Lagosta, scargot e carneiro. $$ Estoril Fone: (85) 219.8389. Rua dos Tabajaras, 397, Praia de Iracema. Capacidade: 500 lugares Cc.: Todos, exceto Visa. T: TR. Prato Principal: Camarão, Lagosta $

BARES

Alô Brasil Fone(s): (85) 263.3309. Rua do Mirante, 21 — Mirante Horário: Diariamente, 10h/último cliente Cc.: C, A, HC. T.: não aceita. Estac.: não tem. $ Beach Bar Fone: (85) 241.1905. Avenida Washington Soares, 747, Edson Queiroz. Horário: Segunda a Sábado, 17h30/último cliente Capacidade: 150 lugares Cc.: não aceita. T: não aceita Estac.: 20 vagas $ Boteco Fone: (85) 461.2872. Av. Antônio Sales, 3177, Dionísio Torres. Horário: Segunda a quinta, 17h/ últ. cliente, sexta a domingo, 12h/ últ. cliente. Capacidade: 450 lugares. Cc.: V e todos da Redecard. T.: não aceita . Estac.: próprio. $$ Algarve Tropical Fone: (85) 219.0409. Rua dos Tremembés, 100, lojas 2, 3, Praia de Iracema. Horário: 18h/1h. Capacidade: 50 lugares. Cc.: M. T.: VR. Estac.: não tem. Alma Gêmea Fone: (85) 253.48.88. Rua Dragão do Mar 30, no Centro Cultural Dragão do Mar, Praia de Iracema. Horário: 17h/2h. Capacidade: 150 lugares. Cc.: C, V, D. T.: Não aceita. Estac.: não tem. Brasil Regional Fone: (85) 219.1611. Rua dos Pacajus, 63, Praia de Iracema. Horário: diariamente, 16h/último cliente. Capacidade: 360 lugares. Cc.: M, V. T: não aceita. Estac.:

não tem. Café Pagliuca Fone: (85) 224.9870. Rua Barbosa de Freitas, 1035, Aldeota. Horário: 17h30min/1h Capacidade: 60 pessoas. Cc.: A. T: não Estac.: 5 carros. $$ Cais Bar Fone: (85) 219.4963. Avenida Beira Mar, 696, Praia de Iracema Horário: diariamente 16h/último cliente. Sexta a Domingo 12h/último cliente, Capacidade: 160 lugares. Estac.: não tem Capitão Mostarda Fone(s): (85) 224.9205. Av. Barão de Studart 2023, Aldeota. Horário: Segunda a quinta 18h/ 2h. Sexta e sábado, 18h/5h, domingo 18h/0h. Capacidade: 200 lugares. Cc.: V, todos Mastercard, D, A. T.: Todos. Estac.: 50 carros. Casa do Mincharia Fone(s): (85) 219.9235. Rua dos Pacajus, 20, Praia de Iracema. Horário: Segunda a Sábado, 18h/2h. Capacidade: 150 lugares. Cc.: não aceita. T: não aceita Estac.: não tem. Docas — Bar Café-Teatro Fone: (85) 219.8209. Rua Dragão do Mar, 212, Praia de Iracema. Horário: 20h/últ. cliente. Capacidade: 400 pessoas no café-teatro e 500 no bar. Cc.: todos. T.: não aceita. Estac.: 40 vagas. Friend’s — Meat and Beer Fone: (85) 241.3440. Avenida Washington Soares, 843, Edson Queiroz Horário: terça a sábado, 17h/último cliente. Capacidade: 150 clientes. Cc.: M, V. T: não aceita. Estac.: 20 vagas. Habeas Copus Fone: (85) 257.5662. Rua Almirante Rufino, 1076, Aeroporto. Horário: diariamente, 17/último cliente Capacidade: 400 lugares. Cc.: V. T: TA, VA Estac.: não tem Picanha do Cowboy Fone(s): (85) 261.4491. Avenida Dom Luís, 685 – Aldeota. Horário: Terça a sábado 10h/ 2h; Segunda, 17h/2h; Domingo, 10h/17h. Capacidade: 160 pessoas Cc.: todos T.: não aceita Estac.: 10 carros. Picanha Grill Fone: (85) 241.2443 Avenida Washington Soares, 550, Água Fria Horário: 9h/ últ. cliente. Capacidade: 60 mesas Cc.: Todos, exceto Hipercard. Estac.: não tem

CASAS DE SHOWS, BOATES, CLUBES

Clube do Vaqueiro Fone: (85) 278.2000. 4º Anel Viário, s/n, Eusébio Horário: Todas as quartas a partir das 20h, e todo 1º sábado do mês, 20h. Capacidade: 14.000 lugares. Cc: C, V. Entrada: Em média R$ 10,00. Estac.: 1.500 carros. Parque do Vaqueiro Fone: (85) 296.1159 BR-020, s/n, Km 10, Caucaia Horário: Sexta, 22h/5h Capacidade: 25.000 lugares Cc: não aceita. Cheque: só de Fortaleza. Pirata Bar Fone: (85) 219.8030. Rua dos Tabajaras, 325, Praia de Iracema. Horário: Segunda 20:30h/4h. Capacidade: 4000 pessoas. Entrada: 15 reais. Cc.: só para o consumo (todos). T.: não aceita. Estac.: não tem. Atrações: Banda Pé de Chinelo e Banda do Pirata. Boate Pimenta Maluca Fone(s): (85) 219.0929. Av. Almirante Barroso, 444. Horário: quinta a sábado 22h/5h. Capacidade: 1.500 pessoas. Cc.: C, V. T.: Não aceita. Estac.: 150 vagas/com manobrista Bartuque — Samba de mesa Fone: (85) 265.7374. Av. Santos Dumont, 7055, Praia do Futuro. Horário: todos os domingos, a partir das 18 horas. Capacidade: 100 pessoas. Cc.: não aceita . T.: não aceita. Estac.: 50 vagas. Atrações: banda Samba de Mesa e convidados. Friend’s — Casa de Show Fone: 3086.5705. Rua Gustavo Lima, 1313 (próximo ao Iguatemi). Horário: todas as sextas, a partir das 21 horas. Capacidade: 5 mil pessoas. Cc:. não aceita. T.: não aceita. Estac.: 300 vagas. Mucuripe Fone: 2631006. Av. Abolição, 4111, Mucuripe. Capacidade: 3 mil pessoas. Horário: 21h30/6h. Espaço com 2 boates, restaurante, salão aberto e bar. Cc: V, M, A. T.: não aceita. Estac.: 400 vagas. Ingressos entre R$ 12 e R$ 15.  Fale $#

SETEMBRO 2001


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POR CARLOS ROBERTO MARTINS RODRIGUES

Pobreza e futebol

Tal pátria, tal futebol. Não temos mais a arte dos meninos da bola de meia

O

Brasil tinha dois símbolos de sua condição de pátria amada. Carnaval — com a sua marca maior, o samba do morro, o samba no pé, e os ritmos correlatos, como o chorinho, a marcha, o frevo. Eram três dias sagrados, preparados e ensaiados o ano inteiro. A brincadeira dançante nas ruas, nas praças, nas avenidas, os corsos, o velho cloretil molhando as serpentinas e os confetes, descendo, fogosos, pelos ombros apetitosos do doce feminino. Era pagode puro, de verdade, só com a malícia delicada e insinuante dos versos bem construídos e das melodias que davam gozo aos ouvidos atentos dos foliões. O tempo momino passava, mas as canções ficavam. Se repetiam a cada carnaval, disputando, com a produção nova e intensa, a preferência das boas orquestras e dos cantores consagrados. A classe média, então existente, comandava os blocos, afogando os problemas e os poucos conflitos nas rodas de samba. No resto do ano, as gafieiras eram, ao mesmo tempo, uma continuação do carnaval passado e um prenúncio do que estava para chegar. Vivia-se o samba, o clima de festa dava ao brasileiro um ar de felicidade. O povo era alegre, descarregando seu bom humor em anedotas divertidas. A escola, então, como se costumava dizer, era risonha e franca. Ao lado do carnaval, o futebol. Futebol jogado por todos, nas várzeas, nos quintais, nas praças que eram, realmente, do domínio público, nos pequenos campos, nos campinhos das escolas, dos grupos escolares, nos capins divididos com o gado nutrido. Os meninos pobres, inclusive os pobres da classe média em emergência, engatinhavam suas vocações futebolísticas com as bolas de meia, depois com as de seringa (borracha do Amazonas), e só muito depois, no futebol de nível, nos clubes e nas seleções regionais, disputavam a consagração do público apaixonado. Havia tempo para o futebol de areia e a meninada, antes de conhecer os segredos das técnicas ilustradas de eminentes técnicos (ou coaches, como preferiam os narradores radiofônicos), já exercitavam com prazer e sucesso suas inclinações, criando e fazendo dribles endiabrados, chutando com acertada pontaria, revelando goalkeepers (goleiros, como se conheceria, depois) voadores debaixo das traves, que alguns desavisados chamam de quatro paus. Os garotos estudavam e jogavam futebol, como tinham tempo, também, para outros folguedos,



$$Fale

SETEMBRO 2001

que os dias não trazem mais. O craque (crack, que não tinha o significado penal de hoje) se formava nos campos de areia, no aprimoramento contínuo da revelação de dons, que os técnicos não podem transmitir. A arte era nata, desenvolvida na competição rica dos meninos pobres, sonhadores de chegarem, um dia, ao topo da realização esportiva. Era assim que se formavam os grandes jogadores do depois, saídos, em sua maioria, da classe média menos afortunada ou mesmo da pobreza suportável, embalada em sonhos quase sempre realizados. O time de cada um era amado e, por ele, o menino pobre do futebol de areia e da bola de pano dava tudo. O país cresceu, sem dúvida. Inclusive em número de habitantes. Há quem diga que, numa certa fase, cresceu cinqüenta anos em cinco... Indústria pesada, ganhamos. O setor energético e as teles foram vistos com governamental carinho. Até que chegou o liberalismo, que se diz neo, e que não consegue ser nem mesmo o de Adam Smith, dos fisiocratas. Veio a filosofia do governo contábil. Superavit, acima de tudo. Adeus educação, saúde, moradia para o povo. Com o governo da modernidade, o social foi-se de uma vez. Chegou a pobreza extrema. E, dizem os índices de organizações internacionais oficiais, o Brasil está entre os mais miseráveis do nosso planeta Terra. Mas as burras do tesouro público continuam alimentando os cofres de além-mar. Já não comandamos os nossos destinos. Ficam eles subordinados a uma sigla perversa. Vendeu-se (vendeu-se ou se doou?) o melhor do nosso patrimônio. Foi-se a auto-estima nacional. Não tem mais a bola de meia nem os menos favorecidos podem fazer as escolas dos grandes craques. Os garotos pobres, ou vão ajudar a família, em estafantes trabalhos, sem salários condignos, quando encontram esse bem cada vez mais raro, que é o emprego, ou vão para as drogas e as gangues. Porque, então, a surpresa com o ex-futebol que vemos nos estádios daqui e de fora, mostrados pela televisão sem disfarce? O futebol, como o carnaval, é projeção do que somos. Somos um país descendo a ladeira da civilização. Do que fazemos. Ou não fazemos. Ou temos. Ou não temos. É parte de nossa cultura. O futebol, parodiando velha afirmação, é a pátria de chuteiras. Uma das projeções da sociedade em que vivemos. Tal pátria, tal futebol. Não temos mais samba. Nem alegria. Nem futebol com a arte dos meninos pobres da bola de meia. 



Revista Fale! Edição 01