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ES P E C I A L B NTM B r a z i l Na t i o n al T o u r i s m Ma r t 2 0 0 9 EN G L IS H SE C TION W h e r e t o g o IN C E A RÁ Revista de informação ANO VI — Nº 59 OMNI EDITORA

www.revistafale.com.br

A força do turismo no Ceará Com investimentos consistentes para promoção e infraestrutura o Governo do Ceará fez da Secretaria de Turismo um dos eixos estratégicos da gestão

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9 771519 953002 00059> Bismarck Maia, secretário do Turismo no Ceará


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ISSN 1519-9533 © 2009 Omni Editora

Abril de 2009  Ano VI  N 59

P O LÍ TI CA

12

Ação solidária

O secretáio nacional de Economia Solidária do Brasil, economista Paul Singer lembra que a crise econômica estimula iniciativas que provocam dinamismo nas atividades comerciais locais

CAPA FOTO JARBAS OLIVEIRA

o

e NTRE V ISTA

18Bismarck Maia Com investimentos consistentes para promoção e infraestrutura o Governo do Ceará fez da Secretaria de Turismo um dos eixos estratégicos da atual gestão

10O dono em ação

Com apenas 25 anos, Patriolino Ribeiro Neto, jornalista e publicitário, dirige o Grupo Cidade de Comunicação — que tem a TV Cidade, afiliada no Ceará na Rede Record fala da sua carreira

SEÇ Õ ES

08 Arena Política 47 Persona

06 Talking Heads 44 Autos&Máquinas

s o c i eda de

42Pela boca

A globalização do paladar. Saiba que os chefs cearenses fazem sucesso nas cozinha de todo o mundo. Aqui eles eram pouco valorizado no passado, mas agora reconhecidos como estrela

27English section

Uma amostra do potencial turístico do Ceará focada nos participantes da BNTM, feira de negócios do turismo que reune compradores da Europa e EUA

EDITOR&PUBLISHER Luís-Sérgio Santos EDITOR SENIOR Isabela Martin Editor Associado Luís Carlos Martins REDAÇÃO Vitor Ferns EDITOR DE ARTE Jon Romano e

Everton Sousa de Paula Pessoa ARTE Itallo Cardoso ASSISTENTE DE ARTE Luís Sérgio Santos JR Revisão Priscila Peres COLABORADORES Roberto Martins Rodrigues e Roberto Costa IMAGEM Agência Brasil, Reuters REDAÇÃO E PUBLICIDADE Omni Editora Associados Ltda. Rua Joaquim Sá, 746 

CEP 60.130-050, Aldeota, Fortaleza, Ceará

e-mail: fale@revistafale.com.br

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Fones: (85) 3247.6101 e 3091.3966

Fale! é publicada pela Omni Editora Associados

Lltda. Preço da assinatura anual no Brasil (12 edições): R$ 86 ou o preço com desconto anunciado em promoção. Exemplar em venda avulsa: R$ 9, exceto em promoção com preço menor. Números anteriores podem ser solicitados pelo correio ou fax. Reprintes podem ser adquiridos pelo telefone (85) 3247.6101. Os artigos assinados não refletem

Fale! não se responsabiliza pela devolução de matérias editoriais não solicitadas. Sugestões e comentários sobre o conteúdo editorial de Fale! podem ! Fale! é marca registrada no Instituto Nacional de Propriedade Industrial. Copyright © 2007 Omni Editora Associados Ltda. Todos os direitos reservados. Impressão Halley  Impresso no Brasil/Printed in Brazil. Fale! is published monthly necessariamente o pensamento da revista.

ser feitos por fax, telefone ou e-mail. Cartas e mensagens devem trazer o nome e endereço do autor. Fale é marca registrada da Omni Editora Associados Ltda. by Omni Editora Associados Ltda. A yearly subscription abroad costs US$ 99. To subscribe call (55+85) 3247.6101 or by e-mail: df@fortalnet.com.br

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TalkingHeads

Ad commodum Ad commodum suum quisquis suum callidusquisquis est.

callidus est.

Eu acho que o Obama tende a avançar e a compreender que não existe mais necessidade desse embargo a Cuba. dando sua opinião as relações entre Estados Unidos e Cuba presidente LULA,

Todo candidato a presidente que se preze precisa de um bom palanque em cada estado. E esse palanque se constrói com bons candidatos a governador, a senador e a deputado. presidente nacional do PPS, sobre o trio José Serra, Alexandre Pereira e Tasso Jereissati para as eleições de 2010. Roberto Freire,

Se José Serra ganhar em 2010 para presidente terá nosso apoio. Se Dilma vencer, também terá apoio. senador (PMDB-AP), presidente do Senado, traduzindo a lógica de poder do seu partido José Sarney,

Para sobreviver politicamente, vou encarar de frente a morte política.

deputado ( PV-RJ), que doou a parentes passagens da Câmara para viagens ao exterior uma prática comum a todos os deputados Fernando Gabeira,

“Esse é o meu milésimo discurso nesse que é o melhor Senado da República do Brasil em 186 anos [de existência do Poder Legislativo]. Nunca houve na história um Senado como o nosso. Tenho vida limpa. Cheguei aqui simples, com a minha crença em Deus, no amor, no estudo e no trabalho. Esse é o caminho. Mão Santa.” Mão Santa, senador (PMDB-PI).

Deixe-me ser claro: não estou interessado em conversar só por conversar. Mas acredito que podemos mover as relações EUACuba para uma nova direção. presidente dos EUA sobre a retomada do diálogo com Cuba Barack Obama,

 | Fale! | Abril dE 2009

Se ele não devolver, devolvo eu.

apresentadora de TV sobre as passagens aéreas pagas pela Camara dos Deputados da conta do seu ex-namorado Fábio Faria (PMN-RN) para ela e sua mãe. Adriane Galisteu,

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Precisamos resistir. Se sairmos aos poucos, daremos sinal de que nossa luta acabou. governador cassado do Maranhão sobre sua recusa em deixar o Palácio dos Leões, sede do governo do estado. Jackson Lago (PDT),


ArenaPolítica Gilmar Mendes ‘vítima’ da falta de controle com gastos do Congresso

BNB vai financiar Itataia

A Galvani, empresa vencedora da licitação para exploração da mina de fosfato e urânio em Santa Quitéria, interior cearense, tenta garantir junto ao BNB, parte dos R$ 700 milhões que precisa para iniciar as operações. O processo já está na “reta final”.

Serra vem ao Ceará

Suspeita de ‘esquema’ com ‘sobra’ das passagens de parlamentares

O

presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, da Câmara dos Deputados, esclarecimentos sobre passagens aéreas emitidas por gabinete de deputados federais em nome de ministros da corte. Gilmar Mendes e Eros Grau apareceram como beneficiários da cota de passagens dos deputados Paulo Roberto (PTB-RS) e Fernando de Fabinho (DEMBA), respectivamente. Os dois ministros, no entanto, apresentaram documentos para comprovar que não tiveram viagens pagas pela Câmara dos Deputados. Há provas de que os ministros foram vítimas de um mercado paralelo de bilhetes pagos com dinheiro público. As informações são dos jornalistas Lúcio Lambranho, Edson Sardinha e Eduardo Militão do site Congresso em Foco. Os seis bilhetes usados por Gilmar Mendes e sua mulher, a secretária-geral do Tribunal Superior Eleitoral,

Guiomar Lima Mendes, serviram para uma viagem do casal para Nova York e para Fortaleza, onde vive a família de Guiomar. O deputado Paulo Roberto se mostrou surpreso com a informação de que saiu de sua cota um voo para o presidente do STF. Segundo o parlamentar, isso reforça sua suspeita de que um ex-funcionário utilizava sobra de passagens que pertenciam ao parlamentar. O servidor foi demitido em outubro de 2008, mas Paulo Roberto prefere não revelar o nome. Paulo Roberto afirmou não ter relações pessoais com o ministro Gilmar Mendes e sua mulher. Enfatizou também que não tem interesses no Supremo, nem processos contra ele tramitando no STF. “Acredito que tanto eu quanto o ministro Gilmar Mendes fomos vítimas de um esquema”, afirmou o deputado ao site Congresso em Foco.

Confirmado para o mês de junho, em comemoração aos 90 anos do Centro Industrial do Ceará – CIC, paletra com o presidenciável José Serra (PSDB). Fala sobre desigualdades regionais.

Fortaleza bela

As vésperas de anunciar o aumento da passagem do transporte coletivo de Fortaleza, a prefeitura lançou campanha publicitária tentando reduzir o desgaste da medida. Na TV, Fortaleza aparece bela, como insiste o slogan na Prefeitura. Pura ficção. Parabéns aos publicitários.

Empresas com prejuízo e bancos com lucro A ajuda fornecida pelos governos para as instituições financeiras com problemas de caixa parece dar resultado. Os bancos agora estão registrando lucro no 1º trimestre, mas as empresas seguem apresentando prejuízo. Os bancos Wells Fargo, JP Morgan e Goldman Sachs, Citigroup e o Bank of America registrar lucro nos três primeiros meses do ano. Os bancos afirmam que o  | Fale! | Abril dE 2009

resultado é reflexo do corte de milhares de empregos e também de desempenho positivo em áreas como a de investimento. Mas segundo economistas, esses desempenhos não afastam a crise sistêmica porque lucro mede o fluxo de caixa, ou seja, o quanto entrou e saiu de dinheiro em um determinado período. Como os bancos pegaram muito dinheiro emprestado com o

governo a juros baixos, ficou mais fácil conseguir bons resultados temporários. Mas o problema dos bancos é de estoque (fundos) e não de fluxo (caixa). Já as grandes empresas continuam a apresentar resultados ruins por conta do fraco consumo. A Sony Ericsson teve prejuízo no trimestre de US$ 380 milhões. Por causa disso, a empresa anunciou que vai cortar mais 2 mil empregos.

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A estrela

No programa do horário político gratuito do Partido dos Trabalhadores – PT, em rádio e TV a estrela é mesmo a pré-candidata a presidência Dilma Rousseff. A poderosa ministra-chefe da Casa Civil fala sobre o PAC e sobre as medidas econômicas do governo para aliviar os efeitos da crise financeira mundial no Brasil. Mais um teste de imagem para Dilma.


alta rotatividade NO EMPREGO DOS BRASILEIROS Metade dos trabalhadores brasileiros do setor privado que têm carteira assinada fica menos de dois anos no emprego. É o que revela estudo feito pela Universidade de Brasília (UnB), baseado em dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego feita anualmente pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) referentes ao Distrito Federal e à região metropolitana de São Paulo entre 1992 e 2006. O autor da pesquisa, o sociólogo Roberto Gonzales, afirma que essa rotatividade se justifica por questões salariais e de políticas das próprias empresas. “Essa rotatividade não é derivada apenas de desligamentos voluntários. É, em grande medida, resultado de demissões e isso tem muito a ver com o quadro institucional e a cultura das empresas, que permite que elas façam ajustes constantes no seu quadro de pessoal”, explicou. De acordo com a pesquisa, 50% dos empregos

duram menos de 24 meses, 25% duram menos de oito meses e 25% têm duração maior que cinco anos. O levantamento também mostra que todos os anos 40% das pessoas que trabalham com carteira assinada perdem o emprego. A maior permanência no mesmo emprego está na indústria de transformação. No Distrito Federal, a permanência é de 49 meses e em São Paulo, de 61 meses. Isso se deve ao fato de esse tipo de trabalho exigir experiência técnica e ao fato de os trabalhadores do setor serem mais bem organizados em sindicatos. Essa alta rotatividade tem implicações salariais e acaba dificultando a construção de uma carreira profissional. “Há outra consequência que não é individual, mas coletiva, na verdade isso é um mecanismo que diminui a identificação das pessoas com o seu emprego e acaba sendo algo que freia a capacidade das pessoas de ter condições melhores de emprego coletivamente”, acrescentou.

uma chapa “puro sangue” tucana? A chapa “puro-sangue” do PSDB, que seria formada pelos governadores Aécio Neves (MG) e José Serra (SP), segue ganhando defensores. O atual secretário estadual do Desenvolvimento de São Paulo, Geraldo Alckmin, disse que essa composição “seria uma solução”, para o partido. Tanto Serra quanto Aécio são cotados como possíveis apostas tucanas às eleições presidenciais em 2010. Enquanto Serra se mantém na retaguarda ao falar do assunto, Aécio defende que sejam feitas prévias nas bases tucanas para ver qual nome

Psol vai de Protógenes

O

s problemas crescem em torno de Protógenes Queiroz, ex-comandante da Operação Satiagraha, que prendeu o banqueiro Daniel Dantas, após ser afastado de deu trabalho na Polícia Federal, agora é descobriusse que ele viajou com passagens aéreas do gabinete da deputada Luciana Genro (PSOL-RS), pagas pela Câmara. Protógenes foi convencido pelos líderes do PSOL de que, o ex-chefe da Satiagraha, com a sua fama de “justiceiro”, tem grandes chances de ser um campeão de votos. “Uma coisa é certa. No PSOL tem espaço para ele”, avalia o vice-líder do PSOL na Câmara, Chico Alencar (RJ). Mas Protógenes já angariou outras amizades no meio político. Entre elas, a do deputado Paulo Lima (PMDBSP) e dos senadores Eduardo Suplicy (PT-SP), Pedro Simon (PMDB-RS) e Wellington Salgado (PMDB-MG).

aglomera mais apoio. Para Alckmin, no entanto, o ideal seria montar uma chapa com Serra presidente e Aécio, vice. O Partido já confirmou que haverá prévias, mas somente em 2010.

A S F R A SES

[Se eu for candidato, as famílias de alguns criminosos que prendi ou investiguei, como Boris Berezovsky e Law Kin Chong, votariam em mim.]

delegado da Polícia Federal admite que pode se candidatar a cargo público e que foi sondado por PSOL, PT, PDT e PSDB

Protógenes Queiroz,

[Não vejo nada de direita nesses candidatos. Isso é um avanço extraordinário.]

lULA, presidente, analisando o perfil ideológico de José Serra e Aécio Neves (PSDB) e de Ciro Gomes (PSB).

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Lula, como Obama, vai ter seu próprio blog

S

eguindo o modelo da gestão do presidente americano Barack Obama, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ganhará um blog. A ideia faz parte de um projeto do Palácio do Planalto, a criação de um Núcleo de Relacionamento Digital, cujo objetivo é usar novas mídias, como blogs, Twitter e até sites de relacionamento. Parte do projeto em estudo já tem um nome provisório: Blog do Planalto. A idéia partiu do próprio presidente Lula ainda em dezembro de 2008, em razão de seu interesse pelo papel da internet na eleição americana. Na edição da Revista Fale! nº 58, noticiamos o não oficial blog, Os Amigos da Presidente Dilma.

“Hospital da mulher fica pronto em maio”

É

a terceira previsão de inauguração do Hospital da Mulher em Fortaleza, a primeira promessa foi feita por Luizianne Lins nas eleições de 2004: anunciou que o hospital seria inaugurado na metade do seu mandato em 2006, entretanto chegado o prazo a obra nem havia iniciado. Segunda tentativa: dezembro de 2008, nada, nova promessa de campanha na reeleição de Luizianne, e o hospital inicia 2009 com as obras ainda recém iniciadas, na fase de fundações. Agora é previsto para o final de maio a inaguração da primeira parte do Hospital que deve custar mais de R$ 57 milhões. É ver para crer.

Lula, Dilma e José Serra juntos em alto mar

P

or iniciativa do Presidente Lula, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), passarão 14 horas juntos, da noite do dia 30 até a manhã do dia 1º de maio. Eles vão percorrer 160 milhas em um navio da marinha até o Poço de Tupi no litoral do Rio de Janeiro. Lula vai dar início à extração, ainda em fase de experiência, do petróleo do pré-sal dessa área. Os governadores do Rio, Sérgio Cabral, e do Espírito Santo, Paulo Hartung, ambos do PMDB, também foram convidados. Lula promete contar em seu programa de rádio, café com o presidente como foi a experiência.

abril DE 2009 | Fale! | 


Entrevista

10 PERGUNTAS PARA

Patriolino Ribeiro Neto

C

om apenas 25 anos, Patriolino Ribeiro

Neto, jornalista e publicitário, dirige o Grupo Cidade de Comunicação — que tem a TV Cidade, afiliada no Ceará na Rede Record —, além de estar à frente do programa esportivo “Esporte Cidade”, que vai ao ar de segunda a sábado ao meio dia. É verdade que, quando concluiu o curso de Comunicação, ele o fez para enfrentar as responsabilidades da empresa da família. Só não sabia que seria tão complicado ser “o filho do dono”. A partir daí, trabalhou bastante para mostrar a sua eficiência, profissionalismo, responsabilidade e capacidade de gerir uma empresa e ainda enfrentar um programa ao vivo e diário. O jornalista luta e dribla os preconceitos e mostra que o sucesso chegou graças a seu trabalho e não pelas raízes familiares. O fato de ter nascido dono — “é natural que os filhos sucedam os pais nos negócios” — não foi suficiente para Patriolino. “Quero estar em algum lugar pelo meu talento, pela minha capacidade, pelo meu trabalho. Por isso, decidi fazer mais. E dar o melhor de mim mesmo. Ser apenas filho do dono é para os medíocres. Quero estar onde eu mereço estar! Quero fazer o que sei fazer!” Fale! Por que o Sr. resolveu ser jornalista quando poderia ser simplesmente dono? Patriolino. Eu nasci e cresci dentro da

televisão, pode-se dizer assim. Então, logo cedo, descobri-me um apaixonado pela caixa mágica. Aliando a paixão à questão de ser sucessor nos negócios familiares, decidi por estudar Comunicação. Primeiro, terminei o curso de Publicidade e Propaganda. Depois, cursei Jornalismo. Foi nessa época que fui chamado para apresentar uns programetes no canal universitário. Percebi, aí, que tinha talento para estar no vídeo. Depois, surgiu o convite da diretora de jornalismo da Tv Cidade, Sandra Batista, para que eu assumisse o Esporte Cidade. Há 4 anos, eu já trabalhava nos bastidores da emissora. Pensei: “bom, de tevê eu já entendo um bocado. Por que não?!” Assim, passei cerca de 1 mês fazendo testes e, então, assumi o programa. Respondendo, mais diretamente, à pergunta, posso dizer que eu já nasci dono, visto que é natural que os filhos sucedam os pais nos negócios. Mas isso não é suficiente pra mim. Quero estar em algum lugar pelo meu talento, pela minha capacidade, pelo meu trabalho. Por isso, decidi fazer mais.

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E dar o melhor de mim mesmo! Ser apenas filho do dono é para os medíocres. Quero estar onde eu mereço estar! Quero fazer o que sei fazer!

Fa l e ! Quais suas influências no jornalismo e qual o modelo de jornalismo que o Sr. acre-

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dita ser o ideal? Por que? Patriolino. Estou diretamente liga-

do ao setor de jornalismo dentro da emissora. Opino, critico e trabalho junto a eles com o mesmo objetivo: chegar à liderança e continuar sendo a melhor emissora de telejornalismo do Estado. É óbvio que respeito as hierarquias dentro da Tv Cidade, mas faço questão de estar por dentro do setor. No tocante ao programa que faço, participo desde as pautas até a edição. Faço matérias, escrevo, edito, sugiro pautas e ainda apresento. E tudo com a maior satisfação do mundo! Quanto a um modelo de jornalismo, não acredito que exista um ideal. Mas trabalho buscando fazer o melhor. Fazer um jornalismo ético, transparente e que represente o telespectador. Afinal, fazer jornalismo é prestar um serviço à população. Fale! Como o Sr. avalia o mercado regional no Brasil, considerando que as grandes redes estão todas sediadas no Sudeste e acabam priorizando a cobertura naquela região? Patriolino. Acredito que o Nor-

deste como um todo tem crescido em todos os aspectos. Sem dúvida, a gente ainda sofre preconceito. Muitas vezes, o povo do Sudeste-Sul peca pela ignorância de achar que por aqui as pessoas são menores ou fazem um trabalho menor. De qualquer forma, penso que, desenvolvendo um bom trabalho, aos poucos, a gente vai se impondo e chega às cabeças também. Um exemplo disso é que, hoje, a TV Cidade é a terceira principal emissora da Rede Record. Ou seja, isso prova que,


com determinação e esforço, a gente contribui com o bom desenvolvimento do mercado regional. Fale! O que o atrai mais em Jornalismo? Patriolino. A agilidade e a instanta-

neidade, no caso do telejornalismo. É muito bom você ver o resultado diário do seu trabalho. Terminar de apresentar o programa e avaliar o que você acabou de fazer dá uma excelente sensação. Além disso, é o jornalismo quem instrui e informa o povo. Participar desse processo é muito gratificante. Mas isso só vem se você tiver a certeza de que está fazendo um bom trabalho. E isso eu tenho! Fale! Como seu pai encarou a sua decisão de fazer Jornalismo? Patriolino. Em relação aos cursos que

fiz, ele sempre incentivou a ideia. A respeito da decisão de ser apresentador de telejornal, ele só ficou sabendo 5 minutos antes de eu estrear. Na verdade, mantive a decisão em segredo até a última hora. Foi uma estratégia que usei para evitar opiniões desnecessárias e pouco construtivas e também o conhecido olho gordo. Quando cheguei a minha casa, após a apresentação, foi que conversei com meu pai. E aí recebi total apoio dele. Posso dizer que, atualmente, ele é um dos meus fãs e grandes incentivadores. Fale! Como o Sr. avalia a influência da TV Digital no negócio da comunicação em TC? As ameaças são maiores que as oportunidades? Ou não? Patriolino. Toda mudança, no início,

assusta. Os investimentos são muito altos, mas, ao final de todo o processo, todos vão sair ganhando. Sem dúvida, existem muitas oportunidades. A grande questão é que a implantação de todo o sistema da TV Digital ainda vai levar muito tempo. A tão falada interatividade entre público e

programação ainda vai levar um certo tempo. Nesse período, muitas pesquisas ainda vão ser feitas, muitos projetos serão colocados em prática, e as emissoras precisam se adequar. Ou melhor, todos precisam se adequar. A TV Digital vai revolucionar a comunicação. Agora, leia-se que isso apenas no final de todo o processo. E aí, sabe-se lá Deus quando vai ser. Se vai ser mesmo em 2016, eu não tenho como afirmar.

uma coisa por cima da outra. No período da manhã, eu fico bem dedicado ao Esporte Cidade mesmo. Depois de apresentar, a gente faz uma reunião sobre o programa. E, só então, eu retomo minhas outras funções. É uma rotina bem puxada porque eu tenho que encaixar minhas atividades pessoais antes de chegar à Tv ou depois de sair. Por exemplo, todos os dias, eu tenho de ir à academia às 6 e 15 da manhã. Senão, não dá mais tempo...

Fale! Como o Sr. avalia o mercado local. Existem perspectivas de crescimento? Patriolino. Por que não? É lógico que

Fale! O que Sr. diria para os jovens como o Sr. que querem fazer televisão? Patriolino. Que a televisão é mágica e,

a visibilidade para um profissional de tevê daqui do Nordeste é menor do que se fosse no eixo Rio-Sp, mas acredito que sempre existem oportunidades e perspectivas para o bons. Hoje, Fortaleza é uma das principais capitais do País. Sem dúvida, é um foco de atenção. Não podemos esquecer, entretanto, que o mercado ainda é fechado e pequeno. Apesar de existirem muitas faculdades com o curso de Jornalismo, tem-se visto muita gente ruim com o diploma na mão. Acho sim que o mercado local tem boas perspectivas, mas, no meu caso, eu prefiro fazer o meu trabalho pensando em, um dia, estar em uma emissora nacional. Quem não pensar assim é porque pensa pequeno. Fale! Como é seu método de trabalho diário? Sua rotina? Patriolino. Na Tv Cidade, eu exerço ou-

tras atividades como, por exemplo, a direção de criação e qualidade. Sendo assim, preciso acompanhar, de perto, todos os produtos que são produzidos na emissora. Ou seja, é muita coisa. Por isso, acordo bem cedo. Acompanho desde o Fala Ceará, às 7 da manhã, até o Jornal da Cidade às 19h30. Costumo chegar à emissora entre 8 e 9h e só saio quando o JC acaba. Depois que eu chego à emissora, aí é

por si só, é encantadora. Mas, para estar na tevê, é preciso muito estudo. Muita dedicação. Antes de qualquer coisa, ter pé no chão. Fazer televisão deve ser porque gosta. Se alguém quer estar na tevê por dinheiro ou fama, eu diria para procurar outra atividade. É lógico que a televisão traz ambas as coisas, mas não deve ser o foco, principalmente, se você pensa em ser um jornalista. Fale! Quais são seus consumos culturais e suas preferências em jornal, televisão, música, internet, literatura e cinema? Patriolino. Depois da televisão, minha

paixão são os livros. Em jornal, costumo ver quase todos. Mas confesso preferir os nacionais devido ao acabamento técnico ser quase perfeito. Sem falar, é claro, nos da Tv Cidade. Música: gosto de todas. Exceção: rock pesado. Internet: trabalho muito com ela. Então, nos momentos de folga, quero distância. Tem horas que eu nem aguento olhar para um computador. Cinema: faz tempo que não vou ao cinema. Mas adoro o cinema hollywoodiano. Um drama, então, eu adoro! Só não curto muito comédias...Além disso e, mesmo sendo muito jovem, não sou de balada. Curto mesmo é um passeio tranquilo sem grandes agitos. Um jantar entre amigos e ponto. n

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Política

PAUL SINGER ECONOMIA SOLIDÁRIA É SAÍDA PARAA A CRISE

O secretáio nacional de Economia Solidária do Brasil, economista Paul Singer lembra que a crise econômica estimula iniciativas que provocam maior dinamismo para as atividades comerciais locais junto às comunidades mais pobres

S

e a crise econômica bate mais forte para os mais pobres,

é também nas comunidades carentes que surgem iniciativas que provocam maior dinamismo para as atividades comerciais locais. Clube de trocas, cooperativas de trabalhadores e de consumidores e bancos comunitários são fenômenos da chamada economia solidária que vêm experimentando no Brasil um verdadeiro boom e têm dado condições de sobrevivência a comunidades das periferias das grandes cidades, do campo e de cidades menores. O economista Paul Singer está à frente da Secretaria de Economia Solidária, do Ministério do Trabalho e Emprego. Ele avalia que, em momentos de dificuldades, há a tendência de que as pessoas busquem alternativas ao modo de produção excludente. “O que menos se troca em um clube de trocas é mercadoria. Troca-se afeição, trocam-se histórias”, cita o economista em entrevista à repórter Luciana Lima, da Agência Brasil, destacando o caráter inclusivo da economia solidária. “O desemprego é horrível porque ele tira as pessoas do meio social delas”, considerou. Singer evita previsões sobre o futuro, tentou se esquivar de responder se o pior da crise já passou, mas acabou revelando que vê no atual cenário econômico brasileiro sinais de recuperação. “As vendas no varejo estão crescendo, a indústria automobilística bateu recorde em março, mas não ouso dizer que o pior já passou”, disse. “Primeiro, porque eu não tenho bola de cristal, segundo, não estou falando como economista profissional. Mas acho que a chance é boa. Saberemos disso daqui a alguns meses.”

A economia solidária pode ser vista como alternativa para comunidades que sofrem com o colapso da economia de mercado? Paul Singer. Com certeza. A economia solidária surge no Brasil em um

momento de forte crise. Uma crise à qual eu chamaria de tragédia, que foi a abertura do mercado nos anos 1990. Essa abertura começou no governo de Fernando Collor e depois continuou no governo de Fernando Henrique Cardoso. Nessa época, cerca de 7 milhões de postos de trabalho foram eliminados, porque começamos a importar em uma quantidade maluca todo tipo de mercadoria. Importávamos desde ursinho de pelúcia até guarda-chuvas, da China, da Coréia do Sul e de outros lugares onde o custo era menor. Foi uma tragédia para os trabalhadores brasileiros. O desemprego subiu a patamares nunca vistos. Os salários baixaram e também houve mais pobreza. Nesse contexto é que surge a economia solidária. Ela surge como reação a isso, como estratégia de sobrevivência. As pessoas precisam sobreviver e surgiram experiências na época quase desconhecidas.

Que experiência lhe chamou mais a atenção nessa época? Paul Singer. Surgiram as empresas cooperadas, que iriam fechar, mas

os trabalhadores conseguiram se juntar e ficar com ela. De empregados passaram a ser donos. Isso é o sinal mais concreto de que a economia solidária é uma solução para a crise. Ela evita deixar pessoas sem meios e sem trabalho. Milhares deixaram de ser empregados e passaram a ter participações. Na economia solidária, não há emprego. O que existe é participação. Essa é também uma experiência internacional, mas acho que nós, brasileiros, estamos na frente.

12 | Fale! | Abril dE 2009

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foto elza fiúza _ abr

sinais de recuperação. O secretáio nacional de Economia Solidária do Brasil, Paul Singer vê sinais positivos de retomada do crescimento

Qual a importância da economia solidária no Ministério do Trabalho? Paul Singer.

Exatamente por causa dessas empresas cooperadas, que surgiu diretamente da iniciativa dos sinFoto Elza Fiúza _ ABr dicatos. Quando há uma falência, os trabalhadores são credores da empresa, seja porque ela não pagou os últimos salários, as contribuições para o INSS [Instituto Nacional de Seguridade Social]. No fundo, os trabalhadores têm um crédito e, com esse crédito, se candidatam a ficar com a empresa e mantê-la funcionando. Todas as empresas cooperadas no Brasil, e são muitas centenas hoje, se formaram a partir de iniciativas dos sindicatos. Por isso é que o movimento da economia solidária faz parte do movimento operário e camponês.

O senhor acha que os efeitos da crise no Bra-

sil já estão sendo superados ou essa crise é mais profunda do que se imagina? Paul Singer. Se as pessoas acreditarem

que estamos saindo da crise, elas vão agir como se estivéssemos mesmo já saindo. E aí sairemos mesmo. Esse é um ponto que as pessoas, em geral, entendem logo, mas não descobrem sozinhas. A previsão faz o futuro. Se as pessoas forem pessimistas, o futuro será ruim, porque elas vão se preparar para esse futuro ruim. Os mais conservadores estavam exigindo que o governo cortasse gastos. Mas se o governo fizesse isso com a previsão de que iria arrecadar menos, iria mesmo arrecadar menos. O governo está gastando por conta. A arrecadação subiu um pouco, mas o governo está gastando mais. Agora, claramente a economia está se recuperando. As vendas no varejo estão crescendo, a indústria automobilística bateu recorde em março, mas não ouso dizer que o pior já passou, primeiro porque eu não tenho bola de cristal, segundo, não estou falando como economista profissional. Mas acho que a chance é boa. Saberemos www.revistafale.com.br

disso daqui a alguns meses.

Em que pontos a economia solidária se distingue da economia capitalista? Paul Singer. A economia solidária tem

tudo ao contrário da economia capitalista. A economia capitalista se baseia essencialmente na propriedade privada, de meios de produção, ou seja, as fábricas, os escritórios, as clínicas, tudo tem dono. Esse dono é quem emprega trabalhadores em troca de um salário e que os trabalhadores façam o que ele manda. Na economia capitalista, a empresa está inteiramente a serviço dos interesses do dono, que é maximizar o lucro. Nem consumidores, nem trabalhadores têm poder. Quem tem poder é quem tem o capital. Na economia solidária não tem isso. Os donos dos empreendimentos são os trabalhadores ou os consumidores.

Mas como isso funciona? Paul Singer. Dois tipos de empreendimentos podem ser formados na forma de cooperativas, mas não necessariamente. No entanto, o cooabril DE 2009 | Fale! | 13


P O LÍ TI CA perativismo foi a forma legal mais fácil de se organizar. As cooperativas podem ser de produção, que são também chamadas de cooperativas de trabalhadores. Nesse caso, não tem patrão. Os próprios cooperados administram o empreendimento de forma coletiva, dividem o capital entre eles, por igual, e nas decisões que precisam ser tomadas, cada um tem um voto. Esses são os princípios básicos de qualquer cooperativa e da economia solidária. Há cooperativas que fazem suas assembléias enquanto trabalham. Conheço uma em Porto Alegre, a Univens, que vem a ser a abreviação de “Unidas Venceremos”. Trata-se de uma cooperativa de costureiras, na qual trabalham 20 mulheres e um homem, que cuida da serigrafia das roupas. Ele não é costureiro e trabalha no outro andar. É chamado quando elas têm que tomar alguma decisão. Isso é só um exemplo do que acontece na prática. Isso é só um exemplo de economia solidária que produz mercadorias e serviços e quem vende.

Como funciona a cooperativa de consumidores? Paul Singer. São pessoas que se juntam

para atividades de proveito total deles. Eles não vendem, até compram da sua própria cooperativa o que ela produz. É o caso das escolas cooperativas. Temos várias no Brasil que têm como sócios os pais dos alunos. Existe uma escola formada por funcionários do Banco do Brasil que estavam insatisfeitos com a escola de seus filhos. Eles criaram uma cooperativa que mantém a escola. Temos cooperativas de habitação, em que as pessoas se associam para ter casa própria, algumas vezes trabalhando e produzindo a casa em regime de mutirão, outras vezes, só colocando dinheiro, para que se possa construir prédios e apartamentos. Existem ainda na área de saúde, com pessoas que se juntam para fazer um plano de saúde. Quem manda é quem usufrui do serviço. Se você entra em um plano de saúde capitalista, vai pagar um valor por mês e o capitalista que administra seu dinheiro vai pegar uma parte para ele, que é o valor pago para ele administrar o plano. Claro que em uma cooperativa quem tem o trabalho de administrar são os próprios sócios.

E os clubes de trocas? 14 | Fale! | Abril dE 2009

O desemprego é horrível porque tira as pessoas do meio social delas. O trabalho é o lugar onde estão os seus amigos. Hoje, As Sels (Systémes d’Echanges Local) [como são chamados os clubes de trocas ma França] são associações de pessoas que festejam a possibilidade de interagir. Paul Singer. Os clubes de troca são basi-

camente respostas a situações de crise, falta de trabalho e falta de renda. Os dois casos históricos ocorreram em tempos de crise. No Canadá, um clube de troca ocorreu em uma cidade próxima a Vancouver na década de 1980. Nessa cidade havia poucos empregadores. Toda a população trabalhava ou em uma base aérea ou na indústria madeireira, que fechou. A população ficou sem qualquer fonte de renda. Uma pessoa organizou o clube de trocas para os moradores e, como todo mundo fazia coisas que poderiam ser úteis, o clube funcionou. Eles inventaram uma moeda, e as pessoas conseguiram sair do impasse. Na grande crise pela qual a Argentina passou em 2001, os clubes foram essenciais porque faltava dinheiro. Foi uma crise terrível. As pessoas passavam fome, assaltavam supermercados, chegaram a derrubar um governo. Há um cálculo de 6 a 7 milhões de pessoas que foram ao clube de troca para conseguir comida levando o que tinham em casa ou o que se podia produzir. Foi uma verdadeira explosão. Foi muito ruim porque os clubes de troca na Argentina cresciam, tinham centenas de milhares de sócios. De repente, essas centenas de milhares de pessoas viraram milhões de pessoas. Daí, perdeu-se o controle e começou a falsificação das moedas sociais. Os preços também subiram porque havia muito mais comprador que produtos. A idéia do clube é que quem compra www.revistafale.com.br

também vende. São os chamados ‘prossumidores’, fusão de produtores e consumidores. Eles devem exercer os dois papéis.

Que efeito o clube de troca tem sobre a atividade econômica? Paul Singer. Os clubes de troca foram criados simultaneamente no Canadá e na Argentina. Esses são os primeiros. Mas há registros de cubes de troca ou coisa semelhante no passado, durante a crise dos anos 30. Depois, a idéia se perdeu. O clube cria um mercado onde não havia nada, inventa uma moeda onde não havia moeda. Com isso, surge uma oportunidade de trocas, trabalho e consumo. Ele, tipicamente, aparece em situações de crise, formado por trabalhadores autônomos, microempreendedores, cujos fregueses perderam o emprego. As pessoas acabam se conhecendo melhor. Há situações em que pessoas adoecem e ganham crédito dos outros que vão continuar fornecendo para ele, mesmo que não possa produzir naquele momento, por estar impossibilitado.

Qual o efeito social do clube de trocas? Paul Singer. O que menos se troca são

mercadorias. Trocam-se afeição, histórias. O desemprego é horrível porque tira as pessoas do meio social delas. O trabalho é o lugar onde estão os seus amigos. As Sels (Systémes d’Echanges Local) [como são chamados os clubes de trocas ma França] são associações de pessoas que festejam a possibilidade de interagir. Nesse caso, a moeda social tem um papel econômico também, mas pelo jeito, menos importante. Ela consegue reincluir no meio social gente que estava isolada. Isso é geral. Não é só na França.

Como funcionam o banco solidário e a moeda social? Paul Singer. Hoje, no Brasil, estamos de-

senvolvendo bancos para pessoas muito pobres. Essa é uma criação de uma comunidade de Fortaleza chamada Conjunto Palmares, o Banco Palmas. A moeda social que eles usam para criar crédito chama-se palmas. Uma palma vale um real. Em Vitória, há também um banco famoso, chama-se BEM, que funciona no Morro de São Benedito. Essa localidade virou um complexo de cooperativas de várias atividades. Se a pessoa fizer compras no comércio,


colocar gasolina no carro, ela ganha um desconto para usar a moeda local. Com isso, o dinheiro da comunidade é gasto ali, ao invés de ser gasto fora da comunidade. As atividades comerciais se movimentam. A moeda social é uma moeda, geralmente de papel porque o povo gosta disso. Poderia ser um cartão de crédito, mas o povo acha o cartão muito abstrato. Eles imprimem. Tenho uma coleção de moedas sociais que, ao longo dos anos, fui sendo presenteado. São notas com desenhos e com nomes simbólicos, ou do local, como Palmas, tem reais verdes, reais solidários ou somente solidários,. São nomes que exprimem a ideologia da associação. A moeda social também é usada em clubes de troca.

Por que o uso da moeda em uma relação onde se privilegia a troca? Paul Singer. As pessoas se reúnem e usam

Hoje, no Brasil, estamos desenvolvendo bancos para pessoas muito pobres. Essa é uma criação de uma comunidade de Fortaleza chamada Conjunto Palmares, o Banco Palmas. A moeda social que eles usam para criar crédito chama-se palmas. Uma palma vale um real.

a sua moeda para avaliar o serviço e os bens que eles podem produzir. Em geral, nos clubes de troca, há uma espécie de feira que é muito festiva. É uma festa popular no domingo de manhã no bairro. As pessoas se conhecem, isso é importante. Todos mundo leva coisas que todo mundo produziu. Mulheres levam pão, bolo e podem trocar por outro bem ou serviço. Se você tem um cômodo vazio, pode alugar. Mas a pessoa que aluga pode não ter nada para você. Então, ele vai pagar com a moeda local, e você poderá comprar alguma coisa que precisa. O banco comunitário tem um âmbito de ação mais amplo, e a moeda é usada para proteger e criar um mercado local. Surge uma proteção contra a competição externa que é, geralmente, de empreendimentos capitalistas, supermercados e grandes lojas, por exemplo.

equilibrado, esse dinheiro nunca volta para a direção.

Mas como as pessoas têm acesso à moeda no clube de trocas? Paul Singer. Quando elas ingressam

ocorrer para os integrantes do grupo, mas não dentro do clube de trocas. Há acumulação quando eles criam, por exemplo, o Palma Fashion, que é uma cooperativa de costureiras do Conjunto Palmares que fazem roupas, desfiles e conseguem vender sua produção. As costureiras criaram um mercado e estão produzindo. Aí sim, na cooperativa, cada costureira teve que entrar com um valor para que pudessem comprar tecido, linha, máquinas de costura. Nesse caso, há sim acumulação de capital, mas dentro do clube de trocas, não. O que acontece é que se cria um mercado

no clube, ganham um valor. É um empréstimo, mas enquanto ela estiver no clube ninguém vai cobrar. As transações têm um registro para que os administradores possam saber que o clube de trocas está funcionando. Quando se aluga o quarto, comunica-se à direção do clube a transação, por quanto foi alugado e para quem. O administrador registra isso. Esse registro serve para a direção do clube ter uma idéia de como esse dinheiro está circulando. Se estiver tudo bem

Mas o que pode colocar em risco o equilíbrio de um clube de trocas? Paul Singer. Podem haver pessoas que

nunca compram, só vendem. Ficam acumulando dinheiro. Isso é ruim para o clube porque o dinheiro fica estocado. A pessoa não ganha nada com isso porque não rende juros e os outros membros do clube não têm para quem vender. Nesse caso, cabe até uma interferência. Tem que haver pressão, inclusive, algumas vezes, dando prazo para era essa pessoa gastar o dinheiro. Acumular dinheiro na economia solidária é contra o interesse geral.

A busca capitalista pelo acúmulo de capital então não pode funcionar na economia solidária? Paul Singer. O acúmulo de capital pode

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onde não havia.

Mas, hoje, quem coloca dinheiro nos bancos comunitários? Paul Singer. O Banco Popular do Bra-

sil tem hoje R$ 1 milhão no Banco Palmas, por exemplo. Começou com R$ 50 mil. Na medida em que eles foram vendo o funcionamento do banco, aumentaram os valores. Mas o Banco Popular do Brasil está colocando dinheiro em outros bancos comunitários, no Espírito Santo, na Bahia. Hoje, existem mais de 40 bancos comunitários já funcionando no Brasil inteiro. Esse aporte é feito em real. Na verdade, o Banco Palmas só emite palmas na medida em que tenha real. Eu sou contra isso. Pessoalmente, acho que isso é um erro porque o Banco Palmas poderia emitir duas vezes o valor em real que não teria problema, na medida em que essa moeda circula. No entanto, eles fazem questão e, me parece, que isso até faz parte de um acordo com o Banco Central.

E como é a relação desses bancos com o Banco Central? Paul Singer. Os bancos, na verdade, são

bancos fantasia. O pessoal do Banco Palmas, por exemplo, estava ativando o banco na sede da associação de moradores. Aí apareceu a recepcionista dizendo que havia dois homens do lado de fora dizendo que queriam ver o banco. Os administradores responderam: que banco? Ofereceram umas cadeiras para eles. Eles eram do Banco Central, que queriam saber que banco era aquele, mas nem sabiam que tinham criado um banco. Enfim, hoje há uma relação entre o BC e o Banco Palmas. Aqui da secretaria, somos meio intermediários dessa relação. O Banco Palmas tem o nome de banco porque o povo vê isso como um banco, mas não é algo formal. É claro que tem contabilidade, controle social. Os bancos comunitários são uma espécie de clube de troca mais amplo. Eles podem receber depósitos. Se o empréstimo é em real, eles cobram juros. Comparando com o Brasil, que tem taxas inacreditavelmente altas, eles cobram pouco, cerca de 2% ao mês ou até menos. Isso porque os reais que eles têm são do Banco Popular do Brasil, que cobra algum juro. Mas se o empréstimo é na moeda social, não há juros. n abril DE 2009 | Fale! | 15


tourism, a powerful engine

T

ourism represents some 5% of GDP and 6% of jobs in G20 countries. Global tourism services exports amount to US$ 3 billion per day. Tourism is the main growth & trade driver for the

world’s poorest countries. The travel sector can be a leader in the response to climate change. Due to its strong economic multiplier effect as a sector dominated by small and medium enterprises, tourism and travel, if properly encouraged, can play a more important role in economic stimulus and building consumer confidence than is generally recognized. Travel fuels business growth, makes sport and entertainment possible and sustains rural destinations. It also strengthens trade by boosting income for the poorest countries as well as for global suppliers who are mainly from G20 member states.

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Bismarck Maia, the State Secretary for Tourism of Cearรก Government

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BISMARCK MAIA “O TURISMO É A NOSSA VOCAÇÃO”

Com investimentos consistentes para promoção e infraestrutura o Governo do Ceará fez da Secretaria de Turismo um dos eixos estratégicos da gestão e vai construir o segundo maior centro de feiras do Brasil e o maior aquário da América Latina

O

anúncio da construção de uma mega aquário — na verdade um complexo que mistura informação

com entretenimento e pesquisa — e o início das obras de construção do Pavilhão de Feiras, que vai colocar o Ceará na segunda posição nacional em capacidade instalada para a realização de feiras e eventos, são dois marcos que indicam claramente a opção preferencial do Governo do Ceará para investimentos que potencializam o negócio do turismo na região. O Aquário Internacional é o primeiro da América Latina e terá um perfil científico-educacional “com alto valor para a preservação do meio ambiente e um grande, um enorme atrativo para o movimento de turistas.” O Pavilhão de Feiras tem um orçamento de R$ 279 milhões. São 17 hectares, 170 mil metros quadrados, 3600 vagas de estacionamento. Com toda uma operação logística para poder dar apoio. “Nós vamos para 74 mil m² de área de exposição somados aos 15 mil m² do Centro de Convenções. Assim, teremos 89 mil m² de área de exposição”, comemora Bismarck Maia. “Feiras e eventos compõem um dos segmentos mais importantes do turismo.” fotos jarbas oliveira

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H IST Ó RI A de capa Os indicadores econômicos apontam claramente que 70% da composição do PIB do Ceará vêm do setor de serviços e aqui a grande alavanca é a cadeia produtiva do turismo. “O turismo é a base dos serviços”, consolida o Secretário do Turismo do Ceará, Bismarck Maia, recém empossado presidente da Fundação Comissão de Turismo Integrada do Nordeste do Brasil, a CTI Nordeste. É ele quem anfitriona, no final de abril, em Fortaleza, a 18ª edição da BNTM (Brazil National Tourism Mart) – a maior bolsa de negócios de turismo do Brasil. Trata-se de uma feira de negócios que reúne compradores e vendedores do Brasil e do exterior. “Ela se consolida como uma bolsa de negócios com investimentos diretos e imediatos para os destinos e não apenas como um evento turístico”, diz Maia. Vivendo o setor 24 horas, Bismarck explica que o turismo no Ceará tem um plano estratégico, com começo, meio e fim, e todas as ações são orientadas por esse plano. Assim, o principal portão de entrada aéreo do Ceará, o Aeroporto Internacional Pinto Martins, será ampliado e ganhará em setembro o apoio do Aeroporto Regional do chamado Pólo Turístico de Canoa, em fase final de construção em Aracati. “Em decorrência de um contrato, o BID relativo ao Prodetur Nacional, no valor de US$ 250 milhões, estamos garantindo recursos para a promoção do destino Ceará para os próximos quatro anos. Isso dará uma tranquilidade institucional e de alto valor para a promoção do turismo.” Com base em dados, Bismarck diz que “o turismo nesse governo deixou de ser promessa, deixou de ser discurso para se tornar realidade, a partir de investimentos de mais de um milhão de reais que já estão garantidos. Somados a eles ainda também terão o Prodetur Nacional, que são 250 milhões de dólares, o equivalente hoje a 560 milhões de reais.” Ele está fazendo o que gosta. Está no setor há mais de 20 anos. Em Brasília foi diretor de Economia e Fomento da Embratur (1995/2002), quando implantou o Programa Nacional de Municipalização do Turismo. Tornou-se membro da Câmara de Comércio e Investimento Brasil20 | Fale! | Abril dE 2009

Temos R$ 33 milhões para promoção e marketing no ano de 2009. Nenhum estado está investindo recursos parecidos com esses no Brasil inteiro.

Alemanha. Foi eleito deputado federal com mais de 158 mil votos, exercendo o mandato na legislatura 2003-2007. É o autor do Projeto de Resolução que criou a Comissão Permanente de Turismo no Congresso Nacional e da Lei de Incentivo ao Esporte. No início dos anos 90 foi secretário do turismo do governo Ciro Gomes, no Ceará. Bismarck Maia recebeu o editor Luís-Sérgio Santos para esta entrevista já instalado do Centro de Convenções de Fortaleza, tocando os pontos finais para a BNTM.

Quais são as bases do Plano Estratégico para o Turismo?

Bismarck Maia. Por orientação do governador Cid Gomes, a Secretaria tem um novo comportamento, um comportamento que se diferencia de tudo www.revistafale.com.br

que foi feito até agora. O Ceará tem um projeto estratégico que implica na reformulação do destino. Está claro que, para se diferenciar e se potencializar, o destino Ceará precisa rapidamente de novos valores, novas estruturas. É isso que vai fazer com que tenhamos um salto de qualidade agressivo, traduzindo em realidade aquilo que o governador prometeu em campanha para todas as áreas, e no turismo não é diferente.

Quais os pontos fracos detectados no planejamento?

O principal era a constatação de que a promoção era pífia. Pífia para o tamanho do destino que se quer do estado do Ceará. Não existiam recursos definidos no orçamento para a promoção do destino no ano inteiro. E, pior, o que existia de recursos não dava para investimentos em promoção minimamente necessários. Hoje, nós temos orçamento carimbado para promoção.

Havia então uma ociosidade da capacidade instalada para receber turistas?

Essa é uma questão. Mesmo com a promoção mínima que era, havíamos batido no teto. Não adiantava promover mais o estado do Ceará se nós não agregássemos valores aos nossos produtos. Nós sempre cantamos o Ceará em verso e prosa. O céu, sol o ano inteiro, praias maravilhosas, mas sem valores agregados a isso que a natureza nos deu. Pelo contrário, nossas praias estavam se degradando, como a Caponga, por exemplo, totalmente degradada, e outras praias mais. Degradadas por falta de saneamento básico, falta de acesso, falta de qualificação do meio ambiente, dunas em fase de destruição, falésias sendo destruídas etc. E ai nós procuramos fazer o que hoje podemos afirmar que é o maior conjunto de obras de todo a história do estado do Ceará para o turismo. Em nenhum outro momento, em qualquer outro momento, nunca se investiu tanto em infraestrutura turística no estado do Ceará como agora.

É a busca da qualificação do destino e da diferenciação?

Bismarck Maia. Qualquer um desses investimentos marcaria positivamente a administração de Cid Gomes. Mas


não se trata de um, são vários — o aquário, a duplicação da CE040, na primeira fase até Beberibe e depois ate Aracati; a construção de dois aeroportos, um deles já em fase de conclusão, o aeroporto do polo de Canoa Quebrada, que fica localizado em Aracati. Outro aeroporto já em fase de elaboração, mas com recursos já garantidos, é o Aeroporto de Jericoacoara. Além disso, temos mais de 228 km de estradas do litoral oeste em construção, elaboramos o Caminho de Assis, que é a infraestrutura que potencializa o turismo religioso e o turismo rural. Também estamos em vias de recuperação do patrimônio histórico, que inclui o Teatro Carlos Câmara, o belo Seminário da Prainha, o prédio da Emcetur. Somando tudo, são obras para mais de um bilhão de investimentos.

Como estão as negociações para o Prodetur Nacional?

Bismarck Maia. Estamos ainda em fase final de negociação com o BID para a contratação do Prodetur Nacional, que vai contemplar US$ 250 milhões. É o maior contrato do Brasil junto ao BID para investimentos em turismo. E deverá contratar ainda esse ano, o que contemplará infraestrutura, fortalecimento institucional, meio ambiente e a qualificação desses produtos, localidades e praias que hoje não têm saneamento, comprometendo dunas e mananciais. Nós faremos investimentos para a conservação dessas localidades e melhoria urbanística nessas cidades. Com esse contrato, estamos garantindo recursos para a promoção do turismo nos próximos quatro anos. Tudo fruto desse contrato de financiamento com o Banco Interamericano, que dará uma tranquilidade institucional e de alto valor para a promoção do turismo no estado do Ceará.

Quanto se investe hoje em promoção?

Bismarck Maia. Hoje nós estamos investindo, independentemente do Prodetur Nacional, nós temos recursos de R$ 33 milhões para promoção e marketing no ano de 2009. Nenhum estado está investindo recursos parecidos com esses no Brasil inteiro, nesse ano de 2009. Isso mostra a prioridade que é o turismo para esse Governo. O Ceará entende que o turismo é a maior vocação econômica

O turismo nesse governo deixou de ser discurso para se tornar realidade. Temos mais de um milhão de reais e, mais, os recursos do Prodetur nacional.

que o estado tem para transformar a realidade social, a realidade econômica e melhorar a qualidade de vida da nossa gente. Onde o turismo acontece, ele impacta diretamente nas pessoas. Mais do que gerar empregos, ele estimula o empreendedorismo nas pessoas, estimula a capacidade de gerar negócios. O turismo cria o ambiente para que as pessoas empreendam, e aí ele gera um impacto direto nos vários setores da sociedade - rico, classe média, pobre, e, sobretudo, todos os níveis intelectuais. Fortaleza, que não é uma cidade industrial, e o Ceará têm a vocação para o empreendedorismo. Assim, é possível estimularmos vários arranjos produtivos, quer dizer, os diversos setores, as diversas regiões, os diversos bairros de Fortaleza podem se organizar a partir dessa nova realidade e a nova atividade econômica www.revistafale.com.br

terá impacto direto na diminuição do desemprego. O turismo nesse governo deixou de ser promessa, deixou de ser discurso para se tornar realidade, a partir de investimentos de mais de um milhão de reais já garantidos e, somados a eles, os recursos do Prodetur Nacional, que são US$ 250 milhões, o equivalente hoje a R$ 560 milhões. Os investimentos estão sendo feitos não só em Fortaleza, mas no litoral leste, no litoral oeste, no maciço de Baturité, na região da Ibiapaba. Estamos investindo e promovendo o Ceará aqui e lá fora como nunca se viu. Mais do que isso, hoje a promoção do Ceará não é feita só para Fortaleza, como era no passado. Estamos criando não só infraestrutura com os aeroportos, mas, sim, estamos abrindo possibilidades para que o Ceará seja um estado pujante como destino turístico. Jamais o Ceará poderia dizer que priorizava o turismo promovendo apenas Fortaleza.

Qual o perfil da BNTM e qual seu potencial alavancador para o turismo regional?

Bismarck Maia. A BNTM é uma possibilidade de grandes negócios. Como evento de negócios e não de evento de público ela possibilita o encontro entre vendedor e comprador. Portanto, os empresários de entretenimento, de transporte, de hospedagens, os da gastronomia, ou seja, os empresários diretamente ligados ao turismo se encontram para fazer negócios. Junto a eles, nós trazemos os compradores, que são os buyers. Assumi o compromisso de fortalecer a BNTM. Eu tenho essa dupla responsabilidade, como anfitrião e como uma pessoa que propôs, em junho de 1991, a criação dessa bolsa para que naquele momento nos rompêssemos o laço que unia esses compradores tão somente com os operadores do Rio de Janeiro e de São Paulo. Quebramos essa dependência e passamos a falar diretamente com os compradores da Europa, da América do Sul e dos Estados Unidos. Hoje ela é uma realidade.

O contato passou a ser direto com os compradores.

Bismarck Maia. O Nordeste tem essa relação comercial diretamente com os operadores de todo o mundo, sem abril DE 2009 | Fale! | 21


H IST Ó RI A de capa passar por Rio ou São Paulo, porque na verdade ficávamos a mercê desses operadores. Claro que continuamos trabalhando com eles, mas hoje temos canal direto de relacionamento com os buyers europeus e americanos. Então eu tenho essa dupla responsabilidade, como Secretário anfitrião e como fundador e criador da BNTM. Alia-se agora, de trinta dias pra cá, uma terceira responsabilidade, a presidência da CTI Nordeste, que é o órgão responsável pela realização desse evento. Então nós temos agora a certeza de que teremos uma grande bolsa, na medida em que acompanhamos toda a organização da vinda e da escolha desses buyers, o que não foi um processo aleatório. Acompanhamos também toda a organização da vinda dos jornalistas para a cobertura da bolsa — eles são importantíssimos para dar visibilidade a essas ações. Também acompanhamos pessoalmente todo o processo de organização do evento, da parte logística à venda de stands. Isso resultou que teremos um número recorde e um número qualificado de buyers, 409 estarão presentes e mais 613 sub-buyers, fora as instituições que estarão presentes, como Infraero, Sebrae, num número de 72 representantes, entidades institucionais que vão dar peso a essa bolsa. Com certeza, será muito bom para o Nordeste, que vem ao encontro desse novo momento que o estado do Ceará está vivendo.

Qual vai ser a estratégia de venda institucional do Ceará a esses compradores?

Bismarck Maia. Nós teremos a oportunidade de dizer a esses compradores que o estado do Ceará tem o turismo como prioridade. Então mostraremos o litoral leste todo com estrada duplicada. A duplicação de estradas de destinos como no Algarve, no litoral da Espanha, no litoral da Itália potencializaram o acesso. Assim, quando tivermos a estrada duplicada, o litoral leste vai realmente ser transformado a partir dessa nova realidade. Mostraremos a esses buyers que o estado do Ceará está tendo a boa audácia de construir dois aeroportos. Não é possível que em 573 km de litoral nós tivéssemos apenas um portão de entrada que é Fortaleza. Estudos econômicos de viabilidade mostram que a cada 110, 22 | Fale! | Abril dE 2009

O Ceará deixa de ocupar o quarto lugar em área de exposição no Nordeste para ser o 2º colocado no Brasil em termos de áreas de exposição.

140 km é necessário a construção de um aeroporto. No Ceará, temos a boa audácia de construir dois aeroportos.

O pavilhão de feiras será realmente um fator de diferenciação e competitividade? Bismarck Maia. O Pavilhão de Feiras, que fará com que o Ceará deixe de ocupar o quarto lugar em área de exposição no Nordeste, perdendo para Salvador, Recife e Natal, para ser o 2º colocado no Brasil em termos de áreas de exposição, feiras e eventos. Mostraremos também que já está em processo de licitação aquele equipamento que não será de Fortaleza, não será do estado do Ceará, mas é um equipamento do Brasil. Pelo seu projeto arquitetônico arrojado e pela individualidade que guarda esse equipamento, ele será do Hemisfério Sul. Com isso, esses compradores www.revistafale.com.br

poderão com tranquilidade vender o destino Ceará para os próximos vinte, trinta anos.

Essa nossa capacidade instalada será ampliada com investimento do setor privado?

Bismarck Maia. Com certeza o setor privado virá naturalmente. No Ceará antigo, o esforço para se trazer o empresário para investir na rede hoteleira, por exemplo, era muito grande, era à base de muito subsídio, de muito investimento na infraestrutura para que esse empresário de forma adulada viesse. O que teremos no Ceará agora, com o Pavilhão de Feiras, o aquário, os aeroportos e as estradas, são os empresários vindo naturalmente, sob pena até de perder uma oportunidade de se instalar, depois desses investimentos, num lugar ímpar no Brasil.

Quando teremos os dois novos aeroportos funcionando?

Bismarck Maia. O aeroporto de Aracati ficará pronto em agosto ou setembro. O aeroporto de Jeri nós abriremos processo licitatório ainda até 31 de julho. Estamos elaborando projetos, questões de estudo de impacto ambiental. Será construído no município de Cruz, pertinho de Jijoca, perto da praia do Preá, perto de Jericoacoara. É o local mais adequado, porque existem aspectos técnicos de solo, de logística, de vento, etc.

Como está o fluxo do voo Fortaleza-Atlanta (EUA), que é operado pela Delta Airlines? [O voo liga Fortaleza ao Hartsfield-Jackson Atlanta International Airport, nos EUA] Bismarck Maia. Muito bem. E mais, os operadores que vão estar aqui saberão que, a partir do dia 15 de junho, o Ceará estará ligado direto, sem conexão. Já é ligado de fato desde dezembro do ano passado. Tivemos esse marco e vamos ter vários nessa administração Cid Gomes. A partir do dia 15 de junho, o voo da Delta será Fortaleza — Atlanta. Atlanta é um dos maiores hubs do mundo, faz mais de quinhentos destinos no mundo inteiro.

O Sr. falou sobre degradação e ausência de infraestrutura. Onde estão os pontos críticos? Bismarck Maia. Vamos levar saneamento básico para o Cumbuco e para


todo o Porto das Dunas. Como é que se pode fazer turismo sem tratar das dunas, das falésias? Caponga e Morro Branco, há 15, 20 anos atrás, eram destinos com fluxos perenes pelas suas belezas naturais. Hoje, precisam ser requalificados. Como é que se pode imaginar Porto das Dunas, um bairro nobre daquele, onde está localizado um dos maiores ícones de turismo no Brasil, que é o Beach Park, sem saneamento básico, sem água encanada? Saneamento é também uma preocupação da Secretaria do Turismo. Antes, a Secretaria do Turismo só se preocupava com feirinha, com pequenas ações pra satisfazer meia dúzia que se beneficiava com essas ações. A Secretaria de Turismo hoje é voltada para o Ceará, voltada para o grande destino que é o Ceará.

O grande polo emissor para o Ceará ainda está no Sudeste do Brasil?

Bismarck Maia. Não. Hoje nós temos um grande percentual no Nordeste e no Centro Oeste. São Paulo deixou de ter 70% do nosso polo emissor. É ainda o nosso grande polo emissor, sobretudo, o interior de São Paulo, mas hoje o Centro Oeste e o Nordeste têm um peso muito grande. O que é muito bom, pois nós precisamos pluralizar. A grande estratégia nacional do estado do Ceará para promoção é fazer com que, com promoção perene o ano inteiro — não apenas em véspera de alta estação, com esse conceito de ganhar dinheiro na alta estação — criemos um fluxo ótimo no ano inteiro. O que prevalecia no empresariado era ganhar dinheiro na alta estação e se equilibrar durante a baixa estação. Nós não queremos isso, nós estamos fazendo uma promoção o ano inteiro para, mais do que visar o feriado que se aproxima, a alta estação que se aproxima, colocar o Ceará sempre no imaginário positivo dos brasileiros.

As ações de marketing são as mais diversas possíveis, então.

Bismarck Maia. São as mais diversas. Não só as realizações de ações próprias como os workshops, seminários, participação com agentes, mas, sobretudo, mídia que coloque o estado do Ceará nesse imaginário positivo de pessoas qualificadas. Usamos mídia especializada, que atinjam

A Setur tem peso político determinado pelo governador. E tem orçamento, o que permite fazer com que o turismo se torne realidade.

muitos eram beneficiados por esse tipo de turista.

Como é a estratégia de atração de vôos internacionais de qualidade?

Bismarck Maia. Na primeira administração nossa ainda no governo Ciro Gomes, iniciamos o processo de internacionalização. Duas coisas foram feitas naquele momento e os frutos foram colhidos depois. Na questão da promoção, nós iniciamos o processo de internacionalização. Atraímos o primeiro voo internacional de linha regular no estado do Ceará, que foi quando nós trouxemos, de modo regular, o público argentino. Nós precisamos retomar o mercado argentino. Estamos trabalhando pra isso. O mercado internacional vem se concretizando, por exemplo, com o voo da Delta Airlines. Também foi no governo Ciro Gomes que foi concebido — e eu tive a honra de ser uma das quatro pessoas que formularam o projeto — o programa de financiamento para o Nordeste, que veio a se chamar Prodetur Nordeste e que agora está na sua fase final.

Quanfo fica pronto o Pavilhão de Feiras?

positivamente um público diferenciado, qualificado. Aqui, em alguns momentos, a gestão pública do Ceará se vangloriava, por exemplo, em trazer voos charters para cá, sobretudo internacionais, com um público que nós não queremos mais aqui no estado do Ceará. O Ceará, por exemplo, está usando uma linguagem de comunicação e está apoiando atividades comerciais e promocionais visando um público diferenciado. A família, a pessoa que vem para a prática de esporte, as pessoas que vêm pra realizar negócios, eventos, esse é o nosso público preferencial. Nós não estamos interessados em produzir notícias em jornal com o anúncio do lançamento de charters que vêm pra cá com um público focado em turismo sexual. Isso nós acabamos e foi muito difícil, porque romper esse vício foi um desafio pois www.revistafale.com.br

Bismarck Maia. Queremos entregar ao público em julho de 2010. E o aquário no segundo semestre de 2010. Nós já podemos falar do processo do pavilhão porque terminou a licitação e agora é acelerar a obra. Esse é o papel da Secretaria do Turismo. Então é isso, a Secretaria do Turismo deixou de ser uma secretaria de segundo ou terceiro plano porque o discurso de prioridade do turismo se tornou realidade e o governador Cid tem dado todo esse apoio claramente, com recursos. Primeiro, o orçamento mostra que turismo tem prioridade. Segundo, turismo tem peso político na gestão. A Secretaria de Turismo tem peso político determinado pelo seu governador. E tem orçamento, o que permite realmente fazer com que o turismo se torne realidade. É uma visão estratégica. Se considerarmos que 70% do PIB do Ceará é do setor de serviços e que turismo é a base do setor, então está claro sua importância. Turismo é a vocação do cearense. O cearense tem a vocação pra prestar serviço, pra empreender, pra montar o seu próprio negócio. n abril DE 2009 | Fale! | 23


H IST Ó RI A de capa

o acquário como fator de diferenciação

E

m artigo publicado no jornal O Povo, de Fortaleza, o secretário do Turismo Bismarck Maia apresentou alguns argumentos a favor da construção do Acquário Ceará. “Para se diferenciar é preciso inovar e ousar. É assim movido pela certeza de que está tomando uma decisão para além do seu tempo que o Governo do Ceará construirá o Acquário Ceará, centro oceânico que será um marco de diferenciação. Não se trata e um “zoológico de peixes” como o Seaquarium de Miami, por exemplo. Trata-se, aqui, de um complexo, misto de centro de formação ecológica e ambiental, pesquisa ocenográfica e centro de convivência como polo de atração turística. Inspirado em similares do Japão, de Atlanta nos Estados Unidos e da Austrália, o Acquário Ceará é um projeto arrojado. Alinha 24 | Fale! | Abril dE 2009

o desenvolvimento econômico e social, através da promoção do turismo, com um projeto educativo de forte apelo ambiental. Além disso, o potencial de sustentabilidade é enorme. Um equipamento dessa dimensão já chama a atenção de potenciais parceiros privados nacionais e internacionais que tem interesse e precisam adquirir crédito ambiental — uma ampliação do conceito do crédito de carbono. A sustentabilidade é um dos requisitos para tornar iniciativas privadas e governamentais mais válidas e competitivas. Do mesmo modo, a consciência ambiental não é um modismo, mas uma necessidade irreversível das sociedades civilizadas que cada vez mais se reflete nas opções de escolhas das pessoas. O novo equipamento cristaliza estas ações. www.revistafale.com.br


O Acquário Ceará introduz também o conceito de “Edutenimento”, educação mais entretenimento. Para isso o conhecimento formal espalhado pelas universidades do Estado e pelos centros de pesquisa de estudos do mar está sendo atraído e influenciando as variáveis do projeto. Como centro de estudos abrirá um mercado profissional de alto nível. Na outra ponta, a do público alvo local, funcionará como um lugar de inclusão social disseminando o conhecimento através da rede escolar de ensino. www.revistafale.com.br

O Acquário não é, pois, uma obra de varejo, pontual. Ele é um investimento consistente e de longo prazo com impacto imediato na competitividade do Ceará como destino turístico e, no plano interno, como equipamento alavancador da requalificação do seu entorno, de um lado e, de outro, um centro de estudo e de formação ecológica. Concretizamos uma atração ecológia inigualável para o Ceará — um Oceanário de classe mundial integrado a um museu oceanográfico interativo de última geração. n abril DE 2009 | Fale! | 25


e n gli s h s ec t i o n b n t m

The most beautiful tropical beaches By MATTHEW SHIRTS, National Geographic

I

f you really want to see the most

beautiful tropical beaches, go to the state of Ceara. You won’t regret it. These sand dune beaches are absolutely unspoiled and pretty much undiscovered by foreigners. [Published: February 20,2005. National Geographic publishes in 15 languages around the world]

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e n g l i s h

s e c t i o n

ceará

a land to go and stay Slowing the Pace Along Brazil’s Coast By LARRY ROHTER, The New York Times

F

OR most Americans,

accustomed to thinking of Rio de Janeiro as their first and only destination, Brazil’s vast northeast shoulder is largely uncharted territory. While Europeans have in recent years begun flocking to the region’s spectacular beaches and fallen under the spell of its infectious music, American visitors have lagged far behind in exploring the many delights that seaside resort cities such as Recife, Natal and Fortaleza can offer, all at a fraction of what comparable packages in the Caribbean would cost. Of course Fortaleza itself, population two million, offers a much greater variety of attractions and has emerged as one of the favorite destinations of European tourists to Brazil. As a result, several five-star hotels now operate along the beach, including the Caesar Park and the Blue Tree Towers, and sophisticated restaurants serving Portuguese and

especially French cuisine have sprung up, as has a bustling Disneyesque complex known as Beach Park, with 17 water rides, a hotel and a giant pool that mimics ocean waves. During the day, one relaxing place to spend time is the Praia do Futuro, at the end of Avenida Santos Dumont about seven miles from downtown. The straw huts that dot the beach offer snapper baked in salt, a local favorite, and crabs and oysters, all washed down with lots of cold beer. If that scene seems a bit too crowded, then try neighboring Caça and Pesca beach, at the end of Avenida Dioguinho. After dark, the place to go is clearly Iracema beach, with its vibrant collection of bars, restaurants and music clubs, such as the Bar Pirata. A good starting point is the Centro Dragão do Mar, at number 81 on the street of the same name. There, visitors can dance to forró and toss down caipirinhas until the sun comes up. Published: February 20, 2005

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A ruby among Brazil’s seaside jewels By TODD LEWAN ,The Associated Press/USA Today

I

was in Canoa Quebrada — Broken Canoe, in Portuguese — for the sweeping ocean views, the salty, soft sea breezes, the driftwood-colored sand squeezed between blood-red, wind-carved falesias — stone cliffs — and a palate of azure Atlantic. You can hike dunes as white as sugar. You can splash about in sun-gilded, natural pools left behind by the tides. You can ride the backs of donkeys up and down an endless ribbon of shoreline, all the while listening to the rollers thump and break on newly wet sand. For 10 bucks, you can hop a ride on a jangada, the log rafts used by the fishermen of northeastern Brazil, and let the winds take you out to the darker waters of the deep ocean. Or you can go buggy. Published: November 17,2003

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e n gli s h s ec t i o n b n t m

tourism

an Economic and Social Phenomenon Today, the business volume of tourism equals or even surpasses that of oil exports, food products or automobiles

O

ver the decades, tourism has experienced continued growth and deepening diversification to become one of the fastest growing economic sectors in the world. Modern tourism is closely linked to development and encompasses a growing number of new destinations. These dynamics have turned tourism into a key driver for socio-economic progress. Today, the business volume of tourism equals or even surpasses that of oil exports, food products or automobiles. Tourism has become one of the major players in international commerce, and represents at the same time one of the main income sources for many developing countries. This growth goes hand in hand with an increasing diversification and competition among destinations. This global spread of tourism in industrialised and developed states has produced economic and employment benefits in many related sectors

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— from construction to agriculture or telecommunications. The contribution of tourism to economic well-being depends on the quality and the revenues of the tourism offer. United Nations World Tourism Organization — UNWTO assists destinations in their sustainable positioning in ever more complex national and international markets. As the UN agency dedicated to tourism, UNWTO points out that particularly developing countries stand to benefit from sustainable tourism and acts to help make this a reality.

Key numbers

From 1950 to 2005, international tourism arrivals expanded at an annual rate of 6.5%, growing from 25 million to 806 million travellers. The income generated by these arrivals grew at an even stronger rate reaching 11.2% during the same period, outgrowing the world economy, reaching

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around US$ 680 billion in 2005. While in 1950 the top 15 destinations absorbed 88% of international arrivals, in 1970 the proportion was 75% and decreased to 57% in 2005, reflecting the emergence of new destinations, many of them in developing countries.

developments & forecasts

Worldwide arrivals reached 842 million in 2006, representing a 4.6% year on year growth. 2007 looks set to be the fourth consecutive year of sustained growth for a global tourism industry that continues to show its resilience to any natural or man-made crises. UNWTO predicts a 4% growth of international tourist arrivals in 2007, in line with its long-term forecast growth rate through to 2020 of 4.1%. By 2020 international arrivals are expected to surpass 1.5 billion people.


Fortaleza beauty is near you A combination of the sunny beaches, the busy and safe nightlife, the delicious culinary is what seduces people do stay in this town

A

modern metropolis with greenish-blue sea, beautiful beaches, soft wind and a happy and hospitable population, Fortaleza is the ideal destination if you want to know one of the most beautiful capitals of the country. On Beira-mar Avenue, kiosks and restaurants offer cold drinks and regional seafood. At the handcraft fair, many stands show embroidery and leather work, as well as jewelry and regional food. Of the urban beaches in Fortaleza, Futuro is the most frequented and is characterized by restaurants along the beach, each one with its own musical style and decoration. Sunset on the English Bridge, also known as Metallic Bridge in Iracema Beach is something visitors must experience. The statue of Iracema refers to the legend of the Indian which was

depicted in a novel by José de Alencar. Mucuripe Beach holds the Lighthouse Museum. Opened in 1846, the lighthouse was active for 11 years, until it was closed in 1957. The Tourism Center in Ceará gathers 104 stores offering handcraft items, which can also be found at the Central Market in the heart of the city with 300 stores. Parking lots and snack bars are available at these places and they are open every day. Another good tip is visiting Ceará Handcraft Center (Ceart), where artisans from all over the state work and produce the legitimate cearense handcraft. An important place for cultural activities, Dragão do Mar Art and Culture Center holds the Cearense Culture Memorial, the Contemporary Art Museum and Rubens de Azevedo Planetary, as well as movies and theaters. Besides this, many old warehouses were refurbished and became bars and www.revistafale.com.br

restaurants surrounding the central area of town. There are endless cuisine and show options in the evening. Nightlife includes bars, discos and restaurants for all tastes, opened every day in the week, besides the characteristic comedy shows that have revealed nationally famous artists. One of the most famous off-season carnivals, Fortal, happens in Fortaleza, in July. With a remodeled structure, this year the event has parking lots, bleachers, boxes and food court. The fun lasts 4 days and around 1.5 million people enjoy the nationally famous axé music bands. Fortaleza also stages important music festivals in Brazil, such as Ceará Music. This yearly event gathers local artists and international pop rock stars for 3 days. Around 25 thousand people enjoy the fun and several concerts, electronic music tent and fashion shows. n abril DE 2009 | Fale! | 29


ceará

a land to go and stay Sunshine and a very warm weather all the time and mild temperature at night. Its made this place something like heaven

C

eará has a varied environment, with mangroves, caatinga, scrubland and remnants of a coastal tropical forest. It is hot almost all year round. This environment and temperature attracts any kind of tourists, especially ecotourists. Temperatures in the state range from 22 °C to 36 °C with the lowest temperatures in the innumerous mountain ranges in the state. The endless stretch of beaches in the state is a major tourist attraction. Ceará has several famous beaches such as Canoa Quebrada, Jericoacoara, Morro Branco, Taíba and Flexeiras. The beaches are divided into two groups (in relation to the capital Fortaleza): Sunset Coast (Costa Sol Poente) and Sunrise Coast (Costa Sol Nascente). 30 | Fale! | Abril dE 2009

With sunshine and hot weather all the year, and mild temperature at night, the State of Ceará has a diversified ecosystem made up of areas that include caatinga, Atlantic Forest, savannah and marshland. Following the industrial development, the tourism is the segment that has shown the highest rates of development there in the last decades. The City of Fortaleza is the most importante town in Ceará state and also your capital city.

History. Ceará was first colonized

by the Portuguese in the mid-1600s, when the newly-discovered land was hotly contested by the Spanish and the Portuguese. www.revistafale.com.br

The area was invaded twice by the Dutch, in 1644 and in 1654. Both times the settlers repelled them. Before being defeated, however, the Dutch founded what is today Fortaleza. In 1661, the Netherlands formally ceded their Brazilian territories to the Portuguese crown, ending conflict in the region. The French also made some incursions, especially in the North and Southeast regions during the 17th Century. Pirates of various nationalities also scavenged the coastal areas looking for easy treasures. The struggle for Brazilian independence was intense in Ceará, with the area being a rebel stronghold that incurred vicious retribution from


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loyalists. The region produced some martyrs long before Independence was declared by Peter I, on September 7, 1822. The State also pioneered the movements for the Abolition of Slavery in the country, and was the first to free its slaves. It also had a leading role in the political struggle that led to the Proclamation of the Republic. The reign of Emperor Dom Pedro II (who was declared Emperor still as a child after his father left for Portugal) from the mid — to the late — 1800s was a period of great advances in infrastructure in Ceará, with the number of telephones increasing by a large amount, and with gas lighting becoming almost ubiquitous. Many dams were built to offset the recurrent droughts typical of the region. Since 1960, the Orós Dam, comparable in size to Egypt’s Aswan Dam, has supplied Ceará with much of 32 | Fale! | Abril dE 2009

its water. In 1995, construction began on the huge Castanhão Dam, which, when completed, will hold 6.5 km³ of water.On July 17, 2006, the state of Ceará became the second state after Sao Paulo to ratify a bill recognizing the Armenian Genocide. Ceará had a distinguished role during World War II and contributed to the Allied Victory against the Nazi powers, by allowing the US armed forces to use its air bases as a stepping stone to reach North Africa. As a land of caboclos, descendants of the miscegenation involving native, black and Portuguese people, the State of Ceará is also one of the largest cultural centers of Brazil, marked by popular religiosity and the presence of its intellectuals in the national literature and art segments. It’s the birthplace of writers, such as José de Alencar, one of the greatest novelists of Brazilian literature “Indianism”; and Rachel de www.revistafale.com.br

Basic information Climate

Old Customs House

is tropical hot and dry, with average annual temperature of 27ºC. The relative humidity in the air in Fortaleza is 77% with average annual rainfall of 1.378,3 mm. City facts Fortaleza State Ceará Region Northeast of Brazil Population 2.374.944 inhabitants phone code (85) Distances City of Natal 533km Teresina 634km João Pessoa 688km Recife 799km São Luís: 1.070km Salvador: 1.403km Rio de Janeiro: 2.838km São Paulo: 3.144km to see in downtown

Between 1941 and 1945, the building went through refurbishment. Today it is a branch of Caixa Econômica Federal. Where 287 Pessoa Anta Avenue. Old Public Jail

The cells became stalls where a variety of cearense crafts can be found. At the upper floor of the building is the Popular Art Museum, with religious and folkloric themes, and the Mineralogy Museum, with precious and semiprecious stones from Ceará and the Northeast. Where 350 Senador Pompeu Street. Opening hours: Monday to Friday, from 8am to 6pm, and on Saturdays, 8am to noon.


Queiroz, of the most significant writers of regionalist novels.

Economy. Traditionally an agriculture based state, Ceará began expanding its industrial sector in the 1970s. In 1999, industry accounted for 39.3% of the state’s GDP. Tourism also plays a large role in Ceará’s economy. The number of tourists visiting the state has been growing consistently.

Tourism. With sunshine and hot weather all the year, and mild temperature at night, the State of Ceará has a diversified ecosystem made up of areas that include caatinga, Atlantic Forest, savannah and marshland. Following the industrial development, the tourism is the segment that has shown the highest rates of development there in the last decades. The state has several tourist

attractions, but is famous for its ecotourism capabilities, both along the seacoast and in the countryside. Fortaleza’s international airport (named Pinto Martins airport) is well served by international flights from North America, Central America and Europe. Main Tourist Attractions Canoa Quebrada and Jericoacoara Beaches. A visit to the mountain town of Guaramiranga, about 100 km from Fortaleza, is also recommended for those visitors who would enjoy a cooler climate (18-20 degrees Celsius, cooler at night) and good European-style cuisine. Cuisine and hotels The cearense cuisine is a flavorful mixture of the Portuguese culinary, which gives preference to fish, with the indigenous foods and the African spices. www.revistafale.com.br

The hotel network is considered one of the best in the Country. Besides, it is one of the newest. There are hundreds of hotels, inns, hostels and flats, featuring the cearense hospitality. Very few tourist destinations can offer such varied options as Brazil. Its natural beauties, the enormous popular festivities and the countless protected environmental reserves are valuable attractions that astound the foreign tourist when it comes time to choose a vacation destination. The country’s beautiful beaches and natural wonders call people’s attention. With a coastline that extends more than seven thousand kilometers, Brazil has the privilege of being able to offer several leisure options in this segment. One of the most remarkable characteristics about the Brazilian is the generous, compassionate spirit, with its good, irreverent humor. When you abril DE 2009 | Fale! | 33


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add this temperament to a country with such an enormous territorial expansion, you come up with a land where there is always room for one more. A land that has received thousands of immigrants searching for a new world with open arms, where they could build or restart their lives and bet on the future. Brazil is served by most international airlines. There are dozens of daily flights, full of tourists coming from every corner of the world. Those who most frequently seek out our country for their vacations are the Argentines, the North Americans and the Germans. However, with the expansion in the number of international airlines also operating here, visitors from other countries are also getting interested in visiting us. These include Uruguay, Portugal, France, Italy, and most of our neighboring countries in Latin America.

Jerico L

Located at 192,63 mi (310 km) West from Fortaleza, the capital city of the state of Cearå, Jericoacoara has some of the most beautiful beaches of the country and is filled with dunes and rocky steep walls, coconut trees, and a sea of incredibly blue waters. The natural beauties are such that they led to the creation of the Ubajara and Jericoacoara National Park, which cover a vast area around the town. With unpaved streets, the town preserves the charm and rusticity of a fishermen’s village. In the past, many of its charming lodges were used as residence by the inhabitants of the area. To get there, it is a good idea using special vehicles that can cover the miles of dunes separating the place from the nearest highway; or perhaps take one of the many bus lines that daily go there from Fortaleza. Discovery in the seventies by the hippies, Jeri, as it is often called, has in tourism its main source of income. Brazilian and foreign tourists that visit it can enjoy its astoundingly beautiful

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oacoara beaches, take buggy rides on its vast coastline, and sail in the ponds of crystal clear waters. At the end of the afternoon, tourists can watch the sun go down from an enormous dune. And, at night, after the night lights are on, the must is trying some of the delicious fish and seafood recipes in the local restaurants. And if there is still any energy left, the tourist can party all night long, enjoying the music of an authentic popular dance, the so-called forró, as well as all the excitement of the local bars. Those who visit the Jeri beach must also see the town of Jijoca de Jericoacoara, distant only 12,43 mi (20 Km) from there, filled with natural beauties and constant winds that are especially appreciated by those who practice water sports, such as kitesurf and windsurf.

Basic information Weather

The weather of the area is typically hot and humid, with a rainy season from the summer until the autumn, and average temperatures oscillating between

71,60°F (22°C) and 95°F (35°C). The dry season lasts from five to six months. The annual rainfall average is 53,7008 in (1364 mm).

City facts

State Ceará Region Northeast Population around 20 inhabitants. Phone Code (88)

Distances

Fortaleza: 192,63 mi (310 Km) Accommodation / Restaurants Jericoacoara’s lodging options have been increasing with the growth of tourism there. In the town there is a hotel, several lodges, and a camping site. The local restaurants serve many different types of dishes, but what stand out there are the fish and seafood dishes. Know some of options see this site below: www.jericoacoara.tur.br/ How to get there By road From Fortaleza, you should take the BR-222, BR-402, CE085 and CE-179 highways; it is a 173,98mi (280-Km) drive up to Jericoacoara. www.revistafale.com.br

Services Tourist Information Town Hall (Jijoca): Phone: +55 (88) 3669-1133 Pinto Martins International Airport (Fortaleza) 3000 Senador Carlos Jereissati Avenue, - access by the BR-116 highway Phone: +55 (85) 3477-1000 / 3477-1001 / 3477-1742 Highway Station Phone: +55 (88) 3621-0211 Attractions Jericoacoara Beach Jericoacoara beach, close to the town, is a beautiful bay surrounded white sand dunes and coconut trees. Following the coast, either East or West, tourists find a succession of semi-wild beaches. Jericoacoara National Park Areas of Environmental Protection. Its greatest attraction is the Jericoacoara beach, but the area also includes fields, dunes, beaches of green waters, and the unique rocky formation known as Serrote (Handsaw). In the area, one may see several species of birds, even some endangered ones. abril DE 2009 | Fale! | 35


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CANOA

raw beach, good food

Its the place where sunrises. Discovered in the 70’s, Canoa, 157 km from Fortaleza, is represented by a moon and a star sculpted on its cliffs

T

he Village of Canoa Quebrada is located in the district of Aracati and it offers

visitors several leisure options. During the day, besides the beautiful beach, there is plenty of shade and the service of many thatched-roofed, carnauba wood kiosks that line the beach. There are also many dune buggy rides over the sand dunes, “skibunda” (rides down high dunes on boards), sea rafts, horses, “parajipe” (paragliders pulled by jeeps), “banana boats” and many souvenir shops. There are many inns for all tastes, and several restaurants that offer diverse specialties, with flexible hours. There is also a very lively nightlife with nightclubs that stay open from 11:30PM to sunrise. Over the past years, an urbanization project has changed the villages look. The main street, called Broadway, has been paved and began to concentrate most of the novelties and attractions. The beach in turn conserved sections without houses or stands, attracting many foreign tourists, especially in August.

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Basic information The region’s climate is less dry

semi-arid. The average annual temperature is around 24ºC — with an average annual high of 32ºC, and a low of 21ºC. The sun is present almost all year long, with rains only between March and May. City facts Canoa Quebrada State Ceará Region Northeast Population 65.292 inhabitants (District of Aracati) Phone Code (88)

Distances

Fortaleza167 km (104 miles) Mossoró 90 km (56 miles) Rio de Janeiro: 2,732 km (1700 miles) São Paulo 3,033 km (1880 miles)

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Accommodation and Restaurants The small village is

full of inns and good restaurants, always ready to serve the growing number of visitors— that arrive every day attracted by the fame this paradise has acquired over the years. T How to get there By Highway From the Pinto Martins Airport in Fortaleza, there is a bus that leaves every half hour to the Fortaleza bus station. When arriving at the city’s bus station, there are many companies that go to Aracati – some go straight to Canoa Quebrada. The trip from Fortaleza to Canoa Quebrada takes, on average, 4 hours, and access is over the state highway CE-004. Services Aracati City Hall: +55 (88) 3446.2410 Aracati Secretary of Tourism: +55 (88) 3446.2451 Bus Station: +55 (88) 3421.3047 Hospital: +55 (88) 3446.2441

Attractions Majorlândia

It is 12 km from Aracati, in the middle of a dense grove of palm trees. Access is easy over a paved road. It has many beach kiosks as well as restaurants that serve shellfish as their main dish. During the day, besides the beaches, there are also dune buggy and banana boat rides, and much more. At the end of the day, a beautiful sunset can be observed from the top of Urubu Hill. Cajazeiras Cavern It is 40 km (25 mi) from Aracati. There are three caverns located in a large area with rock formations. Access is difficult, making the place an excellent option for adventure sport tourism. Do not go there without first contacting the Aracati Secretary for the Environment and Tourism and hiring the services of a guide. Shopping In Majorlânida — labyrinth lacework and bottles with various designs made from the colored sands that can be acquired in the city’s souvenir shops. It is also possible to buy sculptures made by Toinho de Carneiro, a local artist.

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wind sports. Windsurfing and kitesurfing are some wind sports that Cearรก brings to everyone. If you are looking for a windsurfing or kitesurfing adventure here its come. Foto setur

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Its so hard. RADICAL

T

his combination of rocks sculpted by the action of wind and water originated Quixadá, a word which means “curved tip stone” in tupi-guarani.The place invites mountain climbers and rappel lovers. The mountains in Quixadá are only a starting point for even bolder adventures. This place is considered one of the best in the world for hang gliding. Besides many privileged spots to start gliding above the monoliths, the town counts on thermal air currents, which allow flights to be more pleasant and longer. With sea, sun, rockmountain and wind Ceará is a very privilegied place to practice of radical sports. www.revistafale.com.br

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SOME

e n gli s h s ec t i o n b n t m T H IN G S TO DO ,

Restaurants Fish, lobster, shrimps and any kind of seafood. The cearense cuisine is a flavorful mixture of the Portuguese culinary, which gives preference to fish, with the indigenous foods and the African spices. The hotel network is considered one of the best in the Country. Besides, it is one of the newest. There are hundreds of hotels, inns, hostels and flats, featuring the cearense hospitality. Bank agencies There are branches from all main banks operating in Brazil, like HSBC, Santander, Citibank, Bradesco and Banco do Brasil. Attractions Futuro Beach Is the preferred urban beach among the Fortaleza swimmers and has a very good infrastructure. The beach is quite crowded on weekends. You have do choose a kiosk with quality like or alike Itapariká or Vila Galé. So enjoy the sea and sun. Porto das Dunas Beach This beach has a great infrastructure for tourism. Here is based the biggest aquatic park in Brazil. Meireles Beach Most of the city’s hotels are located along Meireles beach. This beach, although very pretty, is not recommended for bathing due to its proximity to the port. Barra do Ceará The touristic pole of Barra do Ceará stands out for its high historical and environmental value. This is the place where Pero Coelho de Sousa built the São Tiago Fortress, at the Ceará River fringe, west of the where the city of Fortaleza would later be located. The Ceará River marsh is rich in flora and fauna. Fortaleza Metropolitan Cathedral Its building started in 1938, at the 40 | Fale! | Abril dE 2009

site of the old Sé church. There were four decades of hardness, until its inauguration in 1978. With capacity for 50 people, the style is gothic-roman. Location: Sobral Street, s/n – Center. Dragão do Mar Cultural Center This place has 30 thousand square meters of area to enliven the cearense culture and art. Attractions are the Cearense Culture Memorial, the Art Museum, the Cine-Theater, the anphitheater, the Arts Workshop and the Planetarium. Location: 81 Dragão do Mar Street – Iracema Beach. São Luiz Movie Theater São Luiz Movie Theater took eighteen years of diligent work to be built and is the biggest and most luxurious cinema in Brazil. It has refinements worth of imperial palaces: Carrara marble on the floors and entrance hall walls, crystal chandeliers, details of the staircase in solid brass and a decoration on the walls of the projection room with striking artistic detail. Besides, there are 1,500 comfortable seats and a gallery for authorities. For a long time punters were required to dress in suits, such was the sumptuousness of the place. Location: 500 Floriano Peixoto Street – Center. Mucuripe Lighthouse The old lighthouse was a homage to a brazilian Princess. Built in baroque style, between 1840 and 1846, by the slaves, it ceased to operate in 1957 and was reactivated in 1982, with the Rafters Museum. Currently, the Lighthouse Museum is based there and it has become National Heritage. Location: Vicente de Castro Av., s/n – Mucuripe. Beira-Mar Market Typical cearense culture crafts fair open every day from 5pm. There tourists can find a large variety of crafts: pictures, colored bottles, hammocks, lace, etc. Location: Beira

SOME

P L A C ES

Mar Av. (in front of Náutico Club). Nossa Senhora da Assunção Fortress It was built in 1649, by the dutchman Matias Beck, at the margins of the Pajeú brook, when it was called Schoonemborch Fortress. In 1654, after the Dutch ousting, the Portuguese took over the fortress, and rebaptized it as Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção. After 1819 the fortress took the format it has today. It is the headquarters of the Command of the 10th Military Region. Location: Alberto Nepomuceno Av., s/n. – Center. Central Market It is located next to the Cathedral. It was built in 1818 to replace two other metallic structure buildings, no longer suited to go along with the city’s development. With the growth of Fortaleza, the market could no longer handle the increased activity. In 1998 it was closed for the building of the new Central Market. Location: Alberto Nepomuceno Street, 199 – Center. Ceará Museum (Provincial Assembly) Built in 1871, the old Provincial Assembly was based there. Currently it is the headquarters of Ceará Museum, created in 1933, and known initially as Historic Museum of Ceará. The current name dates from 1950. In 1953 it became National Heritage. The collection is organized in modules, with approximately 1,141 historical and anthropological pieces arranged in various rooms. Location: 51 São Paulo Street – Center. Opens from Tuesday to Friday, from 8:30am to 5pm, and on Saturdays, from 8:30am to 12:30. On Tuesdays the entrance is free. Maracatu Museum Founded in 1984, it tells the story of the Maracatu in Ceará. There are 230 pieces arranged in five www.revistafale.com.br

DO

sections of clothing, slave house objects, musical instruments and Maracatu characters. Location: 362 Rufino de Alencar Street. Opens on Tuesdays, Wednesdays and Thursdays, from 8am to 5pm. Free entrance. New Statue of Iracema The work, from cearense sculptor Zenon Barreto, is six meters high, two of them the pedestal, all sculpted in iron and covered with fiberglass. The statue is presented kneeling down and arched, communicating all the pain that devastated Iracema’s heart with the loss of her beloved one, at José de Alencar’s work. Location: Tabajaras Street, s/n. Promenade – Iracema Beach. The Palace of Light Built in the end of the 18th century to be the residence of the majorcaptain Antônio da Costa Viana, it was the headquarters of the state government until around 1970. With neoclassic architecture, it has wide halls, built with the traditional technique of brick and timber. The Cearense Academy of Literature is based there. It is protected by State Law. Location: 1 Rosário Street – Center. The Metallic Bridge Inaugurated in 1906 for loading and unloading passengers and cargo. It was built with metallic profiles and timber floor. Location: Iracema Beach. Englishmans Bridge Building started in 1923 by the English company Nestor Grifts. It has never functioned as a port. The sunset view is regarded as the most beautiful in the city. Location: Rua dos Cariris, s/n – Iracema Beach. Port of Mucuripe The ideal place found to build the port, which would be approved in 1835, was Ponta do Mucuripe. In

G O 1860 the port was abandoned and replaced by the Metallic Bridge, which would inevitably become Fortaleza’s port. Location: Vicente de Castro Av., s/n. – Mucuripe. Ferreira Square — The main square It is the vital city center, where many buildings of historic importance share the space with various commercial establishments based there. The square was inaugurated in 1929, with the name of Feira Nova. In 1842 it started to be called Largo das Trincheiras. In 1871 it was named Ferreira Square paying homage to pharmacist Antônio Rodrigues Ferreira. Along its history, it went through many refurbishments. The last one occurred in 1991, when a new column was installed and the gardens rearranged, thus recovering the original architecture. The square was chosen by the population as the city’s icon. Location: Between Floriano Peixoto, Guilherme Rocha, General Bezerril e Pedro Borges Streets – Center. José de Alencar Square José de Alencar Square pays homage to the cearense writer, lawyer, government representative and minister José Martiniano de Alencar, one of the exponents of Romantism. Initially is used to be called Patrocínio Square, then Marquês de Herbal Square, and today José de Alencar Square. Location: city centre, between 24 de Maio, São Paulo, General Sampaio and Guilherme Rocha Streets. Shopping Crafts can be found at the local markets. Clothes, shoes, bags and bikinis made by the skillful cearense hands are sold at Monsenhor Tabosa Street, a huge open air shopping, near the downtown area.


tourism and travel

a global stimulus

As a result of the challenges posed by the global economic crisis and the upcoming G20 meeting in London, UNWTO stresses that tourism and travel can play an integral role in any stimulus package and the shift towards a green economy. Tourism is a massive creator of jobs, as well as being a leading services export for developing economies.

T

ourism represents

5% of GDP and 6% of jobs in G20 countries. Global tourism services exports amount to US$ 3 billion per day. Tourism is the main growth & trade driver for the world’s poorest countries. The travel sector can be a leader in the response to climate change. Due to its strong economic multiplier effect as a sector dominated by small and medium enterprises, tourism and travel, if properly encouraged, can play a more important role in economic stimulus and building consumer confidence than is generally recognized. Travel fuels business growth, makes sport and entertainment possible and sustains rural destinations. It also strengthens trade by boosting income for the some

poorest countries as well as for global suppliers who are mainly from G20 member states. “Tourism and travel mean jobs, infrastructure, trade and development. These are the issues that world leaders are emphasising in coordinated recovery actions. What we need is recognition of the value of travel in this mix and most importantly its capacity to generate jobs” says UNWTO Secretary-General ad interim, Taleb Rifai. He added “Some countries have already begun to develop stimulus measures to minimise the impact of the crisis, including fiscal incentives, travel facilitation and increased marketing support. Others should follow suit.” At the same time UNWTO stressed the fact that the tourism and travel sector can be a leader in the transformation to a new green economy and

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encourage investment in green infrastructure –airports, high speed rail, roads and ports. UNWTO Assistant SecretaryGeneral and Spokesperson, Geoffrey Lipman, said “The industry – transportation; hospitality and travel services - is increasingly committed to climate response. Our carbon emissions at some 5% of the total are significant but manageable, with adaptation and new technology. Poor countries, who need more visitors for their development agenda, will also need special financial support to help them make the changes necessary to become climate neutral. Investment in Green Tourism – climate proofing hotels, clean biofuels for transport and widespread education/training programmes will pay massive dividends and send positive signals to consumers around the world.”n

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Sociedade

Gastronomia

talento cearense

E a globalização chegou ao paladar. Saiba que os chefs cearenses fazem sucesso nas cozinha de todo o mundo. Em nosso estado, eles eram pouco valorizado no passado, mas agora são capazes de transformar qualquer receição em uma experiência de sabor incomparável

A

gastronomia é um dos aspectos que traduzem a cultura de um povo,

e o Brasil é conhecido e reconhecido internacionalmente, entre outros aspectos, por sua culinária diversificada, única em cada região, e pelos profissionais ligados ao setor, que se destacam não apenas nos mercados internos, mas atualmente também dentro do próprio país. Atualmente, diferente do cenário de duas décadas atrás, o acesso a produtos do mundo inteiro aumentou e, nas cozinhas comerciais, atuam um número cada vez maior de profissionais com formação acadêmica específica, adquirida nas escolas e cursos profissionalizantes de Gastronomia que continuam a surgir no País. No Ceará, por exemplo, a cultura gastronômica era ainda tímida se comparada ao eixo Rio-São Paulo. Os profissionais do setor eram pouco valorizados e tinham que deixar o Estado para seguir uma carreira de sucesso, como é o caso do chef Edivaldo Ribeiro, há 15 anos à frente dos restaurantes do Grupo Geppo’s. 42 | Fale! | Abril dE 2009

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“O Cozinheiro aqui não tinha formação, não estudava, não se aprimorava, apenas cozinhava”, conta Edivaldo, que começou a carreira em São Paulo, onde fez cursos e aprendeu o ofício de chef executivo. A cultura gastronômica voltada principalmente para a formação e o aperfeiçoamento dos profissionais e dos consumidores do País expandiuse nos últimos 20 anos, o que pode ser observado no número de cursos existentes atualmente e que possuem uma ligação direta com o turismo desenvolvido em cada cidade. Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – Inep, o país possui no total 56 cursos de graduação em Gastronomia. São Paulo lidera o ranking com 26 cursos, mas outros exemplos são Pernambuco, com quatro e Santa Catarina, com


As muitas atribuições de um Chef A criatividade e a curiosidade são características natas a um chef de sucesso. “Você tem que ser ousado, ter a mente aberta às possibilidades. Assistir programas de culinária, estudar, ler e mergulhar no assunto. A partir daí você vai encontrando formas diferentes de fazer”, aconselha Edivaldo Ribeiro. Para quem está pensando em seguir carreira nessa área, Edivaldo lembra que as atribuições de um chef de cozinha vão além do simples ato de cozinhar, o profissional é também responsável pela área gastronômica da empresa. “Existem alguns chefs completos que elaboram ficha técnica, gerenciamento e existem os chefs que só cozinham, mas não

criam, não desenvolvem, mas têm seu mérito, só preferem não se envolver com a administração de uma cozinha. Até hoje eu cozinho em todas as minhas cozinhas, acho isso importante por ser a essência da profissão, e é muito bom cozinhar, tenho prazer em cozinhar”, reforça. Cabe ao Chef Executivo dar toda a direção do restaurante no setor de alimentos e bebidas, podendo-se inferir que este profissional é a ‘alma’ de qualquer restaurante e a escolha correta deste profissional é um passo importante na construção de um restaurante de sucesso. Edivaldo lembra que nem só a experiência prática e o aprendizado técnico, em livros e sala de aula, são garantia

oito, enquanto, no Ceará, só existe um curso disponível, na Faculdade Nordete – Fanor. A evolução gastronômica no país também foi afetada pela mudança no perfil do consumidor. Cada vez mais exigente, provando sabores que antes eram inacessíveis ou desconhecidos e que não estão mais restritos ao eixo São Paulo-Rio. A informação gastronômica é um dos objetos de desejo desse público faminto por conhecimento, que busca muito mais que boas receitas. Querem saber das tradições gastronômicas, da origem dos ingredientes, da história de cada refeição e o que servir como bebida.

de sucesso para um profissional da área. Nesse caso, o mais importante é saber que “cozinhar não só é mexer

cozinhar não É só mexer panela. É uma ciência e uma arte de saber combinar ingredientes, criar sabores.

Carreira de sucesso no Ceará

Após voltar ao Ceará, o chef executivo Edivaldo Ribeiro construiu uma carreira sólida e é valorizado dentro do mercado gastronômico do Estado. “Hoje em dia até aconselho os colegas que estão longe a voltarem para cá, pois a realidade mudou, hoje há investimento e espaço para se desenvolver com qualidade aqui mesmo, pois estamos nivelados com os profissionais do sul”, diz Edivaldo, que retornou ao mercado cearense por um acaso. “O Hospital Beneficência Portuguesa fez uma seleção para um chef assinar a cozinha e após ser aprovado, descobri que, na verdade, era para atuar em um hospital particular de Fortaleza”. Edi-

panela. É uma ciência e uma arte saber combinar ingredientes, criar sabores”, finaliza.

ALQUIMISTA. A criatividade e inovações do chef Edivaldo Ribeiro, ao lado com três criações suas: Filé ao Molho de Café e Atum ao molho de mostarda, na outra página Camarão ao alho www.revistafale.com.br

valdo chegou à capital cearense e assumiu a chefia do setor de alimentos do Hospital, que tinha como demanda primordial a criação de pratos que fossem leves para os pacientes, mas que estes se sentissem em um restaurante. Após cinco anos, Edivaldo foi convidado a conhecer o Geppo’s, e logo assumiu a chefia do restaurante na Beira Mar. Após quatro anos, passou a coordenar todo o Grupo, treinando pessoal e chefiando todas as cozinhas. Edivaldo criou uma “linguagem” gastronômica para os restaurantes do Grupo. “Cada restaurante tem sua cultura, seu modo de preparar os pratos e de servi-los. Com o tempo fomos ajustando isso”, diz. Hoje, os restaurantes têm traços inerentes às suas culturas próprias, fruto da inovação e da criatividade de Edivaldo, que sempre teve total liberdade para exercer a profissão. “Alteramos os cardápios a cada três ou quatro meses, com pratos novos principalmente com itens regionais, pratos sofisticados utilizando rapadura, castanha de caju, carne de sol, coco, tapioca, abacaxi, manga...” n abril DE 2009 | Fale! | 43


Autos&Máquinas Por Roberto Costa

PEUGEOT 207 ESCAPADE O

grupo dos Aventureiros

urbanos ganhou reforço com a chegada ao mercado do Peugeot 207 Escapade que completa a família composta ainda pelas carrocerias hatchback (três e cinco portas), station wagon e sedan. O novo Escapade montado sob a carroceria station wagon recebeu diversas aprimoramentos em relação a versão anterior 206 e vem para brigar com um leque de opções colocado no mercado por toda a concorrência direta. Segundo a Peugeot perfil do cliente potencial do 207 Escapade, que é produzido em versão única, normalmente é do sexo masculino entre 30 e 60 anos casado ou morando junto com um ou dois filhos, com curso superior com44 | Fale! | Abril dE 2009

pleto, pessoalmente dirige seu veículo e pode chegar a compra por indicação ou experiência anterior com outro modelo da marca. Com visual esportivo e design arrojado aliados a uma suspensão elevada em relação ao solo em 25 mm aliado a utilização de amortecedores de curso mais longo e rodas de liga leve de 24 polegadas e pneu de uso misto fica reforçada a idéia de robustez além de satisfazer as exigências de muitas de nossas ruas e estradas nem sempre em bom estado. Visualmente logo se nota a grande entrada de ar frontal sob o pára-choque que incorpora os faróis de neblina. O grupo ótico tem faróis com mascara negra ressaltando seu olhar felino com www.revistafale.com.br

as laterais recebendo saias com aplique preto que saindo do pára-choque vão até o traseiro contornando os pára-lamas que parecem mais salientes e completam a aparência esportiva as barras longitudinais no teto para bagageiro e tampa de combustível tipo aviação. Internamente além dos bancos com apelo esportivo nota-se o grande console, saídas do ar condicionado com moldura imitando alumínio sendo este mesmo material utilizado em maçanetas internas, porta luvas, manopla do cambio, pedaleiras e soleiras das portas dianteiras. Os mostradores do painel tem boa leitura e foram inspirados em motocicletas sofisticadas possuindo fundo branco e aro cromado. Como itens opcionais são disponibili-


visual esportivo. Design arrojado aliados a uma suspensão elevada são detalhes marcantes do Escapade zados sistema de freios ABS (anti-Travamento), rodas de 15 polegadas e air bag frontal. O bom desempenho do Peugeot 207 Escapade é conseguido através de uma motorização 1.6 – 16V Flex que gera 113 cavalos quando abastecido com álcool e 110 cavalos com gasolina estando atrelado a um câmbio de cinco

pit-stop  Peugeot 207 BR na Europa.

O Peugeot 207 projetado e desenvolvido no Brasil estará na linha de produção da planta de Mulhouse, na França, para ser incorporado a gama de automóveis comercializados pela marca na Europa. Com a nomenclatura 206+ (plus), o modelo chega para completar a gama de produtos da Peugeot, hoje a principal montadora européia no segmento de veículos pequenos e médios. O modelo está posicionado entre o Peugeot 107 – compacto de entrada com clara vocação urbana e preço competitivo – e o 207 europeu, na alta gama do segmento B2, por seu tamanho e prestações.  VW Total Flex.

A Volkswagen do Brasil comemorou recentemente, os seis anos do lançamento da tecnologia bicombustível com a marca de 2 millhões de veículos Total Flex produzidos pela marca. Considerada uma das mais importantes inovações dos últimos anos, a tecnologia bicombustível chegou ao mercado a bordo de um Volkswagen. O primeiro modelo Total Flex – equipado com motor 1.6 foi o Gol, carro líder de vendas no País há 22 anos consecutivos. Esta tecnologia também começa a ser embarcada na linha de importados da marca. Com a chegada do Bora 2.0 Total Flex produzido no México.  Scania/Brasil.

Repetindo o resultado obtido em 2007, o Brasil

velocidades agora com engates mais precisos e suaves graças a utilização de cabos. O modelo apesar das modificações recebidas que lhe deixaram mais alto em relação ao solo continua prazeroso de dirigir mantendo suas consagradas qualidades dinâmicas mas é bom lembrar que apesar do apelo “off-road”

alcançou a posição de maior mercado mundial da Scania em vendas de caminhões, conforme balanço anual de 2008. Ao todo, o mercado brasileiro chegou à marca de 8.008 veículos comercializados, 23% a mais que no ano anterior e este número é o maior já registrado pela montadora em seus 51 anos de atuação no País. A unidade brasileira registrou também a venda de 821 ônibus. Na América Latina, foi registrado um crescimento de 10% na venda de caminhões, com 10.775 veículos, e 14% na venda de ônibus, com 2.009 unidades.  ECOSPORT Nº 500.000.

A Ford comemorou a produção de 500.000 unidades do EcoSport na Fábrica de Camaçari, na Bahia, mais um marco que reflete o sucesso do veículo, líder da categoria de utilitários esportivos desde o lançamento Do meio milhão de unidades produzidas, 246.131 foram vendidas no mercado interno e 244.979 exportadas. O modelo é exportado hoje para dez países, incluindo Argentina, Venezuela, Equador, Colômbia, Chile, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Peru e México. Tem também unidades rodando em outros 16 países, como Síria e Líbano, no Oriente Médio, além do Cazaquistão, Angola, Nigéria e Etiópia, na Ásia e África.

trata-se de veículo urbano que consegue superar facilmente alguns obstáculos mesmo que em estradas de terra de média dificuldade. Agora é esperar a resposta do mercado onde o embate será forte embora a Peugeot garanta que na comparação direta vai vencer, pois “teria” o melhor custo-benefício da categoria.n

chamados alguns automóveis da indústria automobilística, fizeram parte da história do cenário automotivo mundial nas últimas quatro décadas e meia. Mas, nenhum recebeu o mesmo sucesso e despertou a mesma paixão como o Ford Mustang, o único “muscle car” que continua em produção até hoje. Em abril, este ícone esta comemorando seu 45º aniversário de existência .A celebração fará um tributo às cinco gerações históricas do Mustang. O modelo original, chamado de versão 1964 ½, pois foi lançado no meio do ano, foi um sucesso instantâneo e superou todas as expectativas. A Ford contava com um volume anual de 100.000 unidades, mas já no primeiro dia as reservas chegaram a 22.000 e, doze meses depois, havia 417.000 Mustang nas ruas. Em dois anos, as vendas chegaram a 1 milhão. O nome do carro foi emprestado do P-51

Mustang, famoso avião da Segunda Guerra, mas o emblema do cavalinho com o tempo ganhou vida própria. A combinação de design esportivo – destacado pelo capô comprido e traseira curta –, preço baixo e várias opções de modelos e equipamentos conquistou o público. As sucessivas atualizações feitas no modelo conservaram esses atributos.O mito do carro cresceu com a coleção de vitórias nas pistas, tanto nos Estados Unidos como em competições internacionais. No cinema ele também teve participações marcantes, como em “Goldfinger”, com James Bond, e “Bullit”, ao lado de Steve McQueen.Bancos individuais e alavanca de câmbio montada no assoalho foram outras inovações trazidas pelo então revolucionário Mustang.

 MUSTANG – 45

ANOS.

Inúmeros “pony cars”, como foram www.revistafale.com.br

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PUBLIEDITORIAL

estrutura. Espaço, equipamento de ponta e profissionais experientes

corte com grife Qualidade, conforto e praticidade. Investir em qualidade é a receita do sucesso do salão de beleza Paulino Jr.

M

anter um salão no shop-

ping é um investimento em qualidade e fator de diferenciação. Esse é o perfil do salão de beleza Paulino Jr., atender às classses A e B com maior comodidade e praticidade, incluindo sábados e domingos, no mesmo ritimo de funcionamento das lojas do Shopping Center Iguatemi, de Fortaleza. O mercado de Beleza cresce 4 a 5 % ao ano, mas isso não significa que tudo esteja às mil maravilhas. A concorrência é acirrada, mas ganha destaque quem oferece serviço de qualidade e com transparência. 46 | Fale! | Abril dE 2009

Paulinos Jr. tem uma equipe de profissionais qualificados e especializados. A equipe de 50 pessoas assegura agilidade e qualidade nos serviços. Uma nova linha de serviços oferecidos são os de drenagem e limpeza de pele. Em dia com as novas tecnologias a serviço da beleza, Paulino Jr. trouxe para a sua loja a última novidade em alisamento de cabelos, o Photon Hair. Essa técnica é à base de luz fotônica, que dispensa o uso de produtos químicos muito fortes, por isso, agride menos os fios, além de alisar e tratar o cbelo ao mesmo tempo. Um alisamento dura em média de 6 meses a 1 ano, saindo conforme o crescimento da raiz, que deve ser retocada. Este serviço no Paulinos Jr. Cabeleireiro, varia de R$600 a R$900. E vale muito a pena.

 PAULINO JR. CABELEIREIROS Fone (85) 3241.4366 Shopping Iguatemi Fortaleza www.revistafale.com.br


peta. A ong multionacional Peta (People for the Ethical Treatment of Animals) conseguiu tirar a roupa de mais uma celebridade em nome dos animais que são comidos, diariamente, pelos não-vegetariano. Trata-se da ex-Batgirl, Alicia Silverstone, estrela de cinema, conhecida no mundo da música pela trilogia dos clipes do Aerosmith no começo da década de 90. A peça estrelada por Alicia está logo abaixo.

persona

bOND na bolívia. O novo filme do agente secreto britânico James Bond terá como um de seus cenários a América do Sul. Será rodado no Panamá, mas a história se passa em um país “sul-americano” que seus produtores não quiseram identificar. A idéia é dar a impressão de que se está em um país andino, talvez a Bolívia.No mais recente filme da saga James Bond, “Quantum of Solace”, rodado em Londres, Itália e Austrália o ator britânico Daniel Craig, que interpreta pela segunda vez o agente secreto James Bond, contracenou com a bela modelo e atriz ucraniana Olga Kurylenko, com o mexicano Joaquín Cosio e com o espanhol Fernando Guillén Cuervo.  miss. Uma miss americana que tirou segundo lugar no concurso de beleza miss Estados Unidos disse que só perdeu a competição por ter se manifestado contra o casamento entre homossexuais. Tratase da miss Califórnia Carrie Prejean. Ela declarou durante o concurso que acredita que “um casamento deveria acontecer entre um homem e uma mulher”. Isso me custou a coroa, declarou ao final. www.revistafale.com.br

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persona

O acadêmico Murilo Martins passou a presidência da Academia Cearense de Letras para Pedro Henrique Saraiva Leão, em solenidade no Palácio da Luz. posse na academia.

Luiz Carlos Martins

A fala do novo presidente da ACL,Pedro Henrique Saraiva Leão, ao lado de autoridades na mesa oficial

Marilena e Eduardo Cortez Campos

César Asfor, Pedro Henrique e Napoleão Maia

Fotos: Auston

Mana e Pedro Henrique Saraiva Leão

Isabel e Barros Pinho


Convidados e autoridades prestigiaram o evento

Erle Rodrigues e João Alberto Gurgel do Amaral

Lêda Maria, Pio Rodrigues, Mana Leão e Glaura Férrer

Marildes e Lauro Lopes

Atual e ex-presidente da entidade

Constança Távora e Luiza Pinto

Ilka e J. C. Alencar Araripe


ÚltimaPágina

Brasil e Irã, relações perigosas

O

Brasil prepara-se para receber o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. A primeira visita de um presidente iraniano, prevista para maio, poderia ser vista como mais um passo na conquista de novos mercados e até no aumento de influência brasileira numa região em que o País prima pela ausência. Cabe, no entanto, indagar por que um país democrático, que vive sob a égide do Estado de Direito, deveria aproximar-se da odiosa ditadura teocrática que governa aquele fabuloso país, berço da cultura persa. Para estreitar os laços geopolíticos do Brasil com o Sul, segundo preceitos de um realismo calcado apenas nos interesses egoístas dos Estados e na predominância das esferas de influência? Nesse caso, a razão de Estado, lógica desenvolvida pelos cardeais Richelieu e Mazarin, manda o País se calar quando o Irã consumar seu programa nuclear. Ou nossa diplomacia buscaria só aproximar os dois povos, explorando benefícios mútuos? Nessa hipótese mais panglossiana (do dr. Pangloss, personagem de Cândido, o Otimista, de Voltaire), estaremos no melhor dos mundos. Mas, como suspeitaria o pensador iluminista, essa aproximação, no fim das contas, serviria só para aumentar o reconhecimento internacional de um regime que pisoteia direitos humanos, promove o terrorismo internacional e ameaça a estabilidade do Oriente Médio com o projeto de desenvolver armas nucleares. Trilhamos um caminho oposto ao do Irã dos aiatolás. Em duas décadas de redemocratização, não só reconquistamos os direitos de cidadania suspensos pela ditadura militar — como a liberdade de expressão e o habeas corpus — como avançamos na construção de novos direitos, o que nos pôs no caminho de nos tornarmos uma República mais justa. Mas ainda somos uma nação desigual, onde a pobreza priva milhões de cidadãos de uma vida digna. Também não conseguimos acabar com a violência, policial ou não, que vitima principalmente “pretos, pobres e mulatos”, para citar a canção de Caetano Veloso. Contudo o Brasil hoje reconhece suas mazelas, como a desigualdade social e a dívida para com a população negra, e se esforça para combatê-las. A criação de políticas públicas afirmativas busca diminuir essa desigualdade, oriunda da escravidão. E a universaliza50 | Fale! | Abril dE 2009

Por Roberto Romano

ção da educação laica abre horizontes para a formação de uma população mais livre e mais preparada para os desafios atuais do mundo globalizado. Que contraste com o regime fundamentalista e retrógrado do Irã! Um regime que não só persegue minorias religiosas como os bahais, como também estimula o assassinato de muçulmanos que se atrevem a mudar de religião. Quanta diferença entre nossa tradição política conciliadora e um governo cujo presidente é descaradamente antissemita, que minimizou a barbárie nazista ao declarar que o Holocausto não existiu e que o Estado de Israel deveria simplesmente ser riscado do mapa! Quando liderou a revolução contra a odiosa ditadura do xá Reza Pahlevi, em 1979, o aiatolá Khomeini prometeu uma era de liberdade para os iranianos. Isso parecia possível; afinal, uma insofismável revolta popular enfrentou a brutal repressão da Savak, a polícia política iraniana, e pôs fim a um regime que não passava de marionete dos EUA desde 1953, quando a CIA derrubou o então primeiro-ministro nacionalista Mossadegh. Por isso, a queda do xá foi saudada em quase todo o mundo como uma revolução genuína. Para parte da intelligentsia europeia, a revolução islâmica resgatava a dimensão libertadora das insurreições populares, a “tomada dos céus de assalto”. O filósofo francês Michel Foucault, o desconstrutor do pensamento ocidental, fez um panegírico à revolução xiita intitulado Elogio à Rebelião. Para ele, a revolução dos aiatolás representava uma nova forma de “dimensão espiritual na política” que se contrapunha ao racionalismo positivista da modernidade ocidental.

Mas, quando a Guarda Revolucionária do novo regime começou a fuzilar comunistas e homossexuais em nome da pureza de princípios, ficou claro que a razão não estava com Foucault, mas com Albert Camus, para quem “todas as revoluções traíram fundamentalmente o sentido da revolta”. Além de liquidar setores laicos que tinham lutado contra a ditadura, a teocracia islâmica fez o Irã voltar ao século 9º: impôs a submissão às mulheres, permitiu a invasão da embaixada americana em Teerã e apoiou movimentos terroristas no exterior. O Irã tentou exportar seu obscurantismo quando Khomeini decretou uma fatwa (pena de morte) contra o escritor britânico Salman Rushdie, acusado de “blasfêmia” contra o Islã; 30 anos depois da ascensão da revolução islâmica, a organização de direitos humanos Anistia Internacional afirma que a situação mudou muito pouco. Persistem as sistemáticas violações de direitos humanos, como prisões arbitrárias, tortura institucionalizada, uso indiscriminado da pena de morte - o país é o segundo em execuções, depois da China -, perseguições de minorias religiosas, violação dos direitos das mulheres e severas restrições à liberdade de expressão. Para piorar, os dirigentes iranianos continuam apoiando e financiando organizações terroristas — como no Líbano e em Gaza - e estão firmemente empenhados em fabricar a bomba atômica, apesar do disfarce civil de seu programa nuclear. O que temos a aprender com esse regime? O Brasil e os países democráticos emergentes não têm por que estreitar relações com governos autoritários como o do Irã, cujo discurso “anti-imperialista” só serve para encobrir o ódio à ideia de democracia como valor universal. Não somos uma superpotência como os EUA, que tem de dispor de um arsenal diplomático, além do dispositivo de dissuasão militar, para manter o equilíbrio numa região instável. E, acima de tudo, não podemos, em nome da crítica à política de um Estado soberano e democrático (Israel), adular um dirigente protofascista do naipe de Ahmadinejad. O Brasil deveria aproximarse das lideranças responsáveis do Oriente Médio, jamais de tiranetes demagógicos dispostos a ver o circo (o mundo) pegar fogo n Roberto Romano é professor titular da Unicamp

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