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Brasil de volta às exportações por Beth Cataldo

U

Fotos: Divulgação

ma agenda agressiva para a re-

e diferenciar-se no mercado. Apesar de

tomada das exportações anima

figurar entre as dez maiores economias

empresas brasileiras de diver-

do mundo, o país não conta com grandes

sos setores, em meio à crise econômica e

marcas nacionais no mercado externo, o

política que não dá sinais de trégua. Pres-

que pressupõe aprimorar características

sionadas pela retração do mercado interno

de design e estruturar redes internacionais

e favorecidas pela desvalorização do real,

de distribuição, entre outras providências.

essas empresas tentam recuperar o terreno

Há esforços nesse sentido, um

perdido no período em que se acomoda-

cliente contratou centros de distribuição

ram à forte expansão do consumo no país e

em Dubai, Cingapura e no Panamá para

contaram com a incorporação de camadas

atender os importadores com mais pres-

amplas de novos consumidores. O câmbio

teza e eficiência. Outra empresa buscou

sobrevalorizado completou o cenário dos

instalações nas Ilhas Fiji, onde estão cen-

últimos anos.

tralizados importantes centros regionais

O consultor Welber Barral (foto),

de distribuição. São exemplos menciona-

ex-secretário do Comércio Exterior, acom-

dos por Barral para justificar a sua cons-

panha de perto essa movimentação e teste-

tatação de que “não existe mais mercado

munha a ansiedade com que várias empre-

pequeno”. As empresas brasileiras estão

sas brasileiras têm se lançado ao mercado

A disposição das empresas de

que não se agrega marca ou origem nes-

em busca de oportunidades de exportação

externo para compensar a elevada taxa de

tentar conquistar fatias mais expressivas

ses produtos, que dependem do compor-

mesmo em mercados antes considerados

ociosidade com que operam atualmente.

dos consumidores no exterior passa pelo

tamento da demanda.

pouco atraentes pelo menor porte.

A queda nas importações experimenta-

acompanhamento de negociações inter-

da neste ano, e que explica boa parte dos

nacionais capazes de afetar produtos do

pela desvalorização do real para aumentar

resultados positivos colhidos na balança

país, pela pesquisa de mercado para a

os ganhos dos exportadores de commo-

forços, pesa de forma negativa a ausência

comercial, poderia abrir oportunidades

inserção de produtos brasileiros, entre

dities, no entanto, nem sempre se torna

de acordos comerciais que estabeleçam

para a produção nacional. Mas, na prática,

outras ações. Inclui até mesmo a abertura

realidade. Os importadores costumam re-

condições mais propícias à presença dos

o desaquecimento da economia brasileira

de contenciosos na Organização Mundial

agir com pedidos de abatimento de preços

produtos industriais brasileiros no mer-

obstrui esse caminho, o que reforça a alter-

do Comércio no caso, contra a Indonésia

sempre que observam uma mudança cam-

cado internacional. O Brasil conta com

nativa da exportação.

pela imposição de barreiras não-tarifárias

bial favorável aos exportadores. Nesse

poucos acordos e enfrenta o avanço de

à exportação de frango e carne do Brasil.

caso, se os produtores não têm suficiente

seus competidores em articulações am-

Dificuldades

poder de mercado para impor preços, aca-

plas, que desequilibram as condições de

Até meados do ano passado, as

demandas que chegavam aos escritórios

Acordos comerciais

A oportunidade proporcionada

Em sentido contrário a esses es-

da Barral M Jorge Consultores Associa-

Exportar não é fácil e nem acon-

bam obrigados a reduzi-los. Esse proces-

concorrência e deixam o país de fora de

dos, a empresa de consultoria que ele

tece de um dia para o outro. A estimativa

so está por trás da diminuição de preços

grandes mercados consumidores. Ou pelo

mantém com o ex-ministro Miguel Jorge,

é que um projeto de exportação na área

de várias commodities exportadas pelo

menos diminuem suas chances de compe-

se concentravam em ações de caráter de-

industrial chega a consumir, em média,

Brasil e outros países nos últimos meses,

tir com sucesso.

fensivo, como processos antidumpings,

cerca de dois anos e meio para alcançar a

afetando as chances de aumento da lucra-

elevação de tarifas e adoção de barreiras

plenitude e produzir resultados concretos.

tividade dos exportadores.

Parceria Transpacífico, que reúne os Esta-

contra a entrada de produtos estrangeiros.

Na área de serviços, esse período pode ser

Quando a pauta de exportação

dos Unidos, o Japão e mais dez países. En-

Uma mudança radical aconteceu a partir

ainda mais extenso. No caso das commo-

é de produtos industriais, o Brasil tem

tre eles, encontram-se a Malásia e a Indo-

daí, com o deslocamento da demanda dos

dities básicas exportadas em abundância

condições hoje de oferecer preços mais

nésia, grandes concorrentes do Brasil na

clientes para as iniciativas que podem

pelo Brasil, como minério de ferro, soja

baratos em função do novo patamar do

área de café solúvel. A perspectiva criada

proporcionar acesso dos produtos brasi-

e milho, “você não vende, é comprado”,

câmbio, mas não conseguiu avançar o su-

pela nova parceria é que esses países pas-

leiros ao mercado internacional.

ensina o ex-secretário. O diagnóstico é

ficiente para agregar valor à sua produção

sam a usufruir de tarifa zero para vender

É o caso do recente anúncio da

Jornal Exper News  

Edição Número 08

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