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Editorial

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Foto: Evandro Maia

Responsabilidade social corporativa

S

convencionais apresentam uma oposição

um processo de responsabilidade social,

visceral a essas mudanças sensatas de

Cláudia Martins, diretora da Interface Bra-

impostos - por exemplo, as refinarias de

sil, responsável pela operação comercial e

petróleo não receberiam mais o desconto

administrativa, mostra que a Interface não

fiscal sobre a produção de petróleo, mas

só fez esforços produtivos na eficiência de

seriam taxadas em consequência da po-

energia, mas foi muito além disso, consi-

luição causada pelo petróleo. A grande

derando o perfil de uma vida inteira volta-

promessa apenas parcialmente cumprida,

da para o meio ambiente.

da Revolução Industrial era sociedades de

lazer - com a semana de trabalho cada vez

mos agora com mais alguns colaboradores

mais curta. As pessoas se dedicariam às

que irão dividir suas experiências, na re-

artes, aos esportes, ao crescimento pesso-

vista impressa e na digital, e faço questão

al, adquirindo novos conhecimentos, com

de destacar: Maísa Paranhos Bertoglio,

mais viagens e férias e isso desenvolveria

Jacqueline Cerqueria, Lígia Feitosa, Eu-

toda uma nova economia, infelizmente

gênio Ferrarezi, Marcos Gross e Débora

isso não vem acontecendo.”

Moraes, sejam todos bem-vindos.

Para produzir esta edição tive

A família Exper cresceu e conta-

Fádua Sleiman traz um belo ma-

de assistir alguns vídeos, ler livros, revis-

terial para nossas leitoras com o título:

egundo o livro Mercado Ético, da

tas internacionais e o IDH de 2012, digo

Diga-me qual a sua bolsa, e te direi qual é

visionária Hazel Henderson, “a

com veemencia é assustador, ver o quanto

o seu poder, como dez entre dez mulheres

legislação tributária ainda torna as

precisamos evoluir como seres humanos

amam bolsas, o artigo será um sucesso.

máquinas mais baratas e os seres humanos

consciente. Meu tempo, espaço e recursos

mais caros. Para remediar esse problema,

são muito escassos para levar toda a infor-

meu grande amigo Dr. Epaminondas No-

muitos grupos estão tentando tirar os im-

mação ao qual tive acesso, mas deixo um

gueira: O retrato do velhinho, onde ele

postos da folha de pagamento e passar a

alerta, ou mudamos nosso modo de viver

destaca a fantástica obra de Getúlio, que foi

tributar a poluição, o lixo e o esgotamen-

ou nossos filhos vão pagar um preço muito

a CLT.

to dos recursos naturais. A Europa é líder

alto pela nossa procrastinação.

nessas mudanças para impostos verdes.

Nos Estados Unidos, os setores industriais

estão omissos, outros em vias de iniciar

Enquanto

alguns

empresários

Expediente Publisher: Márcio Junior MTB 59904-SP, Editoração: Editora Off, Colunistas: Epaminondas Nogueira, Maísa Paranhos Bertoglio, Jacqueline Cerqueria, Lígia Feitosa, Eugênio Ferrarezi, Marcos Gross e Débora Moraes, Publicidade: 11 2819-4457 ou 11 994.728.104 / publicidade@revistaexper.com.br, Foto Capa: Technology Green Energy - Green ICT, Fotógrafo: Evandro Maia. A revista é uma publicação da Editora OFF e distribuída aos associados do CIESP, SESI, SENAI, Associações Comerciais, Sebrae, Secretarias de Indústria e Comércio, Prédios Comerciais e algumas bancas. A revista não se responsabiliza pelo conteúdo dos anúncios e as opiniões emitidas em artigos assinados são de responsabilidade dos autores.

Imperdível também o artigo do

Boa leitura.

Márcio Junior, Publisher da revista Exper


Editorial..................................................04

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Poder Feminino

Foto: Divulgação

Nesta Edição

Exper News.............................................06 Entrevista...............................................08 Capa.......................................................12 Poder Feminino......................................18 Ponto de Vista.........................................22

Business.............................................26 Inovação Tecnológica.............................28 Recursos Humanos.................................30

Diga-me qual a sua bolsa, e te direi qual é o seu poder

18

Inovação Tecnológica

Foto: Divulgação

Liderança.............................................24

Comunicação.........................................32 Administração........................................34

Industrialleds oferece economia

28 Foto: Luciano Amaral

Administração

Para expressar sua opinião, dar sugestões, enviar releases e fazer contato com a nossa redação, escreva para: redacao@revistaexper.com.br e siga-nos nas redes sociais:

Tempo é dinheiro?

34


Exper News

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BMW chega ao Vale do Paraíba Foto: Divulgação

ao Colinas Shopping. O projeto é assinado pelo arquiteto da BMW, que deve cumprir com os padrões mundiais. “Nos antecipamos ao projeto, por questões estratégicas. Realizamos um estudo na região e São José é uma cidade que está em evidente crescimento, percebemos a forte presença de veículos BMW, assim como marcas similares, o que para nós é traduzido em um grande potencial”, conta Eduardo Vale, gerente geral da Osten BMW Group. Segundo Eduardo, a tendência é quadruplicar as vendas da marca na região. Eleita em abril desse ano pelo

nida Eduardo Cury. Nesse primeiro mo-

Até a inauguração prevista para o início de

ranking anual Reputation Institute como a

mento, está sendo realizada a consolidação

2014, estão programados eventos pontuais

empresa de melhor reputação no mundo, a

da marca de forma mais seleta, definida em

com potenciais clientes e formadores de

BMW acaba de se instalar em São José dos

clientes potenciais.

opinião, com direito a test-drive com os

Campos. A marca chega ao Vale do Para-

Seu prédio próprio, um espaço

modelos mais cobiçados. “A ideia é não

íba junto ao Grupo Osten em um espaço

de 5.200m2 de área construída, divididos

ofuscar a grande inauguração e criar uma

físico temporário, até que o projeto oficial

por BMW Veículos, Mini Cooper e BMW

expectativa para a chegada”, explica o ge-

fique pronto - uma obra faraônica na Ave-

Motorrad, está sendo construído em frente

rente da Osten BMW Group.

Até 2017, digital deve ser 1/4 do mercado

Rodada de Negócio em Jacareí

Anunciantes estão gastando cada

sinaliza interesse em consumir produtos

vez mais dinheiro em digital e, até 2017,

digitais. Para mudar esse hábito, esperam

O CIESP realiza mais uma rodada

deverão investir quase US$ 3,8 bilhões,

pagar a metade ou menos do que normal-

de negócios, desta vez em Jacareí. E já está

no mundo todo. Os dados são da pesqui-

mente custaria uma cópia física. O público

aberta as inscrições para a Rodada de Negó-

sa anual Global Entertainment and Media

masculino é mais receptivo a assinaturas

cios do CIESP Jacareí. Inscreva-se e garan-

Outlook da Pricewaterhouse Coopers, que

digitais. Cerca de 41% dos homens dis-

ta já a sua participação! Inscrições pelo site

analisa os investimentos recentes e faz pro-

seram que pagariam por conteúdo on-line

http://www.ciespjacarei.org.br/agenda/

jeções para os próximos quatro anos.

ou em tablets, enquanto somente 29% das

rodada-de-negocios-do-ciesp-em-jacarei/

A pesquisa ouviu mais de 5 mil

mulheres declararam a mesma disposição.

A rodada vai reunir empresas

consumidores, líderes do mercado editorial

Por outro lado, revistas femininas ocupam o

âncoras, dispostas a divulgar sua lista de

e publicitário e analisou relatórios e estudos

terceiro lugar entre os gêneros de conteúdo

compras e conseguir novos fornecedores.

do setor. Entre outros dados, aponta que

que atrairiam mais consumidores digitais,

No ano passado, o evento recebeu 150 em-

o gasto com consumo de conteúdo digital

ao lado publicações sobre computação e vi-

presas, entre âncoras e fornecedores. Foram

também vai crescer dos atuais US$ 275 mi-

deogame – 32% dos respondentes compra-

realizadas cerca de 1168 reuniões com um

lhões para US$ 1,4 bilhão em 2017.

riam esses produtos. Em segundo lugar en-

volume estimado de R$ 4 milhões em negó-

tram títulos sobre saúde e exercícios (34%)

cios futuros. A rodada acontecerá no SESI

e em primeiro, sobre hobbies (37%).

de Jacareí, das 13 às 18 horas.

A maioria prefere ler as versões impressas de revistas, mas pelo menos 60% 6 - Revista Exper


Band põe conteúdo nos voos da Avianca O conteúdo dos canais BandNews e BandSports passará a ser exibido nas aeronaves A319 e A320 da Avianca. A companhia firmou um acordo com a Band Content Distribution, área responsável pela distribuição do conteúdo do Grupo Bandeirantes. A cada 15 minutos, os passageiros poderão acompanhar as notícias atualizadas produzidas pelo canal, bem como se atualizar acerca dos destaques do dia do canal esportivo.

Google desenvolve console de jogos

vo em oferecer às diversas plataformas do

O Wall Street Journal publicou

veis ainda neste ano. Os representantes do

mercado conteúdos variados, qualificados,

que o Google está desenvolvendo um con-

Google não comentaram o assunto. A ma-

e que se enquadrem da melhor forma às di-

sole de videogame e um relógio de pulso

téria do WSJ também afirma que a gigante

ferentes necessidades de cada cliente”, re-

baseados em seu sistema operacional An-

de buscas está trabalhando em uma nova

força Maria Leonor Saad, diretora da Band

droid. Fontes anônimas disseram ao jornal

versão do dispositivo que executa músicas

Content Distributon. É a primeira parceria

que os dispositivos devem estar disponí-

por streaming, o Nexus Q.

da emissora com uma companhia aérea.

American Express usa redes sociais

Brasil consome mais notícias online

A American Express lançou uma

dos dois mil americanos participantes, onde

competição nas redes sociais que irá forne-

69% revelaram que definem o sucesso como

Uma pesquisa do Reuters Institute

cer um financiamento para 10 pessoas perse-

“ter tempo para percorrer paixões e outros

for the Study of Journalism, atesta a predi-

guirem suas paixões por um mês. O projeto

interesses”. O projeto Passion Projects faz

leção do brasileiro por meios digitais – es-

PassionProjects foca nas questões “qual é

parte de uma nova campanha da American

pecialmente redes sociais – e aponta uma

sua paixão?” e “por que é importante para

Express, “What Membership Does”, que en-

novidade: o consumidor do Brasil está entre

você?”. Os participantes devem respondê-

globa as redes sociais como plataformas de

os que mais tem interesse em pagar por no-

las com até 120 caracteres. Os vencedores

comunicação, onde serão postadas histórias

tícia on-line num futuro próximo.

receberão US$ 2 mil para colocar as ideias

inspiradoras de pessoas percorrendo suas

Brasil é o terceiro colocado no

em prática. A iniciativa foi inspirada por uma

paixões, e como isso as levou ao sucesso e

índice de acesso a notícias, por qualquer

pesquisa realizada pela empresa, em que

satisfação.

meio, diariamente, com 88% (Japão vem

O CIESP de Santos está em novo endereço Fotos: Divulgação

“A parceria enfatiza nosso objeti-

em 1º lugar, com 92%; Dinamarca em 2º, com 89%). Também tem o maior índice

A partir do dia 12/08, a Regional de

de interessados em notícias, 87%, seguido

Santos atende em sua nova sede localizada

por Espanha (81%) e Alemanha (80%), e

na Avenida Senador Feijó, 31, 2º andar, con-

o maior índice de visualização semanal de

junto 4, no centro da cidade. O atendimento

notícias on-line, com 90%, acima de Japão

de Certificado de Origem, Certificado Digi-

(85%) e Dinamarca (81%). O Brasil tam-

tal, Cursos e Treinamentos e demais serviços

bém é o lugar onde mais se acessa redes

prestados pela entidade, estão funcionando

sociais e blogs e onde há o maior índice de

normalmente no novo endereço.

compartilhamento de notícias. Revista Exper - 7


Entrevista

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Cláudia Martins Exper - Para que nossos leitores pos-

Graduada em Administração, MBA em Marketing, especialização na Fundação Dom Ca-

sam conhecê-la, conte-nos um pou-

bral, com o objetivo de se inserir no contexto da sustentabilidade. Desde 2008 é diretora

co sobre sua trajetória profissional?

da Interface Brasil, responsável pela operação comercial e administrativa.

Cláudia Martins - Aos 17 anos ingressei na faculdade de Administração de Em-

Exper - Fale um pouco da Interface?

presa, sob a marca Intersept®. Todos esses

presas com especialização em Comércio

Cláudia Martins - Há mais de 20 anos no

cuidados garantem imunidade ao carpete,

Exterior, e então trabalhei com importa-

Brasil, a Interface vem desmistificando o

pois inibe a reprodução de bactérias e fun-

ção e exportação de vários produtos e em

uso de carpetes no país, apresentado ao

gos causadores de alergias e problemas

mercados distintos, entrando no mercado

mercado um produto de altíssima quali-

respiratórios. Sendo assim, o tapete assu-

de arquitetura em 1994, em uma empresa

dade, com base em conceitos como inova-

me o papel de “filtro”, contribuindo para a

de móveis para escritório, atuando pri-

ção, estética, funcionalidade e sustentabi-

qualidade do ar interno. Estamos quebran-

meiramente em comércio exterior. Mas

lidade, resumidos na expressão Desenho

do os paradigmas da imagem do carpete

sempre buscando novas tarefas e acessar

com Propósito (Design with Purpose).

como um dissipador de ácaros e bactérias.

diferentes temas, em 2000 fiz MBA em Ma-

Cada região do Brasil possui cultura e ca-

Um dos grandes desafios da empresa é es-

rketing na ESPM – Campinas, atuando a

racterísticas próprias, por isso dispomos

tabelecer seus produtos como um grande

partir de então como gerente de marketing

de um atendimento que compartilha e en-

aliado ao bem-estar de seus consumidores.

e em seguida agregando a experiência na

tende o dia a dia de cada localidade. Este é

Atuando fortemente na região sudeste e

área comercial. Em 2005 fui contratada

um dos principais diferenciais da Interface.

em grande parte das regiões centro oeste e

pela Interface Brasil, e atuando na área

Ao adotar essa estratégia de atendi-

sul, e ainda na região norte do país, a In-

comercial fui contagiada pelo tema da

mento diferenciado, baseado nas neces-

terface planeja uma expansão ainda mais

sustentabilidade e todo o legado da tra-

sidades, condições e cultura locais, a

agressiva nas regiões sul e nordeste. Para

jetória do Ray Anderson. Foi então que

Interface se consolidou como uma das

suprir a demanda, a marca conta com um

comecei a participar de seminários e con-

principais marcas em seu nicho de atuação.

estoque de 150 mil m², e para comprovar a

gressos no Brasil e nos Estados Unidos, e

Além do atendimento, a empresa preza

qualidade tecnológica e as características

fiz uma especialização na Fundação Dom

pela alta qualidade dos produtos, dispon-

sustentáveis de seus produtos, os departa-

Cabral, com o objetivo de me inserir no

do placas nas medidas 50cm x 50cm, e

mentos administrativo e comercial da em-

contexto da sustentabilidade. A paixão e

que contam com base vinílica, o que evita

presa são localizados em um escritório com

motivação pelo tema foram fundamen-

o acúmulo de sujeiras, líquidos e outros

certificação LEED (Liderança em Ener-

tal para fazer apresentações, começar a

resíduos embaixo do carpete. De fácil

gia e Design Ambiental) categoria Silver.

compartilhar a experiência e práticas da

manutenção, as peças podem ser limpas

Ao redor do mundo, a empresa obtém re-

Interface no mundo todo aqui no Brasil.

sem que os fios percam a cor – mesmo

conhecimento através dos diversos prê-

Este envolvimento trouxe ações locais

que limpos com produtos à base de cloro

mios, muitos concedidos aos seus pro-

como a implementação do showroom

- pois são produzidos com fios Solution

dutos, outros por suas ações efetivas nas

LEED em São Paulo, e parcerias lo-

Dyed, e, além disso, são anti-estáticos

práticas de sustentabilidade, com desta-

cais de redução de impacto, ações so-

- dissipam a energia – e anti-manchas.

que para o Innovation Award, do concei-

ciais e ambientais em diversos níveis.

Uma das qualidades mais importantes dos

tuado jornal inglês The Guardian; The

Em 2008 assumi a Diretoria da Inter-

Carpetes Interface é o seu tratamento anti-

Athenaeum Good Design Award for World

face Brasil, responsável pela operação

microbial, um sistema livre de metais pe-

Textiles; Prêmio de Inovação Tecnológi-

comercial e administrativa da empresa.

sados desenvolvido e patenteado pela em-

ca do Environmental Business Journal

8 - Revista Exper


Entrevista

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pelo Cool Blue™, e o Prêmio GLOBE

projeto Missão Zero, que tem como obje-

que não somente sejam respeitosas ao

da Competitividade Corporativa, entre

tivo eliminar todo o impacto negativo que

meio ambiente, mas também rentáveis.

outros. Conta também com diversas cer-

possa causar ao meio ambiente até 2020.

tificações, entre elas: ISO 14001:1996 do

Para a Interface, o Missão Zero significa

Exper - Quais são os produtos que a Interfa-

Sistema de Administração Ambiental; ISO

ter tempo para entender o mundo ecológico

ce disponibiliza para o setor corporativo?

9002:1994 do Sistema de Administração

e todas suas espécies, assim como entender

Cláudia Martins - A Interface Brasil co-

de Qualidade; ISO 9001:2000 de Sistema

que tudo que fazemos, tomamos, realiza-

mercializa todos os produtos e linhas fa-

de Administração de Qualidade.

Tam-

mos e gastamos afeta o equilíbrio da natu-

bricadas em nossa matriz e demais fábri-

bém foi a primeira empresa de carpetes

reza e, consequentemente, a vida de nossos

cas Interface pelo mundo. Nosso conceito

a receber o certificado EPP de Produto

filhos e dos filhos de todas as espécies.

é de oferecer todos os produtos que são

de Preferência Ambiental (Environmen-

Partindo deste conhecimento, a Inter-

desenhados com inspiração em tendên-

tally Preferable Product, EPP) por seus

face defende que podemos construir os

cias globais, adaptando ao conceito do

produtos. No ano passado, o faturamen-

processos de nossos negócios que se as-

projeto e com o serviço local. Utilizamos

to da empresa atingiu US$ 1,5 bilhão.

semelham a natureza e apóiem ao meio

conceitos de Biofilia e Biomimetismo, co-

ambiente. Processos que: Sustentem ao

laborando com a concepção dos projetos

Exper - A Interface em 1994 ini-

meio ambiente sem retirar nada da ter-

dos arquitetos para um ambiente corpo-

ciou uma mudança na forma de fa-

ra que não possamos recolocar fácil e

rativo mais harmônico, mantendo a iden-

zer negócios, defendendo a susten-

rapidamente; Sustentem a sociedade ao

tidade da empresa. Estudos de Harvard

tabilidade. Como foi esse processo?

educar nossos empregados e associações

demonstram que a produtividade dentro

Cláudia Martins - Visionário e empre-

sobre nosso impacto no meio ambiente e

do escritório pode ser de 12 a 15% mais

endedor, o engenheiro Ray Anderson de-

ajudá-los a criar soluções para reduzir

alta em projetos aonde são inseridos con-

tectou uma oportunidade na indústria de

nosso impacto; Mantenham nossa saúde

ceitos da Biofilia, ou seja, itens da natu-

carpetes ao conhecer o sistema modular

econômica ao criar produtos e soluções

reza ou que remetam o conforto de áreas Fotos: Divulgação

de placas na Europa, o que o inspirou e o fez fundar a Interface em 1973, a primeira empresa do segmento a atuar nos Estados Unidos. Em pouco tempo o produto conquistou o mercado norte-americano, influenciando toda a indústria de carpetes daquele país. Em 1994, ao ser questionado sobre o que a companhia fazia em prol ao meio ambiente, Anderson desafiou sua equipe a criar uma nova forma de fazer negócio, com foco totalmente sustentável. Ao longo de seus 40 anos de atuação, a Interface tem buscado ser a melhor e a mais inovadora empresa de carpetes modulares. E, desde 1994 a sustentabilidade passou a ser um dos principais focos da empresa que acredita ser possível produzir produtos bonitos e de alto desempenho que sejam fornecidos com integridade e responsabilidade. Para tanto, criou o 10 - Revista Exper

A coleção Net Effect, da Interface, lançada este ano, utiliza nylon reaproveitado de redes de pesca que foram retiradas do mar por um projeto realizado em parceria com uma comunidade carente nas Filipinas


externas dentro dos espaços de trabalho.

que nos últimos anos tem revelado a

o que o mundo requer (de nós) hoje, que

Todos os produtos para tráfego severo

Interface como uma das três principais

é moldar o futuro dos nossos negócios.

e fazemos o cálculo para menor desper-

empresas em sustentabilidade, competin-

dício, ou seja, nossos clientes adquirem

do com empresas de grande porte como

Exper - Qual é o estilo Cláudia de admi-

uma quantidade menor de produto para

Unilever e GE. Aqui no Brasil somos

nistrar a empresa e reter seus talentos?

instalar a mesma superfície, graças ao

reconhecidos com prêmios em susten-

Cláudia Martins - Sempre gostei de tra-

conceito de produtos randômicos, que

tabilidade e Top of Mind. Em pesquisas

balhar em equipe, compartilhando meus

podem ser instalados aleatoriamente,

espontâneas realizadas pelo Datafolha,

conhecimentos e aprendendo com meus

e consequentemente, podemos fazer os

a Interface tem sido apontada como a

colegas. Delego e confio muito em minhas

acabamentos com qualquer recorte de

primeira marca de carpetes em placas

equipes de trabalho, que tem responsabi-

placas do carpete. Isso gera uma econo-

que vem a mente de arquitetos e clientes.

lidade e autonomia em suas rotinas. Hoje

mia ao projeto, e menor resíduo na obra.

em dia o grande diferencial para reter

Além disso, todos os produtos que ofere-

Exper - Como definiria o momen-

talentos é valorizar propósitos para que

cemos no mercado brasileiro já possuem

to da Interface, nos dias de hoje?

todos tenham uma motivação maior para

pelo menos 45% de material reciclado

Cláudia Martins - Com capital aberto na

trabalhar em uma empresa. As novas ge-

inclusive com alto índice de material

bolsa de valores (NASDAQ, que compre-

rações estão mais seletivas e buscam tra-

pós consumo devido a transformação de

ende as empresas de alta tecnologia, in-

balhar em empresas que possuam os mes-

carpete usado em matéria-prima para o

formática, telecomunicações, biotecnolo-

mos valores pessoais. Valorizamos cada

novo carpete nas regiões onde possuímos

gia etc.) e faturamento de US$ 1.5 bilhões

indivíduo dentro da organização, e suas

fábrica. E aqui no Brasil também oferece-

em 2012, a Interface atua em cerca de

diferenças e forma de pensar são vistas

mos processos de reciclagem do carpete

150 países no mundo todo, tem seis fábri-

como um presente que a empresa pode

usado por meio de parcerias com empre-

cas (Estados Unidos, Tailândia, Irlanda

receber. Desta forma você se depara com

sas que transformam o carpete usado em

do Norte, China, Austrália e Holanda) e

ótimas novas possibilidades para o negó-

matéria-prima para outros produtos in-

já conquistou diversos prêmios empresa-

cio, e todos sentem que suas opiniões con-

clusive com projetos sociais, onde ONGs

rias e de produtos. Sendo que, atualmente

tam para a Interface. Desta forma, você

são beneficiadas com este ‘resíduo’,

a Interface é uma das maiores referências

estimula novas ideias. E neste sentido a

transformando em renda para a própria

em negócios sustentáveis. Isto porque

sustentabilidade é um forte pilar de valo-

comunidade. Como diz o professor Sabe-

para nós, a sustentabilidade não é mais

res e propósitos para reter os talentos, e

tai Calderoni, ‘lixo não é lixo, é matéria-

uma conversa sem importância que possa

o respeito ao ser humano é fundamental.

prima mal aproveitada’. Tentamos redu-

ser deixada de lado, é um tema central.

zir nosso impacto ou envio de material

Aprendemos que a maneira com a qual

Exper - Quais sãos os projetos de

a aterros em todas as nossas operações.

produzimos carpetes tem uma grande in-

sustentabilidade que a Interface im-

fluência no mundo do desenho. O que fa-

plantou que vale a pena falar ?

Exper - Nessa grande trajetória a Interfa-

zemos e aquilo que viemos fazendo desde

Cláudia Martins - Além do Missão Zero,

ce recebeu uma dezena de Prêmios, relate-

o primeiro dia é redesenhar o desenho. Ao

que já mencionei um pouco mais acima,

nos quais foram os mais representativos?

redesenhar o desenho, nós estamos focan-

vale citar o ReEntry – programa que reci-

Cláudia Martins - Mundialmente a In-

do na principal responsabilidade dos de-

cla não apenas os carpetes da Interface,

terface recebe inúmeros prêmios de de-

senhadores: o ciclo de vida completo da-

como os da concorrência. Através des-

sign nos lançamentos de seus produtos,

quilo que criamos. Ou seja: não é nenhum

te programa, conseguimos converter os

se repetindo todo ano no NEOCON,

segredo que a natureza é nossa principal

carpetes antigos em nova matéria-prima

principal evento no segmento corpora-

influência. Porque se uma empresa não

a fim de criar nylon reutilizável. Este

tivo. Além de diversos prêmios em sus-

é responsável pelo ciclo de vida daquilo

processo evita o desperdício e a neces-

tentabilidade, como o da Global Scan

que produz, então ela não está fazendo

sidade de mais produção de nylon novo. Revista Exper - 11


Capa

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Mercado Ético Não há qualquer incompatibilidade para uma economia

sustentável, desde que exista a vontade de fazer.

M

ercado Ético é um elo da rede

* Governança e cidadania corporativas;

Ethical Markets, platafor-

* Investimento socialmente responsável;

ma mundial de comunicação

* Eficiência energética;

criada pela economista Hazel Henderson,

* Pesquisa, desenvolvimento e implanta-

para difundir informações, práticas, estu-

ção de matrizes energéticas baseadas em

dos e reflexões que inspirem e motivem

fontes limpas e renováveis;

pessoas a se engajar na construção de

* Contenção da pegada ecológica, redução

sociedades mais justas e ambientalmente

do desperdício e produção mais limpa;

equilibradas. Dedica atenção especial aos

* Inovação para a sustentabilidade;

temas relacionados à sustentabilidade nas

* Diversidade, bem-estar e respeito aos

relações econômicas, tais como:

direitos humanos nas relações de trabalho;

* Ética e responsabilidade social nos ne-

* Políticas públicas de desenvolvimento

gócios;

local e combate à pobreza; * Economia da atenção; comércio justo e consumo consciente. A rede Ethical Markets está presente nos cinco continentes, por meio de ações editoriais, sites, publicações, séries para TV e rádio. No Brasil, é responsável por Portal Mercado Ético, dedicado à veiculação de notícias, reportagens, artigos, programas de webtv e podcasts sobre temas relacionados ao desenvolvimento sustentável e pelo programa Novos Tempos, apresentado por Christina Carvalho Pinto. Em uma análise abrangente das iniciativas mundiais mais avançadas para conservar o planeta, as pessoas e os lucros, Hazel Henderson mostra uma nova economia produtiva e rentável, que coexiste em harmonia com a Terra e com o bem-estar social.

12 - Revista Exper


Hazel Henderson o italiano, o alemão, o espanhol, o português, o japonês, o holandês, o sueco, o coreano e o chinês. Ela participa de diversas diretorias editoriais, com destaque para Futures Research Quarterly, The State of the Future Report, E/ THE Environmental Magazine (EUA) e Resurgence, Foresight and Futures (Grã-Bretanha). Henderson é patrona da New Economics Foundation (Londres), membro honorário do Clube de Roma e integrante da diretoria do Instituto Ethos, do Brasil. Os seus indicadores de futuro de países, Country Futures Indicators (CFI), uma alternativa ao Produno Interno Bruto (PIB), constituem um co-empreendimento com

Calvert Group, Inc.: os Indicadores de Qualida-

série Ethical Markets, levada ao ar pela tele-

derson.com.

visão pública americana, transmitida no Bra-

sil com o título de Mercado Ético. Integrante

honorários, foi conselheira do U.S. Office of

da World Business Academy, ela foi laureada

Technology Assessment e da National Science

com o Global Citizen Award ao lado do Prê-

Foundation; é um membro ativo do National

mio Nobel A. Perez Esquivel, da Argentina.

Press Club (Washington D.C) e da World Fu-

Os editoriais de Henderson são traduzidos

ture Society (EUA); vinculada à World Future

para 27 idiomas em mais de 400 publicações.

Society (EUA); vinculada à World Futures Stu-

Os artigos de Henderson aparecem em mais

dies Federation; e integrante da Association for

de 250 publicações especializadas, com des-

Evolutionary Economics.

taque para: Harvard Business Review, Finan-

cial Analysts Journal, The New York Times,

Transcendendo a Economia, Construindo um

The Christian Science Monitor e Challenge.

Mundo onde todos ganhem e Além da Globa-

Os livros dela são traduzidos para o francês,

lização, publicados pela Editora Cultrix”.

Hazel Henderson célebre futurista,

de de Vida Calvert Henderson (referências im-

economista evolucionária, autora e co-

prescindíveis para o setor desde o ano de 2000),

lunista internacional, criou e produz a

atualizados regularmente em www.calvert-henHenderson tem muitos diplomas

É autora de vários livros, entre eles

Revista Exper - 13


Capa

>>>>>>

Com inteligência, lucidez e entu-

Mercado Ético é um audacioso

siasmo, o Mercado Ético analisa em pro-

empreendimento em algo que logo será

fundidade este novo modelo que avança

considerado o maior e mais importante da

a passos rápidos em todo o mundo e em

história humana, o esforço para vislum-

todos os setores da economia. Empreen-

brar um modo de vida que aumente tanto

dedores, ambientalistas, cientistas e outros

o bem-estar humano quanto a integridade

profissionais visionários fazem parte deste

ecológica.

momento.

A maioria das pessoas não tem

Através da Ethical Markets seus

consciência de que todos os noticiários fi-

idealizadores promovem a reforma do

nanceiros e empresariais, políticos e eco-

mercado global, com foco nos governados

nômicos baseiam-se em estatísticas econô-

e organizações verdes com as melhores

micas que refletem apenas metade de toda

Pelo menos 50% de toda a produção, mer-

práticas, para elevar os padrões em todo

a gama de produção, serviço, investimen-

cadorias e serviços, em todas as sociedades

o mundo, dispomos de um dos melhores

tos e intercâmbios de valores ou mercado-

industriais, e até 65% em muitos países em

modelos do comportamento. Muitas or-

rias nas sociedades; e só metade destes é

desenvolvimento, nunca são levados em

ganizações ao redor do mundo querem li-

realizada em dinheiro.

conta nas estatísticas do PNB oficial, por-

cenciar nossos programas de TV e investir

Na Eco 92 os 170 países se com-

que não são remunerados. Esses setores

em nosso negócio. Agradecemos o voto

prometeram em fazer revisões nos seus

não monetários que sustentam a economia

de confiança, mas a nossa missão é ainda

índices do PNB e PIB e buscar melhores

financeira são conhecidos como “econo-

a reforma dos mercados e atrair investido-

critérios para medir desemprego, o traba-

mia de doação”. Recentemente, os eco-

res ligados às empresas e organizações que

lho não remunerado, juntamente com os

nomistas começaram a chamar atividades

têm atuado de forma ética.

custos e benefícios sociais e ambientais.

essenciais como essas de capital social.

O Ethical Markets Series TV é uma revista de estilo de vida financeira disponível para assistir a qualquer momento onde leva através de cases reais de pessoas, empresas e organizações preocupadas sim em ganhar dinheiro, mas respeitando as pessoas e o meio ambiente. As histórias são visualmente atraentes e apoiadas com dados, depoimentos e estatísticas.

14 - Revista Exper


Enquanto os economistas ainda contabilizam as donas de casa, e as mães e os pais que ficam em casa como “desempregados e não economicamente ativos”,

O desenvolvimento de um país

normalmente aparece nos meios de comunicação como sinônimo do aumento do PIB (Produto Interno Bruto) e da economia em geral. Mas tais índices de capital não conseguem mapear com profundidade as melhorias que uma nação obteve em um determinado período de tempo. IDH baixo.

volvimento a consumirem mais bens de

dobra em muitas melhorias para um país,

No Brasil há muito que melhorar

luxo: a China prepara-se para alcançar os

desde que haja políticas públicas e priva-

na repartição da renda, na educação e saú-

Estados Unidos da América como o maior

das que contribuam para que o montante

de e a China tornou-se um dos países ditos

mercado de consumidores de luxo do mun-

de capital não se concentre em uma peque-

emergentes, com o segundo maior PIB,

do. No entanto, mesmo entre os países com

na parcela da população, como acontece

mas à custa de uma mão de obra mal remu-

IDH muito elevado, os padrões de consu-

em países como a China e o Brasil. Esses

nerada e com uma condição de vida nada

mo variam. O consumo representa 79% do

países, denominados de emergentes, apre-

satisfatória para a massa trabalhadora.

PIB no Reino Unido e 34% em Singapura,

sentaram um alto acúmulo de capital (PIB)

Segundo o relatório do Desenvol-

apesar do IDH quase idêntico dos dois pa-

nos últimos anos. Contudo, mantêm um

vimento Humano 2011, o crescimento de-

íses. Entre as explicações para estas dife-

senfreado do consumo entre os povos com

renças estão os padrões demográficos e as

mais posses de todo o mundo está a exercer

normas sociais e culturais, que afetam as

uma pressão inaudita sobre o ambiente. As

práticas de poupança, por exemplo.

desigualdades persistem. Hoje em dia, há

mais de 900 carros por cada 1.000 pessoas

com o desenvolvimento humano são fre-

em idade de poderem conduzir nos Esta-

quentemente quebradas, assunto explo-

dos Unidos da América e mais de 600 na

rado no Relatório do Desenvolvimento

Europa Ocidental, mas menos de 10 na Ín-

Humano de 1998: os produtos novos são

dia. As famílias dos EUA têm, em media,

frequentemente direcionados para os con-

O crescimento econômico se des-

Ao mesmo tempo, as ligações

mais de dois televisores, enquanto na Libéria e no Uganda, menos de uma família em cada 10 tem um televisor. O consumo doméstico de água per capita nos países com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) muito elevado, de 425 litros por dia, e mais do que o sêxtuplo do que se verifica nos países com IDH baixo, onde ronda, em media, os 67 litros por dia.

Em alguns aspectos, os padrões

de consumo estão a convergir, com as pessoas de muitos países em vias de desenRevista Exper - 15


Capa

>>>>>>

sumidores mais ricos, menosprezando as

impacto enorme sobre o que acontece nas

médico que mais tarde se tornou o chefe

necessidades dos pobres nos países em

florestas tropicais da América do Sul, da

da OMS. Esse relatório definia desenvol-

vias de desenvolvimento.

África, da Ásia, em todo o mundo”, afirma

vimento sustentável como “o desenvol-

Chris Mann CEO da Guayaki Company.

vimento que atende as necessidades do

A educação pode ter uma importância fulcral na moderação do consumo

O IDH global elevou-se forte-

presente sem comprometer a capacidade

excessivo. Tais esforços foram promovi-

mente nas últimas décadas, mas o que nos

de gerações futuras de atenderem as suas

dos pela declaração da Década da Educa-

reserva o futuro? Como poderão os valo-

necessidades”.

ção para o Desenvolvimento Sustentável

res do IDH variar para os países desenvol-

Em uma tentativa de promover a

(2005-2014) pela Assembleia Geral da

vidos e em vias de desenvolvimento até

conservação de energia, a Agência de Pro-

ONU e pelas atividades da Organização

2050? E com que rigores poderão as limi-

teção Ambiental iniciou o programa Ener-

das Nações Unidas para a Educação, a Ci-

tações ambientais e da desigualdade afetar

gy Star em 1992. O que começou como

ência e a Cultura orientadas para o encora-

esse avanço?

uma maneira de combater o desperdício

jamento do consumo sustentável.

A sustentabilidade é moda e mui-

de energia de computadores abrange atu-

Na economia mundial dos nossos

tas vezes mal empregada, começou a ser

almente mais de 50 categorias de produ-

dias os produtores de pequeno porte até pa-

usada em 1999 com a divulgação do rela-

tos. Obviamente, o programa evoluiu, mas

íses inteiros podem ser deixados de fora do

tório das Nações Unidas sobre o desenvol-

o propósito continua o mesmo: conservar

processo de barganha da OMC.

vimento sustentável, Our Common Future,

energia por meio das inovações da tecno-

“A realidade é que as decisões de

presidido pelo primeiro-ministro da No-

logia. De acordo com o Departamento de

compra de fazemos todos os dias têm um

ruega, o Dr. Gro Harlen Brundtland, um

Energia dos Estados Unidos, “somente no

16 - Revista Exper


último ano, os norte-americanos, com a

bém oferece descontos e abatimentos de

nhas e demais projetos de comunicação

ajuda do Energy Star, economizaram ener-

impostos para incentivar os consumidores

apresentados aos clientes, preservando e

gia suficiente para abastecer 10 milhões

a trocarem produtos comuns por produtos

valorizando a criatividade como elemen-

de casas e evitar emissões de gás de 12

que tenham o selo Energy Star.

to essencial em nosso negócio; em defesa

milhões de carros, o que corresponde, no

A Full Jazz é a primeira agência

da verdadeira inovação, repudiamos abor-

total, a 6 bilhões de dólares”.

de comunicação Carbono Zero do merca-

dagens danosas aos valores essenciais,

O preço da conversão para pro-

do. “Compensamos as emissões de Gases

que estimulem o consumo desenfreado

dutos Energy Star pode ser alto no início.

de Efeito Estufa das nossas atividades por

e aleatório daquilo que não é necessário,

Para fazer uma geladeira consumir menos

meio do mecanismo do Desmatamento

que criem estereótipos depreciativos das

energia, os fabricantes devem gastar di-

Evitado, em áreas com estoque de carbo-

pessoas e da realidade, que estimulem a

nheiro em pesquisas e desenvolver inova-

no auditado e acompanhado, no Paraná.

mentira, o individualismo, o materialismo,

ções de energia. O Energy Star incentiva

Fazemos reciclagem de resíduos sólidos e

o medo, a culpa, o ego, a intolerância. Pelo

os fabricantes a encontrarem maneiras

adotamos metas de economia água e ener-

contrário, buscamos sempre uma criativi-

mais baratas de fabricar esses produtos,

gia, estimulando os funcionários por meio

dade que contribua para elevar a autoesti-

mas o custo da inovação é, muitas vezes,

de campanhas internas. No que se refere

ma das pessoas e para fortalecer valores,

transmitido ao comprador. Porém, você

ao nosso produto, desde a nossa fundação

como transparência, ética, saúde, afeto,

pode recuperar o custo com o tempo, por

não atendemos empresas com produtos da-

humor, família, conexão com a natureza e

meio de contas mais baixas de serviços pú-

nosos ao ser humano. Adotamos critérios

coletividade”, explica Christina Carvalho

blicos, e o governo federal dos EUA tam-

éticos na criação das estratégias, campa-

Pinto, presidente do Grupo Full Jazz.

Revista Exper - 17


Diga-me qual a sua bolsa, e te direi qual é o seu poder Dez entre dez mulheres amam bolsas

A

por Fádua Sleiman*

bolsa é tão importante e significativa para as mulheres, e atualmente até para muitos homens,

que chegam a considerar que é a nossa “segunda pele”. Na sequência de importância está claro, o celular. Alguém em sã consciência sai de casa de mãos abanando? O grande questionamento dos homens é mas que tanto elas carregam nas bolsas? Respondo: Vamos lá! Carteira com mais de 20 itens incluindo uma média de três cartões de crédito, fotos das crianças, namorado, meia fina sobressalente, óculos, estojo de maquiagem com pelo menos outros dez itens dentre eles três batons, um para casa ocasião, e muitos outros objetos dentre eles, carteira de dinheiro (pouco, pois as mulheres circulam com menos dinheiro do que os homens e utilizam mais o cartão de crédito), celular e

18 - Revista Exper


documentos do marido e os brinquedos

deixados em testamento para parentes e

com penas, conchas e outros detalhes às

dos filhos. Mas, como as mulheres são

amigos usados igualmente por homens e

pessoas que não viviam próximas aos oce-

seres pensantes e inteligentes a nossa per-

mulheres, eram confeccionadas em dife-

anos, quanto mais conchas adquiriam, sig-

sonagem Adora foi buscar a origem deste

rentes tipos de couro.

nificava que tinham relações com pessoas

objeto que é considerado acessório para

próximas ao mar e grande relacionamento

os lojistas e kit sobrevivência para o resto

reflete em bolsas de grife tais como Cha-

social.

das mortais.

nel, Versace, Louis Vouiton que passaram

As bolsas ficaram conhecidas

a ser deixadas como testamento para pa-

bre a mulher o que facilita ao vendedor

como relicários por armazenar peças pre-

rentes. Adora, teve a oportunidade de vi-

empreendedor atender e entender como

ciosas durante o século XV e carregar

sitar toadas estas grifes em determinado

argumento para aumentar suas vendas.

complementos indispensáveis aos hábitos

shopping de luxo de São Paulo e chegou

Aliar marca a um personagem famoso

da época tais como: Remédios, leques, ta-

a conclusão que os preços destes mimos

não é fato recente em nossa história. Há

baco ou escovas de cabelo.

eram mesmo uma joia. Uma bolsa Chanel

décadas as grandes marcas já tinham esta

Adaptadas para o uso e armaze-

clássica vale U$ 5 mil , sim vale, não “cus-

percepção como uma vitrine numa estraté-

namento de objetos importantes à época

ta”, e as bolsas vêm acomodadas em caixa

gia de vendas. À época bastava presentear

tais como: relíquias e livros de oração, a

de madeira apropriada acompanhada de

as famosas de Hollywood. Estratégia que

cidade de Caen, situada no noroeste da

manual orientando sobre os procedimentos

ainda é usada nos grandes eventos como o

França se tornou pioneira e famosa pela

para limpar e guardá-la.

prêmio da academia, o Oscar!

alta qualidade dos sacos e pochetes (em

francês pequeno bolso) que produzia.

bolsa feminina, encontra-se na Bíblia, no

de desejo de mulheres de todo o mundo

livro de Isaías, capítulo 3:16, que diz:

quando a princesa Kelly ao ser presentea-

da moda mais bolsos foram adicionados

De acordo com um estudo sobre

da pela grife, passou a usar Era com uma

às roupas masculinas e no caso das femi-

bolsas femininas, em algumas tribos africa-

enorme bolsa de viajem da marca francesa,

ninas esses bolsos tomaram formas mais

nas, acreditava-se que as bolsas femininas

que a princesa escondia a barriga da gravi-

profundas e maiores. Daí também o costu-

da feiticeira continham poderes sobrena-

dez do príncipe Albert em eventos públi-

me considerado à época de carregar coisas

turais que permitiam que ela entrasse em

cos. Mas este anonimato durou pouco e a

estranhas tais como: Espelhos, garrafas de

contato com as forças superiores, e nenhum

bolsa foi batizada de “The Kelly”.

bebidas, sais de cheiro e leques nos bolsos.

homem era capaz de abri-la, porque temia.

No século XVII com a evolução

No Século XVIII os bolsos femi-

ninos adquiriram tal importância que eram

A importância deste costume se

Uma das primeiras citações sobre

O modelo da bolsa diz muito so-

A bolsa Hermès tornou-se objeto

Em 1984 nasceu o modelo Bi-

Atribui-se o status social da bol-

rkin, também da Hermès, a atriz e cantora

sa ao fato de que as que eram decoradas

Jane Birkin queria uma bolsa que coubesse Revista Exper - 19


Poder Feminino

Bolsas

>>>>>>

$

Fama

rando pelo mesmo modelo.

Para muitas mulheres, a bolsa

é um estilo de vida, e não somente um acessório de moda. A bolsa revelou-se um

dentro da cabine do avião em suas viagens.

acessório importante para valorizar o visu-

Em pouquíssimo tempo, a bolsa Birkin se

al, por isso a necessidade de terem vários

tornou um clássico.

modelos em casa, além de carregarem tam-

bém valores sentimentais.

Audrey Hepburn tinha como

modelo favorito a Speedy da marca Lou-

is Vuitton, Natasha Poly e Leighton Me-

de uma mulher são muito importante para

ester, estrela de Gossip Girl protagonizou

ela, e faz com que se esta peça seja com-

uma das maiores vendas da Peeakaboo

pletamente pessoal e única porque contém

novamente na rota de desejo das antena-

um segredo, e esse segredo dá à mulher a

das. Alexa bag da Mulberry, bolsa carteiro

Os objetos que compõem a bolsa

sensação de poder. A bolsa representa mais

inspirada no it girl Alexa Chung, protago-

atriz, modelo e humanista belga Audrey Hepburn

nizou uma das maiores listas de espera dos

creve na pirâmide de necessidades do ser

uso durante o dia, mas comporta todo um

últimos tempos.

humano o da aceitação em sociedade. Na

estilo de vida ou ingredientes da autoesti-

A então primeira-dama francesa

sociedade moderna as pessoas ainda são

ma que reflete a identidade de cada mulher.

Bernadette Chirac queria presentear a lady

aceitas pelo quanto representa, isto é, pelo

Adora estava decididamente apaixonada

Di e comprou, em 1995, um modelo lança-

poder aquisitivo. Ao pagar por uma bolsa

pelo tema. Satisfeita e realizada após horas

do pela maison de Christian Dior. Não de-

de grife, estamos mostrando à sociedade

dedicadas a um tema tão elegante e interes-

morou nada para que Diana fosse clicada

quem somos, o que representamos no con-

sante, Adora abriu sua linda bolsa comum

com a sua nova bolsa, que, em janeiro do

texto social. E com o aumento do consumo

se prometendo que quando fizesse dinheiro

ano seguinte, chegou às lojas batizada de

mundial e principalmente da inserção da

compraria a tão sonhada bolsa de grife e

Lady Dior.

classe C no mercado brasileiro, destacar-se

tirou sua caderneta empreendedora.

As bolsas, assim como outros

neste contexto tornou-se uma diferencial

acessórios, são objetos de desejos de ho-

imprescindível para não “se diferenciar” a

* Fádua Sleiman é formada em fisiotera-

mens e mulheres por representar mais do

todos e possuir tal objeto, é fazer parte de

pia, pós-graduada em administração de

que peças caras mas pela representação

um mundo exclusivo para poucas.

Marketing e Economia, empresária e pa-

simbólica de status, poder transmitindo

lestrante. Precursora em Empreendedoris-

assim uma mensagem subliminar. Vale

brar a Diva da moda desde sempre, Cha-

mo Corporativo Feminino.

lembrar a “lei de Maslow” onde ele des-

nel cujo clássico modelo a bolsa de couro

Vice-presidente da Associação Comercial

em matelassê com alças de corrente, foi

de Mogi das Cruzes e Superintendente do

criada por Chanel em 1955. Essa bolsa foi

Conselho Empresarial Feminino.

batizada de 2.55, porque foi idealizada em

Vice-coordenadora do Conselho Empresa-

fevereiro de 1955. A inspiração veio das

rial Feminino da FACESP.

corridas de cavalos.

Presidente do COMTUR - Comissão Mu-

Jacqueline Kennedy Onassis 20 - Revista Exper

Adora, não podia deixar de lem-

Jackie usava a Jackie O uma bol-

do que levar os artefatos de que ela fará

nicipal de Turismo da Cidade de Mogi das

sa de luxo foi lançada em meados 1965, da

Cruzes.

grife Italiana Gucci. Dizem as boas línguas

Colunista, radialista, articulista de vá-

de Jackie Onassis aparaceu com a bolsa,

rias revistas, apresentadora do programa

que usava com frequência nos anos 60, as

Empreendendo e consultora no programa

mulheres invadiram as lojas Gucci procu-

Mulheres, da TV Gazeta.


Revista Exper - 21


Ponto de Vista

>>>>>>

O retrato do velhinho Dr. Epaminondas Nogueira Mogi das Cruzes Av. Narciso Yague Guimarães, 664, Centro Cívico – Tel: (11) 4799-1510 São Paulo / Barra Funda Rua do Bosque, 1589 – Ed. Capitolium,

B

ota o retrato do velho outra vez /

Bl. II, Conj. 1207 - Tel: (11) 3392-3229 serva de Domínio, além de outros.

ção com o custo mão de obra da CHINA.

Bota no mesmo lugar / O sorriso

Para se ter uma ideia das dificul-

Cortar custos, efetivamente, é am-

do velhinho / Faz a gente traba-

dades enfrentadas para se por na rua a CLT

pliar a produção, é aumentar o número de

lhar / Eu já botei o meu / E tu, não vai botar?

basta a gente lembrar que ela chegou apenas

consumidores ou vocês acham que alguém

/ Já enfeitei o meu / E tu vais enfeitar ? / O

54 anos depois da Abolição da Escravatura

produz para si mesmo?

sorriso do velhinho / Faz a gente trabalhar.

quando a resistência a qualquer medida so-

O que perturba o relacionamento

Quem era vivo ou pelo menos ado-

cial era tremenda. Quando ouvirmos dizer

entre os trabalhadores e os patrões é a in-

lescente nos anos 1950 ouviu muitas vezes

que antigamente é que se vivia bem este-

clusão na CLT, no mesmo corpo de leis, do

esta música na voz do Francisco Alves. O

jamos certos de que o interlocutor não era

Direito do Trabalho e do Direito Sindical

velho em questão era o Dr. Getúlio Vargas

nascido ou é um tremendo ignorante.

que deveriam ser tratados separadamente.

que tendo deixado o governo em 29 de ou-

Para se empreender medidas em

Em 1943 poderia haver condições,

tubro de 1945 estava voltando pelo voto po-

prol do povão era preciso mover o mundo

circunstancias e necessidades políticas para

pular em 1950 e de lá saiu morto.

e que quem disso duvidar que vá aos livros

tanto, mas hoje não. O representante sindi-

A fantástica obra de Getúlio foi a

da nossa história e veja as arruaças, golpes,

cal é um líder político e como tal deve ser

CLT. Como legislador ele foi muito além.

revoltas, revoluções sem contar o que não

considerado e sustentado pelos seus acólitos

Procurem os decretos-leis daquele tempo,

foi contado. Por tudo isso o Dr. Getúlio foi

e não por impostos e nem pelos governos.

vejam, por exemplo, o Decreto-lei 7.036, de

grande mesmo, foi um sujeito muito espe-

Quanto às questões do custo Brasil

10 de novembro de 1944 que foi a Lei de

cial. Curiosamente, a política social que

se ele decorre das férias, do 13º mês, das

Acidente do Trabalho que pegou e durou até

tanto fascinou os pobres ajudou, fabulosa-

leis sociais de sanidade e proteção, com

fevereiro de 1967.

mente, os ricos e daí se dizia que ele era “o

todo respeito, ele deve ser exportado como

pai dos pobres e a mãe dos ricos”.

ideologia para o resto do mundo aonde ine-

O decreto-lei 960, de 17 de dezembro de 1938 sobre Execução Fiscal;

E era verdade mesmo e será sem-

xistir. Se a miséria do povo pudesse resultar

o decreto-lei 3172, de 03 de abril de 1941

pre verdade porque ajudar os pobres é au-

em progresso estaríamos vendo os países

que dispôs sobre o Cosseguro no Ramo de

mentar o consumo e, por consequência, é

mais pobres do mundo exportando “a torto

Incêndio; o decreto-lei 58, de 10 de dezem-

enriquecer os ricos que detêm os meios de

e a direito” e as indústrias migrando para lá.

bro de 1937 que dispôs sobre o Loteamento

produção, que são os fornecedores dos bens

A realidade é que quanto mais te-

e Venda de Terrenos para Pagamentos em

e serviços destinados ao povo.

Prestações; o decreto-lei 1027, de 02 de ja-

Hoje muito se fala na ancianidade

neiro de 1939 que dispôs sobre o Registro

da CLT, na necessidade de atualização, na

de Contratos de Compra e Venda com Re-

sua incidência no custo Brasil na compara-

22 - Revista Exper

mos consumidores mais possibilidades temos de produzir, de exportar e importar. Claro que isso tem um custo cerebral é necessário pensar...


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odontologia entrega mais. • Planos customizados de acordo com a necessidade da sua empresa. • Fácil relação com o departamento de Recursos Humanos. • Colaboradores mais saudáveis e dispostos. • Imagem institucional positiva. • Retorno do investimento com um menor número de faltas. • Dedução de até 100% no Imposto de Renda.

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Revista Exper - 23


Liderança

>>>>>>

coaching de liderança Fotos: Divulgação

O

desafio dos empreendedores é ter em mãos as pessoas certas e dirigi-las de modo certo. Quanto maior a funcionalidade das pessoas, mais fácil e rápido serão os resultados. Muitos são os fatores que dificultam a funcionalidade e a

realização pessoal. Porém, a causa-base reside no fato do sujeito não conhecer a si mesmo, desconhece a ordem da sua natureza. Por isso realiza escolhas, pratica ações e tem comportamentos que contrariam o próprio projeto. É impossível a realização e a funcionalidade fazendo coisas contrárias à sua essência. A maior perda da sociedade não é de ordem econômica ou ambiental, mas sim de inteligência e de vitalidade. Toda a questão é: por que ocorre esse bloqueio, esta destruição do potencial empreendedor, tornando sujeitos medíocres? Ou, por que muitos, com o dom da liderança, se tornam líderes negativos? O que acontece emocionalmente quando faço as escolhas erradas? O que acontece quando tomo decisões acertadas? Que critérios tenho, internamente, para saber se as oportunidade são boas e feitas para o meu potencial? É nesse momento que o Coaching de Liderança encontra terra fértil. Mas o que é Coaching de Liderança? É uma ferramenta muito usada para desenvolver empreendedores, através do autoconhecimento, focado em buscar e fortalecer habilidades e competências naturais do sujeito. Assim, pode se trabalhar com todo tipo de profissional, devido a aplicações personalizadas. O Coach estimula de forma consciente o Coachee para sair da zona de conforto, buscando atingir metas que tragam benefícios permanentes e que supram as reais necessidades do grupo onde esse empreendedor está inserido. O foco desse trabalho é o autoconhecimento, levando o sujeito a tomar as rédeas da sua vida, na busca de realização pessoal, na vida profissional e econômica, na vida afetivo-amorosa, na vida familiar e no convívio social.

24 - Revista Exper

Maísa Paranhos Bertoglio, Graduada em Comunicação Social, consultora empresarial há 10 anos na área de Liderança e Gestão de Pessoas, em empresas nacionais, multinacionais e órgãos públicos, palestrante, coach, professora, facilitadora de cursos nas áreas de desenvolvimento de lideranças, vendas e recursos humanos e diretora do Instituto Qualificar.


Conflitos no Ambiente de Trabalho

T

oda experiência grupal é um conflito. Se há um conflito, há também uma evidência de que há escassez do que as pessoas necessitam e desejam. Os conflitos fazem parte do processo de evolução dos seres humanos, sendo um elemento

importante na dinâmica de crescimento e desenvolvimento de qualquer sistema.

É importante sabermos que não existem fórmulas e estratégias para trabalhar

com os conflitos. O que se faz necessário é conhecê-los, saber qual é sua amplitude e como estamos preparados para trabalhar com eles.

É também fundamental conhecermos a causa dos conflitos, a qual muito reside

no fato das pessoas serem diferentes: percebem, sentem, pensam e agem diversamente. Em consequência disso, podem surgir divergências relacionadas a informações, conceitos, sentimentos, habilidades, valores, ideologias, crenças, dentre outros fatores. Diante disto, qualquer diferença individual pode detonar um conflito.

Quando o conflito é bem administrado, é salutar e imprescindível, pois, cons-

titui-se no principal elemento de evolução humana. O conflito ajuda a prevenir contra a acomodação e estagnação. Em linhas gerais, para lidar com os conflitos é importante saber comunicar, saber ouvir e saber perguntar. Neste processo, será imprescindível criar uma atmosfera afetiva, esclarecer as percepções, focalizar as necessidades individuais e

Jacqueline Cerqueira, Mestre em De-

também as necessidades da equipe.

senvolvimento Humano e Responsabilida-

Para que tal processo surta o efeito pretendido, será necessário o desenvolvi-

de Social FVC/CEPPEV, pós-graduada em

mento das habilidades intrapessoal e interpessoal. A maneira de lidar com as diferenças

Consultoria Organizacional CESEC, docen-

individuais tem forte influência sobre toda a vida do grupo ou equipe, principalmente, nos

te em pós-graduação e MBA. Credenciada e

processos de comunicação.

moderadora no SEBRAE. Fundadora da Ho-

Em suma, esses elementos vitais ao processo de desenvolvimento humano, re-

los Crescimento Humano e Organizacional.

percutirão favoravelmente nas atividades de resolução de conflitos, denotando e propor-

Consultora Sênior com ênfase em Gestão

cionando maior produtividade e um clima de trabalho saudável.

por Competências e Assessment.

Revista Exper - 25


Business

>>>>>>

De Professor a Facilitador Fotos: Divulgação

S

egundo Carl Rogers (apud Knowles et ali, 2009: 90), “se há uma verdade sobre o homem moderno, é que ele vive em um ambiente que está sempre mudando e, portanto, o objetivo da educação deve ser facilitar a aprendizagem”. Por esta

razão, o papel do facilitador é crucial e vai além daquele de professor. Para Rogers o professor ensina, instrui, mostra, transmite conhecimento. É a postura típica da educação tradicional, em que os alunos devem se adaptar a um currículo previamente estabelecido. A educação de adultos, por outro lado, acontece em um ambiente em constante transformação, o que demanda maior flexibilidade do facilitador. A primeira coisa que o facilitador deve fazer é estabelecer um clima de confiança no grupo que conduzirá, de modo que todos se sintam a vontade. Uma vez estabelecida a confiança, os integrantes do grupo estarão prontos para expor seus objetivos e sua motivação para estar ali, cabendo ao facilitador acolher os desejos individuais e agrega-los aos propósitos gerais do grupo. Neste ponto, é essencial que o facilitador respeite a individualidade de cada um, de modo a garantir a coesão do grupo e o fortalecimento da confiança. Sensibilidade e escuta empática constituem duas das habilidades mais importantes a serem desenvolvidas por aqueles que desejam trabalhar com adultos. Estar atento aos sinais que indicam sentimentos intensos em relação ao conteúdo, ao facilitador ou a

Lígia Feitosa, Mestre em Linguística pela

membros do grupo pode representar a grande diferença entre atingir ou não os objetivos

Unicamp, Coach Educacional pelo Instituto

de um curso, workshop ou treinamento. Ao aceitar e respeitar as diferentes opiniões que

Holos, Coach Pessoal e Profissional, Neu-

possam surgir ao longo do trabalho, o facilitador não só permite que elas venham à tona,

roCoach e Analista Comportamental pelo

mas também abre espaço para que sejam compreendidas e utilizadas positiva e construti-

IBC. Possui o certificado CELTA pela Cam-

vamente por todo o grupo, transformando o evento em oportunidade de aprendizado.

bridge. Educadora especialista em Educa-

Vale ressaltar, a importância de o facilitador reconhecer sua incompletude e suas próprias limitações, compartilhando-as com os demais. Com este gesto, ele se coloca em situação de igualdade, aprendendo como qualquer outro membro do grupo.

26 - Revista Exper

ção de Adultos e Aprendizagem de Línguas Estrangeiras. Autora do livro Coaching de Idiomas da Editora Leader.


Sem atitude nada acontece No meio de RH é muito conhecido o acrônimo C.H.A. para indicar os três pilares para o desenvolvimento e expansão profissional. O “C” de Conhecimento, o “H” de Habilidade e “A” de ATITUDE. Mas afinal de contas o que é ATITUDE? Sem ATITUDE, de nada adiantaria o Conhecimento e a Habilidade para colocar em prática o Conhecimento, pois é a ATITUDE que determina a VONTADE em querer colocar em prática as habilidades. A Atitude nasce quando se tem uma VISÃO clara do resultado a ser obtido ao realizar uma atividade. Quando se tem a visão sistêmica das inter-relações de causa e efeito e definimos uma estratégia para conquistar os objetivos, criamos um sentido de urgência e vontade em agir para conquistá-los. A Atitude determina a forma como reagimos aos acontecimentos. A reação que temos é determinada pela forma como interpretamos os fatos. Como disse Charles Swindoll “A vida é 10% o que acontece comigo e 90% como reajo a isso” A forma como reagimos aos fatos tem a haver com nossas experiências positivas de sucesso, com as realizações bem sucedidas que colhemos ao longo da vida. Se nossas experiências passadas não tiveram resultados satisfatórios cada vez mais tendemos a ser reativos, preocupados e cuidadosos em demasia em nossos próximos passos. Este cuidado excessivo pode determinar falta de vontade em agir e uma reatividade excessiva, o que

Eugênio Ferrarezi, Autor do Livro “O In-

denominamos de falta de ATITUDE.

substituível cérebro – manual do proprie-

Assim, para desenvolver ATITUDE é fundamental enfrentar as situações com o foco na solução das situações que encontramos em nossas vidas. Daí a importância de sabermos estimular a criatividade pessoal para vislumbrar e definir estratégias com este FOCO em solução. Uma das formas é estimular a mente com perguntas adequadas. As perguntas “O que fazer?”, “Como fazer?”, “Quais as ações específicas?”, “Existem obstáculos?” e “Para quando?” têm o poder de estimular nossa criatividade com foco na solução.

tário”, 17 anos de vivência na gestão de equipes, 14 anos como Facilitador, Trainer e Conferencista Internacional na América Latina e Europa. Criou e vem ministrando inúmeros treinamentos e programas na área comportamental.

Revista Exper - 27


Inovação Tecnológica

>>>>>>

Industrialleds oferece economia

O

setor de iluminação a LED ganha cada vez mais espaço no mercado industrial. O produto

sempre foi importado, mas o Brasil começa a dar os primeiros passos na fabricação de luminárias a LED. A tecnologia está invadindo o mercado brasileiro, ao nível de Europa, Asia e Estados Unidos. Iluminação á LED é o maior avanço tecnológico desde a criação da Lâmpada por Thomas Edson. Você provavelmente já viu lanternas de LED, o flash de LED das câmeras

preços das luminárias a LED caíram mais

comercial porque muitas empresas que

dos celulares e as luzinhas de LED dos

de 300% nos últimos 3 anos. Para os que

cuidam de manutenção de shopping cen-

equipamentos e circuitos eletrônicos, esses

gostam de esperar para ver, saiba que o

ter, supermercado, solicitaram para que

recursos são usados para reduzir o con-

segmento deve ganhar fôlego já que uma

fossem feitas adaptações e aplicaram a tec-

sumo de energia desses equipamentos e a

portaria do governo federal define que as

nologia LED, e isso é uma realidade. As

menor geração de calor. LED é uma sigla

lâmpadas de LED e fluorescentes deverão

pessoas estão tendo mais consciência do

em inglês (light emitting diode), ou diodo

substituir no mercado as tradicionais lâm-

quanto a iluminação é importante, não só

emissor de luz.

padas incandescentes, de luz amarela. A

na vida de profissional, corporativa, como

As pessoas têm problemas em

mudança será gradativa até 2017 e os pra-

também na vida residencial, salienta, Deu-

fazer pequenos sacrifícios no presente que

zos serão definidos de acordo com a potên-

smani Costa, diretor da Industrialleds.

irão recompensá-las no futuro. Quantas ve-

cia das lâmpadas.

Mesmo com uma potência dez

zes ignoramos conselhos para adotarmos

“O país só tem a ganhar com a

vezes menor, a lâmpada de LED tem uma

algumas mudanças em nossa dieta e nos-

decisão. Já temos uma efetividade na área

intensidade de luz muito semelhante ao da

sa rotina de exercícios para que possamos

lâmpada comum com a vantagem de que

viver uma vida mais longa e saudável? E

não esquenta. Em uma lâmpada incandes-

quantas vezes ignoramos aqueles conse-

cente, a temperatura do vidro chega a 200°

lhos que recomendam economizar algum

C, já na lâmpada LED a temperatura chega

dinheiro para termos um bom pé de meia

a 40° C e 45° C.

no futuro? E com a LED, não é diferente,

“Outra vantagem é que a LED é

os benefícios já têm atraído muitos consu-

mais econômica. Se compararmos a uma

midores e feito o comércio investir cada

lâmpada incandescente, o gasto de energia

vez mais neste tipo de produto. No Brasil,

é reduzido em até 80% e 50 vezes mais

este tipo de iluminação, está na iluminação

durável. Na Industrialleds no setor de en-

pública, indústrias, shoppings, semáfo-

genharia da empresa são feitos os projetos

ros, tuneis, monumentos, escritórios entre

de iluminação e depois que os projetos são

muitas outras aplicações. Com o aumento da demanda na produção no exterior os 28 - Revista Exper

Deusmani Costa, diretor da Industrialleds.

criados no computador, eles seguem para a linha de produção” diz Deusmani.


Revista Exper - 29


Recursos Humanos

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A comunicação tem de ser eficaz Régis Antonio de Siqueira, Graduado em Administração de Empresas, Pós Graduado em RH e Gerenciamento Ambiental pela UBC, MBA em Gestão Empresarial pela FGV, Professor Universitário da UNIP, Técnico de Segurança do Trabalho, 25 anos de experiência como Gestor e Consultor. Atualmente é Gerente Adminis-

A

trativo Industrial do Grupo Pioneira. tualmente, um grande proble-

ma que ocorre nas organiza-

tar: pode acontecer por medo da reação da

ções é a comunicação exercida

outra pessoa. O melhor nesse caso é pedir

cias e colaboradores, transmitindo as Di-

de forma errada ou da ausência dela. Esse

para a pessoa explicar novamente!

retrizes da empresa;

assunto não tem sido tratado com a devida

importância e este gesto acaba por colocar

pela resposta: pode ocorrer pela pressa do

cobrando resultados e dando feedback aos

em cheque o bom adamento da empresa.

cotidiano. Atitudes assim podem causar

envolvidos diretamente nos processos;

desconforto no interlocutor!

São poucas lideranças que con-

Não ter entendido, e não pergun-

Falar rapidamente, e não esperar

informações oficiais); Reuniões matinais entre Geren-

Fazer follow-up das reuniões,

Realizar eventos que possam in-

seguem comunicar-se de forma clara e

Temos que adotar uma Política

objetiva com seus colaboradores, e este

bem definida de Comunicação Interna,

ato falho provoca resultados negativos

pois as empresas se preocupam e inves-

o colaborador assimilar os objetivos da

na produtividade e lucratividade das em-

tem na Comunicação Externa (jornais,

empresa e etc.

presas, ocasionando um péssimo rendi-

revistas, feiras, sites, etc.) e deixam para

Quem não se comunicar de for-

mento e o pior a organização não alcança

um segundo plano, a Comunicação Inter-

ma objetiva não alcança seus objetivos.

as metas desejadas. No momento que o

na, ferramenta esta de suma importância

E isso não se restringe apenas no lado

funcionário tem conhecimento e acesso

que auxilia a concretizar e tornar tangível

pessoal, vai além. Um boato que circula

as informações de maneira transparente e

todas as expectativas do cliente, através

pelos corredores de uma empresa pode

adequada, a situação torna-se mais fácil,

da Qualidade, Custo Competitivo, Aten-

causar impactos negativos no clima or-

a compreensão é total e não parcial e é

dimento e Cumprir o Prazo Estabelecido.

ganizacional e consequentemente preju-

possível realizar um feedback entre o ad-

Nesta Política de Comunicação Interna,

dicar o desempenho dos colaboradores,

ministrador e o subordinado mais eficaz.

alguns canais de comunicação eficazes

fato este que provoca reflexos nos negó-

são:

cios.

Principais erros que dificultam

cluir Família x Colaborador x Empresa; Faixas, cartazes educativos, para

a comunicação:

zam a comunicação face to face;

nal aberto entre diretoria e funcionários é

enrolando e não ajudar na comunicação.

uma ação estratégica que possa contribuir

Procure falar sempre objetivamente sobre

estratégicos da empresa;

significativamente para o futuro da em-

seu assunto!

presa. Por esses e outros motivos, é ne-

toria e colaboradores;

cessário dar ênfase a comunicação interna

do alguém falar com você? Responda.

Usar o meio eletrônico (intranet,

para que haja um avanço nas questões es-

Não deixe a pessoa ficar com dúvidas!

e-mails institucionais para divulgação de

truturais, de forma estratégica e positiva.

Não ser claro e objetivo: ficar

Entender, e não responder: quan-

30 - Revista Exper

Reuniões presenciais que valoriMurais localizados em pontos Encontros periódicos entre Dire-

A preocupação é manter um ca-


SANEAMENTO Dedica-se aos diversos setores de limpeza pública e privada, como coleta hospitalar, incineração de resíduos, operação e recuperação de aterros, operação de usina de reciclagem, varrição, capinação (manual, mecânica e química), além de projetos e consultorias.

INDÚSTRIA Fabricante das varredeiras COLPION e COLPACT, capinadeira BOB-BOD, braço de capinação BOD-ARM, além de brocks, caçambas roll-on, caçambas para empilhadeiras e coleta seletiva.

AMBIENTAL

INCINERAÇÃO Divisão da ambiental responsável pela incineração e tratamento de resíduos, alem de oferecer certificações e licenças, tudo de acordo com ISO 14.001.

Gerenciamento de resíduos, análise de efluentes, assessoria junto a órgãos ambientais; solicitação de autorização para descarte de resíduos; e remoção, transporte e destinação final de resíduos de acordo com regulamentação dos Órgãos competentes.

Rua Marechal Rondon, 55 - Suzano - SP - Cep: 08674-280

Tel.: 55 11 4748-2922

Revista Exper - 31 www.pioneira.com.br


Comunicação

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Chefes são seres em extinção Marcos Gross, Diretor da McGross Treinamento e Consultoria, Mestre e Especialista em Gestão de Comunicação, Autor do livro Dicas Práticas de Comunicação: boas ideias para os relacionamentos e para os negócios, pela editora Trevisan.

P

www.mcgross.com.br esquisa na Suécia com 3.122 pro-

demissão em busca de um ambiente mais

e não estão preocupados com o que os fun-

fissionais diz que um bom líder re-

saudável. Muitas pessoas estão demitindo

cionários pensam ou sentem.

duz, junto aos liderados, em 20%

seus chefes.

Os chefes mantêm o controle so-

a chance de ataques cardíacos (no prazo

A mentalidade de um “chefe” é

mente nas aparências. Nos bastidores, os

de 1 ano) e os previne em 39% (no prazo

fruto de milênios de opressão coletiva, de

funcionários falam mal dele pelas costas,

de quatro anos). A palavra “chefe” tem um

uma cultura autoritária herdada de nossos

fazem corpo mole e sabotam inconsciente-

significado pesado para muita gente. Neste

antepassados e está cristalizada em nosso

mente a empresa na prestação de serviços e

breve artigo, quero questionar o compor-

inconsciente coletivo. O poder de um che-

manutenção das máquinas. Os chefes des-

tamento dos “chefes” e propor a “atitude

fe em uma organização é formal e depende

motivam as pessoas porque não conside-

de liderança”, mais aberta ao diálogo e às

exclusivamente do cargo que ele ocupa. Os

ram aquilo que se passa no íntimo delas.

trocas entre as pessoas.

funcionários devem acatar as suas ordens

Resultado: a produtividade e a qualidade

somente porque assinaram um contrato e

caem. Ao contrário do chefe, o líder perce-

não pela afinidade que têm com o boss.

be qual é o perfil da sua equipe, procuran-

As informações estão em toda parte e é impossível deter o seu fluxo. As pessoas querem participar hoje dos proces-

A comunicação do “chefe” ba-

do conhecer aquilo que se passa no interior

sos de trabalho; desejam dar suas opiniões

sicamente funciona de cima para baixo

de cada membro do time e estabelece um

e esperam que os “maiorais” lhe deem ou-

top-down, sem abertura para o retorno das

diálogo permanente com todos para que

vidos no cotidiano profissional. Há uma

mensagens dos subordinados feedback. Os

haja alinhamento de valores entre a empre-

crescente intolerância aos sistemas auto-

chefes estão distantes do setor operacional

sa e os funcionários. Uma liderança sadia

ritários na política e na realidade corpo-

dá atenção às mensagens provenientes do

rativa. Os meios de comunicação intera-

setor operacional e permite que elas che-

tivos, como as redes sociais, parecem ter

guem à alta direção botton-up. Quando a

estimulado as pessoas a coproduzirem as

comunicação de um líder vai ao encontro

coisas e exigem alguma forma de partici-

de um colaborador, cria-se um excelente

pação. Não aceitam mais receber “ordens

clima organizacional; os colaboradores

de cima” sem justificativa.

ficam disponíveis para a empresa até nos

É inútil chefes quererem con-

finais de semana.

trolar o comportamento dos funcionários

Se você trabalha com uma figu-

o tempo todo. Alguns farão coisas às es-

ra chamada “chefe”, fique tranquilo. Ele é

condidas, outros falarão mal dele no almo-

uma espécie em extinção. Fim da mensa-

ço, durante o cafezinho e muitos pedirão

gem.

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Revista Exper - 33


Administração

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Tempo é dinheiro? Débora Moraes, Graduada em Psicologia pela USP. Mestre e doutoranda pelo Departamento de Aprendizagem e Desenvolvimento Humano da USP. Membro do Laboratório de Psicanálise e Análise de Discurso da USP. Especializada em Educação pela Foundation for Montessori Education. É docente convidada do Mackenzie e da FGV-EAESP.

E

ste texto parece longo demais

rá os aplicativos novos se não for trocado

o tempo de trabalho é regido por metas.

para a pressa que rege nossas vi-

rapidamente. Isso quer dizer que a obsoles-

Metas que estão atreladas exclusivamente

das. Pois bem, peço apenas alguns

cência programada, a obsessão pelo novo

ao desempenho do sujeito. Ou seja, é sua

minutos do precioso tempo do leitor para

e a consequente descartabilidade são con-

responsabilidade se manter empregado e

refutar o título deste artigo: não, tempo não

dições inerentes à sociedade de consumo.

empregável. E para que isso aconteça, as

é dinheiro. Tempo é um fio finito que tece

Melhor seria se somente as mercadorias

regras são claras: deve se atualizar cons-

o novelo de nossas vidas. E se não tomar-

seguissem essa lógica. O problema é que

tantemente para acompanhar o ritmo fre-

mos cuidado, ofereceremos nosso tempo

a lógica de consumo não se restringe ape-

nético das mudanças tecnológicas (e não

de vida ao capital sem nos darmos conta

nas aos produtos, mas se estende, com seus

estou falando apenas de informática, mas

de que este fio é a única coisa que temos.

tentáculos sutis, à subjetividade. Se tam-

de métodos e técnicas que também seguem

Posso apostar que você já pro-

bém somos mercadorias¹ nesta prateleira

a lógica da obsessão pelo novo). Ademais,

nunciou, em algum momento, pelo menos

infindável de produtos, também somos

é preciso entregar sempre mais em menos

uma variação das reclamações a seguir:

descartáveis e precisamos nos manter ven-

tempo. É preciso dizer sempre sim para

“Não tenho tempo pra nada”, “Não tenho

dáveis (ou, para usar um jargão da área:

mais tarefas; há que se sobrecarregar e

mais vida”, “Estou estressado”. Em con-

precisamos investir na nossa empregabili-

doar seu tempo de vida para o trabalho. E

trapartida, já deve ter escutado algo deste

dade). É justamente este o ponto que nos

tudo isso é necessário, mas não é suficien-

gênero: “É preciso fazer mais em menos

interessa.

te. Além de não bastar, não há garantias.

tempo”, “Preciso disso pra ontem”.

Se no fordismo, na era industrial,

Aliás, nesta condição de mobilização total²

Há certa uniformidade nos dis-

o trabalho era marcado pela relação entre

, também não há separação entre tempo de

cursos contemporâneos sobre a relação do

tempo e tarefa; hoje, na era do imaterial,

trabalho e tempo de vida. Mas lembremo-

sujeito com o tempo: vivemos em uma era

nos que o fio é o mesmo e ele é finito e

da urgência. A sensação de pressa é acen-

frágil. Mais cedo ou mais tarde, sem nossa

tuada pela instabilidade e velocidade das

permissão e sem aviso prévio, o fio se rom-

mudanças tecnológicas. Se, por um lado,

pe, o tempo acaba... E aí?

a tecnologia nos forneceu condições de

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desenvolvimento, por outro, diminuiu ra-

¹ Esta consideração de equivalência entre pessoas e

dicalmente a vida útil das mercadorias.

mercadorias é feita por Zygmunt Bauman em seu li-

Um computador, que nos serve muito bem hoje, terá uma vida útil de dois ou, no máximo, três anos. Um celular não comporta34 - Revista Exper

vro Vida para consumo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001. ² O termo mobilização total é proposto por André Gorz em O Imaterial. São Paulo: Annablume, 2005.


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Edição Número 27

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