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pROVOKE®

Por Rogério Akiti Dezem

O espaço

urbano

http://akitidezemphotowalker.zenfolio.com/

56 EVF_JAN/ FEV

D

e forma mais popular ou romantizada, a prática da fotografia de rua pode ser considerada como uma “dança”, cujo dançarino (i.e. fotógrafo) baila de forma imaginária – incessantemente ou metodicamente – com estranhos pela cidade. Ou como uma “caçada”, cujo alvo dos disparos – alucinados ou calculados – do caçador-fotógrafo, se dirigem aos elementos presentes na urbs. Cada vez que me deparava com metáforas como estas, relacionadas ao ato de fotografar estranhos na rua, tentava me encaixar em um dos dois “modelos”. Com o passar do tempo, percebi pela práxis que o ato de fotografar não só estranhos, mas elementos pertencentes a cidade, este enorme salão de dança ou floresta, vai além das definições citadas acima. Gosto muito da definição do fotógrafo de rua como um flâneur, expressão oriunda do universo literário francês em meados do século XIX, representativa do indivíduo que transita sozinho pela cidade, imerso na multidão, verdadeira “reserva de energia elétrica” segundo Charles Baudelaire. O flâneur é antes de tudo

Arquivo Pessoal

Olá, meu nome é Rogerio Akiti Dezem, sou natural de Osasco (SP). Sou professor universitário, historiador e fotógrafo de rua diletante. Vivo no Japão desde 2010, onde comecei a fotografar “estranhos” nas ruas por hobby. No início, era muito mais “uma atividade física e uma distração”, mas nos últimos três anos, tornou-se um vício, uma necessidade quase diária de exercitar meu olhar através do viewfinder, registrando e desafiando o mundo ao meu redor. A ideia desta coluna Provoke® é uma homenagem a um pequeno grupo de fotógrafos e intelectuais japoneses que lançaram um curto, mas inovador movimento/manifesto fotográfico denominado Provoke no final dos anos 1960. A partir de um viés provocador, meu objetivo aqui é guiá-los em cada coluna pelos meandros da fotografia de rua feita na Ásia, principalmente no Japão. Apresentando fotógrafos (famosos ou não), imagens de rua e “candid” de minha autoria e de outros e, principalmente, analisar o palco onde a fotografia é produzida por aqui: as ruas japonesas. Meu site é

EVF #3  

Nesta edição: Caos Descrito une fotografia de rua e literatura; entrevista com David Gibson; fotógrafa retrata viagens de SP a RJ; coluna Pr...

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