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VIAGENS CRUZEIRO DE LUXO E AVENTURA PELA PATAGテ年IA ISTAMBUL, ONDE ORIENTE E OCIDENTE SE ENCONTRAM PERFIL FERNANDA LIMA, Mテウ MODELO

Sobremesas

geladas QUATRO RECEITAS INCRテ昂EIS E PERFEITAS PARA O VERテグ


Cotidiano MA RTH A M E DE IR O S

ORGULHO DE NÃO SABER Aprender é um verbo que não humilha!

Ligo para uma empresa com a intenção de cancelar uma assinatura. Falo com uma atendente responsável pelo setor. Ela pede meus dados e depois faz uma pergunta natural: se estou cancelando a assinatura por motivo de insatisfação. Digo que não, meu motivo é falta de tempo, não tenho conseguido ler tudo o que chega em casa. Ela então argumenta os benefícios do produto que representa. Ouço com atenção, agradeço, mas mantenho minha intenção de cancelar. Ela começa então a ficar inconveniente, sugerindo que eu estou tomando a decisão errada, que deveria cancelar outra assinatura e não a que ela representa. Ela fala, fala, fala. Eu digo que minha decisão está tomada e que ela não irá me demover da idéia. Então ela ri: “Demover? Mas o que é isso? Pelo jeito, estou falando com alguém muito erudito”. Quá, quá, quá. Pergunto se ela não conhece “demover” e ela responde claro que não, como se a humanidade inteira tampouco conhecesse e eu tivesse acabado de inventar uma esquisitice verbal. Ela está achando a maior graça do meu vocabulário e só falta me chamar de imbecil. Desliguei antes de demovê-la da idéia de continuar existindo. Na mesma hora, lembrei de um dia em que conversava com um grupo e deixei escapar algum comentário sobre Diana Krall. Uma mulher virou pra mim e perguntou com cara de nojo: “Quem é esta?” Expliquei. Ninguém é obrigado a saber que Diana Krall é uma cantora de jazz, ainda que ela seja bem manjada. A mulher reagiu com um desprezo absoluto e insinuou que eu estava querendo me exibir. Não sei nada sobre nada. Gostaria de ter muito mais

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Estilo Zaffari

conhecimento do que tenho, de ser uma expert em vários assuntos que mal arranho. Diante deste quadro, estou sempre atenta a tudo que ouço, a tudo que vejo. Não tenho vergonha nenhuma de perguntar, de tentar saber mais sobre o que sei pouco. Nunca me senti inferiorizada por estar por fora de alguns temas, e muito menos tenho orgulho disso: se ouço algo e não sei do que se trata, eu pesquiso, indago, me interesso. Aprender é um verbo que não me humilha. Daí que fico pasma quando vejo que certas pessoas têm orgulho do que não sabem. Geralmente, são aqueles que não acreditam que o homem foi à lua, mas que acreditam que Elvis está vivo, como se eles fossem portadores de uma verdade inatingível para nós, os babacas que caem em tudo o que a tevê diz. A menina que me atendeu ao telefone teve certeza de que falei “demover” para inferiorizá-la. E a mulher que me ouviu citar o nome de Diana Krall também. Mas com elas, não, violão. O que estou pensando? Que sou o último copo d´água do deserto? Que “demover”, que nada. Começa assim e daqui a pouco vai estar falando “corroborar”, “elucubrar”, “aferir”... Aqueles que menosprezam os que sabem um tiquinho mais dão um tiro no próprio pé. Poderiam se interessar, aprender e escapar da sensação de inferioridade, mas preferem passar atestado.

MARTHA MEDEIROS É ESCRITORA


cesta básica

nesta seÇão VocÊ encontra dicas e sugestões para curtir o dia-a-dia e se diVertir de Verdade: música, cinema, lugares, oBJetos especiais, comidinhas,

delícias americanas em solo gaúcho

Em agosto foi inaugurada, em Porto Alegre, a Priscilla’s, uma pequena e supercharmosa padaria, recheada de sabores deliciosos trazidos diretamente de Nova Iorque. Bernard Haffeman, nascido nos EUA e cidadão gaúcho há sete anos, transferiu para Porto Alegre a experiência e o know-how conquistados por seu pai com a Priscilla’s original, que funcionou por 16 anos no Greenwich Village. Os brownies, cookies, pies, muffins, cupcakes, brioches e outras delícias produzidas na padaria são de tirar qualquer um do sério... impecáveis e irresistíveis. Bernard preserva na “filial” gaúcha as diretrizes da “sede”americana: total precisão nos métodos e técnicas artesanais de produção, produtos de alta qualidade e naturais, com o uso mínimo de ingredientes processados. Vá até lá e esqueça da dieta. Os sticky buns, que aparecem na foto acima (mais conhecidos como cinnamon rolls), são viciantes. E o brownie de chocolate com menta é um absurdo de tão gostoso.

• rua domingos José de aLmeida, nº30, LoJa 101, rio Branco • Porto aLegre/rs • de terças a sáBados, das 11h às 20h • Fone: 3013.5812

foto: andré nery

passeios, compras. Bom proVeito!

duas paixões em drágeas

O chocolate e o café, duas paixões presentes no dia-a-dia dos brasileiros, agora podem ser degustados em um só produto. O Café do Porto e a Chocolates Prawer se uniram para lançar uma deliciosa novidade: as drágeas Petit Café, feitas com grãos de café cobertos com chocolate ao leite. Além de diferentes, as drágeas são uma verdadeira delícia. Tanto o cacau quanto o café utilizados são de origem controlada – o primeiro, da Fazenda Santa Rita, no Espírito Santo; e o segundo, da Fazenda DaTerra, em Minas Gerais. A Prawer é responsável pela fabricação do Petit Café, usando o grão selecionado pelo Café do Porto. O produto está à venda nas lojas de ambas as empresas. Experimente, mas cuidado: é impossível comer só uma...


Entre os gourmets, gourmands e qualquer cidadão interessado em gastronomia, Alex Atala é unanimidade. E nada burra! Mais do que um cozinheiro ou chef talentoso, Atala tem se revelado um pensador sobre o ato de cozinhar. Assim como o gênio Heitor Villa Lobos (18871959), que pensou e reposicionou a música e o folclore brasileiro, Alex repensa a comida. Villa Lobos foi pioneiro ao inserir o folclore na música clássica. Sua obra mais reconhecida, as Bachianas Brasileiras, mostra sua visão brasileira inspirada em Bach. O resultado não poderia ser mais brilhante. Para Atala, o Bach da cozinha é Auguste Escoffier (1846-1935), cozinheiro francês que renovou e sistematizou a culinária francesa moderna. Longe das coincidências e acasos, Alex Atala faz de suas Escoffianas a junção deste recriar, de um repensar e, quem sabe, de um primeiro passo para sistematizar as peculiaridades e potencialidades de uma culinária genuinamente nacional. Como Villa Lobos, ele brinca com ingredientes folclóricos de forma séria. Como Escoffier, ele busca a renovação da culinária da vovó, da cozinha de raiz aliada à técnica, ao pensar e ao redescobrir. Em 600 páginas, 107 receitas, Escoffianas Brasileiras é recheado de histórias, pensatas e receitas dos pratos que reconstroem a trajetória do ex-DJ e pintor de paredes que se tornou o chef brasileiro mais reconhecido nacional e internacionalmente. Dividido em três partes: o aprendizado, o sonho e a realidade, o livro traz receitas distribuídas em três níveis: básicas, para gourmets e ainda uma seção mais direcionada a chefs “de verdade”. Para leitores de todos os níveis, uma certeza: Escoffianas Brasileiras é prazer em (quase) todos os sentidos.

foto: diVulgaÇão

histórias, idéias e receitas de atala

mesa de cinema em porto alegre e em são paulo

escoffianas Brasileiras

foto: andré nery

autor: alex atala, com carolina chagas Preço: r$ 249,00 • Págs.: 520 • editora: Larousse do BrasiL À Venda na liVraria cultura

Em meados de 2004, a notícia do lançamento no Brasil do DVD do filme A Festa de Babette foi festejada em silêncio respeitoso e criativo. A busca por receitas do filme na internet e o cruzamento de palavras-chave como gastronomia e cinema foram o impulso para a criação de um projeto que há quatro anos vem deleitando um seleto grupo de gaúchos e aos poucos vai se espalhando pelo Brasil. O Mesa de Cinema brinca com a metáfora de comer um filme e enleva seus participantes tornando-a realidade. Como? Com a reprodução do cardápio, do clima e das emoções pinçadas da tela para a realidade. O evento se desenvolve com um roteiro único: coquetel, sessão de cinema, debate e jantar, às vezes almoço. O ciclo de 2008 se realizou mensalmente no Santander Cultural, casa temporária do evento desde 2007 – antes ele ocupou a Pousada do Engenho, em São Francisco de Paula, e depois o hotel Casa da Montanha, em Gramado. Edições extras visitaram São Paulo, em Santos (no Espaço XV, com o filme Uma Receita para a Máfia) e na capital, dia 13 de dezembro, com O amor está na mesa. A idéia é que em 2009 o evento circule por outras cidades, mantendo Porto Alegre como sede e uma freqüência maior em São Paulo. • www.mesadecinema.com.br


cesta básica

perfumes do lorita

Em apenas seis meses de portas abertas, no limbo dos bairros Rio Branco e Moinhos de Vento, em Porto Alegre, o Lorita restaurante vem conquistando o público com a qualidade de serviço, programação e cardápio. E com atrativo extra: mesas ao ar livre nos jardins e sob a parreira da casa. Uma delícia! A forte influência da cultura francesa se espalha pelo casarão, pelo pátio e pelos pratos. Com o aval da exigente fada-madrinha Carla Pernambuco, o chef Peter Knoblich capricha nos aromas do menu, sempre inventivo. Um belo exemplo é a panelinha de cogumelos perfumados com confit de cebola, queijo brie e tomilho... Pato, cordeiro, picanha, risotos... tudo vem com um toque único, um perfume envolvente. O nome Lorita é uma homenagem à avó da proprietária da casa, Roberta Horn Gomes, médica psiquiatra que adora gastronomia e cuida com carinho da ambientação do restaurante, e que também se aventura pela cozinha. A casa oferece ainda o Loritinha, espaço para eventos exclusivos e diferenciados. Um luxo!

um roteiro carioca Bem descolado

agenda carioca, de antonia leite BarBosa 440 Páginas, r$ 49,00 • editora senac rio

• de terças a sáBados a Partir das 19h30, domingos ao meio-dia. • castro aLVes, 678. Porto aLegre/rs • reserVas: (51) 3264 6000 • www.Loritarestaurante.com.Br

fotos: diVulgaÇão

Graças ao incansável trabalho de garimpo da jornalista Antonia Leite Barbosa, está sendo lançada a 2ª edição da Agenda Carioca, publicação que se tornou uma espécie de guia para os amantes do que existe de bom no Rio de Janeiro. Na primeira edição, 300 endereços descolados e, no mínimo, curiosos foram responsáveis pelo sucesso em vendas. Agora esse número saltou para mil e tudo o que surgiu de especial na cidade maravilhosa em entretenimento, cultura, moda, gastronomia e serviços está nas páginas da agenda. Os assuntos refletem o espírito e o dia-a-dia do carioca, e listam pet shops, lojas de roupas, botequins, sapatos e bolsas exclusivas, DJs, promoters, dentre outros. A obra, com identidade visual reformulada, traz os textos e as indicações apresentados de uma maneira divertida, para orientar o leitor a achar o que procura. Com o livro em mãos, dificilmente você vai entrar numa roubada.

chocolates temperados

Chocolate é unanimidade. Não tem quem não goste. E o mais legal é que sempre tem gente inventando jeitos diferentes de preparar essa iguaria tão versátil. A Folie, no entanto, deu um passo além: Carolina Carnicelli e Renata Fernandes, as donas da marca, criaram chocolates temperados. As receitas delas combinam especiarias e ingredientes inusitados e propõem um novo jeito de apreciar o chocolate. Já imaginou um meio-amargo com figos caramelizados e alecrim? Ou um branco com milho torrado e sal? Essas delícias vêm em aparas e dentro de lindas caixas com estampas retrô. Absolutamente diferente e totalmente irresistível. • www.unefolie.com (11) 8326.8288


fotos: andré nery

noVidades no móca café

Boas festas sem stress

Bom humor é a melhor solução para driblar o estresse e as neuroses que costumam vir à tona no período de final de ano. Pois Mônica Varella faz ótimo uso dessa ferramenta, o humor, em seu novo livro Boas Festas sem Stress: tudo para você simplificar, sem perder o estilo. Especialista em idéias criativas e soluções práticas para a organização de festas, Mônica agora faz uma imersão no mundo das celebrações de final de ano. Suas dicas são preciosas e inspiradoras, além de carregadas do verdadeiro espírito natalino: paz, amor, alegria... e muito alto-astral. Boas festas sem stress: tudo para VocÊ simplificar, sem perder o estilo Formato 21 cm x 30 cm, 142 Páginas À Venda na liVraria cultura

Quem já conhece o Móca Café vai gostar de saber das novidades que a casa preparou para o final do ano. Quem ainda não conhece, tem ótimos motivos para ir até lá. O Café tem uma programação especial, com música ao vivo de Rodrigo Chileno e Guilherme Oliveira, todas as quintas-feiras, a partir das 18h30. Outra boa notícia é o novo cardápio de drinks, todos exclusivos da casa. Opções que prometem agradar a todos os paladares, em especial os mais exigentes. O Móca tem um ambiente bacana, bem decorado e aconchegante, e oferece um cardápio de cafés especiais. Os mais pedidos são o Colombiano e o Dedo de Moça. Os cafés gelados são uma sugestão excelente para o verão e seguem esta mesma linha diferenciada. Experimente o Móca Segredo, grande sucesso da casa. No cardápio ainda figuram quiches e brownies, e a idéia é que, em breve, seja lançada uma linha de sanduíches, saladas e doces. • rua dinarte riBeiro, 155 • moinhos de Vento • Porto aLegre/ rs • Fone: 3265.1070 • de segunda a sexta, das 11h às 21h, e aos sáBados, das 12h às 21h.


Consumo T e T ê

paC h e C o

Foi um rio que passou em minha vida Quando eu nasci meus pais moravam num prédio muito alto. Nosso apartamento ficava no 23º andar. E o prédio, bem no centro de Porto Alegre, perto do rio Guaíba. Quase ninguém via o Rio, porque, nas suas margens, foi construído um grande muro, por conta de uma enchente que certa vez inundou a cidade. Mas eu era privilegiada. Da janela do meu quarto, como era alta, eu enxergava o pôr-do-sol no rio, que era lindo demais. Quando chovia, da janela a gente também via muitos raios e ouvia os trovões. O prédio balançava para o lado, mas a minha mãe falava que a gente não tinha que ter medo da natureza. Nos colocava no colo dela e ficávamos observando tudo, enquanto ela cantava: “Chove, chuva. Chove sem parar…”. Um dia mudamos. De um prédio para uma casa. De um bairro com rio para um bairro com parque. Foi uma boa troca. Logo começamos a explorar as novas possibilidades. Vizinhos que moravam ao lado e não embaixo! Árvores de frutas no quintal. Lembro bem de uma ameixeira. A gente podia brincar na rua e ter cachorro. Com os vizinhos novos, que depois ficaram vizinhos desde sempre, gostávamos de aprontar um pouco. Pular o muro era uma emoção. Certa vez eu caí dele e quebrei o braço. O nosso bairro tinha uma padaria deliciosa e muitas casas. Um dia descobrimos que o parque era, na verdade, a central de abastecimento de água do bairro. E por isso a

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Estilo Zaffari

gente era proibido de chegar perto do lugar onde estavam os grandes tanques de água. Ainda bem que fomos proibidos de explorar mais esse parque, porque os tanques pareciam piscinas. Já pensou cair uma criança lá dentro? Bom, pelo menos era isso que os adultos falavam. O parque da Caixa d’Água. Até hoje ele se chama assim. E eu pensava: mudei do bairro do rio para um bairro cheio de… piscinas!! Quando eu já nem me achava uma criança, mudei mais uma vez. De um bairro com parque e caixa d’água para um bairro de casas com piscina. Meu pai construiu essa casa. Ele era engenheiro. Meu irmão mais moço podia ir a pé pra escola dele. Eu ia de carro para a minha faculdade. Nesse bairro tinha uma praça que se chama Japão. Era um bairro residencial. Mas dessa vez não fizemos tantos amigos na rua. Trazíamos nossos amigos lá pra casa. Da sala de jantar, a gente via cavalos e vacas. Tinha até um riachozinho. Mas hoje em dia a gente não vê mais nada disso. Só prédio. Meus pais ainda moram lá. Eu fui morar em Salvador, Brasília, São Paulo. Mudei algumas vezes mais. Mas sempre que dá, volto para Porto Alegre. Meus filhos adoram a casa dos avós. Que tem piscina, riachozinho e olhares marejados quando nos vêem chegar. TeTê paCheCo é publiCiTária


Sabor


Sobremesas

geladas HUMMMMMMMMM, DELÍCIA!!! NO VERÃO, NADA PODE SER MAIS APETITOSO DO QUE UMA SOBREMESA BEM GELADINHA, REFRESCANTE, CAPAZ DE FAZER COM QUE A GENTE ESQUEÇA DO CALORÃO QUE FAZ LÁ FORA. A ESTILO ZAFFARI FOI BUSCAR RECEITAS DE DOCES SABOROSOS QUE PRECISAM “MORAR” NO FREEZER ANTES DE CHEGAREM À MESA. ELES DESPERTAM A NOSSA GULA JÁ PELO VISUAL: POTES DE VIDRO “SUADOS”, CREMES QUE ESCORREM PELO PRATO, CORES INTENSAS. A CHEF JULIA FERNADES, DO RESTAURANTE SUZANNE MARIE, DE PORTO ALEGRE, É A AUTORA DAS DELÍCIAS QUE VOCÊ VAI CONHECER A SEGUIR. COPIE AS RECEITAS E FAÇA IGUALZINHO EM CASA! P O R

M I L E N E

L E A L

F OTO S

L E T Í C I A

R E M I Ã O


Sabor

Creme de Mascarpone com Coulis de Goiaba 4 GEMAS 4 CLARAS BATIDAS 8 COLHERES DE AÇÚCAR 200 G DE QUEIJO MASCARPONE (E CADÊ AS GOIABAS? E O AÇÚCAR DO COULIS?) Modo de fazer: Bata bem as gemas com o açúcar até obter um creme fofo. Misture o mascarpone, delicadamente, fazendo movimentos de baixo para cima. Por fim, incorpore as claras batidas em ponto de neve, cuidando para não perder o volume. Coulis de Goiaba: Descasque 8 goiabas rosas, leve ao fogo com uma xícara de açúcar. Ferva em fogo brando até obter consistência. Retire do fogo, deixe esfriar e passe pelo chinois (o que é chinois???). Montagem: Despeje o creme em copos ou potes intercalando camadas com o coulis de goiaba. Leve ao freezer por três horas, aproximadamente. É importante fazer a montagem com os cremes bem gelados.


Sabor


Torta Gelada 4 LATAS DE LEITE CONDENSADO 2 LATAS DE CREME DE LEITE 8 COLHERES RASAS DE MANTEIGA 4 COLHERES DE ACHOCOLATADO BISCOITO MARIA (O SUFICIENTE) Modo de fazer: Leve ao fogo duas latas de leite condensado com 4 colheres de manteiga, mexendo lentamente até a fervura. Retire do fogo, acrescente o achocolatado e uma lata de creme de leite, misturando delicadamente até obter um creme homogêneo. Faça o mesmo processo para o creme branco, sem adicionar chocolate. Montagem: Coloque em um prato refratário fundo o creme de chocolate, reservando um pouco para o final. Umedeça as bolachas no leite, faça uma camada sobre o creme de chocolate. Despeje por cima o creme branco. Com o creme de chocolate restante, faça desenhos para finalizar a montagem. Cubra o prato com papel-alumínio e leve ao freezer por no mínimo 6 horas.


Sabor

Terrine de Chocolate com Doce de Leite 3 GEMAS E 3 CLARAS 16 COLHERES DE AÇÚCAR 200 ML DE CREME DE LEITE FRESCO BATIDO COMO CHANTILLY 300 G DE CHOCOLATE AMARGO PICADO CONHAQUE 200 G DE DOCE DE LEITE 1 XÍCARA DE AÇÚCAR 4 COLHERES (SOPA) DE CREME DE LEITE 12 G DE GELATINA 150 G DE AMÊNDOAS PELADAS TOSTADAS Modo de fazer: Bata bem as gemas com 6 colheres de açúcar até ficar com uma consistência bem cremosa. Junte o chocolate derretido perfumado com conhaque, acrescente o creme de leite em forma de chantilly delicadamente, depois as claras batidas com o açúcar restante e misture-as vagarosamente ao composto de chocolate. Dissolva a gelatina em um pouco de água quente, junte-a ao creme. Reserve no freezer. Misture 200 gramas de doce de leite gelado com creme de leite também gelado. Faça um caramelo claro, jogue dentro dele as amêndoas peladas e levemente tostadas. Coloque essa mistura sobre o mármore untado com manteiga, quebre grosseiramente (formando uma “farofa” de amêndoas) e reserve. Montagem: Coloque papel-filme no fundo de uma fôrma alta retangular. Faça uma camada com o creme de chocolate. Jogue sobre ele um pouco do caramelo de amêndoas, depois o creme de doce de leite e por último novamente o creme de chocolate. Decore com o caramelo restante e leve ao freezer por 4 a 6 horas.


Sabor


Granité de Pêssegos com Framboesa 1 KG DE PÊSSEGOS 300 G DE FRAMBOESA 2 LIMÕES 180 G DE AÇÚCAR Modo de fazer: Descasque os pêssegos e corte-os em gomos. Em uma panela, coloque 150 gramas de açúcar com 30 ml de água e deixe ferver. Acrescente os pêssegos cortados, misture e deixe cozinhar por 10 minutos. Retire do fogo e deixe esfriar. Misture os pêssegos com sua calda, formando um purê. Esprema os limões. Deixe reservadas 2 colheres de suco de limão e adicione o restante ao purê de pêssegos. Coloque esse purê em um copo de vidro e leve ao freezer por 2 a 3 horas, misturando com um garfo a cada 30 minutos. Amasse as framboesas com açúcar (quanto de açúcar?) e o restante do suco de limão. Em taças ou copos, coloque o creme de framboesas e o purê de pêssegos (granité) em camadas desarrumadas. Decore com uma framboesa gelada.


(con)vivências r u z a

a m o n

BravoS BandeiranteS

Ser adulto há mais tempo não significa ser criança Estou muito impaciente esperando que a sociedade absorva de uma vez o salto de longevidade dado pela população mundial nas últimas décadas. No Brasil, de 1940 a 2007 a expectativa de vida aumentou em 30 anos, segundo dados do IBGE*, e esta mudança ainda não foi elaborada. A mídia e o marketing evidenciam com clareza os tropeços dessa transição quando demonstram não ter encontrado a imagem adequada para o novo idoso. Confesso que me irrita muito a infantilização praticada pelos comerciais ao mostrarem velhinhas assanhadas dançando funk, discutindo com o dono da mercearia ou martelando paredes à procura de canos de qualidade, e tantas outras paródias desgastadas. Reportagens sobre estilo de vida após os 60 anos também insistem em flagrar idosos em atividades típicas de adolescentes, vestindo ou se divertindo de forma lúdica, como se a idade avançada lhes impedisse de ser simplesmente adultos por mais tempo. Seguindo o equívoco, algumas empresas ligadas ao turismo (e de olho na renda dos septuagenários) resolveram adotar uma versão menos comprometedora para o termo ‘terceira idade’, usando a expressão ‘melhor idade’. Talvez para alguns a maturidade seja mesmo o melhor momento de suas vidas por conta da liberdade ou da sabedoria adquirida. Porém, isso não justifica um rótulo flagrantemente manipulador e preconceituoso às avessas. Os idosos podem ser especialmente considerados, mas não necessitam de bajulação. Eu sei que não teria muita graça mostrá-los trabalhando, namorando e casando normalmente, se exercitando sem ser em pleno parque público ou sem lutas marciais exóticas. Mas é assim que tem vivido (muito bem, obrigado) grande parte da turma da ‘terceira idade’: normalmente. Não são ridículos nem hilários, nem tampouco vivem em êxtase por terem sobrevivido à expectativa média de vida. Vivem como adultos que são, adequados à contemporaneidade da sua existência. Fazem parte de um fenômeno social recente? Sim! Mas isso pode e deve ser divulgado de maneira adequada. Não saber descrevê-los a partir de um modelo já conhecido não os torna

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Estilo Zaffari

necessariamente crianças. Há dez anos, a ‘bola da vez’ eram os quarentões. Lembram do Tio da Sukita da década de 90? Pois é. Era a publicidade ‘pegando no pé’ dos quarentões, que recém começavam a descobrir o mundo. Nos anos 40, quando a expectativa média de vida era de 42,7 anos, eles eram os ‘velhos’ da época. Cinqüenta anos depois, seguiam correntes migratórias em busca de uma nova significação social. Hoje, eles são garotas e garotões cheios de energia, às voltas com um segundo ou terceiro casamento (quando não estão debutando no ramo). Esteticamente, então, nem se fala. Disputam a moda com filhos e filhas, correm maratonas, dão ‘banho’ de sensualidade e por aí afora. Esta mudança a sociedade já entendeu, e a mídia já os largou de mão. Mas isso não aconteceu sem um exaustivo período de especulação, repleto de clichês. Agora é a vez dos idosos. Por falar nisso, qual será mesmo o significado atual desta palavra? Estou torcendo para que as pessoas com mais de 70 anos intensifiquem sua presença ativa na sociedade brasileira, alargando generosamente seu período de produção e criatividade. Terão como guia vários exemplos já manifestos, os quais eu considero bravos bandeirantes penetrando numa zona desconhecida, merecedores de apoio e respeito. Conheço um homem de 80 anos que foi tratado por ‘vovô’ por uma atendente de loja. Reagiu educadamente, dizendo não ter gostado do vocativo. “É que o senhor lembra muito meu avô”, desculpou-se a moça. O ‘vovô’ não saiu do estabelecimento sem dar um pito na vendedora, respondendo tão simplesmente com a frase: “Posso lembrar, mas não sou”. Foi dado o recado.

*SínteSe de indicadoreS SociaiS 2008, divulgada pelo iBge (inStituto BraSileiro de geografia e eStatíStica) em SetemBro de 2008

ruza amon é jornaliSta


Viagem

istambul Istambul é única. É a única cidade do mundo situada em dois continentes. Istambul é mágica. É onde o Oriente e o Ocidente se encontram, em um caldo pacífico e peculiar de culturas completamente diferentes. Istambul é histórica. Fundada com o nome de Bizâncio, tornou-se depois Constantinopla, para finalmente ganhar o nome de Istambul, uma das cidades mais importantes da Turquia e considerada um dos berços da civilização humana. T E X TO S

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B E R G E R


Viagem


NEGOCIAÇÃO DE TAPETES NO SUBSOLO DO GRAND BAZAAR; ISTAMBUL VISTO DO BÓSFORO; MESQUITA SANTA SOFIA; SPICE MARKET

Tudo começou com um convite de casamento. Mas não era um casamento qualquer. Era a filha de um grande amigo de Porto Alegre que iria se casar com um turco. Três dias de festa numa cidade maluca como Istambul. A vida tem destas coisas, às vezes ela te joga no colo uma oportunidade imperdível. Após uma parada de dois dias em Milão, para a viagem não se tornar cansativa, chegamos ao nosso destino. O encontro com Istambul foi estranho, à noite. Nosso hotel ficava no centro histórico da cidade, com suas ruas e becos estreitos e pouco iluminados. A comunicação é bem difícil. Os poucos turcos que falam inglês usam um sotaque carregado, de difícil compreensão para nós, brasileiros. Depois de uma boa noite de sono e de um café da manhã cheio de coisas diferentes, saímos para desvendar a cidade. Fica muito prático parar em um hotel no centro histórico, pois os melhores lugares para serem visitados estão nesta região. A maioria dos locais podem ser visitados a pé, mas também se pode recorrer a um moderno trem elétrico que atravessa todo o centro, contrastando com as antigas edificações. Algumas calçadas são tão estreitas que o trem passa pertíssimo das lojas.

A VIDA ACONTECE NO CENTRO HISTÓRICO, ONDE MESQUITAS, BAZARES E MERCADOS SE ENTRELAÇAM


Viagem

MESQUITA DE SANTA SOFIA E LOJA DE PORCELANAS NO GRAND BAZAAR

AQUI TUDO QUE RELUZ É OURO. TAPETES, GATOS, JÓIAS

E RUELAS ESTREITAS: CENAS TÍPICAS DE ISTAMBUL 36

Estilo Zaffari


O comércio de tapetes é farto. Dentro de uma dessas lojas, uma tecelã fazia um tapete cheio de detalhes e cores, lidando com vários fios ao mesmo tempo, com uma habilidade incrível. Alguns tapetes demoram meses para ser feitos, e por aí a gente começa a entender o porquê do altíssimo custo deles. Cenas pitorescas A quantidade de gatos perambulando pelas ruas, ou até mesmo dormindo em pilhas de tapetes, é de chamar a atenção. Uma cena comum no final de tarde: comerciantes fumando seus enormes narguilés, nas calçadas em frente às suas lojas. Um petisco típico de Istambul é o Döner Kebab, cuja carne é fatiada na hora e servida em um pão com frutas e legumes – uma delícia! E quando descobrem que você é brasileiro, o assunto é um só: futebol e “Ronaldinho”. Fenerbahçe é o time mais famoso e paixão nacional da Turquia. O Estreito de Bósforo divide Istambul no lado europeu e no lado asiático. O lado europeu, por sua vez, é dividido em duas partes pelo Estreito de Golden Horn: o Distrito de Gálata, com sua famosa torre de mesmo nome ao norte, e a Península Histórica (onde estáva-

mos parando) ao sul. O comércio e os negócios acontecem no lado europeu, e as principais atrações turísticas estão localizadas no centro histórico. O lado asiático é basicamente residencial. O centro histórico de Istambul tem uma concentração absurda de gente, ainda mais em pleno período de férias do verão europeu (lembrando ainda que a Turquia é o país mais populoso da Europa). Turistas ocidentais misturam-se aos muçulmanos. É curioso ver mulheres de burka, cobertas da cabeça aos pés, contrastando com executivas de terninhos e moderníssimas mulheres ocidentais de calças jeans e roupinhas justas. O encontro da cultura oriental com a ocidental acontece de maneira tranqüila em Istambul. Não é à toa que a Turquia vem se modernizando, sem perder as suas raízes, e buscando o seu espaço no Mercado Comum Europeu. A moeda corrente é a YTL – Yeni Turkish Lira (nova lira turca). Falando em modernização, um dos grandes responsáveis pelo desenvolvimento da Turquia foi Mustafá Ataturk, verdadeiro herói nacional. Ataturk foi fundador e primeiro presidente da República da Turquia, e sua foto pode ser encontrada na maioria das lojas, pois ele é extremamente venerado pela população.

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Viagem

PREPARE-SE PARA CAMINHAR MUITO: É ASSIM QUE SE

MESQUITAS, MUITAS MESQUITAS; O CHÁ TURCO DÁ AS BOAS-VINDAS AOS TURISTAS; NARGUILÉ NO FINAL DE TARDE DE ISTAMBUL.

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As Mesquitas A cidade de Istambul possui centenas de mesquitas; mas visitar duas delas em especial é obrigatório: a de Santa Sofia e a Mesquita Azul. Tomei um susto quando ouvi pela primeira vez, e muito alto, as rezas muçulmanas transmitidas por alto-falantes espalhados pelo centro histórico, convocando os fiéis para as orações. Isto acontece cinco vezes por dia. A mesquita de Santa Sofia foi usada como igreja desde a data da sua construção, no ano de 537, até a data da conquista de Istambul, em 1453, quando virou mesquita. Após longas restaurações, reabriu como museu em 1935, e é um dos lugares mais visitados de Istambul. Impressiona pela sua grandiosidade. Sua cúpula é uma das cinco mais altas do mundo. A riqueza do local se completa com muito mármore, pinturas, mosaicos e tapetes. Túneis com rampas levam ao mezanino, de onde se pode admirar toda a beleza de Santa Sofia. Uma cena ficou marcada na minha cabeça: ao percorrer todo o trajeto pelos túneis de volta ao piso térreo, caminhei um bom tempo atrás de uma mulher de burka. Só eu e ela, um silêncio absoluto. As paredes e o


CONHECE A VERDADEIRA ESSÊNCIA DE ISTAMBUL piso de pedras muito antigas, uma fraca luz amarelada e a ausência total de qualquer sinal de modernidade me fizeram viajar no tempo e imaginar como seria esta mesquita em plena atividade há mais de mil anos. Já a Mesquita Azul, ou Mesquita do Sultão Ahmet, é a maior de Istambul, e está em pleno funcionamento. Ela tem uma peculiaridade: é a única mesquita otomana de toda a Turquia que tem 6 minaretes, em vez dos 4 tradicionais. Gigantescas colunas de 12 gomos (cada gomo da largura de uma pessoa) sustentam a enorme cúpula. A Mesquita Azul possui 260 janelas e seu interior é decorado com mais de 21 mil peças de azulejo. Algumas regras básicas precisam ser observadas ao entrar no local: os sapatos devem ser retirados; os homens não podem entrar de bermuda e as mulheres devem usar saias longas e lenço na cabeça. Não se pode falar alto dentro da mesquita, e durante as rezas as fotografias são proibidas. No meio do pátio interno e descoberto da mesquita, uma pequena casinha exibe lindas torneiras, verdadeiras esculturas. Os muçulmanos têm o ritual de lavar o rosto, as mãos e os pés antes de entrar

nas mesquitas para o “namaz” (orações), ato que eles repetem cinco vezes por dia, sempre virados para Meca. As Cisternas Subterrâneas Outra programação imperdível no centro histórico é visitar a cisterna de Yerebatan, a maior das 60 cisternas subterrâneas construídas no período bizantino. Utilizadas para armazenamento de água, elas foram construídas para evitar que soldados inimigos, em tempos de guerra, envenenassem a água que abastecia as cidades. A entrada de Yerebatan, construída em 532, situa-se ao lado oposto à entrada da Mesquita de Santa Sofia. Basta descer alguns degraus abaixo da terra para entrar no clima misterioso e agradável da cisterna, apoiada em 336 colunas romanas, simetricamente distribuídas e suavemente esculpidas por uma luz avermelhada. Uma música clássica de fundo completa o clima. Pequenos corredores levam o visitante ao fundo da cisterna, onde se encontram duas cabeças de medusas usadas como base de colunas, uma virada de lado e a outra de cabeça para baixo (não me perguntem por quê).

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A CIDADE REVELA AOS VISITANTES SUA MAGIA E O filme “From Russia with love”, de James Bond, teve algumas de suas cenas filmadas aqui.

ACIMA, CISTERNAS: ENCANTAMENTO NOS SUBTERRÂNEOS DE ISTAMBUL. AS BELÍSSIMAS CONSTRUÇÕES ANTIGAS NA BEIRA DO BÓSFORO E O PREPARO DOS HOMENS PARA AS ORAÇÕES

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Palácio no alto da colina Visitar o Palácio Topkapi é uma experiência absolutamente imperdível em Istambul. Estrategicamente localizado no topo de uma colina, com uma fantástica vista para as águas azuis do Bósforo e seus enormes navios, o palácio impressiona pelo seu tamanho. Ocupando uma área equivalente ao dobro do Vaticano, o Topkapi era usado como sede administrativa do Império Otomano. O sultão, os membros da dinastia, as classes dirigentes, soldados e criados viviam no palácio, totalizando aproximadamente 5 mil pessoas. Possui a terceira maior coleção de porcelana do mundo, com 12 mil peças, incluindo algumas da famosa Dinastia Ming. Uma das partes do gigantesco palácio que merece ser visitada é o harém, onde alguns sultões viviam com centenas de mulheres. Mas o que faz cair o queixo mesmo é o tesouro imperial, que evidencia o poderio e a rique-


BELEZA, SEJA ABAIXO OU ACIMA DA SUPERFÍCIE za que foi o Império Otomano: milhares de peças de tudo que é tipo, como jóias, tronos, candelabros, cetros, narguilés, caixas de música, espadas e armas, tudo isto ricamente incrustado com muito ouro, esmeraldas e diamantes. Passeando pelo Estreito Andar de barco ao longo do Estreito de Bósforo é uma experiência extremamente agradável e peculiar, pois em poucos minutos alterna-se da margem européia para a asiática. A costa européia é preenchida com bosques, jardins de chá, restaurantes, bares e café. Lindos palácios de verão do período bizantino chamam a atenção pela sua imponência, contrastando com a forte cor azul da água. A ponte Ataturk se destaca na paisagem, especialmente por não ter pilares. Ela é suspensa e liga 2 continentes em poucos minutos de carro. A volta do barco a Istambul no final de tarde propicia aquelas imagens que ficam gravadas para sempre: a silhueta da cidade com suas centenas de minaretes misturados às construções antigas e baixas, típicas do centro histórico.

Temperos da vida Uma mistura de cheiros, cores e temperos... Assim é o Spice Market, ou Mercado Egípcio. Neste bazar de especiarias você encontra de tudo: peixes, frutas, vegetais, carne seca, queijos, geléias, diversos tipos de azeitonas e nozes, esponjas naturais para banho, essências orientais, ervas curativas e por aí vai. Bater perna no mercado egípcio é mais uma das programações imperdíveis de Istambul. O filme “Tempero da Vida”, que conta a história de um garoto que retorna a Istambul para reencontrar seu avô e também seu primeiro amor, foi realizado neste local. O avô é um filósofo culinário que prega que tanto a vida como a comida precisam de sal para ganhar sabor – ele não está coberto de razão? Grand Bazaar Kapaliçarsi O Brasil ainda não tinha sido descoberto e o Grand Bazaar já estava em atividade. Inaugurado em 1481, Kapaliçarsi oferece de tudo: desde tecidos, tapetes, artesanatos, cerâmicas e pratos decorativos até ouro – muito ouro; e também foi usado como mercado de escravos

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GRAND BAZAAR: MAIS DE 500 ANOS DE HISTÓRIA E COMÉRCIO. ABAIXO, A TORRE DE GÁLATA, UM ÍCONE DE ISTAMBUL

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BÓSFORO VISTO DO PALÁRIO TOPKAPI, COM A ÁSIA AO FUNDO

ESTREITO DE BÓSFORO: TESTEMUNHA DA HISTÓRIA, SUAS ÁGUAS AZUIS SEPARAM A EUROPA DA ÁSIA até a metade do século XIX. Os comerciantes têm o costume de colocar vários produtos em exposição do lado de fora das lojas. Agora imagine 3.500 lojas fazendo isto distribuídas em 80 ruas internas, algumas tão estreitas que duas pessoas não passam ao mesmo tempo, num verdadeiro labirinto onde é facílimo se perder. O Grand Bazaar é todo coberto e suas ruas principais chamam a atenção pelo teto arredondado e ricamente decorado com azulejos coloridos dos mais variados tipos. Basta pisar dentro de uma loja para te oferecerem o chá típico deles (turco ou de maçã), em pequenos copinhos de vidro trabalhado, trazidos numa bandeja. Algumas lojas de tapetes têm subsolo, com um estoque enorme e variado. Os comerciantes têm uma técnica toda especial de mostrar os tapetes: eles o atiram girando para cima, e a peça já cai aberta no chão. Não esqueça de pechinchar muito, é quase uma ofensa para eles não fazer isso, e normalmente o negócio é fechado por menos da metade do preço.

Enfim, o casamento O casamento de Martha Graeff e Aytek Savan durou 3 dias – ou melhor, 3 noites, todas à beira do Bósforo. Martha é gaúcha, modelo, linda e desde os 14 anos de idade já saiu perambulando pelo mundo a trabalho. Nestas andanças, conheceu Aytek, um turco muito gente boa. Cada noite foi comemorada num local diferente. A primeira delas foi no Rheina, local conhecido e badaladíssimo de Istambul, colado na ponte Ataturk, que fica trocando de cor a cada minuto. Um carro de Fórmula 1 pendurado numa das paredes chama a atenção – lembrando que Istambul recebe uma das etapas do circuito. A noite começou com um jantar para os convidados que vieram de outros países e terminou numa tenda colorida montada bem na beira do rio, onde um DJ fez todo mundo dançar. Na noite seguinte, um barco nos levou para Suada Island, um clube flutuante. Todos de branco sob luz negra

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PRIMEIRA NOITE: O BADALADO RHEINA JUNTOU GENTE DE VÁRIAS PARTES DO MUNDO

TRÊS DIAS DE FESTA, SEMPRE COM UM ILUSTRE

CONVIDADO NOS FAZENDO COMPANHIA: O BÓSFORO 44

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ÚLTIMA NOITE: LUXO E SOFISTICAÇÃO NA MARGEM ASIÁTICA DO BÓSFORO

e dançando embaladíssimos, ainda mais com o Raki rolando solto. Raki é uma deliciosa bebida típica da Turquia, com 45% de graduação alcoólica, misturado com frutas. Mas na terceira noite é que aconteceu o casamento para valer. Segundo Okay, gerente gente boa do nosso hotel, a maneira mais fácil e rápida de chegar em Çubuklu é de barco. A cena foi engraçada: eu de blacktie e a Carol de longo, arrumadíssima, num barco de linha normal, pinga-pinga, que transportava as pessoas de volta de seu trabalho para casa. Parecia festa de filme de James Bond: os homens de black-tie; o time feminino de modelos impressionava pela beleza. Daniela Ciccarelli era uma das convidadas da noiva. Uma espécie de túnel de tendas brancas conduzia os convidados mais uma vez para a beira do Bósforo, só que agora na margem asiática. Enquanto um coquetel de boas-vindas acontecia, os convidados eram contemplados com um belíssimo pôr-do-sol. Um altar montado ao ar livre foi o cenário para a cerimônia oficial. Câmeras com gruas filmavam o casamento dos melhores ângulos. Após o “sim”, um barco ancorado no meio do Bósforo completou o alto-astral do momento com um espetáculo de fogos de artifício. E depois do jantar uma banda muito estilosa botou todo mundo

para dançar, com um repertório nota dez. Muita música oriental rolando; dançarinas profissionais davam um show com a dança do ventre. De repente, entra uma miniescola de samba, com mulatas e tudo o mais, para o delírio da galera local. Era divertido ver os brasileiros tentando imitar as dançarinas turcas e os turcos tentando sambar. A mordomia rolava solta: na saída do banheiro feminino, massagistas davam um trato na mulherada: elas se atiravam numa espreguiçadeira enquanto os pés eram massageados em cima de almofadas. Nada mal! Quando a música ao vivo terminou, todos foram para um tenda ao lado de música eletrônica, onde os mais embaladinhos ficaram até o amanhecer. Enfim, festa pra ficar marcada para sempre. Após nos recuperarmos da ressaca de três dias de festa seguidos, ainda fomos para Éfeso, ao sul de Istambul, que é um dos maiores sítios arqueológicos do mundo; e depois rumamos para a Capadócia, na Ásia, distante mil km em direção à fronteira com o Iraque, com suas estranhíssimas formações rochosas. Tem tanta coisa para contar de lá que rende outra matéria. Após duas semanas de viagem, hora de regressar para o Brasil, ficando o desejo, a certeza e uma boa desculpa para voltar para a Turquia: conhecer, ao sul, o litoral com suas belíssimas praias.

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Bom conselho P O R M A LU C O E L H O

REMÉDIOS NATURAIS

Muito tem se falado sobre a importância da água em nosso organismo. Embora não exista uma estatística comprobatória, é sabido que os brasileiros tomam pouca água. A indicação é de que se consuma 2 litros diários, entretanto, ingerimos em média apenas 1 litro. Diante de tantos benefícios e funções atribuídas à água, por que não ingerir mais desse precioso líquido? Para as pessoas que não gostam de água pura, vai a nossa sugestão: os sucos de frutas, além de hidratar o organismo, oferecem também um suporte importante de vitaminas e sais minerais. Os sucos podem, portanto, ser importantes aliados no seu dia-adia, para garantir mais disposição e saúde. ALGUNS SUCOS E SEUS BENEFÍCIOS: suco de maçã: poder antioxidante suco de uva: antioxidante e redutor de colesterol suco de melancia: ótimo diurético suco de mamão: propriedades digestivas suco de abacaxi: santo remédio para a má digestão suco de goiaba: desintoxica o organismo MISTURE AS FRUTAS E OBTENHA DELICIOSOS RESULTADOS! Pêra com abacaxi Maçã com abacaxi Açaí, banana e guaraná Banana, pêra e alface Abacaxi e menta Maçã e laranja E LEMBRE: Tome os sucos assim que ficarem prontos. Na preparação, use sempre água fervida ou mineral. Lave bem as frutas antes de utilizá-las, mesmo que retire as cascas. Se você introduzir sucos em sua alimentação estará contribuindo para sua saúde, energia, bem-estar e beleza. Eles podem nos proporcionar tudo isso e muito mais. NESTE VERÃO OFEREÇA LINDOS E SAUDÁVEIS SUCOS AOS SEUS AMIGOS.


Tradição


Una bella tradizione AS CORES SÃO VIBRANTES. AS COMIDAS, DELICIOSAS. O VINHO E A BOA MÚSICA ALEGRAM OS VISITANTES. MAS É O BADALAR CONSTANTE DOS SINOS DA IGREJA QUE CONTAGIA O BAIRRO DO BIXIGA DURANTE A FESTA EM HOMENAGEM A NOSSA SENHORA ACHIROPITA. TRAZIDA NA BAGAGEM DOS IMIGRANTES CALABRESES, NO FINAL DO SÉCULO XIX, ELA TORNOU-SE A PADROEIRA DA MAIOR FESTIVIDADE RELIGIOSA DE SÃO PAULO, REALIZADA HÁ 82 ANOS NO MÊS DE AGOSTO. AQUI, O MAIOR PECADO É NÃO FAZER PARTE DESTA CELEBRAÇÃO. P O R I R E N E S M A R C O N D E S F OTO S L E T Í C I A R E M I Ã O


Tradição

A LENDA ENVOLVENDO A SANTA ACHIROPITA FAZ PARTE DO REPERTÓRIO CULTURAL DO BIXIGA

Se o nome “Achiropita” lhe despertar curiosidade, pergunte a um morador do Bixiga sobre sua origem. Ele certamente lhe contará uma boa história, que vem passando há séculos de geração em geração. Reza a lenda que no ano de 580 um certo capitão Maurício enfrentou uma grande tempestade no mar. Gritou por socorro à Nossa Senhora e lhe prometeu que se a embarcação fosse salva iria construir um santuário em sua memória. A tormenta passou e os ventos o levaram até Rossano Cálabro, na Itália. O capitão cumpriu a promessa e iniciou as obras da igreja. Curiosamente, um artista plástico contratado para pintar a imagem no altar enfrentava um mistério: tudo o que ele esboçava durante o dia desaparecia à noite. Certa madrugada, uma gentil senhora com um bebê no colo pediu para entrar na igreja. O vigia deu permissão. Passaram-se longos minutos e a mulher não voltou. Para surpresa do vigia, a imagem do menino e da mulher estava estampada no lugar da pintura. Eufórico, saiu pelas ruas gritando “Nossa Senhora Achiropita” – que significa “não pintada por mãos humanas”. “É essa devoção Mariana que os imigrantes italianos trouxeram para cá e que nós cultivamos”, conta Mônica Conte Santos, relações-públicas da festa. No Brasil, a celebração começou por volta de 1926, quando a comunidade italiana do Bixiga demonstrou o desejo de construir uma igreja para a Santa. Na época, as mulheres assavam cabritos e leitões que depois eram leiloados pelos seus maridos com o objetivo de angariar fundos. Hoje, nesta 82ª edição, com a igreja consolidada há décadas, o mesmo espírito solidário permanece intocado. Todo o dinheiro arrecadado com a festa mantém e expande obras sociais que atendem centenas de pessoas.


Tradição

OS SEGREDOS DA FOGAZZA SÃO CONSIDERADOS PATRIMÔNIO DA FESTA E NÃO PODEM SER REVELADOS


A história da Nossa Senhora da Calábria todo mundo conta. Já a receita da Fogazza – o prato mais consumido da festa – ninguém revela. Até porque o segredo está protegido há 30 anos pela família da mama Aida e seu marido, Otávio Pugliese. No entanto, fica difícil imaginar como eles conseguem manter o sigilo diante de uma produção que gira em torno das 15 mil Fogazzas por noite, ou seja, 1.600 kg de farinha por vez. A coordenadora da parte interna da festa, Maria Emília Conte Moitinho, esclarece: na realidade, um grupo de sete pessoas detém a receita. “O preparo da massa começa desde cedo, diariamente, e é nela que está o segredinho”, revela. Quem permanece no comando é o próprio Sr. Otávio, que aos 82 anos continua literalmente colocando a mão na massa. Mas entre “os eleitos” já foram escalados alguns jovens que aprendem as artimanhas do prato italiano para garantir sua longevidade. Só depois de pronta é que a mistura é levada ao time de voluntárias que a recheia com tomate e queijo mussarela. “Mesmo em um final de semana com chuva vendemos mais de 10 mil Fogazzas. Era incrível ver as pessoas com seus guarda-chuvas abertos aguardando a vez na fila”, descreve Maria Emília. Ao lado do primo piatto brilham também outra delícias tipicamente italianas, como Fricazzas (veja receita ao lado), Polentas, Antepastis, Peperoni, Melanzanas ao forno, Macarrão, Pizzas e Calabresas. E ao que parece os 200 mil visitantes continuam aprovando o cardápio. Cerca de 11 mil quilos de macarrão e 15 mil quilos de mussarela, de lingüiça e de carne foram consumidos, ao lado de 10 mil litros de vinho.

RECEITA FRICAZZA POR SUELI E JOSÉ LUIZ GALLÃO, VOLUNTÁRIOS HÁ 30 ANOS DA FESTA N. S. ACHIROPITA

MASSA 1 KG DE FARINHA DE TRIGO; 1/2 KG DE BATATAS COZIDAS E AMASSADAS; 1 COLHER DE SAL; 1 COLHER DE SOBREMESA DE AÇÚCAR; 150 G DE FERMENTO PARA PÃO; 4 COLHERES (SOPA) DE MARGARINA MOLHO ½ KG DE TOMATES; SAL; ORÉGANO, CEBOLA E ALHO A GOSTO COBERTURA MUSSARELA Modo de fazer: Misture muito bem a farinha, as batatas, o sal, o açúcar, a margarina e o fermento. Acrescente água até obter uma consistência mole. Deixe descansar por mais ou menos 1 hora. Unte a fôrma (alta, de 20 cm) com bastante óleo. Despeje uma camada de 1 a 2 cm da massa, na fôrma. Deixe descansar por mais meia hora. Pré-asse a massa em 250ºC por cerca de 20 minutos. Quando começar a corar, retire e deixe esfriar. Por último, cubra a massa com o molho de tomate e mussarela e deixe gratinar por cerca de 15 minutos. Você pode variar as coberturas colocando calabresa, aliche ou outros tipos de queijo.


Tradição


OS VOLUNTÁRIOS RESGATAM O ESPÍRITO SOLIDÁRIO DE SEUS ANTEPASSADOS E GARANTEM A CONTINUIDADE DAS OBRAS ASSISTENCIAIS DA IGREJA Durante os cinco finais de semana da festa mais de 900 voluntários envolvem-se diretamente com o evento. Só na linha de montagem das Fogazzas enfileiram-se 130 mamas, acostumadas a rechear a massa mais cobiçada. Nas 30 barracas montadas na rua, outro importante time de voluntários entra em ação. O desafio é grande: atender o público, que supera as 200 mil pessoas. “Coordenar a banca da Fogazza exige uma doação enorme de tempo, esforço e dedicação. Mas é com muito amor que me envolvo com a festividade, com o objetivo maior de expandir as obras sociais da paróquia”, conta Márcia Kury Guerra, que há 21 anos trabalha na organização. “Ali eu encontro minha segunda família”, enfatiza. Tanto esforço gera ações surpreendentes. Diariamente, 450 crianças e adolescentes entre 6 e 15 anos de idade recebem assistência. Uma creche recém-montada apóia outras 194 crianças de 0 a 6 anos. Sem falar nos mais de 200 homens e mulheres de rua e 170 pessoas de terceira idade que redescobrem os direitos básicos de cidadania. Sem dúvida, a Nossa Senhora da Achiropita é padroeira de uma festa que sensibiliza todos pela grandiosidade da sua solidariedade, sem perder de vista a alegria tipicamente italiana.

EM 2009 SIGA O CALENDÁRIO DE FESTAS ITALIANAS, EM SÃO PAULO • MAIO • NOSSA SENHORA CASALUCE

A FESTA MOVIMENTA AS RUAS EM TORNO DA PARÓQUIA DE NOSSA SENHORA CASALUCE, NO BRÁS, DURANTE OS FINAIS DE SEMANA DO MÊS DE MAIO. A DEVOÇÃO À SANTA COMEÇOU COM A CHEGADA DOS NAPOLITANOS QUE SE INSTALARAM NO ENTORNO DA RUA CAETANO PINTO.

• JUNHO • SÃO VITO MÁRTIR A FESTA DE SÃO VITO MÁRTIR É CONSIDERADA UMA DAS MAIS TRADICIONAIS DA CIDADE. DURANTE SEIS FINAIS DE SEMANA O PÚBLICO PODE PROVAR AS COMIDAS TÍPICAS ITALIANAS NAS BARRACAS QUE SE CONCENTRAM DA RUA POLIGNANO À MARÉ, TAMBÉM NO BRÁS.

• AGOSTO • NOSSA SENHORA DA ACHIROPITA

O MAIOR EVENTO DO CALENDÁRIO DE FESTAS ITALIANAS RECEBE CERCA DE 200 MIL PESSOAS A CADA ANO, NO BIXIGA. OS ORGANIZADORES JÁ PREPARAM A 83 a EDIÇÃO, QUE ACONTECERÁ EM AGOSTO DE 2009.

• SETEMBRO • SAN GENNARO MÁRTIR

APESAR DE SER CONHECIDA COMO SÃO JANUÁRIO PELA MAIORIA DOS BRASILEIROS, SAN GENNARO AINDA É O NOME USADO PELOS MORADORES DA MOOCA, NA ZONA LESTE DE SÃO PAULO, LOCAL ONDE ACONTECE A FESTIVIDADE, EM SETEMBRO.


O sabor e o saber F e r n a n d O

lO k s c h i n

Banana, a mais erOtizada Um dos alimentos a iniciar o desmame, a banana amassada é aceita sem qualquer aprendizado pelo recém- nascido. E o adulto pode cantar “não sou macaco, mas eu gosto de bananas”, porém é na sua identidade genética com os primatas que a atração pela banana se enraíza: 98% de cromossomas em comum. Todos temos uma queda por bananas, elo de união entre homens e macacos. Aliás, bananas e macacos compartilham o mesmo hábitat preferencial: matas tropicais úmidas. Se o macaco é darwiniano, o criacionista exibe a banana como exemplo de um plano e propósito superior na natureza. A banana parece feita sob medida para ser comida: vem acondicionada em cachos, cada fruto separado e protegido dos outros, a penca subdividida na conveniência de uso, transporte ou armazenamento. A casca é uma embalagem fácil de remover, possui linhas de separação e cabo de união final para manuseio e descarte. A forma ajusta-se à boca e a textura homogênea é agradável ao palato. A cor sinaliza o momento ideal de consumo, pois a casca amadurece junto com a polpa: é verde se a fruta está verde, amarela quando madura e preta quando passada. A ausência de caldo, gomos e sementes permite uma mordida descuidada; comer banana não dá trabalho, só prazer – e nutrição: rica em calorias, potássio e vitamina C, a banana é a fruta mais consumida no mundo, não é rival de laranjas ou maçãs, mas do trigo, arroz e milho. Antes se comia o rizoma subterrâneo, o pequeno fruto era só pectina, casca e sementes. A banana foi a primeira fruta desenvolvida pelo homem, resultado da cruza de variedades não comestíveis. Já se plantavam bananeiras há 10 mil anos nas florestas tropicais asiáticas, onde ainda se encontram espécimes selvagens. O expansionismo islâmico levou a planta ao Oriente Médio. Espalhada pela África por mercadores de escravos e caçadores de marfim, tornou-se um dos sustentos do povo. Musa, palavra árabe para ‘dedo’, foi o nome inicial da fruta, e banan, o termo para ‘mão’, deu origem ao banto banana que antes descrevia todo o cacho. Em 1483 os portugueses encontraram a fruta – e o nome, banana – na costa oriental da África e a plantaram nas Canárias. O frei Tomás de Berlanga, o descobridor de Galápagos,

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foi o introdutor da banana de sobremesa na América (1516); com um único broto transformou o pátio de seu mosteiro no Haiti em um bananal para nutrir escravos. Nomeado bispo do Panamá, o frade carregou a banana para o continente. A primeira referência à banana é o poema budista de Pali. Manuscritos chineses do séc. II a.c. trazem descrições do cultivo, e a iconografia antiga mostra Buda junto a folhas de bananeira, um símbolo de impermanência e fragilidade. O Maharabata e o Ramanaya mencionam a banana e, em 327 a.c., Alexandre Magno se deparou com a fruta nos vales indianos. Contemporâneo de Jesus, Plínio conta que os sábios hindus repousavam à sombra de bananeiras, daí o nome botânico de musa sapientiun, ‘banana dos sábios’ e, como a tradição islâmica vê na banana o fruto proibido, musa paradisiaca, ‘banana do paraíso’. Nas zonas de origem, reinos do arroz, a banana nunca ganhou a importância da África e Caribe. As áreas africanas mais populosas são as que têm mais bananeiras: quanto mais bananas, mais bocas. Em zonas da Uganda o consumo diário per capita chega a 5 dúzias e na língua local matooke é tanto ‘banana’ como ‘comida’. A banana não dá em árvore. Prima do gengibre e do cardamono, a bananeira é uma herbácea gigante, a mais alta planta sem tronco lenhoso. O pseudocaule se eleva numa sucessão de bainhas de folhas enroladas. As folhas são longas para captar luz e água e as bordas ficam franjeadas para resistir ao vento. Que frutifique em qualquer das estações do ano é um dos fundamentos da sua importância alimentar. ‘Bananeira que já deu cacho’, se diz da pessoa que já não é útil. A planta produz uma única vez e logo morre. A propagação dá-se por brotos subterrâneos laterais e o fruto se desenvolve das florescências femininas ou hermafroditas – nunca masculinas, apesar da forma fálica. Cada banana desenha um sorriso, a simpática curvatura resulta da força de crescimento voltada para cima e a atração da gravidade, para baixo. O cacho dá entre 100 e 400 frutos, pode pesar tanto quanto um homem e proporcionar 60 mil calorias, a maior quantidade de energia por área de solo encontrada na


das Frutas natureza. As bananeiras teriam sido cultivadas primeiro por outras utilidades, só depois pelos frutos. A seiva tem uso medicinal e as folhas são envoltório de cozimento, prato descartável, revestimento, telhado e guarda-chuva; suas fibras secas se prestam a tecelagem e, por resistir à água salgada, são usadas em balsas, cordas, redes e linhas de pesca. Folhas frescas e frutas danificadas alimentam o gado. Os filipinos comem o caule como legume e a flor do cacho como verdura. A cerveja de banana dá nutrição e recreação aos africanos. A casca escurecida, rica em tanino, faz o curtimento do couro. O psicodelismo dos anos 60 adotou a casca da banana como alucinógeno. Embora a planta concentre aldeídos psicoativos na casca, defesa contra predadores, a quantidade é mínima e o efeito de fumar casca de banana é dado pela sugestão. Cultivadas em 130 países, somente 10% da produção é exportada, todo o resto serve à nutrição local. ‘Dar como banana’, diz o provérbio. O Brasil só perde para Índia como o maior produtor. “Pacoba e uma fruta natural d’esta terra a qual se da em uma arvor muito molle e facil de cortar”, registrou o Tratado Descriptivo do Brasil em 1587. Os portugueses encontraram os tupinambás assando e comendo pacova (tupi pakova), que chamaram de banana pão ou da terra em contraposição à de São Tomé que traziam da África e era comida crua. Encontrada em todo o hemisfério sul, a pacova ou teve uma biografia paralela à da banana asiática ou fez uma migração pré-histórica pelo Pacífico – não faltando a tese de abdução por disco-voador. A banana aqui se aclimatou tão bem e tão cedo que virou praga para a flora nativa. As importações mais incorporadas pelos índios foram cães e bananas, suas ausências sinalizam total isolamento. Luccock, viajando pelo Rio Grande do Sul em 1808, observou que o povo evitava cortar transversalmente a banana pela imagem de cruz que aparecia, e Cascudo descreveu as belas crenças que no brotar do cacho, a bananeira “geme tal mulher em trabalho de parto” e a bananeira que não frutifica deve ser estimulada por um longo abraço apertado. “Uma fruta saudável como pão e suculenta como

Banana em Purê amasse 4 Bananas, adiciOne Pimenta, PingO de mel, gOta de VinhO dO POrtO e dOure na manteiga. acOmPanha O Pernil assadO.

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O sabor e o saber F e r n a n d O lO k s c h i n

nata...” – em 1872, quando publicou a Volta ao Mundo em 80 Dias, Julio Verne precisou descrever a banana, uma total desconhecida de seus leitores. A fruta foi uma importação tardia da Europa e América do Norte – sem frutificar em clima temperado nem resistir sem amadurecer à temperatura ambiente, a banana teve de esperar pelos trens e navios climatizados. Os norte-americanos foram apresentados à fruta! nas festas do Centenário da Independência em 1876 e os franceses em 1903, quando o cargueiro Venus aportou em Marselha vindo do Equador. A banana logo se tornou a estrela da belle époque. Picasso e Dalí ofereciam bananas em suas vernissages, Josephine Baker causava furor se apresentando com uma minitanga de bananas. Carmem Miranda tornou-se a maior estrela internacional dos anos 40 exibindo extravagantes chapéus tutti-frutti, cantando ‘bananas is my business’ e atuando em ‘Banana de Terra’. A fruta virou tema picante. Seja ‘Quero colocar minha banana na tua fruteira’, ‘Por favor, não amassa minha banana’, ‘Minha esposa fugiu com uma banana’, seja na insinuação de ‘banana, menina, contém vitamina, banana engorda e faz crescer’ ou na vulgaridade de “quando descasco a banana, ficas tão tontinha que tua cauda abana” do grupo bem denominado de João Penca e seus miquinhos amestrados. O ‘Yes nós temos bananas’, foi a resposta nacional ao Yes we have no bananas música que virou filme e símbolo do comércio inglês na II Guerra: qualquer produto que faltasse era anunciado pela tabuleta, ‘Yes we have no bananas’. ‘Chiquita banana lá da Martinica/ se veste com a casca de uma banana nanica/... existencialista com toda razão/ só faz o que manda seu coração.’ Curiosamente a marchinha alusiva ao franco-existencialismo de Sartre, que recém visitara o Rio de Janeiro, acabou traduzindo o trópico-sensualismo nacional, inspiração da canção/definição do movimento tropicalista: ‘tropicália, bananas ao vento’. A ‘República de Bananas’ surgiu num livro de contos de O’Henry escrito em Honduras, grande exportadora de bananas. Passou aos países da América Central e Caribe comandados por generais e caudilhos, conciliando interesses da United Fruit e Standart Fruit e próprios. Woody Allen popularizou o termo e estereótipo no filme Bananas (1971) e Banana Republic acabou rede de lojas de roupas para viagem e safári. Na cena culminante de ‘O Circo’ (1928), Carlito escorrega numa casca de banana pendurada na corda bamba onde

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tenta se equilibrar. O cair por pisar na casca de banana goza um destaque cultural desproporcional à chance de ocorrência. As cascas expostas ao sol logo deixam de ser escorregadiças, e quando as bananas tornaram-se abundantes, o destino do lixo já era mais organizado. Mesmo que barro e dejetos de cães ofereçam riscos maiores, há desde epitáfios até uma infinidade de filmes e músicas alusivas à situação: ‘Foi numa casca de banana que pisei, pisei / escorreguei quase caí / mas a turma lá de trás gritou / tem nêgo bêbo aí.’ Com o abacaxi é aceitável, mas que a banana não tenha vida sexual é uma ironia. Sem pólen ou sementes, a mais erotizada das frutas é virgem e estéril, reproduz-se por partenogênese. Cada banana é um clone, sósia replicante das outras. A falta de cruzamento genético a deixa vulnerável e exige um cultivo saturado de defensivos agrícolas. Recebe até 50 banhos de pesticidas, dez vezes mais que a média ‘moderna’ agroquímica. Os cachos são armazenadas em depósitos rarefeitos e refrigerados e a maturação é induzida por gás etileno, hormônio vegetal. O amadurecimento natural – sempre fora do pé – num ambiente de calor e sombra confere mais sabor e aroma. A banana tornou-se a mais popular das frutas, palavra tão universal como taxi, hotel e coca-cola. Basho significa ‘bananeira’ em japonês; o mestre do hai-kai assumiu o pseudônimo (séc. XVII) pela imagem da planta, tanto frondosa como frágil. Se na China banana é o oriental ocidentalizado, amarelo por fora, branco por dentro, no Brasil é o indolente, um mole. Ganhar uma banana é muito, preço de banana é pouco. Plantar bananeira é apoiar-se nos braços de cabeça para baixo, as pernas movimentando-se tais as folhas da planta. Presença pequena no orçamento e grande na dieta, a banana integra todas as cozinhas regionais: balas, bolos, pudins, tortas, cucas, farofas, virados, assados, feijoadas e barreados. O tijolinho de banana – mariola – já era um doce tradicional em tempos coloniais. A banana é a fruta mais naturalizada brasileira. Yes, nós temos bananas e este texto amassado, gordo e crescido, de escorregar quase cair, que faz gemer que nem mulher em trabalho de parto. Se não frutifica, faltou o abraço apertado. Tem nêgo bêbo aí. FernandO lOkschin é médicO e gOurmet fernando@vanet.com.br


Grandes Chefs


Francis

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ELE SE AUTODENOMINA COZINHEIRO. E NÃO PENSE QUE É POR HUMILDADE. É POR PURO ESTILO. FRANCIS É UM STAR DA GASTRONOMIA. ASSINA OS JANTARES DA CASA ROSADA, EM BUENOS AIRES. COZINHA PARA OS GRANDES NOMES DO CENÁRIO MUNDIAL, PRÍNCIPES, REIS, PRESIDENTES CONVIDADOS DA CORTE DOS KIRCHNER. ELE REALMENTE É O MAGO DOS SABORES E DO FOGO ALTO – SUA MARCA REGISTRADA. SUA ESCOLA FOI A NOUVELLE CUISINE FRANCESA NOS TEMPOS EM QUE VIVEU EM PARIS. GANHOU PERSONALIDADE QUANDO POSICIONOU SEU ESTILO EM UMA COZINHA RÚSTICA E INSPIRADA NO NORTE DA ARGENTINA, NA CULTURA INCA.


Grandes Chefs Atrás de si tem uma longa carreira em que abriu e fechou diversos restaurantes pelo mundo afora. A vida é dinâmica, ele diria. Morou em São Paulo na época em que fez o cardápio do Figueira Rubaiyat. Depois foi para Nova York, onde teve por anos seu restaurante Patagonia West. Voltou à Argentina e foi morar na parte de cima do Patagonia Sur, onde até hoje tem as portas abertas. Há vezes em que está em Mendoza, no seu mais lindo endereço gastronômico; o Restaurant 1884, e outras em Garzon, no Uruguai, onde tem um hotel-restaurante. Não fica muito tempo em parte alguma. É viajante por natureza. Conta que o lugar que mais o fascina na vida é sua casa numa ilha da Patagônia, de onde se pode ver de perto a Cordilheira dos Andes. Francis volta à TV. Seu novo programa se chama Los Fuegos de Francis Mallmann e é exibido no canal Gourmet, que não passa no Brasil, e poderá ser visto em algum país latino-americano. Nos episódios, el chef não olha para câmera,

cozinha contando histórias. Os episódios valorizam os cenários, têm uma boa trilha sonora e estão muito parecidos com o ar criativo com que se aventura na costura, na escrita de contos e até a tocar violão. Quem o conhece sabe o quanto ele é reservado. Tem uma boa equipe a seu redor. Passou da fase – ou talvez nunca tenha entrado – em que tenha que ser simpático e dado a muitos sorrisos. No seu restaurante Patagonia Sur em casos especiais, pode até ir a uma mesa, cumprimentar, conversar dois minutinhos e basta. Festivais ou Ciclos de gastronomia, a mesma coisa. Não espere encontrar um chef falante. Francis mais olha do que fala. Seus pratos são precisos. Sabores marcantes e fortes. Gosta de cozinhar carnes como o cordeiro. Faz sobremesas divinas: quem come seu Napoleon de chocolate e doce de leite escolhe a gula como seu pecado capital predileto. E mesmo uma singela salada deixa a todos com ��gua na boca. Com vocês: Francis, Francis Mallmann.

Salada de Verduras Assadas e Queijo de Cabra com Vinagrete de Azeitonas Negras 2 BERINJELAS / 2 CEBOLAS BRANCAS 2 PIMENTÕES VERMELHOS 200 G DE QUEIJO DE CABRA 1 RAMO BEM FARTO DE RÚCULA VINAGRETE 100 G DE ALCAPARRAS 200 G DE AZEITONAS NEGRAS AZEITE DE OLIVA SUCO E RASPAS DE UM LIMÃO SAL E PIMENTA MOIDA A GOSTO

Modo de fazer: Coloque as verduras no papel-alumínio, feche bem e leve ao forno em temperatura média até que estejam moles. Retire e deixe esfriar para poder tirar a casca. Corte as cebolas, as berinjelas e os pimentões em duas ou quatro partes (formato de tiras largas) e leve à panela para tostar. Lave as alcaparras e coloque em uma vasilha. Corte as azeitonas negras e misture com as alcaparras, agregue a raspas do limão e o suco, sal, pimenta moída. Lave a rúcula e reserve. Esquente a panela de ferro ou teflon, bem quente. Corte o queijo de cabra semiduro em fatias de 3 cm e doure na panela quente, somente de um lado, por 3 minutos, até que fique bem dourado e crocante. Sirva a salada colocando a rúcula por baixo, depois as verduras, o queijo de cabra tostado e, por último, o vinagrete de azeitonas negras. Rendimento: porção para 4 pessoas.


Gusto

C A RLA P E RNA M B U C O

w w w. c a r l o t a . c o m . b r

Atenção, senhores passageiros com destino a Lima: afivelem os cintos e boa viagem. E nosso avião decola na direção do Peru, cortando os ares paulistanos. Quem embarca comigo? Os chefs Carolina Brandão e Carlos Siffert. Juntos, pesquisaremos a cozinha local (que me chama a atenção há algum tempo) e apresentaremos um worshop. Depois tentaremos conhecer aspectos que valorizem as culturas vizinhas e, certamente, faremos novos amigos. Já ia me esquecendo de outro detalhe: aproveitei para pesquisar alguns tópicos para o meu próximo livro, Olhos Puxados, sobre cozinhas orientais, pois o Peru tem conexões inesperadas com países asiáticos.

AJI

Como seriam os peruanos sem o ají? Essas pequenas e marcantes pimentas estão presentes em receitas tradicionais ou inovadoras. O ají pode ser amarelo, púrpura, laranja, vermelho, verde ou violeta. Picantes, sim. Nutritivas também. Contêm quantidades inacreditáveis de vitaminas A, B, C, mais potássio, riboflavina, magnésio e niacina. O ají é um condimento que acelera o metabolismo e seu uso ancestral nos leva a ritos incaicos de ordem espiritual. Precisa falar mais? Salve o ají.

O CHEF TOSHIRO KONISHI

Andava de olho atento ao seu trabalho e acompanhei suas vindas profissionais ao Brasil. Nascido no Japão, ele inventou a chamada cozinha “criolla-japonesa”. Seu restaurante em Lima é ponto obrigatório para quem aprecia novas propostas em gastronomia e fusões de alimentos. Foi o conceituado Nobu Matsuhisa que o incentivou a procurar a essência da comida nipônica, permitindo assim que esse domínio o levasse a experimentações de ingredientes e combinações de técnicas. No restaurante em Lima os destaques continuam sendo os sushis e sashimis, mas sempre existem surpresas no cardápio, principalmente depois que ele decidiu valorizar o ceviche peruano e a introduzir toques de frutas locais nos pratos. Hoje a nova gastronomia peruana é classificada de acordo com as influências dos imigrantes. A dos japoneses é conhecida como culinária nikkey e começou no final dos anos 60, quando um grupo de cozinheiros mestiços inventou o tiradito, uma mix de sashimi com ceviche, com robalo, atum ou linguado (sempre crus), mais molho de limão, coentro e aji (pimentas peruanas). Coisas que Toshiro, um mestre de olhos puxados, faz como poucos.

BATATAS

O planeta inteiro não viveria sem a batata, tubérculo da família das solanáceas que domina as cozinhas ocidentais há cinco séculos, e as asiáticas há uns 300 anos. E adivinhem de onde veio a batata? Do Peru, claro. Nas regiões andinas se encontra mais de 230 tipos de batatas, ainda chamadas de “papas” — termo quíchua. Estudos arqueológicos apontam que a batata teve seu cultivo nos sul peruano há sete mil anos, já destinada à alimentação humana. Viajar até Lima, especialmente para quem cozinha profissionalmente, serve como aprendizado raro, tal a quantidade e a inventividade de receitas à base de batatas, de todas as formas, tamanhos e colores. Aliás, estávamos no meio dessas descobertas quando soubemos por um jornal que 2008 é o Ano Internacional da Batata. Então nada melhor do que investir no sabor de batatas como a Camote (de interior alaranjado), a Yuca (agora encontrada nos mercados brasileiros), a Olluco (de casca vermelha e com tamanho reduzido), Perricholli (casca marrom e interior bem claro) e a Huayro (formato oval e tom amarelo-claro por dentro).


A N DA N Ç A S P E LO P E R U

Olha a pista e lá vamos aterrizar. A chegada a Lima confirma que se trata de uma metrópole expandida, movimentada, ruidosa. Com 8.5 milhões de habitantes, é o centro econômico e político do país. Esparrama-se pela faixa litorânea do Oceano Pacífico, num mosaico de 43 distritos. São visíveis os contrastes entre mundo globalizado e tradições andinas, formando aspectos que conferem um curioso panorama urbano. Shoppings modernos, anúncios de marcas internacionais, lojas de conveniência, comércios nas ruas, pessoas com traços indígenas e trânsito nas avenidas.

PISCO!

Lima não é um nome dado pelos conquistadores espanhóis. A palavra é da etnia aymara, encontrada também na Bolívia e norte do Chile. A denominação da capital, em 1535, ainda no tempo do chefe Taulischusco, vem de lima-limac e significava flor amarela. Dos espanhóis, Lima manteve seu conjunto colonial de casarões, calçamento de pedras, igrejas, conventos e prédios públicos. O centro histórico é Patrimônio Cultural da Humanidade e demarca a importância da região.

Considero a famosa aguardente produzida no Peru e no Chile entre as bebidas sublimes do mundo. O pisco, cujo nome vem do povo que habitava o Vale do Ica, tem sua destilação baseada no mosto de dois tipos de uvas. Não é uma bebida inocente, como muitos pensam. A elevada gradação alcoólica e o teor de açúcar são capazes de fazer os mais fracos subirem nas paredes em questões de minutos. Os peruanos fabricam o pisco não-aromático a partir de uvas denominadas amollar, uvina, quebranta, uvina. Já os produtos acholados, levam moscatel, Itália, albilla e torontel, acrescidas da mistura “acholada”, de diversas uvas. O pisco puro vem da uva quebranta. O pisco mosto verde não é fermentado completamente, sendo o mais caro deles. Detalhe: os chilenos disputam o pisco como nome exclusivo para os seus produtos. A discussão vai longe, porque os peruanos não desistem facilmente. Sem contar que é uma bebida preparada a 300 quilômetros de Lima desde a época dos espanhóis. As melhores aguardentes são depuradas em grandes pisqueras de cerâmica. Ter uma dessas é meu atual sonho de consumo.

MARISA GUILFO

Amiga querida e grande chef limenha, dedicou a vida a cozinhar. Essa paixão se estendeu a três de seus quatro filhos, que hoje também estão na área gastronômica. Sua base está no restaurante La Bombonière, no bairro de San Isidro. Irrequieta, Marisa também é empresária bem-sucedida, proprietária de um catering (que cuida até de alguns banquetes oficiais), além de outros dois renomados estabelecimentos, Ambrosia (o top local em cozinha francesa) e Bistro de Mes Fils, mais o Inca Grill, em Cuzco.

Importante ressaltar outro objetivo da viagem: conhecer melhor a culinária criolla, surgida da conexão no Peru de caçarolas entre africanos, povos andinos, ilhéus do Pacífico e espanhóis, em pratos que misturam tubérculos, cereais, crustáceos, carnes, ovos, vegetais, frutos, leite, queijos e molhos à base do aji. Da mesa criolla desponta a cozinha novoandina. Enfim, haveria ainda dezenas de aspectos para ressaltar na cidade, desde o clima quase sem chuva à elegante costa marítima; dos mais de 50 museus aos mercados populares. Mas escolhi sete temas que para mim foram determinantes em Lima.

MUSEO LARCO

Depois de tanta comida e muitas descobertas, decidimos visitar um local que “alimentasse” o espírito, mais precisamente a libido: a renomada (e renovada) instituição museológica fundada em Lima por Don Rafael Larco Hoyle há mais de 40 anos. O museu mantém um acervo impressionante de peças arqueológicas dos povos andinos peruanos. As pesquisas trazem um foco especial: a arte erótica e as representações sexuais pré-colombianas no Peru. Cerâmi-

MILHO

Se a batata reina, o milho é onipresente no Peru. Os peruanos dizem que veio de lá. Os centro-americanos puxam a brasa para sua espiga e garantem que esse nutritivo cereal (que contém todos os aminoácidos conhecidos) surgiu mais para cima do mapa. Polêmicas à parte, Lima é um laboratório de sabores quando se trata de milhos. Enquanto o Brasil destina apenas 5% de sua produção para o consumo humano, o Peru repassa metade de sua produção para as panelas. Os choclos surgem em


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Patag么nia sem limites T E X T O S

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A ADRENALINA E A INTEGRAÇÃO COM A NATUREZA PATAGÔNICA MARCAM OS DIAS NO NOMADS

Navegar pela Patagônia é uma experiência única. Mas desbravar a Patagônia com o cruzeiro Nomads of the Seas é uma aventura sem limites. O Nomads percorre os rios e fiordes da península de Taitao, no norte da Patagônia Chilena, levando no máximo 28 passageiros. E com 32 tripulantes! Já deu para sentir a exclusividade? Se o viajante não saísse da embarcação e ficasse apenas a admirar as montanhas com picos nevados, a vegetação densa das ilhas que se formam pelo caminho e os golfinhos a dar saltos, já faria um passeio espetacular. Mas saiba que nesta expedição uma série de “brinquedinhos” acoplados à embarcação principal faz os dias passarem com muita mais adrenalina e, é claro, muito requinte. A lista inclui um helicóptero Bell 407, jetboats para navegação em rios rasos, botes hurricane para qualquer condição climática e marítima, caiaques e botes para rafting. Nesta expedição, não há recanto em que o viajante não possa chegar por dificuldades geográficas, afinal, o lema do Nomads é desbravar a Patagônia por terra, água e ar.


Ancorando na Patagônia A embarcação de 150 pés que realiza o cruzeiro foi batizada com o nome de Atmosphere e opera de outubro a abril, quando é verão na Patagônia. Ela parte de Puerto Montt, que fica a uma hora de avião de Santiago do Chile (vôo rápido que pode ter alguma turbulência dependendo do vento, bastante forte por estes lados). O barco faz um bate e volta em Puerto Escondido, com estratégicas paradas pelo caminho. São sete dias a bordo e você pode escolher entre dois programas: Wildlife Adventures (Ecoturismo) ou Fly-Fishing (pesca desportiva). O trajeto de 389 milhas náuticas (750 quilômetros) passa pelo Estreito de Auchemó, Cahuelmó e pela baía de Cochamó, com o capitão José Luis Biotti Martinez no comando. Antes mesmo de embarcar você já entra no clima. Ao deixar o aeroporto rumo ao porto a paisagem patagônica se mostra no horizonte largo: árvores retorcidas pelo vento e cor intensa. O Nomads tem uma sala de embarque com open bar, buffet com pães, salmão, frios e caldos e um staff superatencioso. Você escolhe um sofá para relaxar e come-

ça a conhecer seus companheiros de viagem. Lá pelas tantas iniciam as instruções de segurança. No telão aparece a imagem do criador do Nomads, o chileno Andrés Ergas, contando como serão os dias que teremos pela frente. No final de tarde todos são convidados a entrar no Atmosphere. A tripulação fica perfilada para receber os passageiros. Uma informação fundamental: você deve tirar os sapatos ao entrar, regrinha que será mantida por todos os dias de permanência no Atmosphere. Então, se você pensou que poderia desfilar trajes elegantes dentro do barco, enganou-se. O cruzeiro é no estilo esporte e descontraído. Nada de jantar de gala ou algo do gênero. A palavra que rege os dias é aventura. Uma vez a bordo, os passageiros são levados a um reconhecimento de campo. No quinto andar, na cobertura, estão as 5 jacuzzis aquecidas a 37 graus com água do mar, próprias para tratamentos de talassoterapia. Ao lado, uma sauna com vista para a paisagem. Sugestão: vá para jacuzzi levando um copo de pisco sauer (bebida chilena à base de


Aventura Aventura


O LEMA DO NOMADS OF THE SEAS É DESBRAVAR A PATAGÔNIA POR ÁGUA, TERRA E AR! pisco, açúcar e limão) ou um cálice de vinho. Você vai se sentir um privilegiado, sem dúvida. Um andar abaixo está a ponte de comando, que pode ser visitada pelos passageiros, e o heliponto. Restaurante, bar e sala de estar ficam no terceiro. No segundo estão as cabines dos passageiros. No primeiro andar mora a tripulação. Importante: você vai precisar de roupas adequadas. Leve uma bota amaciada para agüentar bem o trekking, casacos e calças que sejam impermeáveis – nunca se sabe quando pode chover – corta-vento e com polar, de forma a isolar o frio. Acrescente na mala um par de luvas, um gorro e cachecol, por precaução. Mesmo sendo verão na Patagônia, vale se prevenir. Existe grande possibilidade da temperatura chegar aos 20, mas é preciso estar preparado para dias de chuva e vento, quando o termômetro cai para 4 graus. O corpo vai estar sempre em movimento, o que ajuda a esquentar. A programação inclui uma mescla de trekkings, passeios de caiaque, raftings, cavalgadas e passeios em lanchas. É bom que exista alguma disposição para fazer exercício e uma pitada de aventura no sangue. A programação não é radical, mas tampouco adequa-

da para quem não gosta de atividades ao ar livre. Na direção do vento Acorda-se cedo por aquelas bandas. Sete e trinta o helicóptero levanta vôo com o grupo de Fly-Fishing. Depois vem a turma do Ecoturismo, que foi a minha opção nesta viagem. O roteiro é definido conforme a direção do vento. O plano original era levar o grupo de Ecoturismo para o alto, numa caminhada pelos glaciares. O Bell nos deixou ao pé da montanha, caminhamos um pedaço, mas metade do grupo desistiu e resolveu voltar, devido à subida íngreme. Aqueles que eram mais simpáticos aos exercícios puxados foram vencidos pelas nuvens baixas, que em poucos minutos tomaram conta do cenário. Pena, pois este é um dos passeios mais bonitos do Ecoturismo. Ficou o gostinho de quero mais. A tarde foi reservada para uma visita à colônia de lobos marinhos, na baía de Tic-Toc. Acomodados no bote Zodiac Hurricane, todos bem encasacados, fomos fotografar os moradores destas bandas. Pelo caminho se pode avistar baleias e golfinhos, do final de dezembro até março é possível en-


Aventura

NO BARCO, CONFORTO, BOM-GOSTO, REQUINTE, GASTRONOMIA E UM TRATAMENTO SUPER VIP contrar a baleia azul pigméia e a jorobaba. As orcas são mais difíceis. Os golfinhos austrais, chilenos e nariz-de-garrafa são presenças cativas e avistados 99% das vezes. Caía uma chuva fina e estava frio, voltar para embarcação quentinha foi uma boa idéia. O almoço pareceu ainda mais apetitoso. Quem comanda a cozinha é o chef Guillermo Rodríguez. Sua especialidade é recriar a cozinha chilena. No cardápio, peixes como mero, salmão e merluza austral, além de frutos do mar: loco, caranguejo gigante e eriço. Cordeiro e aves de caça também estão na lista. Os melhores rótulos das vinícolas Casa Lapostolle, Montes e Concha y Toro, inclusive o espetacular Alma Viva, fazem parte da carta. Os almoços e jantares são servidos à francesa. As concierges Carolina e Perla explicam o cardápio proposto e citam os vinhos devidamente harmonizados. O momento mais divertido e emocionante deste dia chegou ao entardecer, quando o tempo abriu e fomos levados para os jet boats com motores de 200 HP, para desbravar os rios em alta velocidade. Olhando para o Atmosphere a partir do nível da água tive a real dimensão de seu tamanho e de sua beleza. O barco tem janelas por todos os lados. O bar,

a sala de estar e as três mesas grandes do restaurante estão no mesmo ambiente, e têm ampla vista do cenário externo. Todos os dias, a partir das 18h, no bar, começa um coquetel. Este é também o ponto de encontro pós-jantar, isso depois do famoso slide show: durante as excursões os guias fotografam os grupos e depois essas imagens são projetadas em um telão, acompanhadas de uma bela seleção musical. Viajante Nomads O Nomads tem o lema de explorar a Patagônia por terra, água e ar. Muitas vezes, em um mesmo passeio, acontece uma dobradinha: água e ar, por exemplo. Sorte que nos tocou em um dia de sol, perfeito para navegarmos nos caiaques. Depois de um vôo de aproximadamente 15 minutos – sobrevoando um cenário lindo, cheio de geleiras – o Bell pousa em uma pequena praia de pedras. Os guias Paula e Matias já nos esperavam, preparando os caiaques infláveis. Depois de uma breve explicação de como manejá-los nós caímos na água e nos deixamos levar pela correnteza do sinuoso rio Corcovado. Durante as remadas dava tempo para olhar em volta e constatar a grandiosidade das montanhas. E o absoluto silêncio.


Aventura

A VIAGEM COMBINA AVENTURA, ÓCIO, CONTEMPLAÇÃO, ESPORTE, SURPRESAS E PRAZERES

Parada estratégica para o almoço. E mais uma surpresinha. Em uma casa tipo guarda-tudo estão armazenadas mesas e cadeiras de armar. Moral da história? A refeição acontece ao ar livre, com todo o conforto e cheia de bem-vindas extravagâncias a que os passageiros do Nomads têm direito: toalha, copos de cristal, vinho à vontade e assado de cordeiro e salmão. O retorno de helicóptero nos presenteou com um vôo panorâmico mais longo no meio de uma cadeia de montanhas com picos nevados. Depois avistamos uma série de cachoeiras e o rio lá embaixo exibindo suas curvas junto a uma vegetação espessa. Difícil dizer neste dia qual foi o ponto alto. Não posso deixar de incluir no páreo a massagem com óleos essenciais, feita no conforto da minha cabine. No dia seguinte a chuva e o vento prevalecem, e mesmo assim a programação é intensa: caminhada no meio da floresta até chegar a uma cachoeira, depois expedição rumo a piscinas naturais aquecidas pela ação dos vulcões. Mas que tal ficar a bordo sem fazer nada? Um dia em homenagem ao ócio. Uma pequena estante de livros – a maioria com temas


ligados à Patagônia – pode ser uma diversão para quem quer apenas se atirar no sofá e deixar a chuva cair. Cá entre nós, uma informação privilegiada: convença o capitão a levar você até termas que ficam próximas da praia, a poucos minutinhos do navio. É divino mergulhar na água quente e pensar: estou nos confns do mundo com um cálice de vinho na mão e uma tábua de frios ao meu alcance. Novo dia de atividades e neste a pedida é dar uma chegadinha na lendária Carretera Austral – a estrada de terra e pedras de 1.240 quilômetros que liga Puerto Montt à comunidade de Villa O’Higgins. Ela passa no meio do Parque Nacional de Pumalín, uma reserva ambiental com 300 mil hectares, propriedade do americano Douglas Tompkins. O programa começa com um tour floresta adentro para observar as alerces (semelhantes à sequóia americana) que chegam a ter 50 metros de altura, 10 de diâmetro e três mil anos de idade. Dizem estar ali a última floresta intocada de alerces no mundo. O almoço é no aconchegante restaurante Galeta Gonzalo. A semana a bordo do Nomads encerra no povoado de

Cochomó, com uma cavalgada e almoço típico: o curanto, assado chileno cozido embaixo da terra com pedras quentes. Antes da confraternização final um pouco de adrenalina em cima de um cavalo, por três horas de percurso. Na ida, subida forte, na volta, equilíbrio para não despencar montanha abaixo. No topo da cavalgada, uma parada para apreciar um rio de pedras no meio da floresta. No final do dia a luz estava perfeita. Os barquinhos coloridos dos pescadores davam uma vida especial ao lugar. As montanhas ao redor da baía são imponentes. A embarcação do Nomads balançava no vai e vem das marolas, enquanto o Hurricane trazia de volta os passageiros para a última noite. Uma bela imagem para encerrar a temporada na inebriante Patagônia e desejar voltar mil vezes... QUEM LEVA Ouro e Prata Turismo – www.ouroeprataturismo.com.br QUEM VOA Swiss – www.swiss.com NOMADS OF THE SEAS – www.nomadsoftheseas.com Em Santiago, Hotel Plaza el Bosque – www.plazaelbosque.cl


Ser & Vestir ROBERTA GERHARDT

O PRETINHO BÁSICO PRECISA VESTIR BEM! Toda mulher diz ter ou querer ter “o seu pretinho básico” no guarda-roupa. Mas afinal, será que o seu pretinho básico é mesmo BÁSICO? O austero preto foi adquirindo diversos significados ao longo do tempo: do luto à rebeldia, de conotações religiosas às românticas, fetichista a chique; ele foi se transformando numa das peças importantes do guarda-roupa feminino do século XX. Principalmente nos anos 80, com a chegada dos estilistas japoneses ditando moda nas passarelas internacionais. E hoje, é considerado um clássico obrigatório, um coringa no guarda-roupa de todos os estilos. Mas o pretinho básico vai além do preto. Um dos pretinhos básicos mais famosos da História da Moda foi o modelo apresentado por Coco Chanel em 1926 e logo depois, o pretinho criado por Hubert de Givenchy e usado pela atriz Audrey Hepburn no filme Breakfast at Tiffany’s em 1961. Este, aliás, foi o que realmente serviu de inspiração para o atual coringa do guarda-roupa da mulher prática. O pretinho atual tem conotação de emagrecer – seguindo a cansativa ditadura da magreza – e precisa responder prontamente àqueles momentos fatídicos da escolha da roupa, quando não se sabe o que vestir. Porque o verdadeiro pretinho veste bem sempre. Mas alto lá na escolha do SEU coringa! Mesmo o pretinho mais básico do mundo precisa do seu olho bem apurado diante de um espelho amigo. Porque nem todo pretinho é básico. Muitos podem assassinar sua silhueta e desvalorizar o que você tem de melhor, se você não der a devida atenção ao corte atemporal da peça – que favoreça a sua silhueta –, ao forro, ao tipo de tecido, aos aviamentos, que devem ser impecáveis. Afinal, pretinho que se preze de verdade tem que vestir bem sempre!

DICAS TECIDOS BRILHOSOS, COMO O CETIM E OS METALIZADOS, CHAMAM ATENÇÃO E OFERECEM UMA ILUSÃO ÓTICA DE AMPLITUDE. POR ISSO, NADA DE ESCOLHER UM PRETINHO BÁSICO COM ESSES TECIDOS SE VOCÊ ESTÁ ACIMA DO PESO OU MESMO QUANDO HÁ PARTES DO CORPO QUE PRECISAM SER DISFARÇADAS. SE O PRETINHO BÁSICO É UM VESTIDO, ELE PRECISA VESTIR VOCÊ EM TODAS AS ÉPOCAS DO ANO. E ISSO É POSSÍVEL CASO VOCÊ ESCOLHA UM TECIDO COMO A LÃ FRIA, COM UM CORTE FAVORÁVEL À SUA SILHUETA, SEM MARCAR MUITO O CORPO. COMPRIMENTO NA ALTURA DO JOELHO, DECOTE DISCRETO E, SE POSSÍVEL, MANGAS 3/4. QUANDO O PRETINHO BÁSICO É UM TERNINHO, OPTE PELOS CORTES DA ALFAIATARIA CLÁSSICA. A CALÇA COM A CINTURA NO LUGAR E CORTE RETO, O PALETÓ COM UMA CINTURA LEVEMENTE MARCADA. E OS BOTÕES DISCRETÍSSIMOS. ASSIM, O TERNINHO VAI ACOMPANHAR VOCÊ SEMPRE.


DETALHES QUE FAZEM A DIFERENÇA NO TRAJE FORMAL A alfaiataria masculina é um excelente recurso para o homem andar bem vestido e elegante com a maior facilidade. A Europa sempre ditou as tendências para o traje impecável, quase uma alta-costura do guarda-roupa masculino. A alfaiataria inglesa, por exemplo, privilegia o corpo inteiro, paletós com aberturas laterais e as calças retas. Já a italiana é caracterizada pelo paletó mais curto, sem aberturas e calças mais justas. Mas apesar da enorme influência européia, foram os americanos e seu pragmatismo que melhor traduziram uma espécie de prêt-à-porter masculino. Com sua modelagem mais solta, ficou mais fácil de ser produzida em larga escala e copiada pelo mundo todo. Mesmo com tantos recursos sofisticados e práticos, o homem que é elegante de verdade, mais do que bem vestido, precisa observar certos detalhes. A etiqueta exige que o paletó esteja na proporção ideal: o colarinho termina no pescoço, deixando ver, atrás, apenas uns centímetros da gola da camisa. A bainha do paletó acaba exatamente no meio do caminho entre a parte de trás do colarinho e o chão. Em relação ao abotoamento, quanto menos botões mais aparecem a camisa e a gravata, deixando a imagem mais informal. Para um visual austero, em um clássico transpassado, o abotoamento deve ser no segundo botão. Os ombros precisam ser moderados, assim como o colarinho e a lapela, que deve ter largura de oito centímetros para ficar atemporal. A bainha da calça deve estar no comprimento perfeito: a parte da frente toca levemente o peito do sapato, enquanto a de trás termina logo acima do calcanhar. Punhos? O paletó deve mostrar pouco mais de um centímetro do punho da camisa. Camisas com colarinho de pontas estreitas, quando afastadas, o nó da gravata deve ser maior. Agora você sabe o que faz dois homens parecerem tão diferentes usando o mesmo terno e gravata. Reparou?

DICAS EVITE USAR TERNO BEGE COM SAPATO PRETO, ASSIM COMO TERNO AZUL COM SAPATO BEGE. PARA INICIAR UM GUARDA-ROUPA ELEGANTE, TODO O HOMEM PRECISA DE DOIS TERNOS: UM AZUL MARINHO PARA TODAS AS HORAS E OUTRO DE COR BEGE ESTRITAMENTE PARA O DIA. VARIE NA CAMISA E NA GRAVATA. TENHA SEMPRE NO MÍNIMO TRÊS GRAVATAS: UMA AZUL LISA, UMA LISTRADA TIPO CLUB TIÉ E OUTRA COM DESENHOS DE CASHMERE OU DISCRETOS GRAFISMOS.

ROBERTA GERHARDT É CONSULTORA DE MODA E ESTILO E COMPORTAMENTO, ESPECIALISTA EM MODA, CONSUMO E COMUNICAÇÃO PELA FAMECOS PUC/RS


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mãe

modelo Linda... mais que demais! Ops, não! Nada em Fernanda Lima é demais. É tudo

na medida certa. O jeito de menina, a realização como mulher. Sucesso na publicidade, nas passarelas, como apresentadora, como atriz, Fernanda vive o melhor de seus papéis: a mãe dos gêmeos Francisco e João! E ela exala a felicidade das mulheres realizadas com essa nova modalidade em seu currículo pessoal. Esta faceta, segundo ela mesma, mudou sua vida definitivamente. P O R

R E J A N E

M A R T I N S

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L E T Í C I A

R E M I Ã O


Perfil


EU SEMPRE QUIS SER MÃE E ESTÁ SENDO MARAVILHOSO. NÃO CONSIGO FAZER MAIS NADA SEM PENSAR NELES. TUDO TEM UM NOVO SENTIDO

ELA ESTÁ SENTADA EM FRENTE AO ESPELHO COM O LAPTOP NO COLO, ENQUANTO FAZ CABELO E MAQUILAGEM PARA UMA SESSÃO DE FOTOS. MAGRA, DE CARA LAVADA, JEANS, SANDÁLIA RASTEIRINHA E BLUSINHA BÁSICA... FERNANDA É PURA SIMPLICIDADE. COMO TODA A MÃE CORUJA, A BABA ESCORRE QUANDO O TEMA SÃO OS FILHOS FRANCISCO E JOÃO, DE APENAS SEIS MESES. SÃO ELES QUE ESTÃO NA FOTO DO LAPTOP ENCHENDO A TELA E QUE A MÃE ORGULHOSA MOSTRA FELIZ: “Ó, ELES! MEUS AMORES!” AO LADO DO TAMBÉM ATOR E MODELO RODRIGO HILBERT, PAIZÃO TÃO CORUJA QUANTO ELA, FERNANDA VIVE EM UM SÍTIO AFASTADO DAS AGITAÇÕES DA METRÓPOLE NO RIO DE JANEIRO. OS GÊMEOS JOÃO E FRANCISCO, NASCIDOS EM ABRIL, SÃO O TUDO DA DUPLA. “NÃO TEM ABSOLUTAMENTE NADA MAIS IMPORTANTE PRA MIM. TUDO QUE EU FAÇO AGORA É PENSANDO ELES, É POR ELES”, DERRETE-SE FERNANDA. E ELA GARANTE QUE COM O RODRIGO É A MESMA COISA. EM UMA PASSADA POR PORTO ALEGRE EM OUTUBRO, FERNANDA TROUXE OS DOIS PEQUENOS, NA PRIMEIRA “GRANDE” VIAGEM DESDE QUE NASCERAM.

A GRAVIDEZ VEIO DE SUPRESA, MAS A IDÉIA DE SER MÃE ERA ACALENTADA HÁ MAIS TEMPO? Eu sempre quis ser mãe. Talvez não agora, mas aconteceu. E isso está sendo maravilhoso. Eu não consigo fazer mais nada sem pensar neles. Sem projetar o reflexo de cada trabalho meu na vidinha deles. Sem exagero, sem neura. Mas tudo tem um novo sentido. Onde é o trabalho, quantas horas fico longe... tudo isso tem outra repercussão em mim. E A NOVA VIDA, MÃE EM DOSE DUPLA, TÁ DIFÍCIL? A noite foi mal-dormida com um dos gêmeos em febre... Passei boas horas com um dos gêmeos ao colo, quentinho, choramingando... Um banho, muito carinho e a febre reduziu... Resquícios de uma gripe provocada pelas mudanças climáticas no Rio. Já tá bem o meu fofo! Preciso de oito horas para dormir... mas ultimamente se tiver cinco, já tô muito feliz. VOCÊ SEMPRE LEVA OS GÊMEOS EM VIAGENS? Esta é a primeira grande viagem deles. Teve uma pequena pra São Paulo. Mas é tranqüilo, todo mundo ajuda...avós, tios... Eles são os primeiros netos na minha família e na do Rodrigo também. Então a paparicação tá garantida. VOCÊ TEM SEGUIDO ALGUMA ROTINA OU CUIDADOS ESPECIAIS PARA OS MENINOS? Nada. Tô fazendo tudo da forma tradicional, mas aberta e atenta de olho em tudo que acontece de novo, seja em Nova York, na Índia, Paris, Austrália. Mas sem forçar qualquer barra. Quero que eles cresçam aptos para conviver com o mundo e saudáveis. Mas não crio um mundo à parte para eles. Convivem com o barulho normal de uma casa na hora em que tem barulho, já estão se alimentando com


Perfil ADORO COMER BEM, VOU A RESTAURANTES EM QUE A QUALIDADE SEJA ESSENCIAL. E NO MEU DIA-A-DIA SIGO SEM COMER CARNE caldinho de carne, o acompanhamento médico é alopata... Quero procurar um nutricionista para me orientar um pouco mais sobre a alimentação deles a partir de agora, mas vou seguindo o padrão.

VOCÊ PESSOALMENTE NÃO SEGUE UMA ALIEMENTAÇÃO TRADICIONAL, CONSIDERANDO QUE SER VEGETARIANO AINDA NÃO É EXATAMENTE UM PADRÃO. Eu adoro comer bem. Gosto de ir a restaurantes em que a qualidade seja essencial. Não boto pra dentro de mim qualquer coisa, sem saber de onde vem e como vem. Mas esta sou eu, não vou forçar meus filhos a seguirem o que eu sigo. O que eu quero é que eles conheçam as diversas possibilidades e o futuro tenham subsídios para escolher, optar por aquelas que mais tenha a ver com eles. VOCÊ SEGUIU VEGETARIANA DURANTE A GRAVIDEZ? Não, não deu. Tive que abrir mão por um tempo porque fiquei muito fraca nos primeiros meses porque enjoei muito, perdi muito peso e tive de me medicar e ficar em repouso. Então não consegui seguir a minha dieta vegetariana, mas foi um momento totalmente excepcional. No meu dia-a-dia sigo sem comer carne. Parei desde os 14 ou 15 anos. O RESTAURANTE MANI QUE VOCÊ TEM EM SÃO PAULO AO LADO DO PEDRO PAULO DINIZ ERA PRA SER VEGETARIANO? Era pra ser sim, eu queria muito. Só é complicado pros chefs (Helena Rizzo e Daniel Redondo) manterem um cardápio numa linha restrita. Então a gente optou por uma linha democrática. Tem opção de tudo dentro de uma exigência de qualidade e criatividade. Tem orgânicos, comida natural e carne também.

VOCÊ GOSTA DE COZINHAR? Gosto mais do que sei. Gosto muito de comer fora, de lugares com qualidade, sabor. Em casa gosto de preservar o sabor, de alimentos pouco cozidos, quase crus. O que eu faço mesmos sempre são meus sucos de luz, centrifugados, com grãos e orgânicos sempre que possível. Misturo tudo: quinoa, leite, couve, cenoura e é minha primeira refeição. O RODRIGO GOSTA DISSO? Ah, ele é mais tradicional na alimentação. Ele gosta se faço um suco de luz e deixa o café com leite de lado. Não tem problema nenhum no café com leite, mas se você pode ter uma opção mais saudável, mais rica, por que não? E ELE COZINHA? Cozinha muito bem. Põe a mão na massa mesmo. Faz massa caseira e um risoto que a gente se sente num restaurante... bommmmmmmmm! AS PESSOAS ASSOCIAM A SUA IMAGEM COM A DE UMA PESSOA ZEN, CALMA. VOCÊ SE VÊ ASSIM? Eu não! Não sou nem um pouco zen. Sou muito agitada, faço dez mil coisas ao mesmo tempo, sou super intensa nas coisas que faço. Não sirvo para zen. Adoraria ser, mas não sou. COM TANTA AGITAÇÃO, COMO VOCÊ CONSEGUE PRATICAR YOGA? Batalhando muito para relaxar e para me concentrar. Mas não é fácil. Preciso me concentrar muito, parar, respirar... só depois entro na sessão, mas é difícil, agora então tá pior... não consigo fazer uma sessão inteira desde que eles nasceram.


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NÃO SOU NEM UM POUCO ZEN. SOU MUITO AGITADA, FAÇO DEZ MIL COISAS AO MESMO TEMPO. SOU SUPER INTENSA NAS COISAS QUE FAÇO

COM OS FILHOS, VOCÊ APLICA ALGUMA TÉCNICA DE RELAXAMENTO? Faço muita shantala (massagem para bebês originária da índia) antes do banho. É ótimo. Eles nunca tiveram cólicas, dormem bem, dormem cedo, são bem tranqüilos. E COM A MAMÃE FERNANDA? CUIDADOS ESPECIAIS? Não muitos. Dormir cedo, dormir bem. Agora tá meio complicado, mas deitamos todos cedinho... Faço limpeza profunda de pele sempre, tiro o rimel todo com cuidado, passo cremes nas mãos, colo e rosto e uso protetor solar. E a alimentação, né? As pessoas reclamam da pele, do cabelo, disso e daquilo e seguem comendo porcarias, gorduras... A alimentação é a vida da pessoa. Tem que cuidar. E O SURF FOI ABANDONADO? Pois é, tô louca pra retomar, mais ainda vai ficar para mais tarde. Não tô conseguindo tempo nem pra pôr o pé na areia uma vez por semana. Mas estou bem a fim de pegar a prancha e curtir uma onda. VOCÊ É FORMADA EM JORNALISMO, JÁ PENSOU EM EXERCER A PROFISSÃO? De certa forma, já exerço no meu blog por exemplo e até como apresentadora, mas não penso muito sobre o assunto. Até já escrevi na Folha de São Paulo, uma única vez, a convite. Escrevi sobre o filme Super size me... foi

uma crítica. Foi legal. Adoro cinema, adoro ler.... Me falta é tempo. Até Parei um pouco com o site por que algumas frases eram pinçadas de lá, fora de contexto e em questões de segundos ficavam me expondo em situações nada a ver.

A SUPEREXPOSIÇÃO INCOMODA? ATRAPALHA? No começo me incomodava, fiquei assustada. Hoje já não me importo muito e aprendi a lidar com isso. Faço tudo que tenho de fazer, vou a qualquer lugar. Evito shoppings movimentados ou se vou, vou superdiscreta e em horários mais calmos e tal. Sou bem objetiva, não vou a shopping para passear. Entro, procuro o que quero compro e deu! TEM ALGUMA OUTRA PROFISSÃO QUE TE ATRAIA, QUE VOCÊ PENSA EM ENCARAR? Ah... acho que cantora de rock, mas nunca me convidaram (risos)... acho que em daria bem com vocalista de banda cool... algo assim como a francesa camille! QUE LUGAR EM PORTO ALEGRE VOCÊ GOSTA DE IR? Ah eu gosto de ir para uma pracinha e ficar tomando chimarrão, conversando... E gosto do Barranco. Adoro ir lá. MAS O QUE VAI FAZER UMA VEGETARIANA EM UMA CHURRASCARIA? Ah, não sei. Não importa. Gosto do lugar, gosto das árvores, do ambiente ao ar livre, sentar com amigos, com a família. Nem me importo com a carne.


Palavra L U Í S AUGUSTO FI SC H E R

TOMAR PROVIDÊNCIAS

Quando vem chegando o fim do ano, o leitor, como eu e todo mundo, vê crescer a sombra dos compromissos das festas, que de vez em quando se acrescenta a outra e pior sombra, a dos compromissos não atendidos ao longo do ano que finda. Dá angústia, muitas vezes, mais do que permite regozijo. Não é bem assim? Aí entra em cena a necessidade do pragmatismo, a urgência de decidir, de tomar providências, para que o saldo, em 31 de dezembro, seja ao menos razoável. Pensando nisso me ficou essa expressão "tomar providência" como que boiando na imaginação e na memória, essas duas irmãs que convivem na nossa cabeça. Palavra puxa palavra, e para mim evocou uma história contada tempos atrás pelo Carlos Heitor Cony, grande figura da crônica e do romance brasileiros. Ele contou que uma vez, trabalhando num grande jornal carioca, foi procurado por uma senhora que queria a atenção dele para um sujeito peculiar. Era um interno de um hospício, mas um grande talento para a pintura. Dizia a senhora que este pintor, carente de tudo que se possa imaginar dada a situação em que se encontrava, bem que poderia desenvolver carreira cá na rua, do lado de fora dos muros daquela instituição. Cony lá foi, ver o sujeito e suas pinturas, junto com um colega que era crítico de artes. Foram, viram e confirmaram o que dizia a senhora: realmente, o interno era um talento, e sim, poderia ter uma vida por assim dizer normal, fora do hospício, mercê de sua obra, a qual poderia ir para as galerias, ser vendida, ser comprada, resultar em dinheiro para ele, tudo enfim encaminhando um futuro legal para o cara. Pois isso tudo aconteceu de fato, e o pintor teve lá sua carreira. Passam-se alguns anos, e a mesma senhora vai procurar o mesmíssimo Cony, ainda naquele jornal, para pedir um favor para o exato mesmo sujeito, que estava de volta, internado no hospício. Como assim? - quis saber o escritor; e a senhora disse que por favor ele fosse de novo falar com o pintor amalucado, que estava em crise. E foi o Cony, mais uma vez, falar com ele. Chega lá e, depois de cumprimentos e tal, o grande cronista pergunta ao pin-

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Estilo Zaffari

tor: "Mas então, tu de novo por aqui? O que houve?" O internado respondeu, de modo eloqüente mas enigmático: "Pois o que aconteceu foi o seguinte: eu pintei, pintei, pintei, mas ninguém tomou providências, então eu parei de pintar e voltei pra cá". O Cony contou esta história quando voltou a publicar romances, em 1995, ocasião em que lançou o belíssimo Quase Memória, mais de vinte anos após o anterior. E ele dizia, de modo brincalhão, que tinha ficado este tempo todo longe da narrativa porque, como o maluco da história, ele tinha escrito bastante, mas ninguém tinha tomado providências... Essa história me parece exemplar de alguma coisa, que para falar a verdade eu nem sei bem qual é. Primeiro de tudo, o patético da história do maluco pintor: quem pinta, assim como quem escreve, naturalmente espera que lá do outro lado - do lado do espectador, do leitor, do público enfim - apareça alguém que, por assim dizer, tome providências, quer dizer, tome em conta aquilo que o artista engendrou na solidão. Mas essas providências não significam, a não ser para quem já perdeu a razão, algo de ordem objetiva, algo assim como, digamos, ir lá para ninar o artista incompreendido. É outra coisa. Qual outra coisa? Ah, aí entra o imponderável da arte, para quem a inventa e para quem a curte. No fundo, o verdadeiro artista nunca encontrará quem tome a providência suficiente para saciar a fome que o artista tem (e cultiva) dentro de si, para tapar o buraco aberto (e mantido) em sua alma - e nem é este o caso, porque se alguém dissesse ter o remédio para aquela fome o artista por certo o recusaria -; mas mesmo assim ele precisa que o público siga tentando, que nunca desista de tentar. Da mesma forma, o público, o leitor, quando encontra seus artistas prediletos passa também a cultivar essa fome, a cevar este buraco, que passam a ser seus. Mistério? Claro, claro como o dia, como a noite enluarada. Foi justamente para isso, para compartilhar este luminoso mistério, que a humanidade inventou a arte. LUÍS AUGUSTO FISCHER, PROFESSOR DE LITERATURA E ESCRITOR



Revista Estilo 49