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Revista Entre Patas - Edição 01 - Junho, 2018

Conheça Anita Queiroz, goiana que ajuda pets deficientes Além da ração! Alimentos naturais são tendência Obesidade animal: Como cuidar e evitar?

Os benefícios da relação entre pessoas e animais


Você e eu somos feitos um para o outro O verso do título é um trecho da música Martha, My Dear, dos Beatles, que, assim como nós, também encontravam inspiração nos animais. Martha foi a cadela de Paul McCartney e a quem ele dedicou essa canção sobre amor, parceria e reciprocidade. E quem melhor para despertar esse sentimento do que os animais de estimação? Mais do que amigos, são os melhores companheiros para todos que se permitem dar e receber carinho. Equivocados dirão que é um amor incondicional, mas não se engane: eles também precisam se sentir amados, ter atenção e cuidado como qualquer ser humano. Para quem está disposto a assumir o compromisso, o que virá pela frente é uma vida mais colorida e descontraída. O engraçado é que, à medida que o dono e o animal se conectam como parceiros, ficam até parecidos. Eu, por exemplo, posso jurar que o meu gato assiste jornal comigo. E confesso que me tornei tão dorminhoca quanto ele. Ter um pet é assim, como se fôssemos feitos um para o outro. Na reportagem principal desta edição, você conhecerá o projeto Patas Therapeutas, cuja missão é levar cachorros e gatos até os hospitais para ajudar no tratamento dos pacientes, com uma boa dose de carinho e atenção. Enquanto uma em cada três pessoas se sentem sozinhas no mundo todo, segundo um estudo da Universidade de Chicago, é um alívio pensar que os bichinhos podem mudar o nosso olhar sobre a vida. Que seja apenas o começo.

Boa leitura!

Mábily Souza

Expediente Editor-chefe: Mábily Souza

Redação: Louis Edoa Mábily Souza Renata Mendes Thayná Agnelli Diagramação: Thayná Agnelli Colaboração: Ana Caxi Bruna Sonore Rafael Costa

Orientação: Lilian Crepaldi

Trabalho acadêmico realizado pelo 5º Semestre de jornalismo da FAPCOM - Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação.

Foto: Lucas Lima


Índice 06 - Adestramento divertido

ganha espaço entre os pets

08 - Brinquedos estimulam a inteligência dos bichinhos

12 - Cerveja e bolo de chocolate para pet pode? Pode sim!

18 - Obesidade animal é mais comum do que você imagina

21 - Comida natural para cães e gatos é a nova tendência

28 - Quem disse que a realeza é só para humanos?

30 - Tendo uma vida só, assista essas indicações

32 - Capa Relação entre homem e

animal


40 - Como cuidar do mau hálito

44 - Conheça problemas incomuns que podem atingir os bichos

46 - Como conviver com animais sendo alérgico?

50 - Pets com deficiência também precisam de você

54 - Anônimos que fazem a diferença: Anita Queiroz

60 - Adotar ou comprar… Eis a questão?

62 - Aplicativo de adoção de pets. Dê um match!

66 - Você sabia? Veja curiosidades sobre o universo animal

68 - Lugares Pet Friendly. Lazer além dos parques

72 - Registre. Aqui seu bichinho tem espaço garantido

74 - Informação. Últimas novidades do universo pet


Diversão

Mábily Souza

Judô para cachorro… Pode isso, Arnaldo?

A primeira academia do esporte para cachorros do mundo está em São Paulo. Conheça o JuDog! Foto: Mábily Souza

As aulas ensinam desde os movimentos básicos, como sentar e rolar, até a socialização em novos ambientes

E se o seu cachorro se tornasse mestre em artes marciais? Esse não é um futuro tão distante. Para aprimorar a disciplina e concentração dos pets, surgiu o JuDog: forma de adestramento inovadora que educa os pequenos com base nos princípios do judô. Criado pela Padaria Pet, franquia de petiscos e alimen-

tos gourmet para cães e gatos, o JuDog adapta os fundamentos do judô às necessidades dos animais. Com uma boa dose de mimos comestíveis e atenção dos professores, eles aprendem técnicas para melhorar o equilíbrio, o autocontrole e o respeito. Para Ricardo Chen, empresário e sócio fundador da Padaria Pet, a metodologia das au-

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las vai ao encontro da essência do esporte: “Ele [o JuDog] trabalha corpo, alma e mente, os pilares do judô”, explica. Pode parecer complexo, mas para os pets tudo acontece de forma simples e descontraída. O cachorro aprende, se diverte e intensifica a relação com o dono que, além de assistir às aulas, também é convidado a


Foto: Divulgação Padaria Pet

Os cães aprendem exercícios que fortalecem o condicionamento físico, a concentração e intensificam a relação com o tutor Foto: Divulgação Padaria Pet

O diferencial do adestramento da Padaria Pet é a forte humanização dos pequenos

participar dos ensinamentos. Se você imaginou você e seu cãozinho em combate no tatame, fique calmo! Ele não vai aprender a lutar, pois o objetivo aqui é outro. “Por que um casal coloca um filho na academia de judô? Porque o judô vai além disso. Ele ensina concentração, disciplina”, aponta Chen.

A semelhança com o esporte dos humanos não para por aí. Os cachorros também são avaliados através das faixas, que somam 10 no total. Sem contar o uso obrigatório do kimono, que eleva o nível de fofura a outro patamar. No primeiro momento do curso, eles vestem a faixa branca, que representa ingenui-

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dade e pureza. É quando aprendem as primeiras noções de controle, disciplina, e a lidar com a ansiedade da separação. Tudo isso com a forte motivação dos petiscos. Conforme evoluem, são promovidos para a faixa seguinte, cujo nível de dificuldade também aumenta. “O nosso cachorro faixa preta atinge a excelência. As faixas acima, somente cães que têm aptidão para chegarem lá”, destaca Ricardo. De fato, chegar até a faixa preta 3º DAN, último nível do curso, exige habilidades específicas dos cães, pois aprimoram o faro, o rastreio e os movimentos ordenados (senta, rola, levanta). Os ensinamentos mais avançados incentivam desde lidar com a ansiedade da separação até os movimentos ordenados, apuração do faro e do rastreio. Só para os fortes! Sem distinção de raça ou tamanhos, o único pré-requisito para fazer o curso é ter as vacinas V10 e V11 completas, além da anti-rábica. A Padaria Pet trouxe o conceito do JuDog, mas quem ministra as aulas são adestradoras profissionais, nas unidades da Oscar Freire e Chácara Kablin. Com aulas semanais, o programa é distribuído em 10 módulos, que podem ser contratados por uma mensalidade de R$300. Se no esporte original os protagonistas são os golpes, aqui os cachorros são estimulados por comandos que unificam respeito, concentração e equilíbrio. Mais do que um adestramento, o JuDog é a prova real de que os pets estão cada vez mais além do conceito de “animal” e mais próximos do que deveria ser considerado humano.


Diversão

Diversão educativa

Thayná Agnelli

Brinquedos ajudam no desenvolvimento dos pets As brincadeiras fazem parte do cotidiano dos pets. Com diversão, eles gastam as energias e passam o tempo. Porém, há outros benefícios proporcionados pelos exercícios, como alívio da ansiedade, redução do estresse, estímulo para o bom funcionamento do organismo e melhora da atenção, habilidades, equilíbrio e desenvolvimento dos cães e gatos. Então, é importante que os donos estimulem seus animais a brincarem, principalmenFoto: Thayná Agnelli

Foto: Thayná Agnelli

te usando objetos interativos. Apesar de serem parecidos com os itens comuns, esses brinquedos, também conhecidos como inteligentes, oferecem um desafio intelectual aos bichos, incentivando instintos que, muitas vezes, não são utilizados no dia a dia, como a caça por comida. No entanto, para serem eficientes, as características individuais de cada pet devem ser respeitadas bem como o grau de dificuldade dos produtos entre-

gues a eles. No mercado, é possível encontrar peças com diferentes funções e dedicadas a vários tipos de personalidade animal. Mas a compra não é a única alternativa para quem deseja investir nessa diversão educativa. Com utensílios domésticos e de fácil manuseio, você pode produzir um brinquedo interativo para o seu bichinho. Confira as dicas que separamos.

Brinquedo Inteligente para cães É comum os cachorros gostarem de brincar com garrafas. O barulho que elas fazem é a alegria deles, assim como as tampinhas que servem como mordedores. Pensando nesta simpatia diante dos frascos, podemos usá-los como um meio dos cães se divertirem ao mesmo tempo em que tentam pegar a comida. Para fazer esse brinquedo você vai precisar de: 1 garrafa plástica (qualquer tamanho, mas de preferência resistente); 1 estilete; 1 porção de ração e/ou petiscos.

Modo de fazer 1. Pegue o estilete e faça um corte na parte inferior da garrafa. Ele não deve ser tão grande a ponto de alimento sair facilmente do frasco. Mas também não é indicado que ele seja pequeno demais. Certifique-se que nenhuma rebarba tenha ficado no local onde foi cortado; 2. Depois de fazer o buraco por onde sairá a comida, coloque a ração e/ou petisco. Feito isso, o brinquedo pode ser entregue ao animal. Benefícios Além de ser um passatempo, esse objeto irá incentivar o raciocínio do cão, fazendo-o pensar em como fará a comida cair no chão. E, também, ajudará na forma em como o animal se alimenta. Se ele come rápido, o utensílio é uma maneira de ensiná-lo a alimentar-se devagar.

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Foto: Thaynรก Agnelli

Foto: Thaynรก Agnelli

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Foto: Thayná Agnelli

Foto: Thayná Agnelli

Brinquedo Inteligente para gatos Assim como os cachorros, os gatos gostam de brincar com bolinhas, não importa o material – plástico, novelo de lã ou, até mesmo, papel. Os felinos também amam caixas de papelão. Deste modo, o brinquedo abaixo irá unir esses dois objetos. Para fazer esse brinquedo você vai precisar de: 1 caixa de papelão (qualquer tamanho); 1 caneta 1 tesoura; Cola quente ou fita adesiva; 1 bolinha.

Modo de fazer 1. Pegue a caixa de papelão e cole as laterais com cola quente ou fita adesiva para que ela não abra enquanto o gato esteja brincando;

Foto: Thayná Agnelli

2. Depois, com o auxílio da caneta, faça alguns círculos na caixa e recorte-os. É importante que os círculos tenham um tamanho os quais caiba a pata do gato; 3. Por fim, coloque a bolinha dentro da caixa e entregue o brinquedo ao seu pet. Benefícios Com esse brinquedo interativo, o gato irá gastar suas energias tentando pegar a bolinha. Mas, além disso, o item pode ser usado quando o animal for ficar sozinho em casa, diminuindo a ansiedade do felino perante a ausência do dono. Foto: Mábily Souza

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Pet food

Mais que pets, consumidores

Mábily Souza

Criada para atender os animais de estimação, a Padaria Pet estreia uma nova tendência para o mercado Foi-se a época em que cães e gatos eram meros coadjuvantes do núcleo familiar. Cada vez mais humanizados, os pequenos têm roupas, comidas e até itinerários próprios. Por que não criar uma padaria inteira só para eles, então? Conheça a Padaria Pet, a primeira franquia de petiscos e alimentos gourmet para animais de estimação.

Localizada em pontos badalados da capital de São Paulo, como Oscar Freire e Chácara Kablin, além de inaugurar recentemente as lojas em Espírito Santo e Minas Gerais, a padaria é a primeira a oferecer um serviço completamente focado nos pets. Têm petiscos fresquinhos, piscina de bolinha para cachorros, loja de roupas e até galeria

de arte. O projeto teve os primeiros passos dados em 2010, quando os irmãos Rodrigo e Ricardo Chen conheceram um empreendimento similar nos Estados Unidos. O problema é que o local só oferecia cookies. Eram vários sabores, é claro, mas apenas cookies. Foi o suficiente para despertar a criatividade dos irFoto: Mábily Souza

Além dos petiscos e comidinhas gourmet, a padaria também oferece diversas opções de acessórios

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Foto: Mábily Souza

mãos que, anos depois, em 2015, inauguraram uma versão aprimorada desse modelo de negócio, com um cardápio tipicamente brasileiro para cães e gatos. Em parceria com uma equipe de veterinários e nutricionistas, os Chen oferecem cerveja sabor carne, pão de queijo, sucos, patês e leite para gatos, bolo de chocolate e até gelatina. Tudo o que o brasileiro mais gosta, adaptado ao paladar e saúde dos animais. “Cachorro não pode comer açúcar, mas pode comer mel, que é um adoçante natural. Cachorro não pode comer chocolate, mas o que ele pode comer? Alfarroba. A gente começou a ir atrás do que era semelhante ao açúcar e substituir. Os primeiros anos foram só pesquisa, até a gente abrir a primeira loja em Pinheiros”, aponta Ricardo Chen, empresário e sócio-fundador da A cerveja dos peludos possui sabor carne e não tem nenhum teor padaria. alcoólico

Foto: Mábily Souza

Biscoito de polvilho, cachorro quente e batata frita são algumas das opções do cardápio de petiscos

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Depois de desenvolver as receitas, a dupla optou por abrir uma fábrica própria para comercializar os produtos, legalizada pelo Ministério da Agricultura. Cada item foi pensado da forma mais natural possível, sem os conservantes usuais que geralmente predominam no mercado. Com um investimento inicial de quase R$ 1 milhão, a loja de Pinheiros teve tanto sucesso que, pouco depois, inauguraram na Oscar Freire também.

Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), está previsto um faturamento de R$ 19,2 bilhões até o final de 2018 em todo o mercado. Estima-se que o pet food represente 67,5% desse valor. Enquanto muitas portas se fecham, o mercado pet se renova e atrai públicos mais diversos. A grande sacada da Padaria Pet foi pensar na humanização do bichinho, considerado um membro da família por 89% dos brasileiros

com animais em casa. “As pessoas têm o pet como um filho. Então a gente pensou “vamos humanizar o pet, tratar ele como gente”. Foi muito mais inovador”, relata Ricardo. Como um espaço de convivência pet, a padaria é o lugar onde animal e dono se divertem juntos. E para quem ficou com vontade e queria todas essas regalias também, muita calma nessa hora! A petiscaria já está preparando um café humano dentro da loja.

Foto: Mábily Souza

Além dos petiscos e comidinhas gourmet, a padaria também oferece diversas opções de acessórios

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Foto: Mรกbily Souza

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Saúde

Dois em cada dez animais são obesos

Thayná Agnelli

Os hábitos dos donos podem influenciar o desenvolvimento da doença O cuidado com a nutrição dos pets é fundamental para contribuir com a saúde dos animais. Apesar dos veterinários recomendarem uma alimentação totalmente constituída em ração, sobretudo a seca, ou seja, aquela com menor teor de água, e ingestão líquida, água potável ou de coco, é natural as pessoas cederem aos olhares pidões de cães e gatos e oferecerem comida próprias para humanos. É aí que mora o perigo! Essas refeições são ricas em substâncias prejudiciais aos bichos, uma vez que o sistema digestório deles é diferente em comparação ao dos indivíduos. Com isso, há um aumento significativo da obesidade animal. Em média, de dez pets que chegam a uma clínica especializada, dois são obesos e sete apresentam sobrepeso, de acor-

do com o veterinário Diego Monteiro. Para ele, “os hábitos dos donos influenciam quase 100% na obesidade”, já que os mesmos não enxergam os bichinhos como animais, e sim como parte da família, como humanos. Além da inserção de alimentos inapropriados interferirem na saúde dos caninos e felinos, ela atrapalha o comportamento deles. “Às vezes, os animais muito bravos não são assim por natureza, mas porque são perdidos, eles não se reconhecem como bichos sendo tratados como pessoas”, destaca Diego. O diagnóstico da doença é feito basicamente de maneira visual. Conforme Monteiro, a avaliação é um pouco subjetiva, porém, os profissionais possuem uma base técnica para tal. Existe um score, que varia de zero a dez, onde o físico do pet é anali-

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sado. O melhor score é o cinco, entretanto, os mais comuns são os seis e sete e o sinal de alerta para a obesidade é o oito, visto que considera-se um animal obeso aquele que “apresenta de 20 a 40% de seu peso ideal”, de acordo o veterinário Lucas Delfino. Algumas características corporais e comportamentais ajudam na identificação da doença. As costelas podem ser citadas. Lucas aponta que “quando não é possível vê-la, mas facilmente ela pode ser sentida, o animal está com um peso bom”. Outros exemplos são a mudança da rotina de um pequeno. Se ele demonstra pouco interesse diante os exercícios, cansa rápido ao caminhar e correr é hora de procurar auxílio.


Tratamento De maneira geral, a medicina veterinária recomenda aos donos de animais domésticos verificarem a quantidade necessária de uma alimentação diária para os pets no verso da embalagem da ração. Se ele oferecer o valor indicado, separando-o em duas ou três porções – manhã, tarde e noite –, o animal não ficará obesa. Agora, se o cão ou gato já chegar ao profissional mostrando sinais de sobrepeso, é receitada a redução da comida. E, para os casos graves, “é prescrito o uso de rações específicas, como a diet, light e obesit”, diz Diego.

A estudante Alanis de Almeida é dona de Zack, um gato de 7 anos. Ele está com quatro quilos acima do peso. Ao buscar ajuda especializada de uma conhecida que é cuidadora de uma Organização não Governamental (ONG), focada nos animais, em Ribeirão Pires, no ABC Paulista, ela foi orientada a fazer uma troca de alimento. “Ela pediu para eu dar ração light para ele. E depois que adotei o conselho, o Zack perdeu peso”, revela. Além da mudança nutricional, os incentivos aos exercícios são fundamentais, mas são diferentes para cachorros e gatos. No caso do cão, se ele for levado para caminhar todos os dias, tendo seu condicionamento físico respeitado, já que a resistência animal varia entre as raças, “a chance de ele voltar ao peso ideal é de quase 100%”, indica Monteiro. O universitário João Pedro Portilho Encide e sua família aderiram tal atitude com a Pucca, uma labradora de 11 anos. Há três anos, eles perceberam que a cadela estava obesa. Então, por conta própria, decidiram modificar alguns hábitos. Primeiro, reduziram a quantidade de alimento os quais ofereciam para ela – antes eram três refeições com três copos (tipo requeijão) de ração cada, atualmente, são duas refeições com apenas um copo

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e meio. Depois, a mãe do estudante, Cláudia Maria Portilho, passou a caminhar diariamente com a cachorra. “Ela sempre dá uma volta no quarteirão, pois, a Pucca não aguenta andar muito”, fala. As mudanças deram resultado. João Pedro conta que antes sua pet pesava 45 quilos, agora, ela está com menos de 40. Ao contrário da facilidade com os cães, o estímulo para os felinos é um pouco complicado. Então, a criatividade dos donos é importante. Diego relata que muitos colocam prateleiras no alto para que os animais possam pular de um lugar a outro. O uso de arranhadores, brinquedos, como moscas e ratos, os quais se mexam, pois irá incitar o gato a correr para pegá-los e bolinhas são outras alternativas. É com elas que Alanis motiva Zack a se exercitar. “Ao menos 30 minutos por dia eu incentivo ele a brincar, assim ele perde calorias”, ressalta. O tempo médio do tratamento também é distinto entre caninos e felinos. Conforme o veterinário Lucas, enquanto o cachorro pode alcançar seu peso ideal de seis meses a um ano, o período para o gato pode duplicar. Durante o processo, avaliações devem ser realizadas a cada dois meses. “Chamamos de perfil bioquímico, e se necessário fazemos dosagens hormonais”, evidência Delfino. Diego completa que, após o pet retornar à sua melhor condição, a rotina alimentar dele volta ao normal.


Foto: Alexia Bianca

O especialista Diego Monteiro afirma que essa ideia de associação é um mito. De acordo com ele, quando castram um animal, o mesmo fica preguiçoso e perde um pouco da libido, mas se os donos incentivarem ele a caminhar e fazer algum outro tipo de exercício físico, o pet vai reagir aos estímulos normalmente. De acordo com o veterinário Lucas Delfino, o que motiva os bichos a ficarem parados depois da castração é a queda brusca dos níveis hormonais, a qual acarreta em uma desaceleração no metabolismo. Porém, o processo apresenta diversos benefícios, tais como a prevenção de doenças graves – câncer de “A Blanca fica deitada o dia todo, é difícil ela se interessar por brin- mama e próstata –, redução da cadeiras”, revela Alexia agressividade e agitação e, principalmente, prolonga a vida. Além da alimentação ver estímulos aos exercícios por Existem outras situações parte dos donos. que levam à obesidade animal. Doenças, como colesterol, dia- Castração betes e hipertensão, estão entre A estudante, Alanis de elas. Segundo o veterinário Die- Almeida Silva, revela que Zack go Monteiro, quando um animal desenvolveu a obesidade após chega para consulta, é neces- passar pelo processo de castrasário uma avaliação minuciosa ção. Este é o mesmo discurso da para saber se alguma enfermi- agente de organização escolar dade está associada com a con- Sueli Aparecida Uliana Maciel, dição física do pet. “Caso haja dona de uma cachorra de 3 anos. uma relação, as duas coisas de- “Foi depois de fazer a castração vem ser tratadas em conjunto”, que a Ramona foi engordando e revela. ficando forte. Hoje, ela está com Conforme o doutor, se o o quadril bem grande”, destaca. procedimento médico for feito Já a auxiliar de produção Alexia corretamente, há grandes chan- Bianca Franco, que tem Blances do bichinho se curar de am- ca, uma felina de 5 anos, e está bos os casos. com sete quilos, o dobro do peso A idade dos cães e gatos ideal, não acredita que haja retambém pode desencadear o au- lação entre as situações. “Se a mento do peso, já que a falta de obesidade estivesse ligada com energia é comum para animais a castração, os meus setes gatos idosos. E, nesta fase, o metabo- estariam acima do peso, pois tolismo deles fica mais devagar, dos já fizeram o procedimento”, por isso, é tão importante ha- enfatiza.

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Pet food

Mábily Souza

Foto: Divulgação Pet Cuisine

Tão natural quanto a luz do dia Tendência entre cães e gatos, a alimentação natural melhora a qualidade de vida e traz benefícios à saúde dos bichinhos Não é surpresa alguma o interesse dos pets pela comida destinada aos humanos. Afinal, quem nunca cedeu ao olhar pidão durante as refeições? Apesar de a medicina veterinária tradicional recomendar uma alimentação 100% baseada em ração seca, um novo rumo tem ganhado espaço entre os donos

dos animais de estimação. Conhecida como alimentação natural, essa dieta influencia desde a melhora da queda de pelos e tratamento de doenças renais até a disposição dos pets. Quando Rebecca, uma yorkshire de 8 anos, foi diagnosticada com esteatose hepática - um acúmulo de gordura no

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interior das células do fígado - e cristais na urina, a sua dona, Kátia Correia, 51, procurou a opinião dos veterinários da Praia Grande, litoral sul de São Paulo, sobre qual sobre o tratamento ideal. Depois de recomendações de rações que se mostraram ineficazes, a cadela continuou com dor. Foi quando Kátia conheceu


o site Cachorro Verde. Ao contrário do convencional, a plataforma apresentou o universo da alimentação natural. Conhecida também como AN, trata-se de uma dieta caseira balanceada que otimiza todos os nutrientes, proteínas e gorduras saudáveis no organismo do pet. Os alimentos podem ser servidos crus ou cozidos – o mais recorrente – e, além de atraírem mais os animais pela aparência, também são ricos em sabor e vitaminas. De acordo com a cuidadora de idosos Kátia, que adotou a alimentação natural na rotina da cadela Rebecca, os pelos da pet ficaram mais brilhantes e as coceiras pelo corpo cessaram. “A Rebecca mudou de vida do dia para a noite. Em 30 dias não havia mais cristais na urina!”, conta. A mudança em relação à doença urinária não é por acaso. Por se tratar de uma refeição preparada com alimentos frescos e vitaminas, a alimentação natural é rica em água e minerais. Enquanto a ração seca não pode proporcionar a quantia de água necessária aos bichos, os alimentos frescos trazem um teor elevado dela em sua composição. De acordo com a veterinária Sylvia Angélico, co-fundadora do site Cachorro Verde, todo alimento natural, seja ele uma carne ou uma fruta, tem um teor elevado de água importante para a digestão e hidratação. “É uma proteção renal, urinária, cardíaca. Muitos cães que comem ração não conseguem beber toda a água que eles precisam para compensar uma dieta desidratada. Se é um cão de uma raça predisposta a formar cristais ou cálculo, isso pode colocar

ele em risco de desenvolver algum problema”, elucida. Foi o que aconteceu com o cachorro de Joanna Melasipo, analista de sistemas residente em Minas Gerais que, após passar por diversos tratamentos e cirurgias devido a pedras nos rins e na bexiga, mudou de vida completamente com a AN. “Um dos veterinários que examinou nosso cachorrinho comentou sobre a dieta natural e relatou sobre uma profissional no Rio que atendia à distância. O vete-

rinário que o acompanhava não era a favor da troca da ração pela dieta natural, mesmo assim nós fizemos. Meu esposo e eu começamos a ler o site Cachorro Verde, o site Tendências Naturebas e começamos a dieta por conta própria”, relembra. O pet logo se mostrou mais disposto e agitado, aos 9 anos de idade. “Em pouco tempo ele parou de tomar gardenal, o pelo adquiriu mais brilho e, mesmo sendo um cachorro idoso, possuía muita energia”, relata

As refeições devem ser servidas na temperatura ambiente, de duas a três vezes por dia

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Joanna. Ela e o marido preparam as refeições cozidas em casa, com 45% de carne, 35% de três legumes misturados e 20% de carboidratos. Por mais que a alimentação natural pareça simples em um primeiro momento, não se trata apenas de dar os restos de comida para o animal. É necessário criar um cardápio equilibrado, com ingredientes que contenham os nutrientes principais e, mais do que isso, não afetem ou causem futuros problemas.

A veterinária e empresária Juliana Bechara Belo, co-fundadora da La Pet Cuisine, explica como funciona a dieta: “Você precisa de uma quantidade certa de carboidrato, de proteína, de fibra. E além de tudo a gente usa o complexo vitamínico”. Arroz branco, arroz integral, grãos, carne bovina, carne de cordeiro, de coelho e de frango, salmão, sapo, sardinha, chuchu, abobrinha, brócolis, vagem. Poderia ser a lista do mercado de uma família farta, mas tamFoto: Divulgação Pet Cuisine

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bém são alguns dos alimentos mais utilizados nas refeições naturais.

Prato feito Criada por Juliana Bechara Belo, veterinária, e sua irmã Veridiana, chef de cozinha, a La Pet Cuisine é uma empresa de alimentação natural. Em parceria com profissionais especializados em nutrição animal, o projeto vende refeições congeladas sob encomenda tanto para cachorros e gatos saudáveis, quanto para aqueles com restrições médicas. “A ideia era fazer alimentos que realmente fossem completos, balanceados e substituíssem a ração super premium”, esclarece. Quando o animal tem problemas cardíacos, por exemplo, a dieta possui baixo sódio. Já aqueles com problema renal precisam de refeições com pouca proteína, enquanto os obesos devem comer alimentos com baixa caloria. Segundo a veterinária, são várias restrições e, ao mesmo tempo, estão desassociadas. Por isso, os donos podem – e devem – explicar todo o histórico médico do animal para que a La Pet Cuisine prepare o cardápio mais adequado para ele. Além de ajudar no tratamento de doenças, a alimentação natural melhora a qualidade de vida do pet quase instantaneamente: “O que a gente observa logo de cara é que o pelo cai menos, fica mais brilhante. Cãezinhos que tinham problemas com gases, diminuem. Diminui o volume de fezes, de produção de gases. Mais disposição também, porque de uma forma indireta ele está bebendo mais água, o que é super importante”, retrata Bechara.


Gatos Para os donos de bichanos de plantão, informamos que essa dieta é muito bem aceita pelos felinos: “Na comidinha dos gatos vai mais carne do que na dos cães. A gente faz de acordo com os gostos, a maioria que sai aqui é frango”, indica. Apesar disso, a transição para eles é mais lenta, já que são mais apegados aos hábitos e à rotina. Nesse caso, a dica é primeiro passar para uma ração úmida de lata, para se acostumarem com a textura, e depois incluir os alimentos. Seja para o gato ou o cachorro, o recomendável é que as refeições sejam feitas de duas a três vezes por dia, de acordo com a disponibilidade do dono. Os preços de cada porção variam conforme o peso eo tamanho do animal, visto que o quilo custa, em média, R$ 30. Faça você mesmo Se você é do time que prefere colocar a mão na massa a comprar comida pronta, comemore: a AN também pode ser feita em casa, desde que siga os princípios do balanceamento correto e contenha todas as vitaminas e minerais. A advogada Juliana Dallagnol, dona de quatro cachorros, prepara as refeições quinzenalmente e armazena tudo no congelador. Ela optou pela alimentação natural quando sua cadela mais velha, Memes, deixou de aceitar a ração. Ao procurar por alternativas, o site Cachorro Verde trouxe novamente uma luz no fim do túnel. “Meu marido é veterinário. Procuramos informações no site cachorroverde.com.br e

Foto: Juliana Dellagnol

Se o pet não se adapta à proteína cozida, servi-la crua é uma das alternativas recomendadas por especialistas

ele fez curso sobre. Estamos há 2 anos com alimentação natural dos pets”, relata. A transição da ração para a comida foi tranquila e, segundo a advogada, os bichinhos ambém podem não gostar de algum alimento específico, como nós humanos. Se com a ração muitas vezes os pequenos parecem não ter apetite algum, o resultado da alimentação natural é justamente o oposto. “Minha cadela que tem 10 anos parece ter 1, está animada, agitada e alegre. Os demais são jovens então não houve muita mudança. Noto apenas que eles comem com mais ânimo, mais vontade”, revela Juliana, que é uma grande adepta da dieta alternativa.

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Apesar de a AN ser reconhecidamente mais custosa e trabalhosa, a advogada notou redução nos gastos. Quando comprava 30 kg de ração por mês, para os quatro cachorros, gastava R$ 460. Com os alimentos frescos, no entanto, esse valor caiu para R$ 350. Em meio aos benefícios, a desvantagem da alimentação natural é o fato de ser mais trabalhosa e exigir mais tempo e dedicação. No entanto, Juliana deixa a dica para quem está no início da transição: “Que a pessoa não desanime. No primeiro mês ela pode se atrapalhar, achar muito trabalhoso. Mudar os hábitos é difícil, mas mantenha a persistência. Se realmente


Foto: Juliana Dellagnol

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ama o animal, ela estará fazendo o assunto eram raros no Brasil. De acordo com Sylvia, tanto o melhor para ele”. a faculdade como a comunidade científica ainda se mostram Cachorro Verde Jornalista, veterinária e muito contrários à alimentação co-fundadora do site Cachorro natural. A perseguição por parte Verde, Sylvia Angélico acredita da indústria da ração já é parte que é preciso muita disciplina do cotidiano de quem tem uma se quiser mudar a vida do pet proposta diferente. Além de trazer um vasto completamente. “A pessoa pre- cisa saber que ela precisa ter conteúdo a respeito da AN, descomprometimento, espaço no de as formas como ela pode ser freezer, organização. Precisa feita até quais os alimentos mais também colocar suplemento de adequados, o site oferece tamcálcio. É mais caro e mais traba- bém cursos para profissionais lhoso. Não pode deixar a peteca da área e para a comunidade em cair, senão quem sai perdendo é geral, que deseja aderir à dieta. É assim que o Cachorro Verde se o animalzinho”, afirma. Muito popular entre as propaga e forma novos autores pessoas que buscam informa- dessa narrativa. “Eu tenho dado ções sobre AN, o site surgiu cursos desde 2013 para vetericomo forma de compartilhar nários e zootecnistas sobre alidados e conteúdo sobre essa mentação natural e terapêutica, temática para quem precisas- que são as indicadas para ajudar se, já que, na época, em meados a controlar doenças. São centede 2008, livros e artigos sobre nas de veterinários já formados

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no curso”, reitera. Enquanto as famílias amantes de pets já reconheceram os benefícios que a alimentação natural pode trazer, ainda faltam alguns passos para que ela decole de vez no Brasil. Para Sylvia Angélico, poderiam existir mais estudos sobre o assunto no País. “Um pouco mais de apoio da comunidade científica seria legal. A gente vê que é complicado porque entra num conflito de interesses mesmo né. Ao invés de fazer uma linha de produtos melhor, ou de repente uma linha de alimentação natural, estou falando das grandes empresas de ração seca, elas fazem muita questão de tentar desacreditar a iniciativa. O que breca um pouco o avanço é isso”, reflete. E você, caro leitor, está esperando o que para propor uma nova vida ao seu animalzinho?


Curiosidade

Louis Edoa

Cão presidente O presidente da França, Emmanuel Macron, adota um vira-lata e honra uma antiga tradição do palácio Foto: Getty Imagens

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Para realizar um ato, devemos sempre ter um motivo? E quando somos uma figura pública e todas as nossas ações são interpretadas, o que deve animar o nosso agir? Com certeza essas interrogações deixam pairar dúvidas nas nossas vidas todos os dias, ainda que vivamos num mundo tão mediatizado ao ponto de as pessoas hesitarem muito antes de agir. Uma coisa, no entanto, que talvez ajudaria nessas situações, é pensar que certos atos têm o poder de mudar o rumo de muitas histórias. A prova disso é o fato de uma ação qualquer se transformar em grande exemplo e repercutir no mundo inteiro. Enquanto os ex-ocupantes do Palais des Élysées (residência oficial do presidente), em Paris, na França, para honrar e ser fiéis ao costume de ter um cão consigo quando se é eleito presidente, buscavam cães de raça e luxo, o atual habitante decidiu dar uma chance a um vira-lata sem coleira, como se diz na França. Modo muito estranho de honrar uma tradição de muitas gerações. Isso permitiu a um vira-lata se tornar o cão presidencial. Permitam-me então vos apresentar Nemo, encontrado na rua e adotado pela família presidencial francesa. Simpáti-


co, língua pendurada que apresenta uma curiosidade insaciável, aqueles que já o viram dizem que se agita com facilidade, tem um lábio desleixado e a cauda balançando nos corredores do Palácio. Novo integrante da família, Nemo entra na lista dos cães moradores do Palais des Élysées, honrando assim uma tradição que existe desde a época do presidente Pompidou (1969 - 1974), o qual teve Júpiter como companheiro. Chamado de Marin (marinheiro) pela equipe da SPA que o resgatou da rua e onde a família Macron o adotou, o casal presidencial batizou-o Nemo. Porém, nas ruas de Paris, dizem que batizar um navio de novo não traz muita sorte. No entanto, como todos podem ter o direito de usar o apelido que quiserem para seu cão, e sabendo que os cães não têm direito de falar, podemos conceder esse privilégio de (re)nomeação aos ‘pais’ Ma-

cron. Sortudos! Preto, Nemo parece inteligente, não é muito selvagem para uma França que está antenada à modernidade. Nemo é certo um vira-lata, mas tem sangue de labrador, linhagem real dos cães medor dos políticos republicanos. Nemo foi abandonado em Tulle, comuna de Corrèze onde está estabelecido o quartel do ex-presidente François Hollande, oportunidade aqui de homenagear o antecessor sem querer tratá-lo como um cachorro. Nemo se refez bem e agora usa um colar do mesmo vermelho do grande cordão da legião de honra. Quando ele aparece na varanda, é para pegar as pernas das eminências que sobem nos degraus do palácio presidencial. Na França, os animais de estimação estão muitos presentes na vida do povo. Diz-se que eles ajudam a aceitar melhor o bom humor, sacudir batidos ou proteger a casa com latidos na Foto: Getty Imagens

frente dos intrusos. Escolhendo ‘Matou’ e ‘Minou’, dois gatos da família, Macron teria transgredido a tradição. Com Nemo, ele se inscreve e honra o costume da ‘infantilização’ da população que acabou amando esse legado. Nemo Macron dá a papada ao Baltic Mitterrand (1981 -1995), que não foi aceito na igreja no funeral de seu mestre, o presidente François Mitterrand, e à Philae Hollande, do presidente François Hollande (2012 - 2017), que deu à luz a uma dúzia de cachorros, todos doados. Ele parece menos agressivo do que Sumo Chirac, um bichão que mordeu o presidente Jacques Chirac (1995 - 2007), e é menos pretensioso do que Jugurtha Giscard, companheiro do presidente Giscard d’Estaing (1974 - 1981). Acima de tudo, é como se ele fosse descendente do primeiro da linha, imposto por Georges Pompidou, chamado Júpiter. De qualquer forma, Nemo veio honrar uma prática aceita no país e faz parte agora da lista dos cães presidentes da República. Foto: Getty Imagens

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Diversão

Renata Mendes

Gatos: os maiores habitantes de Istambul

Filme revela conexão entre pessoas, animais e uma cidade Seja para relaxar ou para passar o tempo, ver vídeos de gatinhos se tornou comum em uma parcela da internet. Não é difícil rolar o feed das redes sociais e se deparar com gifs dos animais em situações fofas ou inusitadas. Para quem faz parte desse quadro, o documentário Kedi (Gatos), do cineasta Ceyda Torun, é um prato cheio. Em 80 minutos de filme conhecemos Istambul pela perspectiva de sete felinos que

habitam as ruas da cidade turca. Cada um deles com uma personalidade distinta, capaz de te deixar mais envolvido ao observá-los. Vemos uma fêmea mais brava e defensora. Há aquele que é mais sociável e pede carinho. Ou até mesmo o caçador que corre entra calçadas e bueiros em busca de pequenas presas. Com seu jeitinho particular, lutam pela sobrevivência em meio ao ambiente caótico urbano.

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A relação entre os moradores locais e os bichanos é cercada de extremo afeto e respeito. São fundamentais ao auxiliarem os bichos a viverem com comida e higiene, além de demonstrarem grande admiração em seus depoimentos. “Creio que se relacionar com um gato seja muito parecido com ter um amigo alienígena. Você faz contato com uma forma de vida muito diferente, abre um canal de comunicação com o outro e inicia


um diálogo”, comenta uma das entrevistadas. As câmeras acompanham os passos dos felinos por telhados, vielas, feiras e restaurantes. Desta forma, temos a chance de observar a beleza da maior metrópole da Turquia. Eles ajudam a contar a história do local que os abriga tão bem. Nas vias de Istambul é fácil encontrar potes com água e ração para os habitantes de quatro patas. Na obra percebemos que o que é exibido nas telas é diferente do que estamos acostumados em relação aos comportamentos dos animais domésticos do nosso convívio. Esses apontam traços mais instintivos e naturais. Também não se assemelham com os bichinhos que são abandonados por aqui. Kedi mostra a relação de parceria entre humanos e felinos, que não apenas levam alegria para um lugar, mas pertencem a um lugar.

Ficha técnica Título: Kedi Direção: Ceyda Torun Elenco: Atores desconhecidos Duração: 120 min.

Ano: 2016 Gênero: Documentário País: Turquia / Estados Unidos. Classificação: Livre

Foto: Divulgação do filme

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Animais como aliados no

Bichos se tornam importantes personag w


o tratamento de doenças

gens para a recuperação das pessoas


Capa

T

rês cães passeiam pelo Instituto Central do Hospital das Clínicas, em São Paulo. Antes de entrarem, bebem água e limpam as patas para então começar a visita. Com uma bandana no pescoço, o labrador Argos, o golden retriever Namour e a vira-lata Chanel já sentem-se à vontade no local.

Renata Mendes Logo de cara, é notável a diferença que os animais fazem no lugar. Pelos corredores são abordados por funcionários que se aproximam com um sorriso no rosto para acariciar e brincar com os bichos. Quando chegam ao oitavo andar, os peludinhos já estão preparados para atender aos pacientes da ala geriátrica. Cada idoso reage de uma forma diferente. Uns preferem se man-

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ter distantes, mas a maioria recebe o trio em suas camas. Os cachorros fazem parte da Organização Não Governamental (ONG) Patas Therapeutas, que desde 2012 atua com Terapia Assistida por Animais (TAA), zooterapia ou pet terapia, que consiste na interação entre o homem e o animal visando melhoria na saúde. Os voluntários trabalham com ou sem seus próFoto: Divulgação Patas Therapeutas


prios bichos, levando os pequenos terapeutas a abrigos, asilos e hospitais. A idade mínima para que o bicho seja usado na terapia é de um ano, precisa ser adulto e não há distinção de raça ou tamanho. “O primeiro pré-requisito é ser um animal afetivo. Ele não pode morder ou ficar rosnando”, explica Silvana Fideli, psicanalista e fundadora do Instituto. Cães e gatos tomam vacinas para prevenir zoonoses, são castrados e os cachorros recebem adestramentos de comportamento básico. Tratamento com animais também aparecem dentro de consultórios de psicologia. A clínica Gati Equoterapia (Grupo de Terapia Integrada) promove a relação entre humanos com diferentes espécies como cães, tartarugas, coelhos, calopsitas, porquinho da índia e até bicho de pau. O local tem parcerias com escolas da região, atendendo principalmente o público infantil com problemas de aprendizagem. “Em comparação com a terapia clínica convencional, com animais tem um retorno mais rápido”, afirma Julia Carvalho, psicóloga e coordenadora da Gati. Até quem aparentemente não gosta de animais procura esse tipo de serviço. “Há pacientes que buscam por terem fobia. Então vamos descobrir o que causou isso”, narra Julia. Além da pet terapia, utilizam a equoterapia que faz essa dinâmica com cavalos. “Na equoterapia lidamos com a reabilitação. Atendemos crianças com dificuldades motoras e com síndromes raras”, conta a coordenadora. Esse método foi oficializado em 1998 pela Associação Brasileira de Equoterapia e

Foto: Divulgação Gati Equoterapia (Grupo de Terapia Integrada)

Animais são utilizados pelo GATI Equoterapia durante consultas com pacientes

é aceito pela Medicina. Mesmo com avanço dos estudos em torno da zooterapia, ainda há quem olhe com conservadorismo essa ferramenta de intervenção. “Comprovação científica tem, só falta reconhecimento”, relata Julia. Em contrapartida, a aceitação está maior. “A diferença de quando eu comecei para agora é imensa. Antes nós tínhamos que correr atrás dos hospitais”, fala

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Silvana. Em fevereiro de 2018, entrou em vigor a Lei Nº 0355/17, que permite a entrada de animais de estimação dos pacientes em hospitais públicos em São Paulo. Agora os donos podem receber visitas de seus amigos de quatro patas. “A diferença é que esses só podem ser manuseados pelos próprios donos”, explica a psicanalista.


Depressão e ansiedade Considerada como mal do século 21, a depressão é um distúrbio mental que se caracteriza pela falta de interesse por prazeres da vida, tristeza e desânimo por um longo período. A OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que mais de 350 milhões de pessoas sofrem com a doença. No Brasil 5,8% da população enfrenta esse problema. O acompanhamento profissional é fundamental para lidar com a patologia. Mas o convívio com animais aparece nas receitas médicas. “É interessante que a pessoa tenha um bichi-

nho, uma planta, ou seja, seres vivos que precisam de cuidados. Isso move alguma coisa”, aponta a psicóloga Renata de Abreu. Os bichos podem ser grandes estimulantes no combate. “Podem ajudar através da vinculação afetiva em um contato passageiro ou de longo prazo, com o próprio animal doméstico ou através do acesso constante a um animal de apoio emocional (ESAN - Emocional Support Animal) participante de uma intervenção psicoterapêutica”, conta a psicóloga Vanessa Monteiro. Quem possui um animal sabe a importância e o papel que

Amora é a grande companheira de Tainá e leva alegria para a jovem

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eles têm em sua recuperação. A estagiária em jornalismo Tainá Fernandes, 19, teve crises depressivas em junho de 2017. “O psiquiatra me recomendou ficar perto de coisas que me fazem me sentir bem”, relata a jovem. Três semanas depois, seus pais lhe deram Amora, sua cachorrinha. “A energia que ela me traz, de querer chegar em casa, de eu querer ver ela pulando, me abraçando e cuidar dela me dá um motivo a mais pra continuar aqui”, completa. A depressão é uma patologia que pode ser genética, mas “qualquer pessoa está sujeita a Foto: Arquivo pessoal Tainá Fernandes


passar por instabilidades psicológicas, sem qualquer distinção de gênero ou raça ou classe ou qualquer outro quesito”, comenta Vanessa. Pode estar ligada a outros desequilíbrios psicológicos como a ansiedade. Ela se caracteriza pela insegurança e o medo que, quando fogem do controle, são sentimentos perigosos. A OMS aponta que cerca de 33% da população convivem com a ansiedade. Já no Brasil, 18,6 milhões de pessoas enfrentam o problema, sendo o maior índice mundial. Camila Silveira, atendente de telemarketing, descobriu

ter a doença há dois anos. “Me falta ar e o pensamento fica acelerado. Costuma durar de 5 a 8 minutos para eu me acalmar”, narra. Quando ocorrem as crises, busca controlá-las com a respiração. A preocupação é um fator que fez com que Deise (nome fictício), 51, desenvolvesse a doença. Passava noites em claro pensando nas pendências no dia seguinte e como solucioná-las. Buscou ajuda clínica e lhe foi receitado um medicamento. “Para evitar tento ocupar meu tempo com coisas que eu mais gosto de fazer, como cuidar de plan-

tas sair pra conversar, e sempre pensar positivo e confiar em mim”, conta. A primeira já tinha um cachorro, o Napoleão, quando foi diagnosticada com o transtorno. “Quando tudo começou, ele já estava comigo”, afirma Camila. “Pego ele, fico fazendo carinho, deixo ele me lamber e por último e não menos importante, converso bastante”, continua. Já Deise adotou Bob posteriormente e convivem há quase um ano. “Ele mudou minha rotina. Agora levanto cedo para cuidar dele”, diz. Foto: Arquivo pessoal Deise

Cuidar de Bob ajuda Deise ocupar a cabeça e a lidar melhor com as crises de ansiedade

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Companheirismo Seja dentros dos hospitais, clínicas ou em casa é notável os benefícios que os animais trazem para a saúde humana. Criar um pet é uma maneira de se distrair, criar responsabilidades e, claro, ter um amigo ao seu lado. A troca de afeto é um dos motivos que comprovam melhora na qualidade de vida do indivíduo. A parceria homem e animal traz melhorias para o processo cognitivo mental e físico, além de ajudarem com a produção de hormônios como endorfina. “Esses benefícios quem ganha não são apenas os pacientes. Todas as pessoas que entram em contato com animal, mesmo que seja visual, se beneficiam. E os animais também liberam. É uma terapia completa para todos”, diz a psicanalista Silvana.

Na TAA os profissionais que se envolvem com os pacientes sentem-se satisfeitos em contribuir nessa relação. “A pediatria de um dos hospitais diz que no dia que a gente vai lá as crianças tomam menos medicação. Todo dia é uma emoção diferente”, declara Silvana. A assistente social Priscila Gaia enfrenta problemas com ansiedade desde 2009, que com o tempo desencadeou em uma depressão. Em 2013, mesmo ano em que começou o tratamento terapêutico, ganhou a gata Serena com 45 dias de vida. Teve outras felinas, mas hoje convive só com uma. “Uma irmã dela morreu porque caiu do décimo primeiro andar. Depois adotei outras duas, uma desapareceu e a outra foi morta por um cachorro”, narra Priscila. No ápice da depressão há

A relação entre Serena e Priscila é de amizade e afeto

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três anos, sentiu-se muito perdida, com dificuldades de sair da cama e até tentou suicídio. Nessa época, dividia apartamento com duas garotas. “As pessoas me tratavam como se fosse uma estranha. O afeto que eu tive veio dos animais. Aquilo que muitas pessoas falam ‘ah o gato é um bicho egoísta, ele só pensa nele’ não é assim. Eu tive o amor das minhas gatas”, conta. Serena é a grande amiga de Priscila e seu animal de apoio emocional (ESAN - Emocional Support Animal). “Quando eu precisar viajar eu de avião alguma coisa, ela vai ter um atestado de que ela é um animal de suporte psicológico”, explica a jovem. “Eu cuido o máximo possível para que ela dure bastante, para que a gente possa viver muitas coisas felizes juntas”, finaliza. Foto: Arquivo pessoal Priscila Gaia


Saúde

Louis Edoa

Como acabar com o mau

Fato comum na vida dos bichinhos, o mau hálito pod O mau hálito, chamado cientificamente de halitose, não é uma doença, mas pode ser um sintoma de que algo no organismo está em desequilíbrio. Assim, precisa ser identificado e tratado. De maneira prática, o mau hálito é o cheiro do ar que sai da boca e é muito indesejável. Presente em homens, ele também é muito frequente em animais de estimação e gera uma grande preocupação dos donos que, muitas vezes, não sabem por onde começar para tratar esse problema. Muitos de nós achamos que é algo normal os animais de estimação terem mau hálito, porém é importante saber que não é, e, com isso, prestar mais atenção à saúde bucal dos pets. Ao notar que seu pet está com bafo, é imprescindível buscar as causas. Geralmente, a falta de higiene é a principal causa desse problema e pode resultar em uma série de outras complicações. “As causas mais frequentes são os cálculos dentários, geralmente conhecidos como tártaro, presente em quase 90% dos casos de halitose”, diz André Gatti, médico veterinário. Porém, não é a única causa, assegura. “Tem vários outros fatores como, nos gatos, temos o Complexo Gengivite Estomatite Felino (CGEF), doença inflamatória grave da cavidade oral de etiologia”, continua. A halitose e as doenças periodontais surgem geralmen-

te em quase 85% dos animais de estimação com idade a partir de três anos. Por isso, é bom entender que a saúde bucal dos caninos é um ponto que deve receber grande atenção por parte das pessoas que têm um amigo de quatro patas em casa. É necessário praticar a limpeza dos dentes e gengivas dos caninos (a escovação) diariamente para evitar mau hálito. É preciso investigar as

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causas e tratar para manter os nossos amigos longe de complicações mais sérias ligadas ao tártaro. O que torna o mau hálito perigoso são os sinais quase invisíveis, como as lesões que ocorrem sob a gengiva. “Muitas vezes o proprietário não percebe que o cão está doente. A halitose é o único sinal visível de que pode haver algo de errado”, alerta André Gatti. As doenças periodontais também são as principais causas de perda de dentes


u hálito do seu pet?

de ser sinal de doenças perigosas saudáveis.

Doenças ligadas ao tártaro O odor forte que sai da boca do seu pet é o principal sintoma e o único visível de que seu bichinho pode estar com uma doença periodontal, que pode resultar em complicações como a perda dos dentes, inflamação cardíacas, renais e hepáticas. Segundo André Gatti, “o CGEF é mais perigoso, pois o animal acaba desenvolvendo muitas

lesões hiperêmicas, proliferativas e ulcerativas e ainda o tratamento é difícil”, afirma. Além do CGEF, em animais em geral, o mau hálito pode estar relacionado ao diabetes, cálculo renal ou à gastrite. O médico ainda lembra que a halitose é um sintoma, mas o tártaro sim pode provocar doenças bem graves quando não for tratado a tempo. “Pode causar problemas como insuficiência renal, lesar os rins, afetar o Foto: Louis Edoa

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coração ou o fígado pelo fato de que a placa bacteriana que causa o tártaro pode cair na corrente circulatória e prejudicar esses órgãos”, explica. Por isso ele precisa ser tratado pois, se não for, além de perder a dentição, o animal pode correr risco de vida. Quando o animal apresentar mau hálito é melhor procurar o veterinário, pois o sintoma também é característico do tumor de boca. “Se o acúmulo de tártaro for a causa da halitose, o animal precisará passar por uma raspagem por meio de equipamentos adequados como o ultrassom e curetas, com o polimento dos dentes, usando anestesia geral”, informa. Em alguns casos, a doença periodontal, que acomete a gengiva, já está instalada e atingiu estruturas que sustentam o dente. Como evitar a doença periodontal no seu pet? A prevenção do tártaro é o melhor jeito de evitar uma possível complicação. Por isso certos gestos e atitudes precisam fazer parte do cuidado que reservamos aos nossos amigos. Os donos precisam entender que cuidar de um pet não é só dar comida e levar ao pet shop para tomar banho: necessita ainda um pouco de atenção e dedicação com a higiene bucal do animal. Por isso reservamos algumas dicas que podem ajudar no dia-dia:


Não oferecer biscoitos em excesso, para não substituir o mau hálito pelo sobrepeso, que também é ruim. Praticar diariamente a escovação desde os primeiros dias pois, quanto antes você começar a escovar os dentes do pet, mais cedo ele se acostumará e conseguirá evitar os problemas ligados ao tártaro e à halitose. Sempre que for escovar os dentes do seu pet, utilize escovas apropriadas para cães para não machucar a gengiva do animal, que é muito delicada. Se o seu pet não aceita a escova ou se você tiver um gato, faça a higiene bucal com uma gaze e um pouco de pasta enzimática adaptada para cada ani-

mal. Cuidado com o uso do enxaguante bucal, pois, se forem aplicado em excesso, eles podem causar gastrite no bichinho. Brinquedos de borracha também são indicados para ajudar a cuidar da higiene bucal do seu animal. Por terem consistência rígida, eles contribuem para prevenir cáries e o mau hálito. No entanto, a melhor forma de prevenção ainda é a escovação, mas aqui depende do animal. Em gatos, por exemplo, não é uma tarefa fácil.

para cuidar da saúde em geral e da halitose em particular. Se seu animal apresentar constantemente mau hálito e se nenhuma condição ou tratamento ajudar a acabar com isso, o melhor passo é mudar a alimentação. Optar por uma ração seca é uma boa opção, pois o alimento seco possui efeito mais abrasivo. Também é fundamental trocar com frequência a água e garantir que o seu pet tenha sempre água fresca e potável disponível. A combinação desses dois fatores é uma boa porta de saída. A limpeza, tanto do comedouro quanAlimentação e hidratação to do bebedouro, com frequên A combinação entre uma cia acaba sendo fundamental. boa alimentação e uma constante hidratação são fundamentais

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Saúde

Doenças incomuns

Thayná Agnelli

Contato com outros animais podem ser o meio de transmissão dessas patologias Assim como os humanos, os pets também ficam doentes no decorrer da vida. Sarnas, carrapatos, pulgas, alergias, otites e doenças respiratórias são alguns exemplos de enfermidades comuns que, ao menos uma vez, afeta cães e gatos. Por outro lado, temos as patologias incomuns como a papilomatose canina e a peritonite infecciosa felina, também chamada de PIF. Papilomatose Canina Doença viral, causada pelo papillomavirus, a papilomatose afeta, principalmente, os cães jovens. Ela se manifesta formando verrugas, que são tumores benignos. Normalmente, eles aparecem nas partes orais – gengiva, língua, esôfago –, cutâneas e oculares. Mas, não é uma enfermidade perigosa. Segundo o veterinário Diego Monteiro, “a doença é autolimitante”, ou seja, não precisa de intervenção médica, já que de quatro a oito semanas ela regride e some espontaneamente. Porém, em animais imunessuprimidos, isto é, aqueles onde o sistema imunológico não consegue combater o vírus, uma interferência médica é necessária. “Nesses casos, dentre os tratamentos possíveis, podemos citar a cirurgia, criocirurgia, quando queimamos o tumor, va-

cina autógena ou recombinante”, destaca a especialista Herica Bonifácio. Há duas formas da patologia ser contraída: direta ou indiretamente. No primeiro caso, é através do contato com um animal infectado. No segundo, é com sangue contaminado, por exemplo. Independentemente da maneira pelo qual a papilomatose é pega, é necessário que o cachorro doente fique isolado, principalmente, se a residência tiver outros pets. O diagnóstico, geralmente, é visível e sugestivo, como indica Diego: “a gente vai pela idade, se ele convive com outros cachorros ou veio de uma ONG ou canil”, revela. E, de acordo com Herica, para garantir a suspeita inicial, exames histopatológicos e microscopia eletrônica são opções a serem feitas. Por ser uma doença viral, os cães tornam-se resistentes a papilomatose, mas em alguns casos, como o de imunidade baixa, os animais podem contrair novamente a enfermidade. Peritonite infecciosa felina Transmitida pelo coronavirus, a peritonite infecciosa felina (PIF) é uma doença séria, progressiva e fatal. “Ela causa

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uma infecção generalizada no corpo do gato, principalmente uma vasculite, isto é, inflamação das veias, mais acentuada no abdômen, onde tem o peritônio”, explica Diego. A PIF afeta, principalmente, felinos jovens, pois é difícil evitar o contato entre os animais nessa fase da vida porque eles são mais ativos, querem sair de casa. Essa patologia se manifesta de duas maneiras: a efusiva, conhecida como úmida, e a não efusiva, chamada de seca. Conforme o veterinário, a forma úmida é mais aguda, é onde existe a produção de líquido livre no abdômen e na pleura. Já a seca é um caso mais crônico e as reações são um pouco mais brandas. A doença não tem cura, logo não existe um tratamento para a enfermidade e sim, para os sintomas que ela causa, como vômitos, diarreia,

desidratação, febre, anorexia. “O acompanhamento que fazemos é de suporte, visando promover a qualidade de vida e bem estar do animal nesta condição”, enfatiza Herica. Ao contrário da maioria


das enfermidades, o diagnóstico com os especialistas, a avaliação e com exames complementares definitivo da PIF é feito pós-mor- era baseada no histórico do pet, que dão evidências de que o bite. Anteriormente, de acordo nos sinais clínicos apresentados chinho está com a patologia.

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Comportamento

Renata Mendes

Espirros, manchas na pele, problemas respiratórios... Entenda como é possível ter animais mesmo com alergia Foto: Pixabay

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Os animais domésticos são grandes amigos do homem. Os peludinhos de quatro patas levam alegria, companhia e ajudam a melhorar o estilo de vida de seus donos. Mas, para alguns, o convívio com os bichos pode ser um risco. Isso acontece pois os bichos liberam uma proteína em seus pelos, saliva e urina que é alergênica. A OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que 35% da população brasileira sofre com um tipo de alergia. Geralmente quem se encontra nesse quadro já está predisposto a enfrentar esse problema. “Uma propensão genética faz com que o sistema imunológico da pessoa responda de maneira inadequada para várias coisas, e uma delas para animais”, como explica a médica Ana Paula Moschione, alergista do ASBAI (Associação Brasileira de Alergia e Imunologia). Espirros, tosses, olhos lacrimejando, coceira no nariz e falta de ar caracterizam a doença. Porém, o paciente deve se atentar a outros sinais. “Manifestações respiratórias como a rini-


te e asma são as mais temidas. Mas crianças e adultos também podem ter problemas de pele como a urticária, placas avermelhadas que coçam bastante”, conta a alergista Ana Paula. Em 2011, a jornalista Yara Rocca enfrentou um edema de glote, ou seja, um inchaço na laringe que impede a passagem de ar para os pulmões. “Eu fiquei sem respirar por dois minutos, e eu sempre tive gatos. Nem imaginava que era por conta de alergia a pêlos, mas era”, relata a Yara. Os exames apontaram alergia a felinos nível 4 e 3 a cachorros. Na época a escritora tinha duas gatas e então foi instruída a afastar-se das bichanas. “Um médico me disse ‘você nunca mais vai poder ter gatos’”, relata. Uma morreu quando desco-

briu a alergia e a outra ela doou continuar com sua cadela. “Hoje para uma prima. ela não dorme dentro de casa”, diz. A estudante fica afastada de Convivência Amora para se prevenir e recebe Apesar das dificuldades ajuda de sua mãe para cuidar da de se viver ao lado do bicho, li- cachorra. “Minha alergia é muito vrar-se dele nem sempre é uma forte. Em uma hora de contato opção. O amor e o carinho fa- ela já aparece”, completa. lam mais alto e muitos insistem Em janeiro, depois de sua em continuar com os bichinhos, irmã insistir muito Yara adotou mesmo com os perigos que isso uma gata que vivia sem dono em pode trazer. “No geral pedimos seu condomínio. A princípio se para que o animal fique restrito. manteve longe mas isso durou É possível mantê-lo e ver o espa- pouco tempo. “Primeiro ela foi ço dos dois. Mas é preciso ver o pra sala, depois pro meu colo, grau da alergia”, explica a médi- agora fica na minha cama”, narra ca. a jornalista. A fêmea ainda deu a A estudante de direito luz a dois gatinhos; um não reDionisia Ramos desde criança sistiu e o outro ela cuida. Meses sempre teve cães, mas há dois depois mais dois filhotes entraanos percebeu sintomas como ram para a família. Sete anos espirros e irritação, e com o após a primeira crise, a escritora diagnóstico constatou-se tra- convive com quatro felinos e diz tar de uma alergia. Mas decidiu não ter sofrido reações. Foto: Arquivo pessoal Dionisia Ramos

Dionisia manteve cadela mesmo depois de descobrir ser alérgica. Porém, o animal fica afastado da moça

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Animais hipoalergênicos Algumas raças são consideradas nocivas para quem tem alergia. São os chamados animais hipoalergênicos que costumam gerar menor reação nas pessoas que se caracterizam por exibir menos agentes alérgicos. Entre eles encontram - se os cães Peruano, Xoloitzcuintle, Cristano chinês, Dachshund e o Bedlington Terrier, por exemplo. Já entre os gatos temos o Esfinge e Peterbald que não têm pelos. Entretanto, não deve ser considerado uma regra pois cada paciente reage de uma forma diferente ao entrar em contato com os bichos. Além disso, a dificuldade de encontrá-los no Brasil e o alto preço espanta quem tem interesse em adquirir esse tipo de animal. “Raça

hipoalergênica não é certeza e é um animal muito caro”, comenta Ana Paula. “Já tive interesse, mas vi que um gato nos Estados Unidos custa 23 mil reais”, completa Yara.

Eles também sofrem Assim como os humanos cães e gatos correm o risco de desenvolverem reações alérgicas. Há três tipos que podem ser desenvolvidas. A DAPE (Dermatite alérgica à picada de ectoparasitas) causadas por pulgas e carrapatos, a alergia alimentar por conta da proteína da carne presente em rações e a atopia ocasionadas por substâncias ambientais como ácaros, perfumes, produtos de limpeza. No consultório, geralmente os animais estão com

a pele bastante sensível. “Eles chegam com muita coceira e todo vermelhinho. A gente não trata só a alergia mas também a pele. Com antibióticos, anti - inflamatórios e xampus. E entra o tratamento de prevenção para não ter pulga e carrapato”, explica Carlos Alberto Sanchez da clínica Veterinária São João, em Guarulhos. No caso da reação alimentar, a ração pode ser trocada por um alimento hipoalergênico. Na atopia é receitado medicamentos mais fortes como corticoides que só podem ser manipulados por veterinários. “É um paciente que vai ter acompanhamento pelo resto da vida”, aponta o especialista.

Gato da raça Esfinge é um dos animais considerados hipoalergênicos

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Foto: Pixabay


Comportamento

Louis Edoa Foto: Louis Edoa

Eles são especiais Pets com necessidades especiais podem ter vida normal e dar muito amor Ter um animal de estimação dentro de casa é um hábito que acompanha o ser humano há séculos e hoje se tornou mais comum, sobretudo quando se sabe que eles são capazes de proporcionar vantagens terapêuticas para a saúde de seus donos, aliviar a solidão, o estresse e promover a interação social. Mas, quando esses bichinhos

têm alguma deficiência, existe um certo preconceito e tabu que rodeiam a possibilidade da adoção ou de compra. A maior dificuldade está na desconfiança e na falta de informação. As pessoas não buscam se informar corretamente e querem animais em perfeita condição. As deficiências em animais de estimação são variáveis

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e as causas, diversas. Alguns bichos nascem sem membros, outros sofrem mutilação ou maus-tratos, sequelas de viroses, atropelamentos, cegueira ou ainda paralisia. A ocorrência é maior em cães mais velhos, que tendem a ser atacados por doenças como cegueira, surdez ou atrofiamento dos membros, que geram dificuldades de loco-


moção. Mesmo com tudo isso, animais especiais têm qualidades de vida, ao contrário do que pensam muitas pessoas. Marcello Machado de Azevedo, veterinário e gerente técnico nacional do TotalAlimentos/Neovia, da Naturalis, explica que as “deficiências podem vir principalmente de lesões traumáticas como atropelamentos, doenças infecto-contagiosas que danifiquem o sistema neurológico, doenças congênitas e/ou genéticas e também do próprio processo natural de envelhecimento. As deficiências de locomoção são comuns”. No entanto, muitas pessoas se conscientizaram com o tempo de que é possível, sim, educar e criar um pet com deficiência física, seja qual for o tipo. Todos perceberam que esses amáveis amigos também necessitam de cuidados e merecem

ter uma família. É o caso de Letícia Franco, moradora de São Bernardo do Campo. “Tenho três cães e dois gatos. Dois cachorros são especiais e posso dizer especiais nos dois sentidos: um por ter deficiências e outro por conseguir superar as mesmas até ao ponto de quase não depender de ninguém”, conta. “Os dois são cegos: uma fêmea (poodle branco), devido à idade avançada (14), e outro (vira-lata), que encontrei na rua abandonado, sujo e magro. Levei para casa e comecei a dar os primeiros cuidados, quando dei comida. Aí que percebi que estava cego, pois não achava o prato de comida”, continua. “No início não era nada fácil, pois já tinha a cachorra mais velha que estava perdendo a vista. Quase desisti dele!”, chora Letícia. “Mas não quis fazer como o dono que tinha abandonado”, termina.

Cachorro vira-lata cego da Letícia Franco

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Letícia lamenta o fato de um bichinho ser abandonado: “sobretudo com uma deficiência como essa, como ele conseguiria se virar na rua?”, pergunta-se, em lágrimas. “Alguém que abandona um animal em tal estado, eu me pergunto se tem mesmo coração, eu não sei não hein”, exclama, indignada. “Os cuidados não foram fáceis. Aprendi a deixar o caminho livre, colocar sempre a comida no mesmo lugar e manter as rotinas no veterinário até que eles acostumaram e hoje vivem felizes sem precisar de ser ajudados: eles são especiais”, termina, sorrindo. Como Letícia, Alziro Pereira, morador do bairro Tatetos, na região do Riacho Grande, em São Bernardo do Campo, tem com ele dois cães surdos dentre os quatros pets que possui em sua fazenda. “São três cachorros e um gato. Dois dos cachorFoto: Louis Edoa


ros (rottweiler) são surdos e muitos amáveis e especiais. Eles desenvolveram outros sentidos que ajudam no dia-dia deles e conseguem se virar muito bem. Não são muito dependentes e, ao contrário do que eu imaginava lidam bem com esse problema”, conta. Alziro se emociona quando conta como seus companheiros conseguiram superar a deficiência deles. “Eles seguem e acompanham o outro cachorro, (pastor alemão), que nao tem deficiência e é ele que serve de ouvidos para eles. Nunca dão trabalho. O aparelho que eles precisam é muito caro, por isso não conseguiu comprar devido ao fato que também não possui muito recursos financeiros”, completa.

“A junção da valorização dos pets dentro dos lares por seus tutores e o avanço da Medicina Veterinária em oferecer um suporte adequado possibilita que cada vez mais os pets que possuam alguma deficiência possam ter uma vida de qualidade. Antes, no passado, muitos deles acabavam por ser eutanasiados, por ser quase impossível manter um animal deficiente”, comenta o veterinário Marcello, que pensa ainda que esses fatores justificam o fato de encontrar muitas famílias que aceitam cuidar de animais com deficiências. Ele ainda dá algumas dicas para quem tiver interesse de adotar um pet deficiente. “Além do carinho e atenção, estes pets necessitam de um acompanhamento de profissionais especializados

dependendo do tipo e grau da deficiência. São mascotes que geralmente precisam frequentar o veterinário com maior assiduidade em comparação aos pets que não apresentam necessidades especiais”, afirma. O profissional em saúde animal ainda garante que o cuidado com esses animais não é difícil. “Um pouco mais de atenção sempre será necessário pois estes mascotes acabam sendo mais dependentes de nós na rotina diária. Mas comparado ao retorno que eles nos trazem, acaba sendo sempre muito prazerosa para quem ama seu pet”, afirma. Além de uma vida normal, o pet deficiente pode ser adestrado e, assim, conseguir lidar com sua deficiência. É aquilo que percebeu Anita Queiroz, Foto: Louis Edoa

“Ele já conhence esse parque e consegue caminhar sozinho sem esbarrar”, diz dona de cão cego

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estudante de educação física de Goiânia no Estado de Goiás, que, a partir de um pedido de ajuda que viu na internet, decidiu iniciar uma atividade voluntária para ajudar famílias que tinham cães deficientes. “Há 7 anos não tinha conhecimento desses casos e vi na internet um pedido de ajuda. Como tenho facilidade em criação, resolvi tentar e consegui criar uma cadeira de rodas para um cão deficiente, desde então não parei mais e posso contar quase 2000 cadeiras que fiz”, conta. Anita continua ainda essa atividade, mas lamenta a falta de recurso que a levou a diminuir a quantidade e também as doações. “A minha intenção era doar todas as cadeiras de rodas, cobrando justo o frete mas, perdi o meu emprego e ficou difícil

poder conseguir o material necessário para a confecção das cadeiras por isso, comecei a cobrar um valor simbólico para poder comprar o material necessário”, explica. “Mas, mesmo assim, a intenção principal continua sendo a de ajudar os animais a poder desfrutar de uma vida feliz, eles merecem”, termina. Os procedimentos para adotar e cuidar de um animal de estimação que tenha algum tipo de deficiência são bem diferentes. No entanto, adotar um desses bichinhos é uma atitude responsável e aqueles que têm tomado tal decisão afirmam que não se arrependem, já que esses animais são muito mais amorosos e gratos do que aqueles que não têm deficiências. Marcello ressalta que um animal de esti-

mação deficiente não deve ser tratado de um modo convencional. “Não precisa ter compaixão, ainda menos pena. Não deve também tratá-los como se qualquer toque fosse machucá-los. Eles têm necessidades diferentes, mas isso não faz deles inválidos ou frágeis. Um cuidado mais atencioso é necessário, acompanhamento por um profissional muito indicado”, finaliza. Assim, com um pouco de esforço, dedicação, carinho e amor, todos podemos cuidar e desfrutar ao máximo dos nossos amigos de estimação e deixá-los muito felizes.

Foto: Louis Edoa

“Sempre levo ela aqui para passear e curtir, está perdendo a visão mas é muito esperta”, revela donaw

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Perfil

Louis Edoa

“O sorriso no rosto é a minha força” Apaixonada por animais, filha de treinador de cavalo luta pela causa dos pets deficientes Foto: Anita Queiroz

Para lutar por uma causa às vezes não é preciso muito, somente o amor. São inúmeras as entidades que buscam cuidar de animais carentes, assim como almas generosas e grandiosas que tomam as redes e decidem se lançar em mares que, muitas vezes, não conhecem as profundezas, o empenho e os riscos. Elas são impulsionadas pelo desejo de transformar situações de tristeza em condições de bem-estar e espalhar sentimentos como alegria e felicidade, sobretudo aos mais vulneráveis, como são os animais deficientes em particular. Não buscam fama ou reconhecimento, a única coisa que querem é ajudar e dissipar o amor por onde passam. As suas ações, mesmo sem ser divulgadas, acabam inspirando aqueles que partilham o cotidiano delas e, quando são conhecidas pelo grande público, se tornam estímulo e incentivo. Uma das suas qualidades é a humildade e é nessa atitude que faz deduzir que se trata de alguém que busca semear o bem e transformar o mundo sem esperar nem visar algo em troca: nós as chamamos Anita Queiroz luta pelo bem-estar dos pets deficientes fazendo de transformadores. cadeiras de rodas em PVC para ajudar na mobilidade

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Inspiração familiar É o caso da jovem goiana Anita Queiroz, 40, que iniciou uma caminhada como defensora dos animais e, sobretudo, dos deficientes, há quase uma década. Tudo começou quando Anita estava navegando pela internet e de modo fortuito deparou-se com a história de um cachorro deficiente no Rio de Janeiro. Surpresa por não saber que existiam animais com tais condições, ela se comoveu e decidiu partir para a ação. “Eu não tinha conhecimento desses casos e vi na Internet um pedido de ajuda, um post do Rio de Janeiro. Como tenho facilidade em copiar, resolvi tentar fazer, consegui e enviei para a pessoa que precisava no endereço que ela me passou. Porém, quando notei a chegada pelo rastreio e recebimento, tentei localizar para saber como tinha ficado a cadeira e a pessoa sumiu. Com auxílio de algumas pessoas das redes sociais descobri que essa mulher não existia e que teria me dado um golpe vendendo minha cadeira. Assim veio minha vontade de fazer mais, e comecei a procurar por mais animais deficientes e descobri que existiam muito mais que eu pensava”, conta. Decidiu então iniciar uma pequena fábrica de cadeiras de rodas em PVC para pets deficientes no seu próprio domicílio e doá-las às pessoas necessitadas. Foi o pontapé de uma longa jornada que dura hoje cerca de sete anos entre alegrias, decepções, amor, superação, frustração e muito mais. Estudante de educação física, Anita é autônoma no ramo da confecção de roupas. “Eu trabalho como prestadora de serviço em casa. Faço a costura das roupas para confecções que

Foto: Letícia Queiroz

A sua paixão pelos animais é muito grande

distribuem para revendedores”. Bem centrada e organizada, Anita não se perde nos afazeres e sabe administrar tempo e ambiente. Isso faz com que, mesmo tendo a fábrica em casa, ela saiba colocar cada coisa no seu devido lugar. “Eu sou organizada e realizo a minha atividade na minha residência e não me perco em meio a tudo isso”. No

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entanto, um costume que ainda não cultivou é tomar notas ou registrar o que faz. “Importo-me mesmo com aquilo que ainda não consegui fazer e nisso fico ansiosa”, afirma. Anita gosta de detalhes, mas não deixa o ambiente muito carregado. Em casa, ela tem alguns nichos com livros e outros objetos como torre Eiffel e cachorros feitos de


barro. Amante de clubes, cinema ou qualquer outro lugar que tenha ou venda comida, ela não é uma pessoa noturna. “Penso que a noite foi feita para dormir (riso). Não gosto muito da noite, gosto mais de lugares que possa ir durante o dia”. Quem conhece Anita sabe também que “ela gosta de uma boa comida, mas tem as preferências dela [risos]. Ela adora strogonoff”, relata Letícia. Ela divide seu tempo entre tarefas domésticas, trabalho e confecções de cadeiras, mas não tem um cronograma fixo e definido para cada coisa: “tudo depende da urgência de cada uma das minhas atividades”. Umas das suas melhores qualidades são a confiança e o otimismo que encanta até os familiares. “Ela é confiante e otimista que cada problema representa novas possibilidades e busca sempre o lado positivo das coisas”, conta sua sobrinha Letícia Queiroz. Em tudo, ela se inspira nos seus pais. “Tenho duas inspirações, a minha mãe e meu pai. Minha mãe (Eveline Brito) é uma batalhadora. Perdemos meu pai jovens e ela nos criou na medida do possível, mas nos tornamos mulheres e homens do bem”, conta. Nunca tive um pet deficiente “Meu pai era amante de animais, treinador de cavalos de corridas. Ele não aceitava maus tratos. Era natural de Barretos, mas odiava rodeios”. A paixão por animais vem de nascença. Filha de Waldir Queiroz, conhecido em Goiânia como treinador de cavalos, Anita nasceu em uma família pequena de quatro filhos e lembra muito bem como era o ambiente familiar, as alegrias e

Foto: Anita Queiroz

Cada cadeira é feita respeitandwo o peso do animal

tristezas que enfrentaram. “Nunca esqueci! Quando era criança, devia ter uns 7 anos, brincávamos na lagoa do hipódromo da Lagoinha onde morávamos. Viveu ali até os 9 anos. Tínhamos um pouquinho de tudo lá: cavalos, cachorros, gatos, preás, patos, galinhos e um porco [seus olhos se iluminam] que chamávamos rabicó”, conta. Hoje, ela vive junto com sua família (sua mãe, seus três irmãos e três sobrinhos) no Conjunto Vera Cruz em Goiânia/GO, sua cidade natal, e ama estar em companhia deles. Mas seu amor pelos familiares não se limita a este círculo pequeno; a nossa amiga ama visitar os outros parentes (avós, tios, primos e mais) que vivem em Uberlândia/MG. “Sempre

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que posso, pego meu carrinho e vou para lá matar a saudade”, explica, emocionada. Com a influência do meio onde nasceu, Anita sempre gostou de animais. “O que sempre chama atenção é o afeto que ela tem pelos animais. Em uma das histórias, ela estava na cocheira dos cavalos brincando com ratos quando meu avô (pai dela) viu e pediu para ela largar os ratos senão iria matá-los. Ela logo os soltou e pediu para que ele não os matasse. Ela não tinha ideia do risco que corria como contatar uma doença por exemplo”, conta Letícia Queiroz. Seu amor pelos animais fala sempre mais alto que tudo. Anita hoje luta e defende os animais sobretudo os pets com deficiências, apesar


Foto: Anita Queiroz

de nunca ter tido um.

Cadeiras de PVC Surgido de uma situação qualquer que não foi planejada, o trabalho da Anita se transformou em lema de vida e convicção. O fato é que ajudar pessoas carentes e que têm animais deficientes faz parte do seu DNA, ela não se vê vivendo sem fazer isso. Assim, as cadeiras que fabrica são feitas com amor; é uma parte dela que está expressa nesse trabalho. Os materiais são de baixo custo, o que dá condições às pessoas com menor poder aquisitivo de poder adquirir. “Hoje, o mercado é muito diversificado e os valores são muito altos. Embora as minhas cadeiras sejam feitas com PVC, a diferença está somente na estética visual. Do resto, a função é a mesma”, diz. Anita não comercializa as cadeiras, mas pede uma contribuição para a compra do material e o frete; a mão de obra acaba sendo gratuita. “Comecei a cobrar pela compra do material devido ao fato de ter perdido meu emprego e a minha situação ter ficado mais complicada. Não tinha mais condições de cobrir o material e continuar doando além do fato de não receber ajuda de nenhuma ONG ou órgão do público”, explica. As cadeiras são feitas de PVC escolhido em função do peso do animal. Para gatos e cães de até 4 quilos, ela usa as conexões de 20 e para cães acima de 4 quilos, conexões de 25. Para decorar as cadeiras, Anita conta que usa tinta automotivo de quatro cores que são aquelas que fixam melhor no cano e assim consegue tirar a estética do cano. As outras cores não têm Cadeira de rodas para cachorro

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Foto: Anita Queiroz


boa fixação e acabam mostrando a cor do PVC. Feitas com rodas de carrinho de feiras que sustentam até 40 quilos. Os andadores são feitos da mesma forma, porém, ela usa quatro rodas, as maiores atrás e as giratórias na frente para dar melhor comodidade e movimentação aos pets. Para gatos, as rodas são especiais pois não podem ser tão pesadas que de cachorro. Os assentos são feitos com uma espuma especial impermeável e permite que o animal pode fazer suas necessidades e caso sujar é fácil de lavar. Assim, o animal acaba não dando muito trabalho ao seu dono. As tipoias são feitas com fitas em nylon. “Todo o material, eu compro nos grandes mercados ligados a polos de confecções e sai barato. Eu não uso metal em cadeira pois o metal machuca as laterais dos bichinhos. No meu trabalho, procuro colocar amor. É assim que conquistei a confiança de muitos veterinários e donos que perceberam que minhas cadeiras são bem tratadas”, relata. As cadeiras são bem confortáveis e o animal pode ficar o tempo todo com as coleiras sem se incomodar. Anita faz as contas e percebe que são mais de 2 mil cadeiras de rodas confeccionadas durante esses anos e revela que: “no começo foi uma surpresa em Goiânia, mas foi muito bem recebido”. E ainda continua: “Não tive ajuda de ONGs nem do governo até mesmo porque eu não procurei ajuda para isso, optei por fazer nas minhas condições” e está determinada a continuar assim pois não quer misturar um trabalho feito por amor com uma campanha de assistencialismo.

Eutanásia Um fenômeno que mexeu bastante com a goiana é o fato do abandono de animais deficientes estar crescendo no Brasil. Além desse fato, outro que preocupa Anita é a eutanásia se espalhar como sendo a principal solução àquilo que, para ela, não é problema. Segundo ela, a prática pode se considerar como processo de dignidade em casos de sofrimento absurdo ou casos em que o animal se encontra em estado vegetativo e tiver certeza que não tem mais nenhuma alternativa. “Quando o animal come, bebe, brinca e quer viver a eutanásia é uma covardia!”. Ela sofre quando fala sobre o caso: “conheço casos de Veterinários indicarem (logo de cara) a eutanásia pelo fato da tetraplegia. Os tutores me procuraram desesperados esperando uma resposta diferente e os animais têm mostrado o lado “B” para todos”.

É sempre uma grande compaixão quando ela é procurada e uma tristeza quando não consegue o dar a resposta esperada. “Fico muito ansiosa se alguém me procura e não consigo fazer. Eu me coloco no lugar do animal e já penso logo: eutanásia ou vai ficar se arrastando”, relata. Em cartazes divulgados nas redes sociais, ela se apresenta como tia Anita, amiga dos bichinhos abandonados ou que foram sentenciados de morte pela eutanásia, mas ela consegue trazê-los esperança. Além de cadeiras de rodas, usa-se também “sacos de arrasto”, que é um auxiliar da cadeira usado para os descansos e também para proteger quando o dono for sair de casa pois não é aconselhável deixar o animal sozinho com a cadeira. “Então eles (os animais) são colocados nos sacos de arrasto para proteger do atrito com o chão evitando que se machuquem. Outra coisa Foto: Anita Queiroz

O saco de arrasto é um auxiliar de descanso da cadeira e permite que o animal não se machuque caso queira se movimentar.

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que se usa é um macacão segura fralda para cães que retiram as fraldas: “acredite eles arrancam tudo (risos)”.

Alguns casos Os casos a contar são vários, praticamente, dedica-se inteiramente aos diversos que encontra no seu cotidiano e leva cada um no seu coração. Entre os vários, no entanto, um parece ser especial para Anita. “O caso da Luna uma SRD me emocionou, uma idosinha (cachorra), 13 anos e cega, a tutora dela é uma senhora que mora com a

neta e fiquei sensibilizada de ver a importância que ela dava para fazer o animal ter qualidade de vida no fim da vida. Foi emocionante ver a Luna correr no andador nas ruas, foi feito um andador especial para ela...Tive um outro caso também de andador com um poodle, onde ladrões entraram na casa do tutor para roubar e de maldade quebraram as 4 patas do bichinho depois da entrega não tive mais contato com o tutor pois morava em outra cidade então não tenho mais detalhes”, conta. Foto: Anita Queiroz

Cachorro ganha cadeira de rodas e faz os primeiros movimentos

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Sentimento de missão cumprida Quando perguntada como ela resumiria a sua história, Anita não sabe o que dizer e responde: “é um sentimento de missão cumprida”. Mas podemos perguntar será que a nossa amiga pensa parar ou desistir? Não, ela não vai para ainda menos desistir, missão cumprida aqui significa que a caminhada valeu a pena, Anita não se orgulha mas está feliz daquilo que veio realizando até agora. Quando olha para trás e tenta lembrar de cada cadeira fabricada, ou ainda quando olha as poucas fotos que tem dos pets que receberam as cadeiras e estão usando-as, ela se emociona e diz isso é uma missão cumprida. Entendemos então que a jovem goiana não quer abraçar o mundo, mas sabe que optou por fazer isso e vai se dedicando na medida do possível. Carrego comigo um “sentimento de missão cumprida! aquela sensação de estar fazendo minha parte! Acredito firmemente que viemos nesse mundo para servir! Infelizmente muitas pessoas ainda não entenderam isso... mas não desisto do ser humano! Tem mais gente boa aqui do que ruim”, reconhece. “Ver um animal deficiente na rua, pessoalmente nunca me deparei com essa situação, porém acompanho pelas redes sociais e o sentimento é: lá vem mais um anjo para gente cuidar!”, e se sente realizada fazendo esse trabalho que acredita ser a sua missão. “A minha força vem do sorriso que eles estampam no rosto quando ganham a sua cadeira de rodas, sinal da sua alegria!”, concluiu.


Opinião

Mábily Souza

No ringue entre compra ou adoção, o pet é vencedor Em um cenário no qual a população de cachorros é maior do que a de crianças, com mais de 52 milhões de caninos e 22 milhões de gatos, a presença dos animais de estimação na família brasileira é inegável. Como membros da família, cães e gatos estão muito além do título pet. A importância dessas pequenas figuras em nossas vidas é tamanha que escolher como e onde encontrá-los tornou-se um debate recorrente. Comprar ou adotar, eis a questão? Imagine o seguinte: de um lado, um grupo de filhotes com olhos pidões e gestos que revelam uma vontade insaciável de dar e receber carinho. Do outro, filhotes com o mesmo brilho e a esperança de encontrar uma família tão cheia de amor, quanto eles. Não é possível distinguir quem são os pequenos à espera de adoção ou à venda. Isto porque, para eles, não faz diferença. Se você, caro leitor, quer tomar uma decisão assertiva para inserir um novo membro na família, entenda isso. O amor, o companheirismo e a fidelidade são os mesmos, independentemente da origem do animal. Seja no abrigo ou no pet shop, os peludos compartilham do mesmo desejo de encontrar um lar.

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Ainda que os animais fiquem de fora desse ringue entre comprar ou adotar, há verdades que não podem ser ignoradas. Como o fato de a adoção colaborar com o resgate dos bichinhos abandonados, enquanto a compra contribui para que canis clandestinos submetam fêmeas a um estado de exaustão e mantenham filhotes em condi-

ções deploráveis para conseguir lucro. Foi o caso ocorrido no final de março deste ano, quando a ativista Luísa Mell resgatou mais de 100 animais em um local insalubre, na zona leste de São Paulo. Eles estavam em condições deploráveis, presos em caixas, guarda-roupas e até embaixo das camas. Há quem siga os procedimentos dentro da lei e Foto: Pixabay

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respeitem a vida acima de tudo. Porém, ainda não é o bastante para limpar a imagem de quem faz exatamente o contrário. Independentemente da opção, ambas são escolhas e, como tais, devem ser mensuradas de acordo com os nossos princípios e necessidades. Para aqueles que não se incomodam com o fato de indivíduos enriquecerem à custa de vidas animais, a compra é uma decisão legítima. Mesmo que o contexto no qual ela está inserida seja nebuloso, no final do dia ainda é uma forma digna de dar ao animal o lar que ele tanto esperou. Tanto a compra quanto a adoção oportunizam uma nova chance de dar e receber amor. Seria tolice e perda de tempo tentar debater os porquês de uma ou outra, visto que cada um de nós pode – e deve – exercer o livre arbítrio. A grande questão é como evitar que esses mesmos filhotes sejam os próximos resgatados pelas ruas da cidade, vítimas do descaso e do abandono. De acordo com um levantamento realizado pela revista Veja São Paulo, em 2017, nas principais instituições de acolhimento da capital, um total de 6 mil são resgatados por ano, apenas na cidade. Ao invés de nos dividirmos por conta de uma escolha que não cabe a ninguém questionar, precisamos, mais do que nunca, repensar os motivos que ainda levam tantos animais à rejeição e negligência. A única coisa que sabemos, com certeza, é que por falta de amor – deles – não é.


Tecnologia

Thayná Agnelli

Tecnologias e animais: Conexão de sucesso! Adoção de cães e gatos pode ser feita em um click Cada vez mais as tecnologias fazem parte do cotidiano das pessoas, e com o universo animal não é diferente. Os pets ganharam as redes sociais e, principalmente, seguidores. Pensando nisso, a startup mineira Aces Labs desenvolveu o aplicativo “Adote Pets”, com a finalidade de promover a adoção de bichinhos abandonados. Também com o objetivo de conectar cães e gatos a pessoas que queiram um pet, a psicóloga e protetora independente dos animais Andreia Freitas criou o “Tinder Pet”. Ela conversou com a Revista Entre Patas e contou detalhes da iniciativa:

chorro de Peruca”.

tente, design da marca, registros e patentes, consultoria jurídica. O que é o “Tinder Pet” e quan- Demorou para sair porque obdo teve a ideia de desenvolvê- viamente R$15 mil não deu e -lo? tive que bancar do meu bolso. É um site responsivo, que funciona no computador, smar- Como ele irá funcionar? tphone e tablet. Eu tive a ideia Ele vai funcionar mais assim que conheci o Tinder de pessoas.

Como foi o desenvolvimento do site? Eu demorei quase um ano para desenvolvê-lo. Eu fiz um financiamento coletivo que alcançou pouco mais de R$15 mil. Tive que me virar para fazer o site com uma estrutura gigantesRevista Entre Patas - Há quan- ca e um banco de to tempo e como você ajuda os dados poanimais? Andreia Freitas – Estou na proteção animal há quase 20 anos. Minha família toda ama e resgata animais, aprendi isso desde criança. Sou protetora independente. Meu objetivo é resgatar, reabilitar, castrar, vacinar e doar. Para isso, tenho uma página no Facebook e o Instagram “O Ca-

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ou menos como o Tinder. Pela geolocalização, as pessoas podem ver cães e gatos castrados e vacinados que estejam perto delas. Elas podem descartar clicando no x e curtir apertando o coração. Se o animal for curtido, uma tela com todas as informações dele é aberta, então, a pessoa tem a opção de compartilhar aquele bichinho ou adotar. Caso queira adotar, abre um questionário com perguntas pertinentes e de posse responsável. Depois de respondido, ele é encaminhado para a

ONG ou protetor independente que o cadastrou. Inicialmente, somente ONGs com CNPJ poderão cadastrar 120 animais e ir substituindo as vagas dos adotados por outros. E elas podem indicar 10 protetores independentes para participar do site que terão a chance de cadastrar 20 bichinhos.

Esse limite de cadastro impostos as ONGs e protetores independentes tem algum motivo? Sim, meu maior objetivo com essa iniciativa é DIMINUIR/ ZERAR a quantidade de animais que ficam anos à espera de adoção. Não acho que seja saudável e bom para os bichos locais com 300, 400 cachorros ou gatos, nem protetores independentes com 30, 40 em casa. Então, a ideia é incentivar as ONGs a atingir números como

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120 animais, não recolher mais do que isso e focar em conscientização, castração etc.

Existe outra forma de participar do site ou é somente por convite? Quem não conseguir convite pode entrar no site e preencher um pré-cadastro. É importante lembrar que o protetor de animais independente é também a pessoa comum que retirou um bichinho da rua de maneira consciente, ou seja, tendo em mente que terá de abrigá-lo e protegê-lo até que consiga para ele um lar, além de castrá-lo e vaciná-lo. A plataforma Tinder Pet é gratuita? Sim. Tudo é gratuito.

O site já entrou no período de teste? Sim, ainda estou fazendo testes de sistema. Depois farei testes com ONGs e convidados para depois colocar no ar. O que significa ajudar animais para você? É o trabalho voluntário que escolhi pra vida, uma das minhas razões de viver.


Curiosidades

Thayná Agnelli

Você s


sabia?


Diversão

Mábily Souza

#Fikdik: 6 lugares pet fri em São Paulo O dia está lindo lá fora, com céu azul e um sol que aquece a alma na medida certa. Perfeito para passear, ver a cidade e ser grato pela vida. Sair de casa é a melhor escolha nesse dia tão atraente para conhecer novos lugares, mas... O seu cãozinho está com aquele olhar de quem quer ir junto. Os olhos pidões não param de te encarar e em poucos minutos o coração já amolece. Não dá para deixar uma fofura dessas solitária em casa. Está decidido: ele vai junto ou ninguém sai. Quem nunca passou por um momento assim? Por isso separamos 6 dicas de lugares descontraídos e agradáveis para conhecer na companhia do seu pet. São opções de gastronomia, cultura e lazer para desfrutar sem medo de ser feliz. Quando visitar, não esqueça de cãopartilhar com a gente! Foto: Divulgação Le Botteghe di Leonardo

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Le Botteghe di Leonardo Com berço na Itália e lojas espalhadas por Milano, Firenze e Napoli, a gelataria oferece um cardápio de tradição artesanal e ingredientes 100% naturais. O clima aconchegante e descontraído não é exclusivo para os humanos, já que os pets são mais que bem-vindos. Além de curtir o clima da varanda, os bichinhos também podem desfrutar dos picolés exclusivos feito para eles. São feitos com iogurte e mel orgânicos, sem lactose, e a fruta da estação, como manga, banana, maçã, pera e laranja. O palito ainda é feito com ossinhos caninos, para o pet desfrutar até o último segundo. Serviço Unidade Jardins Endereço: Rua Oscar Freire, 42 – Jardins Telefone: (11) 2528-2000 Site: http://www.lebotteghedileonardo.com.br/ Instagram: @lebotteghedileonardobrasil

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iendly para conhecer Foto: Divulgação Bra.do Restaurante

Bra.do Restaurante Reconhecido por pensar o cardápio respeitando a origem e sazonalidade dos alimentos, o restaurante tem influências espanholas e outras técnicas. Com um clima acolhedor e informal, a charmosa casa dos anos 1950 foi mantida e adaptada para um clima descontraído, com jardins e varanda. É justamente esse espaço arejado que recebe os pets. Os bichinhos podem aproveitar o momento sem preocupações, já que recebem água na faixa e petiscos caninos gratuitos. Serviço Endereço: Rua Joaquim Antunes, 381 - Pinheiros Telefone: (11) 3061-9293 Site: http://bradorestaurante. com.br/ Instagram: @bradorestaurante

Foto: Raquel Leite

Calçadão Urbanóide Misto de arte, gastronomia e diversidade, o food park oferece trailers, barracas de comida e food trucks para todos os gostos e bolsos. Entre a Rua Augusta e a Frei Caneca, o espaço reúne variadas opções para almoço e lazer na companhia do seu animal de estimação. Serviço Endereço: Rua Augusta, 1291 e Rua Frei Caneca, 1024 - Bela Vista Facebook: https://www.facebook.com/calcadaourbanoide/

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Foto: Garoa Fotografia

Sailor Burgers & Beers Quando os donos do Pub The Sailor abriram um lugar dedicado apenas aos hambúrgueres, a receita incluiu a presença dos pets também. Localizado no Baixo Pinheiros, o restaurante oferece um cardápio variado da famosa dupla hambúrguer + cerveja. E isso não está restrito aos humanos, já que os cachorros também podem experimentar o petisco no estilo burger e a cerveja sabor carne. Tudo feito especialmente para os bichos. Serviço Endereço: Rua Vupabussú, 309 Pinheiros Telefone: (11) 3031-1267 Site: www.thesailorbb.com.br Instagram: @sailorburgers

Foto: DivulgaçãoCão Solto

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Cão Solto Como o próprio nome já diz, esse espaço é completamente voltado para os pets e lá eles podem ficar soltos e bem à vontade. O lugar é uma boa pedida para quem deseja um passeio diferente com o bichinho e, de quebra, experimentar novos sabores. Tem som ambiente, food trucks, food bikes e barraquinhas de comes e bebes, além do apoio de monitoria ao cãozinho. Para usufruir de tudo isso, basta adquirir os ingressos de entrada, que variam entre $5 ou $20, valor de consumação que vale inclusive para os petiscos dos peludos. Serviço Endereço: Rua Lisboa, 69 - Pinheiros Telefone: (11) 98692-0794 Facebook: https://pt-br.facebook.com/cao.solto/ Instagram: @cao.solto


Matilha Cultural Como um centro de artes, difusão multicultural e apoio a iniciativas socioambientais, a Matilha reúne uma programação variada de exposições, filmes, eventos, oficinas e até feiras de adoção. Por ser um espaço autônomo, o local atua como a essência de ideias coletivas e divulga iniciativas independentes do Brasil e do mundo. Cada opção de lazer é oferecida gratuitamente ou a preço popular e pode ser desfrutada na companhia do seu pet, até mesmo as sessões de cinema! Serviço Endereço: Rua Rego Freitas, 542 - Centro Telefone: (11) 3256-2636 Site: https://www.matilhacultural.com/ Instagram: @matilhacultural

Foto: Divulgação Matilha Cultural

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Registre

#MeuPet

Laila, 9 anos, pet da Viviany Gabrielle - Campinas

Chico Buarque, 4 anos, pet do Scote, 12 anos, pet da Vit처ria Wagner Belmonte - S찾o Paulo Braga - Jandira

Eros, 2 anos, pet da Samanta Linhares - Diadema

Valentin e Hilda, 4 e 1 ano, pets Sorte, 2 anos, pet da Yasmin da Ana Caxi, S찾o Paulo Berzaghi - Indaiatuba

Ramona, 3 anos, pet da Sueli Ralf, 5 anos, pet do Gabriel Uliana - Ribeir찾o Pires Felipe - Osasco

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Nina, 5 anos, pet da Julia Medeiros - Guarulhos


Fox, 9 anos, pet da Drielly Peniche - Embu das Artes

Fred, 1 ano, pet do casal Creuza e Shakira, 6 anos, pet do Emanuel Aparecido Ferreira - Osasco Galdino - São Paulo

Thor, 1 ano, pet da Flávia Garavelli - São Paulo

Bolt, 5 anos, pet da Ana Paula Tiny, 8 anos, pet do Rangel Moreno - Cotia Becegato - São Paulo

Dargaryen, 3 anos, pet da Maise Pelúcia, 17 anos, pet do Rafael Charlie e Minerva, 1 ano e 11 Mendes - Caraguatatuba Costa - Ribeirão Pires meses, pets da Beatriz Pires São Paulo

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Informação

Pausa para o MiAu Pet day Pensando no bem estar que um bicho pode levar ao meio organizacional, algumas instituições adotaram o “pet day”, um dia reservado para os funcionários levarem seus bichinhos para o trabalho. Um exemplo desse posicionamento é a Nestlé, que em 2016 permitiu a presença dos pets na Semana da Qualidade de Vida em São Paulo.

Gato oráculo da Copa do Mundo Você se lembra do Paul, o polvo que adivinhava quem ganharia os jogos na Copa do Mundo da África em 2010? Pois agora em 2018 o Mundial da Rússia conta o gato Aquiles para acertar os resultados. Para isso, são colocadas duas tigelas de ração com a bandeira dos países em frente ao bichano. O prato que ele escolher deve ganhar a partida.

Petworking Perder seu animal de estimação é algo ruim e triste que deixa os donos preocupados e desesperados sobre o paradeiro do amigo. Pensando em alternativas que ajudem a encontrá-los, Helder Klaar criou o app Petworking, que permite a criação de um perfil do seu bicho. Quando ocorre o sumiço, a comunidade ajuda a localizá-lo.

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Guarda compartilhada de pets No último mês de março, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) decidiu que a Vara da Família tem o direito de decidir como funciona a guarda de um animal de estimação após separação dos donos. Como não há uma lei específica como se deve agir nessas situações, cabe ao juiz determinar qual deve ser o destino do bicho.

Renata Mendes


Museu na Alemanha A raça de cachorros Dachshund, conhecida popularmente como ‘salsicha’, ganhou uma homenagem simbólica. Um museu na cidade de Passau na Alemanha abriu espaço com mais de 4.500 itens que lembram a raça. O lugar se chama Dackelmuseum e é uma forma de mostrar o carinho que o país tem com o cão.

Último cachorro Corgi da Rainha Elizabeth II No dia quinze de maio, Willow, cachorra da rainha Elizabeth II, foi sacrificada. O animal tinha 14 anos e fazia parte 14ª geração de cães da raça Corgi que vinham após Susan, animal que a rainha ganhou ao 18 anos. Ao longo da vida, Elizabeth já teve mais de 30 bichos dessa raça.

Animal salva família Bernardo, um cachorro vira-lata, ajudou sua família a se salvar do incêndio no Edifício Wilton Paes de Almeida no centro de São Paulo. Quando começou uma movimentação agitada de pessoas no prédio, o cão começou a latir. Seus donos estavam dormindo, levantaram e viram o fogo no local. Foi o tempo de pegar o animal deixar o lugar.

Vacina contra gripe Não são só os humanos que precisam tomar cuidado com as doenças de outono e inverno. Os animais também precisam de prevenção contra vírus causadores de problemas respiratórios. Nessa época do ano é importante levar seu animal ao veterinário para conferir se a vacina contra a gripe está atualizada.

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