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Revista realizada por alunos e ex-alunos do CCBP Ano II. N° 6 novembro e dezembro de 2016

Conheça os encantos da

Região Sul do Brasil

Turismo, música, literatura, tradições e muito mais!

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Editorial

O sexto número da revista Entreletras está para lá de especial! Aqui você encontrará muitas informações sobre a Região Sul do Brasil, todo o encanto dessa pequena Europa brasileira. Você sabia que as temperaturas no Sul do Brasil podem chegar a estar abaixo de 0°C? Sim, acredite! E que tal conhecer um pouco sobre a influência exercida pelos imigrantes que chegaram há anos a essa região? Aqui você encontrará também entrevistas com alguns gaúchos, dicas de leitura, turismo, estudos e boa música. O que você está esperando para começar a ler? Mas bah, tchê! Boa leitura!

Solange López e Luiza Castro Editoras da revista e professoras do Centro Cultural Brasil-Peru

Equipe de redação desta edição: Ademir Cunha Anaïs Lalouette David Pinday Gabriela Pacheco Gracieli Silva Helen Valero Melina Morey Luiza Castro Paola Tito Sandra Barrios Stephany Del Portal Desenho e diagramação: Helen Valero Rozenilda Falcão Diretora do Centro Cultural Brasil-Peru Gilson Charles dos Santos Coordenador pedagógico do Centro Cultural Brasil-Peru

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Entreletras é uma revista produzida por alunos e ex-alunos do Centro Cultural Brasil-Peru e coordenada pelas professoras Luiza Castro e Solange López. Envie sugestões e comentários para revistaentreletrasccbp Acesse os demais números da revista em www.issuu.com/ revistaentreletras


Índice Gente Brasileira

O orgulho de ser gaúcho

por Gabriela Pacheco

Vale a pena curtir

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Gramado por Sandra Barrios Pozuzo por Helen Valero

De carona pelo Brasil

Curitiba, Florianópolis e Iguaçu por Karla Pulgar Outros lugares por conhecer por Anaïs Lalouette

Tá na capa

Conhecendo a Europa brasileira

por Paola Tito

Cultura e arte

por Melina Morey A cozinha do Sul Sons do Sul por Helen Valero Centro de tradições gaúchas por Stephany Del Portal

Bate-papo com...

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Jonas Paloschi por Gabriela Pacheco Silvana Sanguinetti por Gabriela Pacheco

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O que rola no CCBP

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por Luiza Castro

Coisas da vida

A vida de um gaúcho em Lima por Gracieli Silva Falando gauchês

por Ademir Cunha

Tempo de leitura

A literatura do Sul

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por David Pinday

Bravo!

O Sul na mostra cultural do CCBP

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por Luiza Castro

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Gente Brasileira

O orgulho de ser gaúcho

Por Gabriela Pacheco

A Região Sul está formada pelos estados de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. Cada um deles com um valor especial e uma característica única; nesta oportunidade vamos falar sobre a terra dos gaúchos.

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alvez o leitor já tenha escutado o termo “gaúcho”, que está vinculado a todas as pessoas que nasceram em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul; ou, também aos filhos postiços, que adotaram a cultura gaúcha como sua e podem ser chamados de gaúchos mesmos. Porém não basta ter nascido nessa terra, senão também sentir orgulho, conhecer a história e manter os costumes de um povo de alma guerreira e trabalhadora que não deixa de lutar mesmo se a briga for grande. Esse povo guerreiro participou de um dos enfrentamentos internos mais importantes do Brasil, conhecida como Gente brasileira

a Revolução Farroupilha. Um conflito regional contrário ao governo imperial brasileiro, mas quais foram os motivos originais deste enfrentamento? O primeiro deles foi o descontento político com o governo imperial, o segundo a revolta com os altos impostos cobrados no comércio de couro e charque e, finalmente a procura por parte dos liberais por maior autonomia para as províncias. Este enfrentamento começou no ano 1835 com Bento Gonçalves, um militar brasileiro, quem junto a um grupo de revolucionários tomaram a cidade de Porto Alegre forçando a retirada das tropas imperiais do território. Gonçalves foi à prisão pelo cometido e deixa o cargo como líder do movimento a Antônio de Souza Neto. Em 1836 os farrapos conseguiram algumas vitórias diante das forças imperiais, mas no dia 11 de setembro é proclamada a República Rio-Grandense e declaram presidente Bento Gonçalves, quem no ano 1837, fora da prisão, assumiria a presidência. Em 1842 o governo imperial nomeou Luiz Alves de Lima e Silva, também conhecido como Duque de Caxias, para comandar uma ação com o objetivo de finalizar o enfrentamento no Sul do Brasil. Depois de 3 anos de conflitos militares Duque de Caxias oferece o Tratado de Poncho Verde, um acordo entre os farroupilhas e o governo para manter a paz. Os principais pontos assinados foram: o Império pagaria as dívidas do governo republicano, os impostos estrangeiros para importação do charque seriam elevados o que favorecia aos exportadores do charque gaúcho; os oficiais republicanos seriam incorporados ao exército brasileiro e, talvez, o mais importante: a República Rio-Grandense foi reintegrada ao Império brasileiro. Na atualidade Bento Gonçalves não está só nos livros, físicos ou virtuais, como parte da história de Porto Alegre, o militar e líder da Revolução Farroupilha também está presente numa das principais ruas da cidade. Além de uma


Gente Brasileira escola estadual chamada: E.E. De 1⁰ GRAU General Bento Gonçalves Da Silva. Continuando pelo percurso da história e personagens reconhecidos da Região Sul, principalmente do Estado do Rio Grande do Sul, não podemos deixar de mencionar Getúlio Vargas. Foi o presidente gaúcho que mais tempo governou o Brasil, principalmente em dois períodos (1930- 1945) (1951-1954). Vargas foi parte do grupo que comandou a Revolução de 1930 e que derrubou o governo Washington Luís. “O pai dos pobres”, chamado assim pelo povo brasileiro, é reconhecido pelo nacionalismo, populismo e forma controladora e centralizadora de governar. Em seu primeiro período instituiu o salário mínimo, a consolidação das leis do trabalho, como: semana de trabalho de 48 horas e as férias remuneradas. O segundo período foi eleito de maneira democrática, mas em agosto de 1954 ele suicidou-se com um tiro no peito e deixou uma frase para o povo brasileiro: “ Deixo a vida para entrar na História”. Anos depois, três municípios brasileiros da Região Sul foram batizados em sua homenagem com o nome do presidente. Getúlio Vargas, no Rio Grande do Sul; Presidente Vargas no Maranhão, e Presidente Getúlio em Santa Catarina. A cidade de origem conta com um monumento em uma das principais ruas de São Borja no Rio Grande do Sul. Finalmente no ano 2010 o reconhecido advogado e

político Vargas foi inscrito no Livro dos Heróis da Pátria. Uma das gaúchas que representa a beleza da mulher do Sul é Gisele Bündchen. A reconhecida modelo nasceu na cidade de Horizontina no Rio Grande do Sul. Com 36 anos de idade nem só destaca nas passarelas mundiais também é reconhecida como empresaria e ativista. Ela foi designada como Embaixadora da Boa Vontade pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Além de ser considera a modelo mais bonita do mundo pela revista Rolling Stone e a mais bem paga pela revista Forbes, também foi escolhida pela Revista Época uma das 100 personalidades mais influentes do Brasil no ano 2013 por ter participado em 500 capas de revista. A modelo gaúcha foi homenageada pelo cantor brasileiro Gabriel Guerra quem escreveu a música “Tributo a Gisele” no ano 2009. A top também foi convidada pela FIFA para entregar a taça à seleção vencedora da Copa do mundo 2014 no Brasil e no ano 2016 desfilou no Maracanã na abertura dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro. Deixando de lado o mundo das passarelas vamos falar sobre o esporte rei: o futebol. Um dos maiores representantes é Ronaldinho Gaúcho quem iniciouse no time Grêmio de Porto Alegre conseguindo muitos prêmios para o clube e o campeonato Gaúcho. O

bom domínio do balão lhe permitiu que outros clubes o conheçam e começar assim a carreira com muito sucesso. O seguinte passo foi jogar na Europa e para a Seleção Brasileira obtendo o título de melhor jogador do mundo pela FIFA nos anos 2004 e 2005. Além disso, o gaúcho ganhou a Bola d´Ouro no mesmo ano. Ele acumulou 207 partidos e marcou 63 gols no clube Barcelona em cinco temporadas (2003- 2008). No ano 2011 o jogador de futebol recebeu a Medalha Machado de Assis, a honraria máxima da Academia Brasileira de Letras, reconhecimento que gerou polêmica porque foi o primeiro esportista em recebê-lo quando o prêmio está destinado aos maiores escritores. No ano seguinte Ronaldinho foi homenageado como Cidadão Honorário da capital mineira. No mesmo ano ficou na colocação 82⁰ no programa televisivo O Maior Brasileiro de Todos os Tempos escolhido pelo voto popular. Finalmente não podemos deixar de mencionar a Daiane dos Santos a ex ginasta gaúcha, que levou muitos prêmios para o país, como o recordado Ouro no ano 2003; e na música uma cantora e compositora de Rio Grande do Sul é Adriana Calcanhotto quem ganhou o Grammy por Melhor canção Brasileira “Tua” no ano 2010. Estes são alguns representantes da região que deixam o Estado no top do Brasil e, por que não dizer, do mundo. De esquerda a direita: • Bento Gonçalves • Getúlio Vargas • Gisele Bündchen • Ronaldinho Gaúcho

Gente Brasileira

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Vale a pena curtir

o d a m a Gr

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ramado é um município do estado do Rio Grande do Sul. Está localizado na serra gaúcha e provavelmente é o maior destino turístico da região. Gramado é uma cidade muito mais do que encantadora, pequena, bonita e charmosa são algumas de suas características. Foi colonizada pelos imigrantes portugueses, italianos e alemães no final do século XIX, por isso tem ares europeus, que misturam um pouco da colonização alemã, um pouco da italiana e até mesmo da suíça.

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Vale a pena curtir

Gramado é sede do badalado Festival Internacional de Cinema, de Publicidade e de festas como a Festa da Colônia, a Chocofest e o Natal Luz. Estas atividades fazem que Gramado seja hoje o principal destino turístico do Estado e o quarto do Brasil. Agora, vamos falar de dois festivais, O Festival Internacional de Cinema e o Natal Luz. O Festival Internacional de Cinema: Todos os anos, no mês de agosto, Gramado ganha ares de Hollywood. Tudo começou em 1973 e até hoje premia e

Por Sandra Barrios

homenageia grandes nomes do cinema gaúcho, nacional e internacional, em várias categorias. A serra gaúcha se torna palco de debates e importantes encontros entre artistas, realizadores, estudantes, pesquisadores de cinema, imprensa e público em geral. As primeiras edições, foram marcadas por sensacionalismo, nudez e crise de estrelas que buscavam fama e reconhecimento na serra gaúcha. Com a chegada dos anos 1980 e o aprimoramento das discussões


Vale a pena curtir sobre arte e cultura nos diversos espaços, o evento conquistou o título de um dos maiores do gênero no país. Já no início dos anos 1990, o Festival se tornou internacional, a nova fórmula internacional, inédita no Brasil, foi aprovada, dando novo significado ao evento. Desde a primeira quinzena de agosto, as ruas de Gramado viram cenários de encontros emocionantes entre artistas, diretores e fãs no evento cinematográfico mais tradicional e importante, conhecido pelo glamour e qualidade de seus filmes. Se você gosta dos filmes e acha chique o glamour de Hollywood, o Festival Internacional de Cinema é para você.

público pela magia do espírito do Natal. E para tornar tudo realidade, centenas de artistas dentre bailarinos, cantores, músicos, atores, produtores e diretores, com muita inspiração e talento transformam Gramado

em uma cidade ideal para a temporada de Natal. É uma época mágica, em uma cidade fantástica! O som do Natal invade cada lugar. Vamos sonhar e acreditar em Papa Noel em Gramado neste Natal?

Natal Luz:

Nasceu de um sonho de Luciano Peccin, que na época era Secretário de Turismo de Gramado e estava motivado em iluminar a pequena cidade de Gramado para o Natal. O primeiro Concerto de Natal foi em 27 de dezembro de 1986 e encerrou sua apresentação com um espetacular show de fogos de artifício. Desde então, o Natal Luz começou a transformar a cidade de Gramado e tornou-se um grande evento turístico, o maior espetáculo de Natal do Brasil. Gramado recebe o Natal Luz de novembro até o começo de janeiro. Neste período, a região é tomada pelo espírito natalino, com desfiles, músicas e decoração ligadas ao tema. As ruas são transformadas em um parque temático a céu aberto durante quase três meses de evento. Os principais espetáculos são shows incríveis que envolvem o Vale a pena curtir

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Vale a pena curtir

Uma terra de

Por Helen Valero

mistura cultural

Pozuzo

Não é somente no Brasil onde podemos observar a influência da cultura europeia e como esta se inseriu na sociedade, misturando-se com os nativos.

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o meio da espessa e verde selva do Peru, a uns quilômetros da serra, perto dum coração quente, se encontra a terra com maior mestiçagem cultural. Pozuzo, é como uma pintura que tem algo de cada raça, é alemã, é peruana, é as duas. Este paradisíaco bosque selvático tem a mistura europeia e peruana. A identidade tirolesa que nasceu em Pozuzo (Pasco, Peru) é parte da migração de um grupo de 170 colonos católicos, germano falantes. Desta geração

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Vale a pena curtir

que chegou em 1859, 120 eram tiroleses e 50 eram de Renania. O nome de Pozuzo, originalmente foi dado pelo nome do rio Pozuzo que se encontra na união dos arroios da montanha Santa Cruz e Huancabamba. No ano 1868, chegaram ao Peru entre 180 e 200 tiroleses mais. O maior problema para eles foi o incumprimento da promessa da construção da Ferrovia que ligasse Pozuzo às outras cidades. Muito perto de Pozuzo, os

alemães também influenciaram em Oxapampa e Villa Rica, duas cidades localizadas em Pasco. O crescimento da cultura “criolla” e a influência da linguagem faz com que seja cada vez mais difícil manter os costumes próprios dos alemães. No entanto, existe uma conservação dos costumes antigos, independentemente de que falem ou não a linguagem tirolesa. A cada ano podem-se ver festivais típicos e atividades


Vale a pena curtir próprias dos alemães como o conhecido Oktober Fest. As ameaças de extermínio da cultura tirolesa lograram a união dos pozucinos num círculo de amigos para Pozuzo, que recebeu doações e subsídios do governo do estado de Tirol. Diferentes fundações lograram a construção de hospitais, escolas, ruas, pontes, e outras infraestruturas necessárias para se modernizar. A mistura cultural é realmente apreciável e admirável já que um visitante pode se transladar do Peru à Alemanha em só umas horas de viagem. Esta mestiçagem é também fonte importante dos recursos para o turismo de lá. É por isso que ocorreu uma mudança socioeconômica em Pozuzo e agora as pessoas se dedicam mais ao turismo do que a agricultura. A senhora Elba Salazar Callupe de 53 anos, moradora da região conhece muito sobre a cultura alemã em Pozuzo vai nos contar como é a mestiçagem atual neste lugar e a sobrevivência dos principais valores e tradições nesta cidade. Como ocorreu a mistura das culturas alemãs e peruanas em Pozuzo? Há muito tempo, antes que as mudanças da cultura alemã acontecessem em Pozuzo. Por exemplo, antes eles mantinham seus costumes e sua raça, só podiam se casar entre eles, no entanto, muitos saíram da cidade para estudar e se apaixonaram por jovens diferentes de sua raça. Onde podemos observar a maior mistura cultural? A comida é uma das principais expressões culturais que mudaram. Suas casas, que antes tinham telhado de madeira para deslizar a chuva, pouco a pouco foram se modificando. A linguagem também se misturou com a alemã, criando uma nova forma de comunicação. Além da comida e das construções, existe outra expressão que mudou com a mistura das culturas? A música. Para eles o mais importante é o tirolês. Eles também conservam instrumentos musicais como o acordeão, e violão. Os alemães que moram em Pozuzo organizam um concurso, nele têm que cortar madeira com um serrote. Isto é feito em duplas e ganha aquele que cortar mais rápido a madeira. Outro concurso é o torneio de equitação com fitas em que os competidores correm montados em um cavalo e ganha aquele que engata a última fita (bordada ou pintada). Outras expressões típicas são suas danças típicas, comidas e sobremesa, principalmente nos dias festivos. Vale a pena curtir

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De carona pelo Brasil

Curitiba, F

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uritiba, a cidade modelo do Brasil, é considerada a mais limpa, organizada, avançada do país. Umas das características da cidade é que tem vários parques, praças e ruas cheias de significados e beleza. Quem for a Curitiba tem que visitar alguns lugares de maneira obrigatória. Portanto, quando vocês chegarem, podem fazer um city tour com o ônibus de turismo, que tem a particularidade de ter dois andares. Esta opção vale a pena porque não é cara e tem a vantagem de passear por toda a cidade, também é bastante acessível para as pessoas que irão passar poucos dias. Além disso, o ônibus percorre os principais pontos turísticos como são: o Jardim Botânico, o parque Tanguá e o incrível museu Oscar Niemayer. O Jardim Botânico é um dos principais pontos turísticos em Curitiba, sua principal atração é uma estufa de ferro, mas o Jardim também é um centro de pesquisa da flora do Paraná, onde a preservação e conservação da natureza é o mais importante. É uma boa alternativa de lazer para os turista e o acesso é completamente gratuito. FLORIANÓPOLIS A capital de Santa Catarina é também conhecida como a ilha da magia e é uma das cidades mais visitadas pelos turistas do Brasil. É considerado um lugar perfeito para todo mundo, para quem gosta das praias, de sair para a balada, da tranquilidade, etc., já que tem tudo junto no mesmo lugar.

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De carona pelo Brasil

Florianópolis e Cataratas do Iguaçu

Por Karla Pulgar

Os turistas podem visitar Florianópolis em qualquer época no ano, mas no verão a temperatura atinge os 40 graus, então é a época em que os turistas podem praticar esportes de aventura náuticos, fazer sandboard, caminhadas etc. Na época do outono, Florianópolis torna-se um ambiente mais tranquilo, que é perfeito para quem procura sossego ou simplesmente estar num lugar bonito e se encontrar consigo mesmo. Florianópolis conta com quase 42 praias, algumas delas possuem águas tranquilas e quentes, também tem montanhas verdes, dunas, e até belíssimas lagoas como são a da Conceição, tornando-a uma cidade impossível de não se conhecer. Além disso, uma atividade muito divertida para os turistas é o famoso “voo livre”, quase como um sonho nas alturas de Florianópolis, seja asa delta ou parapente. Para os amantes

dos esportes de aventura, o mergulho é outra excelente ideia para desvendar o incrível mundo marinho que a paisagem oferece. Porém, a ilha da magia, não é só feita de praias. A história de Florianópolis é contada em fortes e fortalezas, igrejas, monumentos, museus e parques. Não deixe de conhecer a ilha da magia, um paraíso apaixonante! Caso precise de mais informação, acesse o link www. turismo.sc.gov.br CATARATAS DO IGUAÇU Na atualidade, as cataratas do Iguaçu são conhecidas como umas das novas maravilhas da natureza e em 1986 foram consideradas como Patrimônio Nacional da Humanidade. As cataratas são um dos principais pontos turísticos do Parque Nacional do Iguaçu, localizado na cidade de Foz do Iguaçu, no estado do Paraná. Sua formação ocorreu há 120 milhões de anos, um espetáculo da natureza rodeado pela floresta

da região. O ponto mais alto, tem quase 85 metros de altura, e hoje em dia recebe mais de 1 milhão de turistas. Existem duas opções para se chegar às cataratas, uma é pelo lado argentino e a outra é pelo lado brasileiro. O acesso pelo lado brasileiro é diário, das 9h. às 17h. Geralmente, o passeio dura entre 2 e 4 horas, começando com o deslocamento de ônibus até o início da trilha, que é feita a pé. Nela, os turistas poderão ver a floresta e as belas paisagens. No caminho também se encontram os famosos e amigáveis quatis, mas lembre-se que eles não devem ser alimentados. Esta eco aventura pode ser feita através de voos panorâmicos de 10 minutos, trilhas, passarelas e mirantes, então se você tiver vontade de conhecer, não perca tempo e viva uma das melhores experiências de sua vida. Se precisar de mais informação, acesse o site oficial: www.cataratasdoiguacu.com.br

De carona pelo Brasil

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De carona pelo Brasil

Ruínas de São Miguel das Missões

Canela

Blumenau As ruínas de São Miguel, que ficam perto da fronteira do Rio Grande do Sul com a Argentina, são um dos mais importantes monumentos históricos do Brasil e foram reconhecidas como Patrimônio Cultural da Humanidade. São heranças deixadas pelas missões jesuítas no século 17. Das diferentes ruínas que podemos visitar na região, as de São Miguel são as mais preservadas. Além disso, exibem todos os dias um impressionante espetáculo de som e luz narrando a história do lugar. Depois que escurece, as ruínas viram palco de uma emocionante apresentação, que dura quase uma hora. Durante o dia podemos explorar as ruínas e ver a Catedral de São Miguel Arcanjo que impressiona com suas arcadas de inspiração romana e colunas coríntias, vestígios de um colégio, um cemitério, entre outros monumentos; e dentro do sítio arqueológico podemos visitar o Museu das Missões, que imita uma habitação indígena com esculturas de santos feitas por índios e outras peças preservadas. Para mais informação: • h t t p : / / w w w . s a o m i g u e l - r s . c o m . b r / VisualizaConteudo.aspx?ID=504 • http://www.penaestrada.blog.br/ruinas-de-saomiguel-das-missoes/

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Localizada no estado de Santa Catarina à margem do rio Itajaí-Açu, Blumenau é uma das cidades com maior influência germânica no Brasil. A cidade foi fundada em 1850, pelo Doutor e filósofo alemão Hermann Bruno Otto Blumenau, quem chegou à região pelo rio Itajaí, junto com outros 17 colonos alemães e até hoje, guarda fortes características europeias. A beleza da cidade pode ser observada por todos os lados: arquitetura com suas casas Fachwerkhaus, gastronomia, natureza, festas e costumes herdados dos seus colonizadores alemães, e a sua povoação cosmopolita. Além de ser um excelente destino turístico, Blumenau é um excelente centro de compras de produtos como cristais e artigos têxteis, reconhecidos nacional e internacionalmente. Entre os principais atrativos de Blumenau podemos destacar os seguintes: A Fundação Cultural de Blumenau, que ministra oficinas de arte e música e onde são apresentados também espetáculos


De carona pelo Brasil Por Anaïs Lalouette

A imagem internacional de país tropical esconde outras impressionantes paisagens brasileiras que se estendam ao longo da costa. Uma dessas paisagens é a Serra Gaúcha no sul do Brasil. Apresentamos-lhes Canela, uma pequena cidade do estado do Rio Grande do Sul e um destino turístico de inverno no Brasil, que fica a só 120km de Porto Alegre e que não podemos deixar de visitar. A natureza profusa que rodea a cidade compõe um cenário privilegiado pelo ecoturismo, suas encantadoras construções e ruas tradicionais de um pequeno povoado alemão,

aportam um selo particular à paisagem. Canela é também o destino turístico ideal para os amantes da adrenalina, com efeito, propõe atividades como trekking, canopy e hiking com um panorama incrível de montanhas, rios e florestas. Entre os principais atrativos turísticos de Canela encontramos: • A Cascada do Caracol, localizada no Parque Estadual do Caracol, é uma das paisagens mais impressionantes dos arredores da cidade. • O Parque da Ferradura

com seu imenso canhão é outro dos lugares imperdíveis. • O Vale do Quilombo, os Vinhedos de Caxias do Sul, o Lago Preto, a Floresta Encantada entre outros lugares também deslumbrantes da região.

de danças e mostras de artes visuais. A Biblioteca Pública Dr. Fritz Muller, que conta com mais de 64 mil livros e representa uma importante mostra cultural. O Castelinho da Havan, de estilo alemão e conhecido também como Moealmann, é um dos ícones arquitetônicos de Blumenau. Construído em 1978, o edifício é uma réplica da Prefeitura alemã de Michelstadt. O Castelinho de Havelan funciona hoje como loja de apartamentos e alberga um restaurante e um pub. O Museu da Família Colonial, que é composto por três casas que marcam o início da colonização de Blumenau. A primeira que foi construída em 1864, pode ser considerada a casa mais antiga da cidade. Tem exposições com objetos do acervo da Fundação Cultural, como vestidos de casamento, peças dos anos 20, 50, 70 e 80 e máquinas de costura. A segunda casa-museu

também foi construída em 1864 e expõe móveis que pertenceram a Dr. Blumenau. No quintal, encontra-se o cemitério dos gatos. A terceira casa foi construída em 1920, em estilo germânico, conta com utensílios indígenas, equipamentos da indústria têxtil e artefatos da época. Uma das mais famosas festas do País, a Oktoberfest, inspirada na festa alemã de mesmo nome, acontece cada ano no mês de outubro em Blumenau. Os visitantes podem apreciar os diferentes desfiles e shows

culturais, além de apresentações musicais e teatrais. Além disso, no evento há vários pavilhões para que os participantes possam degustar diferentes tipos de cervejas e se divertir com as apresentações. Para mais informação: • h t t p : / / w w w . b l u m e n a u . sc.gov.br/blumenau/perfildacidade • http://www.feriasbrasil. com.br/sc/blumenau/ • https://www.tripadvisor. com.br/Attractions-g303572Activities-Blumenau_State_of_ Santa_Catarina.html

Para mais informação: • http://www.canelaturismo. com.br/ • http://www.gramado.com. br/guia/canela • http://www.feriasbrasil.com. br/rs/canela/

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Tá na capa

Conhecendo a Europa bra

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uando se fala do Brasil, a maioria das pessoas o associa às praias e ao sol, esse clima quente tão característico, mas não sabem que no Sul desta bela terra encontra-se uma pequena Europa, rica em história, culturas e tradições que passam de geração em geração. Nesta edição, querido leitor, você terá a oportunidade de descobrir esse lado pouco conhecido do Brasil, mas que definitivamente vale a pena explorar, tchê! Começando desde o clima, podemos ver uma grande diferença com o resto do Brasil; enquanto no Nordeste parece só ter verão todo o ano, no Sul as 4 estações estão bem marcadas. No verão a temperatura pode

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Tá na capa

atingir os 40 graus na costa e no interior; são dias com muito sol que têm pancadas de chuva fortes, isoladas, pela tarde provocadas pelos ventos alísios oriundos do Sudeste, conhecidas também como chuvas de verão. No inverno, é comum que a temperatura esteja próxima dos 0 graus, podendo alcançar índices negativos que são acompanhados de geada e neve como é o caso das Serras Gaúchas e Planalto Serrano de Santa Catarina. No inverno pode-se ter presença do sol, porém o clima é frio. Esses são dias bons para ‘lagartear’ ! O Sul é a menor região, composta por Paraná (PR), Santa Catarina (SC) e o Rio Grande do Sul (RS), possui a melhor qualidade

de vida do Brasil. Esta região tem uma forte influência europeia, a qual está presente nos costumes, estilo arquitetônico, idioma e culinária. Há mais de 140 anos, os imigrantes italianos vieram à América em busca de uma vida nova. Pobres e sem oportunidades em sua terra, enfrentavam uma viagem difícil por mar durante 40 dias, com risco de não chegar ao seu destino final a causa das diferentes doenças que podiam contrair nesses barcos lotados. Mais de um milhão e meio de italianos chegaram ao Brasil, principalmente ao Espirito Santo, São Paulo e ao Sul, para trabalhar como mão de obra e cafeicultores. Espalharam suas tradições


Tá na capa

asileira:

Por Paola Tito

O Sul

tornando o Sul o maior produtor de vinhos do Brasil e o município Antônio Prado (localizado na Serra Gaúcha, RS), no maior conjunto arquitetônico da migração italiana, composto por casas feitas de tábuas gigantes cortadas das araucárias, pinheiro típico do sul. Este povo corajoso e trabalhador trouxe do norte da Itália o talian, mistura do português e italiano, é um dialeto falado na atualidade por volta de 500 mil pessoas, sendo considerado como segunda língua desde 2009 em Serafina Corrêa, município do Rio Grande do Sul. Aliás, os descendentes de italianos, que representam 15% da população brasileira, realizam encontros chamados ‘filó’, que nasceram com o fim de matar a saudade da pátria provocada pela distância, e como fator psicológico importante de dar o grito de vitória deste povo. Para aprender mais sobre a migração italiana acesse a: Globo Repórter: Migração Italiana: http://www. dailymotion.com/video/x3huad5 Por outro lado, em Santa Catarina, se bem houve presença italiana, a alemã foi mais forte dando como origem a cidades como Pomerode, Blumenau, Itajaí,

Brusque e Joinville. Em Blumenau, fundada pelo químico alemão Hermann Blumenau em 1850, se comemora a maior festa alemã na América: o Oktoberfest, originária de Munique. Durante 19 dias, a cidade mostra aos visitantes toda sua riqueza cultural cheia de folclore, memória e tradição que deixaram seus antepassados alemães, que foram atraídos ao Brasil com o fim de implantar um modelo de agricultura baseado na pequena propriedade familiar com produção diversificadora (policultura) e, para reforçar o exército brasileiro nas lutas da independência: no Norte do país e no Sul, nas disputas fronteiriças com os países vizinhos. Quer ver essas lindas casinhas típicas alemãs sem ter que viajar até a Europa? Pois visite Pomerode! É a cidade com o maior número de casas enxaimel fora da Alemanha, são montadas como se fossem um grande quebracabeças. Na Rota Enxaimel você pode apreciar essa magnífica arquitetura, ali as crianças chegam à escola falando alemão e, além de reforçar esta língua, aprendem também o português. Pomerode e Blumenau fazem parte do Vale

Europeu, região que se estende por 49 municípios de Santa Catarina. Se quiser conhecer mais acesse: Globo Repórter: Vale Europeu https://www.youtube. com/watch?v=h4H5VmDuYTQ No caso do Paraná, não foi muito diferente. Além dos italianos e alemães, chegaram imigrantes da Ucrânia, Polônia, Rússia e Japão. O Norte do Paraná tem uma forte marca da cultura japonesa, especialmente Assaí (significa sol nascente), localizada a 49 quilômetros de Londrina, que nasceu unicamente em função dos imigrantes que trabalhavam nas fazendas e investiam nos plantios de café em São Paulo. Foi após a queda da Bolsa de Nova York, em 1929, que os japoneses migraram ao Sul, em carroças e carros de boi, numa viagem lenta e cansativa, devido a que o governo paulista proibiu o plantio de pés de café enquanto que, no Paraná, era permitido. Até agora, pode-se encontrar famílias que tem moti (a bolinha de arroz) na geladeira. A vida no Sul é tri legal: saúde, segurança e educação! Cada estado tem uma universidade que o representa no Top 10 do Ranking Universitário Folha 2016

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Tá na capa das melhores universidades do Brasil: Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS (5° lugar), a Universidade Federal do Paraná - UFPR (7° lugar) e a Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC (8° lugar). Vale dizer que estas universidades são públicas e a qualidade do ensino é muito boa! Se você está pensando em fazer uma graduação ou pós-graduação no Brasil, amplie seu leque de opções e considere o Sul como uma ótima opção. Dado adicional: a UFRGS é quem possui o acervo Celpe-Bras, disponibilizando a todos os usuários gratuita e virtualmente as provas e editais de todas as edições do Exame Celpe-Bras, prova que possibilita a Certificação de Proficiência em Língua Portuguesa para Estrangeiros. Então, deixe-se cativar pelo Sul do Brasil! Terra rica em tradições e cultura onde terá lembranças inesquecíveis, além de ver a herança deixada pelos imigrantes que chegaram para contribuir e fazer parte do desenvolvimento desta maravilhosa região! Uma sulista em Lima... Kauê é uma jovem voluntária que viu no Peru a oportunidade de fazer o que sempre quis... ser um ser humano melhor e nada melhor do que ser uma semente de amor. Atualmente trabalha no projeto Dreamers de Aiesec em Pacífico, no qual ajuda fazendo desde tarefas domésticas até dar momentos de alegria e diversão a essas crianças que precisam de tanto amor.

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Antenado

Conte-me sobre você Kauê, o que lhe trouxe ao Peru? Chegou numa época complicada para alguns brasileiros, este frio chega até os ossos! Eu me chamo Kauê Jéssica Cavalli, estudei direito na Universidade do Vale do Itajaí, sou natural de Caxambu do Sul, uma cidade que se localiza no oeste de Santa Catarina, no Sul do Brasil, e tenho 22 anos. Quando resolvi fazer um intercâmbio, sempre tive em mente, fazer algo por alguém, então após uma vasta pesquisa, descobri que existia um projeto que realmente se encaixava no que eu procurava. O Dreamers é tudo o que eu sempre sonhei. Trabalhar com crianças que vivem em uma situação de abandono, ou ainda dividir momentos com crianças que lutam contra o câncer, com certeza, tem sido um privilégio... é como ser uma semente de amor. Quanto ao clima, sim é bem diferente, quanto ao frio, não o estranhei, pois vivo no sul do Brasil e sim temos um inverno bem rigoroso! Aqui em Lima, não há chuva, coisa que acontece muito no sul do Brasil. E quanto ao frio, não senti, apenas fiquei impressionada com a neblina muito predominante, e com o céu encoberto. E aí, está gostando da experiência? Trabalhar com crianças não é uma tarefa fácil, ainda mais na situação que elas estão. Estou amando a experiência, e enfim eu não procurava tarefas fáceis, estava atrás de um sentido maior para a fraternidade, de

um motivo forte para continuar lutando pelo bem, e além de tudo queria ser melhor como pessoa, e fazer a diferença na vida de alguém. Ser um ser humano melhor, sempre foi o meu objetivo, e tenho certeza que as experiências que estou vivendo no Peru, estão contribuindo muito para a minha formação humana. Você teve algum choque durante sua estadia aqui? Sim eu tive, o tráfego, meu Deus o tráfego é muito diferente do tráfego brasileiro, existem carros em todo lugar, e a faixa de pedestre, tem uma função muito diferente, serve para quando existem semáforos, em outros lugares não é muito eficiente, visto que os carros não param para que os pedestres atravessem. Sobre a cultura, eu estou amando, acho que é um povo muito tradicional, que preserva os costumes. Quanto a comida, existe muita variedade, e as porções são gigantescas. Agora, a pouco menos de uma semana para voltar ao seu país, que aprendizados leva daqui? Recomendaria esta experiência a outras pessoas? Levo muitos aprendizados, e sim eu recomendo a todos! Amo esse país, pude aprender muito sobre humanidade, sobre cultura, sobre tradicionalismo, sobre amor à pátria, sobre persistência. Muito obrigada Kauê, por nos dedicar um pouco do seu tempo. Espero que leve o melhor do nosso país! Eu é que agradeço, obrigada a este país maravilhoso, até o próximo encontro!


Cultura e arte

A cozinha

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Por Melina Morey

do Sul do Brasil

uando viajamos, geralmente temos muitas dúvidas sobre a comida e quase sempre fazemos comparações e acabamos pensando que a nossa comida é a melhor, porque não temos a coragem de provar coisas novas. Mas tentar experimentar coisas novas é parte de viver a cultura. A cozinha brasileira é variada e se falamos da Região Sul, há diversos pratos que se destacam e vale a pena provar. Algo muito típico da cultura do Sul do Brasil é o hábito de tomar chimarrão, que foi herdado dos povos indígenas, (guaranis, quíchuas e aimaras). A palavra chimarrão refere-se ao termo “clandestino”. Sua origem se remonta ao século 19, acreditase que naquela época, o Paraguai proibiu o comércio da preparação da erva-mate, mas não conseguiu evitar que a erva circulasse clandestinamente. O chimarrão é uma bebida simples feita a partir de água quente e erva-mate. Além disso, você só precisa de uma bomba e uma cuia. O sabor é a mistura de doce e amargo, dependendo da qualidade da erva-mate. É muito comum ver pessoas bebendo chimarrão em pares ou em grupos e há uma popular roda de mate que é praticamente um ritual para muitos gaúchos. É também muito comum ver pessoas bebendo mate caminhando, passeando, na praia e em outros locais. Um prato típico da Região Sul do Brasil é o famoso barreado. Este prato era servido aos caboclos e foi adotado como prato típico na época do carnaval. As mulheres deixavam tudo preparado para os quatro dias de carnaval porque este prato requentado não perde o seu sabor. O prato é composto de uma carne cozida servida com arroz e farinha de mandioca. A principal característica deste prato é que tem que se cozinhar por cerca de 20 horas em fogo baixo numa panela de barro. O barreado está presente na mesa aos domingos, também em casamentos, batizados, aniversários, em festas religiosas e está intimamente ligado ao carnaval e fandango. É um símbolo de festa que não

só está na esfera doméstica, também é um prato comercial que é servido em muitos restaurantes. Continuando com as carnes, um prato tradicional da região é o churrasco, um prato que se originou nas comunidades indígenas no século 17. A carne é assada em estacas de madeira, fincadas na terra e temperadas com sal e gordura. Os espetos são cercados com lenhas, que quando são queimadas tostam as carnes. Atualmente, várias carnes de distintos animais são preparadas deste jeito e também existem muitas churrascarias. O arroz carreteiro também é parte da cultura da região, especialmente do Rio Grande do Sul. O arroz carreteiro nasceu da necessidade. Os carreteiros que atravessavam o sul do Brasil precisavam de um alimento prático e fácil de preparar, então, eles preparavam numa panela de ferro a mistura de charque picado com arroz. Como era tão gostoso, tornou-se um ícone da cozinha regional e hoje é apreciado em todo o país. Finalmente, para nos adoçar um pouco, o pinhão é considerado por muitos como uma fruta, mas em realidade é uma semente da Araucária, árvore que simboliza o Paraná. O pinhão é rico em vitamina B, cálcio, fósforo e proteínas, é muito bom para a saúde e também é uma das melhores fontes de tiamina (vitamina B1). Uma das particularidades do pinhão é que ele pode ser cozido em água ou assado. A farinha do pinhão também é feita para a elaboração de pães, bolos, etc. O pinhão é utilizado em pratos doces e salgados como saladas e sopas. O pinhão é famoso nas festas juninas. No passado, era a principal fonte de nutrição para algumas tribos. Entre os principais contribuintes para o crescimento do pinhão temos à gralha-azul que é um pássaro que se alimenta do pinhão, recolhendo e enterrando estas sementes para o armazenamento. Destas sementes nascem vários pinheiros-do-Paraná.

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Cultura e arte

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Sonsdo

Por Helen Valero

Sul

om influência de diversas colônias de imigrantes, a música da região Sul do Brasil é uma mistura derivada dos alemães, italianos, poloneses e ucranianos. O maior referente musical é conhecido como MBP ou música popular brasileira, apreciada principalmente pela classe média urbana. Ao início, surgiu com a segunda geração da bossa nova, e logo incorporou elementos do rock, samba e pop. Acompanhe-nos neste pequeno percurso dos artistas referentes da música do sul do Brasil.

Engenheiros do Hawaii. Este grupo brasileiro formouse em Porto Alegre em 1985, com uma música muito irônica, crítica e carregada de semânticas composições. Depois a banda mudou sua influência musical e tornouse mais ligada aos sons de Bob Dylan, com composições críticas cheias da literatura de Albert Camus e Jean Paul Sartre. Aqui recomendamos algumas de suas músicas: Terra de gigantes, Infinita highway, De fé, entre outras. Elis Regina. Esta cantora brasileira é considerada uma das maiores representantes do gênero musical conhecido como Música Popular Brasileira (MBP). Nos anos sessenta e setenta, Elis ajudou a popularizar o movimento Tropicalia (movimento caraterizado pela combinação de elementos de bossa nova, rock, psicodélica, música tradicional da Bahia e o fado português). Esta cantora brasileira fazia críticas à ditadura militar brasileira, que perseguiu músicos da sua geração. Um de sus melhores discos é Elis e Tom, gravado com Tom Jobim. Elis Regina morreu aos 36 anos, mas você ainda pode escutar algumas de suas melhores criações musicais: Águas de marco, Como nossos pais, Atrás da porta, Madalena, Me deixas louca, Bala com bala, Andança, e outras mais. Kleiton e Kledir. A dupla de irmãos músicos, cantores e compositores da Música Popular Brasileira (MBP) gravaram quatro álbuns musicais e fizeram espetáculos antes de se separarem e seguirem carreira como solistas. Eles introduziram a música gaúcha na cultura brasileira sendo o mais particular o sotaque presente em suas músicas. Alguns anos depois, voltaram a ser uma dupla e logo depois de compor canções para outros artistas, eles gravaram o álbum Kleiton e Kledir ao vivo em 2007. Em 2015, lamçaram seu novo CD Com todas as letras, que tem participação de grandes artistas do Rio Grande do Sul. Algumas de suas músicas recomendadas são: Deu pra ti, Vento negro, Vira virou, Fonte da saudade, Gauchinha bem-querer, Capaz, Semeadura, Par ou ímpar, Tô que tô, A dança do sol e da lua, entre outras.

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Cultura e arte

Nenhum de Nós. A banda de rock brasileiro nasceu em Porto Alegre em 1986. Seu primeiro disco, Camila tornase um hit nacional chegando ao terceiro lugar na parada brasileira. Com seus 13 álbuns de estúdio e seus 4 álbuns ao vivo são a sensação na região Sul de Brasil. Com quase 30 anos de carreira, a banda já fez mais de 2000 shows e vendeu mais de 3,5 milhões de discos. Não deixe de escutar algumas de suas músicas mais conhecidas como O astronauta de Mármore ou Camila Camila (que foi um hit nacional), Vou deixar que você se vá, Diga a ela, Eu caminhava, Da janela, Caso raro, Igual a ti, entre outras.

Adriana Calcanhotto. Uma das mais importantes compositoras e cantoras da Música Popular do Brasil (MBP) tem influência de estilos como o samba, bossa nova, funk, rock, pop e baladas. Começou sua carreira musical fazendo apresentações em bares e logo em teatros, para depois apresentar sua música em festivais e concertos por todo o Brasil. Recebeu o Prêmio Sharp de revelação feminina e foi nominada a um Prêmio Grammy. Aqui deixamos algumas destas canções para você escutar e desfrutar: Fico assim sem você, Devolvame, Mentiras, Oito anos, Pelos ares, e outras mais.


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Centros de tradições gaúchas Por Stephany Del Portal

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ada região do Brasil tem culturas ricas e diferentes, mas você sabia que no Sul encontramos centros onde a cultura é ensinada para as novas gerações e para qualquer interessado na cultura gaúcha? Estes são os Centros de Tradições Gaúchas (CTG’s) e são lugares onde os gaúchos se encontram para confraternizar, dançar, comer e sobretudo reviver e compartilhar a tradição de sua cultura. Entre uma de suas missões está o resgate de estilos de dança da região Sul. Nos CTG’s, as pessoas podem conhecer e aprender diferentes tipos de danças, como as danças de salão, o xote, a valsa e a milonga. Há também as danças tradicionais, que são para apresentações. Muitos grupos de vários CTG’s competem no ENART, Encontro de Artes e Tradição Gaúcha, um

evento tradicionalista gaúcho e um dos maiores festivais onde os inumeráveis participantes destacam a cultura gaúcha, sua arte e tradição. Além das danças e músicas, os membros dos CTG’s usam as mesmas vestimentas típicas dos gaúchos. Os gaúchos usam roupas como camisa, chapéu, guaiaca, botas e bombacha, todas adaptadas à pampa com o passar do tempo. Importante também é o lenço, que pode ser de variadas cores e pode ter vários tipos de nós. Enquanto a vestimenta da mulher, ela utiliza um vestido ou saia com uma camisa e por baixo disso, muitas saias para fazer o volume do vestido, como os vestidos antigos. Há roupas para todas as idades, somente variam o tamanho segundo a idade da pessoa. Os CTG’s promovem também a Semana Farroupilha, período

dedicado ao patriotismo riograndense. Dentro desta semana está uma das datas mais importante para eles: 20 de setembro, quando se celebra o Dia do Gaúcho. Neste dia, quando comemora-se a Revolução Farroupilha, toda a cidade se mobiliza para viver a tradição gaúcha. Então, se você, leitor, estiver interessado em conhecer mais sobre o estilo de vida e costumes gaúchos, pode entrar em contato com o CTG mais próximo de você. Eles se encontram agora por todo o Brasil e fora do país também há CTG’s nos EUA, Israel, França e Canadá. Para poder pertencer a um CTG, você não precisa ter nascido no Rio Grande do Sul, pois importante é amar a cultura gaúcha. Um CTG é mais que um centro ou uma escola, é um ensinamento de vida. Cultura e arte

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Bate-papo com...

Jonas Paloschi

Por Gabriela Pacheco

Secretário do Setor Cultural da Embaixada do Brasil em Lima

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á três anos morando no Peru, um dos responsáveis por divulgar a cultura brasileira em nosso país, o chefe do Setor Cultural e de Cooperação Educacional da Embaixada do Brasil em Lima, Jonas Paloschi, nos concedeu uma entrevista. Conheça mais da sua vida como diplomata e os próximos projetos que a Embaixada do Brasil e o Centro Cultural BrasilPeru têm. Como decidiu entrar na diplomacia? Penso em seguir a carreira diplomática desde que estava na faculdade de Relações Internacionais, em Brasília. Fui estagiário acadêmico no Ministério das Relações Exteriores do Brasil e gostei muito de conhecer o trabalho dos diplomatas. Vi que o trabalho era difícil, mas muito interessante. Naquele momento decidi que aquela seria uma ótima carreira profissional. Como é a vida de um diplomata? É uma vida de muita entrega, privação e distanciamento, mas também de autoconhecimento, experiências diferentes e descobertas. Estar longe da família e dos amigos, expor seu cônjuge e seus filhos a mudanças constantes e para lugares muito diferentes onde é necessário recomeçar a vida e as amizades,

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adaptar-se a diferentes culturas e costumes, são algumas das dificuldades. Ao mesmo tempo, poder viajar pelo mundo, ter conhecidos em todas as capitais, servir em nome do seu país, conhecer mais sobre as outras culturas e sobre si mesmo são experiências gratificantes e enriquecedoras. Qual é o trabalho que o senhor realiza na Embaixada do Brasil aqui no Peru? Atualmente sou chefe do Setor Cultural e de Cooperação Educacional. Pela área cultural, sou responsável pelas atividades de difusão da cultura brasileira, incluindo a literatura, as artes cênicas, o audiovisual e as artes visuais, divulgação da realidade do Brasil, promoção da língua portuguesa através do Centro Cultural Brasil-Peru, e gestão das redes sociais da Embaixada. Na área educacional, meu trabalho inclui divulgar as oportunidades de estudo no Brasil, coordenar a divulgação e seleção local do programa oficial de bolsas de graduação do governo brasileiro, atender e tirar as dúvidas dos peruanos, acompanhar as missões de universidades brasileiras e os temas políticos relacionados à educação no Peru. Ocupo-me ainda de temas de esportes, incluindo a cooperação entre entidades esportivas,

transmissão de informações sobre organização de grandes eventos, entre outros temas. Quanto tempo o senhor já tem no cargo de chefe do Setor Cultural e de Cooperação Educacional? Três anos. Quais são os desafios ou objetivos que o senhor tem tido durante sua gestão na área cultural? Promover a cultura brasileira


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é muito divertido e agradável. Os peruanos são muito parecidos com os brasileiros, e tratam com muito carinho e respeito nossa cultura, especialmente a nossa música, assim como nós brasileiros tratamos a cultura deles, em especial a história milenar e a gastronomia. Além disso, a cultura é algo muito positivo, que aproxima as pessoas e torna mais fluida a relação entre os países: quanto mais as sociedades se conhecem, mais fácil é o relacionamento entre os Estados. Mas promover a cultura exige criatividade e recursos, pois atualmente há muita informação circulando e as pessoas têm pouco tempo livre. Quais são os próximos projetos que a Embaixada do Brasil e o Centro Cultural Brasil- Peru têm? A Embaixada está em um momento de maior aproximação à comunidade brasileira que vive no Peru. Queremos contar com a união e apoio dos brasileiros para fazer chegar

a mais pessoas as atividades de difusão de nossa cultura. Também estamos procurando multiplicar as possibilidades de acesso ao aprendizado da língua portuguesa e às oportunidades de estudo no Brasil. Em que consiste o projeto Portas Abertas do Centro Cultural Brasil-Peru? O “Portas Abertas” é justamente uma iniciativa para trazer mais brasileiros para dentro do CCBP. Queremos trabalhar juntos para gerar mais oportunidades de contato entre a comunidade, em especial envolvendo os brasileirinhos que moram em Lima e não têm muito contato com a cultura brasileira. Ao mesmo tempo, aumentaremos as possibilidades de integração com nossos amigos peruanos que frequentam o CCBP e apreciam nossa cultura. Felizmente recebemos muitos projetos de pessoas que acolheram a iniciativa. Queremos mostrar que a Embaixada é dos

brasileiros, e está a serviço deles, e não fechada a novas ideias. Quais são suas aspirações durante sua gestão na área cultural? Eu gostaria de poder fazer com que mais peruanos conhecessem e estudassem no Brasil. Há muitos interessados, mas nossa capacidade ainda é pequena perto desse interesse. Novas oportunidades vêm surgindo, e é gratificante ver que o resultado desse trabalho é a formação de jovens conhecedores da cultura e da realidade brasileira, que são excelentes pontes para a relação entre nossos países. A cultura e a educação caminham ao lado do comércio, dos negócios e da ciência e tecnologia, e permitem auxiliarmos no desenvolvimento de nossos países. Brasil e Peru têm muito em comum, e é fundamental que nos conheçamos e resolvamos juntos nossos desafios. Bate-papo com...

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“Ser

gaúcha

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sala Ariano Suassuna foi o lugar perfeito para conhecer um pouco mais da nossa entrevistada. Ela é professora do Centro Cultural Brasil-Peru, mãe de três filhos e tem 30 anos morando no Peru. Conheça mais de Silvana Sanguinetti, na entrevista abaixo. Quando e como surgiu a ideia de residir no exterior? Eu me casei com um peruano e nós fomos morar nos Estados Unidos. Um dia meu marido me disse que era hora de comprar uma casa e nós apresentamos os papeis para pedir um financiamento. O trâmite ia demorar de dois a três meses. Portanto, íamos ter que alugar um apartamento lá; mas ele me disse: melhor vamos esperar esses três meses no Peru, na casa do meu pai, em Chorrillos. Era uma época bem triste no Peru, era a época do terrorismo. Ao começo estávamos assustados, mas a vida correu tranquila aqui. Depois de dos meses nós recebemos a notícia que nos negaram o financiamento e como já estávamos instalados, decidimos ficar aqui mesmo. Já são 30 anos! O que a senhora sente falta do seu país? Sinto falta do mar morno no verão, da comida, das sobremesas, do cheiro do mar quando a gente se aproxima das praias, que têm um cheiro completamente diferente. Tem um perfume e se sente uma coisa que é indescritível. Sinto falta do sol de inverno e da minha família.

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Bate-papo com...

Por Gabriela Pacheco

é tudo de bom” Consegue matar a saudade? Consigo matar a saudade através do telefone, por Skype, com o Messenger. Meus irmãos abriram um grupo no whatsapp com todos, sobrinhos e irmãos, se chama “Os Filhos da Rosa”, que é a nome da minha mãe. Aí compartilhamos tudo. As fotos, as notícias, formaturas, casamentos, tudo. Se a senhora tivesse a oportunidade de voltar no tempo, escolheria viver no Peru? Eu fiquei pensando este fim de semana vendo as fotos e acompanhando o crescimento dos meus sobrinhos e eu senti muito que meus filhos não tenham tido isso, foi como se tivesse negado isso para eles. Dá pena! Os sobrinhos crescendo perto dos tios ou dos avôs. Meus filhos estão crescendo sozinhos. Não sei se eu faria diferente. Acho que não. O que é para a senhora ser gaúcha? É um estilo de vida. Sou uma pessoa muito orgulhosa das minhas tradições, de onde eu venho e da minha família. Porto Alegre para mim é uma das cidades mais lindas que existe. Gosto de tudo dela, menos da violência, mas tem certas coisas que a gente dá valor depois que a gente está longe. Ser gaúcho é tudo de bom. A senhora tem planos de voltar a seu país? Para morar não, dificilmente. Acho que não conseguiria me

acostumar. Já tenho uma vida formada aqui. Eu sempre fico pensando em se eu voltasse para lá e meus filhos não pudessem voltar. Como ficaria? Teria que me separar de outra família mais. Minha família são meus filhos e minha neta. Eu procuro que nós estejamos unidos e que nós possamos ir de passeio e de visita para lá sempre que nós pudermos. Nossa vida já é aqui. Do que a senhora que mais gosta de morar aqui? Eu amo Miraflores. Desde que eu cheguei a Lima pela primeira vez, eu me apaixonei. É uma cidade que tem tudo de bom. Tem tudo o que uma pessoa pode esperar de uma boa cidade. Simplesmente linda. Vai fazer 7 anos que estou morando em Miraflores. Fico pensando que não imagino minha vida em outra cidade.


O que rola no CCBP Mostra Cultural 2016 Sábado, 26/11, foi realizada a Mostra Cultural do CCBP, resultado do trabalho dos alunos do nível intermediário II sobre as regiões do Brasil. Nela, foram apresentados os projetos temáticos de artes plásticas, literatura brasileira, oportunidades de estudos no Brasil, culinária e danças regionais. A organização esteve a cargo dos professores Solange López Freitas, Silvana Sanguinetti e Oscar Meléndez Robles, com a participação de outros professores. Quem planta, colhe! Os alunos do curso especial Munibecas, ministrado pela professora Simone do Carmo, apresentaram “Quem planta, colhe”, um projeto de conscientização para o consumo de alimentos orgânicos. Ficou interessado? Então não deixe de visitar a horta ecológica feita pelos alunos que se encontra no terceiro andar do CCBP!

Por Luiza Castro

Clube das Artes Uma reunião de amigos para ouvir poesia, boa música e conhecer mais sobre a cultura brasileira sob a batuta de Lev Vidal e Manolo Palacios. É uma excelente oportunidade de integração da comunidade brasileira e peruana, e para os mais desinibidos, um momento para apresentarem poemas e composições musicais próprias. Não perca o próximo encontro dia 07 de dezembro, às 18h00, no auditório do CCBP!

Exposição fotográfica sobre o Centro-oeste do Brasil De 03 de novembro a 12 de dezembro, na Galeria Tarsila do Amaral do CCBP, encontra-se “Miradas del Centro-oeste de Brasil”, uma exposição fotográfica sobre Goiás.Conheça um pouco mais sobre o CentroOeste brasileiro!

Xilogravura no Brasil O Prof. Antônio Costella realizou no dia 27 de outubro uma palestra e visita guiada sobre a Xilogravura no Brasil. A mostra contendo parte do acervo do Museu Casa da Xilogravura (Campos do Jordão - SP, Brasil) foi exposta na Galeria Tarsila do Amaral do CCBP. O evento se realizou no âmbito da V Bienal Internacional de Gravura do ICPNA. Projeto Portas Abertas CCBP Projetos de integração e difusão cultural estão sendo desenvolvidos no CCBP desde outubro. Aulas de violão, clube de leitura, oficina de tapioca, ritmos brasileiros e latinos para adultos e capoeira são algumas das atividades que estão sendo realizadas.

Livro compartilhado A professora Luiza Castro e seus alunos do nível Avançado desenvolveram a campanha “Livro compartilhado”, com o objetivo de incentivar a leitura entre todos os que frequentam o CCBP. Para participar, basta trazer um livro e trocá-lo por outro, registrando seus dados na planilha que está no cavalete. Não se esqueça de escrever um bilhetinho em português para o futuro leitor do livro que você doou!

Doação de cadernos ao colégio Santa Teresa de Villa Os cadernos dos alunos inscritos nas oficinas CCBP 2016-II de outubro e novembro foram doados aos estudantes do colégio Colégio n. 7042 Santa Teresa de Villa, representado por sua Diretora, Sra. Eddy Mejia Zurita. O CCBP agradece a todos sua solidariedade e entusiasmo deste gesto de responsabilidade social.

Feira da Região Norte do Brasil Os alunos do curso intermediário I do professor Ademir Cunha dos Santos participaram da feira da Região Norte do Brasil. Os temas foram bastante variados: contação de histórias, turismo, culinária e artesanato. Oficinas CCBP 2016-II “Orixás”, “Gramática superior da língua portuguesa”, “Só Machado”, “Voz, legenda e ação”, “E tem em português?” e “Falando nisso” foram as últimas oficinas de 2016 oferecidas pelo CCBP. Ficou de fora? Não se preocupe, em 2017 tem muito mais! 23


Coisas da vida

A vida de um

Por Ademir Cunha

gaúcho em Lima

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m primeiro lugar, sinto saudade de muitas coisas do Sul, principalmente dos rodeios, que acontecem em todas as cidades do Rio Grande do Sul, consiste em concursos artísticos e campeiros da arte do gaúcho, ali se vê uma riqueza folclórica incrível, danças, música, gineteadas e etc, outra grande falta são os fandangos (festas típicas do Sul). Posso dizer que sinto falta também de tomar chimarrão, mesmo tendo minha cuia e erva-mate aqui, tomar chimarrão sozinho, não faz parte da tradição, o bom gaúcho compartilha o mesmo com seus amigos. Depois do chimarrão, tem o churrasco, mas barbaridade! Esse é comum todos os domingos, pois saboreamos com os amigos e com a família, um churrasco de primeira, bem assado... Puxa está me dando água na boca... São muitas coisas que me fazem relembrar o Sul e a saudade é imensa, pois na cidade onde nasci, Serafina Correia e na região, se preservam muito as tradições do Sul e na época em que lá morava, eu era um típico tradicionalista, participava dos festivais, dos CTG’s, inclusive por muitos anos fui coordenador cultural de toda a região, promovia muitos projetos culturais, era locutor de rodeios, e concorrente em declamação de poesia e danças. Saudade danada! Como folclorista, aqui em Lima o que me faz manter a tradição, é divulgar a arte do Rio Grande do Sul, através de aulas, oficinas, projetos, palestras sobre o meu querido estado, sempre claro, vestido a rigor com a pilcha gaúcha que tanto nos identifica!

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Coisas da vida


Coisas da vida

Falando

Por Gracieli Silva

gauchês

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ntender um gaúcho pode ser um pouco difícil, pois assim como em outros estados, nós temos o nosso sotaque e expressões que somente são usadas no Rio Grande do Sul. Se tu pensas em conhecer o RS e estás preocupado como vais fazer para entenderes um gaúcho quando chegares lá, não se preocupe “vivente”! Essa matéria é para ti! No relato abaixo aprenderás um pouco sobre o nosso idioma: o gauchês e “de quebra”, conhecerás um personagem muito famoso por “aquelas bandas” Vivente: amigo, amiga de quebra: e também por aquelas bandas: neste lugar Essa semana uma amiga me ligou para contar que iria “juntar os trapos” com o novo namorado e que também iria adotar um “cusquinho guaipeca”, afinal há muitos anjinhos por aí precisando de um lar. E ela já veio “fazendo balaca” dizendo que iria morar em um dos melhores bairros de Porto Alegre. Até aí tudo bem, pois ela trabalha muito e merece, mas o que me “caiu os butiá do bolso” foi saber o valor do aluguel, então eu disse para ela que “não chorasse as pitangas” quando ficasse sem dinheiro, pois ela trabalharia somente para pagar o aluguel. Ela me “botou os cachorros” e disse para eu não me preocupar, mas eu só reforcei que ela não precisava “matar cachorro a grito” só para morar numa zona nobre, daí ela ficou nas “pontas dos cascos” e eu me “fiz de salame” dizendo que era melhor conversarmos outro dia, pois eu estava um pouco “atucanada”, com um tanto de aulas para planejar. E aí eu pergunto: Existe coisa melhor que um apartamento bem aconchegante e que esteja perto de um parque (independente da zona), para poder, num dia de sol, “lagartear” lendo um bom livro e comendo uma “bergamota”? Para mim não há nada melhor, pois era exatamente isso que eu fazia aos domingos pela tarde em Porto Alegre e logo, ao regressar para casa, passava no “super” para

comprar leite condensado e nescau e preparava um “negrinho” de colher para comer assistindo a um filme. Trocar tudo isso por um apartamento numa zona chique??? Mas bem “capaz”!!! Quer conhecer mais expressões gaúchas? Entre no youtube, no Canal do Guri de Uruguaiana* e veja mais vídeos sobre o Rio Grande do Sul. *Personagem fictício que narra fatos sobre o RS http://goo.gl/vQMly7 Tradução do gauchês para o português:

rua

fazer balaca: se exibir Me caiu os butiá do bolso - fiquei surpreso Mas bem capaz: sem chance nenhuma “Estar atucanado”: atarefado Cusco guaipeca: cachorro vira lata/cachorro de

Se fazendo de salame: dissimulando uma situação Negrinho: brigadeiro - sobremesa brasileira Super: diminutivo de supermercado Botar/Soltar os cachorros: xingar Matar cachorro a grito: passar dificuldade Juntar os trapos: casar, morar juntos Ficar ponta dos cascos: ficar com raiva “Lagartear” no sol comendo “bergamota” descansar, tangerina Coisas da vida

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Tempo de leitura

A literatura do Sul:

3 escritores

O

que você acha que têm em comum os escritores brasileiros Érico Verissimo, Luís Fernando Verissimo e Mário Quintana? Pois que todos eles nasceram no Rio Grande do Sul. Ou seja, são gaúchos. Ser gaúcho no Brasil é uma forma muito particular de ser brasileiro, alguém que reivindica e se orgulha de sua história e das suas raízes migrantes. Os escritores mencionados plasmaram esse sentimento de identidade em suas obras. Romance para todos os tempos Vejamos. A obra mais importante de Érico Veríssimo é a saga de “O tempo e o vento”, composta pelos romances “ O continente”( 2 Vols.), “O retrato”(2 Vols.) e “O arquipélago”(3 Vols.). Esta trilogia conta os quase dois séculos de história da formação do Rio Grande do Sul sob o ponto de vista de uma das famílias protagonistas: Terra-Cambará. Autor prolífico, Érico escreveu obras em quase todos os gêneros literários. É dono de uma prosa simples, mas envolvente e eminentemente descritiva. Em 1945 foi galardoado com o prêmio Machado de Assis pelo conjunto de sua obra. Posteriormente, em 1965 ganhou o prestigioso prêmio Jabuti pelo livro “O Senhor embaixador”. A voluminosa saga de “O Tempo e o vento” é considerada uma das epopeias mais importantes da literatura do Rio Grande do Sul e do Brasil. O escritor pensou escrever este romance “histórico” em um livro só de oitocentas páginas, mas acabou redigindo uma obra monumental, em que presente

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Tempo de leitura

e passado Rio grandenses aparecem reiteradamente fundidos em sua história, desde seus primórdios, a história de uma família mestiça e corajosa em sua luta por sobreviver à tragédia. O cenário onde se desenrolam os fatos é a região que hoje se conhece como Rio Grande do Sul. As ações mais antigas que se narram na saga passaram em 1745, quando os 7 povos das Missões estavam sendo ameaçados pela execução do Tratado do Madri, assinado por Portugal e Espanha, segundo o qual se entregou à coroa espanhola a região colonizada pelos jesuítas. Estes, que tinham catequizado e civilizado os índios guaranis, recusaram-se a cumprir o acordo, resultando então em guerra e matança de índios. Em meio a estes eventos, nasce o personagem Pedro, que ainda criança testemunha o genocídio de seu povo. As ações mais presentes ou atuais dentro da história tem lugar em 1985, quando o Rio Grande está dividido em dois bandos, por um lado os adeptos de Júlio de Castilhos e, por outro, os de Gaspar Silveira Martins, ocasionando a chamada Revolução Federalista, que foi vencida pelos primeiros. Obra fundamental da literatura gaúcha, “o Tempo e o vento” em geral é uma obra de teor aventureiro, mas pacífico; embora faça amostragem de alguns fatos históricos violentos como o genocídio guarani e apresente conflitos como a Revolução Farroupilha, a guerra contra o Paraguai ou a Revolução Federalista. Uma particularidade deste romance de grande fôlego é que os fatos são


Tempo de leitura Por: David Pinday

em destaque narrados e descritos sob o prisma das mulheres protagonistas (Ana Terra, Bibiana) que em meio destes enfrentamentos perderam maridos e filhos, e viram abortar sua felicidade familiar. Érico retrata assim a dignidade, a coragem, e a mentalidade da mulher e do homem gaúchos. A luta pela terra, pela independência e pela liberdade da região, que num tempo se deu em chamar “São Pedro do Rio Grande Do Sul”. O autor também escreveu livros infantis. São muito recordados os livros “As Aventuras do avião vermelho”(1936), “Os três porquinhos pobres”(1936), “As aventuras de Tibicuara”, entre outros. Em 28 de novembro de 1975 sofreu um enfarte e morreu deixando inacabados a segunda parte de sua autobiografia e um romance. Luis Fernando Verissimo, cronista magistral A diferença de seu pai, que é serio, correto, solene, quase histórico, Luís Fernando, o filho, é todo o contrário. Jornalista, tradutor, escritor e roteirista de programas cômicos de TV, Luís Fernando Veríssimo dedica-se à crônica humorística e literária, e mais precisamente, à sátira de costumes. Suas obras estão cheias de amenidade e jocosidade, com distintos temas do cotidiano brasileiro. Em 1994 publicou com grande sucesso a antologia de contos de humor “Comédias da Vida Privada”, que ganhou tanta popularidade que virou um especial da TV Globo, (1994) e logo após, uma série de 21 programas (1995-1997), com roteiro e direção de Jorge Furtado e Guel Arraes. Outras obras em destaque dentro da profusa obra de Luís Fernando Veríssimo são: “O Analista de Bagé”, “Ed Mort”, “ A velhinha de Taubaté”, “Comédias da Vida Pública”, “As mentiras que os homens contam” “ O Clube dos anjos”, entre muitas

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outras onde. “ O grande escritor de textos curtos” fará você dar gargalhadas com as engraçadas situações cômicas que ali se passam. Não aumentamos se dizemos que o octogenário é um dos escritores mais populares e lidos de todo o Brasil, tendo vendido um total de 5 milhões de cópias de seus livros. Quintana: Cantares Quintanales Depois de falar de dois grandes expoentes da narrativa gaúcha, é a vez da poesia. E se falamos de poesia gaúcha, o Rio Grande do Sul tem um grande nome: Mário Quintana. Nascido em Alegrete em 1906, e falecido em Porto Alegre em 1994, Quintana é considerado “O poeta das coisas simples”, com um estilo marcado pela ironia, pela profundidade filosófica e pela perfeição técnica. Trabalhou como jornalista quase toda sua vida, e na sua faceta de tradutor, traduziu mais de uma centena de obras da literatura universal, entre elas, “Em procura do tempo perdido” de Proust, “Mrs. Dalloway”, de Virgínia Woolf e “Palavras e Sangue”, de Giovanni Papini. Entre sua mais significativa obra lírica podemos citar: “A Rua dos cataventos”(1940), “ O Aprendiz de feiticeiro”(1950),”Espelho mágico” (1951), “Quintanares”(1976), “ A Cor do invisível”(1989), “Água”(2001). Foi distinguido com o prêmio Jabuti de literatura em 1981. O escritor Manuel Bandeira rendeu-lhe homenagem com estes versos: Meu Quintana, os teus cantares Não são, Quintana, cantares: São, Quintana, quintanares. Quinta-essência de cantares... Insólitos, singulares... Cantares? Não! Quintanares!

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Por Luiza Castro

Mostra Cultural do CCBP é um evento realizado como parte do encerramento das atividades do semestre letivo. É um momento em que os alunos do nível intermediário podem expor os conhecimentos culturais adquiridos sobre as regiões do Brasil. A atividade não envolve somente a comunidade CCBP, mas estende-se também à comunidade externa interessada na cultura brasileira. A seguir, algumas fotos de um grupo intermediário do professor Ademir Cunha dos Santos, cujo tema abordado por eles foi a cultura gaúcha.

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Revista Entreletras n. 6  

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