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TEMPO é DINHEIRO: AVIAÇãO gERAL AgILIzA OS DESLOCAMENTOS DE EXECuTIVOS PELO PAÍS

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IS SN 1414-0 152

ANO 18 N o 211 MAIO 2012

Mercado brasileiro de shopping centers desperta interesse internacional e fusões e aquisições acirram a disputa pela liderança

Jaimes de Almeida Junior, presidente da Almeida Junior, que se aliou à global Westfield na briga pela primeira posição

quero ser

líder entrevista MAuRO BORgES LEMOS, DA ABDI

varejo PESQuISA DE PREÇO PELA INTERNET

PerfiL IDAS E VINDAS DA FORNO DE MINAS


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empreendedor | maio 2012


edi to ria L

Diretor-Editor: Acari Amorim [acari@empreendedor.com.br] Diretor de Comercialização e Marketing: geraldo Nilson de Azevedo [geraldo@empreendedor.com.br] Redação Editor-Executivo: Alexsandro Vanin [vanin@ empreendedor.com.br] – Repórteres: Ana Paula Meurer, beatrice gonçalves, Cléia schmitz, Mônica Pupo, Raquel Rezende – Edição de Arte: gustavo Cabral Vaz – Projeto gráfico: Oscar Rivas – Fotografia: Arquivo empreendedor e shutterstock – Foto da capa: Divulgação – Revisão: lu Coelho Sedes São Paulo Diretor: fernando sant’Anna borba – Executivo de Contas: Osmar escada jr – Rua Pamplona, 1.465 – Conj. 74 – 01405-002 – Jardim Paulista – Fone/ Fax: (11) 32141020 / 3887-2193 [empreendedorsp@empreendedor.com.br] Florianópolis Executiva de Atendimento: joana Amorim [anuncios@ empreendedor.com.br] – Rua Padre Lourenço Rodrigues de Andrade, 496 – Santo Antônio de Lisboa – 88050-400 – Florianópolis – SC – Fone: (48) 3371-8666 Central de Comunicação – Rua Anita garibaldi, nº 79 – sala 601 – Centro – Florianópolis – SC – Fone (48) 3216-0600 [comercial@centralcomunicacao.com.br] Escritórios Regionais Rio de Janeiro Triunvirato Empresarial – Milla de souza [milla@triunvirato.com.br] – Rua São José, 40 – 4º andar – Centro – 20010-020 – Rio de Janeiro – RJ – Fones: (21) 2611-7996/9607-7910 Brasília Ulysses Comunicação ltda. [ulyssescava@ gmail.com] – Fones: (61) 3367-0180/9975-6660 – Condomínio Ville de Montagne, Q.01 – CS 81 – Lago Sul – 71680-357 – Brasília – Distrito Federal Paraná Merconeti Representação de Veículos de Comunicação Ltda – Ricardo Takiguti [ricardo@merconeti.com.br] – Rua Dep. Atílio Almeida Barbosa, 76 – conjunto 3 – Boa Vista – 82560-460 – Curitiba – PR – Fone: (41) 3079-4666 Rio grande do Sul Nenê Zimmermann [nene@starteronline.com.br.com.br] e Renato Zimmermann [renato@starteronline.com.br.com.br] – Floresta – 90440-051 – Porto Alegre – RS – Fone: (51) 3327-3700 Pernambuco HM Consultoria em Varejo Ltda – hamilton Marcondes [hmconsultoria@hmconsultoria.com.br] – Rua Ribeiro de Brito, 1111 – conjunto 605 – Boa Viagem – 51021310 – Recife – PE – Fone: (81) 3327-3384 Minas gerais SBF Representações – sérgio bernardes de faria [sbfaria@sbfpublicidade.com.br] – Av. getúlio Vargas, 1300 – 17º andar – conjunto 1704 – 30112-021 – Belo Horizonte – Mg – Fones: (31) 2125-2900/2125-2927 Assinaturas Serviço de Atendimento ao Assinante – [assine@empreendedor.com.br] – O valor da assinatura anual (12 edições mensais) é de R$ 118,80 à vista. Renovação de Assinatura R$ 112,86 à vista. Estamos à sua disposição de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 17h30. Produção gráfica Impressão e Acabamento: Coan Gráfica editora CTP – Distribuição: Distribuidora Magazine express de Publicações ltda – são Paulo Empreendedor.com http://www.empreendedor.com.br Editora: Carla Kempinski – Repórter: Raquel Rezende

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capital externo tem ajudado a intensificar a disputa pela liderança do mercado de shopping centers no brasil. Atraído desde 2007 pelo aumento da renda da população, do emprego e do crédito, agora ele aporta com mais força, aliado a empresas brasileiras. É o caso da regional Almeida junior, que no semestre passado juntou-se à global Westfield e somou forças – knowhow e recursos – para competir com grupos que têm presença já consolidada em todo o País. Por exemplo, a bR Malls, que para não perder terreno no mês passado aliou-se à simon Property group, a maior empresa do segmento imobiliário no mundo. A crise dos países ricos faz com que estes gigantes mundiais procurem terrenos mais férteis para seus investimentos – a Westfield não entrava em um novo mercado desde 2000, quando chegou ao Reino Unido. Mas são outros fatores que fazem do brasil um porto seguro e promissor para esses recursos: a pequena quantidade de shoppings, em desproporção à dimensão do País, ainda por cima concentrada na Região sudeste, especialmente na cidade de são Paulo, com fraca presença no interior do brasil; a tímida participação das lojas de shopping centers nas vendas totais do varejo; e o baixo índice de área bruta locável. Além disso, o forte potencial de crescimento do setor – ainda pulverizado no País – tem intensificado a onda de fusões e aquisições, e também abre espaço para novos competidores. A busca por terrenos pouco explorados colabora para a melhoria da economia de cidades médias, pois a chegada de shoppings acaba estimulando o desenvolvimento de negócios locais. Novas oportunidades para lojistas e prestadores de serviço, tanto dentro destes empreendimentos quanto nos seus arredores. Nacionalmente, mais espaço para franquias, ávidas por pontos comerciais e que atualmente sofrem com o custo elevado pela escassez de espaço. Confira na reportagem de capa desta edição quem são os players desta disputa e o que está por vir. Alexsandro Vanin

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A Revista Empreendedor é uma publicação da Editora Empreendedor

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nes ta edi ç ã o

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metro a metro quadrado

Está acirrada a disputa pela liderança do mercado de shopping centers no Brasil. O aumento da renda da população, a presença ainda pequena no interior do País e a tímida participação nas vendas totais do varejo sustentam um forte potencial de crescimento do setor. Isso tem atraído a atenção de grupos internacionais, que recentemente celebraram parcerias com empresas locais que, fortalecidas pelo capital externo, intensificam a onda de fusões e aquisições. Fique por dentro do que está acontecendo e saiba o que isso pode mudar para você.

08 | entrevista Mauro Borges Lemos

O presidente da ABDI explica como políticas de inovação e comércio exterior podem ampliar o número de empresas brasileiras líderes e sua participação no mercado mundial.

26 | mercado Tempo é dinheiro A boa fase da economia brasileira torna o tempo dos executivos cada vez mais valioso. Com a necessidade de se deslocar pelo País devido à descentralização produtiva e um sistema de aviação comercial saturado, utilizar aeronaves próprias ou fretadas é um bom negócio.

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34 | varejo Sistemas de busca

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Nunca foi tão fácil fazer pesquisas de preço quanto agora. Um comportamento cada vez mais comum dos consumidores, mesmo que a compra seja finalizada presencialmente em uma loja, é fazer uma busca na internet, utilizando o Google ou sistemas específicos.


42 | Perfil Helder Mendonça, da Casa de Minas 06

NÃO DURMA NO PONTO

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empreendedores

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franquias

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PRODUTOS E SERVIÇOS

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megafone

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empreendedorismojá.com

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banho de loja

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leitura

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pense grande

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análise econômica

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AGENDA

38 | Perfil lojista Luiz Carlos de Freitas Júnior e Mariana Dal-Ri, do Empório La Linda Espelhe-se no caso do jovem casal que descobriu como conciliar o sonho de ter o próprio negócio com a vontade de ajudar a melhorar o mundo.

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Conheça a história da Casa de Minas e de sua recompra pela família fundadora, que retomou a receita original de pão de queijo e colocou a empresa de volta ao caminho dos bons resultados.

LEIA TAMBÉM

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NÃO DURMA NO P ONTO

O COMPLEXO DE CHANTECLER A história foi contada pelo teatrólogo e escritor francês Edmond Rostand, também autor da conhecida peça Cyrano de Bergerac. O personagem criado por Rostand é um galo de fazenda chamado Chantecler, que despertava todas as madrugadas e cantava a pleno pulmões para acordar o sol. Meia hora depois de tamanho esforço, o sol despontava no horizonte para a alegria de todos. Chantecler acreditava piamente no sucesso do que considerava sua missão. Dizia, com orgulho, “sou eu que faço o sol nascer”. E não era só ele que achava isso. Submissos, todos os outros animais da fazenda admiravam e respeitavam o galo Chantecler, pois o canto dele era a garantia do surgimento do sol tão necessário a todos. Mas um dia, depois de uma noite maldormida, o galo orgulhoso perdeu a hora. E, para espanto de todos e desespero do galo, lá estava o sol brilhando garboso, independente do canto de Chantecler. Com base nesta história de Rostand, a psicanálise cunhou o termo “Complexo de Chantecler”, também conhecido como “Complexo de Deus”, para caracterizar pessoas que, embriagadas por suas vitórias e competências, acreditam que o mundo se movimenta graças aos seus talentos.

Empresas sem herdeiros

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Sucessão é um dos problemas mais complexos por que passam empresários e líderes. E não é sem motivo. Boa parte deles sofre do Complexo de Chantecler. Acreditam mesmo que o sucesso deriva do seu canto, ou seja, suas ideias, intuição, visão e decisões. Não conseguem enxergar que alguém possa ter um can-

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to tão poderoso quanto o seu. Admitir tal possibilidade seria um golpe fortíssimo contra seu ego. Alguns até se atrevem a cantar, mas o líder Chantecler trata de silenciar a ousadia com uma mordaça. Nesse galinheiro, só quem canta é ele. A maioria se acomoda, deixando para Chantecler o fardo de acordar cedo todas as manhãs para assegurar o canto e o sol. Não falta quem elogie seu talento, o que aumenta ainda mais sua desmesurada soberba. E os ingênuos acreditam mesmo no prodígio do canto único e imprescindível de Chantecler, reprimindo, assim, a beleza e o poder dos seus próprios cantos. Em algum momento da saga, Chantecler vai se aborrecer com os outros galos. Nenhum canta ou aprendeu a cantar como ele. O fardo permanece em suas costas como um feitiço que se volta contra o feiticeiro. Uma vez ou outra substitui alguns galos ou tenta ensinar uns eleitos a cantar, mas nada dá certo! Ninguém chega a seu bico! Chantecler não acredita que outros cantos serão capazes de fazer o sol nascer. Assim, insiste na missão, ainda que seu canto não seja mais tão afinado e sonoro como antes. Chantecler não pensa que um dia vai faltar ou que poderá ficar afônico. É por isso que o Complexo de Chantecler é também conhecido como o Complexo de Deus. O líder Chantecler não pensa em sucessão porque acredita ser imortal.

A melhor herança

Quando se pensa em empresa, idealiza-se plano de negócios, orçamentos e metas. Quando se pensa em sucessão, o que vem à mente é empresa, patrimônio e controle. Em nenhuma dessas coisas

está a melhor herança, aquela que seria o canto essencial. E qual a melhor herança? Qual é o canto essencial? Aqui vai uma metáfora: existe a colheita, o fruto, a árvore e a semente. Nas empresas, todos estão de olho na colheita. A colheita representa o rendimento, o provento, o sustento, o resultado. Tanto é verdade que planos de metas e orçamentos tratam de estimar o tamanho da colheita. E, em muitas empresas, esses são os principais instrumentos de gestão. É a partir da colheita que muitos são recompensados. Por isso, a colheita é cuidadosamente mensurada a cada dia e é o foco de atenções e coações, promoções e retaliações. Ou seja: para o bem ou para o mal, a colheita está na pauta do dia e no discurso diário, tomando a maior parte dos espaços e tempos de reuniões e decisões. No entanto, não existe colheita sem frutos. Antes de se preocupar com a contabilização da colheita, é preciso cuidar dos frutos. A obsessão pela colheita pode levar ao descaso com os frutos. Os frutos são os produtos ou serviços oferecidos. A qualidade dos produtos e a excelência dos serviços garantem a qualidade e o primor da colheita. Mas, embora possa parecer óbvio, é comum concentrar o foco só na colheita. Daí que muitos frutos fogem das especificações. Nada têm a ver com o paladar do cliente e, assim, muitas vezes são empurrados goela abaixo, causando engasgos e empanturramentos. A qualidade dos frutos, por sua vez, depende da qualidade da árvore. A árvore é a estrutura a partir da qual os frutos crescem e se fortificam. Adquirem fibra e

Chantecler não pensa que um dia vai faltar ou que poderá ficar afônico. O líder Chantecler não pensa em sucessão porque acredita ser imortal


O mundo dos negócios é muito grande para você se aventurar sozinho.

educador da Cempre Conhecimento & educação empresarial (11) 3873-1953/www.cempre.net roberto.tranjan@cempre.net

sabor. Firme e flexível ao mesmo tempo, a árvore é o alicerce que suporta as mais diversas intempéries. A árvore representa a equipe, o conjunto de pessoas e competências. Também a árvore, assim como os frutos, não costuma receber toda a atenção que recebe a colheita. Cuida-se dos resultados, mas não, na mesma medida, de quem faz os resultados. finalmente, a semente. É nela que está o registro de toda a essência do negócio. ela guarda a ideia original, a intenção primordial, o gene único. escondida embaixo da terra, não é lembrada no dia a dia. Não faz parte das decisões nem está presente nas conversações, não tem mais o papel primordial que lhe cabe no propósito e no significado do negócio. essa é uma das razões pelas quais a empresa toma o lugar do negócio. essa é uma das razões pelas quais os desdobramentos do negócio vão se distanciando da sua origem. A semente é a melhor herança, o canto primal do galo Chantecler, aquele que deve ser ensinado a todos. Não para fazer o sol nascer, pois ele nasce por si mesmo. Mas para que, juntos, todos possam acolher e reverenciar o sol que, de fato, nasce para todos.

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por Roberto Adami Tranjan

As publicações da editora Empreendedor têm sempre artigos, notícias e dados atualizados sobre o mundo dos negócios. Com 18 anos de história, a Empreendedor é a maior editora brasileira voltada ao empreendedorismo e às inovações do mundo dos negócios. Publica a revista Empreendedor e mantem o mais acessado site sobre empreendedorismo: www.empreendedor.com.br. Na hora de buscar informações ou falar com empreendedores de todos os portes, conte com as nossas publicações.

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e NTREVISTA

Mauro Borges Lemos

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brasil inovador

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por Ana Paula Meurer anapaula@empreendedor.com.br

No cargo da presidência da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) desde fevereiro de 2011, Mauro Borges Lemos tem como foco de atuação a busca do crescimento sustentado por meio da inovação. Para que o País promova um salto na produtividade do trabalho da indústria e da rede de serviços para produção, Lemos considera fundamental a prática do Plano Brasil Maior, lançado em agosto do ano passado. “O Plano tem foco no adensamento de cadeias produtivas, na inovação e na qualificação profissional, ancorandose em um sistema de gestão sofisticado e em apostas consistentes para a indústria nacional.” Na entrevista a seguir, ele detalha o que considera serem as principais ameaças e desafios à indústria brasileira e sua competitividade.

Como incrementar a competitividade industrial brasileira? Mauro Borges Lemos – Os níveis de competitividade industriais estão associados a fatores de diversas naturezas. No Brasil, identificamos importantes desafios para o incremento da competitividade industrial, entre os quais se destacam: intensificar a progressão tecnológica; enfrentar os efeitos da “guerra cambial” e das incertezas do cenário internacional; responder ao acirramento da concorrência internacional nos mercados doméstico e externo; acelerar investimentos em infraestrutura física; impulsionar a qualificação profissional de nível técnico e superior, particularmente em engenharia; melhorar a estrutura tributária; e aprimorar a coordenação institucional. Para vencer esses desafios, é preciso integrar instrumentos de promoção produtiva (apoio a investimentos em capital fixo e em inovação) com instrumentos de promoção das exportações e defesa comercial. Com a abertura do mercado e a constante expansão dos produtos asiáticos, quais as preocupações para a nossa indústria? Lemos – A posição do governo brasileiro é que devemos diversificar nossa pauta exportadora para o mercado asiático, orientando o comércio bilateral de modo a explorar a complementaridade das economias. Nesse sentido, está sendo preparado um levantamento de produtos manufaturados com potencial para exportação à China: produtos que a China já adquire de outros países, mas não do Brasil, e produtos que o Brasil já vende a outros países, mas não para a China. O diálogo com os chineses tem sido intensificado, inclusive entre os chefes de Estado. Esperamos, com isso, ampliar nosso acesso à economia asiática, imensa e rica em oportunidades.

De que forma é possível combater as práticas ilegais de comércio? Lemos – A Câmara de Comércio Exterior (Camex), recentemente, estendeu aos cobertores importados do Uruguai e do Paraguai a mesma sobretaxa já aplicada contra cobertores vindos da China. Trata-se de uma medida anticircunvenção que tem como objetivo coibir a triangulação de mercadorias realizada para driblar a sobretaxa antidumping. A Camex também decidiu passar a sobretaxar o tecido de felpa longa importado da China com alíquota de 96,6%. Outra investigação semelhante em curso relaciona-se à extensão de antidumping aplicado também contra a China para calçados. O País deveria atuar mais no mercado internacional? Lemos – Mesmo com a expansão do nosso mercado interno e a retração de mercados tradicionais norte-americanos e europeus, o governo brasileiro acredita que é possível sustentar um aumento das exportações com diversificação de produtos e mercados. Para fortalecer esse movimento, tem simplificado o acesso ao financiamento público e desburocratizado procedimentos de comércio exterior, num esforço constante de facilitação de comércio. Quais foram os avanços nos últimos anos? Lemos – Nos últimos anos começamos a acessar mercados não tradicionais que estão em crescimento em regiões como Oriente Médio, África e América Latina. Além disso, estamos entre os principais competidores mundiais em mercados como aeronáutico (Embraer), motores elétricos ( Weg), transporte público (Marcopolo) e exploração de petróleo em águas profundas (Petrobras). Contamos com cerca de 1,2 mil empresas brasileiras líderes mundiais em seus mercados de atuação, exportando em geral

Cerca de 1,2 mil empresas brasileiras são líderes mundiais, exportando em geral com preço prêmio internacional. Dessas, aproximadamente 400 são consideradas inovadoras no mercado mundial

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Políticas de inovação e comércio exterior procuram ampliar o número de empresas brasileiras líderes e a participação no mercado mundial

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e NTREVISTA com preço prêmio internacional. Dessas 1,2 mil empresas, aproximadamente 400 são consideradas inovadoras nos mercados mundiais em que atuam. Com as políticas ativas de inovação e comércio exterior do Plano Brasil Maior, a expectativa é que sejam ampliados o número de empresas brasileiras líderes e sua participação no mercado mundial. Neste sentido, há uma tendência de internacionalização da indústria brasileira? Lemos – É importante fomentar a internacionalização das empresas brasileiras e buscar inseri-las no contexto de mercados dinâmicos e competitivos. Essa estratégia envolve ações que visam desde a ampliação da participação nacional majoritária em elos estratégicos da cadeia − por meio do apoio para a consolidação do mercado e do incentivo a aquisições no exterior que permitam acesso a competências e mercados relevantes − até um plano de atração de empresas estrangeiras em segmen-

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Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

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tos específicos que sejam de interesse para o País. O que falta para o Brasil entrar no grupo dos países ricos? Lemos – Nos últimos anos registramos conquistas sociais da maior importância, que reduziram as desigualdades e ampliaram os níveis médios de renda e bem-estar. O slogan “País rico é país sem pobreza” ilustra a importância de darmos continuidade e aprofundarmos essas conquistas. A inovação é vital para o crescimento e para a própria sobrevivência das empresas, além de ser estratégica para o desenvolvimento nacional. Devemos, portanto, aprimorar permanentemente os instrumentos de apoio às atividades inovadoras, investir continuamente na formação e na qualificação de recursos humanos e modernizar a infraestrutura de pesquisa disponível. Como fortalecer essa capacidade de inovação das empresas brasileiras? Lemos – Já avançamos muito no pe-

ríodo recente, com mudanças legais e regulatórias da maior importância, aliadas a esforços de financiamento e fortalecimento dos mecanismos de estímulo à inovação. Além disso, estamos empreendendo novos esforços para viabilizar maior aproximação entre empresas, universidades e institutos de pesquisa, aprofundando sinergias e potencializando resultados. Por fim, não minimizamos as necessidades de treinamento e qualificação de mão de obra. Todos esses movimentos requerem um aperfeiçoamento dos mecanismos de coordenação intragovernamental e de articulação do governo com o setor privado. Devemos buscar construir um forte sistema nacional de inovação, sustentado em excelências de conhecimento, institucionais e corporativas.

LINHA DIRETA Mauro Borges Lemos: www.abdi.com.br

O slogan ‘País rico é país sem pobreza’ ilustra a importância de aprofundarmos essas conquistas. Inovação é vital para o crescimento das empresas, além de estratégica para o desenvolvimento nacional


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emp ree nded o r es

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sucesso de PÚBLico Com apenas 20 anos, a universitária jéssica serafim dos Santos nem esperou concluir o curso de Administração na Universidade federal de santa Catarina (UfsC) para dar o primeiro passo como empreendedora. há um ano ela teve a ideia de desenvolver um plano de negócios de um delivery de hambúrgueres em florianópolis com foco no público de maior poder aquisitivo. O estímulo para colocar o projeto em prática apareceu com a quarta edição do Concurso Plano de Negócios para Universitários do sebrae de santa Catarina. jéssica não contou tempo e inscreveu sua ideia. O resultado saiu no final do ano passado. Jéssica venceu na categoria serviços e, motivada pela premiação, decidiu abrir o Cine burger. O Cine burger traz a proposta de uma hamburgueria diferenciada. “A pesquisa de mercado mostrou que não há sanduíches mais sofisticados em Florianópolis. inovei ao criar um negócio diferente, voltado para um público-alvo que tem mais poder aquisitivo, de 18 a 30 anos”, resume jéssica. A estudante desenvolveu o plano de negócio com o namorado e colega de faculdade joão Victor Camargo, também de 20 anos. segundo levantamento realizado pela endeavor, instituição que apoia iniciativas de empreendedorismo de alto potencial de crescimento, jéssica e joão Victor fazem parte de um universo formado por quase metade dos universitários brasileiros que pensam em seguir carreira como empreendedores. Os sanduíches do Cine burger têm nomes relacionados ao cinema. O investimento inicial, de R$ 30 mil, foi financiado pela família de João Victor (proprietária da Videoteca, rede de videolocadoras presente em santa Catarina e no Paraná). O casal espera amortizar esse valor em 13 meses. O atendimento do delivery é feito por jéssica e joão Victor, que contrataram um chef e um auxiliar de cozinha, e terceirizaram o serviço de motoboy. “Ao longo do plano percebemos que seria um investimento muito alto abrir um restaurante, por isso, no começo, será apenas delivery”, justifica a universitária. No início de março, jéssica viajou aos estados Unidos para conhecer o Vale do silício e grandes empresas mundiais, como google, Apple, hP e facebook. A viagem foi o prêmio do concurso do sebrae/ sC. www.cineburger.com.br

guilherme Ribeiro – Webfones

PaiXão nacionaL Alguém tem dúvida de que brasileiro adora celular? O empresário guilherme Ribeiro não. Depois de trabalhar por seis anos como executivo na área de telefonia e celular de grandes empresas do comércio eletrônico, no ano passado Ribeiro, 28 anos, decidiu criar a Webfones, loja virtual especializada nessa paixão nacional. segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o brasil encerrou fevereiro deste ano com mais de 247 milhões de linhas móveis ativas. só no ano passado foram consumidos cerca de 50 milhões de aparelhos. No ar desde o início de 2012, a loja chegou com a promessa de ser o maior estoque de aparelhos móveis da internet brasileira, comercializando marcas como Apple, samsung, Motorola, Nokia, lg e sony ericsson. A trajetória profissional de Ribeiro começou em 2004, quando entrou no submarino como estagiário. “Comecei atuando no segmento business to business (b2b). O submarino tinha um serviço que montava lojas virtuais para diversas empresas e foi assim que eu aprendi como montar um e-commerce”, conta o empreendedor. em 2006, ele foi transferido para o Rio de janeiro, onde passou a atuar como comprador de celulares, assumindo as contas da sony ericsson, Motorola, Palm e Nokia. em 2008, foi promovido a gerente de compras das seções de telefonia e celulares, esporte e lazer, e automotivo do submarino. em 2009, aceitou o convite para estruturar a área de celulares do Magazine luiza e voltou para são Paulo. Após a experiência de gerenciar a área de telefonia e celular desses dois grandes nomes do e-commerce brasileiro, o jovem executivo resolveu empreender. “Uma característica do brasileiro é gostar muito de falar, navegar, jogar, fazer tudo pelo celular. Comecei a ver o quanto esse mercado é grande e quanto ele crescia. Analisando esse potencial surgiu a ideia de criar a Webfones”, explica. em agosto de 2011, após estruturar o projeto e conseguir um investidor anjo estrangeiro, a loja virtual começou a ganhar corpo. “Troquei meu salário por uma pequena ajuda de custo dos investidores, analisei o quanto vendíamos nas grandes redes e calculei que se vendêssemos metade já seria lucrativo. A criação da Webfones foi um movimento bem natural.” www.webfones.com.br

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Jéssica Serafim dos Santos – Cine Burger

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Aumento da renda da população, presença ainda pequena no interior do País e potencial de crescimento nas vendas do varejo fazem o mundo virar os olhos para o mercado de shoppings no Brasil, onde fervilham fusões e aquisições por Cléia Schmitz | cleia@empreendedor.com.br

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disputa pela

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liderança


promete continuar em boa performance”, afirma Luiz Fernan­ do Pinto Veiga, diretor-executivo da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce). No mês passado, a BR Malls, uma das líderes do setor no Bra­ sil, anunciou uma joint venture com a Simon Property Group, a maior empresa do segmento imobiliário no mundo. Os dois grupos vão construir outlets em território brasileiro. Outro acordo recente aconteceu em agosto de 2011, quando a Almei­ da Junior, proprietária de quatro shoppings em Santa Catarina, anunciou uma fusão com a Westfield, gigante mundial do setor. A meta é conquistar a liderança do mercado brasileiro. Na ocasião, o presidente da Westfield, Steven Lowy, de­ finiu o investimento que está sendo feito pela empresa no

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ão é de hoje que as oportunidades na indústria de shop­ ping centers vêm despertando a atenção de investidores e empreendedores de outros países. Desde 2007, o capital estrangeiro tem encontrado mais conforto em terras brasileiras. Mas se o interesse já era grande em função da expansão do em­ prego, do crédito e principalmente da renda do brasileiro, ficou maior ainda com o esfriamento da economia norte-americana e a situação financeira para lá de crítica dos países europeus. “Capital não tem pátria, ele vai aonde a rentabilidade é maior. E desde 2007 os investidores estrangeiros têm enten­ dido que os resultados são melhores aqui. Nós acreditamos que o interesse pela indústria brasileira de shopping center é um fenômeno que veio para ficar porque a nossa economia

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Steven Lowy, presidente da gigante internacional Westfield, e Jaimes de Almeida Junior, presidente da Almeida Junior e da joint venture que busca a liderança no mercado brasileiro

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Brasil como estratégico e significativo após a reestruturação do grupo, no fi­ nal de 2010. “Esta transação é a nossa primeira entrada em um novo mercado desde que chegamos ao Reino Unido, no ano 2000, e expande a franquia Wes­ tfield para uma região nova, de grande amplitude e em franco crescimento”, declarou o executivo. Da mesma forma, o presidente da divisão de Premium Outlets da Simon, John Klein, também reforçou o interesse da empresa pelo varejo brasileiro ao fe­ char acordo com a BR Malls. “Nós já rece­ bemos um grande número de brasileiros

em nossos outlets nos Estados Unidos. Estamos ansiosos para atender esses consumidores no Brasil”, disse o execu­ tivo, em nota ao mercado. Em ambos os casos, a participação na joint venture é de 50% para cada uma das empresas.

Potencial O Brasil tem hoje 434 shoppings em operação, segundo dados da Abrasce. É pouco para a dimensão do País, prin­ cipalmente se levarmos em conta que mais da metade dos empreendimentos se concentra na Região Sudeste. Só a

cidade de São Paulo tem 53, um shop­ ping a menos do que as regiões Norte e Centro-Oeste juntas. A demanda por esses centros de compras também é for­ te nas cidades do interior, já que mais de 50% dos shopping centers existentes estão localizados nas capitais. Mas o dado que mais chama a aten­ ção do mercado é o percentual de par­ ticipação das mais de 80 mil lojas locali­ zadas em shopping nas vendas do varejo – menos de 20%, segundo a Abrasce. O índice é muito pequeno se comparado ao de países desenvolvidos e com di­ mensões continentais como o Brasil. Nos


“Capital não tem pátria, ele vai aonde a rentabilidade é maior. E os resultados são melhores aqui”, diz Veiga tantes), e não corresponde ao poder de compra do brasileiro. Ainda mais com a ascensão de 40 milhões de pessoas para a classe média nos últimos oito anos. Estudos realizados pelo Centro de

Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas dão conta que até 2013 mais 13 milhões de pessoas vão ascender à classe média. Hoje, essa faixa de renda é formada por 105 milhões de consumidores, que detêm metade dos cartões de crédito em operação no Brasil. Um levantamento feito pelo instituto Data Popular mostrou que, atualmente, a cada R$ 100 gastos, a classe média aplica R$ 65,20 em serviços e R$ 34,80 na compra de bens. Os empresários do setor, claro, não querem perder essa disposição do consumidor brasileiro em ir às compras. No ano passado, o faturamento dos shop-

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Estados Unidos, os shoppings representam 57,5% das vendas do comércio e, na Austrália, 51%. Para os empreendedores de shopping, isso significa que há muito espaço para crescer. Outro indicador que mostra potencial de crescimento do setor no Brasil é o índice de Área Bruta Locável (ABL). Os shoppings brasileiros somam uma ABL de 10,5 milhões de metros quadrados, ou seja, 55 metros quadrados por 1 mil habitantes. Este índice também está bem aquém do norte-americano (2,2 mil metros quadrados por 1 mil habitantes) e do canadense (1,9 mil metros quadrados por 1 mil habi-

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Zacchi, do ViaCatarina: maior conquista nos últimos anos foi fazer o consumidor de classe média enxergar os shoppings como opção para suas compras

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ping centers chegou a R$ 108 bilhões, um crescimento de 18,2% em relação a 2010. A previsão para este ano é de um acréscimo de 12% nas vendas. Até dezembro, 40 shopping centers devem ser inaugurados. Para 2013, a perspectiva é de que outros 36 empreendimentos abram as portas, beirando a marca de 500 shoppings no País. Uma característica importante do mercado brasileiro de shopping center é a sua alta fragmentação. Estima-se que menos de 40% da ABL está sob controle dos oito maiores players do setor. “Todo segmento bem-sucedido em algum momento começa a ficar concentrado. Isso é algo comum no mundo inteiro. Nós ainda não chegamos ao nível de concentração de outros países porque estamos longe de atingir a consolidação desse mercado”, avalia Veiga.


Famosa por seu perfil agressivo na área de aquisições de participação em shoppings já existentes, a BR Malls conquistou a liderança do mercado com essa estratégia. Desde 2007, quando abriu capital em bolsa, o grupo somou 36 aquisições. Uma das principais compras do grupo foi o Shopping Jardim Sul, localizado no Morumbi, em São Paulo. A companhia pagou R$ 460 milhões para ficar com 100% do empreendimento. Só em 2011, a BR Malls investiu mais de R$ 1,4 bilhão em aquisições.

Pulverização A meta da companhia é alcançar 1 milhão de metros quadrados em ABL até o final de 2014, uma marca ainda inédita no País. Para isso, a BR Malls está investindo não só em aquisições,

mas também na expansão de empreendimentos já existentes e na construção de novos shopping centers. Três inaugurações estão previstas para 2012 e outras quatro para 2013 e 2014. Atualmente, a companhia tem participação em 47 shopping centers distribuídos por várias regiões do País. Mas o mercado em franca expansão também abre espaço para novos players. É o caso da 5RShopping Center, fundada há apenas um ano. A empresa nasceu de uma joint venture entre a 5R Pro-

BR Malls conquistou a liderança com perfil agressivo de aquisições

perties – holding criada por Edmundo Rossi Cuppoloni e seus filhos, acionista controlador de uma das incorporadoras mais tradicionais do País, e a Integra, consultoria fundada por César Gabin e Carlos Felipe Fulcher, dois executivos com ampla experiência no mercado de shopping center. “Quando conhecemos a 5R Properties ficou claro que a parceria seria uma ótima ideia”, afirma Gabin, diretor de operação da empresa. O planejamento estratégico da 5R é bastante agressivo. Até o final deste ano, a perspectiva é somar sete lançamentos e começar as obras de seis deles. “Nossa meta é chegar a 2016 com 20 shoppings, tornando-nos um dos grandes players desse mercado”, adianta o executivo. “E queremos participar como consolidadores e não para sermos consolidados”, avisa Gabin.

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César Gabin, da 5RShopping Center: “Nossa meta é chegar a 2016 com 20 shoppings, tornando-nos um dos grandes players desse mercado”

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O executivo não descarta aquisições e tampouco a participação de fundos de investimento. “Não estamos à procura, mas muitos fundos têm vindo conversar conosco. Somos associativos, ter sócios locais é sempre uma boa característica”, afirma Gabin. O foco da empresa são as cidades de médio porte e as classes CB. O primeiro empreendimento da 5R, lançado em setembro, será em Rio Grande (RS) e receberá investimentos de R$ 120 milhões para a construção de uma ABL de 25 mil metros quadrados. A chegada de shopping center em cidades médias também está dando oportunidade para o desenvolvimento de negócios locais. No Shopping ViaCatarina, localizado na cidade de Palhoça, na Grande Florianópolis, 40% das lojas são de comerciantes da região. Inaugurado há dois anos, o empreendimento tem uma taxa de ocupação de 82%. “Nossa meta é alcançar os 100% em 2014. Todo shopping passa por esse período de maturação”, avalia Humberto Zacchi, gerente de marketing do ViaCatarina. O executivo diz que é preciso ter paciência para chegar à aceitação do público. “Nós começamos com 200 mil clientes por mês, hoje recebemos 350 mil e a meta é alcançar 500 mil”, afirma Zacchi. Para ele, a maior conquista da indústria brasileira de shopping center nos últimos anos foi fazer o consumidor de classe média enxergar esses centros como uma opção para suas compras. “Antes, esse público tinha a premissa de que shopping era um lugar muito caro. Hoje, percebeu que encontra nesses locais todas aquelas lojas que antes estavam só nas ruas.”

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LINHA DIRETA

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Abrasce: (11) 3506-8300 5RShopping Center: (11) 3759-7222 Shopping ViaCatarina: (48) 3086-9500 Westfield Almeida Junior: (11) 3707-3333


mercado de sHoPPing centers Fonte: Abrasce/maio 2012

nÚmero de sHoPPings 408 430 472 392 376 351 363

2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 * * previsão

faturamento do setor Em bilhões de R$

121 91 108 74 50 58 64,6

distriBuição geográfica

2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012

Norte Nordeste Centro-Oeste Sudeste Sul

16 59 38 241 80

3,7% 13,6% 8,8% 55,5% 18,4%

42 empreendimentos estão previstos para 2012 (quatro já inaugurados) e mais 36 devem ser abertos em 2013. Veja a distribuição por estado: Estado São Paulo Rio de Janeiro Minas gerais Espírito Santo goiás Mato grosso do Sul Paraná Santa Catarina Rio grande do Sul Alagoas Bahia Ceará Pernambuco Piauí Paraíba Amazonas Pará Amapá

2012

2013

17 3 4 1 3 1 2 1 2 1 1 1 1 0 0 1 2 1

10 4 2 1 2 2 2 2 3 1 0 3 0 1 1 0 2 0

As capitais concentram mais da metade dos shopping centers existentes no Brasil. Só a cidade de São Paulo tem 53 – um a menos do que as regiões Norte e Centro-Oeste juntas

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inauguraçÕes

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Dividir para somar empreendedor | maio 2012

Fusão da Almeida Junior com a Westfield gerou uma joint venture que busca a liderança no mercado brasileiro de shopping centers

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Saber a hora certa de dividir para somar é muito importante na trajetória de um empreendedor. Há dois anos, depois de 30 anos de empresa solo, o catarinense Jaimes de Almeida Junior decidiu que havia chegado a hora de buscar um sócio estratégico para sua empresa familiar, a Almeida Junior, líder no mercado de shopping center em Santa Catarina, com quatro empreendimentos em operação e um em construção. O objetivo? Perseguir a liderança nacional neste mercado. Para isso, Jaimes foi atrás dos “melhores” do mundo – e não precisou esperar muito

tempo para encontrar o parceiro certo. Em agosto do ano passado, a Almeida Junior anunciou uma joint venture com a Westfield, proprietária de mais de 119 shopping centers na Austrália, nos Estados Unidos, no Reino Unido e na Nova Zelândia. Em uma operação inédita no setor de shopping center, a Westfield comprou 50% das ações da Almeida Junior, avaliada em R$ 1,5 bilhão. “Nossa decisão de procurar um parceiro internacional com experiência no setor de shopping center – em vez de fazer um IPO (abertura de capital em bolsa de valo-

res) ou vender parte da companhia para fundos de investimento – foi justamente agregar valor à companhia com conhecimento global. Nossa proposta é adicionar aos nossos projetos o que existe de mais avançado na indústria mundial de shop­ ping centers”, afirma Jaimes. Segundo o empresário, de 2006 a 2011, a Almeida cresceu 40% ao ano. “Conquistamos esse crescimento agressivo sozinhos, mas percebemos que era o momento de buscar um parceiro estratégico que ao mesmo tempo agregasse valor e colocasse dinheiro no nosso negócio. Hoje, somos a única


empresa multinacional brasileira do setor”, destaca Jaimes, que continua como CEO da companhia. A primeira inauguração da Westfield Almeida Junior deve acontecer em setembro, quando a empresa abrirá as portas do Continente Park Shopping. O empreendimento está localizado em São José, na Grande Florianópolis, região com cerca de 1 milhão de habitantes. “O percentual de locação no momento é de 92%, um índice excelente”, comemora Jaimes. “Este será o mais moderno do Brasil em tecnologia de serviços, am-

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Jaimes de Almeida Junior: “é possível chegar à liderança em muito menos tempo do que se possa imaginar”

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Westfield Almeida Junior – Shopping Centers

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4Shopping Center Neumarkt Blumenau – 1993 4Balneário Camboriú Shopping – 2007 4Joinville Garten Shopping – 2010 4Blumenau Norte Shopping – 2011 4Continente Park Shopping (Grande Florianópolis) – será inaugurado em setembro de 2012

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westfield A Westfield tem 119 shopping centers distribuídos pela Austrália, Estados Unidos, Reino Unido e Nova Zelândia. São 10,5 milhões de m² de área bruta locável e mais de 23 mil lojas. A companhia administra ativos com valor de mercado estimado em mais de US$ 58,2 bilhões e se destaca pela expertise no desenvolvimento de shopping centers globalmente.

bientação e distribuição do mix”, garante. O novo shopping recebeu investimentos de R$ 250 milhões e terá 44 mil metros quadrados de Área Bruta Locável (ABL). A companhia também está investindo na expansão dos empreendimentos já existentes, com destaque para o Joinville Garten Shopping, inaugurado em 2010, e o Balneário Camboriú Shopping, aberto em 2007. Este último terá sua ABL praticamente dobrada. Paralelo aos investimentos em Santa Catarina, a companhia está desenvolvendo novas oportunidades em outros estados. “Já temos dois projetos em desenvolvimento na cidade de São Paulo e

um na Grande Porto Alegre, e estamos estudando oportunidades no Paraná, no Rio de Janeiro e no Nordeste. O fato é que, menos de um ano pós-joint venture, já temos dentro da companhia em torno de 200 mil metros quadrados de ABL em projetos em desenvolvimento”, destaca Jaimes. Segundo o empresário, no momento a companhia está focada em projetos greenfields (novos empreendimentos), mas não descarta possíveis aquisições. “Talvez sejamos o grupo que mais tem sido assediado por bancos de investimento com oportunidades nessa área de aquisição. Estamos sempre avaliando esses negócios”, afirma Jaimes.


Almeida junior

Segundo o empresário, a companhia não tem uma meta de tempo para alcançar a liderança do mercado. Mas Jaimes acredita que se o grupo continuar com o atual volume de 100 mil a 200 mil metros quadrados de ABL em novos projetos por ano, é possível “chegar lá em muito menos tempo do que se possa imaginar”. Cauteloso, Jaimes prefere focar os investimentos da Westfield Almeida Junior em outra meta: “Antes de ser o maior, queremos ser o melhor grupo de shopping center do Brasil, oferecendo empreendimentos diferenciados e com um alto nível de aderência, inclusive sendo porta de entrada para lojistas internacionais”.

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A empresa é líder no mercado de shopping centers em Santa Catarina, onde detém 55% do market share em área bruta locável. Com mais de 30 anos de atuação, tem 1.138 lojas e 180 mil m² de área bruta locável, considerando os quatro shoppings em operação e um em construção.

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céu de

brigadeiro Bom desempenho da economia nacional e descentralização das atividades produtivas estimulam o segmento de aviação geral no País por Cléia Schmitz

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cleia@empreendedor.com.br

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A máxima de que tempo é dinheiro está ajudando a impulsionar o segmento da aviação executiva no brasil. Perder horas esperando voos comerciais ou mesmo atravessando longas distâncias para chegar a cidades sem transporte aéreo regular tem convencido muitas empresas a investir na locação ou compra de aeronaves para deslocamento de seus executivos e técnicos. Mas este é apenas um dos fatores que têm contribuído para o desenvolvimento do segmento no brasil. O fortalecimento da economia brasileira, a descentralização das atividades produtivas no País, o câmbio favorável a importações, a forte queda nos preços das aeronaves e a facilidade de crédito para a compra de aviões e helicópteros também estão estimulando os negócios no setor. “Com uma frota de 12 mil aeronaves, já somos o segundo maior mercado de aviação geral do mundo, à frente de países como México e Canadá. só perdemos para os estados Unidos”, afirma Eduardo Marson Ferreira, presidente da Associação brasileira de Aviação geral (Abag). A entidade representa


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Phenom 100, da Embraer, aeronave de baixo custo operacional e com capacidade de pousar em pistas curtas

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Eduardo Marson, da Abag: aviação brasileira tem crescido a taxas acima de 12% ao ano, enquanto a aviação mundial cresce 6%

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todos os segmentos da aviação, exceto a comercial (voos regulares de passageiros e cargas). segundo Marson, a aviação brasileira tem crescido a taxas acima de 12% ao ano, enquanto a aviação mundial cresce 6%. “em alguns segmentos, como o de helicópteros, o crescimento supera os 20%”, afirma o executivo. Ele também preside a helibras, maior fabricante nacional de helicópteros, com 50% da frota brasileira. “A aeronave passou a ser um instrumento de negócio”, avalia Marson. De acordo com os últimos dados da Abag, de 2010, a frota específica da aviação executiva é de 1.650 aeronaves. O crescimento do setor não se limita aos mercados tradicionais – são Paulo, Rio de janeiro e Minas gerais. Regiões como o Centro-Oeste e o Nordeste vêm se destacando entre os novos destinos. levantamento feito pela entidade revelou que o Aeroporto de guararapes, em Recife, é uma importante alternativa de conexão com Alagoas, Rio grande do Norte e Paraíba. em um ano foram 16 mil voos, média de 300 semanais. Des-


Cássio Polli, da Aerie: “Quanto vale o tempo de um executivo? uma aeronave à disposição pode multiplicar as oportunidades de negócio”

Mercado interno em dez anos de atuação, a divisão de jatos executivos da embraer entregou cerca de 500 aeronaves em todo o mundo. Desse total, 100 ficaram no brasil, o que representa em torno de 15% da frota nacional, de 690 aeronaves. “O rápido crescimento do mercado brasileiro de jatos executivos é sinal de amadurecimento. Os empresários veem cada vez

mais este produto como uma poderosa ferramenta de produtividade, uma verdadeira máquina de ganhar tempo, que ajuda a gerar riqueza para a empresa que o utiliza e para o País como um todo”, declarou breno Corrêa, diretor de marketing e vendas da embraer para a América latina – Aviação executiva, durante a entrega do 100º jato executivo da marca, para a Amil Resgate saúde, no final de fevereiro. A empresa calcula que o brasil responderá por 5% da demanda mundial de jatos executivos nos próximos dez anos. De 2007 para cá, o País só perdeu para os estados Unidos no número de novos jatos executivos recebidos. De acordo com a embraer, quase metade dessa frota nacional com menos de cinco anos é

formada por jatos fabricados pela companhia. A embraer atribui esse resultado ao que chama de “fenômeno Phenom 100”, aeronave que vem conquistando compradores pelo brasil afora principalmente pelo seu baixo custo operacional e capacidade de pousar em pistas curtas. A estimativa do mercado nacional para os próximos dez anos é de uma demanda de mais 550 jatos, o que deve gerar uma receita para a indústria de Us$ 8 bilhões. A pulverização dos negócios pelas regiões do País deve contribuir para a realização desses números. Nos últimos 30 anos, a aviação comercial reduziu o número de cidades atendidas de 300 para 130. já a aviação executiva alcança cerca de 75% nos municípios de todo o brasil. enquanto os voos regulares contam ape-

A aviação executiva alcança 75% dos municípios brasileiros, um índice significativo para um país onde, nos últimos 30 anos, o número de cidades atendidas pela aviação comercial caiu de 300 para 130

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taque para aeronaves particulares, táxi aéreo e aviões usados em programas de instrução. Uma prova do potencial de crescimento da aviação geral no brasil é o mercado dos estados Unidos. basta lembrar que a frota brasileira é 10% da frota norte-americana.

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Gobbetti, da Global Aviation: atenta ao crescimento do mercado de compartilhamento de aeronaves, a empresa começou a vender neste ano um modelo único de cinco frações

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nas com 60 terminais, o segmento executivo tem à disposição mais de 2 mil aeroportos. “Os empresários de uma maneira geral estão percebendo as vantagens da aviação executiva ante o colapso da aviação comercial. Com aeronaves próprias ou fretadas é possível passar por três ou quatro cidades num dia e ainda voltar para casa”, afirma Cássio Polli, diretor da Aerie Aviação Executiva, especializada na compra, venda e importação de aeronaves novas e usadas. O executivo chama a atenção para outro fator que está estimulando as empresas a investir na compra de aeronaves: a queda nos preços. Segundo Polli, alguns modelos tiveram uma redução de mais de 50%. “Por conta da crise de 2009, houve uma redução real do preço de mercado e ainda contamos com a valorização do real e a facilidade de crédito. Os bancos brasileiros descobriram que é um bom negócio financiar a compra de

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O Brasil disputa com o México a segunda posição no ranking dos países com maior frota de jatos executivos. A liderança é dos EUA

aeronaves”, explica Polli. Por tudo isso, ele acredita que ter um avião deixou de ser “coisa de playboy” para se transformar num bem necessário. “Quanto vale o tempo de um executivo? Grande parte deles é muito bem remunerada, é só fazer a conta. Uma aeronave à disposição pode multiplicar as oportunidades de negócio”, argumenta. Para Polli, o primeiro passo é fretar um avião. Quando a empresa perceber que o custo é maior do que uma taxa de leasing, por exemplo, há um indicativo de compra. Segundo ele, 15 horas de voo por mês já pode ser considerado o ponto de equilíbrio para adquirir um jato na categoria de entrada. Há oito anos no mercado, a Aerie vendeu 14 aeronaves em 2008, sete em 2009, 11 em 2010 e dez no ano passado. A meta para este ano é chegar a 17 unidades. Em geral, as aeronaves novas representam 2% do volume de vendas e mais de 90% são destinados para o uso corporativo. Um obstáculo ao negócio, de acordo com Polli, é a ação de “falsos corretores ou intermediários despreparados”, que vendem aviões sem conhecer os aspectos legais, deixando compradores na mão.

Compartilhamento Outra opção para quem sonha em se tornar usuário da aviação executiva é o compartilhamento da propriedade de

Nos próximos 10 anos, estima-se uma demanda de mais 550 jatos executivos no País, com receita de US$ 8 bilhões para a indústria uma aeronave. Atenta ao crescimento desse mercado, a Global Aviation começou a vender o produto neste ano com um modelo único de cinco frações. A proposta é otimizar os custos, dividindo as despesas com aquisição, tripulação e manutenção de helicópteros ou aviões. De acordo com Ricardo Gobbetti, sócio e presidente da Global Aviation, o compartilhamento é muito comum nos Estados Unidos, onde existem empresas que chegam a administrar 1 mil aeronaves nesse sistema. Dona da maior frota de aviação executiva do Brasil, com 54 unidades, a Global Aviation tem como meta chegar a 100 unidades em três anos, incluindo as aeronaves compartilhadas. A empresa atua há mais de 16 anos no mercado de fretamento de aeronaves, somando 10 mil clientes atendidos. Com uma média de 18 voos diários, a Global também faz transporte aeromédico e atua como intermediária na com-


Aviação Geral O que é? A Aviação Geral engloba todos os setores da aviação, exceto a aviação comercial, ou seja, os voos regulares de passageiros e cargas. O setor é representado por aviões e helicópteros – particulares ou operados por empresas de táxi aéreo – que voam no Brasil prestando serviços de transporte aéreo não-regular. Frota Aeronaves convencionais Helicópteros Turbo-hélices Jatos Total

9.338 1.495 863 540 12.310

75% 12% 7% 4%

Participação da aviação executiva: 1.650 Voos realizados: 834 mil movimentos (pousos e decolagens)

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Fonte: Anuário Brasileiro de Aviação Geral (Abag); dados referentes a 2010

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HANgAR 360: Os investimentos na estrutura física somam R$ 5 milhões. Inovador, o projeto arquitetônico utiliza formas assimétricas, contrariando as linhas tradicionais da arquitetura para hangares. Sua estrutura suporta ventos de até 160 quilômetros por hora.

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FOTO RuBENS CHIRI/DIVuLgAÇãO

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No segmento de helicópteros, a frota brasileira ultrapassou a marca de 1,5 mil aeronaves. A cidade de São Paulo é campeã mundial em concentração de helicópteros urbanos

pra de aviões e helicópteros, além de oferecer serviço de hangaragem e manutenção. Até o ano passado, respondia pelo nome de global Aviação executiva. A fusão com as empresas Reali Táxi Aéreo e a Pássaro Azul Táxi Aéreo resultou na global Aviation, que conta com uma infraestrutura de oito hangares (três em são Paulo, dois no Rio de janeiro, um em brasília, um em salvador e um em belo horizonte). O nono hangar deve ser inaugurado no segundo semestre deste ano no Aeroporto santos Dumont (Rj). “se não tiver hangar próprio, corre-se o risco de ficar sem lugar para pousar”, diz gobbetti. Nos últimos anos, a global tem crescido entre 15% e 20%. Na opinião do executivo Ubiratan lago, o desempenho da aviação executiva é um ótimo termômetro da economia. “Se ela vai bem significa que o País está crescendo, se está numa fase ruim é porque estamos em recessão”, avalia o diretor de novos negócios da Swissport, grupo internacional líder no fornecimento de serviços em terra nos aeroportos brasileiros. segundo lago, o número de jatos executivos que chegam do exterior também tem sido crescente. “Tanto que


Roberto Fernandes, do Hangar 360: “Não somos apenas um estacionamento de aviões, mas também um local de convívio para difusão do conhecimento aeronáutico especializado”

temos ampliado nossos investimentos nessa área”, afirma. Em 2011, a Swissport anunciou investimentos de R$ 22 milhões na compra de equipamentos para handling (serviços prestados em terra para apoio às aeronaves, passageiros, bagagem, carga e correio). Parte desse valor se destina à aviação executiva. O crescimento da aviação executiva tem inspirado novos negócios na área. Ainda em 2012, o segmento ganhará um espaço físico diferenciado. Trata-se do Hangar 360, em construção no Aeroporto Campo dos Amarais, em Campinas (SP). O empreendimento terá três hangares com capacidade total para 50 aeronaves de diferentes portes. “Um deles já está pronto e estamos com sete aeronaves operando conosco”, conta Roberto Pilotto Fernandes, sócio-diretor do Hangar 360. Mas o empreendimento não se limita à hangaragem. A proposta é de um espaço multifuncional que servirá como centro de pesquisa, desenvolvimento e base de apoio para projetos interdisciplinares nas áreas científicas, culturais e educativas ligadas à aviação. “Não seremos apenas um estacionamento de aviões, mas também um local Ubiratan, da Swissport: número de jatos executivos que chegam do exterior também é crescente

de convívio para difusão do conhecimento aeronáutico especializado”, destaca Pilotto. Dentro dessa proposta, destaque para a criação de conceitos, produtos e serviços que contribuam com a aviação verde, ou seja, preocupada com a sustentabilidade do planeta. O projeto inclui o desenvolvimento de aeronaves leves tripuladas (LSA) e não tripuladas ( Vant) com propulsão elétrica solar, em parceria com instituições como a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A aeronave elétrica já está sendo construída e o voo inaugural deve acontecer ainda em 2012. O Hangar 360 também terá espaço para eventos ligados à aeronáutica, como palestras, exposições e cursos profissionalizantes.

LINHA DIRETA Abag: (11) 5032-2727 Aerie: (11) 4582-2251 Embraer: (12) 3927-1000 Global Aviation: (11) 5070-6000 Hangar 360: (19) 3246-2550 Swissport: (21) 3398-4521

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Apesar de crescente, frota brasileira de aeronaves particulares ainda é 10% da americana

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vare j o

fácil Busca

Sistemas de pesquisa on-line que fazem comparação de preços facilitam a vida de consumidores e ajudam a popularizar o e-commerce no País

por Beatrice gonçalves

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beatrice@empreendedor.com.br

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O consumidor não precisa mais perder tempo indo de loja em loja para pesquisar os melhores preços de um produto. De casa, ele consegue fazer isso de forma muito mais rápida e simples. há uma série de sites especializados em comparação de preços – basta o usuário escrever o que procura e, em poucos segundos, a página relaciona uma lista de lojas que vendem o produto e faz uma pesquisa sobre os valores que cada rede cobra pelo item. há casos ainda em que a página do buscador de preço mostra um ranking das empresas listadas a partir do grau de confiabilidade da loja e apresenta para o usuário comentários de outros clientes da empresa sobre como foi o atendimento e a entrega do produto comprado pela internet. esta é uma comodidade que tem atraído cada vez mais consumidores para comprar pela web. O Brasil já é considerado o sétimo maior mercado em vendas pela in-

ternet e a expectativa é que nos próximos anos o País represente o quinto maior mercado mundial de e-commerce. segundo a consultoria comscore, especializada em pesquisas sobre o mercado digital, sites de vendas de produtos e de comparação de preços no brasil registraram em 2011 um crescimento de 30% no número de visitantes em relação ao ano anterior. Um dos sites mais acessados no brasil, segundo a consultoria, é o buscapé, que chega a receber mais de 60 milhões de visitas ao mês. Criado em 1999, o comparador de preços traz uma lista de 30 mil lojas on-line e de 5 mil itens vendidos na web que vão de livros, eletrodomésticos, até automóveis. O consumidor não precisa se cadastrar no site, basta entrar na página e digitar o item que procura para receber uma lista de redes que vendem o produto. As lojas aparecem ordenadas na pesquisa de acordo com o critério esco-

lhido pelo usuário, que pode ser a partir do preço mais baixo, da popularidade da rede ou de acordo com a melhor avaliação feita por um cliente que comprou naquela empresa. “Os itens mais procurados são smartphones, livros, laptops, câmeras digitais, eletrodomésticos e tablets”, afirma Rodrigo borer, gerente de comparação de preços do grupo buscapé. O executivo explica que a página do buscador de preços funciona como um intermediário entre o consumidor e o varejista, e que, quando o usuário escolhe uma determinada loja para adquirir um produto, ele é encaminhado ao site da empresa para efetivar a compra. há casos em que ao ser redirecionado pelo buscapé o consumidor recebe um cupom de desconto ou alguma vantagem de compra, como frete grátis ou parcelamento diferenciado. se o cliente do site de buscas preferir, pode ainda optar pelo serviço

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Brasil deve se tornar nos próximos anos o quinto maior mercado mundial de e-commerce

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vare j o Eugênio, do Busca Descontos: o site trabalha também para promover o e-commerce no Brasil, organizando datas especiais, como o Dia do Frete Grátis

“Buscapé Protege” – paga uma taxa, e se tiver algum problema com a loja em que efetuou a compra é o próprio Buscapé que devolve o dinheiro investido. Além do Buscapé, o grupo mantém também o comparador de preços Bondfaro. Os sites eram concorrentes até 2006 quando o Bondfaro foi comprado pelo Buscapé e incorporado ao grupo. Borer explica que hoje uma empresa complementa a outra. “Nossa proposta é que o Bondfaro oriente o consumidor que quer comprar um determinado produto, mas que ainda não sabe ao certo qual modelo e marca vai escolher. Na página, ele digita, por exemplo, a palavra ‘smartphone’ e as ferramentas que o aparelho precisa ter e o site indica alguns modelos e onde pode comprá-los. No Buscapé é diferente: o consumidor que entra na página já sabe qual marca quer comprar.” empreendedor | maio 2012

Descontos

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De olho nos diferentes perfis de consumidores que compram pela internet, o site de comparação de preços Zoom resolveu criar um guia para orientar seus clientes. O manual tem como proposta auxiliar os usuários que ainda não estão acostu-

mados a fazer compras pela internet ou que estão em dúvida sobre qual modelo de produto adquirir. “Há internautas que possuem grande facilidade com a compra virtual, mas buscam informações mais técnicas sobre os produtos e gostam de ter alternativas de pesquisa de preços. Do outro lado, atendemos também os brasileiros que estão chegando à internet, não possuem uma preferência de marca ou produto e procuram sempre o valor mais baixo”, avalia Francisco Donato, CEO do comparador de preços Zoom. O executivo explica que o Zoom traz uma série de conteúdos interativos e vídeos para orientar o consumidor sobre aspectos técnicos dos produtos que pretende comprar para que ele não adquira um equipamento que não atenda suas necessidades. “São poucos os consumidores que sabem, por exemplo, qual é a função da memória RAM em um computador. Se eles não forem orientados, podem comprar um equipamento errado. Nós os auxiliamos a entender qual é a finalidade de cada um desses itens e sugerimos alguns modelos de acordo com o perfil do usuário. Um computador que vai ser utilizado para a prática de games precisa ter uma configuração diferente de um que

será usado basicamente para acesso à internet e aplicativos padrões.” No Zoom, o lojista que anuncia seus produtos paga um valor para o site toda vez que um usuário entra em sua página por intermédio do comparador de preços. “Nosso modelo é baseado em custo por clique. Só seremos remunerados pelas empresas que nos contratam se gerarmos um maior número de visitação à página. Além de apresentar as ofertas no site do Zoom, temos uma parceria com a Globo. com e com o Yahoo – dessa forma, todos os anunciantes são também divulgados no site de comparação de preços da Globo e do Yahoo”, afirma Donato. O CEO do Zoom conta que a procura pelo serviço de anúncio em buscadores é alta e cresce à medida que os brasileiros passam a consumir mais pelo e-commerce. “A última pesquisa sobre o perfil dos internautas brasileiros realizada pela Fecomercio do Rio de Janeiro mostrou que quase a metade da população do País tem acesso à internet e uma das atividades que mais se faz quando está conectado é comprar pela rede, número que aumentou de 13% em 2007 para 20% da população em 2011. Esse avanço foi registrado também pelo Zoom, que duplicou o


zoom auxilia usuários que ainda não estão acostumados a fazer compras pela internet ou que estão em dúvida cos, livros e materiais esportivos vendidos nas principais redes do País com descontos que vão de 5% a 70%”, afirma Pedro eugênio, CeO do busca Descontos. O consumidor não precisa se cadastrar no busca Descontos: ao entrar na página ele tem acesso a todas as promoções disponíveis. se ele se interessar por alguma, basta clicar no ícone anunciado que será redirecionado para a página do varejista e o produto selecionado já aparece com desconto. “Temos parceria com grandes redes como Netshoes, Compra fácil, shoptime, Walmart e submarino.” Além de negociar descontos com os comerciantes, o site trabalha também para promover o e-commerce no brasil. O CeO do busca Descontos foi um dos responsáveis por organizar no varejo on-line brasileiro o black friday e o boxing Day, datas criadas pelos comerciantes dos estados Unidos para vender produtos com desconto em 26 de novembro e um dia após o Natal. “segundo dados do e-bit, o e-commerce faturou R$ 100 milhões com as vendas durante a black friday em 2011 no brasil, 88% a mais do que em 2010. já o boxing Day movimentou no ano passado mais de R$ 58 milhões.” eugênio também tem trabalhado para inserir no calendário nacional o Dia do frete grátis. “Nós observamos que 68% dos internautas do País abandonavam o carrinho de compras em lojas on-line quando calculavam o valor do frete. Por conta disso, resolvemos sensibilizar os comerciantes para criar um dia de frete grátis. este ano realizamos a primeira edição do evento com varejistas que anunciam no busca Descontos e foi um sucesso.”

LINHA DIRETA Bondfaro: www.bondfaro.com.br Busca Descontos: www.buscadescontos.com.br Buscapé: www.buscape.com.br Chaordic Systems: www.chaordicsystems.com zoom: www.zoom.com.br

Francisco Donato, CEO do zoom

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volume de acessos, passando de 3,5 milhões para 7 milhões de visitas ao mês.” Nas vendas pela web, os buscadores de preço têm um importante papel para direcionar o cliente, mas para transformar o interesse do consumidor em compra o lojista tem que conquistá-lo assim como faz nas lojas físicas. esse não é um processo fácil, porém, segundo francesco Cardi, diretor da Chaordic systems, empresa especializada em sistemas de recomendação em massa, o comerciante que busca conhecer quem acessa a página de sua loja tem mais chances de converter a visita em compra. “Desenvolvemos uma ferramenta complementar ao buscador de preços. quando o usuário entra na loja de um de nossos clientes, temos um aplicativo que faz o acompanhamento dele no local. Observa os ícones em que ele clica e faz a recomendação de produtos complementares ao que ele estava procurando”, conta Cardi. O executivo explica que a solução indica produtos como se fosse um vendedor em uma loja física que procura dar mais sugestões aos clientes. A ferramenta pode ser usada por diferentes perfis de lojas on-line e apresenta informações em tempo real sobre as vendas para a direção da empresa. “Nosso sistema tem uma série de filtros que relacionam produtos a partir do interesse do consumidor. Não é uma simples indicação. Procuramos ser o mais assertivo possível porque não podemos distrair ou incomodar o cliente que entrou na página focado em adquirir um determinado produto.” Depois de realizar a pesquisa pelas páginas dos comparadores de preço e já ter escolhido em qual rede vai comprar, o usuário pode ainda conseguir um desconto extra antes de efetuar a compra. em sites como o busca Descontos, ele pode comprar produtos com valores mais baixos do que aqueles anunciados – isso porque a página tem parceria com uma série de varejistas e consegue negociar os preços dos produtos com os comerciantes. “Nós nos especializamos em fazer a barganha para o consumidor que compra pela web. Em nossa página ele encontra eletrodomésti-

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perfi l loj i sta

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Beleza pura

Na busca de lucro e um mundo melhor, Empório La Linda aposta em cosméticos naturais que não fazem mal à saúde das pessoas nem degradam o meio ambiente por Ana Paula Meurer

Luiz carlos de freitas júnior e mariana dal-ri Empresa: Empório La Linda Data de fundação: 29/10/2011 Sede: São José (SC) Ramo: Beleza Número de funcionários: 2

Para o casal luiz Carlos de freitas júnior e Mariana Dal-Ri, o sonho de ter seu próprio negócio surgiu acompanhado da vontade de ajudar a melhorar o mundo. Preocupados com a saúde, bem-estar e beleza das pessoas, eles decidiram investir em um ramo que ainda é pouco conhecido pelos brasileiros, mas que já é uma tendência muito valorizada e procurada nos países da europa. Trata-se dos cosméticos artesanais, naturais e orgânicos que, seguindo a mesma lógica dos alimentos, não comprometem a natureza e são fabricados com matériasprimas livres de substâncias tóxicas. Assim, em outubro do ano passado, eles, que até então não tinham nenhuma experiência administrativa – ele é advogado e ela, enfermeira –, criaram o empório La Linda, estabelecimento que fica situado em são josé (sC), na grande florianópolis. “quando projetamos a loja, queríamos algo brasileiro, que trouxesse o máximo de benefícios para o nosso povo”, conta luiz Carlos. Para que essa intenção se concretizasse, eles buscaram na natureza a inspiração e a fonte para os produtos que comercializam.

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anapaula@empreendedor.com.br

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Perfi L Loj i s ta

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Mais do que simples itens de beleza, proprietários oferecem artigos diferenciados

Mais do que oferecer simples itens de beleza, os proprietários apostam em artigos diferenciados. seja pela composição, que inclui ingredientes como argila verde e leite de cabra, seja pela apresentação do estabelecimento, que o torna agradável e atrativo, seja pela criatividade, com sabonetes, por exemplo, no formato de doces e frutas. quem visita a loja encontra mais de 500 opções de produtos que aliam conceitos artesanais, naturais e orgânicos. são maquiagens, linha corporal, facial, masculina, infantil e pet, todas produzidas com extratos vegetais, esmaltes hipoalergênicos e diversas outras opções além dos cosméticos, como canecas, lençóis, almofadas e aromatizadores sem conservantes e corantes. Nessa variedade de opções, os proprietários fazem questão de detalhar as diferenças de cada conceito. enquanto os cosméticos artesanais são feitos à mão, gerando mão de obra e empregando mais pessoas, os naturais são feito à base de ervas, frutas, flores e cascas. Os orgânicos também são feitos à base de plantas e óleos vegetais,

mas de cultivo orgânico certificado – padrão internacional ecocert –, correspondendo a 95% da composição do produto cosmético. “Dessa forma os orgânicos são bons para a saúde, para o solo e para o meio ambiente, pois as matérias-primas são obtidas através do cultivo orgânico controlado, beneficiando também comunidades carentes das regiões Norte e Nordeste do brasil que trabalham na extração sustentável destas plantas”, detalha Mariana. Além do ativo vegetal, os proprietários valorizam também os fornecedores que adotam práticas sustentáveis em toda a cadeia. Atualmente, o estabelecimento trabalha com 20 marcas de sete estados brasileiros, sendo que nenhum dos fornecedores realiza testes em animais. Nessa busca por um mundo melhor, a sustentabilidade está presente em todo o empório la linda. entre outras ações que ajudam a diminuir o impacto das atividades para a natureza, os móveis de toda a loja são de madeira de reflorestamento ou de demolição, a iluminação é fria – o que diminui o consumo de


Parte do lucro do Empório La Linda tem destino certo. Apaixonados por animais, Luiz Carlos e Mariana resolveram atuar no que entendem ser a principal origem do problema de cachorros e gatos abandonados nas ruas: a procriação. Mensalmente, eles destinam uma verba para castração de animais abandonados por intermédio de ONgs de proteção, que realizam castrações a preços populares na região da capital catarinense. “Se cada pessoa pudesse, de alguma forma, ajudar os animais com regularidade, com certeza em pouco tempo conseguiríamos controlar tudo o que acontece de ruim para eles. Falta amor, compaixão e responsabilidade social para muitas pessoas e isso nós estamos tentando resgatar, pois as questões sociais são razões de existir do Empório La Linda”, diz Mariana.

energia elétrica – e as sacolas e os materiais impressos são de papel reciclado. Ainda que recente, o futuro desse mercado é promissor. De acordo com o ranking de 2010 do euromonitor internacional, o brasil ocupa o terceiro lugar no segmento mundial de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos. e, aos poucos, o nicho dos orgânicos vem se destacando, com estimativas de que cresça 7,4% somente este ano. “Acreditamos seguir a linha dos empreendedores sociais, que buscam lucro sim, mas que têm em suas metas empresariais melhorar o mundo que está à sua volta. As empresas também têm seu papel no processo de destruição ambiental e agora, mais do que nunca, devem ter seu papel de proteção e recuperação do meio ambiente”, orgulha-se. explorando um mercado em potencial, mas ainda desconhecido, o casal de microempresários tem como principal desafio divulgar e conscientizar a população sobre os benefícios do uso de produtos naturais. A intenção é fazer uma campa-

nha para alertar os consumidores que, assim como os alimentos, os cosméticos também penetram no organismo e podem fazer mal à saúde a longo prazo caso contenham substâncias nocivas ao corpo. Amostras, sorteios de brindes e orientações através da mídia escrita e virtual têm colaborado para que a relação com clientes e fornecedores estreite-se a cada dia, fortalecendo a confiança mútua e fazendo crescer a aceitação dos cosméticos orgânicos. Presente ativamente nas redes sociais, o casal já tem planos de expansão geográfica e também virtual. Tudo sem deixar, é claro, a preocupação ambiental de lado. “faremos uma campanha ambiental para recolhimento de embalagens plásticas de cosméticos, pois elas precisam ter um destino correto: a reciclagem”, destaca luiz Carlos.

LINHA DIRETA Empório La Linda: www.emporiolalinda.com.br

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ajuda aos animais

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Helder Mendonรงa, presidente e fundador da Forno de Minas

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Volta às

origens Readquirida pelos fundadores, a Forno de Minas retoma a receita original do pão de queijo e o caminho dos bons resultados

Minas Gerais, 17 de abril de 2009. O empresário mineiro Helder Mendonça recebeu uma ligação que mudaria novamente o rumo dos negócios de sua família. Do outro lado da linha, a General Mills informava que no dia seguinte faria em Contagem o anúncio do fechamento da fábrica da Forno de Minas, a mais famosa marca de pão de queijo do Brasil, criada pela família Mendonça em 1990 e vendida para a multinacional norte-americana em 1999. A notícia pegou de surpresa os cerca de 500 funcionários da empresa, demitidos em meio a uma crise mundial que ameaçava respingar no Brasil. Mas eles não foram os únicos a lamentar o fato. O fechamento da fábrica entristeceu especialmente Maria Dalva Mendonça, mãe de

Helder e dona da receita do pão de queijo Forno de Minas. Mas foi por pouco tempo. A família decidiu recomprar a marca, chamou os antigos funcionários de volta e, no final de junho, retomou a produção. Comenta-se no mercado que o negócio foi excelente para seus fundadores, ou seja, que o valor pago pela General Mills em 1999 teria sido muito maior do que a quantia desembolsada pela família Mendonça e o sócio Vicente Camiloti em 2009. Helder não comenta sobre esses números, mas admite que a proposta feita em 1999 foi tentadora. O negócio estava indo muito bem e a família não pensava em vender a marca. Tanto que não pestanejou em tê-la de volta. “Nós tínhamos que fazer isso, não por obrigação, mas porque sabíamos que se tinha alguém que poderia fazer a Forno de Minas recuperar o seu prestígio, esse alguém éramos nós”, afirma

Helder, presidente da empresa. Dona Dalva, como é conhecida na empresa, voltou a comandar a produção de seu pão de queijo. Às vésperas de completar 70 anos, nem pensa em parar. “Minha mãe rejuvenesceu dez anos com a recompra da marca”, brinca Helder. A primeira decisão de Dona Dalva foi retomar sua receita, totalmente modificada nos dez anos em que a Forno de Minas ficou sob o comando da General Mills. “A receita original leva 20% de queijo. Quando retomamos o negócio, esse percentual era de 2%. O resto era aroma, ou seja, o que tínhamos era um aromade-queijo”, conta Helder. “Nós sabemos que estamos remando contra a maré num mercado onde o foco é preço e não qualidade, mas entendemos que a nossa escolha é a melhor.” Não foi só queijo que a Forno de Minas perdeu. As vendas caíram pratica-

Após ver as vendas caírem pela metade entre 1999 e 2009, a empresa recuperou terreno e já detém 40% do mercado de pão de queijo

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por Cléia Schmitz

cleia@empreendedor.com.br

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Líder de mercado, receita original da Forno de Minas leva 20% de queijo – quantidade havia sido reduzida para 2%

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mente pela metade entre 1999 e 2009. “Isso numa década em que o mercado brasileiro cresceu muito”, destaca Helder. Para ele, o fato da marca líder no segmento ter mudado a receita, comprometendo sua qualidade, fez com que o mercado fosse nivelado por baixo numa briga frenética por preço. O resultado é que a categoria pão de queijo caiu como um todo, ou seja, o consumidor deixou de comprar o produto. A produção da Forno de Minas, que era de 1,6 mil toneladas/mês em 1999, caiu para 600 toneladas/mês em 2009. Hoje, está em 1 mil toneladas/mês. “Temos muito chão pela frente, mas tiramos dez anos de férias, estamos com muita energia acumulada”, brinca Helder. Os dirigentes da empresa são os mesmos da época da venda. Dona Dalva é diretora

“Sabíamos que se tinha alguém que poderia fazer a Forno de Minas recuperar o seu prestígio, esse alguém éramos nós” industrial, a filha Hélida Medonça comanda a diretoria de marketing e Vicente Camiloti, sócio da família desde 1995, é diretor comercial. Para aumentar o potencial de investimentos, em meados de 2010 a Forno de Minas vendeu 29,3% de seu capital para a Mercatto Investimentos. O negócio permitiu à empresa dar sequência

a um ciclo de investimentos de R$ 40 milhões, iniciado em 2009 e com prazo para terminar neste ano. Os recursos foram aplicados na ampliação das instalações industriais e na expansão do mix de produtos congelados, tanto para o varejo quanto para o food service (cafeterias, cantinas, hotéis, etc.). Com essa estratégia, a Forno de Minas deixou de ser uma fábrica de pão de queijo para se transformar numa indústria de alimentos. O mix já é composto por pão de batata, folhados, tortas, empanados e waffles, além de frozen yogurt. Helder explica que o objetivo é oferecer um amplo mix de produtos para o food service. “Queremos ser a solução completa em alimentos para nossos clientes. A ideia é que eles comprem apenas a bebida com outro fornecedor”, afirma Helder.


1990

A mineira Maria Dalva Mendonça e os filhos Helder e Hélida abrem uma pequena cafeteria dentro do extinto Shopping Sul, em Belo Horizonte. Logo, o pão de queijo de Dona Dalva cai no gosto dos clientes e vira o carro-chefe do negócio.

1991

A família Mendonça fecha o café, mas abre uma fábrica em Contagem (MG) para produzir pão de queijo em larga escala com a marca Forno de Minas. Um ano depois, Vicente Camiloti se junta à empresa para aumentar a capacidade de investimentos.

1995

A Forno de Minas inaugura uma nova fábrica em Contagem para ampliar a produção e ganhar novos mercados pelo Brasil afora. A indústria, que começou fabricando 90 quilos de pão de queijo por dia, chega ao final da década com uma produção mensal de 1,6 mil toneladas e a liderança incontestável no mercado. No mesmo ano, adquire um laticínio em Conceição do Pará, interior de Minas, com o objetivo de fabricar o queijo e garantir a qualidade da receita da Forno de Minas.

1999

A família Mendonça não resiste a uma proposta tentadora da Pillsbury/General Mills, dona de marcas como Häagen-Dazs, e vende a Forno de Minas para a multinacional norte-americana. A General Mills entra na guerra de preços e muda a receita do pão de queijo, que de 20% de queijo passa a conter apenas 2%. Ao longo dos anos 2000, o produto perde mercado e a produção cai vertiginosamente, chegando a 600 toneladas ao mês em 2009.

2009

Em meio à forte crise financeira mundial, desencadeada em 2008, a General Mills fecha a fábrica da Forno de Minas. Um mês depois, a família Mendonça e o sócio Vicente Camiloti (que continuavam administrando o laticínio adquirido em 1995) compram a Forno de Minas de volta e, em menos de três meses, reiniciam a produção de pão de queijo com a receita original. Aos 67 anos, Dona Dalva volta a comandar a produção.

2010

A Forno de Minas faz uma parceria com o fundo de investimentos Mercatto, que passa a deter 29,3% do capital da companhia. A proposta é capitalizar a empresa para deixar de ser uma fábrica de pão de queijo e se transformar em uma indústria de alimentos com um mix completo de congelados – tanto para o varejo quanto para o mercado de food service (cafeterias, cantinas, lanchonetes, hotéis).

2011

A marca dá início aos lançamentos de novos produtos, como empanados, tortas, folhados e frozen yogurt. O faturamento quase dobra, passando de R$ 60 milhões, em 2010, para R$ 110 milhões em 2011.

2012

A Forno de Minas chega à produção mensal de 1 mil toneladas, detendo 40% do mercado nacional de pão de queijo. Neste ano, a companhia fecha um ciclo de investimentos que começou em 2009, totalizando R$ 40 milhões. Os recursos foram utilizados no desenvolvimento dos novos produtos e na ampliação das fábricas. A Leiteria de Minas aumentará sua capacidade de 150 mil litros/dia para 250 mil litros/dia. A capacidade de produção da Forno de Minas passará de 2 mil toneladas/mês para 3,5 mil toneladas/mês. A projeção é de um faturamento de R$ 160 milhões.

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LINHA DO TEMPO

Nos primeiros anos após a recompra da marca, a Forno de Minas voltou seus esforços principalmente para o varejo. A proposta agora é investir mais no mercado de food service, que tradicionalmente representava 50% do negócio da empresa. Hoje responde por cerca de 20%. “É um mercado que exige um trabalho diferente porque não depende só de produtos, mas também de serviço. Precisamos investir em treinamento do cliente para que ele saiba preparar os alimentos.” Os resultados da Forno de Minas desde 2009 mostram que a nova administração vem acertando em suas estratégias. No ano passado, o faturamento foi de R$ 110 milhões, quase o dobro de 2010 – R$ 60 milhões. A projeção para 2012 é de R$ 160 milhões. De acordo com a Nielsen, consultoria especializada em informações e análi-

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Marcas mineiras

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A Forno de Minas Alimentos é formada pelas seguintes marcas:

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Forno de Minas A marca que deu origem à empresa, em 1990, tem um mix de produtos congelados que vai de pão de queijo a folhados e tortas. O foco é o varejo e o mercado de food service.

São Geraldo Adquirida pela Forno de Minas em 2002, quando a empresa era administrada pela General Mills, a tradicional marca de pão de queijo de Minas Gerais posiciona-se hoje como um produto com custo mais baixo.

Leiteria de Minas Criada em 2000, a partir do laticínio adquirido em 1995, a marca atende a demanda de clientes industriais e de exportação. Entre os produtos, creme de leite cru e queijos como mussarela, prato, cheddar, estepe e parmesão.

Gran Condessa Criada em 2007, comercializa produtos em peças grandes ou fracionadas para atender às necessidades do food service.


Venda de um terço do capital permitiu ampliar instalações industriais

Brasileiríssimo Recuperar o mercado nacional não é o único desafio da Forno de Minas. A marca também está levando a receita de Dona Dalva para outros países. Por enquanto, o pão de queijo Forno de Minas é vendido nos Estados Unidos, Portugal e Canadá, mas a América Latina, Europa, Rússia, Coreia do Sul e Japão estão no foco da empresa. Neste ano, a companhia quer exportar cerca de 1 mil toneladas do produto, 10% de sua produção total. “Queremos que a exportação responda por um quarto da produção em dois ou três anos”, afirma Helder Mendonça, presidente da companhia.

Típico do Brasil, pão de queijo cai facilmente no gosto de consumidores de outras culturas O executivo aposta em dois fatores para conquistar o mercado internacional. O primeiro é o crescente interesse dos consumidores de mercados como Estados Unidos e países da Europa por produtos sem glúten e mais caseiros, “sem estabilizantes, corantes, aromatizantes e aditivantes”, explica Mendonça. “Existem receitas que mais parecem bulas de remédio. O nosso pão de queijo é 100% natural: leva queijo, polvilho, manteiga, ovos, óleo e sal. Por isso, temos conseguido agradar muitos consumidores nesses mercados considerados mais maduros.”

A outra aposta da Forno de Minas é o próprio sabor do pão de queijo. Produto típico do Brasil, como a cachaça e a caipirinha, segundo Mendonça ele cai facilmente no gosto de consumidores com outras culturas. É o que a empresa tem percebido ao participar de feiras internacionais e nos resultados apresentados nos mercados onde já atua. “Eu sou muito otimista com o potencial do pão de queijo como um produto brasileiro de exportação. Acredito que ele pode ser para o Brasil o que a pizza é para a Itália”, afirma Mendonça. “E, se depender da Forno de Minas, vai ser.”

LINHA DIRETA Forno de Minas: (31) 3079-8100 www.fornodeminas.com.br

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ses sobre consumo, a empresa detém 40% do mercado de pão de queijo. “Acho que o brasileiro estava com saudades de comer um bom pão de queijo”, diz Helder.

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f ra nqu i a

Solução para cada perfil A rede de padarias Uno&Due, fundada em 1993 em São Paulo, propõe uma mistura de produtos artesanais e serviços tradicionais de padaria, lanchonete e cafeteria em suas lojas. Usando um conceito de padaria que mistura tradicionalismo e alta qualidade de produtos que acabam de sair do forno, a marca possui 19 lojas em diferentes estados brasileiros. A rede de padarias desenvolveu três tipos de lojas: Padaria Express, voltada para regiões empresariais e comerciais, onde há serviços de fast-food para café da manhã, almoço, chá da tarde ou jantar; Cafeteria, uma versão menor com mix de produtos mais reduzido e que cabe em diversos locais, pois consegue trabalhar como quiosque

a partir de 16 metros quadrados; e a Padaria, que oferece um ambiente amplo para atender principalmente aquele consumidor residencial que busca tomar um café da manhã mais calmo e num ambiente mais acolhedor, que permite um maior contato com os produtos. Para abrir a loja, os recursos aplicados variam entre R$ 170 mil para quiosques e R$ 220 mil para lojas. A taxa de franquia fica em R$ 35 mil, e são cobrados royalties de 5% por mês sobre o faturamento. O retorno financeiro do capital investido é recebido no período de 24 a 36 meses. O lucro líquido é de 14% a 20% do faturamento total mensal. www.unoduerj.com.br

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Saudável e rentável

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A Mundo Verde – rede de lojas especializada em produtos naturais e orgânicos – prevê um crescimento de 21% para este ano. A expectativa da rede, que hoje conta com mais de 200 unidades, distribuídas por 73 cidades de 22 estados do País, é fechar o ano com 240 lojas. Para alcançar esse resultado, a empresa vai investir R$ 350 mil em implementação e melhorias no sistema de gestão, reforçando a performance de vendas e rentabilidade das lojas. A Mundo Verde é a maior rede de lojas especializadas em produtos naturais, orgânicos e para o bem-estar da América Latina, tornando-se referência em qualidade de vida e alimentação saudável. A marca oferece também o serviço gratuito Alô Nutricionista, para esclarecimentos de dúvidas, dicas e orientações pelo telefone 0800 0222528 ou pelo site. Para abrir uma loja Mundo Verde é necessário um investimento inicial de R$ 250 mil para uma loja média de 60 metros quadrados e capital de giro em torno de R$ 30 mil. A taxa de franquia é de R$ 50 mil. Os royalties cobrados são de 4,5% do faturamento bruto, e a taxa de publicidade é de 1% do faturamento bruto. São necessários seis funcionários para uma loja de 60 metros quadrados. A média de faturamento bruto mensal fica em torno de R$ 120 mil. O lucro líquido é de 13% ao mês após maturação do negócio e o prazo de retorno é entre 24 e 36 meses. www.mundoverde.com.br


qualidade e preço justo

integrando o segmento de construção e imobiliárias, a five star Painting, empresa norte-americana que iniciou o modelo de franchising em 2005, é especializada em pinturas residenciais e comerciais e começou suas operações no brasil em setembro de 2010. A empresa oferece serviços de pintura e texturização de ambientes internos e externos de imóveis em geral, primando pela pontualidade, entregando a obra no prazo estabelecido, sem surpresas no orçamento e com garantia de dois anos. Todos os pintores da franquia são funcionários contratados pela companhia, trabalham uniformizados e seguem rígidos padrões de qualidade da matriz nos estados Unidos. O investimento inicial e o capital de giro necessários para investir na franquia variam entre R$ 15 mil e R$ 40 mil, dependendo da infraestrutura que o franqueado possui. A taxa de franquia vai de R$ 40 mil a R$ 60 mil, dependendo do número de domicílios da região atendida, renda média e porcentagem de famílias de classe A a C. A taxa de royalties é aplicada de acordo com o faturamento: 7% sobre o faturamento anual de até R$ 400 mil; 6% sobre faturamento de R$ 400 mil a R$ 800 mil; e 5% sobre faturamento acima de R$ 800 mil. O prazo estimado para retorno do investimento é de 12 a 18 meses desde o início das operações.

A Casa do sorvete jundiá, especializada em opções variadas e criativas de sorvetes de massa, picolé, sobremesas, shakes, sundae e frozen, é uma oportunidade de negócios para cidades de todos os portes, especialmente aquelas que possuem características tropicais favoráveis. A franquia está com 27 unidades em operação ou em fase de instalação em todo o brasil e tem planos de abrir mais 33 novas franquias em diferentes regiões do País em 2012. Os números do setor também estimulam a abertura de novas franquias. De acordo com a Associação brasileira das indústrias de sorvetes (Abis), as vendas atingiram a marca de 1,167 bilhão de litros em 2011 e o consumo per capita passou de 5,85 em 2010 para 6,07 no ano passado. A Casa do sorvete jundiá oferece aos franqueados produtos de qualidade a preços acessíveis. Os diversos sabores de sorvetes são produzidos na fábrica da rede que tem capacidade para suprir a demanda de novas franquias. “A marca representa uma indústria tradicional, de forte presença no mercado, o que consolida ainda mais a credibilidade do negócio”, afirma José Carlos Semenzato, presidente da sMZTO Participações, holding de franquias multissetoriais que administra a Casa do sorvete jundiá. Para abrir uma franquia da marca, o investimento varia de R$ 76 mil a R$ 142 mil e o tempo de retorno do capital é estimado entre 14 e 24 meses. www.casadosorvetejundia.com.br

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aposta na qualidade

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Pr odu tos e s er v iç o s

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caixa cheia

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O gmail Meter é uma ferramenta que permite ao usuário saber quantos e-mails ele costuma receber por dia, quanto tempo leva para respondê-los e quantas palavras costuma utilizar para responder às correspondências. O serviço é gratuito e está disponível para os usuários do gmail. Para testar o sistema é preciso acessar o google Docs, criar uma nova planilha, clicar em ferramentas e depois instalar o “gmail Meter”. www.gmail.com

Limpeza a gasolina A Kärcher apresenta a g 2800 XC, ideal para a limpeza de áreas agrícolas onde não haja pontos de energia elétrica, como estradas, construções e fazendas. A lavadora de alta pressão dispensa o uso de energia elétrica e funciona a gasolina. O equipamento garante a máxima vazão de água e maior eficiência na limpeza em curto espaço de tempo e produz pouco ruído, de no máximo 70 db. A Kärcher desenvolveu ainda a lavadora hD 7/15 – Maxi, equipada com a válvula multifuncional, que integra by pass, com sucção de detergente, regulagem de pressão e vazão em um único componente. O equipamento tem pistões de cerâmica; cabeçote e bielas forjadas de latão; visor frontal para leitura de nível e qualidade do óleo; sistema de sucção com baixa perda e conjunto de vedações de alto desempenho e bloco de alumínio especialmente projetado.

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em ordem e à mão

O ecovio é um saco de lixo orgânico feito de plástico biodegradável e compostável que permite a entrada de ar e possibilita que resíduos orgânicos exalem menos odores do que os sacos de lixo convencionais. O produto também impede a entrada de insetos e dispensa a tarefa de lavar e limpar o recipiente no qual o lixo orgânico é recolhido. O ecovio é decomposto por micro-organismos que, com o auxílio de enzimas, fazem a degradação do produto em pouco tempo. No final do processo de compostagem, os micro-organismos transformam os sacos em água, biomassa e dióxido de carbono. O produto já foi testado na Alemanha pela basf e pela empresa municipal de gestão de resíduos berliner stadtreinigung (bsR), com mais de 21 mil famílias dos distritos de Prenzlauer berg e hellersdorf. segundo a basf, 80% dos moradores que testaram o produto disseram estar satisfeitos com os sacos para a coleta de lixo orgânico. www.basf.com

O safe-Doc é um sistema de digitalização de documentos que auxilia as empresas na gestão de Notas fiscais (Nf) físicas ou eletrônicas de produtos e serviços. O aplicativo aprimora os processos internos, desde o recebimento da Nf até o armazenamento, e é indicado para empresas de médio ou grande porte que possuem diversos departamentos, filiais e unidades. O safe-Doc funciona como um “malote digital”, evitando que os documentos transitem fisicamente e fazendo com que

eles fiquem disponíveis em um único local para processamento. A ferramenta também tem um módulo de workflow, caso esses documentos precisem passar por aprovações internas antes de serem pagos pelo departamento responsável. O pacote de serviço safe-Doc da Acesso Digital é composto por um scanner, que realiza a digitalização das notas fiscais dos fornecedores, e por um software que faz a captura das informações, organização e gestão dos documentos. www.acessodigital.com.br

resinas econômicas

serviço avulso de faz-tudo

A Purolite lança no brasil as resinas aniônicas ssTA63 e a ssTA64 para tratamento de celulose, álcool e papel. Os produtos reduzem o consumo de água e de produtos químicos em todo o processo de tratamento dos materiais. “se o cliente passar a utilizar as resinas ssT, sua primeira vantagem será econômica, porque elas têm um caminho mais curto para os íons regenerantes chegarem aos locais de troca, facilitando a troca iônica. O sistema também apresenta uma boa resistência e durabilidade a choques osmóticos quando comparado a uma resina convencional, além de diminuir o consumo de água”, explica fabio sousa, diretor da empresa. www.purolite.com.br

A Porto seguro passa a oferecer serviços de instalação de utensílios domésticos, reparos hidráulicos e elétricos para segurados e não segurados. No caso de quem não é cliente da empresa é possível contratar o “Porto seguro serviços Avulsos”, modalidade na qual os serviços são contratados à parte. Os serviços avulsos disponibilizados são para realização de reparos em casas e carros, hospedagem de animais, leva e traz ao veterinário, serviços de help desk para manutenção de computadores e serviço de transfer. “A ideia é que o solicitante logo pense na Porto seguro quando precisar de algum serviço”, afirma Milton Oliveira, diretor de serviços da Porto seguro.

www.portoseguro.com.br/servicosavulsos

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saco ecológico

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Pr odu tos e s er v iç o s

Bomba solar A Anauger lança dois modelos de bomba submersa vibratória movida a energia solar. Os equipamentos são indicados para uso em poços, reservatórios e cisternas e funcionam através de células fotovoltaicas com potência de 100 Wp, 130 Wp e 170 Wp. O Anauger solar P100 é ideal para poço com diâmetro a partir de 6 polegadas (153 mm) e o modelo Anauger solar R100 é indicado para uso em cisternas grandes.

www.anauger.com.br

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Piso fácil

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O Acquafloor é um piso vinílico que vem com um sistema de encaixe das peças que permite a fácil instalação do material e a reutilização do piso em diferentes espaços. O produto pode ser aplicado sobre pisos já existentes e superfícies rígidas como concreto, cerâmica, madeira e vinil. O material é antiderrapante, absorve ruídos e, além disso, é resistente a água, a queimaduras de cigarro e cupim. O Acquafloor está disponível em réguas de 1,21 m de comprimento por 19 cm de largura e 5 mm de espessura. O produto vem com o sistema easy Clic, que permite que ele seja retirado e reaplicado em outros lugares sem que haja qualquer dano ao material. www.pertech.com.br


catálogo renovado O Catálogo eletrônico para Tablet desenvolvido pela Target substitui os catálogos impressos tradicionais. O sistema traz uma série de imagens e informações sobre os produtos como detalhes de fabricação e especificações técnicas de cada peça que podem ser visualizadas através de um tablet. O aplicativo foi desenvolvido para o sistema operacional Android e permite que as empresas consigam fazer sozinhas a atualização do catálogo e enviá-lo às equipes comerciais de seus distribuidores. “A solução que estamos oferecendo vai muito além da apresentação de imagens ampliadas dos produtos. Trata-se de uma nova e inteligente forma de comunicação entre indústria, distribuidor e varejo”, afirma Rafael Rojas, diretor da Target. www.targetsis.com.br

gestão remota A hP está oferecendo a solução landesk Management suite para todas as corporações usuárias de seus desktops e notebooks. Dessa forma, os clientes comerciais da hP podem utilizar os recursos de gestão remota de hardware da suíte de softwares para reduzir a necessidade das dispendiosas e trabalhosas visitas locais feitas pelo seu departamento de Ti para resolução de problemas. O software vem pré-instalado e pré-configurado dentro do hardware hP, o que reduz o tempo gasto na configuração do PC a ser utilizado por cada funcionário da empresa. As soluções de gerenciamento da landesk auxiliam as empresas a aumentarem a eficiência e a reduzirem os custos, além de diminuir o consumo de energia, fazer a gestão de dispositivos e bios e de aprimorar o suporte para geração de relatórios e alertas de falhas de hardware. “A hP tem o compromisso de ajudar as empresas a reduzir problemas que resultam em perda de tempo, dinheiro e produtividade”, afirma Dan forlenza, vice-presidente e diretor geral da Unidade global de Negócios de Clientes Comerciais da hP. www.hp.com

A Micromed tem uma série de aplicativos para garantir a informatização das informações médicas de pacientes, aprimorar a gestão financeira de unidades de saúde e promover a integração entre clínicas e hospitais. São softwares desenvolvidos de acordo com as necessidades específicas de cada instituição médica e que eliminam a circulação física de papéis, documentos e prescrições. Com esses sistemas não é preciso imprimir, por exemplo, as solicitações de exames laboratoriais em hospitais, nem fazer a solicitação por telefone, já que a base de dados sobre cada paciente está totalmente integrada ao aplicativo, e pessoas autorizadas, como médicos e enfermeiros, podem ter acesso ao sistema. “Trabalhamos com uma solução composta por vários módulos que formam nossa plataforma de produtos. Atuamos desde a área administrativo-financeira até o corpo clínico assistencial. Nossos clientes nos procuram por, basicamente, dois motivos: para melhorar a gestão de recursos, por vezes muito escassos, e para garantir a segurança do paciente”, afirma o diretor de Marketing e Vendas da Micromed, Vilmar Alcides burguesan. www.micromed.com.br

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saúde informatizada

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m eg a fone

A importância do ‘detalhe’ nas ações de vendas Nesta edição vamos falar sobre a importância dos mínimos detalhes nas ações comerciais. Hoje vivemos um ambiente de commodity, tanto na área de serviços como nos produtos. Ter um diferencial pode significar apenas algumas horas de sobrevida de tal característica, já que seu concorrente vive ao seu lado! E, neste sentido, uma das tarefas mais difíceis do pilar comercial é a definição das estratégias de abordagem de prospects e ações de manutenção dos clientes da nossa base. Destaco as empresas que estão investindo em estratégias que visam à preocupação com os detalhes, conhecidos através de investimentos de pesquisa de mercado antes de iniciar a sua prospecção. O sucesso comercial da empresa depende muito da inteligência que está sendo utilizada para conquistar novos clientes e manter os atuais felizes e fidelizados. Vamos abordar de forma objetiva como é possível colocar em prática esta estratégia com algumas dicas:

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1. Invista em conhecer muito bem as pessoas mais interessantes do seu negócio. 2. Desenhe uma estratégia diferenciada para apresentar a sua empresa. As pessoas não aguentam mais receber e-mails ou telefonemas comerciais. 3. Descubra uma necessidade específica do seu prospect e envie uma mensagem personalizada e criativa. 4. Avalie se realmente o que você está oferecendo tem um diferencial interessante. 5. Não veja esta ação como custo, mas como investimento. A sua empresa precisa de oxigênio! 6. Não seja chato, e sim criativo.

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Todas estas ações têm como objetivo incentivar a sua área comercial para desenhar estratégias personalizadas e detalhadas, o que evita as ações em massa. A equipe comercial da empresa vale ouro e cada profissional tem um perfil que precisa ser identificado pelo gestor. Existem os profissionais

especializados nas estratégias de abertura das portas. Outros com expertise para manter relacionamentos e o terceiro perfil de colaborador, que é responsável pelo fechamento de contratos. As relações comerciais, apesar de toda a invasão das tecnologias, ainda são realizadas pela emoção. A razão é importante, mas as empresas que se destacam no mercado não procuram apenas preço. Procuram inovação! O detalhe, nesses casos, se torna um grande diferencial no competitivo mercado. Outro ponto que merece atenção é que esta estratégia pode ser fundamental para manter o relacionamento com os clientes que estão na base. Para ilustrar melhor esta reflexão, quero exemplificar dizendo que na minha empresa, a Elos Cross Marketing, deixei de enviar brindes de final de ano há mais de cinco anos, pois quis inovar e optei por enviar uma ação personalizada de sorte para o ano que se inicia! Esta pode ser uma ação que pode ser diferente no seu dia a dia. Ligar para o seu cliente parabenizando pela data do seu aniversário na empresa, por exemplo, pode ser diferente. Em geral, as pessoas enviam mensagem de aniversário. Neste caso, busque outras informações relevantes de quem é importante para seu negócio. Já pensou que seu cliente (ou mesmo o futuro cliente) pode ser um excelente jogador de golfe e, de repente, ele recebe um pequeno troféu parabenizando-o pelos seus dois anos do primeiro título conquistado? Isso é sair da caixa e precisa de investimento, de tempo e dinheiro por parte do seu negócio. Escolha na base da sua pirâmide quem são as pessoas que deseja focar e inicie uma atividade. Saia do ostracismo e não critique as suas ideias. Apenas tenha senso para implementar uma estratégia criativa. Se tiver dúvida de como fazer, contrate agências de relacionamento que poderão ajudá-lo nesta diferenciação. No início da Elos Cross Marketing, agência da qual sou diretor-fundador, tra-


por Rodrigo Geammal

O resultado foi gratificante, a ação maravilhosa, pois as pessoas choravam e se perguntavam como a construtora sabia destas particularidades, como a música preferida, por exemplo. A resposta: simples! Eles investiram em detalhar e personalizar a ação que muitos concorrentes faziam de forma varejista. Quero passar nesta mensagem que o detalhe é valorizado e pode ter um alto investimento, proporcional à sua taxa de retorno para conquistar prospects e manter os seus clientes satisfeitos. Admiro os profissionais que têm essa coragem de investir na inovação e personalização. As chances de acertar são proporcionais às chances de errar, mas o que vale é buscar algo inovador neste terreno de pouca criatividade e coragem, que são as estratégias comerciais. Há muito a ser feito e existe muita oportunidade nesta área!

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O detalhe é valorizado e pode ter um alto investimento, proporcional à sua taxa de retorno para conquistar prospects e manter os seus clientes satisfeitos

balhamos para uma construtora que nos deu a oportunidade para propor ideias focadas na entrega do apartamento. Realizamos um estudo detalhado dos clientes e criamos uma ação muito diferente neste mercado. Inicialmente, realizamos uma pesquisa com a base dos clientes de determinado empreendimento para conhecer suas preferências tais como livros preferidos, eletrodomésticos desejados, pessoas importantes naquela conquista da casa própria e músicas que mais agradavam. Em resumo, agendamos data e horário para a entrega do desejado apartamento. As pessoas visitavam o empreendimento e participavam de um roteiro com artistas contratados que contavam histórias interessantes em cada área comum do prédio. Em seguida, uma promotora levava o cliente até a porta do seu apartamento e quando o cliente abria... uma surpresa maravilhosa! Um violinista tocava a sua música predileta, a mulher ganhava um buquê de flores e, para finalizar, um garçom servia um delicioso espumante. Além disso, realizamos uma parceria com empresas de eletrodomésticos que cediam vouchers personalizados de desconto nos itens de maior preferência para cada cliente.

Fundador e Diretor Executivo da Elos Cross Marketing - agência brasileira pioneira no marketing de resultados de vendas, que tem o esporte e o entretenimento como conteúdo estratégico. rodrigo@eloscrossmarketing.com.br www.eloscrossmarketing.com.br (11) 3432-2028

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emp ree ndedo r is mo j á . c o m

intui ç ão

Intuição: acreditar e treinar para ter!

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Perceba, amigo leitor: todo grande empreendedor tem uma intuição aguçada. Alguém que se baseia somente na razão e no conhecimento consolidado terá poucas chances de montar um negócio inovador e lucrativo. A intuição é valiosa para quem vai investir US$ 2 bilhões num estaleiro e também para quem pretende montar um café no shopping do bairro. A intuição pode ser representada como uma ponte. Ela geralmente busca informações no passado, determina a decisão no tempo presente e influencia o futuro. A intuição não depende de imposições morais nem de técnicas. Está mais ligada ao sentimento e à crença. Guiar-se pela intuição muitas vezes exibe coragem e desprendimento. Existe uma frase do artista francês Jean Cocteau que expressa esse arrojo: “Ele não sabia que era impossível; foi lá e fez”. Os especialistas estudaram tanto o assunto que até conseguiram definir diferentes tipos de intuição: A primeira categoria é a do raciocínio simples, que nem é notado pela mente. É a intuição, digamos, do óbvio. É assim que as mães, mesmo de primeira viagem, impedem os filhos de bater a cabeça nas quinas dos móveis, sempre em movimentos ligeiros. A segunda é aquela da prática. O atacante do time “sabe” exatamente onde a bola será lançada em determinada circunstância do jogo. Assim, sem pensar, coloca-se ali para concluir o lance. Um desses mestres foi Pelé. Outro deles é o argentino Messi. A terceira é aquela associada à resolução de problemas complexos. Sem fórmulas ou raciocínios sequenciais e organizados, chegamos diretamente à resposta certa. Nesses casos, o subconsciente parece fazer sozinho o serviço, adiantando-se à demanda. Muitos cientistas parecem trabalhar deste modo. Um dos maiores gênios humanos, Albert

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Einstein, adorava falar sobre o assunto: “Não existe nenhum caminho lógico para a descoberta das leis do universo. O único caminho é a intuição”. Isso não quer dizer que ele desvalorizava a pesquisa. Muito pelo contrário. Significa que, em determinado momento, após muito estudo, alguma estrutura do cérebro processava sozinha os dados coletados. Há ainda quem crê em um quarto tipo de intuição: a paranormal. Nesse caso, a dica ou orientação nos chega como um sopro. É a intuição premonitória, interpretada das mais diversas formas pela ciência e pelas religiões. Não importa a forma. Cada indivíduo sente a intuição de uma maneira diferente. Ela é a soma de diversos fatores, aprendizados, conversas, leituras, experiências e até traumas. Tem a ver com a natureza de cada alma e transcende a razão. O importante é que sem intuição dificilmente alguém produz o novo, nas mais diversas áreas. A apresentadora norte-americana Oprah Winfrey admitiu, certa vez, numa entrevista: “Minha habilidade com os negócios veio guiada pela intuição”. Em seu livro biográfico, o empreendedor Donald Trump confessou: “Construí um império multibilionário confiando em meu instinto”. Maravilha! Agora já sabemos um pouco sobre intuição. Mas, afinal, por que nem sempre nos valemos dela para alcançar o sucesso na ação empreendedora? Sem dúvida, é por falta de

A intuição pode ser representada como uma ponte. Ela geralmente busca informações no passado, determina a decisão no tempo presente e influencia o futuro


Muitas vezes, pensando em prosperar, agi baseado na intuição. Essas decisões se mostraram acertadas tempos depois, quando as pontas do destino se conectaram. Viajo mentalmente pelo tempo, avalio os cenários e percebo que não teria alcançado o êxito se tivesse trocado a intuição pela razão. Como todo artigo precisa de uma dica ou lição, aqui vai uma: o capitalismo é, sobretudo, liberdade para arriscar. Ou seja, um negócio pode ou não dar certo. E é isso que faz a graça da coisa. Portanto, realize exercícios para aproveitar sua intuição. Comece com assuntos corriqueiros, como as conversas do dia a dia e a escolha de rotas e lugares para o lazer. Nesses testes, deixo que a intuição tome a decisão, mesmo que a razão diga

por Marcelo Ponzoni

Publicitário e diretor-executivo da agência Rae,MP, que atua há 23 anos no mercado; e autor do livro Eu só queria uma mesa, da Editora Saraiva. (11) 5070-1294 – marcelo@raemp.com.br www.raemp.com.br

o contrário. Esqueça o terrível “e se”, que nos trava e apavora. Perceba também que intuição é algo pessoal. Nos assuntos da razão, convém buscar a opinião de pessoas de bom senso, sensatas e equilibradas. Quando está em pauta a intuição, porém, ouça o seu coração. Misturar intuições geralmente resulta em erro. Treine, pratique, avalie e arrisque. Comece com as coisas menores. Depois, avance. Lidar com o fracasso e a frustração não é tarefa fácil para ninguém. Mas não deixe que o fantasma da incerteza o confine num canto da vida. Tudo muda o tempo todo. E o empreendedor precisa aprender a identificar rapidamente as oportunidades. Aprenda a respeitar a razão, mas nunca abra mão da intuição. Muitos dos incríveis sucessos da humanidade surgiram da confiança na intuição. É ela que frequentemente instaura a magia no ambiente dos negócios. Por vezes, as pessoas querem explicações racionais sobre um sucesso empresarial. E, curiosamente, elas não existem. Por fim, o tempo acaba mostrando que a razão estava com a intuição. Pois, nesta vida, contra fatos não há argumentos. Viva a intuição!

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confiança e pelo medo da perda. E isso tem muito a ver com a história de vida de cada um. Algumas pessoas foram treinadas para se valer apenas da razão. Desde crianças, só agem quando tudo está meticulosamente planejado, roteirizado, definido e seguro. Francamente, nada contra os pais zelosos. Mas os pequenos precisam também experimentar, arriscar e apostar. Entreguei-me a essas aventuras muitas vezes em meus primeiros anos, vividos no Bom Retiro, no Centro de São Paulo. Participava de corridas de Velotrol (um carro plástico de três rodas, comum na época), montava e desmontava coisas e me punha a vender coisas usadas, como tênis All Star. Confesso que os resultados não foram nada decepcionantes.

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ba n h o de lo j a

Jornadas de compra

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Se você tivesse um minuto para responder a esta pergunta, o que você diria? Quem entra no supermercado para fazer uma compra rápida, anda mais depressa do que quem vai para fazer a compra do mês, por exemplo? A maioria das pessoas para quem eu fiz esta pergunta respondeu que sim, pois o raciocínio por trás da resposta é que compras rápidas são sinônimo de pressa e, intuitivamente, responde-se que sim. Porém, não foi o que demonstrou um estudo de comportamento realizado por Herb Sorensen, no qual se analisou o comportamento de 75 mil shoppers em três lojas e concluiu-se que nas compras rápidas as pessoas tendem a andar mais devagar pela loja, enquanto que nas compras de abastecimento as pessoas tendem a andar mais rápido. Por essas e outras que o varejo é empolgante, e quanto mais estudamos mais descobrimos que tem mais a estudar! Respostas que muitas vezes parecem óbvias, quando pesquisadas a fundo percebe-se

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que não são tão óbvias assim e que o real conhecimento do shopper exige mais que intuição, exige estudo e aprofundamento. A descoberta deste estudo sobre a rapidez do deslocamento dentro da loja deriva do fato de que na compra rápida a pessoa gasta a maior parte do tempo comprando o produto, em frente à prateleira, enquanto o shopper da compra de abastecimento gasta mais tempo circulando pela loja e andando bem mais rápido. Existem várias frentes de estudo objetivando aumentar vendas, e dentre a frente de comportamento do consumidor o entendimento das jornadas de compra assume grande importância. O desafio inicia-se com a definição de quais parâmetros determinarão uma jornada de compra. Seria a quantidade de itens? Seria o tempo de permanência na loja? Sorensen defende que não há como estabelecer uma lista comum que determine uma jornada de compra rápida. O que há de comum neste tipo de jornada é a noção de imediatismo da parte de quem

Por Kátia Bello

Kátia Bello é arquiteta, especialista em comunicação estratégica de varejo e sócia-diretora da Opus Design katia@opusdesign.com.br

compra, ou seja, os produtos comprados são os que a pessoa precisa naquele exato momento para realizar uma tarefa, seja ela matar a sede ou adquirir o ingrediente que faltou para fazer uma receita. O especialista sugere ainda que para analisar as jornadas de compra dos shop­pers seja estabelecido um conjunto de métricas pertinentes ao negócio e que possamos estudar os comportamentos a fundo. Não há nada mais rico do que o chão de uma loja, é onde toda a teoria vira prática. É o local onde estão várias respostas às inúmeras perguntas do varejo!

Não há nada mais rico do que o chão de uma loja, é onde toda a teoria vira prática. É o local onde estão várias respostas às inúmeras perguntas do varejo!


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Leit ura

arte da negociação Obra de Stuart Diamond apresenta estilo inovador de negociar adotado pelo google Considerado um dos melhores livros de negócios pelo The Wall street journal, a obra apresenta um estilo de negociação inovador que foi adotado pelo google para treinar seus funcionários no mundo inteiro. em linguagem direta e acessível, o professor stuart Diamond ensina as estratégias que leciona há mais de 13 anos na Wharton business school. segundo ele,

um dos segredos de qualquer transação é tentar compreender o que se passa na cabeça do outro e que nem tudo diz respeito a dinheiro: bens intangíveis, como valorizar as pessoas, muitas vezes trazem melhores resultados. O autor ressalta ainda que o uso do poder não deve ser estimulado, pois frequentemente provoca retaliação e prejudica as

relações, e que às vezes faz mais sentido perder hoje para conseguir mais amanhã. O livro inclui ainda mais de 400 relatos de pessoas comuns que, a partir destas técnicas, melhoraram suas vidas obtendo aumento de salário, fechando um ótimo contrato, habituando seus filhos a fazerem o dever de casa, entre outros feitos.

consiga o que você quer

Stuart Diamond – Editora Sextante – R$ 39,90 “O mundo é irracional. E quanto maior a importância de uma negociação para um indivíduo, mais irracional ele costuma se tornar: quer se trate da paz mundial, de um contrato de 1 bilhão de dólares ou do seu filho querendo um sorvete. Quando as pessoas são irracionais, elas são emocionais. Quando são emocionais, não conseguem ouvir. Nesse estado, não podem ser persuadidas. Portanto, as palavras que você diz são inúteis, especialmente aqueles argumentos destinados a pessoas racionais e sensatas. Você precisa atingir a psique emocional delas com empatia, pedindo desculpas se necessário, valorizando-as ou oferecendo outras coisas que as façam pensar com mais clareza.”

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remuneração estratégica

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Jean Pierre Marras e Pietro Marras Neto Editora Campus-Elsevier – R$ 49,90 Voltada a gestores e gerentes de recursos humanos, a obra apresenta as diversas mudanças ocorridas ao longo das últimas décadas no campo da remuneração dentro das organizações, incluindo a crescente relevância do assunto na estrutura organizacional de gestão de pessoas, principalmente no universo de companhias inovadoras com grande preocupação estratégica. inclui modelos de plano de cargos e salários, sistema de remuneração por resultados e avaliação de desempenho já testados e aprovados pelos autores.

“Muitos negociadores costumam fracassar porque exigem demais de uma só vez. Eles dão passos maiores que as pernas. Isso assusta os outros, faz a negociação parecer mais arriscada e amplia as diferenças. Dê passos pequenos, quer esteja tentando obter um aumento, quer busque assinar um tratado. Conduza as imagens na cabeça das pessoas para as metas que você quer alcançar, do familiar ao desconhecido, um passo de cada vez. Caso haja pouca confiança, é ainda mais importante ser gradual. Teste cada etapa. Se houver grandes divergências entre as partes, avance lentamente em direção ao outro, reduzindo a lacuna aos poucos.”

quem matar na hora da crise?

Artur Lopes – Editora évora – R$ 49,90 Momento crucial e inevitável para a maioria das empresas, a crise coloca em xeque as convicções de quem deu vida ao negócio, empregos, riquezas e tudo o mais gerado pelo empreendimento. Mas, se nem sempre é possível prever os momentos de turbulência, o ideal é saber como agir para dissipar seus impactos. especialista em reestruturação empresarial, o autor auxilia o empreendedor a entender não somente a origem das dificuldades, mas também propicia elementos para ajustar a operação, favorecendo a superação da crise.


emP res á r io r i co e feL i Z

Pense gr and e

chão de gelatina

Jovens psicólogos

Um casal de jovens psicólogos me procurou para ajudá-los a tomar uma decisão. queriam investir num projeto de levar os serviços de psicologia para as escolas do município em que trabalhavam, pois achavam que havia um vazio de necessidades que eles poderiam atender, uma vez que este tema não era tratado nas escolas nem circulava abertamente pela cidade. estavam muito entusiasmados com a ideia e queriam abrir uma empresa para tocar este empreendimento. Como trabalhavam numa clínica, perguntei a eles se havia filas de clientes para serem atendidos no local onde trabalhavam. Responderam que não. e nos concorrentes? Também não. Perguntei então qual era a população do município e me informaram que tinha 60 mil habitantes. Após alguns filtros que aplicamos para a definição do público-alvo especulamos que eles teriam uma renda menor do que atualmente ganhavam. Mas eles insistiram argumentando que o público das escolas estava completamente inexplorado e, portanto, seria uma oportunidade de vida para eles.

Chão de gelatina

A essa altura de nossa conversa pedi a eles que decifrassem a seguinte charada: dois fabricantes de sapatos pediram a seus vendedores que fossem a uma comunidade avaliar a oportuni-

dade de abrir uma loja de sapatos. Um dos vendedores voltou e entusiasmado disse que tinha encontrado uma mina de ouro, pois naquela comunidade ninguém usava sapatos. O vendedor do outro fabricante ao voltar informou para sua diretoria que não havia nenhuma oportunidade, pois lá ninguém usava sapatos. qual dos dois vendedores avaliou corretamente a situação? O jovem casal respondeu como a maioria das pessoas tende a responder: a avaliação correta é a do vendedor que enxergou uma oportunidade de negócios. No entanto, esta resposta só estaria correta se a empresa na qual ele trabalhava tivesse uma robusta reserva financeira para suportar os custos da operação da loja e investimentos maciços em campanhas de publicidade durante um tempo longo, o suficiente para mudar os hábitos das pessoas em usar sapatos – e correndo o risco disso não acontecer. Caso contrário, na ausência de capital compatível com o empreendimento eles estariam pisando em chão de gelatina. Afundariam.

Chão firme

Não é incomum empreendedores despreparados e totalmente sufocados pelo dia a dia da operação não perceberem que estão quase sempre pisando em chão de gelatina – capital de giro insuficiente, praça fraca, produto ou serviço sem inovação (réplica de tantos outros), mão de obra desqualificada... eis, agora, com a queda dos juros, um bom momento de agir como um empresário com espírito investidor e identificar e transformar o chão de gelatina em chão firme. Essa é uma boa hora para parar de correr e de se capacitar nos fundamentos corretos de uma boa gestão empresarial. É mais fácil ser um empresário feliz com sobra de caixa; no entanto, para se tornar um empresário rico e feliz esta sobra tem de ser duradoura.

Por Joel Fernandes

Autor dos livros Eu quero ser empresário rico!, Empresário rico também vai para o céu e Sua pequena empresa: muito além da sobrevivência! e do site www.euqueroserempresariorico.com.br

Não é incomum empreendedores despreparados e totalmente sufocados pelo dia a dia da operação não perceberem que estão quase sempre pisando em chão de gelatina. Agora, com a queda dos juros, é um bom momento de agir como um empresário com espírito investidor e transformá-lo em chão firme

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eis uma notícia boa: os juros caíram. eis aí uma oportunidade para os empresários do País renegociarem suas dívidas com os bancos e aliviar a pressão sobre o caixa da empresa. eis também a necessidade de tomar decisões. O dinheiro que há de sobrar com a queda dos juros será usado para pagar os fornecedores? Para investir em publicidade? em tecnologia? Para reforçar o capital de giro? Ou não há de sobrar nada?

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ANÁ L ISE ECONÔ MICA

Argentina, onde está a credibilidade? Expropriação da YPF prejudica a própria empresa e destrói a confiança internacional em investir no país sul-americano A YPF, a maior empresa de petróleo da Argentina, veio a ser penalizada nesse último mês devido à decisão tomada pelo próprio governo argentino. No início da segunda quinzena de abril, a presidente Cristina Kirchner comunicou ao mercado a expropriação de 51% da empresa, que até o presente momento era controlada pela espanhola Repsol. elza fiuza/abr

Julio de Vido, ministro do Planejamento, Investimento Público e Serviços da Argentina, e Edison Lobão, ministro de Minas e Energia do Brasil

Após o anúncio, a agência de risco Moody’s revisou a nota de dívida em moeda argentina da YPF para baixo, com o argumento de dúvidas a respeito da administração da empresa por parte do governo. Seguindo a maré, o papel da YPF chegou a cair 28,66% em um único pregão, refletindo fortemente no índice Merval ao qual corresponde a 6,35%.

Não contente com a decisão argentina, os espanhóis decidiram entrar com o pedido de US$ 10,5 bilhões argumentando que seria o valor justo pela porcentagem que detinham dentro da YPF. Entretanto, o pedido não agradou aos governantes argentinos, os quais disseram que não pretendem pagar o valor proposto. Todos esses pontos discutidos acabam impactando de forma negativa na Argentina aos olhos dos investidores, como a nossa própria empresa de petróleo, a Petrobras. A Petrobras argentina é a segunda maior petrolífera no país, porém, quem garante que não é de interesse público que o governo Kichner a exproprie? Dúvidas como esta colocam em xeque o interesse de novos investimentos, ou a própria retirada dos mesmos. O ministro de Minas e Energia brasileiro, Edison Lobão, não se abalou com tal decisão, tanto que afirmou que o ocorrido não afetará em nada os negócios da Petrobras, além de falar que a empresa tem interesse de investir cerca de US$ 500 milhões na Argentina neste ano. Já o ex-presidente da petrolífera, Armando Coelho, cogitou a hipótese de que a empresa poderia vender alguma parte das suas operações e focar o montante para a exploração do gigantesco pré-sal. Mas quem estaria disposto a comprar tal parte e pôr seu dinheiro em uma operação de risco como esta? Com a credibilidade ferida perante os investidores, principalmente os europeus, não é fácil ver um belo futuro para a Argentina. Já o Brasil continua sob bons olhos dos mesmos, mantendo sua posição de investimento seguro, o que gera confiança e credibilidade diante do mercado.

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por Makian Costa Pereira

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Leme Investimentos

A Petrobras argentina é a segunda maior petrolífera no país, porém, quem garante que não é de interesse público que o governo Kichner a exproprie? Dúvidas como esta colocam em xeque o interesse de novos investimentos, ou a própria retirada dos mesmos


Nome Classe Ação All Amer Lat ON Ambev PN B2W Varejo ON BMF Bovespa ON Bradesco PN Bradespar PN Brasil Telec PN Brasil ON Braskem PNA BRF Foods ON Brookfield ON CCR Rodovias ON Cemig PN Cesp PNB Cielo ON Copel PNB Cosan ON CPFL Energia ON Cyrela Realty ON Duratex ON Ecodiesel ON Eletrobras ON Eletrobras PNB Eletropaulo PNB Embraer ON Fibria ON Gafisa ON Gerdau Met PN Gerdau PN Gol PN Ibovespa Itausa PN ItauUnibanco PN JBS ON Klabin S/A PN Light S/A ON Llx Log ON Lojas Americ PN Lojas Renner ON Marfrig ON MMX Miner ON MRV ON Natura ON OGX Petroleo ON P.Açúcar-Cbd PNA PDG Realt ON Petrobras ON Petrobras PN Redecard ON Rossi Resid ON Sabesp ON Santander BR UNT N2 Sid Nacional ON Souza Cruz ON Tam S/A PN Telemar N L PNA Telemar ON Telemar PN Telesp PN Tim Part S/A ON Tim Part S/A ON Tim Part S/A PN Tran Paulist PN Ultrapar PN Usiminas ON Usiminas PNA Vale ON Vale PNA Vivo PN

Participação Bovespa 1,104 0,979 0,701 3,902 3,130 0,993 0,390 2,726 0,596 1,341 0,622 0,802 1,134 0,685 1,539 0,598 0,784 0,441 1,866 0,589 1,311 0,890 0,743 0,530 0,755 1,498 1,648 0,660 2,574 1,211 100,000 2,315 4,015 0,934 0,404 0,541 0,914 1,207 1,098 0,546 1,440 1,233 0,845 3,773 0,808 2,745 2,206 8,517 1,283 1,163 0,352 1,097 2,359 0,443 1,041 0,225 0,268 0,923 0,155 0,125 0,170 0,840 0,229 0,486 0,592 2,462 2,925 11,956 0,793

Inflação (%)

Até 30/04 Tipo de Ativo Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação 9 Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação

Índice

Abril

Ano

IGP-M IGP-DI IPCA IPC - Fipe

0,85 0,70 0,57 0,43

1,48 1,64 1,80 1,17

Juros/Aplicação (%) CDI Selic Poupança Ouro BM&F

Abril

Ano

0,70 0,71 0,52 5,33

3,17 3,20 2,22 6,11

Indicadores Imobiliários (%) CUB SP TR

Abril

Ano

0,14 0,02

0,99 0,15

Juros/Crédito (%) Desconto Factoring Hot Money Giro Pré (taxa mês)

30/Abril

27/Abril

1,65 3,62 3,19 1,86

1,65 3,62 3,19 1,86

Câmbio

Até 30/04

Cotação Dólar Comercial Ptax R$ 1,8918 Euro US$ 1,3228 Iene (US$ 1,00) $ 79,8200

Mercados Futuros Dólar Juros DI

Até 30/04

Junho

Julho

R$ 1,919 8,73%

R$ 1,922 8,56%

Contratos mais líquidos Ibovespa Futuro

30/04 62.100

empreendedor | maio 2012

Carteira Teórica Ibovespa

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agenda de 5/07/2012 a 7/07/2012

22ª expofarmácia

Expo Center Norte – Pavilhão Vermelho Vila guilherme – São Paulo – SP www.expofarmacia.com.br

franquias, um mundo de oPortunidades de 13/06/2012 a 16/06/2012

aBf franchising expo

Expo Center Norte – Pavilhões Azul e Branco Vila guilherme – São Paulo – SP – www.abfexpo.com.br

Considerada o principal evento do setor farmacêutico, a edição de 2012 da feira internacional de Produtos e serviços para farmácias, farmácias de Manipulação, Drogarias, indústrias farmacêutica e Cosmética traz um formato diferenciado que vai reunir em um só local oportunidades de qualificação profissional e realização de negócios para drogarias, farmácias hospitalares, públicas e magistrais.

O objetivo do evento é oferecer ao público oportunidades de investimento em praticamente todos os segmentos da economia nacional, da alimentação à locação de veículos. são diversas opções para divulgar o sistema de franchising como um todo e sua importância para o cenário e desenvolvimento econômico do País.

de 31/05/2012 a 3/06/2012

de 15/06/2012 a 17/06/2012

Parque Vila germânica Bairro da Velha – Blumenau – SC www.feiradoempreendedor.com.br

Jockey Clube da gávea Jardim Botânico – Rio de Janeiro – RJ www.brite2012.com.br

9ª feira do empreendedor – santa catarina

Para ajudar empresários brasileiros a montarem seu negócio on-line de forma rápida, fácil e barata, a feira do empreendedor 2012 contará com a participação de representantes da empresa google brasil. eles vão apresentar o projeto “Conecte seu negócio” ao público. Resultado de parceria entre o sebrae, o google e a Yola, o “Conecte seu negócio” tem como objetivo facilitar os pequenos negócios a criarem o seu primeiro site de maneira simples e rápida.

de 3/06/2012 a 5/06/2012

empreendedor | maio 2012

4º salão de moda e negócios

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Expo Center Norte Vila guilherme – São Paulo – SP www.salaomodabrasil.com.br

O evento tem como objetivo aumentar a área de exposição para atrair expositores de outros segmentos, além de moda praia e fitness, com expectativa de ultrapassar em 15% os R$ 710 milhões negociados em 2011.

9ª feira de turismo receptivo da américa Latina

Considerado o mais completo evento de turismo receptivo da América latina, tem o objetivo de promover o turismo no Brasil, propor ações específicas para atender ao mercado receptivo internacional, fortalecer os destinos nacionais e elevar o número de turistas no brasil.

de 16/06/2012 a 18/06/2012

9ª Feira Profissional de Beleza

Centro de Exposições Expominas Belo Horizonte – Mg www.professionalfair.com.br

O evento mais esperado por empresários e profissionais da beleza está de volta. A Professional Fair (Feira Profissional de beleza), considerada um dos maiores eventos nacionais em seu segmento, abrirá mais uma vez as portas para o público e profissionais do ramo de todos os estados brasileiros. Como nos anos anteriores, mostrará as novidades em produtos e tendências em beleza e estética para este ano.

de 6/07/2012 a 15/07/2012

13ª feira nacional de negócios do artesanato

Centro de Convenções de Pernambuco Salgadinho – Olinda – PE www.portaldoartesanato.pe.gov.br

A fenearte é uma ação que faz parte do Programa do Artesanato de Pernambuco (Pape) e tem como objetivo valorizar e difundir a riqueza cultural, além de estimular o potencial de crescimento dos artesãos e artesãs.

de 16/07/2012 a 17/07/2012

10ª feira e convenção regional de supermercados

Centro de Exposições e Eventos de Londrina – PR www.apras.org.br/supernorte

A feira é voltada para o setor de comércio varejista, atacadista e franquias, e conta com uma linha de produtos e serviços como bebidas, higiene, bazar, saúde, laticínios, limpeza, mercearia, lácteos e congelados, entre outros. Pretende reunir cerca de 90 expositores.


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Empreendedor 211  

Edição n. 211 da revista Empreendedor, de maio de 2012