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Franquias: hora de pensar no exterior TI: o uso de tablets em diferentes ramos

www.empreendedor.com.br

ANO 18 N o 205 novembro 2011 R$ 9,90

Visão de futuro

A importância do planejamento e de seu constante acompanhamento para correções que levem os negócios rumo ao sucesso, com o mínimo de riscos e traumas

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Produtos da Ydreams, que não dispensa um estudo aprofundado antes de seus lançamentos

Pepe Vargas fala sobre a defesa dos interesses das mpes no Congresso Nacional


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aber aonde se quer chegar. E, mais importante, como ir até lá. Antes de uma viagem, ou até mesmo para se deslocar dentro de uma cidade, sempre se pensa nisso. No mundo dos negócios, traçar a melhor rota, com previsão do que for necessário para chegar ao destino desejado, também é essencial. Somente o planejamento é capaz de prevenir uma empresa dos riscos inerentes a uma jornada pelo mercado. Para chegar lá, em segurança, o empresário precisa conhecer bem os pontos fortes e fracos de sua empresa, e saber como trabalhá-los para aproveitar as oportunidades e se defender dos riscos identificados no mercado. Isso exige visão de mercado, e de futuro. É preciso decidir antecipadamente o que fazer, quando e com quais recursos. Mas colocar o plano em prática não é tudo – é obrigatório acompanhar atentamente os resultados e os movimentos da economia e do segmento em que atua, para fazer os ajustes necessários no direcionamento. O planejamento estratégico deve ser feito sempre antes de lançar um negócio, seja uma empresa ou apenas um produto ou serviço dela, e ao longo de toda a sua vida. É uma questão de cultura empresarial, deve envolver toda a corporação. Confira na matéria de capa desta edição dicas de como elaborar o planejamento estratégico e exemplos de quem não dispensa esta importante ferramenta para chegar aonde quer: ao sucesso. Micro e pequenos empreendedores não são exceção. Muito pelo contrário, para eles é ainda mais importante, pois por menor que seja o investimento em geral ele é significativo. O planejamento evita desperdício de recursos, ao quantificá-los e direcioná-los corretamente. Se não há verba para contratar uma consultoria especializada, deve-se procurar manter atualizado e participar de associações setoriais, além de atrair toda a equipe na sua elaboração e monitoramento. Alexsandro Vanin

A Revista Empreendedor é uma publicação da Editora Empreendedor Diretor-Editor: Acari Amorim [acari@empreendedor.com.br] Diretor de Comercialização e Marketing: Geraldo Nilson de Azevedo [geraldo@empreendedor.com.br] Redação Editor-Executivo: Alexsandro Vanin [vanin@ empreendedor.com.br] – Repórteres: Beatrice Gonçalves, Cléia Schmitz e Mônica Pupo – Edição de Arte: Gustavo Cabral Vaz – Projeto Gráfico: Oscar Rivas – Fotografia: Arquivo Empreendedor, Casa da Photo, Lio Simas e Thinkstock – Foto da capa: Divulgação/ Ydreams – Revisão: Lu Coelho Sedes São Paulo Diretor: Fernando Sant’Anna Borba – Executivo de Contas: Gerson Cândido dos Santos e Osmar Escada Jr – Rua Sabará, 566 – 9º andar – conjunto 92 – Higienópolis – 01239-010 – São Paulo – SP – Fones: (11) 3214-1020/2649-1064/2649-1065 [empreendedorsp@ empreendedor.com.br] Florianópolis Executiva de Atendimento: Joana Amorim [anuncios@ empreendedor.com.br] – Rua Padre Lourenço Rodrigues de Andrade, 496 – Santo Antônio de Lisboa – 88050-400 – Florianópolis – SC – Fone: (48) 3371-8666 Central de Comunicação – Rua Anita Garibaldi, nº 79 – sala 601 – Centro – Florianópolis – SC – Fone (48) 3216-0600 [comercial@centralcomunicacao.com.br] Escritórios Regionais Rio de Janeiro Triunvirato Empresarial – Milla de Souza [milla@triunvirato.com.br] – Rua São José, 40 – 4º andar – Centro – 20010-020 – Rio de Janeiro – RJ – Fones: (21) 2611-7996/9607-7910 Brasília Ulysses Comunicação Ltda. [ulyssescava@ gmail.com] – Fones: (61) 3367-0180/9975-6660 – condomínio Ville de Montagne, Q.01 – CS 81 – Lago Sul – 71680-357 – Brasília – Distrito Federal Paraná Merconeti Representação de Veículos de Comunicação Ltda – Ricardo Takiguti [ricardo@merconeti.com.br] – Rua Dep. Atílio Almeida Barbosa, 76 – conjunto 3 – Boa Vista – 82560-460 – Curitiba – PR – Fone: (41) 3079-4666 Rio Grande do Sul Nenê Zimmermann [nene@starteronline.com.br.com.br] e Renato Zimmermann [renato@starteronline.com.br.com.br] – Floresta – 90440-051 – Porto Alegre – RS – Fone: (51) 3327-3700 Pernambuco HM Consultoria em Varejo Ltda – Hamilton Marcondes [hmconsultoria@hmconsultoria.com.br] – Rua Ribeiro de Brito, 1111 – conjunto 605 – Boa Viagem – 51021310 – Recife – PE – Fone: (81) 3327-3384 Minas Gerais SBF Representações – Sérgio Bernardes de Faria [sbfaria@sbfpublicidade.com.br] – Av. Getúlio Vargas, 1300 – 17º andar – conjunto 1704 – 30112-021 – Belo Horizonte – MG – Fones: (31) 2125-2900/2125-2927 Assinaturas Serviço de Atendimento ao Assinante – [assine@empreendedor.com.br] – O valor da assinatura anual (12 edições mensais) é de R$ 118,80. Aproveite a promoção especial e receba um desconto de 10%, pagando somente R$ 106,92 à vista. Estamos à sua disposição de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h. Produção Gráfica Impressão e Acabamento: Coan Gráfica Editora Ctp – Distribuição: Distribuidora Magazine Express de Publicações Ltda – São Paulo Empreendedor.com http://www.empreendedor.com.br Editora: Carla Kempinski – Repórter: Raquel Rezende


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rota segura Nada de aventuras, muito menos de loucuras. Nem mesmo aventureiros como Amyr Klink e a família Schürmann lançam-se ao mar sem antes estudar muito a rota, nem deixam de acompanhar cada interferência no planejado para fazer as correções necessárias. No oceano revolto dos negócios, o planejamento também é segredo de sucesso, pois diminui os riscos e reduz as chances da empresa afundar. A matéria de capa desta edição apresenta as vantagens e a importância do planejamento, formas de executá-lo e diferentes sistemas, além de exemplos de empresas que não deixam de buscar uma rota segura para seus negócios.

30 | Tributação Ainda mais Simples

No fim de setembro o Congresso aprovou alterações no Simples Nacional, entre elas o reajuste na tabela de enquadramento e o parcelamento de débito, mas mudanças importantes, como a inclusão de novas categorias e o fim da substituição tributária, ficaram de fora. Saiba quais são as vantagens para as empresas e o impacto na economia.

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34 | TI Tablets corporativos

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A penetração dos tabletes na sociedade brasileira cresce dia a dia, e a produção nacional desses equipamentos – e consequente barateamento – deve se intensificar. Nas empresas, os tabletes podem ter diversos usos, principalmente na área gerencial e de vendas. Vamos conhecer alguns aplicativos e utilizações dos tabletes nas empresas, e suas vantagens, com exemplos de empresas que já adotam a tecnologia.

42 | Franquias Exportação de franquias

O segmento de franquias cresce sem parar no Brasil, e a força do novo mercado interno ainda dá espaço para uma expansão ainda maior. Isso não impede, no entanto, que se olhe para fora em busca de oportunidades. Fique a par dos instrumentos públicos e institucionais de apoio à internacionalização de franquias brasileiras, e das histórias de quem já se aventurou no exterior.

LEIA TA MBÉM 14 54 58 60 62 64 66

NÃO DURMA NO PONTO PRODUTOS E SERVIÇOS empreendedorismojá.com pense grande leitura ANÁLISE ECONÔMICA AGENDA

38 | Perfil Maria Alice Carneiro

A história da mulher que despertou tarde o interesse pelo negócio da família, mas a tempo de aumentar a rentabilidade da Água Mineral Timbu e consolidar o produto como marca nobre.

16 | Entrevista Pepe Vargas

O presidente da Frente Parlamentar Mista das Micro e Pequenas Empresas fala sobre as bandeiras do grupo de deputados federais e senadores, além das conquistas já obtidas e do impacto na economia.


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EMPREE NDED O R ES

Pedro Casarin e Gabrielle Neto, do Grupo Tripular

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TODOS A BORDO

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Pedro Casarin, 26 anos, começou sua carreira com apenas 15 anos de idade na empresa do pai e, mesmo muito jovem, não desperdiçou a oportunidade. Foi lá que descobriu seu talento para a área comercial, imprescindível para a decisão que tomou há um ano: tornar-se um empreendedor e entrar para o mundo dos sites de compras coletivas, criando o Portal Tripular. Para concretizar seu projeto chamou para a sociedade o amigo de infância Gabrielle Neto, 27 anos, formado em webdesign e marketing. Com foco em ofertas relacionadas a turismo, o Tripular ocupa a segunda posição no ranking dos sites deste segmento e o 10º lugar na lista geral de sites de compras coletivas. “Quero entrar no grupo dos cinco portais mais acessados do Brasil e para isso vou investir ainda mais em estratégias de marketing”, afirma Casarin, que ocupa o cargo de

diretor de negócios da empresa. Entre as parcerias firmadas pelo Tripular destacam-se empresas renomadas como a Costa Cruzeiros, MSC, Ibero Cruzeiros e Royal Caribbean. Empolgados com o sucesso do Tripular, em maio passado os sócios decidiram criar o Alertados, um novo portal de compras coletivas com ofertas de gastronomia, bares, estética, teatro e lazer. O site ocupa a 15ª posição (saltou 30 posições em um mês) e a expectativa é de que represente 20% do faturamento do grupo em 2011. Recentemente, Casarin investiu cerca de R$ 1,5 milhão em ações de marketing como links patrocinados no Google, agregadores de ofertas, banners em sites e blogs e inserções em mídias sociais como Facebook e Twitter. “Pensamos em expandir para outros países, mas primeiro vamos nos consoli-

dar no Brasil como um portal completo de viagens. Queremos ter um volume grande de ofertas, além de oferecer novos serviços que agreguem à compra dos nossos clientes”, diz Casarin. Para o empresário, a tendência é que o mercado de compras coletivas continue em crescimento acelerado no próximo ano. “Cada dia surgem novos anunciantes e também novos players como grandes magazines, operadoras de celular e outras marcas reconhecidas”, destaca. Numa das mais bem-sucedidas promoções oferecidas pelo Tripular, o site vendeu, em menos de 12 horas, 336 cupons de um cruzeiro para Salvador. Outro destaque foi uma viagem para Orlando – incluindo sete diárias de hotel, voo de helicóptero, passagem aérea e carro com quilometragem livre – com 783 cupons vendidos.

www.tripular.com.br


Thea Schünemann, do Baukurs Cultural

Descendente de poloneses e alemães, a empresária brasileira Thea Schünemann de Miranda não tem nada do estilo sisudo e formal geralmente associado a tais origens. Ainda adolescente, quando soube do holocausto e do horror do nazismo, bloqueou a língua alemã em sua mente e “desaprendeu” o idioma. Mas a sobrevivência e a necessidade de ganhar algum dinheiro fizeram com que ela fosse lecionar alemão. Com o sucesso das aulas, abriu o curso Baukurs, atualmente com três unidades no Rio de Janeiro ( Jardim Botânico, Botafogo e Barra). Com o sucesso da escola, nasceu em 2010 o Baukurs Cultural, onde Thea começou a promover cultura e arte. Localizado em Botafogo, por coincidência na Rua Goethe – que leva o nome de um dos maiores escritores da Alemanha –, o espaço traz cursos de artes e teatro, cineclube para adultos e crianças, coro, salas de exposição e audição musical, além de uma biblioteca e uma ampla área de convivência. O local integra pessoas de diferentes classes sociais, já que algumas atividades são gratuitas. A inauguração do espaço contou com a exposição do trabalho de Hundertwasser, arquiteto e artista plástico austríaco. Para torná-la viável, Thea conseguiu autorização do diretor do museu Kunsthaus Wien, de Viena, que detém os direitos do acervo do artista e o apoio da Embaixada Brasileira na Áustria para ajudar no transporte do material para o Brasil. Hoje, Thea se orgulha de ter criado um espaço que serve de elo entre a cultura brasileira e alemã. www.baukurscultural.com.br

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Volta às origens

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empreended o r es

Leonardo Cavalcante e Alexandre Bonatto, da Black Bull Business

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Bom para todos

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Com um investimento inicial de apenas R$ 15 mil, os amigos Leonardo Cavalcante e Alexandre Bonatto querem faturar R$ 600 mil já no primeiro ano da recém-criada Black Bull Business (3B). Focada especialmente em pequenas e médias empresas, a 3B conecta compradores interessados em um mesmo produto ou serviço, criando uma compra em escala. O objetivo, claro, é a sensível redução de custos para os clientes. A empresa compradora pode também ser a vendedora. Tudo por meio da web, que conecta e cruza os interesses. “Nossa empresa é do tamanho da internet. Conectamos as necessidades via

web, mas a base do nosso sistema são as pessoas”, destacam os jovens empreendedores, ambos com 26 anos. A primeira transação comercial da 3B aconteceu em junho e, três meses depois, a empresa já contava com 15 clientes ativos e um volume administrativo de R$ 35 milhões. Entre os itens negociados estão planos de saúde, benefício alimentação, materiais de limpeza e de escritório, serviços de telefonia, transporte e agência de viagem. Para ser cliente da 3B, compradores e vendedores se cadastram no site da empresa. Após checagem de idoneidade, o sistema identifica empresas e itens a

serem comprados ou vendidos. Além de elaborar a estratégia, a 3B é responsável pela negociação com os vendedores e pela elaboração do contrato entre as partes. Negociadas as condições de fornecimento, tanto compradores quanto vendedores utilizam o sistema da 3B para inserir e receber os pedidos. Para manter a integridade na transação, a comissão da 3B sai da ponta compradora, que já está se beneficiando pela aquisição mais barata. A ponta vendedora tem custo zero. Filho de um empresário e uma administradora, o administrador Leonardo nunca teve dúvidas de que um dia teria


Vicente Sevilha Júnior, da Sevilha Contabilidade

Professor contador

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seu próprio negócio. Formado em engenharia ambiental, Alexandre também sonhava em criar algo novo. Ambos se conheceram ao trabalhar na área de suprimentos de uma multinacional brasileira e logo veio a vontade de concretizar seus sonhos. A filosofia que carregam na 3B é: “Vender bem é vender barato a um custo baixo. Assim criamos volume e rentabilidade. Além de ganhar dinheiro, claro, nosso propósito é ajudar as empresas a serem mais eficientes em suas operações e, com isso, construir um Brasil mais competitivo e produtivo”. www.blackbullbusiness.com.br

O contador Vicente Sevilha Júnior não é apenas um empreendedor nato, mas também um apaixonado pelo empreendedorismo. Há dois anos ele decidiu montar em seu próprio escritório, em São Paulo, um miniestúdio para produzir diariamente videoaulas sobre contabilidade com o objetivo de ajudar empreendedores do Brasil inteiro a administrar melhor suas empresas. “Sempre tive cuidado em profissionalizar minhas ideias. E a melhor maneira de ensinar é mostrando exemplos próprios de sucesso”, diz Vicente. O que nem ele esperava é que em tão pouco tempo se tornaria um campeão de audiência no YouTube, com mais de meio milhão de visualizações. Pelo canal é possível ver os mais de 650 vídeos postados por Vicente até o momento. “Muitas pessoas não têm a possibilidade de contratar um contador. Eu acabo conseguindo ajudá-las”, destaca. A prova de que Vicente ajuda mesmo seus colegas empreendedores está nos comentários deixados pelos espectadores. “Estou aprendendo ca­da dia mais sobre a contabilidade. Sou contador e assisto sempre aos vídeos para tirar dúvidas ou até mesmo aprender mais um pouco. Parabéns”, disse um dos usuários. Tamanha notoriedade também chamou a atenção do próprio canal YouTube, que frequentemente parabeniza Vicente por seus vídeos e o atualiza sobre os números conquistados. Mais de 520 pessoas já se inscreveram no canal para receber as atualizações do contador. Além disso, sabe-se que mais de 20 mil pessoas chegaram aos vídeos por recomendação do próprio canal, 8 mil por meio de pesquisas e 3 mil por sites externos. www.youtube.com/sevilhacontabilidade

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EMPREE NDED O R ES

Ricardo Althoff e Gabriel Costa, do Seu Professor

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REFORÇO NAS AULAS

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Com experiência de mais de 14 anos na área de educação, os empresários Ricardo Althoff e Gabriel Costa decidiram unir ensino a distância e franquia – dois segmentos com forte crescimento no Brasil – para dar forma a um novo e revolucionário negócio: Seu Professor, uma rede de franchising com serviço de suporte e reforço educacional on-line para alunos do ensino fundamental (a partir do 6º ano) e médio. Entre as ferramentas disponíveis, o destaque é o “tira dúvidas”, que promete enviar a resposta ao questionamento feito pelo usuário em até 24 horas. Para isso, a rede conta com 150 professores de Ciências, Biologia História, Geografia, Matemática, Física, Química e Língua Portuguesa. Detalhe: a dupla garante que não existe resposta automá-

tica, todas são personalizadas. “Nossa proposta é suprir duas lacunas: a dos pais que não têm tempo de auxiliar os filhos nas lições de casa e a de escolas que têm dificuldade em contratar professores para as aulas de reforço”, explica Althoff. Os clientes potenciais da franquia são escolas privadas e públicas, estas últimas por meio de parcerias com prefeituras. Mas o serviço também pode ser comprado pelo site por qualquer pessoa, com plano mensal de R$ 29,90 e anual de R$ 99,90. De 1º de setembro, quando o portal entrou no ar, até meados de outubro, 30 mil usuários já haviam comprado o serviço. A divulgação nesse período se restringiu às redes sociais e ao Google AdSense. Muitas prefeituras também já entraram em contato

com a franquia interessadas no serviço. No momento, o foco dos empresários é prospectar franqueados em todo o Brasil. Não faltam interessados, mas Althoff e Costa preferem estudar bem o perfil do candidato para garantir bons negócios no futuro. A procura é por profissionais com habilidade em vendas. A área de abrangência de cada franquia será municipal. A expectativa é fechar cinco contratos até o final de 2011 e chegar a dezembro de 2012 com 60 franqueados. A rede é considerada uma microfranquia, já que o investimento inicial é de R$ 15 mil, incluindo taxa de franquia e capital de giro. Segundo Althoff e Costa, o faturamento mensal de um franqueado de uma cidade de médio porte chega facilmente a R$ 40 mil. www.seuprofessor.com.br


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NÃO DUR M A NO P ONTO

USE A AUTORIDADE COM SABEDORIA

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Autoridade é uma palavra controversa. Alguns a apreciam, outros a abominam. Os que a abominam enxergam nela o ranço do autoritarismo e dos muitos males causados à humanidade. Mas, cá entre nós, não é possível que uma empresa prospere e evolua sem autoridade.

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Na acepção, autoridade é o direito ou o poder de ordenar, de se fazer obedecer. Obediência. Está aí outra palavra que nem sempre goza de bom conceito. Para alguns, remete à subserviência. Mas, se ajustarmos nossa compreensão, veremos que, como autoridade, obediência também é uma palavra importante, válida e necessária no ambiente organizacional. Para começo de conversa, existe a autoridade de fora e a autoridade de dentro. A autoridade de fora é imposta. É exercida desconsiderando a inteligência das pessoas, na tentativa de obter o que se deseja delas por meio do medo. Algo que, por sua vez, exige obediência das pessoas amedrontadas. Esse é o modelo autoritário de administração. Você pode se perguntar: existe isso ainda? Resposta: mais do que você imagina. Muitas empresas funcionam como ditaduras, regidas por um ou mais déspotas. A desconfiança é que dá o tom do modelo de administração, com revistas na saída, câmeras instaladas nos corredores, gravações telefônicas, controles e mais controles. São como prisões, onde os líderes se travestem de carcereiros, paradoxalmente também presos, porque não param de vigiar os prisioneiros, certos de que qualquer desatenção pode descambar em desfalques. Nessas empresas, quem possui a autoridade não a esconde. Faz questão de ostentá-la na forma de se vestir, de falar, de localizar e arrumar sua sala de trabalho, de concentrar e segurar informações, na reserva da vaga onde estaciona o carro, no lugar à mesa ou mesmo no cardápio diferenciado, no refeitório. Tudo é feito para dar lastro (e lustro) à sua autoridade. Muitas vezes a autoridade vai além

dos aspectos personalísticos e avança para as questões mais burocráticas. Normas, procedimentos e outros artifícios administrativos existem, na maior parte das vezes, como forma de exercer a autoridade, ainda que o discurso venha revestido de método e organização que “evitem” os entraves organizacionais. O problema da autoridade que vem de fora é que ela sufoca a autoridade que vem de dentro. A autoridade que vem de fora se sustenta na lei e no decreto. Ela não depende do caráter das pessoas, nem de suas vontades, nem faz uso das suas inteligências. Ou seja, não são as virtudes das pessoas que lhes dão autoridade. A autoridade não está na pessoa, mas no cargo, na função, no sobrenome, nos aparatos de que ela se cerca.

O maior dos desperdícios

A autoridade que vem de fora causa o maior desperdício que existe nas empresas: o de talento humano. Empresas investem pesado na mensuração dos desperdícios de matérias-primas, energia, horas máquina e horas homem, mas tudo isso não chega nem perto do desperdício de talento humano. A autoridade que vem de dentro é aquela que faz aflorar o melhor de cada um. E é importante que o melhor de cada um seja investido no trabalho e não fique retido na guarita da empresa, esperando o retorno do seu dono ao final do expediente. A autoridade interior é a maior con-

quista que um líder pode obter de seus colaboradores. Mas isso só vai acontecer se o líder subtrair ao máximo a autoridade que vem de fora. Distender os controles é o primeiro passo para que a autoridade que vem de dentro aflore. E, por trás desse gesto, não deve haver uma providência administrativa, mas sim uma decisão moral e psicológica, ou seja, uma prova de confiança nas pessoas. Muitos líderes costumam dizer que a confiança deve ser conquistada. Justificam a manutenção dos controles rígidos, com o discurso de que esses devem ser relaxados quando houver gestos heroicos, dignos de confiança. Não é assim que funciona. Na verdade, o movimento é justamente oposto. O líder é que tem de conquistar a confiança dos seus colaboradores. Essa é a primeira condição para dar espaço a que aflore a autoridade que vem de dentro. O passo seguinte é criar condições para que os colaboradores participem das decisões. Somente dessa maneira eles conseguirão praticar a autoridade que vem de dentro. É um exercício feito de altos e baixos, mas que, no transcorrer da prática, faz com que as pessoas se apropriem da sua autoridade e saibam expressar seu poder no trabalho. Evoluindo no processo de trocar a autoridade de fora pela autoridade de dentro, vem o sublime momento de sonhar juntos. É quando o líder é capaz de despertar em cada um o sonho essencial, para viver o melhor presente e criar o

Empresas investem pesado na mensuração dos desperdícios de matérias-primas, energia, horas máquina e horas homem, mas tudo isso não chega nem perto do desperdício de talento humano


dirige nte

lojista por Roberto Adami Tranjan

Educador da Cempre Conhecimento & Educação Empresarial (11) 3873-1953/www.cempre.net roberto.tranjan@cempre.net

A REVISTA DO VAREJO BRASILEIRO

melhor futuro. Esse fenômeno onírico de um conjunto de seres humanos sonhar juntos a autoridade de fora jamais será capaz de conquistar.

Finalmente a obediência

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Se exigida por lei ou decreto, ou seja, pela autoridade de fora, a obediência é subserviência, submissão e tantos outros subs que só fazem subtrair o tamanho das pessoas. Mas, voltada para a autoridade que vem de dentro, a obediência é um valor sublime, superior, espiritual. Nesse sentido, a obediência tem relação direta com outra palavra que pode sofrer interpretações diversas dependendo do sentido da autoridade: disciplina. Existe a disciplina obrigatória, seguida a contragosto para evitar punição ou retaliação, e a disciplina verdadeira, a de ser “discípulo de si mesmo”, da autoridade que vem de dentro, portanto. Assim como autoridade, obediência é uma palavra imprescindível no ambiente de trabalho. Ser obediente a si mesmo, aos seus valores, a suas virtudes e também (por que não?) ao líder. Desde que ele seja, de fato, digno de confiança e merecedor de todo o crédito, por seu papel de educador, pelo incentivo que oferece ao trabalho que recupera o humano e pelo espaço que oferece para que cada um viva o que verdadeiramente é. Esta é a sua missão. Sagrada. Vivenciá-la é um privilégio. Então, comece agora mesmo a fazer uso da boa autoridade!

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e NTREVISTA

Pepe Vargas

representação política

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Frente Parlamentar da Micro e Pequena Empresa defende os interesses do setor no Congresso Nacional

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Está em tramitação no Congresso um projeto de lei para criar a Secretaria Nacional da Micro e Pequena Empresa. Mais de 250 deputados e 26 senadores, que fazem parte da Frente Parlamentar Mista da Micro e Pequena Empresa, estão trabalhando para que a proposta seja aprovada ainda este ano e que no primeiro semestre de 2012 a secretaria já esteja funcionando com status de ministério. O novo órgão de governo ficará vinculado à Presidência da República e terá como uma de suas principais funções a elaboração de políticas públicas voltadas para o segmento de micro e pequenos negócios. O deputado federal Pepe Vargas é o presidente da Frente Parlamentar Mista da Micro e Pequena Empresa e um dos responsáveis por mobilizar os parlamentares sobre a importância da aprovação desse projeto. “O setor das micro e pequenas empresas é um dos que mais movimenta a economia brasileira. É o responsável por 60% dos empregos formais gerados no País, representa 98% das empresas constituídas e responde por 20% do PIB. Os números são muito expressivos, mas é possível fazer mais. É por isso que nós estamos trabalhando para criar mais políticas públicas para esse setor.” Entre as conquistas já alcançadas pela Frente Parlamentar estão a aprovação da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, a criação da Lei do Microempreendedor Individual e a correção da tabela de enquadramento das empresas no Simples Nacional.

Como se dá a atuação da Frente Parlamentar Mista da Micro e Pequena Empresa no Congresso? Pepe Vargas – A Frente Parlamentar é um tipo de articulação política instituída pelo regimento interno da Câmara dos Deputados para discutir temas específicos. No caso da Frente Parlamentar Mista da Micro e Pequena Empresa, ela é chamada de mista porque tem uma comissão na Câmara e uma no Senado, o que faz com que tenha em sua composição tanto deputados quanto senadores. Atualmente participam desse grupo 259 deputados e 26 senadores. A Frente atua nos temas que envolvem a micro e pequena empresa no Congresso Nacional. O nosso trabalho é negociar com o governo e com os órgãos do governo para que possamos avançar na legislação para esse segmento da economia. Como é feita a articulação desses 259 deputados e 26 senadores que participam da Frente? Pepe Vargas – Esta frente é pluripartidária e é coordenada por sete parlamentares. Eu sou o presidente e há um vice no Senado e outro na Câmara. Em cada estado há um deputado que é responsável pela coordenação estadual da Frente naquela região. Esses parlamentares ficam encarregados de trabalhar para que sejam criadas frentes estaduais das micro e pe-

por Beatrice Gonçalves

beatrice@empreendedor.com.br

quenas empresas nas assembleias legislativas e por dialogar com representantes desse segmento em cada estado da federação. As reuniões da Frente Parlamentar não têm uma periodicidade definida, a gente se organiza conforme a necessidade. Quais conquistas já foram alcançadas através dessa Frente Parlamentar? Pepe Vargas – A Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas é o resultado da articulação da Frente Parlamentar. O projeto foi adiante por conta da sensibilização dos deputados e senadores e pelo apoio dado pelo governo federal. As alterações que foram feitas agora no sistema Simples Nacional, como o reajuste de 50% das tabelas de enquadramento das empresas e a mudança na lei que permite que o empreendedor faça o parcelamento da sua dívida tributária em até 60 meses, são também conquistas do trabalho que vem sendo realizado nesta Frente Parlamentar. Que propostas a Frente Parlamentar está trabalhando para serem implementadas? Pepe Vargas – Estamos trabalhando para que seja criada no governo federal a Secretaria Nacional da Micro e Pequena Empresa. A proposta é que o órgão funcione com o status de ministério e que tenha como uma de suas principais funções elaborar políticas públicas de incentivo


Temos que propiciar que mais pessoas empreendam por oportunidade, não só por necessidade. Antes de abrir o negócio o empreendedor tem que estudar o mercado onde vai atuar à micro e pequena empresa e dar apoio a esse segmento. Nós acreditamos que, com a criação desse novo órgão, haverá um avanço significativo para o setor, assim como aconteceu com a agricultura familiar com a criação do Ministério do Desenvolvimento Agrário.

E como se pode mudar isso? Pepe Vargas – Eu considero que são necessárias mais políticas públicas que promovam a melhor capacitação desses empreendedores. Temos que ter cada vez mais órgãos que deem apoio aos micro e pequenos empresários. Eles precisam de informação e de treinamento. Temos que propiciar que mais pessoas empreendam por oportunidade, não só

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No caso das micro e pequenas empresas, quais fatores o senhor considera que ainda precisam ser melhor trabalhados para que se aumente a sobrevivência desses negócios? Pepe Vargas – O que eu vejo como principal fator de fechamento para as empresas de pequeno porte hoje no Brasil é a falta de formação e capacitação técnica para o empreendedorismo. Muitas vezes a pessoa abre o negócio sem ter se preparado para isso, entra no mercado sem saber acompanhar os custos, fazer a formação de preço, ou seja, não consegue fazer a gestão adequada do negócio.

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e NTREVISTA

Frente é pluripartidária e é coordenada por sete parlamentares, e em cada estado há um deputado responsável pela região por necessidade. Antes de abrir o negócio o empreendedor tem que estudar o mercado onde vai atuar.

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Na crise econômica de 2008 e 2009 falou-se muito sobre a importância do mercado interno e das micro e pequenas empresas para a economia brasileira. Como o senhor avalia a participação desse segmento de mercado e a influência dele no crescimento do País? Pepe Vargas – O setor das micro e pequenas empresas é um dos que mais movimenta a economia brasileira. É o responsável por 60% dos empregos formais gerados no País, representa 98% das empresas constituídas e responde por 20% do PIB. Os números são muito expressivos, mas é possível fazer mais. É por isso que estamos trabalhando para criar mais políticas públicas para esse setor.

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As micro e pequenas empresas são maioria no Brasil, porém quando se avalia a participação delas na formação do PIB nota-se que a potencialidade econômica desse setor não está sendo completamente aproveitada. Como fazer para melhorar isso? Pepe Vargas – Se for considerar a arrecadação tributária, esses micro e pequenos negócios representam 76% das empresas que contribuem para o fisco federal. O segmento já é bastante representativo. A participação no PIB poderia ser maior, mas o que eu percebo é que ainda faltam políticas públicas que permitam que essas empresas tenham mais acesso, por exemplo, a crédito. Órgãos de financiamento – como o BNDES – precisam ampliar suas linhas de crédito para esse segmento. Apesar das recentes alterações feitas no Sim-

ples Nacional, um dos pontos mais criticados é que empresas pequenas de setores como o de serviços ainda não podem ser enquadradas nesse sistema. A Frente Parlamentar está trabalhando para a inclusão de novos segmentos na categoria Simples Nacional? Pepe Vargas – Estamos debatendo esse tema com a Receita Federal e procurando formas de ampliar os segmentos de mercado que possam optar pelo Simples Nacional. Hoje não podem participar desse sistema, por exemplo, as micro e pequenas empresas do ramo de bebidas alcoólicas, como vinícolas e cervejarias, e muitas empresas prestadoras de serviços. No caso da Lei do Microempreendedor Individual há algum movimento dentro da Frente para que se altere a lei e se permita, por exemplo, nesse sistema, a contratação de dois funcionários ao invés de um? Pepe Vargas – Isso não acontecerá. O empreendedor individual é um trabalhador por conta própria. Pela lei que está em vigor ele já pode contratar um ajudante ou empregado. Na última alteração realizada na lei foi colocado que se o empregado contratado pelo empreendedor tiver que se afastar do emprego, por exemplo, para a licença-maternidade, enquanto durar esse afastamento o empresário poderá contratar outra pessoa. Mas se a lei permitir que ele contrate dois funcionários, isso caracteriza que ele não é mais um empreendedor individual e sim uma microempresa.

LINHA DIRETA Pepe Vargas: www.pepevargas.com.br

O setor das MPEs é um dos que mais movimenta a economia brasileira, mas é possível fazer mais. Por isso estamos trabalhando para criar mais políticas públicas para esse setor


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Vis達o de

futuro

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por Beatrice Gonçalves beatrice@empreendedor.com.br

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omeçar um negócio sem saber aonde se quer chegar, comprar equipamentos por impulso e lançar produtos sem fazer uma análise de mercado são sinais de falta de planejamento estratégico. Quem não coloca as metas da empresa no papel e não se programa para os altos e baixos da economia gasta mais e assume riscos que podem comprometer a sobrevivência do negócio. Para não perder tempo e dinheiro, antes de abrir uma empresa é importante elaborar um planejamento estratégico com metas claras e objetivas que indiquem a direção a ser seguida, e quando a organização já estiver

funcionando é preciso rever, constantemente, esse planejamento. Traçar estratégias não é um processo fácil porque requer do empreendedor visão de mercado e de futuro para decidir antecipadamente o que fazer, quando e com quais recursos. Para não se perder em meio a uma infinidade de decisões a serem tomadas, a orientação do analista do Sebrae, Rodrigo Estrela, é que o planejamento estratégico esteja alinhado à missão da empresa. Dessa forma, o primeiro passo que o empreendedor deve fazer ao traçar esse plano é verificar se a visão do negócio está realmente adequada, se é clara e objetiva ou se precisa de ajustes.

Lançamento de novos produtos também exige planejamento estratégico, como faz a Ydreams

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Planejamento estratégico e constante acompanhamento para correções no direcionamento dos negócios são essenciais para diminuir riscos e elevar os ganhos

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Segundo o consultor, depois de refletir sobre a missão da empresa, é preciso fazer uma análise do ambiente interno, verificar os pontos fortes e fracos do negócio e fazer uma análise de mercado para identificar oportunidades e riscos. Com essas informações em mãos, o empreendedor deve formular metas e objetivos e criar uma série de estratégias para que essas propostas sejam colocadas em prática. A dica é que o empreendedor faça um cronograma e estipule prazos para que as ações planejadas sejam executadas. Na medida em que essas atividades forem realizadas é preciso avaliar o que se está fazendo e observar o retorno dessas ações no dia a dia da empresa. O analista do Sebrae avalia que os principais erros cometidos pelas empresas nesse processo estão associados à falta de clareza em definir os propósitos do negócio, à resistência a mudanças, a expectativas pouco realistas e a cronogramas com marcos muito exigentes e pouco viáveis. Somam-se a isso o atraso na execução de operações e a falta de planejamento financeiro para realizar as ações previstas. “Hoje, sem planejamento, a empresa não sobrevive no mercado porque não sabe aonde quer chegar. Um bom plano estratégico aumenta a probabilidade de que no futuro a organização esteja no local e na hora certa.” Para auxiliar as empresas na elaboração e execução do planejamento estratégico, o Sebrae oferece aos empreendedores cursos de capacitação e consultorias técnicas. No site Negócio Certo há uma ferramenta de autoatendimento em que é possível elaborar um plano de negócios e ter o planejamento estratégico avaliado por técnicos da instituição, e no portal Educação Sebrae há um curso a distância de gestão da qualidade e visão estratégica. Para os empreendedores individuais a instituição oferece o curso presencial SEI Planejar, e para as empresas que são consideradas avançadas – aquelas que têm mais de dois anos de funcionamento – há um curso de estratégias empresariais oferecido no programa Sebrae Mais. A contínua capacitação do empreendedor é considerada fundamental para que ele elabore e execute um bom plano

Passos para um bom planejamento aDefinir a missão e visão de negócio; aFazer a análise do ambiente interno (forças e fraquezas) e ambiente externo (oportunidades e ameaças); aEstipular metas e objetivos; aTraçar estratégias; aCriar mecanismos para a implementação do que foi planejado; aTer controle dos processos e dar e receber feedback.

Erros mais comuns rResistência a mudanças; rNão definir claramente o propósito da empresa; rTer expectativas pouco realistas; rElaborar cronogramas com marcos muito exigentes e pouco viáveis; rAtraso no início das operações; rFinanciamento mal estruturado. Fonte: Sebrae


Sem planejamento, a empresa não sobrevive no mercado porque não sabe aonde quer chegar americana estiver em alta.” No caso das micro e pequenas empresas que não podem, por exemplo, pagar para que uma consultoria faça a análise do negócio e do mercado, a orientação de Morita é que o empreendedor tente se manter atualizado. Uma das formas de se fazer isso é participar de associações que representem o setor em que ele atua. “Esse empresário se planeja melhor quando consegue ter uma noção maior do segmento econômico que ele faz parte.” Morita explica que, além do planejamento estratégico anual, as organizações devem utilizar esses mesmos processos para sistematizar outras ações da empresa. Antes de lançar um novo produto no mercado, por exemplo, o empreendedor

Morita, da Mackenzie: cultura do planejamento deve envolver todos os colaboradores

precisa fazer primeiro o planejamento estratégico de como vai vender essa mercadoria e de como pretende atingir seu público-alvo – o que, segundo o consultor, aumenta as chances de que a empresa alcance os resultados almejados. A compra de equipamentos também precisa ser planejada para que a empresa não desperdice seus recursos. Sergei Silva, diretor da Essence, empresa especializada em tecnologia e informação para negócios, explica que é muito comum os empreendedores adquirirem novos equipamentos ou aplicativos sem antes fazer uma análise se aquelas soluções realmente vão atender suas necessidades. “Há o caso de empresas que compram produtos levando mais em consideração o preço do que a funcionalidade. Isso é um erro; é preciso compreender o cenário em que essa empresa está inserida e verificar se aquele investimento trará de fato resultados a longo prazo. Sem considerar isso, ela pode comprar algo que talvez nem esteja precisando.” Um dos serviços oferecidos pela Essence é o de consultoria na compra de equipamentos e aplicativos. Sergei explica que antes de indicar uma solução para uma empresa é realizado um estudo das estratégias, dos objetivos e dos pontos fortes e fracos do negócio. “O que nós observamos é que muitas corporações acham que precisam de novos equipamentos quando, na verdade, o que elas realmente necessitam é integrar seus sistemas. Esse achismo pode fazer com que elas tomem atitudes erradas. Isso faz com que elas gastem dinheiro sem obter o resultado esperado.” Outro problema que o diretor da Essence aponta – e que é muito comum observar nas empresas – é que muitas delas têm as soluções adequadas para seu perfil, mas não sabem aproveitar todas as ferramentas disponíveis. “Nosso trabalho na Essence não é só indicar soluções para a empresa, mas é também fazer o treinamento do pessoal para que eles consigam usar de fato todas as funcionalidades daquele sistema e, com isso, melhorar sua produtividade e seus resultados.” Pensar e agir estrategicamente, com as ferramentas adequadas e equipes treinadas, é o melhor caminho para se chegar ao lugar desejado.

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estratégico. Ao participar de cursos de gestão de qualidade e visão estratégica, por exemplo, o empreendedor consegue perceber melhor as dificuldades do negócio e passa a entender mais as necessidades do mercado, e isso permite que ele se planeje melhor. Mas mesmo estando mais preparado para elaborar esse plano estratégico, um alerta dos consultores é que o empreendedor não concentre apenas em si mesmo as funções de análise do negócio e execução desse planejamento. Como já coordena uma série de ações na empresa, pode ficar muito pesado para um micro e pequeno empreendedor ficar encarregado de desempenhar essa função sozinho. Uma das dicas é que ele chame seus colaboradores para que o ajudem a fazer, por exemplo, a análise interna dos pontos fracos e fortes do negócio. Marcos Morita, consultor em planejamento estratégico e professor da Universidade Mackenzie, explica que é preciso haver na empresa uma cultura de planejamento que ajude a organizar os processos produtivos do negócio e que envolva todos os colaboradores. Ele observa que não é fácil para uma empresa fazer isso sozinha e que, em muitos casos, é necessário contar com o auxílio de especialistas. “O que eu percebo é que muitas empresas organizam seu planejamento estratégico no começo do ano, fazem uma projeção de quanto esperam vender, mas não fazem o acompanhamento disso ao longo do ano. Quando se cria uma cultura de planejamento, a empresa monitora melhor seus resultados”, observa Morita. Ele cita que as consultorias podem auxiliar o empresário a ter também mais informações sobre o mercado em que atua e sobre os seus concorrentes – um diferencial que pode trazer bons resultados para o negócio. “Se uma empresa não monitora o mercado, ela pode ser pega de surpresa e ter que se adaptar muito rápido a instabilidades. Quando consegue prever as mudanças, ela se organiza melhor e até pode tirar proveito disso. Uma empresa que depende de equipamentos ou de insumos importados tem que estar preparada para, por exemplo, adquirir mais desses utensílios quando o dólar estiver baixo e depender menos deles quando a moeda

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Horizonte rastreado

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Conjugar as demandas atuais de mercado e suas tendências é essencial para lançar novos produtos

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A Control Service, especializada em projetos e soluções em radiocomunicação, conseguiu organizar melhor seu planejamento estratégico quando passou a avaliar seus processos a partir de indicadores de qualidade. Hoje, todos os procedimentos da empresa precisam estar de acordo com 40 itens de qualidade. “Quando começamos não tinha pesquisa sobre esse segmento de mercado, o que ficava muito difícil fazer uma análise externa e avaliar a empresa em comparação com a concorrência. Por isso resolvemos, a partir do nosso trabalho, criar um sistema de avaliação de desempenho capaz

de verificar se estamos atingindo o nosso objetivo”, afirma Eduardo Antão, diretor da Control Service. Ele explica que os 40 itens de qualidade fazem parte do planejamento estratégico da empresa e que, para avaliar se a organização está conseguindo cumprir essas metas, são realizadas reuniões mensais com os coordenadores dos departamentos da Control Service. A cada seis meses é feita ainda uma análise crítica dos resultados e, caso seja necessário, são propostas correções no planejamento estratégico previsto para o ano. A empresa tabela todos os seus resulta-

dos anuais e a partir desses dados traça também planos estratégicos para períodos mais longos, projetando metas a serem alcançadas daqui a cinco e dez anos. O diretor da empresa explica que a Control Service já lançou no mercado produtos sem fazer um planejamento estratégico e que os resultados não foram bons. Para mudar isso, a organização contratou um consultor que os auxilia a planejar o lançamento de produtos com até um ano de antecedência. “Quem sai vendendo seus produtos sem fazer uma análise detalhada do mercado corre mui-


tos riscos porque não sabe direito como vai apresentar sua solução nem mesmo como vai atingir seu público-alvo.” O planejamento estratégico também norteia os trabalhos da Ydreams. A empresa, especializada em desenvolver soluções que permitam experiências interativas combinando tecnologia e design, organiza todos os seus processos pensando nas demandas que o mercado tem hoje e daquelas que ele deve ter no futuro, o que exige da corporação um in-

Karina, da Ydreams: “Muitas empresas nos procuram porque estão envelhecendo, sem opções de oferecer novas experiências aos clientes”

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Planejamento estratégico permite à Ydreams desenvolver soluções que permitam experiências interativas combinando tecnologia e design

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Lançamentos de produtos são planejados com até um ano de antecedência pela Control Service

tenso planejamento. Criada em 2000 em Portugal por uma equipe de professores universitários, a empresa tem hoje filiais no Brasil, na Espanha e nos Estados Unidos, e mais de 150 colaboradores envolvidos em projetos de pesquisa baseados no conceito de realidade aumentada.

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Ponto de venda

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A empresa trabalha a partir de pesquisas de mercado para entender, por exemplo, quais tecnologias podem aproximar as marcas dos clientes nos pontos de venda. Depois de identificadas as oportunidades, a equipe de técnicos da empresa trabalha para desenvolver sistemas de biometria que identifiquem os usuários, robôs ou mesmo painéis inteligentes que permitam novas experiências para os consumidores. O processo de concepção da ideia até o desenvolvimento da solução pode demorar anos. Antes

de chegar ao mercado, um equipamento tecnológico desenvolvido pela Ydreams pode levar até dois anos para ficar pronto e para ter sua patente reconhecida. No Brasil, a empresa ainda não tem um laboratório de pesquisa para desenvolver novos equipamentos tecnológicos. A filial brasileira tem trabalhado principalmente para criar aplicativos para o setor da publicidade. A diretora da Ydreams no País, Karina Israel, explica que já foram feitos no Brasil anúncios interativos para serem exibidos nos cinemas, em que o

“Quando se cria uma cultura de planejamento, a empresa monitora melhor seus resultados”, diz Morita

público podia interagir com o vídeo, sistemas para o Museu da Energia no Rio de Janeiro e mesas educacionais que foram utilizadas em escolas do Grupo Positivo. Karina explica que um dos focos de trabalho da empresa no Brasil tem sido oferecer novas soluções para bancos e supermercados – projetos como o de prateleiras interativas e o de um sistema de buscas que permite que o cliente, ao chegar a um supermercado, digite em uma tela todos os ingredientes que precisa para uma receita e o sistema mostra onde estão os produtos no supermercado, separando-os para o consumidor. “Preocupadas, muitas empresas têm nos procurado porque estão envelhecendo e parando no tempo sem ter opções de oferecer novas experiências para seus clientes. Esse é o caso dos supermercados e dos bancos. Se você olhar um supermercado da década de 1970 verá que ele não é muito diferente dos supermercados de hoje.”


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lição de vida

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Rumo com metas e objetivos bem definidos ajuda a perseverar na busca do que foi planejado

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Schürmann: “É importante ter um rumo com metas e objetivos bem definidos, e cada um dos colaboradores deve saber o que se pretende alcançar”

A família Schürmann, que já deu duas voltas ao mundo a bordo de um veleiro, sabe muito bem a importância de se elaborar um planejamento estratégico. Antes de sair navegando pelo mundo, eles levaram 10 anos para organizar a primeira viagem e três anos para planejar a segunda. Vilfredo Schürmann não considera que essa longa espera tenha sido uma perda de tempo – para o capitão, o sucesso das duas expedições é resultado do que ele, a esposa e os filhos planejaram. A experiência bem-sucedida da família motivou Vilfredo Schürmann, que é economista, a aliar seus conhecimentos sobre planejamento de viagens, motivação de equipe e liderança aos conceitos do mundo empresarial. Ele criou a Schürmann Corporate e tem organizado uma série de palestras, treinamentos e eventos para empresas. “Eu percebo que sem planejamento as coisas não funcionam. É importante ter um rumo com metas e objetivos bem definidos, e cada um dos colaboradores deve saber o que se pretende alcançar. O planejamento não é só importante em uma empresa, mas também na vida. Muitas tempestades passam e se as pessoas não tiverem perseverança dificilmente alcançarão o que foi planejado.” Além de palestras, Schürmann desenvolveu, em parceria com o consultor Alberto Moraes Barros Neto, um programa de outdoor training em que ele leva gestores de empresas para participar de uma regata. O detalhe é que nessa competição quem comanda o veleiro são os próprios gestores que estão


Treinamento em veleiros ensina a importância do planejamento e trabalho em equipe

Muitas tempestades passam e se as pessoas não tiverem perseverança dificilmente alcançarão o planejado

ideia é que eles levem essas lições para a empresa e para a vida toda.” Depois de velejar, os participantes analisam junto com Vilfredo Schürmann e o consultor Alberto Moraes Barros Neto a performance da equipe e quais ações poderiam ser realizadas para melhorar seus resultados. “Em muitos casos nós observamos que há diretores que não escutam seus colaboradores e na regata nós conseguimos perceber isso. Se quem estiver comandando o barco não escutar sua equipe, ele tomará as decisões erradas.” O diretor administrativo da Comgás (Companhia de Gás de São Paulo), Paulo César Nunes de Souza, conta que conseguiu mudar seus processos na empresa a partir desse treinamento. “Nosso objetivo foi fazer um exercício que reforçasse na Comgás o espírito de equipe. Além de atingir os objetivos, participar da regata causou uma ótima impressão na equipe. Foi um dos exer-

cícios mais bem-sucedidos já realizados pela empresa”, avalia Souza. As regatas organizadas pela Schürmann Corporate podem ser feitas com uma equipe de no mínimo seis e de no máximo 400 pessoas. As provas costumam ser realizadas em Ilha Bela (SP), Angra dos Reis (RJ) e Florianópolis e há equipes médicas e de velejadores profissionais que acompanham a regata.

LINHA DIRETA Control Service: www.controlservice.com.br Essence: www.essencebr.com.br Marcos Morita: www.marcosmorita.com.br Sebrae: www.sebrae.com.br Schürmann Corporate: www.schurmann.com.br dreams: www.ydreams.com

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sendo treinados. O capitão explica que, antes de entrar no barco, todos os participantes passam por um treinamento em que recebem informações sobre o funcionamento do veleiro e sobre as funções que precisam ser desempenhadas em equipe para que se possa navegar. “Muitas vezes nós colocamos no mesmo barco pessoas de diferentes níveis hierárquicos, como o presidente, diretores, gerentes e até vendedores. A proposta é fazer com que eles se planejem e saibam trabalhar em equipe. No barco, eles conseguem vivenciar isso. A

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Senadores aprovaram por unanimidade o projeto, mas ficaram de fora a inclusão de novas categorias e a substituição tributária

aditivado Super

Ampliação do teto e parcelamento dos débitos beneficiam mais de meio milhão de micro e pequenos empreendedores por Cléia Schmitz

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cleia@empreendedor.com.br

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Pelo menos 600 mil micro e pequenos empreendedores deixarão de ser excluídos do Supersimples em 2012 após a aprovação pelo Senado Federal, no dia 5 de outubro, do projeto de lei que reajusta o teto da receita bruta e permite o parcelamento dos débitos fiscais das empresas inscritas neste regime tributário. A estimativa é da Confederação Nacional das

Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Comicro) e tem como base informações da Receita Federal. O cálculo leva em conta as empresas que deixariam de se enquadrar no Supersimples por estarem inadimplentes com o Fisco ou por ultrapassarem o teto de faturamento estabelecido pela lei. O Projeto de Lei 77/11, de autoria da Presidência da República e aprovado por unanimidade pelos senadores, aumentou em 50% o valor máximo da receita bruta anual das empresas inscritas no sistema. A partir de 2012, o teto da microempresa passa de R$ 240 mil para R$ 360 mil e o da pequena de R$ 2,4 milhões para R$ 3,6 milhões. O projeto também estabelece novo teto para o microempreendedor individual, de R$ 36 mil para R$ 60 mil. Outra mudança importante é a criação do parcelamento automático dos débitos dos participantes do Supersimples em até 60 meses.

A partir de 2012, os inscritos também poderão exportar até o limite máximo do seu faturamento. Criado em julho de 2007 em substituição ao Simples, o Supersimples é um regime diferenciado de tributação que permite o pagamento de tributos federais, estaduais e municipais por meio de uma alíquota única. Esta alíquota varia de 4% a 17,4%. É difícil quantificar os beneficiados, mas com o reajuste da tabela do Supersimples muitos empreendimentos que se enquadravam como pequenos passarão a ser considerados microempresas, assim como médios negócios, antes excluídos do regime, poderão se inscrever como pequenos, recolhendo menos tributos. Hoje existem cerca de 5,5 milhões de empresas participando do Supersimples, entre as quais 1,6 milhão são empreendedores individuais. As faixas de faturamento e o teto da receita bruta anual estavam congelados


Supersimples Regime diferenciado de tributação que permite o pagamento de tributos federais, estaduais e municipais por meio de uma alíquota única. 5,5 milhões de empresas inscritas – 93,2% dos micro e pequenos empreendimentos formais brasileiros e 91,6% do total de empresas do País. Luiz Barretto, do Sebrae: correção é um estímulo ao crescimento dos pequenos negócios no Brasil

“É uma maneira de incentivar o segmento em vez de penalizá-lo por crescer”, diz Tarcísio

cadação não se confirmou. Os principais impostos cresceram acima de 300% nesses quatro anos”, afirma Barretto.

Oxigênio Na avaliação do presidente da Comicro, José Tarcísio da Silva, as mudanças trazem um novo fôlego para o segmento. “O aumento do teto do faturamento oxigena os micro e pequenos negócios, principalmente quem estava na faixa de estrangulamento. É uma maneira de incentivar o segmento em vez de penalizá-lo por crescer”, afirma Silva. O dirigente ressalta a participação das micro e pequenas empresas na geração de empregos no Brasil. “Elas respondem por 20% do PIB, ou seja, em termos de impostos não representam muito para o País. No entanto, empregam mais de 70% da mão de obra”, argumenta. A Associação Brasileira de Franchising

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desde que o Supersimples entrou em vigor. O percentual de 50% aprovado pelo Senado corrige a inflação no período de 2007 a 2011 – em torno de 25% – e já projeta a inflação até 2014. Para o presidente do Sebrae Nacional, Luiz Barretto, a correção é um estímulo ao crescimento dos pequenos negócios no Brasil. “Completamos quatro anos do Supersimples e temos o que comemorar. Tínhamos 1,3 milhão de empresas no antigo Simples e passamos a ter 5,5 milhões. Isso já é a expressão forte de como ele foi positivo. Aquele temor dos estados e municípios de perda de arre-

Novo teto da receita bruta a partir de 2012: empreendedor individual – R$ 60 mil microempresas – R$ 360 mil pequenas empresas – R$ 3,6 milhões

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Richard Domingos, diretor-executivo da Confirp Contabilidade

Planejamento tributário

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Nem sempre o Supersimples é a melhor opção de regime tributário para as micro e pequenas empresas. O alerta é do diretorexecutivo da Confirp Contabilidade, Richard Domingos. “Não estou questionando o benefício, mas a receita bruta não é a única questão que deverá ser avaliada na hora do enquadramento”, ressalta o executivo. Segundo ele, é preciso fazer uma “simulação” para saber em qual regime a empresa terá maiores benefícios – Supersimples, lucro presumido ou lucro real. “Há fatores que precisam ser levados em conta, como número de funcionários e perfil dos fornecedores. Muitos empresários só descobrem isso depois de optar e acabam tendo que ficar um ano engolindo o erro.” Para Domingos, num país onde a carga tributária pode chegar a 37% do valor do produto, o planejamento tributário bem-feito é uma obrigação.

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(ABF) também comemorou o reajuste do teto do Supersimples. “Acompanhamos de perto esse processo e entendemos sua aprovação como uma redução de tributos que vai beneficiar muito o franchising brasileiro, dando condições a muitos franqueados de se manterem no Supersimples”, afirma Ricardo Bomeny, presidente da entidade. Segundo ele, o franchising brasileiro tem um total de 95 mil pontos de venda espalhados pelo País, dos quais pelo menos 85% estão inscritos neste regime tributário. “Para 2012, podemos esperar uma atuação ainda mais forte do segmento com essa mudança”, diz Bomeny.

Ambiente legal ajuda a aumentar a sobrevivência dos pequenos negócios

Impacto significativo De acordo com o Sebrae, os negócios enquadrados no Supersimples representam 93,2% dos 5,9 milhões de micro e pequenos empreendimentos formais brasileiros, e 91,6% do total de empresas existentes no País. Para a entidade, esses números dão conta do impacto que o reajuste na tabela do Supersimples pode trazer para a cultura empreendedora do Brasil. Segundo Barretto, o ambiente legal é um dos fatores que ajudam a aumentar o índice de sobrevivência dos pequenos negócios. Pesquisa divulgada recentemente pelo Sebrae mostrou que de cada 100 micro e pequenas empresas abertas no Brasil, 73 permanecem em atividade após os primeiros dois anos de existência. As reivindicações das micro e pequenas empresas não se encerram com o reajuste da tabela do Supersimples. O ano de

2012 promete novos debates no Congresso Nacional para discutir itens que ficaram de fora da votação do dia 5 de outubro. Entre eles, a polêmica substituição tributária, recolhimento de tributos feito na origem pelos fiscos estaduais, que acabam anulando os benefícios concedidos pelo Supersimples. “Não somos contra a substituição tributária, ela deve existir, mas não para as empresas beneficiadas pelo Supersimples. Tenho certeza que os estados teriam um retorno muito maior se eliminassem a cobrança aos pequenos negócios, que não significam muito em arrecadação, mas sim em geração de emprego”, diz o presidente da Comicro.

LINHA DIRETA ABF: www.portaldofranchising.com.br Comicro: www.comicro.org.br Confirp: www.confirp.com Sebrae: www.sebrae.com.br


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na mĂŁo Praticidade

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Uso de tablets nas empresas aumenta com a disseminação de aplicativos corporativos

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Um dos objetos de desejo mais cobiçados pelos amantes de tecnologia, os tablets cada vez mais invadem o segmento corporativo. Seja para demonstrar produtos, substituir notebooks, facilitar a interação de equipes ou até mesmo apresentar o cardápio de um restaurante ou o catálogo de roupas de uma loja, equipamentos como iPad – só para citar o mais famoso – estão ganhando espaço no planejamento estratégico de empresas que prezam por mobilidade e interação. Segundo estudo internacional realizado pela ChangeWave Research, o número de empresas que adotaram tablets praticamente dobrou só no primeiro trimestre de 2011. De acordo com o relatório, 14% das cerca de 1,6 mil companhias entrevistadas planejavam comprar os equipamentos, sendo que 7% já os forneciam para alguns colaboradores. Os dados apontam ainda que a Apple permanece dominante no fornecimento de tablets para o mercado corporativo. Entre as instituições que planejavam comprar um aparelho, 78% mencionaram que o dispositivo escolhido seria o iPad. Em segundo lugar ficaram empatados o Streak, da Dell, e o PlayBook, da Research in Motion (RIM), com 9% dos votos. Em terceiro lugar ficou o Slate, da HewlettPackard (HP) com 8%.

Por aqui não tem sido diferente. No início do ano, por exemplo, o laboratório Eurofarma adquiriu 600 iPads. Estima-se que foi a maior compra do gênero realizada por uma companhia brasileira, com custo total aproximado de R$ 1,5 milhão. Os equipamentos destinam-se a facilitar a rotina de trabalho dos propagandistas da marca, agilizar treinamentos e controle do trabalho. Com a adoção do tablet, a empresa espera ainda reduzir as impressões em pelo menos 55 toneladas de papel ao ano. Mas, afinal, para quais tipos de negócios o uso de tablet é mais indicado? Na opinião de Fred Alecrim, consultor empresarial da Ponto de Referência, equipes de vendas, agências de publicidade, prestadores de serviço e o varejo em geral são os principais beneficiados com a tecnologia, embora as possibilidades de aplicação sejam ilimitadas. “Os dispositivos podem se adequar a qualquer área ou segmento, já que é possível desenvolver aplicativos específicos para quaisquer necessidades.”

Varejo foi um dos primeiros a usar tablets para aprimorar a experiência de compra

O varejo foi um dos primeiros a apostar nos tablets com o objetivo de aprimorar a experiência de compra. “Entre os pioneiros estão restaurantes internacionais – como o australiano Mundo Global Tapas e o South Gate, de Nova York – que inovaram apresentando cardápio e carta de vinhos no iPad”, conta Alecrim. No Brasil também começam a surgir iniciativas semelhantes, como no Bar Brahma, em São Paulo e no restaurante Sushi Yuzu, de Blumenau (SC), que estão entre os pioneiros no País a adotar o iPad em substituição ao cardápio. Através do equipamento, os clientes podem visualizar o menu completo, ver fotos dos pratos, ler comentários e só depois fazer o pedido – que vai diretamente para a cozinha – através de um aplicativo próprio. “Além de propiciar interatividade aos clientes, o uso do iPad em restaurantes oferece informações mais completas sobre os pratos e deixa os garçons livres para realizar outras atividades. Sem falar que facilita a atualização e economiza a reimpressão de cardápios”, aponta Alecrim. Outro exemplo de uso de tablets no varejo é o caso da Billabong, grife de roupas de praia que instalou os dispositivos na loja do Shopping Iguatemi Alphaville, em Barueri (SP). A unidade é considerada a primeira loja inteligente da América Latina graças às modernas aplicações de RFID que abrangem do provador aos expositores, incluindo processos logísticos,

Na loja inteligente da Billabong, tablets são utilizados para fornecer mais informações sobre as mercadorias para os clientes

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por Mônica Pupo monica@empreendedor.com.br

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Dispositivos servem como centrais de monitoramento móveis

inventários e prevenção de perdas, entre outros. Os tablets, nesse caso, são utilizados para fornecer mais informações sobre as mercadorias para os clientes. Através de um sistema chamado “expositor inteligente”, os consumidores podem simplesmente remover um item da prateleira e segurar a etiqueta próxima a uma antena RFID. Com base no número de identificação da tag, os dados são transmitidos para um iPad que, na sequência, fornece informações sobre o item em questão e outros complementares. “A ideia aqui é inovar e proporcionar uma experiência diferente para os clientes”, explica Alecrim.

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Vantagens múltiplas

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Mas a utilidade dos tablets no segmento corporativo vai muito além do apelo ao consumidor. Agilidade, descentralização das informações, ganho de tempo e diminuição de custos com ligações e impressões são outras vantagens. Alecrim, da Ponto de Referência, equipes de vendas, agências de publicidade, prestadores de serviço e varejo em geral são os principais beneficiados com a tecnologia

Inclusive, já é possível utilizar os gadgets para melhorar a segurança. “Os dispositivos servem como centrais de monitoramento móveis para as empresas que adquirem nossos softwares e hardwares para monitoramento de imagens”, explica Paulo Schwochow, diretor da Seventh, companhia especializada em automação inteligente e segurança eletrônica. Através dos sistemas desenvolvidos pela empresa, é possível visualizar todas as imagens das câmeras instaladas no estabelecimento em tablets ou smartphones, com a possibilidade de acessá-las a qualquer momento e de qualquer local que disponha de conexão wi-fi. “Além disso, os clientes que optarem por nossos sistemas de automação (acendimento de luzes, abertura de portas, etc.) também podem realizar ações via tablets a distância. Um exemplo é quando uma pessoa viaja e, além de observar sua casa ou empresa de onde estiver, também pode enviar comandos de automação para equipamentos conectados, tornando a segurança mais ágil e efetiva”, explica Schwochow. Uma das empresas que já adotou a tecnologia é a Carmen Steffens, grife de calçados femininos com sede em Franca (SP). Não é só o varejo que tem se beneficiado da mobilidade oferecida pelos


Aplicativos facilitam o monitoramento das equipes de venda e seus resultados

Preço médio iPad (Apple): a partir de R$ 2 mil Galaxy (Samsung): a partir de R$ 1 mil IdeaPad (Lenovo): R$ 1,5 mil Iconia Tab (Acer): R$ 1,1 mil Motorola Xoom (Motorola): R$ 1,4 mil

tablets, caso da construção civil. Devido a características intrínsecas ao segmento, construtoras e incorporadoras sempre encontraram problemas em aplicar os recursos de tecnologia da informação na prática. Por meio de aplicativos e softwares desenvolvidos sob medida, agora as empresas do ramo já podem, com baixo investimento, usufruir de modernos softwares de controle, gestão e processos nos canteiros de obra e estandes. “Os tablets podem e devem ser usados por quaisquer profissionais da área, de mestre de obras aos diretores de construtoras e incorporadoras”, afirma Marcus Anselmo, especialista em TI e gerente comercial da Softplan/Poligraph, empresa responsável pelo desenvolvimento do Sienge, software de gestão empresarial voltado para a construção civil. Para o executivo, a grande vantagem é a

agilidade na tomada de decisões. “Saiu uma decisão agora que diz que as construtoras serão multadas se atrasarem a entrega dos edifícios. Usar um sistema de gestão no tablet ajuda exatamente nisso, a verificar todo o negócio e evitar contratempos”, exemplifica. Para Fred Alecrim, embora os tablets corporativos sejam uma inegável tendência, não basta apenas adotá-los por mero “modismo”. “É preciso incorporar a questão da mobilidade à cultura e às estratégias da empresa, para que o investimento realmente retorne em benefícios como melhora da experiência de compra, redução de custos e facilidade de comunicação.” Produzido pela Apple, o iPad é conhecido por ser leve, prático, intuitivo e sensível ao toque. Embora seja a principal referência quando o assunto é tablet, está longe de ser a única opção do mercado. O Galaxy, da Samsung, é um dos maiores concorrentes do iPad. Sem falar que grandes marcas como Dell, HP, Lenovo e Microsoft também se preparam para lançar seus gadgets. Há ainda tablets desenvolvidos especificamente para o mercado corporativo, caso do ET1, desenvolvido pela Motorola Solutions. Ideal para o varejo,

o equipamento agrega maior durabilidade, opção de leitor de código de barras e de etiquetas magnéticas, conjunto de baterias e software para segurança do sistema. Acessórios como estações de carregamento múltiplo e bluetooth, por exemplo, também estão disponíveis. “O ET1 permite que os funcionários da loja tirem proveito do design elegante e da experiência do usuário de um tablet com as aplicações, segurança, gerenciamento de dispositivos e suporte de ciclo de vida do produto exigido pelos varejistas. A robustez do tablet, que resiste a colisões e quedas, também atende às necessidades dos trabalhadores de setores como manufatura e logística”, declara Girish Rishi, vice-presidente corporativo e gerente-geral de computação móvel da Motorola Solutions.

LINHA DIRETA Billabong: www.billabong.com.br Fred Alecrim: www.pdr.com.br Motorola: www.motorolasolutions.com Seventh: www.seventh.com.br Softplan/Poligraph: www.softplan.com.br

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“É preciso incorporar a questão da mobilidade à cultura e às estratégias da empresa”, diz Alecrim

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Maria Alice Silveira Carneiro Formação: Direito com mestrado em Sociologia Empresa: Água Mineral Timbu Ano de fundação: 1962 Cidade-sede: Almirante Tamandaré (PR) Funcionários: 90

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Líquido

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Aprimoramentos na gestão e inovação nos produtos fazem da Água Mineral Timbu uma marca modelo

por Mônica Pupo

monica@empreendedor.com.br

Capacidade de se adaptar a diferentes funções é uma das características que mais chamam a atenção na trajetória profissional de Maria Alice Silveira Carneiro, sóciadiretora da indústria Água Mineral Timbu, instalada nas imediações de Curitiba. Advogada por formação, ela era professora de sociologia na Universidade de Vancou-

ver, no Canadá, quando aceitou a proposta de voltar ao Brasil para se dedicar à gestão da companhia fundada há cinco décadas por seu pai, Samuel Silveira. “Caí aqui meio que de paraquedas, uma coisa que contradiz todos os manuais de gestão”, reconhece a empresária, há sete anos no comando da empresa. Contrariando todas as regras, a sucessão na Água Mineral Timbu ocorreu sem nenhum planejamento. E deu certo.


Apaixonado pelo negócio – tanto que trabalhou até o fim da vida – Samuel Silveira, que veio a falecer no fim de 2010 aos 90 anos, só resolveu “passar o bastão” quando chegou aos 84 anos e sentiu que estava na hora de diminuir o ritmo de trabalho. Decidiu então oferecer a direção a uma das três filhas: uma médica morando nos Estados Unidos há mais de 30 anos, uma empresária e outra – Maria Alice – advogada, que à época morava no Canadá. “Meu pai nunca quis nenhuma filha trabalhando com ele e a vida foi nos levando para caminhos diferentes, cada uma com uma profissão distinta”, conta. “A mais atirada das três”, como ela mesma se define, Maria Alice aceitou o desafio: estava na hora de voltar ao Brasil e assumir a empresa da família. Empreendedora, ela já havia sido proprietária de uma editora de revistas em São Paulo no início da década de 1990. Também havia sido professora

universitária, além de advogada, mas nunca tinha trabalhado numa indústria antes. Talvez seja por isso que, quando assumiu a diretoria da Água Mineral Timbu, em 2004, Maria Alice tenha enfrentado a desconfiança do próprio pai. “Por mais que estivesse consciente da necessidade da sucessão, ele questionava algumas estratégias, tinha receio que eu inovasse demais”, relembra a empresária, que em pouco tempo não só provou que tinha afinidade com o negócio como também elevou a rentabilidade e conquistou feitos inéditos, como a certificação ISO 9001 e a entrada em novos mercados. Durante os primeiros seis meses à frente da companhia, Maria Alice fez uma espécie de “treinamento intensivo”, com direito a uma mesa colocada ao lado da mesa do pai, para que tivesse acesso a todos os detalhes do negócio. Por um ano ficou observando e conhecendo todos os

processos da empresa e depois, por mais dois anos, o pai ainda participava ativamente da direção. Ao todo, o processo de sucessão levou três anos. “Aos poucos fui trazendo coisas novas e assumindo o controle, contratei uma consultoria empresarial, dei entrada na IS0 9001 e aumentei a rentabilidade a partir de novas frentes de negócio”, enumera a empresária. Entre as estratégias implantadas está o contrato com o Walmart para fornecer a água de marca própria da rede varejista no Paraná. “Quando conquistamos a ISO, vi um sorriso imenso no rosto do meu pai. Foi uma renovação na empresa”, orgulha-se Maria Alice.

Sem desperdícios Outra inovação implantada pela empresária é a logística reversa, que abrange praticamente 100% dos materiais uti-

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Novos produtos e embalagens são ações capitaneadas por Maria Alice que ajudaram a elevar a rentabilidade da empresa

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LINHA DO TEMPO

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Na loja conceito, mix de produtos Timbu fica lado a lado com as marcas de água mais famosas do mundo

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lizados. “Não jogamos nada fora. Ou é reutilizado, ou devolvido para os fornecedores ou encaminhado para reciclagem”, afirma. A companhia investe em parcerias com seus fornecedores para devolver o material usado em embalagens e receber um desconto na próxima compra. Um exemplo são os plásticos que envolvem os protótipos das garrafinhas pet, que são devolvidos para o fornecedor para embalar novamente. As caixas de papelão também são usadas como divisórias para armazenar o estoque. No momento, os colaboradores vão testar outra receita: construir um aquecedor de água com garrafas pet. “Quando ficar pronto, a ideia é testar na própria empresa e, se der certo, podemos ampliar para a residência dos funcionários”, explica a diretora.” Novos produtos e embalagens – como a inédita garrafa de 650 mililitros – são outras ações capitaneadas por Maria Alice. “São necessidades que surgem com a modificação da empresa e do mercado como um todo ao longo dos anos, incluindo a qualificação, cuidados com a qualidade e segurança alimentícia que não existiam antes, quando meu pai fundou a companhia”, reflete. Fundada em 1962, a Água Mineral Timbu surgiu no tempo em que água mi-

Maria Alice Silveira Carneiro Água Mineral Timbu

1962

Samuel Silveira funda a Água Mineral Timbu, com sede no município de Almirante Tamandaré (PR)

2001

Ampliação do espaço para engarrafamento de galões de 20 litros, totalizando 800 metros quadrados de área de descarga, lavagem e higienização, envase e carregamento de galões

2004

Maria Alice Silveira Carneiro retorna do Canadá para assumir a direção da empresa ao lado do pai

2009

Torna-se a primeira empresa de água mineral do Paraná a conquistar o ISO 9001

2010

Após a morte do pai, aos 90 anos, Maria Alice assume completamente a direção da empresa

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Inauguração da Boutique Timbu, localizada no Bairro Batel, área nobre de Curitiba

neral era considerada remédio e comercializada exclusivamente em farmácias. “Hoje em dia não se pensa mais na vida sem água mineral, trata-se de um produto de uso comum. Já nas décadas de 1960 e 1970, o mercado era restrito às farmácias”, rememora Maria Alice. Reflexo do crescimento do mercado, atualmente o mix de produtos da empresa inclui galões de 10 litros, garrafas pet de 5 litros, 1,5 litro, 500 e 250 ml, copos de 200 e 300 ml e água com gás. Ao todo, são envasados 600 mil galões de 20 litros ao ano, distribuídos na região metropolitana de Curitiba e litoral do Paraná.

Loja conceito A mais nova aposta da empresa é a Boutique Timbu, inaugurada no Bairro Batel, área nobre de Curitiba. Trata-se de uma loja conceito, com ambiente e atendimento diferenciados, incluindo serviço de entrega feito com bicicletas estilizadas. A decoração inclui um painel com fotos da indústria e apresentação da fonte. Além de todo o mix de águas de marca própria, o ponto de venda oferece as principais marcas de água do mundo, como Perrier, San Pellegrino e Panna. “O objetivo da butique é institucional, queremos trabalhar a marca num espaço a altura e mostrar que

a água produzida em Curitiba segue padrões internacionais, concorrendo com as mais famosas marcas do mundo”, comenta a empreendedora. As iniciativas inéditas ajudam a reverter os desafios impostos por um mercado cada vez mais concorrido. Se antes a Timbu tinha apenas um grande concorrente na região, hoje em dia a marca compete com diversas outras marcas recém-lançadas. “Assim como ocorreu em São Paulo e outras regiões do País, o número de fontes de água mineral praticamente triplicou na última década”, informa Maria Alice. A receita da longevidade, na opinião da empresária, consiste em investir na excelência dos produtos e serviços oferecidos. “Somos uma indústria, mas também atuamos no varejo, então é preciso ter canais de venda eficientes, incluindo pós-venda, um ótimo atendimento e contato permanente com clientes e fornecedores”, recomenda a empresária, que pretende seguir investindo em novos produtos e tecnologias. “Em 2012 a ideia é lançarmos mais algum item complementar ao mix.”

LINHA DIRETA Água Mineral Timbu: www.aguatimbu.com.br


O mundo dos negócios é muito grande para você se aventurar sozinho.

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As publicações da editora Empreendedor têm sempre artigos, notícias e dados atualizados sobre o mundo dos negócios. Com 18 anos de história, a Empreendedor é a maior editora brasileira voltada ao empreendedorismo e às inovações do mundo dos negócios. Publica as revistas Empreendedor e Dirigente Lojista, além de manter o mais acessado site sobre empreendedorismo: www.empreendedor.com.br. Na hora de buscar informações ou falar com empreendedores de todos os portes, conte com as nossas publicações.

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Marca

Quase 80 redes brasileiras atuam em outros países, número muito baixo considerando o potencial das empresas nacionais

por Cléia Schmitz

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cleia@empreendedor.com.br

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O Brasil tem 79 redes de franquias presentes em 49 países dos cinco continentes. O número é considerado pequeno para um universo de mais de 1,6 mil marcas nacionais que fazem parte do segmento no País. Não é por falta de potencial. Existem muitas franquias brasileiras em condições de conquistar consumidores em outros países. Na opinião do presidente da Associação Brasileira de Franchising (ABF), Ricardo Bomeny, a decisão de franqueadores em adiar projetos de internacionalização é resultado da combinação de dois fatores: o forte crescimento do mercado brasileiro e o câmbio desfavorável para exportações. “Vivemos um momento no Brasil

com muitas oportunidades de expansão, sobretudo no interior do País. Há vários municípios novos recebendo franquias, seja por iniciativas isoladas ou por meio da construção de shoppings, que têm média de 70% de franquias em seu mix de lojas. Essa questão, associada ao dólar ruim para a exportação, tem levado muitos empresários brasileiros a investir no País em detrimento de uma expansão internacional”, explica Bomeny. Segundo o executivo, isso não significa que não houve avanços nos últimos anos. Há dois anos, havia apenas 50 marcas brasileiras atuando no exterior – 29 a menos. A meta da ABF é elevar esse número para 120 marcas internacionalizadas em quatro anos. “É um aumento lento porque nem todas as empresas estão preparadas para exportar. É uma questão

que demanda tempo”, observa Ricardo Camargo, diretor-executivo da entidade. A ABF, por meio de sua diretoria internacional, tem investido em missões empresariais para países de todo o mundo. O objetivo é ajudar o franqueador a planejar sua entrada no mercado internacional. A entidade também produz relatórios com informações sobre a economia e infraestrutura disponível em vários países que são foco das franquias brasileiras. A próxima feira de negócios ABF Franchising Expo, marcada para junho de 2012, deve contar com a presença de 20 delegações estrangeiras. “Precisamos trazer empresários de outros países para conhecer nossas redes”, afirma Camargo. Para o executivo, o País ainda não tem uma marca “Brasil” consolidada, apesar de algumas redes já contarem


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Padula: apesar de já contar com seis lojas em operação no exterior, internacionalização ainda é projeto secundário para a Hope

Riscos Portugal é o país com maior número de franquias brasileiras (33 marcas), seguido de Estados Unidos, Argentina, Paraguai e Uruguai. Recentemente Angola, na África, tem se destacado como novo destino, mas o alvo da ABF são a América Latina e a América Central. Segundo Camargo, barreiras comerciais são comuns e não podem ser impeditivas. A Via Uno, por exemplo, teve que montar uma fábri-

Mercado interno forte e câmbio desfavorável desestimulam internacionalização ca de calçados na Argentina para abastecer sua loja naquele país. No México, os problemas para desembaraço dos produtos exportados são imensos. Nos Estados Unidos, é preciso adaptar os contratos às diferentes legislações de cada estado. Por outro lado, alguns especialistas acreditam que a atual hesitação das franquias brasileiras pode representar problemas de competitividade num cenário mais adiante. “A sociedade brasileira está

Camargo, da ABF: o País ainda não tem uma marca “Brasil” consolidada, apesar de algumas redes já terem projeção internacional

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com grande projeção internacional. É o caso da rede de lojas de calçados Via Uno, que já superou a marca de 100 pontos de venda no exterior, e a marca O Boticário, com mais de 70 lojas exclusivas e cerca de 600 pontos de venda distribuídos pelos cinco continentes.

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Bomeny, da ABF: Brasil é um destino cada vez mais procurado por franquias estrangeiras

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Maurício, do MDIC: franquias brasileiras precisam se globalizar para garantir posição no futuro

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Meta da ABF é elevar número de marcas internacionalizadas para 120 em quatro anos

refinando seu padrão de consumo e a tendência é o Brasil se tornar atração para investidores externos”, alertou Maurício do Val, diretor do Departamento de Políticas de Comércio e Serviços do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), durante convenção realizada pela ABF no mês passado. O executivo apresentou o Proex Franquias, programa do governo federal que financia franquias brasileiras no exterior. Segundo Val, o MDIC considera o franchising como estratégico dentro das políticas para o setor de comércio e serviços devido ao seu forte crescimento nos últimos anos. Enquanto o varejo cresceu 7% em 2010, o franchising apresentou evolução de 20%. “Se considerarmos a pujança do segmento, o número de franquias com atuação internacional é muito pequeno, sobretudo na América do Sul, onde o Brasil representa 70% do PIB”, destacou Val. Para ele, as franquias brasileiras precisam globalizar suas marcas se quiserem garantir que a posição consolidada de hoje se mantenha no futuro. De fato, o Brasil é um destino cada vez mais procurado por franquias estrangeiras. A ABF tem recebido um número

crescente de consultas de redes internacionais sobre o mercado brasileiro. Conforme Bomeny, o interesse é reflexo da crise nos Estados Unidos e Europa. “Esses países estão crescendo de lado, mas suas redes precisam continuar se expandindo porque muitas têm capital aberto e são pressionadas pelos acionistas. Por isso, estão se expandindo para o Oriente Médio, Ásia e, mais recentemente, para a América Latina.” O executivo destaca as marcas espanholas, que já superam as americanas na América Latina.

Cautela Com mais de 100 restaurantes no Brasil, a Água Doce espera fazer sua estreia no mercado internacional em 2012. Mas aposta na cautela para ter sucesso. “Primeiro queremos chegar a 120 unidades no Brasil no ano que vem. Depois disso vou focar na exportação da marca”, afirma Delfino Golfeto, presidente e fundador da rede, especializada em culinária brasileira e cachaça. Porém, o empresário admite: se recebesse uma boa proposta para levar a marca para Angola, Colômbia ou Chile, não hesitaria em fechar negócio. “São países com situação econômica


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Mário, da Chilli Beans: “Chega um momento em que o mundo começa a pedir e não tem mais como dizer não”

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muito parecida com o Brasil e sem resistência aos sabores brasileiros”, justifica. Golfeto conta que, recentemente, esteve na Argentina para dizer “não” à proposta de um investidor local que queria abrir uma franquia Água Doce em Buenos Aires. “Amo a Argentina, mas sinto que eles ainda estão sofrendo com a economia do País e acho que o paladar do argentino não tem a ver com nosso tempero. Os hábitos deles ainda estão muito associados a massa, carne e vinho”, observa. “Por isso, eu convenci o investidor de que ainda é cedo, e ele disse que sua admiração pela marca aumentou porque foi a primeira vez que um franqueador não olhou só para o dinheiro”, relata o executivo. Em contrapartida, a Hope Lingerie chega ao mercado argentino com um

Hesitação dos brasileiros pode trazer problemas de competitividade mais adiante


Golfeto: Água Doce primeiro quer chegar a 120 lojas no Brasil – faltam menos de 20 – para então focar na internacionalização

Sociedade brasileira refina padrão de consumo e atrai investidores externos que estão chegando.” A meta da Hope é dobrar o número de unidades neste ano, alcançando 115 lojas. Com fortes planos de expansão para o exterior no passado, hoje a Casa do Pão de Queijo só quer saber do mercado brasileiro. “A empresa que precisa ir para outro país para mudar hábito de consumo tem que ter muito dinheiro para isso. E hoje nós temos que nos virar com os recursos que temos, não dá para fazer tudo. Entre investir numa terceira marca no Brasil e internacionalizar, eu prefiro a primeira opção”, afirma Alberto Carneiro Neto, presidente da rede, que conta com 450 lojas no Brasil. Em 2010, a marca comprou a marca O Melhor Bolo de Chocolate do Mundo, rede portuguesa que abriu sua primeira loja no Brasil em 2007.

Para a marca Chilli Beans, a internacionalização é um caminho sem volta. A rede, especializada em óculos e acessórios, abriu sua primeira loja no exterior em 2005, em Portugal. Hoje, são seis pontos de venda naquele país, além de um quiosque em Angola, três unidades em Los Angeles e três na Colômbia. A meta, segundo Mário Ponci Neto, diretor de expansão, é chegar a 2016 com 60 pontos de venda no exterior, sem abandonar o mercado brasileiro, que até lá deve alcançar um total de 940 lojas. “Temos que construir a marca mundial, replicar nosso sucesso aqui no Brasil. Chega um momento em que o mundo começa a pedir e não tem mais como dizer não.”

LINHA DIRETA ABF: www.portaldofranchising.com.br Água Doce: www.aguadoce.com.br Apex: www.mdic.gov.br Casa do Pão de Queijo: www.casadopaodequeijo.com.br Chilli Beans: www.chillibeans.com.br Hope: www.hopelingerie.com.br

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plano de expansão bastante agressivo. A rede quer abrir 10 unidades no país até o final de 2012. A primeira loja foi inaugurada no último dia 18 de outubro, em Buenos Aires, no badalado bairro de Palermo Soho. “Queremos aprender com a Argentina para, em 2012, desenharmos nosso projeto de expansão internacional e, em 2013, partirmos para o mercado externo com mais decisão de nossa parte. Até agora, fomos muito mais receptivos do que ativos. Na Argentina, foi o investidor que nos procurou”, afirma Carlos Eduardo Padula, diretor comercial da marca. A loja em Buenos Aires é a sexta operação da Hope no exterior. A marca, que aderiu ao franchising em 2005, tem duas franquias em Israel e três em Portugal. Padula explica que a proposta de internacionalização não implica em adaptação dos produtos da marca aos mercados locais. A ideia é levar a lingerie brasileira para o exterior. O executivo ressalta que a prioridade ainda é 100% o mercado brasileiro. “Estamos num momento ímpar, não dá para deixar espaços para os concorrentes nacionais e também para os estrangeiros

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Plena expansão Aprovada pela Associação Brasileira de Franchising (ABF) na categoria “Oportunidade de Negócios”, a Outlet Lingerie segue em expansão por todo o País. Com oito lojas em operação, até o final de 2011 serão inauguradas mais cinco unidades – em Fortaleza, Campo Grande, Santo André (SP), Jundiaí (SP) e Campinas (SP). “Nossa meta é chegar a 100 franquias em 2015”, explica Maurício Michelotto proprietário da rede. O início do projeto foi marcado pela abertura da loja conceito, que servirá de padrão para toda a rede. Com um investimento inicial de R$ 150 mil, incluindo capital de giro e estoque, o franqueado terá um faturamento médio mensal em torno de R$ 60 mil e retorno do investimento no prazo estimado de 18 a 24 meses. www.outletlingerie.com.br

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Seu Pet com Sobrenome

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Estima-se que só no Brasil existam algo em torno de 98 milhões de animais de estimação, segundo dados da Anfalpet (Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos para Animais de Estimação. De olho nesse mercado, a Seu Pet com Sobrenome chega ao mercado de franchising para atender às necessidades deste que é um dos segmentos que mais crescem no País. Lançada em 2011, a franquia, que oferece um serviço inédito – o registro oficial de animais de estimação com o sobrenome dos donos –, está em busca de franqueados em todo o Brasil. Podem ser feitos os registros do nascimento (em qualquer idade), do batismo, do casamento e do óbito, além de testamento. A solicitação do registro do nascimento, por exemplo, custa R$ 150, e o cliente recebe o documento oficial, uma versão em cor de sua escolha e uma versão reduzida em carteira de couro que são enviadas pelo correio. No formato de microfranquias, os quiosques fixos podem ser instalados em shopping centers ou em outros pontos comerciais já existentes. Há ainda a opção de quiosque móvel, que possibilita atender em diversos lugares de acordo com a demanda. O custo inicial é de R$ 13 mil, com retorno estimado em seis meses. Além do atendimento nos quiosques, os registros também podem ser adquiridos pelos clientes através da internet. Jefferson Ramirez, responsável pela expansão da rede, explica que este fator é mais um benefício aos franqueados. “Os pedidos via site são direcionados à franquia que atende aquela região, garantindo a rentabilidade do negócio”, explica. www.seupetcomsobrenome.com.br


Cafés gourmet

Estima-se que o mercado brasileiro de cafés gourmet cresceu aproximadamente 17% em 2010. Apostando nesse filão, a rede de cafeterias Vanilla Caffè lança um novo formato de negócio que demanda menor investimento e atende as vendas em grandes centros comerciais. Além do modelo tradicional, que tem como padrão ambientes de 100 metros quadrados, agora a marca disponibiliza lojas com espaço em torno de 40 metros quadrados e foco no atendimento express. “Entre os diferenciais deste novo modelo estão a apresentação de um cardápio mais enxuto, mas que mantém toda a nossa linha de bebidas, salgados e doces, além do sistema de atendimento ao cliente que é realizado no balcão”, explica Eduardo Pires, gerente de expansão da rede. A expectativa é que o franqueado recupere o investimento dentro de 24 a 36 meses. “Nosso cálculo é feito em cima do investimento mínimo de R$ 184 mil, mais capital de giro”, complementa o executivo. Com 20 unidades em operação, a rede deve fechar 2011 com faturamento de R$ 12 milhões, estimando crescer de 20% a 30% com a implantação das novas lojas. “A franquia de modelo compacto vai viabilizar nossa operação em espaços menores, como shoppings, centros comerciais e hospitais”, avalia Pires. www.vanillacaffe.com.br

Com 350 unidades em operação em todo o País, a Doutor Resolve oferece serviços de pintura, elétrica, alvenaria, hidráulica e jardinagem em residências e espaços comerciais, com atendimento exclusivo a lojistas e clientes de shoppings. A mais nova aposta da rede é um modelo de licenciamento de marca, com o objetivo de atender o número crescente de pessoas que atuam como autônomas e querem se profissionalizar. Segundo o presidente da marca, David Pinto, o novo formato tem como foco cidades de até 15 mil habitantes. A taxa de adesão custa R$ 15 mil e o prestador de serviço trabalha em casa, dispensando custos com aluguéis. “Com o licenciamento da marca, pretendemos atingir cerca de 1,5 mil municípios até 2014”, diz. Os profissionais que aderirem receberão um curso completo na Universidade Corporativa da rede e serão treinados para a realização das mais diversas atividades na área de reparos e reformas prediais, além de receberem uniforme, folhetos de divulgação, cartão de visitas e um kit de ferramentas completo. www.doutorresolve.com.br

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Doutor Resolve

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Ginástica de luxo

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Formação profissional

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Com 72 escolas de formação profissional em 17 estados brasileiros, o Cebrac (Centro Brasileiro de Cursos) dá sequência ao plano de expansão com a meta de crescer 50% até o final de 2012. A expectativa é abrir pelo menos 32 novas unidades até o final do período. Das novas franquias, três devem ser inauguradas ainda em 2011. Fundada em 1995, a rede aderiu ao sistema de franchising em 2003. As escolas oferecem aproximadamente 40 opções de cursos profissionalizantes nas áreas administrativa, comercial, desenvolvimento pessoal, industrial, saúde e tecnologia. O investimento para abrir uma unidade varia de R$ 120 mil (municípios com até 100 mil habitantes) a R$ 250 mil (indicado para cidades com mais de 100 mil moradores). O retorno está previsto para ocorrer entre 18 e 24 meses. Um dos diferenciais da rede é oferecer em todas as unidades um programa de RH que encaminha para o mercado de trabalho os alunos recém-formados. “O encaminhamento dos profissionais acontece de forma gratuita, tanto para o aluno quanto para as empresas”, explica o presidente do Cebrac, Wilson Roberto Giustino. Em 2011, pelo quarto ano consecutivo, a marca conquistou o Selo de Excelência da ABF no segmento de Treinamento e Cursos.

www.cebrac.com.br

Estima-se que, nos últimos cinco anos, o mercado de luxo cresceu 60% no Brasil, impulsionado pelo aumento da massa economicamente ativa no mercado doméstico e por um novo olhar que empresas estrangeiras lançaram sobre o País. Só em 2010, o faturamento do setor, em reais, subiu 28% comparado a 2009, e alcançou R$ 15,7 bilhões. Até o fim do ano a previsão é que chegue a R$ 20 bilhões, totalizando um crescimento de 33%, segundo dados da consultoria GFK. De olho nesse filão, o mercado de franchising apresenta um número crescente de redes dispostas a servir o chamado público AAA. É o caso da rede norteamericana de academias de ginástica Fitness Together, focada no treino funcional em estúdios individuais, com instrutores particulares, atendendo exatamente aos desejos dos clientes de luxo, que prezam por serviços personalizados e exclusivos. Para viabilizar esse tipo de aula, cada unidade conta com dois ou três estúdios, que possuem estrutura completa para a prática de diversos tipos de exercícios, seguindo a filosofia de treinamento funcional. No estúdio ficam apenas o treinador e o aluno, para que haja dedicação integral e sucesso de ambos. Os resultados são medidos sistematicamente em sessões de avaliação física do aluno e os dados são utilizados para a definição de uma próxima etapa de treinos.

www.fitnesstogether.com.br


LaserStar Com o objetivo de inovar no mercado de beleza e bem-estar, a LaserStar Brasil oferece a oportunidade de ter os serviços da empresa dentro de um estabelecimento já em operação, como salões de beleza, spas e centros estéticos. A rede trabalha com uma inovadora tecnologia de fotodepilação e garante resultados eficientes e duradouros aos seus clientes. Em setembro, a marca inaugurou suas primeiras unidades franqueadas em São Luís, Novo Hamburgo (RS), São Leopoldo (RS), Varginha (MG), São Paulo, Florianópolis, Rio de Janeiro, Teresópolis (RJ), Salvador e Rondonópolis (MT). Para abrir uma franquia é preciso investir R$ 79 mil, com retorno estimado entre seis e dez meses. O lucro líquido gira em torno de R$ 15 mil, dependendo da área de atuação. www.laserstarbrasil.com.br

Especializada em beleza e bem-estar, a OligoFlora acaba de lançar sua microfranquia, chamada H1. Com mais de 60 unidades presentes em 13 estados brasileiros, a rede pretende iniciar a operação do novo formato no interior de São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. “Pretendemos abrir 30 microfranquias por mês”, afirma Iram Torquato, franqueador e diretor da OligoFlora. O modelo dispensa ponto comercial e permite que o franqueado invista R$ 17,5 mil na franquia, incluindo taxa de franquia, assessoria comercial, treinamentos e um estoque inicial de produtos de marca própria no valor de R$ 5 mil. “A grande vantagem da microfranquia é que você pode manter seu emprego e ainda se dedicar ao novo negócio, montando uma equipe de vendas”, destaca Torquato. O franqueador ressalta que, para desenvolver o negócio, é preciso disciplina e experiência na área comercial. A partir do treinamento, no qual é abordada toda a linha de estudo e de tratamentos da rede, o franqueado passa a comercializar os produtos (como maquiagens, produtos naturais, dermocosméticos, entre outros) e também tratamentos, que serão realizados em um dos Studios OligoFlora, nas unidades Store e H2 da empresa, pelos quais será comissionado. “O franqueado propagará a marca e o conceito da OligoFlora, ensinará como aplicar e utilizar os produtos, divulgando também os tratamentos em reuniões, que podem ser realizadas nas casas de potenciais clientes ou até mesmo em visitas ao ambiente de empresas”, explica Torquato. www.oligoflora.com.br

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Novo formato

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PRODUTOS E SERV IÇOS

Tablet para networks O tablet OptiView XG da FlukeNetworks foi projetado para ser utilizado por engenheiros de rede. O equipamento auxilia os técnicos a resolverem problemas de redes e de aplicações com maior rapidez. Com a ferramenta, o profissional pode levar o tablet até o Centro de Processamento de Dados (data center) e ao clicar em uma única janela pode visualizar toda a infraestrutura de rede e identificar eventuais falhas. A interface do sistema é amigável e apresenta painéis (dashboards) que podem ser personalizados pelos usuários. Com o sistema é possível descobrir automaticamente a trajetória entre dois pontos da rede e monitorar o desempenho ao longo deste link a fim de identificar problemas da rede que podem prejudicar o desempenho do sistema. O tablet tem tela de 10,25 polegadas e duas baterias que permitem aproximadamente três horas de operação.

www.flukenetworks.com/br

Consulta cadastral O Buonny Credit é um serviço de consulta de informações cadastrais de clientes e futuros parceiros. Com essa ferramenta, as empresas podem analisar o comportamento econômico e financeiro do cliente antes de efetuar qualquer negócio com ele. Além de apontar casos de negativação e inadimplência, o serviço também fornece o perfil do cliente no mercado. Para utilizar o Buonny Credit, basta informar os números de CPF ou CNPJ para acessar

informações precisas e seguras que podem nortear o fechamento de negócios. No caso das consultas no Credit CNPJ, o serviço oferece histórico de pagamento, principais fornecedores e relacionamento com os mesmos, pendências financeiras, protestos, ações judiciais e pendência de cheques de empresas de todos os segmentos de mercado. Além do comportamento financeiro do cliente, o serviço de consulta ao Credit CPF também disponibiliza infor-

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GPS para motos

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A Unicoba traz para o mercado brasileiro o GPS Apontador Moto Rider. O aparelho é resistente à chuva e à poeira e foi desenvolvido especialmente para ser utilizado em motos. O Moto Rider tem tela de 3,5 polegadas sensível ao toque e vem com protetor antirreflexo. O equipamento tem alerta sonoro de radares fixos, funções multimídia (fotos, vídeos e músicas) e um processador de 500 Mhz. Agregado a diversos outros serviços, o

GPS dispõe ainda de mais de 1,9 mil cidades mapeadas e 2,5 milhões de pontos de interesse. O aparelho vem com suporte antivibração para uso em motos e outro com ventosa, tem receptor Bluetooth com controle de volume e fone para fixação no capacete.

www.unicoba.com.br

mações cadastrais como estado civil, profissão, renda, participação societária em empresas e referências bancárias. Outro serviço disponibilizado pela empresa é o Credit Cheque, que oferece um relatório atualizado sobre o documento pesquisado e dados básicos do cadastro do consumidor, seja ele pessoa física ou jurídica, permitindo o acesso a informações sobre cheques roubados, sustados, cancelados ou extraviados. www.buonny.com.br


Computador médico O computador móvel MC55AO-HC foi desenvolvido para ser utilizado em hospitais e clínicas. O equipamento permite acesso rápido a informações como administração de medicamentos, controle de sinais vitais, pedidos realizados à farmácia e ao laboratório, coleta e acompanhamento de amostras. A superfície do equipamento é resistente ao uso de desinfetantes, uma característica fundamental para a utilização em ambientes como hospitais. O computador tem tela VGA de cores nítidas e câmera digital colorida com foco automático para captura de imagens em alta definição, documentos e assinaturas, bem como códigos de barras em 1D e 2D. “Os novos computadores móveis auxiliam na tomada de decisões mais rapidamente, o que é fundamental na área de saúde, na qual muitas vezes a vida dos pacientes está em risco”, avalia Dieter Avella, gerente regional de soluções móveis da Motorola Solutions. www.motorolasolutions.com

A Delta Cable passa a comercializar no mercado brasileiro os produtos da fabricante sul-coreana de máquinas de emendas de fibras ópticas Ilsintech. Um dos equipamentos da marca já disponíveis no País é a Swift F1, uma máquina portátil que foi projetada para executar cinco diferentes funções: decapar, limpar, clivar, emendar e proteger as fibras. A máquina alinha as fibras com precisão e possibilita a montagem de conectores pré-polidos, o que otimiza o tempo e elimina os principais problemas da instalação e conexão das fibras. Outro modelo que está sendo comercializado no Brasil é o Swift S3. O equipamento também é portátil e executa a fusão das fibras rapidamente, com alinhamento pelo núcleo (Tecnologia Ipas). Ela serve a diferentes tipos de fibras – monomodo, DSF, NZDSF e multimodo – e executa programações de 100 tipos de emendas e 50 de aquecimento. “A

Swift S3 tem ainda outro diferencial importante: seu desempenho estável mesmo em ambientes hostis. Ela resiste a impactos, à poeira e à chuva e executa automaticamente a calibração de arcos através da detecção de condições do ambiente, como temperatura, umidade e pressão”, conclui Fabiano Morato, gerente de produtos da Delta Cable. www.deltacable.com.br

A Sascar oferece soluções em telemetria, como o SasTM, sistema que permite aos frotistas monitorarem o desempenho de veículos e o comportamento dos motoristas ao dirigir; e o SasMoto, rastreador desenvolvido especialmente para motocicletas. O SasTM interpreta parâmetros de dirigibilidade, como freadas bruscas, direção perigosa e uso do pedal da embreagem, além de verificar o cumprimento da rota previamente estabelecida e o tempo gasto nos trajetos. O sistema também permite monitorar aquecimento do motor, velocidade, necessidade de manutenção de peças, consumo de combustíveis, óleos lubrificantes e pneus. Esses parâmetros podem ser definidos conforme as necessidades de cada cliente para diferentes tipos de equipamentos automotores e industriais. Já o SasMoto é um rastreador por sinal GPS, com comunicação em tempo real via rede GSM, que opera nacionalmente. O sistema foi pensado e desenhado especialmente para motocicletas, uma vez que consome pouca energia e não sobrecarrega a bateria, além de apresentar alta autonomia e ser resistente à água, poeira, vibração e variação de temperatura. www.sascar.com.br

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Olho vivo

Fibras ópticas

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PRODUTOS E SERV IÇOS

Cabeamento simples O Grupo Legrand apresenta a linha LCS² Legrand Cabling System, um conjunto de soluções para o cabeamento de infraestruturas prediais. A marca oferece ao mercado tomadas LCS² RJ45², patch panels, cabos, patch cords, gabinetes e a linha de fibra óptica LCS², com DIOs, acopladores, conectores, patch cords e pigtails. Todos os produtos são projetados para otimizar

a instalação, garantir a performance do sistema e facilitar a manutenção. Com um sistema intuitivo de conexão, os RJ45 LCS ² atendem aos critérios das normas EIA/TIA e respeitam o destrançamento mínimo do cabo. O sistema de travamento confere segurança de conexão e impede a desconexão acidental nos lances de cabos. Os patch panels vêm com o sistema quick fixing

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Pneus resistentes

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Os pneus Marshal KRS03 e KRD03 são fabricados com sistema integrado de otimização de componentes, o que proporciona maior durabilidade e menor desgaste ao produto. Os utensílios têm baixa resistência ao rolamento e isso faz com que se reduza o consumo de combustível. O Marshal KRS03 tem sulcos em ângulos especiais, que evitam o aprisionamento de pedras, e tem banda de rodagem larga, permitindo o contato uniforme com o solo, prevenindo o desgaste irregular. O modelo está disponível na medida 11.00R22. O Marshal KRD03 tem também banda de rodagem larga e três linhas de desenhos com ângulos diferenciados para evitar o desgaste do pneu.

www.cantupneus.com.br

de engate rápido, o que dispensa o uso de parafusos de fixação nos gabinetes e também permite a manutenção individual das tomadas pela parte dianteira, reduzindo o tempo de certificação e manutenção dos pontos. Os patch panels são fornecidos com rótulos em diferentes cores para a organização e identificação de pontos.

www.legrand.com.br


Radar ligado

A Fóton Informática apresenta o Enforce, solução de monitoramento de transações financeiras em tempo real, o que permite maior controle da gestão de risco operacional dos bancos ou instituições financeiras. O dispositivo é acoplado ao tradicional sistema autorizador do banco e acompanha todas as transações com base em um modelo de regras de conformidade e registro de justificativas. Estruturado de forma a permitir a adição gradual e personalizada de todos os canais de atendimento bancário e transações monitoradas, o Enforce possibilita à instituição unificar e centralizar a sua base de dados operacionais e suas regras de conformidade em um único repositório, por meio do módulo Compliance, acoplado à ferramenta. Com um subsistema validador integrado, o módulo processa as transações monitoradas, valida as regras de conformidade das mesmas, notifica e acompanha as que não estão de acordo com os parâmetros. O Enforce aprimora também os sistemas de controle interno do banco, permite uma gestão de risco mais eficiente, além de propiciar uma coordenação que poderá contribuir na redução dos custos resultantes das ações não conformes. O sistema Bank Link da Fóton que permite a autorização e processamento de transações já integra o aplicativo Enforce. www.fotoninformatica.com

Reutilização de água A Ecoracional lança a Etac 1000, solução para tratamento de águas cinzas. O equipamento é feito de polipropileno de grande resistência química e mecânica e é indicado para ser utilizado em empreendimentos que produzem águas cinzas e querem fazer a reutilização do material. O sistema pode ser instalado em lugares pequenos e pode ser utilizado em residências, shoppings, hotéis e indústrias. O equipamento tem 1,6 m de largura, 4 m de comprimento e 1,5 m de altura, tem capacidade de vazão de 1 mil litros/hora e tem alimentação trifásica de 220V ou 380V. www.ecoracional.com.br

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Controle central

O TIM Radar é uma solução de localização (LBS ou Location Based Service) que permite que empresas de pequeno e médio portes monitorem funcionários que estejam executando trabalho em campo. O aplicativo é instalado no celular e as informações são captadas no raio de cobertura das antenas da TIM e enviadas para a empresa. A facilidade de uso é um dos destaques do novo serviço, que pode ser monitorado por um painel de controle disponível na internet, permitindo que o administrador de uma empresa de pequeno ou de médio porte possa verificar localizações de frotas e históricos de trajetos no mapa. A assinatura do TIM Radar tem o custo de R$ 9,90 por linha, incluindo uso ilimitado e o tráfego de dados gerado pelo aplicativo. O sistema pode ser instalado no smartphone Nokia X2-01, modelo de baixo custo, o que torna a solução mais acessível. www.tim.com.br

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empr eendedo r is m o j á .c o m

amor

Empreendedorismo, amor e coragem

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Sentimento está centrado principalmente nas pessoas que fazem esse sonho acontecer, dia após dia

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Certa vez, fui questionado sobre qual seria a principal alavanca do verdadeiro empreendedor. Sem pestanejar, respondi: a “coragem”. Em seguida, meu interlocutor voltou à carga com uma nova pergunta: – Mas, Marcelo, é natural que tenhamos receios e inseguranças diante de uma situação nova e desafiadora. Como um empreendedor pode desenvolver essa coragem? Novamente, sem precisar refletir muito, disparei a resposta: – Ele terá coragem se for capaz de amar, pois o tamanho da coragem corresponde ao tamanho do amor que habita seu coração. Você, leitor, deve estar ruminando a dúvida. Correto? Pois, então, recorro a uma situação dramática para ilustrar meu pensamento. Imagine as pessoas que você mais ama neste mundo. É bem provável que pense em seus pais ou em seus filhos. Então, numa noite sombria, sua casa é invadida. Você ouve ruídos e desce até a sala. Lá, encontra um psicopata prestes a disparar contra seus entes queridos. Ora, nessa situação, muitos de nós agimos de modo automático, sem pensar. Pulamos sobre o meliante ou, se necessário, usamos nosso corpo como escudo para proteger nossos familiares. Esse salto rumo ao perigo não tem qualquer relação com planejamento, es-

tudo, estratégia ou conhecimento. Tem a ver exclusivamente com coragem. E o que pode motivá-la senão o amor que existe em seu coração? Para o empreendedor, a coragem está intimamente associada ao amor que desenvolve por sua criação. Às vezes perguntamo-nos se fulano estava fora do juízo ao vender carro, casa e sítio para tentar salvar uma empresa fadada ao fracasso. E, muitas vezes, essa interrogação embute uma teoria correta. As pessoas podem realmente enlouquecer e praticar os atos mais insanos para proteger e manter aquilo que amam. Coragem, ousadia e amor marcaram grandes empreendimentos, como o de Santos Dumont, inventor do avião; o de Henry Ford, na produção em série de automóveis; ou o de Steve Jobs, na construção de um novo paradigma de inovação tecnológica. Em minha história de empreendedor, que dura mais de 23 anos, já enfrentei inúmeros desafios. Diante dos olhos alheios, minha obstinação foi classificada como insanidade, atrevimento ou irracionalidade. – Ah, nunca será! – proclamou um, convicto. – Jamais conseguirá – anunciou outro, tão cético quanto ciumento. E confesso que a descrença me fez ainda mais determinado. Lançou mais adrenalina na corrente sanguínea. Hoje compreendo que esse amor pela “cria” não se limita ao brand, à sede

Existem muitos empreendedores de verdade, que pensam, planejam, transformam, criam, modificam, ajustam, aprimoram e buscam fazer um mundo melhor

por Marcelo Ponzoni

Publicitário e diretor-executivo da agência Rae,MP, que atua há 23 anos no mercado; e autor do livro Eu só queria uma mesa, da Editora Saraiva. (11) 5070-1294 – marcelo@raemp.com.br www.raemp.com.br

requintada, ao negócio em si. Esse amor está centrado principalmente nas pessoas que fazem esse sonho acontecer, dia após dia. Se existe uma companhia viva, existe um compartilhamento, uma junção de interesses humanos combinados que gera as ideias, os produtos e, como resultado disso tudo, o lucro. Quando falamos de amor no ambiente corporativo, há sempre quem nos aponte um dedo invisível e lance a condenação: “Mas que demagogo, hipócrita, falso, marqueteiro; ele só quer é ganhar dinheiro”. E é natural, pois parte da cultura do empreendimento foi, de fato, contaminada pela mentira, pela ganância e pela fraude. Basta ver a ciranda da crise financeira internacional, movida por gente sem ética, que negocia ativos sem lastro. No entanto, ainda existem muitos empreendedores de verdade, que pensam, planejam, transformam, criam, modificam, ajustam, aprimoram e buscam fazer um mundo melhor. Estes “malucos” são apaixonados pelo que fazem e também pelas pessoas que participam de suas aventuras. Estes amam até o fim. Pois o amor protege, o amor constrói, o amor enraíza, o amor mantém, o amor perpetua, o amor auxilia, o amor apoia, o amor entrega sem cobrar, o amor une, o amor satisfaz, o amor acolhe, o amor vence!


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pens e g ra nd e

E MPRESÁRIO RICO e fel i z

Ficar rico é necessário! O que as palavras “buraco”, “agulha” e “camelo” têm a ver com riqueza? Sozinhas, muito pouco. Mas ao juntá-las para formar uma imagem tornam-se poderosas: “’É mais fácil um camelo passar pelo buraco da agulha que um rico entrar no reino do céu”. Esta imagem produz uma extraordinária potência contra a riqueza. Ela induz a uma escolha: ir para o céu, mas abrir mão de tornar-se rico, ou tornar-se rico, mas abrir mão de ir para o céu.

A cultura

Pode parecer que a fé no buraco da agulha seja a maior barreira ao impulso que temos rumo à contínua prosperidade. Mas não é. Ela é (somente) uma parte importante de toda uma cultura que induz os brasileiros a pensar pequeno.

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As novelas

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Por exemplo, nas novelas das televisões brasileiras a lavagem cerebral em favor da fé na pobreza é absolutamente colossal. Não tem comparação com a mais fervorosa das religiões que apregoa o inferno para os ricos. Entra novela, sai novela e o enredo é monotonamente martelado na cabeça de milhões de brasileiros que as assistem. É sempre assim, invariavelmente: as pessoas pobres são calorosas, solidárias, de bom caráter e totalmente felizes. Os ricos são ricos, mas infelizes. Também são ricos não por virtudes empreendedoras, mas devido, claro, às falcatruas. E o incrível, e que dá mais poder à lavagem cerebral em favor da fé na pobreza, é que isso é colocado não na forma de um discurso explícito, o qual carece de convencimento, mas é apresentado de maneira implícita, ingênua, como se aquilo já fizesse parte da natureza humana, desde que existiu o primeiro homem. O senso comum, ao

ler isto, deve estar se perguntando: mas não é assim? O encantamento pela pobreza e a repugnância da riqueza são praticamente uma imposição cultural. Como o empresário pode superar este conflito?

O presidente

O presidente de uma grande empresa não tem escolha. Ele tem uma única função (a partir da qual todas as outras derivam): rodar o empreendimento com lucro para que o dinheiro retorne aos investidores. Ele precisa necessariamente fazer a empresa crescer continuamente rumo à riqueza. Caso contrário ele é demitido. Aqui, pois, ficar rico é necessário.

O dono

A empresa por conta própria tem como característica determinante o fato do proprietário ser dono absoluto de sua empresa e como tal não precisa prestar contas a ninguém. Ele não tem nenhuma força externa pressionando para tornar rica e grande sua empresa. O esforço para crescer mais ou menos depende da força de sua ambição pessoal. Aqui ele fica à mercê da cultura contra a riqueza. Nesse caso para prosperar continuamente ele também não tem escolha: precisa plantar na sua mente a semente de uma ideia poderosa: ficar rico é necessário. Não por uma questão de aquisição de objetos mundanos, mas por algo profundamente espiritual: melhorar o

Por Joel Fernandes

Autor dos livros Eu quero ser empresário rico!, Empresário rico também vai para o céu e Sua pequena empresa: muito além da sobrevivência! e do site www.euqueroserempresariorico.com.br

mundo. Precisa perceber que seu empreendimento possibilita a adrenalina de correr o risco de expressar seus dons, de mostrar ao mundo o que ele é no fundo, de correr o risco de se der errado ser rejeitado, mas se der certo ter ajudado milhares ou quem sabe milhões de pessoas a viver com amor e paz, a coluna reta e a mente quieta, como queria o poeta. Em outras palavras: ter a ambição de uma causa nobre. Por isso ficar rico é necessário também para o dono da empresa por conta própria.

Ficar rico é necessário. Não por uma questão de aquisição de objetos mundanos, mas por algo profundamente espiritual: melhorar o mundo


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LEITURA

Pense diferente Siga os princípios de Steve Jobs e revitalize a gestão de sua empresa, criando um ambiente propício à inovação

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Quando se fala em inovação, Steve Jobs, fundador da Apple, é lendário. O slogan que escolheu para sua empresa – “Pense diferente” – vai muito além de uma mera jogada de marketing. Trata-se de uma abordagem poderosa, positiva e transformadora que Jobs aplicou durante toda sua vida. Autor de Faça como Steve Jobs, Carmine Gallo é palestrante, especialista em técnicas de comunicação e colunista da revista Bloomberg BusinessWeek, entre outros. Em sua mais recente obra, o autor dá dicas para repensar o negócio, reinventar produtos e processos e revitalizar a gestão de acordo com os princípios de Jobs. A ideia é que, ao seguir estas dicas, o leitor entre em contato com novos modos de liberar o potencial criativo e criar um ambiente de estímulo à inovação, permitindo que ela floresça em todos os níveis. Conheça o cerne da filosofia inovadora de Jobs e aprenda a superar concorrentes, a desenvolver produtos mais revolucionários e prosperar em tempos cada vez mais desafiadores.

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Inovação – A arte de Steve Jobs Carmine Gallo – Lua de Papel – R$ 29,90

Os sete princípios de Steve Jobs: 1 - Faça o que você gosta. Pense diferente sobre sua carreira. 2 - Cause impacto no universo. Pense diferente sobre sua visão. 3 - Ponha seu cérebro para funcionar. Pense diferente de como você pensa. 4 - Venda sonhos em vez de produtos. Pense diferente sobre seus clientes. 5 - Diga não a mil coisas. Pense diferente sobre o design. 6 - Crie experiências incríveis. Pense diferente sobre sua marca. 7 - Defina bem sua comunicação. Pense diferente sobre seu produto.

Consiga um aumento e seja promovido com rapidez: 21 dicas para progredir na carreira

Introdução à contabilidade gerencial

Brian Tracy – Editora Sextante – R$ 19,90

José Carlos Marion e Osni Moura Ribeiro Editora Saraiva – R$ 59

Empresário e palestrante com experiência em aprimoramento profissional, o autor revela as estratégias usadas pelos profissionais mais requisitados do mercado para maximizar suas qualidades, se destacar, ganhar mais e se tornarem indispensáveis em suas funções. O objetivo é ajudar o leitor a se tornar o mais bem-sucedido possível no seu campo de atuação, seguindo o princípio de que o leitor é o único responsável por sua carreira e seu futuro e não pode ficar esperando que coisas boas lhe aconteçam. É preciso criar as circunstâncias, em vez de simplesmente se submeter a elas.

O principal objetivo da obra é possibilitar aos profissionais e estudantes da área o domínio dos mecanismos que envolvem a contabilidade gerencial, facilitando a compreensão dos procedimentos necessários ao bom gerenciamento de qualquer tipo de organização, seja do setor público ou privado. Além disso, o livro pretende auxiliar o leitor a entender o papel da contabilidade gerencial, bem como conhecer as funções do contador e apresentar a importância da informação contábil para a tomada de decisão por parte dos líderes corporativos.


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ANÁL I S E E C ONÔ MIC A

Muito débito, pouca certeza Eventual retirada do auxílio internacional poderá culminar no default (calote) da dívida grega

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Nos últimos meses, o principal assunto nos noticiários econômicos tem sido o elevado endividamento de alguns países da Zona do Euro, como Itália, Portugal e principalmente a Grécia. Atualmente, o caso mais noticiado é o grego, por combinar uma dívida suntuosa, que atualmente corresponde a aproximadamente 140% do PIB (em termos absolutos, um débito de aproximadamente 325 bilhões de euros), com vencimentos de curto prazo. O governo do país já obteve ajuda internacional em duas oportunidades, sendo resgatado por pacotes que juntos somarão 155 bilhões de dólares. O desembolso destes recursos tem sido de forma gradual, e vem ocorrendo sob a condição de um aumento significativo na austeridade fiscal do país. Periodicamente, membros do FMI, da União Europeia e do Banco Central Europeu se reúnem para verificar se foram aplicadas as me-

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Enquanto a Grécia não determinar uma postura definitiva quanto ao controle de gastos, a volatilidade continuará a ditar o tom dos mercados

didas definidas e qual o verdadeiro resultado delas. Se o comitê julgar que a ação do governo grego foi adequada, uma nova parcela de recursos é liberada. Diante de um cenário turbulento, o primeiro ministro grego George Papandreou surpreendeu todos anunciando que seria realizado um referendo, buscando respaldo popular para pôr em prática novos cortes de gastos. A decisão foi contestada pela oposição grega, e foi muito mal recebida pelo mercado financeiro por trazer ainda mais incerteza em um ambiente de estresse. Além de atrasar ainda mais a resolução do problema, há um grande temor que a opinião popular seja contrária a novas medidas de austeridade, como as manifestações populares têm mostrado. A retirada do auxílio internacional poderá culminar no default (calote) da dívida grega. Atualmente, as autoridades europeias têm frisado que a prioridade no momento é salvar o euro, e não a Grécia. Ainda que seja uma saída possível, afastar a Grécia do bloco seria uma solução bastante traumática. A inadimplência tornará diversos credores insolventes: a França, por exemplo, possui o equivalente a 46 bilhões de euros em títulos da dívida grega; a Alemanha, 18 bilhões de euros. Logo, a moratória

de Atenas afetaria diretamente os cofres públicos dos principais países da Europa, injetando altas doses de risco sistêmico. A situação tem sido abordada como prioridade por todos os integrantes do Bloco do Euro. Novas medidas têm sido estudadas e apresentadas no intuito de evitar uma reação em cadeia no curto prazo. Contudo, o problema do endividamento não será resolvido em breve: estima-se que, caso a Grécia siga as medidas recomendadas, a relação dívida/ PIB atingirá 120% até o ano de 2020. Para efeitos de comparação, atualmente este indicador é 75% na Alemanha e 82% na França. Outros países bastante endividados, como Portugal e Itália, assinalam 91% e 120%, respectivamente. A Grécia atualmente aguarda a liberação de mais uma parcela do auxílio no valor de 8 bilhões de euros, que só será paga se o país mantiver as medidas de controle de gastos. Enquanto o país não determinar uma postura definitiva para a resolução deste problema, a volatilidade continuará a ditar o tom dos mercados.

por Rodrigo Costa Laurindo Leme Investimentos


Nome Ação All Amer Lat Ambev B2W Varejo BMF Bovespa Bradesco Bradespar Brasil Telec Brasil Braskem BRF Foods Brookfield CCR Rodovias Cemig Cesp Cielo Copel Cosan CPFL Energia Cyrela Realty Duratex Ecodiesel Eletrobras Eletrobras Eletropaulo Embraer Fibria Gafisa Gerdau Met Gerdau Gol Ibovespa Itausa ItauUnibanco JBS Klabin S/A Light S/A Llx Log Lojas Americ Lojas Renner Marfrig MMX Miner MRV Natura OGX Petróleo P.Açúcar-CBD PDG Realt Petrobras Petrobras Redecard Rossi Resid Sabesp Santander BR Sid Nacional Souza Cruz Tam S/A Telemar N L Telemar Telemar Telesp Tim Part S/A Tim Part S/A Tim Part S/A Tran Paulist Ultrapar Usiminas Usiminas Vale Vale Vivo

Classe ON PN ON ON PN PN PN ON PNA ON ON ON PN PNB ON PNB ON ON ON ON ON ON PNB PNB ON ON ON PN PN PN PN PN ON PN ON ON PN ON ON ON ON ON ON PNA ON ON PN ON ON ON UNT N2 ON ON PN PNA ON PN PN ON ON PN PN PN ON PNA ON PNA PN

Participação Bovespa 1,104 0,979 0,701 3,902 3,130 0,993 0,390 2,726 0,596 1,341 0,622 0,802 1,134 0,685 1,539 0,598 0,784 0,441 1,866 0,589 1,311 0,890 0,743 0,530 0,755 1,498 1,648 0,660 2,574 1,211 100,000 2,315 4,015 0,934 0,404 0,541 0,914 1,207 1,098 0,546 1,440 1,233 0,845 3,773 0,808 2,745 2,206 8,517 1,283 1,163 0,352 1,097 2,359 0,443 1,041 0,225 0,268 0,923 0,155 0,125 0,170 0,840 0,229 0,486 0,592 2,462 2,925 11,956 0,793

Inflação (%)

Até 31/10 Tipo de Ativo Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação 9 Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação

Índice

Outubro

Ano

0,47 0,75 0,44 0,25

4,69 5,92 5,21 4,29

IGP-M IGP-DI IPCA IPC - Fipe

Juros/Aplicação (%) CDI Selic Poupança Ouro BM&F

Outubro

Ano

0,88 0,77 0,56 -4,45

9,64 9,66 6,19 14,14

Indicadores Imobiliários (%) CUB SP TR

Outubro

Ano

0,05 0,04

5,82 0,96

Juros/Crédito (%) 31/Outubro

28/Outubro

Desconto 1,93 Factoring 3,92 Hot Money 3,43 Giro Pré (taxa mês) 2,13

1,93 3,93 3,43 2,13

Câmbio

Até 31/10

Cotação Dólar Comercial Ptax Euro Iene (US$ 1,00)

R$ 1,7499 US$ 1,3668 $ 78,2800

Mercados Futuros Dólar Juros DI Contratos mais líquidos Ibovespa Futuro

Até 31/10

Dezembro

Janeiro//11

R$ 1,758 11,40%

R$ 1,775 11,09%

31/10 59.120

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Carteira Teórica Ibovespa

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agenda gol de placa De 6 a 7/12/2011

Footecon – Fórum Internacional de Futebol

Copacabana Palace – Rio de Janeiro – RJ – www.footecon.com.br

O Footecon é um dos principais eventos esportivos do País e reúne dirigentes de clubes de futebol, mídia especializada e empresas investidoras em esporte. Durante o evento são realizadas palestras sobre arbitragem, marketing esportivo e sobre novos tratamentos médicos para atletas. O Footecon é realizado desde 2004 e tem a coordenação de Carlos Alberto Parreira.

De 29/11 a 1º/12/2011

ExpoSystems – Congresso e Exposição Internacional de Soluções Integradas para Feiras e Eventos

Transamérica Expo Center – SP www.exposystems.com.br

Anhembi – São Paulo – SP www.semanainternacional.com.br

Centro de Convenções SulAmérica – RJ www.unicedae.com.br

Novidades em impressão digital, serigrafia e off-set. Durante o evento são realizadas a 8ª Brasilpack, a 21ª Fiepag e a 4ª Flexo Latino América. Os eventos reúnem expositores de 25 países e são esperados mais de 30 mil visitantes.

De 14 a 18/01/2012

De 20 a 22/03/2012

Faculdade UDC – Foz do Iguaçu – PR www.congressofiep.com.br

Oferece aos profissionais de educação física do Brasil e do exterior diversos cursos de capacitação e aprimoramento em esportes de aventura, ginástica laboral, treinamento e recreação. É realizado pela Federação Internacional de Educação Física e são esperados mais de 50 mil visitantes.

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De 14 a 16/04/2012

Semana Internacional de Máquinas e Equipamentos para Embalagem e Impressão

Empresas do Brasil e do exterior apresentam novidades em projetos de estande e equipamentos para feiras e eventos corporativos. O evento é exclusivo para agências e profissionais do setor.

Fiep – Congresso Internacional de Educação Física

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De 12 a 16/03/2012

De 24 a 27/04/2012

O tema central é “Varejo: conhecimento, tecnologia e modernidade”. Reúne empresários e profissionais do segmento de panificação, supermercado, franchising, hotelaria, restaurante e conveniência. Também são realizados o Seminário Nacional de Panificação e Confeitaria e a Convenção Supermercadista.

Parque de Eventos – Bento Gonçalves – RS www.fiema.com.br

A quinta edição reúne empresas e organizações especializadas em soluções e serviços focados no meio ambiente e no desenvolvimento sustentável. São realizados o Seminário de Legislação Ambiental e o Seminário de Segurança do Trabalho.

De 24 a 27/03/2012

De 13 a 16/06/2012

Riocentro – Rio de Janeiro – RJ www.superrio.com.br

São Paulo Prêt à Porter

Feira internacional de negócios para a indústria da moda, confecções e acessórios. Tem como público-alvo varejistas do Brasil e do exterior. É realizado simultaneamente à feira de calçados Couromoda.

Mais de 800 marcas do segmento de beleza expõem novidades em produtos e serviços para salões e clínicas de estética. Também são realizados o 10º Congresso Brasileiro de Manicures e o 4º Congresso de Podologia.

Expo Center Norte – São Paulo – SP www.saopaulopretaporter.com.br

Lugar ideal para estreitar relacionamentos com empresas, instituições e órgãos públicos do setor de saneamento. Fornecedores de produtos, serviços e equipamentos apresentam as principais novidades em técnicas e soluções para saneamento básico e ambiental.

Super Rio Expofood

Hair Brasil – Feira Internacional de Beleza, Cabelos e Estética

De 15 a 18/01/2012

Expo Aseac – UniCedae – Exposição de Tecnologia e Equipamentos para Saneamento

Expo Center Norte – São Paulo – SP www.hairbrasil.com

Fiema – Feira Internacional de Tecnologia para o Meio Ambiente

ABF Franchising Expo

Expo Center Norte – São Paulo – SP www.portaldofranchising.com.br

A ABF Franchising Expo é considerada uma das maiores feiras de franquia do mundo. Reúne consultores, redes de franquia e investidores interessados em se tornar franqueados. Para expor na feira é preciso ser associado da ABF.


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