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INOVAÇÃO: A BUSCA DE IDEIAS NAS UNIVERSIDADES

E-COMMERCE: O QUE FAZER PARA GARANTIR AS VENDAS

www.empreendedor.com.br

FEVEREIRO 2011 R$ 9,90

Construção em reconstrução

IS SN 1414-0 152

ANO 17 N o 196

Setor alia crescimento e preservação ao buscar novos métodos e materiais para as obras e sistemas hídricos e energéticos ecoeficientes nas edificações Neo Next Generation, condomínio residencial de Florianópolis que utilizará energia eólica e solar próprias

ENTREVISTA: SURAMA JURDI APRESENTA OS SETE PRINCÍPIOS PARA CHEGAR AO SUCESSO E SE MANTER NO TOPO


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NES TA EDI Ç Ã O

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construindo o futuro O setor de construção civil segue aquecido, após mais de uma década de estagnação. Moradias, estabelecimentos comerciais e obras de infraestrutura em planejamento e execução chegam a superar a oferta de mão de obra, matéria-prima e equipamentos. Qual o impacto que isto pode ter no meio ambiente, inclusive porque o futuro imóvel demandará recursos para sua manutenção e funcionamento? Novos conceitos e técnicas de construção sustentável, assim como implementos e equipamentos mais racionais e eficientes, prometem amenizar os prejuízos.

16 | Entrevista Surama Jurdi

A diretora da Agape do Brasil, que por quatro anos estudou 15 profissionais bem-sucedidos, traçou o perfil das “mentes das pessoas de sucesso” e identificou a chave para o sucesso sustentável.

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30 | Inovação Questão de filosofia

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A inovação precisa estar na cultura da empresa. Mas alguns cérebros podem estar fora. Conheça como algumas organizações trabalham o conceito de inovação aberta e descubra como estimular a inovação dentro e fora de uma empresa, através de parcerias e concursos com universidades.

42 | Perfil Djali Valois

Em um curto período de existência, a empresa de brinquedos científicos conquistou reconhecimento internacional pelas suas características de empreendedorismo, inovação e desenvolvimento social.

34 | E-commerce Clique final

Não adianta atrair o consumidor até o site se ele não completa o processo de compra. Descubra quais são os erros mais comuns nas vendas on-line e conheça estratégias para o e-consumidor não abandonar o carrinho no meio da transação.

46 | Franquia Jovens no comando

Cresce o número de jovens entre os franqueados – e também entre os franqueadores. Saiba como aproveitar o que de melhor eles podem oferecer e como minimizar as dificuldades naturais enfrentadas por pessoas dessa faixa etária.

LEIA TAMBÉM 8 14 56 62 64 66

EMPREENDEDORES NÃO DURMA NO PONTO PRODUTOS E SERVIÇOS leitura ANÁLISE ECONÔMICA AGENDA


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editorial

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construção civil sofreu com a estagnação nos anos 1980 e 1990. Mas a retomada do crescimento da economia, o aumento da renda da população e da oferta de crédito reanimaram o setor que, impulsionado pelos investimentos do programa habitacional “Minha Casa, Minha Vida” e do PAC, cresceu em torno de 10% em 2010. Com um déficit habitacional acima de 5,5 milhões de moradias, segundo a FGV, e de infraestrutura que suporte o crescimento da economia nos próximos anos e grandes eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, a expectativa é de um incremento superior a 6% ao ano até 2012. Não obstante a grande relevância econômica e social da construção civil, qual o impacto que isto pode ter no meio ambiente, inclusive porque o futuro imóvel demandará recursos para sua manutenção e funcionamento? Hoje o setor está entre os que mais consomem em suas obras recursos naturais como pedras, areia, ferro e madeira – estima-se que 75% do volume total de árvores derrubadas no País seja destinado à construção civil. Além disso, é responsável pela produção de cerca de 30% dos resíduos sólidos gerados em centros urbanos. Depois de prontos, casas, edifícios residenciais e empresariais consomem 45% de toda a energia elétrica gerada no Brasil e 21% do volume total de água tratada. Para que a conta do bem-estar social dos empregos gerados e da casa própria não chegue ao fim de nossas vidas e fique para as próximas gerações pagarem, é preciso adotar novos conceitos e técnicas de construção sustentável, assim como implementos e equipamentos mais racionais e eficientes – segundo a Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco), o Brasil perde por mês o equivalente ao volume do Rio São Francisco só em descargas sanitárias. Na matéria de capa desta edição, a repórter Beatrice Gonçalves apresenta vários elementos que podem ajudar as construtoras a resolver a difícil equação de aliar crescimento e preservação do meio ambiente. Alexsandro Vanin

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A Revista Empreendedor é uma publicação da Editora Empreendedor Diretor-Editor: Acari Amorim [acari@empreendedor.com.br] Diretor de Comercialização e Marketing: Geraldo Nilson de Azevedo [geraldo@empreendedor.com.br] Redação Editor-Executivo: Alexsandro Vanin [vanin@ empreendedor.com.br] – Repórteres: Beatrice Gonçalves, Cléia Schmitz e Mônica Pupo – Colaborador: Alexandre Gonçalves – Edição de Arte: Gustavo Cabral Vaz – Projeto Gráfico: Oscar Rivas – Fotografia: Arquivo Empreendedor, Casa da Photo, Lio Simas e PhotosToGo – Foto da capa: Divulgação – Revisão: Lu Coelho Sedes São Paulo Diretor: Fernando Sant’Anna Borba – Executivos de Contas: Ana Carolina Canton de Lima e Osmar Escada Jr – Rua Sabará, 566 – 9º andar – conjunto 92 – Higienópolis – 01239-010 – São Paulo – SP – Fone: (11) 3214-1020/2649-1064/2649-1065 [empreendedorsp@ empreendedor.com.br] Florianópolis Executiva de Atendimento: Samantha Arend [anuncios@ empreendedor.com.br] – Rua Padre Lourenço Rodrigues de Andrade, 496 – Santo Antônio de Lisboa – 88050-400 – Florianópolis – SC – Fone: 3371-8666 Central de Comunicação – Rua Anita Garibaldi, nº 79 – sala 601 – Centro – Florianópolis – SC – Fone (48) 3216-0600 [comercial@centralcomunicacao.com.br] Escritórios Regionais Rio de Janeiro Triunvirato Empresarial – Milla de Souza [milla@triunvirato.com.br] – Rua São José, 40 – 4º andar – Centro – 20010-020 – Rio de Janeiro – RJ – Fone: (21) 2611-7996/9607-7910 Brasília Ulysses Comunicação Ltda. [ulyssescava@gmail. com] – Fone: (61) 3367-0180/9975-6660 – condomínio Ville de Montagne, Q.01 – CS 81 – Lago Sul – 71680-357 – Brasília – Distrito Federal Paraná Merconeti Representação de Veículos de Comunicação Ltda – Ricardo Takiguti [ricardo@merconeti.com.br] – Rua Dep. Atílio Almeida Barbosa, 76 – conjunto 3 – Boa Vista – 82560-460 – Curitiba – PR – Fone: (41) 3079-4666 Rio Grande do Sul Flávio Duarte [commercializare@terra. com.br] – Rua Silveiro, 1301/104 – Morro Santa Teresa – 90850-000 – Porto Alegre – RS – Fone: (51) 3392-7767 Pernambuco HM Consultoria em Varejo Ltda – Hamilton Marcondes [hmconsultoria@hmconsultoria.com.br] – Rua Ribeiro de Brito, 1111 – conjunto 605 – Boa Viagem – 51021310 – Recife – PE – Fone: (81) 3327-3384 Minas Gerais SBF Representações – Sérgio Bernardes de Faria [sbfaria@sbfpublicidade.com.br] – Av. Getúlio Vargas, 1300 – 17º andar – conjunto 1704 – 30112-021 – Belo Horizonte – MG – Fones: (31) 2125-2900/2125-2927 Assinaturas Serviço de Atendimento ao Assinante – [assine@empreendedor.com.br] – O valor da assinatura anual (12 edições mensais) é de R$ 118,80. Aproveite a promoção especial e receba um desconto de 10%, pagando somente R$ 106,92 à vista. Estamos à sua disposição de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h. Produção Gráfica Impressão e Acabamento: Coan Gráfica Editora Ctp – Distribuição: Distribuidora Magazine Express de Publicações Ltda – São Paulo Empreendedor.com http://www.empreendedor.com.br Editora: Carla Kempinski – Repórter: Raquel Rezende


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Luciano Pancich

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Aposta certeira

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Luciano Pancich era um bem-sucedido executivo de vendas e marketing – com passagem por multinacionais como Nestlé, Coca-Cola, TIM Celular e Claro – quando, em 2009, decidiu jogar tudo para o alto e se mudar de São Paulo para Florianópolis. Foi na capital catarinense que ele colocou em prática o sonho de montar seu próprio negócio. Surgia a Kustomize, empresa fabricante de adesivos decorativos, que está em pleno processo de expansão pelo sistema de franchising.

“Sempre achei que tinha capacidade de montar meu próprio negócio, mas não tinha coragem, tinha receio de perder a rotina da conta bancária no final mês, juntamente com o pacote de benefícios. Mesmo assim, resolvi arriscar, fazer o que gostava e vislumbrar minha satisfação pessoal e profissional, além de querer ganhar mais dinheiro”, conta Pancich. Em seu primeiro ano de atuação, a marca obteve o resultado de mais de R$ 700 mil em faturamento.

Para 2011, a empresa quer ser referência no País no franchising de adesivos. O investimento necessário para montar uma loja da marca é de cerca de R$ 70 mil e o faturamento bruto previsto é de R$ 50 mil. Já um quiosque custa em torno de R$ 50 mil, com faturamento de R$ 30 mil. Neste ano, Pancich também planeja ampliar a linha de produtos, modelos e artistas da Kustomize, e iniciar o processo de internacionalização da marca. www.kustomize.com.br


Gilberto Otero

Paixão sustentável A Bambuando nasceu da paixão de Gilberto Otero pela região serrana do Rio de Janeiro e sua afinidade com a proposta de decoração sustentável. A loja, inaugurada em abril de 2010, é especializada em móveis e objetos feitos com bambu e madeira e está localizada no Shopping Estação Itaipava, em Petrópolis. Os produtos são desenvolvidos e criados por Otero em parceria com os arquitetos Andrea Bungartem e Leonardo Freitas. Segundo Otero, a produção de móveis ainda é pequena e focada na necessidade e no gosto do cliente, que faz o pedido sob encomenda. Já os objetos – como cachepôs, vasos, luminárias, pranchetas – são oferecidos a pronta entrega. “Esperamos em breve vender também em outras lojas”, adianta o empresário. O bambu gigante, principal matéria-prima da Bambuando, é seco em estufas e cuidado para não sofrer ação de fungos e insetos. Depois de tratados, os laminados de bambu recebem acabamento e são utilizados nas confecções de todos os produtos, proporcionando ao ambiente elegância e exclusividade. www.bambuando.com.br

Adriana Cury

A executiva Adriana Cury aprendeu com o avô – um imigrante libanês e empresário do ramo têxtil – que qualidade do serviço e atendimento ao cliente devem ser uma obsessão constante na vida de qualquer empreendedor. Com essa visão, ela vem se destacando no comando da operação brasileira da multinacional Interfloor, especializada no segmento de pisos e revestimentos em PVC. Adriana recebeu o convite para estruturar a filial em 2004 e, desde então, tem ampliado os segmentos de atuação da marca, incluindo, por exemplo, os setores hoteleiro e náutico. Formada em design pela Faculda-

de Belas Artes, com especialização em marketing e gestão empresarial pela Fundação Getulio Vargas, Adriana já tinha experiência nas áreas de arquitetura, decoração e construção civil. “Assumir uma empresa deste porte foi desafiador, mas quando somos apaixonados pelo que fazemos, isso se torna ao mesmo tempo estimulante”, conta. Ela aposta na Copa do Mundo de 2014 como um ótimo momento para a expansão de negócios. Segundo a executiva, o aumento da demanda já é sentido por conta da instalação de novos hotéis, estádios, shoppings, lojas e hospitais. www.interfloor.com.br

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Herança empreendedora

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Ana Asti

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Questão de justiça

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A carioca Ana Asti é uma referência brasileira quando o assunto é comércio justo. Desde o ano 2000 ela se dedica a promover relações comerciais equilibradas. Há cinco anos criou a Parceria Social, primeira empresa brasileira de consultoria que atua na consolidação do comércio justo e solidário no Brasil. Incubada na PUC do Rio de Janeiro, a proposta da empresa é garantir a pequenos fornecedores a remuneração

justa pelos seus produtos. Hoje, atende empresas como Fundação L’Occitane, Megamatte, Toca Tapetes e Brasil Social Chic. Em 2004, Ana já havia fundado a Onda Solidária, onde hoje atua como vice-presidente e desenvolve projetos de formação de cadeias produtivas de comércio justo no segmento de moda. A administradora também é diretora internacional da WFTO (Organização Mundial de Comércio Justo)

representando a América Latina e na construção da certificação internacional para organizações de comércio justo da WFTO. De acordo com Ana Asti, o comércio justo tem um crescimento médio de 30% ao ano na Europa e ultrapassa a marca de US$ 3 bilhões em faturamento. Estima-se que já beneficie mais de 1 milhão de pequenos produtores da América Latina, África e Ásia. www.parceriasocial.com.br


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Jefferson Magalhães

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Hora da colheita

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O sonho de criar soluções eletrônicas para aplicações agrícolas levou Jefferson Magalhães, 31 anos, a trocar a estabilidade de um emprego fixo pela aventura de empreender. Em 2009 ele fundou a Ceres Agrotecnologia, em parceria com sua irmã, Kelly, e dois colegas de faculdade, Gabriel e Vinícius. Não foi preciso muito tempo para Jefferson ter certeza de que fez a coisa certa. A ideia de desenvolver equipamentos e soft­ wares para modernizar o processo agrícola rendeu ao grupo uma série de prêmios e uma subvenção federal, do Programa Primeira Empresa Inovadora da Financiadora de Estudos e Projetos (Prime/Finep). Os recursos foram utilizados para profissionalizar a gestão da empresa e investir no desenvolvimento da Linha Ostera de Equipamentos para Agricultura de Precisão. Após dois anos de trabalho, os produtos da Ceres, que otimizam a aplicação de insumos na lavoura, começaram a ser vendidos no mercado nacional em janeiro deste ano. Para Jefferson, técnico em eletrônica e formando em Tecnologia em Sistemas Eletrônicos pelo Instituto Federal de Santa Catarina, é a hora da colheita. Uma boa hora para quem sempre pensou que a paixão pela agricultura lhe renderia bons frutos. www.ceresap.com.br


DOCE DE NEGÓCIO Bisneto dos fundadores da centenária marca de chocolates Neugebauer, o empresário Ernesto Ary Neugebauer se mantém até hoje no ramo chocolateiro. No ano seguinte à venda da Neugebauer, em 1981, ele fundou a Harald em sociedade com o irmão Werner e o pai – também Ernesto. Após a morte dos dois sócios, passou a comandar a empresa sozinho. Hoje, a Harald detém uma fatia estimada de 65% do mercado de chocolates industriais. São mais de 200 itens como cereal coberto com chocolate, granulados, cobertura líquida, cacau em pó, cremes, recheios e cobertura hidrogenada. Entre seus clientes estão empresas como Bauducco, Kibon e McDonald’s. A fábrica, localizada em Santana de Parnaíba, na região metropolitana de São Paulo, tem capacidade para produzir 78 mil toneladas por ano. Nos últimos cinco anos ela recebeu investimentos de mais de R$ 50 milhões, incluindo novas instalações e equipamentos importados, tornando-se uma das mais modernas da América Latina. www.harald.com.br

Valtuir Fraga Caetano

IDAS E VINDAS Num intervalo de pouco mais de dez anos, o engenheiro Valtuir Fraga Caetano criou, vendeu e recomprou a Schalter Eletrônica, provedora de soluções integradas de automação comercial, bancária, industrial e de informática. Hoje ele é o diretor comercial e principal acionista do negócio que criou em 1991, em parceria com o colega Jorge André Backes. Três anos depois da fundação, a Schalter já era líder nacional na fabricação e comercialização de impressoras de cheques. No ano 2000, prestes a completar uma década, a empresa foi comprada pela norte-americana Hypercom. Mas três anos depois, por conta de um processo de reestruturação mundial da companhia, a Schalter voltou para o controle dos seus fundadores. Porém, as parcerias não pararam por aí. Em 2004, Caetano e Backes fecharam um acordo com a Elgin para a transferência de todos os direitos de fabricação e comercialização dos produtos de automação comercial da Schalter. A meta de Valtuir nos próximos dois anos é fazer da empresa um dos três principais fornecedores nacionais de tecnologia nos mercados em que atua. Em pelo menos um destes segmentos ele quer ser o maior fornecedor nos próximos cinco anos.

www.schalter.com.br

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Ernesto Ary Neugebauer

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NÃO DURM A NO P O NT O

a agenda

Estamos no início de um novo ano. E queremos que ele seja próspero, sem dúvida nenhuma. E, claro, que os resultados se aproximem ao máximo das nossas intenções. Com certeza, não esperamos ter de desencavar as mesmas desculpas esfarrapadas, no final desse novo período, para tentar justificar por que as coisas não acontecem: a estratégia foi mal definida, as pessoas deixaram de fazer sua parte, os recursos foram insuficientes, etc. No fundo, sabemos muito bem que o que pode nos impedir de chegar lá é ausência de ação. Mas não qualquer ação. O que pode nos impedir de realizar os objetivos é a falta de ação planejada. Em suma: uma agenda. Uma agenda de ações consistentes. Que proporcione resultados igualmente consistentes. A agenda, então, deve propor um conjunto de ações capaz de criar um forte e permanente elo entre a alma, a mente e o corpo da empresa. Confira como fazer isso, da melhor forma.

Qualidade de diálogo – a Alma em ação

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No lado alma, a agenda propõe a qualidade de diálogo. Somente assim é possível conhecer as verdadeiras razões dos problemas de equipe. Quantas reuniões você já conduziu em que, no final, todos parecem concordar sobre o que precisa ser feito, mas na sequência nada acontece, de fato? São reuniões em que não

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existe um diálogo profundo e, portanto, ninguém expõe seus receios. Da mesma forma, deixa de se comprometer. Em compensação, pense nas reuniões de que você participou e que geraram energia e grandes resultados. Analise bem a diferença entre um processo e outro. Vai perceber que se trata da qualidade do diálogo. A qualidade do diálogo amplia ou restringe a inteligência de grupo. Neste último caso, o da restrição, a verdade nunca virá à tona e uma empresa só tem a perder quando não lida com a realidade. Alguns líderes não gostam da realidade. Preferem viver no reino da fantasia. Quando alguém traz alguma mensagem que contraria seus sonhos, prefere dar cabo do mensageiro. Por conta disso, muitas coisas ficam escondidas na caixa-preta. As pessoas também procuram evitar a realidade tanto por desejo de agradar como por receio de desagradar. O resultado será sempre a expansão da ignorância. Se quer cumprir a agenda, esteja onde a ação está. E deixe de pressupor ou decidir apenas com informações filtradas pelos colaboradores diretos. Seu papel é fazer perguntas que permitam trazer a realidade à tona, de forma que você possa oferecer às pessoas a ajuda essencial para a correção dos problemas. Quando você faz boas perguntas, aprende coisas e seu pessoal também. Todos ganham com a verdade e com o aprendizado que dela decorre. Opte sempre pela verdade, em vez da falsa harmonia. Faz parte da agenda definir o tom do diálogo na equipe. O modo como as pes-

Se quer cumprir a agenda, esteja onde a ação está. E deixe de pressupor ou decidir apenas com informações filtradas pelos colaboradores diretos

soas conversam determina como a empresa funciona. Um diálogo franco – em vez daquele defensivo – fará toda a diferença na forma de tratar e resolver os problemas.

Qualidade de negócio – a Mente em ação É muito comum o ímpeto de querer realizar cinco anos em um, principalmente no início do período, quando as energias estão restauradas. Então, para “ganhar” tempo, são definidas dez prioridades para a empresa. Sabe qual será o resultado disso? Apenas criar movimento e fazer barulho! Acontece que o ruído impede as pessoas de ouvir a música. Elas não conseguem acompanhar o ritmo nem têm a menor ideia da direção para onde convergir atenções, tempo e energias. Espera-se que façam lances sem conhecer o próprio jogo. No lado mente, a agenda propõe garantir a qualidade de negócio, e isso implica foco e propósito. Quem dá a pista para a definição de um propósito é o cliente. Sobre isso admita: de quantas reuniões você já participou em que todos acham, mas nenhum dos presentes tem certeza? Ninguém vai à fonte para beber da boa água, ou seja, do cliente. A agenda propõe instituir a busca de informações na fonte como mecanismo de relacionamento atento e interessado com quem pode nos oferecer as indicações corretas: o cliente. A partir daí, é possível definir um propósito para a empresa e uma razão para existir, tendo como fonte de inspiração o cliente e suas necessidades. Algo claro, simples, empolgante e factível. A definição de propósito faz parte da agenda. Da mesma forma que a definição das prioridades. E atenção: não muitas! Três no máximo, e que todos sejam capazes de assumir e assimilar. Se você sai por aí anunciando mais de três ou quatro prioridades, então não sabe (desculpe!) quais são as coisas mais importantes. Eleja as prioridades – ou seja, o que é realmen-


Qualidade de resultado – o Corpo em ação No lado corpo, a agenda propõe assegurar a qualidade do resultado. Implica criar um processo de decisão e ação que funcione com eficácia, defina as responsabilidades, assegure a compreensão e permita o acompanhamento. De todos. Quem vai fazer o que e quando? Enquanto não tiver uma boa resposta para essa pergunta, você conseguirá apenas mais movimento do que ação. E os resultados ficarão sempre aquém do almejado. Depois de esclarecidas as responsabilidades, o acompanhamento é im-

prescindível. A partir daí, acompanhar preencherá a maior parte da agenda. Implica circular, captar pensamentos e sentimentos das pessoas, obter informações e oferecer orientação e direção. Jamais termine uma conversa sem fazer um resumo das ações que devem ser realizadas, por quem, quando e qual o resultado esperado. É uma síntese altamente necessária.

Liderança Por fim, a agenda do líder consiste em se envolver profundamente com as pessoas, com as estratégias e com os resultados. Deve ser capaz de criar uma realidade compreensível para todos, porque sabe conectar as partes e valoriza a importância dos detalhes em cada uma delas. Tem, portanto, a visão do todo e das partes. E, claro, com a firme disposição de atuar em todas as frentes, na busca do equilíbrio entre

por Roberto Adami Tranjan

Educador da Cempre Conhecimento & Educação Empresarial (11) 3873-1953/www.cempre.net roberto.tranjan@cempre.net

a alma, a mente e o corpo da empresa. É dessa poderosa síntese que depende chegar em dezembro com respostas positivas para todos os propósitos. Portanto, a partir desta clara perspectiva, feliz ano novo!

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te fundamental e está acima de tudo – e apresente-as de maneira bem definida, para que todos possam compreendê-las. E não tenha medo ou preguiça de repetilas todos os dias, como um mantra, para que ninguém tenha oportunidade de se fazer de desentendido.

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eNT R EV I S TA

Surama Jurdi

PRINCÍPIOS VITORIOSOS Sete fundamentos norteiam o trabalho de pessoas que conquistaram o sucesso duradouro

por Beatrice Gonçalves

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beatrice@empreendedor.com.br

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O que esportistas e empresários podem ter em comum? Surama Jurdi, empresária e presidente da Agape do Brasil – empresa do segmento de educação empresarial e desenvolvimento humano –, observou o comportamento de 15 grandes personalidades brasileiras, entre elas o empresário Guilherme Leal, fundador da Natura, e o ex-jogador de basquete Oscar Schmidt, e descobriu que os princípios para vencer no esporte e no mundo dos negócios podem ser os mesmos. Por quatro anos Surama acompanhou o dia a dia

dessas personalidades e observou como elas agem em momentos decisivos de suas carreiras. A conclusão da pesquisadora foi que todos os entrevistados norteiam seu trabalho em sete princípios para conquistar resultados duradouros. “Eles sabem o que querem, têm foco, comprometimento, são motivados e sabem muito bem usar o networking. Além disso, têm constância e consistência em suas atitudes.” A partir da pesquisa, a empresária passou a testar o uso desses princípios no dia a dia das empresas e percebeu que com esses processos era possível não só conquistar o sucesso, mas também sustentá-lo. Surama sistematizou esses conhecimentos em um novo método de for-

mação profissional chamado de Resultado Sustentável. “Em qualquer área de sua vida, você só é realizado se consegue sustentar as suas conquistas. Hoje em dia, conquistar é muito fácil para todas as pessoas. Qualquer coisa que você coloque em sua mente e que tenha uma motivação muito forte, você conquista. O desafio maior é sustentar.” O seminário Atitude para Resultado Sustentável, ministrado por Surama, está entre os mais requisitados do País. Em cinco anos de trabalho, cerca de 150 mil pessoas já fizeram o curso de formação. Em 2011, a empresária se prepara para lançar um livro sobre as técnicas do resultado sustentável.


Que comportamentos foram identificados? Surama Jurdi – Foi possível perceber que todos eles sabem o que querem, têm foco, comprometimento, são motivados e organizados e sabem muito bem usar o networking. Além disso, têm constância e consistência em suas atitudes. Essas características podem ser encontradas em qualquer pessoa. O que diferencia essas personalidades é que elas souberam desenvolver e potencializar esses princípios. São pessoas que conquistaram o resultado sustentável. O que é o resultado sustentável? Surama Jurdi – Para a maioria das pessoas sucesso é uma série de atributos como ser feliz, conquistar e ter paz. Com a pesquisa que fiz, cheguei à conclusão que sucesso não é só conquistar – é conquistar e sustentar. Foi a partir disso que criei esse conceito de resultado sustentável. Em qualquer área de sua vida, seja no campo profissional ou mesmo no pessoal, você só é realizado se consegue sustentar

as suas conquistas. Hoje em dia, conquistar é muito fácil para todas as pessoas. Qualquer coisa que você coloque em sua mente e que tenha uma motivação muito forte, você conquista. O desafio maior é sustentar. Em todos os meus estudos sempre procurei entender por que alguns chegam lá em cima e continuam subindo, outros chegam lá, batem suas metas e logo caem, e outros passam a vida tentando e não chegam a lugar algum. E por que alguns alcançam o sucesso e o mantêm e outros não? Surama Jurdi – Isso acontece porque as pessoas não sabem no que elas devem focalizar ou focalizam coisas erradas. As pessoas acabam focalizando apenas os resultados e não se elas querem isso e por quanto tempo querem. Desde pequenas as pessoas são orientadas para conquistar o resultado, mas não para sustentá-lo, e isso faz com que as pessoas conquistem o que desejam, mas por pouco tempo. Quando as pessoas não sabem o que querem, não conseguem sair do lugar. Tudo acontece com uma velocidade tão grande que as pessoas se atropelam e não se comprometem com um objetivo, ficam sempre mudando de ideia e assim não chegam a lugar algum. A maior dica para conquistar e sustentar é ter constância e consistência. É ser profundo naquilo que você escolhe. Não dá para falar em resultado sustentável se um dia eu quero uma coisa e no outro algo bem diferente.

Em qualquer área de sua vida, seja no campo profissional ou mesmo no pessoal, você só é realizado se consegue sustentar as suas conquistas

Como trabalhar para garantir que o sucesso alcançado seja sustentável? Surama Jurdi – Há muitas pessoas que não sabem o que querem e o que se comprometeriam a fazer. O primeiro passo para conquistar e manter o resultado é saber exatamente o que se quer e, para isso, é preciso estipular metas. No momento em que a pessoa sabe o que quer, ela se envolve no projeto e isso faz com que ela se comprometa. Essa mudança de postura do ‘eu gostaria’ para ‘eu quero’ faz com que as pessoas que estão ao seu redor também apostem nos projetos delas. É muito simples: você precisa saber o que quer, quais são os seus recursos e o que você precisa fazer para chegar lá. Depois disso é preciso pensar no plano de ação.

para sustentar o resultado alcançado? Surama Jurdi – A partir da pesquisa que realizei com as 15 personalidades de sucesso, desenvolvi um seminário de capacitação chamado Atitude para Resultado Sustentável em que eu trabalho formas para incentivar profissionais e empresas a conquistar e manter o que realmente desejam. Minha proposta é trabalhar os conceitos do resultado sustentável e ajudá-los a entender o que eles realmente querem e verificar o que está impedindo-os de chegar lá. Nesse seminário explico como pensam as mentes de sucesso, como agem diante das dificuldades e como transformam dificuldades em oportunidades. Já passaram por esse treinamento cerca de 150 mil pessoas de diferentes regiões do País. Essa é uma capacitação diferente de tudo o que vem sendo oferecido no mercado. Porque enquanto a maioria dos cursos aborda o passo a passo para realizar conquistas, eu oriento os participantes para atingirem seus objetivos, mantendo as consequências positivas a longo prazo, de forma sustentável. Esse é um seminário voltado a empresários, diretores, gerentes e vendedores e dou ênfase ao desenvolvimento dos participantes através de um processo de autoconhecimento.

Qual é a melhor forma para traçar estratégias

São poucas as pessoas e as empresas que

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Você estudou por quatro anos o comportamento de esportistas e empresários brasileiros que são destaque em sua área de atuação. O que você percebeu no comportamento deles? Surama Jurdi – Fiz um mapeamento profissional de 15 personalidades para entender seus aspectos comportamentais em diferentes momentos de suas carreiras. Para essa pesquisa escolhi profissionais de renome nos meios empresarial e esportivo como Marcio Utsch (presidente da Alpargatas), Guilherme Leal (fundador da Natura), Oscar Schmidt (ex-atleta de basquete) e José Carlos Grubisich (presidente da Braskem). Procurei entender quais foram os motivos que fizeram com que eles acreditassem no negócio que iam abrir ou na carreira que iam investir e busquei entender como eles reagem em momentos de dúvida, como lidam com os conflitos e com situações de perda e como eles conseguem se reerguer. Neste estudo percebi que havia sete princípios que foram listados por todos eles como essenciais no processo de conquista de resultados. O mais interessante é que esses comportamentos foram identificados em todos os pesquisados, mesmo entre pessoas de diferentes áreas. Esses princípios fizeram com que eles conquistassem seus objetivos e conseguissem manter os resultados.

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ENTREVI S TA conseguem manter esse resultado sustentável. Por que isso acontece? É um processo muito difícil? Surama Jurdi – Não é um processo difícil, é muito mais fácil do que a gente imagina. É só a gente aprender a mudar a nossa postura diante das conquistas – e essa é a minha proposta. Trabalho isso através de uma dinâmica de alto impacto que faço nos eventos. Minha proposta é ajudar as pessoas a descobrirem o que elas realmente querem e se comprometerem com isso de verdade. No seminário procuro entender o que impede as pessoas de conquistarem e sustentarem.

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Qual é o melhor momento para traçar as estratégias que garantam o resultado sustentável? Surama Jurdi – Considero que antes mesmo de iniciar um projeto já é importante pensar em como conquistar os objetivos e como mantê-los. Porque, para muitas pessoas, é difícil entender que é preciso traçar estratégias para sustentar o que já foi conquistado quando se está lá em cima, quando, por exemplo, uma marca conquistou uma fatia de mercado ou mesmo quando alguém conseguiu independência financeira. Muitas vezes acontece de a pessoa achar que aquilo nunca vai acabar. Mas é preciso pensar nisso porque não dá para fazer as mesmas coisas e usar as mesmas estratégias de quando se estava conquistando aquele objetivo. Tudo isso precisa ser muito bem planejado, porque senão não sustenta.

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Como introduzir os conceitos do resultado sustentável em uma empresa? Surama Jurdi – Resultado sustentável é quando todo mundo ganha: o cliente, o colaborador e a empresa. Nesse processo mostro que a empresa precisa se aliar à sua equipe de forma que aquele colaborador também enriqueça trabalhando na organização. Porque quanto mais eles enriquecerem, mais rica será a empresa, e quanto mais fortalecidas estiverem as organizações, mais elas ajudarão a fazer um Brasil melhor. Quando se fala em capacitação de colaboradores, uma das principais preocupações dos

A empresa precisa se aliar à sua equipe de forma que aquele colaborador também enriqueça trabalhando na organização

líderes é como manter uma equipe motivada. Em que medida o processo de resultado sustentável pode ajudar nisso? Surama Jurdi – Considero que para as empresas é melhor ter uma equipe comprometida do que motivada. As pessoas motivadas ficam empolgadas por um período curto, já a equipe comprometida se envolve mais nos processos, nos programas e nos objetivos da empresa. Somente quando uma equipe está comprometida é que ela fica motivada de uma forma sustentável, ou seja, duradoura. A grande sacada é fazer os colaboradores se envolverem no projeto da organização. No meu curso trabalho para desenvolver profissionais de alta performance com atenção orientada para atitude e ação para resultado sustentável. Como as empresas podem utilizar esse conceito de resultado sustentável para incrementar seus processos? Surama Jurdi – No curso Atitude para Resultado Sustentável trabalho mecanismos para melhorar o comprometimento dos colaboradores de empresas com os resultados da organização. Essa ideia de envolver a equipe nos processos e em todos os projetos da empresa é o que mantém de fato a equipe comprometida com o resultado. Outro aspecto que levo em consideração é o processo de comunicação dos colaboradores com os clientes. Considero que através de uma boa comunicação com o cliente é possível conquistar o resultado sustentável em vendas e transformar o consumidor leal à marca. Criei uma metodologia nova para promover isso, um treinamento que não tem nada a ver com a forma com que os vendedores se vestem ou com a forma que eles sorriem para os clientes. Nessa capacitação que ofereço, ajudo os vendedores a construírem lealdade com os clientes.

LINHA DIRETA Surama Jurdi: www.resultadosustentavel.com.br


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verde

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Equação

Conciliar crescimento com a preservação do meio ambiente é o desafio que a construção civil procura resolver com novos métodos e materiais

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por Beatrice Gonçalves | beatrice@empreendedor.com.br

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(SindusCon-SP), por exemplo, criou manuais para orientar o setor sobre a necessidade do uso de madeiras que causam menos impacto ambiental e sobre as vantagens do uso racional dos recursos hídricos. A entidade também assinou com o governo do estado o Protocolo Ambiental da Construção Civil e Desenvolvimento Urbano, um acordo de cooperação técnica para promover a fabricação e utilização de materiais mais sustentáveis nas obras. Segundo a Green Building Council Brasil, organização não-governamental que trabalha para o desenvolvimento da construção sustentável no Brasil, são mudanças como essas que têm popularizado os conceitos da sustentabilidade no País. Prova disso é que em 2010 o Brasil entrou no ranking mundial dos cinco países que mais investem em construções verdes, ficando atrás dos Estados Unidos, Emirados Árabes, Canadá e China. De acordo com a entidade, houve um crescimento no número de construções sustentáveis no País e

Ranking Construção sustentável

1º Estados Unidos 2º Emirados Árabes 3º Canadá 4º China 5º Brasil Fonte: Green Building Council Brasil (dados referentes a 2010)

Neo Next Generation, condomínio residencial de Florianópolis

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Nos próximos anos o Brasil tem grandes desafios a resolver. Precisa ampliar as obras de infraestrutura de aeroportos, aumentar o número de estradas e construir mais moradias populares. Mas além de cumprir prazos e garantir que o País ofereça infraestrutura para continuar a crescer, um dos maiores desafios é garantir que os projetos a serem executados não deixem para as próximas gerações uma herança de danos ambientais, como solos impermeabilizados e áreas verdes degradadas. A equação para conciliar crescimento urbano com a preservação do meio ambiente não é fácil de resolver. Hoje o setor da construção civil está entre os que mais consomem recursos naturais como madeira, pedras, areia e ferro. Além disso, é responsável pela produção de cerca de 30% dos resíduos sólidos gerados em centros urbanos. Nos últimos anos, tanto a cadeia produtiva da construção civil quanto o poder público e a própria sociedade civil têm se mobilizado para encontrar formas de construção mais sustentáveis. O Sindicato da Indústria da Construção Civil de São Paulo

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CA PA Novas unidades da Leroy Merlin têm certificação francesa HQE de sustentabilidade

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Suchodolski: solução (energia eólica) pode reduzir em até 50% o consumo de energia no Neo Next Generation

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isso é possível perceber pelo aumento na procura por certificações ambientais. No ano passado, 23 imóveis no Brasil atenderam aos requisitos de sustentabilidade do Green Building Council e receberam o certificado LEED (Leadership in Energy Environmental). Outros 211 empreendimentos como estádios de futebol, shopping centers e escolas estão em processo de certificação. O arquiteto Jacques Suchodolski resolveu inserir os conceitos da sustentabilidade nos projetos da Asas Incorporação e Habitat Ltda, onde é diretor-presidente. Por dois anos ele estudou formas de viabilizar um projeto mais sustentável para a obra do condomínio residencial Neo Next Generation que está sendo construído na praia do Campeche, em Florianópolis. Uma das soluções encontradas pelo arquiteto foi utilizar o famoso vento da praia para gerar energia. Para isso ele optou por colocar em cada torre do condomínio um aerogerador, com capacidade para gerar cerca de 5 kW de energia e aquecer a água dos apartamentos. “Nós somos pioneiros no uso dessa tecnologia para imóveis residenciais. Essa é uma solução que pode reduzir em até 50% o consumo de energia no condomínio.” O arquiteto explica que no empreendimento serão utilizadas também placas

fotovoltaicas para captação de energia solar que servirão como segunda fonte de aquecimento de água e para gerar energia para as áreas comuns do condomínio. Além desse sistema, o Neo Next Generation terá uma estação de tratamento de esgoto e vai reutilizar a água das chuvas para abastecer o sistema de descargas sanitárias dos apartamentos. “Antes mesmo de terminar a obra já recebemos o selo CarbonOK que certifica a compensação de todo o gás carbônico que será emitido ao longo da construção do condomínio”, afirma o arquiteto.

Incentivo Os preceitos da sustentabilidade também fizeram com que a rede de lojas de materiais de construção Leroy Merlin repensasse seus processos. A empresa percebeu que era preciso incentivar o uso de materiais de construção que fossem mais sustentáveis entre seus clientes e criou o selo “Construir e Sustentar” para identificar no mix de produtos vendidos na rede aqueles que oferecem maior eficiência energética e evitam desperdícios dos recursos naturais. Mas além de trabalhar para a conscientização de funcionários e consumidores, a rede entendeu que era preciso inserir a

sustentabilidade na construção e gestão das lojas. A Leroy Merlin procurou a Inovatech Engenharia, especializada em consultoria ambiental, para pensar em formas de construir novas unidades da rede de forma mais sustentável e fazer com que aquelas já existentes também se tornassem mais ecoeficientes. A opção da rede foi então trabalhar para certificar as lojas e realizar todas as etapas da construção de acordo com o processo ambiental Aqua (Alta Qualidade Ambiental), que é uma adaptação da certificação francesa HQE de sustentabilidade e que é concedida no Brasil pela Fundação Vanzolini. A primeira unidade construída pelo novo processo foi a de Niterói (RJ). E para garantir que a loja estaria de acordo com os critérios de sustentabilidade estabelecidos pelo processo Aqua, todas as etapas da obra – desde a escolha do terreno, do projeto, dos materiais a serem utilizados – foram acompanhadas de perto pela Inovatech. “Mantivemos o nosso cronograma de trabalho de entregar a unidade em 150 dias e fomos adaptando os novos processos de sustentabilidade na obra”, explica Pedro Sarro, diretor de projetos e obras e líder do comitê de sustentabilidade da Leroy Merlin no Brasil. O empreendimento foi auditado pela Fundação Vanzolini em quatro etapas, nas


Alain Ryckeboer, Andreia Abreu e Pedro Sarro, da Leroy Merlin Brasil

Medidas racionais Soluções utilizadas na Leroy Merlin de Niterói (RJ), primeira loja sustentável certificada do País: reservatório de 150 mil litros de água embaixo do

estacionamento para captar a água das chuvas e evitar alagamentos; reuso da água das chuvas em descargas sanitárias; mictórios que não utilizam água; ar-condicionado que se ajusta automaticamente à

temperatura; piso de concreto polido que dispensa o uso de produtos

químicos para limpeza; LEDs na fachada da loja, que utilizam três vezes menos

energia que as lâmpadas convencionais. Fonte: Leroy Merlin

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quais foi avaliado se o programa, o projeto, a realização da obra e o uso e operação do imóvel estavam de acordo com 14 critérios de sustentabilidade do processo. Para conseguir a certificação Aqua, o imóvel teve que apresentar três níveis de sustentabilidade considerados excelentes, quatro níveis superiores e os demais itens como bons nas categorias de ecoconstrução, ecogestão, conforto e saúde. Por esse processo fica a cargo do empreendedor escolher dentre os 14 itens quais vai valorizar de acordo com a particularidade do meio ambiente onde será construído o imóvel. A opção da Leroy Merlin foi investir no uso racional de água e em eficiência energética. A rede fez um reservatório de 150 mil litros de água embaixo do estacionamento para captar a água das chuvas, colocou nos banheiros mictórios que não utilizam água, instalou LEDS na fachada e nos caixas da loja e colocou ares-condicionados com ajuste automático de temperatura. Com todos os processos de ecoeficiência, a loja diminuiu em 50% o consumo de água, reduziu o consumo do ar-condicionado em 30% e o de energia em 17%, o que fez com que a unidade fosse a primeira loja no País a ter a construção e a operação certificadas pelo processo Aqua. “Essa é uma loja

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Ferreira, da Inovatech, que presta assessoria para Leroy Merlin

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Telhado verde absorve a água das chuvas, ajuda a purificar o ar e traz conforto térmico e acústico para o ambiente

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100% sustentável. É a primeira da rede a ser certificada em nível mundial. O que havia antes eram lojas verdes da marca na França e na Espanha”, afirma o líder do comitê de sustentabilidade da empresa no Brasil. A certificação da Leroy Merlin de Niterói é considerada uma referência para toda a rede. Depois dessa unidade, a loja de Taguatinga (DF) também foi certificada pelo processo Aqua e as unidades de Campinas e Jacarepaguá, ambas em São Paulo, já tiveram duas etapas das obras certificadas. Além disso, a rede seguiu os mesmos princípios de sustentabilidade para a reforma do prédio da matriz no Brasil e, por conta disso, teve a primeira certificação de retrofit concedida pelo processo Aqua no País. O consultor da Inovatech, Luiz Henrique Ferreira, acompanhou todo o trabalho realizado na unidade de Niterói e explica que a obra chegou a custar cerca de 8% a mais do que se tivesse sido realizada pelos procedimentos convencionais. Mas ele avalia que, a médio prazo, a rede verá o retorno do valor investido com o que será economizado em água e energia. Além da consultoria para a Leroy Merlin, a Inovatech presta assessoria para outras 30 organizações que buscam certificação ambiental. “A maior parte das empresas que buscam a certificação já tem algum programa de sustentabilidade. Elas nos procuram porque querem aprimorar isso e comprovar que os processos utilizados são realmente ecologicamente corretos. A certificação para eles é uma garantia.” Desde 2008, a Fundação Vanzolini já certificou 21 empreendimentos com o processo Aqua e foram emitidos outros 39 certificados para processos sustentáveis. O custo para ter uma construção certificada varia de R$ 19 mil para uma área de 1,5 mil metros quadrados até R$ 96 mil para um imóvel de 45 mil metros quadrados. “O processo Aqua leva em consideração as leis ambientais brasileiras e os padrões estabelecidos pelo Procel e pela ABNT. A certificação é uma garantia que nós, da Fundação Vanzolini, atestamos para confirmar que um empreendimento é realmente sustentável”, explica Bruno Casagrande, executivo res-


A Ebiobambu, em Visconde de Mauá (RJ), forma mão de obra especializada no uso de bambu em construções

no telhado e que o usuário faça o plantio de flores ou plantas, o ecotelhado já vem pronto para ser instalado. A rapidez para a colocação também é outro diferencial. Enquanto um telhado verde demora em média um mês para ficar pronto, a instalação de um ecotelhado em uma área de 1,5 mil metros quadrados leva em média três dias. O sistema permite ainda que em caso de qualquer problema na estrutura da casa – como a quebra de uma telha – que os módulos sejam retirados para o conserto e depois reinstalados sem qualquer dano. Pequenas mudanças Guimarães explica que a procura pelo sistema tem crescido a uma média de 30% ao ano e que o ecotelhado Conseguir diminuir a temperatura de um ambiente em 10˚C, já está sendo exportado para países como por exemplo, pode trazer uma economia significativa no consuChile, México e Bolívia. Além do módumo de ar-condicionado e, por consequência, no de energia. E para lo de telhado verde, a empresa ofeNo Brasil, os fazer isso não são necessárias grandes mudanças. Uma das prorece outros produtos sustentáveis 50 milhões de postas mais viáveis vem da empresa Ecotelhado, especializada que também auxiliam no conforto imóveis existentes em infraestrutura verde urbana, que desenvolveu um sistema térmico e na purificação do ar desperdiçam cerca modular que permite colocar no telhado de casas, edifícios ou dos ambientes. A ecoparede, por empresas uma estrutura que funciona como um telhado verexemplo, funciona como um jarde 575 milhões de de ou mesmo um jardim suspenso. “Essa estrutura absorve a dim vertical, o ecopavimento é um metros cúbicos de água das chuvas, ajuda a purificar o ar e ainda traz um grande pavimento permeável, e o ecodreágua por mês em conforto térmico e acústico para o ambiente. O ecotelhado é no um sistema de biorretenção que descargas sanitárias um produto que pode ajudar a evitar o caos provocado pelas promove a gestão da água das chuenchentes nas cidades porque permite que áreas antes vas e previne inundações. O trabalho impermeabilizadas, como os telhados, ajudem a inovador da empresa e sua atuação absorver a água das chuvas”, explica Paulo no desenvolvimento de tecnologias Guimarães, diretor da empresa. sustentáveis fizeram com que a EcoPara colocar o sistema é pretelhado fosse escolhida pelo Centro ciso impermeabilizar o telhado de Estudos em Sustentabilidade da e garantir que a estrutura suFundação Getulio Vargas para rece35% da água de uma porte o peso dos módulos ber investimentos do programa New casa é desperdiçada em do ecotelhado. Diferente Ventures Brasil. de outros telhados verdes O desperdício de água no País também descargas sanitárias disponíveis no mercado, que pode ser evitado com uma solução simples. Fonte: Anamaco exigem a colocação de terra Segundo a Associação Nacional dos Comerciantes

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ponsável pelo processo Aqua na Fundação Vanzolini. De toda energia elétrica gerada no Brasil, o equivalente a 45% do total é destinado para iluminar casas, edifícios residenciais e empresariais por mês, segundo a Eletrobras. Também 21% do volume total de água tratada no País é reservado para abastecer o setor imobiliário nacional. Essa é uma conta que poderia ser bem menor se fossem adotadas medidas de eficiência energética e do uso racional de água no Brasil.

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Queiroga: “Cada 50 pallets fabricados pela Wisewood evita a derrubada de cerca de 3 metros cúbicos de madeira e representa uma economia de 2 metros cúbicos de derivados de petróleo”

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de Material de Construção (Anamaco), o Brasil chega a perder 575 milhões de metros cúbicos de água por mês só em descargas sanitárias, o equivalente ao volume do Rio São Francisco. Um valor que poderia ser evitado com a troca das bacias e válvulas sanitárias. Pelos cálculos da Anamaco, o Brasil tem ainda 100 milhões de bacias de privadas que foram instaladas antes de 2002 e que gastam em média cinco vezes mais água por descarga do que as bacias comercializadas hoje. São produtos antigos que chegam a utilizar cerca de 35% da água tratada de uma residência. “Em uma casa de quatro pessoas, a descarga sanitária é acionada, em média, 16 vezes ao dia. Se em cada descarga forem gastos cerca de 30 litros, o total do consumo diário será de 480 litros. Em um mês, chegamos a um total de quase 15 mil litros ou 15 metros cúbicos de consumo”, afirma Cláudio Conz, presidente da Anamaco. Com bacias sanitárias novas que gastam em média 6 litros por descarga, o consumo dessa mesma casa com quatro pessoas chega a 2.880 litros ou 2,88 metros cúbicos por mês. O que pode gerar uma economia de 80% no consumo de água e fazer com que o consumidor pague cinco vezes menos pelo serviço ao mês. “Hoje,

além das válvulas novas gastarem no máximo 6 litros em cada descarga, há modelos de válvulas de fluxo duplo que permitem ao usuário acionar volumes de descargas diferentes – uma de 3 litros para uma limpeza mais simples e outra de 6 litros para uma mais completa.” Para Conz, uma das soluções para evitar o desperdício de água é promover a troca dessas 100 milhões de bacias sanitárias no Brasil em larga escala. Para isso é necessário investir cerca de R$ 150 em cada nova bacia. Conz considera que esse poderia ser um investimento custeado pelo governo, e cita o caso de Nova York como exemplo. Na cidade norte-americana, a prefeitura criou um programa de incentivo à substituição dos vasos sanitários do município – o TRP (New York Toilet

Do volume total de madeira retirado por ano no País, estima-se que 75% do material seja utilizado pela construção civil

Rebate Program) – que trocou 1 milhão de bacias sanitárias gratuitamente. “Isso fez com que a cidade registrasse economia de 30% no consumo de água e 35% nos custos com tratamento de esgoto.” Caso seja feita uma troca assim no Brasil, Conz afirma que as bacias sanitárias antigas não precisam virar lixo. Um estudo feito pela Associação Brasileira de Cimento Portland mostrou que esse material pode ser reaproveitado como parte da matéria-prima usada pelas indústrias de cimento e de concreto, podendo ser utilizado também no composto compactado que é colocado antes da camada de asfalto de ruas e estradas. Conz explica que no Brasil essa mudança tem sido feita aos poucos e nos lugares em que isso já aconteceu é possível ver a diferença. Na cidade de Vinhedo, no interior de São Paulo, prédios públicos e escolas municipais que trocaram as louças e os metais antigos tiveram uma economia de 97% no consumo de água. “Nessa cidade o retorno sobre o investimento com as novas bacias aconteceu em menos de três meses.” Além de cobrar do governo um maior comprometimento em estimular o uso consciente dos recursos naturais, Conz considera que cabe ao varejo um


que não respeitem o meio ambiente.” Um exemplo de recurso natural utilizado hoje em larga escala e que poderia ser substituído por materiais mais sustentáveis é a madeira. Do volume total retirado por ano no País, estima-se que 75% do material seja utilizado pela construção civil. Um recurso que poderia ser substituído, em alguns casos, pela madeira plástica – material feito da mistura de diversos plásticos recicláveis com fibras naturais e que apresenta alta durabilidade e menor custo de manutenção do que a madeira convencional.

Resíduos aproveitados

Bruno Casagrande, da Fundação Vanzolini, que já certificou 21 empreendimentos com o processo Aqua

A Wisewood desenvolveu uma tecnologia própria para fabricar madeiras plásticas, dormentes, pallets e estacas feitas de materiais reciclados e resíduos. A empresa tem capacidade para transformar o que seria lixo industrial, como borracha e plásticos, e fibras naturais – como celulose e sisal – em madeira plástica que pode ser utilizada no acabamento de áreas externas como pisos e deques. Um material que, além de dar nova finalidade para antigos resíduos, evita a derrubada de árvores e o consumo de outros recursos naturais. “Cada 50 pallets fabricados pela Wisewood evita a derruba-

da de cerca de 3 metros cúbicos de madeira e representa também uma economia de 2 metros cúbicos de derivados de petróleo. Além disso, o sistema retira do meio ambiente 2 toneladas de resíduos”, afirma Marcelo Queiroga, diretor da Wisewood. Queiroga explica que, com o serviço oferecido pela Wisewood, empresas que geram resíduos plásticos e fibras podem transformar seus passivos ambientais em ativo patrimonial. “Nós fizemos uma parceria com a marca Café Iguaçu para reaproveitar parte dos resíduos gerados na fabricação de café em pó. Eles nos mandaram um material plástico que era descartado durante a fabricação das embalagens e borras de café para que fizéssemos madeiras e pallets plásticos que seriam utilizados na própria fábrica da empresa. O material ficou tão bom que a madeira produzida tinha até cheiro de café.” A madeira plástica fabricada por esse processo é impermeável, tem alta resistência, é imune a pragas e tem características físicas parecidas com a madeira convencional. O preço do material costuma variar de R$ 52 a R$ 105 o metro quadrado. “O preço da madeira convencional com o da madeira plástica se equivalem. Mas a médio prazo a madeira plástica se torna mais barata porque o material já está pronto

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papel fundamental. “Sustentabilidade é também responsabilidade do varejo. À medida que as lojas venderem somente produtos ecoeficientes, o consumidor não terá opções de escolher produtos

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Uso de bambu na construção civil é um método rápido e barato que pode reduzir o custo da obra em até 30%

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para ser utilizado e não precisa de manutenção. Já a madeira convencional precisa ser constantemente impermeabilizada.” Outra alternativa à madeira é o bambu. Mas a falta de mão de obra que atinge a construção civil – segundo a Sondagem da Construção Civil realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em janeiro de 2011, 68% de um universo de 375 empresários do setor apontam dificuldades em contratar profissionais para a área – também afeta as construções verdes. Faltam profissionais qualificados que entendam e saibam construir a partir de materiais e técnicas mais sustentáveis. Quando a arquiteta Celina Llerena re­

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Faltam profissionais qualificados que entendam e saibam construir a partir de materiais e técnicas mais sustentáveis

sol­veu começar a trabalhar com bambu pa­ra construção de casas teve dificuldades de encontrar quem pudesse auxiliá-la nesse projeto. Ela percebeu, então, que era preciso criar um curso de formação em bioarquitetura para ensinar outras pessoas a utilizarem o material. Em 2002, Celina e um grupo de arquitetos montaram a Escola de Bioarquitetura e Centro de Pesquisa e Tecnologia Experimental em Bambu (Ebiobambu), em Visconde de Mauá (RJ). Celina explica que no curso de formação oferecido pela escola as pessoas aprendem a identificar as diferentes espécies de bambu, fazer o corte, tratar o material e aprendem a montar toda a estrutura da construção. “A alta resistência do material permite que ele seja utilizado em substituição à madeira e ainda que receba cal e areia ou que seja cimentado. O bambu pode ser utilizado na construção de casas, galpões e áreas externas. A única restrição ao uso é em áreas muito úmidas.” Segundo a arquiteta, o uso de bambu na construção civil é um método rápido e barato que reduz o custo da obra em até 30% em comparação com uma construção convencional e diminui os impactos sobre

o meio ambiente. Para mostrar as vantagens do material ela faz um cálculo. “Enquanto é preciso esperar 15 anos para o ponto de corte de um pinus, o bambu leva em média três anos para chegar ao tamanho necessário para o corte.” Embora não seja fácil resolver, a equação tem solução. Na verdade, mais de uma. Basta utilizar os elementos corretos.

LINHA DIRETA Anamaco: www.anamaco.com.br Ebiobambu: www.ebiobambu.com.br Ecotelhado: www.ecotelhado.com.br Inovatech Engenharia: www.inovatech.eng.br Leroy Merlin: www.leroymerlin.com.br Neo Next Generation: www.conceitonext.com.br Processo Aqua: www.vanzolini.org.br Wisewood: www.wisewood.com.br


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lio simas

inovação

fonte Direto na

por Cléia Schmitz

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cleia@empreendedor.com.br

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O que pode haver de inovação em um parafuso? Para os leigos no assunto é difícil imaginar como é possível mudar um item que parece exatamente igual ao fabricado há 100 anos. A Ciser Parafusos e Porcas, maior fabricante de fixadores metálicos da América Latina, com sede em Joinville (SC), decidiu lançar o desafio

para quem entende do assunto. Para isso criou em 2009 o Prêmio Ciser de Inovação Tecnológica, um estímulo financeiro para que pesquisadores de áreas como física, química, matemática e engenharia voltem seus estudos para o segmento de conformação de materiais, tradicionalmente esquecido pela academia. “O que fizemos foi pedir aos pesquisadores que se unam à nossa cruzada pela inovação. Hoje, podemos dizer que esco-

Empresas buscam conhecimento nas universidades e estimulam acadêmicos a se engajarem em seus projetos de inovação lhemos o caminho certo”, afirma Guido Ganassali, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da companhia. Para o executivo, o conhecimento científico, as instalações e as mentes necessárias para o grande salto tecnológico do País estão disponíveis nas universidades. E cabe à indústria identificar as novas tecnologias e os talentos para aproveitá-los em seus processos. Ganassali ressalta que o custo de P&D é muito alto e a saída é utilizar


mentes que já detêm o conhecimento, encurtando caminhos. O projeto vencedor da segunda edição do Prêmio Ciser, divulgado no final de 2010, mostra bem o que Ganassali quer dizer com “utilizar mentes que já detêm o conhecimento”. A estudante de física Anezka Popovski Kolaceke, da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), e seu orientador, Luis César Fontana, apresentaram uma proposta para a criação de fixadores inteligentes – parafusos com diferentes coeficientes para apertar e soltar, o que facilita muito o seu uso. O projeto, que se apoia na nanotecnologia, impressionou os jurados do prêmio e, claro, a própria Ciser. O que chama atenção é que Anezka e o professor Fontana desenvolveram o projeto do fixador com atrito seletivo em apenas um mês. O que eles fizeram foi aplicar suas pesquisas com filmes finos ao segmento de parafusos. “Só precisamos fazer amostras em chapas metálicas para ver se era viável”, conta Anezka. Para chegar

ao produto em si, ainda há um caminho a percorrer, mas o conceito embutido na ideia é considerado revolucionário para a área de fixadores. Uma revolução estimulada pelo modelo de inovação aberta. Afinal, Anezka e Fontana dificilmente teriam parado para pensar em fixadores sem o estímulo do prêmio. Para o projetista Giuliano Bergamin, estudante de engenharia química da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), prêmios de inovação são importantes para aproximar os acadêmicos das necessidades do setor produtivo. “Muitos se formam e não sabem aplicar o

O custo de P&D é muito alto e a saída é utilizar mentes que já detêm o conhecimento, encurtando caminhos

conhecimento que têm”, observa. Bergamin foi o segundo colocado no prêmio da Ciser com a proposta de uma trava mista de aperto, que não possui compromisso com a rosca do parafuso. No dia da premiação, ele levou um protótipo no bolso para apresentar melhor sua ideia. Segundo Ganassali, em dois anos o Prêmio Ciser de Inovação permitiu à empresa se relacionar com mais de 90 universidades e estabelecer um networking com cerca de 2 mil alunos. “Contamos com quatro linhas de pesquisa, que envolvem hoje 14 mestres e doutores de renomadas universidades. Em 2011, mais que dobraremos este índice”, destaca o executivo. Neste ano a empresa espera lançar os primeiros produtos advindos das propostas recebidas pelo concurso. Na terceira edição, o prêmio também receberá projetos de estudantes de escolas técnicas. “O que a Ciser está fazendo é ampliar seus cérebros, estimulando a academia a pensar num setor tradicional da econo-

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Da esquerda para direita: Carlos Rodolfo, presidente da Ciser, Anezka Popovski Kolaceke e César Edil da Costa, da Udesc, e Mário Barra, diretor da Anpei. Ideia premiada da estudante traz conceito revolucionário

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inovação

Natura busca a inovação aberta para compartilhar riscos, somar capacidades e competências e expandir o investimento em inovação para rede de parceiros

“Inovação é o conhecimento transformado em produto e o locus para isso é a indústria”, diz Mário Barra mia, que precisa estar atento às inovações para se manter competitivo”, destaca Deuci Castro, analista da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Segundo ele, infelizmente essa não é uma prática comum no Brasil. “O setor privado precisa assumir o protagonismo da inovação. Afinal, inovação é o conhecimento transformado em produto e o locus para isso é a indústria”, acrescenta Mário Barra, fundador e diretor da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento de Empresas Inovadoras (Anpei).

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Rede de parceiros

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A Natura, maior fabricante brasileira de cosméticos e produtos de higiene e beleza, também aposta no modelo de inovação aberta. “Antes mesmo do termo ser promovido por Henry Chesbrough (autor do livro Open innovation, publicado em 2003)”, observa Luciana Hashiba, gerente de Gestão, Inovação e Parcerias da Natura. Para a executiva, o relacionamento e formação de redes de colaboração é parte in-

tegrante da essência da empresa. “Buscamos a inovação aberta para compartilhar riscos, somar capacidades e competências e expandir nosso investimento em inovação para nossa rede de parceiros.” Em 2007, a empresa lançou o Natura Campus, um programa de relacionamento com professores, pesquisadores e estudantes de instituições de ensino e pesquisa. Desde sua criação, centenas de propostas foram apresentadas através do portal do programa na internet, chamadas em editais públicos e ideias e projetos divulgados diretamente pelos pesquisadores da Natura aos parceiros. A cada dois anos a empresa realiza um prêmio para pesquisadores que tenham finalizado projetos em parceria com a Natura. Segundo Luciana, o objetivo é reconhecer o valor que os trabalhos agregam no processo de inovação na Natura. “Independente se o projeto terá uma aplicação direta em um produto, ele pode ser importante para a viabilização da inovação, seja na obtenção de um novo conhecimento, um novo processo ou con-

ceito.” A gerente cita o projeto vencedor da edição 2010 como um exemplo. Ele trata da padronização e obtenção de uma nova metodologia não-invasiva de avaliação do estado da pele em humanos. “Este processo não é aplicado diretamente em um novo produto, porém nos permite desenvolver produtos cada vez mais alinhados às expectativas dos nossos consumidores”, afirma Luciana. Tanto para a Natura quanto para a Ciser, a meta agora é aumentar ainda mais suas redes de colaboração com instituições de pesquisa. O caminho estratégico para seguir inovando já foi traçado, basta percorrê-lo. E nesta caminhada não faltam parceiros.

LINHA DIRETA Anpei: (11) 3842-3533 Ciser: (47) 3441-3999 Finep: (21) 2555-0555 Natura: www.natura.com.br


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e-commer ce

Compras

abandonadas Confira dicas importantes para evitar que o internauta desista da transação antes de finalizá-la por Mônica Pupo

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monica@empreendedor.com.br

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Fazer compras pela internet já faz parte da rotina de muitos brasileiros. Estatísticas indicam que existem mais de 13 milhões de e-consumidores no País – e a expectativa é que esse número não pare de crescer, até porque somamos mais de 70 milhões de internautas. É aqui também que as pessoas passam mais tempo on-line, acima de 26 horas por mês. De cada dez internautas, pelo menos sete visitam sites de compras, o que justifica a importância de estar presente no comércio virtual. Mas o crescente sucesso do e-commerce não isenta os varejistas de problemas. E o principal deles é o abandono do carrinho de compras. Segundo Leonardo Cid Ferreira, CEO da agência de marketing digital AD Brazil, de 57% a 75% das compras on-line são abandonadas antes da venda ser fechada. “Por isso é importante que as empresas pensem em estratégias para que os consumidores não desistam antes de concluir a operação”, alerta o especialista. Quem conhece bem esse problema é Natan Sztamfater, fundador da PortCasa, loja virtual especializada em artigos de cama, mesa e banho que conta com mais de 30 mil acessos por dia. “Temos aproximadamente 65% de abandono das compras, sem dúvida um grande desafio ao e-commerce brasileiro”, revela. Para tentar diminuir este número, o empresário investe em ações para diminuir o tráfego não-qualificado, além de promover ofertas pontuais com o atrativo do frete grátis e de deixar o telefone

de contato bem à mostra, para que os clientes possam se comunicar de maneira mais “humana” em caso de dúvidas na hora de fechar a compra. “Além disso, aceitamos quase todas as formas de pagamento e diminuímos recentemente os dados pedidos no cadastro, a fim de minimizar o abandono nesta fase. No entanto, o empreendedor não deve se precipitar. Muitas vezes, a solução está em algo mais simples, como oferecer mais formas de pagamento, melhorar o frete e até mesmo o acesso ao atendimento”, recomenda o empresário. A experiência no ramo levou Sztam­ fater a criar a agência de marketing digital Cookie Web, especializada em lojas virtuais de pequeno e médio portes. “Por conta dessa bagagem que acumulei para trabalhar no marketing digital da PortCasa, acabei firmando parcerias com fornecedores do meio que são importantes e contribuem para resultados nas ações, com o objetivo de diminuir o abandono do carrinho de compras”, explica. Entre os serviços prestados pela agência estão o desenvolvimento de plataformas de e-commerce, parcerias com veículos de mídia e sites relacionados ao varejo eletrônico, incluindo Buscapé e Virid, entre outros. Mas o que leva o consumidor a abandonar as compras virtuais? De acordo com um estudo feito nos Estados Unidos com 179 e-consumidores, há dez motivos (veja box) para a desistência da compra. Acompanhe a seguir como é possível lidar com os três principais entraves ao fechamento das vendas on-line seguindo as dicas do consultor Leonardo Cid Ferreira:

Frete elevado

Segundo a pesquisa, 72% dos e-consumidores abandonam o carrinho de compras devido ao alto custo do frete. “Devido à nossa experiência no Brasil com lojas de e-commerce, eu gostaria de adicionar a este item outro motivo de abandono que é o prazo de entrega. O consumidor que compra on-line faz isso por conveniência e quer ter a percepção que ao comprar on-line ele não perde em nada. Então, o frete e o prazo de entrega se tornam fatores muito relevantes”, alerta Ferreira. O ideal, portanto, é que os lojistas procurem diversas soluções de entrega, não se limitando apenas aos Correios, mas sim buscando parcerias com transportadoras rodoviárias ou aéreas. “Na grande maioria dos casos, vale a pena usar a tática do


photostogo

10 motivos para abandono 61% Comparação de preço e usabilidade com outras lojas 56% Mudou de ideia 51% Guardando itens para posterior compra 43% Custo total da compra é muito alto 41% Processo de check-out é muito longo 35% Processo de check-out requer muita informação pessoal 34% Site requer cadastro antes da compra 31% Site é instável e não confiável 27% Processo de check-out é confuso Fonte: Leonardo Cid Ferreira

e vários outros sites estão vendendo a mesma coisa, então o preço será um fator decisivo na hora da compra. Mas se o foco da loja for qualidade acima de preços baixos, você deve tomar cuidado para não tentar competir com sites que só têm preço bom. Não se deve cair no engano de que preço é tudo, pois não é. Segurança, credibilidade e experiência são fatores importantes para o consumidor.”

Preço e usabilidade

Check-out

A comparação de preços com outras lojas é algo comum no varejo, mas no caso do e-commerce é ainda mais crucial, já que a facilidade de pesquisar preços na internet é infinitamente maior, levando 61% dos e-consumidores a abandonarem os carrinhos de compras. “Se a sua loja vende produtos que são commodities

Agilidade é a palavra de ordem na web. Portanto, processos de check-out muito longos tendem a espantar os consumidores. Na pesquisa, 41% dos entrevistados disseram abandonar o carrinho de compras por conta disso. “É muito importante que o check-out virtual seja rápido e, de preferência, que requeira o mínimo possível de

informações do comprador. Especialmente se ele já for um cliente”, diz Ferreira. Para fazer isso, basta pedir ao consumidor somente o necessário e essencial para a efetivação da venda. “Perguntas como: ‘qual o nome do cônjuge?’, por exemplo, não são importantes para que a venda ocorra. Facilitar o preenchimento do endereço pelo CEP do usuário também é uma boa ideia. A finalização da compra deve ser simples, objetiva e rápida.”

LINHA DIRETA Ad Brazil: www.adbrazil.com.br Agência Cookie Web: www.cookieweb.com.br PortCasa: www.portcasa.com.br

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frete grátis. Isso diminui a margem, mas se mais vendas ocorrerem devido a isso, pode valer a pena. Uma opção é dar o frete grátis para os estados que já possuem maior infraestrutura como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Outra opção é proporcionar o frete grátis, mas também dar a opção para o consumidor pagar um pouco mais para uma entrega mais rápida”, completa o consultor.

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ouro marketing

Portfólio de

A publicação “Marcas do Século 21” revela quais serão as destaques da segunda década Nem fórmulas prontas e regras engessadas. Para uma marca se transformar em signo de excelência e conquistar espaço no competitivo mercado de consumo em constante mutação, a trajetória nem sempre é friamente calculada. O mundo gira e, na mesma proporção, os valores cotidianos ganham e perdem corpo na mesma sombra do tempo. As cabeças respiram ideias e expiram comportamento. Nesta plataforma, sobressaem as marcas que conquistarem as mentes e também os corações dos consumidores. No século 21, a Editora Empreendedor decifra as que estarão em destaque na opinião e reflexão de profissionais convidados da área de comunicação, publicidade,

propaganda e marketing de todo o Brasil. Livres para avaliar os aspectos singulares na consolidação da marca, o resultado da pesquisa será transformado em publicação especial “Marcas do século 21”, que traz a seleção de nomes nacionais e multinacionais que devem fazer história na segunda década no Brasil. Com o lançamento confirmado para o mês de abril, em São Paulo, o projeto é coordenado pelos publicitários Eloy Simões e Francisco Socorro. De 2000 para cá, quando foi realizada a primeira edição do projeto “Marcas do Século 21” da Editora Empreendedor, nove das nacionais e internacionais permanecem na lista e exibem maduro desempenho na segunda década. Cami-

nham equilibradas as marcas Bradesco, Coca-Cola, IBM, McDonald’s, Microsoft, Nestlé, Nike, Rede Globo e Volkswagen na aposta do corpo de jurados formado por profissionais de renome da área de comunicação, publicidade, propaganda e marketing do País. Outras acabam de chegar à lista sinalizando mudanças de comportamento e preferência do consumidor. Também vão ganhar a cena e ingressar na seleção: Apple, Banco do Brasil, Fiat, Google, Hyundai, Itaú, Natura, Pão de Açúcar, Petrobras, Skol, Sony e Vale. Num plano geral, o conjunto revela muito mais sobre o perfil que caminha o mercado nacional e as gerações de produtos que influenciam e vão influenciar o

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as 21 marcas do século

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1. APPLE 2. BANCO DO BRASIL 3. FIAT 4. GOOGLE 5. HYUNDAI 6. ITAÚ 7. NATURA

8. PÃO DE AÇÚCAR 9. PETROBRAS 10. SKOL 11. SONY 12. VALE 13. BRADESCO 14. COCA-COLA

15. IBM 16. MCDONALD’S 17. MICROSOFT 18. NESTLÉ 19. NIKE 20. REDE GLOBO 21. VOLKSWAGEN


“Não se trata de um ranking e nem de pesquisa. O projeto deu total liberdade para que os jurados pudessem avaliar as marcas de acordo com suas áreas e visões de negócio”, explica Simões modo de operar no cotidiano. “O projeto começou em 2000. Na época perguntamos a algumas das mais expressivas figuras do mundo dos negócios quais as marcas nacionais e multinacionais que mais se destacariam neste século 21 no mercado brasileiro. O resultado dessa enquete foi publicado na Edição Especial da revista Empreendedor. Passados 10 anos, o Brasil viveu várias mudanças significativas – desde políticas até a inserção das redes sociais nas vidas das pessoas; elementos que refletem um novo cenário nacional e global. Por isso, a ideia de lançar o novo projeto”, explica o publicitário e professor Eloy Simões. Ao lado do também publicitário Francisco Socorro, eles reuniram um corpo de 21 jurados de grande relevância no mercado brasileiro que receberam a missão de eleger as marcas que deverão se destacar nesta década, seguindo critérios de avaliação próprios. “Não se trata de um ranking e nem de pesquisa tipo Top of Mind. O projeto deu total liberdade para que os jurados pudessem avaliar as marcas de acordo com suas áreas e visões de negócio. Temos um grupo de jurados composto por publicitários e profissionais de marketing, com característica multidisciplinar, e isso enriquece muito a votação”, complementa Socorro. A pesquisa será desdobrada em uma edição especial da Editora Empreendedor que apresentará o resultado da votação, evidenciando a opinião dos jurados, suas visões de mercado e negócio. “São cases que consagram a atuação das 21 marcas destaques”, afirma Simões.

Alejandro Pinedo | São Paulo Diretor-geral da Interbrand no Brasil. Graduado em Marketing. Alex Periscinoto | São Paulo Sócio da SPGA Consultoria de Comunicação. Fundador e sócio da Almap/BBDO até 1993. Armando Strozenberg | São Paulo Chairman da Euro RSCG Contemporânea. Vice-presidente da Abap. Celso Japiassu | Rio de Janeiro Editor do Blog Celso Japiassu. Consultor de marketing. Daniel Barbará | São Paulo Diretor do Grupo Eugenio. Publicitário. Dennis Giacometti | São Paulo Presidente da Giacometti Comunicação. Presidente da Zhuo Consultoria em Gestão, Inovação e Estratégia de Marca. Emilio Cerri Neto | Florianópolis Diretor associado da Marketall. Fundador e editor do Portal ComGurus. Francisco Alberto Madia de Souza | São Paulo Diretor-presidente e Sócio do MadiaMundoMarketing. Presidente da Academia Brasileira de Marketing. Francisco Gracioso | São Paulo Ex-presidente, conselheiro associado e professor da ESPM. Membro do Conselho de Ética da Abap. Hans Dammann | São Paulo Diretor da H.Dammann Comunicação. Publicitário (diretor de criação). Hiran Castello Branco | São Paulo Presidente do CNP (Conselho Nacional de Propaganda) e vice-presidente-executivo da ESPM. Publicitário. Jaime Troiano | São Paulo Presidente do Grupo Troiano de Branding. Articulista do Jornal Meio & Mensagem. Jomar Pereira da Silva | Rio de Janeiro Presidente da ALAP (Associação Latino-Americana de Publicidade). Jornalista e publicitário. José Carlos de Salles Gomes Neto | São Paulo Conselheiro associado da Escola Superior de Propaganda e Marketing. Presidente do Grupo Meio & Mensagem. José Roberto Whitaker Penteado | São Paulo Presidente da Escola Superior de Propaganda e Marketing. Publicitário e jornalista. Luis Lobo | São Paulo Sócio-presidente da agência Full Jazz Propaganda. Publicitário. Maria Angela Zampol | São Paulo Diretora-geral de Planejamento da Talent. Diretora da CO.R Consultoria de Estratégias de Inovação. Roberto Duailibi | São Paulo Sócio-diretor fundador da DPZ Propaganda. Membro do conselho deliberativo da ESPM. Sérgio Guerreiro | São Paulo Sócio da SPGA Consultoria de Comunicação. Consultor de marketing. Washington Olivetto | São Paulo Chairman da WMcCann. Chief creative officer do McCann Worldgroup para América Latina e Caribe.

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júri nacional

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G ES TÃ O

Aprenda como elaborar o planejamento que pode mudar para melhor os resultados da sua empresa

mistério Sem

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por Alexandre Gonçalves

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Um cliente entrou na loja, mas saiu logo em seguida porque todos os vendedores estavam ocupados e ele não tinha tempo nem disposição de esperar para ser atendido. Outro cliente seguiu o mesmo caminho porque entrou na loja disposto a comprar o produto ”modelo A”, mas a loja só tinha o ”modelo B” para oferecer. Enquanto isso, numa rede social não muito distante dali, um cliente soltava os cachorros no fabricante porque cansou de esperar a entrega da mercadoria prometida para duas semanas atrás. Sabe qual a melhor maneira – e talvez a única – de não passar por nenhuma das situações acima? Planejamento! É por meio do planejamento que o empresário visualiza suas necessidades (mais funcionários, incremento no mix de produtos, presença digital, inovação no ambiente de loja, promoções especiais, entre outras) e estabelece as ações que deverá colocar em prática para supri-las. Mesmo que o ano já tenha começado, nunca é tarde para

planejar. Para ajudar nesta tarefa, confira as dicas dos consultores Sérgio DalSasso e Cláudia Montezuma.

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POR ONDE COMEÇAR

O empresário sabe que precisa planejar, mas também precisa saber como dar início a essa tarefa de forma eficiente e organizada. ”Todo planejamento começa com as definições das estratégias a serem desenvolvidas”, diz Sérgio DalSasso, consultor, escritor e palestrante especializado em gestão de negócios e empreendedorismo. Já para Cláudia Montezuma, consultora especializada em varejo da Ponto de Referência, o primeiro passo para o planejamento deve ser avaliar muito bem a equipe, seus potenciais, competências e habilidades. ”É importante ver em quais setores os funcionários precisam ser treinados, quem

está com problemas, quem precisa ser mais incentivado e até quem não tem que ficar”, diz Cláudia. ”Nenhum planejamento anual se mostrará eficaz se as pessoas certas não estiverem nos lugares certos.” Sobre os primeiros passos do planejamento, Sérgio DalSasso destaca que o empresário precisa antes de tudo conhecer a fundo seu negócio. ”Isso depende da visão, da capacidade e do nível de conhecimento da equipe para formar um ‘pensar, desenvolver e planificar’ que retrate as reais possibilidades e caminhos para o desenvolvimento futuro das atividades”, diz. Na opinião do consultor, o primeiro passo para um planejamento reúne o que ele chama de ”pleno conhecimento” do que está sendo feito do negócio, com a inclusão de novos planos e investimentos que devem ser retratados de forma lógica em números. ”A ampliação de uma empresa


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INGREDIENTES INDISPENSÁVEIS

O empreendedor precisa reunir alguns pré-requisitos para dar conta de uma tarefa essencial para o crescimento do negócio. E com o planejamento não é diferente. Disposição é apenas um dos muitos ingredientes que um empresário precisa ter para fazer do planejamento um sucesso. Cláudia Montezuma cita equipe motivada, vontade e

determinação de atender muito bem, histórico dos números e análise das ações. Se o planejamento for para um novo empreendimento, a consultora sugere que o empreendedor busque informações em entidades representativas e também com outras empresas (concorrentes e fornecedores) do mesmo ramo de atuação. Já para Sérgio DalSasso, criatividade e inovação são dois ingredientes que não podem faltar. ”É algo a ser sempre estimulado, proposto e testado em cada etapa a ser desenvolvida e enriquecida pela participação do grupo”, explica o consultor. ”A missão de uma empresa depende da forma como conseguimos criar diferenciações das mínimas coisas e sempre pensando em poder desenvolver fórmulas que conquistem novos clientes e consigam criar fidelidade aos já conquistados.” Cláudia Montezuma afirma que o

importante no final de tudo é ter muito “G.A.S.”, ou Gestão de Atendimento e Serviços. ”Se alguma coisa está dando muito certo, copie”, afirma. ”Não há nada de errado nisso e o segredo é copiar fazendo ainda melhor.” Ela diz que o empreendedor com verdadeira vocação e capacidade de implementação de ideias e ações saberá fazer isso. Mas adverte: por mais capacitado que seja, o empresário nunca vai conseguir fazer isso sozinho. ”Portanto, atenção ao pessoal é um ingrediente que não pode faltar.” Seguindo a mesma linha, Sérgio DalSasso lembra que autoavaliação é outro ingrediente que deve ser adicionado à receita de sucesso de um planejamento. “Caso o empresário sinta que todo seu esforço não vem atingindo os objetivos, o mesmo deve reavaliar seu modelo, seus colaboradores e tudo o que

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ou a inclusão de novos fornecedores impacta em perspectivas de crescimento em vendas, novos funcionários, novos treinamentos, mudanças do quadro funcional, etc. Todos estes detalhes devem ser considerados para que as projeções retratem e espelhem da melhor forma o que pode acontecer em relação às evoluções das atividades”, aponta.

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g estão

movimenta seu negócio”, sugere. Dessa forma, na avaliação de DalSasso, o empresário troca o ”eu consigo” por uma visão do conjunto para desenvolver novas ideias. ”Normalmente nos limitamos quando achamos que podemos fazer tudo sozinhos, sem dividir responsabilidades, sem reconhecer as próprias imperfeições”, alerta DalSasso.

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Sérgio DalSasso: empresário deve trocar o ”eu consigo” por uma visão do conjunto para desenvolver novas ideias

Planejamento realista

Quando decide colocar no papel o que deseja para seu estabelecimento é até compreensível que o empreendedor fuja um pouquinho da realidade e coloque metas e objetivos distantes de serem alcançados. O desafio é fazer um planejamento adequado à realidade da empresa e do mercado para que o que for planejado possa ser mesmo colocado em prática. ”Um sistema de planejamento sobrevive como objeto de gerenciamento de uma atividade, quando conseguimos trabalhar de forma hábil, competente e periódica com o modelo de gestão”, ensina DalSasso. ”Assim, sua qualidade depende da velocidade e poder analítico do grupo para que se possa projetar, revisar e redirecionar caminhos quando isso se fizer necessário”, aponta. Cláudia Montezuma diz que para que o planejamento esteja em sintonia com a realidade do negócio e do mercado, a primeira providência é estabelecer uma meta junto com todos. Para ela, nenhum resultado é bom o suficiente se não houver meta a atingir. ”A meta deve ser desafiadora, mas atingível para haver motivação”, lembra a consultora. O planejamento, ensina Cláudia Montezuma, deve ser mensurável e ”acompanhável”, o que não significa dizer que as metas devam ser apenas quantitativas. ”Você pode querer vender X, mas o cliente tem que querer comprar”, diz. ”Para que isso aconteça, é preciso pensar na qualidade da venda, estimular a atitude de servir da equipe e só então pensar nos números e no mercado.” ”Os mercados estão em permanente mudança, e todos que ficarem perdidos na multidão que faz a mesma coisa es-

tarão fadados ao fracasso”, diz Cláudia. ”Por isso, é importante analisar o mercado e planejar como sair da mesmice.” Neste contexto, Sérgio DalSasso resume dizendo que o empresário deve elaborar um planejamento que possa ser revisado com praticidade para permitir mudanças e tomadas de decisão com grande agilidade. ”Com isso, evita-se desperdícios e se cria antecipadamente condições para uma movimentação rica em alternativas pela rentabilidade do negócio”, explica.

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Participação da equipe

Não ouvir os funcionários é abrir mão de uma vantagem competitiva que faz toda diferença. Um planejamento feito sem a participação deles corre sério risco de ficar no papel. ”Só quem participa se sente comprometido”, lembra Cláudia Montezuma. Além disso, na opinião da consultora, as empresas – inclusive no varejo – gastam muito dinheiro com pesquisas quando deveriam se lembrar que seus funcionários, especialmente aqueles que estão na ponta do negócio, como os vendedores, sabem muito. O consultor Sérgio DalSasso vai além. Para ele, seja qual for o modelo de gestão da empresa, para o desenvolvimento do negócio é preciso trabalhar pelo crescimento da utilidade das funções. Ou seja, formar especialistas em cada área da empresa, o que favorecerá certamente a elaboração do planejamento. ”A grande vantagem dessa política é garantir mais velocidade e qualidade nas tomadas de decisões.”

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Tire o plano da gaveta

Para quem já tem o hábito de fazer seu planejamento anual, o cuidado é com aquelas ideias e ações que por alguma circunstância não foram colocadas em prática. A consultora Cláudia Montezuma diz que não é recomendável simplesmente ”reaproveitar” ações de um planejamento para outro. ”Tudo muda de um ano para o outro”, observa. A cada novo planejamento é preciso fazer uma avaliação profunda para ter certeza de que não houve mudança de prioridades. ”Se estava previsto para o ano anterior e não foi executado, provavelmente não era prioridade”, avalia. Para DalSasso, ações que não deram certo são passíveis de ajustes para que alcancem os resultados desejados. ”O planejamento é um sistema gerencial diário que reúne e integra as pessoas através de um modelo que estabeleça a qualidade dos caminhos que o negócio vai seguir”, explica. ”O grande diferencial de um bom planejamento está justamente neste exercício obrigatório e constante entre o prever, o planificar e o agir em conjunto pela espera dos avanços, resultados e mudanças”, diz. Encarando o planejamento desta forma, é possível resgatar uma ideia da gaveta com grandes chances de sucesso ao colocá-la em prática.

LINHA DIRETA Cláudia Montezuma: www.pontodereferencia.com.br Sérgio DalSasso: www.sergiodalsasso.com.br


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pe rfil

Aprendizado

lúdico Com pouco mais de um ano de vida, a empresa de brinquedos educativos Mentes Brilhantes já coleciona vários prêmios por Cléia Schmitz cleia@empreendedor.com.br

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Transformar inquietações em negócio é típico de grandes empreendedores. Foi o que aconteceu com a baiana Djali Valois, 39 anos, que no ano passado fundou em parceria com o marido, o professor José Eduardo de Luca, a Mentes Brilhantes Brinquedos Inteligentes. A empresa, instalada em Florianópolis, é especializada em brinquedos educativos, cujo objetivo é despertar nas crianças de uma forma divertida o interesse pela ciência, especialmente física, química, biologia e matemática.

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Mãe de Sofia, oito anos, e de Franco, quatro, Djali frequentemente se deparava com a dúvida de qual brinquedo dar aos filhos. Ela queria que eles tivessem acesso a coisas mais interessantes e produtivas do que os tradicionais bonecos de superheróis. Estudante do curso de Relações Internacionais da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), ela também se inquietava com as discussões sobre a necessidade urgente do Brasil por reformas estruturais e mão de obra nas áreas de ciências exatas – como engenheiros, por exemplo – e o desinteresse crescente de jovens por cursos da área tecnológica. Em 2009, Djali decidiu colocar no papel o plano de negócio de uma empresa que buscasse resolver essas duas carências, seja a curto ou longo prazo. Assim nasceu a ideia da Mentes Brilhantes. No mesmo ano ela decidiu inscrever seu projeto no recém-lançado Programa Primeira Empresa Inovadora (Prime),

Djali Avelino Valois Data de nascimento: 2/01/1972 Local de nascimento: Salvador Formação: Tradução e interpretação, gerência de projetos Empresa: Mentes Brilhantes Fundação: 2010 Número de funcionários: 7


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pe rfil

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Djali com a filha Sofia, que a motivou a entrar no ramo de brinquedos educativos

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uma iniciativa da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) para amparar empresas nascentes durante o primeiro ano de vida. O programa inclui a subvenção de R$ 120 mil por negócio com utilização específica para estruturação da área de gestão. Selecionado pela Finep, a Mentes Brilhantes saiu do papel em 2010. A ideia inicial de desenvolver os brinquedos no Brasil acabou sendo substituída pelo licenciamento de marcas estrangeiras. “Percebemos que não tínhamos nem tamanho nem tempo suficiente para chegar ao nível de qualidade dos produtos ofertados lá fora”, conta Djali. A partir daí ela decidiu importar brinquedos de física e matemática e se dedicar ao desenvolvimento de brinquedos de química, cuja importação é mais complicada por conta do uso de insumos que dependem de licença da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Logo no primeiro ano Djali fechou parcerias importantes com escolas particulares de Florianópolis para a utilização dos brinquedos em sala de aula. Vinte brinquedos de matemática e física foram ofertados, incluindo os manuais para que os educadores explorem todo o potencial científico em suas disciplinas. Dentro de um projeto chamado Ciência Lúdica, a

empresa também oferece oficinas para que os professores possam interagir com os brinquedos, esclarecer dúvidas e compartilhar conhecimento com os demais profissionais participantes. Em dezembro passado, a empresa lançou sua loja virtual, permitindo que os pais também possam comprar os brinquedos e presentear seus filhos. “Mas não queremos ser uma loja de brinquedos, somos vendedores de soluções educacionais”, ressalta Djali. Por isso, a proposta é disponibilizar no site da empresa vídeos que mostrem às crianças como explorar os brinquedos. Djali explica que, hoje, as crianças e jovens não leem mais manual. Para entender como algo funciona, em vez disso buscam vídeos no YouTube. Entre as opções há o Water Power, um brinquedo com 165 peças que permite a montagem de 15 modelos de diferentes de foguetes e carros a jato, dos quais sete têm sistema de reciclagem de água. Em sala de aula, ele explora conceitos importantes da física como torque, potência, trabalho, força, leis de Newton, pressão, volume, etc. Com o Air Water Generation, a criança monta uma miniusina hidrelétrica e acende um LED sem usar pilhas. O brinquedo permite entender como é gerada a energia por

meio das águas e conceitos como corrente elétrica e intensidade luminosa. Em 2010, a Mentes Brilhantes fechou o ano com um faturamento de R$ 180 mil. As expectativas para 2011 são bastante otimistas. “Projetamos faturar R$ 800 mil”, afirma Djali. Ela conta que está em negociação com um investidor espanhol para internacionalizar seus negócios. No Brasil, assinou recentemente dois contratos importantes: um com a Escola Batista do Rio de Janeiro, grupo com cerca de 3 mil alunos, e outro com a IP Soluções, empresa com sede em São Paulo que atua na área de informática educacional, envolvendo mais de 4 mil crianças.

Mundo virtual Até o final de 2011 Djali pretende lançar brinquedos nas áreas de química, astronomia e biologia. A empreendedora também vem trabalhando desde 2010 no desenvolvimento de um mundo virtual, no estilo Farmville, com foco em ciências. O programa vai utilizar tecnologias como 3D e realidade aumentada com a proposta de oferecer ao usuário a possibilidade de experimentar sensações reais. Assim será possível entender, por exemplo, o fenômeno que está por trás de uma turbu-


lência sentida em aeronaves. “Ele vai ser totalmente inédito, não vimos nada semelhante no mundo inteiro”, adianta Djali. A expectativa é de que a versão “demo” esteja pronta em um ano e meio. Com pouco mais de um ano de vida, a Mentes Brilhantes já coleciona vários prêmios. No final do ano passado, Djali recebeu em Mar del Plata, na Argentina, 25 mil euros ao vencer o Prêmio IberoAmericano de Melhor Projeto Inovador, na categoria Empreendimentos Sociais e Ambientais. Para a comissão julgadora do prêmio, o projeto – denominado Ciência Lúdica – mostrou forte caráter ibero-americano, com possibilidade de ser desenvolvido em outros países como impulso aos sistemas educacionais da América Latina. Em 2010, o projeto também foi finalista do Prêmio Santander Universidades, que estimula a inovação. Um ano antes já tinha sido finalista do Prêmio Santander de Empreendedorismo, na categoria Cultura e Inovação. Depois do Prime, a empresa também foi selecionada pelo Programa de Desenvolvimento de Recursos Humanos para Atividades Estratégicas em apoio à Inovação Tecnológica (RhaeInovação), também da Finep. “Em um ano foram cinco premiações, o que nos dá

um grande estímulo”, destaca Djali. Num país carente por propostas educacionais mais atrativas, há muito espaço para empresas com o foco da Mentes Brilhantes. Sofia e Franco – os filhos de Djali – já experimentam os brinquedos que a mãe sonhava oferecer a eles. Quanto ao despertar de novas gerações de engenheiros, físicos, matemáticos, etc., só o tempo dirá se Djali alcançou seu objetivo inicial. A semente já foi lançada.

LINHA DIRETA Mentes Brilhantes: (48) 3028-1403 www.cientificamente.com.br

Mentes Brilhantes

1972

Nasce no dia 2 de janeiro, em Salvador

1993

Muda-se para Florianópolis, junto com os pais, onde começa a cursar Ciências da Computação na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

1996

Interrompe o curso e vai morar em Madri, na Espanha, onde se forma em Tradução e Interpretação

2001

Volta para Florianópolis e cria a LIS Tecnologia, empresa especializada em localização e internacionalização de softwares

2009

Inscreve junto com o marido, José Eduardo de Luca, o projeto de uma empresa de brinquedos científicos no Primeira Empresa Inovadora (Prime), programa da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep)

2010

Com a aprovação no projeto Prime, cria a Mentes Brilhantes e lança 20 brinquedos relacionados às áreas de física e matemática Vence o Prêmio IberoAmericano de melhor Projeto Inovador na categoria Empreendimentos Sociais e Ambientais, promovido pela Divisão Global Santander Universidades em parceria com a Secretaria Geral IberoAmericana (Segib)

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LINHA DO TEMPO

Com a designer Emely Biasi e o psicólogo Daniel Valois Santos

Djali Avelino Valois

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f ranqu ia

juventude Vigor da

Para aproveitar o potencial dos jovens como franqueados, as redes devem procurar minimizar as dificuldades naturais enfrentadas por essa faixa etária

por Mônica Pupo

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monica@empreendedor.com.br

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Enquanto alguns jovens reclamam da falta de empregos, outros preferem criar as próprias oportunidades e optam por se lançar no mundo dos negócios logo cedo, até mesmo antes de terminar – ou sequer iniciar – a faculdade. E uma alternativa cada vez mais procurada por eles têm sido as franquias. Uma pesquisa da Rizzo Franchise, de 2009, mostra que os jovens até 25 anos são donos de pelo

menos 16% das franquias no Brasil. Segundo os especialistas, a liberdade para trabalhar, a segurança e a possibilidade de iniciar um negócio sem experiência prévia na área são os principais motivos que levam os jovens empreendedores a optar pelo franchising. “Ao contrário do que muitos pensam, o jovem é extremamente disciplinado e determinado quando deseja empreender e alcançar o sucesso”, afirma Marcus Rizzo, consultor em franquia e coordenador da pesquisa. O especialista ressalta ainda que estudar e buscar

um emprego definitivamente deixou de ser a única alternativa. “Diversos jovens entram na faculdade já com a vontade de abrir o próprio negócio e, com isso, as franquias tornaram-se um objeto de desejo”, afirma Rizzo. Esse interesse crescente pode ser comprovado na prática. De acordo com o levantamento, o número de pessoas com até 25 anos interessadas em abrir uma franquia aumentou 50,5% entre 2008 e 2009, passando de 48.035 para 97.136. Desse total, 43% tinham capital de até R$ 80 mil, enquanto 42% dispu-


nham de até R$ 120 mil. Interessados com até R$ 200 mil somaram 11% e a minoria (4%) possuía mais de R$ 200 mil para investir. Para Rizzo, as empresas franqueadoras têm muito a ganhar com o aumento da participação dos jovens. “Se por um lado as franquias administradas por jovens algumas vezes perdem pela falta de maturidade – especialmente de vida para lidar com situações complexas –, por outro ganharão em vitalidade para fazer acontecer cada negócio”, explica Rizzo. É justamente por acreditar nesse potencial que a rede de escola de idiomas Minds dá preferência aos candidatos que tenham entre 18 e 30 anos. Das 31 unidades em funcionamento, aproximadamente 60% são comandadas por franqueados desta faixa etária. “Eles têm uma garra fora do comum e não medem esforços para ultrapassar metas e desafios. Além disso, são ótimos gerenciadores de pessoas e sabem lidar tanto com os funcionários quanto com os próprios alunos, incentivando-os a terem determinação para o aprendizado de um novo idioma”, afirma Leiza

“Ao contrário do que muitos pensam, o jovem é extremamente disciplinado e determinado quando deseja empreender e alcançar o sucesso”, diz Rizzo

Rizzo: franquias são objeto de desejo para jovens que querem o próprio negócio

Oliveira, proprietária da Minds. A inexperiência no mercado de trabalho também acaba sendo uma vantagem dos jovens. “Justamente por ter pouca experiência, os jovens também têm menos vícios e acatam com mais facilidade as regras, o que é ótimo para as franquias, que já possuem um modelo de gestão testado e aprovado”, diz Leiza. Para abrir uma unidade é preciso dispor de pelo menos R$ 90 mil para investimento inicial, com retorno previsto em até 18 meses. Outra rede de franquias que se destaca pelo grande número de jovens é a Aloha Eyewear. Há três anos no mercado, a marca brasiliense de óculos escuros já possui nove lojas em funcionamento e pretende inaugurar pelo menos outras 30 em 2011. “O franqueado mais velho tem 32 anos e, o mais novo, 25”, conta Henrique Romano, proprietário da rede. Segundo o empresário, não foi a rede que optou pelos jovens, mas o contrário. “O jovem empreendedor acaba nos procurando, pois se identifica muito com a marca, que tem um conceito

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Leiza, da Minds: “Jovens têm menos vícios e acatam com mais facilidade as regras, o que é ótimo para as franquias”

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Aloha Eyewear: franqueado mais velho tem 32 anos e o mais novo 25, dois a menos do que o franqueador Henrique Romano

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voltado ao estilo de vida praiano, ligado a esportes como o surfe, por exemplo.” Na opinião de Romano, a principal dificuldade dos jovens franqueados está em conduzir negociações com bancos e fornecedores. “Muita gente ainda desconfia dos jovens e acaba não dando credibilidade”, afirma o empresário. “Por esse motivo também eles acabam recorrendo ao franchising, já que é mais fácil negociar e conquistar a confiança do mercado tendo o aval de uma rede de franquias.” A chamada geração Y também enfrenta dificuldades em lidar com as burocracias inevitáveis em qualquer empresa. Para lidar com essa dificuldade de negociação, as redes apostam em consultorias específicas – sobretudo nas áreas financeira, jurídica e de recursos humanos – e acompanhamento constante das unidades. “Estamos sempre à disposição, analisando e acompanhando passo a passo o desempenho de cada unidade”, diz Leiza. De acordo com a especialista em franquias Claudia Bittencourt, consultora do Grupo Bittencourt e credenciada pela ABF, outra característica da geração

“Franchising é a melhor opção para empreendedores de primeira viagem, por oferecer mais segurança para o capital e todo o know-how em gestão”, diz Claudia Y é a ansiedade por resultados rápidos, o que requer cautela e transparência por parte das redes. “A empresa franqueadora precisa apresentar claramente os números, mostrando o momento exato em que a franquia vai atingir o ponto de equilíbrio e até quando será preciso investir capital de giro, entre outros, para que o jovem esteja consciente e decida se realmente tem condições de aguardar o negócio se desenvolver em cada uma de suas etapas”, recomenda a consultora. Mas não é só entre os franqueados

que cresce o número de jovens. Ambas as redes consultadas para esta reportagem também foram fundadas por empreendedores até 30 anos, indicando que também cresce o número de franqueadoras administradas por jovens. Henrique Romano, da Aloha Eyewear, tem 27 anos. Já Leiza Oliveira, da Minds, hoje com 35 anos, iniciou no franchising há quatro. “Sejam franqueados sejam franqueadores, os jovens estão se dando conta de que o franchising é a melhor opção para os empreendedores de primeira viagem, por ser uma modalidade de negócio que oferece mais segurança para o capital e por oferecer todo o know-how em gestão”, afirma Claudia.

LINHA DIRETA Aloha Eyewear: www.alohaeyewear.com.br Grupo Bittencourt: www.bittencourtconsultoria.com.br Minds: www.mindsidiomas.com.br Rizzo Franchise: www.rizzofranchise.com.br


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F RA NQU I A

Curso para concursos Mais nova opção no mercado de franquias, o Curso Maxx é especializado em concursos públicos. Com sede no Rio de Janeiro, a escola soma cinco anos de mercado e mais de 3 mil alunos. A primeira unidade, com inauguração prevista para o primeiro trimestre de 2011, será em Niterói (RJ). A meta do diretor da empresa, Marcelo Portela, é chegar ao final do ano com oito franquias em funcionamento. Até 2012, a marca espera estar presente em 24 pontos de venda em todo o País. Cada unidade terá investimento inicial entre R$ 270 mil com retorno em até 36 meses. Já o lucro do franqueado gira em torno de R$ 40 mil. Além do Rio de Janeiro, a marca tem interesse em expandir para os estados de São Paulo e Distrito Federal. www.cursomaxx.com.br

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Pra se mexer

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Especializada na venda de equipamentos fitness, a Fit4 fechou 2010 com crescimento de 18% em relação ao ano anterior. Apenas no segundo semestre a companhia inaugurou 12 novos pontos de venda, totalizando 19 lojas em operação. Com atuação nos segmentos de residencial e corporativo – incluindo hotéis, condomínios, clínicas e spas – em 2011 a companhia pretende intensificar o investimento em novas marcas para complementar seu portfólio e consolidar a atuação no mercado. A rede, presente em quase todas as capitais brasileiras, detém a exclusividade no Brasil de marcas mundiais como Reebok, Cybex e Body-Solid. A abertura de uma unidade custa, em média, R$ 250 mil, incluindo R$ 30 mil de taxa de franquia. O retorno é esperado em 18 meses. fit4.com.br


Autoescola de reforço em Belo Horizonte serão inauguradas cinco franquias; no Rio de Janeiro, três; em Aracaju, duas; e uma em Fortaleza. A meta é atingir a marca de 70 operações em todo o País até o final do ano. O investimento inicial médio para abertura de uma franquia varia entre R$ 70 mil e R$ 80 mil, incluindo taxa de franquia, capital de giro e custos para instalação. Com faturamento bruto de R$ 20 mil a R$ 50 mil, o retorno é esperado em até 12 meses. www.dirigindobem.com.br

Ensino interativo Com atuação na área de ensino de informática e profissionalizante, a SOS inicia o ano apostando no segmento de educação a partir de métodos interativos, em que o aluno faz o curso no computador com o uso de software específico e assistência de instrutores. Para dar conta desse novo nicho de mercado foi criado o modelo de franquia SOS Express. A primeira unidade, no município de Piumhi (MG), foi inaugurada em janeiro de 2011. Até o final do ano, a rede espera abrir pelo menos outras 60 escolas nesse novo formato. Feita sob medida para cidades com menos de 70 mil habitantes, a SOS Express pode ser sediada em imóveis a partir de 100 metros quadrados, com uma estrutura básica de dez computadores. O investimento inicial gira em torno de R$ 60 mil, com retorno previsto entre 12 e 18 meses. Uma das vantagens trazidas pelo método interativo é não precisar contar com um quadro de professores, apenas dois instrutores para acompanhar o desenvolvimento dos alunos, o que representa redução de custos para a escola.

www.soscomputadores.com.br

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Ajudar pessoas com medo de dirigir é o foco do negócio da Dirigindo Bem, primeira franquia do País voltada aos motoristas habilitados com receio de dirigir ou que tenham falta de prática ao volante. Com 11 anos de mercado e 30 escolas em operação, a rede está presente nos estados de São Paulo, Pernambuco, Bahia, Paraíba, Alagoas, Ceará, Rio de Janeiro, Distrito Federal e Amazonas. Até março de 2011, a rede prevê a inauguração de 11 novas unidades. Só

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Negócio divertido Especializada em presentes criativos – os chamados “emotion gifts” – a Uatt? inicia 2011 com a abertura de duas novas unidades: uma em Caxias do Sul (RS) e outra em Osasco (SP), que se somam às duas lojas próprias e oito franquias já em operação. Outras duas lojas estão sendo negociadas em Brasília e a intenção é que em três anos a rede possua 200 lojas em todo o País. Como resultado dessa expansão, a empresa espera crescer 60% em relação a 2010.

A expansão foi motivada pelos bons resultados de 2010, período em que o faturamentro da empresa cresceu 70%, passando de R$ 25 milhões em 2009 para R$ 46,6 milhões em 2010. “Para expandir, primeiro reconceituamos a marca, que agora está reposicionada no mercado de presentes com o conceito de produto de desejo”, explica Rafael Biasotto, sócio-diretor da empresa. Além disso, a empresa criou um escritório na China para cuidar de perto do desenvolvimento dos produ-

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Franchising a fundo

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A Associação Brasileira de Franchising (ABF) está com inscrições abertas para o curso de Conhecimento Avançado de Franchising (CAF), com início no dia 21 de março. Dividido em dez módulos teóricos e um prático, o curso é voltado para profissionais do setor, potenciais franqueadores e todos aqueles que desejam aperfeiçoar os seus conhecimentos sobre o franchising. Temas como avaliação de franqueabilidade, aspectos jurídicos, plano de expansão, treinamento com a rede, responsabilidade social, entre outros, fazem parte da programação. É possível adquirir o pacote completo do curso ou os módulos avulsos. Mais informações sobre inscrições pelo site www.abf.com.br

tos e facilitar o envio de mercadorias para o Brasil. “Dessa forma, o que é importado chega ao Brasil em contêineres organizados e o processo aduaneiro se simplifica”, explica o empresário. O investimento médio para abertura de uma loja gira em torno de R$ 60 mil (quiosque) e R$ 115 mil (loja de 35 metros quadrados). Com lucro médio mensal variando entre R$ 8 mil e R$ 12 mil, o retorno é esperado em 14 meses.

www.uatt.com.br


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F r an q ui a e m e x p a ns ão

PA- Projeto Arquitetônico, PM- Projeto Mercadológico, MP- Material Promocional, PP- Propaganda e Publicidade, PO- Projeto de Operação, OM- Orientação sobre Métodos de Trabalho, TR- Treinamento, PF- Projeto Financeiro, FI- Financiamento, EI- Escolha de Equipamentos e Instalações, PN- Projeto Organizacional da Nova Unidade, SP- Solução de Ponto

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Empreender feverEIRO/2011 – WWW.SEBRAE.COM.BR - 0800 570 0800

informe do sistema brasileiro de apoio àS micro e pequenas empresas

Brasil ganha 81,6 mil empreendedores em janeiro

formalização do negócio gera série de benefícios ao empreendedor

Fidelis Tavares/Agência Sebrae de Notícias

Crescimento foi de quase 200% em relação ao registrado em janeiro de 2010

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Brasil ganhou 81.620 novos empreendedores individuais em janeiro, um crescimento de quase 200% em relação aos 27.656 registrados no mesmo período de 2010. Ao todo, já se formalizaram nessa nova figura jurídica 891.036 empreendedores. O número representa uma média de 2,6 mil registros ao dia e 16,3% da meta nacional de formalizar 500 profissionais em 2011. “Se continuarmos alcançando a média de 16% ao mês, em seis meses será alcançada a meta nacional”, avalia a analista de atendimento individual do Sebrae, Ivana Lima. Ela acredita que contribuem especialmente para esse resultado a chamada propaganda boca a boca feita por empreendedores já formalizados e que atestam os benefícios da formalização e o trabalho do Sebrae. A analista cita especialmente a ação mais recente de sensibilização e orientação para a entrega da Declaração Anual do Sim-

ples Nacional para o Microempreendedor Individual (Dasn-Simei), cujo prazo de entrega se encerra no próximo dia 28 de fevereiro. “O Sistema Sebrae está ajudando os empreendedores na entrega da declaração, oferece mais orientações e incentiva para que eles levem amigos para conhecer os benefícios e também se formalizar como empreendedor individual”, explica Ivana. Para contribuir com a meta nacional de formalizações, a instituição também estabeleceu metas específicas de formalizados por estado. Até agora já alcançaram mais de 20% de suas metas: Mato Grosso (27%), Goiás (26%), Roraima (26%), Espírito Santo (26%), Distrito Federal (25%), Santa Catarina (23%), Rio de Janeiro (22%), Acre (22%), Bahia (21%), Mato Grosso do Sul (21%) e Tocantins (21%). // Desafios e perspectivas Desde que passou a vigorar, em 1º de julho de 2009, a figura jurídica do Empre-

Para Jorge Parente, tornar-se Empreendedor Individual é pontapé para virar microempresário

Empreender Este informe é de responsabilidade do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), sob coordenação da Gerência de Marketing e Comunicação. Endereço: SGAS 604/605, módulos 30 e 31, Asa Sul – Brasília/DF – CEP: 70.200-645 // Fone: (61) 3348-7100 // Twitter: @sebrae


Fausto Muniz/Agência Sebrae de Notícias

número representa uma média de 2,6 mil registros ao dia e 16,3% da meta nacional de formalizar 500 profissionais em 2011 Maria de Fátima: “Hoje pago bem pouco e posso ter o benefício de conseguir empréstimo no banco pra investir em meu negócio”

endedor Individual tem contribuído para melhorar a vida de milhares de trabalhadores autônomos pelo Brasil afora. É o caso de Maria de Fátima da Silva, de 52 anos, que mora em Recife e presta vários tipos de serviços, de pequenos consertos a trabalhos de pedreiro. Para ter mais segurança em sua vida, resolveu aproveitar a oportunidade e se formalizar. “Soube por uma vizinha que seria fácil me cadastrar. Hoje pago bem pouco e posso ter o benefício de conseguir empréstimo no banco pra investir em meu negócio. Mas agora o que mais desejo é ter estabilidade e segurança, além da aposentadoria. Quero descansar um pouco”, confessa. Maria já esteve em campos e sítios de cidades para plantar milho, feijão, café e outros alimentos quando era agricultora. Em Recife, passou vários anos no ofício de empregada doméstica, mas foi a observação atenta e curiosa do ambiente ao seu redor que lhe possibilitou adquirir novas habilidades de grande importância para o futuro. “Eu olhava como

as pessoas resolviam os problemas do dia a dia, como consertar cano, chuveiro, esgoto, trocar lâmpada, desentupir pia e, assim, fui aprendendo, mesmo tendo estudado pouco”, revela. Logo, Maria começou a ser chamada para ir à casa dos vizinhos, comadres e compadres e, quando percebeu, já sabia resolver um pouco de tudo. “Não tem horário certo. Quando alguém precisa de ajuda, me chama logo. Também faço serviço de pedreiro, como reboco, preparo de cimento e muitas outras coisas. Quando a gente aprende a se virar desde cedo, não tem medo de nada, nem do futuro”, afirma. // Crescimento Tornar-se um Empreendedor Individual (EI), para muitos, é uma forma de sair da informalidade e legalizar o negócio, mas, para o consultor de Eventos e Turismo Jorge Parente, é só o ‘pontapé’ inicial. “Minha meta é me tornar micro ou pequeno empresário”, idealiza. No ramo há mais de 10 anos, Parente, que Serviço Texto: www.agenciasebrae.com.br Mais informações: www.portaldoempreendedor.gov.br

www.sebrae.com.br – 0800 570 0800

ainda trabalha como DJ, foi ao Sebrae em janeiro deste ano e se formalizou. A formalização do negócio gera para o empreendedor uma série de benefícios. Além de trabalhar dentro da lei, a pessoa pode ter acesso a muitos benefícios, como aposentadoria, salário-maternidade, auxílio-doença e crédito em instituições financeiras. Este é um dos objetivos de Parente. Com o intuito de desenvolver o seu negócio, ele conta que necessita investir em equipamentos novos e para isso depende de linhas de crédito. “Como pessoa física não consigo financiamento, mas agora com CNPJ posso obter o crédito que tanto necessito”, destaca. Outra possibilidade que o empresário formal tem é de incrementar o negócio. Segundo o DJ Parente, a maioria dos seus clientes são pessoas físicas e agora, como pessoa jurídica, ele pode prestar serviços também a empresas. “As empresas exigem nota fiscal e eu não possuía”, completa. E


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Thin client O thin client R10L da Wyse Technology é um terminal de alta performance que já vem com o sistema operacional Wyse ThinOS 7.0 embutido que dá mais proteção contra vírus. O equipamento não precisa de software de gerenciamento separado e se atualiza e se configura automaticamente. O R10L inclui uma CPU superescalar de 1,5 GHz para ambientes e aplicações multimídia. O equipamento também suporta telas digitais de alta resolução duplas em várias configurações, inclusive suporte para rotação, modo “formato-L”, permitindo um novo conjunto de aplicações e usos avançados para ambientes de serviços financeiros e comerciais. Ainda, há opção para rede sem fio integrada. Combinado com o software Wyse Zero™, que conecta usuários a serviços em nuvem e a desktops virtuais com tecnologia de protocolo e comunicação eficiente, o R10L é ideal para ambientes Citrix que necessitam de flexibilidade e performance adicionais. www.wyse.com

Vidros curvos A Arte 27 lança linha de vidros curvos para balcões e refrigeradores de supermercados, padarias e açougues. Os vidros são trabalhados em cristal float incolor, em 4/5 e 6 mm, serigrafados e com resistência para altas temperaturas. A nova linha atende aos seguimentos de refrigeração, moveleiro, arquitetura e construção civil. Além dos tradicionais cristais, a empresa investiu em uma linha que possui banda negra na parte superior, que contém resistência térmica para aquecimento, e evita que o vidro fique molhado quando se liga, por exemplo, o refrigerador. www.arte27.com.br

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Mesa para notebook

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A Laptable Color é uma mesa especialmente desenvolvida para dar mais espaço, mobilidade e conforto na hora de usar o notebook. Ela oferece ajustes de altura, inclinação e aproximação, e tem um design diferenciado que pode fazer parte da decoração do ambiente. De aço cromado com tampos de madeira, a Laptable possui mesa auxiliar, revisteiro e espaço para o mouse. Como os tampos são vendidos separadamente, é possível mudar a cor do móvel de acordo com a decoração da casa ou do escritório. www.laptablecolor.com.br


Monitor eficiente A AOC Brasil lança o monitor LCD e1621Sw de 15 polegadas com tecnologia LED. O produto é feito de material reciclável e reduz em até 48% o consumo de energia, quando comparado com um monitor LCD comum, gerando menor impacto ambiental. Com design slim, o monitor e1621Sw possui alto contraste dinâmico de 20.000.000:1, tempo de resposta de 8 ms, resolução de 1366 x 768, eco mode, picture boost e amplificação dinâmica de cores (DCB). O modelo tem acabamento em black piano, menu OSD com interface gráfica amigável, e padrão de fixação Vesa Mount para paredes e painéis. www.aoc.com.br

O grupo Microsom traz para o Brasil duas linhas de aparelhos auditivos com tecnologia wireless. Com o sistema é possível conectar os aparelhos auditivos a outros equipamentos como celulares sem precisar estar com o telefone móvel próximo da orelha. O som do equipamento portátil é enviado via bluetooth para um acessório do aparelho auditivo que transmite as informações até o usuário e permite também que as

informações ditas por ele sejam transmitidas para um celular que esteja a até 10 metros do usuário. Além de uma antena externa que é usada como um acessório no pescoço, os aparelhos auditivos têm uma antena wireless interna que tem capacidade de enviar comandos sem fio entre si, passando da orelha direita para a esquerda e vice-versa, tornando a amplificação mais equilibrada e facilitando a vida do usuário. www.microsom.com.br

A APC apresenta dois modelos de no-breaks da família Stay para atender às demandas por potência de 700VA. O Stay SE e o Standard foram projetados para complementar a linha tradicional da APC e oferecer proteção total contra oscilações e falhas na rede elétrica que podem causar danos aos equipamentos eletrônicos. Os no-breaks estão disponíveis em diferentes tensões de entrada e saída e mantêm por até 25 minutos os aparelhos ligados mesmo em caso de queda de energia. Os modelos podem ser ligados na ausência de rede elétrica com partida a frio. O preço sugerido para o Stay 700 SE é de R$ 289 e de R$ 262 para o modelo Standard. www.apc.com/br

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Sem parada

Todo ouvidos

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Sob controle

Seguro para tablet A Kor Corretora oferece seguro contra roubo e danos para o tablet da Apple. O investimento anual aproximado é de 15% do valor do produto, que tem o preço médio de R$ 2 mil. Com a aquisição do serviço o usuário fica protegido, por exemplo, contra roubo e danos elétricos. Além do seguro para

o produto, é possível assegurar smartphones e notebooks. No site da Kor é possível fazer uma simulação on-line do valor do serviço. O usuário só precisa informar a data da compra do aparelho, o modelo e o valor da nota fiscal para ter acesso ao valor aproximado do serviço. www.kor.com.br

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Na hora exata

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A Instrutherm apresenta uma linha de refratômetros que medem a concentração de substâncias como açúcar, sal e álcool em plantações e com isso permite que o agricultor identifique melhor o ponto de colheita e maturação de frutas e verduras. Entre os aparelhos disponíveis destacam-se os portáteis como o RT-30ATC e o RT-280 – para a concentração de açúcar –, o RTS-28, para salinidade, e de bancada, como o RTA-100, que mede o índice refrativo e a dispersão relativa de líquidos transparentes. A marca oferece ainda os modelos digitais RTD-92 e o RTD-45 para medir a concentração de açúcar. Os preços dos equipamentos variam de R$ 150 a R$ 1,2 mil. www.instrutherm.com.br

O software ScrumHalf foi desenvolvido pela GPE (Gestão de Processos Estratégicos e Tecnologia da Informação), empresa residente na Incubadora de Empresas da Coppe/UFRJ, para gerenciar de forma mais ágil projetos corporativos. O aplicativo agrega conceitos de autoorganização de equipe, flexibilidade, transparência do processo e dinamismo. Um dos princípios básicos da ferramenta é dividir todo o desenvolvimento de um projeto em etapas que podem durar ciclos de 15 a 30 dias. Essas etapas, chamadas de sprints, têm suas atividades classificadas de acordo com a prioridade do cliente e são subdivididas em tarefas menores que, por sua vez, são distribuídas entre os envolvidos na execução do projeto. Dessa forma cada sprint é executada, sistematicamente, em conjunto com toda a equipe e dentro do prazo previsto, agilizando o processo como um todo. O software está disponível no modelo SaaS (Software as a Service), que permite ser executado via internet, sem que seja necessária a instalação do sistema no computador. www.scrumhalf.com.br


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PHOTOSTOGO

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Tributação sem atribulação A solução tributária Easy-ePIS/Cofins gera o arquivo de declaração do PIS e Cofins de acordo com o novo formato da Escrituração Fiscal Digital da Contribuição, conforme a instrução normativa nº 1.052 da Receita Federal, que entrou em vigor em 1º de janeiro de 2011. A ferramenta ainda auxilia na realização detalhada dos cálculos, na conferência e apuração de PIS/Pasep e Cofins e na conciliação da apuração por documento fiscal versus os saldos de contas contábeis. O sistema permite a melhor consolidação das informações do processo, inclusive as oriundas da importação de dados de outros sistemas, registrando autor e conteúdo de ajustes que sejam realizados. A nova ferramenta também disponibiliza os layouts de importação e origem configuráveis em arquivo texto, tabela e visualização em SQL ou Oracle, entre outros formatos. www.ewbrasil.com.br

Túnel de congelamento

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O evaporador de ar forçado BH Plus da Bohn é ideal para o congelamento e resfriamento de peixes, comidas prontas, frutos do mar e carnes. O equipamento tem alta vazão de ar em sistema modulado e um bloco aletado especialmente projetado para reduzir o acúmulo de gelo. “Devido ao seu espaçamento de aletas, o BH Plus diminui o bloqueio de ar provocado pelo acúmulo de gelo, o que melhora o desempenho do produto. Além disso, ele possui alta vazão e capacidade devido aos novos motores e hélices especialmente desenvolvidos para o equipamento”, explica Alexandre Donegatti, da área de Desenvolvimento de Produto. O evaporador é indicado para diversas aplicações em túneis de congelamento de armazéns e frigoríficos. www.heatcraft.com.br

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TV em qualquer lugar O Mobeo é um transmissor portátil avançado sem fio que permite assistir TV em qualquer equipamento com wi-fi como smartphones ou tablets. O aparelho permite transmissão ao vivo dos canais tradicionais de TV, streaming ao vivo, vídeo on demand e redes sociais. A linha de produtos da Mobeo é compatível com diversas tecnologias de TV Digital, incluindo ATSC-MH para o mercado americano, ISDB-T para a América Latina e DVB-T para a Europa, todos eles dotados dos chips receptores de TV móvel da Siano. A bateria dura quatro horas. www.imovee.com


Mobilidade com conforto O Notepad Comfort da Zagg é uma base para notebook que permite ao usuário utilizar o computador de forma confortável em camas, sofás ou mesmo no avião. O produto protege o colo do usuário do calor gerado

pelo aparelho e evita que o computador possa causar problemas de saúde, como provocar a infertilidade em homens ou mesmo sensibilidade na pele. O Notepad foi projetado para ser utilizado tanto por canhotos quanto

por destros e tem uma bandeja retrátil com função de mouse pad para a utilização em diversos lugares. O modelo é feito de material emborrachado e evita que o notebook escorregue.

www.zaggline.com.br

Na medida A Starrett lança dois modelos de trenas profissionais emborrachadas série V: a V110, de 10m e fita com largura de 25mm, indicada para medir tubos e estruturas metálicas; e a V12-3, de 3m e fita com 13mm de largura, ideal para medidas menores, de até 3 metros. As trenas V são desenhadas e produzidas pela Starrett e estão disponíveis com graduações em milímetro e milímetro/ polegada. Os produtos têm caixa ergonômica em ABS resistente a impactos, amortecedor e freio de retorno da fita, além de presilha de aço com desenho, que facilita o encaixe no cinto. www.starrett.com.br

A LG/IT – Logical Group apresenta um novo conceito de Voice as Service ( VaaS) que é considerado uma evolução no sistema de PABX. O serviço é centralizado no data center da LG/IT e permite que empresas de diferentes formatos e perfis façam o roteamento de chamadas entre filiais em diferentes localidades e façam ligações gratuitas entre ramais sem precisar gastar com infraestrutura. A nova tecnologia também pode ser implantada em países do exterior, conforme a necessidade de cada cliente, podendo agregar ferramentas de videoconferência e telepresença. O serviço tem suporte 24 horas. www.lgit.com.br

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Conceito revolucionário

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Traços brasileiros Doutores da FGV refletem sobre a gestão pública e de empresas no País, em busca de conhecimento para a adaptação às constantes transformações sociais e econômicas Na prática, a administração de empresas é objetiva e exigente, demandando um conhecimento útil e imediato para garantir a adaptação às constantes transformações sociais e econômicas. Na academia, pesquisadores da área desdobram-se para revelar as fraquezas existentes e desenvolver uma nova ciência. As reflexões mais atuais sobre gestão

Empresas perenes

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Francisco Gracioso – Editora Atlas – R$ 45

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A obra mostra como uma cultura organizacional rica em valores humanistas – que respeite as diferenças, integre e motive os recursos humanos, conciliando os objetivos da empresa aos interesses pessoais dos colaboradores – contribuirá para uma gestão de alta performance e duradoura. No ambiente empresarial, os valores humanistas resultam na valorização das diferenças, integração entre as pessoas, abertura às mudanças e respeito pelo consumidor e à comunidade. Os diferentes estilos de lideranças e culturas organizacionais são apresentados por meio de exemplos de empresas como Natura, Grupo Santander/Banco Real, AmBev, Nestlé, Hotéis Blue Tree, Grupo Abril e Odebrecht.

pública e de empresas podem agora ser conferidas nesta obra, que reúne parte da criteriosa produção intelectual dos autores – todos doutores formados pela Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getulio Vargas (Ebape/FGV ). Voltado a profissionais, estudantes e pesquisadores, o livro reúne textos sobre

Luxo for all

José Luiz Tejon, Roberto Panzarani e Victor Megido – Editora Gente – R$ 39,90 Propõe a quebra dos paradigmas do que se entende por “luxo”, propondo uma nova visão de marketing para empresas voltadas a clientes de todos os nichos sociais. Hoje, defendem os autores, é necessário ter em mente que temos que dialogar com um novo cidadão cosmopolita. O consumidor dos tempos modernos quer saber cada vez mais sobre o que está consumindo. Enquanto consome, se informa, comunica e cria links. O novo luxo é o resultado dessa criação de valores. Os desafios para vender e atender são, portanto, cada vez mais competitivos. O segredo, segundo a obra, é descobrir os sonhos dos clientes e se aproximar deles.

a ética e os valores dos administradores brasileiros, estudos de caso sobre o modelo de governança na área da saúde, o planejamento em grandes cidades e o exemplo das cooperativas de catadores de lixo reciclável do Rio de Janeiro. Além disso, traz também uma análise aprofundada dos modelos teóricos da política comercial brasileira.

A revolução das mídias sociais

André Telles – Editora M.Books – R$ 45 Primeiro autor brasileiro a publicar um livro sobre Social Media Marketing no Brasil – em 2005, intitulado Orkut.com – o publicitário André Telles aprofunda os estudos e mostra como é possível tirar proveito das mídias sociais de acordo com o foco de atuação da empresa. No Brasil, mais de 80% dos internautas participam de alguma mídia social, o que torna a presença digital obrigatória para companhias de todos os segmentos. Para analisar essa tendência, a obra apresenta cases, conceitos, dicas, ferramentas, táticas e estratégias para otimizar o uso das redes sociais. O livro ainda conta com um capítulo sobre marketing político digital e uma lista das principais referências digitais no Brasil e Portugal.


Novas ideias em administração 3

Paulo Roberto Motta, Roberto Pimenta e Elaine Tavares – Editora FGV – R$ 39 “As empresas são organizações de indivíduos que, apesar dos interesses próprios, articulam esforços em função de um interesse econômico comum que assegura a satisfação de necessidades sociais e a sobrevivência da organização. Nesse sentido, a empresa é uma organização social e a atividade empresarial deve ser entendida como uma atividade comunitária, integrada na sociedade e dependente dos seus objetivos e necessidades.”

“Os valores pessoais centrados no bem-estar coletivo influenciam positivamente uma atitude gerencial que favoreça o equilíbrio entre os compromissos sociais da empresa.” “Os valores conservadores, avessos às mudanças, e a orientação gerencial igualitária, que busca a diminuição das desigualdades sociais, são os alicerces do sistema filosófico pessoal que favorece o desenvolvimento de uma atitude gerencial socialmente responsável promotora de boas práticas empresariais.”

A meta: um processo de melhoria contínua

Liderança autêntica – De dentro de si para fora

Administração rural – Teoria e prática

Para o autor, o segredo da verdadeira liderança está no desenvolvimento pessoal. A ideia é utilizar seus valores pessoais e sua autenticidade para influenciar e agregar pessoas em equipes e empresas. Baseada em pesquisas internacionais e recheada com estudos de caso, o livro apresenta novas ferramentas e práticas em desenvolvimento pessoal, incluindo relatos de experiências de coaching virtual. Segundo Cashman, a integridade pessoal – ‘nós lideramos pelas nossas virtudes’ – é essencial ao sucesso sustentável no mercado altamente competitivo de hoje em dia, e oferece um retorno sobre o investimento mensurável.

Uso racional dos fatores de produção; aumento da produtividade através de práticas agrícolas adequadas; sólida base para a administração das atividades voltadas ao agronegócio; comercialização e marketing são alguns dos temas abordados na obra, que traz ainda um capítulo dedicado à elaboração de projetos na área do agronegócio, enfatizando a importância do empreendedor rural. O livro inclui também um CD com tabelas para cálculo de custos, exercícios e balanço patrimonial, planilhas de análise econômica, com o objetivo de auxiliar aqueles que desenvolvem atividades agrícolas e rurais.

Kevin Cashman – Editora M.Books – R$ 65

Roni Antonio Garcia da Silva Juruá Editora – R$ 49,70

Com mais de 2 milhões de exemplares vendidos no mundo e traduzido em mais de 20 idiomas, o livro é considerado um dos maiores best sellers da área de negócios. Escrito em forma de romance, trata dos princípios de funcionamento de uma indústria, questionando o porquê de ela funcionar de determinada forma e como seria possível solucionar os problemas de empresas que estão com atrasos na produção e baixa receita. Com resultados comprovados na prática, o processo de melhoria contínua desenvolvido pelos autores pode ser aplicado em organizações diversas, como bancos, hospitais, seguradoras e até mesmo no ambiente familiar.

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Eliyahu M. Goldratt e Jeff Cox Editora Nobel – R$ 79

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ANÁ L I S E EC ONÔ MIC A

O objetivo de um FIP, mais do que financiar as dívidas de uma empresa, é comprar ativos atrelados ao controle acionário, permitindo efetiva participação na tomada de decisões de companhias que na maioria dos casos não são negociadas em bolsa de valores

FIP: alternativa em crédito privado

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Maior acompanhamento das empresas e controle do rumo dos investimentos destacam FIPs de outros produtos

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O último artigo desta seção abordou os FIDCs, fundos de investimento cuja carteira é composta por diversos títulos de crédito privado. Boa parte dos produtos desta categoria busca minimizar os riscos envolvidos detendo diferentes títulos de crédito de diversos emissores. Logo, o gestor de um FIDC deve analisar a capacidade de pagamento das empresas, evitando investir em ativos que possuam alta probabilidade de inadimplência, e diversificando os títulos que possui em carteira. Outra modalidade para investimentos em risco privado é o Fundo de Investimento em Participações, ou FIP. O objetivo de um FIP – mais do que financiar as dívidas de uma empresa – é comprar ativos atrelados ao controle acionário, permitindo efetiva participação na tomada de decisões de companhias que na maioria dos casos não são negociadas em bolsa de valores. A aplicação em FIPs dá a seus cotistas boas oportunidades para rentabilizar o capital, além de diversificar os ativos da carteira da instituição. Para a empresa investida é uma fonte de capital alternativa, que permite ala-

vancar suas atividades e/ou financiar grandes projetos de investimento. Em suma, é uma adaptação brasileira do modelo de fundos de Private Equity já consagrado em mercados mais sofisticados. Para alcançar seu objetivo, os cotistas de um FIP normalmente detêm uma parcela relevante do capital votante de uma ou mais empresas, obtida por meio de um aporte de capital. Com isso, o gestor e o comitê de investimentos do fundo buscam, em conjunto com a administração da companhia, implementar uma política voltada à criação de valor e melhoria dos resultados da mesma. O gestor do fundo também é responsável pelo acompanhamento do investimento, devendo informar periodicamente aos cotistas detalhes acerca do desempenho operacional da organização, dos projetos em andamento e do planejamento estratégico da empresa. Por lidar com ativos de baixa liquidez e uma política de investimentos diferenciada, a aplicação em cotas de FIPs só pode ser feita por investidores qualificados, e o valor de subscrição mínimo é de R$ 100 mil.

Os FIPs sempre visam o longo prazo, dada a composição de sua carteira. É comum que o período de desenvolvimento dos investimentos dure de três anos para mais; em alguns casos, até décadas. Encerrada a maturação, cabe ao gestor e ao comitê técnico definir a estratégia de desinvestimento: já que a carteira de um FIP é composta por papéis de companhias não negociadas em bolsa, a liquidez destes ativos é limitada. A saída do investimento deve ser bem planejada e pode ocorrer de diversas maneiras, como por meio da venda de uma parcela da empresa a uma concorrente, com uma venda de seus ativos a outro FIP ou ainda por um IPO (abertura de capital). Por suas características únicas, os FIPs vêm ganhando espaço na carteira de instituições financeiras e institutos de previdência. Além disso, os FIPs permitem um acompanhamento mais detalhado acerca da situação das empresas investidas, bem como um maior controle acerca do rumo de seus investimentos, destacando-se em relação a outros produtos do mercado.

por Rodrigo Costa Laurindo Leme Investimentos Ltda


Nome Classe Participação Ação Bovespa All Amer Lat ON Ambev PN B2W Varejo ON BMF Bovespa ON Bradesco PN Bradespar PN Brasil Telec PN Brasil ON Braskem PNA BRF Foods ON Brookfield ON CCR Rodovias ON Cemig PN Cesp PNB Cielo ON Copel PNB Cosan ON CPFL Energia ON Cyrela Realty ON Duratex ON Ecodiesel ON Eletrobras ON Eletrobras PNB Eletropaulo PNB Embraer ON Fibria ON Gafisa ON Gerdau Met PN Gerdau PN Gol PN Ibovespa Itausa PN ItauUnibanco PN JBS ON Klabin S/A PN Light S/A ON Llx Log ON Lojas Americ PN Lojas Renner ON Marfrig ON MMX Miner ON MRV ON Natura ON OGX Petroleo ON P.Açúcar-Cbd PNA PDG Realt ON Petrobras ON Petrobras PN Redecard ON Rossi Resid ON Sabesp ON Santander BR UNT N2 Sid Nacional ON Souza Cruz ON Tam S/A PN Telemar N L PNA Telemar ON Telemar PN Telesp PN Tim Part S/A ON Tim Part S/A ON Tim Part S/A PN Tran Paulist PN Ultrapar PN Usiminas ON Usiminas PNA Vale ON Vale PNA Vivo PN

1,104 0,979 0,701 3,902 3,130 0,993 0,390 2,726 0,596 1,341 0,622 0,802 1,134 0,685 1,539 0,598 0,784 0,441 1,866 0,589 1,311 0,890 0,743 0,530 0,755 1,498 1,648 0,660 2,574 1,211 100,000 2,315 4,015 0,934 0,404 0,541 0,914 1,207 1,098 0,546 1,440 1,233 0,845 3,773 0,808 2,745 2,206 8,517 1,283 1,163 0,352 1,097 2,359 0,443 1,041 0,225 0,268 0,923 0,155 0,125 0,170 0,840 0,229 0,486 0,592 2,462 2,925 11,956 0,793

Inflação (%)

Até 25/01 Tipo de Ativo Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação 9 Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação Ação

Índice

Janeiro

Ano

IGP-M IGP-DI IPCA IPC - Fipe

0,76 0,38 0,75 0,54

0,76 0,38 0,68 0,54

Juros/Aplicação (%) CDI Selic Poupança Ouro BM&F

Janeiro

Ano

0,92 0,92 0,62 -6,77

0,92 0,92 0,62 -6,77

Indicadores Imobiliários (%) CUB SP TR

Janeiro

Ano

0,00 0,12

0,00 0,12

Juros/Crédito (%) 25/Janeiro

24/Janeiro

Desconto 1,98 Factoring - Hot Money 3,48 Giro Pré (taxa mês) 2,18

1,90 3,87 3,41 2,11

Câmbio

Até 25/01

Cotação Dólar Comercial Ptax R$ 1,6740 Euro US$ 1,3674 Iene (US$ 1,00) $ 82,3950

Mercados Futuros Dólar Juros DI

Em 25/01

Fevereiro

Março

R$ 1,67 11,14%

R$ 1,68 11,14%

Contratos mais líquidos Ibovespa Futuro

25/01 69.150

empreendedor | fevereiro 2011

Carteira Teórica Ibovespa

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photostogo

a g enda

De 29/03 a 1º/04/2011

Feimaco – Feira Internacional de Máquinas e Componentes para a Indústria de Confecções

Pavilhão de Exposições do Anhembi – SP www.feimaco.com.br

Apresenta novidades em máquinas para modelagem, corte, costura, bordados, acessórios e peças para o setor têxtil. A feira é exclusiva para industriais, comerciantes, compradores e técnicos do setor.

De 1º a 10/04/2011

Vitrine animal De 21 a 25/03/2011

Feinco – Feira Internacional de Caprinos e Ovinos

Centro de Exposições Imigrantes – São Paulo – SP – www.feinco.com.br

A Feira Internacional de Caprinos e Ovinos é considerada a maior vitrine da cadeia produtiva do setor. Mais de 250 criadores apresentam animais das raças Santa Inês, Ile de France, Suffolk e Merino Australiano. Durante a Feinco são realizados ainda mais de 100 eventos paralelos, como leilões e workshops sobre o setor.

De 15 a 19/03/2011

Feicon – Feira Internacional da Indústria da Construção

Pavilhão de Exposições do Anhembi – SP www.feicon.com.br

Centro de Exposições Imigrantes – SP www.feiracountry.com.br

Feira internacional de produtos country e de fornecedores de produtos para rodeios. Durante o evento é realizado o Congresso Brasileiro dos Organizadores de Rodeios, assim como shows musicais, oficinas de dança e desfiles de moda. A entrada é gratuita.

De 22 a 25/03/2011

De 28/03 a 1º/04/2011

Transamérica Expo Center – SP www.exporevestir.com.br empreendedor | fevereiro 2011

Country Fair

Em sua 19ª edição, a Feicon apresenta novidades para a indústria da construção civil nos setores de ar-condicionado, blocos cerâmicos, boxes, esquadrias e hidrômetros. Exclusivo para profissionais do setor.

Revestir – Feira Internacional de Revestimentos

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De 25 a 26/03/2011

Apresenta novidades em materiais e soluções para projetos de engenharia, arquitetura e decoração. Durante o evento é realizado o Fórum Internacional de Arquitetura e Construção. Organizado pela Associação Nacional dos Fabricantes de Cerâmica para Revestimento, é um evento exclusivo para os profissionais do setor.

FIEE – Feira Internacional da Indústria Elétrica, Energia e Automação

Pavilhão de Exposições do Anhembi – SP www.fiee.com.br

A 26ª edição da FIEE apresenta o que há de mais moderno em produtos e serviços para a indústria elétrica como componentes para máquinas, equipamentos industriais e de geração e transmissão de energia. Durante o evento é realizada a sexta edição do Eletronic America.

Feincartes – Feira Internacional de Artesanato e Decoração Artesanal

CentroSul – Florianópolis – SC www.feincartes.com.br

Mais de 300 artesãos do Brasil e do exterior expõem objetos de decoração, acessórios e confecções na quarta edição da Feincartes em Florianópolis. Além da capital catarinense, a feira será realizada em maio em Novo Hamburgo (RS) e em setembro em Belém.

De 2 a 5/04/2011

Hair Brasil – Feira Internacional de Beleza, Cabelos e Estética

Expo Center Norte – São Paulo – SP www.hairbrasil.com

Em sua décima edição, apresenta lançamentos em produtos para cabelos, estética, equipamentos e serviços. Também é realizado o Seminário do Sebrae para Micro e Pequenos Empreendedores de Beleza, Congresso de Podologia e Campeonato Hair Brasil. São esperados mais de 70 mil visitantes.

De 4 a 7/04/2011

CeMAT South America – Feira Internacional de Movimentação de Materiais e Logística

Centro de Exposições Imigrantes – SP www.cemat-southamerica.tpm.br

Reúne empresas da cadeia de logística e movimentação do Brasil e do exterior. Promovida pela Hannover Fairs em cooperação com a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, neste ano também visitará Istambul, Hannover e Moscou.


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Empreendedor 196  

Edição n. 196 da revista Empreendedor, de fevereiro de 2011

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