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alumínio: é possível reciclar ainda mais franquia: expansão de projetos sociais

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março 2010 R$ 9,90

empreendedor – DONAS De NEGÓCIO – ANO 16 N o 185 marçO 2010

IS SN 1414-0 152

ANO 16 N o 185

Bianca Alves, criadora do Guia do Equipamento de Proteção Individual

Donas de negócio

Mulheres conquistam espaço no mundo empresarial e já empreendem mais do que os homens no Brasil

José Aranha fala de relacionamento e gestão de pessoas em ambientes de inovação


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N E S TA E D I Ç Ã O

mulheres empreendedoras

casa da photo

As mulheres já são maioria na população e nas universidades, e agora se encaminham para assumir a liderança em empreendedorismo. Segundo a última pesquisa GEM/ Sebrae, em 2008 elas representavam 46% dos empreendedores brasileiros e 52% das pessoas que abriram negócios naquele ano e no anterior. O dado negativo é que 63% das mulheres empreendem por necessidade. Confira o que está sendo feito para melhorar este quadro e siga o exemplo de mulheres que não deixam uma oportunidade escapar.

14 | Entrevista José Alberto Aranha

32 | Panorama A caminho do G5

42 | TI Em dia

28 | Meio ambiente Desafio do alumínio

48 | Franquia Modelo social

36 | Perfil Marcelo Alves Correa

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O Brasil é líder mundial de reciclagem de latinhas de alumínio, e se destaca na reciclagem deste metal entre países onde o processo não é obrigação legal. Mas ainda há muito a avançar, tanto em conscientização quanto em tecnologias.

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O consistente crescimento econômico de países como Brasil, Rússia, Índia e China (bloco conhecido como Bric) pode colocá-los entre as cinco maiores economias do mundo nos próximos 20 anos. Compare o que eles têm feito para vencer os desafios e conquistar esse espaço.

O sistema de franchising pode ser perfeitamente aplicado a organizações sem fins lucrativos. E com muitas vantagens. A replicação de experiências bem-sucedidas – o grande gargalo do terceiro setor – facilita o processo de expansão de projetos sociais.

L E I A TA M B É M 8 12 56 58

EMPREENDEDORES NÃO DURMA NO PONTO DINÂMICA PRODUTOS E SERVIÇOS

61 64 66

As médias corporações adotam novas iniciativas tecnológicas, como a computação em nuvem e a deduplicação, com uma taxa entre 11% e 17% maior do que as pequenas e grandes empresas. Elas têm mais recursos do que as primeiras e são mais ágeis do que as maiores.

Após quase 30 anos de experiência na área de soluções para a construção civil como empregado, Correa deu início à operação da Safecon, empresa que em quatro anos garantiu espaço num mercado dominado por gigantes. Anna Colla Fotografias

Após sete anos estudando a gestão de pessoas, Aranha concluiu que para criar um clima de inovação nas empresas e incentivar o trabalho em grupo é necessário aplicar um novo modelo de gestão do negócio, o Sistema de Estrutura Relacional (SER).

leitura ANÁLISE ECONÔMICA AGENDA


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edito r ial

A Revista Empreendedor é uma publicação da Editora Empreendedor

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A

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expressão “donas de casa” pode estar com os dias contados. Há muito tempo as mulheres vêm deixando de cuidar exclusivamente de suas casas para trabalhar fora. Sua participação no mercado de trabalho é crescente e hoje elas já são quase maioria, segundo dados do Ibope e Ipea. Mas elas não param por aí. Avançam cada vez mais no mundo dos negócios, conforme revelado pela pesquisa GEM/Sebrae 2008 – a mais recente da série iniciada há dez anos. Elas estão à frente de quase metade das empresas brasileiras e já empreendem mais do que os homens. São nossas “donas de negócio”. Na reportagem de capa desta edição – uma homenagem da Empreendedor às mulheres pelo seu Dia Internacional (8 de março) –, a jornalista Beatrice Gonçalves apresenta uma série de motivos que levam ao aumento do empreendedorismo feminino. Boa parte deles está relacionada a um novo estilo de vida: independência financeira, horários de trabalho mais flexíveis e um modelo corporativo mais dinâmico. O fato de terem mais tempo de estudo também permitiu o preenchimento de espaços antes ocupados por homens, como áreas de tecnologia e engenharia. Mas ainda há muita desigualdade. No mercado de trabalho as mulheres recebem 30% menos que os homens que ocupam as mesmas funções. Empreender é uma saída para conseguir melhores ganhos, mas não as livra do preconceito, principalmente quando investem em áreas tradicionalmente masculinas. Descontentes com o atual modelo de ambiente corporativo, as mulheres costumam mudar a gestão dos negócios. Elas costumam ser mais cautelosas e cooperativas, mais flexíveis e preocupadas com o meio ambiente e as pessoas que estão ao redor. Dependente disso ou não, elas vêm obtendo melhores resultados. No caso específico de franquias, as comandadas por mulheres apresentam faturamento 32% superior ao daquelas tocadas por homens. Um ponto negativo, no entanto, é que elas empreendem principalmente por necessidade. Na reportagem, apresentamos programas que pretendem melhorar este fator e histórias de empreendedoras que não desperdiçam uma boa oportunidade. Siga o exemplo dessas mulheres de negócio. Alexsandro Vanin

Diretor-Editor: Acari Amorim [acari@empreendedor.com.br] Diretor de Comercialização e Marketing: Geraldo Nilson de Azevedo [geraldo@empreendedor.com.br] Redação Editor-Executivo: Alexsandro Vanin [vanin@ empreendedor.com.br] – Repórteres: Beatrice Gonçalves, Cléia Schmitz e Mônica Pupo – Edição de Arte: Gustavo Cabral Vaz – Projeto Gráfico: Oscar Rivas – Fotografia: Arquivo Empreendedor, Casa da Photo e PhotosToGo – Foto da capa: Casa da Photo – Revisão: Lu Coelho Sedes São Paulo Diretor: Fernando Sant’Anna Borba – Executivos de Contas: Ana Carolina Canton de Lima e Osmar Escada Jr – Rua Sabará, 566 – 9º andar – conjunto 92 – Higienópolis – 01239-010 – São Paulo – SP – Fone: (11) 3214-1020/2649-1064/2649-1065 [empreendedorsp@ empreendedor.com.br] Florianópolis Executiva de Atendimento: Joana Amorim [anuncios@empreendedor.com.br] – Av. Osmar Cunha, 183 – Ed. Ceisa Center – bloco C – 9º andar – 88015-900 – Centro – Florianópolis – SC – Fone: (48) 2106-8666 Escritórios Regionais Rio de Janeiro Triunvirato Desenvolvimento Empresarial Ltda – Milla de Souza [triunvirato@triunvirato.com. br] – Rua São José, 40 – sala 31 – 3º andar – Centro – 20010-020 – Rio de Janeiro – RJ – Fone: (21) 26117996/3231-9017/9607-7910 Brasília Ulysses Comunicação Ltda. [ulyssescava@gmail. com] – Fone: (61) 3367-0180/9975-6660 – condomínio Ville de Montagne, Q.01 – CS 81 – Lago Sul – 70680-357 – Brasília – Distrito Federal Paraná Merconeti Representação de Veículos de Comunicação Ltda – Ricardo Takiguti [ricardo@merconeti.com.br] – Rua Dep. Atílio Almeida Barbosa, 76 – conjunto 1 – Boa Vista – 82560-460 – Curitiba – PR – Fone: (41) 3079-4666 Rio Grande do Sul Flávio Duarte [commercializare@terra. com.br] – Rua Silveiro, 1301/104 – Morro Santa Teresa – 90850-000 – Porto Alegre – RS – Fone: (51) 3392-7767 Pernambuco HM Consultoria em Varejo Ltda – Hamilton Marcondes [hmconsultoria@hmconsultoria.com.br] – Rua Ribeiro de Brito, 1111 – conjunto 605 – Boa Viagem – 51021310 – Recife – PE – Fone: (81) 3327-3384 Minas Gerais SBF Representações – Sérgio Bernardes de Faria [sbfaria@sbfpublicidade.com.br] – Av. Getúlio Vargas, 1300 – 17º andar – conjunto 1704 – 30112-021 – Belo Horizonte – MG – Fones: (31) 2125-2900/2125-2927 Assinaturas Serviço de Atendimento ao Assinante – [assine@empreendedor.com.br] – O valor da assinatura anual (12 edições mensais) é de R$ 118,80. Aproveite a promoção especial e receba um desconto de 10%, pagando somente R$ 106,92 à vista. Estamos à sua disposição de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h. Produção Gráfica Impressão e Acabamento: Coan Gráfica Editora Ctp – Distribuição: Distribuidora Magazine Express de Publicações Ltda – São Paulo Empreendedor.com http://www.empreendedor.com.br Editora: Carla Kempinski – Repórter: Raquel Rezende


c a r tas

Negócio saudável

Exemplo empreendedor

(comentário não assinado)

Parabéns à revista pela reportagem “Sonhador contumaz”, de Cléia Schmitz, e mais ainda ao senhor Ozires Silva, pois prova que o melhor do mundo está no Brasil. Ele com certeza é um exemplo a ser seguido, seja qual for a forma de empreendedorismo. Apesar das dificuldades não deixemos nossos sonhos morrerem. Laura Geraldo

Limpeza natural

Meus parabéns pela ideia da empresa TemperOil/Higiene Natural (caso apresentado na reportagem “Solução natural”, de Francis França, na edição de dezembro de 2008). Precisamos de ideias empreendedoras como essa. O mundo hoje passa por mudanças e precisamos melhorar essa questão de higiene. Compramos muitos produtos químicos para limpeza que agridem demais os nossos rios aqui da Amazônia. Rui Guilherme

Aula de motivação

Parabéns! Você é muito perseverante (Ênio Back, personagem do perfil “Homem de palavra”, de Cléia Schmitz, publicado na edição de novembro de 2009). Estou começando um negócio agora com minha mãe – ela já faz cocadas há bastante tempo –, gostei da sua experiência e vou colocar algumas coisas em prática! Selma F.

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Rodrigo Veloso ( personagem do perfil “Plano vencedor”, de Cléia Schmitz, publicado na edição de dezembro de 2009) fez uma aposta certa. Os alimentos funcionais deverão dominar o mundo desenvolvido e se constituir em um grande e promissor mercado. “Deixe o alimento ser sua medicina e a medicina ser seu alimento”, já dizia Hipócrates, o pai da medicina. Nós trabalhamos com a produção de alimentos naturais bioenergizados, que é uma verdadeira revolução na agricultura, até chegar a um produto natural que promoverá a melhoria da saúde, maior longevidade e resistência às doenças mais agressivas.

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em p r eendedo r es

Leandro, Nelson, Cleusa, Leonardo e Luciano Silveira

Família guerreira A família Silveira, proprietária da indústria de produtos de higiene Cottonbaby, sabe bem o que é dar a volta por cima. Mesmo depois de um incêndio, que em 2006 destruiu completamente sua fábrica, localizada em São José, na Grande Florianópolis, a empresa nunca deixou de ser uma referência no varejo. Dois anos após o incêndio, a Cottonbaby construiu uma nova fábrica, totalmente adaptada para portadores de necessidades especiais, que representam 5% do quadro de trabalhadores da empresa. O crescimento fabril acelerou o setor de produção. Atualmente, as seis máquinas de hastes flexíveis têm capacidade de produzir 15 milhões de unidades por dia, ou seja, mais de 400 milhões de hastes por mês.

Novos investimentos, de cerca de R$ 8 milhões, fazem parte do projeto de ampliação do parque fabril da Cottonbaby. A empresa, que também terceiriza a produção para outras marcas, como KimberlyClark e Topz, tem planos de fazer 100 novas contratações ainda em 2010. Hoje são cerca de 200 funcionários. A meta para 2014 é aumentar em até 500% a produção de seus principais produtos – hastes flexíveis, lenço umedecido, absorvente higiênico, entre outros. A Cottonbaby foi fundada em 1993 pelo casal Nelson Antônio Silveira e Cleusa Silveira, que hoje divide a administração da empresa com os três filhos: Luciano é o diretor comercial, Leandro, o diretor administrativo, e Leonardo, diretor de produção. www.cottonbaby.com.br

Cláudia Samos

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Consciência ambiental

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Criada há 40 anos na capital paulista, a oficina Mecânica do Gato começou o ano com uma conquista importante: o Selo Verde IQACesvi, certificação ambiental para a área de reparação de veículos. O selo é concedido pelo Instituto da Qualidade Automotiva (IQA) e Centro de Experimentação e Segurança Viária (Cesvi Brasil), que atesta a prática de políticas ambientais corretas e o cumprimento da legislação vigente nas oficinas. A Mecânica do Gato é a quarta oficina a receber a certificação. Para isso, adotou a coleta seletiva e a separação adequada dos resíduos. Em uma das ações, a empresa introduziu três caixas de decantação que realizam a separação do óleo e água. O óleo é encaminhado para empresas credenciadas que dão a destinação correta ao resíduo. De acordo com Cláudia Samos, gerente administrativa da Mecânica do Gato, além de atender à legislação vigente, a oficina quer mostrar ao mercado que está em sintonia com as ações de preservação do meio ambiente. Entre outros benefícios, a certificação permite a abertura de novos mercados e a participação em licitações públicas e privadas. “A grande mudança não foi só estrutural, mas a de consciência. Podemos perceber como ações simples fazem grande diferença. Investimos nas readequações e já temos retornos, como na economia de recursos”, afirma Samos. www.mecanicadogato.com.br


Nilson Marques Júnior

O empresário Nilson Marques Júnior comemora neste ano uma década de fundação da Marcomar, empreendimento que criou para atender à crescente demanda por pescados de alto padrão. A empresa, com sede em São Paulo, é uma das principais importadoras e distribuidoras de pescados do País e tem uma carteira com mais de 2 mil clientes ativos, entre hotéis, restaurantes, redes de fast-food, supermercados e empresas. O volume comercializado chega a 7 mil toneladas de peixe por ano. Só no mercado brasileiro de salmão a empresa responde por 20% das vendas. “Ser uma referência em produtos do mar sempre foi a finalidade da Marcomar, por isso mantemos uma relação de respeito e confiança com nossos clientes”, afirma Marques. A empresa conta com quatro centros de distribuição e atende a pedidos em 24 horas. www.marcomar.com.br

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peixe de confiança

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em p r eendedo r es

Adriana Belmiro da Silva

novo desafio A engenheira Adriana Belmiro da Silva é uma exceção num mercado ainda muito dominado por homens e que movimenta cerca de R$ 90 milhões ao ano no Brasil. Desde 2007 ela administra a unidade brasileira da ebmpapst, multinacional alemã do segmento de refrigeração. A empresa desenvolve negócios com companhias nos segmentos de refrigeração, automotivo, saúde e IT/Telecom, no Brasil e em toda a América Latina. “Esse é um mercado no qual os profissionais não estão acostumados com a liderança das mulheres, mas com qualificação e competência técnica é possível conquistar a confiança”, diz Adriana. Em dois anos à frente da companhia, a executiva já comandou a mudança de sede e o lançamento da mais importante linha de produtos da empresa. Seu novo desafio será a análise e prospecção do mercado e planejamento para a abertura de uma fábrica no Brasil nos próximos anos. Graduada em engenharia elétrica, com pós-graduação e MBA em marketing, Adriana começou a trabalhar na ebmpapst em 2003. Antes disso, trabalhou na ACE Schmersal, com atuação nas áreas de vendas e marketing. Hoje, ela também preside o Departamento Nacional de Ventilação da Abrava (Associação Brasileira de Refrigeração, Ar-Condicionado, Ventilação e Aquecimento). www.ebmpapst.com.br

Rodrigo de Souza e Alexandre Moraes de Souza

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Sintonia familiar

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O que juntou os advogados Rodrigo de Souza e Alexandre Moraes de Souza num mesmo negócio foram os laços familiares. Pai e filho uniram a experiência do primeiro – funcionário de uma grande empresa – e a energia do segundo, que estava quase se formando em direito, para fundar o escritório de advocacia e consultoria jurídica Moraes & Souza. E lá se vão 20 anos de muito trabalho e perfeita sintonia. Alexandre, o filho, é formado pela Universidade Cândido Mendes e tem três pós-graduações – Direito do Trabalho, Processo do Trabalho e Direito Empresarial. Rodrigo, o pai, se formou em direito pela Universidade Federal Fluminense, em 1966, e atuou até se aposentar numa companhia de petróleo. Nos primeiros anos do negócio, o escritório ocupava apenas uma sala comercial no Rio de Janeiro, onde eram atendidos os antigos clientes de Rodrigo de Souza. Mas a partir de 1992, com o crescimento da demanda, o escritório ampliou suas instalações, ocupando quatro salas, todas próprias, e agregou uma equipe de advogados associados e representações em São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Curitiba. Desde que decidiram investir num escritório próprio, Rodrigo e Alexandre têm investido no atendimento personalizado e na constante superação de resultados nas áreas cível, empresarial, de família, sucessões e trabalhista. www.moraesesouza.adv.br


Jaime Vilaseca

Com um currículo profissional de dar inveja, o artesão espanhol Jaime Vilaseca mantém há 40 anos a Vilaseca Assessoria de Arte, onde trabalha na confecção de molduras especiais, manutenção e catalogação de coleções, restauro de obras de arte e criação de brindes especiais para empresas. O primeiro ateliê foi aberto no Bairro Botafogo, no Rio de Janeiro, mas com a crescente demanda se estendeu para outras

duas lojas, no Leblon e na Barra da Tijuca. A Vilaseca oferece mais de 200 perfis de molduras, do mais simples ao mais sofisticado, em madeira, acrílico, metal e aço. Jaime é responsável por toda a escolha das molduras e habitualmente trata desses assuntos diretamente com os seus clientes. O artesão já criou molduras para hotéis como Copacabana Palace e Sheraton (RJ) e produziu, entre outros, um brinde come-

morativo dos 50 anos da Companhia Vale do Rio Doce. A Vilaseca também é responsável por toda a venda exclusiva das reproduções das obras de Portinari no Rio de Janeiro. No início da carreira, o artesão teve o apoio de dois grandes nomes: Jaime aprendeu marcenaria com Joaquim Tenreio, criador do moderno móvel brasileiro, e em 1970, por incentivo de Clarice Lispector, que vislumbrou a vertente artística do novo artesão, tornou-se moldureiro. www.vilaseca.com.br

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Artesão das molduras

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N Ã O D UR M A N O P O N T O

mergulhe na gestão do agora A empresa é reflexo dos seus líderes. Gostemos ou não, essa é uma verdade inconteste. E sei que boa parte dos líderes discorda, reage contra essa afirmação. Não fosse assim, eles estariam mais preocupados em mudar a si próprios do que as suas empresas. Na prática, acontece justamente o contrário. A maioria dos processos de mudanças organizacionais está direcionada à empresa, não aos líderes. É focada no sistema técnico, não no sistema humano. Geralmente, o desafio é implantar um novo sistema ou método de trabalho, mudar o layout e a forma física dos elementos no espaço, contratar ou demitir algum profissional. Seja lá o que for, essas iniciativas têm como propósito mexer com a empresa, não com os líderes. Raramente os líderes admitem que a forma como atuam determina o jeito de ser da empresa. Os detalhes mais insignificantes do comportamento deles não passam despercebidos por aqueles que os cercam, algo que nem sempre aconte-

esse valor. Um líder que age com incoerência emite mensagens muito distintas das que oferece o líder que atua com coerência. E não se trata apenas da forma como o líder age com seus subordinados, mas também com os clientes, fornecedores e concorrentes. Todas essas formas de se relacionar transmitem mensagens. Portanto, um dos principais desafios do líder, mais do que administrar a empresa, é administrar a si mesmo, o seu ego, as suas condutas. Se os líderes desejam criar uma empresa pautada no alto desempenho, o primeiro passo é melhorar a si próprios. E isso implica aumentar o seu nível de consciência.

O líder consciencioso

Aprendemos que é papel do líder cuidar do futuro, pois é lá que a empresa vai passar a maior parte da sua vida. Disso ninguém tem dúvidas. Enquanto a tripulação está no convés resolvendo os problemas imediatos, o líder está na gávea, olhando para o horizonte e avistando oportunidades e ameaças.

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Os detalhes mais insignificantes do comportamento dos líderes não passam despercebidos por aqueles que os cercam, algo que nem sempre acontece de forma consciente. O fato é que tais comportamentos se refletem por toda a empresa

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ce de forma consciente. O fato é que tais comportamentos se refletem por toda a empresa. Um líder que joga duro com as pessoas sinaliza exatamente para isso: é a sua marca e fica impressa em todo o ambiente. Da mesma forma e no sentido contrário, um líder que trata todos com respeito dissemina a marca relacionada a

Esse é o papel estrategista da liderança: preparar o futuro. Mas existe a “gestão do agora” – mais imprescindível e importante que a gestão estratégica. É onde se localiza a principal atribuição do líder consciencioso. Ela é determinante, qualquer que seja o futuro. A “gestão do agora” lida com as questões que se apresentam neste mesmo

instante. No tempo presente. Nada tem a ver com propósitos e resultados futuros. Trata-se de atuar sobre o que está acontecendo aqui e agora. Refere-se à maneira como o líder vive o dia de hoje. Tome como exemplo os relacionamentos, aqueles que os líderes mantêm todos os dias. A pergunta é: o que eu, líder, faria (ou faria diferente) se aumentasse um pouco a consciência dos meus relacionamentos? O que mudaria na empresa, se passasse a agir com base nos valores e de maneira coerente? Dizendo sempre a verdade, sem omitir nada? Se falasse com o outro em vez de falar do outro? Estou disposto a adotar esses comportamentos agora? O que aconteceria se eu introduzisse a verdade no ambiente de trabalho agora? Fatos desagradáveis fazem parte da vida de todos os líderes. Como viver a verdade, mesmo assim? Ambientes de negócios podem não ser amistosos. O que aconteceria seu eu introduzisse a bondade mesmo assim? Se acredito, mesmo, nesses valores, por que não adotá-los agora? A “gestão do agora” é um tipo de gestão dos bons costumes, que valoriza os pequenos grandes gestos. Na “gestão do agora” o líder jamais desperdiça a oportunidade de servir como exemplo para realçar comportamentos desejáveis. De cumprir promessas e honrar compromissos. De praticar a coerência entre o discurso e a prática, dentro e fora do local de trabalho. “Gestão do agora” é isso: aproveitar todas as oportunidades de criar uma empresa conscienciosa que, sem dúvida, fará muito sucesso no futuro, seja ele qual for. O líder consciencioso constrói, via “gestão do agora”, aos poucos, peça por peça, a empresa conscienciosa.

A empresa conscienciosa

A tese tradicional é: mude o sistema técnico (a empresa), que o sistema humano (as pessoas) acompanhará o movimento. É o contrário da tese sugerida aqui: mude o sistema humano (as pessoas), que o sistema técnico (a empresa) virá a reboque. Não que a tese anterior esteja incor-


reta, mas é melhor ter pessoas puxando do que empurrando. Existe uma sutileza na segunda estratégia que faz toda a diferença: as pessoas são as protagonistas, os sujeitos, os fins em si mesmas. Na tese tradicional não passam de meros coadjuvantes, objetos, meios para fins que mal conseguem compreender. Uma empresa conscienciosa se beneficia da “gestão do agora”. Influenciadas pelos comportamentos de seus líderes, as pessoas assumem comportamentos similares aos deles, os quais funcionam como fonte de inspiração positiva. Quando conversam entre si, os colaboradores se olham nos olhos, ouvem com atenção, oferecem respostas adequadas e proporcionam uns aos outros a experiência de uma escuta verdadeira e de aceitação. E não importa quem seja o interlocutor: um colaborador ou um colega de trabalho em qualquer nível da empresa, um cliente próximo ou distante, um fornecedor ou um investidor, um concorrente direto ou indireto, um

por Roberto Adami Tranjan

Educador da Cempre Conhecimento & Educação Empresarial (11) 3873-1953/www.cempre.net roberto.tranjan@cempre.net

desafio das tarefas, não aos melindres do ego. Quando um comportamento indesejável parece prestes a aflorar, é detectado facilmente e seu protagonista se dá conta, sem que haja necessidade de nenhum tipo de acusação. Ele mesmo será capaz de avaliar a qualidade de sua atitude e as consequências que pode gerar.

candidato a determinada vaga. Sempre haverá um tom de respeito, de atenção e de real interesse. Na “gestão do agora” não cabem ares de superioridade, de ironia ou rejeição. É claro que a empresa conscienciosa não está livre de conflitos. Eles existirão, sim, mas estarão relacionados ao

O que diferencia a tese tradicional dessa nova proposta é a palavra humanismo, uma escola de evolução do espírito humano capaz de definir a estratégia mais importante para o futuro dos negócios e empresas. Aposte nesse caminho, que é o do presente, com brilhantes reflexos no futuro.

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A “gestão do agora” é um tipo de gestão dos bons costumes, que valoriza os pequenos grandes gestos. Na “gestão do agora” o líder jamais desperdiça a oportunidade de servir como exemplo para realçar comportamentos desejáveis

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e N T R E V I S TA

José Alberto Aranha

estação da inovação Clima ideal para inovar exige a aplicação de um novo modelo de gestão e trabalho coletivo

por Beatrice Gonçalves

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beatrice@empreendedor.com.br

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A imagem do empreendedor que faz tudo sozinho e age como um super-herói para resolver os problemas pode parecer recorrente, mas nem sempre condiz com a realidade. Para José Alberto Aranha, engenheiro que trabalha há 40 anos com tecnologia e inovação e coordena a Rede de Incubadoras do Rio de Janeiro (Reinc), os empreendedores de sucesso não inovam sozinhos. A invenção dos produtos e serviços pode até ser um processo de criação individual, mas a inovação, que é quando o produto e o serviço chegam

à sociedade, é um mecanismo coletivo que depende de um ambiente criativo e do trabalho em equipe. O pesquisador estudou por sete anos a gestão de pessoas e observou que para criar esse clima de inovação nas empresas e incentivar o trabalho em grupo é necessário aplicar um novo modelo de gestão do negócio. Ele propõe o uso do Sistema de Estrutura Relacional (SER), um modelo dinâmico que, segundo Aranha, motiva mais os funcionários do que o modelo tradicional. Já que, ao invés de ter líderes fixos, tem lideranças escolhidas de acordo com as necessidades de trabalho, o que faz com que o empreendimento funcione

como um grande sistema de coordenações de projetos em que grupos são criados e desfeitos à medida que os serviços são realizados. As pesquisas e análises feitas por Aranha sobre empreendedorismo e inovação fazem parte do livro Interfaces – A chave para compreender as pessoas e suas relações em um ambiente de inovação, lançado em 2009. Na obra, o autor fala ainda da experiência na diretoria da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), do trabalho como membro do conselho consultivo da Endeavor Brasil e como responsável pelo Instituto Gênesis da PUC-Rio.


Quais mudanças o senhor percebeu durante esse período que foram motivadas pela nova era do conhecimento? José Alberto Aranha – Acredito que existem duas grandes variáveis. Uma delas é a relação do homem com o trabalho. Depois dos anos 2000 a geração Y, que é formada por pessoas que nasceram entre 1978 e 1990, começou a entrar no mercado e isso mudou drasticamente a relação do homem com o trabalho. O homem não trabalha mais por trabalhar, ele quer também bem-estar. Nessa era do conhecimento é preciso criar ambientes de inovação que deem conta de atender às constantes mudanças desse sistema. As pessoas precisam pensar em como planejar e fazer gestão da vida profissional e ao mesmo tempo ter prazer no que estão fazendo. O que é preciso para ser um empreendedor de sucesso nessa nova era? José Alberto Aranha – O livro fala muito da necessidade do jovem de empreender com inovação, isso quer dizer realizar algo novo. Todo mundo fala do empreendedor como se fosse um superhomem ou uma supermulher, mas na realidade eu não acredito nisso – acredito que o sucesso está associado a um conjunto empreendedor. O grupo é que promove a mudança. Isso está relacionado com a questão do sonho coletivo. Acredito que hoje, para poder inovar, é fundamental pensar em como garantir um ambiente de confiança entre os membros do grupo

e, dessa forma, a relação acaba sendo um ponto fundamental. Só produzo em grupo se na realidade eu conseguir conviver e interagir com o outro. Já é possível perceber no Brasil essa preocupação em criar esses ambientes propícios para a inovação em grupo? José Alberto Aranha – O Brasil começou a investir em ciência a partir da formação de doutores, depois veio a fase de vivenciar a tecnologia e de discutir a questão de patentes e de propriedade intelectual. São processos que se caracterizam por um trabalho individual. Mas não adianta eu fazer um protótipo e colocar numa gaveta; é necessário que aquilo se transforme em um bem ou em um serviço e que as pessoas o utilizem. Isso que é inovação. Não faço sozinho, eu dependo de pessoas para produzir e para consumir. Dependo na verdade de uma relação social. Acho que o Brasil está começando a vivenciar isso, a gente está sentindo que precisa inovar, mas para chegar a essa etapa precisamos passar pela fase das patentes, tecnologias, para depois dar um salto efetivo e inovar realmente. Precisamos estar mais próximos do consumidor.

O sucesso está associado a um conjunto empreendedor. O grupo é que promove a mudança. Isso está relacionado com a questão do sonho coletivo

O senhor cita no livro que são necessários cerca de oito anos de estudo em uma determinada atividade para criar soluções inovadoras. O que esses anos de estudo podem significar? José Alberto Aranha – É o que a gente costuma chamar de experiência necessária em uma determinada área para poder realmente aproveitar uma oportunidade. Para avaliar se é um bom negócio, é preciso conhecer o segmento que se quer investir. Uma dica é apostar em algo que a pessoa goste porque isso pode dar a ela a chance de ir vivenciando o setor antes de abrir o negócio. Quanto mais se conhece uma área, mais chance a pessoa tem de reconhecer as oportunidades e de encontrar novas formas de resolver certos problemas. Agora eu acredito que, para saber como inovar, é preciso de muito estudo. O senhor fala da necessidade de ler muito e de observar para empreender. Em que medida essas ações podem influenciar nos negócios? José Alberto Aranha – Acredito que a gente tem perdido este contato com a observação, porque o ser humano observava muito mais quando ele tinha mais contato com a natureza. Noto que o homem está se afastando um pouco disso e está se afastando dos outros também. Para se ter uma ideia, o jovem norte-americano gasta praticamente 11 horas por dia ouvindo música, vendo televisão e na internet. Eu me pergunto: será que ele está procurando alguma coisa nova nessas atividades? Acho que falta essa interação dele com os outros e com a natureza. Já que ele está 11 horas ligado nesses aparelhos, é preciso encontrar formas para que ele veja de uma maneira diferente esses hábitos e pense em soluções para os problemas que ele está se deparando. Para fazer isso, é preciso que ele observe. Olhe o mundo para poder encontrar soluções. No livro o senhor cita o Sistema de Estrutura Relacional (SER) na gestão dos negócios. Como ele funciona e como pode ser aplicado? José Alberto Aranha – O sistema está relacionado a um novo modelo de gestão horizontalizada em que o poder passa a ser muito mais negocial, dinâmico e orgânico. Isso significa não ter mais lideranças fixas e estáveis, elas vão acontecendo conforme a ocorrência dos even-

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Quais foram os motivos que levaram o senhor a escrever o livro Interfaces – A chave para compreender as pessoas e suas relações em um ambiente de inovação? José Alberto Aranha – Toda a minha vida foi sempre baseada na relação entre ciência, tecnologia e inovação. O livro é um resumo de toda esta experiência. Levei sete anos para escrevê-lo porque eu queria sentir bem a mudança dessa era chamada industrial para a era do conhecimento e perceber o modelo de gestão da vida profissional dentro desse sistema. Estou muito satisfeito com o livro porque ele começou a ser lido pelas pessoas de recursos humanos e eu considero que essa é a classe fundamental para mudanças organizacionais dentro das empresas.

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e N T R E V I S TA sensibilizar professores e alunos para o empreendedorismo e oferecemos disciplinas sobre o tema. Hoje um aluno da PUC de qualquer área pode cursar disciplinas de empreendedorismo. Assim ele tem a formação básica do curso que escolheu e um diferencial que é o empreendedorismo. Esse é um processo longo que vai desde a sensibilização para o empreendedorismo até o apoio à empresa, quando ela sai da incubadora.

tos. De acordo com as necessidades da empresa, uma pessoa pode assumir a liderança, o que faz com que o empreendimento funcione como um grande sistema de coordenações de projetos e, dessa forma, assume a posição de liderança aquele que tem mais aptidão e competência. Esse sistema é todo relacional. Com isso, são formados grupos de trabalho para resolver determinados problemas, e à medida que eles são resolvidos, são desfeitos para que se montem outros grupos. Esse é um formato de gestão mais inteligente do que aquele sistema hierárquico.

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O senhor fala da importância de criar ambientes de inovação em que os funcionários trabalhem em grupos e construam pontes ao invés de muros entre eles. Como isso é possível? José Alberto Aranha – Nós estamos vivendo em um mundo em que somos levados a ser cada vez mais egoístas. Quanto mais nos isolamos, mais difícil é viver em grupo. Porque eu tenho que perceber o outro, interagir com ele, me comunicar e negociar o tempo inteiro. O todo passa a ser mais importante do que a parte. Isso é muito complicado. Acho que esse é o grande desafio. No livro eu falo de solidariedade, desprendimento, atitudes que já existem nos seres humanos, mas que nós deixamos para trás para lutar e viver nesse mundo mais agressivo. Mas creio que esse modelo precisa mudar.

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Hoje o senhor trabalha diretamente na formação de jovens empreendedores no Instituto Gênesis da PUC do Rio de Janeiro. Como se dá esse trabalho? José Alberto Aranha – O instituto faz parte de um grande projeto nacional da Anprotec que busca disseminar o empreendedorismo no universo acadêmico. Já há mais de 300 projetos funcionando no Brasil como este. No caso do Instituto Gênesis, buscamos estimular o desenvolvimento de empreendimentos que podem ser empresas, ONGs ou qualquer sistema organizacional. A ideia é estimular a criação de pequenas empresas porque elas têm papel fundamental na geração de emprego e renda para toda a sociedade. Hoje nós supervisionamos 130 empreendimentos; além disso, trabalhamos para

Quanto mais se conhece uma área, mais chance a pessoa tem de reconhecer as oportunidades e de encontrar novas formas de resolver certos problemas

O Instituto Gênesis é destaque no Brasil pela criação de um fundo semente em parceria com o fundo de investimentos Personale. Como esse fundo funciona? José Alberto Aranha – Ele surgiu de uma convicção de que as incubadoras que na realidade são as “mães” das empresas de alta tecnologia deveriam participar mais do acompanhamento e resultado das empresas que se tornam as “estrelas” do capital de risco. Nas incubadoras acontece isso: elas têm grande dificuldade financeira, criam filhos que muitas vezes ficam milionários e continuam passando dificuldades para criar novos filhos. Desta forma foi feita uma parceria entre o instituto e o fundo Personale. Estamos trabalhando juntos, cada um com sua razão social, mas com objetivos e participação final dos resultados. Acho que este fundo que está se constituindo “venture one” será uma quebra de paradigma no setor. O senhor tem percebido maior interesse dos universitários em empreender? José Alberto Aranha – Acredito que sim. Primeiro porque a mídia tem dado ênfase a essa forma de agir e ela tem um papel fundamental na sensibilização dessa juventude. Além disso, houve um melhor preparo das instituições de ensino brasileiras para dar apoio a esses jovens que querem ser empreendedores. A própria postura do jovem que também tem necessidade de sentir prazer no que faz estimula o empreendedorismo.

LINHA DIRETA José Alberto Aranha: aranha@puc-rio.br


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Super

mulheres É cada vez maior o número de empreendedoras no Brasil, e elas estão mudando a maneira de fazer negócios por Beatrice Gonçalves

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beatrice@empreendedor.com.br

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Elas entraram no mercado de trabalho para mudar os negócios. Dados do IBGE mostram que em seis anos houve um crescimento de 19% na participação da mulher neste meio. Hoje elas já representam 45% da população ocupada das cinco regiões metropolitanas pesquisadas pelo instituto. As mulheres são também maioria quando o assunto é empreendedorismo. A Pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM 2008) mostra que em 2007 e 2008 as brasileiras abriram mais empresas do que os homens. Das 14,6 milhões de pessoas que realizam atividades empreendedoras no País, mais da metade – o equivalente a 52% – é mulher. Com a maior participação feminina, o Brasil conquistou espaço no cenário mundial e é considerado, segundo o estudo, o 13º país mais empreendedor do mundo. A opção das mulheres por empreender está relacionada a um novo estilo de vida. Elas desejam independência financeira, horários de trabalho mais flexíveis e um modelo corporativo mais dinâmico. Para Marlene Ortega, conselheira do Business Professional Women (BPW ) – associação que congrega mulheres de negócios em todo o mundo – e sócia-diretora do Universo Qualidade, empresa especializada em treinamentos, a mulher de hoje quer montar o seu próprio negócio e dar a ele o tom moldado por seus

valores. “Acredito que as mulheres estão empreendendo melhor a própria vida, e quando entram no mercado de trabalho e se deparam com um ambiente corporativo masculino muito competitivo, elas deixam para trás a pressão para investir em negócios próprios.” Para Marlene, as mulheres costumam mudar também a gestão dos negócios. Isso porque elas são mais flexíveis e preocupadas com o meio ambiente e as pessoas que estão ao seu redor. “Nós queremos qualidade de vida, saúde, queremos ser capazes de conciliar as coisas e não competir o tempo todo.” Ela explica que na hora de montar a própria empresa a mulher se preocupa mais em saber quais são as dificuldades e as facilidades que vai encontrar e, assim, é mais cautelosa e cooperativa. “Seu objetivo costuma ser sempre agregar valor social ao produto ou serviço que ela vende. Dessa forma, ela costuma pensar mais em gerar bens para outros, pensar na sociedade, nos filhos e em outras mulheres”, afirma. O sonho de abrir a própria empresa também está associado ao aumento nos anos de estudo entre as mulheres. Dados do Inep coletados a partir do Censo da Educação Superior mostram que as mulheres aumentaram a sua participação nas universidades em 76%, de 2001 até 2007. De acordo com a pesquisa GEM 2007, 60% das empreendedoras brasileiras têm 11 anos ou mais de estudo, enquanto que o mesmo índice é de 52% entre os homens.

Bianca Alves criou o Guia do Equipamento de Proteção Individual: site tem média de 5 mil visitas por dia


casa da photo

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Geanete, da Incit: aumento de 70% na procura de mulheres pela incubadora

Mas o empreendedorismo feminino pode ser entendido também como uma opção para ter salários mais altos, já que no mercado de trabalho como funcionárias as mulheres costumam ganhar 30% menos que os homens, segundo Marlene. Pelos dados do Fórum Econômico Mundial de 2009, entre 136 países pesquisados o Brasil ocupa a 82ª posição no ranking global de desigualdade entre homens e mulheres. O relatório avaliou o nível de igualdade entre os sexos a partir da participação no mercado de trabalho, acesso à educação e à saúde e participação política. Se fosse levada apenas em consideração a desigualdade salarial, o Brasil teria ficado em uma posição menos favorável ainda e seria o 114º no ranking.

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Jovens empreendedoras

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À medida que as mulheres estão empreendendo mais, estão procurando também tomar essa decisão cada vez mais cedo. Em 2008, entre os 42 países que participaram da pesquisa GEM, o Brasil ocupou o terceiro lugar entre aqueles que têm a maior participação de jovens em atividades empreendedoras, ficando atrás do Irã e da Jamaica. Bianca Alves é um exemplo de empreendedora jovem. Ela começou cedo. Aos 14 anos trabalhou em uma padaria, nos tempos livres passou roupas nas casas de professoras e ainda vendeu

anúncios. Aos 24 anos, após se formar em publicidade, ela decidiu investir em um negócio próprio. A inspiração para criar a empresa surgiu ao refletir sobre a própria história de sua família. Quando Bianca tinha três anos, o pai, que era pintor, sofreu um acidente de trabalho. Ele estava em um andaime e sem equipamentos de segurança, caiu e ficou tetraplégico. A imagem do sofrimento dele e de toda a família nunca saiu de sua cabeça. Em 2005 começou a pesquisar o caso do pai e percebeu que não havia no mercado um caderno de anúncios de equipamentos de proteção individuais com informações sobre as empresas que comercializam os produtos e orientações sobre os equipamentos mais indicados para cada atividade. Ela então desenvolveu o Guia do Equipamento de Proteção Individual (EPI), um portal na internet para divulgar fabricantes, revendedores, representantes de equipamentos de proteção e o transformou em uma referência para o setor. Em cinco anos de

Empreendedorismo feminino pode ser entendido também como uma opção para ter salários mais altos

trabalho, mais de 1,5 mil empresas estão cadastradas e o site tem uma média de 5 mil visitas por dia. “Pensei em um produto que pudesse melhorar a qualidade de vida no trabalho. Não pensei só em fazê-lo para ganhar dinheiro e ter a empresa, mas sim para ajudar, para que as pessoas tenham consciência e que mudem os hábitos de trabalho.” Para divulgar o produto, Bianca participou de feiras especializadas e visitou departamentos de segurança de trabalho. “Eu ia às escolas onde havia os cursos de técnico em segurança para divulgar o guia e, aos poucos, consegui aumentar o acesso ao site. Depois, com o aumento da demanda, precisei também disponibilizar o guia impresso. Hoje são mais de 30 mil exemplares distribuídos gratuitamente no País.” Segundo Bianca, o desafio de abrir a própria empresa foi grande, mas com seriedade e comprometimento foi possível expandir o negócio. Ela conta que sofreu muito preconceito, porque 85% do mercado de segurança de trabalho é formado por trabalhadores homens. “Nesse ambiente é difícil encontrar uma mulher que seja técnica em segurança. Outro preconceito que se tem é que mulher não sabe negociar. Acho que a minha clareza nos negócios e o meu profissionalismo me ajudaram a entrar em muitos mercados e permanecer até hoje.” A administradora Kátia Pinheiro Pereira também teve que se acostumar com um


Eunice, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres: Programa Nacional já capacitou 3 mil mulheres

Entre os sexos mapa da Desigualdade Os mais igualitários 1º Islândia 2º Finlândia 3º Noruega 23º Equador 24º Argentina 73º Brasil Os mais desiguais 134º Paquistão 135º Chade 136º Iêmen

gênero e educação superior Ano

Número de matrículas

Homens

Mulheres

2000

2.694.245

44%

56%

2001

3.030.754

44%

56%

2002

3.479.913

44%

56%

2003

3.887.022

44%

56%

2004

4.163.733

44%

56%

2005

4.453.156

44%

56%

2006

4.676.644

44%

56%

2007

4.880.381

45%

55%

Fonte: Censo da Educação Superior/Inep

Fonte: Fórum Econômico Mundial

Empreendedores Iniciais por gênero Ano

2001 2002

2003

2004

2005

2006

2007

Homens 70,9% 57,6% 53,2%

56,6%

50%

56,2%

47,6%

Mulheres 29,1% 42,4% 46,8%

43,4%

50%

43,8%

52,4%

Fonte: GEM 2007

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ambiente de trabalho em que os homens são maioria. Ela e o irmão montaram em 1985 a construtora Pinheiro Pereira, especializada na incorporação e construção de empreendimentos imobiliários na região leste do Estado do Rio de Janeiro. Kátia, que é diretora administrativa e financeira da construtora, deu um toque feminino à gestão da empresa familiar. “Acredito que a mulher tem mais sensibilidade e delicadeza na forma de ser e de tratar nos negócios.” Ela deixou o canteiro de obras sob a responsabilidade do irmão, mas o ajuda na compra dos terrenos, faz o cálculo dos empreendimentos, analisa a viabilidade do negócio, o preço do metro quadrado e qual é o mercado para o local. Além disso, ela é a pessoa responsável por projetos sociais desenvolvidos pela construtora como o de alfabetização de funcionários nas obras. “Nós temos muitos casos de empregados que não sabem ler e escrever e é muito gratificante poder proporcionar algum tipo de ajuda a eles.” Quando visita as obras, Kátia conta que percebe um respeito muito grande, um certo cuidado e atenção especial, mas a presença de uma mulher na obra não chega a ser algo normal. Ela diz que nesse setor existe muito preconceito e que as mulheres costumam ser mais cobradas do que os homens. “Temos que ter ideias fundamentadas, para não se colocar de maneira inconsistente e sempre procurar saber o que se está falando.” Há 20 anos

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photostogo

no ramo de construção civil, Kátia conta que o mercado está começando a mudar e tem percebido de uns cinco anos para cá que mais mulheres participam do setor. “Eu era a única representante feminina em associações de classe por uns 10 anos, mas isso mudou e hoje deve ter mais umas 15 mulheres associadas.” Casada há 22 anos e mãe de dois filhos, ela diz que sempre se cobrou muito para dar conta da rotina do trabalho e da casa. “A exigência é muito grande porque a mulher tem que ser boa profissional, tem que ser boa mãe, ser bonita e ainda fazer ginástica.” Para dar conta, Kátia explica que os filhos acompanharam desde pequenos o trabalho na construtora e que essa aproximação os motivou a também entrar no ramo. Hoje o filho faz engenharia e a filha cursa arquitetura.

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Estudo de alto valor

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O aumento nos anos de estudo – desde 2001 elas são também maioria nas universidades – tem proporcionado às mulheres conquistar espaços antes dominados por homens em profissões que requerem alta especialização, como o de inovação e tecnologia. A bióloga Fabiana Medeiros, por exemplo, transformou sua pesquisa de mestrado e doutorado em desenvolvimento de ensaios pré-clínicos in vitro em negócio no Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec) de São Paulo. Depois de dar aula na Universidade Federal de Uberlândia, ela investiu na sua área e montou o laboratório pré-clínico Biosintesis em 2003. O empreendimento ficou até 2005 em um processo de pré-incubação, depois mais três anos como residente na incubadora e hoje é uma empresa graduada especializada na prestação de serviços de avaliação biológica in vitro, cultura de células e tecidos. “Acho que a empresa nem teria existido sem a incubação. Todo o processo de criação, desde a mobilização até mostrar que esse era um negócio viável, só foi possível com o auxílio da incubadora”, afirma . Quando começou, Fabiana conta que havia poucas mulheres à frente de empresas na Cietec. “A incubadora tinha cerca

Áreas de atuação Preferências femininas

37% participam do comércio

varejista com a venda de artigos de vestuário e complementos

27%

fazem investimentos na indústria de transformação na confecção e fabricação de produtos

14% investem em atividades de alojamento e alimentação Fonte: GEM 2007

Mulheres em incubadoras e parques tecnológicos

48,6% das mulheres ocupam cargos de chefia 13% ocupam cargos administrativos Fonte: Anprotec

de 120 empresas quando eu entrei. Dessas, apenas 10% eram de mulheres, hoje aumentou bastante.” A empresária conta que cresceu também o número de mulheres com especialização nesse setor. Ela afirma que, quando faz seleção para novos funcionários, geralmente são as mulheres as mais interessadas e preparadas para a vaga. Mesmo afirmando não ter preferência por trabalhadores homens ou mulheres, ela diz que contrata mais a mão de obra feminina. “Nesse trabalho de ensaio laboratorial é preciso estar atento aos detalhes, e eu acho que a mulher é mais detalhista, tem mais paciência e organiza melhor o seu tempo de trabalho”, explica. Em Minas Gerais, Geanete Morais, gerente de Incubadora de Empresas de Base Tecnológica de Itajubá (Incit), também tem percebido a maior participação feminina em incubadoras tecnológicas. “De 2006 para cá eu percebi um aumento de cerca de 70% na procura de mulheres por empreender na incubadora.” Hoje, duas empresas incubadas são chefiadas por mulheres. No acompanhamento do trabalho delas, Geanete considera que a mulher é mais dinâmica e proativa. “Elas são muito cautelosas para ações, mas são dinâmicas nas atitudes.” Dados da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec) mostram que as mulheres representam 48% dos trabalhadores que ocupam cargos de chefia em incubadoras e parques tecnológicos e 13% dos cargos administrativos. É o caso de Geanete. Funcionária pública durante 26 anos, mudou sua vida depois que foi convidada para participar da criação do Programa Municipal de Incubação Avançada de Empresas de Base Tecnológica (Prointec) na cidade de Santa Rita do Sapucaí, em Minas Gerais. A documentação da incubadora ficou pronta em agosto de 1999, e em novembro do mesmo ano dez empresas já estavam incubadas. Em quatro anos de funcionamento, a Prointec foi eleita a melhor incubadora de base tecnológica do País pela Anprotec. O trabalho da prefeitura e de Geanete foi ainda reconhecido pelo prêmio Prefeito Empreendedor, em 2001, pelo Sebrae.


Oportunidade X necessidade Geanete também é uma empreendedora. Quando sair da incubadora, ela já sabe o que fazer. “Por onde eu ando, fico procurando oportunidade. Ainda quero montar a minha empresa e ter o meu próprio negócio, e a idade não será um problema para mim.” Oportunidade, aliás, é o principal motivo que leva os brasileiros a empreender, conforme a GEM 2008. No País, 9,8 milhões de pessoas resolveram abrir um negócio porque encontraram uma oportunidade e 4,8 milhões escolheram esse caminho por necessidade. Liana Baggio, por exemplo, empreendeu por convicção. Ela, que é tradutora e bisneta de imigrantes italianos produtores de café desde o início do século 20, trouxe uma inovação para os negócios da família. Liana começou a trabalhar em uma empresa do pai que produzia papéis recicláveis. Nos 12 anos em que esteve à frente do negócio, ela implantou uma nova dinâmica de trabalho. A empresa passou a exportar e a produzir papel reciclável para impressão. Mas Liana conta que as transformações não foram para frente porque, segundo ela, havia um conflito de gerações sobre como deveria ser a direção da empresa. “Eu queria investir em uma fábrica para produzir papel para imprimir, enquanto o meu pai e o meu avô achavam que tinham que continuar investindo em papel para embrulhar pão.” Em 2000 Liana saiu da empresa e, com a experiência adquirida em processos de exportação, ajudou os outros irmãos – que trabalham na plantação de café – a exportar o que produziam. “Decidimos exportar café fino não mais como commodity e passamos a vender para os Estados Unidos e para a Itália.” Em 2005

Liana Baggio descobriu um mercado pouco explorado no Brasil: cafés aromatizados

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Em 2005, ela mudou de cidade mas não de atuação. Passou a gerenciar a incubadora de Itajubá (MG). Implementou o processo ISO 9000 e deu mais dinâmica ao trabalho. Hoje a Incit tem 21 empresas incubadas e 10 graduadas. “É com trabalho, seriedade, dedicação e honestidade que se chega lá. Não é só o meu trabalho, é a equipe que faz a diferença. Porque não adianta eu ter ideia inovadora se eu não tiver apoio.”

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C A PA Liana começou a fazer cursos fora do País e foi quando percebeu que o negócio de cafés aromatizados no Brasil era pouco explorado. Ela fez uma pesquisa de mercado e resolveu montar sua empresa – a Baggio Coffees. Para produzir café com sabores de menta, caramelo, açaí e limão, Liana trouxe tecnologia de fora e contou com a experiência do degustador e classificador de cafés Clodoaldo Iglezia. Hoje a empresa produz 2,5 mil quilos por mês, tem cinco funcionários e, mesmo durante a crise de 2009, cresceu 78%. “O maior desafio foi aquela insegurança que dá quando você vai abrir um negócio que não é igual ao que todo mundo tem. A maioria das pessoas começa a pensar que não dará certo.”

Mas a história de Liana ainda é uma exceção entre o público feminino. De acordo com a pesquisa GEM 2007, apenas 37% das empreendedoras investem num negócio para aproveitar uma oportunidade de mercado, contra 63% que o fazem por necessidade. Entre os homens, 64% abrem um negócio para aproveitar uma oportunidade e 38% por necessidade. Para dar mais apoio a essas mulheres que empreendem por necessidade, a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres criou em 2007 o Programa Nacional Trabalho e Empreendedorismo da Mulher em parceria com os governos estaduais e com as unidades do Sebrae e da BPW. A proposta do programa é atender mulheres pobres, em situação de vulnerabilidade social, e através de cursos de capacita-

ção estimulá-las a criar novos negócios ou aprimorar a gestão de empresas já existentes. “Oferecemos a capacitação para mulheres que já têm algum tipo de empreendimento, como cabeleireiras e doceiras, para mulheres que não têm renda e para gestores públicos estaduais, para ajudá-los a entender essas mulheres e suas necessidades”, informa Eunice de Moraes, gerente de projetos da secretaria. Durante o programa, as mulheres recebem informações sobre políticas públicas de apoio ao empreendedorismo e de microcrédito e têm cursos de capacitação do Sebrae. “Encontramos ainda muitas mulheres que foram vítimas de violência, e aí é preciso fazer todo um trabalho de autoestima para que elas se vejam como um sujeito social capaz de contribuir para

Elis Rinaldi, da Rica Festa: duas unidades em São Paulo e em Portugal

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Franchising cor-de-rosa

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Depois de testar o negócio e de conquistar mercado, muitas mulheres estão optando por expandi-lo através do sistema de franquias. A Associação Brasileira de Franchising (ABF) calcula que 35% das empresas de franquias são comandadas por mulheres. “O mercado de trabalho mudou. Hoje, 45% dos trabalhadores são mulheres e isso tende a se genera-

lizar para todo o sistema, inclusive para o de franquias”, afirma Ricardo Camargo, diretor-executivo da ABF. Um ano após criar a marca de joias Barbara Strauss, a estilista Cristiane Barbara Strauss optou pelo sistema de franquias para expandir o negócio. Em cinco anos montou uma rede com sete lojas e pretende chegar a 20 até o fim do ano.

Ela explica que não dá preferência por franqueadas mulheres, mas elas são as mais interessadas no negócio. “A maior procura pela franquia é por mulheres, até porque elas têm mais relação com o produto que vendem.” A empresária Elis Rinaldi, sócia da Rica Festa, empresa especializada em artigos para festa, também resol-


Mulher de negócios Para incentivar o empreendedorismo entre as mulheres foi criado em 2004 o prêmio Mulher de Negócios, uma parceria entre o Sebrae, Business Professional

veu expandir os negócios por meio do sistema de franquias. Além das duas lojas em São Paulo, a rede tem duas unidades em Portugal. “Em Portugal eles tinham poucas empresas de festa. Aproveitamos para oferecer os nossos produtos e vendemos a franquia-máster há cinco anos.” A gestão feminina também é dife-

Women (BPW ), Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres e Fundação Nacional da Qualidade (FNQ). A proposta do concurso é identificar, selecionar e premiar mulheres empreendedoras que transformaram seus sonhos em realidade. Em seis anos, cerca de 8 mil mulheres disputaram o prêmio, e14 mulheres foram premiadas nas categorias pequenas e médias empresas e líderes de negócios coletivos. Segundo Maria Del Carmen, gestora de parcerias do Sebrae e responsável pela premiação, é possível perceber um perfil em comum entre elas. “Todas têm muita garra e uma história de superação tanto profissional quanto pessoal. São pessoas que não acreditam em empecilhos para empreender.” A economista Joseane Muniz, de Cam-

rente. Segundo pesquisa realizada pela consultoria Rizzo Franchise, as mais de 50 mil franquias tocadas por mulheres apresentaram em 2008 um faturamento 32% superior ao daquelas comandadas por homens. Camargo considera que as mulheres à frente de franquias costumam ser mais cautelosas e seletivas, até mesmo para escolher os franqueados.

pina Grande, foi vencedora do prêmio na etapa estadual da Paraíba na categoria pequenas empresas em 2007. Ela que vem de uma família de comerciantes, também resolveu abrir o próprio negócio quando saiu da faculdade. “Quando eu ainda era adolescente vi que precisava fazer alguma coisa porque, se não, eu ia cuidar de criança e de fogão. Eu queria mostrar que poderia fazer outra coisa.” A área escolhida é que fugiu ao padrão dos investimentos femininos. Seu trabalho de conclusão de curso foi sobre a relação de custos e preços de baterias para carros, e para entender do assunto ela precisou estudar a parte técnica de uma bateria e até fez um curso de capacitação em uma fábrica. Toda essa experiência fez com que ela abrisse a Eletricar

Joseane, da Eletricar Baterias: empresa referência em área dominada por homens

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o desenvolvimento do País”, diz Eunice. O programa já foi realizado no Rio de Janeiro, Distrito Federal e Santa Catarina, e neste ano chega a Pernambuco e ao Pará. Mais de 3 mil mulheres já fizeram o curso e outras 2 mil devem começá-lo este ano. Eunice conta que já é possível perceber as mudanças que o curso proporcionou às participantes. “As mulheres do curso no Rio de Janeiro já participaram até de feiras em Londres para vender o material produzido por elas.”

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C A PA

Gisele, da Le Petit: clínica veterinária destaca-se por serviços pioneiros

Baterias, empresa especializada em troca de baterias automotivas. Na época, para abrir a loja, vendeu o próprio carro. Em dez anos de trabalho Joseane transformou a sua empresa em uma referência na cidade. Faz cerca de 25 atendimentos por dia, entre assistência técnica e troca de baterias. Para dar conta do serviço, ela precisou contratar mais três funcionários, mas nem por isso deixou de trabalhar na oficina. “Fazemos também atendimento em domicílio. Se me chamarem à noite para atender alguma emergência, eu já tenho tudo preparado para fazer a troca de bateria. Só coloco os meus filhos no carro e vou fazer o atendimento.” Joseane conta que teve que se acostumar com a reação das pessoas quando ela chega para fazer o atendimento. “Elas não conseguem entender como uma mulher abre um capô de um carro e faz o diagnóstico da bateria. A discriminação ainda é muito grande.” Segundo a empresária,

uma vez chegou um senhor na empresa que se recusou a ser atendido por ela. Para não criar confusão com o cliente, Joseane preferiu chamar um dos funcionários para atendê-lo. Até mesmo o pai da empresária teve dificuldade em aceitar o negócio da filha. “Ele dizia que eu não entendia de baterias, e foi só quando eu ganhei o prêmio Mulher de Negócios que ele chegou mais perto de mim e passou a confiar no meu trabalho.” Além do apoio do pai, com a premiação Joseane melhorou também o seu faturamento, isso porque as vendas aumentaram em 40%. “Fiz muitos cursos no Sebrae, fiz o Empretec e isso tudo me ajudou a mudar completamente a loja.” Depois dos cursos ela implementou uma política de pós-venda para fidelizar clientes e um programa de reciclagem de materiais. A médica-veterinária Gisele Penso, de Concórdia (SC), também encontrou o sucesso nos negócios em uma área antes

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Elas fazem moda

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As áreas em que elas costumam mais investir estão associadas ao universo feminino. Os dados do GEM 2007 mostram que 37% das empreendedoras brasileiras trabalham em atividades de moda e vestuário no comércio varejista, 27% delas na indústria em ramos como o de confecções, e 14% em atividades associadas à alimentação. No setor de moda as mulheres são maioria tanto na produção e confecção quanto na compra das peças. A Associação Brasileira do Vestuário (Abravest) estima que o setor confeccionista gerou, em 2008, 1,4 bilhão de empregos, e desse total 97% foram destinados às mulheres. A entidade calcula também que 40% das roupas produzidas no País sejam destinadas ao público feminino. A jornalista Rosana Sperandéo resolveu investir em moda e fazer moda para mulheres. Ela largou o emprego como editora de uma revista feminina para abrir seu próprio negócio. “Eu costumava entrar na redação às 10h e só saía

às 22h. Isso me incomodava porque eu tenho vida social, família e era difícil conciliar tudo.” A ideia de Rosana foi se dedicar a algo que ela já tivesse expertise e que, ao mesmo tempo, pudesse oferecer a oportunidade de ter horários de trabalho mais flexíveis. Rosana e a sócia Mariana Medeiros investiram em um site de e-commerce que é também revista de moda. Em junho de 2009 elas montaram o portal OQVestir. A proposta do site é inovadora. Rosana e Mariana participam do showroom de 67 marcas, selecionam peças, compram os produtos e os revendem no site. Mas com um diferencial: todas as peças que são vendidas trazem dicas de que outros acessórios combinam com o look, em que ocasião a roupa pode ser utilizada e para qual tipo de corpo é mais indicada. “Tudo o que está exposto no site passou por um crivo, passou por uma edição de moda. Ao contrário de um site de desconto, que você compra o resto da liquidação, aqui

no OQVestir você só vai encontrar o melhor de cada coleção”, afirma Rosana. Ela considera que um grande diferencial do negócio está na personificação do serviço. A cliente pode mandar dúvidas sobre o que vestir em certas ocasiões e Rosana e sua equipe dão sugestões a partir do tamanho e do estilo da consumidora. “Temos uma média de 500 mil page views por mês, e eu já recebi e-mails de uma avó que não sabia qual roupa usar na festa do neto que tinha como tema o safári africano.”


Apenas 37% das empreendedoras investem num negócio para aproveitar uma oportunidade dores para pagá-los em 45 dias. Na época eu fazia tudo: era cirurgiã, recepcionista, telefonista e administradora.” Em dez anos de trabalho ela conseguiu implementar serviços no pet shop que o diferenciavam dos demais. Gisele desenvolveu uma identificação individual que é colocada na coleira de cães que tomam banho e fazem a tosa de pelos na clínica. Isso permite que o dono saiba o que aconteceu com seu animal durante o tempo que ele ficou na Le Petit. “O selo vai pendurado no pescoço deles como se fosse uma gravata. Isso evita que in-

formações sobre o cão não cheguem até o seu dono.” A Le Petit foi também a primeira clínica a ter, no município, um plano de gerenciamento de resíduos de saúde com coleta seletiva do lixo e ultrassonografia para animais. Para seleção dos casos de empreendedorismo do prêmio Mulher de Negócios são realizadas três etapas – estadual, regional e nacional. As 20 finalistas vão para Brasília, assistem à entrega do prêmio e recebem treinamento e capacitação. E as duas vencedoras da etapa nacional ganham uma viagem internacional para um centro de empreendedorismo. “A ganhadora da categoria de pequenas e médias empresas de 2008 tinha uma confecção em Pernambuco. Como prêmio ela ganhou uma viagem para a Espanha e, antes mesmo de voltarmos ao Brasil, ela já tinha marcado seu retorno à Espanha para participar de uma feira”, conta Maria Del Carmen. Elas não dormem no ponto nem desperdiçam oportunidades.

LINHA DIRETA

Rosana e Mariana, do site OQVestir: diferencial do negócio está na personificação do serviço

Baggio Coffees: www.baggiocoffees.com.br Barbara Strauss: www.barbarastrauss.com.br Biosintesis: www.biosintesis.com.br Business Professional Women: www.bpwbrasil.org Guia do Equipamento Individual de Proteção: www.guiadoepi.com.br Incubadora de Base Tecnológica de Itajubá: www.incit.com.br OQVestir: www.oqvestir.com.br Pinheiro Pereira: www.pinheiropereira.com.br Prêmio Mulher de Negócios: www.mulherdenegocios. sebrae.com.br Rica Festa: www.ricafesta.com.br Secretaria Especial de Políticas para Mulheres: www.presidencia.gov.br/ spmulheres

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dominada por homens e foi vencedora do prêmio Mulher de Negócios na categoria pequenas empresas em 2008, na etapa estadual de Santa Catarina. Quando saiu da faculdade ela foi trabalhar em uma fazenda e depois em uma agropecuária, onde sempre atendia animais de grande porte. “Por inúmeras vezes foi preciso provar minha capacidade e conhecimento de técnica ao executar um determinado serviço. Vai ser difícil esquecer a primeira vez que operei um touro com uma plateia exclusivamente masculina”, comenta. Quando trabalhava na agropecuária, Gisele percebeu que havia na cidade um mercado pouco explorado para trabalhar com animais pequenos e decidiu montar a sua própria clínica – a Le Petit. Ela conta que começou a empresa praticamente sem dinheiro no bolso, mas fez dos contatos que tinha com os fornecedores da agropecuária o primeiro trunfo do seu negócio. “Comprei todo o meu estoque inicial a partir de um acordo com os fornece-

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meio ambiente

mais Algo a

Apesar de campeão mundial em reciclagem de latinhas de alumínio, o Brasil deixa de reutilizar 60% do metal por Cléia Schmitz

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cleia@empreendedor.com.br

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Experimente deixar uma sacola de latas de alumínio numa lixeira qualquer. Se você voltar uma hora depois, é muito provável que ela não esteja mais lá. No Brasil, latinha já deixou de ser lixo há muito tempo. Apesar de não termos leis que regulamentem o destino de resíduos sóli-

dos, somos o país com o mais alto índice de reciclagem desse tipo de embalagem – 91,5% no ano passado, segundo dados da Associação Brasileira de Alumínio (Abal). Mas dá para fazer mais. Se é difícil encontrarmos esse metal no lixo na forma de latas, panelas e esquadrias, por outro lado ainda levamos para os aterros sanitários muitas embalagens e peças que contêm alumínio. Entre elas, marmitas, embala-

gens longa-vida e latas de tinta. Nesses casos, o metal tem baixo valor de mercado devido ao alto grau de contaminação, seja por umidade, óleos ou tintas aderentes, o que resulta em baixa reciclabilidade. “Cerca de 60% do alumínio ainda não é reciclado”, afirma o professor Ivanir Luiz de Oliveira, sócio da Suprametal, empresa de base tecnológica incubada na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UFTPR). O


Aqui tem alumínio

Tecnomoldes, de Joaçaba: reciclagem rende o equivalente a duas folhas de pagamento, uma redução de custos de 14,6% com pessoal

objetivo da Suprametal é tornar viável um processo que agregue valor a determinadas ligas de alumínio no arranjo produtivo de Ponta Grossa, sua cidade-sede. Fundada há três anos, a empresa já produziu e certificou 30 toneladas de alumínio encontrado em materiais que geralmente vão parar no lixo, incluindo marmitas e embalagens de chiclete e café em pó. “Investimos muito nos filmes finos de alumínio, mesmo os

não-contaminados”, afirma Oliveira. Vale destacar que, quanto menor a espessura do material a ser fundido, maior será a sua oxidação e, consequentemente, maior será a geração de resíduos no processo de fundição. Isso explica o baixo valor de mercado. O desafio da Suprametal é transformar esse tipo de sucata em ligas especiais com preços mais atrativos. Ou seja: purificar o metal para incorporá-lo a ligas de alto valor e reaproveitá-lo em aplicações comerciais nobres. O projeto da empresa é sistêmico, incluindo o desenvolvimento de processos e também de equipamentos específicos para a fundição dos materiais. Até já existem equipamentos capazes de transformar alumínios contaminados em ligas de alumínio secundário. O problema é que são fornos caríssimos, desenhados para processos em grande escala, inacessíveis para pequenos negócios. Além disso, segundo o professor Oliveira, grandes empresas recicladoras concentram-se no aproveitamento de sucatas nobres de alumínio, como as latas de bebidas e os resíduos de processos industriais.

Lucro do lixo Agregar valor às sobras de alumínio também é a meta da empresa Tecnomoldes, de Joaçaba (SC). Fabricante de moldes de alumínio, a metalúrgica descarta mensalmente cerca de 300 quilos de ca-

vacos – espécie de “serragem” do metal. Nesta forma, o material tem um valor bem abaixo do mercado, em média R$ 2,10 por quilo. Ao prensar os cavacos e transformálos em briquetes na própria fábrica, a empresa elimina o atravessador e consegue vender os resíduos a R$ 3,80 o quilo. “A reciclagem do alumínio é mais fácil nesse estado”, explica Silvana Meneghini, professora do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) de Luzerna, cidade próxima a Joaçaba. A pedido da Tecnomoldes, Silvana desenvolveu com uma equipe da instituição, incluindo alunos, um compactador de alumínio com custo acessível para pequenos negócios. O compactador ainda é um protótipo, mas até o final do semestre a equipe do Senai acredita que terá em mãos o equipamento definitivo. Sócio da Tecnomoldes, o empresário Gilei Bento de Souza já calcula as vantagens econômicas que terá ao usar o compactador na sua empresa. “Com a valorização dos resíduos de alumínio, poderemos pagar duas folhas de pagamento, uma redução de custos de 14,6% com pessoal”, calcula Souza. A empresa tem 30 funcionários. Além de agregar valor às sobras do metal, o compactador também proporciona uma redução de volume de 25%, exigindo menos espaço para estocagem e diminuindo os custos de transporte das empresas que geram o cavaco em seus processos de usinagem. Por isso, o equipamento tem

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4lacre das latas de leite em pó e achocolatado 4parte interna das embalagens de café e sopa em pó 4folhas que embalam os tabletes de tempero tipo Knorr 4embalagem de chiclete e queijos tipo Polenghi 4sachês de molhos como maionese, mostarda e catchup 4parte interna das embalagens longa-vida 4tampas que lacram potes de água, sucos, iogurtes, bebidas lácteas e leites fermentados 4rodas de automóveis e peças de motores 4piso e degrau de ônibus 4esquadrias (portas e janelas) 4telhas e divisórias para construção civil 4fios e cabos condutores de energia elétrica 4máquinas e equipamentos industriais

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meio ambiente potencial para estimular a reciclagem do alumínio e gerar mais lucros em indústrias que hoje ainda desprezam o valor econômico desse metal. “Durante muito tempo nós doávamos todas essas sobras para uma instituição local, que não quis mais receber o material”, conta Souza.

Benefícios

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Chamado de alumínio secundário, o metal proveniente da reciclagem pode ser usado na fabricação de novos produtos. E com enormes vantagens, tanto econômicas quanto socioambientais: economiza recursos naturais, principalmente a bauxita, matéria-prima básica para a produção de alumínio primário; consome apenas 5% da energia elétrica necessária para produção do alumínio primário; libera apenas 5% das emissões de gás de efeito estufa em comparação com a produção de alumínio primário; gera renda para milhares de catadores e recicladores de sucata (180 mil pessoas, segundo dados da Abal) e movimenta R$ 492 milhões em todas as etapas do processo de reciclagem, incluindo sucateiros, recicladores e fornecedores de máquinas e equipamentos, entre outros. “A vantagem do alumínio é que ele pode ser reciclado infinitamente sem perder suas características”, afirma Henio De Nicola, coordenador da comissão de reciclagem da Abal.

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Nicola, da Abal: “A vantagem do alumínio é que ele pode ser reciclado infinitamente”

Vantagens sem fim Comparação com a produção de alumínio primário 4economiza recursos naturais, principalmente a bauxita 4consome apenas 5% da energia elétrica 4libera apenas 5% das emissões de gás de efeito estufa 4gera renda para 180 mil catadores e recicladores de sucata (180 mil pessoas, segundo dados da Abal) 4movimenta R$ 492 milhões em todas as etapas do processo de reciclagem Fonte: Abal

De acordo com pesquisas da entidade, em 2008 o Brasil reciclou 328,5 mil toneladas de alumínio. Só em latas foram 165,8 mil toneladas, o que corresponde a 12,3 bilhões de unidades (33,6 milhões por dia ou 1,4 milhão por hora). A Abal destaca o fato de liderarmos a reciclagem de latinhas pelo oitavo ano consecutivo entre os países em que a atividade não é obrigatória por lei – como no Japão, que em 2008 reciclou 87,3% de latas. Na Europa, a média é de 62%. Segundo Nicola, o ciclo de vida de uma lata no Brasil é de 30 dias. Ou seja, um mês após o consumo da bebida ela já está de volta às prateleiras das lojas. “Cada material tem suas particularidades, mas o alumínio é mesmo um modelo para o segmento de reciclagem no Brasil. Isso se deve a vários fatores como o alto valor agregado do material, que gera renda importante para catadores, e a um trabalho bem-feito de conscientização da população”, explica André Vilhena, diretor-executivo do Compromisso Empresarial para a Reciclagem (Cempre). A reciclagem de alumínio é uma atividade em constante crescimento no Brasil. Principalmente porque as aplicações do metal são cada vez maiores em diferentes segmentos da economia, de embalagens a peças automotivas. Entre os atributos do metal destaca-se a leveza, característica fundamental principalmente para a fabricação de meios de transportes. Aviões, caminhões e carros mais leves consomem menos combustíveis, têm mais capacidade de carga e menor desgaste. Outras vantagens do alumínio são condutibilidade térmica e

elétrica, resistência à corrosão, durabilidade, impermeabilidade, etc. Hoje, o metal é usado em muitos produtos de consumo doméstico, que acabam passando desapercebidos e, por isso, descartados de forma errada. Mas o consumo de alumínio em território nacional ainda é baixo comparado com alguns países. No Japão, por exemplo, ele chega a 32 quilos por habitante, contra 5 quilos por habitante no Brasil. Com um índice geral de 38% de reciclagem, o potencial de crescimento de alumínio secundário é alto no País. Para Nicola, a Política Nacional de Resíduos Sólidos, em tramitação no Congresso Nacional, pode ajudar a aumentar esse índice. A desoneração dos tributos cobrados de todas as empresas que integram a cadeia de reciclagem do metal é uma das maneiras. Conceder incentivos fiscais para os produtos originários de alumínio reciclado é outra reivindicação do segmento. “A indústria de sucata só vai acontecer quando o governo estimular o comércio de material reciclado”, afirma Adriano Assi, presidente da Exposucata. Quando a demanda é gerada, o mercado funciona. Nosso maior concorrente é a matéria-prima virgem.”

LINHA DIRETA Abal: (11) 5904-6450 Adriano Assi: (11) 5535-6695 Cempre: (11) 3889-7806 Senai/SC: (49) 3551-4814 Suprametal: (42) 3220-4800 Tecnomoldes: (49) 3522-2933


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vez Brasil Rússia

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Bloco da

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Apesar de diferenças intrínsecas, alto potencial de crescimento faz de Brasil, Rússia, Índia e China as novas apostas da economia mundial por Beatrice Gonçalves | beatrice@empreendedor.com.br

O forte crescimento econômico de países como Brasil, Rússia, Índia e China surpreendeu o mundo nos últimos dez anos. O banco de investimento Goldman Sachs considera que os quatro estarão entre as cinco maiores economias nos próximos 20 anos. O que chamou a atenção dos economistas é que além do vasto território (juntos eles representam 38 milhões de quilômetros quadrados e uma população de 2,8 bilhões de habitantes), esses países são responsáveis por um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 8 trilhões. Para estudá-los, o economista Jim O’Neill cunhou, a partir das iniciais, a sigla Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) e passou a analisar os desafios para que o grupo conquiste espaço no cenário mundial. É preciso, segundo O’Neill, que eles aprimorem os sistemas financeiro e educacional e melhorem a infraestrutura – investimentos que já começaram a ser feitos. Dados do relatório bianual do Conselho de Ciência e Engenharia dos Estados Unidos, que avalia a aplicação de recursos em pesquisa, mostram que a China vem aumentando em 20% ao ano os recursos nesse setor e o


fotos photostogo

Brasil a uma média de 10% – o que faz da China, Índia e Brasil estarem entre os 15 países que mais investiram em pesquisa e desenvolvimento nos últimos anos. Uma área que eles já são líderes é a de tecnologia da informação e comunicação (TICs). Em 2009, os países estiveram entre os que mais investiram no setor. Pesquisa realizada pelo instituto International Data Corporation (IDC) mostra que a China gastou o equivalente a US$ 69 bilhões em TICs, o Brasil US$ 32 bilhões, a Índia US$ 22 bilhões e a Rússia US$ 18 bilhões. Um investimento que produz resultados diretos no mercado. Pelas estimativas do IDC, enquanto o setor de TICs deve crescer cerca de 6% em nível mundial em 2010, os integrantes do Bric devem registrar aumento nas vendas de produtos e serviços de TICs entre 8% e 13%. Para Antônio Gil, presidente da Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), o setor de TICs é um dos elementos fundamentais para o desenvolvimento. Ele considera que a demanda por tecnologia para permitir a globalização e a mobilidade tende a aumentar e os países precisam

estar preparados para oferecer soluções em produtos e serviços. “As TICs têm uma importância em si como negócio e, ao mesmo tempo, elas influenciam todas as outras atividades econômicas e educacionais de um país. Daqui para frente os investimentos em TICs não são só fundamentais como absolutamente indispensáveis”, explica.

Investimento sistemático O maior investimento em TICs está sendo feito pelo governo chinês, que nos últimos 30 anos ampliou sua atuação no setor de pesquisas científicas. Um movimento que faz parte de uma política de governo para que o país se especialize também na produção de bens de alto valor agregado. Para Gil, o caso da China é um exemplo de investimento de forma sistemática e organizada. O Ministério da Ciência e Tecnologia já ajudou a implementar 600 incubadoras no país, o que contribuiu para a geração de mais de 1 milhão de empresas. A cidade de Xangai é a grande referência em TICs, onde estão instaladas 35 incubadoras. Wang Zhen,

assistente do diretor do Centro de Tecnologia e Inovação de Xangai que participou do 3º InfoDev Fórum Global de Empreendedorismo & Inovação no Brasil, explica que o governo chinês investe também em incubadoras fora do país para incentivar a internacionalização das empresas. “Nós temos no Reino Unido a primeira incubadora chinesa internacional da Associação Asiática de Incubadora de Negócios.” No caso da Índia, os maiores investimentos são em serviços de tecnologia da informação e de terceirização de processos de negócios (TI-BPO). Hoje eles são responsáveis por mais de 50% do mercado e exportam cerca de US$ 50 bilhões anuais em TICs. “Isso é o equivalente a toda a exportação de commodities agrícolas do Brasil”, afirma Gil. Ele explica que há toda uma movimentação para que o país se transforme no maior centro global de TICs. “Uma vez escutei o primeiro-ministro da Índia dizer que IT (tecnologia da informação, em inglês) quer dizer India’s Tomorrow, o amanhã da Índia”, conta. Mas mesmo com os investimentos do governo no setor, Harkesh Kumar Mittal,

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Índia China

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Antônio Gil: TICs influenciam todas as outras atividades econômicas e educacionais de um país

3º InfoDev discutiu o empreendedorismo inovador nos países do Bric

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consultor do Departamento de Ciência e Tecnologia da Índia, considera que ainda é pouco. “A economia indiana cresce enquanto o governo dorme”, afirma. Ele explica que o país aproveita pouco os recursos vindos dos TICs para melhorar a distribuição de renda na Índia. “Dos dez homens mais ricos do mundo, quatro são indianos, enquanto a maior parte da população vive em situação de pobreza.” Dentre os quatro países membros do Bric, a Rússia é o que menos investe em TICs. O país que já foi referência em inovação durante a Guerra Fria, hoje tem uma economia dependente da venda de gás e de petróleo. Além disso, o país amarga uma retração de 8,7% em 2009, o pior

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Brasil se destaca por oferecer produtos e serviços financeiros e de e-government, pelo parque de mainframes e pelo mercado interno

PIB desde 1994. Mas mesmo durante a crise, as empresas de tecnologia da informação russas continuaram lucrativas, ao contrário de muitas companhias da área de metalurgia e matérias-primas. De acordo com o presidente da Brasscom, o Brasil se destaca no setor de TICs por oferecer produtos e serviços financeiros e de e-government, tem o segundo maior parque de mainframes (computadores de grande porte) e, além disso, tem um grande mercado interno. Ele explica que em 2008 o mercado de TICs movimentou só no Brasil cerca de US$ 140 bilhões. Isso representa 7% do PIB e o oitavo maior mercado de TICs do mundo. “O Brasil é grande, tem infraestrutura, competência, mas exporta pouco.” Ele explica que a expectativa é que, em 2009, as exportações brasileiras em TICs fechem em US$ 3 bilhões. “É um crescimento significativo, mas é pequeno se comparado às exportações globais, já que o número total de exportações de TICs foi de US$ 84 bilhões. Em aspectos globais, o Brasil ainda tem um papel pequeno. Só para se ter uma ideia, a Índia tem planos de exportar nos próximos anos o equivalente a US$ 100 bilhões.” Gil explica que se o Brasil não for agressivo nas exportações de TICs, abre espaço

para que outros países estabeleçam empresas aqui e concorram diretamente com as companhias brasileiras. Ele considera que o Brasil precisa proteger o seu mercado e, para isso, o governo deve fazer investimentos no setor e ser mais agressivo com as exportações. “Precisamos ter custos competitivos. Hoje, só para se ter uma ideia, o minuto de celular na Índia custa 6 centavos de dólar e no Brasil a mesma ligação custa 40 centavos de dólar. A nossa taxa de impostos sob mão de obra é a mais alta do mundo – precisamos reduzir a carga fiscal.”

Desafios Para Maurício Schneck, assessor de relações internacionais da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), os países membros do Bric que quiserem investir em TICs devem estar atentos às demandas do mercado. “Quando grandes empresas desejam se instalar em algum país, os quatros pontos que costumam ser levados em consideração são infraestrutura, incentivos fiscais e tributários e mão de obra qualificada.” Ele considera que, no caso do Brasil, ainda falta mão de obra. “No momento nós


photostogo

Cenário Econômico Rússia A Rússia fechou 2009 com retração do PIB em 8,7%, o pior Produto Interno Bruto desde 1994. A expectativa do governo é que a economia do país volte a crescer 3% em 2010. A ONU não é tão otimista e prevê crescimento de 1,5%.

temos 20 players que estão prospectando o mercado brasileiro para instalar fábricas aqui com a perspectiva de abrir de 300 a 1 mil posições no setor de tecnologia da informação, mas quando há uma demanda muito grande o que acontece é que essas empresas costumam tirar a mão de obra de outras pequenas e médias empresas.” Segundo Eduardo Costa, diretor de inovação da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), o Brasil vive um momento positivo e de forte incentivo para a área de TICs. “Todos os instrumentos necessários para apoio à empresa existem nesse momento, o que nós precisamos é aumentar o alcance desses projetos, chegar a um número maior de empresas atendidas e disponibilizar mais dinheiro”, afirma Costa. Ele explica que houve um aumento nos recursos públicos para inovação e que a Finep ampliou o financiamento para empresas. Estão sendo investidos US$ 1 bilhão: US$ 600 milhões para crédito, US$ 300 milhões para subvenção e US$ 100 milhões para capital de risco. São financiamentos como o Primeira Empresa Inovadora (Prime), que busca auxiliar cerca de 5 mil empresas nascentes e o programa Juro Zero para micro e pequenas, em que é possível fazer empréstimos e pagá-los em 100 meses

Índia A economia indiana vinha crescendo desde 2004 a uma taxa de 8,6% ao ano. Com a crise, em 2009 o país registrou uma pequena retração e cresceu 7,75%. Pelas estimativas da ONU, o país deve crescer 6,5% em 2010.

e sem juros. “Nós apoiamos qualquer empresa instalada no Brasil mesmo que ela não seja de capital nacional. A única exigência é que a atividade de pesquisa seja feita no Brasil. A ideia é colocar dinheiro nas empresas e medir o retorno desse investimento na sociedade”, explica. Com diferenças intrínsecas entre os membros do Bric, muitos especialistas consideram que agrupá-los em um mesmo bloco é algo artificial. O jornal Financial Times comparou-os a uma onça, um urso, um tigre e um panda, e que juntos eles têm poucos aspectos em comum. Para Pedro Vartanian, professor de economia da Trevisan Escola de Negócios, os países do Bric têm pouco poder político para atuar em bloco. “Até hoje os países não conseguiram assinar nenhum acordo importante. Há o interesse do governo brasileiro de substituir o dólar pelas moedas locais nas transações comerciais entre os países do Bric, mas considero isso difícil porque a maior parte dos países tem altos valores de reservas em dólares”, afirma. Na própria área de tecnologia da informação ele considera ser difícil selar acordos de cooperação. Já que muitas empresas não querem abrir seu know-how para outras em-

China A China conseguiu atingir a meta do governo para 2009 e fechou o ano com crescimento de 8,7%. O PIB per capita, que é o Produto Interno Bruto dividido pelo número de habitantes do país, é baixo. Cerca de 150 milhões de chineses são pobres e têm renda de até US$ 1 por dia. A estimativa da ONU é que o país feche 2010 registrando 8,8% de crescimento.

presas, ele acredita que há uma falta de aproveitamento de parcerias técnicas em função do medo de expor o conhecimento e que, quando os governos fazem parcerias, é muito mais no sentido de troca de bens. Vartanian considera que o Brasil pode se tornar a grande referência entre o bloco. “O País é das quatro economias a que está mais consolidada quando se avalia a segurança jurídica, de processos democráticos. Outra vantagem é que a economia não depende tanto do mercado externo.” Ele considera que para a Índia crescer mais precisa resolver grandes disputas territoriais com vizinhos e a contínua tensão entre os grupos étnicos; a China precisa melhorar o sistema financeiro e ampliar as liberdades individuais; e a Rússia precisa reduzir a dependência da economia de gás e de petróleo. Só é preciso que a onça faça o seu dever de casa.

LINHA DIRETA Anprotec: www.anprotec.org.br Brasscom: www.brasscom.org.br Finep: www.finep.gov.br Trevisan Escola de Negócios: www.trevisan.edu.br

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Brasil O Ministério da Fazenda ainda não divulgou o balanço do PIB de 2009, mas a previsão é que se registre um pequeno crescimento, o equivalente a menos de 1%. O desempenho deve ser melhor que o da média mundial, que registrou retração de 2,2%. O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê crescimento de 4,7% para 2010.

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P E RF I L

Padeiro

construtor Nem a paixão pela gastronomia supera o amor que Marcelo Correa sente pela engenharia e faz a Safecon crescer sem parar por Mônica Pupo

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monica@empreendedor.com.br

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Marcelo Alves Correa é um dos empreendedores brasileiros que sentiu na pele os reflexos da crise econômica mundial de 2009. Fundador da Safecon, companhia especializada na locação de fôrmas, andaimes e escoramentos para a construção civil e industrial, o carioca precisou ajustar a operação para lidar com a derrocada do PIB nos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo, onde a empresa possui unidades. Mesmo registrando queda no faturamento – que crescia aproximadamente 100% ao ano desde a criação do negócio, em 2005 –, a Safecon fechou o ano passado com acréscimo de 20% e garantiu seu espaço num mercado dominado por gigantes como Mills e SH. Correa atribui os bons resultados ao planejamento e ao investimento constante em novas parcerias, tecnologias e produtos. Para retomar o crescimento inicial e ingressar num novo mercado, ele inicia 2010 com a abertura da segunda empresa do grupo, a Safecon Engenharia de Acesso, com foco no segmento de prestação de serviços de manutenção industrial. Recém-lançada em janeiro passado, a nova empresa já conseguiu seu primeiro – e grande – contrato com a Lanxess, multinacional alemã produtora de borracha sintética. “Prestamos serviços de mão de obra na construção industrial, o que requer um nível muito elevado de planejamento aliado a conhecimentos técnicos e treinamento”, diz Correa sobre a atuação da Safecon Engenharia de Acesso. “É um mercado em pleno

Marcelo Alves Correa Idade: 51 anos Local de nascimento: Rio de Janeiro Formação: Engenharia Civil pela UERJ Empresa: Safecon e Safecon Engenharia de Acesso Ano de fundação: 2005 Cidade-sede: Rio de Janeiro Número de funcionários: 50


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Anna Colla Fotografias

P E RF I L Planejamento é o segredo da Safecon para seguir crescendo em um mercado dominado por grandes empresas

crescimento, tendo em vista o incremento de obras em indústrias petrolíferas, siderúrgicas e mineradoras”, completa, otimista com a expansão, entre outras, da Petrobras e demais indústrias da cadeia do petróleo. Faturando em média R$ 150 mil ao mês, a expectativa é dobrar esse número até o fim do ano com a conquista de pelo menos outros quatro contratos de manutenção industrial. O talento para prospectar grandes clientes não surgiu por acaso. Engenheiro civil por formação, Correa trabalhou por 27 anos como executivo da SH, companhia líder no segmento de soluções para a construção civil – e hoje uma de suas concorrentes. Começou como engenheiro júnior, dias antes de colar grau na universidade, e chegou a ser sócio minoritário e diretor, comandando importantes mudanças e inovações que levaram à expansão internacional da empresa. Poderia ter se contentado com a promissora e estável carreira, não fosse o espírito empreendedor falar mais alto. Em 2005 ele decidiu que era hora de “trabalhar em causa própria”, pediu demissão e, sozinho, deu início à operação da Safecon.

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Network

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A intenção de Correa era “começar aos poucos”, concentrando a atuação na locação de andaimes para obras menores, como edifícios residenciais e pequenos empreendimentos. Mas graças ao network estabelecido ao longo da trajetória corporativa, o sucesso e os grandes contratos surgiram quase que imediatamente. O maior orgulho do empresário, no entanto, são os novos clientes que pouco a pouco foram captados pela equipe da Safecon, e que após o primeiro projeto voltaram a confiar obras à empresa. Já no primeiro ano a companhia executou edificações como a Estação de Tratamento de Gás de Cacimbas (ES) e a Cidade da Música, no Rio de Janeiro. AmBev, Michelin, CSA e mineradoras como Samarco e Vale também estão entre os clientes da Safecon. Em 2006 foi fundada a filial em Vitória. Apesar do crescimento exponencial nos primeiros anos da empresa, Correa nunca se deixou iludir pelas estatísticas. Realista, ele afirma: “Quando você tem nada e ganha um, também significa que


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Marcelo Alves Correa Safecon

Nasce no Rio de Janeiro. Dez dias antes de colar grau na faculdade de Engenharia Civil, começa a trabalhar como engenheiro júnior na SH. Aos 30 anos decide deixar o cargo na SH para ir à França estudar gastronomia no Le Cordon Bleu. De volta ao Brasil, dá início à operação de sua primeira empresa, Farinha Mágica, especializada em catering para companhias aéreas e fornecimento de salgados congelados para supermercados. Chamado de volta à SH, desta vez como sócio, decide se afastar da Farinha Mágica, mas se mantém como sócio. Vende sua participação na Farinha Mágica. Decide deixar a carreira de executivo para investir na própria empresa e funda a Safecon, no Rio de Janeiro, empresa especializada em locação de fôrmas, andaimes e escoramentos para a construção civil e industrial. Inauguração da filial em Vitória. A Safecon lança o primeiro produto totalmente desenvolvido por seus técnicos: o sistema para escoramento de lajes Safedeck. Tem início a operação da Safecon Engenharia de Acesso, segunda empresa do grupo dedicada a prestar serviços de manutenção industrial.

tou por se especializar em panificação. De volta ao Rio de Janeiro, abriu a Farinha Mágica, empresa dedicada a fornecer caterings para companhias aéreas e massas e salgados congelados para supermercados. Até que recebeu uma “proposta irrecusável” para retornar à SH, desta vez como sócio. “Antes minha atuação era regional, como sócio de uma unidade localizada no Rio, mas me convidaram para exercer um posto com abrangência nacional e não pude recusar”, relembra o empresário, que vendeu sua participação na Farinha Mágica em 1999. Antes de abrir a Safecon, em 2005, Correa até chegou a pensar em investir

novamente no ramo alimentício. Mas, consciente de sua pouca experiência no segmento, preferiu dedicar-se ao mercado com o qual tem mais contato e afinidade. “Sou apaixonado por gastronomia e por engenharia, com a diferença de que na primeira sou júnior, enquanto na segunda sou sênior. Abri mão do sonho da gastronomia para me voltar a um negócio que me realiza assim como me realiza fazer pão”, diz. Desde então, ele se dedica à culinária apenas por diversão, comandando as panelas nos almoços e jantares de família. Com o pragmatismo típico dos engenheiros, Correa demonstra cautela ao considerar a possível expansão da Safecon. “Primeiro temos que nos tornar grandes no lugar onde já estamos. No momento em que o mercado aqui estiver conquistado, aí sim partiremos para a expansão geográfica”, analisa. O maior desafio do empresário, no momento, é crescer mais rápido que os concorrentes. “Precisamos fazer isso para nos posicionar e disputar contratos cada vez maiores e mais importantes, já que a concorrência é forte.” Para atingir esse objetivo, atualmente ele conta com a ajuda de três sócios, sendo um deles seu irmão, o também engenheiro Maurício Correa. Aos 51 anos, e consciente da necessidade de providenciar sua sucessão, Correa pretende, a médio prazo, reduzir sua participação nos negócios, contando com a ajuda dos sócios. “Assim, quando eu chegar aos 65 anos, poderei me afastar efetivamente do dia a dia da empresa. Afinal, para o negócio ir adiante ele precisa ser liderado por alguém que esteja no auge, com muita vontade de trabalhar”, reflete. Outro desafio – este imediato – é firmar a posição da Safecon Engenharia de Acesso no mercado e continuar investindo no segmento de locação de equipamentos para a construção civil, o que requer a busca de capital através de financiamentos e parcerias. Para dar conta de tudo isso, a receita é simples: planejamento. “Desafios fazem parte do dia a dia de todo empreendedor, não os vejo como problema, basta apegarse ao planejamento”, conclui.

LINHA DIRETA Safecon: (21) 2775-4177 www.safecon.com.br

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LINHA DO TEMPO

cresceu 100%”. Para o empresário, o crescimento mais significativo foi justamente o de 20% em 2009. “Conseguimos esse resultado mesmo amargando prejuízos na unidade do Espírito Santo, um dos estados que mais sofreram com a crise, até porque quase toda a economia é baseada em commodities como minério, aço e celulose, e foi registrada queda de 24% no PIB do setor industrial”, relata. Quando deu início às atividades, a Safecon trabalhava apenas com um tipo de andaime industrial, que seria concentrado em poucos clientes. Porém, o crescimento inesperado exigiu que os estoques do equipamento fossem aumentados, assim como demandou investimentos em outros produtos, como fôrmas para concreto e escoramentos metálicos. “Para crescer nesse segmento é preciso dispor de muito conhecimento técnico. Sem falar no capital, já que o investimento é alto e demora em média quatro anos para retornar”, conta Correa. “Não se trata simplesmente de locar equipamentos que já estão disponíveis, mas sim de desenvolver nossos próprios produtos”, explica. Mais uma vez a experiência fez a diferença. Acostumado a viajar para o exterior em busca das principais tendências e tecnologias em engenharia civil e industrial, o empresário utilizou todo seu expertise para criar produtos diferenciados e garantir a competitividade. “Por muitos anos liderei o desenvolvimento de produtos na SH e, depois que ficavam prontos, eu sempre observava algumas melhorias que poderiam ser feitas. Com essas informações em mãos, consegui criar para a Safecon produtos com um desempenho de igual a melhor em comparação aos que já existiam no mercado, mas com custo mais baixo devido a soluções técnicas inovadoras”, explica. No ano passado, em meio às dificuldades que a filial de Vitória passava, a empresa lançou o primeiro produto desenvolvido por seus técnicos: o sistema para escoramento de lajes Safedeck. A Safecon não foi a primeira experiência de Correa como empreendedor. Em 1990 o então executivo deixou o cargo na SH para se dedicar à sua grande paixão – a gastronomia. Passou um ano em Paris, estudando no renomado instituto Le Cordon Bleu. Como gosta de acordar cedo – “geralmente levanto às 5h” –, op-

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Casa APIS/pi

Produtores de mel do Piauí ganham selo de comércio justo Casa Apis, com sede no município de Picos, é a primeira cooperativa do setor na América Latina a obter a certificação Fair Trade ASN/Xeyla Oliveira Brasília – A Central de Cooperativas Apícolas do Semiárido Brasileiro (Casa Apis), com sede no município de Picos (Piauí), é

a primeira cooperativa do setor na América Latina a obter certificação de comércio justo (Fair Trade), concedida pela FlorCert, certificadora alemã líder de mercado.

Empreender Informe do Sebrae Março

A conquista veio após um ano de trabalho do grupo, formado por cerca de mil apicultores, com apoio do Sebrae. Com esse diferencial, o mel produzido em Picos será exportado com preço


qualificação acima do mercado, acrescido de 15%. Essa porcentagem é uma espécie de prêmio para o produto que possui certificação de comércio justo e deve ser obrigatoriamente revertida em prol do grupo e da região. A Casa Apis reúne dez cooperativas – nove no Piauí e uma no Ceará. “A certificação potencializa a dinâmica comercial da central e beneficia diretamente as cooperativas filiadas e envolvidas no processo”, afirma o presidente José Leopoldo.

No caso da empresa americana, o produto seguirá com três agregações de valor, devido à certificação de mel orgânico, certificação de comércio justo e envio do mel fracionado (embalado em sachê, bisnaga, entre outras formas). A Itália também já manifestou interesse em adquirir o mel certificado. “O comércio europeu está disposto a pagar mais pelo produto. O mesmo ocorre no Brasil, porém em proporção menor. Hoje já encontramos nicho de mercado internamente”, explica Leopoldo.

Atualmente o preço do mel no mercado internacional é de US$ 3,20 o quilo. Com a certificação de comércio justo, o valor ganha reforço de US$ 0,15 sobre o quilo vendido. No caso da Casa Apis, que também possui certificação de mel orgânico, o preço ganha ainda por um segundo acréscimo. A central de apicultores adquiriu essa certificação em 2009. No primeiro ano da novidade, os apicultores tiveram aumento de 20% no valor comercializado, passando de R$ 2 milhões para R$ 2,4 milhões. O Sebrae apoiou a Casa Apis a adquirir tanto a certificação de mel orgânico quanto a de comércio justo. A instituição investiu R$ 400 mil, sendo R$ 200 mil para cada certificação. Nesses valores estão inclusos gastos com os registros e o monitoramento permanente dos apicultores. A região ganhou recentemente o Centro de Tecnologia Apícola do Piauí (Centap). Casa APIS/pi

Para se enquadrar nesta categoria, os produtores devem se organizar em associações, adotar um processo democrático de decisões, ter a igualdade entre homens e mulheres, respeitar as leis trabalhistas e o meio ambiente. Já as empresas que compram pelo sistema comprometem-se a adquirir matérias-primas certificadas e a pagar um preço mínimo para possibilitar a produção.

Após a certificação, a central fechou contrato para enviar, em março, sete contêineres, com 280 quilos cada, para empresas distribuidoras da Bélgica, com potencial para atingir 26 países da Europa e Ásia, e dos Estados Unidos. O país europeu optou por receber o alimento a granel. Já os norte-americanos querem que o mel chegue pronto para consumo.

Certificação Fair Trade garante preço 15% acima do mercado para o mel orgânico de Picos

Março Informe do Sebrae Empreender


TI

Prioridades

tecnológicas Médias empresas saem na frente na hora de aprimorar suas estruturas e adotar novas tecnologias, como deduplicação e computação em nuvem por Cléia Schmitz

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cleia@empreendedor.com.br

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Engana-se quem pensa que as estruturas de TI mais modernas estão nas grandes corporações. Estudo divulgado pela Symantec – fornecedora mundial de soluções de segurança, armazenamento e gerenciamento de sistemas – mostra que as empresas de médio porte são as mais propensas a adotar novas tecnologias de segurança para data centers. Em três edições do relatório State of Data Center, é a primeira vez que esta tendência se manifesta. “As médias empresas têm mais recursos para investimentos do que as pequenas e são mais ágeis em relação às grandes, que demoram

mais tempo para avaliar uma solução. Essa flexibilidade faz com que adotem novas tecnologias mais rapidamente”, explica André Carraretto, gerente de Engenharia de Sistemas da Symantec. De acordo com o estudo, as médias corporações estão adotando novas iniciativas tecnológicas como a computação em nuvem e a deduplicação com uma taxa entre 11% e 17% maior do que as pequenas e grandes empresas. Na Rede Bandeirantes de Televisão, os investimentos em novas tecnologias têm consumido entre 20% e 30% do orçamento da área de TI. A informação é do gerente de Projetos e Infraestrutura de Redes da empresa, Paulo Roberto dos Santos. Entre os segmentos que mereceram grande

parte dos investimentos, o executivo destaca as tecnologias de rede e virtualização. Recentemente a empresa aderiu ao multi-sourcing (terceirização com vários fornecedores). “O cérebro da operação está dentro da Band, mas os serviços são executados por parceiros qualificados”, destaca Santos. Segurança é a prioridade dos gerentes de TI para 2010. Esta é uma questão mundial. Os executivos ouvidos pelos pesquisadores da Symantec disseram que o foco de seus investimentos em 2010 será segurança (83%), backup e recuperação de desastres (79%) e proteção contínua da informação (76%). A preocupação faz sentido quando se leva em conta os dados de outro relatório da Symantec, específico sobre segurança nas empresas. Na América Latina, as perdas decorrentes de ataques cibernéticos passam dos US$ 500 mil. Metade das empresas sofreu pelo menos um ataque nos últimos 12 meses. No Brasil, esse índice é praticamente o mesmo – 48%. Entre os


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State of Data Center A Symantec ouviu em novembro do ano passado 1.780 gerentes de data centers em 26 países, dos quais 84 na América Latina. No Brasil foram entrevistados 49 profissionais. O escopo da pesquisa inclui empresas de pequeno porte (1 mil a 1.999 funcionários), médio porte (2 mil a 9.999) e grande porte (mais de 10 mil). – Médias empresas têm índices maiores de adoção de novas tecnologias que as pequenas e grandes corporações; – A maioria dos executivos mostrou preocupação com o aumento da complexidade e do grande número de aplicações nos data centers; – A prioridade dos investimentos para 2010 é segurança, backup e recuperação, e proteção contínua da informação. Na América Latina, a deduplicação dos dados também apareceu como uma iniciativa para o ano; – Mais da metade das empresas sofre o impacto da falta de profissionais especializados. Na América Latina, 90% continuam com as mesmas vagas ou têm ainda mais posições em aberto neste ano em relação a 2008; – Um terço das empresas não avaliou seus planos de recuperação de desastres no ano passado.

executivos brasileiros ouvidos pela Symantec, 61% previam mudanças significativas em segurança da informação para 2010. Mas de acordo com o relatório sobre data centers, a confiança dos executivos em seus planos de recuperação de desastres é alta – 80%. No entanto, instigando melhor os gerentes de TI, percebe-se ambientes bastante vulneráveis. Na avaliação da Symantec, um terço das empresas tem planos ainda não documentados ou que precisam ser melhor trabalhados. “São empresas que não revisaram seus planos nos últimos 12 meses”, ressalta Carraretto. O relatório mostra que há áreas ainda não cobertas por planos de recuperação de desastres como computação em nuvens (41%), escritórios remotos (21%) e servidores virtuais (23%). A Symantec reconhece: esses testes não têm custo baixo mas, por outro lado, alerta: eles são fundamentais para garantir o nível de sucesso dos planos. Na América Latina, um resultado diferenciado das conclusões globais chamou a atenção dos realizadores do estudo. A deduplicação dos dados, uma nova tecnologia de backup, é citada por 73% dos entrevistados como uma prioridade entre os investimentos para este ano. “É uma tendência de mercado que não foi destaque nos relatórios anteriores”, afirma Carraretto. Para a Symantec, essa disposição em investir na

implementação de tecnologias de deduplicação é muito bem-vinda porque é uma atitude fundamental para eliminar dados redundantes e reduzir os custos de armazenamento de rede. Para simplificar os processos de gerenciamento das informações, a empresa recomenda a implementação de

uma única plataforma integrada para proteção dos equipamentos físicos e virtuais. Uma preocupação que tem se repetido nos relatórios da Symantec é a falta de profissionais qualificados. Metade das empresas entrevistadas afirmou que está de alguma forma ou extremamente preocupada com problemas de recrutamento. A situação é mais alarmante na América Latina, onde 90% das empresas entrevistadas continuam com as mesmas vagas ou têm ainda mais posições em aberto neste ano em comparação a 2009. Na perspectiva global da pesquisa, 76% dos executivos afirmaram estar com um número maior ou igual de vagas para 2010. No geral, as áreas mais críticas são networking, virtualização e segurança. Já para os latino-americanos, a falta de profissionais é maior nos setores de cloud computing, virtualização e clustering. Para se prevenir, muitas empresas estão buscando os profissionais nas universidades. Santos, da Band TV, conta que a empresa tem por hábito recrutar alunos prodígios. “A formação a gente faz aqui dentro.”

LINHA DIRETA Carraretto: médias empresas têm mais recursos do que as pequenas e são mais ágeis em relação às grandes

Band TV: www.band.com.br Symantec: (11) 5189-6230

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Fonte: Symantec

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TI

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DDA simplificado

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Escritório terceirizado

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O escritório virtual 2.0 é a novidade da Prestus para 2010. A proposta é atender às necessidades comuns das pequenas e médias empresas através de um pool de serviços remotos e compartilhados. O escritório traz a proposta de profissionalização do atendimento dessas empresas, disponibilizando um número de telefone exclusivo e com atendimento personalizado 24 horas por dia, sem interrupções. De acordo com Alexandre Borin, executivo da Prestus, há

muitos profissionais no mercado que iniciam seus negócios com estruturas enxutas de recursos humanos e precisam de um apoio como o serviço da Prestus. Para contratar o escritório virtual 2.0, a empresa paga uma mensalidade que é convertida em créditos de atendimentos. Quando ultrapassar o número de atendimentos contratados, o cliente pode adquirir atendimentos extras no valor de R$ 2,90 cada um. www.prestus.

com.br/escritoriovirtual

A Nexxera traz aos clientes bancários uma plataforma de débito direto autorizado (DDA) compatível com qualquer empresa e sistema de ERP (Enterprise Resource Planning). A implementação é feita no máximo em até sete dias úteis. “Uma das vantagens é que o próprio usuário pode realizar a configuração do ambiente DDA”, explica o presidente da Nexxera, Edson Silva. O objetivo da ferramenta é suportar todas as fases dos processos de pagamento e de cobrança, desde os boletos com ou sem registros até mesmo as operações com nota fiscal. A expectativa da companhia é que haja uma expansão considerável neste segmento em 2010. Segundo Silva, o uso da solução Nexxera DDA traz uma economia de 60% na emissão de boletos, mas a redução pode atingir até 80% de todo o volume de gastos. A companhia mantém à disposição de seus clientes os serviços de service desk e field service, que atende às necessidades exclusivas de cada empresa, através de uma operação 24x7 com profissionais certificados e treinados para resolver qualquer tipo de eventualidades do sistema. www.nexxera.com


Eficiência energética Intel Atom Single-Core 230 1.6GHz. A versão mais potente, a Winlight3 CSX, traz o Intel Atom Dual-Core 330 1.6GHz. As duas versões apresentam chipset Intel 945GC + ICH7, frequência de 533 Mhz e incluem sistema operacional Linux ou Windows CE ou Windows XPE. O equipamento conta com seis portas USB 2.0 e rede de 10/100 Base T Ethernet, com wireless opcional. O

Metais em CAD Para estreitar a relação com os especificadores de produtos, a Docol lançou o DocolCAD, um aplicativo que permite inserir desenhos de metais sanitários 2D em projetos digitais. A principal vantagem é proporcionar agilidade ao disponibilizar o desenho dos produtos em escala, e com três opções de vista (frontal, lateral e superior). O memorial descritivo é outra funcionalidade do DocolCAD. Em qualquer momento do projeto o profissional consegue quantificar os produtos utilizados com as respectivas descrições, seja apenas para consulta ou para posterior impressão do documento. O resultado confere mais realidade aos detalhes do projeto. Segundo Dania Pereira, gerente de marketing corporativo da Docol, a empresa quer facilitar a vida de seus clientes, seja consumidor final ou especificador. “Com o DocolCAD os profissionais ganham praticidade, funcionalidade e tecnologia”, destaca. O aplicativo pode ser utilizado em versões a partir de 2004 e acessado para download no site www.docol.com.br

thin client acompanha teclado internacional ou ABNT Brasileiro, mouse, cabo de alimentação e manual do usuário em português. A Tecnoworld oferece suporte pré e pós-venda, por meio de equipe técnica especializada. Toda a linha de produtos da fabricante pode ser adquirida por meio dos distribuidores Tecnoworld Solutions Partners (TSPs).

www.tecnoworld.com.br

Kit pesquisa A Gertec, fabricante brasileira de equipamentos e soluções para automação, lança no mercado o Pesquisa Rápida, um dispositivo compacto que possibilita a realização de uma pesquisa de maneira simples e eficaz. Além de avaliar o grau de satisfação do cliente sobre qualquer aspecto, o Pesquisa Rápida pode ser aplicado em questionários internos com funcionários, pesquisas de rua, sondagens, avaliações, entre outras aplicações. O aparelho, com bateria de 16 horas, permite elaborar questões de múltipla escolha com até cinco alternativas. Se um dono de restaurante, por exemplo, quiser saber a opinião dos clientes sobre atendimento, serviço, comida ou qualquer outro aspecto, basta instalar o dispositivo na saída ou no fechamento ao lado do caixa, e pedir aos clientes que respondam algumas perguntas criadas pelo gerente. Os resultados são gerados pelo software que acompanha o dispositivo Pesquisa Rápida e apresentados em gráficos de fácil entendimento. Uma simulação on-line está disponível no link www.gertec.com.br/pesquisarapida

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Focada na eficiência energética, a Tecnoworld apresenta a nova versão da linha de thin clients Winlight, a Winlight3. O terminal consome aproximadamente 30 watts, um décimo do consumo de energia consumida por um PC tradicional. Compacto e com gabinete de metal, o produto tem um design moderno e pesa apenas 1,9 quilo. O Winlight3 CS vem com processador

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TI

Inclusão digital

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O novo netbook e-mob da E-max tem 2 GB de memória e sistema operacional Windows 7. Com 1,2 quilo e tela de 10.1 polegadas, o equipamento traz ainda o chipset Intel Atom N270 1.6GHz. Tem saída VGA, três entradas USB 2.0, leitor de cartão SD/MS/MMC e bateria de três células. O netbook vem com rede wireless Wlan 802.11 a/b/g 54 Mbps, câmera 1.3 megapixel, áudio de alta definição, dois alto-falantes estéreos de 1.5W e um microfone digital integrados. O preço sugerido é de R$ 999. www.emaxx.com.br

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Segurança virtual A CLM Software, distribuidora especializada em segurança da informação, webmétricas e infraestrutura avançada, está trazendo ao Brasil o Sourcefire 3D System 4.9, da Sourcefire, líder em soluções de inteligência de cyber segurança. Com sensores 3D de alta disponibilidade, a nova versão ganhou mais de duas dúzias de aprimoramentos em seu sistema de detecção de intrusos ou IPS (Intrusion Prevention System). Entre os progressos da nova versão estão o novo painel de controle com mais opções de customização, os novos recursos para políticas de segurança em camadas e as melhorias na visibilidade da rede. A empresa também lança o primeiro IPS em appliances virtuais, baseado em VMWare, o que estende a proteção IPS aos sistemas virtualizados e em nuvem. O presidente da CLM Software, Francisco Camargo, explica que no ambiente empresarial de hoje a rapidez é privilegiada sobre todos os outros aspectos e é comum a virtualização ser feita sem o planejamento adequado. E não se leva em conta o dinamismo desse ambiente que, aliado à sofisticação e criatividade crescente dos ataques, exige sistemas de detecção com mais dinamismo e inteligência. “A nova versão do Sourcefire 3D multiplica a flexibilidade e o appliance virtual estende a eficácia do IPS às novas plataformas virtualizadas”, afirma Camargo. www.clm.com.br

Lista telefônica A Mob2Go disponibiliza gratuitamente o serviço de lista telefônica pelo celular. As listas Mob2Go são divididas por cidades e regiões e trazem a indicação de empresas de diversos segmentos como farmácias, academias, serviços de guincho e livrarias. Para ter acesso ao serviço é preciso baixar o aplicativo no site da empresa.

www.mob2go.com.br


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Modelo de franchising permite a replicação de experiências bemsucedidas e facilita o processo de expansão de projetos sociais

por Cléia Schmitz cleia@empreendedor.com.br

A parceria entre empresas e organizações não-governamentais é cada vez mais comum dentro dos programas de responsabilidade social das corporações. E o franchising pode ser um aliado, transformando projetos de ONGs em franquias sociais. A proposta é da Associação Fran-

quia Solidária (Afras), braço de responsabilidade social da Associação Brasileira de Franchising (ABF). A entidade pretende lançar ainda neste semestre uma carta de princípios para a formatação de uma franquia social. “Não temos a menor dúvida de que o modelo de franchising tem condições de auxiliar o processo de expansão do terceiro setor. No mundo inteiro, a replicação das experiências de sucesso é o grande gargalo das ONGs”, afirma Claudio Tieghi, presidente da Afras. Visto como um ícone do capitalismo, o termo franquia ainda causa resistência a muitos empreendedores sociais. Mas há exceções. Entre elas a Educafro, rede de cursos pré-vestibulares comunitários para afrodescendentes e carentes que se autoclassifica como uma franquia social. “O sistema de franchising tem uma experiência comercial fantástica e não há nada que impeça que o modelo seja aplicado no social. O que define a formatação de uma franquia social é a facilidade e eficiência de sua replicação em qualquer cidade do Brasil e o interesse de um grupo de pessoas pelo serviço prestado”, afirma frei David Santos, coordenador da Educafro. A entidade tem cerca de 200 núcleos no Brasil e estima que mais de 13 mil pessoas estão nas universidades ou já se formaram após passar pelo projeto. A Educafro nasceu após um encontro


Vantagens da Franquia Social 4Facilidade de implementar um projeto sistematizado, com custos otimizados e resultados comprovados 4Ampliação de reconhecimento perante o mercado

com cerca de 100 jovens de uma paróquia da Igreja Católica da baixada fluminense, no Rio de Janeiro. Perguntados se desejavam entrar em uma faculdade, apenas dois jovens se manifestaram. E esses dois eram filhos de faxineiras de uma faculdade particular que teriam como estudar de graça. “Nenhum deles tinha a universidade pública como meta! Entendemos o mal que uma universidade pública elitista faz a uma nação em se tratando das camadas mais pobres. Naquele ambiente nasceu a nossa determinação de lutar pelas cotas. Hoje nos sentimos realizados ao constatarmos que quase 100 instituições públicas superiores adotaram as cotas como forma de ingresso para pobres, negros e indígenas”, afirma frei David. Ele lembra que estudiosos defendem a tese de que o sistema de franquia nasceu a partir do social, e que só depois passou a ser usada com fins comerciais. Mas há uma diferença básica entre franquia social e comercial que não pode ser esquecida. Numa franquia social, o objetivo principal não é o lucro, mas sim o impacto positivo que suas ações trazem para a sociedade. “O elemento econômico é apenas um eixo para a sustentação do projeto”, diz Tieghi. Tanto que, na opinião do dirigente da Afras, o franqueador social tem que estar disposto a investir o excedente financeiro na própria franquia e em suas

unidades para ampliar a disseminação de boas práticas. Seguindo essa lógica, o termo “comprar” uma franquia é substituído por “aderir” a uma franquia.

Pioneirismo A primeira entidade brasileira a aderir ao franchising social foi o Projeto Pescar, cujo foco é a profissionalização de jovens de baixa renda. Criado há 34 anos pelo empresário gaúcho Geraldo Tollens Linck, então presidente da Linck S.A., o projeto

Tieghi, da Afras: “Replicação das experiências de sucesso é o grande gargalo das ONGs”

4Adesão a uma prática de Responsabilidade Social testada e reconhecida 4Fortalecimento das relações empresa-comunidade do seu entorno

se tornou uma fundação em 1995, mantida por um grupo de empresas que abraçaram a ideia, instalando unidades em suas dependências. O interesse de outros empresários pela metodologia do Pescar era o que faltava para transformar o projeto em uma franquia social, formatada para facilitar sua multiplicação. Hoje existem 120 unidades em dez estados brasileiros e no Distrito Federal. Juntas, elas já qualificaram mais de 15 mil jovens. Só em 2009 foram 1.794 formandos, dos quais 70% conseguiram uma colocação no mercado de trabalho logo após o curso. A fórmula para aderir a uma franquia do Pescar é simples: a empresa franqueada oferece o espaço físico para as aulas, contrata o profissional para operar o projeto, atende a comunidade do seu entorno e realiza as aulas – seguindo a metodologia, o acompanhamento e as orientações da Tecnologia Social Pescar. A franqueadora oferece treinamentos, manuais, acompanhamento permanente e equipe especializada. “A grande vantagem é fazer mais com menos recursos”, afirma Rubens Hemb, presidente da entidade. Segundo ele, a taxa mensal por unidade franqueada gira em torno de dois salários mínimos, independente do número de alunos. Mas esse valor pode reduzir muito por meio de parcerias com outras empresas. “Existem unidades com custo

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Frei David Santos, da Educafro: “Sistema de franchising tem uma experiência comercial fantástica e não há nada que impeça que o modelo seja aplicado no social”

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Riffel: seis meses após a formatura, 70% dos jovens estavam empregados e alguns se tornaram pequenos empreendedores

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operacional extremamente baixo porque é dividido entre os fornecedores da empresa”, afirma Hemb. Se para o empreendedor social a maior vantagem em franquear seu projeto é o ganho de escala de suas ações, para o franqueador o benefício está na transferência de know-how. “A gente aprende com a experiência dos outros. Se eu fosse montar um projeto por conta própria, só os erros custariam mais caros do que os investimentos na franquia”, explica Renaldo Riffel Júnior, presidente da Riffel, fabricante de motopeças com sede em Blumenau (SC). Franqueado do Projeto Pescar há oito anos, o empresário chega a se emocionar quando fala dos resulta-

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Hemb: meta do Pescar é ser autossustentável

dos alcançados com o programa. “Alguns empresários me perguntam: quanto custa o projeto? E eu respondo: custa o preço de um jovem não assaltar minha casa. Não existe tabela de preço para a satisfação em ajudar alguém que tem entre seus sonhos tomar banho de chuveiro elétrico.”

Valor agregado As vantagens não param por aí. Segundo Júnior, uma pesquisa de clima mostrou que a integração entre os funcionários melhorou muito após a adesão ao projeto e eles ainda passaram a ter uma visão melhor da empresa. Isso porque eles próprios trabalham como voluntários, ministrando aulas e apadrinhando alunos. O mesmo acontece com os clientes e fornecedores, que também são convidados a se envolver no projeto. Assim, o fornecedor de uniformes, por exemplo, pode colaborar doando uniformes para os alunos. “Voluntários não faltam”, garante Júnior. Com a marca Pescar, difundida em todo o País, fica mais fácil convencer outras pessoas a participarem. Eis outra vantagem da franquia. “Esse sentimento de pertencer e o constante aprendizado em rede são o grande valor agregado de uma franquia social”, afirma Tieghi. O empresário Renaldo Júnior foi apresentado ao Projeto Pescar por uma gerente da Riffel, que conheceu o programa num congresso de recursos humanos. Ele conta que a proposta de profissionalização de mão de obra vinha ao encontro

do objetivo da empresa em fazer algo pela comunidade. Desde então, a Riffel seleciona anualmente cerca de 20 jovens entre 16 e 19 anos para um curso de nove meses com foco em três temas: desenvolvimento pessoal, cidadania e serviços administrativos. Até o ano passado, 134 jovens haviam passado pelo projeto na Riffel. Segundo Júnior, seis meses após a formatura, 70% estavam empregados e alguns se tornaram pequenos empreendedores. “Eles saem com uma vontade tão grande de fazer as coisas que acabam contaminando a família inteira”, destaca. A meta do Projeto Pescar é ser autossustentável. Hoje a fundação ainda depende da ajuda das mantenedoras. “Acreditamos que ao chegar a 230 franquias vamos alcançar nosso objetivo”, afirma Hemb. Para isso, a rede conta com a divulgação feita pelos próprios franqueados. “Eles são os nossos maiores multiplicadores, estimulando outros empresários pelo exemplo.” A fundação Educafro também tem metas ambiciosas. “Não visualizamos mais fronteiras”, diz frei David. “Estamos prevendo que a franquia social dará tão certo que a tendência será inusitada: cada franquia comercial deverá fazer nascer o seu braço em forma de franquia social.”

LINHA DIRETA Afras: (11) 3020-8830 Educafro: (11) 3291-2435 Projeto Pescar: (51) 3337-1749


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De olho na Copa

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De olho no potencial econômico da Copa do Mundo de 2014, a Bit Company – franquia especializada em educação e treinamento profissional – desenvolveu um curso para profissionais interessados em trabalhar no evento. Com ênfase no ensino de idiomas e informática, as aulas são voltadas

aos comerciantes e prestadores de serviços. A primeira turma terá início na nova unidade da rede, localizada no Bairro Vila Sônia, nas imediações do Estádio do Morumbi, em São Paulo – um dos palcos da Copa do Mundo –, mas a intenção é implantar o curso em todas as 140 unidades. “É importante

que funcionários e voluntários sejam treinados especificamente para o evento, em todos os setores, desde o atendimento ao público e aos participantes e organizadores, até o pessoal de turismo e comunicação”, afirma Marcela Godinho Rossitto, sócia da empresa. www.bitcompany.com.br


Cardápio de verão Para se adaptar às altas temperaturas do verão, a China House – rede de delivery e restaurantes de comida chinesa – incluiu novas opções no cardápio. Um dos destaques é o Camarão Aperitivo, composto por camarões levemente temperados, empanados em massa leve e fritos, com opções de molho rosé ou agridoce. Outras novidades são as saladas individuais, como a Mini Salada Verão, que leva acelga, repolho, cenoura, tomate, pepino japonês e croutons. Fundada em 1995, a rede possui 15 unidades na capital paulista. Em 2010, a intenção é expandir para outras cidades na Região Sudeste, com o objetivo de dobrar o número de unidades e fechar o ano com 30 lojas. As lojas – com restaurante – têm em média 120 a 150 metros quadrados. O investimento inicial para instalação, incluindo o capital de giro, é de R$ 250 mil, com previsão de retorno entre 24 e 36 meses e faturamento mensal bruto estimado em R$ 60 mil. www.chinahouse.com.br

A todo vapor

Páscoa à vista Se depender da Kopenhagen, não vai faltar chocolate na Páscoa deste ano. Para atender ao aumento da demanda típica da época, a empresa estima produzir 240 toneladas de ovos e itens sazonais, como os tradicionais coelhos e cenouras de chocolate, além de 220 toneladas de produtos de linha, totalizando 460 toneladas de chocolate – 18% a mais em relação à Páscoa do ano passado. A expectativa é de que o faturamento no período seja de R$ 60 milhões. O acréscimo é resultado do aumento do número de lojas da Kopenhagen, com 25 novas operações a mais em comparação a 2009. No momento, a Kopenhagen soma 260 lojas e prevê a abertura de outras 33 em 2010, pelo sistema de franquia. O crescimento constante levou a empresa a investir em uma nova fábrica, que será inaugurada ainda neste primeiro semestre na cidade de Extrema, sul de Minas Gerais, e que será responsável por uma produção anual de 2 mil toneladas de chocolate para a Kopenhagen.

www.kopenhagen.com.br

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Principal rede de frutos do mar do País, a Vivenda do Camarão cresceu 25% em faturamento em 2009, com a inauguração de 18 lojas. As novas operações elevaram a base de clientes atendidos de 450 mil para 600 mil por mês. O bom desempenho também se deve à ampliação do nicho de mercado, com a entrada no segmento de food service, fornecendo alimentos congelados para hotéis, motéis, bares e restaurantes. Atualmente com 100 lojas, as metas da empresa para 2010 incluem a inauguração de outras 30 unidades em cidades como São Paulo, Ribeirão Preto (SP), Campinas (SP), Guarulhos (SP), Barueri (SP), Cotia (SP), Palmas, São Luís, Joinville (SC), Salvador, Belo Horizonte, Novo Hamburgo (RS), Taguatinga (DF), São Gonçalo (RJ), Rio de Janeiro e Campo Grande, totalizando 130 pontos de venda no Brasil, além de um no Paraguai. www.vivendadocamarao.com.br

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Cara nova Otimista com os resultados de 2009 – com crescimento de 15% em número de unidades – o Rei do Mate pretende repetir a dose em 2010. Para este ano, a expectativa da empresa é fechar pelo menos 40 novos contratos. As novas operações se concentrarão nos estados

de São de Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina. Com 280 lojas em 17 estados brasileiros, a rede aposta na revitalização do ponto de venda para conquistar novos clientes e franqueados. “Grande parte das unidades já passou por reformas e o resultado, além

da maior satisfação dos consumidores, também estimula os participantes para novas mudanças no futuro”, diz João Baptista, diretor de franquias do grupo. Entre as mudanças estão a modernização no layout, logotipo, cardápio e uniforme dos funcionários.www.reidomate.com.br

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Sorvetes artesanais

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Com mais de três décadas de tradição na produção de sorvetes artesanais, a Sorvetes Jundiá lança agora sua rede de franquias. As lojas são estruturadas para oferecer bufê com 40 sabores de sorvetes de massa em sistema self service, além de confeitos, coberturas e milk-shakes. Para estruturar o plano de franquia e expansão, a empresa conta com a participação de José Carlos Semenzato, presidente da Microlins e expert em franchising. “O nosso plano é crescer no formato espiralado, ou seja, partir do interior de São Paulo, onde a Sorvetes Jundiá já é líder de vendas, e conquistar todo o Brasil”, diz Semenzato. A meta para 2010 é inaugurar pelo menos 80 unidades. O investimento total, incluindo taxa de franquia e capital de giro, é de aproximadamente R$ 120 mil e compreende padronização e reforma da loja, equipamentos, estoque inicial, freezer em comodato, auxílio na escolha do ponto, marketing institucional, indicação de fornecedores homologados, entre outros benefícios. O faturamento bruto estimado é de R$ 70 mil, com lucro líquido de 15% e previsão de retorno do investimento em um ano.

www.casadosorvetejundia.com.br


Franca expansão

Crescimento localizado Há 60 anos no mercado e com 420 escolas de idiomas em todo o País, o Yázigi Internexus agora concentra sua expansão em Campinas (SP), onde já existiam três unidades da rede. Com a meta de duplicar a base de alunos atendidos, duas novas operações tiveram início em janeiro e, em dois anos, a franqueadora espera abrir outras cinco. Ainda na região, o Yázigi também inaugurou sua primeira escola na cidade de Vinhedo, que faz parte da Região Me-

tropolitana de Campinas (RMC). “Campinas e Vinhedo são cidades de extrema importância para o Yázigi, não só por conta do perfil da população como pelas perspectivas de crescimento que ela oferece. Com as inaugurações, esperamos reforçar a presença da marca na região, conquistar novos alunos e continuar expandindo localmente”, afirma Alexandre Gambirásio, presidente do Yázigi Internexus. www.yazigi.com.br

Considerada a terceira maior rede de fast-food do Brasil em número de unidades, a Subway está em processo de expansão no País. Com atuais 385 pontos de venda, a meta para 2010 é chegar aos 500 estabelecimentos abertos. Para isso, a empresa começou o ano com seis novas operações, nos estados de Pernambuco, Amazonas, Rio Grande do Norte, Paraná e São Paulo, além de outras 20 em fase de implantação. Especializada em sanduíches – que são montados ao gosto do freguês – a Subway é a segunda maior franquia de fastfood do mundo, com 32 mil lojas espalhadas em 91 países. Para os interessados em adquirir uma unidade, os custos iniciais giram em torno de R$ 180 mil.

www.subway.com

A crise econômica não foi empecilho para o crescimento da rede de restaurantes Giraffas, que encerrou 2009 com faturamento de R$ 415 milhões, o que representa acréscimo de 19% em relação a 2008. O bom desempenho foi impulsionado pelo plano de expansão – com a abertura de 34 unidades – e ações promocionais em parceria com operadoras de cartão de crédito. A manutenção dos preços dos produtos também foi importante: “Negociamos com nossos fornecedores e desta forma conseguimos manter os preços dos ingredientes usados em nossos restaurantes”, explica Cláudio Miccieli,

diretor-executivo do Giraffas. Em 2010, o objetivo da rede é chegar aos estados do Acre, Amapá e Roraima, os únicos onde ainda não atua. Com atuais 308 unidades, a expectativa é ultrapassar a marca de 350 pontos de venda em todo o País. Além disso, está prevista para este ano a abertura do primeiro restaurante Giraffas no mercado norte-americano, em Miami. “A internacionalização da marca é uma das principais metas do plano estratégico do Giraffas. A projeção da rede é encerrar 2010 com um faturamento de R$ 500 milhões”, conclui Miccieli.

www.novositedogiraffas.com

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Estreia internacional

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D I N Â M I C A E M PR E E N D E D O R A

Processamento do medo

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Sentimento pode interromper o pensamento analítico e interferir nas tomadas de decisão

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A neurociência é o estudo da realização física do processo de informação no sistema nervoso humano. Temos visto avançar consideravelmente os estudos ligados à neurociência. Podemos afirmar que este novo século iniciou sob a égide da mente e do cérebro. Embora tendamos a pensar o cérebro como um elemento frio e analítico, a neurociência veio trazer a importância da emoção como um insumo do pensamento que conduz a ação. Analisemos o cérebro como um edifício que foi evoluindo ao se colocar um andar sobre o outro. Na base, o tronco encefálico que nos mantém vivos e regula funções vitais, tais como: o batimento cardíaco, a digestão, a respiração. É uma base primitiva e instintiva. No primeiro andar, já mais evoluído, encontramos o sistema límbico, essencial para o processamento das emoções. No centro deste sistema encontramos a amígdala, que está diretamente relacionada com o medo. E ao buscarmos nossas emoções mais primitivas encontramos o medo como mola propulsora de inúmeras ações do cotidiano. É nela que encontramos ressonância para nossos medos mais primitivos: medo de perder o status quo, medo da morte e o medo de sermos preteridos. Diante do medo é a amígdala que responde às informações dos nossos sentidos e instintivamente dispara o botão do pânico ocasionando suor intenso, palpitações, fazendo você ficar paralisado ou sair correndo. Entretanto, com a evolução, o córtex frontal – responsável pela atenção, avaliação de risco e as tomadas de decisões – também passou a processar o medo. Em nosso edifício ele corresponde ao segundo andar. Mas as informações chegam à amígdala na metade do tempo que chegam aos lobos frontais. Isto faz com que reajamos instintivamente a uma ameaça. Inúmeros estudos estão impactando

diretamente a forma como vemos a liderança. O modelo anterior baseado numa hierarquia dominante – o macho alfa – dá origem a uma nova forma de liderança que leva em conta o sentir. O medo quando você o sente ou o causa pode interromper o pensamento analítico e interferir nas tomadas de decisão. E os líderes vivem num ambiente de medo: do fracasso, da demissão, da mudança permanente. Para treinar seus recrutas, a marinha americana desenvolveu um programa de resistência mental que melhora a tomada de decisão sob pressão e estresse e que se aplica muito bem a nosso ambiente empresarial. O programa baseia-se em quatro técnicas: fixação de metas, ensaio mental, conversa interna e controle da excitação. A “fixação de metas” auxilia os lobos frontais que funcionam como supervisores do cérebro e são responsáveis pelo raciocínio e planejamento. Ao se concentrar em metas específicas, isto permite que se estruture a possível confusão mental e mantém a amígdala – centro emocional do cérebro – sob controle. Para mais detalhes, leia nosso artigo de novembro de 2008. O “ensaio mental” favorece para que se pense continuamente numa atividade que será executada para que seja mais natural quando efetivamente a executarmos. Em outro estudo bastante antigo, dois grupos foram treinados em técnicas de tiro. Um treinava diariamente e o outro visualizava a técnica. Ao final de um mês, os dois foram submetidos a um teste de campo. Os resultados entre os dois grupos foram muito semelhantes. Se você imaginar mentalmente, ensaiar e repetir na próxima vez que enfrentar a situação, ela será diferente. Experimente treinar isso em uma situação de dificuldade do cotidiano como, por exemplo, uma venda que costuma ser estressante ou um feed-

por Luiz Fernando Garcia

Consultor especialista em manejo comportamental e empreendedorismo em negócios. Fone: (48) 3334-5585 www.rendercapacitacao.com.br

back para um colaborador. Você perceberá que terá uma reação menos instintiva quando se sentir ameaçado pela situação ou pela pessoa. A “conversa interna” auxilia a focar os seus pensamentos. Em média as pessoas falam consigo mesmas a um ritmo de 300 a 1 mil palavras por minuto. Se essas palavras forem positivas (“eu consigo”), em vez de negativas (“eu não consigo”), ajudarão a eliminar o sinal de medo enviado à amígdala. Podemos ver nossa linguagem como uma forma de conduta, de ação intencional. O verbo (a palavra) cria nossa realidade. Se você disser que é capaz ou que não é, nas duas circunstâncias estará certo. O “não” parece real pela mensagem, mas é desconhecido pela experiência. O “controle da excitação” baseia-se no controle da respiração. A velocidade de nossos pensamentos está diretamente ligada à velocidade do pensamento. Recorde-se de uma situação de ansiedade e verá que você respira mais rápido e pensa mais rápido. Expirar longamente imita o processo de relaxamento corporal e envia mais oxigênio ao cérebro melhorando seu funcionamento. A combinação das quatro técnicas pode reduzir seu desgaste ou melhorar seu desempenho em mais de 30%. Elas podem ser um recurso valioso em situações de estresse que o líder e sua equipe estejam vivenciando. Experimente!


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F r anq u i a e m exp an são

empreendedor | março 2010 PA- Projeto Arquitetônico, PM- Projeto Mercadológico, MP- Material Promocional, PP- Propaganda e Publicidade, PO- Projeto de Operação, OM- Orientação sobre Métodos de Trabalho, TR- Treinamento, PF- Projeto Financeiro, FI- Financiamento, EI- Escolha de Equipamentos e Instalações, PN- Projeto Organizacional da Nova Unidade, SP- Solução de Ponto


PR O D U T O S E S E RV I Ç O S

Superproteção

photostogo

O Biosafe é uma embalagem antimicrobiana que reduz os riscos de infecções cruzadas em clínicas e consultórios. O produto foi desenvolvido pela Angelus Indústria de Produtos Odontológicos, vencedora do Prêmio Finep de Inovação em 2009, e é o primeiro no Brasil a auxiliar na prevenção de doenças causadas por fungos e bactérias em ambientes onde a incidência de infecção é alta. www.angelus.com.br

Economia de água A Econoágua é uma válvula bloqueadora de ar com mecanismo capaz de reduzir em 40% o volume de água consumida em residências e empresas. O produto impede a entrada de ar na rede de abastecimento e o retorno da água da tubulação. Além disso, diminui a vazão de água, evitando a alta pressão, um dos fatores responsáveis por danificar as boias das caixas d’água e torneiras. A peça foi desenvolvida pela Wurth do Brasil, multinacional alemã especializada em peças de fixação, ferramentas e produtos químicos. www.wurth.com.br

Cartão para frotas

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Novos solventes

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O Thinner 9800 da Eucatex facilita a diluição de nitrocelulose presente em produtos como seladoras, vernizes e lacas, evitando assim o turvamento da seladora mesmo em grandes diluições. Já o Thinner 9116 conta com solventes especiais de limpeza para ferramentas, máquinas, equipamentos e para diluição de esmaltes, tintas a óleo e outros produtos sintéticos. Os produtos podem ser encontrados em embalagens de 900 ml, 5 e 18 litros. Mais informações no site www.eucatex.com.br

Bombas centrífugas A Omel lança uma nova série de bombas centrífugas de processo hermético com acionamento magnético ideal para manuseio de produtos tóxicos, explosivos, inflamáveis e corrosivos. As bombas centrífugas são preparadas para atender aos requisitos da norma HI Sealess do Hidraulic Institute, e por isso combinam construção robusta com contenção resistente, o que elimina as possibilidades de falhas. O sistema da bomba permite a desmontagem do suporte para manutenção sem que haja necessidade de retirar a parte hidráulica do processo. www.omel.com.br

A rede de postos de combustíveis Brasal lança cartão para gestão de frota de empresas. O sistema substitui o processo manual de notas e reembolsos e todas as transações para o abastecimento dos carros são feitas através do cartão que identifica os usuários, o veículo e o responsável pela frota. Com o cartão, a empresa estabelece um limite de consumo para cada usuário e acompanha os gastos por meio de relatórios emitidos pelo sistema. As empresas interessadas no serviço devem se cadastrar nos postos da rede Brasal. www.brasal.com.br


photostogo

Painel de controle

Gerenciamento telefônico A GVT lança serviço de gerenciamento telefônico que permite ao cliente corporativo ter a gestão do tráfego de dados e detalhes sobre as ligações telefônicas em relatórios. Por meio do portal de gerência e dos relatórios, é possível detectar de quais localida-

A Simpress – referência em outsourcing de impressão e em gestão de documentos – investiu R$ 700 mil numa Central de Operações (Network Operation Center – NOC). A NOC funciona como um painel de controle pelo qual a Simpress poderá fazer a gestão, em tempo real, dos serviços prestados a toda carteira de clientes. A Central permite monitorar os processos do outsourcing de impressão, como movimentação dos equipamentos (impressoras e multifuncionais), agendamentos e ordem de instalação, pedidos de insumos e manutenção. A maior vantagem do serviço é a tomada de decisões rápidas e de um serviço transparente, sem a necessidade de intervenção do cliente. “Com a Central de Operações conseguimos nos antecipar e garantir a continuidade do serviço ao cliente antes que o equipamento pare de funcionar, atuando de forma proativa como, por exemplo, na recarga de suprimentos”, afirma Vittorio Danesi, presidente da Simpress. www.simpress.com.br

des vem o maior número de ligações para a empresa e avaliar a utilização dos recursos de telecomunicações. O serviço é indicado para empresas que registram grande volume de ligações como call centers, empresas de serviço e governo. www.gvt.com.br

O projetor de imagens PowerLite W8+ da Epson tem resolução WXGA (1280X800), alto contraste e entrada digital HDMI compatível com resolução Full HD (1080p). A tecnologia 3LCD garante ao produto um sistema de projeção com alta performance de imagem e saturação de cor. O projetor é ideal para escritórios e salas de aula. www.epson.com.br

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Imagens perfeitas

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PR O D U T O S E S E RV I Ç O S

Transporte aéreo A Helimarte, empresa de táxi aéreo localizada no Campo de Marte, em São Paulo, oferece transporte para executivos em viagens de negócios. A empresa dispõe de uma frota de oito helicópteros com capacidade de três a seis passageiros e quatro aviões com capacidade para quatro a nove passageiros. A Helimarte possui o certificado Cheta (Certificado de Homologação de Empresa de Táxi Aéreo) fornecido pela Anac.

www.helimarte.com.br

Escada especial A escada para cruzetas é um equipamento que traz mais segurança e facilidade para a execução de reparos e manutenção de redes aéreas de energia. Feita de metal, a escada contém um dispositivo para ser acoplado a cruzetas de estruturas usadas nas redes aéreas de distribuição de energia elétrica. “Além de agilizar o trabalho e diminuir a fadiga, a escada substitui veículos de cestas aéreas utilizados atualmente”, explica o eletrotécnico Florami Lemos de Sá, inventor do produto. (11) 3873-3211

Temperatura na medida

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Apresentações sem fio

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A Research In Motion apresenta o BlackBerry Presenter, acessório para smartphones BlackBerry, que pode ser plugado a um projetor ou monitor, permitindo exibir uma apresentação sem fio em PowerPoint a partir do celular. Com o aparelho é possível controlar as apresentações e ordenar os slides sem precisar de um laptop. Com a conexão sem fio bluetooth entre o smartphone BlackBerry e o BlackBerry Presenter, o palestrante pode circular durante a apresentação a uma distância de até 10 metros entre os aparelhos.

www.rim.com

A Instrutherm lança o TI-1500, uma câmera térmica com infravermelho, que pode medir a temperatura de até quatro pontos simultâneos de painéis elétricos e quadros de distribuição. O produto pode ser utilizado na manutenção preventiva de equipamentos porque identifica a uma distância de 10 metros o sobreaquecimento de aparelhos. Com display de 3,5”, medição de -20ºC a 600ºC, o TI-1500 ainda tem saída USB, gravação de áudio e cartão de memória. www.instrutherm.com.br


L E I T UR A

Marina Vidigal Editora Panda Book – R$ 45,90

A obra apresenta a trajetória profissional de 20 empresários brasileiros e também relata as origens, desafios e valores que nortearam suas conquistas. Entre os personagens estão Ozires Silva, que na infância sonhava em construir aviões e, anos depois, criou a Embraer. Também constam no livro os perfis de Ivan Zurita (Nestlé), Alberto Saraiva (Habib’s) e Cristiana Arcangeli (Phytoervas e Éh), entre outros.

Competência – A essência da liderança pessoal

Isabel Macarenco e Maria de Lurdes Zamora Damião Editora Saraiva – R$ 39 Com a passagem da era do capitalismo para a era do conhecimento, os profissionais veem-se cada vez mais às voltas com crises de identidade a respeito dos próprios talentos. Para auxiliá-los, a obra aborda os aspectos das competências individuais e traz as regras essenciais para que os leitores reconheçam as suas habilidades e as áreas de maior afinidade. Inclui testes e exercícios que auxiliam no processo de lapidação do perfil pessoal e profissional.

Manual do empreendedor

Obra traz conceitos úteis para quem deseja abrir uma empresa de sucesso Não importa a idade ou o grau de escolaridade: para os autores o que distingue os verdadeiros empreendedores é a necessidade de fazer, de criar e implementar ideias aceitando os riscos e desafios de ser o próprio patrão. Pela sua abrangência, a obra – inicialmente concebida para o público acadêmico – acabou se revelando um compêndio sobre empreendedorismo útil a todos aqueles que cultivam o desejo de abrir uma empresa. Os temas abordados vão do conceito de empreendedorismo às opções de crédito e financiamento, passando por planejamento de marketing, recursos humanos, perfil do consumidor e plano de negócios. Entre teorias, histórias e exemplos, o leitor também encontra exercícios práticos que ajudam a refletir sobre os temas propostos. Outro objetivo do livro é desfazer alguns mitos associados ao empreendedorismo. Entre eles o fato de que é essencial que a nova empresa seja baseada em algum tipo de inovação radical. Segundo os autores, pequenas mudanças nos processos ou produtos, a vontade de fazer bem-feito e, sobretudo, a criatividade são determinantes no sucesso de um empreendimento.

Ser empreendedor – Pensar, criar e moldar a nova empresa Manuel Portugal Ferreira, João Carvalho Santos e Fernando A. Ribeiro Serra Editora Saraiva – R$ 58

Principais características do empreendedor: 1 - O empreendedor é o que toma a iniciativa para criar algo novo e de valor para o próprio empreendedor e para os clientes; 2 - O empreendedor tem de despender o seu tempo e esforço para realizar o empreendimento e garantir o seu sucesso; 3 - O empreendedor recolhe as recompensas sob a forma financeira, de independência, reconhecimento social e realização pessoal; 4 - O empreendedor assume os riscos de insucesso do empreendimento, quer sejam riscos financeiros, sociais ou psicológicos/emocionais.

O princípio do reconhecimento Adrian Gostick e Chester Elton Editora Campus-Elsevier – R$ 66

Fruto de dez anos de estudo envolvendo mais de 200 mil gerentes e colaboradores, o livro apresenta as táticas que os líderes adotam para valorizar suas equipes, reter talentos e aumentar os lucros. A partir de casos de empresas como Disney, DHL e Pepsi, a obra defende que o segredo do reconhecimento está em combiná-lo com outras características fundamentais da liderança eficaz.

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Para ser grande: as histórias de sucesso de 20 empreendedores brasileiros

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ANÁLISE ECONÔMICA

Lições da Grécia para o Brasil Déficit fiscal grego aproxima-se de 13% e arrecadação cai substancialmente, com projeção de PIB negativo

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O ano de 2010 começou agitado no mercado financeiro. Alguns países da Comunidade Europeia têm gerado grande dúvida na comunidade financeira, principalmente aqueles que estão com déficit nominal elevado, ou seja, gastando mais do que arrecadando. Assim como uma empresa ou até mesmo uma dona de casa, não se pode gastar mais do que se ganha por muito tempo. No caso de uma empresa, em determinado momento ela fechará as portas; a dona de casa entrará no cheque especial, e se permanecer imprudente com as finanças ficará com o nome sujo na praça. Já no caso de um país, este não conseguirá se financiar no mercado, pois o mesmo vai julgá-lo como mau pagador. Vale lembrar o caso da Argentina, que deu calote em sua dívida em 2001 e até hoje tem grandes dificuldades para acessar o mercado externo. Dentre os países com pior situação fiscal podemos destacar a Grécia. Ainda que a mesma represente somente 2,5% do PIB da comunidade do euro, ela é obrigada a seguir as metas estabelecidas no Tratado de Maastricht, de 1992. Pelo tratado, os

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países participantes não podem ter déficit fiscal superior a 3% do PIB; atualmente a Grécia se aproxima de 13%. Além disso, a arrecadação do país vem caindo substancialmente, inclusive com uma projeção de um PIB negativo perto de -0,50%. Esta situação delicada na qual se encontra a Grécia serve de exemplo para o Brasil, que também tem aumentado substancialmente seus gastos no setor público, principalmente com contratações. Enquanto vê a arrecadação cair devido à crise do final de 2008, o país vem de um superávit primário de mais de 4% do PIB em 2008 para um número abaixo de 1,5% nos últimos 12 meses. E quando acrescentamos as despesas de juros, o déficit nominal de 2009 foi de 3% do PIB. Em outras palavras, se o Brasil fizesse parte da comunidade do euro, já não estaria cumprindo as metas fiscais. É verdade que as projeções para 2010 são melhores, principalmente com a expectativa de um crescimento da economia superior a 5%, e o próprio Ministério da Fazenda recentemente retirou os incentivos fiscais para a linha branca

por Januário Hostin Júnior Analista da Leme Investimentos

e vem exaltando o desejo de cumprir a meta de superávit fiscal de 3,3% este ano. Mas para isso é fundamental rever o processo de contratação no funcionalismo público. O grave problema da Grécia veio em tempo para mostrar ao restante do mundo, e principalmente ao Brasil, que a responsabilidade nos gastos é fundamental para o país manter sua credibilidade perante a comunidade financeira internacional, e manter o canal de financiamento externo aberto.

Esta situação delicada na qual se encontra a Grécia serve de exemplo para o Brasil, que também tem aumentado substancialmente seus gastos no setor público


a Nome Tipo Participação Fevereiro Ação Ação Bovespa

All Amer Lat UNT N2 Ambev PN B2W Varejo ON BMF Bovespa ON Bradesco PN Bradespar PN Brasil Telec PN Brasil ON Braskem PNA BRF Foods ON CCR Rodovias ON Cemig PN Cesp PNB Copel PNB Cosan ON CPFL Energia ON Cyrela Realty ON Duratex ON Eletrobrás ON Eletrobrás PNB Eletropaulo PNB Embraer ON Fibria ON Gafisa ON Gerdau Met PN Gerdau PN Gol PN Ibovespa Itausa PN ItauUnibanco PN JBS ON Klabin S/A PN Light S/A ON Llx Log ON Lojas Americ PN Lojas Renner ON MMX Miner ON MRV ON Natura ON Net PN OGX Petróleo ON P. Açúcar-Cbd PNA PDG Realt ON Petrobras ON Petrobras PN Redecard ON Rossi Resid ON Sabesp ON Sid Nacional ON Souza Cruz ON Tam S/A PN Telemar N L PNA Telemar ON Telemar PN Telesp PN Tim Part S/A ON Tim Part S/A PN Tran Paulist PN Ultrapar PN Usiminas ON Usiminas PNA Vale ON Vale PNA Vivo PN

1,362 0,957 0,579 4,487 3,676 1,057 0,320 2,270 0,481 2,214 0,624 1,538 0,829 0,698 0,635 0,587 1,609 0,566 0,933 0,878 0,787 0,945 2,193 1,306 0,881 3,480 0,889 100,000 2,591 4,729 0,715 0,408 0,479 0,682 0,901 0,918 1,439 0,659 0,761 0,807 0,913 0,625 0,673 2,961 11,948 1,625 0,873 0,368 2,972 0,597 0,688 0,241 0,218 0,885 0,183 0,156 0,907 0,327 0,533 0,719 3,060 3,421 12,482 0,759

Inflação (%)

Até 24/02

4,3 1,2 -0,3 -8,2 -1,3 2,3 -4,4 8,4 -2,7 -0,2 -5,2 -6,6 0,1 -5,2 9,2 2,3 7,1 7,5 -18,9 -18 3,1 -0,8 4,9 10 0,4 -0,9 3 0,6 -0,3 -0,4 1,6 1,6 6,1 11 -2,4 8,8 26,1 4,9 1,4 -0,3 -2,9 -2,2 6,4 -0,2 -0,7 -0,6 6,9 -1,8 3,4 6,2 -7,2 -7,1 -6 -6,3 -4,3 5,6 4 0,4 -1,3 -5,3 -4,6 3 5 -7,9

Variação % Ano -3,4 0,3 -20,7 -4,6 -6,4 3 -25,3 2,5 -8,4 -0,6 -4,4 -7,3 -2,1 -1,3 -9,2 5,1 -5,4 7,4 -10,7 -10,3 7,3 4,2 -8,2 -5,1 -9,9 -13,8 -8,7 -4,1 -5,2 -6,5 1,8 -6,6 1,8 -8,4 -16,9 -0,4 30,7 -9,6 -5,3 -9,5 -4,6 -4,8 -8 -8,4 -7,5 -9,7 -8,5 -10,4 1,5 11,3 -15,9 -17,8 -16,1 -15,1 -7,7 3,4 0,6 -5,9 2,1 -6,2 -4,2 1,8 4,8 -9,1

Índice

Janeiro

Ano

IGP-M IGP-DI IPCA IPC - Fipe

0,63 1,01 0,75 1,34

0,63 1,01 0,75 1,34

Juros/Aplicação (%) Janeiro

Ano

0,66 0,66 0,50 6,45

0,66 0,66 0,50 6,45

CDI Selic Poupança Ouro BM&F

Indicadores Imobiliários (%) Janeiro

Ano

0,15 0,02

0,15 0,02

CUB SP TR

Juros/Crédito (%) 24/Fevereiro Desconto Factoring Hot Money Giro Pré (taxa mês)

23/Fevereiro

1,65 3,86 3,19 1,86

1,65 3,85 3,19 1,86

Câmbio

Até 24/02 Cotação

Dólar Comercial Ptax R$ 1,8203 Euro US$ 1,3535 Iene (US$ 1,00) $ 90,1870

Mercados Futuros Março

Abril

Maio

Dólar R$ 1.823,72 R$ 1.835,87 R$ 1.846,18 Juros DI 8,63% 8,73% 8,82% Contratos mais líquidos Ibovespa Futuro

24/02 66.385

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Carteira Teórica Ibovespa

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a g enda

De 27 a 30/03/2010

robôs operários

Hair Brasil 2010 Expo Center Norte – São Paulo – SP www.hairbrasil.com.br

De 15 a 18/03/2010

Techmei – Feira Internacional de Tecnologia em Máquinas e Equipamentos Industriais Expo Center Norte – São Paulo – SP www.techmei.com.br

De 22 a 23/03/2010

Até 25/03/2010

O curso apresenta de forma prática e teórica as tendências em gestão estratégica, preparação de programas de treinamento e coaching. O evento é voltado para profissionais que trabalham em áreas de treinamento e desenvolvimento de pessoas.

Estão abertas as inscrições para o MBA Executivo da University of Pittsburgh. A universidade traz para o Brasil um formato diferente de MBA em que o curso é realizado simultaneamente aqui, nos Estados Unidos e na República Tcheca, e os alunos viajam em períodos determinados para frequentar aulas em cada um desses países.

De 22 a 26/03/2010

Dia 25/03/2010

O Passo a Passo do Treinamento e Desenvolvimento Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento – São Paulo – SP www.idepro.com.br

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17ª Movelsul Brasil Parque de Eventos – Bento Gonçalves – RS – www.movelsul.com.br

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De 29 a 31/03/2010

photostogo

A Techmei é uma das principais feiras de tecnologia de ponta do Brasil. Empresas de diversos setores industriais apresentam lançamentos em sistemas de controle e automação, robôs e manipuladores industriais. São esperados mais de 30 mil visitantes. A feira tem apoio da Associação Brasileira de Importadores de Máquinas e Equipamentos Industriais (Abimei).

A feira reúne os principais cabeleireiros, esteticistas e administradores de salões e clínicas de beleza do País. Mais de 600 marcas de produtos para cabelos, estética, equipamentos e serviços expõem as novidades e tendências para o setor.

A Movelsul Brasil é uma referência para o mercado moveleiro nacional. Mais de 200 empresas de Bento Gonçalves apresentam as novidades e as tendências do setor para 2010. Uma das novidades desta edição é o projeto Móveis e Imóveis em que são realizadas rodadas de negócios entre os expositores da feira e grandes construtoras brasileiras. A Movelsul Brasil é realizada pelo Sindmóveis de Bento Gonçalves.

MBA Executivo da University of Pittsburgh Câmara Americana de Comércio – São Paulo – SP – (11) 5180-3672

Como Utilizar Filmes para Treinamento e Desenvolvimento de Equipes Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento – São Paulo – SP www.idepro.com.br

O curso prepara profissionais para selecionar e utilizar filmes e desenhos animados como recurso para facilitar a aprendizagem dos colaboradores da organização. Entre os filmes exibidos durante o curso estão A luta pela esperança e Crash, no limite. A instrutora do curso é a psicóloga Márcia Luz, especialista em Gestalt-Terapia.

Fistur – Feira Internacional de Serviços de Turismo Parque Anhembi – São Paulo – SP www.fistur.com.br

A feira apresenta ao mercado as tendências em serviços e equipamentos para o setor de hotelaria, bares e restaurantes. Durante o Fistur são realizados seminários técnicos de turismo. O evento é organizado pela Associação Brasileira de Gastronomia, Hospedagem e Turismo (Abresi).

De 2 a 11/04/2010

Feincartes – Feira Internacional de Artesanato e Decoração Artesanal CentroSul – Florianópolis – SC www.feincartes.com.br

Artesãos de todas as regiões do País e de 21 países expõem objetos de decoração e acessórios. Os visitantes da feira podem, além de apreciar as peças, participar de cursos gratuitos de artesanato. A feira é itinerante e é realizada em outros sete estados.

De 5 a 6/04/2010

O Passo a Passo do RH Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento – São Paulo – SP www.idepro.com.br

O curso prepara profissionais para desempenhar a função de consultores internos das empresas. A facilitadora do curso é a psicóloga Maria Inês Felippe, máster em Criatividade e Inovação Aplicada pela Universidade de Santiago de Compostela, na Espanha.


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Empreendedor 185  

Edição n. 185 da revista Empreendedor, de março de 2010

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