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CRÉDITO: RECURSOS PARA INOVAR

VALOR: GESTÃO AMBIENTAL É BOM NEGÓCIO

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EMPREENDEDOR – O BIT É POP – ANO 14 N o 167 SE TEMBRO 2008

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DESCUBRA QUANDO E COMO TRANSFORMAR SUA PEQUENA EMPRESA EM REDE DE FRANQUIAS


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N E S TA E D I Ç Ã O 26 | MEIO AMBIENTE Cor natural

18 AO ALCANCE DE TODOS

O mercado popular de informática brasileiro é um dos que apresentam maior crescimento nesta década em todo o mundo. No ano passado, pela primeira vez na história do País, foram vendidos mais computadores do que televisores. E um terço da população a partir de 10 anos acessa a internet. Mais desktops, laptops e internautas de baixa renda significam uma maior demanda por treinamento, acesso à rede e outros produtos e serviços de baixo custo.

Artesãs do Paraná e de Minas Gerais substituem tintas industrializadas por corantes naturais. O processo de coloração não requer produtos químicos, não faz mal à saúde, nem ao meio ambiente, e ainda gera ocupação e renda para mulheres da região.

34 | CRÉDITO Capital inovador Pequenas e grandes empresas podem recorrer a diferentes programas na hora de buscar recursos para inovação tecnológica. Se as maiores se enquadram na Lei do Bem, as menores podem recorrer aos programas da Finep, como o Juro Zero.

38 | MEMÓRIA Grata natureza A Empreendedor faz uma releitura de matéria publicada em abril de 1997, na edição nº 30, analisando a importância dos cuidados com o meio ambiente, e verifica se os ganhadores do Prêmio Ecoempreendedor ainda fazem por merecer.

52 | TI Tesouro digital

PURESTOCKX

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Para evitar dores de cabeça, é preciso planejar muito bem a segurança dos dados armazenados por sua empresa – seja grande, seja pequena – e investir numa estrutura adequada de data center, própria ou terceirizada.

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58 | FRANQUIA Expansão segura Na hora de expandir os negócios de uma pequena empresa, o sistema de franchise pode ser a solução mais rápida e menos onerosa. Consultores recomendam para quem a saída é indicada, e quais os passos e cuidados devem ser tomados.


CASA DA PHOTO

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A VOZ DA EXPERIÊNCIA Célio Antunes de Souza

Primeiro ele quis aprender a empreender, em uma pequena empresa, para depois, com muita visão para ra identificar oportunidades e perspicácia para sair das dificuldades, criar seu próprio negócio: a Impacta Tecnologia, gia, hoje um dos maiores grupos de treinamento de TI do País.

10 | ENTREVISTA André Alfaya Muitos atingem o sucesso no mundo dos negócios, mas não conseguem a mesma satisfação com a vida pessoal, ou pior, não se sentem realizados com o que fazem. O consultor da Robert Wong diz o que fazer agora para não chegar ao lugar errado.

30 | TRIBUTOS Dinheiro queimado Dizem que queimar dinheiro é coisa de louco. Mas tem muito exportador brasileiro que vai ficar maluco da vida ao saber que paga impostos desnecessários por desconhecer um programa de redução e isenção – o SGP – oferecido por 11 países.

42 | PERFIL Victor Martinez

L E I A TA M B É M 08 14 46 66 72

EMPREENDEDORES NÃO DURMA NO PONTO PEQUENAS NOTÁVEIS NEGÓCIO CERTO PRODUTOS E SERVIÇOS

74 78 80 82

LEITURA ANÁLISE ECONÔMICA AGENDA E-EMPREENDEDOR

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O paraguaio teve que superar muitos desafios antes de conseguir um emprego com carteira assinada no Brasil. Mas o maior deles estava por vir justamente da empresa que acreditou no seu potencial: reerguer a Thomas International Brasil, que beirava a falência.

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EDITORIAL A revista Empreendedor é uma publicação da Editora Empreendedor Diretor-Editor: Acari Amorim [acari@empreendedor.com.br] Diretor de Comercialização e Marketing: Geraldo Nilson de Azevedo [geraldo@empreendedor.com.br] Redação Editor-Executivo: Alexsandro Vanin [vanin@ empreendedor.com.br] – Repórteres: Andréa da Luz, Andréia Seganfredo, Cléia Schmitz e Francis França – Edição de Arte: Gustavo Cabral Vaz – Projeto Gráfico: Oscar Rivas – Fotografia: Arquivo Empreendedor, Casa da Photo, Eliana Vieira e PurestockX – Foto da capa: Divulgação – Revisão: Lu Coelho

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Sedes

rimeiro, as classes de baixa renda entraram na mira do comércio tradicional, em busca de bens, serviços e produtos de consumo antes possíveis apenas em sonhos. Resultado do aumento de seu poder de compra, puxado pelo crescimento do emprego no País e da oferta de crédito, e também por programas sociais. Agora, elas partem para a economia digital, munidas de computadores adquiridos nessa onda inicial, favorecidas ainda pela baixa do dólar e por programas públicos de incentivos aos fabricantes de equipamentos de informática. Uma em cada quatro casas no Brasil já possui computador, e um terço da população a partir de 10 anos acessa a internet. Em 2007, entre desktops e notebooks, foram comercializadas 10,7 milhões de unidades. O maior avanço se deu justamente em domicílios com renda entre três e cinco salários mínimos, nos quais a penetração passou de 23% para 40%. É também da classe C a maior parte dos 3,5 milhões de novos consumidores que passaram a comprar pela internet no primeiro semestre deste ano. Os fabricantes de computadores e suprimentos de informática não são os únicos que lucram com a inclusão digital. Eles são apenas a ponta inicial de uma longa cadeia de produtos e serviços de baixo custo.

Acesso discado à internet, por exemplo, é um negócio que se mantém vivo e forte, pois a banda larga, além de financeiramente inacessível para este público, chega a apenas um terço dos municípios brasileiros. E se apenas 17% dos domicílios brasileiros contam com conexão à internet, as lan houses espalham-se pelas periferias e suprem a demanda, respondendo por metade dos acessos individuais. Tanta gente nova na rede forma um público em potencial para o comércio eletrônico, que precisa se ajustar para atender este perfil diferenciado. A repórter Francis França apurou esta transformação bit a bit e levantou alguns bons exemplos de negócios desta era digital popular que apenas se inicia. Em 2008, a venda de computadores deve chegar a 13 milhões de unidades, e até o final do ano metade da população brasileira terá acesso à internet. É preciso estar atento às oportunidades que surgem, como esteve Célio Antunes de Souza (personagem de A Voz da Experiência desta edição) no final da década de 1980, quando percebeu que, com a popularização do uso de computadores nas empresas, seria preciso treinar pessoas para montar as máquinas, operá-las e consertá-las. (No alto da página, a capa desta edição e duas outras descartadas.)

CEDOC

Alexsandro Vanin

O Centro de Documentação (Cedoc) da Editora Empreendedor disponibiliza aos interessados fotos e ilustrações que compõem o nosso banco de dados. Para mais informações, favor entrar em contato pelo telefone (48) 2106-8666 ou pelo e-mail imagem@empreendedor.com.br

São Paulo Gerente Comercial: Fernando Sant’Anna Borba – Executivos de Contas: Ana Carolina Canton de Lima e Osmar Escada Jr – Rua Sabará, 566 – 9º andar – conjunto 92 – Higienópolis – 01239-010 – São Paulo – SP – Fone: (11) 3214-1020 [empreendedorsp@empreendedor.com.br] Florianópolis Executivos de Contas: Nelson Rosa [nelson@empreendedor.com.br] – Executiva de Atendimento: Kerlly Corrêa [kerlly@empreendedor.com.br] – Av. Osmar Cunha, 183 – Ed. Ceisa Center – bloco C – 9º andar – 88015-900 – Centro – Florianópolis – SC – Fone: (48) 2106-8666 Escritórios Regionais Rio de Janeiro Triunvirato Desenvolvimento Empresarial Ltda – Milla de Souza [triunvirato@triunvirato.com.br] – Rua São José, 40 – sala 31 – 3º andar – Centro – 20010-020 – Rio de Janeiro – RJ – Fone: (21) 3231-9017 Brasília Ulysses C. B. Cava [ulyssescava@gmail.com] – Fone: (61) 3963-7732/9975-6660 – CLSW 301 – Bloco C – Loja 62 – Sudoeste – 70673-603 – Brasília – Distrito Federal Paraná Merconeti Representação de Veículos de Comunicação Ltda – Ricardo Takiguti [ricardo@merconeti.com.br] – Rua Dep. Atílio Almeida Barbosa, 76 – conjunto 1 – Boa Vista – 82560-460 – Curitiba – PR – Fone: (41) 3079-4666 Rio Grande do Sul Alberto Gomes Camargo [ag_camargo@terra.com.br] – Rua Arnaldo Balvê, 210 – Jardim Itu – 91380-010 – Porto Alegre – RS – Fone: (51) 3340-9116 Pernambuco HM Consultoria em Varejo Ltda – Hamilton Marcondes [hmconsultoria@hmconsultoria.com.br] – Rua Ribeiro de Brito, 1111 – conjunto 605 – Boa Viagem – 51021310 – Recife – PE – Fone: (81) 3327-3384 Minas Gerais SBF Representações – Sérgio Bernardes de Faria [comercial@sbfpublicidade.com.br] – Av. Getúlio Vargas, 1300 – 17º andar – conjunto 1704 – 30112-021 – Belo Horizonte – MG – Fone: (31) 2125-2900 Assinaturas Serviço de Atendimento ao Assinante – Diretor: Ronaldo Cesar Pacheco – Fone: 0800-9797979 – [assine@ empreendedor.com.br] – O valor da assinatura anual (12 edições mensais) é de R$ 118,80. Aproveite a promoção especial e receba um desconto de 20%, pagando somente R$ 95,04. Estamos à sua disposição de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 18h. Produção Gráfica Impressão e Acabamento: Coan Gráfica Editora CTP – Distribuição: Distribuidora Magazine Express de Publicações Ltda – São Paulo Empreendedor.com http://www.empreendedor.com.br


C A RTA S

Ferramenta útil Quero parabenizá-los pela publicação do curso “Negócio Certo: como criar e administrar bem sua empresa”, dividido em etapas, na Revista Empreendedor, com início na edição do mês de maio passado. Sou bibliotecária do Sebrae Amazonas, e esta nova ferramenta está sendo bastante utilizada pelos futuros candidatos a empresários que procuram a entidade, principalmente no que diz respeito aos primeiros passos na abertura de uma empresa. Muito bom. Mais uma vez, parabéns pelo conteúdo. Tereza Cristina Mota Maia, do Centro de Documentação e Informação do Sebrae-AM

Homem de visão

Jesse de Andrade é um empreendedor nato, um homem de visão, um agente transformador, que aprendeu na prática a identificar as oportunidades. Esta matéria (“Olhar atento”, por Cléia Schmitz, edição de junho) é fantástica! Ana Paula Pereira da Silva Esta reportagem veio dar mais impulso no meu negócio, sou empreendedor todos os dias. Se não acontecer algo de novo todos os dias, a semana não fecha legal para mim. Parabéns Jesse, e você tem razão: Deus é o meu sócio também, e o que devolvo a ele é muito pouco pelo que conquisto. E que Deus nos abençoe. Davi Corrêa

Sistema sustentável

Gostaria muito de fazer o curso sobre o sistema Mandalla (“Círculos de fartura”, por Andréa da Luz, edição de julho). No meu estado (Pará) ainda não vi esta tecnologia. Não temos muito problema com água, mas a falta de tecnologia faz com que pequenos produtores de áreas férteis produzam pouco e com pouca qualidade, ocasionando a “abertura” de novas áreas de plantio, e isso causa desmatamento desnecessário. Alessandra Rocha Marvão

Boa pergunta

Já tentei várias vezes obter um empréstimo, mas a burocracia é muito grande. Se a empresa estiver com algum tributo atrasado, nem pensar. Não entendo como grandes empresas devedoras ao Fisco conseguem empréstimos do BNDES, Proger e outros. Qual é o segredo? Joaquina Moreira Botana

Atitude sábia

O ocorrido na Bretzke (“Espírito de fênix”, por Francis França, edição de junho) evidencia a frase que escutei hoje: “Trabalhar sem ter lucro é o mesmo que tomar sopa de garfo”. Significa que às vezes é melhor reduzir as atividades, vendas, clientes e conseguir assim uma melhor posição financeira. Georgenes

ERRATA

Na matéria “De olho no Brasil”, publicada na edição de agosto (166), o nome correto da diretora de expansão da Salad Creations é Cecília Gonçalves, e o telefone de contato da franquia é (11) 3823-2399.

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Carta do Mês

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EMPREENDEDORES

Jayr Sanzone Júnior e Jácomo Sanzone

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NAS ONDAS DO RÁDIO

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Determinação e empreendedorismo fizeram com que dois jovens irmãos, Jayr Sanzone Júnior e Jácomo Sanzone, recuperassem a Rádio Metropolitana, alcançando os primeiros lugares de audiência na programação jovem na Grande São Paulo. Filhos de Jayr Sanzone, empresário de rádio falecido em 1993 e detentor da maior rede própria do Brasil em FM, assumiram a direção da empresa três anos após a morte do pai. Além de dívidas acumuladas tiveram que lidar com uma situação difícil: um raio atingiu a antena da emissora fazendo com que ficasse fora do ar por 28 dias. A ameaça

de perder a concessão era iminente, pois a legislação permite a cassação após 30 dias de interrupção contínua do sinal. Decidido a retomar a trajetória de sucesso da família, Jayr colocou a rádio no ar por 50 horas consecutivas, dormindo em um estúdio improvisado por ele. Sem funcionários nem equipamentos, trouxe aparelhos de casa e comprou dois CDs numa galeria próxima à emissora. Em 1999, o irmão Jácomo, com 17 anos, entrou na empreitada e assumiu a parte comercial da rádio. Em processo contínuo de expansão, a rádio tem hoje mais de 80 funcionários. www.metropolitanafm.com.br


Marcelo Pereira Lopes

ESPETÁCULO DE CAFÉ O desejo de saborear um café de alta qualidade e bem elaborado fez o mineiro Marcelo Pereira Lopes desistir da faculdade de Medicina e sair de casa aos 20 anos para criar a Cafézim – cafeteria paulista eleita a melhor da cidade pela revista Veja em 2004. Atento à profissionalização do setor, Marcelo passou uma temporada na Noruega aprendendo sobre a bebida e, quando voltou, transformou a cafeteria em um centro de treinamento de baristas. O investimento em capacitação profissional deu certo e atraiu clientes dispostos a pagar mais por drinques sofisticados, elaborados com os melhores grãos do País. Com o sucesso do negócio, uma unidade foi aberta no Rio de Janeiro, batizada com o nome Blends. Marcelo apostou na diversificação de grãos e contratou um especialista para elaborar três misturas exclusivas para a casa, além de investir pesado na compra de cafés gourmets – cerca de 300% mais caros que café comum. “Paguei cerca de US$ 2 mil por uma saca em um leilão para elaborar um dos blends, mas o preço do produto é acessível ao consumidor final”, conta. Hoje, são cinco unidades da Blends em solo carioca, onde o cliente pode moer o grão que vai beber e assiste a espetáculos durante o preparo da bebida, como o latte art – técnica italiana que cria desenhos com a espuma do leite vaporizado. www.blends.com.br

Rosa Maria Rosso do Canto

A Newcolor Etiquetas completa 20 anos com lucro de até 35% ao ano e aposta na responsabilidade socioambiental. Com cerca de 70% de sua produção voltada para o segmento de jeanswear e clientes presentes em 13 estados, a empresa utiliza materiais ecologicamente corretos nos seus produtos e estabelece parcerias com entidades sociais, que passam a colaborar no processo de criação, matéria-prima e produção. Na composição das tags e etiquetas da Newcolor entram copos descartáveis, casca de arroz e de cebola, caixas de leite e câmaras de pneus. A preocupação da marca com o reaproveitamento de materiais começou há cerca de cinco anos quando Rosa Maria Rosso do Canto assumiu a direção da empresa, após o falecimento do marido. Antes disso, Rosa já tinha uma preocupação social e ambiental como cidadã e aproveitou para agregar suas características pessoais em um novo conceito e posicionamento de mercado. Hoje, o processo de produção é basicamente artesanal, pois conta com a colaboração de designers que criam modelos e depois encaminham para a fábrica. www.newcoloretiquetas.com.br

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ETIQUETA RESPONSÁVEL

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E N T R E V I S TA

André Alfaya

PLANO DE VIDA Atingir o sucesso pode não significar realização pessoal caso ele não esteja ajustado à missão, à visão e aos valores próprios

por Cléia Schmitz

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cleia@empreendedor.com.br

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Você sabe aonde realmente quer chegar? Para o consultor André Alfaya, a pergunta é fundamental na vida de qualquer pessoa, e empreendedores e executivos de empresas não devem fugir à regra. Headhunter da Robert Wong Consultoria, comandada por Wong, um dos maiores ‘descobridores’ de executivos do Brasil, Alfaya conta que já presenciou muitos executivos de sucesso infelizes com o rumo que deram às suas

carreiras. São profissionais aclamados no mundo dos negócios, mas insatisfeitos com a vida pessoal. Muitos não acompanharam o crescimento de seus filhos e chegaram ao ponto de perder suas companheiras ou companheiros por não saber conciliar vida profissional e familiar. Outros têm tudo isso, mas simplesmente não se sentem realizados no trabalho. Numa analogia com o próprio mundo dos negócios, Alfaya propõe que executivos e empreendedores façam uma ‘viagem’ chamada autoconhecimento e descubram qual é sua missão, sua

visão e seus valores pessoais. Para o consultor, antes de planejar um negócio é preciso planejar a própria vida. Alfaya diz que ter certeza do que se quer faz toda a diferença na hora de comandar um negócio. É a senha para conquistar e envolver pessoas, uma atitude imprescindível aos grandes líderes. Na entrevista a seguir, o consultor propõe que os executivos se tornem protagonistas de suas próprias vidas em vez de se deixar levar pela corrente. Só assim terão uma vida equilibrada e feliz. Porque sem felicidade não há quem produza bons resultados.


Por que isso é tão importante? Alfaya – O que acontece? Independente de vida profissional ou pessoal, as pessoas precisam ter a sua missão – cada vez mais a gente vem observando isso. Identificar sua missão, sua visão, seus valores, para achar a razão da sua vida, entender o significado daquilo que ela está fazendo. Se ela não faz isso, muitas vezes ela é guiada por fatores externos. São valores externos impostos pela sociedade onde ela vive que acabam julgando se ela teve sucesso ou não, se vai ser feliz ou não. Esses valores externos, se forem levados em conta pelo profissional, podem levá-lo para o caminho errado. Isso significa que é preciso dar um peso maior à vida pessoal? Alfaya – Isso significa, basicamente, que o profissional gasta horas e horas planejando – principalmente empreendedores – para tornar a empresa a melhor possível, e acaba se negligenciando. Cadê o autoconhecimento? Cadê o planejamento da vida deles? Cadê a identificação de uma vida equilibrada, dos valores próprios e não dos valores externos, mas os valores internos das pessoas? Fica um antagonismo muito engraçado, porque as pessoas investem muito na área profissional e pouco na área pessoal, do autoconhecimento. Se fizesse o oposto, com toda certeza esse profissional conseguiria uma vida equilibrada, porque constrói a sua empresa dentro daquilo que acredita que são os seus valores, que é a sua missão, consegue contagiar as pessoas que estão do lado, inclusive seus familiares, e dessa forma consegue uma vida mais equilibrada.

E como chegar ao autoconhecimento? Alfaya – O autoconhecimento é uma viagem própria. Existem várias formas de fazer isso, inclusive uma das ferramentas que a gente utiliza na Robert Wong Consultoria é o life coaching, onde um profissional de fora ajuda esse executivo ou esse empreendedor nessa viagem. O que seria isso? Reflexão, meditação, perguntas. Obviamente a gente já tem uma estrutura para essa viagem, de forma que a pessoa identifique seus valores. Um exemplo de como você pode identificar um valor: pensar em alguma coisa que o irrita profundamente quando fazem com você. Quando alguém faz isso você tem um valor que é importante. Você pontuar os principais valores – aquilo que o irrita e aquilo que lhe agrada – é muito importante. Você já começa a ter um autoconhecimento de saber o que é importante para você. Coisas que talvez você tenha que incorporar na sua empresa, no seu dia-a-dia e ter isso de forma mais consciente. É preciso refletir sobre si mesmo? Alfaya – Existem muitas maneiras de fazer essa viagem, mas uma delas é a reflexão, colocar no papel todos esses valo-

Quanto mais cedo as pessoas descobrirem a sua missão, a sua visão, o que elas querem deixar como legado, melhor. Porque cerca de 80% das pessoas que atingem o sucesso sentem um vazio

res. Uma declaração de missão e de visão é fundamental, até fazendo esse paralelo com empresas mesmo. É o planejamento, a viagem que você faz quando elabora um business plan, quando você busca os diferenciais que a sua empresa precisa ter, qual vai ser a missão da sua empresa, a visão, a cultura que você gostaria que a empresa tivesse. É a mesma coisa quando se está falando de um indivíduo. O que eu preciso para isso? Qual é a minha missão? Qual é a minha visão? Quais são meus valores? É uma investigação pessoal. Muitas vezes as pessoas procuram profissionais para ajudar nessa investigação. Trata-se de um tipo de reflexão que requer ajuda profissional? Alfaya – Não necessariamente, mas existem pessoas que já nascem sabendo o que querem, para quem é mais fácil. Se você pegar os artistas, eles acabam descobrindo a missão deles talvez de uma forma até mais natural. “Puxa, acho que quero ser cantor.” Ele já tem aquele talento, ele já descobre com facilidade, nem precisa de alguém para ajudá-lo nesse processo. Podem precisar até de alguém para ajudá-los a desabrochar mais rápido, mas não necessariamente para descobrir o que eles querem. Outros não. Quais são os reflexos do autoconhecimento nas atitudes de um executivo? Alfaya – Acho que um exemplo bem claro de missão e de visão são os atores. Eles querem morrer no palco, não fazer aquilo por um período, do tipo “vou trabalhar nisso por um tempo até me aposentar e aí sim vou fazer o que eu quero”. O cara faz aquilo porque ele gosta, faz pela razão certa. Ele fala: “Puxa, com 80 anos eu quero estar no palco”. Isso faz toda a diferença. Ele contagia quem está do lado dele, consegue a colaboração dos outros. A partir do autoconhecimento, o executivo passa a envolver as pessoas que estão ao redor dele, seja filho ou amigo. Ele compartilha de uma forma tão natural e tão contagiosa que essas pessoas acabam contribuindo, compreendendo por que a pessoa não pode participar de determinado evento familiar, por exemplo. Profissionais com esse perfil estão sendo mais requisitados pelas empresas? Alfaya – Hoje, tanto no Brasil como no

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Uma das premissas da filosofia Wong diz que “a felicidade traz resultados”. Presume-se que uma pessoa feliz tem uma boa vida profissional e pessoal. Como um empreendedor ou um executivo pode conciliar esses dois lados? Alfaya – A gente acredita muito numa coisa chamada autoconhecimento. É uma viagem indelegável. Cada um de nós tem de fazer a sua. Basicamente, o que a gente precisa para ter uma vida equilibrada é se autoconhecer. O autoconhecimento gera na pessoa a coisa mais importante para que ela seja vitoriosa: a autoconfiança. Quando você tem autoconhecimento e autoconfiança, você atinge todos os objetivos.

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E N T R E V I S TA

André Alfaya

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mundo todo, existe toda a sorte de empresas e de profissionais. Falar de tendências é um pouco perigoso, mas as gerações mais novas estão buscando um significado. Hoje o jovem está querendo viver na plenitude, viver seus valores. E se ele não encontra aquilo na empresa, ele está muito mais corajoso no sentido de procurar novos lugares. Mas não dá para afirmar que as empresas mais agressivas não terão mais espaço no mercado, porque vai existir o jovem que será mais agressivo e que vai se identificar com aquela empresa. Talvez vá dar uma equilibrada, porque antes era uma coisa muito mais fria e hoje as empresas estão mais humanas. Mas estilos sempre vão existir, dos mais variados.

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O que querem os executivos que buscam a consultoria de vocês? Mais qualidade de vida? Alfaya – Ou estão buscando melhor a performance, procurando desenvolver novas habilidades, ou estão procurando fazer sua viagem interior, achar sua missão, sua visão. E digo mais: muitas vezes quando ele já alcançou o que achava que era o sucesso. Daí a importância de essa viagem ser feita o quanto antes. Quanto mais cedo as pessoas descobrirem a sua missão, a sua visão, o que elas querem deixar como legado, melhor. Porque cerca de 80% das pessoas que atingem o sucesso sentem um vazio. “Mas, poxa, ele já conseguiu tudo o que queria.” Ele conseguiu tudo o que ele almejava como sucesso e hoje descobriu que isso não é nada. Por quê? Porque ele foi guiado por valores externos, por aquilo que não era realmente um valor para ele, e hoje sente um grande vazio. Então somos procurados por profissionais para identificar o que realmente é importante na vida dele, o que ele está buscando. Hoje eles têm uma série de coisas, situação financeira, status, mas não têm, por exemplo, os filhos. Ele perdeu os filhos, perdeu a esposa e começa a fazer essa reflexão do que é importante para ele. O que vai fazer com a vida dele daqui para a frente. E tem gente que nessa “viagem” acaba mudando o rumo completamente? Alfaya – Sim, completamente. A gente tem aqui o caso de um executivo que largou tudo e foi seguir a sua vocação e virou ator da Globo, abandonou a vida de executivo,

um executivo bem-sucedido que, numa dessas sessões, começou a identificar que estava indo para o caminho errado. É até uma responsabilidade nossa nesse sentido, porque a gente pode ajudar as pessoas a correrem ainda mais para o caminho errado. Por isso eu insisto na questão da viagem. A pessoa precisa identificar muito bem aonde não quer chegar. Não adianta nada você correr mais se estiver correndo na direção errada. E muitas vezes o profissional faz isso. “Puxa, eu preciso fazer um MBA, seguir por esse caminho para chegar ao meu objetivo mais rápido.” Só que esse objetivo não foi planejado, não foi pensado, foi levado por fatores externos. Quando ele alcança, diz: “Nossa, corri para o lado errado”. Então ele tem que voltar e dizer: “Onde eu quero estar é lá”. Por isso eu brinco com a questão da viagem, mas é muito sério você definir o que você quer fazer da sua vida.

A pessoa precisa identificar muito bem aonde não quer chegar. Não adianta nada você correr mais se estiver correndo na direção errada. E muitas vezes o profissional faz isso

Esse é um trabalho que leva tempo? Alfaya – No caso de um life coaching, o mínimo são dez sessões, o que significa três meses. Mas não é algo que tenha um começo, meio e fim. O nosso processo de ajuda, sim. São sessões que duram no mínimo três meses para ajudar a pessoa a encontrar o seu caminho. E veja: nós vamos ajudá-la a encontrar o seu caminho, não vamos direcionar algo do tipo “você tem que fazer isso, identifiquei uma habilidade com comunicação”. Não. Nós vamos dar um empurrão para que você encontre seu próprio caminho. Que recado você daria aos empreendedores? Alfaya – Em relação aos empreendedores eu gostaria de frisar o quanto esses profissionais gastam investindo no planejamento de suas empresas e, em contrapartida, tão pouco consigo mesmo. E muitas vezes é o mesmo processo. Essa viagem, como eu estou chamando, é muitas vezes o planejamento que ele faz com a empresa e é o planejamento que ele deve pensar para si mesmo.

LINHA DIRETA André Alfaya: (11) 4508-2833


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NÃO DURMA NO PONTO

VÁ DIRETO AO PONTO CERTO Relacionamentos! Eis um dos maiores desafios da empresa que se pretende progressista, preparada para os novos tempos. Cuidar dos relacionamentos é, sem dúvida, um movimento completo. Com um nível de dificuldade que ao mesmo tempo que assusta, também pode ser um grande estímulo. E muito gratificante. Muitos líderes preferem escapar desse tema tanto errático quanto controverso, refugiandose em programas um pouco mais amenos, com algum tipo de regularidade. Querem navegar em águas tranqüilas, onde possam fazer suas habituais estimativas numéricas, não tão complicadas como a análise das oscilações típicas dos comportamentos humanos. Sim! Pode-se regulamentar, padronizar, normatizar e pavimentar os processos por intermédio dos quais se elabora o trabalho, resultando nos produtos e serviços de uma empresa. Esse exercício é útil e necessário, mas não é essencial e determinante. Os processos e arranjos organizacionais sempre serão realizados por pessoas e, portanto, têm a ver com a relação entre elas. Então, não há saída: por mais que tentem, os líderes não conseguirão se livrar do difícil desafio de administrar os relacionamentos nos negócios. E de, apesar de-

fosse. E que bastasse apertar um botão para que tudo se processasse com regularidade para que, ao final da operação, todos os custos fossem ressarcidos e resultasse um retorno sobre os investimentos, também conhecido como lucro. Tudo isso com total previsibilidade. Seria fácil, mas também pouco desafiador e nada divertido. Aos líderes dos novos tempos estão reservados desafios mais complexos e instigantes.

Negócios são pessoas! Negócios são pessoas! Negócios são relacionamentos! Se aceitarmos essa verdade, veremos que tanto nos negócios como na ciência da administração não existe estabilidade. E que a busca por estabilidade é condenar o próprio negócio ao naufrágio ou a permanecer eternamente à deriva. O sucesso do líder está em conhecer a natureza humana e saber lidar com os altos e baixos dos relacionamentos. Deve, isto sim, abandonar a busca da estabilidade onde ela não existe, ainda que se insista em obtê-la por meio de algum tipo de métrica. Negócios são pessoas que compram, vendem, planejam, elaboram, entregam, consomem, se comprometem, se fidelizam,

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O sucesso do líder está em conhecer a natureza humana e saber lidar com os altos e baixos dos relacionamentos

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les (como se ressentem alguns), conseguir resultados em mares turbulentos e bravios. Isso inclui saber lidar com comunicação, conflitos, consenso, motivações e muito mais do que o sistema técnico jamais será capaz de prover. Há quem pense a administração como uma ciência exata e gostaria que ela assim

etc. Negócios são relações entre investidores, financiadores, fornecedores, funcionários, clientes, consumidores. Administrar essa teia de relações é o estado da arte na nova liderança. Um líder que compreende o negócio como essa teia de relações administra sua

empresa de maneira muito diferente daquele que considera o negócio como um sistema técnico feito de inputs e outputs. Reconhece que as percepções das pessoas revelam mais informação do que os gráficos e os números são capazes de traduzir. Reconhece que os resultados decorrem mais da qualidade dos relacionamentos entre as pessoas do que de aspectos técnicos dos produtos e serviços. Quando se prioriza o sistema técnico, as pessoas sempre serão submissas a ele. Não haverá, portanto, espaço para seus desejos pessoais, suas reais motivações, sua criatividade e seus melhores talentos. Dificilmente se obtém o compromisso emocional dos funcionários que abrem mão disso tudo. Da mesma forma, é praticamente impossível obter o compromisso emocional dos clientes atendidos por pessoas que abriram mão do seu melhor. Ora! O líder para quem negócios são pessoas também já descobriu que a nova equação do lucro está na interação de uma equipe comprometida com clientes fidelizados. Compromisso emocional de ambos, portanto!

O diálogo em equipe Um líder convencido de que o sistema humano deve prevalecer sobre o sistema técnico vai substituir algumas práticas tradicionais por iniciativas inéditas. A começar por arranjar tempo e espaço para o diálogo. No frenesi diário, quase não existe oportunidade para a conversa produtiva e nutritiva. Não se trata, aqui, de reuniões ligeiras destinadas a resolver problemas pontuais. Trata-se de reduzir o ritmo para incluir encontros mais consistentes e isso contraria os modelos tradicionais voltados à produtividade reduzida a números. Será preciso arranjar tempo para a troca de percepções entre as pessoas. Isso implica participação e equilíbrio, na fala e na escuta. Isso exige apaziguamento interior e um tipo de meditação coletiva, predispondo os participantes a ouvir com atenção e interesse. Este é o pressuposto para a real compreensão das percepções alheias e próprias.


As percepções que as pessoas desenvolvem sobre seus trabalhos são mais determinantes para seus desempenhos do que qualquer conjunto de informações e dados que constem nos relatórios da empresa. Talvez seja por isso que as informações gerenciais, de maneira geral, são tão subutilizadas. Ouvir é uma mágica transformadora das relações e dos ambientes. Quando alguém é ouvido com atenção e interesse, sai do seu isolamento, porque se sente acolhido. Isso é, para aquela pessoa, mais motivador do que qualquer outro sistema de recompensa. Além de ser um exercício de aprendizado e de criatividade. A qualidade do diálogo, do qual o exercício de ouvir é parte integrante, é a porta de entrada para construir uma empresa mais humana. Esta característica, ainda muito rara, aumentará as chances de sucesso, no cada vez mais complexo contexto atual dos mercados e os negócios.

medos. Mas nada que não se possa resolver com aceitação, compreensão e empatia. Nesse sentido, quando superados, os impasses representam grandes oportunidades de estreitamento de relações.

O diálogo com o mercado

O líder do futuro

Só aprende a conversar com o cliente quem aprendeu, antes, a conversar com os seus pares. Isso quer dizer, é óbvio, que a qualidade de diálogo com o mercado tem relação direta com a qualidade do diálogo interno. Se negócios são pessoas, os mesmos mecanismos adotados internamente servem também para o cliente.

Desenvolver a qualidade de diálogo, eis o principal desafio da liderança. O segredo para trilhar esse caminho com sucesso é começar reconhecendo que uma empresa é muito mais do que um sistema técnico. Para isso, é preciso reconhecer que negócios são pessoas e, sobretudo, relacionamentos. Um líder capaz de introduzir a qualidade de diálogo em

por Roberto Adami Tranjan

Educador da Cempre Conhecimento & Educação Empresarial (11) 3873-1953/www.cempre.net roberto.tranjan@cempre.net

Assim como acontece com a equipe, será necessário diminuir o ritmo para ouvir o cliente com atenção, interesse e curiosidade. O cliente também deseja ser ouvido com o mesmo acolhimento. Vão se repetir, ainda, como se observa na equipe, os momentos de confusão e divergências, preocupações e

sua equipe de trabalho e entre essa equipe e o conjunto de clientes estará, sem dúvida, muito bem preparado para lidar com os novos tempos. Expandirá suas possibilidades de sucesso, usufruindo, de quebra, dos benefícios interiores que só uma conversa de excelente qualidade é capaz de gerar!

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A nova equação do lucro está na interação de uma equipe comprometida com clientes fidelizados

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pop Chegada da classe C revoluciona os mercados de informática e internet

Fabian e Gustavo Franco: sucesso da LocalX é resultado da combinação de incentivos fiscais, redução do mercado informal e queda no valor do dólar


francis@empreendedor.com.br

A corrida pela inclusão digital vem conquistando marcas inéditas. A mais emblemática, talvez, seja a notícia de que, pela primeira vez na história, os brasileiros compraram mais computadores do que aparelhos de televisão. Esse é o resultado de um esforço para levar a tecnologia a uma parcela cada vez maior da população, e governo, empresas e entidades do terceiro setor podem comemorar: finalmente, a quantidade de pessoas que já usaram um computador é superior à daquelas que nunca tiveram a oportunidade de dar um clique. Um em cada quatro lares brasileiros tem um micro. Os números são do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), que divulgou em março a pesquisa mais recente sobre o uso de tecnologias da informação, a TIC Domicílios 2007. A taxa supera o ano anterior em quatro pontos percentuais e revela um fenômeno que vai mudar serviços, produtos e conceitos do que se conhece sobre o mercado de informática e internet. Isso porque o crescimento mais expressivo se deu em domicílios com renda entre três e cinco salários mínimos, nos quais a penetração passou de 23% para 40%, transformando a classe C no maior público consumidor da geração digital. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), em 2007 foram vendidos 10,7 milhões de computadores no País – contra 10 milhões de TVs. A estimativa para este ano é alcançar 13 milhões de unidades. A maior expansão será na venda de notebooks, que deve atingir 5,5 milhões de unidades, com alta de 186%. O crescimento é fruto de um conjunto de incentivos fiscais oferecidos pelo governo federal a empresas que fabricarem computadores a preços mais baixos. O programa Computador para Todos prevê isenção de PIS e Cofins para desktops com valor máximo de R$ 1,4 mil e notebooks de R$ 1,8 mil, e a Lei do Bem amplia esse benefício a equipamentos que custem até R$ 4 mil. O desempenho em 2007 é o melhor desde a década de 1990, início da era digital, quando o mercado crescia a taxas superiores a 100%. De acordo com Mariana Balboni, gerente do CETIC.br – braço do NIC.br que realiza a pesquisa sobre a evolução da internet no Brasil –, os programas de inclu-

A informatização dos brasileiross 40% da população usa computadores 24% dos domicílios possuem computador 34% da população acessa a internet 17% dos domicílios contam com internet 40% dos domicílios com renda entre 3 e 5 salários mínimos possuem computador om mputador 24% dos domicílios com renda entre 2 e 3 salários mínimos possuem computador om mputador 10,7 milhões de computadores foram vendidos no País em 2007 13 milhões de computadores devem ser vendidos no País em 2008 Fontes: es: NIC.br e Abinee (2007)

são digital potencializam um processo de expansão vegetativo. “De qualquer maneira, temos um crescimento contínuo de usuários em qualquer lugar do mundo por causa dos jovens, que já crescem familiarizados com essas ferramentas. O papel das políticas públicas é acelerar essa participação, facilitando a entrada dos PCs na rotina das pessoas”, diz. Segundo a pesquisa do NIC.br, 2007 foi o primeiro ano em que mais da metade da população (53%) com idade superior a 10 anos informou já ter usado um computador. O incentivo à popularização dos computadores também desencadeou uma revolução pacífica contra a pirataria. De acordo com o professor Antonio Cabral, do Centro de Tecnologia e Sociedade da Faculdade de Direito da Fundação Getulio Vargas (FGV ), na década de 1990 cerca de 90% dos computadores vendidos no Brasil eram da linha cinza (contrabando) e 10% da linha branca (original). Hoje, a porcentagem se inverteu. “Naquela época, um computador da linha cinza custava R$ 1,7 mil e o original R$ 3 mil, por exemplo. Hoje, o original custa R$ 2 mil. Isso prova que diminuindo tributos e aliviando os custos podemos viabilizar a formalidade”, afirma. O combate à pirataria deu oportunidade a empresas que trabalhavam de acordo com a lei, como a LocalX, de São José (SC), fabricante e distribuidora de equipamentos de informática que nasceu em 2002 para entrar em um mercado antes dominado por vendedores ilegais. “O governo apertou o cerco contra o contrabando e toda a demanda que era atendida pelos equipamentos piratas se voltou para o mercado formal, então tivemos

a chance de prosperar”, conta Fabian Franco, que fundou a empresa junto com o irmão, Gustavo Franco. Antes de montar o próprio negócio, ambos trabalhavam em uma distribuidora de informática que acabou fechando as portas. Depois de quatro meses desempregados, Fabian investiu os R$ 20 mil que tinha na poupança, Gustavo vendeu seu carro, e eles abriram a LocalX, que começou como revenda de produtos de informática. Em 2003, o faturamento foi de R$ 1,6 milhão. No ano seguinte, o crescimento foi de 230%, e, de lá para cá, a empresa já cresceu sete vezes, atingindo no ano passado R$ 77 milhões de faturamento, com 130 colaboradores. Segundo Fabian, o sucesso da empresa é resultado da combinação de incentivos fiscais, redução do mercado informal e queda no valor do dólar.

Marca própria A empresa é representante de marcas conhecidas, como Philips, Intelbras, Asus e Intel, mas o programa Computador para Todos estimulou os sócios a investirem também em uma marca própria de acessórios e microcomputadores básicos, a Duex, para atender o público de menor poder aquisitivo. Os microcomputadores Duex são fabricados por empresas terceirizadas no Brasil, que oferecem vantagem competitiva em relação aos importados, mas os acessórios são produzidos na China e trazidos já com a marca brasileira. “Eles vêm com o nosso selo, nós fazemos testes e garantimos a qualidade dos produtos. Trabalhamos como a Nike, por

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César Aymoré: Positivo percebeu o potencial de consumo do público de baixa renda e aproveitou incentivos fiscais e facilidade de crédito para tornar o computador um bem acessível

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exemplo, que produz tênis na China, com a garantia da sua marca”, explica. A LocalX não vende diretamente ao consumidor. Seu público-alvo são revendedores especializados e redes de varejo. Dentro da empresa existem duas unidades específicas: uma para atender os grandes varejistas, cuja vantagem é a possibilidade de oferecer financiamentos em longo prazo; e outra para as lojas de informática, mais focada na venda de componentes, que demanda atendimento especializado. Ainda neste mês deve ser aberto um canal de comércio eletrônico, oferecendo opções de financiamento aos revendedores. Mas o frisson da inclusão digital não afetou apenas as pequenas e jovens empresas. A chegada da classe C transformou a Positivo Informática, criada em 1989 e com receita bruta de R$ 2,1 bilhões em 2007. “De 100 mil com-

putadores fabricados em 2004 saltamos para um recorde com quase 1,4 milhão de máquinas em 2007”, conta César Aymoré, diretor de Marketing. Segundo ele, a Positivo percebeu o potencial de consumo desse público já em 2004, e aproveitou os incentivos fiscais e facilidade de crédito para tornar o computador um bem acessível. Hoje, a classe C responde por 59% das vendas da Positivo, seguida da classe B (22%), A (11%) e D/E (8%). Segundo pesquisa do Data Popular, 83% dos computadores são compartilhados pela família, o que fez a Positivo lançar produtos direcionados a esse perfil. A empresa oferece, por exemplo, um manual que ensina passo a passo como ligar o computador e fazer as conexões dos periféricos. O lançamento mais recente focado nesse público é o Positivo PC da Família, que oferece aplicativos como painel de recados, lista de compras e controle de

despesas. De acordo com dados da empresa, o PC da Família, lançado em maio, representou 52,2% dos desktops vendidos no varejo no segundo trimestre deste ano. Por causa do consumo emergente da classe C, até quem não atuava no mercado de informática se apresentou. A Intelbras, especializada em equipamentos de telefonia, percebeu a movimentação do mercado e adquiriu, em 2007, uma fábrica de computadores no Paraná. “A convergência das tecnologias mostrava que o caminho era inevitável. Isso, associado à explosão na venda dos computadores, foi decisivo para entrarmos no segmento”, diz Amílcar Scheffer, gerente de produto da unidade de networking da empresa. O crescimento da Intelbras no mercado de informática foi de 81% entre o primeiro e o segundo trimestre deste ano. Além do faturamento, cresceu também o número de fun-


E-commerce Junto com o acesso ao computador, cresceu também o número de usuários conectados à internet no Brasil. De acordo com a TIC Domicílios 2007, já somos 45 milhões de internautas, que representam cerca de 34% da população a partir de 10 anos. Bom para quem faz negócios na rede. O aumento do público e as facilidades para se comprar pela internet contribuíram para que o comércio eletrônico atingisse faturamento de R$ 3,8 bilhões no primeiro semestre deste ano, segundo o 18º Relatório WebShoppers, publicado em agosto pelo E-bit. O número de consumidores cresceu 42% em relação a 2007. Dos 3,5 milhões de novos consumidores que passaram a comprar pela internet neste ano, a maior parte vem da classe C. “São pessoas que até então movimentavam o mercado local, próximo às suas casas, e que agora se tornam consumidores de um mercado mais amplo”, afirma Antonio Cabral, da FGV. Segundo o relatório, em 2008 a participação no comércio eletrônico de consumidores com renda entre R$ 1 mil e R$ 3 mil foi de 38%. A expectativa até o final deste ano, no entanto, é de um leve desaquecimento em virtude da taxa de juros promovida pelo Banco Central para controlar a inflação. Se a previsão se confirmar, o segmento deve fechar o ano com faturamento de R$ 8,5 bilhões. A participação cada vez mais expressiva da classe C traz para o mundo virtual grandes varejistas que ainda não vendiam pela web, como as Casas Bahia, por exemplo, que se preparam para entrar no comércio eletrônico ainda este ano. “O empresário é pragmático. Algumas empresas que atendem a classe C não operavam na internet porque seu público não estava lá, mas agora é questão de meses”, diz André Torretta, diretor da Ponte Estratégia, consultoria especializada na classe C.

Internet no Brasil ARMAZÉM DIGITAL

R$ 3,8 bilhões foi o faturamento do comércio eletrônico no primeiro semestre de 2008 R$ 8,5 bilhões é o faturamento previsto para o ano 42% de crescimento no número de consumidores virtuais em relação ao primeiro semestre de 2007

38% dos consumidores virtuais possuem renda entre R$ 1 mil e R$ 3 mil Fontes: E-bit (2007)

MEIOS DE ACESSO

8% 42%

J 50% acessam por banda larga J 42% da população acessa por conexão discada J 8% não souberam responder Fontes: NIC.br (2007)

50%

A Intelbras percebeu a movimentação do mercado e adquiriu, em 2007, uma fábrica de computadores no Paraná

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cionários, que saltou de 950 para 1.550 para atender à demanda. A estratégia da empresa é investir em um portfólio voltado para o consumidor brasileiro, com o slogan “produtos que falam a nossa língua”, para competir com os equipamentos importados.

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Ele adverte que as empresas interessadas em vender para a classe C precisam pensar o marketing de forma específica para falar com esse público. “É uma população que tem menos escolaridade, você tem que fazer um tipo de texto mais acessível, por exemplo”, explica. Torretta também chama atenção para a conexão utilizada, que na maioria dos casos não é banda larga. Nesses casos, páginas muito pesadas podem atrapalhar a relação com os clientes. Mas o maior erro que uma empresa pode cometer, segundo ele, é achar que todos os consumidores são iguais. “O executivo não pode achar que todo mundo sonha ir para Nova York ou comprar um carro esporte. Tem gente que sonha colocar o filho na faculdade. Nós somos muito diferentes, e não compreender isso pode dar problema”, alerta. Quando a banda larga se popularizou no Brasil, os comerciais anunciavam entusiasmados o fim da conexão discada e daquele ruído irritante do modem. Pois os anos passaram e a internet discada continua viva. A demanda estimada é de aproximadamente 8 milhões de usuários, e 2007 foi o primeiro ano em que ela cresceu, desde a chegada da banda larga. A evolução é de apenas 5% ao ano, projetada para os próximos três anos, mas, para uma tecnologia considerada obsoleta, é uma média relevante. Quem sustenta esse crescimento? A classe C. Segundo o NIC.br, 42% da população brasileira acessa a internet por conexão discada – ultrapassada no ano passado pela banda larga, que ficou com 50%. No entanto, apesar de estar em declínio, o acesso dial up estará sempre presente para atender a uma demanda específica. São usuários que não podem pagar os custos mensais de uma banda larga, ou não têm disponibilidade técnica em sua região, ou mesmo por opção, porque o acesso

doméstico é eventual. O fato é que a conexão discada é o meio mais popular de acesso, pois está presente em todas as cidades do País. Para o IG, oferecer o acesso de forma gratuita compensa pela audiência que os usuários trazem ao portal, que ganha com publicidade. Outra vantagem é atrair os usuários, para vender serviços quando eles passarem a se interessar por acesso pago e outros serviços. O IG conecta mensalmente 4 milhões de usuários em mais de 3,1 mil municípios. “Já esperávamos que o acesso dial ficasse estável, pois ao mesmo tempo em que houvesse a migração para a banda larga, teríamos novos clientes entrando. Só que entraram muito mais usuários do que todo mundo es-

Mariana: iniciativa privada pode contribuir para amenizar o problema da exclusão digital no País

perava”, diz Edson Brandi, diretor de Produtos e Serviços do IG. Segundo ele, a redução nos custos de telefonia e planos de acesso discado com tarifa fixa eliminaram o maior problema, que era não poder prever a despesa. Depois da conexão discada com acesso gratuito, a empresa Orolix foi além e elaborou um plano de negócios curioso. Ela remunera os internautas que usam seu provedor. “Em vez de gastar com propaganda na mídia, optamos pelo marketing direto”, explica Carlos Eduardo Sedeh, gerente de Negócios da empresa. A receita da Orolix vem das empresas de telecomunicação, e parte desse dinheiro é repassada ao usuário – até R$ 0,32 por hora ao usuário. Para Sedeh, o modelo é uma forma de ajudar os internautas a pagarem a conta telefônica e atrai novos usuários para os serviços da internet. “Conseguimos manter uma base de clientes muito fiéis. Tenho inclusive clientes que têm banda larga em casa e utilizam a Orolix para ajudar a pagar a conta”, diz. Aonde não chega banda larga nem conexão discada, quem provê o acesso à rede são as lan houses. Elas são a principal fonte de acesso à internet no Brasil, de acordo com o NIC.br. Em 2007, as lan houses foram responsáveis por 49% dos acessos à rede, superando o uso em casa (40%). Além do mais, a internet está presente em apenas 17% dos domicílios. “Isso mostra que a iniciativa privada pode contribuir para amenizar o problema da exclusão digital no País”, destaca Mariana Balboni, do CETIC.br. A pesquisa mostra que quanto menor a renda, maior é a utilização das lan houses. Elas atendem 78% dos internautas que ganham até um salário mínimo, e 42% daqueles com renda entre três e cinco salários. De acordo com Antonio Cabral, da FGV, as lan houses têm pa-


Segunda onda de crescimento do mercado das lan houses, no final de 2005, foi impulsionada pela demanda das classes C, D e E

Público das lan houses 49% dos acessos individuais à rede são feitos em lan houses 78% ganham até 1 salário mínimo 42% têm renda entre 3 e 5 salários

pel peculiar porque movimentam a economia nos locais onde se instalam, e atendem à necessidade de acesso nas regiões mais pobres. “O movimento foi espontâneo e informal para atender à demanda. Em algumas comunidades as lan houses são a única forma de acesso disponível. Só na favela da Rocinha, por exemplo, existem cerca de 100 delas.”

Acesso barato As lan houses chegaram ao Brasil em 1999 e tiveram um boom em 2002, com a mania dos jogos em rede, principalmente para adolescentes de classe média. No final de 2005, houve uma segunda onda de crescimento, dessa vez voltada a atender o público das classes C, D e E, oferecendo acesso às ferramentas da internet de maneira geral. “Em 2003 tivemos um movimento de grandes proporções, mas o que assistimos agora é algo sem precedentes, porque está ocupando um vácuo de necessidade social”, afirma Ioram Cejkinski, da Lanhousing Consultoria e Suporte, empresa especializada em lan houses. Ele explica que o público que acessa esse tipo de lan house não tem condições de arcar com uma despesa mensal para ter acesso à internet. “Já aquela hora que custa R$ 1,50 cabe no bolso”, diz. A Lanhousing trabalha desde 2002 dando assessoria para quem quer abrir a própria lan. A empresa faz implantação de rede, capacitação, configuração de softwares, além de prestar serviços como simulação de investimentos, conselhos sobre financiamentos, fornecedores, etc. Apesar de se instalarem como centros de inclusão digital, as lan houses crescem dentro de um cenário informal. Para Cabral, isso já era esperado, e não há outra forma de elas existirem. “A grande maioria dessas lan houses só

pode ter um modelo de negócio sustentável porque opera informalmente. Como estão em comunidades carentes, não utilizam softwares licenciados, não são registradas na prefeitura, não pagam impostos.” O professor da FGV explica que o problema da informalidade não está vinculado ao tipo de negócio, mas principalmente ao local onde se instalam, já que boa parte dos negócios desenvolvidos na periferia é informal. “Mas essa situação serve para repensarmos a formalidade tradicional, que é inviável para esse tipo de situação. Talvez devêssemos criar um modelo mais flexível para essas realidades econômicas mais pobres”, defende. Enquanto o governo não encontra uma solução para trazer à formalidade seus agen-

Torretta: maior erro que a empresa pode cometer é achar que todos os consumidores são iguais

tes de inclusão digital, a Lanhousing, em parceria com a ONG Ação Israelita para o desenvolvimento humano, lançou o projeto “Monte sua Lan House com R$ 500” em comunidades carentes. Ao interessado cabe providenciar local, móveis e cabeamento. Todo o resto é doado, incluindo nove computadores e um servidor, monitores 15 polegadas, teclados, mouses, instalação, treinamento e suporte técnico. Qualquer pessoa, física ou jurídica, pode participar do projeto. O responsável precisa se comprometer a cobrar tarifa de R$ 1,50 por hora, oferecer cursos gratuitos doados pelo iPed e ser um posto de retirada de documentos públicos para os cidadãos. As lan houses do projeto não podem oferecer jogos, apenas acesso à internet e Office. Além disso, devem realizar uma vez por mês a “Semana da Inclusão Digital”, em que a comunidade terá duas horas por dia de acesso gratuito. O projeto pode ser levado a todo o País. Os interessados precisam fazer o treinamento em São Paulo, que dura dois dias, e se responsabilizar pelo transporte das máquinas até sua cidade. Os resultados da corrida pela inclusão digital nos últimos anos têm impressionado, mas, para atingir os 66% da população que ainda não têm acesso à internet, o Brasil precisará fazer muito mais do que oferecer conexão, seja banda larga, seja discada, seja pública. “Para incluílos você tem que resolver um problema não só de ter computador ou capacitação. Incluir essa parcela da população significa oferecer comida, renda, trabalho, educação, e tudo aquilo que esse universo de despossuídos ainda não tem”, diz Mariana Balboni. A pesquisa do NIC.br prova que os excluídos digitais são os excluídos de sempre, e que o acesso às tecnologias da informação caminha lado a lado com o acesso à cidadania.

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Fontes: NIC.br (2007)

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VIDA CURTA Com a troca de equipamentos a cada três anos, um milhão de computadores são descartados anualmente no Brasil Os 13 milhões de computadores novinhos que devem entrar no mercado em 2008 um dia vão ficar velhos, e não precisa de muito tempo para isso acontecer. Com a velocidade das atualizações tecnológicas, a maior parte dos usuários troca de equipamento a cada três anos. Assim, o que sobra lá na ponta da evolução tecnológica é sucata. Segundo dados do Comitê para Democratização da Informática (CDI), os resíduos eletrônicos são os que mais crescem no mundo: 40 milhões de toneladas por ano. Só no Brasil, cerca de um milhão de computadores são jogados fora todos os anos e vão parar no meio ambiente. Primeiro porque o País não tem leis que regulem o reaproveitamento e reciclagem dessas máquinas. Depois, porque, segundo o CDI, 42% da população não sabe o que é lixo tecnológico, e 58% desconhecem seus perigos. Mesmo nas empresas, 63% das pessoas não

recebem orientação para o descarte. Os componentes de informática não são lá muito amigos da natureza. Os monitores antigos, por exemplo, contêm grandes quantidades de chumbo e substâncias tóxicas. “Os metais pesados contidos nesses equipamentos penetram no solo e contaminam a água, o que acaba trazendo riscos à saúde”, adverte Antonio Póvoas, presidente do CDI em Santa Catarina. Sem contar que, segundo estudo feito pela ONU, cerca de 1,8 tonelada de matéria-prima é consumida para fabricar um único computador – são pelo menos 240 quilos de combustíveis, 22 quilos de produtos químicos e 1,5 mil litros de água. Nos países desenvolvidos, a legislação está cada vez mais rígida em relação aos resíduos. É consenso que toda a cadeia, de fabricantes a consumidores, torna-se responsável pela destinação correta, o que fez surgir indústrias complexas de recondicio-

E-lixo 3 anos é a média da primeira vida de um computador 42% da população não sabe o que é lixo tecnológico 58% desconhecem seus perigos 63% das pessoas não recebem orientação de suas empresas para o descarte correto

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Fonte: CDI

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O destino dos computadores

70% ficam jogados em garagens ou depósitos 15% vão para aterros sanitários 11% são reciclados 3% doados 1% outros/não sabem Fonte: Senac/SC

namento e reciclagem. No Brasil a legislação caminha devagar, mas já existem iniciativas que dão bons resultados. O CDI mantém escolas de informática e cidadania em comunidades de baixa renda, que recebem doação de equipamentos usados e oferecem cursos de informática, montagem e manutenção de computadores para jovens carentes. De acordo com Póvoas, além da questão cultural, temos problema em administrar nosso lixo tecnológico por falta de infra-estrutura para receber os equipamentos. “Acaba sendo mais fácil e barato deixar na frente de casa e torcer para que alguém leve embora, ou deixar eternamente guardado em um canto de casa”, diz. Segundo pesquisa do Senac Social (SC), 70% dos computadores dispensados ficam jogados em garagens ou depósitos, 15% vão para aterros sanitários, 11% são reciclados e apenas 3% doados. De acordo com Rodrigo Assumpção, secretário-adjunto da Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, o ideal é que o lixo tecnológico tenha pelo menos três vidas. Depois do uso tradicional, deve ser recondicionado em programas de inclusão digital. Na terceira vida, os componentes ainda podem ser aproveitados para produção de objetos, como bijuterias e artesanato. “Só


Doação O ministério mantém o Programa Computadores para Inclusão, que recebe máquinas doadas por instituições públicas e privadas. Elas vão para Centros de Recondicionamento e Reciclagem de Computadores (CRCs), onde são reformadas e enviadas para telecentros comunitários, bibliotecas e escolas públicas. Existem atualmente quatro unidades implantadas – em Porto Alegre, Brasília, Guarulhos (SP) e Belo Horizonte. Uma em Niterói (RJ) está em fase de implantação, e outra em articulação em Recife. A meta é abrir três novos centros por ano. Para criar um CRC é necessário que haja uma ONG envolvida, para receber os recursos do governo. Na página do projeto na internet (www.computadoresparainclusao.gov.br) é possível doar equipamentos ou solicitar doação. As entidades que montam os CRCs trabalham com jovens carentes, que recebem qualificação em montagem e manutenção de computadores. Em todo o País, 410 jovens

estão em formação e 684 já se formaram. Desde o início do projeto, foram recebidos quase 20 mil computadores usados, e mais de 6 mil doados. Os componentes que não puderem ser reciclados vão para cooperativas de catadores e empresas certificadas em descarte de resíduos eletrônicos. Até agora, o projeto já beneficiou 501 telecentros, bibliotecas e escolas públicas. Segundo Póvoas, o custo da reciclagem ainda é oneroso, o que acaba limitando o alcance das iniciativas. “Quando falamos em reciclagem total, reduzimos os equipamentos a seus componentes básicos. A reciclagem de vidro, chumbo e todos os demais elementos, inclusive o gás contido nos tubos de imagem, é feita por poucas empresas no mundo”, explica. Para Rodrigo Assumpção, as empresas brasileiras que começarem a desenvolver projetos para gerenciar seu lixo tecnológico terão a oportunidade de se antecipar à legislação e ganhar vantagem competitiva. “É fundamental que as empresas se preparem para essa tendência mundial de responsabilização pelo descarte. As empresas podem criar parcerias com logística reversa, o que vai colocá-las em uma posição muito mais confortável quando o processo se tornar obrigatório por força de lei.”

LINHA DIRETA Amílcar Scheffer (Intelbras): (48) 3281-9500 André Torretta (Ponte Estratégia): (11) 3045-2999 Antonio Cabral (FGV): (21) 2559-6065 Antônio Povoas (CDI-SC): (48) 3322-2020 Carlos Eduardo Sedeh (Orolix): (11) 5187-5233 César Aymoré (Positivo): 0800 644 7500 Edson Brandi (IG): (11) 3065-9971 Fabian Franco (LocalX): (48) 3035-9800 Ioram Cejkinski (Lanhousing): (11) 3826-0007 Mariana Balboni (CETIC.br): infocetic@nic.br Rodrigo Assumpção (PCI): (61) 3313-1400

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então, depois de muitos anos, esse equipamento deve ser efetivamente reciclado, que é quando separam os materiais – plástico, metal, etc. –, e a matéria-prima vai para um novo ciclo de uso”, explica.

Em todo o País, 410 jovens estão em formação e 684 já se formaram nos Centros de Recondicionamento e Reciclagem de Computadores

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MEIO AMBIENTE

natureza Cores da

União de tecelagem e corantes naturais resulta em peças artesanais de apelo comercial ecológico por Andréa da Luz

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Reunidas em associações, mulheres paranaenses e mineiras aprendem a transformar em negócio o que faziam sozinhas por necessidade ou apenas por prazer. Elas uniram as tradicionais artes de fiar e tecer a técnicas de tingimento com corantes naturais extraídos da casca de cebola, sucatas de ferro, folhas de árvores e serragens de madeira. O resultado são peças artesanais, exclusivas e ecológicas, cujo apelo comercial resulta em pólos de produção organizados nessas regiões.

No Vale do Urucuia, noroeste de Minas Gerais, almofadas, cortinas, colchas, mantas para sofá, xales e sacolas são tingidos em até 14 tonalidades exclusivas em um processo ecológico que envolve desde o plantio do algodão até a comercialização dos produtos. O projeto Pólo Veredas ajuda a compor a renda de 200 mulheres que vivem na área rural e é uma ação da ONG Central ArteSol de artesanato solidário para resgatar tradições. De acordo com a gerente de campo da ONG, Luciana Vale, que acompanha o projeto desde o início, em 2002, as atividades de fiar e tecer eram comuns há 20 anos, mas com o desenvolvimento de grandes centros, como Brasília, as mulheres deixaram de produzir e tingir seus próprios tecidos. “Agora elas estão voltando às atividades tradicionais e, com apoio do Sebrae, recebem capacitação, ajuda na formação das associações e no estabelecimento de preço dos artigos produzidos pelas comunidades”, afirma. O Pólo Veredas é formado por cinco nú-

cleos reunidos em associações, responsáveis pela compra do algodão, já que as mulheres não plantavam mais. “A matéria-prima era adquirida de grandes produtores porque não podíamos esperar que cada uma voltasse a plantar para começar o projeto, mas hoje elas estão voltando a essa atividade também”, explica Luciana. Os núcleos reúnem fiandeiras e tecelãs. As primeiras produzem linhas de algodão cru em diferentes espessuras (fina, média ou grossa), vendidas para várias tecelagens. Outra parte da produção vai para o núcleo do município de Uruana (MG), onde há uma estrutura com capacidade para tingir até 100 quilos de fio por dia. Após o tingimento, os fios retornam aos outros quatro núcleos, onde são tecidos em teares manuais. A extração dos corantes é feita por cozimento em tachos de cobre ou alumínio e a água utilizada no processo passa por fossa ecológica antes de chegar ao lençol freático. Como tudo é natural, não há estoque de corantes. As folhas são coletadas na hora do


As atividades de fiar e tecer eram comuns há 20 anos, mas, com o desenvolvimento de grandes centros, as mulheres deixaram de produzir e tingir seus próprios tecidos. O projeto Pólo Veredas é uma ação para resgatar tradições

Projeto ajuda a compor a renda de 200 mulheres que vivem na área rural no Vale do Urucuia (MG)

tecelãs tece de quatro a cinco horas por dia e são as que recebem melhor remuneração, pois têm o compromisso de cumprir prazos e entregar o produto”, explica Luciana. A produção é vendida para tecelagens de Uberlândia (MG), para uma cooperativa no Rio Grande do Sul, para artesãs individuais e também enviada à ONG, que faz a revenda. No ano passado, as tecelãs fizeram 500 mochilas para um congresso de biodiversidade realizado em Minas e mais 2 mil jogos americanos. “Essas mulheres nunca tiveram meta de fiação; elas fiavam para elas mesmas, então foi nosso primeiro grande teste para avaliar a capacidade de produção”, conta a gerente. O esforço para atender aos pedidos foi recompensado. “Elas adoraram porque com a renda puderam comprar geladeiras, celular, colocaram piso na casa e teve até quem comprasse cavalo.” Agora, a meta é definir a capacidade produtiva e determinar o tempo necessário para as entregas. “Estamos trabalhando nos protótipos de sacolas ecológicas para atender a um pedido de 30 mil unidades feito por uma empresa norte-americana, mas ainda não sabemos em quanto tempo será possível concluir o pedido”, diz. Em agosto, o grupo participa de uma rodada de negócios do Sebrae em Uberaba (MG). “Vamos testar o mercado para a bolsa ecológica nesta feira que atrai lojistas e consumidores.” No interior do Paraná, o trabalho com corantes naturais é feito pela Associação dos Artesãos de Cidade Gaúcha (Arteciga) desde 2003. Com apoio do Sebrae, a professora de Artes

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tingimento, trituradas ou maceradas e fervidas. Mas é difícil manter a capacidade total de produção, pois muitas vezes o preparo do material para tintura leva até três dias (passar os fios de novelos para as rocas, por exemplo). O grupo está abandonando alguns procedimentos mais demorados como a extração da tinta azul, obtida de uma árvore conhecida por anileira. “O processo leva até seis dias, gera um cheiro desagradável, e é preciso colher as folhas no orvalho da manhã”, conta Luciana. A casca de barbatimão, o açafrão e o urucum também estão sendo deixados de lado por não ser possível garantir a sustentabilidade ambiental ou a segurança da cor. As parcerias ajudam a sustentar o negócio. Uma empresa de transporte local leva a produção das fiandeiras para o centro de tingimento em Uruana, sem cobrar frete. As cascas de cebola são fruto de doações realizadas por um agricultor e pequenas e médias marcenarias doam serragens de madeira, já separadas por tipo de planta e armazenadas em sacos recolhidos posteriormente pelas associações. Os núcleos mantêm plantações de manga e eucalipto em seus quintais e o ferro-velho é doado pela população. A ArteSol ajuda a padronizar as espessuras e medidas de fios para garantir a comercialização e todo o trabalho obedece aos princípios do Comércio Justo: as mulheres participam de toda a cadeia produtiva e da formação de preço e são remuneradas de acordo com a produção individual. “As fiandeiras costumam trabalhar na roça, por isso fiam nas horas vagas, enquanto a maioria das

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MEIO AMBIENTE

Serragem utilizada para fabricação de corantes

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aposentada Cleide Ferreira Mattos orienta 22 mulheres nas atividades de colheita das plantas, preparo de corantes e tecidos, tingimento, costura, embalagem e expedição dos artigos. “Atuamos nos segmentos de moda, acessórios e decoração e lançamos a marca Arteciga de vestuário artesanal”, afirma a artista plástica. As peças conquistaram clientes até na alta-costura italiana. No ano passado, os tecidos foram expostos em feiras de Milão e da Romênia e amostras foram enviadas para estilistas de Paris. “Ainda não temos um comércio regular, por isso buscamos parcerias para melhorar nossa infra-estrutura”, revela Cleide. A idéia é comprar máquinas maiores e construir um minilaboratório para produção dos corantes. Com clientes fixos nos mercados interno e externo, a associação espera remunerar melhor as artesãs. “Como se trata

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No ano passado, os tecidos da Arteciga foram expostos em feiras de Milão e da Romênia e amostras foram enviadas para estilistas de Paris

Tecidos da Arteciga, do norte do Paraná: meta é garantir pelo menos um salário mínimo para cada associada de gerar renda para essas mulheres, queremos garantir pelo menos um salário mínimo para cada associada”, diz Cleide. Uma das estratégias para estabelecer novas parcerias é a participação em feiras regionais e estaduais e em eventos de moda, como o Dragão Fashion, realizado em Fortaleza em abril deste ano, e o Paraná Collection Business, em julho. “Estamos negociando com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit) para participar de uma feira na França e a meta é conquistar o selo de qualidade para nossos produtos”, afirma Cleide. O processo de tingimento natural da Arteciga nasceu há mais de 20 anos, quando Cleide ainda lecionava na Escola Estadual Artur Bernardes (atualmente Paulo Freire). Naquela época, ela orientou um grupo de alunos com um trabalho de feira de ciências que empregava alguns corantes feitos de folhas de árvores para substituir o uso de lápis de cor, giz de cera e aquarela. O estudo ficou em segundo lugar no projeto Ciranda da Ciência daquele ano e, a partir daí, ganhou projeção nacional. “Viajei 18 estados levando esse trabalho como alternativa educacional e vencemos as feiras estaduais do Paraná por três anos consecutivos”, conta Cleide. Em 2003, já aposentada, a professora fez um curso de desenvolvimento sustentável na Universidade Estadual de Maringá, no qual era preciso promover um evento sobre o tema. “Eu e uma amiga realizamos o evento aqui na cidade, e paralelamente uma

mostra de artesanato”, relembra. Foi o começo da Arteciga, associação que o Sebrae local ajudou a regulamentar. As cores também surgiram aos poucos. O corante azul, extraído da anileira, levou 15 anos para ser descoberto. “É uma espécie nativa aqui da região e que também se reproduz por sementes, mas eu não conhecia a árvore”, diz a artista. O vermelho vem do urucum, do tagetes (cravo-de-defunto) e de serragens de pau-brasil compradas de empresas que fabricam violinos em São Paulo. “Aqui na região também há pau-brasil, mas não abatemos as plantas e ainda não temos licença para plantar”, revela. Semente e folhas de abacate, cascas de cebola e erva-mate vêm de plantações feitas pela Arteciga em locais cedidos por pessoas da região. O processo de extração, o tingimento, a tecelagem e a confecção de peças do vestuário são realizados na sede da associação. A comercialização é feita em uma loja no centro da cidade, desde dezembro de 2006, e o valor do aluguel é dividido com outro comerciante que fica no mesmo imóvel.

LINHA DIRETA Arteciga: (44) 3675-1560 Pólo Veredas (Uruana – MG): (38) 3678-1182


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TRIBUTOS

fora Dinheiro jogado

Exportadores brasileiros pagam taxas desnecessárias por desconhecer um programa de redução e isenção oferecido por 11 países por Cléia Schmitz

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cleia@empreendedor.com.br

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O custo com pagamento de tributos é uma reclamação constante de empresários, mas há exportadores brasileiros pagando taxas desnecessárias no comércio internacional por desconhecerem programas de isenção concedidos por países ricos. O Sistema Geral de Preferências (SGP) norte-americano é um exemplo. Em vigor desde o início da década de 1970, atualmente concede isenção total de tributos para mais de 3,4 mil produtos de diferentes segmentos da economia brasileira. São mercadorias que deixam de pagar impostos de importação que variam de 0,2% a 30%. Levantamento feito pela Câmara Americana de Comércio (Amcham) mostra que o índice de utilização do benefício no ano passado foi de 85,56%. O percentual de empresas que não usam o sistema pode parecer pequeno, mas representa muito em termos de valores. Em 2007, foram US$ 35 milhões em taxas de importação recolhidos aos Estados Unidos desnecessaria-

mente, segundo pesquisa da Amcham. Entre os produtos brasileiros que pagaram impostos por não estarem inscritos no programa, destacam-se autopeças e artigos em madeira (US$ 320 milhões e US$ 200 milhões, respectivamente, em vendas com recolhimento destes tributos). São recursos que poderiam ser reinvestidos na própria produção para ampliar ainda mais o comércio internacional. O índice de adesão ao SGP norte-americano em 2007 é maior do que nos dois anos anteriores – 80% em 2005 e 81% em 2006 –, mas Eduardo Fonseca, gerente de Relações Governamentais da Amcham, ainda o considera significativo. “Uma isenção de imposto de importação muitas vezes é a ferramenta que se precisa para conseguir exportar e competir no mercado internacional.” O SGP foi criado pelos países desenvolvidos com o objetivo de favorecer as exportações de nações em desenvolvimento com a redução ou isenção de taxas e tributos de importação. Cada país outorgante define quais produtos e nações farão parte do seu SGP, e por quanto tempo. O Brasil é beneficiado


PURESTOCKX

Saiba mais sobre o SGP O QUE É Sistema Geral de Preferências: programa unilateral de redução ou isenção de tarifas de importação a produtos preestabelecidos concedido por países desenvolvidos a países emergentes.

CRIAÇÃO Em 1968, durante a Conferência das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento (Unctad).

OBJETIVO Favorecer a exportação e promover a industrialização de países em desenvolvimento, facilitando o acesso de seus produtos a grandes mercados.

PAÍSES OUTORGANTES

por 11 sistemas, com destaque para os programas oferecidos pelos Estados Unidos, Comunidade Européia, Japão e Rússia. O SGP americano é certamente o mais importante para os exportadores brasileiros. Dados divulgados pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) mostram que as exportações feitas por meio do SGP representam 14% das vendas brasileiras aos Estados Unidos e 1,6% das importações americanas. De acordo com a Amcham, foram US$ 3,4 bilhões em 2007. No mesmo período, os importadores americanos deixaram de pagar US$ 137,5 milhões de tarifas de importação por conta das isenções definidas no programa, prova de que o SGP também traz vantagens para o país que lhe concede. Esse, aliás, é um dos argumentos dos defensores desse benefício que, periodicamente, passa por uma revisão dos países outorgantes. No dia 31 de julho passado, exportadores brasileiros comemoraram a decisão da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos em renovar o SGP com o Brasil. Mas, segundo Eduardo Fonseca, a batalha mais difícil

ainda está por vir: a aprovação dos senadores. “O processo de renovação no Senado é mais complicado. Nas missões que fizemos aos Estados Unidos, não encontramos nenhuma resistência da Câmara. No mês de junho, aconteceu uma audiência pública no Senado para tratar de benefícios como o SGP e nenhum dos ouvidos foi claramente favorável à prorrogação do benefício.” A expectativa é que o tema entre em votação em setembro, mas não há nada marcado. A última renovação do SGP americano foi definida em dezembro de 2006. Por pou-

Em 2007, foram recolhidos desnecessariamente US$ 35 milhões em taxas de importação aos Estados Unidos

co o Brasil não ficou de fora. A ameaça voltou à tona este ano. “Retirar o Brasil do SGP comprometeria diretamente o emprego e o desenvolvimento do País. A não-renovação afetaria cerca de 400 mil postos de trabalho”, afirma Mário Marconini, diretor de Negociações Internacionais da Fiesp. A entidade investiu em uma série de ações para sensibilizar congressistas norte-americanos sobre as vantagens da renovação para os Estados Unidos. Um estudo feito pela Fiesp indica que 30% a 40% das exportações brasileiras incluídas no SGP são feitas por subsidiárias de multinacionais norte-americanas. O dado traz embutido um forte argumento: a retirada do Brasil não beneficiaria nações menos desenvolvidas, mas sim a China, o que só aumentaria o déficit comercial dos Estados Unidos com os chineses. “O SGP é uma via de mão dupla”, afirma. Antes da aprovação do SGP pela Câmara dos Deputados, o que se percebia era um claro pessimismo dos envolvidos na questão. “O quadro que se apresenta é o pior possível. Se em 2006 já foi difícil conseguir a renovação, este ano está ainda mais com-

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Estados Unidos, Canadá, Comunidade Européia, Turquia, Suíça, Noruega, Japão, Nova Zelândia, Rússia, Bielo-Rússia e Austrália (não concede ao Brasil).

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TRIBUTOS Marconini: não-renovação afetaria cerca de 400 mil postos de trabalho

Produtos beneficiados Cada país estabelece uma lista de produtos que recebem a redução ou isenção de tarifas. A lista das mercadorias incluídas no SGP norteamericano está no link http://www. desenvolvimento.gov.br/arquivos/ dwnl_1212425005.pdf

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A relação dos produtos de outros SGPs e demais informações sobre o programa podem ser obtidas no Departamento de Negociações Internacionais (Deint), vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior: www.mdic.gov.br e (61) 2109-7000

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plicado”, diz Paulo Amanthéa, consultor internacional da Eucatex, uma das empresas brasileiras que se beneficia com o SGP norteamericano. Atualmente, 10% da produção da Eucatex é vendida para o mercado externo, a maior parte painéis de fibras de madeira importados pelos Estados Unidos. A empresa inaugura no primeiro semestre de 2009 uma nova fábrica, que deve dobrar sua produção. “Para a Eucatex, o fim do incentivo seria um tiro na cabeça”, afirma Amanthéa. Todo o segmento ainda está em alerta, esperando a decisão dos senadores americanos. Metade da produção brasileira de painéis de madeira é exportada e o mercado interno não tem potencial para absorver esse volume. “Se o programa for cancelado, teremos que pagar uma tarifa alfandegária de 10%. Perder um benefício como esse é muito ruim para o setor, principalmente porque o Brasil não tem muitos acordos bilaterais”, afirma Rosane Donati, superintendente-executiva da Associação Brasileira da Indústria de Painéis de Madeira (Abipa). Segundo a dirigente, o México, por exemplo, seria um mercado atrativo para os exportadores do segmento, mas o acesso é restrito por conta de altíssimas tarifas de importação. Enquanto

isso, acordos bilaterais entre Estados Unidos e a União Européia, por exemplo, continuariam facilitando a importação do produto pelos norte-americanos.

Obstáculos Uma série de fatores é apontada como complicador para a renovação do SGP norteamericano. Um deles é o fato recente de duas agências de risco terem elevado o grau de investimento do Brasil. “Já não somos mais vistos como países que precisam de ajuda”, afirma Fonseca, da Amcham. O sentimento entre os congressistas norte-americanos de que o Brasil é um dos culpados pelo fracasso da chamada Rodada de Doha seria mais um ponto negativo. A ineficácia do Brasil no combate à pirataria também esteve na pauta das discussões há dois anos. Há ainda outra grande polêmica, a principal na visão da Fiesp: o acordo de livre comércio entre os Estados Unidos e a Colômbia. “Tememos que o impasse entre os republicanos e democratas sobre o acordo prejudique a negociação e possa contaminar o processo de renovação do SGP”, diz Mário Marconini, da Fiesp. Mesmo antes da decisão do Senado, a

Amcham trabalha para aumentar o nível de adesão ao sistema. “O SGP americano é muito simples, a adesão é fácil e as regras de origem não são complicadas.” A entidade presta consultoria exclusiva aos associados, mas quem tiver dúvidas também pode recorrer ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, que está se organizando para incentivar a adesão dos empresários, inclusive com a publicação de manuais específicos para os principais SGPs. Há poucos anos, encontrar a lista de produtos beneficiados era difícil. Hoje, ela está disponível no site do ministério e também do órgão americano responsável pelo sistema. Empresários e consultores acreditam que quanto maior for a adesão dos exportadores, mais difícil será a exclusão do Brasil. “É mais gente pressionando”, afirma Paulo Amanthéa.

LINHA DIRETA Abipa: (11) 5589-6152 Amcham: (11) 3675-5444 Fiesp: (11) 3549-4499 Paulo Amanthéa: (11) 4028-9090


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CRÉDITO

Capital

inovador Pequenas e grandes empresas podem recorrer a diferentes programas na hora de buscar recursos para pesquisa tecnológica por Francis França

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francis@empreendedor.com.br

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Quem se dedica à inovação não tem escolha a não ser correr riscos. A esse tipo de empresa, para quem inovar faz parte da essência do negócio, resta pagar o preço do desafio para não se tornar obsoleta. E o investimento não é barato, seja ela grande, seja pequena. Os recursos para inovação com freqüência estão vinculados a empreitadas sofisticadas, que demandam tecnologia e conhecimento. Para encorajar os empresários, entidades como a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) fazem o que está ao seu alcance: dão crédito às boas idéias. “O que fazemos é dividir o risco, e a melhor forma de fazermos isso é oferecer linhas de financiamento baratas. Com isso, mostramos ao empreendedor que há uma compensação para o risco que ele pretende assumir”, diz Alexandre Armentano, chefe do Departamento de Financiamento da Finep. Depois de uma edição piloto, a Finep lançou a segunda chamada para o Programa Juro Zero, dirigido a empresas inovadoras com faturamento anual de até R$ 10,5 milhões. Os financiamentos variam de R$ 100 mil a R$ 900 mil e podem ser pagos em até 100 parcelas, sem juros reais – os valores são corrigidos apenas pelo índice da inflação (IPCA). Podem ser financiados itens relativos a novos investimentos previstos no plano de negócios da empresa, desde que estejam vinculados às atividades de inovação tecnológica.

A segunda edição do Programa Juro Zero recebeu propostas em agosto, e o resultados devem ser divulgados até 30 de setembro. A chamada contemplou instituições públicas ou privadas interessadas em se tornar parceiras regionais da Finep para gerenciar a oferta de crédito e pré-selecionar os projetos. Cada parceiro terá à disposição R$ 10 milhões para oferecer às empresas de sua região. Caso os recursos sejam distribuídos em até 18 meses, há possibilidade de a Finep liberar R$ 10 milhões adicionais, havendo recursos disponíveis. Na primeira edição, o programa contemplou Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina. A meta é levar o Juro Zero a todo o País. “É uma ação que depende do interesse das entidades estaduais. Dependendo da quantidade de parceiros que qualificarmos, pode ser que já tenhamos condições de atender todos os estados”, afirma Armentano. Os recursos vêm do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Além da isenção de juros, o programa também não exige garantias reais. A Finep criou uma composição alternativa para avalizar o financiamento. Segundo as normas do programa, os sócios da empresa devem afiançar 20% do total. Além disso, em cada empréstimo haverá um desconto antecipado de 3% para criar um fundo de reserva correspondente a 30% do total de financiamentos. Após a quitação do empréstimo – caso não haja inadimplência –, o dinheiro é devolvido corrigido às empresas. Os 50% restantes serão assegurados por

Specto recebeu R$ 611 mil para desenvolver gestor de filas


um Fundo de Garantia de Crédito que precisa ser criado pelos parceiros locais. Segundo Armentano, por enquanto a taxa de inadimplência é zero. “É um resultado muito bom, apesar de o programa funcionar há pouco tempo, mas todos os projetos vêm cumprindo as metas conforme o esperado”, avalia. Ainda não há previsão do montante que será disponibilizado para a próxima edição, já que o volume de recursos será proporcional ao número de parceiros. Até o momento, 59 projetos já foram financiados, em um total de R$ 33 milhões. Uma fatia desse bolo foi para o Grupo Specto, instalado em São José (SC). A empresa conseguiu financiamento de R$ 611 mil para desenvolver um software de gestão de filas. Acostumado a se autofinanciar, o diretor Leônidas Vieira Júnior diz que o recurso da Finep deu fôlego para investir em outros departamentos. “Não temos só tecnologia, há outros setores que também são importantes. Quando conseguimos captar esse recurso, pudemos dar um pouco mais de atenção a outras áreas, como estoque, infra-estrutura, vendas e assistência técnica, por exemplo.” Com o apoio dos recursos para inovação, o grupo espera crescer 40% em relação ao ano passado, com faturamento estimado em R$ 6,5 milhões. “Fazemos planejamento para 10 anos, e com o programa Juro Zero, pude-

mos adiantar os planos em pelo menos dois anos”, estima. A empresa começou a exportar para o Banco del Pacifico, no Equador, e está em fase final de negociações com o setor de telecomunicações em Angola. Para Vieira Júnior, o apoio de programas como o encabeçado pela Finep permite que micro e pequenas empresas (MPE) de tecnologia possam contratar mais, substituir importações e trazer vantagens competitivas para o País. “Nós temos que investir de qualquer jeito, senão, em seis meses, perdemos mercado. É uma rotina, mas é caro contratar engenheiros, especialistas, importar componentes. Se não tivermos um dinheiro um pouco mais barato, acabamos limitando nosso trabalho”, diz.

Grandes desafios Arcar com os riscos e o ônus da inovação não é uma tarefa difícil apenas para pequenas empresas. As MPEs têm a limitação dos recursos, mas compensam com vantagens importantes, como agilidade e capacidade de adaptação. Já para uma gigante centenária como a Whirlpool, fabricante das marcas Brastemp e Consul, o drama é colocar em movimento um projeto de inovação sincronizado que envolva 80 mil funcionários e 73

fábricas e centros de pesquisa. Imagine a situação de uma empresa que fatura mundialmente US$ 20 bilhões por ano e vê seus resultados caindo durante quase uma década, até que o presidente dá a seus diretores uma ordem emergencial: inovar. Essa foi a missão de Nancy Snyder, vice-presidente Corporativa de Liderança e Competências Whirlpool Corporation (EUA). O desempenho da Whirlpool entre 1992 e 1999 era de -2,3%, e Nancy conseguiu transformar o prejuízo em um dos maiores exemplos de inovação empresarial. “Nosso drama era: como trazer inovação para uma empresa de 100 anos? Começamos a fazer pesquisas sobre o que outras companhias faziam, principalmente no Vale do Silício”, afirma. A ordem era investir em qualquer idéia. O orçamento inicial para a empreitada foi de mais de US$ 30 milhões, e o lema era que a inovação poderia vir de qualquer um, e de qualquer lugar na companhia. O trabalho começou com uma equipe no Brasil, outra nos Estados Unidos e outra na Europa, cada uma com 25 pessoas, que largaram seus postos de trabalho tradicionais e passaram a fazer parte da equipe de inovação. No ano passado, o time de voluntários, também chamados de “mentores de inovação”, passava de 10 mil pessoas. “Abandonamos o que chamávamos

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Leônidas Jr.: “Fazemos planejamento para 10 anos, e com o programa Juro Zero, pudemos adiantar os planos em pelo menos dois anos”

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CRÉDITO

Nancy Snyder, da Whirlpool – fabricante das marcas Consul e Brastemp –, conseguiu transformar o prejuízo em um dos maiores exemplos de inovação empresarial de ‘mar branco’, que eram caixas brancas que faziam absolutamente a mesma coisa, não importa de que marca fossem”, explica Nancy. A Whirlpool passou a investir em produtos com qualidade superior para fidelizar os clientes. A média de preços aumentou, junto com as receitas para inovação e as margens de lucro. Nancy explica que, para grandes empresas, as mudanças nesse campo não têm impacto imediato. A idéia surgiu em 1998, foi implementada em 2000, em 2003 passou a ser mensurada e só agora, em 2008, mostrase como a área em que os resultados mais crescem. “Foram anos de investimento sem retorno aparente, além de vários erros. E as inovações só começaram efetivamente em 2003, porque até então não sabíamos como colocar em prática”, diz.

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Lei do Bem

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Se as micro e pequenas empresas têm iniciativas como o Programa Juro Zero, as grandes podem contar com incentivos como os previstos na Lei do Bem (nº 11.196/2005) para estimular a inovação. A lei oferece dedução total das despesas de inovação, além de incentivos adicionais com redução fiscal de IRPJ, CSLL, IPI e IRRF. Para ter acesso aos benefícios, a empresa precisa operar no sistema de lucro real, o que é mais comum entre as companhias de grande porte – por isso a Lei do Bem é conhecida como incentivo à inovação em grandes empresas.

De acordo com o consultor Marcos Marques, especializado em incentivos fiscais, a maioria das empresas desconhece os benefícios oferecidos, o que acaba enfraquecendo a própria legislação. “É preciso transformar o conhecimento em nota fiscal de faturamento”, diz. Segundo ele, o País tem poucos pesquisadores envolvidos na iniciativa privada, e a Lei do Bem justamente incentiva essa interação. A adesão aos incentivos previstos na lei é automática, não há processo de qualificação. Marques recomenda que, a partir do momento em que a empresa entende estar apta a gozar os incentivos, deve selecionar os projetos de inovação, discriminar separadamente as despesas de cada um deles e encaminhar os dados ao departamento contábil. As empresas precisam prestar contas ao Ministério da Ciência e Tecnologia uma vez por ano e, caso as despesas apontadas não estejam de acordo com o previsto, a empresa é obrigada a pagar os impostos que deixou de recolher com juros e multa. Marques destaca que há ressalvas sobre os conceitos de inovação que precisam ser levadas em conta na hora de aderir à lei. Está excluída, por exemplo, a inovação que envolve apenas a compra de equipamentos, ou alterações menores no processo produtivo. Além de dedução total de despesas com inovação, a empresa ainda pode ter dedução fiscal adicional de 70%, caso amplie o quadro de pesquisadores em 5%. Se ultrapassar esse percentual, a redução chega a 80%. A lei também garante os outros 20 pontos percentuais

em caso de patente concedida, além de amortização e depreciação acelerada na compra de equipamentos. As empresas beneficiárias da lei também contam com redução de 50% na alíquota do IPI, e isenção de IRPJ e CSLL para a contratação de MPEs e institutos de pesquisa. Marques destaca que pesquisador, para efeito da lei, é qualquer funcionário registrado com dedicação exclusiva para inovação, inclusive de nível técnico. “Inovadores não são necessariamente doutores. Quando só os grandes executivos têm acesso às informações, o processo é aniquilado. A inovação permite que você sonhe, não importa que posto você ocupa na empresa”, observa Nancy. Ela diz que a maior dificuldade para as empresas, independente do porte, é compartilhar o conhecimento com os colaboradores, e recomenda que os empresários aprendam a controlar os sistemas e confiar nas pessoas, para reduzir os riscos e ampliar o potencial de inovação.

LINHA DIRETA Alexandre Armentano (Finep): (21) 2555-0664 Leônidas Vieira Jr. (Specto): (48) 3334-8064 Marcos Marques: (41) 3329-6641 Nancy Snyder (Whirlpool): nancy_a_tennant@whirlpool.com


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MEMÓRIA

Bom

negócio Investir em gestão ambiental traz economia de recursos e de matéria-prima e benefícios para a imagem por Cléia Schmitz

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cleia@empreendedor.com.br

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A indústria sempre foi vista como o grande vilão da devastação ambiental. Mas é preciso reconhecer que, nos últimos anos, muitos empresários têm se empenhado em reverter a má fama. Há 13 anos, por exemplo, ainda nem existia a certificação ISO 14001. Em 1998, apenas 100 empresas brasileiras haviam conquistado o selo que define os requisitos para operação de um sistema de gestão ambiental. Hoje são mais de 2,5 mil empresas certificadas. “O que aconteceu é que os empresários perceberam que investir em gestão ambiental era necessário não apenas para cumprir a legislação, mas também para economizar recursos como água e energia”, afirma o biólogo Emerilson Gil Emerim, diretor da Ambiens Consultoria, empresa especializada no desenvolvimento de projetos ambientais. Ou seja, o chamado desenvolvimento sustentável acabou se transformando em um bom negócio. Assim, com a ajuda da tecnologia, o que

era lixo industrial está se transformando em matéria-prima. Em Santa Catarina, cerâmicas e têxteis investem para dar novos destinos aos rejeitos. Um exemplo é o lodo proveniente do tratamento de efluentes líquidos. O resíduo, que ainda é um dos maiores problemas ambientais da indústria têxtil, é usado por muitas empresas como adubo ou até mesmo gerador de energia, destinos bem mais nobres do que formar montanhas inúteis nos aterros sanitários. A Malwee Malhas, de Jaraguá do Sul (SC), está desenvolvendo um projeto de secagem do lodo industrial com um sistema baseado no uso de energia solar. De acordo com Cassiano Minatti, analista ambiental da empresa, a tendência é alcançar uma redução de volume na ordem de 75% e uma redução de peso de 60%. “Isto traz grandes vantagens, pois otimiza o espaço disponível em nosso aterro industrial. Futuramente, desejamos converter este material em energia, diminuindo este passivo ambiental em grande escala.” A Malwee tem um aterro sanitário próprio com capacidade para cerca de 62 mil metros cúbicos de resíduos. A área é revestida com uma manta de polietileno de alta densidade para evitar que a água do lodo penetre no solo e contamine os mananciais da região. A água é drenada para a estação de efluentes onde é tratada novamente. O aterro está localizado dentro do Parque Malwee, área de preservação criada pela empresa em 1978. Na última década, com um novo sistema de tratamento,

o Tecnobio, a empresa conseguiu reduzir de 15 para 5 toneladas diárias de resíduos. A água contaminada nos processos de tingimento e lavação de tecidos e estampas é devolvida ao rio praticamente com o mesmo grau de pureza com que foi captada. Com um sistema de filtração, 45% da água é reutilizada no processo de produção. “As reduções de consumo de água, energia e insumos não só diminuem a extração de recursos naturais do planeta como ajudam a reduzir sensivelmente os nossos custos”, afirma Cassiano Minatti. Na Karsten, uma das mais tradicionais indústrias têxteis do Vale do Itajaí (SC), não é diferente. A empresa acredita que sem um

A água contaminada nos processos industriais da Malwee é devolvida ao rio praticamente com o mesmo grau de pureza com que foi captada


Parque Malwee

programa de reutilização de água estaria consumindo 20 metros cúbicos a mais por hora. “Queremos reduzir ainda mais esse volume através de melhorias de processos e reaproveitamento de água”, afirma Alvin Rauh Neto, diretor industrial da Karsten. A empresa foi a primeira entre as têxteis catarinenses a instalar uma estação de tratamento com sistema biológico, em 1988. “Devolvemos a água ao rio mais limpa do que captamos, mas isso é uma coisa básica, é inadmissível fazer diferente”, diz Rauh Neto. A Karsten também faz secagem do lodo industrial, reduzindo de 270 para 60 toneladas por mês o volume de rejeitos levados ao aterro in-

dustrial. Para o diretor industrial, o treinamento constante dos colaboradores é fundamental para que os recursos de gestão ambiental sejam bem utilizados.

Retorno à produção No Sul de Santa Catarina, a indústria cerâmica também investe no reaproveitamento de recursos. A Eliane Revestimentos Cerâmicos espera, ainda em 2008, utilizar 100% dos efluentes tratados no complexo industrial de Cocal do Sul (SC), onde ficam a matriz administrativa da empresa e quatro unidades industriais. É praticamente uma obrigação para

um segmento que necessita de grande quantidade de água no seu processo produtivo. Atualmente, 70% da água captada retorna para o processo produtivo. O restante é descartado para o Rio Tigre. A gestão dos recursos hídricos, uma das áreas em que a gestão ambiental da Eliane mais evoluiu, é resultado de grandes investimentos: US$ 5 milhões foram aplicados em equipamentos para tratamento de efluentes líquidos nos últimos dez anos. Na unidade Eliane Porcellanato, em Criciúma (SC), a empresa já recicla 98% da água utilizada no processo de polimento das peças. Para chegar a esse nível, a Eliane investiu US$ 1 milhão em equipamentos para a área am-

Na 30ª edição da Revista Empreendedor, em abril de 1997, foi publicada a reportagem “Mudança de hábito”, escrita pela jornalista Imara Stallbaum. Agora, 11 anos depois, a repórter Cléia Schmitz retoma o tema e confere se as empresas vencedoras do Prêmio Ecoempreendedor ainda mantêm a mesma postura responsável. Na época, a matéria apontava a forte tendência de investimento em processos e tecnologias menos poluidores e em tratamento e reaproveitamento de efluentes e rejeitos. Menos de 100 empresas brasileiras detinham a certificação recém-lançada ISO 14001. Hoje, além de cumprir uma obrigação legal e de mer-

cado, a gestão ambiental é uma forma de economizar matéria-prima e recursos. Mais de 2,5 mil companhias do Brasil possuem o selo. Mas a responsabilidade ambiental, apesar de não ser mais exceção, ainda não é regra, como a repórter pôde observar. Uma das empresas premiadas teve seu potencial de crescimento afetado por mudanças na estrutura geoeconômica da indústria calçadista e, principalmente, pela falta de vontade – para não dizer de consciência – destes industriais em colaborar com a iniciativa de dar um destino aos resíduos jogados no meio ambiente.

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Há 11 anos...

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MEMÓRIA

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A Eliane Revestimentos Cerâmicos investiu US$ 5 milhões no sistema para tratamento de efluentes líquidos (acima) nos últimos dez anos, e também reaproveita 840 toneladas de resíduos sólidos por mês

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biental na época da implantação da fábrica, em 1996. A iniciativa lhe rendeu, no ano seguinte, o prêmio Ecoempreendedor, concedido pela Editora Empreendedor em parceria com a Environmental Resources Management. Tanto rigor se justifica: o porcelanato consome 400 metros cúbicos de água por hora, enquanto o processo tradicional utiliza 15 metros cúbicos por hora. É água suficiente para abastecer cerca de 1,6 mil pessoas por dia. De acordo com o engenheiro Wladimir Nunes, profissional do Departamento de Engenharia Ambiental da Eliane, reaproveitar todos os efluentes gerados pelas unidades de produção é uma das metas da empresa. “Também queremos diminuir o consumo de água e a quantidade de resíduo gerado por metro quadrado de revestimento produzido.” A Eliane também faz reaproveitamento de resíduos sólidos. Todo o lodo retirado da estação de tratamento do parque industrial de Cocal do Sul, cerca de 840 toneladas por mês, é usado como matéria-prima: 500 toneladas são reaproveitadas na massa dos revestimentos e o restante é enviado para olarias da região, onde é aplicado na produção de cerâmica vermelha. A área de gestão ambiental da empresa trabalha para aumentar o consumo de matérias-primas recicladas na massa. No programa de coleta seletiva de lixo, im-

plantado há 12 anos, a Eliane registra o recolhimento de 3,8 milhões de toneladas de papel, 927 mil toneladas de plástico e 2 milhões de toneladas de metal. Outra meta da Eliane é implantar até 2010 a ISO 14001 em todas as unidades industriais.

Expectativa frustrada Apesar dos avanços, ainda há muito por fazer no gerenciamento de recursos sólidos. No início da década de 90, o empresário Dimas Pedroso Machado percebeu nas sobras e aparas de EVA (etileno-acetato de vinila), utilizado em solados e palmilhas de sapato, a oportunidade para criar um novo produto. Machado começou a fazer experimentos juntando restos de borracha com areia e cimento. Depois de 22 meses de pesquisas e investimento de US$ 80 mil, criou um isolante acústico para a construção civil. A história começou quando ele foi visitar um amigo numa fábrica de calçados em Novo Hamburgo (RS) e se deparou com uma montanha de rejeitos de borracha. “Eu perguntei: o que vocês vão fazer com isso? Ele me respondeu: jogar no mato.” O que parecia ser a solução para uma parte dos rejeitos da indústria de calçados acabou em frustração. A empresa – Maison Indústria e Comércio


Emerim: maioria das empresas não cobra nem estimula a postura ambiental dos parceiros

com o empresário, a Maison não tem como pagar pelo rejeito, uma condição que inviabilizaria a produção e comercialização do produto. “O problema é que a construção civil também não quer pagar mais”, justifica. Por outro lado, a maioria das indústrias calçadistas só aceita comercializar o rejeito. “O que eles não percebem é que estou ajudando a resolver um problema deles.” Machado chegou a ter 60 fornecedores de rejeitos de EVA – hoje são apenas oito. Segundo o empresário, 10 mil obras no Brasil já utilizaram o isolante acústico da Maison. “Eu achei que deveria fazer alguma coisa por uma montanha de retalhos de borracha.” Ele conta que na época havia uma expectativa muito boa de crescimento. A Maison foi a vencedora do prêmio Ecoempreendedor na categoria Pequena Empresa. “A mídia deu destaque ao meu produto e eu me iludi. Achei que ele teria longa vida”, afirma o empresário. Persistente, ele não pensa em desistir. “Enquanto tiver matéria-prima eu vou continuar.” De acordo com o biólogo Emerilson, é raro encontrar grandes empresas sem um sistema de gestão ambiental definido, mas não impossível. O problema é que a maioria ainda não cobra e nem estimula a mesma postura de seus parceiros comerciais. O caso é bem comum na agroindústria. “Os padrões am-

bientais de nossos frigoríficos são quase internacionais, mas os pequenos produtores, que fornecem os suínos e os frangos, detêm grande responsabilidade pela poluição nas regiões onde atuam”, afirma. Segundo o biólogo, outro setor que precisa melhorar a gestão ambiental para reduzir o impacto de suas atividades é a construção civil. Para ele, o problema é a falta de organização do segmento. Emerilson sugere a criação de centrais de triagem dos resíduos gerados nas obras. O material poderia ser usado em parceria com o poder público para ajudar na construção de casas populares. O retorno não poderia ser mais positivo: além de reduzir o custo do descarte do material, muitas vezes jogado em aterros clandestinos, o empresário poderia ser visto mais como um parceiro da comunidade e menos como um algoz do meio ambiente.

LINHA DIRETA LINHA DIRETA

Alvin Rauh Neto (Karsten): (47) 3331-4000 Cassiano Minatti (Malwee): (47) 3372-7200 Dimas Pedroso Machado (Maison): (51) 3561-5069 Emerilson Emerim (Ambiens): (48) 3028-5971 Wladimir Nunes (Eliane): (48) 3447-7777

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de Artefatos de Cimento – existe até hoje, mas a expectativa de aumento da produção não se concretizou por dois motivos: transferência de muitas indústrias calçadistas para o Nordeste e falta de interesse em repassar as aparas e sobras de borracha. “Eles preferem continuar jogando no mato, é mais fácil”, acusa Machado. De acordo

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PERFIL

Victor Martinez

Força de

campeão Tino para os negócios e muito desejo de vencer fizeram Martinez superar diversos obstáculos, inclusive reerguer uma empresa à beira da falência por Andréia Seganfredo

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deia@empreendedor.com.br

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O espírito aventureiro da adolescência e a paixão pelo esporte são ainda presentes na vida de Victor Martinez, presidente da Thomas International Brasil e vice da Thomas Latin America. Paraguaio radicado há quase 20 anos no País, conduziu a empresa, especializada em consultoria de gestão de pessoas, a um crescimento de 1.000% nos últimos 10 anos, após um período de turbulência que quase a levou à falência em 1996. “Aprendi que se você quer se superar e ser o melhor não é fácil. Fazer bem é uma coisa, mas para subir no pódio é difícil. Essa força eu aprendi no esporte”, conta. Campeão nacional de natação, arremesso e basquete, Martinez teve a sorte de estudar num dos melhores colégios do seu país de origem. “O que tive de muito bom foi a educação, que meus pais sempre acreditaram. Éramos uma família de classe média, sem muitos

luxos, mas nunca passamos fome”, diz. Ele lembra que enquanto os colegas de aula viajavam para a Disney nas férias, entrou em avião pela primeira vez aos 27 anos. No entanto, conheceu países de fronteira, como Argentina e Brasil, em viagens com a família. O interesse pela língua portuguesa e a vinda para estudar no Brasil foram, como ele costuma dizer, “coisas de adolescente”. Martinez começou a freqüentar curso de português para acompanhar um amigo, interessado em vir para cá. No Centro Cultural Brasileiro de Assunção, onde eram ministradas as aulas, havia a divulgação de um programa de intercâmbio. Eram 200 candidatos e uma única vaga para Engenharia de Produção. Classificado em 21º lugar, Martinez não tinha à sua frente quem houvesse pleiteado o mesmo curso e logo começou a arrumar as malas para estudar na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em São Paulo. Era dezembro de 1988 e o Paraguai atravessava uma situação política difícil,

“Aprendi que se você quer se superar e ser o melhor não é fácil. Fazer bem é uma coisa, mas para subir no pódio é difícil. Essa força eu aprendi no esporte”

que culminaria com o golpe de Estado contra Alfredo Stroessner no ano seguinte. No início de 1989, Martinez chegou ao Brasil. Deixou para trás a família, faculdade e amigos – incluindo o companheiro das aulas de português que optou por não se candidatar às vagas do intercâmbio e mora lá até hoje. “Eu não gostava do curso de Engenharia de Informática, nem imaginava fazer isso ou viver no Paraguai pelo resto da vida”, diz. A falta de afinidade com números fez com que optasse pela Engenharia de Produção, qualificação que jamais exerceu e também era pouco compreendida pela família. “Meu pai perguntava: produção de quê? De manteiga?”, conta aos risos. Apesar disso, Martinez sempre teve o apoio dos familiares para deixar o país, que só acreditaram na realização do sonho do filho quando ele entrou no ônibus e partiu. A vida no Brasil seria um cenário de desafios e oportunidades para mostrar sua garra e visão de empreendedor. Tão logo chegou à universidade, encontrou um grupo de estudantes interessados em jogar rugby – esporte que também tinha praticado no Paraguai. Diante da falta de noção dos brasileiros sobre o jogo, Martinez aproveitou uma viagem de férias à casa dos pais para gravar fitas de vídeo com partidas que passavam por lá. Chegou a contatar a União Paraguaia de Rugby e levou todo o material para São Carlos. No entanto, as fitas gravadas não eram compatíveis com os aparelhos daqui. “Procurei por toda a cidade e havia apenas um videocassete que servia. Toda vez tínhamos que pedir


CASA DA PHOTO

Idade: 40 anos Local de nascimento: Assunção (Paraguai) Formação: Engenharia de Produção Empresa: Thomas International Brasil Ramo de atuação: Consultoria de gestão de pessoas Cidade-sede: São Paulo Funcionários: 30

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Victor Martinez

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PERFIL

Victor Martinez

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emprestado para a namorada de um amigo meu”, lembra Martinez. Com alunos da UFSCar e da USP, o time entrou em campo. Martinez incentivava os colegas mostrando as fitas de vídeo: “Estão vendo o que passa na televisão? É assim que temos que fazer”, dizia. O placar contou pontos a seu favor e a equipe começou a ganhar projeção. Virou time municipal, com patrocínio da prefeitura, e participou do campeonato brasileiro e do paulista, no qual obteve o quarto lugar. Depois de quatro anos ficou difícil manter a equipe completa, pois muitos integrantes haviam saído ao concluir a graduação. Ainda assim, o projeto de Martinez havia vingado e ele já começava a pensar na sua próxima jogada: criar o uniforme esportivo da universidade. A modalidade escolhida foi o pólo aquático. Martinez viu um colega vendendo sungas na beira da piscina e foi investigar o sucesso do negócio. Ficou espantado quando soube que, devido ao desgaste ocasionado pelo cloro, os clientes chegavam a comprar três unidades ao ano. Quando se deu conta que a universidade não tinha uniforme, propôs uma sociedade ao amigo. Eles viajaram a São Paulo para encomendar os agasalhos, mas ao chegarem a São Carlos outra pessoa havia tido a mesma idéia. “Pensamos em como podíamos nos diferenciar do concorrente e resolvemos arriscar”, conta. Martinez e seu sócio convenceram os fornecedores a vender uniformes com pagamento previsto para uma semana. Enquanto a concorrência oferecia apenas modelos sob encomenda, eles tinham estoque para venda imediata. “A gente trabalhava com cheque pré-datado e fazia qualquer negócio. Imagine a credibilidade de um empreendimento tendo à frente um paraguaio e um carioca”,

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“O fundamental para o meu sucesso foi acreditar no que eu fazia, no produto, e gostar do que eu estava fazendo”

brinca. O negócio prosperou, e o atual diretor da Thomas International começava a ganhar experiência em empreender projetos antes mesmo de sair da faculdade. Vendo sempre o passado e os obstáculos enfrentados de maneira otimista e bem-humorada, ele não se ressente dos problemas que teve devido à condição de estrangeiro: o preconceito e a dificuldade para ingressar no mercado de trabalho – uma ironia para quem hoje dirige uma das maiores consultorias de gestão de pessoas no País. “No começo, aquelas piadas de que paraguaio era falsificado me feriam um pouco, mas depois percebi que naquela época havia intenso comércio de fronteira e muitas coisas que chegavam aqui realmente eram fajutas”, conta Martinez. Nas viagens de férias, aproveitava para trazer mercadorias do Paraguai e vender para os colegas de faculdade. Eram fitas, videocassetes, artigos de informática, óculos e relógios, comprados com o dinheiro de um mês de mesada dada pelo pai. “Quando ele conseguia me dar o equivalente a dois meses, eu pegava uma parte do dinheiro para comprar esses produtos”, lembra. Assim, ele conseguia uma renda extra para gastar com roupas e diversão. Depois de um tempo, Martinez começou também a levar camisetas do Brasil para vender no Paraguai. “Comecei a ganhar nos dois sentidos da viagem.” No entanto, a pior barreira a ser enfrentada pelo jovem paraguaio seria a obtenção da carteira de trabalho. Graduado em 1995, após seis anos e meio de estudo, Martinez começou a procurar emprego no Brasil, mas portava ainda o visto de estudante, que não permitia o exercício de atividade remunerada. Quando se formou na metade do ano, convenceu o pai a continuar enviando mesada até que encontrasse algum serviço. O trato estabelecido foi o seguinte: se não estivesse empregado até o seu aniversário – dia 15 de novembro –, voltaria para casa. Já apaixonado pela sua atual esposa, Martinez estava decidido a ficar aqui e não desistiu fácil. Primeiro, inscreveu-se em vários programas de trainee. “Era a receita de procurar emprego para todo engenheiro recém-formado na época”, lembra. Chegou às etapas finais de processos seletivos do antigo Banco Nacional, da Sudameris, Souza Cruz e do Banco

Votorantim, mas na hora da contratação via seu sonho cada vez mais distante: sem carteira de trabalho ninguém queria empregá-lo. “No Banco Votorantim, acho que gostaram um pouco mais de mim e chegaram a me entrevistar duas vezes para saber se eu valia ou não valia a pena. E não teve jeito”, conta. “Esse tipo de investimento é difícil num programa de trainee. Certamente tinha mais gente na fila, que seria mais fácil contratar.”

Maratona Martinez começou então a procurar emprego pelo jornal. “Comecei a apontar um pouco mais embaixo. Meu negócio era ter um trabalho para poder me sustentar aqui.” Respondeu a um anúncio e foi até uma empresa, onde preencheu um questionário. Participou novamente da maratona de entrevistas, dinâmicas de grupo e descobriu que havia sido selecionado para vender cursos da Escola Panamericana de Arte. Quando foi chamado para trabalhar, soube que deveria passar por uma semana de treinamento. Até então, a carteira de trabalho não havia sido solicitada. No final do terceiro dia do treinamento de vendas, a responsável pelo departamento de Recursos Humanos solicitou os documentos para contratação. Martinez expôs o seu problema e, depois de o presidente da empresa ter sido consultado, a resposta foi negativa. “Eles admitiram o erro de não ter me pedido a carteira antes, e me deixaram terminar o curso”, lembra. Era uma quartafeira à tarde, e na próxima seria dia 15 de novembro. “Naquela hora pensei: acabou de novo! Saí, tomei um porre e faltei na quintafeira de manhã”, conta Martinez. Quando se recuperou, voltou ao curso, no período da tarde, interessado apenas em acrescentar mais uma formação ao currículo. Ao chegar, o treinador repreendeu Martinez, que contou sua história e teve como resposta: “Fique tranqüilo, mas vá até o final”. Ele não sabia, mas estava diante do então presidente da Thomas International Brasil. Na sexta-feira, quando acabou o curso, recebeu um convite para trabalhar com ele. “Não sei se você não escutou direito a minha história, mas não tenho carteira de trabalho”, disse ao treinador. Mas, ao contrário das vezes anteriores, alguém estava disposto


CASA DA PHOTO

Thomas International Brasil

Nasce em Assunção, capital do Paraguai, Victor Martinez Selecionado para programa de intercâmbio de estudos Chega ao Brasil para estudar na UFSCar Graduação em Engenharia de Produção É sorteado para treinamento da Thomas na Inglaterra Classifica-se como o segundo melhor vendedor no mundo da Thomas International Assume a presidência da Thomas International Brasil Participa do Masters de natação de Munique Assume a vice-presidência da Thomas Latin America

a investir nele. “Ele me disse que isso não era problema e que tinha advogados para dar um jeito”, conta. Na segunda-feira, dia 13 de novembro de 1995, Victor Martinez tornavase o mais novo funcionário da Thomas. No começo, Martinez tinha um pouco de preconceito sobre o trabalho. “Imagine o que significa você estudar engenharia e ser vendedor de consultoria? E ainda contar isso para o seu pai?” Com o tempo, descobriu que tinha talento para falar, vender e se expressar. Após três anos na empresa, foi o segundo melhor vendedor do mundo de consultoria e junto com um colega brasileiro, o primeiro colocado mundial, detinha quase 80% do faturamento da Thomas no Brasil. “O fundamental para o meu sucesso foi acreditar no que eu fazia, no produto, e gostar do que eu estava fazendo”, avalia. Depois de quatro anos na Thomas, foi convidado a assumir a presidência, num período de extrema instabilidade financeira da empresa. Devido ao atraso dos salários, o antigo presidente decidiu abrir o capital, transformando os dois consultores em sócios, e nomeou Martinez para o seu cargo. Na época, era o funcionário mais jovem e com menos experiência do escritório, mas aprendeu a se comportar como chefe diante dos colegas. “Entender que a empresa não dependia somente de mim, mas de uma equipe, foi outro diferencial para o meu sucesso. Tive a preocupação de ensinar mais gente a fazer tão bem quanto eu, em reproduzir meu talento”, conta.

Hoje, a filial brasileira é a segunda noo mundo que mais avalia pessoas e possui o quarto maior faturamento. Os resultadoss alcançados por Martinez renderam um connvite do antigo treinador, em 2005, para quee assumisse a vice-presidência da Thomas as Latin America, e também são um estímuloo para novas idéias. Com disposição de atleta, a, Martinez está transformando uma divisão daa Thomas em empresa própria e começandoo outra, de coaching. Negocia também a vinnda de uma academia de vendas dos Estadoss Unidos e possui um projeto próprio, o Fuutebol Fantasia – jogo virtual pela internet. Nessa trajetória, esportes, família e ami-igos sempre o acompanharam. “Acredito quee cabe tudo, se bem organizado”, diz. Martinezz competiu no Mundial Master de natação em m Munique, em 2000, e fez esportes de aventuura até o nascimento da filha, em 2005. Aindaa pratica corrida, spinning e musculação, mas as acredita que a melhor recompensa está foraa do ambiente competitivo do esporte. “É ver er as pessoas que estão comigo, que começaaram trabalhando junto, também evoluírem”, ”, conclui. Como um capitão à frente do time, e, Victor Martinez aprendeu a liderar e a trabaalhar em equipe. Os resultados são comparti-ilhados por todos.

LINHA DIRETA Victor Martinez: (11) 3040-2299

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LINHA DO TEMPO 1967 1988 1989 1995 1997 1998 1999 2000 2005

Victor Martinez

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MÁRCIA GOUTHIER

P E Q U E N A S N O TÁV E I S

Salto de

qualidade Sebrae destina até R$ 12 milhões para incubadoras já consolidadas suprirem deficiências das empresas incubadas

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por Giovana Perfeito da Agência Sebrae de Notícias

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Em outubro o Sebrae Nacional vai divulgar os projetos selecionados pelo Edital 06/2008, lançado pela instituição para apoiar incubadoras de empresas. Serão disponibilizados até R$ 12 milhões para o desenvolvimento de projetos que deverão contemplar o atendimento a empresas in-

cubadas em questões de gestão empresarial, acesso a mercados, inovação, tecnologia e acesso a serviços financeiros. O prazo para envio das propostas terminou no dia 29 de agosto e puderam concorrer a esse apoio incubadoras de empresas em funcionamento há, no mínimo, quatro anos, que apresentassem seis empresas incubadas e já tivessem graduado duas empresas. Para participar do proces-

so de competição, as entidades gestoras de incubadoras tiveram que se articular diretamente com as unidades estaduais do Sebrae. “Essa ação está inserida no esforço do Sebrae de aumentar o número de micro e pequenas empresas inovadoras no País. Com esse edital, pretendemos dar um salto no movimento de incubadoras brasileiras. Ao conferirmos apoio a incubadoras


em estágio mais maduro, que já ultrapassaram a fase de consolidação, conseguimos partir para um salto de qualidade”, explica o gerente da Unidade de Acesso à Inovação e Tecnologia do Sebrae Nacional, Paulo Alvim. Segundo o gerente, o apoio pretende auxiliar no sucesso dos negócios. “Um dos indicadores que utilizamos para medir isso é o incremento significativo do faturamento das empresas em um período de 36 meses. Essa indução está presente no edital porque é um indicador que permite geração de renda, impostos e postos de trabalho”, diz Alvim. As entidades gestoras de incubadoras vão receber apoio para atividades como aceleração do desenvolvimento das empresas beneficiadas pelo projeto, apoio técnico e gerencial para as empresas por meio de capacitações e consultorias, divulgação das empresas e aumento da interação entre o setor empresarial e as instituições tecnológicas. Um dos critérios previstos no edital é que cada entidade interessada poderia apresentar projeto para beneficiar no mínimo três empresas e no máximo 15 empresas incubadas, cujo faturamento (receita operacional líquida) anual em 2007

situe-se entre R$ 100 mil e R$ 1,8 milhão. Até 50 incubadoras de empresas poderão ser apoiadas pelos recursos do edital.

Apoio contínuo Este ano o Sebrae já lançou outros editais para incentivar a inovação nos empreendimentos de micro e pequeno portes. Um deles é o Edital Projeto de Promoção de Empreendimentos Inovadores ou Chamada 01/2008. Por meio deste edital, o Sebrae selecionou propostas destinadas a apoiar incubadoras das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do País. Das 55 propostas enviadas, 40 foram selecionadas. O Estado do Ceará, que enviou oito projetos, teve sete propostas aprovadas. Na seqüência, vem Mato Grosso do Sul com cinco propostas. Empatados em terceiro lugar estão os estados do Mato Grosso, Alagoas e Pernambuco, todos com quatro propostas selecionadas. Segue o ranking o Estado do Tocantins com três propostas. Bahia, Pará, Distrito Federal e Goiás tiveram duas propostas aprovadas, e Rio Grande do Norte, Sergipe e Rondônia, uma. De acordo com o gerente da Unidade de Acesso à Inovação e Tecnologia do Se-

brae Nacional, Paulo Alvim, esse apoio é muito importante para o desenvolvimento das incubadoras. “Estamos apoiando projetos que atenderam ao desafio de aumentar o número de empresas incubadas no País. Esse esforço vai contribuir significativamente para o aumento de micro e pequenas empresas inovadoras”, diz. Por meio da Unidade de Acesso à Inovação e Tecnologia do Sebrae Nacional, serão disponibilizados para os projetos até R$ 3,6 milhões. Cada projeto poderá ter recursos de até R$ 120 mil para um período de execução de dois anos, sendo que o valor do Sebrae deve representar no máximo 60%. Os projetos apoiados contemplam o atendimento a novas empresas incubadas, no que diz respeito a questões de desenvolvimento empresarial, melhoria de gestão, acesso a mercado, a tecnologia e inovação, além de acesso a serviços financeiros. A lista completa dos selecionados está no site do Sebrae (www.sebrae.com.br), no menu Chamadas Públicas (edital 01/08).

LINHA DIRETA www.sebrae.com.br

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RONALDO GUIMARÃES

RICARDO LIMA

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A VOZ DA EXPERIĂŠNCIA

AGĂŠNCIA RBS

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Professor

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aprendiz Primeiro ele aprendeu a empreender, em uma pequena empresa, para depois criar um dos maiores grupos brasileiros de treinamento em TI


CASA DA PHOTO

por Andréa da Luz

Célio Antunes de Souza Local de nascimento: São Roque (SP) Formação: Engenharia Eletrônica e MBA em Administração Empresa: Grupo Impacta Ramo de atuação: Treinamentos em TI e Design Ano de fundação: 1988 Cidade-sede: São Paulo Número de funcionários: 160 funcionários e 300 colaboradores nas unidades de ensino

O empresário Célio Antunes de Souza aprendeu cedo a valorizar o dinheiro e a desenvolver um espírito empreendedor. Quando criança, o fundador do grupo educacional Impacta Tecnologia e vice-presidente da Associação Brasileira das Empresas de TI (Assespro/ SP) era remunerado por pequenos trabalhos prestados ao pai, como engraxar sapatos ou juntar as bolinhas durante jogos de tênis. “Cada pequeno serviço que eu fazia, ganhava um certo valor, não havia mesada gratuita”, conta. Hoje, Souza deixa transparecer um ar de satisfação e tranqüilidade ao falar de sua trajetória no mundo dos negócios. E com razão: construiu um empreendimento sólido e impressionante. A Impacta, criada em 1988, tornou-se uma das maiores empresas de treinamento em tecnologia no Brasil, ocupando oito andares de um edifício na Avenida Paulista, no coração de São Paulo. Atualmente, o grupo está dividido em três unidades: Educação Continuada, Educação Acadêmica (composta pela Faculdade e Colégio Impacta Tecnologia) e Itacorp Consultoria Estratégica de TI & Gestão. Oferece uma linha completa de treinamento profissional em áreas como internet, intranet, redes, ecommerce, banco de dados, CAD, desktop publishing, metodologias de desenvolvimento, multimídia, vídeo digital, web design e telecomunicações, entre outros. Formado em Engenharia Eletrônica pela Universidade Mackenzie e pós-graduado em Administração de Empresas pela FGV/SP, Souza preferiu tornar-se empreendedor por vias menos comuns do que a maioria das pessoas. Ao terminar a faculdade, buscou uma empresa bem pequena e com pessoas de alta formação para trabalhar. “Enquanto meus colegas foram para a IBM e outras grandes corporações, escolhi a menor empresa possível com bom potencial de crescimento e boas cabeças porque queria aprender a empreender.” A estratégia deu certo. Ele começou em uma minúscula fábrica de computadores em uma sala de 25 metros quadrados em Diadema (SP) que, anos depois, se tornou a maior indústria de computadores do Brasil – a Microtec. “O negócio pertencia a um ex-professor e os sócios eram um ph.D. em microeletrônica e outro ph.D. em software, e o diretor administrativo-financeiro vinha da indústria automobilística e sabia tudo de administração”, afirma Souza. Foram oito anos de aprendizado, passando por quase todos os setores técnicos e administrativos, mas sempre com a idéia de ser dono de sua própria empresa. Durante esse tempo, fez o MBA em Administração e pensou em um nome que pudesse representar uma marca forte para seu negócio. “Eu nem sabia que tipo de empresa queria ter, mas sabia que precisava de uma marca forte”, revela. Foram cerca de dez idas e vindas ao Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (Inpi)

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andrea@empreendedor.com.br

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A VOZ DA EXPERIÊNCIA

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para tentar o registro de marca. “Todas já existiam. Então, um dia dei um soco na mesa e pensei: preciso de um nome para impactar o mercado. Daí surgiu o nome Impacta”, conta. Ele foi correndo ao Inpi e descobriu que só existia uma metalúrgica com esse nome. “Rapidinho tratei de abrir minha empresa, registrando-a em várias classes porque não sabia ainda o que fazer: educação, fabricação, assistência técnica.” O passo seguinte foi criar o logotipo, o que levou um ano e meio. “No MBA fiz estudo de marcas, conversei com várias pessoas da área de marketing e até místicos, e percebi que as marcas de sucesso tinham um nome forte e uma figura em primeiro plano”,

Célio Antunes de Souza

diz. Com esses conceitos em mente, criou o logo da Impacta, que permanece o mesmo nesses 20 anos.

Primeiros passos Ainda sem saber que caminho seguir, Souza comprou um armário de aço, levou para o apartamento e foi montando toda a parte burocrática da empresa (contrato social, documentos de registro da marca, etc.). “Aqui no Brasil ninguém se prepara para isso. As pessoas pegam o FGTS e abrem qualquer negócio, não se dão conta de que esse processo é moroso, leva seis

meses para conseguir tirar uma nota fiscal, por exemplo”, afirma. “Enquanto isso, elas já estão gastando com aluguel, IPTU e outros custos e acabam morrendo na praia”, acrescenta. Comprou também bancadas, osciloscópio, solda, documentação de hardware e software e deixou tudo no apartamento. “Tinha tudo que era preciso para montar um laboratório completo que serviria tanto para manutenção quanto para consultoria.” Com a casa cheia, percebeu que já era possível montar uma assistência técnica para conserto de placas e circuitos, mesmo sem sair da Microtec. “Eu já sabia que não era um negócio de muito futuro porque o


BÚSSOLA EMPRESARIAL

O Q U E FAZ ER Não demorar muito para abrir uma empresa (quanto mais velho menor a vontade de correr riscos) Pensar grande, mas com os pés no chão Só arriscar se tiver certeza (pesquisar e planejar) Trabalhar com cautela Tratar todos de forma igual

O Q U E N ÃO FAZ ER Não assinar contratos sem ler Nunca prometer o que não pode entregar Procurar oferecer a melhor qualidade, mesmo que num primeiro momento você perca Não prejudicar ninguém, pois o troco sempre vem de forma muito rápida

tamanho dos circuitos tendia a diminuir e as pessoas em breve começariam a descartar as placas em vez de consertá-las”, relembra. Mesmo assim, alugou uma sala de 6 metros quadrados no bairro paulistano Vila Olímpia e começou a prestar serviço para outras empresas de assistência técnica maiores. “Esse negócio me deu uma dor de cabeça enorme porque a mão-de-obra era escassa, meus funcionários tinham outros empregos e só vinham à noite – quando apareciam –, e eu não conseguia entregar os serviços”, conta. A solução foi mudar de rumo. Por sugestão de um ex-colega de trabalho, abriu uma escola de treinamento para formar técnicos

em TI. Animado, mas cauteloso, Souza resolveu testar o mercado primeiro. “Aluguei uma sala na Avenida Paulista, com mesa, cadeira e fax e desenvolvi folhetos para divulgar o curso da minha escola. Encomendei 120 mil folhetos na gráfica para pagar em 90 dias e fui distribuir na saída da 1ª Fenasoft”, diz. “Várias pessoas ligaram, interessadas, até que apareceu um cara lá na sala querendo saber onde seriam as aulas e a moça que contratei disse ‘o curso é aqui’, mas não tinha nenhum equipamento lá e ele foi embora assustado, achando que era um golpe.” Para resolver o problema, o empreendedor alugou uma perua e levou tudo que tinha, incluindo uma

biblioteca especializada, mas faltavam equipamentos. “Comprei mesas e cadeiras usadas com cheques pré-datados e fui ao almoxarifado da Microtec para ver se me davam alguns equipamentos que não funcionavam mais. Enchi a perua até a boca com umas 400 CPUs, teclados e monitores, comprei prateleiras e enchi a sala com tudo aquilo para as pessoas verem que tinha alguma coisa lá, mas nenhuma máquina funcionava”, revela. “Quem olhava aquilo se impressionava”, acrescenta. O resultado veio rápido. Com as primeiras matrículas, ele comprou 12 computadores e as aulas finalmente começaram. Hoje, a empresa forma cerca de 3 mil alunos mensalmente, em 128 laboratórios de aula. “Nunca quis ser apenas uma escolinha de informática. Quando aluguei aquela salinha na Paulista já pensava em me tornar uma universidade.” Por isso, depois de 15 anos no mercado, Souza resolveu inovar mais uma vez e criar a Faculdade Impacta (FIT). “Eu queria a melhor de todas, então a consultoria que contratei me disse que eu precisaria contratar os melhores cérebros do Brasil”, explica. “Fui procurar na Engenharia de Computação da Poli, na USP, e o coordenador me ajudou a prospectar o corpo docente adequado”, diz. Na Poli, Souza conheceu o professor Valdéres Pinheiro, que desenvolvia uma tese de doutorado sobre um projeto de escola virtual nos moldes que ele queria para a Impacta, e acabou se tornando o coordenador da FIT. Foram quatro anos para achar o prédio adequado, contratar professores, desenvolver os cursos e colocar o projeto em funcionamento. Os 1,8 mil alunos têm tudo disponível na web. Embora as aulas sejam presenciais, é possível baixar o conteúdo em iPod ou acessá-lo na CDteca da faculdade. Souza também criou certificação, metodologia e materiais próprios, reduzindo os custos de pagamentos de royalties a empresas estrangeiras que chegavam a R$ 200 mil mensais. “O mercado de TI está entrando em colapso porque há uma grande carência de mão-de-obra técnica com alta formação, e foi exatamente nesse nicho que a Impacta se posicionou”, afirma Souza, com a visão e perspicácia de sempre.

LINHA DIRETA Célio Antunes de Souza: (11) 3254-2200 www.impacta.com.br

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CASA DA PHOTO

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TI

Tecnologia da Informação

A SETE CHAVES

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PURESTOCKX

Terceirizado ou próprio, data center é essencial para manter os dados de pequenas a grandes empresas em segurança

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por Cléia Schmitz cleia@empreendedor.com.br

Você já pensou no que aconteceria com a sua empresa se todos os dados armazenados eletronicamente fossem perdidos? Melhor nem pensar? Pelo contrário. Para evitar dores de cabeça, é preciso planejar muito bem a segurança das informações e investir numa estrutura adequada de data center, sseja ela própria ou terceirizada. A contratação contrata de empresas especializadas já é uma um tendência consolidada no mercado ca brasileiro e vem apresentando crescimento anual de 15%. Na medicr da d em que a gestão de infra-estrutura de Tecnologia de Informação (TI) se torna mais necessária para atingir os objetivos do negócio, aumenta o número de empresas que buscam data centers especializados para proteger seus dados. De acordo com especialistas desse mercado, a decisão em manter uma infra-estrutura própria ou transferir o infr serviço serviç para uma empresa especializada depende depen basicamente do nível de independência pendênc da tecnologia. “Se for alta, recomendamos mendam a contratação de um data center onde é possível ter um ambiente com alta p segurança, seguranç acessibilidade e escalabilidade”, afirma M Marco Américo, vice-presidente-executivo de Data Center da Diveo. Por escalabilidade, eentenda-se a capacidade que o fornecedor de infra-estrutura de processamento e armazenamento de dados tem de crescer armaze junto com co o negócio do contratante, oferecendo no novos patamares em serviços. Segundo Marco Américo, essas caracteSegu rísticas fa fazem a diferença tanto para grandes como para pa pequenas empresas. Companhias do porte de uma Petrobras, por exemplo, que têm data centers próprios, também usam estruturas de terceiros para dar conta est de sua demanda pelo serviço. Para os emprede endedores endedor menores, a vantagem é conseguir usufruir de uma estrutura tecnológica sofisticada, que certamente não conseguiriam manter ssozinhos. “O ganho de escala permite às pequenas empresas utilizar o mesmo pe recurso qque uma empresa 100 vezes maior”, compara o executivo da Diveo. A empre-


sa conta com dois data centers localizados em São Paulo, que atendem mais de 1,2 mil clientes, entre eles Carrefour, Visa Vale, Livrarias Saraiva e ABN Amro Bank. Para Ronei Silva, sócio-diretor da TGT Consult, consultoria especializada na área de TI, a dificuldade em acompanhar as constantes inovações foi um dos fatores que motivou as empresas a abandonar estruturas próprias nos últimos anos. A contratação de um bom data center pode ser o caminho mais fácil para ter acesso ao que há de mais sofisticado no mercado e não ficar refém de tecnologias obsoletas e pouco seguras. Outro fator importante é a tendência das empresas focarem em seu core business, ou seja, exercerem apenas as atividades fins do negócio e entregar a terceiros o que não é sua especialidade. Outro fator que estimulou muitos empresários a levarem suas estruturas para fora da empresa foi a oportunidade de reduzir custos. No entanto, de acordo com Silva, essa expectativa acabou não se concretizando na maioria dos casos. “Em 20 anos atuando na área, eu nunca vi uma empresa dizer que economizou com a contratação de um data center.” Mas, segundo o próprio consultor, se por um lado o empresário continua tendo os mesmos custos de um data center próprio, por outro, tende a reduzir riscos com ganhos na qualidade.

Para Silva, não há como fazer milagre: “Tecnologias de última geração têm um custo alto e por isso a equação de data center terceirizado mais barato nunca fechou”. Para Thiago Charnet, diretor de Soluções de Outsourcing de TI da DHC Outsourcing, não há mesmo como comparar a maioria dos data centers próprios com estruturas de empresas especializadas. “É claro que um cliente com um servidor embaixo da mesa vai ter um custo muito menor do que se contratar um data center. Mas eu tenho certeza que construir um data center de 10 metros quadrados sai mais caro do que contratar esses mesmos 10 metros quadrados em uma empresa terceirizada. O nível de serviço é bem superior”, afirma Charnet. Criada há oito anos, a DHC tem dois data centers e atua em ambientes de missão crítica, aqueles que não podem parar em hipótese alguma como, por exemplo, sites de comércio eletrônico e sistemas de controle de estoques.

Questão de segurança Pior do que enfrentar blecautes temporários só mesmo a perda definitiva de dados. Por isso, segurança é outro fator determinante na escolha de um data center. Charnet conta que recentemente duas empresas procuraram a DHC depois de terem seus equipamentos

Charnet: data center virou commodity roubados. Em uma delas foram levados 67 servidores. “O mais importante é o cliente se sentir seguro. Estamos conversando com alguns supermercados que perceberam que a loja não é o local mais apropriado para manter servidores”, afirma Charnet. Segundo o executivo, até 2003 a DHC tinha muita dificuldade em trazer servidores para seu data center. “Hoje o que menos se encontra é servidor na casa do cliente porque a infra-estrutura de data center virou meio que uma commodity.” Na opinião de Charnet, o mercado brasileiro amadureceu muito nessa área nos últimos anos. Ele diz que no início da década, quando a DHC foi criada, era preciso antes vender o conceito de data center para depois comercializar o serviço oferecido pela empresa. “Hoje a conversa com o cliente é muito mais simples”, afirma o executivo. Prova disso é o crescimento da DHC, um índice de 40% nos últimos três anos, bem acima da média de 15% do mercado de outsourcing. O crescimento desse mercado também surpreendeu a Locaweb. Especializada em hospedagem de sites, a empresa inaugurou seu primeiro centro de processamento de dados em 2006 e já alcançou mais de 1 mil clientes, meta estabelecida para 2010. A maioria dos clientes são empreendimentos de pequeno e médio portes. “Os três últimos semestres foram muito bons. Com o crescimento eleva-

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Américo: “Ganho de escala permite às pequenas utilizar o mesmo recurso que empresas 100 vezes maiores”

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TI

do da banda larga, percebemos que o mercado de pequenas e médias empresas começou a se adequar à terceirização, ou seja, agora que as empresas conseguem ter estrutura de banda larga, podem mantê-la no data center e se preocupar só com o seu negócio”, afirma Fernando Zangrande, diretor de Operações e Qualidade da Locaweb. A empresa já planeja construir um novo data center e deve esse crescimento ao foco em pequenos empreendimentos. Zangrande explica que a divisão de data center é uma evolução da hospedagem compartilhada de sites. “Quando nossos clientes passaram a terceirizar suas estruturas, já estávamos preparados para atendê-los.” Ao contrário da maioria de seus concorrentes, a Locaweb começou pela base da pirâmide e hoje atende também grandes empresas. Para Zangrande, subir a pirâmide é mais fácil do que descê-la.

Fuja de frustrações Segundo o consultor Ronei Silva, apesar do serviço de data center terceirizado ser considerado pelo mercado como uma oferta madura, ainda há muitos casos de frustrações. A maioria é originada por problemas de contrato. Por isso, Silva aconselha os ges-

Tecnologia da Informação

Ronei: atenção especial ao momento de contratação para evitar quebra de expectativas tores de TI a darem uma atenção especial ao momento de contratação para evitar quebra de expectativas depois. “É preciso deixar bem claras questões como a responsabilidade do data center, os níveis de serviço, o que será terceirizado e como será terceirizado”, afirma Ronei. A TGT fez um guia para orientar empresários a agirem certo antes de assi-

nar com o fornecedor (veja quadro). Há ainda outro erro comum dos empreendedores que leva ao descontentamento com o serviço de data center. Segundo Silva, ao terceirizar a infra-estrutura muitas empresas ignoram a necessidade de manter uma gestão interna de TI. “O empresário acha que só porque terceirizou não precisa ter nenhuma governança interna para cuidar da gestão do serviço”, comenta. Mais do que qualquer outro parceiro, o fornecedor de data center deve apresentar relatórios de resultados para que o cliente possa fazer o acompanhamento de perto. Afinal, geralmente os contratos são de longo prazo, cinco anos no mínimo, e nada pior do que ficar refém de um serviço ruim. Principalmente quando o que está em jogo são os dados da sua empresa.

LINHA DIRETA TGT Consult: (11) 3071-4456 Diveo : 0800 160066 DHC Outsourcing: (11) 3848-7799 Locaweb: (11) 3544-0400

CONTRATE CERTO

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Especializada em consultoria de TI, a TGT Consult fez um passo-a-passo para a contratação de serviços de tecnologia. Acompanhe algumas dicas importantes:

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PROPOSTA Crie um formulário de avaliação para o fornecedor responder sobre a qualificação dos serviços. Isso facilita a análise das propostas, nivelando os fornecedores. Geralmente, as propostas são grandes e detalhadas, por isso, quanto mais padronizadas, mais fácil será a análise. OBJETIVO DA CONTRATAÇÃO Descreva objetivamente as razões pelas quais os serviços serão terceirizados ou os fornecedores substituídos. Estime a redução de custos e a melhoria de qualidade do serviço. Seja bastante específico para que o fornecedor entenda a atual situação e a intenção da contratação.

DEFINIÇÃO DO SERVIÇO Descreva as características do serviço e o que deve ser executado pela empresa contratada. Fique atento principalmente aos serviços que serão prestados por longo espaço de tempo, já que a tecnologia pode ser alterada rapidamente. Evite descrições do tipo: “serviço de instalação de Windows XP em máquinas Intel”. Prefira descrições mais resistentes ao tempo como, por exemplo, “serviço de instalação de software padrão em máquinas cliente”. MINUTA DO CONTRATO Apresente ao fornecedor um modelo de contrato com cláusulas de cunho legal e de serviços. No âmbito legal, o contrato deve abordar assuntos como garantia, padrões legais do cliente, normas, rescisão, entre outros. Nas cláusulas referentes ao serviço devem constar as condições para implantação dos serviços e a obrigatorie-

dade de apoio na saída, além dos temas como penalidades, continuidade e subcontratação. Evite recorrer ao fornecedor para estruturar o contrato. Se for necessário auxílio externo, prefira uma empresa independente. FORMA DE APURAÇÃO DO PREÇO A forma de pagamento do serviço deve ser definida antecipadamente. Programe valor fixo mensal, preço por uso, preço por recurso, fatura centralizada, fatura por filial, etc. Uma opção é vender os ativos ao fornecedor e, assim, obter recursos para investir em outras prioridades de TI. ACORDO DE NÍVEL DE SERVIÇO (SLA – SERVICE LEVEL AGREEMENT) Defina o nível de serviço mínimo aceitável (SLA) da empresa e dos usuários. SLA baixo não significa serviço ruim. Leve em consideração que quanto mais alto o SLA, mais caro o serviço.


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Tecnologia da Informação

TI

Controle de importação A Bysoft, empresa especializada no desenvolvimento de soluções completas para comércio exterior, lançou o i-Import – Módulos, específico para a gestão dos processos de um importador. A ferramenta, totalmente web, contempla os módulos de pedido de importação e pré-custo do pedido de importação, gestão de embarques,

conta corrente com despachante, follow up, custo final da importação, controle de câmbio, geração de documentos e relatórios, e como opcional a emissão de notas fiscais. Além disso, com ele é possível a integração com os sistemas DD Gip-Lite/DD Broker/ I-Broker Import (Desembaraço de Importação). (11) 3585-6000/www.bysoft.com.br

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A LWS está comercializando o PDA Corporativo N3, compatível com qualquer operadora GSM e ideal para vendas e serviços em campo. A Claro é uma das operadoras de telefonia móvel a homologar o produto. Um dos diferenciais do novo PDA é o tamanho da tela, de 3,2 polegadas, superior aos demais no mercado; o processador com velocidade de 416 MHz; e o GPS integrado. A memória é de 128 MB para documentos e mais 64 MB SDRAM. O lançamento conta ainda com as funções wi-fi, bluetooth compatível com conexões de dados e fone de ouvido sem fio. O PDA vem com Windows Mobile 6.0 e a bateria é de 150 horas em stand by e duas horas em ligação. Todo o sistema operacional e o material estão em português. O preço sugerido do N3 é de R$ 2.399. Ele pode ser encontrado no www.virtualzap.com. br (venda no varejo) e diretamente na LWS para venda em grandes quantidades ou projetos. (11) 3142-9254

www.lws.com.br

PURESTOCKX

PDA Corporativo

Relatório de web A Secure Computing, empresa líder em segurança de gateway corporativo, está comercializando uma nova solução para acompanhamento em tempo real de atividades da web. O Secure Web Reporter fornece às empresas ferramentas necessárias para entender mais rapidamente o tráfego atual na rede mundial de computadores. Disponível nas versões Básica e Premium, a solução permite que as empresas identifiquem tendências com mais facilidade, investiguem problemas potenciais, analisem as ameaças à segurança, e usem estas informações para modificar e reforçar suas políticas de segurança. “Empresas precisam de relatórios compreensíveis e escaláveis para

entender o tráfego da web e as ameaças que este tráfego apresenta”, diz David Macey, vicepresidente e gerente-geral de Gateway de Web para a Secure Computing. O Secure Web Reporter Premium é vendido por assinatura. Oferece mais características e funcionalidades que a versão básica do Secure Web Reporter.

www.securecomputing.com


Atualização constante A Accept, empresa de soluções corporativas em TI participante do Intel® Channel Partner Program, está oferecendo um produto diferenciado para as necessidades tecnológicas das empresas de diferentes portes, com faixa de faturamento anual de R$ 5 milhões a R$ 100 milhões: o Outsourcing para Desktop e Impressão. A solução

garante a atualização tecnológica do atual parque de informática do cliente, permitindo terceirizar toda a administração, o controle e o suporte técnico da empresa a partir de R$ 36 mensais. A vantagem é maior controle dos ativos e, conseqüentemente, uma análise real dos custos com TI, já que não é necessário se preocupar com a atualização de com-

putadores e eventuais despesas. Além disso, o Outsourcing apresenta vantagens fiscais e financeiras por meio da dedução do imposto de renda, maior eficiência e qualidade no ambiente composto de produção e impressão, e atendimento “on-site” (controle de chamados/help desk), entre outros benefícios.

(11) 2102-9420/www.accept.com.br

Sua empresa precisa de agilidade na localização de endereços? O uso de navegadores GPS pode ser uma solução para evitar que motoristas se percam por ruas e bairros desconhecidos. A MGI está comercializando o iPAQ 318 Travel Companion, o novo navegador GPS da HP que vem com tela de toque de 4,3 polegadas, orientação falada e sistema de atendimento viva-voz para atender o celular. Os mapas podem ser vistos em 3D e deslizam na tela com um toque de dedo. O

zoom permite que o motorista amplie sua visão de 3 mil metros de distância, proporcionado pelo satélite, para uma visão ao nível da rua. O sistema sonoro informa as direções curva a curva. A memória ROM flash de 2 GB é suficiente para armazenar mapas e transferir conteúdo de PC ou notebook de forma

rápida e fácil com o conector mini-USB. O iPAQ 318 Travel Companion já vem com os mapas do Brasil, produzidos pela belga Tele Atlas, uma das maiores do mundo em informações geográficas. O preço sugerido é de R$ 1.499, valor que inclui kit veicular com carregador e suporte do pára-brisa, além de capa de couro para transportar o equipamento.

(11) 4746-7700/www.mgi.com.br

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Localização certa

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FRANQUIAS

Especialistas indicam a hora certa e os passos para expandir os negócios via sistema de franchise por Andréa da Luz

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andrea@empreendedor.com.br

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Crescer de forma mais rápida e com menos custos – quando comparado à abertura de filiais, por exemplo – é o grande atrativo do sistema de franquias. No entanto, a idéia de que franchising requer pouco capital inicial é falsa. De acordo com o consultor Marcus Rizzo, da Rizzo Franchise, o ideal é que se tenha uma reserva financeira para esse período de investimentos. “Há muitos gastos realizados antes do recebimento dos primeiros honorários sobre as vendas. A implantação da loja piloto, o desenvolvimento do pacote de serviços, a confecção dos manuais, o pessoal empregado na manutenção dos serviços, bem como no recrutamento e treinamento dos franqueados são itens que devem ser levados em conta”, alerta. O lado bom é que transformar um pequeno negócio em um sistema de franquias permite reforçar a imagem da empresa no plano institucional e estabelecer uma perfeita identidade entre o produto e o ponto-de-venda. Além disso, administrar uma rede franqueada é uma tarefa relativamente fácil e requer uma estrutura enxuta, com poucas pessoas, já que os problemas do dia-a-dia tendem a ser absorvidos pelos franqueados. Dessa forma, o franqueador pode focar o gerenciamento na produção e no desenvolvimento de produtos ou serviços.

“É por isso que muitas empresas nos moldes convencionais vêm convertendo suas lojas para franchising, descentralizando o processo administrativo e melhorando a performance dos pontos-de-venda”, afirma Rizzo. Para trilhar esse caminho de expansão com tranqüilidade e segurança, é necessário seguir uma série de etapas que permitirão gerenciar um negócio sólido e atrativo para outras pessoas investirem. A especialista em formatação jurídica de franquias e sócia do Grupo Machado, Patrícia Barreto Gavronski, explica que o pequeno negócio já deve ter se tornado competitivo, com capacidade de gerar e fidelizar clientes, ter resultados financeiros comprovados, identidade própria e marca registrada antes de iniciar o processo. Segundo ela, para crescer através do sistema de franchising é recomendável ter no mínimo três unidades próprias, que posteriormente serão chamadas de unidades piloto. A operação dessas unidades faz com que o franqueador consolide sua experiência no conceito de negócio, defina métodos de trabalho e introduza novos produtos ou serviços, testando sua eficácia antes da multiplicação da rede. “Nessa fase, todos os acertos são registrados e os erros excluídos”, diz Patrícia. O dono do pequeno empreendimento precisa começar a pensar como grande empresa, estruturando a equipe, as estratégias, a administração e gestão de suas unidades.

O passo seguinte, conforme Patrícia, é fazer um estudo de viabilidade econômica da marca a ser franqueada. O objetivo é minimizar possíveis falhas, com ênfase nas áreas financeira e tributária – responsáveis pela análise de custo dos produtos, margens, ponto de equilíbrio de uma unidade, retorno do capital investido e potencial de lucratividade para os parceiros. Terminado o estudo, é o momento da elaboração dos instrumentos jurídicos a serem utilizados na rede de franquias. “Esses documentos são fundamentais para a segurança do negócio, pois todos os segredos e regras de atuação devem estar protegidos em contrato, e esta proteção se estende também ao franqueado”, afirma. Entre eles, a Circular de Oferta de Franquia (COF), pré-contrato e contrato. A COF deve ser entregue ao futuro franqueado pelo menos dez dias antes de ele assinar o pré-contrato, pois contém todas as informações essenciais e relevantes sobre o empreendimento. No documento final é preciso especificar o período do contrato, as condições para a renovação e para rescisão. Definido o sistema e feito o recrutamento dos primeiros franqueados, é hora de ajudá-los a estabelecer seu negócio. Para cada selecionado, é preciso oferecer treinamento prático através da unidade piloto; ajudar na localização e instalações adequadas; indicar o projeto, layout das lojas e decoração de vitrines; e assistir na abertura do negócio,


COMO CHEGAR LÁ

Rizzo: a falta de comunicação entre franqueador e franqueado gera descrença no sistema

ajudando no lançamento e apoiando-o com equipe especializada durante as primeiras semanas. O franqueador deverá ainda destacar uma equipe para visitar regularmente os franqueados, monitorá-los e ajudá-los a resolver problemas. “É natural que no início, por falta de experiência, os franqueados solicitem muitas vezes o apoio do franqueador, o que pode ser evitado com a elaboração de um bom manual com informações precisas sobre a operação”, lembra Marcus Rizzo.

freqüente”, observa Rizzo. “Quando bem realizada, a comunicação pode contribuir muito com o desenvolvimento do negócio, a partir do retorno de idéias que podem ser utilizadas com sucesso”, acrescenta. É evidente que a expansão através do sistema de franchising também apresenta riscos, como qualquer outro negócio. A cada unidade fechada, principalmente no início da expansão, há um enfraquecimento da marca e, conseqüentemente, uma queda no grau de confiança de investidores e consumidores. “É possível voltar ao modelo anterior e continuar com as lojas próprias, mas possivelmente os danos causados à marca terão que ser sanados através de novos investimentos”, afirma Patrícia Gavronski. Outro cuidado é evitar o canibalismo entre as lojas franqueadas e próprias, o que pode ser feito com estudos de geomarketing, por exemplo. “Quanto mais ferramentas forem utilizadas nesse estudo, maior a possibilidade de implantar unidades em praças e pontos que realmente tenham potencial para se transformar em lucro”, aconselha Patrícia.

Comunicação Outro fator muito importante ligado ao sucesso do desenvolvimento da rede é a comunicação com os parceiros, o estabelecimento de um espírito de equipe e lealdade no relacionamento. Por isso, é necessário manter os franqueados informados sobre o desenvolvimento de novos produtos e de programas de treinamentos; acompanhamento do mercado e alterações na legislação governamental. O planejamento e a organização são imprescindíveis para que as visitas periódicas aos franqueados, correspondências, conferências, reuniões, seminários de treinamento e encontros regionais ou nacionais aconteçam de forma satisfatória. “A falta de comunicação gera descrença no sistema, provocando a formação de associações de franqueados para cobrarem dos franqueadores um contato mais

LINHA DIRETA Rizzo Franchise: (11) 4022-7345 Machado Advogados: (11) 3284-2303

OBRIGAÇÕES Devem constar do contrato: FRANQUEADOR Uso da marca Treinamento na elaboração dos produtos ou serviços e na operação do negócio Apoio no início da operação Fornecimento dos manuais de operações Definição de sistemas financeiros Assistência na solução de problemas localizados Marketing e publicidade FRANQUEADO O que pode e o que não pode ser vendido Preservação do sigilo que envolve o processo e a fórmula Padrões de desempenho Utilização integral do sistema de negócios do franqueador Utilização de publicidade, propaganda, promoções e outros esforços Utilização de equipamentos e instalações padronizadas Pagamento de royalties pela utilização da fórmula e metodologia de trabalho do franqueador.

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Patrícia: pequeno negócio deve ser competitivo, com capacidade de gerar e fidelizar clientes

Tenha unidades próprias que servirão como piloto para testar a rede; Faça um estudo de viabilidade econômica e financeira; Monte uma estrutura de apoio aos franqueados para que tenham sucesso; Elabore os documentos jurídicos necessários (COF, pré-contrato e contrato); Tenha em mente as condições fundamentais para o desenvolvimento de uma rede bem-sucedida: dedicação, conhecimento técnico, pesquisa, investimento, uma equipe de profissionais habilitados, suporte jurídico especializado e total seriedade na condução do negócio.

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FRANQUIAS

Cyber oficina Enquanto você espera seu carro ser consertado, que tal um cafezinho, uma olhada nos e-mails ou uma leitura agradável? Foi pensando em oferecer esse conforto aos seus clientes que a Oficina Brasil resolveu montar pequenas bibliotecas e cyber cafés em unidades da rede. Sete das 50 franquias já possuem o serviço, que é gratuito. A idéia partiu do fundador e presidente Carlos Coimbra, que estreou a novidade na loja própria da rede, com alguns dos títulos mais vendidos nas livrarias. O resultado, segundo ele, é muito positivo, pois os clientes não sentem o tempo passar. “Apesar dos serviços serem realizados, em média, em uma hora, levar o carro a uma oficina mecânica é ter um problema para resolver e nada melhor do que promover entretenimento de qualidade”, explica Coimbra. A meta é implantar o conceito nas unidades de todo o País.

Ginástica para o cérebro A Método Supera é a primeira rede de franquias de escolas de “ginástica para o cérebro”. Com 15 unidades no País, oferece um curso para aguçar o raciocínio lógico, a criatividade, concentração, foco, segurança, auto-estima, perseverança, disciplina e coordenação motora em todas as idades. Sediada em São José dos Campos (SP), a franquia foi fundada pelo engenheiro aeronáutico Antonio Carlos Guarini Perpétuo em 2005, que desenvolveu metodologia própria com apostilas e o

www.redeoficinabrasil.com.br

uso do ábaco – instrumento milenar chinês. “É a primeira escola de curso livre da América Latina com a proposta de desenvolver o cérebro”, afirma Perpétuo. A escola em São José dos Campos tem cerca de 300 alunos. Outras unidades funcionam nos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso, Rondônia, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba, Goiás e no Distrito Federal. A meta é abrir mais 20 franquias até o fim do ano. www.metodosupera.com.br

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Hora da expansão

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A FastFrame/Moldura na Hora abre sua primeira loja na Vila Madalena, em São Paulo, em um espaço de 50 metros quadrados. A empresa proporciona suporte e infra-estrutura em molduras rápidas (uma hora) para pôsteres, quadros e objetos, de forma personalizada e exclusiva. Segundo o diretor da Master Franqueada, Fernando Guimarães, a nova unidade faz parte do projeto de expansão da rede. “Apenas no primeiro semestre batemos a nossa meta do ano, que são 10 novos contratos assinados, com as respectivas lojas operando até dezembro de 2008”, afirma. O objetivo é ingressar em locais onde o segmento ainda é primário e desenvolver um serviço diferenciado. www.fastframe.com.br


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FRANQUIAS

Centro de treinamento A rede de franquias de equipamentos para fitness, com 25 pontos-de-venda no Brasil, acaba de inaugurar a FIT4 University – o mais novo centro de treinamento da franqueadora. A unidade fica no Bairro Itaim, em São Paulo, e sediará treinamentos

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Mulheres sofisticadas

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A marca de moda feminina que veste mulheres contemporâneas, sofisticadas e com estilo amplia o número de lojas no Brasil e escolhe Florianópolis para abrigar a primeira loja no Estado de Santa Catarina como parte do seu projeto de expansão. A unidade com 75 metros quadrados fica no Floripa Shopping e é comandada pelas empresárias Gabrielly e Solange Lanski. Com essa inauguração, a Folic soma 23 franquias em todo o Brasil. A meta é abrir mais três lojas nas cidades de Juiz de Fora (MG), Porto Alegre e Porto Velho. A empresa atua há 24 anos no mercado e conta com 54 lojas nos melhores shoppings brasileiros. A unidade na Ilha de Santa Catarina funciona de segunda a sábado, das 10h às 22h, e aos domingos e feriados, das 14h às 20h. www.folic.com.br

e capacitação de franqueados e funcionários da rede. O espaço tem vários ambientes que simulam uma loja montada, com todos os equipamentos, e área de treinamento para a assistência técnica, vendas, treinamento teórico e diversos departamentos da em-

presa franqueadora. A meta de expansão da empresa para os próximos anos é bastante ousada: serão 98 lojas instaladas no Brasil e 30 em outros países da América do Sul, totalizando 128 unidades.

www.reebokfitness.com.br


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Fr an qu i a em ex p an s ão

PA- PROJETO ARQUITETÔNICO, PM- PROJETO MERCADOLÓGICO, MP- MATERIAL PROMOCIONAL, PP- PROPAGANDA E PUBLICIDADE, PO- PROJETO DE OPERAÇÃO, OM- ORIENTAÇÃO SOBRE MÉTODOS DE TRABALHO, TR- TREINAMENTO, PF- PROJETO FINANCEIRO, FI- FINANCIAMENTO, EI- ESCOLHA DE EQUIPAMENTOS E INSTALAÇÕES, PN- PROJETO ORGANIZACIONAL DA NOVA UNIDADE, SP- SOLUÇÃO DE PONTO

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PA- PROJETO ARQUITETÔNICO, PM- PROJETO MERCADOLÓGICO, MP- MATERIAL PROMOCIONAL, PP- PROPAGANDA E PUBLICIDADE, PO- PROJETO DE OPERAÇÃO, OM- ORIENTAÇÃO SOBRE MÉTODOS DE TRABALHO, TR- TREINAMENTO, PF- PROJETO FINANCEIRO, FI- FINANCIAMENTO, EI- ESCOLHA DE EQUIPAMENTOS E INSTALAÇÕES, PN- PROJETO ORGANIZACIONAL DA NOVA UNIDADE, SP- SOLUÇÃO DE PONTO


empreendedor | setembro 2008

Fr a nq u i a em exp an s ão

PA- PROJETO ARQUITETÔNICO, PM- PROJETO MERCADOLÓGICO, MP- MATERIAL PROMOCIONAL, PP- PROPAGANDA E PUBLICIDADE, PO- PROJETO DE OPERAÇÃO, OM- ORIENTAÇÃO SOBRE MÉTODOS DE TRABALHO, TR- TREINAMENTO, PF- PROJETO FINANCEIRO, FI- FINANCIAMENTO, EI- ESCOLHA DE EQUIPAMENTOS E INSTALAÇÕES, PN- PROJETO ORGANIZACIONAL DA NOVA UNIDADE, SP- SOLUÇÃO DE PONTO

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NEGÓCIO CERTO

COMO CRIAR E ADMINISTRAR BEM SUA EMPRESA

Formalizando o negócio

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Manual Etapa 3/Parte 2

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Bem-vindo! É um prazer ter você participando da Etapa 3 do Programa de Auto-Atendimento Negócio Certo, concebido pelo Sebrae e editado pela Revista Empreendedor com o objetivo de ajudá-lo a formalizar seu negócio! Se você está nesta etapa, isso significa que pretende registrar seu negócio. Então leia com atenção este manual, pois nele você encontrará todas as orientações que vão lhe auxiliar na escolha da forma jurídica adequada para realizar a abertura da sua empresa, além de fornecer o passo-a-passo de como registrá-la nas esferas municipal, estadual e federal. Para isso você poderá contar, também, com o apoio da agência Sebrae mais próxima de sua casa. Em alguns estados, como Santa Catarina, por exemplo, o Sebrae se coloca como um agente facilitador do processo de registro, repassando-o para contadores, segundo convênio mantido com o Conselho Regional de Contabilidade, os quais farão todo o encaminhamento e acompanhamento das solicitações de registro dos clientes. Porém, você mesmo pode realizar o processo de registro, caso opte por não recorrer aos serviços intermediados pelo Sebrae. Para isso, siga as instruções publicadas na Revista Empreendedor de agosto e de setembro.

A seguir, você terá orientações passo a passo. É importante que você leia tudo com muita atenção. AVANÇOS DA LEI GERAL A Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas (Lei Complementar nº 123 de 14 de dezembro de 2006) trouxe grandes avanços no que concerne à desburocratização no registro de abertura, alterações e fechamento para as pequenas e médias empresas. Conceito de micro e pequenas empresas Consideram-se microempresas ou empresas de pequeno porte a sociedade empresária, a sociedade simples e o empresário individual devidamente registrado na Junta Comercial do Estado ou no Cartório de Registro das Pessoas Jurídicas, conforme o caso, desde que: I – Microempresas: obtenha receita bruta igual ou inferior a R$ 240 mil, por ano calendário; II – Empresas de pequeno porte: obtenha receita bruta superior a R$ 240 mil e igual ou inferior a R$ 2,4 milhões, por ano calendário. Cadastro sincronizado De acordo com a Lei Geral, as três

esferas de governo (municipal, estadual e federal) deverão considerar a unicidade para registrar a empresa. Isto permitirá (na regulamentação) a sincronização de cadastro, ou seja, o empreendedor dá entrada dos papéis em um único órgão, e os papéis correm para outros órgãos e entidades nas três esferas, ficando o empreendedor dispensado de ir a diversos lugares e apresentar os mesmos documentos. Integra e compatibiliza procedimentos, evita duplicidade de exigências e garante a linearidade do processo. Destaca-se ainda que os ór-


gãos vão manter várias informações na internet, facilitando pesquisas e consultas dos empreendedores antes da abertura do negócio. As pesquisas e consultas prévias para a constituição da sua empresa deverão bastar para que o usuário seja informado pelos órgãos e entidades competentes: 1 – da descrição oficial do endereço de seu interesse e da possibilidade de exercício da atividade desejada no local escolhido (Consulta de Viabilidade); 2 – de todos os requisitos a serem cum-

pridos para obtenção de licenças de autorização de funcionamento, segundo a atividade pretendida, o porte, o grau de risco e a localização (Licença de Funcionamento); 3 – da possibilidade de uso do nome empresarial de seu interesse (Busca de Nome). Alvará provisório Um grande avanço da Lei Geral foi que tão logo o estabelecimento consiga o registro, imediatamente os municípios fornecerão um alvará de funcionamento provisório para dar início às

A abertura de uma empresa não requer apenas técnica e capital. Há todo um trâmite legal a ser seguido. Ele se refere à parte burocrática, necessária para a abertura formal do empreendimento. Você necessitará do acompanhamento de um contador para lhe orientar e providenciar a documentação necessária. Procure a agência do Sebrae mais próxima de sua casa para agendar gratuitamente uma consulta com um contador.

atividades das MEs (microempresas) ou EPPs (empresas de pequeno porte), e, de novo, termina a atual dificuldade que o empresariado encontra em abrir o negócio, assumir todos os custos para a manutenção do empreendimento e, durante vários meses, aguardar a obtenção da última licença, ficando, até então, impedido de iniciar suas atividades. Pelas novas regras, se o negócio representar baixo grau de risco poderá ser aberto, vender, comprar, servir, produzir e durante os seus seis primeiros meses será vistoriado, sem necessidade de vistoria prévia.

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NEGÓCIO CERTO

COMO CRIAR E ADMINISTRAR BEM SUA EMPRESA

LEGALIZAÇÃO PASSO A PASSO Bem, de agora em diante vamos finalmente listar um passo-a-passo com todos os órgãos a serem percorridos para a legalização de empresas. Passo 1 – Orientação empresarial Local: Escritório Sebrae O primeiro passo é ir à agência do Sebrae mais próxima de sua casa. Na agência você receberá informações sobre os princípios básicos para quem pretende montar uma empresa e receberá orientações quanto aos órgãos envolvidos no processo de legalização dela, bem como tributos e benefícios tributários. No site do Sebrae de seu estado você pode descobrir a unidade mais próxima. Passo 2 – Consulta prévia do local Local: Prefeitura Municipal Vá até a prefeitura do município onde você pretende estabelecer a sua empresa, e verifique a possibilidade dela funcionar no endereço pretendido. Para conhecer a legislação local, bem como os formulários exigidos, consulte a prefeitura ou busque orientação na agência do Sebrae mais próxima. Passo 3 – Busca prévia do nome da empresa Dependendo do tipo de atividade da empresa, o registro será feito na:

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Junta Comercial do Estado (Empresário e Sociedade Empresária), ou no

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Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas – RCPJ (Sociedade Simples). Nesta etapa você verifica a existência de nome idêntico ao escolhido para o registro da empresa. Se o nome já existe, você terá de escolher outro.

Sendo registro de Empresário, o nome é do próprio titular, acompanhado da especificação da atividade. É aconselhável realizar a Busca Prévia no caso de pessoas que tenham a possibilidade de nome idêntico ao de outras. A Junta Comercial normalmente disponibiliza a solicitação desta pesquisa pela internet no seu site. O solicitante poderá receber o resultado da pesquisa via internet, pelo correio ou retirá-la no balcão da entidade. Passo 4 – Cadastro Sincronizado Nacional Registro do Contrato Social/Declaração de Empresário, CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica), Inscrição Estadual e Inscrição Municipal. Dependendo do tipo de atividade da empresa, o registro será feito na: Junta Comercial do Estado de Santa Catarina – Jucesc (Empresário e Sociedade Empresária), ou no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas – RCPJ (Sociedade Simples). Com o cadastro sincronizado previsto na Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, em um único passo você terá quatro resultados a seguir. Registro do Contrato Social ou Declaração de Empresário O Contrato Social ou Declaração de Empresário, em linhas gerais, estabelece o regime jurídico, as regras para o funcionamento e a liquidação da empresa. Inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) O CNPJ é o cadastro administrado pela Receita Federal que registra as informações cadastrais das pessoas jurídicas e de algumas entidades não caracterizadas como tais.


Para iniciar suas atividades, será necessário solicitar, através de uma gráfica ou do seu contador, a impressão de notas fiscais ou autorização para utilização do cupom fiscal. As empresas de prestação de serviços recebem a autorização da prefeitura local. As que se dedicam às atividades de indústria e comércio recebem a autorização da Secretaria de Estado da Fazenda.

GERÊNCIA DA SOCIEDADE A partir da vigência do novo Código Civil, o sócio-gerente deixou de ser o principal responsável pelos atos da empresa. Em seu lugar assume a figura do administrador, que pode ser tanto um sócio quanto um terceiro nomeado em contrato social ou instrumento em separado. No silêncio do contrato social, a administração da sociedade compete separadamente a cada um dos sócios. Fonte: Viagem ao mundo do empreendedorismo, organizado pelo Instituto de Estudos Avançados (IEA)

Inscrição Estadual A empresa que tem atividade de Circulação de Mercadorias deve solicitar sua inclusão no Cadastro de Contribuintes do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), obtendo, assim, sua Inscrição Estadual. Inscrição Municipal e Alvará de licença para estabelecimento O Alvará é uma licença concedida pela prefeitura, permitindo a localização e o funcionamento de estabelecimentos comerciais, industriais, agrícolas, prestadores de serviços, bem como de sociedades, instituições, e associações de qualquer natureza, vinculadas a pessoas físicas ou jurídicas. Os prestadores de serviços estão obrigados a efetuar a inscrição no cadastro de contribuintes do município, obtendo sua Inscrição Municipal. A Inscrição Municipal é feita automaticamente junto com a obtenção do Alvará.

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Importante: As prefeituras poderão conceder um alvará de funcionamento provisório para a empresa dar início às atividades, antes da obtenção de uma Licença de Funcionamento (Passo 5).

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NEGÓCIO CERTO

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Passo 5 – Licenças de Funcionamento Dependendo da atividade da empresa e o grau de risco, elas deverão atender aos requisitos de segurança sanitária, metrologia, controle ambiental e prevenção contra incêndios. São exemplos: Empresas em geral necessitam da licença do corpo de bombeiros; Uma padaria ou mercearia tem que obter o alvará sanitário; Uma lavanderia ou lavação de veículos tem que obter licença ambiental junto ao órgão ambiental responsável; Comércio atacadista de medicamentos ou perfumaria necessita da autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Importante: Além dos procedimentos básicos para constituição da empresa, dependendo do seu ramo de atividade, pode surgir a necessidade de serem cumpridos alguns procedimentos específicos, tais como a obrigação de providenciar outros alvarás, licenças, registros, inspeções, livros ou documentos em diversos órgãos como secretarias, departamentos, delegacias, institutos, etc. Para que não haja prejuízos ou pro-

Veja, no esquema a seguir, todo o caminho que você deve percorrer! Passo 1 Orientação empresarial Sebrae

 Passo 2 Consulta prévia do local Prefeitura Municipal

 Passo 3 Busca prévia do nome da empresa Junta Comercial Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas

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Passo 4 Cadastro Sincronizado Nacional Junta Comercial Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas

 Passo 5 Licenças de funcionamento

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blemas deve-se, antes de alugar ou comprar um imóvel ou realizar qualquer registro de documento de uma nova empresa, verificar na prefeitura se não existe alguma restrição para o exercício da atividade no imóvel ou na localidade onde será instalada a empresa. Na documentação de direito ao uso do local, promessa de compra e venda ou escritura, deverá, também, constar a autenticação do Registro Geral de Imóveis (RGI). É aconselhável fazer uma consul-


ta à Secretaria da Receita Federal sobre o CPF dos sócios para verificar a existência de impedimentos em função de pendências na Receita Federal, acarretando a não-inscrição no CNPJ, paralisando, assim, a legalização. O Sebrae e a Revista Empreendedor desejam que você tenha muito sucesso com sua nova empresa. Para ajudá-lo nesta missão, nos próximos meses mostraremos como administrar bem uma empresa.

CONTRATO SOCIAL As sociedades são regidas pelas disposições contidas no seu contrato social, que contempla os rumos e caminhos a serem tomados no desenrolar de suas atividades. É importante ainda que no contrato social estejam previstas as condições para a saída de um ou mais sócios. Para que seja válido, de acordo com o novo Código Civil, o contrato social deverá ser sempre escrito e pode ser elaborado por instrumento público ou particular – este dispensa a lavra em cartório, o primeiro não. Quando há integralização do capital social em bens imóveis, é obrigatória a constituição por instrumento público. Fonte: Viagem ao mundo do empreendedorismo, organizado pelo Instituto de Estudos Avançados (IEA)

Para obter orientações sobre o processo de registro, você poderá ligar para a tutoria via 0800 643 0401 ou por e-mail negociocerto@sc.sebrae. com.br, caso sua dúvida seja relacionada à dificuldade de entender o que está escrito neste manual, ou solicitar orientações de contadores credenciados no Sebrae, para retirar dúvidas relacionadas à formalização da empresa.

BRASIL. Código Civil: Lei n.º 10.406, de 10 de janeiro de 2002. 54. Ed. São Paulo: Saraiva, 2003. 2032 p. (Legislação Brasileira) BRASIL. Código Civil: Lei nº 3.071, de 1º de janeiro de 1916. 53. Ed. São Paulo: Saraiva, 2002. 1994 p. (Legislação Brasileira) LEGISLAÇÃO BÁSICA DO REGISTRO DE EMPRESAS MERCANTIS. Disponível em: <http://www.jucesc. sc.gov.br/servicos.html> Acesso em: 10 de setembro de 2004. ORIENTAÇÕES E MODELOS. Disponível em: <http://www.dnrc.gov.br/> Acesso em: 9 de setembro de 2004. LEI nº 6.015/73 – Lei dos Registros Públicos. Disponível em: <http://www.sef.sc.gov.br> Acesso em: 9 de setembro de 2004.

Para tirar suas dúvidas referentes a este Programa entre em contato conosco pelo telefone 0800 643 0401 ou pelo e-mail: negociocerto@ sc.sebrae.com.br

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REFERÊNCIAS

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P R O D U T O S E S E RV I Ç O S

Fornada das boas A Líder Equipamentos para Panificação traz ao mercado brasileiro e latinoamericano o Forno Ciclotérmico Stone. Com quatro câmaras sobrepostas e capacidade para 16 assadeiras de 60 x 80 cm, o forno produz 672 pães por fornada. O Stone tem ótimo isolamento, vaporização independente por câmara, temporizador individual com sinalização sonora e porta bipartida para evitar a perda de calor. O equipamento ainda tem consumo eficiente de energia e é disponibilizado nas versões a gás, elétrica e a óleo. A frente é feita em aço inoxidável e a parte externa leva pintura epóxi. De acordo com Flávio Moura, diretor da Líder, o produto chega ao mercado após cinco meses de estudos focados em atender às necessidades do segmento de panificação. (41) 3556-

Para levar no bolso A FRT Automação está comercializando um identificador portátil de notas e documentos falsos. Do tamanho de um pen drive e com menos de 500 gramas, o equipamento pode ser pendurado no pescoço dos operadores de caixa. Ao mesmo tempo, permite maior discrição do comerciante no controle de cédulas falsas, evitando situações de constrangimento aos clientes. Outra vantagem do aparelho é o abastecimento com pilhas comuns. A identificação de notas falsas é feita por tarja magnética e fibras luminescentes. Lançado em

4000/www.i-lider.com.br 2008 no mercado, o equipamento superou a marca de 30 mil peças vendidas no primeiro semestre. A meta do criador do equipamento, Fabio Roberto Teodoro, é comercializar 60 mil peças por mês a partir de setembro. O preço é bastante atrativo: R$ 59. “Deixando de receber uma única nota falsa o comerciante já pode pagar o equipamento”, diz Teodoro. Além de cédulas, o equipamento identifica cartões de crédito, ingressos para eventos, documentos de identidade, entre outros.

(43) 3532-1674/www.frtautomacao.com.br

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Paredes transparentes

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Desenvolvido na Hungria pela empresa LiTraCon, o concreto translúcido foi uma das novidades apresentadas durante a Concrete Show South America 2008, realizada entre 27 e 29 de agosto, em São Paulo. O produto, que permite enxergar através da parede, é composto de uma mistura de 5% de fibras óticas e 95% de concreto que favorecem a transparência de luz sem perder a resistência. O concreto translúcido é mais maleável e impermeável. O material é cerca de dez vezes mais resistente que o tradicional, suporta cerca de 4 mil quilos por centímetro quadrado. A resistência e a impermeabilidade dificultam as chances de rachaduras e infiltrações. O tempo de cura é outra vantagem – é mais rápido que concreto convencional. O preço ainda é bem salgado: em torno de 1 mil euros o metro quadrado. O produto ainda não chegou ao Brasil. De acordo com a promotora da Concrete Show, a Sienna Interlink, a comercialização depende do interesse de empresários brasileiros em representá-lo. www.litracon.hu


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LEITURA

Riqueza superior

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Autor questiona a visão estritamente financeira dos negócios e aponta caminhos para ser bem-sucedido na vida pessoal e empresarial

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Você está em busca de que tipo de riqueza? Simplesmente acumular bens e dinheiro, independente do desfavorecimento de clientes, funcionários, fornecedores, outros parceiros e a comunidade, quando não do empobrecimento da própria vida? “Acredite! Existe um outro jeito de enriquecer, diferente desse que consome os nossos dias entre a árdua labuta e o entediante usufruto”, afirma o economista, administrador e consultor Roberto Adami Tranjan – autor da coluna “Não durma no ponto” da Revista Empreendedor. “O dinheiro é gerador de riqueza quando adquirimos o máximo de qualidade de vida sem gerar escassez para nós e para os outros.” É o que ele chama de metarriqueza, ou seja, a riqueza em todas as suas esferas: material, social, psicológica e espiritual. Inovador em modelos de gestão, Tranjan aponta em Rico de verdade alguns caminhos para tornar as empresas éticas, humanas e, acima de tudo, prósperas. A base está em colocar o ser humano em primeiro lugar – tanto a si mesmo quanto a todos aqueles que têm algum interesse no destino da empresa e de seu sucesso. De outra forma, temos o que o autor classifica como “fórmula infalível de afastar a riqueza: mãos-de-obra produzindo bens e serviços para pares-de-bolso”. Negócios, sob este ponto de vista, são relacionamentos, o que exige confiança para serem bem-sucedidos. Para confiar em alguém, é preciso aceitá-lo e compreendê-lo. E confiança se conquista com integridade, atenção e entrega, as virtudes da metarriqueza. Um dos requisitos básicos é o autoconhecimento. “Muitos se enganam a respeito de si mesmos, construindo uma imagem

Rico de verdade Roberto Adami Tranjan Editora Gente – R$ 29,90

Falsas verdades

Riqueza se obtém defendendo-se das ameaças Riqueza se obtém na luta pela sobrevivência Riqueza se obtém por meio da competição Riqueza se obtém com muita ocupação Riqueza se assegura por meio de controles Riqueza é sinônimo de dinheiro Riqueza é algo que acontece no futuro

Metarriqueza: virtudes e disciplinas Atenção: concentração e superação Integridade: coerência e consistência Entrega: contribuição e retribuição

diferente da real”, diz o autor. Esse autoengano, nem sempre consciente, conduz a muitos equívocos nas decisões. “Reagimos não ao mundo, mas às nossas miragens do mundo.” Não é possível viver propósitos que não sejam próprios. Esse espaço precisa ser preenchido com o melhor de si: os valores virtuosos. Parte da riqueza que habita as pessoas manifesta-se por meio das competências e, principalmente, da vocação. Mas para colocá-las em ação é preciso atitude, ou seja, intenção de colocá-las em prática. Isso ajuda a corrigir o foco. É miopia concentrar-se nas ameaças, pois a mente é tomada por pensamentos de preservação e autodefesa. O tempo desperdiçado nesta missão poderia ser canalizado para a correção de rumo, como ampliar conhecimentos e habilidades. “Lutar pela sobrevivência é fazer tudo para combater a escassez, o que é muito diferente de trabalhar para construir riquezas”, alerta Tranjan. Já quem enxerga oportunidades coloca-se diante de desafios, estímulo perfeito para acionar a imaginação e a criatividade. “O resultado é a inovação, a única forma de fazer frente às ameaças e romper um ciclo vicioso de baixos resultados.” Também é falta de visão, segundo o autor, despender um grandioso trabalho de investigação para saber tudo sobre o concorrente, em vez de dirigir essa poderosa energia para descobrir do que os clientes necessitam. No livro, o escritor primeiro alerta o leitor para os comportamentos sabotadores da riqueza: desatenção, desalinhamento e desesperança. “Beba da água boa, mas antes esvazie o copo das impurezas”, recomenda Tranjan. Na segunda parte, ele apresenta as virtudes que constroem e geram a verdadeira riqueza e propõe uma série de exercícios para desenvolvê-las plenamente. “Disciplina implica prática persistente e perseverante.” Não se trata de um manual cheio de fórmulas para enriquecer, fazer fortunas, como adverte o autor. É um convite à reflexão, um guia para quem deseja dar o melhor de si e melhorar a própria vida e a dos outros. “Quais pegadas você quer deixar com o seu trabalho ou com sua empresa? Que marcas você pretende esculpir como inspiração do presente para a posteridade?”


FRASES “Quando fazemos muitas coisas ao mesmo tempo, não colocamos paixão em nenhuma delas.” “A pressa é a melhor amiga da desatenção. E juntas costumam fazer bons estragos.”

“O criador escolhe o mundo em que quer viver. Constrói seu futuro e se responsabiliza por ele.” “Desenvolvem-se competências que têm como propósito superar os outros, em vez de competências que tornariam o cliente mais satisfeito e fidelizado.” “Todo negócio é um misto de transação mercantil e relações humanas.” “Vocação é aquilo que fazemos por vontade própria, com desenvoltura, e que nos faz sentir muito bem.” “Transforme-se num virtuose da atenção, oferecendo ternura e cuidado a todos que o cercam e a tudo que faz, como quem embala uma criança na paz de seu sono.” “Transforme-se num virtuose da integridade, oferecendo os seus valores e praticando as suas virtudes sem subterfúgios, sem máscaras, assim mesmo, com as suas qualidades e defeitos.” “Transforme-se num virtuose da entrega e ofereça-se por inteiro, sem se amesquinhar e sem se economizar, de braços abertos, como quem vive a vida ao ar livre.”

Segredos do fechamento de vendas Roy Alexander e Charles B. Roth Editora M.Books – R$ 69

Ilustrado com casos reais, traz exemplos práticos e comprovados para um aprendizado das técnicas utilizadas pelos melhores vendedores no fechamento de vendas. Os autores acreditam que o grande obstáculo dos vendedores não tão bem-sucedidos está no treinamento que enfatiza somente o conhecimento e a apresentação do produto ou serviço. O fechamento, a assinatura do pedido, a formalização da venda são relegados a um segundo plano. Por isso, o livro pretende ensinar os segredos e as dicas para o fechamento de vendas e técnicas para improvisar e lidar com objeções de clientes.

O desafio da liderança – Aprendendo com o desastre no Monte Everest D. Christopher Kayes Editora Novo Conceito – R$ 39,90

Leitura obrigatória para quem está interessado em conhecer os efeitos positivos do estabelecimento de metas e evitar conseqüências indesejadas. Faz uma abordagem interdisciplinar da liderança recorrendo às melhores pesquisas em questões organizacionais, educação de adultos, psicologia e sociologia, para explicar a origem dos problemas nas organizações. A publicação mostra a experiência pessoal do autor após dez anos de pesquisa e entrevistas com centenas de líderes no mundo todo, mostrando o desafio da liderança.

Citizen marketers – Clientes armados e organizados. Ameaça ou oportunidade? Ben McConnell e Jackie Huba Editora M.Books – R$ 59

Como clientes bem assistidos tornam-se poderosos aliados para seu produto e sua marca? Neste trabalho, os autores exploram as ramificações da mídia social. Mostram como pessoas comuns estão criando conteúdo em nome de empresas, marcas ou produtos – com os quais não têm ligação oficial – e colocando a mídia de cabeça para baixo. São os chamados citizen marketers, que estão democratizando as noções tradicionais de comunicação e marketing, e mesmo modelos inteiros de negócio. São clientes bem organizados e conectados, que podem ser uma ameaça ou uma oportunidade, dependendo da maneira como a empresa vai interagir com eles. O livro pretende revelar como transformá-los em uma força voluntária para seu produto ou sua marca.

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“Nada que façamos, por menos ou mais insignificante que nos pareça, é isento de conseqüências.”

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INFORMAÇÃO E CRÉDITO

Grande retorno com pequeno investimento

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Ferramenta permite aumentar a recuperação de crédito, reduzir as perdas e minimizar atritos com bons pagadores

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Em um ambiente de expansão dos negócios e aumento da concessão de crédito, as organizações estão investindo cada vez mais em ferramentas para aprimorar os processos de cobrança, minimizar riscos e custos e aumentar os índices de recuperação. Uma das melhorias que garantem mais eficácia no processo de cobrança é a segmentação dos diferentes perfis de clientes com dívidas em atraso em relação à probabilidade de pagamento. Pensando nisso, a Serasa, uma empresa do grupo Experian, desenvolveu o Collection Scoring, ferramenta que compõe a Solução Integral de Cobrança, por meio da qual as empresas podem aumentar a recuperação de crédito, reduzir as perdas e diminuir os custos com clientes cuja propensão ao pagamento da dívida seja muito baixa, além de minimizar atritos com bons pagadores. “Ao dar condições para que a empresa possa definir estratégias mais adequadas de cobrança interna e externa, baseadas nos perfis dos clientes em atraso, o Collection Scoring permite maximizar os resultados de recuperação de crédito, estabelecer diferentes políticas de acordos e descontos, reduzir custos operacionais e problemas de relacionamento com bons clientes no processo de recuperação”, enumera Ricardo Loureiro, presidente da Unidade de Negócios de Serviços de Informação de Crédito Pessoa Física da Serasa. A solução pode ser utilizada em qualquer fase do ciclo de cobrança, aplicando-se às dívidas recentes ou antigas. Permite ao credor escolher qual devedor vai cobrar e quais polí-

ticas vai aplicar, e dessa forma reduz os custos de recuperação.

Recuperação eficiente A Solução Serasa Integral de Cobrança foi desenvolvida para auxiliar as áreas de cobrança das empresas a potencializar a recuperação e reduzir custos, proporcionando bons retornos com pequeno investimento. Essa solução oferece abrangentes e atualizadas informações, tratadas por sofisticados modelos de scoring e administradas por eficaz sistema de gestão da carteira de cobrança. Essas ferramentas contribuem significativamente para aumentar o êxito das ações de recuperação, permitindo antecipar ações, estabelecer melhores e mais adequadas estratégias aos diferentes perfis de risco dos consumidores e minimizar custos, tanto os de renegociação de dívidas quanto os custos operacionais. O Credit Bureau de Cobrança, uma das ferramentas da Solução Integral, é a mais abrangente e completa base de informações sobre consumidores do País, contém informações autorizadas pelos consumidores, atualizadas real time pelo mercado, e referentes a informações cadastrais, anotações negativas, comportamentais e outras. Outra ferramenta da Solução é a Análise da Carteira de Cobrança. A partir dela, as empresas podem avaliar posição de mercado de cada devedor, como a existência de dívidas com outros credores, anotações de novas inadimplências e indicação de reabilitação junto ao mercado.

Presidente da Unidade de Negócios de Serviços de Informação de Crédito Pessoa Física da Serasa, Ricardo Loureiro


Inadimplência avança 6,9% até julho Já na comparação entre julho de 2008 e junho último, o indicador da Serasa mostrou crescimento de 6,7% na inadimplência dos consumidores. Segundo análise da Serasa, a inadimplência dos consumidores segue em alta devido ao maior endividamento, aos efeitos da inflação sobre o orçamento doméstico e à elevação dos juros, lembrando que as dívidas mais caras, a exemplo do cheque especial,

CAROL CARQUEJEIRO

apresentam relevante crescimento. Mesmo com um ritmo menor que a evolução do crédito (que até junho acumula no ano 13,7% e, em 12 meses, 32,4%, segundo o BC), a inadimplência está subindo de forma consistente. Nos primeiros sete meses de 2007, a inadimplência acumulada registrava uma queda de 1,7% contra os atuais 6,9% de crescimento em igual período deste ano.

Na medida certa “É relevante que o credor tenha a visão da sua carteira de cobrança em relação às outras instituições do mercado. E a Solução permite ajustar os esforços e ações de cobrança às diferentes faixas de situação de credores ativos no mercado, melhor potencializando os resultados”, afirma Ricardo Loureiro. A eficácia de recuperação pode também ser obtida pela segmentação das probabilidades de pagamentos dos clientes em atraso. Para isso, os modelos de scoring servem para se aferir a propensão à recuperação em função de características do histórico de crédito do consumidor. Essa funcionalidade também compõe a Solução Integral de Cobrança, com o Collection Scoring Serasa, por meio do qual as empresas podem reduzir perdas e custos com clientes cuja probabilidade de pagamento da dívida seja muito baixa. O Gerencie Carteira de Cobrança Pessoa Física é uma ferramenta que completa a Solução, proporcionando o envio diário de avisos de eventos ocorridos com os consumidores. Com isso, permite melhor acompanhamento da carteira, como avisos de novas negativações e reabilitações, alterações de telefone e endereços, registros de consultas a crédito e mudanças significativas nas faixas de scoring. A área de cobrança tem vivido um momento de desafio imposto pelo aumento do volume de negócios, decorrente da expansão do crédito e do crescente apelo de consumo, analisa Loureiro. “O modo convencional de fazer cobrança já não atende mais às expectativas de eficiência e eficácia do mercado. E esse é o desafio. Mas a boa notícia é que as novas tecnologias aliadas à inteligência têm resultado em soluções de informações promissoras de bons resultados”, avalia o executivo da Serasa.

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No acumulado de janeiro a julho de 2008, o Indicador Serasa de Inadimplência de Pessoa Física apontou alta de 6,9% na inadimplência dos consumidores, na comparação com o mesmo período de 2007. O aumento também foi verificado na relação entre julho de 2008 e julho de 2007, com 11,6% de elevação na inadimplência das pessoas físicas.

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ANÁLISE ECONÔMICA

Pré-sal: mudar o modelo atual? Investimentos são de longo prazo e precisam de regras claras e de um modelo transparente e estável Nas últimas semanas, não há um dia em que abro o jornal e não vejo pelo menos uma notícia a respeito da possível mudança no marco regulatório da exploração do petróleo pretendida pelo governo. Primeiramente, para situar o leitor, o pré-sal é a área ultraprofunda do oceano onde, no fim no último ano, a Petrobras encontrou enormes reservas de petróleo. As reservas do pré-sal são de grande importância para o desenvolvimento do País. Podem, por exemplo, tornar nosso saldo comercial positivo quase que permanente e gerar recursos nunca antes imaginados para o País. No momento da descoberta, o governo já havia sinalizado que viriam mudanças no setor pela frente. Nas últimas semanas então, a pedido do presidente, foi criada uma comissão interministerial para debater o atual marco regulatório e propor

há nada de errado com este modelo, mas é realmente necessário mudar o atual? Qualquer mudança de regra no meio do jogo pode ser bem traumática. Vale lembrar que estão em andamento enormes somas de investimentos de empresas privadas nas áreas já leiloadas do pré-sal. Estes investimentos são de longo prazo e precisam de regras claras e um modelo transparente. O atual modelo de concessões é muito elogiado por especialistas do setor. O regulador é a Agência Nacional do Petróleo (ANP) e torna o ambiente competitivo e transparente para os investimentos. Apesar de o governo já ter dado declarações de que as áreas já licitadas serão exploradas de acordo com o modelo atual, há ainda dúvidas se ele manterá mesmo estas áreas. Neste caso, a empresa que mais seria afetada é a Petrobras, que possui participações majoritárias nos blo-

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Qualquer mudança de regra no meio do jogo pode ser bem traumática. Vale lembrar que estão em andamento enormes somas de investimentos de empresas privadas nas áreas já leiloadas do pré-sal

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um novo com base em modelos existentes em outros países. Foi então que surgiu a polêmica. Segundo os principais jornais do País, o modelo que mais agrada aos ministros e ao próprio presidente Lula até agora é o de partilha da produção. Neste modelo seria criada também uma nova empresa 100% estatal para gerenciar as áreas do pré-sal. Não

cos atuais. A Petrobras, apesar do controle estatal, tem, na sua maioria, acionistas privados. Ela é a principal empresa da Bovespa. É a que possui maior liquidez entre todas as empresas listadas. Portanto, quando a Petrobras vai mal, ela tende a puxar o índice Ibovespa para baixo. Penalizar os atuais acionistas minoritários da Petrobras é penalizar o mercado de capitais

por Januário Hostin Júnior Analista da Leme Investimentos

como um todo. Nos últimos anos este mercado foi um motor importante do desenvolvimento econômico, impulsionando a taxa de investimento e diminuindo o custo de capital das empresas. No modelo atual do setor de petróleo, regido pela Lei 9.478, as empresas ficam com o produto final e pagam sobre ele impostos, royalties, participações especiais e o aluguel da área. A Petrobras é a empresa mais preparada do mundo para explorar petróleo em águas ultraprofundas. Isto é resultado de anos de investimento em pesquisa e desenvolvimento. Além do mais, é a empresa mais preparada para captações financeiras em parceria com outras petrolíferas junto a investidores para fazer frente aos elevados investimentos que a área do pré-sal demandará. Se o governo quiser fazer o mesmo através de uma nova estatal, terá que aumentar o endividamento público que já é bem alto. Além do mais, terá que passar pelo legislativo para conseguir aprovar um novo modelo. Isto dependerá do ambiente político, que poderá não estar tão favorável no momento da votação. Só este já é um grande incentivo a manter o modelo atual de concessão. O que o governo pode fazer é aumentar as participações especiais do présal, já que para isso pode ser usado apenas um decreto presidencial. Manter a atual lei do petróleo do jeito que está parece ser o caminho mais fácil e mais promissor para a exploração dessas grandes riquezas abaixo do mar.


Nome Ação ALL Amér Lat Ambev Aracruz B2W Global Bradesco Bradespar Brasil T Par Brasil T Par Brasil Telec Brasil Braskem CCR Rodovias Celesc Cemig Cesp Comgás Copel Cosan CPFL Energia Cyre Com-ccp Cyrela Realty Duratex Eletrobrás Eletrobrás Eletropaulo Embraer Gafisa Gerdau Met Gerdau Gol Itaúbanco Itaúsa JBS Klabin S/A Light S/A Lojas Americ Lojas Renner Natura Net Nossa Caixa P. Açúcar-CBD Perdigão S/A Petrobras Petrobras Rossi Resid Sabesp Sadia S/A Sid Nacional Souza Cruz TAM S/A Telemar N L Telemar Telemar Telemig Part Telesp Tim Part S/A Tim Part S/A Tran Paulist Ultrapar Unibanco Usiminas Usiminas VCP Vale R Doce Vale R Doce Vivo

Inflação (%)

Até 25/08

Tipo Ação

Participação Bovespa

Junho

Variação % Ano

UNT N2 PN PNB ON PN PN ON PN PN ON PNA ON PNB PN PNB PNA PNB ON ON ON ON PN ON PNB PNB ON ON PN PN PN PN PN ON PN ON PN ON ON PN ON PN ON ON PN ON ON PN ON ON PN PNA ON PN PN PN ON PN PN PN UnN1 ON PNA PN ON PNA PN

1,90 1,06 0,80 1,44 3,89 1,13 0,37 0,52 0,55 2,39 0,99 0,92 0,22 2,35 2,02 0,21 1,04 1,26 0,70 0,12 1,22 0,78 1,35 1,38 1,00 0,66 0,88 0,95 2,99 0,93 3,21 2,63 0,66 0,45 0,33 1,30 0,99 1,01 1,54 0,83 0,82 1,17 2,61 13,72 0,45 0,60 1,08 2,68 0,59 1,15 0,30 0,58 1,67 0,11 0,32 0,28 0,82 0,49 0,54 2,77 0,48 2,90 0,59 2,70 10,91 0,69

-11,40 8,00 -17,60 -7,20 -10,40 -12,20 2,00 -14,7 -9,50 -8,8 -14,50 -5,30 -6,50 -4,40 -6,40 -2,80 -11,40 -12,30 -2,50 -10,70 -9,60 -4,30 -2,00 -6 -15,90 10,20 -15,90 -16,30 -15,00 -10,40 -8,30 -8,50 -20,20 -9,10 -10,50 -17,10 -7,60 4,80 -9,60 -7,30 -6,50 -7,70 -5,20 -5,80 -18,80 0,20 -8,50 -12,50 -1,00 1,90 -8,30 2,20 1,50 -8,2 2,50 7,20 -16,30 -13,80 5,20 -9,60 -20,50 -18,70 -11,00 -10,90 -9,10 -11,10

-19,4 -19,4 -28,5 -22,7 -19,6 -33,5 16,2 -15,5 -1,5 -23,1 -14,5 11,8 6,5 17,2 -37,2 18,5 10,3 29,8 9,5 -17,9 -14,7 -36,8 26,6 14 -11,2 -33,1 -31,2 12,2 13,5 -67,1 -13,8 -9,1 11,8 -24,2 -18,6 -36,4 -17,8 19,8 -19,1 66,4 -1,8 -9,5 -20,2 -23 -54,7 -5 6,5 4,5 -6,4 -22,5 27,2 -28,2 11 -10,8 8,1 -30,6 -41,9 30,8 -1,4 -21,1 -3,1 4,3 -37,4 -28,4 -26,2 -14,8

Índice

Julho

Ano

IGP-M IGP-DI IPCA IPC - Fipe

1,76 1,12 0,53 0,45

8,70 8,36 4,20 4,27

Juros/Aplicação (%) CDI Selic Poupança Ouro BM&F

Julho

Ano

1,06 1,07 0,69 -1,06

6,51 6,56 4,22 -3,93

Indicadores Imobiliários (%) CUB SP TR

Julho

Ano

0,61 0,19

6,53 0,80

Juros/Crédito (%) 26/Agosto

25/Agosto

Desconto 2,11 Factoring 4,10 Hot Money 3,59 Giro Pré (taxa mês) 2,31

2,11 4,11 3,59 2,31

Câmbio

Até 26/08 Cotação

Dólar Comercial Ptax Euro Iene

R$ 1,6375 US$ 1,4641 US$ 0,0100

Mercados Futuros Dólar Juros DI

Até 25/08

Setembro

Outubro

R$ 1,632 12,86%

R$ 1,645 R$ 1,659 13,25% 13,43%

Contratos mais líquidos 25/08/2008 Ibovespa Futuro 55.350

Novembro

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Carteira Teórica Ibovespa

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AGENDA

DESTAQUE 24 e 25/09/2008

13° Congresso Brasileiro de Embalagem Abre Centro Fecomércio de Eventos – São Paulo – SP www.abre.org.br O principal evento do setor de embalagens no Brasil é realizado a cada dois anos. Nesta edição, o tema será “Embalagem: até onde vai a imaginação”. O evento reúne especialistas do cenário internacional, presidentes de companhias brasileiras, executivos de empresas convertedoras e usuárias de embalagem, fornecedoras de insumos, matérias-primas e acessórios, fabricantes de máquinas e equipamentos, redes de varejo, agências de design e consultores. O objetivo é discutir e disseminar as grandes tendências dos mercados de bens de consumo, varejo e consumidor. Grandes empresas apresentarão inovações e tendências em termos de criatividade e tecnologia de embalagem no Brasil e no mundo, no Espaço de Inovação e Networking. O congresso funciona das 8h às 18h.

Estão abertas as inscrições para o 9° Prêmio von Martius de Sustentabilidade, promovido pela Câmara de Comércio e Indústria BrasilAlemanha. Dividido nas categorias Humanidade, Tecnologia e Natureza, o prêmio reconhece projetos de todo o Brasil – concluídos ou em realização – que promovam o desenvolvimento econômico, social e cultural alinhado ao conceito de desenvolvimento sustentável. Podem concorrer iniciativas de empresas, instituições públicas ou privadas, indivíduos e organizações não-governamentais, associadas ou não à entidade promotora. A cerimônia de entrega aos vencedores acontece dia 11 de novembro, em Curitiba (PR), e será carbon free. Em parceria com a BRTÜV, empresa especializada em certificação e qualificação de produtos e serviços, será feito um levantamento de todas as emissões de gás carbônico relacionadas ao evento, identificando a forma mais adequada para sua neutralização. 3/10/2008

Expopetro 2008 Centro de Convenções do Hotel Serrano – Gramado – RS (51) 3228-7433/www.influence.com.br

Curso de Localização de Lojas Instalações providenciadas pela FIA São Paulo – SP (11) 3894-5007/www.provar.org

tro Nacional de Revendedores de Combustíveis e 11º Encontro de Revendedores de Combustíveis do Mercosul que acontecem durante o evento. Mais informações pelo email direxecutivo@coopetrol.com.br

Até 15/09/2008

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Prêmio von Martius de Sustentabilidade 2008 (11) 5187-5126/www.premiovonmartius.com.br

De 11 a 14/09/2008

O encontro reúne empresários brasileiros e sul-americanos para troca de informações sobre suas vivências no mercado. Também serão apresentadas as novidades para o setor de revendas de combustíveis no 12º Encon-

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Até 26/09/2008

Prêmio Sebrae Mulher de Negócios 2008 Inscrições: pela internet ou nos pontos de atendimento do Sebrae em todo o Brasil (61) 2107-9362/www.mulherdenegocios.sebrae.com.br Empresárias têm até o dia 15 de setembro para participar da quinta edição deste prêmio, promovido pelo Sebrae, pela Fundação Nacional de Qualidade (FNQ), Federação das Associações das Mulheres de Negócios e Profissionais do Brasil (BPW-Brasil) e a Secretaria Especial

de Políticas para as Mulheres. As candidatas devem contar sua história de vida e profissional para concorrer a uma viagem internacional de 10 dias a um centro de empreendedorismo. Vinte finalistas participarão do prêmio em março de 2009 e duas sairão vencedoras.

Este curso é destinado a diretores de expansão ou de empresas de varejo e serviços, proprietários de negócios de varejo e serviços e responsáveis por logística e novos negócios. Serão apresentadas as principais técnicas de localização de pontos comerciais de forma simples e prática, levando em conta o modelo gravimétrico, área de influência, utilização de pesquisa de mercado e de sistemas de informação geográfica. A inscrição custa R$ 540 e o evento acontece das 9h às 18h. O material didático está incluso e haverá certificado emitido pelo Provar/FIA.

Para mais informações sobre feiras e outros eventos comerciais, acesse a seção Agenda do site Empreendedor: www.empreendedor.com.br


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E–EMPREENDEDOR

Negócios virtuais Os empresários inovadores estão sabendo aproveitar o crescimento do e-commerce para construir seu canal de vendas direcionado a um consumidor que navega cada vez mais na internet. Os índices de aumento das vendas on-line nos últimos anos refletem bem a força deste mercado em expansão. Segundo o Ibope/NetRatings, que mede o mercado brasileiro de internet, o número de internautas no Brasil quadruplicou em sete anos, passando de 9,8 milhões em 2000 para 39 milhões em 2007. Destes números, o percentual de pessoas que utilizam a in-

Interatividade

ternet para realizar compras é de 24%. Isso significa um aumento de 35% no número de e-consumidores, passando de 7 milhões para 9,5 milhões os adeptos às compras pela rede. Confira algumas lojas exclusivamente virtuais e saiba como montar o seu negócio on-line através de reportagem divulgada no site Empreendedor. Para ter acesso à reportagem, clique na opção “Reportagens”, no menu à esquerda do site, e selecione o título Perspectivas de crescimento do e-commerce impulsionam criação de lojas virtuais.

Marketing olímpico Os esperados jogos olímpicos de Pequim já terminaram, mas as vendas de produtos voltados ao assunto ainda devem prosseguir. Empresas de diferentes ramos apostaram no tema para implementar ações de marketing com o propósito de incentivar maior visibilidade aos produtos e, conseqüentemente, estimular a comercialização. Na reportagem exclusiva do site Empreendedor – Empresas investem em produtos inspirados nas Olimpíadas para aumentar vendas – o leitor pode conferir alguns exemplos de empresas que apostaram nas Olimpíadas para registrar crescimento nas vendas. A matéria também conta com a opinião de Pedro Pires, especialista em marketing esportivo. Ele explica que a oportunidade comercial que o evento esportivo proporciona pode ser observada em praticamente todos os setores, desde a construção civil até a alimentação. Para ter acesso à matéria, clique na opção “Reportagens”, no menu à esquerda do site.

A rede Happy Town criou roupas esportivas para seus bichos de pelúcia

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Bom emprego

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A última enquete do site Empreendedor quis saber qual é a característica principal de um bom emprego. A opção mais votada foi: “Oferece oportunidade de crescimento”. Confira o percentual das respostas em um total de 463 votos: J Oferece oportunidade de crescimento .............79,41% J Paga um ótimo salário.........................................11,44% J Tem bom convívio entre funcionários ................ 9,15%

9% 11%

79%

Confira os últimos comentários postados no site durante o mês de agosto: O comportamento humano ou o humor diário do colaborador em muito se deve à cultura organizacional da empresa. Ambientes de bons relacionamentos, com informações fluindo e franqueza nas comunicações, são os ideais para que as chefias analisem de perto cada comportamento, cada alteração de humor dos funcionários e façam as observações tête-à-tête. Com raras exceções, todo colaborador que é chamado, de maneira informal, a rever algum comportamento, não ficará constrangido ou se sentirá melindrado. Bons ambientes organizacionais permitem isso. Marco Albuquerque, sobre o artigo “Comunicação: o desafio no mundo corporativo” Vejo como um ponto de extrema importância para diminuição da perda no varejo o incentivo aos funcionários através de remuneração variável. É importante inserir o quadro de funcionários nesse processo delicado das organizações. É grande a falta de envolvimento e comprometimento dos funcionários no que tange a perdas, sendo estes os maiores responsáveis pelos altos índices. Outro fator é o monitoramento da chegada dos produtos no momento da conferência e entrada de nota no sistema da loja, além do armazenamento de produtos com altos índices de furtos. Victor Craveiro, sobre a reportagem “Perdas no varejo brasileiro chegam a 1,99% devido a problemas internos” Excelente matéria. Com a aprovação desta medida, muitas empresas informais passarão a existir de fato e a usufruir de alguns benefícios, como pequenos empréstimos nos bancos. Márcio, sobre a reportagem “Senado pode agilizar votação de ajustes no Simples Nacional”


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Empreendedor 167  

Edição n. 167 da revista Empreendedor, de setembro de 2008

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