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GILBERTO DO AMARAL: SISTEMA TRIBUTÁRIO

FRANQUIA: O AVANÇO DO FAST-FOOD SAUDÁVEL

Empreendedor

PRÊMIO ETHOS DE JORNALISMO 2007

Ano 14 – Nº 158 Dezembro 2007 R$ 9,90

ISSN 1414-0152

NASCIDOS EM BERÇO ESPLÊNDIDO

Ano 14 • Nº 158 • dezembro 2007

www.empreendedor.com.br

ALEXANDRE COSTA – AUGUSTO GUIMARÃES – CLAUDIO GRANDO – FÁTIMA CHAMMA – FLÁVIO LACERDA JOSÉ PEREIRA DA SILVA – JOSÉ HAHN FILHO – JULIANO ALVES – NILTON ALVES – RICARDO SARMENTO COSTA


A revista Empreendedor é uma publicação da Editora Empreendedor

Edição Especial

Diretor-Editor Acari Amorim [acari@empreendedor.com.br] Redação Editor-Executivo: Alexsandro Vanin [vanin@empreendedor.com.br] Repórteres: Ana Carolina Dionísio, Débora Remor, Francis França, Marco Britto e Natacha Amaral Edição de Arte: Gustavo Cabral Vaz Fotografia: Arquivo Empreendedor, Carlos Pereira, Casa da Photo, Cezar Alves, Lio Simas, Purestockx, Thomas May Foto da capa: Purestockx Revisão: Renato Tapado Sedes São Paulo Gerente Comercial: Fernando Sant’Anna Borba Executivos de Contas: Érika Kaiser, Gesner C. Vieira e Nassara Kedman Rua Sabará, 566 - 9º andar - conjunto 92 - Higienópolis 01239-010 - São Paulo - SP Fone: (11) 3214-1020 [empreendedorsp@empreendedor.com.br] Florianópolis Executivo de Contas: Vitor Hugo de Carvalho [vitorhugo@empreendedor.com.br] Executivo de Atendimento: Ronaldo César Pacheco [ronaldo@empreendedor.com.br] Av. Osmar Cunha, 183 - Ed. Ceisa Center - bloco C 9º andar - 88015-900 - Centro - Florianópolis - SC Fone: (48) 2106-8666

PG. 16

Capa

Ilhas seguras Se existe um local seguro para o desenvolvimento de negócios competitivos, inovadores e geradores de emprego e renda, esse é a incubadora de empresas. Prova disso é a elevada taxa de permanência no mercado, acima de 80%, enquanto a média geral, segundo o IBGE, é de pouco mais de 50%. Somente no ano passado, a participação das empresas graduadas e incubadas na economia brasileira foi de R$ 2 bilhões, empregando 33 mil pessoas, 40% delas com nível superior.

PG. 32

PG. 36

Claudio Grando Audaces

Fátima Chamma Chamma da Amazônia

O programador adquiriu no Celta (SC) a cultura administrativa e comercial para encontrar o foco que fez a empresa chegar à liderança do mercado latino-americano.

A persistente e dedicada Fátima aprendeu no PIEBT (PA) o conhecimento necessário para fortalecer e expandir o negócio da família, priorizando valores locais.

PG. 48

PG. 52

José Rizzo Hahn Filho Pollux

Juliano Alves Oníria

O visionário engenheiro, sempre atento às oportunidades de mercado, encontrou no MIDIville (SC) a estrutura ideal para implantar um plano agressivo de expansão.

O aficionado por games recebeu na Intuel (PR) os conselhos para ajustar o direcionamento que fizeram de seus jogos um sucesso na Europa.

Escritórios Regionais Rio de Janeiro Triunvirato Desenvolvimento Empresarial Ltda. Milla de Souza [triunvirato@triunvirato.com.br] Rua São José, 40 - sala 31 - 3º andar - Centro 20010-020 - Rio de Janeiro - RJ Fone: (21) 3231-9017 Brasília Ulysses C. B. Cava [ulyssescava@gmail.com] [ulysses@agenciamidiax.com.br] Fone: (61) 3326-8441/9975-6660 Paraná Merconet Representação de Veículos de Comunicação Ltda. Ricardo Takiguti [comercial@merconet.srv.br] Rua Dep. Atílio Almeida Barbosa, 76 - conjunto 1 Boa Vista - 82560-460 - Curitiba - PR Fone: (41) 3079-4666 Rio Grande do Sul Alberto Gomes Camargo [ag_camargo@terra.com.br] Rua Arnaldo Balvê, 210 - Jardim Itu 91380-010 - Porto Alegre - RS Fone: (51) 3340-9116 Pernambuco HM Consultoria em Varejo Ltda. Hamilton Marcondes [hmconsultoria@hmconsultoria.com.br] Rua Ribeiro de Brito, 1111 - conjunto 605 - Boa Viagem 51021-310 - Recife - PE Fone: (81) 3327-3384 Minas Gerais SBF Representações Sérgio Bernardes de Faria [comercial@sbfpublicidade.com.br] Av. Getúlio Vargas, 1300 - 17º andar - conjunto 1704 30112-021 - Belo Horizonte - MG Fone: (31) 2125-2900 Assinaturas Serviço de Atendimento ao Assinante Diretora: Luzia Correa Weiss Fone: 0800-9797979 [assine@empreendedor.com.br] Produção Gráfica Impressão e Acabamento: Coan Gráfica Editora CTP Distribuição: Distribuidora Magazine Express de Publicações Ltda.- São Paulo Empreendedor.com http://www.empreendedor.com.br

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Empreendedores do Ano PG. 24

Dezembro/2007

PG. 28 PG. 10

Entrevista

Gilberto do Amaral

Alexandre Costa PCTel

Augusto Guimarães Nuteral

Inventor nato, Costa conseguiu na Inove, do Cefet/GO, o apoio e a orientação para montar uma empresa sustentada no planejamento e que hoje fatura mais de R$ 2 milhões.

O nutricionista que não teve medo de enfrentar grandes multinacionais encontrou no Padetec (CE) o ambiente ideal para desenvolver suplementos inovadores.

PG. 40

PG. 44

O presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) destrincha o problema do sistema tributário brasileiro e aponta soluções que favoreceriam o empreendedorismo e o conseqüente crescimento da economia.

Franquia Fast-food light PG. 66

Flávio Lacerda Adespec

José Augusto Pereira da Silva Pipe Way

O conceituado executivo internacional descobriu na empresa incubada no Cietec, da USP, o que aspirou por toda a vida: um negócio que colaborasse com o planeta.

O engenheiro pesquisador obteve no Instituto Gênesis, da PUC-Rio, a maturidade para disputar com vantagens o mercado de inspeção de dutos em todo o mundo.

PG. 56

PG. 60

De olho no aumento da procura por uma alimentação saudável, redes de fast-food investem em cardápios balanceados. É o caso da Salad Creations e da Subway, por exemplo, que intensificaram a expansão para atender à demanda.

LEIA TAMBÉM Cartas ....................................... 8 Não Durma no Ponto ............... 14 Pequenas Notáveis .................. 64 Guia do Empreendedor ............ 74 Produtos e Serviços ................. 75

Nilton Pereira Alves Quimlab

Ricardo Sarmento Costa Trilha Projetos

O químico ganhou capacitação gerencial e tempo para desenvolver a tecnologia que hoje domina o mercado brasileiro de padrões metrológicos.

O engenheiro encontrou no INT a tranqüilidade para entrar com segurança no mercado de planejamento da produção industrial e conquistar clientes como Nokia e Honda.

Leitura ...................................... 76 Análise Econômica ................... 78 Indicadores .............................. 79 Agenda ..................................... 80 Empreendedor na Internet ...... 82

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de Empreendedor para Empreendedor

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Editorial E

m meio a um mar de impostos, taxas e contribuições infindáveis e multiincidentes, juros elevados e burocracia, as incubadoras de empresas são verdadeiras ilhas de segurança para o empreendedor brasileiro atracar seus negócios. Nelas, além de receber apoio administrativo e comercial, o empresário encontra tranqüilidade para desenvolver seus produtos e processos até que eles estejam maduros o suficiente para singrar o mercado. Prova disso é a elevada taxa de permanência no mercado entre as empresas graduadas, em média de 80%, e entre as oriundas de determinadas instituições, esse índice supera 90%. Em conjunto com as ainda incubadas, esses empreendimentos geram 33 mil empregos diretos e, no ano passado, faturaram R$ 2 bilhões. Nos últimos 20 anos, o grupo gerou R$ 400 milhões em impostos, valor que quase iguala o custo de implantação e operação de 393 incubadoras e dez parques no mesmo período, R$ 430 milhões. É justamente nesse ambiente sinérgico, que abriga a elite do empreendedorismo inovador do Brasil, que a Re-

vista Empreendedor selecionou os “dez empreendedores do ano”. São criadores de empresas que disputam com competitividade o mercado – em geral internacional – em que atuam, com qualidade reconhecida pelos outros players e instituições como Anprotec e Finep. Como gestores, são premiados por entidades como Ernst & Young e selecionados como modelo pela Endeavor – em muito, fruto da capacitação que receberam nas incubadoras. Nesta edição de fim de ano, toda a equipe se empenhou em apresentar as incubadoras, pré-incubadoras e parques tecnológicos, sistema que deveria estar presente em todas as cidades do país, e os negócios expoentes que surgiram nesse meio, para empreendedores de todo o Brasil se espelharem. Por isso, muitas seções deixam de ser publicadas neste mês. Uma exceção, que merece ser destacada, é a entrevista com o presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), Gilberto do Amaral, que dá uma boa idéia dos vagalhões que as empresas precisam enfrentar nesse mar chamado Brasil. Alexsandro Vanin

Rio Grande do Sul: Rua Arnaldo Balvê, 210 Jardim Itu - 91380-010 - Porto Alegre - RS Santa Catarina: Av. Osmar Cunha, 183 - Ed. Ceisa Center - bloco C - conjunto 902 88015-900 - Centro - Florianópolis - SC Paraná: Rua Dep. Atílio Almeida Barbosa, 76 conjunto 1 - Boa Vista - 82560-460 - Curitiba - PR Pernambuco: Rua Ribeiro Brito, 1111 - conjunto 605 - Boa Viagem - 51021-310 - Recife - PE

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Cedoc O Centro de Documentação (Cedoc) da Editora Empreendedor disponibiliza aos interessados fotos e ilustrações que compõem o nosso banco de dados. Para mais informações, favor entrar em contato pelo telefone (48) 2106-8666 ou pelo e-mail imagem@empreendedor.com.br.


Dezembro 2007 – Empreendedor – 7


Cartas Créditos verdes

Hora certa

Pesquisando por créditos de carbono na internet, encontrei no site Empreendedor o artigo “Moeda verde”, de Natacha Amaral, publicado na edição de outubro da Revista Empreendedor. Antes de tudo, quero parabenizá-la pela clareza e abrangência do texto. Como estou iniciando minhas pesquisas sobre esta área, achei extremamente elucidativo. Vejo que este mercado, tanto de neutralização de carbono quanto de créditos de carbono, tem um potencial ainda muito grande a ser explorado, além da própria causa, em si – que é a redução de poluentes por parte das atividades industriais. Atuo na área de intermediação de negócios, principalmente imobiliários, e independente deste foco de atuação, gostaria de buscar maiores informações sobre como participar, de alguma forma, deste setor.

Gostaria de uma ajuda, preciso fazer um trabalho na faculdade sobre “dificuldades e facilidades para abrir uma empresa”. Será que vocês têm alguma matéria, artigo ou conteúdo para me auxiliar na elaboração?

Leonardo Flores Marotte

Jaraguá do Sul (SC)

Vinicius Lorenzoni

Santa Maria (RS)

Da Redação: Esse é um tema muito amplo, depende do tipo de empresa, para quem ela vende, qual é o porte, segmento, etc., e é abordado com freqüência na Revista Empreendedor. Sugerimos que você faça uma pesquisa no site Empreendedor, utilizando a ferramenta de busca, e selecione os textos que melhor atendam aos seus interesses, e também acesse as páginas do Sebrae Nacional (www.sebrae.com.br) e do Sebrae/SP (www.sebraesp.com.br). Eles tratam de micro e pequenas empresas, e geralmente têm textos bastante didáticos para auxiliar os empresários na abertura de suas empresas. Na página do Sebrae/ SP, especialmente, existe a seção “Abrindo seu negócio”, que traz muita informação que pode lhe ser útil.

Bom para o ego Sinto-me lisonjeado tendo em mãos a Revista Empreendedor de outubro 2007. Meu ego está lá no alto, acho que devo aumentar meu pró-labore, os preços dos produtos e colocar muitas revistas à disposição de clientes, amigos e colaboradores... Se bem que no final não vou fazer nada disso e sim, quietinho, tratarei de alcançar novas metas e horizontes. Gerhard Dannape – Diretor-comercial da Samurai Tofu

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Artesanato 1 A edição de outubro ficou muito boa. Adorei a matéria sobre artesanato (“Sucesso feito à mão”, por Ana Carolina Dionísio) – não tinha nem idéia do impacto econômico que essa atividade tem. Luiza Lehmkuhl Carreirão

Assessora de imprensa da D2K Web Business

Artesanato 2 Parabéns, Ana Carolina. Amei a matéria, penso que sintetizou de forma bem compreensível a outros artesãos bem como a qualquer um que se interesse pelo artesanato brasileiro, sou fã da Malba Aguiar e a considero a maior autoridade brasileira sobre o tema, parabéns de verdade. Adeguimar Arantes

Designer do ateliê Jazidas de Goiás


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Entrevista

Gilberto do Amaral

Tiro no pé Elevada carga de impostos e burocracia tributária comprometem o crescimento do país por

Natacha Amaral

Com a maior carga de impostos do mundo, o sistema tributário ainda é o grande pesadelo do empresariado no Brasil. A quantidade infindável de taxas, contribuições e outros encargos cobrados por União, Estados e municípios combi-

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nada com o excesso de normas e burocracia, multiincidência de tributos e prazo curto para recolhimento formam a combinação perfeita para desestimular a abertura e a concretização de qualquer negócio. Para o presidente do Instituto

Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), Gilberto do Amaral, o sistema adotado no Brasil é tão absurdo e perverso que não só dificulta o dia-a-dia das empresas, mas também compromete o crescimento da economia como um todo.


Empreendedor – Como o senhor avalia o sistema tributário brasileiro? Quais são seus principais defeitos?

Amaral – Temos o sistema tributário mais caro e complexo do mundo. É caro em virtude da quantidade de tributos e normas que o regem. São 12 impostos, 20 contribuições e 32 taxas, além de cerca de 3,2 mil normas tributárias que os contribuintes devem conhecer, principalmente as empresas. Se todas essas normas fossem digitadas em formato Arial, tamanho 12 e impressas em folhas A4, ocupariam 5,5 quilômetros de papel. Isso apenas exemplifica a dificuldade de acompanhamento por parte do contribuinte. Só para termos uma idéia, desde a Constituição de 1988, foram editadas mais de 220 mil normas tributárias. É um número enorme. Empreendedor – E que outros fatores contribuem para a complexidade do sistema?

Amaral, um dos maiores especialistas em Direito Tributário do País, conversou com a Empreendedor sobre o assunto, explicou a origem histórica do atual cenário brasileiro, e apontou soluções e novas perspectivas de mudança.

Amaral – A quantidade de burocracia. As empresas, por exemplo, têm de cumprir cerca de 97 obrigações acessórias, como preenchimento de declarações, formulários, guias e livros. É uma infinidade de complicações que oneram os negócios significativamente. Estima-se que cada empresa gasta, em média, 1,5% de sua receita anual somente para realizar esses procedimentos. Além disso, há a multiincidência ou efeito cascata de impostos e contribuições. É tributo que incide sobre tributo sucessivamente. Por exemplo, quando uma empresa paga CPMF, no valor desse tributo estão inclusos PIS e Cofins. Estes incidem sobre o ICMS, que, por sua vez, incide sobre o INSS, outras taxas e contribuições. Isso aumenta o custo do sistema. Um outro complicador são os prazos curtos para recolhimento dos tributos. No caso do INSS, o prazo são dez dias, para o Fundo de Garantia (FGTS), sete dias, PIS e Cofins, 20 dias, sem falar em imposto de renda mensal e tri-

O empreendedor que começa motivado acaba desanimando diante de tantos obstáculos. Assim, muitas idéias no país falecem justamente pelo sistema tributário

mestral. A maior parte das empresas vende a prazo, com um tempo médio de 57 dias, e tem que pagar seus tributos dentro de aproximadamente um mês. Então, acabam antecipando o recolhimento dos valores, e isso lhes gera um custo financeiro considerável. Empreendedor – Como isso afeta a economia do país e a vida das empresas?

Amaral – Se o sistema tributário fosse mais simples e permitisse maior dinamismo, o Brasil cresceria muito mais, de 7% a 8% tranqüilamente, por conta de ganho na agilidade nos negócios. Também haveria maior geração de emprego e renda. Mas o sistema é tão absurdo que não existe empresa no país com a tranqüilidade de afirmar que não tem nenhuma pendência ou potencial passivo tributário. Ninguém pode dizer ter cumprido com todas as obrigações, porque elas são tão amplas e contraditórias entre si que tornam o empresário um refém desse sistema. Isso tudo dificulta muito o dia-a-dia das empresas, porque os empreendedores Dezembro 2007 – Empreendedor – 11


Entrevista

Gilberto do Amaral

não sabem exatamente o que têm de recolher e como fazê-lo. Isso, logicamente, traz reflexos nos negócios. Afeta desde a constituição de uma empresa – porque abrir e fechar empresas no Brasil é um dilema – até a realização de negócios mais amplos, quer em outros Estados e municípios brasileiros, quer em outros países. Até entender os tributos incidentes em cada situação e passar por toda a burocracia, perde-se muita agilidade e, eventualmente, a concretização de novos negócios. O mercado, principalmente o globalizado, é muito dinâmico. Tudo caminha mais rápido lá fora. Por isso, poderíamos ter muito mais empresas exportando e desenvolvendo novas tecnologias. O empresariado também sente mais dificuldade em precificar seus produtos, uma vez que precisa levar em conta os tributos. O empresário tem facilidade em determinar custo e margem de lucro, mas quando precisa definir o valor dos impostos, não sabe fazer o cálculo. Por isso, às vezes, estima um valor errado e fica fora do mercado. Se calcular custos altos demais, a venda do produto fica dificultada, e se calcular errado, o tributo passa ter uma dívida com o Fisco e assim não consegue certidões negativas, financiamentos, etc. Com essa realidade, o empreendedor que começa motivado acaba desanimando diante de tantos obstáculos. Assim, muitas idéias no país falecem justamente pelo sistema tributário. Empreendedor – Existe alguma explicação histórica para nossa realidade tributária atual?

Amaral – Sim, herdamos um sistema já complicado de Portugal. A Coroa portuguesa dividiu o Brasil em capitanias hereditárias e sempre utilizou os tributos como uma ferramenta de dominação. O mesmo ocorreu no Brasil República, pós-Independência. Tributos mais altos possibilitavam que os apadrinhados do poder fizessem seus lobbies,

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conseguissem suas benesses e tivessem mais competitividade. A maior parte da população era punida a fim de criar benefícios para uma minoria. Isso se manteve até hoje, e o contribuinte é visto pelo Fisco como um escravo, não como um cidadão. Então, enquanto se fala em tributos na Alemanha e nos Estados Unidos como instrumento de cidadania e desenvolvimento, no Brasil refere-se a ele como ferramenta de punição. É por isso que as pessoas não pedem nota fiscal, permitem a informalidade e a sonegação aqui. Empreendedor – Qual seria o modelo de sistema tributário mais adequado para o Brasil? Poderíamos nos espelhar na legislação de algum país?

Amaral – Não podemos simplesmente copiar um sistema tributário de outro local, mas é possível pegar experiências que deram certo nos Estados Unidos e em nações emergentes como Coréia, China, Índia e adaptá-las à nossa realidade. Precisamos de um modelo, primeiro, que simplifique o sistema, diminuindo a quantidade de tributos, normas e burocracias. Temos 62 tributos, muitos deles repetitivos, como PIS e Cofins, que têm exatamente a mesma base de cálculo e legislação. Temos Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, com a mesma legislação. Também o ICMS sob a lei de cada Estado, o que torna a vida das empresas um pandemônio. Além disso, não precisamos de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). Empreendedor – E, além da diminuição na quantidade de tributos, o que mais poderia ser feito?

Amaral – Precisamos desburocratizar para melhorar o atendimento do Estado. Hoje, se você for consultar um órgão público, como a Receita Federal, o INSS ou a prefeitura para abrir uma empresa, ninguém te dá uma ex-

plicação, apenas complicações. O brasileiro é tratado como um cidadão de segunda classe. Quem é de primeira classe são os burocratas, os políticos que vivem da mamata do poder público. É preciso ter em mente que o empreendedor quer fazer negócios, ganhar dinheiro. Se o tributo for simples, que seja fácil de compor no custo, ele não liga de pagar. Existe uma idéia errada de que brasileiro é sonegador por excelência. Se ele realmente o fosse, não geraria tanta arrecadação tributária. Mensalmente, são divulgados números, e é sempre recorde atrás de recorde. Se este país não está melhor, não é por falta de dinheiro. Empreendedor – Por que ainda não foi realizada uma simplificação dos tributos no Brasil?

Amaral – Porque os tributos são geradores de receita para o Estado, ou melhor, para os governantes. É sua forma de ganhar recursos para manter seus feudos eleitorais e seu status quo. É para dizer depois: “Eu fiz isso, eu criei essa desoneração”. Por mais ilógico que seja, é isso o que ocorre. Um exemplo disso é a proposta de reforma tributária que o governo vai apresentar agora. Não se trata de algo amplo e que torne o sistema realmente mais simples e justo. Não. O governo está pensando, na verdade, em agradar governadores e prefeitos, além dos interesses da União, enquanto as empresas e os contribuintes não são levados em conta. E quem são os responsáveis? Os próprios eleitores, que não exigem atitude dos seus candidatos (e nem sabem em quem votaram). Empreendedor – Uma desoneração na folha de pagamento das empresas contribuiria para aumentar o nível de emprego, salários e os resultados das empresas também?

Amaral – Não tenha dúvida. Um grande exemplo disso foi a correção da tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física feita nos últimos anos. Nunca


se experimentou tanto crescimento pela formalização dos negócios, e isso nem é folha de pagamento. Imagine estender isso para todos os setores.

tômetro. Qual é seu objetivo e como estão os números?

Empreendedor – Então, dizer que diminuição de tributos leva à queda de arrecadação é um argumento enganoso?

Amaral – Sim, em países com custo da folha de pagamento muito menor que o Brasil, como Estados Unidos e Inglaterra, há um índice de arrecadação e de formalização de negócios muito superior. E o empresariado brasileiro não espera uma desoneração enorme, apenas uma sinalização nesse sentido. Mas o governo não quer arriscar redução nem de 9,5% por folha. Empreendedor – Enquanto o cenário atual não muda, o que as empresas podem fazer, desde já, para reduzir ao máximo sua carga tributária?

Amaral – Fazer planejamento tributário, por meio do qual o contribuinte opta pelo regime tributário, dentre os previstos pela lei, que menos lhe acarrete custos. Essa prática existe no mundo todo e é indispensável no Brasil. Envolve decisões tais como fusão, cisão ou separação de empresas, criação de uma holding, se vai entrar como empresa de lucro real ou presumido, etc. O governo procura dizer que o planejamento tributário é responsável por sistemas de evasão, mas isso não é verdade. Elisão é diferente de evasão ou sonegação fiscal, que é algo combatido pela lei. Quem faz planejamento tributário não está interessado em sonegar, pelo contrário, busca uma forma ideal para pagamento de seus tributos. Empreendedor – Como o senhor avalia a nova Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas? Acha que o Super Simples trouxe benefícios?

Amaral – É um avanço em relação à legislação anterior, apresentou apri-

Os tributos são geradores de receita para o Estado, ou melhor, para os governantes. É sua forma de ganhar recursos para manter seus feudos eleitorais e seu status quo

moramentos, mas ainda muito tímidos para possibilitar a formalização e a criação de novos negócios. Para quem se propunha a fazer um sistema super simples, ele ficou muito complicado. A Lei foi feita como Lei Complementar, o que dificulta realizar alterações. Além disso, prestadores de serviço tiveram poucas vantagens. Empreendedor – O IBPT desenvolveu um sistema de acompanhamento da arrecadação de impostos no Brasil em tempo real – o impos-

Amaral – O impostômetro foi desenvolvido para a Associação Comercial de São Paulo com a finalidade de fazer as pessoas conhecerem o quanto pagam de tributos. É o dedo-duro dos governantes. Com relação a valores, a carga tributária brasileira deve atingir 36% do PIB este ano. Serão arrecadados aproximadamente R$ 914 bilhões pela União, Estados e municípios, o que é um número fabuloso e faz com que, no ano que vem, se atinja mais de R$ 1 trilhão só em arrecadação de impostos, taxas e contribuições. Enquanto o crescimento do PIB previsto para este ano é de 4,7%, a arrecadação crescerá mais de 11%. Empreendedor – E a taxa de inadimplência?

Amaral – É muito alta. Hoje, União, Estados e municípios têm R$ 1,3 trilhão para receber dos contribuintes, ou seja, o sistema tributário é tão oneroso que faz com que as empresas e as pessoas físicas não tenham condições de pagar tudo o que é exigido por lei. Empreendedor – Quais são as perspectivas para o sistema tributário brasileiro?

Amaral – O Brasil reúne condições de implantar um sistema muito inovador. Este é um país de criatividade enorme, e o povo brasileiro é, por natureza, empreendedor. Mas ser empreendedor no Brasil é desafiar todo esse sistema tributário perverso. Veja o que as empresas fazem para sobreviver. Por isso, é possível propor algo mais avançado, moderno e que permita o crescimento do País. Para que isso aconteça, é necessária uma pressão da população. A opinião pública precisa estar muito atenta. Não duvido que a não-prorrogação da CPMF será o grande impulsionador de uma reforma tributária melhor.

Linha Direta Gilberto do Amaral: (41) 3232-9241 Dezembro 2007 – Empreendedor – 13


Não Durma no Ponto Resultado o tempo todo O principal trabalho do líder é conseguir os resultados. Penso que estamos de acordo quanto a isso. Mas será que os líderes sabem, de fato, o que faz mesmo o resultado? Se, para o líder, resultado é apenas a diferença entre as entradas e as saídas, seu campo de ação é bem pequeno. Claro, pois se reduz a duas variáveis. E, em geral, sua ação mais consistente será aquela tão óbvia que todos nós bem conhecemos: diminuir as saídas. É bem provável que opte pela forma mais convencional, que é a contenção das despesas. Nada além disso. Mas existe uma outra maneira de enxergar o mesmo e fundamental objetivo. Resultado pode e deve ser compreendido como a soma dos vários desempenhos individuais. Pensar dessa maneira muda o ponto de vista, antes centrado em uma simples equação financeira ou contábil, para a origem real do resultado: as pessoas. É, de fato, um engano acreditar que o resultado é uma conseqüência da métrica ou da mais elementar aritmética, ou seja, uma conta de subtrair. É como acreditar que podemos ganhar um jogo definindo previamente o seu placar, sem considerar o que acontece em campo. Um jogo se ganha com uma bela equipe de jogadores. E o placar depende do quanto eles são competentes nas suas posições individuais e como flui a sinergia entre eles. Claro, esse conjunto tem tudo a ver com o preparo, talento e visão do técnico. Voltemos à frase inicial. Se o principal trabalho do líder é conseguir resultados, então, sob a ótica dessa visão mais ampla, o principal trabalho do líder é conhecer as competências individuais, estas sim geradoras de resultados, e potencializá-las em seu conjunto, ou seja, através do trabalho em equipe. Se estamos de acordo até aqui, en-

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tão responda: você conhece as competências das pessoas que compõem a sua equipe?

Maravilhas submersas Imagine que as competências de uma pessoa têm a forma de um iceberg – e, acredite, essa é uma boa metáfora para o caso. Na parte superior e visível, está o conjunto de seus conhecimentos, habilidades e comportamentos. Entenda por conhecimentos a gama de informações a partir das quais

Descubra e trate de usar plenamente o que está submerso, porque é disso que depende o sucesso de sua equipe e, conseqüentemente, de sua empresa

ela é capaz de conceituar, compreender ou definir determinado tema, assunto ou problema. Esse conhecimento é teórico e não garante a prática. Saber é diferente de saber fazer, que implica a existência de habilidade. A habilidade é, portanto, a destreza ou aptidão para colocar em prática o conhecimento. Uma pessoa está habilitada quando consegue demonstrar, por meio da ação, como pode lidar bem com

determinado tema ou assunto. Comportamento, por sua vez, é a ação propriamente dita, mas que traz consigo uma conduta, ou seja, um procedimento moral. Karl Adolf Eichmann, o homem que mais judeus eliminou durante a Segunda Guerra Mundial, tinha uma grande habilidade, de que se orgulhava muito. Ele mantinha rigorosamente no horário os seus trens de carga humana destinada ao holocausto. Era um homem preparado, em conhecimentos e habilidades, para o que acreditava ser sua missão prioritária, mas de comportamento abominável. Criar espaço para que uma pessoa faça bom uso do seu conjunto de conhecimentos, habilidades e comportamentos é permitir a expressão do seu desempenho individual. E resultado nada mais é do que a soma dos desempenhos individuais. Saiba, no entanto, que esse conjunto de competências é apenas o pedaço visível do iceberg. E nem mesmo é o maior. Existe um outro conjunto de competências que está submerso, da mesma forma que o restante do iceberg, e que abriga um potencial inimaginável de desempenho e, portanto, de resultado. Temos aí uma constatação importante e uma boa notícia: nem sempre fazemos bom uso das competências das pessoas que compõem a nossa equipe ou a nossa empresa, caso nos limitemos a enxergar apenas o que está à superfície. É preciso ter acesso a essa reserva imensurável de competências que, embora invisível, está à nossa disposição quando temos sensibilidade para permitir que aflore, em todo o seu esplendor.

Imenso arsenal para ir além Conhecimentos, habilidades e comportamentos são a parte visível das


por Roberto Adami Tranjan Educador da Cempre – Conhecimento & Educação Empresarial (11) 3873-1953 – www.cempre.net – roberto.tranjan@cempre.net

competências. Podem ser averiguados, testados, avaliados. Porém, se nos limitarmos apenas a esses fatores, reduzimos a possibilidade de uma pessoa de ir além, de descobrir seu próprio potencial latente ou adormecido. Para que ela possa ter acesso a esse universo desconhecido, existem mais quatro componentes da competência. O primeiro deles é a atitude. Entenda por atitude a predisposição mental de agir de determinada forma. É o que chamamos de intenção. É um fator de grande importância, embora tenhamos aprendido dos nossos avós que “de bem intencionados o inferno está cheio”. Se criarmos uma imagem mental positiva de como queremos ou gostaríamos de agir, as chances de isso acontecer são maiores do que se considerarmos o inverso. Sem a intenção de agir da maneira mais adequada, essa possibilidade se torna remota. Portanto, a atitude precede o comportamento. Boas atitudes conduzem a bons comportamentos, e vice-versa. Trata-se de um círculo muito virtuoso, esse. Altamente aconselhável. As inteligências são os outros componentes das competências. Howard Gardner e sua equipe provaram que existem mais inteligências do que as normalmente medidas pelos testes de QI, que supervalorizam a lógicomatemática e a lingüística. Além dessas, existem outras também importantes, como a espacial, a corporalcinestésica, a musical, a naturalista, a pictográfica, a interpessoal e a intrapessoal. Estas duas últimas, reunidas, receberam de Daniel Goleman a denominação particular de inteligência emocional. Há, portanto, um imenso arsenal de recursos para fazer com que uma pessoa possa, continuamente, ir além em seu trabalho e desempenho.

O que tem mais valor O iceberg das competências se completa com os dons e talentos. E aqui está o que é realmente essencial. O que melhor a representa. Sem querer exagerar, essas competências são a pessoa. Diferentemente dos conhecimentos, habilidades e comportamentos, que são adotados, os dons e os talentos fazem parte da própria natureza da pessoa. E como identificá-los? Existem algumas pistas. Quando fazemos coisas relaciona-

O principal trabalho do líder, na prática, é criar um ambiente de trabalho que permita a expressão das competências, por inteiro, de todas as pessoas

das aos nossos dons e talentos, é com muito gosto e sem grande esforço. Mergulhamos nessas atividades em estado de profunda concentração e êxtase. É como se o mundo parasse ou se nada mais importasse. Trata-se de algo que expressa os nossos mais nobres desejos e suscita uma intensa emoção positiva. Nós nos sentimos realizados. Mas, atenção! É importante não

confundir dons e talentos com hobbies. Um hobby é também algo que nos dá prazer, mas não necessariamente contribui para nossa evolução global. Provavelmente, ninguém nos pagaria pelos nossos hobbies. Entretanto, nossos dons e talentos sempre valem muito. E há quem se disponha a traduzir em moeda esse imenso valor, apesar de estarmos dispostos a usá-los mesmo de graça, tamanha é a satisfação que nos causam.

Resultados e recompensas Todos trabalham na expectativa de receber alguma recompensa. Para isso, muitos desenvolvem conhecimentos e habilidades, e adotam determinados comportamentos. Esse conjunto de competências gera resultados, que por sua vez servem como base para algum modelo de remuneração ou premiação. O que muitos líderes não percebem é que essa recompensa ainda se baseia apenas na parte superior do iceberg. Ao limitar suas atenções apenas a essa pequena parcela do todo, desperdiça o restante, justamente onde está o que é mais significativo e poderoso: o potencial de desempenho presente e futuro. Trata de reverter agora mesmo essa distorção. Tanto no que diz respeito aos colaboradores como a você, líder. Descubra e trate de usar plenamente o que está submerso, porque é disso que depende o sucesso de sua equipe e, conseqüentemente, de sua empresa. Hoje e amanhã. Sempre! Começamos dizendo que o principal trabalho do líder é conseguir resultados. Podemos, então, concluir que o principal trabalho do líder, na prática, é criar um ambiente de trabalho que permita a expressão das competências, por inteiro, de todas as pessoas. E isso é resultado o tempo todo e por toda a vida! Dezembro 2007 – Empreendedor – 15


Incubadoras

Berço esplêndido Alta taxa de sobrevivência no mercado comprova eficiência das instituições na preparação de empresas por

Francis França

16 – Empreendedor – Dezembro 2007


Raio X do sistema Incubadoras no Brasil: 393

Berço do empreendedorismo seguro e competitivo, as incubadoras de empresas abrigam a elite da inovação brasileira. A taxa de permanência no mercado entre os empreendimentos que se formam nesses ambientes é em média de 80%, podendo superar os 90%, em algumas instituições. O segredo para tanto sucesso está na combinação de uma competição severa, que obriga empresas a já nascerem com potencial acima da média, e um elemento chamado sinergia – resultado do convívio desses empreendimentos em um mesmo espaço. “Na incubadora, empreendedores que são sumidade estão imersos em um contexto muito favorável para formar redes de contato, agregar competências e ganhar capacitação sobre gestão”, diz Ary Plonski, presidente da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec). De acordo com dados da associação, mais de 1,5 mil empresas já se graduaram em incubadoras nas últimas duas décadas, e, hoje, cerca de 2,8 mil residem nas 393 incubadoras em operação de norte a sul do País, além de 2 mil associadas (também incubadas, mas sem usufruir da estrutura física). Incubadoras são ambientes planejados para o desenvolvimento das empresas, que têm à disposição infra-estrutura física, serviços de consultoria em gestão administrativa e operacional, intermediação com instituições de ensino, pesquisa, governo e potenciais investidores. Presentes em mais de 40% das universidades federais, as incubadoras também oferecem laboratórios, oficinas para a construção de protótipos e orientação mercadológica para levar as idéias inovadoras ao mercado. De acordo com o Panorama 2006,

da Anprotec, 41% das incubadoras no Brasil atuam exclusivamente na área tecnológica, que inclui nanotecnologia, biotecnologia, informática, eletrônica, robótica, mecânica, etc. Atualmente, vem crescendo a participação em outras áreas, como cultural e social. As incubadoras estão concentradas principalmente nas regiões Sul e Sudeste do país, empatadas com 127 cada. Mas a região que mais cresce é a Nordeste, que passou de oito instituições em 2003 para 28 no ano passado. Responsáveis pela geração de 33 mil empregos diretos (40% de nível superior), as incubadoras preparam as empresas para um mercado de vulto. Nos últimos 20 anos, estimase que o sistema tenha colaborado para a geração de aproximadamente R$ 400 milhões em impostos. Somente no ano passado, a participação das empresas graduadas e incubadas na economia brasileira foi de R$ 2 bilhões. Para ter acesso a esse grupo, o maior desafio é enfrentar processos seletivos rigorosos e conseguir ingressar em uma incubadora. O primeiro passo é participar de um edital de seleção, em que são avaliados os projetos de acordo com o grau de inovação e o potencial mercadológico do produto ou serviço a ser desenvolvido. Os editais exigem a apresentação de um plano de negócios, e muitas das incubadoras têm roteiros e uma equipe técnica para orientar os candidatos na elaboração. A última etapa é a entrevista, para tirar dúvidas e medir o grau de conhecimento do empreendedor sobre seu próprio projeto. No Centro Incubador de Empresas Tecnológicas da Universidade de São Paulo (Cietec/USP), o processo seletivo ocorre a cada quatro meses, e dez empresas são incubadas, em média. O Cietec já opera na capacidade máxima, com 128 residentes, o que aumenta a concorrência e exige muito mais do que um projeto inovador para vencer. De acordo com Sér-

Empresas graduadas: 1,5 mil Empresas residentes: 2,8 mil Empresas associadas: 2 mil Tempo médio de incubação: 4 anos Tamanho de equipe das incubadoras: média de 5 Empregos gerados por incubadoras e parques tecnológicos: 33 mil Taxa de mortalidade das empresas incubadas: menor do que 20%

Fatores econômicos Faturamento anual das empresas graduadas: R$ 1,6 bilhões Faturamento anual das empresas incubadas: R$ 400 milhões Impostos gerados nos últimos 20 anos: R$ 400 milhões Custo de implantação e operação das incubadoras e parques nos últimos 20 anos: R$ 430 milhões Recursos públicos ou de entidades parceiras aplicados nas incubadoras e parques nos últimos 20 anos: R$ 150 milhões

gio Risola, gerente-executivo da incubadora, durante a seleção, o candidato precisa provar que tem um bom histórico acadêmico e empresarial, além de capacidade financeira para desenvolver o projeto. “Entender um pouco do passado do candidato é importante para que a gente não acabe incubando alguém sem condições. É uma etapa delicada, mas importante para não perder tempo, nem o nosso nem o dele. Sem falar no dinheiro, que muitas vezes é a economia de uma vida toda. Tem que ser rigoroso”, explica Risola. Segundo levantamento da Anprotec, o custo médio para geração de uma empresa inovadora é de R$ 70 mil. Na entrevista, o candidato precisa Dezembro 2007 – Empreendedor – 17


Incubadoras provar que tem capacidade financeira para abrir o negócio sem depender de recursos de terceiros, como agências de fomento ou investidores. Assim que consegue entrar na incubadora, a empresa já começa a se preocupar com outro grande desafio, que ocorrerá, em média, dali quatro anos: a hora da graduação. O ambiente favorável das incubadoras, com assistência jurídica, contábil e de gestão, muitas vezes acostuma mal os empreendedores e, na hora de voltar para o “mundo real”, as dificuldades acabam inviabilizando o negócio. “O subsídio que as empresas têm aqui dentro não pode ser levado em consideração na hora de fazer a contabilidade. O empreendedor precisa considerar que o preço do produto deve ter embutido uma série de custos que ele ainda não tem dentro da incubadora”, diz Risola. O gasto de manutenção de uma empresa dentro do Cietec é de aproximadamente R$ 750 por mês e, segundo Risola, para o mesmo empreendimento se estabelecer do lado de fora dos muros da instituição, incluindo aluguel de imóvel, internet, segurança e todos os custos operacionais, além das despesas fiscais, os custos são dez vezes maiores. Para arcar com esses custos, mui-

tas empresas recém-graduadas contam com investidores de capital de risco, também conhecido como venture capital ou capital empreendedor. Apesar de recentes no país, os investimentos em micro e pequenas empresas de inovação tecnológica vêm crescendo continuamente, principalmente a partir de 2001, com o apoio da Financiadora de Estudos e Pesquisas (Finep) e do Sebrae. De acordo com estudo publicado pela Anprotec, em 1999 esse tipo de investimento já ultrapassava a soma de US$ 3,7 bilhões no Brasil. Um ano depois, batia a cifra de US$ 4,95 bilhões e, em 2004, o país já contava com 71 organizações gestoras de 97 fundos, que, juntos, somavam US$ 5,8 bilhões.

Apoio administrativo Além dos recursos financeiros, a década de 1990 também trouxe mais capacitação em gestão administrativa para o sistema de incubação brasileiro. Em 1991, o Sebrae passou a apoiar o movimento, dando, além de recursos financeiros, acesso aos produtos e serviços que oferece, como consultorias e assessorias especializadas. Só no Estado de São Paulo, o Sebrae apóia 76 incubadoras, e mais de 1,5 mil empre-

Evolução no Brasil (número de incubadoras) 393

400

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1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007

18 – Empreendedor – Dezembro 2007

sas foram ou estão sendo beneficiadas pelo programa. “O Sebrae/SP tem esse programa, é como uma ação estruturante, porque a empresa incubada, além de aproximar a inovação da sociedade, traz essa química do desenvolvimento do empreendedorismo e oportunidade de mercado em um ambiente bastante apropriado”, diz Marcelo Dini, consultor do Sebrae/SP. O Centro Incubador de Empresas Tecnológicas do ParqTec de São Carlos (Cinet), incubadora mais antiga da América Latina, firmou parceria com o Sebrae em 1997, e, de lá para cá, a taxa de criação de empresas cresceu 100%, e a mortalidade das graduadas caiu 50%. De acordo com Sylvio Goulart Rosa Júnior, presidente do Cinet, o programa de apoio do Sebrae às incubadoras é um dos mais bem-sucedidos do mundo, pela competência de gestão que agregou à incubação. Goulart está no Cinet desde a sua criação, em janeiro de 1985, e acompanhou de perto a evolução do sistema de incubadoras. Segundo ele, a taxa de sucesso das empresas graduadas nem sempre foi alta, principalmente devido à macroeconomia e aos planos econômicos que o Brasil teve nos últimos 20 anos. “Tivemos uma melhoria significativa com o Plano Real, além


do aumento na experiência de gestão das incubadoras, com a qualificação dos gerentes e aperfeiçoamento no sistema seletivo das empresas”, diz. A maioria das incubadoras no Brasil são entidades sem fins lucrativos, e 70% estão vinculadas a universidades ou centros de pesquisa. A iniciativa de criar uma incubadora geralmente parte dessas instituições, mas também é possível participar de editais para criá-las. Segundo dados da Anprotec, a instituição interessada deve desenvolver um plano de negócios da incubadora, que servirá de subsídio para a participação em editais específicos, geralmente lançados por instituições de apoio ao empreendedorismo e à inovação como Sebrae, Finep e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A renda das incubadoras é formada por uma taxa simbólica de locação de espaço, paga pelos empreendimentos residentes, de recursos da entidade gestora, como universidades, centros de pesquisa ou prefeituras, além de editais e chamadas das principais entidades de fomento. Parte da receita também vem diretamente do Ministério de Ciência e Tecnologia e, recentemente, do BNDES, que

Plonski: retorno para a sociedade deve ser maior do que o custo

Risola: candidato precisa provar bom histórico acadêmico e empresarial

criou alguns programas de apoio à inovação nas micro e pequenas empresas. De acordo com o presidente da Anprotec, Ary Plonski, o objetivo não é ter incubadoras lucrativas, mas sustentáveis. “A nossa preocupação é que o retorno para a sociedade, por meio de soluções inovadoras, serviços e mesmo impostos, seja maior do que o custo que a sociedade tem para mantê-las”, diz. Para o futuro, a tendência é que as incubadoras passem a se tornar elementos centrais nas universidades.

“Naquelas universidades que estão se tornando empreendedoras, teremos três espaços conectados de aprendizagem: sala de aula, laboratório e incubadora”, diz Plonski. A Anprotec trabalha hoje com o que chama de “reposicionamento estratégico”, para tornar os projetos mais relevantes e, conseqüentemente, atrair mais recursos e investimentos. Entre as metas do reposicionamento, estão programas de pré-incubação coletiva para integrar incubadoras e parques tecnológicos em um conceito de redes cooperativas e cursos de pós-graduação mais orientada para projetos com potencial de geração de empreendimentos. Para Sylvio Goulart, do Cinet, o movimento de integração entre conhecimento e aplicação é base para o desenvolvimento, pois, sem empresas inovadoras, o Brasil fica fora do jogo da globalização. “E daí vamos continuar como estivemos nos últimos 500 anos, só que, em vez de exportar pau-brasil, açúcar, ouro e café, vamos exportar minério de ferro, carne e suco de laranja, quer dizer, continua a situação de periferia. Para entrarmos no centro da economia, com vantagem competitiva, só através da inovação tecnológica. E isso significa empresa brasileira forte.” Dezembro 2007 – Empreendedor – 19


Incubadoras

Transição pacífica Parques tecnológicos se tornam caminho natural para empresas graduadas Com a consolidação do sistema de incubação, começam a surgir no país os parques tecnológicos, que oferecem ambiente semelhante ao das incubadoras para abrigar as empresas graduadas e reduzir o choque na transição entre a incubação e o contato com o mercado. Além de reunirem companhias de grande porte e âncoras multinacionais, os parques tecnológicos possuem maior interação com a universidade e, principalmente, com as incubadoras. Nesse novo cenário, estas últimas se tornam instrumentos dos parques, com o papel de criar as empresas residentes. O Brasil tem atualmente dez parques em operação e mais 45 ainda em fase de projeto. O crescimento é mais lento do que nas incubadoras por exigir maior volume de investimento. Um parque tecnológico tem proporções semelhantes às de um campus universitário e precisa construir vias públicas, prover abastecimento de água e energia elétrica, segurança e toda a infra-estrutura antes de começar a dar resultados.

Saboya: sinergia para reduzir custos de transação e acessar mercados mais rapidamente

20 – Empreendedor – Dezembro 2007

Mas a aposta nesses empreendimentos em outros países mostra que o investimento compensa. Hoje, existem cerca de 400 parques espalhados pelo mundo. No Brasil, entre os projetos que estão sendo desenvolvidos está o Núcleo do Parque Tecnológico do Cietec, que deve ser inaugurado em 2008 e faz parte do Sistema de Parque Tecnológicos de São Paulo, programa de grande abrangência e ainda em fase de elaboração. De acordo com Sérgio Risola, gerente-executivo do Cietec, os parques tecnológicos devem estudar a vocação regional e se moldarem aos conhecimentos do lugar onde vão se instalar. “Vamos ter cada vez mais concentração de ambientes como esse, que envolvem a incubadora, a pré-incubadora, a universidade, os institutos de pesquisa, as áreas de P&D de empresas âncoras, e todo esse hábitat de que o empreendedorismo precisa para encontrar ressonância”, diz. Um dos exemplos é o Porto Digital, parque criado há seis anos no Bairro do Recife, na capital pernambucana,

com 3,5 mil colaboradores nas 102 instituições instaladas, entre empreendimentos de tecnologia, institutos de pesquisa e serviços especializados. A construção do Porto demandou investimentos acima de R$ 40 milhões, a maior parte injetada pelo governo estadual. O cluster é composto, em sua maioria, por pequenas e médias empresas, porém multinacionais como IBM, Motorola, Samsung e Microsoft também estão presentes no Porto Digital. “As empresas precisam de estímulo, porque inovação pressupõe risco, e a vantagem do parque tecnológico é justamente extrair a sinergia para reduzir custos de transação e acessar mercados mais rapidamente. Isso é um ativo valioso”, diz Francisco Saboya, presidente do Porto Digital.


Sapiens supera conceito para transformar-se em parque de inovação

Garimpo de idéias Sistema de pré-incubação seleciona jovens empreendedores cada vez mais preparados

No Sul do país, o Sapiens Parque superou o conceito de parque tecnológico para transformar-se em um parque de inovação, ambiente mais amplo que foca, além das empresas de tecnologias, educação, preservação do meio ambiente, arte e lazer. Instalado na Ilha de Santa Catarina, o Sapiens ocupa uma área de 4,5 milhões de metros quadrados, dos quais 51% reservados à preservação ambiental. “Um dia no Sapiens Parque será sair de casa de manhã, deixar os filhos em uma escola inovadora, tomar café com toda estrutura de Wi-Max para ler os primeiros e-mails, ir para o trabalho, fazer uma videoconferência com um cliente na Ásia no centro multiuso, almoçar no shopping e, à tarde, fazer exercícios em uma academia de última geração”, planeja José Eduardo Fiates, diretor do empreendimento. Cerca de R$ 2,5 bilhões serão investidos em 15 anos, e a expectativa é de que o Sapiens gere cerca de 30 mil empregos diretos em 250 empresas de base tecnológica e em outros 150 empreendimentos de caráter científico, artístico e cultural. O parque natural será inaugurado ainda este ano, e o sistema viário e os primeiros prédios, em 2008. A implantação total está prevista para 2022, com 1,3 milhão de metros quadrados de área construída. Segundo Fiates, mais do que um parque, o objetivo do Sapiens é tornar-se uma cidade do conhecimento, lugar onde as pessoas não apenas trabalham, mas fazem compras, praticam esportes e se divertem.

A corrida pela excelência em inovação tem estimulado os empreendedores a começar cada vez mais cedo. Nos últimos anos, algumas universidades começaram a desenvolver programas de pré-incubação, com o objetivo de transformar idéias inovadoras em planos de negócios ou estudos mercadológicos. O modelo funciona como uma orientação acadêmica, só que voltada para o mercado. De acordo com Sylvio Goulart Rosa Júnior, presidente do Cinet, o programa de pré-incubação também é responsável pela melhora na taxa de sucesso das empresas incubadas. “Você prepara o empresário antes de incubar. Fica mais claro qual o projeto que ele tem nas mãos, então ele pode escrever um plano de negócio mais robusto, com menos incerteza”, diz. Um dos exemplos é a pré-incubação da Agência de Inovação da Unicamp (Inova). Durante o programa, além de um professor responsável pelos aspectos técnicos do projeto, chamado de “mentor acadêmico”, a

equipe de alunos conta com um “mentor empresarial”, que é um profissional selecionado pela Inova junto a empresas como Petrobras e MTV Brasil, para dar orientações a respeito da viabilidade econômica e comercial do projeto. Atualmente, a pré-incubação da Inova abriga cinco projetos. O programa dura um ano e, para ser escolhida pela banca de especialistas, não basta que a idéia seja original – ela precisa ter potencial mercadológico. Um dos objetivos da pré-incubação é habilitar os projetos para participarem dos processos seletivos nas incubadoras, mas, apesar do nome, nem todas as idéias seguem este caminho. “Auxiliamos projetos a se tornarem negócios, que tanto podem resultar na criação de uma empresa quanto em um projeto para ser vendido a uma empresa que já existe”, explica Paulo Lemos, coordenador de Empreendedorismo Tecnológico e Pré-Incubação da Inova. Segundo ele, os empreendimentos que passam pela

Pré-incubação foi um período de aprendizado para a Vocalize, que desenvolve tecnologia na área da fala e da linguagem

Dezembro 2007 – Empreendedor – 21


Incubadoras Morais: plano de negócios bem estruturado, boa equipe, consistência técnica e bons contatos

Lemos: “Pré-incubação é um funil muito forte, porque inovação é uma coisa difícil de conseguir ”

Serviços oferecidos na pré-incubação Infra-estrutura física Consultorias especializadas Capacitação em: – desenvolvimento de produtos – negócios – gerenciamento – marketing – propriedade intelectual Apoio institucional e de mercado: – desenvolvimento de networking

pré-incubação são mais preparados do que as demais incubadas porque aprendem antes sobre empreendedorismo, e sobre as responsabilidades e exigências para montar uma empresa. “Se você tem um projeto que passou pela pré-incubação, é sinal de que você tem mais condições de saber como funciona o mercado, as fontes de financiamento, as dificuldades de conseguir investimento para crescer, qual é o desafio para internacionalizar”, explica.

Vocalize

– intermediação de contatos – acordos de cooperação – acesso a fontes de financiamento e investidores – acesso a potenciais clientes e fornecedores

PURESTOCKX

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A empresa Vocalize, recém-incubada na Incubadora de Empresas de Base Tecnológica da Unicamp (Incamp), passou pelo processo de préincubação e hoje desenvolve tecnologia na área da fala e da linguagem, como conversão de texto em voz, reconhecimento automático de fala e sistemas de diálogo falado entre homem e máquina. A previsão é que o protótipo do primeiro produto da Vocalize seja lançado em um ano e meio. De acordo com Edmilson Morais, sócio-fundador da empresa, o processo de pré-incubação foi um período de aprendizado sobre como estru-

turar financeiramente a empresa, captar recursos e articular uma rede de contatos. “Fomos à Agência de Fomento do Estado de São Paulo (Afesp) e vimos que, para conseguir captar esse tipo de recurso, você precisa de um plano de negócios muito bem estruturado, uma boa equipe, consistência técnica e bons contatos. Uma empresa não se faz sozinha”, diz Morais. No final da pré-incubação, em agosto de 2006, a Vocalize foi contemplada com recursos da Agência e entrou como incubada na Incamp, onde vai permanecer por três anos até ser graduada. O modelo de pré-incubação atende a uma necessidade de estimular o empreendedorismo cada vez mais cedo nas universidades para acompanhar o ritmo de crescimento da inovação no país. Mas, diferente das empresas incubadas, os projetos das pré-incubadoras têm taxa de mortalidade alta. Em média, de cada 80, apenas cinco são desenvolvidos. “A pré-incubação é um funil muito forte, porque inovação é uma coisa difícil de conseguir. Precisamos garimpar muitas idéias para encontrar uma que tenha viabilidade”, explica Paulo Lemos.


Tipo exportação Instituições brasileiras servem de modelo para países que ainda não implantaram o sistema A primeira incubadora brasileira foi criada quase três décadas depois do surgimento do sistema nos Estados Unidos, em 1959, mas o solo fértil para o empreendedorismo transformou o Brasil em referência mundial. Quarto lugar no ranking de países com maior número de incubadoras, serve de modelo e atua na implantação do sistema em países que ainda não possuem incubação. México, Venezuela, Argentina e Paraguai, por exemplo, têm instituições operando com base no modelo do Centro Empresarial para Laboração de Tecnologias Avançadas (Celta), incubadora de base tecnológica da Fundação Certi, em Florianópolis. Junto com o ParqTec de São Carlos, o Celta foi uma das primeiras incubadoras a serem criadas no Brasil, em 1986 e, desde então, já graduou 45 empresas, com taxa de sobrevivência no mercado superior a 90%. Em 1994, o Celta conquistou um feito inédito no Brasil: a auto-sustentação. Depois de enfrentar planos econômicos traumáticos e escassez de recursos, a equipe do Celta decidiu que

a incubadora deveria ser tão viável quanto as empresas que estavam incubadas. Um ano depois, mudou-se para o Parque Alfa e se tornou a primeira a habitar um parque tecnológico. Hoje, o Celta ocupa uma área de 10 mil metros quadrados, o que, para os padrões das incubadoras no país, que têm em média 3 mil metros quadrados, é um espaço gigantesco. Foi esse modelo de gestão que interessou os vizinhos na América Latina. “Passamos a tratar a incubadora como um negócio. Minha matéria-prima são mão-de-obra qualificada e plano de negócios, meu processo produtivo são sinergia, gestão e treinamento, e meu produto final é uma empresa de sucesso”, diz Tony Chierighini, gerente do Celta. A instituição mantém hoje 40 empresas que faturaram, no ano passado, cerca de 40 milhões. As empresas graduadas no Celta respondem hoje no mercado por R$ 780 milhões, considerado o maior volume de faturamento de empreendimentos nascidos em incubadoras do país.

Celta é modelo de operação para incubadoras da América Latina

O reconhecimento da liderança brasileira no movimento de incubadoras foi comprovado em 2002, quando a Anprotec venceu, junto com a Incubadora Internacional do Vale do Silício (IBI), dos EUA, o iDISC – Infodev Incubator Suport Center (Centro de Suporte de Incubadoras do Infodev), em uma disputa com mais de 46 instituições de vários países. A Anprotec foi escolhida pelo Banco Mundial para administrar um fundo de, aproximadamente, US$ 25 milhões para desenvolver a área de incubação de empresas nos países em desenvolvimento. O Brasil assumiu a liderança do projeto, com toda a parte de geração do conhecimento, estabelecimento das estratégias e gestão do iDISC.

Linha Direta Ary Plonski (Anprotec): (11) 3818-4011 Edmilson Morais (Vocalize): (19) 3521-4995 Francisco Saboya (Porto Digital): (81) 3419-8021 José Eduardo Fiates (Sapiens Parque): (48) 3266-4500 Marcelo Dini (Sebrae): (11) 3177-4718 Paulo Lemos (Inova): (19) 3521-5211 Sérgio Risola (Cietec): (11) 3039-8301 Sylvio Goulart (Cinet): (16) 3362-6272 Tony Chierighini (Celta): (48) 3239-2222

Chierighini: incubadora como negócio Dezembro 2007 – Empreendedor – 23


Incubadoras

Jeitinho mineiro Com calma e planejamento, a primeira empresa incubada de Goiás ganha mercado nacional por Débora Remor

24 – Empreendedor – Dezembro 2007

A primeira empresa incubada de Goiás, que se graduou em três anos e apresenta taxas de crescimento de 120%. Este é o histórico da PCTel Soluções Inteligentes, de Alexandre Luís Costa. O mineiro de Uberlândia se encaixa bem no ditado que diz “há males que vêm para bem”, pois foi do

insucesso de um negócio fechado por telefone que veio a idéia originária do PCTel Pro. O aparelho grava conversas telefônicas no computador e é peça fundamental de muitas centrais de atendimento (call center), trazendo para a carteira de clientes da empresa grandes companhias como Vale do Rio


Doce,TV Globo e Schincariol. Para Costa, o Prêmio Finep de Inovação Tecnológica recebido em 2005, na categoria Pequena Empresa, só prova que a PCTel está no caminho certo. “Temos o melhor produto do mercado, e os prêmios e certificados comprovam que valeu a pena investir

em pesquisa e desenvolvimento”, diz, detalhando que 20% do faturamento se destina à inovação de produtos, ou seja, este ano foram de R$ 500 mil a R$ 800 mil. Isso resulta entre dois e quatro novos itens por ano, que se incorporam aos dez diferentes tipos de gravador já oferecidos. Atualmente, 12 dos 36 funcionários se dedicam exclusivamente à área de desenvolvimento, principalmente pela característica do setor: alta tecnologia e baixo preço. Os aparelhos gravam conversas de linhas telefônicas no computador em diversos formatos para envio por e-mail ou armazenamento. O registro do diálogo vem com data, hora, tempo de duração e número chamado, e o dispositivo aceita até cem linhas para o mesmo computador. “O mercado é muito ágil. Se a gente não inovar e desenvolver, acaba perdendo terreno”, afirma. Costa explica que, pelas ondas de demanda, percebe que o mercado solicita novos produtos de época em época. Incubada na Inove, do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) de Goiás, cinco anos atrás, a PCTel começou com dois sócios – Costa e a esposa – e um funcionário. E a partir de um gravador “bem rústico, manual e que tinha que apertar um botão atrás do computador”, a equipe foi melhorando o produto nas salas da incubadora. “O processo é muito importante, porque lá o empresário ganha orientação e pode se concentrar para botar a mão na massa. Mas você tem que fazer, não dá para esperar que a incubadora faça o sucesso por si”, relata Costa, que continua: “50% vem deles, mas você tem que trabalhar bastante para dar certo”. Foi desse jeito simples, sem fugir do batente, que o mineirinho conseguiu

Alexandre Luís Costa Idade: 43 anos Local de nascimento: Uberlândia (MG) Formação: 2º grau completo

PCTel Ramo de atuação: indústria eletrônica de informática Fundação/incubação: 2002 Instituição incubadora: Inove, do Cefet – Goiás Graduação: 2005 Cidade-sede: Goiânia (GO) Faturamento: R$ 2,3 milhões Número de funcionários: 36 Contato: www.pctelonline.com.br

fazer a empresa crescer e, em 2005, ano da graduação, já eram 19 pessoas trabalhando. “Passamos pelo aprendizado, fizemos cursos e consultoria. Já tínhamos a base para sair da Inove e, quase como uma faculdade, nos graduamos com nota máxima”, alegra-se, ainda assustado com o salto do faturamento de R$ 990 mil em 2006 para mais de R$ 2 milhões em 2007. Lembrando dos ramos em que atuou antes de abrir a PCTel, Costa enumera que fabricou equipamentos e máquinas para bomba injetora de caminhão, trabalhou com rastreamento de veículo, passou pelo setor de segurança eletrônica. “Sempre fui rápido, desenvolvia e vendia rapidamente, porém eu não tinha controle, era meio que no estouro”, conta. No último negócio, de alarmes e câmeras de vigilância, Costa entrou com a inteligência, e os possíveis sócios, com o capital. O empreendimento foi amadurecido de 2001 até começo de 2002, mas às vésperas da abertura os outros parceiros saltaram fora, e o inventor ficou em maus lençóis.

DIVULGAÇÃO JOÉDSON ALVES

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Incubadoras DIVULGAÇÃO JOÉDSON ALVES

Costa e os gravadores da PCTel: “Trabalho com planejamento, acompanho as metas e os resultados”

“Eu fiquei muito ruim de dinheiro mesmo e precisava montar alguma coisa rápido para poder seguir em frente”, conta ao recordar do início da empresa. Sem desanimar com a falta de capital, Costa se apoiou no crédito para abrir a PCTel. “Eu tinha um celular, meu carro e a vontade de trabalhar.

INOVE Fundação: 2002 Entidades mantenedoras: Centro de Educação Tecnológica (Cefet-GO), Universidade Federal de Goiás e Sebrae-GO Principais áreas de atuação das empresas: automação residencial, mecânica industrial e geoprocessamento Empresas graduadas: 1 Empresas associadas: 3 Contatos: (62) 3227-2777

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Com o dinheiro da primeira venda, fui montando os outros produtos”, afirma. Hoje, a empresa vende cerca de mil peças por mês e, aos 43 anos, Costa acredita que dificilmente a PCTel possa quebrar. “Depois de muitos tombos, tive um grande aprendizado. Trabalho com planejamento, acompanho sistematicamente as metas e os resultados.” Os projetos atuais são de expansão concreta: a construção da sede própria de 600 metros quadrados em Goiânia e um escritório em São Paulo. A troca do atual sobrado, “onde o pessoal está apertado”, por um espaço próprio, estruturado tecnologicamente para receber todos os departamentos, e ainda com “planejamento ambiental”, vai ter que esperar até a metade de 2008. Antes disso, já em janeiro, a nova unidade deve ser aberta em São Paulo, e dois funcionários, transferidos para lá. “Já temos bastantes clientes em São Paulo, o escritório vai aumentar as vendas e ajudar a abrir mercado para a exportação”, explica. O slogan “PCTel rumo ao crescimento”, implantado há dois anos, previa justamente o alcance a novos mercados e, inclusive, pretendia conscientizar os funcionários do necessá-

rio esforço de todos. “O foco de 2008 é a exportação. Preparamos a empresa, e traduzimos os equipamentos para inglês e espanhol. Desde 2006, a PCTel vende para o exterior, mas agora vamos mostrar a cara mesmo”, diz Costa. O principal comprador externo dos gravadores é o México, mas os países do Mercosul também figuram na lista. “Queremos chegar à Europa, lá é um pouco mais difícil de atingir, pois os compradores são mais conservadores, e as exigências legais, mais complexas. Mas vamos chegar lá, sim”, aposta. Para o ano que vem, Costa estima que a empresa alcance faturamento de R$ 4 milhões e que 20% da produção tenha o exterior como destino. Aumento significativo perto dos 10% deste ano, ainda mais quando ele alerta que “o mercado nacional cresce muito, e, às vezes, não damos conta”. Além disso, Costa informa que participa de um programa da Finep de captação de capital de risco e até abril de 2008 deve abrir o capital da PCTel. Mas ele firma os pés no chão e ressalta: “Vamos fazer com calma, tudo a seu tempo”.

Linha Direta Alexandre Luís Costa: (62) 3096-9798


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Incubadoras

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Mago da nutrição Pesquisador desenvolve suplementos alimentares inovadores e se destaca em mercado dominado por gigantes por Débora Remor O pulo da sala de aula para a fundação e o comando da empresa de suplementos alimentares foi feito por Augusto Guimarães há 15 anos de forma desafiadora, e o resultado é apaixonante. Pelo menos, é essa a sensação que ele passa ao contar a trajetória da Nuteral, cujo foco inicial era desenvolver tecnologia para industrialização de alimentos em pó para restabelecimento do sistema imunológico de pacientes com doenças graves. Hoje, a empresa tem 46 itens na lista de produtos, sete patentes registradas e outras cinco em processo, além de muitos prêmios na bagagem. Tudo começou quando o nutricionista concluiu o doutorado em Ciências de Alimentos na Universidade de São Paulo (USP) e pleiteava recursos no Banco do Nordeste (BNB) para reequipar o laboratório do curso de Nutrição da Universidade Estadual do Ceará (UECE). Instigado a transformar em produtos o conhecimento adquirido em estudos e pesquisas, Guimarães aceitou o desafio de concorrer com multinacionais do porte da Nestlé, Support e Novartis. Em novembro de 1992, nasceu no Parque de Desenvolvimento Tecnológico (Padetec) da Universidade Federal do Ceará (UFC) a Nuteral, primeira empresa brasileira de suplementos alimentares instalada na Região Nordeste. Já no primeiro ano, dois produtos foram lançados: o Total Nutriton Max Jaule e o Total Nutriton Max Fat, suplementos de proteína e de aminoácido, respectivamente. A paixão de Guimarães, no entanto, está nos suplementos que combatem a desnutrição infantil. O Integral

Mix foi o pioneiro da Nuteral a ser apresentado, em 1999. Apesar de responder a todas as exigências da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde, o produto não vendeu “por questões políticas”, segundo Guimarães, e foi tirado das prateleiras. Mas o paraibano de Campina Grande não desistiu da idéia e, no ano passado, lançou um substituto, o Nutty, que hoje é um dos sucessos de venda da Nuteral. No outro lado da balança, a empresa aposta nas linhas de combate à obesidade e controle de peso com o Nuteral Balance, lançado em 2006. A “doença do século 21” ganha nova estratégia de tratamento aos olhos de

Augusto Guimarães Idade: 44 Local de nascimento: Campina Grande (PB) Formação: Nutrição pela Universidade Estadual do Ceará (UECE)

Nuteral Empresa: Nuteral Indústria de Formulações Nutricionais Ltda. Ramo de atuação: biotecnologia em nutrição Fundação/incubação: 1992 Instituição incubadora: Parque de Desenvolvimento Tecnológico da Universidade Federal do Ceará (Padetec – UFC) Graduação: 1994 Cidade-sede: Fortaleza (CE) Número de funcionários: 46 Site: www.nuteral.com

Guimarães, que estudou o uso de ácidos graxos na composição do produto para emagrecer, que também ajuda a baixar a taxa de glicose e é indicado como preventivo da diabetes. Já o Neofiber é um mix de sete fibras, usado para regularizar as funções intestinais e na prevenção de doenças cardiovasculares, câncer de cólon e diabetes. Composto de 60% de fibras solúveis, o suplemento atua na renovação das células do intestino, na redução do colesterol, e colabora na eliminação do excesso de gordura e açúcar. Guimarães ainda festeja o lançamento de dois novos produtos em 2007, resultado dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento feitos pela Nuteral, e o crescimento de 40% do faturamento em relação a 2006 – sem revelar valores absolutos por medo da violência na capital cearense. “A última vez que divulgamos dados sobre o faturamento e a capacidade de produção, fomos assaltados na mesma semana que a revista foi publicada”, explica-se. Mas, com espírito inovador, já anuncia as novidades para o ano que vem. Até agora sempre fabricando suplementos em pó, a Nuteral vai entrar no mercado de dietas líquidas com a linha Nutranon para facilitar o uso e acompanhar a tendência. “Vamos precisar de cautela para entrar corretamente neste nicho, é um novo desafio”, comenta. Além do desenvolvimento próprio de tecnologias, com apoio do Instituto Nuteral, Guimarães mantém parceria com outras universidades, inclusive da Inglaterra e Irlanda, para troca de experiências. “Com objetivos diverDezembro 2007 – Empreendedor – 29


Incubadoras

Nuteral Balance: linha de combate à obesidade e controle de peso lançada em 2006

PADETEC Fundação: 1990 Entidades mantenedoras: Universidade Federal do Ceará, Banco do Nordeste do Brasil, Governo do Estado do Ceará, Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) e Instituto Euvaldo Lodi (IEL), Banco do Estado do Ceará, Sebrae/CE e Sudene Principais áreas de atuação das empresas: química fina, eletrônica, mecânica fina, alimentos, suplementos, cosmética, compósitos, fitoterápicos, produtos naturais, energia alternativa, biotecnologia Empresas graduadas: 18 Empresas residentes: 13 Empresas associadas: 10 Contatos: (85) 3366-9983/ www.padetec.ufc.br

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sos, as duas entidades se complementam. E esta é uma saída importante para o país.” Ele sugere que as empresas olhem mais para o ambiente acadêmico na busca por inovação e criatividade. “A indústria necessita da colaboração e da capacidade criadora dos pesquisadores.” O Instituto Nuteral, criado por ele, também atua na área de educação continuada. “Formamos turmas de nutricionistas, que depois de passar pelos treinamentos técnicos e científicos ganham certificação. Mais de mil nutricionistas já passaram pelo Instituto”, explica.

Experiência positiva Guimarães, que ainda leciona Nutrição na UECE, aprendeu na prática as noções de gestão e administração, mas credita à incubadora boa parte desse aprendizado. “É um contexto de interação e discussões técnicas, um complexo interativo muito importante. Passar pelo Parque foi uma experiência muito positiva e é cada vez mais evidente no desenvolvimento de negócios, principalmente na área tecnológica.” Quando a Nuteral se graduou e saiu do Padetec, em 1994, Guimarães precisou comprar um galpão industrial de 50 metros quadrados. Hoje, depois de reinvestimentos contínuos e apoios como

o da Finep, do BNB e do CNPq, a empresa tem mais de 2,6 mil metros de área e 46 funcionários diretos, além dos terceirizados, e em 2002 foi considerada a “melhor empresa graduada do ano” pela Anprotec. O prêmio de Inovação Tecnológica, concedido pela Finep em 2006, na categoria pequena empresa, e a Medalha do Conhecimento (outorgada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, CNI e Sebrae), pela contribuição na área de formação, são motivações a mais na vida de Guimarães. Desde 1985 morando em Fortaleza, o empreendedor já se considera cearense. Mas ele quer ver a Nuteral espalhada ainda mais pelo Brasil e exterior. Através dos distribuidores, os suplementos alimentares chegam às regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, e aos Estados de Pernambuco, Bahia e Ceará. O site da empresa – referência técnica em nutrição – também funciona como canal de venda. Já a exportação é tímida, “os números são tão pequenos, que prefiro dizer que ainda não vendemos para fora”, comenta Guimarães. Ainda, ele diz, porque o item exportação está nos planos do visionário nutricionista-empreendedor.

Linha Direta Augusto Guimarães: (85) 3066-9100


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Incubadoras

Movido pela audácia Tecnologia apurada e foco conquistaram a indústria da moda de 24 países e a liderança na América Latina por

Natacha Amaral

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Ciências Exatas sempre foram a verdadeira paixão de Claudio Grando na escola. Química, Física e Matemática estavam entre suas matérias preferidas nos tempos de colégio. Na hora de partir para a universidade, a facilidade com os cálculos e o interesse pela tecnologia logo o levaram para a Ciência da Computação. Foi exatamente essa afinidade com os números, aliada à experiência de gestão adquirida dentro de uma incubadora, que ajudou Grando a construir sua história profissional de sucesso. Sócio-fundador da Audaces Automação, Grando dirige um empreendimento que já é líder na criação de softwares para a indústria da moda na América Latina. Presente em 24 países, seus programas são utilizados na fabricação de roupas de grandes marcas como M.Officer, Hugo Boss, Zara, Lacoste, Boby Blues, Brinquedos Estrela, Malwee e lojas Renner. Até mesmo o figurino dos trajes fabricados pela Rede Globo de Televisão são produzidos com softwares da empresa. A conquista desse amplo mercado se deu pela precisão, agilidade e facilidade de uso dos programas da linha Audaces Vestuário. São softwares que auxiliam profissionais da indústria de confecção a criar modelos, simular estampas, fazer desenhos técnicos, produzir moldes e realizar planejamento de corte do tecido para que se reduza ao máximo qualquer desperdício de material. A tecnologia totalmente brasileira é desenvolvida com uma forte base matemática, o que proporciona melhor caimento nas roupas e acabamento das costuras. “Para que uma manga costure perfeitamente numa cava, por exemplo, é preciso ter uma mesma curva na frente, nas costas e na manga da peça. Isso é tudo cálculo matemático, e o Audaces realiza simulações para verificar a perfeição dos encaixes”, explica Grando. O empresário acrescenta que poucas soluções do mercado fazem modelagem com qualidade e que este é o grande diferencial de seus produtos. “Quando vou a uma loja, logo consigo perceber se a roupa foi feita com o Audaces ou não”, diz. O preparo para a atual excelência no

desenvolvimento de tecnologia da Audaces começou já nos tempos de faculdade, quando Grando e Ricardo, seu atual sócio, foram para os laboratórios da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Na época, começaram criando softwares gráficos num momento em que soluções desse tipo eram muito caras e desenvolvidas por poucas pessoas no Brasil. “Nosso primeiro produto foi voltado para a indústria de calçados”, conta Grando. Após a saída da universidade, os recém-formados decidiram abrir sua própria empresa. Assim, em 1992, fundaram a Audaces, cujo nome se baseia na idéia de ser audacioso. “Queríamos fazer algo diferente”, explica. “Percebemos que havia muita tecnologia sendo desenvolvida na universidade, mas que acabava morrendo lá dentro. Enxergamos a oportunidade de fazer algo novo: transferir o resultado da pesquisa para uma empresa a fim de gerar emprego e renda.” O resultado dessa determinação não demorou a aparecer. Logo no começo, a Audaces comercializava um software voltado para o segmento de corte de peças em chapas de madeira, vidro e aço que, em poucos anos, se tornou o sistema de planos de corte mais utilizado pelas fábricas de móveis no Brasil. Pouco depois, foi a vez da criação do CamStation, programa voltado para a indústria mecânica. Já em 1994, a Audaces lançou um software de simulação 3D para facilitar o carregamento de contêineres e caminhões. A função do InfoCarga era mostrar tudo em três dimensões e sugerir a melhor forma de colocar as caixas dentro dos espaços disponíveis. Na época, o produto teve bastante impacto no mercado e é utilizado até hoje por algumas empresas, como a Bretzke Alimentos. Foi só após todas essas experiências que a Audaces começou a desenvolver soluções para o ramo da moda, hoje seu maior foco de atuação. “Com o lançamento do software de móveis, vários empresários de Santa Catarina e de São Paulo nos procuraram para mostrar seus problemas em cortar tecido. As soluções disponíveis, na época, eram muito caras, difíceis de usar e com assistência muito ruim”, diz. A par-

Claudio Grando Idade: 38 anos Local de nascimento: São José do Cedro – Santa Catarina Formação: Ciências da Computação – Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Audaces Automação Ramo de atuação: desenvolvimento de tecnologia para a indústria da moda Fundação/incubação: 1992/1996 Instituição incubadora: Centro Empresarial para Laboração de Tecnologias Avançadas – Celta Graduação: 2005 Cidade-sede: Florianópolis (SC) Número de funcionários: 83

tir daí, a Audaces começou a realizar investimentos na área. Grando relata que o momento de entrada no segmento da moda foi um tanto desfavorável. “O mercado passava por um período de forte concorrência com produtos asiáticos, e muitos negócios fecharam suas portas.” Para ele, no entanto, foi justamente a grande necessidade das indústrias por tecnologia que garantiu o sucesso da Audaces nessa nova empreitada. Apesar da grande qualificação técnica e da capacidade criativa de seus profissionais, Grando enfrentou um novo desafio nessa fase: como vender seus produtos e gerir melhor seu negócio? Foi nesse momento que a presença de uma incubadora desempenhou papel fundamental. “Tanto o Ricardo como eu viemos de uma área muito técnica. Por isso, nos faltava certa experiência administrativa e comercial. Vimos na incubadora uma oportunidade de fortalecermos esse lado mais fraco.” Assim, em 1996, a Audaces se integrou ao Centro Empresarial para Laboração de Tecnologias Avançadas, o Celta. Essa decisão mudou a trajetória de muitos projetos da empresa. Grando relata que, para a entrada na incubadora, era necessário elaborar um plano de negócios. “Quando se coloca tudo no papel para mostrar a viabilidade de Dezembro 2007 – Empreendedor – 33


Incubadoras

Software faz em menos de duas horas o que antes levava um dia

seu negócio, você pára para pensar em muitas coisas”, diz. Na ocasião, a Audaces já tinha um histórico de desenvolvimento de softwares para quatro áreas. “Percebemos que não havia como investir em todos e decidimos focar em um segmento específico.” Com isso, alguns projetos foram abortados por questões mercadológicas. Focar o negócio foi uma decisão tomada com base em experiências vividas dentro da incubadora, que proporcionava troca de experiências com outras empresas, cursos sobre gestão de negócios e aplicava periódicas avaliações. “Perguntavam-nos não só se tínhamos um bom produto e estrutura para desenvolvê-lo, mas sobretudo se havia mercado e se conseguíamos atingi-lo. Isso nos obrigava a pensar no negócio como um todo”, explica Grando. “Criatividade para desenvolver produtos havia, tanto que criamos

CELTA Fundação: 1986 Entidade mantenedora: Fundação Certi Principais áreas de atuação das empresas: software e hardware Empresas graduadas: 53 Empresas residentes: 34 Contatos: (48) 3239-2222/ www.celta.org.br

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quatro softwares para quatro áreas diferentes, mas não conseguíamos vender nenhum deles muito bem. Esse é um exemplo clássico do que ocorre em negócios com pessoas puramente técnicas. A questão não é só saber fazer, mas saber vender. A incubadora nos ajudou a ver isso com mais clareza.” Entre os segmentos de retorno mais rápido, móveis e confecção, a Audaces optou pelo último, que se tornara seu maior nicho. Já focada e ainda amparada pelo suporte da incubadora, a empresa passou por um momento de rápido crescimento e forte consolidação. Em 1998, iniciou sua expansão internacional, começando pelo mercado argentino. Já em 2001, se tornou líder no fornecimento de software para a indústria da moda no Brasil. “E éramos os mais jovens, com apenas quatro anos no mercado, enquanto as demais companhias, muitas delas estrangeiras, atuavam já há 20 anos”, destaca Grando. Por vários anos consecutivos, a Audaces teve crescimento de 100%. Em 2003, o empresário viu na Audaces maturidade para entrar de vez no mercado. Mas a dificuldade de encontrar um local adequado e com preço acessível em Florianópolis obrigou a empresa a ficar mais dois anos incubada. “Esse atraso acabou nos custando um pouco caro, porque precisávamos crescer”, explica. Na época, a Audaces ocupava 250 metros quadrados do Celta e já tinha uma equipe de 40 pessoas num espaço que comportava apenas 20. Em 2005, porém, a empresa adquiriu uma sede própria, hoje cinco vezes maior que suas instalações originais e com capacidade para absorver o crescimento do negócio para os próximos quatro anos. Atualmente, com seus softwares

traduzidos e adaptados para as diversas versões de espanhol, inglês, russo, italiano, francês, chinês, coreano, polonês e turco, a Audaces acaba de abrir um escritório próprio em Barcelona, Espanha, a fim de atender melhor seus clientes europeus. “Para entrar em cada país, realizamos de quatro a cinco anos de investimento. Há em cada um deles um desafio diferente, mas em todos tivemos boa aceitação”, diz Grando. E os produtos Audaces não fazem sucesso apenas lá fora, com grandes indústrias têxteis. São usados também por mais de cem universidades brasileiras, bem como modelistas que trabalham em casa. “Temos desde clientes que produzem de 3 a 4 milhões de peças/mês até aqueles que produzem 1 mil/mês”, diz Grando. Tanto o pequeno como o grande fabricante ganham produtividade com o uso dos softwares, porque o trabalho feito diretamente na tela do computador é agilizado de 10 a 20 vezes. “O profissional faz em menos de duas horas o que antes levava um dia inteiro.” Oferta de um bom produto e atendimento de qualidade ao cliente, constantes taxas de crescimento, presença nas grandes empresas e parceria com centros de educação são os fatores que levaram a Audaces a ganhar o Prêmio Nacional de Empreendorismo Inovador 2007 promovido pela Anprotec. “Para nós, é um reconhecimento de que estamos no caminho certo”, comemora Grando. Caminho traçado por quem teve a audácia de ser empreendedor.

Linha Direta Claudio Roberto Grando (48) 2107-3737 grando@audaces.com.br


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Incubadoras

Essência do sucesso Empresária transformou empresa familiar em uma renomada rede de perfumaria, cosméticos e produtos de higiene por Natacha Amaral

DIVULGAÇÃO OTÁVIO CARDOSO

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Fátima Chamma é o tipo de pessoa que detesta ficar parada. Ócio é algo que definitivamente não tem espaço na sua agenda. Desde bem jovem, a menina paraense nascida em Belém esteve sempre em atividade, lendo, montando teatrinhos e desenhando suas próprias roupas. Na adolescência, costumava incomodar seu pai com freqüentes pedidos para conseguir um emprego para ela. Até que um dia teve sucesso. Aos 15 anos de idade, começou a trabalhar numa agência bancária como recepcionista. “Eu sempre gostei de ter meu dinheiro, pagar minhas contas, ser dona do meu nariz.” Foi com essa independência, paixão pelo trabalho e determinação que Fátima superou obstáculos e transformou o negócio da família em uma renomada rede de perfumaria, cosméticos e produtos de higiene, a Chamma da Amazônia. A marca que hoje conta com 20 pontos-de-vendas em todo o país distribui, aqui e em Portugal, produtos fabricados com matéria-prima da maior floresta brasileira. Além disso, realiza um trabalho social com comunidades ribeirinhas para preservar a cultura popular da região. A empresa teve suas origens na antiga Perfumaria Chamma, marca registrada em 1959 pelo pai de Fátima, Oscar Chamma. Na época, o brasileiro filho de libaneses fascinado por Química e pelas plantas da Amazônia produzia colônias, óleos corporais e capilares, desodorantes, sachês, e sabonetes com essências e insumos naturais. “Cheguei a trabalhar na Perfumaria durante meu tempo de colégio e faculdade”, lembra Fátima. No início dos anos 1990, porém, as condições de saúde do empresário começaram a piorar com o avanço de um câncer, e, em 1993, ele veio a falecer. Decidida a não permitir que a grande paixão de seu pai morresse, Fátima resolveu dar continuidade ao negócio juntamente com seus irmãos. “Minha vida deu uma grande virada, e eu abri mão de tudo por amor ao meu pai. Comecei do zero e ralei mui-

to”, conta. “Fechei meu ateliê e minha boutique de roupas, e assumi de corpo e alma o trabalho.” Nos primeiros anos, Fátima foi para Londres, participou de feiras, eventos e realizou todo tipo de pesquisa. Seu objetivo era divulgar e consolidar a marca, entender seu público-alvo e identificar novos nichos de mercado. Foi quando Fátima teve a idéia de acrescentar o nome Amazônia à Chamma. “Percebi que as pessoas nos confundiam com o Boticário e outras empresas, e que podíamos mudar isso entrando com um grande diferencial”, explica. Mas a mudança também trouxe novos desafios. O que sobrava de garra e dedicação para a empresária lhe faltava de orientação para administrar o negócio. “Eu era formada em Direito, e meu pai não estava mais comigo. Quem ia me dar um respaldo?”, conta. Até que um dia, numa conversa com uma amiga e técnica do Sebrae, Fátima ficou sabendo de uma oportunidade no Programa de Incubação de Empresas de Base Tecnológica da Universidade Federal do Pará (UFPA), o PIEBT. “Eu quero”, foi sua reação imediata. Em 1995, depois de aprovada no processo de seleção, Fátima – que na época morava no Rio de Janeiro – formalizou uma nova empresa. “Ingressamos com a indústria Fluidos da Amazônia Ltda. para produzir toda a parte de perfuma-

Fátima Chamma Idade: 58 Local de nascimento: Belém (PA) Formação: Direito – Universidade Federal do Pará (UFPA)

Chamma da Amazônia Ramo de atuação: perfumaria, cosméticos e produtos de higiene Ano de fundação/incubação: 1996 Instituição incubadora: PIEBT – Programa de Incubação de Empresas de Base Tecnológica da UFPA Ano de graduação: 2000 Cidade-sede: Belém – Pará Número de funcionários: 30

ria, cosméticos e produtos de higiene da Chamma.” A entrada na incubadora, porém, demorou um ano por conta de dificuldades do PIEBT em conseguir licenças com a fiscalização sanitária estadual, o que só foi obtido em novembro de 1998.

Semeaduras Apesar das dificuldades iniciais, Fátima hoje avalia sua entrada na incubadora como essencial para a Chamma. Ela sempre procurou correr atrás e utilizar todas as oportunidades e os serviços proporcionados pelo PIEBT, como viagens para pesquisa, participação em eventos e palestras, e atividades de marketing. A séria divulgação da empresa e seus produtos realizado sem custo algum pela incubadora também fortaleceu a imagem da Chamma e proporcionou ganho de credibilidade para a marca. “Isso abriu portas”, diz Fátima. Além do mais, o PIEBT oferecia um leque de parcerias, tanto de cunho comercial como de fomento e pesquisa. “Isso tudo foram semeaduras que cresceram enquanto o negócio se desenvolvia.” Dentro da incubadora, Fátima também se beneficiava com o suporte financeiro para administração da empresa. Com custos de aluguel e outras despesas reduzidas, o risco do negócio era praticamente compartilhado com o Programa da UFPA. Havia também orientação nos procedimentos burocráticos para manutenção do empreendimento no PIEBT, que trabalhava juntamente com a incubadora gerencial do Sebrae Pará. Fátima considerou a parceria essencial. “É muito complicado gerir um negócio, ainda mais na área de indústria, onde é preciso lidar com 500 mil mudanças de lei, tributos, registrar marca, ter licença de funcionamento, controlar compra, estoque, logística de distribuição”, justifica. “Uma pessoa que vai montar uma empresa pequena, como a nossa, não sabe disso – e a universidade não ensina.” Assim, para Fátima, as incubadoras são instituições fundamentais para o nascimento e forDezembro 2007 – Empreendedor – 37


talecimento de novos negócios. “Eu recomendo para todo mundo”, diz. Foi com essa base que a Chamma da Amazônia conseguiu expandir suas atividades a partir de 1999. Na época, Fátima desenvolvia o uso de novos insumos nos produtos e necessitava de consultores de venda para consolidar a credibilidade da marca. Assim, criou um sistema próprio de franquia e começou a se instalar nas principais capitais brasileiras. Em 2000, a empresa já estava graduada no mercado, caminhando com as próprias pernas. Hoje, a Chamma fabrica e comercializa seus produtos na sua própria sede localizada no centro de Belém. O atual espaço é dez vezes maior do que o de sua antiga sala na incubadora. Com 800 metros quadrados, tem capacidade física de absorver o crescimento previsto para os próximos dez anos. Entre os itens fabricados atualmente, estão hidratantes, xampus, condicionadores, sabonetes, óleos corporais, esfoliantes, cremes capilares e de massagem – todos com um grande percentual de conteúdos de plantas genuinamente amazônicas. “O insumo natural passa por diversos processos de extração e misturas para que

PIEBT Ano de fundação: 1995 Entidades mantenedoras: UFPA Principais áreas de atuação das empresas: produtos naturais da Amazônia, energia, tecnologia da informação e comunicação, e design Empresas graduadas: 13 Empresas residentes: 5 Contatos: (91) 3201-8022/ www.ufpa.br/incubadora

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DIVULGAÇÃO OTÁVIO CARDOSO

Incubadoras

Chamma: produto diferenciado com preocupação pelo meio ambiente

seja utilizado como benefício para o homem”, explica Fátima. A oferta de um produto diferenciado, porém, vem acompanhada pela preocupação com o meio ambiente e práticas de responsabilidade social. “Nosso processo produtivo está fundamentado na preservação da natureza e no respeito pelo homem da região”, salienta a empresária. Por isso, a Chamma da Amazônia têm parcerias com comunidades ribeirinhas que atuam como prestadoras de serviço para a marca. Estão divididas em atividades integradas tais como o cultivo de ervas e raízes para a produção das colônias, coleta de sementes para a confecção de biojóias, e cultivo da palmeira de guarumã e miriti para a produção de cestos utilizados como embalagens. Para Fátima, a aquisição direta dos materiais confeccionados por “verdadeiros artistas da floresta” os motiva a produzir artefatos que lhe garantam melhores condições de vida e permanência em seus locais de origem. E vai além. A iniciativa fortifica a cultura popular da Amazônia. Não é à toa que a Chamma da Ama-

zônia esteve entre as 20 melhores empresas incubadas do país nos seus tempos de PIEBT e hoje coleciona diversos prêmios em qualidade no trabalho (Sesi), desenvolvimento de produtos com design ecologicamente sustentável (CNI) e inovação tecnológica (Finep). Segundo Fátima, o reconhecimento serviu de estímulo à sua equipe pelo trabalho diferenciado na forma e no conteúdo. Para a empresária, o fortalecimento da Chamma atualmente, que continua com planos de expansão, é resultado de muita persistência na realização de um trabalho pioneiro, iniciado já nos tempos da Perfumaria. Fátima olha com satisfação a crescente aceitação dos produtos da Amazônia no Brasil e no mundo, e enxerga, nessa tendência, o resultado da sua semeadura. “Isso é fruto do nosso trabalho de formiguinha lá atrás, quando já percebíamos a existência do mercado”, comemora hoje.

Linha Direta Fátima Chamma: (91) 3081-4668


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Incubadoras

Unidos pelo destino Empresa nasceu do desejo de qualidade de vida dos sócios, ambos recuperados de doenças graves por Francis França Flávio Teixeira Lacerda tinha 53 anos quando descobriu que estava com câncer. Na época, ele nem sabia que era possível curar a doença, e como achou que ia morrer em poucos meses, decidiu parar de trabalhar. Após um ano de tratamento, viu-se curado, aposentado e com uma questão seriíssima para resolver: o que fazer com o resto de sua vida.

Até então, Lacerda já tinha feito parte do primeiro escalão de multinacionais como Loctite – fabricante do Super Bonder – e Avery Dennison. Formado em Administração pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), ele começou a vida profissional como trainee da Unilever, onde chegou a ocupar o cargo de gerente de produtos, e depois passou pela Kibon e Knorr – hoje

todas pertencentes ao mesmo grupo. O grande salto de sua carreira aconteceu na Loctite, onde trabalhou durante 12 anos. Lacerda foi o responsável pela introdução do adesivo instantâneo Super Bonder no Brasil em 1984. Com o sucesso do produto, que, em 1996, registrou vendas anuais de US$ 61 milhões, ele passou a ser responsável por toda a América Latina,

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e, mais tarde, também pela Europa, Ásia e África. “Nosso objetivo era criar um conceito novo, de uma cola de emergência forte e fácil de usar, para convencer o consumidor a fazer pequenos consertos no lar, de bibelôs, salto de sapato, etc. Nada disso era feito em casa naquela época”, diz. Lacerda ocupava a vice-presidência da Loctite quando aceitou uma proposta de trabalho da Avery Dennison, multinacional do ramo de adesivos e etiquetas, para assumir também a vicepresidência e uma cadeira no comitê executivo. A aposentadoria forçada veio dois anos depois, em 1999. Quando se curou e precisou decidir o que faria dali para frente, uma das certezas de Lacerda era que ele não queria mais viver da mesma maneira que vivia. “Chegou um ponto em que eu precisava administrar 20 países e vivia dentro de um avião. Eu não tinha mais vida particular, e essa foi a minha realidade durante 15 anos. Isso cansa muito, eu não queria mais”, diz ele, que tinha mais de 2 milhões de milhas aéreas acumuladas em função das reuniões mensais ao redor do mundo. Foi quando amigos norte-americanos o convidaram para coordenar a expansão de uma empresa que detinha os direitos de um antibactericida à base de íons de prata. A tecnologia era inovadora, mas o empreendimento precisava abrir o capital para crescer. Lacerda aceitou o convite, só que a bolha da internet estourou pouco tempo depois, em 2001, e os planos de expansão foram cancelados. A empresa existe até hoje nos Estados Unidos, e Lacerda ainda mantém participação nos negócios. “A companhia perdeu muito valor, mas quem sabe um dia meus netos possam gozar de algum benefício.” Naquele mesmo ano, estava sendo criada, aqui no Brasil, a empresa que finalmente combinaria suas aspirações pessoais e profissionais. A Adespec surgiu em fevereiro de 2001 como empresa incubada no Centro Incubador de Empresas Tecnológicas da Universidade de São Paulo (Cietec/USP). À frente

do negócio, estava a engenheira química Wang Shu Chen, taiwanesa naturalizada brasileira que havia trabalhado com Lacerda na Loctite, uma das cientistas mais conceituadas da companhia. Chen decidiu abrir seu próprio negócio para produzir adesivos especiais que não agredissem a saúde ou o meio ambiente. Por coincidência, da mesma forma que Lacerda, ela também foi motivada a transformar sua carreira em função de problemas sérios de saúde. No laboratório de uma das empresas em que trabalhou, Chen foi exposta a solventes utilizados na fabricação de adesivos, e ao fazer exames médicos, descobriu que estava com 30% menos glóbulos brancos do que o normal. Diagnósticos prévios indicaram leucemia, mas depois se verificou que a produção das células era normal, o problema estava na periferia, pois os glóbulos brancos iam morrendo ao serem carregados através da corrente sangüínea. Preocupada, Chen começou a pesquisar tecnologias que dispensassem o uso de solventes e percebeu que o mundo já se comportava de maneira diferente em relação a produtos químicos. Em sua busca, ela chegou à conclusão de que os solventes eram obsoletos, e já era possível fabricar adesivos de alta performance inofensivos à saúde e ao meio ambiente. Assim, ela resolveu deixar a vida de empregada e fundar a Adespec.

Capitalização Os produtos de alto desempenho da empresa começaram a chamar a atenção do mercado, e Chen recebeu propostas de capitalização de dois grupos de investidores. Foi quando Lacerda entrou no negócio. Chen entrou em contato com ele para pedir uma opinião sobre as ofertas, e, para dar seu parecer, Lacerda resolveu entender a fundo o projeto. Segundo ele, as propostas de investimento não eram interessantes, porque os investidores queriam uma participação muito alta em função dos riscos. Ao mes-

Flávio Teixeira Lacerda Idade: 61 Local de nascimento: Belo Horizonte (MG) Formação: Administrador de empresas formado pela FGV

Adespec Ramo de atuação: Adesivos e selantes Fundação/incubação: 2001 Instituição incubadora: Cietec/USP Graduação: 2003 Cidade-sede: São Paulo (SP) Faturamento: 3 milhões Número de funcionários: 20 Investidor: Rio Bravo Ano de aporte: 2007

mo tempo, Lacerda ficou encantado com a tecnologia e propôs que ele e Chen trabalhassem juntos. “Era a evolução dos adesivos e selantes que, na minha época como executivo, nós perseguíamos e não conseguíamos encontrar.” Os produtos desenvolvidos pela Adespec são livres de compostos orgânicos voláteis, isocianatos e solventes, portanto não prejudicam a saúde nem o meio ambiente. No varejo, a empresa lançou o Fixtudo, que já é comercializado pela rede Wal-Mart. O adesivo não tem cheiro e é capaz de colar todos os materiais – exceto a pele – com mais força do que poliuretano, além de ser flexível e resistir a temperaturas de até 120ºC. As colas instantâneas, por outro lado, suportam no máximo 60ºC e quebram como vidro, por serem muito duras. Outra característica é a resistência à água – é possível colar uma piscina sem precisar esvaziá-la. “Esse projeto era mais do que eu tinha feito a minha vida toda. Fiquei fascinado. Pensei: ‘isso eu quero vender. Isso é evolução’. Porque estávamos fazendo algo maior do que vender, estávamos colaborando com o planeta”, diz Lacerda. Além de corresponder às convicções pessoais dos fundadores, o projeto precisava consagrar-se como negócio e dependia de dois pontos prinDezembro 2007 – Empreendedor – 41


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Incubadoras CIETEC Fundação: 1998 Entidades mantenedoras: MCT, Secretaria de Desenvolvimento do Estado de São Paulo, USP, IPT e Sebrae/SP Principais áreas de atuação das empresas: meio ambiente, tecnologia da informação, eletroeletrônica, biotecnologia, e medicina e saúde Empresas graduadas: 64 Empresas residentes: 128 Contatos: (11) 3039-8300/ www.cietec.org.br

Lacerda: “Estamos fazendo algo maior do que vender cola instantânea, estamos colaborando com o planeta”

cipais: os produtos precisavam ser inovadores, porque a empresa não tinha interesse em concorrer com similares; e precisava ser competitiva. Segundo Lacerda, os produtos já disponíveis no mercado são mais baratos, por grama, do que uma cola instantânea. Satisfeitas as condições, a Adespec graduou-se no Cietec em julho de 2003. No ano seguinte, foi eleita pela Anprotec “empresa graduada do ano”. Hoje, a fábrica da Adespec fica em Taboão da Serra (SP), mas o escritório continua no Cietec, onde é mantido um laboratório de desenvolvimento para outro projeto que ainda está incubado. Segunda Lacerda, o objetivo é instalar um laboratório permanente no parque tecnológico que está sendo construído pela instituição. Para abrir a empresa, Chen investiu R$ 60 mil do próprio bolso e depois captou recursos da Fapesp. Ao longo do tempo, segundo Lacerda, ambos ainda investiram reservas pessoais. Ao todo, foi aplicado cerca de R$ 1 mi-

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lhão até a entrada dos investidores. Com a graduação, a Adespec entrou em um fórum patrocinado pela Finep para expor o projeto a investidores selecionados. Quatro grupos se interessaram pela tecnologia, e, depois de muita negociação, os sócios escolheram como financiadora a Rio Bravo, que entrou com o aporte – não divulgado – em 2007. “As negociações duraram dois anos. Eles checaram tudo a nosso respeito, analisaram o mercado inteiro, e isso foi bom porque deu muito mais segurança ao negócio”, diz Lacerda. O aporte financeiro era imprescindível para o crescimento da Adespec, que, ao sair da incubadora, deixou de contar com verbas de incentivo e passou a demandar uma fonte diferente de recursos para estruturar a empresa. “Nesse momento, ou você pega um belíssimo empréstimo ou arruma um investidor, senão ficaríamos operando como uma boutique de adesivos e selantes”, diz. Com o investimento, a Ades-

pec traçou metas ambiciosas de crescimento: o faturamento deve saltar dos R$ 3 milhões, previstos em 2007, para mais de R$ 50 milhões em cinco anos. Lacerda está satisfeito com os resultados e contente porque hoje consegue levar uma vida “bastante normal”, que inclui ir ao cinema, fazer ginástica ou simplesmente tirar o dia de folga. Desde que precisou recomeçar sua vida, ele abriu uma empresa, ajudou a fundar outra e aprendeu a lidar com um mundo completamente diferente do que estava acostumado. “Fui empresário corporativo a vida toda e tive uma formação principesca nessa área, mas quando comecei a trabalhar com a pequena empresa, aprendi coisas que eu nem sabia que existiam e passei a admirar muito mais o trabalho de alguns colaboradores que tive ao longo da vida.”

Linha Direta Flávio Lacerda: (11) 3039-8373


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Incubadoras

Com todo o gás Tecnologia avançada e preço competitivo conquistam 20% do mercado latinoamericano de inspeção de dutos por

Débora Remor

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Prestes a completar dez anos, a Pipe Way Engenharia comemora a consolidação na América Latina e prepara a terceira filial para ser aberta em 2008. Fabricante de ferramentas para inspeção de dutos de petróleo e gás, a empresa nasceu da persistência e ousadia de José Augusto Pereira da Silva. Em 1997, o pesquisador e engenheiro conseguiu que o projeto fosse aprovado na incubadora tecnológica ligada à Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e convidou dois sócios com experiência na área, que aceitaram o desafio. Inicialmente usando as economias pessoais e conseguindo recursos do Centro de Pesquisas da Petrobras e da PUC, Silva e seu grupo de pesquisa desenvolveram uma tecnologia nacional para substituir os equipamentos de inspeção produzidos fora do país. O tempo para a Pipe Way conseguir se firmar e alcançar a maturidade foi de dois anos. Graduada em 1999, a empresa já tinha o “crescimento para seguir seu curso”, segundo Silva. Nos três primeiros anos de independência da incubadora, o empreendimento cresceu 800%, mas Silva explica que “o crescimento inicial é muito grande, porque a fase é assim mesmo, isto é típico de empresas tecnológicas nascentes”. No entanto, mesmo com boa saúde e estrutura, a saída da incubadora representa um estágio crucial, pela perda de facilidades que ela traz. Na mesma época, um quarto sócio veio a se juntar ao grupo, trazendo ainda mais experiência e alguns recursos. Hoje, a equipe – responsável pelas operações comerciais e de tecnologia – permanece unida no comando da companhia, que surgiu da conjunção entre a maturidade da tecnologia desenvolvida e a oportunidade de mercado. Ao participar de concorrência para prestar serviços de inspeção nos 1,9 mil quilômetros da rede de dutos de uma construtora norte-americana no Brasil, a Pipe Way deu o primeiro passo para a conquista do mercado. Em 1999, ganhou mais uma concorrência e reali-

José Pereira da Silva Idade: 40 anos Local de nascimento: Rio de Janeiro Formação: Engenharia de Telecomunicações – Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1992)

Pipe Way Engenharia Ramo de atuação: tecnologia para inspeção de dutos Fundação/incubação: 1997 Instituição incubadora: Instituto Gênesis – PUC-Rio Graduação: 1999 Cidade-sede: Rio de Janeiro (RJ) Faturamento: R$ 7 milhões Número de funcionários: 69 Contato: www. pipeway.com

zou a inspeção de cinco trechos do gasoduto Brasil-Bolívia, com mais de 3 mil quilômetros de extensão. Nos anos seguintes, as disputas por dutos e os prêmios vieram em maior escala. Em 2005, a Pipe Way foi até tema de dissertação de mestrado da PUC-Rio, como case de amadurecimento de pequenas empresas de base tecnológica. Isso depois de ter levado por duas vezes o Prêmio Finep de Inovação Tecnológica na categoria Pequena Empresa, em 2003 e 2004, e o Prêmio Endeavor em 2002. Nascida numa sala de 30 metros quadrados, a partir da experiência dos fundadores e de R$ 40 mil em investimentos, a Pipe Way chegou a abocanhar 80% do mercado nacional de inspeção de dutos, entre 1999 e 2000, tendo apenas oito funcionários. Partiu, então, para o exterior e passou a atuar nos países vizinhos, principalmente através de representantes. Em 2005, o crescimento na participação do mercado externo obrigou a empresa a abrir escritórios na Argentina e Colômbia, maior importador das ferramentas Pipe Way. Em 2007, nove anos depois de fundada, o faturamento chega a R$ 7 milhões, e a empresa emprega 60 funcionários no Brasil, cinco na Argentina e

outros quatro na Colômbia. Entre inspeção e prestação de serviço em quase todos os países americanos e fornecimento de ferramentas para limpeza de dutos para companhias européias e asiáticas, as exportações representam mais de 60% da receita bruta. Ao completar uma década, a Pipe Way pretende chegar fisicamente ao maior mercado de dutos, os Estados Unidos. A inauguração da filial no Texas – Estado com uma malha de 400 mil quilômetros – está prevista para o segundo semestre de 2008. Outra direção para onde Silva olha é o desenvolvimento de produtos para inspeção fora do âmbito petróleo e gás. Sem revelar detalhes, o engenheiro confirma que as novidades estão desenvolvidas, aguardando apenas pela assinatura de contrato de transferência de tecnologia. As inspeções realizadas pela Pipe Way são necessárias logo após a construção e a cada dois ou cinco anos, dependendo do duto. Para vasculhar a tubulação, profissionais especializados em mecânica e eletrônica constroem os equipamentos, que podem ficar até 60 horas nos dutos. Esses mecanismos usam sensores de alta precisão para detectar defeitos e deformações, como amassamentos ou perda de espessura por causa de corrosão, por exemplo. Depois de percorrida a tubulação, a equipe de inspeção recolhe as informações armazenadas em chips e gera relatórios técnicos. Baseadas neste documento, as companhias petrolíferas tomam decisões para evitar vazamentos e realizar correções. “O setor de petróleo e gás está muito aquecido, porém é muito competitivo”, ressalta Silva, garantindo que a Pipe Way se diferencia pela tecnologia mais avançada e preço atraente. Ele explica que, como os negócios no Brasil são fechados através de editais, a vulnerabilidade das empresas é muito grande. “Se ganhar uma, a gente fica com 100% do mercado por dois ou três anos. Mas se perde, fica sem trabalho”, exemplifica. Por essa razão, Silva não revela a participação da Pipe Way na inspeção Dezembro 2007 – Empreendedor – 45


Incubadoras Silva: “Buscamos quem sai da universidade e treinamos conforme a nossa necessidade”

dos mais de 15 mil quilômetros de dutos no Brasil, afirma apenas que detém entre 15% e 20% do mercado na América Latina. Ele também lamenta que nem sempre pode concorrer com a melhor tecnologia de custo-benefício, e que precisa entrar no páreo com a tecnologia mais comum e de menor preço. Entre grandes empresas e estatais, 20 são clientes da Pipe Way, e Silva explica que o setor se compõe assim, “poucos clientes têm participação grande no faturamento, mas isso traz forte dependência”. Para fugir um pouco dessa gangorra, a empresa tem um braço de engenharia, que “desenvolve soluções customizadas para grandes empresas como Petrobras, Braskem e as montadoras de dutos, e aí é uma relação de parceria mesmo”, define. Três pessoas se dedicam exclusivamente ao ramo da prestação de serviço, além de uma rede de competência que inclui várias universidades. Por atuar num segmento que exige muita tecnologia, a Pipe Way sofre na busca por funcionários, e Silva recla-

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INSTITUTO GÊNESIS Fundação: 1996 Entidade mantenedora: PUC-Rio Principais áreas de atuação das empresas: telecomunicações, educação, gestão do conhecimento, energia/petróleo, tecnologia da informação, entretenimento, design, jóias e acessórios, turismo, áudio, vídeo e mídia digital, moda Empresas graduadas: 36 Empresas residentes: 24 Contatos: (21) 3527-1377/ www.genesis.puc-rio.br

ma da falta de pessoal com boa formação. “Hoje, está mais fácil conseguir recursos do que mão-de-obra qualificada. Por isso, estamos buscando os que saem da universidade e treinamos conforme a nossa necessidade.” Mesmo tendo trabalhado 15 anos com tecnologia e dutos, supervisão e desenvolvimento de projetos, Silva não pára de estudar, agora está envolvido na redação da tese para concluir o doutorado e se prepara para voltar a lecionar no ano que vem – parou em 2006 por falta de tempo. O setor demanda muita inovação, por isso, a empresa destina entre 10% e 12% do faturamento para pesquisa e desenvolvimento. Além disso, Silva permanece em contato direto com os laboratórios da universidade, através dos trabalhos desenvolvidos em parceria. “Sou muito mais um engenheiro pesquisador do que empresário”, diz, com modéstia, o Empreendedor Endeavor.

Linha Direta José Pereira da Silva: (21) 8136-9154


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Incubadoras

De olhos bem abertos Jovem engenheiro implantou o primeiro sistema de visão do país, que hoje é referência em controle de qualidade por

Marco Britto

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José Rizzo é um empreendedor de visão aguçada. Diretor-presidente da Pollux, empreendimento especializado em inspeção automática e linhas de montagem, ele acumula diversos prêmios, como “empreendedor do ano”, na categoria Emerging, concedido pela Ernst & Young em 2002, além de uma trajetória sempre ligada à inovação tecnológica. Sediada em Joinville, norte de Santa Catarina, a empresa, iniciada há dez anos por meia dúzia de parceiros em um pequeno escritório, hoje tem 80 funcionários e tornou-se referência nacional em


controle de qualidade. Fabricando equipamentos que utilizam o processamento de imagens para avaliar diferentes padrões de produtos, a Pollux tem atuação forte em grandes segmentos, como a indústria automotiva, inspecionando peças e processos de montagem, e a farmacêutica, controlando detalhes de embalagem como a especificação do lote e a data de validade dos medicamentos. Rizzo conheceu a cidade onde mora hoje por acaso. Aos 23 anos, o carioca desejava viver no Sul, porém ainda não tinha certeza de quando seria o momen-

to certo, e se concentrava na sua graduação em Engenharia Mecânica, na Universidade de Iowa, em Chicago (EUA). De olhos atentos para as novidades, nessa época ele tomou conhecimento do que mais tarde viria a ser seu objeto de trabalho. “Durante o período acadêmico, eu tive as primeiras informações sobre sistemas de visão, que na época era algo novo e me chamou a atenção”, lembra. Foi também nesse período, ainda nos Estados Unidos, que Rizzo foi sondado pela empresa catarinense Embraco, maior fabricante de compressores do mundo. De repente, já tinha destino certo logo após graduar-se: Santa Catarina, Brasil. Contratado como especialista de processos – engenheiro responsável por projetar e implementar tecnologias de fabricação –, Rizzo encontrou um gerente que, na época, início dos anos 1990, queria trazer para a fábrica da Embraco o que havia de melhor na área de tecnologia, inclusive de controle de qualidade. “Para ter uma idéia, entre as novas tecnologias consideradas estava a internet”, lembra. A empresa catarinense buscava se modernizar e firmar presença no mercado internacional. Elevar a qualidade do produto era essencial, pois o nível de exigência dos clientes seria cada vez maior. Durante a avaliação de opções possíveis para as inovações que a Embraco buscava, Rizzo lembrou-se da tecnologia que conhecera em seu período no exterior e sugeriu a solução ao chefe. O projeto para investigar os sistemas de visão foi aprovado, e Rizzo novamente aprontou as malas e partiu para uma viagem pelos Estados Unidos e Europa, onde pôde se aprimorar no tema, avaliando alguns projetos que já utilizavam a nova ferramenta de controle de qualidade. De volta ao Brasil, apresentou os resultados e recebeu sinal verde para a sua idéia. “A empresa apostou no projeto, e iniciamos experiências com protótipos para aprendermos sobre a tecnologia”, conta. Assim, o jovem engenheiro, com o apoio de sua equipe, iniciou o processo pioneiro de implantação de sistemas de visão no país.

José Rizzo Hahn Filho Idade: 40 anos Local de nascimento: Rio de Janeiro (RJ) Formação: Engenharia Mecânica, Universidade de Iowa, EUA

Pollux Ramo de atuação: inspeção automática e linhas de montagem Fundação/incubação: Fundação 1996, incubação 2000 Instituição incubadora: MIDIville – Senai Graduação: 2005, considerando período adicional de seis meses após graduação Cidade-sede: Joinville (SC) Faturamento: R$ 11 milhões Número de funcionários: 80

Com o sucesso do projeto, Rizzo percebeu um nicho de mercado a partir desta nova ferramenta, que possibilitava automatizar totalmente o controle de qualidade. “Vi que os sistemas de visão em breve iriam se tornar mais acessíveis, fáceis de usar, e com a necessidade crescente das empresas por qualidade, resolvi apostar naquilo.” Com seis sócios, o primeiro escritório da Pollux, no centro de Joinville, iniciou suas atividades em 1996. Os espaços administrativo e fabril de repente disputavam os 40 metros quadrados da sala, e logo o ambiente não suportava o volume de trabalho da empresa. “Estávamos começando a fabricar os equipamentos. Íamos aos EUA, em eventos técnicos na área, atrás de parcerias com fornecedores para câmeras e hardware, e assim pudemos começar a oferecer nossas soluções”, lembra. A necessidade de uma sede maior tornou-se prioridade na vida da empresa. Na mesma época em que a Pollux necessitava de um novo espaço físico, foi lançado o projeto MIDIville. A incubadora preencheu exatamente as necessidades da empresa em crescimento, fornecendo infra-estrutura a custos acessíveis e, como destaca Rizzo, evidência. “Passamos a ser visitados

LIO SIMAS

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regularmente por missões de investidores, potenciais parceiros, interessados em fazer negócios.” A evolução na estrutura ainda contou com a ajuda dos serviços de assessoria em áreas como marketing e finanças, disponibilizados pela instituição. Na visão de Rizzo, o ambiente da incubadora incentiva o empreendedorismo. “É muito mais estimulante do que ficar isolado em uma sala comercial, pois todos tinham o interesse de discutir temas relacionados ao seu negócio com outros empreendedores, e assim eu obtinha informações importantes”, afirma. O MIDIville procurava empresas que já houvessem superado o primeiro ano de atividade – que era o caso da Pollux. Com o produto e a estrutura ideal, o crescimento foi apenas questão de tempo. Quando chegou à incubadora, a equipe era formada pelos seis membros iniciais, e quando a empresa foi graduada, quatro anos depois, já empregava cerca de 60 funcionários. Em 2000, logo após a incubação, um plano agressivo para o futuro da Pollux começou a entrar em ação. Segundo o diretor-presidente, a abertura de capital era a solução ideal para investir pesado na ampliação da capacidade de trabalho da empresa. No mês de agosto do mes-

MIDIville Fundação: 1999 Entidade mantenedora: Senai/SC Principais áreas de atuação das empresas: automação, informática, eletro-eletrônica Empresas graduadas: 12 Empresas residentes: 9 Contatos: (47) 3441-7730/ www.midiville.com.br

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Incubadoras

Sistemas de visão atendem à necessidade crescente de empresas por qualidade

mo ano, a Pollux passou a ser oficialmente uma sociedade anônima, processo coroado nos dois anos seguintes por investimentos que totalizaram R$ 2,68 milhões, vindos do Banco Fator e Pantel Group, inicialmente, e depois do grupo GP Investimentos, gerenciadores de fundos voltados a empresas de tecnologia. O aporte permitiu a complementação da estrutura gerencial, com a contratação de especialistas para as áreas de recursos humanos, qualidade e marketing, e ainda investimentos em pesquisa e desenvolvimento.

Desafios A partir deste aporte de recursos, foi possível firmar a parceria entre a Pollux e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que deu origem a uma divisão de pesquisa em Florianópolis. O objetivo do trabalho, que manteve bolsistas principalmente do curso de Engenharia Elétrica, era o desenvolvimento de tecnologias competitivas para sistemas industriais de visão. “Passamos aos estudantes alguns desafios na área de processamento de imagens, e foi possível criar ferramentas de softwares que foram incorporadas em várias das nossas soluções”, revela Rizzo. Outra parceria importante foi com a norte-americana Sloan Business School, escola de negócios do Massachusetts Institute of Technology (MIT). Num convênio com a instituição, estudantes de MBA desenvolveram quatro projetos focados em estratégia de negócio. “Muitos desses estudantes têm

um perfil de alto nível, pois já passaram por grandes corporações, como Microsoft e Motorola”, observa Rizzo. O trabalho elaborou táticas de posicionamento para a empresa, e também de expansão para outros mercados, utilizadas na operação de aquisição de 80% da mexicana Pabal S.A., visando a atender ao mercado de sistemas de visão daquele país. A operação mantém-se em equilíbrio, porém sem resultados expressivos. Os motivos do desempenho abaixo do esperado, segundo Rizzo, seriam principalmente as dificuldades em competir com os concorrentes norte-americanos, que levam vantagem devido aos acordos comerciais do Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta). Mesmo com a decepção no México, a Pollux segue firme na posição de referência nacional em seu segmento. De acordo com Rizzo, em 2007 o volume de pedidos teve um aumento de 70% em relação ao ano anterior, e a alta do faturamento deve chegar a 40%. Para o próximo ano, a novidade será a entrada em um novo mercado. Para abrir o leque de ofertas ao cliente, a empresa vai investir na fabricação de linhas de montagem com inspeção integrada, focando inicialmente a indústria automotiva. Quatro propostas concretas de trabalho no novo ramo já estão sendo estudadas. Rizzo acredita no plano de expansão da empresa e enxerga longe: “Pretendo triplicar o faturamento da empresa nos próximos três anos”.

Linha Direta José Rizzo Hahn Filho: (47) 3025-9000


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Incubadoras

Criador digital Facilidade de expressão, conhecimento técnico e criatividade levaram as soluções da Oníria para o mundo por Natacha Amaral Transformar objetos não verdadeiros em objetos reais. Esse é o grande negócio de Juliano Alves, um aficionado por jogos eletrônicos que descobriu nos games os recursos e a tecnologia necessários para lançar soluções digi-

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tais de sucesso nos mercados nacional e internacional. Criador da desenvolvedora de softwares Oníria, Alves produziu apresentações de produtos em 3D para a Sansung, advertise games para a campanha publicitária da Coca-Cola

e jogos de computador dirigidos a países de língua alemã. Foi das brincadeiras na infância com Odissey, Atari e, mais tarde, RPG (jogos de interpretação de papéis) que Alves tirou inspiração para criar sua pró-


pria empresa de jogos. Mais tarde, durante os anos de Ciências Sociais na Universidade Estadual de Londrina (Uel), Alves trabalhava como representante comercial da indústria de softwares Celta System. Com o tempo, porém, o estudante começou a exercer outras funções dentro da empresa, que tinha grande dificuldade em entender as reais necessidades do mercado. “O programador fazia um software tecnicamente perfeito, mas que não trazia tantos benefícios para seu cliente”, explica. “Eu acabei fazendo a ponte entre o mercado e o programador.” O conhecido de tecnologia e a facilidade de se expressar de Alves permitiram que ele fizesse a intermediação com sucesso. Em pouco tempo, o universitário se tornou gestor de projetos da Celta e, posteriormente, de outra consultoria de informática. A partir de então, Alves teve a idéia de criar, com mais quatro colegas de faculdade, uma empresa que desenvolveria games. “Cada um de nós foi com seu computador para a sala emprestada por um amigo que trabalhava com a gente”, lembra. O negócio fechou em seis meses. “Queríamos criar jogos, mas não tínhamos foco e não sabíamos por onde começar”, explica. Mas a ligação com a universidade proporcionou a Alves e seus colegas uma oportunidade de viabilizar seu negócio: a entrada na Intuel (Incubadora Internacional de Empresas de Base Tecnológica da Uel). “Ingressamos com um projeto e fomos aprovados.” Em 2001, nasceu a criadora de jogos Napalm Entretenimento, com uma equipe multidisciplinar formada por oito integrantes das mais diversas áreas – vendas, comunicação, programação, design, desenho, além de parceiros de moda e teatro que atuavam como consultores. Amparado pela incubadora, o grupo conquistou maior liberdade para aprender com seus erros, o que foi essencial do ponto de vista de Alves. “Batemos muito a cabeça, porque fazer jogo de computador não é fácil. Se não hou-

ver foco e um público-alvo definido, você faz produtos que só servem para você mesmo. Foi o que aconteceu conosco no início”, explica. Um ano após diversas experiências e tentativas, a Napalm concluiu seu primeiro projeto, o jogo de tiro espacial Impacto Alfa, posteriormente lançado na Áustria, Alemanha e Suíça, na versão alemã. A equipe sentiu necessidade de buscar um nome mais comercial, já que Napalm fazia referência à tecnologia de guerra desenvolvida pelos Estados Unidos para o uso de líquidos inflamáveis em bombas e lança-chamas. “A escolha refletia o espírito do jovem que, quando entra nesse mercado, tem uma visão mais lan house, de que vai explodir e fazer algo diferente”, explica Alves. Também tinha o objetivo de atingir o consumidor final. “Mas ouvimos o conselho de um grande empresário apoiador da Intuel e elaboramos um nome mais direcionado à cultura de nossos futuros investidores.” Com isso, Napalm deu lugar à Oníria Entertainment em 2002. O título foi baseado em parte no adjetivo “onírico”, relativo a sonhos. “Nosso trabalho é transformar objetos que não existem em coisas reais”, justifica a escolha. No final de 2002, a Oníria recebeu apoio da Finep para desenvolver uma metodologia de produção de jogos de computador própria e até então exclu-

Juliano Barbosa Alves Idade: 30 anos Local de nascimento: Ibaiti – Paraná Formação: Ciências Sociais (Uel)

Oníria Ramo de atuação: desenvolvimento e comercialização de softwares Fundação/incubação: 2002 Instituição incubadora: Intuel Graduação: 2005 Cidade-sede: Londrina – Paraná Faturamento: aproximadamente R$ 100 mil Número de funcionários: 7

siva no Brasil. A partir daí, realizou, durante quatro anos, uma pesquisa de âmbito técnico, artístico e social sobre o que era o game, sua influência no usuário e métodos adequados de produção para que outras empresas pudessem criar seus próprios jogos com qualidade. Ao mesmo tempo, enfrentou grandes desafios como a mudança constante no quadro de profissionais, muitos deles estudantes que desenvolviam outros interesses após a graduação. Também a empresa ainda não tinha um fluxo de caixa, o que dificultava o pagamento dos funcionários. “O pessoal dedicava muito tempo ao projeto, mas não ganhava nada. Perdi muitos talentos com essas oscilações, que dificultavam um processo constante e organizado dentro da empresa”, relata Alves. O contato com o mercado externo se deu por conta da participação da Oníria, apoiada pela Intuel, em diversos eventos. Entre eles, a Games Convention German 2003 em Leipzig, uma das três maiores feiras mundiais de jogos de computador. A GC rendeu à empresa de Alves, então diretor comercial da Oníria, um contrato internacional para o desenvolvimento do jogo Die Pferdebande (Gangue dos Cavalos). Voltado para meninas de oito a dez anos de idade, o jogo foi desenvolvido no Brasil em 2004, e, no ano seguinte, se tornou um dos dez games de computador mais vendidos na Alemanha na classificação infanto-juvenil. Mais tarde, foi adaptado para os mercados francês e holandês. A empresa também se destaca na criação de advertise games, os chamados jogos publicitários. Em 2005, desenvolveu um simulador de futebol para a campanha Coca-Cola Super Coach. O game mexia com o conceito de integração e vendia a marca para o usuário. “A Coca-Cola aumentou em 30% a 40% suas vendas com o Super Coach”, relata Alves. A Oníria criou o maior dos oito jogos utilizados na campanha, desenvolvido com a característica multiplayer e com a capacidade de suportar 20 mil Dezembro 2007 – Empreendedor – 53


Incubadoras

Equipe multidisciplinar da Oníria desenvolve games e soluções em 3D para o mercado corporativo

usuários jogando dez mil partidas simultaneamente na internet. Nesse momento, a Oníria se preparava para deixar o programa da incubação da Intuel. Para Alves, a saída para o mercado foi um momento difícil. Segundo ele, a incubadora criou, de certa forma, uma casca protetora para a empresa de modo que sua equi-

INTUEL Fundação: 1997 Entidades mantenedoras: Reparte, Anprotec, Gamenet, Finep, Softex, Citpar e A. Yoshii Principais áreas de atuação das empresas: software, projetos de hardware, jogos, biomedicina e área de energia solar Empresas graduadas: 12 Empresas residentes: 7 Contatos: (43) 3371-5812/ www.intuel.org.br

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pe não enxergava a realidade de mercado. “Tudo parecia muito fácil, mas as coisas não funcionam de uma forma tão redondinha. Tanto que foi somente de um período para cá que começamos a nos preocupar em ter advogado, fazer contratos e sermos extremamente profissionais para conquistar mais clientes”, diz. Alves avalia a experiência, porém, como muito positiva. “Havia todo um processo de criação de plano de negócios, de pensar qual é o papel de cada um lá dentro e de entender qual era o nosso nicho – isso nos proporcionou um direcionamento”, afirma. Além disso, a incubadora deu bases para a manutenção do negócio com serviços de assessoria, estrutura física facilitada e patrocínio para participação em eventos. “Representei muito a Intuel em vários eventos nacionais e internacionais por causa do meu perfil de vendas, e isso me deu cada vez mais perspectiva e capacidade para falar de tecnologia a empreendedores. Uma networking bem organizada abre muitas portas”, acrescenta. Hoje, a empresa ainda utiliza contatos realizados há dez anos. Mais recentemente, a Oníria passou por grandes mudanças estratégicas e

abandonou seu antigo perfil de produtora de jogos. Em 2007, importou e adaptou todo seu conhecimento em games para diversos setores do mercado corporativo. Passou a produzir uma série de soluções digitais como vídeos educativos e institucionais, vinhetas, sistemas animados de treinamento para empresas e softwares de visualização de produtos em 3D. Ainda assim, a Oníria busca investidores para finalizar e lançar no mercado um jogo de mangá iniciado em 2005 pela empresa, o Omniscire. Com uma equipe interna mais enxuta e parceria com 18 consultores, a Oníria atualmente deseja focar suas atividades em projetos na área publicitária, internet e também atuar na realização de cursos a distância. Para o diretor comercial, repassar o legado da empresa em jogos de computador para outros – o projeto com a Finep – não representa uma ameaça ou futura concorrência, mas sim crescimento para todos. “Podemos atuar em várias áreas e hoje estamos bem focados. Nosso interesse agora é disseminar essa cultura e tecnologia.”

Linha Direta Juliano Barbosa Alves: (43) 3344-1112


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Incubadoras

Rei da química Processo desenvolvido por empresa líder na área de metrologia provocará aumento de R$ 10 milhões na receita por Marco Britto O ano de 2008 do por um grande Quimlab, empresa fina localizada em

promete ser marcasalto na história da da área de química São José dos Cam-

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pos (SP). Ela acaba de patentear o processo de fusão da poliacrilonitrila, identificada pela sigla PAN. A substância, utilizada na fabricação de fibra acrílica,

aproveitada principalmente na fabricação de cobertores e pelúcias, até então era impossível de fundir, pois ao entrar em combustão tornava-se inutilizável,


como acontece com o PVC. Em tempos de desenvolvimento sustentável, o processo tem a qualidade essencial: torna a PAN um recurso renovável. “O processo vai tornar esse plástico reciclável, pois possibilita retorná-lo ao estado original, podendo ser investido em qualquer outro material, como sacos de lixo e embalagens”, conta Nilton Alves, pesquisador e fundador da Quimlab. A empresa aposta todas as fichas nessa experiência, e a expectativa é de que no futuro próximo a PAN poderá

assumir aplicações tecnológicas importantes, como na fabricação de fibra de carbono, por exemplo. Usada em fuselagens e materiais estruturais de aviões, esse material não é produzido no Brasil e tem exportação controlada pelos Estados Unidos após o 11 de setembro, pela questão de uso militar. De acordo com Alves, a tecnologia da Quimlab vai permitir a fabricação de inúmeros itens que utilizam fibra de carbono, num processo 50% mais barato em relação ao utilizado hoje em todo o mundo. Entre outros produtos que poderão ser gerados a partir da PAN, estão canos, garrafas, engrenagens e painéis de carro. Sintonizado com as tendências de mercado, o projeto em torno da PAN tem ainda um trunfo: é baseado na glicerina, um insumo não tóxico e um dos subprodutos da fabricação do biodiesel. “Há alguns anos, custava R$ 20 o quilo, e hoje compramos por cerca de R$ 0,50. É um destino nobre para a sobra do biodiesel”, argumenta Alves. Inicialmente, o processo de fusão da PAN será utilizado na fabricação de fibra acrílica, numa parceria com a Radici Fibras, empresa de São José dos Campos. Como o processo está patenteado, a Quimlab pretende incrementar sua receita com o recebimento de royalties pela utilização da tecnologia “Esperamos um incremento de R$ 10 milhões no primeiro ano, só do mercado de fibra acrílica”, revela. Atualmente, a empresa é a única do Brasil à qual as indústrias que precisam calibrar quaisquer tipos de medidores químicos podem recorrer. A Quimlab fornece os padrões metrológicos que dispositivos especiais utilizam para fazer a leitura química correta de substâncias, como o pH da água ou se a qualidade do leite está dentro do permitido para comercialização. Desfrutando desta posição privilegiada, a filosofia da empresa se diferencia um pouco da usual no mercado, como conta Alves: “Nós nunca vamos até o cliente. Divulgamos os produtos, e nosso cliente chega até nós pela necessi-

Nilton Pereira Alves Idade: 41 anos Local de nascimento: Consolação, MG Formação: Química, Fundação Oswaldo Cruz

Quimlab Química Ramo de atuação: química fina Período de incubação: 1997-2002 Instituição incubadora: Incubadora de Base Tecnológica da Universidade do Vale do Paraíba – Univap Número de funcionários: 28 Faturamento: R$ 1,6 milhão

dade específica”. A solidão, no caso da Quimlab, é sadia. Dominando seu mercado com vantagens em relação aos concorrentes estrangeiros, a empresa reina absoluta em seu ramo.

Padrões Até 1996, Alves era responsável pela fabricação de padrões da Eastman Kodak Company no Brasil, atendendo a laboratórios fotográficos. Após a divisão química em que trabalhava ser vendida, a saída foi continuar fornecendo aos antigos clientes de maneira autônoma. Assim, Alves criou as marcas que utiliza até hoje – as linhas de padrões IsoSol, SpecSol e IonSol. No ano seguinte, o projeto que criou a Quimlab foi aceito na Incubadora de Base Tecnológica de São José dos Campos (SP), sediada na Universidade do Vale do Paraíba (Univap), com o propósito de implantar um laboratório de metrologia destinado à produção de padrões rastreados de pH e condutividade iônica. “Com a estrutura, e também os recursos vindos da Fundação de Amparo à Pequena Empresa do Estado de São Paulo (Fapesp), tivemos a estabilidade para atravessar a fase crítica do negócio”, afirma Alves. A incubadora foi importante ao oferecer um ambiente ideal para o desenvolvimento dos produtos e, mais im-

THOMAS MAY

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portante ainda, deu tempo para que a empresa estivesse apta a ingressar no mercado com segurança. “O produto não estava apropriado para o mercado, e tivemos tempo para prepará-lo adequadamente”, conta Alves. Outro fator importante destacado por ele foi o apoio na capacitação gerencial, indispensável para superar o período inicial do negócio, a chamada “fase crítica”. Ao iniciar as operações na incubadora, a Quimlab constituía-se em três sócios atendendo 15 clientes. Hoje, a empresa conta com 28 funcionários e aproximadamente 400 clientes ativos. Além da sede mantida em contrato de cooperação técnica e científica no campus da Univap, a Quimlab possui desde 2003 uma fábrica em Jacareí, no interior de São Paulo, com 3 mil metros quadrados de área. De acordo com Alves, já foram investidos mais de R$ 2 milhões em infra-estrutura, tanto na ampliação do espaço físico como na aquisição de equipamentos. “Hoje, já dispomos de recursos próprios para realizar nossa parte de pesquisa e desenvolvimento”, afirma. Dez anos depois, a empresa cami-

UNIVAP Fundação: 1997 Entidades mantenedoras: Fundação Vale Paraibano de Ensino, Sebrae-SP, Prefeitura de São José dos Campos, Ciesp (Regional São José dos Campos) Principais áreas de atuação das empresas: multissetorial (TI, piscicultura, automação, engenharia biomédica, geoprocessamento) Empresas graduadas: 12 Empresas residentes: 9 Contatos: (12) 3949-1149/ www.incubadoraunivap.com.br

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THOMAS MAY

Incubadoras

Quimlab desenvolveu processo para reciclar a PAN, substância utilizada na fabricação de fibra de carbono

nha muito bem com as próprias pernas. “Não temos nenhuma dívida e estamos mantendo a média de crescimento de 30% ao ano no faturamento.” Além da fabricação de 500 tipos diferentes de padrão, a Quimlab presta serviços de análises químicas, e ainda terceiriza pesquisa e desenvolvimento na área de química fina. O controle de qualidade tem relação direta com os produtos da empresa, uma vez que os padrões servem para verificar a condição de diversos itens comercializados, como alimentos, por exemplo. “Quem tem uma grandeza química que precisa ser garantida, controlada, precisa do nosso produto”, observa Alves. O químico destaca também o crescimento das qualificações ISO no Brasil, uma certificação que motiva as empresas a aprimorarem seus padrões de qualidade, processo que influi diretamente na demanda pelos padrões químicos da Quimlab. Trabalhando num esquema de parcerias para o desenvolvimento de produtos e tecnologias, a Quimlab se man-

tém ligada aos fundos de apoio à tecnologia e ciência, como a Fapesp e também o CNPq. A abertura de capital esteve entre as opções para alavancar o crescimento da empresa, porém Alves diz não ter tido uma experiência muito boa com os candidatos a investidor. “Participei de várias negociações, mas fiquei decepcionado. Os investidores não querem dividir o risco de pesquisa e desenvolvimento, e querem dividir o mercado.” Para Alves, é mais interessante encontrar parcerias com interesse em injetar recursos no desenvolvimento de novos produtos. Administrando a empresa sem ir “com muita sede ao pote”, Alves amplia sua atuação no mercado e fortifica a liderança no ramo de padrões químicos. “Começamos no Simples, e depois de dois anos ainda estávamos no negativo. Este ano, nosso faturamento deve superar em mais de 20 vezes o valor inicial.”

Linha Direta Nilton Pereira Alves: (12) 3958-4989


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Incubadoras

Senhor do tempo Software simula produção conforme capacidade e volume de pedidos, e se adapta facilmente a problemas Marco Britto

CEZAR ALVES

por

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Para Ricardo Costa, o nome da empresa que dirige tem um significado diretamente ligado à sua própria trajetória profissional. “O nome Trilha vem da percepção do caminho que percorremos até alcançar nossos objetivos”, define. No início dos anos 1980, pesquisando situações reais de trabalho como parte de um estudo para o mestrado em Engenharia de Produção da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Costa via sempre um estagiário trabalhando num velho painel de cortiça, tentando estabelecer um quadro funcional da produção em andamento. Esse funcionário tinha que levar em conta cerca de 3 mil ações na linha de montagem para calcular o tempo em que o produto encomendado estaria pronto. Como se já não fosse um trabalho hercúleo o suficiente, as encomendas eram de equipamentos diferentes, feitos de maneiras diferentes, apresentando mais uma série de variáveis para o pobre estagiário calcular no mínimo tempo possível. “Quando ele conseguia finalmente terminar o trabalho, não queria que chegasse mais nenhuma encomenda”, lembra. Ao perceber quão árdua era a tarefa de planejar o trabalho industrial, Costa enfim encontrou o tema ideal para sua pesquisa: ele passou a trabalhar numa solução que simulasse o futuro, avaliando a capacidade de produção instalada da empresa em relação ao volume de pedidos, para assim equilibrar a eterna luta entre tempo e espaço no chão de fábrica. Desse insight, nascia o embrião da tecnologia “See the Future”, hoje comercializada nos simuladores da Trilha Projetos, empresa sediada no Rio de Janeiro que tem entre os clientes alguns pesos-pesados da indústria mundial, como Nokia, Siemens e Honda. Atualmente, a Trilha atua como provedora de software de gestão de produção para a indústria, presta consultoria em engenharia de produção, produz materiais multimídia para projetos na área de cultura e educação, e realiza também os treinamentos para o uso dos

simuladores que produz. Com a tecnologia “See the Future” amadurecida e know-how acumulado durante os 20 anos em que desenvolveu sua empresa, Costa se diz contente com os resultados e confiante em relação ao futuro. “Após um bom tempo fazendo tudo o que dizia respeito à empresa, do financeiro à linha de montagem, estamos funcionando com uma estrutura melhor e com clientes fantásticos como a Honda, onde estamos desenvolvendo 30 projetos simultâneos”, afirma. Um dos planos da Trilha para curto prazo é levar sua tecnologia para fábricas no exterior, na carona do sucesso atendendo às multinacionais no Brasil. Embora seja cedo para comemorar, a empresa mantém negociações que podem levar os simuladores para a Argentina, Bélgica e Portugal. A capacidade de adaptação imediata aos problemas é um diferencial destacado por Costa a respeito da tecnologia “See the Future”. Ultrapassando hoje a marca de 40 simuladores comercializados, sempre como solução sob medida, a empresa mantém uma biblioteca de soluções, com as saídas encontradas pela equipe para driblar os mais diferentes desafios encontrados ao longo do tempo de vida do projeto. Além do desenvolvimento do produto, Costa destaca outra questão essencial para o bom desempenho dos simuladores:

Ricardo Costa Idade: 48 anos Local de nascimento: Londrina (PR) Graduação / Instituição: Engenharia de Produção (UFRJ – Coppe)

Trilha Projetos Ramo de atuação: Software, consultoria em Engenharia de Produção Ano de incubação: 2000 Ano de graduação: 2002 Instituição incubadora: Instituto Nacional de Tecnologia (INT) Num. de funcionários: 21 Faturamento: R$ 1,5 milhão

conhecer muito bem o método de funcionamento das empresas atendidas. “Qualquer detalhe pode ser decisivo. Cada empresa é uma nação, tem sua língua, seu raciocínio. A noção dos objetivos do cliente deve estar muito clara para formularmos o software de maneira eficiente, e assim darmos agilidade à capacidade de decisão no curto prazo”, observa. De acordo com Costa, para obter sucesso na formulação do simulador, a parte relativa à obtenção de informações do cliente corresponde a até 60% do trabalho.

Embrião A Trilha Projetos nasceu de um grupo que juntou forças na Divisão de Gestão da Produção do Instituto Nacional de Tecnologia (INT), onde Costa ingressou como bolsista em 1983, época em que cursava mestrado na UFRJ. Sob o comando do professor Eduardo Moura Jardim, hoje sócio na Trilha, esse núcleo de trabalho desenvolveu soluções de gestão que resultaram na tecnologia de simulação computacional que após alguns aperfeiçoamentos veio a ser o software “See the Future”. Costa, que tinha presenciado a dificuldade de agendamento sofrida pela fábrica citada anteriormente, liderou a formulação da nova ferramenta. Mantendo parcerias entre o INT e empresas privadas, foi possível desenvolver a tecnologia até chegar ao ponto em que se tornou um produto com potencial de comercialização. “A partir desse primeiro projeto, que consistia numa agenda inteligente, eu comecei a perceber o valor desse planejamento em si como estratégia”, lembra Costa. Ao mesmo tempo em que o grupo avançava no campo tecnológico, a burocracia e as barreiras em relação à atuação comercial do núcleo de estudos, locado dentro de uma instituição pública ligada ao Ministério de Ciência e Tecnologia, denunciavam que a prática administrativa daquele empreendimento precisaria em breve ser revista. No ano de 1995, houve a primeira Dezembro 2007 – Empreendedor – 61


Incubadoras CEZAR ALVES

tentativa de transformar a Trilha em empresa, porém a “situação universitária” do grupo, como classifica Costa, não possibilitou a sua concretização. Após o interesse da fábrica de eletro-eletrônicos CCE pelo projeto, ficou claro que o simulador era um produto altamente viável, mas que precisava ainda de alguns ajustes para ser plenamente comercializado. “A equipe passou o programa para a plataforma Windows, e começamos a trabalhar em outro nível. Surgiram contatos que depois possibilitaram bons negócios, como a Philips, por exemplo.” Na época, Costa, já coordenador do projeto, sugeriu aos bolsistas participantes que abrissem uma empresa para formalizar o negócio. Porém, não houve capacidade administrativa para consolidar o grupo como uma empresa organizada. “Éramos ainda muito novos para o desafio, e não deu certo.” O grupo começou a trabalhar como empresa, porém funcionava como divisão de pesquisa, o que estava gerando certo descompasso na parceria com a instituição que os alojava. “Estávamos repassando inovações tecnológicas, o que está dentro da filosofia do INT, porém estávamos obtendo

INT Fundação: 1999 Entidade mantenedora: Ministério da Ciência e Tecnologia Principais áreas de atuação das empresas: química, tecnologia dos materiais, engenharia industrial, energia e meio ambiente Empresas graduadas: 4 Empresas residentes: 8 Contatos: (21) 2123-1196 2123-1208/www.int.gov.br

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Trilha: clientes pesos-pesados da indústria mundial, como Nokia, Siemens e Honda

lucro pessoal, o que era um problema”, conta. Costa foi até a direção do instituto para achar uma saída para a situação e conseguiu. Foram definidas bolsas de complementação salarial para os profissionais do projeto, e dado sinal verde para iniciar o processo de incubação – a solução ideal para que todos continuassem parceiros, cada qual no respectivo ramo de atuação. O núcleo de parcerias tecnológicas evoluiu para a incubadora de empresas da instituição, e assim a Trilha Projetos abriu seu próprio caminho e se tornou o primeiro empreendimento incubado no INT em 2000. A nova situação trouxe a tranqüilidade para que a Trilha finalmente entrasse com segurança no mercado. Após dois anos incubada, a empresa graduou-se e mantém desde então o INT como parceiro para desenvolvimento tecnológico, que recebe royalties sobre a tecnologia “See the Future” – 3% sobre o faturamento de cada projeto comercializado utilizando o

software. “O instituto nos empresta robustez, e nós damos a eles agilidade”, ressalta Costa. Três anos depois, foi classificada pela Anprotec como “melhor empresa graduada de 2005”. Além de sócio-diretor da Trilha Projetos, Costa mantém a atividade de professor, que sempre fez parte da sua carreira profissional. Ministrando aulas para os alunos do MBA da Fundação Getúlio Vargas (FGV), na disciplina de Gestão Industrial, ele mantém contato com outros empreendedores do ramo, o que sempre foi uma boa estratégia para cultivar bons contatos. “Trabalho com grupos de empresários ligados ao meu ramo e assim continuo trocando idéias sobre tecnologia”, conta. Trilhando seu caminho passo a passo para superar os obstáculos até aqui, Costa segue tranqüilo em relação ao futuro de seus negócios, pois sabe que agora o tempo está a seu favor.

Linha Direta Ricardo Costa: (21) 2221-0018


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Pequenas Notáveis

O espaço da micro e pequena empresa

CONHECIMENTO E NEGÓCIOS

Comércio Justo internacional cresce mais de 20% ao ano Concentração de produtos no varejo, consumo consciente e apoio de marcas tradicionais direcionam práticas do movimento internacional O sistema do Comércio Justo cresce em torno de 20% ao ano no mundo. Em 2005, chegou a um faturamento estimado no varejo em torno de 1,142 bilhão de euros, o que representa mais de R$ 2,9 bilhões. Nesse mesmo ano, o Comércio Justo certificado beneficiou aproximadamente um milhão de agricultores e trabalhadores em mais de 50 países. Os dados são de um estudo inédito sobre o Comércio Justo e Solidário que o Sebrae acaba de divulgar. O trabalho, realizado pela consultoria Schneider & Associados e encomendada pela Unidade de Acesso a Mercados do Sebrae Nacional, traz informações sobre as entidades envolvidas e as principais iniciativas praticadas no Brasil, na América Latina e no mundo. De acordo com a pesquisa, a con-

centração de produtos no varejo convencional, a conscientização da sociedade sobre a importância do tema e o lançamento de produtos com selo de Comércio Justo por marcas tradicionais vão direcionar as práticas do movimento no cenário internacional. “Para que o movimento seja reconhecido como uma alternativa viável, será preciso aumentar ainda mais a consciência dos consumidores, transformando a prática do consumo do Comércio Justo em estilo de vida, além de integração e articulação de governos e entidades públicas”, disse a coordenadora do Comércio Justo pelo Sebrae, Louise Machado. Segundo o levantamento, os principais mercados do Comércio Justo hoje são os Estados Unidos, o Reino Unido, a

Café já representa um quarto do Comércio Justo mundial

CLOVIS CAMPOS

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Suíça, a França e a Alemanha. Em termos de faturamento estimado de produtos certificados em valores de varejo, as taxas foram de 344 milhões de euros (quase R$ 900 milhões) nos EUA, quase 206 milhões de euros (mais de R$ 530 milhões) no Reino Unido, 143 milhões de euros (cerca de R$ 368 milhões) na Suíça e pouco mais de 109 milhões de euros (R$ 281 milhões) na França. Além dos produtores, os atores mais importantes do segmento são os importadores, os empresários licenciados, que recebem uma autorização para usar o selo de Comércio Justo em seus produtos, e as lojas especializadas, chamadas world shops. O levantamento também indica uma lista dos principais produtos comercializados no mundo que levam o selo de certificação da entidade internacional FLO (Fair Trade Labelling Organization International). No primeiro lugar do ranking dos produtos, estão as bananas, que representam 62,2% do Comércio Justo. Com 26,9%, está o café, que, segundo o consultor responsável pelo estudo, Johann Schneider, tem grande potencial para liderar a lista de preferências. “O aumento significativo de compra de café de Comércio Justo pelos EUA nos últimos anos fortalece a posição do produto como porta-estandarte internacional”, afirma. Na seqüência da lista, aparecem o cacau e os sucos de frutas, com 2,7% e 2,4%, respectivamente. Segmentos como algodão, flores e plantas, e confecção também são apontados como potenciais no mercado alternativo. Além desses, existem outros que são comercializados por critérios


Mais de 14 mil empresas praticam Comércio Justo no Brasil próprios de certificação, até que as normas sejam incorporadas pela entidade internacional FLO. Entre eles, estão instrumentos musicais, brinquedos e confecções. Do Brasil, por exemplo, destacam-se os produtos derivados da soja orgânica, tais como óleo e leite, exportados para a Suíça, ou guaraná em pó e em xarope, para a Itália.

Moda ética A geração de emprego e renda, e a inclusão social por meio da cadeia têxtil e de confecção também se destacam como alguns dos principais temas na pauta de ações do Comércio Justo no mundo. A iniciativa de maior visibilidade neste setor é o Ethical Fashion Show, organizado na França, que este ano teve sua quarta edição. Em junho de 2006, o assunto chamou a atenção dos brasileiros, quando a moda das favelas cariocas brilhou nas passarelas do Fashion Rio, no Rio de Janeiro. A iniciativa do Sebrae reuniu casos de sucesso decorrentes da integração de grandes designers do universo da moda com grupos, cooperativas e empresas em todo o país. Outro país que avança fortemente neste mercado é o Reino Unido. Lá são desenvolvidos critérios para a certificação de algodão de Comércio Justo, que fizeram do país o primeiro a lançar marcas de vestuário certificadas. Junto com a confecção, cresce todo o mercado ligado à moda, como calçados, joalheria, bijuteria e acessórios. O Comércio Justo e Solidário é uma atividade comercial baseada em relações de comercialização fundamentadas em princípios como respeito ao meio ambiente, igualdade entre homens e mulheres, promoção de direitos da criança, ética, gestão democrática, transparência na relação comercial e preço justo. A pesquisa pode ser lida na íntegra no site do Sebrae pela Biblioteca On-line.

Estudo do Sebrae revela que o sistema brasileiro evoluiu nos últimos anos e tende a crescer impulsionado pelo consumidor consciente. Atualmente, existem no Brasil mais de 14 mil empreendimentos solidários, distribuídos em 2.274 municípios. O total corresponde a 41% dos municípios brasileiros e, de acordo com o estudo, trata-se de uma tendência mundial. A diversidade das iniciativas locais dos produtores e de todos os elementos das cadeias produtivas do movimento é apontada como a principal razão para a expansão do processo. A publicação traz informações de mercado, tabelas e dados sobre as entidades envolvidas e as principais práticas no Brasil, na América Latina e em todo o mundo. O objetivo é identificar oportunidades de mercado para diversos segmentos, principalmente para os voltados a agronegócios, artesanato, confecções e turismo. Conforme o estudo, considerando a distribuição territorial, há maior concentração dos empreendimentos da economia solidária na Região Nordeste, com 44%. O restante está distribuído com 17% no Sul, 14% no Sudeste, 13% no Norte e 12% no Centro-Oeste. De todos os produtos mais comercializados, destacam-se os relativos às atividades agropecuária, extrativista e pesca, alimentos e bebidas, e produtos artesanais. “O Comércio Justo no mundo é puxado pelo consumidor. Para o grande público no Brasil, o assunto ainda é desconhecido, mas o diferencial do movimento será impulsionado a partir da consciência de quem consome”, explicou o consultor responsável pela pesquisa, Johann Schneider. Ele ressaltou que as taxas relativas à prática do Comércio Justo crescem em torno de 20% ao ano. “E devem continuar aumentando”, acrescentou. Mas fez um alerta so-

bre os principais desafios que impedem essa evolução, como a falta de um sistema brasileiro de certificação com reconhecimento internacional, além do fortalecimento e profissionalização da cadeia produtiva. Segundo o material, o movimento ganhou fôlego no País a partir de articulações da sociedade civil brasileira, com a criação, em 2001, do Fórum de Articulação do Comércio Justo e Solidário – Faces do Brasil. A idéia era reunir organizações de produtores, consumidores, entidades, e representações governamentais e não-governamentais para discussão de alternativas de acesso a mercados por pequenos produtores, visando à sua competitividade e sustentabilidade financeira. Em 2006, surgiram no Brasil organizações coletivas de trabalhadores de comercialização e consumo solidários, denominados empreendimentos solidários, como alternativas ao desemprego, complemento da renda e obtenção de melhores condições de troca para os produtores. Desde 2004, o Sebrae desenvolve ações com foco no Comércio Justo para promover o acesso a mercados pelas micro e pequenas empresas. Em 2005, a instituição lançou o projeto de Comércio Justo, que objetiva a criação de metodologias e ferramentas que possam orientar o processo de acesso a este mercado por parte dos pequenos produtores. A partir daí, foram elaborados estudos e metodologias para referenciar a atuação do Sistema Sebrae no Comércio Justo, implementados projetos piloto em vários Estados, produzidos documentários em parceria com o Canal Futura para disseminação dos conceitos e princípios, além de guias e cartilhas, criados em parceria com a organização não-governamental Visão Mundial, para produtores e facilitadores brasileiros. Dezembro 2007 – Empreendedor – 65


F ranquia Fast-food light Sanduíches leves e cardápios balanceados para quem não tem tempo, mas quer alimentação saudável por

Débora Remor

Pensar em comida saudável, para muita gente, é o contrário de fazer uma refeição rápida no fast-food do shopping e ainda sair satisfeito. Mas essa realidade é a tendência dos consumidores e, conseqüentemente, a meta perseguida por lojistas e donos de restaurante. Algumas redes de fast-food acrescentam saladas aos hambúrgueres para dar uma cara moderna ao cardápio. Outras nasceram com a mentalidade do prato colorido e com pouca gordura na balança. Sem poder generalizar, já que

Anette, da Subway: todas as opções do cardápio com menos de seis gramas de gordura

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umas foram criadas na década de 1960 e outras no começo deste século, as marcas coincidem num ponto: os alimentos precisam ser frescos, sejam as verduras, sejam as carnes. A cozinha ou local de preparo fica na parte frontal do ponto, como chamariz da freguesia, que pode escolher à vontade quais os ingredientes vão compor a refeição. Pouca ou nenhuma fritura, apenas alimentos cozidos no vapor ou pré-grelhados no caso de carnes, aves e peixes. Assim se descortina o ambiente de trabalho para aqueles que sempre quiseram trabalhar com o ramo de alimentação, mas eram afastados pelas complicações da cozinha tradicional. E o crescimento das redes de fast-food saudável espanta até os otimistas do mercado, que apostam no baixo custo inicial, a partir de R$ 200 mil, e na facilidade de tocar o negócio para agregar parceiros nas diversas regiões do País. As redes se preocupam em dar treinamento aos franqueados, ajudam na contratação dos fornecedores locais de hortifruti e orientam quanto ao padrão da loja, que pode ser aberta em espaços a partir de 30 metros quadrados. “É possível, sim, aliar fast-food e comida saudável, desde que os ingredientes não tenham gordura trans, farinhas tradicionais e em excesso, e as saladas sejam orgânicas. E até não vejo problema de substituir algumas refeições por sanduíches, desde que eles sejam equilibrados e tenham os nutrientes: proteínas, carboidratos e uma salada bem colorida”, afirma o nutrólogo Renato Martinelli. Segundo ele, uma grande parcela de seus pacientes vai ao consultório não necessariamente para perder peso, e sim para melhorar a alimentação, escolher os alimentos mais adequados em busca de melhor quali-

dade de vida. O médico declara ainda que “existem saladas pouco nutritivas, eles deveriam oferecer também as informações para o público saber o que está comendo”.

Sanduíches magros Este é o próximo passo da Subway, que tem nos sanduíches o carro-chefe do fast-food. No Brasil, onde está presente desde 2003, a rede prepara uma campanha para informar a seus clientes o valor nutricional dos ingredientes. “Também teremos um cardápio no qual todas as opções terão menos de seis gramas de gordura”, adianta Anette Trompeter, gerente da Subway no Brasil. A rede já ultrapassou cem unidades e deve fechar o ano com 150 pontos em funcionamento. A operação de uma unidade da Subway é simples, segundo Anette. “São poucos fornecedores, a cozinha não tem gordura, e a abertura da loja é rápida. E como a tendência por comidas saudáveis e leves está muito forte entre os consumidores,


Para abrir uma franquia Salad Creations Investimento inicial: entre R$ 200 mil e R$ 250 mil Taxa de franquia: R$ 38 mil Taxa de publicidade: 3% sobre o faturamento Taxa de royalties: 7% sobre o faturamento Capital de giro: entre R$ 9 mil e R$ 25 mil Área mínima: 40 metros quadrados Faturamento mensal médio: R$ 120 mil Lucro líquido: 17% Prazo de retorno: média entre 18 e 24 meses Site: www.saladcreations.com.br

Para abrir uma franquia Subway Investimento inicial: entre R$ 150 mil e R$ 200 mil Taxa de franquia: US$ 10 mil Taxa de publicidade: 4,5% sobre o faturamento Capital de giro: entre R$ 9 mil e R$ 25 mil Área mínima: 30 metros quadrados Faturamento mensal médio: R$ 120 mil Lucro líquido: 17% Prazo de retorno: média entre 18 e 24 meses Site: www.subway.com

acaba sendo extremamente atraente para o investidor.” A Subway nasceu nos Estados Unidos em 1965 e abriu a primeira franquia em 1974. Hoje, é considerada a maior rede de fast-food da terra do Tio Sam e está presente em outros 85 países. Até o início do ano que vem, o Brasil vai ganhar um escritório local da rede, que também servirá como centro de treinamento para os franqueados. Até então, os novos integrantes da Subway precisavam ir até Miami participar do treinamento, que começará a ser feito em Curitiba. A capital paranaense tem a maior quantidade de lojas, 14 unidades, mas deve ser ultrapassada por São Paulo em breve, onde estão outros dez pontos. Mas foi em Salvador que a rede começou a se expandir. “Estamos em todas as regiões e com densidades bem espalhadas”, conta Anette. Ela explica que, diferente de outros países, o Brasil apresenta o maior percentual de lojas de rua, 50%, e a outra metade está instalada em praças de alimentação de shoppings.

Salada colorida É dessa forma, com pontos-de-venda em shoppings, que a rede Salad Creations tenta se estabelecer no país. Focada em lojas com menor risco, a marca de saladas que serve refeições escolhidas pelo próprio cliente inaugurou sua primeira loja em novembro. “A marca está chegando agora, então estamos priorizando as praças de shopping”, declara Bruno Bueno, diretor de Operações da rede no Brasil. O cardápio da nova marca é composto por 40 tipos de vegetais, 16 molhos, além de queijos, carnes, massas e sopas. Outras três unidades já foram comercializadas e devem abrir as portas no ano que vem em Curitiba, Brasília e Belo Horizonte. E, segundo Bueno, a expectativa é que alcance 50 lojas em sete anos. Para o franqueado, não são muitas as complicações. São necessárias três geladeiras para conservar todo o estoque, que permanece congelado ou resfriado. A logística e a negociação com fornecedores de hortifruti e entregas por

região ficam a cargo da rede. O alerta fica para a higiene, já que a limpeza dos alimentos deve ser uma preocupação constante. “Nossa primeira loja vai ser a experiência, ver os problemas e ajustes. Também queremos saber como o país vai receber a rede”, declara Bueno. Nos Estados Unidos, onde foi criada em 2004, uma loja da Salad Creations atende em média 270 pessoas por dia. Mas essas facilidades não podem transformar o administrador – que passa por um treinamento de duas semanas – num mero visitante. “O perfil do franqueado é de quem quer tocar o negócio, vai estar sempre na loja e sabe se adaptar conforme a reação dos consumidores. Não precisa ter experiência nem grandes noções de cozinha”, diz Bueno, nem mesmo “alma natureba”.

Linha Direta Anette Trompeter (11) 8182-5545 trompeter_a@subway.com Bruno Bueno franquia@saladcreations.com.br Dezembro 2007 – Empreendedor – 67


F ranquia Frota em expansão A locadora de veículos Master Rental está com metas ousadas para o restante da década: crescer cerca de 25% ao ano e ter uma frota de 11 mil veículos próprios até 2010. O objetivo é tornar-se uma das três maiores empresas do setor no país. Para isso, a Master está reestruturando seu capital, e cada unidade de negócios tem agora uma estratégia de ampliação, envolvendo comunicação promocional e institucional na mídia para expansão de lojas próprias e franqueadas, e aumento na equipe de vendas para gestão de frotas e aluguel de carros. Atualmente, a Master atende a uma demanda de 32 mil locações por mês e está presente em 51 cidades do país, com 55 agências e postos, além de 24 lojas franqueadas. 0800 555 544

Mago da rede Baixos investimentos e possibilidades de crescimento são os principais atrativos da rede Magoweb, recém-criada em Porto Alegre. A franquia comercializa soluções de internet (sites, intranet, e-commerce) para pequenas e médias empresas. “Estamos iniciando a rede e, por isso, temos oportunidade em todas as regiões do Brasil”, afirma o analista de sistemas e idealizador da Magoweb, Átila Kahmann Genehr. Genehr decidiu apostar no sistema de franquias a partir de sua atuação na Agência Web, empresa de Santa Cruz do Sul com dez anos de mercado e 300 clientes atendidos. “Aproveitamos o nosso conhecimento e transferimos para o sistema de franquias o método de trabalho: consultoria e suporte mensal prestados pelos franqueados aos seus clientes”, explica. De acordo com Genehr, o valor de uma franquia Magoweb fica entre R$ 45 mil a R$ 58 mil, conforme os investimentos em equipamentos e reforma do ponto comercial,

Serviços de TI Expandir através de franquias é uma atitude cada vez mais comum das empresas de tecnologia da informação. A Makesys, de São Paulo, é mais uma que adotou esta opção. Especializada no desenvolvimento de soluções sob medida, a empresa está selecionando parceiros de outras regiões – principalmente Sul, Nordeste e Centro-Oeste – para a criação de uma rede de franqueados, com o objetivo de ampliar sua atuação em todo o território brasileiro. Entre os serviços que o franqueado poderá licenciar estão a Fábrica de Software, focada no desenvolvimento de tecnologia da informação; o Project Discovery, voltado ao planejamento técnico detalhado com a visão geral do projeto; Fábrica On Demand, desenvolvimento de software sob medida, e o

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por exemplo. Nesse valor, já está incluso um sistema de gestão da unidade de franquia, uma intranet, um CRM (sistema que controla a relação do franqueado com seus clientes e com a franqueadora), uma ferramenta para administrar os conteúdos das soluções, além de treinamentos, consultorias, supervisão de campo, constante pesquisa e desenvolvimento de novas aplicações oferecidas e desenvolvidas pela franqueadora. www.magoweb.com.br

Sabor de crescimento A rede Premiatto Express embarcou na onda da sustentabilidade. Em 2006, tinha duas unidades próprias e seis franqueadas, e fechará este ano com pelo menos 17 lojas inauguradas. Antes da rápida expansão, contudo, a Premiatto Express estruturou fortemente a marca, com atualizações de seus manuais e procedimentos, e investimento constante em treinamento e reciclagem de

equipe, sem deixar a inovação de lado. Além do cardápio tradicional, que conta com risotos, grelhados, frutos do mar, saladas e massas, a marca agora oferece, em algumas unidades, porções como picanha com tomates frescos e filé mignon ao alho, buscando atender ao público que freqüenta praças de alimentação fora do horário de almoço e jantar. www.premiatto.com.br

Mate nordestino Credit Software, que permite ao cliente adquirir créditos de serviço de implementação tecnológica. “Além de fornecer toda a experiência da implementação dos serviços da Makesys, a franqueada poderá adotar o modelo de gestão da empresa”, explica Fábio Vicenzotto, diretor de Negócios da Makesys. O investimento inicial para abrir uma unidade Makesys varia de R$ 50 mil a R$ 500 mil, dependendo do número de serviços a serem prestados. O franqueado deve ter experiência em TI, preferencialmente em desenvolvimento de softwares e internet. Mesmo assim, a empresa fornecerá treinamentos operacionais, de produção e administrativo. www.makesys.com.br

A rede de franquias Rei do Mate aposta na Região Nordeste para expandir os negócios. Com 11 lojas instaladas nas capitais, a região representa 5% do faturamento total da rede, que prevê um crescimento superior a 50% no Nordeste até o final de 2009. A empresa espera chegar a 15 franquias já no início do próximo ano, inaugurando também a primeira loja no interior. “O Rei do Mate possui um plano de estruturação gradativa, porém sustentável na região. Propomos uma alimentação rápida, porém muito saudável, o que é uma tendência de consumo mundial. Notamos que isso está se refletindo na maneira com que o consumidor faz suas escolhas e se relaciona com as marcas”, afirma Antônio Nasraui, diretor comercial e de Marketing. Desde o lançamento da primeira

franquia em 2000, no Shopping Iguatemi, em Maceió, o Rei do Mate vem despertando o interesse de quem quer investir no segmento de alimentação na região. Hoje, Salvador possui o maior número de franquias, com três unidades funcionando. A maioria das lojas do Nordeste se concentra em shoppings, mas há também unidades no conceito store in store, como dentro de hipermercados. (11) 3081-9335 www.reidomate.com.br Dezembro 2007 – Empreendedor – 69


F ranquia Aquisição holandesa A assessoria de imprensa do grupo holandês HAL Investments confirmou a aquisição da Fotóptica, uma das maiores redes de foto e óptica do país, com 87 anos de mercado. Atualmente, a empresa paulista mantém aproximadamente 70 pontos-devenda, entre lojas próprias e franqueadas. Com a fusão, a Fotóptica fará parte de um dos maiores grupos de varejo óptico do mundo. Nesse ramo, a HAL conta atualmente com mais de 4 mil lojas no planeta, um contingente de 15 mil funcionários e um faturamento anual em torno de 2 bilhões de euros.

Hope acelera expansão Após a inauguração da sua primeira loja franqueada em agosto, no Shopping Ibirapuera, em São Paulo, a marca de lingerie Hope segue a todo vapor em seu plano de expansão. Em novembro, foram três novas unidades instaladas, uma na capital paulista e duas na cidade do Rio de Janeiro. Em dezembro, a primeira loja em João Pessoa (PB) também abre as portas, bem como mais uma franquia em São Paulo, no Shopping Paulista. O planejamento de franchising foi desenvolvi-

Mc comemorações A Universidade do Hambúrguer, mantida pelo McDonald’s Brasil, comemorou dez anos no mês de novembro. Desde 1997, a instituição formou mais de 15 mil alunos, entre funcionários, franqueados e fornecedores da rede nos 28 países da América Latina. O McDonald’s mantém ainda centros de treinamento nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Porto Alegre, Ribeirão Preto e Recife, também vinculados à Universidade. Além de comemorar o aniversário da sua instituição de ensino, o McDonald’s foi eleito a marca mais admirada no país do segmento de alimentação rápida, em pesquisa feita pelo instituto TNS InterScience. A pesquisa analisou aspectos como responsabilidade da empresa com o meio ambiente e com a comunidade, qualidade de produtos e serviços, e comprometimento com o desenvolvimento sustentável. Atualmente, cerca de 1,6 milhão de pessoas freqüentam diariamente os 544 restaurantes da rede no Brasil.

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do pelo Grupo Cherto em 2005, e após o amadurecimento da operação através de uma loja piloto, neste segundo semestre de 2007 a empresa pôs a expansão em prática. Um dado obtido através do website da Hope foi um dos principais incentivos para buscar um espaço exclusivo para os produtos da marca: de acordo com a diretora de Marketing, Sandra Chayo, o tópico “onde encontrar produtos” representa até 80% das buscas feitas no site www.hopelingerie.com.br


FRANQUIAS EM EXPANSÃO

PA- Projeto Arquitetônico, PM- Projeto Mercadológico, MP- Material Promocional, PP- Propaganda e Publicidade, PO- Projeto de Operação, OM- Orientação sobre Métodos de Trabalho, TR- Treinamento, PF- Projeto Financeiro, FI- Financiamento, EI- Escolha de Equipamentos e Instalações, PN- Projeto Organizacional da Nova Unidade, SP- Solução de Ponto


FRANQUIAS EM EXPANSÃO Worktek

Alps

Negócio: Educação & Treinamento Telefone: (19) 3743-2000 franchising@worktek.com.br www.worktek.com.br

Negócio: Educação & Treinamento Telefone: (19) 3743-2000 franchising@alpschool.com.br www.alpschool.com.br

Conquiste sua independência financeira! A Worktek Formação Profissional faz parte do ProAcademix, maior grupo educacional do Brasil detentor das marcas Wizard, Alps e Proativo. Tratase de uma nova modalidade de franquias com o objetivo de preparar o jovem para o primeiro emprego ou adultos que buscam uma recolocação no mercado de trabalho. São mais de 30 cursos, entre eles, Office XP, Web Designer, Digitação, Curso Técnico Administrativo (C.T.A.), Montagem e Manutenção de Computadores, Secretariado, Operador de Telemarketing, Turismo e Hotelaria, Recepcionista e Telefonista, Marketing e Atendimento ao Nº de unidades próprias e franqueadas: Cliente. 70 Entre os diferenciais da Áreas de interesse:: Brasil Apoio: PA, PM, MP, PP, PO, OM, TR, PF, Worktek está a qualidade do FI, EI, PN, AJ, FB, FL, CP, FM material e do método de enTaxas de Franquia: entre R$10 mil sino, além do comprometie R$ 25 mil mento com a recolocação que Instalação da empresa: a partir de vai além das salas de aula atraR$ 30 mil vés do POP, Programa de Capital de giro: R$ 15 mil Orientação Profissional. Prazo de retorno: 36 meses

Oportunidade de sucesso Rede em ampla expansão Lançada em maio de 2001, a Alps faz parte do grupo ProAcademix, também detentor das marcas Wizard e Worktek. Atualmente, ela é a rede de franquias de idiomas que mais cresce no Brasil, com 101 unidades espalhadas por todo o país. O sistema Alps de ensino conta com metodologia desenvolvida nos Estados Unidos que utiliza avançadas técnicas de neurolingüística, em que o aluno é estimulado a desenvolver as quatro habilidades fundamentais para se comunicar na língua inglesa: conversação, compreensão auditiva, leitura e escrita. Assim, o aprendizado é feito de forma natural, rápida e permanente. A Alps conta com know-how administrativo e comercial, através de um sisteNº de unidades próp. e franq.: 101 ma exclusivo de enÁreas de interesse: América Latina, Estados sino, e dá assessoria Unidos, Japão, Europa na seleção do ponto Apoio: PA, PP, PO, OM, TR, FI, PN comercial, na adequaTaxas: R$ 10 mil (franquia) e R$ 12,00 por kit (publicidade) ção do imóvel e na Instalação da empresa: R$ 20 mil a R$ 40 mil implantação e operaCapital de giro: R$ 5 mil ção da escola. Prazo de retorno: 12 a 18 meses Contato: Ivan Cardoso

PA- Projeto Arquitetônico, PM- Projeto Mercadológico, MP- Material Promocional, PP- Propaganda e Publicidade, PO- Projeto de Operação, OM- Orientação sobre Métodos de Trabalho, TR- Treinamento, PF- Projeto Financeiro, FI- Financiamento, EI- Escolha de Equipamentos e Instalações, PN- Projeto Organizacional da Nova Unidade, SP- Solução de Ponto


Wizard Negócio: Educação & Treinamento Telefone: (19) 3743-2098 franchising@wizard.com.br www.wizard.com.br

Sucesso educacional e empresarial A Wizard Idiomas é a maior rede de franquias no segmento de ensino de idiomas* do país. Atualmente, são 1.221 unidades no Brasil e no exterior que geram mais de 15 mil empregos e atendem cerca de meio milhão de alunos por ano. A Wizard dispõe de moderno currículo, material altamente didático com proposta pedagógica para atender alunos da educação infantil, ensino fundamental, médio, superior e terceira idade. Além de inglês, ensina espanhol, italiano, alemão, francês e português para estrangeiros. A Wizard é Nº de unidades: 1.221 franqueadas também pioneira no Áreas de interesse: América Latina, EUA e ensino de inglês em Europa Apoio: PA, PM, MP, PP, PO, OM, TR, PF, FI, EI, Braille. PN, AJ, FB, FL, CP, FM Taxas de Franquia: entre R$10 mil e R$ 32 mil Instalação da empresa: a partir de R$ 50 mil Capital de giro: R$ 15 mil Prazo de retorno: 24 a 36 meses

* Fonte: Associação Brasileira de Franchising e Instituto Franchising.

Zets Negócio: telefonia celular e aparelhos eletrônicos Tel: (011) 3871-8550/Fax: (011) 3871-8556 franquia@zets.com.br www.zets.com.br

Tenha uma loja em sua mão A Ezconet S.A. detentora da marca Zets é uma empresa de tecnologia e distribuição de telefonia celular e aparelhos eletrônicos que, através de um sistema revolucionário denominado “BBC” (business to business to consummer) agrega novos serviços e valores a cadeia de distribuição. Realiza a integração entre o comércio tradicional e o comércio virtual, fornecendo soluções completas de e-commerce e logística para seus parceiros. Franquia Zets: Foi criada com a finalidade de disponibilizar para pessoas empreendedoras a oportunidade de ter um negócio próprio com pequeno investimento, sem custos de estoque, sem riscos de crédito, sem custos e preocupação com logística. Como Funciona: O Franqueado tem a sua disposição uma loja virtual Zets/Seu Nome, para divulgação na internet, vendas direta, catalogo, montar uma equipe de vendas, eventos, grêmio. Quais Produtos são comercializados: Celulares e acessórios para celulares, calculadoras, telefoNº de unidades próp. e franq.: 20 nes fixos, centrais telefônicas, Áreas de interesse: Brasil acessórios para informática, baApoio: PP, TR, OM, FI, MP terias para filmadoras, baterias Taxa de Franquia: R$ 5 mil para note-book e câmeras digiInstalação da empresa: R$ tais, pilhas, lanternas, filmes 1.500,00 para maquina fotográfica, cartuchos para impressoras, etc. Capital de giro: R$ 5 mil A franquia estuda a inclusão de Prazo de retorno: 6 a 12 meses novos produtos. Contato: Shlomo Revi PA- Projeto Arquitetônico, PM- Projeto Mercadológico, MP- Material Promocional, PP- Propaganda e Publicidade, PO- Projeto de Operação, OM- Orientação sobre Métodos de Trabalho, TR- Treinamento, PF- Projeto Financeiro, FI- Financiamento, EI- Escolha de Equipamentos e Instalações, PN- Projeto Organizacional da Nova Unidade, SP- Solução de Ponto


GTIuia do Empreendedor Transporte expresso FedEx se faz presente em mais de 2,8 mil cidades no Brasil, com estações próprias e rede de parcerias O mercado de transporte expresso internacional no Brasil deve movimentar cerca de 9,6 mil toneladas em cargas este ano, somando o movimento de importação e exportação por via aérea, segundo dados da Infraero. Para aumentar sua fatia nesse bolo, a transportadora FedEx Express oficializou em novembro a sua quinta estação de operações no País, na cidade de Blumenau (SC). Após dez anos servindo à Região Sul através da estação em Porto Alegre, a empresa apoiou sua decisão no valor estratégico de atender diretamente à demanda das indústrias das regiões do Vale do Itajaí e leste catarinense por soluções rápidas de transporte, visando ao comércio exterior. Com a nova área de cobertura, a FedEx se faz presente em mais de 2,8 mil cidades no Brasil, com estações próprias em São Paulo, Campinas, Rio de Janeiro e nas duas já citadas, além de atender a outras regiões do país, como Nordeste e Norte, por meio de uma rede de transportadoras associadas, que utiliza serviços das empresas Expresso Araçatuba, Rapidão Cometa e Transportadora Americana. Depois do México, o Brasil é o segundo mercado da FedEx em volume de encomendas na região que engloba América Latina e Caribe – um total de 50 países atendidos. Em Santa Catarina, o centro de operações em Blumenau pretende atender diretamente a 41 cidades do Estado, sendo o restante coberto em associação com a Transportadora Americana. A operação catarinense da FedEx beneficia parceiros de expressão mundial em seus respectivos segmentos, como a Haco Etiquetas, as têxteis Hering e Karsten, e ainda a Embraco, fabricante de compressores herméticos e soluções para refrigeração, de Joinville. Carlos Ienne, diretor-geral para o Distrito Mercosul da FedEx, destaca a mobilidade para as empresas disponibilizarem seus produtos com rapidez no continente sul-americano, utilizando a rota entre os aeroportos de Viracopos (Campinas), Ezeiza (Buenos Aires) e Santiago do Chile. “Dar acesso aos produtos de nossos clientes é nossa meta.

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Assim, a FedEx pode ajudar seus parceiros a incrementarem os negócios, no Mercosul e no mundo, conectando-os aos 220 países onde estamos presentes.” Além de aumentar sua capacidade de atendimento no Brasil, a FedEx busca também se aproximar das pequenas e médias empresas através de programas de vantagens. Um bom exemplo é o PyMEx Membership, que auxilia empreendedores que desejam ingressar seu produto no mercado mundial. Através do programa, os associados têm benefícios como seminários gratuitos, consultoria via internet e telefone, assessoria em acordos estratégicos e desenvolvimento de embalagens especiais próprias. De acordo com dados levantados pela transportadora, na América Latina são aproximadamente 1,6 mil empresas inscritas no programa atualmente. Outro incentivo para dar visão internacional aos produtos dos associados é a parceria com o portal Yellow Pages Brazil, oferecendo desconto na mensalidade para os membros do PyMEx. O portal mantém cerca de 9 mil empresas brasileiras e ainda 700 mil empresas internacionais na sua relação de anunciantes. (Marco Britto)

Linha Direta FedEx: (11) 5514-7364

Brasil é o segundo mercado da FedEx em volume de encomendas na região que engloba América Latina e Caribe


Produtos e Serviços Gestor de documentos digitais A Eccox, especializada no desenvolvimento de soluções para sistemas tecnológicos corporativos, deu início à comercialização no Brasil do Columbus, pacote de software para gerenciamento e distribuição de documentos. O programa administra toda a cadeia de suprimento de informações, da criação dos documentos até o arquivamento, a partir de um único ponto de controle. Na previsão da Eccox, a nova ferramenta, formulada pela companhia inglesa Macro 4, deve gerar uma receita de US$ 1 milhão no próximo ano para a empresa brasileira, que é representante exclusiva no país. Entre os atributos do Colombus, se destaca a redução de até 80% dos custos com impressão, gerando relatórios distribuídos eletronicamente por toda a empresa. O software entrega documentos também por email, SMS ou páginas na internet. (11) 4133 1969

Tecnologia terceirizada A Dígitro Tecnologia, fornecedora de soluções em telecomunicações para empresas desde 1977, anuncia sua entrada no mercado de prestação de serviços. A Dígitro Service atua em supervisão, gestão de performance, e tarifação em Tecnologia da Informação e Comunicação. Todos os serviços são baseados na web, e o controle é feito minuto a minuto durante os 365 dias do ano, no centro de gerência da Dí-

gitro. Por meio do monitoramento constante, é possível solucionar rapidamente problemas como indisponibilidade de equipamentos e serviços, além de falhas operacionais. Uma das vantagens oferecidas pelo serviço é a redução do custo em infra-estrutura do cliente, que passa a compartilhar a base tecnológica de alto custo oferecida pela Dígitro Service. (48) 32817051 ou www.digitro.com

Na prática, é diferente O executivo Maurício Telloli, que consolidou sua trajetória profissional atuando nas áreas comercial e de marketing, inicia uma nova etapa da sua carreira, agora na área de consultoria. O projeto Na Prática é Diferente (www.napraticaediferente.com.br) oferece soluções práticas em gestão e relacionamentos comerciais focadas na pequena e média empresa. Telloli se baseia em sua experiência de 26 anos de mercado, além da bagagem acumulada em especializações na América Latina e Europa. O executivo foi eleito Marketing Man em 1992 (Madia Associados – FGV e Editora Referência), além de conquistar duas vezes o prêmio “Lançamento do Ano na categoria Higiene Pessoal”, promovido pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras). telloli@napraticaediferente.com.br Dezembro 2007 – Empreendedor – 75


Guia do Empreendedor Muito além da promoção Especialista destrincha o marketing promocional, baseado em mais de 30 anos de experiência profissional Marketing promocional é uma operação de planejamento estratégico ou tático combinando, sinérgica e sincronizadamente, as ações de promoção de vendas com uma ou mais disciplinas das outras comunicações multidisciplinares de marketing. A definição é de João De Simoni Soderini Ferracciù, simplesmente o introdutor do conceito no Brasil e autor de Marketing promocional: a evolução da promoção de vendas, obra cuja sexta edição (revista e ampliada) foi lançada recentemente pela Pearson Education, sob o selo Prentice Hall. São praticamente infindáveis as técnicas, os meios, instrumentos e ferramentas que transformam, enriquecem e convertem a promoção de vendas em marketing promocional. A idéia ou ação promocional é o cerne do marketing promocional, e os outros componentes das comunicações de marketing entram como divulgadores, disseminadores, ampliadores e irradiadores, tudo para im-

pulsionar melhores resultados de vendas. De Simoni, que ainda aos 12 anos – na época sem se dar conta – já empreendia suas primeiras ações promocionais, apresenta e comenta no livro o pacote dessas técnicas. Nesta nova edição, que procura cobrir todo o vasto campo de atuação do marketing promocional, foi mantida a estrutura básica. Ela contém dicas sobre como trabalhar com premiações, ofertas, descontos e todas as técnicas promocionais e de merchandising; e sugestões de como planejar e organizar eventos, e sobre como expor de maneira atraente seus produtos. Um capítulo inteiro é dedicado à ética, no qual o autor recomenda a aquisição de todo o código de ética da Ampro, cuja abrangência delimita, rege, regula e normatiza as atividades promocionais no País, tanto no âmbito ético como no das relações entre promotores, público intermediário e receptores finais. Em anexo, mas não menos importante, a legislação de promoção.

Os dez mandamentos 1. Não tentar executar aquilo que os outros componentes do marketing podem fazer melhor. 2. Ser a melhor alternativa para atingir os objetivos. 3. Obter o máximo efeito pelo menor custo. 4. Estar de acordo com os padrões de comportamento daqueles para os quais é destinada e de acordo com a imagem de marca. 5. Atrair atenção e provocar aceitação. 6. Ser simples, clara, fácil de entender. 7. Utilizar tanto apelos emocionais quanto racionais. 8. Ser única, singular, exclusiva. 9. Ser honesta, evidentemente honesta. 10. Ser suficientemente desejada por todos de quem seu sucesso dependa, recebendo por parte da empresa total apoio, que a equipe de funcionários, e principalmente a de vendas, perceba e imite.

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Marketing promocional – a evolução da promoção de vendas, 6ª edição Autor: João De Simoni Soderini Ferracciù Editora: Pearson Education – Selo Prentice Hall Preço: R$ 39,00

Frases “A produção constrói, o consumo destrói. Todos os fabricantes constroem produtos para serem destruídos pelos consumidores. Essa é a lei da vida.” “Nenhum mercado é maior que os 300 cm3 da massa encefálica do consumidor. É dentro desse pequeníssimo espaço que se digladiam marcas e produtos para serem comprados ou ganharem poeira nas prateleiras.” “A mulher coloca o perfume atrás da orelha porque sabe que é aí que o consumidor vai estar!” “As marcas fortes se consolidam pelo respeito ao ideal de ética.”


Leitura Exportação, aspectos práticos e operacionais Autor: José Augusto de Castro Editora: Aduaneiras Preço: R$ 73,80 Informações atualizadas sobre operações de importação, questões conceituais, formação de preço de exportação, sistemas de ressarcimento, fiscal e financeiro. Estes temas são abordados na obra escrita pelo administrador de empresas José Augusto de Castro para municiar os diversos setores da economia envolvidos com exportação. Voltado para quem trabalha com a área financeira de exportação e importação, comércio internacional e para treinamento de empresas, o livro já vendeu mais de 6 mil exemplares e está na sétima edição. Vendas B2B: como negociar e vender em mercados complexos e competitivos Editora: Pearson Education Autor: Renato Romeo Preço: R$ 55,00 A recém-lançada obra de Romeo traça um roteiro prático para planejar melhor a prospecção de clientes e elaborar estratégias de conquista, a fim de melhorar os resultados em negócios corporativos. O consultor e especialista em desenvolvimento de equipes acredita que a forma de negociação é tão importante quanto o produto, por isso os vendedores precisam se qualificar e integrar um conjunto de habilidades durante o ciclo de vendas, que no chamado B2B são mais complexas e também mais lucrativas. O relacionamento com clientes, orientações para que os conceitos sejam absorvidos na prática diária e o retorno sobre investimentos são alguns dos tópicos abordados objetivamente por Romeo, que vai além de conselhos de auto-ajuda.

Se as máquinas falassem: uma conversa franca sobre gestão de ativos industriais Autor: Celso de Azevedo Editora: Saraiva Preço: R$ 32,50 Com o objetivo de difundir o conceito de Asset Management Industrial, pouco conhecido no Brasil, o autor aborda os diversos aspectos da gestão dos ativos industriais, com foco no melhor desempenho técnico-econômico dos equipamentos produtivos. O primeiro livro sobre o tema, escrito pelo especialista reconhecido internacionalmente, explica como fazer uma gestão enxuta dos equipamentos levando em conta os riscos e custos dessas decisões. Através de uma linguagem leve, agradável e descomplicada, o livro pretende alcançar os profissionais da indústria, principalmente gestores ligados à operação e manutenção dos equipamentos.

Como gerenciar a pequena empresa com as técnicas das grandes corporações Matrix Editora Autores: Urubatan de Almeida Ramos, Maurício Pocopetz, José M. Cascão Costa Preço: R$ 19,90 Em pouco mais de cem páginas, três profissionais ligados ao mundo empresarial – o contabilista e advogado Urubatan de Almeida, o publicitário José Cascão Costa e o mestre em Ciências Contábeis Maurício Pocopetz – ensinam ao micro, pequeno e médio empresário como aplicar ferramentas de gestão usadas por grandes empresas. A obra traz conceitos como o de controle do estoque, custos e formação de preço, marketing e comunicação, abordados com uma linguagem fácil de compreender.

40 ferramentas e técnicas de gerenciamento Autor: Merhi Daychoum Editora: Brasport Preço: R$ 60,00 Com o objetivo de facilitar o entendimento das técnicas e ferramentas de Gerenciamento, o autor mostra os passos básicos, e salienta a funcionalidade e aplicação de itens como estratégia, negociação, prazo e custos. O livro apresenta uma visão geral e se pretende a bíblia das ferramentas, apresentando ainda explicações sobre qualidade, escopo, comunicação, riscos e integração. Dezembro 2007 – Empreendedor – 77


LIO SIMAS

Guia do Empreendedor Risco de recessão nos EUA diminui Indicadores internos afastaram temores de curto prazo, mas alta do petróleo e retração imobiliária mantêm alerta No mês de outubro, o sentimento se manteve positivo alimentado pela queda do FED Funds em 18 de setembro. Alguns números da economia norte-americana divulgados no período ajudaram a afastar os temores de curto prazo de uma recessão nos EUA. Entre os indicadores, dois mereceram destaque. (1) O número de postos de trabalho criados em outubro surpreendeu positivamente, em 110 mil. Mais importante, o número de agosto, que havia registrado uma retração de 4 mil, foi revisado para cima, para 89 mil. O número sinalizou que diminuiu muito a chance de uma retração na economia norte-americana, e uma desaceleração gradual é o cenário mais crível. (2) As vendas no varejo também surpreenderam positivamente, mostrando que o consumo das famílias norte-americanas está de alguma forma sustentado. Por outro lado, a partir de meados de outubro, uma conjunção de fatores negativos levou preocupação ao mercado quanto ao rumo da economia dos EUA. O aumento no preço do barril do petróleo cria um risco adicional à já vulnerável economia, ao limitar o consumo e aumentar a pressão inflacionária. Os números do mercado imobiliário mostram que a retração prossegue, sinalizando sobre o crescente risco de contaminação vindo desse

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ajuste para os demais setores da economia. Ou seja, estes dois fatores somados (petróleo em alta e mercado imobiliário em queda) poderão impactar no consumo das famílias neste quarto trimestre de 2007, que, provavelmente, levará a uma redução de crescimento da economia norteamericana para o último trimestre. Por fim, as perdas expressivas dos bancos nesse terceiro trimestre, aliado à revisão para baixo nas perspectivas de lucros para o quarto trimestre de algumas empresas de outros setores acabaram reduzindo o otimismo do mercado. Neste contexto, em que uma recessão pode estar mais presente no horizonte próximo, o FED voltou a cortar a taxa dos FED Funds em 25 bps, para 4,50% com sinalização de pausa para a próxima reunião. No ambiente interno, tivemos como destaque a decisão unânime dos membros do Banco Central em interromper o processo de flexibilização monetária, que teve início em setembro de 2005. A Ata divulgada (25/10) revelou a preocupação com uma possível inflação mais forte nos próximos meses, principalmente, pelo risco de um aquecimento da demanda doméstica. Além disso, alertou para a importância do setor externo, enfatizando o aumento das importações e dos investimentos estrangeiros para o controle de inflação. Entretanto, estes efeitos são minimizados, pois

influenciam apenas no setor transacionável da economia, ou seja, a continuação de uma demanda interna aquecida poderia levar a novas pressões inflacionárias pelo canal do setor não transacionável. A Ata salienta, ainda, o efeito defasado da redução da taxa de juros sobre a atividade e inflação, pois parte do efeito do afrouxamento monetário ocorrido em 2007, que só será sentido em 2008, com o possível impacto adverso sobre a inflação. O processo de flexibilização monetária será retomado quando os efeitos defasados da política monetária já tiverem sido incorporados à economia e o nível de atividade não representar mais risco para a trajetória de inflação. À luz do exposto, acreditamos que os cortes na taxa básica de juros voltem no primeiro semestre de 2008. O real tende a continuar se beneficiando dos fluxos de investimentos estrangeiros, em particular, dos IPOs e do movimento de diversificação cambial, empreendido por grandes investidores globais que vêm reduzindo sua exposição à moeda norte-americana. Em um contexto de forte turbulência, é provável que a apreciação do real continue pontuada por forte volatilidade.

Carlos Vidigal Renaux Leme Investimentos Ltda.


Análise Econômica

Carteira teórica Ibovespa NOME AÇÃO

Acesita ALL Amér Lat Ambev Aracruz B2W Global Bradesco Bradespar Brasil T Par Brasil T Par Brasil Telec Brasil Braskem CCR Rodovias Celesc Cemig Cesp Comgás Copel Cosan CPFL Energia Cyre Com-ccp Cyrela Realty Duratex Eletrobrás Eletrobrás Eletropaulo Embraer Gafisa Gerdau Met Gerdau Gol Ibovespa Ipiranga Pet Itaubanco Itausa Klabin S.A. Light S.A. Lojas Americ Lojas Renner Natura Net P.Açúcar-CBD Perdigão S.A. Petrobras Petrobras Sabesp Sadia S.A. Sid Nacional Souza Cruz TAM S.A. Telemar N L Telemar Telemar Telemig Part Telesp Tim Part S.A. Tim Part S.A. Tran Paulist Unibanco Usiminas VCP Vale R Doce Vale R Doce Vivo

TIPO AÇÃO

PN UNT N2 PN PNB ON PN PN ON PN PN ON PNA ON PNB PN PNB PNA PNB ON ON ON ON PN ON PNB PNB ON ON PN PN PN PN PN PN PN ON PN ON ON PN PN ON ON PN ON PN ON ON PN PNA ON PN PN PN ON PN PN UnN1 PNA PN ON PNA PN

PA R T I C I PA Ç Ã O NOVEMBRO I B OV E S PA (ATÉ 27/11/2007)

0,17 1,75 1,11 0,86 1,27 3,81 1,56 0,43 0,55 0,81 1,44 0,96 0,86 0,31 1,49 0,97 0,22 0,81 1,51 0,77 0,14 1,49 0,52 1,07 1,31 0,93 0,81 0,74 0,86 2,27 1,63 100,00 0,29 2,57 1,86 0,63 0,46 0,69 0,95 1,01 1,28 0,67 1,03 3,31 18,31 0,59 0,87 2,35 0,51 1,70 0,31 0,91 1,68 0,26 0,24 0,50 1,19 0,37 2,28 3,26 0,85 3,00 11,49 1,19

-10,50 -21,80 -11,90 -4,30 -20,70 -11,50 -14,60 -8,70 -7,50 -10,70 -14,40 -13,50 -8,00 -17,00 -9,30 -6,00 -13,00 -5,50 -30,60 -9,00 -6,20 -10,00 -24,30 -12,10 -11,50 -2,60 -6,20 -9,80 -12,00 -12,50 -7,30 -9,00 -18,00 -11,50 -11,50 -5,20 -18,40 -21,20 -12,10 -17,30 -15,10 -0,60 -15,50 4,90 2,70 -1,10 -14,10 -7,40 -4,70 -7,10 -8,00 -14,40 -8,40 -7,40 -13,50 -20,00 -14,00 -8,40 -10,20 -8,10 3,70 -12,60 -12,40 -5,70

VA R I A Ç Ã O % ANO

46,50 -2,40 22,40 -0,20 20,18 22,20 86,70 38,10 35,30 48,20 28,50 -5,00 6,30 16,20 2,90 23,30 17,80 13,50 -57,20 27,30 51,30 35,60 -7,10 3,30 35,80 -9,70 -12,40 44,60 38,60 -28,90 33,60 34,20 15,90 20,40 33,30 21,90 34,50 24,40 -40,70 -2,20 -26,40 33,30 64,40 54,00 23,60 45,50 105,10 33,10 -27,50 26,90 3,00 11,70 26,30 -2,60 -22,50 -3,90 42,30 24,20 63,40 37,10 80,90 80,10 10,50

Inflação (%) Índice IGP-M IGP-DI IPCA IPC – Fipe

Outubro 1,05 0,75 0,30 0,08

Juros/Aplicação

(%)

Outubro 0,92 0,93 0,61 7,95

CDI Selic Poupança Ouro BM&F

Ano 5,16 5,22 3,30 3,05

Ano 9,96 10,01 6,58 5,79

Indicadores imobiliários Outubro 0,78 0,11

CUB SP TR

(%)

Ano 6,14 1,32

Juros/Crédito

Desconto Factoring Hot Money Giro Pré *

Novembro 27/Novembro

(em % mês) Novembro 26/Novembro

1,89 3,90 3,40 2,10

1,88 3,92 3,40 2,08

* taxa mês

Câmbio (em 27/11/2007)

Dólar Comercial Ptax Euro Iene

Cotação R$ 1,8501 US$ 1,4833 US$ 0,0092

Mercados futuros (em 27/11/2007)

Dezembro

Jan./08

Fev./08

Dólar R$ 1,837 R$ 1,844 R$ 1,852 Juros DI 11,10% 11,14% 11,16% (em 27/11/2007)

Dezembro

Ibovespa Futuro

59.500

Dezembro 2007 – Empreendedor – 79


Guia do Empreendedor

Agenda

Em destaque 17 a 19/12/2007 14 a 23/12/2007

FEIRA DO ARTESANATO BRASILEIRO Palácio das Convenções do Anhembi – São Paulo (SP) (41) 3075-1100 http://diretriz.com.br/feira.php?feira=542 Intitulada “Nossas Mãos”, a feira vai movimentar artesãos de todas as regiões brasileiras e aproveitar o aquecimento das compras de Natal para reunir cerca de mil expositores, com representantes de todos os Es-

DIVULGAÇÃO MAURICIO DINIZ

tados. Para a primeira edição do evento, os organizadores, apoiados pelo Sebrae, esperam que 70 mil visitantes passem pelo Parque nos dez dias de feira. Além de promover as vendas, o evento pretende ajudar os artesãos a encontrar pontos-de-venda na capital paulista. Com o impulso dado em setembro pela Feira Internacional de Artesanato, a edição nacional deve se repetir anualmente. “Fazer a feira é muito importante para podermos disseminar a oportunidade de mercado para esses empreendedores, e ao mesmo tempo multiplicar conhecimento e informação do que todos estão fazendo”, afirmou Ricardo Tortorella, superintendente do Sebrae, na ocasião do anúncio do evento.

CURSO DE PRESERVAÇÃO DIGITAL On-line (ao vivo) – das 19 h às 22 h (11) 3081-9829 www.cenadem.com.br Com foco na segurança da informação, o Centro Nacional de Desenvolvimento do Gerenciamento da Informação (Cenadem) organiza o curso via internet em resposta à necessidade de preservar informações de documentos digitais e em papel, e ensina todos os passos para converter os dados em microfilme. As aulas serão gravadas e ficam disponíveis por 40 dias. O conferencista é Wilton Tamane, bacharel em Administração, especializado em sistemas de captação de documentos, e aborda também questões como a qualidade de imagens, a formatação de serviços a serem oferecidos ao mercado e como identificar nichos e oportunidades para a tecnologia de microfilmagem eletrônica.

21 a 24/1/2008 14 a 17/1/2008

35ª FEIRA INTERNACIONAL DE CALÇADOS, ARTIGOS ESPORTIVOS E ARTEFATOS DE COURO Pavilhão do Anhembi São Paulo (SP) (11) 3897-6100 www.couromoda.com Conhecida como Couromoda, a feira internacional recebe o setor de calçados, artigos esportivos e artefatos de couro da América Latina. A partir das 10 h, o pavilhão de exposições, com cerca de 1,1 mil expositores, abre as portas para os 70 mil visitantes esperados. O evento, voltado para público especializado entre lojistas e distribuidores nacionais e de 68 países, traz as coleções de calçados masculinos e femininos, bolsas, artigos esportivos, artefatos de couro, confecção e acessórios de moda, bijuteria, matéria-prima, maquinário e componentes para o segmento de couro.

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34ª ENCONTRO DA MODA FEMININA Centro de Convenções Frei Caneca – São Paulo (SP) (31) 3296-5694 – www.encontrodamoda.com.br O Encontro da Moda Feminina reúne marcas de todo o país e aproxima produtores, lojistas e compradores da América Latina e países como Itália, Alemanha, Emirados Árabes e Estados Unidos, focando no ramo de vestuário, acessórios e bijuterias. Na 34ª

edição, são esperados 160 expositores, que apresentam as novidades para a coleção outono/inverno. Em julho de 2007, na edição primavera/verão da EMF, mais de 9 mil pessoas passaram pela feira e movimentaram cerca de R$ 9 milhões.

Para mais informações sobre feiras e outros eventos comerciais, acesse a seção Agenda do site Empreendedor www.empreendedor.com.br


Dezembro 2007 – Empreendedor – 81


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O conteúdo que faz toda a diferença

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O acesso à newsletter, resumo dos destaques mais importantes do site Empreendedor, tem batido recordes diários por leitores cada vez mais fiéis. Com um mailing de aproximadamente 93 mil assinantes, as manchetes que mais rendem cliques – cerca de 9 mil – são as de reportagens em formato multimídia (com imagens extras, áudio e vídeo) e os testes desenvolvidos por especialistas, principalmente na área de gestão. A e-Empreendedor possui quatro chamadas, enviadas, duas vezes na

Divulgue sua opinião Se você escreve artigos, crônicas e comentários relacionados aos temas tratados no site, envie por e-mail para a editora de conteúdo do site Empreendedor, Carla Kempinski (carla@empreendedor. com.br). Todos os textos serão avaliados, e os que estiverem de acordo com a linha editorial, publicados. Coloque na área “assunto” a palavra “opinião”.

Programe-se Acesse o site Empreendedor e, na página inicial, clique em “Agenda”, no canto superior direito, logo abaixo do cabeçalho. Você terá acesso aos principais eventos do mês de dezembro e poderá se atualizar, diariamente, com os seminários, congressos e feiras dos próximos meses. Além do local, hora e data, o site oferece um pequeno resumo do evento a ser realizado. FORMATO RSS Acesse o site Empreendedor (www.empreendedor.com.br) e saiba como receber as manchetes, um resumo e o link de cada novo conteúdo publicado.

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semana (terça e quinta-feira), para os e-mails cadastrados, e divulga entrevistas, perfis, reportagens, artigos, testes, resultados de enquete e os principais eventos da agenda do site.

Outro diferencial da newsletter é que seu acesso é totalmente gratuito, e seu cadastro, simplificado – é necessário cadastrar apenas o nome, Estado, idade e e-mail. Para fazer parte da lista de pessoas que recebem o eEmpreendedor, acesse o endereço www.empreendedor.com.br e, na página inicial, clique em “Cadastre-se”, na área “Login”, no canto superior direito, ao lado do cabeçalho do site. Em seguida, preencha o cadastro e assinale a opção: “Quero receber a newsletter e_Empreendedor”.

Informações extras Tenha acesso, no site Empreendedor, às informações complementares de matérias divulgadas na revista Empreendedor e na Revista do Varejo, como gráficos, depoimentos e estudos de instituições nacionais. Confira abaixo os links que dão acesso aos “brindes” do mês de dezembro:

www.empreendedor.com.br/incubadoras Saiba mais sobre a história das incubadoras brasileiras através de um estudo divulgado pela Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), que está comemorando 20 anos. O levantamento complementa a matéria de capa “Nascidos em berço esplêndido”, da revista Empreendedor, que traz os dez maiores empreendedores do ano, frutos de incubadoras. www.empreendedor.com.br/credito Confira estudo divulgado pelo Banco Itaú com indicadores do mercado de meio eletrônico de pagamento. O levantamento, que completa a matéria “No bolso do povo”, da Revista do Varejo, apresenta o cartão como instrumento de crédito para consumidores de baixa renda. www.empreendedor.com.br/tributacao Leia as perguntas não publicadas da entrevista “Tiro no pé”, da revista Empreendedor, com Gilberto do Amaral, presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). Ele fala sobre as tributações das empresas brasileiras.


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Empreendedor 158  

Edição n. 158 da revista Empreendedor, de dezembro de 2007