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Empreendedor

PERFIL MIGUEL ABUHAB, DA DATASUL

BOLSA DE VALORES A VEZ DOS PEQUENOS

ISSN 1414-0152

Ano 11 • Nº 133 Novembro 2005 • R$ 8,90

www.empreendedor.com.br

OS SEGREDOS DA NOVA GESTÃO

Ano 11 • Nº 133 • novembro 2005

CADERNO DE TI OS DESTAQUES DA FUTURECOM


A revista Empreendedor é uma publicação da Editora Empreendedor

Nesta Edição

Diretor-Editor Acari Amorim [acari@empreendedor.com.br] Diretor de Marketing e Comercialização José Lamônica [lamonica@empreendedor.com.br]

PÁG. 18

Redação Editor-Executivo: Nei Duclós [nei@empreendedor.com.br] Repórteres: Alexsandro Vanin, Carol Herling, Fábio Mayer, Sara Caprario e Wendel Martins Edição de Arte: Gustavo Cabral Vaz Fotografia: Arquivo Empreendedor, Carlos Pereira e Grupo Keystone Foto da Capa: Grupo Keystone Produção e Arquivo: Carol Herling Revisão: Alexsandro de Souza

Gestão em quatro tempos Gestão do conhecimento: o saber compartilhado provoca um processo de mudanças que beneficia empresas, colaboradores e clientes

Sedes São Paulo Diretor de Marketing e Comercialização: José Lamônica Executivos de Contas: Cláudio Miranda Rolim e Vanderleia Eloy de Oliveira Rua Sabará, 566 - 9º andar - conjunto 92 - Higienópolis 01239-010 - São Paulo - SP Fone: (11) 3214-5938 [empreendedorsp@empreendedor.com.br] Florianópolis Executivo de Contas: Waldyr de Souza Junior [wsouza@empreendedor.com.br] Executivo de Atendimento: Cleiton Correa Weiss [cleiton@empreendedor.com.br] Av. Osmar Cunha, 183 - Ed. Ceisa Center - bloco C 9º andar - 88015-900 - Centro - Florianópolis - SC Fone: (48) 3224-4441 Escritórios Regionais Rio de Janeiro Triunvirato Comunicação Ltda. Milla de Souza [triunvirato@triunvirato.com.br] Rua da Quitanda, 20 - conjunto 401 - Centro 20011-030 - Rio de Janeiro - RJ Fone: (21) 2252-5788 Brasília JCZ Comunicação Ltda. Ulysses C. B. Cava [jcz@forumci.com.br] SETVS - quadra 701 - Centro Empresarial bloco C - conjunto 330 70140-907 - Brasília - DF Fone: (61) 3426-7315 Paraná Merconet Representação de Veículos de Comunicação Ltda. Ricardo Takiguti [comercial@merconet.srv.br] Rua Dep. Atílio Almeida Barbosa, 76 - conjunto 01 Boa Vista - 82560-460 - Curitiba - PR Fone: (41) 3257-9053 Rio Grande do Sul Alberto Gomes Camargo [ag_camargo@terra.com.br] Rua Arnaldo Balvê, 210 - Jardim Itu 91380-010 - Porto Alegre - RS Fone: (51) 3340-9116 Pernambuco HM Consultoria em Varejo Ltda. Hamilton Marcondes [hmconsultoria@hmconsultoria.com.br] Rua Ribeiro de Brito, 1111 - conjunto 605 - Boa Viagem 51021-310 - Recife - PE Fone: (81) 3327-3384 Minas Gerais SBF Representações Sérgio Bernardes de Faria [comercial@sbfpublicidade.com.br] Av. Getúlio Vargas, 1300 - 17º andar - conjunto 1704 30112-021 - Belo Horizonte - MG Fone: (31) 2125-2900 Assinaturas Serviço de Atendimento ao Assinante Diretora: Luzia Correa Weiss Fone: 0800-48-0004 [assine@empreendedor.com.br] Produção Gráfica Impressão e Acabamento: Prol Editora Gráfica Ltda. Distribuição: Distribuidora Magazine Express de Publicações Ltda. Empreendedor.com http://www.empreendedor.com.br

ANER 4 – Empreendedor – Novembro 2005

Gestão ambiental: a interação de elementos que levam à exploração sustentável do meio ambiente implica urgência competitiva sem uma mentalidade imediatista Gestão itinerante: o Management by Walking Around (MBWA) permite estreitar relações e fazer uma sintonia fina entre envolvimento e desempenho das diferentes etapas da produção Gestão de idéias: a investigação apreciativa permite reciclar da lata do lixo as idéias inovadoras e reúne aspectos de gestão, estratégia e motivação dos funcionários.

DIVULGAÇÃO

PÁG. 30

Bolsa de Valores Bovespa Mais, uma espécie de pregão voltado para pequenas e médias empresas. As estrelas desse novo segmento criado pela Bovespa têm em média um faturamento de até R$ 300 milhões, projeção de expansão de até 20 vezes maior que o PIB nacional e pretensões no mercado internacional. DIVULGAÇÃO

PÁG. 34

Brasil verde oliva Mercado interno atraente e vendas crescentes no exterior estimulam a produção de azeite de oliva no Brasil. Nos estados do Sul, que apresentam microclimas favoráveis ao cultivo da oliveira, começam a surgir as primeiras plantações experimentais.


Novembro/2005 DIVULGAÇÃO

PÁG. 45 CARLOS PEREIRA

PÁG. 10

Entrevista: Gustavo Iochpe

O custo da ignorância Gustavo Iochpe, de 28 anos, ganhador do Prêmio Jabuti 2005 na categoria Educação, Psicologia e Psicanálise, com o livro “A ignorância custa um mundo – o valor da educação no desenvolvimento do país” (Editora Francis), defende a mobilização de empresários e empreendedores para mudar a péssima situação da educação e permitir ao Brasil aumentar sua produtividade e competitividade.

LAURO MAEDA

Caderno de TI

PÁG. 38 Convergência ....................................... 45

Perfil: Miguel Abuhab O sonho dentro e fora da empresa

Integração veloz na banda larga

Novos Negócios .................................. 48

Na sua vida e no universo de suas empresas, a Datasul, a Neogrid, a DataMedical e a Goldratt Consulting, Miguel Abuhab já alcançou o sucesso. Mas ele quer mais, por isso se dedica a “derrubar barreiras e quebrar ortodoxias”, como ele mesmo define, em favor da comunidade.

GUIA DO EMPREENDEDOR

67

Produtos e Serviços ............................... 68 Do Lado da Lei ........................................ 70

Veículos aéreos não-tripulados

Tendências ........................................... 50 O insumo da fidelidade

Produtos ............................................... 52 Modem multifunções e outras novidades

LEIA TAMBÉM Cartas ................................................. 7 Empreendedores ................................. 8

Leitura ...................................................... 72 Análise Econômica .................................. 76

Não Durma no Ponto ........................ 14

Indicadores .............................................. 77

Pequenas Notáveis ........................... 42

Agenda ..................................................... 78

Empreendedor na Internet .............. 82

Novembro 2005 – Empreendedor – 5


Editorial

de Empreendedor para Empreendedor

Assinaturas Para assinar a revista Empreendedor ou solicitar os serviços ao assinante, ligue 0800-48-0004. O valor da assinatura anual (12 edições mensais) é de R$ 106,80. Aproveite a promoção especial e receba um desconto de 20%, pagando somente R$ 85,44. Estamos à sua disposição de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h30. Se preferir, faça sua solicitação

de

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Anúncios Para anunciar em qualquer publicação da Editora Empreendedor, ligue: São Paulo: (11) 3214-5938 Rio de Janeiro: (21) 2252-5788 Brasília: (61) 3426-7315 Curitiba: (41) 3257-9053 Porto Alegre: (51) 3340-9116 Florianópolis: (48) 3224-4441 Recife: (81) 3327-3384 Belo Horizonte: (31) 2125-2900

Reprints Editoriais É possível solicitar reimpressões de reportagens das revistas da Editora Empreendedor (mínimo de 1.000 unidades).

Internet Anote nossos endereços na grande rede: http://www.empreendedor.com.br redacao@empreendedor.com.br

Correspondência As cartas para as revistas Empreendedor, Jovem Empreendedor, Revista do Varejo, Cartaz, Guia Empreendedor Rural e Guia de Franquias, publicações da Editora Empreendedor, podem ser enviadas para qualquer um dos endereços abaixo: São Paulo: Rua Sabará, 566 - 9º andar - conjunto 92 - Higienópolis - 01239-010 - São Paulo - SP Rio de Janeiro: Rua da Quitanda, 20 - conjunto 401 - Centro - 20011-030 - Rio de Janeiro - RJ Brasília: SETVS - quadra 701 - Centro Empresarial bloco C - conjunto 330 70140-907 - Brasília - DF

O

que interessa para um veículo voltado ao empreendedorismo é que a Tecnologia de Informação (TI) quebra paradigmas e ajuda a intensificar a concorrência. Isso gera novos negócios, fruto de mais pesquisa e inovação, e também novos processos de gestão a partir dos valores que são adicionados a serviços e produtos. O diferencial com conteúdo é que é significativo e não apenas a novidade. Esta é a abordagem escolhida para inaugurarmos, nesta edição, nosso Caderno de TI, que começa divulgando os destaques da Futurecom, evento realizado em Florianópolis no final de outubro. Mas a TI não está confinada a esse espaço especializado, já que ela, hoje, toma conta da vida das pessoas e das empresas, servindo de ferramenta fundamental para que as mudanças ocorram num universo cada vez mais competitivo. As quatro faces da Gestão, que reportamos como tema de capa, só podem ser desenvolvidas se houver o suporte de uma tecnologia up-to-date. Por meio da TI é possível descentralizar uma empresa, torná-la compatível

com o meio ambiente, disseminar o conhecimento na cultura interna e estimular a circulação das idéias. Há, entretanto, alguns entraves aos sonhos que poderiam ser viabilizados: a falta de uma base educacional sólida do país, fonte de mãode-obra capacitada e de pessoas capazes de montarem seus negócios nesta época que depende tanto da informação. Na entrevista com o jovem especialista Gustavo Iochpe, divulgamos a crítica sobre essa situação e algumas soluções para contorná-la. No Perfil com Miguel Abuhab, da Datasul, além de seguirmos sua trajetória, demos ênfase ao seu projeto, compartilhado com seus pares, de reforma tributária para o país se tornar mais eficaz e mais justo. São matérias que se apóiam mutuamente e definem o rosto desta edição: o de que as biografias, as ações e os eventos interajam em favor de possibilidades concretas, que possam melhorar a vida dos brasileiros e ajudem a viabilizar o crescimento sustentável no país. Nei Duclós

Rio Grande do Sul: Rua Arnaldo Balvê, 210 Jardim Itu - 91380-010 - Porto Alegre - RS Santa Catarina: Av. Osmar Cunha, 183 - Ed. Ceisa Center - bloco C - conjunto 902 88015-900 - Centro - Florianópolis - SC Paraná: Rua Dep. Atílio Almeida Barbosa, 76 conjunto 01 - Boa Vista - 82560-460 - Curitiba - PR Pernambuco: Rua Ribeiro Brito, 1111 - conjunto

Cedoc O Centro de Documentação (Cedoc) da Editora Empreendedor disponibiliza aos interessados fotos e ilustrações que compõem o nosso banco de dados. Para mais informações, favor entrar em contato pelo telefone (48) 224-4441 ou pelo e-mail imagem@empreendedor.com.br.

605 - Boa Viagem - 51021-310 - Recife - PE Minas Gerais: Av. Getúlio Vargas, 1300 17º andar - conjunto 1704 - 30112-021 Belo Horizonte - MG Os artigos deverão conter nome completo, assinatura, telefone e RG do autor e estarão sujeitos, de acordo com o espaço, aos ajustes que os editores julgarem necessários.

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Cartas para a redação Correspondências por e-mail devem ser enviadas para redacao@empreendedor.com.br. Solicitamos aos leitores que utilizam correio eletrônico colocarem em suas mensagens se autorizam ou não a publicação de seus respectivos e-mails. Também pedimos que sejam acrescentados o nome da cidade e o do estado de onde está escrevendo.


Cartas Ética Nesta época em que vemos um desfilar incessante de eventos e fatos vergonhosos, abrir uma edição dedicada à ética nos negócios é um privilégio que nos enche de esperança por um mundo melhor. Se a maior parte do dia for gasta em ações éticas, estaremos salvos, pois o universo profissional é determinante para definir uma imagem positiva da nação, não só nos negócios, mas tanto no comportamento quanto na política. Tales Villaboim Antunes

Rio de Janeiro - RJ

Babbo Giovanni Escrevo para dizer que a matéria com a Babbo Giovanni, na edição 132 da Empreendedor, ficou excelente, e a repórter Sara Caprario mostrou toda a filosofia e planos da rede de maneira muito profissional, com um texto muito bem escrito. A direção da Babbo Giovanni adorou a reportagem que já está gerando frutos à rede de franquias. Parabéns! Renata Noschesi

São Paulo

Reciclagem O desperdício sempre me impressionou. Um país tão carente e com tanta coisa jogada fora. Por isso achei uma boa notícia a reportagem sobre tecnologias que mudam a reciclagem, onde novos processos estão gerando mais negócios com o material que precisa ser reutilizado. O planeta não suporta mais a expansão do consumo e o crescimento exponencial do descarte. Ou se faz algo agora ou estaremos entrando numa decadência sem retorno. Rodrigo Barbieri Silva

Curitiba - PR

Alimentos Gostaria de lembrar aos srs. responsáveis pela produção de alimentos que nós, consumidores, precisamos menos de marketing e mais de qualidade. Embalar um produto pode ser muito lucrativo, mas não oferecer saúde e equilíbrio no que vai para as prateleiras dos supermercados é um atentado à população. Quanto mais empreendedores tiverem noção dessa realidade, mais sairemos lucrando. Margarida Silene Kander

Porto Alegre - RS

Tendências Tenho acompanhado a Empreendedor e vejo que ela consegue, mesmo sendo mensal, antecipar tendências com muito mais agilidade do que alguns jornais importantes. A equipe está de parabéns pelo excelente trabalho, muito valioso para quem trabalha com um mercado mutante e cheio de inovações, como acontece atualmente. Amanda Cynara Petrovski

Florianópolis - SC Novembro 2005 – Empreendedor – 7


E mpreendedores João Adibe

Distribuição inteligente O empresário João Adibe, da indústria farmacêutica Cimed, reformulou o sistema de distribuição de sua empresa e, em menos de dez anos, se firmou entre os cinco maiores vendedores de medicamentos do Brasil. Ele chega a comercializar 8 milhões de unidades por mês. A estratégia de Adibe se baseou na instalação de centros de distribuição próprios nas regiões mais importantes do Brasil, dispensando intermediários nas negociações e fazendo com que os produtos chegassem mais rápido às prateleiras das farmácias e drogarias. A expectativa de Adibe é fechar o ano de 2005 com um crescimento de 48%, já que também realizou investimentos de R$ 10 milhões para entrar no mercado de medicamentos genéricos. www.cimed.ind.br

Marcelo Zegna

Celular é mídia Com passagens pela BCP e BSE, Marcelo Zenga deixa a Claro, onde atuava como gerente de marketing nas áreas de produto, relacionamento e comunicação e assume a diretoria executiva da M2Agency (Mobile Marketing Agency). A empresa, que nasce com proposta pioneira de utilizar os cerca de 79 milhões de celulares do Brasil como mídia, desenvolve desde ações isoladas até grandes campanhas de marketing em conjunto com as agências tradicionais. A M2Agency (Mobile Marketing Agency) é um dos braços da Tellvox, empresa detentora do Ligaki, que desenvolve produtos e serviços de relacionamento, entretenimento e interatividade para telefonia móvel e fixa. www.mdoisa.com.br

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Mauricio Deciomo

Sorriso “cãogate” O protético Mauricio Deciomo, proprietário do laboratório que leva o seu nome na cidade de São Paulo, se tornou famoso no circuito nacional de odontologia veterinária graças à fabricação de próteses dentárias para animais de estimação. Segundo Deciomo, que já atendeu centenas de cães e gatos, as próteses apresentam características únicas para cada raça e podem ser utilizadas para fins estéticos ou de reparação. A novidade foi a sensação do último Congresso Paulista de Técnicos em Prótese Dentária (considerado o maior evento do setor na América Latina) que aconteceu em outubro e que reuniu profissionais de todo o continente. (11) 5585-3779


FOTOS DIVULGAÇÃO

Por Carol Herling carol@empreendedor.com.br

André Renovato

Ninjitsu com fôlego jovem Formado em Fisioterapia e com especialização em Gestão e Finanças Empresariais, o empresário carioca André Renovato vem se destacando como um dos principais nomes do Ninjitsu no Brasil. Em sua atuação como presidente da Koga Kai, a Associação Brasileira de Ninjitsu, Renovato realizou neste ano ações de marketing para difundir a prática entre o público jovem, além de investir na formação de novos instrutores. O segredo para manter o interesse de seus alunos pela milenar arte japonesa está no tratamento individual. “O aluno, ao praticar, tem de se sentir em casa e confiante naquilo que está aprendendo, de forma a se sentir cada vez melhor consigo mesmo e até mesmo com seus companheiros”, diz Renovato. www.kogakai.org

Gerry Pitman e David Crane

Canadá na rota estudantil Os empresários canadenses Gerry Pitman e David Crane, que dirigem o Nova Scotia International Student Program, estiveram no Brasil para selecionar estudantes interessados em participar de programas de High School, no Canadá. O país, devido à diversidade cultural, clima frio e proximidade com os Estados Unidos, é um dos que mais recebem estudantes brasileiros em intercâmbio. Felipe Jendiroba, dono da Intercultural Cursos no Exterior e parceiro dos empresários canadenses no Brasil, afirma que estudar no Canadá pode sair 30% mais barato que nos EUA e que este ano o país emitiu quase o dobro de vistos em relação a 2004. http://nsisp.ednet.ns.ca/

Daniel Mignone

Artistas na internet A integração via internet entre empresas, parceiros e fornecedores é a base do relacionamento virtual que o empresário Daniel Mignone desenvolve para atender seus clientes. Criador da D&D Soluções Web, Daniel é especialista em comércio colaborativo e possui vasta experiência em implementação de projetos de interface web. Entre os sites já desenvolvidos pela D&D, estão o portal da Apex (Agência de Promoção de Exportações), que apresenta um catálogo de produtos brasileiros voltados para exportação, o portal Achei.com.br (especializado em buscas virtuais) e também o sistema de busca de artistas do site da gravadora BMG, braço da Sony Music no Brasil. www.solucoesweb.com.br Novembro 2005 – Empreendedor – 9


Entrevista

Gustavo Iochpe

Educação: motor da economia Especialista defende mobilização de empresários pela qualidade da cidadania por

Alexsandro Vanin

Investir na qualidade da educação para gerar crescimento econômico é consenso? “Não, ou pelo menos não é a prática”, diz Gustavo Iochpe, de 28 anos, ganhador do Prêmio Jabuti 2005 na categoria educação, psicologia e psicanálise com o livro A Ignorância Custa um Mundo – O Valor da Educação no Desenvolvimento do País (Editora Francis). Ele defende a mobilização de empresários e empreendedores, pessoas com voz ativa e os maiores prejudicados pela má-qualificação da mão-de-obra, para mudar esse quadro e permitir ao Brasil aumentar sua produtividade e competitividade. O jovem, formado em Ciência Política e Administração Estratégica pela Wharton School e mestre em Economia Internacional e Desenvolvimento Econômico pela Universidade Yale, defende a cobrança de mensalidades nas universidades públicas como forma de direcionar mais recursos para os níveis fundamental e médio. “É uma questão de justiça social, quem pode deve pagar, pois o retorno do ensino universitário é incontestável”, diz. Segundo ele, a universidade pública brasileira também é ineficiente em sua gestão de recursos, e a cobrança de mensalidade sanaria esse problema. Empreendedor – Qual é o valor da educação no empreendedorismo?

Gustavo Iochpe – A educação qua-

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lifica toda a experiência econômica de um país. Há informações muito claras – e comprovadas empiricamente ao longo dos anos, em muitos países – de que a educação gera, diretamente, um aumento de produtividade da força da mão-de-obra e crescimento econômico, possibilitando aos países concorrer com bens de maior valor agregado. Então, quanto mais capacitada e instruída for a população, teoricamente mais evoluído e desenvolvido será o país, melhor será o ambiente econômico, melhor será a força de trabalho e melhores serão as condições de trabalho do empreendedor, especialmente se ele competir no mercado internacional. Empreendedor – Que estratégia educacional pode ser adotada para termos uma quantia maior de empreendedores e com qualidade superior à atual?

Iochpe – Acho que não existe nenhum sistema educacional que seja diretamente voltado para a criação de empreendedores, isso vem de características e preferências pessoais, a maior parte inata. A estratégia é mais abrangente. A preocupação deve ser a de criar um sistema educacional que gere uma força de trabalho mais capacitada, o que por tabela vai facilitar e propiciar a criação e o sucesso de empreendedores. A função da educação é subsidiar essas pessoas para que sejam melhores empreendedores, melhores intelectuais,

melhores líderes políticos, melhores trabalhadores de chão de fábrica. Ou seja, qualificar todo o espectro econômico. Empreendedor – O que mais precisa ser alterado na estrutura de ensino brasileira para colocar o país no rumo do crescimento sustentável?

Iochpe – Acho que o principal para a educação brasileira neste momento é a melhora de qualidade no ensino fundamental. Uma estatística transmite muito bem a deficiência do ensino brasileiro: nós temos 32% de alunos repetentes na primeira série do ensino fundamental, enquanto a média dos países desenvolvidos fica entre 2% e 3%. Basicamente um terço das crianças que entram nas escolas brasileiras já estão condenadas ao atraso, à repetição e a uma qualidade de ensino tão ruim que não consegue transmitir a essas crianças em seu primeiro ano o mínimo necessário: ensiná-las a ler e escrever. Essa deve ser a preocupação número um. Isso já é consenso para a maioria das pessoas que estudam a educação brasileira, mas infelizmente não é consenso – ou pelo menos não é prática – entre nossos governantes, muitos indivíduos do meio empresarial e toda a sociedade. Para os estudiosos da educação brasileira, já é uma questão consensual que realmente o grande problema, o grande xis da questão, é a melhoria da qualidade, especialmente dos primeiros anos, do ensino fundamental, e o que a gente espera é que, à medida que essa qualidade for melhorada, seja bastante diminuída a repetência e a defasagem de ida-


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de em relação à série cursada. Hoje temos muitos alunos de 14 e 15 anos na terceira, quarta ou quinta série. Isso transformaria a educação em um processo mais agradável para esses alunos e mais rentável para o Estado. Ao manter os alunos na escola durante mais tempo, à medida que a qualidade vai aumentando, obtém-se uma diminuição da taxa de repetência e de evasão. Quando se tem mais alunos no nível fundamental, a tendência é haver um aumento do número de alunos no ensino médio e, com isso, aumenta a demanda universitária, que é a ponta do processo educacional. Com a melhora de qualidade em todos os níveis, espera-se um aumento de matrículas no ensino universitário, que é hoje o grande diferencial de competitividade dos países em nível internacional. É justamente dessa massificação do ensino universitário que o Brasil ainda está muito distante e é esse o objetivo que ele precisa perseguir com serenidade para se tornar competitivo. Empreendedor – O aumento do número de estudantes universitários é esperado e anunciado desde o governo FHC como conseqüência do aumento de alunos nas fases anteriores, o que não está ocorrendo. Por quê?

Iochpe – Porque tanto o governo quanto a sociedade brasileira não se preocupam com a qualidade, especialmente do ensino na escola pública. A gente tem uma situação no Brasil que é muito complicada, porque as pessoas que estão na escola pública são de poder aquisitivo mais baixo, cujos pais não tiveram acesso à educação, ou tiveram acesso a dois, três, quatro anos de educação. Essas pessoas não têm condições para avaliar se a educação que elas estão recebendo, que os filhos delas estão recebendo, é boa ou ruim. São pessoas muito humildes e que, na maioria das vezes, ficam mais do que contentes de que seus filhos estejam receben-

Um sistema educacional deve gerar uma força de trabalho mais capacitada, o que por tabela vai facilitar a criação e o sucesso de empreendedores

do uma oportunidade que elas não receberam. Para elas é uma etapa vencida, esse problema foi solucionado. Na verdade não foi. A chegada na escola não é o fim do processo, é o

começo. Depois que você coloca o filho na escola, precisa dar uma educação de qualidade. As pessoas que sabem que a escola pública está ruim colocam seus filhos na escola privada porque são de poder aquisitivo mais alto. Elas não estão preocupadas com a educação pública, são relativamente egoístas, pois se preocupam apenas com a educação de seus filhos, da sua classe. As pessoas de classe mais baixa, além da dificuldade em identificar uma educação de má-qualidade, não têm voz política para reclamar. Então o governo e a sociedade continuam num processo que privilegia os índices quantitativos, como construção de escolas, aumento de recursos, aumento de salário de professor, concessão de merenda, uniforme, isso, aquilo e aquilo outro, sem partirem para essa discussão sobre qualidade. Enquanto isso não acontecer a qualidade não vai melhorar. E enquanto a qualidade não melhorar a quantidade de estudantes nos níveis superiores também não vai melhorar, porque, se a educação é ruim, a criança sai da escola. Empreendedor – Além da qualidade, quais as outras providências para uma possível reforma do sistema educacional brasileiro?

Iochpe – Nós temos carências muito básicas em um grande número de escolas brasileiras, escola sem encanamento, sem energia elétrica, sem banheiro, sem biblioteca, sem computador. Há um grande problema de utilização do livro didático, hoje nós temos um programa nacional do livro didático muito bem feito, que avalia e classifica todos os livros didáticos do Brasil dizendo se ele é recomendado com ressalva, se é recomendado ou se é recomendado com distinção. Só que isso não chega até a ponta, até as escolas, a maioria delas escolhem livros de qualidade muito baixa, não utilizam esse recurso do governo. Novembro 2005 – Empreendedor – 11


Empreendedor – Na sua obra, o senhor comenta que a falta de educação tem um custo. Quais são esses prejuízos, principalmente na área econômica?

Iochpe – O prejuízo é a criação de uma população semiletrada, com um nível de instrução muito baixo. Segundo uma pesquisa recente, feita pelo Instituto Paulo Montenegro, apenas 25% da população brasileira têm nível de alfabetização suficiente para ler uma notinha de jornal. Três quartos de nossa população é mal-alfabetizada. Não dá para dizer analfabeta, porque são pessoas que conseguem escrever o próprio nome, ou conseguem ler uma placa de trânsito, alguma coisa assim, mas que efetivamente não conseguem ler e escrever, transmitir uma idéia num papel. Isso tem um custo tremendo para o desenvolvimento do país. Grande parte da estagnação do Brasil nos últimos 20 anos, basicamente desde 1982, quando se interrompeu o ciclo de crescimento brasileiro, deve-se a isso. Um problema não está sendo devidamente analisado: o Brasil passa por um momento de abertura para o exterior e tem uma mão-de-obra que não consegue competir. Os níveis de produtividade do trabalhador brasileiro, segundo dados recentes da Organização Internacional do Trabalho, mostram que um trabalhador americano produz a mesma coisa que quatro trabalhadores brasileiros. Isso é em grande parte resultado dessas carências educacionais. Então o custo para o país é tremendo. Alguns estudos econométricos internacionais sugerem que um aumento de um ano de escolaridade da população gera um crescimento econômico de 8% a 10% ao ano. Esse é mais ou menos o custo que nós estamos perdendo quando não conseguimos colocar as nossas crianças na escola. Empreendedor – O senhor defende a cobrança de mensalidade dos alunos de maior poder aquisitivo nas faculdades públicas. O que sus-

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tenta essa sua opção?

Iochpe – Em primeiro lugar, é uma questão de justiça social e bom senso. Eu não entendo qual é a justificativa para que o Estado pague a educação de um aluno de família rica, que pode pagar pelo seu próprio estudo. É um tremendo benefício financeiro, pois o valor do ensino universitário no Brasil é altíssimo. Um estudo do Banco Mundial aponta para uma diferença salarial de 814% entre uma pessoa que tem um diploma universitário e aquela que não tem educação nenhuma. O retorno privado da educação universitária é altíssimo, está na casa dos 20%. Na maioria dos países se investe

Um trabalhador americano, segundo dados recentes da OIT, produz a mesma coisa que quatro trabalhadores brasileiros

mais no ensino de base e relativamente menos no ensino universitário. Em segundo lugar, há uma questão que eu acho muito importante: a universidade pública brasileira virou uma grande máquina de desperdício de recursos, ela gasta muitíssimo mais do que deveria. Nos países mais desenvolvidos o custo por universitário equivale a 40% do PIB per capita, enquanto no Brasil é de 160% do PIB per capita, ou seja, mais de uma vez e meia. O universitário público brasileiro custa quatro vezes mais do que o universitário dos países

mais desenvolvidos, onde há universidades de melhor qualidade, que fazem a melhor pesquisa e gastam montanhas de dinheiro com os equipamentos mais avançados. Isso é fruto do desperdício, da ineficiência na gestão dos gastos. É esse desperdício que suga recursos da educação brasileira, que deviam estar indo para a educação básica, a educação fundamental e média, e acabam indo para a educação universitária. Empreendedor – O senhor comentou que os problemas educacionais brasileiros decorrem também da falta de interesse da sociedade brasileira, especialmente dos formadores de opinião. Como a sociedade pode ajudar o governo nessa cruzada?

Iochpe – A educação é absolutamente fundamental para o desenvolvimento do Brasil. Acho importante uma revista como a Empreendedor, que chega aos empreendedores e empresários, porque na minha visão os empresários devem ser a grande força para a recuperação do papel da educação no Brasil. Todo empresário nota a baixa qualidade da sua mão-de-obra, ele é o maior prejudicado, principalmente aquele que compete no mercado internacional. E eles têm voz para exigir essa mudança. É fundamental que o empresariado brasileiro se conscientize dessas deficiências da educação brasileira, que olhe com mais atenção o quadro da educação pública, que enxergue o quão defasado o Brasil está em relação a outros países do mundo. Essa talvez seja uma das poucas causas do Brasil em que pode haver um conserto suprapartidário, não-governamental, a criação de um projeto de educação de longo prazo para o país e que não seja modificado a cada troca de governo. A mobilização de empresários e empreendedores é realmente fundamental.

Linha Direta Gustavo Iochpe (11) 2145-7355


Novembro 2005 – Empreendedor – 13


Não Durma no Ponto O caminho da roça Se você tem um pé lá no sertão, sabe que o caminho da roça é aquele que torna mais fácil o trajeto de um lugar a outro. Até mesmo os habitantes das cidades que nunca foram para o interior têm sua própria versão dele – as ruas que todo mundo escolhe para ir e vir, por isso mesmo sempre congestionadas. Trilhar o caminho da roça traz a garantia de alcançar o destino desejado no tempo certo. Não traz novidades, é certo, nem permite grandes descobertas. Apenas está lá, disponível para todos, e a maioria prefere segui-lo ao invés de qualquer outro. O mercado também é assim: repleto de “caminhos da roça”. São os vários trajetos percorridos todos os dias pelas mesmas empresas, do mesmo jeito, e que produzem sempre os mesmos resultados. Diante de uma mata imensa, com muitos espaços virgens, intocados, o caminho da roça parece ser o percurso óbvio. E quando alguém se arrisca a embrenhar-se pelo desconhecido em torno em busca de alternativas, logo os demais tratam de lembrar à pessoa incauta a existência do caminho da roça. Afinal, ele lá está para simplificar a vida e descomplicar os movimentos, evitar os perigos, pasteurizar as criaturas. É seguro e confortável. Mas não combina nem um pouco com o famigerado discurso em prol da criatividade e da inovação. Verdadeiramente, o caminho da roça facilita a vida, mas, se não nos aventurarmos por outros trajetos, passa a ser a única possibilidade. O caminho da roça é um facilitador e, ao mesmo tempo, um limitador de idéias e iniciativas. Toda vez que tentamos um trajeto novo, os registros mentais insistem em nos levar de volta para o caminho da roça.

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Enganar a mente O que fazer diante disso? Continuar trilhando o confortável caminho da roça traz visibilidade (afinal, dá para seguir com os olhos fechados, tão previsíveis são todos os passos) e a ilusão da segurança, mas impede a construção de uma nova história e a criação de um negócio único. Então, é necessário, vital mesmo!, ousar em busca de

Toda vez que tentamos um trajeto novo, os registros mentais insistem em nos levar de volta para o mesmo caminho

opções. Mas, para isso, é preciso “enganar” os nossos registros mentais. Existem algumas técnicas que funcionam como estímulos para enxergar outros e diferentes caminhos. Permitem criar um novo contexto e uma nova perspectiva e sair, nem que seja por breves períodos, do tradicional caminho da roça. Nessas escapadas podemos ter idéias que nos levarão a fazer novas conexões com outros caminhos. Reformular o problema Um dos exercícios para essa difí-

cil virada é descrever o problema de uma maneira diferente e preparar a mente para abordá-lo de um modo inovador. Exemplo: um edifício de escritórios sofria com um elevador cronicamente lento e a administração chamou os especialistas para avaliar a estrutura. Eles chegaram à conclusão de que trocar o elevador por um novo modelo, mais rápido, exigiria a demolição e reconstrução de uma grande parte da estrutura construída, uma opção financeiramente inviável. Reformularam, então, a perspectiva do problema: os inquilinos estão aborrecidos porque têm de esperar muito tempo na entrada. Essa sutil mudança alterou o foco, levando a uma alternativa que se mostrou especialmente adequada e com um custo baixíssimo. A solução foi contratar marceneiros para instalar um grande espelho no saguão do elevador. Em vez de se concentrar no visor e na expectativa de pronta chegada do elevador, as pessoas passaram a ocupar o tempo disponível na tarefa de observar sua própria imagem. Passaram a fazer – sem nenhum estresse – ligeiras correções, como ajeitar o cabelo e um detalhe ou outro da roupa, melhorando sua aparência. Resultado: o volume de queixas baixou consideravelmente. E tudo graças à redefinição do problema: em vez de “o elevador é muito lento”, passou a ser “as pessoas estão chateadas”. Tratava-se, portanto, de procurar o que fazer para acabar com a situação desconfortável ou reduzi-la. Outras idéias: deixar a escadaria atraente e dar início a uma campanha de vida saudável para estimular os inquilinos a subir pela escada, colocar poltronas e bancos pelo saguão para que as pessoas esperem com mais paciência e alternar os horários de entrada e saída dos escritórios para ali-


por Roberto Adami Tranjan Educador da Cempre – Conhecimento & Educação Empresarial (11) 3873-1953 – www.cempre.net – roberto.tranjan@cempre.net

viar o engarrafamento. Quando o foco no produto e nos seus atributos é substituído pelo foco no cliente e suas necessidades, a imaginação corre solta. Experimente! Fazer analogias Trata-se de buscar um mundo correlato e aproveitar as experiências de outras pessoas ou outros ramos de atividade. Voltar-se para outras áreas, buscando nelas inspirações e respostas, é um jeito legítimo de romper bloqueios e alcançar o pensamento divergente. Foi assim que inventaram o desodorante roll-on: alguém olhou para a caneta esferográfica e fez a conexão. Tudo o que precisa ser feito é perguntar: “onde, no mundo, o meu desafio (ou algo parecido) já foi enfrentado?”. Se você quer resolver um problema de velocidade, talvez o McDonald’s e a Fórmula 1 sejam inspiradores. Mudar o ângulo O objetivo é desafiar as regras, a forma tradicional de pensar. Existe uma pergunta que provoca o status quo e remete ao pensamento divergente: “e se...?”. Exemplos: e se não fizermos nada? E se fizéssemos isso pela metade do custo? E se os consumidores comprassem duas vezes mais? E se mudássemos o processo? E se exagerássemos? Usar o “e se...” é uma forma de desafiar as regras e suposições que fixam os caminhos da roça. Mudar o ângulo permite enxergar caminhos virtuais estimulados por provocações do tipo: o que poderia ser substituído? O que poderia ser combinado? O que poderia ser ampliado ou reduzido? O que mais o seu produto ou serviço poderia ser? O que poderia ser eliminado?

Buscar conexões inusitadas O que tem a ver uma fábrica de carros com um frigorífico de abate de boi? A princípio, nada. Mas Henry Ford, observando o processo de abate de bois, criou, no sentido contrário, o sistema de produção em série e de montagem de veículos. O que tem a ver carrapichos com fechos de vestuários? A princípio,

É comum colocar a idéia no banco dos réus: o objetivo dos jurados é descobrir onde está o furo, onde falta lógica

nada. Mas George de Mestral, observando as centenas de ganchinhos dos carrapichos, inspirou-se para criar os fechos de velcro. Óculos emprestados Os estímulos em si não criam as idéias, mas ajudam a instigar a imaginação. Melhor ainda quando o exercício é feito em equipe. Se você combinar as suas idéias com as dos outros, terá idéias que nunca teve antes. A troca é necessária! Todos nós temos os nossos pontos cegos, aqui-

lo que não conseguimos enxergar. É salutar pedir os “óculos” dos outros emprestados. Há, nesse movimento, um sentido de compartilhamento e criação conjunta que pode ser, além de efetivo, muito gratificante. Todos nós temos um conjunto de inteligências que se somam às inteligências de outras pessoas. Se você não tem todo o conhecimento e a experiência que necessita, junte-se a alguém que tenha. A maior de todas as inteligências é pedir e aceitar ajuda. Dois cavalos puxando juntos a mesma carroça podem mover mais do que o peso que cada um é capaz de mover individualmente. Esse fenômeno recebe o nome de sinergia. É isso que acontece quando as pessoas pensam juntas. Para praticar a sinergia, no entanto, há que acreditar na cooperação: valorizar as pessoas, as suas idéias (rejeitar uma idéia é rejeitar a pessoa que a teve) e o trabalho em equipe. E, sobretudo, acreditar que todos podem contribuir para a evolução do negócio, não apenas os empreendedores e o pessoal de primeiro escalão. Para tanto, o respeito ao ser humano é o ponto de partida. E, também, a confiança. Por fim, é necessário dar tempo às idéias. É comum colocar a idéia no banco dos réus: o objetivo dos jurados é descobrir onde está o furo, onde falta lógica. Suspenda o julgamento! As idéias precisam ganhar força e tamanho. Precisam ser cultivadas. Somente assim seremos capazes de nos desviar do caminho da roça e criar situações favoráveis a novas descobertas, novos caminhos, novas histórias e novos resultados. Imaginar pode ser a chave, milagrosa, para o êxito. Além de tornar a vida muito, mas muito mais interessante e divertida! Novembro 2005 – Empreendedor – 15


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Gestão

O efeito do saber coletivo O conhecimento é um ativo para ser gerenciado com equilíbrio, desentocando informações e desarmando atitudes

por

Wendel Martins

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hoje é levado a sério pelo aspecto emProcessar a informação para se to- certo para o fracasso”. O primeiro passo para o empreen- presarial: trata-se de um diferencial esmar uma decisão torna a empresa mais ágil e as equipes colaborativas. Uma dedor aplicar a gestão do conhecimen- tratégico para qualquer corporação”. O ponto de partida foi um estudo companhia pode ter essa atitude sem to é dedicar uma atenção aos valores e organização, até de maneira inconsci- às crenças empresariais. Essa gestão que já havia mapeado todos os proente, mas somente o uso de modernas do invisível pode ser feita por meio de cessos da distribuidora de energia. O ferramentas permite estruturar o co- pequenas mudanças e grandes desafi- segundo passo foi ir a campo: Fennhecimento, administrando as informa- os. Francisco de Souza relata que, na der rodou o estado de São Paulo, uma ções que viabilizam os negócios e ela- maior parte das empresas, 60% docu- verdadeira caça atrás de novos Agosborando um cardápio de competências mentação é lixo. “Se você sugerir tirar tinhos, um colaborador que virou para construir um foco estratégico e todas gavetas e armários para um em- exemplo dentro da empresa: era o úniorientar as ações da empresa. A meta é presário ele vai dizer que é impossível. co que sabia fazer a manutenção das não apenas ser um fornecedor de pro- Em nossa consultoria ninguém tem linhas subterrâneas. “Nas palestras, dutos ou serviços, mas também de gaveta ou armário, só não é digitaliza- sempre pergunto se não tem um competências. Para atingir esse pata- do o que essencialmente tem que ficar Agostinho na unidade e a resposta mar, é preciso compartilhar e difundir em papel. Isso demonstra que o pro- normalmente é afirmativa. Imagino o conhecimento ao público interno. blema não é o papel, e sim a gaveta”. que existam uns dez exemplos semePeter Drucker, o guru máximo da Ad- Sem essa reestruturação fica quase im- lhantes em toda a corporação, o que ministração, acredita que o conheci- possível transformar informação, ou até é um número bom: se não existisse mento se transformou num bem valio- mesmo experiência e vivências em co- nenhum seria um dado preocupante. Se fossem muitos também”. so, mais até do que o sistema de pro- nhecimento. Mas a consciência do valor do coFoi por isso que João Fender – codução contemporâneo. Mas para o empreendedor fica a dúvida: como ge- ordenador de planejamento estratégico nhecimento só é possível quando a da Cteep, concessionária do setor elé- empresa percebe que tem valor para a rir esse ativo? “A gestão do conhecimento é con- trico – promoveu palestras em duas uni- sua estratégia, não é um modismo. Por seguir desenvolver a atitude de não sa- dades da empresa: manutenção e ope- isso, é necessário que a direção não só ber. O mundo se apaixonou pela inte- ração, onde reuniu todos os líderes da chancele, mas patrocine a implemenligência artificial e agora descobriu a empresa, especialmente na área geren- tação desse tipo de estratégia. Na Poliinteligência coletiva”, explica Roberto cial. São eles que apontam os especia- teno, empresa do setor químico, foi Francisco de Souza, diretor Geral do listas que tem um conhecimento vital, criado um banco de idéias, para sugesGrupo Plansis, consultoria que pesqui- por vezes único dentro da empresa. tões tanto do menu da cozinha quanto sa projetos ligados à teoria informa- Também apontam soluções para cer- de novos produtos e aplicações para os ção corporativa há 18 anos. “Na épo- tos tipos de conteúdos que a compa- insumos produzidos pela empresa. A ca havia uma grande busca para pro- nhia tem que buscar no mercado. “O opção por um portal corporativo veio cessar de informação, mas não se fa- conhecimento está nas pessoas e isso substituir a intranet, adicionando vantagens que permitem a aquisilava em gestão do conhecimento. FOTOS DIVULGAÇÃO ção e compartilhamento das Era o tempo da máquina de escrever...”, diz ele que vê uma séria disinformações para gerar cotorção na transposição da teoria nhecimento. “Incentivamos o para a prática. Um dos erros mais diálogo, nos debruçamos sorecorrentes é focar excessivamenbre um tema e buscamos mete na tecnologia, perdendo a dimenlhores formas de operação”, são do humano e por extensão, não diz Marcello Cavalcanti, engedesenvolver uma mudança cultural nheiro de desenvolvimento de na organização. Existem também as produtos. Após esse brainsempresas que investem demais em torm, um comitê analisa a virecursos humanos e não conseabilidade técnica e econômica guem manipular os volumes de indas sugestões. formação sem auxílio informatizaCavalcanti também sugere do. “É preciso ter um equilíbrio en- Cavalcanti: incentivo Fender: caça ao que um olhar atento identifica colaborador que tre os dois vetores. Não gosto de ao diálogo no portal uma série de iniciativas já imestoca informações morar nos extremos, é caminho corporativo plantadas, que na sua essência Novembro 2005 – Empreendedor – 19


Gestão

Visão do futuro É preciso eliminar barreiras para que o conhecimento se imponha em corporações que só sobrevivem com inovação Estar aberto a novas idéias é visto como um risco para empresas que não aceitam a inovação, preferem a cópia ao reinvento. No seu ambiente de trabalho, qual é a reação a uma idéia nova? Não são poucas as empresas que as recebem com franzidos de testa e caras amarradas. Os gerentes usam algumas máximas: “isso nunca vai funcionar”, “já tentamos isto uma vez” ou “não está previsto no orçamento”. Como também é bem comum encontrar chefes com vocação para assassinos de idéias. Mas ganha destaque uma técnica de gestão que permite reciclar da lata do lixo as idéias inovadoras, chama-se de investigação apreciativa, e reúne aspectos de gestão, estratégia e motivação dos funcionários. A premissa lembra um jogo de xadrez: nem sempre atacar de frente o problema seja a melhor opção. Ou seja, elaborar uma lista dos problemas e a partir daí, procurar as causas não promove um gerenciamento de mudanças para alcançar um estado mais eficaz e capaz, em

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são práticas de gestão do conhecimento, mas sem essa nomenclatura. No caso da Politeno, empresa que implementou o programa de controle de qualidade desde 1998 e também adotou a metodologia Seis Sigma, foi necessário apenas agregar melhorias – como o portal e um processo de aculturação – ao que estava dando certo. “Não é necessário reinventar a roda todos os dias. Já é até possível se mensurar quanto uma empresa perde quanto não repensa seus processos de gestão”. A empresa instituiu um procedimento de remuneração variável, milhas que são trocadas por almoços, entre outras vantagens, como ferramenta de motivação para os funcionários aderirem à metodologia. “É uma forma de sensibilizar aqueles que não gostam de dividir o conhecimento acreditando que vão perder poder”, diz Cavalcanti. Ocorre o oposto, investir em conhecimento é o que rende os melhores juros, já dizia Benjamin Franklin. Uma soma de competências que impulsiona a criação habilidades e conhecimentos em tempos de concorrência acirrada, “um fator crítico que leva ao sucesso, que contagia toda a empresa”, diz Fender.

Politeno: empresa ganha quando repensa seus processos de gestão

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termos econômicos, sociais, ecológicos e humanos. “Temos que ressaltar e valorizar o que existe de melhor nas pessoas e nas organizações, ressaltando no passado os momentos de sucesso ou de vitória. Criar uma imagem de futuro que faça os funcionários sonharem melhor”, diz Ilma Barros, coordenadora de desenvolvimento organizacional do sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP) e uma das maiores especialistas da metodologia no país. “O foco não é ter um problema, porque este é uma oportunidade. Só temos que descobrir como melhorar, criar uma visão de futuro”, diz Bruna Pachelli Marconato, coordenadora de recursos humanos da Nutrimental, empresa do setor alimentício pioneira mundialmente ao adotar essa metodologia. A FIEP criou um programa de certificação em Investigação Apreciativa, que permite uma fundamentação teórica e apresentação de cases, atividades em grupo. A formação de mão-de-obra especializada é um dos principais desafios para a massificação do conceito no país. Ainda são poucos os que podem fazer intervenções de mudança organizacional, planejamento estratégico, desenvolvimento de liderança, trabalho em equipe, mudança de cultura organizacional. Até porque o conteúdo da metodologia pode ser aplicado em qualquer tipo de empreendimento. Mesmo assim, o Brasil é um dos países mais avançados na utilização da metodologia, como demonstra a história da Nutrimental. “O criador da teoria, David Cooperrider afirma que somos a empresa mais avançada no processo”, diz Pachelli Marconato. A empresa atravessava momentos difíceis em 1997, quando enfrentou uma transição: uma empresa focada em merenda escolar se viu forçada a vender para o atacado e varejo. “Tínhamos muitos investimentos a fazer tanto na área finan-


Rodrigo da Rocha Loures, Ilma Barros e David Cooperrider: investigação apreciativa aplicada pela primeira vez no mundo na Nutrimental (acima)

ceira, como em tecnologia. Como não tínhamos dinheiro, resolvemos incentivar as pessoas”, diz Pachelli Marconato. A reestruturação do RH começou com um programa de integração para novos colaboradores, que foi o cerne da reformulação dos processos de contratação, seleção, integração e dispensa de funcionários. “Sempre se dizia, não pode sentar na grama, usar brinco, mas o funcionário mal chegou na empresa, sequer produziu. Era uma força cerceadora de recepção. Ao invés de sentenciar para que não saia de uniforme preferimos orientar a trocá-lo antes de ir para a casa por motivos de higiene”. Estimular a liberdade de expressão para o publico interno é um dos alicerces dessa teoria. A Nutrimental promoveu um evento para explicar a todos os funcionários o que era Investigação Apreciativa. Foi feito um sorteio para os colaboradores não sentarem perto de quem conhece. Cada funcionário entrevistava o seu próprio colega com um protocolo de entrevistas especificamente criado para a empresa. Depois, foram feitas reuniões em grupos de até oito colaboradores que apresentaram sugestões e propostas de melhoria. “Perguntamos aos funcionários o que a Nutrimental não tem e deveria ter, o resultado é um monte de idéias. A Investigação Apreciativa nos deu uma grande agilidade de decisão, somos muito rápidos para elaborar um novo plano para a empresa”, diz Pachelli Marconato.

As mudanças não se resumiram a limitou a criar uma nova cultura na empresa – menos competitiva e mais colaborativa – o espaço físico também foi alterado por sugestões dos funcionários é todo aberto, sem salas fechadas. “Pena que são poucas as empresas que se preocupam se o publico interno está feliz no trabalho todos os dias”, diz Ilma Barros. A pesquisadora concluiu que quanto mais reconhecimento, responsabilidade e desafios a empresa repassa aos funcionários, mais incluídos os colaboradores vão se sentir no processo e certamente terão um melhor desempenho individual. “É manter uma porta aberta para novas idéias, ou mesmo identificar mais competências compatíveis com as mudanças que a empresa precisa. Incentivar a criatividade e ensinar a tomar decisões pensando no melhor resultado”. Mas Barros ressalta que o método precisa da adesão dos líderes, tanto a direção da empresa, como dos informais, que são também formadores de opinião. A Nutrimental, que é dirigida pelo presidente da FIEP, Rodrigo da Rocha Loures, também convida todos os públicos envolvidos para um evento anual onde é definido a estratégia e feito o planejamento do futuro da empresa. Cerca de mil pessoas – funcionários de todos os escalões, clientes, ex-colaboradores, até o corpo de bombeiros de São José dos Pinhais se reúnem e durante o encontro, todos opinam sobre o assunto em pauta. As sugestões são discutidas

e, se possível, colocadas em prática. “Temos que compartilhar a nossa estratégia com o publico externo, comunidades onde está localizada, fornecedores, parceiros porque eles também são afetados pelas nossas decisões”, diz Pachelli Marconato. Os números respaldam essa realidade. O faturamento da Nutrimental aumentou em 400% desde que a metodologia foi implementada. Isso significa dizer que a Investigação Apreciativa é uma forma de tornar a organização melhor com base no que ela já tem de bom. “Nos esforçamos para descobrir os momentos de sucesso de cada um. A melhor maneira de fazer isso são as proposições provocativas, aqueles que questionam o status quo dentro da empresa”, diz ela, que acredita que a visão apreciativa é um caminho para a troca de informações e o compartilhamento dos sonhos e objetivos comuns. Um estímulo para continuar os projetos de um futuro melhor.

Linha Direta Bruna Pachelli Marconato (41) 3299-1123 Ilma Barros (41) 3352-2211 João Fender (11) 3138-7036 Marcello Cavalcanti (71) 3632-4280 Roberto Franscisco de Souza (31) 286-3190 Novembro 2005 – Empreendedor – 21


Gestão

Vertedouro na represa Itaipu dá preferência a aposentadoria para quem repassar o conhecimento manuais e os currículos dos funcionários. O próximo passo é “turbinar” o sistema de buscas para tornar o acesso a esses documentos mais fácil e intuitivo. A empresa contou com o auxílio da PUC-PR e da Universidad Nacional del Este (UNE) para definir qual modelo de gestão do conhecimento era o mais efetivo e levaria a um maior aproveitamento do que havia de melhor na empresa. O primeiro passo foi ouvir a organização através de entrevistas feitas por meio de um questionário on-line com gerentes e diretores, em que foram realizados diagnósticos empresariais e pesquisas de campo para identificar fontes de informação e monitorar tecnologias, mercados e meios de produtividade para o setor público. “Nossas diretrizes em relação ao conhecimento são a criação, sistematização, disseminação e geração de competências. Acreditamos que são etapas de um ciclo”, diz Miguel Augusto Sória, diretor de planejamento empresarial. “Tentamos incorporar a gestão do conhecimen-

to no coração das pessoas.” Além da mudança na cultura da corporação, outro ponto essencial é o aperfeiçoamento dos colaboradores por meio de um programa de educação continuada. “Temos que valorizar a prata da casa”, diz Silvio Melamed, assessor de planejamento empresarial, acreditando que propiciar e estimular a busca contínua de novos conhecimentos cria valor para a Itaipu e o interesse público. Mesmo assim ele acredita que o público interno ainda não se disciplinou para usar o computador e as informações que a empresa disponibiliza no dia-a-dia. Um dado que estimula: o portal corporativo do conhecimento já está entre os mais acessados na companhia. É um sinal de que velhos hábitos podem ser abandonados.

Linha Direta Miguel Sória (41) 3321-4437 Silvio Melamed (41) 321-4456 FOTOS DIVULGAÇÃO

Alinhar a gestão do conhecimento com a estratégia da empresa foi o menor dos desafios da Itaipu nacional. Para uma empresa criada na década de 70, era racional enfrentar um processo de aposentadoria em massa dos seus quadros mais especializados: essa é a situação de cerca de 320 técnicos que levariam com eles um conhecimento fundamental para o funcionamento da empresa, informações que estão mais associadas com as memórias e experiência do que com manuais e livros. A estatal brasileira e paraguaia colocou então em prática um plano de emergência em 2003 para aprisionar esse conhecimento e iniciou um processo de transição através de um acordo entre os funcionários: eles só sairiam da casa depois de ensinar o que faziam na empresa. A rede interna foi escolhida como a melhor forma de armazenar as informações e foi criado um gigantesco banco de dados, que já conta com cerca de 40 mil plantas, 1,5 milhão de desenhos técnicos, gravações de áudio e vídeo,

Sória: usina incorpora a gestão no coração das pessoas

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Gestão

Ambiente sem ilusões Para dar certo, um Sistema de Gestão Ambiental (SGA) precisa de forte treinamento dos envolvidos e prudência quanto à expectativa de resultados por

Adriana Chaves

DIVULGAÇÃO

A luta por mercado, clientes e estabilidade pressiona os gestores a favor de uma visão não-imediatista, tentação a que costumam sucumbir alguns empresários. Nesta batalha travada todos os dias nas mesas de negociações, nos balcões de serviços e nas operações, alguns fatores têm ganho cada vez mais importância, com destaque para a diferenciação com qualidade, a redução de custos e o surgimento de uma nova consciência: a de que a empresa não é uma ilha e precisa se relacionar com o ambiente e a comunidade de forma responsável.

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Esses fatores conquistam espaços no meio empresarial brasileiro não apenas nas grandes empresas, mas também nas pequenas e médias, que têm procurado consolidar sua marca e se estabilizar no mercado. Para alcançar tantos objetivos e se destacar diante dos concorrentes, uma das medidas que vem sendo adotada por empresários é a implantação de um sistema de gestão ambiental. O SGA é basicamente uma interação de elementos que levam à exploração sustentável do meio ambiente. Ao racionalizar o uso dos recursos naturais, a empresa vê sua logística otimizada e alguns dos seus gastos com in-

sumos reduzidos, ainda que isso não seja seu objetivo maior. É comum também que a implantação de um sistema ambiental promova a chegada de novos clientes – aquele seletivo grupo de grandes empresas que paga bem para trabalhar apenas com terceirizadas que assumam responsabilidades ambientais. A interferência do SGA na produção e na redução de gastos é conseqüência de uma mudança na visão, na política e no comportamento da organização e de seus empregados em relação ao meio ambiente. Vai jogar dinheiro fora quem decidir implantar um sistema de gestão ambiental apenas para aliviar o próprio bolso. Para ter sucesso, o SGA exige que o modo de pensar da empresa evolua além do fator econômico e alcance o social. O consultor para implantação de sistema ambiental Saulo De Lara Rezende, do Centro de Tecnologia de Edificações (CET), em São Paulo, alerta que o SGA é diferente das normas de qua-

Ouro Verde: sem a participação do motorista, a empresa não conseguiria fiscalizar a emissão de fumaça preta nos caminhões


lidade – que modificam rotinas da empresa –, pois exige uma conscientização dos indivíduos. “O resultado vem das pessoas”, afirma. Conseguir mudar a visão e a política da empresa e de seus empregados quanto à importância da preservação ambiental, além de um objetivo, do SGA, é também um de seus maiores desafios. Isso porque mudar a visão e a política não é apenas formatar um belo texto para ser apresentado ao público interessado. Antes de qualquer coisa significa mudar cabeças, pessoas, cultura e atitudes. Tome-se, por exemplo, a coleta seletiva, que teoricamente poderia ser a mais fácil e mais simples de todas as medidas aplicáveis em uma empresa que tenta implantar um sistema ambiental. Fácil sim, mais na teoria do que na prática. É ingenuidade imaginar ser possível mudar com rapidez e sem maiores esforços o hábito de uma pessoa que passou a vida inteira jogando lixo em um único recipiente e de repente se vê diante de outros vasilhames destinados a receber tipos definidos de resíduos. O problema vai muito além de simplesmente explicar as razões do novo procedimento, tem a ver com insistência, com a pessoa se habituar de tal maneira com a nova atitude e assimilá-la que a realize naturalmente e sem constrangimento. E não adianta ser simplista e baixar uma ordem. A empresa não terá como fiscalizar se a determinação está sendo cumprida e quem não a está cumprindo. É preciso treinamento para o SGA dar certo. A Ouro Verde Transporte e Locação, em Curitiba (PR), por exemplo, vê a capacitação de seus colaboradores como o ponto de maior dificuldade enfrentado pela transportadora quando, em 1999, ela optou por implantar um sistema de gestão ambiental. “Treinar e trabalhar as pessoas representam 80% de todo o processo”, diz o coordenador de gestão da qualidade e ambiente da empresa, Wilson Tkatch. Segundo ele, a questão está em enfrentar as resistências a mudanças e quebrar paradigmas dos empregados. Um exemplo

disso foi quanto ao cumprimento da legislação que trata da emissão de fumaça preta pelos caminhões da transportadora. Foi preciso fazer mais do que simplesmente determinar que a emissão não ultrapassasse este ou aquele percentual. A Ouro Verde precisou ensinar a lei e treinar todos os funcionários envolvidos no processo, sem exceções. A empresa teria muito mais dificuldade de saber, sem a participação do motorista, se a emissão de fumaça preta está excessiva ou não. Da mesma forma a Buturi Transportes Rodoviários, de Ponta Grossa (PR), precisou investir a maior parte de seu tempo na qualificação de pessoal para implantar um sistema de gestão ambiental. Segundo Jaqueline Rodrigues Piecykolan, coordenadora de qualidade e meio ambiente da empresa, foi preciso muito trabalho de conscientização com reuniões freqüentes para que cada medida pudesse ser exaustivamente ensinada. “Tínhamos que mostrar sempre como o plástico recolhido nos coletores poderia ser reciclado, como menos papel usado significava menos árvores cortadas”, diz. Como consultor, Rezende apresenta outro problema a ser enfrentado que considera de máxima dificuldade: a prevenção de resultados. Segundo Rezende, o empresário tem uma expectativa que nem sempre é correspondida no final: “Ele acredita que vai chegar a um resultado, mas isso não pode ser previamente comprovado, pois depende do grau de conscientização da empresa e de seus empregados.” Vantagens A Ouro Verde é um típico exemplo de empresa que só viu vantagens em implantar um sistema de gestão ambiental. Criada em 1973, a transportadora tinha seu escopo voltado apenas para locação de veículo, mas em 1992 decidiu dar uma guinada e ampliou seus serviços para o mercado de cargas industriais. Essa decisão foi seguida de uma seqüência de qualificações de pessoal e de implantação de sistemas de

Quatro passos fundamentais Saulo De Lara Rezende divide a implantação de um sistema de gestão ambiental em quatro etapas 1º Passo Saber reconhecer os impactos que a empresa provoca no meio ambiente e nos diversos públicos. É imprescindível para o sucesso da implantação. A empresa terá que conhecer de que forma seus processos atingem os elementos naturais (água, ar, solo, energia), os clientes, a vizinhanças e a sociedade em geral. Quanto mais ela esmiuça esses impactos, mais saberá o quanto afeta o meio ambiente, por tabela terá uma maior ação e melhores resultados. 2º Passo Fazer um levantamento das expectativas das partes interessadas (vizinhos, ONGs, órgãos de controle ambiental, clientes, etc.). Neste passo a empresa precisará de muita pesquisa e comunicação. A melhor maneira de buscar essas expectativas é na legislação e em documentos que possam mostrar o que querem esses públicos. Vale, inclusive, pesquisas de organizações ambientais e atas de reuniões de associações de moradores. 3º Passo Definir e sistematizar situações de emergência. Toda atividade tem rotinas e situações que fogem ao controle. Para resolver isso, prepara-se um plano de emergência que estabelece as regras e o roteiro do que tem que ser feito e uma simulação com exercícios de situações de emergência. 4º Passo Desenvolver procedimentos sistêmicos e capacitação de funcionários. São os treinamentos e as medidas do SGA em prática. Novembro 2005 – Empreendedor – 25


qualidade e ambiental. Entre as vantagens relacionadas à implantação da gestão ambiental está, segundo Tkatch, o aumento do poder de negociação que a empresa conquistou junto com os clientes, novos e antigos. É inevitável que haja gastos novos. Um destino final para os resíduos poderá implicar em algum investimento a mais. No entanto, o SGA não apresenta em nenhuma de suas diretrizes inviabilidade econômica. Ou seja, todas as medidas que o sistema promove em nenhum momento deve acarretar um peso para as finanças da empresa. Se uma medida é boa para o meio ambiente, mas não é boa para a economia da organização, ela não será implantada. Isso é um fator crucial para a sobrevivência da própria empresa. Portanto, se há mais gastos para dar um destino final aos resíduos, há mais economia

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Gestão

Destino final aos resíduos gera economia no uso da água e da energia

em outros setores, como no uso de energia e de água, por exemplo. A Buturi passou a ter gastos mensais para dar destino correto aos seus resíduos, mas viu sua conta telefônica reduzir significativamente, devido a outras medidas tomadas.

Linha Direta Buturi (42) 400-99014 Ouroverde (41) 323-97057 Saulo De Lara Rezende saulo@cte.com.br

Os custos dos processos Quanto se gasta para implantar um sistema de gestão ambiental? Depende de alguns fatores, como o mercado em que a empresa atua, o tempo que vai destinar para a implantação do sistema e o grau de tecnologia que ela possui. Se uma empresa tem equipamentos muito antigos que consomem muita energia e manutenção, ela vai precisar trocá-los. Dependendo do setor em que ela está, esses novos equipamentos podem ser muito caros. E se ela decidir dar pouca prioridade para a implantação do sistema e o processo demorar muito os valores aumentarão. Se uma empresa de médio porte implantar o sistema em seis meses, poderá gastar R$ 30 mil com consultoria, R$ 10 mil com o certificado ISO 14001 – caso decida tê-lo, pois não é uma obrigação – e R$ 40 mil em treinamento. A consultoria é importante, mas não imprescindível. Não contratá-la ou contratar uma “mais em conta” é um risco que o empresário tem que deci-

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dir se vai correr, pois pode ser que queira fazer gastos com a troca de um equipamento por outro e no final não observe resultados. Isso seria um erro de auto-

Soluções ambientais corretas dependem da diretoria avaliação da empresa. É preciso muita maturidade para que a própria direção veja onde pode ser melhorado. Saulo Rezende já se deparou com empresários que afirmavam com orgulho que sua empresa não produz resíduos. Isso é

impossível. Toda empresa produz lixo, sem exceção. O que é a água usada na produção de uma vidraria? E os papéis que lotam as lixeiras? E o copo plástico do cafezinho? Uma saída seria a empresa investir no treinamento de um ou dois empregados para que eles auxiliem na introdução do sistema. Existem empresas que implantam o sistema e, só depois de muitos anos, buscam o certificado ISO 14001. Isso depende das próprias vantagens que o mercado oferece. A certificação é um atestado. Se a empresa não é conhecida, ter a ISO faz a diferença. Se quer exportar, precisa ter um documento que seja aceito internacionalmente como prova de que não está destruindo o ambiente. O SGA se apresenta como um estímulo para uma nova visão que a empresa precisa ter do mundo que a cerca. Mais ainda, resulta em uma nova visão que o mundo passa a ter sobre a empresa. É uma troca de melhores impressões na qual todos saem ganhando.


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Gestão

Decisões para viagem

tes, fornecedores e de todos os parceiros e interessados na empresa, em geral chamados de stakeholders. Muitas vezes as grandes oportunidaA gestão itinerante liga envolvimento com desempenho des de negócio são fechadas ao nível dos altos cargos executivos, por e impede que haja engessamento na estratégia exemplo, de presidente para presidente. Nos anos 80, quando a Volkswate, visitando tanto as equipes globais gen do Brasil vendeu 170 mil Passats por Fábio Mayer como as locais para garantir que es- para o Iraque, quem comandou a neA proximidade com funcionários, tamos bem sincronizados”, diz. gociação foi Wolfgang Sauer, presiPor meio da gestão itinerante, o dente da empresa na época. Antes de clientes e fornecedores tem impacto direto no resultado da empresa, pois empreendedor pode agilizar as deci- assinar o contrato, com validade de ajuda a detectar e atender in loco as sões empresariais e melhorar a efici- cinco anos, no valor de US$ 1,7 binecessidades de cada um deles. O ência delas. O MBWA permite acom- lhão, o executivo manteve contato Management by Walking Around panhar de perto as etapas do proces- com os compradores para discutir (MBWA), também conhecido como so de fabricação de um produto ou exaustivamente todas as cláusulas da Gestão Itinerante, é uma das ferra- de atendimento de um serviço e me- transação. A iniciativa de Sauer, ao asmentas que permite estreitar relações dir indicadores-chave de performan- sumir a frente das negociações, pode e fazer uma sintonia fina entre envol- ce, como qualidade e motivação. Con- ser uma ação cotidiana comum a muivimento e desempenho das diferen- forme o professor do Ibmec, um tos empreendedores brasileiros. Mas tes etapas da produção. Nesse mode- exemplo é o de uma empresa corea- a maioria deles delega essa função a lo o empreendedor mantém contato na que tinha problemas em uma uni- outros executivos com a certeza de direto com consumidores e faz visi- dade localizada na Polônia. Para resol- que estão habituados, aptos e com tas freqüentes a departamentos e ver entraves produtivos, o presidente mais tempo para realizar esse tipo de unidades fabris para alinhar objetivos mundial da organização mudou seu tarefa. “O trabalho de um presidente e auxiliar na resolução de possíveis pro- escritório para esse país, resolvendo ou do executivo é descobrir na emblemas. “O empreendedor não pode a situação. Schwenkow também cita presa os fatores-chave de sucesso e ficar trancado em uma sala, porque vai o caso de uma companhia americana para isso é preciso estar junto com perder contato com a realidade e ter na qual o CEO não tinha um escritório os consultores e clientes, descobrir e sérias dificuldades”, diz Dirk fixo, ele fazia um rodízio em cada de- desenvolver oportunidades de negóSchwenkow, professor dos cursos de partamento da companhia para saber cios”, diz Schwenkow. Empreendedorismo e Estratégia do Ib- o que estava acontecendo e assim deNo Brasil, esse modelo de gestão mec-SP. “Ele tem que estar perto dos finir melhor as estratégias. é normalmente adotado por executiO MBWA é estar perto de clien- vos como forma de liderança, capaacontecimentos para não ficar para trás em um mundo que está se modicitação e orientação da equipe. ficando cada vez mais rápido.” Como o empreendedor vai esA técnica permite orientar as tar presente, conseguirá inforestratégias de forma que elas semações mais precisas sobre o jam compatíveis com a política trabalho da equipe e estará corporativa da empresa. Para acessível, dando oportunidade Eric Kim, vice-presidente e dipara que os funcionários posretor do grupo de vendas e masam expor suas opiniões e idéirketing da Intel Corporation, o as. As instruções passadas desobjetivo das ações nessa área é sa maneira, em comparação alcançar uma posição global, mas com as que são feitas na forcom particularidades locais e asma escrita, ajudam a diminuir pectos únicos. “Para atingir isso, a resistência à assimilação de temos estabelecido uma forte como as tarefas devem ser exeequipe, focada na essência glo- Dirk Schwenkow: cutadas e melhorar o desemEric Kim: “ Viajamos bal da marca, e também uma “O empreendedor penho e envolvimento pessoal bastante, para forte equipe local focada nas ati- não pode ficar de cada membro da equipe. “É garantir que estamos vidades locais. Viajamos bastan- trancado numa sala” preciso dar oportunidade às bem sincronizados”

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Luiz da Costa Neto, presidente do CIFS : envolvimento fomenta associativismo participativo

pessoas de expor as idéias. Elas se sentem muito mais motivadas e isso facilita a implementação da estratégia. Escutar mais e falar menos.” Essa é uma boa hora para comunicar a estratégia da empresa, tirar as dúvidas, caso existam, e verificar se todos a compreenderam corretamente e estão alinhados com ela. O professor do Ibmec explica que é comum, ao se fazer um levantamento, descobrir que 80% a 90% da equipe não sabem qual é a estratégia. Uma das funções do executivo é falar para todos, incluindo a diretoria, que direção a empresa vai tomar. “O empreendedor precisa estar mais tempo perto das pessoas. A parte técnica antigamente era referencial, hoje é pré-requisito e o diferencial do seu trabalho é a liderança, que na verdade é criar condições para outras pessoas terem sucesso.” Isso é válido tanto para uma grande companhia quanto para uma pequena, na qual o empreendedor também tem fornecedores, atividades terceirizadas que precisam trabalhar na mesma direção. Nas micro e pequenas empresas, os empreendedores usam a gestão itinerante de maneira

intuitiva, até sem se dar conta do conceito. Eles próprios têm que fazer uma compra, precisam estar atrás do balcão atendendo e, ao mesmo tempo, gerenciando e pensando nas estratégias do negócio. “Os pequenos fazem por falta de estrutura e daí advém uma das grandes dificuldades das empresas quando elas começam a ser tornar maiores: o dono já não consegue mais fazer isso, a empresa está crescendo e ele já não consegue manter o mesmo nível de atenção ao cliente”, explica Schwenkow. O ideal é o contato pessoal, mas à medida que a empresa cresce isso se torna mais difícil, mas não impossível. Existem casos de executivos de grandes corporações, mesmo com muitos funcionários, que fazem uma carta a cada trimestre para cada um deles falando do que é importante para a companhia, parabenizando pelos bons resultados ou até alertando as dificuldades que vem por diante. Essa ferramenta de gestão também tem algumas variações. Um exemplo é a iniciativa denominada de Reunião Itinerante, adotada pelo Centro das Indústrias de Feira de Santana

(CIFS), instituição que tem como princípio representar a classe industrial da região para fortalecer e apoiar todos os setores produtivos. Criada pela diretoria anterior da entidade e mantida pela atual, a técnica é usada para difundir o conhecimento e melhorar as relações entre os diversos parceiros, transferindo os encontros mensais da sede para empresas de associados e até de interessados. “Na pauta inclui-se um tempo para que o anfitrião fale um pouco da sua empresa e de assuntos relevantes sobre o negócio. O envolvimento e a troca de informações obtidas durante as reuniões têm fortalecido os laços de amizade e companheirismo dos associados e fomentando ações como o associativismo participativo”, diz Luiz da Costa Neto, presidente do CIFS.

Linha Direta Dirk Thomaz Schwenkow (11) 4504-2300 Eric Kim larfeedback@intel.com Luiz da Costa Neto (75) 3625-0578 Novembro 2005 – Empreendedor – 29


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Mercado de Capitais

Bovespa Mais é a alternativa de capitalização para pequenas e médias empresas por

Wendel Martins

O empresário brasileiro que deseja capitalizar sua empresa tem poucas opções e grandes riscos, como buscar sócios através da venda de parte da companhia, iniciar um processo de fusão ou mesmo arriscar um empréstimo no país com as taxas de juros mais altas do mundo. Nenhuma delas está no topo da lista de preferências de qualquer empreendedor. A Bolsa de Valores de São Paulo tenta quebrar esse paradigma e marcar o início de uma nova fase para o mercado de capitais com o Bovespa Mais, uma espécie de pregão voltado para pequenas e médias empresas. As estrelas desse novo segmento criado pela Bovespa têm em média um faturamento de até R$ 300 milhões, projeção de expansão até 20 vezes maior que o PIB nacional e pretensões no mercado internacional. Necessitam também de grande investimento em pesquisa e desenvolvimento, além de serem com-

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panhias com estratégia de acesso gradual no mercado de capitais para concorrer em mercados tão competitivos como o de alta tecnologia. Mas a bolsa exige uma série de requisitos, como a adoção das melhores práticas de governança corporativa. Wang Horn, gerente de desenvolvimento de empresas da Bovespa, afirma que não basta criar um ambiente receptivo para as empresas, que o utilizarão como ferramenta para financiar seu crescimento, mas oferecer uma contrapartida para os investidores em forma de transparência e segurança. “As novatas no Bovespa Mais terão obrigações similares às que já negociam no mercado de capitais”, diz Horn. As companhias interessadas poderão emitir apenas ações com direito a voto, o que em alguns casos leva a uma mudança de estatuto, e terão de contratar um executivo para o relacionamento com os investidores. Todos os acionistas vão contar com a proteção do

tag along, ou seja, podem vender as ações nas mesmas condições obtidas na compra. Outra exigência é a adesão à câmara de arbitragem do mercado para a solução de conflitos societários. E principalmente dispor de um conselho de administração independente com mandato de dois anos e fornecer informações contábeis, como fluxo de caixa trimestral. Horn destaca que uma das maiores mudanças é cultural. Muitas empresas, especialmente as familiares, são bastante sensíveis à questão da partilha de decisões com outros sócios. É difícil se acostumar a dividir uma história de sucesso com outros protagonistas. Nestor Perini, sócio-diretor da Lupatech, empresa de Caxias do Sul especializada em peças industriais de alta complexidade, diz que a empresa “já tem uma experiência com investidores e quer ampliar esse leque de sócios e investidores para possibilitar um crescimento mais acelerado do que o que


tem como companhia fechada”. A companhia, que há cerca de 20 anos mantém uma auditoria externa independente, registrou um crescimento de 48% nos três primeiros meses do ano e espera fechar 2005 com um faturamento de R$ 203,5 milhões. Outro programa arrojado que a empresa promove é a participação nos resultados, que tem por objetivo proporcionar aos colaboradores da Lupatech a retribuição pelos resultados adicionais, gerados pela lucratividade e as melhorias internas. A Teikon também é outra candidata ao Bovespa Mais que já convive com investidores desde a sua criação e, por isso, preza por uma política de transparência com os acionistas. Adil Albrecht, sócio-diretor da empresa especializada na industrialização de componentes e soluções eletrônicas, destaca a existência de um conselho de administração que não faz parte da gerência, a adoção dos padrões brasileiro e americano de contabilidade, além da auditoria internacional há mais de cinco anos. A empresa pretende duplicar a sua capacidade de produção em Porto Alegre com a inauguração de uma nova planta fabril este ano – gastou cerca de R$ 500 mil na infra-estrutura e planeja produzir cerca de 30 mil componentes por mês. Os estudos para ingressar no Bovespa Mais são levados a sério, pois é uma forma

de reduzir o custo de captação de dinheiro, que, para médias empresas, como a Teikon, é muito alto no Brasil, onde, ao contrário dos Estados Unidos, o mercado de crédito ainda não se tornou uma alternativa viável. As possibilidades que o Bovespa Mais descortina podem mudar essa realidade a longo prazo, tornando o mercado de capitais a principal fonte de captação de recursos para empreendedores. A entrada na bolsa não vai comprometer a estratégia da Teikon, mas certamente alguns ajustes finos serão feitos nos próximos anos. Aproveitando um cenário de globalização, a companhia pretende se inserir no comércio mundial e lutar pelo seu espaço. “Já oferecemos uma plataforma mundial de produção para seus clientes através de uma rede mundial de empresas de manufatura localizadas na China, Itália, Índia, Suécia, Estados Unidos e Brasil”, diz Adil Albrecht. A companhia não exporta a sua produção, mas pretende manter uma visão global de competitividade e se posicionar entre as 100 maiores empresas do mundo em seu setor até 2006. Os planos incluem a criação de duas filiais, uma nos Estados Unidos e outra na Ásia. No ano passado, o faturamento da Teikon foi de R$ 33 milhões; este ano, deve fechar em 70 milhões, um crescimento de 66%.

Pesquisa Muitas vezes, a maior dificuldade de uma empresa não é crescer, e sim aproveitar as oportunidades. A Waytec fez uma aposta arriscada, abandonou completamente o mercado de monitores de tubo para fabricar a mais completa linha de monitores de cristal líquido (LCD) no Brasil. A guinada deu certo e a companhia registrou um crescimento de 182% no primeiro trimestre em comparação ao mesmo período de 2004. Mesmo assim, para financiar essa revolução, a companhia se interessou em abrir o capital para competir com as grandes corporações asiáticas e americanas, sinônimos de baixo preço e alta tecnologia embarcada. A estratégia da empresa é se tornar um player mundial no setor de touch screen, uma tecnologia que permite ao usuário interagir com o computador através do toque dos dedos. Para atingir essa meta, a Waytec criou a Touch Easy, empresa situada no Vale do Silício, coração tecnológico dos Estados Unidos, que recebeu uma injeção de capital avaliada em US$ 3 milhões de um grupo de investidores norte-americanos. “Inventamos uma tecnologia que não existe, temos o melhor monitor touch screen do mundo. Mas para que isso se transforme em vendas, precisamos nos preparar para

Lupatech: colaboradores participam dos resultados dos investimentos, segundo Nestor Perini Novembro 2005 – Empreendedor – 31


Mercado de Capitais

Teikon: R$ 500 mil na infra-estrutura e previsão de 30 mil componentes/mês, de acordo com Adil Albrecht

ter volume”, diz Moisés Aleixo Nunes, reconhecida, que é um plus aqui e lá sócio-diretor da empresa, afirmando fora. O grande fator limitante é ter caque as exportações devem responder pital para girar e manter uma empresa por 20% do faturamento da companhia forte, sólida e com bons produtos.” Por em 2005. Há um ano a empresa inves- isso, a empresa quer entrar no mercado tiu R$ 4,5 milhões em uma nova fábri- de capitais por meio de um parceiro fica projetada para produzir 1.200 telas nanceiro, mas esses planos são para o sensíveis ao toque e aumentar a capa- médio prazo. “Para botar o pé no mercidade produtiva de monitores LCD cado internacional tem que investir. Buspara 400 unidades por dia. A expectati- camos nosso espaço sem depender de va da fabricante é faturar US$ 35 mi- reforma tributária. Seja com parceiro prilhões neste ano só com monitores sen- vado ou com capital aberto, vamos essíveis ao toque e as exportações de- perar uma posição mais sólida, esperar vem gerar 20% da receita total do ano. maturar mais a empresa”, afirma. “Temos muitos diferenciais, podemos customizar totalmente nossos produ- Crescimento tos para atender uma demanda especíOutra companhia que também quer fica. Fabricamos monitores mais com- ganhar espaço no mercado internaciopactos e temos uma garantia maior. nal é a Bematech, maior fornecedora Mas, para tanto, temos que nacional de soluções de investir muito em design e automação comercial, na criação de uma rede de que pretende atrelar um assistência técnica”, diz Aleiquinto do faturamento ao xo Nunes, assegurando que mercado externo até a empresa reserva cerca de 2010. Para isso, dedica 5% do faturamento para cerca de 8% da receita pesquisa e desenvolvimenem pesquisa e desenvolto. “Nós temos a mentalidavimento, tendo até desende de uma grande compavolvido a produção de nhia apesar de sermos uma componentes de compuempresa média.” tador em conjunto com A empresa investiu na fornecedores estrangeibusca de selos de qualidaros. “Integramos uma de, como o ISO 9000 e o Aleixo: “O melhor equipe de pesquisa em ISO 14000. “Precisamos monitor touch Taipe, capital de Taiwan, criar um nome, uma marca screen do mundo” com outra aqui em Curi-

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tiba”, diz Marcel Malczweski, diretorpresidente. “Isso porque a tecnologia é um nicho dinâmico, atualizado com freqüência vertiginosa. Quem não investe perde o bonde.” Além dos grandes gastos em P$D, o Bovespa Mais também é uma oportunidade de sustentar a sua taxa de crescimento, que neste ano deve ficar próxima dos 30%. A Bematech faturou cerca de R$ 103 milhões em 2004. “Além do mais, os juros no Brasil, mesmo os do BNDES, são mais altos do que na Argentina”, diz Malczweski. Ele estuda a abertura de capital até o final do ano e não vê grandes conflitos com as exigências de boa gestão corporativa. “Estamos sempre nos criticando e aplaudindo. Nosso estatuto já prevê a abertura de capital.” Mas a idéia de Malczweski era ingressar no Novo Mercado, segmento top da Bovespa – o que implicaria em ter um faturamento de aproximadamente R$ 300 milhões. Com a criação do Bovespa Mais, ele tem a oportunidade de crescer, mas em bases sólidas. “Quando o BNDES entrou como sócio na empresa, tínhamos a obrigação de abrir o capital para que o banco pudesse realizar ganhos”, explica. As bases sólidas estão na redefinição da estratégia. No mercado interno, os olhos estão abertos para a oferta de soluções completas para equipar os pontos-de-venda e serviços, uma vez que a empresa desistiu de fabricar equipa-


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Koblitz: abertura do capital impulsiona os negócios que virão da biomassa, afirma Manoel Vieira

mentos para terceiros colocarem uma marca em cima. Ela também aumentou os seus esforços de exportação, em que a grande oportunidade são as impressoras de quiosques para consulta pública. A Bematech está montando canais de distribuição em países da América Latina, como Argentina, Venezuela, Chile e México. Já a Koblitz, empresa que há trinta anos planeja, integra e executa projetos

Marcel Malczweski: “Quem não investe perde o bonde”

de geração e co-geração de energia empregando fontes alternativas e renováveis, deve abrir o seu capital no Bovespa Mais em cerca de um ano. A companhia, que faturou cerca de R$ 51 milhões em 2004 e projeta um crescimento de 65% para este ano, quer entrar com força no setor de geração de energia. Para que isso seja possível, passa por um processo de reestruturação administrativa, que inclui uma diretoria com mais responsabilidades e deveres. Também incorporou uma auditoria internacional desde 1999. “Desejamos manter uma conduta ética e proporcionar segurança para quem negocia com a empresa”, diz Emilio Carvalho, diretor-administrativo e financeiro. A reforma também atingiu o espaço físico, que ficou maior para comportar as pretensões audaciosas da Koblitz: um aumento de participação de mercado de cerca de 30% nos próximos cinco anos. A empresa vai investir cerca de R$ 2,5 milhões para ampliar em 40% sua capacidade instalada para a produção de painéis elétricos e adotar novas técnicas de produção, mais eficientes, que possibilitem um fluxo contínuo em linha, diminuindo o trajeto de movimentação das peças. Um dos benefícios dessas mudanças é a redução de custos com horas extras, que, somado à aquisição de novas máquinas, hardwares e softwares, vai permitir um aumento da

produtividade estimado em 40%. “O Protocolo de Kyoto prevê uma redução de 5% no nível de poluentes pelos países desenvolvidos. Ou seja, o uso de energia renovável vai ser alavancado. E através da abertura do capital da empresa no mercado de ações nós ganhamos um impulso para disputar o negócio que virá da biomassa. A Europa é um mercado atrativo porque somos competitivos em termos técnicos e ecológicos”, explica Manoel Vieira, diretor-superintendente da empresa, que vê o Bovespa Mais como um trampolim que possibilita um novo patamar de atuação para pequenas e médias empresas no Brasil. Um esforço que se reflete em eficiência, um caldeirão de idéias que impulsiona a economia. Uma ousadia que promete.

Linha Direta Adil Albrecht (51) 3026-1800 Emilio Carvalho e Manoel Vieira (81) 2122-2300 Marcel Malczweski 0800-644-2362 Moisés Aleixo Nunes (73) 2101-9000 Nestor Perini (11) 3845-7372 Wang Horn (11) 3233-2000 Novembro 2005 – Empreendedor – 33


Agronegócio

Brasil de oliveira Mercado interno atraente e vendas crescentes no exterior estimulam a produção de azeite de oliva no Brasil por

Alexsandro Vanin

Os brasileiros estão entre os maiores consumidores de azeite de oliva do planeta. No entanto, nada é produzido no país, tudo é importado – o Brasil é o sétimo maior importador, conforme dados de 2001 da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig). De acordo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, em 2004 foram importados 50 mil toneladas de azeite e 35 mil toneladas de azeitonas, no valor total de US$ 120 milhões. No mesmo período foram registrados US$ 100 mil em exportações dos dois itens, o que na verdade significa apenas o repasse de empresas que importam de países vizinhos e revendem no exterior. É por isso que, nas prateleiras dos supermercados, são encontradas somente marcas estrangeiras ou que utilizam matéria-prima importada, em composições

que chegam a ter apenas 15% de pureza (85% de óleo de soja). Estima-se que, ao todo, esse mercado movimente cerca de US$ 600 milhões. Nos Estados do Sul do Brasil, que apresentam microclimas favoráveis ao cultivo da oliveira, começam a surgir as primeiras plantações experimentais. A Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) iniciou em setembro o plantio de mudas em oito cidades do Estado: Lages e São Joaquim, no Planalto Serrano; Campos Novos, Caçador e Canoinhas, no meio-oeste; Chapecó, no oeste; Urussanga, no sul; e Ituporanga, no Alto Vale do Itajaí. “Queremos avaliar a viabilidade econômica dessa atividade e descobrir que variedades se adaptam melhor à região, quais são melhores para conserva e quais para azeite e quais são os melhores pontos para cultivo”, diz Dorli Da Croce, engenheiro florestal responsável pelo projeto da Epagri. Segundo ele, as respostas se-

Oliveira  Planta rústica

 Altitude ideal: entre 200 m e 1.300 m

 Resistente a pragas e doenças



Necessita adubação  Desenvolvimento inicial lento  Chega a 8 m  Produz, em média, de 80 kg a 100 kg de azeitonas por árvore  Típica de clima frio  Temperatura ideal: entre 8ºC e 10ºC 

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Chuvas: superior a 800 mm  pH do solo: superior a 5,5  Principais pragas e doenças: tuberculose da oliveira, antracnose da oliveira, fumagina, cochonilhas, mosca da oliveira e diversas espécies de formigas Fonte: Epamig

rão conhecidas daqui a cinco anos. Característica de clima temperado quente, a oliveira se desenvolve em regiões com temperatura média anual entre 17ºC e 22ºC, mas necessita de baixas temperaturas no período que antecede a floração para que se obtenham resultados satisfatórios na produção. Temperatura de inverno com média entre 8ºC e 10ºC, altitude que varia entre 200 e 1,3 mil metros e regime de chuvas superior a 800 mm são suficientes para produções econômicas. O pH do solo, que deve ser superior a 5,5, também interfere na qualidade da produção, principalmente do azeite. “Temos condições de solo e clima favoráveis à olivicultura. Nossa expectativa é que esse cultivo seja mais uma opção para a agricultura familiar catarinense”, diz Athos de Almeida Lopes, presidente da Epagri. A participação de agricultores e empreendedores interessados em implantar indústrias para beneficiamento das


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Dorli Da Croce: respostas em cinco anos

azeitonas vai ocorrer apenas na segunda etapa do projeto, quando as variedades produtoras já estiverem definidas. Nessa primeira fase, em que estão sendo investidos R$ 100 mil em recursos do governo catarinense, estão em teste mudas da Argentina, do Chile, de Minas Gerais (parte oriunda da fazenda experimental da Epamig) e do Rio Grande do Sul. Desses dois Estados foram colhidos, em ruas e propriedades, exemplares plantados por imigrantes ibéricos. “Estamos formando um banco de espécies existentes no Brasil, muitas delas ainda não-catalogadas”, diz Da Croce. Versão tupiniquim Normalmente, mudas de oliveiras trazidas da Europa demoram de 10 a 12 anos para chegar à idade adulta e produzir frutos. Ao longo de aproximadamente 50 anos de pesquisas, a Epamig conseguiu reduzir esse tempo, fazendo com que as árvores produzissem mais e em menor período. Segundo Nilton Caetano de Oliveira, as mudas obtidas por um processo de enxertia desenvolvido na instituição mineira começam a produzir a partir do quarto ano de plantio. Cada oliveira, se bem cuidada, é capaz de produzir de 80 a 100 quilos de fruto por safra. E, para se produzir um litro de azeite, são necessários entre 4 e 5 quilos de azeitona. As mudas podem ser plantadas em qualquer época do ano, mas de preferência no período chuvoso – o plantio reali-

zado no período seco necessita de irrigação até que a muda vingue, o que aumenta os custos da produção. As folhas permanecem por três anos nas árvores; e as flores, que surgem um ano após o plantio, são pequenas e brancas. Já a colheita é realizada em janeiro e fevereiro, após o completo desenvolvimento dos frutos, que podem ser verdes, pretos ou castanhos. Uma oliveira vive centenas de anos, podendo atingir milhares de anos, e cresce até 10 metros de altura. Na Europa, a cultura pode começar a produzir comercialmente a partir do terceiro ano, embora seja a partir do quinto que se torna mais lucrativa. Nos países mediterrâneos, um cultivo tradicional permite colher 10 toneladas de azeitonas por hectare, mas é possível chegar a mais de 12 toneladas por hectare usando maior densidade. Também pode ser feita a instalação de cerca de 350 plantas por hectare e, nos espaços vagos entre as árvores, ser criado gado ou efetuado outros cultivos. As azeitonas podem ter dois destinos, de acordo com as características de cada variedade: o consumo à mesa ou a extração do azeite de oliva. Para a fabricação de azeite, a colheita deve ser realizada após a completa maturação do fruto, quando o percentual de óleo é maior. Já as azeitonas destinadas ao consumo em conserva devem ser colhidas manualmente, evitando machucaduras. Em Maria da Fé (MG), que possui condições semelhantes ao Sul do país, duas variedades têm se destacado nas pesquisas da Epamig: a Grapollo, destinada à extração de óleo, e a Ascolana, para produção de azeitonas de mesa. Essas variedades, entre as 50 trabalhadas, são as que apresentam maior produtividade e melhor adaptação ao clima da região. Segundo Oliveira, foram introduzidas recentemente cerca de 10 variedades da Espanha, que ainda estão em fase inicial de avaliação, e a variedade arbequina está se sobressaindo quanto ao desenvolvimento vegetativo e início de produção. No Rio Grande do Sul, um grupo formado pela Embrapa Clima Temperado, Associação Riograndense de Empre-

Tipos de azeite Azeite extra virgem: considerado o mais nobre de todos, e por isso o mais caro. Tem um grau de pureza maior e menor acidez, pois vem da primeira prensagem da azeitona, sem sofrer influência de calor, aditivo ou solvente. Depois do processo mecânico, é apenas lavado e filtrado. Azeite virgem: é extraído da segunda ou terceira prensagem do fruto, por isso perde um pouco no sabor e costuma ser levemente adocicado. Azeite refinado: passa por um processo de neutralização, descoloração e desodorização, após ser extraído das outras prensas da azeitona. Azeite puro: é a mistura do refinado com o virgem. Ambos têm o preço mais baixo e sabor menos concentrado. Fonte: Con selh de Azeite de o Internacional Oliva (Ciao)

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Agronegócio endimentos de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater/RS), Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), a empresa espanhola Agromillora S.A. e a Câmara de Comércio Portuguesa, entre outras entidades, retomou neste ano pesquisas iniciadas no começo dessa década com variedades oriundas da Epamig e cultivares espanholas. Nesta etapa estão sendo realizados o zoneamento e o acompanhamento dessas plantações já existentes, que no ano que vem entram em fase produtiva. Estão sendo cadastrados agricultores interessados no cultivo de oliveiras, uma atividade promissora para eles, que receberiam hoje, se já estivessem produzindo, R$ 25 por quilo de azeitona colhida, informa Enilton Fick Coutinho, pesquisador da Embrapa. “Aumentando a produção e a oferta no mercado nacional, esperamos diminuir o preço de derivados ao consumidor”, diz Coutinho.

A Agromillora apóia o trabalho com a importação de uma coleção de cultivares de oliveira recomendadas para exploração em regiões de clima subtropical e temperado. Segundo informações da empresa, uma plantação de 50 hectares já fornece matéria-prima suficiente para uma pequena indústria de produção de azeite. A Câmara Portuguesa auxiliará na logística do projeto e intermediará intercâmbios técnicos com instituições lusas de ensino e pesquisa. As primeiras visitas técnicas a essas instituições e também da Espanha estão previstas para janeiro do ano que vem, após visitas a plantações na Argentina, no Chile e no Uruguai. As expectativas são boas e em breve o consumidor poderá ter em sua mesa azeite de oliva “made in Brazil”, o que deve popularizar o seu consumo. As oliveiras são umas das plantas cultivadas pelo homem há mais tempo, os primeiros indícios de uso de seu

RANKING BRASIL 7º maior importador de azeitona e azeite de oliva (2001) Introdução da espécie: 1800 Regiões de plantio: Sul e Sudeste Maior área plantada em 2001: 6 hectares (RS) Produção em 2001: 2 mil kg Total de importações em 2004: US$ 120 milhões (50 mil toneladas de azeite e 35 mil toneladas de azeitonas) Movimentação anual do produto no mercado brasileiro: US$ 600 milhões (importação, beneficiamento e distribuição) MUNDO Área plantada: 8,3 milhões de hectares Produção mundial em 2002: 15,8 milhões de toneladas Maiores produtores de azeitona: Espanha (43%), Itália (18%) e Grécia (14%) Produção mundial de azeite de oliva em 2002: 2,4 milhões de toneladas (3,7 trilhões de litros) Maiores produtores de azeite de oliva: Espanha (39%), Itália (19%) e Grécia (17%) Comércio internacional: Azeitona e azeite de oliva movimentam US$ 205 bilhões/ano. O azeite representa 98% desse valor Maiores exportadores de azeite de oliva: Espanha, Itália e Grécia (80% das exportações) Fonte: Epamig

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azeite remontam há 6 mil anos. No Brasil, a espécie, trazida por imigrantes portugueses e espanhóis, está presente há mais de 200 anos, mas somente neste milênio a cultura passou a ser vista como uma possibilidade de negócio. Minas Gerais largou na frente, ainda no meado do século passado, adaptando a árvore às condições brasileiras, e nos últimos anos Rio Grande do Sul, Vale do São Francisco e Santa Catarina iniciaram testes de plantio com diferentes variedades, devido às excelentes perspectivas de negócio relacionadas ao azeite de oliva, tanto no mercado nacional quanto internacional. O consumo só tende a crescer no mundo todo – a índices que nos últimos anos têm beirado os 15% –, sem que o preço deixe de ser atrativo para o produtor. Cada vez mais são comprovadas propriedades medicinais e nutritivas do azeite de oliva, como poder antioxidante, prevenção de arteriosclerose, melhoria do funcionamento do estômago e do pâncreas, diminuição do colesterol, facilitação da absorção de cálcio, proteção e tonificação da pele, entre outras, o que leva os consumidores a pagarem por volta de US$ 10 por litro de um produto de boa qualidade. Portugal, Espanha, Grécia e outros países europeus do Mediterrâneo, onde a planta tem origem e é cultivada comercialmente há séculos, já estão no limite de suas capacidades produtivas e, para manter a hegemonia no mercado, buscam novas terras, além-mar, como a Austrália e a América do Sul, principalmente Argentina e Chile, e agora o Brasil. A Argentina, procedência de 70% das importações brasileiras de azeite, já possui 60 mil hectares cultivados; o Chile, 10 mil hectares; e a Austrália, 20 mil hectares.

Linha Direta Dorli Da Croce (49) 3361-0600 Enilton Coutinho (53) 3275-8146 Nilton Caetano de Oliveira (35) 3662-1227


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Miguel Abuhab

LAURO MAEDA

Perfil

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O visionário do ganha-ganha Ter sucesso na vida e nas empresas é importante, mas não é tudo. O sonho do chairman da Datasul é contribuir decisivamente para que o Brasil também atinja a auto-superação Miguel Abuhab é um visionário. Tem a capacidade de identificar janelas de oportunidades e também soluções para problemas que impedem a realização de sonhos, como a de um Brasil melhor, com economia competitiva em nível mundial e justiça social. Na sua vida e no universo de suas empresas, a Datasul, a Neogrid, a DataMedical e a Goldratt Consulting, ele já alcançou esses objetivos. “O sucesso está ligado à perseverança, à motivação, a muito trabalho e abdicação de muita coisa. E o segredo está na satisfação do cliente e na motivação da equipe. Toda relação comercial tem que ser ganha-ganha”, diz o filho de pai israelense e mãe turca, nascido em São Paulo (SP) em 1944 e radicado em Joinville (SC) desde 1968. Como engenheiro mecânico formado pelo Instituto de Tecnologia Aeronáutica (ITA), em 1968, Abuhab aprendeu a resolver problemas. Foi o que ele fez desde que entrou na Cônsul, naquele mesmo ano, principalmente ao implantar nessa empresa um sistema de planejamento da produção por computador, em 1972, quando essa máquina começou a se tornar conhecida pelas empresas do Brasil. Durante essa época Abuhab já vislumbrava um novo nicho, do qual toda organização, especialmente as empresariais, dependeria no futuro. Quando a Cônsul foi comprada

pelo grupo Whirpool, em 1978, ele lançou o primeiro software nacional de gestão corporativa, dando origem à Datasul, hoje a maior companhia brasileira do ramo. Mas foi em meados da década de 80 que Abuhab tomou conhecimento de uma doutrina que mudaria a sua vida: a Teoria das Restrições (TOC, sigla para Theory of Constrains). A TOC é uma habilidade de pensamento, uma forma de raciocínio, exposta no best seller mundial A Meta, publicado em 1985 por seu idealizador, o físico israelense Eliyahu Goldratt – do qual ele viria a se tornar amigo na década seguinte e sócio há dois anos. Metodologia Segundo a TOC, a tendência humana é dividir os problemas em óbices menores para então resolvê-los, o que pode resultar apenas num ótimo local, gerando outros empecilhos fora desse ambiente. “É necessário visão de conjunto, uma visão holística, global, para se atingir um ótimo global”, diz Abuhab. “Todo sistema complexo tem uma simplicidade inerente. Não é preciso resolver tudo para melhorar o todo.” Uma vez identificado e resolvido o problema restritivo, os demais são resolvidos por decorrência. Da TOC derivam diversos conceitos de gestão empresarial, mais pode-

por

Alexsandro Vanin

rosos do que qualquer outro. Grande parte desses conceitos passou a ser incorporada aos produtos e serviços da Datasul, como seus sistemas de ERP, que hoje contam com mais de 80 mil usuários ativos no Brasil, na Argentina, nos Estados Unidos e no México. Ao longo de 17 anos após o livro ser lançado, seguidores da doutrina disseminaram a teoria e aplicaram os conceitos em vários países, obtendo resultados espetaculares. Há três anos, no entanto, o próprio Eliyahu Goldratt resolveu aplicar o conceito na prática, e no ano seguinte surgia a Goldratt Consulting, em São Paulo (SP), em parceria com Abuhab. Em junho de 2004 foi iniciado um projeto mundial, o Visão Viável, que tem entre seus objetivos a transformação do faturamento atual em lucro no prazo de quatro anos. A aplicação é iniciada com um seminário, em que Goldratt faz uma explicação aos empresários presentes. Daqueles que aderem ao projeto, é feita uma coleta de dados que são depois analisados pelo próprio Goldratt. As propostas sugeridas por ele são então apresentadas ao CEO da empresa e, se aceitas, é realizada uma reunião com todos os executivos para que as medidas a serem implementadas sejam um consenso entre todos. O projeto vem recebendo a adesão média de uma empreNovembro 2005 – Empreendedor – 39


Miguel Abuhab

sa por semana desde que foi lançado e as primeiras a aderirem já estão entrando na fase de operacionalização. O perfil adequado é o de média empresa, com faturamento anual acima de R$ 20 milhões. Múltiplas aplicações A TOC é válida também para a administração pública, principalmente para a descoberta de conflitos e o apontamento de soluções. “O Projeto Brasil Forte foi criado com base na metodologia TOC e nele foram apontadas três soluções para o país atingir o desenvolvimento econômico com justiça social”, diz Abuhab, idealizador do projeto. A Fiesp criou um grupo exclusivamente para avaliar as propostas feitas em setembro de 2004, que visam a melhora e o aumento do sistema de arrecadação, proporcionando mais formalidade à economia e estimulando o emprego: o número da conta bancária torna-se o do CNPJ ou CPF; o recolhimento dos tributos passa a ser feito na data de cobrança pela compulsória movimentação financeira através da rede

FOTOS LAURO MAEDA

Perfil

bancária, extinguindo os impostos declaratórios; e os tributos sobre o trabalho são eliminados e compensados pelo Imposto sobre Valor Agregado (IVA), que deve ter a mesma alíquota para produtos e serviços. A TOC não serve apenas para empresas e governos, ela é eficaz na vida de qualquer pessoa. Por isso Abuhab iniciou em 2005 um projeto-piloto de educação em Joinville, em que são repassados os ensinamentos da TOC para crianças do ensino fundamental. “O objetivo é ensinar as crianças a pensar e resolver seus conflitos de forma global, sejam eles com seus amiguinhos ou com seus familiares.” O programa pode ser implementado por qualquer município que tiver interesse, como Maringá, que deve iniciar em breve os trabalhos. Basicamente, o programa é dividido em quatro tópicos básicos: como fazer que todos ganhem e ninguém perca; como transformar sonhos em realidade; como é possível mudar o futuro pessoal; e por que uma pergunta é melhor do que uma resposta.

Por uma nova tributação Pela Teoria das Restrições, defendida por Miguel Abuhab e o Projeto Brasil Forte, resolver o problema tributário ajudaria a criar soluções em outras áreas. A proposta é não cobrar impostos pela circulação de mercadorias nem declaratórios: eles podem ser cobrados no pagamento do bem ou serviço através do sistema bancário e ser arrecadados por meio da retenção na fonte pela transação mercantil; agências bancárias não devem operar como bancos independentes, pois são centralizadas em uma única base de dados; e não devem ser cobrados impostos pelo trabalho, pois o custo dos desempregados do país é maior que os tributos sobre o trabalho arrecadados. Segundo Abuhab, as regras e práticas não acompanharam a evolução tecnológica por causa da ortodoxia – tudo o que fazemos, mas não sabemos por que e continuamos fazendo mesmo assim.

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Antes certas regras eram necessárias porque existiam barreiras, mas hoje grande parte delas poderia ser descartada por causa das tecnologias que surgiram e eliminaram essas barreiras. Isso acabaria com os efeitos indesejáveis da economia, com exceção à alta carga tributária. Neste caso, é preciso determinar um valor máximo de arrecadação em relação ao PIB, que uma vez atingido dispararia a diminuição de alíquotas. “O imposto hoje é pesado para quem paga, mas, quando todos pagam, é possível pagar menos.” Como estratégia complementar, é necessário estudar uma forma de anistia para aquelas empresas que precisem formalizar recursos não-declarados, como uma taxa pré-definida, e uma regra de transição por causa da modificação no fluxo de pagamentos de tributos – que passariam a ser pela cobrança –, possivelmente um escalonamento. www.projetobrasilforte.com.br

Instalações da Datasul: empresa é reconhecida como um dos melhores ambientes de trabalho do Brasil


Linha do tempo 15/05/1944 Miguel Abuhab nasce em São Paulo, filho de pai israelense e A responsabilidade social, aliás, é uma constante na sua vida. Abuhab dedicase a “derrubar barreiras e quebrar ortodoxias”, como ele mesmo define, em favor da comunidade. Ser funcionário de uma de suas empresas é ter certeza de estar num dos melhores ambientes de trabalho do Brasil, conforme reconhecimento prestado à Datasul nos últimos três anos pelo Guia Exame, da Editora Abril. Ele apóia projetos sociais dedicados à educação ambiental e preparação para o mercado de trabalho, como o Instituto Harmonia na Terra, o Projeto Resgate, o Lar de Meninos João de Paula, o Projeto EducAção, o grupo Depende de Nós e a Gincana Datasul Solidária. Buscar a satisfação de seus parceiros, sejam eles funcionários, clientes ou simplesmente compatriotas, é talvez a grande marca, entre tantas, de Miguel Abuhab.

mãe turca.

1968

Forma-se em engenharia mecânica pelo ITA. Consegue seu primeiro emprego: na Swissconsult, especializada em organização, reorganização e planejamento industrial.

1968-1972

Passa a atender a conta da Cônsul como gerente de projeto. Torna-se assessor da diretoria para desenvolvimento organizacional e implanta um sistema de planejamento da produção por computador.

1978

Funda a Datasul, em Joinville, e lança o primeiro software nacional de gestão corporativa.

1988 1997

Recebe o Prêmio Destaque Empresarial da Associação Nacional dos Executivos em Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).

1998

A Datasul se associa aos fundos de investimentos South America Private Equity Growth Fund, representado pelo Baring Latin America Partners, e South America Private Equity Growth Fund Coinvestors, representado pelo BPE Investimentos.

1999

Adota o sistema de franquias com conceito de colaboração entre empresas. Funda a Neogrid, em Joinville.

2003

Deixa o comando da diretoria executiva e assume a presidência do Conselho de Administração. Funda a Goldratt Consulting, em São Paulo, em parceria com o físico israelense Eliyahu Goldratt, autor da Teoria das Restrições. Funda a DataMedical, em Joinville, para desenvolvimento de softwares na área da saúde.

2003-2004

É escolhido o Empreendedor do Ano, na categoria tecnologia, premiação realizada pela Ernst & Young. Termina a parceria com os fundos de investimentos com a recompra da parte acionária referente ao aporte de capital. Recebe a Medalha do Conhecimento, premiação oferecida pelo MDIC, junto com a CNI e o Sebrae.

2005

O sistema da Neogrid passa a ser recomendado pelo Dr. Goldratt a seus clientes no projeto Visão Viável em todo o mundo.

Linha Direta Miguel Abuhab (47) 2101-7000 www.miguelabuhab.com.br

Lança o primeiro sistema gerencial no Brasil em linguagem de quarta geração e banco de dados relacional.

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Pequenas Notáveis VALTER CAMPANATO/AGÊNCIA RADIOBRAS/21-10-2005

Edição: Alexandre Gonçalves alexandre@empreendedor.com.br

PALAVRA DE MINISTRO

Palocci vê novo Brasil com aprovação da Lei Geral das MPEs

A garantia é do homem-forte do Governo Lula, o ministro da Fazenda, Antônio Palocci: a partir de janeiro de 2006, o Brasil viverá outro momento em matéria de tributos para as micro e pequenas empresas, numa referência à possível aprovação, ainda este ano, do anteprojeto da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas. “Neste momento, o governo, o Sebrae e outras instituições estão discutindo a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas. Penso que nós vamos conseguir construir entre aquilo que o Congresso aprovou (MP 255) e aquilo que está em estudo pelas entidades e pelo governo: uma solução consolidada para uma tributação melhor para todas as

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microempresas do Brasil”, afirmou Palocci. O anteprojeto se encontra em fase de análise pelo Congresso Nacional e Governo Federal. A afirmação de Palocci aconteceu no dia 31 de outubro, durante a solenidade de abertura do Fórum Nacional Sistemas de Garantias de Crédito, em São Paulo, iniciativa do Banco Central, Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e Sebrae. O ministro falou para uma platéia com cerca de 150 convidados e além da certeza de um novo Brasil com a aprovação da Lei Geral das MPEs, ele também defendeu o aproveitamento da estabilização macroeconômica como estratégia capaz de viabilizar a adoção de políticas mi-

croeconômicas ativas de estímulo ao aumento da produtividade, à difusão de novas tecnologias, ao desenvolvimento do mercado de crédito, à melhoria do ambiente de negócios e aos incentivos ao empreendedorismo no Brasil. Segundo ele, no Brasil, o mercado de crédito não exerce de forma adequada a sua função de finalizar os fluxos de poupança para o financiamento dos investimentos produtivos. Assim, o mercado de crédito apresenta números reduzidos nas suas operações, na proporção em torno de 25% do nosso produto, o que é baixo em relação a outros países em desenvolvimento, como o Chile, que já atingiu 54%.


O espaço da micro e pequena empresa

Ministro avalia acesso à crédito Em sua palestra no Fórum Nacional Sistemas de Garantias de Crédito, o ministro Antônio Palocci avaliou que o baixo desenvolvimento do mercado de crédito brasileiro é decorrente da ação de fatores, como incertezas geradas por políticas macroeconômicas, problemas institucionais e insegurança do BID nas operações, elevado índice de inadimplência, principalmente na aplicação de títulos de recursos públicos que oferecem alta liquidez, baixo risco e elevada rentabilidade. Segundo o ministro, todos esses fatores são responsáveis por um maior grau de exigências das garantias reais de financiamento, o que aumenta as taxas de juros, ao mesmo tempo em que reduz ainda mais o acesso ao crédito. “A dificuldade de acesso aos empréstimos bancários tradicionais é uma característica comum aos pequenos empreendimentos. Entre as empre-

TOME NOTA

sas recém-abertas, algumas poucas conseguem obter empréstimos bancários”, afirmou o ministro. Diante desse quadro, Palocci ressaltou que o Governo tem adotado uma série de medidas nos últimos anos para permitir maior acesso ao crédito, principalmente à população de baixa renda. Mas, essas iniciativas, quando direcionadas para as microempresas esbarram em dificuldades por causa das garantias reais. Nesse sentido, o ministro acredita que o Sistema de Garantias de Crédito é uma alternativa que pode viabilizar a expansão das carteiras de empréstimo, já que reduz as incertezas de informações e padroniza o relacionamento entre intermediários financeiros e os empreendedores de pequeno porte.

Empreendedoras – Estão abertas até o dia 27 de janeiro de 2006 as inscrições para a segunda edição do Prêmio Mulher Empreendedora, uma iniciativa conjunta do Sebrae, Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres e Federação das Associações de Mulheres de Negócios e Profissionais do Brasil (BPW). O objetivo do prêmio é divulgar ações empreendedoras gerenciadas por mulheres ou grupos de mulheres. No ano passado, mais de 700 projetos de todo o Brasil se inscreveram ao prêmio. Neste ano, o prêmio está dividido nas categorias Proprietárias de micro e pequenas empresas e Cooperativas e associações formadas por mulheres. As vencedoras, uma de cada região em cada categoria, vão participar de um evento de empreendedorismo de grande porte, além de receber como prêmio uma viagem nacional. Maiores informações nas unidades estaduais do Sebrae.

Sobre sistemas de garantias de crédito, leia no site Empreendedor a reportagem “Garantia forte pode derrubar juros para pequenas e microempresas”. Digite: www.emprendedor.com.br/garantiasdecredito.php

MP DO BEM

O diretor-técnico do Sebrae, Luiz Carlos Barboza (foto), considera extramente positiva a aprovação da nova MP do Bem, a MP 255, especialmente no que se refere à atualização dos valores do Simples, que dobra o teto da receita bruta anual das microempresas de R$ 120 mil para R$ 240 mil, e o das pequenas de R$ 1,2 milhão para R$ 2,4 milhões. Mas ele destaca que é preciso “tomar cuidado” em relação à passagem das empresas para o lucro presumido. “Quando a empresa começar a crescer e chegar aos limites máximos do Simples, é preciso que essa mudança de patamar para o lucro presumido seja feita de maneira suave e

MÁRCIA GOUTHIER/AGÊNCIA SEBRAE

Avaliação é positiva, mas Lei Geral ainda é necessária

natural e não um obstáculo ao crescimento das empresas”. Segundo Barboza, a MP 255 tratou exclusivamente do limite de faturamento. Por isso, é preciso continuar o esforço para a aprovação do anteprojeto da Lei Geral das Micro e

Pequenas Empresas. “O anteprojeto contempla o escalonamento das alíquotas, além de vários outros pontos importantes para o desenvolvimento dos pequenos negócios”. Sobre os benefícios da MP 255, o gerente de Políticas Públicas do Sebrae, Bruno Quick, diz que “a MP traz um novo patamar para a conceituação de micro e pequena empresa, dobrando o limite para efeitos tributários”. Quick também cita que a desoneração das exportações, prevista na medida, tem reflexos menores sobre os pequenos negócios. “Mesmo assim, estimula o segmento a buscar o mercado externo”. Novembro 2005 – Empreendedor – 43


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Caderno de

Empresas de telefonia móvel gastaram mais de US$ 100 bilhões só em licenças de concessões da terceira geração dos celulares (conhecida como 3G)

Conexões ilimitadas Convergência virou palavra da moda nas rodinhas de executivos de TI, na Futurecom, realizada em Florianópolis, de 23 a 27 de outubro: significa integração entre várias plataformas e tecnologias e também a disputa entre gigantes da área de tele-

mesmo é que características como formato digital, banda larga, redes IP e conexões sem fio são mais do que tendências, mas uma realidade. Mas será que vai ser possível conversar no celular a custo zero, como milhões de pessoas já fazem pelo computador? Futurecom destaca convergência entre o Ou ter acesso à celular e redes sem fio de alta velocidade internet de alta velocidade denfonia, televisão e internet pelo mes- tro de um carro, no metrô ou mesmo mo mercado. A cada dia é anuncia- num piquenique no parque, através do um novo serviço, sempre acom- das ondas de rádio? Essa é apenas panhado da promessa de qualidade uma das possibilidades da wimax, e redução de custo. Mas, enquanto uma freqüência de rádio que permite prometem um futuro de sonhos, os a transmissão de dados em alta velofornecedores de tecnologia falam um cidade. Apesar de não ter entrado em idioma esquisito onde especificações atividade comercial no mundo inteitécnicas criam várias interrogações na ro, ela vem para ficar. Se as redes de cabeça dos consumidores. Certo celulares atuais vão ser abandonadas

CARLOS PEREIRA

Nº1

ou se o wimax vai complementá-las é a grande dúvida. A má notícia é que ninguém ainda sabe a resposta. A boa, é que o Brasil está entre os pioneiros na adoção da tecnologia. A TVA, companhia de tv a cabo, vai investir cerca de US$ 10 milhões na tecnologia wimax para conectar quatro cidades, São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre. “Com cerca de 14 células é possível fazer a cobertura total de uma cidade como São Paulo”, diz Amilton de Lucca, diretor de novos negócios da TVA. O Grupo Abril – controlador da TVA – também vai aproveitar essa via digital e fornecer informações de suas publicações e a previsão é atingir um raio de até 50 quilômetros, oferecendo uma velocidade de conexões de até 50 Mbps.

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FOTOS CARLOS PEREIRA

TI

Otávio Mello e André Vargas: velocidade é o diferencial A companhia também fechou uma parceria com a Intel, para aproveitar o know-how da empresa americana e facilitar a venda de novos computadores que suportem a tecnologia, sem precisar comprar um modem especial para conectar na rede. A TVA vai migrar os cerca de 10 mil usuários de sua operação sem fio para a nova tecnologia até o final do ano que vem. Quem também está testando a tecnologia é a Companhia de Pro-

Amilton de Lucca: US$ 10 milhões na tecnologia wimax

cessamento de Dados do Município de São Paulo (Prodam), que assinou um acordo com a Intel para integrar órgãos municipais com dificuldade para receber acesso tradicional. Não é o primeiro caso, a tecnologia wimax está em teste em vários projetos de cidades “iluminadas”. A mineira Ouro Preto, por exemplo, tem total cobertura via rádio em função de sua localização em área montanhosa. A Intel também doou os equipamentos para conectar Mangarati-

Mainframes japoneses Missão crítica é o jargão técnico para um componente, como um computador, que não pode parar de funcionar. Quando um servidor trava, milhões de reais podem se perder, seja em faturamento de serviços ou em má exposição da marca. São os mainframes, supercomputadores que garantem a disponibilidade de serviços e processos 24 horas por dia, sete dias por semana, 365 dias por ano. Um dos maiores fornecedores desse mercado no Brasil é a Fujitsu, que lançou na Futurecom o Primequest, o primeiro resultado da aliança firmada entre a Fujitsu e Intel para desenvolvimento de novos supercomputadores. A companhia japonesa – que tem no país clientes como Brasil Telecom, Vivo e Telemar – espera vender cerca de 30

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ba, localizada no litoral do Rio de Janeiro. “Estamos recebendo um assédio muito grande de prefeitos para fazer pilotos conceituais ou criar redes em diversas cidades. Mas sempre os alerto que não é ideal uma prefeitura investir em uma cobertura de rádio e depois abandonar a manutenção. É necessária a parceria entre o poder público e as empresas locais”, diz Roberto Miranda, diretor de marketing e vendas para a América Latina.

O 1.0 dos celulares máquinas até o final de 2006. O preço dessa maravilha varia entre US$ 800 mil e US$ 3 milhões. Este lançamento faz parte da estratégia da Fujitsu de ampliar suas ofertas para diferentes implementações de sistemas operacionais, como Sun-Solaris, Microsoft Windows, RedHat e Suse Linux, atendendo à demanda de clientes por soluções para ambientes de missão crítica. “O Unix ainda reina nesse mercado”, diz Rodrigo Ferreira, engenheiro de pré-vendas. Entre as vantagens do equipamento – que pode contar com até 32 processadores – é poder trocar componentes sem desligar a máquina. “Nossa assistência técnica pode ficar no local onde a máquina está operando”.

A Philips acredita que a melhor forma de convergência entre a telefonia fixa e móvel é a UMA, sigla em inglês para acesso móvel não licenciado, que combina as tradicionais redes GSM e CDMA com as facilidades do padrão sem fio de alta velocidade (wi-fi), tornando o aparelho celular e o telefone sem fio a mesma coisa. “Acreditamos que essas tecnologias não são conflitantes, mas sim complementares. Não deve haver canibalismo entre os dois padrões, até porque ainda é muito caro trocar a rede de um país inteiro”, diz Carlos Paschoal, gerente geral de marketing e produtos da Philips Semicondutores. A estratégia da Philips Semiconductors é estar alinhada com todas as vertentes


convergência A próxima versão do Centrino, chip da Intel, vai prestar suporte à wimax, mas a empresa não está sozinha, ela integra um consórcio de 350 empresas. Quando a Intel entrou no fórum, apenas 15 empresas participavam da discussões. “É bom contar com padrões abertos: se aproveita a expertise de vários players do mercado, não se paga royalties e pode ser replicado a custos adequados para gerar volume”, diz Miranda. A Motorola segue na tendência inversa e traz a premissa de que a melhor forma de fazer a migração é utilizar um protocolo proprietário que a companhia desenvolveu, o Canopy. “A grande pergunta que se deve fazer é se seu cliente pode esperar para o wimax entrar em operação”, diz Joeval Oliveira Martins, Gerente de Canais, América Latina e Caribe. A Motorola garante uma migração facilitada se o cliente quiser utilizar o wimax. Entre outras vantagens, a empresa garante que a sua solução não sofre com a interferência e permite uma maior segurança de rede. Tanto que a companhia já vendeu cerca de 15 mil rádios no Brasil e um dos cases mais importantes é o da Unimed, que integrou cerca de 500 cooperados em

uma única rede. “Antes eles passavam metade do tempo resolvendo problemas, hoje uma pessoa cuida de cerca de 400 pontos de rede”, diz Oliveira Martins, que não acredita numa convergência entre os padrões de telefonia e os sem fio. “Depende da experiência que o usuário queira. Se quiser trabalhar com dados, a melhor forma ainda é o laptop”. Outra empresa que também contribuiu muito para o desenvolvimento da tecnologia foi a Samsung, que vê no wimax uma oportunidade para vender soluções em todas as pontas – desde redes para o mercado corporativo, governos e telecom até terminais celulares, smartphones e PDAs. Luiz Ruffino, gerente comercial de redes, conta que a empresa participou de um engajamento do governo coreano para popularizar a banda larga sem fio no país, o WiBro. “Ela tem menos camadas do que outras tecnologias, como a de celulares, o que propicia um baixo custo para construir uma rede. Além de trazer terminais mais completos, com uma completa infra-estrutura de serviços é o caminho da 4ª geração dos celulares”, diz Ruffino, que espera ter

tecnológicas do mercado, com telefones sem fio analógicos de baixo custo ou digitais que visam a agregação de serviços e tecnologia. Outra solução é o Nexperia System, que em função da miniaturização e diminuição dos números de componentes, consegue ter o competitivo preço de US$ 30, integrando além de voz, sistemas de mensagens e rádio FM. A empresa vai vender a solução através de sistemas OEM, ou seja, manter a parceria com outros integradores. A expectativa é vender até 8 milhões de unidades em países como Brasil, China, Rússia e Índia. “É uma espécie de carro 1.0 dos celulares”, diz Peterson Roberto Santos, engenheiro de aplicações da Philips Semicondutores.

Carlos Paschoal e Peterson Santos: tecnologias complementares

100 mil usuários na Coréia em 2006. Ele enfatiza que as contribuições da Samsung ao wimax permitem total mobilidade, a ponto de se manter conectado num carro a 90 quilômetros por hora. “Quanto maior é a intensidade de uso, a mobilidade e intensidade acaba atraindo mais gente”, diz Otávio Mello, executivo da empresa. “A característica de se ter uma velocidade maior é um diferencial muito grande”, diz André Vargas, gerente de produtos da empresa. Os produtos da empresa vão contar com as mais diversas plataformas: Windows, Palm e Linux. A América Latina tem lugar de destaque nas expectativas da Samsung, depois da Coréia e os Estados Unidos. Isso porque, na Europa, as empresas de telefonia móvel gastaram mais de US$ 100 bilhões só em licenças de concessões da terceira geração dos celulares (conhecida como 3G) e ainda não tiveram um retorno financeiro. “Não me surpreenderia se a América Latina, correndo por fora, adotasse essa tecnologia antes dos europeus. E também não me surpreenderia se o Brasil fosse o pioneiro entre os latino americanos”. (Wendel Martins)

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TI

O vôo da vigilância Diminuir custos e riscos de vida é a finalidade do veículo aéreo não tripulado (Vant). A tecnologia, recém chegada ao Brasil, pode ter diversas aplicações, como telecomunicações, levantamento topográfico, agricultura de precisão, inspeção de reservas ambientais e vigilância em bordas de re-

DIVULGAÇÃO

ção e administração pública. A tecnologia vem sendo desenvolvida pela empresa há dois anos e o foco da sua primeira aplicação é voltado para as concessionárias de energia elétrica com a meta de capturar imagens que retratem o estado das torres e linhas de transmissão. Criada na Alemanha, durante a Segunda Guerra Segurança e monitoramento estão Mundial, a inovação entre as soluções proporcionadas pelo era usada apenas para fins militares, como Veículo Aéreo Não Tripulado (Vant) lançar bombas. Em presas. A estimativa é que a novidade 1982, durante a Guerra do Líbano, foi reduza 50% dos gastos comparados utilizada por Israel para reconhecer os aos serviços feitos com helicópteros, locais onde se encontravam as bateque podem chegar a R$ 1 milhão. A rias antiaéreas da Síria. Mas, muitos perspectiva do mercado mundial de especialistas consideram que o veíVant é atingir a cifra de U$ 8 bilhões culo teve, de fato, sua primeira misaté 2008. “Foram realizadas várias ava- são, somente vinte anos mais tarde, liações no mercado brasileiro e cons- quando os EUA lançaram o Predator tatada uma demanda em potencial de – veículo menor e com tecnologia uma série de serviços nos quais a tec- mais eficiente – e o empregaram na nologia pode ser utilizada”, diz Ader- campanha contra o terror no Afegabal Alves Borges, diretor de desen- nistão. Com o passar do tempo, a volvimento de negócios da FITec Ino- tecnologia foi sendo aperfeiçoada e vações Tecnológicas, centro brasilei- ganhando novas formas de uso, senro de pesquisa e desenvolvimento de do incluídas finalidades civis. produtos e soluções nas áreas de teAté o momento, foram investidos lecomunicações, TI, energia, automa- cerca de R$ 2 milhões no desenvolvimento dos Vants com recursos próprios da FITec e já estão sendo realizados testes para outras aplicações. Conforme Borges, atualmente está em discussão parcerias com o Instituto de Pesquisa da Marinha e com o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (Ita) para viabilizar novas formas de utilizar o veículo. Também há o planejamento de que, até final de janeiro de 2006, alguns acordos sejam fechados com empresas privadas que têm interesse em pôr no mercado produtos associados com a tecnologia ou que queiram vender o serviço no mercado. “Nossa intenção não é prestar diretamente o serviço, mas ser fornecedor da tecnologia”, diz o diretor. Os Vants voam programados e Borges: serviços 50% mais baratos orientados por Global Positioning em relação aos helicópteros System (GPS), sistema de posicio-

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Principais aplicações do Vant FINS CIVIS Levantamento topográfico Cartografia e Geoprocessamento Inspeção de reservas ambientais Agricultura de precisão Inspeção de redes de transmissão de energia Telecomunicações Vigilância de represas e barragens Locação e inspeção de obras e estradas Demarcação de terras Controle e planejamento urbano Monitoramento de tráfego Vigilância e policiamento Escolta de veículos Pesquisas climáticas Cobertura de eventos Mineração Aerolevantamento geofísico

FINS MILITARES Reconhecimento e localização de alvos Alvo aéreo autônomo Escolta de comboios Guerra eletrônica Vigilância Telecomunicações


novos negócios

Estação sem fio

namento por satélite com a função de determinar sua localização exata e auxiliar a navegação. Pela estação de controle em terra é possível ajustar qualquer desvio de rota. Nas situações em que há a perda do controle de vôo do equipamento, no caso de ventos fortes ou tempestades, um pára-quedas pode ser acionado para evitar a ocorrência de qualquer tipo de acidente ou avaria. O veículo também levanta vôo, pousa sozinho e tem, em média, 2,80 metros de envergadura. Pesa 8 quilos e pode transportar uma carga máxima de 3 a 5 quilos, suportando carregar, por exemplo, uma câmera. O peso varia de acordo com a função do seu uso e a precisão dos equipamentos. Para decolar e aterrissar, o modelo necessita de um terreno plano de aproximadamente 200 metros. A pista pode ser desde asfalto até de grama. Há mais de 10 anos no mercado, a FITec conta com 300 pesquisadores distribuídos em três unidades nas cidades de Campinas, Belo Horizonte e Recife. Para 2005, a estimativa é alcançar um faturamento de R$ 7 milhões e um crescimento de 20%. (Fábio Mayer)

do os princípios de foco e atendimento rápido às exigências de nossos clientes, fortalecimento de nossas capacidades de P&D para garantir aprimoramento contínuo e desenvolvimento de nossas redes móveis”, diz Shunmao Zhang, presidente da Linha de Produtos Wireless da empresa. Neste ano, até o momento, as venHuawei apresenta infra-estrutura das desta linha de móvel para rede de telecomunicações produtos, que estão no mercado brasileicações foram expostas em três cami- ro há sete anos, já contribuíram com nhões, integrantes do Truck Road 50% da receita total, o que corresShow, que já percorreu diversos paí- ponde a US$ 105 milhões. Como reses, como França, Espanha, Inglater- sultado do desempenho na área de ra, Alemanha, México e Venezuela. Os comunicações móveis, a empresa repróximos serão Argentina, Chile e Co- cebeu o prêmio Melhor Fornecedora lômbia. Essa foi a primeira demons- de Equipamentos Wireless, fornecido tração desse tipo no Brasil. pela no Frost and Sullivan Ásia PaciA empresa costuma investir 10% fic Technology Awards 2005. (FM) de sua receita global, estimada em US$ 5,58 bilhões, em pesquisa e desenvolvimento. Uma das tecnologias foi demonstrada em um caminhão dedicado a um tipo determinado de aplicação, a wireless 3G. Ela possibilita que os equipamentos funcionem sem fio e permite download em alta velocidade de vídeos, imagens, músicas, videoconferências e multiconferências. A Huawei tem cerca de 140 milhões de usuários distribuídos em mais de 70 países. “Continuamos adotan-

FOTOS CARLOS PEREIRA

A Huawei, provedora chinesa de produtos e serviços para infra-estrutura de rede de telecomunicações, apresentou, durante a Futurecom 2005, uma solução end-to-end (com todas as etapas de cadeia de telecom – desde handset à infra-estrutura) por meio de uma mini-operadora móvel. As apli-

Huawei: mini-operadora móvel exposta em caminhões do Truck Road Show Novembro 2005 – Empreendedor – 49


TI

O valor da fidelidade Uma das tendências debatidas na Futurecom foi a fidelidade, importante para qualquer empresa. O custo para reter um bom cliente é muito menor do que para conquistá-lo. Na área de telefonia móvel no Brasil, por exemplo, essa relação é de R$ 300 para R$ 0,50, segundo Celso Chapinotte, diretor regional da

os. O padrão escolhido foi o europeu, que permitirá em breve a gravação e escolha dos conteúdos. “O cliente vai passar a realmente escolher o que quer ver”. Para 2007, planeja-se o lançamento da IPTV. Segundo Tarcísio Ribeiro, diretor de marketing da Tellabs, em relação a serviços residenciais, o Triple-Play é o caminho. “É preciso disponibilizar cada vez Migração de clientes assusta as mais soluções competiempresas que esquecem de tivas para os usuários valorizar quem já fez sua escolha comuns. Eles querem a convergência”, diz Paul SAS. A cada ano, um terço da base Kievit, vice-presidente sênior da Phide clientes migra entre operadoras. lips. Uma pesquisa global da IBM e Em proporção menor, outros seg- da unidade de inteligência da revismentos de Tecnologia da Informa- ta The Economist indica que 80% ção (TI), afetados por este proble- dos executivos de telecomunicama, são os de provedores de ban- ções acreditam ser essencial adoda larga e TV por assinatura. tar a convergência dentro dos próUma das estratégias mais utiliza- ximos três anos como fonte de cresdas pelas empresas para evitar esse cimento da renda em longo prazo. problema é a inserção de novas tecProcurando oferecer pacotes nologias e o oferecimento de mais com melhor relação custo X benefíqualidade e quantidade de serviços cio, a TVA disponibiliza em São Paudecorrentes. A TVA, por exemplo, lo o serviço de telefonia (TVA Voz). adota esta postura. Na Grande São Até outubro, mil linhas já haviam sido Paulo, e no ano que vem no Rio de instaladas e se espera chegar ao fim Janeiro, seus clientes já terão à dis- do ano com 3 mil linhas, procura posição a TV Digital. “Tivemos que decorrente das tarifas mais baixas nos antecipar à regulamentação, do que as praticadas pelas operapois o mercado exigia”, diz Amilton doras comuns: R$ 0,09 por minuto de Lucca, diretor de novos negóci- nas ligações locais, R$ 0,19 por mi-

Boehling: priorizar interesses e zelar pela segurança

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Lima: clientes desejam funcionalidade nuto nas ligações nacionais e R$ 0,16 por minuto nas ligações internacionais (valores sem impostos). “Os serviços decorrentes de novas tecnologias são oportunidades para continuarmos a competir no mercado e o posicionamento atual é buscar a fidelização dos clientes”, diz De Lucca. A Vivo também aposta em tecnologias inovadoras e qualidade dos serviços, tanto que se aliou à Nokia para desenvolver novos aparelhos. “Garantimos assim as funcionalidades que nossos clientes desejam em seus telefones”, diz Roberto Lima, presidente da Vivo. São aparelhos e serviços da terceira geração da telefonia celular disponíveis em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Florianópolis. Baseados na tecnologia CDMA 3G EV-DO, esses dispositivos

Esther: atenção na relação entre preço e qualidade


FOTOS CARLOS PEREIRA

tendências

Kievit: soluções competitivas para usuários comuns permitem acesso a conteúdos multimídia, como vídeos, músicas, imagens, TV e até jogos em três dimensões, por meio de downloads ou streaming com velocidade de transmissão de até 2,4 Mbps. A Claro busca a fidelização de seus clientes por meio de estratégias de marketing e relacionamento, como o Claro Clube, programa de pontos e vantagens que proporciona descontos em novos aparelhos, milhas em vôos e estabelecimentos conveniados. Mas não deixa de lado a parte tecnológica e nem a de suporte das operações, como a cobertura. “O cliente deve ter mobilidade, ir aonde quiser sem ter medo do celular não funcionar”, diz Francisco Oliveira, diretor regional. Entre as facilidades, destacam-se a Portabilidade Agenda (mesmo número entre aparelhos Claro), a segurança anti-clonagem, o roaming mais barato e o Claro Idéias (pacotes de serviços), além de ferramentas para o mercado corporativo, como Gestor Online, Claro Direto (comunicação via rádio) e o Claro Corp (acesso remoto a documentos e e-mails). “Procuramos ganhar e reter clientes com uma receita de serviços de qualidade, cobertura abrangente, segurança e bom atendimento”, diz Roberto Guenzburguer, diretor de marketing. As dificuldades das operadoras em manter clientes tendem a aumentar com a adoção da portabilidade, pre-

Guenzburguer e Oliveira: cobertura abrangente

vista para 2007. A novidade vai permitir que uma pessoa troque de operadora e permaneça com o mesmo número, o que deve intensificar o churn (migração da base de clientes entre operadoras) em até 2,5% (indicador que no Brasil, atualmente, está em 30% ao ano), segundo Esther Garces, sócia-diretora da DMR Consulting. A tendência é que os preços caiam com o acirramento da competição e o número de serviços oferecidos aumente, com maior qualidade em longo prazo, apesar do provável aumento de reclamações no período de implantação. “Para obter vantagem, as operadoras precisam lançar programas de captação e fidelização e prestar atenção na relação preço e qualidade”, diz Esther. Segundo Celso Chapinotte, executivo da SAS, é preciso ampliar a capacidade analítica das empresas de telecomunicação e melhorar seus processos de comunicação interna e a troca de informações entre os diferentes setores. No Brasil, onde em média uma operadora precisa manter um cliente por dois anos para começar a ter lucro, um dos principais objetivos é reduzir o churn e aumentar a receita por usuário (ARPO, hoje entre R$ 15 e R$ 20), o que exige conhecimento do ciclo de vida do cliente, quem são os clientes rentáveis e quais são aqueles propensos a deixar a operadora, por quais motivos, entre outras questões. “As operadoras precisam pa-

rar de usar uma metralhadora giratória e começar a usar um rifle de precisão para conquistar e manter aqueles que dão retorno”, diz Chapinotte. O alvo é definido com soluções poderosas de gerenciamento de informações, como as oferecidas pela SAS e pela Computer Associates (CA). No caso específico da telefonia móvel, Michael Marks, vice-presidente da CA, cita três fatores que fomentam o churn: “design e funcionalidade dos aparelhos, preços mais baratos e qualidade dos serviços”. As soluções de gerenciamento, utilizadas em conjunto pelos departamentos de TI, marketing e novos negócios, permitem a redução de custos operacionais e de capital, a melhora do nível de satisfação do cliente, a redução do número de reclamações e a geração de serviços lucrativos. Já para a área de banda larga, a elaboração de estratégias é facilitada pela possibilidade de monitoramento do comportamento do usuário final, segundo Marks. “É essencial saber quem é o cliente e o que ele realmente quer”, diz Rainer Boehling, executivo da Sandvine. Esse conhecimento permite direcionar serviços e aplicativos que o cliente procura e pelos quais ele realmente paga, destinando banda suficiente e, conseqüentemente, qualidade ao priorizar seus interesses e zelar pela segurança na rede. (Alexsandro Vanin)

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TI

produtos

Por Carol Herling (carol@empreendedor.com.br)

Preço x vantagens A Telsinc, uma das principais parceiras da Cisco Systems no Brasil e líder mundial em soluções para o mercado SMB, participou pela primeira vez da Futurecom e fez simulações em tempo real de suas soluções IP. Cláudio Akira, diretor de TI da Telsinc, participou da palestra, que teve como tema a opção do consumidor de operadoras de telefonia IP. As estatísticas levadas pelo executivo ao evento mostraram o perfil do consumidor nacional, que prioriza a menor tarifa em detrimento das vantagens do sistema. www.telsinc.com.br

Celular para as empresas Após lançar com exclusividade, em janeiro deste ano, o BlackBerry 7320, a TIM apresentou na Futurecom dois novos modelos – o BlackBerry 7290 e o BlackBerry 7100g – que também proporcionam o acesso a e-mails corporativos. Os dois aparelhos são, ao mesmo tempo, gerência das redes de informações pessoais e celulares quadri-band (que operam em qualquer rede GSM/GPRS nas freqüências 850, 900, 1800 e 1900 mhz). Com tecnologia Bluetooth para utilização exclusiva em fones de ouvido sem fio, os novos modelos da TIM têm memória interna de 32mB, possibilidade do uso de mais apli-

cações (como operação em plataforma Java) e ainda teclas númericas com cores diferenciadas para facilitar a identificação. Com o BlackBerry, o empreendedor pode ler e responder e-mails, inclusive anexos em Excel, Word e PowerPoint. www.tim.com.br

FOTOS CARLOS PEREIRA

Muitos dados em pouco espaço

Modem multifunções A Siemens, que completou seu centenário em plena Futurecom, levou ao evento produtos com previsão de lançamento para 2006. Um deles, que está em fase de homologação no Brasil, é um “modem híbrido”, que agrega acesso ADSL, tecnologias Wi-Fi e VoIP e base para telefone Dict (sem-fio). A novidade, que estará disponível nas operadoras de telefonia e Internet até julho do próximo ano, tem como proposta agregar serviços e diminuir custos do empreendedor. Com design futurista, o modelo ocupa pouco espaço físico no escritório. www.siemens.com.br

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Definido pelo fabricante como um “motor de base de dados históricos muito grandes”, o Teramanager armazena e indexa qualquer quantidade de registros históricos em uma fração de espaço requerida por um banco de dados dinâmico, sem perda considerável de performance. Entre as vantagens apresentadas pela empresa argentina Tesacom, que levou a novidade ao evento, estão a ve-

locidade nos acessos, a otimização do espaço (em média 15% menos do que o espaço necessário para um banco OLTP) e a existência de ferramentas próprias para a análise de índices. Outro benefício é a redução de custos com sistemas de informática, uma vez que a solução é adaptável à plataforma existente – seja Windows, Linux ou Unix. www.tesacom.com.br

Alternativas de conexão O Digi Connect Wan é outra alternativa ao sistema tradicional de redes e ideal para locais que não permitem a utilização de tecnologia wired (linha dedicada/frame relay, CSU/DSU e T1 Fracionada) ou onde alternativas de conexão sejam necessárias. O diferencial deste produto, que no Brasil é distribuí-

do pela Integral Sistemas, é a utilização do Cartão SIM (o “chip” dos celulares) e para acesso à Internet pelo sistema GSM, proporcionando ao usuário a comunicação de dados TCP/IP wireless em alta performance. Basta ao usuário introduzir o chip e plugar um cabo de rede ao Digi Connect Wan para fazer a conexão. www.integral.com.br


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Franquia Total

Suplemento Especial da Revista Empreendedor – Ano V – Nº 50

Beleza e educação: união que deu certo Uma rede de salão de beleza vende, além de cosméticos, a formação profissional na área de imagem pessoal A demanda por formação profissional é crescente no país e em todo o mundo, pois as relações de emprego mudaram, as empresas valorizam quem pode agregar resultados e mais pessoas sonham em ter seu próprio negócio. Aliada a esta necessidade de mercado, a rede de franquias Instituto Embelleze nasceu dentro do ramo em que já atuava como indústria, o de cosméticos. Ou seja, passou a ensinar como devem ser usados os produtos que fabrica e aperfeiçoar sua aplicação. O resultado é uma rede de escolas de beleza que já soma 106 unidades e quer chegar a 500 nos próximos cinco anos. O Instituto Embelleze é fruto de uma sociedade entre a Embelleze, indústria com 36 anos de atuação no segmento de beleza, com a Microlins, rede de 650 escolas de ensino profissionalizante no país. Com o objetivo de educar na área da beleza, da imagem pessoal, da arte, da moda e do bem-estar das pessoas, o Instituto Embelleze foi fundado em 1998 em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, e desde então vem atuando na formação de profissionais de beleza. Foram mais de 15 mil cabeleireiros e auxiliares,

Para fazer parte da rede Perfil do franqueado: A principal característica exigida dos candidatos é ser empreendedor, ter vontade de vencer, gostar da área de beleza e ter capital para investimento. Treinamento: Todos os franqueados passam por um treinamento de oito dias na unidade-piloto da rede, localizada no Rio de Janeiro. Os novos empresários realizam cursos e aprendem técnicas de gestão de negócios e processos pedagógicos, métodos de captação de alunos, etc. O Instituto também oferece durante cinco dias, para os orientadores técnicos das franquias e os gestores comerciais, treinamento que trata das peculiaridades dos cursos de beleza. SERVIÇO Investimento inicial: De R$ 99 mil a R$ 189 mil, dependendo do porte da cidade (inclui taxa de franquia, aquisição de mobiliário, equipamentos e acessórios e previsão de obras). Taxa de franquia: A partir de R$ 25 mil (inclui aprovação do ponto comercial, layout da unidade, programa de treinamento, parceria educacional e tecnológica permanente, propaganda cooperada, campanhas de marketing e assessoria de imprensa). Faturamento médio: Aproximadamente R$ 60 mil (a partir de seis meses). Capital de giro: R$ 20 mil a R$ 30 mil (dependendo do porte da franquia). Royalties: 8% sobre o faturamento bruto. Taxa de publicidade: 2% sobre o faturamento bruto. Retorno do investimento: 18 meses. Tamanho: De 230 m² a 315 m², iniciando com duas salas de aula, um salão de beleza e revenda de produtos de beleza. Colaboradores: 14 (sendo 6 no atendimento comercial, 4 na administração, 1 na orientação técnica, 4 no salão de beleza e número de instrutores variável com o número de turmas), considerando o negócio em seu início de operação. FOTOS DIVULGAÇÃO

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Franquia Total

Venda direta e franquia

Apesar de ser uma atividade antiga, a manicures e pedicures, maquiadores venda direta ganhou amplo espaço na e esteticistas formados em cinco anos economia brasileira há pouco tempo, com números que justificam o crescende atuação. te interesse de profissionais com vocaEm 2002 foi realizada a formatação pelo negócio. No primeiro semesção para iniciar no sistema de frantre deste ano, as chamadas vendas de chising e em 2003 começaram as priporta em porta movimentaram R$ 5,5 meiras operações das unidades franbilhões, de acordo com a Associação queadas. Hoje são 65 franquias em Brasileira de Vendas Diretas (Abevd). operação, 41 contratos fechados e 15 O resultado representa um crescimenmaster franqueados, que coordenam to de 22% em relação ao mesmo períoas franquias de sua região e recebem do do ano passado. todo o conhecimento desenvolvido e A grande maioria deste tipo de neaperfeiçoado ao longo dos anos e um gócio envolve produtos cosméticos. A suporte permanente na administração marca Akakia Brasil iniciou sua produção em meados do ano com o objetivo e expansão do negócio. de ser um sistema de franquias, mas Jomar Beltrame, membro do Contambém conta com vendedoras porta selho de Administração das Franquias a porta para incrementar as vendas de do Instituto Embelleze e vice-presixampu, condicionador, leave-on, body dente da Embelleze, destaca que o segsplash, sabonete líquido, desodoranmento de atuação da franquia é pratite e perfume em linhas femininas, mascamente inexplorado no mercado de culinas e infantis. De acordo com o difranchising, ele tem índice de cresciretor da Akakia, Guilherme Jacob, a mento de 20% no mercado de beleza procura por esse tipo de serviço auno país e é o sexto entre os consumimentou nos últimos anos devido ao redores de produtos de beleza. “Se soforço financeiro que as famílias buscam marmos os setores de educação e cosméticos, o faturamento ultrapassa a casa dos R$ 100 bilhões em um ano”, cializam produtos das diversas linhas da Embelleze. afirma Beltrame. “Cerca de 75% do faturamento das Ele acredita que o principal mercado do Instituto Embelleze é forma- franquias vêm dos cursos profissionado pelos jovens entre 18 e 25 anos lizantes; e os outros 25%, da venda de que ainda não descobriram suas re- produtos e serviços de salão”, afirma ais aptidões, mas querem trabalhar, José Carlos Semenzato, membro do colocar a “mão na massa” e praticar Conselho de Administração das Franquias do Instituto Embelalgum conhecimento. leze e presidente da MiAlém da inovação no crolins Franchising. segmento, a franquia “Nosso objetivo é apresenta um diferenpromover a especializacial competitivo: o ção no segmento de bemodelo três em um. leza, com a formação de Juntamente com os profissionais por meio cursos de formação de de cursos rápidos que profissionais da área permitam atuar no merda beleza, os mais de cado de trabalho em um dez cursos de aperfeicurto espaço de tempo”, çoamento para cabeleideclara Beltrame. reiros e os cursos de O Instituto Embellemanicure e maquiaze tem atuação em todo gem, as unidades ofe- Beltrame: setor cresce o Brasil. A rede possui recem serviços de sa- 20% ao ano e é pouco lão de beleza e comer- explorado pelas franquias franquias em operação

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em virtude das perdas provocadas pelo aumento do custo de vida. Para Jacob, o que elevou esse tipo de venda foram os treinamentos dados às candidatas a vendedoras, quase igual ao sistema de franchising. “Houve uma evolução nesse tipo de venda de cosméticos, que deixou de ser algo amador e simplório para se tornar uma atividade que exige qualificação”, disse. “Atualmente as consultoras demonstram conhecimento sobre os produtos e estão preparadas para convencer o cliente, o que resulta em mais vendas.” Em 2004 cerca de 200 mil brasileiros ingressaram no ramo. A renda média desses profissionais nos primeiros seis meses de 2005 foi de R$ 436, valor considerável em um país em que o salário mínimo é de R$ 300. Trabalhar com venda direta significa adquirir produtos de uma empresa com desconto e os revender ao público final. O investimento normalmente é baixo, as marcas já estão estabelecidas no mercado e a perspectiva de rendimento é bastante positiva.

nos Estados da Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. Em Pernambuco, que já tem uma franquia operando, a meta é chegar a 10 franquias em operação até o final do ano. Estão sendo investidos cerca de R$ 5 milhões no processo de expansão da rede. Com as novas unidades franqueadas este ano, serão gerados, no mínimo, 1,2 mil novos empregos diretos para profissionais no segmento de beleza, com vagas distribuídas entre cabeleireiros, manicures, pedicures, atendentes, vendedores e operadores de telemarketing. Desde sua inauguração, a rede já gerou 1,5 mil postos de trabalho.

Linha Direta Akakia (48) 3283-6000 Instituto Embelleze (21) 2493-7722


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Artesanato na franquia

Mundo da Empada Uma pequena loja de 60 m2 pode se transformar num grande negócio. Esta é a concepção do Mundo da Empada, uma empresa que nasceu em Florianópolis (SC) já com a visão de repassar o know-how para futuros franqueados e assim criar a rede que privilegia a qualidade do produto vendido. As empadas poderão ser produzidas em cada unidade franqueada, num processo que já está todo manualizado e formatado, incluindo treinamento e transferência de informações. O investimento inicial inclui taxa de franquia no valor de R$ 20 mil mais a montagem da loja em torno de R$ 40 mil

e R$ 5 mil de divulgação inicial, sem contabilizar o ponto comercial. Para o franqueador Marcos Viana Rego, o diferencial do Mundo da Empada são as receitas de qualidade aliadas a um local aconchegante mas de baixo custo. Junto com o cardápio de 37 sabores de empadas, doces, salgadas, com massa integral e assadas a cada 50 minutos, as unidades podem agregar valor com pastéis de forno, bolinho de bacalhau, pão de batata, pão de queijo, croquete de carne e tortas salgadas, além das bebidas, como café, chocolate, sucos e refrigerantes. (48) 3224-9644 ou www.mundodaempada.com.br

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NOVAS REDES

Franquia Total

A rede African Artesanato já possuía 15 lojas próprias espalhadas pelo país e este ano aderiu ao sistema de franquia. No mês de outubro foram inauguradas as primeiras lojas franqueadas, uma em Manaus (AM) e outra em Guarulhos (SP). O negócio começou em 1999 com uma única loja e hoje oferece mais de 7 mil produtos para artesanato, além de ensino, em cursos práticos, de 12 diferentes técnicas para realizar trabalhos manuais. A empresa investiu, entre 2004 e 2005, mais de R$ 100 mil na modernização visual da marca e das principais lojas da rede. Os sócios são três irmãos: Merav, Dotan e Davi Mayo. Com um faturamento anual acima de R$ 5 milhões, a empresa foi formatada para o sistema de franchising pela consultoria Francap. O segmento de artesanato, que abrange 8,5 milhões de trabalhadores em todo o país, segundo o Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior, permite que a empresa tenha planos agressivos. “Com o mercado promissor, acreditamos que nossa meta de abertura, de até 100 pontos-de-venda, poderá ser atingida em oito anos”, diz Merav. O investimento inicial é de R$ 80 mil a R$ 120 mil. (11) 3875-4900

A EM&T Escola de Música está expandindo a sua marca para Vitória (ES), onde inaugura a sua primeira unidade no formato de franquia. A unidade EM&T teve um investimento em torno de R$ 700 mil e tem estações de trabalho para aprendizado de diversos instrumentos, auditório com 150 lugares, loja de instrumentos e equipamentos musicais, loja de métodos em CD e DVD, cyberspace, cantina e áreas de convivência. O primeiro franqueado é Heitor Nogueira,

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um ex-aluno da escola que aprendeu a tocar bateria. Heitor e a EM&T escolheram Vitória para abrir a unidade por diversos motivos, entre eles por se tratar de uma capital localizada no Sudeste do Brasil com 1 milhão de habitantes na região metropolitana e com uma cena musical local forte. A EM&T tem planos de se expandir para outras capitais brasileiras e grandes cidades do interior. (27) 3227-2788

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Música na rede


CASA DA PHOTO

Por Sara Caprario franquiatotal@empreendedor.com.br

Dados no banco escolar A rede de escolas de idiomas Wise Up apostou R$ 1 milhão em um projeto de tecnologia. Desenvolvido pela Microsiga, o conhecido software Enterprise Resource Planning (ERP) vai ser o grande banco de dados da rede no Brasil e no exterior, com informações de todas as 108 escolas. A intenção é que o ERP dinamize o negócio, já que através deste banco de dados on-line será possível acompanhar a evolução financeira das unidades, a performance de professores, a eficiência das escolas, entre outras informações. “O ERP vai mostrar o cami-

nho do business inteligence, vamos extrair dados de forma inteligente, mapeando o que está acontecendo. A velocidade de reação da alta direção da Wise Up vai crescer muito”, diz o diretor-financeiro da rede, George Brandão. De acordo com o gerente de tecnologia, Marcos Teixeira, “após a implantação em quatro unidades com acompanhamento durante 30 dias, o ERP será implantado em todas as unidades próprias do grupo até dezembro. Em 2006, será a vez das franquias”. 0800-602-8002

Das finanças para o carro Edvaldo Ghirardelli atuou dez anos como gerente de uma instituição financeira pertencente a uma grande montadora de automóveis e foi transferido para Ribeirão Preto (SP), onde instalou também sua residência juntamente com sua família. Depois de dois anos na cidade, recebeu nova proposta de transferência, mas, desta vez, não aceitou porque tanto ele quanto sua esposa e sua filha apaixonaram-se por Ribeirão Preto. Edvaldo partiu, então, para a realização da compra de seu próprio negócio. “Queria algo ligado a automóveis, pela identificação que eu tinha com o segmento. Foi aí que fiquei sabendo que a Unidas estava à procura de um franqueado na região. Fiz meu cadastro pelo site, cheguei a ser um dos finalistas do processo de seleção e, finalmente, recebi a notícia de que era o escolhido para inaugurar a primeira franquia no novo modelo de negócio da empresa”, conta Edvaldo. Depois de passar por um treinamento que durou 40 dias, Edvaldo assumiu seu posto como proprietário da nova loja Unidas, que possui 120 m2 – num terreno de 1.000 m2 –, seis funcionários e novo projeto arquitetônico, que inclui o novo conceito e a logomarca da empresa. (16) 3917-5700 ou www.unidas.com.br

PERFIS EXEMPLARES

A opção do agrônomo Henrique Toledo, engenheiro agrônomo que comercializava insumos agrícolas para fazendas do interior do Mato Grosso, queria mudar de ramo de negócio e, depois de analisar várias franquias, optou pela Multicoisas por ser, segundo ele, organizada e ter experiência no ramo de utensílios e reparos. “A Multicoisas me cativou por vários aspectos: sinceridade dos gestores; transparência nas atitudes; satisfação dos demais franqueados; missão da empre-

sa, que está de acordo com os meus princípios básicos de vida; proximidade entre os franqueados e os idealizadores do negócio; e, logicamente, viabilidade econômica”, diz Toledo. Com base em uma pesquisa realizada pela Multicoisas, o local escolhido para a instalação da loja, em São José dos Campos (SP), é promissor, porque o tipo de serviço oferecido pela franquia

atende perfeitamente as necessidades da grande maioria da população do Vale do Paraíba. Segundo Toledo, este conceito do negócio “faça você mesmo” com produtos específicos para organizar a casa e o escritório é novo na região e deve ter grande procura por clientes que buscam soluções para problemas domésticos de maneira simples e ágil. (12) 3941-5676 Novembro 2005 – Empreendedor – 59


Franquia Total Revistas e jornais A Space Box, módulo de comercialização de jornais e revistas, amplia a rede com rapidez. Com o objetivo de preencher uma forte carência no mercado brasileiro de comercialização de jornais, revistas e outros produtos em locais fechados de grande circulação, a Space Box é a única franquia no segmento. Os módulos possuem design futurístico e arrojado e, além de vender jornais, revistas, DVDs, brinquedos e balões, oferecem serviços diferenciados, como a opção de pa-

Pratos de coleção

gamento de contas de consumo, vendas de cartões telefônicos, recarga para celulares e até revelação de fotos digitais. (18) 2104-5594

Bit Company no exterior Os próximos meses serão decisivos para o processo de internacionalização da Bit Company, especializada em cursos técnicos e de informática, qualificação e educação profissional continuada. A rede contratou uma consultoria norte-americana, com filiais em diversos países, e está adaptando sua estrutura. “As informações de consultores que conhecem o mercado de nosso interesse é fundamental. Além de passar informações sobre a legislação de cada país-alvo, a consultoria também dá dicas sobre a cultura e os costumes locais”,

afirma o gerente de processos e infra-estrutura técnica da BIT Company, Fernando Cofiel. A rede, que tem 179 unidades no Brasil, negocia com interessados do México, Portugal e outros países de língua portuguesa. A meta é alcançar 80 unidades no México em cinco anos. A rede está integrada ao projeto desenvolvido pela Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) e pela Associação Brasileira de Franchising (ABF) para a divulgação e expansão de redes brasileiras no exterior. (11) 5908-4321

Curso de Linux A Microlins Franchising passou a oferecer o curso de Info-Linux, sistema operacional cuja utilização pelas empresas vem crescendo significativamente nos últimos anos devido à sua distribuição gratuita e por ser reconhecido como um dos sistemas operacionais mais seguros e confiáveis do mundo. Segundo pesquisa divulgada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), o Brasil movimenta hoje cerca de R$ 77 milhões por ano no chamado software livre, como tam-

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bém é conhecido o sistema Linux. Além disso, a utilização do Linux conta com o incentivo do governo e ele é cada vez mais usado em grandes, pequenas e médias empresas e por diversos órgãos públicos. Ao fazer o novo curso, o aluno Microlins estuda também, gratuita e simultaneamente, dois dos programas mais usados pelo mercado: o Star Office e o Open Office, equivalentes ao Office da Microsoft. (17) 3216-8700

A quarta etapa do Projeto Cultural Spoleto está em exposição nas unidades da rede. A campanha de fidelização consiste em presentear os clientes com pratos de porcelana pintados por artistas plásticos reconhecidos nacionalmente. Desta vez é Dudu Garcia, que escolheu o tema Tesouro Perdido e se inspirou na cultura pré-colombiana para pintar os pratos. A cada dez refeições, ou oito quando pagas com o sistema Visa, o cliente ganha um prato para colecionar. Além de difundir o trabalho de artistas brasileiros, a rede Spoleto acredita que ajuda a estimular a prática do colecionismo. Os mais de 100 restaurantes da rede estão participando da promoção e no Rio de Janeiro há uma exposição de serigrafias do artista Dudu Garcia. “As três campanhas anteriores distribuíram 75 mil pratos e nesta serão mais 35 mil exemplares”, conta Henrique Pamplona, gerente de marketing da rede. (21) 2187-8600 DIVULGAÇÃO


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F ranquia ABF Convenção anual do franchising reúne empresários do setor na Bahia Cerca de 400 pessoas participaram do evento promovido pela ABF

Grupo de congressistas

A 5ª Convenção ABF do Franchising, que aconteceu de 5 a 9 de outubro, no Club Med Itaparica, Bahia, contou com a participação de instituições públicas e privadas que queriam conhecer mais sobre o sistema e customizar produtos e serviços, especialmente para as redes de franquia. O evento contou com representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, INPI, Sebrae, Banco do Brasil, Visanet, empresas de tecnologia, agências de comunicação e marketing, empresas de embalagens, arquitetura, entre outros setores. “Essa tendência aponta a importância econômica que o setor atingiu no último ano e o aumento da representatividade da ABF no cenário nacional e no exterior”, afirma Artur Grynbaum, presidente da associação.

ABF Expo Service 2005 Reunir clientes e prospects em um único local é o principal atrativo da ABF Expo Service, feira de fornecedores que acontece em paralelo à convenção. A Antilhas apostou no evento para estreitar o relacionamento com seus atuais clientes, mas, nas três edições que participou, voltou para casa com novos negócios na bagagem. A AFRAS, associação recém-criada que estréia na expo service comemorou mais de 20 novas adesões durante o evento. O Portal do Franchising e a Revista Franquia ABF também gostaram do retorno obtido. Foram cerca de 20 novas assinaturas e mais de 15 novos anunciantes do portal. Além dessas empresas, também participaram da exposição a ABF Franchising Expo 2006, Brander Design & Comunicação de Marcas, Dwisebizz, Emplarel, Sebrae, Selo de Excelência em Franchising 2005, Sob Controle, TMS Call Center e Vestes.

Franquia Pública Aneli Dacás Franzmann, representante do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, explica porque a Franquia Pública é uma excelente alternativa para a prestação de serviços ao cidadão.

Aneli aposta na franquia pública para promover o sistema no país

ABF – Quais os principais benefícios da Franquia Pública? Aneli – A Franquia Pública pode ampliar e tornar o atendimento ao cidadão mais eficiente, sem a necessidade de investimentos. Mesmo com a participação da iniciativa privada, o estado mantém o controle da operação, bem como a marca de suas estatais.

ABF – Existe legislação específica para a Franquia Pública? Aneli – O novo projeto da Lei de Franquia, que se encontra na Casa Cívil, contempla o setor público e regulamentará as empresas que já operam no modelo, sem o amparo da lei.

ABF Expo Service 2005: Produtos e serviços específicos para o setor de franchising

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ABF – Qual o impacto da Franquia Pública para o franchising? Aneli – Além de aumentar o faturamento e o número de redes, a Franquia Pública tem o poder de disseminar ainda mais o franchising na sociedade. Outro benefício é a oferta de novas oportunidades de investimento para o capital privado.


FRANQUIAS EM EXPANSÃO Worktek Negócio: Educação & Treinamento Telefone: (19) 3743-2000 franchising@worktek.com.br www.worktek.com.br

Conquiste sua independência financeira! A Worktek Formação Profissional faz parte do ProAcademix, maior grupo educacional do Brasil detentor das marcas Wizard, Alps e Proativo. Tratase de uma nova modalidade de franquias com o objetivo de preparar o jovem para o primeiro emprego ou adultos que buscam uma recolocação no mercado de trabalho. São mais de 30 cursos, entre eles, Office XP, Web Designer, Digitação, Curso Técnico Administrativo (C.T.A.), Montagem e Manutenção de Computadores, Secretariado, Operador de Telemarketing, Turismo e Hotelaria, Recepcionista e Telefonista, Marketing e Atendimento ao Nº de unidades próprias e franqueadas: Cliente. 70 Entre os diferenciais da Áreas de interesse:: Brasil Apoio: PA, PM, MP, PP, PO, OM, TR, PF, Worktek está a qualidade do material e do método de enFI, EI, PN, AJ, FB, FL, CP, FM sino, além do comprometiTaxas de Franquia: entre R$10 mil e R$ 25 mil mento com a recolocação que Instalação da empresa: a partir de vai além das salas de aula atraR$ 30 mil vés do POP, Programa de Capital de giro: R$ 15 mil Orientação Profissional. Prazo de retorno: 36 meses

Zets Negócio: telefonia celular e aparelhos eletrônicos Tel: (011) 3871-8550/Fax: (011) 3871-8556 franquia@zets.com.br www.zets.com.br

Tenha uma loja em sua mão A Ezconet S.A. detentora da marca Zets é uma empresa de tecnologia e distribuição de telefonia celular e aparelhos eletrônicos que, através de um sistema revolucionário denominado “BBC” (business to business to consummer) agrega novos serviços e valores a cadeia de distribuição. Realiza a integração entre o comércio tradicional e o comércio virtual, fornecendo soluções completas de e-commerce e logística para seus parceiros. Franquia Zets: Foi criada com a finalidade de disponibilizar para pessoas empreendedoras a oportunidade de ter um negócio próprio com pequeno investimento, sem custos de estoque, sem riscos de crédito, sem custos e preocupação com logística. Como Funciona: O Franqueado tem a sua disposição uma loja virtual Zets/Seu Nome, para divulgação na internet, vendas direta, catalogo, montar uma equipe de vendas, eventos, grêmio. Quais Produtos são comercializados: Celulares e acessórios para celulares, calculadoras, telefoNº de unidades próp. e franq.: 20 nes fixos, centrais telefônicas, Áreas de interesse: Brasil acessórios para informática, baApoio: PP, TR, OM, FI, MP terias para filmadoras, baterias Taxa de Franquia: R$ 5 mil para note-book e câmeras digiInstalação da empresa: R$ 1.500,00 tais, pilhas, lanternas, filmes Capital de giro: R$ 5 mil para maquina fotográfica, cartuchos para impressoras, etc. Prazo de retorno: 6 a 12 meses A franquia estuda a inclusão de Contato: Shlomo Revi novos produtos. PA- Projeto Arquitetônico, PM- Projeto Mercadológico, MP- Material Promocional, PP- Propaganda e Publicidade, PO- Projeto de Operação, OM-Novembro Orientação sobre2005 Métodos Trabalho, TR- Treina- – – deEmpreendedor mento, PF- Projeto Financeiro, FI- Financiamento, EI- Escolha de Equipamentos e Instalações, PN- Projeto Organizacional da Nova Unidade, SP- Solução de Ponto

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FRANQUIAS EM EXPANSÃO Alps Negócio: Educação & Treinamento Telefone: (19) 3743-2000 franchising@alpschool.com.br www.alpschool.com.br

Oportunidade de sucesso Rede em ampla expansão Lançada em maio de 2001, a Alps faz parte do grupo ProAcademix, também detentor das marcas Wizard e Worktek. Atualmente, ela é a rede de franquias de idiomas que mais cresce no Brasil, com 101 unidades espalhadas por todo o país. O sistema Alps de ensino conta com metodologia desenvolvida nos Estados Unidos que utiliza avançadas técnicas de neurolingüística, em que o aluno é estimulado a desenvolver as quatro habilidades fundamentais para se comunicar na língua inglesa: conversação, compreensão auditiva, leitura e escrita. Assim, o aprendizado é feito de forma natural, rápida e permanente. A Alps conta com know-how administrativo e comercial, através de um sisteNº de unidades próp. e franq.: 101 ma exclusivo de enÁreas de interesse: América Latina, Estados sino, e dá assessoria Unidos, Japão, Europa na seleção do ponto Apoio: PA, PP, PO, OM, TR, FI, PN comercial, na adequaTaxas: R$ 10 mil (franquia) e R$ 12,00 por kit (publicidade) ção do imóvel e na Instalação da empresa: R$ 20 mil a R$ 40 mil implantação e operaCapital de giro: R$ 5 mil ção da escola. Prazo de retorno: 12 a 18 meses Contato: Ivan Cardoso

Babbo Giovanni Franchising Negócio: Pizzaria Telefone: 11-9985-4438 11-5573-0730 franquia@babbogiovanni.com.br www.babbogiovanni.com.br

Apetite por bons negócios? Rede de pizzaria no mercado desde 1917. Participe de um grupo de 88 anos de atuação. Receba nossa experiência na busca e escolha do ponto, treinamento ao franqueado, seleção e treinamento de funcionários, marketing cooperado e central de compras. Comer pizza para nós é um ritual de prazer. Todas as nossas unidades funcionam à noite, servindo as mais deliciosas pizzas, feitas de maneira artesanal, recheadas com os melhores ingredientes e assadas exclusivamente em forno à lenha. Tudo na frente dos clientes, nossa razão de ser. Todos os alimentos são preparados na própria cozinha do restaurante e o franqueado não depende de um abastecimento central. Os ingredientes são fornecidos por empresas de ponta, sempre aprovadas por nossa chefe-nutricionista. Nº de unidades: 9 Área de interesse: todo o Brasil O franqueado BABBO GIOApoio: AJ, EI, FI, MP, OM, PA, PF, VANNI tem a missão de dirigir PM, PN, PO, PP, TR, SP seu próprio estabelecimento, Taxas: franquia R$ 30mil; royalties sempre preocupado com o óti4%; propaganda 2%. mo atendimento a seus muitos Investimento total: R$ 300 mil clientes. Também é responsável Capital de giro: R$ 50 mil por compras, administração e Prazo de retorno: 36 meses marketing. Contato: Pedro Paulo Couto PA- Projeto Arquitetônico, PM- Projeto Mercadológico, MP- Material Promocional, PP- Propaganda e Publicidade, PO- Projeto de Operação, OM- Orientação sobre Métodos de Trabalho, TR- Treinamento, PF- Projeto Financeiro, FI- Financiamento, EI- Escolha de Equipamentos e Instalações, PN- Projeto Organizacional da Nova Unidade, SP- Solução de Ponto


Wizard Negócio: Educação & Treinamento Telefone: (19) 3743-2098 franchising@wizard.com.br www.wizard.com.br

Sucesso educacional e empresarial A Wizard Idiomas é a maior rede de franquias no segmento de ensino de idiomas* do país. Atualmente, são 1.221 unidades no Brasil e no exterior que geram mais de 15 mil empregos e atendem cerca de meio milhão de alunos por ano. A Wizard dispõe de moderno currículo, material altamente didático com proposta pedagógica para atender alunos da educação infantil, ensino fundamental, médio, superior e terceira idade. Além de inglês, ensina espanhol, italiano, alemão, francês e português para estrangeiros. A Wizard é Nº de unidades: 1.221 franqueadas também pioneira no Áreas de interesse: América Latina, EUA e ensino de inglês em Europa Apoio: PA, PM, MP, PP, PO, OM, TR, PF, FI, EI, Braille. PN, AJ, FB, FL, CP, FM Taxas de Franquia: entre R$10 mil e R$ 32 mil Instalação da empresa: a partir de R$ 50 mil Capital de giro: R$ 15 mil Prazo de retorno: 24 a 36 meses

* Fonte: Associação Brasileira de Franchising e Instituto Franchising.

PA- Projeto Arquitetônico, PM- Projeto Mercadológico, MP- Material Promocional, PP- Propaganda e Publicidade, PO- Projeto de Operação, OM- Orientação sobre Métodos de Trabalho, TR- Treinamento, PF- Projeto Financeiro, FI- Financiamento, EI- Escolha de Equipamentos e Instalações, PN- Projeto Organizacional da Nova Unidade, SP- Solução de Ponto


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Guia do Empreendedor Por Carol Herling carol@empreendedor.com.br

Inédito no país, o Programa Viva Ativo faz o levantamento dos índices de qualidade de vida dentro das empresas Nos últimos cinco anos, a preocupação com os índices de qualidade de vida dentro das empresas deixou de ser estratégia de marketing e se tornou um caminho para garantir ao empreendedor a manutenção da produtividade e a satisfação dos funcionários com as políticas internas de trabalho. Em contrapartida, o número de estressados no país aumentou. Atualmente, cerca de 70% dos brasileiros que estão trabalhando sofrem de stress, de acordo com um estudo feito pela IsmaBR (International Stress Management Association). Segundo a pesquisa, o maior desafio dos departamentos de RH no Brasil é detectar com precisão os aspectos que dificultam o estabelecimento de uma vida saudável e usar esses dados em ações que gerem benefícios não só ao funcionário, mas também à empresa. Para o médico e pesquisador Renato Romani, o problema de mapeamen-

to e acompanhamento das informações pode ser resolvido através do Programa Viva Ativo, solução que lançou no último Congresso Brasileiro de Qualidade de Vida (realizado em setembro deste ano, em São Paulo). Desenvolvida em conjunto com seus três sócios, a idéia combina medicina, psicologia, nutrição e educação física e ainda propõe soluções fiéis à realidade da empresa e personalizadas à cada funcionário. “O diferencial do programa é que ele dá subsídios ao empreendedor para orientar quem quer viver melhor sem que o funcionário se sinta prejudicado com o uso das informações”, diz Romani. Para o médico, o segredo é, literalmente, a alma do negócio. “Quando o programa é implantado, o departamento de RH recebe relatórios mensais com porcentagens, ou seja, a empresa fica sabendo, por exemplo, quantos fumantes ou hipertensos integram a

Romani: relatórios fornecidos para o RH não prejudicam funcionários

DIVULGAÇÃO

O mapa do stress

equipe, mas não quem são essas pessoas”, diz. Os funcionários inscritos no Viva Ativo recebem, periodicamente, avisos de interesse – como programas de exercícios, mensagens de incentivo para a prática de esportes e sugestões de dietas balanceadas. “Usamos as tabelas nutricionais do portal Cyber Cook, que é pioneiro no Brasil no fornecimento de receitas balanceadas pela internet, para determinar os grupos de alimentos mais adequados a cada perfil”, diz o médico. Para medir a qualidade de vida, a equipe do Viva Ativo utiliza o índice de risco cardíaco – que inclui taxas de colesterol, glicemia, pressão alta, fumo, peso e histórico familiar. “O participante responde mensalmente em nosso site oito questões, que somam pontos em seu cadastro, e, com base nas pontuações, orientamos cada caso”, afirma Romani. A implantação do Viva Ativo pode ser aliada com outras iniciativas que a empresa tenha adotado previamente e acessível em tempo real para a gestão dos resultados. O tempo mínimo de duração recomendado é de seis meses e os custos variam de acordo com o número de participantes. www.vivaativo.com.br

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Guia do Empreendedor Lâmpadas para gráficas A Sylvania Iluminação ampliou o seu catálogo de lâmpadas especiais com o lançamento do modelo Activa. Disponível na potência 36 W e temperatura de cor 6.500 K, a Activa proporciona iluminação semelhante à luz natural de um dia claro. O produto, que foi desenvolvido especialmente para o setor gráfico, é fabricado com pó trifósforo especial – um componente que produz

luz com tonalidade branco-azulada e alto grau de fidelidade na reprodução das cores dos objetos iluminados. “Sabemos o quanto é importante a definição correta da cor para este setor e, por isso, destacamos a Activa para uma melhor iluminação em gráficas, editoras e papelarias”, afirma Eduardo Leonelo, gerente de produtos da Sylvania Iluminação. www.sylvania.com.br

Novas idéias na navegação A Companhia de Navegação Norsul, que detém uma das maiores frotas privadas de navegação do país, desenvolveu um sistema de transporte inédito para atender as necessidades da siderúrgica Vega do Sul, que planeja aumentar sua capacidade de produção. Ao todo, a Norsul investiu US$ 45 milhões na encomenda de quatro navios-barcaças oceânicas e dois empurradores, que serão construídos com mão-de-obra 100%

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nacional. Além da agilidade na entrega da carga (os navios-barcaças têm hélices laterais que facilitam as manobras nos portos), o sistema também apresenta baixo custo se comparado aos navios mercantes convencionais. A projeção da Norsul, com o novo sistema, é transportar um milhão de toneladas anuais no trajeto entre os portos de Praia Mole (ES) e de São Francisco do Sul (SC). www.norsul.com

Decoração on-line A Eucatex acrescentou ao seu site o link Decorador de Ambientes, um serviço destinado a profissionais da área de arquitetura e decoração e também a consumidores que precisem simular a combinação de pisos, paredes e complementos na hora de construir ou reformar. O usuário pode, por exemplo, calcular a quantidade de tinta necessária para pintar paredes, portas, janelas, tetos e esquadrias e definir qual piso da marca deseja usar. O Decorador de Ambientes possibilita ao internauta simular combinações em áreas residenciais ou comerciais, externas ou internas. A análise feita através do site pode ser armazenada no sistema e acessada em outro momento através de um código exclusivo. www.eucatex.com.br

Respostas técnicas Criado em novembro de 2004 para esclarecer dúvidas tecnológicas de pequenos empresários, o Serviço Brasileiro de Respostas Técnicas (SBRT) já ultrapassou a marca de mil atendimentos gratuitos para empreendedores de todo o Brasil. Até o momento, foram elaboradas 1.198 respostas técnicas (RTs) para empresários de diversas áreas e ramos de atividade, como indústria, agropecuária, tecnologia e serviços. Para participar do programa, é preciso acessar o site da SBRT e enviar uma pergunta, que será respondida em um prazo mínimo de oito dias úteis. O serviço é uma iniciativa do Ministério da Ciência e Tecnologia e conta com apoio do Sebrae e do Instituto Brasileiro de Informação em Tecnologia (Ibict). www.sbrt.ibict.br


Por Carol Herling carol@empreendedor.com.br

Produtos & Serviços

Desktop sem fio A Microsoft lançou no mercado nacional o seu primeiro desktop sem fio, composto por teclado e mouse óptico. O produto, desenvolvido para otimizar as atividades no ambiente de trabalho, é definido pelo fabricante como uma combinação de funcionalidades sem fio com teclas de atalho programáveis. O Wireless Optical Desktop 1000 oferece ao usuário central de mídias – que contro-

la atividades como tocar, pausar, aumentar ou diminuir o volume –, abertura automática de Media Player, teclado que permite realizar ações com um simples toque e teclas de acesso rápido ao e-mail e à internet. Já o mouse óptico conta com roda de rolagem ágil para facilitar a navegação e pode ser utilizado tanto com a mão esquerda como com a direita. Segundo a Nagem, que

distribui a novidade no Brasil, o produto ocupa pouco espaço, é confortável e tem design resistente a derramamentos de líquidos. Para informações sobre compatibilidade, acesse www.nagem.com.br.

Cobranças na era digital

A Mude, uma das maiores distribuidoras dos equipamentos Linksys no Brasil, traz para o mercado nacional o adaptador PAP2, que permite ao internauta usar o telefone analógico para comunicações com voz via internet. O equipamento, que é conectado ao plug da extensão telefônica e à saída do computador, possui duas portas-padrão de telefonia convencional (que possibilitam o uso de até duas linhas ou dois números telefônicos independentes sobre uma conexão de internet banda-larga) e tratamento da qualidade de voz, que gera chamadas sem ruídos ou interferências. O PAP2 também possui identificador de chamadas, chamada em espera, caixa de mensagens (voicemail), rediscagem e toque diferenciado. www.mude.com.br

das operações. O VOS Dialer também é aplicável à ações automatizadas de divulgação, fidelização e vendas, com possibilidade de integração com os serviços das centrais de atendimento existentes. Segundo o fabricante, as centrais de call center bem estruturadas em termos de tecnologia conseguem, com o VOS Dialer, realizar ligações com menos tempo, maior controle de duração de chamadas e redução considerável de custos. www.voxage.com.br

Bueiros com proteção codificada O crescimento dos índices de roubos de tampões de ferro de caixas subterrâneas e bueiros levou a Redex Telecom a desenvolver a trava Parcs (parafuso especial para caixa subterrânea). O produto, que tem como públicos-alvo as empresas de telefonia, iluminação pública e saneamento, é fabricado com uma liga de aço de carbono especial e submetido a um tratamento térmico que garante um grau de dureza superficial elevado. O parafuso principal, que conta com uma camada anticorrosiva, possui um código especial e necessita de uma chave própria para instalação e remoção, o que ajuda a prevenir assaltos e acidentes de trânsito e de pedestres. A instalação da trava, que é adaptável a todos os modelos de tampas de ferro fundido, leva cerca de 30 minutos e é feita no próprio local. www.redextelecom.com

FOTOS DIVULGAÇÃO

VoIP mais acessível

Para as empresas de call center que querem aproveitar o pagamento do 13º salário para reaver o crédito e conquistar novos clientes neste fim de ano, a Vox Age desenvolveu a solução VOS Dialer, um sistema de telecobrança que combina os recursos Unidade de Resposta Audível (URA) com um discador automatizado. O produto possibilita controle total dos processos (de forma local ou remota) através de telas e relatórios on-line via web, que permitem ao call center o acompanhamento

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Guia do Empreendedor

Do Lado da Lei

Nova MP do Bem DIVULGAÇÃO

A inclusão de um grande número de empresas no Simples pode beneficiar a economia e estimular o emprego O Brasil é surreal. Analisamos na Empreendedor de julho último a Medida Provisória 252, a MP do Bem. Absurdamente, em meados de outubro, a MP 252 “caducou”. A solução, após muita negociação, foi a criação do projeto de lei de conversão 28/05, que trouxe de volta, como “carona”, a MP 255. Ela cuidava da prorrogação do prazo de opção do regime de imposto de renda e dos benefícios dos planos de previdência privada, pontos que foram propostos e previstos na original MP do Bem. Destes, destaca-se a elevação dos limites para enquadramento das micro e pequenas empresas no Simples (Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte). Desta forma, a boa notícia para os empreendedores é que o Simples foi alterado e as microempresas, que têm receita bruta anual de até R$ 120 mil e pequenas empresas, aquelas com até R$ 1,2 milhão, passarão a ter novos limites, agora dobrados, respectivamente, para R$ 240 mil e R$ 2,4 milhões. A inclusão de grande número de empresas neste sistema novo é um fator que autoriza a se considerar um possível incentivo à expansão econômica e o aumento de empregos. O Simples, como se sabe, é um sistema especial de tributação que unificou seis, dos principais tri-

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butos federais, com alíquotas que oscilam entre 3% e 6%, de acordo com o porte da empresa e o ramo de atividade. O Projeto foi votado no último dia útil do prazo de vigência da MP 255 e foi enviado à sanção do Presidente da República, que poderia opor alguns vetos. A conversão da nova MP do Bem traz formas de desoneração tributária para vários setores, em especial, incentivando a exportação, compra e venda de imóveis para moradia, computadores, aquisição de veículos de passageiros por taxistas, prestadores de serviços intelectuais, bem como, reduções de IR e PIS/ Cofins para empresas em áreas carentes, entre outros. A renegociação das dívidas de prefeituras com a Previdência Social também foi prevista e, segundo a proposta, poderão ser parceladas em até 240 meses, o que quadruplica o prazo de repactuação atual e livrará muitas prefeituras do impedimento de receber repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). A aprovação do PLV 28/05 somente foi possível após uma complexa engenharia política na Câmara e no Senado, sendo que o Governo Federal demonstrou preocupação com o aumento das “bondades” concedidas, em desfavor dos cofres do tesouro nacional.

Segundo lideranças do partido governista, estas novas medidas podem caracterizar grande perda fiscal, o que comprometeria o futuro do projeto da lei geral das Micro e Pequenas Empresas, ainda em análise na Câmara dos Deputados. Interessante notar que o projeto do computador popular, o PC Popular, deve deslanchar, pois agora já pode ser editado o decreto que criará o serviço de telecomunicação especial de acesso à internet. Pelo projeto, já praticamente aceito pelas operadoras de telefonia fixa comutada, poderá ser autorizada uma cobrança diferenciada deste provimento de acesso a preços populares, por volta de sete ou oito reais. O BNDEs disponibilizará para varejistas linha especial de crédito para financiamento dos equipamentos, e tudo isso significará um grande movimento de inclusão social na era digital, mormente porque estes recursos advirão também do FAT – Fundo de Amparo aos Trabalhadores. Os clientes da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil já têm crédito pré-aprovado para a aquisição do “computador popular”.

Marcos Sant’Anna Bitelli Advogado (11) 3871- 0269


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Guia do Empreendedor

Mercado externo para quem precisa Todos os passos necessários para pequenas e médias empresas exportarem, acompanhados de conceitos, idéias, exemplos, endereços e um minucioso glossário Na literatura sobre exportação, existem três tipos de autores: os importantes, que sabem, mas estão voltados para grandes empresas e mercados tradicionais; os dispensáveis, que não sabem, e acabam transmitindo informações erradas; e os imprescindíveis, que sabem e trabalham pela inclusão de novos exportadores e mercados inexplorados. José Carlos Mayer e Moacyr Bighetti fazem parte do terceiro grupo. No livro Exportar É Fácil – Um Roteiro Seguro para Pequenas e Médias Empresas, eles apresentam, baseados na experiência, na pesquisa e no conhecimento, uma valiosa lição em dez capítulos, acompanhada de um glossário de quase cem páginas, fundamental para quem quiser vender fora das fronteiras. Profissionais experientes em comércio exterior, os autores participam há muitos anos do contato direto e profundo com as empresas brasileiras. Eles sabem, portanto, com quem estão falando. Moacyr Bighetti é diretor da Brasil-Export, consultoria que fundou há 14 anos. José Mayer trabalhou por 28 anos no Departamento de Comércio Exterior da Fiesp, onde o conheci pessoalmente. Lá também conheci o responsável pelo Decex, Benedicto Fonseca Moreira, autor do prefácio do livro e atualmente presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). Com eles obtive, para meu trabalho de comunicação, as mais valiosas informações sobre uma área que estava despontando com mais força nos anos 90. Descobri também que dentro das

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entidades empresariais existem quadros especialistas que não fazem parte das gangorras de interesses e políticas que costumam atrapalhar os trabalhos. Cinco minutos com o dr. Benedicto ou uma boa conversa com Mayer (sempre acompanhado do seu inseparável cachimbo) valiam por cem edições de qualquer seção econômica dos jornais. E jamais se restringiam aos aspectos meramente técnicos. Discorriam sobre estratégias, perspectivas e acordos com a segurança e a clareza dos que realmente entendem. Quais os passos propostos pelos autores? Primeiro, eles demonstram a necessidade imperiosa de internacionalização, fundamental para a sobrevivência empresarial. Segundo, mostram como se deve adequar o produto ao mercado, algo muito mais importante do que apostar no produto sem saber para quem se dirige, especialmente quando se tem em vista consumidores de outras culturas, que pensam e compram de maneira diferente. Para buscar o cliente, além da adequação do produto, deve-se fazer a análise da exportabilidade, realizar a pesquisa de mercado e definir o preço de exportação. São esmiuçadas as técnicas de negociação, logística internacional, formas de pagamento, iniciativas e alianças. É um livro para servir de apoio, estímulo e referência no mundo dos negócios globalizados. A obra é escrita por pessoas sérias e competentes, que expressam a tranqüilidade dos espíritos que se dedicam com gosto ao que fazem.

Exportar É Fácil – Um Roteiro Seguro para Pequenas e Médias Empresas José Carlos Mayer e Moacyr Bighetti – Artemeios 246 páginas – R$ 39,00

Destaques Livro de grande valor para os empresários e de inestimável mérito na “cruzada” para o reconhecimento da importância estratégica da exportação como projeto hegemônico permanente. Do prefácio de Benedicto Fonseca Moreira, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB)

Nós, brasileiros, somos muito melhores do que imaginamos. Temos competência para produzir, criatividade para lançar produtos novos e diversidade de matérias-primas. Página 62

Há países africanos crescendo na casa dos dois dígitos e eles são pouco industrializados, comprando todo tipo de produtos, incluindo materiais de construção, alimentos, equipamentos agrícolas, autopeças e vestuário. Página 116


Por Nei Duclós nei@empreendedor.com.br

O que dá certo no marketing Os 50 Mandamentos do Marketing Francisco Alberto Madia de Souza M. Books – 431 páginas – R$ 63,20 (no Submarino) Com exceção dos grandes teóricos, como Philip Kotler, os livros de marketing costumam cair nos vícios da pior publicidade e da mais desastrada gestão estratégica: capa enganosa, conteúdo sem originalidade, tom didático e arrogante para cima do leitor, esse eterno desavisado. Madia de Souza faz o contrário e apresenta uma obra, premiada pelo Jabuti deste ano, em que os cases servem de insumo para os mandamentos. Ou seja, ele não tira de um limbo irreconhecível as lições que devem ser seguidas pelos empreendedo-

res. Ele vai na essência, explicando o sucesso de inúmeras empresas que apostaram certo e conseguiram dar a volta por cima. Por meio de textos saborosos e informativos, o autor ainda tira um pedaço dos incautos que caíram no conto da qualidade total sem estarem preparados para isso nem entenderem direito do que se tratava. Esta é uma aula para quem precisa sobreviver sem ter que gastar fortunas em idéias mirabolantes ou com gênios de ocasião.

O enigma das finanças Mercado Financeiro Gilson Oliveira e Marcelo Pacheco Editora Fundamento – 323 páginas – R$ 49,30 A editora informa que os autores, profissionais com longa experiência de mercado, conciliam a teoria financeira e econômica com uma abordagem detalhada dos mais diferentes produtos financeiros. Com isso, atendem tanto ao leitor familiarizado com as nuances do mercado como aquele que se inicia no mundo das finanças. O livro traz exer-

cícios para serem testados pelo leitor e serve para quem vai prestar o exame de certificação Anbid e outros concursos públicos. Além de conceitos básicos, como sistema financeiro e inflação, há textos sobre macroeconomia, ativos financeiros e alternativas de investimento.

O exemplo dos mestres 50 Grandes Estrategistas de Administração Morgen Witzel Editora Contexto – 331 páginas – R$ 49,00 O apelo da editora é o seguinte: de que forma as idéias de Peter Drucker, Charles Handy e Henry Mintzberg contribuíram para a mudança no modo como se entende e se pratica a administração? Como Bill Gates revolucionou a estrutura e a organização das formas de marketing e mercado com inovação e tecnologia? Buscando responder a essas e outras questões, este livro traz um panora-

ma abrangente de estrategistas que mudaram a nossa percepção de administração e ajudaram de alguma maneira a aprimorar a prática administrativa em todo o mundo. Entre os estrategistas estão Jack Welch, Tom Peters, Gareth Morgan, Marshall McLuhan, Maquiavel, Lao Tse e Philip Kotler.

Leitura

Nova ordem do trabalho O Futuro dos Empregos Thomas W. Malone M. Books/ Harvard Business School Press – 216 páginas – R$49,00 Thomas E. Malone é titular da cadeira Patrick J. McGovern de administração na MIT Sloan School of Management e fundador e diretor do MIT Center for Cordination Science. Neste livro, ele aborda a reformulação dos conceitos de empregos nas empresas, devido à queda dos preços e às facilidades das novas tecnologias e telecomunicações, e como empresas e empregados devem adaptar-se a esta nova realidade.

A literatura dos conselhos A Arte da Estratégia Pense Grande, Comece Pequeno e Cresça Rápido! Carlos Alberto Júlio – Negócio Editora – 154 páginas – R$ 26,00 Perigo: o autor, “jovem comunicador carismático”, segundo a editora, elaborou dez regras de ouro. Entre os conselhos, está o de traçar um caminho diferente dos demais e descobrir que posição a sua empresa ocupa no mercado. Só assim é possível estipular um destino para os seus projetos? O livro dirá. A obra faz parte da série Pique Profissional, planejada por Júlio, que também é professor e executivo.

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Informação e Crédito

ADRIEL CASSOLA

Prêmio Nacional de Qualidade 2005 Serasa conquista pela 3ª vez o mais importante reconhecimento em gestão empresarial do Brasil

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Serasa foi a vencedora do Prêmio Nacional de Qualidade 2005, em sua 14ª edição, conferido pela Fundação Nacional de Qualidade (FNQ) e se torna a primeira empresa brasileira a ter conquistado, pela terceira vez, o maior prêmio em excelência em gestão no Brasil, além de ser a única no mundo com três reconhecimentos desta categoria no seu modelo de gestão. Com essa conquista, a Serasa reafirma sua condição, há mais de uma década, de Empresa Classe Mundial. A conquista da Serasa foi anunciada no dia 28 de outubro, pelo presidente do conselho curador da Fundação Nacional da Qualidade, Pedro Luiz Passos. Ele coroou a atuação diária de 2100 Ser Serasa – como são chamados os profissionais da empresa em todo o país – comprometidos na busca da excelência em gestão como objetivo permanente da empresa. “A alegria e satisfação desse time de 2100 tricampeões da qualidade com esse terceiro PNQ é somente comparável ao tamanho do rigor e da seriedade da Fundação ao conferir o prêmio”, afirma o presidente da Serasa, Elcio Anibal de Lucca. “Ganhar o PNQ pela terceira vez representa um fato inédito no mundo e traduz uma conquista não só da Serasa, mas também do Brasil,

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dado que o exemplo de excelência em gestão da Serasa deverá ser multiplicado para as outras empresas do país. A Serasa é genuinamente brasileira e confirma o papel que uma empresa deve representar no mercado. Isto é, atender aos requisitos dos acionistas, das pessoas que trabalham na empresa, dos fornecedores, dos clientes, da legislação e os interesses da economia, se preocupando com as questões sociais. Isto leva, naturalmente, à excelência em competitividade no mundo moderno globalizado”, afirma o presidente. Criada em 1968, a Serasa é a maior empresa do Brasil e uma das maiores do mundo no segmento de pesquisas, informações e análises econômico-financeiras para apoiar decisões de crédito e negócios. Constantemente orientada para soluções inovadoras em informações para negócios, a Serasa vem, há mais de uma década, contribuindo para a transformação da cultura de crédito no Brasil com a incorporação contínua dos mais avançados recursos de inteligência e tecnologia. Hoje, apóia mais de 3,5 milhões de negócios por dia para mais de 300 mil clientes diretos ou indiretos. A excelência em gestão A gestão empresarial da Serasa está fundamentada em três pilares,

o Planejamento Estratégico, a Estrutura Foco-Matricial-Bipolar® e o Processo da Qualidade. O Planejamento Estratégico da Serasa permite que todos os Ser Serasa participem, por meio de fóruns específicos, do direcionamento estratégico da empresa. A Estrutura Foco-Matricial-Bipolar é um sistema de gestão inovador. Cada foco de atuação da empresa conta com dois diretores. Enquanto um profissional cuida da produção diária, o outro é responsável pela dinâmica de projetar a companhia no futuro. O terceiro pilar, o do Processo da Qualidade Serasa, é fruto de uma vivência profunda de todos os integrantes da


ROSANA MOMI

Um destaque de nível internacional

Os profissionais da Serasa comemoram a conquista do PNQ 2005, na sede da Serasa, em São Paulo

empresa na implantação e na busca crescente de níveis de melhoria empresarial. Ele representa uma metodologia original desenvolvida por uma empresa nacional. O modelo de gestão integra o sistema de liderança, o planejamento estratégico, os processos e produtos, assim como a gestão de pessoas, a preocupação com o atendimento das necessidades do cliente e da sociedade, os requisitos da lei e a sua inserção na comunidade, praticando com consciência seu papel social, sempre com constante superação de resultados. Desde o início da década de 90, os resultados obtidos pela atuação ali-

O Prêmio Nacional da Qualidade (PNQ) é um reconhecimento à excelência na gestão das organizações brasileiras e tem como objetivos principais, promover métodos e sistemas de gestão de sucesso e estimular as empresas na troca de informações sobre esses modelos. É um dos prêmios mais importantes do mundo nessa categoria, semelhante aos prêmios Baldrige, dos Estados Unidos, o Deming, do Japão e o europeu European Quality Award. O PNQ está fundamentado em oito critérios de excelência estabelecidos pela Fundação Nacional da Qualidade (FNQ): liderança, estratégias e planos, clientes, sociedade, informações e conhecimento, pessoas, processos e resultados. A premiação nasceu em 1992 e desde então já consagrou mais de 20 organizações. Por meio da Fundação Nacional da Qualidade, entidade privada e sem fins lucrativos, criada em 1991 por empresas públicas e privadas para administrar o PNQ, o prêmio cumpre a finalidade essencial da instituição, a mobilização dos diversos segmentos de nossa economia para a melhoria da qualidade e produtividade, elevando o nível de competitividade dos produtos e serviços brasileiros e estimulando as práticas bem sucedidas da excelência em gestão e da qualidade.

nhada a esse modelo de gestão têm sido superados ano a ano. Em 2004, o faturamento da empresa superou R$ 450 milhões e em 2005 já ultrapassou os R$ 500 milhões. A excelência das práticas de gestão da Serasa vem sendo amplamente reconhecida pelo mercado. Em 1995, foi a primeira organização de origem genuinamente brasileira a ganhar o Prêmio Nacional da Qualidade (PNQ). Em 2000, foi a primeira empresa a recebê-lo pela segunda vez. O PNQ, assim como os prêmios Baldrige, dos Estados Unidos, o Deming, do Japão, o European Quality Award e o Prêmio Iberoamericano da Qualidade, pela abran-

gência de seus critérios, eleva as organizações ganhadoras à condição de “Empresa Classe Mundial”. A Serasa foi também a primeira a trazer para o Brasil o reconhecimento internacional do Prêmio Ibero-americano da Qualidade 2002. A empresa está no ranking da revista Exame, pelo 7º ano consecutivo, como uma das melhores para se trabalhar e, pelo 3º ano seguido, como uma das melhores para as mulheres trabalharem no Brasil. A Serasa figura ainda na lista das melhores empresas para se trabalhar na América Latina e conta também com reconhecimentos em todas as suas área de atuação. 2


Guia do Empreendedor

A enxurrada das informações Devemos limitar nossas fontes, senão corremos o risco de não ter tempo para agir ou decidir DIVULGAÇÃO

Devido, principalmente, ao grau de desenvolvimento da tecnologia da comunicação, nos últimos anos as fontes de informação vêm se expandindo em um ritmo estratosférico e nos mais variados perfis. Antigamente, moldávamos nossas idéias e julgamentos pelo que líamos nos jornais e revistas. Hoje, temos os canais de tv de todo o mundo na ponta do dedo e principalmente a internet, que nos abre possibilidades ilimitadas de contato e informação. Esse acesso irrestrito e em tempo real levanta uma dúvida: o quanto a informação ajuda versus o quanto ela nos atrapalha. No mercado financeiro, por exemplo, tivemos o tempo em que a grande referência era a leitura da Gazeta Mercantil. Sem ela ficávamos perdidos. Não existiam sistemas de informação on-line para o mercado, o computador engatinhava e o telex era o meio mais ágil de transmitir informações. Com a nova era, estes meios deverão virar peças de museu e o homem fica um tanto perturbado com o volume de informação que chega a todo o momento. Como existem idéias e entendimentos diferentes sobre um mesmo assun-

76 – Empreendedor – Novembro 2005

to, a convicção acaba sendo testada ao limite. Se focarmos na internet, vamos ver que infinitos sites prestam serviços de informação sobre os mais diversos temas e que, se tivermos a concepção de ver o máximo de informação para conhecer mais a fundo determinado assunto, correremos certamente o risco da “neurose da informação”. É o que acontecia com aquelas máquinas de fliperama quando apertávamos demais os botões: dava “tilt”, travava. Em um futuro próximo, teremos ampliadas a capacidade e a velocidade dos veículos de comunicação. A banda larga ficará ultrapassada e imagens em três dimensões, computador que reproduz odores, óculos com a opção de imagem de tv acoplada e conectado a um satélite devem virar realidade. É uma questão de tempo. Devemos estar preparados para saber o que fazer nesse mundo novo. A tecnologia deve vir a nosso favor, e não contra. Quantos de nós já se sentiram culpados por não terem visto um pouco mais de informação antes de algum passo importante, de uma decisão? O sentimento de culpa é

derivado desse fluxo inesgotável de dados, idéias, opiniões e análises. O que queremos colocar com a leitura acima é que devemos nos cercar de um determinado número de veículos de informação, limitando, isso mesmo, limitando nossas fontes. Isso não significa rigidez absoluta, pois devemos estar abertos à novas idéias, mas significa, basicamente, que no nosso dia-a-dia temos que trabalhar focados em determinadas fontes. De outra maneira pode não nos sobrar tempo para agir ou decidir e nos faltar o mínimo de convicção. Aquela afirmação que diz que a informação é tudo pode ser verdadeira, mas não devemos entender que o maior volume possível de informação nos levará a otimizar nossas ações. O resultado pode ser justamente o contrário. Aí vale aquele velho ditado: “nem tanto ao céu nem tanto à terra”, o que significa menos stress, mais objetividade e resultado positivo.

André Hahn Diretor-presidente da Leme Investimentos


Análise Econômica

Carteira teórica Ibovespa NOME/TIPO AÇÃO

Acesita PN Ambev PN Aracruz PNB Bco Itau Hold Finan PN Bradesco PN Bradespar PN Brasil ON Brasil T Par ON Brasil T Par PN Brasil Telecom PN Braskem PNA Caemi PN Celesc PNB Cemig ON Cemig PN Cesp PN Comgas PNA Contax ON Contax PN Copel PNB CRT Celular PNA Eletrobras ON Eletrobras PNB Eletropaulo Metropo PN Embraer ON Embraer PN Embratel Part PN Gerdau Met PN Gerdau PN Ibovespa Ipiranga Pet PN Itausa PN Klabin PN Light ON Net PN Petrobras ON Petrobras PN Sabesp ON Sadia SA PN Sid Nacional ON Sid Tubarao PN Souza Cruz ON Tele Centroeste Cel PN Tele Leste Celular PN Telemar Norte Leste PNA Telemar-Tele NL Par ON Telemar-Tele NL Par PN Telemig Celul Part PN Telesp Cel Part PN Telesp Operac PN Tim Participacoes ON Tim Participacoes PN Transmissao Paulist PN Unibanco UnN1 Usiminas PNA Vale Rio Doce ON Vale Rio Doce PNA Votorantim C P PN

PA R T I C I PA Ç Ã O I B OV E S PA

VARIAÇÃO % ANO (ATÉ 27/10/2005)

0,939 1,349 0,969 2,492 3,441 1,033 1,083 0,472 1,077 2,5 1,912 4,662 0,992 0,195 2,368 0,568 0,456 0,055 0,293 1,606 0,426 1,713 3,808 0,613 0,469 1,049 2,755 1,116 3,836 100 0,555 1,488 0,454 0,135 1,737 1,884 7,398 0,94 0,933 3,756 1,314 0,539 0,649 0,195 1,323 1,254 9,459 0,697 1,381 0,57 0,31 1,2 0,524 1,283 5,121 1,998 7,539 1,121

-18,9 31,55 -12,11 28,82 73,05 33,75 28,31 3,85 1,73 -16,96 -43,74 60,21 28,55 15,21 23,59 -3,24 6,39 44,6 -0,42 1,44 7,33 25,54 -1,15 -3,32 11,13 -9,92 -2,6 11,21 -9,41 40,51 -21,52 -44,03 107,61 34,62 32,46 -5,24 -10,96 -3,8 -10,23 -20,09 -24,45 -57,95 -4,52 22,39 -2,15 -0,71 -56,06 -3,1 26,61 10,32 63,25 35,47 -12,38 22,47 27,94 -35,57

Inflação (%) Índice IGP-M (outubro) IGP-DI IPCA IPC - Fipe

Setembro 0,60 -0,13 0,35 0,44

Juros/Aplicação

(%)

Outubro 1,26 1,27 0,73 1,13 2,96

CDI Selic Poupança CDB pré 30 Ouro BM&F

Ano 0,81 0,19 3,95 3,27

Ano 15,53 15,56 6,92 13,98 -7,33

* até dia 23/09

Indicadores imobiliários Setembro 0,14 0,26

CUB SP TR

(%)

Ano 4,41 2,19

Juros/Crédito

Desconto Factoring Hot Money Giro Pré (*)

Setembro 27/outubro

(em % mês) Setembro 26/outubro

2,80 4,66 3,40 3,45

2,60 4,66 3,40 3,15

* taxa mês

Câmbio (em 27/10/2005)

Cotação R$ 2,2905 US$ 1,2142 US$ 115,41

Dólar Comercial Ptax Euro Iene

Mercados futuros (em 27/10/2005)

Novembro Dezembro Janeiro/06

Dólar Juros DI

R$ 2,293 R$ 2,318 R$ 2,345 18,91% 18,83% 18,56% (em 27/10/2005)

Dezembro Fevereiro/06

Ibovespa Futuro

29.390 30.270

Novembro 2005 – Empreendedor – 77


Guia do Empreendedor

Agenda DIVULGAÇÃO

4/11 a 6/11/2005

Em destaque

Expande 2005

22/11 a 24/11/2005

Centro de Exposições Imigrantes São Paulo/SP Telefone: (11) 5073-7799 Site: www.centroimigrantes.com.br

SaeBrasil 2005

7/11 a 10/11/2005

Feisucro 2005 Anhembi São Paulo/SP Tel: (11) 3291-9111 Site: www.feisucro.com.br 8/11 a 10/11/2005

Exposystems 2005 Centro de Exposição Imigrantes São Paulo/SP Telefone: (11) 3361-6899 Site: www.exposystems.com.br 8/11 a 11/11/2005

Fispal Recife 2005 Centro de Convenções de Pernambuco Recife/PE Tel: (11) 3758-0996 Site: www.fispal.com 9/11 a 11/11/2005

Compomóvel 2005 Expo Center Norte São Paulo/SP Telefone: (11) 3151-6444 Site: www.exponor.com.br/ compomovel 9/11 a 12/11/2005

Ferramental 2005 Centro de Exposições de Curitiba Curitiba/PR Telefone: (41) 3335-3377 Site: www.diretriz.com.br 13/11 a 15/11/2005

3ª Feira Nacional da Beleza Centro de Convenções da Bahia Salvador/BA Telefone: (71) 341-3020 Site: www.feiradabeleza.com

78 – Empreendedor – Novembro 2005

14ª Exposição Internacional de Tecnologia da Mobilidade Transamérica Expo Center São Paulo/SP Telefone: (11) 3287.2033 Site: www.saebrasil.org.br Segundo maior evento de tecnologia de mobilidade no mundo, o congresso SaeBrasil 2005 reunirá dez mil profissionais dos setores automotivo, aeroespacial, manufatura, veículos comerciais e máquinas agrícolas e de construção. São esperadas mais de 260 apresentações técnicas de autores nacionais e internacionais, além de várias conferências temáticas, painéis e fóruns com expoentes de indústrias e universidades. O evento contará com uma exposição de montadoras e fornecedores dos diversos setores da mobilidade, que irão expor seus mais recentes produtos, serviços e tecnologias.

14/11 a 16/11/2005

24/11 a 26/11/2005

Agripeixe’2005

AmericAvestruz 2005

Praça Ribeiro Junior Manacapuru/AM Telefone: (92) 2121.4940 Site: www.am.sebrae.com.br

Pestana Bahia Hotel Salvador/BA Telefone: (11) 3101.1096 Site: www.acab.org.br

21/11 a 24/11/2005

28/11/2005

Sabores 2005

Seminário Internacional de Liderança e Marketing

Pavilhão de Carapina Vitória/ES Telefone: (27) 3337.6855 Site: www.milanezmilaneze.com.br

CentroSul Florianópolis/SC Telefone: (48) 3224-5258 Site: www.advbsc.com.br

24/11 a 26/11/2005

1ª Feira Secovi Condomínios Centro de Exposições Imigrantes São Paulo/SP Teleone: (11) 5585.4355 Site: www.cipanet.com.br/feiras/ secovi

Para mais informações sobre feiras e outros eventos comerciais, acesse a seção Agenda do site Empreendedor (www.empreendedor.com.br)


Novembro 2005 – Empreendedor – 79


80 – Empreendedor – Novembro 2005


Novembro 2005 – Empreendedor – 81


Empreendedor na Internet www.empreendedor.com.br

Enquete

Encontro marcado

Maioria acredita que responsabilidade social é preocupação real

Próxima conversa acontece dia 14 deste mês

A enquete do mês de outubro entra para a história do site Empreendedor como a que teve o resultado mais equilibrado. No total, foram computados 453 votos. E para a pergunta que quis saber porque a responsabilidade social é praticada nas empresas, venceu a alternativa: “porque demonstra uma preocupação real

A primeira conversa via MSN Messenger, realizada no dia 14 de outubro, reuniu cerca de 30 pessoas e atingiu o objetivo da inicitiva, promover a interatividade e a troca de experiência entre internautas e jornalistas do site e da revista Empreendedor. A próxima conversa on-line acontece no dia 14 de novembro, a partir das 15h, com duração de cerca de 1h30min. Para participar, é preciso utilizar o programa MSN Messenger de conversação instantânea, adicionar o e-mail empreendedor@empreendedor.com.br à sua lista de contatos e estar on-line no dia e na hora marcada. Todos estão convidados.

com questões sociais que envolvem a comunidade na qual está inserida”, com um percentual de 50,3%. A outra alternativa, que dizia que a responsabilidade social “é apenas mais uma ação de marketing que ajuda a melhorar e incrementar a imagem da empresa junto aos consumidores” ficou com 49,7% dos votos.

NOVA ENQUETE Em novembro, a enquete do site Empreendedor pergunta: O empreendedor precisa ter mais habilidade no relacionamento com funcionário, fornecedores, clientes ou concorrentes? Entre no site e vote.

Página Inicial

Newsletter

De 24 a 27 de outubro, a equipe do site Empreendedor acompanhou de perto a sétima edição da Futurecom, evento que reúne as principais inovações e tendências nos setores de Telecomunicações e Tecnologia da Informação. O evento, realizado em Florianópolis, no Centro de Convenções Centro Sul, é considerado o maior do Brasil e um dos mais importantes da América Latina em seu segmento. Para quem não teve a oportunidade de visitar a Future-

82 – Empreendedor – Novembro 2005

CARLOS PEREIRA

O melhor da Futurecom no site Empreendedor

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Espaço para a sua opinião

com, pode conferir as principais novidades apresentadas na feira na área Especial, dedicada exclusivamente à cobertura do evento.

Se você escreve artigos, crônicas e comentários relacionados aos temas tratados no site, envie o seu texto para alexandre@empreendedor.com.br. Todos os textos serão avaliados e os que estiverem dentro da linha editorial, publicados. Ao enviar o e-mail, coloque na área “Assunto” a palavra “opinião”.


Novembro 2005 – Empreendedor – 83


84 – Empreendedor – Novembro 2005

Empreendedor 133  

Edição n. 133 da revista Empreendedor, de novembro de 2005

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