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2o Semestre • 2014 | 14a edição

DIA A DIA Pág. 6

Saiba como as aulas imersivas transformam teoria em prática, potencializando o aprendizado do estudante

CURIOSIDADE Pág. 47

Games podem ser fortes aliados no desenvolvimento cognitivo e emocional de crianças e adolescentes

BAGAGEM CHEIA A um passo da universidade e do mercado de trabalho, ensino Médio marista foca nos processos seletivos e na formação do cidadão Pág. 8


Às vésperas de completar 200 anos de presença mundial e há mais de 110 anos presente no Rio Grande do Sul, a atuação dos Colégios e das Unidades Sociais da Rede Marista se dá, atu-

Presidente das Mantenedoras Ir. Inácio Nestor Etges

almente, em 13 cidades gaúchas e em Brasília. São 26 colégios e dez centros sociais, que atendem 19 mil estudantes na Educação Básica e 30 mil pessoas nos projetos e nas Unidades Sociais.

Vice-Presidente das Mantenedoras Ir. Deivis Fischer

ColégioS Colégio Marista Aparecida colegiomarista.org.br/aparecida | 54 3449 2600

Colégio Marista São Luís colegiomarista.org.br/saoluis | 51 3713 8500

Colégios e Unidades Sociais

Colégio Marista Assunção colegiomarista.org.br/assuncao | 51 3086 2100

Colégio Marista São Marcelino Champagnat colegiomarista.org.br/ejachampagnat | 51 3584 8000

Superintendente Executivo Rogério Anele

Colégio Marista Champagnat colegiomarista.org.br/champagnat | 51 3320 6200

Colégio Marista São Pedro colegiomarista.org.br/saopedro | 51 3290 8500

Coordenador Jurídico Ir. Rosmar Rissi

Colégio Marista Conceição colegiomarista.org.br/conceicao | 54 3316 2700

Colégio Marista Vettorello colegiomarista.org.br/ejavettorello | 51 3086 2100

Coordenador de Comunicação e Marketing Tiago Rigo

Colégio Marista Graças colegiomarista.org.br/gracas | 51 3492 5500

Escola Marista Santa Marta colegiomarista.org.br/santamarta | 55 3211 5200

Gerente Educacional Ir. Gilberto Zimmermann Costa Gerente Social Ir. Ivonir Imperatori Supervisão editorial e redação de conteúdo local da revista Em Família Katiana Ribeiro e Pamela Zottis Redação de conteúdo local – Comunicação e Marketing dos Colégios e das Unidades Sociais Aline Bicca, Aline Diedrich, Andressa Lemes, Anna Catarina da Fonseca, Bianca Menti, Bruna Lovato, Camila Jonco, Catia Bruneto, Eduarda Alcatraz, Eriel Brixner, Jenifer Lasch, Jessica Barbosa, Joane Marcon, Juli Antunes, Juliana de Matos, Juliana Oliveira, Kaetlyn Fockink, Lara Lima, Mariana Azevedo, Marilia do Carmo, Maristela Tomazetti, Milene de Bom, Nélson Vidal, Patrícia dos Santos, Patricia Lima, Renata Fagundes, Rozecler Bugs, Silvia Medeiros, Tiéle Abreu e Virgínia Reginatto

Sede Marista Rua. Ir. José Otão, 11 - Bonfim - Porto Alegre/RS cep: 90035-060 Tel.: 51 3314-0300 / 0800 541 1200

colegiomarista.org.br socialmarista.org.br

14a Edição | 2o Semestre 2014 Periodicidade Semestral EDIÇÃO Tiago Luís Rigo e Katiana da Silva Ribeiro REDAÇÃO Jornalista responsável: Rulian Maftum / DRT No 4646 Supervisão: Maria Fernanda Rocha (Lumen Comunicação) Edição de arte: Julyana Werneck PROJETO GRÁFICO Estúdio Sem Dublê | semduble.com

Colégio Marista Ipanema colegiomarista.org.br/ipanema | 51 3086 2200 Colégio Marista Irmão Jaime Biazus colegiomarista.org.br/jaimebiazus | 51 3086 2300 Colégio Marista João Paulo II colegiomarista.org.br/joaopauloii | 61 3426 4600 Colégio Marista Maria Imaculada colegiomarista.org.br/imaculada | 54 3278 6100 Colégio Marista Medianeira colegiomarista.org.br/medianeira | 54 3520 2400 Colégio Marista Pio XII colegiomarista.org.br/pioxii | 51 3584 8000 Colégio Marista Roque colegiomarista.org.br/roque | 51 3724 8100 Colégio Marista Rosário colegiomarista.org.br/rosario | 51 3284 1200 Colégio Marista Sant’Ana colegiomarista.org.br/santana | 55 3412 4288 Colégio Marista Santa Maria colegiomarista.org.br/santamaria | 55 3220 6300

EscolaS de Educação Infantil Marista Aparecida das Águas Marista Menino Jesus Marista Renascer Marista Tia Jussara colegiomarista.org.br

Centros Sociais Marista Aparecida das Águas Marista Boa Esperança Marista da Juventude Marista de Formação Tecnológica Marista de Inclusão Digital (Cmid) Marista Ir. Antônio Bortolini Marista Mario Quintana Marista de Porto Alegre (Cesmar) Marista Santa Isabel Marista Santa Marta socialmarista.org.br

Colégio Marista Santo Ângelo colegiomarista.org.br/santoangelo | 55 3931 3000

Polo Marista

Colégio Marista São Francisco colegiomarista.org.br/saofrancisco | 53 3234 4100

Polo Marista de Formação Tecnológica socialmarista.org.br

Revisão Lumos | Bureau de Traduções Envie comentários, críticas e sugestões sobre a revista para o email conteudo@grupomarista.org.br

Capa Débora Gouveia, estudante

PUBLICIDADE R. Amauri Lange Silvério, 270 Pilarzinho Curitiba-PR – CEP: 82120-000 Para anunciar, ligue: (41) 3271-4700 www.grupolumen.com.br

FOTO DE CAPA Gilberto do Rosário

do Colégio Marista João Paulo II, de Brasília (DF)

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índice capa

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© Foto: Letícia RenataAkemi Duda

nos colégios maristas, os estudantes recebem, além do preparo para o vestibular, subsídios para o ingresso na vida universitária e no mercado de trabalho com pensamento crítico.

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dia a dia

entrevista

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Atenta aos novos anseios e pensamentos dos jovens de hoje, a educação marista foca em formação integral, de forma a contribuir para as futuras decisões dessa geração.

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Conheça algumas iniciativas de atividades práticas que enriquecem a construção do conhecimento e tornam visível a integração entre os aprendizados de dentro e de fora da sala de aula.

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educar

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como fazer

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compartilhar

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olhar

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Diante do cenário atual, os colégios e unidades sociais percebem a necessidade de uma renovação pedagógica. O ensino deve despertar a capacidade de entender e interpretar o mundo.

Antes considerados ameaçadores e perigosos, games se revelam eficientes ferramentas para estudo e desenvolvimento de habilidades.

Confira dicas de sites, revistas, filmes e programas de TV indicados pelos professores maristas.

Confira os projetos e as atividades que marcaram o segundo semestre do ano letivo.

pastoralistas das unidades sociais vivenciam a experiência da imersão territorial na Ilha Grande dos Marinheiros.

Além de muito divertida, a arte circense pode proporcionar aos estudantes o desenvolvimento motor, a convivência e o trabalho em equipe.

Vigiar os filhos na internet pode dificultar o relacionamento familiar em vez de contribuir. A publicitária e mãe Letícia Rosa, mestre em Comunicação Social pela pUCpR, conversou conosco sobre o assunto.

Irmão Marista comenta sobre a formação integral, cujo objetivo é formar cidadãos preparados para todas as provas da vida.

Saiba o que fazer quando o temido vilão bullying está à nossa volta.

A psicóloga Marina Vasconcellos propõe a reflexão de um assunto polêmico. Para que serve, afinal, a Lei da Palmada?


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Construindo o futuro A educação marista perpassa também a construção do projeto de vida, tendo a orientação vocacional e profissional como um dos pilares.

© Foto: Divulgação/Comunicação e Marketing

Os novos tempos exigem da escola novos jeitos de ensinar e de despertar o gosto pelo aprender. Isso porque o perfil dos estudantes, desde os pequenos aos adolescentes, já não é mais o mesmo de gerações anteriores. Hoje em dia, eles vivem multiconectados a diferentes dispositivos digitais e são bombardeados de informações a todo instante na internet. O desafio das unidades educacionais, principalmente da educação básica, é estar em sintonia com o mundo de seus estudantes e atuar em parceria com as famílias. Atenta a esse cenário, a pedagogia marista contempla as diferentes dimensões do ser humano: corpo, mente, coração e espírito. Assim, levamos em conta todos os aspectos educacionais que resultam na formação integral. Esse trabalho acontece em todos os níveis de ensino, se tornando mais evidente na última etapa da vida escolar, quando os jovens caminham rumo a novas descobertas e aprendizagens. No Ensino Médio, promovemos atividades que visam ao aprimoramento humano por meio da formação ética, além da autonomia e da compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos. Essa fase é marcada pela preparação para o Enem e para os vestibulares, com foco em aulas e projetos interdisciplinares, despertando no estudante a capacidade de relacionar saberes e interpretar o mundo. Nesse sentido, passamos a implementar, gradualmente, as novas Matrizes Curriculares do Brasil Marista, uma proposta inovadora no jeito de organizar e desenvolver os conteúdos em sala de aula. A educação marista perpassa também a construção do projeto de vida, tendo a orientação vocacional e profissional como um dos pilares. A partir de momentos de diálogo, testes, palestras, visitas a universidades, entre outras iniciativas, os jovens são levados a refletir sobre a escolha da carreira que desejam seguir. Nosso propósito é contribuir para a busca do autoconhecimento e da realização pessoal em sua plenitude, formando cidadãos comprometidos com o presente e o futuro.

Por Rogério Anele Superintendente dos Colégios e das Unidades Sociais da Rede Marista

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dia a dia

Visita à cidade de Santos preparou os estudantes do 3o ano do Ensino Médio do Marista nossa Senhora da glória para o vestibular.

Estudantes do Marista Paranaense têm diversas aulas com atividades práticas e tarefas nada convencionais.

Mão na massa Atividades práticas auxiliam o aprendizado e oferecem diversas vantagens para as mais variadas faixas etárias Por Mahani Siqueira

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Qual é o estudante que não gosta de sair de sala por algumas horas e participar de atividades práticas em ambientes diferentes daquele em que passa a maior parte do tempo? No entanto, mais do que simplesmente oferecer novos ares e – muitas vezes – oportunidades de relaxar um pouco do conteúdo das disciplinas, as aulas externas e atividades práticas são uma excelente forma de reforçar o aprendizado e proporcionar novas experiências aos estudantes das mais variadas faixas etárias. Na Rede Marista, são várias as iniciativas que propõem tirar os estudantes da sala de aula sem afastá-los dos conteúdos previstos. O Colégio Marista Glória, de São Paulo (SP), organiza um projeto que envolve quase todas as turmas – até o 3o ano do Ensino Médio –, e levando os jovens para saídas pedagógicas com atividades interdisciplinares relacionadas aos assuntos abordados dentro de sala. Cada turma (à exceção do nível 3 da Educação Infantil e o 3o ano EM, que fazem apenas uma saída) vai a dois locais por ano e nenhuma série repete o destino visitado. Em 2014, alguns dos roteiros envolveram o Museu da Língua Portuguesa, o Instituto Butantan, o Teatro Municipal de São Paulo, o Masp e a fábrica da Volkswagen, entre vários outros.

Batizado de Estudo do Meio, o projeto passa por três etapas. Primeiro, os estudantes são contextualizados sobre o local que será visitado. Depois, já no destino, eles recebem uma aula prática e, para finalizar, preparam um trabalho apostilado sobre o conteúdo aprendido na visita, sendo que o tema também pode ser utilizado em questões de provas. Segundo Keila Castro, coordenadora do Núcleo Cultural do Marista Glória, a vivência é o principal ponto positivo ofertado pelas atividades práticas. “Ver, ouvir e presenciar fixa muito mais o conteúdo do que somente ler sobre aquilo. As experiências vividas nas aulas práticas, fora da sala de aula, são momentos de grande aprendizado e que os estudantes poderão levar para a vida inteira. Essas aulas práticas não são apenas passeios, mas sim parte fundamental do aprendizado, em que são cobradas até presença e nota. Mas o mais importante é que os estudantes têm uma grande oportunidade de enriquecimento cultural em cada uma dessas saídas”, opina Keila. A declaração da coordenadora é validada pelos estudantes do 3o ano EM do Marista Glória. Mariana Alves Dainese e os irmãos gêmeos Eduardo e Fábio Rodrigues Murad Cassiano se preparam para o vestibular no fim do ano e asseguram que a experiência de


© Fotos: Acervo dos colégios

Viagens ao litoral são alguns dos programas mais aguardados pelos estudantes do Marista Paranaense.

ter visitado a cidade de Santos fez muita diferença na hora dos estudos e, principalmente, caso o assunto esteja presente nas temidas provas. “Eu acho importante sair um pouco de sala para poder ver de perto tudo aquilo que os professores e os livros nos contam. Em Santos, fomos a museus, conhecemos o bondinho da cidade e pudemos presenciar vários detalhes de um assunto que estávamos estudando no colégio”, comenta Mariana, seguida por Fábio, que não hesita quando perguntado sobre a confiança no tema para o vestibular. “Se cair algo relacionado a Santos, eu já tenho grandes chances de acertar, porque vou me lembrar da viagem e de tudo que aprendemos”, completa o estudante. Coordenadora pedagógica do Colégio Marista São Luís, em Santa Cruz do Sul (RS), Marta Gonzatto vê as experiências práticas como fundamentais no processo educacional. Segundo ela, as atividades enriquecem a construção do conhecimento e tornam visível a integração entre os aprendizados de dentro e de fora da sala de aula. Ela reforça, ainda, que a compreensão de diferentes temas pode ser facilitada com a elaboração de aulas que não se limitam às salas e aos quadros negros. “O aprendizado é um todo que abarca o que está fora da sala de aula e o que se deseja ensinar em classe, tudo faz parte do processo de conhecer o mundo. Assim, os estudantes podem ver na realidade as coisas que estudam, facilitando o entendi-

O Museu da Língua Portuguesa foi o destino escolhido para as atividades do 2o ano do Ensino Médio do Marista Nossa Senhora da Glória.

mento. O professor pode estimular a curiosidade proporcionando a construção do conhecimento de maneira descontraída e momentos de socialização. Assim, a compreensão e o estabelecimento de relações são potencializados”, afirma Marta. A coordenadora pedagógica ressalta, no entanto, que o professor deve ter bem definido o objetivo e o planejamento pedagógico para que qualquer atividade prática seja coerente com os estudos que pretende desenvolver. Ela também indica que é importante preparar experiências condizentes com as habilidades exigidas na disciplina e que estejam de acordo com a faixa etária dos estudantes. “É importante que o professor conheça o espaço e as possibilidades que ele pode gerar, levando em consideração o fator segurança. Esses cuidados poderão permitir que a prática faça maior sentido e traga resultados mais significativos para os estudantes”, completa. No Colégio Marista Paranaense, de Curitiba (PR), são várias as atividades práticas oferecidas aos estudantes, tanto dentro quanto fora da escola. Além de visitas a museus, usinas de reciclagem, aterros sanitários e cidades do litoral paranaense e catarinense, os estudantes podem fabricar sabonetes, vivenciar experiências sensoriais de degustação e manipulação de alimentos e até participar da produção de queijo e achocolatados. Para a coordenadora psicopedagógica do colégio, Neiva Pinel, as práticas só têm vantagens a oferecer.

“São experiências muito significativas para os estudantes. Nelas, além de aprenderem conteúdos acadêmicos e de terem acesso à tecnologia de última geração, eles interagem com o meio, atuam com mais autonomia e responsabilidade, amadurecem as relações sociais, aprendem a fazer uma leitura mais ampla dos contextos culturais e, por meio da observação, constroem conhecimento, senso crítico e posicionamento político diante das realidades encontradas”, finaliza Neiva.

O aprendizado é um todo que abarca o que está fora da sala de aula e o que se deseja ensinar em classe, tudo faz parte do processo de conhecer o mundo. Assim, os estudantes podem ver na realidade as coisas que estudam, facilitando o entendimento. Marta Gonzatto Coordenadora pedagógica do Colégio Marista São Luís, em Santa Cruz do Sul (RS)

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capa

eu me vejo como uma cidadã que se preocupa com o próximo, acho que esse é o maior legado marista que levo. Atualmente, gosto do trabalho de liderança da turma e de representar meus colegas. débora gouveia estudante do 2o ano do ensino Médio do Colégio Marista João Paulo II, de Brasília (DF)

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Ensino Médio focado nas provas da vida Mais que preparar o jovem para o vestibular, é preciso ampará-lo para a escolha certa da carreira e lhe dar subsídios para o ingresso na vida universitária e no mercado de trabalho com pensamento crítico

© Foto: Gilberto do Rosário

Por Michele Bravos

Até parece que o cérebro dos jovens nascidos na década de 1990 funciona de um jeito diferente dos demais. E talvez seja isso mesmo. Essa geração, chamada de Geração Z, nasceu conectada e sua consciência foi influenciada, desde a maternidade, pela velocidade da tecnologia. Segundo dados do Ibope, para a maioria dos jovens Z, o estudo é prioridade e sete em cada dez deles desejam ingressar em uma universidade. O desafio atual da educação, principalmente nos anos do Ensino Médio – fase de transição –, é como trabalhar o processo de ensino e aprendizagem em novos formatos, atendendo às expectativas desses jovens e do mercado de trabalho que os espera. Lucca Roth, do Terceirão do Colégio Marista Rosário, de Porto Alegre (RS), faz parte desse núcleo de pessoas multitarefas, questionadoras, curiosas, ávidas por tecnologia. Ele sonha em ser professor e atribui a vontade aos exemplos que teve. “Essa convicção nasceu da grande admiração que tenho pelo papel fundamental do professor na sociedade e dos ótimos exemplos que vejo no colégio e na minha família”. Em um mundo que não é cartesiano, o diretor educacional, Flávio Sandi, lembra que preparar essa e as gerações futuras para a vida não é treiná-las para uma prova de vestibular. O foco deve estar além. “Não é na lógica que encontro tudo com o que me relaciono no mundo. Precisamos falar de transcendência, desenvolvendo sensibilidade estética, olhando o mundo por meio da dança, por exemplo, trabalhando as dimensões espiritual, corporal e social de forma interligada”.

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Lucca Roth, do Terceirão do Marista Rosário, de Porto Alegre (RS), e a mãe Carla Domingues.

Para a fisioterapeuta Carla Domingues, 42 anos, mãe de Lucca, a partir do momento em que a escola se propõe a formar um cidadão, ela, junto com a família, deve ter como objetivo a busca pela plenitude da realização pessoal tanto na sua individualidade quanto como parte da sociedade. A consciência de que ter uma formação cidadã caminha paralelamente ao sonho de ser biomédica da aluna Débora Figueiredo, do 2o ano EM, do Colégio Marista João Paulo II, de Brasília (DF). “Eu me vejo como uma cidadã que se preocupa com o próximo, acho que esse é o maior legado marista que levo. Atualmente, gosto do trabalho de liderança da turma e de representar meus colegas”. Os sonhos profissionais não ficam tão distantes das carreiras já conhecidas. O que muda é a forma como tudo tem se desenrolado. No artigo A chegada da Geração Z no mercado de trabalho, de Caio Lauer, o autor reforça que esses jovens esperam que o mundo ao seu redor – aí se inclui o mercado de trabalho – seja semelhan-

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te ao seu próprio mundo: “conectado, aberto ao diálogo, veloz e global”. Diante dos muitos anseios e sonhos, como os de Lucca e Débora, é preciso um esforço em torno dos Zs, lembrando-os de que é necessário ter foco para atingir o que se almeja. Os caminhos, mesmo que múltiplos, devem ter um objetivo. A diretora educacional Márcia Rosa, do Colégio Marista São Francisco, de Chapecó (SC), afirma que as formas de se relacionar, de socializar, estudar e aprender mudaram e que o Ensino Médio (período em que essa geração se encontra no momento) deve proporcionar “vivências favoráveis ao espírito decidido e questionador da idade como caminho à composição de diferentes olhares sobre o mundo”. Foram esses aspectos, que vão além de ensinar um conteúdo, que fizeram com que a pesquisadora associada da Universidade de Brasília Adelaide Figueiredo, 57 anos, e mãe de Débora, escolhesse o Colégio Marista para a filha. “Sei que ela não está só aprendendo o conteúdo necessário para seu acesso à universidade, mas também está valorizando o respeito pelas diferenças e pelas pessoas, o esporte, os conceitos de disciplina e de ordem. Tudo isso em um ambiente saudável”. Os novos formatos de socialização mostram jovens que interagem com tudo e com todos muito bem intermediados pela tecnologia, mas que se subestimam nas relações presenciais. O diretor educacional Flávio Sandi pontua o quanto é importante que o jovem seja instigado sobre as relações pessoais e a sua presença no meio, para que tenha sucesso. “No mercado de trabalho, certamente contratamos pela competência do indivíduo, mas demitimos pelo relacional”. A proposta marista é mediar todas essas facetas com plataformas

digitais, que instigam o aprendizado dessa geração por meio da linguagem que mais faz sentido para ela, mas também desafiando o estudante a vivências que desenvolvam outras habilidades e formas de relacionamento. “Olhar o mundo sob a ótica das relações, das conexões e das interações de fato permite aos jovens novas possibilidades de inclusão e desenvolvimento integral”, afirma Márcia. A diretora educacional ainda complementa que reconhecer a diversidade como campo de atuação e de identificação é fundamental. “É importante permitir aos jovens experiências colaborativas, inovadoras, o reconhecimento dos resultados e seu valor. Os estudantes devem ser entendidos como fundamentos da autonomia e da criticidade”.

Não é na lógica que encontro tudo com o que me relaciono no mundo. precisamos falar de transcendência. Flávio Sandi Diretor educacional

© Foto: Gilberto do Rosário

© Foto: Acervo pessoal

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© Foto: Gilberto do Rosário

PREPARAção A construção de um raciocínio crítico passa pelo aprendizado individual. “Aprender é internalizar algo, é atribuir significado pessoal ao externo”, diz Sandi. Esse processo se inicia nos anos do Fundamental e segue até o Ensino Médio. O diretor educacional questiona a postura de pais que ainda acham que os filhos precisam de respostas prontas para perguntas prontas. “Isso é cópia e não ensinar a aprender. Quem acerta mais respostas em uma prova não é aquele que aprendeu mais. Memorizar fórmulas não é aprender, uma vez que esse ato exige construir caminhos”. É o aprendizado que vai tornar esse jovem um cidadão transformador. O professor Celso de Miranda Junior, conhecido entre os estudantes como Pipoca, estudou dez anos em colégios maristas – Santa Maria, em Curitiba (PR), e Arquidiocesano, em São Paulo (SP). Depois, ingressou como professor no colégio paulista. Entre idas e vindas, como estudante e professor, são mais de 40 anos de envolvimento com a Instituição. Formado em Física e Engenharia Eletrônica e com passagem pelo cursinho mais visado de São Paulo, ele garante que sua especialidade é o vestibular e a revisão de conteúdos. “Por tudo o que já vivi, percebo que a pessoa que faz cursinho tem foco em acertar questões de uma prova. Normalmente, ela já fez o Terceirão e agora precisa revisar alguns pontos”. Achar que o 3o ano pode ser substituída por um cursinho é um engano. “Toda a diferença está no desenvolvimento do estudante ao longo dos anos anteriores. A parte conceitual é a mais importante de todas e isso é a base. Na fase de vestibular, a decoreba, com músicas e esquemas, só fará sentido se houver embasamento”. O professor lembra que mais importante que saber uma fórmula é saber utilizá-la e entender o sentido dela aplicada no mundo.

Toda a diferença está no desenvolvimentodo estudante ao longo dos anos anteriores. A parte conceitual é a mais importante de todas e isso é a base. Na fase de vestibular, a decoreba, com músicas e esquemas, só fará sentido se houver embasamento. Celso de Miranda Junior [Pipoca] professor do Marista Arquidiocesano, de São Paulo (SP)

Lucca entende que os processos seletivos representam uma pequena fração da caminhada como estudante. Ele ainda afirma que o cotidiano da vida escolar marista compreende uma verdadeira gama de valores sendo transmitidos, auxiliando na formação do caráter. O professor diz que o 3o ano EM em colégios maristas não é um cursinho, uma vez que mantém seu foco no aprendizado, mas os professores empenham seus esforços para garantir que o estudante ingresse em uma universidade e possa fazer valer o conhe-

cimento adquirido durante os anos no colégio. “Quero ser lembrado como o professor que contribuiu para que essa nova fase fosse possível”.

ESColhA CERtA A fase que sucede o Ensino Médio é a preparação mais avançada para o mercado de trabalho. A orientação para essas novas fases faz parte da formação do jovem e também deve ser amparada pelo colégio. No Marista São Francisco (SC), durante a disciplina de Orientação Profissional, os jovens discutem suas afinidades e seus interesses, conhecendo um pouco mais sobre os desafios de diferentes profissões. A farmacêutica Yara Battazza, 48 anos, mãe de Bianca Batazza, do 3o ano do Marista Arquiocesano, acredita que esse formato de educação influencia na busca da carreira a ser seguida. “Acho que com essa formação, o aluno busca uma profissão em que possa ser importante e útil na vida de alguém, de maneira justa”. Débora conta que o colégio teve papel fundamental na escolha do curso de Biomedicina. “Ele me deu várias oportunidades, como palestras e semanas vocacionais, para eu che-

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ConhECiMEnto nA PRÁtiCA A dinâmica em tempos atuais é de mesclar o saber com o fazer, a reflexão com a prática. “A memorização nesse contexto é substituída pelas memórias; a decoreba, por reflexões e repertórios de conhecimentos assegurados no domínio de habilidades e competências”, diz a diretora educacional Márcia Rosa. A pesquisadora e mãe de estudante marista, Adelaide Figueiredo, acredita que, hoje, conteúdo já não é “o mais relevante”, porque isso está disponível facilmente na internet, por exemplo. “Analisar e criticar esse conteúdo é que é o grande desafio do

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professor atual. Por isso, acho que o diferencial do Marista está em contribuir com a educação continuada de um estudante, mostrando-lhe como aprender a aprender e não apenas como passar no vestibular”. A diretora afirma que o próprio Enem aponta para esse caminho de compreensão conceitual e técnica aplicada à prática da realidade. “É sabido que, há um tempo, a ênfase era nas práticas de domínio de conteúdo. Neste momento, temos o desafio de dar sentido e utilidade aos conteúdos trabalhados”, diz. Nesse contexto, potencializam-se as diversas formas de aprendizado e a visão ampla sobre o ensino e a formação do jovem. O professor Junior enfatiza: “Os pais devem almejar que o filho se torne um cidadão e não o primeiro lugar em uma universidade”. Ele, que também é pai marista, conta que estava ciente de que se os filhos não passassem no vestibular mais concorrido do país, isso não os diminuiria. “A minha filha escolheu uma profissão para ajudar as pessoas, ela é terapeuta ocupacional em uma comunidade vulnerável. O meu filho tem um espírito de liderança, de articulação de pessoas muito forte. Eles são cidadãos e muito disso é por conta do colégio”.

É sabido que, há um tempo, a ênfase era nas práticas de domínio de conteúdo. Neste momento, temos o desafio de dar sentido e utilidade aos conteúdos trabalhados. Márcia Maria Rosa Diretora educacional do Colégio Marista São Francisco, de Chapecó (SC)

© Foto: Gilberto do Rosário

gar a essa conclusão do curso”. “Sabemos que é um momento de dúvidas e que elas são naturais. Nosso maior desafio está em auxiliar os jovens a se reconhecer nos processos e desafios vividos. A disciplina de Orientação Profissional, juntamente com a equipe de Pastoral e o Núcleo Psicopedagógico, faz o acompanhamento das reflexões com estudos dirigidos, palestras com diferentes profissionais, teste vocacionais, entre outras atividades. Esse trabalho contribui no processo de amadurecimento dos jovens e na compreensão das suas escolhas, minimizando a ansiedade e estabelecendo uma relação mais segura de expectativas sobre os desafios da vida profissional e do futuro”, afirma Márcia. A professora universitária Maria Teresa Trevisol, mãe de Gabriel Trevisol, do 3o ano EM do Marista São Francisco, de Chapecó (SC), analisa que com um conjunto de conhecimentos e competências construídos, o estudante terá melhores condições de se posicionar diante das inquietações e dos desafios do dia a dia, seja na opção pelo curso superior ou nos encaminhamentos do cotidiano profissional.

o tERCEiRão MARiStA O 3o ano do ensino Médio marista está envolto por muitas emoções, que nem as fórmulas explicam. O professor Junior lembra que o perfil do estudante marista dessa etapa é majoritariamente de jovens que estudaram anos no colégio. Portanto, esse é um ano de passagem, de despedida. Quem pratica dança ou esporte sabe que é o último ano que fará aquilo pela escola. Dessa forma, o ritmo de aula também precisa estar adequado a esse momento. “Isso precisa ser respeitado e vivido por eles”, diz o professor. Já se o estudante tem expectativa de entrar em uma universidade extremamente concorrida, é preciso estar ciente de que o ritmo nos estudos deve ser mais puxado.


uMA VAgA nA uSP À procura de emprego, certa vez o pai de Allan Deusdará, 24 anos, deixou seu currículo no Marista Arquidiocesano (SP). “Eu me lembro de estar andando com o meu pai pela cidade, entregando currículos. Lembro quando passamos no Arqui”. Nem pai nem filho poderiam imaginar o que esse currículo renderia no futuro. O pai de Allan foi chamado para trabalhar na portaria do colégio. Tempos depois, Allan conseguiu uma bolsa integral para estudar o Ensino Médio no Marista. “eu estudei toda a minha vida em escola pública. Quando comecei a estudar no Arqui, foi bem puxado. eu não tinha base e alguns assuntos do 7o ou 8o ano eu nunca nem tinha visto”. Allan conta que foi só no 2o ano que ele conseguiu acompanhar melhor o ensino. Nesses três anos de Ensino Médio, ele conta que se dedicou bastante aos estudos e quando decidiu prestar vestibular somente na USp e na Unicamp, os esforços redobraram. “eu dedicava boa parte do meu tempo para os estudos. Fazia simulados, revia o conteúdo nos fins de semana”. O esforço não foi em vão. Allan passou nos dois vestibulares que prestou e, hoje, exerce a profissão de engenheiro químico em uma empresa do segmento, em São Paulo. O legado marista que ele traz consigo até hoje é o valor da amizade. “Eu me tornei amigo de muitos professores do Arqui. Foram eles que me ajudaram a superar as falhas que eu tinha, devido ao ensino público. percebia que eles ficavam felizes em ver o meu progresso. Quando disse que queria fazer USp ou Unicamp, muitos me alertaram que seria difícil, mas me apoiaram dizendo que se era o que eu queria, eu deveria me esforçar e eu poderia conseguir”.

Os pais devem almejar que o filho se torne um cidadão e não o primeiro lugar em uma universidade. Celso de Miranda Jr. Professor do Terceirão do Colégio Marista Arquidiocesano, de São Paulo (SP)

© Foto: Gilberto do Rosário

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Š Foto: Rafael Casagrande / Unisinos

entrevista

Pais e o

instinto detetive na internet Por Michele Bravos

Stalkear* os filhos pode dificultar o relacionamento familiar em vez de contribuir. Pais precisam refletir sobre os limites entre o cuidado e o respeito * Termo usado na internet para se referir a pessoas que investigam as outras virtualmente. É derivado do termo inglês stalk.

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Monitorar o filho na internet não é sinônimo de perseguição, quebra de privacidade ou superproteção. Mas para que o cuidado não siga um rumo invasivo, é preciso que os pais reflitam sobre a

forma como irão se comportar na internet e que, em casa, seja mantido um diálogo familiar franco, olho no olho. A publicitária e mãe Letícia Rosa, mestre em Comunicação Social pela

Até que ponto os pais podem interferir na vida online dos filhos? Qual o limite entre o cuidado e o respeito?

Muitos pais fazem uma confusão entre essas duas coisas. Cuidado é o pai que está no mundo virtual observando, a distância, os perfis com quem o filho tem se relacionado, para que diante de uma situação de perigo, ele possa alertá-lo pessoalmente. Mas os pais que interferem nos bate-papos dos jovens com amigos e opinam onde não são convidados estão faltando com respeito e se tornando pessoas não bem-vindas.

Esse é o motivo de muitos filhos não terem seus pais nas redes sociais? Como os pais devem interpretar esse tipo de atitude?

Os nativos digitais são muito hábeis nesse mundo. Então, se uma postura, mesmo que dos pais, os desagrada, eles bloqueiam mesmo. Eles dão um jeito de romper o contato. É preciso entender que as redes sociais são um reflexo do que somos. O bloqueio é só o reflexo de uma relação que existe no mundo físico. Um pai muito perseguidor dá margem para que o filho seja também paranoico e o evite. Em uma relação de confiança, o filho consegue se expor e se sente tranquilo com isso. O bloqueio na internet pode ser o sinal de um problema e indicar que outras atitudes semelhantes estão por vir, sinalizando a ausência de diálogo sobre vários assuntos. Toda relação familiar passa pela casa, que é onde se deve conversar sobre as posturas na internet, por exemplo.

Os pais precisam saber de tudo que os filhos fazem na internet?

Essa postura varia muito de pai para pai, mas eu entendo que, hoje, a maior preocupação dos pais deve ser em relação à segurança dos filhos e não tanto em saber se a filha está namorando alguém ou não. O espaço da internet é inseguro e, por isso, os pais precisam estar atentos às más intenções que cercam os filhos. Há informações de que grupos de sequestradores seguem e monitoram famílias. Portanto, é preciso o monitoramento – ponderado – dos pais, orientando sobre o comportamento dos filhos na internet.

Qual a sua opinião sobre o uso de softwares de monitoramento?

PUCRS e professora do curso de Comunicação Digital na Unisinos (Universidade do Vale do Rio dos Sinos), conversou com a revista Em Família Marista sobre o assunto.

Acho isso bem complicado. Quando se chega ao ponto de usar um software de monitoramento se pressupõe que já não existe mais confiança. Isso atesta que houve uma ruptura de relacionamento, em algum momento, nessa família. Usar o software pode piorar tudo. Imaginemos que o pai realmente descobre que o filho está se envolvendo em algo ruim, como ele irá expor isso sem mencionar o monitoramento por software? O filho pode se sentir incomodado, com a privacidade violada. Se os pais estão recorrendo a esse tipo de recurso, é preciso rever como está o relacionamento familiar, pois essa relação, sim, está em risco.

O bloqueio é só o reflexo de uma relação que existe no mundo físico. Um pai muito perseguidor dá margem para que o filho seja também paranoico e o evite.

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© Foto: Sxc.hu

entrevista

A partir de que idade você considera adequado que uma criança tenha um perfil em uma rede social?

Com certeza a idade adequada não é a da alfabetização, como temos visto alguns casos. Acredito que a partir da pré-adolescência é melhor, pois é quando os filhos já têm um entendimento maior do que está acontecendo ao seu redor. Existem redes sociais específicas para crianças. Não vejo problema de as crianças as utilizarem, até porque elas promovem e exigem uma presença próxima dos pais. É o caso do Club Penguin, que mistura jogo com rede social.

Neste contexto atual, em que se fala muito por imagens, como fica a questão de segurança? e qual deve ser a orientação dos pais para os filhos?

As redes sociais são como uma praça pública, mesmo que esteja só você e o seu computador. Isso precisa ser explicado em casa. O primeiro ponto é que os filhos precisam entender que estão em um ambiente público e, portanto, não podem fazer lá o que não fariam na praça, literalmente. É interessante que os pais orientem os filhos a preservar a própria imagem, usando dos recursos de opções de compartilhamento, para evitar que suas fotos sejam vistas por todos – o que não é bom. Quando você posta uma foto publicamente, ela estará disponível em sites de busca, por exemplo. Por isso, orienta-se que as fotos pessoais sejam postadas apenas para os seus amigos ou só para um grupo mais seleto. Esses mecanismos de segurança estão disponíveis em quase todas as redes sociais. Basta usá-los. Os filhos devem ser orientados, também, a não postar fotos que identifiquem onde estudam, como fotos de uniforme, nem que explicitem a sua rotina.

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É interessante que os pais orientem os filhos a preservar a própria imagem, usando dos recursos de opções de compartilhamento, para evitar que suas fotos sejam vistas por todos – o que não é bom.

e o que dizer para os pais que acabam se expondo e expondo os filhos na internet?

Os pais não sabem o mal que fazem ao publicar ostensivamente seus passos e dos filhos. Fotos de férias e de lugares que frequentam podem tornar a família muito visada. Fotos de crianças sem roupa é outro erro. Há muitas chances de uma foto dessas ser usada com más intenções. Como sempre se diz: o exemplo vem de casa. Se os pais esperam que os filhos ajam de forma adequada, zelando pela própria segurança na internet, eles precisam fazer o mesmo.


marista em rede

tecnologia para as © Foto: Acervo do colégio

famílias

Aplicativo para celular dos colégios maristas visa facilitar acesso dos pais a informações escolares do filho As instituições de ensino vivem um paradigma: ao mesmo tempo em que formam profissionais para o mercado de trabalho, têm certa resistência em absorver, nas rotinas diárias, as inovações proporcionadas por ele. Isso pode ser atribuído à tradição (muitas vezes centenária) de instituições educacionais que carregam consigo uma cultura enraizada em costumes que demoram a mudar. Entretanto, esse quadro vem se alterando e, em muitas frentes, o novo avança. Hoje, os smartphones surgem como a ponte que liga a tecnologia às escolas. “Não é uma questão de trocar tudo pelo celular, mas usá-lo como apoio para as atividades. Bem cuidada e gerenciada, a tecnologia substitui tranquilamente algumas coisas feitas de papel e abre um caminho oficial para conversar com os pais”, comenta o professor de Comunicação Digital, André Pase. Pautados pela inovação, nossos colégios estão implementando um aplicativo que visa justamente estreitar a relação entre a família e a escola. O Marista Virtual já está sendo utilizado no Marista Rosário, Marista Champagnat, Marista Ipanema, de Porto Alegre; Marista Pio XII, de Novo Hamburgo; Marista Aparecida, de Bento Gonçalves; Marista Graças, de Via-

mão; Marista Santa Maria, de Santa Maria; Marista San'Ana, de Uruguaiana; e Marista João Paulo II, de Brasília. O objetivo da ferramenta é que o responsável possa acompanhar de perto a vida de seu filho. “Na correria do dia a dia, fica difícil os pais irem ao colégio. Nossa ideia é proporcionar o movimento inverso: que a informação vá ao encontro dos familiares”, explica o coordenador de TI dos Colégios e Unidades Sociais da Rede Marista, José Marçal de Araújo. De acordo com ele, a ideia é implantar o app em todos os colégios maristas do RS até o início do ano letivo de 2015.

tRAnQuilidAdE PARA oS PAiS O Marista Virtual possui funcionalidades importantes, como consulta financeira e ao boletim escolar, ocorrências pedagógicas, notícias e atualização de dados das famílias. Porém, em cada colégio, ele é adaptado para as necessidades locais. Para os pais do Marista Rosário, por exemplo, uma das funcionalidades é a notificação que o responsável recebe em seu smartphone assim que o filho entra ou sai do colégio. Interligada com as catracas que estão nas recepções, a ferramenta avisa imediatamente sobre o acesso dos estudantes à escola.

“Os pais estão habituados com os aplicativos, até formam grupos no WhatsApp. Com o uso dessas ferramentas, as escolas não apenas buscam presença, mas também mostram que estão sempre abertas para que os pais entendam o que é feito com os seus filhos, e isso reforça a transparência das instituições.” André pase, professor de Comunicação Digital da PUCRS

Gostou? Baixe o app por meio dos códigos abaixo ou diretamente na AppStore e Google Play. Procure por Colégios Maristas.

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© Foto: Shutterstock

ponto de vista

A escola e a família: nossos filhos competentes em quê? Por Luciano Miraber Centenaro e Rui Antonio Piassini Assessores pedagógicos dos Colégios e das Unidades Sociais da Rede Marista C

Quando vamos ao médico para uma consulta, quando procuramos um dentista, ou precisamos de um arquiteto, enfim, em qualquer serviço buscamos sempre competência. Segundo Zabala & Arnau (2010, p. 40) “ser competente é, ao agir, mobilizar, de forma integrada, conhecimentos e atitudes mediante uma situação-problema, de forma que a situação seja resolvida com eficácia”. O que queremos, então, é que esses profissionais, durante sua vida, se preparem para enfrentar problemas reais em que precisem se desafiar e aprender a ser competentes. Nesse sentido, escola e família precisam estar próximas, pois é nelas que os problemas reais se darão de forma mais evidente. Na escola, o estudante será desafiado a resolver a questão da mobilidade urbana, do crescimento populacional e da geração de renda; enquanto na família, será instigado a, por exemplo, resolver a resistência de desligar o celular durante o jantar, de fazer os deveres de casa, de estudar para as avaliações diariamente, de guardar o dinheiro de sua mesada para comprar algo que queira muito, entre outros.

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Assim, as crianças e os jovens vão construindo um conjunto de habilidades que se transformarão em competências. Essa educação servirá de base para que eles possam realizar outras escolhas. Destas, também surgem os relacionamentos interpessoais e a sua qualidade está relacionada aos valores construídos pela família e pela escola com o sujeito. Hoje, a forma com que fomos ensinados não atende mais a maneira com que nossos estudantes aprendem. Muitos de nós, pais ou professores, quando precisávamos realizar um trabalho escolar, procurávamos nossas referências bibliográficas em enciclopédias, como a Barsa ou a Conhecer. Nossos filhos estão a poucos cliques de uma sequência enorme de fontes de informações – carentes, é claro, de um olhar mais crítico de veracidade e correção. Mas, então, o que se aprende hoje? Como conciliar competência acadêmica com projeto de vida? Cabe salientar que não é possível desenvolver competências (capacidade de mobilizar conhecimentos para resolver problemas) sem conteúdos. Os conhecimentos historicamente construídos pela humani-

dade são ferramentas necessárias para resolver os problemas do cotidiano e fomentar o desenvolvimento tecnológico. Diante disso, é necessário, sim, possuir sólidos conceitos desenvolvidos em todas as áreas. O resgate que precisamos fazer de modo urgente é no sentido que damos para os conteúdos que são trabalhados. Na perspectiva do trabalho por competências, o conteúdo deixa de ser um fim e passa a ser o meio para resolver uma situação-problema. Ao resolver a situação, o estudante mobiliza seus conhecimentos e suas habilidades, desenvolvendo uma determinada competência. Enfim, a educação vai muito além do espaço da sala de aula. Quando a criança e o jovem saem dos limites da escola, o processo de ensino e de aprendizagem continua. Todos os momentos de partilha, brincadeiras ou tensões em família também são oportunidades para o desenvolvimento de competências.

ZABALA, A.; ARNAU, L. (2010). Como aprender e ensinar competências. Porto Alegre: Artmed.

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© Fotos: Acervo dos colégios

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MAtEuS duARtE 7o ano do Ensino Fundamental escola Marista Santa Marta Santa Maria (RS)

luCAS BoRRé loBo 2o ano do ensino Médio Colégio Marista Santo Ângelo Santo Ângelo (RS)

ARthuR SiEBEl 3o ano do ensino Médio Colégio Marista Assunção Porto Alegre (RS)

“Gosto de Medicina por diversas razões, principalmente porque salva muitas vidas. Sei que para ser um grande médico, necessitase de muito estudo, esforço e dedicação. E cada aprendizado que eu tiver até lá ajudará bastante no meu futuro.”

“Quero estudar Engenharia, pois o profissional dessa área é um dos poucos que veem o mundo ao seu redor e podem transformá-lo conforme o necessário. Assim, criaria um novo mundo utilizando os materiais corretos.”

“Independentemente da área, meu maior sonho é fazer o bem. Quero ajudar as pessoas, deixando a minha marca nos lugares em que eu passar. Para isso, vou cursar Fisioterapia e trabalhar em unidades sociais.”

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João Pedro Ferreira Rocha 3o ano do Ensino Médio Colégio Marista Sant’Ana Uruguaiana (RS)

Lennon Stürmer 3o ano do Ensino Médio Colégio Marista Maria Imaculada Canela (RS)

Lourenço Ache Fernandes 3o ano do Ensino Médio Colégio Marista Roque Cachoeira do Sul (RS)

“Quero fazer faculdade de Sistemas de Informação. Essa área sempre foi de meu interesse. Quero montar uma empresa com profissionais qualificados e continuar estudando para aprofundar meus conhecimentos.”

“Pesquisando carreiras que estudassem a imensidão do universo, conheci a Astrofísica, uma das áreas mais conceituadas do mundo. Juntando isso à minha paixão por Física, além da chance de promover o bem comum para a humanidade através da ciência, estou determinado a seguir em frente nesse sonho.”

“Quero ser médico, pois acredito no papel social dessa profissão. Há muito o que se descobrir na Medicina a fim de melhorar a qualidade de vida das pessoas. Além disso, sempre tive afinidade com a área das Ciências da Natureza.”

Opinião dA EducadoRA Desacomodar-se, tornar-se protagonista do presente e do futuro que está por vir! Essa é uma das tantas tarefas do adolescente, imerso na chamada sociedade do conhecimento. Envolto pela informação, pelo imediatismo, pela fluidez e virtualidade das relações, o jovem projeta sonhos, paixões, desassossegos. Salvar vidas, transformar o mundo, promover o bem comum à humanidade, melhorar a qualidade de vida das pessoas. O jovem de hoje parece trazer a mesma sanidade e coragem daquele que já fomos. Essa fascinante etapa do desenvolvimento traz consigo a elaboração de inúmeros

conflitos, a destacar a construção da identidade adulta, que subjaz a construção do seu projeto de vida. A escolha profissional demarca esses territórios, mobilizando os adolescentes para o autoconhecimento que apontará suas escolhas e, também, suas renúncias.

Andrea Miglioransa Psicóloga, especialista em Psicologia Clínica e Gestão em Educação. Orientadora educacional do Colégio Marista Rosário, de Porto Alegre (RS)

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Despertar a capacidade de

© Fotos: Acervo do colégio

interpretar o mundo

Sala de aula, professor explicando um determinado conteúdo, olhares curiosos e dúvidas no ar, um estudante levanta o dedo e questiona: “Mas para que serve eu aprender isso?”. Por mais que as escolas estejam atentas ao cenário contemporâneo, esse tipo de indagação ainda se mostra recorrente nos dias de hoje. Outra típica interrogação é como alguns conhecimentos, que à primeira vista são menos práticos, podem ser aplicados no dia a dia. Em resposta a essas perguntas, os Colégios e as Unidades Sociais da Rede Marista vêm apostando em uma renovação do seu fazer pedagógico. O principal objetivo é despertar no estudante a capacidade de ler e interpretar o mundo. Essa trajetória teve início em 2010, com o lançamento do Projeto Educativo do Brasil Marista, documento balizador das práticas pedagógicas

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trabalhadas diariamente nas escolas maristas. A partir desse movimento, começou a ser trilhado o caminho para uma nova concepção do jeito de ensinar: as Matrizes Curriculares. Conforme sinaliza o educador Miguel Arroyo, “o currículo é o núcleo e o espaço central mais estruturante da função da escola”. Pensando nisso, a iniciativa de propor uma abordagem educativa dinâmica e integrada foi tomada com a intenção de possibilitar que os estudantes relacionem saberes, aplicando o conhecimento no seu cotidiano e, futuramente, na vida profissional. “O ressignificado das práticas pedagógicas na escrita das matrizes foi estabelecido a partir das áreas de conhecimento, indo ao encontro das necessidades do contexto atual”, ressalta a supervisora pedagógica dos Colégios e Unidades Sociais da Rede Marista Shirley Cardoso.


Professores do Marista Champagnat atuam juntos para dar aulas de Geociências.

APRENDER DE FORMA INTEGRADA A implementação do novo currículo tem sido gradativa nos colégios. Diversos momentos de diálogo e troca de ideias sobre o assunto estão sendo realizados. Por levar em conta as particularidades de cada comunidade educativa, a implantação das matrizes é personalizada por escola. No Marista Champagnat, em Porto Alegre (RS), os professores foram desafiados a desmembrar as competências e os conteúdos de cada componente curricular em habilidades relevantes para a formação integral das crianças e dos jovens. Desde o início deste ano, educadores de diferentes especialidades do Ensino Fundamental estão atuando em parceria nas salas de aula. O professor de Geografia, Renan Darski, juntamente com Henrique Meyer e Magda Medeiros, ambos de Ciências, dá aulas de Geociências. “Nosso projeto é uma resposta à ‘provocação’ instaurada pelas matrizes de promover um aprendizado contextualizado e sempre relacionado”, explica Darski. Além de qualificar o ensino em sala de aula, a proposta do colégio promove uma interação entre os professores. “É interessante assistir a meus colegas explicando os conteúdos. É uma formação didática”, completa.

Foco no Enem A interdisciplinaridade trabalhada nas Matrizes Curriculares atende às demandas da reforma da educação básica, tendo o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como referência. Nele, os estudantes devem interpretar, analisar e refletir sobre informações em diversas linguagens, como textos, gráficos, esquemas e mapas. Além disso, as provas reúnem questões para avaliar se os jovens são capazes de argumentar, solucionar problemas cotidianos e práticos, elaborar propostas de intervenção da realidade e apresentar ideias bem encadeadas, deixando de lado a famosa “decoreba”. As matrizes levam em consideração todos esses aspectos e são baseadas na estrutura das quatro áreas do conhecimento, como no Enem: • Matemática e suas tecnologias: abrange conceitos de Matemática aplicados no cotidiano. • Ciências Humanas e suas tecnologias: contempla os componentes curriculares de História, Geografia, Filosofia e Sociologia. • Ciências da Natureza e suas tecnologias: envolve conteúdos de Biologia, Química e Física. • Linguagens, códigos e suas tecnologias: trabalha os aprendizados de Língua Portuguesa, Literatura, Língua Estrangeira (Inglês ou Espanhol), Artes e Educação Física.

Nosso projeto é uma resposta à ‘provocação’ instaurada pelas matrizes de promover um aprendizado contextualizado e sempre relacionado. Renan Darski, professor de Geografia

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Aulas interdisciplinares propõem diálogo, interação e construção coletiva do conhecimento.

MEtodologiA inoVAdoRA No Marista Graças, em Viamão (RS), a implantação das novas Matrizes Curriculares representou uma oportunidade para o colégio colocar em prática conceitos que há muito tempo são discutidos no âmbito educacional, mas pouco empregados de maneira efetiva em sala de aula, como a interdisciplinaridade e o ensino a partir da metodologia de projetos. Nesse sentido, as posições do professor que ensina e do estudante que aprende foram substituídas pelo diálogo permanente e pela construção coletiva do conhecimento. Para o docente de Sociologia e Filosofia Cesar Augusto Nunes, a forma tradicional do ensino deixa os educadores estáticos frente aos conteúdos das disciplinas, dialogando, no máximo, com os componentes da mesma área de conhecimento. Já o modelo curricular adotado em 2012 no Marista Graças traz luz sobre os desafios educacionais da atualidade. “Com a proposta de projetos interdisciplinares, há uma necessidade de construir uma teia de saberes, envolvendo as diferentes áreas de conhecimento para que os estudantes possam resolver uma determinada situação-problema”, ressalta Nunes.

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Situação-problema: cidade flutuante A partir do tsunami e do acidente nuclear ocorrido em Fukushima (2011), os estudantes do Marista Graças analisaram o fenômeno e as necessidades dos sobreviventes e propuseram uma solução para a seguinte situação-problema: organizar um espaço flutuante para permanência de 600 japoneses (450 adultos em idade ativa, 100 crianças e jovens e 50 idosos) no Japão, considerando as necessidades de moradia, alimentação, educação, saúde e transporte, bem como a máxima economia em relação à verba a ser empregada no projeto. A situação-problema foi divulgada aos poucos, acrescentando novos desafios ao longo do ano letivo. Em um primeiro momento, os jovens realizaram estudos do contexto apresentado, o fenômeno e suas implicações. A seguir, partiram para a pesquisa acerca de possibilidades para a solução, fizeram propostas, construíram argumentações e elaboraram formas de explicitar suas ideias. para concluir o trabalho, os estudantes defenderam suas propostas para uma banca avaliadora, formada por professores de diferentes áreas e convidados, apresentando sua solução às famílias e aos amigos através de uma maquete construída a partir dos conceitos estudados.

Os projetos do colégio desenvolvidos em 2014 destacam temas contemporâneos importantes, como realidade brasileira, tráfico humano, família, saúde, alimentação, violência, lixo, entre outros. Foram realizados estudos do contexto apresentado, pesquisas, saídas de estudo, construção de argumentações, além da elaboração de ma-

quetes e documentários para explicitar as ideias. “As temáticas são atuais e de extrema relevância para a formação dos estudantes, não só no desenvolvimento de competências acadêmicas, mas também de valores que prezamos na educação Marista”, comenta a assessora pedagógica dos Colégios da Rede Marista Cíntia Marques.


© Fotos: Acervo do colégio

AVALIAÇÃO POR ÁREA DO CONHECIMENTO Com o intuito de fortalecer o trabalho interdisciplinar dos professores em sala de aula, o Marista São Luís, em Santa Cruz do Sul, tem aplicado provas por área de conhecimento desde o segundo trimestre de 2014 para as turmas do 6o ano do EF ao 3o ano do EM. No começo do ano, o corpo docente se dividiu por áreas e apresentou a todos os estudantes como funcionaria a nova metodologia. “As questões das provas são sempre inéditas, criadas pelos próprios educadores, que desenvolvem um trabalho integrado”, assinala o vice-diretor Anderson Roberto dos Santos. A iniciativa também está ocorrendo no Marista Assunção, em Porto Alegre. A receptividade dos estudantes e das famílias é positiva, de acordo com a pesquisa realizada no Marista São Luís. “A aplicação das provas por área do conhecimento é uma iniciativa em sintonia com os novos tempos, pois ajuda o estudante a empregar seus saberes nas situações complexas e multidisciplinares que se apresentam no cotidiano”, salienta Heron Begnis, pai dos estudantes Klaus Edward (7o ano do EF) e Cecília Helena (3o ano do EF).

A aplicação das provas por área do conhecimento é uma iniciativa em sintonia com os novos tempos, pois ajuda o estudante a empregar seus saberes nas situações complexas e multidisciplinares que se apresentam no cotidiano. Heron Begnis, pai de estudantes dos 3o e 7o anos do EF do Colégio Marista São Luís

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© Foto: Acervo do colégio

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AMBiEntES QuE inStigAM o APREndiZAdo O processo de implementação das Matrizes Curriculares no Marista João Paulo II, de Brasília (DF), teve dois investimentos prioritários: a formação dos professores e a criação de espaços diferenciados. Consultores externos foram convidados a participar dos momentos de capacitação com os educadores do Ensino Fundamental e do Ensino Médio. Juntos, debruçaram-se sobre os desdobramentos das competências e dos conteúdos de acordo com as áreas de conhecimento. Seguindo a mesma linha de pensamento, a escola inaugurou quatro ambientes específicos para desenvolver as aprendizagens. Na Sala Ambiente de Matemática e suas Tecnologias, por exemplo, os estudantes dispõem de espaço para debates e atividades em grupo, além de materiais interativos para os trabalhos práticos. Em uma das aulas, as crianças do 1o ao 4o do EF utilizaram peças de Lego para buscar soluções criativas e ideias novas para os problemas propostos. Já as turmas do 7o ano EF aprofundaram o tema Circuito dos Inteiros, com o uso de jogos variados. Assim, desenvolveram habilidades relacionadas ao conjunto dos números inteiros e

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operações como adição, subtração, multiplicação, radiciação e potenciação. História, Geografia, Filosofia, Sociologia e Ensino Religioso são as disciplinas trabalhadas na Sala Ambiente de Ciências Humanas. Segundo o professor de História e coordenador da área de Humanas André Fonseca, esse espaço diferenciado potencializa o aprendizado e proporciona maior interação. “Temos, no mesmo local, internet para acesso a sites orientados, revistas, periódicos e mapas, contribuindo para a construção do conhecimento por meio de pesquisas monitoradas pelos professores”. O colégio conta, ainda, com a Sala Ambiente Ciências da Natureza e a Sala Ambiente Linguagens e Códigos. As turmas aprovam a infraestrutura oferecida. “As atividades ficaram mais interessantes, pois saímos da rotina e temos acesso a materiais diversos, que tornaram as aulas mais interativas.”, comenta a estudante da 2o ano EM Sara Silva. Aulões interdisciplinares e outras iniciativas dinâmicas também fazem parte do cotidiano escolar, proporcionando um novo olhar sobre o jeito de aprender e educar.

Temos, no mesmo local, internet para acesso a sites orientados, revistas, periódicos e mapas, contribuindo para a construção do conhecimento por meio de pesquisas monitoradas pelos professores. André Fonseca, professor de História e coordenador da área de Humanas


você sabia?

© Fotos: Acervo da Rede Marista

Neste ano, comemoramos seis décadas de atuação marista em Angola. A missão, que beneficia mais de 3 mil pessoas, se dá por meio de três escolas em diferentes regiões do país e conta com a atuação de três Irmãos gaúchos. Além deles, muitos missionários do sul do Brasil tiveram papel importante nessa trajetória. Mais do que educar crianças e jovens, os Irmãos vivenciam diariamente a essência do sonho herdado de São Marcelino Champagnat.

Em 1974, a Angola viveu um dos principais golpes de estado da sua história, a Revolução dos Cravos. Essa mobilização derrubou a ditadura de Antônio de Oliveira Salazar, resultando em uma guerra civil. Isolados e em pouco número, os Irmãos Maristas se aliaram a outras congregações para manter a missão viva no país.

Além dos Irmãos Maristas que atuam diretamente na educação dos estudantes, leigos de várias partes do mundo participam de missões em Angola. Muitos estudantes, colaboradores e profissionais de diversas áreas já estiveram naquela região. Um exemplo é a professora Olga Chelkanoff, coordenadora pedagógica do Cesmar. Ela ficou três anos junto à comunidade angolana e relata que foi uma experiência maravilhosa: “De todas as vivências, a mais rica e produtiva”.

Os primeiros Irmãos Maristas chegaram a Angola em 17 de março de 1954. De imediato, eles assumiram um internato na cidade de Sá de Bandeira. No ano seguinte, passaram a dirigir o Instituto Liceal e Técnico do Bié, na cidade de Silva Porto, província de Kuito, e, em 1958, fundaram o Colégio de Cristo Rei, na capital Luanda (foto). Anos mais tarde, em 1971, a congregação assumiu a direção da escola de Professores Salazar, em N'Dalantando.

Atualmente, existem três escolas Maristas em Angola: Escola Marista Cristo Rei, na capital Luanda; Escola de Formação de Professores Marista São José, em Kuito-Bié; e Escola Primária Marista São Marcelino Champagnat, em N’Dalatando, todas gratuitas. Em Kuito, além da escola, há também uma unidade de formação de Irmãos, onde 34 jovens se preparam para a vida religiosa.

Foram 28 anos de muitas dificuldades para os Irmãos missionários. Somente em 2002 foi reestabelecida a paz em Angola. No mesmo ano em que terminou a guerra civil, o setor se vinculou à nova província da África Austral. Foram inauguradas a escola marista em Luanda e a Escola Primária São Marcelino Champagnat em N'Dalantando.

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destaque

© Foto: Acervo do colégio

Pedro Strauss dá exemplo de cidadania de forma criativa.

Música inspira

conscientização ambiental Aos oito anos de idade, Pedro Hickmann Strauss tem sensibilizado a comunidade escolar do Colégio Marista Ipanema, de Porto Alegre, sobre a importância de cuidar do meio ambiente. A partir de atividades propotas pelo professor Tiago da Silva Abreu sobre a separação do lixo, surgiu uma iniciativa aliada ao talento musical do pequeno. “Eu adoro tocar bateria e cantar. Um dia, estava falando sobre os problemas do lixo e meu colega deu a ideia de cantar uma música. Então, eu compus”, relata Pedro. De forma criativa, o estudante do 2o ano do Ensino Fundamental escreveu a letra da canção denominada Lixo, que tem como síntese a ideia da preservação da natureza através de atitudes simples. O refrão diz: "O lixo é marrom, e há muitas coisas por ali. Tome cuidado, porque elas podem te pegar. Ajude o planeta, jogando o lixo na lixeira... E não suje, e não suje, e não suje." Com esses versos, ele contagiou os colegas e, hoje, todos entoam a melodia. A inspiração de Pedro não termina aí. O compositor mirim não só fomenta seu gosto pela música, como também conscientiza os colegas em relação aos resíduos deixados no pátio da escola. “Os estudantes mais velhos geralmente são os que fazem mais bagunça. Esses dias, eu estava no recreio e vi lixo no chão. Então, peguei e coloquei na lixeira. Acho que uma escola limpa e com brinquedos se torna uma escola mais viva”, reflete o menino.

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esses dias, eu estava no recreio e vi lixo no chão. Então, peguei e coloquei na lixeira. Acho que uma escola limpa e com brinquedos se torna uma escola mais viva.


Teatro e literatura

bullying

Quando a turma do 6o ano do Ensino Fundamental do Colégio Marista Conceição, de Passo Fundo, recebeu a tarefa de abordar o tema bullying, o estudante Luiz Eduardo Bertagnoli Winkelmann propôs criar uma peça de teatro. A montagem teve como inspiração um trecho do livro Todos contra Dante, de Luís Dill, baseado em uma história real. A atividade integrou o Café com Leitura, projeto desenvolvido na disciplina de Língua Portuguesa em que uma obra literária é trabalhada de modo interdisciplinar através de releituras. Com 11 anos, Luiz Eduardo conta que viu na iniciativa uma oportunidade diferente de debater um assunto tão discutido atualmente por educadores, psicólogos e pais. “Protagonizei o personagem que sofria bullying e, mesmo não sendo uma experiência real, me fez refletir bastante sobre essa questão”, destaca. E completa: “Fiquei muito triste ao perceber que crianças e adolescentes iguais a mim passam por situações que envolvem perseguição e agressão”. Participando do projeto, as turmas compreenderam as dimensões que a prática do bullying pode tomar, alcançando, inclusive, a internet, o que caracteriza o cyberbullying. Para Luiz Eduardo, essa temática virou sinônimo de crime e preconceito. “Não tem sentido julgar alguém, temos que olhar a pessoa pelo que ela é e punir quem ainda não entende isso”, salienta.

Protagonizei o personagem que sofria bullying e, mesmo não sendo uma experiência real, me fez refletir bastante sobre essa questão.

© Foto: Divulgação

© Foto: Acervo do colégio

juntos para falar sobre

SINOPSE Dante é novo na escola. Vem de um bairro mais pobre, gosta de ler A divina comédia, de Dante Alighieri, e alimenta uma paixão secreta. Logo a aparência dele e sua classe social viram combustível para o riso dos colegas. A perseguição se torna sistemática e ganha força no ciberespaço, onde, no confortável anonimato de uma comunidade na internet, inúmeros jovens ridicularizam e hostilizam Dante. O que era para ser apenas 'brincadeira' de adolescentes ganha dimensões trágicas, extravasa o âmbito virtual e se instala como ameaça concreta. As consequências serão devastadoras.

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giro dE olho nA SuStEntABilidAdE No Marista São Pedro, de Porto Alegre, o óleo de cozinha ganhou um novo destino. Os estudantes do 2o ano do Ensino Médio aprenderam a reutilizar o resíduo, transformando-o em sabão caseiro. Durante o projeto, a turma visitou a Faculdade de Química da PUCRS, onde aprendeu as técnicas para a produção do sabão. Na escola, eles colocaram em prática a segunda etapa do projeto, atuando como monitores dos professores de Química e Ciências para passar o conhecimento às turmas da 8a série. O projeto será concluído com a doação de todas as barras de sabão produzidas para instituições de caridade.

ESColA ABERtA Ao PÚBliCo Abrir as portas do colégio para estreitar laços com a comunidade é a proposta do evento Escola Aberta, realizado pelo Marista Pio XII, em Novo Hamburgo. Na edição de setembro, os visitantes tiveram a oportunidade de participar de atividades lúdicas e recreativas nos parquinhos infantis e na brinquedoteca, bem como assistir às demonstrações dos robôs da Robótica Educacional (Repio) e do Lego Zoom. Os laboratórios de Biologia, Química, Física, Ciências e Informática também integraram o roteiro de visitação. Ainda entre as atrações do encontro, as piscinas do parque aquático foram abertas ao público.

inCEntiVo À lEituRA Publicações que seriam descartadas passaram a ter um novo destino no EJA Marista Vettorello, de Porto Alegre. Com a finalidade de incentivar o hábito da leitura e promover a troca de conhecimentos, a ação Pegue e Leve reúne livros didáticos e literários, revistas e outros periódicos, que os estudantes podem levar para casa. A iniciativa, realizada pela biblioteca do colégio, ocorre no intervalo das aulas e disponibiliza vários títulos, mobilizando toda a comunidade educativa em prol da formação do leitor.

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PARCEiRoS do ConhECiMEnto Implementado neste ano no Marista Santa Maria, de Santa Maria, o projeto Professor-Tutor propõe que estudantes do Ensino Médio tenham um acompanhamento personalizado por área de conhecimento. Por meio dessa iniciativa, tutor e estudante se tornam parceiros no processo de ensino e aprendizagem, a fim de traçar metas para qualificar o rendimento escolar. Assim, o educador atua como mediador da comunicação entre o colégio e a família, colaborando para que essa relação obtenha resultados positivos na geração de vínculo. Além disso, todo o processo contribui no aumento da confiança mútua entre estudante e tutor.

© Fotos: Acervo dos colégios

EduCAção AMBiEntAl Para despertar a consciência ambiental nos estudantes, o Marista São Francisco, de Rio Grande, deu início ao cultivo de hortas em garrafas pet. O projeto, elaborado junto aos estudantes do 6o ano do Ensino Fundamental, começou com aprendizagens em sala de aula sobre o conceito de solo, suas características, utilidades, proteção e conservação. Já no Laboratório de Ciências, foram trabalhados o cuidado com o meio ambiente, a aplicação de técnicas de plantio, a utilização de materiais reciclados e a alimentação saudável. As hortas produzidas foram colocadas no parque infantil.

MoMEnto PARA CElEBRAR Inaugurado em 2012 com o intuito de oferecer Ensino Médio a jovens do bairro Mario Quintana e arredores, na zona Nordeste da capital gaúcha, o Marista Irmão Jaime Biazus comemora neste ano a formatura de suas primeiras turmas do 3o ano. Ao todo, 49 estudantes concluem essa importante etapa da vida escolar. Para realizar a cerimônia, marcada para dezembro, os formandos promoveram atividades variadas, como Festa dos 100 Dias, venda de lanches no intervalo e em eventos do colégio, rifas, entre outras iniciativas. Atualmente, a escola social atende gratuitamente cerca de 350 estudantes e conta com o trabalho de 30 educadores comprometidos com a missão marista de educar.

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caleidoscópio

Atento às necessidades contemporâneas, o Marista Medianeira adotou a tecnologia 3D para potencializar a aprendizagem. As aulas se tornaram mais dinâmicas e interativas. (Erechim)

MeMÓRIA

TECNOLOGIA © Fotos: Acervo dos colégios

2014

Com o projeto multidisciplinar Rio Grande do Sul – Lugar de Muitas Histórias, os estudantes do Marista Aparecida resgataram a memória do colégio e do povo gaúcho através de músicas, danças, obras literárias, vestimentas e culinária. (Bento gonçalves)

Com o objetivo de promover a reflexão sobre o uso das novas tecnologias e de seu potencial positivo e negativo, os estudantes do Colégio Marista São Marcelino Champagnat assistiram à peça Identidade Virtual, do Grupo Teatro Jovem. (novo hamburgo)

Lançada no Encontro de Gestores das Unidades Sociais, a exposição itinerante Novos Rumos reúne histórias de educandos e estudantes que tiveram suas vidas transformadas depois que passaram a frequentar as Unidades Socais Maristas, espaços onde a missão marista acontece. (Porto Alegre)

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Desenvolvido com o 2o ano EF do Marista Sant’Ana, o projeto Histórias e Mais Histórias busca despertar o gosto pela leitura através de atividades variadas, como visita à Biblioteca Municipal. (Uruguaiana)

Em agosto, o Grupo de Voluntariado do Marista Rosário recebeu o prêmio Top Ser Humano Oswaldo Checchia, da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH). (Porto Alegre)

A Escola Marista Santa Marta foi a instituição homenageada na Semana da Pátria em Santa Maria e realizou o seu primeiro desfile cívico, no dia 7 de setembro, comemorando 16 anos de trajetória. (Santa Maria)

ACONTECEU

INICIATIVA

RECONHECIMENTO

Em uma ação inovadora da campanha Aprendemos de todos os jeitos, um estúdio móvel percorreu as cidades de 18 colégios da Rede Marista, entre setembro e outubro. Estudantes, educadores e familiares e moradores gravaram centenas de vídeos ensinando a fazer diferentes coisas. Confira no YouTube. (Porto Alegre)

Vinculado ao Centro Social Marista Santa Marta, o Programa de Oportunidades e Direitos (POD) Socioeducativo completou quatro anos em Santa Maria. Entre suas atividades está a realização dos Jogos Socioeducativos na cidade. (Santa Maria)

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gente nossa

tocando para multidões

© Foto: Divulgação

O músico porto-alegrense Guilherme de Lima Ribeiro (o segundo da esquerda para a direita), é guitarrista da banda gaúcha Melody, que participou do programa Superstar, da Rede Globo C

M

É no tempo de colégio que muitas das nossas decisões para a vida tomam forma. Nesse período, principalmente no Ensino Médio, conhecemos pessoas que nos acompanharão e participarão de momentos marcantes. Como na carreira profissional que, no caso do Guilherme de Lima Ribeiro, se dá pela música. Ex-aluno do Marista Champagnat, de Porto Alegre, Guiza – como é conhecido – é o guitarrista da conhecida banda pop gaúcha Melody. Para quem não sabe, o embrião do grupo se formou ainda no início dos anos 2000. “Conheci o Bilo (baixista) e o Cacá Lazzari (baterista) na banda do colégio”, relembra Guiza. As amizades feitas no tempo de escola são lembradas com carinho por ele. “O período como estudante do Marista Champagnat foi fundamental para a minha formação profissional. A partir do que aprendi no colégio, tomei decisões fundamentais na minha vida, como ser músico. Mas acho que o que diferenciava a instituição de outras escolas era o cultivo dos laços de amizade entre colegas, ou de estudantes com a equipe de funcionários e a direção”. A trajetória de Guiza no meio artístico teve grande incentivo da avó. O jovem fez parte do grupo instrumental do colégio, o que abriu caminho para a sua participação em uma das bandas do Marista Champagnat muito conhecida no cenário reggae porto-alegrense: a WaiLua. “A partir daí, comecei a tocar como músico freelancer, fazendo gravações e shows com muitos artistas, entre eles Otto Gomes, Serginho Moah e Luka”, destaca. Para a formação da Melody, a internet protagonizou um papel importante. Em 2010, Bilo mostrou a Guiza um vídeo

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“das gurias” divulgado no YouTube. Após mais alguns encontros entre os futuros integrantes no Restaurante Universitário (RU) da PUCRS, decidiu-se por formar a banda. Para quem não sabe, a Melody é composta por seis pessoas: além dos “guris”, fazem parte do time as irmãs Taísi, Maitê e Alina Cunha, todas vocalistas. Outro fato curioso é que além de colegas de trabalho, os jovens formam três casais: Guiza e Maitê; Bilo e Taísi; e Cacá e Alina.

EVolução CRiAtiVA Sempre preocupado com a carreira, Guilherme investiu e continua dando atenção à sua formação. Na música, teve aula com dois “grandes mestres”, como ele mesmo classifica: Teko Gaspar e Julio "Chumbinho" Herrlein. Além disso, graduou-se em Publicidade e Propaganda pela UFRGS. “Espero ver a Melody fazendo muitos shows por todos os lugares e ver as pessoas cantando nossas músicas. Desejo, também, evoluir meu lado criativo, ter minhas composições gravadas por outros artistas, cooperar com a carreira de outros músicos como produtor ou arranjador e seguir tocando e estudando guitarra”. Apesar de ser jovem, Guiza tem objetivos claros e leva consigo valores raros na sociedade atual. Para ele, o único caminho que leva ao sucesso é fazer o que se ama e, assim, ter força para superar quaisquer obstáculos. “A realização não é algo que está no fim da estrada, ela é o conjunto de conquistas e aprendizados que temos ao longo do caminho. Parece até um clichê, mas o ‘chegar lá’ não existe, a maior realização profissional é trabalhar com o que se curte e poder viver disso”, finaliza.

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essência

Formar jovens atuantes e comprometidos com o

© Foto: Acervo do colégio

futuro

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cimento e o cultivo de valores fazem parte da vida do estudante em nossos colégios. E, assim, formamos cidadãos comprometidos com o presente e o futuro. Isso tudo é um compromisso de nossa visão e resultado de um processo contínuo de educação cristã e marista, que vê o indivíduo de forma integral, cuja experiência ele carregará para toda a vida. Igualmente, ao olharmos para a história da educação marista, encontramos o mesmo amor e empenho educativo. Na própria memória do caro leitor devem haver diversas experiências inesquecíveis envolvendo estudantes e familiares nas escolas maristas. São muitos os Irmãos e professores que têm orientado e desafiado os jovens a superar as próprias metas e a construir com dignidade a vida profissional e vocacional. Acima de tudo, como repetia São

Marcelino Champagnat aos primeiros Irmãos: “Para bem educar uma criança é preciso antes de tudo amá-la!” – princípio este que precisa se tornar prática em cada época. Assim, continuamos hoje partícipes com a família, primeira educadora, na formação integral das crianças e dos jovens a nós confiados. Por isso, convido todos a repensarem, contarem e escreverem sua própria experiência de formação integral e seu significado para a vida.

irmão onorino Moresco Diretor do Colégio Marista Rosário (RS)

© Foto: Acervo do colégio

Num certo dia, há um ano e meio, entrou pela portaria do Colégio Marista Rosário, em Porto Alegre (RS), um senhor de cabelos brancos. O ex-aluno foi recebido e acolhido como de costume. Aproximo-me, dizendo meu nome, e, com singeleza, ele me pede permissão para ver o pátio do colégio. Eu o acompanho e quando chegamos ao destino, com um olhar longínquo, ele demonstra querer ficar só. Meia hora mais tarde, passo pelo local e o vejo sereno. Eis que o visitante diz: “Obrigado, Irmão, revivi a vida de estudante neste pátio pelo qual passei”. Em sua sabedoria e agradecido, foi saindo de mansinho após contemplar parte de sua trajetória. Esse e tantos outros relatos e vivências com que nos deparamos diariamente remetem à riqueza do jovem como protagonista de sua história. Os desafios em diferentes áreas do conhe-


Aprendizado

virtual Antes considerados ameaçadores e perigosos, games se revelam eficientes ferramentas para estudo e desenvolvimento de habilidades Por Mahani Siqueira

Por muito tempo, eles foram vistos como inimigos da saúde, causadores de episódios frequentes de mau comportamento, incitadores de atos violentos e perigosos para a formação de qualquer criança ou adolescente. Hoje, os games assumiram um novo papel e, embora ainda despertem alguma desconfiança aqui ou ali, podem ser poderosos instrumentos no processo educativo. A NeuroGames é uma iniciativa que comprova as inúmeras utilidades que os jogos virtuais podem ter para trazer diferentes benefícios. A empresa, que tem como principal área de atuação o desenvolvimento de ferramentas para saúde com foco na educação, já elaborou jogos em parceria com universidades federais e internacionais e, atualmente, cria games capazes de detectar precocemente habilidades cognitivas e socioemocionais de crianças e adolescentes. Segundo Thiago Rivero, neuropsicólogo e um dos fundadores do projeto, são várias as habilidades necessárias na hora de comandar o joystick. “Todos os games exigem o desempenho de habilidades cognitivas e socioemocionais. Quando jogamos,

atenção, memória, controle do impulso, tomada de decisão, gerenciamento de habilidades sociais e outras tantas são requisitados. Por meio dos jogos, provocamos o uso dessas funções e, assim, podemos construir ferramentas de avaliação e estimulação das habilidades cognitivas. Com isso, podemos conhecer melhor as habilidades dos jogadores e, desse modo, construir, por meio da nossa plataforma e de nossa metodologia, intervenções que sejam ‘adaptadas’ e costuradas para as dificuldades e características individuais de cada um”, comenta Rivero. “Crianças e adolescentes entendem a linguagem simbólica e profunda dos games. Isso nos permite falar diretamente e, principalmente, negociar e explicar o que queremos. Com games, não é possível ser indulgente com as crianças. Elas sabem jogar e jogam bem; portanto, precisamos criar desafios e formas de avaliá-las que sejam motivadores e que tenham sentido. Os games são máquinas eficazes de aprendizado, e quando as crianças decifram seus códigos e suas formas de atuação, elas aprendem”, complementa o psicólogo da NeuroGames.

Para a psicóloga Luciana Ruffo, do Núcleo de Pesquisa da Psicologia em Informática da PUCSP, a interação com os games pode despertar nas crianças uma série de habilidades, desde que sejam escolhidas as opções corretas e que os pais acompanhem o que os filhos têm em mãos. “Todos os games podem ser positivos de alguma maneira. As opções de guerra, por exemplo, exigem muita estratégia. Mas é importante ter sempre em mente qual é o interesse do jovem naquele jogo e saber como ele vê essa diversão”, analisa Luciana. Gerente de inovação e novas mídias da Editora FTD, Fernando Fonseca revela que a empresa já enxerga as plataformas digitais e os momentos de lazer como potenciais ferramentas de aprendizado que podem ser integradas com os livros. Segundo ele, assim também é possível fazer com que o estudo seja mais divertido e prazeroso. “Não há dúvida de que os jogos permitem criar uma experiência de ensino e de aprendizagem mais motivadora para todos, capaz de obter resultados superiores ao que, em geral, o professor consegue com outras estratégias”, finaliza Fonseca.

Colégios e Unidades Sociais Marista

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solidariedade

© Fotos: Acervo das unidades sociais

Junto ao próximo

Em uma iniciativa inédita, o encontro reuniu representantes maristas de todo o país.

Pastoralistas das unidades sociais vivenciam a experiência da imersão territorial na ilha grande dos Marinheiros

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Colocar-se no lugar do outro é uma das virtudes mais nobres do ser humano. No Encontro Mistagógico Marista Interprovincial, que ocorreu em setembro deste ano, mais de 40 pastoralistas da área social de todo o Brasil Marista vivenciaram a experiência de olhar o mundo com os olhos dos moradores da Ilha Grande dos Marinheiros – uma das 16 ilhas que compõem o arquipélago em Porto Alegre. A primeira imersão territorial realizada na comunidade provocou os educadores para o sensível “olhar pensante”. À luz da temática Mística e profetismo no seguimento a Jesus de Nazaré, os participantes mergulharam na his-

tória do local onde ficaram hospedados por duas noites. O Centro Social Marista Aparecida das Águas sediou o evento e 20 famílias moradoras da Ilha abriram as portas de suas residências para receber os pastoralistas. Antes do encontro, os educadores da unidade prepararam a comunidade e os educandos para acolher os participantes. “Os moradores nunca tinham feito um trabalho desses, mas, quando receberam a proposta, eles prontamente ofereceram suas casas”, conta a pastoralista do Centro Social Marista Aparecida das Águas Rosana Modzeieski. “A entrega das famílias foi surpreendente. Todos foram recebidos de braços abertos”, acrescenta.


O que é mistagogia? História viva do local Os pastoralistas também tiveram a oportunidade de ouvir o testemunho do Ir. Antônio Cechin, 86 anos, que ajudou a construir o galpão de reciclagem localizado na Ilha, onde mora a maior concentração de recicladores de Porto Alegre. A estrutura serviu como referência para outras iniciativas no país. Ir. Cechin também contou aos participantes sobre a imagem de Nossa Senhora Aparecida das Águas, encontrada em pedaços dentro de um saco de lixo vindo da cidade para a reciclagem. A Romaria das Águas, realizada anualmente pelos moradores do local, surgiu como consequência desse acontecimento. Para Cleonice Mota, analista de Pastoral da Província Marista do Brasil Centro-Norte, o testemunho de vida, a inserção e o engajamento do Irmão Antônio Cechin no trabalho com os mais vulneráveis foram os destaques da programação do encontro. “Conhecer a Ilha foi um privilégio e ser recebida pelas famílias, também. Estar junto a esse povo, entrar em suas casas, em suas vidas e em sua organização foi muito significativo”, acrescenta Cleonice.

Com os pés no território, os pastoralistas conheceram o dia a dia dos moradores da Ilha e puderam confrontar a realidade local com a realidade em que trabalham. “De todos os trabalhos que realizamos aqui, levo uma frase dita pelo Ir. Cechin: ‘O agir é fraco quando não se enxerga direito’”, reflete João Antonio Alves dos Santos, da Província Marista do Brasil Centro-Sul. Ao se colocar no lugar do outro, os pastoralistas aprenderam que o sensível “olhar pensante” é afetivo, interpretativo e avaliador. A experiência na Ilha Grande dos Marinheiros proporcionou aos participantes estabelecer relações entre semelhanças e diferenças. “Que nós possamos enxergar nossas realidades e vulnerabilidades para melhor desempenharmos nosso trabalho e sermos presença significativa da vivência mistagógica marista”, reforça Santos.

Vivência territorial A experiência de imersão no território foi marcada pelo encontro do rosto de Cristo no local. Divididos em três grupos, os pastoralistas conheceram o galpão de reciclagem da Ilha, a Associação de Mães e a Ilha do Pavão. Após a visita, eles puderam compartilhar o que viram e sentiram em cada espaço. “Estar aqui na Ilha é viver a essência da mistagogia e do projeto de Cristo. Este lugar, de todos pelos quais eu já passei, é o que mais representa isso. Quando a gente pisa neste solo, vê a beleza que é o que as pessoas daqui fazem”, afirma Roberto Lucas Junior, da Província Marista do Brasil Centro-Sul.

O encontro foi realizado no Centro Social Marista Aparecida das Águas.

Pastoralistas visitaram o galpão de reciclagem da Ilha Grande dos Marinheiros.

É a iniciação nos mistérios do sagrado. O prefixo mist vem do latim e significa mistério. Já o sufixo gogia significa introdução. Nesse sentido, o Encontro Mistagógico Marista propõe aos pastoralistas despertar o olhar para a presença do mistério em contextos de vulnerabilidade social.

Outras experiências O Encontro Mistagógico Marista foi criado pela Província Marista do Brasil Centro-Sul. A primeira edição foi realizada em 2012, na comunidade de Mont Serrat, em Florianópolis (SC). Já o segundo encontro ocorreu no bairro do Sabará, em Curitiba (PR). A edição deste ano foi a primeira em caráter interprovincial, reunindo pastoralistas das Unidades Sociais das três Províncias Maristas do Brasil.

Conhecer a Ilha foi um privilégio e ser recebida pelas famílias, também. Estar junto a esse povo, entrar em suas casas, em suas vidas e em sua organização foi muito significativo. Cleonice Mota analista de Pastoral da Província Marista do Brasil Centro-Norte

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como fazer

De olho no

Apesar de relativamente novo, o termo bullying apenas define uma série de comportamentos bem mais antigos. O que fazer quando esse temido vilão está à nossa volta? Por Mahani Siqueira

Não faz muito tempo que o termo bullying ganhou os holofotes e passou a ser alvo de frequentes e intermináveis discussões por parte de professores, psicólogos e pais. Atos de agressão física ou verbal no ambiente escolar, no entanto, existem há muito mais tempo do que se possa calcular, ainda que sem uma denominação específica. Foi apenas no começo da década passada que a palavra originada de bully (valentão, em inglês) incorporou-se ao vocabulário de verbetes comuns nas conversas de educadores e definiu um nome para a preocupação de inúmeros pais em relação ao comportamento de seus filhos na escola. Muitas vezes, descobrir que as crianças estão praticando ou sendo vítimas de bullying é uma tarefa complicada e que exige atenção detalhada das pessoas à sua volta. Segundo a psicóloga clínica Juliana Potter, especializada em terapia familiar e parceira dos colégios maris-

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tas, são vários os sinais que os filhos podem dar para demonstrar que estão sofrendo provocações ou algum tipo de agressão na escola ou em atividades paralelas. Em todos os casos, de acordo com a psicóloga, é fundamental que os adultos estejam com o radar em pleno funcionamento. “A criança pode se manifestar de diversas maneiras: por meio de dores psicossomáticas (sempre ter dor de barriga na hora de ir para a escola, por exemplo), evitando atividades relacionadas à escola (medo de pegar a van, medo de ser assaltado perto da escola, perder os trabalhos escolares e objetos importantes), diminuição do contato com os amigos, irritação, tristeza, pesadelos, choro frequente, cansaço extremo, abatimento, alterações de apetite, entre outros. É importante dizer que nenhum desses sintomas de forma isolada caracteriza o bullying. Por isso, os pais devem estar atentos sempre para agir com rapidez e de

maneira assertiva”, avalia Juliana. Marilisa Fraga, psicóloga e psicanalista infantil, entende que é importante os pais prestarem atenção para não interpretarem os sinais dos filhos de maneira errada e, na pressa, já definir como bullying um comportamento que, se avaliado com mais calma e cuidado, pode se revelar apenas um episódio isolado ou até mesmo um apelo por mais carinho. Segundo Marilisa, a generalização é um perigo constante quando se trata desse tema. “Os pais devem tomar cuidado para não serem seduzidos pelos afetos direcionados aos filhos e ter a tendência natural de generalizar e tomar o bullying como verdade absoluta antes de uma investigação mais profunda. Uma queixa que o filho chama de bullying pode ter sido apenas uma crítica mais dura de um amigo irritado ou pode estar sendo hiperdimensionada pelo jovem. Outra possibilidade é que


Existem muitas maneiras de lidar com o bullying, mas todas elas envolvem o diálogo entre a criança agredida, a escola, a família e o agressor. Os pais precisam estar envolvidos na vida escolar do filho conversando diariamente e não apenas quando ocorrem problemas.

bullying Juliana Potter Psicóloga

conversando diariamente e não apenas quando ocorrem problemas. É importante manter um bom contato com a escola para compreender o que acontece e buscar a melhor atitude a ser tomada de maneira conjunta”, comenta a psicóloga. De acordo com Marilisa, a investigação detalhada e a identificação precisa do que acontece com a criança ou com o jovem é o primeiro passo antes de definir qual a atitude mais correta a se tomar. “Nesses casos, os pais devem procurar a coordenação da escola e checar informações do atual comportamento e das atitudes do filho naquele ambiente. Essa é primeira providência a ser tomada, pois determina muitas vezes se há ou não reais necessidades de encaminhamento terapêutico para o psicólogo”, complementa. Outra preocupação que deve ser levada em conta pelos responsáveis é saber que o filho pode ser, na verdade, o autor de atitudes consideradas bullying. Nesses casos, o diálogo tam-

bém se faz fundamental, assim como a aceitação do fato e seu enfrentamento. É o que garante Juliana. “É importante não negar a situação ou tapar o sol com a peneira. Conversar com o filho sobre a responsabilidade e o impacto das atitudes na vida do agredido pode ser um bom começo. Se a agressão acontece pela internet, os pais devem estar mais atentos e supervisionar as ações do filho de perto. Buscar maneiras de reparação junto ao agredido e atividades que desenvolvam comportamentos mais empáticos. A ajuda de um profissional também pode ser muito importante”, finaliza a psicóloga. © Foto: Acervo pessoal

se trate de um pedido de atenção fraterna, que acaba simplesmente sendo nomeado com clichês pela criança. É preciso ter muita atenção flutuante para captar o que está sendo dito e o que ele quer dizer simbolicamente com aquela queixa”, opina Marilisa. A partir do momento em que o bullying é constatado, a conversa torna-se uma ferramenta imprescindível para evitar maiores danos e prevenir que os temidos episódios voltem a acontecer. A psicóloga Juliana defende que qualquer solução ou resposta a agressões deve ser buscada em conjunto entre todas as partes envolvidas. Ela garante, ainda, que a comunicação, quando frequente no dia a dia, pode ser um excelente instrumento contra o bullying. “Existem muitas maneiras de lidar com o bullying, mas todas elas envolvem o diálogo entre a criança agredida, a escola, a família e o agressor. Os pais precisam estar envolvidos na vida escolar do filho

Marilisa Fraga, psicóloga e psicanalista infantil.

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o tEMPo E o VEnto Erico Verissimo, Editora Globo

Composta por três romances (O Continente, O Retrato e O Arquipélago), essa obra clássica do escritor gaúcho Erico Verissimo traz acontecimentos e histórias de dimensões épicas, que narram 200 anos do processo de formação do estado do Rio Grande do Sul. Contém um brilhante estilo narrativo, com linguagem acessível e personagens marcantes, um livro em que é possível perceber a identidade do povo gaúcho. Vale conferir! Adriana Scussel, auxiliar de professora do Colégio Marista Aparecida, Bento Gonçalves (RS)

o diA SEguintE Luís Eduardo Matta, Escrita Fina, 2011

A temática gira em torno do atentado de 11 de setembro nos estados Unidos, além de trazer outra questão bem interessante, que é a amizade entre um árabe e um judeu. Como é uma literatura infantojuvenil, esse livro vem recheado de muito suspense e aventura com dois jovens, um brasileiro e um americano, que são os personagens principais. É muito bom! Recomendo!

© Fotos: Divulgação

Carla inês Costa dos Santos, educadora do Colégio Marista Pio XII, Novo Hamburgo (RS)

AgoRA é PARA SEMPRE Dirigido por Ol Parker, com Dakota Fanning, Jeremy Irvine e Paddy Considine, 2013 Tessa Scott é uma garota de 17 anos apaixonada pela vida. Diagnosticada com uma doença terminal, ela decide se aventurar a fazer tudo que deseja, aproveitando cada momento. Ela passa a explorar um mundo novo e vive cada dia intensamente. Com isso, o filme nos mostra o verdadeiro sentido da vida: valorizar cada momento e não ter medo de superar os próprios limites para alcançar tudo que almejamos. Jaqueline Bebber, professora da Educação Infantil do Colégio Marista Medianeira, Erechim (RS)

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12 AnoS dE ESCRAVidão Dirigido por Steve McQueen, com Michael Fassbender, Benedict Cumberbatch e Lupita Nyong'o, 2013

O filme aborda, entre tantos temas, o racismo, algo ainda tão presente em nossa sociedade. Situações que acompanhamos pela mídia, como a do homem agredido e acorrentado em um poste no Rio de Janeiro, mostram por que se trata de um filme bem atual. O longa-metragem impacta e sensibiliza com cenas duras e cruéis de violência, nos fazendo pensar que um número expressivo de pessoas ainda vive sob algum tipo de regime de escravidão. Maria goreti Cortes Mendonça, professora de Arte do Colégio Marista Santa Maria, Santa Maria (RS)

VidAS SECAS Graciliano Ramos, José Olympio, 1938

A leitura de Vidas Secas é imprescindível no processo de ensino-aprendizagem. Essa obra vai além das circunstâncias sociais, pois conta a história de pessoas destituídas de sonhos, que lutam pela sobrevivência. A leitura comove, mas também inquieta, porque mostra de forma abrangente os principais problemas da sociedade brasileira, mais especificamente a vida sofrida do Nordeste do país. Evani Marisa dutra, professora de Literatura do EJA Marista São Marcelino Champagnat, Novo Hamburgo (RS)

diÁRio do CliMA Sônia Bridi, Globo Livros, 2012

O livro conta as aventuras de uma repórter e seu esposo pelos cinco continentes, em busca de respostas aos problemas do aquecimento global. Ao mesmo tempo em que encanta com suas imagens de belezas naturais, a obra traz como contraponto o resultado das mudanças climáticas. Tenho trabalhado passagens com minha turma de 5o ano, pois proporcionam excelentes reflexões sobre a ação humana e suas consequências no meio ambiente. Assim, percebemos que o futuro do planeta está em nossas mãos. luís neander Souza, professor do 5o ano do EF e de Espanhol do Ensino Médio do Colégio Marista Maria Imaculada, Canela (RS)

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diversão

Arte circense que se aprende na escola Atividade extracurricular privilegia o contato com a arte do circo, proporcionado o desenvolvimento motor, a convivência e o trabalho em equipe

Tatames, bolas, pratos de plástico, malabares, tecido. Os itens descritos bem podiam representar um legítimo picadeiro, e é exatamente isso que acontece no ginásio de esportes do Colégio Marista Santa Maria, em Curitiba (PR): aulas de circo. Há cerca de três anos, a unidade oferece a modalidade como atividade extracurricular. "A aposta nas aulas de cir-

co deu tão certo que, atualmente, além dos 45 matriculados, temos outros 20 em fila de espera", diz o supervisor do Núcleo de Atividades Complementares, Anderson Retechuki. Atualmente, crianças e jovens entre sete e 17 anos participam das aulas que acontecem no contraturno escolar uma vez por semana, durante 50 minutos.

Por Janaína Fogaça

A nECESSidAdE dE SER CRiAtiVo Tudo começou em 2010, quando a professora Patrícia Dal Molin apresentou o projeto para a direção do colégio. "Queria apresentar uma proposta nova, de algo que fosse criativo, interativo e diferente. Então, aliei duas paixões: o circo e as aulas", conta a professora, que traz consigo uma bagagem circense, pois a sua avó fazia apresentações no picadeiro quando jovem. Em 2001, Patrícia engravidou, e a rotina das aulas de Educação Física ficou comprometida. "Eu não podia mais exercer as atividades que exercia anteriormente, como a ginástica e a capoeira, foi um momento de adaptação para mim, então, aproveitei os sábados para praticar as atividades circenses e aos poucos ir retomando a rotina", diz a professora, que se orgulha ao mencionar que o filho, de apenas 3 anos, já está iniciando nas atividades circenses. Oferecida como opção de atividade extracurricular, as aulas circenses vêm ganhando espaço por engajarem crianças e adolescentes em exercícios físicos de forma lúdica e estimularem a concentração, a disciplina, a expressão corporal e o trabalho em equipe, incluindo a confiança em si mesmos e nos colegas. Em Curitiba, além do Colégio Santa Maria, o Marista Paranaense também oferece a atividade.

A técnica circense trabalhada pela professora Patrícia durante as aulas foca a coordenação motora para crianças de cinco a sete anos. A partir dos dez anos, as crianças começam a ter um contato mais amplo com as técnicas. "procuro trabalhar com as crianças menores os malabares, a cama elástica e o slackline, pois eles ajudam a desenvolver o equilíbrio, a coordenação motora e psicomotora, além da autoconfiança. Com os maiores, conseguimos ousar um pouco mais nas acrobacias em tecido", afirma Patrícia. Dentre os benefícios oferecidos pela prática estão o favorecimento da força e a valorização do trabalho em equipe. "Temos relatos de pais e professores que dizem que a criança era tímida, retraída, e que com as aulas de circo, começou a socializar mais com os colegas e também em casa", conta a professora.

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© Fotos: Gilberto do Rosário

FoCo no dESEnVolViMEnto


Companheiras de acrobacia A estudante do 8o ano do Ensino Fundamental Larissa Serbena estava em busca de uma atividade complementar diferente quando soube das aulas de circo oferecidas pela escola. "Eu quis saber o que exatamente a atividade oferecia. No início, achei que era mais voltada para a parte de clown (palhaços), mas quando eu vi que tinha atividades em tecido, eu achei muito legal e quis me inscrever", conta a estudante. Em seguida, Larissa convidou a melhor amiga e colega de classe, Giulia Pizzatto, a se inscrever. A relação de amizade e companheirismo entre as duas é nítida e fica mais evidente quando elas desenvolvem atividades juntas. O tecido é a paixão de ambas, e para chegar lá no alto, Larissa conta com a ajuda de Giulia e vice-versa. "Nós nos conhecemos desde os três anos de idade, e de um ano para cá, somos amigas inseparáveis. A atividade de circo é algo de que nós duas gostamos muito e costumamos nos ajudar nas acrobacias. Acho fundamental poder ter com quem contar na hora em que estamos desenvolvendo essas atividades", diz Giulia. Além do gosto pela atividade, as duas têm em comum a vontade de ir cada vez mais longe: "Cada vez que a gente consegue se sair bem em um exercício e consegue dominá-lo, tem vontade de partir para outros mais difíceis – inclusive, pesquisamos na internet exercícios que ainda não tenhamos feito e trazemos para a professora nos auxiliar", afirma Giulia. A disposição e o interesse das meninas chamou a atenção da professora. Patrícia conta que Giulia e Larissa pedem para treinar até mesmo depois que aulas acabam. "Normalmente, a aula delas acaba por volta de duas horas da tarde, mas elas pedem para ficar um pouco mais. É gratificante saber que consegui despertar nelas essa vontade e a paixão por esse esporte", conta, emocionada, a professora. No início, os pais ficaram um pouco preocupados com a ousadia das meninas e a vontade de ir cada vez mais fundo no esporte. "Meus pais achavam perigoso, mas hoje já estão mais confiantes. Toda vez que conto para a minha mãe que aprendi um exercício diferente, que envolve acrobacias no tecido, ela fica apreensiva", conta, entre risos, Giulia. Quando perguntadas se pretendem seguir carreira na ginástica ou em atividades relacionadas ao circo, as duas garotas são enfáticas: "Talvez como uma atividade paralela, mas meu sonho é ser médica", diz Giulia. "E o meu é ser arquiteta", completa Larissa.

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olhar

Questionamentos sobre a © Fotos: © Foto: Divulgação Divulgação

Lei da Palmada

Assunto polêmico. Para que serve, afinal, a Lei da Palmada?

Em primeiro lugar, temos que definir o que vem a ser uma palmada: como o próprio nome sugere, é o bater com a palma da mão. Quem já levou uma palmada quando criança de seus pais por algo de errado que tenha feito e sente-se “traumatizado” por isso? Difícil encontrar um exemplo. Estamos falando aqui daquela “palmada corretiva”, quando os argumentos verbais já foram explorados e esgotados sem efeito e os pais sentem-se “obrigados” a partir para uma intervenção física para que a criança entenda de uma vez por todas o que está sendo pedido ou ordenado. Existe sempre a “tática do 1... 2... 3!” antes de bater, que consiste em dizer para a criança que ela está fazendo algo errado e deve parar imediatamente. Você contará até três pausadamente: caso ela não tenha parado no três, levará uma palmada. Dessa forma, está sendo advertida verbalmente e tem a chance de evitar um possível castigo mais severo se não obedecer, tendo a escolha de parar o que está fazendo para não apanhar. Geralmente, elas param antes do três e não é preciso bater. Mas nem todas são tão fáceis de lidar. Há aquelas que insistem em provocar e testar os limites dos pais achando que não acontecerá nada demais, e quando levam a palmada, param instantaneamente, como se a ficha da autoridade dos pais caísse naquele momento, forçando-as a obedecê-los. Estamos falando, aqui, de crianças pequenas, até seus cinco ou seis anos, algumas um pouco mais. E a palmada é pontual, funcionando como um “basta” ao comportamento a ser corrigido. Nada que deixe marcas no corpo, ou que seja humilhante (como tapa no rosto, inadmissível). Totalmente diferente de surras, em que os pais muitas vezes utilizam objetos para bater nos filhos, deixando, aí sim, marcas visíveis da violência empregada. O Estatuto da Criança e do Adolescente condena o

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uso de maus tratos contra tais vítimas em sua educação, apenas não definindo se são físicos ou morais. A nova lei deixa expresso que não se pode usar “castigo corporal” contra crianças e adolescentes, embora a “palmada corretiva” ainda seja permitida, ao contrário da “palmada agressiva”. Mas quem definirá o limite entre o corretivo e o agressivo? Esse critério é extremamente subjetivo, o que, certamente, dará brecha para inúmeras interpretações. Aí pergunto: como ficam os maus tratos verbais e emocionais contra os menores, que podem ser de longe mais traumatizantes para os futuros adultos, que provavelmente crescerão com marcas psíquicas profundas e, por vezes, incuráveis? Quanto aos aspectos práticos e à eficácia, como prevenir os maus tratos ou o tratamento degradante e cruel quando a lei não prevê sequer pena ao infrator? Talvez essa lei seja útil apenas para trazer o assunto à baila e provocar discussões, forçando-nos a olhar para os inúmeros casos de violência doméstica que acontecem rotineiramente em grande parte das famílias brasileiras. Marina Vasconcellos é psicóloga pela PUCSP; especialista em psicodrama Terapêutico pelo Instituto Sedes Sapientiae; psicodramatista didata pela Federação Brasileira de Psicodrama (Febrap); e terapeuta familiar e de casais pela Unifesp.


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2º semestre | 14ª Edição