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2ยบ Semestre / 2012

Jovem:

Transformador do mundo


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Expediente Combinação única de bons valores com excelência. O Grupo Marista conta com milhares de pessoas que diariamente vivenciam e disseminam importantes valores humanos e cristãos, com o compromisso de promover e defender os direitos das crianças e jovens. Faz parte do jeito Marista a busca constante por excelência. Na área da educação, da escola à universidade, formamos pessoas e trazemos resultados comprovados. Em atividades nas áreas de saúde e comunicação, levamos sempre a melhor qualidade para públicos de diferentes condições e necessidades. Em todas essas áreas a ação social está presente com iniciativas alinhadas ao posicionamento institucional, mas também atuamos diretamente, por meio de uma ampla rede de solidariedade. Bons valores com excelência. Nossa missão é proporcionar essa combinação única para a construção de um mundo melhor.

Presidente das Mantenedoras: Ir. Delcio Afonso Balestrin Superior Provincial: Ir. Joaquim Sperandio Superintendente Executivo do Grupo: Marco Antõnio B. Cândido Rede de Colégios: Ir. Paulinho Vogel, André Garcia, Isabel Cristina Michelan Azevedo Comunicação e Marketing ABEC/UCE: Fabiane Campana, Camila Schmid, Bruno Bonamigo, Tiago Ienkot, Fábio Egg Mais, Kelen Y. Azuma, Silvia S. Tateiva, Alexandre L. Cardoso, Denise Neves Machado Comunicação e Marketing Colégios: Bruna F. Gonçalves, Cristiane R. Santos, Eros A. A. Martins, Eziquiel M. Ramos, Fábio

brasília • Colégio Marista de Brasília - Educação Infantil e Ensino Fundamental SGAS 609 CONJ A - Bairro Asa Sul - Brasília - DF - 70200-690 - (61) 3442-9400 Colégio Marista de Brasília - Ensino Médio - SGAS 615 CONJ C - Bairro Asa Sul Brasília - DF - 70200-750 - (61) 3445-6900 CASCAVEL • Colégio Marista de Cascavel - Rua Paraná, 2680 - Centro - Cascavel PR - 85812-011 - (45) 3036-6000 CHAPECÓ • Colégio Marista São Francisco - Rua Marechal F. Peixoto, 550L - Chapecó - SC - 89801-500 - (49) 3322-3332 CRICIÚMA • Colégio Marista de Criciúma - Rua Antonio de Lucca, 334 - Criciúma SC - 88811-503 - (48) 3437-9122 CURITIBA • Colégio Marista Paranaense - Rua Bispo Dom José, 2674 Seminário Curitiba - P1) 3016-2552

S. Aparício, Guilherme F. Neto, Kely C. de Souza, Luana M. D.

Colégio Marista Santa Maria - Rua Prof. Joaquim de M. Barreto, 98 - Curitiba - PR 82200-210 (41) 3074-2500

dos Santos, Luiza B. Fleury, Mateus Vitor Tadioto, Mayara A.

goiânia • Colégio Marista de Goiânia - Avenida Oitenta e Cinco, n. 1440

Haudicho, Raquel A. Bortoloso, Samira D. Dutra, Tatiane Pereira,

St. Marista - Goiânia - GO - 74.160-010 - (62) 4009-5875

Mayara Gutjahr

JARAGUÁ DO SUL • Colégio Marista São Luís - Rua Mal. Deodoro da Fonseca, 520 Centro - Jaraguá do Sul - SC - 89251-700 - (47) 3371-0313 JOAÇABA • Colégio Marista Frei Rogério - Rua Frei Rogério, 596 - Joaçaba - SC 89600-000 - (49) 3522-1144

Rua Imaculada Conceição, 1155 Prado Velho – Curitiba – PR Prédio Administrativo PUCPR – 8º andar CEP: 80215-901 Tel.: (41)3271-6500 www.colegiosmaristas.com.br

LONDRINA • Colégio Marista de Londrina - Rua Maringá, 78 - Jardim dos Bancários - Londrina - PR - 86060-000 (43) 3374-3600 MARINGÁ • Colégio Marista de Maringá - Rua São Marcelino Champagnat, 130 Centro - Maringá - PR - 87010-430 - (44) 3220-4224 PONTA GROSSA • Colégio Marista Pio XII - Rua Rodrigues Alves, 701 - Jardim Carvalho - Ponta Grossa - PR 84015-440 - (42) 3224-0374 RIBEIRÃO PRETO • Colégio Marista de Ribeirão Preto - Rua Bernardino de Campos, 550 - Higienopólis - Ribeirão Preto - SP - 14015-130 - Fone:(16) 3977-1400

Em Família | 10ª Edição | 2º Semestre 2012 Capa: Gabriel Cauduro, Vagner Vergara, Lucas Jiang, Bruna Braga Luz e Geórgia Furquim, estudantes do Colégio Marista Rosário - Porto Alegre (RS)

SÃO PAULO • Colégio Marista Arquidiocesano - Rua Domingos de Moraes, 2565 Vila Mariana - São Paulo - SP - 04035-000 - (11) 5081-8444 Colégio Marista Nossa Senhora da Glória - Rua Justo Azambuja, 267 - Cambuci São Paulo - SP - 01518-000 - (11) 3207-5866

Elaboração da arte realizada pela professora Maria Cristina Kersting, do Colégio Marista São Pedro - Porto Alegre (RS) Foto: Wesley Santos

Jornalista Responsável: Rulian Maftum / DRT Nº 4646 | Supervisão: Maria Fernanda Rocha Redação: Michele Bravos / Julio Cesar Glodzienski / Elizangela Jubanski | Diagramação: Julyana Werneck Revisão: Editora Champagnat | Divisão APC – Grupo Marista R. Amauri Lange Silvério, 270 - Pilarzinho – Curitiba/PR – CEP: 82120-000 – Fone: (41) 3271-4700 www.grupolumen.com.br Periodicidade da publicação: semestral Quer anunciar? Entre em contato conosco pelo fone (41) 3271-4700 ou pelo site www.grupolumen.com.br Todos os direitos reservados. Todas as opiniões são de responsabilidade dos respectivos autores.


Primeira impressão

A transformação como possibilidade! Por Ir. Paulinho Vogel

P

ara abrilhantar o tema desta edição, permitam-me iniciar nossa reflexão sobre a juventude com duas frases instigantes, uma do escritor francês Albert Camus: “A juventude é sobretudo uma soma de possibilidades”, e a outra, de Franklin Roosevelt: “Nem sempre podemos construir o futuro para nossa juventude, mas podemos construir nossa juventude para o futuro". Certamente, muitos de nós, assim como os autores citados, acreditamos que a juventude tem um potencial enorme de transformação não só do futuro, como de toda uma sociedade. Mas não há como a juventude, ou qualquer outro grupo social, ser essa mola propulsora de transformação, se não estiver apoiada em valores em que ela própria acredite. O tempo em que vivemos hoje é de transformações e mudanças. Segundo alguns, não apenas uma época de mudança, mas uma mudança de época. A crise de muitas instituições como a família, a escola, o Estado e a Igreja, gerada por esse tempo de modificações, faz os jovens tentarem entrar na sociedade, não mais por essas instituições, mas a partir das relações com seus pares, gerando assim seus próprios modelos culturais de identidade, de formas tão originais e criativas quanto as realidades juvenis que existem em cada cidade.

Quando os valores são vivos na mente e no coração dos jovens, independente de instituições, encontramos uma juventude com vontade de participar da transformação da realidade. São jovens que procuram uma sociedade sustentável, baseada no respeito à natureza, nos direitos humanos universais, na eficiência da justiça econômica e em uma cultura de paz desde uma perspectiva ecológica integral. Muitos deles tratam de promover a mudança a partir de seu compromisso com organizações não governamentais ou políticas, atentos para que os temas pertinentes à juventude sejam discutidos. Podemos dizer, além disso, que a grande maioria dos jovens procura intensamente pela espiritualidade hoje. São novas expressões, não necessariamente ligadas às grandes religiões, mas que manifestam de outra forma a espiritualidade e a transcendência latentes, de um modo que talvez não consigamos descobrir nem entender. Para os jovens, a fase da juventude é uma etapa de magia, porque repleta de alegria, liberdade, vitalidade e energia. É um tempo cheio de curiosidade, com vontade de conhecer, provar e sentir uma infinidade de experiências, mas, em certos momentos, permeado pela solidão, quando carentes de lar e da companhia familiar. O encontro e o protagonismo juvenil podem ser realizados na escola, na

rua, no bar, na balada, nas organizações pastorais, nos movimentos sindicais, nos fóruns de juventude e em outros espaços públicos que propiciem o encontro e permitam que se reconheçam como jovens. Além dos lugares, há também os espaços de encontro: festivais de música, eventos esportivos, internet, reuniões de reflexão, experiências de trabalho ou intercâmbio acadêmico e cultural, bailes, expressões culturais autóctones ou juvenis, manifestações em defesa dos direitos, rebeliões, guerras, prisões etc. Cabe às instituições, ao poder público e aos órgãos governamentais desenvolver nos jovens os valores essenciais à vida humana e propiciar os espaços adequados para que sua atuação esteja garantida. Garantindo formação e espaço adequado, a juventude espontaneamente transformará o mundo à sua volta. Assim, construímos nossa juventude para o futuro, oferecendo a ela todas as possibilidades de ser feliz e fazer os outros felizes, como sonhava Marcelino Champagnat, que acreditava que, fazendo os outros felizes, encontrávamos nossa própria felicidade.

Ir. Paulinho Vogel é Diretor Executivo da Rede Marista de Colégios

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Entrevista


Chamado para

transformar tarefa de contribuir para um futuro ie um mundo melhores é responsabilidade de cada um dos 7 bilhões de habitantes do planeta. O jovem argentino Juan Andrés Mussini, de 29 anos, mestre em Ciência da Computação pela PUCPR, tem feito sua parte a serviço da nação do Timor Leste, por meio da Organização das Nações Unidas (ONU). Como especialista em tecnologias de informação e comunicação para o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Mussini tem aprendido a lidar com frustrações e percebido que sua missão é dar o melhor de si, fazendo o que for possível pelo bem-estar das pessoas.

-se uma reação em cadeia, na qual o usuário do seu produto, por sua vez, fará o mesmo, e assim por diante. Há vários níveis de "ajuda", nenhum mais importante que o outro, com todos trabalhando em harmonia até se formar um produto final. Se todos os membros fizerem um trabalho decente, haverá qualidade equivalente. Na ONU, consigo ajudar outras pessoas mais diretamente, passando meu conhecimento a pessoas que nunca tiveram condições e nunca sonharam estar trabalhando com informática.

na área de informática e gostei muito da ideia. O país era algo secundário, eu me interessei mesmo pela proposta da ONU. Como uma das línguas oficiais do país é o português, já há muitos brasileiros aqui. Esses brasileiros, por sua vez, já aplicam o conhecimento que aprenderam no Brasil desde que chegam aqui – entre eles, o conhecimento sobre informática, particularmente de Linux, que é muito forte no Brasil. Tendo sido educado no Brasil, eu me tornei um especialista nessa tecnologia, o que ajudou no processo de seleção. UNMIT

A

Como foi sua trajetória até chegar à ONU? Era um sonho? Minha chegada à ONU foi resultado de uma busca por um trabalho que me desse um retorno moral completo. Sendo formado na área de Exatas/ Computação, tive dificuldade em unir, ao mesmo tempo, um serviço que me desse garantia econômica e um sentimento de estar fazendo algo que valesse a pena. Já me sentia um pouco assim ao trabalhar em uma faculdade, por muitos anos. Sentia que estava ajudando os professores, estudantes e funcionários da instituição a fazer seu trabalho de forma eficiente. A informática é uma área que não produz nada por si própria, ela serve de base para outros aplicarem suas habilidades ou seu conhecimento. Acredito que, se cada um fizer bem seu trabalho, inicia-

Homens trajados com vestimentas típicas timorenses.

De que forma você acabou sendo enviado para o Timor Leste? A ONU é equivalente a um órgão público, mas em âmbito mundial. Há várias missões e agências da ONU. Cada uma delas tem seu quadro de funcionários, como se fossem empresas normais, e, como tal, publicam vagas e contratam colaboradores. Eu vi a oportunidade de trabalhar para a ONU como voluntário

Como é seu dia a dia nesse país? Meu trabalho é situado diretamente no Ministério da Justiça do Timor Leste, especificamente voltado para os timorenses colaboradores da Procuradoria Geral da República. Todos eles fazem parte da equipe de TI da instituição. Eu dou aula para eles duas manhãs por semana. Depois da aula, temos treinamentos específicos em cada institui-


Entrevista

Qual o maior desafio em estar em missão? Do ponto de vista profissional, é lidar com as frustrações. Do lado pessoal, é a saudade. Sou uma pessoa muito família, com três irmãs e, a partir de dezembro, seis sobrinhos. Estar longe deles é difícil e ver os pequenos crescendo e mudando, também. O dia a dia aqui é seguro, mas instável. No meio do ano, depois do resultado das eleições, houve focos de revoltas, com muitos carros apedrejados e queimados e até pessoas feridas e mortas. Durante aquela semana, o clima ficou tenso, mas por sorte não se agravou. A situação pode mudar rapidamente, por isso temos que sempre estar atentos e ter um bom ponto de segurança, como a própria casa, com mantimentos e provisões básicas. Como é conviver com a frustração de que nem sempre a solução está em suas mãos? O maior desafio é fazer as pessoas entenderem a importância do que está sendo feito. Em outros lugares do mundo, essa formação de capacidade diretamente aplicada ao local de trabalho é algo raro, já que os treinamentos tradicionais são sempre dados em horário diferente do horário do trabalho. As empresas preferem que seus funcionários estejam envolvidos em suas tarefas laborais nesse horário. Aqui, a tarefa laboral deles é aprender. Mas, mesmo assim, muitos deles não dão valor a

isso e acabam por se interessar pouco, perdendo a oportunidade que oferecemos. Para lidar com essa frustração, temos que manter a meta e nos concentrar naquelas pessoas que apreciam isso e que estão mudando com o que nós oferecemos. Ver que estamos melhorando a vida de uma pessoa é uma recompensa extremamente gratificante, que nos dá força pra seguir adiante.

Hoje, trabalhando para o Timor Leste, qual é seu maior desejo?

Quando mais novo, de que for-

Trabalhando na ONU,

Que eu consiga fazer a diferença para mais pessoas. Quando eu for embora, quero olhar para trás e enxergar um trabalho bem-feito, uma diferença clara (para melhor!) entre o momento em que cheguei e o momento em que estiver partindo.

ma você fazia a diferença em sua realidade? Posso dizer que eu nunca fui um rapaz extrovertido e com facilidades sociais, por isso não me envolvia ativamente em causas sociais. Mas, graças à educação que tive, gosto de pensar que sempre diferenciei o bom do mau. Por isso, em tudo que fazia eu tratava de levar sempre em conta isso, perguntando-me quais seriam as consequências de minhas ações. Acho que era algo simples, mas que fazia a diferença em minha realidade.

eu sou um agente de mudanças. eu sinto que as coisas acontecem porque nós fazemos acontecer eu tenho que tratar as pessoas com respeito eu quero ajudar da forma que for possível eu vou fazer muito bem feito o que tenho que fazer

Qual a maior recompensa que o seu trabalho lhe proporciona? Profissionalmente, é ver os colegas aprendendo e mudando. Pessoalmente, é saber que estou fazendo algo pra melhorar a vida de alguém.

Martine Perret/UNMIT

ção, atendendo a suas necessidades e demandas. Aqui, aplica-se o conceito de formação de capacidade, que vai além de aulas normais. É possível se dedicar àqueles que têm mais dificuldades, por exemplo.

Quais características esse trabalho desenvolveu em você? Trabalhar com tecnologia em um país pós-conflito é algo muito desafiante. Tive que aprender a lidar com situações difíceis, como falta de comunicação e de energia durante quase o dia todo. Aprendi a lidar com outras culturas, porque cada pessoa tem uma forma de lidar com as coisas. Estou mais tolerante.

A restauração da independência do Timor Leste, ocorrida em 2002, é motivo de comemoração no país. UNMIT

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Um agente da paz desembarca no Timor Leste, trazendo ajuda para a população.


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Capa

Rebeldes com causa Este século é marcado por jovens transformadores e com irreverência suficiente para causar um impacto positivo no mundo

O

ijeitão despojado e até blasé iengana à primeira vista. Quem vê pode pensar que são jovens perdidos, que não levam nada a sério e que vivem conectados – até demais. O engano vai embora quando esses jovens falam sobre o que pensam, o que creem e como gostariam de colocar em prática suas ideias para melhorar o mundo. Estamos falando dos jovens do século XXI, as chamadas gerações

Y e Z. Jovens com causas, planos e liberdade de sobra para transformar. Segundo o Ir. Evilázio Teixeira, doutor em Filosofia, Teologia e atual vice-reitor da PUCRS, essa é “uma juventude que se nega a simplesmente repetir as gerações anteriores e que busca afirmação”. Diferente de décadas passadas, o jovem da atualidade só se engaja naquilo que realmente lhe faz sentido. A vontade de ver pequenas mudanças os move para grandes conquistas. O sociólogo Cézar Lima, professor de Ciências Sociais da PUCPR, explica

que o jovem atual tem entendimento de que não vai mudar o mundo, mas sabe que tem em mãos a possibilidade de contribuir para um convívio mais harmonioso. Para os estudantes do 2º ano do Ensino Médio, Bruna Luz, do Colégio Marista Rosário (RS), e Alexandre Longo Filho, do Colégio Marista Pio XII, de Ponta Grossa (PR), ajudar uma senhora a atravessar a rua ou ser gentil com alguém já são atos de grande valor. “Com certeza, pensar nas próprias atitudes e acreditar que elas provocam transformações é uma combinação que mudaria o mundo”, diz Alexandre. Para o Ir. Evilázio Teixeira, os jovens estão mais sensíveis por natu-

Além do voluntariado, a estudante Bruna Luz, do 2º ano do Ensino Médio do Colégio Marista Rosário (RS), acredita que atitudes do cotidiano podem fazer a diferença.

Ser gentil com o porteiro ou com uma senhora “ são coisas que, por vezes, não são valorizadas. Mas fazem diferença na vida das pessoas.


reza e querem um mundo melhor para todos. É nesse contexto que as causas específicas ganham força. “A juventude atual está muito sensibilizada perante os problemas das desigualdades sociais, a realidade de marginalização, de ataque ao ecossistema, da pobreza e morte que assediam muitos dos países em desenvolvimento. Muitos deles estão dispostos a dedicar parte de seu tempo, de seu dinheiro, de suas férias e até anos inteiros, a aliviar esses problemas”. Mas tudo isso só dura enquanto o jovem crê na bandeira que levantou. A partir do momento em que ele não acredita mais, ele não insiste e parte para uma nova empreitada. O sociólogo afirma que as manifestações atuais duram menos tempo se comparadas às de 20 ou 30 anos atrás; no entanto, são mais diretas e efetivas.

Minha, sua, nossa causa Atualmente, não se tem mais a noção de mudanças grandiosas, buscam-se mudanças pontuais. Já as décadas de 60, 70 e 80 foram marcadas por um anseio de grandes reformulações. O contexto pedia alteração na estrutura da sociedade, na política ditatorial que sufocava a liberdade dos seres humanos, na economia que não favorecia boas condições de vida. Quando essas conquistas foram alcançadas, a noção de luta que havia

se construído se dispersou e um novo molde surgiu, no formato que tem sido apresentado hoje pelos jovens. O estudante Heitor Fantinatti, do 3º ano do Ensino Médio do Colégio Marista de Ribeirão Preto (SP), é um exemplo dessa juventude. “Quando nós falamos em mudar o mundo, parece que é uma coisa gigantesca e muito difícil de fazer. Isso se torna realmente difícil se você falar em um contexto global. Mas e se pararmos para pensar e começarmos a mudar o lugar onde vivemos? Primeiro, a escola; depois, o bairro; até chegar a uma cidade inteira”, diz. A partir da década de 90, com o conceito de globalização mais instituído na vida das pessoas, veio também o firmamento do multiculturalismo. Assim, as lutas e causas também se tornaram desterritorializadas, o que contribui para o alcance de conquistas globais. A internet se tornou, e ainda é, uma forte aliada para isso.

Além das ações voluntárias, o estudante Gabriel Cauduro, do 1º ano do Ensino Médio do Colégio Marista Rosário (RS), realiza a doação de roupas para pessoas carentes.

Eu gosto de me envolver com outras pessoas, de “ ajudar. A possibilidade de fazer isso no voluntariado me chama a atenção, por isso sou voluntário. ”

Das ruas para as redes socias “Revolução de verdade se faz na rua.” Ou seria "se fez"? Os caras-pintadas, os hippies ganharam a cidade com seus gritos de revolução e passeatas. Hoje, a manifestação é menos alarmante – embora tão ou mais efetiva que – e o ponto de encontro é no mundo virtual. O estudante Gabriel Cauduro, do 1º ano do Ensino Médio do Colégio Marista Rosário (RS), conta que o canal de comunicação do grupo de voluntariado do qual participa são as redes sociais. “Pela rede social, organizamos os grupos que vão visitar as instituições que ajudaremos. O grupo da internet também é usado para comentar outras atividades envolvidas com o voluntariado”.


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Capa Para que outras gerações possam entender essa transição de espaços, o questionamento deve ser: as plataformas já conhecidas (cartazes, manifestos nas ruas) ainda são condizentes com a forma de expressão do jovem Y ou Z? Vale lembrar que essa juventude nasceu em outro contexto, cercada pela teia da World Wide Web. Logo, é natural que seus gritos e pensamentos por mudanças sejam explicitados em páginas de redes sociais, por exemplo. Para o Ir. Evilázio Teixeira, “é incontestável que esses avanços tenham facilitado muitos aspectos de nossa vida diária, tornado mais compreensível nosso mundo e aproximado os problemas de todos”. O mundo virtual oferece um espaço de encontro plural para os jovens, onde podem encontrar pessoas com

inquietações similares, o que se torna um incentivo para agirem. “A internet proporciona a mobilização de quem nem se conhece”, completa o sociólogo Cézar Lima.

Do meu jeito Olhando para o passado, o jovem Y e Z reconhece as vitórias alcançadas pelos pais e avós, mas percebe quantas barreiras foram impostas pelas instituições com as quais a velha juventude estava ligada. Por isso, hoje o jovem luta por suas causas por conta própria. Ele não está preocupado se terá o apoio de uma ONG ou de um partido político; pelo contrário, ele não crê nessas instituições. Sendo assim, dá o primeiro passo. No caminho, encontra outros jovens com interesses similares. Juntos, eles vão atrás do que querem.

Por iniciativa própria, a estudante Georgia Furquim, do 2º ano do Ensino Médio do Colégio Marista Rosário (RS), começou a se envolver em atividades voluntárias:

Acho que o Colégio me incentivou, trabalhando isso na minha vida “ desde pequenininha. Eu gosto de ajudar e quando conto histórias para a minha família, eles até sentem vontade de contribuir. ”

O desafio Diante do contexto de jovens engajados em causas mais específicas e descrentes do sistema político e econômico, é preciso encontrar formas para que esses jovens possam tornar suas pautas específicas potentes influenciadoras dos direitos fundamentais. “Ainda não vejo o jovem envolvido em lutas que transcendam os interesses específicos. Esse é o desafio do momento”, diz o sociólogo.

Processo em curso Segundo Cézar Lima, o que vivemos hoje é um reflexo dos anos anteriores e continuará sendo assim. Por isso, é preciso perceber que discussões acerca da juventude e de seus comportamentos não é um ciclo que se fecha, mas que se altera com o passar do tempo. Quando se fala em geração 2000, as percepções são ainda mais incompletas, uma vez que este é um processo em curso.


A juventude atual me parece assim...

E

les viram a minissaia surgir, os hippies pregarem “paz e amor”, o muro de Berlim cair. Alguns participaram ativamente dessas e de outras emblemáticas situações no mundo. Outros, simplesmente, foram espectadores. As gerações nascidas no fim da década de 1950 e durante a de 1960 enxergam que os jovens da atualidade desfrutam de muita liberdade, são mais donos de si que seus pais e avós, mas isso muitas vezes se torna ausência de limites e falta de respeito. O sociólogo explica que a noção de respeito que se tinha nas décadas passadas estava muito ligada à obediência. “As gerações anteriores eram mais obedientes, por uma questão de tradição”. Atualmente, os jovens são mais questionadores, não seguem aquilo que não acreditam e expõem abertamente o que pensam.

Lucas Jiang, estudante do 3º ano do Ensino Médio do Colégio Marista Rosário (RS), pratica voluntariado desde 2010 e conta com o apoio dos pais nessa atividade:

Meus pais me apoiam. Converso muito com meu pai sobre as atividades do grupo e ele se sente orgulhoso.

Isaura M. Oliveira, 65 anos Aposentada “Os jovens têm em mãos uma coisa muito grande, que se chama liberdade. Muitos deles sabem aproveitar isso.”

Eloir Rosa, 42 anos Cinegrafista “Está cada vez mais difícil educar um filho. Hoje em dia está tudo muito livre. Acredito que um pouco de censura não faria mal. A culpa é da sociedade, a televisão mostra muita coisa que não deveria."

Maria Carvalho, 63 anos Salgadeira “Acredito que a juventude de hoje não está perdida, mas falta respeito dos jovens com os outros. Penso que os pais não querem que os filhos passem pelo que eles passaram e por isso não impõem limites.”

Os pais de Vagner Vergara, do 3º ano do Ensino Médio do Colégio Marista Rosário (RS), nunca praticaram ações voluntárias, mas isso não impediu o estudante de se engajar:

Comecei no voluntariado “ por influência dos meus amigos. ”

Roseli Silva, 48 anos Doméstica “A educação dos jovens de hoje é bem diferente. Acredito que os pais deixam os adolescentes e as crianças soltas demais, e isso torna alguns jovens rebeldes.”

Euclides S. Pereira, 48 anos Cabeleireiro “Em relação ao comportamento de antigamente, a juventude de hoje tem mais liberdade. Nos meus 40 anos de cabeleireiro, por exemplo, o pai escolhia o corte do filho até os 15 anos de idade; hoje, a criança mais nova corta o cabelo do estilo que quer."


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Capa

Anos 60 l Liberdade Sexual l

Filhos da geração Baby Boom (grande

crescimento populacional ocorrido após as guerras mundiais) l

Pós-guerra

l

Auge do consumismo, que, por sua vez,

Anos 70 l Liberdade de Expressão

Anos 80 l Conformismo

l Perda da inocência e das crenças nos ícones dos anos 60

l Geração Y (nascidos em um momento de grandes avanços tecnológicos. Atualmente, são reconhecidos como aqueles que estão sempre em busca de inovação, além de serem engajados em causas so-

l Aprofundamento das discussões da década anterior l

Combate à censura e ao racismo

ciais)

l

Direito das minorias

l

Época de recente derrubada da ditadura

l Liberdade na moda, na música e no com-

l

Jovem menos ingênuo e mais cínico, mais

l

Juventude mais conformista e mais po-

portamento

contestador

é combatido fortemente pelos jovens

l

Ascensão dos movimentos culturais,

como Op art, Pop art e Nouvelle Vague l l

Movimentos estudantis Ditadura

litizada

l

Aumento da repressão

l

l

Dúvida dessa geração: “Ficar à margem

fluenciarão a próxima década

do sistema ou entregar-se?”

l

Grandes conquistas políticas que in-

Sem protagonismo dos jovens


O jovem na linha do tempo O tempo passou e, com ele, os jovens se transformaram. Os propósitos de vida são outros, assim como seus ídolos, seus sonhos e sua forma de expressão. Há quem diga que são acomodados, menos ativos que outras gerações, que lutam por causas pequenas demais. Na verdade, são apenas diferentes. A equipe da revista Em Família, junto com o sociólogo Cézar Lima, organizaram a linha do tempo abaixo para que você entenda a geração atual, conhecendo mais dos antecedentes desses jovens.

Anos 90 l Defensores l

Alto engajamento político

l

Proliferação de ONGs

l

Há uma necessidade comum em suprir

as necessidades emergenciais da sociedade civil l Jovens unidos para a defesa de uma plu-

ralidade de direitos

Anos 2000 l Individualismo l

Geração Z (nascidos no universo digital,

são indivíduos muito familiarizados com a tecnologia, com a internet e seus recursos) l

Globalização

l

Capitalismo afeta o protagonismo do

jovem l Jovem mais individualista

Anos 2010 l Conectados l

Críticos em relação às instituições e aos

governos l

Noção de Estado, família

l

Intolerante à corrupção

l

Cobra com rigor, exige bons exemplos e

questiona a hierarquia convencional l

Aquilo que se pensa deve

ser aquilo que se faz l

Acredita que é preciso fazer para merecer

l

Luta por causas específicas, crendo que

transformar o pouco traz reflexos para o muito


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Dia a dia

Filhos engajados e pais preocupados Afinal, a insegurança dos pais deve ser recompensada com a experiência dos filhos?

A

criança lidera a turma em causas sociais, promove a igualdade e luta por justiça. Prepare-se: seu filho é um ativista nato e o seu coração ficará dividido entre orgulho e medo. Eles querem conhecer cada canto do mundo e se sujeitar às mais novas experiências. Mas, a bandeira erguida de que o filho deve ser criado para o mundo logo dá espaço à proteção e

ao medo de expô-lo a uma realidade tão dura. E aí, os pais estão preparados para desengatar o laço de proteção? Na tentativa de proteger os filhos, os pais podem perder o controle da situação. O ideal é conversar sobre os riscos e o benefício da atividade que será praticada. Foi assim que, em 2006, Gabriela Howes, ex-aluna Marista e atualmente colaboradora

no Colégio Marista Rosário (RS), no setor de Pastoral, conseguiu a permissão do pai, Mário César Howes, para ir à África com apenas 19 anos. “Foi um impacto muito grande esta decisão dela. Confesso que foi difícil para nós. Diziam que eu estava louco em apoiá-la”, lembra Mário. Gabriela partiu para Moçambique em missão pela ONG Associação


do Voluntariado e da Solidariedade (Avesol). Ela ficou em terras africanas durante nove meses e passou por situações com as quais jamais teria contato caso não aceitasse a empreitada. Howes sabia que a filha enfrentaria problemas, afinal, ela se depararia com uma realidade muito diferente da de seu país. “Perguntei se ela sabia das dificuldades que ia enfrentar. Vi que estava determinada e apoiei a decisão”. Para a desarmonia da família, a mãe foi totalmente avessa à viagem e até o último instante, antes de embarcar, pediu que a filha não fosse. “Não queria que minha filha ficasse longe de casa. Achava ela muito nova para ficar num país totalmente diferente”, apontou Ivelise Howes.

Test-drive A vontade de ir à África teve capítulos importantes a serem vencidos. Dois anos antes, Gabriela teve a oportunidade de fazer um intercâmbio – o Rondon Internacional. Lá, ela passou três meses vivendo o desprendimento familiar. “Quando eu voltei do Canadá, falei aos meus pais que eu estava preparada para ir a Moçambique”, conta

Experiência Enfim, Gabriela pisou na África, enquanto a mãe ainda sofria por aqui. “Eu não acreditei, até o último instante”. Lá, a ideia inicial da missão de Gabriela tomou outras proporções, e

o que antes era um trabalho voluntário, acabou sendo uma experiência pessoal e intrasferível. “Eu ia ser professora de inglês da 6ª e 7ª série, tanto de ensino regular como na educação de jovens e adultos. Quando cheguei lá, percebi que a demanda era muito maior, eu ia ser mais que uma professora, ia ser uma pessoa de outra cultura que ia aprender muito sobre eles. A sensação que eu tenho, hoje, é que eu não fiz nada, quem fizeram foram eles na minha vida”, disse. Já para Ivelise, a sensação era outra, e a cada dia aguardava a volta da filha. “Durante todos os meses envelheci 50 anos. Passava noites sem dormir, conseguia falar com ela somente por telefone e de madrugada. Às vezes passava 15 dias sem notícias dela”. Gabriela conta que a comunicação era precária e o local onde tinha acesso à internet ficava a pelo menos 30 quilômetros de onde eles estavam. “Não sei nem com qual periodicidade falava com meus pais”, recorda.

Realidade “Eu sentia que a morte estava sempre presente comigo”, revelou Gabriela, que escutava a todo o momento sobre a naturalidade com que os africanos lidavam com esse tema. “Quando alguém não chegava para a aula, eles respondiam ‘morreu, professora’, assim, sem pudor. Diziam que mor-

riam por causa de doença. Então, eu dava aula de inglês, mas sempre que podia falava sobre higiene, prevenção, doença, até mesmo da aids. Coisas que a demanda da realidade faziam com que eu falasse”, revela.

Valeu? O retorno foi alegre e vigoroso. A mãe, que tanto rejeitou a ideia, rendeu-se. “Ela voltou diferente, mais madura”. Mas ressalta a importância de se saber com quem o filho está indo. “Antes de qualquer decisão, verifiquem realmente o lugar para onde irão, com quem vão morar e que tipo de situação vão enfrentar”, aconselha. O pai reforçou a tese do apoio e disse: “precisamos saber criá-los e orientá-los para vida, pois não somos donos dos nossos filhos. Somos simplesmente pais, amigos e companheiros”. Hoje, Gabriela é formada em Psicologia e diz que só consegue se definir e se autoconhecer depois do que viveu em Moçambique. "Tive experiência de vida goela abaixo. Conheci o ser humano na essência, sem bens, sem ter, sem nada. Só ele”, finaliza. Apesar de tudo isso, Gabriela e a mãe tiveram algo bastante significativo em comum. Enquanto a viagem durou nove meses, a sensação para as duas foi de que esse tempo durou anos a fio.


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Olhar

A grande aventura

Para tornar um sonho realidade, às vezes, pode ser preciso se desapegar daquilo que traz segurança. E é aí que se ganha muito mais. Por Roy Rudnick

Michelle Weiss e Roy Rudnick partiram para uma viagem de três anos rumo à realização de um sonho.

É

agora ou nunca. Agora! Este é o subtítulo do primeiro capítulo do livro Mundo por Terra – uma fascinante volta ao mundo de carro, que trata de uma viagem, feita em um veículo automotor, por 60 países, 5 continentes, 1.033 dias e mais de 160 mil quilômetros. Viajar por tanto tempo sempre foi um paradigma para mim e para Michelle Weiss, minha namorada e companheira de viagem. Aliás, tudo que extrapolasse o período de férias – 30 dias – era algo impossível, mas bastou um “nós vamos” e tudo mudou. Tudo passou a convergir em favor do que havíamos decidido: ir à busca de nosso sonho. Por mais que essa decisão aparentemente tenha sido difícil, durou menos que um segundo. Foi como num passe de mágica. Antes dela, seguíamos uma vida regida por rotinas e regras e, depois, os dias passaram a ser diferentes um do

outro, com acontecimentos marcantes que jamais experimentaríamos em casa. Um segundo que acarretou uma grande mudança de vida, mas que teve sucesso por termos nos deixado levar por um fator que é muito discutido nos dias atuais: o desapego. Saímos de uma casa confortável e embarcamos em um veículo com um pequeno motorhome de 4 m² para morar nele por três anos. Ali carregávamos somente o essencial – uma cozinha, uma boa cama, espaço para se ficar em pé e armários para os mantimentos –, tudo feito para oferecer o mínimo de segurança e conforto. As estradas do mundo e os quintais de nossos acampamentos passaram a ser nosso patrimônio, pelo qual jamais tivemos que recolher o IPTU. Éramos livres para seguir sempre que tivéssemos vontade, livres das atribuições que nossos próprios bens materiais nos incumbem. Agora, claro que adversidades também faziam parte do nosso dia a dia e o acúmulo delas é que era duro de suportar. Estar em lugares desconhecidos, comunicação difícil, adaptação a novas culturas, comidas exóticas, problemas mecânicos, lugares inóspitos, aduanas, dificuldades para achar lugar para dormir, dias sem

banho, falta de privacidade em países populosos, estradas ruins e saudade eram apenas algumas delas. Mas a recompensa era sempre superior e, percebendo isso, o ato de “desistir” nunca foi parte de nossos planos. Além disso, o que nos manteve foi ter metas claras e definidas. Nós partimos, vivemos o mundo, cumprimos o planejado e voltamos para casa, certamente enriquecidos de alma. Aprendemos que a vida é muito mais do que ter uma boa conta bancária. Aprendemos a viver com menos e nos tornamos muito mais simples. O livro Mundo por Terra – uma fascinante volta ao mundo de carro é um relato da viagem do casal Roy e Michelle. Essa narrativa descreve com detalhes todos os assuntos relacionados à viagem. As histórias seguem o itinerário realizado e são traduzidas de forma simples e informal – uma conversa entre o leitor e os viajantes. Site: www.mundoporterra.com.br E-mail: expedicao@mundoporterra.com.br.


Crianças e jovens são os grandes agentes transforma-

valores fundamentais, a escola desempenha papel primor-

dores do mundo. Por meio de gestos e atitudes diárias,

dial nesta formação de jovens engajados.

eles comprovam, a cada dia, que estão aptos a mudar a

Nesta parte da Em Família leia histórias, projetos e ideais

realidade com vistas a futuro melhor. O protagonismo da

de alunos em trecho exclusivo do Colégio Maristão, de

juventude se torna diariamente mais forte e consolidado.

Brasília, que tiveram participação fundamental na trans-

E para que isso seja exercido de maneira solidária e com

formação do amanhã.


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Com a palavra

José Leão da Cunha Filho – Diretor-Geral

Cuidando do futuro O que está em jogo numa escola é o futuro. Futuro de crianças e jovens. Futuro do país. Futuro da humanidade

V

ivemos tempos de competitividade acirrada em quase tudo: nas relações, nos estudos, nos negócios. Essa competitividade tem como base a produção de conhecimento e a geração de riquezas. Nesse sentido, constata-se um cenário mundial perigosamente dividido entre países produtores de conhecimento e riquezas, países meramente consumidores e outros tantos excluídos dessas possibilidades. Parte considerável desse jogo é jogada no mundo dos negócios e da política. Outra parte é jogada no ambiente escolar. As duas partes se entrelaçam e concorrem para desenhos distintos de futuro. Na melhor alternativa, enseja uma sociedade produtiva e inovadora, capaz de des-

frutar dos bens produzidos. Na pior, subtrai futuro de milhões de crianças e jovens. Basta olhar para o que está acontecendo em certas regiões do planeta. Essa conta não tem como ser paga. Em última análise, significa menos vida para todos. Por tudo isso, essencial mesmo para uma escola é encontrar um caminho para ajudar professores e alunos a se entusiasmarem com a vida e com a ciência. Nesse percurso, a prática da pesquisa é fundamental para desenvolver o espírito científico, necessário ao questionamento e à elaboração própria. Mas o conhecimento que realmente pode fazer diferença é aquele que nasce da capacidade de perceber e sentir a beleza profunda da vida.

No Maristão estamos engajados nessa tarefa, cuidando para que a excelência de nossos professores e alunos, hoje e amanhã, seja não somente fruto da busca pelo sucesso na vida pessoal e profissional, mas também, e principalmente, seja expressão do amor pela vida e pelas pessoas. É o amor que pesquisa, aprende, constrói excelência, solidariza-se e humaniza.

encontrar um caminho para ajudar professores e alunos a se entusiasmarem com a vida e com a ciência.


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Educa�

Jovens produtores de

conhecimento A escola deve ser um espaço de conhecimento além do convencional Por Leandro Grass*

*Professor de Sociologia.


E

m meio às profundas transformações sociais, culturais e tecnológicas de nosso tempo, surgem constantes questionamentos acerca do papel das instituições, em especial da escola. Para que ela serve, e qual será seu papel em meio aos novos desafios da sociedade, são algumas questões que a tornam alvo de constantes críticas e proposições. A presença da escola na sociedade, bem como na vida de crianças e jovens, passa pelo seu sentido como espaço que potencializa o valor e a capacidade desses sujeitos. E isso depende diretamente do que se entende por aprendizagem e do jeito de fazer escola. Para concluir o ensino básico regular, considerando desde as primeiras fases da educação infantil até o fim do ensino médio, um indivíduo passa de 14 a 15 anos dentro da escola. Nos moldes tradicionais de ensino e aprendizagem, ele passaria boa parte de seu tempo assistindo a aulas, cumprindo tarefas, avaliações, resenhando e resumindo. A cultura da autoria e da produção do conhecimento ainda esbarra em uma pedagogia instrutivista, que hierarquiza o processo de aprendizagem na divisão dos sujeitos entre transmissores e receptores do conhecimento. De acordo com Paulo Freire: “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades para sua construção”. Pensando nisso, desde 2009, a escola tem investido na pesquisa como princípio educacional

e forma de abrir inúmeras possibilidades para os jovens. Inicialmente com o projeto Maristão faz Ciência e, a partir de 2012, com a instalação do Observatório de Ciências Humanas, Sociais e Filosofia, vários jovens têm se tornado exímios pesquisadores e produtores de conhecimento. Hoje a escola conta com aproximadamente 30 estudantes que estão envolvidos em projetos de pesquisa nas mais diferentes áreas do conhecimento, em parceria com seus professores. Pesquisar representa muito mais do que uma simples atividade, tal como afirma a estudante Ana Beatriz Neri, do 2º ano:

Durante as nossas pesquisas, entramos em contato com diversos textos com que normalmente não entraríamos em sala de aula. Além disso, com esse processo de experimentação, podemos observar mais a fundo diversos temas constantemente presentes no nosso cotidiano, compreendendo mais a sociedade em que vivemos. Além de uma experiência amadurecedora, fornecendo-nos outras visões sobre diversas coisas, também é preparatória, nos acostumando com o esquema de produção e interpretação de diversas modalidades de texto. Estudos sistemáticos, leituras cotidianas, discussões, saídas de campo e, principalmente, autoria organizada são alguns elementos da rotina desses jovens. É um aprendizado em movi-

mento, que os tem feito crescer intelectual e humanamente. Artur André Lins, do 3º ano, é outro estudantepesquisador do Maristão, que reconhece o sentido dessa experiência:

O ato de mover-se é o de conhecer, portanto, o estudante inerte está fadado ao fracasso e à opressão. Nesse sentido, a pesquisa, no âmbito escolar, cumpre o papel da formação crítica e inventiva do estudantepesquisador, colocando-o diante do mundo na condição de curioso em movimento. Reconhecer a iniciação científica como educação representa o incentivo à mente autônoma, pré-requisito à condição de agente da própria existência. Pais, estudantes e parte da sociedade clamam, em muitos momentos, por uma escola que prepare para a vida e para os desafios do futuro, como o ingresso no ensino superior. Vemos, nesses jovens pesquisadores, sujeitos preparados para ingressar na universidade, mas, principalmente, capazes de viver e encarar os desafios da vida universitária e acadêmica. Tais projetos representam a iniciação científica na escola e têm transformado o jeito de fazer educação do Maristão. Porém o mais significativo é ver o protagonismo dos jovens na relação com o conhecimento, tornando-se autores e produtores de saberes, dignificando nosso jeito de fazer escola.

A presença da escola (...) na vida de crianças e jovens passa pelo seu sentido como espaço que potencialize o valor e a capacidade desses sujeitos.


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Ser melhor

Uma semana especial Semana Champagnat, período dedicado a homenagear o fundador do Instituto Marista – Marcelino Champagnat Por Flaviane Bertoldo Soares Leite*

O

Maristão, por meio de sua Pastoral, transformou a Semana Champagnat em uma gincana especial e bastante significativa não só para os jovens do Colégio, mas para todos que participam da atividade. No decorrer do evento ocorrem provas solidárias, culturais, pedagógicas e recreativas. Todas elas são pensadas e pesquisadas pela organização com muito cuidado, para que realmente estejam adequadas à proposta maior de homenagear Champagnat na linguagem jovem. A gincana é organizada em equipes: organização (Núcleo de Pastoral, Atividades Complementares e professores); competição (alunos e professores); monitores (ex-alunos); colaboradores (assistência de alunos, manutenção e demais professores) e parceiros (empresas locais). E durante a preparação, as equipes recebem o caderno de provas, para melhor enfrentarem os desafios apresentados e os que virão futuramente. É o momento em que colocam em prática todo seu prota-

gonismo juvenil, vivem o trabalho em equipe e aprendem a gerenciar conflitos, comuns nesse tipo de atividade. Nas atividades culturais, os participantes são motivados à criatividade e à capacidade de dramatização. Privilegia-se a valorização da cultura brasileira na preparação de uma apresentação de quadrilha junina e desenvolve-se a pesquisa sobre a vida de Champagnat para elaboração e encenação de esquetes. Tudo com a participação de alunos, professores e pais na execução das tarefas. A integração entre todos os envolvidos se perpetua durante o semestre seguinte e os anos vindouros. Já as provas solidárias, em 2012, atingiram o máximo em arrecadação de materiais de limpeza para as instituições Creche Santo Aníbal, Escola Maria Teixeira e mantimentos para as oficinas da ONG GirArte. A prática solidária motiva a participação e momento de entrega ao próximo dos participantes. Este ano os números superaram significativamente os registrados em

2011, com acréscimo de 92,95% de participação. Houve adesão de 90% dos alunos, 73% dos professores, atuando diretamente junto às equipes ou na organização, 70% dos colaboradores (organização, manutenção e disposição dos espaços), monitoria de ex-alunos (com a participação de 35 pessoas), 68 pais diretamente envolvidos e a presença de 9 empresas patrocinadoras, com destaque ao Curso Exatas e à Forma Turismo. O crescimento e a união resultante nos faz perceber o significado da semana e como foi adequada a estratégia encontrada pela Pastoral, tornando-a acessível aos jovens de nossa unidade educacional, aos pais e à comunidade. A preocupação em transformar a homenagem ao fundador do Instituto Marista em algo memorável e significativo motiva a comissão organizadora a inovar a cada ano, com o objetivo maior de tornar os nomes de Jesus Cristo e Champagnat cada vez mais conhecidos e amados.

*Agente de Pastoral.


Destaque

Gesto simples Grupo Terra é um convite à vivência Por Brenda Marques*

Q

uando entrei no Maristão ano passado, no 1º ano, interessei-me por um grupo de solidariedade, procurei saber como era, e resolvi dar uma chance ao projeto. O Grupo Terra é coordenado por um grupo de alunos e ex-alunos, responsáveis pelas ações sociais da Pastoral e do grupo da Pastoral Juvenil Marista (PJM). Com datas agendadas desde o início do ano letivo, planejamos ações com crianças carentes de Samambaia, revivendo o sonho de Champagnat, levando às crianças afeto, amor, carinho e atenção, além de tornarmos Jesus conhecido e amado. Fazemos o Terra para propiciar momentos especiais e motivar as crianças à vida. É uma experiência única. Minha primeira participação foi em 2011, e só havia ex-alunos; mesmo assim, eu e uma amiga que me acompanhou, resolvemos nos entregar de verdade para realizar uma ótima tarde

com as crianças. Fiquei surpreendida vendo cada uma delas com um sorriso no rosto, só esperando a hora de começar a diversão e a formação. Fizemos inúmeras brincadeiras, e, ao fim do dia, mais uma surpresa veio, quando várias crianças agradeceram o dia me abraçando. Foi realmente emocionante! Ver um sorriso no fim de um dia e receber um "obrigada" não tem preço. Logo comecei a me envolver cada vez mais com o grupo, minha vida foi se tornando mais alegre e desenvolvi mais confiança em mim. Apreendi a ter mais solidariedade, saber dar valor à vida, e, no fim do ano passado, o ex-coordenador do grupo me convidou para substituí-lo. Fiquei muito feliz com o convite, e ao conversar com o Coordenador de Pastoral, recebi grande apoio. Hoje sou uma pessoa melhor, mais alegre, que valoriza muito

*Coordenadora do Grupo Terra e integrante da Comissão Local da Juventude/PJM – 2º ano.

mais a vida. O Grupo Terra realmente provocou em mim uma grande mudança, e a cada encontro me surpreendo com a reação das crianças. Todos os estudantes do Maristão têm a oportunidade de vivenciar momentos como esses. Deixo aqui o convite para que todos participem do Grupo Terra, vale muito a pena. São reações que não têm explicação, o sentimento é incrível.

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Caleidoscópi�

O objetivo da Central de Vestibulares é orientar os alunos à escolha do curso na universidade, com um suporte quantitativo em relação a notas do PAS. Inclui, ainda, a participação no Enem de forma mais eficaz, mostrando, por meio de projetos já em execução, as várias possibilidades que o Enem oferece.

Dia 14 de junho o Maristão lançou a Campanha TOP FIVE. O objetivo foi reconhecer o esforço dos bons alunos, incentivar a participação nos simulados optativos e dar mais visibilidade às ações da Central de Vestibulares. Os cinco primeiros classificados nos simulados recebem uma camiseta e também ingressos para teatro ou vouchers para a compra de livros.

O Maristão prepara um momento de acolhida aos alunos que estão chegando no segundo semestre. Houve apresentação da Direção, equipe do educacional, Pastoral e Núcleo de Atividades Complementares.

A embaixada dos Estados Unidos, em parceria com o Maristão, promoveu, dia 31/7, uma palestra sobre Ciência da Computação com: Sonica Li, engenheira de softwares da Google; Jen Chen, Gerente de Produtos da Google Maps; e a Diretora de Recursos de Informação dos EUA.

O Maristão recebeu representantes da Capes e do CNPq, que proferiram uma palestra sobre o Ciência sem Fronteiras. Trata-se de programa de mobilidade internacional em ciência, tecnologia e inovação. O objetivo principal é qualificar 101 mil estudantes e pesquisadores brasileiros, nas melhores universidades, até 2015.

Dia 10/8 realizamos o recreio festivo, em comemoração pelo Dia do Estudante. Os alunos receberam o tradicional bolo gelado e se divertiram ao som da banda Surf Sessions. Tivemos, também, a premiação dos alunos TOP FIVE, além do sorteio de cortesias para teatro.


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Diz aí

Qual é a sua causa?

Artur Lins – 3º ano

Felipe Pavoni – 2º ano

Gabriele Oliveira – 1º ano

O espírito do jovem é o do tempo do qual faz parte e, também, revitaliza. A revolução é fruto do bom uso do tempo, do saber que liberta e do cuidado holístico. Uma das lutas, em nome da subversão, se dá por meio de uma educação libertária para todos e, sobretudo, um educar para o todo.

Lutaria pela melhora do transporte público em Brasília! Nosso sistema de transporte é deficitário e urge por investimentos e melhoras. Isso deixaria a população mais satisfeita e incentivaria mais pessoas a aderir ao sistema coletivo e, assim, ajudar o meio ambiente.

Lutaria contra o individualismo. A sociedade precisa de humildade, de generosidade e de compaixão. Acredito não ser difícil olhar pelo próximo. Dar atenção a quem nós nunca nos preocupamos em dirigir um sorriso ou uma palavra amiga, pois às vezes isso faz uma diferença muito maior que todo o dinheiro do mundo.

Hegly Cavalcante – 3º ano

Izzadora Duarte – 2º ano

Rafael Acioli – 1º ano

Lutaria pela ética política. Com um Congresso ético, problemas como saúde, educação e saneamento básico também se resolveriam, uma vez que os políticos cumpririam seu papel perante a sociedade e investiriam corretamente os recursos.

Lutaria pela própria educação, não só brasileira, mas mundial. Como seres racionais, buscamos conhecimento por nós mesmos, e o sistema educacional deve nos ajudar a sermos responsáveis pela nossa mente, e não tentar definir o que somos e como somos apenas através de avaliações que não demonstram nossa real essência humana.

Acredito que o que mais me mobiliza a lutar é a desigualdade social e o preconceito. Não acho correto a sociedade capitalista deixar de lado o compromisso com irmãos que não têm o que comer, onde morar.


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Educa�

Jovens, hoje e

Sempre! Por prof. César Augusto Berçott*

E

m um programa da televisão espanhola, no dia 21 de agosto de 2011, sobre a visita do papa à Espanha, o âncora perguntou ao comandante do corpo de bombeiros sobre os atendimentos no encerramento da XXVI Jornada Mun-

dial da Juventude, e, diante da resposta de que não houve ocorrência de coma alcoólico ou atendimento decorrente de uso de drogas, o jornalista bradou: “Que juventude é essa?”. Reação inequívoca de quem duvidava dos dados

oficiais sob uma crença pessimista de que não seria possível encontrar jovens à busca de um sentido pleno e autêntico para sua existência. A Jornada Mundial da Juventude (JMJ), marcada por vários momentos, foi

* César Augusto Berçott é professor de Geografia.


uma semana recheada de catequeses, orações e festas, que só pode ser compreendida à luz da biografia do sempre jovem João Paulo II. O evento que reúne jovens católicos de todo o mundo possui dois dias marcantes: a Vigília que começa na noite de sábado e uma grande celebração eucarística no domingo pela manhã encerrando o encontro. Simples e tocante! Assim pôde ser definido o encontro que, em sua edição de 2011, reuniu dois milhões de jovens em Madri, e as ruas da capital da Espanha ficaram vibrantes e coloridas, sinceras e espontâneas, carregadas de alegria e emoção, porque assim são os jovens de hoje e de sempre. Confesso que acompanhar 450 jovens de Brasília com minha esposa e meus dois filhos mais velhos foi um privilégio. As origens das JMJs estão na década de 1950, quando o então padre Karol Wojtyla, acompanhado por seu pequeno coral de música gregoriana, saía para acampar, esquiar ou caminhar pelas montanhas. A missa era celebrada improvisando um caiaque emborcado como altar e dois remos cruzados simbolizando uma cruz. Esse homem, que sofreu os horrores da Segunda Guerra Mundial e, em 1978, tornou-se papa, soube como ninguém captar a essência da juven-

tude, captar esse maravilhoso período concedido por Deus, cheio de interrogações e de buscas por um sentido da vida, período de sonhos, de construção de projetos e de imensas realizações. As Jornadas não podiam ser pensadas de forma diferente. Uma longa caminhada para chegar até o local do encontro (no caso de Madri, uma base aérea militar separada por mais de duas horas em passo apertado), saco de dormir estendido no chão, muitos violões, algumas músicas religiosas e outras profanas, bate-papo com os novos amigos de vários países, um banho de chuva garantido por uma tempestade inimaginável e um pequeno cochilo à espera do Papa, a celebração da missa pela manhã e a caminhada de volta ao alojamento designado para cada grupo. Uma combinação de cansaço e alegria envolvem os jovens após o encontro. No que João Paulo II acreditava, incentivando e acompanhando as JMJs era na força da juventude para transformar e renovar o mundo, construir uma sociedade livre, justa e próspera, baseada e animada pelo amor. Como ele mesmo afirmou no ano de 1980, em homilia pronunciada aos jovens de Belo Horizonte, por

ocasião de sua vinda ao Brasil: “Só o amor verdadeiro constrói”. Aprendeu a estar apoiado na juventude. Os jovens de hoje e sempre trazem essa imensa capacidade de amar, de se dar ao outro sem reservas, de querer e buscar o bem. Ele é a composição adequada e necessária para temperar um mundo muitas vezes sem sabor e sem esperança. Por isso Bento XVI também quis contar com essa energia que rompe barreiras, que não vê preconceitos e abre espaço para o anúncio da boa-nova que é Cristo. Por essa razão, a imagem escolhida pelo Brasil para receber a próxima Jornada Mundial da Juventude foi de grande felicidade: um país de braços abertos ao mundo, esperando encontrar essa multidão de jovens que trazem em si o desejo sincero de paz e felicidade. O Rio de Janeiro ficará pequeno em 2013, mas é certo também que uma pequena manjedoura recebeu Aquele que se fez pequeno pelo ser humano. Que venham os jovens, como disse João Paulo II ao jornalista Vittorio Messorio, no livro Cruzando o limiar da esperança, “com tudo o que eles querem me dizer a respeito de si próprios, de sua sociedade, de sua Igreja”. Jovens, sejam bem-vindos! Hoje e sempre!

um país de braços abertos ao mundo, esperando encontrar essa multidão de jovens que trazem em si o desejo sincero de paz e felicidade.


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Educa�

MARISTÃO E NEWLANDS COLLEGE: PROJETO RECURSOS HÍDRICOS

Estudo além das fronteiras e salas de aula dá ao aluno maior preparo para a vida acadêmica Por prof. Nilson Caetano e prof. Lúcio Bravin*

N

a atual fase de globalização, a sustentabilidade ambiental ganha cada vez mais visibilidade. O Brasil, nos últimos anos, com sua vasta e rica biodiversidade, tem sido um dos principais focos da atenção mundial. E um dos pontos-chave de grande discussão é a utilização sustentável da água e seu tratamento para o benefício da sociedade. Com a intencionalidade de abordar o tema de maneira acadêmica, o Colégio proporcionou, dentro do projeto Maristão faz Ciência, uma parceria de intercâmbio além-fronteiras para de estudantes do Ensino Médio desenvolverem, de forma acadêmica, estudos técnicos sobre a temática da água e seu uso sustentável. O objetivo não foi apenas o aprendizado do conteúdo, mas a possibilidade de produção científica integrada ao seu currículo ainda no Ensino Médio, visando ao maior preparo ao ensino superior.

No primeiro semestre de 2012, o programa de internacionalização do ensino enviou alunos do grupo de pesquisa e um dos orientadores para a Nova Zelândia, país com ótimos indicadores sociais e ambientais. Foram escolhidas duas capitais de países distintos para análise do uso sustentável dos recursos hídricos: Brasília e Wellington (capital da Nova Zelândia). Os estudantes de Brasília, orientados pela coordenação do projeto Maristão faz Ciência, realizaram em Wellington estudos sobre a política de recursos hídricos, as técnicas usadas, possibilitando-lhes ferramentas que os tornem pesquisadores. O programa de internacionalização educacional associado ao programa de produção científica criou um ambiente mais rico de intercâmbio, ampliando o leque de opções culturais para os nossos estudantes.

Para complementar os objetivos do projeto, os estudantes desenvolveram pesquisas adicionais na cidade de Brasília, visando à comparação com os dados obtidos na Nova Zelândia. Obteve-se, assim, uma visão geral do uso dos recursos hídricos, possibilitando aos alunos a consciência crítica de um problema planetário numa perspectiva de fundamentação teórico-científica. Os estudos realizados nas capitais servirão de base para a produção de um artigo científico com vistas à investigação do estágio atual do uso dos recursos hídricos. Baseado na comparação de duas capitais distintas, o estudo tem o propósito de apresentar medidas para o uso mais eficaz desse recurso. A execução da pesquisa e a produção do artigo são de responsabilidade dos alunos, com orientação metodológica dos professores de Geografia e Biologia.

* Nilson (Geografia) e Lúcio (Biologia) são orientadores do projeto Recursos Hídricos.


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Gente noss�

Uma história de sucesso com o Marista e com a Banda Marcial Por Paulo Gonçalves Costa*

C

omecei a estudar no Maristinha em 1986, na 7ª Série, e concluí o 3º ano do Ensino Médio em 1990. Foram cinco anos muito intensos, em que participei de várias atividades oferecidas pelo Colégio, dentre elas a Banda Marcial e o atletismo, com nosso treinador e amigo, professor Hermínio. Nos anos em que participei da Banda, aprendemos muito sobre música, naturalmente, mas também sobre a importância do papel de cada um, orientado para a realização de projetos maiores, ou seja, um perfeito trabalho em equipe. Naquele período sob a direção do incansável Ir. Lino, a batuta do Maestro França, o carinho das “tias” da Banda e com o apoio de nossas famílias, a Banda Marcial sagrou-se vencedora em diversos concursos pelo país, tornando-se uma referência. Firmei amizades que trago até hoje, e sempre que nos encontramos lembramos esse maravilhoso período de nossa vida. Dentre estes amigos, alguns até

hoje são envolvidos seriamente com música, tornando-se profissionais em orquestras renomadas ou curtindo um especial hobby. Lembro-me de que para viabilizar as viagens, ajudar nossos pais ou mesmo garantir aquele dinheirinho para custear nossas despesas com autonomia, vendíamos rifas, promovíamos eventos, tudo em um grande clima de camaradagem. Merecem destaque as viagens da Banda, quando dávamos nossos primeiros passos fora do ninho. Muita diversão, mas também disciplina e compromisso para nossas apresentações pelo país, afinal representávamos ali nosso colégio e nossa cidade. Também naquele período pude desenvolver habilidades em liderança que me são muito úteis até hoje. Fui representante de turma desde a 7ª série e presidi o Grêmio Estudantil entre o 2º e o 3º ano. Saber ouvir e respeitar opiniões contrárias, construir o consenso, resolver conflitos e liderar

baseado em princípios foram algumas lições que aprendi na prática nos anos do Marista. A qualidade do ensino, o envolvimento e a dedicação dos professores e funcionários, envolvidos no ideal de oferecer àqueles meninos uma educação integral, marcou a minha vida e a de meus amigos. Somos o que somos hoje em razão da conjugação de lições e esforços de nossos pais e mestres. Hoje meus sobrinhos, Vinícius e Otávio, estudam no Maristinha e torço para que eles usufruam destes maravilhosos anos como eu. Este ano que a Banda Marcial Marista comemora seus 40 anos, impossível não me emocionar ao participar de mais uma apresentação e mostrar para minhas três filhas o papai tocando. Lembrarei sempre das palavras de Champagnat: "Colherás na velhice o que semeares na juventude". Aos 40 anos, em plena maturidade, reforço dia a dia minha crença nessas lições.

*Ex-aluno Marista (1986 a 1990), bacharel em Direto e analista judiciário – Diretor de Secretaria do TJDFT.


Acesse: www.grupolumen.com.br


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Essência

Toda geração de jovens encontra seu modo de

mudar o mundo Por Ir. Adriano Brollo

N

os últimos anos temos visto uma variedade de estudos e pesquisas sobre o fenômeno juvenil. Muitas dessas pesquisas objetivam apenas avaliar padrões de comportamento e consumo. Outras são extraordinariamente inusitadas e esclarecedoras, como os estudos geracionais comparativos, os estudos sobre protagonismo juvenil, as experiências de voluntariado juvenil, os mapas da violência, as escutas abertas sobre as expectativas e sonhos dos adolescentes e jovens da geração atual. O Grupo Marista − cujo carisma é o trabalho e a presença evangelizadora entre crianças e jovens − não poderia perder esse bonde da história. Sendo assim, em 2010 decidimos efetuar uma ampla pesquisa denominada Aspectos Culturais e Crenças da Juventude Marista, abrangendo jovens com mais de 13 anos, representativos de todos os colégios e centros sociais Maristas do Brasil. No total, foram 11.509 respondentes que opinaram sobre afetividade, relacionamentos, família, educação, visão de sociedade, consumo, mídias, religião, valores pessoais e outros assuntos importantes. O resultado foi compilado no vídeo Dossiê da Juventude Marista, já disponibilizado no YouTube (em cinco blocos, iniciados a partir de (www.youtube.com/watch?v=v9fphYI5H9M). O material vem servindo como um recurso importante para revermos concepções enraizadas e nos reposicionarmos em alguns processos pedagógicos, sociais e de evangelização – sem dizer dos inúmeros insights e provocações oriundas dessa experiência. Pois bem, fechado esse parêntesis, merece um

destaque elogioso a pesquisa realizada pela agência BOX 1824: O Sonho Brasileiro Manifesto (osonhobrasileiro.com.br). Quem ainda não viu nem participou, está perdendo a chance de conhecer um novo Brasil e uma nova geração de jovens protagonistas. Num mundo em constantes mudanças, nossos jovens passam a questionar e ressignificar muitos modelos até então estabelecidos. Os jovens atuais avaliam que os sonhos de seus pais foram grandes e ideológicos demais, que por isso acabaram nunca acontecendo e geraram frustração. Sendo assim, preferem sonhar com os pés no chão, operando microrrevoluções a partir daquilo que é possível ser realizado. Noventa e dois por cento dos jovens brasileiros concordam que a soma das pequenas ações do dia a dia pode melhorar a sociedade. Quem está agindo pelo sonho coletivo? São jovens anônimos, porém influentes, que a pesquisa da Box convencionou chamar de “jovens-ponte”. É possível reconhecê-los atuando em vários espaços com características bem interessantes: é o jovem com bom relacionamento interpessoal, que, ao invés de fechar-se num grupo de identidade homogênea, prefere transitar por muitos grupos. O jovem-ponte funciona como um catalisador de ideias, gerando um novo tipo de influência, que se dá pela transversalidade e pelo contágio das pessoas por causas altruístas. A participação cidadã ganha novos significados a partir do jovem-ponte, pois na medida em que esse conecta e promove a troca com otimismo pragmático, esses jovens

promovem a construção do novo Brasil e, por que não, de um novo mundo. Esse jovem-ponte é simultaneamente local e global, conectado a novas maneiras de pensar, agir e se localizar no mundo. Mais do que um meio de entretenimento, os jovens usam a internet para mobilizar as pessoas e fazer política. As manifestações no mundo árabe iniciadas na Tunísia em 2010, também conhecidas como “Primavera Árabe”, são prova irrefutável disso. Os protestos que se espalharam pelo Oriente Médio têm compartilhado técnicas de resistência civil, envolvendo greves, manifestações, passeatas e comícios, mas, sobretudo, a articulação com o uso das mídias sociais, como Facebook, Twitter e YouTube. A internet tem sido utilizada para organizar, comunicar e sensibilizar as pessoas. A maioria dos manifestantes é jovem – o que fez com que os protestos no Egito recebessem também o nome de “Revolução da Juventude”. Com telefones celulares e computadores, os jovens protagonistas da Primavera Árabe mudaram a maneira como a história falará das mobilizações populares e da mobilização juvenil. É fato que as macrorrevoluções nascem da soma dessas microrrevoluções cotidianas. Num mundo tão plural como o nosso, somos desafiados a derrubar “muros de preconceito” para construir “pontes de diálogo”. E se, em nosso trabalho, em nossa Igreja, no dia a dia, agíssemos como os jovens-ponte? Essas são algumas, dentre tantas outras coisas boas, que podemos aprender com as juventudes que nos cercam em toda a sua diversidade.


Juventudes:

“Curtir e Compartilhar”

Por Ir. Manuir José Mentges

A

o vivermos uma mudança de época, com influências das mídias e da interatividade, resultados do avanço científico e tecnológico, encontramo-nos num mundo caracterizado pela multiculturalidade e por diferentes formas de compartilhar este mundo. Nesse universo de possibilidades, as Juventudes, organizadas por grupos, redes ou tribos, encontram-se marcadas pelo dinamismo, pelo acesso variado às informações, pela comunicação e pela exposição de si com inúmeras possibilidades de (re)inventar-se. Consequentemente, as mudanças nas relações interpessoais compuseram uma realidade que vai além das tradicionais fronteiras de espaço/tempo. As manifestações públicas, paralisações, greves dão espaço e lugar a manifestações livres nas redes sociais, com posicionamentos que, em pouco tempo, atraem adeptos, consolidam pontos de vista e interesses comuns.

Para tanto, os diálogos, as imagens, os recados, os depoimentos, as interações entre os sujeitos, as comunidades e as metrópoles são aspectos que manifestam múltiplos posicionamentos, seguidos, na maioria das vezes, pela adesão por reconhecimento, identificação com as mais diferentes causas nas quais as Juventudes se sintam engajadas. Na interação com os outros, constroem-se saberes que dão sentido às múltiplas expressões do sentimento coletivo. Tendemos para um mundo em rede. Por mais que pertençamos a grupos diferentes na sociedade, compartilhamos algo em comum com ela, sendo essa a forma, o modo, a maneira como interagimos com o outro.

Uma nova Ir. Manuir Mentges

geração J

Ir. Adriano Brollo

ovens reinventados, engajados com causas que nem faziam sentido algumas décadas atrás. A juventude atual ressignifica a própria realidade e os sonhos de gerações passadas. Para se aprender com as gerações Y e Z, é preciso parar e refletir sobre o que eles pensam e como têm se expressado. Os Irmãos Manuir Mentges, diretor do Instituto Marista Graças, e Adriano Brollo, diretor do Setor de Pastoral do Grupo Marista, compartilharam aqui suas reflexões sobre a temática.


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Como fazer

Pequenos gestos,

grandes mudanças Como os pais podem incentivar os pequenos a desenvolver o voluntariado, e como essa ação pode contribuir para o desenvolvimento da criança

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stimular as crianças para que sejam voluntárias, mostrando a importância disso para elas e para quem recebe a ação, não é uma missão fácil. É importante que, entre os afazeres do dia a dia, os pais incentivem os pequenos, de algum modo, a praticarem alguma ação social, desenvolvendo nos filhos essa capacidade, para que eles, futuramente, tornem-se cidadãos ativos. Mas nem tudo é um mar de rosas, e as crianças preferem cuidar dos seus games e redes sociais, a desenvolver alguma atividade para benefício de um terceiro. E que desafio: como ensinar uma criança quanto à importância da sua participação em atividades voluntárias e fazê-la entender que toda a carga de conhecimento e estudos que ela adquire na escola é aplicável, muitas vezes, às comunidades, e que esse envolvimento contribui para o seu desenvolvimento e formação humana?

A missão é árdua para os pais: mostrar para os pequeninos que a vivência de gestos concretos e a prática da solidariedade é o termômetro para a boa vivência cidadã. É o trabalho voluntário que vai possibilitar esse contato com a realidade, e ele tem muito a ver com os valores. A psicopedagoga e professora de Pedagogia da PUCPR Evelise Portilho aponta que é em casa que tudo começa: “exemplos que a família pode e deve dar, vivenciando no seu dia a dia o voluntariado, por que, como valor, não é do dia para noite que a criança vai perceber essa prática em casa. Com essa prática, ao longo do tempo ela vai efetivamente valorizar isso”.

Qual a importância do incentivo familiar? A própria ação em si é a razão de ser do propósito. Logo isso não pode ser algo mecânico, e nem isso pode

ser feito por moda, muito menos a criança deve fazê-lo por obrigação ou para ganhar status de boa gente. “Essa é uma ação para as pessoas que querem viver numa sociedade mais justa, mais ética, mais sustentável, é preciso trabalhar com isso”, aponta o antropólogo, educador popular, idealizador e presidente do Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento, Tião Rocha, ao expor que a criança deve estar ciente de que não receberá nenhum prêmio pelo ato, mas sim de que proporcionará o benefício a alguém. Portanto, os pais têm que ser também parte importante na vida do próprio filho, que se integra nesse processo de missão, pois o que se vive na escola não é toda a realidade. “Os pais, juntamente com as crianças, devem ter a humildade de reconhecer que a própria escola não é todo mundo, mas todo mundo pode aproveitar aquilo que se aprende na escola”, como explica o responsável


pelo Secretariado de Colaboração Missionária Internacional (CMI), Ir. Chris Wills. Além dos benefícios éticos e morais que a criança desenvolve, há um benefício no seu desenvolvimento pessoal, uma formação integral. A criança passa a desenvolver a aquisição de um conhecimento quando ela começa a problematizar a realidade, relacionando os conteúdos que a escola passa, ou seja, ela passa a ser alguém que já interfere, de algum modo, mesmo que em pequenos gestos, na sociedade. Além da relação emocional, pois a proximidade de realidades que não necessariamente comunguem com as mesmas questões que ela vive provoca a reflexão.

“É muito importante ela ir se dando conta, desde muito cedo, de que ela vive em uma realidade diferente de muitas outras”, explica a psicopedagoga Evelise, ao indicar que essa aprendizagem envolve a questão sociocultural. Desse modo, existe um favorecimento para que os pequenos tenham esse desenvolvimento e percebam a sociedade do jeito que ela é, e não do modo que um livro aponta ou como as experiências que a família lhe proporcionam. “São práticas que ajudam sem sombra de dúvidas, mas sempre tendo um ambiente que potencialize isso, que evidencie e que faça intervenções em relação a isso”, completa Evelise.

A criança passa a desenvolver a aquisição de um conhecimento quando ela começa a problematizar a realidade.


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Como fazer Missão: Como incentivar? É claro que o incentivo é importante, que o desenvolvimento de ações voluntárias vai ajudar a criança a construir um senso crítico, e ela será um cidadão mais comprometido. Mas como fazer isso? Segundo Tião, “ela tem, como criança, no seu ritmo, na sua idade, um monte de possibilidades de ações umas com as outras, de brincar, de construir, sempre em grupo”. Para os educadores, uma atividade possível que as crianças podem realizar é um bazar no próprio condomínio, vendendo objetos para ajudar outras pessoas. Outros simples gestos são fundamentais. As crianças pequenas podem começar a aprender e saber fazer coisas do voluntariado, por exemplo, em contato com os estudantes maiores, com os adultos que já tiveram essa experiência. “Ao haver essa transmissão, nasce na criança a vontade justamente de fazer qualquer coisa”, completa o Ir. Chris Wills. A imagem dos pais é extremamente importante nessa fase. Como a criança não tem autonomia para ir e vir, ela vai ter que estar junto de alguém, e é alguém que já tenha isso como uma prática e que acredita nisso. “A criança não tem condições de, por ela mesma, tomar posição e sair a fazer coisas, mas ela tem que ter o adulto que a leve. Desde pequenininha ela vendo um pai e uma mãe atendendo bem essas pessoas que estão ao seu redor, isso já faz parte das primeiras noções da prática social”, pontua Evelise, ao revelar que a melhor receita está dentro de casa. Por fim, o melhor exemplo ao incentivo é mais simples do que parecem: “o que os pais podem dar para os filhos é serem uma referência”, conta Tião. Afinal, os filhos olham

ão tem "A criança n por ela condições de, ição s o p r a m o t , mesma isas, o c r e z a f a e sair ter o e u q m e t la mas e Desde . e v le a e u q adulto ndo um e v la e a h n i n pequeni tendendo a e ã m a m u pai e s que a o s s e p s a s s bem e redor, estão ao seu das e t r a p z a f isso já ões da ç o n s a r i e m i r p al." prática soci

para os pais como um espelho e eles refletem atitudes dos pais. Se os pais têm uma atitude de solidariedade, de desenvolver ações voluntárias, se tiverem compromisso social, os filhos vão observar, acompanhar e vão aprender. Vão assimilar primeiro pela observação, pela imitação, pelo reconhecimento e pelo exemplo. Isso incorpora como valor; o que é valor para o pai vai passar a ser valor para o filho.


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Compartilhar

Ser voluntário é A correria e as preocupações do dia a dia por vezes impedem muitas pessoas de serem voluntárias, e isso não significa apenas plantar árvores, coletar lixo ou contar histórias. Atualmente, existem várias formas de desenvolvimento das mais diferentes atividades para ajudar o próximo.

fácil Voluntário Online Essa opção permite que aqueles que não têm tempo de sair de casa para praticar uma boa ação coloquem em prática seus conhecimentos, em qualquer hora do dia ou da noite, em qualquer local. Isso facilita a participação, como voluntário, em diferentes organizações, de qualquer Estado. Onde: voluntariosonline.org.br

Logo ao lado Que tal ir até o orfanato mais próximo, ou ao asilo, ou a qualquer outro lugar que necessite de ajuda, e saber de que forma você pode ajudá-los? Se você possui habilidades de trabalho online, a construção de sites de divulgação e campanhas é uma boa pedida. Mas, se você gosta de ler, quem sabe pode ajudar a construir uma minibiblioteca. Ou, então, se faz algum trabalho artesanal, que tal dedicar parte de seu tempo, em casa mesmo, para a confecção de produtos que possam ser vendidos, revertendo o lucro em benefício da instituição? Fica a dica.

Livros e Jogos Você pode ajudar as organizações pesquisando e propondo livros para leitura, auxiliando na implementação de oficinas, jogos e dinâmicas, que podem contribuir para a formação de crianças e/ou adolescentes. São vários temas de estímulo, como educação ambiental, cidadania e respeito.

Doe uma árvore Ajude o mundo Já pensou em ajudar o mundo com um clique? Você pode apoiar a causa do Greenpeace como ciberativista. Essa participação online é uma forma de mobilizar empresas e governantes a protegerem o planeta. Onde: greenpeace.org

A Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Vidágua possuem o clikarvore, site por meio do qual qualquer pessoa pode doar árvores para recuperar a Mata Atlântica. O programa só funciona se as pessoas plantarem as árvores com seus clicks, e o internauta pode fazer uma nova doação a cada 24 horas. Onde: clickarvore.com.br


Prateleira livro

O GUARANI José de Alencar, Editora Ática, 2011 Os clássicos da literatura brasileira agora podem ser encontrados no formato de histórias em quadrinhos. A linguagem é adequada aos estudantes, e as ilustrações são bem divertidas. Pela arte dos quadrinhos, os livros dessa série levam o leitor a se envolver com os grandes clássicos brasileiros. Quem indica: R  oberta Dannemann, bibliotecária do Colégio Marista João

Paulo II, Distrito Federal

MÚSICA

Capital Inicial Ao Vivo Multishow Capital Inicial, SONY BMG, 2008 Mesmo com anos de estrada, a banda Capital Inicial conquista novos fãs a todo momento. Isso acontece por conta das músicas empolgantes e do carisma de seus integrantes, principalmente do vocalista Dinho Ouro Preto. Esse álbum se destaca por reunir as melhores músicas da carreira do grupo, incluindo "Não olhe pra trás" e "Natasha". Vale a pena conferir! Quem indica: Sandra Inês Limberger, auxiliar de biblioteca do Colégio

Marista São Luís, de Santa Cruz do Sul

VÍDEO

Cyberbully Charles Binamé, 2011 Recomendo o filme Cyberbully para ser assistido com toda a família, pois ele mostra que o cyberbullying está presente em nosso cotidiano mais do que podemos imaginar. Esse longa-metragem, se trabalhado nas séries finais do Ensino Fundamental, pode alertar sobre como as ferramentas da internet e de outras tecnologias de comunicação e informação podem ser utilizadas com o propósito de maltratar, humilhar, ofender, constranger, intimidar e até excluir pessoas inocentes. Quem indica: Idonês Rossin Lucatelli, professora de Língua Portuguesa e

Literatura do Colégio Marista Aparecida, de Bento Gonçalves


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Solidariedade


Você brinca com seu filho? Por Viviane Aparecida da Silva

ido? ança que cresce tão ráp po todo, com a cri tem o am ista inc br um ns as co rianç Em uma sociedade No . ce an alc u se a er gatar a com o que estiv a nossa, é preciso res mo co rio óp pr o é do ar espontâneo início da vida, o brinque importância do brinc m co em ert div se s o estrucorpo; depois, ela ância, com materiais nã inf na m co s, ido tec o esconde-esconde de os pelo adulto. tas, jogando turad ve ga de ade humana o abrir e fechar O brincar é uma ativid uras que sso va m co , ão ch incar, a criança tudo no imprescindível. Ao br em es qu tu ba m co a e psicoviram cavalos ou uma elaboração cognitiv faz ru ba is ma s da de representar panelas, que ganham lógica profunda, além k. roc de as nd ba de vive, danlhentas baterias uações sociais em que sit as até e do lin o do. Ao brincar, No início, achamos tud do a elas novo significa aup oc as m co s, ma uz a cultura brincamos junto, criança também prod a ar nc bri de po ções do dia a dia, o tem indo significados e a- infantil, constru tic fis so a e , sso ca es cia no munjunto vai ficando erpretando sua existên int ramp co o nic a criatividade ção do brinquedo eletrô do. O brincar facilita um os jet ob s do ar lug o sem obstádo vai ocupando pode se desenvolver e qu da ão siç po dis estado de espírito criativos que estão à - culos, por causa do ue nq bri O ar. lug r ue ser por isso criança, em qualq m que se brinca. Deve co até o, um ns co do torna-se o objeto de direito da criança, da que brincar é um ain ja se nto me ça lan da ONU sobre que o próximo rantido na Convenção ga da an ag op pr a (1989). mais atrativo, com um os Direitos da Criança te. Marista de mais convincen Desenvolvido pela Rede , eo tân tan ins Nesse jogo do desejo m parceiros como a do Solidariedade, co to, jun ar nc bri do ar Infância, o onde fica o lug de Nacional Primeira Re e qu s no pa de construir uma cabana é um programa que is, Direito ao Brincar po de ra, pa , rco ba a vir ecer o tema daqui a pouco sca disseminar e fortal bu o a fic de On ? virar uma ilha deserta ização da sociedade is por meio da mobil ma s õe raç ge as ar sin espaço para en r público. adeiras de e do pode inc br m co ar inc br a novas po de conviver nossa infância? E o tem

C

Conheça as 10 iniciativas

pelo

Direito ao Brincar. Acesse solmarista.org.br/b

rincar


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Solidariedade

Reflexões e práticas para a

produção de sentidos

Obra traz a imagem de criança ativa, competente, capaz de participar ativamente na construção de sua vida e na produção de cultura Por Cíntia Gomes

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esultado do Programa de Formação Contínua e das ações desenvolvidas na Rede Marista de Solidariedade, o livro Educação Infantil: Reflexões e práticas para a produção de sentidos apresenta experiências e estudos de educadores relacionados às suas iniciativas diárias na Educação Infantil Marista, tendo como ponto de referência aspectos fundamentais da atualidade. Publicada pela Editora Universitária Champagnat e lançada no dia 11 de agosto, na 22ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, a obra reúne material elaborado por 32 educadores e visa dialogar com outros atores da sociedade sobre o papel da educação na defesa e na promoção dos direitos da criança. “É o resultado do que pensamos como proposta de Educação Infantil,

não só para a Rede Marista, mas também para a escola pública. Defendemos que toda criança tem o direito de estudar em uma boa instituição de ensino, com professores que primam pela excelência e com uma proposta pedagógica que atenda às necessidades de hoje e de amanhã”, enfatiza Viviane Aparecida da Silva, uma das organizadoras do título e assessora da Rede Marista de Solidariedade. Composta de relatos de práticas desenvolvidas nas Unidades Sociais e nos Colégios Maristas, a publicação provoca a reflexão do leitor ao abordar temas como formação de professores, participação infantil, inclusão, transição para o Ensino Fundamental, entre outros. Além de contar com ilustrações e frases das crianças, há também o prefácio escrito por Vital Didonet, profes-

sor e especialista em Educação Infantil. Segundo ele, “Crianças são livres. Dançam a liberdade de seus corpos e a leveza de suas mentes, em busca de sentidos para o mundo que as cerca. Crianças têm ritmos – não um, mas tão vários quanto é o número delas. Cada uma é única, não repetível, original. Por isso, crianças são diversas” (p. 11). A pedagoga e educadora social infantil do Centro Social Marista Itaquera, Cristiane de Novais, foi uma das colaboradoras do livro. Ela conta a trajetória de Gabriel, uma criança com encefalopatia crônica não progressiva (ECNP) que ensinou a todos sobre solidariedade, espera e compreensão da diversidade. “A obra é importante, pois ajuda a capturar um universo único e nos traz o desafio de nos aprimorar”, afirma Cristiane.

Interessados na obra podem adquiri-la pelo e-mail vendaslivraria@pucpr.br


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Diversão

Diversão em

família É hora de soltar a criatividade Por Paulo Zaniol

O

que era bom, vai ficar ainda melhor. Se passar o fim de semana em família é motivo de diversão, agora a festa está completa. O professor Paulo d’Assumpção Zaniol, do curso de Design da PUCPR, preparou um passo a passo de três instrumentos para serem confeccionados por toda a família. A criatividade é a peça-chave para a produção. Inclusive, o professor deixa claro que o material e a quantidade usada para preencher os potes são fatores que diferenciam o som de cada um deles. A diversão será em dose dupla – a preparação e a brincadeira.


ho Chocal

De que precisa: • 1 garrafa pet • 5 tampinhas plásticas • Fita crepe para acabamento • Fitas adesivas coloridas • Tesoura

Como faz: • Corte o fundo e a parte superior da garrafa pet • Coloque as tampas plásticas • Encaixe a parte debaixo dentro da parte de cima • Coloque fita colorida na junção dos potes

Sopro

D´água

De que precisa: • Cano conduíte de 26 cm para instalação elétrica ou mangueira • Lixa para usar no corte onde vai colocar a boca • Tesoura

Como faz:

• 1 bexiga • Fita adesiva colorida

• Tirar as rebarbas das pontas cortadas e lixar bem a borda para não machucar a

• Grão (arroz, sagu, feijão)

boca

De que precisa:

• Torcer o arame enrolando até formar uma

• 6 copinhos de iogurte

bola de arame com vãos, colocar 6 bolinhas

• 1 copo de grão (sagu, arroz, feijão)

uma para cada pote

• Tesoura • Alicate

• Colocar os potes fechados nas pontas, para

• Arame

evitar que os grãos caiam para fora. Colocar

• Fita adesiva

fita crepe na borda

• Fita crepe • Colocar as bolinhas de arame em cada

Chuva e d u Pa

Como faz:

pote, ocupando o espaço vazio entre eles; eles não podem ficar soltos

• Cortar o fundo de 4 copos e um arame de 60 cm

• Montar 3 pares


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Inspiração

É possível ser

solidário no colégio? Aluno Marista mostra que, para ajudar quem precisa, basta fazer uso de suas próprias habilidades

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inguém melhor para ensinar algo senão aquele bom e velho amigo da escola. Ele conhece e entende as dúvidas em particular e pode usar de exemplos próprios para ajudar o colega com dificuldade. Essa facilidade em entender as matérias quando explicadas por quem está no mesmo nível hierárquico se deve à comunicação horizontal, na qual é empregada uma mesma linguagem e existe troca mútua de conhecimento. Ainda quando pequeno, Leonir João Lavratti Marcon, 14 anos, aluno do 9º ano do Colégio Marista Frei Rogério, de Santa Catarina, percebeu que era importante ajudar aos outros. Diante do incentivo dos pais, e como tinha facilidade em aprender, Leonir passou a ajudar os colegas, ensinando a eles os assuntos em que apresentavam dificuldades de aprendizado. Para o sempre solícito aluno, a caridade e a amizade que desenvolve são virtudes básicas do bom convívio. “Percebi que queria ser diferente dos outros; algumas pessoas apenas falam que é preciso ser solidário e não fazem nada, mas, para mim, é preciso ação”, afirma. Para a assistente psico-

pedagógica do Colégio, Ivete Rosso, Leonir “tem um grau de solidariedade que é fabuloso”, pois, quando alguém solicita sua ajuda, ele dificilmente nega. “Ser solidário não é necessariamente dar dinheiro, mas, sim, ajudar como se pode”, conta o aluno, ao afirmar que ajudar outros estudantes o faz se sentir melhor, pois “o conhecimento foi feito para todo mundo”, completa. Sua busca é pelo aprendizado efetivo. Para o jovem solidário, “se a pessoa não absorver o conhecimento, é importante que depois absorva, pois o que se aprende na escola se leva a vida toda”. O aluno dedicado, que realiza monitoria em Matemática e Inglês, “tem paixão por ajudar os colegas”, afirma Ivete, e “se relaciona bem com os colegas”, completa ela. Para ele, o prazer em ajudar, e ver que aqueles que ajuda realmente aprenderam, é uma realização, além de um aprendizado mútuo. “Para mim, é um bônus duplo: ajudo os outros e aprendo junto, acabo estudando e aprendendo ainda mais”, explica o estudante sempre pronto a ajudar.

"Percebi que queria ser diferente dos outros; algumas pessoas apenas falam que é preciso ser solidário e não fazem nada, mas, para mim, é preciso ação." Leonir João Lavratti Marcon



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