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2015 | 15a edição

ENTREVISTA

Questionamentos sobre a sexualidade são naturais e devem ser encarados com normalidade.

CONTEÚDO EXCLUSIVO

A partir de agora, você tem acesso a 16 páginas produzidas especialmente para a sua unidade.

{PRE}conceito

venindo o

Para combater o julgamento, a convivência com o diferente é a melhor opção.


VAMOS JUNTOS CULTIVAR

NOVAS HISTÓRIAS A FTD Educação apresenta um projeto pensado para envolver escolas, professores e famílias na grande aventura de cultivar novos leitores.

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Às vésperas de completar 200 anos de presença mundial e há mais de 110 anos presente no Rio Grande do Sul, a atuação dos Colégios e das Unidades Sociais da Rede Marista se dá, atu-

Presidente das Mantenedoras Ir. Inácio Nestor Etges

almente, em 13 cidades gaúchas e em Brasília. São 26 colégios e dez centros sociais, que atendem 19 mil estudantes na Educação Básica e 30 mil pessoas nos projetos e nas Unidades Sociais.

Vice-Presidente das Mantenedoras Ir. Deivis Fischer

COLÉGIOS Colégio Marista Aparecida colegiomarista.org.br/aparecida | 54 3449 2600

Colégio Marista São Luís colegiomarista.org.br/saoluis | 51 3713 8500

COLÉGIOS E UNIDADES SOCIAIS

Colégio Marista Assunção colegiomarista.org.br/assuncao | 51 3086 2100

Colégio Marista São Marcelino Champagnat colegiomarista.org.br/ejachampagnat | 51 3584 8000

Superintendente Executivo Rogério Anele

Colégio Marista Champagnat colegiomarista.org.br/champagnat | 51 3320 6200

Colégio Marista São Pedro colegiomarista.org.br/saopedro | 51 3290 8500

Coordenador Jurídico Elder Filippe

Colégio Marista Conceição colegiomarista.org.br/conceicao | 54 3316 2700

Colégio Marista Vettorello colegiomarista.org.br/ejavettorello | 51 3086 2100

Coordenador de Comunicação e Marketing Tiago Rigo

Colégio Marista Graças colegiomarista.org.br/gracas | 51 3492 5500

Escola Marista Santa Marta colegiomarista.org.br/santamarta | 55 3211 5200

Gerente Educacional Ir. Manuir Mentges Gerente Social Ir. Luciano Barrachini Supervisão editorial Katiana Ribeiro, Sendi Spiazzi e Reinaldo Fontes Conselho editorial Luciano Centenaro, Patricia Saldanha e Simone Martins da Silva.

Colégio Marista Ipanema colegiomarista.org.br/ipanema | 51 3086 2200 Colégio Marista Irmão Jaime Biazus colegiomarista.org.br/jaimebiazus | 51 3086 2300 Colégio Marista João Paulo II colegiomarista.org.br/joaopauloii | 61 3426 4600 Colégio Marista Maria Imaculada colegiomarista.org.br/imaculada | 54 3278 6100 Colégio Marista Medianeira colegiomarista.org.br/medianeira | 54 3520 2400 Colégio Marista Pio XII colegiomarista.org.br/pioxii | 51 3584 8000

Sede Marista Rua. Ir. José Otão, 11 - Bonfim - Porto Alegre/RS cep: 90035-060 Tel.: 51 3314-0300 / 0800 541 1200

colegiomarista.org.br socialmarista.org.br

Colégio Marista Roque colegiomarista.org.br/roque | 51 3724 8100 Colégio Marista Rosário colegiomarista.org.br/rosario | 51 3284 1200 Colégio Marista Sant’Ana colegiomarista.org.br/santana | 55 3412 4288 Colégio Marista Santa Maria colegiomarista.org.br/santamaria | 55 3220 6300

EscolaS de Educação Infantil Marista Aparecida das Águas Marista Menino Jesus Marista Renascer Marista Tia Jussara colegiomarista.org.br

Centros Sociais Marista Aparecida das Águas Marista Boa Esperança Marista da Juventude Marista de Formação Tecnológica Marista de Inclusão Digital (Cmid) Marista Ir. Antônio Bortolini Marista Mario Quintana Marista de Porto Alegre (Cesmar) Marista Santa Isabel Marista Santa Marta socialmarista.org.br

Colégio Marista Santo Ângelo colegiomarista.org.br/santoangelo | 55 3931 3000

Polo Marista

Colégio Marista São Francisco colegiomarista.org.br/saofrancisco | 53 3234 4100

Polo Marista de Formação Tecnológica socialmarista.org.br

15a Edição | 2o Semestre 2015 Periodicidade Semestral

EDIÇÃO Supervisão editorial: Maria Fernanda Rocha Redação: Michele Bravos Edição de arte: Julyana Werneck PROJETO GRÁFICO Estúdio Sem Dublê | semduble.com

Revisão Lumos | Bureau de Traduções Envie comentários, críticas e sugestões sobre a revista para o email conteudo@grupomarista.org.br

Capa

Aline Lopes

ILUSTRAÇÃO DA CAPA Julyana Werneck © Todos os direitos reservados. Todas as opiniões são de responsabilidade dos respectivos autores.

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índice capa

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Para previnir o preconceito: exposição à diversidade desde cedo. Saiba como se dá a construção de um olhar preconceituoso e como dialogar com os filhos sobre essas questões.

1a impressão

Dia a dia

Entrevista

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Rogério Anele fala sobre a reformulação da revista e reforça o posicionamento da nova campanha dos Colégios Maristas.

Saiba como as famílias devem se preparar ao receberem um intercambista em casa.

Olhar

Curiosidade

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Nesta edição, você confere uma reflexão sobre o sentido da vida - ou a ausência dele - na rotina da juventude atual.

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Índice

Solidariedade

Como fazer

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local Confira as matérias elaboradas especialmente para a sua unidade.

Para expandir a atuação social marista, novas propostas estão sendo pensadas e implementadas. Conheça algumas.

Grêmios Estudantis são um espaço de debates relevantes e de novas amizades. Conheça as histórias de quem está envolvido.

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Diversão

Essência

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Confira nesta edição as dicas de aplicativos sugeridas pelo supervisor de Tecnologias Educacionais dos Colégios Maristas, Silvio Augusto Langer.

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Música clássica pode influenciar no desenvolvimento da mente e em atividades vitais.

Especialista fala sobre o quão natural é se ter questionamentos sobre a sexualidade e como a família pode lidar com essa situação.

Saiba o que as brincadeiras mais antigas, como amarelinha, esconde-esconde desenvolvem nas crianças.

O Irmão Alvanei Finamor relembra os primórdios do Instituto Marista e reforça a importância de se doar ao próximo nos dias atuais.


A virtude da 1a impressão

diferença

É preciso trocar o julgamento pelo apoio, o individualismo pela coletividade, a descrença pela aceitação. É preciso valorizar, acima de tudo, o amor.

© Foto: Divulgação / Comunicação e Marketing

“Se o mundo é plural, por que as opiniões deveriam ser iguais?” Essa é a questão norteadora abordada na nova campanha dos colégios da Rede Marista, mas poderia ser aplicada em diversos outros contextos que resumem boa parte dos conflitos da sociedade. A intolerância à diferença, como retrata a matéria principal desta edição da revista Em Família, mostra os prejuízos irreversíveis que podem ser aplicados na formação da personalidade de crianças e jovens. A adoção do pensamento preconceituoso, que muitas vezes acaba passando despercebido pelos pais durante a educação dos filhos, faz parte de um grande ciclo nocivo que só tem a prejudicar o cultivo das relações humanas. Hoje, somos parte de um mundo em crise, e boa parte das resoluções dos problemas que enfrentamos depende de um olhar atento para a diversidade. É preciso trocar o julgamento pelo apoio, o individualismo pela coletividade, a descrença pela aceitação. É preciso valorizar, acima de tudo, o amor. Promover o aprendizado de diferentes formas é um dos caminhos desenvolvidos por nossas unidades para lidar com essa questão. Respeitar o encontro de dois ou mais pontos de vista é o primeiro passo para conviver com as diferenças e incentivar o protagonismo dos jovens desde cedo. Reconhecer a virtude da diferença é estimular o surgimento de transformações e a característica plural do mundo em que vivemos. Ao tratar este e outros assuntos decorrentes da proposta pedagógica marista na revista, também convidamos as famílias de nossos estudantes, educadores e demais leitores ao debate. A partir desta edição, a revista Em Família passa a entregar um conteúdo mais personalizado e completo, com o objetivo de dar mais visibilidade ao que acontece dentro e fora das nossas unidades. Nesta reformulação editorial, muitos serão os personagens, histórias e conceitos apresentados aos nossos leitores. Afinal, conhecer a pluralidade da vida, é o que faz do ser humano, único.

Rogério Anele Superintendente dos Colégios e Unidades Sociais da Rede Marista

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dia a dia

© Foto: Fabio Melo

Um intercambista

em minha

casa Acolher o intercambista como um filho e deixar claras as regras da casa são fundamentais para uma experiência bem sucedida Michele Bravos

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Já pensou em adotar um filho estrangeiro? Calma, a gente explica. É comum e bastante incentivado por agências de intercâmbio que os adolescentes intercambistas se hospedem em casas de família para que a imersão na cultura do país para onde estão indo seja mais intensa e significativa. Abrir as portas de casa para um intercambista é como adotar um filho – mesmo que temporariamente. Para Celso Javorski, acolher o jovem Jacob Pritchard, 17 anos, da Nova Zelândia e que está estudando até o fim desse ano no Colégio Marista de Ribeirão Preto (SP), está sendo uma experiência enriquecedora. “É a primeira vez que estamos recebendo um intercambista e a troca cultural é muito rica. Temos dois filhos e um deles está fora do país, em intercâmbio também. Então, o Jacob, literalmente, está sendo tratado como um filho”. Para Guilherme Reischl, diretor comercial da Egali Intercâmbio (agência que também possui parceria com os Colégios Maristas do Rio Grande do Sul, uma vez que esta proposta demanda uma organização especializada), a consideração mais importante de um programa de intercâmbio em casa de família é que a 'família hospedeira' acolha o estrangeiro como um membro da família. “O intercambista tem que usufruir da mesma estrutura de um filho. Ele tem que se sentir integrado, acolhido. As atividades diárias têm que ser realizadas com o intercambista. No começo, isso


pode significar sair da rotina – e a família precisa estar ciente disso –, mas, aos poucos, todos se adaptam”. Jacob afirma que um ponto positivo dessa experiência tem sido passar tempo com sua família brasileira. “Eles são pessoas muito legais, que fazem eu me sentir bem-vindo na casa deles”. Uma boa adaptação depende bastante de regras claras. Reischl lembra que toda casa tem normas que, naturalmente, são cumpridas pelos membros da família. O intercambista precisa ser inserido nesse contexto também. “Ele precisa saber o que pode fazer na cozinha, o que deve fazer com as roupas sujas – se ele irá lavá-las ou se alguém fará isso para ele –, se existe um horário para o banho, se o secador é de uso comum...”. O diretor comercial complementa que isso tudo deve ficar claro já no primeiro dia. “Assim que o intercambista chegar, dê as boas-vindas, faça ele se sentir em casa. Em seguida, de forma gentil, apresente as regras do lar”. Javorski conta que Jacob respeita inclusive as normas de comportamento – por exemplo, com relação a sair para festas e dar satisfação quanto a para onde está indo e com quem. “Tínhamos muita expectativa com relação a essa convivência. É também nossa responsabilidade zelar pela segurança dele”.

Integrando Integrar não quer dizer fazer as vontades do intercambista. Ele precisa conhecer e se adaptar aos costumes do país em que está. Uma boa forma de integrar o jovem à cultura e à nova família é na hora das refeições. “O momento das refeições é muito importante para a integração. Por isso, pelo menos algumas devem ser feitas com a família reunida”. Javorski afirma que os hábitos alimentares certamente são muito diferentes e isso sempre rende bastante conversa. Outra forma de integrar é convidar o intercambista para passear. “É importante que a família esteja preparada para fazer 'programas de turista',

mesmo na sua cidade natal. É preciso lembrar que o intercambista também está interessado em conhecer lugares típicos e diferentes dos que ele está habituado a ver”.

Comunicação Na casa da família Javorski, apenas a filha fala inglês. Então, foi preciso desenvolver formas de comunicação até Jacob estar mais fluente no português. “Às vezes, o Google tradutor nos ajuda. A gente acaba tendo que ser criativo”, diz Javorski. Reischl aponta que é ideal que pelo menos um membro da família compartilhe de um idioma em comum com o intercambista. “Caso contrário, a comunicação fica nula e pode gerar desconfortos, como prejudicar a compreensão das regras da casa. Uma família monoglota poderia ser um problema”. As barreiras de comunicação na casa de Javorski têm sido vencidas com bom humor. “Nós falamos português e inglês em casa. Eu imagino que deve ser um quebra-cabeça para eles entenderem o que eu falo, às vezes, mas nós rimos disso”, diz Jacob. O quesito “comunicação” também deve se estender para a família no exterior, pois isso gera maior confiança para o intercambista. “A família que está recebendo deve fazer contato com a família do outro país, mesmo que não falem a mesma língua. Por meio de uma conversa por chamada de voz e vídeo, as famílias podem se ver, sorrir uns para os outros e dar um ‘tchauzinho’. Isso já faz diferença”, comenta Reischl.

PROJETO INTERCÂMBIO MARISTA Embora os Colégios Maristas do Rio Grande do Sul ainda não recebam intercambistas em suas unidades, desde 2011, os estudantes têm a possibilidade de trocarem os períodos de férias por experiências em outros países. Ficou interessado? Acesse mais informações do projeto Intercâmbio Marista – Novas culturas, novos saberes colegiomarista.org.br/intercambio.

dicas Seguindo essas dicas, a 'família hospedeira' terá uma grande experiência de vida recebendo um intercambista. l Tenha certeza de que sua casa tem condições de receber mais um membro. Pode ser que ele tenha que dividir o quarto com os seus filhos, mas é importante que o intercambista tenha um espaço apropriado para que ele possa realizar as atividades curriculares. l Conheça o intercambista antes de ele chegar à sua casa. Pode ser por e-mail, por chamada de voz e vídeo, etc. l Trate-o como um filho, tanto para as coisas legais, como passear em família, quanto para as regras. l Apresente as regras da casa. Elas precisam estar claras para o intercambista. l Pergunte o que ele gosta de fazer ou o que tem curiosidade em conhecer. Seja solícito, simpático, mas não extrapole, impondo a sua programação. l Tenha disposição para conviver com as diferenças – elas são enriquecedoras – e dialogue sempre!

Na foto: Maria Eduarda, Jacob, Anaisa e Celso Javorski.

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capa

{PRE}conceito

venindo o

Expor a criança desde cedo à diversidade do mundo contribui para a formação de um indivíduo menos preconceituoso Por Michele Bravos

VAMOS VER COMO NOS COMPORTAMOS? Esse é um teste, mas um teste do bem. Gostaríamos de saber como você vê a imagem ao lado, sem receio algum de utilizar os traço, elementos ou cores que considere mais adequadas aos seus olhos. Crie o restante dos elementos na figura da maneira que preferir (canetinha, colagem, etc.), tanto da personagem, quanto do cenário. Não hesite em desenhar o cabelo, a roupa, a maquiagem que quiser. Use a sua imaginação, e, se precisar ou preferir, peça ajuda. A ideia é, justamente, entender a maneira como as pessoas entendem as outras, mesmo com os esteriótipos que nos são referenciados durante a vida, sejam eles pessoais, sejam eles interpressoais.

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Quem é essa pessoa para você? O que você pensa dela? Como você imagina que ela seja?

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Em tempos de politicamente correto, o real preconceito que a produtora executiva, Aline Lopes (28), enfrenta é sutil. “Ninguém me chama de macaca ou fala que meu cabelo é ruim, mas enfrento indiferença e menosprezo em situações profissionais, por exemplo”. A frase de destaque nesta página ilustra com o que Aline tem de conviver. Ela conta que já foi ignorada em uma reunião de trabalho em que era a responsável pelo projeto apresentado. “A reunião era com uma universidade e a coordenadora com quem eu me reuni falava apenas com a estagiária. Simplesmente, não se reportava a mim”. Ela percebe que ainda há muitos estereótipos a serem quebrados para a existência de uma sociedade igualitária. Aline também ressalta a importância da autoaceitação nesse processo. Ela lembra o dia em que chegou em casa chorando, após a aula, por terem dito que o cabelo dela era feio e o nariz grande demais. “Minha mãe me colocou em frente ao espelho e ficamos lá umas duas horas. Eu olhei para cada detalhe de mim e aceitei todos eles. Sim. Eu sou negra, eu sou mulher! E daí?”

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© Foto: Renata Sales

capa


Ao olhar para as imagens ao lado, o que você vê? Segundo a psicóloga Marlene Strey, professora e pesquisadora da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), o conceito que lançamos sobre alguém é decorrente dos nossos aprendizados – que começam a se formar na infância. “A construção do preconceito se inicia a partir do momento em que nascemos. É uma ideia colocada em nossa mente a partir da observação dos mais velhos, principalmente daqueles que amamos e respeitamos, como pais e professores. A criança nasce sem preconceitos, mas ao perceber exemplos de discriminação, palavras ou atitudes, elas internalizam essa avaliação”. O neurocientista Naim Akel ressalta que é na infância que o cérebro conclui o processo básico do seu desenvolvimento e, portanto, é a hora de ajudar o indivíduo a organizar as suas ideias, exercitando áreas fundamentais para a consciência e o autocontrole. “Eu digo que é possível prevenir o preconceito. Para isso, é preciso que as crianças sejam sempre estimuladas a refletir; aprendam a construir suas próprias conclusões a partir do conhecimento e das informações; sejam convidadas a experimentar e conviver com o diferente, acostumando-se a uma enorme diversidade do mundo que a cerca”. É possível deduzir de diversos estudos e pesquisas neurocientíficas que experiências precoces alteram o funcionamento e a estrutura cerebral. Para o neurocientista, “de uma infância com situações agressivas e desfavoráveis deverá emergir um adolescente e adulto com forte tendência a percepções tendenciosas do mundo e com reações agressivas, destrutivas e de confrontação com os outros”. Especialistas apontam que mesmo ações sutis dos adultos que cercam essa criança interferem na construção da análise do outro. Por exemplo, quando uma mãe branca segura firme na mão do filho ao ver uma pessoa negra. Ela pode não ter falado nada, mas a insegurança passada naquele ato pode influenciar na

forma como a criança – futuramente, um adulto – irá perceber as pessoas que possuem uma cor de pele diferente da sua.

Convivendo com o diferente

Apesar de ser mais fácil conviver com tudo aquilo que se conhece e entende, o mundo é feito de diferenças e, em geral, o diferente assusta. Diante daquilo que causa medo, existem três possibilidades de ação, de acordo com a psicóloga:

Afastar-se Neste caso, a pessoa guarda os seus “pré-conceitos” para si e evita a convivência com pessoas ou situações com as quais não sabe lidar.

AGREDIR

Em defesa do próprio espaço, das próprias ideias e do seu jeito de viver, a pessoa agride o que destoa dos seus padrões de normalidade. Essa agressão pode ser verbal ou até chegar a uma violência física.

RESPEITAR

Pessoas que foram incentivadas a pensar antes de agir ou foram criadas em um ambiente – tanto familiar quanto escolar – onde há diversidade de raças, religiões e costumes tendem a se aproximar do diferente.

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capa

Às vezes, até esqueço que vocês são normais. Palavras da diretora de uma empresa à Aline

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Adaptação O preconceito também tem sua raiz atrelada a uma necessidade do ser humano de se adaptar e se sentir aceito. Segundo a psicóloga Marlene Strey, “a tendência da criança é imitar as pessoas do seu convívio. Logo, se um pai tem uma atitude preconceituosa, é provável que o filho siga o exemplo. Não por concordar, mas por entender que essa é forma como o grupo em que ele está inserido – no caso, a família – age”. A psicóloga ressalta que a questão da adaptação e aceitação também se dá em outros grupos. Há casos em que a família não é preconceituosa e o filho também não, porém, se na escola ele faz amizades com crianças que discriminam as diferenças, é possível que ele também passe a ter esse comportamento. Mais uma vez pelo fato de querer se sentir aceito e parte de algo. O neurocientista Naim Akel pondera que o inverso também pode acontecer, pelo mesmo motivo. “A capacidade de o cérebro mudar e se moldar às experiências é espetacular. Isso se faz mais presente no início da vida e vai diminuindo com o passar dos anos. Por isso, o que acontece nos primeiros anos de vida será decisivo para o futuro do sujeito”.

propõe que por meio de estímulos sonoros, durante o sono, estereótipos ligados à raça e gênero sejam quebrados e um novo conceito seja aprendido. Porém, Naim afirma que ainda são especulações. Para mudanças efetivas

de consciência é preciso bem mais que uma noite de sono. “Para mudar cérebros e mentes o trabalho é constante, persistente e de todos (pais, familiares, professores) e, preferencialmente, deve ocorrer desde os primeiros anos”.

Existem estudos atuais que apontam que é possível, através da neurociência, modificar os conceitos de alguém sobre outras pessoas. É o caso do estudo promovido pela Universidade de Northwestern, nos Estados Unidos, e publicado na revista Science. A pesquisa liderada pelo neurocientista Ken Paller

Cadastre-se no site goo.gl/4HmIOY e leia a pesquisa na íntegra.

A criança nasce sem preconceitos, mas ao perceber exemplos de discriminação, palavras ou atitudes, elas internalizam essa avaliação. Marlene Strey Psicóloga, professora e pesquisadora da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

© Fotos: Renata Sales

Mudança de consciência

Primeira impressão A primeira impressão pode até não ser a que fica, mas, inevitavelmente, ela se forma rapidamente na mente de cada um. Meio segundo é o bastante para um “pré-conceito” ser concebido, segundo um estudo realizado em 2014 pela Universidade de Glasgow, na Grã-Bretanha. Ainda de acordo com a pesquisa, para a concepção de uma primeira impressão, às vezes, não é preciso nem olhar. Só de ouvir a voz de alguém, algumas pessoas já formam um conceito sobre o outro. Esta pesquisa está disponível aqui: goo.gl/gI0cJX

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Š Foto: Shutterstock

entrevista

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Interrogações

sobre

SEXUALIDADE Diante de questionamentos dos filhos sobre a sexualidade, pais devem estar atentos ao sofrimento que isso possa estar causando para poder orientá-los Por Michele Bravos

Desde a infância, os pontos de interrogação acompanham o ser humano. Apesar de nem sempre as respostas serem encontradas, a busca é constante. Com questões relacionadas à sexualidade isso não é diferente. Para falar sobre o tema, a entrevistada desta edição da Em Família é a psicóloga Maria Virgínia Cremasco, professora na Universidade Federal do Paraná, com estudos sobre sexualidade feminina e masculina pela Universidade de São Paulo e pós-doutorado no Centro de Estudos em Psicopatologia e Psicanálise na Universidade de Paris VII.

Em uma situação em que a criança ou o adolescente tem questionamentos sobre a sua orientação sexual, qual deve ser a postura dos pais?

Permitir o diálogo. Se não conseguem ou não se sentem à vontade de fazer isso, devem procurar ajuda. Se os filhos desejarem ou apresentarem sofrimento com relação aos seus questionamentos ou vivências, a ajuda profissional poderá ser de grande valia. Sugerir ajuda não é tratar como doença, é oferecer ajuda, se for necessária, é claro. Não sugerir é que, talvez, seja tratar como uma doença – e dessas que não podem ser ditas.

Podemos considerar que a orientação sexual é pautada em uma escolha individual?

Na perspectiva em que eu trabalho, a psicanálise, não existe “uma escolha individual” no sentido de que as escolhas ou decisões do sujeito só dependem dele, desconsiderando-o como um ser social. Claro que é o sujeito quem faz as suas escolhas. Mas as condições que o levam a isso dependem, sobretudo, de sua história de vida. E isso tem a ver com todos os aspectos que concorreram para ele ser quem é. No entanto, a orientação sexual não é uma “escolha”. A orientação sexual é uma descoberta que se dá em determinado momento de nossas vidas, que se impõe a nós no sentido de pedir que respondamos a ela. Não assumi-la ou negá-la são também respostas.

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entrevista De que forma as relações familiares podem interferir na orientação sexual dos indivíduos? Podemos dizer que existe alguma influência direta?

© Foto: Shutterstock

Quais consequências podem ser geradas por um ambiente familiar homofóbico ou que se nega a se solidarizar com os questionamentos do filho ou da filha sobre sexualidade?

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As relações familiares estão na base da formação do sujeito, ou seja, ele se constitui a partir desse contato, sobretudo da qualidade afetiva do contato. No entanto, não existe absolutamente nada que possa ser afirmado quanto às relações familiares interferirem na orientação ou desejo sexual dos filhos. O contrário se pode dizer quanto a sua expressão.

A importância das relações familiares diz respeito à constituição do sujeito e seus recursos para enfrentar a realidade.

A partir de que idade o assunto sexualidade entra no universo da Pais muito repressivos e punitivos criança? podem dificultar a expressão da sexu-

alidade dos filhos. Um ambiente assim também pode criar filhos preconceituosos ou que não conseguem aceitar em si e nos outros as diferenças. A importância das relações familiares diz respeito à constituição do sujeito e seus recursos para enfrentar a realidade.

A curiosidade sexual que envolve a diferença ente os sexos e a gravidez acontece por volta dos 4 anos, quando a criança quer saber de onde vêm os bebês, como são feitos. No entanto, desde muito antes a curiosidade sexual dos bebês existe, envolvendo a descoberta de seu próprio corpo, suas sensações. Por isso, a psicanálise fala de uma sexualidade infantil – não genitalizada como nos adultos, que é voltada para a relação sexual –, mas uma sexualidade diluída em todo o corpo, o que envolve a importância dos primeiros contatos corporais que unificam o corpo e despertam a sensorialidade, que só depois fará parte das trocas sexuais.

Comportamentos de uma orientação sexual homossexual podem ser notados na infância?

Normalmente não, até porque a curiosidade sexual das crianças é polimorfa, sem direção de orientação, como os adultos entendem isso. Para a criança, explorar o próprio corpo e o corpo do outro é uma brincadeira, necessária, como já disse, da mesma ordem de outras brincadeiras. O adulto é quem sexualiza isso, dá um sentido genital a isso, padroniza e normaliza o que é pura expressão pulsional.

De que forma um acompanhamento psicológico nesse momento de questionamentos pode contribuir?

O papel de um acompanhamento psicológico é ajudar o indivíduo a compreender seu sofrimento e encontrar meios de lidar com ele. Quem sofre precisa procurar ajuda. Se não há sofrimento, não há necessidade. Se o sofrimento é dos pais, que o estão projetando no filho, são os pais que precisam de ajuda.


EXPEDIENTE COLÉGIO MARISTA GRAÇAS Av. Senador Salgado Filho, 8326 Viamão - RS Fone: 51 3492-5500 gracas@maristas.org.br DIRETOR Alexander Goulart VICE-DIRETOR José Menti COMUNICAÇÃO e marketing Rozecler Bugs JORNALISTA RESPONSÁVEL Tiago Rigo (MTB 13919) PROJETO GRÁFICO Lumen Comunicação

Educação Infantil em movimento

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Com foco na valorização do brincar, as atividades lúdicas são planejadas de acordo com a idade e o perfil das crianças.

Com a palavra

Ponto de vista

Caleidoscópio

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Direção destaca a importância da revista como meio de comunicação entre família e escola.

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Pedro Henrique, estudante do Ensino Fundamental, fala sobre a crescente adesão de jovens ocidentais à causa jihadista.

20 24 28

Ensino Fundamental

Gente nossa

Ensino Médio

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EI EF EM

Relembre o primeiro semestre por meio de imagens dos principais projetos e atividades.

Conheça o projeto Hábitos de Estudo, uma iniciativa que auxilia os estudantes a descobrirem qual é o melhor jeito de aprender.

Ir. Albino, diretor-fundador do colégio, conta um pouco da história que começou na instituição em 1961.

Em parceria com a PUCRS, os Colégios Maristas promovem formação continuada para os educadores.

Diz aí

Em foco

Construir conhecimentos

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Saiba de que forma os estudantes encaram as diferenças no dia a dia.

A partir do tema Seu olhar sobre a escola, estudantes registraram, por meio da fotografia, a própria percepção sobre o cotidiano escolar.

Aprenda de um jeito fácil, prático e superconectado! Confira algumas dicas e, se gostar, compartilhe os vídeos!


Com a palavra

Comunicação e educação

Boa leitura!

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Colégio Marista Graças

A atitude de escuta não serve só para a comunicação, mas o próprio ato de educar implica numa atitude de escuta.

Alexander Goulart Diretor do Colégio Marista Graças

© Foto: Acervo do colégio

Chega a suas mãos uma nova edição da revista Em Família cheia de novidades, com destaque para o encarte de uma editoria inteira voltada para o Marista Graças. Assim, deixa de existir o Jornal Caminho, que por 17 anos registrou as crônicas do cotidiano da nossa escola. Com essa nova formatação, a Em Família torna-se o principal canal impresso do colégio, privilegiando matérias mais aprofundadas e os fatos mais relevantes de cada semestre. Com a revista, bem como com os demais canais utilizados pela escola, partimos da ideia de que a comunicação envolve a partilha de um mesmo objeto de consciência, de algo pensado, uma relação de consciências. Daí os sinônimos partilhar, transmitir, anunciar, trocar, reunir; todos levam a ideia de “relação”; relação de consciências com a finalidade de conhecer e compreender a realidade. Em sua obra É preciso salvar a comunicação (2006), o sociólogo francês Dominique Wolton atenta para o fato de que hoje há um direito democrático à liberdade de expressão; mas não basta que possamos nos expressar, queremos e precisamos também ser ouvidos. É este segundo momento, o de escutar e ser ouvido, o mais difícil nas relações, sejam elas familiares, sejam profissionais. Nesse contexto, a gestão compartilhada ganha espaço; uma gestão, como defende a educadora brasileira Heloisa Lück,, “que valorize os diferentes talentos e as responsabilidades individuais, convergindo para uma sinergia da responsabilidade coletiva”. Esse tipo de gestão exige transparência, abertura ao modo de ser do outro, às ideias do outro, sem esquecer do feedback. A atitude de escuta, tão fundamental, não serve só para a comunicação, mas o próprio ato de educar implica numa atitude de escuta. A educação se faz na relação entre pessoas. Diálogo, discernimento, comunicação e gestão educacional são expressões que precisamos aprofundar para superarmos o narcisismo da mínima diferença e compreendermos melhor aquele que talvez seja o maior de todos os desafios: o de aprender; o desejo de aprender dos estudantes, educadores e gestores. Somos todos aprendizes e ao mesmo tempo ensinantes. Vivemos numa tensão constante, entre ser aprendiz e ensinante. O ponto de equilíbrio pode ser, nesse sentido, a comunicação e o diálogo, valorizando as pessoas e a própria obra educacional em constante diálogo, num processo permanente de abertura ao outro. Se cada dia na obra educacional é um novo encontro, então cada encontro representa a possibilidade da mudança, do novo, da aprendizagem.


© Foto: Acervo do colégio

Educação Infantil

Brincar é ganhar tempo À primeira vista, brincar parece uma atividade simples e até corriqueira do cotidiano infantil. No entanto, “a brincadeira vem sendo cada vez mais discutida e entendida como um processo significativo para o desenvolvimento das crianças”, conforme apontam as Diretrizes da Educação Infantil Marista. Nesse documento inovador, lançado no primeiro semestre, são aprofundadas as concepções sobre as infâncias, com o intuito de nortear a ação pedagógica dos educadores que atuam na Educação Infantil dos colégios da Rede Marista. Definido como uma atividade lúdica, o brincar representa uma das primeiras formas que a criança tem de se relacionar com o mundo e de se expressar. Assim, estimula a socialização, a criatividade e a autonomia, entre outros tantos benefícios. O cenário atual, porém, demonstra que a rotina dos pequenos está cada vez mais atribulada, a exemplo da realidade dos adultos. Eis que surge o desafio das famílias e dos educadores: disponibilizar espaço e tempo para as brincadeiras.

Atividades lúdicas promovidas com qualidade No Colégio Marista Graças, as brincadeiras são valorizadas e planejadas de acordo com a idade e perfil dos pequenos, respeitando a individualidade de cada um. Entre os projetos e atividades, destaca-se uma em que os estudantes levaram para casa brinquedos confeccionados parcialmente, como caminhões de madeira e bonecas de pano, tudo ainda sem cor e sem rosto. Junto com suas famílias, tiveram o desafio de personificar, atribuindo características que consideravam ser as mais adequadas. No retorno, apresentaram os brinquedos aos colegas, socializaram e compartilharam com todos, deixando de ser “o dono” do brinquedo. Dessa forma, não há restrição de uso quanto a quem elaborou e meninos e meninas brincavam de carrinhos e de bonecas. As iniciativas propostas são intensamente vivenciadas pelos estudantes, que participam de todos os momentos, confecção, atribuição de valor e momento de partilha, além das brincadeiras que surgem a partir disso.

De acordo com a coordenadora pedagógica Caroline Ricardo, as brincadeiras conduzem o estudante ao mundo do faz de conta, caracterizado por recriar a realidade usando sistemas simbólicos. “Os brinquedos têm esse papel, estimulam a imaginação e a fantasia, possibilitam a atribuição de significados, favorecendo a interação e a expressão das emoções estabelecidas no mundo real”, enfatiza. Afinal, como escreveu Carlos Drummond de Andrade, “brincar com as crianças não é perder tempo, é ganhá-lo”.

O brincar representa uma das primeiras formas que a criança tem de se relacionar com o mundo e de se expressar.

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Caleidoscópio EI

As turmas 024 e 025 foram protagonistas de uma apresentação emocionante em homenagem às mães.

2015

As turmas 021 e 022 realizaram saída de estudos à Fazenda Quinta da Estância para aprofundar os projetos de educação ambiental desenvolvidos em sala de aula.

VIVÊNCIA VISITA

INTEGRAÇÃO ARTES

As turmas 021 e 022 ficaram encantadas com as novidades científicas oferecidas pelo Museu de Ciências e Tecnologia da PUCRS.

© Fotos: Acervo do colégio

Pintura livre foi o tema desta atividade das turmas de Educação Infantil, que fizeram a maior festa com tintas e muita criatividade nos trabalhos artísticos.

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Munidos de lupas, os pequenos cientistas da turma 022 foram a campo, com olhos de investigador, registrar descobertas e aprofundar sua curiosidade.

Para conhecer e acompanhar os hábitos das minhocas, a turma 022 confeccionou pequenos minhocários e foi pessoalmente buscar as futuras moradoras na horta.

NA PRÁTICA

Criatividade foi o ponto alto da construção de bonecos de lata, em parceria com as famílias, o que gerou uma exposição no corredor da Educação Infantil.

Aproveitando a natureza exuberante do Marista Graças, a turma 021 realizou aula de educação ambiental nas trilhas ecológicas do colégio.

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Ponto de vista

Atualmente, muitos jovens ocidentais se unem à causa jihadista, mas por quê? O que leva os jovens a colocar a própria vida em risco nessa luta? Por Pedro Henrique Soares Raupp Estudante do 8o ano do Ensino Fundamental

Em busca de uma

© Foto: Acervo do colégio

ideologia? Em minha opinião, os jovens são conduzidos a esses grupos geralmente por busca de algo, uma motivação talvez, um jovem que não ache motivo em sua própria vida, ache que não há nenhum talento ou habilidade para alguma coisa, ache que, por exemplo, não há motivo algum para seguir em frente. A juventude sempre gostou de ter um propósito, ideologia ou algo para defender, viver ou melhorar o lugar onde vive. A história nos mostra isso explicitamente. Olhe um pouco para trás: nos anos 60/70, os jovens defendiam a ideologia da paz e do amor. Anos 80, jovens punks defendiam o anarquismo, a liberdade de pensamento. Já hoje, talvez por falta de uma ideologia ou algo a defender, alguns jovens sentem um vazio na sua vida ou acreditam que não há propósito para continuar a vida. E é exatamente disso que os radicais precisam, jovens

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que não têm ou procuram um propósito, ideologia ou motivo para viver. E como os convencem a pensar que o radicalismo é certo? Fácil, é apenas pegar esse jovem e fazê-lo pensar que pode virar um herói seguindo o terrorismo. E como fazem isso? Com discursos, como “Há pessoas morrendo aqui, precisamos de pessoas como você, que nos defenda dos inimigos”. O que, em minha opinião, pode ser também uma causa é o fato de o jovem querer muito se encaixar em algum lugar. O que acontece hoje são casos de jovens antissociais, que não têm amigos nem se encaixam em nenhum tipo de grupo, o que pode facilitar a comunicação dos extremistas, já que ele finalmente se encaixaria em algum grupo, pouco a pouco convencendo-o a aderir à sua religião. Outro fato que ajuda nesse processo são as recompensas. O islamismo fala muito nisso, uma das crenças é

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que dependendo do seu serviço a Alá você teria uma casa com muitos ou poucos andares, ou um número alto ou baixo de virgens que você teria para se satisfazer no outro mundo. Sendo assim, penso que o exército terrorista se aproveita de jovens perdidos ou excluídos socialmente.

Alguns jovens sentem um vazio na sua vida ou acreditam que não há propósito para continuar em frente.


Ensino Fundamental

Hábitos de Estudo:

um projeto aliado da aprendizagem denação Pedagógica (SCP). Segundo as orientadoras educacionais Luciana Azevedo e Luciana Winck, uma série de ações busca a reflexão sobre o papel a ser desempenhado desde os primeiros anos. “Nossos estudantes têm momentos para pensar na forma como estão auxiliando a turma como um todo para que o desenvolvimento individual seja positivo. Utilizamos as técnicas da autoavaliação, metas, foco e como os alunos devem atingir tais objetivos. Para isso, também temos momentos reflexivos com os professores titulares, conselheiros e grupos operativos”, afirma Luciana Winck.

Estratégias por nível de ensino O trabalho de construção de hábitos de estudo normalmente é personalizado por nível de ensino. Nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, por exemplo, as atividades centram-se na construção

da autonomia e da responsabilidade sobre os temas, cuidados com materiais escolares e também hábitos de higiene. “O professor torna-se um orientador em sala de aula, desde a chegada até o final do turno. O estudante é orientado a criar uma organização especial no grupo. A intenção é proporcionar integração entre os colegas e ensiná-los a serem prestativos”, destaca Luciana Azevedo. Nos Anos Finais EF, as estratégias envolvem a organização em sala de aula, a construção de calendários de acompanhamento, que devem ser atualizados a cada trimestre pelos líderes de turma, e algumas motivações e dicas para que cada um encontre sua melhor forma de acompanhamento nos estudos. Dessa maneira, os estudantes chegam ao Ensino Médio com mais foco nos estudos, evidenciando mais interesse e comprometimento com a vida acadêmica.

© Foto: Acervo do colégio

Internet, redes sociais, jogos, aplicativos, televisão, desenhos, séries, filmes, atividades extracurriculares... A lista de itens que fazem parte do dia a dia de crianças e jovens aumenta cada vez mais. É possível aprender com todos esses recursos e possibilidades, mas há também de se dedicar tempo exclusivo para os estudos. Nesse sentido, surgem dúvidas, como: qual é o melhor jeito de estudar? Sozinho ou em grupo? Escrevendo ou lendo? Não há respostas unânimes para essas perguntas, pois envolvem aspectos que variam de acordo com o perfil e o nível de ensino do estudante. No entanto, o que se destaca é que estudar requer a criação de uma rotina por meio da organização individual. O projeto Hábitos de Estudo, do Marista Graças, reúne uma série de iniciativas realizadas de forma estratégica com o apoio do Serviço de Orientação Educacional (SOE) e da Coor-

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Caleidoscópio EF A cada três dias, a Capelinha da Boa Mãe vai com um estudante para casa, com o objetivo de levar uma mensagem cristã às famílias.

2015

O Marista Graças trouxe o espetáculo Despertando para sonhar, do Grupo Teatro Jovem, que fala sobre sonhos e escolhas.

ACONTECEU

A equipe de Minivôlei (estudantes de 7 a 11 anos) vem participando de eventos de integração com outras escolas da Região Metropolitana.

INTEGRAÇÃO

ESPIRITUALIDADE

© Fotos: Acervo do colégio

Estudantes do 6o ao 8o ano EF participaram da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA), avaliação realizada anualmente.

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No Arraial da Alegria, teve dança, brincadeiras e comidas típicas para os estudantes, que foram vestidos a caráter para a festa caipira.

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O 1o ano EF visitou o Museu de Ciências e Tecnologia da PUCRS para conhecer a evolução do mundo animal, desde a era dos dinossauros até os animais domésticos da atualidade.

Com materiais simples encontrados na natureza e muita criatividade, os estudantes do Clube de Ciências produziram suas próprias obras de arte.

NA PRÁTICA O 8o ano EF retratou a juventude através dos tempos. Após pesquisas sobre décadas importantes, construíram marionetes de personagens que marcaram época.

Como culminância do trabalho realizado sobre águas, o 4o ano EF foi conhecer a estrutura do órgão responsável pelo tratamento de água e esgoto da capital.

Nas oficinas de culinária do Turno Integral, os estudantes aprendem desde a higienização dos alimentos até a preparação de quitutes.

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Gente nossa

"O Marista Graças nasceu com o desafio de ser uma escola-modelo"

Ir. Albino foi criador de um método de alfabetização.

Por Irmão Albino Trevisan Diretor-Fundador do Marista Graças

Uma escola inovadora com espaços privilegiados

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reza: animais domésticos, pequenos lagos, peixes, pássaros, enfim, ver de perto as tantas formas de vida que Deus criou. Miguel Zabalza, espanhol, grande pedagogo da atualidade, interrogado sobre a importância de colocar a criança, desde a Educação Infantil, em contato com o computador para melhor formá-la, responde perguntando: “Não seria melhor ter uma vaca, porque, provavelmente, a maior parte das crianças nunca tenha visto tal animal?” No Marista Graças temos o computador, a vaca e muitos mais! Assim como Marcelino Champagnat também queria espaços amplos para as escolas maristas, com certeza o autor do Laudato Si, Papa Francisco, muito nos aplaudiria se mais unidades maristas tivessem a escola da natureza tão perto do estudante. © Fotos: Acervo do colégio

O Colégio Marista Graças foi fundado em 1961 como escola de aplicação da Escola Normal Nossa Senhora das Graças. Na época, tinha 29 alunos; hoje, são cerca de 850. Teve suas origens com a vinda dos primeiros Irmãos Maristas a Bom Princípio, em 1900, e até a década de 1970, somente estudavam jovens Irmãos. Depois foi aberto para o público. Eu tive a alegria de ser o diretor-fundador do Marista Graças como Escola de Aplicação. Quando se tratou de abrir uma escola de aplicação para a Escola Normal, em Viamão, os maristas tinham em vista que a mesma fosse uma escola-modelo, inovadora. Portanto, criar o novo, inovar, era o desafio. Assim é que eu, inspirado em Champagnat (que, em assuntos de alfabetização, orientou os primeiros maristas para que utilizassem o método fônico), criei uma forma de alfabetizar baseada no lúdico, com apoio em imagens, hoje patenteada sob o nome de Metramar (Método Trevisan de Alfabetização Marista). A partir da mesma, em 2012, doutorei-me em Educação. Em Matemática também criei e patenteei dois materiais: Tapete mágico e Arco-íris matemático. Além disso, no Marista Graças, foram realizadas muitas outras inovações pedagógicas. Levando em conta minha caminhada como educador, desde 2009, sou portador do título de Educador Emérito do Estado do Rio Grande do Sul, que me foi conferido pela então governadora Yeda Rorato Crusius. Em espaços físicos, o Colégio Marista Graças é uma escola privilegiada. Os estudantes dispõem de grandes áreas cobertas de diversão e esporte. Uma área marista de mais de 100 hectares é a continuação dos espaços do colégio. Assim sendo, eles constantemente podem ter contato com a grande variedade de realidades da natu-

Cerimônia de inauguração do Marista Graças, em 1961. O Irmão Albino é o primeiro da direita.


© Fotos: Acervo do colégio

Ensino Médio

Currículo

em constante movimento A sociedade está em constante transformação e o desafio da escola é manter-se atualizada e atenta às novas necessidades. Os Parâmetros Curriculares Nacionais da Educação Básica (PCNs), por exemplo, abriram caminho para o rompimento das fronteiras entre os componentes curriculares. Essa mudança refletiu no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) que, desde 2009, passou a cobrar as competências em quatro áreas do conhecimento: Linguagens, Códigos e suas Tecnologias; Ciências Humanas e suas Tecnologias; Matemática e suas Tecnologias; e Ciências da Natureza e suas Tecnologias. Atentos a esses novos contornos da educação básica brasileira, os Colégios Maristas vêm implementando um processo de reestruturação curricular, baseado no Projeto Educativo do Brasil Marista, documento norteador da ação pedagógica dos educadores. A nova concepção é dialógica, dinâmica e tem sido construída de forma coletiva entre gestores, professores e demais profissionais do cotidiano escolar. Trata-se de um currículo em movimento que perpassa a metodologia, os ambientes de aprendizagem e a qualificação de todos os processos

educacionais (pedagógicos e administrativos), entre outros elementos que serão aprofundados posteriormente. Tendo em vista a excelência acadêmica e a formação humana, o objetivo é implantar efetivamente as Matrizes Curriculares, abordagem educativa que possibilita aos estudantes relacionar saberes, aplicando o conhecimento no seu cotidiano e, futuramente, na vida profissional.

Formação continuada para os educadores Uma das principais ações em andamento referentes às matrizes é o Curso de Especialização em Gestão Curricular Marista, fruto da parceria com a PUCRS. As aulas são na modalidade EAD e tiveram início em maio, com previsão de término em 2016. Participam os gestores que fazem parte do Conselho Técnico, Administrativo e Pedagógico (CTAP)

dos colégios. Momentos formativos e capacitações sobre as áreas do conhecimento também vêm sendo realizados com todos os profissionais das escolas. O foco desse trabalho no Marista Graças tem relação com as ações do cuidado, baseado em valores da cultura da solidariedade e da paz e na educação integral. O objetivo geral é a contribuição com a formação pessoal e a capacitação técnica dos professores, promovendo desdobramentos na qualidade da prática de sala de aula. “A formação na prática, aliada ao estudo, enriquece e amplia o capital de conhecimento e ação dos envolvidos”, observa a orientadora educacional Luciana Winck. Todas essas iniciativas caminham para um mesmo propósito: desenvolver nos estudantes diferentes competências, como autonomia, liderança, leitura de mundo, entre outras.

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Caleidoscópio EM

2015

Canadá e Inglaterra foram os destinos dos estudantes de turmas do 1o e do 2o ano EM, respectivamente, no programa Intercâmbio Marista.

VIVÊNCIA

NA PRÁTICA

Cinco estudantes do 2o ano EM participaram do Programa de Pré-Graduação da PUCRS, com diversas atividades que possibilitaram vivenciar a rotina da universidade.

Pelo segundo ano consecutivo, o Grupo de Voluntariado vem realizando atividades em entidades assistenciais de Viamão, agora com a ampliação do trabalho.

Os estudantes do 1o ano EM passaram um dia de superação de desafios e de muita integração com colegas e educadores, em contato com a natureza.

© Fotos: Acervo do colégio

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Os estudantes do 3o ano EM coletaram uma pequena quantidade de sangue e fizeram pessoalmente a verificação do tipo sanguíneo e do fator Rh.

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A apresentação dos Projetos de Série dos estudantes do 2o ano EM foi realizada no palco do Auditório para uma banca de professores das Ciências Humanas e convidados.

Trimestralmente, são realizadas aulas de reforço para qualificar o aproveitamento escolar e os resultados de aprendizagem, tanto interdisciplinar como por componente curricular.

FORMAÇÃO

Para ajudar as turmas de 2o e 3o ano EM em suas escolhas profissionais e de vida, foram desenvolvidas diversas atividades de reflexão e experiências. A preparação para a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) exigiu uma rotina intensificada de estudos, com palestras e aulões.

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Diz aí

Como você encara as diferenças no dia a dia

© Fotos: Acervo do colégio

Aceitar, não aceitar, aprender a se adaptar, julgar... Qual a sua forma de se posicionar?

?

Sofia FERNANDES lopes 5o ano EF

Bruna Palma Rech 2o ano EM

Cristina Lúcia Fritzen Klein 2o ano EM

“Todos nós temos o direito de escolher quem queremos ser. Mesmo com diferentes escolhas, somos iguais e devemos nos amar e respeitar. O mundo precisa de pessoas que façam o bem, independentemente de cor da pele, fé ou condição social.”

“Encaro as diferenças como uma oportunidade de exercitar o diálogo com o outro, sempre respeitando as opiniões que divergem da minha, buscando ser humilde e prestar atenção na linha tênue que existe entre discordar e ofender.”

“Noto uma diferença acentuada de classes sociais atualmente no Brasil e penso que esse problema deve ser resolvido a partir de uma mudança de mentalidade, pois é um processo histórico de exclusão e falta de oportunidades.”

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1... 2... click!

Em foco

A partir do tema Seu olhar sobre a escola, estudantes registraram, por meio da fotografia, a própria percepção sobre o cotidiano escolar

Esta é a minha turma trabalhando no livro de Matemática, todos concentrados e unidos. Esta é uma atitude marista.

Bianca Camaratta 4o ano EF

Ser voluntário é enfrentar barreiras, é colocar o coração no querer, inteligência no prever e dedicação no fazer e, assim, juntos vencer!

Matheus César da Silva 3o ano EM

Fazer parte do Voluntariado é uma alegria que se renova a cada encontro; é inexplicável o sentimento de interação com as crianças.

Isabela Carlucci 2o ano EM O Marista Graças abre um horizonte incrível e cheio de oportunidades, que, assim como a água do lago, vai refletir em nossa vida.

Renata Silveira 7o ano EF

O Marista Graças é um lugar de estudo, mas também é um lugar onde as relações entre estudantes e professores são as melhores.

Beatris da silva 1o ano EM

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Construir conhecimentos

Fique por dentro!

Aprenda de um jeito fácil, prático e superconectado. Confira algumas dicas e, se gostar, compartilhe os vídeos!

CHIMARRÃO FORMIGUEIRO

CUP SONG

A Laura Frohlich e a Pietra Fores, do Ensino Médio, dão dicas para decorar a tabuada do nove. Na primeira coluna, numere em ordem crescente, de zero a nove; na segunda coluna, em ordem decrescente. Esses são os resultados das multiplicações 9 × 1, 9 × 2... goo.gl/gcJofI

goo.gl/477W7P

goo.gl/Uz3QVq

MÁGICA Com três bolinhas e três copos pequenos, o Eduardo Charão Gambatto, dos Anos Iniciais EF, mostra como fazer a mágica da bolinha que atravessa o copo. Parece complicado, mas ele ensina o truque de uma maneira divertida. goo.gl/RfnMNS

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© Fotos: Reprodução YouTube

TABUADA DO NOVE

Com apenas dois copos plásticos e um pouco de treinamento, a Vitória dos Santos Moraes e a Camila Silva Dias, dos Anos Finais do Ensino Fundamental, ensinam a fazer o ritmo cup songs. É só pegar o jeito para se divertir.

A Isadora Mercali de Oliveira e a Sarah Cauane Perussatto, dos Anos Iniciais EF, ensinam como preparar a bebida preferida dos gaúchos de um jeito diferente, o chimarrão formigueiro. Material necessário: cuia, bomba, erva e água morna. Mãos à obra!

Em Família | Marista Graças  

15ª ED | 2015