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VIVO arte.mov 3º FESTIVAL INTERNACIONAL DE ARTE EM MÍDIAS MÓVEIS 26 de setembro a 16 de novembro » Espaço Cultural Vivo (São Paulo) 20 a 25 de novembro » Palácio das Artes (Belo Horizonte) 26 a 28 de novembro » MuBE (São Paulo) 27 de novembro a 07 de dezembro » LABMIS (São Paulo) Brasil, 2008

www.artemov.net


Socialização online é uma coisa antiga: remonta aos primórdios da Internet. Não é preciso ser um historiador da mídia para entender. Socialização online é uma coisa nova: chegou a um novo nível de participação, em alguns casos até de interação. Hoje, a socialização online é fortalecida por ferramentas mais fáceis de usar, maior acesso à banda larga e à tecnologia, assim como uma familiaridade mais profunda com as ferramentas. Online sociality is old: it goes back to the beginnings of the Internet. You don’t have to be a media historian to understand that. Online sociality is new: It has reached a new level of participation, in some cases even interaction. Today, sociality online is empowered by easier-to-use tools, broader access to bandwidth and technology as well as a deeper familiarity with the tools.

Trebor Scholz


O celular conectado encurta distâncias, ao mesmo tempo em que seu uso criativo transfere ao indivíduo o poder de realização de sua necessidade de se expressar e construir redes de relacionamento. É nesse aspecto – da convergência tecnológica e das múltiplas possibilidades de criação com aparelhos portáteis – que se encontram as intenções da Vivo, maior operadora celular do Brasil, e do Vivo arte.mov - Festival internacional de arte em mídias móveis, que acontece pelo terceiro ano consecutivo. Assim como os idealizadores e curadores do Festival, a Vivo percebe na telefonia celular usos e aplicações que vão além de suas finalidades originais. No Festival, e nas atividades em torno dele, a tecnologia móvel encontra na arte um campo para experimentação estética e de linguagem, além da reflexão sobre seus usos sociais. O Vivo arte.mov é representativo também na visão da Vivo sobre a cultura, que pode e deve proporcionar às pessoas algo mais que diversão ou entretenimento. A arte e a cultura são fatores de auto conhecimento, de desenvolvimento pessoal e estímulo ao pensamento crítico, de fortalecimento e enriquecimento das relações interpessoais e sociais. É especialmente sob esse ponto de vista que se estrutura, hoje, a Política Cultural Vivo, cujas premissas estão bem representadas pelo Vivo arte.mov. Neste ano, o Festival conquistou maior presença nacional e pautou a agenda da arte em suportes digitais em boa parte do ano, demonstrando crescimento de sua relevância e aceitação pelos artistas, estudiosos e públicos interessados na linguagem das mídias móveis. Esse crescimento e qualificação contínuos é o que a Vivo planeja para o Vivo arte.mov e para o conjunto de iniciativas culturais que a empresa realiza.

Marcelo Alonso Diretor de Comunicação e Relações Institucionais Vivo


A connected cell phone shortens distances, and at the same time its creative use transfers to the individual the power of fulfilling one’s necessity of expressing oneself and building relationship networks. Technological convergence and multiple creation possibilities are the core of Vivo’s intentions, major cell phone operator in Brazil, and Vivo arte.mov (International Festival of Art for Mobile Media) intentions, event that happens for the third consecutive year. As well as the Festival’s creators and curators, Vivo perceives uses and applications in cellular telephony that goes beyond its original purposes. In the Festival, and in the activities around it, mobile technology finds in art a field for aesthetic and language experimentation, besides the reflection about its social uses. Vivo arte.mov is also representative of Vivo’s vision about culture, which can and must provide to people something more than fun or entertainment. Art and culture are agents of self-knowledge, personal development and motivation for critic thinking, strengthening and enrichment of interpersonal and social relationships. It’s mainly from this point of view that Vivo Cultural Polices lays on nowadays, and its premises are well represented by Vivo arte.mov. This year, the Festival reached wider national presence and informed the digital art agenda throughout the year, evidencing the growing of its relevance and acceptance by artists, scholars and people interested in mobile media language. This continuous growth and qualification are what Vivo plans to Vivo arte.mov and to the whole of cultural initiatives that the company develops.

Marcelo Alonso Communication and Institutional Relations Director Vivo


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APRESENTAÇÃO

66

Exposição

14

MOSTRA COMPETITIVA

92

Mobilidade em Devaneio

30

Júri da Mostra Competitiva

100

Mostras Convidadas

34

SIMPÓSIO INTERNACIONAL ARTE.MOV

102

Mostra Festival Pocket Films (França)

36

Tecno-determinismo e acessibilidade, estratégias de difusão em redes e acesso à informação

108

Mostra Festival Dotmov (Japão)

112

Mostra Histórias de Bolsillo (México)

114

Circuito Nacional de Difusão

116

Aproximações arriscadas entre site-specific e artes locativas

132

Convidados

42

Realidades mistas: convergências esperadas X convergências implantadas

50

Redimensionamento do espaço público: tecnologias sociais em rede

56

Mídias móveis e arte: perspectivas e críticas das mídias móveis no Brasil

58

Encontro com Trebor Scholz / Encontro com Gabe Sawhney

56

Workshop Fernando Velázquez e Julia Cárboneras

58

Encontro Blast Theory


A edição 2008 do Vivo arte.mov - 3º Festival Internacional de Arte em Mídias Móveis busca dar continuidade e ampliar as ações e reflexões propostas nas edições anteriores, explorando as possibilidades de criação e difusão tanto no campo audiovisual, com o uso de aparelhos celulares e câmeras compactas, como nas possibilidades de operações em rede viabilizadas pela telefonia móvel, navegadores

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GPS, computadores portáteis e outros dispositivos emergentes. Esta terceira edição do festival acontece sob a égide da distribuição, colocando em discussão as perspectivas de compartilhamento e acesso à informação nessas redes. A abrangência nacional e ‘des-localizada’ do evento consolida-se em ações que se desdobram pelas cinco regiões do país. Neste ano o circuito de difusão aconteceu como uma série de mini-eventos, nas cidades de Brasília, Manaus, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Recife, tendo como objetivo a criação de um espaço de estímulo à produção, acessibilidade às técnicas e discussão dos conceitos envolvidos nas vertentes de vídeo, microcinema e mídias ‘locativas’. Tal iniciativa vem resultando na formação gradativa de uma rede de colaboração, levando a formas de viabilização de projetos e à troca de experiências e de informação. Em Belo Horizonte, além da programação com a versão inédita do game urbano Can You See Me Now? (do grupo Blast Theory), no bairro de Santa Tereza, acontece a premiação da mostra competitiva, a exposição “O Lugar da Arte em Deslocamento” e o III Simpósio Internacional arte.mov, tendo como eixo o tema “Apropriações do (in)comum”. A programação do Festival se estende a São Paulo e se amplifica por vários circuitos. A cidade recebe no Espaço Cultural Vivo a exposição “Mobilidade em Devaneio” – uma retrospectiva das edições anteriores do Festival e uma mostra que combina trabalhos já realizados e


inéditos de Giselle Beiguelman. No MIS acontece a exposição “O Lugar da Arte em Deslocamento - SP”, envolvendo workshops e uma mostra de trabalhos recentes do Blast Theory, além de exibir em primeira mão as Mostras Competitivas e informativas de 2008. No auditório do MuBE se realiza uma edição local do Simpósio, co-realizada com o Instituto Sergio Motta. Em seu novo formato, o Vivo arte.mov se confirma como referência internacional para os debates e práticas no âmbito da cultura da mobilidade. A combinação de formação, difusão e reflexão resulta em excelente acolhida e participação de artistas, pesquisadores e teóricos que atuam no universo da arte e do audiovisual criado com mídias portáteis. Dessa forma, ao apostarmos na expansão das vertentes exploradas na primeira e segunda edição do evento, bem como no compromisso de estarmos atentos às possibilidades de uso criativo, social e educacional desses meios, associadas às pesquisas mais recentes no campo artístico, acreditamos estar solidificando a posição alcançada pelo Festival no âmbito nacional e internacional, no que se refere ao uso inovador e consciente dos meios móveis.

Os Organizadores

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Vivo arte.mov 2008 Mobile Media Art International Festival – now

showcase of Blast Theory’s recent works in addition

in its third edition – aims to extend and also to intensify all actions and reflections

to presenting, in first hand, 2008 Competitive and

brought up by its past editions, exploring all means of creation and diffusion

Guest Showcases. MuBE auditorium will host a local

of audiovisual realm created with cell phones and portable cameras, and also

version of the Conference, in partnership with the

through mobile networks, GPS systems, laptops and other emerging devices.

Sergio Motta Institute.

The festival’s third edition takes place with focus on the concept of distribution,

With its new format, Vivo arte.mov gains ground as

putting in perspective debates about shared networks and access to information,

an international reference in debates and practices

and their unfoldings. The national amplitude and de-located nature of the event

concerning mobility culture. A mix of formation,

is shaped through a number of actions in the five regions of the country. This

diffusion and reflection that result in excellent

year’s diffusion circuit took the form of a series of smaller events in the cities

approval and participation ratings among artists,

of Brasília, Manaus, Porto Alegre, Rio de Janeiro and Recife. They aimed to

researchers and theorists that produce art and

create an environment that would stimulate production, access to tools and

audiovisual with portable medias. Broadening aspects

open discussion of the concepts surrounding different approaches to video,

explored by the event’s first and second editions, this

microcinema and locative media. Such initiative has been promoting a gradual

year’s program maintains our commitment to being

collaborative network leading to the development of projects and exchange of

focused the creative, social and educational aspects

information and experiences.

offered by these medias, as well as with the most recent research on the art’s field. This way, the Festival

In Belo Horizonte, besides the custom version of the urban game Can You See Me

continues to be a solid reference, both nationally and

Now?, created by Blast Theory on the Santa Tereza neighborhood, the program

internationally, when it comes to groundbreaking and

will also include the Competitive Showcase, the exhibition The Place of Art in

conscious manipulation of mobile media.

Dislocation and the 3 International arte.mov Conference, which will address the rd

topic Appropriations of the (un)common.

The Organizers The Festival program reaches São Paulo and expands through several circuits. The city will host the exhibition Mobility in Reverie – a retrospect of past editions of the festival and a showcase that brings together already known and original works by Giselle Beiguelman at Espaço Cultural Vivo. MIS will host the exhibition The Place of Art in Dislocation – SP, offering workshops and a

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A Mostra Competitiva da Terceira Edição do Vivo arte.mov é composta de 39 vídeos, divididos em três sessões de aproximadamente 30 minutos cada. Selecionados entre mais de 600 trabalhos enviados de várias regiões do país, são vídeos, animações e stop motion que permitem ao público estar em contato com uma amostra representativa da produção recente de audiovisual para pequenos formatos. Os 39 selecionados compõem um panorama do que vem sendo realizado com equipamentos diversos, num momento em que a maioria dos celulares vendidos tem camêras embutidas e começam a surgir alternativas para a publicação de vídeos diretamente a partir do aparelho, sem a necessidade de transferência para computadores. Como nas duas edições anteriores, os vídeos que integram a Mostra Competitiva foram criados por realizadores dos mais diversos perfis, e transitam por gêneros como microcinema, ficção, VJ, abstração, experiência com a plasticidade da imagem de pequeno formato, vídeos que flertam com o universo da paródia e da citação, stop motion e uma dose extra de humor. Trata-se de recorte relevante de parte da produção brasileira, que além de manter o pioneirismo na cena do audiovisual em pequenos formatos já tem alguns nomes com produção continuada que definem um certo tom para o formato do vídeo feito com e para mídias móveis.

COMPETITIVE SHOW The third edition of Vivo arte.mov Competitive Showcase has 39 videos arranged in three sessions of approximately 30-minute. Selected from over 600 works submitted to the festival from all over the country. It showcases videos, animation and stop motion films that allow the audience to get in touch with a relevant sample of the recent audio visual production created with portable media.The 39 selected works offer a panorama of what is being produced using different equipments, in a moment when most phones have built-in cameras and alternatives for publishing video online directly from the phone are becoming available. As in previous editions, the videos at the Competitive Show were created by filmmakers from several backgrounds, and range from genders such as microcinema, fiction, VJ, abstraction, research with the plasticity of the small screen formats, videos that dialogue with the universe of parody and quotation, stop motion and an extra dose of humor. It is an important compilation of the Brazilian production that has been not only groundbreaking in the audiovisual for small formats scene but has also has some names with a continued production that set a certain tone for the type of video that is created with and for mobile media.


[demo.city] remix Pixel Banana / São Paulo / 2008 / 0’15” Uma tentativa de registro do espaço urbano em constante transição. An attempt to register the constantly evolving urban space.

A carne de Ulisses Ulisses’ meat

Marcelo Braga / Belo Horizonte / 2008 / 2’00”

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Ulisses Pereira, escultor de Caraí, Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais, enquanto contempla uma carne de fumeiro, conversa sobre a natureza, a fumaça, suas imagens, seus sonhos e visões. Ulisses Pereira, a sculptor from Caraí, Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais, while gazing smoked meat, talks about nature, smoke, his images, dreams and visions.

A Lacan suas lacunas

To Lacan, his lacunes Guilherme Dutra e Cristiana Brandão / Belo Horizonte / 2008 / 0’53” Vídeo realizado a partir dos grafites da personagem Miss-Tic, muito comuns nos muros do bairro de Montmartre, em Paris. As imagens do peixe Loulou foram inspiradas na frase “A Lacan ses Lacunes” da artista. Video based on Miss-Tic’s graffiti, a work easily seen in the streets of Montmartre in Paris. Loulou fish images were inspired by the artist’s phrase “A Lacan ses Lacunes”.


A mãe no quarto do avô

Mother in grandfather’s bedroom Fábio Cançado / Belo Horizonte / 2008 / 1’40” Uma metáfora esfumaçada da perda de um ente querido a partir dos efeitos da luz de uma janela. A foggy metaphor for the loss of a dear relative revealed by the light effects coming through a window.

Amin

Amin

Raul Luna / Recife / 2008 / 0’57” vermelho, amarelo, verde, vermelho, azul, vermelho, vermelho, magenta. red, yellow, green, red, blue, red, red, magenta.

Arquivo Morto Dead Files

Paula Barreto / Rio de Janeiro / 2008 / 2’32” Performance em depósito de arquivos-mortos, take único e plano fixo. A artista se posiciona entre os arquivos. Em gesto contínuo, envolve o próprio corpo com papel craft. Com um grampeador, ela inicia sua auto-embalagem dos pés à cabeça. Performance inside a dead files warehouse, single take and steady shot. The artist places herself among the archives. In a continuous gesture, she wraps her own body with craft paper. With a stapler, she creates a package of herself, wrapped from head to toe.

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Arthur e o Aquecimento Global

Arthur and the Global Warming Letícia Capanema | São Paulo | 2008 | 1’00” No calor do Rio, a gente se vira como pode. In Rio’s hot weather, people do what they can to deal with it.

Árvores e Guerras Trees and Wars

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Célio Dutra | Belo Horizonte | 2008 | 2’23” Vídeo editado a partir de fotografias e a poesia “Guerra”, de Sérgio Mitre. A video edited from photos and the poem War by Sérgio Mitre.

Às vezes num dia de chuva

Sometimes on a rainy day Juliana Lacerda, Carlos Fraiha e Rodrigo Moreira | Belo Horizonte | 2008 | 2’57” Vídeo sobre a beleza de um dia de chuva e um dia de sol, com fragmentos de poemas de Fernando Pessoa. Video about the beauty of a rainy and a sunny day, with excerpts from Fernando Pessoa’s poems.


Balé

Ballet Marta Schneider | São Paulo | 2008 | 2’25” Uma noite, uma sombra, um balé. A night, a shadow, a ballet.

Batateogonia Ricardo Botini | São Paulo | 2008 | 3’00” Batateogonia é uma brincadeira com várias explicações sobre a origem do mundo. A playful series of explanations about the origin of the universe.

Batom Lipstick Fernando Mendes | Belo Horizonte | 2008 | 0’54” Uma ode ao espelho. An ode to the mirror.

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Calçadão Sidewalk

Christian Caselli | Rio de Janeiro | 2008 | 3’00” Os lugares podem ficar diferentes sendo vistos de outras maneiras. Primeiro filme da série “Animações de uma imagem só”. Places can look different when seen with other eyes. First film from the series “Animations with a single image”.

Canfora Camphor

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Herbert Gondo | São Paulo | 2008 | 3’00” ...

Centipede Barbara Zabori, Daniel Ambooleg, Fabia Fuzeti, Marcelo Garcia | São Paulo | 2008 | 0’25” Vídeo que discute a diversidade, desenvolvido em parceria com 24hourpartypeople. A video discussing diversity, produced in partnership with 24hourpartypeople.


Citytour01 Dirceu Maués | Belém | 2008 | 2’56” Citytour01 faz um passeio às avessas pela cidade: nada de pontos turísticos, monumentos, cartões postais, mas a cidade suprarreal, precária, do caos e da fragmentação. Expõe a auto-organização do espaço urbano e suas tensões em um turbilhão de imagens captadas com um celular. Citytour01 presents an anti-touristic walk around the city – no points of interest, no monuments, no postcards, but the super real city with its precariousness, taken by chaos and fragmentation. It exposes urban space self organization and its tension in a flowing array of cell phone captured.

Coney Island Walk George Queiroz e Carol Ribas | São Paulo | 2008 | 0’25” Deslizando por Coney Island. Strolling around Coney Island.

Crisálidas (de bolso) (Pocket) Pupa

Fernando Mendes | Belo Horizonte | 2008 | 0’30” Embalados por uma ingênua cantiga infantil, somos levados pelos labirintos concebidos nas fantasias de Ana, em jogos de terror e desejos ocultos. Versão compacta da animação “Crisálidas”. Rocked by a naïve lullaby we are taken through Ana’s fabulous labyrinths, horror games and concealed wishes – short version of the animation Pupa.

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Destino Transitório Temporary Destiny,

Felipe Barros | São Paulo | 2008 | 1’38” A velocidade com que cruzamos grandes quantidades de espacos, as incertezas, informações e pensamentos, nos levam a um estado de suspensão, em que os destinos nunca se mostram. Nao é mais uma linha que nos conduz, mas um complexo emaranhado de conexões. The speed with which we cover a great deal of space, the uncertainties, information and thoughts take us to a state of suspension where destinies are never revealed. We are guided by a tangle of connections and not a line anymore.

Disforme

Shapeless Arthur Tuoto | São Paulo | 2008 | 2’28”

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Uma sombra questiona suas formas. A shadow questions its shape.

E.W.N.S. Carolina Cordeiro | Belo Horizonte | 2008 | 1’46” No início do vídeo, há apenas um desenho dos pontos cardeais, ou rosa dos ventos, feito com milho no chão de um parque com as coordenadas E.W.N.S.. Em seguida, alguns pombos começam a aparecer e devorar essas coordenadas até não sobrar informação nenhuma. At the beginning of the video, we see a park where a representation of the cardinal points made with corn grains appear on the ground. Right after that, some pigeons show up feeding on the coordinates until there’s no information left on the ground.


Entrelinhas

Between lines Nelton Pellenz | Porto Alegre | 2008 / 2’42” Entre as linhas, as entrelinhas. An implied sense lies between the lines.

Faca só lâmina

Knife only blade Gabriel Menotti | Vitória | 2008 | 1’58” Esse vídeo foi produzido do escuro, sem coisa alguma além da própria câmera. As lentes foram tampadas, de modo que nenhuma luz atingisse o sensor CMOS. O que você está vendo é a tentativa patética do algoritmo de compressão de fazer imagens a partir do nada. This video was shot in the dark with nothing but the camera itself. The lenses remained covered to keep any light from reaching the CMOS sensor. What we see is the compression algorithm’s pathetic attemp of coming up with images from nothing.

Frestinha

Small gap Gustavo Cochlar | Brasília | 2008 | 3’00” Um formato extremamente vertical gera enquadramento que parece a fresta de porta entreaberta. Com o recurso da câmera subjetiva, o espectador do passa a ser o voyeur por trás dessa fresta. Do outro lado, uma ninfa está se embelezando. An extremely vertical image format that resembles a scene as seen through a half-opened door. Making use of a first person camera approach, the viewer takes the voyeur seat observing the half-opened scene while a nymph embellishes herself.

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Libertária

Libertarian Dellani Lima | Belo Horizonte | 2008 | 0’58” O mais sólido e mais duradouro traço de união entre os seres é a barreira. Vídeo dedicado ao revolucionário Pascal Gaigne. A barrier is the most solid and lasting bond between two beings. A video dedicated to revolutionary Pascal Gaigne.

Lines

Response

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Raul Luna | Recife | 2008 | 2’54” A TV Primavera está cansada de fazer download de material pornográfico. Agora nós fazemos arte com isso! TV Primavera got tired of downloading pornographic material. We now make art with it!

Memórias de um Celular Cell Phone Memories

Márcio Soares e Leandro Martins | Caratinga | 2008 | 1’30” Um celular e algumas histórias para contar sobre a vida de pessoas totalmente diferentes que, por obra do destino, acabaram por se entrelaçar num simulacro onde até o próprio espectador pode participar. A cell phone generates a couple of stories about the lives of totally distinct people, that get intertwined with one another by fate in a situation where the viewer can interact.


Mohammed Gameover Igor Amin | Belo Horizonte | 2008 | 2’00” Mohammed Gameover foi um importante videomaker no Iraque. Mohammed Gameover was an important Iraqi videomaker.

Naked Kika Nicolela | São Paulo | 2008 | 3’00” As luzes da cidade inscritas na pele nua. City lights get engraved on bare skin.

Paulista George Queiroz | São Paulo | 2008 | 0’30” Caminhando pela avenida. Walking along the avenue.

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Pequenos Reparos Minor Repairs

James Zortéa | Porto Alegre | 2008 | 3’15” Pequenos ruídos rompem o silêncio da casa e constituem uma nova atmosfera, em que ciclos defeituosos revelam facetas dos objetos domésticos. Little noises break the silence of a household and evoke a new atmosphere in which defective cycles reveal aspects of domestic objects.

Primavera Underground

Underground Spring

Igor Amin | Belo Horizonte | 2008 | 1’20”

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Rizomas angustiados com o homem. Rhizomes distressed at mankind.

Sétimo Dia

Seventh Day Danilo Marques Scaldaferri | Salvador | 2008 | 3’00” Cerca de 5 milhões de crianças e adolescentes trabalham no Brasil, mas ainda assim as pessoas precisam sonhar. About 5 million children and teenagers work in Brazil, but still people need to dream.


Sob_controle[1]

Under Control[1] Silvia Regina Guadagnini | Jundiaí | 2008 | 2’16” A partir do rastreamento da imagem das pessoas caminhando, o projeto mostra a construção de desenhos digitais. Os rastros tornam-se elementos gráficos e registros da passagem e do controle exercido sobre os indivíduos. The project builds digital drawings by tracing the image of moving people. The trails drawn become graphic elements and a record of the presence and control upon individuals.

Sociodermia 4

Sociodermics 4

Ernesto Köhler | São Paulo | 2008 | 0’57” Derme: A derme é a camada profunda da pele dos vertebrados. Dermis: the deep layer in the skin of vertebrates.

Sombra

Shadow Danilo Marques Scaldaferri | Salvador | 2008 | 2’55” Dançando com a própria sombra. Dancing with one’s own shadow.

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Um filme de Cao Guimarães A film by Cao Guimarães

Fábio Alencar de Carvalho | Belo Horizonte | 2008 | 3’00” A plasticidade do movimento na natureza. The aesthetics behind nature’s movement.

Vazio agudo Acute Void

Cristiane Fariah | Belo Horizonte | 2008 | 1’29”

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Melancolia e solidão em haikai de Paulo Leminski. “vazio / agudo / ando meio / cheio de tudo.” Melancholy and loneliness meet in a Paulo Leminski’s haikai. Void / acute / I’ve been / fed up with everything

Vida Blue Blue Life

Tiago Luiz Franz | Chapecó | 2008 | 2’48” Na selva urbana, um homem se isola em sua vida noturna e solitária. Após dias rotineiros de trabalho, faz do violão seu único amigo, até descobrir que mais vidas como a sua dividem o mesmo cenário e utilizam a mesma linguagem para se comunicar: o Blues. In the concrete jungle, a man isolates himself in his lonely nightlife. After routinely days at work he trusts his guitar to be his only friend until he finds out other people are living like him, in the same scenery and speaking the same language: The Blues.


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Júri Mostra Competitiva 30

Composto por críticos, curadores e cineastas e artistas do Brasil e do exterior, o Júri da Mostra Competitiva do Vivo arte.mov combina personalidades de vários segmentos do audiovisual, com o objetivo de submeter os trabalhos selecionados a diferentes crivos. A mistura entre olhares mais ligados ao audiovisual e outros mais próximos ao universo de cruzamentos entre audiovisual e mídias digitais que caracteriza o cenário das mídias móveis tem por objetivo buscar um equílibrio entre a ênfase na pesquisa das possibilidades emergentes no âmbito da produção com mídias móveis e a inserção no repertório sólido da linguagem audiovisual, com sua história que passa por cinema, TV, vídeo e videoinstalção, para ficar apenas com alguns dos gêneros mais conhecidos no espectro amplo de formatos em que som e imagem em movimento se multiplicam entre telas e espalham-se pelos suportes mais imprevistos. Formed by a combination of critics, curators, filmmakers and artists from Brazil and abroad, Vivo arte.mov’s Competitive Showcase Jury brings together professionals from distinct audiovisual segments in order to analyze the selected works from different perspectives. Mixing a broader audiovisual gaze with a more specific view focused on the crossings of audiovisual and digital media that permeates the mobile art scene, we hope to achieve a balance between the emphasis on the research of emerging mobile media production and integration with the solid already established audiovisual repertoire. A history that covers cinema, TV, video, and video installation just to name some of the best known genres under the broad scope of formats in which sound and moving images multiply themselves along different screens and get disseminated through the most unexpected means.


CAO GUIMARÃES

took a Master of Arts in Photographic Studies at Westminster University of London.

Cineasta e artista plástico. Vive e trabalha em

Since the late 80s his works have been exhibited in such prestigious museums and

Belo Horizonte. Estudou filosofia na UFMG e na

galleries like Tate Modern, Centro de Arte de Burgos (CAB), Gasworks, Frankfurten

Westminster University of London cursou o Master

Kunstverein, Studio Guenzano, Galeria La Caja Negra, Galeria Nara Roesler and

of Arts In Photographic Studies. Desde o fim dos

the Guggenheim Museum which decided to acquire some of his works as did the

anos 80, exibe seus trabalhos em diferentes museus

Fondation Cartier Pour L’art Contemporain, Tate Modern, Walker Art Center and

e galerias como Tate Modern, Guggenhein Museum,

Museu de Arte Moderna de São Paulo. He took part in some art biennials like

CAB – Centro de Arte de Burgos, Gasworks, Frankfurten

XXV and XXVII Bienal Internacional de São Paulo and Insite Biennial 2005 (San

Kunstverein, Studio Guenzano, Galeria La Caja Negra

Diego/Tijuana). His films have been seen and awarded in festivals like Festival de

e Galeria Nara Roesler. Participou de bienais como

Locarno in 2004 and 2006, Sundance Film Festival in 2007, Festival de Cannes

a XXV e XXVII Bienal Internacional de São Paulo e

in 2005, Rotterdam International Film Festival in 2005 and 2007, Festival

Insite Biennial 2005 (San Diego/Tijuana). Possui

Cinema du Réel in 2005, Amsterdam International Documentary Festival – IDFA

trabalhos em coleções como Fondation Cartier Pour

in 2004, Festival É Tudo Verdade in 2001, 2004 and 2005, Mostra Internacional

L’art Contemporain, Tate Modern, Walker Art Center,

de Cinema de São Paulo in 2004 and 2006, Festival do Rio in 2001, 2004,

Guggeheim Museum, Museu de Arte Moderna de

2005 and 2006, among many others.

São Paulo, entre outros. Seus filmes já participaram de diversos festivais e foram premiados em vários deles: Festival de Locarno (2004 e 2006), Sundance Film Festival (2007), Festival de Cannes (2005), Rotterdam International Film Festival (2005 e 2007), Festival Cinema du Réel (2005), Festival Internacional de Documentários de Amsterdam – IDFA (2004), Festival É Tudo Verdade (2001, 2004 e 2005), Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (2004 e 2006), Festival do Rio (2001, 2004, 2005, 2006) etc.

CAZÉ Apresentou o primeiro programa ao vivo da MTV, o Teleguiado. Na Globo, fez o Sociedade Anônima, primeiro programa de TV a contar com um auditório virtual e no Fantástico encarnou o Homem-Megafone. Atualmente está a frente do programa Quinta Categoria, que apresenta com Marcos Mion. Em 1999, ganhou o prêmio de melhor apresentador da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA). Em 2002, foi premiado pelo Instituto Ayrton Senna com o programa Tome Conta do Brasil. Em 2005, recebeu mais um prêmio da APCA, dessa vez ao lado dos idealizadores do primeiro desenho animado da MTV, o Megaliga de VJs Paladinos.

Filmmaker and artist. Lives and works in Belo

Há 15 anos na televisão, os programas criados e apresentados por Cazé sempre

Horizonte,

at

deram destaque para a participação da audiência e a valorização dos anônimos.

Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) and

Em 2007, paralelamente ao trabalho na televisão, Cazé lançou o Gafanhoto – site

Brazil.

He

studied

Philosophy

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de conteúdo colaborativo, no qual o usuário posta notícias, músicas e vídeos,

rinocerontes, adora a cozinha experimental, pensa

além de guardar em seu perfil tudo o que gosta na internet. O projeto conta com

que a melhor maneira de investir dinheiro é viajando

um espaço, na esquina das avenidas Rebouças e Faria Lima, onde são realizados

e ainda acredita no amor.

debates, cursos, palestras e eventos.

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Cultural agitator who enjoys acting as an artist,

He presented the first live program on Brazilian’s MTV, Teleguiado. On Globo

curator, promoter, editor and teacher among other

Network he presented Sociedade Anônima, first TV program with a virtual audience,

roles to which he gets invited to play. His body of

and in Fantástico he was the Megaphone-Man. Nowadays he is responsible for the

work as an artist has been seen at some the most

program Quinta Categoria, which he presents with Marcos Mion. In 1999, Cazá

prestigious cultural centers in the world like the

won the best presenter award from São Paulo Association of Art Critics (APCA). In

Guggenheim Museum in New York. In 2008, he’s

2002, he was awarded by Instituto Ayrton Senna for the program Tome Conta do

taking part in over 15 different video curatorships

Brasil. In 2005, he received another APCA prize, this time with the creators of the

in Museo Tamayo, Festival Internacional de Cine

first cartoon for MTV, Megaliga de VJs Paladinos. On TV for 15 years, the programs

Contemporáneo de la Ciudad de México, Caixa

created and presented by Cazé always highlighted audience and anonymous people

Forum in Barcelona and many others. For the last ten

participation. In 2007, simultaneously with his television work, Cazé launched

years he’s been a drawing and digital art teacher at

Gafanhoto – a collaborative website where the user posts news, music and videos,

different universities and a lecturer all over the world.

besides keeping everything they likes in Internet in their profile. The project also

He’s the author of the books Cursiagridulce (Trilce,

hosts a place in São Paulo where debates, courses, conferences and events.

2006), Manchuria (Diamantina, 2007) and Videoman (Ediciones necias, 2008). He adores ‘chihuahueños’,

Fernando Llanos Catalizador cultural que brinca como artista, curador, promotor, editor, docente outros papeís para onde é convidado. Seu trabalho como artista já foi apresentado nos mais importantes centros culturais do mundo, como no Guggenheim em NY. Em 2008 está presente em mais de 15 diferentes curadorias de vídeo entre Museo

is a rhino collector, a lover of experimental cooking, thinks that the best way to invest money is travelling and still believes in love.

francisco césar filho

Tamayo, Festival Internacional de Cine Contemporáneo de la Ciudad de México,

Cineasta, curador, diretor de televisão, coordenador

Caixa Forum em Barcelona etc. Nos últimos 10 anos tem atuado como professor

de workshops, DJ e Assessor de Comunicação. É

de desenho e arte digital em diversas universidades, além de palestrar por todo o

diretor, roteirista e produtor de um dos principais

mundo. Autor dos livros: Cursiagridulce (Trilce, 2006), Manchuria (Diamantina,

títulos da chamada Primavera do Curta-Metragem

2007) e Videoman (Ediciones necias, 2008). Adora os ‘chihuahueños’, coleciona

Brasileiro: Rota ABC (1991), melhor curta no Festival


de Brasília e vencedor de prêmio especial do júri no

2001’s digital documentary VinteDez co-directed by Tata Amaral and the short

Festival de Oberhausen (Alemanha). Sua filmografia

films Poema: Cidade (1986, Best Film award at Cine-Vídeo Guarnicê), Queremos

inclui ainda o documentário digital VinteDez (2001),

as Ondas do Ar! (1986, Best Short Film award at Jornada da Bahia, Great Jury

co-dirigido com Tata Amaral, e os curtas-metragens

award at the Oberhausen Festival), Hip-Hop SP (1990, Best Teenage Film at

Poema:Cidade (1986, melhor filme no Guarnicê de

Brasília Festival), Zona Leste Alerta (1992, Best Documentary at the Santiago

Cine-Vídeo), Queremos as Ondas do Ar! (1986, melhor

Festival), A Era JK (1993, part of the series Brazilian Historical Compilation, Critics

curta na Jornada da Bahia, grande prêmio do júri no

Choice at Festival de Brasília) and Mooca, São Paulo (1996, opening sequence to

Festival de Oberhausen), Hip-Hop SP (1990, melhor

Tata Amaral’s feature film Um Céu de Estrelas). Currently being, edited Augustas

filme para a juventude no Festival de Brasília), Zona

marks his debut as feature film with a script based on the book A Estratégia de

Leste Alerta (1992, melhor documentário no Festival

Lilith by Alex Antunes. He created and organized Mostra do Audiovisual Paulista,

de Santiago), A Era JK (1993, da série Panorama

an annual event put together in 1987.

Histórico Brasileiro, prêmio da crítica no Festival de Brasília) e Mooca, São Paulo, 1996 (seqüência inicial do longa Um Céu de Estrelas, de Tata Amaral). Augustas, atualmente em fase de montagem, é seu primeiro longa-metragem como diretor e tem roteiro baseado no livro A Estratégia de Lilith (de Alex Antunes). Atualmente responde pela Gerência de Aquisição de Conteúdo da TV Brasil. Criador e organizador da Mostra do Audiovisual Paulista (evento anual realizado desde 1987). Filmmaker, curator, TV director, workshop coordinator, communication advisor and DJ. He wrote, produced and directed Rota ABC (1991), one of the most important films in the so-called Brazilian Short Film Bloom Era. It was awarded Best Short Film at Festival de Brasília and won a special jury award at the Oberhausen Festival in Germany. Other works include

Régine Debatty Régine ficou mundialmente conhecida por seu blog: “we-make-money-not-art” onde abriga informações sobre as intersecções entre arte, design e tecnologia. Tem trabalhado como documentarista e repórter em redes de televisão e rádios européias; colaboradora de importantes revistas de arte e design; curadora de exposições e simpósios internacionais sobre arte, hackers e a (des)utilização de design e tecnologia. Got worldly renowned for her “we-make-money-not-art” blog with her posts on the intersection of art, design and technology. She’s been working as a documentarist and a reporter for European radio and television networks. She’s also a collaborator for prestigious art and design magazines and curator for international conferences and exhibitions focusing on art, hackers and the use and desuse of design and technology.

33


Apropriações do (in)comum: espaço público e privado em tempos de mobilidade O tema do Simpósio do Vivo arte.mov, em 2008, enfatiza experiências que expandem a noção de arte, seus espaços e ferramentas. Com sessões temáticas montadas com convidados de várias regiões do Brasil, e de centros de referência no debate sobre cultura da mobilidade ao redor do mundo. O evento reúne artistas, críticos e teóricos representativos das discussões sobre o lugar das mídias portáteis na cultura contemporânea. Em tempos em que pesa a responsabilidade de construção de espaços comuns efetivamente compartilháveis, as tecnologias portáteis vem se mostrando como ferramentas que potencializam redes físicas e não-físicas, aproximando espaços antes desconectados – ao mesmo tempo em que geram apropriações possíveis das esferas públicas e privadas, tornando a fronteira entre ambos cada vez mais difusa. Dessa forma, o Simpósio procura oferecer ao público diferentes perspectivas de seus três eixos temáticos: tecno-determinismo e acessibilidade; realidades mistas; e redimensionamento do espaço público. Durante três dias em Belo Horizonte e dois dias em São Paulo, serão debatidas as principais estratégias de difusão em rede e acesso à informação, as convergências esperadas e as já existentes entre redes e espaço físico, e os desenvolvimentos das tecnologias sociais em seus vários aspectos. O formato distribuído acontece pela primeira vez nesta terceira edição do Vivo arte.mov, ampliando o escopo do Festival que, dessa forma, consolida-se como fórum contínuo de debate e pesquisa sobre a cultura da mobilidade. Essa configuração confirma o caráter amplo típico das sessões realizadas durante os três anos do Simpósio, em formato que pretende discutir em âmbito nacional os desdobramentos do audiovisual no contexto da cultura da mobilidade. Para tornar esse universo ainda mais amplo, as sessões paulistas do Simpósio introduzem debates complementares, ao tratar tanto dos desenvolvimentos das mídias locativas no cenário nacional quanto das questões resultantes da inserção desta tendência em ambientes corporativos.

Appropriations of the (un)common: public and private spaces in the mobility era Vivo arte.mov’s Symposium 2008 emphasizes experiences that expand the notion of art, its spaces and tools. The Symposium is organized in thematic sessions with guests from all over Brazil and centers from around the globe that are acknowledged as references on the debate about mobility culture. This year’s event gathers artists, critics and theorists that are representative of current debates about the role of portable medias in contemporary culture. In times in which the responsability of building effectively shareable spaces (the so called commons) is an urgent task, portable technologies are becoming tools that empower physical and non-physical networks, approximating spaces otherwise unconnected – as they simultaneously generate possible appropriations of public and private spheres, making the frontier between both increasingly diffuse. This way, the symposium seeks to offer the audience different perspectives of its three thematic axes: techno-determinism and accessibility; mixed realities; and public space resizing. For three days in Belo Horizonte and two days in São Paulo, main strategies in network diffusion and information access, expected convergences and existing ones between networks and physical space, and the development of social technologies will be discussed. This spread approach happens for the first time at Vivo arte.mov’s third edition, broadening the festival’s reach and consolidating it as a permanent forum for the debate and research on mobility culture. This format affirms the extensive approach that is typical of the sessions that took place in the Symposium over the last three years, in a format that seeks to discuss, with a national reach, the unfolding of audiovisual in the mobility culture context. In order to make this universe even more inclusive, the Symposium sessions taking place in São Paulo will include as debaters on the panels young researchers and artists that will follow the discussions and offer their impressions in each session.


Tecno-determinismo e acessibilidade, estratégias de difusão em redes e acesso à informação 36

A sociedade contemporânea vive uma época de divisão intensa entre acesso e exclusão, em vários sentidos que serão esclarecidos adiante. Trata-se, também, de uma época em que a forma como as tecnologias influenciam o funcionamento da sociedade, da economia e da cultura é cada vez mais intenso. As grandes cidades estão cada vez mais imersas em tecnologias de mediação. Não se sabe, no entanto, quais serão os efeitos imediatos e mais a longo prazo desta situação. Ou, ainda, qual a natureza e a relevância de conhecimento que a utilização destas tecnologias vai causar. Ou, se este espaço público mediado torna a cidade mais eloqüente. Trata-se de um contexto que oscila, conforme um dos convidados para o Simpósio, Trebor Scholz, “entre o inferno total do trabalho assalariado em rede e as promessas dos commons”. (cf. The Truth About Networks. Between the total hell of networked, salaried labor and the promises of the commons, in: www.collectivate.net/publications) Esse processo de descontrole iminente é simultâneo ao aumento de oportunidades de inclusão e participação aparentemente sem precedentes, mas muitas vezes desconexas e/ou caóticas. O resultado é, em retrospecto rápido, um cenário de tensão exacerbada e incertezas. Nesse contexto, podemos falar em vários tipos de acessibilidade: o acesso às tecnologias digitais aumenta conforme os aparelhos se tornam mais baratos e diversificados; o acesso à cadeia de produção aumenta conforme se consolidam ferramentas da chamada web 2.0. O outro lado dessa moeda é o excesso resultante desse contexto. Assim como hoje em dia é imperativo reciclar bens materiais, tornam-se igualmente importantes os processos do tipo no âmbito simbólico, em que cabe também avaliar qual o significado efetivo do celebrado aumento de acessibilidade. Neste contexto, cabe discutir o efeito dos processos de distribuição massiva em meios digitais, assim como seus paradoxos e efeitos colaterais.


79 days: documentário em rede de Trebor Scholz examina a cobertura que a mídia fez das guerras no Iraque e em Kosovo, combinando gravações no local com busca em tempo real na Internet 79 days: Trebor Scholz’s networked documentary examines the media coverage on the wars of Iraq and Kosovo, combining local images with real time searches on the Internet.

Debatty. Trata-se de um espaço que Debatty usa para “compartilhar com seus leitores suas aventuras no mundo arte, da arquitetura, do design crítico e de qualquer coisa que der na telha”. Em sua experiência com blogs, Debatty aponta o amadurecimento do formato e sua inserção em circuitos especializados. Para ela, a principal lição dos blogs é demonstrar que “ser pessoal e informal não precisa ser heresia”.

O artista, teórico e ativista sediado nos EUA Trebor Scholz defende o desenvolvimento de estratégias para a criatividade distribuída, pelo desenvolvimento de espaços dialógicos em rede. Ele é um dos fundadores do Institute for Distributed Creativity (iDC), comunidade online das mais profícuas, que tem se destacado pela capacidade de fomentar discussões críticas densas e diversificadas em vários canais online, como listas de discussão e redes sociais. Recentemente, seu interesse tem sido discutir de que forma os usuários se comprometem com

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plataformas online, mas também como as formas de exploração do trabalho online não são visíveis da mesma forma que as formas históricas de exploração industrial, conforme resumo de Beth Coleman no site do próprio Scholz. Um aspecto que Scholz destaca em sua análise dos desdobramentos recentes da cultura de rede é como a web 2.0 oferece um “limiar baixo para participação” efetiva. Ele aponta como “é muito fácil fazer upload, as pessoas podem enviar vídeos, entradas de blog, mensagens, favoritos, atualização de perfil e fotos, mas esse material não pode ser exportado”. Por isso, Scholz conclui de forma irônica: “um usuário ativo torna-se mais valioso com o tempo de forma similar a uma garrafa de vinho na adega”. Outro aspecto da acessibilidade é a maior possibilidade de publicar, e o surgimento de canais de comunicação independentes de grande repercussão. Um bom exemplo é o blog We-make-money-not-art, criado pela belga Regine

We-make-money-not-art: o blog de Regine Debatty mapeia de forma ampla as intersecções entre arte, design e tecnologia em posts que combinam tom informal e densidade informacional com uma agilidade e amplitude raras mesmo em outras publicações online voltadas para este universo We-make-money-not-art: Regine Debatty’s blog covers a wide range of topics related to the interseccions of art, design and technology, in posts that combine informal tone and informational density with an agility and amplitude that is rare even for another online publications devoted to this scene.


Debatty ressalta que “os blogueiros mais lidos são

tradicionais ao aproximar pessoas que poderiam não ter se conectado no espaço

conscientes, precisos e incisivos”. Para ela, um

físico”. Sua pesquisa pode ser reunida sob a rubrica da desconstrução de redes,

aspecto importante de seu universo é a existência

área em que ele desenvolveu mais de 50 trabalhos, com ênfase no uso de

de um controle por parte do público, sempre pronto

tecnologias de baixo-custo e em práticas que se aproximam da cultura hacker.

a apontar os deslizes nos blogs que publicam material impreciso. Debatty afirma que se os

Brucker-Cohen vai apresentar seus principais projetos no domínio das

leitores de blogs “encontram falta de respeito pela

mídias móveis, muitos dos quais “examinam os conflitos que circundam

verdade ou alguma informação requentada em seus

os espaços públicos com redes sem-fio e alocação do espectro associado

posts, eles simplesmente vão parar de visitá-lo”.

à conquista territorial por meio da radiodifusão dentro desses espaços”. Dois bons exemplos, segundo o próprio artista, são o WiFi-Hog e o WiFi

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Outro aspecto do tema será explorado por Jonah

Liberator. “Ao desafiar os limites desses espaços, com o projeto WiFi-

Brucker-Cohen. Sediado nos EUA, Brucker-Cohen

Hog, ou para examinar os custos dos hotspots wireless públicos, com

procura focar-se em discussões e no desenvolvimento

o WiFi-Liberator, meu trabalho assume um olhar crítico em direção aos

de trabalhos que desafiam a percepção do que as

espaços que circundam as redes, e às relações sociais e públicas que

pessoas consideram rede. Seu foco recente são as

eles apóiam e perpetuam”. Ele sintetiza sua estratégia de trabalho pela

redes sem-fio, especialmente “a forma como as

prática de “subverter ou desafiar um sistema ou tecnologia existente a

redes se integram à arquitetura existente e padrões

fim tanto de usá-la com um propósito diferente do que era pretendido,

sociais que saem das interfaces de computador

quanto de criar uma nova forma de interação ou experiência interativa”.

Estado Policial: o projeto problematiza o tema da vigilância institucionalizada, em que o governo e seus aparelhos repressivos controlam vidas comuns na maioria das vezes desprevenidas, inocentes e indefesas. Police State: the project deals with the topic of institutionalized surveillance, in which governments and its repressive apparatuses control common lives usually innocent, defenseless and uncautious


Techno-determinism and accessibility, strategies in network diffusion and information access

dialogue spaces. He’s one of the founders of the Institute for Distributed Creativity (IDC), a striving online community that has been gaining attention for

Contemporary society is living a time of intense split between access and exclusion,

its capacity of stimulating intense, diverse and critical

in many ways that will be further explained. It is also a time in wich the way

discussions in many online channels like newsgroups

technology affects society, economy and culture is increasingly intense. Big cities

and social networks. Recently, he’s been focusing his

are each day more imerse in mediation devices. It is unknown, however, what will

interest in the discussion of how users compromise

be the effects, on short and medium term, of this situation. Or, yet, what will be

with online platforms and also how online work

the nature and relevance of knowledge that the use of this technologies will cause.

exploration methods cannot be understood in parallel

Or, if mediated public space will make the city more eloquent. It’s a context

with historical industrial labor, as summed up by

that oscillates according to Trebor Scholz, one of the guests of the Symposium,

Beth Coleman at Scholz’s own website.

‘between the total hell of networked labor and the promises of the commons’. (The Truth About Networks, in: www.collectivate.net/publications)

An aspect that Scholz highlights in his analysis of recent unfoldings of networked culture is that web

This process of imminet discontrol is simultaneous to the increase in inclusion

2.0 offers a ‘low margin for effective participation’.

opportunities and unprecedented participation, but at many times in a chaotic

He points out to the fact that ‘it’s very easy to upload

and or disconnected manner. The result, in fast retrospect, is a scenery of

something, people can send videos, post blog entries,

exacerbated tension and uncertainties. In this context, we can talk about many

messages, favorites, update their profiles and photos

types of accessibility: the use of digital technologies rises as devices get cheaper

but this material can’t be exported’. Scholz concludes

and diverse; production chain access rises as tools for the so-called web 2.0 get

ironically: an active user becomes more valuable over

stronger. The flip side of the coin is the excess that results from this context.

time, not unlike a bottle of wine in the wine cellar.

Much like the necessity of recycling material, nowadays similar processes in the symbolic realm become equally important. Evaluating the real meaning of

Another aspect of acessibility is the greater capacity

the much-celebrated rise in accessibility is also needed. On such context, it is

of online publishing, and the uprising of independent

important to discuss the impact of massive digital distribution processes, as well

publication channels it stimulates. A good example

as its paradoxes and side-effects.

is We-make-money-not-art, a blog created by Regine Debatty. It is a channel she uses to ‘share

US based artist, theorist and activist Trebor Scholz proposes the development

her adventures in the world of art, architecture

of strategies for distributed creativity, through the development of networked

and critical design and everything else that comes

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to mind. Debatty’s blogging is an example of the format maturity, and its potential to map specialized circuits. For her, the main lesson to be learned from blogs is that they show that ‘being personal and informal doesn’t need to be perceived as heresy’. Debatty highlights that ‘top bloggers are conscious, precise and incisive’. For her, an important aspect of their universe is the existence of a feedback coming from the audience, always ready to point mistakes in blogs that publish inaccurate material. Debatty says that if blog readers ‘find disrespect for the truth or a somewhat outdated info in her posts, they simply stop visiting it’.

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Jonah Brucker-Cohen will explore another aspect of this theme. Based in the US, Brucker-Cohen seeks to focus in debates and develop works that challenge stabilished ideas of network. His recent focus are wireless networks, specially ‘the way that networks get integrated with the existing architecture and social patterns that are born from the interfaces of traditional computers when they approximate people that might otherwise never connect themselves in the physical world’. His research can be described as network deconstruction, an area in which he has developed more than 50 projects that focus on using low-tech materials and practices, in close dialog with hacker culture.


Brucker-Cohen will present his main projects with mobile media, many of which ‘examine the conflicts surrounding the use of wireless networks in public spaces. Two good examples are WiFi-Hog and WiFi Liberator. ‘By defying the boundaries of these spaces with the WiFi-Hog project or examining public wireless hotspots costs with WiFi Liberator, my work proposes a critical examining of the spaces surrounding the networks and over the social and public relations that they support and perpetuate.’ He summarizes his work strategy by ‘subverting or defying an existing system or technology not only to use it with a different purpose than that originally intended but also to create a new form of interaction or interactive experience’.

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Realidades mistas: convergências esperadas X convergências implantadas Atualmente, a chamada realidade mista, em que redes digitais e espaço físico convergem para um mesmo lugar (que não é mais o lugar clássico, associado a um espaço ou território específico), constituem interfaces que permitem sobrepor espaço físico e mundos sintéticos. Podem ser pensadas como formas mais eloqüentes de concretizar os sonhos de um ciberespaço menos utópico e distante. A idéia de realidade mista relativiza dicotomias improdutivas entre real e virtual, e as respectivas tensões entre um uso ufanista das tecnologias e o âmbito político que a idéia de rede pode conter. Ao contrário da realidade virtual, a realidade mista não depende de tecnologias existentes apenas no âmbito restrito de laboratórios sofisticados. Por isso, rapidamente se populariza construindo a chamada “Internet das coisas” ao tornar tudo clicável, por meio de aparelhos portáteis e chips embutidos. Trata-se de um momento em que a euforia com o virtual e o

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código é substituída pela fricção entre rede e mundo. A realidade mista opera em uma lógica de corrosão da distância entre as separações implícitas em certos discursos da tecnologia. Não se trata, portanto, de superação de modelos anteriores, mas de sinergia que desautoriza falar em vertentes. A produção teórica e artística na área tensiona os espaços em que se instalam estes supostos antagonismos, assim como as premissas de superação de uma tecnologia por outra — ou de construção de tendências (com tudo o que nelas há de transcendente ou de apologia do progresso). Além disso, as possibilidades de acesso à rede no espaço público oferecem alternativas de custo relativamente baixas a modelos tecnológicos não-mistos, como os da realidade virtual. Trata-se, portanto, da forma de democratizar a experiência da navegação intuitiva que se supõe ser típica dessas situações em que as interfaces de clique e seleção de menu são preteridas (ou, pelo menos, perdem importância). Nesse contexto, a mesa “Realidades Mistas: convergências esperadas x convergências implantadas” debate os desdobramentos mais recentes dessa fusão entre comunicação em rede e espaço urbano, com ênfase no universo dos jogos urbanos, de novas possibilidades de localização que emergem para além do universos dos GPSs, e dos rumos da computação “vestível”. Assim, propõe um painel amplo sobre as principais tendências atuais e futuras da mistura de tecnologias orgânicas e digitais, que transformam o espaço das grandes cidades numa grande interface em que é possível navegar nos mais diversos níveis. Estes resultam tanto na sobreposição de espaços quanto em fraturas nas continuidades existentes entre lugares que passam a estar potencialmente conectados por mapas bastante distintos do que poderia supor a geografia usual dos territórios, extensões e limites.


Entre os convidados da mesa, Ju Row Farr vai apresentar a versão de Can You See Me Know?, realizada durante o arte.mov no bairro de Santa Tereza, em Belo Horizonte, no contexto das pesquisas com computação pervasiva desenvolvidas pelo grupo em parceria com universidades e empresas. Um dos aspectos do trabalho do Blast Theory é pesquisar formas de envolvimento do público, geralmente engajado nos trabalhos por meio de tecnologias de rede portáteis e ubíquas. Em termos de desenvolvimento tecnológico, essa pesquisa acontece no âmbito das novas interfaces de rede, que vão de pranchetas que conectam palmtops e GPS entre si e os colocam em comunicação com a Internet, a laptops modificados para funcionar como pontes para mundos virtuais tridimensionais. Em artigo publicado na revista do Vivo arte.mov sob o título “Em Busca de uma Performance de Realidade Mista do Tamanho da Cidade”, o grupo explica que seu objetivo é explorar “o potencial das tecnologias móveis de realidade mista para criar performances que atravessam a cidade”. No mesmo texto, eles apresentam o formato que vai se consolidar em Can You See Me Now?: “participantes nas ruas da cidade vão experimentar eventos que acontecem num mundo virtual paralelo que está conectado e sobreposto à cidade de várias formas. Ao mesmo tempo, participantes online que estão acessando o mundo virtual pela Internet vão experimentar eventos que estão acontecendo nas ruas”. “As ruas da cidade, nos anos que virão”: corredor de Can You See Me Know?, no jogo de realidade mista em que as partidas acontecem nas ruas da cidade conectadas a um ambiente virtual por meio de palms e aparelhos GPS. “City streets, in following years”: a runner in Can You See Me Now?, the mixed-reality game that happen in city streets connected to a virtual environment by palmtops and GPS devices

Tela do Carnivore, o grampo digital: o software é usado para rastrear informações pela Internet. Screenshot of Carnivore, the digital spy: the software is used to track information through the Internet.

43


Outro objetivo do grupo é explorar “a cidade como uma área culturalmente

sereias na Odisséia”. Em sua palestra, ela abordará

impregnada que tem grande potencial criativo”, o que resulta num projeto

“as capacidades locativas das tecnologias móveis

que “pretende articular os espaços entre realidades mundanas (como andar de

de GPS e mobile tags, impulsionados pela atividade

ônibus ou metrô) e projeções fantásticas (geralmente derivadas do cinema e da

de busca, que possibilitam a criação de vários

televisão) de enredos e ações, em que a cidade está inscrita por possibilidades

graus de realidades mistas”. Sua apresentação será

não imaginadas”.

acompanhada de “discussão sobre quando essas tecnologias são friendly enemies ou não, usando

Em “Tecnologias Mobile: Friends ou Friendly Enemies?”, Martha Gabriel vai

como base o trabalho Locative Painting e o projeto

discutir como “as novas tecnologias de comunicação e interação têm permitido

Emotion Capture.

uma integração cada vez mais íntima entre aparelhos móveis – como celulares,

44

smartphones e PDAs – e o ser humano, de forma que esses aparelhos têm se

André Lemos vai discutir os games pervasivos

tornado, cada vez mais, extensões do corpo e mente humana”. Para ela, “esses

e os processos de espacialização que, para ele,

aparelhos propiciam a ampliação da nossa interação com o mundo por meio de

“combinam tecnologias móveis e sistemas ‘baseados

diversos graus de realidades mistas e nos permitem também ampliar nossas

em localização’ ao criar uma interface entre espaços

capacidades de memória, processamento e comunicação”. Mas, pondera a artista,

eletrônicos e digitais para jogar”. Seu objetivo é

“eles trazem também novos contextos permeáveis que nem sempre são claros e

“mostrar como as novas tecnologias móveis produzem

perceptíveis aos seus usuários”.

espacialização, ou seja, uma produção social do espaço.” Lemos acredita que a “espacialização seja

Martha Gabriel observa que “muitas vezes as tecnologias mais sedutoras trazem

obtida por meio do uso de tecnologia, sensores e

consigo diversos riscos não-explícitos, funcionando como o famoso canto das

redes digitais móveis (telefones inteligentes, palms, GPS e dispositivos de realidade aumentada, chips RFID e GSM / GPRS, Wi-Fi, Bluetooth, rádio)”.

No moZaico de voSes, cada pastilha representa uma pessoa: quanto mais pastilhas mais pessoas estão conectadas e compartilham gravações enviados por meio de ligação telefônica. In moZaico de voSes each tablet represents a person: the number of tablets represent how many people are connected and sharing recordings created from a telephonic call

Esses

dispositivos,

para

ele,

criam

territórios

informacionais. Nesse contexto, André Lemos vai discutir como a “principal característica da mídia locativa é usar o espaço físico em interação com o ciberespaço por meio de sensores eletrônicos, redes sem-fio, e


A palestra de André Lemos apresenta esse processo de espacialização por meio dos PCGs a partir da exposição dos conceitos de mídia locativa, território e espacialização, em particular dos chamados territórios informacionais. Lemos propõe uma tipologia dos jogos baseados em computação pervasiva e as formas de espacialização que eles criam, a partir da análise de 73 jogos (desenvolvidos entre 2000 e 2008). Sur-viv-all, de André Lemos: escrita GPS baseada em “Survival”, de Margaret Artwood: uma palavra que combina três línguas entrelaça o imaginário, a cidade, a natureza e a invisibilidade.

Em São Paulo, o tema das Realidades Mistas será

Sur-viv-all, by André Lemos: GPS writing based on “Survival”, by Margaret Atwood: a word that blends three languages intertwines imaginary, city, nature and invisibility

a popularização dos computadores vestíveis. Os

retomada por Fernando Llanos e Laura Bellof. Bellof vai discutir o cenário que imagina emergir com trabalhos de Bellof tomam “a forma de dispositivos vestíveis bastante peculiares, (na maioria dos casos) colocados em rede e abertos para acesso público

comunicação móvel combinada a dispositivos de

via celular e internet”. Ela sustenta que, ao vestir

informação”. Esse processo, pondera Lemos, “cria

um dispositivo deste tipo seu usuário transforma-se

funções específicas no espaço que Foucault chamava

num Hibronauta, com “presença simultânea em um

de heterotopias”, sendo que “novas funções (novas

ambiente físico e também em um espaço virtual”. Para

heterotopias) no espaço produzem espacialidade”.

Bellof, esta “presença compartilhada e consciência

No âmbito dos PCGs, os jogos com computação

expandida sobre a conectividade intermitente” são o

pervasiva, “a experiência do jogo ocorre pela tensão

foco funcional ou técnico de seus trabalhos.

entre espaços físicos e eletrônicos, que recriam formas ancestrais de brincadeiras (jogos de rua) e,

Além disso, Nick Tandavanitj, do Blast Theory

com o uso de tecnologias móveis e redes digitais,

apresenta o trabalho para o público local, a partir

expandem o escopo dos games, produzindo novas

da experiência de realizar Can You See Me Now?

narrativas e novas funções temporárias no espaço”.

em Belo Horizonte e também das preocupações

Um furo na terra: cratera que exibe streaming de vídeo criado por Bellof, estudantes da Art Academy de Oslo e Jin Jiangbo conecta os metrôs da capital dinamarquesa e de Shangai. Um furo na terra: a cratere that exhibits a video streaming created by Beloff, Oslo’s Art Academy students and Jin Jiangbo connects the Danish capital’s subways to Xangai’s subways.

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mais recentes do grupo, que podem ser resumidas no esforço de “dar suporte à realidade aumentada (AR) nas ruas da cidade”, pelo uso de “dispositivos vestíveis ou portáteis para suplementar uma experiência do ambiente físico

Mixed realities: unexpected confluences X established confluences

pelo participante”. Tandavanitj vais discutir como estas estratégias permitem ao transeunte conectado “receber ou recuperar informações relevantes ao contexto

Nowadays, the so called mixed reality, converge

sobrepostas à experiência física normal dos espaços e/ou artefatos”. Os artistas

digital networks and physical spaces to a common

Fabrício Muriana e Claudio Bueno serão debatedores desta mesa.

place (that is not the classic place, associated to a space or territory). They can be understood as more eloquent means to fulfill the dreams of a less utopic and distant cyberspace. The idea of mixed reality softens unproductive dichotomies between real and virtual, and the tensions between an ufanist usage of technologies and the political aspect that the concept of network might contain.

46

Unlike virtual reality, mixed reality do not rely only on technologies available at restricted and sophisticated laboratories. For that reason, it quickly becomes popular, producing what some have named “the internet of things”, by making everything clickable through the use os portable devices and embedded chips. It is a moment in which the euphory with the virtual and the code is substituted by the friction between net and world. Mixed reality operates a logic of corrosion of the distance between separations implicit on some discourses about technology. It is not about substituting previous models, but synergy that unauthorizes speaking of trends. The theoric and artistic production establishes tensions between this supposed antagonisms, as well as questions the


premise of suppression of a technology by another -

a project presented during arte.mov in the Santa Tereza neighborhood of Belo

or the construal of tendencies (with all that is has of

Horizonte, in the context of pervasive computing researches conducted by the

transcendent or apologetic of progress).

group in partnership with universities and business companies. One of the aspects of Blast Theory’s work is researching ways of engaging the audience usually

Besides that, network access possibilities in public

present in their projects through the use of portable networks and ubiquitous

space offer relatively low-cost alternatives and non-

technologies. In terms of technological development, this research happens in

mixed models like virtual reality. It’s then a way of

the scope of new network interfaces that go from drawing boards that connect

democratizing the intuitive navigation experience

palmtops and GPS devices with the Internet to custom laptops that act as bridges

supposed to be typical in these situations where

to tridimensional virtual worlds.

pull-down menu and click interfaces are put aside (or, at least, are less important). In this context the

In the article “In Search of a Mixed Reality Performance the Size of the City”,

panel “Mixed realities: unexpected confluences X

published by Vivo arte.mov magazine, the group explains that their purpose is

established confluences” debates the most recent

to explore ‘the potential behind mixed reality portable technologies to create

unfoldings of the fusion between communication

performances that cruise the city’. In the same article they present the format

and urban space, emphasizing the universe of urban

that will get solid with Can You See Me Now?: ‘participants in the streets will

games, new localization possibilities that go beyond

experience events happening in a parallel virtual world that is connected with

GPS and the course of ‘wearable’ computing. In that

the city and overlays it in many ways. At the same time, online participants that

way, it offers a broad panel on the main recent and

log on to the virtual world through the Internet will experience events taking

future trends in organic and digital technologies

place in the streets’.

that transform big city spaces into a big interface that allows navigation through many levels. These

Another purpose of the group is to explore ‘the city as a culturally impregnated area

result in spaces overlaying but also in the fracture

with great creative potential’, resulting in a project that ‘intends to articulate the

of existing continuities between places that get

space between ordinary realities (like taking the bus or the subway) and fantastic

potentially connected by much more distinct maps

projections (usually derived from cinema and TV) of plots and actions the city is

than territories, extensions and boundary geography

inscribed with by never imagined possibilities’.

could ever dream of. In “Mobile Technologies: Friends or Friendly Enemies?”, Martha Gabriel will discuss Ju Row Farr is one of the invited guests for this

how ‘new communication and interaction technologies have allowed a growing

panel and will be presenting Can You See Me Now?,

intimate integration between mobile devices – like cell phones, smartphones and

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PDAs – and the human being, in a way that these

Lemos believes that ‘spatialization is achieved by the use of technology, sensors

devices are becoming more and more an extension

and mobile digital networks (smartphones, palms, GPS and augmented reality

of the human body and mind’. To her, ‘these devices

devices, RFID and GSM/GPRS chips, Wi-Fi, Bluetooth, radio)’. These devices, in

expand our interaction with the world through many

his opinion, create informational territories.

levels of mixed realities allowing us to also broaden our memory, processing and communication capacities’.

In this context, André Lemos will discuss how the ‘main aspect in locative media

But, the artist ponders, ‘they also bring with them

is using physical space to interact with cyberspace through electronic sensors,

new permeable contexts that are not always clear or

wireless networks, and mobile communication combined with information devices’.

identifiable by their users’.

This process, as pondered by Lemos, ‘creates specific functions in the space that Foucault used to call heterotopies’, and ‘new functions (new heterotopies)

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Martha Gabriel observes that ‘at times, the most

in space produce spatiality’. In PCGs realm, games with pervasive computing,

seductive technologies carry with them many

‘the game experience occurs through tension between electronic and physical

concealed risks, acting much like the famous mermaid

spaces that recreate ancient child’s games (outdoor games) and, by using mobile

chant in the Odyssey’. In her speech she’ll tackle

technologies and digital networks, expand the reach of games, producing new

‘locative capacities of GPS mobile technology and

narratives and new temporary functions in space’.

mobile tags, stimulated by searching activities that allow the creation of many levels of mixed realities’.

André Lemos’ talk presents this spatialization process conducted by PCGs

Her presentation will be followed by a ‘discussion on

through the exposure of locative media territory and spatialization concepts, in

when these technologies are friendly enemies or not,

particular the so-called informational territories. Lemos proposes a typology of

using Locative Painting and Emotion Capture projects

pervasive games and the forms of spatialization they create by analyzing 73 games

as a starting point.

(developed between 2000 and 2008).

André Lemos will discuss pervasive games and spatialization processes that, in his perspective, ‘combine

mobile

technologies

and

‘location-

based’ systems when creating an interface between electronic and digital spaces to play’. His purpose is to ‘show how new mobile technologies produce spatialization, that is, a social production of space’.


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Redimensionamento do espaço público: tecnologias sociais em rede Um dos aspectos mais discutidos conforme as tecnologias de rede tornam-se mais ubíquas é seu potencial de redimensionar o espaço público. Trata-se de um processo que acentua o gradual desaparecimento das fronteiras entre público e privado que ocorre, dos anos 80 em diante, no contexto do surgimento de mecanismos de vigilância destinados ao controle da sociedade civil. De fato, esse fenômeno está inserido em uma “diminuição do papel do espaço público como lugar do confronto simbólico e social e do discurso” que, segundo Mirjam Struppek, tem sido bastante discutido pela sociologia urbana por todo o século 20. Struppeck lembra que “Sennett, Häussermann e Bott,

50

em particular, indicaram como, desde a modernização, a individualização e um crescimento da independência em relação a lugar e tempo parecem ter destruído os ritmos antigos da cidade e, portanto, seus sistemas sociais”. Essa mudança de ritmos tem como característica uma sobreposição de esferas antes claramente demarcadas, em que a volatilidade do trânsito entre público e privado torna-se ainda mais intensa conforme tecnologias intrusivas menores e menos óbvias que as câmeras de vigilância transformam-se em itens do cotidiano. São dispositivos e mecanismos que vão dos chips AIDC às etiquetas RFID, passando por mecanismos de rastrear padrões de navegação para estabelecer o perfil dos usuários da Internet e o uso de informações de GPS para determinar a presença de pessoas em determinados lugares (a cena de um crime, por exemplo). Nesse contexto, a tensão entre tecnologias sociais, abertas, comuns, e tecnologias privadas, fechadas, corporativas, determinam todo um novo campo de possibilidades. Um exemplo é a batalha entre Starbucks e Personal Telco Project citada por Jonah Brucker-Cohen, a partir de post no blog Slashdot, em seu artigo “Wifi-Hog: da Reação à Realização”. A disputa “foi silenciosamente travada na Pioneer Square, praça pública localizada em Portland, cidade mais populosa de Oregon (EUA)”. Brucker-Cohen a considera “uma luta contra a obstrução do acesso público às redes sem-fio, mais especificamente contra o uso de sinais corporativos para derrubar nós que permitiam à comunidade o livre acesso à Internet”.


O próprio Brucker-Cohen indica o foco desse debate: “conforme o espectro

proibidas. Struppeck considera que “neste papel de

superlotado torna-se mais comum nas cidades, o conflito entre os pontos de acesso

espaço para representação, cultura, encontro por

pagos e os gratuitos chegará a um ponto crítico. As empresas terão de fazer valer

meio do mercado, troca e discussão, as áreas urbanas

uma delimitação rigorosa do seu sinal, para que as redes livres não afetem seus

sempre foram um lugar que é tornado vivo por meio de

modelos de negócio, e vice-versa. Projetos como WiFi Hog são lembretes claros

várias interações”. Ela se reporta ao antigo conceito

e críticos de que as redes sem-fio ainda são uma tecnologia jovem que desloca

da ágora grega, em que o espaço público é uma arena

fronteiras arquitetônicas e sociais. Essa distinção é importante para o futuro do

única para rituais de troca e comunicação.

wireless e das comunidades que apóiam seu desenvolvimento”. Abordando o tema das fantasmagorias, vitrines e Mirjam Struppek considera que o “espaço urbano público – entendido como um

infiltrações, Fábio Duarte discute “as formas de

espaço aberto, cívico – é um elemento-chave no desenvolvimento do urbanismo

representação das transformações das espacialidades

europeu”. De fato, a afirmação pode ser ampliada, na medida em que as telas

provocadas pelas inovações tecnológicas ao longo do

urbanas são parte indissociável da paisagem de grandes cidades como Tóquio

século 20”. Para ele, “elas poderiam ser analisadas

e Nova York, assim como eram em São Paulo até o momento em que foram

pelos

termos

‘cidade

infiltrada’,

‘fantasmagorias

urbanas’ e ‘cidade vitrine’”. Duarte observa que, em filmes como Metropolis (Fritz Lang, 1926), Blade MegaPhone, projeto incluído no Festival Media Façades, em Berlim, de que Mirjam Struppek é diretora artística: plataforma para game colaborativo controlado por telefone em tempo real por vários jogadores que usam grandes telas no espaço público como console ampliado. MegaPhone, a project included in Media Façades Festival, in Berlin, which Mirjam Strupeck is artistic director. It’s a platform for collaborative gaming controlled by phone in real time by several players that use big screens in the public space as a larger screen.

Runner (Ridley Scott, 1982) ou Matrix (Andy & Larry Wachowski, 1999), “vemos narrativas e imagens que buscam construir o ainda desconhecido, frente às incertezas da cidade tecnológica. As fantasmagorias urbanas, momentos tecnológicos tão inovadores para a própria tecnologia, o cinema e a cidade, são a única possibilidade de se representar e pensar a cidade contemporânea em mutação, que implica na exploração das próprias tecnologias cinematográficas inaugurais que apresentam esses filmes”. Em sua análise, Duarte conclui que, “na Cidade Vitrine, as próprias representações, as próprias imagens

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da vida urbana em mutação constituem a cidade: são

de Arquitetura de Estocolmo, dessa forma “Llanos propõe uma estratégia

as vitrines iluminadas, os letreiros em néon, os prédios/

que intervém em canais já existentes de comunicação”, na medida em que

fachadas publicitárias”. Essa cidade vitrine, em seu

“a mobilidade do Videoman converte às ruas porque anda em seu palco”, as

entendimento, forma a cidade ao mesmo tempo em que

fachadas, muros e praças, suas telas e os transeuntes em atores instantâneos.

reflete um fenômeno urbano. Ele ressalta que, nesse

Como resultado, a deriva se transforma em crítica instantânea do urbanismo

contexto, também há as infiltrações: “a eletricidade

existente.

não deve ser vista na visualidade explícita dos letreiros,

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mas na alteração dos tempos urbanos que mudaram

Em São Paulo, o tema do redimensionamento do espaço público será combinado

relações socioeconômicas e culturais das cidades. Do

com o da acessibilidade e das tecnologias sociais em rede. Esta sessão será

mesmo modo, pensar a realidade virtual como nichos

composta por Fabio Duarte, Mirjam Strupeck e Regine Debatty. Os debatedores

no mundo concreto seria intelectualmente cômodo,

serão Nacho Duran e Priscila Arantes. Por meio destas três sessões temáticas em

por se criar um mundo ideal não contaminado pela

Belo Horizonte e das duas em São Paulo, além dos três encontros com artistas e

imprevisibilidade real, sendo o desafio justamente

críticos que serão apresentados a seguir, o Simpósio do Vivo arte.mov continua

pensar as alterações recíprocas que infiltrações

com o mapeamento amplo da forma como as tecnologias portáteis influencia

tecnológicas nas cidades”.

diversos espectros da cultura e da sociedade.

Nem todas as iniciativas para pensar o estatuto do audiovisual no espaço público passam pelas esferas mais intricadas dos painéis urbanos e/ou dos canais de televisão. Isso não implica em uma comparação valorativa, se não indica a diversidade desse universo, em que o mexicano Fernando Llanos se insere ao desenvolver performances em que se transforma no Videoman, vestindo um circuito fechado no qual uma câmera de vídeo e um projetor manual o permitem projetar imagens no espaço público. Conforme o texto que apresenta o projeto na exposição On Cities, realizada no Museu


Resizing public space: networked social technologies

public access to wireless networks, more clearly against the use of corporate signs to bring down

One of the most discussed aspects as network technologies get more ubiquitous is

channels that allowed free access to the Internet’.

their potential to resize public space. It’s a process that accentuates the gradual fading of boundaries between public and private that’s been occurring, from the

Brucker-Cohen himself points to the focus of this

80s on, in the context of the advent of surveillance mechanisms intended to

debate: ‘as the overcrowded spectrum becomes a

control civil society. In fact, this phenomenon is part of a ‘reduction in the role

usual thing in the cities, the conflict between paid

of public space as a place for symbolic and social confrontation and speech’,

and free access points will get to a critical state.

which according to Mirjam Strupeck, has been very discussed by urban sociology

Companies will have to draw rigorous limits for their

all over the 20th century. Strupeck reminds that ‘Sennett, Häussermann and

sign range to keep free networks from affecting their

Bott, in particular, have pointed out how, since the modern era, individualization

business and vice versa. Projects like WiFi Hog are

and a growth in independence of place and time seem to have destroyed ancient

clear and critic reminders that wireless networks

city rhythms and consequently its social systems’.

technology is still young but capable of moving social and architectural boundaries. This distinction

One of the aspects in this change of pace is the overlaying of spheres that were

is important for the future of wireless and also the

once clearly defined, where the volatility of the transit between public and

communities that support its development’.

private becomes even more intense as smaller and intrusive technologies less obvious than surveillance cameras become everyday items. They are devices and

Mirjam Struppek thinks that ‘public urban space –

mechanisms ranging from AIDC chips to RFID tags, including navigational habits

thought of as an open civic space – is a key element

tracking systems used to build Internet users’ profiles and the use of GPS info to

to the development of European urbanism’. In

determine the presence of people in certain places (a crime scene, for instance).

fact, this can be amplified. Urban screens can’t be dissociated from big cities like Tokyo and New York

In this context, the tension between social, open and trivial technologies opposed

landscapes, which was also the case in São Paulo

to private, restricted and corporate ones defines the range of possibilities. An

until they got banned. Strupeck considers that

example is the battle between Starbucks and the Personal Telco Project initiated

‘in this role of providing space for representation,

by a post in Slashdot blog, as mentioned by Jonah Brucker-Cohen in his article

culture,

“WiFi-Hog: from Reaction to Realization”. The dispute ‘happened silently at

and discussion, urban spaces have always been a

Pioneer Square, a public square located in Portland, one of Oregon’s most

place kept alive thanks to many interactions’. She

densely populated city. Brucker-Cohen considers it ‘a fight against restricted

mentions the ancient Greek concept of ágora, in

market

facilitated

meeting,

exchange

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which public space is a unique arena for exchange

same time reflecting an urban phenomenon. He highlights that, in this context,

and communication rituals.

there are also infiltrations: ‘electricity shouldn’t be perceived in signs explicit visual, but in the alterations of urban times that have changed socio-economic

Tackling the subject from the phantasmagorias,

and cultural relations in the cities. In the same way, thinking about virtual reality

display

perspective,

as niches in the concrete world would be intellectually comfortable because

Fábio Duarte discusses ‘the representation forms

an ideal world non-contaminated by real unforeseeability would be created,

of spatiality transformations provoked by the 20th

the challenge being exactly to think reciprocate alterations in the technological

century technological transformations’. To him,

infiltration in the cities’.

windows

and

infiltrations

‘they could be analyzed by the terms ‘infiltrated

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city’, ‘urban phantasmagorias’ and ‘display window

Not all initiatives directed to thinking audiovisual statute in the public space go

city’. Duarte observes that, in movies like Metropolis

through the most intricate urban panels and or television channels spheres. That

(Fritz Lang, 1926), Blade Runner (Ridley Scott,

does not imply in a valor-driven comparison, but indicates the diversity in this

1982) or Matrix (Andy & Larry Wachowski, 1999),

universe, in which Mexican Fernando Llanos inserts himself when developing

‘we see narratives and images that seek to build

performances where he turns himself into Videoman, wearing a closed camera

the yet unknown, facing the uncertainties of the

system where a video camera and a manual projector allow him to project images

technological city. Urban phantasmagorias, such

in the public space. According to the text that presents the project at the On

innovative technological moments for technology

Cities exhibit, that took place in Stockholm’s Architecture Museum, in that

itself, cinema and the city, are the only possible way

way ‘Llanos proposes a strategy that intervenes in pre-existing communication

to represent and think the mutating contemporary

channels’, as ‘Videoman’s mobility reminds the streets because it walks in its

city, which implies the exploration of the very

stage’, the facades, walls and squares, its screens and passer-bys are turned into

inauguratory cinematographic technologies that

instant actors. As a result, the deviation gets transformed into an instant critic to

these movies present.’

the existing urbanism.

In his analysis, Duarte concludes that, ‘in the Display Window City, representation itself and the very images of the mutating urban life form the city: the illuminated display windows, neon signs, facades and buildings covered with ads’. This display window city, according to him, forms the city, at the


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Mídias móveis e arte: perspectivas e críticas das mídias móveis no Brasil A mesa Mídias Móveis e Arte tem por objetivo de refletir sobre um histórico de discussões, pesquisa, exibição e fomento de trabalhos em mídias portáteis, em que realizadores importantes e jovens artistas indicam de forma contínua as principais tendências do audiovisual no âmbito da cultura da mobilidade. Realizada no auditório do MuBE, em parceria entre o Vivo arte.mov e o Prêmio Sergio Motta de

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Arte e Tecnologia, reúne Fernando Velazques (que recebeu o 1º Prêmio de Arte Locativa oferecido pelo evento) e outros artistas com atuação destacada na área, como Cícero Inácio, Martha Gabriel e Raquel Kogan. Além de apresentar seus projetos, eles vão discutir as principais perspectivas e compartilhar suas críticas aos rumos da arte em mídias móveis no Brasil. Fabrício Muriana e Nacho Duran serão debatedores desta mesa. Dessa forma, os encontros nas duas cidades fomentam o debate sobre as relações entre a cultura distribuída típica das redes móveis, em seu estímulo ao desenvolvimento de um espaço compartilhado que se desdobra entre as promessas de um novo

Ponte, de Lea Van Steen e Raquel Kogan: vídeos refletidos sobre a cidade constróem um ambiente que sobrepõe situações cotidianas entre o trivial e o inusitado ao espaço urbano e à arquitetura de São Paulo.

lugar público compartilhado em rede, e os avanços dos formatos corporativos de armazenamento/rastreamento de conteúdo. Nessa tensão, é possível lembrar o debate proposto por Trebor Scholz em “What the MySpace generation should know about working for free”: hoje em dia, as práticas de publicação e troca de conteúdo em rede oscilam entre a colaboração efetiva e o trabalho não-remunerado.

Bridge, by Lea Van Steen and Raquel Kogan: videos reflected on the city build an environment that overlaps daily situations between the ordinary and the unusual to São Paulo’s urban space and architecture


Mobile media and art: perspectives and mobile media critics in Brazil The roundtable Mobile Media and Art aims to portrait a history of debates, research, exhibition and comissioning of works created with portable media, with the presence of well-know as well as young artists that will discuss the main trends of audiovisual in the mobility culture realm. Taking place at the MuBE auditorium, in a partnership of Vivo arte.mov Symposium and the Sergio Motta Art and Technology award, it will reunite Fernando Velázquez (who won the 1st Locative Art Award offered by the Festival) and other artists with acknowledged producion on the field, like Cícero Inácio, Martha Gabriel and Raquel Kogan. Besides presenting their works, they will discuss the main perspectives and share their critics towards the paths of art in mobile medias in Brazil. Fabrício Muriana and Nacho Duran will be debaters on this panel. Thus, the meetings in both cities stimulate the debate about relationships between the distributed culture typical of mobile networks, and how it motivates the development of shared places that unfolds into promising new, networked shared, public spaces, as well as the advances of corporate procedures of sharing/ tracing contents. In this tension, it’s possible to remember the debate proposed by Trebor Scholz in “What the MySpace generation should know about working for free”: nowadays, the publication and content sharing in the network practices sway between effective collaboration and non-paid work.

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Encontro com Trebor Scholz / Encontro com Gabe Sawhney Realizados no formato de clínicas em que os participantes apresentam seus trabalhos para leitura por parte de artistas/curadores reconhecidos no circuito da arte e da cultura digital, os encontros com Trebor Scholz e Gabe Sawhney vão oferecer ao público de Belo Horizonte e aos realizadores presentes no Vivo arte.mov a oportunidade de apresentar para nomes de peso na cena internacional seus projetos na área de mobilidade, portabilidade, audiovisual, cultura de rede e urbanismo. Os dois atuam de maneira programaticamente compartilhada. Um exemplo é o Institute for Distributed Creativity, rede internacional que combina produção, pesquisa,

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eventos e documentação, cujo eixo principal é a lista de discussão fundada em 2004, moderada por Scholz. Outro exemplo é Wireless Toronto, organização sem fins lucrativos que se dedica a oferecer acesso a Internet sem-fio em Toronto.

Meeting with Trebor Scholz / Meeting with gabe sawhney Presented in the format of clinics where participants share their work for discussion with artists and curators acknowledged for their projects with digital devices, the meetings with Trebor Scholz and Gabe Sawhney will offer the Belo Horizonte audience and Vivo arte.mov participants the opportunity of presenting their projects in mobility, portability, audiovisual, network culture and urbanism

O Institute for Distributed Creativity (distributedcreativity.org), fundado por Trebor Scholz em 2004, é uma rede internacional que combina produção, pesquisa, eventos e documentação, cujo eixo principal é a lista de discussão, que se consolidou com uma das mais ativas da Internet. Institute for Distributed Creativity (distributedcreativity.org/), founded by Trebor Scholz in 2004, is an international network that mixes production, research, events and documentation. Its main axis is the discussion list that has become one of the most actives in Internet

to an internationally renowned names. Both are well-know for their systematic collaborative work. One example is the Institute for Distributed Creativity (http://

2004 and moderated by Scholz. Another example is

distributedcreativity.org), an international network that combines production,

Wirelles Toronto, a non-profit organization that offers

research, events and documentation. Its main axis is a newsgroup established in

free wireless internet access in the city of Toronto.


Workshop Fernando Velázquez e Julia Cárboneras Descontínua Paisagem produz paisagens imaginárias que questionam a relação mecânica entre coordenadas geográficas e lugares específicos

O Workshop com Fernando Velázquez e Julia Cárboneras propõe a engenharia reversa do projeto “Descontínua Paisagem”, com que foram premiados nesta edição do Vivo arte.mov. Durante uma manhã, ambos vão apresentar para o público presente os bastidores de seu trabalho, discutindo como ele foi produzido e compartilhando aspectos técnicos e estéticos relevantes para o entendimento dos processos de interação em que os participantes enviam coordenadas geográficas por meio de SMS para um sistema que desconstrói as imagens publicadas no site confluence.org. Fernando Velázquez and Julia Cárboneras workshop proposes the reverse engineering of the project “Discontinuous Landscape”, with which they were awarded in this edition of Vivo arte.mov. During one morning, both of them will present to the public the making of their work, discussing how it has been produced and sharing technical and aesthetic aspects which are important to understand the interaction processes in which people send geographic coordinates, by SMS, to a system that deconstruct the images published in the website confluence.org.

Descontínua paisagem produces imaginary landscapes that question the mechanic relationship between geographic coordinates and specific places. Fotos: Henan, China/coordenadas 36ºN 116ºE visitadas por StephanAngsüsser, Xu Wang-Angsüsser e Chuan Lu Wang.

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Encontro Blast Theory “Uma característica crucial dos projetos do Blast Theory é a habilidade de estender a influência sobre o usuário e a audiência para fora do jogo – em vez de delimitar nossa consciência ao estereotipado e virtual, o desenvolvimento do jogo nos força a entender aspectos de nós mesmos, de nossa comunidade e de responsabilidade social. Isso é parcialmente alcançado pela proposta visceral do jogo – em CYSMN? os jogadores e o jogo geram, eles mesmos, efeitos de perseguidores e perseguidos... Foi encorajador ver o Blast Theory ser premiado com o Prix Ars Electronica Golden Nica, que no passado enalteceu alguns projetos comerciais e apolíticos.” RealTime magazine, Dez.03/Jan.04 “A crucial feature of Blast Theory projects is the ability to extend user and audience affect outside the game – rather than delimiting our consciousness to the stereotypical and virtual, the gameplay pushes us to understand aspects of ourselves, our communities and social responsibility. This is partially achieved by the very visceral gameplay – in CYSMN? the players and gameplay self-generate affects of pursuers and pursued. ... It was encouraging to see Blast Theory awarded the Prix Ars Electronica Golden Nica, which has in the past lauded some commercial, apolitical projects.” RealTime magazine, Dec03/Jan04

60 Apesar de ter desenvolvido Can You See Me Know? em algumas cidades ao

Ele considera que a experiência tende a acrescentar

redor do mundo, como Sheffield, Roterdã, Tóquio e Barcelona, a experiência

uma nova dimensão às experiências em realidade

de recriar, em Belo Horizonte, este que é um dos jogos de realidade mista

mista, resultante de uma entropia que faz a atenção

mais conhecidos, será singular. Em depoimento gravado na edição de 2007

ficar mais dividida entre tela e cidade. O resultado

do Festival, durante expedição realizada para pesquisar lugares para o possível

é um mergulho mais orgânico na experiência de

desenvolvimento do jogo, Ju Row Farr declarou que considera o Brasil um

navegar do espaço físico ao virtual, e vice-versa – na

país bastante particular, em que a energia das pessoas a faz acreditar que a

medida em que a concentração imersa na pequena

experiência local com CYSMN? será única.

tela que desliga seu usuário do entorno, torna-se menos constante.

Outro aspecto a se levar em consideração, conforme Lucas Bambozzi, um dos curadores do Vivo arte.mov, é o fato de que o bairro de Santa Tereza tem aspectos

O relato dessa experiência será compartilhado no

urbanísticos e populacionais bastante diferentes dos normalmente experimentados

encontro com o Blast Theory, que também vai analisar

nas montagens anteriores do jogo. Para Bambozzi, o bairro de Belo Horizonte é

trabalhos de realizadores locais e comentá-los. Nessa

menos asséptico e oferece maior margem de interferência dos transeuntes no jogo.

conversa, o grupo vai explicar seu projeto de “novas


Blast Theory Meeting

Augurscópio: interface portátil de realidade aumentada que combina GPS e laptop, feita para uso por grupos pequenos em lugares abertos (interiores ou exteriores) em que tornase possível ver mundos paralelos virtuais Augurscope: portable interface of augmented reality that blends GPS and laptop, made to be used by small groups in open places (interior or exterior). With it, it’s possible to see parallel virtual worlds as ones walks

Can You See Me Now? was developed in several cities around the world, like Sheffield, Rotterdam, Tokyo and Barcelona. The experience of recreating one of the most well known mixed reality games in Belo Horizonte will be unique. In an interview recorded at the festival’s 2007 edition during the expedition that researched possible places for the game development, Ju Row Farr declared that he considered Brazil to be a very particular country and that people’s energy lead her to believe that local experience with CYSMN?

interfaces móveis de realidade mista que sejam capazes de servir de suporte para interações ricas e dinâmicas entre os mundos físico e virtual, tanto em ambientes internos quanto em ambientes externos, na escala física da cidade”, orientado pelas seguintes questões: • de que forma a emergência de tecnologias móveis de realidade mista combinadas com mudanças nos modos de percepção cultural criam oportunidades para novas formas culturais? • de que forma a cidade é inscrita por narrativas ficcionais, particularmente filmes, e como isso pode ser usado para desenvolver experiências interativas ao redor da cidade? • como as experiências de realidade mista móvel podem ser estruturadas e que tecnologias devem ser desenvolvidas para dar suporte a este processo? • q ue papel os artistas podem ter no desenvolvimento das tecnologias móveis emergentes?

would be unique. Another aspect to be taken into consideration, according to Lucas Bambozzi, one of Vivo arte.mov’s curator, is the fact that the Santa Tereza neighborhood has urbanistic and populational aspects that are very distinct from what has normally been experienced with previous versions of the game. To Bambozzi, this Belo Horizonte neighborhood is less asceptic and offers room for more passer-by interference with the game. Bambozzi believes the experience will probably add a new dimension to mixed realities experiences, resulting in an entropy that makes attention to get more divided between the screen and the city. The result is a more organic dive in the experience of navigating from physical to virtual space and vice

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versa – as concentration in the small screen that keeps the user unaware of his surroundings gets less constant. This experience account will be shared in a meeting with Blast Theory that will also analyze local producers works and comment on them. During this talk, the group will explain their project dealing with ‘new mobile interfaces of mixed reality that are capable of serving as support for rich and dynamic interactions between physical and virtual worlds both indoors and outdoors in the city’s physical scale’, guided by the following questions: • In which way emerging mobile technologies of mixed reality combined with changes in cultural perception manners creates opportunity for new cultural forms? • In which way the city gets inscribed by fictional narratives, specially in movies, and how that can be used to develop interactive experiences around the city?

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• How mobile experiences with mixed reality can be structured and which technologies can be developed to support this process? • What role can artists have in the development of emerging mobile technologies?


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GRADE DE PROGRAMAÇÃO BELO HORIZONTE 22/11

23/11

24/11

25/11

Tecno-determinismo e acessibilidade, estratégias de difusão em redes e acesso à informação

ENCONTRO COM trebor scholz

ENCONTRO COM BLAST THEORY

Trebor Scholz Meeting

BLAST THEORY Meeting

Realidades mistas: convergências esperadas x convergências implantadas

Redimensionamento do espaço público: tecnologias sociais em rede

Workshop com Fernando Velázquez e Julià Carboneras “Descontinua Paisagem”, engenharia reversa.

Mixed realities: unexpected confluences X established confluences

Resizing public space: networked social technologies

PALESTRANTES / Lecturers: André Lemos (BA-Brazil) Ju Row Far (Blast Theory - UK) Laura Beloff (Finlândia/Finland) Martha Gabriel (SP - Brasil)

PALESTRANTES / Lecturers: Fabio Duarte (Curitiba) Fernando Llanos (México) Mirjam Struppek (Berlim)

Techno-determinism and accessibility, strategies in network diffusion and information access

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PALESTRANTES / Lecturers: Jonah Brucker-Cohen (USA) Regine Debatty (Bélgica) Trebor Scholz (EUA) mediador / Mediator: Lucas Bambozzi

mediador / Mediator: Marcus Bastos

mediador / Mediator: Rodrigo Minelli

Workshop with Fernando Velázquez and Julià Carboneras “Discontinuous Landscape”, reverse engineering. Encontro com Gabe Sawhney Comunidades em rede abertas: Murmur, Wireless Toronto e outras experiências. Meeting with Gabe Sawhney Open Networked Communities: Murmur, Wireless Toronto and other experiences.


SIMPÓSIO INTERNACIONAL ARTE.MOV SÃO PAULO 27/11

28/11

Workshop Blast Theory

Mídias Móveis e Arte: perspectivas e críticas das mídias móveis no Brasil

Realidades mistas: convergências esperadas x convergências implantadas Mixed realities: unexpected confluences X established confluences

Mobile Media and Art: perspective and critics of mobile media in Brazil PALESTRANTES / Lecturers: Cícero Inácio (SP) / Fernando Velasquez (SP) Martha Carrer Cruz Gabriel (SP) / Raquel Kogan (SP) Mediador/MEDIATOR: Marcus Bastos Debatedores: Fabrício Muriana e Nacho Duran

Mídias Móveis: Circuito, Fomento e Difusão

PALESTRANTES / Lecturers: Fernando Llanos (México/Mexico) Laura Beloff (Finlândia/Finland) Nick Tandavanitj (Blast Theory, UK)

PALESTRANTES / Lecturers: Giselle Beiguelman / Lucas Bambozzi / Mario Ramiro

Mediador/MEDIATOR: Lucas Bambozzi

Redimensionamento do espaço público e acessibilidade: tecnologias sociais em rede

Debatedores/ DEBATERS: Andrei Thomaz Claudio Bueno

Mobile Media: circuit, fomenting and diffusion Mediador/MEDIATOR: Marcos Boffa

Resizing the pubic space and accessibility: networked social technologies PALESTRANTES / Lecturers: Fabio Duarte (Curitiba) / Mirjam Struppek (Berlim) / Regine Debatty (Bélgica) Mediador/MEDIATOR: Rodrigo Minelli Debatedores/ DEBATERS: Mario Ramiro e Priscila Arantes

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A exposição realizada anualmente durante o Vivo arte.mov divide-se em duas vertentes: a das artes locativas e a do audiovisual criado no contexto da cultura da mobilidade. Ambas as mostras oferecem ao público um panorama das principais tendências nas duas áreas, assim como recuperam trabalhos um pouco mais antigos com objetivo de construir um contexto mais amplo, de teor informativo e construção de repertório. Sob os títulos O Lugar da Arte em Deslocamento e Para além da tela pequena 3, reúnem trabalhos de realizadores brasileiros e estrangeiros, em sua maioria nunca vistos em Belo Horizonte e São Paulo, cidades em que serão expostos. Além disso, o Vivo arte.mov apresenta trabalhos inéditos em ambas as vertentes, com destaque para o projeto desenvolvido com o 1º Prêmio de Artes Locativas, criado pelo Festival como forma de sistematizar o fomento à produção local que acontece desde sua primeira edição, em que artistas como Bruno Viana, Éder Santos e Giselle Beiguelman mostraram trabalhos inéditos, em processo ou novas versões de projetos apenas parcialmente levados a público em outras oportunidades. The exhibition presented yearly during Vivo arte.mov is divided in two focuses: locative arts and audiovisual created on the context of a mobility culture. Both showcases offer the public a panorama of the main tendencies on both areas, as well as pick up older works aiming to build a wider informational context and construal of repertory. Under the titles The Place of Art in Dislocation and Beyond the Small Screen 3, they gather works of brazilian and international artists, mostly never seen in Belo Horizonte and São Paulo, cities in which they will be exhibited. Also, Vivo arte.mov presents new projects on both focuses, highlighting the work developed with the 1st Locative Arts Award created by the Festival as a way to offer a systematic comissioning of the local production, that happens since the first edition of the festival, in which artists such as Bruno Viana, Éder Santos and Giselle Beiguelman showed previously unexhibited works, processual material or new versions of projects only partially shown on public.

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O lugar da Arte em Deslocamento 68 Os trabalhos reunidos na exposição O Lugar da Arte em Deslocamento exploram as possibilidades das mídias portáteis de diversas formas, transformando a galeria em espaço de fluxos. São imagens e sons que circulam nos mais diversos lugares físicos, virtuais ou de realidade mista. Há uma ênfase em trabalhos que exploram diversas formas de fluxo e trânsito, resultando tanto na construção de pequenas redes que ironizam ou questionam os protocolos da transmissão compartilhada quanto engendrando novas possibilidades de fruição audiovisual pelo uso de formas automáticas ou participativas de edição, em que os dados geográficos são um elemento de composição da imagem ou o celular é um instrumento que permite a atuação do interator no montagem de som e imagem em movimento. Um aspectos que aproxima estes trabalhos é o fato de todos estimularem um debate sobre o lugar da arte na cultura da mobilidade. A afirmação de que a arte não está mais no mesmo lugar tem sentido duplo, na medida em que chama atenção tanto para a mudança contínua típica do universo de experimentação com linguagem quanto para a importância que as formas de deslocamento assumem na produção contemporânea, numa época em que o conceito de espaço ganha novo estatuto conforme aparelhos GPS ou sistemas de localização geográfica embutidos em telefones celulares complementam um cenário em que os mapas e globos online oferecem recursos de pesquisa e publicação que estimulam novas formas de relacionamento com a cartografia.


Neste contexto, a seleção apresentada na terceira

The Place of Art in dislocation

edição do Vivo Arte.Mov procura estabelecer elos entre os diversos lugares da arte, aproximando a galeria do

The works exhibited in The Place of Art in Dislocation explore the possibilities offered

espaço público e refletindo a proximidade (guardadas

by portable media in many ways, converting the gallery into a space of fluxes. There

as diferenças) entre as mídias locativas e os trabalhos

are images and sounds flowing through different mixed reality, physical and virtual

site-specific. Depois de um primeiro momento em que

spaces building affective geographies and dislocation memories. Works exploring

a cultura de rede foi Web-specific, o lugar retomou

traffic and flux forms are emphasized, resulting in the construction of small networks

certa importância nas formas de conexão, na medida

that either ironize or question shared transmission protocols, but also produce new

em que as redes se tornaram móveis e, desta forma,

possibilities for audiovisual fruition making use of automatic or participative edition

os tipos de acesso voltaram a depender do contexto, já

forms in which geographic data are part of image compositing or a cell phone is the

que o escritório atolado de cabos tornou-se coisa senão

tool that allows the interactor to engage in the editing of moving images and sound.

obsoleta, ao menos opcional. One of the aspects present in these works is the questioning of the place of art in Curiosamente o título do trabalho que venceu o 1º

mobility culture. Stating that art is no longer in its place carries a double meaning,

Prêmio de Artes Locativas, criado pelo Vivo arte.mov

as it draws attention not only to the continuous change that is typical of language

para fomentar a produção brasileira na área, remete

experimentation, but also to the importance of dislocation forms in contemporary

justamente à descontinuidade da paisagem que as

production, in a time when the concept of space gets new exposure, as GPS

novas formas de rede estimulam — em procedimento

devices or geographic information systems, present in cell phones, integrate a

que modifica e desloca a descontinuidade temporal

scenery where online maps offer the necessary means for research and publication,

considerada por McLuhan um dos resultados do

stimulating news forms of cartography.

surgimento de transportes velozes para os padrões da época. O teórico canadense defende a idéia de que a

In this context, the selection of works offered by Vivo arte.mov in its third edition

visão fragmentada em quadros como os do cubismo,

seeks to establish links between the many places of art, narrowing the distance

por exemplo, é a mesma visão em fragmentos que o

between the gallery and the public space and reflecting the close relationship

passageiro vê pela janela quando viaja de trem. Do

– but for undeniable differences – between locative medias and site-specific

tempo ao espaço, ou nas fraturas de um, de outro ou de

works. Following a first moment where networked culture was Web-specific, place

ambos, os trabalhos de O Lugar da Arte em Deslocamento

regained its importance as a means of connecting, since networks became mobile

espelham este universo em que as redes sobrepõem-se

and access to information is once again determined by spatial context, and offices

de forma cada vez mais intensa ao espaço urbano.

full of wires are, if not obsolete, at least optional.

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Curiously enough, the title of the piece that won the Locative Arts First Awards – created by Vivo arte.mov to stimulate Brazilian production in this segment –

Jonah Brucker-Cohen

refers exactly to the scenery discontinuation that new networking forms provide. It’s a process that modifies and dislodges time discontinuation, considered by McLuhan one of the results of the uprising of faster means of transportation at the beginning of the century. The Canadian theorist defends the idea that the frame fragmented view, like that present in Cubism for example, is the same fragmented view that a passenger gets when looking through the window of a moving train. From time to space or in fractures of one, another or both, the works presented

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by Moving Art and Its Place reflect this universe in which networks get more and more intertwined with urban space. A aproximação entre dados que circulam em sistemas informacionais e situações concretas no mundo físico também está presente em !Alerting Infrastructure!, projeto de 2003 em que um contador web alimenta uma furadeira pendurada diante de uma parede. Quanto mais visitantes no site, mais a furadeira danifica a estrutura em que o trabalho está “exposto”, num exercício do que poderia ser entendido como alvenaria reversa. Para Brucker-Cohen, tratase de metáfora de como “os espaços físicos estão lentamente perdendo terreno para suas contrapartidas virtuais”. A relação acontece em via de mão-dupla. No site que aciona a furadeira, o visitante é informado das estatísticas do processo: “sua visita contribuiu para (tal porcentagem) da destruição física do prédio (de tal instituição)”.


!Alerting Infrastructure! chama a atenção para a

urbanos. Inquisitive Devices procura ativamente por sinais de Bluetooth em vários

ausência de contato entre os visitantes do site de

pontos de intersecção e cria sons audíveis baseados nos nomes anunciados dos

uma instituição e seus visitantes físicos: o projeto

aparelhos detectados, usando sínteses de discurso e técnicas de filtragem de

conecta ambos de forma sarcástica, ao mesmo

áudio em tempo real. Esses sons são repetidos em padrões espaciais em um

tempo em que permite que as pessoas em ambos

conjunto de caixas acústicas em rede espalhadas em um local físico, com base

os espaços se relacionem a partir dos rastros que

na movimentação dos visitantes que é deduzida a partir da detecção de seus

deixam em um e outro.

nomes nos aparelhos. O projeto tenta começar uma conversa entre as pessoas e os aparelhos que carregam diariamente consigo, os quais simultaneamente transmitem sinais em espaços públicos. Enquanto uma quantidade cada vez maior de aparelhos digitais permeia os ambientes que habitamos diariamente, há uma percepção de que a presença se torna ubíqua, invisível, e eventualmente se mistura e faz desaparecer nossa existência diária. Inquisitive Devices tenta desafiar essa noção de invisibilidade ao criar um diálogo entre pessoas e seus aparelhos pessoais nesses espaços públicos, como um desafio à Era Digital, em que plataformas de comunicação em rede e meios de

Inquisitive Devices: rede que funciona em espaço fechado, mas serve como metáfora da ligação entre espaços conectados por redes sem-fio Inquisitive Devices: closed space network that functions as a metaphor of places connected through wireless networks.

comunicação estão se tornando mais e mais amigáveis de se usar e permitem inúmeros tipos de interação, comandos de voz e troca de imagens, sons e texto, de forma sincronizada e não-sincronizada. Mensagens podem ser enviadas, vozes podem ser ouvidas, e eventos podem ser realizados com organização e clareza que nunca antes existiu. Em particular, listas de e-mail têm se tornado meios importantes de manter laços entre os grupos, trocando importantes informações entre pares e colaboradores e forjando uma sensação de comunidade que

Inquisitive Devices é uma instalação de som em

transcende todos os limites nacionais e culturais.

rede que examina a transição da transmissão pública para a pessoal, e o uso atual do espectro do rádio

Os alto-falantes e computadores foram colocados em três pequenas gaiolas que

pela proliferação do bluetooth, incluído em aparelhos

poderiam ser facilmente integradas a jardins ou outros espaços urbanos. Os alto-

de comunicação carregados por pedestres em centros

falantes foram usados para puxar conversa com pedestres, usando os nomes dos

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visitantes dos aparelhos anunciados enquanto as

atualizações e à eficiência aperfeiçoada de softwares e hardware. A atual

pessoas se movem pelos “nós” Bluetooth.

tendência em Computação Ubíqua é prever um mundo em que computadores são infinitamente poderosos, atentos aos contextos, extremamente baratos, invisíveis

Isso cria um ambiente de boas-vindas para as

e disponíveis em toda parte.

pessoas e também forma um som ambiente coletivo que depende da quantidade de pessoas (e aparelhos)

Essa abordagem valoriza a otimização e a performance, e freqüentemente

que entram no espaço. O projeto tentou destacar a

desconsidera a evolução da forma como as pessoas usavam e percebiam os

crescente e predominante quantidade de aparelhos

computadores e a conectividade em seus primórdios. Forward Compatible é

móveis que carregamos conosco diariamente, e

uma reação ao aperfeiçoamento da informática ao dar uma memória audível do

converter as transmissões privadas dos nomes nos

passado na forma de um sinal de conexão de modem sempre que dados passam

aparelhos a uma transmissão pública, em um trabalho

pela Local Area Network (LAN). É uma tentativa de conscientizar os usuários da

artístico e sonoro interativo.

rede sobre como os dados que eles enviam podem ter existido em um passado não muito distante.

Forward Compatible (FC) é um objeto parasita

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criado para ser anexado a um roteador Wi-Fi ou de

O projeto é construído a partir de um simples circuito de gravação de áudio

rede local. O aparelho monitora o tráfego da rede e

controlado por um foto-transistor. O transistor detecta luzes de LED que piscam

quando pacotes de arquivos são enviados, eles são

indicando o tráfego de dados no exterior do roteador. Esse método simples de

convertidos em áudio, simulando um modem de

detecção permite que o aparelho seja parasitário e funcione em qualquer roteador

2400 baud discando e conectando. O som é tocado

de sistema Wi-Fi ou local.

por meio dos alto-falantes embutidos no aparelho. O foco do projeto é informar historicamente o modo que pensamos sobre conectividade em rede em espaços públicos, rompendo a suposta serenidade da tecnologia moderna com um lembrete do passado. Grande parte das pessoas acredita que tecnologias mais antigas são inferiores. Meios de comunicação de massa e publicidade estimulam uma tecnocultura que aspira aos últimos aparelhos, às mais novas

Forward Compatible: um transistor detecta o tráfego numa rede sem-fio, e dispara o som discrepante de um computador tentando estabelecer acesso discado à Internet Forward Compatible: a transistor detects wireless network traffic, and starts an incongruent sound of a computer trying to estabilish a dial-up connection


Approximating informational systems and real

actively searches several points of neighborhood intersection for Bluetooth signals

situations in the physical world is one of the

and creates audible sounds based on the advertised names of detected Bluetooth

main features of !Alerting Infrastructure!, a 2003

devices, using speech synthesis and real-time audio filtering techniques. These

project in which a web counter feeds an electric

sounds are replayed in spatial patterns over a networked speaker array spread out

drill hanging by a wall. The amount of visitors is

throughout the physical location, based on the movements of visitors inferred from

dictates how much the wall will get damaged by the

the detection of their device’s names. The project attempts to begin a conversation

electric drill, in what can be understood as a kind

between people and the devices they carry with them daily that simultaneously

of reverse construction. More visitors, more damage.

transmit signals in public space.

For Brucker-Cohen that stands as a metaphor to how ‘physical spaces are slowly losing ground to its

As an increased amount of digital devices permeate the environments we inhabit

virtual representatives’. This relationship is a two-

daily, there is a sense that their presence becomes ubiquitous, invisible, and

way lane. At the web site that triggers the electric

eventually blends and vanish our everyday existence. “Inquisitive Devices”

drill, the visitor is informed of the process stats –

attempts to challenge this notion of invisibility by creating a dialog between

‘your visit contributed to (a certain percentage) of

people in these public spaces and their personal devices as a challenge to In the

(such) building’s physical destruction’.

digital age, networked communication platforms and mediums are becoming more and more user friendly and allow for multitudes of types of interaction, voices, and

!Alerting Infrastructure! draws attention to the lack

exchanges of images, sounds, and text, both synchronously and asynchronously.

of contact between people who visit the website of

Messages can be sent, voices can be heard, and events can be realized with

an institution and its physical visitors. The project

organization and clarity that never before existed. In particular, emailing lists have

connects them in a sarcastic way at the same time

become important means of maintaining ties within groups, relaying important

allowing people in both spaces to relate through the

information among peers or collaborators, and forging a sense of community that

impressions they leave on one another.

transcends all national and cultural boundaries.

“Inquisitive Devices” is a networked sound installation

The speakers and computers were placed in 3 small birdhouses that could be

that examines the transition from public to personal

easily integrated into gardens or other urban spaces. The speakers were used to

broadcasting, and the present day usage of the radio

invoke conversations with pedestrians using the advertised device names of visitors

spectrum through the proliferation of ‘Bluetooth’

to the space as they move around the Bluetooth nodes. This provided an ambient

enabled personal communication devices carried by

form of welcoming greeting to people in the space and also forms a collective

pedestrians in urban centers. “Inquisitive Devices”

sound environment based on the amount of people (and their devices) entering

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the space. The project attempted to highlight the

and connectivity from its beginnings. Forward Compatible is a reaction to the

increasingly prevalent amount of mobile devices we

streamlining of computer technology by imparting an audible memory of the past

carry with us daily, and convert the private broadcasts

in the form of a modem connection signal whenever data passes on the Local Area

of device names into a publicly broadcast, interactive

Network (LAN). This is an attempt to bring awareness to users of the network how

sound-artwork.

the data they are sending might have existed in the not-too-distant past.

Forward Compatible (FC) is a parasitic object meant

The project is built from a simple audio recording circuit controlled by a photo-

to be attached to a Wi-Fi or fixed network router. The

transistor. The transistor detects light from LEDs that blink from data traffic on

device monitors network traffic and when packets are

the outside of the router. This simple detection method allows the device to be

sent, they are converted to audio, in the form of a

parasitic and be deployed on any WiFi or fixed router system.

2400 baud modem dialing up and connecting, and played through the device’s on-board speakers. The focus of the project is to historically inform the way we think about network connectivity in public spaces

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by disrupting the supposed serenity of modern

Laura Bellof

technology with a reminder of the past. The Head (escultura vestível) é uma peça que aborda a prática da arte de uma Most people believe that older technologies are

forma processual, participatória e móvel. A obra trabalha com uma visão de

inferior. Mass media and advertising hypes a techno

sociedade contemporânea, móvel e tecnológica. É construída como um objeto

culture that is striving towards the latest gadgets,

“vestível” que pode ser adotado pelas pessoas.

newest upgrades, and streamlined software and hardware efficiency. The current trend in Ubiquitous

Uma das muitas características da escultura The Head é que está disponível

Computing is to envision a world where computers

livremente para uso pelo público. A pessoa que usa essa escultura vestível se torna

are infinitely powerful, context-aware, extremely

responsável por ela. O objeto se torna uma segunda cabeça e deve seguir seu “pai/

cheap, invisible, and deployed everywhere.

mãe adotivo” para todo lugar que ele/ela possam ir. The Head está conectada à Internet por um telefone celular, acoplado de tal forma que a câmera do telefone

This approach places value on optimization and

funciona como um olho tecnológico da cabeça-escultura. Um microfone está

performance and often disregards the evolution

acoplado ao ouvido. O público em geral pode acessar The Head enviando uma

of how people used and perceived computers

mensagem de texto (SMS).


Quando The Head recebe a mensagem SMS,

pode ser pensado como o cérebro da escultura-cabeça, em que há o acréscimo

responde simultaneamente com a captura de uma

contínuo de lembranças. No site, é possível ver todas as observações de The

imagem e a gravação de um arquivo de áudio

Head formando uma memória coletiva.

curto. A imagem e o som capturados são enviados de volta como resposta ao remetente. Todas as

A obra será adotada e carregada por vários indivíduos e suas visões e sons são disparadas

imagens também são automaticamente postadas

por outros para colecionar lembranças no caminho. A obra não tem local fixo. É um

no site público Flickr.com. Assim como usamos o

nômade que vive entre as pessoas, mudando-se de lugar para lugar. Simultaneamente,

Flickr para armazenar e compartilhar nossas fotos,

está presente e acessível a qualquer momento via telefone celular.

The Head também o faz. O site do Flickr dedicado The Head (wearable sculpture) is a piece with processual, participatory and mobile approach to art practice. It is dealing with a view of contemporary, mobile and technologized society. It is built as a “wearable” object for people to adopt. One of the main features of The Head-sculpture is that it is available for a free public use. The person using this wearable sculpture becomes responsible for it. It becomes like a second head for them and it should follow its “foster-parent” everywhere s/ he may go. The Head is connected to the Internet via a mobile phone, which is embedded in such a way that the camera of the phone functions as the technological eye of The Head-sculpture, and a microphone is embedded into the ear. The general public can access The Head by sending a mobile phone text message (SMS). The Head: a poética de Laura Bellof aproxima corpo, rede, seres orgânicos e sintéticos, em pesquisa que sugere formas possíveis de remodelar o uso humano de trajes maquínicos The Head: Laura Bellof’s poetic approximates body, net, organic and synthetic beings, in a research that suggests possible ways of remodeling the human use of machinic garments

When The Head receives the sms-message it responds by simultaneously capturing an image and recording a short sound file. The captured image together with sound is sent back as a reply to the sender. These images are also automatically uploaded to the public site at Flickr.com. In a similar manner as many of us use Flickr for storing and sharing our photos The Head is doing the same. The dedicated Flickr-site can be thought as the mind of The Head-sculpture with continuous accretion of memories. On the site one can see all the observations of The Head forming a collective memory.

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The Head will be adopted and carried around by various individuals and its’ vision

localização será pintada no layer local; se ela está no

and hearing are triggered by others to collect memories on the way. The piece has no

Brasil, mas não na cidade de São Paulo, entrará no

permanent location. It is a nomad living amongst the people, moving from place to

layer país; e se ela está em qualquer outro lugar do

place. Simultaneously it is present and accessible at any moment via mobile phone.

mundo, entrará no layer global. Nesse sentido, temos três pinturas conectadas que permitem participação global e também conexões locais.

Martha Gabriel

As posições na pintura são calculadas usando o Google Maps e o site dos Correios. Cada zip code/CEP

Locative Painting, de Martha Gabriel, é um trabalho de web-arte interativo que forma uma pintura na tela, na qual as pinceladas são dadas pelos participantes de acordo com suas posições geográficas (CEP), criando assim uma mídia locativa. O participante escolhe uma cor e então a rota é pintada na tela a partir da localização do interator anterior até a localização do participante.

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é transformado em latitude e longitude absolutas, permitindo que a pincelada seja pintada na posição correta na tela, no layer a que deve pertencer. Cada vez que a pintura é gerada na tela durante uma interação, as únicas coisas que permanecem iguais são as posições das pinceladas e suas cores. As

A interação pode ser feita de dois modos: por computador ou por celular. A pintura é

formas das pinceladas e as rotas traçadas entre elas

acessada via web. A aplicação foi lançada no Nokia Trends 2007, em São Paulo, em

são selecionadas randomicamente. Desse modo,

português e inglês, para encorajar participação global. Como as pinceladas e suas

é muito improvável que duas pessoas obtenham

conexões formam a pintura espontaneamente na web, a pintura muda sua estética

exatamente a mesma pintura do trabalho. Depois

com o passar do tempo e o resultado é imprevisível.

de interagir, a pessoa recebe sua pintura com seu nome/CEP por e-mail e a imagem pode ser usada

Permitindo que o participante crie uma pincelada, o trabalho possibilita que cada

como wallpaper para o desktop ou celular. O trabalho

pessoa tenha o seu momento único na pintura. Por outro lado, como as pinceladas

também permite o envio de uma mensagem SMS

conectam as localizações das pessoas, gerando assim uma multitude de rotas, o

para o telefone celular do participante.

Locative Painting cria uma pintura comunitária que relaciona e cruza caminhos que talvez nunca ocorressem de outro modo.

Locative Painting by Martha Gabriel is an interactive web art project that consists of a picture

O trabalho é formado por três layers sobrepostos: a) layer local com o mapa da

formed in a screen. Participants provide brush strokes

cidade de São Paulo; b) layer de país com o mapa do Brasil e; c) layer global com

according to their geographic positions (zip codes),

o mapa do mundo. Se uma pessoa que participa está na cidade de São Paulo, sua

thus creating a locative media. This application was


launched at 2007 Nokia Trends in São Paulo, in Portuguese and English versions,

The work is formed by three overlaid layers: a) a local

to encourage global participation. Because brush strokes and their connections

layer containing a map of São Paulo, b) a country

combined spontaneously form the picture in the web, the appearance of the

layer containing a map of Brazil and c) a global layer

picture changes with time and its result is unpredictable.

containing a map of the world. If the participant is in the city of São Paulo, his/her location will be painted

Because it allows the participant to create a brush stroke, the work provides each

in the local layer, if the participant is in Brazil but not

person with a unique moment in the picture. On the other hand, Locative Painting

exactly in São Paulo, it will be painted in the country

also creates a collective painting as brush strokes connect people’s locations

layer and, finally, if the participant is anywhere else

generating an array of routes and crossing paths, something that maybe wouldn’t

in the world, his/her location will be painted in the

happen in any other situation.

global layer. In that way, we have three connected paintings that allow global participation and also local connections. Painting positions are calculated using Google Maps® and Brazilian Mail web site. Every zip code gets translated to latitude and longitude coordinates allowing every brush stroke to have its correct position on the screen in the layer it belongs. Every time the painting is generated in the screen as a result of an interaction, the only things that remain the same are brush stroke positions and colors. The shape of brush strokes and the routes traced between them are randomly selected. In that way, it’s unlikely that two different people get exactly the same painting in the work. Following the interaction with the project,

Locative Painting: cada pincaledade é uma trajetória que liga dois usuários localizados a partir de seu número de CEP. Locative Painting: each brushstroke is a trajectory that joins two users located by its Zip code number

the participant receives his/her painting with name and zip code by email and the image can be used as desktop or cell phone wallpaper. The work also allows an SMS to be sent to the participant’s cell phone.

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Blast Theory em Santa Tereza Pesquisas sugeriram que há um uso maior de telefones celulares entre as pessoas sem-teto do que entre a população em geral. O advento do 3G (terceira geração de telefonia móvel) acrescentam acesso constante à internet, serviços baseados em locais e largura de banda total à essa equação. Some research has suggested that there is a higher usage of mobile phones among the homeless than among the general population. The advent of 3G (third generation mobile telephony) brings constant internet access, location based services and massive bandwidth into this equation. Blast Theory

Can You See Me Now? é um jogo de perseguição em realidade mista criado pelo grupo britânico Blast Theory. As partidas acontecem em tempo real, durante um período de tempo determinado, numa área previamente estabelecida de uma cidade e simultaneamente

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num ambiente virtual online conectado a suas ruas por meio de tecnologias de geolocalização. Na terceira edição do Vivo arte.mov, o game locativo, que já foi premiado com o Golden Nica de Arte Interativa no Prêmio Ars Electronica de 2003, será recriado em versão especialmente realizada no bairro de Santa Tereza, em Belo Horizonte. Durante três dias, o público da cidade poderá participar do jogo ou assisti-lo. Em Can You See Me Now?, uma interface que combina palm e GPS é usada por corredores que coletam informações para orientá-los enquanto se deslocam pelas ruas do bairro. Ao mesmo tempo, outro grupo está em três terminais na Internet, perseguindo-os conforme navega pelo mundo virtual. A conversa de ambos os grupos pode ser ouvida mutuamente, por meio de walkie-talkies que funcionam como túneis de áudio entre a realidade física e a virtual. Um aspecto de CYSMK? destacado pelo próprio Blast Theory é a inserção num contexto crescente ubiqüidade que aparelhos portáteis permitem, e que resulta numa democratização da tecnologia mais ampla que a oferecida pelos computadores pessoais. O grupo dizse fascinado pela penetração dos telefones celulares entre os usuários pobres, entre os residentes na zona rural, entre jovens, e em outras camadas excluídas do consumo de novas tecnologias antes do surgimento de aparelhos mais baratos que os PCs e igualmente multifuncionais, especialmente quando se leva em conta a relação custo-benefício e a evolução rápida em que muito do que é possível num computador também pode ser feito em portáteis com a vantagem da mobilidade.


entre espaços típico das situações em que as redes de computador sobrepõem-se ao espaço urbano. A realização de Can You See Me Know? em Belo Horizonte é resultado do trabalho articulado entre uma equipe local montada pelo Vivo arte.mov e os membros do Blast Theory. As ruas de Belo Horizonte foram recriadas a partir de um mapa online e fotos do bairro de Santa Tereza, região da cidade onde acontecerá a partida. Este trabalho de preparação também envolveu a medição de sinal 3G no local, processo que será monitorada durante a semana em que acontecerão os testes e o jogo propriamente dito, Google Maps que serviu como base para a modelagem do espaço 3-D criado pelo Blast Theory a partir de fotos de construções e texturas feitas por Erick Ricco Google Maps used as reference to model the 3-D environment created by Blast Theory from pictures of buildings and textures made by Erick Ricco

para garantir um sinal estável. Para dar apoio ao Blast Theory, será montada uma base no Sobrado, em Santa Tereza como suporte para a realização de Can You See Me Know?. Além

É exatamente esse aspecto do jogo que deve ser valorizado na versão em Belo

disso, o local vai funcionar como uma espécie de Lan

Horizonte. O bairro de Santa Tereza é conhecido pela vida cultural intensa e

House, onde haverão sete terminais de acesso ao jogo

por preservar características que remetem ao anos 1960, apesar do aumento de

online. Para cada jogador virtual, a partida dura até

violência na região e da gradual substituição das casas que predominavam na

ele ser capturado. Após a captura, outro usuário tem

região por prédios baixos. Além disso, a história do bairro remete aos cruzamentos

a chance de entrar no jogo, sendo que uma mesma

entre espaços: Santa Tereza é um bairro em que se fixaram muitos dos imigrantes

pessoa pode jogar quantas vezes quiser. Há uma lista

que chegaram a Belo Horizonte. Uma das características da realidade mista é

que coloca os usuários em espera. Os jogadores que

justamente a de permitir a convivência remota entre espaços distantes, num

acessaram o jogo a partir dos terminais instalados na

procedimento que pode ser entendido como uma espécie de migração sem

base de Santa Tereza terão prioridade.

trânsito real. Assim o passado de convergência entre culturas em função da migração funciona como uma espécie de memória avant la lettre do cruzamento

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democratization of the technology when compared Rua no Bairro de Santa Tereza, em Belo Horizonte: a região que já foi cenário para os acordes de Lô Borges e as distorções do Sepultura vai receber os jogadores do Blast Theory Street on Santa Tereza neighborhood, in Belo Horizonte: the area that was already landscape for Lô Borges’s chords and Sepultura’s distortions will now host Blast Theory’s runners

to what personal computers can offer. The group is

fascinated

with

cell

phone

dissemination

among the poor, rural habitants, young people and other social groups to whom the consumption of new technologies were out of reach until devices cheaper than PCs, but equally multi-functional, appeared. This is particularly relevant when you consider the cost-benefit analysis and the fast rate with which portable devices incorporate much

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Can you see me now? is a game based on mixed reality created by british group

of what you can do on a computer, despite the

Blast Theory. The matches happen in real time with a fixed duration in a pre-

advantage of mobility. That is exactly the aspect

defined area of a selected city and also simultaneously in an online virtual

of the game that will get greatly appraised by the

environment connected to its streets through geolocalization technologies. This

version presented in Belo Horizonte.

locative game, which has already been awarded with the Interactive Art Golden Nica at 2003 Ars Electronica Awards, will be recreated in a version in modeled

Santa Tereza is well known by its intense cultural life

specially for the streets of Santa Tereza neighborhood, Belo Horizonte, for Vivo

and for preserving a 60s feel, despite the increase

arte.mov’s third edition.

in violence and the gradual replacement of original houses by small buildings. The neighborhood

For three days, the city audience will be able to watch or interact with the game.

history is embedded with spatial crossings – since

Can You See Me Now? interface is composed of a palm device and a GPS used

many immigrants that arrived in Belo Horizonte

by runners to gather information and to guide them while they move around the

chose Santa Tereza to live. Providing the remote

streets in the neighborhood. At the same time, another group occupies three

coexistence of distant spaces is exactly one of

Internet terminals chasing them as they navigate through the virtual world. The

the main aspects in mixed reality, much like a

conversation between both groups can be mutually heard through walkie-talkies

migration without an actual displacment. In that

that serve as audio tunnels linking virtual and physical realities.

way, past convergence of cultures led by migration can be seen as a kind of avant la lettre memory

One aspect of CYSMN? that Blast Theory likes to highlight is the game insertion

of the interweaned spaces typically produced when

in the growing ubiquity offered by portable devices, that result in a broader

computer networks overlay the urban space.


The production of Can You See Me Now? in Belo Horizonte was accomplished by an articulate work established between the local Vivo arte.mov crew and members of Blast Theory. Belo Horizonte streets were recreated from an online map. This prep work also took a 3G strength signal measurement in the area where the game will be played, to guarantee a better coverage in the week that local tests and the game itself will take place. A local base office will also be built in Sobrado. All the equipment necessary will be stored there until the game gets played.

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Exposição Audiovisual PARA ALÉM DA TELA PEQUENA 3 A exposição dá continuidade ao trânsito entre formatos de bolso e espaço expositivo iniciado na primeira edição do Vivo arte.mov. São obras que geram formas espalhadas por telas múltiplas, em que o microcinema flerta com a galeria, e as formas de relação do público com o material audiovisual depende do entorno. No conjunto, os trabalhos presentes nesta terceira edição da Mostra Para Além da Tela pequena acenam para usos poéticos do vídeo, em que o aspecto tecnológico propriamente dito das mídias portáteis dialoga com questões mais amplas. Não são trabalhos focados apenas na investigação dos desdobramentos da linguagem audiovisual, mas também ligados a universos bastante particulares de cada artista. São trabalhos que lidam com temas que vão da memória como mecanismo de seleção e

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montagem, presente na obra de Raquel Kogan e Lea Van Steen, ao atrito entre orgânico e mecânico expresso na forma das mais diversas oposições construídas em clima em que o inusitado e o inesperado vem à tona, na obra de Rodrigo Castro de Jesus, passando pelo universo das dúvidas existencias e da eterna busca por respostas, na obra de Joacélio Batista.

BEYOND THE SMALL SCREEN This exhibition continues to explore the movement of pocket formats and exhibition space which started on the first edition of Vivo Arte. Mov. Its works results in shapes spreaded by multiple screens, in which microcinema flirts with the gallery, and the way the public relates itself with the audiovisual material depends on its surroundings. As a whole, the works exhibited on this third edition of the showcase Beyond the Small Screen points out to poetic uses of video, in which the technological aspect itself of portable media dialog with wider questions. They are not works focused only on the research of the unfoldings of audiovisual language, but also connected to very particular concerns of each artist. Those works deal with themes that range from the memory as a selection and montage device, present on Raquel Kogan and Lea Van Steen work, to the friccion between organic and mechanical expressed in the form of the most diverse oppositions constructed with an accent that brings forth the unusual and the unexpected, in the work of Rodrigo Castro de Jesus, passing by the universe of existencial doubts and the eternal search for answers, in the work of Joacélio Batista.


memo_ando

Frases entreouvidas: em memo_ando, o espaço que separa uma frase de si mesma pode ser preenchido por muitas outras imagens de alguém falando.

Raquel Kogan e Lea Van Steen São Paulo . 2008

Interlistened phrases: in memo_ando, the interval that splits a phrase itself can be filled with several other images of somebody talking

memo_ando, de Raquel Kogan e Lea Van Steen, é um jogo de memória acionado por um celular (Nokia N73), aqui usado como controle remoto. O objetivo do jogo é formar pares iguais de figuras. Instruções: 1. Com o celular selecione o número

memo_ando by Raquel Kogan and Lea Van Steen is a memory game controlled by

desejado tentando achar os pares no monitor 1. Tente

a Nokia N73 cell phone used as a remote control. The purpose of the game is to

fazer isso até que todas as figuras encontrem seus

match equal image pairs.

pares. 2. Quando um par é achado, a imagem deste toma toda a tela do monitor 1. 3. Se você errar, não tem

Instructions: Using the cell phone, choose a number trying to match the pairs in

problema : as escolhas que não formam pares, fazem

monitor 1. Keep doing that until you match all images with their equal pair.

parte de um vídeo em looping no monitor 2. São vídeos

When a match is found, monitor 1 will show it full screen. If you miss it, there’s

de bocas falando pequenas frases, colocadas uma apos

no problem: numbers chosen that do not find its match will be shown as a looped

a outra na seqüência de escolha feita pelo jogador no

video in monitor 2. The videos show mouths speaking small sentences, one after

monitor 1, formando assim uma memória do próprio

another in a sequence established by the player in monitor 1. The result is a

jogo que depende dos interatores.

memory of the game itself created by interactors.

memo_ando aproveita da experiência passada (a leitura

memo_ando dwells on a past experience (the reading of different authors’ quotes

de frases de autores diversos, feita por várias pessoas) ao mesmo tempo que realiza uma nova experiência (um vídeo em looping se formando em tempo real conectando todas essas frases), utilizando um computador para gerenciar estas duas ações. As escolhas dos interatores agem e conduzem a evolução do jogo, formada por camadas superpostas, andando de mão em mão.

by a number of people) while creating a new one (the looped video happening in real time and connecting all these quotes, both actions managed by a computer. Interactors’ choices act and conduct the way the game evolves forming overlaid layers that go hand in hand.

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SÉRIE SE... / if series...

série ascese

JOACÉLIO BATISTA BELO HORIZONTE . 2007 - 2008

RODRIGO CASTRO DE JESUS BELO HORIZONTE . 2006 Série de vídeos em que situações fora do comum constroem um universo particular, em que convivem o quente e o frio, o frágil e o agressivo, o pequeno e o grande, o orgânico e o fabricado. Substâncias como o

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Série de filmes composta trabalhos de curta duração que giram em torno do universo

leite e a urina são materiais de vídeos em que ferros de

existencial do homem em dúvida, em seu impulso pela busca de respostas.

passar roupa amassam garrafas térmicas como se nada

Series of movies composed by works of short duration that explore the existencial

disso fosse muito esperado. Uma poética que investiga

universe of the man with doubts, in his urge for answers

os imprevistos que brotam dos meandos do trivial.

Se estou certo, por quê meu coração bate do lado errado? If I am right, why do my heart beat on the wrong side? Animação experimental Experimental animation I 2004 | 3’ Se me queimo no fogo do desejo, por quê meus olhos ardem n’água? If I burn in the fire of desire, why do my eyes flame in water? Animação experimental Experimental animation | 2007 I 4’11’’ Se fraquejo diante do escuro, por quê meus pés se voltam para a luz que me cega? If I fear the dark, why do my feet turn into the light that blinds me? Animação experimental Experimental animation | 2007 I 2’ Se é tão perfeito, por quê me faltam os mesmos dedos? If it is so perfect, why do the same fingers are missing? Animação experimental Experimental animation | 2008 I 1’40”

Series of videos in which uncommon situations build a particular landscape, in which hot and cold, fragile and agressive, small and big, organic and fabricated are side by side. Substances as milk and piss are materials of videos in which irons squash termic bottles as if all this was expected. A poetic that searches the unforeseen that grow amidst the trivial. Narcissus in The Piss 2006 I 5’30” Iron, Milk and Bottle 2006 I 6’20” Iron and Underwear 2006 I 5’00” Dismemberment 2006 I 1’10” Clothes for Shoes 2006 I 5’20” Blending Underwear 2006 I 2’20” Squeezing Forehead 2006 I 1’00” Up and Down 2008 I 2’30”


PERFORMANCE Videoman FERNANDO LLANOS CIDADE DO MÉXICO . 2005 - 2008

Videoman propõe vídeo-intervenções urbanas feitas aproveitando a infra-estrutura corporal do artista, em uma dinâmica que o autor chama de “acupuntura urbana”, pois gera reflexões pontuais nas regiões da cidade em que atua. Para cada versão do projeto, busca-se experimentar outras maneiras de projetar vídeos sobre cidades. Tudo é registrado em foto e vídeo e depois montado em uma instalação. O projeto

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tem por objetivo levar o público especializado a espaços que não fazem parte de seu cotidiano, assim como estimular seus habitantes ou transeuntes a questionar aspectos de sua rotina, revalorizar sua história e/ou dar margem à interação entre artista e público. A idéia é intervir no espaço público para transformá-lo e contaminá-lo visualmente provocando reações na rotina do cidadão. Videoman proposes urban videointerventions made using artist’s corporal infrastructure, in a dynamic way that the author calls “urban acupuncture”, since it generates punctual reflections in the city areas where it actuates. In each version of the project, the author tries to experiment different ways of projecting video over cities. Everything is registered in photographs and video, and then used in an installation. The project’s goal is to make specialized public or passers-by question aspects of their routine, re-evaluating their history or giving way to the interaction between artist and public. The idea is to interfere in public space to transform it and visually contaminate it, provoking reactions in citizen routine.

O homem com a câmera de vídeo no corpo: o Videoman é uma espécie de flâneur que interfere na paisagem ao invés de contemplá-la de forma anônima. The man with a videocamera in his body: Videoman is a kind of flâneur that interferes in the landscape instead of contemplating it anonymously


1º Prêmio mídia locativa vivo arte.mov Fernando Velázquez

Discontinuous

Landscape

by

Fernando

Velázquez and Julià Carboneras is an interactive installation

offering

a

big

screen

with

four

projections. Each one of them projects images Descontínua Paisagem, de Fernando Velázquez e Julià Carboneras, é uma instalação interativa formada por uma grande tela com quatro projeções. Cada uma delas projeta imagens extraídas e modificadas em tempo real do site confluence.org (lugares de cruzamento de meridianos e paralelos com um grau

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de resolução Norte-Sul, Leste-Oeste). Os visitantes escolhem os lugares a serem visualizados enviando um SMS com as coordenadas desejadas. O conjunto das quatro projeções forma uma paisagem imaginária. O site confluence.org promove o mapeamento coletivo da Terra, convidando as pessoas a dirigir-se aos pontos de intersecção entre meridianos e paralelos (munidos de um aparelho de GPS) e tirar fotos desses lugares em relação aos pontos cardeais. Os participantes também devem fotografar o GPS como testemunho de sua visita. O site veicula, junto às imagens, um texto com o relato do percurso realizado pelo participante até localizar o lugar procurado. Ao receber o SMS, o sistema localiza o cruzamento na base de dados do site e monta uma seqüência de imagens disponibilizadas na tela. Paralelamente, o sistema responde ao SMS enviando o relato postado pelos visitantes a dito lugar. Quatro participantes podem interagir com a obra ao mesmo tempo.

extracted from the web site confluence.org – that brings

North-South,

East-West

meridian

and

parallels crossing places with some resolution and modified in real time. Visitors can choose the places they want to see by sending a SMS with their desired coordinates. The junction of the four projections forms an imaginary landscape. Confluence.org

web

site

offers

a

collective

mapping project of the earth, inviting people to visit meridians and parallels intersection points all over the world equipped with GPS devices to take pictures of these places relating them to the cardinal points. Participants also take pictures of their GPS as proof of being there. The web site brings, along with the pictures, an account of the course taken by the participant to reach the place. In order to interact with the work, participants should send an SMS with the coordinates of the


Para interagir com a obra os participantes devem enviar um SMS com as coordenadas do lugar que se pretende visualizar. Por exemplo 19S 45W corresponde a um ponto no interior de Minas Gerais. Para facilitar o entendimento do público se utilizaram prints do mapamundi tamanho A4 e a ajuda dos monitores To interact with the workpiece, participants should send a SMS with the coordinates of the place intended to be seen. For example, 19S 45W corresponds to a place in Minas Gerais countryside. Prints of world map size A4 and monitors are used to make comprehension easier for the public Créditos das fotos: Garian, Libia / coordenadas 31Nº 13ºE visitadas Justin Mills e Alex Palmeiro Alaska / coordenadas 61ºN 161ºW visitadas por Chris Carpeneti e Tom Jamgochian

place they want to visualize. For instance, 19S 45W represents a point in Minas Gerais. A4 prints of the world map along with monitors are available to help the audience. Upon receiving the SMS, the system locates the intersection using the web site data base and pieces together a sequence of images to be shown in the screen. The system also replies to the SMS received with the account posted by visitors to that place.

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gambiologia 88

Gambiologia é um trabalho de construção de vestimentas com sotaque antropofágico. Por meio de aparelhos eletrônicos reciclados, traz um novo significado para o contexto tecnológico, ao assumir uma postura de recontextualização criativa de materiais normalmente entendidos como refugo. A elaboração de artefatos de maneira improvisada retrata a espontaneidade do cotidiano das metrópoles e propõe uma reflexão sobre a perecibilidade, deteorabilidade e reinvenção da tecnologia, em um contexto em que o excesso de objetos fora de uso acumulados sobre a superfície do globo é uma questão crucial.  Ganso (PAULO H. PESSOA) / Lucas Mafra / Estúdio Osso (Brasil) Gambiologia is a work of construal of clothing with an antropophagic accent. Using recycled electronic devices, it brings a new meaning to the technological contexto, as it assumes an attitude of creatively repurposing materias otherwise understood as garbage. The creation of artifacts in an improvised manner portraits the spontaneity of the daily life in big cities e proposes a reflection about the degradability, the desintegrability and reivention of technology, on a context in which the excess of out-of-use objects acumulated on the surface of the planet is a crucial problema. Ganso (PAULO H. PESSOA) / Lucas Mafra / Estúdio Osso (Brazil)


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Peças gambiológicas: a tecnologia reciclada na forma de aparelhos que remetem ao low-tech futurista e ao lado precário da ficção científica. “Gambiological” pieces: recycled technology takes the shape of devices that resemble a futuristic low-tech and a precarious to be imagened by science ficcion.


Ficha Técnica das Obras / Programação BH-SP Jonah Brucker-Cohen

Laura Bellof

!Alerting Infrastructure!

Head

Objeto controlado pela Web I EUA I 2003 www.coin-operated.com/projects/ alertinginfrastructure

Computação Vestível I Finlândia I 2004-6 www.realitydisfunction.org/head/

O Lugar da Arte em Deslocamento

Palácio das Artes / BH 21.11 – 25.11

O Lugar da Arte em Deslocamento

Palácio das Artes, BH 21.11 – 25.11 O Lugar da Arte em Deslocamento LABMIS / SP 26.11 – 07.12

Forward Compatible

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Objeto Parasita I EUA I 2004 www.mee.tcd.ie/~bruckerj/projects/forwardcomp O Lugar da Arte em Deslocamento Palácio das Artes / BH 21.11 – 25.11

Inquisite Devices Instalação (Objetos Bluetooth e Transmissão de Áudio) I EUA I 2008 http://www.mee.tcd.ie/~bruckerj/projects/ inquisitivedevices O Lugar da Arte em Deslocamento Palácio das Artes / BH 21.11 – 25.11

Martha Gabriel Locative Painting Web Art, Brasil, 2007 www.locativepainting.com.br O Lugar da Arte em Deslocamento Palácio das Artes / BH 21.11 – 25.11


BLAST THEORY

Raquel Kogan e Lea Van Steen

Can You See Me Know?

memo_ando

Versão inédita criada para o bairro de Santa Tereza em Belo Horizonte. Game Locativo I Reino Unido I 2008 www.blasttheory.co.uk/bt/work_cysmn.html

Game controlado por Celular I Brasil I 2008 www.locativepainting.com.br

O Lugar da Arte em Deslocamento

O Lugar da Arte em Deslocamento

Palácio das Artes / BH 21.11 – 25.11

LABMIS / SP 26.11 – 07.12

O Lugar da Arte em Deslocamento Palácio das Artes, BH 21.11 – 25.11

Rider Spoke Vídeo, Reino Unido, 2007 blasttheory.co.uk/bt/work_rider_spoke

Joacélio Batista

O Lugar da Arte em Deslocamento

Instalação (Vídeo em Múltiplas Telas) I Brasil I 2007-8

LABMIS / SP 26.11 – 07.12

O Lugar da Arte em Deslocamento

Uncle Roy All Around You VídeoI Reino Unido I 2003 blasttheory.co.uk/bt/work_uncleroy.html

Série Se...

Palácio das Artes / BH 21.11 – 25.11 O Lugar da Arte em Deslocamento LABMIS / SP 26.11 – 07.12

O Lugar da Arte em Deslocamento LABMIS / SP 26.11 – 07.12

Trucold Vídeo I Reino Unido I 2002 blasttheory.co.uk/bt/work_trucold O Lugar da Arte em Deslocamento LABMIS / SP 26.11 – 07.12

Rodrigo Castro de Jesus série ascece Instalação (Vídeo em Múltiplas Telas) I Brasil I 2006 O Lugar da Arte em Deslocamento Palácio das Artes / BH 21.11 – 25.11 O Lugar da Arte em Deslocamento LABMIS / SP 26.11 – 07.12

Soft Message Instalação (Áudio), Reino Unido, 2006 blasttheory.co.uk/bt/work_soft_message O Lugar da Arte em Deslocamento LABMIS / SP 26.11 – 07.12

Fernando Llanos Videoman Performance, México, 2007-8 www.fllanos.com/vi_video Palácio das Artes / BH 21.11 – 25.11

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A exposição Mobilidade em Devaneio é um recorte de leituras que se fazem possíveis no contexto da mobilidade, se revelando em um estado, uma condição ou um anseio, algo que se reflete também nas práticas artísticas mais atuais. Os trabalhos apresentados se somam a partir de formas distintas de se compreender os espaços compartilháveis, de experiências de deslocamentos possíveis no campo social, resultantes de mediações tecnológicas cada vez mais presentes em nossas vidas. Um dos aspectos mais interessantes das mídias móveis é a associação de práticas, processos e áreas que até então operavam em campos de conhecimento distintos, desconectados entre si. A idéia de mobilidade que trazemos é justamente a da não rigidez de conceitos, uma liberdade que pode permitir novas possibilidades criativas, envolvendo o devaneio inclusive. Essas questões se apresentam para o público de diversas formas, envolvendo a Galeria e o Auditório do Espaço Cultural Vivo. No auditório acontece uma série de sessões audiovisuais informativas: Sessão Mídias Locativas, com trabalhos de documentação de obras em ‘artes locativas’ que estiveram presentes no festival em 2007; Sessão Vivo arte.mov, com os premiados de 2006 e 2007 e a Sessão Documento, com depoimentos de convidados nacionais e internacionais sobre os conceitos e atividades do Festival. Na galeria temos a mostra Para além da tela pequena: formatos de microcinema que não cabem no bolso que envolve micro-narrativas em vídeo dos artistas Nacho Durán, Dellani Lima e Pedro Rocha. Não seria possível apontar os princípios e as perspectivas de uma arte em mídias móveis sem os trabalhos de Giselle Beiguelman, uma artista em atenção constante às intersecções entre redes on e off-line, com projetos que refletem de forma criativa e atual a multiplicação de formatos da cultura digital. Carried out at Galeria Vivo, between September 25 and November 16, the exhibition Mobility in Reverie is divided in two showcases: a retrospective of young artists that stood out in the editions of 2006 and 2007 of Vivo arte.mov e an individual exhibition of Giselle Beiguelman, who showed works created with portable media in the 2006 fetival, and now emphasizes recent projects in which she investigates the possibilites of audiovisual language. The exhibition Mobility in Reverie belongs to a series of activities of Vivo arte.mov that in 2008 also include five “mini-events” in the cicties of Brasília, Manaus, Porto Alegre, Recife e Rio de Janeiro; the event in Belo Horizonte and closes the year with a special showcase in São Paulo at LABMIS. The material prepared for the Espaço Cultural Vivo reflects a program that focus on brazilian producers that have developed a significant body of work potentially adequate to portable media. Besides the installations, it is completed with screenings of works selected by its curators as well as as work that was awarded in previous editions; a “Locative Session” with documentation of locative art projects that were presented on the Festival; and the “Document Session” with register of the past editions.


Para além da tela pequena: formatos de microcinema que não cabem no bolso Diversidade tecnológica e diversidade estética. O par não está necessariamente atrelado, mas funciona como entrada para os trabalhos aqui reunidos, de três realizadores jovens que tem se destacado no circuito do audiovisual. São trabalhos que apontam caminhos emergentes, do diálogo mais direto com possibilidades dos dispositivos portáteis à pesquisa formal que articula som e imagem em movimento de formas imprevistas, passando por novos modos de construção da subjetividade. Technological diversity and aesthetical diversity. The pair is not necessarily interwined, but functions as an entrance to the works selected here, approximating three young artists that have been standing out in the audiovisual circuit. There pieces point to emerging paths, ranging from a more direct dialog with the possibilities of portable devices to the formal research with sound and moving images, passing by new modes of construal of subjectivity

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DELLANI LIMA

A.F.E.T.O.S. / A.F.F.E.C.T.S BELO HORIZONTE . 2006 - 2007

O fio condutor de A.F.E.T.O.S é o inconsciente como meio privilegiado de resistência e construção de identidade. Narrativas em que os conflitos estão nas imagens, seus signos e suas justaposições. Em realizações formalistas e conceituais, os vídeos da série discutem a influência do capitalismo nas relações afetivas e seus desvios temporários. O resultado é um conjunto de alegorias sobre o modo serial e sufocante a que o homem esta submetido na sociedade contemporânea. A.F.F.E.C.T.S is conducted by the unconscious taken as a privileged mean of resistance and indentity construal. Narratives in which the conflicts are in images, its signs and justapositions. In formalist and conceptual achievements, the videos of this series discuss the influence of capitalism in the affective relations, as well as its temporary detours. The result is a collection of allegories about the serial and suffocating mode to which man is submitted in contemporary society.


NACHO DURAN 4MOBILES

São Paulo . 2007 O celular usado como caderno de viagens que se contamina pelo entorno. Gravações na região peruana de Madre de Dios mostram as influências da colonização, da globalização e da mudança climática sobre os nativos. As imagens e áudios autênticos foram desconstruídos e sincronizados quadrifonicamente para serem tocados por quatro celulares ao mesmo tempo. Audiovisual e viagem estão entrelaçados desde os clássicos road movies, mas a relação ganha novos significados em um contexto em que a localização geográfica torna-se padrão nas mídias portáteis. The cell phone used as a travel notebook that is contaminated by its surroundings. Recordings made on the peruan region of Madre Dios show the influences of colonization, of globalization and of weather change over the natives. The images and sounds were deconstructed and synchronized quadriphonically to be played by four mobiles at the same time. Audiovisual and travel are intermingled since the classic road movies, but the relation assumes new meanings in a context in which geolocalization becomes a standard for portable media.

Pedro Rocha

Kynemas (flux movies) São Paulo . 2006 - 2008

Pedro Paulo Rocha pesquisa soluções formais inéditas, na tradição do experimentalismo nos novos meios. Flux Movies, série de filmes instantâneos exibidos simultaneamente em monitores de pequeno porte, explora formas de difusão diferentes do que é convencional na sala de cinema. A peça-fragmento compõe uma obra em progresso. Narrativas mínimas (caso exista, como sustentam alguns estudiosos de linguagem, narrativa nas formas abstratas): que se instalam num intervalo fluído entre cinema, artes visuais e vídeo. Pedro Rocha research unseen formal structures, in the tradition of new media experimentalism. Flux Movies, series of instant films exhibited simultaneously in small screens, explores forms of diffusion that are alternative to the cinema room. A fragment-piece that results in a work in progress. Minimal narratives (if there are, as defended by some language scholars, narrative in abstract forms): that install themselves in a fluid interval between cinema, visual arts and video.

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Intersecções em Rede

INDIVIDUAL DE GISELLE BEIGUELMAN

Os trabalhos de Giselle Beiguelman são resultado de um atenção constante à multiplicação de formatos, típica da cultura digital. Eles abrangem um espectro amplo, que vai da Net Art ao desenvolvimento de arquiteturas impossíveis no Second Life, com ênfase em práticas de rede que ligam ambientes on e off-line, e nas formas de transmissão possíveis neste contexto. Os trabalhos reunidos na Galeria Vivo representam uma amostra significativa, mas incapaz de esgotar seu universo criativo. Ela reúne trabalhos mais sintonizados com os desdobramentos do audiovisual no contexto das mídias portáteis, assim como outros que oferecem um contexto mais amplo a partir do qual elas podem ser fruídos.

Networked Interseccions The works of Giselle Beiguelman are the result of a constant attention to the multiplication of formats, typical of digital culture. They comprise a wide spectre, that goes from Net Art to the development of imposible architectures on Second Life, with emphazis on networked practices that connect on and offline environments, and on the formats of transmission possible on such context. The works exhibited at Vivo Gallery represent a meaningful sample, though not capable to covert all her creative universe. It reunites works that are more related to the unfoldings of audiovisual language on portable media, as well as others that offer a broader context of her poetics.

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MICRO-MACRO MOVIES Esta série que reúne vídeos criados entre 2006 e 2008. São trabalhos que exploram a portabilidade das câmeras em aparelho celular, em busca de formas audiovisuais resultantes de sua mobilidade. This series is formed of videos created between 2006 and 2008. They are work that explore the portability of cell phone cameras, in search for audiovisual structures that are result of their mobility.

RIOS DE PAULO / Paulo’s Rivers 2008

Vídeo feito a convite da TV Cultura para uma série de curtas sobre São Paulo do programa Metrópolis. O trabalho foi gravado com câmera de celular e retrata os rios que escreveram a história da cidade (Tamanduateí, Pinheiros, Tietê). Carros rápidos, com janelas fechadas, modificam o olhar sobre os rios que em repouso denso circulam cada vez e contrastam com as raízes indígenas desses livros líquidos. Video developed by invitation of TV Cultura for a series of shorts about São Paulo on the Metrópolis show. The work was recorded with a cell phone camera and portraits that rivers that wrote the city’s history (Tamanduateí, Pinheiros, Tietê). Fast cars, with closed windows, modify the look to this rivers that in dense ease circulate each time and contrast themselves with the indigenous roots of these liquid books.


Second Landscapes 2008

Série que reúne paisagens imaginárias produzidas pelas combinações de espaços diferentes com câmeras de telefones celulares de todos os tipos. Second Landascapes reflete sobre um contexto em que novas formas de mapeamento e sistemas de localização tornamse cotidianos. Como resultado, uma nova dinâmica geopolítica que aponta para uma estética da redundância, considerara pela artista semelhante à busca utópica de um mapa em escala 1:1, duplo em tamanho real do mundo sonhado pelo personagem borgeano no conto “Sobre a exatidão da Ciência”. Series formed of imaginary landscapes produced by the combination of different spaces with cell phone cameras of all kinds. Second Landscapes reflects upon a context in which new forms of mapping and locative systems become quotidian. The result is a new geopolitic dynamic that points to an aesthetics of redundancy, considered by the artist similar to the utopic search of a 1:1, real size double of the world, as dreamed by the borgean character on “Under the exactitude of Science”.

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GEOMETRIAS VARIÁVEIS / Variable Geometries 2008

Nesta série, as paisagens são reduzidas ao mínimo essencial de informações. Imagens gravadas com celulares durante aterrissagens e viagens de trem e carro são desmembradas, convertendo o fluxo em geometria, cores, texturas, velocidades e ritmos. In this series, the landscapes are reduced to minimal essencial of information. Images recorded with cell phones on landings, travels by train and car are disjointed, converting its flux in geometry, colors, textures, velocities and rhythms.


De vez em quando / sometimes 2007

O trabalho investiga como os celulares multimídia mudam o olhar urbano, por meio de um palimpsesto generativo que se decompõe e se reconstrói pela ação do público. Por meio de comandos do mouse e do teclado, é possível interferir em vídeos gravados pela artista no trânsito, em carros em movimento. E o trânsito, além de ponto-de-partida, é destino, em De vez em quando: o mosaico resultante mimetiza a lógica do tráfego intenso e dos congestionamentos. São imagens que geram vários graus de opacidade, na trama que se dá entre acúmulo e intervalo, aceleração e estagnação. The work researches how multimedia cell phones change the urban gaze, by means of a generative palimpsest that decomposes and reconstructs itself from audience input. With keyboard shortcuts and mouse commands, it is possible to interfere on videos recorded by the artist on traffic, in moving cars. And traffic, besides starting point, is destination, in Sometimes: the resultant mosaic mimics the logic of intense traffic and traffic jams. Images that generate several degrees of opacity, in the texture that happens between storage and interval, acceleration and stagnation.

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naturezas MORNAS / Stirred Lifes 2008

Série de paisagens possíveis num mundo nômade. Sob o título de Naturezas Mornas, impressões sobre transparência inventam cenários impossíveis, geografias que surgem pela combinação de lugares distintos em uma mesma imagem. Um pouco como no Parque rousseaniano, em que tudo está no lugar exceto o conjunto, estas imagens resultam em paisagens de um estranho naturalismo pós-tropográfico. Series of landscapes possible on a nomadic world. Under the title Stepid Landscapes, prints over transparency invent impossible scenarios, geographies that emerge by combination of distinct places on a same image. A bit like in the rousseanian Park, in which everthing is in place but the whole, this images result in landscapes of a weird post-topographic naturalism.


filosofia da caixa prata / Philosophy of the Silver Box 2008

Projeto em parceria com José Carlos Silvestre, investiga a transformação das imagens em interface e interroga o papel do código algorítmico na construção da visualidade, explorando os processos de desmaterialização/recomposição da identidade, via imagem, em redes sociais. Parte-se aqui de um diálogo conceitual com o filme Blow Up (Antonioni, 1966) para operar uma releitura dos ensaios seminais de Vilém Flusser sobre fotografia em forma de experiência estética. A partir de um embate com os parâmetros estruturais de construção da imagem digital – pixel e codificação numérica da cor – procura-se diluir seus segredos, colocando suas rotinas de programação em circulação. Isso é feito utilizando os recursos mais comuns de produção e publicação de imagens na web, como MMS e Flickr, e sistemas complexos de programação que transformam as variáveis das imagens em sistemas abertos para fruição de suas linhas de comando. Project developed with José Carlos Silvestre, that investigates the transformation of the image in an interface that questions the role of algorithmic code in the construction of the visual and explores the process of dematerialization / rebuilding of identity, via image in social networks. See the application running. We depart from a conceptual dialogue with the film Blow Up (Antonioni, 1966) to operate a rereading of the seminal essays by Vilém Flusser on photography in the form of aesthetic experience. The project appropriates the structural parameters of digital image construction - pixel color coding – in order to dilute its secrets (interpreted here as its silvered silicon box, an update of the Flusserian black box), setting their programming routines in motion. This is achieved using the most popular resources of production and publication of pictures on the web, such as MMS and Flickr, and complex programming systems which transform the variables of the images in open environments for the enjoyment of its command lines.

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Este ano, o formato de parcerias com festivais estrangeiros, estabelecidas pelo Vivo arte.mov com o intuito de oferecer a seu público um panorama da produção na área, desdobra-se em duas direções: a continuidade de diálogos importantes para permitir o entendimento do trabalho dos realizadores locais num contexto mais amplo e a aposta em novas aproximações. O objetivo é equilibrar um mapeamento continuado de cenas importantes do audiovisual para mídias portáteis com a atenção constante para focos emergentes. Por isso, a terceira edição do Festival Internacional de Arte em Mídias Móveis traz novamente um programa do festival francês Pocket Films, em programa criado especialmente para a ocasião. O outro programa exibido será o do festival japonês DotMov. Além disso, os mexicanos Fernando Llanos e Arcangel Constantini apresentam suas histórias de bolso em diálogo construído com mídias móveis. O conjunto, que traz material de três continentes, pretende dar continuidade ao registro da diversidade de abordagens existentes no circuito cada vez mais amplo de filmes e vídeos criados para serem exibidos em telas pequenas ou gravados com câmeras portáteis.

Invited Showcases This year, the partnerships between Vivo arte.mov and foreign festivals unfolds themselves in two directions: the continuity of important dialogues in order to enable the comprehension of local artists’ work in a broader context and a bet in new approaches. These partnerships were established with the goal of offering to the public a wide perspective of the production in this area, and to balance a continuous mapping of audiovisual scenes that are important on the portable media context with a continuous examination of emerging focuses. In this context, the third edition of International Festival of Mobile Art brings another program from the French Festival Pocket Films, in a program created specially for the occasion. Another program to be exhibited will be from the Japanese Festival DotMov. Besides, Mexican artists Fernando Llanos and Arcangel Constantini present their pocket stories in a dialogue built with mobile media. The whole, that compile material from three continents, intends to keep on registering the variety of approaches that exists in an even wider circuit of films and videos created to be exhibited in small screens or recorded with portable cameras.


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Mostra festival POCKET films (frança) Faz 5 anos que os telefones celulares na França foram equipados com câmera e tela. Em 2005, o Forum des Images criou o Pocket Films Festival, em parceria com o SFR, para explorar o potencial desta nova ferramenta de comunicação como meio inovador de expressão artística agora disponível para o público. Reconhecido hoje em dia ao redor do mundo por seu esforço pioneiro e expertise na pesquisa da criação audiovisual com tecnologias móveis, o Forum des Images chega à quinta edição do Pocket Films. A seleção a seguir mostra os trabalhos mais representativos desta edição, em primeira mão para o público brasileiro. It’s been 5 years that cell phones in France have been equipped with a camera and a screen. In 2005 The Forum des images created the Pocket Films Festival, in partnership with SFR, to explore the potential of this new communications tool as an innovative means of artistic expression now available to the general public. Recognized today throughout the world for it’s pioneering effort and expertise in the exploration of audiovisual creation with mobile technologies, the Forum des images reaches the 5th edition of the Pocket Films Festival. The following selecion shows this edition’s most representative works, in first hand to the brazilian audience.


ÊNFASE

Enfasis Felipe Cardona | Colômbia I 2007 I experimental I 5’ Beber um copo de água. Esse gesto trivial mergulha um homem num estado transe. Uma volta de força ensurdecedora (bruitiste). To drink a glass of water. This trivial gesture leads the man to a state of trance. A return of deafining strengh.

O Retorno de Ulisses à Pátria Il Ritorno Di Ulisse in Patria

Michael Szpakowski | Royaume-Uni | 2008 | experimental | 4’ Um filme experimental à procura de uma estética musical, que aborde sem preconceitos, para experimentar a magia. An experimental film in search of a musical aesthetics, that approaches without prejudice, to experiment magic.

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Sacre photocinématique Evgen Bavcar | França I 2008 I experimental I 6 min. O fotógrafo cego Evgen Bavcar, em uma penumbra alaranjada, prepara seu tema : a coroação de papel de uma jovem mulher. Blind photographer Evgen Bavcar, in an orange shade, prepares his them: the crowning of a young woman.

filmecolagem Moviecollage

Katsuki Tanaka | Pocket films Festival no Japão I 2007 I experimental vostf I 3’30” Paisagens e retratos se recompõem, como num jogo de cartas mágicas. Landscapes and portraits rebuild themselves, as in a magic cards game.


carro de brinquedo Voiture en carton

Kiripi Katembo Siku | República Democrática do Congo I 2008 I documentário I 7’ Uma câmera sobre um brinquedo passeia pelas ruas animadas de Kinshasa. A camera on a toy promenadas by the cheerful streets of Kinshasa.

recitação

Recitation Kevin Logan | Royaume-Uni I 2007 I doc. vostf I 4’30” A narrativa faz uma crítica severa a uma derivação tristemente banal da paranóia do terrorismo. A narrative makes a severe critic of a sadly banal derivation of terrorism’s paranoia.

auto-retrato Self Portrait

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Johan Renck | Suécia I 2006 I ficção I 11’ Um homem solitário arrasta seu tédio entre quatro paredes. Recorte milimétrico da intimidade devastada. A lonely man drags his boredoom between four walls. Milimetric carving of devatated intimacy.

GPS Você Mesmo GPS Yourself

Rémi Boulnois | França | 2008 I ficção I 45” Por que experimentar um GPS se um celular com câmera, mais um pouco de prática, dá conta do assunto? Why try a GPS if a cell phone with camera, and a bit of practice, handles it?

Objetos de uso múltiplo

Objets à usages multiples Delphine Marceau | França I 2008 I ficção I 2’30” Um ir e vir que zomba secamente dos objetos que o telefone celular substituiu. A come and go that drily mocks objects substituted by the cell phone.


o campeão

The Champion Rui Avelans Coelho | Portugal I 2007 ­I documentário I­ 1’ Ser projetado aos ares por um lançador de martelo… uma experiência no mínimo sensacional ! Be launched by a hammer platform... an experience at least sensacional!

Trabalhar mais para ganhar mais… Travailler plus pour gagner plus...

Jean-Sébastien Allaglo | França I 2008 I ficção I 3’ Um passeio desinteressado à moda dos garis que dirigem carros de limpeza (microbalayeuse ) na “France d’en bas”... An uninterested promenade as garbage man do when drive their cleaning cars at “France d’en bas”.

Américain Inaéki ? Louise Botkay Courcier | França-Níger-Brasil I 2007 I documentário I 8’ Nos passos de um pequeno grupo de acrobatas de rua, um convite para percorrer os mercados do Níger.  On the steps of a street acrobat, an invitation to walk through Niger’s markets.

situação 2.2

Situation 2.2 Raphaël Maze | França I 2007 I experimental I 3’30” Através de uma conversa com a diretora Abigail Child, um manifesto para um cinema de uma verdade esquecida, chamada experimental. By the talk of director Abigail Child, a manifest for a cinema of a forgotten truth, called experimental.

retrato fone

Phone Portrait Stephen Dwoskin | Royaume-Uni I 2008 I documentaire I 6’ Uma mulher enfrenta o olhar do câmera (filmeur)… tensão dentro do aglutinamento de pixels. Um filme da linha de trabalho de Stephen Dwoskin. A woman faces the camera eye... tension inside the gathering of pixels. A film in Stepehn Dwoskin style.

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depois de 43 anos After 43 Years

Khalil Mozaien Palestine | Centre culturel français de Gaza I 2007 I documentário I 6’ A espera, a impotência, o desespero: tamanha a emoção que emerge desse retrato silencioso de um prisioneiro do bloqueio de Gaza. Await, impotence, despair: such emotion emerges from this silent portrait of a prisoner of Gaza’s block.

Vil Marc Alapont | França I 2007 I animação I 3’ Uma animação estabelecida sob o signo de Francis Bacon: sucessão de mutilações e de deformações dolorosas, entrecortadas por demônios que tomam a instalação. An animation created under the sign of Francis Bacon: sequence of mutilations e painful deformations, intercut by demons that take over the installation

106 aventuras urbanas Aventures urbaines

Jocelyne Rivière e Serge Rustin | França I 2008 I documentário I 3’ Um mergulho no metrô parisiense, microcosmo livre com os seus códigos e usos, ritmado pelo estrondo das paradas dos vagões. A dive on Paris metro, free microcosm with its codes and usages, rhythm build by the wagon stops.

S. Hamaliuk Laura Cuello e Esteban Azuela | Espanha-Canadá-México I 2006 I animação I 1’ Um jovem de óculos toma seu banho de natureza. Mas qualquer um se entusiasma ao refletir muito em seu conforto. Uma fábula ecológica. A young with glasses bathes in nature. But each entusiasth must think a lot about its comfort. An ecological tale.


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Mostra festival dotmov (JAPÃO) DotMov é um festival de filmes digitais organizado pela revista online “Shift”, com o objetivo de descobrir criadores talentosos desconhecidos e dar-lhes a oportunidade de exibir seus trabalhos. De um total de 289 obras de 37 países inscritas este ano, foram selecionados 23 trabalhos excelentes pelo júri convidado. Todos os selecionados também estão expostos no website. O festival deste ano acontece em várias cidades do Japão e internacionalmente, durante todo o mês de novembro de 2008. DOTMOV is a digital film festival organized by the online magazine “Shift”, aiming to discover unknown talented creators and provide an opportunity to show their works. We had a total of 289 works from 37 countries this year, and excellent 23 works among them were selected by guest judges. All the selected works are also exposed on the website. This year’s festival will take place in several cities in Japan and overseas during the whole month of November, 2008.


Spen Za Nite Wiz Dis Sit Takafumi Tsuchiya Japão I 2008 I 4’24”

Olhando através de Lados B Looking Thru the B-sides Golden Lucky EUA I 2008 I 7’50”

Gravura

Utopia Perdida

Teppei Koseki Música / Music: Scam Circle

Mizue Mirai Música / Music: Alice Nakamura

Japão I 2008 I 5’

Japão I 2007 I 5’

Engrave

Lost Utopia

109 Asadoya Yunta Power Graphixx, Kentaro Fujimoto Música / Music: Omodaka Japão I 2007 I 3’38”

Herr Bar Clemens Kogler Música / Music: Clark (Warp Records) Áustria I 2008 I 3’07”

Livro Triste Sad Book

Yusuke Nakajima Música / Music: Takashi Watanabe Japão I 2008 I 3’52”

Bryun & Kapok: Uma Memória Bryum & Kapok: A Memory Overture Música / Music: Hauschka EUA I 2008 I 4’43”


ALGOL Noriaki Okamoto Japão I 2008 I 9’04”

Retorno como um Animal Return as an Animal Bruno Dicolla Brasil I 2008 I 1’31”

Sujeira Gêmea de Nariz Twin Nose Dirt

Kiyomitsu Saito EUA I 2008 I 3’10”

Fragmentos de Tempo Fragments of Time

Mizue Mirai Música / Music: Alice Nakamura Japão I 2008 I 4’45”

110 Espelho Mirror

Teppei Kuroyanagi Som / Sound: Takahide Higuchi Japão I 2008 I 3’40”

D.A.R Norihiro Yamamoto Japão I 2006 I 1’50”

Partitura Geográfica Geographic Score Hou Nakao Japão I 2008 I 2’40”

Jardim

Garden Takeshi Tsunehashi Japão I 2008 I 2’35”


Luz

A Agonia e o Êxtase

Liesbeth Koot

Golden Lucky

Holanda I 2008 I 8’

EUA I 2008 I 3’

Light

The Agony and The Ecstasy

Firewall da China Firewall of China Yoko Taketani Japão I 2008 I 1’10”

111 A montanha de Ling

The Mountain of Ling Michael Paul Young Música / Music: Ghostly Records & Michael Cina Tailândia I 2008 I 8’

Somcupuntura Sonopuncture

Giada Ghiringhelli EUA I 2007 I 8’55”


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Mostra Historias de bolsillo (México) Histórias de bolso

Diálogo construído com mídias móveis entre Constantini e Llanos De um lado, Arcangel Constantini trabalha há muito tempo com seu palm zire 72 para fazer o que chama de zi-re-filme, micronarrativas filmadas na perambulação diária. Por outro, Fernando Llanos tem se envolvido no desenvolvimento de vídeos com celulares e câmeras de uso extremo, explorando como elas mudam a maneira de contar histórias. Diálogo entre as produções desses dois artistas mexicanos. Duração: 1 hora. “Zi-re-filme são micronarrativas gravadas em ‘perambulações’ diárias, que enfocam incidentes regulares como condições fortuitas de temporalidade, subtraídas dos arredores em um exercício de atribuir e ler documentos, usando a mídia, que exibe a percepção das eventualidades da realidade.


Para fazer esses filmes, uso o Palm Zire 72, um microcomputador pessoal que

Dialogue between the production of these two

já não é mais fabricado, um aparelho de alta tecnologia que me permite gravar e

Mexican artists.

obter resultados peculiares em tempo real. Manipulando os parâmetros da câmera integrada ao PDA com controles digitais simples, obtive formato e qualidade

“Zi-re-filme are Micronarratives filmed at daily

especiais. Com compressão básica, precisa e única, e processamento de imagem

*strolls*, focusing the attention to regular incidents

em movimento de baixa tecnologia, os filmes não são pós-produzidos – são o

as fortuitous conditions of temporality, which are

registro visual e sonoro direto obtido pelo equipamento e resultado do prazer de

subtracted from the surroundings in an exercise to

perceber a flutuação e a lembrança do tempo, o que oferece a experiência de

assign and document readings, using media, that

‘adiamento’ em tempo real neste sistema e formato de filme.

release the perception on the eventualities of reality.

Produzindo a partir de uma tradição cine-fotográfica, a mudança de temporalidade

To make these films I use the Palm Zire 72, a

que procuro é latente e sincrônica.”

personal microcomputer that is discontinued from the market, a high tech device that allows me to film and obtain peculiar results in real time, manipulating the parameters of the camera integrated to the PDA with simple digital controls I obtain a special format and quality, a basic, precise and unique low tech compression and moving image processing, the films are not post-produced they are the direct visual and sound registry obtained by the equipment and are the result of the pleasure to perceive fluctuation

Pocket stories. Dialogue built with mobile media between Constantini and Llanos

and remembrance of time, that offers the experience of real time *deferment* in this system and film format.

In one side, Arcangel Constantini works for a long time with his palm zire 72 to make what he calls zi-re-filme, very short narratives filmed in daily “strols”. On

Producing from a cinema-photographic tradition,

the other hand, Fernando Llanos has been involved in the development of videos

the temporality shift that I look for is latent and in

made with cell phones and extreme cameras, exploring how they change the way

synchronicity.”

stories are told.

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Circuito nacional de Difusão Fomento, Formação e Rede de Difusão No contexto de abrangência nacional do Vivo arte.mov, o Circuito Nacional: Fomento, Formação e Rede de Difusão ocupa um papel cada vez mais amplo, ao se configurar como uma seqüência de pequenos eventos que acontecem em todas as cinco regiões, nas cidades de Brasília, Manaus, Recife, Rio de Janeiro e Porto Alegre. O objetivo é formar público qualificado, ampliar o debate

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sobre as possibilidades da linguagem audiovisual no contexto da cultura da mobilidade, estimular a produção e difundir as técnicas e conceitos envolvidos nas duas principais vertentes do Festival (microcinema e arte locativa). Cada um destes encontros segue um mesmo cronograma: um dos curadores do Festival faz uma palestra que tem tanto o objetivo de apresentar ao público o universo da arte e do audiovisual em mídias portáteis como divulgar o festival, especialmente sua Mostra Competitiva; é exibida uma seleção com os melhores vídeos das Mostras Competitivas de edições anteriores; é realizada uma Oficina para realizadores interessados em produzir vídeos com mídias móveis, em que são discutidos conceitos relevantes e ferramentas apropriadas para que eles efetivem seus projetos.

Palestra em Brasília com auditório lotado: no total, entre Workshops e Palestras, o público do Circuito Nacional de Difusão do arte.mov atingiu 633 pessoas. Lecture in Brasília with crowded room: the total of public of the National Circuit was 633 participators, considering lectures and Workshop.


National Circuit: Foment, Education and Diffusion Network On the context of the National range of Vivo arte. mov, the National Circuit: Foment, Education and Diffusion Network plays an increasingly wider role, by configuring itself as a sequence of weekend events that happen in all several five regions of Brazil, in cities like BrasĂ­lia, Manaus, Recife, rio de Janeiro and Porto Alegre. It aims to form qualified audiences, amplify the debate on the possibilities of audiovisual language on the context of a mobility culture, estimulate the production and circulate techniques and concepts related to the two trends of the Festival (microcinema and locative art). Each of these encounters follow a similar script: one of the curators of the Festival gives a lecture that aims both to introduce to the audience the universe of art and audiovisual produced for portable media and present the Festival, specially its Competitive Showcase; a selection with the best video from previous editions is screened; and a Workshop is delivered to producers which are interested in producing video with mobile media, when relevant concepts and appropriate tools are discussed so that they can effectively develop their projects.

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Aproximações arriscadas entre site-specific e artes locativas por Lucas Bambozzi Gostaria de tratar aqui do ‘lugar’ como campo de migrações semânticas, como migrações que ocorrem em função de deslocamentos culturais, operações lingüísticas, influências tecnológicas, licenças poéticas ou digressões teóricas. Convivemos com definições que poderiam ser aplicadas a muitos trabalhos artísticos que dialogam com seu entorno: seriam obras site-

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related, context-specific, contexto-relacionadas... site-oriented... São os lugares da palavra, que muitas vezes aprisiona e faz reverberar ao mesmo tempo. Essas denominações, que definem qualidades do lugar, encontram curioso estado movediço ao serem relacionadas com os processos de fricção da arte com a comunicação. Os des-locamentos e ressalvas semânticas do lugar se iniciam, para os não-nativos na língua inglesa, na utilização do termo ‘site-specific’ a partir da literalidade que o termo sofre na tradução para o português – incorrendo também em riscos lingüísticos. No projeto-texto “especificidade e (in)traduzibilidade” os artistas Jorge Mena Barreto e Raquel Garbelotti propõem que a utilização do termo no contexto brasileiro “deveria sofrer uma elaboração, tradução, ou canibalização, sob o risco de esvaziamento do teor de reflexão e crítica implicados pelo termo”. De fato, uma tradução literal como ‘lugar específico’ é imprecisa e errônea, ao retirar o específico como ‘qualidade’ da obra e o colocar em relação ao lugar físico.1

1. Adotando a simplicidade da explicação de Jorge e Raquel: “No inglês, a expressão sitespecific é usada como um adjetivo para caracterizar a especificidade da obra de arte. A expressão sítio específico em português qualifica o lugar físico como sendo específico e não a obra. Funciona como um substantivo.”


Aproprio-me desse pensamento por compartilhar a vontade de esgarçamento do

Refiro-me a um suposto movimento de desmaterialização

termo ‘site specific’, que nos serve afinal para as relações que a obra tem com

da noção de site que, a partir dos anos 1970, passa

o seu contexto, para além das relações de interioridade que em meios plásticos

a incorporar obras nas quais, segundo Hal Foster, “o

mais convencionais seriam atribuídas a elementos formais envolvendo cor, textura,

mapeamento sociológico é explícito”, tornando o site

composição – ou ainda profundidade de campo, montagem, narrativa, ritmo ou

não mais algo estritamente físico, mas incorporando a

construção de sentido diegético, em meios audiovisuais.

ele um sentido discursivo e social.

O que aqui interessa não é ‘re-buscar’ mais uma discussão sobre ‘site-specific’,

A noção de que o site não é definido como uma pré-

mas enfatizar aspectos referentes à exterioridade da obra de arte, em um entorno

condição, mas é “determinado discursivamente” é

que envolve o espaço público compartilhável. Como dizem os artistas-autores, “é

uma das premissas de Miwon Kwon em ‘One Place

na relação com seu contexto que a obra começa a formar o seu significado e a

After Another: Notes on Site Specificity’ – um

sua complexidade. É nas relações com o seu entorno que o objeto ou instalação

texto bastante utilizado recentemente por artistas e

artística alcança a sua potencialidade”.

pesquisadores, que revela uma suposta revitalização do estudo do lugar na arte. Kwon discorre sobre o lugar na condição funcional (‘functional site’),

Fulcrum (1987) escultura ‘site specific’ de Richard Serra, comissionada para uma das entradas da estação Liverpool Street em Londres. Fulcrum (1987) ‘site specific’ sulpture by Richard Serra, commissioned for one of Liverpool Streets Station’s entrances in London.

como um processo, uma operação que ocorre entre sites, delineando o lugar como um local em que se sobrepõem também informações. Para a autora, o lugar se torna funcional ao ser delineado como um campo de conhecimento, troca intelectual ou debate cultural (envolvendo

Revendo artistas como Richard Serra ou Robert Smithson deparamos com a imensa fisicalidade com que seus trabalhos se relacionam. Passamos a entender que, nessas obras, tal magnitude tem motivo de ser, especialmente ao se aproximarem de elementos exteriores de grande escala. Desde os anos 1970, artistas como Hans Haacke apontaram com seus trabalhos uma vertente próxima e, ao mesmo tempo, de outra ordem: a forma como o espaço público se transforma com a influência dos meios de comunicação de massa e de interesses comerciais privados.

eventualmente o próprio embate enfrentado pelo sujeito/artista no espaço, diante de informações como texto, fotografias, vídeos, dados, elementos físicos e objetos). Pois esse é o espaço teórico que nos permite rever o lugar na era tecnológica sob influências do posicionamento e da geo-localização.

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O ambiente informacional e o lugar ‘comunicante’ As frases de Bárbara Kruger ou de Jenny Holzer embrulhando grandes fachadas, se valendo da estética ‘midiática’ dos anos 1990 e inundando o espaço público que se fez através de um misto de arquitetura e comunicação, são exemplos de um suposto des-locamento e desmaterialização do site diante da informação e da comunicação visual. As projeções em grande escala de Krzysztof Wodiczko também nos pontuam o quanto a informação imaterial pode estruturar o espaço público de forma tão potente quanto a arquitetura construída fisicamente – inclusive em termos de construção de um espaço comum. São trabalhos em que o político se encontra em estado híbrido, em uma presença imaterial e que se torna potente ao ir de encontro à fisicalidade de espaços

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de circulação. Os projetos de vídeo de Dan Grahan relacionados à arquitetura (desenhados para interação social em espaços públicos) também foram marcos no que se refere a um empacotamento entre o social, o espaço arquitetônico e a imaterialidade das imagens. No entanto, sempre que pensamos o espaço físico tendemos a recair em noções Hans Haacke, News, 1969: o trato simultâneo com espaços físicos e ‘informacionais’

nostálgicas do lugar. Diríamos, ‘nada como a fisicalidade, a ambiência’... São

Hans Haacke, News, 1969: dealing simultaneously with physical and informational spaces

se confundem com os estímulos que recebemos de informações ligadas a esses

formas nostálgicas de fruição do espaço, de localização, de intimidade, que hoje lugares. Não é mais tão simples distinguir a formação arquitetônica da idealização semiótica que se faz de um espaço, local ou da própria cidade. Essas seriam as eficiências mais evidentes do chamado capitalismo ‘semiótico’, corporativo, tal como descrito por Maurizio Lazzarato, como uma forma de dominação global que cria mundos cognitivos baseados em arranjos de percepção. Cabe a nós,


usuários ou artistas, entendermos como se dão essas

O projeto Coluna Infinita II - Opostos, de Daniel Lima: conectando a Zona Oeste e a Zona Sul de São Paulo.

relações – algo que também o fazem os publicitários, na maioria das vezes em melhores condições. As estratégias de representação desempenham um

The project Infinite Column II – Opposites, by Daniel Lima: connecting São Paulo’s west and south zones.

importante papel na definição do que seria uma nova forma de alienação na sociedade atual, resultado do acento semiótico de um capitalismo entranhado nas redes de comunicação.

fonte de raio tinha origem do alto prédio do Instituto Tomie Ohtake, onde ocorria a exposição multimídia que abrigava o projeto, e apontava para a zona sul da cidade de

Nesse assentamento de ilusões vale entender quanto

São Paulo. Do “local-alvo”, uma escola estadual no bairro Paraisópolis, partia uma

o lugar, o espaço e suas fisicalidades complementam

outra fonte de raio laser, em direção ao Instituto Tomie Ohtake. Entre os dois pontos

o vazio que determinadas tecnologias causam

existem 7 quilômetros de espaços não-contíguos, de área urbana conectada por ruas

(especialmente aquelas ligadas às virtualidades

e vias de acesso, mas com muito pouco em comum, dado o contraste social entre os

sugeridas na virada do século, que nos prendem a

bairros. Por três dias esse eixo horizontal de luz conectou ‘fisicamente’ os espaços (na

telas e a redes exclusivamente tecnológicas).

medida em que luz também é matéria). O trabalho aconteceu primordialmente fora

Em 2004 durante o Sonarsound, um braço do Sonar de Barcelona em São Paulo2, tive a oportunidade de viabilizar um trabalho que me parece ainda hoje emblemático em relação a questões de preenchimento de vazio e conexão de espaços díspares, contrastantes inclusive.

do espaço expositivo. Mas dentro da exposição, e também na escola pública no bairro distante, ambos os públicos tiveram acesso ao registro do contexto imediato de seus arredores. Durante as três noites do evento, o raio de luz oscilou entre o concreto e o ‘imaterial’ e se lançou como reação ao isolamento social imposto pela metrópole, como confraternização possível, como ponte temporária e simbólica entre isolamentos e exclusões que a cidade promove. A crítica e curadora de arte Daniela Labra assim o descreve:

O trabalho Coluna Infinita II - Opostos, de Daniel Lima, consistia de uma emissão de raio lasers advindos de

“Nada de novo, mas as crianças moradoras de Paraisópolis, que subiram

dois pontos distintos da cidade de São Paulo. Uma

no topo do prédio e viram como a luz chegava até seu bairro, descobriram que São Paulo é grande demais e tem infinitas luzes, que nunca chegaram à sua vizinhança. Para quem via a comunidade do alto do prédio distante, o

2. A mostra multimídia e de projetos ligados a tecnologia celular teve uma curadoria local por mim conduzida, em estreita sintonia com a curadoria internacional de Oscar Abril Oscaso, da equipe do Sonar de Barcelona.

ponto de chegada daquela luz, lá, era uma explosão, um ponto imenso que

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devolvia com violência toda a energia do raio intenso que vinha do

céu.” 3

Em termos técnicos, o locativo é localizável, rastreável, tende a ser intrusivo, serve a operações vigilantes, tem vocações disciplinadoras. Mas os desvios são possíveis: e é interessante entender o desvio/aproximação da tecnologia no espaço

Aqui surge uma questão: qual o específico deste

urbano.

trabalho? Com certeza não seria o raio laser, a tecnologia empregada e suas qualidades intrínsecas.

As chamadas artes locativas (conforme definição de Drew Hemment) “estão

Com que espaço ele se relaciona? Qual o lugar da

simultaneamente abrindo novos caminhos para o engajamento no mundo e

obra? Não seria o prédio do Instituto Tomie Ohtake,

mapeando seus próprios domínios e geopolíticas. Drew propõe entender o termo

nem a escola estadual em Paraisópolis. Mas talvez

de forma inclusiva, ao invés de excludente, o que às vezes implica o risco de não

o vazio entre esses espaços, o que há de conectável

diferenciar as mídias locativas de outras formas de envolvimento mediado com a

entre eles.

espacialidade. Mas nos incita a enfrentar o contexto, ao invés de engavetarmos o campo prematuramente”.

Se as tecnologias, a partir de sua mobilidade e

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ubiqüidade (de poderem estar em todo lugar),

Atualmente a única opção para as pessoas preocupadas com algumas das

estão se voltando para o espaço físico, então que

implicações das novas tecnologias de rede é desligá-las ou nunca começar

se busque formas de relacionamento com o espaço,

a usá-las, em primeiro lugar. A política da nova mobilidade vai aparecer em

tirando inclusive proveito dessas possibilidades de

algum lugar entre o ligamento e o desligamento. (Drew Hemment, palestra

mediação.

no arte.mov 2006)

mídias locativas

A construção de um re-dimensionamento da idéia de site-specific nos termos

O termo ‘mídias locativas’ é novo, estranho, e às

colocados até o momento configura o ‘site’ como um espaço de possibilidades não

vezes pode ser contestado energicamente, de formas

materiais, mas que apontam para espaços efetivos.

nem sempre construtivas. “É um conceito que pode ser problemático ou, no mínimo, impreciso.”4

Na mostra Deslocamentos: desvios da tecnologia no espaço público (arte.mov 2007)5 foi possível pensar em um conjunto de projetos dentro da vertente ‘locativa’

3. Texto crítico e independente de divulgação do trabalho produzido pelo artista na forma de PDF. 4. Bastos, Marcus e Ryan Griffis. “Beyond “recombinant / emergent” and “perfomative / locative”, in Leonardo Electronic Almanac.

que, como elemento comum, apresentam uma inversão do procedimento militar de localização, explorando as possibilidades que surgem entre redes móveis e

5. Desde 2006 o evento tem curadoria de Lucas Bambozzi, Marcus Bastos e Rodrigo Minelli


espaço urbano. Os trabalhos foram montados

O funcionamento do trabalho envolve caminhadas por rotas menos conhecidas

levando-se em consideração as características da

do parque, bem como boa dose de observação, algo que não ocorre à maioria

cidade de Belo Horizonte, e do Parque Municipal

dos transeuntes locais, que utilizam o parque não como espaço de lazer mas

(que funcionou como uma espécie de laboratório para

como uma conexão rápida entre duas grandes avenidas da cidade. Uma vez

as instalações locativas). Assim, trabalhos criados

aberto a esse tipo de exploração, o visitante busca por locais “ativos”, sensíveis

originalmente para outros contextos como “Tactical

ao reconhecimento do local pelo software, e assim o programa identifica suas

Sound Garden”, de Mark Shepard; “AIR”, do Grupo

posições e insere diferentes anônimos na tela, relacionados com o local, que

Preemptive Media, ou “Motoboys”, de Antoni Abad,

aparecem sentados em bancos, deitados na grama ou próximos a pontos de fácil

tiveram componentes pensados e cuidadosamente

referência em função do posicionamento do visitante. Pessoas que possuam

adaptados para a nova situação.

celulares com o sistema operacional S60 – como os da NSeries da Nokia – podem instalar os programas em seus próprios telefones e explorar o parque de

Já o projeto “Invisíveis”, de Bruno Viana, foi

maneira independente.

desenvolvido a partir de um comissionamento que resultou em um trabalho estritamente específico,

Uma intenção recorrente em mostras como essa tem sido agenciar

relacionado a determinadas localidades do Parque

as possibilidades de reaproximação dos indivíduos do espaço urbano

Municipal, envolvendo suas histórias e freqüentadores.

compartilhável, muitas vezes por meio do caráter lúdico dos eventos

O projeto partiu dos conceitos de portabilidade e

criados, que sendo organizados em grupo, evidencia também o potencial de

realidade aumentada para proporcionar um passeio

agenciamento coletivo de uso das tecnologias sem fio6, algo cada vez mais

exploratório no parque, uma expedição em busca de

difícil de ocorrer espontaneamente nas grandes cidades.

personagens intimamente ligados àquele espaço. Os usuários ou participantes receberam celulares

Muitas vezes, ao trabalhar com meios de comunicação, o que muitos artistas

especialmente preparados com um aplicativo que

buscam é a criação de ferramentas ou formas de explicitar condições já

filtra a imagem ao vivo da câmera através de máscaras,

existentes (uma espécie de ready-made), em um mecanismo de espelhamento

sobrepondo fotos pré-existentes de freqüentadores

de situações de conflito ou de confluências potencialmente relevantes (em

do parque às imagens vistas no visor do celular. Um

termos de expressividade estética, social ou política) que já existem nas redes.

algoritmo de reconhecimento de imagem faz com que as imagens “flutuem” em lugares fixos, dando a sensação de uma presença virtual no local.

6. A mostra incluiu ainda documentação de trabalhos como Os Duelistas (David Levine), Meu nome é Ronaldo (Antoni Abad), Paintersflat.net (Brett Staulbam), Manifeste-se (mm não é confete), Hundekopf, Knife and Fork (Brian House), Can you see me now? (Blast Theory), Loca (Drew Hemment e grupo Loca) e outros.

121


Esse processo reflete uma consideração do curador

se aos pontos de encontro entre meridianos e paralelos, e fotografar o espaço

Steve Dietz, em que ele faz ecoar uma pergunta-

circundante a partir desse ponto de vista específico, apontando a câmera para

chave sobre a pertinência de uma arte nas redes,

os pontos cardeais. O Degree Confluence tem certa pretensão de fornecer ‘uma

ao afirmar que a Internet é mais interessante do

amostragem do planeta terra mapeado geograficamente’, organizado de forma

que a maioria dos trabalhos de net-arte.

matemática e supostamente precisa. Como outros projetos de construção coletiva (Google, Youtube, Daylymotion, 12 seconds), sugere ao usuário a perspectiva de

O projeto “Descontínua Paisagem”, de Fernando

colocar-se como colaborador do projeto, com seus testemunhos (textos e imagens)

Velazquez, contemplado com o prêmio Artes Locativas

de como chegaram aos pontos especificados e como os registraram.

estabelecido pelo Vivo arte.mov em 2008, é uma contribuição que aponta para esse tipo de pensamento

O projeto de Velazquez interage com esse dispositivo, buscando no Degree

ao mesmo tempo em que desconstrói o caráter

Confluence as imagens dos pontos existentes e trazendo-as para o contexto

cartesiano ou didático que começa a ser associado a

da exposição. Há uma interação que ocorre localmente no espaço expositivo e

determinados projetos de tecnologias móveis.

arredores, mas que está localizada remotamente (no servidor do Degree), e se refere a pontos ainda mais remotos. O visitante também pode ele mesmo sair

122

No projeto, os participantes escolhem lugares a serem

em busca de um cruzamento de coordenadas nas próprias imediações onde o

visualizados a partir de uma lista de coordenadas

trabalho acontece e introduzir uma paisagem mais local ou mais diretamente

enviando uma mensagem SMS a um servidor. As

contextual no trabalho. De um modo ou de outro, o projeto aborda a questão

locações disponíveis são mapeadas a partir do site

do lugar pela negação de sua matemática, por se apropriar do olhar alheio, por

Degree Confluence Project (www.confluence.org)

traficar coordenadas de um espaço para outro, por introduzir elementos subjetivos

que adquiriu notoriedade na Internet ao convidar

e embaralhar o específico.

indivíduos munidos de um aparelho de GPS a dirigir-

Degree Confluence Project: O objetivo do projeto é visitar cada uma das intersecções dos graus inteiros de latitude e longitude do mundo, e tirar fotos de cada lugar. As fotos, e histórias sobre as visitas, estão serão postadas aqui. The goal of the project is to visit each of the latitude and longitude integer degree intersections in the world, and to take pictures at each location. The pictures, and stories about the visits, will then be posted here.


A idéia de lugar existe o tempo todo no processo, inclusive de forma literal. Mas

e talvez mais uma ferramenta de aproximação da

a que ‘lugar’ específico o trabalho se relaciona? Não seria efetivamente o das

realidade social.

coordenadas. Com que contexto a obra dialoga? Presumidamente, talvez com o contexto da web, a ânsia de mapeamento progressivo do planeta e, não menos

Assim, pouco a pouco, vemos o surgimento, ainda

interessante, se relaciona com a disposição e mobilidade dos tantos indivíduos

tímido talvez, de trabalhos que lidam com grandes

que colaboram com o projeto remotamente.

escalas e magnitudes (os parques, as cidades) ao mesmo tempo em que se apresentam como

Os resultados são visualizados num conjunto de 4 projeções que formam uma

intervenções quase invisíveis no espaço físico.

paisagem imaginária, descontínua, porém capaz de fazer expandir as noção de lugar e espaço como territórios fixos, desprovidos de subjetividade.

São configurações de obras afiliadas a categorias instáveis e incertas, como o são os conceitos ligados

Outro projeto que se insere na cidade como proposta de exploração unindo

às locative media, mas que sugerem uma possível

elementos físicos e informacionais é o projeto Hiper GPS. Idealizado por Cicero

apropriação das idéias de ‘site-related’ ou de

Inácio Silva e Brett Stalbaum, eles propõem aplicar o conceito de hipertexto à

‘context-specific’ – desprovidos de fisicalidade e por

trama da cidade. Ao caminharem pelas ruas das cidades, os participantes podem

isso tão dependentes desta.

localizar, com o uso de celulares dotados de GPS, uma combinação de textos, imagens e sons pré-gravados no sistema. Apesar de ainda não implementado7

Não interessam muito as premonições, mas vale

o projeto avança no sentido de pensar a cidade não como um intrincamento de

dizer que se trata de uma tecnologia que ganha

coordenadas geográficas e números (dados como latitude e longitude não significam

respaldo e se legitima pela popularização de seu

muita coisa para a maioria das pessoas) mas através de pontos e regiões sensíveis

uso e aplicação. Nenhuma tecnologia se difundiu

que podem levar as pessoas a compartilhar histórias e eventualmente encontrar

tão rapidamente como as mídias móveis estão se

situações em comum.

difundindo, se sedimentando nas estratificações mais populares da sociedade.

A acessibilidade e a adoção do comum (o commons, tão usurpado pelos poderes privados) são elementos vitais nas tênues práticas associadas à tecnologia móvel,

Assim, o lugar do ‘locativo’ que nos interessa não é

que exatamente por este viés talvez as torne menos um novo gadget de mediação

um slogan do tipo anytime, anywhere, everywhere. Mas sim uma idéia que resulta de uma aproximação com práticas muito potentes no campo da arte, com

7. O projeto foi apresentado para comissionamento junto ao Prêmio Artes Locativas do Vivo artemov 2008.

questões que envolvem os espaços físicos e suas

123


especificidades, tensões e conflitos. Um conceito com prováveis conexões com o que melhor se produziu sob a idéia de ‘site-specific’, de functional site. Resta-nos indagar que tipo de obras ainda surgirão nesse novo e movediço ‘lugar’ que toma forma no mundo.

Risky approximations between site-specific and locative arts by Lucas Bambozzi I’d like to address the term ‘site’ as a field of semantic

Referências Bibliográficas

migrations, as migrations that occur due to cultural dislocations, linguistic operations, technological

Arns, Inke. Social Technologies: Deconstruction, subversion and the utopia of

influences, poetic licenses or theoretical digressions.

democratic communication, in Daniels, Dieter and Frieling, Rudolf (orgs) Media

We usually share definitions that could be applied to

Art Net, www.medienkunstnetz.de, Germany, 2000 www.medienkunstnetz.de/

a number of artistic works which establish themselves

themes/overview_of_media_art/society/16/

through dialogues with their surroundings: as in site-related, context-specific, context-related… site-

124

Bastos, Marcus e Griffis, Ryan. “Beyond “recombinant / emergent” and

oriented…These are the places of the words, that at

“perfomative / locative”, in Leonardo Electronic Almanac, 2007 http://leoalmanac.

times imprison and cause reverberation at the same

org/resources/lead/digiwild/mbastosrgriffis.asp

time.

Barreto, Jorge Mena e Garbelotti, Raquel. especificidade e (in)traduzibilidade,

These denominations, that define the qualities of

texto-base para debate e oficina: Práticas artísticas contemporâneas em sistemas

“site”, fall into a muddy state when related to processes

de movimentação ou o site-specific hoje, com Jorge Menna Barreto e Raquel

of friction between art and communication.

Garbelotti, arte e Esfera Pública, Centro Cultural São Paulo e Fórum Permanente, abril de 2008, arte-esferapublica.org

The dis-locations and the semantic exceptions of “site” initiate, for those that do not have English

KWON, Miwon. One Place After Another: Notes on Site Specificity. in: SUDERBURG,

as their native language, with the use of the term

Erika (ed). Space, Site, Intervention: situating installation art. Minneapolis (EUA):

‘site-specific’ when literally translated to Portuguese

University of Minnesota Press, 2000

– which also brings along linguistic risks. In the textproject ‘site-specific and (un)translatability’, artists

FOSTER, Hal. The return of the real: the avant-garde at the end of the century.

Jorge Mena Barreto and Raquel Garbelotti suggest that

The MIT Press. London, 1996

the use of the term in the Brazilian context ‘should


experience further elaboration, translation or cannibalization in order to avoid

private commercial interests.

depleting the term’s critical and reflexive content’. In fact, a literal translation like ‘lugar específico’ is inaccurate and wrong, because it abandons the term ‘specific’ as a quality and puts it in relation to the physical space.

1

I’m referring to a supposed movement of dematerialization of the notion of “site”, that from the 70s on, begin to include works in which, according

The appropriation of this thought is due to a common wish to rip the term ‘site-

to Hal Foster, ‘sociological mapping is explicit’,

specific’ apart, expanding it to the relationship between the work and its context,

making the term ‘site’ not anymore strictly physical,

beyond the internal relationships that in the more conventional fine arts realm

but impregnated of a meaning which is social and

would be attributed to formal elements related to color, texture, composition – or

discursive.

yet depth of field, editing, narrative, rhythm or construal of the diegetic space, in audiovisual medium.

The notion that the term ‘site’ is not defined as a pre-condition, but ‘discursively determined’ is one of

What matters here is not ‘re-searching’ another discussion on ‘site-specific’ but

Miwon Kwon premises in ‘One Place After Another:

emphasizing aspects concerning the exteriority of the work of art, in surroundings

Notes on Site Specificity’- a text that has been very

that includes shared public space. Like the mentioned author-artists say, “it is on

referred to recently by artists and researchers, that

its relation to context that the work start to build its meaning and its complexity.

reveals a presumed revival of the study of the place

It is on the relations with its surroundings that the object or artistic installation

of location in art. Quoting James Meyer, Kwon talks

reaches its potential”.

about location in its functional aspect (‘functional site’), as a process, an operation that happens

Revisiting artists like Richard Serra, or Robert Smithson, we face the same huge

between sites, defining location as a place that also

physicality with which their works relate themselves. We understand that in

overlays information.

these works, such magnitude has a reason, specially when they relate to exterior elements of large scale. Since the 70s, artists like Hans Haacke have used their

For these authors, location becomes functional when

work to highlight a close and at the same time distinct aspect: the way public

it gets defined as a field for knowledge, intellectual

space transforms itself through the influence of mass communication media and

exchange or cultural debate (including eventually the very own confrontation lived by the subject/artist in

1 Adopting the simplicity of Jorge and Raquel’s explanation: “ in English, the expression site specific is used as an adjective to define the especificity of the work of art. An expression such as “sítio específico” in Portuguese qualifies the physical place as being specific and not the work. It functions as a substantive.”

space, in front of information such as text, photos, videos, data, physical elements and objects). This is the theoretical space that allows us to review location

125


in the technological era under influence of positioning and geo-localization.

left for us, users or artists, to understand how these relations come about – something that advertisers

Informational environment and the ‘communicatory’ location

also do, most of the times under better conditions.

Barbara Kruger and Jenny Holzer sentences wrapping up big facades, making use

defining what could be a new form of alienation in

of 90s media aesthetics and drawning public space with a mix of architecture and

nowadays society, as a result of the semiotic accent

communication are examples of a presumed dis-location and de-materialization of

of a capitalism deeply nested on communication

the site in face of information and visual communication.

networks.

Krzystof Wodiczko’s large-scale projections also punctuates how immaterial

Amidst

information can structure urban public space as much as a physically built

understanding how much place, space and its

architecture – also regarding a common space construal.

physicality complement the emptiness that certain

Representation strategies play an important role in

this

illusion

settlement

it

is

worth

technologies cause (especially those related to the

126

These are works in which the political aspect stands in hybrid state, due to a

virtualities suggested on the turn of the century,

presence which is immaterial and becomes powerful when it meets the physicality

that keep us tied to screens and networks that are

of circulation spaces. Dan Grahan architecture related video projects (designed for

essentially technologic).

social interaction in public spaces) were also landmarks when social, architectural space and image immateriality come together.

During 2004 Sonarsound, a branch of Barcelona’s Sónar in São Paulo, I had the opportunity of making

Nevertheless, every time we think about physical space we tend to fall upon nostalgic

possible a work that looks very emblematic even

notions of place. We would say, ‘nothing compares to physicality, ambience’…

nowadays when one thinks about occupying voids

These are nostalgic means for the reading of space, of locativeness, of intimacy,

and connecting distinct and contrasting spaces.

that nowadays get mixed with the stimuli we receive from information connected to this places. It’s not that simple to differentiate architectonic formation from the

The project Infinite Column II – Opposites, by Daniel

semiotic idealization of a space, a place or the city itself.

Lima: connecting São Paulo’s west and south zones The work Infinite Column II – Opposites by Daniel

These would be the most obvious efficiencies of the so-called ‘semiotic’

Lima consisted of two laser beams projected from

capitalism, corporative, as described by Maurizio Lazzarato as a means of global

two distinct places in São Paulo. One of the beams

domination that creates cognitive worlds based in perception arrangements. It’s

was originated from the top of the Tomie Ohtake


Institute’s building, where the multimedia exhibition

that São Paulo is really huge and has infinite lights that never illuminated

that was housing the project was taking place, and

their surroundings. For people who saw the community from the top of

pointed to São Paulo’s south zone. From its ‘target

such a distant building, the destination point of that light beam was like

place’, a public school in the neighborhood of

an explosion, a huge point giving back all the energy of that intense beam

Paraisópolis, another laser beam was sent back to the

coming from the sky with great violence’

Tomie Ohtake Institute. Between both points there are more than 4 miles of non-continguos spaces,

A question is posed here: what is specific of this work? For sure neither the laser

of urban area connected by streets and lanes, that

beam, nor the technology used and its particular qualities. Which space is it

share few common aspects, giving the social gap

relating to? What is the work’s place? Certainly not the Tomie Ohtake Institute

between the two neighborhoods. For three whole

building or the public school in Paraisópolis, but maybe that void in-between and

days this horizontal light axis ‘physically’ connected

what remains connectable between them.

both spaces (taking into account that light is also matter). The work took place primarily outside the

If technologies, taking into account their mobility and ubiquity (since they can

exhibition space. But inside the exhibition and also

be everywhere), are now getting back to physical space, then one should search

at the public school, both audiences had access

new ways to relate with space, including ones that can take advantage of such

to the record of the immediate context of their

mediation possibilities.

surroundings. During the three nights of the event, the light beam oscillated between the concrete and

locative media

the ‘imaterial’, projecting itself as a reaction to the

The term ‘locative media’ is new, strange and often strongly contested in ways that

social isolation inflicted by the metropolis, acting like

are not always constructive. ‘It is a concept that can be misleading or, at least,

a possible confraternization, a temporary symbolic

imprecise’.

2

bridge bringing together isolations and exclusions imposed by the city. Art curator and critic Daniela

In technical terms, locative can mean locatable, traceable, tending to be intrusive,

Labra describes the work as follows:

serving to surveillance purposes, with disciplinary vocation. But deviations are possible: and it is interesting to understand the technologic deviation/

‘There’s nothing new but the children living

approximation in the urban space. The so-called locative arts (as defined by Drew

in Paraisópolis that went all the way up to the top of the building and witnessed how the light was reaching their neighborhood, found out

2 Bastos, Marcus e Ryan Griffis. “Beyond “recombinant / emergent” and “perfomative / locative”, in Leonardo Electronic Almanac.

127


Hemment) “are simultaneously opening new paths to

‘locative’ approach that presented, as a common element, an inversion of the

worldly dissemination and mapping its own domains

military procedure of localization, exploring the possibilities that arise on the space

and geopolitics”.3 Drew proposes the understanding

between mobile networks and urban space. The works were set up considering

of the term in an inclusive manner, instead of an

the characteristics of the city of Belo Horizonte, and its Municipal Park (which

excludable one. This can sometimes imply the risk of

served as a kind of laboratory for the locative installations). Thus, works originally

non-differentiation between locative media and other

created in other contexts like ‘Tactical sound Garden’ by Mark Shepard; ‘Air’, by

forms of space mediated involvement. But it also

Preemptive Media, or ‘Motoboys’ by Antoni Abad, had some of their components

lead us to face the context, instead of prematurely

thought and carefully adapted for the new situation.

putting the field in a drawer. ‘Invisibles’ by Bruno Viana was developed with a commission that resulted in

128

Lately the only options available for people

a very specific work, related to some determined spots at the Municipal Park,

worried with some of the implications brought

involving its stories, visitors and the environment. The project was born by taking

by new networking technologies is to either turn

portability and augmented reality concepts to offer an exploratory stroll in the park,

them off or never start making use of them,

an expedition in search of characters intrinsically related to that space. Users

to begin with. New mobility politics will arise

or participants receive cell phones specially prepared with an application that

somewhere between turning it on and turning it

filters live feed from the camera using masks and overlays. It would superimpose

off. (Drew Hemment, 2006 lecture at arte.mov

previously taken pictures of park goers to the real time images seen on the cell

symposium)

phone screen. An image recognition algorithm makes those images ‘float’ in fixed locations, offering the feeling of a virtual presence in that place.

The construal of a re-dimensioned idea of site-specific in the terms presented until now configures ‘site’ as

The work mechanism involves walks through less known paths in the park as well

a space of non-material possibilities, though pointing

as a good dose of observation, something that do not occur to most of the local

to actual spaces.

passersby, that use the park not as a leisure space but as a quick connection between two big city avenues. Once open to this kind of exploration, the visitor

At the showcase Dislocations: detours of technology

looks for ‘active’ places that are sensitive to the recognition of place by the software

in public space (arte.mov 2007), it was possible

that, this way, identifies their positions and inserts different anonymous on the

to think about a group of projects pertaining to the

screen, site related, that appear sitting on benches, lying on the grass or near easy reference points according to the visitor’s position. People owning a Symbian S60 operational system based cell phone – like NSeries Nokia ones – could install

3 www.drewhemment.com/2004/locative_arts.html


the software in their own cell phones and explore the

of thought at the same time it deconstructs the Cartesian or didactic aspect that

park independently.

begins to get associated with certain mobile technology projects. In the project, participants choose the locations they want to visualize from a

A recurrent concern of showcases like this one has

coordinates menu by sending an SMS to a server. The available locations are

been agencying the possibilities of of re-approximating

mapped using Degree Confluence Project’s web site (www.confluence.org), that

individuals of the shareable urban space, many times

got a lot of visibility in the Internet by inviting individuals who own a GPS device

through the ludic aspect of the events created,

to visit meridian and parallels confluence points all over the globe, and photograph

that being organized by groups, also highlight

the surroundings from this specific point of view pointing their cameras to the

the collective management potential of wireless

cardinal points. Degree Confluence somehow intends to offer ‘a geographically

technology usage, something that is becoming harder

mapped sample of the Earth’, mathematically organized in a supposedly precise

to occur spontaneously in big cities.

way. As other collectivelly constructed projects (like Google, Youtube, Daylymotion, 12 seconds), it suggests for the user the perspective of being a contributor to the

Many times, when working with communication

project, by posting their testimonies (texts and images) of how they arrived at the

media, many artists seek the creation of tools or

specified points and how they registered them.

forms of making existent conditions more obvious

129

(a kind of ready-made), in a mechanism that mirrors

Velázquez project interacts with this device, searching images of existing points

conflictive or potentially relevant confluent situations

at Degree Confluence and bringing them to the exhibition context. There is an

(in terms of aesthetics, social or political expression)

interaction that happens locally at the exhibition space and its surroundings but

already present in networks. This process reflects a

is remotely located (at Degree’s server) and refers to even more remote points. The

remark by curator Steve Dietz, in which he echoes a

visitors can also search himself for a coordinate confluence in the surroundings

key question about the pertinency of a networked art,

where the work takes place and introduce a more local or directly contextual

when he states that the Internet is more interesting

landscape to the work. One way or another, the project approaches the question of

than most net-art works.

location by denying its math, by taking over someone else’s view, by ‘smuggling’ coordinates from one space to another, by introducing subjective elements and

The project ‘Discontinuous Landscape’ by Fernando

scrambling the specific.

Velazquez4 is a contribution that points to this kind The idea of place is ever present in the process, even literally. But what specific 4. The project was developed together with Juliá Carboneras (Spain), and received the Locative Arts award created by 2008 Vivo Arte.mov,

‘site’ does such work relate to? Certainly not that of the coordinates. What context does the work dialogue with? Presumably, maybe with the web context,


the yearning of progressively mapping the planet and, not less interestingly, it

concepts related to locative media, but suggesting

relates with the disposition and mobility of the many individuals that remotely

a possible appropriation of ‘site-related’ or ‘context-

collaborated to the project.

specific’ ideas – destituted of physicality and because of that so reliant on it.

The results are visualized in a group of 4 projections that form an imaginary landscape, discontinuous, but capable of expanding the notions of place and

Premonitions do not matter that much, but it is worth

space as fixed territories destituted of subjectivity.

saying that this is a technology that gains support and legitimizes itself through the popularization of

Another project that inserts the city in the exploration proposal bringing together

its usage and application. No other technology has

physical and informational elements is Hiper GPS. Created by Cicero Inácio

spread so rapidly like mobile medias have been

Silva and Brett Stalbaum, it suggests applying the hypertext context to the city

doing, managing to root itself in the most popular

structure. Walking along the city streets, participants can access, with the aid

layers of society.

of GPS enabled cell phones, a mix of texts, images and pre-recorded sounds in

130

the system. Although not yet implemented, the project moves on the direction of

So, the place of ‘locative’ that really matters to us is

thinking the city not as mesh of geographic coordinates and numbers (latitude and

not a slogan rushing ideas like anytime, anywhere,

longitudes data do not mean much to most people) but through sensitive points

everywhere. But an idea that results from the

and regions that can lead people to share stories and eventually discover things

approximation with very powerful practices in the

in common.

art field, and debates that involve physical spaces and its particularities, tension and conflicts. It’s a

The accessibility and the adoption of the commons (the commons, so arrogated

concept with probable, risky connections with some

by private powers) are vital elements in the feeble practices related to mobile

of the most relevant work that has been produced

technology, that exactly by this means, maybe become less of a new mediation

under the concept of ‘site-specific’, of functional

gadget and more a tool of approximation to social reality.

site. So remains, for us, to wonder what kind of works will still appear in this new and muddy ‘site’ that is

In that way, little by little, we see, albeit still shy, the uprising of works that deal with great scales and magnitudes (parks, cities) at the same time presenting themselves as almost invisible interventions in physical space. They configure work affiliated to unstable and uncertain categories, just like the

taking shape in the world.


Bibliographical references Arns, Inke. Social Technologies: Deconstruction, subversion and the utopia of democratic communication, in Daniels, Dieter and Frieling, Rudolf (orgs) Media Art Net, www.medienkunstnetz.de, Germany, 2000 www.medienkunstnetz.de/ themes/overview_of_media_art/society/16/ Bastos, Marcus and Griffis, Ryan. “Beyond “recombinant / emergent” and “perfomative / locative”, in Leonardo Electronic Almanac, 2007 http://leoalmanac. org/resources/lead/digiwild/mbastosrgriffis.asp Barreto,

Jorge

Mena

and

Garbelotti,

Raquel.

especificidade

e

(in)traduzibilidade, base text for debate and workshop: Contemporary Artistic Practices in moving systems or site-specific today, with Jorge Menna Barreto and Raquel Garbelotti, art and Public Scope, Centro Cultural São Paulo and Fórum Permanente, April 2008 http://arte-esferapublica.org/ KWON, Miwon. One Place After Another: Notes on Site Specificity. in: SUDERBURG, Erika (ed). Space, Site, Intervention: situating installation art. Minneapolis (EUA): University of Minnesota Press, 2000 FOSTER, Hal. The return of the real: the avant-garde at the end of the century. The MIT Press. London, 1996 Meyer James, “The Functional Site; or, The Transformation of Site-Specificity. in: SUDERBURG, Erika (ed). Space, Site, Intervention: situating installation art. Minneapolis (EUA): University of Minnesota Press, 2000.

131


Convidados Arcangel Constantini Desenvolve obra de caráter lúdico experimental, reforçada formal e conceitualmente. Parte de sua atenção produtiva gira em loop, retroalimentando-se da obsolescência dos objetos tecnológicos e de sua ressignificação no contexto artístico. Suas atividades remetem a implementações que dão significado a objetos obsoletos a partir da eletrônica básica e sua manipulação, à reciclagem conceitual,

132

à construção de sistemas eletromecânicos low tech e à exploração de idéias sobre vários campos criativos. Ativo na cena de Net Art, mantém uma série de projetos online desde 1997, ano que em que começou esta atividade. Além da produção artística, é curador e gestor independente, organizando mostras e eventos no cyberlounge do Museo Tamayo. Foi parte da equipe curatorial do Festival de Arte Eletrônica Transitio Mx, assim como do conselho do Dorkbot Cidade do México. É diretor da galeria emergente ¼ ; tem exibido seu trabalho em festivais, bienais e mostras em países como Holanda, Argentina, Peru, Coréia, Japão, Alemanha, França, Porto Rico, Canadá, Itália, Reino Unido, Uruguai, Brasil, Austrália, Espanha e Portugal. He develops a ludic and experimental work strengthened formal and conceptually. Part of his productive attention goes on loop, retrofeeding itself from the obsolescence of technologic objects and its resignification in artistic context. His activities refer to implementations that provide meaning for obsolete objects from the basic electronics and its manipulation, to conceptual recycling, to the construction of electromechanic low tech systems and to the exploration of ideas in several creative fields. Active in the Net Art scene, he develops a series of online projects since 1997, when he began this activity. Besides the artistic production, he is curator and independent manager, organizing showcases and events in the cyberlounge of Museo Tamayo. He integrated curator team of Transitio Mx Electronic Art Festival, as well as the board of Dorkbot Mexico City. He is director of the emerging gallery ¼; he has exhibited his work in festivals, biennales and showcases in countries such as The Netherlands, Argentina, Peru, Korea, Japan, Germany, France, Puerto Rico, Canada, Italy, United Kingdom, Brazil, Australia, Spain and Portugal.


BLAST THEORY Grupo

internacionalmente

www.blasttheory.com reconhecido

como

um dos mais ousados na utilização de mídias interativas, ao criar performances com realidades que entrecruzam Internet, performances ao vivo e broadcast digital. Liderado por Matt Adams, Ju Row Farr e Nick Tandavanitj, o grupo explora a interatividade, relacionando aspectos políticos e sociais e tecnologias. Group internationally acclaimed as one of the most daring in interactive media, creating performances that showcase reality mixing internet, live performances and digital broadcasting. Headed by Matt Adams, Ju Row Farr and Nick Tandavanitj, the group explores

e Cidade e Mercado. Recebeu diversos prêmios dentro e fora do país (América Latina e Europa), onde também publicou diversos artigos. Autor dos livros Arquitetura e Tecnologias da Informação (Annablume/Fapesp, 1999), Crise das Matrizes Espaciais (Perspectiva/Fapesp, 2002) e Planejamento Urbano (Ibpex, 2007), entre outros. Architect and urbanist graduated from University of São Paulo with a master’s and a doctorate specializing in Multiple Means, Urban and Regional Planning and Development, Geography (in Canada and France), teacher and director of the master’s in Urban Management at PUC-PR University. He’s been conducting researches in Urban Mobility, Networks, Technologies and its Territorial aspects, City and Markets. He’s been awarded many times in Brazil and abroad (Latin America and Europe) and has also published a number of articles. Author of the books Information Architecture and Technologies (Annablume/Fapesp, 1999), Spacial Matrixes’ Crisis (Perspectiva/Fapesp, 2002) and Urban Planning (Ibpex, 2007), just to name a few.

interactivity, crossing political and social aspects with technology.

Fábio Duarte

Fernando Llanos

www.fllanos.com

Catalizador cultural que brinca como artista, curador, promotor, editor, docente outros papís para onde é conviado. Seu trabalho como artista já foi apresentado

Arquiteto e urbanista formado pela Universidade de

nos mais importntes centros culturais do mundo, como no Guggenheim em NY.

São Paulo com mestrado, doutorado e especializações

Em 2008 está prsente em mais de 15 diferentes curadorias de vídeo entre Museo

em Multimeios, Planejamento e Desenvolvimento

Tamayo, Festival Internacional de Cine Contemporáneo de la Ciudad de México,

Urbano e Regional, e Geografia (no Canadá e França);

Caixa Forum em Barcelona, etc. Nos últimos 10 anos tem atuado como professor

professor e diretor do Mestrado em Gestão Urbana

de desenho e arte digital em diversas universidades, alem de palestrar por todo o

da PUC-PR. Desenvolve pesquisas em Mobilidade

mundo. Autor dos livrso: Cursiagridulce (Trilce, 2006), Manchuria (Diamantina,

Urbana, Redes, Tecnologias e Territorialidades,

2007) e Videoman (Ediciones necias, 2008). Adora os ‘chihuahueños’, coleciona

133


rinocerontes, adora a cozinha experimental, pensa que a melhor maneira de de

Uruguayan artist living in São Paulo since 1997.

investir dinheiro é viajando e ainda acredita no amor.

Graduated from Faculdade de Comunicação e Artes do Senac São Paulo with a degree in Multimedia,

134

Cultural agitator who enjoys acting as an artist, curator, promoter, editor and

currently in a master’s program for Fashion, Culture

teacher among other roles to which he gets invited to play. His body of work

and Art at Faculdade Senac de Moda and also

as an artist has been seen at some the most prestigious cultural centers in the

specializing in Video and online/offline Technologies

world like the Guggenheim Museum in New York. In 2008, he’s taking part in

at Media Center de Barcelona (Mecad). In his work, he

over 15 different video curatorships in Museo Tamayo, Festival Internacional

investigates contemporary everyday matters - privacy,

de Cine Contemporáneo de la Ciudad de México, Caixa Forum in Barcelona and

surveillance and control issues that have impact in

many others. For the last ten years he’s been a drawing and digital art teacher at

building the ‘self’. He’s taken part in many individual

different universities and a lecturer all over the world. He’s the author of the books

and collective exhibitions including the prestigious

Cursiagridulce (Trilce, 2006), Manchuria (Diamantina, 2007) and Videoman

3rd Pocket Film Festival at Pompidou Center in Paris,

(Ediciones necias, 2008). He adores ‘chihuahueños’, is a rhino collector, a lover

2007. He’s received many awards and collaborated

of experimental cooking, thinks that the best way to invest money is travelling and

in various collective projects as well as other artists’

still believes in love.

like Fred Forest, Lucia Leão, Nacho Durán, Giacomo Pica, Christiana Moraes and Francisco Lapetina, to

Fernando Velázquez Artista uruguaio radicado em São Paulo desde 1997. É formado em Multimídia pela Faculdade de Comunicação e Artes do Senac São Paulo, é mestrando em Moda, Cultura e Arte pela Faculdade Senac de Moda, e cursa especialização em Vídeo e Tecnologias online/offline pelo Media Center de Barcelona (Mecad). Em seu trabalho, investiga questões relacionadas ao cotidiano contemporâneo: privacidade, monitoramento e controle como elementos mediadores da construção do self. Tem participado de diferentes exposições individuais e coletivas, dentre as que se destaca o 3rd Pocket Film Festival, no Centro Pompidou de Paris, em 2007. Recebeu prêmios e colaborou em projetos coletivos e/ou de outros artistas como Fred Forest, Lucia Leão, Nacho Durán, Giacomo Pica, Christiana Moraes, Francisco Lapetina, entre outros.

name a few.

Gabe Sawhney Hacker que trabalha nos limites entre código e cultura. Como co-criador de [murmur], ele desenvolve a plataforma, as ferramentas e a infra-estrutura para o projeto. Ele é fundador da Wireless Toronto, uma comunidade de rede sem-fio que procura habilitar pontos-de-acesso gratuitos em espaços públicos e semi-públicos da cidade, cada um com seu portal “hiper-local” comunitário. Gabe colaborou em vários


outros projetos de mídia locativa, vídeo e instalação cinética interativa. Com uma formação acadêmica

Giselle Beiguelman

www.desvirtual.com

em arquitetura, filme e semiótica, Gabe combina um

Autora dos premiados O Livro depois do Livro, egoscópio e Paisagem0 (com

entendimento de tecnologia com interesse apaixonado

Marcus Bastos e Rafael Marchetti). Desenvolve projetos envolvendo dispositivos de

por comunicação visual, usabilidade e arquitetura da

comunicação móvel desde 2001, quando criou Wop Art, elogiado pela imprensa

informação. Proficiente em várias tecnologias sem-

nacional e internacional, incluindo The Guardian (Inglaterra) e Neural (Itália), e arte

fio e locativas, seu coração está com o simples, o

que envolve o acesso público a painéis eletrônicos via Internet, SMS e MMS, como

intuitivo e o barato.

Leste o Leste?, egoscópio (2002), resenhado pelo New York Times, Poétrica (2003)

Gabe Sawhney is a hacker working at the edges of code and culture. As co-creator of [murmur], he develops the platform, tools and infrastructure for the project. He is the founder of WirelessToronto, a community wireless network setting up free-touse hotspots in public and semi-public spaces in the city, each featuring its own “hyper-local” community portal. Gabe has collaborated on several other locative media, video and kinetic interactive installation projects. With an academic background in architecture, film and semiotics, Gabe balances an understanding of technology with a passionate interest in visual design, usability and information architecture. Proficient in a range of wireless and locative technologies, his heart rests with the simple, the intuitive and the cheap.

e esc for escape (2004). Seu trabalho aparece em antologias importantes e obras de referência devotadas às artes digitais on line como o Yale University Library Research Guide for Mass Media e Information Arts: Intersections of Art, Science, and Technology (S. Wilson, MIT Press, 2001). Seus projetos foram apresentados em exposições como 25a Bienal de São Paulo, Arte/Cidade, Net_Condition (ZKM, Germany), el final del eclipse (Fundación Telefonica, Madrid) e Algorithmic Revolution (ZKM). É professora da pós-graduação em Comunicação e Semiótica da PUC-SP, editora da seção novo mundo da revista eletrônica Trópico, colaboradora da Leonardo, Iowa Web Review e Cybertext. Entre suas publicações recentes destacam-se: Link-se (Peirópolis, 2005) e a co-autoria de New Media Poetics (MIT Press, 2006). Coordena, com Marcus Bastos, o Grupo de Pesquisas “net art: perspectivas criativas e críticas”, no CNPq, cujo portal, hospedado na Fapesp, é co-dirigido por Vera Bighetti. A new media artist and multimedia essayist who teaches Digital Culture at the Graduation Program in Communication and Semiotics of PUC-SP (São Paulo, Brazil). Her work includes the award-winnings “The Book after the Book” “egoscópio” and Landscape0 (with Marcus Bastos and Rafael Marchetti). She has been developing art projects for mobile phones (“Wop Art”, 2001), praised by many media sites and the international press, including The Guardian (UK) and Neural (Italy), and art involving public-access, by the web, SMS and MMS to electronic billboards like “Leste o Leste?” and “egoscópio” (2002), released

135


by The New York Times, “Poétrica” (2003) and “esc for escape” (2004). Beiguelman’s work appears in important anthologies and guides devoted to digital arts including Yale University Library Research Guide for Mass Media and has been presented in international venues such as Net_Condition (ZKM, Germany), el final del eclipse (Fundación Telefonica, Madrid), Desk Topping - Computer Disasters (Smart Project Space, Amsterdan) Arte/Cidade (São Paulo), The 25th São Paulo Biennial and Algorithmic Revolution (ZKM).

Jonah Brucker-Cohen

www.coin-operated.com

O artista e pesquisador irlandês tem trabalhado desde 1999 como pesquisador e desenvolvedor pela Europa. Atualmente, trabalha para o OpenLab Fellow no Eyebeam, em Nova York. Seu trabalho é focado em Deconstructing Networks, que inclui projetos envolvendo desafios críticos e subversões quanto às percepções da interatividade e experiência com as redes. Irish artist and researcher who’s been researching and acting as a developer all over Europe since 1999. He’s currently working for OpenLab Fellow at Eyebeam in New York. His work is focused in Deconstructing Networks which includes projects that deal with critical challenges and overthrowing concepts concerning

Joacélio Batista 136

Graduado em Cinema de Animação e Desenho, atua como diretor, editor e roteirista, produzindo documentários inspiradas por questões situacionistas e animações experimentais desenvolvidas a partir de poéticas pesquisadas no período conhecido como précinemas. Nos últimos anos seus trabalhos tem sido expostos em diversos festivais ao redor do mundo. Undergraduated in Animation Cinema and Drawing, works as director, editor and writer, producing documentaries inspired by situationist questions and experimental animations developed from poetics researched on the period known as pre-cinema. His most recent works have been screened in several festivals all over the world.

how people perceive their interactivity and experience with the networks.

Laura Beloff

www.realitydisfunction.org

Reconhecida internacionalmente, os trabalhos da artista finlandesa podem ser descritos como “objetos peculiares para se vestir”; estruturas programáveis e participatórias; instalações em rede (network). Em suas obras, Laura combina tecnologia com diversos meios: do vídeo ao tecido, do som à escultura, incluindo materiais orgânicos. Muitos de seus trabalhos lidam com a sociedade global, tentando adaptar a complexa tecnologia mundial expandida que vem se tornando cada vez mais móvel. Ela conta com a colaboração de outros artistas e profissionais como músicos e cientistas para elaborar seus trabalhos. Internationally acclaimed works by this Finnish artist can be described as ‘peculiar dressing objects’- programmable and interactive structures and network installations. Through her work, Laura mixes technology and different means -


from video to fabric, sound to sculpture, including

Cultura; o documentário média-metragem A Cidade Não Te Há de Esquecer, em

organic materials. Many of her works deal with global

parceria com Paula Alzugaray; o Vídeo Disco, premiado no HTTP/Prêmio Sérgio

society in an attempt to adapt the ever expanding and

Motta; e os trabalhos em parceria com Raquel Kogan: Vídeo BMG-8970 (Art_Action

complex world technology that’s been gaining more

Paris/Berlin, Videometry Galleria Del Angeles, em Barcelona), Vídeo Reprodução

and more mobility. She relies on the collaboration

Proibida (Museo Reina Sofía, em Madri) e a instalação site-specific [PONTE] que

of other artists and professionals like musicians and

ocupou o 9º andar do SESC Avenida Paulista, em São Paulo (também selecionado

scientists to participate on her projects.

para o Canariasmediafest). She was born in São Paulo on July 31st, 1965. From early childhood she kept

Lea Van Steen

www.leavansteen.com

her eyes glued to the TV either because she enjoyed it or was forced to by her astigmatism and soon decided she wanted to work in the cinema business. As

Nasceu em São Paulo, em 31 de julho de 1965.

a teenager, she looked for her first internship as a producer. She then spent

Desde criança ficava grudada na tela da TV – por

many years collaborating with Brazilian cinema. When MTV Brasil was about to

gosto ou por astigmatismo –, e logo decidiu que iria

be launched, she got invited to take over as the new networks’ Promo manager.

trabalhar com cinema. Ainda adolescente foi pedir

She shaped MTV Brasil’s identity and then followed with many years working in

seu primeiro estágio em produção. A partir daí, não

advertising at many important production houses. As she matured her career as

parou mais, foram anos colaborando com o cinema

an advertising director, she’s been more dedicated to her personal projects with

nacional. Quando a MTV foi implantada no país,

short films, documentaries and art videos. Here’s a highlight of some of her works

surgiu o convite para assumir o cargo de gerente de

- Brincadeira de Criança, awarded short film seen at Cuiabá Festival, the dance

Promo da emissora. Depois de “dar a cara” da MTV

video Paisagens - Rede de Tensões/50 Anos da Bienal awarded by the II Prêmio

Brasil, seguiu com anos e mais anos de publicidade

Sérgio Motta de Cultura, medium length documentary A Cidade Não Te Há de

na bagagem, em produtoras de destaque do mercado.

Esquecer in collaboraion with Paula Alzugaray, Video Disco awarded by HTTP/

Com o amadurecimento na direção de publicidade,

Prêmio Sérgio Motta, different projects in collaboration with Raquel Kogan, namely

tem se dedicado a trabalhos mais pessoais, como

Vídeo BMG-8970 (Art_Action Paris/Berlin, Videometry Galleria Del Angeles, em

curtas, documentários e videoarte. Dentre seus

Barcelona), Vídeo Reprodução Proibida (Museo Reina Sofía, em Madri) and the

trabalhos, se destacam o curta-metragem Brincadeira

installation site-specific [PONTE] that took over SESC Avenida Paulista’s 9th floor

de Criança, premiado no Festival de Cuiabá; o

in São Paulo and got also selected for the Canariasmediafest.

video-dança Paisagens – Rede de Tensões/50 Anos da Bienal, premiado no II Prêmio Sérgio Motta de

137


FIAT Mostra Brasil, Nokia Trends, SIGGRAPH, Chain

Mirjam Struppek

Reaction, ISEA, entre outros. Reviewer do Leonardo

Urbanista, pesquisadora e consultora, presidente da recém-formada International Urban Screens Association (IUSA) e membro do Public Art Lab, em Berlim. Com formação em Planejamento Ambiental e Urbano, percorre o mundo com palestras sobre “convivência” no espaço urbano, esfera pública e sua transformação e aquisição através das novas mídias.

Electronic Almanac (LEA), do MIT, em 2005. Autora do livro Marketing de Otimização de Buscas na Web: Conceitos, Técnicas e Estratégias (Ed. Esfera, 2008). Curadora do Upgrade! São Paulo. Engineer graduated from Unicamp, postgraduated

Urbanist, researcher and advisor, president of the recently established International Urban Screens Association (IUSA) and a member of the Public Art Lab, in Berlin. She’s got a degree in Urban and Environmental Planning and travels the world with her lectures on urban space cohabitation, the public aspect and its transformation and acquisition through new medias.

in Maketing from ESPM, postgraduated in Graphic Design from Centro Universitário Belas Artes, with a master’s and a doctorate in Arts from ECA/USP. Chief Information Officer (CIO) at NMD New Media Developers, winner of 11 iBest awards between 1998 and 2005 in Web Development. She teaches MBA courses at Universidade Anhembi Morumbi

138

and postgraduation courses at Centro Universitário de Belas Artes/SP. She’s a lecturer and author

Martha Gabriel

www.martha.com.br

of various articles in many Art and Technology conferences in USA, Europe and Asia, being

Engenheira formada pela Unicamp, pós-graduada em Marketing pela ESPM,

awarded three times as best lecture in American

pós-graduada em Design Gráfico pelo Centro Universitário de Belas Artes, mestre

conferences in 2003, 2004 and 2008. Her works

e doutoranda em Artes pela ECA/USP. Chief Information Officer (CIO) da NMD

have been shown in exhibitions in Brazil and

New Media Developers, ganhadora de 11 Prêmios iBest entre 1998 e 2005 na

abroad, among them FILE, Videobrasil, FIAT Mostra

categoria Desenvolvedores Web. Professora dos cursos de MBA da Universidade

Brasil, Nokia Trends, SIGGRAPH, Chain Reaction

Anhembi Morumbi e professora da pós-graduação do Centro Universitário de

and ISEA, to name a few. She was MIT’s Leonardo

Belas Artes/SP. Palestrante e autora de artigos em diversos congressos na área de

Electronic Almanac (LEA) reviewer in 2005. Author

Arte e Tecnologia nos EUA, Europa e Ásia, tendo recebido três prêmios de melhor

of the book Marketing de Otimização de Buscas na

palestra em congressos nos EUA (2003, 2004 e 2008). Artista com trabalhos

Web: Conceitos, Técnicas e Estratégias (Ed. Esfera,

que participaram de exposições no Brasil e exterior, como: FILE, Videobrasil,

2008) and curator for Upgrade! São Paulo.


Raquel Kogan

www.raquelkogan.com

Formada em Arquitetura, fez sua primeira exposição individual na Mônica Filgueiras Galeria, em 1996. Iniciou uma pesquisa sobre materiais diversos, como madeira, no seu diário de 240 peças de 20x20cm. Em 1999, em uma instalação na Capela do Morumbi, em São Paulo, apresentou um grande objeto de parafina, consumido pelo fogo durante a exposição e, em outra exposição, continuou sua pesquisa com 2.500 lâminas de microscópio

a huge paraffin object that burned througout the exhibition as an installation at the Morumbi Chapel in São Paulo. In another exhibition she carried on with her research working with 2,500 microscope slides. Awarded by the Transmídia Itaú Cultural 2002 where she put together ‘Reflexion’, an installation containing a big and interactive numeric waterfall held together by a flow of water that was also seen at Ciber@rt, in Bilbao. Her research on digital media spaces representation follows with a screening at Paço das Artes, interactive objects at Fotoarte, the Lord Palace Hotel art intervention and the 11th Salão do MAM da Bahia - all in 2004. In 2005 there were au.to-re.tra.to 1 at Galeria Leme, Ocupação #1 at Paço das Artes, Reflexão #2 at Itaú Cultural, Reflexão #3 at Festival Art@outsiders in Paris and BMG8970 at 15th Vídeo Brasil.

trabalhadas. Premiada no Transmídia Itaú Cultural 2002, executou a instalação Reflexão, uma grande cachoeira de números interativa sustentada por um espelho d’água, apresentada também no Ciber@rt,

Régine Debatty

www.we-make-money-not-art.com

em Bilbao. A investigação sobre agenciamento de espaços nas mídias digitais prossegue em Projeção

Ficou mundialmente conhecida por seu blog www.we-make-money-not-art.com,

no Paço das Artes, nos objetos interativos no Fotoarte,

no qual abriga informações sobre intersecções entre arte, design e tecnologia.

na intervenção do Lord Palace Hotel e no 11º Salão

Tem trabalhado como documentarista e repórter em redes de televisão e rádios

do MAM da Bahia, todos em 2004; au.to-re.tra.to 1

européias; é colaboradora de importantes revistas de arte e design e curadora de

na Galeria Leme, Ocupação #1 no Paço das Artes,

exposições e simpósios internacionais sobre arte, hackers e a (des)utilização de

Reflexão #2 no Itaú Cultural, Reflexão #3 no Festival

design e tecnologia.

Art@outsiders em Paris e BMG8970 no 15º Vídeo Brasil ocorreram em 2005.

Got worldly renowned for her www.we-make-money-not-art.com blog with her posts on the intersection of art, design and technology. She’s been working

Graduated in Achitecture she nailed her first individual

as a documentarist and a reporter for European radio and television networks.

exhibition at Mônica Filgueiras Gallery in 1996. She

She’s also a collaborator for prestigious art and design magazines and curator for

researched different materials like wood for her 240

international conferences and exhibitions focusing on art, hackers and the use

7.8 X 7.8 inch piece diary. In 1999 she presented

and desuse of design and technology.

139


Rodrigo Castro de Jesus

140

Trebor Scholz

www.collectivate.net

Artista visual, com produção em diversas mídias

Trebor Scholz cresceu em Berlim Oriental e atualmente mora em Nova York, onde

como o vídeo, a instalação e a performance. Em Belo

trabalha colaborativa e individualmente como artista, teórico de mídia, ativista e

Horizonte realizou uma exposição coletiva em 2007

organizador. Seus interesses se concentram em teoria, arte e educação. Em 2004,

na Celma Albuquerque Galeria de Arte. Participou

fundou o Institute for Distributed Creativity (iDC) (www.distributedcreativity.

de diversas mostras no Brasil, como no 16º Festival

org), uma rede de pesquisa independente concentrada em colaboração (online).

Internacional de Arte Eletrônica SESC VIDEOBRASIL,

Em 2005, o instituto organizou “Share, Share Widely”, a primeira grande

e internacionais, como Medelín Artes Digitales em

conferência sobre educação em arte midiática (www.newmediaeducation.org) no

Medelín Colômbia em 2008 e Vídeo Zone 4 no

CUNY Graduate Center. Em abril de 2004, junto com Geert Lovink, organizou

Centro de Arte Contemporânea de Tel Aviv. Participou

a conferência Free Cooperation, sobre a arte de colaboração (online), realizada

da Bienal de Arte do Triângulo Mineiro 2007 em

na SUNY Buffalo (www.freecooperation.org). Em 2000, apoiou o único programa

Uberlândia, MG; do Festival Dispositivo realizado

em larga escala para responder imediatamente à Guerra do Kosovo (“Kosov@:

pelo Cine Falcatrua no Paço das Artes (USP) e do 35º

Carnival in the Eye of the Storm” www.intheeyeofthestorm.info/). O trabalho de

Salão de Arte Contemporânea de Santo André.

Scholz foi exposto na Bienal de Veneza (com Martha Rosler/ The Fleas), na Bienal de São Paulo, no FILE (São Paulo) e em muitos outros locais. Deu palestras nos

Artista visual, com produção em diversas mídias

Estados Unidos e internacionalmente em dezenas de festivais e conferências,

como o vídeo, a instalação e a performance. Em Belo

incluindo Transmediale (Berlim), ISEA (Helsinki, Tallin), Multimedia Art Asia

Horizonte realizou uma exposição coletiva em 2007

Pacific Conference (Cingapura), Nordic Institute for Contemporary Art (Helsinki,

na Celma Albuquerque Galeria de Arte. Participou

NIFCA), Stanford University, NewMediaNation (Bratislava, Eslováquia), Version3

de diversas mostras no Brasil, como no 16º Festival

(N5M, Chicago), Tactical Media Lab na New York University, PS1 (Centro de Arte

Internacional de Arte Eletrônica SESC VIDEOBRASIL,

Contemporânea de Nova York), Haute École d’Art (Genebra, Suíça), University

e internacionais, como Medelín Artes Digitales em

of California Los Angeles, Dartmouth College, Academy of Visual Arts (Leipzig,

Medelín Colômbia em 2008 e Vídeo Zone 4 no

Alemanha), San Francisco State University, University of California San Diego e

Centro de Arte Contemporânea de Tel Aviv. Participou

The School do Art Institute em Chicago. Scholz escreveu sobre arte midiática,

da Bienal de Arte do Triângulo Mineiro 2007 em

redes, educação e culturas participativas para muitos periódicos como Art

Uberlândia, MG; do Festival Dispositivo realizado

Journal, FibreCulture Journal, Afterimage e C-Theory. E contribuiu com ensaios

pelo Cine Falcatrua no Paço das Artes (USP) e do 35º

para vários livros e co-editou Free Cooperation: The Art of (Online) Collaboration, a

Salão de Arte Contemporânea de Santo André.

ser lançado pela Autonomedia. Scholz ensinou arte midiática, história e teoria no


Pacific NW College of Art (em Portland), na University

(Berlin), ISEA (Helsinki, Tallin), Multimedia Art Asia Pacific Conference

of Arizona (Tucson) e na Bauhaus University (Weimar)

(Singapore), Nordic Institute for Contemporary Art (Helsinki, NIFCA), Stanford

e, atualmente, é professor universitário e pesquisador

University, NewMediaNation (Bratislava, Slovakia), Version3 (N5M, Chicago),

no Departamento de Estudos de Mídia na State

Tactical Media Lab at New York University, PS1 (Contemporary Art Center New

University of New York, em Buffalo.

York City), Haute École d’Art (Geneva, Switzerland), University of California Los Angeles, Dartmouth College, Academy of Visual Arts (Leipzig, Germany), San

Trebor Scholz grew up in East Berlin and is currently

Francisco State University, University of California San Diego, and The School of

based in New York where he works both collaboratively

the Art Institute in Chicago. Scholz has written on media art, networks, education

and individually as an artist, media theorist, activist,

and participatory cultures for many periodicals such as Art Journal, FibreCulture

and organizer. His interests focus on media theory, art

Journal, Afterimage, and C-Theory. He has contributed essays to several books

and education. In 2004 Scholz founded the Institute for

and co-edited “Free Cooperation: The Art of (Online) Collaboration” forthcoming

Distributed Creativity, iDC (www.distributedcreativity.

with Autonomedia. Scholz has taught media art, history, and theory at Pacific

org) which is an independent research network that

NW College of Art (Portland), The University of Arizona (Tucson), and Bauhaus

concentrates on (online) collaboration. In 2005 the

University (Weimar) and is currently professor and researcher in the Department

Institute organized “Share, Share Widely,” the first

of Media Study at the State University of New York at Buffalo.

large conference about media art education (www. newmediaeducation.org) at the CUNY Graduate Center. In April 2004, together with Geert Lovink, he organized the conference Free Cooperation on the art of (online) collaboration, held at SUNY Buffalo (www.freecooperation.org). In 2000 he facilitated the only large scale program immediately responding to the Kosovo War-- “Kosov@: Carnival in the Eye of the Storm.” (www.intheeyeofthestorm.info/). Scholz’ work has been exhibited at the Venice Biennial (with Martha Rosler/ The Fleas), the Sao Paulo Biennial, FILE (Sao Paolo) and many other venues. He has lectured in the U.S. and internationally at dozens of festivals and conferences including Transmediale

141


Apoio Cultural

Coordenação de montagem BH

Governo do Estado de Minas Gerais Lei Estadual de Incentivo à Cultura Lei Rouanet Ministério da Cultura Governo Federal

Janaína Mello

Coordenação Geral Patrocínio Vivo

Realização Diphusa Mídia Digital e Arte

Produção Malab Produções

142

Aluizer Malab Lucas Bambozzi Marcos Boffa Rodrigo Minelli

Curadoria Lucas Bambozzi Marcus Bastos Rodrigo Minelli

Palácio das Artes

Espaços SP Espaço Cultural Vivo Museu Brasileiro da Escultura Museu da Imagem e do Som

Apoio Tecnológico Nokia

Apoio Curta Minas Formato Artes Gráficas Fundação Clóvis Salgado Hotéis Othon Labmídia – Departamento de Comunicação Social da UFMG

Produção SP

ILUSTRAÇÕES

Lira Yuri Paloma Oliveira

Alexandre B

Mostra Arte.Mov

Programação Site

Júri

FN&VD Web Fred Paulino

Cao Guimarães  Cazé Peçanha Fernando Llanos Francisco Cesar Filho Régine Debatty

Concepção Expositiva SP

Receptivo de convidados

Aluizer Malab Marcos Boffa

Bruno Lapertosa Nanda Miranda

Produção Executiva

Cerimonial

Luiza Thesin

Helia Ladeia

Produção BH

Estagiário

Karol Borges Rafael Oliveira Siomara Faria

Nicolai Haslund

Aparatos tecnológicos para campanha Ganso (Paulo H. Pessoa) Lucas Mafra Estúdio Osso

Fotos Daniel Mansur - Pixel Studio

Modelos Revista arte.mov Online/ Catálogo arte.mov Editor Responsável

Fernanda Valadares Wly

Marcus Bastos

Revisão e tradução Catálogo

Erick Ricco

Lizandra de Almeida

Coordenação Editorial Concepção Expositiva BH Isabela Vecci

Assessoria VIVO – Andréia Alves e Carolina Bernardes Noir Comunicação – Ângela Azevedo e Flavia Mayer

Direção Andre Mintz Produção Fernanda Salgado Fotografia Maurício Rezende Edição Marcelo Graciano

Equipe Labmídia UFMG Documentação

Coordenação de Produção

Produção Tecnológica Blast Theory BH

Assessoria de Imprensa

Estúdio Osso Alexandre B Alexandre Telles Bárbara Braga Fred Paulino Gab! Maria Angélica Brasileiro Paulo Barcelos Ramon Nogueira Rodolfo Xavier Wly

Ricardo Ushida

Espaço BH

Design Gráfico, Site e Sinalização

Lucas Bamboozi Rodrigo Minelli

Versão em Inglês Catálogo Regina Desirée

Consultoria de Projetos Culturais Incentivados Antônio Leal

Documentação Labmídia – Departamento de Comunicação Social da UFMG

Equipe de Pré-seleção Lucas Bamboozi Marcos Boffa Marcus Bastos Rodrigo Minelli

Exposição de Artes Locativas/ Estudo de caso Curadoria Lucas Bamboozi Marcus Bastos Rodrigo Minelli


Circuito Nacional: Fomento, Formação e Rede de Difusão Produção Brasília Anna Karina de Carvalho Produção Manaus Carlos Demétrio Garcia Produção Porto Alegre Ana Adams Produção Recife Marcos Enrique Lopes Produção Rio de Janeiro Bruno Giglio

Faculdades e Cursos Participantes Brasília IESB - Instituto de Educação Superior de Brasília  Manaus UFAM – Universidade Federal do Amazonas  Porto Alegre Centro Cultural Usina do Gasômetro  Recife UFPE – Universidade Federal de Pernambuco  e Faculdade Maurício de Nassau Rio de Janeiro ESDI - Escola Superior de Desenho Industrial

Agradecimentos Bruno Vianna Cláudio Constantino Isabela Haueisen Pechir Luanda Baldijão Luiz Claudio Ferreira – Gráfica Formato Mabuse Macau Amaral Márcia Vaz Marcos Barreto Correa Marcos Fabrício Gomes Santos Maristela Oliveira Fonseca Mariko Takei e Yurie Hatano (Shift Magazine/ Dotmov Festival) Nathalie Roth Ricardo Prates (Vila Madalena) Rosa Ziller Rosana Magalhães Yves Gallard

143


Realizaรงรฃo:

Produรงรฃo:

Apoio Cultural:

Apoio Tecnolรณgico: 8

8

9

9

/SVALORESDE8E9SรŽOPROPORCIONAIS/VALORDE8DIZRESPEITOAOTAMANHODA LOGOMARCAEODE9รŒDISTรŠNCIAMร“NIMADESEGURANยฅA

0ROPORCIONALIDADE

Apoio: 8

8

9

9

/SVALORESDE8E9SรŽOPROPORCIONAIS/VALORDE8DIZRESPEITOAOTAMANHODA LOGOMARCAEODE9รŒDISTรŠNCIAMร“NIMADESEGURANยฅA

0ROPORCIONALIDADE

Patrocรญnio:


www.artemov.net

8

8

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9

/SVALORESDE8E9SÎOPROPORCIONAIS/VALORDE8DIZRESPEITOAOTAMANHODA LOGOMARCAEODE9ÌDISTÊNCIAMÓNIMADESEGURAN¥A

0ROPORCIONALIDADE


Vivo arte.mov 2008