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2º F LULA ESTI VAL R art e.mo ARTE INTERN AC v EM MÍDI IONAL D AS M E Ó 15 a V EIS 18 de

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www.artemov.net


 A evolução na qualidade e no volume de trabalhos inscritos na edição 2007 deixa claro que a aposta na criação do Telemig Celular arte.mov – Festival Internacional de Arte em Mídias Móveis foi acertada. O projeto hoje é reconhecido como iniciativa pioneira no cenário artístico nacional e internacional, assim como na área de investimentos empresariais em cultura. Há um ano, entretanto, foi necessária uma decisão ousada dos produtores, curadores e da Telemig Celular, de fazer acontecer um projeto que explora os limites da tecnologia e propõe a artistas e pessoas interessadas em lançar mão de um dispositivo até então quase ignorado como suporte para a produção de obras audiovisuais – o telefone celular. Em seu segundo ano, o Telemig Celular arte.mov continua na vanguarda, como uma ação desbravadora do cenário de convergência entre arte e tecnologia. Nesse sentido, o Festival em 2007 aprofunda seu caráter de experimentação dos atributos do serviço de telefonia móvel, cada vez mais avançados e sofisticados em aspectos como a captação e edição de imagens, transmissão de dados em alta velocidade e integração com serviços da Internet. Um atributo como a mobilidade, um dos diferenciais do celular, torna-se instrumento para a arte locativa, em que o deslocamento do artista no espaço geográfico passa a integrar a obra que ele cria.


 Sintonizado com o negócio da Telemig Celular e conectado a outros festivais e mostras similares ao redor do planeta, o Telemig Celular arte.mov contribui para a produção e difusão de trabalhos artísticos e estimula o desenvolvimento tecnológico dos serviços de telefonia e comunicação, na medida em que os artistas e participantes do projeto propõem novos usos e reinventam o modo de lidar com o telefone celular. Um resultado concreto da sinergia entre os objetivos e o conteúdo do Telemig Celular arte.mov e os valores da Telemig Celular é o fato de, neste ano, a empresa ter redefinido sua política de investimento sociocultural de forma a fortalecer a visão criada a partir da experiência do Festival em 2006. De 2007 em diante, Cultura, Tecnologia e Juventude dão corpo ao tripé que passa a orientar os projetos apoiados e desenvolvidos no âmbito do Instituto Telemig Celular, nas áreas cultural e social. Com isso, a empresa aproxima sua atuação sociocultural dos campos em que tem maior expertise e onde pode, consequentemente, fazer maior diferença. O sucesso do projeto deve-se muito à dedicação, visão inovadora e criatividade dos curadores, produtores e parceiros do Telemig Celular arte.mov, a quem agradecemos intensamente pelo trabalho e parceria.

Instituto Telemig Celular




The growth in quality and volume of the works submitted in the 2007 edition demonstrates that having a stake in the creation of the Telemig Celular arte.mov – International Art Festival in Mobile Media was wise. Nowadays the project is known as a cutting edge initiative in the national and international artistic scenario as well as in the area of enterprise investments in culture. One year ago, however, it was necessary for the producers, curators and Telemig Celular to take an audacious decision, in order to make the project happen; a project that explores the boundaries of technology and proposes to the artists and related people to use a device, until then almost ignored as a support to the production of audiovisual works – the cellular phone. In its second edition, the Telemig Celular arte.mov keeps on the forefront, as a broken action of the convergence scenario of art and technology. It means that the 2007 Festival deepen its experimentation characteristics of the features of mobile telephone services, more advanced and sophisticated than ever in processes of recording and editing frames, high speed data transmission and integration with web services. A feature as mobility, a distinguishing aspect of the mobile phone, becomes the instrument for locative art, in which the artist movements through geographic space is integrated in the work he creates. Tuned in the business of Telemig Celular and connected to other festivals and similar exhibitions around the planet, the Telemig Celular arte.mov contributes to the production and broadcasting of artistic works and stimulates the technological development of Telephone and Communication services, while artists and participants of the project propose new usages and reinvent the way we deal with the cellular phone. The concrete results of the synergy between the goals and contents of Telemig Celular arte.mov and the principles of Telemig Celular is the redefinition of the company’s politics of sociocultural investments in order to strengthen the view originated from the 2006 Festival. From 2007 on, Culture, Technology and Youth embody the tripod that will guide the cultural and social projects supported and developed by the Telemig Celular Institute. This way, the company approaches its operation to the sociocultural fields in which it has its major expertise and where, therefore, it can make the difference. The success of the project is due mainly to the dedication, innovative view and creativity of the curators, producers and partners of the Telemig Celular arte.mov, to whom we immensely thanks to the work and partnership.





“Uma vez que você expressa a localização em termos humanos, você tem múltiplos lugares com o mesmo nome, ou questões políticas que surgem sobre as fronteiras, ou lugares diferentes. A partir do momento que você abandona o substrato longitude / latitude, você se perde na mistura ambígua de sentido. É o mais próximo possivel de chegar a Babel” David Weinberg, em entrevista à Wired


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arte.mov 2.0

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inicio de conversa

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arte.mov 2.0

Start of Talk

mostra competitiva competitive show Júri da mostra competitiva competitive show jury’s

simpósio internacional arte.mov arte.mov international symposium utopias, distopias e comunidades emergentes

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utopias, dystopias and emerging communities

arquitetura e espaços urbanos architecture and urban spaces

tecnologias socias e o social nas tecnologias social technologies and the social in technology

artes locativas locative arts

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parquimaginário - workshop parkimaginary - workshop

locative media locative media

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o meio como personagem the medium as character

para além da tela pequena beyond the small screen

mostras convidadas guest festivals pocket films pocket films

festival de cinema de estocolmo Stockholm film festival

mobility fest 2006 mobility fest 2006

filmes feitos com celular mobile films

filmes feitos com outros dispositivos films made using other devices

por um uso mais crítico do potencial distribuído e aberto dos sistemas de comunicações móveis For critical uses of the distributed and open potential of mobile communication systems

convidados guests


ARTE.MOV 2.0 10 Em sua segunda edição o Telemig Celular Arte.mov – Festival Internacional de arte em Mídias Móveis se consolida como um dos mais importantes dedicados à cultura da mobilidade. A sua relevância pode ser atestada por indicadores como as parcerias com outros festivais do gênero na América Latina, na América do Norte e na Europa; à excelente acolhida e participação de artistas, pesquisadores e teóricos que estão ajudando a definir as possibilidades expressivas e as linguagens deste novo modelo de comunicação e arte em todo o mundo; assim como pelo elevado número de inscrições para sua mostra competitiva.


A edição 2007 do Telemig Celular arte.mov busca dar continuidade e ampliar as ações e reflexões propostas na edição anterior, explorando as possibilidades de criação e difusão audiovisuais através de mídias móveis tendo os telefones celulares em foco principal. Mas observando o funcionamento em rede desses sistemas, nos voltamos também para as possibilidades de uso dos dispositivos móveis para projetos de arte que envolvem o espaço público, envolvendo a trama social das cidades numa vertente que vem sendo caracterizada como ‘artes locativas’. As chamadas ‘artes locativas’ se somam às possibilidades audiovisuais de celulares, handhelds, câmeras fotográficas digitais, mídia-players portáteis (iPods e genéricos) e computadores de bolso para proporcionar experiências distintas de compartilhamento de pensamentos, troca de informação, convívio em rede e busca de uma potencialização da fruição dos espaços urbanos. O Telemig Celular arte.mov - Festival Internacional de Arte em Mídias Móveis parte do princípio de que o uso consciente e crítico das tecnologias permite que as pessoas atuem em suas comunidades e no mundo de maneira mais efetiva, através da construção de novos modelos de colaboração e distribuição. E eventualmente da experimentação de um novo espaço para a experiência coletiva e para a participação ativa na construção da vida pública.

In its second edition, the Telemig Celular arte.mov – International Festival of Art in Mobile Media has consolidated itself as one of the most important festivals dedicated to the mobility culture. Its relevance can be attested through indicators like partnerships with other similar events in Latin America, North America and Europe; and to the excellent acceptance and participation of artists, researchers, and thinkers that are helping to define the possibilities of expression and languages of this new model of communication and art in the whole world; as well as the high number of applicants to its competitive show. The 2007 edition of the Telemig Celular arte.mov seeks to give continuity and to expand the actions and reflections proposed in its previous edition, exploring the possibilities of audiovisual creation and diffusion by the use of mobile media – having cellular phones as its primary focus. But while observing the functionality of these system’s networks, we face the possibilities of using mobile devices for art projects that include the public space, involving the social tissue of the cities in a manner that has been characterized as ‘locative arts’. The so-called locative arts add to the audiovisual possibilities of cellular phones, handhelds, digital photographic cameras, portable media players (iPods and generic products) and pocket computers to provide distinct sharing experiences of thought, information exchange, life in a network and the search of a maximization of the fruition of urban spaces. The Telemig Celular arte.mov – International Festival of Art in Mobile Media has, as a starting point, the principle that the conscious and critical use of technologies allows people to act in their communities and in the world in a more effective manner, through the building of new collaboration and distribution models, and eventually of the experimentation of a new space for collective experiences and for the active participation in the construction of public life.

os organizadores

the organizers

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início de conversa 12

Um dos aspectos mais interessantes dos sistemas chamados ‘locativos’ é exatamente seu funcionamento em rede, o que pode permitir a potencialização de trocas, o estabelecimento de colaborações e a emergência de expressividades ainda por serem reveladas. O aspecto social aqui não está ligado a pensamentos superficiais em torno de estratégias de benevolência ou assistência a minorias. Partimos do princípio de que o fluxo de comunicação e indexação existentes hoje são construídos com participações massivas. Do Orkut ao YouTube, os tags e indexadores são totalmente baseados em escolhas feitas em rede e compartilhada por muitos. A própria web é um exemplo de tecnologia social cuja maioria dos protocolos e linguagens são abertas e livres, permitindo participações inesperadas de grupos, desenvolvedores, empresários e indivíduos. As tecnologias locativas, por serem por princípio uma tecnologia de interação entre esses indivíduos na trama da sociedade, estabelecem novas definições de espaço público e de interação. Há que se considerar o quanto a relação de conectividade limitada ao privado-privado não implica num pensamento de construção de um espaço comum (de pensamento, de ação e de reverberação – o commons).


Durante a edição de 2006 indagávamos: até que

Assim, no audiovisual de hoje, a vida é fisgada sub-repticiamente, em uma explosão

ponto as lacunas entre os assuntos privado-privado

de filmes ‘baseados na realidade’, com repercussões na quantidade mas também

e a necessidade de participação na vida pública

na qualidade e multiplicidade do olhar. Da mesma forma que as primeiras câmeras

é uma síndrome tipicamente sócio-cultural? Seria

da Kodak possibilitaram o registro de ‘toda estátua e todo lugar turístico’ ao

uma posição tipicamente conservadora considerar

redor do globo, a pequena câmera de vídeo, associada às recentes tecnologias

que as experiências ‘reais’ (aquelas ‘que valem a

de transmissão, tem oferecido um fluxo de todos os impulsos de extroversão,

pena’) devem incluir necessariamente ‘referências

sinceridade (e também banalidade) do comportamento humano. E isso tende a

físicas’? Pretendemos amplificar esse pensamento

crescer. Nunca o indivíduo comum esteve tão perto de se tornar um fotógrafo,

de forma a fazer com que a participação das células

um videomaker, um ‘publicador de si’, um emissor (como queriam, de certa forma,

que compõem essa rede se vejam implicadas nos

Bertold Brecht e Walter Benjamin, conforme discutido em um dos temas do

processos de construção social.

Simpósio, dedicado às tecnologias sociais). A câmera acoplada ao celular amplia esse suposto potencial a níveis pouco imaginados antes. Para os mais afoitos com

Apesar de não ser muito conveniente falar em

as tecnologias, antes carregar uma câmera era uma situação especial, de exceção,

tendências no campo das artes, o que podemos

hoje não carregá-la é a exceção. O que se tem feito com isso é uma pergunta

observar é uma segmentação cada vez maior no

constante, mas não a única.

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tocante às temáticas e às mensagens produzidas, bem como uma apropriação, por camadas cada vez

Do nosso ponto de vista, trata-se de tentar compreender um processo que vem

mais amplas da sociedade, das tecnologias que

acontecendo há bastante tempo, com inúmeras mudanças sociais, culturais e

possibilitam a produção audiovisual. Além dos

tecnológicas que nos possibilitam fazer tais afirmações. Em um prazo de poucos

cerca de 107 milhões de celulares em operação no

anos vimos as tecnologias de produção, distribuição e exibição audiovisual se

Brasil (é certo que muito poucos com capacidades

tornarem cada vez mais próximas de nosso dia-a-dia. Somos testemunhas mais que

de produzir vídeo), há também no país mais de

oculares, somos todos coadjuvantes, atores de movimentos como esse. E o Telemig

100 milhões de câmeras fotográficas digitais, um

Celular arte.mov faz repercutir o pensamento crítico ligado a esses fenômenos.

dispositivo de conectividade limitada, mas que sugere compartilhamento de imagens a partir de suas telas de boa definição e grande portabilidade.

os curadores


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Start of Talk One of the most interesting aspects of the so-called ‘locative’ systems is exactly their networking capabilities, which allows the maximization of the potential for exchange, the establishment of collaborations and the emergence of expressivities that are yet to be revealed. Here, the social aspect is not linked to superficial thoughts that revolve around benevolent strategies or assistance to minorities. We start from the principle that the flow of communication and indexing that exist today is built by massive participation. From Orkut to YouTube, tags and indexes are completely based on networked choices made by many. The web itself is an example of social technology where most of the protocols and codes are open and free, allowing unexpected participation of groups, developers, businessmen and individuals. The locative technologies, being initially an interactive technology between these individuals in the weave of society, establish new definitions of public space and interaction. It should be considered how the private-private relations do not result in thoughts about the construal of a shared space (of thought, of action and of reverberation – the commons).

over 100 million digital photographic cameras in the country, a limited connectivity device, which stimulates the sharing of images, given its good resolution and great portability. Therefore, in today’s audiovisual productions, life is captured surreptitiously, in an explosion of movies ‘based on a true story’ that grow in quantity and improve its quality, and allow a greater multiplicity of views. Similarly to the first Kodak cameras, that allowed records of ‘every statue and every tourist attraction’ around the globe, the small video camera, associated to recent transmission technologies, has offered a flow of all the impulses of extroversion, sincerity (and banality as well) of the human behavior. And that tends to increase. The common individual has never been so close to become a photographer, a videomaker, a producer (as somehow desired by Bertold Brecht and Walter Benjamin, as will be discussed on the topic of social technologies on the Symposium). The camera attached to the cellular phone spreads this foreseen potential to levels rarely imagined before. For those who were more excited by technologies in the past, carrying a camera used to be a special situation, one of exception. Today, not having one would be the exception. What is done with this should be constantly questioned. From our point of view, it is necessary to understand a process that has been happening for a long time, with uncountable social, cultural, and technological changes that allow us to propose such visions. In the period of a few years we have seen the production, distribution and screening audiovisual technologies become increasingly closer to our daily life. We are more than just eyewitnesses; we are all minor characters, actors in such movements such as this one. And Telemig Celular arte.mov echoes the critical thought connected to these phenomena.

During the 2006 edition, we asked ourselves: to what extent are the private-private gaps as well as the need for participation in public life are a typically socio-cultural syndrome? Would it be a conservative position to consider that the ‘real’ experiences (those that ‘are worth it’) should necessarily include ‘physical references’? We intend to amplify this idea, in order to make visible the role of the cell phones in this network implicated in the processes of social construction. Even though it is not too convenient to speak of trends in the field of Arts, nowadays we can observe an ever increasing segmentation of themes and messages produced, as well as an appropriation, by ever expanding segments of society, of the technologies that allow audiovisual production. Besides the aproximately 107 million cellular phones in operation in Brazil (it is certain that very few have video capabilities), there are also

the curators

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mostra competitiva


Selecionados entre mais de 500 trabalhos de diversos gêneros, os 42 vídeos que compõem a Mostra Competitiva do Telemig Celular arte.mov revelam tendências que se consolidam e horizontes que se ampliam. São uma amostra significativa das possibilidades do audiovisual produzido no contexto de uma cultura de mobilidade cada vez mais disseminada, em que aparelhos portáteis como telefones celulares e iPods ou fenômenos como o YouTube modificam a forma de produzir e distribuir som e imagem em movimento. Os vídeos que integram a Mostra foram criados por realizadores dos mais diversos perfis, e transitam por gêneros como microcinema, ficção, videopoesia, live coding e experimentação de linguagem. Trata-se de recorte relevante de parte da produção brasileira, que se consolida como pioneira na cena do audiovisual para mídias móveis.

Competitive Show Selected from more than 500 pieces of several genres, the 42 videos that comprise the Telemig Celular arte.mov Competitive Show reveal trends and broaden horizons. They are a meaningful sample of audiovisual possibilities emergent in the context of an increaslingly disseminated mobility culture, in which portable devices like cell phones and iPods or a phenomenon like YouTube modify the way people produce and distribute sound and moving images. The Competitive Show videos were created by filmmakers of different profiles, in genres that go from microcinema to fiction, videopoetry, live coding and language experimentation. It’s a relevant sample of the Brazilian production, which stabilishes itself as a pioneer in the audiovisual scene of mobile media.


AD INFINITUM Ad Infinitum Thalita Xavier / 02’00’’’’/ 2007/ SP Sempre em frente. Always forward.

ANT MOV Ant mov Nélio Costa / 01’12”/ 2006 / MG Um antifilme ou um filme com formigas. An antifilm or a film with ants.

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ASAS, SOMbRAS, bICOS E UNhAS DE SONhOS Wings, shadows, beaks and nails of dreams Beto Brant / 03’15’’ / 2006 / SP Um fragmento dos labirintos do pintor angolano Kuta Ndumbu. A fragment of mazes by the Angolan painter Kuta Ndumbu.

bANDA bEAT DURECkS Beat Durecks Band Dereck Denis de Sousa / 00’29’’’/ 2007 / SP Uma performance de beatbox dentro de um banheiro que se transforma em uma banda vocal. Beatboxing performance in a bathroom that is turned into a vocal band.


[CAIxA] [box] Rodrigo Pazzini e Vicente Pessoa 03’00’’/ 2007 / SP E Deus disse: faça-se a luz... O que está por dentro é o que traz sentidos? And God said: let there be light... Is what is inside that makes sense?

CARLA ESCARLATE NãO GOSTA DE ARTE Scarlat Carla doesn’t like art Fernando Mendes Cunha / 01’56’’’/ 2007 / MG Hoje fiz sexo e poesia com carlinha. A reflection on raw material.

DA SÉRIE TARTARUGAS NO CÉU From the turtles in the sky series Pablo Paniagua / 03’00’’ / 2007 / RS Na Série de vídeos “Tartarugas no Céu”, o efeito digital predominante é a inversão da luminosidade das imagens captadas. O som construído, para cada tomada, mistura sonoridades variadas de água em movimento, pássaros, insetos, vento e folhas de árvore.

CINETICIDADE SÓ Lonely Cineticity Luis Artur Costa / 01’05’’ / 2007 / RS Poema-visual que trata do transeunte na cidade contemporânea e sua busca por solidão. Filmado em primeira pessoa na Rua da Praia, Porto Alegre. Visual poem about passers-by in the contemporary city and their search for loneliness. Filmed in the first person on rua da Praia (Beach Street), Porto Alegre.

In the series of videos “Tartarugas no Céu” (Turtles in the sky), the predominant digital effect is the inversion of luminosity of the captured images. The sound built for each take mixes various sonorities of water in movement, birds, insects, wind and tree leaves.

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DÉCIMO qUARTO ANDAR 14th Floor César Baio / 02’58’’’/ 2007 / SP Do desconforto às conversas sobre o tempo, as diferentes maneiras de lidar com situações incômodas e inusitadas, mostradas em imagens captadas por uma câmera percebida unicamente como telefone. O vídeo trata das relações que se estabelecem entre pessoas que compartilham, por alguns minutos, o mesmo elevador. From discomfort to conversations about the weather, different ways of dealing with embarrassing and unusual situations, shown in images captured by a camera perceived solely as a telephone. The video deals with the relationships established between people that use the same elevator for a few minutes.

DESAyUNO Desayuno Erick Ricco / 02’55’’/ 2007 / MG

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Sobre aquilo que está em todos os cantos. About what is everywhere. O DIáRIO SECRETO DE JANE JOy Neville D’Almeida e Tamur Aimara 02’30’’ / 2007/ RJ Sinopse receita de sedução - Jane Joy. Sinopsis seduction receipt – Jane Joy.

DISCO Disco Lea Van Steen / 01’22’’ / 2007 / SP dance! dance! dance! dance! dance! dance!


ESpOROS Spores Cristiano Lenhardt / 00’19’’/ 2007 / PE Brevíssimo vídeo de um jardim. Very brief video of a garden.

ESTRUTURAS Structures Rachel Castro / 02’00 / 2006 / SP

DUpLICATA Double Celina Portella / 01’10’’/ 2007 / RJ Intervenção no meio público através do vídeo. A postura de passantes desavisados é reproduzida por um intérprete. Intervention in the public medium through the video. The attitude of unwary passers-by is reproduced by an interpreter.

ESTOFADO RObÔ FELpUDO Stuffed Fluffy robot Tadeus Mucelli & Henrique Roscoe 02’04’’/ 2006 / MG Mostra a profunda relação entre o estofado e o ser humano, baseado no tempo de convivência entre eles. Shows the profound relationship between the sofa and the human being based on the relationship between them.

A contínua orientação de um planejamento preciso de fatos. The continuous orientation of a necessary planning of facts.

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hOJE VOU bEbER NIEMEyER Today I will drink Niemeyer Fabio Cançado / 00’30’’ / 2007 / MG GALAxãO Big Galaxy Fernando Cavazotti Coelho / 02’48’’’/ 2007 / PR

Uma curta ironia homenageia o pensamento e as formas arquitetônicas de Oscar Niemeyer.

Dois caras suspeitos vagam pela cidade dentro do Galaxão. Azar de quem cruzar o seu caminho.

Irony pays homage to Oscar Niemeyer’s thought and architectural designs.

Two suspicious guys wander through the city in a Galaxão (a big “Galaxy”, a Ford car). Bad luck for those who cross their path.

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A IMpLACáVEL pOLUIçãO VISUAL The Implacable Visual Pollution Shiron & Kid / 02’56’’/ 2006 / MG Kid, shiron, chico, supla, malaco, violador num vídeo criado em protesto contra a poluição visual gerada pelas propagandas pré-eletivas. Kid, shiron, chico, supla, malaco, violador in a video created in protest against visual pollution that results from election propaganda.

OS INCOMpREENDIDOS The Misunderstood Isaac Chueke / 01’00’’ / 2006 / RJ Diálogo surrealista entre alguns personagens cariocas no qual a possibilidade de se entender algum diálogo é remota. Surrealistic dialog among rio de Janeiro locals. The possibility of understanding one another is remote.


INSERçõES CULINáRIAS EM CIRCUITOS IDEOLÓGICOS Culinary insertions in ideologic circuits Pablo Paniagua / 02’05’’ / 2007 / RS Uma garrafa de Coca-Cola feita com manteiga derrete para a preparação de um prato culinário. A bottle of Coca-Cola made of butter melts for the preparation of a dish. ME // AT Me //AT Raquel Kogan / 00’30’’/ 2007 / SP Um almoço em um vagão de trem. LAbIRINTO Labyrinth Nadam Guerra / 01’00’’ / 2007 / RJ

Lunch in a train car.

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Perdidas na escada de incêndio. Lost on the fire escape ladder.

MpEGMOVIE mpegmovie Graziela Kunsch / 02’43’’/ 2007 / SP Uma reflexão sobre o material bruto. A reflection on raw material.

ThE NATURE Eduardo Zunza / 03’00’’/ 2007 / MG A natureza de um cotidiano; insetos de luzes e suas geografias cintilantes num movimento dentro do seu tempo. The nature of everyday life; insects of lights and shiny geographies in a movement within its own time.


OLÉ Olé Thales Alves de quadros / 00’59’’ / 2006 / PR vibrilim-mandáre. vibrilim-mandáre.

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OUTUbRO, MANhã DE SábADO, 2 GRAUS E AGORA? october, saturday morning, 32 degrees and now? Robert Frank e Mariana Zande 1’41’’/ 2007 / MG

O pARADOxO DA ESpERA DO ÔNIbUS Paradox while waiting for the bus Christian Caselli / 03’00’’ / 2007 / RJ

quando tudo se perde em uma relação, o que resta?

Homem espera em vão o ônibus. Em vão? Ora, se o ônibus está demorando, então ele está mais perto de chegar. “Desenho desanimado” baseado em várias histórias reais.

When everything is lost in a relationship, what is left?

A man waiting in vain for a bus. In vain? Well, if the bus is taking too long, then it is likely to come sooner. “unanimated cartoon” based on various real stories. (pULSOS) (pulses) Léa Persephone e Alexandre Guena 02’43’’/ 2007 / BA Devaneios de uma garota ao chegar em casa. A girl’s daydreams as soon as she arrives home.


SEM TÍTULO untitled Rodrigo Vieira de Souza / 02’51’’ / 2007 / MG Um quebra-cabeça e suas abstrações. A jigsaw-puzzle and its abstractions.

RAVE pASSARIM Lil’ Bird rave Fernando Libânio / 01’05’’ / 2007 / MG Todos sabemos da forte sensação que provoca nos homens a possibilidade de voar como os pássaros. Mas ao inverter este pensamento, encontraremos nos pássaros a ambição por algo humano? We all know about the strong feelings the possibility of flying like birds have on human beings. If we reverse this thought, do birds have any human ambitions?

RING-pUM! ring-Pum! Huila Gomes e André Hime / 00’59’’/ 2007 / SP A vaca é quem produz o combustível que desencadeia o ringtone. The cow produces the fuel that sets the ringtone going. SCASA Shome Fernando Rabelo / 03’00’’/ 2007 / MG Fiz as honras de casa e mostrei em tempo real o lugar onde moro para o visitante binário memorizar e gerar sua impressão algorítmica.

SENS Sens Janaina Castro 01’00’’/ 2007 / MG A velocidade e os sentidos. Speed and the senses.

As the host, I showed the binary visitor around the home in real time so that he could memorize and generate his algorithmic impression.

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SObRE O ÉbRIO About the Drunk Manuel Andrade / 01’37’’/ 2007 / MG Imagens e som sobre a embriaguez ou a sobriedade. Images and sound about drunkenness or sobriety. STOp Stop Renata Ursaia / 01’10’’/ 2007 / SP casa cabeça capacete. home head helmet

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UMA IRONIA AMERICANA OU UM SONhO ChINêS An American irony or a Chinese dream Ernesto Köhler / 03’00’’’ / 2007 / SP Procedimentos diversos e espontâneos. Um vídeo feito como se faz uma música, um desenho ou um poema. Diverse and spontaneous procedures. A video made as one makes music, a drawing or a poem.

TOCATA E FUGA Toccata and Fugue Nélio Costa / 01’52’’/ 2007 / MG Excitação, medo, provocação: fascinação. Excitement, fear, temptation: fascination.


VIGÍLIA Watch Fabíola Gerbase

/ 03’00’’’/ 2007 / RJ

O regime de visibilidade constante próprio da sociedade atual. Os pontos são múltiplos, fixos e móveis ao mesmo tempo. Onipresentes. Os vigiados se tornam vigilantes. VAzIO Voyd Cláudio Santos Rodrigues 03’00’’’/ 2007 / MG

The constant surveillance typical of today’s society. The spots are multiple, fixed and mobile at the same time. ubiquitous. The observed ones become observers.

De que forma podemos ver o invisível? Imagens do deserto do Arizona e do Novo México servem de analogia a uma página em branco, onde podemos começar tudo do zero. How can we see the invisible? Images of the Arizona and New Mexico desert are an analogy with a blank sheet of paper where we can start everything from scratch.

WIRELESS Letícia Capanema / 00’26’’ / 2007 / SP Uma interpretação despretensiosa do termo WIRELESS. An unpretentious interpretation of the term WIrELESS.

zOI Eye Nelson Antônio Andrade / 00’48’’/ 2006 Olhos que dançam. Dancing eyes.

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JúRI DA MOSTRA COMpETITIVA 28

Composto de críticos, curadores e cineastas, o Júri da Mostra Competitiva do Telemig Celular arte.mov combina personalidades de vários segmentos do audiovisual, com objetivo de submeter os trabalhos selecionados ao crivo de diferentes perspectivas, em mistura entre olhares abrangentes e outros mais próximos ao universo de cruzmentos entre audiovisual e mídias digitais que caracteriza o cenário das mídias móveis. Integrated by critics, curators and filmmakers, the Jury of the Telemig Celular arte.mov Competitive Show puts together personalities of several audiovisual backgrounds in audiovisual togheter, aiming to submit the selected works to different perspectives, mixing wider perspectives with others more focused on the crossings of sound and moving image with digital media typical of the mobile media scenario.


Armin Medosch Escritor, artista e curador, trabalha na área de arte em mídia e cultura de rede. Sua produção recente inclui a curadoria e organização do evento Ars Electronica 2007 “Adeus à Privacidade” em conjunto com Ina Zwerger; a curadoria da exibição WAVES – ondas eletromagnéticas como material e meio de arte, em Riga 2006; e o projeto de arte ao vivo PLENUM com Reino da Pirataria como parte da temporada de arte em mídia Node-London de 2006. Medosch pesquisa a relação entre as artes e software livre e atualmente constrói uma plataforma de pesquisa colaborativa com o título The Next Layer (A Próxima Camada). Seus livros anteriores incluem “Netzpiraten” (2001) e “Freie NMetze” (Free Networks, 2003). A atual obra de Medosch como artista inclui o projeto Hidden Histories (Histórias Ocultas), um projeto de arte pública participativa para Southampton, Reino Unido, juntamente com Hive Networks. De 2002 a 2007 ele tem atuado como palestrante sênior associado em Mídia Digital na Faculdade de Comunicação e Design Ravensbourne e, entre 1996 e 2002, editor geral e fundador da revista on-line Telepolis. Seu website é http://www.thenextlayer.org/. Writer, artist and curator working in the field of media art and network culture. recent work includes curating and hosting the Ars Electronica theme conference 2007 “Goodbye Privacy” together with Ina Zwerger; curating the exhibition WAVES - electromagnetic waves as a material and medium of art, in riga 2006; and the live art project PLENuM, with Kingdom of Piracy as a part of Node-London season of media arts 2006. Medosch researches the relationship between arts and free and open source software and currently builds a collaborative research platform under the title The Next Layer. His previous books include “Netzpiraten” (2001) and “Freie NMetze” (Free Networks, 2003). Medosch’s current work as an artist includes the project Hidden Histories, a participatory public art project for Southampton, uK, together with Hive Networks. From 2002 to 2007 he has been associate senior lecturer in Digital Media, at ravensbourne College of Communication and Design, and, between 1996 and 2002, founding editor-at-large of Telepolis online magazine.

yves Gaillard Programador de filmes e produtor independente com grande interesse em mídias móveis e em novas experiências cinematográficas, como videogames. Desde 2007, está à frente do programa internacional do Pocket Film Festival, um importante evento europeu destinado às novas mídias, organizado pelo Forum des images e pelo Centro Georges Pompidou. Independent film programmer and production manager with a keen interest in mobile medias and new cinematic experience such as video games. Since 2007 he is in charge of the international program of the Pocket Film Festival, a major European event devoted to mobile medias organized by the Forum des images and the Centre Georges Pompidou.

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Cássio Starling Carlos Crítico de cinema da “Folha de S. Paulo”, onde também foi redator e editor-adjunto da “Ilustrada” (94-95), editor-adjunto do suplemento ”Mais!” (95-97) e de projetos especiais (97-99), editor do semanário “Folhateen” (01-04) e da “Ilustrada” (04-05). É graduado em Filosofia pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Autor do livro “Em Tempo Real - O Impacto das Novas Séries de TV” (Ed. Alameda/2006) e de ensaios e entrevistas publicados nas coletâneas “Folha Conta 100 Anos de Cinema” (Imago/1995), “Cinema em Palavras” (Prefeitura de Belo Horizonte/Centro de Referência Audiovisual/1995), “Memórias do Presente - Artes do Conhecimento” (Publifolha/2003) e “Chimères” (nº 51/automne 2003). Integrou o júri de curtas-metragens do 13º CineVideo de Vitória e da competição em 35mm do 39º Festival de Cinema Brasileiro de Brasília, ambos em 2006. Fez parte da comissão de avaliação do projeto de apoio ao audiovisual

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Filme em Minas, em 2007. Folha de São Paulo’s film critic, where he was also editor and assistant-editor of “Ilustrada” (94-95), assistant-editor of “Mais!” (95-97) and special projects (97-99), editor of the weekly publication “Folhateen” (01-04) and “Ilustrada” (04-05). He has a Bachelor’s degree in Philosophy from uFMG (Minas Gerais Federal university). He is the author of the book “Em Tempo real - O Impacto das Novas Séries de TV” (“In real Time – The Impact of the New TV Series”) (Alameda Publishing Co./2006) and essays and interviews published in the collectanea “Folha Conta 100 Anos de Cinema” (Imago/1995), “Cinema em Palavras” (Prefeitura de Belo Horizonte/Centro de referência Audiovisual/1995), “Memórias do Presente - Artes do Conhecimento” (Publifolha/2003) e “Chimères” (nº 51/automne 2003). He was a member of the jury of the 13th CineVideo Festival of Vitória (short films) and of the 35mm film competition of the 39th Brazilian Film Festival of Brasília, both in 2006. He was a member of the appraisal commission of the project for the support for the audiovisual industry Filme em Minas, in 2007.

Eduardo de Jesus Graduado em Comunicação Social pela PUC Minas, Mestre em Comunicação pela UFMG e doutorando na ECA/USP. É professor da Faculdade de Comunicação e Artes da PUC Minas onde integra a equipe do Centro de Experimentação em Imagem e Som (CEIS). Faz parte do Conselho da Associação Cultural Videobrasil. Coordena e atua como curador dos projetos Circuito mineiro de Audiovisual e Imagem-pensamento. graduated in Social Communication by PuC-MG, Master in Communication by uFMG, currently attending to Doctorate at ECA/uSP. He is a professor in Faculdade de Comunicação e Artes of PuC-MG, where integrates the group CEIS (Image and Sound Experiment Center). Makes part of Conselho da Associação Cultural Videobrasil. Coordinates and is thecurator of the projetcs Circuito mineiro de Audiovisual and Imagem-pensamento.


kiko Goifman Cineasta e artista multimídia. Dirigiu os longas-metragens “33” e “Atos dos Homens”, o média “Morte Densa” e os curtas “Tereza”, “Aurora” e “Território Vermelho”. É autor do livro “Valetes em slow-motion” e do CD-ROM de mesmo título, que ganhou o 7º Grand Prix Möbius em Paris/98 e é uma obra adquirida pelo acervo do Centro Georges Pompidou. Seu trabalho recebeu homenagens e retrospectivas no Festival de Cinema de Tiradentes/2002, na Mostra do Audiovisual Paulista/2003 e no Festival Latino Americano de Toulouse/2005, entre outros. Foi artista convidado do Núcleo de net art das 24ª e 25ª Bienais de arte de São Paulo. Atualmente é diretor, com Jurandir Muller, da produtora PaleoTV. Film director and multimedia artist. He directed the full-length documentaries “33” and “Atos dos Homens”, the medium-length “Morte Densa” and the short films “Tereza”, “Aurora” and “Território Vermelho”. He wrote the book “Valetes em slow-motion” and is also the author of the homonym CD-rOM, which won the 7th Grand Prix Möbius in Paris/98, that was acquired by Centre Georges Pompidou. His work has already received mentions and retrospectives on Tiradentes Film Festival/2002, Mostra do Audiovisual Paulista/2003 and Latin American Film Festival of Toulouse/2005. Was a guest artist of Núcleo de net art of 24th and 25th editions of Bienal de Arte de São Paulo. Currently, he manages PaleoTV productions, with Jurandir Muller.

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Simp贸sio Internacional arte.mov


Tecnologias sociais: os dispositivos móveis como agentes de utopias e distopias coletivas Com mesas-redondas e palestras de convidados brasileiros e estrangeiros, o Simpósio do Telemig Celular arte.mov propõe-se a debater, do ponto-de-vista de artistas, críticos e teóricos, a forma como as tecnologias portáteis redesenham a sociedade e a cultura, tanto em aspectos positivos como negativos. O simpósio combina palestras, debates e falas de artistas, procurando equilibrar diversas perspectivas e abordagens para os temas propostos, a partir de três eixos temáticos. Em paralelo, dois encontros com realizadores em forma de free-meetings, dois workshops de arte locativa e uma série de caminhadas com sensores de gás para medir a poluição atmosférica de Belo Horizonte permitem ao público do festival conhecer de maneira mais ampla e debater formatos emergentes de criação em mídias móveis.

Social technologies: the mobile devices as collective agents of utopias and dystopias With roundtable discussions and lectures with both Brazilian and foreign guests, the Telemig Celular arte.mov Symposium aims to discuss, from the perspective of artists and critics, the way portable technologies redesign both positive and negative aspects of society and culture. The symposium combines lectures, discussions and artist talks and aims to balance various approaches for the proposed themes from three thematic axes. In parallel, two free-meetings with producers, two locative art workshops and a series of walks to measure with gas sensors the atmospheric pollution in Belo Horizonte allow the public to know more about and debate emerging formats of creation with mobile media.


Utopias, distopias e comunidades emergentes

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O convívio com a tecnologia tornou-se cotidiano, quase banal. Isto implica, muitas vezes, em pouco distanciamento da parte de seus usuários. Apesar do conhecido cenário ambíguo de progresso atrelado a perdas e ganhos globais, muitas vezes as ideologias embutidas nas tecnologias são negligenciadas, o que leva a um uso ingênuo e pouco crítico, que ignora mesmo conseqüências imediatas de práticas triviais – como ativar ou não o sinal bluetooth de um aparelho de telefone celular. Nesse contexto, as redes digitais (fixas e móveis) apresentam alternativas cada vez mais sólidas de organização política e construção de cenários coletivos, num mundo de privacidade escassa e falência relativa de direitos civis básicos. Exemplos de comunidades como o Facebook, experiências como a do Sarai, listas como – empyre – e [iDC] ou fenômenos como as flashmobs convivem com polêmicas como a da compra do MySpace pelo grupo Time-Warner, a identificação que o jornal New York Times fez de um usuário do AOL a partir da análise de dados de suas atividades online e a atuação problemática do Google na China. São efeitos colaterais de novos processos inseridos no cotidiano sem aviso prévio. Elas antecipam as possibilidades de democratização da cultura embutidas em práticas de compartilhamento e na cultura dos softwares de código aberto, ao mesmo tempo em que disseminam (de forma reincidente) o temor de um mundo orwelliano, em que as práticas de vigilância acontecem via celular ou através de tecnologias emergentes como o RFID, nas bandas magnéticas de cartões fidelidade e outras formas de coleta de dados tão imperceptíveis quanto inseridas na vida contemporânea.


Diante dessas e de outras questões, Armin Medosch

Nesse contexto, artistas e teóricos de esquerda como Bertold Brecht e Walter

retoma a invenção do rádio como momento em

Benjamin formulam teorias da mídia explicitamente antifascistas, como forma

que surgem utopias de sociedades democráticas a

de permitir sistemas em que não há mais distinção entre autor e produtor.

reboque de mídias potencialmente bidirecionais

Medosch lembra que, embora essas idéias tenham falido em curto prazo

e, portanto, capazes de estimular o exercício do

com a ascensão do fascismo, 70 anos mais tarde o paradigma das mídias

debate coletivo ao invés da simples difusão de

participatórias aflora novamente.

idéias embaladas ao sabor do momento. Medosch também aponta o aspecto negativo dessas mesmas

Para ele, os desenvolvimentos mais recentes na internet e na área das comunicações

tecnologias, celebradas pelos artistas Futuristas

móveis e sem-fio, assim como o universo em expansão dos softwares de código

por seu potencial libertador capaz de permitir

aberto, permitem aos usuários níveis sem precedente de acesso à informação, em

novas estéticas radicais que, no entanto, acabaram

contextos que o transformam em produtor potencial de bens culturais.

apropriadas por sistemas totalitários para a manipulação em massa.

Medosch discute como esse potencial libertador ameaça cair aos pedaços em meio a um jorro de controle cibernético insano. Essa polarização o leva a questões cruciais: será que os artistas das novas mídias podem ser mais do que meros precursores no uso de gadgets da indústria, fazendo trabalho experimental para corporações a baixo custo? Ou eles apenas dão sentido a frases de efeito que de outra forma permaneceriam vazias? Patrícia Canetti, José Marccelo Zacchi e Paulo Hartmann expõem suas experiências como incentivadores e mediadores de comunidades digitais online engajadas em construir processos de médio prazo em que a pesquisa se sobrepõe ao frenesi. Sites como o Canal Contemporâneo e o Overmundo, ou festivais como o

Superfund, de Brooke Singer: aplicativo para visualização de dados online que relata diariamente, durante um ano, visitas sistemáticas a sites tóxicos que constam da lista atual da Agência de Proteção Ambiental dos EUA.

Memefest e o Mobilefest são referências de visões de mundo que se pautam pelo

Superfund, by Brooke Singer: online data visualization system that reports daily, during a year, on visits to toxic sites listed by USA Enviroment Protection Agency.

Compartilhar e discutir esse conjunto de experiências pode nos ajudar a

compartilhamento de informações e pela criação de grupos supostamente atuantes.

compreender melhor tanto suas proezas como suas dificuldades em se manterem como iniciativas independentes, respaldadas pelas comunidades que procuram

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representar. Trata-se de know-how valioso, em um

O projeto se configura também como uma rede de

contexto desfavorável na medida em que carente

intervenção em espaços públicos físicos e virtuais. A

de instituições dispostas a incentivar iniciativas

distribuição de celulares e conexão sem-fio à internet

capazes de consolidar processos desvinculados de

sobre uma arquitetura de modelo “muitos-para-

interesses corporativos.

muitos” pode, eventualmente, ajudar a moldar uma possível aplicação social da tecnologia. Para discutir

Um aspecto interessante desse debate é proposto

esta experiência, junto com Abad, dois motoboys que

por Paulo Hartmann, que apresenta as possibilidades

foram participantes ativos no projeto desenvolvido

de distribuição de conteúdo em redes de diversos

em São Paulo, Eliezer Muniz e Ronaldo Simão da

tipos. Hartmann discute como elas incentivam a

Costa.

produção e a distribuição independente, e fomentam

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o pensamento crítico, ampliando as possibilidades

Giselle Beiguelman discute como em abril de 2007,

de circulação de conhecimento em âmbitos de não-

Cho Seung-hui, o estudante sul-coreano de 23 anos

especialistas. Além disso, levanta possibilidades

que matou 32 pessoas na universidade em que

de troca em rede por meio de associações não tão

estudava, no Estado da Virgí­nia (EUA), antes de

remotas assim.

cometer suicí­dio, evidenciou que a era liberdade criativa DIY pode ser o Ovo da Serpente da

Outro aspecto é abordado por Antoni Abad, que

Sociedade Overmidiática. Seung-hui tomou todos

apresenta seus canais comunitários criados com uma

os cuidados para produzir um press kit mórbido,

combinação simples, mas potente, de tecnologias

com depoimentos em vídeos, fotos e texto que

fixas e móveis. Ele vem produzindo, desde 2004,

supostamente explicavam seu crime. Pouco tempo

uma série de projetos que tem por objetivo

depois, os inúmeros factóides que acompanharam

oferecer ferramentas de publicação online a grupos

o desastre da TAM, no aeroporto de Congonhas,

geralmente marginalizados, tais como motoristas

em julho último, demonstraram os limites do

de táxi na Cidade do México, ciganos em León e

jornalismo informal e sua capacidade de fazer

Lleida (cidades espanholas), prostitutas em Madri,

circular não-notí­cias desinformativas. Beiguelman

deficientes em Barcelona e jovens motoboys em São

acredita que o assassinato de 8 estudantes na

Paulo – curiosamente este último foi o disparador de

Finlândia, dia 7 de novembro, postado e anunciado

toda a série, e só se concretizou em 2007.

no YouTube com antecedência, coroa essa

Corredor de Can You See Me Now?: um dos aspectos do trabalho do Blast Theory é o estímulo a novas formas de sociabilidade em cidades redesenhadas por sistemas de realidade mista. Can You See Me Now? runner: one aspect of Blast Theory´s work is engendering new forms of sociability in cities redesigned by mixed reality systems.


série de reveses indicativos de uma sociopatia

Utopias, distopias e comunidades emergentes discute, enfim, os efeitos colaterais

emergente: a possibilidade de, no mundo em

de um ideal comunitário e de convívio público que já não é mais tão possíveis na

que todo mundo se “tuba” e se publica com dois

trama das grandes cidades. Se, num primeiro momento, as cidades permitiram o

cliques, podermos fabricar história antes dos fatos

surgimento de comunidades espontâneas, o convívio social e o compartilhamento

terem ocorrido.

de interesses comuns, será que hoje em dia caminhamos em direção a modelos distópicos de impedimento da sociabilidade?

Ju Row Farr apresenta exemplos de trabalhos do Blast Theory, abordando as preocupações do grupo e seus pontos de vista sobre o relacionamento entre tecnologia e espaço público. As performances no campo que vem sendo chamado de “realidade mista” tornaram-se recorrentes no trabalho do Blast Theory, depois de Desert Rain. O grupo inglês atua na intersecção entre performance, instalação e games, adaptando tecnologias existentes para finalidades imprevistas. Trabalhos como Can You See Me Now? e Uncle Roy All Around You exploram conexões possíveis entre os mundos físico e digital, por meio de dinâmicas que colocam em questão as mudanças sociais trazidas por dispositivos móveis e ubíquos, na medida em que redesenham a possibilidade de acesso a redes distribuídas. Um aspecto importante do trabalho do Blast Theory é a relação entre tecnologias de localização e práticas do game, em procedimento que enfatiza a dimensão de vigilância implícita em aparelhos que indicam o tempo todo a posição em que seus usuários se encontram.

Utopias, dystopias and emerging communities Daily contact with technology has become almost trivial. Many times, it results in little users’s awareness. Despite the well known and ambiguous scenario of progress connected to global losses and gains, many times ideologies implicit in technologies are taken for granted, resulting in naive and acritical practices, that ignores ignores even immediate consequences of common decisions – such as setting or not the Bluetooth signal of mobile phones to discoverable. On this context, digital networks (fixed and mobile) present each time more solid alternatives for political organization and the construction of collective scenarios. The example of communities such as Facebook, experiences like Sarai, lists as - empyre - and [iDC], or phenomena such as flashmobs are side by side with polemics like the purchase of MySpace by Time Warner, the identification by the New York Times of an AOL user based on analysis of data describing her online activity and the problematic actions of Google in China. These are side effects of new processes embedded in society with no previous notice. They anticipate possibilities of democratizing culture in consequence of distributed networks and open source practices, but at the same time repeatedly disseminate the fear of an Orwellian world, in which surveillance practices happen through mobile phones or emerging technologies like RFID tags, but also on the magnetic stripe of fidelity cards and other forms of gathering data as imperceptible as inserted in daily life. Confronting this and other issues, Armin Medosch goes back to the invention of radio, considered as a moment that have raised hopes of leading towards democratic utopian societies by means of potentially bidirectional technologies, therefore capable of stimulating collective debate instead of simply diffusing randomly packed ideas. Medosch also points out the negative aspect of the same

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technologies, which were praised by Futurist artists for their liberating potential and for enabling new radical aesthetics, nevertheless appropriated by totalitarian systems to mass manipulation. On this context, leftwing artists and theorists such as Bertold Brecht and Walter Benjamin formulated anti-fascist media theories as a way to abolish frontiers between producers and audience. Medosch points out that even though these ideas had failed in short term with the rise of fascism, 70 years later it seems that the participatory media paradigm blooms again. For him, the latest internet and mobile and wireless technologies developments, as well as the expanding universe of open source software, enable unprecedented levels of access to information and turn potentially every user into a producer of cultural goods. Medosch questions how this liberating potential threatens to fall appart, due to cybernetic control freakery. This polarization leads him to crucial questions: can artists working with new media be more than just early adopters of industry gadgets who are doing cheap experimental work for corporations? Do they only provide meaning to buzzwords that otherwise would seem empty?

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Patrícia Canetti, José Marccelo Zacchi and Paulo Hartmann discusses their experiences as stimulators and mediators of online digital communities engaged in building medium term processes in which research overcomes frisson. Websites like Canal Contemporâneo and Overmundo, or festivals like Memefest and Mobilefest are references of attitudes based on information-sharing and the creation of supposedly active groups. Share and debate such experiences can help understanding more clearly its accomplishments but also its difficulties in sustaining independent initiatives, supported by the communities they seek to represent. It is a valuable know-how, in an unfavorable context of few institutions interested in encouraging initiatives capable of consolidating processes detached from corporate agendas. An interesting aspect of this debate is offered by Paulo Hartmann, who presents the distribution possibilities in diverse networks. Hartmann discusses how they stimulate independent production and distribution, and encourage critical thinking, enlarging the possibilities of knowledge circulation in non-specialized circles. Besides that, they allow networks of interchange through not so remote associations. Another aspect of this debate is conducted by Antoni Abad. He presents his community channels created with a simple, but powerful, combination of fixed and mobile technologies. Since 2004, he is investing in a series of projects using mobile telephony and web in order to offer online publication tools to marginalized groups like taxi drivers in Mexico City, gypsies in León and Lérida (Spanish cities), prostitutes in Madrid, disabled people in Barcelona and young motorcycle couriers in São Paulo — curiously this last one was the inspiration of the whole series, but was only implemented in 2007.

The project is also configured as a networked intervention in public spaces, physical and virtual. The distribution of cell phones and wireless connection to internet on a model architected as “many-to-many” may, eventually, help the creation of a possible social application for such technologies. Abad brings to his presentation two motorcycle couriers, Eliezer Muniz and Ronaldo Simão da Costa, who actively participated of the project developed in São Paulo, throughout 2007. Giselle Beiguelman discusses how in april 2007, Cho Seunghui, the 23 years old south corean student killed 32 people in the University where he studied, on the state of Virgina (USA), before commiting suicide, highlighting how the era of DIY creative freedom can be the Serpent´s Eye of the Overmidiatic Society. Seung-hui carefully produced a morbid press kit, with video testimonies, pictures and text that supposedly explained his crime. Shortly after, the numerous factoids about the TAM disaster, in Congonhas Airport last July, demonstrated the limits of informal journalism and its capacity to put desinformative non-news in circulation. Beiguelman believes that the killing of 8 students in Finland, last november 7, previously posted and announced in YouTube, crowns this series of indicative twists of an emerging sociopaty: the possibility of, in a world where everybody “tubes” and publishes itself in two clicks, people becoming able to fabricate history before it happens. Ju Row Farr presents examples of Blast Theory works, explaining some of the group´s concerns and perspectives about the relation between technology and public space. Performances in the so called “mixed reality” have become constant on Blast Theory’s work, after Desert Rain. The British group works on the intersection among performance, installation and games, adapting existing technologies to unexpected purposes. Projects like Can You See Me Now? and Uncle Roy All Around You explore possible connections between physical and digital worlds, using dynamics that emphasizes social changes brought by mobile and ubiqutous tools, once they remake the possibility of access to distributed networks. An important


aspect of Blast Theory´s work is the dialog between tracking technologies and practices of game, in a way that emphasizes the dimension of surveillance implicit in devices that indicate, all the time, the localization of its users. Utopias, dystopias and emerging communities lastly discuses the collateral effects of a communitarian ideal of public society which is no longer possible in the plot of the big cities. If, at first, cities enabled the appearance of spontaneous communities, social life and sharing of common interests, are we, nowadays, moving towards dystopic models that refrain sociability?

Utopias, distopias e comunidades emergentes Utopias, dystopias and emerging communities Mediação do painel e coordenação / Lucas Bambozzi Panel mediation and conduction / Lucas Bambozzi PALESTRA inaugural opening presentation _Armin Medosch (AT)

39 PALESTRANTES da primeira sessão presenters 1st session _Patrícia Canetti (Canal Contemporâneo . RJ/SP) _Paulo Hartmann (Memefest - MobileFest . SP) _José Marcelo Zacchi (Overmundo . RJ) PALESTRANTES da segunda sessão presenters 2nd session _Antoni Abad (Zexe.net . Espanha) _Giselle Beiguelman (PUC . SP) Arquiteturas Improváveis: construções líquidas de Giselle Beiguelman e Vera Bighetti no Second Life, como parte do projeto NOEMA. IMPOSSIBLE ARCHITECTURES: liquid buildings by Giselle Beiguelman and Vera Bighetti on Second Life, as part of the NOEMA project.

_Ju Row Far (Blast Theory . UK)


Arquitetura e espaços urbanos 40 Apesar da distribuição ainda assimétrica, as tecnologias digitais espalham-se cada vez mais, construindo geografias até então inexistentes e permitindo usos inéditos das cidades. Um exemplo curioso é a forma como os celulares vêm sendo usados na África, onde permitem que setores da sociedade antes excluídos se engajem na cultura digital. Outro exemplo é o modo como os mesmos aparelhos modificam as formas de sociabilidade entre jovens, conforme discutido no livro “Moving Cultures”, de André H. Caron e Letizia Caronia. O espaço público, conforme é redesenhado pela tecnologia, ganha novos sentidos, numa sociedade de petições online. Suas urgências não são mais apenas físicas, uma vez que a paisagem urbana se utiliza crescentemente de imagens, dispositivos imateriais, redes de conexão, serviços locativos e mediações técnicas de todo tipo. Neste contexto, as crescentes possibilidades de mapeamento urbano assumem feições diferenciadas, com a popularização de dispositivos GPS. A construção de espaços virtuais adiciona uma nova camada, que amplia a trama das cidades propondo novas possibilidades, mas também confrontos de outra ordem. A cidade se expande para além das bolhas privadas que se formam como invólucros protetores e separam a vida social da violência urbana. A crescente privatização dos espaços públicos em cidades como São Paulo ou Belo Horizonte é um fato a ser levado em consideração.


Para discutir esse aspecto da inserção de tecnologias na vida contemporânea, José Cabral, arquiteto e pesquisador de sistemas interativos lança mão de experiências de uso da tecnologia em sistemas de automação e desenho de ambientes inteligentes, entre outras perspectivas que vêm redesenhando a paisagem urbana e a função da arquitetura na construção de espaços perceptivos e sensoriais. Muitas vezes, recursos de automação compõem uma paisagem invisível, mas sentida biopoliticamente em ações diárias. Maíra Spanghero e Jéssica Renesto expõem e discutem as diversas implicações da noção de nomadismo, quando abordada em seus aspectos históricos e geográficos, em suas práticas artísticas e, finalmente, em sua relação com a comunicação e a sociabilidade mediada por dispositivos portáteis. Tecnologias que explicitam aspectos sociais, como o vídeo e a web, já estão entre nós há algum tempo. Com seu auxílio, Graziela Kunsch registra e dá voz a

A. N. T. I cinema: a câmera em deslocamento produz registros do fluxo de pessoas em trânsito usando meios de transporte público. A. N. T. I cinema: the moving camera register the flux of people in transit using public transportation.

movimentos sociais urbanos, introduzindo uma nova noção de paisagem urbana a partir de ocupações, ações coletivas, intervenções e lutas urbanas. São técnicas de representação imagéticas a favor da conscientização a respeito de uma

holográfica, que faz o espaço bidimensional explodir

realidade social em estado de permanente conflito.

em intervalos de tempo 3D de acordo com o movimento do corpo diante da obra, Wagner Garcia

Um exemplo é o trabalho em processo Mutirão, que reúne uma série de excertos de

atualmente explora a complexidade ecológica da

A.N.T.I. cinema relacionados à luta por moradia e transporte. Nele, Kunsch utiliza

Amazônia. É no contexto em que o ambiente integra

práticas documentárias para investigar a produção de um espaço de autogestão;

a obra que o artista vai apoiar sua fala.

para ver e mostrar como as pessoas estão se organizando e mudando as cidades, por meio de filmes em planos únicos, curtos ou longos, que buscam que o

Brian House discute as possibilidades de

espectador vivencie o tempo presente no processo de formação das imagens.

desenvolvimento de Narrativas (Móveis) Subversivas. Partindo da teoria e da prática de Oulipo, Fluxus,

Nesse sentido, mas tratando o tema de forma mais abrangente, José Wagner

Forced Entertainment, Infocom e dos Situacionistas,

Garcia discute as relações entre arquitetura e tecnologia. Pioneiro da arte

o grupo de arte Knifeandfork usa mensagens de texto

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para adicionar uma realidade imaginada à vida cotidiana. O filósofo francês Jean

captação da sonoridade da cidade, rastreamento

Baudrillard é conhecido por reclamar que “o meio não é mais identificável como

via GPS, intervenção e performance em espaço

tal”, situação que fica evidente com a proliferação de tecnologias imersivas e

público. São formas possíveis de se problematizar e

dispositivos móveis atualmente em curso. Não obstante, a dissolução de espaços

melhor compreender a inserção das tecnologias na

de comunicação bem-definidos é uma oportunidade criativa para explorar novos

construção da paisagem e da experiência urbana.

gêneros da narrativa. Arquitetura e espaços urbanos coloca em pauta,

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Trabalhos como Hundekopf (2005, Berlim) e The Wrench são exemplos dessa

assim, as novas configurações urbanas que surgem

possibilidade. O primeiro utiliza o sistema de trânsito de Berlim para criar um

a partir de tecnologias que são inseridas no espaço

teatro intervencionista e locativo. O segundo remodela The Monkey’s Wrench,

público das mais diversas formas, modificando

de Primo Levi, em um diálogo SMS entre os participantes e um personagem com

continuamente as relações entre público e privado

inteligência artificial. Além disso, Knifeandfork recentemente lançou TXTML, uma

e redesenhando os percursos possíveis pelas

plataforma de código aberto para a criação de narrativas em mensagens de texto.

metrópoles midiatizadas.

Em Planejando Tecnologias Emergentes para Informações Abertas, Beatriz da Costa e Brooke Singer apresentam uma visão global de seu trabalho colaborativo no Preemptive Media, entre os anos de 2002 e 2007. Serão discutidos os projetos Swipe, Zapped!, Moport e AIR. O Preemptive Media se dedica a questões relacionadas à vigilância de dados e, mais recentemente, à discussão sobre políticas do meio-ambiente. Todos os projetos do grupo incentivam o engajamento participativo e fornecem acesso público a questões sociais importantes, freqüentemente tratadas como especializadas ou obscuras a despeito de sua importância para todos os segmentos da sociedade. Como parte do simpósio acontece também um free-meeting com o grupo Hapax que comenta o projeto Burro Sem Rabo, um percurso pelo centro de Belo Horizonte até o Parque Municipal, onde são mescladas experiências de


ARchitecture and urban spaces Despite a still asymmetric distribution, digital technologies are spreading increasingly, building geographies not yet conceived, and allowing new uses of the cities. A curious example is how cell phones are being used in Africa, allowing previously excluded sectors of society to participate in digital culture¹. Another example is how the same devices modify the existing sociability patterns among young users, as discussed in “Moving Cultures”, by Andre H. Caron and Letizia Caronia2. While public space is redefined by technology, it gains new meanings, in a society of online petitions. Its urgencies are no longer simply physical, once the urban landscape is increasingly constructed with images, immaterial devices, information networks, locative services, and technical mediations of all kinds. The possibilities of urban mapping assume different faces with the popularization of GPS devices. The construction of virtual

spaces adds a new layer which enlarges the plot of the cities proposing new possibilities, but also other kind of confrontation. The city expands beyond the private blisters formed as a protection membrane which tear the social life completely apart of urban violence. On this context, the increasing privatization of public spaces in cities like São Paulo or Belo Horizonte is a fact to be considered. In order to discuss this aspect of technologic insertions on contemporary life, José Cabral, architect and researcher of interactive systems, introduces experiences of technology usage in automotive systems and in the drawing of intelligent spaces, among other perspectives that has been re-drawing urban landscapes and the role of architecture on the construal of sensorial and perceptive spaces. Many times, automation resources compose an invisible landscape that can be biopolitically felt in daily actions. Maíra Spanghero and Jéssica Renesto present and discuss several applications of the notion of nomadism, approached by its historical and geographical aspects, on its artistic practices and, finally, on its relation to communication and sociability mediated by portable gadgets. Social Technologies, such as video and web, are already among us for some time. Whith their aid, Graziela Kunsch registers and allows urban social movements to express themselves, introducing a new notion of urban landscape from squatting, collective actions, interventions, and urban struggle. They are techniques of imagetic representation, that stimulate awareness of a social reality in permanent state of conflict. An example of this is the work-in-progress Mutirão, that gathers a series of fragments of A.N.T.I. cinema related to the quest for dwelling and transportation. On the project, Kunsch uses documentary practices to research the production of self-managed spaces; in order to see and show how people organize themselves and change cities, Kunsch uses short or long films in uncut shots, aiming to stimulate the spectator to experience reality while the image formation process is still happening. Therein, but approaching the theme more comprehensively, José Wagner Garcia discusses the relationships between architecture and technology. Pioneer of the holographic art that makes the bidimensional space explode in 3D time spans according to the movement of the body before the work, Wagner Garcia currently explores the ecological complexity of the Amazon. It’s in the intersection of environment and work that the artist will base his speech.

Hapax: derivas pela cidade como ponto-de-partida para a criação de performances audiovisuais HAPAX: city tours collecting material to create audiovisual performances

Brian House presents Subversive (Mobile) Storytelling. Drawing inspiration from the theory and practice of the Oulipo, Fluxus, the Situationists, Forced Entertainment, and Infocom, the art group Knifeandfork uses text-messaging to insert an imagined reality into daily life. French philosopher Jean Baudrillard is recognized by its complaint that “the medium itself is no longer identifiable as such”, a situation evident in the proliferation of immersive technologies and mobile devices. Yet the dissolution of well-defined communication spaces is a creative opportunity to explore

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new narrative genres. Case studies include Hundekopf (2005, Berlin), which uses the Berlin transit system to create locationaware, interventionist theater, and The Wrench (2008 Rhizome commission), which recasts Primo Levi’s The Monkey’s Wrench into an SMS dialogue between participants and an artificiallyintelligent character. In addition, Knifeandfork has recently released TXTML, an open source platform for creating textmessage narratives. In Designing Emerging Technologies for Open Information, Beatriz da Costa and Brooke Singer will give an overview of their collaborative work with Preemptive Media from 2002-2007. The projects include Swipe, Zapped!, Moport and AIR.

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Arquitetura e espaços urbanos Architecture and urban spaces Mediação do painel e coordenação / Rodrigo Minelli Panel mediation and conduction / Rodrigo Minelli

The group focus on issues related to data surveillance and more recently has shifted their discussion to enviromental politics. All Preemptive Media projects encourage participatory engagement and provide public access to important social issues that often are characterized as specialized or opaque despite its importance to all segments of society.

Encontro livre / Grupo Hapax (Burro Sem Rabo

Architecture and urban confronts different forms of insertion of technologies in public space, in a process that constinuosly changes the frontiers between public and private, and redraw the possible paths through mediatized cities.

PALESTRANTES da primeira sessão

– projeto de intervenção móvel) free meeting / Grupo Hapax (Burro Sem Rabo – mobile intervention project)

presenters 1st session _José Cabral (UFMG . BH) _José Wagner Garcia (SP) _Maíra Spanghero (PUC . SP) _Graziela Kunsch (USP . SP) PALESTRANTES da segunda sessão presenters 2nd session _Brian House (DE/US) _Beatriz da Costa and Brooke Singer (Preemptive Media . USA)


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Tecnologias sociais e o social nas tecnologias 46 Um dos aspectos mais potentes da cultura de rede é a forma como a tecnologia amplia as relações sociais. Mas não se sabe, ao certo, que trocas efetivas as redes permitem. Se, por um lado, a inserção das tecnologias mais recentes no mercado de consumo implica na exclusão do acesso mais amplo, por outro lado tecnologias de baixo custo geram um contexto de relativa democratização das tecnologias – para sermos minimamente otimistas. Em todo caso, vale lembrar que há uma distância grande entre acesso e compreensão, entre informação e conhecimento. O surgimento de “bolhas” de relações privadas é um dos efeitos sensíveis do uso de tecnologias supostamente coletivas para estabelecer trocas que voltam ao modelo “um e um”. A rede, neste caso, apenas aprimora diálogos já possíveis de outra forma, ao invés de consolidar trocas entre pessoas ou setores da sociedade até então apartados. O fenômeno é oposto ao otimismo das teorias mais eufóricas sobre a revolução da cibercultura. O objetivo do painel Tecnologias sociais e o social nas tecnologias é discutir como as tecnologias em rede (sejam elas fixas ou móveis) proporcionam desdobramentos sociais interessantes ou novamente, num outro extremo, distópicos. Enfrenta-se aqui, por exemplo, o “como viver junto em rede”, uma vez que as redes tecnológicas se inserem nas relações entre as pessoas de forma brutal, com suas perspectivas de compartilhamento, trocas e existência virtual.


Para debater o tema, Etienne Delacroix, Priscila

pervasiva e os usos da rede para averiguar a ação ambiental de empresas de

Arantes e o Preemptive Media enfocam diversos

grande porte constróem uma trama cada vez mais intricada.

aspectos da relação entre tecnologia e sociedade. Delacroix problematiza a relação entre cultura,

Ina Zwerger apresenta os desafios para a “mídia pública” e problematiza a

tecnologia, arte e inclusão social e digital, no

mudança da esfera pública e a nova vida pública que está evoluindo com a

contexto das pesquisas que vem desenvolvendo com

proliferação de weblogs e plataformas sociais, que permitem que as pessoas

práticas de reciclagem de hardware. Priscila Arantes

escrevam e publiquem sem mediação editorial.

apresenta uma reflexão sobre as práticas artísticas midiáticas que atuam nos espaços urbanos e colocam

Enquanto mídia pública, uma rádio como a ORF é obrigada a aderir a uma ética da

em cena o diálogo entre o espaço da cidade e o

objetividade, o que significa que seus jornalistas devem equilibrar as opiniões

da “cibercidade”. O Preemptive Media discute as

sobre um assunto de maneira justa e proporcional. Ainda que esta postura seja

relações entre tecnologia, controle e meio-ambiente,

restritiva, ela mantém sua importância, num contexto de fronteiras cada vez mais

num contexto em que os mecanismos de vigilância

tênues entre publicidade e conteúdo editorial, dos chamados “publeditoriais” e do jornalismo de release. Zwerger reflete sobre o papel da rádio pública neste panorama de mídia fragmentada, em que o modo de se publicar na “velha mídia” é completamente diferente da nova cultura de autopublicação. Como organizadora do Simpósio “Goodbye Privacy”, realizado no Ars Electronica deste ano, Zwerger examinou vasto material sobre o deslocamento do privado para a esfera pública, o que a leva a questões como: que tipo de informação privada deve chegar aos domínios públicos? Estamos revelando nossa privacidade muito facilmente? Tendo em vista que os usos de informação coletada por companhias privadas através de mecanismos de vigilância ou serviços de internet como o Google já saíram de controle, que atitudes devem ser tomadas? O que gostaríamos

Etienne Delacroix: reciclagem de hardware como estratégia para atuar no contexto de aceleração e excesso típicos do mundo atual.

de tornar público e o que gostaríamos de manter privado? No atual contexto,

ETIENNE DELACROIX: recycling hardware as strategy to deal with the current context of excess and acceleration.

Brett Stalbaum apresenta o estado atual de pesquisa em desenvolvimento do

ainda há escolha?

Transborder Immigrant Tool: a Mexico/US Border Disturbance Art Project (em

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português, ferramenta imigrante transnacional: um

para um desejo de personalizar a experiência da cidade contemporânea por meio

projeto de arte de perturbação da fronteira México/

de trilhas sonoras personalizadas. Para Shepard, dispositivos do tipo propiciam ao

EUA). Ele desenvolve o projeto com Ricardo Dominguez,

ouvinte certas exceções às convenções para a interação social dentro do domínio

com participação do Electronic Disturbance Theater e do

público. Colocar um par de fones de ouvido concede uma certa dose de licença

b.a.n.g lab, dos pesquisadores Micha Cardenas e Jason

social, permitindo às pessoas moverem-se pela cidade sem necessariamente se

Najarro e da estagiária Melisa Manlutac.

envolverem demais e livrando-as de uma responsabilidade de reagir ao que está acontecendo a seu redor. De fato, o iPod é uma ferramenta para organizar o

O projeto Transborder Immigrant Tool modifica

espaço, o tempo e as fronteiras em volta do corpo no espaço público.

telefones celulares baratos, com GPS, para produzir uma ferramenta que possa ser usada pelos imigrantes

No entanto, Shepard lembra que também é preciso também questionar o outro

que cruzam os desertos para encontrar recursos de

lado: até que ponto, esta prática espacial urbana contribui para um afastamento

segurança, incluindo os fornecidos pela Patrulha da

ou recuo do morador urbano moderno em relação ao espaço público, distanciando-

Fronteira Americana e grupos humanitários. Uma

o dos encontros e atritos lá encontrados?

geografia virtual potencialmente indica novas trilhas

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e rotas seguras através do deserto do real. Neste

Tecnologias sociais e o social nas tecnologias reúne, desta forma, as principais

contexto, Stalbaum acredita que as tecnologias

perspectivas (pessimistas, otimistas, balanceadas) sobre a forma como

geoespaciais GPS (Sistema de Posicionamento Global)

comunidades digitais e práticas derivadas modificam as relações sociais.

e GIS (Sistema de Informação Geográfica) têm permitido um relacionamento humano inteiramente

No conjunto, os exemplos e casos discutidos no Simpósio do Telemig Celular arte.

novo com a paisagem.

mov oferecem um panorama de como a tecnologia redesenha os diversos âmbitos da vida coletiva, estimulando formas de pensar melhor a trama de relações

A Transborder Immigrant Tool acrescenta outro nível

possíveis hoje em dia, conforme cidades, comunidades e, enfim, toda a sociedade

de controle a esta geografia virtual emergente e

convertem-se em espaços fluidos, em movimento constante de rearticulação sob

permite o acesso de segmentos da sociedade global

impacto de tecnologias portáteis e ubíquas cada vez mais diversas.

que estão normalmente fora desta rede emergente de poder de mapeamento geográfico. Em Redefinindo o Social: Táticas Sonoras para o Espaço Público Urbano, Mark Shepard discute como a popularidade do iPod em ambientes urbanos aponta


Social technologies and the social in technology One of the most powerful aspects of the networked culture is how it amplifies social relationships. But it is not clear, yet, what kind of effective exchanges networks are capable of producing. If the insertion of recent technologies on the consumption market reduces the possibilities of largest access, on the other hand, low-cost technologies create a feasible context for the democratization of these technologies, to be minimally optimistic. The appearance of “bubbles” of private relations is one of the most perceptible effects of a usage of supposedly collective technologies to stabilish exchanges that go back to the “one to one” model. The network only optimizes already possible dialogs, rather than consolidating exchange among people or sectors of society that were former apart. The phenomenon is opposite to what the most euphoric theories about the cyberculture revolution consider to be happening. The goal of the panel Social technologies and the social in technologies is to discuss how networked technologies (fixed or mobile) allow interesting social unfoldings or, again, on the other side, dystopia. What is at stake, here, is a process of questioning “how to live together and connected”, as digital networks insert people in brutal patterns of relationship, by allowing processes of sharing, exchange and virtual existence. To debate the topic Etienne Delacroix, Priscila Arantes and Preemptive Media introduce several aspects of the relation between technology and society. Delacroix questions the relation of culture, technology, art and digital inclusion, in the context of his researches with recycled hardware. Priscila Arantes presents a reflection on practices of media art that act on urban spaces, and bringing into scene the dialog between the space of the city and the “cybercity”. Preemptive Media discusses the relations between technologies, control and environment, in a context of pervasive surveillance and networked environmentalism. Ina Zwerger introduces the challenges for “public media” in this new media environment and debates how the public sphere and the new public life are changing with the multiplication of weblogs and social platforms that allow people to write and publish without editorial mediation. As a public media institute ORF is obliged to adhere to an ethos of objectivity in reporting, what means that journalists are supposed to give all opinions on a subject a fair and proportionate airing. While it restricts reporting sometimes this can be very valuable in a media landscape which is increasingly characterized by the blurring of boundaries between advertisement and editorial content – so called “advertorials” and PR journalism. As a curator of this year’s Ars Electronica “Goodbye Privacy Symposium”, Zwerger was in touch with a lot of material about the changing of the private and the public sphere. From that perspective, she will address questions such as: which private information should go into public domain? Are we revealing

our private views too easily? Considering the out of control use or misuse of personal data collected by private companies such as google or internet providers, should we change our attitudes? What do we want to make public and what should be kept private? And after all, do we still have choices? Brett Stalbaum presents the current status of the research in progress Transborder Immigrant Tool: A Mexico/U.S. Border Disturbance Art Project, his collaboration with Ricardo Dominguez, the Electronic Disturbance Theater and b.a.n.g lab, lead Researchers Micha Cardenas and Jason Najarro, and intern Melisa Manlutac. The Transborder Immigrant Tool project aims to leverage inexpensive mobile phones and the now ubiquitous GPS devices contained in them to produce a usable safety tool that immigrants crossing the deserts can use to find various safety resources, including those provided by the U.S. Border Patrol and humanitarian groups. For Stalbaum, a virtual geography can potentially mark new trails and safer routes across this desert of the real. Geospatial technologies such as GPS and GIS data have enabled an entirely new human relationship with the landscape. The Transborder Immigrant Tool adds a new layer of agency to this emerging virtual geography. This way, it allows sectors of society otherwise excluded of this emerging grid of hyper-geo-mappingpower to gain quick and simple access to the GPS system. In Re-circuiting the Social: Sound Tactics For Urban Public Space, Mark Shepard discusses how iPod’s popularity in urban environments points toward a desire to customize the experience of the contemporary city with one’s own private soundtrack. These devices also afford the listener certain exceptions to conventions for social interaction within the public domain. Shepard points out how donning a pair of earbuds grants a certain amount of social license, enabling one to move through the city without necessarily getting too involved and absolving one from some responsibility to respond to what’s happening around them. In effect, iPod is a tool for organizing space, time and the boundaries around the body in public space. Yet to what degree does this urban spatial practice contribute to a withdrawal or retreat of the modern urbanite

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Tecnologias Sociais Social Technologies Mediação do painel e coordenação / Marcus Bastos panel mediation and conduction / Marcus Bastos Armin Medosch e Ina Zwerger, no Simpósio Goodbye Privacy, que organizaram durante o Ars Electronica 2007. ARMIN MEDOSCH and INA ZWERGER, in the Goodbye Privacy Symposium, that they curated for Ars Electronica 2007

Encontro livre / Milena Szafir (Manifesto 21 – projeto de intervenção móvel) free meeting / Milena Szafir (Manifesto 21 – projeto de intervenção móvel) PALESTRANTES da primeira sessão

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from public space by distancing her or him from the encounters and frictions found there? Nevertheless, he asks, does this urban space practice contributes to a remoteness or recoil of the modern urban dweller front of the public space, taking him far from its meetings and arguments? Social technologies and the social in technologies reunites, this way, the main perspectives (pessimistic, optimistic, balanced) about the way in which digital communities and related practices modify social relations. The examples and cases debated at “Simpósio do Telemig Celular arte.mov”offers a panorama of how technologies redefine diverse spectra of collective life, stimulating forms of reflecting more effectively about the current plot of possible social relations as cities, communities and, finally, all society becomes a liquid space, in constant process of re-articulation under the impact of the most diverse portable ubiquitous technologies.

presenters 1st session _Etienne Delacroix (UnB + MimoSa) _Priscila Arantes (SP) _Beatriz da Costa and Brooke Singer (Preemptive Media) PALESTRANTES do projeto Radiokolleg presentation Radiokolleg project _Ina Zwerger (ORF, Austria Public Broadcast) PALESTRANTES da segunda sessão presenters 2nd session _Brett Stalbaum (c5-USA) _Mark Shepard (USA)


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ARTES LOCATIVAS


Deslocamentos: desvios da tecnologia no espaço urbano O termo locative media surge, segundo Armin Medosch, para propor uma abordagem mais positiva de tecnologias capazes de localizar seu usuário, procedimento que implica em formas potenciais de vigilância ampla e irrestrita. O conceito pode ser problemático ou, no mínimo, impreciso. As mídias portáteis e ubíquas típicas das redes sem fio contemporâneas tornam-se mais efetivas quando usadas como estímulo ao deslocamento, em procedimentos que esvaziam seu uso original atrelado a formas de vigilância pervasivas e amigáveis. CONTINUA

LOCATIVE ARTS Dislocations: detours of technology in urban space The term locative media arises, according to Armin Medosch, to propose a more positive approach to technologies capable of locating their users, a procedure that implies potential forms of extensive and unlimited surveillance. The concept can be troublesome or, at least, inaccurate. The portable and ubiquitous media, typical of contemporary wireless networks, become more effective when used as a stimulus to dislocation, in procedures that reverse its original use, tied to pervasive and only on the surface docile forms of surveillance. CONTINUES


As chamadas artes locativas (conforme o termo de Drew Hemment) “estão simultaneamente abrindo novos caminhos para o engajamento no mundo e mapeando seus próprios domínios”. Elas ressoam o sentido de território proposto por Deleuze e Guattari, “em que há um borramento da distinção entre mundo real e propriedade intelectual, entre mapeamento do espaço físico e produção de um meio artístico ou cultural”. Trata-se, portanto, de inversão dos processos de territorialização, em favor de geografias mais dispersas e fluidas. A tensão entre circuitos em rede e formatos de transmissão é a marca de corte que pode afastar as tecnologias móveis em definitivo do rádio, um de seus antepassados reconhecidos. O rádio foi rapidamente transformado em veículo de comunicação de massa. Apesar das diferenças entre os modelos broadcast e as formas de comunicação em rede, o risco de atenuar o potencial de compartilhamento que elas oferecem significa perder a segunda chance histórica de consolidar formas mais

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participativas de comunicação, e retrocesso evidente no processo de democratização dos meios de produção e distribuição disparado pela Internet. Os trabalhos reunidos em Deslocamentos: desvios da tecnologia no espaço público têm em comum práticas que invertem o procedimento militar de localização, e exploram as fendas que surgem da fricção entre redes móveis e espaço urbano. O mapeamento proposto na segunda edição do Telemig Celular arte.mov divide-se em trabalhos montados no Parque Municipal de Belo Horizonte (alguns deles recriados especialmente para o Festival), estudos de casos expostos em forma de instalação, terminais de acesso para acesso direto aos trabalhos (localizados na Sala Maristela Tristão do Palácio das Artes) e uma performance que acontece a partir de uma caminhada nos arredores do Parque. No conjunto, são trabalhos que questionam o uso anestésico das tecnologias sem fio, buscando resgatar a vocação que elas têm para o agenciamento coletivo e destituído de hierarquias rígidas.

The so-called locative arts (according to the term coined by Drew Hemment) “are simultaneously opening new ways to the commitment to the world and mapping their own domains”. They reverberate the sense of territory proposed by Deleuze and guattari, “in which the distinction between the real world and intellectual property and between the mapping of physical space and the production of an artistic or cultural medium are blurred”. Therefore, they invert territorialization processes in favor of more dispersed and fluid geographies. The tension between networked circuits and transmission formats is the border that can permanently consolidate the difference between mobile technologies and the radio, one of their recognized predecessors. The radio was rapidly turned into a mass-media vehicle. Despite the differences between broadcasting models and networking communication forms, the risk of mitigating the sharing potential they offer means missing the second historical chance of consolidating more participatory forms of communication. A clear step back in the process of democratizing processes of production and distribution of content triggered by the Internet. The works in Dislocations: detours of technology in urban space have in common an effort to reverse the military ancestry of location, by exploring the friction between mobile networks and urban space. The exhibition prepared for the second edition of Telemig Celular arte.mov is divided into works installed in Belo Horizonte’s municipal park (some of them specially recreated for the festival), case studies in form of installations and terminals placed in the Maristela Tristão room of the Palace of Arts to guarantee direct acess the works and a perfomance that starts with a walk around the park. On the whole, these works question the anesthesic use of wireless technologies and seek to recover the vocation they have for collective agencies deprived of rigid hierarchies.


meio-ambiente, saúde e grupos sociais em regiões específicas. No Telemig Celular arte.mov, o Preemptive Media faz caminhadas públicas em bairros e áreas comerciais de Belo Horizonte. Os participantes podem visualizar os níveis de poluição da cidade, e salvam automaticamente informações mais tarde transferidas para a Internet e sobrepostas a um mapa que será exibido em instalação criada especialmente para a ocasião.

AIR AR Preemptive Media

Experimento público e social em que as pessoas são convidadas a usar dispositivos de monitoramento de transmissão portátil criados pelo grupo Preemptive Media para explorar ambientes urbanos em busca de locais onde há muita poluição e queima de combustíveis fósseis. Os participantes, ou “mensageiros”, detectam níveis de poluentes com o auxílio de uma unidade GPS e uma bússola digital. Um banco de dados de fontes poluidoras conhecidas (usinas de energia elétrica, indústrias pesadas) permite aos mensageiros ver a que distância estão dos poluentes. Os dispositivos AR regularmente transmitem dados para um banco de dados, para serem exibidos em tempo real no site do projeto. AR funciona como ferramenta para indivíduos e grupos para a identificação de fontes de poluição, e como plataforma para discutir políticas de energia e seu impacto sobre

AIR is a public, social experiment in which people are invited to use Preemptive Media’s portable air monitoring devices to explore their neighborhoods and urban environments for pollution and fossil fuel burning hotspots. Participants, or “carriers”, are able to see pollutant levels in their current locations. An on-board GPS unit and digital compass, combined with a database of known pollution sources, such as power plants and heavy industries, allow carriers to see their distance from the polluters. The AIR devices regularly transmit data to a central database, later published on the project’s website. While AIR is designed to be a tool for individuals and groups to self identify pollution sources, it also serves as a platform to discuss energy politics and their impact on environment, health and social groups in specific regions. For the Telemig Celular arte.mov festival in Belo Horizonte, Preemptive Media will conduct public walking tours around neighborhoods and business areas in the city. Participants will be able to view pollution levels on their AIR device. The data will automatically be saved on the device and later uploaded and superimposed onto a map. Visitors and walking tour participants will be able to trace their steps and measurements and see the data displayed as part of the AIR installation.

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Burro-Sem-Rabo: A cidade será tocada Hapax

Na perfomance Burro-Sem-Rabo, a cidade é transformada em uma interface para a criação de uma peça sonora tocada remotamente através de uma transmissão de celular. Trata-se de uma caminhada por Belo Horizonte, com ponto de partida e final pré-estabelecidos, mas itinerário livre. De posse de um “burro-sem-rabo” — tipo de veículo de tração humana utilizado por transportadores, catadores e recicladores de resíduos urbanos em geral, aqui transformado em um suporte para mídias digitais —, o grupo executa uma série de intervenções sonoras pela cidade. Todas essas difusões são gravadas e, ao final da deriva, são reprocessadas e usadas como elementos de uma última intervenção musical eletrônica, completando assim a instauração.

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O Burro-Sem-Rabo apresentado em Belo Horizonte estará equipado com um GPS, de onde todas as coordenadas do trajeto são captadas e transmitidas via GSM para um servidor de internet, onde são armazenadas e retransmitidas em tempo real, para um computador montado no parque, próximo ao Palácio das Artes, rodando dois softwares: um musical e outro que converte os dados do GPS em MIDI. No software musical, sintetizadores e samplers terão seus timbres modulados pela leitura das coordenadas do GPS. O computador, junto com alto-falantes e projetor de vídeo, forma um ambiente audiovisual instalado na área externa do Palácio das Artes, que

Donkey Without a Tail: the city will be touched In the Donkey Without a Tail performance, the city is turned into an interface for the creation of a sound piece to be played remotely through a cell phone transmission. It’s a walking tour around the city of Belo Horizonte, with start and finish lines previously established and a free itinerary. In possession of a “donkey without a tail” – a type of human traction vehicle used by baggage men and people who collect recyclable materials in the streets – turned into a support for digital media, the group executes a series of sound interventions in the city. All these transmissions will be recorded and at the end reprocessed and used as elements of a final electronic music intervention, thus completing the process. Donkey without a tail presented in Belo Horizonte will be equipped with a GPS, where all the coordinates of the walking tour are captured and transmitted via GSM to an Internet server, where they are stored and retransmitted in real time to a computer located in the park next to the Palácio das Artes (Palace of Arts), running two software programs: a musical program and one that converts the GPS data into MIDI. In the musical software, synthesizers and samplers will have their timbres modulated through the reading of the GPS coordinates. The computer, as well as the speakers and video projector, will compose an audiovisual environment installed outside the Palace of Arts, the finish line. In this place, the public of the Festival and the park-goers will be able to follow the conversion process of the coordinates into a drawing of the route traveled and sound dynamics generated by the same route.

será o ponto final da deriva. Nesse local, o público do Festival e os usuários do parque em geral poderão acompanhar o processo de conversão das coordenadas em desenho da rota percorrida e em dinâmicas sonoras geradas por essa mesma rota.

Concepção, criação e performance / Concept, creation and performance: Hapax Desenvolvimento de software / Software development: Carlos Leonardo Ramos de Póvoa Vídeo / Video: Cesinha Oiticica Produção / Production: Ricardo Cutz


During a visit to São Paulo almost five years ago, I conceived the possibility of handing over cell phones to a group of motorcycle couriers so that they could create their own audiovisual channels on the Internet. It took five years for the project to be completed, but transmissions finally started in March 2007. Along the way, six other projects were conducted with Mexican taxi drivers, two communities of Spanish gypsies, prostitutes in Madrid, disabled people in Barcelona and Nicaraguan immigrants in Costa Rica. Groups of people that are present in the media but have no chance of expressing themselves.

www.zexe.net 2004-2007: sitio TAXI e canal MOTOBOY Antoni Abad

*

*

Durante uma visita a São Paulo, há quase cinco anos, imaginei a possibilidade de entregar telefones celulares a um grupo de motoboys, para que assim pudessem criar seus próprios canais audiovisuais na Internet. O projeto demorou cinco anos para se realizar, mas as transmissões finalmente começaram em março de 2007. Pelo caminho, foram realizados outros seis projetos, com taxistas mexicanos, duas comunidades de ciganos espanhóis, prostitutas de Madri, deficientes físicos de Barcelona e imigrantes nicaragüenses na Costa Rica. Grupos de pessoas sempre presentes nos meios de comunicação, mas sem possibilidades de expressarem-se sozinhos. Em Belo Horizonte, contrastamos pela primeira vez o primeiro projeto na Cidade do México com este último, de São Paulo. Taxistas e motoboys, dois grupos sobre rodas, munidos de celulares, certamente têm muito a compartilhar, como podem nos explicar os motoboys paulistanos participantes do canal*MOTOBOY, Ronaldo Simão da Costa e Eliezer Muniz dos Santos. Os endereços para visitar na Internet os canais mexicano e paulista são: www.zexe.net/MEXICODF e www.zexe.net/SAOPAULO.

In Belo Horizonte, for the first time we will contrast the first project in Mexico City with this last one in São Paulo, taxi drivers and motorcycle couriers, two groups on wheels equipped with cell phones who certainly have a lot to share, as the São Paulo motorcycle couriers Ronaldo Simão da Costa and Eliezer Muniz dos Santos, participants of the *MOTOBOY channel, can explain. The URLs of the Mexican and São Paulo channels on the Internet are: www.zexe. net/MEXICODF and www.zexe.net/SAOPAULO.

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Nos vídeos que documentam os desdobramentos de paintersflat.net entre 2004 e 2007, é possível entender um pouco melhor as diversas ações do projeto, apoiado em abordagens multidisciplinares que incluem: programação de banco de dados, GPS, viagens como mochileiros, softwares faça-você-mesmo. O resultado são instalações e pinturas que acontecem na paisagem desértica do Oeste Americano.

Paintersflat.net

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Paintersflat.net Brett Stalbaum O Paintersflat.net aborda as possibilidades das chamadas mídias locativas de forma bem diferente da maioria dos artistas que trabalham com interfaces computacionais. Ao invés de acompanhar o fluxo de informação do mundo real com um mapa ou interface apresentados aos participantes durante ou depois da navegação, os projetos de Stalbaum e Poole exploram o que chamam de “desempenho paradigmático”. O objetivo é fomentar prática “locativas generativas” que dizem algo a respeito do lugar observado, ao invés de acompanhar o fluxo de dados do real conforme eles são transferidos para mapas ou interfaces navegáveis.

Paintersflat.net has approached the possibilities of “locative media” from a very different direction than the majority of artists working with computational interfaces. Instead of following the flow of data from the real world to a map or interface that is presented to participants during or after navigation, paintersflat. net has implemented a series of performances where the data flow is from representation back to the actual world itself. “The map”, in very experimental ways, literally commands them to go places. Their “Generative Locative Media” practice is an alternative to telling participants something about where they are (annotation), where have been (mapping), or what they might do there in a social sense. The videos on display in the exhibition are documentary evidence of paintersflat.net projects from 2004 to 2007, which include multi-disciplinary approaches including database programming, encounters with cattle, GPS, backpacking, do-it-yourself software, and finally installations and landscape paintings that characterize the results of the primary performances, all of which take place in the desert landscape of the American West.


Hundekoptf

Hundekoptf Knifeandfork Hundekopf tem uma abordagem única da locatividade. Graças ao website da autoridade de trânsito de Berlim, o BVG, trens específicos podem ser automaticamente localizados à medida que se movem pela cidade. Uma vez que se conhece o trem no qual o participante se encontra, a localização do participante é conhecida, sem o uso de qualquer tipo de tecnologia de localização avançada. O sistema Hundekopf, que usa um modem GSM, passa uma mensagem aos participantes após cada estação pelas quais eles passam em seu caminho ao redor do Ringbahn. Essa mensagem é contextual, e há uma certa qualidade cinemática na obra, conforme as características comumente passivas da paisagem são colocadas num novo contexto. Uma das preocupações fundamentais era construir uma estrutura de narrativa derivada da estrutura física do ambiente. O resultado foi apelidado de uma ‘narrativa central’, uma vez que não estava amarrado por uma série de eventos articulados, mas ancorado pelo eixo central da torre de TV. Sem princípio ou fim, um participante entra na narrativa em qualquer ponto e o sentido permanece coerente. Desta forma, o grupo Knifeandfork explora o potencial de uma narrativa ser deslocada de seus contextos tradicionais da literatura, filme ou teatro, para uma arena na qual as regras normais são subjugadas e as expectativas subvertidas.

Hundekopf uses the BVG (Berlin’s transit authority) website to track trains as they move throughout the city. Once the train a participant takes is known, his location is revealed without the use of any kind of advanced locative technology. The Hundekopf system, which uses a GSM modem, delivers a message to participants after each station they pass on their way around the Ringbahn. This message is specific to place, and there is a certain cinematic quality to the piece as the ordinarily passive features of the landscape are put into a new context. One of the primary concerns was to build a narrative structure derived from the specific physical structure of the environment. What emerged was dubbed a ‘hub narrative’, as it was not tied together by a series of events, one to the next to the next, but was anchored by the central axis of the TV tower. With no beginning and no end, a participant enters the narrative at any point, and the meaning remains coherent. Knifeandfork was interested in the potential for a narrative to be taken out of its traditional contexts of literature, film, or theater, and into an arena in which normal rules could be bent and expectations overturned.

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Invisíveis Bruno Vianna Invisíveis reflete sobre a história e os usos do Parque Municipal de Belo Horizonte, a partir dos seus freqüentadores mais anônimos. O projeto parte dos conceitos de portabilidade e realidade aumentada para proporcionar um passeio exploratório no parque, uma expedição em busca de personagens imaginários intimamente ligados àquele espaço. Os visitantes recebem a orientação e os celulares especialmente preparados com um aplicativo que filtra a imagem ao vivo da câmera, superpondo fotos manipuladas de freqüentadores do parque, tiradas pelos participantes das oficinas do festival. Um algoritmo de reconhecimento de imagem faz com que as imagens “flutuem” em lugares fixos, dando a sensação de uma presença virtual no local. Na medida em que os visitantes caminham pelo parque, o programa identifica suas posições e insere diferentes anônimos na tela, relacionados com o local por onde estão passando. Pessoas que possuam celulares com o sistema operacional S60

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– como os Nokia N73 e N95 – podem instalar os programas em seus próprios telefones e explorar o

Loca: Set To Discoverable documentário de Drew Hemment

parque de maneira independente. Uma trilha demarcada mostra os locais “ativos”. O aplicativo foi desenvolvido pelo próprio artista na plataforma Mobile Python. Mais informações em www.geral.etc.br/invisiveis

Invisibles Invisibles reflects on the history and the uses of Belo Horizonte’s Municipal Park, from their anonymous goers. The project starts from the portability and expanded reality in order to provide an exploratory tour through the park, an expedition in search of imaginary characters intimately connected to that space. Visitors are guided and cell phones are specially equipped with an application that filters the camera’s live picture, superposing manipulated photos of the park-goers, taken by the participants of the festival’s workshops. An algorithm that recognizes images makes them “float” in fixed places, giving the impression of a virtual presence in the place. As visitors walk through the park, the program identifies their positioning and inserts different characters onto the screen, all of whom are related to the place. People who have cell phones with the S60 operating system – like Nokia N73 and N95 – may install the programs on their own phones and explore the park independently. A defined path shows the “active” places. The application was developed by the artist himself on the Mobile Python platform. For further information visit http://www.geral.etc.br/fantasmas

O grupo de arte Loca conseguiu mapear e se comunicar com moradores de San Jose, sem seu conhecimento ou permissão. Através de seus telefones celulares (desde que o dispositivo bluetooth estivesse aberto para localização), mais de 2.500 pessoas foram detectadas por mais de 500 mil vezes pela rede Loca — construída em agosto de 2006 com clusters formados por nós interconectados, auto-suficientes e equipados com bluetooth, no centro da cidade californiana. A malha resultante permitiu descrever em detalhes o movimento das pessoas. Um estranho com conhecimento íntimo do movimento das pessoas enviou mensagens para elas. Ao longo da semana o tom das mensagens mudou de “um café mais tarde?” para “você está me ignorando?”.


Loca: Set To Discoverable Documentary by Drew Hemment

Deploying a cluster of interconnected, self-sufficient Bluetooth nodes across downtown San Jose in August 2006, the Loca art group were able to track and communicate with the residents of San Jose via their cellphone without their permission or knowledge, so long as they had a Bluetooth device set to discoverable. Over 7 days more than two thousand five hundred people were detected more than half a million (500,000) times by the Loca node network, enabling the team to build up a detailed picture of their movements. People were sent messages from a stranger with intimate knowledge of their movements. Over the course of the week the tone of the messages changed, “coffee later?” changing to “r u ignoring me?”.

da procura por bares da moda e do consumo de música. Ao romper com o tratamento preconceituoso do celular como mera ferramenta de comunicação, é possível entender seu novo papel de instrumento pessoal de medição capaz de sentir o ambiente e potencializar ações coletivas. O objetivo de Participatory Urbanism é dar aos aparelhos móveis novos superpoderes e “super-sentidos”, ao equipá-los com sensores originais, como sensores de qualidade do ar, e oferecer uma infra-estrutura para o compartilhamento público e a remixagem dessas medições tanto por especialistas como por não-especialistas. O objetivo geral de longo prazo é promover mudanças reais e significativas, locais e globais, como resultado dos desejos de cidadãos comuns, manifesto através destas ferramentas.

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Participatory Urbanism Eric Paulos

O projeto parte do pressuposto de que as tecnologias móveis tornaram-se cotidianas, em processos de socialização e consumo atrelados aos aspectos mais visíveis da cultura da mobilidade. Entretanto, é hora de buscar nestas tecnologia outras possibilidades, que permitam ir além da busca por amigos, da conversa com colegas,

Mobile technology is with us and is indeed allowing us to communicate, buy, sell, connect, and do miraculous things. However, it’s time for this technology to empower us to go beyond finding friends, chatting with colleagues, locating hip bars, and buying music. We need to shatter our preconceptions of our mobile phone as simply a communication tool and celebrate them in their new role as personal measurement instruments capable of sensing our natural environment and empowering collective action through everyday grassroots citizen science across blocks, neighborhoods, cities, and nations. Our goal is to provide our mobile devices with new superpowers and “super-senses” by outfitting them with novel sensors, such as air quality sensors, and providing an infrastructure for public sharing and remixing of these personal sensor measurements by experts and non-experts alike. The overall long-term goal is to enable actual and meaningful local and global changes driven by the desires of everyday citizens.


“plantam” sons dentro de um ambiente de áudio localizado. Essas inserções são traçadas sobre as coordenadas de um local físico por um mecanismo de áudio 3D comum aos ambientes de jogos – revestindo um ambiente acústico construído numa área aberta sobre um espaço urbano específico. Usando fones de ouvido conectados a um dispositivo habilitado para WiFi, os participantes são levados através de jardins sonoros virtuais à medida que se locomovem pela cidade.

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Tactical Sound Garden [TSG] Toolkit Mark Shepard

O Tactical Sound Garden [TSG] Toolkit é uma plataforma de software de código aberto para cultivar “jardins sonoros” públicos em cidades contemporâneas. Ele se baseia na cultura urbana de jardinagem comunitária para propor um ambiente participativo onde novas práticas espaciais de interação social em ambientes tecnologicamente mediados podem ser exploradas e avaliadas. Tratando do impacto de dispositivos de áudio móveis como o iPod, o projeto examina as gradações da privacidade e publicidade dentro do espaço público contemporâneo. O Toolkit permite que qualquer pessoa que viva dentro de densas áreas WiFi densas possa instalar um “jardim sonoro” para uso público. Usando um dispositivo móvel habilitado para rede sem-fio (PDA, laptops, celulares), os participantes

Tactical Sound Garden [TSG] Toolkit The Tactical Sound Garden [TSG] Toolkit is an open source software platform for cultivating public “sound gardens” within contemporary cities. It draws on the culture of urban community gardening to posit a participatory environment where new spatial practices for social interaction within technologically mediated environments can be explored and evaluated. Addressing the impact of mobile audio devices like the iPod, the project examines gradations of privacy and publicity within contemporary public space. The Toolkit enables anyone living within dense wireless ”hot zones” to install a “sound garden” for public use. Using a WiFi enabled mobile device (PDA, laptop, mobile phone), participants “plant” sounds within a positional audio environment. These plantings are mapped onto the coordinates of a physical location by a 3D audio engine common to gaming environments - overlaying a publicly constructed soundscape onto a specific urban space. Wearing headphones connected to a WiFi enabled device, participants drift though virtual sound gardens as they move throughout the city.


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Trucold e outros trabalhos Blast Theory Esta seleção inclui instalações criadas a partir de Can You See Me Now? e Uncle Roy All Around You, apresentados em conjunto com o vídeo TRUCOLD e a obra interativa para computador Single Story Building. São projetos que mostram diferentes perspectivas da cidade entendida como espaço de comunicação na virada do século.


TRUCOLD é um vídeo rodado à noite nas ruas de Karlsruhe e Londres. A obra resulta do interesse do Blast Theory em deslocamento físico, amnésia e viagem no tempo, centrando-se na cidade à noite e nas lacunas entre o que é real e o que é ficcional. Extensas tomadas com uma câmera fixa revelam a passagem do tempo na paisagem.

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Single Story Building é uma obra interativa onde o participante executa um exercício com 2 mil perguntas. Começando com a pergunta Cidade ou Campo?, a obra se desloca do aberto ao enclausurado, finalmente chegando a um espaço secreto e privado. Recordando 10x10, de Charles e Ray Eames, ela usa uma descida rápida na escala para explorar o gosto do participante, enquanto zomba gentilmente da noção de interatividade em si. Can You See Me Now? é um jogo de perseguição que acontece ao vivo on-line e nas ruas de uma cidade. O arquivo centra-se na projeção de uma repetição de gravação virtual de um dos jogos que aconteceram em Tóquio em 2005. Esta interface permite aos visitantes explorar uma perseguição do jogo: vendo as mensagens indo e voltando entre os jogadores on-line; seguindo os corredores e os jogadores on-line através do mundo virtual; ouvindo a conversa nos walkie-talkie dos corredores; a realidade de correr nas ruas e como o jogo é sentido pelos corredores no chão.

Em paralelo, três terminais da web permitem aos visitantes visualizarem os sites de arquivos de jogos diferentes do Can You See Me Now? — em Sheffield, Rotterdam e Oldenburg. Eles fornecem informações de segundo plano sobre o jogo: a tecnologia, os corredores, as idéias; e permitem aos visitantes buscar fotografias das visões dos jogadores de cada um desses jogos. Eles também mostram o desenvolvimento do trabalho, de sua personificação original em duas dimensões em Sheffield até a primeira versão em 3D em Rotterdam. O site de Oldenburg permite aos visitantes acompanharem uma gravação ao vivo do jogo, escolhendo quem seguir e como visualizar a ação. Uncle Roy All Around You é um jogo ao vivo jogado on-line numa cidade virtual e nas ruas de uma cidade real. Os Jogadores On-line e os Jogadores nas Ruas trabalham em conjunto para encontrar o escritório de Uncle Roy antes de serem convidados a assumir um compromisso de um ano com um estranho. Trazendo o mundo dos filmes sobre espionagem para a vida real, o projeto utiliza web cams, mensagens de áudio e de texto através das mais recentes interfaces sem-fio. Uncle Roy Around You foi apresentado no Institute of Contemporary Arts, em Londres (2003), Cornerhouse, Manchester (2004) e The Public (2004). Recebeu o patrocínio de um Prêmio de Inovação do Arts & Humanities Research Board, Arts Council England, Equator, BT e Microsoft Research. Tanto Can You See Me Now? quanto Uncle Roy All Around You são colaborações com o Mixed Reality Lab na Universidade de Nottingham.


Trucold and other works This exhibition includes installation archive of two projects, Can You See Me Now? and Uncle Roy All Around You, presented alongside the video TRUCOLD and the interactive computer-based work Single Story Building. Collectively they show different perspectives on the city as a communication space at the turn of the century. TRUCOLD is a video shot at night on the streets of Karlsruhe and London. The work comes out of Blast Theory’s interest in physical displacement, amnesia and time travel, focusing in on the city at night and the gaps between what is real and what is fictional. Lengthy shots with a fixed camera unveil the passage of time on the landscape. Single Story Building is an interactive computer-based work where the participant drills through two thousand either/or questions. Starting with the question City or Countryside?, the piece moves from the expansive into the cloistered, finally arriving at a secret and private space. Reminiscent of 10x10 by Charles and Ray Eames, it uses this swoop in scale to explore the taste of the participant, whilst gently mocking the notion of interactivity itself. Can You See Me Now? is a chase game that happens live online and on the streets of a city. The archive centres on the projection of a virtual replay recording of one of the games that took place in Tokyo in 2005. This interface allows visitors to explore a chase from the game: seeing the messages going back and forth between online players; following the runners and online players through the virtual world; listening in on the runners’ walkie-talkie stream; the reality of running on the streets and how the game is experienced by runners on the ground. Alongside this, 3 web terminals allow visitors to view the archive sites from different games of Can You See Me Now? — in Sheffield, Rotterdam and Oldenburg. These provide background information to the game: the technology, the runners, the ideas; and allow visitors to search through photos of player ‘sightings’ from each of these games. They also show the work’s development from its original 2D incarnation in Sheffield through to its first 3D version in Rotterdam. The Oldenburg site allows visitors to follow a live recording of the game, choosing who to follow and how to view the action. Uncle Roy All Around You is a live game played online in a virtual city and on the streets of an actual city. Online Players and Street Players collaborate to find Uncle Roy’s office before being invited to make a year long commitment to a total stranger. Bringing the world of espionage movies to life, the project utilises web cams, audio and text messages via the latest wireless interfaces. Uncle Roy All Around You has been presented at the Institute of Contemporary Arts, London (2003), Cornerhouse, Manchester (2004) and The Public (2004). It was supported by an Innovation Award from the Arts & Humanities Research Board, Arts Council England, Equator, BT and Microsoft Research. Both Can You See Me Now? and Uncle Roy All Around You are collaborations with the Mixed Reality Lab at University of Nottingham.

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Parquimaginário workshop

66 Uma das etapas fundamentais do Telemig Celular arte.mov em 2007 foi uma série de workshops que teve como objetivo fomentar a formação de novos realizadores e explorar as possibilidades artísticas das mídias móveis. A experimentação de uma linguagem que se descobre no processo da realização — pontuando características, potenciais e limitações do uso de tais tecnologias — marcou a construção deste trabalho. Concebido por diversos olhares, “Parquimaginário” redesenha o Parque Municipal Américo Renné Giannetti, em Belo Horizonte, considerando as subjetividades empregadas pelos participantes dos workshops através dos dispositivos móveis. A instalação resultante possibilita ao usuário uma comparação com o seu próprio olhar. Assim, o Parque se apresenta em função da comunicação entre o usuário, a vivência e a memória do lugar, construída a partir do acúmulo de múltiplas e distintas interpretações.


“Parkimaginary” One of the fundamental actions of Telemig Celular arte.mov, in the year of 2007, was a series of workshops that aimed to stimulate the appearance of new producers and explore the artistic possibilites of the mobile media. Language experimentation that finds itself during the process of development — punctuated by characteristcs, potencials and limitations on the use of such technologies — was a signature of this work. Combining a diversity of gazes, “Parkimaginary” redesigns the Municipal Park Américo Renné Giannetti, in Belo Horizonte, taking in account how mobile devices change its participants subjectivity. The resulting installation allows the user to compare the results with its own look. This way, the Park presents itself as a result of how it communicates with the user, his experience and memory of the place, constructed by the accumulation of multiple and distinct interpretations.

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Locative media locative


Como forma de oferecer ao público um contexto mais amplo sobre o universo das mídias locatives, o festival preparou uma sessão especial de vídeo em torno dos locative media. Estes trabalhos compõem um panorama em torno do conceito de ‘artes locativas’ previsto pelo festival, em conjunto com os projetos planejados para espaços públicos (Parque Municipal de Belo Horizonte e arredores), assim como complementam os estudos de caso expostos na forma de instalações e terminais para acesso direto (Sala Maristela Tristão no Palácio das Artes). CONTINUA

LOCATIVE MEDIA SCREENING As a way to offer the public a broader context of the universe of locative media highlighted in the second edition of Telemig Celular Arte.Mov, besides the locative art works planned for public spaces (Municipal Park of Belo Horizonte and surroundings) and the case studies in the form of installations and terminals that guarantee direct access to the works (Maristela Tristão Room of the Palace of Arts), the festival has prepared a special video screening of locative media. CONTINues


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Acreditamos que a familiarização com as práticas e linguagens envolvidas nestes meios passa pela compreensão das novas estruturas e formas de reconhecimento demandadas por esses trabalhos, algo que fica evidente através de vários desses vídeos. Para a composição da mostra foram selecionados vídeos e documentações de projetos desenvolvidos em países como Inglaterra, México, Espanha e Estados Unidos, oferecendo um panorama de experiências distintas nesse campo, combinando trabalhos que refletem de maneira lúdica ou crítica sobre o impacto das tecnologias móveis no espaço urbano com projetos que exploram um viés ambiental ou investigam as possibilidades de geolocalização. The familiarity with concepts presented depends on the understanding of new structures and forms of recognition demanded by these works, something that becomes evident in many of these videos. This selection is comprised of videos and documentations of projects developed in countries like England, Mexico, Spain and the United States, offering a panorama of distinct experiences in this field, combining works that reflect in a fun or critical way on the impact of mobile technologies in urban space with projects that explore an environmental bias or investigate the possibilities of geolocation in non-urban contexts.


Videointervenções móveis em contextos urbanos específicos

Os Duelistas David Valentine / Mediashed ft Methods of Movement / 7’12” / Manchester / 2007

Fernando LLanos / 5’ porto alegre e Cidade do México / 2006

O free-running (prática conhecida como parkour, disciplina física na qual os participantes tentam passar obstáculos de maneira suave e fluída,

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interagindo com o ambiente e usando movimentos acrobáticos) encontra-se com o filme de mídia

Videoman extrapola os limites da tela para fazer da projeção um diálogo com

independente quando dois traceurs são capturados no

a trama urbana. Ao mesmo tempo sujeito e objeto das imagens o personagem

circuito interno de TV do shopping center Manchester

é o lugar da projeção e a vida que o anima. Transeuntes, monumentos e o

Arndale, enquanto duelam em uma competição feroz

próprio projecionista se misturam à imagem, criando um espaço inédito para

e acrobática. Filmado inteiramente usando a rede

o compartilhar da ‘aventura audiovisual’. Super-heroi que satiriza, relativiza e

CCTV, com uma trilha sonora criada a partir dos

questiona a cultura e as referências locais.

barulhos ambientais gravados durante a produção.

The Duellists

Mobile video interventions in specific urban contexts

Free-running meets free-media film when two late night traceurs are caught on CCTV as they engage in a fierce and acrobatic competition in the Manchester Arndale shopping centre. Filmed entirely using the in-house CCTV network with a soundtrack created from the environmental noises recorded during production.

Videoman goes beyond the limits of the screen to project a dialog with the urban texture. Simultaneosly subject and object of the images, the character is the place of projection and the life that animates it. Passersby, monuments and the projectionist itsfels mixtures themselves with the image, creating an original space to share the ‘audiovisual adventure’. Super-hero that mocks, balance and questions a culture and local references.


Era Pós-Panóptica: Retóricas Líquidas1 em Redes Móveis2 [ Obra de Arte ou Social Operating System3?] documentário sobre MANIFESTE-SE [todo mundo artista] – mobile webtv live broadcast* mm não é confete (Mariana K. e Milena Sz.)

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Este vídeo é parte da documentação ‘tecnoconceitual’ do work in progress MANIFESTE-SE [todo mundo artista] – mobile webtv live broadcast (apoio FUNARTE-SP e premiado em 2006 no FIAT MOSTRA BRASIL e PAC NOVAS MÍDIAS, da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo). Idealizado em 2005 e colocado nas ruas a partir de junho de 2006, este work in progress (www.manifesto21.com.br) propõe o direito à comunicação e à liberdade de expressão utilizando celulares (a tecnologia móvel de transmissão de dados) para manifestações individuais e/ou coletivas, livres e independentes, das ruas da cidade em tempo real para a internet, ao mesmo tempo em que propaga autocriticamente a noção do D.I.Y., através de oficinas e palestras, em nosso atual contexto ‘líquido’, de fluxos, aceleração, vigilância, espetáculo e consumo.

Post-Panoptic Era: Liquid Rethorics in Mobile Networks [Work of Art or Social Operating System?] is a documentary about MANIFEST YOURSELF [you-re being YOUTUBED in real time: artist is everybody] – mobile webtv live broadcast* This video is a ‘technoconceptual’ documentary about the work in progress MANIFESTE-SE [todo mundo artista] — mobile wetv live broadcast (funded by FUNARTE-SP, it received awards by FIAT MOSTRA BRASIL and PAC NOVAS MÍDIAS / Secretary of Culture of the Sate of São Paulo). Conceived in 2005 and taken to the streets in june 2006, this work in progress (www.manifesto21.com.br) stimulates the right to communicate and freedom of expression, using cell phones (mobile technology to transmit data) to individual and / or collective free and independent actions from the streets of São Paulo to the Internet. The project also disseminates the notion of D.I.Y., in workshops and lectures, in our current ‘liquid’ context, of fluxes, accelerations, surveillance, spectacle and consumerism.


“Meu nome é Ronaldo” Antoni Abad e Ronaldo Simão da Costa São Paulo / 2007 Vídeo realizado com material audiovisual publicado na www.zexe.net, criado com telefones celulares pelo motoboy paulistano Ronaldo Simão da Costa e por Antoni Abad.

My name is ronaldo

Silver Island Brett Stalbaum Video Documentation San Diego Silver Island registra uma caminhada pela região de mesmo nome, na costa oeste dos Estados Unidos. Usando o C5 Landscape Database (www.c5corp.com), a dupla

Vídeo developed with audiovisual material published at www.zexe. net, created with móbile phones by the motoboy from São Paulo Ronaldo Simão da Costa and by Anotni Abad.

Paintersflat.net usou um algoritmo gerativo que funciona como uma espécie de “escalador virtual”, para identificar caminhos específicos ao andar por trilhas e organizar caminhadas entre dois bunkers abandonados na área desde a Segunda Guerra Mundial. O percurso, que fica entre a costa oeste e a costa lesta de Silver Island, foi realizado em 26 de Março de 2007 por Brett Salbaum e Paula Poole.

Realização / Produced by: Antoni Abad e Glòria Martí Edição / Editing: Glòria Martí Som / Sound: Carlos Gómez Legendas / Subtitle: Pilar Cruz Motoboy celular / Celular motoboy: Ronaldo Simão da Costa

O trajeto explora as possibilidades de caminhada pelo mundo físico com a ajuda virtual do algoritmo A*, uma espécie de inteligência aritificial usada em jogos de computador. Ao utilizar um modelo de elevação digital, o dispositivo descreve todo o terreno, incluindo detalhes da sua superfície acidentada.

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Silver Island Using the Open Source C5 Landscape Database API (www.c5corp.com), paintersflat.net used a “virtual hiker” (a generative computer algorithm) to identify a hiking path across the island between two abandoned World War Two era bunkers, one on the West shore of the Silver Island Range, the other on the East shore. The virtual hiker implements the A* algorithm, an artificial intelligence path finding algorithm often used in computer games, executed over digital elevation model data describing the terrain as a friction surface. The algorithm produced a Global Positioning System tracklog file, which was uploaded to a GPS device, allowing Brett Stalbaum and Paula Poole to be the first to hike the very traversable trail on March 26th, 2007 and possibly allowing them to become the first people ever to traverse a real landscape as an artificially intelligent game bot would cross it.

Tapeçarias Sociais: autorando publicamente a cidade sem-fio Urban Tapestry

74 Curta-metragem que apresenta o Social Tapestries, um programa para desenvolvimento de projetos experimentais e de pesquisa que investiga o potencial social e cultural da “autoração do espaço público”, assim como o mapeamento e o compartilhamento de conhecimento local, histórias e experiências. O projeto explora usos da anotação espacial móvel para habitações comunitárias, escolas e comunidades interessadas em colher com sensores informações sobre seu ambiente.

Social Tapestries: public authoring in the wireless city A short film exploring Social Tapestries, a programme of experimental and research projects investigating the social and cultural potential of ‘public authoring’, the mapping and sharing of local knowledge, stories and experiences. The projects explore uses of mobile spatial annotation for social housing communities, for schools and for local communities interested in gathering sensor data about their local environment.

Can You See Me Now? Blast Theory / vídeo documentation 30’50’’ / Sheffield


Evento Especial Brian House

A versão em vídeo de Can You See Me Now? é uma

Ainda no contexto de oferecer um painel amplo sobre o

documentação em vídeo do jogo de realidade mista

universo das mídias locativas, o Telemig Celular

mais conhecido do grupo Blast Theory. Neste trabalho

arte.mov programou também um evento especial com

estão os principais conceitos que fizeram do grupo

Brian House. Usando material coletado com seu telefone

um dos pioneiros na pesquisa em torno dos games

celular, o artista vai apresentar uma performance em

locativos. Em um jogo de perseguição (uma espécie

áudio e vídeo de grandes gestos e pequenas colisões.

de pac-man sofisticado), personagens reais recebem informações via celular, GPSs e aparelhos portáteis, cumprindo tarefas que envolvem complexas trocas

SPECIAL EVENT

de informação entre usuários online e outros que estão pelas ruas, configurando assim uma espécie de ambiente híbrido, um sincronismo de situações e espaços virtuais e reais, sempre em conexão com a vida pública e urbana.

Can you see me now? The video version of Can You See Me Now? is a documentation of the mixed reality game by Blast Theory. It includes the main concepts that the group develop on his researches with locative games. In a chaser game (a kind of sophisticated pac-man), real life characters receive cell phones, GPSs and portable devices, to achieve tasks that involve complex exchange of information between online users e others on the street, configuring this waya hybrid environment, that syncs real spaces and situations with virtual ones.

Still aiming to offer a vast panel of the locative media field, Telemig Celular arte.mov also programmed a special event with Brian House. Using material collected with his mobile phone, the artist will present an audiovisual performance made of big gesture videos and small colissions.

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O meio como personagem


O MEIO COMO PERSONAGEM As mídias se multiplicam, expandem, se tornam obsoletas, morrem e se renovam. As linguagens associadas a esses meios vão se tangenciando, reinventando, mudando de discurso. A mídia ‘vídeo’, hoje uma denominação por demais extensa e genérica, passou a falar de tudo, cada vez menos de si própria, e mais do indivíduo, dos contextos, das micro e macro-políticas.

CONTINUA

THE MEDIUM AS A CHARACTER SHOW The media multiply, expand, become obsolete, and then die and get renewed. The associated languages to these means are always being reinvented and change their speech. The ‘video’ media, nowadays a nomenclature too vast and generic, started talking about everything, each time less of itself, and more of the individual, of the contexts, of the micro and macro-politics. continues


78 Variantes mais recentes do vídeo repetem sintomas e percursos de experiências anteriores. O surgimento de uma nova mídia parece sempre estar ligado a uma síndrome de Narciso. A mídia se enxerga como personagem. O autor não está a serviço de si, mas de suas descobertas, ainda em processo. Acreditamos que esses sintomas possam ser, talvez, sinais de vitalidade e frescor nesses meios. Nos momentos em que se tateia por linguagens por serem descobertas, nas situações em que não se tem uma cartilha definida, o foco se volta para si, para uma visão que se experimenta enquanto se inventa a si e por si própria. A câmera se vê no espelho, busca suas qualidades, seus defeitos e seus desafios para a flanagem que busca no acaso e no ‘descobrir-se’ as bases para uma fala, para os próprios pés, para o caminhar, para o vagar sem direção, viva-se a imagem e o movimento. Nada está parado. A mostra especial O meio como personagem reúne vídeos nos quais essa busca se faz evidente. São trabalhos pinçados pela curadoria do Telemig Celular arte.mov em diversos circuitos, alguns deles entre os próprios vídeos inscritos, alguns como resultados dos workshops ministrados pelos integrantes do festival, outros que se mantinham em nossa memória nas várias formas e formatos em que o vídeo


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Some recent variations of video repeat the ways and symptoms of previous experiences. The appearance of a new media always seems to get connected to a Narcissus syndrome. The author is not at his own service but at his findings, which are still in process. We believe that these symptoms may probably represent some beautiful signs of life and fresh ideas on its means. May we live by the moving pictures. Nothing is simply stopped. The special program The Medium as a Character gathers videos where this quest is evident. Works are selected by arte.mov in diverse circuits, some of them among the enrolled ones, others as the results of the workshops given by the festival’s members, and also those that remain in our memories in different forms and concepts of video in the way it happens today.


pOCkET FILMS FOR TRAVELLERS VOL. 2 Pocket Films for Travellers Vol. 2 Juliana Mundim / 11’00” Um projeto em andamento baseado nas viagens da artista pelo mundo. O conjunto de vídeos deste volume 2 apresenta, em nove pequenos capítulos, vídeos realizados em espaços de circulação no Japão, Hong Kong, Índia, China, Austrália, Nova Zelândia, Noruega, Brasil etc. Cada volume é uma pequena janela onde são mostrados momentos desta jornada, de maneira desconstruída. A work-in-progress, bases on the artist’s trips around the world. The volume 2 package presents, in nine small chapters, videos produced in circulation spaces in Japan, Honk Kong, India, China, Australia, New Zealand, Norway, Brazil etc. Each volume of these pocket films is a tiny window where a few moments of this journey is shown, in a deconstructed way.

COMO FAzER UM FILME NA pÓS-MODERNIDADE How To Make a Movie In Post-Modernity Cristiane Fariah / 02’02”

80 pOSSOOUVIRSEURINGTONE? CanIlisteningyourringtone? Ronaldo Gino / 00’57” O vídeo investiga o interesse das pessoas pela música aplicada em aparelhos celulares, a relação com o aparelho e o interesse pela customização. The video investigates the people interest in cell phone music, the relationship with the device and the interest for customization.

Sugestões básicas para se compreender as novas linguagens de forma irônica e divertida. Basic suggestions to understand new languages in a ironic and funny way

DEAD pIxEL How To Make a Movie In Post-Modernity Cristiane Fariah, Leonardo Arantes e Vitor Augusto / 01’25” Sinta na pele os perigos que um pixel morto oferece. Um dead pixel não é seu amigo. Feel in your own skin the dangers that a dead pixel can offer. A dead pixel is not a friend.

DESORDEM Disorder Cristiane Fariah / 02’00” / 2005 O que ocorre quando você escolhe um livro “perigoso” pra ler? What happens when you choose a “dangerous” book to read?


VIRTUALMENTE Virtually Guilherme Almeida Nascimento / 02’10” A evolução do universo virtual pela perspectiva da geração nascida na década de 80. Dos primeiros videogames à internet e ao Second Life. A substituição da vida real pela virtual. The evolution of a vital universe through the perspective of a generation born in the 80’s. From the first video games until the internet and Second Life. The replacement of real life to virtual life.

COMO INSETOS EM VOLTA DA LÂMpADA Just Like Insects Around the Lamp Leticia Capanema / 01’06”

TANGO ON A WAVEFORM Tango on a Waveform Samanta do Amaral Nunes / 03’00”

Insetos são atraídos pela luz do celular. Insets are attracted by the cell phone light.

A luminância de um tango. The luminace of a tango.

SEM SINAL Without Signal Pedro Biava/ 02’50”

100 DIREçãO 100 Direction Rachel Castro/ 02’00” Cenas urbanas vistas por um olhar em movimento, em várias direções, emulando a velocidade da vida contemporânea. urban scenes under a moving look, in many directions, simulating the speed of contemporary life.

Sabe quando se quer contar aquela história pra alguém, mas o celular insiste em não ajudar? Do you know when you want to tell that special story to someone, but the cell phones doesn’t work? A MáqUINA SOMOS NÓS / NOS USA The machine is us/ing us Michael Welsh / 04’33” “A Web 2.0 está na fila por cinco minutos.” “Web 2.0 in just under 5 minutes.”

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PARA ALÉM DA TELA PEQUENA


FORMATOS DE MICROCINEMA QUE NÃO CABEM NO BOLSO Um aspecto significativo do audiovisual produzido com e para mídias móveis é a mudança do contexto em que dá-se a exibição. Ao invés da sala escura e contemplativa,o destino dos trabalhos em dispositivos portáteis podem ser lugares claros, ruidosos, entrópicos. No lugar do ritual de concentração e da sensação de isolamento, há uma divisão da atenção entre a tela e o entorno.

CONTINUA

BEYOND THE SMALL SCREEN: MICROCINEMA FORMATS THAT DON´T FIT IN THE POCKET A notable aspect of the audiovisual produced with and for mobile media is the change of the context where the material is screened. Instead of a dark and contemplative room, portable devices are acessed in clear, noisy and entropic places. Instead of the ritual of concentration and the feeling of isolation, there is a split of attention between the screen and its surroundings. continues


Não se trata de um modo de exibição particular das mídias portáteis, na medida em que as videoinstalações e o vídeo multiplicado por suportes diversos já haviam rompido com o formato estático da sala de exibição e / ou com a geometria ascética do cubo branco. O próprio cinema, a rigor, surge em contextos entrópicos e apenas num segundo momento desloca-se para as salas escuras. Na mostra Para além da tela pequena, os vídeos de bolso experimentam um trajeto semelhante, ainda que particular. São formas explodidas, em multi-telas, de diversos tamanhos, que inserem formatos típicos do microcinema em situações de exibição momentaneamente fixas, buscando uma sintonia com o caráter expositivo desta mostra.

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This is not a model of screening exclusive of portable media, given that videoinstalations and the video multiplied by several surfaces had already exploded the static exhibition room format and / or the clean aesthetic of the white cube. Even cinema, as a matter of fact, appears in entropic contexts and only afterwards moves to darkened rooms. In Beyond the Small Screen, pocket videos perform a similar, but particular, move. Exploded forms, multi-screen of several sizes, insert formats typical of microcinema in temporarily fixed situations.

MObILES 4mobiles Nacho Durán Gravações feitas com celular de uma viagem à região peruana de Madre de Dios que mostram as influências da colonização, da globalização e da mudança climática sobre os nativos. As imagens e áudios autênticos foram desconstruídos e sincronizados quadrifonicamente para serem tocados por quatro celulares ao mesmo tempo. Mobile phone recordings of a trip to the Peruvian region of Madre de Dios show the colonization, globalization and climate change influence over the natives. The original images and sounds were deconstructed and synchronized to be played simultaneously by four cellular phones.

kyNEMAS, FILMES IN FLUxO Kynemas, flux movies Pedro Paulo Rocha um filme in fluxo onde cada instante filme é uma peça-fragmento que compõe uma obra in progress. “ hipernarrativas sensoriais, onde um roteiro ficcional esta alhures da própria imagem” “ alhures significa virtual , ainda não formado” “ no acaso de um achado” “ completando algum instante fragmento do filme” “ os personagens sonoros, passagens crómaticas” “ são enigmas plásticos para uma ficção por vir” “ a personagem decifra por traz das imagens abstratas um desenho do qual faz parte” “ela é imagem que olha” “está decifrando sua propria historia, seus olhos cruzam os seus olhos, observando, ela mesma diante de outra imagem, tem a sensação que não sabe mais quem é quem” A movie in which each instant movie is a piece-fragment that composes a work in progress. “sensorial hypernarratives where a fictional screenplay is detached from the image itself” “ detachment means virtual, not formed yet” “ at random of a finding” “completing some instant fragment of a movie” “ the sound characters , chromatic passages” “ are plastic enigmas for a fiction that is yet to come” “ the character decodes, through the abstract images, a draw of which she is part of” “she is the image that looks” “ she is decoding her own history, her eyes crosses her own eyes, observing, herself in front of another image, she has the impression that she doesn’t know who is she anymore”


A.F.E.T.O.S. A.F.F.E.C.T.I.O.N.S Dellani Lima A exploração do inconsciente como meio privilegiado de resistência e de construção de uma nova identidade. Narrativas nas quais os conflitos estão, principalmente, nas imagens, seus signos e suas justaposições. Realizações formalistas e conceituais que discutem a influência do capitalismo nas relações afetivas e seus desvios temporários. Alegorias sobre o modo serial e sufocante como o homem vive na sociedade contemporânea. The exploration of the unconscious as a privileged means of resistance and construction of a new identity. Narratives in which the conflicts are, mainly, in the images, in its signs and juxtaposition. Formalist and conceptual realizations on debate about the capitalism influence on the relationships and its temporary deviation. Allegories about the mass and suffocating way we live in a contemporary society. O arte.mov fez um recorte da série A.F.E.T.O.S colocando em exibição os vídeos: Arte.mov made a selection of the A. F. F. E. C. T. I. O. N. S series, highlighting the following videos:

O AMOR E O DESEJO pODEM TER ExCESSO Love and Desire Can have excesses 02’55” Experiências Afetivas com Música & Imagem em parceria com o grupo E Disse que Era Economista. Affective experiences with Music and Image in partnership with the And He Said He Was Economist group.

UM DIA O LIxO INDUSTRIAL NOS VOLTARá One day industrial garbage will come back 03’00”

ChORO qUANDO ESTOU NA ESTRADA I cry while I am on the road 03’00” Série de células para se viver um mundo melhor. Series of cells to live in a better world.

FOR REpRISE For reprease 03’00”

Série de células para se viver um mundo melhor. Series of cells to live in a better world.

Experiências Afetivas com Música & Imagem em parceria com o grupo Low Monotone. Affective experiences with Music & Image in partnership with the Low Monotone group.

bOM CAMINhAR NãO DEIxA VESTÍGIO Good walk do not leave traces 02’34”

MEU CORAçãO LATINO ChORA pOR NÓS My Latin Heart Cries For us 03’00”

Experiências Afetivas com Música & Imagem em parceria com o grupo E Disse que Era Economista. Affective experiences with Music and Image in partnership with the And He Said He Was Economist

Destroços. uma lágrima. a resistência. remains. a tear. the resitence.

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mostras convidadas


Uma das vertentes exploradas pelo Telemig Celular arte.mov é a parceria com festivais internacionais, como forma de trazer ao público brasileiro um painel abrangente da produção na área, e permitir um entendimento do trabalho dos realizadores locais num contexto mais amplo. No âmbito destas parcerias, a segunda edição do Festival Internacional de Arte em Mídias Móveis reúne 3 mostras que compartilham conceitos similares ao explorado pela Mostra Competitiva: uma seleção do festival francês Pocket Films, a Mostra Colombiana MobilityFest 2006 e uma seleção criada a partir de alguns dos filmes para celular comissionados pelo Festival de Cinema de Estocolmo. Entre micromovies, microcinema ou ‘vídeos de bolso’, o festival registra a diversidade de abordagens entre os trabalhos criados para serem exibidos na tela pequena ou gravados com aparelhos celular que, por isso, exploram condições de fruição bastante específicas. .

guest festivals One of the focuses of Telemig Celular arte.mov is establishing partnerships with other festivals, as a way to offer the brazilian audience a vast panel of the area, and allow an understanding of the works of local producers on a broader context. Within these partnerships, the second edition of the International Festival of Art for Mobile Media reunites 3 shows that share similar concepts with its Competitive Show: a selection of the French Festival Pocket Films, the Colombian Show MobilityFest 2006, and a selection of films for cell phones commissioned by the Stockholm Film Festival. Among micromovies, microcinema or pocket videos, the festival registers a diversity of paths amidst the works produced to be screened on small screens or recorded with mobile devices that, for that reason, explore very specific reception conditions.


pocket Films ( frança)

88 O Forum des Images é um importante centro e arquivo cinematográfico criado pela cidade de Paris, dedicado à exploração das relações entre o cinema, tecnologia e sociedade. Em 2005, o Forum des Images lançou o Pocket Films Festival, cuja missão é explorar e estimular as possibilidades criativas audiovisuais oferecidas pela nova geração de telefones celulares. Na primeira edição, o Pocket Films Festival organizou oficinas de produção, conferências e debates e convidou videoartistas e artistas gráficos franceses, escritores, produtores de cinema e estudantes de escolas de arte e cinema para imaginar e explorar “imagens móveis”, todas criadas com celulares. O Pocket Films foi o primeiro festival na França a explorar ativamente as possibilidades artísticas do celular como uma “câmera de bolso” e a considerar o seu lugar nas nossas vidas cotidianas a partir de uma perspectiva social e estética. O Pocket Films Festival projetou esta próxima geração de conteúdo audiovisual na telona em diversos cinemas, antevendo o relacionamento entre o celular, a televisão e a Internet na produção, difusão e circulação de imagens em constante crescimento. Pela primeira vez na França, a edição de 2007 do Pocket Films Festival programou um panorama mundial das criações audiovisuais feitas com celulares.


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The Forum des Images is a major cinema center and film archive created by the City of Paris, dedicated to the exploration of relations between cinema, technology and society. In 2005, The Forum des Images launched the Pocket Films Festival, which mission is to explore and stimulate audio-visual creative possibilities offered by the new generation of cellular telephones. In the first edition, the Pocket Films Festival organised filmmaking workshops, conferences and debates, and invited French video and graphic artists, writers, filmmakers, art and film schools students, to imagine and explore “mobile images” all created with cellular telephones. Pocket Films was the first active festival in France to explore the artistic possibilities of the mobile phone as a “pocket camera” and to consider it’s place in our everyday lives from a social and aesthetic perspective. The Pocket Films Festival projected this next generation of audio-visual content onto the big screen in several movie-theaters anticipating the relationship between the mobile phone, television and internet in the ever-increasing production, diffusion and circulation of images. For the first time ever in France, the 2007 edition of the Pocket Films Festival has programmed a worldwide panorama of audiovisual creations made with mobile phones.


OCCUpÉ Ocupado Busy Jean está procurando desesperadamente por uma babá para sua irmã, para que ele possa ir se encontrar com a namorada. Jean is desperately looking for a baby-sitter for his sister so he can go out on a date with his girlfriend.

AUTOChRONOGRAphE Torsten Bruch se filmou durante um mês. Com o telefone à distância de um braço, ele filma seu rosto e compõe seu retrato móvel. Há dias em que nós simplesmente não somos os mesmos.

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Torsten Bruch filmed himself for a month. The phone at arm’s length, he films his face and composes his moving portrait. There are days when we are simply not alike.

pERLE Pérola Pearl Uma jovem se arruma diante de um espelho. Ela se observa cuidadosamente. Enquanto veste suas roupas e echarpes, começamos a perceber que a conhecemos de algum lugar. A young woman is preparing herself in front of a mirror. She studies herself carefully. As she puts on clothes and scarves, we begin to realize that we know her from somewhere.


MAMMAh Envolta em sombras e luz azul, mulheres se entregam aos ritos do Hammam. Longe do mundo masculino, uma graça natural e sensual se revela. Wrapped in shadows and blue light, women lend themselves to the rites of the Hammam. Far from the masculine world, a natural and sensual grace is revealed.

LE CAhIER FROID O Caderno Frio The Cold Notebook Os últimos dias de um medico francês que, por amor, comete suicídio. Encontrado na neve, na Rússia, seu caderno de anotações formula os fragmentos de uma certa esperança: a “inseparabilidade” dos corpos. The last days of a French physicist who, for love, commits suicide. Found in the snow of russia, his notebook formulates the fragments of a certain hope: the “unseparateness” of bodies.

x pOINT Ponto X A leitura da vida de um adolescente, em suas próprias palavras. Ele revela segredos e experiências de sua vida de forma confessional. As imagens denotam um mundo de um maneira quase onírica, mas são reais ou apenas sua imaginação? The reading of a teenager’s life depicted in his own words. He reveals secrets and experiences from his life in the form of a confessional. The images depict a world in an almost dream-like fashion, but are they real or just his imagination?

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FESTIVAL DE CINEMA DE ESTOCOLMO ‘ ( SUECIA)

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Nós convidamos dez diretores para realizarem um curta-metragem cada um usando um Nokia N93, um celular com uma câmera-vídeo embutida. O tema “Together” foi sugerido e uma duração máxima de 15 minutos por filme.

Stockholm cinema feStival We invited ten directors each to make a short film using a Nokia N93, a mobile telephone with a built-in video camera. The directors were given the theme “Together” and a maximum running time of 15 minutes per film.


ALVA + ALVA + Johan Skog / 2’30”

DIáLOGO Dialog Malou Schultzberg / 7’25” Uma garotinha e um garotinho comunicam-se diariamente via texto e compartilham velhas memórias e se mantêm atualizados com o que está acontecendo agora usando suas câmeras de celular. No final, é revelado que eles nunca se encontraram na realidade. Eles estão felizes com isso; por que complicar as coisas quando se pode ter um relacionamento simples através do seu celular? A young girl and boy communicate on a daily basis via text, and they share old memories and bring each other up to date with what’s happening now using their telephone cameras. At the end, it emerges that they have never actually met in reality. They are happy with this; why complicate things when you can have a simple relationship via your mobile phone?

Uma olhada na vida de Alva, 13 anos, que gira em torno de vários relacionamentos. A look into the life of thirteen-year-old Alva, which revolves around various relationships. elenco / Cast: Alva + friends música / music: Jean Paul Wall

REúNAM-SE Come together Mia Engberg / 3’14” É isso. Um filme sobre o fato de estar junto. This is it. A film about togetherness.

OVOS MOLES Soft boiled eggs Eric Khoo / 2’00” O filme é uma celebração de um novo dia com uma deliciosa e essencial refeição com ovos, pão e café. The film is a celebration of a new day with a delightful and essential meal of eggs, bread and coffee.

elenco / cast: Ester Sjögren,Victor Schultzberg, Emil Bardh música / music: MindFunk Production SJALVpORTRATT – AUTO-RETRATO Sjalvportratt – Self Portrait Johan Renck / 11’17” / 2006 9 cenas sobre a solidão de um homem. 9 scenes about a man`s loneliness. elenco / cast: por Michael Nyqvist música / music: Krister Linder

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mobility fest ( colômbia)

9 A IMAGEM CELULAR SEM GRAVIDADE Dentro das dinâmicas de criação audiovisual celular, podemos identificar três formas: 1. A imagem celular como registro. O usuário de celular tem uma câmara celular e registra/captura as imagens que à sua volta chamam a sua atenção. Ele armazena essas imagens, e as mostra aos seus amigos, ou as envia; 2. A migração da dinâmica da indústria cinematográfica para a plataforma celular, na qual o celular seria o terminal sobre o qual seriam consumidos os filmes, e eles, por sua vez, sofreriam mudanças em suas estruturas narrativas, para que pudessem se adaptar ao formato curto, imposto pela recepção de conteúdos celulares; 3. A busca por novas formas de construir conteúdos a partir da noção de dispositivo. O dispositivo celular, a partir de seus hardware e software, permite ao usuário fazer, criar, armazenar, modificar e enviar. Isso implica que, em um futuro próximo, a indústria cinematográfica pode incorporar conteúdos que possuam os conceitos de interatividade e mobilidade.


Mas há algumas variações importantes a observar.

125 anos de história do cinema. Fazemos, simplesmente, a imagem a partir da

Não é mais a novidade de filmar a realidade, já que

linguagem que nos permite a interface celular: uma imagem sem gravidade. O

nossas estantes estão cheias de cassetes MiniDv com

telefone celular é muito leve, podemos movimentá-lo em todas as direções, sua

fragmentos de reuniões de família e vídeos de viagens,

interface pequena nos permite colocá-lo em locais inesperados, podemos filmar

mas a instantaneidade que o telefone celular nos dá

sem aproximar o olho do visor, pois enxergamos tudo à distância sobre uma tela, o

de concretizar velozmente o ato de desejar capturar

fato de ser portátil nos permite filmar enquanto caminhamos, dirigindo, comendo,

uma imagem que “vemos por aí” e a realização desse

falando... são imagens que se podem fazer “enquanto” fazemos outras coisas.

desejo. Não necessitamos mais retirar a câmera MiniDv de seu estojo, ligá-la, esperar que esteja ligada e

A euforia quanto à imagem celular está relacionada ao que é permitido

gravar, momento em que a imagem desejada já teria

pela capacidade tecnológica do dispositivo. A câmera telefone celular é um

desaparecido. Ao contrário, apontamos nossa câmera

dispositivo que muda o centro de gravidade da lógica de produção audiovisual,

celular em direção à imagem desejada, encontramos

de distribuição e de recepção da indústria audiovisual tradicional, pois o usuário

rapidamente a função vídeo ou foto, pressionamos

aparece como o centro de todas as operações constitutivas, ele encarna todos os

a tecla soft key de nosso telefone e capturamos de

papéis: executor, criador, arquivista, distribuidor e receptor. Isso faz com que,

imediato a imagem. Uma imagem que podemos levar,

imediatamente, a criação de conteúdos audiovisuais tenha outros parâmetros de

mostrar aos amigos e enviar.

produção, distribuição e recepção, diferentes daqueles do cinema, da televisão e da Internet.

Essas primeiras imagens, criadas a partir das possibilidades do celular, estão muito próximas do conceito de Registro.

A tecnologia celular cria um novo paradigma para a indústria audiovisual. Sua

Registro como imagem que comprova que o que estamos

linguagem se concebe a partir da velocidade, do imediatismo, da simultaneidade,

vendo na imagem aconteceu dessa forma na realidade.

da multimídia, do fato de ser portátil, de sua funcionalidade múltipla, da

Registro como captura de uma parcela de tempo e de

mobilidade e da interatividade, abrindo as portas a uma nova semiótica da

espaço do que é real. Registro como imagem de uma

imagem audiovisual.

imagem do que vimos. Registro como tentativa objetiva de um ato subjetivo. quando estamos no processo de captura de imagens com um dispositivo celular, não há mediação da linguagem audiovisual construída ao longo de

Sofía Suárez organizadora e curadora Mobilityfest

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Zero gravity cell phone image Within the dynamics of cellular audiovisual creation, we can identify three forms: 1. The cell phone image as record of reality. The cell phone users have a camera cell phone and capture images around them that draw their attention. The users store these images, show them to their friends or send them; 2. Cell phone creation corresponds to the migration of the dynamics of the film industry into the cell phone platform, in which the cell phone functions as the terminal where the films are seen and how, in turn, their narrative structures are changed in order to suit the short format of cell phone reception;

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3. Cell phone creation seeks new ways to build content from the notion of device. The hardware and software of the cell phone allow users to make, create, store, modify and send content. This implies that, in the near future, the film industry may incorporate the concepts of interactivity and mobility. Focusing the first point, the cell phone image as record, we may think that currently, with our camera cell phones we experience an euphoria similar to the Lumière brothers time, when the most profane everyday life, was turned into a ‘cinematographic event.’ There would be a few variations, though. Filming what is real is no longer new, as our bookshelves are full of MiniDv cassettes with fragments of family gatherings and travel videos, but the instantaneousness that the cell phone allows us to capture images that we see around, the possibility of fulfilling this wish. Capturing the desired image with a MiniDv may take too long and the image may be gone. Instead, using our mobile phone is a lot easier as we simply press the soft key to capture the desired image immediately. Also, a cell phone allows us to take it away with us, to show or send it to anyone. The first images, created as a result of what the cell phone allows us to do, are very close to the concept of record. The record is living proof of the image captured in reality. The record captures


a moment in time and in space, an image of what we have seen. The record is an objective attempt of a subjective action. We capture an image with the cell phone because we like it, because of its impact on us, because it surprised us. During the process there is no mediation of the audiovisual language built over 125 years of the history of cinema. We simply capture the image using the language that the cell phone interface enables us: an image without gravity. The cell phone is light, we can move it in any direction, put it in unexpected places, we can film without having to bring the eyes close to the visor because we can see everything on the screen from a distance and the fact that it is a portable device allows us to film while we are walking, driving, eating, talking... images that can be captured “while” we do other things. The euphoria the cell phone image brings us is strictly related to the technological capability of the device. Therefore, the camera cell phone is a device that changes the center of gravity of the logic of the traditional audiovisual industry’s production, distribution and reception. As the user becomes the center of all the constituent operations, he/she plays all the roles: executor, creator, archivist, distributor and receiver. Thus, the creation of audiovisual contents has other production, distribution and reception parameters, different from those of the cinema, the television and the Internet. The cell phone technology creates a new paradigm for the audiovisual industry. Its language is conceived by the speed, the immediateness, the simultaneousness, the multimedia, the portability, the multiple functionality, the mobility and interactivity, opening doors to the new semiotics of the audiovisual image.

SofÍa SuÁreZ organizadora e curadora Mobilityfest

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FILMES FEITOS COM celular mobile filmS

00 300 Diego Fernando Velasco / Juan Manuel Arango / C 1’ / 2006 A historieta de um homem como tantos, que espera algo. The short story of a man like many others, expecting something.

98 SURpREENDIDA! Taken by surprise! Winston Espejo / 12” / 2006 Uma menina quer surpreender uma adulto e é pega de surpresa. A girl, who wants to take a grown-up by surprise, is taken by surprise instead.

hOMEM LObO Werewolf Santiago Guzmán / Juan Uribe / 1’ / 2006 Um homem se disfarça de lobo e abusa sexualmente de uma mulher, sem imaginar que depois a mulher realmente vai se transformar em lobo e o devorar. A man disguises himself as a wolf and sexually abuses a woman without imagining that after that the woman actually becomes a wolf and devours him.


O MELhOR CORREDOR DE bMx The best BMX racer Mauricio Grizales / 59” / 2006 Mario Andrés Soto é o maior corredor colombiano de BMX em todos os tempos. Homenagem. Mario Andrés Soto, the greatest BMX racer of all time. Tribute.

O hOMEM DO ANEL The man of the ring Patricia Madriñan / Carlos Cajigas / Jairo López / 1’ / 2006 O roubo de um anel. The robbery of a ring.

99 SEM TÍTULO untitled Carlos Cajigas / Elkin Jairo López / 24” / 2006 Soluções extremas para uma tosse forte. Extreme solutions for a bad cough.

NãO FUMAR REFRESCA OS pULMõES Not smoking refreshes your lungs Antony Rosero / Marco Acevedo / Andrés Ordóñez / Majer Arcey / José Padilla / 1’ / 2006 Não fumar refresca. Not smoking is refreshing.

pRESENçA Presence Grupo Proyector: Ivonne Navas / Mario A. Ortiz Ossa / 1’ / 2006 Há momentos confusos, presenças que nos acompanham. Você já viveu isso? Você já sentiu isso? There are troubled times, presences that accompany us. Have you ever experienced that? Ever felt that?


FILMES FEITOS COM OUTROS DISpOSITIVOS filmS made uSing other deviceS

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OFF SIDE off side Juan Manuel Carvajal / 1’ / 2006 A perda de uma bola de futebol ajuda um menino descobrir o verdadeiro valor da amizade de seus supostos amigos. The loss of a football helps a boy learn about the real value of friendship of his presumed friends.

O pODER FEMININO The female power Jhonatan Marquez / Julian Cruz / Vanessa Cañales / 1’ / 2006 Será que ela poderá chamar sua atenção? I wonder whether she will be able to attract your attention.

MAqUININhAS Small machines Eliana Corredor Jorge Cuellar / 1’ / 2006

ENChANTÉE / ENCANTADA Enchantée / Enchanted Margarita Angel / 1’ / 2006

Preso a uma obsessão.

Estados oníricos.

Lost in obsession.

Dream-like states.


ENFORCADOS Hung Juan Manuel Carvajal / 1’ / 2006 Um simples jogo entre dois amigos se transforma na vingança de um personagem animado contra a ignorância de um deles. An ordinary game between two friends turns into the vengeance of an animated character, who takes vengeance upon the ignorance of one of them.

NáUFRAGOS AMOROSOS Loving castaways Danny Andrea Soto / 1’ / 2006 A comunhão entre os seres humanos, seus encontros e desencontros casuais em um mar de amor. The communion among human beings, their casual encounters and partings in a sea of love.

(AÍ) (Ia) Grupo Proyector: Ivonne Navas / Mario A. Ortiz Ossa / 1’ / 2006 Anomalia intermitente. Sugestão, reação, estímulo, presença. Já esteve? Intermittent anomaly. Suggestion, reaction, stimulus, presence. Have you ever been?

SUpER ChAVES bROSS Super Chavo Bross Javier Alberto Minotta / José Antonio Minotta / 58” / 2006 Um dia qualquer de universidade, na vida do “Chaves Bross”. An ordinary university day in the life of “Chavo Bross”.

pORN CORN - pIpI O ExTRATERRESTRE Porn Corn - Pipi The extraterrestrial Carlos A. Cajigas / Jaime Arbelaez / 1’ / 2006 Um alienígena que quer se comunicar! An alien that wants to communicate!

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Por um uso mais crítico do potencial distribuído e aberto dos sistemas de comunicação móveis 102 “Toda arte deve se tornar ciência, e toda ciência se tornar arte.” Anotação feita à mão, encontrada nos papéis de Hegel (1795). Autor desconhecido.

Hegel nos propõe em sua Estética uma visão da arte como uma espécie de “sintoma” da sociedade. Neste sentido, a arte, ou as obras de arte, aparecem indissociáveis da história e tornam visíveis seu próprio desenvolvimento. Ou seja, podemos dizer que a arte torna manifesta a cultura, a visão de mundo, a maneira pela qual os homens concebem o estar no mundo, e pode fornecer ao “espírito a consciência de sí próprio”. Para que possamos entender a arte nos dias de hoje, é preciso que tenhamos em mente um processo em que a convergência entre os meios de comunicação e a prática artística cumprem um papel fundamental; uma arte feita com os instrumentos técnicos atuais, propondo uma reflexão sobre o mundo que se configura e nos envolve, e as responsabilidades de sua construção, supostamente coletiva.


Se por um lado cada vez mais se complexificam as

o que estaremos a experimentar em termos de produção e fruição de obras desta

formas de se distribuir a informação, por outro, as

natureza. Provavelmente os formatos e gêneros hoje conhecidos, assim como os meios

tecnologias desenvolvidas com esta finalidade abrem

e mídias hoje utilizados para distribuição serão peças de interesse histórico e cultural.

inúmeras possibilidades expressivas e de

Mídias mortas, técnicas obsoletas, pensamentos perdidos, “coisas do passado”.

comunicação. As transformações ocorridas pelos meios digitais atingiram a maior parte das camadas

A inevitabilidade dos avanços tecnológicos que promocionam mobilidades nunca

visíveis da produção cultural. E, com certeza, um dos

antes vistas, abala ceticismos e faz esvaziar questionamentos sobre as

campos em que mais se fez notar é na produção

potencialidades dos dispositivos celulares como ferramentas cinemáticas ou como

audiovisual. Do cinema digital aos vídeos e fotos

veículos para a expressão artística. De fato, as práticas, subvencionadas ou

caseiras, os procedimentos deste tipo de produção se

espontâneas, tem nos mostrado que há um mundo de possibilidades ainda por

modificaram de forma como não poderíamos imaginar

serem exploradas – às vezes de forma decepcionante inclusive.

há apenas alguns anos. Mas pergunta-se uma vez mais: como esses aparelhos de uso primordialmente Não se trata apenas de uma mera mudança de meios

individual e de tamanhos reduzidos podem ser utilizados para práticas de

e de formas de fazer, Há que se observar as

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conseqüências sutis ou não de transformação no pensamento e na fruição das linguagens envolvidas por novas formas de expressão. Dito isto, é importante chamar a atenção para a necessidade de se compreender as práticas audiovisuais como um todo, como possibilidades de expressão do artista hoje, inserido na realidade e contexto de um “imaginário maquínico”, representado, veiculado e atravessado por todo tipo de máquinas e dispositivos hoje presentes em nosso cotidiano. Quando, em alguns anos, olharmos para as produções audiovisuais do século passado e do início do século

Spiral Jetty: cicatriz efêmera na superfície do planeta

XXI talvez não reconheçamos nenhuma semelhança com

Spiral Jetty: ephemeral scarf on earth´s surface


colaboração mais coletivas? As respostas devem vir dos próprios trabalhos, de

Assim muitos se apressam em associar

indivíduos ou coletivos que utilizam essas redes híbridas, globalizantes, sem fio

prioritariamente os exemplos de meios locativos a um

(e de relativa velocidade) para a proposição de questões da ordem da

conjunto de experiências high-tech que incluiriam os

sensibilidade e da expressividade.

conceito de “realidade expandida” (augmented reality - a sobreposição entre realidade e realidade virtual),

O funcionamento em rede dos chamados sistemas ‘locativos’ vem sendo apontado

os conceitos de “computação ubíqua” (em todo

como um dos aspectos mais interessantes das tecnologias móveis. O trabalho em

lugar) e o de “computação pervasiva” (equipamentos

rede vem sendo visto como solução para o compartilhamento de atividades e

integrados e imersos na sociedade). Vemos esses

encontros em substituição aos espaços tipicamente urbanos, consumidores de

sistemas aparecerem na forma de jogos urbanos, de

tempo e energia vital. São um modelo de ambiente supostamente protegido (para

narrativas baseadas nos espaço (space based

não dizer ‘controlado’), onde se expandem ideais quasi-utópicos de

narratives), passando pelos desempenhos e

compartilhamento, produtividade e acessibilidade à informação. São as relações

compartilhamento em rede, até aplicações para

mediadas, uma das camadas visíveis das redes, que podem ser tão férteis quanto

equipamentos especifícos (device-specific).

exploratórias, dependendo das mãos e mentes que as operam.

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Vale lembrar no entanto que as artes que se utilizam Nesse contexto surgem conceitos como os location-based systems, os “Locative

da relação espacial possuem uma longa e rica história

Media” um termo que tem sido utilizado para designar projetos de artistas, grupos

- como os apartamentos transfigurados de Kurt

ou ativistas que se utilizam de dispositivos de comunicação móvel (telefones,

Schwitters e seu Merzbau1, as esculturas ambientais

laptops, palms, etc) e de localização (GPS) em obras que buscam explorar a

de Frederick Kiesler, as intervenções geográficas de

relação entre as pessoas e o espaço em que vivem. O termo parece ter sido

Robert Smithson e mesmo as desconstruções

cunhado por Karlis Kalnins como uma categoria para designar processos e obras

arquitetônicas de Gordon Matta-Clark – a suposta

originadas no Locative Media Lab, uma rede internacional de pessoas trabalhando

novidade dos projetos baseados em localizações

com algumas das tecnologias citadas. Trata-se de um conceito que busca abarcar

específicas [sob a idéia de locative media] parece

as discussões e as questões suscitadas sobre o relacionamento entre a

estar na maneira como estendem o conceito de mídia

subjetividade, a consciência do lugar e a construção da cultura. Em um contexto

de modo a incluir além das próprias pessoas, o

em que se procura explorar novos e velhos modêlos de comunicação, a formação

espaço, e seus elementos constitutivos (as ruas,

de comunidades e a troca de experiências; é um nome para a forma ambígua e

edifícios, antenas, telhados, árvores, postes, etc)

onipresente de uma infraestrutura tecnológica que se desenvolve rapidamente.

alem de elementos geo-políticos intrínsecos.


Madagascan Jam & Hissing Roach do grupo Preemptive Media pensado de modo a equipar baratas com RFIDs com o propósito de causar jammings em estoques de redes como as do Wal Mart. Cada um desses projetos se detém num contexto específico, extraindo de determinados conflitos sua pulsão essencial, evidenciando geografias políticas e estratégicas, imersas nas cidades. Nesse sentido, talvez seja mais interessante notar como o conceito de locative media está relacionado também com um novo dimensionamento da idéia de sitespecific e que introduz o ‘site’ como um espaço de possibilidades não materiais, mas que apontam para espaços efetivos. A idéia de site-specific locativo desbaratinando: em Zapped! Madagascan Jam & Hissing Roach baratas com etiqueta confundem o sistema RFID do Wal Mart blasting a roach: in Zapped! Madagascan Jam & Hissing Roach cockroachs with tags jam Wal Mart´s RFID system

atualizaria assim uma visão do ‘context-specific’, como um uso da tecnologia que serviria de ‘interface’ para contextos não-tecnológicos. Essa interface preencheria gaps, falhas operando como ponte e não como instância separadora. Trata-se de um ponto de vista que nos permite pensar determinados dispositivos de

Num contexto mais recente e associado a

forma menos demoníaca ou fetichista; como um sistema que se infiltra (de forma

ambientes de circulação pública ou localidades

transparente) em situações reais, produzindo conexões no ambiente social público,

específicas citaríamos assim os Homeless Vehicle

permitindo o fluxo crítico de questões que permeiam um determinado contexto.

(Nova Yorque, 1988) ou as projeções em escala gigante de Krzysztof Wodiczo, planejados para

Esse tipo de ‘interface’ permitiria vir à tona formas de conscientização,

grandes centros urbanos; os Body Movies (2001-

instrumentalizando o público/usuário de forma inclusive a integrá-lo no espaço

2006) ou os Under Scan (2005-2006) de Rafael

urbano – em uma concepção mais otimista. Não sendo conteúdo, é uma

Lozano-Hemmer desenvolvidos respectivamente para

proposta de mediação mínima, de eliminação de obstáculos. Funcionariam, na

fachadas de grandes edifícios e praças públicas; e

visão de Julio Plaza, como modelos de veículos intersticiais, ‘fronteiras

numa linha mais radical e envolvendo sistemas

compartilhadas’. O aspecto sutil dessa definição estaria exemplificado por uma

móveis mais recentes, os Canales de Antoni Abad,

questão banal: usar um iPod/MP3 player ao caminhar pela cidade conecta ou

canais potencializadores de comunidades via

desconecta o sujeito da realidade à sua volta. Potencializa ou ameniza a

telefone celular (2003-2007); o projeto Zapped!

percepção das realidades circundantes?

105


O conceito de locativo que nos interessa, enfim, não é o ‘em qualquer lugar’, não é um

O caráter potencialmente distributivo e aberto de

slogan do tipo anywhere, everywhere, anytime. Locativo aqui, enfim, não tem a ver

sistemas de comunicação em rede sem fio por

com ‘essa’ ou ‘aquela’ tecnologia especifica, mas com a organização dos elementos em

exemplo não se confirmou como esperado sob um

jogo em um trabalho em relação a locações e estratégias, essas sim específicas.

ponto de vista mais crítico. O curso da história foi em direção contrária à expectativa de Bertold Brecht

E para que contexto esses elementos apontam em termos de mobilidade, trânsito,

por exemplo, tendo em vista que as emissões de

impermanência, ‘time & space shifts’? O que se espera de uma arte com

rádio e televisão se consolidaram não de muitos para

possibilidades de funcionamento em rede? O que essa rede tem gerado? Interessa

muitos mas de poucos para muitos.

nesse conceito que ele englobe enfrentamentos com contextos que possuem

106

características próprias, incluindo espaços reais e seus conflitos.

Resta esperar e ver para onde caminham esses conflitos?

Recentemente vemos surgir um pensamento critico, que aponta as redes como

Não, melhor compreende-los à luz das inquietações

mais um fator de alienação com relação à participação efetiva na construção da

atuais e torná-los mais transparentes, mais

vida pública. Uma vez nas mãos e no discurso das corporações que as viabilizam

permeáveis à experimentação, possíveis subversões

tecnicamente, delineia-se uma estrutura exploratória de trabalho imaterial muitas

de sentido e novos usos. Questionando e

vezes sem medidas. A vida é trabalho contínuo, não existe mais tempo ‘morto’,

experimentando novas formas, usos não previstos

para a reflexão ou para o caminhar em modo off-line. O trabalhador típico das

para estas tecnologias que teimam em nos fazer

redes se tornou parte dos nós (knots) e pontos de decisão que constituem as

‘espiões de nós mesmos e do outro’, não apenas

estratégias de uma empresa, o que em alguns casos equivale a um colaborador

produzir mais (arte)mídia, mas fazê-lo de modo

full-time ou em constante estado de alerta. A penetração insidiosa da Internet em

crítico. Uma vez mais, sempre, talvez.

todos os poros da nossa vida constitui uma perspectiva de difícil aceitação. Muitos enxergam nossa sociedade atual como uma distopia (especialmente segundo o ponto de vista de Zygmunt Bauman em City of Fears, City of Hopes) que surgiu no lugar de um modelo ancorado em algum lugar entre os regimes totalitários de Orwell em 1984 e de Aldous Huxley em Admirável Mundo Novo. Esta nova distopia está configurada em um mundo de fluxos, onde as redes sociais e de ação coletiva estão irreversivelmente desintegradas como um efeito colateral do crescimento de um tipo de poder evasivo e astuto.

1. Uma descrição bem completa de obras e artistas relacionados ao aparecimento das instalações na arte pode ser encontrada em SELZ, Peter, “Installations, Environments, and Sites” in STILES, Kristine & SELZ, Peter, Ed. in “Theories and Documents of Contemporary Art – A sourcebook of Artists’ Writings”, 1996.


For critical uses of the distributed and open potential of mobile communication systems “Every form of art must become science and every science must become a form of art. Handwritten note found amongst Hegel’s notes (1795). Unknown author.

Hegel’s aesthetics proposes a vision of art as a sort of “symptom” of society. In this sense, art or works of art, appear disconnected from history and make their own development visible. In this sense, we can say that art is a manifestation of culture, of the world view, the manner through which men conceive being in the world and provide the “spirit with self-consciousness”. To understand art nowadays, it’s necessary to have in mind a process in which the convergence between means of communication and artistic practice plays a fundamental role; art made with current technical instruments, proposing a reflection on the world that forms and involves us and the responsibilities of its construction, supposedly collective. If on one hand distributing information becomes more complex, on the other hand technologies developed for this purpose open countless expressive and communication possibilities. The transformations occurred as a result of digital means have affected the most visible layers of the cultural production. And surely one of the most noticeable fields is the audiovisual production. From digital cinema to video and homemade photos, the procedures of this type of production change in a way we could not conceive a few years ago. It’s not only about a simple change of means and manners of doing things. We have to observe the subtle or unsubtle consequences of changing thought and the fruition of languages involved in new forms of expression. Having said that, it’s important to draw attention to the need to understand audiovisual practices as a whole, as possibilities of the artistic expression today, inserted in the reality and context of a “machinic imaginary”, represented, diffused and permeated by all kinds of machines and devices present in our daily lives. When, in a few years’ time, we look at last century’s as well as the early years of the twenty-first century’s audiovisual productions, we might not recognize any similarity with what we are experimenting in terms of production and fruition of works of this nature. Probably the formats and genres known today, as well as the means and media used for distribution today, will be no more than works of historical and cultural interest. Dead media, obsolete techniques, lost thoughts, “things of the past”. The inevitability of technological advances that promote a previously not seen mobility shakes skepticisms and empties questioning about the potentialities of cell phones as cinematic tools or vehicles for artistic expression. In fact, practices, subsidized or spontaneous, have shown us that there is a world of possibilities yet to be explored – sometimes even disappointingly. But the question remains unanswered: how can these basically individual and small devices be used for more collective collaboration practices? The answers must come from the works themselves, from individuals or groups that use these hybrid, globalizing and wireless (and somewhat speedy) networks for the proposition of questions related to sensitivity and expressiveness. The functioning of networked “locative” systems has been pointed out as one of the most interesting aspects of mobile technologies. Estabilishing networks is seen as a solution to the sharing of activities and encounters as a replacement for typically urban, time-consuming and energy-consuming spaces. They are a model of a supposedly protected environment (not to say “controlled”), where quasi-utopian ideals of sharing, productivity and accessibility to information expand. These mediated relationships are among the most visible layers of networks and can be both fertile and exploratory, depending on the hands and minds that operate them.

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In this context, some concepts arise: location-based systems, “Locative Media” – a term that has been used to denote projects of artists, groups or activists that use mobile communications devices (phones, laptops, palmtops, etc) and location devices (GPS) in works that seek to explore the relationship between people and the space where they live. The term seems to have been coined by Karlis Kalnins as a category to denote processes and works originated at the Locative Media Lab, an international network of people working with some of the technologies mentioned. This is about a concept that seeks to encompass the discussions and questions arisen about the relationship between subjectivity, consciousness of location and the construction of culture. In a context that seeks to explore new and old communication models, the formation of communities and the exchange of experiences; it is a name for the ambiguous and ubiquitous form of a technological infrastructure that rapidly develops.

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As a result, many people quickly want to associate the examples of locative media with a series of high-tech experiences that would include the concept of augmented reality (the overlapping between reality and virtual reality), the concepts of “ubiquitous computing” (everywhere) and “pervasive computing” (equipment integrated and immersed in society). These systems appear in the form of urban games, space-based narratives, performance and network sharing as well as device-specific applications. However, it’s worth remembering that the arts that use spatial relations have a long and rich history – like Kurt Schwitters’ transfigured apartments and his Merzbau, Frederick Kiesler’s environmental sculptures, Robert Smithson’s geographical interventions and even Gordon Matta-Clark’s architectural deconstructions – the supposed novelty of projects based on specific locations (behind the locative media idea) seems to be expressed in the way they perceive the concept of media with a view to including people themselves as well as space and its constitutive elements (streets, buildings, antennas, roofs, trees, posts, etc), besides intrinsic geopolitical elements.

In a more recent context associated with public places or specific locations we would mention Krzysztof Wodiczo’s Homeless Vehicle (New York, 1988) or giant scale projections planned for large urban centers; Rafael Lozano-Hemmer’s Body Movies (2001-2006) or Under Scan (20052006), respectively developed for façades of large buildings and public squares; and a more radical approach involving more recent mobile systems, Antoni Abad’s Canales, potentialized channels of communities via cell phone (2003-2007); Preemptive Media’s project Zapped! Madagascan Jam & Hissing Roach, conceived as a way of equipping cockroaches with RFID (Radio-Frequency Identification) tags with the purpose of causing jamming in stocks of chain stores like Wal Mart. Each one of these projects focuses on a specific context, extracting from certain conflicts their essential drive, offering evidence of political and strategic geographies immersed in the cities. In this sense, it may be more interesting to notice how the locative media concept is also related to the new dimensionality of the site-specific idea that introduces “site” as a space for immaterial possibilities but points to effective spaces. The locative site-specific idea would therefore update a “context-specific” vision, like the use of technology to serve as an “interface” for non-technological contexts. This interface would bridge gaps and failures and would not serve as a separating instance. It’s a point of view that allows us to think of some devices in a less demoniac or fetishistic way; as a system that penetrates (in a transparent way) into real situations, producing connections in the public and social environment, allowing the critical flow of questions that permeate a specific context. This kind of “interface” would allow forms of consciousness to come to the surface, serving as an instrument of the public/user in a way to integrate them into the urban space – in a more optimistic concept. Not being the content, it’s a proposal of minimum mediation and of elimination of obstacles. They would function, from Julio Plaza’s point of view, as models of intersticial vehicles, “shared boundaries”. The subtle aspect of this definition would be exemplified by a trivial question: does using an iPod/MP3 player while wandering through the city connect or disconnect citizens from the reality around them? Does it empower or soothe the perception of surrounding realities?The locative concept that ultimately interests us is not a slogan like anywhere, everywhere, anytime. Ultimately, locative here has nothing to do with “this” or “that” specific technology, but with the organization of elements at play in a work in relation to locations and strategies which are specific. Which context do these elements point to in terms of mobility, transit, impermanence, “time & space shifts”? What is expected of an art with the possibility of functioning in a network? What has this network generated? What really matters in this concept is the fact that it encompasses confrontations with contexts that have their own characteristics, including real spaces and their conflicts.


Recently we have seen the appearance of a critical thought that points out networks as one more alienating factor in relation to the effective participation in the construction of public life. Once in the hands and in the speech of the corporations that technically make them feasible, an exploratory structure of immaterial work is devised, many times beyond all boundaries. Life is continuous work, there is no more “obsolete” time for reflection or working off-line. The typical network user has become part of the knots and decision points that constitute a company’s strategies, which in some cases is equivalent to a full-time collaborator or in a constant state of alert. The insidious penetration of the Internet into all the interstices of our lives constitutes a perspective of difficult acceptance. Many people perceive our current society as a dystopia (specially according to Zygmunt Bauman’s point of view in City of Fears, City of Hopes) that appeared in the place of a model anchored somewhere between the totalitarian regimes of George Orwell’s 1984 and Aldous Huxley’s Brave New World. This new dystopia is configured in a world of flows where social and collective action networks are irreversibly disintegrated as a side effect of the growth of a type of evasive and tricky power. The potentially distributive and open character of wireless communication systems, for instance, has not been confirmed as expected from a more critical viewpoint. The course of history took an opposite direction from that of Bertold Brecht’s expectation for example, having in mind that radio and television broadcasting have become consolidated not from many to many but from a few to many. There’s nothing left to do but wait and see where these conflicts are heading. No, we’d better understand them in the light of current uneasiness and make them more transparent, more permeable to experimentation, possible subversions of meaning and new uses. Questioning and experimenting with new forms, unpredicted uses for these technologies that insist on turning us into “spies of ourselves and of one another”, not only producing more (art) media, but doing it critically. Once more, always, maybe.

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convidados guests

Antoni Abad

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www.zexe.net Nascido em Lleida em 1956, estabelecido em Barcelona. Os projetos dele foram apresentados no Espacio Uno/Centro de Arte Reina Sofía, Madri 1997; Museo de Arte Moderno de Buenos Aires 1999; 2ª Bienal Iberoamericana de Lima 1999; MECAD/ZKM’net_ condition, Karlsruhe 1999; Dapertutto La Biennale di Venezia 1999; Media Lounge/New Museum of Contemporary Art, Nova York 2001; Hamburger Banhof, Berlim 2002; Museu d’Art Contemporani de Barcelona 2003; P.S.1./MOMA, Nova York 2003; Centro Cultural de España, México DF 2004; 1ª Bienal de Sevilla 2004; Centre d’Art La Panera, Lleida 2005; Museo de Arte Contemporáneo de Castilla y León 2005; La Casa Encendida, Madri 2005; Centre d’Art Santa Mònica, Barcelona 2006; Estrecho dudoso: Tráficos, Fundación Teorética, San José de Costa Rica 2006; Centro Cultural São Paulo, Brasil 2007 e na Internet. O projeto canal*ACCESSIBLE no Centre d’Art Santa Mònica recebeu o prêmio National Visual Arts Award da Generalitat de Cataluña e o Golden Nica Digital Communities of the Prix Ars Electronica, de Linz, Áustria 2006. Born in Lleida 1956, based in Barcelona. His projects have been presented at the Espacio Uno/Centro de Arte Reina Sofía, Madrid 1997; Museo de Arte Moderno de Buenos Aires 1999; 2ª Bienal Iberoamericana de Lima 1999; MECAD/ZKM’net_condition, Karlsruhe 1999; Dapertutto La Biennale di Venezia 1999; Media Lounge/New Museum of Contemporary Art, New York 2001; Hamburger Banhof, Berlin 2002; Museu d’Art Contemporani de Barcelona 2003; P.S.1./MOMA, New York 2003; Centro Cultural de España, México DF 2004; 1ª Bienal de Sevilla 2004; Centre d’Art La Panera, Lleida 2005; Museo de Arte Contemporáneo de Castilla y León 2005; La Casa Encendida, Madrid 2005; Centre d’Art Santa Mònica, Barcelona 2006; Estrecho dudoso: Tráficos, Fundación Teorética, San José de Costa Rica 2006; Centro Cultural Sao Paulo, Brasil 2007 and on the internet. The project canal*ACCESSIBLE at the Centre d’Art Santa Mònica has been given the National Visual Arts Award of the Generalitat de Cataluña, and the Golden Nica Digital Communities of the Prix Ars Electronica of Linz, Austria 2006.


Blast Theory www.blasttheory.co.uk

Liderado por Matt Adams, Ju Row Farr e Nick Tandavanitj, o grupo é formado por uma equipe de seis pessoas e está estabelecido em Brighton. O trabalho do grupo explora a interatividade e o relacionamento entre o espaço real e virtual com ênfase específica nos aspectos sociais e políticos da tecnologia. Ele confronta um mundo saturado pelas mídias no qual a cultura popular impera, usando vídeo, computadores, performance, instalação, tecnologias móveis e on-line para fazer perguntas sobre as ideologias presentes na informação que nos envolve. Led by Matt Adams, Ju Row Farr and Nick Tandavanitj the group has a team of six and is based in Brighton. The group’s work explores interactivity and the relationship between real and virtual space with a particular focus on the social and political aspects of technology.  It confronts a media saturated world in which popular culture rules, using video, computers, performance, installation, mobile and online technologies to ask questions about the ideologies present in the information that envelops us.

Brett Stalbaum www.paintersflat.net

Artista especializado em teoria da informação, bancos-de-dados, e desenvolvimento de software. Colaborador em série, ele foi cofundador do Electronic Disturbance Theater, em 1998, para o qual desenvolveu um software chamado FloodNet, que foi usado em favor do movimento Zapatista contra os sites dos Presidentes do México e dos Estados Unidos e o site do Pentágono. Trabalhos recentes incluem PaintersFlat, projetos com Paula Poole na Grande Bacia (EUA), e projetos em desenvolvimento com o C5 Corporation, de que ele é membro fundador. Stalbaum é mestre em Computação Aplicada às Artes pelo laboratório de mídia digital CADRE, na Universidade Estadual de San Jose, e bacharel em Cinema pela Universidade Estadual de San Francisco. Ele é palestrante e cordenador da Graduação Interdisciplinar em Computação de Arte (ICAM), na Universidade da California em San Diego. Artist specialized in information theory, database and software development. Collaborator and co-founder of the Electronic Disturbance Theater in 1998, for whom he developed a software program called FloodNet, used in favor of the Zapatist movement against the websites of the Presidents of Mexico and the United States and the Pentagon. Recent works include PaintersFlat, projects with Paula Poole in the Great Basin (USA), and projects under development with C5 Corporation, of which he is a founding father. Stalbaum has a Master’s degree in Computing in the Arts from the digital media laboratory CADRE of the State University of San Jose and a Bachelor’s degree in Cinema from the State University of San Francisco. He is a lecturer and coordinator of the Interdisciplinary Computing in the Arts Major (ICAM) of the University of California, San Diego.

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Brian House brianhouse.net

Artista e músico, ele também trabalha com bricolagem e usa a tecnologia para explorar novos espaços criativos. Seu trabalho foi apresentado pelo The New Museum for Contemporary Art, The Beall Center, Stockholms Kulturhust, Rhizome, Glowlab, Dorkbot, Art Interactive e STEIM, e recebeu destaque no the New York Times, Dagens Nyheter e Wired Magazine. Atualmente ele está desenvolvendo novas forma de narrativa em mídias não-lineares e personificadas com o grupo artístico Knifeandfork (knifeandfork.org), sendo ele um co-fundador em 2003. Recentemente, ele foi Diretor de Pesquisa & Desenvolvimento no Counts Media Inc., um grupo de entretenimento iniciante em NYC, onde ele trabalhou com o Blue Man Group para acrescentar à turnê do grupo um segmento interativo baseado no celular. Além disso, ele também é um dos criadores do Yellow Arrow (yellowarrow.net), um projeto de software social móvel original com participantes em mais de 450 cidades

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em 39 países. Brian possui um título de Mestre em Innovative Design pela Chalmers University em Gotemburgo, Suécia, onde ele investigou a linguagem formal como um meio artístico. Como aluno da Columbia University, ele estudou inteligência computacional e religião, passou um tempo no Computer Music Center e trabalhou para a Diretoria da WKCR-FM. Ele é de Denver e mora no Brooklyn. Artist, musician, and bricoleur who engages technology to explore new creative spaces. His work has been presented by The New Museum for Contemporary Art, The Beall Center, Stockholms Kulturhust, Rhizome, Glowlab, Dorkbot, Art Interactive, and STEIM, and has been featured in the New York Times, Dagens Nyheter, and Wired Magazine. He is currently developing new forms of narrative in non-linear and embodied media with the art group Knifeandfork (knifeandfork.org) that he co-founded in 2003. Recently, he was Director of Research & Development at Counts Media Inc., an entertainment startup in NYC, where he worked with the Blue Man Group to add an interactive, mobile phone-based segment to their touring show. Additionally, he is a CoCreator of Yellow Arrow (yellowarrow.net), a seminal mobile social software project with participants in over 450 cities in 39 countries. Brian holds an MS in Innovative Design from Chalmers University in Göteborg, Sweden, where he investigated formal language as an artistic medium. As an undergraduate at Columbia University, he studied computational intelligence and religion, hung out at the Computer Music Center, and served on the Board of Directors at WKCRFM. He comes from Denver and lives in Brooklyn.


Bruno Vianna Formado em cinema pela UFF. Tem mestrado em Telecomunicações Interativas pela NYU, concluído em 1999. Começou em 2006 um doutorado em comunicação pela Universidade Autônoma de Barcelona. Entre 1994 e 2003 dirigiu quatro curtas de ficção, que tratam sobretudo de temas sociais dentro da sua cidade natal. Em 2006 seu primeiro longa, Cafuné,  lançado ao mesmo tempo em salas de cinema e na Internet, com uma licença Creative Commons. Trabalha com computação móvel desde 1999. Desenvolveu um sensor de movimento para Palms como seu trabalho final de mestrado. Recebeu no ano 2000 uma bolsa da Universidade Pompeu Fabra,  em Barcelona, para desenvolver uma pesquisa em literatura interativa chamada “Palm Poetry”. Domina diversas tecnologias de desenvolvimento e programação como Java, Director Processing, além de hardwares programáveis. He has a Bachelor’s degree in Cinema from UFF. He has a Master´s degree in Interactive Telecommunications from the NYU and finished his course in 1999. In 2006 he started a PhD course in Communications at Universidade Autônoma de Barcelona. Between 1994 and 2003 he directed four fiction short films that deal mainly with social themes in his hometown. In 2006 his first feature film, Cafuné, was released in theaters and on the Internet at the same time, with a Creative Commons license. Bruno has been working with mobile computing since 1999. He has developed a movement sensor for palmtops as his Master’s paper. In 2000 he was granted a scholarship to go to Universidade Pompeu Fabra,  in Barcelona, in order to carry out research into interactive literature called “Palm Poetry”. He masters various technologies of computer development and programming like Java, Director Processing, and programmable hardware.

Carlos Leonardo Ramos Povoa Graduado em Engenharia Cartográfica pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), com  mestrado e  doutorado em Engenharia de Produção pela Universidade Estadual do  Norte Fluminense (UENF), onde é pesquisador na área de  geoinformática aplicada a logística.  Possui  trabalhos premiados  no Simpósio de Administração da Produção, Logística e Operações  Internacionais FGV- EASP. É consultor de logística e geoprocessamento. He has a Bachelor’s degree in Cartographic Engineering from Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), a Master’s degree and a PhD degree in Production Engineering from Universidade Estadual do  Norte Fluminense (UENF), where he is a researcher into geoinformatics applied to logistics. He has received awards for his work at the Simpósio de Administração da Produção, Logística e Operações Internacionais FGV-EASP. He is a logistics and geoprocessing consultant.

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Dellani Lima

inflados com hélio de Navegação Espacial e

youtube.com/user/DellaniLima

dispositivos de Presença Pessoal Ambulante (PRoPs).

Natural de Campina Grande, Paraíba. Há mais de dez anos realiza pesquisas com o

Também é o fundador e diretor da Unidade de

suporte digital & redes. Tem formação audiovisual pelo Instituto Dragão do Mar de

Interação Experimental e um colaborador freqüente,

Arte e Indústria Audiovisual do Ceará . Atualmente realiza experiências como

juntamente com Mark Pauline, dos Laboratórios de

agitador, pirata, realizador, músico e produtor em Belo Horizonte, Minas Gerais,

Pesquisa de Sobrevivência. O trabalho de Eric foi

Brasil. Também realizou parcerias com vários artistas como, Carlosmagno

exibido no InterCommunication Center no Japão, Ars

Rodrigues, Rodrigo Lacerda, jr., Alex Pix, Sérgio Ribeiro, Molin TL, Carlos Garcia

Electronica, ISEA, SIGGRAPH, Festival Holandês de

Elias, entre outros. Performer e fundador dos grupos de intervenção musical “Em

Arte Eletrônica (DEAF), SFMOMA, Museu de Arte

Dias de Surto” (2004) e “E Disse que Era Economista” (2007).

Chelsea, Art Interactive, LA MOCA, Centro para as Artes Yerba Buena, ZKM e na Bienal do Whitney

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Born in Campina Grande, Paraíba. He has carried out research into digital support & networks for over 10 years. He has a degree in audiovisual production from the Instituto Dragão do Mar de Arte e Indústria Audiovisual do Ceará . Currently, he conducts experiments as a filmmaker, musician and producer in Belo Horizonte, Minas Gerais, Brazil. He has also entered into partnerships with various artists such as Carlosmagno Rodrigues, Rodrigo Lacerda, jr., Alex Pix, Sérgio Ribeiro, Molin TL, Carlos Garcia Elias, among others. He is also a performer and founder of the musical intervention groups “Em Dias de Surto”  (2004) and “E Disse que Era Economista” (2007).

Eric Paulos Pesquisador Sênior na Intel em Berkeley, Califórnia, onde é o fundador e diretor do grupo de pesquisa Atmosferas Urbanas – que pretende empregar métodos inovadores para explorar a vida urbana e a futura estrutura para as tecnologias emergentes nas paisagens urbanas públicas. Suas áreas de conhecimento abrangem computação urbana, telepresença social, robótica, computação física, design de interação, tecnologias persuasivas e mídias pessoais. Eric é uma figura destacada no campo da computação urbana e é um colaborador habitual, membro do conselho editorial e revisor de vários periódicos profissionais e conferências. Ele é PhD em Engenharia Elétrica e Ciência da Computação pela UC Berkeley, onde ajudou no lançamento de uma nova indústria robótica desenvolvendo alguns dos primeiros robôs teleoperados pela Internet, incluindo pequenos balões dirigidos

Museum. Senior Research Scientist at Intel in Berkeley, California where he is the founder and director of the Urban Atmospheres research group - challenged to employ innovative methods to explore urban life and the future fabric of emerging technologies across public urban landscapes. His areas of expertise are urban computing, social telepresence, robotics, physical computing, interaction design, persuasive technologies, and intimate media. Eric is a leading figure in the field of urban computing and is a regular contributor, editorial board member, and reviewer for numerous professional journals and conferences. He received his PhD in Electrical Engineering and Computer Science from UC Berkeley where he helped launch a new robotic industry by developing some of the first internet tele-operated robots including Space Browsing helium filled blimps and Personal Roving Presence devices (PRoPs). He is also the founder and director of the Experimental Interaction Unit and a frequent collaborator with Mark Pauline of Survival Research Laboratories. Eric’s work has been exhibited at the InterCommunication Center (ICC) in Japan, Ars Electronica, ISEA, SIGGRAPH, the Dutch Electronic Art Festival (DEAF), SFMOMA, the Chelsea Art Museum, Art Interactive, LA MOCA, Yerba Buena Center for the Arts, the ZKM, and a performance for the opening of the Whitney.


Fernando Llanos Considerado um dos artistas mexicanos jovens que mais

Graziela Kunsch

se destacam no uso do vídeo, apresentou seus trabalhos

Artista e mestranda em Cinema na ECA-USP, estuda

em mais de vinte países, em eventos tais como o

práticas documentárias. Entre 2001 e 2003 abriu a

Guggenheim de Nova Iorque, o Festival do Novo Cinema

casa onde morava como “residência pública” (Casa da

e dos Novos Meios de Montreal, World Wide Vídeo

Grazi), abrigando exposições e coletivos de

Festival (Amsterdam), Transmediale (Berlim),

diferentes cidades brasileiras. Fundou o A.N.T.I.

Interférence (França), Vidéochroniques (Marseille),

cinema em 2000 e desde então realiza projetos em

Bienal do Mercosul (Brasil), etc. Sua produção em vídeo

vídeo. Atualmente edita a revista Urbânia (Editora

vai desde o experimento formal, os documentários não

Pressa) e é curadora associada do Fórum Permanente.

ortodoxos, questões interativas não lineares, manipulação e mescla ao vivo, e inclusive cinema web. Recentemente publicou um livro, com TRILCE, o qual foi apresentado no México (SITAC), Madri (Medialab), Valencia (CAM) e Barcelona (Espai Rais). No cinema, trabalhou em filmes como “Amo Perros” e “Dancer in the Dark”. Atualmente é professor de “apreciação de arte

Artist and student of the Master’s course in Cinema from ECA-USP, she studies documental practices. Between 2001 and 2003, she opened her house as a public space (Casa da Grazi), hosting collectives and exhibitions from different Brazilian cities. She founded A.N.T.I. cinema in 2000 and has worked with video projects ever since. She currently edits a magazine called Urbânia (Editora Pressa) and is an Associate Curator of the Fórum Permanente.

digital” e de “vídeo e novas tecnologias”. Hapax Giselle Beiguelman www.google.com/search?q=giselle+beiguelman

Trabalha on line e vive no Google.

Composto pelos artistas Daniel Castanheira, Ericson Pires e Ricardo Cutz. Com formações e carreiras em diversas áreas — poesia, música, teatro, cinema e artes visuais — o grupo se define como um coletivo de arte. Usa como ferramenta em seus trabalhos um

Works on line and lives in Google.

amplo mosaico tecnológico, tensionando hitech e lowtech: samplers, sensores, sintetisadores, baterias eletrônicas, rádios uhf, praticamente todo e qualquer aparato eletro-eletrônico capaz de produzir som, faz parte do repertório acionado pelo grupo. Nesses

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cinco anos, o coletivo participou de múltiplos eventos e ações dentre os quais se

Ela esteve ativamente envolvida com os Fóruns Prix

pode destacar: a exposição “Abre Alas 2006” da galeria A Gentil Carioca

Ars Electronica de 2004-06 como curadora e

(RJ/2006); abertura do centro cultural da Caixa Econômica Federal (RJ/2006);

moderadora das conferências sobre o tema “Áreas

mostra “Corpos Virtuais: arte e tecnologia” no Centro Cultural Telemar curada por

Públicas & Comunidades – Vida Social na Era

Ivana Bentes (RJ/2005); a primeira perfomance interativa via satélite no Brasil

Digital”. Desde o início de 2007, Ina Zwerger é

em parceria com o video artista Eder Santos, no evento Nokia Trends curado por

produtora do “Ö1 Kinderuni” é chefe de

Lucas Bambozzi (SP/RJ/2005); o Festival Rio Cena Contemporânea

departamento da Ö1 “Radiokolleg”. Em conjunto

(RJ/2003/2005); o espetáculo teatral As Fenícias no teatro Oficina (SP/2002); o

com Armin Medosch, ela trabalhou como curadora e

Panorama de Arte Contemporânea do MAM (RJ/SP/BA/2001/2002).

moderadora do “Simpósio Adeus à Privacidade” do Ars Electronica 2007.

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Comprised of artists Daniel Castanheira, Ericson Pires and Ricardo Cutz. With different educational backgrounds and careers - poetry, music, theater, cinema and visual arts – the group defines itself as a collective of arts. They use a mix of tools in their work, ranging from hitech to lowtech: samplers, sensors, sinthesizers, electronic drums, uhf radios, almost any electronic apparatus capable of producing sound is used by the group. They have participated in various events in the last five years: the exhibit “Abre Alas 2006” at the art gallery A Gentil Carioca (RJ/2006); the opening ceremony of the Caixa Econômica Federal’s cultural center (RJ/2006); the festival “Corpos Virtuais: arte e tecnologia” at the Telemar Cultural Center, whose curator was Ivana Bentes (RJ/2005); the first interactive performance via sattelite in Brazil in partnership with video-artist Eder Santos at the event Nokia Trends, whose curator was Lucas Bambozzi (SP/RJ/2005); Rio Cena Contemporânea Festival (RJ/2003/2005); the theatrical performance As Fenícias at the Oficina Theater (SP/2002); Panorama de Arte Contemporânea at MAM (Museum of Modern Art) (RJ/SP/BA/2001/2002).

Ina Zwerger Ina Zwerger trabalha para a ORF – Austrian Broadcasting Company (Companhia

Ina Zwerger has worked for the ORF – Austrian Broadcasting Company since 1988. She took a “learning by doing” approach to become a professional radio journalist. Since the early ‘90s, she has produced a wide variety of programming features for different Ö1 / Austrian Radio One departements. All her efforts take her own interests as their starting point. From 2000 to 07 she produced the Ö1 programme “matrix”, which deals with digital media, network culture and the effects of information and communications technologies on society. She was actively involved with the 2004-06 Prix Ars Electronica Forums as curator and moderator of the conferences on the subject of “Commons & Communities – Social Life in the Digital Age”. Since early 2007, Ina Zwerger has been producer of “Ö1 Kinderuni” and head of the Ö1 “Radiokolleg” departement. Together with Armin Medosch she curated and moderated the Ars Electronica 2007 “Goodbye Privacy Symposium”.

de Transmissão Austríaca) desde 1988. Ela usou a abordagem do “aprende-se fazendo” para se tornar uma jornalista de rádio profissional. Desde o início dos anos 90, ela produz uma ampla variedade de aspectos de programação para

Jéssica Renesto

diferentes departamentos da Ö1 / Austrian Radio One. Todos os esforços dela

Graduanda no curso de Tecnologia e Mídias Digitais,

levam em conta seus próprios interesses como ponto de partida. De 2000 a

da PUC/SP.

2007, ela produziu o programa “matriz” da Ö1, que lida com mídias digitais, cultura de rede e os efeitos das tecnologias da informação e das comunicações.

Student of Tecnnology and Digital Media, at PUC/SP


José Marcelo Zacchi www.overmundo.com.br Coordenador geral do Overmundo (www.overmundo.com.br), ambiente virtual colaborativo para a difusão da cultura brasileira. Foi fundador e diretor do Instituto Sou da Paz, em São Paulo, assessor e chefe de gabinete da Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça e consultor do Viva Rio e do Banco Mundial, nas áreas da segurança pública e da prevenção da violência. Atualmente dedica-se a iniciativas voltadas à cultura e à comunicação livres na web, por meio do Overmundo e dos projetos dele derivados www.icommons.org e www.forumseguranca.org.br, dentre outros. General coordinator of Overmundo ( HYPERLINK “http://www.overmundo.com.br” \t “_blank” www.overmundo.com.br), a collaborative virtual environment for the diffusion of Brazilian culture. He was the founder and director of Sou da Paz Istitute, in São Paulo, an advisor and Cabinet Head of the National Secretariat of Public Security of the Ministry of Police (Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça) and a consultant of Viva Rio and the World Bank in the public security and crime prevention areas. Currently he is dedicated to initiatives aimed at culture and free communications on the web through Overmundo and associated projects www.icommons.org and www.forumseguranca.org.br, among others.

José dos Santos Cabral Filho Arquiteto e professor da Escola de Arquitetura da UFMG, é mestre e doutor pela University of Sheffield na Inglaterra, com pós-doutorado pela McGill University de Montreal. Suas pesquisas junto ao LAGEAR (Laboratório Gráfico para a Experiência da Arquitetura – EA/UFMG) têm enfocado o potencial liberador das tecnologias da informação e as formas sutis de subversão cultural, com ênfase especial nos ambientes híbridos de imersão físico-digital como suporte para a espacialização da informação e da comunicação. É membro fundador do IBPA Instituto Brasileiro de PerformanceArquitetura. Tem publicado ensaios e ministrado palestras no Brasil e no exterior relacionados à convergência entre corpo, mídia e lugar. Architect and professor of the Architecture School of the Federal University of Minas Gerais (Escola de Arquitetura da UFMG), he has a Master’s degree and a Doctorate from the University of Sheffield in England as well as a Postdoctoral degree from McGill University of Montreal. His research for LAGEAR (Laboratório Gráfico para a Experiência da Arquitetura – EA/UFMG, Graphic Laboratory for Architectural Experience) focusses on the liberating potential of information technology and the subtle forms of cultural subversion, with special emphasis on the hybrid environments of physical-digital immersion as a support for the spatialization of information and communication. He is founding father of IBPA - Instituto Brasileiro de Performance Arquitetura, Brazilian Institute of Performance/Architecture). He has published essays and given lectures on the convergence between body, media and location, both in Brazil and abroad.

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José Wagner Garcia Arquiteto, semioticista, space artist e genetic designer . Participou de exposições como Holografia (MIS), CLONES (Paço das Artes), PTYX (Centro Cultural São Paulo e Galeria Paulo Figueiredo), HOLOGRAMAS (Bienal de São Paulo), SPACE ARTE (MIS) e do projeto ARTECIDADE ZONA LESTE. Coordena o projeto Cognitus, que busca estabelecer uma relação direta entre os diversos programas do Piatam, unindo cientistas, artistas e filósofos em torno da necessidade de aumentar o grau de resolução e entendimento de como funciona este grande banco de complexidade geológica e biológica que se chama Amazônia.

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Architect, semiotician, space artist and genetic designer. He has participated in exhibits such as Holografia (MIS), CLONES (Paço das Artes), PTYX (Centro Cultural São Paulo and Galeria Paulo Figueiredo), HOLOGRAMAS (São Paulo Biennial), SPACE ARTE (MIS) and the project ARTECIDADE ZONA LESTE. He coordinates Cognitus project, which aims to establish a direct relationship between the various Piatam programs, gathering scientists, artists and philosophers around the need to raise the level of analysis and understanding of this huge geological and biological complex called Amazon.

Juliana Mundim www.pocketfilmsfortravelers.com Formada em cinema e atualmente viaja o mundo fazendo videos para o projeto www.pocketfilmsfortravelers.com. Seus trabalhos já foram expostos em inúmeros eventos no Brasil, como Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, Resfest,Videobrasil e Itaú Cultural, entre outros. Nos últimos quatro anos tem dirigido a revista virtual de arte HYPERLINK “http://faqmagazine. net/” \t “_blank” faqmagazine.net que reúne artistas de vários lugares do mundo; curou a mostra de video “Ways to see places and landscapes” para o Centro Cultural Telefônica em Lima, Peru; publicou um livro pela editora L’Imprimante na Franca e exibiu seus trabalhos algumas vezes no Sandplay Shibuya em Tokyo, Japão.


With a major in Cinema, she currently travels around the world making videos for the project www. pocketfilmsfortravelers.com. Her work has been shown at countless events in Brazil, such as the São Paulo International Film Festival, Resfest,Videobrasil and Itaú Cultural, among others. In the last four years she has directed the virtual art magazine faqmagazine.net that includes artists from various places around the world; has curated the video festival “Ways to see places and landscapes” for the Centro Cultural Telefônica (Telefônica Cultural Center) in Lima, Peru; has published a book through the publishing house L’Imprimante, in France, and has exhibited some of her works at Sandplay Shibuya in Tokyo, Japan, a few times.

The Loca group www.loca-lab.org O grupo Loca é formado por John Evans (3eyes/Reino Unido/Finlândia), coautor do conceito, design de interação; Drew Hemment (Imagination@ Lancaster/Future Everything/Reino Unido), co-autor do conceito, desenvolvimento artístico; Theo Humphries (3eyes/Reino Unido), co-autor do conceito, design de interação; Mika Raento (ContextPhone/University of Helsinki/Finlândia), co-autor do conceito, desenvolvimento de software. O filme Loca foi produzido por Drew Hemment, Diretor-Sócio do Imagination@ Lancaster, um novo laboratório de pesquisa aberto e exploratório na Lancaster University, e Diretor-Artístico e fundador do Futuresonic Urban Festival of Art, Music and Ideas (Festival Urbano de Arte, Música e Idéias Futuresonic), estabelecido em 1995, que foi pioneiro em projetos de arte envolvendo mídias móveis e sociais. The Loca group consists in John Evans (3eyes/UK/FI), Concept co-author, interaction design; Drew Hemment (Imagination@Lancaster/Future Everything/UK), Concept co-author, artistic development; Theo Humphries (3eyes/UK), Concept co-author, interaction design; Mika Raento (ContextPhone/ University of Helsinki/FI), Concept co-author, software development. The Loca film was produced by Drew Hemment, Associate Director of Imagination@Lancaster, a new open and exploratory research laboratory at Lancaster University, and Artistic Director and founder of the Futuresonic Urban Festival of Art, Music and Ideas, established 1995, which has pioneered art projects involving mobile and social media.

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Maíra Spanghero Doutora em comunicação e semiótica, leciona nos cursos de Tecnologia e Mídias Digitais e Comunicação em Multimeios da PUC-SP. Autora de “A dança dos encéfalos acesos” (Itaú Cultural, 2003). PhD in Communication and Semiotics, teaches at the Technology and Digital Media anda the Communication and Multimedia courses at PUC-SP. She is author of the book “The dance of the lighted encefalus” (Itaú Cultural, 2003).

Mark Shepard www.andinc.org Artista e arquiteto cuja prática multidisciplinar se apóia na arquitetura, filmes e novas mídias para abordar novos espaços sociais e estruturas significantes de culturas de rede contemporâneas. Seu trabalho trata do impacto das tecnologias móveis e difusas na arquitetura e urbanismo. O trabalho dele foi exibido e projetado em museus, galerias e festivais de artes nos Estados Unidos e no exterior, incluindo o Artists Space, Nova York; Anthology Film Archives, Nova York; the Queens Museum of Art, Nova York; CONFLUX 2006, Nova York; the ISEA

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2006 ZeroOne San Jose Symposium and Festival; SIGGRAPH 2007; the Beall Center for Art and Technology, University of California, Irvine; the Contemporary Museum, Baltimore, Maryland; the Jacksonville Museum of Contemporary Art, Flórida; Cyberfest, Boston; Hot Docs, Toronto, Canadá; FILE 2007, São Paulo, Brasil; the Viper International Festival of Film, Video and New Media, Basiléia, Suíça; the Impakt Festival, Utrecht, Holanda; e o Arealle99 Electronic Arts Festival, Brück/Linthe, Alemanha, entre outros. Artist and architect whose cross-disciplinary practice draws on architecture, film, and new media in addressing new social spaces and signifying structures of contemporary network cultures. His work addresses the impact of mobile and pervasive technologies on architecture and urbanism. His work has been exhibited and screened at museums, galleries and arts festivals in the U.S. and abroad, including Artists Space, New York; Anthology Film Archives, New York; the Queens Museum of Art, New York; CONFLUX 2006, New York; the ISEA 2006 ZeroOne San Jose Symposium and Festival; SIGGRAPH 2007; the Beall Center for Art and Technology, University of California, Irvine; the Contemporary Museum, Baltimore, Maryland; the Jacksonville Museum of Contemporary Art, Florida; Cyberfest, Boston; Hot Docs, Toronto, Canada; FILE 2007, Sao Paolo, Brazil; the Viper International Festival of Film, Video and New Media, Basel, Switzerland; the Impakt Festival, Utrecht, the Netherlands; and the Arealle99 Electronic Arts Festival, Brück/Linthe, Germany, among others.

Milena Szafir Formada em Processamento de Dados (ciências da computação) e Arquitetura e Urbanismo, tendo complementado seus estudos no exterior como educadora na metodologia de “educação não-formal” (1995); trabalha há quase dezanos com pesquisa e aplicação de projetos educativos-multimidiáticos, desenvolvendo estruturas midiáticas interativas e ministrando palestras e oficinas na PUC-SP, UNESP, FAU-USP,


ECA-USP, CCJ, Anhembi-Morumbi, entre outros locais, sobre a questão do audiovisual em distintas situações (vj’ing com softwares livres, performance, tecnologias mobile e de vigilância, web-streaming/webtv, sistemas de transmissão wireless em tempo real, psicogeografia etc). Nestes últimos anos tem participado em festivais de cinema e artes eletrônicas na Alemanha, Argentina e Brasil, como DigitofagiaMIS/2004, FILE/2004, Nokiatrends/2005, Motomix/2005e2006, CityZoomsFilmFestival/2006, entre outros não menos importantes, além de ter sido contemplada nos editais Prêmio Instituto Tomie Ohtake/2003, Fiat Mostra Brasil/2006, PAC NOVAS MÍDIAS/2006, CCBB/2006 (com o projeto ‘Que situação, hein Debord?’). Graduated in Data Processing (Computer Science) and Architecture and Urbanism, having completed her studies abroad as educator in the “non-formal education” methodology (1995); she works for almost ten years with research and application of educative-multimedia projects, developing multimedia interactive structures and lecturing at PUC-SP, UNESP, FAU-USP, ECA-USP, CCJ, Anhembi-Morumbi, and others, about topics of audiovisual in several situations (vj’ing with open source software, performance, mobile technologies, surveillance, web-streaming/webtv, wireless live transmission systems, psychogeography, etc). In the last years, she has been participating in movie and eletctronic arts festivals in Germany, Argentina and Brazil, such as DigitofagiaMIS/2004, FILE/2004, Nokiatrends/2005, Motomix/2005e2006, CityZoomsFilmFestival/2006, among other not less important one. She received the following awards: Prêmio Instituto Tomie Ohtake/2003, Fiat Mostra Brasil/2006, PAC NOVAS MÍDIAS/2006, CCBB/2006 (with the project ‘What a situation, huh, Debord?’).

Nacho Duran Designer, programador e VJ. Concebeu o primeiro videoblog feito na América do Sul, em 2003. Do videoblog derivou o aplicativo para VJ ‘Visual-Log’, apresentado no FILE Hipersônica 2004 dentro do projeto ‘V-log + AudioCidades’, com Célio Dutra. Desde 2004, desenvolve outro aplicativo para VJ, o ‘randoX’, no grupo de pesquisa sobre danças circulares, VJing e tecnologias sem fio ‘Corposcópio’, dirigido pela pesquisadora e artista Lúcia Leão. Como VJ, se apresentou individualmente ou com os coletivos VisualRadio, Coletivo Virtual e TeleKommando em clubes, festivais e mostras como T.E.M.P., Skol Beats, Nokia Trends, Eletrônika, Motomix, Hipersônica, VJbr, Contrabando e Dezcalabro, no Brasil, Argentina, Espanha e Portugal. Em 2005, fez parte do workshop coletivo no Motomix de ‘Arte e intervenção urbana’, coordenado por Mário Ramiro, Eduardo Kac e Luiz Duva, onde produziu os trabalhos ‘Mosaicópolis’ e ‘Autos-falantes’, apresentados em Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo. Designer, programmer and VJ. Conceived the first vlog made in South America, in 2003. The applicative for VJ “Visual-Log” comes from this vlog , presented in FILE Hipersônica 2004, on the project ‘V-log + AudioCidades’, with Célio Dutra. Since 2004, he´s developed another applicative for VJs, ´rando X´, in the research group about circular dances, VJing and wireless technologies ´Corposcópio´, directed by artist and researcher Lúcia Leão. As a VJ she has already presented individually and with the groups VisualRadio, Coletivo Virtual and TeleKommando in clubs, festivals and events such as T.E.M.P., Skol Beats, Nokia Trends, Eletrônika, Motomix, Hipersônica, VJbr, Contrabando and Dezcalabro, in Brasil, Argentina, Espanha and Portugal. In 2005 took part of the collective workshop at Motomix ‘Arte e intervenção urbana’, coordinated by Mário Ramiro, Eduardo Kac and Luiz Duva, where produced the works ‘Mosaicópolis’ and ‘Autos-falantes’, presented in Porto Alegre, Rio de Janeiro and São Paulo.

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Patricia Canetti

Paulo Hartmann

www.canalcontemporaneo.art.br

www.mobilefest.org.br

Artista multimídia, fundadora do Canal

Artista multimídia, músico e pesquisador

Contemporâneo, publicação e comunidade digital de

independente. Graduado em Propaganda e Marketing,

arte contemporânea brasileira criada em 2001. A

está envolvido desde 1996 como designer multimídia

configuração deste espaço midiático ao mesmo

e diretor de arte desenvolvendo projetos para

tempo em que dissemina informação, conhecimento

internet, e-learning, design instrucional, sound

e debate sobre arte contemporânea, também agita

designing, projetos de cross-media. Como músico,

políticas culturais. O Canal tem sido eficiente em

pesquisa a guitarra preparada e a criação de

promover estratégias de mídia tática envolvendo

paisagens sonoras com a criação de loops em tempo

profissionais, instituições, imprensa e governo em

real, bem como apresentações de tele-performance.

diferentes mobilizações. Desde 2004, o Canal

Desde 2004 representa no Brasil o MEMEFEST, Festival

Contemporâneo participa de exposições e simpósios:

de comunicação radical, originado na Eslovênia, que

Hiper, NokiaTrends, Tudo aquilo que escapa,

discute os conceitos e a influência da produção da

Ocupação, Prog:ME, Conexões Tecnológicas e

mídia de massa e suas conseqüências. Organizador do

Documenta 12 Magazines.

Mobilefest - Festival Internacional de Arte e Criatividade Móvel.

Multimedia artist, musician and independent researcher. With a major in Publicity & Advertising, he has worked as a multimedia designer and art director since 1996 and has developed projects for the Internet, e-learning, instructional design, sound designing, cross-media projects. As a musician, he researches into the prepared electric guitar and the creation of sonorous landscapes with the creation of loops in real time as well as teleperformance presentations. Since 2004 he has represented Brazil at the MEMEFEST, a Radical Communication Festival created in Slovenia, which discusses the concepts and the influence of mass media production and its consequences. He’s the organizer of the Mobilefest - Festival Internacional de Arte e Criatividade Móvel (International Festival of Mobile Art and Creativity).

Multimedia artist, musician and independent researcher. With a major in Publicity & Advertising, he has worked as a multimedia designer and art director since 1996 and has developed projects for the Internet, e-learning, instructional design, sound designing, cross-media projects. As a musician, he researches into the prepared electric guitar and the creation of sonorous landscapes with the creation of loops in real time as well as teleperformance presentations. Since 2004 he has represented Brazil at the MEMEFEST, a Radical Communication Festival created in Slovenia, which discusses the concepts and the influence of mass media production and its consequences. He’s the organizer of the Mobilefest - Festival Internacional de Arte e Criatividade Móvel (International Festival of Mobile Art and Creativity).


Pedro Paulo Rocha Cineasta, artista eletronico, multimidia, criador do grupo MZ mídia < midia zero> onde pesquisa e experimenta projetos em arte-midia, poéticas de fluxos, midiaarquitetura e design sonoro. Cross over, fluxo-situacionista, seu trabalho consiste em realizar experimentos plásticos e sonoros com a imagem digital para criar online hipernarrativas através de roteiros de derivas na cidade e de montagem e remontagens dos fragmentos espalhados em redes. As sucessivas transformações do material fílmico compõem no conjunto inacabado de uma obra em movimento, mapas de trajetos, disponíveis em forma de memórias eletrônicas de filmes ininterruptos. Seu projetos mais recentes são “kynemas, zero mil frames” e uma série de filmes sonoros entitulados “só há som, não há luz”. A ideia é criar um hibrido entre o filme e o disco, o cinema e a musica. Um filme sonoro para olhos e ouvidos atento a novidades de objetos não indentificados. Filmmaker, electronic artist, multimedia artist, creator of MZ media group <media zero>, where he carries out research and experiments with art media, flow poetics, media architecture and sound design projects. He also conducts media laboratory research with action zones for the organization of exchange networks and digital creation with workshops, virtual platform and occupation of urban space and driftings. Crossover, situationist flow, his work consists of doing plastic and sound experiments with digital image to create hypernarratives on-line through drifting routes in the city as well as assembly and reassembly of fragments scattered across networks. Successive transformations of filmic material compose, in the unfinished piece in movement, route maps in the format of electronic memories of uninterrupted films, assembly palimpsests, mixtures and directions within the hybrid territory of multiple languages. The artist has been working on the launch of the exhibit “kynemas, zero mil frames” , which he plans to launch together with his first feature film, kynemas, whose fragments are being shown in an installation at the festival. Pedro Paulo Rocha is currently preparing a series of sound films entitled “só há som, não há luz” (“there’s only sound, there’s no light”). The ideia is to create a hybrid film/record, cinema/music. A sound film designed for ears and eyes eager for unidentified objects.

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Preemptive Media www.preemptivemedia.net Grupo de artistas, ativistas e tecnologistas que está fazendo o seu próprio estilo de testes preliminares de software e hardware, experimentações e avaliações de impacto baseados em pesquisas independentes. O PM está mais interessado em políticas e tecnologias emergentes porque eles são dependentes e influenciáveis. Os critérios e métodos dos programas do PM são diferentes daqueles conduzidos por empresas e pelo governo e, portanto, o PM obtém resultados diferentes. O PM espera que as suas indagações criem novas oportunidades para a discussão pública e resultados alternativos no normalmente remoto e fechado mundo da pesquisa e desenvolvimento baseado em tecnologia. O PM é uma colaboração em grupo entre Beatriz da Costa, Jamie Schulte e Brooke Singer. O trio vem trabalhando junto desde 2002 e estão estabelecidos nas costas esquerda e direita dos Estados Unidos. Beatriz da Costa, uma artista e pesquisadora interdisciplinar,

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trabalha na intersecção da arte contemporânea, engenharia, política e ciências naturais. Jamie Schulte é um engenheiro que mora em São Francisco. Brooke Singer é uma artista de mídia digital e professora que mora no Brooklyn, NY. Group of artists, activists and technologists who are making their own style of beta tests, trial runs and impact assessments based on independent research. PM is most interested in emerging policies and technologies because they are contingent and malleable. The criteria and methods of PM programs are different than those run by businesses and government, and, therefore, PM gets different results. PM hopes that their inquiries create new opportunities for public discussion and alternative outcomes in the usually remote and closed world of technology-based research and development. PM is a group collaboration between Beatriz da Costa, Jamie Schulte and Brooke Singer. The trio has been working together since 2002 and are based on the left coast and right coast of the United States. Beatriz da Costa, an interdisciplinary artist and researcher, works at the intersection of contemporary art, engineering, politics, and the life sciences. Jamie Schulte is an engineer living in San Francisco. Brooke Singer is a digital media artist and professor living in Brooklyn, NY.


Priscila Arantes www.priscilaarantes.com.br Crítica, curadora e diretora técnica do Paço das Artes/SP. É pós-doutoranda pela UNICAMP e doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC/SP. É autora de Arte e Mídia: perspectivas da estética digital (Fapesp/Ed. SENAC/2005), finalista do 48 Prêmio Jabuti , de Conexões Tecnológicas (org./2007), de Estéticas Tecnológicas: novas formas de sentir (prelo/EDUC) e de inúmeros artigos na área publicados em livros nacionais e internacionais. É professora da PUC/SP e do SENAC. Critic, curator and technical director of Paço das Artes/SP. She has a PhD degree from UNICAMP and another PhD degree in Communication and Semiotics from PUC/SP. She is the author of Arte e Mídia: perspectivas da estética digital (Fapesp/Ed. SENAC/2005),Conexões Tecnológicas (org./2007), Estéticas Tecnológicas: novas formas de sentir (prelo/EDUC) and countless articles in the area published in national and international books. She was also a finalist of the 48th Prêmio Jabuti (Jabuti Award). She is a professor at PUC/SP and SENAC.

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Coordenação de produção Marcos Boffa e Aluizer Malab Coordenação Executiva Francisco Cesar Filho Produção Malab Produções - Aluizer Malab, Kelly Sousa Santana, Julia Campi

www.artemov.net Patrocínio Telemig Celular Parceria Tecnológica Nokia Realização Associação do Audiovisual

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Espaços Palácio das Artes Conservatório da UFMG Parque Municipal Américo Renê Giannetti Apoio Cultural Destaque Escola São Paulo Futura LABMÍDIA – Departamento de Comunicação Social da UFMG Othon Palace Hotel Belo Horizonte Rain Brasil Restaurante Cantina do Lucas Sinergy Coordenação Geral Francisco Cesar Filho Lucas Bambozzi Marcos Boffa Rodrigo Minelli Curadoria Lucas Bambozzi Marcus Bastos Rodrigo Minelli

Produção Executiva Luiza Thesin e Paula Kimo Coordenação de produção Luanda Baldijao e Morgana Rissinger Assistente de produção Laura Capanema Receptivo de convidados Elisa Marques e Roberta Fabri Estagiário Leandro Aragão Revista arte.mov online / Catálogo arte.mov Editor responsável Marcus Bastos Coordenação editorial Lucas Bambozzi Rodrigo Minelli projeto gráfico, site e sinalização Osso design e programação site Alexandre B Alexandre Telles Fred Paulino Italo Giovani Joao Henrique Wilbert Julião Villas Laura Barbi

Lucas Costa Paulo Barcelos Wally Tradução textos cAtálogo Field Consultant Revisão Catálogo Lizandra de Almeida Fotos fotos divulgação: Daniel Mansur p. 35 - screenshot p. 36 - foto: Blast Theory p. 37 - screenshot: Sidialoki Nikolaidis p. 41 - foto: Graziela Kunsch p. 43 - foto: Hapax p. 47 - foto: Raquel Renno p. 50 - foto: divulgação p. 55 - foto: Preemptive Media p. 57 - screenshot: www.zexe.net p. 59 - foto: divulgação p. 60 - foto: divulgação p. 61 - foto: Eric Paulos p. 62 - foto: divulgação p. 63 - frame: divulgação p. 71 - foto: divulgação p. 72 - foto: divulgação p. 73 - foto: Paintersflat.net p. 74 - foto: Blast Theory p. 105 - foto: Preemptive Media Assessoria de imprensa FCF Comunicação – Márcia Vaz Noir Comunicação – Ângela Azevedo e Karol Borges Telemig Celular - Andreia Alves, Leonardo Campos e Patrícia Queiroz Consultoria de Projetos Culturais Incentivados Antônio Leal Documentação LABMÍDIA – Departamento de Comunicação Social da UFMG Andre Mintz (Coordenação) Débora Pessali


Rodrigo Souza Victor Santos Bernard Machado

Produção Paula Kimo e Morgana Rissinger

Pontifícia Universidade Católica / SP UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro

Palestras arte.mov Mostra arte.mov Júri Armin Medosh Cássio Starling Carlos Eduardo de Jesus Kiko Goifman Yves Gaillard Equipe de pré-seleção Francisco Cesar Filho Lucas Bambozzi Marcos Boffa Marcus Bastos Rodrigo Minelli Exposição de Artes Locativas / Estudos de caso Curadoria Lucas Bambozzi, Marcus Bastos e Rodrigo Minelli

Produção Belém Emmanuel Freitas Produção Brasília Anna Karina de Carvalho Produção Curitiba Paulo Biscaia Filho Produção Fortaleza Adriano Lima Produção Porto Alegre Ana Adams Produção Recife Marcos Enrique Lopes Produção Rio de Janeiro Julieta Roitman Produção Salvador Samanta Pomponet

Concepção Expositiva Isabela Vecci

Produção São Paulo Natalia Dangelo

Mostras especiais

Faculdades e cursos participantes

Lucas Bambozzi e Rodrigo Minelli Faculdade Brasília Workshops arte.mov

Faculdade de Artes do Paraná

Coordenação Rodrigo Minelli

FTC - Faculdade de Tecnologia e Ciência - Salvador

Orientação Chico de Paula e Rodrigo Minelli

IESB - Instituto de Educação Superior de Brasília

Universidade Católica de Pernambuco Universidade Católica do Ceará UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do sul

O Telemig Celular arte.mov, Festival Internacional de Arte em Mídias Móveis é um projeto idealizado por Lucas Bambozzi, Marcos Boffa, Marcos Barreto Corrêa e Rodrigo Minelli. Telemig Celular arte.mov, International Art Festival in Mobile Media is originally conceived by Lucas Bambozzi, Marcos Boffa, Marcos Barreto Corrêa and Rodrigo Minelli.

AGRADECIMENTOS Andreia Alves Asmare – Associação dos Catadores de Papel, Papelão e Material Reaproveitável BH/MG Beth Sá Freire Cecília Lara Chico de Paula Cleber Rohrer Cleide Coelho Cristiane Farah Edson Feitosa Escola São Paulo Fernando Llanos Fred Paulino Isabella Prata João Carlos Sampaio Juliana Psaros Karla Schuch Brunet Luciana Silva Costa Lúcio Flávio Silveira de Medeiros Luz Giovanna Egusquiza Sotomayor Marcos Barreto Corrêa Marcos Fabrício Gomes Santos Maristela Oliveira Fonseca Marilia Zylbersztajn Patricia Moran Ricardo Ribenboim Rosana Magalhães Tetê Mattos William Hinestrosa

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