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Ano I n° 4 novembro/2014

Expressão Cultural Periférica ECP, o coletivo da região do Grajaú

Carreata poética reúne coletivos do Grajaú Graja na cena, existir, resistir e transmitir

Alex Leandro escreveu e atua monólogo inspirado no submundo das noites paulistanas


Expediente Coletivo Expressão Cultural Periférica Gi Barauna, Danila Costa, Ricardo Negro e Valéria Ribeiro Redação Editora: Valéria Ribeiro – MTB 46.158 valeriaribeiro@estadao.com.br Reportagem Danila Costa, Gi Barauna, Larissa Araújo, Larissa Costa, Natana Carolina, Shirley Maia, Valéria Ribeiro Colaboradores Gisele Ramos e Susy Neves

Editorial Efervescência Cultural Chegamos a essa quarta edição felizes com toda a repercussão que a revista tem conseguido, com muitas pessoas elogiando e pedindo os exemplares. Infelizmente temos pouco dinheiro, por isso a quantidade de exemplares é limitada. Já até pediram para reeditar edições anteriores! Isso porque ainda estamos na quarta. A maior luta para o próximo ano é conseguir consolidar a revista e aumentar o seu número de exemplares para que mais pessoas tenham acesso a toda essa efervescência cultural que acontece na extremidade sul dessa grande metrópole. Finalizaremos o ano com um evento que é fantástico, idealizado por Maria Vilani, a 5ª carreata Sul Poética, que acontecerá no dia 7 de dezembro. O projeto unirá vários coletivos do Grajaú. Isso mostra o quanto a arte está ganhando força e mais e mais consegue ganhar visibilidade e, com isso, atingir uma população maior. O trabalho é intenso, de formiguinha, mas como já dizem, a união faz a força, e é essa união que está fazendo com que mais pessoas se desviem do mal caminho e busquem o lado da cultura. Hoje o Grajaú é um bairro extremamente colorido, cheio de vida, com diversas manifestações artistas. As manchetes de jornais já não são mais as mesmas, aos poucos a violência dá lugar às cores, à vida e à autoestima de uma população que luta por um lugar ao sol, que batalha todos os dias pelos caminhos tortuosos dessa selva de pedra. Que esse próximo ano que se aproxima seja cheio de luz para toda a família da arte que aqui habita. Que novos projetos surjam, que outros consolidem-se e que a força de cada um seja o motor que a sociedade precisa para a construção de um mundo melhor.

Revisão Rafael Silvestre Design e Diagramação Well Aires Imagens de Capa: Gelson Salvador Para anúncios, patrocínios, colaboração, cartas e outros: ecperiferica@gmail.com Facebook

Opinião do leitor

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Fortalecendo nossas raízes São Paulo, a 5ª maior cidade do mundo, vivemos na Zona Sul que com aproximadamente 500.000 pessoas. Poderíamos ser um país, somos o Grajaú. Um lugar de grande diversidade que entre projetos e protestos tentamos, dia após dia, tornarmos pessoas melhores. É com grande prazer que carrego comigo, para mostrar para todos os meus amigos o trabalho que essa equipe que, com sensibilidade e dedicação, encontra rosas cultivadas entre becos e vielas. A emoção de ver nas páginas da Revista Expressão Cultural Periférica os registros da evolução do gueto e de nossos amigos nos enche de orgulho, de poder fazer parte desta região tão discriminada por outros canais de comunicação. A qualidade dos textos e imagens não nos traz apenas informações, nos traz conhecimento e sabedoria. É uma história de sentimentos, cores, texturas, aromas e sabores que só a equipe do Expressão Cultural Periférica consegue converter com fidelidade para as paginas desta revista que retrata a Cultura, a Arte e a Educação de um povo. Não devemos nos desligar de nossas raízes para buscar melhorias, devemos crescer e trazer melhorias para nossas raízes. Parabéns pelo trabalho. Rogério Nunes

Índice O que rolou no ECP 5ª Carreata Poética Entrevista Luiz Semblantes Música: Ponto C Graja na Cena

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RPG Faz a Diversão da Garotada Pagode na Geral Rádio comunitária Publique sua foto Agenda cultural

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Teatro Como Sempre Somos Motivo de Chacota


O Que rolou no ECP

Carreata Poética reúne coletivos do Grajaú

Cleide Maria Compartilha sua vivência e emociona no Ateliê Daki

Artistas da região seguem pelas ruas do bairro declamando poesias e fazendo arte Por Shirley Maia

Foto: CAPS e Valéria Ribeiro

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ideia da Carreata Poética surgiu em 1991 quando o CAPS (Centro de Arte e Promoção Social) tinha apenas um ano. “Observei que no bairro só tinha animação em época de campanha política, tinha carreata de político. Fiquei imaginando se a gente não poderia oferecer alguma coisa com a mesma animação para o povo”, diz Maria Vilani, idealizadora da carreata. Na época a poesia era algo muito distante para quem morava na periferia, por dificuldades de promover encontros, divulgar e publicar a arte. No entanto, já acontecia no CAPS o Núcleo de Escritores e Poetas ‘Mário de Andrade’, e isso tornou possível a realização da primeira Carreata.

(fotos: Coletivo ECP)

Por Valéria Ribeiro

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s atividades do ECP nesse mês do outubro foram especiais, tivemos Lorena Carvalho como oficineira convidada para a oficina de artesanato. Suas mandalas fizeram um sucesso enorme entre as participantes. Seu colorido deixou o CCJ Jd. Reimberg cheio de vida. Na oficina de jogos e leitura, mais uma vez as crianças curtiram as brincadeiras, dessa vez o jogo escolhido foi o Soletrando, que incentivou a criançada a mostrar seus domínios em português. O ECPconvida teve esse mês a presença de Cleide Maria, que compartilhou sua história de vida, deixando a todos emocionados. Cleide, que hoje trabalha como cozinheira e tem dois filhos formados pela Universidade de São Paulo, USP, nos contou toda sua saga, desde a

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morte precoce dos pais e a época em que morou na rua, juntamente com os irmãos. Casou-se muito jovem, aos 15 já esperava seu primeiro filho. Apesar de todas as dificuldades conseguiu vencer e dar um futuro promissor a eles. No decorrer do bate-papo contou como teve fibra e conseguiu superar as dificuldades. Aos poucos os presentes foram relatando suas próprias batalhas e a sensação de vitória ficou no coração de cada um. O Sarau foi maravilhoso, como sempre, e recebeu pessoas do bairro, o que nos deixa muito felizes, pois o intuito é atingir a comunidade, que participem das atividades culturais que os coletivos culturais oferecem. Como diria Harry Borges: “Viva uma poesia por dia!”

A I Carreata Sul-Poética aconteceu no dia 26/10/1991 e homenageou Mário de Andrade, resgatando a Semana de Arte Moderna e contando a sua história para o povo. Saindo da escola Prof. Carlos de Moraes Andrade, com um ônibus, alguns automóveis contendo faixas e cartazes, seguiram até a Casa de Cultura de Interlagos, onde fizeram uma parada (hoje se transformou na Casa de Cultura Palhaço Carequinha, no Grajaú) e finalizaram na Casa de Cultura de Santo Amaro. Conseguiram um palco com a Administração Regional de Santo Amaro e fizeram quatro horas de evento com muita música e poesia, utilizando um megafone. Manifestando a arte, entregaram para os motoristas nos faróis uma espécie de livreto com alguns poemas. Com uma parada no Largo Treze de Maio, declamaram poesias e cantaram, seguindo em procissão a partir desse ponto com um andor, homenageando a poesia. No andor havia uma escultura com o busto de uma mulher nua, acorrentada em um livro aberto com os dizeres: “A poesia pede socorro”. Chegando à Praça Floriano Peixoto, começaram a cantar e notaram que o povo vinha acompanhando e cantando junto: “A poesia pede socorro...”.

Foto da 1ª Carreata Poética No próximo ano aconteceu a II Carreata Sul-Poética, em 27/10/1992. O homenageado naquele ano foi o poeta popular vivo e anônimo perante a sociedade. A III Carreata Sul-Poética só aconteceu 20 anos mais tarde, em 25/11/2012, por não terem conseguido reunir os poetas. Homenagearam Zumbi e na procissão Dandara. Ano passado, dia 26/10, aconteceu a IV Carreata, que homenageou Adélia Prates, uma líder feminista do Grajaú.

reata será apenas no Grajaú e homenageará um coletivo da região. Foi realizada uma votação a partir de alguns coletivos citados e o ganhador e homenageado da vez será o Xemalami, grupo de rap que está na cena musical da região desde 2005 e que possui um trabalho intenso de xadrez junto a crianças e jovens.

Este ano acontecerá a V Carreata Sul-Poética no dia 07 de dezembro, com a ideia de reunir os coletivos. Em reunião no Fórum de Cultura chegaram a conclusão de que a Car-

Saída às 10h da manhã, Sarau Sobrenome Liberdade, rua: Manoel de Lima, N° 178. Seguindo para o Circo Escola, que fica na Av. Dona Belmira Marin, altura do N° 2300.

Serviço: 5ª Carreata Sul Poética – dia 07/12/2014 às 9h. Itinerário:

Continuando no sentido Jardim São Bernardo até o Ateliê DAKI, localizado na rua Rogério Fernandes, N° 20 (rua paralela a AV. Antonio Carlos Benjamin dos Santos, altura do N° 1260). Seguindo para Rua Alba Valdez, no coletivo XEMALAMI, na praça que o coletivo se apresenta, (mesma rua do Ateliê) Seguiremos para o Sarau do Grajaú: rua Antonio Comenale, N° 166. Depois para o coletivo Expresso Perifa (Associação dos Moradores do Pq. Cocaia), que fica na rua: Santo Antônio de Ossela, N ° 475. Finalizando na Av. Dona Belmira Marin, na altura do N° 6246 (Próximo à balsa), no espaço Ecoativa. 5


“SEJA QUAL FLOR A SUA COR, FLORESÇA.”

Luiz Semblantes é um morador da Vila São José que escreve desde os 14, e hoje, com 21 anos, faz parte de um grupo musical que possui dois CDS e está prestes a lançar um livro e um CD solo. Por Laríssa Araújo

Foto: Laríssa Araújo

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Poesia Franca é o nome do livro que está em andamento, seu lançamento está previsto para março do ano que vem. Uma obra 6

Fotos: Gi Barauna

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O grupo destaca a letra “C” fazendo referência a dois bairros paulistanos de efervescência cultural. O “Cocaia” no qual reside Dhema há mais de 20 anos, e Capão Redondo, onde mora Móises Magalhães há 25 anos, dois dos fundadores do grupo. O Ponto, é por extenso, para indicar ponto de encontro, tão bom é o seu bairro como é o meu.

Faz parte do grupo musical de rap chamado Semblantes. Esse é composto por ele, DJ Douglas, Lucas Semblantes e Michel Semblantes (irmão de Luiz). Além de fazerem shows, os meninos participam de projetos como o Ritmo e Poesia nas Escolas, no qual visitaram 70 escolas em um ano e proporcionaram aos alunos uma atividade interativa pós-sala de aula muito bacana e que, segundo Luiz, deu a ele uma visão do que gostaria de fazer daquele momento em diante.

Ele nos conta como toda essa história do seu livro foi inesperada “O convite veio junto com o do Márcio Ricardo e em toda a correria do Felicidade Brasileira (Livro de Márcio) eu estava presente. Acredito que foi na roda de poesia, o César (Mendes), dono da Livraria Filoczar, falou para o Márcio que ele ia ter um livro e na sequência ele virou pra mim e disse que nós dois íamos ter. Fiquei bastante surpreso”.

Por Gi Barauna

companhar as mudanças é uma das marcas deste grupo, seja ela tecnológica, cultural ou social. O Ponto C, grupo de Rap formado em 2000, que já assinou Vocabulário do Gueto, Vocabulário Ponto C, é hoje Ponto C. “Tudo que é mais simples é mais fácil de pegar”, justifica Dhema.

ascido em São Paulo, Luiz tem suas origens vindas de Minas Gerais, onde o pai nasceu que, segundo ele, é um dos motivos do seu gosto por literatura “Meu sotaque arrastado é de tanto convívio com ele, aquela lentidão gostosa, ah, é muito amor! Eu sempre conseguia absorver muita coisa e meu pai está vinculado com o fato de eu fazer poesia. Ele sempre trouxe isso para casa, tocava violão e isso é uma poesia também, né, meu pai é um poeta.” Nos conta o jovem.

Desde os 14 anos escreve, mas era muito acanhado na hora de declamar suas composições, e como ele mesmo diz, o que o soltou mais foram os saraus e as rodas de poesia, até que quando percebeu já estava declamando três poesias por dia. Em um desses dias surgiu o convite para escrever um livro.

FAMÍLIA É IMPORTANTE BEM MAIS QUE DIAMANTE

O Ponto C é formado por Moisés Magalhães, Ademar Barauna, (Dhema) e Anderson (Dj Scooby), que passou a integrar o grupo em 2011. Se a proposta do grupo é mostrar que sem trabalho não se chega a lugar algum. Eles estão conseguindo deixar sua mensagem por onde quer que passem.

recheada de poesias, alguns no estilo haicai, ao qual Luiz tem um grande apreço, e também uma parte lírica. A arte da capa será feita por Ricardo Negro. Juntamente com o livro, Luiz pretende lançar um CD solo que, segundo ele, não foge do que já faz com os Semblantes, que inclusive terá participação do grupo, além de outros como a galera do Labirinto Insano, rappers. Luiz revela em parte da entrevista seus sentimentos em relação ao livro “Não sei onde vai chegar, ou em quem vai chegar, mas pode ter certeza que a minha poesia é totalmente franca, tem coisas desde os meus 14 anos

até os dias de hoje. Algo bem interno, né, florescimento, porque se você não tá bem consigo você não vai conseguir passar algo positivo pros demais, não tem como, e é isso que busco.” E mais “Estou nesse livro, cada verso, cada letra, cada estrofe é um pouco de mim. É um diário. E estou muito ansioso para falar a verdade”. Sempre desejou fazer faculdade de letras, mas como atualmente trabalha no SASF (Serviço de Assistência Social à Família) como orientador socioeducativo, seu futuro está dividido entre sua paixão por lecionar e sua vontade de ajudar os outros, que seria cursando Assistência Social, uma descoberta

recente, mas que o está cativando de maneira muito forte. Para Luiz, todas as pessoas são artistas, embora demonstrem sua arte de maneiras diversas, ou simplesmente guardem para si “Querendo ou não, minha mãe fazendo um arroz, um feijão é poeta, meu pai tocando violão no quarto quando chega cansado do trabalho é um poeta, todos nós somos.” Ele visa que todos aqueles que trabalham com arte levem seu conhecimento para lugares que não possuem, expandindo para que o maior número de pessoas conheçam poesia, cultura, levar para onde as pessoas precisam, e dar autonomia a elas, especialmente às crianças, para que “Seja qual flor a sua cor, floresça”, declama o jovem.

Possuem músicas lançadas em três coletâneas, dentre uma delas está “Fusão Interiorânea” de 2013, produzida por Mano Paul, composta por 18 faixas, sendo 17 músicas de grupos da região do interior de São Paulo. Somente o Ponto C, grupo da capital, integra este trabalho com a música ”Som dos Locô”, de 2006, composta por Dhema e Moisés Guimarães. Som dos Locô é um trabalho que também pode ser encontrado na página do Youtube, o clipe musical foi produzido por Erick 12, ex-integrante do grupo de rap Facção Central, hoje produtor cultural. As duas outras coletâneas são “Do gângsta ao Underground”, de 2013, produzido por Mano Paul com 20 grupos. A música de trabalho do Ponto C é “Stillo Surpreendente”, de 2013, de Moisés Guimaraes. A primeira

coletânea que leva uma de suas músicas é “Sozinho Não, Vários Aliados”, de 2011, produzida por Erick 12 e Bola 8 com também 20 grupos. A música em destaque é “A Função”, de 2011 composta por Dhema Ponto C e Moisés Guimarães. Para os rappers deste grupo não foi diferente chegar até onde estão, como para muitos grupos formados nas periferias das grandes cidades. Nunca desistiram de lutar e depois de 15 anos de estrada, em 2011, lançaram um E.P com 5 músicas, “Família é importante, bem mais que diamante”.

“Tudo na vida tem uma saída, basta olhar, observar, o caminho está ali não adianta ir para a esquerda ou pela direita, o caminho tem que ser reto, pro lado certo, correto. Se a pessoa puder observar mais a cultura, a música e seguir o exemplo certo do cantor de Rap, ou do Dj, do Mc, com certeza muitas coisas boas ele vai conseguir alcançar, através da cultura do rap

ele se torna um cidadão de bem”. Essa é a mensagem do Dj Scooby para nossos jovens. Divulgam seus trabalhos pelas redes sociais, vendem o EP, os bonés e camisetas. O grupo criou em 2014 a logomarca Ponto C 3r (rap, ritmo e rua) e já estão com algumas músicas prontas, pretendem lançar mais um álbum em 2015.

Suas músicas têm batidas harmônicas, fazem para agradar todas as idades, independente de gênero. “Se você faz um som muito pesado, você não agrada a todos”, diz Dj Scooby. O grupo frisa que não tem um estilo, não se rotulam, fazem música, “As pessoas não estão mais afim de ouvir muita maldade, querem ouvir um som mais contente”, completa Dhema. 7


GRAJA NA CENA DIVULGA A MÚSICA DA PERIFERIA POR MEIO DA PRODUÇÃO AUDIOVISUAL De forma experimental, Graja na Cena iniciou um projeto ambicioso que visa um futuro promissor Por Valéria Ribeiro

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oi através do pedido de um amigo que hoje o Graja na Cena, projeto audiovisual do Grajaú, surgiu há pouco mais de um ano. Produz vídeo clipes para grupos da região e divulga o trabalho cada vez mais profissional da música no Grajaú. Rafael Gomes, conhecido como Mano Money´s, o amigo em questão, queria fazer um clipe para a música Pancada Verbal, de sua autoria. Nesta época, Gelson Salvador, um dos idealizadores do Graja na Cena, tinha acabado de comprar uma câmera que filmava em HD. Começou a fazer vídeos quando passou a registrar seus grafites, queria imagens em movimento. Até então não conhecia nada sobre o assunto, começou a pesquisar na internet como fazer e topou o desafio de produzir o clipe. Depois de seis meses de muito trabalho e pesquisa, com a ajuda de William Mangraff, concluíram o

Fotos: Will Mangraff e Valéria Ribeiro

Clipe. Lançaram o vídeo na Beira Mar, região do Parque Residencial Cocaia, onde acontecia um Luau. Foi impactante, pois reuniu muita gente para a ocasião, em torno de 300 pessoas, segundo Those, como também conhecido Gelson Salvador. Foram fazendo as coisas intuitivamente, até que o sucesso da empreitada fez com que outros grupos começassem a querer clipes oficiais, algo ainda pouco comum na região. Depois de um tempo começaram as gravações de outro trabalho de Rafael Gomes, junto com o Arte e Rima, “Então Diz”. Em parceria com André Bueno, que tinha uma câmera 5D que filma em Full HD, Those começou a produção. Foi aí que surgiu uma preocupação, percebeu que o computador não iria suportar o material. Foi entre uma gravação e outra que comentou com Thiago Gomes, que já trabalhava com vídeos,

sobre sua preocupação. Gomes, que tinha um IMac, computador apropriado para esse tipo de trabalho, se ofereceu para ajudar. Juntou-se ao grupo e foram produzir o Clipe. André Bueno ficou na fotografia e Gelson e Gomes ficaram com a edição. O vídeo foi lançado em um evento na praça do Jd. Reimberg, onde o coletivo Xemalami costuma fazer suas atividades. Novamente foi um sucesso. Tornaram-se mais requisitados, no entanto, trabalhando como educador era difícil conciliar as coisas, porque fazer vídeo era algo caro. Foi aí que decidiram mandar um projeto para o Programa VAI, da prefeitura de São Paulo. Pensaram que o projeto seria uma forma muito boa para os grupos que queriam divulgar seus trabalhos e teriam o audiovisual como ferramenta. Conversou com Thiago Gomes e chamou os amigos Fernan-

da Vargas, William Mangraff, Harry Borges e Mosar Pinheiro. Propuseram fazer no projeto os clipes do Xemalami, Arte e Rima e MC Yob, e em 2013 foram contemplados pela primeira vez pelo VAI. A prioridade do projeto não era ter remuneração para os participantes, eles queriam ter equipamentos de qualidade para poder trabalhar. Segundo Gelson, um dos argumentos fortes para que o projeto fosse aprovado era que ninguém era profissional, e eles queriam usar o recurso como um laboratório de experimentação audiovisual dentro de uma região que não tem nada disso. Aprenderam muito fazendo. Ficaram quase metade do projeto trabalhando no clipe do Mc Yob, filosofando e tal. A conclusão do trabalho e a apresentação dos clipes para o público aconteceu no CEU Navegantes, no início de dezembro de 2013,

Gelson Salvador e Will Mangraff no ateliê Daki

e foi marcante para todos que estiveram presentes. A emoção foi geral, as pessoas se sentiram representadas nas cenas que viram na telona. Giane Barauna, que estava presente no dia do evento diz: “Foi gratificante ver o trabalho finalizado, a alegria do grupo em ver o teatro cheio, em cada cadeira daquele teatro tinha uma história, um sonho e quantos daqueles jovens do Graja na Cena não se viam ali, sentados, em algum momento da sua vida, imaginando ou desejando que esse dia chegaria para entrar para a história. Vi desprendimento e muito amor, e muito suor também. Estávamos ali compartilhando de um sonho, ‘nosso sonho’, foi gratificante ver os olhos emocionados dos amigos que se identificavam 8

no vídeo clipe, conscientização de mais uma conquista. Agradeço a Deus por ter estado lá”.

nificativo para aquelas pessoas. Aí que fui entender o retorno direto do projeto”.

Gelson disse que foi uma surpresa para eles. A divulgação foi grande no facebook, colocaram também cartazes em alguns lugares e tal, mas no dia da apresentação estava aquele tempo feio e ficaram apreensivos quanto ao público. Houve o evento com grafiteiros do lado de fora e toda a correria para organizar a parte técnica para o show antes da apresentação dos vídeos. Os artistas atrasaram e, segundo Those, estava aquele “furdunço.” Depois de um tempo rolou a apresentação. Quando subiu na cabine de som Gelson teve a noção de quantas pessoas havia no evento e se emocionou. O Vídeo do MC Yob foi muito impactante por mostrar a região, mostrar alguns personagens e referências do Cocaia. Gelson diz: “É um vídeo muito regional, tiveram essa preocupação no roteiro, é um rolê na quebrada, começando do marco zero (da cidade de São Paulo) ...deu um caráter de vídeo clipe mais documental, e essa é a cara do vídeo...Eu fiquei bastante emocionado com esse evento , pela quantidade de pessoas e perceber o quanto foi sig-

No ano de 2014 escreveram dois projetos para o VAI, o Graja na Cena e outro, de Graffiti, e por conta disso tiveram de realocar os componentes para os dois projetos. Novamente o Graja na Cena foi contemplado, mas o outro não passou. Hoje o Graja na Cena é Gelson Salvador, Vinícius Nevire, Marcel Moisés e Loredana de Oliveira. Fernanda Vargas teve de sair depois do trabalho do Robsoul e indicou Loredana de Oliveira para seu lugar, que também já atua na área. Esse ano, propuseram trabalhar com o rapper Robsoul e com o grupo The Monkey´s THC. Those fala sobre a vontade de trabalhar com Robsoul , que já conhecia da época em que iniciou a grafitar nas ruas e em eventos: “ Eu gosto muito do som do Robsoul, só que ainda acho o som dele pequeno perto da pessoa que ele é, perto das ações que ele faz...eu admiro muito a pessoa dele”. O clipe do Robsoul já está 95% pronto, já está em fase de edição. A equipe quer lançar o trabalho em Janeiro, até mesmo por conta do excesso de eventos que acontecem em de-

zembro. Querem fazer o fechamento no Circo Escola, que está retomando suas atividades e é uma referência na região. Para 2015, Gelson Salvador fala da vontade de conseguir o VAI 2, que oferece um valor maior, e que pode dar um pontapé inicial para alçar novos voos. Gostaria de gravar um DVD documental, colocando no mesmo palco a diversidade musical existente na região. Cita o rapper Criolo, quando diz “crescer com vários cantos do Brasil em um lugar só”, ao falar dessa mistura de ritmos por conta da migração nordestina, característica do Grajaú. “Minha utopia pra 2015 é isso, ser contemplado pelo VAI 2 e produzir esse DVD documental e um grande evento juntando todos no mesmo palco” desafia Salvador. O Graja na Cena pensa em fazer parceria com empresas privadas. Quer investir em produção e marketing, contratar assessor de imprensa. Contratar alguém pra produzir .No futuro podem partir para o documentário, para a animação, mas por enquanto não há recursos. “O passo que quero dar com o Graja na Cena é visionário” finaliza Gelson. 9


“COMO SEMPRE SOMOS MOTIVO DE CHACOTA” ADENTRA NO UNIVERSO DAS TRAVESTIS Alex Leandro escreveu e atua nesse monólogo perturbador, inspirado no submundo das noites paulistanas

Fotos: Divulgação

RPG FAZ A DIVERSÃO DA GAROTADA Maurício Borges, oficineiro e palestrante de Role-Playing Game (RPG) e Jogos Cooperativos, propicia atividades para crianças da periferia que dificilmente teriam condições de jogar por conta do alto custo dos jogos e de seus livros

Fotos: Valéria Ribeiro

Por Valéria Ribeiro

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cenário é aterrador, cheio de zumbis, com mapas e missões inspiradas na Idade Média e em vampiros, dentre outras coisas. Os jogos de tabuleiro fazem a garotada viajar e entrar em um universo de aventura e fantasia. Zombicide era o jogo que os garotos Alan Dantas, Isaque Canepa e James Genuário , todos de 13 anos, participavam na Escola Estadual Giulio David Leone, no Jd. Jordanópolis, distrito do Grajaú, sob a orientação do educador Mauricio Borges, 31, que teve seu primeiro contato com esse tipo de jogo aos nove anos, quando conheceu a revista Dragon Brasil nº1, uma das mais notórias revistas de RPG do Brasil. Hoje possui projetos com apoio público, com programas como Mais Educação, Cultura nas Escolas, VAI e o Agente Comunitário de Cultura. RPG é a sigla inglesa de Role-Playing Game, que em português significa “jogo de interpretação de personagens”. É um gênero de videogames e consiste em um tipo de jogo no qual os jogadores desempenham o papel de um personagem em um cenário fictício. É um jogo diferente dos convencionais, pois não há ganhadores nem perdedores. Os jogos RPG estimulam a imaginação e o raciocínio lógico, desenvolvem a criatividade, o relacionamento interpessoal e a cooperação mútua.

Por Natana Carolina

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espetáculo “Como sempre somos motivo de chacota” foi inspirado no barulho do salto de Anderson Leandro, irmão de Alex, quando se montava de trava (se vestia como travesti), para sair pelas noites de São Paulo. O barulho o incomodava muito e fez com que ele se intrigasse com o dia a dia das travestis desde a transformação, o sair na rua, até o momento em que elas chegam em suas casas após noites de trabalho (prostituição), brigas, preconceitos e drogas. Isso fez com que ele saísse nas ruas entrevistando várias transformistas e fazendo uma junção de todos os depoimentos delas, levando para as cenas, criando assim sua personagem Gisele (nome inspirado no namorado de seu irmão, que utilizava esse

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nome quando se transformava, e em sua diretora Gisele Ramos). Ele explica que a personagem está em um tempo que não é o dela, pelo fato de em sua transformação ela querer ser uma pessoa que não é. Utiliza de artefatos como o papel filme, (Magipack) para simular as plásticas que muito deles fazem para se tornarem “Perfeitas Barbies”. Usam maquiagens e lingeries e isso gera um conflito com ela mesma quando chega a sua casa e encara a realidade. A intenção de Alex é mostrar ao público os conflitos interiores pelo qual uma travesti passa e todo seu processo de preparação para sair produzida, “montada”. O espetáculo acontece dentro de um banheiro, no entanto, cada apresentação é única, pois tem de se adaptar ao espaço onde está sendo encenada.

Uma das principais frases que Alex usa e que dá início ao monólogo é: “Às vezes o barulho desse salto me incomoda”. noiva”, que foi recortado para a dramaturgia “AS MULHERES DE NELSON”, baseado nas obras de Nelson Rodrigues, e que foi um workshop dirigido pelo Élcio Nogueira e o Renato Borghi, no qual obteve muita experiência. Esse ano o projeto foi contemplado pelo VAI, programa de incentivo à cultura do município de São Paulo, proporcionando mais condições financeiras para a produção do espetáculo e suas apresentações. Alex é o diretor geral, maquiador e figurinista, Gisele Ramos atua como diretora de processo (provocadora), Michele dos Santos como cenógrafa e Anderson Leandro cuida do cabelo. Já se apresentou no espaço Humbalada,

Casinha das Mães, Associação Comunitária Cantinho do Céu e Ateliê DAKI, todos localizados na região do Grajaú, zona sul. Tem apresentações previstas para esse mês e dezembro no Assum Espaço Criativo, em Pinheiros. Alex Leandro deixa uma mensagem para quem quer seguir esse caminho da arte, independente de suas vertentes, uma fala de Péricles Martins: “Não tenha medo de ser ridículo, vai, arrasa e faz”, e completa que na vida é assim, se não tentarmos não chegaremos a lugar algum. Serviço: Assum Espaço Criativo – Rua Fradique Coutinho, 685 – Pinheiros (11)99643-4635 contato@assum.com.br Apresentações nos dias 14, 21, 22 e 29 e 6 e 13 de dezembro as sextas 21h e aos sábados às 20h.

O famoso desenho Caverna do Dragão surgiu originalmente do jogo de RPG, Dungeons & Dragons. Muitas referências dos jogos estão, de alguma forma, inseridas na cultura popular, por meio de filmes, desenhos, livros e mitologia dos países. A princípio, os jogos e suas aventuras parecem uma grande confusão para aqueles que não estão habituados ao universo do RPG, mas aos poucos, em uma partida, já se tem uma certa noção do que são os jogos. Para aqueles que querem se aprofundar nas aventuras existem os livros de regras que ajudam na execução, descrevem personagens e suas magias, poderes e cenários fantásticos. Os mais conhecidos são o 3D&T e o Tormenta. Segundo

Maurício, “os narradores criam a história, não tem um personagem, mas eles controlam todos os personagens que não são comados por outros jogadores, ou seja, os antagonistas, os coadjuvantes e os outros jogadores comandam os protagonistas, os heróis. O tema pode ser bem variado, os manuais do 3D&T é mais voltado pra Anime, Tormenta é mais voltado para cultura medieval”. Borges acredita que os jogos são uma forma de fazer com que os jovens saiam de casa e tenham interesses. Segundo Alan, ele tem problema na escrita e na leitura, com os jogos melhorou suas atividades. Agora lê bastante. Isaque diz que melhorou as notas na escola. James assume que antes era muito preguiçoso, mas agora acorda cedo para participar da oficina, diz que começou a fazer

outros cursos também, como flauta. Isaque faz curso de Mangá. As oficinas são abertas a jovens que não estudam na escola também. Maurício foi contemplado em setembro pelo programa Agente Comunitário de Cultura, programa da prefeitura de São Paulo, o que possibilitou a ampliação dos lugares onde oferece a oficina. Ele trabalha também com medidas sócios educativas, com jovens que cometeram algum ato infracional e receberam medidas para serem cumpridas, em meio fechado ou meio aberto, onde começou a trabalhar com o RPG. O educador acha difícil quantificar o progresso do jovem a partir do momento em que começa a jogar. “Não tem uma pesquisa que dê pra determinar exatamente a melhora”.

Ele foi convidado pelo SESC Interlagos para fazer um bate-papo sobre RPG na última Bienal Internacional do livro, com Marcelo Cassaro e Rogério Saladino, criadores do cenário do livro Tormenta. Maurício acredita que o RPG e os jogos cooperativos contribuem de forma educativa, cultural e social com os jovens. “É um sonho, estou vivendo ele”, argumenta. É um esporte, uma cultura, infelizmente elitista, pois os livros são muito caros, daí a importância do projeto. Serviço: Lugares onde Maurício oferece a oficina: CEU Três Lagos, Escola Estadual Giulio David Leone e Toca do Tatu. Informações: facebook.com/rpgcultura E-mail: rpgcultura@gmail.com Cel (11) 97413-4982

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PAGODE DA GERAL TRANSFORMA SONHO EM REALIDADE

A RÁDIO COMUNITÁRIA DO GRAJÁU A iniciativa que durou 17 anos para se tornar a Onda FM, hoje tem como lema “a sua onda”

Ailton Freitas e seus amigos juntaram-se para formar o grupo, mesmo sem terem condições de comprar um único instrumento, tendo como maior nota as batidas de seus corações pulsando apenas pelo amor a música Fotos: Danila Costa

Por Danila Costa

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músico e professor de música Ailton Freitas, além de tocar cavaquinho é o vocalista do grupo de samba Pagode da Geral, grupo fundado no Parque Boa Esperança, na região de São Matheus, na zona leste de São Paulo, onde iniciou sua carreira no ano de 2010.

Em meados de 1987, Aílton, já com 14 anos, escutava, juntamente com seus amigos, canções na rádio chamada O Samba Pede Passagem, e decidiu aumentar sua pesquisa sobre o samba em livros, discos de vinil e revistas, sendo influenciado em sua infância por cantores, compositores e grupos, tais como Bezerra da Silva, Zeca Pagodinho, Conjunto Nosso Samba e Fundo de Quintal, tornando seu interesse pelo samba ainda maior. Além dos grupos de maior expressão, Ailton e seus amigos tinham como referência grupos do próprio bairro como Gamação e Só Pagode. 12

Mesmo sem condições formaram o grupo e o primeiro instrumento de Ailton foi uma lata de goiaba improvisada. Algum tempo depois, foi contemplado com um dos maiores presentes de sua infância, um pandeiro, presente de sua madrinha, que começou a acreditar nas singelas batidas daquele garoto. O rapaz tocava apenas por ouvir o ritmo da música, percebeu que com grande facilidade aprendia e tocava outros instrumentos tais como cavaquinho, violão e percussão em geral. Em meados de 1995, Ailton, por ser autodidata, começou a ensinar os instrumentos básicos do samba aos amigos mais próximos, porém, o número de pessoas que queriam apreender começou a aumentar, então, viu uma oportunidade e começou a cobrar um valor simbólico. Assim começou a lecionar música na casa de sua mãe, possibilitando com que pudesse investir em instrumentos e em seus estudos, chegando a ensinar até mesmo

grupos inteiros de samba e pagode. Hoje é formado em Teoria da Música, possui carteira da OMB, Ordem dos Músicos do Brasil, tendo aulas de cavaquinho com Arnaldinho, músico da família Contemporânea.

eles foi tocar para Wilson Moreira, Leci Brandão e Nelson Sargento. Os meninos conhecem Ailton desde o famoso Pagode Da 40, quando eram pequenos e já viam o futuro professor se apresentar.

Questionado sobre o pagode estar em alta e a possibilidade de que o samba de raiz esteja se perdendo, Ailton argumenta: “Creio que houve sim uma grande perda do samba, pois o pagode é algo novo, confesso nunca ter visto um show de samba, assim como o de alguns cantores de sertanejo que chegam a atingir 40 mil pessoas, mas confesso e acredito que o samba tenha público seleto e fiel”.

Palavra do grupo: A satisfação de estar ao lado dele (Ailton), ter tido a oportunidade, respeito e reconhecimento de estarmos juntos hoje, foram sensações e momentos que jamais poderemos nos esquecer, somos gratos a todo apoio e dedicação que ele teve conosco, seja nos puxões de orelha ou nos aplausos, o temos em nossa vida como um Professor, companheiro, amigo e a consideração de um pai.

Assim inicia-se a história do Grupo Pagode da Geral, grupo formado por Ailton, voz e Cavaco, Léo, surdo, Douglas, violão, Junior, pandeiro e Ronaldo, tantan, percussão em geral. Os quatro foram e ainda são alunos do Ailton. O grupo tem quatro anos de existência e um marco para

O Pagode da Geral almeja reconhecimento e o respeito em meio ao samba, lançaram a música “Já Clareou”, que está disponível no youtube. Serviço: Contato para Shows e eventos: (11)98576-2054 Página no facebook: Pagode da Geral

Fotos: Divulgação

Por Larissa Costa

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Rádio Onda FM, situada na zona sul de São Paulo na região do Grajaú, está desde 1997 no ar, porém, só no ano de 2010 teve sua concessão para funcionar como rádio comunitária, vinculada com Associação Cultural Comunitária da Zona Sul. Grande parte da população que morava na região do Grajaú tinha conhecimento sobre a rádio, que era administrada pelo Sr. Elias e a Dona Maria Aparecida. Depois de anos lutando por um sonho, conseguiram 12 mil assinaturas de moradores da região, que por um vínculo com a Associação Cultural Comunitária da Zona Sul tiveram que recomeçar

a rádio com novos equipamentos e instalações. Sr. Elias e Dona Maria partilharam seu sonho com o jovem Alessandro Marques, deixaram que o mesmo continuasse com a administração da rádio, pois Alessandro trabalhava voluntariamente com eles desde seus 16 anos. Relata: “sempre fui um apaixonado por rádio”, assim seguiu o sonho que também era dele. Foi quando deu início a nova cara da rádio Onda FM. Atualmente, Alessandro trabalha na rádio com sete locutores, todos voluntariamente, pois a Onda é uma rádio comunitária que conta com ajuda financeira dos comércios

da região e apoios culturais, que vem ajudando com custos administrativos. Além de ser uma rádio comunitária, a Onda tem seus projetos culturais que beneficiam a população. Em sua programação são feitos anúncios que tem como objetivo informar o que certos moradores da região estão necessitando, assim, algumas pessoas vão à sede da rádio e deixam mantimentos, fraldas descartáveis e arrecadação de brinquedos para o dia das crianças. O público alvo da Onda FM é o jovem. “A rádio tem como programação um estilo de música jovem

e atual” diz Alessandro, porém, não deixa de tocar estilos antigos, ou seja, é eclética. Na região do Grajaú atinge uma estimativa de 700 mil ouvintes e se destaca entre as primeiras no ranking de rádio comunitária. Alessandro, os voluntários da rádio e os moradores da região têm vontade que a Onda FM cresça mais e consiga abranger a grande São Paulo. Continuam com novos projetos Serviços: Rádio Onda 87.5 FM Av. Antônio Carlos Benjamim, Grajaú São Paulo – SP – CEP 04844-000 Whats App Da Onda (11) 9 9931-2673 www.radioondafm.com.br

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ECP Divulga Atividades Coletivo ECP

Espetáculo de rua

Atividades do Coletivo ECP: Encerramento das atividades com graffiti, música e literatura, venha conferir. Dia 13/12/2014, a partir das 15h.

Apresentações circenses nas ruas da periferia

Teatro

Nada de lonas. As ruas da periferia da capital vão virar picadeiros com as apresentações itinerantes de “O Circo Chegou”, espetáculo realizado pela trupe da Associação Raso da Catarina, que se apresenta em oito bairros da zona sul e zona leste, nos fins de semana de 22 de novembro a 14 de dezembro. A entrada é Catraca Livre.

PLANETA FAVELA 11/09/4012 Espetáculo da II Trupe de Choque – Dir.: Ivan Delmanto - Dias 01,08,15, 22 e 29 de novembro às 18h. Retirar senha entre 17h e 18h. 15 vagas – Faixa etária: 18 anos. Local: Escola Carlos Ayres - Av. Dona Belmira Marin, 595 – Próximo à Estação Terminal Grajaú da CPTM. Peça “falo pra quem?” Discute sexualidade, maschismo, homofobia e patriarcado. Composto por jovens de 16 a 27 anos do Extremo Sul da cidade, o coletivo Núcleo Olho Profano busca discutir sexualidade, machismo, homofobia e patriarcado em suas obras. Contemplado pelo Programa VAI, o grupo realizou três debates e, agora, encena o espetáculo teatral “Falo pra Quem?”. Quando? 30 de novembro, 06 e 07 de dezembro

Sejam bem vindos. Apresento a vocês Favela Erundina. (Foto: Diego Ribeiro)

Onde? Espaço Cultural Humbalada - Rua Jequirituba, 83 – Estação Primavera-Interlagos da Linha 9-Esmeralda da CPTM, Grajaú - Extremo Sul de São Paulo

Grafiteira Luna Buschinelli

Fotos publicadas no instagram @revistaECP

#revistaECP

Com apenas 17 anos, uma das mais promissoras jovens artistas brasileiras, faz sua primeira exposição individual na Verve Galeria, apresentada pela dupla Os Gêmeos. Quando? de 8 de novembro à 8 de dezembro, de segunda a sábado, das 10h às 20h Onde? R. Lisboa, 285, Cerqueira César, São Paulo/SP

– CEU Cantos do Amanhecer End: Avenida Cantos do Amanhecer, s/n - Jardim Eledy – Zona Sul Dom 30/11 às 16:00 – Capela do Socorro End: Rua Jerônimo Corte Real, s/n - Jardim das Imbuias – Zona Sul Sáb 06/12 às 16:00

Obra de Luna Buschinelli

– Jardim Novo Pantanal End: Rua Otacílio Madeira, 70 - Jardim Novo Pantanal – Zona Leste Dom 07/12 às 16:00

End: Avenida M’Boi Guaçu, 622 - Jardim Aracati – Zona Sul Sáb 13/12 às 16:00 – Bairro Vargem Grande End: Rua Dama da Noite, 2

Exposição Cidade Gráfica, por Helvio Romero (divulgacao)

Colônia (Zona Sul) Dom 14/12 às 16:00

Grátis Cortejo Cultural Santo Amaro “Cidade Gráfica” retrata a vida urbana, no Instituto Itaú Cultural. Com curadoria dos designers Elaine Ramos, Celso Longo e Daniel Trench, a proposta da exposição é exibir práticas de design gráfico que colaborem na reflexão sobre as cidades, com suas especificidades, complexidades e problemáticas, sob uma ótica crítica, criativa e poética. Avenida Paulista, 149, Bela Vista Terça à Sexta das 9h às 20h Sábado e Domingo das 11:00 às 20:00 Grátis

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Onde?

– Jardim Aracati Exposição

Envie sua foto, em alta resolução, para o email: ecperiferica@gmail.com Não esqueça de colocar uma legenda falando sobre a foto.

Espetáculo “O Circo Chegou” percorre oito bairros das zonas sul e leste, de novembro a dezembro

Três grupos de teatro que atuam em espaços públicos da região de Santo Amaro - Núcleo DOC, Ciclistas Bonequeiros e Cia Catraca do Riso - se uniram para pesquisar e promover a arte desenvolvida nesses locais. E, para isso, desenvolveram o Cortejo Cultural Santo Amaro - Os Botinas Amarelas, que percorre os caminhos do local que já foi município e berço da zona Sul de São Paulo. Quando? Todos os sábados, até 20 de dezembro, às 20h Onde? Concentração na Praça da Biblioteca Prestes Maia - Av. João Dias, 822 - Santo Amaro São Paulo/SP

Apresentações Circenses

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Revista Expressão Cultural Pefiférica_ Ed nº 4  

4ª edição Revista Expressão Cultural Periférica, produzida pelo coletivo de mesmo nome sobre a cena cultural do Grajaú, zona sul de SP- Deze...