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CONHEÇA O EXPRESSÃO CULTURAL PERIFÉRICA, COLETIVO DA REGIÃO DO GRAJAÚ

Teatro II Trupe de Choque Cine O.C.A. Cinema a céu aberto no Lago Azul

traz espetáculo inovador para a zona sul

O nascimento da

P O E S I A

Ano I nº 1 agosto/2014

Expressão Cultural Periférica

Adenildo Lima lança “A Parteira”1


História do ECP

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coletivo Expressão Cultural Periférica (ECP) é formado por Danila Costa, Giane Barauna, Ricardo Negro e Valéria Ribeiro. Nasceu em junho de 2012 promovendo saraus e bate-papos filosóficos em um estúdio de tatuagem. Em 2013, fomos contemplados pelo programa para Valorização de Iniciativas Culturais (VAI), da prefeitura, e passamos a oferecer oficinas de Artesanato, Comunicação e Leitura, Edição de Vídeo e Grafitti, além dos saraus e bate-papos, sendo que este passou a ser chamado de ECP Convida, tudo isso no Centro de Juventude (CJ) do Jardim Reimberg. Em 2014, novamente fomos selecionados pelo programa VAI e continuamos a oferecer as oficinas no CJ, no entanto, esse ano temos uma parceria com o Ateliê Daki, onde acontecem o ECP Convida e o Sarau ECP. Em abril passamos a oferecer também uma oficina de informática para adultos, com a colaboração da pedagoga Susy Neves.

Opinião do leitor Somos movidos pela informação!

“Nessa época tecnológica em que vivemos, temos acesso a muitas informações rápidas. Conteúdos fazendo com que o conhecimento sobre qualquer assunto seja completo tomando uma grande proporção e ganhando um espaço nas mentes questionadoras das pessoas. Não digo questionadora só no sentido intelectual, somos questionadores da vida, até mesmo quem não possui formação acadêmica.

Expediente Coletivo Expressão Cultural Periférica Giane Barauna, Danila Costa, Ricardo Negro e Valéria Ribeiro Redação Editora: Valéria Ribeiro – MTB 46.158 valeriaribeiro@estadao.com.br Reportagem Larissa Araújo, Lhoys Lenny e Valéria Ribeiro Colaboradores Gelson Salvador, Gisele Ramos, Jéssica Tomaz e Susy Neves Imagem de Capa Tela de Ricardo Negro Revisão Michelle Marques Design e diagramação Well Aires Para anúncios, patrocínios, colaboração, cartas e outros: ecperiferica@gmail.com Nosso Facebook: www.fb.com/ecp.ecp.73

A informação através de uma tela de computador é incrível, uma inovação da tecnologia que veio para ficar. Mas como adepta do impresso, acho que a informação fica mais concreta quando ela chega literalmente em nossas mãos. A ideia de ter uma revista cultural na zona sul não deixará de seguir o mesmo caminho que qualquer outra informação, é um processo que precisa de uma força maior. Uma força que está dando os primeiros passos através de uma ideia que se trans-

formou em sonho do qual todos se beneficiarão, e um sonho que se sonha junto tem uma chance em dobro de acontecer. É importante que as pessoas saibam o que acontece em seus bairros. A periferia é uma veia pulsante de arte e cultura. Antes o que acontecia no centro hoje está do lado das nossas casas e faltava apenas um canal que ligasse todas essas informações para podermos usufruir do que é nosso.” Gisele Ramos


Editorial

F

Arte Sempre! inalmente sai a primeira edição da Revista Expressão Cultural Periférica! É um sonho antigo nosso de publicar as atividades culturais do extremo sul. É muito rico esse contato com toda essa galera que não para nunca, que respira arte, que nos inspira e dá forças para continuar. Sabemos o quanto é difícil trabalhar nessa área, pois temos nossas responsabilidades e a arte, principalmente para nós da periferia, nem sempre dá o retorno financeiro necessário para o nosso sustento, aí temos de complementar a renda com outros trabalhos. Toda essa luta nos faz mais fortes, pois vemos quanta coisa bacana tem acontecido aqui. Há projetos antigos e novos, que com o passar dos anos ganham forças e agregam em nosso cotidiano. A revista quer contribuir para que mais pessoas conheçam essas ações, pois muitas vezes somente as que conhecem os coletivos da região participam e usufruem de tudo o que acontece. Queremos tratar de meio ambiente também, e coincidentemente acontece a Virada Sustentável no mês de agosto. Projetos sociais serão destacados, boas coisas precisam ser conhecidas por todos. A intensão é publicar a revista mensalmente, divulgando as atividades do coletivo ECP, que acontecem mensalmente no CCJ do Jd. Reimberg e no Ateliê Daki. É um projeto novo, que queremos compartilhar e ampliar, fazer contatos e articulações com outros projetos. Toda a ajuda será bem vinda, porque publicar não é fácil: o esforço, o tempo e os custos gastos são grandes. Portanto, quem quiser contribuir e ampliar esse sonho é só entrar em contato. Gratidão a todos que ajudaram e ajudam esse projeto a se tornar realidade.

O que rolou no ECP Oficinas Poesias Lançamento “A parteira” Cinema a céu aberto Virada sustentável Pq. Shangrilá Teatro no Grajaú Mano Money’s Mande sua foto Cronograma do ECP e agenda cultural

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O que rolou no ECP

Por Valéria Ribeiro

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o último dia 26 de julho rolou mais um sábado cheio de arte no Grajaú. O ECP Convida, bate papo cultural, teve como convidada Maria Vilani, educadora, escritora e ativista cultural com mais de 25 anos de caminhada, contando sobre sua história de luta junto ao Centro de Artes e Promoção Social do Grajaú (CAPS), que fez 24 anos no último dia 19. Caminhada de superação, de quem nasceu com alma de artista e que não se deixou abalar diante das dificuldades que grande parte da população que mora na periferia conhece. Migrante nordestina, que chega a terra da garoa em busca de oportunidades, vence preconceitos e agarra-se aos sonhos de compartilhar a arte com o próximo. “Um dos papéis do artista é levantar a autoestima da humanidade”, diz Vilani. E foi assim, com a autoestima elevada que todos os presentes ficaram ao término da atividade.

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A pausa para um lanchinho é de praxe, momento de comunhão e de troca de ideias. Dessa vez tivemos também o informativo Expressão Cultural Periférica, que conta um pouco a história do coletivo e traz as poe-

(fotos: ECP)

A ativista cultural Maria Vilani conta sobre os 24 anos do CAPS


sias selecionadas pelos presentes no último Sarau ECP. Por falar em sarau, depois da pausa, todos voltaram para a sala do ateliê e se acomodaram para curtir som e poesia. Larone Costa, poeta amazonense, nos visitou e brindou com sua música e seus versos. Aos poucos nosso público vai se tornado fiel e todo mês vem declamar sua poesia. A poetisa Maria Vilani não arredou o pé e nos brindou com os belos versos de seu livro Varal. Ao final houve um empate entre as poesias de Timoneiro e Larone Costa, que estão sendo publicadas nessa edição.

“O artista é luz nas trevas da ignorância” Maria Vilani

Galera curte sarau no Ateliê Daki

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OFICINAS DO ECP

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urso de Informática para adultos é um projeto do ECP que não tem vínculo com o Programa VAI. Também é realizado no CJ do Jd. Reimberg. Visa incentivar adultos a conhecer e se apropriar das ferramentas que a informática pode oferecer, trabalhando também a autoestima dos participantes. Educadoras responsáveis: Susy Neves e Valéria Ribeiro.

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(fotos: ECP)

s oficinas acontecem no Centro de Juventude (CJ) do Jd. Reimberg. São elas: leitura e jogos, para crianças de 06 a 11 anos de idade, com Valéria Ribeiro. Artesanato, a partir de 16 anos, com Giane Barauna e Graffiti, a partir de 14 anos, com Ricardo Negro. São todas patrocinadas pelo Programa VAI.


Larone Costa Cantor e compositor sertanejo, iniciou sua carreira em 1995, em Manaus, hoje se encontra em São Paulo, em busca de novos horizontes.

DESTAQUES DO ECP

Teve sua estreia como poeta na noite de 26 de julho de 2014, no Sarau do ECP.

Amazônia Amazônia, coração do Brasil Pulmão do Mundo Amazônia, que é tão cobiçada Pelo Mundo lá fora Flora, fauna, riquezas De rara beleza O encanto da Natureza Cachoeiras, rios e igarapés De águas cristalinas Correntezas barrentas, escuras Nos rios, é a Amazônia

Caio Cartenum Conhecido como Timoneiro, é um artista plástico que gosta de experimentar diversas áreas das artes, como a poesia. Em seus desenhos, traz pesquisas pelo regional, tradições, estéticas étnicas e o filosofar, que tem o intuito de rememorar elementos que falem da diversidade cultural.

O coração do Brasil Tem que ter amor Para preservar pra nunca Acabar os nossos sonhos Tem que ter coragem Para lutar, saber perder E saber ganhar em nossas vidas Amazônia, o teu lindo cantar É o encontro das águas Que brilham ao luar Amazônia, poesia de amor Inspirada por Deus

Das Esperanças Das Esperanças Vela verde ao mar O vento sopra a esperança Uma canção ressoa na flauta E meu pequeno corpo dança Meu pequeno corpo gira E se move como o ar Na delicadeza da vida E na alegria de pintar

O Nosso Senhor Amazônia, Amazônia, a Amazônia 7


O NASCIMENTO DA POESIA “A poesia é um feto, se faz depois nasce.” Sábias palavras foram ditas por um homem que apesar de uma vida sofrida, hoje é autor de uma rica obra literária intitulada: “A Parteira”.

N

Por Larissa Araújo

ascido no estado de Alagoas, Adenildo Lima, veio fazer a vida em São Paulo em 1998 e foi justamente nessa época que teve seu primeiro contato com um livro de verdade. Filho de pais praticamente analfabetos, sempre possuiu um incentivo aos estudos: “meu pai mesmo sempre me falou ‘Para o pobre com estudo já é difícil, e sem estudo é impossível”, conta Adenildo. “A Parteira” começou a ser escrito em 2006, quando Adenildo estava no segundo ano da faculdade no curso de Letras e foi nesse período que surgiu a ideia de produzir um livro todo rimado e escrito com versos decassílabos. Como ainda estava envolvido com as obrigações dos estudos, deixou seu livro de lado retomando seu projeto algum tempo depois, logo após a publicação de seu primeiro trabalho chamado “O Copo e a Água”, livro infantil que teve mais de 20 mil cópias vendidas. Diante de toda a dificuldade e burocracia existente no processo de publicação com a relação às editoras, Adenildo, juntamente com três amigos resolveu fundar em 2012, a Editora da Gente e logo lançou seu primeiro livro: “O Lobisomem Pós Moderno”, um trabalho em parceria com Márcio Ahimsa. No mesmo ano, também foi publicado “Varal”, de Maria Vilani, “Ela me mostrou alguns poemas e eu fiquei encantado, ela está à altura de qualquer grande poeta. É difícil encontrar editoras para poesia e a Editora da Gente era para publicar os meus livros, mas a Vilani

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passou a ser da família e a qualidade da poesia dela não poderia ficar guardada”, diz Adenildo. Finalmente, em 2013, foi publicado “A Parteira”, composto por quatro cantos, e considerado o segundo maior poema da literatura brasileira nesse estilo. Além de conter a participação de diversas personalidades na equipe, como Isabel de Andrade Moliterno, mestre e doutora em Letras que produziu o prefácio, Maria Vilani que fez o posfácio, Sandra Mendes, professora de Letras que fez o texto de orelha, Dias Miranda, escritor e dramaturgo que fez a sinopse, e João Paulo, artista que fez a arte da capa, o alagoano Adenildo Lima já foi comparado aos grandes escritores brasileiros como Graciliano Ramos, João Cabral de Melo Neto, José Lins do Rego entre outros. O livro tem sido bem aceito pelos leitores e recebe diversas críticas positivas, inclusive em um dos sites mais renomados de literatura, o Homoliteratus. “O poema traz a história de um povo esquecido pela vida e

emociona a todos que leem”, confidencia o autor. Durante a entrevista, o escritor comenta sobre seus planos futuros: “Eu tenho quase vinte textos infantis e infanto-juvenis, literatura intensa, escrevo constantemente, tenho mais uns cinco livros de poemas guardados e estamos trabalhando para uma segunda edição de “O Copo e a Água”. Eu não sou o tipo de escritor que produz material para guardar na gaveta, eu quero publicar”, completa Adenildo. Adenildo Lima cultiva o legado de respeito ao próximo e aconselha aos aspirantes a escritor que antes de pensar em mudar o mundo, é necessário primeiro olhar ao redor para a comunidade onde se vive, onde há muita coisa a se fazer para buscar um tipo de vida mais justa e menos desigual. Acreditar no potencial próprio, ter sensibilidade, não desistir e sempre perseverar também são lições que Adenildo deseja repassar por meio de suas obras.


CINEMA A CÉU ABERTO NO LAGO AZUL A Ocupação Comunitária Alternativa (O.C.A.) é um coletivo que visa utilizar o espaço público para interação entre pessoas, o meio em que vivem e a arte.

Por Lhoys Lenny

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dealizada por Fugee ­­­­­­­­­­Lion, a ação começou com a ideia de promover eventos musicais em um espaço que deveria ser utilizado pela administração da Prefeitura de São Paulo, porém como estava abandonado, foi ocupado pelo grupo. Nesse ambiente aconteceram os primeiros saraus, mas hoje em dia, o coletivo é mais abrangente e tem como principal foco a exibição de vídeos. Um dos organizadores do grupo, Vanilson da Silva, mais conhecido como Fifo, conta que as atividades não têm nenhuma ajuda financeira. “Fazemos por nós mesmos e cada um traz alguma coisa, todos os envolvidos colaboram de alguma maneira. Temos o apoio dos moradores da vizinhança e, às vezes, eles doam algum material como a escada e até cedem a rede elétrica de suas casas para ligarmos os equipamentos”, revela Fifo. Sem o subsídio financeiro, as exibições se tornam um pouco mais simples, mas não perdem seu charme rústico. O processo de escolha dos documentários é totalmente democrático e quem quiser participar do evento pode dar sua sugestão. A preferência é nítida por filmes que retratam o dia a dia da comunidade e documentários que contenham os aspectos da vida cotidiana. Vanilson diz que muitas pessoas não conhecem a cultura do próprio bairro e acredita que a partir desse tipo de ação elas poderão se identi-

ficar mais com o local onde vivem. Caio Cartenum, morador do bairro vizinho, Jequirituba, e frequentador das exibições há algum tempo diz: “Onde eu moro não tem esse tipo de atividade cultural. Lá as pessoas interagem mais dentro de seus próprios grupos, de suas tribos. De repente, com um evento desses, essa ideia pode gerar a aproximação dessas pessoas que vivem na mesma rua e não se conhecem”. O Parque Cantinho do Céu, abriga as atividades do coletivo semanalmente e convida o público a participar da experiência de construção da cidadania. Conhecido como o parque do Lago Azul, o espaço possui uma arquitetura linear e seu ambiente é próprio para abrigar intervenções como essa. Wellington Neri, outro organizador do coletivo, comenta que o Lago Azul é um espaço bastante significativo e emblemático. As exibições acontecem todas às sextas-feiras a partir das 19h30 no endereço: Rua Falcão Negro, s/nº.

9 (fotos: Divulgação)


IV EDIÇÃO DA VIRADA SUSTENTÁVEL TEM PARTICIPAÇÃO DE COLETIVOS DO GRAJAÚ

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m sua quarta edição em São Paulo, a Virada Sustentável, que acontecerá entre os dias 28 e 31 de agosto, reúne centenas de atrações, atividades e conteúdos ligados aos temas da sustentabilidade, que serão realizadas simultaneamente em parques, espaços públicos, equipamentos culturais, universidades, escolas dentre outros lugares, todas gratuitas e abertas ao público. A Virada Sustentável é um movimento de mobilização colaborativa para a sustentabilidade e promove a articulação e participação de diversas organizações com o objetivo de apresentar uma visão positiva e inspiradora sobre a sustentabilidade e seus diferentes temas para a população. Algumas das atividades que vão acontecer no Grajaú:

ROLÊ MONITORADO PARA A VIRADA SUSTENTÁVEL NO EXTREMO SUL Saída de ônibus por pontos estratégicos de grande relevância aos aspectos sustentáveis da região. Os participantes farão o trajeto acompanhados por agentes marginais do movimento Imargem. O roteiro inclui: Aldeia indígena guarani Tenondé Porã; Sítio Boa Nova – produção de agricultura orgânica; Parques Naturais de compensação do Rodoanel; Ilha do Bororé (Igrejinha São Sebastião de 1904), Bar antigo da Dona Nadir e mural* produzido pelo Imargem; Casa Ateliê Galeria Daki; terminando no aniversário de 9 anos do Pagode da 27. Quando: Dia 31 de agosto, às 8h30. Ponto de encontro: Casa de Cultura Palhaço Carequinha - rua Professor Oscar Barreto Filho, 50 – Grajaú.

*Mural produzido pelo Imargem (foto:blog me leva aonde você for)

EXPOSIÇÃO EVERALDO E CASULO Exposição de obras dos artistas Casulo, Everaldo Costa, Harry Borges, Will Mangraff e Ricardo Negro no Ateliê Daki – espaço de encontro de novos artistas empreendedores do Grajaú. Quando: abertura dia 30 de agosto (ficará em cartaz um mês). Local: Ateliê Daki - rua Rogério Fernandes, 20 – Grajaú.


PARQUE SHANGRILÁ OFERECE LAZER E DIVERSÃO NO GRAJAÚ Por Larissa Araújo

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distrito do Grajaú é o lar de uma das maiores populações do município de São Paulo e nele está situado o Parque Shangrilá, que visa proporcionar lazer a comunidade e preservar uma das poucas áreas verdes existentes na região. Próximo à represa Billings, o parque em si, é composto por três áreas. Uma delas possui além de um parque para a criançada, uma quadra de areia, e um local reservado para plantação. Neste também são realizadas atividades de incentivo ao cuidado com o meio ambiente, que no começo tinham uma proposta de serem feitas semanalmente, mas a falta de verba mudou essa situação, e hoje são feitas mensalmente e para todos os tipos de público. Dentre essas atividades estão: doação de mudas para replantação, gincanas para crianças e atividades de trilha monitora-

da. A outra área é uma reserva ambiental, onde também ocorrem as atividades de trilhas, em torno de uma paisagem exuberante, contendo várias espécies de animais. O outro meio também é uma reserva de mata, entretanto, nela não ocorrem trilhas, por ser mata fechada, contudo é uma área que tem pretensão de ser aberta ao público, após ser trabalhada. Além de muito importante por ser um grande contribuinte para a preservação florestal, o parque é uma das poucas áreas de lazer do bairro, e mesmo assim, muitas pessoas o desconhecem. “Aqui o mais importante é a cultura do meio ambiente pra ver que vale a pena manter o verde na cidade, que não tem né?! Saber um pouco dos animais, porque aqui tem uma grande variedade. O parque é ainda muito desconhecido. Tem uma população legal, um tanto legal de visitantes, mas a maioria não conhece muito ainda. Tem gente que

nunca ouviu nem falar, e mora aqui do lado”, nos conta Emerson, que trabalha no parque há 5 anos. É uma área bem tranquila, no meio da comunidade, sendo totalmente gratuita, e de fácil acesso, especialmente para as pessoas que têm dificuldade em ter esse contato com as áreas verdes da cidade. O parque é aprovado por aqueles que o frequentam, como diz Cíntia, uma visitante: “Eu moro no Jd. Eliana, e venho a pé mesmo. Trago direto meus filhos e meus sobrinhos. Durante a semana é tranquilo, poucas pessoas vêm, a maioria trabalha, mas final de semana é bem cheio por aqui, tem bastante gente. Acho que é importante por causa da natureza, as crianças podem brincar na areia... É mais isso, um lugar tranquilo onde as crianças não veem tantas coisas ruins, não é permitido que as pessoas fumem, sabe?!”. Mateus, 11, outro visitante diz “Eu gosto mais daqui” quando questionado sobre a sua preferencia em relação a outros parques. O Parque Shangrilá está localizado na Rua Irmã Maria Lourença, 250 – Grajaú, próximo à Primeira Balsa. É aberto todos os dias das 6h às 18h, e no horário de verão, das 6h às 19h. Fica aberto o convite a quem quiser conhecer e levar a família e amigos para essa trilha, que além de explorar, nos ensina a apreciar aquilo que temos de melhor: natureza. 11


II TRUPE DE CHOQUE TRAZ ESPETÁCULO AO GRAJAÚ Após uma série de intervenções realizadas em espaços inusitados nas zonas leste e oeste de São Paulo, a II Trupe de Choque traz para extremo sul da capital sua pesquisa sobre a subjetividade do homem.

Ensaios da Trupe na escola Esther Garcia (foto: divulgação)

Por Valéria Ribeiro

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irigida por Ivan Delmanto, a Cia chega a zona sul com o projeto “Material Ciborgue Fantasma/O Ornitorrinco da Revolução: Planeta Favela 11/09/4012 (Um conto maravilhoso de atrocidades)”, capaz de provocar reflexão e inquietação em sua platéia. Com histórico de ocupação de espaços públicos abandonados e degradados, o grupo ocupou uma usina de compostagem de lixo que estava desativada em São Mateus, zona leste, em 2006. Cinco anos depois foi para o Hospital Psiquiátrico Pinel, na zona oeste, onde ficou por mais cinco anos. Desde 2013, atua nas escolas Professora Ester Garcia e Professor Carlos Ayres, na zona sul. A Cia oferece oficinas teatrais e realiza ensaios abertos da construção de sua peça: Planeta Favela 11/09/4012, que entrará em cartaz

dia 20 de setembro. Desde o início, a ideia do grupo é ocupar espaços que dialoguem com o espetáculo, fazendo o trabalho artístico e pedagógico. Esses lugares são chamados de “espaços disciplinares e de controle”. Segundo o diretor Delmanto, a usina representava o espaço da fábrica, controle do trabalho e controle do corpo. No hospital era a metáfora do homem lixo, transformado em mercadoria. Na escola é o controle da mente, da formação, da subjetividade, local onde de alguma maneira todos passam. A Trupe de Choque se preocupa em manter contato direto com o público e além dos núcleos de estudos, que são abertos a qualquer pessoa acima de dezesseis anos, também confecciona o panfleto Negativo, como uma forma de compartilhar suas pesquisas e descobertas. Costuma disponibilizar pela internet vídeos, fo-

tos e documentários de tudo que é produzido: “A internet é outra vertente para as pessoas que não conseguem participar dos espetáculos pessoalmente”, explica Ivan. Também tem os seminários que propõe diálogos nas escolas com grandes pensadores como José Antônio Pasta Júnior, doutor em literatura e professor da USP. A Cia continua seu trabalho disseminando cultura nas periferias da cidade e contribuindo para a formação do pensamento humano, resta às comunidades participarem deste processo. Onde: E.E. Ester Garcia Av. Antônio Carlos Benjamim dos Santos, 858 – Jd. São Bernardo – São Paulo/SP E.E. Prof. Carlos Ayres Av. Dona Belmira Marin, 595 – Pq. Brasil – São Paulo/SP


MANO MONEY’S E A VIDA ENTRE RIMAS E VERSOS

(foto: Gelson Salvador).

Por Lhoys Lenny

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afael Gomes, mais conhecido como Mano Money’s, começou sua vivência artística cedo. Aos 11 anos de idade já arriscava colocar no papel, em forma de rima, sua forma de ver o mundo, e essa sintonia adicionada a conhecimento só poderia resultar em uma coisa: um talento extremo prestes a ser materializado em um CD independente, e com apenas 21 anos. Quando Mano é questionado de que maneira ele se define, de início se mostra um rapaz tímido, mas por fim acaba se revelando nos versos de uma de suas músicas: “Uma incógnita na sua mente / Eu sou capaz de formar / Resolva-me se possível / Depois venha me explicar”, e em uma simples estrofe é possível notar a maneira simples, contraditória e complexa da criação de suas composições.

O artista teve seu primeiro contato com o Rap aos 8 anos de idade: “Foi em uma viagem para o Nordeste, na qual minha mãe tinha levado um walkman para ela ouvir durante o trajeto. De um lado da fita, tinha apenas forró que ela gostava de escutar e do outro estava gravada a música ‘Mágico de Oz’ dos Racionais, foi esse então meu primeiro flerte com o Rap e a primeira música que eu ouvi”. Um tempo depois, aos 11 anos, juntou alguns amigos e resolveu formar o grupo “Mensageiros da Favela”, com o qual se apresentou em diversas escolas e em CEUs. A intimidade de Rafael com a rima cresceu com o passar do tempo e chegou a um nível de autonomia suficiente para criar seu próprio projeto coletivo em parceria com alguns amigos, chamado a Arte e Rima. “Era um grupo de

Rap, tinha como proposta inicial a música, mas com temas que trouxessem um pouco da nossa vivência que era totalmente relacionada à arte e à rima, porque em paralelo, nós também grafitávamos juntos”, explica Money’s. No início de 2014, o grupo de cada um seguiu em carreira solo. Depois de abandonar seu emprego convencional para se dedicar completamente ao seu novo ciclo, Mano Money’s diz que seu CD trará um pouco de sua trajetória desde os ‘Mensageiros da Favela’ até hoje. Mesclando algumas criações antigas a outras inéditas, o disco contará com diversas participações de artistas que influenciaram seu estilo. O lançamento do álbum está previsto para dezembro deste ano, enquanto isso, ficaremos aguardando ansiosos! 13


PUBLIQUE SUA FOTOGRAFIA!

Pôr do Sol no Morro do Pai Inácio, Chapada da Diamantina - BA (foto: Expressão Cultural Periférica)

TEATRO Ensaio aberto da II Trupe de Choque dias 30/08 e 06/09 ás 17h -15 Vagas

O tema da próxima edição é Paisagens - Brasil. Selecionaremos a melhor foto e publicaremos aqui.

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Envie sua foto, em alta resolução, para o email: ecperiferica@gmail.com dizendo quando e onde ela foi tirada.

Agendar pelo e-mail: 2trupedechoque@gmail.com Local: E.E. Carlos Ayres Estreia - Planeta Favela 11/09/4012 espetáculo da II Trupe de Choque Dir.: Ivan Delmanto Quando: de 20/09 a 22/11, ás 18h. 15 Vagas. Não é necessário agendar Onde: E.E. Carlos Ayres e E.E. Ester Garcia


CRONOGRAMA ECP

Sarau do Grajaú - Último domingo do mês ás 18h Rua Antônio Comenale, 166 – Parque Cocaia São Paulo – SP Sarau do Projeto Clamarte - 2ª sexta-feira do mês – ás 20h Onde: Rua Professor Otávio Guimarães, 393 – Socorro - São Paulo – SP – Fone 5686-9907 Sarau do Aloha - 1º sábado do mês – ás 18h30 Rua Vereador José Gomes de Moraes Neto, 550 – Pq. Residencial Cocaia – Próximo ao ponto final do ônibus Pça. da Sé. Acontece também permanentemente a troca de livros e a exposição de artes com várias telas de artista da região. Fone: 96139- 3278 e-mail: elaine_cristina5@yahoo.com.br

EVENTOS DO CAPS – CENTRO DE ARTE E PROMOÇÃO SOCIAL DO GRAJAÚ Roda de Educação – Mediadora: Ana Carolina Lucas, professora de português e de inglês da Rede Estadual de Ensino de SP. Quando: 1º sábado do mês – das 18h ás 20h Roda do Café Filosófico – Mediadora: Paula M Castro, mestra em filosofia. Quando: 1º sábado do mês – das 20h ás 22h Roda de Poesia – Mediadores: Márcio Ricardo e Beatriz Gomes Quando: 2º sábado do mês – das 19h ás 22h Roda de História da Arte – Mediadora: Lara Gomes, atriz. Quando: 4º sábado do mês – das 18h ás 20h

Sarau Convida – 2ª terça-feira do mês – às 19h30

Roda de Estudos Jurídicos – Mediador: Ribamar Machado, bacharel em Direito.

Onde: Rua Francisco Montesuma, 95 – Pq. Residencial Cocaia.

Quando: 4º sábado do mês – das 20h ás 22h

Sarau Sobrenome Liberdade – 1ª quintafeira do mês às 20h Rua Manoel de Lima, 178 – Jordanópolis

Local de realização de todas as atividades: Casa de Cultura Palhaço Carequinha – Rua Professor Oscar Barreto Filho, 50 Pq América – Grajaú – São Paulo/SP Tel 5924-9135

Agenda Cultural

SARAUS

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Revista Expressão Cultural Periférica_Ed nº1  

1ª edição Revista Expressão Cultural Periférica, produzida pelo coletivo de mesmo nome sobre a cena cultural do Grajaú, zona sul de SP- Agos...

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