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Expressão Cultural Periférica REVISTA

ANO 3 - N: 9 - ABRIL 2017

CONTRA O CONGELAMENTO DA CULTURA

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NOVA DIREÇÃO NO CENTRO CULTURAL GRAJAÚ

TIM, AGENTE MARGINAL RICARDO NEGRO, COLORINDO O MUNDO


EDITORIAL

COLETIVO EXPRESSÃO CULTURAL PERIFÉRICA

NÃO AO DESMONTE DA CULTURA!

Gi Barauna, Larissa Araújo, Larissa Costa, Michelle Marques e Valéria Ribeiro

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luta continua intensa na selva de pedra, o novo prefeito João Dória e o seu secretário de cultura, André Sturm congelaram 43,7% da verba destinada a cultura na cidade de São Paulo. Essas medidas tem sido tomadas sem qualquer diálogo com artistas ou coletivos culturais. As periferias são as maiores atingidas com essas ações, pois já possuem uma verba ínfima se comparadas aos bairros da região central e de elite. Se analisarmos o quanto de verba da cultura chega ao distrito do Grajaú, por exemplo, que tem uma população de praticamente meio milhão de habitantes, e o quanto de verba chega a outros bairros com populações infinitamente menores a coisa complica ainda mais. Incrivel como essas pessoas que tomam essas decisões não conseguem perceber, quero dizer, não estão interessados em saber o impacto que decisões tão aleatórias podem causar na vida de milhares de pessoas. O Grajaú carece de quase tudo, mas é cheio de gente digna e que busca melhorar suas condições de vida. Já chega de pão e circo, queremos arte, educação e reflexão. Queremos melhorias, e não aceitamos mais ser massa de manobra política!

QUEM SOMOS

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Expressão Cultural Periférica, conhecido como ECP, é um coletivo de comunicação e articulação sociocultural situado na região do Grajaú, Extremo Sul da cidade de São Paulo. Nosso objetivo é documentar e divulgar ações culturais e sociais que acontecem especialmente na região onde estamos localizados, e em outras periferias da cidade, como forma de registrar principalmente a cultura produzida nos territórios afastados do centro e ampliar o público que aprecia toda essa efervescência. Atuamos em quatro frentes: Em meio impresso com a Revista Expressão Cultural Periférica, Com audiovisual produzindo matérias para nosso Canal no Youtube e para o Programa Periferias, transmitido ao vivo pela Internet, através de nosso blog e redes sociais, como forma de dinamizar o acesso a informação e sempre atingirmos o maior número de pessoas possível e com nossa Gráfica ECP, onde fazemos parcerias com coletivos culturais e sociais para produzir material impresso com preços populares, como forma de auxiliar a produção artística das periferias em suas impressões.

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Coordenação Editorial Valéria Ribeiro Redação Gi Barauna, Jonathan Alves, Mariana Caires, Michelle Marques, Paulo Sant’anna e Valéria Ribeiro Colaboradores Adriano Mendes, Aécio Magalhães, Carlinhos Costa, Eduardo Costa, Danila Costa, Edu Graja, Ivan Lima, Jaison Pongiluppi, Jonathan Alves, Keidson Oliveira, Thiago Borges e William Mangraff Parceiros Associação Amigos do Jardim Reimberg, Ateliê Daki, Casa Ecoativa, Cedeca Interlagos, Jovens Na Cena, Quebramundo, Periferia Hacker, Periferia em Movimento e Sergipana Artes Gráficas Foto de Capa: Ricardo Negro Arte de Contra-Capa: William Mangraff Projeto Gráfico e Diagramação Keidson Oliveira/Valéria Ribeiro Impressão Gráfica ECP Tiragem: 500 Exemplares E-mail: ecperiferica@gmail.com Telefone: (11) 5939-5917 (Valéria Ribeiro) (11) 95854-6101 (Valéria Ribeiro) Espaço Cultural ECP/CJ: Rua Alba Valdez, 03 - Jardim Reimberg (Grajaú) - Cep 04845200 - São Paulo-SP ECP Na Rede Blog: https://ecperiferica.blogspot.com.br/ Perfil ECP: facebook.com/coletivoecp Revista ECP: facebook.com/revistaecp Programa Periferias: facebook.com/ periferiasecp Canal no Youtube: Expressão Cultural Periférica Site da Expedição Grajaú- Machu Picchu: www.coletivoecp.com.br


OPINIÃO DO LEITOR

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esce no ponto na padaria. Atravessa a avenida. Desce o escadão do açougue. Vire à esquerda. Desce mais um escadão, vire à esquerda de novo e desce a viela. Caminha beirando o muro a esquerda do lado da quadra. Chega no portão azul. Chegou!

Expressão Cultural Periférica! Uma sala estreita. Antes era um corredor que abrigava um bocado de bagunça. Pedaços de passado querendo virar presente. Mas agora é ali que uma galera se junta. Amontoa ideias, colhe histórias e dão vida a páginas que revelam a pulsar cultural das quebradas. É da hora ver a nossa foto nas páginas da revista ECP. E da hora ler uma matéria das companheiras e dos companheiros que fazem um corre nos fundões do Grajaú, do Capão... O que a gente não sabe é o trampo que está por traz da beleza impressa que alimenta nosso ego! Mano! Tem que fazer gambiarra para o papel não ficar úmido. Tem que cortar as folhas. Tem que grampear a parada toda. As vezes a impressora tem vida própria e imprime o que quer, e como quer. É treta! Nas bordas, nas margens, nas quebradas é sempre assim né!? É sempre caótico. Mas do caos a gente faz brotar estética, faz pulsar arte. Com as migalhas que “eles” sempre tentam nos negar. A gente faz barulho e acordar uns tios e umas tias que dormem no balaço do buzão. Então faz assim... Vai para um cantinho sossegado e leia

com calma.

Por traz dessas imagens, dessas palavras, tem uma galera massa fazendo a parada toda acontecer. Gratidão ECP! Paulo Henrique Sant’ Anna

ÌNDICE

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BAILE COM O GRAJA GROOVE

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MARIANA SANCAR LANÇA NASCER

RICARDO NEGRO, UM ARTEIRO PELO MUNDO

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EMPREENDEDORES ECOLÓGICOS, CULTURA E LAZER

CIA AS FURIOSAS

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TIM, AGENTE MARGINAL

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CURSINHO EMANCIPA NA ESCOLA CARLOS AYRES

NOVOS HORIZONTES DO CENTRO CULTURAL GRAJAÚ

ARTISTAS DAS PERIFERIAS OCUPAM RUAS DO CENTRO CONTRA O CONGELAMENTO DA CULTURA

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SEM PALABRAS: LOS CAMINOS DEL AMERICA DO SUL 3


GRAJA GROOVE TE CONVIDA PRO BAILE Com ritmo dançante e boa levada musical, vem dançar??? Por Gi Barauna

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e maneira despretensiosa o projeto Graja Groove surge no Baile Sambalanço que o DJ Daniel e o amigo DJ Audaz realizavam em meados de 2010, no bairro do Jardim Eliana, periferia da Zona Sul de São Paulo. O baile já contava com alguns dançarinos que mostravam seu talento na pista. Os MC ‘s estavam sempre presentes e o que faltava para que o Graja Groove fosse batizado como um projeto de Hip Hop? Segundo Afrika Bambaataa (DJ e líder da Zulu Nation), os pilares do hip-hop é composto de 4 elementos: MC (Mestre de Cerimônia), DJ (Disco Jóquei), B-boy e/ou B-girl (Dançarinos) e o Grafiteiro (Artista de rua). No Grajaú o que não falta é grafiteiro, e foi muito fácil encontrar um talento para compor o Graja Groove, o artista convidado para colorir este projeto foi Willian Mangraff, que há 10 anos executa seu trabalho como artista visual. Em todos os encontros realiza uma atividade de graffiti. A dançarina Patty Silva diz que os 4 elementos do hip hop são “um conjunto, que um vive a base do outro para o outro, apesar de serem coisas distintas cada um no seu estilo, todos eles vem da mesma essência da mesma raiz, acho que é toda a vitalidade do hip hop”. Contemplados no ano de 2016 pelo Programa para a Valorização de Iniciativas Culturais - VAI I, o coletivo propôs que Os MC’s Tiago Morais e L’Freitas realizassem as oficinas de produção e composição musical. Os dança-

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Foto: Acervo Graja Groove

rinos Patty Silva e Samuel Venâncio contribuem com as técnicas de Danças Urbanas (Waacking e Break Dance), e o DJ Daniel Silva acrescenta com a historicidade da música no Brasil e no mundo, distribui todo o seu conhecimento nas aulas de discotecagem e após as 18h comanda as Pick up durante o baile. O local escolhido para toda essa efervescência cultural foi o Circo Escola Grajaú. O DJ percebeu que músicas negras brasileiras já não eram mais tocadas em diversos lugares e a proposta como integrante foi a de disseminar essas músicas dentro do contexto das danças urbanas, um dos focos do projeto é fortalecer a cena musical negra, principalmente do período dos anos 70 em diante, que foi e permanece como grande referência para a produção cultural e artística principalmente na Periferia. Como proposto no edital o coletivo divulgou vídeos com imagens dos encontros, com fala dos integrantes e propostas oferecidas para os próximos eventos com responsabilidade de captação de imagens do produtor de vídeo David. Os integrantes do Graja Groove possuem muitos amigos, irmãos, artistas que produzem arte com maestria na periferia e deixarão seus nomes gravados na história cultural do bairro. A proposta de encerramento do

projeto foi lançar um Single com músicas autorais, todas elas são compostas por L’Freitas, Tigone,(Tiago Morais) e Bruno Gusth. Bianca Silva, Denise Alves, Luana Bayo, Elias Bleckalt, L´Freitas, Bruno Gusth e Tigone interpretam as músicas do EP intitulado no Ritmo da História, que possui 6 faixas e a música Me Leva pro Baile foi à escolhida para divulgar o trabalho, interpretada por Denise Alves, L’Freitas e Tigone, produzida por G79, Gravada, mixada e remasterizada no Studio 79, com Produção Executiva do DJ Daniel. O Coletivo finalizara a confecção das camisetas do projeto para subsidio próprio e continuará a oferecer as atividades em outros espaços, continuará na divulgação do EP, que esta sendo finalizado para comercialização e levará a bandeira do Graja Groove até o mais longe que ele possa chegar. Todo o registro visual produzido você encontra no Canal Oficial do Coletivo e na página do facebook.


MARIANA SANCAR LANÇA SEU PRIMEIRO CD, NASCER Por Valéria Ribeiro

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ariana Santos de Carvalho é Mariana Sancar, cantora e atriz natural de São Bernardo do Campo, cidade do ABC paulista. Iniciou sua carreira em 2009 e hoje aos 25 anos, lança seu primeiro CD, Nascer, com músicas autorais e de uma força incrível para essa jovem que desde pequena teve contato com a música e com a arte. Aos seis anos de idade entrou em um grupo de dança, aos 11 começou a cantar bastante e se desenvolver no canto em outro grupo. Foi nesse período que surgiu a paixão pelas duas coisas juntas, canto e dança. As duas coisas nasceram juntas, conta. Mais tarde fez teatro e começou a dar aula de teatro e de música. Filha de mãe psicóloga e pai tapeceiro, Mariana possui força e determinação para buscar o que almeja. Seus traços assim como sua música carregam uma leveza de menina. De riso fácil, Sancar conta que aos 15 anos compôs sua primeira música, chamada Rumo Dessa História, que está na coletânea. Estava bem desesperançosa da vida, conta sobre a época em que escreveu a música. A menina prodígio das artes também musicava suas músicas, sabe o básico de violão e teclado, também foi regente de um coral. No entanto surpreendentemente Mariana se formou em Processos Gerenciais, na Faculdade de Tecnologia e Termomecânica, gratuita e vinculada ao Instituto Salvador Arena. Não quis perder essa oportunidade, pois o Instituto tem cursos muito bons. A pós graduação fez na Universidade de São Paulo, USP, em Gestão de Projetos Culturais. Também fez administração e marketing para o teatro. Com uma grande vivência artística e boa formação Mariana só precisava de um empurrãozinho para lançar seu primeiro CD solo, e esse incentivo veio de Naiara Mota, que a ajudou a desenvolver o projeto de uma campanha de financiamento coletivo, o crowdfunding, para o lançamento de seu CD. Ficaram mais ou menos quatro meses planejando e organizando como seria esse projeto. Naiara era produtora e divulgaram a empreitada em todas as redes sociais. Mariana conta que fizeram um book e teve de fazer vídeos falando como era o projeto. Era muito puxado. Começaram a fazer cartas para as empresas contribuírem. No começo foi bem complicado. No meio do processo Naiara não estava conseguindo ajudar e se afastou, no entanto outra amiga, Fernanda Miki, entrou e começou a ajudar. A meta era 11.000,00 e arrecadaram 13.760,00. Entre tudo isso estava terminando a Pós e trabalhando. Enfim conseguiram atingir a meta e começava outra etapa do trabalho. O valor arrecadado era baixo para pagar um estúdio para a gravação do CD, então se cadastraram nos estúdios das Fábricas de Cultura e fizeram a gravação.

Também montou sua banda, havia uma ajuda de custo para os músicos, mas era um valor baixo. Chamou Alcione Ziolkowski, baterista, que já havia trabalhado anteriormente e que topou a empreitada. Juntaram-se a elas Felipe Andrade, baixo, Giselle Sancar, Violão e Piano, Luciana Nascimento, Percussão e Luciana Romanholi, Guitarra. Hoje a banda conta só com mulheres em sua formação e recebeu o nome de As Bandelas. Em setembro de 2016 o CD é lançado, composto por oito canções, que é o número do infinito, lembra Mariana. Ela gosta de brincar com as palavras e é o que faz em uma das músicas, fazendo uma mescla de ditados e uma grande brincadeira, colocando um dentro do outro. É um repertório bastante diversificado, com pop e rock, baião e samba, não tem uma linha musical definida, passeando por diversos ritmos e sons. O nome Nascer vem da coisa de ser o primeiro CD e possui uma capa bem trabalhada, suave, inspira alegria. O primeiro show aconteceu na primavera, em Setembro, como Mariana queria. Luciana Nascimento, percursionista e também produtora de Mariana mora no Grajaú e tenta ver se conseguem realizar um show no Centro Cultural ou no Galpão da Cia Humbalada. Agora querem tocar, vender shows e CDs.

Facebook e Youtube: Mariana Sancar www.benfeitoria.com Site de financiamento coletivo.

Mariana com Luciana Nascimento na percurssão

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O ARTICULADOR DAS MARGENS Por Valéria Ribeiro

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ellington Neri da Silva, ou simplesmente Tim, como é conhecido no distrito do Grajaú, é artista, educador, articulador, ou mais especificamente agente marginal, o agente das margens da represa, das margens da cidade, das bordas da vida. Aos 32 o geminiano morador do Jardim Lucélia é mais um filho de migrantes nordestinos, como a maioria dessa região. Um dos fundadores do coletivo Imargem, Wellington exerce hoje um papel fundamental na cena sócio-cultural do Grajaú. Artista inquieto com os problemas a sua volta, sempre busca despertar o senso crítico das pessoas, seja por meio da arte ou de um bom papo, pois esse agente gosta mesmo de con-

Foto: Tata Amaral

versar e sorrir, apesar de todos os problemas diários. Tim mora na mesma casa desde que nasceu e sempre foi muito próximo aos amigos de infância. Filho caçula dentre três irmãos, começou a despertar o interesse por arte observando os mais velhos desenhando, principalmente um primo e o irmão Mauro Neri foram suas referências. Ele gosta muito de dizeres populares, como a frase “Tudo se copia, nada se cria” e assim foi aprendendo, copiando e pegando gosto pela arte. Começou a desenhar sem fazer curso nenhum, conhecendo pessoas que faziam arte como Alan Zas, hoje capoeirista e professor da rede pública e o cantor Wagner Felipe. Essa galera o inspirava muito a ter uma leitura sobre cultura. A história desse rapaz não é diferente de muitos daqui, e é a base de pessoas de luta, guerreiras e que não fogem da batalha. Aos 10 anos vendia nas ruas os pães que a mãe fazia. Fala dela como muita admiração “Mulher Guerreira”. Trabalhou na feira, vendeu bala, sorvete, pipoca e puruca em Santo Amaro. Isso já começou a trazer uma certa autonomia também. “Um olhar pra rua”, diz. Em 2001 e 2002 começou a

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ver o rap aparecendo na quebrada, nos bailes que rolava. Nas andanças pela cidade começou se deparar com os grafites pelos muros, via os trabalhos do Jerry, Jonato e Niggaz. “Esses três caras fugiam muito do grafite comercial”. O Jerry e o Niggaz eram muito presentes na cidade inteira, mas Tim via o grafite deles e não sabia que eram do Grajaú, pois tinha muito mais no centro. Quando ele viu os grafites aqui ficou encantado “Nossa, esses caras vieram fazer grafite aqui!” Lembra ele. Um dia o irmão Mauro os viu pintando no Grajaú e descobriu que moravam no Jd. Eliana. Depois desse episódio eles foram na casa dos irmãos Neri e se tornaram amigos. Foram apresentando os becos e os rolês da Vila Madalena. Naquela época Niggaz já ganhava notoriedade e já tinha uma rede de articulação, fazia ilustração para a revista Caros Amigos. Aprendeu muito com todos esses caras, com o Jerry, com o Niggaz, viveu pouco tempo com o Niggaz mas foi muito intenso. Hoje Tim é a referencia aqui pra região e está presente no dia a dia e nas ações na qual diversos coletivos estão envolvidos. Referencia que cola junto. Essas experiências de articulação se intensificaram depois que começou a trabalhar em uma frente de direitos humanos no CEDECA Interlagos. Com o tempo e com os anos foi ganhando experiência e passou a usar o grafite e o Hip-hop como uma linguagem para se aproximar do jovem. Começou a perceber que o Hip-hop era muito mais do que os quatro elementos, que o grafite era o quinto elemento e ele tinha a função da consciência, não é só arte, é uma ferramenta de educação. No grafite a galera faz algo que retrata nossa cultura, não é só a estética visual. “Fazer uma leitura das artes é muito importante...o grafite vai muito além de uma pintura na parede, é comportamento, é atitude, é um manifesto, é posicionamento. Não vejo o futuro da cultura e da arte sem a educação e não vejo o futuro da educação sem a arte e sem a cultura”. Tim fala de seu aprendizado no CEDECA sobre os direitos humanos. “Essa militância vem bastante dessa convivência no CEDECA.” Tim questiona a relação com a caridade, que muitas vezes as pessoas “vestem a capa de santo.” “A pessoa não faz mais que a obrigação”, afirma. “A gente sobe no pedestal da santidade... Temos de defender direitos, não é caridade”. Hoje Neri é diretor de projetos no CEDECA e participa do conselho gestor do Centro Cultural Grajaú.

Arte e Militância no Grajaú

“O movimento de arte está crescendo muito na região, em várias linguagens artísticas, mas a politização é muito pouca. A gente está num momento que não dá pra ficar em cima do muro. A gente sofreu um golpe de Estado” “É muita inocência achar que isso é política”, fala se referindo as pessoas acharem que a política não está no contexto do dia a dia de cada um. Para Tim a arte tem um papel fundamental na visão de mundo das pessoas “O que adianta você ser um bom artista se você não tem um olhar crítico sobre as coisas.” Daqui a uns dez anos a quebrada vai estar melhor, “as crises servem para te tirar do lugar”. “Quando os problemas se tornam absurdos os desafios se tornam apaixonantes”, mais uma frase de seu caderninho de anotações. Nos próximos anos Tim se vê muito mais sendo ativista, muito mais indo pra rua. “Hoje em dia o que me instiga a ir pra rua é muito mais passar uma mensagem do que fazer um grafite que muitas vezes conversa só comigo mesmo” “Milagres acontecem quando a gente vai a luta”, finaliza ele.


CENTRO CULTURAL GRAJAÚ E SEUS NOVOS HORIZONTES

Início de mais um ano de trabalho traz novos e antigos desafios na militância cultural da quebrada. Por Michelle Marques

...São as águas de março fechando o verão, é a promessa de vida no teu coração”. Toda a poesia de Tom Jobim expressa nesta letra, se fez verdade na última quarta-feira, 08/03/2017, porém não com este glamour, quando me dirigia ao extremo sul de São Paulo para a entrevista com a nova coordenadora do Centro Cultural Grajaú: Elaine Gomes. Na madrugada do dia anterior, caiu uma forte chuva na capital paulista que causou inúmeros prejuízos à cidade e a seus moradores e ao chegar ao local, estava fechado, pois a água havia inundado o espaço. Mesmo com um quadro desanimador, Elaine, mulher negra e carismática fez questão de me atender. O início da conversa foi triste, pois ela ainda estava abalada com o que ocorrera, pois segundo ela, é um espaço de trabalho ao qual há muita dedicação e cuidado em atender a população local. Antigamente denominada Casa de Cultura Palhaço Carequinha. Após muitas lutas, hoje possui o status de Centro Cultural e continua avançando trazendo oficinas e programações artísticas para o público da periferia. Após alguns momentos de prosa, logo Elaine, que é professora e militante cultural desde sempre, já consegue falar com mais tranquilidade e deixa transparecer seu compromisso e empenho em tocar este desafio, pois o CCG está localizado em meio a uma comunidade carente, onde crianças e jovens convivem com as drogas e a violência. Em contraponto a essa realidade, existe uma forte produção cultural nesta área que está conquistando espaço e rompendo com o estereótipo de zona de assistencialismo e locais como o CCG servem como “palco” para essas ações. Convidada para dirigir o Centro Cultural Grajaú em 2017, Elaine Gomes, procura conceber a programação focando nas oficinas e mesmo com o corte na verba destinada pela prefeitura, acredita que é possível trabalhar com o que se tem e para este ano está prevista a ministração de uma oficina de contação de histórias, pois acredita que o lúdico deve fazer parte da for-

mação de qualquer pessoa independente de sua posição social. “A periferia está estigmatizada e quase sempre replica a situação de violência e drogas, é necessário inserir a ludicidade, a poesia e apreciação do belo, do poético para criar um ambiente rico e saudável culturalmente falando”, completa Elaine. A programação da Virada Cultural 2017, que a partir deste ano será removida do centro de São Paulo, contará com inúmeras atividades artísticas e pode representar uma oportunidade de ampliar os trabalhos do Centro Cultural Grajaú e a coordenadora encara esta situação como algo positivo para a quebrada. O CCG ainda necessita de muitas reformas para resolver problemas antigos e os novos que surgem a cada dia e há muito trabalho a ser feito tanto na estrutura quanto no estabelecimento do espaço como referência cultural local para toda a população. End.: Rua Professor Oscar Barreto Filho, 252, Parque América (Grajaú) // Telefones: 5925-4943 / 59249135 // Funcionamento: 2ª à Sábado das 9h às 20h / Domingo das 10h às 17h

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Um arteiro sentindo o mundo Por Jonathan Alves

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e uns tempos para cá, casinhas coloridas com traços pretos contornando ora uma borrifada de spray, ora uma pincelada com tinta óleo tem sido vistas nos muros da cidade, em telas, imagens nas redes sociais e até mesmo estampadas em sandálias Havaianas. Estamos falando de um dos trabalhos do artista Ricardo Negro, que nasceu e cresceu no Cantinho do Céu e hoje ganha o mundo com seu jeito “arteiro” de sensibilizar as pessoas. Ricardo Alves da Silva Miranda, o Negro, está nas ruas experimentando e aprendendo a linguagem da arte desde 2002, quando começou seu contato com o grafite. De lá para cá, investiu nos estudos em Artes Visuais e se formou na Faculdade Maria Montessori. Para além da Academia, Ricardo Negro se lançou em pesquisas de campo para estudar a composição das comunidades e desenvolver o conceito das casinhas que já apareciam em vários de seus trabalhos. Durante esse processo conheceu fave-

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las de São Paulo, do Rio de Janeiro o Morro do Bumba em Niterói, a Favela da Rocinha e outras comunidades na capital. No Brasil, visitou também Minas Gerais, Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco e Paraíba. Seus estudos continuaram inclusive com a expedição Grajaú-Machu Picchu, realizada entre dezembro de 2016 e janeiro de 2017 pelo coletivo Expressão Cultural Periférica, ECP, na qual pode ampliar os conhecimentos sobre as paletas de cores das construções de comunidades, bem como o estilo das estruturas de casas. Em 2013, Ricardo começou uma parceria com a Galeria Roberta Britto, e a partir daí seu trabalho ganhou novos espaços, ao ponto de em 2016 participar de um projeto da empresa Alpargatas e com a marca Havaianas lançar três modelos de chinelos com obras selecionadas para comercialização internacional.


“As coisas de verdade estão na natureza”

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ealizou recentemente em conjunto com seis outros artistas da quebrada a exposição “Arte que transforma”, grafitando sete containers para o projeto “Recicle Mais, Pague Menos” da AES Eletropaulo, que estão espalhados na cidade em pontos de coleta para reciclagem. Assim como Ricardo, o personagem criado nos grafites da exposição vê o mundo com olhos de criança, e sentindo que as coisas de verdade estão na natureza. Imagina uma flor de fogo que transmuta tudo por onde passa em novas realidades. A partir de seu processo criativo Ricardo Negro ainda tem muito a dizer com a arte. Para ele, “é importante que as pessoas se sintam bem e a arte faz isso”.

Sua maneira de contribuir para o bem-estar de quem enfrenta a dura realidade da vida é produzindo e oferecendo a arte como remédio, uma espécie de respiro ou um meio de sentir e se conectar com a vida no mundo. Ricardo acredita que a arte deve estar disponível para todos, desde a pessoa mais comum para a qual a tradicional arte de museu permanece distante. Para isso pensa na produção de giclées, que são impressões de alta qualidade em telas e pôsteres que reproduzem obras originais como uma forma de disseminar a arte com um custo acessível. Ainda no conceito das casinhas várias te-

las serão pintadas, de lembranças das vivências de campo até as histórias de amigos. Na verdade, o desejo de Ricardo é realizar sua primeira exposição individual, a partir da qual apresentará ao público seu pensamento e visão de mundo. Segundo ele, “as pessoas vão degustar melhor quando a exposição acontecer”. facebook.com/artericardonegro www.ricardonegro.com.br 9


VOA FURIOSA, VOA!

Por Gi Barauna

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s integrantes da Cia as Furiosas são da boa safra de atrizes e atores que são orientados por artistas e/ou educadores no Programa Vocacional oferecido pelas Secretarias Municipal de Cultura e da Educação. Foram orientadas pela Atriz da Cia Humbalada de Teatro, Tatiana Monte no Céu Vila Rubi em 2013. A ideia de formar uma Companhia se deu nas férias do Vocacional, durante um processo de sustentabilidade que organizavam juntas. As furiosas são: Raquel Lima 18 anos, atriz da periferia, estudante de oficinas e cursos de períodos curtos sobre teatro, escreve, compõe e canta. Giovanna Paixão 18 anos, estudante de oficinas e cursos de extensão. Alice dos Santos 21 anos, atriz, dançarina e figurinista Andreza Dias 21 anos, atriz e fotógrafa. O Projeto Vocacional há mais de 10 anos descobre jovens e adolescentes talentosos em diversos CEUS e equipamentos culturais. Estes novos artistas passam a ter independência e segurança para caminhar livres e criarem seus próprios espetáculos. Foi assim com as atrizes que, em 2015, escreveram seu primeiro projeto para o Edital do Programa para a Valorização de Iniciativas Culturais VAI I, foram contempladas com a peça Sangrando a Família, e para mos-

trar que vieram para ficar e mostrar que têm talento não só como atrizes, mas também como escritoras, foram contempladas em 2016 novamente pelo VAI, dessa vez com Bem-dita Seja a Voz Entre as Mulheres. Convivendo e vivendo na periferia do Grajaú foi muito fácil ter ideias para a nova peça, teve como roteiro o livro As Três Irmãs, do russo Anton Tchekhov, peça escrita em quatro atos que narra a história de três irmãs que buscam um sentido pra vida entre o passado e o futuro. O autor é tão genial que é possível a identificação com as personagens, a situação ali descrita e o com o contexto histórico mesmo tendo sido escrita há anos e quilômetros de distância, em 1900. Na peça Bem-dita Seja a Voz Entre as Mulheres, as atrizes fazem uma alusão a nossa realidade, baseiam-se no conflito interno de cada personagem e retratam a nostalgia, saudades, angustias contemporâneas e humanas da vida cotidiana de nossas Bem-ditas periféricas. Pesquisam outro olhar para estas prisões invisíveis que as mulheres habitam na sociedade moderna, e rompe-las em forma de experimento cênico. No palco vê se a mistura contemporânea com a dança, música e vídeos. A peça é itinerante e o cenário é sempre diferente para cada local. Já se apresentaram no Centro Cultural do Grajaú, no Galpão Cultural da Cia Humbalada de

Teatro, na Associação de Moradores do Cantinho do Céu, e em muitos outros lugares. Para saber um pouco mais sobre a Cia As Furiosas acesse a página www.facebook.com/Cia-As-Furiosas-de-teatro 10


ARTISTAS DAS PERIFERIAS OCUPAM RUAS DO CENTRO CONTRA O CONGELAMENTO DA CULTURA Sem a verba para a cultura, espaços de aprendizado nos Extremos geográficos da Capital correm riscos de deixar de existir.

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orações pulsando saíram das geladeiras. Assim, a performance contra o congelamento da cultura movimentou o Centro de São Paulo na tarde de segunda-feira. O Prefeito João Dória e o governador Geraldo Alckmin não saíram de dentro do Theatro Municipal para dar satisfações. Enquanto inauguravam projeto dentro do prédio, na parte de fora, manifestantes projetaram Icebergs e mensagens sobre a verba congelada. Estão congelados 43,5%, quase metade da verba total destinada à Cultura em SP. Verbas para a cultura são essenciais para o nascimento de espaços como o Galpão Cultural Humbalada, localizado próximo ao Terminal Grajaú, no Extremo Sul de São Paulo. Além de parados, os Programa da Secretaria de Cultura de SP serão reestruturados. A notícia de que 368 profissionais seriam desconsiderados na próxima gestão do projeto, e que os novos profissionais não serão escolhidos em novo edi-

por Mariana Caires

Se o Galpão Humbalada existe há 14 anos, é por causa de projetos como o Projeto Vocacional e o Projeto PIÁ, que agora estão congelados. Tatiana Monte tal, mas sim passando para os próximos da lista, preocupa a artista. “Isso reflete uma política da prefeitura, corremos o risco de termos um novo projeto sem memórias e que pode perder força e ser privatizado como outros que vemos por aí”. As falas são de Tatiana Monte, artista da Cia. Humbalada de Teatro. No protesto de segunda-feira, 27 de março, artistas do Grajaú compareceram ao Ato, e, segundo a repórter Evelyn Arruda*, o ato “foi um momento muito importante e impactante para mostrar que a gente não vai deixar por isso mesmo, a gente vai sempre reagir”. As culturas do centro e das periferias estão unidas na Frente Única da Cultura, e essa união, para Evelyn, tem que considerar que a verba conquistada precisa ser destinada a todos os tipos de cultura depois. Nenhum movimento é maior que o outro. *Evelyn Arruda participa da Produção de Conteúdo do Periferia em Movimento através do curso Repórter da Quebrada, contemplado pelo Edital Redes e Ruas, da Prefeitura de SP.

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EMPREENDEDORES ECOLÓGICOS, CULTURA E LAZER Por Gi Barauna

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Parque das Árvores, localizado no distrito do Grajaú, sempre foi um espaço procurado por pessoas que precisavam realizar alguma atividade, por ser um bairro tranqüilo, de pouco movimento de carros e bem arborizada. È freqüente vermos nas mediações do parque carros adesivados das auto-escolas da região ensinando nossos futuros motoristas de carros ou motos a conduzir seus veículos, jovens fazendo suas manobras na pista de skate, crianças brincando, correndo no gramado. São tantas opções de atividades que podemos presenciar por lá que já fico sem fôlego só em escrever. Encontramos a galera do slackline, que utilizam os espaços entre as árvores, a turma da caminhada, do cooper, patins e claro, a bike. As atividades esportivas mencionadas não agridem e nem poluem o meio ambiente, fazem muito bem ao corpo e a mente, e pensando nisso e para fugir da rotina de tra-

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balho que Josiel Henrique, desenvolveu um projeto que não é inovador, mas, o é para o Grajaú, o Park Bike. Após uma conversa com um amigo morador do Embu Guaçu, que desenvolveu o trabalho de locação de bicicletas em uma praça pública, foi que o comerciante percebeu a necessidade de realizar algo além de só consertar as bikes de quem o procurava na bicicletaria. “É um projeto ilimitado, posso alcançar pessoas de outros bairros aqui que querem passear de bicicleta, diferente da minha bicicletaria, que só vinha os moradores do meu próprio bairro” conta. A sugestão do amigo fez com que refletisse sobre o que estava fazendo. “Esse plano aqui era um plano secundário, e algumas coisas que eu fazia não estava dando certo e resolvi transformar o plano B em Plano A”, esclarece. Park Bike é há um mês o local de atuação de dois jovens moradores de Parelheiros, que alugam bicicletas e skates e estão atraindo simpatia e a busca por mais qualidade de vida dos moradores da região. Para quem curte patins, daqui a alguns meses já poderão alugar também, pois, já é um dos itens a acrescentar na locação. Agora você já sabe, não tem bike e quer pedalar, Josiel Henrique e Fernando Pablo estão de quarta a domingo das 8h às 17h, na Avenida do Arvoreiro s/n – Parque das Árvores – Zona Sul, o interessado maior de idade deve levar o RG e um comprovante de residência para fazer a locação. Se for menor de idade é necessário ir acompanhado do responsável com os mesmos documentos. Eles deixam pronto seu cadastro e é só sair pedalando por R$ 5,00 à hora, se você curte pedalar e quer alugar o dia todo, é só fazer um pacote que sai por R$ 30,00.


EDUCAR PARA A LIBERDADE Movimento social de educação popular

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Por Jonathan Alves

Fotos: Divulgação

á dez anos um movimento de educação popular pré-universitária nasceu da necessidade de estudar para lutar e lutar para estudar. No intuito de educar para a liberdade e formar politicamente quem pretende ingressar no ensino superior, mas se encontra socialmente desfavorecido para o ingresso, a Rede Emancipa conquistou ao longo da última década 31 espaços de formação e de integração com as lutas sociais. Na região do Grajaú as atividades tiveram início em 2013 na Escola Estadual Carlos Ayres. O Cursinho Popular Vladimir Herzog – Grajaú foi articulado conjuntamente pelos professores Bruno Magalhães, que a época dava aulas na escola e foi o responsável pelo contato com a direção, e por Idalício Reimberg, os dois são parceiros da Rede Emancipa desde a sua fundação. “No começo não foi nada fácil”, conta Idalício, “iniciamos com uma equipe de professores bem pequena, e uma também pequena equipe de coordenadores composta pelo Bruno, Ricardo Costa, que fora aluno do Cursinho Popular Carolina de Jesus no Capão Redondo, Cibele Lima e eu”. Com uma ampla divulgação alcançaram 500 inscritos, dos quais 300 participaram desde a primeira aula.

O cursinho conta com um grupo de professoras e professores formados e em formação, que dedicam seu tempo para construir com os alunos uma dinâmica de conhecimento que não só prepare para o vestibular, mas que eduque para a liberdade e autonomia. Uma das professoras e também coordenadora é a Joyce Mendes, que nos conta: “foi muito bom ter esse início em um cursinho popular, porque eu passei a pensar em diversas questões, tanto de ensino como de vida”. Joyce é mulher negra, e no processo de seu empoderamento desperta a identidade de várias alunas e alunos, “foi com o Emancipa que eu identifiquei como o empoderamento feminino e racial dentro da sala de aula é multiplicador”. Quando o tema é acesso, as portas ficam estreitas para negras e negros, periféricos, pessoas de baixa renda e escolaridade pública, generalizando: a quebrada.

Se faz necessário problematizar os obstáculos e as condições do acesso, no sentido de poder ocupar espaços democraticamente sem nenhuma forma de discriminação. Até que ponto esse tema interfere e modifica nossas vidas? Acessar uma rede social, por exemplo, pode parecer fácil, mas e se aplicarmos a dinâmica das condições, termos e políticas do acesso à cidade, aos espaços públicos, às universidades e locais de cultura? O Cursinho Popular Vladimir Herzog – Grajaú, recebeu cerca de 600 alunas e alunos para a aula inaugural, no sábado 18 de março, com uma programação voltada para a temática do acesso. Além de pautar as condições para o acesso ao ensino superior e à cidade, foi necessário pautar o acesso ao próprio cursinho. Uma vez que o cursinho se propõe não possuir “catracas” para o acesso, como garantir um atendimento de qualidade a tantas e tantos alunos? A esse questionamento a coordenadora Joyce responde: “A cada ano tem sido um desafio, porque a quantidade só aumenta, mas estamos conseguindo, porque eles(os alunos) se tornam fundamentais para a construção diária do cursinho”, finaliza.

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Los Caminos

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América do Sul

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Registros da Expedição Grajaú-Macchu Picchu realizada pelo coletivo ECP

Fotos 1 e 2 - Travessia da Cordilheira dos Andes, caminhos entre Cochabamba e La Paz, na Bolívia.

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3 4 Foto 3 - Vista através de uma janela entre as construções em Machu Picchu, Peru.

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Foto 4 - Ruínas do Vale Sagrado em Ollantaytambo, no Peru, com uma montanha com o pico nevado ao fundo.


Vista Panorâmica de Ollantaytambo

Vista Panorâmica de Machu Picchu

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PATROCÍNIO

PARCEIROS Associação Amigos do Jd. Reimberg CJ

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Revista Expressão Cultural Periférica ED 9  
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