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desenvolvido no Met Office, agência nacional de meteorologia do Reino Unido. “Depois que conseguimos regular o modelo para reproduzir as condições atuais da atmosfera terrestre e o aumento da temperatura do planeta ocorrido desde 1850, fizemos uma simulação em que o mesmo cenário era mantido, mas todas as florestas eram eliminadas. O resultado foi uma elevação significativa de 0,8ºC na temperatura média. Ou seja, hoje o planeta estaria em média quase 1ºC mais quente, se não houvesse mais florestas”, comentou Artaxo. Os estudos revelaram ainda que a diferença observada nas simulações se deve principalmente às emissões de BVOCs (compostos orgânicos voláteis biogênicos) pelas florestas tropicais. “Ao serem oxidados, os BVOCs dão origem a partículas de aerossol que esfriam o clima, refletindo parte da radiação solar de volta ao espaço. Uma vez derrubada, a floresta deixa de emitir

BVOCs e esse resfriamento deixa de existir, levando a um aquecimento futuro. Esse efeito não estava sendo levado em conta em modelagens anteriores”, comentou Artaxo. Segundo o pesquisador, as florestas temperadas produzem VOCs diferentes e com menor capacidade de dar origem a essas partículas esfriadoras. COLETA DE DADOS Atualmente, a vegetação cobre um terço da área continental do planeta – fração bem menor do que a existente antes da intervenção humana. Grandes áreas florestais na Europa, Ásia, África e América já foram derrubadas. As informações sobre o funcionamento das florestas tropicais começaram a ser coletadas em 2009, na Amazônia, sob a coordenação de Artaxo, no âmbito de dois projetos temáticos apoiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp): “GoAmazon: interação da pluma urbana de Manaus

com emissões biogênicas da Floresta Amazônica” e “Aeroclima: efeitos diretos e indiretos de aerossóis no clima da Amazônia e Pantanal”. Segundo o professor, o desmatamento altera em definitivo a quantidade de aerossóis e de ozônio na atmosfera do planeta, o que muda todo o balanço radiativo da atmosfera. “A partir desse estudo, aumentou a importância relativa de se manter a floresta em pé. Não só é urgente parar a destruição, como também pensar em políticas de reflorestamento em larga escala, principalmente em regiões tropicais. Caso contrário, pouco vai adiantar o esforço para reduzir as emissões de gases de efeito estufa provenientes da queima de combustíveis fósseis”, disse Artaxo. 

Para ler o artigo “Impact on short -lived climate forcers increases projected warming due to deforestation” na íntegra, acesse: goo.gl/LHZS7K

MARÇO DE 2018 | ECOLÓGICO  55

Revista Ecológico - Edição 105  

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