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FOTO: FERNANDA MANN

SUPERANDO DESAFIOS Faustino Souza, técnico agrícola e analista ambiental da Anglo American, explica que a recuperação de áreas degradadas no Brasil é relativamente recente, mas a cada ano tem avançado com novas técnicas. A reabilitação das áreas mineradas é feita em duas frentes: contempla a reconstituição do terreno onde é desenvolvida a atividade e a revegetação propriamente dita. Para o analista, ainda há muitos desafios a serem superados, tais como

FOTO: JOÃO EMÍLIO DE SOUZA MAGALHÃES

ramento da biodiversidade, monitoramento ambiental e prevenção de incêndios florestais, além de ações de recuperação de áreas degradadas. A meta é usar a pesquisa para gerar resultados diretamente aplicáveis na busca de soluções práticas, com ganhos tanto para a empresa quanto para o meio ambiente. “Buscamos formas de tornar mais eficiente o plantio compensatório e de aperfeiçoar o aproveitamento das mudas plantadas em campo. Queremos também identificar as espécies que são exclusivas de cada localidade, suas diferenças e as possibilidades de compensação. Estudos de florística nos auxiliam no desafio de conseguir áreas semelhantes para compensação, assim como os estudos dos tipos de solo. Entender melhor a composição dessas áreas é fundamental”, explica o botânico. A recuperação ambiental no entorno de uma mina envolve peculiaridades que precisam ser trabalhadas de forma diferenciada, simultânea e sinérgica. Inclui, por exemplo, áreas adquiridas pela empresa como forma de compensação que estão em perfeito estado de conservação, exigindo apenas manutenções, e outras que precisam ser totalmente reconstituídas. Outro aspecto essencial diz respeito à área de recuperação paisagística e ecológica do entorno da própria mina, com as pilhas de estéril – subproduto da extração do minério –, que são depositadas nos taludes.

RAFAEL DE KNEGT: "Queremos identificar as espécies que são exclusivas de cada localidade, suas diferenças e as possibilidades de compensação"

reconstituir o terreno à medida que a operação ocorre, uma vez que essas duas atividades devem caminhar juntas. “Hoje, um de nossos maiores desafios é identificar as espécies nativas capazes de fomentar a recuperação de áreas que sofreram algum tipo de intervenção. Durante toda a fase de implantação e operação da mina, a recuperação vai ocorrendo simultaneamente, para que, ao fim da operação, a área minerada já esteja totalmente reabilitada, deixando a paisagem o mais harmônica possível, com a utilização das espécies adequadas”, ressalta. Sob esse aspecto, a Fazenda Pitangueiras é um típico exemplo de área de compensação adquirida em condições de completa degradação, a ser recuperada pela empresa, com ganhos ambientais coletivos. Durante os trabalhos, uma técnica que tem apresentado excelentes resultados para recuperação da vegetação nativa é a utilização de topsoil (solo vegetal). Trata-se da deposição do material superficial retirado da área suprimida (obtido a cerca de 20 centímetros de profundidade, con-

tendo solo, sementes, vegetação e material orgânico) em áreas a serem revegetadas. Com isso, garante-se a manutenção das espécies das áreas impactadas. “É uma metodologia fantástica. Não é necessário fazer o plantio manual ou irrigar. Apenas depositamos o material. E, entre três e quatro anos, podemos observar uma mata exuberante, com árvores de até cinco metros de altura. O grande diferencial é a inovação, desenvolvendo modelos de recuperação como esse, com elevado nível de qualidade ambiental”, conclui Faustino. FAZER A DIFERENÇA É com essa visão que a equipe de profissionais da Fazenda Pitangueiras enfrenta outros desafios e propõe o desenvolvimento de novas técnicas. No caso do topsoil, antes de optar por sua utilização, foi preciso atuar no controle de espécies invasoras que dominam a área e impedem que a vegetação nativa se estabeleça. Foi atenta a essa realidade que a pesquisadora Gleica Cândido começou a desenvolver sua pesquisa de doutorado, por meio de um convênio MARÇO DE 2018 | ECOLÓGICO  25

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