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Editorial

Revista do Turismo Negócios e Eventos em 2016 ///////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////

Modesto Lopes Presidente do grupo Revista do Turismo

Sem dúvida, este é um ano bastante especial para o Rio de Janeiro. Do canteiro de obras em que se transformou o lugar, nasceram grandes empreendimentos, que deram cara nova à cidade: Museu de Arte do Rio; Museu do Amanhã; Porto Maravilha; arenas, ginásios e estádios esportivos; BRTs, VLT, expansão do metrô e novas vias de circulação. Ainda, estamos festejando a abertura de um novo aeroporto internacional, o RIOgaleão, mais amplo e moderno. E as comemorações continuam, com a realização das Olimpíada e Paralimpíada de 2016 que acontecem, pela primeira vez, na América do Sul. Nesse contexto, está de volta a Revista do Turismo. Fundada em 1999 e lançada

no XXVII Congresso da ABAV, em Curitiba/PR, a publicação atinge uma nova etapa de sua longa história editorial. A partir deste mês, chega ao mercado por distribuição em mala direta e passa a ser divulgada nas redes sociais, com foco direcionado a negócios e eventos. Dentro do novo projeto, deverá, também, ser distribuída nos principais aeroportos nacionais. Seu conteúdo abordará outros segmentos da economia brasileira, divulgando o setor junto a empresas e corporações de todo Brasil. O Rio de Janeiro, revitalizado, merece este novo veículo jornalístico, direcionado ao mercado turístico e empenhando na informação de modo a contribuir para o crescimento do país.

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Sumário Riotur: Fernando Maia

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EXPANSÃO Riotur lança visit.rio, nova marca do turismo

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Carnaval - a grande festa de negócios

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Embratur investe na imagem do país

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Polos do Rio tem potencial turístico

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Santuário de Aparecida bate recordes

Joao Paulo Engelbrecht

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OLIMPÍADA E PARALIMPÍADA 2016 Jogos Olímpicos trazem renovação e grande legado ao Rio

Artigos O TURISMO NA VISÃO DE PERSONALIDADES IMPORTANTES DO SETOR

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40 ABAV-RJ

FBHA

A burocracia que impede o crescimento

É chegada a hora de regularizar os jogos de azar no país


Maio a Agosto de 2016

www.riogaleao.com

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RIOGALEÃO Aeroporto Internacional Tom Jobim será reinaugurado em maio

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Exportação: gastronomia nacional

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Entrevista: Gilson Campos – 64 anos de jornalismo

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Vem aí o Rock in Rio 2017

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Acompanhe a agenda de eventos

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Turismo rural e agronegócio

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Jornalismo de turismo com Arnaldo Martins

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Ecoturismo: Parques Nacionais

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JURCAIB

SINDRIO

TCM-RJ

A crise na aviação civil brasileira e a necessidade de atualização das condições gerais de transporte

Rio sob holofotes

Olimpíada de 2016: honrosa missão de fiscalizar

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Homenagem

Prêmio

Destaques de Turismo 2016 Mais novidade pela frente. Este ano marca a volta do Prêmio Destaques de Turismo que, ao longo de 18 edições, contemplou autoridades, empresários e incentivadores, grandes nomes do setor. Aguardem esta importante festa do turismo.

Prêmio é reconhecimento pelo trabalho e empreendedorismo no turismo do Brasil

Platéia ilustre prestigia a festa do turismo

Grandes nomes do setor foram agraciados com o Prêmio Destaques de Turismo

EXPEDIENTE Presidente: Modesto Gomes Lopes • Diretor Geral: Vagner Lopes • Diretor Executivo: Arnaldo Martins • Editora: Akiko Tanabe • Redação: Andreia Nascimento • Design: Marcelo Fraga (design@revistadoturismo.com.br • Consultores: Gilson Campos, Sávio Neves, Carlos Lacerda • Assistente: Daniela Azevedo • Redação: (21) 2466-0404/98087-0143 – redacao@revistadoturismo.com.br • Publicidade: (21) 2466-0404/98201-8529 – comercial@revistadoturismo.com.br Os artigos publicados são de inteira responsabilidade dos autores. Preços e tarifas contidos nas matérias ou anúncios estão sujeitos a alteração sem aviso prévio. REVISTA DO TURISMO • www.revistadoturismo.com.br • Edição digital

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Novidade

chega à cidade e deixa claro: a nova marca do turismo carioca veio pra ficar Riotur: Ricardo Zerrener

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Akiko Tanabe

Descontraída, espontânea e natural são adjetivos para a gente do Rio, que estão no novo portal da Riotur, onde a melhor definição do povo sai da “alma

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carioquíssima” do escritor Fernando Sabino, filho ilustre de Minas Gerais: “carioca, como se sabe, é um estado de espírito: de alguém que, tendo nascido em qualquer parte do Brasil (ou do mundo) mora no Rio de Janeiro e en-

che de vida as ruas da cidade.” Êta, mineiro pra saber das coisas, sô! De certo, ia gostar de ver o quanto, hoje, as ruas estão mais cheias de vida com as cores do Visit.Rio, a nova marca do turismo carioca que, além do


Riotur: Fernando Maia

2 Fotos - Riotur: Alexandre Macieira

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4 5 1. Vista Chinesa; 2. Panorâmica da Cidade; 3. Esportes na praia; 4. Forte de Copacabana; 5. Caipirinha no tradicional Bar do Mineiro.

portal, se espalha por toda a cidade. Lançada no final do ano passado – pela Secretaria de Turismo, Riotur e Rio Convention Bureau – , a iniciativa visa promover o turismo e facilitar a comunicação com moradores e visitantes. Todo o material impresso a ser confeccionado – tais como folhetos, showcases, mapas e informativos especiais para eventos de grande porte, como as Olimpíadas – levará o selo Visit.Rio. A publicação mensal Guia do

Rio, há 40 anos, editada pela Riotur, também será rebatizada e ganhará nova diagramação e desenho mais arrojado. A ideia é deixar um legado na área de comunicação, criando unidade e eficiência no material turístico. A principal vitrine da nova marca é portal Visit.Rio, que substitui o site Rio Guia Oficial, funcionando com design mais moderno e funções de geolocalização e mobilidade integrados, propostas inéditas nos serviços

oferecidos na capital do Rio de Janeiro. Domínio de alcance internacional Com a nova plataforma de comunicação, o Rio tornou-se a primeira cidade na América Latina a ter um domínio com o seu nome. “É a primeira a levar o domínio .rio ao ar na íntegra, sem redirecionamento para sites .com.br, e que apresenta conteúdo relevante e atual sobre os serviços e atrativos turísticos da cidade”, diz o Secretário de Turismo, Antonio Pedro

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Figueira de Mello. Ele explica: “nossa marca Visit.Rio foi pensada para ser algo de compreensão mais internacional, uma vez que é de fácil entendimento em português, inglês e espanhol.” Segundo Alfredo Lopes, presidente do Rio Convention & Visitors Bureau: “os principais destinos turísticos internacionais são fortes competidores e investem cada vez mais pesado na captação de turistas. Sem dúvida, nos dias de hoje, a internet é uma das mais importantes ferramentas para atingir os grandes mercados emissores. Com o Visit.Rio, o Rio de Janeiro não apenas se posiciona como um produto turístico preparado para receber e dar todo o suporte necessário aos nossos visitantes, mas, também, como um destino precursor no Brasil na forma de divulgar seus atrativos e serviços.” O que fazer, onde comer, onde ficar E na visita ao Rio, o Cristo Redentor tem lugar de destaque. O cartão postal da cidade, eleito uma das sete maravilhas do

mundo, é a maior atração turística do Brasil, segundo o TripAdvisor – o maior site de viagens. Mas a seção Novo portal visit.rio Rio Imperdível do Visit.Rio traz ainda: Pão de Açúcar, Maracanã, Museu do Amanhã e mui-tas outras atrações. Na Wishlist, o usuário seleciona as atrações que de-seja visitar, organiza de acordo com sua agenda e personaliza seu roteiro turísti-co, podendo ainda compartilhá-lo em suas redes sociais. As seções Agenda, O que Fazer, Onde Comer, Onde Ficar são as mais dinâmicas, com informações variadas e atualizadas sobre a programação e as novidades da cidade. E não faltam curiosidades sobre o estilo de vida carioca, dados sobre clima e geografia em O que nos faz especial, num estilo parallax (técnica que causa ilusão de profundidade nas interfaces). Na área dedicada a Negócios, está acessível o calendário de feiras, congres-

sos e eventos do segmento. Os destinos turísticos próximos, como Búzios e Paraty, são prestigiados no portal e se encontram no Por Perto. Em tempos de grandes competições esportivas, um clique redireciona para a página Cidade Olímpica, da prefeitura. As redes sociais da Riotur, também, receberam a nova identificação. Apenas o Twitter e o Facebook, ainda, mantêm o nome da cidade do Rio de Janeiro. Mais parcerias estão sendo estabelecidas com apps e páginas úteis para reserva de hospedagens, compra de bilhetes tu-rísticos e informações sobre rotas de transporte público no portal. A compra de bilhetes já está habilitada (ver passeios). Os demais serviços deverão operar em julho, antes da Olimpíada.

No Wayfinding, todos se encontram na Cidade Maravilhosa “Por favor, poderia me ajudar?” Em que idioma for, a frase é famosa quando se trata de turistas perdidos em algum ponto do planeta. O desconforto e o apuro – em tempos modernos –, diríamos que ganha mais zoom ao envolver personagens que abrem as malas, calçam os tênis e saem por aí, querendo apenas se divertir. No Brasil, as pesquisas do setor dão conta de que a falta de sinalização adequada ocupa o topo na lista de reclamações de turistas nacionais e estrangeiros. Se há muito o quê ser feito a respeito, a boa notícia é que o cenário da “vitrine” do país vem sendo modificado, positivamente, para atender às reivindicações. Desde 2014, iniciou-se no Rio do Janeiro o Wayfinding (encontre seu caminho), projeto inspirado em grandes cidades como Londres, Nova York e Van-

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couver que facilitaram a circulação e a exploração de suas áreas. Trata-se de um conjunto de elementos táteis e visuais que permitem a movimentação informada e segura dentro de um espaço, por meio de totens, placas, painéis, mapas etc. Implantandos inicialmente nos bairros do Leme e Copacabana, os painéis bilíngues de sinalização turística partem da imagem do Cristo Redentor. “É o ponto de referência. Cidadãos e visitantes ficam mais confiantes para explorar a cidade quando contam com informação oficial e de fácil compreensão sobre locais de interesse nas áreas do seu entorno. Nosso projeto oferece ao turista e ao carioca uma nova forma de explorar a cidade e seus atrativos”, afirma o Secretário de Turismo, Antonio Pedro Figueira de Mello.

Todos os locais de maior visitação da cidade aparecem em destaque nos mapas, como se estivessem em 3D. Quem olha para a ilustração, pode se localizar e saber o que encontrar numa caminhada de até 15 minutos. “Isso ajuda a fomentar o comércio nos bairros e incentivar práticas saudáveis como caminhada e ciclismo “ diz o secretário. O projeto, cuja verba vem da parceria Ministério do Turismo e Caixa Econômica Federal, é executado pelo Consórcio Rio Inteligente, liderado pela ICON. Conta, ainda com a participação das empresas CSM Brasil, Valéria London Design, ETECE Engenharia e Londrina Applied, que realizou os projetos de Londres, Nova Iorque, Vancouver, Cleveland e Brighton. Maiores informações estão no site: http://sistemarioape.com.br


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Carnaval Alexandre Macieira - Riotur

Carnaval com rio de grandes negócios Hoje em dia, todos sabem: o Carnaval é mais que “samba, suor e cerveja”

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A festa do rei Momo convoca para os preparativos desde o pessoal que bota a mão na tinta nos barracões até executivos de gravadoras musicais. Vários segmentos são beneficiados: hotéis, restaurantes, transportes, gráficas, lojas e shoppings etc. Um dos resultados positivos é a geração de milhares de empregos. A ABIH-RJ (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio de Janeiro)

calcula que, este ano, a ocupação na capital chegou a 85%. Segundo a Riotur, mais de um milhão de turistas desembarcaram no Carnaval carioca, gerando renda de R$ 3 bilhões. O Píer Mauá bateu o recorde de atracações no domingo de Carnaval, recebendo 11 navios. Entre os dias 6 e 13 de fevereiro, aproximadamente 130 mil pessoas transitaram pelo terminal - quase o dobro do ano passado, quando no mesmo período circularam 70 mil passageiros. O Carnaval de Rua também atraiu milhões de foliões e reforça, a cada ano, sua importância para o turismo e para a movimentação econômica da cidade, abrindo 4,5 mil vagas temporárias de trabalho para ambulantes credenciados.


Cidades do interior recebem mais de 2 milhões de turistas Liesa/FAT Press

Homenageada pela verde e rosa, a cantora Maria Bethânia solta a voz no carro alegórico da Mangueira, campeã do Carnaval do Rio em 2016

Bloco na rua em 2016 - Cordão do Bola Preta completa 98 anos e arrasta mais de 1 milhão de pessoas no Centro do Rio.

Amplifica Comunicação Sec. Turismo-Búzios/Ronald Pantoja

Cidades como Petrópolis, Angra dos Reis e Búzios podem reclamar com relação ao Carnaval, mas só da festança ter chegado ao fim, num ano em que o interior do Estado recebeu mais de 2 milhões de turistas. Em muitos municípios, a ocupação hoteleira atingiu os 100%. Para incentivar os turistas a conhecerem os arredores da capital carioca, foi criado o Rio+3. "A cidade do Rio recebe cerca de seis milhões de turistas brasileiros e estrangeiros por ano. Criamos o programa para que essas pessoas se sintam estimuladas a conhecer, também, locais próximos, até três horas de viagem", diz o Secretário Estadual de Turismo, Nilo Sérgio Felix.

Escultura dos Três Pescadores em Búzios

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Carnavália-Sambacon promove marketing e vendas em junho De 23 a 25 junho, será realizada a terceira edição da CarnaváliaSambacon - a grande feira de produtos e serviços do Carnaval, que gera milhões de lucros. A feira de 2015 evoluiu sob o tema "Carnaval pelo Mundo", com presença de palestrantes internacionais e registrou R$ 15 milhões em negociações. A iniciativa cresceu em expositores (20%) e na ocupação de espaço (25%), alojando 70 estandes numa área de 6.000 m² do Centro de Convenções SulAmérica, na Cidade Nova / Rio de Janeiro. O resultado se traduz, entre outros, no lançamento de novos produtos, surgimento de novos canais de venda, construção da boa imagem da marca e expansão das relações comerciais.

Grande mão-de obra no Carnaval da Grande Rio em 2016

A cadeia produtiva do Carnaval envolve diversos setores

Barracão da Grande Rio - alegoria sendo preparada para desfile

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Campanha

Londres: Embratur intensifica promoção do Brasil na capital da Inglaterra

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© Ministère des Affaires étrangères et du Développement international/Frédéric de La Mure

O vôo da Air France, Brasília-Paris, opera três vezes por semana, desde 2014


Embratur investe na promoção da imagem do Brasil no exterior Em ano olímpico, ações e divulgação de destinos nacionais estão sendo potencializadas por parte da Embratur – Instituto Brasileiro de Turismo – em vistas a contribuir para captação de turistas e para promoção da imagem do Brasil no exterior. Dentre os principais países alvos das iniciativas, Inglaterra e França.

“A Embratur tem investido nos treinamentos de agentes e operadores de viagens, motivando a diversificação de destinos comercializados no mercado. Esta é mais uma oportunidade de atrair-mos turistas estrangeiros antes, duran-te e após a Rio 2016”, afirma o presi-dente substituto da Embratur, José An-tônio Parente.

dos programas de fidelida-de - o South America Air Pass. Atualmente, a empresa voa para 125 destinos, conectando direto e diariamente Londres a São Paulo. A Inglaterra é o 4º maior país emissor de turistas da Europa e 9º maior do mundo. Dados do Anuário Estatístico do Ministério do Turismo informam que 189 mil britânicos visitaram o Brasil em 2015. Capacitação durante seminário O aumento do fluxo de turistas britâniem Londres cos para o Brasil, no lastro dos Jogos OlímAtrativos turísticos do sudeste brasipicos, é uma tendência – segundo a chefe Presidente substituto da leiro e preparação para os Jogos Olímpido setor Comercial da Embaixada do BraEmbratur - José Antônio Parente cos foram apresentados, em maio, a 100 sil em Londres, Liliam Chagas: “Por isso, agentes de viagens do Reino Unido e opetemos intensificado nossos esforços de radores ingleses de 48 companhias. O evento foi organi- pro-moção neste mercado em parceria com a Embratur e zado pela Visit Brazil Travel Association (VBRATA) – enti- a VBRATA.” dade que congrega o trade tu-rístico britânico e europeu Com o voo da Air France, Brasília-Paris, três vezes por emissivos para o Brasil – em par-ceria com a Embratur, a semana, uma série de ações, também, estão voltadas à Embaixada do Brasil em Londres e, ainda, a companhia divulgação dos nossos atrativos na França, país que enaérea LATAM Airlines, que expôs sua recém-lançada mar- via o maior número de turistas para o mundo e é o 8º ca e apresentou as atualizações das rotas e benefícios maior emissor de turistas para o Brasil. Fonte: www.embratur.gov.br

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Circuito Turístico www.rio.rj.gov.br

Museu de Arte do Rio no Polo Região Portuária

Polos do Rio aquecem turismo e negócios na cidade maravilhosa O turismo é uma atividade de geração de emprego e renda, onde as parcerias e os investimentos empresariais alavancam seu desenvolvimento. Um bom exemplo dessa química está na Cidade Maravilhosa, onde se destacam diversas “ilhas” com o potencial necessário para reunir apelo turístico e negócios.

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Foi pensando em promover esse casamento perfeito, envolvendo o poder público e a iniciativa privada, que surgiu há sete anos o programa Polos do Rio, com o objetivo de incentivar a cooperação empresarial, o trabalho e a revitalização da cidade, inclusive o tradicional comércio de rua. Em 2009, foram reconhecidos, por decreto, 24 polos que se destacam pela gastronomia, por acervos turísticos, ruas especializadas e centros comer-


ciais. Em todos esses locais há um tipo de certificação, que é um selo criado para orientar, identificar, estimular e sustentar a qualidade dos empreendimentos de cada um dos polos de negócios credenciados pelo programa. Dinâmica De acordo com os organizadores do projeto, os polos nascem a partir da vontade de um conjunto de em-

presas de uma determinada região da cidade. É preciso um mínimo de 25 participantes para formar um polo. A partir daí, o grupo passa a participar de palestras e seminários, começa a pensar em conjunto e articula seu sucesso empresarial ao bom funcionamento da rede de serviços públicos da cidade – incluindo iluminação pública, coleta de lixo, estacionamento regular e segurança. O resultado dessa ação baseada

no associativismo se traduz em eficiência e melhoria da infraestrutura nos locais turísticos. O programa Polos do Rio é uma parceria entre a Secretaria de Desenvolvimento Econômico Solidário da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro (SEDES), a Fecomércio-RJ, o SEBRAE/RJ, o Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes (SindRio), a Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ) e o Banco do Brasil.

www.rio.rj.gov.br

Polo Cultural Novo Rio Antigo

Conheça alguns dos Polos do Rio Polo Pedra de Guaratiba Gastronomia, Cultura e Turismo

Todas as tribos se encontram no Novo Rio Antigo, o agito da noite carioca, ideal para quem gosta de dançar e ouvir a boa música brasileira. Com centenas de restaurantes, bares, botequins e casas de show, Cinelândia, Lapa e Praça Tiradentes formam o reduto renovado da boemia. É lá também que fica a Rua do Lavradio, onde todo o primeiro sábado do mês acontece uma das mais prestigiadas feiras de antiguidades da cidade.

Localizado na Zona Oeste do Rio, é um dos mais belos cartões postais da região. Um bairro cheio de belezas naturais e culturais, com vestígios do marco imperial e de povos sambaquis. Era também conhecido por possuir importantes engenhos. Como tradicional centro gastronômico, possui alguns dos melhores restaurantes da cidade especializados em frutos do mar. A revista americana Newsweek ele-

geu o restaurante Bira um dos 101 melhores lugares do mundo para se comer. Inclusive, à vista da baía de Sepetiba, de garças, guarás, bicudos e outros pássaros. Bira de Guaratiba Restaurante

Polo Cultural e Gastronômico do Novo Rio Antigo

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Polo Recreio - Gastronomia, Turismo e Lazer

www.rio.rj.gov.br

Alexandre Macieira - Riotur

Estátua do compositor Adelino Moreira no Polo de Campo Grande

Um dos bairros mais jovens e com um dos maiores índices de crescimento da cidade, o Recreio, com explícita vocação ambiental, conta com bons e amplos parques e reservas ambientais, destacando-se o Parque Chico Mendes, Parque Marapendi, dentre outros. Com crescente vocação gastronômica, o Recreio oferece variadas opções de bares e restaurantes de excelente qualidade para todos os gostos. Fotos: Alexandre Macieira - Riotur

Tijuca

www.imperator.art.br

Região Portuária

Polo Gastronômico da Tijuca

Polo Região Portuária O Polo Região Portuária nasceu com a missão de ampliar as fronteiras e o trabalho realizado pelo Polo Nova Rua Larga, em prol da geração de oportunidades para todos os empre-

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Méier

endedores que acreditam e apostam no futuro do Centro Histórico do Rio de Janeiro. Hoje, o Porto do Rio é um dos principais protagonistas nos processos de revitalização do Centro Histórico da cidade. Polo Gastronômico e Comercial do Méier Méier, orgulho do subúrbio e dos suburbanos, tem mercado rico e plural onde tudo se acha. Em situação geográfica privilegiada, recebe cariocas de diversos bairros e regiões da Cidade. Sua tradição comercial remonta a décadas, tendo recebido o primeiro shopping do Brasil. Incluindo a Dias da Cruz, o Baixo

Flamengo

Méier e ruas circundantes, o Polo reúne atrativos comerciais, gastronômicos e de serviços com qualidade para todos os gostos. Polo Rio Carioca Polo empresarial multisetorial englobando parte dos bairros do Flamengo, Laranjeiras, Catete, Glória e o Largo do Machado. Tem como visão de futuro ser um referencial de polo diversificado que, por meio da organização dos empresários, integra a cultura, o turismo, a gastronomia, o lazer, o comércio e os serviços, gerando a melhoria dos negócios por meio de parcerias institucionais.

Fonte: www.programapolosdorio.com.br

Nos quarteirões da Praça Varnhagen e ruas Felipe Camarão, Ribeiro Guimarães, Dona Zulmira e Artistas, de segunda a segunda, encontra-se um dos pontos mais efervescentes da cidade, especialmente em dia de jogo no Maracanã. No Polo Tijuca, está o Bar Brotinho, tombado pelo Patrimônio Histórico do Rio.

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É um dos principais centros comerciais da Zona Oeste. Encontra-se de tudo, a preços competitivos, no circuito formado pela Avenida Cesário de Melo e outras 20 ruas. A trabalho ou a lazer, dezenas de milhares de pessoas circulam diariamente pelos calçadões das ruas Coronel Agostinho e Barcelos Domingos. O polo é âncora de desenvolvimento da região.


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Turismo Religioso Thiago Leon

Santuário de Aparecida bate recordes de visitas e movimenta R$ 1,4 bilhões ao ano Andreia Nascimento

Entre incontáveis milagres, alguns expostos na impressionante Sala das Promessas, o Santuário de Aparecida – à 168 km da capital de São Paulo – vem batendo recorde de visitas. O maior templo católico do país e segundo maior do mundo – só perde para a Basílica de São Pedro no

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Vaticano –, recebeu 12.225.608 visitantes em 2014. Um ano antes, foram 11.856.705 peregrinos de diferentes nacionalidades, 742 mil a mais que em 2012. Em setembro de 2015, a instituição religiosa constatou a presença de mais de 100 mil visitantes nos fins de semana e feriados. Apenas em um domingo, chegou à marca de 130 mil romeiros.

Ao comando da CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil –, o santuário é administrado pelos Missionários Redentoristas. Seu Reitor é o padre João Batista de Almeida e o principal gestor, o ecônomo Daniel Antônio da Silva, padre que controla mais de 1,7 mil funcionários. Além de doações, hoje, a obra é sustentada por uma grandiosa estrutu-


Santuário de Aparecida: cidade dos romeiros Ponto turístico reconhecido pelo Ministério do Turismo, o Santuário de Aparecida tornou-se entrada para a Cidade do Romeiro, complexo turístico de R$ 60 milhões, construído em parte com recursos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), a baixas taxas de juros, e formado por centros de alimentação e comércio, jardim com lagos e uma capela.

Thiago Leon

Aparecida recebe mais de 12 milhões de visitantes por ano

ra que envolve o Hotel Rainha do Brasil, o maior da cidade, com 330 apartamentos e 1.032 leitos; 380 lojas; áreas de comércio e lazer; e moderno centro de convenções e eventos com salas, teatros, ginásio e capacidade para 8.000 pessoas. Ainda, o maior estacionamento da América Latina com 285 mil m² e vagas para mais de seis mil veículos. Tudo isso somado aos investimentos em comunicação, como a Editora Santuário, a tradicional Rádio Aparecida, o portal a12.com e a TV Aparecida, em abrangência – segundo a Anatel –, entre as 14 maiores redes de televisão do Brasil. Os projetos prevêem criação, nos próximos anos, de novos hotéis e espaços de compras.

Altar principal da Basílica do Santuário

Papa Francisco no Jubileu de 2017. 300 anos de peregrinação à Aparecida Depois da Jornada da Juventude, em 2013, os preparativos e expectativas se voltam para a festa do Jubileu dos 300 anos da imagem de Nossa Senhora Aparecida, encontrada por pescadores no rio Paraíba. A comemoração deve contar com a presença do Papa Francisco e impulsionar o comércio da cidade. Pelos cálculos do Ministério do Turismo, as viagens religiosas movimentam R$ 15 bilhões por ano no país. Em outubro de 2015, durante o feriado prolongado do Dia da Padroeira do Brasil, foram injetados R$ 2,7 bilhões na economia nacional. Horário de abertura do Santuário Nacional de Aparecida: seg à sex 05:30 às 21:00 • Sáb 05:00 à 00:00 e Dom 00:00 às 21:00 Tel. (12) 3104-1000 • www.a12.com/santuario-nacional Distância: 238 km de carro pela Via Dutra • Rodoviária Novo Rio: Viação Sampaio Hotel Rainha do Brasil • Localização: 800m da Basílica (traslado gratuito) Rua Isaac Ferreira da Encarnação, 501 - Jd. Paraíba • Tel. (12) 3104-1010

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ABAV-RJ

Cristina Fritsch

A burocracia que impede o crescimento ///////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////

No último dia 24 de fevereiro, fui convidada para participar do "Encontro Internacional de Turismo Brasil - China", que contou com a presença do diretor da Comissão Municipal de Desenvolvimento do Turismo de Pequim, Song Yu, e de diversos empresários chineses e do Rio de Janeiro. O objetivo do encontro era promover o destino de Pequim e aumentar o número de brasileiros que visitam a cidade anualmente. Desta forma, quatro grandes agências da China foram convidadas para participar do encontro, no intuito de realizar uma rodada de negócios com as agências de exportativo carioca e fechar parcerias. Entretanto, para surpresa de todos, apenas uma agência esteve presente. O motivo? As demais não conse-

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guiram o visto para ingresso no Brasil. Acredito que seja do conhecimento de todos que, há mais de 15 anos, o Brasil está estagnado no número de turistas estrangeiros que visitam o País. Em 2014, devido à realização da Copa do Mundo, conseguimos ultrapassar a marca de 5 milhões de visitantes e atraímos 6,4 milhões de estrangeiros. Mas esse número é irrisório diante do tamanho do Brasil e do seu potencial turístico. Também do número de pessoas que viajam o mundo todos os anos: mais de 1 bilhão, segundo a Organização Mundial de Turismo (OMT). A China, por exemplo, recebe 100 milhões de visitantes e exporta 110 milhões para o mundo, que saem de seu país em busca de novas culturas e destinos. Destes milhões de pessoas, apenas 80 mil (menos de 0,1%) escolhem o Brasil como destino e, ainda assim, o objetivo não é o lazer, mas sim os negócios. Song Yu foi categórico em dizer que o excesso de burocracia para o recebimento do visto brasileiro é o principal empecilho à vinda de mais chineses e ressaltou ainda que o País poderia se espelhar nos Estados Unidos, que facilitaram o visto de até 10 anos para turistas chineses. Segundo o relatório de competitividade do Fórum Econômico Mundial, o Brasil ocupa a 91ª colocação num ranking de 141 países na dimensão


"Abertura Internacional". No subitem que avalia o percentual da população mundial que necessita de visto de entrada, o Brasil está na 102ª colocação. Na minha visão, o que precisamos para inverter esse quadro não é só promover o Brasil no exterior, mas sim, diminuir a burocracia e as entraves que dificultam a entrada de turistas. Já estamos distantes dos principais polos emissores, a malha aérea é deficiente, os preços aplicados pela rede hoteleira são altos e, somado a isso, ainda temos uma burocracia obtusa e que só nos atrapalha. Pontualmente, devido à realização das Olimpíadas, os ministérios do Turismo e das Relações Exteriores conse-

guiram uma primeira vitória: a isenção de vistos para visitantes da Austrália, Canadá, Estados Unidos e Japão entre 1º de junho e 18 de setembro de 2016. A medida levou em conta uma série de fatores, tais como elevado fluxo emissivo internacional dos países escolhidos, histórico positivo no envio de turistas ao Brasil, países que mais gastam no Brasil, forte tradição olímpica e baixo risco migratório e de segurança. Por que não podemos adotar essa medida daqui em diante e ampliar o benefício para outros países? É preciso que as autoridades brasileiras entendam, urgentemente, a força do turismo, sua capacidade de superar crises e de alavancar a retomada

do crescimento econômico, especialmente no atual cenário. O turismo gera empregos, cria receita, movimenta mais de 70 setores da indústria e representa 9,2% do PIB direto e induzido. No ano passado, gerou mais de R$ 2 bilhões em receita para o País. Certamente, se o Brasil não adotasse a míope política de reciprocidade de vistos, esses números poderiam ser infinitamente maiores. Já é passada a hora de abrirmos nossas fronteiras e facilitarmos a vinda dos estrangeiros.

Cristina Fritsch é presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens do Rio de Janeiro

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Olimpíada Beth Santos

Rio mais lindo como Cidade Olímpica

Rio Olímpico uma cidade em transformação Ao deixar para trás Chicago, Tóquio e Madri e ganhar a disputa para sediar as Olimpíada e a Paralimpíada de 2016, o Rio de Janeiro conquistou um novo feito, inscrevendo seu nome na história como a primeira cidade da América do Sul a recepcionar os Jogos Olímpicos. O resultado do Comitê Olímpico Internacional, em 2009 – além de representar a soma de 7,5 milhões de participantes, mais de quatro bilhões de telespectadores e atuação de mais de 100 mil profissionais –, trouxe novo entusiasmo ao prefeito Eduardo Paes e a sua equipe, que viram na vitória a boa chance para executar importantes

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projetos de infraestrutura, engavetados há décadas, e por mãos à obra a uma renovação urbanística nunca realizada na cidade, alavancando, assim, o desenvolvimento urbano e social. “No Dossiê de Candidatura do Rio, tínhamos como proposta e meta o legado olímpico. A ideia de realizar o evento nos bairros da Barra, Copaca-

bana, Maracanã e Deodoro, por exemplo, visava construir corredores expressos, interligando toda a cidade, melhorando a mobilidade urbana, recuperando áreas degradadas, ampliando o saneamento e reduzindo as distâncias geográficas e sociais. Nossa intenção era que estas Olimpíada e Paralimpíada se tornassem os Jogos Olímpicos da Transformação, melhorando a vida de cada carioca”, explica o secretário de Coordenação de Governo, Pedro Paulo Carvalho – para quem, “ser uma cidade olímpica é ter a capacidade de abrir as portas à transformação e, usando os Jogos, conseguir melhorar a vida de quem mora aqui”.


requalificação do entorno do Estádio Olímpico João Havelange (Engenhão) e do entorno do Maracanã, o domínio urbano de Deodoro, o controle de enchentes da Grande Tijuca, a ampliação do Elevado do Joá, o Porto Maravilha e dois BRTs – Transoeste e Transcarioca –, que somam 100 km e podem transportar mais de meio milhão de passageiros por dia. Além da reabilitação ambiental da Bacia de Jacarepaguá, do saneamento da Zona Oeste, do Viário do Parque Olímpico e das instalações para o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), que irá circular até o final do primeiro semestre, ligando a Rodoviária Novo Rio ao Aeroporto Santos Dumont.

Prefeitura seguiu os mandamentos: legado, economia e obras no prazo.

Rio ganha legado de ouro nos Jogos Olímpicos de 2016 Em parceria dos governos federal, estadual e municipal com o Comitê Rio 2016, o projeto olímpico seguiu três mandamentos: legado, economia de recursos públicos e obras no prazo – nada de elefantes brancos. Foram favorecidos, também, obras de infraestrutura e projetos de mobilidade e renovação urbana do Plano de Políticas Públicas, não relacionados diretamente ao grande evento esportivo, mas impulsionados por ele, a exemplo do Centro de Operações Rio (COR), a Central de Tratamento de Resíduos (CTR) de Seropédica e ações relacionadas ao fechamento do Aterro de Gramacho. Dentre as obras, a maioria em fase de conclusão, pode-se destacar a J. P. Engelbrecht

Construído na década de 1950, Viaduto da Perimetral é demolido e sai do cenário do Rio

Parcerias Público-Privadas (PPPs) geram economia de recursos Fato raro na história das Olimpíadas, mais da metade dos investimentos não tem origem pública. Do orçamento previsto, R$ 39,07 bilhões, apenas 43% saíram de cofres dos governos. A iniciativa privada bancou os demais 57%. “Isso garante a sustentabilidade financeira da cidade, sem que seja preciso mexer nos investimentos públicos de outras áreas, alivia o bolso do contribuinte e, ainda, viabiliza importantes projetos, como o Parque Olímpico, Vila dos Atletas, campo de golfe, ampliação do Sambódromo, saneamento da Zona Oeste, revitalização da Região Portuária e implantação do VLT. A cada R$ 1 investido em instalações olímpicas, R$ 5 estão sendo investidos na cidade. É uma prefeitura que faz uma Olimpíada, mas sem esquecer cada morador”, ressalta Pedro Paulo. A economia de recursos será visível nas próprias instalações olímpicas. Pioneira, a Prefeitura do Rio criou o conceito de “arquitetura nômade” – pela

primeira vez empregado numa Olimpíada –, que descarta a construção de instalações esportivas permanentes, sem utilidade ou subutilizadas após os jogos. Um exemplo da proposta inovadora é a Arena do Futuro, no Parque Olímpico da Barra, que será desmontada e transformada em quatro escolas municipais ao final das competições esportivas, oferecendo educação de qualidade e em horário integral a 2.000 alunos.

O Túnel da Saúde (ligando Região Portuária, Avenida Brasil e Ponte Rio-Niterói) faz parte da Via Binário do Porto, complexo de vias e túneis que propiciou alternativa aos que circulavam pela Perimetral

Novo cenário – grandes edificações chegaram à cidade • Parque Olímpico na Barra da Tijuca – Coração dos Jogos Rio 2016, o Parque Olímpico surgiu da Parceria Público-Privada (PPP) entre a Prefeitura do Rio e a concessionária Rio Mais, responsável pela construção e manutenção – durante 15 anos –, além do parque, das Arenas Cariocas (1, 2 e 3), hotel e Vila dos Atletas, Centro Principal de Mídia (MPC) e Centro Internacional de Transmissão (IBC). O Estádio Aquático, Centro de Tênis, Velódromo e Arena do Futuro contaram com verba do Governo Federal – num acordo de cooperação técnica – em que a execução das obras, por meio da RioUrbe e da Empresa Olímpica Municipal, ficou a cargo da prefeitura.

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Fotos: Beth Santos

Após os Jogos, o Parque Olímpico será um amplo complexo esportivo e educacional, na região da Zona Oeste, destinado a estudantes da rede municipal e a atletas de alto rendimento. A Arena 3 dará lugar ao Ginásio Experimental Olímpico (GEO) com educação fundamental em horário integral para 850 alunos, aliada a práticas esportivas em 10 modalidades. • Complexo Esportivo de Deodoro / Parque Radical – Sede de onze modalidades olímpicas e quatro paraolímpicas, é formado pela pista de BMX, circuito de Canoagem Slalom e Arena da Juventude – ainda, provisoriamente, pela pista de Mountain Bike e pelo Estádio de Deodoro. Antes mesmo da entrega do equipamento ao Comitê Olímpico, a população de Deodoro e 10 bairros do entorno puderam usufruir do parque e da piscina durante o Verão. Após os jogos, o complexo será transformado no segundo maior parque público da cidade. O primeiro é o Parque do Flamengo. • Instalações do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) – Primeiro transporte público do país a operar nos moldes de “validação voluntária” existentes em Amsterdã, Berlim e outras cidades da Europa: os próprios passageiros pagam a tarifa com bilhete único ao entrar no veículo, que não terá roletas e poderá transportar 300 mil passageiros por dia, quando todas as linhas estiverem em pleno funcionamento. O projeto conecta metrô, trens, barcas, teleférico, BRTs, redes de ônibus convencionais e Aeroporto Santos Dumont, ligando o Centro à Região Portuária num trajeto de 28 quilômetros com 32 para-

Museu do Amanhã propõe reflexão sobre o futuro do nosso planeta

das. Segundo o secretário Pedro Paulo, o VLT circula a partir de um sistema próprio de geração de energia pelo solo e não emite gases tóxicos, pois não usa combustível fóssil. O piso rebaixado garante melhor acessibilidade aos vagões e o ar-condicionado de última geração mantém a temperatura interna entre os 20°C e 24°C. • Porto Maravilha: resgate da Região Portuária – Hoje, a região Portuária do Rio está irreconhecível, deixou de ser uma área degradada e revelou a paisagem da Baía de Guanabara, com a retirada do Viaduto da Perimetral. “O viaduto contribuiu para a degradação da área, do patrimônio público e privado, e para o esvaziamento da região, que tem a menor densidade populacional do município. Hoje o carioca redescobre a região portuária”, diz Pedro Paulo. O secretário afirma que “o Porto Maravilha é um dos maiores projetos de recuperação, resgate e transformação urbanística que o Rio já viu. Nossa inspiração foi Barcelona, que sediou a Olimpíada de 1992 e viveu uma transformação com a recuperação do Centro Histórico, tal qual estamos fazendo aqui”. São 5 milhões de m², onde estão situados o Museu do Amanhã – projeto do premiado arquiteto espanhol Santiago Calatrava –, o Museu de Arte do

Rio (MAR), a nova Praça Mauá e a Via Binário. Ainda, 70 km de ruas e vias urbanizadas e quatro túneis. Dentre eles, o Túnel Marcello Allencar, maior túnel urbano rodoviário da cidade com três quilômetros de extensão. As obras de recuperação da infraestrutura urbana da Região Portuária do Rio incluem transporte, serviços públicos e recuperação das características culturais. Segundo Alberto Gomes Silva, presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro – empresa municipal gestora do Porto Maravilha –, com a retirada do elevado, ocorreu a retomada do interesse pelo entorno da região. Houve um resgate da qualidade de vida dos moradores e do patrimônio histórico da área, com a devolução à cidade de tesouros arqueológicos como o Cais do Valongo, principal porto de entrada de escravos no Brasil e nas Américas, cuja candidatura foi aceita e poderá ser reconhecido como Patrimônio da Humanidade pela Unesco. “O Porto Maravilha era uma operação pensada para uma área da cidade que nem todo mundo conhecia. Nem o carioca. As pessoas conheciam somente suas extremidades sem relação com o interior de uma das regiões históricas mais interessantes do Rio, com raízes desde a fundação da cidade. Em breve, quando inaugurarmos a Orla


anos. Como se vê em outras cidades do mundo, que passaram por grandes projetos de revitalização, os turistas já se dirigem ao Porto Maravilha para conhecer casarões restaurados, novos museus, VLT, restaurantes centenários e grandes áreas de convivência abertas com os passeios públicos da cidade neste ponto do Rio. Não há dúvida de que temos, aqui, um reencontro do Rio com o Centro, com sua cultura, com sua história”, garante Alberto.

Bruno Bartholini

Prefeito Luiz Paulo Conde, a ambiência será outra num espaço de 3,5 Km e 287 mil m² arborizados com ciclovia à beira-mar. A Via Expressa representará um conjunto de mobilidade urbana totalmente diferente, pensada para quem vive no local. O desenvolvimento econômico e social da região deverá ser impulsionado pela dinâmica decorrente dos novos empreendimentos que vêm se instalando e por um salto de 32 mil para 100 mil habitantes em 10

Orla Prefeito Luiz Paulo Conde - passeio público que vai do Cais do Porto à Praça da Misericórdia

Cais do Valongo – Resgate Histórico e Cultural do Rio e do Brasil nhecida como Pedra do Sal. Junto a ela, na virada para o século XX, João da Baiana, Donga, Pixinguinha e outros nomes inventaram o samba. Na atual Avenida Barão de Tefé, encontra-se a Doca Pedro II, Galpão da Ação da Cidadania, construção mais moderna do Império, erguida por André Rebouças, primeiro engenheiro negro brasileiro. Por ordem do imperador Dom Pedro II e para atender à população da região, a maior

parte, de origem africana, foi construído na Rua Pedro Ernesto o Colégio José Bonifácio, uma das primeiras escolas públicas do Brasil. Esse conjunto de obras representa um acervo ímpar da memória e da herança africana no Brasil. Lugares de dor, como o cais e o cemitério e de reconstrução, como a Pedra do Sal e a Doca. E toda essa marcante parte de nossa história se encontra no Porto Maravilha.

Jardim Suspenso do Valongo

portomaravilha.com.br

portomaravilha.com.br

Literalmente desenterrado em meio às obras do Porto Maravilha, por decisão do prefeito Eduardo Paes, o Cais do Valongo foi transformado em Memorial à Herança Africana. Segundo estudos históricos, ao longo de 40 anos, desembarcaram ali, ao menos, 500 mil africanos escravizados. No Cemitério dos Pretos Novos, a 1 km de distância, localizado na atual Rua Pedro Ernesto, estão os corpos dos que não sobreviveram. Os escravos ficavam expostos para venda no Largo do Depósito – antiga Rua do Valongo, atual Camerino –, onde, entre 1902 e 1910, foi construído o Jardim Suspenso do Valongo, a Casa da Guarda e o Mictório Público. Cruzando o Morro da Conceição até os armazéns da Rua Estreita – hoje, Avenida Marechal Floriano –, os escravos carregavam sacas de sal, escalando uma pedra, que ficou co-

Cemitério dos Pretos Novos

Parque Olímpico será palco de 25 modalidades esportivas Atividades olímpicas (16): basquete, ciclismo de pista, esgrima, ginástica artística, ginástica rítmica, ginástica de trampolim, handebol, judô, luta greco-romana, luta livre, nado sincronizado, natação, pólo aquático, saltos ornamentais, taekwondo e tênis. Atividades paralímpicas (9): basquete em cadeira de rodas, bocha, ciclismo, futebol de 5, golbol, judô, natação, rúgbi em cadeira de rodas e tênis em cadeira de rodas.

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Bruno Bartholini

Beth Santos

Joao Paulo Engelbrecht

Indo da Praça XV ao Cais do Porto, Via Expressa será o maior túnel urbano do país

Praça Mauá ganha novos ares e muitos visitantes

Veículo Leve sobre Trilhos liga Zona Portuária ao Ce

Entrevista com Pedro Paulo Carvalho – Secretário Executivo de Coordenação de Governo da Prefeitura do Rio de Janeiro Deputado federal e ex-secretário municipal da Casa Civil do Rio de Janeiro, Pedro Paulo Carvalho é o atual secretário executivo de Coordenação de Governo da Prefeitura do Rio. Economista e mestre em Política Aplicada pela Fundação Iberoamericana de Políticas Públicas, do Ministério das Relações Exteriores da Espanha, ele fala de sua experiência na função estratégica e de como foi a criação de toda infraestrutura e equipamentos dos Jogos Olímpicos Rio 2016. Como foram os preparativos para a realização dos Jogos Olímpicos do Rio? PP: O governo do prefeito Eduardo Paes organizou este evento desde o primeiro momento, desde a candidatura como sede, a partir da ideia de criação de oportunidades para a cidade e para seus moradores. Oportunidades de mudanças, de ganhos. Portanto, estes jogos foram, são e serão os jogos do legado. Para conquistar essa “herança bendita”, foram adotadas iniciativas como a maior proporção de investimentos em obras de legado (a cada real investido nos equipamentos olímpicos, cinco foram investidos em melhorias permanentes para o carioca), a grande participação de investimento privado nas obras, através da adoção do regime

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Pedro Paulo, à frente da Secretaria Executiva de Coordenação de Governo, que teve completa atuação e papel vital no sucesso do projeto olímpico

de parcerias público-privadas, entre outras. O resultado já pode ser enumerado por qualquer morador: Porto Maravilha, BRTs, VLT, “piscinões” contra alagamentos, duplicação do Joá, entre outras obras, que já melhoraram a vida de quem vive no Rio. Qual foi a sua participação em tudo isso? PP: Grande parte das obras e projetos de transformação da cidade e da relação entre o cidadão e a prefeitura teve origem na secretaria da Casa Civil, que conduzi por cinco anos. A

começar pelos Planejamentos Estratégicos e os Acordos de Resultados, que difundiram na máquina pública os conceitos de atendimento de metas, de políticas duradouras e de compensação pelo trabalho bem executado. Na Casa Civil, também, nasceram os projetos de valorização do serviço público de excelência, com investimento na peça-chave da administração pública, que é o servidor. Criamos carreiras de gestão e o projeto Líderes Cariocas – que identificou e ofereceu oportunidades de aprimoramento aos servidores de destaque em suas áre-


entro, chegando ao Aeroporto Santos Dumont

as, preparando o corpo funcional da prefeitura para estar à frente das principais políticas públicas que são e serão implementadas. Isso perpetua as boas iniciativas, que deixam de ser condicionadas a uma ou outra gestão específica. A partir desta organização, medidas tão variadas quanto o saneamento da AP5, na Zona Oeste, e a Central de Atendimento ao Cidadão 1746 puderam sair do papel. Costumamos dizer que a Casa Civil atua como um escritório de soluções. Lá, foram planejados e são supervisionados todos os projetos-símbolo desta gestão. Foi ainda, na Casa Civil, que estruturamos a adoção do regime de parcerias público-privadas (PPPs), que ajudou a viabilizar grande parte das obras de legado. E possibilitou projetos grandiosos, como o de saneamento da Área de Planejamento 5 (AP5), que compreende 21 bairros na Zona Oeste. De tão relevante e bem sucedido, as PPPs acabaram ganhando uma secretaria própria. De lá para cá, o que mudou, agora, com sua atuação à frente da Secretaria Executiva de Coordenação de Governo? PP: Como secretário de Governo, desenvolvo um trabalho mais próximo à população, atuando como um ouvidor da Prefeitura do Rio. E atuo na coordenação de novos programas

Clarice Tenório Barretto

Divulgação

Fachada do Museu de Arte do Rio

Se alongado sobre a baía, o moderno Museu do Amanhã

e anúncios que envolvem diferentes secretarias e, às vezes, diferentes esferas de poder. Como no caso recente do processo de municipalização dos hospitais Albert Schweitzer e Rocha Faria, na Zona Oeste, em auxílio ao Governo do Estado, que passa por dificuldades de manter as duas unidades. O trabalho como secretário de Governo aumentou ainda mais meu contato com as áreas prioritárias da administração municipal, onde são desenvolvidos projetos revolucionários, como a Fábrica de Escolas do Amanhã – da Secretaria de Educação – e as Clinicas da Família – da Secretaria de Saúde –, para citar dois exemplos. Os dois projetos têm metas bem definidas de ampliação constante. Então, as unidades de educação em tempo integral, em breve, beneficiarão 35% dos carioquinhas, e as de saúde preventiva atenderão 70% da população até o fim do ano. Estes são os maiores exemplos da importância das decisões tomadas lá atrás, quando o Rio foi eleito sede dos Jogos Olímpicos. Ser secretario de governo é constatar, diariamente, que a magnitude do projeto olímpico não desviou, nem por um minuto, a atenção da administração municipal do que mais importa, que é a educação e a saúde do carioca, sobretudo nas zonas Oeste e Norte.

O senhor, também, esteve à frente dos projetos de desenvolvimento? PP: Sim. A secretaria de Governo comandou a criação de programas fundamentais para o projeto de cidade integrada e justa. Desde que assumi, lançamos o Carioca Local, para incentivo à moradia popular e preservação do comércio local; o Em Frente Rio, com grandes obras que gerarão quase 40 mil empregos; o Rio + Fácil, um conjunto de medidas de combate à burocracia – o que estimula o empreendedorismo na cidade – e, recentemente, o Visão Rio 500. Este coroa todo o trabalho que realizei ao reunir uma série de princípios do meu trabalho, como a criação de canais de contato e prestação de serviços à população e o planejamento integrado com metas bem definidas. O Visão Rio 500, do qual deriva o Planejamento Estratégico 2017-2020, foi construído a partir de inédito estímulo à colaboração popular. A adesão foi tanta que atingimos meio milhão de cariocas. E o resultado é, além das metas para os próximos quatro anos, um conjunto de aspirações até 2065 em um documento que traduz a esperança do carioca no futuro da cidade. Prefeitura do Rio lança plataforma visaorio500.rio – para “ouvir ” opiniões e sugestões da população, que visem colaborar com o desenvolvimento da cidade.

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Aeroporto Fotos: Ass. Imprensa RIOgaleĂŁo

Voando mais alto!

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RIOgaleão investe 2 bi para 30 milhões de passageiros 8.000 m², conector, praça de alimentação, lounge e salas Vip com spa. Entre outras inovações, foram adquiridos 32 fingers de fabricação espanhola, considerados os mais modernos do mercado com sensores de aproximação de turbinas, que evitam colisão com aeronaves próximas. Quer mais? Mais: 260 mil m² de pátio de aeronaves, 68 balcões de checkin, 12 balcões de imigração, oito plataformas de acessibilidade, 2.700 vagas de estacionamento, 4.000 m² de área comercial – ao todo, 21.500 m² –, lojas e restaurantes. As novidades, reformas e ampliações alcançam, entre outros, banheiros, bebedouros, escadas e esteiras rolantes, elevadores, 60min de wi-fi grátis, monitores para informações de vôos, balcões de informação e treinamento e capacitação de funcionários bilíngüe. Além de implantação do sistema de sonorização digital e do centro de monitoramento com câmeras de segurança. Um novo sistema de esteiras de bagagem funciona com endereçamento automático dos pertences e inspeção de 100% do material em cinco níveis de segurança. Seis pórticos com raios X para bagagem de mão foram instalados, no embarque internacional.

Os dados são da concessionária RIOgaleão, que calcula investir R$ 2 bilhões em desenvolvimento, manutenção e operação com o objetivo de elevar a capacidade de 17,3 milhões de pessoas por ano para mais de 30 milhões de passageiros/ano até os Jogos Olímpicos de 2016, no Brasil. O RIOgaleão deve receber mais R$ 3,2 bilhões até o fim do contrato de concessão, em 2039, e direcionar, ainda este ano, R$ 12 milhões para programa de sustentabilidade. Contrato com um grupo de hotelaria prevê a construção de dois hotéis onde existia o antigo prédio da administração do aeroporto. O grupo investe R$ 100 milhões nas obras, que serão concluídas em 2017. Fotos: Divulgação Riogaleão

A ginástica é grande. Mas, após corridas, escaladas e levantamentos de peso, o RIOgaleão – oficialmente, Aeroporto Internacional Tom Jobim – não pretende fazer feio no solo das Olimpíada e Paralimpíada de 2016. O novíssimo aeroporto do Rio de Janeiro será inaugurado em maio, com pompas e muitas novidades. Os números não deixam dúvidas, muita coisa mudou. E pra melhor. Abrigando a maior pista de pouso e decolagem do Brasil – 4.000 m – o maior aeroporto internacional do país em extensão total, possui estrutura de 280 mil m² para os terminais 1 e 2, onde caberiam 39 campos de futebol do porte Maracanã. E os que entrarem na área, a partir deste ano, vão assistir as belas jogadas realizadas pelo consórcio RIOgaleão – Odebrecht TransPort, Changi Airports International e Infraero – que assumiu a administração do aeroporto em agosto de 2014. Pra começar, as obras trazem a expansão do Terminal 2 que, em 2017, deve centralizar todo o check in. São 100 mil m² do Píer Sul, com 26 novas pontes de embarque, 500 mil m² para 47 novas posições de aeronaves, duplicação da área do Duty Free para

Projeto do Conector no Pier Sul extensão de 100 mil m²

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Novos rumos e melhor serviço de informação

Terminal 2 do aeroporto

Projeto do Saguão de Embarque no Pier Sul

Desde a privatização, foram abertos 60 novos vôos, a exemplo de Rio-Toronto e Rio-Frankfurt . Em abril, foram iniciadas as decolagens de Rio-Zurique. Atualmente, o RIOgaleão opera com 25 companhias aéreas (20 inter-nacionais e 5 nacionais).para 53 destinos. O acesso às informações não ficou esquecido. A administração tratou de preencher a lacuna com a criação do “Atendimento Volante”, realizado por equipes distribuídas pelas várias áreas do aeroporto e preparadas para tirar dúvidas e auxiliar os passagei-

ros no que for necessário, desde informações sobre transportes públicos, conexões, lojas, restaurantes até a condução de pessoas com dificuldade de mobilização ou idosas. O site do RIOgaleão, www.riogaleao.com, disponibiliza ainda um chat em tempo real para maiores esclarecimentos, de segunda à sexta-feira no horário das 7h às 22h. O chat não funciona nos feriados. Além disso, há um novo canal telefônico, bilíngüe, em operação 24 horas por dia. Disque: (21) 3004-6050.

RIOgaleão Cargo - 4º mais movimentado terminal de cargas do Brasil recebe R$ 20 milhões em modernização Ass. Imprensa RIOgaleão

Com a aquisição de 41 novos equipamentos, o Terminal de Cargas do Riogaleão facilitará a logística das entregas, tanto no setor de importação quanto exportação, especialmente as cargas pesadas do setor de óleo e gás. Em funcionamento, uma nova câmara fria, com dois ambientes diferentes de temperatura e 11 mil m3, triplica a capacidade de armazenagem de cargas refrigeradas. É a única no país com um transelevador automatizado, que propicia agilidade na operação. O espaço despertou o interesse da indústria farmacêutica. E algo em torno de R$ 1 milhão será investido no terminal de cargas vivas para receber cerca de 300 cavalos, que participarão dos Jogos Olímpicos. Para premiar a eficiência e otimização na importação de carga aérea foi lançado o Programa de Eficiência Logística, disponível no site www.riogaleaocargo.com. Continua na pág. 38

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RIOgaleão - primeiro aeroporto do Brasil autorizado a receber super jato Airbus A-380 Fotos: Divulgação

Aeroporto do Rio será reinaugurado em maio Os modernos sistemas elétrico e de ar-condicionado do atual Aeroporto Internacional Tom Jobim já estão funcionando com cem por cento da capacidade. Módulos de iluminação de emergência e novos geradores foram instalados, para que, em caso Projeto da moderna área comercial

de picos de luz, os serviços fundamentais aos passageiros não sejam interrompidos. O religamento de subestações e quadros de luz, realizado manualmente, será automático fazendo com que a energia seja retomada em apenas cinco minutos

em casos de picos de luz. Para isso, foram investimentos R$ 15 milhões, que propiciaram também a colocação de no-breaks nos balcões de check-in e da Polícia Federal, bem como nos sistemas eletrônicos e canais de inspeção. Na refrigeração do local, foram empregados R$ 12 milhões. Os projetos incluem um inovador sistema de orientação e sinalização das áreas do aeroporto, assinado pela ICON, que tem entre seus projetos os Jogos Olímpicos 2012 de Londres e da Copa do Mundo 2014, e pela MSD, responsável pela sinalização dos aeroportos de Londres (Inglaterra) e Moscou (Rússia).

Novos ambientes de espera De 08 a 18 de agosto, o Aeroporto Santos Dumont ficará fechado das 12h40min às 17h10min, para as competições de barcos à vela na Baía da Guanabara. O desvio de vôos irá elevar a previsão do RIOgaleão de 1,5 milhão de passageiros, durante as Olimpíadas de 2016.

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FBHA

Alexandre Sampaio

É chegada a hora de regularizar os jogos de azar no país Cristina Bocayuva

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No momento em que a crise dá sinais contundentes de agravamento e o país se depara com a expectativa de um PIB negativo e a perda de aproximadamente dois milhões de postos de trabalho, é chegada a hora de pensar em soluções econômicas capazes de reverter o quadro atual. Na contramão de novos impostos como a CPMF, existem alternativas viáveis que não comprometem o bolso do cidadão e representam uma grande oportunidade para a retomada do desenvolvimento econômico. Questão amplamente estudada e defendida pela Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA), a volta dos hotéis cassinos, de forma regulamentada, movimentaria R$ 15 bilhões por ano, entre receitas, salários e impostos. Ou seja, a aprovação da proposta representaria também mais receita no caixa do governo. Além disso, a criação de cerca de 400 mil novos postos de trabalho e renda, o incremento de mais de 200% no potencial turístico das cidades, e uma efetiva possibilidade de atrair investimentos nacionais e internacionais são apenas alguns exemplos dos inúmeros benefícios oriundos da regulamentação dessa atividade. Dados apontam que, entre os 193 países-membros da ONU, 75,52% têm o jogo legalizado e regulado pelo poder político central. Ao levar em conta a média mundial de países onde os jogos funcionam legalmente, o volume de apostas equivale a 1% do PIB, com uma média de impostos recolhidos em torno de 30% desse total. É


importante destacar que, nesse caso, as taxas valem exclusivamente para quem escolhe jogar, ao contrário de impostos como a CPMF, que é obrigatória para todos os cidadãos. Apesar de o nosso país estar entre os 24,48% que não legalizaram, demanda é o que não falta por aqui. Segundo dados do Instituto Brasileiro Jogo Legal, a cada mês, cerca de 200 mil brasileiros viajam para jogar em cassinos internacionais. Só para Las Vegas, nos Estados Unidos, vão cerca de 150 mil por ano. Além disso, 70% dos apostadores nos cassinos uruguaios são brasileiros. Diante da ausência de investimentos, a produção de um marco regulatório para os jogos no Brasil, princi-

palmente sob o formato de hotéis cassinos, representaria a realização concreta do que está previsto no artigo 180 da Constituição da República de 1988, já que, dessa forma, a União promoveria e incentivaria o turismo como fator de desenvolvimento socioeconômico. No fim de 2015, o setor de turismo conquistou uma grande vitória com a votação favorável da Comissão Especial do Desenvolvimento Nacional (CEDN) ao Projeto de Lei do Senado (PLS)186/2014, que regulamenta a exploração dos jogos de azar no país. O projeto do Jogo Legal no Brasil propõe regras como funcionamento dos cassinos em complexos integrados a hotéis e centros de convenções, favo-

recendo o turismo corporativo, bem como a contratação preferencial de mão de obra local. Mas é importante destacar também que não é só o setor de turismo que se beneficia com a maior demanda turística em torno da legalização dos jogos, nem apenas o governo com o aumento da arrecadação. Os profissionais do setor ganham mais oportunidades com a criação de novos postos de trabalho, e o contribuinte brasileiro com a possibilidade de um incremento na economia que pode deixar de gerar novos impostos. Alexandre Sampaio é presidente da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação.

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Gastronomia

Brasil exporta sua culinária A construção da marca Brasil na gastronomia mundial já é uma realidade em processo de expansão. Os ingredientes brasileiros estão caindo na preferência dos chefs de renome internacional. Por outro lado, é cada vez maior a demanda externa por profissionais qualificados. Empresários da área de gastronomia de outros países reconhecem a rica cultura brasileira e confiam a esses profissionais do paladar o toque de originalidade e o bom gerenciamento da grande variedade de especiarias da culinária nacional, que é sinônimo de apetitosos negócios. Até mesmo no próprio país aumenta o número de adeptos de nossa gastronomia. Eles inspiram o surgimento de novos empreendimentos

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onde, muitas vezes, o nível de qualidade chega chega aa ser ser superior superior ao ao dos dos padrões padrões internacionais. Algumas Algumas ações ações vem vem contribuindo contribuindo para consolidação da culinária consolidação da culinária brasibrasileira no exterior. Uma delas é o projeto Chefes do do Brasil. Brasil. Desenvolvida Desenvolvida pela pela Apex-Brasil Apex-Brasil (Agência (Agência Brasileira Brasileira de de ProPromoção de Exportações e Investimende Exportações e Investimentos), aa iniciativa iniciativa lançada lançada em em 2013 2013 tem tem por objetivo promover a gastronomia objetivo promover a gastronomia do país e os negócios relacionados ao tema. Grandes nomes da emergente cozinha nacional estarão envolvidos em atividades que irão favorecer o posicionamento da gastronomia do país no mundo. A ideia é que os profissionais participem, ao longo dos anos, de feiras,

workshops e palestras do setor, em diversos países, promovendo demonstrações para convidados e imprensa, com degustações de produtos do Brasil. Ingredientes Nesse âmbito, uma vasta gama de ingredientes brasileiros deverá ganhar vez no exterior, entre eles, carnes, vinhos, sucos, frutas e cachaças. Além disso, panelas, talheres, utensílios domésticos e móveis para cozinha também foram incluídos nas estratégias de divulgação. A Apex programa ainda reuniões com chefes e associações representativas do setor, para elaborar um plano de promoção internacional da gastronomia brasileira.


www.osmais.com

Balas e chocolates brasileiros são vendidos em 120 países

O'Coffee

Indústria de alimentos receberá investimentos de R$ 49 bilhões até 2018

Arquivo ABIC

Segundo informação da Apex, o Brasil é um dos cinco principais exportadores mundiais de alimentos e bebidas. Em 2014, as exportações de produtos do agronegócio brasileiro totalizaram US$ 96,75 bilhões, sendo 70% (US$ 68,13 bilhões) em alimentos e bebidas. O país exporta frutas, biscoitos, cachaças, orgânicos, laticínios, castanhas, dentre outros, e é o principal fornecedor mundial de carne bovina e de frango, açúcar, café, soja e suco de laranja. As carnes brasileiras chegam a mais de 130 países. As balas e os chocolates brasileiros estão presentes em 120 países, principalmente da América Latina, África e Leste Europeu. Os vinhos brasileiros já receberam mais de dois mil prêmios internacionais e o espumante é exportado para vários países. Responsável pelo êxito do expresso no mundo - já que o país é o maior produtor e exportador de café – as vendas de cafés especiais do Brasil crescem continuamente e já representam 12% do mercado internacional. Outro setor brasileiro valorizado no exterior é o de orgânicos: o Brasil é precursor na exportação de chá mate, açúcar, óleo de palma e ingredientes orgânicos para cosméticos. Estudo do BNDES prevê investimento de R$ 49 bilhões na indústria de alimentos até 2018.

fonte: www.apexbrasil.com.br

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JURCAIB

Robson Bertolossi

A crise na aviação civil brasileira e a necessidade de atualização das condições gerais de transporte A aviação civil no Brasil está doente. As empresas aéreas nacionais sofrem com uma carga tributária sem tamanho, não apenas sobre sua atividade, mas também sobre todos os seus insumos. As aéreas estrangeiras agonizam com a disparada do dólar e a crise econômica nacional que esvaziam, dia a dia, suas aeronaves. O que era para ser época de euforia no setor, verdadeiro céu de brigadeiro, afinal, os Jogos Olímpicos estão logo ali na esquina, está se mostrando um grande cumulusnimbus, uma turbulência que afunda cada vez mais o setor aéreo, com empresas cancelando voos e fechando operações. Algo precisa ser feito para salvar o setor e garantir que a aviação civil no Brasil não retroaja ao patamar anterior ao boom que fomentou a concorrência e garantiu o acesso de parcelas da sociedade que antes não andavam de avião. A questão é o que se pode fazer para impedir a indesejada retroação? A resposta é simples, mas de difícil implementação: fomento da concorrência e atração de novos players. Parte desse salvamento se espera vir através da Medida Provisória 714/

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2016 que, dentre outras questões, trata da majoração da possibilidade de participação de capital estrangeiro em aéreas nacionais de 20% para 49%, podendo chegar a 100%, dependendo de acordo bilateral e reciprocidade de tratamento (a MP 714/16 foi aprovada pela Câmara de Deputados, no último dia 21 de junho, e permite às empresas estrangeiras o total controle de capital das companhias aéreas no Brasil. A medida deverá, ainda, ser aprovada no Senado, antes de seguir para sanção presidencial). Infelizmente mexer apenas na questão da participação de capital estrangeiro não basta. É necessário que se torne o ambiente atrativo para a entrada de novas aéreas e expansão das

operações daquelas que já voam de/ para o Brasil. Foi também com esse objetivo (fomentar a concorrência), dentre outros, que a ANAC tomou a acertada decisão de atualizar e consolidar as chamadas condições gerais de transporte, hoje espalhadas entre diversas normativas, com destaque para a Portaria 676/ GC5 de 2000 do Comando da Aeronáutica e as resoluções 138 e 141 da ANAC. A maior parte das condições gerais de transporte consta na citada Portaria 676, que já tem 16 anos! Ou seja, uma normativa antiga que não reflete as características da aviação civil brasileira atual, especialmente levando-se em conta a significativa queda nos preços dos bilhetes aéreos experimentadas entre 2003 e os dias de hoje. Outra questão que se impõe é colocar o Brasil alinhado com as melhores práticas mundiais, evitando distorções pouco atrativas para novas aéreas como, por exemplo, a franquia de bagagem estabelecida de dois volumes de até 32 kg por passageiro em vôos internacionais (exceto América do Sul). Na maioria dos países vigora ou a desregulação da franquia de bagagem, ou o


máximo de dois volumes de até 23 kg. Há uma grande vantagem na desregulação da franquia de bagagem: a possibilidade de comercialização de bilhetes mais baratos com franquias de bagagem menores ou até mesmo sem direito a bagagem despachada. São incontáveis os passageiros que, em rápidas viagens de negócios, não despacham bagagens, mas ainda assim tem esse custo embutido no cálculo de sua tarifa. Ademais, esse novo modelo de tarifa, que não dá direito ao transporte de bagagem despachada, abre caminho para a entrada de um tipo de negócio abundante na Europa e Estados Unidos, mas que até hoje não vingou no Brasil, que são as empresas aéreas low cost. A chegada desse modelo de negócio ao mercado da aviação civil brasileira seria, sem dúvidas, um grande benefício para os passageiros, que teriam seu leque de opções ainda mais diversificado e principalmente barateado. Outras propostas da ANAC em sua revisão das condições gerais de transporte, muito embora tenham o condão de potencialmente gerar receita adicional às aéreas e serem benéficas aos passageiros, não se podem concordar,

por colocarem em risco a premissa maior da aviação civil – a segurança. É inadmissível que se vislumbre a possibilidade de troca de titularidade do bilhete aéreo, como sugerido pela ANAC e como deseja o Congresso em certo projeto de lei. A aviação mundial entrou em nova fase após os ataques de 11 de setembro de 2001, os controles de segurança aumentaram exponencialmente e, mesmo assim, não raramente a aviação civil sofre com atos de interferência ilícita e atentados terroristas como, a título exemplificativo, o voo da companhia aérea russa Metrojet, derrubado em 31 de outubro de 2015 e a suspeita que paira sobre a queda do avião da EgyptAir, em 19 de maio de 2016. O terrorismo na aviação civil é uma ameaça real e nenhuma brecha pode ser aberta na segurança. A permissão de transferência de titularidade dos bilhetes potencialmente criaria um mercado paralelo de vendas de bilhetes, dificultando o controle de quem efetivamente está embarcando, aumentando as chances de ocorrência de atos de interferência ilícita. Quando a segurança está sob amea-

ça, o principal prejudicado é o passageiro. Por fim, deve-se lembrar que no passado, quando a ANAC adotou o modelo da liberdade tarifária, pairava o temor de que os preços dos bilhetes aéreos disparassem. O efeito foi justamente o oposto. Ocorreu queda acentuada nos preços e acirramento da competitividade, o que favoreceu o mercado como um todo, mas principalmente o passageiro. O cenário se repete Ao contrário do que se pinta, as mudanças em debate não são mitigadoras dos direitos dos passageiros, tampouco visam maximizar arbitrariamente os lucros das empresas aéreas. O que se objetiva é conciliar os interesses de toda a cadeia, possibilitando a expansão da aviação civil no Brasil, fertilizando o terreno da concorrência, atraindo novos transportadores e possibilitando a queda, ainda maior, no valor do bilhete aéreo, favorecendo, por fim, os destinatários do serviço, os passageiros. Robson Bertolossi é presidente da Junta de Representantes das Companhias Aéreas Internacionais do Brasil

Jurcaib – Junta de Representantes das Companhias Aéreas Internacionais do Brasil A Jurcaib é a única entidade representativa das empresas aéreas internacionais no Brasil, com personalidade jurídica própria e legitimidade para atuar em esferas governamentais, administrativas e judiciais em nome do interesse coletivo de suas associadas. Constitui-se em um foro especial para o debate de questões de natureza institucional relacionadas às operações de seus membros, ensejando reflexos positivos na indústria. A entidade dedica-se ao desenvolvimento e manutenção das relações e encaminhamento de assuntos de interesse da indústria junto a órgãos reguladores governamentais, buscando a aplicação de princípios de facilitação consagrados nas convenções internacionais das quais o Brasil é signatário. A Jurcaib foi constituída há 56 anos para fins de estudo, defesa, coordenação e representação das empresas aéreas regulares internacionais com base no território brasileiro e conta com 35 associadas, responsáveis por uma receita, apenas com a venda de bilhetes aéreos internacionais, de USD 5 milhões em 2014.

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Entrevista

Em plena ação aos 85 Gilson Campos: o jornalista que diz o que pensa

Repórter: Akiko Tanabe

Sorte, diz ele que sempre teve. Talvez se refira a uma dessas “portas mágicas” que se abrem, nos trazendo gratas surpresas. Como a de estar, aqui, na presença de um dos maiores jornalistas do país, ele, Gilson Campos – o fotojornalista de olhar clínico e certeiro. Ironicamente, dispensado do Exército devido a um problema na vista esquerda, o qual o afastou do sonho de ser militar e o fez enxergar a perspectiva de uma carreira jornalística, abraçada em múltiplas funções, desde a especialização no curso da Faculdade Nacional de Filosofia.

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Andando pelas ruas da Tijuca, bairro do Rio de Janeiro, onde mora, Gilson pode passar despercebido, apesar do tamanho – aparenta ter mais que os seus 1,78m de altura –, como um simpático senhorzinho da cabeça dividida entre o espaço em branco e os claros fios que contam muito de seus 85 anos “bem vividos” – 64 deles no jornalismo. Mas, sentado à minha frente, o grande jornalista, grande homem e grande coração tem uma rica história para contar. “Comecei minha carreira jornalística como repórter, em 1952, no Diário Carioca. Logo, tornei-me, também, fotógrafo. Em dois anos, passei a editor, então, chamado secretario do jornal. Não fui militar, mas atravessei mares em todos os nossos navios de guerra, nos anos 1950 e 1960. Voei em aviões da Força Aérea, andei em carros de combate e segui paraquedistas pelas matas do país, o que, aliás, me rendeu uma homenagem do Batalhão Santos Dumont, unidade militar do Exército. Cheguei a ser convidado pelo batalhão para acompanhar uma manobra de exercícios, que seria realizada junto com o exército americano, no Panamá, mas o, então, presidente Janio Quadros cancelou todas as viagens ao exterior. Gilson cita a Revolta de Jacareacanga, em 1956, como uma de suas principais matérias, quando teve de se embrenhar pela Floresta Amazônica, à procura de um coronel, que tentou dar um golpe militar contra o governo Juscelino Kubitschek. A viagem para inauguração de Brasília, em 1960, também, é lembrada: “autoridades e jornalistas seguiram em caravana pela Belém-Brasilia – conhe-

cida como a estrada das onças –, que seria asfaltada e se tornaria o maior entroncamento, na ligação do Norte ao Sul do Brasil. Hoje, não mudou nada, continua com os caminhões enguiçados em épocas de chuva. Somos os maiores produtores de soja, cana-de-açúcar e outros alimentos, mas não temos como transportar, porque as estradas estão iguais às que conheci em 1960.” Dentre tantas manchetes, é difícil listar todas. Em 24 de agosto de 1954, dia em que Getúlio Vargas se suicidou, Gilson Campos permaneceu dentro do Palácio do Catete até as 5 horas da manhã. Somente arredou pé quando o chefe de gabinete disse que “novidades, só amanhã”. De volta à redação, soube da morte do presidente. Essa foi por pouco: “eu sempre tive muita sorte.” O Xerife do Galeão guarda a memória do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro Mas, certamente, a dedicação e a capacidade de vislumbrar novos horizontes foram a causa de surpreendentes vôos na vida de Gilson Campos, que o levaram a inscrever seu nome nas origens do primeiro, grande e moderno, aeroporto internacional do país, o famoso Galeão – hoje, chamado RIOgaleão. “Essa é uma história magnífica!”

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– dá pra notar pelo entusiasmo do jornalista. Ele vai adiante: “em 1972, eu fazia parte de uma empresa de relações públicas. Ali, criamos um projeto de comunicação e vendemos a imagem do maior aeroporto do Brasil. Todas as grandes empresas de construção trabalharam na obra do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, como foi batizado por nós. Depois, passou a ser conhecido como Galeão e, mais tarde, como Aeroporto Antonio Carlos Jobim.” Mas durante a construção, em 1973, o Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro quase virou “o supersônico”. Gilson Campos lembra como a telefonista atendia ao telefone, no escritório do canteiro de obras: “aeroporto supersônico, bom dia!” Até que o ministro da Aeronáutica à época, Brigadeiro Joelmir Campos de Araripe Macedo, deu a ordem: “tem que mudar isso, aeroporto não voa!” Até o surgimento do Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, todos os aviões que vinham do Hemisfério Norte pousavam no Galeão. A partir do Rio, os viajantes seguiam para São Paulo e outros destinos. “O projeto visava à ação rápida. Quer dizer, entre transporte terrestre, check in e entrada no avião, o passageiro não deveria levar mais que 10 minutos”, diz o ex-assessor de imprensa do aeroporto, que ocupou o cargo por 30

Não fui militar, mas atravessei mares em todos os nossos navios de guerra, nos anos 1950 e 1960. Voei em aviões da Força Aérea, andei em carros de combate e segui paraquedistas pelas matas do país...

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anos, e era respeitado como o Xerife do Galeão: “apelido que não desgosto, mas já passei da fase...” Segundo Gilson, a administração da Arsa tornou o Airj o maior e melhor aeroporto da América Latina: “quando a Comissão Coordenadora de Construção do Aeroporto Internacional – ligada ao Ministério da Aeronáutica – criou a Arsa (Aeroportos do Rio de Janeiro Sociedade Anônima), o Brigadeiro José Vicente Cabral Checchia reuniu o que havia de melhor dentre oficiais da reserva da Aeronáutica, engenheiros, arquitetos, especialistas e os levou para montar a empresa, que ficou sob seu comando. Juntamente, com uma grande firma de projetos, a Hidroservice, e as construtoras Norberto Odebrecht e CBPO, essa equipe iria tornar o aeroporto uma realidade. Na Arsa, inclusive, nos primórdios da era de computação, montaram o

computador que ocupava um andar inteiro, verdadeira parafernália, algo que jamais se tinha visto.” De Galeão para RIOgaleão – novos voos O jornalista considera o projeto da RIOgaleão muito mais que um sonho: “realmente, quando eles conseguirem concluir tudo o que pretendem, será uma vitoria grandiosa que, aliás, poderia ter sido alcançada na década de 1980, se o ministro da Aeronáutica, Tenente- Brigadeiro Octávio Julio Moreira Lima, não tivesse acabado com a Arsa e a incorporado diretamente à Infraero, da qual já era a primeira subsidiária, do ponto de vista jurídico-administrativo. Originalmente, a ideia do ministro Araripe Macedo era de que, em cada zona aérea, fossem criadas outras empresas de sociedade anônima tipo Arsa.

A liberdade administrativa da nova empresa permaneceria em todo o território brasileiro e a Infraero, como holding, continuaria dona de todos os aeroportos administrados por suas subsidiárias. Um grande passo à frente, que foi derrotado por uma simples falta de visão de futuro.” As novidades são excelentes para o turismo, Gilson tem certeza: “na medida em que o passageiro chega e sai, rapidamente. Em qualquer lugar do mundo é assim, aeroporto é área de transição entre transporte aéreo e terrestre. A pessoa não está preocupada com aeroporto, o que ela quer é encontrar tudo limpo, ser bem atendida e chegar logo ao seu destino. Espero que o RIOgaleão tenha muito sucesso. Só não querem o meu arquivo... – o xerife se refere a sua vasta documentação e fotos do aeroporto, que ocupa um apartamento inteiro.”

O bom filho de volta à Revista do Turismo A entrevista abre as portas para a visão crítica e o humor aguçado do célebre jornalista, que retorna à casa. Nas próximas edições, estas páginas serão a “trincheira” particular de Gilson Campos, onde ele irá atuar com seus artigos cheios de talento e experiências. “Uma grande oportunidade o retorno da Revista do Turismo, fundada por Arnaldo Martins, que conheço, há anos, em função de nossas atividades como jornalistas, principalmente no turismo. Ao sair da Infraero, em 2001, fui trabalhar a seu lado na edição da revista. Um período excelente, porque o turismo estava tentando encontrar o seu caminho no Brasil e a gente queria fazer o melhor”, recorda Gilson. Inevitavelmente, as lembranças vêm à mente: “para ter uma ideia do papel e alcance da revista, certa vez, fizemos uma matéria sobre uma cidade do Vale do Paraíba. Logo após a publicação, fomos procurados pelo prefeito, que nos pediu que não publicássemos mais nada sobre aquela cidade, pois não tinham capacidade para receber tantos visitantes.” Afinal, a gente quer saber, o turismo encontrou o seu caminho no Brasil? “Ele está procurando...” – a resposta vem com um sorrizinho irônico. “A Rio 92 e a Copa do Mundo foram bons testes. A Olimpíada será melhor. Tudo vai dar certo, aeroporto, barcas, VLT, tudo vai funcionar perfeitamente e todo mundo vai ficar feliz da vida... Porque o Brasil é assim, cem coisas erradas, mas, no final, dá tudo certo... Só espero ter saúde pra continuar falando o que penso...”

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Rock in Rio

Rock in Rio 2017 vai comemorar sua 17ª edição Fotos: Riotur/Alexandre Macieira

Som e números altos no maior show de rock do mundo

Em campos brasileiros, muitas oportunidades com os mega eventos que o país, ainda, tem pela frente. Nada de desviar o foco, o negócio é não perder de vista os grandes lances. O maior evento esportivo do mundo está às portas: 05 de agosto é a data de abertura das Olimpíadas 2016. Mas, na agenda, o país já se prepara pra rolar o som, são as notas do Rock in Rio 2017 que, então, irá completar 32 anos na sua 17ª edição. De acordo com pesquisa realizada em dezembro do ano passado, pelo IBOPE - Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatísticas, 20 milhões de brasileiros desejam comparecer ao evento. Nas redes sociais, o festival está em primeiro lugar, no universo de shows musicais, com 12 milhões de seguidores. De certo, vêm novidades por aí. Em 2015, uma das maiores surpresas foi a transmissão do Rock in Rio pela internet para a China, fato inédito, se tratando do país onde, além da restrição a conteúdos, marcas como Google e Youtube não são bem-vindas. Revista do Turismo |

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Números do último encontro do rock no Rio de Janeiro O Rock in Rio 2015 sacudiu os 150 mil m² da Cidade do Rock no mês de setembro, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Nomes de peso como Elton John, Rod Stewart, Queen, Rihanna, Sam Smith, A-há e Katy Perry pisaram no palco e os 595 mil ingressos liberados, em abril, para a festa com as celebridades se esgotaram em poucas horas. As entradas foram vendidas no site do festival a R$ 175 (meia) e R$ 350 (inteira).

O impacto econômico foi superior a R$ 2 bilhões. Na versão anterior, em 2013, o meganegócio, com edições internacionais em Lisboa, Madri e Las Vegas, gerou impacto econômico de R$ 1 bilhão na capital carioca e garantiu 95% de ocupação na rede hoteleira da cidade. Também em 2013, foram arrecadados R$ 120 milhões somente com a venda dos ingressos. Na versão de 2011, os 350 produtos li-

cenciados renderam R$ 3,1 bilhões. Foram liberadas 600 marcas em 2013. Já, em 2015, o recorde foi de 643 itens licenciados. Dentre as empresas autorizadas, a Casa da Moeda, que produziu, sob encomenda, medalhas de prata, bronze e ouro em homenagem aos 30 anos do festival. Desde seu surgimento, em 1985, a marca recebeu investimento de mais de R$ 1,5 bilhão e abriu espaço para mais de 170 mil postos de trabalho.

Evento tem 643 marcas licenciadas

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Alguns patrocinadores já estão confirmados para a festa do rock em 2017: Itaú (patrocinador máster), Ipiranga, Rede Globo e Multishow irão comparecer, O lineup do próximo festival, ainda, não foi divulga| Revista do Turismo

do, mas numa votação, realizada no site da Billboard, Imagine Dragons ficou em primeiríssimo lugar, com folga. Também apareceram, entre as atrações mais cotadas, System of a Down, Beyoncé e Lady Gaga.


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Agenda Feira de Negócios Turísticos do Mercosul 2016 será em maio, em Santa Catarina Muitos eventos e oportunidades prometem movimentar os negócios de turismo este ano. Entre eles, o Festival de Turismo Ouro Preto 2016, de 05 a 07 de maio, na histórica cidade mineira, e o Congresso Nacional de Hotéis / Feira Internacional para Hotelaria, de 18 a 20 de maio, em São Paulo. Veja, a seguir, mais alguns destaques na agenda do setor. .............................................................................

03 a 06 de Maio Travelweek São Paulo 2016 Reed Exhibitions Alcantara Machado Turismo e Hotelaria Pavilhão da Bienal do Ibirapuera - São Paulo - SP www.travelweeksaopaulo.com .............................................................................

05 a 07 de Maio Festival de Turismo Ouro Preto 2016 Turismo e Hotelaria ABAV-MG Centro de Artes e Convenções da UFOP Ouro Preto - MG festivaldeturismoouropreto.com.br .............................................................................

18 a 20 de Maio 58ª CONOTEL/EXPOTEL Congresso Nacional de Hotéis/ Feira Internacional para Hotelaria Centro de Eventos Pro Magno - São Paulo - SP www.conotel2016.com.br www.abih.com.br .............................................................................

20 e 21 de Maio BNT Mercosul 2016 - Feira de Negócios Turísticos do Mercosul BNT Feiras e Congressos Turismo e Hotelaria Centreventos de Itajaí – Itajaí - SC www.bntmercosul.com.br

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15 a 17 de Junho Festival de Turismo das Cataratas Secretaria Municipal de Turismo de Foz do Iguaçu - Paraná-PR www.festivaldeturismodascataratas.com

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22 a 24 de Junho Salão São Paulo de Turismo Conteúdo Brasil Feiras e Associação dos Municípios de Interesse Turístico Centro de Eventos São Luis - São Paulo - SP www.salaospturismo.com.br .............................................................................

04 a 06 de Julho 14º Rio Info (maior evento nacional de tecnologia da informação) Riosoft e TI Rio Tema: Rio, Cidade Olímpica Centro de Convenções SulAmérica Rio de janeiro - RJ www.rioinfo.com.br .............................................................................

12 a 15 de Julho ABIMAD 2016 - 22ª Feira Brasileira de Móveis e Acessórios de Alta Decoração Associação Brasileira das Indústrias de Móveis de Alta Decoração – Decoração / Móveis Expo Center Norte - São Paulo SP www.abimad.com.br/portal/pt-BR/Feiras.aspx .............................................................................

17 a 19 de Julho Enflor Garden Fair 2016 (Encontro Nacional de Floristas, Atacadistas e Empresas de Acessórios - Enflor e Feira de Tecnologia em Jardinagem e Paisagismo - Garden Fair) RBB Promoções e Eventos – Agronegócio / Decoração Espaço Ypê - Holambra SP www.enflor.com.br .............................................................................

26 a 29 de Julho Fipan 2016 - 23ª Feira Internacional de Panificação, Confeitaria e do Varejo Independente de Alimentos Sampapão - Alimentos, Tecnologia, Produção e Embalagens Indústria de panificação, confeitaria, refrigeração, bebidas e outros. Expo Center Norte - São Paulo SP www.fipan.com.br/2016


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SINDRIO

Pedro de Lamare

Rio sob holofotes

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Riotur/Alexandre Macieira

O Rio está em foco mais do que nunca. Falta pouco para os Jogos Olímpicos começarem e isso tem causado um misto de sentimentos. No início era só empolgação e, agora, estamos preocupados. Antes, quando falávamos em Olimpíada, pensávamos muito em oportunidades, mas vimos que não é bem assim. Fato é que vivemos uma crise econômica e, com ela, todos os medos e inseguranças sobre o dia de amanhã. E não é só isso. Acontecimentos como a queda parcial da ciclovia em São Conrado, além de notícias corriqueiras de violência urbana e de doenças tipo zika vírus, assustam e, claro, afetam a imagem da nossa cidade para turistas brasileiros e estrangeiros e os próprios cariocas. Apesar de tudo, o Rio de Janeiro não deixou de ser turisticamente atrativo. No período dos Jogos, por exem-

"Apesar de tudo, o Rio de Janeiro não deixou de ser turisticamente atrativo. No período dos Jogos, os números apontam previsão de mais de 90% dos hotéis ocupados."

plo, os números apontam que a previsão é que mais de 90% dos hotéis estejam ocupados. E os albergues não ficam atrás, com expectativa de ocupação superior a 80%. Alguns estabelecimentos estão sem disponibilidade desde o último trimestre de 2015. E até o momento cancelamentos não foram registrados. Esses dados mostram que, mesmo com a crise, esse é um momento importante, que pode permitir bons negócios. O megaevento esportivo acalorou ainda outros debates, como o surto de zika vírus e de que forma isso pode comprometer o turismo na cidade. Esse é um ponto que chamo a responsabilidade para todos nós. A estação do ano mais crítica para a disseminação do mosquito Aedes aegypti passou, mas não podemos deixar de fazer nosso dever de casa, envolvendo funcionári-

os nessa luta. Reforçando o discurso das autoridades, precisamos nos sentir responsáveis para dificultar a proliferação da doença, pois, com medidas simples, todos podemos evitá-la. A segurança é outro fator que tem gerado angústias. E, dessa vez, não se atém unicamente aos casos de violência urbana, mas à prevenção de atos terroristas. Sabemos que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) tem traçado estratégias, porém, novamente, isso não anula o nosso compromisso de redobrar a atenção nos estabelecimentos e observar e denunciar qualquer atitude suspeita. E o nosso setor de hotéis, bares e restaurantes será ainda impactado por restrições na área de carga e descarga devido à organização dos Jogos. Então, é mais um ponto para nos programar com antecedência para garantir estoque do que for possível. Além disso, os empresários devem atentar para o descarte de lixo, pois, durante os Jogos, as fiscalizações da Comlurb serão intensificadas. Como vemos, além da crise, existem muitos percalços, mas a Olimpíada se aproxima e nada mudará isso. Devemos, portanto, buscar as possibilidades e cada um na sua área tentar extrair o melhor deste período. Pedro de Lamare é Presidente do Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes do Rio de Janeiro

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Agronegócio

Turismo rural e agronegócio querem garantir uma parceria perfeita. Empresários do meio rural estão cada vez mais conectados com a opção de investimento em rotas turísticas, diante do crescimento da demanda no setor, como estratégia de geração de renda para os produtores. Entidades como o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), por exemplo, estão elaborando ações em rede para promover o turismo rural entre os pequenos empresários do campo. ///////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////

Foto Raul Moreira

Luis Alexandre Louzada

Em pouco mais de um ano, cerca R$ 5,6 milhões foram aplicados pelo Sebrae em 15 projetos no Brasil, beneficiando cerca de mil empresas. Os agricultores prestam serviços ligados ao turismo e têm a opção de melhorar sua renda. No quesito qualificação, o Sebrae oferece às empresas rurais consultoria, palestras e oficinas. Porém, todas as iniciativas seguem padrões de viabilidade econômica, social e ambiental, para que atinjam um nível satisfatório de sustentabilidade. É o turismo sintonizado com o agronegócio do século XXI. Coordenador de Agronegócios da FGV afirma que agroturismo está na pauta do agronegócio

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Incremento Conhecedor do agroturismo na região de Campinas (SP) – verdadeiro pólo de pesquisas e tecnologia – o ex-

ministro da Agricultura e atual Coordenador do Centro de Agronegócios da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Roberto Rodrigues, afirma que o turismo rural é uma das ferramentas de incremento do agro. "Quem faz turismo rural é, em geral, gente urbana, inclusive crianças e estudantes. Por meio de visitas, poderão conhecer melhor as atividades do campo", declara. Para ele, a qualificação de pessoal para prestar serviços turísticos em áreas rurais constitui um importante diferencial. "Nesse sentido, cursos de turismo rural seriam bem-vindos". Roberto Rodrigues também salienta que o agroturismo é parte de um projeto maior de estruturação e projeção do agronegócio brasileiro. "O caminho futuro do agro depende de uma estratégia integral, com políticas públicas adequadas, e o turismo rural é um dos temas a tratar".

(CC BY-SA 3.0) Zephynelsson Von

Turismo Rural é alternativa para incentivar o agronegócio


Vassouras (RJ), na região do Vale do Café – um dos destinos mais procurados pelos adeptos do turismo rural

Cartilha mostra os 10 destinos em alta no agroturismo O Ministério do Turismo lançou uma cartilha com dez sugestões de destinos para turismo rural nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste. O objetivo é atrair brasileiros e estrangeiros para o meio rural. Passeios ao ar livre, comidas regionais e contato com animais e com o modo de vida do campo são apresentados como atrativos na cartilha, que tem textos em português, com versões em inglês e espanhol.

Os destinos sugeridos na cartilha são Ilhéus (BA), Cabaceiras (PB), Gravatá (PE), Venda Nova do Imigrante (ES), Vale do Café, em Vassouras (RJ), Circuito das Frutas, em Jundiaí (SP), Região da Uva e do Vinho, em Bento Gonçalves (RS), Gramado (RS),

Serra Catarinense, em Lages (SC), e Acolhida na Colônia, em Santa Rosa de Lima (SC). Segundo o Coordenador-Geral de Produtos Turísticos do Ministério do Turismo, Cristiano Araújo Borges, "o turista que vai para o meio rural não está tão interessado em conforto. O foco é vivenciar o modo de vida rural, a forma como o campesino [agricultor] vive. Portanto, ele busca uma estrutura de mais simplicidade".

A cartilha pode ser acessada em www.turismo.gov.br (Agência Brasil)

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Jornalismo de turismo

Arnaldo Martins entrevista Sávio Neves, presidente do Trem do Corcovado

Uma revista, muitas voltas e o retrato de uma simples carreira

Fundador da Revista do Turismo: Arnaldo Martins

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Em foco, a Revista do Turismo, 16 anos de história. Agora, com moderno portal e impressa em alto padrão gráfico, mantendo o propósito de enxergar a atividade turística, não apenas como mero veículo de lazer e viagens, mas como um dos principais instrumentos de enriquecimento da economia do país e de justiça social. Instrumento, é claro, que deve beneficiar o povo brasileiro. Com tal pensamento, ingressei no jornalismo de turismo de O Globo em 1966. Mas, se me reporto aos meus doces 22 anos de idade, recordo momentos importantes do início da profissão no O Jornal dos Diários Associados, em 1962, e no Diário Carioca, em 1963, num conturbado período da política nacional, com discursos inflamados do, então, governador gaúcho Leonel Brizola na Rádio


Mayrink Veiga, em pleno centro do Rio. Durante a eclosão do movimento militar, a profissão me levou a conhecer talentosos e destemidos políticos e advogados, de diferentes tendências políticas e ideológicas, defensores do direito à liberdade. Um deles, o Dr. Sobral Pinto, que usou a lei de proteção aos animais para livrar Carlos Prestes das grades, já que seus direitos humanos não vinham sendo respeitados. Cristão-católico, de missa todos os dias e de vestir luto, diário, após a morte da esposa, Sobral foi responsável pela libertação do famoso líder comunista, sem cobrar sequer uma moeda pela causa. No Brasil e no mundo, brilhava a batina simples do tímido Dom Helder Câmara, incansável na luta pela liberdade dos perseguidos. Das coberturas do Superior Tribunal Militar na Praça da República, Rio de Janeiro, e após rápida passagem pelo Diário de Notícias, cai num mundo diferente - longe de clausura, tanques e baionetas -, no Caderno de Turismo de O Globo. Tive a oportunidade de conviver com feras do jornalismo como Carlos Menezes, Aguinaldo Silva, Gilberto Braga, Paulo Alberto (o grande Arthur da Távola), Heitor Quartim e muitos outros, cuja lembrança dos nomes a memória pode me trair ou, insistindo, me tirar algumas lágrimas de saudades. A seguir, veio a seção de turismo do jornal Última Hora e uma nova empreitada, a criação da Folha Dirigida - hoje, principal jornal de concursos do Brasil, obra do jornalista Adolfo Martins - e da Folha do Turis-

Paulo Montes (ao centro) e equipe do Show do Turismo

mo, jornal que mantém sua trajetória de sucesso. No Última Hora, junto com Luís Tavares, lancei a promoção "Destaques de Turismo", indo este ano para sua 19ª edição. Centenas de nomes ilustres participaram da promoção, que chegou a ser considerada pela imprensa o "Oscar" do turismo nacional. O Oba-Oba, Academia Brasileira de Letras, Firjan e restaurante Demoiselle (no Aeroporto do Galeão) foram palcos do evento. No Scala, reunimos 1.200 pessoas e presenças ilustres como Hans Donner, globeleza Valeria Valenssa, Luiza Brunet e altas personalidades do turismo nacional e internacional. Sempre com a apresentação dos bambambans da TV, Ronaldo Rosas e Elizabeth Camarão. Contando com o apoio do programa "Show do Turismo", onde atuamos por 15 anos, eu, os saudosos Adolfo Cruz e Paulo Monte, também sua esposa, nossa amiga Sônia Monte, que continua em plena atividade nas rádios e na internet, onde reproduz o "Show do Turismo", programa criado por Paulo Monte que, em sua longa carreira, fez inúmeros filmes no Brasil e em Hollywood, nos Estados Unidos. Uma figura doce e modesta e com grande conhecimento profissional, uma escola para todos nós. E, na citação de nomes, não pode

faltar a saudosa e inesquecível jornalista, Joana Palhares! Lembrada, até hoje, no universo do turismo nacional. Para não falar mais em causa própria, o recado final, como dizem grandes sambistas: "olha a Revista do Turismo aí, gente!" De volta, com maior vigor, impressa em alto padrão gráfico, lombada quadrada, trimestral e distribuída por mala direta ao trade do turismo e a profissionais e empresários de diversos segmentos da economia nacional. Em nosso portal na internet, diariamente, o mundo turístico sobre uma ótica atualizada de viagens, eventos e negócios. Todas essas iniciativas, atualmente, sob a direção dos empresários Modesto Lopes e Vagner Lopes. Com a participação de nossa competente equipe: Akiko Tanabe (editora), Gilson Campos (brilhante jornalista com passagem por veículos "pesos-pesados" da imprensa nacional e, durante anos, assessor de comunicação da Infraero), Marcelo Fraga (programador visual), Daniela Azevedo (assistente), entre outros colaboradores. Gostaria, enfim, de acrescentar que turismo, é bem verdade, não polui, não mata, não destrói. Só une os povos, gera conhecimento e, acima de tudo, põe trabalho e justiça social a serviço de nosso povo e de toda a sociedade. Amém!

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TCM-RJ

Thiers Montebello

Olimpíada de 2016: honrosa missão de fiscalizar ///////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////

Durante o encontro Diálogo Público, que reuniu no Rio de Janeiro, em agosto de 2015, as autoridades diretamente envolvidas no planejamento dos Jogos Olímpicos de 2016 – Prefeito, Governador, Presidente do COI, Presidentes dos Tribunais de Contas da União, do Estado e do Município –,debateram-se as questões mais relevantes acerca do evento. Naquela ocasião, coincidentemente, o Rio experimentava os eventos-teste para os jogos, vivendo, antecipadamente, o clima festivo de 2016, embalado pela cordialidade característica do espírito carioca. Desde o anúncio da escolha da cidade como sede da Olimpíada, o Rio de Janeiro tem sido palco de uma verdadeira revolução urbanística, cujo ritmo se intensificou no ano passado, com a proximidade do evento. São inúmeros os percalços e transtornos acarretados pelas obras de infraestrutura espalhadas pela cidade, que afetam o

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cotidiano dos cariocas, principalmente no que se refere à mobilidade, ao tempo perdido no trânsito, ao prejuízo no comércio em determinadas áreas deconstrução de linhas de metrô. Porém, a consciência da necessidade das intervenções atenua o sofrimento provocado pelo caos em que vivem atualmente os cariocas, que vislumbram, com esperança, os resultados positivos no futuro próximo, o tão aclamado legado da Olimpíada. Depois do caos, o cosmos, a ordem, a harmonia, a cidade voltando a funcionar de forma regular e integrada, muito melhor e com mais eficiência do que antes. O legado, como afirmou o Prefeito do Rio de Janeiro, não será um elefante branco, mas uma cidade com nova feição, cujas obras de infraestrutura estarão a serviço do bem-estar da população. O principal legado do evento será a profunda transformação da cidade, em todas as vertentes urbanísticas – transportes de massa, mobilidade urbana, novas vias públicas, ampliação da rede hoteleira, parque olímpico, projetos de modernização de áreas de grande potencial econômico até então inexplorado, a exemplo da zona portuária, que renasce totalmente reformulada e revitalizada, ganhando em seu espaço o Museu do Amanhã, no rastro de experiências bem-sucedidas de outras metrópoles, como Barcelona, com a Olimpíada de 1992. E mais: o Rio de Janeiro ganhará visibilidade mundial,

diferentemente do que ocorreu na Copa de 2014, cujos jogos se disseminaram por várias cidades brasileiras. No compasso dessas intervenções urbanísticas de grande envergadura, o TCM vem trabalhando intensamente para corresponder às responsabilidades que lhe competem: a auditoria e o controle da execução da maior parcela de obras entre os entes federados. Com infraestrutura moderna e quadro técnico altamente especializado e capacitado, o TCM vem cumprindo impecavelmente suas atribuições constitucionais no processo de preparação do Rio de Janeiro para sediar a Olimpíada de 2016, cuja complexidade exige atuação conjunta por parte das inspetorias setoriais. Mas o trabalho do TCM não se esgota no tempo regulamentar da Olimpíada. Seguirá, com a mesma seriedade e competência, a exemplo do que ocorreu com os Jogos Pan-americanos de 2007, a fiscalizar o legado do evento, que é, a par da competição olímpica, o cerne do interesse público. Ao final do processo de preparação da cidade, surgirá um novo Rio de Janeiro, e o TCM terá honrado mais esta missão, que entrará para sua história como uma de suas maiores realizações no exercício de seu dever institucional. Thiers Montebello é presidente do Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro


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Ecoturismo

Halley Pacheco de Oliveira (CC BY-SA 3.0)

A Serra dos Órgãos foi uma das regiões beneficiadas com investimentos do governo

Parques nacionais: campo fértil para turismo ecológico e de aventura 64

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De olho na demanda de turistas por ocasião dos grandes eventos, que vêm acontecendo no Brasil, os Ministérios do Turismo e do Meio Ambiente, em parceria com o Instituto Chico Mendes, estão estimulando a prática do ecoturismo. O objetivo é aumentar o número de visitantes nos parques nacionais – incluídos no Plano Nacional de Turismo. Em algumas áreas, os preparativos para melhor receber os turistas já começaram. Os investimentos dos ministérios totalizaram R$ 171 milhões, entre 2011 e 2014, destinados a 19 parques, abrangendo cinco regiões do país. Nesses locais, foram implantados novos projetos de infraestrutura e sinalização, além de ações de marketing. Especialistas do setor explicam que o turismo ecológico ainda é um seg-

mento pouco explorado, apesar da vegetação nativa do Brasil cobrir 62% da área territorial, e a faixa litorânea seguir por 7.500 km de extensão. A criação de Áreas Especiais de Interesse Turístico estão entre os projetos defendidos pelo Ministro do Turismo, Henrique Alves, que vê a necessidade de melhor aproveitamento dos parques nacionais. “O próprio turista vai ajudar a preservar a natureza e a divulgar uma das nossas maiores vocações que é o potencial do meio ambiente”, ressaltou. Serra dos Órgãos O Parque Nacional da Serra dos Órgãos é um dos beneficiados pelos investimentos governamentais. A unidade recebeu R$ 230 mil para a realiza-

ção de obras de melhoria no sistema de esgoto e construção de passarelas. Localizado na região do município de Teresópolis, no Estado do Rio de Janeiro, o parque foi criado em 1939 e está entre os três mais antigos do Brasil. Rico em diversidade de fauna e flora, é um verdadeiro paraíso que abriga reserva de Mata Atlântica no meio da serra. O local oferece fontes de águas cristalinas, cachoeiras, piscinas naturais, animais silvestres e quase 200 km de trilhas e cadeias rochosa. Entre seus monumentos geológicos, está o símbolo do montanhismo brasileiro: o Dedo de Deus – pico com 1.692 metros de altitude, cujo contorno se assemelha a uma mão apontando o dedo indicador para o céu.

As aventuras que os estrangeiros preferem ques Nacionais. Dentre eles: Chapada dos Veadeiros (GO), Lençóis Maranhenses (MA), Chapada Diamantina (BA) e Aparados da Serra (RS). Mergulho – Os destinos mais procurados são Fernando de Noronha (PE), Paraty (RJ), Ilhabela (RJ), Bombinhas (SC) e Recife (PE). No interior, é possível mergulhar em Bonito (MS).

Bóia Cross e Rafting – É possível praticar essas atividades em Brotas, há 250 km da capital de São Paulo. Escalada, Rapel e Tirolesa – Devido a sua formação geológica, rica em vales, cânions, rios, cachoeiras, cavernas e túneis, Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, é cenário privilegiado para a prática do turismo de aventura. Com informações do Ministério do Turismo

Uma pesquisa de Demanda Turística Internacional, realizada pelo Ministério do Turismo, revelou que 21% dos turistas estrangeiros que vêm ao Brasil escolhem o destino pelas opções de ecoturismo. As atividades que mais se destacam são: Kitesurf e Windsurf – Pode ser praticado em Jericoacoara, no Ceará, e em Florianópolis, Santa Catarina. Paraquedismo – A cidade de Boituva, localizada há 116 km de São Paulo, é sede de uma escola que ministra aulas para a prática do salto. O curso é composto por 10 horas de aula teórica, um salto duplo de instrução e oito saltos livres. Trilhas – Os locais mais procurados para praticar trilhas são os Par-

O Kitesurf é uma das atividades preferidas por turistas estrangeiros que optam pelo ecoturismo

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Sala de embarque

CADÊ O ZÉ? Zé Cegonha não queria nada. Era a vergonha da casa. Malandrinho, preguiçoso, moleque caprichoso. Batia o pé e não fazia mesmo. Oh, dor de cabeça! O pai cansou de falar, a mãe cansou de bater. “Tem jeito, não”, dizia a professora, depois da enésima expulsão da sala de aula. Saiu totalmente diferente à família, todos tão responsáveis e trabalhadores. Por isso a dúvida: “será que é filho legítimo mesmo?” “Sangue do meu sangue”? “Ou será que a cegonha errou o endereço?” Puseram a culpa na ave e o garoto acabou Zé Cegonha por causa da descuidada. Desse jeito, foi crescendo a figurinha: não mais que oito anos e um currículo invejável de traquinagens. Num ato de desespero, o pai decidiu mandá-lo para a casa de um velho tio, tido como disciplinador. A mãe, aos

prantos, concordou. Era mudança demais ir da cidade grande para uma fazenda, que mais parecia um pantanal, num lugarzinho esquecido do mundo. A princípio, o tio não viu problema. Examinou o menino de cima abaixo, fez algumas perguntas e soltou a lista do deve, não deve. Depois perguntou: “fui claro?” O atrevidinho quis dizer: “não, foi escuro.” Mas, com outras ideias no pensamento, sacudiu a cabeça afirmativamente. Queria era vasculhar a área e achar sem demora uma maneira de cair fora. Como? Aprontando todas, é lógico! O tio iria despachá-lo rapidinho de volta. Foi uma semana de pesadelos: lama nas cadeiras, formigas nas camas, comida estragada, sobrou até pro gato que foi parar no forno. Mas, quando Zé soltou cavalos, porcos, galinhas,

a bicharada toda, foi o fim. Fora de si, o tio disparou atrás do rebelde que, imprudentemente, correu em direção a um perigoso barranco. Os gritos de alerta não o fizeram parar e, ao saltar a placa de advertência, o inesperado aconteceu: foi fisgado por uma grande cegonha – talvez a mesma que o largou em local indevido, tentando consertar o erro. Enfim, hoje, quando perguntam pelo Zé Cegonha, todos respondem: voou! Akiko Tanabe tanabe.akiko@gmail.com

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Família em Tiras – www.semprefamilia.com.br/familiaemtiras

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