Revista DOT 4° edição | DOT#4

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EDITO RIAL

Diana Hilton

Victor Vitti

Isabela Amorim

Carta ao leitor É com a luz que ela é escrita. É com o olhar e sentimento que ela é representada. A fotografia se define em várias vertentes, ela nos marca e nos eterniza de certa maneira. Já que ela eterniza, estamos eternizando a DOT =),revista que foi preparada durantes longos seis meses, especialmente para você! Sim, é você leitor, o combustível dessa produção.

Isadora Nascimento

Alimente-se. Aqui a gula do conhecimento não é pecado! Equipe DOT.

Lívia Riani

Colaborações A todos que fizeram a DOT acontecer :) Samara P. Tedeschi Equipe JR Duran Equipe Gabriel Wickbold Nena Tito Patrícia Scalon Lívia Riani Luiza Cazetta Valdir Brito COMA Design

Thaís Chyo

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SUMÁRIO POST MORTEM

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O ÁLBUM DO MUNDO

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PINHOLE, FAÇA A SUA

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NENHUMA GUERRA PODE SER SANTA

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ENTREVISTA | JR. DURAN

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FOTOGRAFIA DE MODA

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ENTREVISTA | GABRIEL WICKBOLD

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CULTURANDO

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FISH EYE

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Post Mortem 6

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O intuito da fotografia post mortem é tornar a morte o menos dolorosa possível.

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quadros. Por estes motivos, os familiares nem sempre tinham fotos da pessoa querida enquanto viva, e queriam a qualquer custo uma recordação, mesmo que esta já estivesse morta. É bom frisar que naquela época, a mortalidade infantil era muito maior, portanto as fotos mais comuns de post mortem eram de crianças. A arte de fotografar parentes e amigos mortos já foi tão comum, que algumas famílias apresentavam albuns completos com retratos dos falecidos , era como uma espécie de negação da morte, uma recordação que enganava o olhar da triste realidade. No início, os retratos eram feitos em um close up do rosto. Após algum tempo, passou-se a retratar o corpo inteiro do morto, e facilmente podíamos encontrar fotografias e que o cadáver apresentava-se de olhos fechados como se estivesse dormindo. O intuito da fotografia post mortem é tornar a morte o menos dolorosa possível. Para isso, os fotógrafos eram verdadeiros artistas. Criavam belos cenários com flores e tecidos, ou até mesmo um cômodo da casa para dar a impressão de ser uma cena do cotidiano e aparentar que ainda existia vida na pessoa fotografada. Para um melhor resultado da fotografia, era necessário posicionar o falecido poucas horas depois de sua morte e antes do seu estado rigor mortis (estado que se inicia entre 3 e 4 horas após a morte, em que se libera uma química que resulta no endurecimento dos músculos.

Pode até parecer macabro, mas os retratos post mortem eram muito comuns em 1840. Na época, o pintor e físico Louis Jacques Mandé Daguerre havia acabado de inventar um instrumento capaz de captar uma imagem fixa, o chamado daguerreótipo (criado em 1837). Foi quando a rainha da Inglaterra, Victoria, contratou um daguerreógrafo para retratar um parente falecido, para ter uma última boa lembrança e eternizar a memória do ente querido, fazendo isso virar moda na Inglaterra e no mundo no século XIX. Após a grande descoberta do daguerreótipo, facilitou-se para a população guardar uma recordação da família, não necessitando pagar um alto custo por pinturas em quadros. A captação através deste invento era muito delicada. Para realizá-la, era necessário que todos os que seriam fotografados ficassem imóveis durante 3 minutos aproximadamente (tempo de exposição em média). Existia até um aparelho próprio de fotografar os modelos para mantê-los na mesma posição, algo que parecia um instrumento de tortura, por isso era ainda mais difícil fotografar as crianças. Embora sendo um costume da época, o estilo post mortem tinha um alto custo. Afinal, era difícil encontrar o equipamento necessário e um daguerreótipo profissional à disposição. Ainda assim, era mais barato do que contratar um pintor para reproduzir os retratos em 9


A menina e o pai estão mortos.

Pai com criança dormindo (ambos mortos).

Bebê morto em pose deitada.

Porém, muitas das pessoas não conseguiam aproveitar estas preciosas horas, e queriam uma lembrança dos falecidos mesmo em seu estado rigor mortis. Era aí que os fotógrafos se mostravam verdadeiros artistas, abusando da criatividade, inventando poses e situações para o cadáver parecer natural. Utilizavam madeira e outros materiais como apoio para o corpo, deixando-o ereto ou na posição desejada, entortava-se a câmera, abusava-se da maquiagem e dos jogos de luz e sombra, enfim, dava-se um jeitinho do morto parecer vivo. O resultado destas fotografias são tão fantásticos, que mui-

tas vezes não sabemos identificar quem está vivo e quem já se foi. Os familiares e amigos posicionavam-se com o morto para fazer a foto, ou em alguns casos, todos estavam mortos na foto. O interessante de tudo isso é você descobrir quem é o falecido da foto, com o que facilmente podemos nos enganar. O mais impressionante, é que as fotografias post mortem ainda acontecem em alguns lugares do mundo. A fotógrafa americana Elizabeth Heyert, por exemplo, criou o projeto The Traveles (Os Viajantes), no qual fotografou, entre 2003 e 2004, mais de 30 corpos em uma funerária. Os falecidos eram membros 10

religiosos da comunidade de Harlem que seguiam a tradição de vestir muito bem as pessoas em seus velórios. Para eles é como se os mortos estivessem indo para uma festa, que simboliza o paraíso, por isso os vestiam com suas melhores roupas festivas; as clássicas como smokings, vestidos de cetim e chapéus luxuosos, ou os mais modernos: camisas de time, tênis e boné. Por mais macabro que pareça, não podemos negar que estas fotografias são intrigantes, e se a situação não fosse de tamanha tristeza, seriam obras de verdadeira admiração.

Nesta foto, todas as moças que aparecem estavam mortas. A que está abaixada “olhando” para trás, estava com o rosto desfigurado. 11


Pode-se notar a apreensão da garotinha, a qual estava posando ao lado do irmão morto, e que estava abraçando seu ombro como se estivesse vivo.

Aqui, uma mãe posa ao lado do corpo da filha. Carrie L. Parsons a esposa e os três filhos assassinados

A garota de olhos fechados está morta. Garotinha morta, “posando” com suas bonecas favoritas.

Por incrível que pareça, quem está morta é a moça em pé. 12

Criança em caixão. 13


Fotografias Post Mortem mais atuais..

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O ÁLBUM DO MUNDO

1931 Behind The Gare Saint Lazare Henri Cartier-Bresson, o homem do “momento decisivo”, deixou a sua marca com a fotografia ”Behind the Gare St. Lazare” - 1932. Essa foto ilustra com maestria o seu texto “decisive moment”, no qual o homem é fotografado em pleno ar prestes a tocar o chão e justifica o seu apego pela fotografia espontânea.

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Desde a sua invenção, a fotografia tem sido a principal ferramenta de registro histórico em todo o mundo. Muitas fotografias históricas são, até hoje, ícones de inspiração atemporal. Sem o uso da fotografia como registro histórico, ficaria difícil ter tanta veracidade nos fatos. Os elementos que essas fotografias carregam fazem delas um símbolo que inspira e move gerações. Seja pela beleza de uma celebridade ou pelo contexto histórico em que elas se passam. Porém nada disso seria tão fantástico se não fosse pelo olho que está atrás da câmera. É ele que capta de uma forma diferente a imagem que simplesmente olhamos. Esses olhos conseguem extrair o mais puro dos sentimentos através de uma fotografia. Esses registros hoje dão vida à memória de toda uma população que quer saber mais sobre seu passado. Veja as 15 fotografias mais famosas do mundo, saiba um pouco sobre elas e entenda o contexto histórico em que se passavam.

1938 O Almoço no Topo de um arranha-céu

1945 Bandeira no Reichstag A foto nomeada “Bandeira no Reichstag”, clicada em 1945 por Yevgeny Khaldei foi uma foto tirada depois da derrota Alemã. O fotógrafo, a pedido do governo Russo, a alterou para que ela parecesse mais dramática e tirou o segundo relógio do homem que ajuda a hastear a bandeira, para que não passasse uma imagem ruim, pois poderia parecer que ele havia roubado.

“Almoço no Topo de um Arranha-céu”, de Charles C. Ebbets, é uma das imagens mais famosas do século XX. Completou no dia 20/09/2012 80 anos. Quando tirada, em 1932, gerou muita polêmica, já que os 11 operários se encontravam sobre a viga no 69º andar do GE Building (Manhantan, NY) e estavam sem nenhum equipamento de segurança. Só foi publicada no jornal New York Herald Tribune no dia 2 de outubro do mesmo ano. Mas muitos questionam a veracidade da foto, suspeitando que ela tenha sido manipulada. Hoje o negativo é da agência Corbis, é de vidro e está quebrado desde 1996. 16

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1951 Albert Einstein

1945 V-j Day in Times Square

Quem diria que esse sujeito, com cara de roqueiro aposentando, seria o físico mais importante do século XIX? Pois bem, Arthur conseguiu extrair desse judeu, a pouca alegria que existia no mundo em plena Segunda Guerra Mundial.

1945 V-j Day in Times Square, de Alfred Eisenstaedt publicada na revista Life retrata a vitória da guerra contra Japão. A enfermeira, Edith Shain, conta anos depois que o marinheiro tinha a abordado e simplesmente a tinha beijado. Ela disse que não via porque não corresponder ao beijo, já que ele tinha lutado por ela no Japão.

1960 Guerrilheiro Heroico 1950 O beijo do Hotel Ville O famoso retrato de Che Guevara, intitulado Guerrillero heroico (em português: Guerrilheiro heroíco), foi tirado por Alberto Korda em 5 de março de 1960 em Havana, Cuba durante um memorial dedicado às vítimas da explosão de La Coubre. A fotografia só foi publicada internacionalmente sete anos depois de ter sido tirada. De acordo com Korda, Guevara demonstrava “imobilidade absoluta”, “raiva” e “dor”no momento em que a fotografia foi tirada. Anos mais tarde, Korda declarou que seu retrato capturou todo “caráter, firmeza, estoicismo e determinação” que Guevara possuía. Guevara tinha 31 anos quando a fotografia foi tirada.

Essa fotografia foi clicada com a Leica do francês Robert Doisneau a pedidos da revista American Life´s, para uma matéria sobre o romantismo francês. Robert pediu a um casal que passava, para que posassem de maneira romântica. A fotografia foi leiloada ao que a quase 450 mil reais.

DÉCADA mundo vive a tensão da Segunda Grande Guerra Mundial. 30 50OE grandes avanços surgem como a lâmpada, o automóvel e o telefone. 18

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1972 Menina de Napalm Dor e sofrimento nasceram da guerra do Vietnã. Angústia e desespero são retratados na foto. O fotógrafo, Nic Ut, conseguiu enfatizar o peso do sofrimento, causado nas crianças, pela guerra. A menina Vietnamita, Kim Phuc, corria desesperadamente após um bombardeio de Napalm, que tinha queimado a sua roupa, o que resultou em queimaduras por todo corpo. O fotógrafo depois de tirar a foto, a levou para um hospital. A garotinha passou por 17 cirurgias de enxerto.

1984 A Garota Afegã O fotógrafo da National Geographic, Steve McCurry, documentando um campo de refugiados afegãos no Paquistão, encontrou essa menina, cujos olhos transbordavam medo e carregavam o desespero de um país em guerra.

1985 A agonia de Omayra Essa foto de 1985 deu início ao que chamamos “Globalização Mediata”. Um desastre na Colômbia, causado por um vulcão, devastou um povoado inteiro, soterrando o local. A fotografia dessa menina impactou o mundo, com os seus olhos banhados de sangue. Clicada por Frank Fournier, que cobria o acontecimento, que ficou indignado com a passividade mundial perante o acontecido com a menina, que ficou presa por três dias, e nada podia fazer por falta de recursos. Após a morte da menina, a foto foi encaminhada para Paris para ser publicada.

1989 O Homem do Tanque “O Homem dos Tanques” foi como ficou conhecida esta foto. Em 1989, durante um desfile militar, um jovem de 19 anos impediu que o desfile continuasse, ficando em frente aos taques. Nesse momento, Jeff Widner, do Hotel Beijin, eternizou o instante em que uma manifestação pacífica se tornou mais forte que o poderio militar.

DÉCADA Época de explosão no ramo musical, o movimento punk surge e junto com ele, 70 80 muitos estilos musicais. Enfim, a música muda o comportamento da sociedade, iniciando muitas manifestações contra os imperialistas.

Os anos 80 são o começa da era da comunicação. Grandes empresas de informática surgem: MAC, Windowns e IBM e entram em uma competição pelo mercado de computadores dentro de casa. Início da moda rebelde, calças boca de sino são deixadas de lado para o novo popular Jeans. E na mão das crianças, a nova febre de jogos eletrônicos.

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1994 Espreitando a Morte

Pinhole Pinhole ou Pin-Hole, quer dizer buraco de agulha em inglês, isso pelo simples fato de ser uma câmera artesanal que não apresenta lentes. Ao invés de uma objetiva, ela tem apenas um buraco feito de agulha, que tem a mesma função de uma lente e um diafragma fixo. É muito fácil fazer uma pinhole. Você vai precisar de uma caixa, ou lata, ou qualquer outro objeto que tenha tampa, além de alguns materiais para a sua construção. Siga os passos e crie a sua!

Em 1993, Kevin Carter viajou para o Sudão e se deparou com esse fato, que ocorria por todo o país, que vivia em miséria e fome. Kevin escutou o choramingar de uma criança que já não tinha mais forças para chegar ao campo de alimentação da ONU, que estava a um quilometro dali. Ele foi muito criticado por clicar essa foto e chegaram a compará-lo ao abutre, que só esperava a morte da criança. Um ano depois Carter recebe o prêmio Pulitzer de Fotojornalismo e meses depois se mata.

3. Pegue uma latinha de refri-

1. Você vai transformar sua DÉCADA Essa é a nossa situação atual. Passamos por tanto, registramos e ainda vivemos nessa 90 calamidade, em que vemos fome e miséria. Das 14 fotos mais famosas do mundo, a que está mais próxima da nossa época é a de mais pura tristeza. Nessa década, tudo se torna rápido, a informação principalmente. E mesmo assim, continuamos inertes a esse tipo de imagem.

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caixa ou lata em uma câmara escura. Para isso, pode-se utilizar spray preto fosco ou papel cartão preto, com o intuito forrar a interior do seu objeto e também de sua tampa, para que não haja nenhuma entrada de luz.

2. Faça um furo de aproximadamente 0,5 mm de diâmetro na lateral de sua lata. Você pode utilizar um prego grosso ou uma furadeira para deixar o furo circular. Se houver rebarbas, use uma lixa grossa para removê-las.

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gerante e, com o estilete, corte um retângulo com 2 cm de largura. Neste caso, também se pode utilizar o papel cartão preto. Com uma agulha de costura nº 12, faça um pequeno furo no centro do retângulo. Apare as arestas de modo que o furinho fique perfeitamente circular.


Hora de fotografar! Agora que você tem a sua pinhole em mãos, está na hora de fazer umas boas fotos, não é mesmo? Mas o processo não é tão simples assim, afinal esta não é uma câmera digital na qual você está acostumado a fotografar. Esta é uma câmera analógica feita por você, e é isso que torna o resultado ainda mais legal, portanto, não desanime e mãos à obra!

Colocando o papel fotográfico

4.

Coloque este retângulo dentro de sua lata, em cima do furo feito anteriormente. O furinho do retângulo deve ficar no centro do furo da lata.

6. O papel fotográfico ficará dentro da lata, e deve ser manuseado no escuro. Veja com deve ser o manuseio ao lado.

5. Para fazer o disparador, basta colocar um pedaço de fita isolante no furo do lado de fora de sua lata.

Você pode encontrar o papel fotográfico preto e branco especializado em pinholoe em lojas especializadas de materiais fotográficos. Os tamanhos mais encontrados são 9 cm x 14 cm ou 10 cm x 15 cm. Para manusear este tipo de papel, deve-se ficar em um quarto escuro sem qualquer entrada de luz, nem mesmo uma luzinha de celular, pois o papel é sensível à luz branca. A única fonte de luz que poderá ser utilizada é a luz vermelha de 15w. Ela não queimará o papel e, portanto, não estragará sua foto. No quarto escuro, posicione o papel no interior da lata e tampe-a, lembre-se que a lata tem que estar totalmente vedada da luz, só assim estará pronta para fotografar.

Tempo de Exposição Se o dia estiver nublado, o tempo de exposição, ou seja, o tempo em que a janelinha vai ficar aberta, deve ser de aproximadamente de 40 a 60 segundos, mas se o dia estiver limpo e claro, o tempo pode ser de apenas aproximados 10 segundos. Ao longo da prática, você saberá exatamente como calibrar a sua pinhole. Ao terminar de fazer a foto, a pinhole só deverá ser aberta no quarto escuro com a luz vermelha e, somente neste quarto, o papel fotográfico poderá ser retirado. Quando o papel for retirado, a imagem ainda não estará lá, restando apenas fazer a revelação para descobrir o resulta-

Provavelmente, suas primeiras fotos com a pinhole não sairão como esperado, mas não se esqueça que esta é uma grande experiência, e com o tempo, você conseguirá bons resultados. Ao fotografar, você deve primeiramente abrir a “janelinha” de sua pinhole e deixar a luz entrar no buraquinho por alguns segundos, dependendo da claridade do dia.

7. Com o papel posicionado corretamente dentro da lata, feche-a e ela estará pronta para fotografar.

do de uma fotografia feita inteiramente por você. Faça esta pinhole descolada, criada pela Corbis Readymeach. Ela pode ser feitas de papel e está disponível para download em PDF no site http://corbis.readymech.com/en

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Thais

TX T.

Minha cabeça pensa de uma forma diferente da sua. Meus ideais são diferentes dos seus. Para provar que eu estou certa e você errado, promovo uma guerra. Mato milhares de pessoas inocentes e deixo cicatrizes incalculáveis em toda uma nação. O que sobra? Cinzas e fotografias agonizantes. Nós não sabemos o que é realmente uma guerra, achamos que sabemos, talvez pelas histórias que nos são contadas, por aquilo que lemos ou até mesmo por fotos. Fotografias fora do comum não foram fáceis de tirar e muitos sofreram consequências terríveis ao tentarem um clique mais de perto. Mas elas são extremamente importantes para nos lembrar a dor de uma guerra.

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Formação de bombardeiro- Segunda Guerra Mundial

Corpos de prisioneiros de campo de concentração Segunda Guerra Mundial 28

Cartaz alemão pregado na França. População abandonada, tenha confiança no soldado alemão!

Civis alemães são forçados a cavar covas para os mortos nos campos de concentração

Aliados da Segunda Guerra Mundial

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O final da Segunda Guerra Mun-

dial foi anunciado em 15 de agosto de 1945. Na comemoração, um soldado da marinha norte-americana beija apaixonadamente uma enfermeira. O que é fora do comum para aquela época é que os dois personagens não eram um casal, eram

perfeitos estranhos que haviam acabado de encontrar.

Mortos em campo de concentração

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O beijo da Time Square 31


Kim Phuc, na época com 9 anos, foge após ataque com bomba em Napalm.

Você deve estar se perguntando o porquê desta foto estar no meio de uma matéria sobre fotografias de guerra. Bom, este sorriso bonito estampado no rosto dessa moça nem sempre esteve aí. Isso porque a foto que marcou sua vida foi estampada com lágrimas e desespero. Ela se tornou símbolo de uma

guerra quando tinha apenas nove anos de idade. Phan Thi Kim Phuc é conhecida mundialmente como a menina que fugiu nua, em chamas, após seu vilarejo ser devastado pelos estadunidenses. A famosa foto foi tirada por Nick Ut, fotógrafo da agência Associated Press, e ganhou o Prêmio Pulitzer do ano seguinte. 32

Hoje, aos 49 anos, Phan Thi Kim Phuc é casada e mora no Canadá com seus dois filhos. Passou a atuar como ativista de direitos humanos, tornou-se embaixadora da UNESCO e criou uma fundação.

Kim Phuc e Nick Ut à esquerda, quando se conheceram e, à direita nos dias atuais. 33


entrevista

JR Duran Ele que diz que começou a fotografar por causa das mulheres bonitas. Com mais de 25 anos de carreira, afirmou que sim, ele chega perto das mulheres mais lindas do mundo. Ele que fez sua carreira por seu olhar único e abusado, como ele mesmo afirma. A DOT foi entrevistá-lo Tête-à-tête, para tentar entender de onde vem tanta criatividade e o tal do abuso em seus ensaios. É com imenso prazer que apresentamos Josep Ruaix Duran, mais conhecido como JR Duran =) [www.jrduran.com.br]

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DOT: BOM, VAMOS FALAR DO INÍCIO DA SUA CARREIRA. O QUE FEZ VOCÊ SE ENCANTAR PELA FOTOGRAFIA, QUAL FOI O SEU IMPULSO?

fia de moda, em publicidade. Sempre que tiver alguém, que tiver gente e alguma coisa que consiga traduzir através de fotografia, eu me sinto capaz de fazer isso.

Eu tinha 18 anos, e a fotografia era a maneira mais rápida de chegar perto das meninas bonitas (risos), foi por isso que eu comecei a ser fotógrafo. Naquela época existiam poucos fotógrafos. Fotografia era uma profissão romântica, as coisas eram um pouco diferentes de hoje em dia. Os fotógrafos eram como se conseguissem fazer mágica, a fotografia era uma magia, pois poucos sabiam os procedimentos, não tinha essa facilidade que é encontrada nos dias de hoje. Através da fotografia de moda eu achei que chegaria perto de pessoas bonitas e que eu viajaria pelo mundo, porque é uma combinação de modelos e viagens. E foi isso que me levou a ser um fotógrafo. Na verdade eu não comecei como fotógrafo, eu comecei como assistente, uma história comprida. Comecei ser assistente de um fotógrafo de moda que fazia de tudo menos, fotografia de moda. Depois as coisas foram acontecendo, eu fui indo, fui indo, fui indo. Depois eu comecei a levar a fotografia a sério, coloquei meus propósitos à frente e digamos que o planeta perdeu um playboy e ganhou um fotógrafo de verdade.

DOT: COMO VOCÊ LIDA COM SEU EXTINTO DE FOTÓGRAFO, CADA FOTÓGRAFO TEM SEU OLHAR ÚNICO E DEPENDENDO DO TRABALHO VOCÊ NÃO PODE ABUSAR DO SEU TALENTO. Não, eu não tenho esse problema porque as pessoas me contratam para colocar meu olhar dentro do trabalho. Então quando me chamam não é por acaso, é porque as pessoas precisam do meu olhar. Em cima disso eu entendo o que esse cliente precisa e através disso eu aplico todo meu conhecimento, artístico inclusive. Todos os artistas que compõem meu olhar eu aplico dentro das necessidades. As pessoas confundem em um momento em que você é livre para criar. Se eu quisesse fazer um livro, se eu fizer uma exposição, daí eu faço o que eu quero. O que eu gosto é que quando eu faço uma exposição ou um livro. As fotos que eu coloco lá dentro são fotos que eu fiz profissionalmente para outras pessoas. O que me dá satisfação são trabalhos que eu faço para terceiros, é que eles tem qualidade suficientes para estar dentro de um livro artístico. Isso quer dizer que eu deposito nesses trabalhos tudo o que eu sei para, além de ter e resolver problemas de marketing, poder ser trabalhos artísticos. As pessoas esquecem que as coisas boas surgem através do trabalho. Por exemplo, o Michelangelo foi contratado para fazer a capela Sistina e ele decidiu fazer um trabalho incrível. Quantas pessoas foram contratadas e quantas pessoas foram contradadas para fazer um trabalho incrível e não fizeram, pegaram seu dinheiro e foram embora? As pessoas se perdem demais nisso, quando você tem uma encomenda e que você tem que fazer alguma coisa, isso não quer dizer que esse trabalho não vale ou tem menos valor que os outros. Tem um pintor chamado Colbert que ele fazia quadros enormes, tem um quadro dele que se chama A Origem Do Mundo e esse quadro foi encomendado por um turco rico, esse quadro desapareceu e foi comprado depois. Hoje em dia esse quadro está pendurado do Museu Doseing. O fato de você ser contrato não tira a possibilidade de você criar, enfim, de você fazer as coisas bem feitas.

DOT: DEPOIS QUE VOCÊ DECIDIU SER FOTÓGRAFO, VOCÊ BUSCOU FORMAÇÃO ACADÊMICA? Sim, eu fiz faculdade de Comunicação, eu trabalhava com um ótimo fotógrafo aqui no Brasil. Ele tinha um estúdio, eu assistia a todos os filmes que eu podia e ainda posso e lia todos os livros que eu podia e ainda posso. Basicamente é um processo de informação e de seleção, você tem que absorver todas as imagens possíveis, todas as informações possíveis e delas você aproveita o que é interessante, isso envolve qualquer tipo de atividade. No meu caso, em fotografia, eu sempre achei interessante fotografar gente, mas não como foto jornalismo, eu sempre achei interessante alimentar minha fantasia e fotografar pessoas, o que me interessa é fotografar gente. Eu chamo isso de fisionomismo, que é interpretar as pessoas pelo rosto delas, o que elas são. Em estúdio eu entendo o que eu posso fazer com ela, o que eu posso fotografar. Com o tempo eu tornei isso algo instintivo, sendo assim, construo meu processo de trabalho. Mas eu fotografo gente, pode ser em fotogra40

DOT: SOBRE SEU PROCESSO CRIATIVO, COMO ELE ACONTECE? O processo criativo é muito aleatório, não tem segredo. Ele começa primeiramente ouvindo o que as pessoas falam. Por exemplo, semana que vem eu terei que fotografar uma atriz para uma revista, essa revista fala de academias de ginásticas. Eles queriam que essa modelo fosse fotografada de maneira chique mas que ao mesmo tempo ela representasse esse lado esportivo. Eu tinha que achar uma maneira que saísse diferente, eu não queria que ela saísse vestida de academia. Precisei achar uma coisa achar uma coisa diferente, até que teve um dia, lembrando que temos prazo não posso esperar um dia que venha uma luz. Existe prazo e não existe muito essa coisa de ir para um bar e resolver seus problemas visuais. Você tem que ter as ideias e resolver os problemas. Então eu consegui achar uma solução que satisfez a mim, a minha equipe e ao pessoal da revista e domingo todo irão trabalhar contentes, porque conseguimos resolver esse problema. Sempre tento resolver meus problemas com soluções que motivem as pessoas, porque não é só o dinheiro. Se você ganha um dinheiro em algo que você não acredita, esse dinheiro nunca irá voltar. Temos que resolver problemas pensando que isso será um investimento bom. Você não pode comprar o que você não pode vender. Você tem que ser honesto com você mesmo. Então faço fotos que eu gosto.

que são feitos em Hollywood são bons. Eu acho que é da quantidade que sai a qualidade, o fato das pessoas fotografarem do celular nas redes sociais é uma bobagem. Por exemplo, aconteceu uma coisa engraçada, dia 11, o consulado americano na Líbia foi invadido e assassinaram o embaixador, as pessoas tiraram foto de celular do corpo do embaixador sendo arrastado pela rua. Então, a Casa Branca ficou extremamente brava. Logo em seguida, saiu uma nota da Agência Bravo, uma agência francesa de notícia, dizendo que um correspondente francês comprou as imagens que tinham sido feitas através de celular. Com as fotos em mãos, eles foram lá e publicaram a foto no site, porém esses caras não sabiam que o corpo da foto era o embaixador americano. Então saíram correndo pedindo desculpas pelo engano. Então eu digo o seguinte, quer dizer, se esse cara não fosse o embaixador poderia ter sido publicada fotos desse cara morto? Segundo, se foto jornalista está lá, ele irá fazer a foto de um jeito que talvez não seja tão impactante. Eu acho que um celular na mão dessa pessoa não quer dizer que elas podem ignorar a ética. Elas estão passando uma informação, mas temos que questionar esse poder nas mãos. Fotografias são fotografias. Eu comparo esse comportamento da seguinte maneira: se eu colocar uma sala cheia de gente com uma folha e um caneta preta ou lápis e fazer, elas desenharem um monte. Depois de um tempo, eu dou alguns lápis de cor para elas. De 5 em 5 minutos eles irão me chamar para me mostrarem o desenho que elas fizeram, somente pelo fato de ter um traço verde. Um comportamento muito irritante. Essa relação entre as pessoas colocarem imagens das pessoas nas redes sociais é uma depressão e uma necessidade das pessoas mostrarem o tempo todo o que elas estão fazendo. Daí o que acaba acontecendo? Elas tiram fotos do prato que comeram, da asa do avião, do gato do vizinho, todas essas coisas. E isso tudo não é nada, porque não tem qualidade, não tem informação, não tem emoção, só serve para a pessoa se mostrar. Então eu acho ótimo, quanto mais foto ruim, melhor para os bons fotógrafos.

DOT: TODO FOTÓGRAFO TEM SUA IDENTIDADE, SEU OLHAR. COMO VOCÊ DEFINE A SUA? Eu acho que sou um fotógrafo luminoso e abusado. (risos). DOT: ACESSIBILIDADE DA FOTOGRAFIA. O QUE VOCÊ ACHA DISSO? O INSTAGRAM, POR EXEMPLO? Eu acho ótimo, as pessoas irão descobrir o quão difícil que é fazer uma boa foto. As pessoas, porque as pessoas fazem uma bosta (risos). A quantidade é a qualidade. Imagina no começo quando Gutenberg imprimiu os primeiros livros, as pessoas achavam complicado. Daí as pessoas foram tendo acesso e escrevendo cada vez mais livros. Hoje muitos livros são escritos, mas nem todos os livros são bons. Basta entrar em uma livraria e você verá. Esse processo é a mesma, no YouTube você encontra vídeos legais, com coisas legais. No cinema, nem todos os filmes

DOT: O QUE FARÁ VOCÊ DAR SEU ÚLTIMO CLIQUE. O QUE FARÁ VOCÊ DIZER QUE PROFISSIONALMENTE NÃO FOTOGRAFA MAIS? Eu não penso nisso não, se for você pensar quando irá parar você já parou. Eu não penso. Tenho muitas coisas para fazer (risos). 41


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fotografia de moda A fotografia de moda é especialmente produzida com o objetivo de difusão comercial de peças de vestuário, adereços e acessórios. O maior mercado para a fotografia de moda é aquele fornecido pelas revistas especializadas, pelas seções de moda de revistas femininas. Mas existem diversos outros veículos para esse tipo de fotografia, como os impressos produzidos pelos próprios fabricantes e os chamados books, empregados pelos manequins, como forma de registro de seus trabalhos e portifólio.

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nomes consagrados Annie Leibovitz podia ser apenas mais um nome no canto de uma foto, mas a fotógrafa americana soube contar tão bem as histórias por meio de suas imagens, que não conseguiu sair despercebida. Ela extraiu da realidade histórias que ninguém mais conseguia ver. Não é à toa que artistas, músicos, políticos, editoras de moda e publicitários se renderam às suas imagens e ao seu senso estético. Annie registrou a história americana e a vida dos principais músicos. Fotografou o casal John Lennon

e Yoko Ono, a renúncia do presidente Richard Nixon e momentos íntimos de vários artistas. No início de sua carreira, ela seguia a estética do acaso, sem grandes produções, e dava preferência a fotos em preto e branco. “Coisas acontecem na sua frente e você tem de estar preparada para decidir quando usar a câmera. Esse é um dos aspectos mais interessantes e misteriosos da fotografia”, revelou Annie em seu livro “At Work”. Em 1978, Annie entrou em contato Bea Feitler, diretora de arte da revista Harper’s Bazaar que conhecia os principais fotógrafos e editores de Nova York. Foi Bea que ensinou para Annie a im44

portância da edição em seu trabalho. Era preciso escolher os melhores cliques e, principalmente, pensar na estética da imagem na hora de fotografar. Nesse momento, Annie percebeu que uma boa foto não dependia apenas do momento decisivo, mas também da percepção visual do fotógrafo. Annie começou a dirigir suas fotos e conseguiu resultados incríveis, como a famosa foto de Bette Midler em uma banheira com rosas. Foi Bea também que convidou Annie para trabalhar na revista Vanity Fair, sobre moda e cultura. O nome de Annie representava uma vantagem sem tamanho para a revista. “Os artistas só aceitavam o convite porque seriam fotografados por ela e sabiam que o resultado seria extraordinário”. Vários de seus shoots mais famosos 45


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foram tirados nessa época, como o de Whoopi Goldberg imersa em uma banheira de leite, em 1984, e o de Demi Moore, grávida e nua, em 1991. Na Vanity Fair, Leibovitz levou toda sua percepção visual para o mundo da moda e das celebridades. Com essa experiência, foi convidada pela editora de moda daVogue América, Anna Wintour, para colaborar com a revista. E, como sempre em sua vida, es-

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tabeleceu certos ícones visuais na publicação, como a série em preto e branco de Johnny Depp, em 1994, e o ensaio feito com Kirsten Dunst no Palácio de Versalhes, em 2006. Pela expertise, Annie também foi procurada por publicitários e fotografou campanhas de diversas marcas, como Louis Vuitton, Dior e Tommy Hilfiger.

Gui Paganini é um fotógrafo brasileiro nascido em São Paulo. Fotógrafo de moda há quase 20 anos, já fotografou as principais personalidades do país como Letícia Spiller, Izabel Goulart, Ivete Sangalo. Fotógrafo de moda, Paganini também faz campanhas publicitárias dentro e fora do Brasil, entre elas a de um shopping center de Miami, Cia. Marítima, clicado nas Bahamas. Mesmo fazendo muitos trabalhos no exterior, Gui nunca pensou em morar fora do Brasil por muito tempo, mesmo sabendo das ótimas condições de tra-

balho fora deste país. “Até porque trabalhar com uma equipe brasileira é bem diferente e muito melhor! Não gosto do humor norte-americano: é muito chato e o trabalho se torna chato também.”confessa. O cartaz de Paganini no meio fashion anda tão em alta que é raro o mês em que ele não é convidado para produzir um ensaio interessante para a revista Vogue. A moda atraiu Gui Paganini nem ele sabe bem como e por que. Em seu primeiro (e único) dia como assistente, ele ajudou um colega que fotografava sapatos, mas achou isso a coisa mais chata do mundo e percebeu que fotografar pessoas era muito mais divertido. Ainda em início de carreira trabalhou na revista Moda Brasil.

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entrevista

GABRIEL W ICKBOLD O fotógrafo, autodidata e inquieto Gabriel Wockbold, conhecido por seus trabalhos em que a paleta de cores é sua melhor amiga, seu olhar já se deparou com celebridades como Adriane Galisteu, Fernanda Paes Leme e várias outras. Além de ter um olhar único, Wickbold já publicou um livro de poesias e quase se tronou VJ da MTV. Ele conversou com a revista DOT sobre seus trabalhos e seu processo criativo. Com 27 anos, ele está conquistando seu espaço no mundo da fotografia. Confira a entrevista exclusiva para a DOT.

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DOT: QUANDO E COMO SURGIU SEU INTERESSE PELA FOTOGRAFIA? COMO FORAM SUAS PRIMEIRAS EXPERIÊNCIAS NA ÁREA? HOUVE ALGUM TIPO DE RESISTÊNCIA DO MERCADO DE TRABALHO? Eu acredito que toda pessoa que tem uma essência artística recebe um chamado. Desde sempre fui envolvido em atividades nas quais expor o meu pensamento era algo que me movia. Já tentei me expressar através de diversas mídias e acho que essa busca do artista é muito comum, ao mesmo tempo em que é muito desgastante. Encontrei pessoas muito talentosas ao longo do caminho, sendo na música, na poesia, e sempre me senti muito frustrado por tentar passar uma mensagem e não conseguir concluir o caminho do trabalho, que nada mais é do que a conexão com as pessoas. Todo mundo que tem uma expressão artística busca essa relação com o seu público: transmitir uma mensagem. A fotografia foi a mídia que conseguia me expressar de forma livre e sem esforço, de uma forma natural. Comecei a fotografar de forma totalmente intuitiva, tentando colocar no meu trabalho referências que fui guardando durante toda a vida, buscando temas que sempre me instigaram. A assinatura de todo fotógrafo, nada mais é do que união entre o gosto e a percepção , o contraste é o meu modo de entender que a imagem está carregada com o grau de emoção que eu quero passar. É o único jeito com que eu sei fazer, é simples assim, essa relação natural com o meu trabalho é o que faz a verdade transparecer. Todo artista tem que ter uma entrega para sua forma de enxergar as coisas. Comecei a mostrar as fotos para as pessoas, montei o portfolio on-line, o mesmo que eu tenho hoje e um trabalho foi chamando o outro. O mercado me recebeu bem, as pessoas amam novidades, o mercado criativo tem sede por profissionais novos. Acho que é tudo uma questão de diferencial.

MONTADO AOS POUCOS JUNTO COM SUA EQUIPE? O meu processo criativo é muito espontâneo. Acredito na energia do momento e na tradução das pessoas que estou fotografando. A imagem sempre se ajusta ao momento da foto, você vai adequando elementos na hora, mas no mercado publicitário, a pré-produção é tudo. Procuro compor equipes que entregam com qualidade e, ao mesmo tempo, são pessoas versáteis que conseguem resolver qualquer pepino.

“A assinatura de todo

Eu tenho diversos ídolos. Gosto muito do David La Chapelle, Sebastião Salgado, Eryk Fitkao, do Saudenk, Vik Muniz, Mario Cravo Neto. Todos são referências diretas na minha forma de enxergar fotografia.

fotógrafo nada mais é do que união entre o

Ficou curisoso? Visite o portifólio online do Gabriel: HTTP://MIGRE.ME/BWAQS

gosto e a percepção”.

DOT: QUAL FOI O TRABALHO MAIS INTERESSANTE E O MAIS TEDIOSO QUE VOCÊ JÁ FEZ? As minhas séries autorais são de longe os trabalhos que mais me entusiasmam. Nelas eu estou livre para traduzir um conceito em imagens da forma que eu quiser. Eu sempre tento ser o mais ousado possível e isso me faz viver situações muito interessantes. Os trabalhos mais quadrados são os mais tediosos, ou então quando a equipe vem pronta e são profissionais muito egocêntricos. DOT: ONDE VOCÊ BUSCA INSPIRAÇÃO? Eu me inspiro nas coisas mais simples. Vejo muitas imagens, acesso muitos sites de fotógrafos, e junto bastantes referências. Nas minhas séries autorais é muito difícil dizer de onde vem a inspiração, geralmente é a mistura de uma técnica nova que resulta em uma imagem nova e, ao mesmo tempo, vou desenvolvendo um conceito filosófico por trás. O desenvolvimento desse discurso acontece com o tempo, mas é sempre uma descoberta fenomenal. DOT: O CENÁRIO ATUAL DA FOTOGRAFIA, ESSA ACESSIBILIDADE NA FOTOGRAFIA QUE TODO MUNDO FOTOGRAFA, O QUE VOCÊ ACHA DISSO?

DOT: NO INÍCIO DA SUA CARREIRA, COMO SEUS CLIENTES TE DESCOBRIRAM? O trabalho correu muito no boca a boca, foram poucos os clientes que eu abordei e deu certo, a maioria das pessoas vieram até mim.

Acho que as pessoas estão sofrendo um boom imagético, nós traduzimos nosso dia a dia através de fotos ao mesmo tempo em que as pessoas estão desenvolvendo um olhar fotográfico mais apurado. Estamos perdidos dentro desse mar de imagens, isso torna muito mais difícil aparecer algo novo.

DOT: COMO ACONTECE SEU PROCESSO CRIATIVO? MAQUIAGEM, CENÁRIO. ENFIM, OS ELEMENTOS QUE ENVOLVEM SEUS ENSAIOS VÊM COMO UM “BOOM” EM SUA CABEÇA, OU É MEIO QUEBRA-CABEÇA QUE VAI SENDO

DOT: NA FOTOGRAFIA, QUEM É ‘O CARA’ PARA VOCÊ? 50

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sessão

CULTURANDO Fique por dentro do que rola no mundo da cultura nos lugares mais próximos de nossa região! Alimente-se! É preciso combustível para criar livremente.

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30ª Bienal Com o tema “A Iminência das Poéticas”, a proposta da Bienal é investigar a produção cultural contemporânea a partir do ponto de vista de quem está no Brasil, da forma de inserção no contexto intrnacional. Quando? 7 de setembro a 9 de dezembro 2012. Parque do Ibirapuera, Pavilhão da Bienal São Paulo. Saiba + http://migre.me/bZ2Lx

Pinacoteca São Paulo A Pinacoteca do Estado é um museu de artes visuais, com ênfase na produção brasileira do século XIX até a contemporaneidade, pertencente à Secretaria de Estado da Cultura. Quando? Praça da Luz, 02 - Luz - Tel. 11 3324-1000 Terça a domingo das 10h às 17h30 com permanência até as 18h Às quintas até as 22h. Entrada franca das 18h às 22h Ingresso combinado (Pinacoteca e Estação Pinacoteca): R$ 6,00 e R$ 3,00 Grátis aos sábados. Estudantes com carteirinha pagam meia entrada. Crianças com até 10 anos e idosos maiores de 60 anos não pagam. Saiba + http://migre.me/bZ2R0 56

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MASP A missão do MASP é “Incentivar, divulgar e amparar, por todos os meios ao seu alcance, as artes de um modo geral e, em especial, as artes visuais, visando o desenvolvimento e o aprimoramento cultural do povo brasileiro. Quando? Confira a programação no site. O Masp sempre tem uma novidade =) Saiba + http://migre.me/bZ3uT

MuBE O MuBE – Museu Brasileiro da Escultura é uma instituição privada de interesse público criada para promover a arte em seus diversos segmentos, escultura, pintura, fotografia, grafite, desenho, música, cinema. Localizado em São Paulo, abriga uma ampla programação, com especial atenção à produção escultórica brasileira. Quando? Confira a programação no site. O MuBE sempre tem uma novidade =) Saiba + http://mube.art.br/

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MIS A trajetória do Museu da Imagem e do Som refletiu as transformações pelas quais as culturas brasileira e mundial passaram. Atualmente, quando a tecnologia se alia à sensibilidade humana na criação artística, e as instituições se adequam às demandas sociais, o MIS se afirma como espaço que coloca em diálogo vivo a memória e a contemporaneidade, e a investigação técnica e ampliação do acesso às inovações e à arte..

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Quando? Confira a programação no site. O MIS sempre tem uma novidade =) Saiba + http://migre.me/bZ3K6

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Centro Cultural Banco do Brasil A trajetória do Museu da Imagem e do Som refletiu as transformações pelas quais as culturas brasileira e mundial passaram. Atualmente, quando a tecnologia se alia à sensibilidade humana na criação artística, e as instituições se adequam às demandas sociais, o MIS se afirma como espaço que coloca em diálogo vivo à memória e à contemporaneidade, à investigação técnica e ampliação do acesso às inovações e à arte.

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Itaú Cultural O Itaú Cultural contribui para a valorização da cultura de uma sociedade tão complexa e heterogênea como a brasileira. É um instituto voltado para a pesquisa e a produção de conteúdo e para o mapeamento, o incentivo e a difusão de manifestações artístico-intelectuais. Quando? Confira a programação no site. O Itaú Cultutal sempre tem uma novidade =) Saiba + http://migre.me/bZ4Cc

Galeria do SESI Arte e cultura como agentes de transformação e desenvolvimento social. Com essa crença o Serviço Social da Indústria (Sesi-SP) incentiva as variadas manifestações artísticas em todas as suas formas de expressão. Quando? Confira a programação no site. A Galeria do SESI sempre tem uma novidade =) Saiba + http://migre.me/bZ4Kx

Quando? Confira a programação no site. O Centro Cultural Banco do Brasil sempre tem uma novidade =) Saiba + http://migre.me/bZ4ej 58

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fishEye

Olho Mรกgico para porta

Potinho de Filme

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