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Pioneiro. Inovar, aventurar, desbravar, criar, lutar, abrir caminho, ser o primeiro, ser o melhor, fazer a diferença, ser a diferença. É não esperar, aproveitar a chance, acreditar. E, se é assim, Você, que me lê, que me assina, em algum momento, é pioneiro também. Bem-vindo.

REVISTA do PIONEIRO

A REVISTA DE QUEM CONSTRÓI BRASÍLIA

Leia e assine: revistadopioneiro.df@gmail.com www.revistadopioneiro.com.br

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carta ao leitor

A REVISTA DE QUEM CONSTRÓI

expediente

BRASÍLIA

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Diretor-Presidente: Celson Carlos Batista de Oliveira Diretora-Comercial: Cecília Roquette Diretora-Executiva e Editora: Carla Roquette Editor e Jornalista Responsável: Celson Carlos B. de Oliveira Chefe de Redação: Suendi Peres Revisão: Adriene Maria Costa Rodrigues Arte e diagramação: David Mesquita Reportagem: Alline Martins, Leilane Menezes, Luciana Amaral, Murilo Caldas e Suendi Peres Fotografia: Fabiano Neves Impressão: Gravopapers Agradecimentos: APOS - www.apos.org.br REVISTA DO PIONEIRO é uma publicação da Editora Dom Bosco Ltda de circulação personalizada via mala-direta A REVISTA DO PIONEIRO não se responsabiliza pelos conceitos emitidos em matérias e colunas assinadas. Visite nosso site: www.revistadopioneiro.com.br

Terceira edição. Parece cedo para uma renovação tão profunda. Contudo, todo crescimento é bem-vindo. Nesta edição da Revista do Pioneiro trouxemos muitas novidades, sem esquecer do que nos motivou a abraçar este projeto: o amor à nossa gente brasiliense, à nossa memória, à nossa cultura. Estreamos novas editorias, ganhamos mais páginas, ampliamos nossos horizontes e metas. Mas aquilo que é nossa essência, o respeito ao leitor, aos nossos colaboradores, aos nossos parceiros, está estampado em todas as seções da nossa RP. Em nossas edições anteriores, buscamos valorizar a história e o início de nossa cidade. A partir da RP 3, voltaremos nossos olhos também para quem faz nossa história hoje: a “Geração Capital”, os filhos dessa cidade que perpetuam nosso espírito pioneiro. Seja no “Agronegócio”, no “Mercado Imobiliário”, no “Mercado de Trabalho”, ou em qualquer ramo de atividade onde haja um brasiliense, de nascimento ou de coração, estaremos com ele. Além da estreante editoria “Sua História”, que conta acontecimentos reais enviados por quem nos lê, trazemos a seção “Pesquisa”, a qual valoriza o profissional brasiliense que contribui para um mundo melhor. A RP também busca valorizar o empreendedorismo local, pioneiro desde que JK sonhou com essa cidade única, ímpar. Referimo-nos àqueles que acreditaram no sonho e se tornaram desbravadores desse cerrado, construindo aqui uma civilização, já hoje com identidade própria: sólida, porém moderna, que impressiona quem vê e exporta um estilo de vida de um novo Brasil. Acompanhe a RP e trabalhe conosco! Afinal, essa história pode ser construída por todos nós. Leia, assine, seja nosso parceiro, acredite no projeto. Realizaremos a nossa parte; pequena, mas essencial para um mundo melhor, que começa aqui.

Celson Carlos Batista de Oliveira

Diretor-Presidente da Revista do Pioneiro


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história de brasília Ernesto Silva economia Newton Marques observatório geral Cláudia Pereira português no dia a dia Ernani Pimentel nutrição Júlio Aquino fitness x bem-estar Márcio Padilha no divã da teresa Tereza Ichiki com que roupa eu vou Janaína Ortiga aqui estou Jane Godoy água na boca Edson Monteschio arquitetando Karla Amaral música Luísa Mendonça

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seções colunistas

sumário

entre nós 04 etc. 26 bem-estar 54 mix 78 bem-vindo 106

Brasília em Notas CApa conexão brasil livro das memórias: Ildeu oliveira livro das memórias: gilberto salomão a voz do pioneiro história e por falar em saudade... newton rossi e por falar em saudade... sílvio barbato empreendedorismo: empreendedor individual empreendedorismo: orená moura mercado de trabalho panorama político mercado imobiliário educação turismo agronegócio tecnologia carros sua história saúde: inverno saúde: vacinas pesquisa saúde: síndrome do olho seco capital do esporte geração capital acontece atitude beleza.novidades beleza.radar brasília x brasil vó rita convida compras gastronomia pioneirismos achei! espaço cultural

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acontecimentos notícias memórias

entre nós

Foto: Fabiano Neves

Festas da “cinquentona”

brasília em notas

Foto: ASCOM/Novacap

por Suendi Peres

Brasília foi eleita consecutivamente há quatro anos a melhor cidade brasileira para se viver, segundo a Pesquisa Mundial de Qualidade de Vida, realizada pela Mercer Consultoria em Recursos Humanos. Claro que ainda há muito o que melhorar, mas isso já é motivo para comemorar o aniversário de 49 anos da Capital em grande es-

Primeira etapa do esperado Taguaparque.

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tilo. A festa contou com a presença de grandes nomes do cenário artístico brasileiro, como Jota Quest, Cláudia Leite e Xuxa. O Governo do Distrito Federal (GDF) fixou o preço das passagens de ônibus em um real e liberou o acesso ao metrô. Havia mais de um milhão de pessoas na Esplanada dos Ministérios. Agora, a expectativa é para os 50 anos. Especula-se que artistas internacionais possam com-

parecer em 2010. Paul McCartney? Beyoncé? Ou a banda irlandesa U2? Ainda não se sabe ao certo quem virá para a festa. No site oficial de organização do evento, internautas podem votar na enquete que pergunta quem o público brasiliense prefere. Até o fechamento desta edição, Paul McCartney estava na liderança. Além de um super show, o GDF promete muitas melhorias para a Capital até lá.

Um presentão para Taguatinga Quase cem vezes o tamanho do gramado do Maracanã. Essa é extensão da mais nova área verde do Distrito Federal, o Taguaparque. A primeira etapa foi aberta ao público no início de junho, quando Taguatinga completou 51 anos. Churrasqueiras, quadras esportivas e pista de cooper integram os 89 hectares do local. Sustentável e ecologicamente correto, o Parque fica entre Taguatinga e Vicente Pires. Logo no portal de entrada está a réplica da estrutura da Primeira Missa. Ela foi retirada do Eixo Monumental a pedido do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A segunda fase, que terá um pavilhão para feira, anfiteatro e ampliação de algumas áreas, está prevista para 21 de abril de 2010, quando Brasília completa 50 anos.


Fotos: Xavier Neto

Tratamento pode mudar a vida de Fernanda Fontenele.

Uma nova região administrativa

Após 20 anos do surgimento das primeiras chácaras da Colônia Agrícola, o Vicente Pires, no final de maio, deixou de ser um bairro de Taguatinga e agora é a 30ª região administrativa do Distrito Federal. Com mais autonomia, os moradores, que somam cerca de 70 mil, esperam por benfeitorias na infraestrutura do local, como a construção de redes de esgoto, de águas pluviais e de asfalto. A Companhia Energética de Brasília já avaliou as condições da cidade, a fim de instalar a rede elétrica definitiva.

Plano de saúde para servidores do DF O Governo do DF vai investir R$ 25 milhões por ano em plano de saúde para cerca de 100 mil servidores. Funcionários do Executivo, SLU, Novacap, Sociedade de Abastecimento de Brasília (SAB), professores, Corpo de Bombeiros e Polícia Militar serão os beneficiados. A expectativa do GDF é que os hospitais públicos fiquem mais desafogados e assim possam atender quem mais precisa. O subsídio será de R$ 62 para titulares e dependentes com até 58 anos de idade e de R$ 162 para quem tiver acima de 58 anos. Quem aderir ao plano vai contar com cobertura e abrangência nacional em caso de emergência.

Brasília solidária Muita gente diz por aí que brasiliense

AABB cedeu o Bangalô para a festa.

não é solidário. Quem acredita nesse conceito precisa mudar de ideia. No dia 19 de junho aconteceu em Brasília a festa Project Walk. Promoters da cidade organizaram o evento que tinha como objetivo arrecadar fundos para o tratamento da jornalista Fernanda Fontenele. A história da menina que ficou tetraplégica perto de completar 17 anos comoveu a cidade depois que ela divulgou um vídeo no You Tube e fez um blog (fernandafontenele.blogspot.com). A força e coragem da moça bonita de cabelos loiros impressionam. Determinada, conseguiu voltar a movimentar os braços. Agora, o desafio é andar novamente. O tratamento que a permite realizar esse próximo passo é feito na Califórnia, dura 180 dias e custa US$ 55 mil dólares. Algumas doações foram feitas e, até 19 de junho, 41 dias já estavam pagos. Cerca de duas mil pessoas foram à festa totalmente beneficente. O ingresso custava R$ 15,00. “Meus amigos me ajudaram, a gente começou a pensar que sempre tem festa na cidade, porque não fazer uma beneficente? No início, a gente correu atrás das bandas, no final, tinham tantas querendo tocar que já nem cabia mais no espaço”, conta Fernanda.

Mestres para ensinar Que as pessoas mais velhas têm mais experiência de vida, todos nós já sabemos. Mas como e o que podemos aprender com elas? O programa Mestres do Saber, da Secretaria de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda (Sedest), per-

mite que idosos a partir de 60 anos troquem experiências com crianças e adolescentes. A ideia é promover a inclusão e a valorização da pessoa idosa. Para ser um mestre, é preciso ter aptidão ou habilidade comprovada e interesse no trabalho comunitário. Além disso, a renda familiar precisa ser inferior a R$ 1.200. As oficinas dos Mestres do Saber oferecem várias atividades, entre elas estão a confecção de brinquedos pedagógicos, de peças artesanais, de artigos de festa e decoração e a oficina de arte culinária.

A copa é nossa! Brasília está na lista de sedes, anunciada pelo Brasil num congresso em Bahamas no início de junho, para a copa. Ainda não se sabe se a Fifa vai aprovar todos os 12 estádios brasileiros. A Alemanha queria fazer o mundial de futebol em 15 estádios, mas fez em 12. A África do Sul propôs 13 estádios para 2010, reduziram para 9. Agora é a vez da Capital Federal provar que pode cumprir o que prometeu. Os brasilienses esperam que não seja tão difícil. Infraestrutura para o turismo a cidade já tem. Os Setores Hoteleiros ficam bem próximos ao Mané Garrincha. O hotel mais longe fica a apenas 2 Km. Novos projetos devem ampliar a capacidade da rede hoteleira em 20% até 2014. Hoje, a rede hoteleira conta com 28 mil leitos. O estádio brasiliense, que pode acomodar 45 mil torcedores, vai passar por uma reforma e terá capacidade para 70 mil pessoas.

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Fotos: Fabiano Neves Produção: Cadmo Cotta

Uma parisiense no cerrado

por Luciana Amaral

Conheça a saga de Claude Marie Julliard, francesa de 85 anos que nasceu em berço de ouro, viveu os horrores da Segunda Guerra e, ainda, desbravou o cerrado na nova capital

capa

Ela conheceu príncipes, tem um parentesco – ainda que distante – com uma santa veneradíssima entre os católicos, nasceu em meio à nobreza e ao requinte da Champs Elysées, recebeu uma educação exemplar, típica de grandes damas da realeza. Mas, em seu conto de fadas, também viveu seu lado “gata borralheira”. Sobreviveu aos bombardeios da Segunda Guerra Mundial durante a ocupação alemã na França, lavou roupas à beira do córrego, passou noites junto a ratos e cobras, ficou durante um mês e meio alimentando-se unicamente de mandioca, até, enfim, colher os louros da vitória. O melhor de tudo é que, de toda a sua rica experiência, não há sequer um episódio do qual ela mostre arrependimento, vergonha ou amargura. Pelo contrário, Claude Marie Julliard orgulha-se imensamente de todos os fatos que cercam sua vida cheia de reviravoltas, mas, principalmente, marcada por conquistas. Julliard

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é uma heroína, uma desbravadora, que revela, em sua longa trajetória de 85 anos, lições inesquecíveis.

Convivência harmônica

A pioneira francesa vive numa chácara de 31 hectares, próxima a Sobradinho, e cria, com carinho, três cães e cerca de 60 gatos, tal a sua paixão por animais. Sua casa tem, aproximadamente, 900 metros quadrados e é praticamente toda construída em madeira. A decoração, por sua vez, que mistura o clássico, o rústico e o moderno, certamente receberia elogios dos mais renomados arquitetos, tal a criatividade e bom gosto na disposição das peças e móveis. Vale destacar as portas feitas em carvalho há mais de 200 anos, pertencentes à tataravó de Claude Marie. “Eu não sabia da existência dos cupins nesta região e, por isso, quando percebi, eles haviam destruído um móvel Luís XV e transformaram em pó todas as minhas partituras de piano”, conta a

pioneira. “Lembro que, em Sobradinho, havia ruas cheias de terra e, em tempos de seca, víamos redemoinhos de terra, os quais chamávamos de ‘lacerdinha’”. Para transformar o lar doce lar num recanto paradisíaco, Claude Marie e sua filha Marjolaine Julliard Canto – carinhosamente chamada de Marjô – não recorreram a decoradores, mas apenas ao próprio dom em ornar ambientes, algo inerente à família Julliard. Marjô hoje atua como assessora da presidência da Confederação Nacional do Comércio. Seu marido, Ricardo Caldas, é cientista político e professor da Universidade de Brasília. A convivência entre as famílias é marcada por muito carinho e cumplicidade. “Meu marido dá todo apoio para mim, adora a sogra e todos se dão muito bem”, afirma Marjô. Entre mãe e filha, percebe-se um relacionamento surpreendentemente harmônico, ainda mais levando-se em


conta o fato de viverem sob o mesmo teto, algo impensável para muitas famílias modernas, cujas desavenças, em certos casos, chegam a impedir a manifestação da afetividade plena. “Os meus sogros – Zilda e o coronel Dover Caldas – também são maravilhosos e sempre nos dão assistência quando precisamos”, pontua Marjô.

Os primeiros tempos na nova capital

Marjolaine tinha apenas cinco anos. Para sustentar a filha e a si mesma, Claude Marie saiu em busca de um trabalho. “Foi um transtorno muito grande, porque eu me dava muito bem com o Milton”, relembra a pioneira. “Éramos muito unidos e ele, inclusive, fazia questão de falar francês em casa. Antes de morrer, ele havia deixado a chácara no meu nome, mas me fez prometer que a Marjolaine ficaria com o patrimônio, quando completasse 21 anos, o que, naturalmente, foi cumprido”. Os tempos não eram fáceis. Mesmo vivendo um sofrimento atroz, Claude Marie precisava levantar a cabeça e seguir em frente. Alguém como ela, que havia recebido uma educação esmerada em Paris, o que poderia fazer naquela cidade estranha, nascida da sábia “loucura” de um presidente? “Já sei. Vou dar aulas de francês”, pensou. Mas, antes disso, viveu durante um mês e meio apenas à base da mandioca que plantava em sua chácara, batizada carinhosamente de Bernardete, em homenagem à famosa santa. E não se trata meramente de devoção, já que

Fotos: Fabiano Neves

Nada veio por acaso, é claro. Em 1962, após a vinda a Brasília com o marido, o jornalista Milton Tavares do Canto, Claude Marie observou, desalentada, o terreno em que iriam, aos poucos, erigir o seu recanto familiar. O cerrado, recém-queimado, em plena época de seca, era somente um misto desolador de preto e vermelho. O verde parecia algo impensável naquele ambiente aparentemente sem vida. Parecia, frise-se. Atualmente, belos jardins cercam o local e o verde é de uma exuberância ímpar. “Preservo essa mata como a menina dos meus olhos. Não deixo que tirem sequer um pau para fazer cabo de enxada”, orgulha-se Claude Marie.

Mas, no início, com a casa ainda por terminar, não havia luz, telefone nem água. A iluminação era providenciada ao velho estilo de velas e lampiões; uma nascente localizada na propriedade servia de fonte para aliviar a sede e ajudar nas atividades domésticas. As roupas eram lavadas no córrego. A casa, por sua vez, surgia paulatinamente, ainda discreta, de cimento, marcada pelo aconchego e pela simplicidade. Dois quartos, uma sala e uma cozinha. Por enquanto, era o suficiente. Em 1965, o coração de Milton Tavares parou de bater. Em decorrência de uma febre reumática na infância, o jornalista, que então trabalhava como chefe de radiodifusão do Senado Federal, tinha um sério problema de entupimento das artérias. Chegou a fazer tratamento com médicos renomados, como Euryclides de Jesus Zerbini – conhecido no Brasil por ter realizado o primeiro transplante de coração no país – mas a medicina na época ainda não havia avançado o suficiente para salvá-lo.

Na foto, quadros pintados pelo pai de Claude, Maurice Julliard, que, além de artista, também era músico, médico e inventor, tendo criado um mecanismo para máquinas de escrever, que permitia maior suavidade ao toque.

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O início

Paris, em 1924, já era uma capital glamorosa, cuja cultura e arquitetura enchiam o mundo de admiração; e o francês era a língua oficial dos mais cultos e dos membros da alta sociedade. Ao mesmo tempo, vivia-se um período entre guerras, sobre o qual pairavam insegurança e aflição. Mal sabiam os parisienses que, pouco mais de uma

Fotos: Arquivo Pessoal

Bernardete foi prima da tataravó de Claude Marie. Sem dúvida, um privilégio e uma bênção dos céus. Finalmente, enquanto as hostes militares intimidavam a oposição e pisoteavam a Carta Magna, Claude Marie conseguiu, ao menos, tirar o seu ganha-pão, ensinando a língua de Charles de Gaulle, Voltaire e Diderot a pessoas que trabalhavam no antigo Serviço Nacional de Informações (SNI). Foram 20 anos de labuta até, finalmente, em tempos mais democráticos, tornar-se professora da Aliança Francesa. Ao olhar o passado dessa pioneira francesa e candanga de coração, é difícil imaginar que seu forte e determinado caráter tenha sido forjado, primeiramente, no luxo da Champs Elysée. Então, que tal viajar no tempo? Claude Marie Julliard, ao receber a reportagem da Revista do Pioneiro, empreendeu essa viagem que, irresistivelmente, encantou a todos os presentes, por meio de uma narrativa fascinante.

Marjolaine, filha de Claude, com o marido Ricardo Caldas, no dia do casamento: “Ele dá todo apoio para mim, adora a sogra e todos se dão muito bem”, diz Marjô.

década depois, um ditador alemão, de bigodinho engraçado, resolveria tomar de assalto a Cidade Luz. Enquanto isso não ocorria, ainda havia tempo para singelos momentos de plena felicidade, como ocorreu, por exemplo, no dia 3 de fevereiro daquele ano. O médico-cirurgião e inventor Maurice Julliard esperava inquieto, enquanto sua esposa Claire sentia contrações ritmadas e dores lancinantes, prestes a parir a única criança do casal. Logo, ouviu-se um choro. Em plenos pulmões, o bebê anunciava sua vinda ao mundo. Uma menina! Batizada de Claude Marie Julliard, a parisiense foi educada numa família abastada, extrema-

Claude Marie conheceu o jornalista Milton Tavares do Canto antes mesmo de vir a Brasília: casamento sólido interrompido por um ataque cardíaco em 1965.

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mente culta, que não media esforços para repassar o seu rico legado à sua mais nova descendente. Aos cinco anos, Claude começou a tocar piano, instrumento de sua mãe, que também dominava as teclas do cravo. O pai, por sua vez, encantava a todos por sua performance na viola D’Amore, um instrumento semelhante ao violino. Maurice também evidenciava sua forte criatividade em invenções, como um mecanismo mais evoluído para máquinas de escrever, que permitia ao datilógrafo maior suavidade no toque. Nessa época, Claude era constantemente acompanhada e educada por uma dama inglesa que a levava semanalmente ao teatro, à ópera ou ao museu. Conheceu, dessa forma, as obras dos grandes autores teatrais e compositores clássicos, além, é claro, das telas pintadas pelos mais renomados artistas. Posteriormente, seus pais se divorciaram. “Já era mocinha, quando minha mãe casou-se novamente”, relembra a francesa. O avô de Claude, por sua vez, foi ninguém menos que o matemático Caronnet Theodule, cujos livros são referência até hoje nas universidades, para quem faz estudos em aritmética, trigonometria, entre outros temas pertinentes à disciplina. Theodule trabalhou, inclusive, com o casal Pierre e Marie Curie, cientistas renomados que criaram o termo radioatividade, além de terem descoberto os elementos químicos rádio e polônio. O matemático também fez cálculos que auxiliaram o físico e químico Georges Claude – conhecido por ter inventado a lâmpada de neon – em suas pesquisas.


A descoberta do amor

Os anos se passaram, a maturidade chegara e o coração de Claude Marie parecia pronto para se apaixonar. O russo Vladimir Malkine, que fugiu da revolução de 1917 quando tinha apenas quatro anos de idade, viu seu destino unido ao da francesa e o casamento entre eles foi feito à revelia de Maurice e Claire, na belíssima Catedral Ortodoxa de Paris. Compareceram à cerimônia de duas horas e meia de duração vários príncipes russos refugiados, sinal de que o gigante soviético não havia conseguido extirpar, por completo, os membros da monarquia czarista. Entretanto, esses nobres trouxeram consigo apenas lembranças de uma vida repleta de luxos. Ali, na Cidade Luz, tiveram de sobreviver como ciganos, choferes de táxi ou, até mesmo, dançarinos. O próprio Malkine era proveniente de uma família muito rica e seus pais foram os primeiros fabricantes de cerveja e vodka do Cáucaso. Uma das testemunhas da união de Claude e Vladimir foi ninguém menos que o príncipe Félix Yussupov, líder do grupo responsável por assassinar o místico Rasputin. Nasceram dessa união os pequenos Claire e Nicolas Cyrl, algo incomum entre famílias francesas, mais acostumadas a filhos únicos. “Eu sou filha única, minha mãe era filha única e meu pai era filho único”, frisa Claude Marie. Vale ressaltar que o casamento foi realizado durante a ocupação da França pela Alemanha, em plena Segunda Guerra Mundial. “Não pude fazer, sequer, roupa de noiva; só um tailleur curtinho, porque não havia tecido suficiente”, relata Claude Marie, acrescentando que o conflito a impediu de continuar seus estudos na faculdade de Filosofia, a qual só pôde frequentar por um ano. Para completar, a primeira filha, Claire, nasceu numa clínica sob uma chuva de bombardeios, quando Claude tinha apenas 20 anos. Em sua memória, ainda ressoam as sirenes de alerta, que tocavam a cada bombardeio iminente. Com isso, os franceses corriam para suas adegas – existentes em todos os prédios – a fim de se protegerem. Com o término do conflito, Claude e seu marido partiram para a Alemanha, residindo na parte de Berlim dominada pela então União Soviética. Devido à queda de um avião russo no país germânico, houve ameaça de um novo conflito e todos os franceses que ali estavam partiram rapidamente. “Meu marido chegou a ser prisioneiro durante a guerra e, depois, já em Berlim, trabalhou como intérprete russo. Mas, com medo, tivemos de fazer as malas e partir”, lembra. A tia de Vladimir Malkine morava no Brasil, onde fazia uma pesquisa sobre petróleo e chamou-o, juntamente com Claude, para morarem no Rio de Janeiro, em 1951. Foram 14 longos dias viajando num navio e um futuro pela frente cercado de incertezas.

Claude e seu filho Nicolas, fruto do casamento com o russo Vladimir Malkine.

Desbravando o Brasil

Após aportar em terras brasileiras, a jovem francesa conseguiu um emprego como professora de francês na Rua Raul Pompéia e também na Embaixada da França. Posteriormente, o casal se separou e, pouco depois, Claude conheceu Milton Tavares do Canto, com quem estabeleceu um relacionamento mais sólido. Casados, eles tiveram uma única filha, Marjolaine, que, hoje, lembra com carinho do

Claude e as filhas Claire e Marjolaine.

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Fotos: Fabiano Neves

Com cinco netos e nove bisnetos, Claude Marie representa um dos importantes elos entre a França e o Brasil, construindo um legado que atravessa gerações.

pai. “É uma tristeza tê-lo perdido com cinco anos, mas é muito bom saber que fui amada por ele”, diz emocionada. Antes mesmo de vir a Brasília, Claude Marie e Milton Tavares chegaram a morar por um ano na cidadezinha de Dianópolis, no norte de Goiás. Certo dia, ninguém menos que Juscelino Kubitschek passou pela cidade e resolveu almoçar na residência do casal. “Apesar de vivermos na simplicidade, eu ainda tinha guardada uma porcelana de Limoges e prataria francesa. Assim, montamos uma linda mesa para o JK”, recorda-se a pioneira. “Ele logo percebeu que aquelas peças não eram brasileiras. Fiquei na minha e estava com a Marjolaine nos braços, que tinha apenas um ano, na época. Aí, ele pegou minha filha e falou a todos, entusiasmado: ‘Vejam vocês. Tenho aqui uma bela francesa’ – e eu era bonita, na época – ‘que teve a coragem de desbravar o mato e construir sua vida num local onde não há quase nada! É preciso seguir o exemplo dela!’. Ele falava como se eu tivesse desbravado a floresta amazônica”, diverte-se. Após a estada em Goiás, Milton Canto veio para Brasília para assumir seu posto no Senado Federal. A partir dali, começava a saga de Claude Marie rumo à nova capital. Mas essa história você já conhece...

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Claude Marie fundou a Igreja Messiânica em Sobradinho e já foi duas vezes ao Japão, país onde foi instituída, em 1935, a doutrina criada por Mokiti Okada.

Claude e Marjolaine Julliard com os gatos Xumbinho e Pipoca: os felinos domésticos são uma paixão da família.


Desde abril deste ano os brasileiros comemoram o Ano da França no Brasil, chamado de França.Br 2009. Em 2005, os franceses celebraram o Ano do Brasil na França, intitulado “Brasil, Brasis”. Durante o período, a população francesa pôde conhecer melhor a nossa cultura e diversidade. Agora, a ideia é promover um pouco mais a França por aqui. Os brasileiros devem ficar atentos à programação. Eventos artísticos, culturais, científicos, tecnológicos, acadêmicos e econômico-comerciais vão se estender por todo o território nacional até o dia 15 de novembro. Entre os destaques da comemoração está Rodin e a Fotografia – do Ateliê ao Museu. A exposição de 190 fotos originais de fotógrafos contemporâneos de Rodin e 20 esculturas, também de Rodin, será apresentada pela primeira vez no País. As obras podem ser vistas a partir de 13 de agosto, em Belo Horizonte, na Casa Fiat de Cultura, e a partir de 27 de outubro, no MASP, em São Paulo.

Escultura O beijo, de Rodin.

A França em Brasília

A Capital não vai ficar fora da celebração do Ano da França no Brasil. Muitos espetáculos devem acontecer na cidade até novembro. Uma das atrações previstas é a exposição Segunda Natureza, de Miguel Chevalier. Conhecido como um dos pioneiros da arte virtual e digital, o artista utiliza exclusivamente como linguagem plástica os novos meios que a informática lhe autoriza. A exposição fica até o dia 22 de agosto em Brasília, no Espaço Marcantanio Vilaça, no TCU. Para quem gosta de concerto, a Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Cláudio Santoro e solistas franceses mostrarão ao público preciosidades da música erudita mundial. As apresentações, com entrada franca, tiveram início em junho e vão até 24 de novembro. A programação das comemorações em Brasília, bem como a programação completa do Ano da França no Brasil, estão no site anodafrancanobrasil.cultura.gov.br.

da Redação

especial ano da frança no brasil

A França é aqui

TOMARA QUE SE REPITA NO ANO QUE VEM! e, aos 45 segundos, fez seu primeiro gol. A partir daí, não deu mais para os jogadores da terra de Obama. Luiz Fabiano fez mais um (ele marcou o primeiro gol) e Lúcio completou o placar que deu ao Brasil a vitória na Copa das Confederações 2009. Poderia ter tido mais, caso o bandeirinha Henrik Andren tivesse marcado um de Kaká, também após o intervalo: a bola cruzou a linha antes de o goleiro Howard pegar, mas o auxiliar não viu e o árbitro sueco Martin Hansson mandou o lance seguir. O jogo ocorreu no estádio Ellis Park, em Johanesburgo, na África do Sul, país que sediará a Copa no ano que vem. Com o título, o Brasil passa a ser o maior campeão nas duas competições oficiais da Fifa de futebol profissional: cinco Copas do Mundo e três Copas das Confederações.

conexão brasil

Foto: Leonardo Lara/O TEMPO/AE

Copa das Confederações: Brasil - Bicampeão

Os 45 minutos do primeiro tempo foram, de fato, sofridos. Afinal, Estados Unidos ganhava por dois gols de diferença. Mas a seleção brasileira voltou com tudo no segundo tempo

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capítulo III

Ernesto Silva, atualmente, é presidente da Aliança Francesa de Brasília e membro da Academia Brasiliense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico do DF.

história de brasília por Ernesto Silva

O sonho de São João Bosco

colunistas

Brasília não foi apenas o ideal de centenas de brasileiros patriotas e capazes, nem somente a esperança de milhares de patrícios abandonados do interior: um Santo também a sonhou, um Santo também a concebeu. Dom Bosco costumava ter visões proféticas. Num desses sonhos, ele previu, no mesmo paralelo onde está construída a Capital Federal, o local da Terra Prometida. Revela-se que, no dia 30 de agosto de 1883, ele teve uma visão profética. A visão, que classificou de “fato maravilhoso”, foi pelo Santo transmitida numa reunião do Capítulo Geral de sua Congregação, alguns dias depois, a 4 de setembro. Para que nada se perdesse da revelação que São João Bosco ia fazendo, seu auxiliar, D. Zemayne, tomou todas as notas. Dom Bosco revela que “foi arrebatado pelos anjos e, de repente, estava no meio de uma grande multidão, em uma estação ferroviária”. E continua o Santo dizendo que, nessa estação, tomou um trem e, já no interior do vagão, um guia

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celestial, que o acompanhava, lhe chama atenção: “Olhai. Viajamos em direção às cordilheiras!”. Dom Bosco relata então as selvas amazônicas com as suas florestas intermináveis e os seus rios intrincados e enormes. Vai às malocas dos índios e, aterrorizado, diz que assiste ao sacrifício de dois missionários salesianos, abatidos a tacape pelos índios (fato que posteriormente se deu na Amazônia, em 1934, quando morreram, vítimas dos xavantes, os padres Pedra Sacillotti e João Fuchs). E o sonho continua, sempre Dom Bosco ouvindo a voz do guia celestial. Diz, então, o Santo: “Por muitas milhas, percorremos uma enorme floresta virgem e inexplorada... Não só descortinava, ao longo das Cordilheiras, mas via até as cadeias de montanhas isoladas existentes naquelas planícies imensuráveis e as contemplava em todos os seus menores acidentes... Aquelas de Nova Granada, da Venezuela, das Três Guianas, as do Brasil, da Bolívia, até os últimos confins. “Eu via as entradas das montanhas e o fundo das planícies. Tinha sob

os olhos as riquezas incomparáveis desses países, as quais um dia serão descobertas. Via numerosas minas de metais preciosos e de carvão fóssil, depósitos de petróleo tão abundantes que jamais já se viram em outros lugares”. E continua: “Mas não era tudo. Entre os paralelos de 15 e 20 graus, havia um leito muito largo e muito extenso, que partia de um ponto donde se formava um lago”. Dom Bosco, nessa altura, afirma: “Agora, uma voz disse repetidamente: quando se vierem a escavar as minas escondidas no meio destas montanhas, aparecerá neste sítio a terra prometida, donde fluirá leite e mel. Será uma riqueza inconcebível”. Para confirmar mais uma vez que São João Bosco estava se referindo a nossa Capital, à Grande Civilização que ora surge no Planalto Central do Brasil, o Santo afirmou que aqueles sonhos descritos seriam vividos na terceira geração – a que estamos vivendo agora. Assim como São Sebastião, no Rio; N. Sª. de Guadalupe, no México; e N. Sª. de Fátima, em Portugal, São João Bosco está indissoluvelmente ligado a Brasília. Realizou-se o sonho do Santo.


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valeu a

pena...

por Murilo Caldas

livro das memórias 16

Ao lado de seu primo JK, Ildeu viveu o sonho de construir Brasília. Foto: Aureliza Corrêa

É com a certeza de ter tomado a decisão certa que Ildeu de Oliveira avalia os 53 anos de vida em Brasília. Quando chegou a Brasília pela primeira vez, a Capital ainda não estava aqui. “Saímos de Belo Horizonte para cá de avião com a informação de que Brasília ficava entre Planaltina e Formosa. Quando chegamos à região, não avistamos nada, só o cerrado.” conta Ildeu. Ele lembra ainda: “fomos para Formosa, lá fomos informados de que Brasília estava entre Luziânia e Planaltina. Aterrissamos no aeroporto, que estava sendo asfaltado. Lá recebemos a notícia de que não poderíamos ter descido lá. Fomos então a um campo de pouso próximo ao Catetinho”. Com uma carta de recomendação de Israel Pinheiro, Ildeu desembarcou em Brasília no final do ano de 1956 para trabalhar como empreiteiro na construção da nova capital. Recebeu sinal verde para trazer equipamentos de marcenaria a fim de ajudar na concretização da principal meta do governo do Presidente Juscelino Kubitscheck de Oliveira, seu primo. Em 1957, Ildeu começou a construção das 5 primeiras casas dos engenheiros da Novacap; em uma delas morou Bernardo Sayão. Logo depois construiu o primeiro grupo escolar de Brasília, que levou o nome de sua tia Júlia Kubitscheck de Oliveira, mãe de JK. “Lamentavelmente, essa construção, que teve projeto de Niemeyer, foi demolida. Agora fiquei sabendo que o GDF vai reconstruir” (depois da gravação da entrevista, a primeira etapa da escola foi inaugurada pelo GDF) afirma Ildeu, que também garante ter lembrado, anos depois, ao presidente JK que ele havia se esquecido de tombar a escola. Na sequência, Ildeu participou da construção de 15 casas no Lago Sul, “o governo dividiu a obra e cada construtora construiu 5; em uma das que eu construí morou Israel Pinheiro.”, recorda. O bloco que abriga atualmente o Espaço Renato Russo também foi construído por Ildeu; o prédio foi a sede da Novacap. Entre as obras construídas em Brasília, Ildeu destaca o Colégio Elefante Branco, inaugurado junto com a nova capital. Do dia 21 de abril de 1960, a lembrança mais forte é

Foto: Arquivo pessoal

Primo de JK, que chegou a Brasília em 1956, relembra o início da construção, angustia-se com o futuro, mas garante que compensou acreditar na cidade

Na aventura de construir Brasília, Ildeu teve constante apoio da esposa Neuza.


Com a neta de JK, Anna Christina Kubitschek Pereira, e o também pioneiro Coronel Affonso Heliodoro, Ildeu comemora mais um aniversário da cidade que ajudou a construir.

aeroporto aguardar e ver quem chegava, quem saía, tentar conseguir um jornal do dia e outras notícias de fora”, relembra. A saudade é forte até mesmo do acampamento de sua construtora, instalado na região em que hoje situase o zoológico. Lá chegaram a viver 45 famílias – incluindo a sua –, que trabalhavam e conviviam o tempo todo. Ildeu só saiu de lá na Ditadura Militar, que o despejou do local “por que eu era primo de JK”, garante ele.

Fotos: Aureliza Corrêa

da frase inusitada da tia Júlia, que, ao ver a cidade pronta no meio do cerrado, exclamou: “só mesmo o doido do meu filho para construir tudo isso”. A aventura chamada Brasília propiciou a Ildeu momentos únicos. Tudo era história. Ele conta, por exemplo, que chegou a atolar jipe em plena Praça dos Três Poderes. Outra recordação é a chegada do único voo comercial que ligava a Capital ao resto do país. “O avião chegava às 11h, nós íamos ao

Na vice-presidência do Memorial JK, Ildeu de Oliveira preocupa-se em reunir acervo para contar a história do primo presidente. Na foto, ele recebe dois estetoscópios usados por JK, doados ao memorial pelo cardiologista da família, Dr. José Roberto Barreto, que ganhou os aparelhos de D. Sarah. Da esquerda para a direita: Ildeu, Cirlene Ramos (diretora cultural do memorial), Dr. José Roberto Barreto, Felipe Octávio Kubitschek e seu pai, o vice-governador Paulo Octávio.

Do primo, guarda as melhores recordações. Desde as conversas no Catete, ainda no Rio de Janeiro, até os encontros na Fazendinha nos arredores de Brasília, depois da cassação. Ildeu só tem boas lembranças da amizade que transcendeu os laços familiares. Mas um momento foi muito especial. No dia em que se completavam 10 anos da cassação política, JK afirmou: “eu quero falar”. Ildeu, que andava sempre com um gravador, teve a oportunidade de gravar um depoimento exclusivo em que o ex-presidente narra tudo o que se passou com ele desde o dia da cassação até aquele dia. Muitos anos depois, a entrevista foi transformada em um CD com o qual, ainda hoje, Ildeu presenteia os amigos. Hoje em dia, o construtor que chegou aqui antes da cidade a vê com tristeza, devido à sua expansão. “Eu nunca imaginei que Brasília teria engarrafamentos. Pensamos que a cidade seria realmente só administrativa. Não imaginávamos que a cidade fosse sofrer tantas mudanças no plano original. É um absurdo”, lamenta Ildeu. Ao ser questionado sobre o que JK pensaria a respeito desse crescimento da cidade, Ildeu se lembra de que o ex-presidente alegrava-se ao avistar um aglomerado de lâmpadas na nascente capital, mas levaria um grande susto ao ver os milhares de pontos luminosos que hoje cobrem o território do Distrito Federal. Ildeu ainda se emociona com a cidade que ajudou a construir. “A cada instante, a cada rua que passo, a cada quadra, uma emoção vem à tona. Eu vejo a W3, que vi ser asfaltada, hoje já se fala em um trem em pleno canteiro da avenida.”, espanta-se. E para os próximos 50 anos? Que futuro terá a cidade sonhada por JK e construída também por Ildeu? Com voz embargada, lamenta: “É imprevisível”. Ele garante que ao passar pelo final da Asa Sul, próximo do campo de aeromodelismo, admira a beleza do lugar, mas já imagina que ali poderá ser instalada uma superquadra. “Mas graças a Deus, eu não vou viver para ver isso”, prevê com olhos marejados. Mesmo com a angústia em relação ao que espera a cidade, Ildeu de Oliveira garante: “a aventura de acreditar em Brasília valeu a pena”.

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Fotos: Arquivo pessoal

Gilberto Salomão escreveu o nome na história de Brasília acreditando no Lago Sul.

Ao lado de Mitre Moufarrege e José Farani, Salomão encontra com José Roberto Arruda, atual governador do Distrito Federal.

por Murilo Caldas

Nascido para construir Gilberto Salomão lançou seu olhar para além das águas do Paranoá e viu, na outra margem do Lago, a oportunidade de desenvolver um dos melhores lugares para se viver no planeta

livro das memórias

Construir é a palavra da vida de Gilberto Salomão. Filho de dono de fábrica produtora de cerâmica e empreiteiro no interior de Minas, mais precisamente em Uberaba-MG, Gilberto cresceu ouvindo falar em tijolos, cimento, telhas, casas, prédios, enfim, construção. Acompanhou e ajudou seu pai a construir centenas de imóveis, “até bairros inteiros em Uberaba”, como ele mesmo relembra com orgulho. E a maior construção realizada na história do Brasil não poderia deixar de atrair alguém tão intimamente ligado ao construir. Brasília, a 530 km de Uberaba, demandava todos os produtos cerâmicos da família. As vendas nunca foram tão boas, mas os pagamentos não seguiam o mesmo ritmo. Os vendedores afirmavam que a NOVACAP atrasava os pagamentos ou simplesmente rejeitava os produtos enviados. Como todo bom mineiro, que só acredita na fumaça quando vê o fogo, Gilberto veio conferir essa história. Veio e viu que estava sendo vítima de uma grande mentira. Recebeu o que tinha para

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receber, mas não conseguiu voltar. O sangue de construtor falou mais alto e aqui mesmo ele ficou. Mãos à obra, e lá foi ele. Inspirado na história do pai, que alugou muitos dos imóveis que ergueu, Gilberto adquiriu terrenos no então Setor de Habitações Populares Sul, na Asa Sul, quadras 700, e passou a construir as casas de modelo HP3 e HP5. Mesmo reconhecendo que era um pequeno empresário, “sub-sub-sub empreiteirozinho”, como faz questão de lembrar, construiu também lojas nas quadras 400 da Asa Norte. Com o forte ritmo de crescimento da cidade, os lotes foram acabando e ficando mais caros, inviabilizando a construção de novas unidades. Diante disso, o olhar de construtor atravessou o Lago Paranoá e viu, do outro lado da lâmina d’água, uma oportunidade de continuar construindo. Gilberto comprou os terrenos e ergueu 7 casas na atual QI 5 e QI 7. As residências ficaram prontas em 1962 e lá permaneceram. Ninguém se interessou em comprá-las.


Ao lado de Edilson Cid Varella e Chico Recarey, Gilberto Salomão apostou no entretenimento para incrementar o centro comercial que leva seu nome. Abaixaram-se os preços. Ninguém se interessou em comprá-las. Tentou alugá-las. Ninguém apareceu. Ofereceu-as aos parentes para morar de graça. Ninguém quis. Parece que só a visão de Gilberto tinha conseguido enxergar o outro lado do lago. Os anos passavam e nada de vender as casas. O local, apesar de muito aprazível, era absolutamente isolado, nenhuma ponte ligava o novo bairro ao Plano Piloto, o que ampliava as distâncias e reduzia as chances de venda dos imóveis. Mas Gilberto não desistiu. Em 1964, o novo prefeito do DF, Plínio Cantanhede, foi procurado pelo empresário que explicou as dificuldades de se morar no Lago Sul. O prefeito questionou sobre a existência de lotes comerciais na região. Gilberto confirmou a existência dos lotes e recebeu do novo prefeito a incumbência de construir e desenvolver, ele mesmo, o comércio da nova região. Superada a difícil negociação com a Novacap, Gilberto Salomão começou a construir o primeiro Centro Comercial do Lago Sul. O prazo dado pelo governo para se concluir a construção foi de 10 anos. Ficou pronta em apenas três.

O Centro Comercial entrou para a história do Distrito Federal, carregando o nome de seu construtor, como o indutor do desenvolvimento da região mais próspera da Capital Federal e uma das regiões de mais alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do planeta. Graças ao Centro, as primeiras 7 casas construídas, que ele só conseguiu vender a partir de 1965, transformaram-se em 497 depois do início da construção da Ponte Costa e Silva – primeira ligação do bairro com o Plano Piloto –, chegando, atualmente, a mais de 7 mil moradias, sem contar os condomínios horizontais, que hoje também fazem parte do Lago Sul. Questionado sobre seu trabalho no nascimento do bairro, Gilberto Salomão afirma que é um orgulho ter contribuído e que “não imaginava que a região chegaria tão rápido a um patamar de qualidade de vida como esse”.

Opção pelo entretenimento

Com o mesmo espírito empreendedor que o fez desbravar o outro lado do Lago Paranoá, Gilberto Salomão foi incrementando as opções disponíveis no Centro Comercial, que se tornou uma espécie de coração do Lago Sul. Para lá foram

empresas grandes, como os hipermercados Jumbo, entre outras. Tudo convergia para lá. Uma vez atendidas as necessidades comerciais da população do Lago, era preciso ampliar o movimento no lugar. A opção foi o entretenimento. Salomão recorda que “tudo era novo em Brasília. Jovens profissionais, como arquitetos e engenheiros, circulavam entre as obras de Niemeyer e a toda hora “pipocavam” novas ideias. Um desses engenheiros havia lido sobre o Cine Espacial, uma nova tecnologia de projeção”, lembra. Por que não construir um desses aqui em Brasília, no Gilberto? A palavra de sua vida havia sido pronunciada: construir. Começou, imediatamente, a busca pelo dono da invenção e a descoberta foi ainda mais tentadora: o projetor já havia sido patenteado em 22 países, mas nunca havia sido construído em lugar algum. “Construímos aqui o primeiro Cine Espacial do mundo”, orgulha-se o empresário. Daí em diante, o Centro Comercial também passou a ser conhecido como um lugar de lazer e entretenimento. Nunca mais perdeu o glamour de um dos mais elegantes pontos da cidade, eternizando, com justiça, o nome de seu construtor.

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trajetória da TV brasiliense contada em livro nadora e por integrantes vivos da história contada por ela. Após 25 anos de dedicação à televisão brasiliense e uma persistente inquietação, como ela mesma define, Patrícia tentou reconstituir esse passado a partir dos depoimentos dos pioneiros. Vale a pena conferir! Não perca também, na próxima edição da Revista do Pioneiro, um texto completo sobre a trajetória de Patrícia Leite até chegar ao livro recém-lançado.

Celson Carlos, um dos pioneiros homenageados e diretor presidente da Revista do Pioneiro, e o neto Daniel festejam ao lado da autora do livro “Luz-Capital”, o sucesso do lançamento.

Na plateia, o pioneiro da imprensa brasiliense Ivo Borges, pai de Patrícia Leite, emociona-se com o evento.

Deputado Raimundo Ribeiro prestigia lançamento do “Luz-Capital”.

Pioneiros marcam presença no lançamento do livro “Luz-Capital”. Da esquerda para a direita: Adirson Vasconcelos (primeiro correspondente da TV Tupi em Brasília), Celson Carlos (fundador da TV Nacional), Wilson Ibiapina (primeiro repórter da TV Globo em Brasília), Lícia Marquez (telespectadora da década de 1970 e jornalista nos anos 1980), Heitor Andrade (chefe de reportagem da TV Brasília na década de 1970), Roosevelt Beltrão (telespectador desde a década de 1960) e Jackson Silva (câmera man e cinegrafista da TV Nacional e da TV Brasília na década de 1960).

a voz do pioneiro

da Redação

Ousadia, coragem, determinação, tropeços e anseios. Esses foram os ingredientes da construção de Brasília, das primeiras tevês da Capital e também da reconstituição de toda essa história, retratada por Patrícia Leite, no livro Luz-Capital, lançado dia 22 de junho, no Uniceub. A escritora e jornalista resolveu colocar na obra toda a história da TV em Brasília. A iniciativa surgiu no período de conclusão de curso e foi aplaudido pelos componentes da banca exami-

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Jornalista, professor, historiador e membro do IHG-DF.

INSTITUTO HISTÓRICO COMEMORA 45ANOS DE FUNDAÇÃO

história

por Jarbas Silva Marques

Em sessão solene realizada na sede do órgão, sob a presidência de Affonso Heliodoro dos Santos, o Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal comemorou os 45 anos de sua fundação – três de junho de 1964, sob a liderança de Saulo Diniz, que foi o primeiro presidente do Instituto. A saudação histórica foi feita pelo “Pioneiro do Antes”, Ernesto Silva, o segundo presidente do IHG-DF, seguindo-se uma palestra do jornalista e escritor Carlos Heitor Cony sobre a cassação do mandato de senador de Juscelino Kubitschek de Oliveira pela Ditadura Civil e Militar de 1964 – o Presidente JK é o patrono do Instituto – cinco dias após a fundação do IHG-DF. Desde a fundação do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, em 1838, os institutos históricos são os pioneiros na preservação da história e geografia brasileiras. O candango Cláudio Sant’Anna Faleceu em Brasília, no dia 02 de julho deste ano, o engenheiro civil Cláudio Oscar Sant’Anna, um candango da primeira hora na construção de Brasília. Fundador e proprietário da Kosmos Engenharia, construiu o Hospital de Sobradinho, o prédio da reitoria da UnB e o Centro Olímpico, cabendolhe a honra histórica da conclusão do primeiro edifício residencial na Asa Sul – o antigo Bloco “D” da SQS 106; fundou, com Joffre Parada, o CREA-DF e o

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sindicato dos Engenheiros – tinha a carteira nº 04 –, e também a Associação Comercial do DF e a Associação dos Candangos Pioneiros com Ernesto Silva. “O conheci em 1962, quando fui dirimir uma dúvida histórica sobre a primeira festa da “Cumeeira” – feita em 1958 por Juca Chaves, no Bloco “K” da 107 Sul –, que teve como madrinha Vera Chaves Pinheiro. Juntos fizemos, ele como Diretor de Urbanização da Novacap e eu, Diretor do Patrimônio Histórico e Artístico do GDF, no dia 29 de setembro de 2002, tendo como chefe de equipe o engenheiro Antônio Alves Ferreira, a localização e marcação da ESTACA ZERO, no pavimento inferior da Estação Rodoviária de Brasília, onde verdadeiramente a construção de Brasília começou, em abril de 1957”, afirma Jarbas Silva Marques.

O Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal, presidido por Affonso Heliodoro, realizou, no dia 30 de junho de 2009, Sessão Solene comemorativa do 45º aniversário da fundação do órgão. Na ocasião foi proferida palestra alusiva à cassação do Presidente Juscelino Kubitschek, seguida de sessão de autógrafo de vários títulos da vasta obra literária de Heitor e abertura da exposição “Fragmentos”, com trechos de correspondências enviadas por Juscelino a amigos e familiares durante o período de exílio político. O sucesso do evento é fruto do esforço e dedicação que Affonso Heliodoro, sua equipe e colaboradores dedicam às atividades sociais, culturais e educacionais desenvolvidas no IHGDF e da constante simpatia que o anfitrião dispensa a seus convidados. Por Oswaldo Santos


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e por falar em saudade...

por João Carlos Taveira

Na noite de 26 de agosto de 2007, um domingo, o poeta Newton Rossi partiu na grande viagem rumo ao infinito; ou com destino a outras galáxias, como costumava dizer. Espiritualista que era, ele sabia que o homem não vem à Terra a passeio. Tem uma meta a cumprir e alguns resgates a fazer. Deixou a mulher, dona Ninon; os filhos Wagner, Márcia e Gleno; os netos Rafael, Felipe e Priscila; e uma legião de fãs e amigos. Era um artista de valor e homem voltado para o exercício da solidariedade. Nunca negou sua participação no problema de ninguém: fosse um senador da república, fosse um ajudante de pedreiro. Era um homem generoso, que acreditava no ser humano e na grandeza da vida. Para mim, que tive a honra e o privilégio de conviver com ele numa jornada de mais de trinta anos, a perda do amigo é muito grande. Fomos colegas e confrades em diversas entidades. Mas o sentimento de amizade que nos uniu prevaleceu sobre todos os outros, dentro de nossa precária circunstância. Contudo, em todas elas, Newton Rossi esteve sempre acima do bem e do mal. Mineiro de Ouro Fino, Newton Egydio Rossi foi criado em Pouso Alegre, onde passou a juventude e fez os estudos primários e secundários. De lá, transferiu-se para Belo Horizonte, onde se formou em Jornalismo

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e iniciou-se no mundo das letras. Trabalhou em jornais, revistas e emissoras de rádio como redator e locutor. No fim da década de 1940, participou do movimento literário mineiro ao lado de Celso Brant, com quem criou a Revista Acaiaca. Nessa época, conheceu Juscelino Kubitschek de Oliveira, de quem se tornou amigo e colaborador, e que mais tarde o traria para Brasília, cuja construção estava ainda no início. Em Brasília, Newton Rossi fundou a Federação do Comércio do Distrito Federal (Fecomércio), a qual presidiu por 24 anos, de 1970 a 1994. Fundou também A Casa D´Italia, que presidiu por três mandatos (havia sido eleito em 2006, já em combate à doença que minara sua saúde, com a firme determinação de levar mais atividades literárias para aquele espaço em que funciona o palco do Teatro Goldoni). Como empresário, administrador, político, professor, orador, poeta e jornalista, Newton Rossi exerceu variados cargos, tanto na área pública quanto na área privada. Integrou o Conselho Nacional de Metrologia e de Política Salarial; atuou como Juiz Efetivo na Junta de Recursos Fiscais; foi Diretor da Liga de Defesa Nacional, do Conselho Regional do Senac e do Sesc, da Associação Comercial do Distrito Federal, do Sindicato do Comércio Atacadista de Materiais de

Construção, do Sindicato do Comércio Varejista de Brasília; também foi fundador e primeiro presidente do Clube dos Diretores Lojistas. Na área da Literatura, fundou e foi o primeiro presidente da Academia de Letras de Brasília (Cadeira XVII, patrono Raul de Leoni). Também se ligou à LBV (Legião da Boa Vontade) desde os tempos memoráveis do grande Alziro Zarur, com participação ativa nas principais atividades daquela instituição, da qual era colaborador e conselheiro. Como poeta, pode-se dizer que se tratava de um grande conhecedor da arte de Camões e de Virgílio. Newton Rossi conhecia profundamente versificação e todos os apetrechos técnicos da metrificação. Era, antes de tudo, um esteta, que só pensava em versos medidos. E isso talvez tenha acarretado para a sua figura, nos meios ditos modernos, o estigma de uma postura de poeta romântico e passadiço. No mundo em que vivemos, os poetas bem-dotados de inteligência e de refinamento técnico dificilmente são perdoados. São comumente tachados de ultrapassados, fora de moda. A tendência é de valorização do medíocre, do despreparado, do bobo da corte. Os bem-preparados, neste sistema imediatista, geralmente são tidos como loucos ou visionários, haja vista o que pulula na mídia no nosso


João Carlos Taveira é mineiro e reside em Brasília desde 1969. Poeta e crítico literário, é membro do Instituto Geográfico e Histórico do DF e da Academia Brasiliense de Letras.

Oração dos que não sabem rezar

Foto : Arquivo pessoal de Hely Walter Couto

Newton Rossi

Da esquerda para a direita: Gilberto Salomão, Dr. Newton Rossi, Professor Clayton Rossi, Hely Walter Couto e Osório Adriano.

dia a dia. Newton Egydio Rossi possui inúmeras medalhas e condecorações, entre as quais cito: a do “Grau de Comendador” do Chefe de Estado Generalíssimo Espanhol, a de “Senador Honorário” do Estado de Lousiana – USA, a “Medalha de Mérito Cívico” da Liga de Defesa Nacional, a “Medalha do Pacificador” do Ministério do Exército e a “Cruz de Mérito” da Cruz Vermelha Brasileira. Como escritor, participou de vários movimentos e ajudou na criação de algumas entidades literárias. Era membro da Academia de Letras de Belo Horizonte, da Academia de Letras de Brasília, da Academia Taguatinguense de Letras, da Academia de Letras e Música do Brasil, da Academia de Trovadores do Distrito Federal, do Sindicato dos Escritores do DF, do Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal e da Associação Nacional de Escritores, entre outros. Deixou os seguintes livros publicados: Trovas no Caminho, 1955; Alma da Rua, 1997; Trovas Escolhidas, 2003; e Sextilhas para Reflexão, 2004; além de um livro de sonetos inédito. Participou de diversas antologias poéticas, e é autor do famoso poema Oração dos que não sabem rezar, traduzido para 15 idiomas.

Senhor! Que estas palavras, que não dizem tudo, Possam chegar um dia aos Teus ouvidos! Chegar como quem chega sem bater à porta... Sem roupa nova, sem nenhum requinte E sem mesmo saber como chegou! Que o ódio seja extinto pela paz. Que haja compreensão e tolerância, Que os povos se entendam como irmãos! Que no coração da criatura humana, Pleno de equilíbrio e de harmonia, Viceje a planta da fraternidade! Senhor! Que estas palavras, que não dizem tudo Possam transpor os mundos no infinito, Levando o apelo mudo dos aflitos, Os gemidos de dor dos desgraçados, O remorso dos maus, e dos bons, o perdão... E a ânsia oculta, da espécie humana, De atingir, sem saber como, a perfeição! Escuta-as Senhor! São palavras que não foram decoradas, Não foram feitas apenas para os lábios... Mensagem de pureza, que mais é um clamor, Dos que não sabem dizer, dos que não podem falar, Dos que só sabem sofrer, dos que só sabem sentir, Dos que só sabem esperar... Esta é a oração dos que não sabem rezar.

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Foto: Rose Brasil

Um regente jovem e talentoso preparava-se para mais uma turnê de sucesso na Europa. Carioca de nascimento e apaixonado por Brasília, ele retornaria posteriormente à Capital Federal para uma série em homenagem aos 90 anos do grande maestro Cláudio Santoro. Sílvio Barbato, de fato, tinha uma agenda cheia. Contudo, não houve tempo para mais nada. Jogado aos braços da eternidade por uma tempestade imprevisível, seus sonhos, expectativas, temores e esperanças esvaneceram-se nos poucos e trágicos minutos que se abateram sobre o voo 447 da Air France. E é por essa razão que a Revista do Pioneiro novamente publica a memorável matéria que realizou com o jovem regente em 2008 por ocasião do Sesc Sinfonia, última ópera regida por ele em Brasília. Uma pequena homenagem a um grande talento da música brasileira

O maestro da saudade

e por falar em saudade...

por Luciana Amaral

Como vai você? Assim como eu, uma pessoa comum, um filho de Deus”, diz a letra de Nem luxo, nem lixo, de Rita Lee e Roberto de Carvalho. O verso, a princípio, seria pouco condizente com alguém habituado ao palco, à ribalta e aos aplausos efusivos do público após cada performance. Entretanto, o maestro Sílvio Barbato foge a qualquer conceito ou rótulo que lhe queiram impor por conta de sua carreira artística. “Tento me manter o mais próximo possível de uma vida normal”, frisa o talentoso e respeitado regente vitalício do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. “Vou ao banco, fico na fila e pago minhas contas como qualquer indivíduo. Quando viajo ao exterior, não digo em qual avião chegarei nem quero carro me esperando no aeroporto”. Por conta de sua simplicidade, ele já deixou muitos organizadores de eventos perplexos e surpresos. Afinal, que grande maestro chega a Veneza, na Itália, e, ao invés do automóvel, vê-se seduzido pela passagem de ônibus de 1 euro para levá-lo ao seu destino? “Foi uma experiência maravilhosa. Pude fazer contato com todos à minha volta”, lembra Barbato. “Cheguei lá como as pessoas chegam, não numa Mercedes Benz”.

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A Magia de Mozart Ao receber a reportagem da Revista do Pioneiro, num sábado pela manhã, seu sorriso esfuziante e pleno de simpatia já prenunciava otimismo e tranquilidade diante da missão que viria logo mais à noite: reger a ópera A flauta mágica – obra de Wolfgang Amadeus Mozart – diante de 25 mil pessoas, em plena Esplanada dos Ministérios. Essa superprodução, que teve acesso gratuito, contou com 60 músicos da orquestra Camerata do Brasil e 55 cantores, sendo os principais André Vidal, Gutemberg Amaral, Janette Dornelas, Lys Nardoto, Jean Nardoto, Marcelo Coutinho e Luciana Tavares. Mesmo após três meses de seca e o público já habituado ao céu praticamente sem nuvens de Brasília, tão característico nesta época do ano, ocorreu o inesperado: caiu a chuva, num aguaceiro generoso que amenizou a alta temperatura e refrescou a multidão. Entretanto, para não ferir a estrutura delicada e sofisticada dos instrumentos musicais, Barbato foi obrigado a suspender o espetáculo 15 minutos antes do término. Com bom humor, atribuiu o aporte pluviométrico fora de hora à magia dessa ópera, que foi uma das últimas compostas pelo gênio Mozart.

A flauta mágica faz parte do projeto Sesc Sinfonia, cujo objetivo é democratizar o acesso à cultura. “Queremos encher as praças da cidade e, ao mesmo tempo, valorizar o artista brasiliense. É uma iniciativa que vem ao encontro de uma inquietação que tanto eu quanto o senador Adelmir Santana (DEM-DF) tínhamos”, ressalta o maestro, referindo-se ao parlamentar e atual presidente do Sesc-DF. “Apenas 5% da população brasileira têm acesso à cultura, sendo que existem dezenas de incentivos via Lei Rouanet”, prossegue Barbato. “Por que esse dinheiro não é direcionado de forma adequada às camadas mais baixas da população?”. Após desabafar seu inconformismo, o regente anunciou que, para o ano que vem, o Sesc Sinfonia trará a adaptação de um título brasileiro. “Há grandes compositores do Brasil que merecem ser apresentados”, explica.

Carioca de Coração Candango Nascido em 11 de maio de 1960, no Rio de Janeiro, Sílvio Barbato herdou o jeito alegre e descontraído dos cariocas, somado à loquacidade italiana, por ser filho de napolitanos com sicilianos. Seus pais, um casal de respeitados médicos, vieram definiti-


vamente para Brasília em 1963. Daniel Barbato, hoje falecido, era professor de anatomia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e fundou o departamento de Morfologia da Universidade de Brasília (UnB). Já Rosalba era anestesista no Rio de Janeiro; atualmente, a Capital Federal é seu lar definitivo, onde aproveita a merecida aposentadoria. Sílvio veio pela primeira vez a Brasília em 1969, durante as férias escolares, e confessa não ter tido uma impressão muito boa da cidade, que ainda era um canteiro de obras, mesmo inaugurada há nove anos. “Imagine um garoto da Zona Sul do Rio chegar aqui, naquela época”, observa. “Os dias pareciam muito longos, sem ter muito para onde ir. Tinha costume de pegar o ônibus Grande Circular e ir para a Asa Norte, encontrar a namorada”. Aos poucos, o estranhamento diante da capital-criança, da mesma idade que seu perplexo visitante, transformou-se em paixão arrebatadora. Nessa trajetória, surgiram também outras paixões. Seu primeiro casamento foi realizado na Capital Federal. A p r i n c í p i o, imaginar uma união matrimonial bem-sucedida entre um rapaz de 17 anos e uma adolescente de 15 era como jogar na loteria: vai dar mesmo certo? Mas, na avaliação de Barbato, não só deu certo, como foram 15 anos muitíssimo bem aproveitados, período em que nasceram os filhos Daniel – nascido em Brasília – e Elisa. “Sinto profundo amor pela Capital”, confessa o regente. “Não consigo imaginar minha vida, nesse circuito de viagens em turnês, e não incluir a cidade”. Hoje, já com uma nova namorada, o maestro fala com orgulho sobre sua prole. “Eles sempre foram uma grande felicidade na minha vida”, destaca. “A Elisa tem 22 anos e estuda Filosofia na Universidade de Roma. O Daniel tem 21 e está na PUC (Pontifícia Universidade Católica), no Rio de Janeiro, cursando Desenho Industrial”.

Carreira Musical Sílvio Barbato conta que o apreço pela música vem de berço. Segundo ele, as famílias italianas primam pela educação musical, independentemente de se seguir uma carreira ou não. Com

ele, não foi diferente, e seu primeiro contato junto às partituras deu-se com o aprendizado do piano. Aos 14 anos, informou aos seus pais que transformaria toda a sua bagagem artística em seu próprio sustento. E assim foi, a despeito do susto que pregou no seu pai, um cientista de renome, ao revelar seu rumo profissional. “No final das contas, ele foi o meu maior incentivador”, elogia Barbato. “Fiz uma graduação importante, aqui em Brasília, com o maestro Cláudio Santoro, assim que ele voltou do exílio. Também fiz mestrado e doutorado em Chicago. Digamos que isso seja influência do meu pai. Ele deixou o legado da grande preparação acadêmica”. Barbato foi o mais jovem maestro a estrear uma ópera no Teatro Municipal do Rio de Janeiro – Tosca, de Puccini –, razão pela qual o apelidavam de “maestro menudo”. E esse “menino”, cuja criança interior ainda cultiva saudavelmente, costumava levar a sua prancha a locais onde o concerto se conjugava com a presença estonteante do mar. “Era um escândalo”, diverte-se. “Eu tinha que andar engravatado, para acreditarem que eu era um maestro, mesmo porque era uma função normalmente exercida por pessoas mais velhas e eu era muito jovem”. Ainda hoje, o regente-surfista pega suas ondas, quando o tempo e a oportunidade assim lhe permitem, mesmo que seja quando o sol ainda está começando a despontar no horizonte, às 6h da manhã. Um dos períodos mais marcantes na carreira do regente foram os 12 anos à frente da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional (OSTN), que assumiu após a morte do saudoso Cláudio Santoro. Foi uma experiência e tanto. “Gerenciar a coisa pública é muito complexo, porque envolve a falta de apoio e uma burocracia não afeita à arte”, avalia. “Um músico pode ser funcionário público, é claro, mas deveria ter uma lei específica para a carreira artística. Na França, por exemplo, um bailarino consegue aposentar-se aos 40 anos, pois nessa idade ele já não tem mais a mesma explosão física de um menino de 17”. Mesmo com toda essa discrepância e a falta de uma legislação que regulamente o assunto, Sílvio acredita que sua trajetória junto à OSTN foi enriquece-

dora. “Tenho orgulho de ter sucedido ao Cláudio, mas, infelizmente, nossos caminhos se separaram”, lamenta.

Tal qual Villa-Lobos Em 2006, seguindo os passos de sua maior referência, Heitor Villa-Lobos, ele estreou uma ópera de sua própria autoria, O cientista. Antes de Barbato, o último a realizar uma proeza parecida foi o próprio Villa-Lobos. E tal qual o mestre que revolucionou a música brasileira, Barbato sempre ousou e defendeu o diálogo entre o clássico e o popular. O regente já realizou turnês e concertos junto a nomes como o violonista Turíbio Santos, o multi-instrumentista Egberto Gismonti, o cantor e compositor Ivan Lins e até os sambistas Martinho da Vila, Jamelão e Dona Ivone Lara, entre outros. Aliás, por falar em samba, volta e meia aflora em Barbato o seu lado flamenguista e mangueirense, com direito a idas ao Maracanã e desfiles em escolas de samba, de preferência, durante o desfile das campeãs, quando, segundo ele, “não há perigo de comprometer a harmonia da escola”. Em Brasília, o maestro já jogou futebol com Dado Villa-Lobos, antes do advento da banda Legião Urbana, e regeu um inusitado concerto heavy metal junto ao grupo Trampa. “Aqui é a capital brasileira do rock. É uma música importante para a cidade”, defende. De fato, essa “pessoa comum, um filho de Deus”, é também, paradoxalmente, um artista reconhecido e de sucesso. Mas, ao contrário do que diz Rita Lee – “não acredito em nada, não. Até duvido da fé”–, Sílvio Barbato mantém forte e intacta sua crença no divino. Católico, ele expõe sua imagem de Padre Pio, de quem é devoto, e, recentemente, teve a oportunidade de reger, em pleno Vaticano – com a presença do Papa Bento XVI –, a ópera Carlos Chagas, em celebração ao centenário da descoberta do Mal de Chagas. De tanto vir a Brasília, há quem ache que Sílvio Barbato mora na Capital, mas sua casa está no Rio de Janeiro. E o seu lar? Para um músico como ele, que peregrina nos mais recônditos cantos do planeta saciando a fome e a sede dos famintos pela cultura, pode-se, sim, dizer que seu lar é o próprio mundo.

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atualidades economia educação trabalho turismo negócios

Empreendedor Individual agora terá direitos assegurados

empreendedorismo

da Redação

etc.

Com a formalização da figura do empreendedor individual, trabalhadores até então informais poderão regularizar-se e obter benefícios tal como cobertura previdenciária Desde o dia 1º de julho deste ano, os pequenos empreendedores brasileiros já podem formalizar suas atividades. Isso porque foi formalizada a figura do empreendedor individual e sua inclusão no Simples Nacional, pela Lei Complementar nº 128/2008. Os empresários não formalizados que faturam até R$ 36.000,00 por ano podem regularizar-se pelo site www.portaldoempreendedor.gov.br, por meio do qual também conseguem obter maiores informações. Após um breve cadastro, o empreendedor receberá o número do CNPJ de sua empresa, a inscrição na junta comercial e o alvará de funcionamento provisório. Inclusão social, cobertura previdenciária, redução da informalidade e melhoria no ambiente de trabalho são os principais objetivos da criação do microempreendedor individual. Com essa novidade, o empreendedor individual não pagará imposto ao Governo Federal. Já o valor pago ao Estado é de R$ 1,00 de ICMS. O INSS será reduzido a 11% do salário mínimo (R$ 51,15). Com isso, o empreendedor individual terá direito a todos os benefícios previdenciários. Os grandes beneficiados nesse novo quadro são os trabalhadores informais, como manicures, cabeleireiros, ambulantes, entre outros. Quanto à contabilidade, o empreendedor individual deve zelar pela sua atividade e manter o controle em relação ao que compra, ao que vende e a quanto está ganhando. Deve, ainda, registrar, mensalmente, em formulário simplificado, o total das suas receitas. Manterá em seu poder, da mesma forma, as notas fiscais de compras de produtos e de serviços. Mas, quem quiser, há assessoria contábil gratuita para o registro da empresa e a primeira declaração anual simplificada.

Os maiores beneficiados com a Lei Complementar nº 128 são profissionais como Antonia, manicure há 20 anos e que agora vai fazer seu cadastro para beneficiar-se com o Empreendedor Individual.

Feira do Empreendedor 2009 prevê 12 milhões em geração de negócios Evento ocorre entre os dias 22 e 26 de julho, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília Foi dada a largada para o circuito nacional da Feira do Empreendedor 2009. Dia 30 de junho deste ano, durante o lançamento da Feira, no Museu de Gemas da Torre de TV, em Brasília, a diretora do Sebrae no DF, Maria Eulalia Franco, e a gerente da Unidade de Acesso e Mercados, Lucimar Santos, contaram a parceiros, à imprensa e a convidados

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todas as novidades reservadas para o evento, que ocorrerá de 22 a 26 de julho, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília. Acessibilidade, responsabilidade social, gestão ambiental e inclusão digital são os quatro pilares da Feira do Empreendedor. “São conceitos que devem nos acompanhar em todos os momentos.

As tendências nacionais e internacionais apontam para a geração de negócios voltados para a qualidade de vida”, afirma Maria Eulalia. “A própria Feira deste ano servirá como exemplo, já que todo o material utilizado para a montagem e divulgação do evento será reciclado e estaremos monitorando a emissão de carbono”, completa a diretora.


Com o objetivo de apresentar boas oportunidades para quem é e para quem deseja ser empresário, a programação inclui cerca de 100 palestras, 50 oficinas e rodadas de negócios nacionais e internacionais, com uma expectativa de 12 milhões em geração de negócios. Segundo Maria Eulalia Franco, “é importante que as pessoas vejam na crise uma oportunidade. As coisas acontecem e as pessoas acreditam. Isso é uma sinalilzação positiva para quem quer investir”. Para tanto, durante o evento, consultores do Sebrae no DF estarão à disposição para orientar aqueles investidores que pretendem iniciar um pequeno empreendimento, inclusive para atender à formalização do Empreendedor Individual, que a partir de primeiro de julho passou a ter benefícios previdenciários, tributários e creditícios. Para os futuros empresários, a Feira apresentará oportunidades de negócios nas áreas de indústria, agronegócios, comércio e serviços. Outra novidade será a grande oferta de franquias. Estudo de mercado realizado pelo Sebrae no DF apontou as franquias como excelentes oportunidades de negócios. Por isso, a Feira contará com uma ilha com mais de 20 franqueadores à disposição dos interessados. Além disso, serão apresentadas mais de 30 oportunidades de negócios em Brasília, já com previsão de investimento e público-alvo definido. Aqueles que desejam se capacitar podem contar com uma programação variada e informações diversas sobre como abrir uma empresa, novas tecnologia, mercado, exportação, crédito, além de consultorias para montar um plano de negócios. A Feira do Empreendedor também apresentará as empresas-modelo, que estarão funcionando durante o evento. As capacitações terão início antes da abertura oficial da Feira. A partir de 20 de julho, os interessados já poderão participar de oficinas, cursos, palestras sobre gestão e empreendedorismo, além de temas relacionados às oportunidades de negócios identificadas pelo Sebrae.

Lançamento da Feira do Empreendedor: (Da esquerda para a direita) Rodrigo Oliveira Sá, Diretor do Sebrae no DF; Maria Eulalia Franco, Diretora do Sebrae no DF; Lucimar Santos, Gestora da Unidade de Acesso a Mercados e Coordenadora da Feira do Empreendedor; e José Carlos Moreira De Luca, Diretor do Sebrae no DF.

Espaços Diferenciados

Ao chegar ao Centro de Convenções, o visitante fará o credenciamento e passará por uma triagem, na qual obterá informações sobre a programação da Feira. Em seguida poderá percorrer a Ilha Digital, que oferece serviços como bolsa de negócios, biblioteca on-line, calculadora ecológica, anúncios em sites, diagnósticos empresariais, entre outros. Para quem busca abrir, ampliar, diversificar e modernizar seus empreendimentos, o Espaço de Oportunidades Nacionais de Negócios apresentará máquinas, equipamentos, franquias, vendas diretas, representações comerciais e distribuição. No espaço do Circuito Empreendedor, o investidor terá acesso a um caminho lógico que abrange informações sobre pequenos negócios, mercado, tecnologia, capacitação, crédito, exportação, consultoria para construção de plano de negócios e legalização de empresas. Segundo explica a gerente do Sebrae, Lucimar Santos, o interessado poderá participar do processo completo para abrir uma empresa. “Todas as entidades que envolvem a abertura de uma empresa, como Receita Federal ou Anvisa, por exemplo, estarão na Central Fácil Na Hora Empresarial. É pos-

sível sair da Feira com uma empresa registrada”, explica Lucimar. Aqueles que desejarem ampliar seu mercado de atuação poderão participar das rodadas de negócio, que serão realizadas no Mezanino, com representantes, distribuidores e franqueadores nacionais e internacionais. No espaço dos Parceiros e Patrocinadores, os visitantes poderão conhecer as instituições de apoio aos pequenos negócios, como federações; conselhos regionais; instituições financeiras, de apoio logístico, ensino, tecnologia e pesquisa. “A missão do banco é contribuir para o desenvolvimento do País”, explicou Andrei Freitas Teixeira, Diretor de Marketing do Banco do Brasil, um dos parceiros do Sebrae-DF na Feira do Empreendedor 2009. A Feira do Empreendedor 2009 será realizada de 22 a 26 de julho, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães. Para aqueles que desejarem visitar o evento, inscrições realizadas até 17 de julho são gratuitas. A programação completa e outras informações estarão disponíveis no endereço www.df.sebrae.com.br. Por Camilla Rizzato, Márcia Lopes, Anna Priscilla e Regina Trindade rp1bsb@rp1.com.br

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mães sempre na

moda

empreendedorismo

por Leilane Menezes

Há 30 anos, Orená Moura Paxeco criou, em Brasília, a primeira loja de roupas especiais para gestantes. Para ela, empreender nunca sai de moda

Orená e os filhos, Rodrigo e Alexandre: mãe e mulher de negócios se misturam e crescem juntas.

O esmero de Dona Orená Moura Paxeco, de 57 anos, em combinar cada peça que veste, como o lenço de poá preto e branco com brincos de pérola e o cabelo intacto, traduz o perfeccionismo que ela imprime em tudo o que faz na vida. A dedicação fica transparente principalmente quando o assunto são as duas maiores paixões de Orená: a família e o comércio, atividade que há quase 40 anos sustenta a casa e há pouco mais de 10 anos mantém a família unida também fora do lar doce lar. Há

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três décadas Orená veste as gestantes do Distrito Federal de acordo com a moda, sem abrir mão do conforto. Ela é a dona das lojas A Barriguda, que funcionam em três endereços na capital do Brasil. É preciso voltar no tempo para entender essa história de união entre família e negócios, que deslanchou em Brasília, na década de 1970. Onze anos depois da fundação de Brasília, o comércio local ainda estava se desenvolvendo e atraiu pessoas de todo o país

com a promessa de ser um território fértil em oportunidades. A notícia chegou até a cidade de Teófilo Otoni, em Minas Gerais, em 1971, e chamou a atenção de dois recém-casados, Orená e Aurindo Paxeco. Eles enxergaram no DF uma chance de construir uma vida, uma família e o próprio negócio. Q u a n d o c h e g a r a m a o Centro-Oeste, Orená e Aurindo Paxeco moraram alguns meses em Taguatinga. Logo em seguida, mudaram-se para o Guará, onde construíram uma família juntos e vivem até hoje. Orená sempre teve a vocação para o comércio no sangue. Ela decidiu, então, bater de porta em porta como sacoleira para vender roupas de bebê e adultos na vizinhança. A renda aumentou e, com a ajuda do marido, que é funcionário público, foi possível montar uma banca na Feira do Guará, para vender o mesmo tipo de produto. Orená e Aurindo logo perceberam uma brecha que havia no mercado de roupas de bebê e poderia alavancar o negócio da família. “As pessoas sempre procuravam, além de roupas para crianças, algo para vestir as gestantes. Foi então que o Aurindo me perguntou: ‘Orená, porque você não vende roupa para grávidas também?’”, conta ela. Daí nasceu a ideia de vestir com mais estilo e conforto as futuras mamães. Orená conseguiu iniciar um negócio, de forma criativa, de acordo com a demanda que estava em


Fotos: Fabiano Neves

aberto no mercado. Pioneira nesse ramo no DF, Orená dá dicas para quem pretende empreender de forma diferente. “É preciso olhar para si mesmo e tentar enxergar de que forma compreender as necessidades alheias. Quando eu estava grávida faziam roupas que pareciam sacos para as mulheres nessa fase. Percebi que isso era um desrespeito. Sentei com os fornecedores e briguei mil vezes com eles até que eles entendessem que era importante mudar, fazer peças bonitas, na moda. Era a chance de um negócio rentável e de elevar a autoestima de muitas mulheres, nesse momento tão sensível e importante”, explica a comerciante. Orená e o marido decidiram chamar a loja de A Barriguda. Tempos depois, mudaram o comércio para o shopping Free Park. Em seguida, com o sucesso nas vendas, foi possível montar a loja no shopping Pátio Brasil, uma das áreas comerciais mais nobres da Asa Sul. Nos anos seguintes, mais duas lojas abriram as portas, também na Asa Sul. Enquanto isso, os filhos vieram: Cristiano, Alexandre e Rodrigo. Conciliar a criação dos meninos com a expansão dos negócios nunca foi fácil, mas Orená considera a tarefa cumprida “e muito bem cumprida”, como ela mesma diz. “As mães e os comerciantes têm algo em comum: ambos são malabaristas. Fazem o impossível e o possível para agradar seu público e cuidar bem da necessidade dos outros. Tudo isso lutando para sobreviver”, compara Orená. O filho mais velho, Cristiano Moura Pacheco, hoje com 36 anos, foi o único a não seguir o caminho profissional da mãe. “Ele preferiu ser policial militar e eu respeitei a vontade dele. Nunca impus aos meus filhos que fizessem o que não gostam. O mais importante na vida é ter amor, ter prazer na profissão e em tudo mais”, conta a mãe. Alexandre, de 33 anos, e Rodrigo, de 29 anos, seguiram os passos da matriarca e dão continuidade ao trabalho dela. O clima é de organização familiar, sem muitos conflitos. “Mas da porta para dentro não tem parente. É trabalho duro e sério”, avisa a chefe. “Aqui dentro é Dona Orená para cá, dona Orená para lá. Não tem essa de chamar de mamãe”, revela Dona Orená, aos risos. Para Rodrigo, trabalhar no comércio é inevitável. “Vejo minha mãe fazendo isso desde que nasci. Já tentei fazer outra

Fachada da loja “A Barriguda”, na Asa Sul.

coisa, mas não deu certo. Meu lugar é ao lado dela”, diz o mais novo da família. Os filhos garantem que o pulso firme da mãe foi o essencial para o sucesso da família. “Não é fácil reinar entre quatro homens. Desde cedo aprendi a ser independente e ter pulso firme”, afirma Orená. Mas quando o assunto é a ajuda dos filhos, o coração de mãe amolece. “Eles representam a ousadia, o fôlego jovem, o espírito inovador”. “Trabalho com a minha mãe há nove anos. O que me atraiu na A Barriguda foi o desafio de fazer moda, e não roupas estereotipadas para grávidas. Hoje não vendemos roupa, vendemos um conceito. E fazer isso junto da família é muito mais divertido”, relata Alexandre Paxeco, 33 anos. “Hoje o Rodrigo me ajuda muito e o Alexandre é meu sócio, administra tudo. Com eles faço a loja crescer cada dia mais”. Dona Orená ainda não pensa em levar A Barriguda para fora de Brasília. “Brasília renasce a cada dia. Hoje as coisas estão mais difíceis do que quando eu cheguei, mas ainda há muita oportunidade para quem tem garra por aqui”, justifica. Unindo sensibilidade, força e um faro impecável para os negócios, Orená Moura Paxeco se encaixou em um segmento antes carente de opções no DF. Hoje, ela realizou o sonho de ter um comércio bem-sucedido e uma família feliz. Para a felicidade das fu-

turas mamães, que espera pela chegada dos filhos, hoje pode-se fazer dos nove meses um tempo mais elegante e confortável. Amor pelo Guará Quando se mudaram para a cidade satélite Guará, Orená e a família sentiram-se praticamente em casa. O Guará, há quase 40 anos, era apenas um embrião do lugar desenvolvido que é hoje. No último dia 5 de maio, a cidade completou quatro décadas. O Guará surgiu em 1969 para atender à demanda habitacional dos trabalhadores do Setor de Indústrias e Abastecimento. A região foi ocupada também pela classe média de Brasília. O Guará fica a 11 km do Plano Piloto e a 8 km de Taguatinga. Abriga aproximadamente 115 mil habitantes, segundo pesquisa do IBGE de 2000. “É muito bom ver uma cidade crescer assim; e melhor ainda é crescer junto dela. Não temos a menor vontade de nos mudar do Guará. É onde criei meus filhos, minha empresa, meu lar, enfim, minha vida. Com o crescimento da cidade muita coisa mudou. O trânsito para ir ao trabalho hoje é terrível, mas o Guará é um lugar maravilhoso, não vamos sair de lá”, finaliza Orená.

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Mais ofertas de trabalho no DF

mercado de trabalho

Setor Noroeste e as do Setor Público para a Copa de 2014. Em junho, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, assinaram um termo de cooperação que amplia a capacidade de endividamento do DF. Com o acordo, a quantidade total dos empréstimos que o Distrito Federal pode contrair ficou em R$ 2,5 bilhões. Entre as obras previstas estão a ampliação do aeroporto e do metrô e a construção de um veículo leve sobre trilhos numa das avenidas mais famosas da Brasília.

Estamos trazendo bastante empregos para cá, empresas grandes, os chamados polos industriais; estamos aumentando o crédito e trabalhando na qualificação. A intenção é derrubar ainda mais o desemprego.

Foto: Davi Ribeiro

por Suendi Peres

Construção Civil, Administração Pública, Comércio e Serviços. Esses foram os setores que fizeram com que 11 mil novas ocupações fossem criadas em maio no Distrito Federal. Segundo pesquisa do Dieese e da Secretaria de Trabalho (Setrab-DF), a taxa de desemprego total no quinto mês do ano foi de 17%, o menor nível registrado em 13 anos para o período em questão. Mesmo com a diminuição de oferta de postos de trabalho em alguns setores, como indústria (-2,3%) e o chamado agregado “Outros Setores” (-0,9%), que inclui serviços domésticos e outras atividades, a expectativa é que novas vagas continuem surgindo. “Estamos trazendo bastante empregos para cá, empresas grandes, os chamados polos industriais; estamos aumentando o crédito e trabalhando na qualificação. A intenção é derrubar ainda mais o desemprego”, explica o secretário de trabalho do DF, Robson Rodovalho. Ele atribui a diminuição da taxa a três fatores. O primeiro refere-se ao trabalho de oferta, do microcrédito, que a Setrab tem feito em locais que antigamente eram chamados de “cidades-dormitórios”, como Samambaia, Ceilândia e São Sebastião. “Com o microcrédito na mão do micro e pequeno empreendedor, é mais fácil gerar emprego”, acrescenta. O segundo é o mutirão de qualificação que a Secretaria faz com o programa A-Tenda Trabalhador. Outro fator citado por Rodovalho é o momento econômico. Segundo ele, Brasília está com a economia aquecida.

Com a economia aquecida, taxa de desemprego de maio teve o menor registro em 13 anos

Obras podem impulsionar crescimento

Estima-se que, no segundo semestre de 2009, a Construção Civil empregue mais pessoas do que no primeiro. Graças a futuras obras, como as do

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O secretário de trabalho do DF, Robson Rodovalho, fala sobre os números do desemprego.


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ECONOMIA por Newton Marques

Como lidar com as finanças pessoais em momento de crise?

colunistas

Em época de grave crise mundial, o cenário econômico no Brasil mostra sinais de desemprego, desaceleração da atividade econômica, dólar em alta, falta de crédito pessoal e tendência de baixas nas taxas de juros, entre outros. É um ambiente de grande incerteza. Diante disso, o que o consumidor pode fazer? O consumidor empregado no setor privado corre o risco de perder o emprego e, na melhor das hipóteses, poderá ter redução salarial; por isso, os cuidados por parte destes devem ser muito maiores do que as precauções tomadas por aqueles que estão empregados no setor público. Porém, os servidores públicos, por sua vez, poderão não ter reajustes salariais, bem como ocorrerem atrasos nos pagamentos dos seus salários, já que, por um lado, o Estado perde arrecadação e, por outro, aumenta os seus gastos públicos para enfrentar a crescente demanda por serviços públicos nas áreas de educação, saúde e segurança.

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Assim, entre os cuidados que são urgentemente necessários, pode-se destacar a elaboração de um orçamento familiar visando à redução dos gastos desnecessários ou supérfluos, como excessos nos gastos com luz, água e telefone. Faz-se também indispensável priorizar o consumo de modo consciente, com base no Método dos Três Sim: 1) Tem necessidade de comprar? 2) Tem dinheiro para comprar? 3) A compra tem que ser no dado momento? Tudo isso é relevante, já que somos, das mais variadas formas, tentados a comprar – a indústria e o comércio, insistentemente, procuram vender os seus estoques antigos por meio de superpromoções, que quase sempre “capturam” um grande número de clientes. Desse modo, as pesquisas de preços e produtos substitutos são altamente recomendáveis, a fim de que os consumidores tenham condição de fazer comparações e realizar compras com menos desembolso de recursos financeiros. Nesse contexto, a questão fundamental não é propagar o pessimismo, mas, sim, alertar os consumidores para que evitem, nesse

Newton Marques é economista e professor no DF.

grave momento, fazer compras sem considerar os devidos cuidados. Curioso é que os governantes e os representantes do setor empresarial procuram estimular o otimismo, no sentido de evitar os efeitos nefastos da crise, mas se esquecem de alertar os consumidores quanto à possibilidade de não se ter, posteriormente, condição de cumprir as obrigações como devedor, no caso de endividamento. Isso porque nem sempre os consumidores compram à vista, mas, sim, a prazo, com taxas de juros embutidas. Contudo, nem sempre os consumidores são devedores, pois existem aqueles que são credores. Nesse contexto, quais seriam as orientações para aqueles que têm recursos financeiros aplicados ou querem aplicá-los no mercado financeiro? Como a economia tende à redução das taxas de juros, a garimpagem das aplicações financeiras requer muita paciência e busca de orientação com gerentes e consultores financeiros, visto que a velha regrinha de bolso tem que ser considerada, ou seja, devem-se procurar a maior segurança, o baixo risco e a possibilidade de se transformar, o mais rápido possível, a aplicação financeira em dinheiro.


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Foto: Joel Rodrigues

ADELMIR SANTANA,

POLÍTICA A FAVOR DO POVO

panorama político

da Readação

Por ser um político preocupado em dar oportunidade a todos os brasilienses, especialmente àqueles mais desprotegidos, o senador Adelmir Santana (DEM-DF), após tantos méritos por trabalhos já realizados no Distrito Federal, é reconhecido nacionalmente pelo papel que teve na criação do empreendedor individual – um novo instrumento de valorização social dos trabalhadores. Embora tenha constituído família com Maria José aqui em Brasília, gerando filhos e netos brasilienses, o senador não se desligou de sua cidade natal – Nova Iorque –, no Maranhão. O pioneiro Adelmir chegou à Capital Federal na década de 60. Nessa época, residindo em Sobradinho, começou a trabalhar, em benefício da sociedade, como representante da comunidade e presidente do clube Sodeso. Além disso, Adelmir se dedicou, durante anos, à criação e à estruturação da rede de farmácias Vison, da qual se afastou quando assumiu definitivamente, no DF, o cargo de senador, já que resolveu se dedicar exclusivamente à política. Destaca-se, ainda, que o atual senador iniciou atividades sindicais pelo Sincofarma – entidade que congrega as farmácias e drogarias do DF –, na década de 70. Hoje, Adelmir San-

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tana é presidente da Fecomércio, do Sesc e do Senac, no Distrito Federal. No plano nacional, engrandecendo Brasília, ele é presidente do Conselho Nacional do Sebrae. Toda essa experiência o levou ao cargo de Relator da Revisão da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa. Foi assim que, nos debates e votações do Senado, Adelmir Santana lançou a proposta de se valorizar as pessoas habituadas a trabalhar por conta própria. A população brasileira está estimada em 15 milhões de pessoas. Entre elas, 50 mil a 100 mil são trabalhadores informais do Distrito Federal. Assim, diante da significativa proporção de profissionais informais, surgiu a relevante proposta de se criar a figura do empreendedor individual. O empenho e a dedicação de Adelmir Santana resultaram no seguinte fato: todos os trabalhadores informais, a partir de julho de 2009, poderão contar com benefícios previdenciários, conta em banco, número no CNPJ, acesso às compras governamentais e até a possibilidade de contratar um empregado. Centenas de atividades passarão a ser reconhecidas pelo Estado. O motoboy, por exemplo, se sofrer um acidente, estará protegido pelo

seguro previdenciário; a quituteira, se ficar grávida, terá direito ao auxílio-natalidade. O senador Adelmir explica tudo isso demonstrando seu compromisso com trabalhadores que antes estavam carentes de qualquer proteção e distantes de reconhecimento público. Isto é: não tinham cidadania. Aqueles que hoje trabalham por conta própria poderão inscrever-se como empreendedores individuais em postos que estarão funcionando em todo o Brasil. No DF, o Governador José Roberto Arruda, consciente de que milhares de pessoas serão beneficiadas, vai mobilizar as administrações regionais para que se engajem nesse processo. Cada empreendedor individual passará a pagar taxas de aproximadamente R$ 50,00 por mês, passando a ser visto como empresário dedicado à atividade antes informal, como cabeleireiros, costureiras, pipoqueiros, manicures, quiosqueiros, sorveteiros, entre outros. Hoje, Adelmir Santana orgulha-se da sua função, visto que consegue trabalhar em benefício da população brasileira. Além do exposto, ressalta-se também sua influência no que se refere à instalação de unidades do Sesc – como o de Ceilândia – e à abertura de novos cursos profissionalizantes via Senac.


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Cláudia Pereira

Coluna publicada originalmente na revista Brasília em Dia.

observatório geral MARATONISTAS E TORCEDORES Democrática, cidadã e humana, assim foi a festa de celebração dos 49 anos de Brasília. Eram 9h30 da manhã quando cheguei à Maratona do Correio Braziliense, evento que já faz parte do calendário do aniversário da cidade e atrai milhares de corredores e torcedores. No bem-montado camarote, o presidente do jornal, Álvaro Teixeira, e os diretores Evaristo de Oliveira, Mauro Nakao, Paulo Cesar e Miguel Jabour recepcionavam políticos, empresários, publicitários e jornalistas enquanto eram aguardados os resultados da corrida e a entrega dos prêmios. CAMINHADA Do camarote do Correio Braziliense, que ficava ao lado do Ministério da Justiça, segui andando até a quadra do vôlei de praia, em frente à rodoviária. Essa caminhada me permitiu estar ao lado das famílias que chegavam em busca de uma sombra para montar seu pic nic, dos ambulantes que terminavam os últimos ajustes das suas mercadorias e dos barraqueiros que preparavam os lanches que seriam servidos ao longo do dia. A festa estava apenas começando e a Esplanada já reunia 300 mil pessoas. VÔLEI E CAVALGADA Quando cheguei perto do Museu da República, as famílias tomaram forma de multidão, aglutinadas entre as quadras do vôlei de praia e a cavalgada que trazia cavaleiros dos mais distantes recantos do Brasil. Carregando bandeiras dos seus estados e trajando uniformes especialmente desenhados para a ocasião, os 5,3 mil cavaleiros desfilavam, na Capital do País, o orgulho de serem representantes do interior do Brasil. ESPELHO D’ÁGUA E PULA-PULA O calor de mais de 30 graus transformou o espelho d´agua do Museu num piscinão para a meninada. Crianças de todas as idades se revezavam entre um mergulho nas águas rasas do espelho d’água e um salto no pula-pula do parque de diversões, montado no gramado em frente à Catedral. Pintura de rosto, palhaços e brincadeiras trouxeram alegria para as crianças que esperavam ansiosas pelo show da rainha dos baixinhos, que aconteceria no início da noite. GARÇOM DANÇARINO Na quadra central, pude assistir à vitória das brasileiras contra as americanas e a despedida da campeã Sandra, que, aos 36 anos, encerrou sua bem-sucedida carreira de atleta. No confortável camarote, montado para convidados, os patrocinadores e apoiadores do evento serviam drinks e petiscos, num ambiente bem deco-

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rado com sofás da Kamy. A diversão ficou por do conta do garçom dançarino. Personagem do Armazém do Ferreira, que entre rodopios e evoluções com a bandeja, servia deliciosos pastéis, bolinhos de bacalhau e quibes, tudo bem quentinho, para o delírio da plateia. 1,3 MILHÃO DE CONVIDAD OS Já passava das 16 horas quando atravessei de volta a Esplanada, em direção ao palco central dos shows. Perguntei ao policial se ele sabia quantas pessoas já tinham chegado à festa. Ele disse que até aquela hora eles estimavam em 700 mil. Mas, ao cair da noite, ele afirmou, com o início dos shows, que esse número subiria para mais de 1 milhão. Dito e feito. 1,3 milhão de brasilienses lotaram a Esplanada dos Ministérios para assistir Jota Quest, Xuxa e Cláudia Leitte e se emocionar com a queima de fogos que encheu de luz e beleza o céu de Brasília. DESAFIO E pensar que tudo isso começou em dezembro de 2006, quando meu irmão Paulo Octávio, eleito vice-governador do Distrito Federal, foi também convidado a sumir a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo. Naquela manhã de dezembro, na sede do governo de transição, ele lançou dois desafios aos 400 empresários que lotavam o salão. Convocou o trade turístico para ajudálo a fazer um bela festa no dia 21 de abril de 2007, a fim de trazer para Brasília 5 mil turistas. O segundo desafio foi para a geração de emprego. Pediu aos empresários ali presentes que, no dia 1º de maio, todos pudessem celebrar a contratação, em carteira, de 5 mil novos trabalhadores. VONTADE POLÍTICA Passados três anos, o programa de geração de emprego, renda e desenvolvimento é um sucesso, e a festa de 21 de abril é um acontecimento que, a cada ano, mobiliza não apenas os brasilienses, mas amplia o desejo dos brasileiros de visitar a sua Capital. Esses episódios demonstram que a vontade política, aliada a metas, projetos e boas parcerias, é o verdadeiro motor da sociedade e é com ela e através dela que se constrói a história.


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A Hora do imóvel!

Mercado Imobiliário

por Suendi Peres

O Distrito Federal já não parece mais aquele de 1960. São mais de dois milhões de habitantes e as cidades não param de crescer. Algumas são chamadas de “canteiro de obras”. Um novo bairro está surgindo, o primeiro ecologicamente correto do Brasil. A economia da Capital anda aquecida e os juros nunca estiveram tão baixos. A Selic, taxa básica de juros, alcançou seu menor patamar desde 1986, quando foi criada. Com mais oferta de crédito na praça e programas habitacionais, como o “Minha Casa, Minha Vida”, do Governo Federal, o sonho da casa própria fica cada vez mais próximo dos brasilienses. “Avalio o mercado imobiliário do DF de forma muito positiva. Brasília, não só hoje, mas historicamente, sempre teve um mercado que cresceu a cada ano e tem crescido a taxas bem superiores às médias de outras cidades e também acima da média do País como um todo”, explica o presidente da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do DF (Ademi-DF), Adalberto Valadão. Para ele, o Setor Noroeste deve ajudar no aquecimento das vendas de imóveis. Mesmo com preços que não são considerados acessíveis, Brasília tem demanda para esse tipo de negócio. Mas as oportunidades não ficarão restritas apenas a quem possa comprar um apartamento no Noroeste. Valadão vê no “Minha Casa, Minha Vida” uma boa chance para famílias de poder aquisitivo mais baixo comprarem imóveis. O programa permite um financiamento com prazos bem mais alongados e juros mais baixos, o que vai facilitar negociações. “É mais um ponto que vai aquecer o mercado e a economia, além de permitir que essas pessoas tenham uma moradia digna”, conclui. O Distrito Federal é o terceiro maior mercado imobiliário do País. Em primeiro lugar está São Paulo, seguido pelo Rio de Janeiro. Uma pesquisa encomendada pela Ademi-DF revela que, apenas no primeiro trimestre deste ano, 4170 lançamentos foram vendidos – apenas imóveis novos –, 1050 só em Águas Claras. A cidade lembra um canteiro de obras e tem atualmente mais de 130 prédios em construção. Para o servidor da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda Moacyr Neto, este é um ótimo momento para se fazer um bom

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Foto: Arquivo pessoal

Mercado Imobiliário do DF é o terceiro maior do País, perdendo apenas para São Paulo e Rio de Janeiro

Moacyr Neto deseja comprar seu primeiro imóvel nos próximos dias. Águas Claras é uma das opções dele.

negócio. “Os juros mais baixos vão me ajudar a comprar minha casa própria e o momento econômico me dá mais segurança para pensar em longo prazo”. Cauteloso, desde o início do ano ele está de olho nas ofertas, mas só agora decidiu investir em moradia. Entre os locais escolhidos por ele estão Águas Claras e Guará. “Quero um apartamento que custe em média R$ 200 mil. Essas duas cidades têm prédios novos e estão em crescimento”, diz Moacyr. Para quem tiver interesse em aproveitar a fase otimista da economia no DF e comprar um imóvel, os sites especializados em vendas de são uma boa opção. Alguns bancos também disponibilizam, em suas páginas da internet, uma simulação de financiamento, o que ajuda na hora de escolher onde pegar o empréstimo.


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violência

nas escolas

Pesquisa aponta que mais da metade dos alunos da Rede Pública de Ensino do DF já sofreram ou viram alguém sofrer agressões físicas na escola. Para amenizar o problema, o Governo oferece cursos aos professores

educação

por Leilane Menezes

Para grande parte dos 500 mil alunos da Rede Pública de Ensino do Distrito Federal, a escola, que deveria ser um espaço de aprendizagem, se transformou em campo de batalha. De acordo com a pesquisa Revelando Tramas, Descobrindo Segredos: violência e convivência nas escolas, jovens da Capital Federal vivem à sombra da violência no ambiente escolar. O estudo foi encomendado pela Secretaria de Educação do DF para a Rede de Informação Tecnológica LatinoAmericana (Ritla). Entre os resultados, uma porcentagem chama a atenção: 69,9% dos alunos entrevistados afirmaram já ter visto ou sofrido violência física na escola. Entre os professores, o número é ainda mais alto: 71,1% dos docentes confirmaram as agressões. O número de roubos e furtos também é alarmante: 69,2% dos alunos já presenciaram esse tipo de ocorrência. Quando o assunto é droga, 23,3% dos participantes disseram já ter visto o tráfico ocorrer dentro da escola. Para tentar amenizar o problema da violência nas escolas do Distrito Federal, a Secretaria lançou em maio o programa Juventude, Diversidade e Convivência escolar. Os professores vão aprender como lidar com situações de conflito. “Nosso professor é bem preparado para dar aulas, não para lidar com a violência no cotidiano da escola, mas como esse é um dos nossos maiores problemas nos dias de hoje, precisamos todos aprender a enfrentá-lo”, explicou Secretário de Educação do DF, José Valente.

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Secretário de Educação do Distrito Federal, José Valente, em parceria com a Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana (RITLA), representada por Jorge Werthein, busca diagnosticar a violência  nas escolas.

enem A prova passa a ser obrigatória, a partir do ano que vem para todas as escolas do Brasil. Haverá mais questões: ao invés de 63 serão 200, que deverão ser mais voltadas ao cotidiano dos estudantes, para evitar o famoso “decoreba”. O Ministério da Educação espera ainda que, em três anos, o Enem passe a ser o novo vestibular para as universidades públicas. As questões serão divididas em quatro áreas: ciências humanas (história e geografia), ciências da natureza (biologia, química e física), matemática e linguagens (português e literatura), que inclui uma redação. Haverá 45 perguntas referentes a cada área. O Ministério da Educação esclareceu que as perguntas terão grau

de dificuldade diferente: as primeiras serão mais fáceis e as últimas, mais difíceis. Até o momento, 48 das 55 universidades federais do País já decidiram adotar a nota do Enem como forma de escolher os alunos. Na Universidade de Brasília (UnB), o Enem só deve ser incorporado como ferramenta de seleção em 2011. A Universidade ainda não sabe como o exame ajudará no processo seletivo. As propostas são combinar a nota do exame com o resultado do vestibular ou reservar uma porcentagem de vagas para os alunos que fizerem o Enem. De qualquer maneira, nada disso deve afetar o sistema de cotas em funcionamento atualmente.

Escola é ambiente de preconceito por Suendi Peres

Deficientes e negros são as maiores vítimas de preconceito nas escolas brasileiras. Essa afirmação é de um estudo feito pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) para o Inep. O levantamento foi feito em 501 escolas com 18.559 pessoas (estudantes, pais e mães, professores e funcionários da rede pública de todos os estados do País). A conclusão foi que 99,3% dos entrevistados têm algum tipo de preconceito e que mais de 80% gostariam de manter algum nível de distanciamento

social de portadores de necessidades especiais, homossexuais, pobres e negros. Segundo a pesquisa, pelo menos 10% dos alunos relataram ter conhecimento de situações em que alunos, professores ou funcionários foram humilhados, agredidos ou acusados injustamente apenas por fazer parte de algum grupo social discriminado. Outro fato constatado foi que nas escolas onde as agressões são mais intensas, o desempenho na Prova Brasil (avaliação do rendimento escolar) é mais baixo.


Aprendizado para os alunos, solução para a comunidade. O UniCEUB inaugurou mais duas opções de atendimento comunitário no Edifício União: O Espaço Digital e a sala de Erradicação do Analfabetismo.

Espaço Digital Sala com computadores, mesas, cadeiras e impressoras para o ensino básico de informática em turmas matutinas e vespertinas em parceria com o Banco Santander.

Erradicação do Analfabetismo Sala com capacidade para atender 25 alunos em cada um dos três turnos de funcionamento.

Dessa forma, conciliamos conhecimento juntamente com a prática para nossos alunos e desenvolvimento aliado ao bem estar para a comunidade.

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A NOVA ORTOGRAFIA E A ESCRAVIZAÇÃO AO DICIONÁRIO

colunistas

português no dia a dia por Ernani Pimentel

O decreto nº 6.583, de 29 de setembro do ano passado, assinado pelo Presidente da República Federativa do Brasil, fez nascer para o povo brasileiro a realidade de que a partir de 1º de janeiro último entraram em vigor as nossas novas regras de escrita, resultantes do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, subscrito pelos Governos da República de Angola, da República Federativa do Brasil, da República de Cabo Verde, da República de Guiné-Bissau, da República de Moçambique, da República Portuguesa, da República Democrática de São Tomé e Príncipe e da República Democrática de Timor-Leste. Se o leitor quer conhecer e quer ter acesso a aulas de atualização ortográfica, com direito a material impresso, professor explicando no quadro, bateria de exercícios, correção de exercícios e tutoria, basta entrar no portal www.vestcon. com.br, selecionar cursos online, Nova Ortografia Simplificada e, em dois ou três dias, estará apto a sair-se bem em qualquer prova relativa ao assunto. Independente de estarmos todos preparados para adotar as novas regras, como já o fizeram muitas empresas jornalísticas e editoras e muitas outras o estão fazendo, é importante refletirmos sobre a necessidade de aprimorar esse acordo para tirá-lo das premissas compatíveis com o século XX, época em que foi pensado, e adaptá-lo à realidade prática e racional do século XXI, período em que passa a viger. Se há algo que sempre atrapalhou o ensino-aprendizagem do capítulo ortografia, desmotivando alunos e professores, produzindo uma consciência coletiva de incapacidade de escrita e de subordinação compulsória ao dicionário, chama-se “exceção”. Se no século passado se aceitava que a “exceção comprova a regra”, hoje a consciência predominante é de que “a exceção destrói a regra”, torna-a incapaz e desinteressante, porque transmite a sensação de perda de tempo: para que estudar uma coisa que é falha, que não tem lógica, que é irracional. Ao homem

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do terceiro milênio não interessam as formulações superficiais, não práticas, não racionais e dogmáticas. É, pois, preciso adequar a ortografia a essa nova etapa de evolução do ser humano, que deixa de ver o mundo sob a ótica da linearidade e passa a captá-lo sob um ponto de vista quântico, holístico. Qualquer indivíduo inteligente, hoje, (e todos, a princípio, o são) não aceita imposições irracionais docilmente e vai querer saber: Por que blêizer se escreve com z e gêiser, com s? Por que estender com s e extensão, com x? Por que água-de-coco com hífen e suco de uva, sem? Por que África do Sul e Nova Guiné, sem hífen e Timor-Leste e Guiné-Bissau, com? Por que eliminamos o trema de nossas palavras e o usamos nas estrangeiras? Por que proto-herdeiro, com h e hífen, mas coerdeiro, sem eles? Por que duas grafias aceitas para uma mesma palavra, bi-hebdomadário e biebdomadário? Por que cor de café, cor de bonina sem hífen e cor-de-rosa, com? Por que paraquedas, paraquedista, paratudo, sem hífen, mas para-raios e para-sol , com? Por que para-raios e para-sol com hífen, mas contrarregra e contrassenso com rr e ss, sem hífen? Por que girassol e giravolta sem hífen, mas gira-mundo, gira-patacan(bobo) e gira-discos, com? Por que guarda-chuva e manda-tudo têm uma só grafia com hífen obrigatório, porém mandachuva está correto sem hífen ou com ele, manda-chuva? Por que as onomatopeias com palavras repetidas ora têm hífen (reco-reco, blá-blá-blá), ora o dispensam (panapaná, panapanã)? Por que em madre-forma, madre-mestra e madre-caprina o hífen é obrigatório, mas não é usado madrepérola? Por que água-de-colônia com hífen e água de cheiro, sem?

Ernani Pimentel é professor, escritor, palestrante e presidente da Vestcon.

Por que pé de botina, pé de sapato, pé de chinelo sem hífen e pé-de-meia, com? A palavra arco-íris tem quatro outras denominações: arco de Deus, arco da chuva, arco da aliança e arco-da-velha. Por que só a última tem hífen, se todas têm preposição? Por que há duas grafias corretas para pré-embrião/preembrião, com ou sem hífen, mas uma só para pré-embrionário, com hífen? Por que só existe uma grafia, com hífen, para pré-esclerose, mas duas para seu adjetivo, pré-esclerótico/preesclerótico, com ou sem hífen? Por que só uma grafia para preeleger, sem hífen, mas duas, com ou seu hífen, para pré-eleito/preeleito, pré-eleição/ preeleição... Por que duas grafias para ab-rupto ou abrupto, quando se deve ensinar que a melhor pronúncia é a que separa os dois elementos? Por que duas grafias corretas para adrenal /ad-renal, com ou sem hífen, mas uma só, sem hífen, para adrenalina e adrenalite? Por que futuro do pretérito se escreve sem hífen, mas mais-que-perfeito deve ser hifenado obrigatoriamente? Por que se mantiveram as grafias mal-andança (infortúnio), mal-assombro (fantasma), malconceito (má fama), malcriação, se o mal está indevidamente usado como adjetivo. Deveria ser má-andança, mau-assombro, mau-conceito, má-criação. Se você, leitor, concorda que o ensino da ortografia deve ser simplificado eliminando-se esses disparates, eliminando-se as exceções, entre no site www. simplificandoaortografia.com.br clique em “eu assino o manifesto”, preencha seus dados e os envie e sua atitude valerá como uma assinatura de apoio à nossa luta pela racionalização e simplificação da ortografia. Acredite em você, em nós, em nossa causa, divulgue essas idéias o máximo que puder, e conseguiremos nossa independência dos dicionários para escrever.


turismo emergente As previsões de que, com a crise mundial, as potências emergentes seriam as menos prejudicadas no setor de turismo parecem se confirmar para o Brasil

por Leilane Menezes

sétima posição. “O Brasil está muito bem posicionado, entre os ‘Top 10’, em dois itens importantíssimos, que são a geração de empregos e a renda para a nossa economia, por meio do turismo”, avalia a presidente da Embratur, Jeanine Pires, que acompanhou o anúncio do estudo em Berlim. “Esse é mais um indicador que confirma a importância que o turismo pode ter para o desenvolvimento econômico do País”, conclui. Os relatórios da Conta Satélite trazem previsões e possíveis cenários para os próximos dez anos, a fim de preparar a indústria do turismo e oferecer dados para ajudar os governos a traçar estratégias.

turismo

O Brasil recebeu uma boa notícia em meio à crise mundial: o País alcançou o 7º lugar no ranking mundial de nações que mais sediaram eventos internacionais em 2008. Ocorreram 254 eventos internacionais no território brasileiro. As informações são de uma pesquisa da International Congress and Convention Association (ICCA). A boa classificação lembra o que foi dito em maio durante o 9º Congresso do Conselho Mundial de Viagem e Turismo (WTTC), no Costão do Santinho, em Florianópolis (SC). É a primeira vez que um país da América latina recebe esse evento. Na ocasião, especialistas apostaram que as economias emergentes seriam as primeiras a se recuperarem da crise global, especialmente o Brasil e a China, justamente pela capacidade de atrair investimentos internacionais. Também durante a conferência de turismo, a presidente da Empresa Brasileira de Turismo (Embratur), Jeanine Pires, afirmou que a variedade das viagens internas, no País, fez com que o turismo no Brasil, em 2009, superasse o desempenho do restante do mundo. A presidente relembrou, ainda, um levantamento da Oxford Economics, feito a pedido do Conselho Mundial de Turismo. O estudo aponta que, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) do turismo no mundo deve cair 3,5% em 2009, no Brasil haverá um discreto aumento de 0,4%. Em entrevista coletiva para a imprensa internacional, realizada em Berlim, o World Travel and Tourism Council (WTTC) divulgou a Conta Satélite do Turismo (Tourism Satellite Accounting – TSA) para 2009. A pesquisa, também elaborada pela Oxford Economics, quantifica os diversos aspectos de viagens e turismo de 181 países. O Brasil, que em 2008 era a 14º nação do mundo com a maior economia de turismo, saltou para a 13º posição em 2009. O País ocupa o primeiro lugar entre as economias de turismo da América Latina. O presidente do WTTC, Jean-Claude Baumgarten, tem uma visão otimista em relação a países emergentes – entre eles o Brasil: “Estes países serão peças fundamentais na retomada do crescimento econômico mundial, gerando milhões de novos viajantes das crescentes classes-médias”, declarou. “Isso pode significar tanto um incremento para as viagens internacionais como também criar, cada dia mais, um vibrante turismo doméstico”. O País encontrase em quinto lugar no ranking geral das economias que devem gerar, em termos absolutos, o maior número de empregos diretos em 2009. No quesito que avalia a geração de empregos diretos e indiretos, o Brasil ocupa a

“Brasil está entre os Top 10”, afirma a presidente da Embratur, Jeanine Pires.

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Grandes eventos movimentam turismo em Brasília Por Suendi Peres O Distrito Federal faz parte das conquistas brasileiras no setor de turismo. Brasília ocupa o 4º lugar no ranking de cidades que mais receberam eventos de grande porte no Brasil em 2008. A Capital dispõe de auditórios, clubes sociais, estádios, ginásios de esportes, salas e espaços em hotéis, business center, salões de festa, salões de espetáculos e mansões para eventos sociais. Segundo dados do Brasília Convention & Visitor Bureau, são 460 espaços disponíveis no total. “Acreditamos que a Capital do País seja uma atração a mais, tanto pela infraestrutura hoteleira, como pela facilidade de acesso aos eventos no Plano Piloto. Somos uma das poucas cidades do Brasil que têm uma rede hoteleira próxima ao centro de convenções. Além disso, o Centro de Convenções Ulysses Guimarães tem capacidade para receber 9,4 mil pessoas simultaneamente, sendo considerado o 3º maior centro de convenções do País, perdendo apenas para o Anhembi e o Pavilhão 5, do Rio Centro”, afirma o presidente da Brasiliatur, João Oliveira. Outro fato importante citado por ele é que as decisões políticas e econômicas quase sempre são decididas em Brasília. Essa proximidade com o poder decisório ajuda os participantes de eventos, já que eles podem ter contato direto com os representantes de seus respectivos estados. Além de ajudar o Brasil a conquistar um bom lugar no ranking mundial, o “turismo de eventos” movimenta a economia brasiliense, gerando mais emprego, renda e receita para o Distrito Federal. “São hotéis, bares, restaurantes, táxis e uma centena de segmentos beneficiados com o turista. Não existe um número estatístico preciso, mas a Secretaria de Fazenda observa que o fluxo de arrecadação aumenta quando há grandes eventos na cidade”, informa o presidente da Brasiliatur. João Oliveira diz, ainda, que o centro de convenções já possui eventos pré-agendados até o ano de 2014, o que prova a vocação do turismo de eventos da cidade.

A tendência é que o turismo na cidade continue e Brasília permaneça como um referencial na área de turismo de eventos. “Estamos em francos preparativos, tanto na capacitação bem como no treinamento do pessoal receptivo, visando à grande festa, em 2010, dos 50 anos de Brasília. Além disso, teremos em 2014 a grande festa da Copa de 2014”, conclui o presidente da Brasiliatur. Centro de Convenções Um dos locais mais famosos para realizar grandes eventos no Distrito Federal é o Centro de Convenções Ulysses Guimarães. O local ocupa uma área total de 54 mil metros quadrados e é subdividido em alas. Em 2005, quando foi inaugurado, aconteceu a “Cúpula América do Sul e dos Países Árabes”. O evento foi um dos maiores já promovidos em Brasília, não só pelo número de participantes, mas, sobretudo, pelo consumo em hotéis, restaurantes e serviços, o que exerceu influência na movimentação econômica da cidade.

Centro de Convenções Ulysses Guimarães: local tem capacidade para mais de 9 mil pessoas.

Nova gripe influencia turismo No período de férias, uma recomendação do Ministério da Saúde preocupa turistas e agências de turismo: evitar viagens, principalmente à Argentina e ao Chile. O motivo? Grande parte dos brasileiros infectados esteve por lá. Em São Paulo, mais de 40% dos 149 casos de gripe A (H1N1) registrados são de pacientes infectados durante viagem a um desses dois lugares. A Argentina já tem mais de mil casos da doença registrados e o governo confirmou a morte de 10 pessoas. A recomendação é ainda maior para crianças menores de dois anos de idade; idosos acima de 60 anos;

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gestantes; pessoas com imunodepressão, hemoglobinopatias, diabetes; cardiopatas; e portadores de doença pulmonar ou renal crônica, pois esse grupo apresenta maiores riscos de desenvolver as formas mais graves da nova gripe. Quem já está de viagem marcada para um desses destinos e preferir cancelar ou adiar o passeio, vale destacar que não ficará no prejuízo, de acordo com o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) e com o Procon. Como houve recomendação das autoridades de saúde pública para que se evitem as viagens aos locais considerados de risco, isso configura o direito de desistência. Nem os prestadores de

Por Alline Martins serviço nem o consumidor têm culpa da pandemia. Com isso, segundo o Idec, o cancelamento ou a mudança de data da viagem não po-derá gerar multas. Ainda há outras localidades consideradas de risco pela Organização Mundial de Saúde: Estados Unidos, México, Canadá, Austrália, Chile e Argentina, que são países com transmissão sustentada. O Brasil também está controlando, por meio da Anvisa, a entrada de viajantes no País. Aqueles que chegam da Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai terão de preencher um documento com informações sobre o estado de saúde.


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por Alline Martins

Produção de hortifrútis é campeã em uma das cidades mais antigas do DF

agronegócio

Brazlândia completou, em junho, 76 anos. Além da data festiva, os dados referentes à economia da cidade também são motivo de comemoração

Brazlândia caracteriza-se por grandes números. Além de ser uma das cidades-satélites mais antigas do Distrito Federal, tendo completado 76 anos em junho deste ano, é responsável pela oferta de 40% dos hortifrutigranjeiros produzidos na Capital Federal e posiciona-se como sétima maior produtora de morangos no Brasil, representando 60% da produção do DF. Tudo isso gera mais de seis mil empregos diretos e movimenta a economia local. De acordo com o engenheiro-agrônomo e gerente da Emater - Brazlândia, Marcelo Pereira, essa tradição de cultivo agrícola vem da década de 60. Nessa época, foi formado, com a ajuda de subsídios do Incra, o principal centurião verde do Distrito Federal, com propriedades de no máximo 10 hectares. A proximidade com centros urbanos como Brasília e Taguatinga garantiu, desde o princípio, o pronto consumo da produção e, consequentemente, o lucro.

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Os primeiros ocupantes eram japoneses que já tinham a tradição do cultivo de hortaliças. Nas décadas de 70 e 80, a produção e o consumo aumentaram e os brasileiros passaram a ter participação significativa no cultivo de hortaliças. Hoje as propriedades são ainda menores do que há 40 anos. Possuem apenas cinco hectares, mas dezenas de pequenos agricultores somam uma enorme produção e geram milhares de empregos. São várias as associações em núcleos rurais, como o Projeto Maranata, Rodeador, Capãozinho, entre outros. Recentemente, a Associação dos Produtores de Alexandre Gusmão mudou a forma de comercializar as hortaliças. Em vez de levar, toda madrugada, os produtos para feiras e mercados, os produtores agora os repassam aos grandes supermercados da própria RA, num galpão no Incra 07. “É uma forma de vender mais rápido e com mais qualidade. A tendência é o lucro aumentar e ocorrer a formação de cooperativas”, afirma Marcelo Pereira. Brazlândia também se destaca na pecuária, principalmente na bovinocultura de leite e na avicultura de corte.


A tradicional Festa do Morango As primeiras mudas de morango foram trazidas de São Paulo para Brazlândia na década de 70, por meio da colônia japonesa assentada no Polo Irrigado Alexandre Gusmão. Até o início dos anos 90, apenas esses agricultores e seus descendentes exploravam a citada cultura, e foi nessa época que a Emater - DF, por intermédio dos seus técnicos lotados nos escritórios de Brazlândia e Incra 08, iniciou estudos mais aprofundados visando à disseminação de algumas variedades e ao firme propósito de ensinar as técnicas aos agricultores brasileiros. Devido a algumas dificuldades no cultivo, alguns agricultores preferiram outras opções, como as hortaliças, permanecendo com o morango cerca de 50 produtores, com área total cultivada de 50 hectares/ano e, mesmo assim, tornando Brazlândia a sétima maior produtora do País e a primeira da região Centro-Oeste. Com tamanha produção, surgiu a ideia da Festa do Morango, que pegou carona com a Exposição Agrícola de Brazlândia e este ano realiza sua 14ª edição. Na época das primeiras festas, os produtores jamais imaginaram que ela ganharia a proporção gigantesca dos dias atuais, reunindo mais de 30.000 pessoas nos três dias de exposição e muitos shows. Hoje, a Festa do Morango é realizada concomitantemente com a Exposição Agrícola de Brazlândia, sempre na sede da ARCAG – Associação Recreativa e Cultural Alexandre de Gusmão, localizada à margem da rodovia DF 180, no Incra 06. Além da exposição e comercialização do morango in natura e seus vários derivados – como bolos, tortas, licores, sorvetes e sucos –, o evento proporciona aos visitantes muita diversão, músicas, bebidas e comidas típicas, tornando-se uma das maiores e melhores festas do Distrito Federal. Este ano, a festa realizar-se-á nos dias 21, 22, 23, 28, 29 e 30 de agosto. A data da festa deve-se ao fato de que o morango exige altitude, muita água e clima frio, além de pouco sol. Por isso a fruta é plantada somente nos meses de junho a agosto, quando ocorre o pico da colheita. Brazlândia e suas riquezas Fundada em 5 de junho de 1933, Brazlândia pertencia inicialmente ao município de Luziânia (GO). Passou a integrar o Distrito Federal, em 28 de março 1961, como Subprefeitura e, em 12 de junho de 1973, tornou-se cidade-satélite do DF. Localiza-se a 59 quilômetros do Plano Piloto; é a cidade mais distante de Brasília. Famosa não somente pela produção de hortifrutigranjeiros e pela tradicional Festa do Morango, Brazlândia atrai centenas de visitantes à procura de lazer em meio à natureza. Muitas cachoeiras formam as mais belas paisagens da região. A Chapada Imperial e o Poço Azul são os dois lugares que, anualmente, mais recebem brasilienses e turistas. Mas há também o Rancho Paraná, a fazenda ecológica Chicão, as cahoeiras do Monte Alto e das Sete Curvas e o Rio do Sal.

É tempo de morango!

De junho a agosto, esse fruto vermelho, ora doce, ora azedinho, é figura presente em supermercados, beiras de estradas e receitas de doces e saladas. É tempo de safra do morango, fruto originário da Europa, mas que já conquistou o paladar dos brasileiros. Produtores mineiros, paulistas, catarinenses e gaúchos destacam-se na produção dessa fruta, mas, em Brasília, Brazlândia se sobressai. Carnoso, suculento e de sabor levemente ácido, o morango tem várias substâncias essenciais ao organismo, como o potássio, o sódio e o cloro, responsáveis pelo metabolismo e pelo movimento da musculatura cardíaca. É rico em vitamina C, que ajuda a prevenir gripe, proporciona resistência ao organismo contra infecções e auxilia na cicatrização de feridas e na absorção do ferro. Possui também vitamina B5 e ferro. A niacina evita problemas de pele, do aparelho digestivo e do sistema nervoso. Já o ferro é um mineral que participa da formação do sangue. Na hora de comprar os morangos, prefira os de tamanho médio, de cor vermelho-vivo e com talos bem verdinhos. Como são muito sensíveis a mudanças climáticas e não duram por muito tempo – no máximo por três dias –, devem ser guardados, na geladeira, sem serem lavados, pois a água favorece o apodrecimento. À mesa, o suco da polpa ou a mistura, em saladas, do morango com outros ingredientes doces – como o chocolate, o leite condensado ou o chantilly – fazem sucesso.

Suco de Morango antiestresse

Indicação: A pera é rica em fibras e ajuda a hidratar. Enquanto o lêvedo de cerveja e a banana estimulam o bem-estar. O morango é calmante. Ingredientes: 2 copos de água, 10 morangos, 1/2 pera rígida, 1 banana madura, 1 colher (sopa) de lêvedo de cerveja. Modo de preparo: No liquidificador, bata as frutas com água. Por último, acrescente o lêvedo de cerveja, misturando com a colher. Enfeite com um morango.

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os mais cobiçados:

por Suendi Peres

IPHONE 3GS: A nova versão do mais desejado dos celulares chega ainda mais completa. Além da já famosa interface touchscreen aprimorada, o 3GS vem com velocidade maior de navegação na Internet 3G, faz e edita vídeos e tem, além do GPS, uma bússola. Os programas da Apple Store turbinam ainda mais o aparelho, além de terem preços acessíveis.

HTC MY TOUCH: Segundo modelo da HTC rodando o sistema operacional da Google, o Android, vem com funções úteis para usuários de negócios, como sincronização com e-mails, aém da câmera de 3.2 megapixels. Funciona tanto em redes 3G como GSM, mais comum no Brasil, e é praticamente todo controlado via touchscreen, sendo o concorrente mais direto do Iphone.

tecnologia

Eles até falam! Quando os primeiros celulares surgiram, no início dos anos 90, ninguém imaginava que aqueles telefones gigantescos e pesados se transformariam no que são hoje. Músicas, jogos, conexão com internet, fotografias e filmes, tem de tudo. Eles oferecem uma infinidade de atrações e alguns até falam por você. Os brasileiros já demonstraram ser verdadeiros fãs do produto em questão. Só em maio deste ano, quase três milhões de aparelhos móveis foram vendidos, segundo dados da Anatel. O Distrito Federal é o líder no ranking do País – 1,49 por habitante.

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Os números devem aumentar ainda mais até o final de 2009, modelos mais modernos e ousados prometem “sacudir” o mundo da telefonia. Câmera que captura vídeos em qualidade VGA e até 30 quadros por segundo, foco automático, funções para tirar foto no escuro, além de controle por voz e bússola. Esses são alguns dos atrativos do novo iPhone 3GS, da Apple. A “sensação” do momento tem o sistema operacional mais rápido que a versão anterior. Para blogueiros e sites especializados em tecnologia, a estratégia da empresa é ganhar espaço não só no mercado,

mas também no tráfego de internet. Três dias após seu lançamento nos Estados Unidos, a Apple anunciou que já vendeu mais de um milhão de aparelhos. Objeto de desejo de muitos, ele custa entre US$ 199 (versão 16 GB) e US$ 299 (versão 32 GB). No Brasil, a previsão é de que esteja nas prateleiras em agosto, mas ainda não se sabe qual será o preço. Para não facilitar a “vida” da Apple, os concorrentes estão caprichando nas novidades. Até mesmo a Google entrou no mercado de telefonia. Ainda no início do segundo semestre, a norte-americana T-Mobile vai com-


NOKIA N86: O lançamento da gigante finlandesa vem com câmera de 8 megapixels, capaz também de produzir vídeos em até 640x480 em 64 fps. Com um novo processador, mais rápido, e sistema Symbian S60, conta com uma infinidade de programas grátis na Web. Embora não seja inovador, o aparelho tem qualidade de imagem e comandos acessíveis pelo slide bidirecional.

PALM PRE: A Palm, que já utilizava tecnologia touchscreen em seus palmtops, inova ao criar uma aparelho mais fino e elegante, mesmo contando com a câmera de 3 megapixels e teclado deslizante. Além do carregador indutivo que dispensa fios - basta colocar o celular sobre ele, possui um software que sincroniza os contatos do celular com sites como Gmail, Facebook e AIM.

Sony Ericsson XPERIA X1 Sem abrir mão da elegância e do tamanho confortável, a Sony Ericsson lança seu primeiro celular com OS Windows Mobile, na versão 6.1, o que facilita sincronização de e-mails e contatos via PC. Wi-fi, câmera de 3.2 megapixels, tela touchscreen e teclado QWERTY deslizante facilitam tanto o entretenimento quanto o uso em negócios.

tecnologia dos celulares de última geração transforma aparelhos de voz em computadores portáteis cheios de estilo. ercializar seu segundo aparelho com a plataforma Android, é o myTouch, fabricado pela HTC. Segundo o site de tecnologia IDG Now, a Google informou que os celulares com esse sistema operacional vão chegar aos consumidores do Brasil até o final do ano. Por ser open source (código fonte aberto), a Android permite que desenvolvedores possam apresentar a cada dia novos aplicativos aos equipamentos. A Palm inovou e lançou o Palm Pre. O smartphone tem capacidade para abrir diversos aplicativos de uma só vez, uma vantagem sobre o iPhone, que continua abrindo apenas um programa

por vez. O modelo não precisa de fios para carregar sua bateria, o processo é feito por indução magnética. Ainda não existe previsão de quando chegará ao país. Já em circulação no território nacional está o Xperia X1, da Sony Ericsson. O top de linha da marca é o primeiro da empresa com Windows Mobile 6.1 Professional, possui teclado lateral no formato QWERTY e suporte para Wi-Fi. O preço ainda não é tão acessível, por enquanto, ele não sai por menos de R$ 1.200. Outro modelo que os brasileiros devem aguardar a chegada é o N86, da Nokia, que já está nas lojas de outros

países com o preço estimado em US$ 375. A grande aposta dele são imagens com excepcional nitidez, que serão instantaneamente identificadas para serem exibidas em sites como a Ovi Store ou o Flickr. A empresa também acreditou em outros segmentos, como clientes mais descuidados, crianças ou quem pratica atividades “radicais”. Ainda não foi comprovado, mas há rumores de que um novo celular, o Nokia 3720, seja resistente à poeira, água e até mesmo algumas quedinhas. Os americanos vão testar a novidade em setembro, quando o telefone chegar às lojas.

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Incentivo de

R$ 3 bilhões para a Oi

por Suendi Peres

A Oi e o Governo do Distrito Federal assinaram, em maio deste ano, um acordo de incentivo fiscal na ordem de R$ 3 bilhões. Com o convênio, realizado pelo Banco de Brasília, a empresa vai financiar 70% do Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICMS) nos próximos 25 anos, o que representa uma arrecadação mensal de R$ 3 milhões, destinada ao governo local. Em troca do benefício, a antiga Brasil Telecom precisa investir R$ 10 milhões no DF nos próximos 12 meses, além de criar novos postos de trabalho. O GDF também baixou impostos para que a Oi instale uma empresa de Call Center.

Claro lidera no

tecnologia

Centro-Oeste

A Claro conquistou, em abril deste ano, a liderança de mercado do Centro-Oeste. O crescimento da empresa foi de 0.48 ponto percentual em relação ao mês de março. Dados divulgados pela Anatel mostram que a participação da operadora atingiu o equivalente a 33,31% na região, que engloba os estados do Acre, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Tocantins e Distrito Federal. A diferença é de 0.31 ponto percentual em relação à segunda colocada. Fundada em setembro de 2003, a empresa atua nacionalmente e atende mais de 40 milhões de clientes atualmente. O grupo que controla a Claro é o América Móvil, um dos cinco maiores do mundo, que atua diretamente em 18 países.

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Fiat lança pick-up para quatro pessoas flex, que gera 114 cavalos de potência, abastecido com álcool, o modelo foi desenvolvido pelo Centro Estilo Fiat para a América Latina, único da marca estabelecido fora da Itália, que o deixou com design arrojado, dando um visual agressivo ao modelo que

parece maior do que de fato é. A versão aventureira terá opcionais de teto solar e banco de couro. O Working contará com faróis de refletor simples, iguais aos do Siena EL, que terá ainda um painel mais simples: sem conta-giros e com as saídas de ar redondas.

da Redação

Já está no mercado, desde julho, a primeira pick-up compacta, com cabine estendida, do Brasil. O modelo traz novidades, como lugar para quatro pessoas, e está disponível nas versões Adventure Locker e Working. Equipado com motor 1.8

Um ano após a entrada em vigor da Lei nº 11.705, conhecida por Lei Seca, dados do Ministério da Saúde provam a eficiência da aplicação desse ato normativo. Houve queda de 22,5% no número de mortes em consequência de acidentes de trânsito. Além disso, ao se comparar o segundo semestre de 2007 ao segundo semestre de 2008, percebese que os atendimentos, em hospitais conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS), às vítimas desses desastres caíram 23%. No Distrito Federal, a estatística de redução dos acidentes de carro equivale a 19%, segundo o Detran/DF. Nos primeiros seis meses de vigência da mencionada lei, cerca de 40 mil motoristas foram submetidos ao teste de alcoolemia. Em 2009, aproximadamente

carros

Lei Seca completa, com sucesso, um ano 320 mil condutores já passaram pelo teste do bafômetro. Ao longo de um ano, a Polícia Rodoviária Federal reprovou mais de 14 mil motoristas embriagados, dos quais 9 mil foram presos em flagrante. Mas o grande resultado da Lei Seca pode ser aferido por meio da mudança de comportamento nas rodovias federais. Em junho de 2008, quando a lei entrou em vigor, a PRF registrava um flagrante de embriaguez a cada seis testes realizados. Hoje, são necessários 40 testes para identificar um condutor embriagado. Para continuar mantendo os índices, várias campanhas estão nas ruas e, até o final deste ano, sete mil bafômetros serão destinados à Polícia Militar e três mil à Polícia Rodoviária Federal, segundo informou uma fonte do Ministério da Justiça.

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SEQUESTRO RELÂMPAGO

sua história

por Everardo Ribeiro

Dia cansativo! Ritmo de vida frenético e de certa forma competitivo. Essa parece ser a rotina de todos nos últimos tempos. Carlos, lá pelas 22 horas recebeu um telefonema de Roberto, seu parceiro de arte musical, convidando-o a curtir a noite no Shopping Liberty Mall com alguns amigos. Não muito disposto, porém assentindo ao chamado, Carlos se deslocou ao local combinado. Ao chegar, estacionou seu carro em frente à entrada principal do shopping, bem próximo a uns vendedores ambulantes. Para Carlos, o local parecia tranquilo e seguro, devido aos olhares curiosos de muitas das pessoas que ali se encontravam. Num piscar de olhos, porém, Carlos foi surpreendido e dominado por três pessoas, todas elas armadas. Jogado para o banco do passageiro de seu veículo, ao lado do assento do motorista, viu sua noite, que seria de diversão, se transformar num inferno. Agressões verbais aterrorizantes. Armas sempre empunhadas e apontadas na sua direção.

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Na cabeça de Carlos, os piores pensamentos arrebatavam-lhe um pouco de consciência que ainda lhe restava. Na sua carteira trazia razoável quantia em espécie. Localizada esta por seus algozes (abruptamente por eles arrancada de seu bolso), parecia ter-lhes acalmado um pouco, já que os valores encontrados serviriam como recompensa para aquela empreitada criminosa. Carlos, a todo tempo, implorava pela sua vida e liberdade. Somente ao chegarem à entrada de certa cidade do entorno, uns poucos quilômetros antes da via de acesso a Luziânia, ele foi liberado, sob chuva torrencial. Depois de vagar um pouco, Carlos avistou um posto de gasolina meio distante, para onde correu incansavelmente em busca de socorro. Ali se deparou com pessoas igualmente atemorizadas, também assaltadas naqueles instantes – provavelmente pelas mesmas pessoas que o vitimaram. Na delegacia daquela cidade, outro tormento... “ – Onde o senhor foi sequestrado?”, perguntaram-lhe. “– Em Brasília”, respondeu Carlos. “– Então, nada podemos fazer, porque a ocorrência deve ser registrada em Brasília, para as providências cabíveis”. “– Mas os sequestradores acabaram de me abandonar nesta cidade”, exaltava indignado Carlos, como que lançado a sua própria sorte...


Everardo Ribeiro é formado em Pedagogia e Direito. Foi Juiz de Execuções Penais no DF e exerce atualmente advocacia.

Conheça a história - infelizmente real - de Carlos*, vítima de sequestro relâmpago, e de como esse crime, crescente no País, transformou uma noite de diversão em terror

Uma semana após o crime de que fora vítima, Carlos foi chamado à Delegacia daquela mesma cidadezinha para receber seu veículo (o que dele restara) todo depenado. Na oportunidade, por coincidência, deparou-se com dois daqueles que o sequestraram sendo conduzidos algemados. Logo, porém, foi avisado pelo Delegado de que ambos seriam soltos naquele momento. Um deles porque acabara de atingir a maioridade penal. O outro, por não ter sido preso em flagrante delito. Tudo isso ocorreu mesmo com a evidência, apontada pelas investigações, de serem eles autores de outros sequestros, nos quais as vítimas foram violentamente assassinadas e queimadas dentro do próprio veículo. Carlos, por dádiva de Deus, foi o único que escapou vivo e ileso. Lamentavelmente, essa é a triste realidade a que nós todos estamos expostos nos dias atuais. A violência cresce assustadoramente e as autoridades parecem não dispor de meios eficientes para contê-la. Os dados estatísticos revelam que, no Distrito Federal, o sequestro relâmpago avança vigorosamente, assim como ocorre em todo o País. E pasmem! Somente agora o Congresso Nacional decretou e o excelentíssimo Presidente da República sancionou a Lei nº 11.923, de 17 de abril de 2009, que considera criminosa a conduta popularmente conhecida como sequestro relâmpago. Significa dizer que há poucos dias não havia sequer um instrumento legal para punir com severidade essa conduta atemorizante. Quiçá por meio da instituição desse novo tipo penal – com previsão de pena de reclusão regulada entre 06 (seis) e 12 (doze) anos, além de multa – tenhamos um pouco de tranquilidade ou um alento à inquietude ocasionada pela insegurança de quem se aventura a andar pelas ruas da cidade. Será? * Os fatos acima são reais. Os nomes dos personagens são fictícios, em respeito à privacidade.

A vida é cheia de acontecimentos. Alguns engraçados, outros trágicos, mas todos merecem ser contados. A RP quer contar a sua história nesse espaço que é feito por você e para você. Envie o texto com uma foto para o e-mail revistadopioneiro.df@gmail.com

Tipificação do sequestro relâmpago Projeto de lei prevê pena maior para autores de sequestros relâmpagos no Brasil Este primeiro semestre de 2009 foi marcado por diversas notícias de sequestro relâmpago em todo o País. Somente no DF houve um aumento de 30% nos casos, segundo a Secretaria de Segurança Pública. Entre janeiro e março de 2007, três casos foram registrados, subindo para seis em 2008 e para 11 no mesmo período deste ano. Os dados fizeram com que fosse aprovada a Lei nº 11.923/2009, de 17 de abril de 2009, tipificando o sequestro relâmpago. Segundo o conselheiro da OAB/ DF, Cleber Lopes, isso implicou apenas a transposição da redação do artigo 157 para o 158 do Código Penal e o aumento da pena. Antes, o referido crime era punido com pena de detenção de 4 a 10 anos, passando, agora, para 6 a 30 anos de prisão (este último, quando houver morte durante o sequestro). O relator do projeto de lei, deputado federal Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), explicou, durante entrevista à TV Justiça, a necessidade da tipificação, já que “havia uma grande discussão sobre onde enquadrar o sequestro relâmpago. Alguns achavam que devia ser enquadrado no artigo que trata de roubo qualificado, outros no que trata de extorsão mediante sequestro. O Senado e a Câmara encontraram um meio termo entre as duas situações e o enquadraram no artigo 158 – extorsão com momentânea privação de liberdade”. Para Cleber Lopes, essa mudança não é significativa. “Particularmente sou muito cético a qualquer política que tenta resolver o problema por meio de pena. Isso não resolve problema de criminalidade. Há uma série de razões para o crime, algumas de ordem econômica, outras de ordem social e com pena não se resolve”, conclui.

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saúde esporte fitness novidades

bem-estar

Temperatura mais baixa e clima seco de Brasília favorecem o aparecimento de doenças. Alguns cuidados podem ajudar na prevenção e tratamento

Saúde

por Suendi Peres

Tosse seca, dor de cabeça, espirros, dores no corpo, dor de ouvido e dor de garganta. É comum escutar alguém se queixando desses sintomas quando estamos no inverno. No trabalho, ou em casa, tem sempre alguém perto de você que esteja ao menos com um simples resfriado. Com a temperatura mais baixa, algumas doenças passam a “tomar conta” do organismo. Em Brasília, a situação fica mais complicada devido ao clima seco da cidade. O sistema respiratório é que mais sofre com as chamadas “doenças de inverno”. Este ano, além das doenças já conhecidas, estamos convivendo também com a Gripe Suína. A Revista do Pioneiro preparou algumas dicas para você não “ficar de cama” e passar o inverno, que vai até setembro, com muita saúde. Como já diria aquele velho ditado: “É melhor prevenir do que remediar”. As doenças mais conhecidas nesta época do ano são a gripe, os resfriados, rinite, sinusite, otite, bronquite, pneumonia, meningite e asma. Confira quais são os sintomas, como se proteger e qual o tratamento mais indicado para cada uma delas. Gripe: Os sintomas da doença são febre alta, tosse, secreção, dor

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Camilo Vaz - thinklikepman.wordpress.com

Não adoeça no inverno! de garganta, dor de cabeça e pelo corpo, além de cansaço físico. Para o tratamento, são adotados medicamentos que amenizam os sintomas, como os antitérmicos, analgésicos e descongestionantes nasais. O ideal é tratar direito e repousar, pois em casos mais graves a gripe pode virar uma pneumonia. É importante lavar bem as mãos e evitar contato com pessoas que apresentem os sintomas. Outra medida recomendada para crianças pequenas e idosos é tomar a vacina. Resfriados: Espirros, congestão nasal e coriza podem indicar um resfriado. Ainda não há remédio específico. Alguns medicamentos são usados para combater os sintomas, como os descongestionantes nasais. Ficar de repouso é uma forma de ajudar no tratamento. Para evitar contaminação é importante higienizar bem as mãos e o nariz. Outra dica é manter o sistema imunológico fortalecido. Rinite: Os sintomas são coceira e irritação no nariz, coriza, espirros e congestão nasal. Para tratar a rinite alérgica é preciso paciência. Alguns medicamentos antialérgicos são indicados, mas só com prescrição

médica. Para fugir da rinite, evite locais pouco ventilados, onde há acúmulo de poeira e mofo. Sinusite: Obstrução nasal, dor no rosto, dor de cabeça, tosse, coriza, alteração ou ausência de olfato. Alguns sintomas como tontura e rouquidão são menos percebidos, mas eles também podem estar associados à doença. O tratamento pode variar de acordo com a origem. No caso da sinusite alérgica, os sintomas só aliviam se o paciente não ficar mais exposto aos fatores que lhe causaram os problemas. Já a sinusite viral pode ser amenizada com antigripais e descongestionantes, sempre com orientação de um médico. Por outro lado, a sinusite bacteriana costuma ser tratada com antibióticos. Otite: Se estiver com febre e dor de ouvido pode estar com otite, pois são esses os sintomas. Para ficar curado é necessário combater o microrganismo causador do problema. Os medicamentos usados variam de antivirais e anti-inflamatórios a antibióticos. Bronquite: Os sintomas são tosse, falta de ar, expectoração excessiva, febre, chiado ou dores no peito. O tratamento da doença varia de acordo


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com a causa. Para a prevenção, são utilizadas as mesmas medidas que afastam resfriados e gripes. Boa alimentação, dormir bem e evitar cigarro também são boas estratégias para deixar os brônquios em paz. Pneumonia: Apresenta os mesmos sintomas de uma gripe comum, mas pode haver também respiração curta e ofegante, além de dores no tórax. A vacina é uma forma eficaz de se prevenir a doença. Para tratar a pneumonia, geralmente são indicados antibióticos por via oral ou intravenosa. Meningite: Febre, dor de cabeça, vômito, pescoço rígido, fotofobia e manchas roxas no corpo. As crianças apresentam febre e hipotermia, além de recusa alimentar. Caso sinta esses sintomas, corra para o médico, pois quanto antes for diagnosticada, melhor. O ideal para se prevenir a meningite seria evitar aglomerações em locais fechados. Para imunização contra a bactéria hemofilus influenza tipo B, uma das que mais afeta as crianças menores de cinco anos, basta procurar um posto de saúde. Existem também vacinas que são encontradas em hospitais particulares. Asma: Tosse, chiado, sensação de pressão no peito e falta de ar são os sintomas da asma. Fatores alergênicos causam irritação e podem favorecer crises asmáticas; por isso, fique de olho na ventilação dos locais e na poeira de objetos e roupas. Atividade física leve também ajuda a fugir dela. O tratamento é feito por meio de anti-inflamatórios e broncodilatadores.

Gripe Suína: Como saber se você está com a nova gripe por Alline Martins

Se viajou para um dos países de maior incidência da doença ou esteve em contato com alguém que tenha ido, aos primeiros sinais, é bom ficar alerta. A gripe se manifesta de uma hora para outra e apresenta sintomas mais severos, como dores pelo corpo, especialmente no abdômen e nas articulações; tremores; frio intenso; febre acima de 38ºC, além de tosse seca e expectoração de um pouco de catarro, agravando-se com uma leve falta de ar. Os sintomas geralmente duram de cinco a sete dias. Recomenda-se a quem estiver com esses sintomas permanecer em repouso absoluto, sem sair de casa, já que a capacidade de contágio é imediata. Vale lembrar que remédios usados para tratar a gripe comum não resolvem a influenza A. Apresentando os sintomas, é essencial procurar imediatamente o médico para realização de exames laboratoriais. Um dos testes é o chamado Swab Nasal, que diagnostica os vírus respiratórios. Se o resultado for positivo para influenza A, é preciso fazer um segundo exame, que fica pronto em 72 horas.

Como se proteger

Para ensinar as pessoas a evitar o contágio à doença, o Centro de Prevenção e Controle de Doenças nos Estados Unidos fez algumas recomendações: • Cubra seu nariz e boca com um lenço quando tossir ou espirrar. Jogue no lixo o lenço após o uso. • Lave suas mãos constantemente com água e sabão, especialmente depois de tossir ou espirrar. Produtos à base de álcool para limpar as mãos também são efetivos. • Evite tocar seus olhos, nariz ou boca. Os germes se espalham desse modo. • Evite contato próximo com pessoas doentes. • Se você ficar doente fique em casa e limite o contato com outros, para evitar infectá-los.

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Cuidar da alimentação é outro ponto importante, já que o efeito da nova gripe é pior em pessoas com baixa imunidade. Por meio de determinados alimentos, é possível preparar as células brancas, os linfócitos e as células B, as quais produzem anticorpos importantes que “correm” para destruir os invasores estranhos, como vírus, bactérias e células de tumores. É recomendável beber muita água, não tomar leite se estiver resfriado ou com sinusite, preferir alimentos ricos em caroteno e zinco e evitar comidas gordurosas.

Mais um para se preocupar: a Hantavirose... Um velho conhecido nosso está de volta, também para deixar as autoridades de saúde em alerta. É a hantavirose, que tem seu risco aumentado nesta época do ano, quando as chuvas dão lugar à poeira. Isso facilita a proliferação da doença, já que a urina, a saliva ou as fezes do rato – agente responsável pela doença – são mais facilmente inalados neste período de seca. No Distrito Federal, quatro casos já foram confirmados nas cidades de Brazlândia, Paranoá e Planaltina, levando duas pessoas à morte. Os cuidados devem ser redobrados nessa região e em áreas rurais. De acordo com a Vigilância Sanitária, é preciso manter, ao redor da residência, pelo menos 20 metros bem roçados e sem plantações. Além disso, não se deve deitar ou sentar na relva nem abrir locais fechados há muito tempo sem esperar pelo menos 30 minutos para que o ar penetre e o risco seja menor. Não existe um tratamento específico para a doença. E quando o quadro é grave, há 50% de chances de levar à morte. O fato de os sintomas serem muito parecidos com os de uma gripe comum dificulta o diagnóstico e o tratamento. Se a doença evoluir, o paciente passa a sentir não somente dor de cabeça, dores no corpo, tosse e febre alta, mas também insuficiência e dificuldade respiratórias.


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Com a chegada da estação mais fria do ano, especialistas lançam um alerta: é importante estar com a vacinação em dia para evitar doenças comuns nessa época do ano

 

Saúde

da Redação

Decretou-se oficialmente o início do inverno no dia 21 de junho. A nova temporada apresenta características do clima típico da estação e, com ele, a propagação de doenças respiratórias, comuns nessa época do ano. De acordo com especialistas, os cuidados com a saúde devem-se manter redobrados durante a estação.   Proteger-se contra o frio, evitar locais fechados e aglomerações, ingerir muita água e ter boa alimentação são alguns dos cuidados recomendados para a população evitar males à saúde, como gripes, resfriados, pneumonias, meningites, entre outras. A médica e responsável técnica pela Clínica de Imunização Sabinvacinas – empresa do Laboratório Sabin – Ana Rosa dos Santos explica que o frio facilita direta e indiretamente a propagação de doenças porque nessa época do ano as pessoas ficam mais próximas e costumam ficar mais tempo em ambientes fechados. A baixa temperatura e o aumento da umidade do ar também facilitam o aumento de partículas como mofo, poeira, ácaros e fungos que causam reações alérgicas “É preciso estar atento ao mais simples resfriado, pois se não tratado da forma adequada pode desencadear enfermidades mais graves. As pessoas devem estar atentas a alguns dos sinais das doenças típicas desse clima mais seco e frio, como, por exemplo, coriza, mal-estar, febre, tosse e obstrução nasal, entre outros”, avisa. Ainda segundo a especialista, junho e julho são meses em que existe uma maior procura pela vacina da gripe, assim como também pelas vacinas antipneumocócicas (Pneumocócica 7v e Pneumocócica 23v), que além de prevenir contra a pneumonia, evita a sinusite, a otite média e, ainda, a meningite.   “As pessoas devem estar

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atentas a essas doenças porque são transmitidas por via respiratória – de pessoa a pessoa, principalmente por meio das gotículas do espirro e da tosse. Independente de ser criança, adolescente ou adulto, é importante que o calendário de vacinação esteja atualizado”, explica. Vacinas oferecidas para evitar doenças comuns na época de frio podem ser encontradas na Clínica de Imunização Sabinvacinas: Pneumo 7v: aplicada a partir de dois meses de idade e as doses seguintes a cada 60 dias – aos 4 e 6 meses, com um reforço aos 15 meses. Infecções que previne: - meningite: infecção causada pelo pneumococo da membrana que envolve o cérebro e a medula espinhal; - pneumonia: infecção dos pulmões; - septicemia: infecção que se dissemina pela corrente sanguínea – infecção generalizada; - otite média: infecção do ouvido médio; - sinusite: infecção dos seios nasais.   Pneumo 23: vacina indicada para os imunocomprometidos ou pessoas com idade acima de 60 anos. Também é indicada para adultos com idade maior ou igual a 60 anos e para pessoas entre 2 e 60 anos de idade, com indicação médica de alguma doença crônica ou  por outros diagnósticos.

duas doses: a vacinação primária e, após esta, uma dose anual. Sabinvacinas Imunizar adultos e crianças também faz parte do compromisso do Laboratório Sabin com a comunidade. A Clínica de Imunização Sabinvacinas é a mais nova iniciativa da empresa, visando à qualidade de vida, principalmente dos brasilienses. Com um ano de existência, a unidade oferece aos cidadãos diversas vacinas aliadas às suas necessidades. São mais de 20 tipos de vacinas que previnem doenças agudas e graves, como sarampo, rubéola e caxumba (vacina tríplice viral); difteria, coqueluche e tétano (vacina tríplice bacteriana); hepatite A, B e AB; contra HPV, que previne câncer de colo de útero provocado pelo papiloma vírus (subtipos 6, 11, 16 e 18), entre outros.   O Sabinvacinas encontra-se na Av. W3 Norte, Quadra 516 e, em breve, nas Unidades do Sabin no Shopping Quê, Águas Claras, Taguatinga Norte e na QI 13 do Lago Sul.   Clínica de Imunização Sabinvacinas Horário de funcionamento: das 7h30 às 18h, de segunda a sexta; e das 8h às 13h, aos sábados.

Meningite meningocócica conjugada C: deve-se aplicar a partir de três meses de idade, com uma dose subsequente aos 5 meses e um reforço entre 15 e 18 meses.

Av. W3 Norte, Quadra 516, Conjunto E, Térreo, Loja 115 – Edifício Carlton Center Fone: 3349-9583

Influenza (Gripe Sazonal): para adultos, deve-se aplicar uma dose anual. Crianças a partir de seis meses de idade até três anos devem receber

A Unidade da 516 Norte oferece manobrista e garagem coberta aos clientes. Entrada pela via W2 e elevador até o térreo.

Foto: Cristiano Silva

Previna-se contra o frio


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Perfil de pacientes infartados é por Murilo Caldas

tema de pesquisa inédita no DF Coordenado pelos cardiologistas José Carlos Quináglia e Andrei Spósito, estudo mostra dados surpreendentes sobre pacientes que sofreram infartos no Distrito Federal

pesquisa

Um estudo pioneiro, realizado com 270 pacientes com infarto agudo do miocárdio no Hospital de Base de Brasília (HBB), apontou resultados surpreendentes. Sob o comando de dois experientes cardiologistas, José Carlos Quináglia, ex-diretor do HBB, e Andrei Spósito, ex-diretor clínico do Incor-DF, a pesquisa, que contou com a participação de estudantes residentes, acompanhou os pacientes que davam entrada no pronto-socorro com ataque cardíaco. Foram dois anos e meio entre exames laboratoriais, eletrocardiogramas, ecografias e cateterismos, que renderam material suficiente para a tese de mestrado do Dr. Quináglia e para outros estudos divulgados no Brasil e no mundo afora. Desde a época em que conduziam os rumos de duas das mais importantes unidades hospitalares do DF, os dois profissionais discutiam a necessidade de se ter dados que apontassem as características da população atendida nos casos cardiológicos. “Nós descobrimos fatos muito interessantes, como por exemplo: 21% dos pacientes infartados eram diabéticos e desses, 21% não sabiam que eram portadores da doença, mostrando que é um

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mal silencioso e que pode manifestar-se, como primeiro sintoma, com um infarto”, informa Quináglia. O estudo revelou também que a idade dos infartados não era tão avançada, ficando entre 60 e 62 anos, e que o colesterol dos pacientes era normal. Outra investigação feita pelo grupo foi a atividade da substância chamada de sinvatastina na resposta inflamatória aguda após o infarto agudo do miocárdio. “Descobrimos que quanto maior é a dose da estatina, maior é o efeito anti-inflamatório, o que reduz o risco de morte, e verificamos que os pacientes que já tomavam estatina antes do infarto e que ao chegar aqui, por algum motivo, não recebiam a medicação, aumentavam, e muito, a atividade inflamatória, aumentando o risco de morte. É o efeito rebote.”, explica o cardiologista. Este é um dos destaques do estudo. A conclusão de que a atividade inflamatória representa um risco maior para os infartados do que o próprio colesterol alto. “Todo mundo acha que só o colesterol alto é que prejudica, mas não, no nosso estudo, por exemplo, os pacientes apresentavam colesterol de 186, ou seja, normal”.


A pesquisa não para por aí. “Toda pesquisa gera perguntas para pesquisas futuras”, esclarece Quináglia, que já tem, em mãos, os questionamentos para o futuro. Uma das dúvidas é sobre a associação entre estatina e o betabloqueador, duas medicações que são usadas de forma padronizada em pacientes infartados no mundo inteiro. “A atividade anti-inflamatória da estatina, que é muito benéfica, se torna muito reduzida quando utilizada com betabloqueador. Isso é um dado novo na literatura”, afirma o médico que aponta a dúvida como uma das principais a serem esclarecidas por estudos com mais pessoas. A existência de uma correlação entre a enzima liberada no sangue pela lesão das células do coração e a extensão da massa infartada vista pelo exame de ressonância magnética também foi percebida pela pesquisa do Dr. Quináglia, que lembra que apesar do assunto já ter sido objeto de outros estudos foi muito pouco divulgado. “Essa é a nossa contribuição para a disseminação do conhecimento a respeito do tema”. Os pesquisadores também constataram que 70% dos pacientes que chegam ao pronto-socorro do HBB com quadro de infarto recebem trombolítico – um medicamento que ajuda a desobstruir os vasos sanguíneos – ou angioplastia primária, o cateterismo que reabre a artéria. “Este é um índice alto em relação a outros hospitais públicos do país, esta é uma questão para outros estudos: porque esse procedimento não acontece com tanta frequência?”, questiona Quináglia. O índice de sedentarismo detectado entre os pacientes que aceitaram participar da pesquisa também foi considerado alto. “Os sedentários chegaram a 51%, enquanto os tabagistas somam 40%, índices diferentes de outras capitais, onde esses índices não atingem esse patamar”, garante Quináglia. O médico também destaca a alta taxa de pacientes com Síndrome Metabólica, 51%. Os portadores da síndrome reúnem pelo menos três fatores de risco, como obesidade, hipertensão, glicose alta, triglicerídeos

altos e colesterol bom (HDL) baixo ou colesterol ruim (LDL) alto. A circunferência abdominal dos pacientes também ficou fora dos padrões. Na média, os pacientes apresentaram 96 cm, quando o padrão é 94 para homens e 80 para mulheres. “Tudo isso indica que o Brasil está caminhando rapidamente no sentido da obesidade.”, diz preocupado com os maus hábitos alimentares dos brasileiros. O Dr. José Carlos faz questão de esclarecer que o estudo é uma Coorte, estudo de acompanhamento, que leva o nome da cidade. “A Coorte Brasília permite a todos os médicos conhecer melhor a população cardiopata que é atendida nos hospitais da cidade. Esse tipo de informação vai ao encontro do desejo de grande parte dos profissionais médicos de ser menos assistencialista e atuar na prevenção, entendendo melhor os pacientes”, afirma. O cardiologista diz que, além de novos questionamentos para estudos futuros, a pesquisa também pode gerar políticas públicas de saúde. “Esses dados podem gerar ações de prevenção da Secretaria de Saúde. Se já se sabe que existe, na população, muita gente obesa ou diabética, pode-se desenvolver ações preventivas para que esse paciente não chegue aqui infartado”, exemplifica o médico. O estudo do Dr. Quináglia já ganha o mundo. Recentemente foi publicada, em uma revista americana, a chamada American Journal of Cardiology, uma parte do estudo. Outros dados do levantamento geraram mais seis estudos, que serão apresentados, brevemente, em Boston e também nos Estados Unidos, por componentes do grupo de pesquisa. Para não ser parte do estudo, o Dr. Quináglia receita uma combinação de atenção básica à saúde, orientação nos Centros de Saúde sobre hábitos alimentares saudáveis e atividades físicas e liberação da medicação de controle para pacientes que são diabéticos, hipertensos, tabagistas e que têm colesterol elevado. Em nível secundário, cuida-se para que os pacientes que já tiveram um infarto não o repetam; e no terciário, deve-se

oferecer assistência de qualidade. “O estudo pode orientar esses programas. As ações podem, por exemplo, ser focadas nos fatores de riscos mais evidentes”, aponta o cardiologista, satisfeito por conseguir mostrar que é possível realizar pesquisa clínica também em hospital público assistencial. E a pesquisa continua. Todos os dias, os estudantes colhem sangue de pacientes e os dados continuam a ser ampliados, garantindo maior conhecimento da realidade para os médicos e uma experiência ímpar para os estudantes.

De paginador a diretor do Hospital de Base Desde que chegou a Brasília, aos 17 anos, vindo do interior de São Paulo, até se transformar no cardiologista que comandou a maior unidade hospitalar do DF, José Carlos Quináglia trabalhou como paginador do Jornal Correio Braziliense e monitor bolsista e professor de química do ensino médio, tudo para garantir a graduação em medicina na UnB. Graduou-se em 1977 e concluiu sua residência no Hospital das Forças Armadas. Quináglia dedicou-se às atividades da classe cardiológica, fundando, dirigindo e ajudando a desenvolver entidades representativas, como a Sociedade Centro-Oeste de Cardiologia, Sociedade de Cardiologia de Brasília e Sociedade Brasileira de Cardiologia. No Hospital de Base, chefiou a unidade de cardiologia, foi vice-diretor e diretor geral, quando especializou-se em Gestão Hospitalar na Fundação Getúlio Vargas. Mesmo com um currículo tão amplo e tanta dedicação à profissão, Quináglia encontrou tempo para construir uma bela família, ao lado da também médica Odimeyre, com quem teve três filhos.

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SÍNDROME

DO OLHO

SECO por Andreia Wingeter

A Síndrome do Olho Seco é a segunda maior causa de atendimento nos consultórios oftalmológicos nas maiores cidades brasileiras. Profissionais da área alertam para o tratamento correto, a fim de se evitar lesões que ocasionem desconforto e baixa da visão

Saúde

O Clima de inverno pode agravar várias doenças. Uma delas é a Síndrome do Olho Seco, que afeta cerca de 10% da população adulta em todo o mundo. Muitas pessoas sofrem desnecessariamente porque não sabem que o problema tem tratamento. Olho Seco é a segunda maior causa de atendimento nos consultórios oftalmológicos – depois de refração – e, quando não diagnosticada e corretamente tratada, pode evoluir para lesão da superfície ocular, o que, em alguns casos, acarreta a perda da visão. O Olho Seco é uma doença crônica, caracterizada pela diminuição da produção da lágrima ou pela deficiência em alguns de seus componentes, ou seja, pouca quantidade e/ou má qualidade da lágrima. Os sintomas são de ardor, irritação, sensação de areia nos olhos, dificuldade para ficar em frente ao computador ou em lugares nos quais se usam aparelhos de ar-condicionado e olhos embaçados ao final do dia. No Brasil, estima-se que cerca de 18 milhões de pessoas sofrem com essa doença. Ela está relacionada à exposição a determinadas con-

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dições do meio ambiente (poluição, computador); à idade avançada; à menopausa, nas mulheres; aos medicamentos (anti-histamínicos, antihipertensivos, antidepressivos); ao uso incorreto de lentes de contato; ao trauma (queimaduras térmica e química); às doenças reumatológicas; e a outras doenças do sistema imunológico (Penfigoide, síndrome de Stevens-Johnson). Embora pareça um mero aborrecimento, a Síndrome do Olho Seco é potencialmente séria, pois pode causar processo inflamatório crônico, perpetuando a falha da lubrificação pelos componentes da lágrima, essencial para a manutenção da vitalidade das células da superfície ocular. Esse distúrbio pode produzir áreas secas sobre a conjuntiva e a córnea, o que facilita o aparecimento de lesões. Existe, no Brasil, uma associação, a APOS – Associação dos Portadores de Olho Seco –, que oferece apoio, educação e informação tanto aos pacientes portadores da Síndrome do Olho Seco como aos familiares destes.

• Uma das causas do Olho Seco é a Síndrome de Sjögren – doença autoimune crônica, em que o sistema imunológico do próprio corpo do paciente erroneamente ataca as glândulas produtoras de lágrimas e saliva. • A doença também está relacionada à exposição a determinadas condições do meio ambiente (poluição e computador). • Lugares fechados, com temperatura regulada por meio de ar-condicionado, podem aumentar a evaporação dos líquidos dos olhos e causar a doença. • No Brasil, estima-se que cerca de 18 milhões de pessoas sofrem com a doença. • A APOS – Associação dos Portadores de Olho Seco – existe desde 2004. Ela oferece apoio, educação e informação tanto aos pacientes com a Síndrome do Olho Seco quanto aos familiares destes. É uma organização não governamental (ONG) sem fins lucrativos e independente. Situa-se na Rua Tamandaré, 693, 7º andar, sala 75 – Liberdade, São Paulo. Fone: (11) 3208-8727 / E-mail: apos.ong@uol. com.br / Site: www.apos.org.br A doença do olho seco afeta cerca de 10% da população adulta em todo o mundo. Em Brasília, devido às condições climáticas, esse número aumenta em relação ao restante do País. Muitos pacientes sofrem desnecessariamente porque não sabem que o problema tem solução. Quando não diagnosticada e corretamente tratada, a Síndrome pode evoluir para lesão da superfície ocular, o que, em alguns casos, leva à perda da visão.


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+saúde

por Andréia Wingeter

como as consequências do esforço visual podem comprometer o aproveitamento escolar do adolescente

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Adolescente que é adolescente não dispensa o trio videogame, TV e computador. Quando não é a MTV, é o Orkut, MSN e outros programas de comunicação on-line que o fazem permanecer horas diante do monitor, se não houver um pouco de controle dos pais. E quando chega a época das aulas na escola ou no cursinho, ainda têm as pesquisas na Internet. Todas essas situações, em excesso, podem desencadear a Síndrome do Olho Seco – problema visual que tem como principais sintomas ardência, dor nos olhos, sensação de corpo estranho e visão embaçada que piora ao longo do dia. Não é uma doença muito comum na faixa etária dos 12 aos 18 anos, mas deve ser tratada de maneira adequada para evitar o agravamento do problema. Isso significa, na maioria dos casos, instilar lágrima artificial em gotas de acordo com a recomendação do oftalmologista. A prevenção, por meio de exames

periódicos, também é recomendada por especialistas e escolas. “O acompanhamento do aluno durante o ano letivo é importante para prevenir problemas que acabam por comprometer o rendimento escolar”, alerta o Prof. Dr. José Álvaro Pereira Gomes, presidente científico da Associação dos Portadores de Olho Seco (APOS). A capacidade visual do aluno pode ser prejudicada, por exemplo, se ele reduzir o número de piscadas quando estiver concentrado no videogame ou em frente à tela do computador, à noite ou durante finais de semana. Segundo o presidente científico da APOS, “a maioria das pessoas tende a contrair as pálpebras ao ler um livro ou diante do monitor, por isso recomendamos um cuidado maior quanto a esse comportamento, o que, juntamente com a inibição do piscar, provoca esforço visual excessivo e sintomas de ressecamento dos olhos”.

Na hora dos exames periódicos ou da utilização de produtos específicos para tratar o olho seco, os país também exercem papel importante: “Se não houver muito tato na conversa com o adolescente, ele pode não seguir o tratamento, o que só agrava o quadro. Por isso, é necessária uma integração total entre o adolescente, os pais e o oftalmologista”, recomenda o Dr. José Álvaro Pereira Gomes – professor de oftalmologia da UNIFESP e presidente científico da Associação dos Portadores de Olho Seco (APOS).

Se você tem dúvidas ou gostaria de obter maiores esclarecimentos sobre o assunto, mandenos um e-mail, pois, na próxima edição, o Dr. José Álvaro Pereira Gomes responderá a eles. e-mail: revistadopioneiro.df@gmail.com


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nutrição por Júlio Aquino

Júlio Henrique Aquino é nutricionista, acupunturista e especialista em nutrição esportiva funcional.

colunistas

Nutrição e Gestação

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Os preceitos científicos para uma alimentação saudável são bastante difundidos e reconhecidos como fundamentais às necessidades nutricionais na gestação. Entre eles pode-se citar uma alimentação periodizada a cada três horas e a ingestão de quantidades suficientes de frutas e verduras frescas e higienizadas. Uma alimentação periodizada consiste em equilibrar a quantidade de comida em determinados períodos do dia para que o metabolismo consiga desempenhar suas funções sem gerar riscos à saúde. Um exemplo da importância dessa periodização para a saúde é a formação adequada de insulina. Esse hormônio é liberado após a alimentação e, na gravidez, assume um papel muito importante, visto que grávidas podem vir a desenvolver um tipo especial de diabete –

a diabete gestacional –, caso tenham predisposição e uma alimentação desorganizada. O controle desse tipo de diabete passa necessariamente por uma adequação alimentar. A gravidez é o momento de geração de vida. Com isso, as necessidades alimentares devem ser vistas como fundamentais para a saúde da mamãe e do bebê. Na rotina alimentar da futura mamãe deve constar frutas e verduras, ricas em fibras, já que podem auxiliar em problemas como a prisão de ventre, além de serem fontes de vitaminas e minerais, os quais ajudam na formação do feto. A recomendação de ingestão deve ser de pelo menos cinco frutas variadas e cinco tipos de verduras por dia. Uma boa maneira de se conseguir isso é intercalando as frutas entre as refeições. Outra dica seria fazer suco ou vitamina com frutas e

verduras, pois, além de matar a vontade de comer, se consegue uma alimentação saudável e mais equilibrada. Lembre-se: a alimentação faz parte da saúde do bebê. Exemplos de alimentos importantes para uma gravidez saudável.

1. Brócolis. 2. Couve. 3. Laranja / tangerina. 4. Cenoura. 5. Brotos em geral. 6. Couve de Bruxelas. 7. Carne de cordeiro. 8. Feijão preto. 9. Abacate. 10. Figo. 11. Damasco. 12. Folhas verde-escuras.


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Márcio Padilha é professor de Cycling na Runway nas unidades Asa Norte e Sudoeste.

fitness x bem-estar por Márcio Padilha

Cruzeiro Fitness: energia em alto mar Entre os dias 28 de fevereiro e 7 de março, alunos e professores da Runway puderam conferir a 15ª edição do evento, a bordo do navio “Costa Mágica”. Saiba tudo sobre a viagem e fique com água na boca

colunistas

Você já pensou em passar uma semana a bordo de um transatlântico, curtindo dias de sol e a comodidade de não precisar pegar trânsito nem filas? Agora, pense nisso tudo aliado a muita malhação. De 28 de fevereiro a 7 de março, a 15ª edição do Cruzeiro Fitness esteve em alto-mar, fazendo a alegria de seus passageiros. O navio partiu de Santos, passou pelo Rio de Janeiro, Ilhabela e atracou em Salvador. O cruzeiro contou com alunos e professores da Runway, que suaram a camisa ao som de música alta, atividade física e muita animação. Considerada a maior academia flutuante do mundo, o Cruzeiro Fitness consiste em um evento relacionado à saúde e ao bem-estar, que dispõe de várias atividades físicas a bordo de um transatlântico, durante uma semana. Na ocasião, mais de 30 profissionais de educação física misturam aulas de diversas modalidades, entre elas, cycling indoor, pilates, lets boxe, dança, yoga, ginástica localizada, iso class, aulas de circo, corrida e caminhadas monitoradas. O navio possui também academia de musculação com equipamentos de última geração. Entre outras novidades, palestras sobre qualidade de vida compõem a programação do Cruzeiro. De acordo com Márcio Padilha, um dos professores da Runway que ministrou aulas de cycling indoor durante a viagem, essa foi a 9ª edição de que a academia participou. “A ideia de proporcionar aos alunos da

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Runway uma semana de atividades voltadas à saúde em um transatlântico é, sem dúvida, fantástica”, garante. Segundo Márcio, as aulas de bike contaram com 50 bicicletas na proa do navio com atividades sob o pôr do sol, coordenadas pela equipe do cycling: Márcio Padilha (Brasília), Roberto Toscano (São Paulo) e Wilson Germano (Campinas). O navio que levou o 15° Cruzeiro Fitness foi o “Costa Mágica”. O transatlântico, que tem capacidade para mais de 3.500 pessoas, é composto por cassino, boate, shows, teatro, restaurantes, piscinas, jacuzzi, toboágua, sala de leitura e de jogos, programação infantil, academia de ginástica, entre outras atividades de fitness, conduzidas pelos melhores profissionais do Brasil. Uma das novidades na programação foi a aula de circo com a equipe da Trixmix, que fez grande sucesso entre crianças e adultos. Em 2010, o evento promete ser ainda mais atraente para os amantes da atividade física. O 16° Cruzeiro Fitness será realizado a bordo de um navio ainda maior e mais luxuoso – o “Costa Concórdia”. Para a ocasião, serão reservadas 100 cabines para as turmas da Runway. Os interessados devem garantir suas vagas com antecedência nas academias Runway da Asa Norte, Sudoeste e na nova unidade do Lago Norte.


Benefícios do Café

Por que o café faz bem?

O café não é remédio, porém a comunidade médico-científica já considera a planta como funcional (previne doenças mantendo a saúde) ou mesmo nutracêutica (nutricional e farmacêutico). Isso porque o café não possui apenas cafeína, mas também potássio, zinco, ferro, magnésio e diversos outros minerais, embora em pequenas quantidades. O grão do café possui ainda aminoácidos, proteínas e lipídeos, além de açúcares e polissacarídeos. Entretanto, o principal segredo: possui uma enorme quantidade

de polifenóis antioxidantes, chamados ácidos clorogênicos. Durante a torra do café, esses ácidos clorogênicos formam novos compostos bioativos: os quinídeos. É nessa etapa também que as proteínas, aminoácidos, lipídeos e açúcares formam cerca de mil compostos voláteis responsáveis pelo aroma característico do café. Toda essa composição faz do café uma bebida natural e saudável. Infelizmente, os estudos sobre o efeito do café no organismo concentram-se em seu componente mais conhecido, a cafeína, que, mesmo sendo um estimulante natural, só representa de 1% a 2,5% de sua composição. Estudos recentes, que incluíram atletas bem-treinados e indivíduos relativamente sedentários, de sexos e de grupos de idade diferentes, mostraram que pequenas quantidades de cafeína são eficazes na melhora do rendimento da atividade física, funcionando como um recurso ergogênico, além de aumentar a resistência dos atletas em exercícios de maior duração. Ela mobiliza os depósitos de gordura e os utiliza como fonte

de energia no lugar do glicogênio muscular. Isso é benéfico porque retarda a fadiga.

O café não causa vício! É um hábito saudável, assim como a prática de exercícios! Uma das principais críticas por parte de pessoas que não gostam de café ou que ainda possuem preconceito contra ele é que a bebida causa dependência. Talvez isso ocorra devido à presença da água no café, pois, caso uma pessoa seja colocada numa sala com alimentos, mas sem água, em poucos dias ela reclamará a falta desta e apresentará sinais de dependência, como boca seca, sede intensa, apatia, prostração e fraqueza – sinais iniciais da falta de água. Também podem surgir, posteriormente, delírios, alucinações e alterações do comportamento. A pessoa lentamente fica confusa e perde a consciência, o que pode implicar coma e, por fim, a morte. A primeira coisa que cada ser humano faz ao nascer é se tornar um dependente químico. Ao respirar pela primeira vez, o

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informe publicitário

Seja você um jogador profissional ou um atleta de final de semana, o esporte faz parte da sua vida. Todos sabem que exercícios ajudam a produzir um sentimento de bem-estar. Exercitar o corpo é essencial para quem deseja se manter saudável, mas o que talvez você não saiba é que o café pode melhorar significativamente o desempenho e a qualidade desses exercícios, além de trazer outros benefícios a sua saúde.


recém-nascido torna-se dependente do oxigênio – a fim de realizar todas as atividades bioquímicas de seu organismo – e, a seguir, do mais nobre dos alimentos: o leite materno. Portanto, podemos ser dependentes de coisas saudáveis, como água, leite, café e exercícios (hábitos saudáveis) ou de substâncias químicas que prejudicam a saúde (vício), como tabaco, álcool e drogas ilegais, o que não é o caso do café, se ingerido em doses moderadas e de forma regular. Uma pessoa se torna dependente de algo prejudicial quando não consegue todos ou a maioria dos itens que causam a dependência saudável.

O Café no esporte!

Uma xícara de café* antes dos exercícios é a quantidade necessária para a ativação dos músculos, que passam a utilizar a gordura como fonte de energia, ao invés dos açúcares encontrados nos carboidratos, auxiliando, assim, na perda de peso. A cafeína também age no sistema nervoso central proporcionando: • melhora da memória, do raciocínio e da capacidade de concentração; • aumento da atenção e diminuição

do tempo de reação (reflexo); • maior sensação de bem-estar; • maior resistência física; • revigoramento e diminuição do sono e da fadiga muscular; • aumento da capacidade para o trabalho muscular (auxílio no ganho de massa muscular).

No entanto, para garantir que as xícaras de café realmente tragam benefícios ao seu organismo, é necessário que você tome um café de boa qualidade, que garanta Se os atletas profissionais as doses certas de cafeína e demais tomassem café diariamente durante nutrientes. os treinos, na dose mínima de 4 O Café do Sítio se xícaras**, os ácidos clorogênicos preocupa com a sua saúde e tem do café bloqueariam os receptores o compromisso de fazer um café que são estimulados pelas de excelente qualidade, utilizando endorfinas, peptídeos opióides apenas grãos selecionados para cerebrais. Isso faria com que os atender os requisitos de qualidade neurônios do cérebro aumentassem global da bebida. Além de possuir sua descarga de endorfinas, a fim o selo da ABIC, o café do sítio é de trazer o estímulo necessário saboroso e rende muito mais! para o atleta prosseguir, atingindo a autogratificação num nível mais Mantenha sua saúde com mais alto. Atletas assim treinados teriam sabor! Mantenha sua saúde com um cérebro trabalhando com mais Café do Sítio! resistência e autogratificação, melhora da performance e aumento * Dados do Instituto Australiano de da capacidade do cérebro e dos Esportes. músculos. ** Dados da ABIC.

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Aniversário de Brasília foi marcado por apresentações esportivas

Fotos: Fabiano Neves

Durante as comemorações dos 49 anos de Brasília, a cidade recebeu a primeira etapa do Circuito Mundial de vôlei. Juliana e Larissa iniciaram bem a temporada 2009 da Swatch Fivb World Tour, ao conquistar o título da etapa de abertura, vencendo por 2 x 0, contra as norte-americanas Ross e Boss. Com o título da primeira etapa, a dupla brasileira, que também é tricampeã do Circuito Banco do Brasil e medalha de ouro dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro (2007), somou 300 pontos no ranking e recebeu uma premiação em dinheiro de R$ 70 mil. No dia seguinte foi a vez do vôlei masculino, com final disputada entre duas duplas brasileiras. Porém, a vitória ficou para Ricardo e Emanuel sobre Harley e Alison. Outro evento que marcou a festa de aniversário da Capital Federal foi o show de motocross freestyle – apresentado pela equipe do campeão brasileiro Jorge Negretti, constituída por Joaninha, Tatá Melo e Ciro de Oliveira –, que arrancou gritos de emoção de uma plateia formada por quase cinco mil pessoas. O momento mais vibrante foi quando Joaninha, também campeão brasileiro, realizou o back flip (salto mortal em sentido anti-horário). Segundo um dos organizadores do evento, Otávio Neves, é uma das manobras mais difíceis e perigosas de se executar.

capital do esporte

O aniversário de Brasília foi marcado, entre outros eventos, pela 3ª Maratona Brasília de Revezamento. Mais de cinco mil atletas, distribuídos em 925 equipes, participaram da prova. Devido ao sucesso, a Maratona já faz parte do calendário de esportes do DF. Entre os favoritos da categoria masculina de elite, a equipe do Cruzeiro, de Belo Horizonte, foi a grande vencedora. O corredor João da Bota foi o último a correr pela sua equipe, de oito atletas, e completou a prova em 2h05min. A UDF ficou em segundo lugar com 2h06min e a equipe do Obcursos ficou com a terceira colocação com 2h13min. Na categoria feminina, a Upis/Vaz Athletics, grupo com quatro atletas, ficou em primeiro lugar. Em seguida, a maratonista Simone Alves garantiu a segunda colocação para o Obcursos. A equipe Supercei/Poupex/ Caixa/Cruzeiro ficou em terceiro lugar. Entre as equipes mistas, a UDF se destacou com a participação da corredora Márcia Narloch. Em segundo lugar veio o Supercei e em terceiro ficou o Obcursos. Promovida pelo Correio Braziliense, a Maratona Brasília de Revezamento contou com as parcerias de La Priori, Café Cancun, Kubistchek Plaza, IDA (Instituto do Atleta), Grupo Smaff Concessionárias, Taurus Seguros, Sesc e Bobs e apoio do Laboratório Sabin, do Centro Educacional Sigma e do Obcursos.

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Foto: Cristiano Silva

da Redação

Maratona de Revezamento entra para o calendário esportivo do DF

Mais de cinco mil atletas participaram da 3ª Maratona Brasília de Revezamento.


Fotos: Fabiano Neves

Manobras radicais levaram quase cinco mil pessoas na arquibancada ao delírio.

Ao lado do vice-governador Paulo Octávio, Jorge Negretti, campeão brasileiro de motocross

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Foto: Fernanda Freixosa / VICAR

Carro pilotado por Antônio Pizzonia, mais conhecido como Jungle Boy. A escuderia brasiliense figura entre os líderes.

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Sesc Triatlhon torna-se referência para o esporte em Brasília

A primeira passagem por Brasília, no dia 3 de maio, já foi de levantar poeira. Agora os fanáticos por automobilismo da Capital Federal esperam pela segunda vinda do circo da Copa Nextel Stock Car, principal categoria do automobilismo na América Latina. A próxima visita das supermáquinas acontece apenas em 8 de novembro, mas o público candango tem um motivo especial para reforçar a torcida até lá. Comandado pelo veterano das pistas brasileiras, o expiloto Amir Nasr, o time Amir Nasr Racing desponta como um dos grandes da atual temporada. Com o carro número 4 pilotado por Antônio Pizzonia, mais conhecido como Jungle Boy, por ter nascido na Selva Amazônica, a escuderia brasiliense figura entre os líderes da competição. Na volta ao “quintal de casa”, já que Brasília é a etapa em que a prova mais se aproxima de Manaus, Pizzonia promete um desempenho melhor diante da torcida. “O carro estará mais acertado. Será uma corrida diferente e apagará a primeira”, destaca o piloto, que acabou quebrando e não completando na primeira passagem pelo DF. Com o circuito do Autódromo Nelson Piquet, considerado um dos mais rápidos do País, a previsão é que um total de 78 pilotos componham o grid da competição, que além da Stock Car, considerada a elite nacional, ainda abriga a Vicar e a Stock Jr, respectivamente as categorias de acesso e a de iniciantes.

Mais de 400 participantes disputaram a edição 2009 do Sesc Triathlon Circuito Nacional, etapa Brasília, no dia 17 de maio. Realizado no Pontão do Lago Sul, a prova foi favorecida pelo tempo nublado, que contribuiu para o bom desempenho dos atletas participantes. O grande vencedor foi Reinaldo Colucci, bicampeão da prova. “O Sesc Triathlon é sempre muito organizado e esse ano não poderia ser diferente. Toda a organização está de parabéns, principalmente pela segurança oferecida aos atletas”, disse Colucci. Para o presidente do Sesc-DF, Adelmir Santana, a competição superou as expectativas de público, tornando-se uma referência para o esporte de Brasília. Na categoria feminina, a já conhecida Mariana Ohata foi a grande campeã. Foto: Leonardo Saraiva

Copa Nextel Stock Car: À espera da segunda etapa

Tempo nublado favoreceu atletas na competição do Sesc Triathlon.


Foto: Leonardo Saraiva

Parceria que dá certo LifeFitness e Runway estão juntas na nova unidade da academia, no Lago Norte. Os alunos agradecem

Marcus Abreu, o Xand, conquistou mais uma vitória para sua coleção. Desta vez foi o torneio de tênis do Iate Clube de Brasília.

Foto: Gago

Foto: Arquivo Pessoal

Na categoria Elite feminina, a grande campeã foi Mariana Ohata.

De um lado, uma empresa líder mundial em equipamentos fitness. Do outro, uma marca referência quando se fala em academias, por sempre trazer inovações. Assim, Life Fitness e Runway estão caminhando juntas há algum tempo, trazendo para o público de Brasília, por sinal muito exigente, qualidades essenciais para a prática segura de atividade física. “A Runway foi uma das primeiras clientes da Life Fitness Brasil, em Brasília, e essa parceria vem se estreitando e aprimorando com o passar dos anos”, observa Ariela Lana, da Life. “Atualmente foi inaugurada a unidade da Runway no Lago Norte, que contém aparelhos fabricados exclusivamente para esse projeto. Houve uma pesquisa de tendências de cores mescladas no que se refere ao piso, com o intuito de formar um ambiente harmônico e requintado, o que para nós, no momento da encomenda, causou apreensão, pois nos 120 países nos quais atuamos não haviamos feito essa mescla - equipamento com frames preto e estofado caramelo - mas como tudo aquilo que é novo é desafiador, fomos brindados com um excepcional feedback dos novos clientes Runway”, completa Ariela. A nova unidade da academia foi inaugurada no dia 28 de maio, no Deck Norte. Com área total de 1.600 metros quadrados, a nova academia tem capacidade para atender até dois mil alunos. O visual é inovador, dentro da estética contemporânea, e foi assinado pela arquiteta Patrícia Totaro, de São Paulo. Os sócios proprietários André, Fábio, Márcio e Simone Padilha solicitaram que a equipe de Patrícia se superasse e usasse a arquitetura para demonstrar essa inovação. “Conversei com profissionais de marketing com profundo conhecimento do mercado local, analisei dados estatísticos e, principalmente, andei e conversei com as pessoas”, conta Patrícia. “Minha arquitetura é sempre focada na satisfação do futuro frequentador da academia. É um público que valoriza o design e a qualidade de serviço”, diz. O projeto esportivo exigiu revestimentos específicos. Todos os pisos usados foram preparados para receber

Pequeno Xand é promessa no tênis No melhor estilo Guga, o pequeno tenista Marcus Abreu venceu o torneio de tênis do Iate Clube de Brasília, na categoria 10 anos. Promovido pela Federação Brasiliense de Tênis, o evento ocorreu no mês de junho deste ano. Xand, como é chamado o pequeno Marcus Abreu, vem obtendo excelentes resultados nas competições de que vêm participando, como o vice-campeonato no torneio da Asbac e do Tênis da Corte. Com isso, Xand torna-se a grande promessa para o tênis de Brasília.

Na nova Runway, cada móvel foi pensado para ter durabilidade, conforto e adequar-se ao design proposto, como no lounge, no qual os móveis lembram uma sala de estar moderna.

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Foto: Gago

Os sócios proprietários da Runway Fábio, Simone, Márcio e André Padilha receberam a imprensa e os amigos em um grande coquetel de inauguração da nova unidade da academia no Lago Norte. Foto: Bruno Stuckert

impacto nas diversas áreas da academia. Nas salas de ginástica foi usado um piso de madeira maciça especial para exercícios de impacto e dança. Há dois espaços especiais de convivência: um deles é a lanchonete, com móveis contemporâneos, e outro, o lounge do mezanino, com móveis confortáveis que lembram uma sala de estar moderna e colorida. Toda a academia é humanizada com vasos de plantas. No lounge do mezanino, por exemplo, há plantas com aspecto de energia, compondo com o colorido dos móveis. Na área da musculação há plantas com aspecto mais “zen” para se contrapor à rigidez dos equipamentos. Destacam-se um jardim embaixo da escada e outro no mezanino, voltado para a escada, ambos com iluminação âmbar, típica de ambientes externos. Segundo Patrícia, é uma forma de trazer a natureza para dentro da academia. Quanto aos equipamentos da Life, Patrícia diz não conhecer nenhuma outra academia no País que tenha usado as cores aplicadas à Runway Lago Norte. “O preto é tendência de design e com certeza será incorporado às novas salas de musculação depois da Runway Deck Norte”, revela Patrícia. A Life Fitness investe milhões por ano em biomecânica para proporcionar um aparelho confortável e ajustável para qualquer tipo de usuário – esteiras mais macias e confortáveis e aparelhos de longa durabilidade e melhor garantia do mercado. Desde a sua fundação, a empresa cuidava exclusivamente de academias, clubes e times de futebol. “Agora, as lojas abrem uma nova perspectiva de negócios para a Life Fitness Brasil, oferecendo aos clientes residenciais e de condomínios a mesma qualidade em equipamentos que estes encontram na academia que frequentam, por um preço mais acessível, mas com a mesma qualidade, já que o público de Brasília hoje é bastante exigente em questão de saúde e qualidade de vida”, diz Ariela, da Life.

Rogerio Naves, proprietário da Life Fitness em Brasília, traz para o público de residências e condomínios, por meio de sua loja, equipamentos profissionais iguais aos de academia.

Maratonas realizadas em Brasília aumentam interesse pelo atletismo

A corrida tem deixado de ser apenas um momento de lazer para tornar-se modalidade esportiva que vem atraindo centenas de pessoas na Capital Federal

Basta dar uma volta no Parque da Cidade e em tantos outros parques de Brasília, além de calçadões espalhados pelo Distrito Federal, para perceber a quantidade de pessoas caminhando ou correndo. O que antes era apenas um modo de exercitar-se, hoje é fato que a corrida de rua tem feito a cabeça de muitos brasiliense. E não poderia ser diferente. Segundo a Federação de Atletismo do DF, a modalidade é a que mais cresce no

mundo inteiro. Atualmente, existem milhares de corredores, profissionais ou amadores,  que participam de competições dentro e fora de seu país, e que, em diferentes distâncias, como as provas de 10 km, 21,095 km (Meia Maratona) e 42,195 km (Maratona), buscam superação, recordes ou simplesmente uma melhor qualidade de vida. Esse interesse pode, ainda, estar sendo motivado pela quantidade


Julio Adnet também apoia as maratonas

Pão de Açúcar tem maratona marcada para agosto A 2ª Maratona Pão de Açúcar de Revezamento de Brasília será realizada no dia 16 de agosto de 2009. A largada será às 8h no Eixo Rodoviário Sul. Poderão participar da corrida atletas de ambos os sexos, regularmente inscritos. O percurso será de, aproximadamente, 42 metros, ou seja, oito voltas completas. As inscrições podem ser feitas através do site www. maratonapaodeacucar.com.br até 9 de agosto e custam a partir de R$ 80,00. As dúvidas ou informações técnicas poderão ser enviadas por e-mail: atendimento@esferabr.com.br, através do site www.maratonapaodeacucar.com.br.

Foto: Arquivo pessoal

A academia Julio Adnet é pioneira em Brasília, tendo sido inaugurada em 1970. Seu fundador, Júlio César Simões Adnet, judoca faixa preta reconhecido internacionalmente, trouxe consigo a lembrança da história profissional que mais lhe marcou a vida. De lá para cá já se passaram 39 anos. Junto com Brasília, a academia

também cresceu, oferecendo as mais diversas modalidades esportivas, inclusive com um moderno centro aquático inaugurado na unidade do Terraço Shopping. Foi Julio Adnet quem trouxe para Brasília o famoso circuito inteligente de ginástica - equipamentos instalados nas ruas, permitindo a prática de exercícios ao ar livre. Com esse espírito esportivo, Adnet tem incentivado os alunos de sua academia à prática de atletismo. “Quando há maratonas, fazemos um levantamento, na academia, dos alunos que estejam se preparando ou queiram se preparar para se juntarem e treinarem. Assim, vamos com eles para vários lugares diferentes, como o Parque da Cidade, fazer treinamento específico para a maratona”, explica Júlio Adnet. Ele completa que, com isso, os alunos alcançam dois objetivos: aumentar a performance e unir todos num único grupo, gerando motivação.

Apesar de nunca ter corrido profissionalmente, Julio Adnet acredita que a corrida é a base para o treinamento de qualquer esporte.

Equipes vencedoras recebem prêmios no pódio, entregues pelo padrinho André Domingos.

Fotos: Divulgação/Voga Assessoria. Texto: Cláudia Mohn/ Natália Moura

de corridas que vêm ocorrendo em Brasília. Somente neste primeiro semestre, pelo menos oito competições atraíram milhares de pessoas às ruas da Capital. Para o segundo semestre, ainda se promete muita coisa. Aos que pretendem competir, o alerta é para os cuidados na preparação. A recomendação é que se procure um profissional de educação física, a fim de se obter melhor orientação.

Volta do Lago CAIXA termina com vitória da Gran Cursos

Os oito integrantes de uma das equipes da Gran Cursos venceram o desafio de 100 km da 6ª Volta do Lago Caixa, ocorrida em 21 de maio deste ano, em Brasília, e patrocinada pela Caixa Econômica Federal. A equipe Supercei/ Poupex/Dalmo Ribeiro/Ida garantiu o vice-campeonato. Houve dobradinha no terceiro lugar, com a vitória de outra equipe da Gran Cursos. Partindo de um lugar próximo ao Cine Centro São Francisco, no Eixão Sul, os mais de dois mil atletas inscritos

para a edição em comento percorreram 14 trechos que privilegiaram os pontos turísticos da Capital Federal, como a Ponte JK, a Ermida Dom Bosco e a Concha Acústica. As largadas começaram às 8h, com a categoria solo, seguida pelo Nível 1, Nível 2 e Elite. Horas depois da primeira largada, mais precisamente 7h48min10s, chegava, ainda concentrado e batendo seu próprio recorde em 40 minutos, o goiano de 43 anos, Fábio Santos, bicampeão da prova na categoria solo. Colado a Fábio Santos,

corria Juvam Palmeira para garantir o segundo lugar com uma diferença de, aproximadamente, um minuto, no tempo de 7h49min20s. O atleta Marcos Hofig cumpriu o percurso em 10h10min22s, conseguindo a terceira vaga no pódio. Segundo o organizador da prova Antônio Bastos Júnior, o trajeto explora bem o potencial dos competidores, com trechos de subida, estrada de terra e declives.

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comportamento moda beleza variedades

Os bens mais preciosos

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Tudo na vida da empresária Adriana Karina Muniz Ricci começou bem cedo. Aos 11 anos de idade ela já participava das atividades da Lord Perfumaria, à época sob o comando de seu pai, o pioneiro Ennius Muniz. Aos 15, tornou-se professora de inglês na escola em que estudava e aos 16 já estava trabalhando efetivamente na empresa da família. Casou-se aos 20 anos, quando cursava administração de empresas, e foi mãe pela primeira vez aos 22 anos de idade. Foi também nesta época, há 16 anos, que Adriana experimentou uma sensação diferente: ser mãe de uma criança especial. “Falo que uma coisa que nos ajuda muito em situações complicadas é a ignorância. Como eu era nova, não tinha noção do que estava acontecendo. Mas Deus faz as coisas certas. A gente não recebe nada que não seja nosso, que a gente não consiga suportar”. O que para muitas mães poderia ser o desespero, para a empresária foi uma dádiva. “Ganhei na

megassena! É muito bom saber que fui escolhida para me tornar uma pessoa melhor por meio de um ser humano ímpar, diferente. Quem tem um filho especial tem de se sentir premiada”, orgulha-se. Para Adriana, talvez tenha sido um pouco mais difícil na época. Quando seu menino – carinhosamente chamado de Leo – nasceu, ninguém sabia o que de fato ele tinha, nem mesmo os médicos. Ávidos por informação, Adriana e o marido, Adriano, passaram a buscar incansavelmente as respostas para suas dúvidas. “Até o Leo completar seis anos de idade, ninguém tinha ideia de qual era o diagnóstico, de como tratar, qual era a expectativa de vida etc.”, conta. A síndrome era tão rara que na época o

caso de Leonardo foi o 19º registrado no Brasil. Os pais passaram por diversos hospitais em Brasília, Belo Horizonte, Goiânia e São Paulo, mas não encontraram respostas. Até que Adriana achou, na internet, uma foto de um garoto semelhante ao Leonardo. “Foi como se eu tivesse encontrado a verdadeira família dele”, diz. Ela descobriu que Leonardo era portador da Síndrome de Rubinstein-Taybi, uma síndrome rara e pouco conhecida pelas pessoas e especialistas. A partir daí, souberam como tratar o garoto, que passou a fazer tratamentos específicos para desenvolver o máximo possível seu potencial motor e cognitivo. “Ele fazia tratamento em uma clínica só para crianças especiais, numa sala com várias outras crianças, mas cada uma com sua terapeuta. Um dia, ele chegou a casa fazendo gestos e barulhos estranhos, semelhantes a uma convulsão. Fiquei preocupada e fui até a clínica, lá me disseram Fotos: Fabiano Neves

Geração Capital

por Allinne Martins

mix

Adriana Ricci define os filhos como três joias raras. O mais velho é portador de necessidades especiais, o que, segundo a empresária, a torna uma felizarda ganhadora da megassena


que ele estava apenas imitando uma Segundo Adriana, foram nove meses de pânico até nascer “um espetáculo de garotinha que fazia tratamento ao lado bebê: forte, bonito e saudável”. Ela conta que não queria engravidar porque, além de dele. Foi aí que percebi a capacidade estudar e trabalhar, o tempo que lhe sobrava deveria ser para cuidar daquela pequena dele em assimilar as coisas e fui a criança frágil, com uma doença ainda desconhecida. “Mas o Lucas parece que veio busca de uma escola regular para que sabendo de toda a situação que enfrentaria, era uma criança extremamente calma. ele tivesse um referencial melhor, que Foi perfeito. Ele salvou a minha vida, a do meu marido e a do Leo. O Lucas ajudou melhor contribuísse para sua formação muito no desenvolvimento do irmão, é o nosso anjo...”, emociona-se. Novamente decidida a não mais engravidar, Adriana queria estudar, fazer várias e desenvolvimento”, lembra. especializações... E começou pela Fundação Getúlio Vargas, onde cursou Marketing. Mas a tarefa não seria fácil. “Naquela época as escolas não tinham obrigação de incluir “No meio do curso, meu DIU venceu. Tirei num dia e no outro engravidei do meu crianças especiais. Várias escolas bateram terceiro filho! Daí pensei: não vou mais estudar, pois é só começar que engravido”, a porta na minha cara dizendo que não brinca. E assim, há oito anos, nascia Luís Eduardo, que veio num momento mais estavam preparadas para recebê-lo. Ora, mas tranquilo da vida de Adriana. “Com o nascimento do Eduardo, tive de abrir mão eu também não estava quando ele nasceu. de tudo que tinha planejado para voltar à outra especialização: a de mãe. Mas foi O Leo não veio com manual de instrução. maravilhoso ter mais um filho, ele chegou num momento tranquilo e quando estava Tudo que eu queria era alguém que nos bem mais madura e preparada para curtir um bebezinho como deve ser, foi uma ajudasse, alguém que estivesse disposto delícia! O Dudu é uma “figura”: levado e engraçado, a alegria da casa!”. A empresária a descobri-lo com a gente”, indigna-se, conta que sempre teve o sonho de ter uma menina, mas não pretende mais realizá-lo. completando que a última saída foi apelar “Hoje eu adoro ser a única rainha da casa. E, como diz minha mãe, isso é mais do para a escola na qual estudou a vida inteira que merecido”. Rainha, sim, mas considerada pelos filhotes como a “nazista” da casa. “Se você – o Centro Educacional Fênix, no Lago chegar e perguntar a eles quem é mais bravo, a mamãe ou o papai, não tenho Sul. “Como me conheciam desde pequena, dúvidas de que eles responderão que sou eu. Mas é que sou muito exigente com tinha a certeza de que não me negariam a educação deles. Sei da responsabilidade que tenho para com aquilo que eles ajuda. E lá, ele estudou. Conforme eu vão se tornar na vida e isso me deixa extremamente dedicada à educação deles. pensava, em 6 meses aprendeu a andar – Mas também sou muito carinhosa, gosto de abraçar, beijar e às vezes acho até quando tinha 3 anos e meio de idade – e foi alfabetizado aos 10 anos. Hoje, cursa a que sufoco”, conta Adriana, que define seus filhos como as três joias de sua vida 4ª série e tem uma capacidade imensa de e diz tratá-los sem distinção. “Claro que com o Leo é preciso um pouco mais de paciência, porque o tempo dele é diferente, mas as exigências são as mesmas assimilação”. Apesar do retardo físico e mental para os três”. causados pela síndrome, a empresária conta que o adolescente consegue se comunicar ao seu modo, se fazendo entender. “Ele sempre foi uma criança doce, carinhosa, que irradia amor. Gosta muito de abraçar e beijar. Meu marido fala que ele se parece muito comigo, porque eu também gosto muito de beijar e abraçar as pessoas”. Para ela, viver com Leonardo é aprender mais a cada dia. “A gente aprende com ele a ser um ser humano melhor. Paciência, compaixão, compreensão são as verdadeiras faculdades que viemos cursar nesta vida”. Toda essa luta, até descobrir o que de fato Leonardo tinha e o que veio depois da descoberta, Adriana passou já com outra criança no colo. Afinal, a diferença de idade entre Leonardo e seu segundo filho, Lucas, é de apenas um ano. “Após o Leo, estava decidida a não mais ter filhos e quis “morrer” quando soube que estava grávida. Eu estava ainda com problemas causados pela primeira gestação, tomando antibióticos, anti-inflamatórios, remédios para dor e pílula para amamentar. Não imaginei que fosse engravidar novamente tão rápido. Mas o médico disse que os fortes medicamentos podem ter anulado Casada há 19 anos, Adriana considera o marido, Adriano Ricci, um paizão e verdadeiro companheiro. o efeito da pílula”.

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De geração em geração

E Adriana é exigente mesmo. Dá para perceber pelo que conta sobre um dos castigos já aplicados aos filhos. “Quando aprontam demais, os levo a uma instituição beneficente, com muitas crianças, e os faço doar muitas coisas deles. Mostro a eles aquelas crianças que não têm lar, nem família, nem carinho e muito menos os brinquedos caros que ganham e que algumas vezes não dão o devido valor. Funciona bem”. Por exigir a mesma atenção, Adriana considera o marido, Adriano, como o quarto filho. “Mas ele sofre as consequências de termos três filhos”. Ele não trabalha com a esposa, Adriano é funcionário do Banco do Brasil. “É melhor assim”, diz ela. “Quando chegamos a casa, ele conta sobre o dia dele e eu sobre o meu, dividimos assuntos diferentes e aprendemos com as experiências de cada um. Ele é um ótimo companheiro, grande amigo, maravilhoso marido e um paizão! Nunca houve nada que eu soubesse fazer com os meninos que ele não soubesse também. Ele é muito carinhoso e generoso com todos nós”. Formada em Administração e com especialização em Marketing, Adriana considera sua família outra grande empresa, a qual ela administra com muito prazer e carinho. Além de estar à frente da Lord Perfumaria, no comando de 180 funcionários, a empresária preside a Associação de Lojistas do Conjunto Nacional e é conselheira na Câmara dos Dirigentes Lojistas. Para dar conta de administrar o tempo, ela conta que precisou aprender a se organizar. “Mas como comecei bem cedo, já me acostumei com tudo isso”, brinca. “Sinto-me útil no mundo quando vejo que consigo executar e concluir tudo que me proponho a fazer, com certo grau de sucesso. Causa-me uma alegria imensa, uma satisfação enorme”.

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Quando Brasília começou a ser construída, atraiu muita gente para aquela que seria a nova capital do Brasil. Em meio a tantas famílias que vieram para a empreitada, alguns em busca de novas oportunidades, outros requisitados para ajudar na concepção da nova cidade, estavam Expedito Simões e Francisco Muniz. O primeiro era funcionário público em Belo Horizonte e veio transferido a pedido da Caixa Econômica Federal, em Brasília. O segundo era dono da Construtora Loyola, na capital mineira, e veio após ter ganho concorrência para construir o Ministério da Guerra e a Quadra 112 Sul. Ambos pegaram suas famílias e se mudaram para Brasília. Foi nessa vinda para a capital do Brasil que os pais de Adriana Muniz se conheceram. “As mudanças se misturaram e quando as famílias foram trocar, meu pai e minha mãe tiveram o primeiro contato”, conta Adriana. Na época em que ambos mudaram-se, vieram a contragosto. “Imagina, eram adolescentes, tinham amigos, a escola que já estavam acostumados, tudo em Belo Horizonte. E, de repente, ter de se mudar para uma cidade ainda em construção. Mas, seis meses depois, já não queriam mais sair daqui”, diz a empresária. A cidade cresceu e, com ela, a empresa do avô materno de Adriana, Francisco Muniz. A construtora Loyola virou a Conbral, hoje com 46 anos de existência. “Quando meus pais ainda eram casados, meu pai começou a trabalhar com meu avô e depois comprou a empresa dele”, lembra. Depois, outras oportunidades de negócio foram surgindo na vida de Ennius Muniz, pai de Adriana. Entre elas, a Lord. “A loja é mais antiga que a Conbral, mas meu pai a comprou um tempo após sua fundação, quando um amigo ofereceu. Eu tinha 11 anos de idade ”, conta Adriana, lembrando que, à época, seu pai tinha vários negócios, pois a economia obrigava os empresários a fazer isso, já que um sustentava o outro. “Meu pai teve posto de gasolina, boate e vários outros negócios. Mas, depois de um tempo, ficou mesmo só com a Conbral e a Lord”. As duas empresas resistem até hoje e com muito sucesso. Adriana Muniz, – por ser formada em Administração, com pós-graduação em marketing –, depois de tantos anos dedicados à Lord, hoje se encontra à frente da empresa. Já a Conbral fica por conta do irmão, Marcus Vinícius. “Ele é engenheiro e hoje está como diretor-financeiro da Conbral”, conta a empresária, que tem mais dois irmãos do segundo casamento de seu pai – o Matheus, de 8 anos de idade, e o Rodrigo, que faz 4 anos no próximo dia 22 de junho. Nas empresas, ainda trabalham tios e avós de Adriana. “Trabalhar com família tem muitas vantagens, mas também desvantagens. Uma das vantagens é a confiança que podemos ter uns com os outros. Já a informalidade da estrutura é que prejudica às vezes”, conclui. Ennius Muniz “monitora” tudo.


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“G. viera ao meu consultório com queixa de fobia social e baixa imagem. Após algumas consultas descobri que sofria de abuso moral. Casara cedo e não conseguiu terminar o seu curso universitário. Com 19 anos já tinha 2 filhos. Não conseguiu, por isso, entrar no mercado de emprego. Seu marido, formado e concursado, a agredia verbalmente,

chamando-a de incompetente e folgada. E calada, ela ia acreditando no que ouvia. Não poucas vezes, ouviu seu marido chamando-a de burra na frente dos filhos, parentes e amigos. A psicoterapia lhe fez bem, pois, hoje, aos 34 anos, ela terminou o curso universitário, fez mestrado, tem emprego fixo e autoestima. O que mudou? Tudo.”

A Dra. Tereza Ichiki dos Santos é psicóloga comportamental cognitiva, escritora, conferencista e hebiterapeuta. Atua na Clínica DUO, telefone (61) 3347-9769.

no divã da tereza por Tereza Ichiki

O Perigo pode estar mais perto do que se imagina Como exposto, o perigo pode estar mais perto do que se imagina: na vizinhança, no lar ou dentro de você, quando acredita nas mentiras ouvidas e não reage. O importante é saber como se prevenir ou reagir quando a violência estiver ocorrendo.

colunistas

1. Não deixe seu filho/a completamente sob cuidado de adultos ou jovens, mesmo que seja irmão, padrasto, empregada, avô ou vizinho. 2. Podendo, coloque câmeras para controlar as ações dos adultos, as quais também inibem a ação dos oportunistas. 3. Ensine ao filho, não só uma vez, mas várias vezes, sobre atitudes suspeitas de qualquer adulto ou jovem em relação ao corpo: mostrar partes do seu corpo ou tocar nas partes íntimas do outro por promessa de doces ou brinquedos; beijar na boca; tirar foto nu; deitar junto na cama; tocar em suas partes íntimas ou fazê-la/o dormir no colo, com toques, ou colocar coisas na sua vagina... 4. Prometa-lhe que não será castigado se contar que algo

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estranho aconteceu e que tomará medidas justas imediatamente. Diga-lhe sempre que ele é mais importante do que o padrasto ou qualquer parente ou vizinho; que o ama muito; e que o seu papel de mãe é cuidar e protegê-lo de qualquer mal. Quando denunciar alguém e for provada a culpabilidade deste/desta, não retire a queixa, pois isso incentivaria esse indivíduo a continuar abusando e debochando da sua tentativa de coibi-lo. 5. Caso seja a agredida:

• Verifique se não é você que provoca espírito agressivo no companheiro devido a sua atitude incontrolada.

• Se o problema é dele, então verifique em que momento ele toma atitudes agressivas e o porquê.

• Espancamento não é normal.

Então, se foi apenas uma vez, você deve conversar e deixar claro que não tolerará outra incidência. Se ocorrer novamente, procure orientação de profissionais competentes e aja conforme o sugerido. Se registrar queixa na

delegacia, não a retire mesmo que o policial a coloque em dúvida sobre o futuro dele. Permaneça firme na decisão. Como não sabemos a reação posterior do agressor, tome todo cuidado para não colocar em risco sua vida ou dos seus entes. Todo agressor é violento e não tem respeito pela vida alheia; por isso, ele pode tomar decisão, na ira, de matar quem o dedurou. Seja cautelosa em cada ação, mas não fique aprisionada ao medo do que poderá vir. Em Brasília, há órgãos go-vernamentais que se destinam a proteger mulheres que denunciam os seus companheiros agressivos. Busque toda a orientação possível e proteção de quem realmente garante isso. Lembre-se: valorize-se de tal modo que ninguém ache que você merece ser saco de pancada, mas aprenda também a valorizar o seu companheiro. Não o leve, com críticas, acusações, ciúmes ou outras baixarias, até o limite da resistência emocional. Isso previne violência doméstica desnecessária. Saber conviver é regra para todo cidadão comum. Mas, se não der, minha amiga, vire a mesa com a ajuda de Deus e dos profissionais competentes.


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16 anos

Fotos: Bruno Stuckert

de sucesso

acontece

por Alline Martins

O Fest Noivas levou cerca de 18 mil visitantes ao Clube do Exército, em maio, comprovando o crescimento do evento desde a sua criação

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Quando o cerimonialista, especializado em casamento, César Serra idealizou o Fest Noivas, há 16 anos, não imaginou que ele tomaria a dimensão alcançada hoje. César Serra, ao lado do sócio Renato Nunes, vem promovendo, todos esses anos, o citado evento, que, além de vitrine dos profissionais, é esperado por noivos que buscam as novidades nesse mercado. “Naquela época queria mostrar o trabalho dos profissionais de Brasília nesta área de festas, pois as pessoas achavam chique contratar empresas de São Paulo ou Belo Horizonte, quando aqui já existiam bons profissionais. Começamos com 16 expositores e hoje já contamos com 170 empresas no Fest Noivas”, lembra Serra. Desde então, o Fest Noivas tem atraído olhares de todo o País. “É muito difícil um evento feito em Brasília alcançar este nível”, reconhece o organizador. Tamanho sucesso, além de ter levado o evento para Fortaleza, resultou em propostas para a realização do Fest Noivas em outras capitais, como Recife, Goiânia e Belo Horizonte. Este ano, em Brasília, o evento ocorreu entre os dias 23 e 31 de maio e atraiu aproximadamente 18 mil visitantes ao Clube do Exército – uma área de 7 mil m2. “Em termos de espaço e exposição, é o maior evento de noivas do Brasil”, diz César Serra. O Fest Noivas já entrou para o calendário de eventos de Brasília, e com repercussão nacional. Mas o evento não conta somente com expositores locais. Profissionais de São Paulo, Minas Gerais e Goiás também mostraram seus trabalhos. Além de ajudar noivos a encontrar as tendências no segmento de casamento, o Fest Noivas ainda apoia projetos sociais, como o stand cedido à APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais). “A APAE tem um espaço todo ano no evento; e desta vez foi ocupado pelo projeto Maria Flor, idealizado por Maria Helena Alcântara, presidente da instituição, e é formado por alunos e mães de alunos”, explica a associada e coordenadora do projeto Maria Mildimir. O Maria Flor faz traba-lhos com flores; portabombons; porta-alianças; porta-guardanapos; cestas para flores; arranjos com

Noiva-símbolo do Fest Noiva 2009, a modelo Helena Hofmann.


Estande Helen Szervinsk e Renata La Porta.

cetins, tela e papel. “Participar desse evento é muito bom. Já estamos recebendo pessoas que estiveram no evento. E os alunos, todos excepcionais, ficam encantados com tudo isso. Os levamos ao Fest Noivas e eles se deslumbraram ao ver os produtos, feitos por eles, expostos ali para milhares de pessoas”, alegra-se Maria Mildimir.

arte dos origamis e com 40 leques plissados artesanalmente e aplicados ao tecido. O público pôde, ainda, conferir as novidades e tendências apresentadas por cerca de 160 empresas – de convites a roteiros exóticos da lua de mel, passando por álbum de fotografias, trilha sonora para embalar

os convidados, buquê, decoração, bolos, manobristas, lembranças, buffet, doces, aluguel de roupas, cerimonial e filmagens. A inspiração da Dot Paper, por exemplo, foi os 50 anos da boneca Barbie, colocando em seu stand 17 Barbies vestidas de noivas, com roupas confeccionadas pelas profissionais da empresa.

Ano da França no Brasil

Nesta edição de 2009, o Fest Noivas homenageou o ano da França no Brasil. Logo no hall de entrada os visitantes já podiam sentir o clima de castelo renascentista. Nos desfiles, cada estilista abriu a passarela com uma criação em homenagem a um estilista francês. Fernando Peixoto foi um dos que apresentou seu trabalho nas passarelas. Ele preparou modelitos inspirados em seu ídolo Ives Saint Laurent. O chantung de seda foi presença constante nos desfiles de Peixoto. Isso porque o estilista escolheu um tecido plano para trabalhar com mais liberdade. O melhor exemplo foi o vestido da noiva-símbolo deste ano, Helena Hoffman, inspirado na

Os idealizadores do Fest Noivas - César Serra e Renato Nunes.

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Dilmar Ramos Pereira e Daniela Góes de Oliveira foram os vencedores do concurso “Porque o Meu Casamento Tem Tudo a Ver com Paris”, promovido pelo Fest Noivas 2009. O casal produziu o vídeo mais acessado no You Tube e recebeu duas passagens de ida e volta para a capital francesa.

A decoradora de eventos Helen Szervinsk juntou-se à banqueteira Renata La Porta nesta 16ª edição do Fest Noivas. Helen mostrou uma mescla de contemporâneo com toques rústicos e Renata preparou degustações, lançando um novo cardápio para casamentos. E, por falar em comida, quem marcou forte presença também foi a “equipe Lorenzo”, com a Torteria di Lorenzo e o restaurante San Lorenzo, no espaço gastronômico. Além da degustação com inspiração francesa, apresentações musicais agradaram quem passou pelo stand. Ainda nesse contexto, doze visitantes foram contemplados com brindes – como convites, ensaio fotográfico e descontos em serviços – cedidos por expositores do evento. Houve, ainda, um casal agraciado com uma viagem de lua de mel para Paris. Os funcionários públicos Dilmar Ramos e Daniela Góes se casam no dia 25 de julho e agora já podem sonhar com a viagem que ganharam do Fest Noivas 2009. O casal produziu o vídeo mais acessado no You Tube e recebeu duas passagens para a capital francesa – ida e volta. Após todo esse sucesso da 16ª edição, o trabalho dos organizadores César Serra e Renato Nunes é fazer e lançar a revista do evento e, daqui a dois meses, começar a pensar na próxima edição. “Ainda não temos nada fechado, mas tudo indica que o tema de 2010 será ‘Os cinquenta anos de Brasília’. Toda nossa inspiração virá com essa comemoração”, adianta César Serra.

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Desfile de noivas - Fernando Peixoto.

Espaço gastronômico do Fest Noivas com a Torteria di Lorenza e o restaurante San Lorenzo.

No estande da Dot Paper, uma homenagem aos 50 anos de Barbie. A empresária Fabiani Barbosa expôs 17 barbies vestidas de noivas. As roupas das bonecas foram confeccionadas pelas profissionais da Dot Paper.


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colunistas

com que roupa eu vou por Janaína Ortiga

Janaína Ortiga é referência em moda no Brasil e com o seu estilo conquistou o mercado brasiliense e nacional.

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A hora do

boyfriend style! Tudo começou com o boyfriend jeans. Aquele que Katie Holmes apareceu usando nas fotos de paparazzi espalhadas pelo globo. A modelagem baggy, o estilão largado e a barra dobrada sugeriam que ela tinha pego a calça do marido emprestada e saído para dar um rolê. Num piscar de olhos, todas as fashions apareceram vestindo calças e bermudas com cara de velhas e desbotadas.


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Professor Marco Antônio, Eda Machado (diretora geral do IESB), e Voriques Oliveira, parceiros na campanha “De Olho no Social 2009”.

Mãe e filha, Eda e Liliane entraram na passarela com óculos da Voriques Óptica e roupas Janaína Ortiga. As duas gostaram tanto do look que acabaram ficando com as peças. Fotos: Dênio Simões

Pelo bem social

atitude

da Alline Martins

Brasilienses mostram que ajudar o próximo é um prazer de mão-dupla. Faz bem a quem doa, a quem participa das campanhas e a quem recebe

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Ainda hoje há pessoas neste país que nos fazem crer em uma luz no fim do túnel, quando o que mais ouvimos são notícias de corrupção. Por outro lado, há os que se preocupam em tirar do que ganham para ajudar quem mais precisa. Brasília tem muitos exemplos. Ao mesmo tempo em que é conhecida pelas sujeiras dos políticos, deveria ser aplaudida por brasilienses que se engajam em causas sociais. Alguns nomes bem conhecidos na Capital se lançam em campanhas solidárias, na certeza de que, por serem conhecidos na cidade, podem estimular brasilienses comuns a lutar por causas nobres. Há cinco anos o empresário do ramo de óticas, Voriques, realiza um projeto social na área em que atua. “Acho importante que cada profissional, dentro de sua área, consiga destinar parte de seu tempo ao social. Como trabalho com a visão, faço esse trabalho e consigo, ainda, reunir um grupo de oftalmologistas para ajudar também”, observa Voriques, que realiza o programa De Olho no Social, o qual entrou em sua 5ª edição este ano. A campanha começou no atendimento um a um. “Clientes traziam conhecidos deles com renda social baixa, vigias de carro que trabalhavam próximo à loja também vinham e eu acabava ajudando. Como foi crescendo, vi aí uma oportunidade de atender mais pessoas. Daí, passamos a ajudar grupos pré-selecionados, doando consultas e óculos”, explica Voriques. Desde 2002, a campanha já atendeu sete mil pessoas carentes. Este ano a campanha foi lançada no dia 2 de junho, com desfiles das lojas Voriques Óptica, Janaina Ortiga e Ana Paula Homem, além de modelos criados por alunas do IESB: Sílvia Salgado, Anna Carollina Esselin, Juliana Lima, Vanessa Rodrigues e Giovanna Maia. Participaram do desfile a diretora de Responsabilidade Social, Liliane Rímoli, e a Diretora Geral, Eda Machado. Para os interessados em contribuir com a campanha, as armações poderão ser entregues nas lojas da Voriques Óptica, nos dois campus do IESB (Giovanina Rímoli e Edson Machado) e na loja Ortiga. Além de Ortiga e Ana Paula Homem, criações de alunas do IESB também estiveram na passarela, entre elas as peças das alunas de moda Giovanna Maia e Vanessa Rodrigues (Dragão Fashion Brasil).

O apresentador da Record, Toninho Pop, desfila Ana Paula Homem e óculos da Voriques Óptica.


Tarde beneficente

Fotos:Fabiano Neves

Outro evento social que movimentou a cidade neste primeiro semestre de 2009 foi a tarde beneficente realizada na residência de Ana Maria Gontijo, feita em parceria com Anna Christina Kubitschek Pereira e Stella Guerra. No evento foi feita uma mostra da nova coleção “Renascença” da grife Ana Rocha & Appolinario, das designers de joias Anna Claudia Rocha e Ana Paula Appolinario. 10% da renda arrecadada com a venda no dia foram revertidos para a creche Vó Philomena, localizada no Núcleo Bandeirante, e, como a renda foi maior que o esperado, ainda foi possível ajudar uma creche-abrigo. “Quando as pessoas sabem que aquilo que estão comprando vai, ainda, ajudar alguém que precisa, é um incentivo a mais. Além das peças serem maravilhosas, o fator ‘ajuda ao próximo’ colaborou para o sucesso das vendas numa tarde”, observa a anfitriã do evento. Para ela, é importante que pessoas conhecidas na cidade tomem iniciativas como esta. “A gente consegue mobilizar muitas pessoas. Por isso, eu acho importante, assim como a Anna Christina, que cada um faça a sua parte para ter um mundo melhor”, completa Ana Maria Gontijo.

Ana Paula Apolinario (designer de joias da coleção Renascença), Caroline Medeiros (esposa do ex-presidente e senador Fernando Collor), Anna Christina Kubitschek Pereira, Ana Maria Gontijo, Anna Claudia Rocha (designer de joias da coleção Renascença),Stella Guerra (dona da joalheria de mesmo nome, que vende as joias Ana Rocha e Apolinario, em Brasília).

Personalidades de Brasília compareceram em massa à tarde beneficente e experimentaram - e compraram - as joias de Ana Rocha e Appolinario, como Mara Amaral...

...e Cláudia Salomão, à direita, que contaram com a assessoria da designer de joias Anna Claudia Rocha.

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Fotos: Bruno Stuckert

Fernando Oliveira, proprietário da Monna, com as modelos.

Modelo Luana Salgado desfilando um dos modos de se usar a camiseta da campanha.

100

Tabaco

Estilista Renata Janiques.

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Na luta contra o tabagismo, o Centro de Câncer de Brasília uniu-se à loja de moda Monna para promover a sétima edição da campanha Sem tabaco, 100% fashion. O empresário Fernando Oliveira, proprietário da Monna, vestiu literalmente a camisa da ação capitaneada pelo Centro de Câncer de Brasília (Cettro), reunindo mais de 200 clientes no desfile que ocorreu em sua loja, no dia 2 de junho. “Estamos vendendo as camisetas em nossa loja. A arrecadação total (100%) é revertida a pacientes carentes. Essa é uma maneira de mostrar que a Monna está engajada socialmente”, diz Fernando. No desfile, houve um mix das tendências de inverno e várias formas de usar, com estilo, a T-Shirt criada pela estilista brasiliense Renata Janiques, que venceu um concurso do qual participaram outros estilistas da Capital Federal. A maior parte das camisetas foi vendida no evento. Zoraide Cauhy – presidente da entidade beneficiada, o Instituto de Apoio ao Portador de Câncer (IAPC) – comemora o resultado. A campanha Sem Tabaco, 100% Fashion, capitaneada pelo Centro de Câncer de Brasília, acertou em cheio ao escalar a fashionista mineira Cristiana Guerra para reforçar o movimento antitabagista iniciado em 2003. O blog assinado por ela (www.hojevouassim.com.br) recebe cerca de 5 mil visitas diárias – os internautas costumam conferir o look com o qual Cris desfila no trabalho, no melhor estilo hi-lo. “Ao vestir a camiseta da campanha, ela potencializa o alcance da ação, que visa estimular adolescentes a não começar a fumar”, destaca o Dr. Murilo Buso, oncologista e líder do movimento.


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últimos lançamentos em estética Tratamento Facial Baume Jeune Longtemps

da Redação

Resultados clínicos dos laboratórios Clarins comprovam que uma pele saudável depende de dois fatores fundamentais para manter uma aparência jovem: a microcirculação e as terminações nervosas. A primeira é responsável pela hidratação contínua com nutrientes e oxigênio. Já as terminações nervosas coordenam a atividade de todas as células. Com o tempo, esses dois fatores sofrem mudanças, a pele perde seu brilho e aparência saudável, a circulação sanguínea diminui, as funções celulares são alteradas e as fibras do colágeno tornam-se escassas. Baume Jeune Longtemps é o produto que estimula simultaneamente esses fatores e oferece às mulheres um segredo incomparável de beleza: a aparência jovial. Preço sugerido (50 ml): R$ 350,00

beleza.novidades

base com efeito lift

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Teint Lift Eclat

Ao atingir a idade madura, todas as mulheres estão em busca do look natural sem grandes esforços. Clarins fez o sonho de beleza se tornar verdade com Teint Lift Eclat. Essa nova base realça a aparência do lift, que sutilmente cobre os traços faciais e esconde os sinais da idade. A tez fica com aparência saudável e sensação de lifting durante todo o dia. Teint Lift Eclat possui uma técnica inovadora de pigmentos que transformam e modulam a luz. Esses pigmentos são revestidos com aminoácidos que proporcionam uma cobertura suave e preservam o efeito da juventude. A textura creme envolve a pele e proporciona uma sensação imediata de conforto. Teint Lift Eclat está disponível nas seguintes cores: 2,5; 03; 05; 06; 07 e 08. Preço sugerido (30 ml): R$ 178,00

Tratamento Corporal Addition Concentré Minceur

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lançamentos em maquiagem

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jazz influencia maquiagem nesta estação

Look Jazzy Colours Inspirada no charme e na liberdade dos anos 20, a coleção “Jazzy Colours”, da Clarins, interpreta o clima de uma época animada pela beleza das melindrosas - mulheres vanguardas da época, que frequentavam os salões e traduziam em seu comportamento e modo de vestir o espírito da também chamada “Era do Jazz”. Na visão de Thibault Vabre, Make-up Artist Director da Clarins, “Jazzy Colours é a essência da elegância e da sedução – tez impecável, lábios vermelhos intensos, olhos cativantes. Cores que se misturam em movimento nos tons de rosa, ameixa, grafite e azul intenso.”

beleza.novidades

da Redação

Tez: Impecável

Lisse Minute – Um primer que cobre a tez como um véu suavizando a superfície, minimizando vincos, rugas e poros. Preço sugerido: R$119,00

Instant Smooth Foundation – A base com textura mousse, para cada tom de pele, que alisa, nivela e esconde imperfeições; as linhas e os poros são suavizados. A base é composta por uma alta concentração de pigmentos soft focus, responsáveis por esconder as imperfeições da pele e alisar, além de micropérolas da acácia, um componente hidrófilo que, ao se depositar na pele, absorve a umidade liberada através da transpiração. Preço sugerido: R$ 181,00

Poudre Libre – Lançamento: Pó ultrafino que proporciona acabamento de longa duração. Preço sugerido: R$ 185,00

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Olhos: Brilho Encantador

Um olhar misterioso com sombras sofisticadas e extravagantes numa ousadia de cores. Nesse look, Clarins apresenta dois novos quartetos de sombras: So Chic – reúne um cinza elegante, amora e branco - e So Sublime - mistura rosa pink, índigo e cinza prateado. Preço Sugerido: So Chic - R$ 182,00 So Sublime - R$182,00

Máscara Wonder Length - edição limitada - 04 Wonder plum:

Lábios: Marcantes

Com uma textura aveludada, Joli Rouge cobre os lábios com brilho e glamour. Disponível em 10 novas cores. Preço sugerido: R$ 89,00

Cílios infinitamente longos e brilhantes. A escova cilíndrica permite aplicação com ultraprecisão e sem borrão. As fibras curtas da escova vão da raiz até as pontas; as longas aplicam todas as cores ao longo dos cílios. Preço sugerido: R$ 92,00

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os mais desejados

beleza.novidades

da Redação

perfumes femininos que inspiram desejo

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212 On Ice é uma composição com notas mais frescas e florais, a partir de ingredientes coloridos e que fazem parte do momento. Para evocar esse espírito de modernidade, as notas de entrada caracterizam-se através das flores de laranjeira, tangerina e bergamota. Nas notas do meio, as flores brancas somam-se à luminosidade da fragrância: gardênia, peônia, íris e lírios. As notas incluem bases sensuais de sândalo e almíscar. O resultado é um aroma feminino e elegante que faz despertar todos os sentidos. Preço sugerido (60ml): R$ 212,00

Love by Nina reinterpreta a fragrância original como uma nova guloseima olfativa: luminosa e jovial. Uma nota de saída jovial e fresca – maçã verde e litchi. Uma nota de coração floral com uma nota gustativa – flor de cereja e maçã de amor. Uma nota de fundo elegante e voluptuosa – madeira de maçã e cedro branco. Preço sugerido (50 ml): R$ 200,00 Edição limitada.

Dreaming Pearl de Tommy Hilfiger A edição limitada que te convida a fechar os olhos e sonhar. Um perfume envolvente e sedutor, tendo tuberosa, pérolas e madeiras brancas entre as notas da composição. Preço sugerido (100ml): R$ 317,00 (Eau de Toillet)

Delicious Night - O perfume que tem o mistério das noites de Nova York onde tudo pode acontecer com notas de pomelo triturado, gengibre e um martini de amora. No coração, buquê de orquídeas, pétalas de jasmim e íris roxo. Finalizando a composição olfativa, uma fusão do âmbar com incenso negro e extrato de mirra acompanhado de patchouli e vetiver. Preço sugerido (50 ml): R$ 211,00 (Eau de Parfum)


Angel

Angel Le Parfum Corps

Foi com esse pensamento que o estilista criou Angel em1992. A primeira fragrância gourmand no mundo da perfumaria que se tornou um clássico. Seu aroma único reúne notas de caramelo, baunilha, frutas vermelhas, patchouli e chocolate. O frasco é o primeiro perfume com coloração azulada em formato de estrela. Agora Mugler impulsiona os limites da perfumaria ao criar uma inovação tecnológica, um objeto de desejo, uma nova geração. Angel Le Parfum Corps é uma nova arte de se perfumar. Para as fãs de Angel, de Thierry Mugler, chega ao mercado mais uma novidade, Angel Hair Mist, o perfume para o cabelo. A nova arte de se perfumar tem uma exclusiva e revolucionária tecnologia, a molécula IDS – Intense Diffusion System –, que modifica o comportamento olfativo e aumenta o poder de difusão. Os componentes do perfume Angel, misturados à molécula IDS, ajudam a retardar a evaporação do perfume, reativando continuamente o aroma. Além do Hair Mist, a linha é composta por body cream com sua embalagem maravilhosa, o body lotion e desodorante. Angel Le Parfum Corps está disponível em:

Love is a Game

da Redação

Thierry Mugler

Twin:

Azzaro Twin – Ao buscar no dicionário a tradução da palavra twin, encontramos: 1. gêmeo. 2. pessoas ou coisas muito parecidas. 3. juntar (em um par), acasalar. // adj 1. duplo. 2. com duas partes iguais. A fragrância se inspira nesta máxima do amor: a cara metade, os opostos que se atraem. Azzaro Twin, dois aromas sob o mesmo nome. Um feminino, um masculino, um preto, outro banco, yin e yang. A fragrância feminina, assinada por Annick Ménardo da Firmenich, tem um aroma sugestivo com notas de rosa, pêssego, flor de amendoeira, iris e musk, produzindo um efeito floral amadeirado. A versão masculina apresenta um toque andrógeno, com bergamota, maça verde, patchouli e sândalo, com uma característica de virilidade que os homens brasileiros aprovam.

beleza.radar

“Eu sempre quis fazer um perfume que pudesse repercutir nas pessoas, algo entre a ternura e a infância. Eu queria que o contato com essa fragrância fosse tão sensual a ponto de despertar um desejo incontrolável.”

Preço sugerido(50ml): R$ 183,00 SAC – 0800-7043440

Angel Le Parfum Corps Hair Mist (25 ml): R$ 180,00 Angel Le Parfum Corps Body Cream (200 ml): R$ 659,50 Angel Le Parfum Corps Body Lotion (200 ml): R$ 200,00 Angel Le Parfum Corps Deodorant spray (100 ml): R$ 131,50

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especial

dia dos pais

dicas para

A RP selecionou algumas novidades em produtos de beleza masculinos para que você possa se antecipar na hora de comprar o presente do seu paizão! Não se engane: hoje os homens também apreciam produtos inovadores!

tratamento noturno nutre e reduz o crescimento do pelo Clarins introduz o primeiro produto noturno que oferece cuidado completo para a pele e barba do homem. Rèves D’Homme encontrou a necessidade daqueles que sonharam em achar uma solução diária para o barbeado, pele grossa, perda de firmeza e barba curta ao fim do dia. Os produtos de barbear são muito eficazes e fáceis de ser manuseados, pois facilitam o barbear e não alteram

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a natureza do pelo masculino. Assim que esses produtos são aplicados, melhoram quase que instantaneamente o barbear dos pelos. Resumindo, esses produtos atuam na pele auxiliando o bem-estar, deixando a aparência macia e fazendo com que a barba cresça 0.4 mm todo dia. A fórmula, desenvolvida com base na primeira pesquisa do gênero, foi patenteada pela Clarins. Penetra efetivamente em toda a extensão do folículo do cabelo e trabalha para suavizar sua textura enquanto reduz o crescimento, estimulando o barbear do próximo dia. Pele firme e macia, redução das linhas e rugas, a aparência é renovada. Rèves D’Homme auxilia a juventude da pele na sua totalidade e oferece um tratamento completo para o rosto, pescoço e áreas de barbear. Rèves D’Homme é muito mais do que um produto de barbear. Ele hidrata, esfolia e oferece incomparável controle anti-idade, proporcionando suavidade à pele, renovando a aparência e ajudando a prevenir o pelo encravado. Suas ações firmadoras e energizantes renovam a tonicidade da pele e ajudam a prevenir visivelmente os sinais anti-idade. Isso acontece porque trabalha abaixo da pele. Rèves D’Homme promove uma barba mais macia dia após dia. Com o tempo, o barbear torna-se mais fácil, mais rápido e mais eficaz. Entre 5 a 7 horas após o uso, Rèves D’Homme atuará em todo o folículo do pelo, facilitando o barbear do próximo dia.

A melhor hora para aplicação do produto é na noite anterior. O tratamento noturno trabalha a zona a ser barbeada e a pele, fazendo diferença não só para o homem! Com o uso regular, Rèves D’Homme revela uma tez suave, macia e firme. Diga adeus à barba cheia de espinhas e pelos encravados. Esse produto único é sinônimo de suavidade e delicadeza. Uma vez que os poros estão livres de células mortas, o produto penetra em cada folículo dos pelos, suavizando sua textura por todo o comprimento. Dia após dia, a ação cumulativa do Rèves D’Homme significa uma melhora progressiva da textura dos pelos e uma aparência renovada. Uma fórmula bifásica que faz toda a diferença. Um frasco branco e azul que se transforma em um produto perfeitamente homogêneo: Rèves D’Homme é o que chamamos de dupla fase, “hidro” e “lipo”, igual ao Clarins Total Double Serum. A textura rica e fluida gera um sentimento imediato de frescor e conforto, deslizando sobre a pele sem deixar nenhum traço. Sua fragrância é fresca, clara, discretamente amadeirada, como os outros produtos da gama. Preço sugerido (2 x 15 ml): R$ 230,00


presentear O mercado de beleza vem investindo forte nesse sentido. Confira!

o paizão Perfumes:

O ouro é símbolo de poder, de realeza, de algo profundamente viril. Paco Rabanne

One Million é um perfume que combina sensualidade e frescor. Ele tem o frescor da toranja, da menta e da tangerina vermelha como as primeiras notas que convidam a deixar-se seduzir. Depois, vem a rara intensidade da nota de coração, composta por absoluto de rosa, canela e notas apimentadas. Um contraste surpreendente que combina sensualidade requintada e virilidade afirmada. Por fim, o último acorde numa nota aveludada de couro, madeira branca, âmbar e patchouli da Indonésia. O resultado não é apenas uma fragrância, mas uma variedade de aromas que se propagam em cascata e que se transformam num presente olfativo. Preço sugerido (100ml): R$ 326,00

Os ícones americanos sempre são a minha inspiração. Ícones conduzidos por distinção e determinação naquilo que fazem. A nova fragrância é inspirada nessa filosofia – em qualquer lugar o homem cria seu próprio destino. Tommy Hilfiger

Hilfiger de Tommy Hilfiger - Para um homem que gosta de aventura e de ser desafiado. Ele sabe o que quer e como conseguir isso. Um homem de estilo. A fragrância possui notas de bergamota, essências de alecrim, pimenta preta, absinto, camurça, madeira de sândalo e fava tonka. Preço sugerido (50ml): R$ 208,00

212 Men On Ice é a versão masculina do perfume, tão refrescante como o feminino, mas com notas amadeiradas. A nota de entrada contém ingredientes verdes, como limoeiro, folhas e ervas. As notas do meio são picantes como o gengibre, as pétalas de gardênia e o pimentão. Por último, a nota de saída é duradoura: madeira, almíscar branco, sândalo e incenso. O contraste entre o seu frescor inicial e o calor de suas notas médias transforma 212 Men On Ice em algo muito pessoal, sensual e vigoroso. Preço Sugerido (100ml ): R$ 252,00 Todas as linhas de produtos citados na coluna de beleza são distribuídas pela Neutrolab (SAC 0800 704 3440). Em Brasília, podem ser encontrados na Lord Perfumaria: http://www.lordperfumaria.com.br

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colunistas

aqui estou! por Jane Godoy

Fiz daqui o meu lar!

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Há quase 40 anos coloquei meus pés e meu coração nesta cidade idealizada por JK, que já nasceu colocando muita esperança e sonhos na cabeça daqueles que acreditavam no presidente e tinham certeza de que valeria a pena deixar a terra natal e vir para cá enfrentar o novo. Enquanto a cidade era construída, ouvia-se e lia-se muito sobre a saga dos candangos que, nos paus de arara, despencavam do norte e do nordeste para vir ajudar a construir aquilo que os céticos não acreditavam ser possível ou afirmavam, com certeza, que seria “fogo de palha”. Segundo eles, em breve tudo voltaria a ser como antes: a capital no Rio de Janeiro, já saturado desde aquela época. Mas as obras foram seguindo seu cronograma de forma frenética. Não se falava em outra coisa nas rodas de amigos, nas escolas, nas festas... O brasileiro ficou impregnado da epopeia da construção de Brasília e da possibilidade de transferência da capital do país para o interior de Goiás. O primeiro contato que tive com essa cidade – quando JK recebeu o então presidente dos Estados Unidos da América, Dwight Eisenhower, em 23 de fevereiro de 1960, antes da inauguração, que aconteceu em 21 de abril do mesmo ano –, ainda embrionária, fez com que eu nunca mais me esquecesse do que vi, senti e aprendi.

Meu pai e um grupo de amigos resolveram fretar um avião para trazer quem se interessasse em participar do primeiro acontecimento oficial em terras brasilienses, ainda poeirentas e de cerrado nativo intocado em grande parte. Foi um reboliço na cidade e, em pouco tempo, o Douglas bimotor da Aerovias Brasil (companhia mais importante na época) estava lotado de radialistas (ainda não havia televisão por lá), jornalistas, empresários, profissionais liberais... e eu. Durante o voo, cheio de conversas e comentários sobre o que nos esperava, eu curtia e observava tudo a minha volta. Até me sentei na poltrona do piloto e fingi que pilotava a aeronave, de quepe na cabeça, cena que o nosso fotógrafo oficial, o Sr. Geraldo Vieira, registrou. É uma foto fantástica, pois a imagem do copiloto ficou refletida nas lentes dos meus óculos escuros de formato gatinho e armação branca. Sobrevoar aquele canteiro de obras gigante foi uma emoção que tornou disputadíssimas as pequenas janelas do avião. O pouso, no antigo aeroporto, ainda de madeira; a pose de todo o grupo perto da escada, para a posteridade; e a emoção de nos aproximarmos de um descomunal cargueiro da Força Aérea Americana (naquele tempo isso era possível, pois ninguém tinha medo de violência contra quem quer que seja, ainda mais contra um presidente

americano que nos visitava) foram registradas na Rolleyflex do fotógrafo Geraldo Vieira, sempre a postos. A ida para uma estrada, que hoje é a Avenida das Nações, e uma caminhada no meio do cerrado, para buscar o melhor lugar para assistir à passagem das comitivas presidenciais brasileira e americana, marcaram na minha memória a quantidade de pessoas que fizeram das árvores uma arquibancada natural. Ver JK passando por ali foi algo inimaginável para uma pequena mocinha interiorana. Depois, o almoço, no que hoje é a Avenida W3, num restaurante de madeira. Pena que não me lembro em que altura daquela via estava o restaurante. Mais fotos, discursos apaixonados, brindes e vivas registraram aqueles momentos históricos e tão significativos para cada um de nós. Hoje, com minha família constituída, olho para trás e sinto o quanto o meu destino começou a ser traçado ali, fruto da admiração e respeito que meu pai nutria por Juscelino Kubitschek, a ponto de me impregnar e desenvolver em mim a mesma admiração e aceitação plena da hipótese de vir para cá quando Brasília tinha apenas nove anos de idade. Aqui estou, aqui fiquei, fiz daqui o meu lar. Com muito orgulho por sinal!

Foto: Aureliza Corrêa

Jane Godoy é autora da coluna 3600 do jornal Correio Braziliense.


da Redação

brasília x brasil

Miranda Castro brilha no Fashion Tea O evento de moda reuniu muitos artistas, que desfilaram com roupas e joias incríveis. As deslumbrantes peças da Miranda Castro Joalheria vestiram Ana Maria Braga, Luiza Brunet, Maitê Proença, Daniela Escobar, entre outras famosas

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No dia 18 de junho deste ano aconteceu no hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, mais uma edição do Fashion Tea, evento que une moda e solidariedade, já que parte da renda é destinada à “ONG Pró-Criança Cardíaca”, que cuida de crianças carentes com problemas no coração. A designer de joias Miranda Castro participou, com sua linda coleção “Poesia”, explorando as pedras turquesa, coral, nefrita, entre outras. Os diamantes foram seu carro-chefe: várias cores – com os básicos chocolates negro e branco – e diversos tamanhos e formatos, o que resultou em muitas peças diferentes: pulseiras, colares, brincos. Houve, ainda, o “Solitário dos Sonhos” e a “Riviera dos Sonhos”, referência no País. Também estiveram no desfile as maravilhosas pérolas e o brinco Imaginarium, usado pela protagonista Juliana Paes, na novela “Caminho das Índias”. A apresentadora da Globo Ana Maria Braga foi a convidada especial da

marca Miranda Castro Joalheria e desfilou com joias exclusivas. Na ocasião Miranda Castro apresentou sua coleção “Pet Belle”, com joias para cachorros. Pela primeira vez uma designer realiza esse trabalho no Brasil. As joias podem custar até vinte mil reais. Coleiras em ouro 18 quilates carregam o nome dos animais em diamantes. Peças em ouro com pedras naturais ou couro são outras opções. A coleira em pérolas com olho grego é um dos destaques da loja, entre outras opções que deixam os clientes de orelha em pé! A designer Miranda Castro trabalha com joias há mais de 20 anos e impressiona por sua competência e criatividade. Em sua loja, inaugurada em agosto de 2007, em Brasília, é possível encontrar as peças mais elegantes da Capital, que vão desde peças clássicas a modernas. Ela tem uma fábrica de joias em Brasília, com mais de 30 funcionários. Sua pretensão é exportar suas peças para todo o mundo.

Natália Anderle, Miss Brasil 2008, exibe as peças Miranda Castro.

Susana Werner com o brinco Imaginarium, usado também pela atriz Juliana Paes na novela “Caminho das Índias”. Miranda Castro posa com sua filha Sophia, o marido Gilvan Máximo e Ana Maria Braga no badalado evento.

A atriz Raquel Nunes durante os retoques finais para o desfile.

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Luiza Brunet, Miranda e Sophia.

Miranda é

Maitê Proença e Daniela Escobar: famosas mimam Sombrinha, yorkshire de Ana Maria Braga.

pioneira em

Miranda é pioneira em produzir joias para animais de estimação. Tudo começou com uma brincadeira de uma cliente, quando seu cãozinho subiu na mesa em que estavam as joias. A cliente em questão brincou: “Ela está querendo uma joia”. Assim, na edição deste ano do Capital Fashion Week, a miss Brasil 2007 Natália Guimarães desfilou com uma cadelinha maltesa enfeitada com as peças de Miranda. Foi quando a designer lançou a coleção “Pet Belle”, que já vendeu coleiras cravadas de diamantes a R$ 15 mil.

“Fiquei deslumbrada com a beleza das joias”, diz Ana Maria exibindo seu conjunto exclusivo.

Miranda, Ana Maria e Belinha. A poodle ostenta uma coleira com o nome em diamantes criada pela designer de Brasília.

Pet-Joias

A Miranda Castro Joalheria fica no Centro Comercial Gilberto Salomão - QI 05, Lago Sul. Telefone (61) 3248-5891

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gastronomia decoração cultura utilidades

bem-vindo por Ana Toscano

um clássico da cozinha francesa Caldo de peixe

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Ingredientes:

vó rita convida

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2 cabeças grandes de peixe (sem guelras); 2 cebolas em rodelas; 2 alhos porró; 2 cenouras em rodelas; 1 ramo de aipo; 1 folha de louro; 1 colher de sopa de salsa; sal; pimenta do reino; 3 litros de água.

Como Fazer:

Junte todos os ingredientes e deixe ferver e cozinhar em fogo brando. Retire toda a espuma que se formar. Cozinhe por 1 hora. Passe por uma peneira e reserve o caldo. Tempere com sal e pimenta moída na hora.

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Bouillabaisse (sopa de frutos do mar) Sopa Ingredientes:

400 gramas de filet de peixe cortado em cubos; • 18 camarões médios com casca e cabeça; • 200 gramas de camarões para molho; • 200 gramas de lula em anéis; • 4 colheres de sopa de azeite de oliva; • mexilhões; • salsa picada; • cebolinha picada; • 1 colher de chá de açafrão nacional.

Como fazer:

Tempere os frutos do mar com sal e pimenta. Aqueça o azeite em uma panela e grelhe muito rapidamente os camarões, o peixe e os outros frutos do mar, polvilhando com açafrão. Junte 6 copos de caldo de peixe e deixe ferver. Polvilhe com salsa e cebolinha. Sirva bem quente com torradas.


E o que ocorre é que muitas vezes a pessoa até tem o dinheiro para pagar à vista, mas, atraídos pela propaganda, acabam aceitando a proposta dos supermercados”, observa. Também costuma ocorrer de o supermercado anunciar uma promoção e não cumprir. “O panfleto deve estar muito bem explicadinho. Mas pode ser que ele coloque uma oferta, delimite o prazo, seja por data ou estoque, mas a dona de casa chegue lá e não encontre mais o produto, mesmo tendo chegado cedo, por exemplo. Ela pode entrar em contato com o Procon e o supermercado em questão deverá comprovar a venda de todo o estoque anunciado”, explica Luciana. Além de analisar preços e marcas dos produtos, é importante também verificar a data de validade. “Se houver alguma irregularidade, a pessoa deve procurar o supermercado para resolver a questão, ou mesmo ir ao Procon”, aconselha a diretora jurídica do Procon-DF.

por Alline Martins

Ao finalizar essas primeiras tarefas, uma coisa muito importante deve ser feita: coma antes de sair para as compras. Pesquisas comprovam que ir ao supermercado com fome aumenta as chances de você comprar coisas desnecessárias somente porque tem vontade de comer naquele momento. Outro ponto é não levar crianças para as compras, pois elas são excelentes incentivadoras na escolha de produtos, muitas vezes, mais caros e, muitas vezes, desnecessários. Além disso, não faça compras com pressa, visto que há muito detalhe importante a se observar antes de optar pelo produto. “Fique de olho no preço que consta na gôndola e o que é registrado na hora de passar no caixa. O Procon encontra muita diferença de preço entre um e outro. Muitas pessoas não se atentam a isso”, alerta para o fato a diretora jurídica do Procon-DF, Luciana Oliveira. Outra dica de Luciana é fazer o possível para não usar cartão de crédito ou cheque pré-datado para pagar as compras do mês. “Como são itens de consumo de primeira necessidade e precisam ser obtidos todo mês, prédatar pode acumular a dívida e, após um tempo, a pessoa poderá pagar encargos de financiamento altíssimos.

compras

Fazer compras hoje em dia é bem mais fácil que na época de nossas mães ou avós. Propagandas em panfletos e emissoras de rádio e TV facilitam a pesquisa de preço, assim como os sites de grandes supermercados tornam mais prazerosa essa procura e, em muitos casos, até mesmo as compras. Tanta facilidade pode-se transformar em armadilha. Apesar de parecer uma tarefa simples, fazer compras inclui alguns cuidados. Mas, calma! Tudo gira em torno da melhor forma de economizar e levar produtos com qualidade para casa. Antes de ir às compras, preparese fazendo uma lista contendo somente aquilo que você realmente vai precisar e, ao chegar ao supermercado, tente seguir fielmente essa relação. Além de evitar compras desnecessárias, motivadas pela tentação das prateleiras, isso impede que você se esqueça de levar algo e tenha de comprar depois, geralmente em mercados menores ou padarias, onde normalmente os produtos são mais caros. Com a lista pronta, pesquise os preços por meio de panfletos, jornais ou TV e vá ao que oferecer as melhores ofertas.

Compras por meio da internet Apesar de ainda pouco usada no Brasil, as pessoas começam a gostar da ideia de comprar alimentos por meio da internet. Mas é algo que

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exige cuidados ainda maiores. O ideal é sempre optar pelas grandes redes de supermercados, por serem mais conhecidas e, por isso, oferecerem maior segurança. “Recomendamos também que a pessoa imprima todas as telas que comprovem o pagamento da compra. Essa é a única garantia que o consumidor tem”, aconselha Luciana. Como, na maioria das vezes, são produtos perecíveis, ao recebê-los em casa, é preciso observar tudo: estado da embalagem, data de validade e se foi realmente aquilo que você pediu. O que observar na hora das compras Fonte: Procon • Alimentos embalados – a embalagem deve trazer as seguintes informações: peso líquido, composição (ingredientes), data de validade, lote, características do produto, identificação do fabricante e, em alguns casos (frango embalado), condições de armazenagem. Tudo em Língua Portuguesa.

• Alimentos a granel – o comerciante responde pelas seguintes informações necessárias: data de validade, origem e peso líquido. Tudo em Língua Portuguesa. No caso da carne, a fiscalização é feita pelo Ministério da Agricultura e deve ter carimbo do SIF (Serviço de Inspeção Federal) ou SISP (Serviço de Inspeção do Estado). • Higiene – a embalagem deve informar data de validade, procedência, lote, peso, composição, registro no Ministério da Saúde, responsável técnico, identificação do fabricante e instruções sobre armazenamento e manuseio correto do produto. Tudo em Língua Portuguesa. • Limpeza dos domissanitários – são produtos químicos utilizados para a limpeza geral e desinfecção (detergente, cera, inseticida, raticida, desinfetante etc.). Eles são capazes de causar sérios acidentes, quando utilizados ou armazenados de forma incorreta.

Brasil é o 50 maior consumidor de vinhos do mundo

Um estudo do Instituto Euromonitor International, que há 30 anos realiza pesquisas relacionadas a hábitos de consumo, apontou vários dados importantes sobre o Brasil. O que mais chamou a atenção foi o lugar em que o Brasil ocupa no consumo de vinho: está em quinto lugar mundialmente e em segundo, na América Latina, atrás apenas da Argentina. Outra questão apontada pelo estudo, divulgado em junho, diz que são as mulheres e as crianças os grandes protagonistas quando o assunto é compras. A influência das mulheres como consumidoras se reflete em seu grande poder de decisão em relação às despesas domésticas, que crescem, em um contexto de crise, em economias locais influenciadas pela inflação e pelo desemprego crescente, diz o estudo. As crianças atuam de forma influente nas compras de produtos tecnológicos para uso doméstico. Os alimentos orgânicos, segundo a mesma pesquisa, foram apontados como a nova tendência no consumo dos latino-americanos.

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Outras dicas importantes • Atente-se para a vida útil dos produtos: latarias resistem até um ano, mas atum, sardinha ou carne enlatada só duram oito meses. Cuidado com a compra exagerada de cereais! • Recuse aqueles biscoitos quebrados, os chocolates derretidos e as balas grudadas, para não causar danos ao bolso nem à saúde. • Rejeite produtos congelados cujas embalagens de papelão estejam com bolhas, manchas ou danificadas. Não aceite também embalagens que se apresentem com bloquinhos de gelo na superfície: é sinal de que o balcão pode ter sido desligado à noite. • Não se esqueça de guardar o ticket do caixa, para o caso de precisar trocar alguma mercadoria. • Observe se os produtos que exigem baixa temperatura realmente estão nos balcões frigoríficos. Os alimentos congelados devem ser comprados por último para evitar que o produto se descongele e, portanto, altere as suas características.


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água na boca por Edson Monteschio

Edinho Monteschio é restauranteur, jornalista, chef de cozinha e estudioso de vinhos.

colunistas

DO JULGAMENTO DE PARIS AO CLOS APALTA

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Quando os vinhos norte-americanos Stag’s Leap Wine Cellars (73) e Chateau Montelena (73) cruzaram o Atlântico para desafiar a hegemonia do vinho europeu, sobretudo o francês, ninguém poderia prever a revolução que esse ato causaria. Em 1976, os proprietários de uma loja de vinhos (um inglês e uma norte-americana) promoveram, em Paris, uma degustação de seus vinhos contra os grandes Chateaux franceses. Assombrado, o mundo viu a vitória dos dois fermentados dos Estados Unidos. Essa conquista mudou os rumos da vinificação ao redor do planeta. Passou-se a perceber que havia a possibilidade real de se produzir vinhos tão bons ou até melhores que os europeus, em outras regiões do globo. “Novo Mundo”, assim passaram a ser conhecidos os locais recém-descobertos pela vinicultura. Hoje, no Brasil, por exemplo, tem-se a possibilidade de se provar excelentes vinhos argentinos e chilenos com ótima relação custo/benefício, graças a esse singular evento. Até a própria Europa foi beneficiada. Regiões pouco exploradas ganharam novo fôlego. Um grande exemplo é Portugal, o país atravessou o rio Tejo e encontrou terra propícia para a produção de vinhos fantásticos. Além disso, África do Sul e Austrália também floresceram como expoentes no mundo do vinho. Para nós, sul-americanos, o ápice dessa transformação foi a conquista do chileno Clos Apalta. A mais importante revista de vinhos do planeta, a Wine Spectator, colocou, pela primeira vez na história, um vinho latino-americano como

o melhor vinho do mundo. O Clos Apalta, produzido com as castas Cabernet Sauvignon e a uva símbolo do Chile, Carmenere, conquistou esse feito em 2008 com seu soberbo vinho da safra de 2005. Além de motivo de orgulho, o feito sinaliza para um futuro ainda mais surpreendente e rico. Até o Brasil lucra com as mudanças. O País descobriu novos terrenos para plantio de videiras, delimitou regiões e descobriu sua vocação para produção de espumantes de qualidade. Há quem diga que o Brasil é a próxima bola da vez no mundo do vinho. Tomara! Mesmo com a melhora global dos vinhos, há, sem dúvida, problemas nessa massificação e generalização. Ocorre a busca em prol de um vinho que agrade a todos, é a interferência clara do mercado. Pode-se beber, com o avanço das tecnologias, um vinho feito no Chile e outro feito na Espanha e se obter um resultado quase idêntico. Em geral, busca-se agradar o paladar norte-americano, grande mercado consumidor, e atrair boas críticas de Robert Parker, nariz mais valioso e poderoso do mundo do vinho. Vale ressaltar que, a pesar da “derrota” no caso do julgamento de Paris, a França continua a ser o berço dos grandes vinhos do mundo. O país foi responsável pelas transformações no universo da produção vinícola. Suas castas são as mais exploradas em quase todas as regiões. Os grandes vinhos franceses servem até hoje como parâmetro de qualidade para qualquer enólogo. O diferencial que se tem hoje é poder experimentar vinhos de qualidade feitos em várias partes do mundo.


Ravióli de Bacalhau com creme de leite fresco e alho porró Ingredientes para a massa: • 500 g de farinha de trigo; • 5 ovos inteiros; • 1 pitada de sal; • 50 ml de azeite extravirgem. Para o molho: • 100 ml de creme de leite fresco; • 100 g de alho porró (bulbo) finamente picado; • 300 g de bacalhau dessalgado e desfiado; • 2 tomates cortados em concassé (cubos sem semente e sem pele); • ½ xícara de cebolinha verde picada; • ½ xícara de cebola branca picada; • ½ xícara de salsa picada; • 50 ml de azeite extravirgem.

Modo de preparo da massa: Em uma bancada despeje a farinha de trigo, faça um buraco, coloque os ovos e uma pitada de sal, misture com a mão e/ou com a ajuda de uma espátula até formar uma massa homogênea e úmida; sove-a por 5 minutos e deixe descansando em temperatura ambiente por 1 hora, para a massa ficar elástica. Para o recheio: Em uma frigideira antiaderente, refogue o bacalhau com azeite, cebola, salsa, cebolinha e tomate, por 10 minutos, e deixe esfriar (corrigir o sal). Montagem do ravióli: Com o rolo, abra a massa de forma que ela fique com a espessura de aproximadamente 3 milímetros, faça

Vinho: O vinho ideal para acompanhar esse prato é o branco. Opte por um feito com a uva Chardonnay. Essa variedade produz vinhos mais untuosos e aromáticos e é capaz de harmonizar bem com o bacalhau e o creme de leite.

um retângulo que meça cerca de 15x10, coloque 30 g de recheio, cubra com a outra parte da massa do mesmo tamanho e vá cortando. Para o molho: Em uma frigideira, refogue o alho porró no azeite, acrescente o creme de leite fresco e deixe ferver por 1 minuto. Montagem do prato: Cozinhe os raviólis em água fervente por mais ou menos 3 minutos. Em outra panela, com o creme de leite já fervido, acrescente o ravióli, cozinhe por mais 3 minutos e sirva. Rendimento: 4 porções.

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Diversidade garante lugar no pódio gastronômico

gastronomia

por Alline Martins

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Os dados não são, de fato, oficiais, mas muitas características apontam Brasília como o terceiro polo gastronômico do Brasil. Segundo o presidente do Sindicato dos Hotéis, Bares e Restaurantes do DF (Sindhobar), Clayton Machado, esse título foi dado, inicialmente, baseado em informações de cartões de crédito. “Segundo informações, as praças que mais demandam são Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. Com isso, deduzimos, por analogia, que somos o terceiro. Mas, não é só isso. A qualidade e a diversidade que temos na Capital Federal nos dão essa convicção”, explica Machado. Ele lembra que há dez anos era preciso pensar muito antes de escolher um lugar para comer, diferentemente de agora, quando há muitas boas opções. Os festivais gastronômicos realizados na cidade são outro fator colaborador para o lugar no pódio. Um deles é o Sabor Brasil – realizado há seis anos e feito inicialmente só em Brasília; a partir da quarta edição partiu para outras capitais –, promovido pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). “O Sabor Brasil surgiu da necessidade de colocar na vitrine a boa culinária com preços mais acessíveis, dando a possibilidade de mais pessoas conhecerem nossa comida. Inicialmente era um evento político, pois queríamos apresentar tudo isso às lideranças. Mas depois ampliou. Este ano o evento serviu mais para movimentar o setor de bares e restaurantes, tentando fortalecê-lo, devido a queda ocasionada pela crise e pela Lei Seca”, explica a presidente da Abrasel-DF, Lisandre Werner. Sob o tema “Todos os sabores, uma só arte”, cerca de 90 restaurantes venderam 43 mil pratos, durante um mês de evento (entre os dias 29 de abril e 31 de maio), a preços convidativos (a partir de R$ 16,10). “É interessante isso tanto na questão financeira quanto na evolução culinária, pois gera integração da clientela com as casas, compromisso maior da equipe com a comunidade e uma série de outros itens que acabam sendo ‘puxados para cima’, de modo a atender essa demanda que cresce a cada ano”, comenta Cleyton Machado. Segundo Lisandre, o ponto mais forte de Brasília é a diversidade gastronômica, facilitada pela presença das embaixadas e pelo fato de reunir pessoas de vários estados brasileiros. Dentre os eventos que movimentaram a cidade, também esteve o Brasília Gourmet, que lançou, este ano, sua primeira edição. Organizado pelo jornal Correio Braziliense, o Brasília Gourmet reuniu 1,5 mil pessoas em três dias de evento. Segundo os organizadores e participantes do festival, um evento como esse incentiva o surgimento de novos chefs. Afinal, foi promovido um concurso entre novos talentos, o qual exigia

Fotos: Divulgação

Brasília está em terceiro lugar como polo gastronômico do País, atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro. Festivais gastronômicos reforçam a categoria

Há seis anos o “Brasil Sabor Brasília” une a boa culinária feita por grandes chefs e restaurantes de Brasília a pessoas apaixonadas por comidas de qualidade.

conhecimento das técnicas francesas no preparo das receitas e criatividade dos concorrentes. Todos tiveram que criar receitas com produtos típicos do cerrado, como o araticum, a banana e o surubim de água doce, ingredientes obrigatórios. O vencedor da categoria entrada foi o chef Alex Takahashi. No quesito prato principal, Pedro Moraes Valladades Melo Coe, um chef de apenas 18 anos de idade, ganhou o primeiro lugar. A campeã da categoria sobremesa foi a chef Andrea Martins Cardoso, que criou o souflé glacé de banana, araticum e pistache. Quem não teve a oportunidade de ir ao evento pode conferir todas as receitas em uma publicação feita pelo Correio Braziliense, a Revista Gourmet, lançada logo após o evento.


Fotos: Valério Ayres

Participantes degustando aperitivos do curso de Cozinha Brasileira (Francisco Ansiliero).

Ana Toscano ministrando o curso de Cozinha Italiana.

Mara Alcamim: Curso de Cozinha Contemporânea.

Dudu Camargo: Curso de Cozinha Italiana.

Fausto e Manoel vence o Melhor Petisco 2009

Para encerrar o semestre de grandes eventos gastronômicos, o Boteco Bohemia escolheu, no dia 27 de junho, o melhor petisco da cidade. Este ano, o evento entrou para a segunda edição, após o êxito do festival no ano passado. Além do petisco, foram escolhidos, dentre os 20 bares participantes, o melhor atendimento e o melhor ritual para se servir a cerveja Bohemia. Para isso, disponibilizaram-se cédulas de votação, nas quais os clientes podiam conferir notas entre 1 e 10 às três categorias, além de espaço para indicar o seu garçom preferido, elegendo o Garçom Nota 10 de cada bar. Os itens foram avaliados por um júri composto por especialistas e formadores de opinião em gastronomia, ao longo do período de votação. Todo o processo foi controlado pelo instituto Vox Populi e, ao final, ganharam aqueles que tiveram a melhor média de pontos. Divulgaram-se os três primeiros colocados de cada categoria durante a “Festa da Saideira”. Como o evento de certa forma incentivava o consumo de bebida alcoólica, os organizadores trataram logo de garantir a segurança dos participantes. O público teve 30% de desconto nas corridas de táxi pela cooperativa “Rádio Táxi Alvorada” e, na Festa da Saideira, a volta foi gratuita.

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O vencedor do concurso O melhor petisco 2009 foi a Carta de Formiga do bar Fausto e Manoel, que levou também os prêmios de melhor atendimento e melhor ritual para se servir Bohemia em 2009. Apesar do nome estranho, o formato do prato revela o porquê do nome: oito pastéis fechados em formato de envelope e recheados com a típica linguiça da cidade de Formiga, Minas Gerais, compõem a iguaria. A

linguiça de Formiga é muito conhecida por seu preparo e é apimentada. Mas o sabor picante não é nada que chegue a assustar aqueles que não gostam de pimenta. Acompanham-na como recheio queijo mussarela e couve. É servida com uma geleia de pimenta que, ao contrário do que parece, não arde, mas é doce e equilibra o calor da carne. Em segundo lugar, nas três categorias, ficou a Casa da Codorna. O petisco que

representa a casa é a Codorna Imperial – uma codorna frita à passarinho, com batata frita e molho de mostarda com mel. O terceiro lugar da categoria ficou com o Bar Boteco. Sua coxinha de frutos do mar tem recheio especial, predominando polvo, camarão e peixe. Também na terceira colocação ficaram a Adega da Cachaça (melhor ritual para se servir Bohemia) e o BSB Grill (melhor atendimento).

Cresce interesse por cursos de gastronomia em Brasília Um exemplo é a Kaza Chique, escola de cursos rápidos de culinária há cerca de três anos no mercado. Todo mês há novidades, variando de coisas bem simples, como o curso Cozinha para iniciantes (muito frequentado por noivos e noivas), até pratos mais sofisticados,

Foto: Kiko Avelar

Devido a toda essa movimentação gastronômica na cidade, tem havido muito interesse das pessoas em participar de cursos de gastronomia, seja curso de graduação ou aulas rápidas, oferecidos por escolas próprias, lojas de utensílios de cozinha e restaurantes.

A “Kaza Chique” promove cursos rápidos, há três anos, para quem não sabe nada de cozinha ou para quem pretende inovar na gastronomia. Duas vezes por ano, chefs renomados da cidade são convidados a dar aula, como ocorreu com Mara Alcamim recentemente.

como os da culinária indiana, evento que será realizado neste segundo semestre. Duas vezes por ano, chefs renomados da cidade são convidados a dar aula, como ocorreu com Mara Alcamim recentemente. Por lá, além dos cursos, alunos podem, ainda, na loja ou virtualmente, encontrar peças e utensílios que facilitam ainda mais a vida na cozinha. Outra novidade é o Blog da Kaza (www.kazachique.com.br/blog) com dicas para a casa, artigos para cozinha e receitas. Na parte de eventos, a Kaza Chique também está presente. Em feiras e eventos gastronômicos ela atua na montagem e organização das cozinhas e aulas com chefs renomados de Brasília e de outros estados, dando, inclusive, cursos a preços mais em conta. Se quiser ver na íntegra os cursos deste próximo semestre, acompanhe no http://www.kazachique.com.br/programacao.php.

Padarias passam a oferecer, além do café da manhã, opções saborosas (como caldos) e self-service

Padaria Colombo, na 205 Sul.

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Seguindo uma tendência comum em São Paulo e que vem com toda força para Brasília, as panificadoras locais começam a se adequar. Por lá, e agora também por aqui, muita gente tem almoçado e participado de happy hour em padarias. Antenado com o que há de novo no mercado, a “Colombo Pães e Delícias” agora passa a oferecer serviços como pizza, caldos, festival de tortas e self-service no almoço, de segunda a domingo. A panificadora também aceita encomendas de tortas, bolos, salgados, pão de metro, tábua de frios e sanduíches naturais. Para conhecer e provar as delícias, a “Colombo” fica na 205 Sul, Bloco C, em frente ao “Libanus”. Para encomendas e informações, ligue: (61) 3244-1414.


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Karla Amaral é arquiteta e urbanista e atua no mercado de arquitetura e arquitetura de interiores.

A mágica dos painéis

colunistas

arquitetando por Karla Amaral

É incrível como os painéis enriquecem uma obra arquitetônica. Painéis em mármores, azulejaria, madeira e outros materiais de composição variada acrescentam, conforme seu desenho, movimento e dinamismo aos espaços. Falar em painéis sem citar o grande mestre e maior representante dessa arte é impossível! Athos Bulcão, com seus jogos de formas geométricas e cores puras, mudou o padrão e o estilo de toda uma época e serve de referência artística até os dias atuais. Seus painéis, além de trazer cor e movimento a paredes antes sem vida, tinham também a função de modificar o espaço utilizado e, mais que isso, personalizar o ambiente de forma única. O efeito que o painel traz ao observador é, antes de tudo, previsto pelo artista, que propõe volumes para obter jogos de sombras criativos ou, ainda, cores vibrantes para alegrar o ambiente. O material utilizado também influencia diretamente no tipo de sensação que se quer passar: materiais rústicos e texturizados passam a sensação de sobriedade e conforto, ao passo que azulejos e superfícies polidas dão um ar mais luminoso e moderno ao ambiente. Qualquer que seja a intenção, o espaço ou ainda o material, é certo que o uso de painéis na arquitetura é bem-sucedido e traz um visual exclusivo em cada caso, além de dar um tom artístico a superfícies que antes eram nuas.

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Formas geométricas e cores formam padrões inconfundíveis na arte de Athos Bulcão, que pode ser apreciada em diversos lugares na Capital Federal.


Uma casa que abraça a natureza. Pioneiro no conceito de sustentabilidade, o Morar Mais Brasília 2009 – O chique que cabe no bolso apresentou ao público 41 ambientes com soluções chiques, criadas a partir de produtos genuinamente brasileiros e ecológicos. Para isso, foram utilizados materiais acessíveis e inusitados, organizados de forma simples e criativa, possibilitando a adaptação do conceito a espaços residenciais ou comerciais, de acordo com as necessidades de cada indivíduo. Arquitetos, designers e paisagistas colocaram a criatividade à prova e mostraram que é possível morar em um ambiente sofisticado, agradável e sustentável. Desde a primeira edição do evento, em 2006, a receptividade dos profissionais para a causa vem superando as expectativas dos organizadores. Em cada ambiente, pelo menos uma peça envolve a preocupação com questões ambientais. “Não dá mais para ter um ambiente lindo, bem-decorado e o preço ser o aquecimento global ou outro fenômeno natural”, afirma a organizadora Fabiana Araújo.

Nesse contexto, o profissional é peça-chave no processo. É ele quem garimpa as peças, reutiliza, recicla e dá nova função àquela peça já existente. Os participantes enfrentaram, ainda, um novo desafio na terceira edição: decorar a casa com foco na inclusão social. Um exemplo disso é Débora Tavares, uma fotógrafa deficiente visual, que foi uma das homenageadas. Ela ganhou um apartamento totalmente adaptado às suas necessidades e estilo de vida. “O desafio de agregar valores subjetivos a questões materiais não é tarefa fácil. Os expositores receberam muito bem a ideia e assumiram o compromisso de desenvolver seus projetos com responsabilidade social e ambiental. O resultado foi surpreendente”, comemora Fabiana. Para 2010, ano em que Brasília completa meio século de vida, o Morar Mais prevê homenagens à Capital. Mais uma surpresa!

Fotos: João Teles

pioneirismos

por Camila Fernandes

Sofisticação e Glamour com respeito ao meio ambiente

Celso Faria, Fabiana Araújo, Fran Jacome, André Alf e Joãozinho Trinta na inauguração do “Morar Mais 2009”.

Sobre a Organização

Dois dos organizadores da mostra, Celso Faria e Fabiana Araújo, são proprietários da Selo Comunicação, empresa especializada em comunicação empresarial hoje focada em empresas

O homenageado Luciano Oliveira, a arquiteta Kelly Carvalho, e Fabiana Araújo.

de decoração. Também são os responsáveis pelo www.paradecorar.com.br. Completam o casting os sócios da Alf Projetos e Construção, Fran Jacome e André Alf, renomado arquiteto que

atende em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. Os organizadores são responsáveis pelo Morar Mais Brasília e Goiânia, ambas com primeira edição ocorrida em 2007.

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Estar de Entrada: Ambiente moderno e cênico, surpreende por utilizar cores escuras e iluminação impactante. Miguel Gustavo, arquiteto e design de interiores, programou todos os mobiliários e adornos, para darem o tom de aconchego e sofisticação ao espaço. Tecidos com listras tem paredes e teto, seguindo uma linha continuísta. Um grande lustre de cristal sobre a mesa, estilo Luís XV, propõe uma visão conceitual de modernidade e sofisticação.

Sala de jantar: Aro de bicicleta, eucaliptos tratados, cuba de folhas de bananeira prensadas. Peças que, utilizadas de forma inovadora pelas designers Aline Silva, Dila Ruas e Dinair Vaz, deram uma nova releitura à sala de jantar. O painel de rosas vermelhas, confeccionado por aprendizes da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Brasília e suas mães, compõe o ambiente.

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Fotos: Clausem Bonifácio

Varanda Mirante: O ambiente, construído por Ana Valéria Valle Maciel (designer de interiores) e Lisiane Lima (arquiteta e designer), conjuga o aconchego da tradição à modernidade da tecnologia, mesclando o prazer das coisas simples e artesanais, observadas nos móveis rústicos e peças regionais, com texturas acetinadas nos adornos. Conforto, praticidade e tecnologia são os pontos principais do ambiente, que referencia o Jornal de Brasília. O preto e o branco, presentes em todo o espaço, são ressaltados pelo vermelho-vivo dos detalhes. O delicado brilho das estrelas aparece também na luminária, nos adornos e nas almofadas.

Suíte do Bebê: O projeto foi desenvolvido pensando não só em tornar o espaço mais acessível, como também em conscientizar a próxima geração sobre a preservação do meio ambiente. Mariana Sabino abusou de recursos naturais: luz solar, papel reciclado, palha natural e restauração do piso em madeira existente. A ideia, que propõe que o quarto acompanhe o crescimento da criança, engloba uma varanda com deck de madeira e plantas para que ela aprenda desde cedo a preservar o meio ambiente.

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Café: Além do clima romântico e agradável, o Café do Morar Mais é um espaço para conhecer a história do café no Brasil, contada por meio de painéis nas paredes. Moacir Melo, arquiteto, usou peças modernas que contrastam com o clássico – propício para que o público entre no clima e seja servido com um delicioso café tipicamente brasileiro. Os compensados e as lâminas naturais de madeira utilizados passaram por um processo de envelhecimento. Na iluminação, as xícaras tomaram conta do ambiente, completando o clima intimista.

Adega: As designers Alessandra Carvalho, Claudia de Paula e Érika Silva transformaram a tradicional adega em um espaço de aspecto natural com traços de contemporaneidade. As telhas, em formato de conchas, valorizam o objeto principal que reina no ambiente, o vinho.

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Luísa Mendonça é cantora e educadora musical, leciona canto erudito e popular, e cursa atualmente a especialização em Musicoterapia .

o poder da

colunistas

música por Luísa Mendonça

música

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É de conhecimento geral que a música é um fenômeno universal na raça humana. Estudos mostram que esse fenômeno tem relações com o processo evolutivo, e está ligado principalmente à socialização. A expressão musical pode ter diferentes significados e valores em diversas culturas, indo de entretenimento até instrumento de cura ou bem-estar. Em relação ao potencial terapêutico da música, desde os primórdios da humanidade têm-se referências da sua aplicação. Um clássico exemplo é o relato bíblico que fala sobre a sensação de paz que invadia o rei Saul quando Davi tocava sua harpa: “E sucedia que, quando o espírito maligno, da parte de Deus, vinha sobre Saul, Davi tomava a harpa e dedilhava; então, Saul sentia alívio e se achava melhor, e o espírito maligno se retirava dele.” (Bíblia Sagrada, I Samuel 16:23). Com certeza todos já experienciaram diferentes sensações ao escutar diversos tipos de música. É comum em nossa sociedade ouvirmos falar que a música clássica acalma; que alguma outra música, como o axé, é dançante; ou que algum outro tipo de música pode ser estressante para algumas pessoas. O mesmo acontece com os sons não musicais. O som de uma sirene provoca no motorista uma reação de alerta, enquanto o som de águas de uma cachoeira pode

trazer uma sensação de profundo relaxamento. Esses inúmeros efeitos do som sobre o homem são estudados profundamente pela neuropsicoacústica. Mas, o que explica essa enorme gama de sensações causadas pela música? Para ter essa resposta, precisamos entender primeiro como percebemos a música.

O que acontece quando escutamos música?

O estímulo sonoro (ondas sonoras), no caso a música, é captado pelas orelhas, passa pelo ouvido interno, e, finalmente, por meio da cóclea chega ao cérebro. O que faz do estímulo sonoro, principalmente o musical, algo tão especial e complexo é o fato dele acionar diversas áreas do cérebro. Entre essas áreas podemos citar aquelas responsáveis pela audição, pela linguagem, o sistema límbico (responsável pelas emoções) e áreas que comandam a motricidade. A descoberta formal de que a música pode acionar e integrar tantas áreas cerebrais é que colaborou para o crescimento e reconhecimento da aplicação da musicoterapia.

O que é Musicoterapia?

A Federação Mundial de Musicoterapia define-a como a utilização da música e/ou seus elementos (som, ritmo, melodia e harmonia) por um musicoterapeuta

qualificado, com um cliente ou grupo, num processo para facilitar e promover comunicação, relação, aprendizagem, mobilização, expressão, organização e outros objetivos terapêuticos relevantes, no sentido de alcançar necessidades físicas, emocionais, mentais, sociais e cognitivas. A Musicoterapia objetiva desenvolver potenciais e/ou restabelecer funções do indivíduo para que este possa alcançar uma melhor integração intra e/ou interpessoal e, consequentemente, uma melhor qualidade de vida, pela prevenção, reabilitação ou tratamento. A Musicoterapia no Brasil abrange áreas diversas, como o atendimento hospitalar, empresarial e de consultório, mas, apesar da ampla aceitação que tem alcançado, ela ainda não é profissão regulamentada em nosso país. Corre, atualmente, com o intuito de derrubar o veto presidencial que impede a regularização dessa profissão, um abaixo-assinado virtual que necessita de dez mil assinaturas. Essa regularização significaria um maior investimento em uma terapia que mundialmente já tem apresentado seus benefícios e surpreendentes resultados. Ainda são necessárias, em nosso país, a divulgação e a reflexão sobre o poder da música enquanto agente terapêutico.


Oficina de Arte atraiu crianças para aulas de desenho com cartunistas no Conjunto Nacional

cultura para todos tecnologia aeroviária e militar. “A mostra também foi parte da Semana da Europa, que juntou ações de vários países, como Grécia, Alemanha e Finlândia”, explica. Dentro dessa proposta, o shopping também trouxe uma arte de rua. Paredes pintadas – pelas mãos de jovens talentosos – com desenhos detalhados e em cores vibrantes, o grafite, arte de rua, ganha espaço cada vez maior em galerias de grandes centros urbanos. O Ano da França no Brasil, que apresenta uma série de projetos culturais daquele país, promoveu O Encontro, evento que reuniu, em junho, grafiteiros de Bordeaux, na França, e de várias cidades do Brasil. A Aliança Francesa também levou para o Conjunto Nacional, shopping mais antigo de Brasília, uma exposição fotográfica. Desta vez, quem passou por lá pôde, conferir fotos do brasileiro Marcus Brandão. Ele mora e trabalha em Paris e trouxe de lá, para a exposição, diferentes lugares pitorescos. “Observando-os, tive a ideia de associá-los aos planos de seu ambiente próximo, suscitando minha atenção. Então decidi apresentá-los em tryptique, termo francês que significa ‘três diferentes planos em apenas um’. Todos os efeitos realizados em um plano de tomada de vista da imagem”, observa Marcus. “Nós aderimos à proposta porque achamos interessante levar cultura às pessoas, facilitando o acesso. E o Conjunto Nacional recebe pessoas de vários lugares do Distrito

espaço cultural

A cultura é um bem popular. Mas, por muitos anos, as grandes produções culturais, como pintura, fotografia, esculturas, ficaram restritas a museus e centros culturais, muitas vezes de acesso pouco facilitado a pessoas das classes mais baixas. Porém, essa realidade vem mudando há algum tempo, já que até mesmo o próprio governo passou a incentivar essas manifestações em praças públicas. A tendência agora é trazer essa produção cultural para os shoppings centers, antes tidos apenas como centros de compra e lazer. Aproveitando-se disso e do fato de que 2009 é o ano da França no Brasil, os grandes shoppings da cidade estiveram com exposições que remetem ao país europeu e alguns deles continuarão a realizar mostras no decorrer deste segundo semestre. Uma iniciativa da Aliança Francesa, em Brasília, levou exposições fotográficas ao Taguatinga Shopping e ao Conjunto Nacional nos meses de maio e junho. “Estávamos com uma exposição aqui na Aliança Francesa. Mas como nem todas as pessoas podiam vir até aqui, resolvemos colocá-la nos shoppings”, explica a assistente cultural da Aliança Francesa, Alexandra Bucar. O Taguatinga Shopping recebeu as fotos do francês Antoine Gonin, entre os dias 2 e 17 de maio. A exposição Les Coulisses de L´aéronautique (Os Bastidores da Aeronáutica) apresentou o dia a dia da European Aeronautic Defence and Space Company (EADS), conglomerado de

por Alline Martins

Exposições em shoppings centers levam lazer e conhecimento a pessoas de todas as classes sociais. E o melhor: é de graça!

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Federal. A resposta foi muito boa com essa nossa atitude”, observa Robson Amorim, da gerência de marketing do shopping. “Em agosto estaremos com outra exposição sobre os Médicos sem Fronteiras, uma ONG que roda o Brasil inteiro. Serão apresentados fotos e vídeos”, completa. Outro shopping que trouxe exposição para populares foi o ParkShopping, também homenageando a França em nosso País. “Organizar uma exposição dentro de shopping Center, no meu caso, o ParkShopping, é sempre uma tarefa agradável, um estimulante desafio, digamos assim. O tema tem de ser escolhido com cuidado, tem de ser atraente, despertar o interesse de todos os “passantes”, independente de classe social e nível cultural. Um shopping

center é, sem dúvida, o melhor lugar para exposições. As pessoas têm acesso livre aos centros de compras, não pagam para bordejar pelos corredores e conferem tudo o que há para ser conferido”, observa Mariza de Macedo-Soares, curadora da exposição Paris Mon Amour, realizada recentemente no shopping, com fotografias de Luiza Venturelli – 40 imagens retratando les amoureux, ou os casais enamorados, paisagens, jardins, charmosos cafés e até espantalhos da França. Com 30 anos de profissão, Luiza Venturelli sempre teve ligação especial com a paisagem e a fotografia francesas. No ano do Brasil na França, a fotógrafa expôs para os franceses a cara do Brasil. Este ano, trouxe de lá coisas bonitas de se ver. “Acho interessante exposições

montadas em locais com um shopping center, porque o público é grande e diversificado. E o ParkShopping é bem elegante”, opina a artista. Apesar de não ter site e estar, no momento, de mudança, quem quiser conhecer os trabalhos de Luiza Venturelli pode entrar em contato pelo e-mail luiza. venturelli@bol.com.br. De acordo com Mariza, as exposições devem continuar ao longo do ano no Parkshopping. O Conjunto Nacional já está com outras exposições marcadas para até o ano que vem, como a Visa Pour L´Image, marcada para os dias 8 a 28 de setembro deste ano e, uma última em homenagem à França, intitulada Le Piétron di Paris, nos dois primeiros meses de 2010.

Exposição de Antoine Gonin trouxe os bastidores da aeronáutica da França em fotos que encantaram pessoas de todas as idades, ao passarem pelo Taguatinga Shopping.

Corredores do Conjunto Nacional foram tomados pelas fotografias de Marcus Brandão.

No Ano da França no Brasil, a Aliança Francesa, em Brasília, levou a arte da França para espaços populares, como os shoppings. O objetivo foi mostrar para o maior número de pessoas, de várias classes sociais e idades, as maravilhas desse país europeu.

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Mais do que um centro de compras, o Taguatinga Shopping busca a democratização cultural. O empreendimento procura valorizar o talento dos artistas da cidade com a oferta de espaço e apoio e acaba se tornando um ponto de encontro.

Eliza Ferreira, superintendente do Taguatinga Shopping

Foto: Antoine Gonin

Foto: Telmo Ximenes

Artistas franceses e brasileiros tiveram seus trabalhos expostos no Taguatinga Shopping. Painés foram colocados no shopping, simulante a arte de rua, o grafite, marcado pelos desenhos detalhados e de cores vibrantes

O fotógrafo francês Antoine Gonin registrou os bastidores da aeronáutica dentro da European Aeronautic Defence and Space Company (EADS), conglomerado de tecnologia aeroviária e militar. O resultado: fotos maravilhosas como estas, que mais parecem telas pintadas.

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Fotos: Luíza Venturelli

Através do olhar cuidadoso, apurado e sensível de Luíza Venturelli revela-se a Paris dos enamorados, a cidade de beleza ímpar, tantas vezes cantada em prosa e verso. As fotos primorosas de Luiza denunciam intimidade e carinho pela Cidade-Luz. Paris Mon Amour é uma declaração de amor.

Mariza de Macedo-Soares, curadora da Exposição Paris Mon Amour, realizada no Park Shopping.

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Fotos: Marcus Brandão

Natural de Recife, Marcus Brandão decide estudar na Europa, em 1991, com apenas 20 anos de idade. Tendo morado na França por três anos, ele muda-se para Alemanha, onde morou por quase um ano.

Durante o evento “portas abertas”, na Escola Bahaus, em Berlim, Brandão se encantou pela belíssima arte de fotografar e decidiu tornarse um profissional desse segmento. De volta a Paris, ele segue curso de fotografia e procura aperfeiçoar sua técnica nos estúdios “pin up” em diversos domínios, sendo lecionado durante dois anos por grandes nomes da fotografia. Ele continua sua formação na escola de Gobelins, Paris, torna-se um fotógrafo independente e trabalha para diversas revistas parisienses.

As viagens a diferentes países do mundo lhe proporcionaram vários sujeitos como fonte de inspiração. Curioso e observador, é na fotografia que ele divide seus sentimentos e emoções. Vive e exerce sua profissão em Paris.

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Sim. Existe vida fora daqui.

O Laboratório Sabin, há 25 anos, investe em equipamentos, treinamentos, estrutura, pessoal e atendimento. Tudo para descobrir a mesma coisa todos os dias: cada pessoa que nos procura é um universo, com sonhos, desejos, esperanças, realizações e alegrias girando em torno de si. Isso nos guia e nos ajuda a descobrir outra coisa: sim, existe muita vida em volta de nós, da nossa empresa. Por isso, somos apaixonados pelo que fazemos. Somos apaixonados por você e somos apaixonados pela vida.

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APAIXONADOS PELA VIDA


Revista do Pioneiro - Ano 2 - N 3