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Drible na sazonalidade A criação da Rede Asta vai ao encontro de um dos maiores problemas enfrentados por pequenos grupos artesãos: a sazonalidade dos pedidos. Em 2003, o Instituto Realice criou o projeto Mãos Brasil apoiando a formação de dois grupos produtivos, um em Campo Grande e outro em São Gonçalo, que utilizavam materiais reaproveitados para fazer suas peças, principalmente o jornal e papelão. Além de capacitar, o projeto apoiava no escoamento da produção, o que garantia a sustentabilidade a curto prazo. Essa experiência fez com que o Instituto Realice buscasse novas formas para que esses grupos pudessem ter vendas constantes e se tornassem autossustentáveis. “Muitas vezes os produtos também ficavam esquecidos em lojas de artesanatos. Percebemos que, para vender, era preciso divulgar todo o conceito que estava por trás das peças, contar a história e estar mais próximos do consumidor”, conta Alice Freitas. Foi nesse momento que surgiu a ideia de criar a Rede Asta, uma rede de venda direta que unisse revendedores autônomos com os grupos de artesãos, criando uma força de vendas para a marca baseada na sustentabilidade, atendimento personalizado e confiança. A sede do Instituto Realice funciona como estoque de produtos para atender prontamente as demandas que chegam. Toda a divisão de custos é transparente. 50% é de custo do produto; 22% é a comissão da conselheira e 28% fica para a gestão da rede. “Nossa meta é chegar a ter 500 conselheiras até 2011. É um grande desafio, mas não impossível. Hoje a atividade da rede gira em torno de 40% e gera renda de algo em torno de R$ 300,00 por mês. Quando atingirmos a marca de 500 conselheiras, esta receita subirá para R$ 2 mil por mês para cada grupo”, informa Alice. Hoje 28 grupos produtivos fazem parte da rede, 250 artesãos trabalham diariamente e existe um cadastro de profissionais reservas, de 270 pessoas, para grandes demandas. O número de conselheiras é de 101, que atuam em todo o Estado do Rio.

diálogo urbano | março de 2009

Uma revendedora, que na Rede Asta é chamada de conselheira, já que são consideradas responsáveis pela promoção do consumo consciente, vai até a casa ou local de trabalho do interessado com um catálogo e faz a apresentação dos produtos, orientando a compra e tirando dúvidas. O pedido é feito à conselheira que entra em contato com a central de distribuição. Em 15 dias, o produto chega na casa do cliente. “Quem geralmente consome os produtos Asta é o público das classes A e B. A nossa força de venda é muito grande na Zona Sul do Rio, pelo conceito e pela história de cada peça produzida”, informa Alice Freitas, coordenadora executiva do Instituto Realice.

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