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EDITORIAL

Bons negócios

Na edição passada publicamos um artigo

Colker, o cenógrafo Gringo Cardia, o surfista

com o título “A favela como ator econômico”,

Rico de Souza e os ex-jogadores de futebol

assinado pelo sociólogo Paulo Magalhães.

Raí, Leonardo, Jorginho e Bebeto têm em co-

Ali, ele dizia que “a favela está articulada eco-

mum? Além de famosos, eles estão à frente

nomicamente à vida da cidade, através de

de projetos sociais com o objetivo de inte-

múltiplas dinâmicas econômicas...”

grar lugares geograficamente tão perto e, ao

Bem, voltamos ao tema (e voltaremos

mesmo tempo, tão longe socialmente. Você

sempre), só que, dessa vez, em forma de repor-

vai conhecer os projetos na reportagem de

tagem, assinada por Landa Araújo, que mostra

Camila Elias.

como o lugar em que mora, a Rocinha, é um bom negócio, quando se fala de comércio.

E veja também como o Protejo, projeto que integra o Rio Cultura de Paz / Pronasci

Ter um negócio lucrativo, com preocupações sociais, também é o que pretende Rob-

está mudando a vida de muitos jovens das favelas do Rio de Janeiro.

son Ramos Teixeira, o Robinho, e seu irmão

E vai conhecer também um pouco da

Paulo Sérgio, o Dudu, que lançaram em 2006

vida do artista plástico Geléia da Rocinha,

a grife de camisetas D’Negro. Hoje, têm um

que não mora mais na favela carioca, mas

box na Saara, Centro do Rio, e vendem até

foi nascido e criado ali. “A borboleta que que-

300 peças por mês. Mas querem ter uma

brou as algemas”, é como ele se autodefine.

loja: “um dia eu chego lá”, diz Robinho. Vocês sabem o que Gabriel o Pensador,

Boa leitura.

o judoca Flávio Canto, a coreógrafa Deborah

Chico Junior

Jornalista responsável e editor Chico Junior

CARTAS

“Parabéns pelas matérias, lay-out, material e diagrama-

Inclusão produtiva

ção da revista. Estava mesmo faltando este canal de comuni-

Muito bacana a linha edito-

cação nas e para as comunidades. Gostei muito também da

rial e a proposta de comuni-

coluna das fotos.

car coisas sobre o estrato da

As fotos e o futuro

Como estamos em tempos de mídias, colocar as “caras” das comunidades,

cidade que, a despeito da ex-

em um veículo de comunicação como

clusão e das desigualdades,

este, principalmente para os mais jovens, que estão acostu-

insiste em (re)inventar um

mados a ver as personalidades conhecidas deles em páginas

modelo de desenvolvimen-

inadequadas para formar a sua estima,

to e inclusão produtiva pela

esse veículo provoca

um efeito contrário a este, ou seja, mostrar momentos e fatos

arte. Sucesso no projeto!

instrutivos, produtivos, divertidos ou até de “mico” das pessoas, que fortalecem o indivíduo como cidadão. Todos gostam de ter seu momento de fama e, por esta coluna, poderão ter, sem precisar realizar grandes feitos. Basta enviar a foto e pronto tá lá a sua “cara”!

Em tempos de

Junior Perim, Coordenador Executivo do projeto Crescer e Viver

Produção Daniel Reznik Thaisa Araújo Projeto gráfico e diagramação Agência21 Equipe de Arte Chris Saraiva Diana Acselrad Leo Calvão Roberto Tostes Colaboradores Beatriz Coelho Silva Camila Elias Eduardo Pacheco Landa Araújo Paulo Magalhães

recebimento e disseminação rápida da informação, a simples imagem publicada também é um dado que, distribuído, pode ser assimilado de forma positiva, ajudando na formação dos mais jovens e na autoestima dos adultos, fazendo-os sentirem-se como parte do mundo. Não seriam apenas 15 minutos de fama no futuro, como disse Andy Warhol, mas pode ser a mudança de um futuro.” Nádia Maria de Jesus, Morro do Timbau, Complexo da Maré.

Diálogo Urbano é uma produção realizada em parceria pela CJD Edições, Agência21 e Dialog. Redação e endereço para correspondência Av. Ataulfo de Paiva 1175/603 – Leblon 22440-034 – Rio de Janeiro – RJ Tel: (21) 2512-2826 | 3904-1386 E-mail: dialogo@dialogourbano.com.br


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O FILME CINCO VEZES FAVELA, de Cacá Diegues, um dos marcos do Cinema Novo, na década de 60, ganha nova versão. A novidade é que, desta vez, ele está sendo escrito, dirigido e realizado por cineastas moradores de favelas cariocas. Para capacitá-los, o projeto ”Cinco Vezes Favela”. Agora por Nós mesmos”, idealizado pelo

OLHARESDA DAFAVELA FAVELAEM LIVRO OLHARES OLHARES DA FAVELA Diferentes ângulos de favelas cariocas estão revelados em novo livro que chegou às prateleiras das livrarias do Rio em abril. Viva Favela, editado pelo Viva Rio em parceria com a Editora Olhares, traz 50 das 50 mil fotografias, produzidas desde 2001, por sete correspondentes comunitários do portal Viva Favela. As imagens de Tony Barros, Rodrigues Moura, Deise Lane, Nando Dias, Sandra Delgado, Kita Pedroza e Walter Mesquita apresentam as mais diversas formas de enxergar os locais onde moram, a beleza e o cotidiano de comunidades como Cidade de Deus, Rocinha, Complexo do Alemão e da Maré. “Para quem não frequenta favela, é uma oportunidade de conhecê-la sob a ótica do morador e de observar os aspectos que descobrimos ao longo da prática fotográfica”, diz Walter Mesquita, editor de fotografia do Viva Favela e ex-correspondente da Baixada. Foto: Rodrigues Moura

“Morro e asfalto se estranham em nossos dias, mas os fotógrafos rompem o medo e nos oferecem uma intimidade que faz bem ao olhar. Transformam as circunstâncias pobres e violentas da favela num ambiente que dá gosto de frequentar. Mostram que, para além dos nobres princípios que embalam o bom trabalho, existe o sentimento indispensável de amor e prazer pela vida que vibra lá fora, do outro lado da cerca que nos protege”, diz Rubem César Fernandes, diretor-executivo do Viva Rio. Além das fotos, o livro conta com artigos do professor da New York University Peter Lucas; de Rubem César, que narra a história do Viva Rio; e prefácio de Zuenir Ventura. Está previsto, em maio, o lançamento do livro em Nova York.

próprio Cacá Diegues, realiza, até o final de maio, oficinas com consagrados cineastas e profissionais técnicos de cinema. “Escolhemos cinco roteiros escritos por moradores de favelas, após um trabalho de três meses, com mais de cem jovens. Durante as oficinas técnicas e de elenco que estamos iniciando agora, vamos profissionalizar mais de 200 jovens no cinema”, conta Cacá. “Esse projeto é maravilhoso porque não se trata de um gênero mostrado por terceiros. É a própria comunidade que vai contar e produzir suas histórias. O roteiro é fantástico, sem uma visão paranóica de uma condição de vida”, disse Nelson Pereira dos Santos durante a aula inaugural. Os participantes das oficinas, que começaram no último dia 13, vão poder desfrutar ainda dos conhecimentos de Ruy Guerra, Walter Lima Jr., Fernando Meirelles, Walter Salles, Daniel Filho, João Moreira Salles, Cesar Charlone, Camila Amado, entre outros. Os alunos que se destacarem nessa etapa vão participar do filme, que deve começar a ser gravado em julho. O projeto conta com o apoio de cinco organizações – Cufa (Cidade de Deus), Nós do Morro (Vidigal), Observatório de Favelas (Complexo da Maré), AfroReggae (Parada de Lucas) e Cinemaneiro (com sede na Lapa) – para a produção dos cinco curtas que formarão o longa-metragem proposto. Ao todo, foram recebidas 568 inscrições, das quais 230 foram selecionadas para

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participar das oficinas.


Cinco Vezes Favela Agora por Nós mesmos

Oficina de dança valoriza cultura

AFRO brasileira

O GRUPO NÓS DO MORRO, já conhecido pela produção teatral, audiovisual e, mais recentemente, musical, agora dispõe de mais uma atividade artísticocultural: danças folclóricas brasileiras. A iniciativa partiu de dois alunos e professores de capoeira do Nós do Morro, Messias Freitas e Sérgio Henrique (Gargamel), que criaram o workshop de dança Afro em Nós. Após apresentações no Vidigal, parte da turma formada vai integrar um novo grupo de danças e outra remontar a peça Capoeiragem.

Ir além

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limond

anna A

Fotos: Jo

“Com o grupo de dança, queremos ir além. Não pretendemos apenas dançar bem. Vamos viajar, ‘beber a água da fonte’, pesquisar, resgatar outras manifestações, como a ciranda de Tarituba, carimbó, batuque de umbigada, tambor de crioula, entre outras, para que mais pessoas tenham acesso à nossa cultura e que ela se mantenha viva”, diz Messias. Já a Capoeiragem, que há quatro anos é encenada no Vidigal, revela a capoeira associada à sua história e suas aplicações além do esporte: “A capoeira é muito cêni-

ca. Ela trabalha o corpo, a expressão, o olhar, o coletivo, o respeito aos fundamentos, a hierarquia, a musicalidade e o canto”, conta Gargamel. “A Capoeiragem pode ser considerada uma aula porque traz a história do nosso país. Muitas mães me disseram que a peça despertou o interesse de seus filhos por assuntos como a abolição dos escravos”, complementa Messias. A previsão é que, a partir de julho, todos possam conferir a Capoeiragem e inusitadas danças nacionais. “Estamos mostrando que a gente sai aqui da favela com uma cultura muito rica”, finaliza Gargamel.

diálogo urbano | abril de 2009

Quem assistiu às apresentações pôde se aproximar um pouco mais de algumas manifestações culturais que existem Brasil a fora e que não são conhecidas por muitos. Dança afro, coco, jongo, cacuriá, maculelê, capoeira e samba estiveram em cena, com a participação de 40 pessoas, moradoras de diversas localidades do Rio, que se reuniram durante dois meses para montar as coreografias, sob direção de Messias, Gargamel e da professora convidada Eliete Miranda.

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Protejo Jovens em formação Estimulados pela aplicação de cursos profissionalizantes, eles passam a sonhar com novas possibilidades

Foto: Adriana Medeiros

Por Eduardo Pacheco

Daniel tem 18 anos e está em busca de um estágio

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Joel Pires tem 16 anos e sonha em ser engenheiro. Daniel Ferreira de Moura, de 18, quer um diploma para disputar uma vaga no mercado de trabalho. Marcelo*, por sua vez, vislumbra novos caminhos para mudar de vida. Em comum, além do fato de serem vizinhos no Complexo de Manguinhos, no Rio de Janeiro, os três dividem a mesma sala de aula que irá capacitálos, dentro de seis meses, para o mercado de trabalho. Em uma iniciativa do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania no Estado do Rio (Pronasci-Rio), jovens de 18 comunidades estão sendo iniciados em profissões como administração e turismo, através de cursos profissionalizantes oferecidos pelo Senac-Rio. Eles foram selecionados pelas Mulheres da Paz e integram o Protejo, projeto que tem como objetivo identificar e capacitar jovens de 15 a 29 anos, moradores em comunidades populares, capacitá-los para o mercado de trabalho, afastá-los das drogas e inseri-los nas políticas públicas. Após passarem por um ciclo básico de aulas sobre cidadania, meio-ambiente e prevenção de doenças, os três alunos, a exemplo de outros quase dois mil e quinhentos jovens, estão iniciando a fase de capacitação nas profissões que pretendem seguir. Uma chance única, que Daniel pretende transformar em trabalho. “Estou em busca de um estágio com carteira assinada. Completar esse curso me dá chances reais de alcançar meu objetivo”, comemora. Manguinhos é um retrato fiel da realidade das favelas do Rio de Janeiro. Suas ruas seguem padrões precários de urbanização e saneamento. De suas esquinas, brotam diversas comunidades compostas por moradias improvisadas. Salvo o trabalho assistencialista que recebe vez ou outra, Manguinhos carece de oportunidade.


Foto: Ratão Diniz

Jovens do Protejo no 1º Encontro Rio Cultura de Paz, no Circo Voador

Do ostracismo resultante da falta de alternativas, os jovens são as maiores vítimas. Largados à própria sorte, passam a procurar nas ruas de suas comunidades a motivação para preencher o tempo ocioso. E, nelas, acabam se deparando com as atividades ilícitas, que lhes garantem salário, prestígio, sensação de poder e ligação com um grupo.

Rotas de fuga Esta foi uma das conclusões de uma ampla pesquisa denominada “Rotas de Fuga”, elaborada pelo Observatório de Favelas em conjunto com a Organização Internacional do Trabalho, que durante três anos acompanhou a rotina de jovens envolvidos com o tráfico de drogas. “Os jovens envolvidos no crime pertencem a uma rede de relações. Além da remuneração, a sensação de prestígio e de poder os fazem sentir pertencentes a esta rede. Fazer parte de um grupo é muito importante para o jovem nesse momento de transição para a vida adulta”, explica Mário Simão, geógrafo envolvido com o Observatório de Favelas. “Os jovens devem ser compreendidos pela sua totalidade, ou seja, temos que levar em consideração as redes sociais em

que estão inseridos e todas as dimensões de sua vida – afetiva, familiar e social. Muitas vezes, os programas sociais se preocupam apenas com uma área e não conseguem perceber o jovem em sua totalidade. Para sustentar a saída desses jovens do tráfico tem que haver um plano de ações variadas de acordo com cada situação. Não tem receita de bolo. Embora um programa social tenha linha de assistência aos jovens e sua família, a lógica de ação deve seguir o caráter não-assistencial. Ou seja, parte do compromisso do jovem e de suas ações dentro do programa para que o sucesso seja alcançado. São responsabilidades compartilhadas. É, na verdade, um pacto entre as partes”, enfatiza Mário. O objetivo central do “Rotas de Fuga” era trabalhar formas de prevenção e criação de alternativas. Dos 230 jovens analisados, 40 morreram nos cinco primeiros meses.

Fora das estatísticas Por sorte, o nome de Marcelo não entrou para as estatísticas. Seu envolvimento com o tráfico de drogas, no entanto, não foi um empecilho quando a oportunidade de se inscrever no curso profissionalizante de administração de empresas sur-

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Foto: Adriana Medeiros

Joel, 16 anos: “Queremos caminhar com nossas próprias pernas”

giu em Manguinhos. Após a dura fase de adaptação à nova realidade – ele chegava a dormir às 5h30 da manhã e não tinha disposição para as aulas no dia seguinte – o Marcelo de hoje se mostra participativo nas dinâmicas, integrado aos colegas de turma e comprometido com os trabalhos. Além disso, ele se permite sonhar com um futuro diferente. “estou tomando gosto pela sala de aula. Achei que não seria capaz de aprender, mas vejo que estou evoluindo. Quero pegar o meu diploma e correr atrás de um trabalho”, diz. As aulas em Manguinhos acontecem de manhã e à tarde. Em cada turno, cerca de 60 alunos se dividem em duas salas e aguardam a chegada da professora. Experiente em trabalhos comunitários, Katiuscia Ribeiro sabe como conduzir a sua turma. Ela faz mestrado em filosofia do poder na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e agradece pela oportunidade em estar trabalhando na re-socialização de jovens. A professora defendeu a necessidade de uma qualificação profissional para esses jovens que, segundo ela, são formados como cidadãos.

“Percebi que eles são completamente politizados sem saber disso. Em cidadania, os garotos dão um banho. São jovens que já possuem uma experiência ampla porque vivem em uma realidade dura. Quando comecei a falar sobre racismo, por exemplo, eles emitiram opiniões firmes e coerentes. Eles sabem que não estão aqui por acaso. Querem fazer a diferença em suas vidas e, para isso, só precisam do estímulo” argumenta Katiuscia. Às 5 da tarde, o barulho do alarme avisa que a aula terminou. Joel guarda seus livros e cadernos e atravessa a mochila nas costas. Enquanto desce as escadas para apanhar a sua bicicleta, o futuro engenheiro conta que um novo sentimento tem tomado conta dos seus colegas de turma. “Estamos nos permitindo sonhar. Eu gostaria que todos nós saíssemos daqui com os objetivos traçados e aptos a realizá-los. Queremos caminhar com nossas próprias pernas”, diz. * O nome foi trocado para preservar a identidade do jovem

Foto: Adriana Medeiros

Sala de aula do Protejo em Manguinhos

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1º Encontro

Rio Cultura de Paz Por Camila Elias

O governador Sérgio Cabral, o ministro da Justiça Tarso Genro e a secretária Benedita da Silva

diálogo urbano

A solenidade teve início com depoimentos de jovens e mulheres que destacaram a importância destes projetos e a preocupação com a sua continuidade. “Pedimos aos governantes que esses projetos não parem, porque através deles o nosso quadro social vai mudar. Somos capazes, vamos fazer diferença na sociedade. Assim, vamos poder olhar de uma forma mais carinhosa para os nossos governantes”, disse Vera Rocha, Mulher da Paz de Belford Roxo. “Quando a sociedade não abraça, o tráfico se torna fácil de abraçar. As Mulheres da Paz estão no coração de cada jovem. Graças a elas, saí da morte e voltei a viver. Não deixem essa luz se apagar. Segurança pública não se faz só com policia, se faz com ação social”, falou André Lopes, jovem do Protejo de São Gonçalo Sérgio Cabral, entretanto, assegurou a continuidade: “O Pronasci é um projeto majoritariamente federal, criado pelo ministro Tarso Genro e sua equipe. O Estado entra com apenas 2%, ao contrário do PAC, por exemplo, em que o Estado participa com cerca de 25%. Mas estamos vendo aqui que o Pronasci está dando certo. E, independente da crise, o ministro falou com o presidente Lula e o dinheiro está garantido. Temos muito mais problemas do que solução, mas esse encontro é para celebrar uma solução”, afirmou. O ministro mostrou-se satisfeito com as ações do programa: “Esse é o momento mais importante da minha vida política. Quando começamos a trabalhar esse programa, muitos olhavam com indiferença. E bons resultados estão aparecendo. O coração não é para receber bala é para produzir amor e fraternidade. Uma segurança verdadeira tem que ser uma segurança pública que respeite todos os cidadãos”, disse. Benedita da Silva aproveitou a oportunidade para trazer uma novidade “o ministro acaba de aprovar a colocação de Mulheres da Paz em projetos da construção civil. Isso significa mais empregos”, revelou sob aplausos dos presentes.

Foto: Ratão Diniz

O 1º Encontro Rio Cultura de Paz reuniu, no Circo Voador, Lapa, no dia 16 de abril, o ministro da Justiça Tarso Genro, o governador do Rio Sérgio Cabral, a secretária de Assistência Social e Direitos Humanos Benedita da Silva e mais de 3.500 representantes de 18 comunidades do Rio beneficiadas pelo Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci). Em clima de festa, o encontro possibilitou a integração e a troca de experiências entre as comunidades participantes dos projetos Mulheres da Paz, Protejo (Projeto de Proteção de Jovens em Território Vulnerável) e PEU (Projeto Espaços Urbanos), que integram o Pronasci. A ação das Mulheres da Paz é afastar os jovens da marginalidade e direcioná-los ao Protejo, que oferece atividades profissionalizantes e de cidadania.

Apresentação de jovens no Circo Voador

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GELÉIA

DA ROCINHA A borboleta que quebrou as algemas

Por Landa Araújo Fotos: Ricardo Sousa

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De pintor a artista plastico Geléia começou pintando faixas e letreiros. E foi fazendo esse serviço que surgiu a oportunidade que mudaria sua vida. Em 1998, o cenógrafo e designer Gringo Cardia perguntou à sua empregada, moradora da Rocinha, se ela conhecia um pintor. Geléia foi indicado. A encomenda era desenhar Carlinhos Brown. Mesmo com um “frio na barriga” ele aceitou o desafio. “Eu imaginava que estava sendo chamado para pintar letras”. O trabalho deu tão certo que ele acabou fazendo a capa e contracapa do CD de Brown “Omelete Man”, no ano seguinte. “Eu já pintava, mas só mostrava para os amigos que frequentavam minha oficina na Rocinha. Depois desse convite vieram as entrevistas em programas de televisão, revistas e jornais. E aí surgiram outras oportunidades que tornaram meu trabalho visível ao mundo”, orgulha-se Geléia. Dada a largada, suas pinturas atravessaram diversas esferas artísticas e ele deixou de ter apenas a Rocinha como referência de trabalho. Em 1999, sua primeira exposição individual aconteceu na Livraria Dante, no Leblon. No mesmo ano, com Gringo Car-

dia e Lilian Pacce, ilustrou cinco obras para a revista espanhola Big Magazine – em edição especial sobre o Brasil. Logo depois ingressou no projeto “Cenas Imaginárias”, criando o cartaz da peça teatral “Vestido de Noiva” - de autoria daquele que o apelidou, Nelson Rodrigues -, no Centro Cultural Banco do Brasil. Em 2007, participou da exposição coletiva “Manifesto Porco com Arte”, onde o convite de abertura foi confeccionado com o trabalho dele. Ilustrações do artista podem ser encontradas na Cervejaria Devassa, no Leblon, em um painel de azulejos, e na fachada da Sala Baden Powel, em Copacabana. Reciclagem contemplativa De todos os segmentos nos quais trabalha, o artista prefere produzir o que chama de “reciclagem contemplativa” com “chassis alternativos”. Tais obras consistem em reaproveitar objetos como tampos de mesa, esqueletos de móveis, discos de vinil, tampas de galão, monitores de vídeo, caixotes etc para expressar suas pinturas. O artista se identifica como “a borboleta que quebrou as algemas”. A figura do inseto representa a Rocinha e a liberdade quer dizer que conseguiu mostrar seu trabalho fora da favela. “Não vivo preso à favela; a favela vive em mim como a melhor coisa que me aconteceu. Aprendi meus limites, meus valores morais”. A versatilidade de Geléia é encontrada no cotidiano. Ele diz que se alimenta de todos os segmentos artísticos e que tira lições de tudo que observa. Sua renda mensal vem de faixas, letreiros, restaurações de pinturas e imagens para locais religiosos e particulares. As dificuldades enfrentadas por ele ainda são a comercialização das obras e os espaços destinados à exposição de trabalhos. Outras informações sobre o artista:

geleiadarocinha.blogspot.com O apelido Seu apelido foi dado pelo escritor, jornalista e teatrólogo Nelson Rodrigues. Um dia, ao sair da TV Globo, Nelson ouvira uma conversa entre funcionários na portaria. José Jaime, que na época era porteiro, dizia que tinha medo de armas, mesmo morando na favela. Então, Nelson tratou de lhe dar um apelido, homônimo a um personagem de Jô Soares na época. “Ele (Nelson Rodrigues) comentou que eu parecia o Guarda Geléia, daí o apelido pegou.”, relembra.

diálogo urbano | abril de 2009

Ele é conhecido como Geléia da Rocinha, referência ao lugar onde nasceu e foi criado. Mas hoje mora em São Gonçalo, onde vive com a família (mulher e filhos). Da Rocinha, ganhou o mundo, com suas obras mostradas na Europa e nos Estados Unidos. Aos 51 anos, José Gomes da Costa define o seu estilo: naif pop. Versátil, já teve obras retratadas em telas, painéis, cartazes, biquínis, revistas. “Gosto de brincar com as formas humanas, esporadicamente faço composições usando seres humanos com animais, numa alusão explícita sobre as mutações que sofremos ao longo de nossas vidas”, explica. Geléia diz que o marco inicial da sua carreira foi uma oficina de pintura em tecido dada por Galvão Preto na Escola Municipal Paula Brito, que fica na Rocinha. “Eu ainda era bem jovem, o professor disse que a oficina era só pra crianças, mas como não tinha ninguém eu era bem-vindo. Comecei a frequentar as aulas e daí por diante não parei mais de pintar”, relembra. A paixão pela pintura já existia desde muito novo, o primeiro pincel foi reaproveitado do lixo: “Vi o pincel na lixeira e percebi que ainda me servia; quem pinta sabe que quando o pincel está mais gasto fica melhor. Hoje tenho em torno de 2 mil pincéis”, comemora o pintor.

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D’Negro

Moda para unir pessoas

Por Beatriz Coelho Silva Fotos: Thaisa Araújo Quando era músico do grupo Pétalas Rios, o percussionista Robson Ramos Teixeira, o Robinho, não gostava do que vestiam os frequentadores de rodas de samba, bailes funk, hip hop ou charme. Achava que essa multidão que circula pelos salões e quadras da zona norte, subúrbio e zona oeste do Rio de Janeiro não tinha uma moda que os representasse. “Havia roupa de surfista, com desenho do calçadão de Copacabana e o Cristo Redentor. Nada contra porque são paisagens do Rio, mas era preciso usar a roupa para mandar também a mensagem dos afrodescendentes do subúrbio”, conta ele. Por isso, lançou a grife D’Negro, que começou com 100 camisetas doadas a amigos e hoje vende entre 200 e 300 peças por mês. “A primeira coleção ficou pronta em junho de 2006 e nela investi tudo que tinha, as economias que tinha guardado como músico e como estoquista de um supermercado. Mas valeu a pena porque aquelas pessoas começaram a circular nas festas com minhas camisetas e logo chegaram as encomendas”, lembra. Para realizar o sonho, ele só contou com a ajuda dos amigos e a orientação do irmão, Paulo Sérgio Ramos, Dudu, que, na época, deixou o emprego na administração de uma rede de fast food para apostar na grife.

Deu certo O esforço é grande. Ao todo, dez pessoas trabalham para produzir e distribuir as peças, que chegam ao consumidor a preços entre R$ 25 e R$ 35 dependendo do tamanho e da estampa. A cada coleção são lançados quatro desenhos que se combinam com cinco cores diferentes. O negócio deu certo e hoje a D’Negro ocupa um stand duplo na Saara (367 e 368, próximo à Avenida Presidente Vargas, quase junto ao Detran) e é vendida em lojas de Madureira, Irajá, Marechal Hermes e adjacências, onde Dudu e Robinho vivem desde criança. “Vendemos pela Internet e por telefone e quem cuida disso é a mulher do Dudu, a Fernanda. Ou seja, fica tudo em família e entre amigos”, informa ele. Embora não entendesse nada de moda, de produção e venda de roupas, Robinho não se intimidou. Em primeiro lugar, pediu orientação à estilista Kelly Melchiades, formada pela Universidade Cândido Mendes, que lhe deu toques sobre modelagem, como fazer e expor sua moda. Mas a idéia de doar as primeiras 100 camisetas para que elas circulassem junto a

Linho: “Quando chego com a camiseta todo mundo pergunta de onde é.”

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Um de seus primeiros e mais constantes clientes é o professor de educação física e personal trainer, Uelinton dos Santos Cruz, o Linho, que tem todas as camisetas desde a primeira coleção. Para posar para as fotos que ilustram esta reportagem, ele trouxe as que mais gosta e caprichou no visual, com calças maneiras combinadas com chapéus irados. “Minha preferida é a que tem a logomarca da D’Negro preta sobre a camiseta branca. Mas eu me identifico com todas elas porque têm um desenho bonito e mensagens interessantes gravadas nas costas”, explica. “Quando chego com a camiseta, todo mundo pergunta de onde é, onde comprar. E as garotas também olham mais, mas acho que é para a estampa e não para mim.”

Unir pessoas A idéia de escrever seus pensamentos nas camisetas é também uma forma de passar sua mensagem de paz e harmonia. Robinho se preocupa não só em produzir as camisetas, mas também em unir pessoas “de todas as idades e etnias” em torno de suas ideias, materializadas na grife. Para isso, além de percorrer o circuito de bailes nos fins de semana, ele também promove eventos e tem conseguido apoios importantes, como do compositor e sambista Leandro Sapucahy e o MC Marechal, além do grupo Quilombo, do qual Robinho é percussionista.

pessoas usam as peças da D’Negro. Por enquanto só temos moda masculina, mas as mulheres compram e customizam nossas camisetas”, informa ele. “Logo que começamos, como houve boa procura, tentamos fazer também bermudas e calças, mas não deu muito certo. Então paramos e ficamos só nas camisetas para caprichar. Mas pretendo, daqui a uns dois anos, criar a D’Negro esporte fino.” Enquanto essa moda não chega, Robinho busca também ampliar o alcance social de seu trabalho. Esse compromisso está não só nas frases das camisetas, mas na própria explicação da grife na página da internet: “A D’Negro carrega consigo um compromisso de ser a voz dos excluídos, da favela para a favela, da favela para o asfalto, do asfalto para o mundo.” Por isso, os clientes são de todas as idades, faixas sociais, bairros e etnias.

“Um dia eu chego lá”

na Lei Rouanet e agora só falta conseguir a verba”, lembra ele, que conta com o apoio da socióloga Gianne Neves na produção deste e outros eventos. “Somos amigos há muitos anos e eu adoro a atitude deles. Como já trabalho com comunidades negras há muito tempo, trouxe um pouco da minha experiência”, diz Gianne. O sonho de Robinho e Dudu é ter uma loja da D’Negro, ter as camisetas expostas nas lojas de departamentos e multimarcas e ver gente do morro e do asfalto ostentando suas criações, independente da idade, do bairro onde mora ou da cor da pele. “Tenho que ir aos poucos para não dar um passo maior do que as pernas. Por enquanto ficamos nas camisetas e a coleção de inverno 2009 já está na rua”, diz Robinho. Ele conta que se sente plenamente realizado com o que faz, mas só não deu ainda para ganhar dinheiro. “Dá para pagar as contas, os colaboradores e reinvestir na grife. Um dia eu chego lá!”

Ele pretende realizar, ainda em 2009, o Fórum D’Negro, um dia inteiro dedicado a atividades culturais, com apresentação de artistas, desfile da grife e outras manifestações. “Já temos aprovação do evento

“Estou voltando à música que é outra coisa que adoro fazer. Gosto também de produção visual e apreciar como as Os irmãos Robinho (à esquerda) e Dudu tocam a D’Negro.

diálogo urbano | abril de 2009

seu público alvo foi mesmo de Robinho, marqueteiro de primeira – no bom sentido. “Até hoje eu faço isso, vou aos bailes para conhecer e cumprimentar quem usa minhas criações. Sempre dá certo e eles compram mais.”

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A Rocinha

é um BOM NEGÓCIO Transporte fácil e a toda hora, comércio que não acaba mais e um caminho de possibilidades. Há quem compare, exageros à parte, a Rocinha com Nova York, a cidade que não pára. Com tanta agitação, a comunidade, que tem seu número de habitantes em grande controvérsia - as estimativas variam de 56 mil (IBGE/2000) a 90 mil (informação divulgada pelo Governo do Estado) - fica entre Gávea e São Conrado, já ganhou as páginas de TV, jornais e revistas internacionais e é uma geradora de empregos para os que vivem, ou não, na comunidade. Por receber todos de braços abertos, ela atrai comerciantes e trabalhadores de fora e mostra que a palavra violência não é a primeira a ser lembrada quando se trata dela. Segundo censo divulgado recentemente pelo Governo do Estado, a Rocinha tem 6.317 pontos de comércio. E tem, de acordo com pesquisa feita pelo arquiteto Jorge Jauregui, mais de seis mil pessoas que não moram na comunidade trabalhando ali.

Mesmo nas pequenas vielas o comércio prolifera na Rocinha

A rotina de Fernando da Silva, de 32 anos, não o desanima. Todos os dias – menos aos sábados, diz ele - acorda bem cedinho e às 7h da manhã já está em seu mercado, na Estrada da Gávea (via que atravessa toda a Rocinha, da Gávea até São Conrado). Morador de Jacarepaguá, diz que nunca teve problemas nestes mais de três anos em que se instalou na comunidade. Seu primeiro negócio foi um depósito de bebidas, mas há oito meses resolveu se arriscar em um novo empreendimento e abriu o mercado. “Com certeza, aqui na comunidade é bem melhor para se trabalhar, eu me sinto mais seguro aqui do que em outros lugares. Entro e saio sem nenhum problema”, afirma o comerciante que diz faturar mensalmente de 70 a 100 mil reais e com uma frequência de aproximadamente quatro mil clientes por mês. “Tá dando certo, graças a Deus; consegui pagar os funcionários do antigo negócio e mudei minha rotina de vida; chego em casa cedo e ainda consigo ver tevê e relaxar”, comemora. Há 12 anos, o morador e comerciante Antônio Rodrigues Ramos, de 32 anos, inaugurava sua loja de tortas. Ele lembra que não foi fácil convencer os moradores a comprar o seu produto: “No começo, quando se falava em doce, as pessoas pensavam logo em pudim ou brigadeiro”. Para conseguir que suas tortas fossem consumidas e caíssem no gosto das pessoas, passou a oferecer gratuitamente algumas para degustação. Agora, não tem do que reclamar. “Considero a Rocinha bom negocio sim. Aqui tem muita gente, concentração de muitas pessoas. Hoje meu negócio é estável, recebo cerca de trezentas encomendas por mês”, relembra ele, que já conseguiu comprar sua casa e investe na educação das filhas, uma de oito e outra de três anos.

diálogo urbano | abril de 2009

Por Landa Araújo Fotos: Ricardo Sousa

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Comércio de fora para dentro O comércio local, que não é pouco, tem um grande número de investidores de fora. Os serviços variam da área da saúde até o entretenimento, passando pelos setores de transportes, educação, turismo, beleza, imobiliário, confecções, academias de ginástica e gastronomia (há até um restaurante japonês). “Tem muita gente de fora que vem montar um negócio aqui, porque tem um potencial de compra muito bom”, explica Jorge Collaro, presidente da Associação Comercial e Industrial do Bairro Rocinha (Acibro). Mas a informalidade da maioria dos comércios locais ainda é um ponto a ser questionado. Jorge Collaro é um incentivador da formalidade. “As novas leis que virão do governo do Estado e o MEI (micro empresário individual), por exemplo, vão contribuir para muita gente aqui da Rocinha ser legalizada. A tendência do comércio é regularizar uma grande parte da informalidade”, diz. Empresas conhecidas no Rio de Janeiro, situadas da Zona Sul à Zona Norte, completam o quadro comercial da favela. Entre elas, a rede de fast food Bob´s, a empresa de formação

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profissional Microlins e a Drogarias “Tem muita gente de Pacheco. Esta última está há mais de fora que vem montar seis anos na comunidade e já recebeu o prêmio de loja com o maior número um negócio aqui, porde público. “Nós sempre somos comque tem um potencial parados à Taquara, que é um centro de compra muito bom” comercial”, diz a gerente geral da filial Rocinha, Lene Nunes. Ela é uma das mais de 6 mil pessoas que não moram mas trabalham na comunidade. Ao ser perguntada se a Rocinha é um bom negócio, responde sem pestanejar: “Se é..., eu mesma queria abrir um comércio aqui, de preferência na Via Ápia”. A loja, que fica bem no começo da Via Ápia (primeira entrada após o túnel Zuzú Angel), recebe diariamente cerca de 1.500 pessoas. Lene diz que o público é diversificado e, muitas vezes, composto de pessoas que não moram na comunidade: “A gente recebe muito cliente de São Conrado e do Leblon”. A Rocinha tem até uma emissora de tevê, a TV ROC, que funciona em São Conrado e viabiliza o sinal para a comunidade. Ela cobra R$ 30 A agência do Bradesco e a loja por assinatura. Além dela, há mais três emissoda Pacheco, ambas na Via Ápia, ras, digamos assim, informais. porta de entrada da Rocinha


Bancos

Antonio Rodrigues vende 300 tortas por mês e já comprou uma casa com o lucro do seu negócio

Na Rocinha funcionam três agências bancárias: Bradesco, Itaú e Caixa Econômica Federal. A mais antiga é a do Itaú, que está na comunidade há 15 anos, desde quando ainda era Banerj. O gerente da agência, Carlos Trindade, informa que o movimento da agência é compatível com o mercado. “Temos 390 clientes ativos e a aceitação pelos moradores é muito boa”.

Moto-táxi

José Santana, 30 anos, mora em Itaboraí, do outro lado da Baía de Guanabara, acorda às 4h da manhã para trabalhar de moto-taxista na Rocinha até as 19h. “Lá (em Itaboraí) tem muito ladrão que rouba moto; aqui, apesar de a gente ficar perto da violência, nada acontece”, explica José, que não fica satisfeito se não atingir a meta diária de R$ 80.

João Batista: de Guaraciba, no Ceará, para o serviço de moto-táxi da Rocinha

José atravessa a baía todo dia para faturar R$ 80 por dia com a moto

diálogo urbano | abril de 2009

Não há como passar desapercebido o serviço de moto-táxi. Hoje são cerca de 500 motos transitando pela Estrada da Gávea, o que demonstra que a mãode-obra dos pilotos é bastante requisitada. O transporte alternativo de motos atrai pessoas de toda a parte. É o caso de João Batista Rodrigues, 21 anos. Há cerca de um mês, convidado pelo primo morador da Rocinha, chegou da cidade de Guaraciba, no Ceará, para trabalhar no ramo. Morando sozinho, paga R$ 200 em uma quitinete e diz que seu objetivo não é ficar muito tempo no Rio. Se a pessoa tiver disposição, vale à pena trabalhar aqui, mas eu sinto muita falta da minha família; quero juntar dinheiro, comprar uma moto e voltar para minha cidade”.

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PAC

pesquisa vai mostrar caminhos para plano de desenvolvimento Por: Camila Elias

Com o objetivo de identificar entidades do terceiro setor atuantes em comunidades que estão recebendo obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e verificar possíveis parcerias para a implementação do Plano de Desenvolvimento Sustentável (PDS), jovens pesquisadores do Trabalho Social do PAC realizam, até o final de maio, pesquisa com organizações da sociedade civil em Manguinhos, Complexo do Alemão e Rocinha. “Essa pesquisa vai revelar quais os entraves e as potencialidades de cada organização e quais podem ser parceiras na execução do PDS. Não adianta a elaboração de um plano sem participação ativa dos moradores. As organizações vão atuar em conjunto com a comunidade, fortalecendo a união dos setores privado, público e sociedade civil. Quando a comunidade se organiza e se torna participativa, ela ganha mais autonomia e mais força política para também exigir do poder publico mais investimento”, esclarece Raphaella Fagundes, coordenadora de Pesquisa do Trabalho Social.

Raphaella (à direita, de crachá) com jovens que fazem a pesquisa no Complexo do Alemão

Pesquisadores moram nas comunidades Na primeira etapa da pesquisa, os jovens pesquisadores checam que entidades são realmente do terceiro setor. Na segunda, eles realizam entrevistas detalhadas com cada organização. Os jovens pesquisadores são moradores das próprias comunidades, selecionados, capacitados e remunerados pela equipe técnica do Trabalho Social. O resultado da pesquisa ganhará uma publicação que trará mais conhecimento sobre Manguinhos, Complexo do Alemão e Rocinha. “Algumas organizações não têm dimensão da importância desse trabalho. Sei que as comunidades estão saturadas de pesquisas porque já tiveram muitas e que não trouxeram retorno. O resultado desta será publicado em livro que vai ajudar a divulgar os projetos, não só para o poder público, mas também para a própria comunidade”, informa Raphaella.

Equipe de jovens pesquisadores de Manguinhos

Equipe de jovens pesquisadores da Rocinha

O que é o Plano de Desenvolvimento Sustentável

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O Desenvolvimento Sustentável busca a melhoria da qualidade de

“Na prática, o que se busca é a construção de um modelo de de-

vida, com crescimento econômico, geração de riquezas, empregos e

senvolvimento com maior participação, protagonismo das comunida-

preservação do meio ambiente e cultura. O Plano de Desenvolvimento

des locais, equidade social e sustentabilidade ambiental a partir das

Sustentável é a primeira e mais importante etapa deste processo.

vocações produtivas locais. Com os investimentos em infraestrutura e

O Trabalho Social do PAC irá elaborar os planos para Manguinhos,

equipamentos públicos do PAC, esse modelo é fundamental para que

Rocinha e Complexo do Alemão, com a participação dos moradores,

as comunidades possam aproveitar as oportunidades geradas pelo

elucidando questões como “onde queremos chegar” e “qual o caminho

PAC, gerando benefícios para os moradores e empresas locais, criando

para a transformação”. O Plano irá indicar os passos desta caminhada,

diferentes espaços de inserção ao trabalho, geração de renda e em-

como aproveitar as potencialidades, superar os desafios e transformar

preendedorismo”, explica Paulo Romai, gerente de Desenvolvimento

e as dificuldades.

Sustentável do Trabalho Social.


FAMOSOS no social Por Camila Elias

Eles são pessoas famosas, conhecidas em todo o Brasil e no exterior. Em comum, o desejo de contribuir para construir uma sociedade melhor

Raí, Leonardo, Jorginho, Bebeto, Gabriel O Pensador, Flavio Canto, Gringo Cardia, Rico de Souza e Deborah Colker. Além de famosos, eles têm o interesse em integrar lugares geograficamente tão perto e, ao mesmo tempo, tão longe socialmente. Para isso, cada uma dessas personalidades estruturou projetos sociais que oferecem as mais variadas atividades gratuitas que buscam a formação e a valorização dos jovens de comunidades populares, minimizando preconceitos, favorecendo a troca, a integração e o diálogo entre a “favela” e o “asfalto” no Rio de Janeiro.

Deborah Colker: projeto social de danca As comunidades que quiserem receber o espetáculo podem se inscrever através do email: coordenacaocmdc@ ciadeborahcolker.com.br.

Quem pode participar Jovens já iniciados na dança, matriculados na rede pública de ensino.

diálogo urbano | abril de 2009

“Com esta iniciativa, queremos que os jovens se profissionalizem. Há muitos projetos sociais de dança em que surgem talentos, mas eles ficam estacionados, no limbo entre o céu e a terra. Nossa intenção aqui é que eles construam uma carreira”, diz João Elias, diretor executivo da Cia. Deborah Colker.

Foto: Joanna Alimonda

Este ano, a coreógrafa Deborah Colker, responsável pela direção do novo espetáculo do Cirque de Soleil, inicia um novo projeto social: o Centro de Movimento Deborah Colker (CMDC). Os objetivos são a criação de um corpo de dança, a produção de um espetáculo e realização de apresentações do grupo em locais alternativos, a partir de outubro.

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Quem pode participar Jovens de 16 a 21 anos, estudantes ou que tenham concluído o ensino médio.

A Escola Fabrica de Espetaculos de Gringo Cardia Num galpão industrial, na zona portuária, a Spectaculu, de Gringo Cardia, cenógrafo e artista visual que atualmente está no Canadá criando a cenografia do novo espetáculo do Cirque du Soleil, insere jovens de mais de 50 comunidades populares na produção de sonhos através das artes cênicas, visuais e tecnologia. Ao final de um ano, são capacitados cerca de 40 jovens em iluminação, contrarregragem, adereços, carpintaria, cenário, edição de vídeo, computação gráfica, design gráfico e fotografia. “A escola tem uma rede de parcerias com teatros, emissoras de tevê, produtoras e vários profissionais independentes que aproveitam os jovens formados para estágios profissionais”, revela Gringo.

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Foto: Ricardo Sousa

de Flavio Canto

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Flávio Canto observa o treino de dois alunos.

Que o diga Tiago Ortega, aderecista do Núcleo de Produções: “desde que me formei na Spectaculu, nunca mais fiquei sem trabalho”. “Quem não é contratado efetivamente por uma empresa, pode integrar o Núcleo de Produções que funciona como uma incubadora e presta serviços para outros projetos”, complementa Kátia Oliveira, coordenadora pedagógica. Além das aulas e atividades culturais, a escola convida artistas e profissionais para contarem suas experiências aos alunos. “Esta integração é muito saudável para quem fala e para quem ouve. Os profissionais ficam tocados pela curiosidade e pela fome de cultura que estes jovens têm. Isto promove uma sensibilização e uma certeza de que estas pessoas têm que fazer mais parte desta integração social que vários projetos promovem.”, diz Gringo.

Flávio Canto, medalhista olímpico no judô, criou, em 2003, o Instituto Reação. Através do esporte e atividades complementares, como passeios culturais, atendimento fisioterapêutico, aulas de inglês e reforço escolar, ele procura transformar a vida de quase mil jovens das comunidades da Rocinha, Tubiacanga (Ilha do Governador), Cidade de Deus e Pequena Cruzada. Durante as aulas, Flávio Canto ensina a filosofia do judô que, segundo ele, é refletida em diversos aspectos da vida. “Minha orientação é o bushido, o código de ética do samurai, baseado na disciplina, respeito ao próximo e não-violência. Percebo que os atletas, ao interiorizarem esses princípios, desenvolveram respeito, humildade, determinação, autoestima, melhoraram na escola e no relacionamento interpessoal”, diz. “Desde que entrei no judô, eu, que era rebelde, mudei a educação em casa. Comecei a participar de campeonatos e a fazer novas amizades. E se eu fosse mal na escola, não podia competir nem participar dos passeios”, conta Felipe Souza, aluno faixa marrom.

Quem pode participar

Estudantes, de 4 a 15 anos e que morem nas comunidades do projeto.


Foto: Divulgação

Gabriel O Pensador,

Pensando Junto “Muda – que quando a gente muda o mundo muda com a gente; A gente muda o mundo na mudança da mente”.

Estudantes da rede pública, de 8 a 17 anos

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Quem pode participar

Foto: Divulgação

Gringo Cardia dá uma aula no projeto Spetaculu

O trecho de uma música de Gabriel O Pensador funciona como enredo do seu projeto social Pensando Junto. Desde 2005, atende crianças e jovens na Rocinha, proporcionando o acesso à cultura, educação, lazer, alimentação, acompanhamento médico, odontológico e psicológico. Além de oficinas de dança, música, maquete, leitura, reforço de português e matemática, os jovens também participam de atividades culturais. “Os participantes fazem visitas a museus, teatros ou mesmo passeios mais lúdicos fora da comunidade, o que não é muito comum, por incrível que pareça, na rotina de um adolescente da Rocinha. Isso ajuda a abrir os horizontes da garotada, eles enxergam que o mundo tem muito mais para oferecer do que aquilo que eles estão acostumados a ver na vizinhança, na praia, no bairro”, conta Gabriel. O programa tem foco na inserção social dos jovens e crianças em situação de risco, promovendo a orientação, a informação, repensando valores e desenvolvendo a autoestima, criando acessibilidade no caminho para a conscientização de cada potencial. “A cultura e o espírito de grupo ajudam a renovar a esperança pessoal de cada um, e também, de certa maneira, a nossa esperança coletiva, quando pensamos no que vem por aí. Trabalhos bem feitos com crianças das favelas ajudam a cidade a quebrar as barreiras do preconceito e também a diminuir a violência. Mas precisamos de muito mais gente fazendo coisas parecidas, e do esforço do poder público”, avalia ele.

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Futebol para educar

O Gol de Letra,

de Rai e Leonardo

Foto: Divulgação

Os tetracampeões da seleção brasileira de futebol, Raí e Leonardo, com a Fundação Gol de Letra, e Jorginho e Bebeto, com o Instituto Bola pra Frente, levam para as comunidades do Caju e de Guadalupe, respectivamente, o

futebol como uma ferramenta para a educação. O objetivo não é formar craques do futebol, mas utilizar a força atrativa deste esporte e oferecer múltiplas atividades para que os jovens descubram e desenvolvam suas potencialidades.

A Fundação Gol de Letra atende a cerca de 160 crianças e adolescentes, do Complexo do Caju, desde 2003. Eles têm aulas de esporte, lazer, leitura, escrita, informática, literatura e educação ambiental. E os familiares frequentam reuniões e sessões de cinema. “A diversidade de aulas proporciona a descoberta de outras habilidades. Quando a criança se envolve com a própria educação, estudar deixa de ser uma obrigação”, explica Felipe Pítaro, coordenador de projetos. Segundo Leonardo, “nossa contribuição é gerar direitos básicos e discussões que provoquem novas atitudes sociais nos jovens e seus familiares”. Maria Alice, mãe de três filhas, notou algumas mudanças desde que elas foram para o Gol de Letra: “A mais velha pensava muita besteira e hoje ela pensa mais na escola, até à igreja ela voltou a ir. E dentro de casa, elas ficaram melosas demais”, avalia. Para os que completam 15 anos, até os 21, são oferecidas dez vagas para monitoria. No último ano, jovens de 16 a 24 anos foram capacitados em telemarketing e alguns deram continuidade aos estudos. Para Raí, o impacto social “só é percebido e consolidado com um trabalho contínuo. A cidade é o ambiente ao qual estes jovens devem pertencer sem distinção ou limitação de acesso”, diz.

Jorginho e Bebeto,

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Foi a partir de um desejo de infância que Jorginho criou o Instituto Bola Frente, que beneficia quase 900 jovens do Complexo do Muquiço, Guadalupe. Ele queria ser jogador de futebol e construir uma Disneylândia. Após um contrato com a Nike, investiu um 1 milhão de dólares na transformação do sonho de criança. Ao invés da Disney, um projeto social no mesmo lugar onde começou a jogar bola. A instituição, que conta com a vice-presidência de Bebeto e hoje tem o apoio de empresas como Nike, Nestlé, Nextel e HSBC, entre outras, oferece aulas de informática, esportes, meio ambiente, saúde, nutrição,

Bola pra Frente

artes plásticas, dança, artesanato, música, teatro e empreendedorismo. “Queremos que os jovens aprendam a buscar o seu caminho, que dêem importância aos estudos, que aprendam a ver arte na comunidade e que, com noções de empreendedorismo, possam contribuir também para o desenvolvimento socioeconômico local”, diz Susana Moreira, diretora-executiva do Bola pra Frente. Quando o educando completa 17 anos, são formados aprendizes e encaminhados para estágio social em empresas conveniadas.

Foto: Divulgação

Leonardo e Raí: gol de letra no Caju

Quem pode Estudantes da rede pública, que morem participar no Caju e com idade entre 7 e 15 .


Foto: Divulgação

Rico (ao centro) com a garotada do Terreirão

Quem pode participar Alunos convidados da rede pública de ensino, de 6 a 17 anos de idade

O surfe social de Rico de Souza Há mais de 15 anos, o surfista e empresário Rico de Souza desenvolve um trabalho social com crianças da comunidade do Terreirão, Recreio dos Bandeirantes, oferecendo aulas de surfe, conserto de pranchas e noções básicas de cidadania e preservação do meio ambiente.

Quem pode participar Estudantes da rede pública, com idade entre 7 e 18 anos, que morem no Terreirão

Jorginho, Bebeto e crianças do Bola pra Frente

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O principal objetivo é levar a estes jovens a oportunidade de se socializar através do surfe e das várias profissões que fazem parte do universo deste esporte. “O surfe integra atletas e surfistas de diferentes áreas da cidade quando surfam e se encontram na mesma praia. Independente do poder aquisitivo, religião ou sexo. Todos se comunicam quando surfam”, diz Rico, que inaugurou a primeira escola de surfe do Brasil, em 1982, e ganhou o título de Embaixador do Surfe Brasileiro.

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Rocinha

Foto: Ricardo Sousa

Cidade de Deus (do livro Viva Favela)

Foto: Nando Dias Cantagalo (do livro Viva Favela)

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Foto: Ricardo Jesus

Foto: Tony Barros

Rocinha: Cachopa e o Morro dos Dois Irmãos

Rocinha | Via Sacra

Participe Mande sua foto para foto@dialogourbano.com.br Resolução: 300 DPI

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Foto: Ricardo Sousa

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PontoFinal

O que é favela? As favelas são heterogêneas e complexas. As definições e respostas para o significado de favela são diversas. Comecemos pelo princípio, pela palavra. Favela: planta rasteira, característica da região Nordeste. Segundo historiadores, após voltarem das batalhas de Canudos, soldados se instalaram nas proximidades da Providência. A partir de então, passaram a chamá-la de favela carioca, numa alusão a Canudos. Com característica desajeitada, a planta faz lembrar becos e ruelas sem planejamento. Essa é a imagem que o senso comum tem dos espaços favelados. A favela é local que concentra pobreza e pessoas à margem, privadas de bens e acesso à cidade. Ou ainda, a favela é lugar de bandidos (traficantes). Dependendo do ponto de referência do observador, todos são potenciais criminosos. Por outro lado, moradores de favelas afirmam que menos de 1% dos habitantes dos espaços favelados está envolvido com o tráfico. A afirmação funciona como escudo contra preconceitos, porém a quantidade em nada muda o senso comum sobre esses espaços. A favelização é um exemplo notório da falta de solidariedade humana. Atrelada à falta de solidariedade, está a inexistência de políticas de distribuição de renda e terras. O trabalhador no campo, vivendo uma situação sufocante e agonizante, vê na cidade uma saída. Mas acaba por se deparar com uma situação igual ou pior da que vivia, é pouco provável que terá acesso na cidade às políticas que não teve quando estava no campo.

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Foto: F rancisco Valdean

Um dos graves problemas dos centros urbanos é a falta de políticas habitacionais, mas não é o único. Vindo de uma situação miserável, sem base educacional, o trabalhador se torna mão-de-obra barata e morador de favela, único lugar que o acolhe. A cidade o aceita na condição primária de que é importante para manter a máquina funcionando e nada mais. Os espaços favelados são riquíssimos em diversidade, neste campo não existem definições ou explicações fáceis. A única generalização possível é em termos de estética e origem. A atividade dos espaços favelados é intensa, obedece a uma lógica interna, com variações entre si. Assim como são as atividades humanas em qualquer lugar do planeta. A desigualdade social brasileira é gritante e histórica. Não há como negar a ligação com o surgimento e a proliferação das favelas. A favela é, na verdade, parte de um vasto processo de exclusão que começa no campo e culmina nas cidades. Uma sociedade que conserva e mantém uma estrutura onde uma pequena elite detém considerável parcela das riquezas e condiciona uma imensa maioria da população a sobreviver com o resto não poderia ser diferente. Francisco Valdean

Francisco Valdean é fotógrafo, estudante de Ciências Sociais e morador do Complexo da Maré (http://valldean.blogspot.com)


PRESTAÇÃO DE CONTAS AO CIDADÃO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO – 2007/2009

SOMANDO FORÇAS, ESTAMOS RECUPERANDO O NOSSO ESTADO. VEJA ALGUNS RESULTADOS. NOS ÚLTIMOS 2 ANOS, O RIO DE JANEIRO COMEÇOU A MUDAR. JÁ NÃO EXISTEM DESAFIOS IMPOSSÍVEIS. JUNTOS, PODEMOS FAZER MAIS.

SAÚDE SAÚDE MODERNIZADA E QUATRO VEZES MAIS PESSOAS ATENDIDAS

Emergências UPA 24 Horas: t 20 unidades construídas em 17 meses. t 2.019.533 pacientes atendidos. t 1.197.046 exames realizados. t 12.665.814 remédios distribuídos. t Cartão Saúde com cadastro informatizado e personalizado. Ampliação do SAMU: 50 novas ambulâncias. t Aumento de 167% nos atendimentos diários. t

Modernização da rede de saúde: t R$ 108 milhões para a compra de equipamentos (tomógrafos, aparelhos de ultrassonografias, leitos etc.) em pregões internacionais no fim de 2007. t O maior investimento em equipamentos hospitalares na história do Rio.

Em 2 anos, os atendimentos realizados pela rede pública estadual foram multiplicados por 4.

SEGURANÇA REINTEGRAÇÃO DE COMUNIDADES DOMINADAS POR CRIMINOSOS E POLÍCIA REEQUIPADA

Comunidades Dona Marta, Cidade de Deus e Batam reintegradas: t Adoção da filosofia de policiamento comunitário. t Mais de 700 policiais especialmente treinados. t Parcerias com Governo Federal, prefeituras e sociedade. Renovação da frota: t 1.300 veículos comprados. t Manutenção garantida e terceirizada para 730 novos carros da PM. Construção do Centro de Inteligência Policial mais moderno do país.

Salto de produtividade com maior economia do dinheiro público: t Em 2008, foram quase 6,3 milhões de exames contra 2,5 milhões no ano anterior. t A terceirização dos exames de laboratório possibilitou uma redução de gasto anual de 135 para 28 milhões de reais.

Estado líder no Brasil na implementação do Pronasci: t Mais de 20.000 agentes de segurança realizando cursos de capacitação e 700 recebendo Bolsa-Auxílio no valor de R$ 400,00.

No total, foram investidos na saúde 400 milhões de reais acima do piso estabelecido pela lei.

O SÉCULO XXI CHEGA ÀS

EDUCAÇÃO ESCOLAS PÚBLICAS ESTADUAIS

Cada professor em sala de aula recebeu um laptop com conexão

para internet em banda larga, totalizando 50 mil computadores. Todas as 1.600 escolas estaduais foram dotadas de laboratórios de informática conectados à internet. Todas as 19 mil salas de aula também receberam um computador com banda larga. No total, a rede estadual possui hoje 10 vezes mais computadores do que tinha 2 anos antes, em 2006. Modernização da gestão das escolas: t Acompanhamento das atividades de 1 milhão e 500 mil alunos através de cartões digitais. Criação de portais de internet com conteúdos específicos para alunos e professores. Desenvolvimento de escolas-piloto focadas nos novos mercados de trabalho, como a Nave, na Tijuca, no Rio de Janeiro.

OBRAS GOVERNO REALIZA OBRAS QUE O ESTADO ESPERAVA HÁ DÉCADAS

Entrega de 4 pontes importantes para o interior do estado: Resende, Cabo Frio, Campos e São Fidélis. t Pavimentação e restauração de 553 quilômetros de vias públicas em todo o Rio de Janeiro. Início do Arco Rodoviário, que irá desafogar o tráfego para capital e Baixada Fluminense, projeto estratégico para o desenvolvimento do estado.

GESTÃO PÚBLICA GASTOS DESNECESSÁRIOS TRANSFORMADOS EM INVESTIMENTOS PRIORITÁRIOS

Economia de 1,3 bilhão de reais em gastos públicos até 2009. t Meta até 2010: 3,5 bilhões de reais. Recursos economizados permitem aumento dos investimentos em saúde, segurança e educação. Novo modelo de controle dos projetos do governo e de seus objetivos, garantindo melhores resultados para a população. Definição de um plano estratégico, com 47 projetos prioritários para o futuro do Rio.

Urbanização e habitação beneficiando 200 mil famílias. Melhorias no saneamento e água de qualidade, para 3,4 milhões de pessoas, com a Nova Cedae. A maior retirada de esgoto da Baía de Guanabara, com a ampliação da Estação Alegria.

REAFIRMANDO SEU COMPROMISSO COM A TRANSPARÊNCIA NA GESTÃO PÚBLICA, O GOVERNO DO RIO DE JANEIRO OFERECE AOS CIDADÃOS SUA PRESTAÇÃO DE CONTAS.

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assinado pelo sociólogo Paulo Magalhães. Rico de Souza e os ex-jogadores de futebol mesmo tempo, tão longe socialmente. Você Redação e ender...

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