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EDITORIAL

Colheita de café avança no país

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róximo do final do mês de julho, a colheita do café avança em todas as regiões produtoras do Brasil. De acordo com a Agência Safras, a estimativa é de que mais de 60% do café já foi colhido. E uma característica é iminente. A mecanização da colheita avança rapidamente em todas as áreas. É claro que depende da geografia de cada região, mas se a operação de colheita não é viável, a mão de obra já foi substituída em outras operações cotidianas da cultura. A tendência para um futuro próximo é de que as enormes equipes de trabalhadores na lavoura de café não mais existam. Assim como ficaram no passado remoto imagens do trabalho escravo do negro africano e dos imigrantes japoneses e italianos. Publicamos nesta edição inúmeros eventos que envolvem a cultura do café na Alta Mogiana e Triângulo Mineiro. Na silvicultura, trabalho interessante sobre a incidência da Ferrugem também na cultura do Eucalipto. Boa leitura a todos!

e-mails JOSÉ HUMBERTO LOPES Cafeicultor. Ribeirão Preto (SP). “Gostaria de alterar o meu cadastro para continuar a receber essa revista.”. GONÇALO DOS REIS SALGUEIRO Agricultor. Batatais (SP). “Gostaria de continuar recebendo a revista, pois tratase de um conjunto de matérias muito interessante, além de podermos acompanhar os produtos dos anunciantes”. BENVINDA GERALDA DA SILVA Estudante de Agronegócios. Sacramento (MG). “Solicito o meu cadastro para receber gratuitamente a Revista Attalea Agronegócios. Além de estudante de agronegócios, trabalho na NET TEL, empresa voltada à telefonia e internet de qualidade e de custo baixo para o produtor rural”. GIOVANA TRANDAFILOV Empresária. Campinas (SP). “Gostaria de conhecer melhor a Revista Attalea Agronegócios. Solicito cadastro. A CRODA é uma empresa do ramo do agronegócio, fabricante de matéria-prima para o setor, especialmente para a aplicação de defensivos agrícolas (dispersantes, surfactantes e adjuvantes). LUIZ DONIZETTI FERREIRA JR. Engº Agrônomo. Uberlândia (MG). “Saudações. Dia desses, realizando consultoria em uma propriedade de um cafeicultor me deparei com um exemplar da Revista Attalea Agronegócios. Gostei muito do conteúdo e gostaria de saber como eu faço para assiná-la. Abraços”.


Antonio Carlos Loureiro Lino 1

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1 - Pesquisador do Centro de Mecanização e Automação Agrícola do IAC. (CMAA) - Endereço: Rod. Dom Gabriel Paulino Bueno Couto, km 65, Jundiaí-SP C. Postal 26, CEP 13201-970. E-mail: lino@dea.iac.br

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A falta de cuidados com a troca e manutenção dos óleos lubrificantes provoca danos consideráveis nas engrenagens e motores de máquinas agrícolas

dos serviços a que estão sujeitos estes equipamentos. A lubrificação, é um dos principais itens de manutenção de máquinas agrícolas e deve, portanto, ser entendi-

da e praticada para conservá-las e manter o rendimento delas, aumentando a vida útil das mesmas. De modo geral, os componentes das máquinas agrícolas que necessitam lubrificação

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lubrificação é um dos principais itens de manutenção de máquinas agrícolas. O desenvolvimento da agricultura brasileira está, sem dúvida, ligado à modernização dos meios de produção, com a utilização de insumos modernos que multiplicam a nossa capacidade de produzir alimentos e fibras a preços competitivos. O setor de máquinas agrícolas é um dos que sofreu maior evolução nos últimos anos, com a incorporação de tecnologia antes restrita ao setor automotivo. Os modernos tratores, colhedoras e implementos agrícolas se tornaram máquinas sofisticadas e de alto desempenho, exigindo para o seu uso eficiente lubrificantes de alta qualidade que respondam bem à crescente severidade

FOTO: Divulgação IAC

Por que lubrificar máquinas agrícolas?

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são: mancais de atrito, mancais de rolamento, eixos sem fim, eixos telescópicos, engrenagens, correntes, pistões, juntas universais e bombas. O que são Lubrificantes? - Quando as superfícies dos componentes de algum tipo de máquina se movem em contato uma com as outra, produzem a fricção ou atrito, e esta gera calor e causa desgaste. O lubrificante é uma substância colocada entre estes componentes em movimento para reduzir a fricção e proporcionar o deslizamento suave e fácil, um contra o outro, com o mínimo desgaste e mantendo a temperatura normal. Os lubrificantes tem por função:- Reduzir a fricção e o desgaste das peças; Diminuir o calor gerado pela fricção das peças; Auxiliar na refrigeração, no caso dos motores; Auxiliar a vedação ou perda de pressão dos motores; Evitar a entrada de impurezas nos mancais; Fazer a limpeza das peças; Proteger contra a corrosão; e Transmitir força e movimento através de cilindros hidráulicos. Há três tipos de lubrificantes: os lubrificantes líquidos, que são os óleos lubrificantes, os lubrificantes pastosos que são as graxas e os lubrificantes sólidos. Os lubrificantes sólidos são utilizados em equipamentos que trabalham em altas temperaturas, sendo portanto de pouco interesse para as máquinas agrícolas. Em certos casos são misturados com lubrificantes líquidos e pastosos para melhorar sua resistência ao calor gerado pelo atrito entre superfícies. Como exemplo de lubrificantes sólidos podemos citar o talco, a grafite e o bissulfeto de molibdênio. Na agricultura, a grafite é utilizada na lubrificação no depósito de sementes das semeadoras, com a finalidade de diminuir os danos mecânicos nas sementes e as falhas de colocação das sementes no solo. Os lubrificantes líquidos, também conhecidos como óleos lubrificantes, são os mais usados em máquinas agrícolas. Estes lubrificantes podem ser de três tipos de origem ou bases diferentes: orgânica , mineral e sintética. Os óleos lubrificantes de origem orgânica, são feitos a partir de gorduras animais e vegetais, e hoje não são mais utilizados como lubrificantes, mas,

FOTO: Divulgação

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como é o caso do óleo de mamona, como aditivo para melhorar as qualidades de alguns tipos de óleo. Os óleos lubrificantes de base mineral, são extraídos do petróleo e são os óleos mais usados em tratores e máquinas agrícolas. Já os óleos lubrificantes de base sintética foram desenvolvidos em laboratório, a partir de substâncias químicas, especialmente desenhadas para conferirem características de viscosidade superiores às dos óleos minerais, porém com custos de fabricação bem mais elevados que os dos óleos minerais. Por isso tem se tornado comum a mistura dos dois tipos , que é chamado de óleos lubrificantes de base mista, que é utilizada para formular lubrificantes de elevada qualidade. Os lubrificantes pastosos são conhecidos como graxas (palavra esta que se origina do latim “crassus” ou “grassus”, que significa gordura); são utilizados em locais onde os óleos (líquidos) não conseguem parar para fazer uma completa lubrificação. As graxas são feitas pela mistura de um óleo lubrificante (de base mineral ou sintética) e de uma substância encorpante, chamada de agente espessante, e tem como função reduzir o atrito, o desgaste, o aquecimento e proteger contra a corrosão. Características Importantes: - algumas características dos óleos lubrificantes são extremamente importantes para a escolha e uso adequado dos mesmos.

A viscosidade é considerada a propriedade mais importante dos óleos lubrificantes, ela mede a dificuldade com que um líquido escoa ou escorre. Quanto mais viscoso for um lubrificante (mais grosso), mais difícil de escorrer, portanto será maior a sua capacidade de manter-se entre duas peças móveis fazendo uma melhor lubrificação das mesmas. Quanto menos viscoso for um óleo lubrificante, mais rapidamente ele quando bombeado chegará aos locais nos deve fazer a lubrificação, porém terá dificuldades de manter-se lá. Ao utilizarmos um óleo muito viscoso (muito “grosso”), nas manhãs frias, ele terá dificuldade de chegar às áreas que necessitam ser lubrificadas, provocando um desgaste maior do motor. Se utilizarmos um óleo pouco viscoso (muito “fino”), quando o motor aquecer ele escoará com muita facilidade, prejudicando também a lubrificação e aumentando o desgaste do motor. A escolha da viscosidade correta para as temperaturas de trabalho é importante, pois um óleo tem que proporcionar adequada lubrificação em todas as estações do ano. A viscosidade dos lubrificantes não é constante, pois varia com a temperatura. Quando se eleva a temperatura de um óleo lubrificante a sua viscosidade diminui, e quando a sua temperatura diminui ele fica mais viscoso. Esta variação da viscosidade em função da temperatura não ocorre


FOTO: Divulgação

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ela indica o peso de uma certa quantidade de óleo a uma certa temperatura; isto pode nos indicar se houve contaminação ou deterioração de um lubrificante. Por exemplo se um óleo for contaminado por água, aumentará a densidade do óleo. O Ponto de fluidez é a temperatura na qual o óleo pára de fluir ou escorrer, isto é congela, é muito importante para regiões sujeitas a invernos rigorosos, o que não é o caso da grande maioria do território nacional O Poder lubrificante se refere unicamente às propriedades redutoras do atrito interno dos óleos que trabalham em serviços severos, tais como em motores diesel de alta rotação e cargas elevadas. Para melhorar alguma qualidade já existente nos óleos lubrificantes, porém em grau insuficiente, ou conferindo-lhes outras que ele não possua, especialmente quan-

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em todos os óleos da mesma maneira. Alguns óleos ficam menos viscosos mais rapidamente que outros. O Índice de Viscosidade (IV) mede a variação da viscosidade com a temperatura; quanto mais alto este índice, menor será a influência da temperatura sobre a viscosidade. Isto indica que este óleo é menos viscoso (“grosso”) em manhãs frias e mais viscoso em dias quentes, quando comparado a um óleo com Índice de Viscosidade menor. Portanto um óleo com maior Índice de Viscosidade irá proteger melhor o motor contra o desgaste. Outra característica importante é a Densidade, pois

do o lubrificante é submetido a condições severas de trabalho, isto é, para aumentar a sua eficiência, são adicionados aos mesmos substâncias chamadas de aditivos. Seus objetivos e finalidades e, conseqüentemente, seus mecanismos de ação são muito variados. Os principais tipos de aditivos são:a) - ANTIOXIDANTES: reduzem a oxidação do lubrificante em contato com ar; b) - ANTICORROSIVOS: protegem as partes do ataque de contaminantes ácidos dos óleos lubrificantes; c) - DETERGENTES DISPERSANTES: mantêm as superfícies metálicas limpas e evitam a formação de borras nos óleos lubrificantes; d) - AGENTES DE EXTREMA PRESSÃO (EP ou HD): formam uma camada protetora resistente que protege as peças do contato metal contra metal; e) - MELHORADORES DO ÍNDICE DE VISCOSIDADE: diminuem a variação da viscosidade com a temperatura; f) - ABAIXADORES DO PONTO DE FLUIDEZ: evitam que o óleo se congele; g) - ANTIESPUMANTES: evitam a formação de espuma; h) - ANTIFERRUGEM: protegem da ferrugem as peças feitas de metais ferrosos; i) - AGENTES EMULSIFICANTES: tornam os óleos emulsionáveis (erradamente ditos “solúveis”) em água. A


EVENTOS

SINRURAL de Passos (MG) realiza em agosto a 3ª SINAGRO

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FOTOS: Divulgação SINRURAL

Sindicato dos Produtores Rurais de Passos (MG), numa parceria com a Prefeitura, Banco do Brasil, EMATER, CREDIACIP, CASMIL e Vante Internet, vai promover nos dias 10, 11 e 12 de agosto deste ano, a 3ª SINAGRO – Feira Regional de Agronegócios. “A intenção é reunir produtores e fornecedores em só local, com o objetivo de fomentar o agronegócio, num momento favorável para isso”, diz Leonardo Medeiros, presidente do Sinrural. Os organizadodes estão mobilizados para atrair pelo menos 80 empresas, que ocuparão stands que vão dos 12 m² até áreas com 220 m². “A Da esquerda para a direita: Renato Andrade (subsecretário de Políticas Urbanas); José Eustáquio do aceitação tem sido muito boa e já con- Nascimento, o ‘Taquinho’ (presidente da CREDIACIP); Deputado Cássio Soares; e Leonardo Metamos com diversas empresas de outras deiros (presidente do SINRURAL). cidades que aderiram à feira”, informa do evento Arnaldo Maia. Na reunião com as associações de produtores rurais Já está acertado contrato de espaços com todas as empresas de revenda de tratores, equipamentos e implementos. de Passos para debater temas relacionados a 3ª SINAGRO – “Eles estão preparando as ofertas para fazer negócios na feira Feira Regional de Agronegócios com o Sinrural, todas mancom diferencial de preços”, explica Anselmo Figueiredo, daram representantes. Também participaram do encontro o um dos responsáveis pela coordenação de equipe de vendas. gerente geral do Banco do Brasil, Lanário José da Silva e o da Empresas concessionárias de veículos também já reservaram Emater, Edson Gazeta. “É importante que a gente se reúna espaços, como a Auto Passos, Mitsubishi, Peugeot, estas últi- aqui e mostre a todos a importância da feira”, disse Leonardo mas de Franca e Iveco, de Pouso Alegre. no encontro. Negociam a Sancar, Sovemar e Auto Oeste. “A feira Ele destacou que quando foi realizada a primeira feira, começa ganhar um contorno importante de adesão E isto Passos era superado em captação de recursos para investinum curto espaço de tempo”, avalia Leonardo Medeiros. “As mento no agronegócio por diversas cidades. “Tínhamos pouempresas estão acreditando e quem for vai ficar surpreso cos financiamentos naquela época. Já com a feira de 2005 com a mobilização que está sendo feita para atrair consumi- atingimos R$ 3 milhões”, lembrou. dores”. Algumas prefeituras já assumiram que vão disponibiAtualmente o financiamento via recursos disponibililizar ônibus para trazer produtores para a visitação nos dias zados pelo Banco do Brasil já atinge R$ 9 milhões. “Queremos aumentar este nível de investimento no agronegócios porque estaremos financiando o desenvolvimento da vocação natural da região”, avalia Lanário José da Silva, gerente geral do Banco do Brasil. Lanário informou que o Banco do Brasil vai montar uma infraestrutura especialmente para atender na 3ª SINAGRO. “Vamos trabalhar de forma permanente estande a estande, mostrando as linhas de crédito, oferecendo orientação para que produtores façam cadastros, elaborem projetos e os fornecedores tenham condições de viabilizar seus negócios com mais agilidades, beneficiando todos os envolvidos”, disse. Por outro lado, Edson Gazeta, gerente geral da EMATER,


EVENTOS

FOTOS: Divulgação SINRURAL

sucesso nesta área, como acontece em Guapé (MG), Carmo do Rio Claro (MG) e Conceição da Aparecida (MG).

Associações Rurais - Para Luiz Carlos Medeiros, da Associação Rural São João, a 3ª SINAGRO vem no momento certo porque vai “ajudar o produtor diminuir a burocracia e facilitar o acesso ao crédito e novas tecnologias”, afirmou. Opinião semelhante a de Terezinha Alves de Oliveira, que representou a Associação Boa Vista na reunião. Welvis Patrick do N.Novaes, representante da Associação Rural Santa Luzia, disse que a feira deve estimular o produtor a trabalhar a propriedade como empresa e que precisa ter objetivo “de fixar as pessoas no campo, porque o exôdo rural está muito grande e precisamos encontrar uma forma de fazer com a mão de obra para o campo seja formada, já que ela anda escassa”, ressalvou Da Mumbiquinha, Adilson Vieira do Lago, disse que é importante a realização da feira, “porque o produtor espera sempre por novidade, apoio para ter acesso mais rápido ao crédito e também para adquirir novos conhecimentos”, afirmou. Teresa Rosa Silva, da Mumbuca, bem tem o mesmo ponto de vista. Já para Simone Lopes, da Secretaria de Assistência Social, a feira, ao propor discutir a economia solidária, transformou-se numa “feira inclusiva, porque permite uma discussão que envolve outros segmentos da comunidade”, por isso a Secretaria vai levantar formas de levar experiência de

EM TEMPO 3ª SINAGRO - Feira Regional de Agronegócios de Passos Parque de Exposições “Adolfo Coelho Lemos”, Passos (MG). INFORMAÇÕES = (35) 3529-2654 / (35) 9199-8050 (Anselmo) www.feirasinagro.com.br

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lembrou que a feira é o local adequado para se fechar negócios, mas é também “um momento de crescimento do setor no que diz respeito a novos conhecimentos, transferências de tecnologias e formas de gestão”, afirmou. Para Gazeta, o SINRURAL teve uma iniciativa correta “ao decidir promover a feira, porque esta é uma forma de estimular a produção e também de discutir formas novas e mais adequadas de gestão e uso da prorpriedade”, disse

Mobilização - No lançamento do Plano de Mídia, que aconteceu no dia 20 de junho, o deputado estadual Cássio Soares e o subsecretáro de Políticas Urbanas do Estado de Minas, Renato Andrade estiveram presentes e deram apoio à realização da feira. Renato Andrade, afirmou o seu apoio à realização da Feira, e complementou a fala de Edson Gazeta, gerente regional da Emater, que dissera um pouco antes que Elmiro Alves, Secretário de Estado da Agricultura Pecuária e Abastecimento já teria garantido sua presença na abertuta do evento, dia 10. Para Renato a feira um “momento especial para que haja intercâmbio entre produtores e os fornecedores de insumo, equipamentos, implementos e novas técnicas para melhorar a produção”, disse. O deputado estadual Cássio Soares disse que a feira de agronegócio é importante porque “fomenta a produção e amplia o olhar para outros segmentos como o turismo rural e a proucção artesanal”. Ele também afirmou que vai somar forças com Renato Andrade para tentar trazer o governador Antonio Anastasia ao evento. Leonardo Medeiros avalia que a partir de 18 de julho, todos os “movimentos devem estar voltados para mobilizar os produtores e o público em geral para participarem do evento e a repercussão que temos tido até agora mostra que a 3ª SINAGRO será um sucesso”, finaliza.


artigo

Trabalhando em uma fazenda de gado de leite norte-americana Débora Brito Goulart - Médica Veterinária, formada pela UFMG. (deborabritobh@yahoo.com.br)

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FOTO: Débora Goulart

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lém de dar um impulso para incrementar a carreira, uma viagem de intercâmbio amplia os nossos horizontes, muda a forma de ver o mundo e nos faz encarar os desafios e situações que aparecem em nossas vidas com mais maturidade. Muitos são os ganhos, a começar pelo crescimento pessoal e profissional Um ano após o término da minha graduação em Medicina Veterinária decidi fazer um intercâmbio no intuito de obter uma experiência internacional de trabalho. Para isso, optei por conhecer o modo de produção de leite e o padrão de ensino superior da maior economia do mundo. Ao chegar aos Estados Unidos, mais precisamente no estado de Illinois, fui diretamente para a fazenda Golden Oaks Farm, onde trabalhei durante seis meses no manejo de bezerros e controle da qualidade do leite. O estado está localizado na região centro-oeste do país, sendo a agricultura e a pecuária importantes fontes de renda, principalmente a produção de milho, soja, trigo e leite. De acordo

com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, nota-se que desde 1960 o número de fazendas em Illinois caiu de 130.000 para 7.200. Entretanto, o tamanho das mesmas aumentou muito devido principalmente à melhoria dos equipamentos de produção e à qualidade dos fertilizantes. Os doutores Blowey e Edmondson, em seu livro intitulado “Mastitis Control in Dairy Herds”, descrevem que o número de vacas nas fazendas leiteiras dos Estados Unidos continua a diminuir em cerca de 1% ao ano, mas isto tem sido mais do que compensado por um aumento de aproximadamente 2% na produção de leite por vaca por ano. A propriedade está localizada em Wauconda, uma vila situada à uma hora de Chicago, terceira cidade mais populosa dos Estados Unidos e possuidora da arquitetura mais influente do país. Fundada em 1948 por Henry Crown, Golden Oaks Farm possui 566.500 hectares de terras agrícolas utilizadas principalmente para o cultivo de forragem de alfafa e silagem de milho. O rebanho é constituído por

1.300 animais, sendo 800 vacas em lactação e 500 animais que ainda não entraram no ciclo reprodutivo. O seleto plantel é formado por vacas holandesas confinadas em sistema free stall. De todos os animais da propriedade, há um total de 700 animais registrados na Associação de Criadores da Raça Holandesa dos Estados Unidos. Um rigoroso cuidado com a saúde, nutrição e instalações criam as condições ideais para se produzir um leite de alta qualidade. O principal objetivo da fazenda é a produção auto-sustentável de um leite de qualidade superior. Os animais são ordenhados três vezes ao dia em uma sala de ordenha padrão espinha de peixe suspenso, para 12x12 animais. A produção de leite é responsável por 80 a 90% do lucro da propriedade, sendo a maior parte destinada ao laticínio Grande Cheese, situado no estado de Wisconsin. A indústria é especializada na produção de queijos italianos, como Mozzarella, Provolone e Parmesão. Outro foco da propriedade é desenvolver e aprimorar a genética de seus animais. Touros, fêmeas e embriões de elevado valor genético são vendidos em todo o mundo, sendo a genética responsável por 10 a 20% do lucro da fazenda. O preço dos embriões varia de U$200 a U$2.000, sendo exportados para a Europa, Japão e América do Sul. A propriedade adota programas que contemplam a visita semanal de um veterinário especializado, uso de protocolos de sincronização e Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF). Os excelentes resultados propicia um menor intervalo entre partos, maior número de vacas em lactação e de bezerras nascidos por ano. Por meio da técnica da Insemi-


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Até a primeira semana de vida, são alimentados apenas por leite e água limpa e de boa qualidade e, logo após completarem o ciclo da primeira semana, começavam a receber concentrado duas vezes ao dia. Atualmente, a fazenda possui cerca de 100 postos para bezerras em aleitamento. Ao atingirem dois a três meses de idade, as bezerras são direcionadas aos currais com outros animais. A desmama ocorre aos 70 dias nas bezerras que atingem o peso

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nação Artificial, que é feita em 100% de suas fêmeas, acasaladas com os melhores touros. É feita uma avaliação rigorosa das principais características a serem melhoradas, com foco no aumento da produtividade, melhores úberes e maior sanidade e longevidade dos animais, o que garante a produção de bezerras geneticamente diferenciadas. Golden Oaks Farm possui também um intenso programa de transferência de embriões, utilizando a técnica da Fertilização In Vitro (FIV). Durante os trinta dias que antecedem o parto, as vacas permanecem na maternidade, num ambiente limpo, onde se procura oferecer o maior conforto possível, evitando medidas de manejo que possam causar qualquer tipo de perturbação às vacas no periparto. Existe também uma atenção especial à nutrição destes animais, que recebem uma dieta balanceada especificamente para esta fase, respeitando suas exigências e os desafios vividos neste período. Imediatamente após o nascimento, os animais têm o umbigo curado com iodo a 7%, recebem o colostro e marcação com brinco. Um completo calendário de vacinações é feito nesta fase com o objetivo de garantir maior saúde e desempenho às bezerras, além de maior produção de leite nas vacas. Após receberem o colostro, os animais são criados inicialmente em casinhas individuais por 60 a 90 dias recebendo 4 litros de leite integral 2 vezes ao dia, além de concentrado e água à vontade.

FOTOS: Débora Goulart

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mínimo de 70 Kg. Os animais recebem uma dieta completa à base de silagem de milho, concentrado e minerais. Esta transição é feita de forma gradativa, permitindo a adaptação dos animais à dieta total que é constituída basicamente por volumoso e concentrado. A ordenha é feita três vezes ao dia sendo ordenhadas 800 vacas, perfazendo uma produção total de mais de 30.000 litros diários. Antes da ordenha, é feita a limpeza dos tetos dos animais e o teste da caneca de fundo escuro para detecção de possíveis casos de mastite clínica. Em seguida, é realizado o prédipping, para desinfecção dos tetos, prevenindo a mastite ambiental, e a colocação das teteiras. Após a ordenha, é feito o pós-dipping com iodo com o objetivo de prevenir a disseminação de agentes contagiosos entre os animais. O processo de limpeza e desinfec-


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ção dos equipamentos de ordenha é feito automaticamente, sendo feita também a manutenção periódica dos mesmos. No intuito de controlar a incidência de mastite, é realizado o tratamento de todos os quartos durante a secagem, tratamento imediato de todos os casos clínicos e descarte de vacas com infeção crônica. A propriedade realiza o monitoramento mensal e individual das vacas na contagem de células somáticas (CCS) e a avaliação dos demais critérios de qualidade como proteína, CMT e sólidos totais, objetivando manter a produção de leite de alta qualidade, dentro dos padrões exigidos pelo consumidor. Os animais recém-paridos e que estão em tratamento com antibióticos são manejados em lotes separados, a fim de facilitar o tratamento da infecção e monitoramento dos índices de cura. Um fato interessante é que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos disponibiliza a classificação dos progenitores de acordo com a Capacidade Prevista de Transmissão de CCS, o que permite que os criadores de touros ou reprodutores possam agora selecionar os animais com base em sua capacidade de gerar animais com taxas mais baixas de mastite. As estratégias da propriedade para diminuir o estresse térmico têm como meta oferecer alívio às vacas leiteiras, para: manter o consumo de alimentos, evitar perdas na produção de leite e minimizar a mastite e outros problemas ligados à saúde. Os métodos usados para minimizar os efeitos do estresse térmico consistem de: disponibilização de sombreamento adequado, em conjunto com aspersores e ventiladores ligados à sistemas de

FOTOS: Débora Goulart

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resfriamento por evaporação, fornecimento de água fresca e limpa para consumo, aumento da densidade da ração através do fornecimento de forragens de alta qualidade além da implementação de gorduras protegidas e aumento das concentrações de potássio, sódio e magnésio na ração. Como as vacas ingerem menos forragens durante o calor, é necessário fornecer forragens com maior digestibilidade no verão. Para isso, as dietas totais (TMR, do inglês Total Mixed Rations) ajudam a manter o consumo de forragens em níveis desejáveis na propriedade. Apesar da crise que vem assolando a economia norte americana, a propriedade está conseguindo atingir as suas metas de produção principalmente graças ao trabalho em equipe. O trabalho em equipe desempenha um papel fundamental na execução do trabalho

estruturado, sendo que os funcionários têm um papel fundamental na implementação de mudanças bem como na melhoria da eficiência e da qualidade. As reuniões para discutir os resultados de produção são realizadas mensalmente, sendo solicitada a intervenção de cada funcionário, gerando uma variedade de opiniões, o que certamente não seria possível se somente a gerência ou alguns funcionários estivessem envolvidos. Consequentemente, lucros maiores são alcançados como resultado da melhoria da qualidade. Gostaria de expressar meus sinceros agradecimentos à propriedade Golden Oaks Farm por ter me recebido de uma maneira tão aconchegante. Também agradeço especialmente ao professor Aluízio Borém pela bela oportunidade e aos professores da Escola de Veterinária da UFMG pelo incentivo. A


TECNOLOGIA

Análise de solo vai beneficiar mais agricultores familiares a partir da Safra 2011/2012

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solo é buscar orientação para realizar corretamente a coleta de amostras. A coleta de amostra deve observar procedimentos técnicos específicos, para que represente a realidade da área cultivada. É importante contar com a orientação de um engenheiro agrônomo ou técnico agrícola, que também poderá fazer as recomendações para uso de insumos, pois o agricultor também deverá entregar ao banco a recomendação de uso de insumos, juntamente com as análises de solo. Poderão ser aceitas análises químicas de solo de até dois anos e análises granulométrica (textura do solo) com até dez anos. A análise química é importante para verificar a necessidade de adubação e calagem. A medida pode aumentar a produtividade da lavoura, reduzir o desperdício e os gastos desnecessários com insumos. Já a análise granulométrica permite orientar sobre o tipo de insumo a ser usado e forma de aplicação e também verificar a capacidade de retenção de água para efeito de enquadramento no Zoneamento Agrícola, no SEAF e

no Proagro. Para saber mais sobre procedimentos da análise de solo acesse o folheto eletrônico disponível na página do SEAF, na SAF/ MDA, em: www. mda.gov.br/portal/saf/programas/seaf A exigência da análise de solo para operações de crédito de custeio para a agricultura familiar foi originalmente aprovada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em julho de 2007 (Resolução nº 3.478). Sua implementação foi escalonada pelas resoluções do CMN (nº3598/2008, 3614/2008 e 3747/2009), que estabeleceram a análise de solo para operações acima de R$ 12 mil na safra 2009/2010. Com a nova decisão do CMN, a exigência de análise de solo para o novo piso de R$8 mil para operações passa a valer para a safra 2011/12, que se inicia em 1º de julho de 2011. SEAF - O SEAF cobre até 100% do valor financiado no custeio agrícola do Pronaf e mais uma parcela de renda de até 65% da Receita Líquida Esperada do Empreendimento (RLE), limitada a R$3.500,00 na safra 2010/2011. A indenização é proporcional à perda, que deve ser maior do que 30% da RLE. Os agricultores familiares que utilizam as linhas de investimento do Pronaf também podem acessar o seguro. O SEAF Investimento é facultativo. O seguro de investimento pode amparar o valor correspondente a diferença entre 95% da Receita Bruta Esperada do Empreendimento (RBE) e o valor já segurado no custeio, até o má-ximo de R$5.000,00 para cada uma das operações. A

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eduzir riscos, melhorar o planejamento da lavoura e aumentar a renda dos agricultores familiares. Com esses objetivos, a adesão ao Seguro da Agricultura Familiar (SEAF), executado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, por meio da Secretaria de Agricultura Familiar (MDA/SAF), é realizada mediante apresentação de análise de solo para a agricultores familiares que contratarem financiamentos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) para custeio acima de R$8 mil a partir da Safra 2011/2012. Até a safra passada esse procedimento era necessário para as operações acima de R$ 12 mil. Agora, os produtores familiares que contratarem operações de custeio agrícola amparadas pelo SEAF ou pelo Proagro Tradicional, acima de R$8 mil, terão que apresentar ao banco financiador análise química e granulométrica do solo correspondente à área do plantio no momento da contratação do crédito. Para o coordenador do SEAF, José Carlos Zukowski, as informações visam orientar o agricultor no planejamento de sua lavoura, melhorando a eficiência, reduzindo riscos e aumentando a renda. “O objetivo da mudança é promover o uso de tecnologias que proporcionem melhores condições para o desenvolvimento das lavouras e a iniciativa se insere em um contexto maior da conservação e manejo adequado do solo”. Procedimentos - O primeiro passo para o agricultor fazer sua análise de


CAFÉ

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m palestra realizada no último dia 7 de julho, no Restaurante Recanto do Cupim, em Franca (SP), a BASF e a Campagro Comércio de Produtos Agrícolas trouxeram novamente a fitopatologista Flávia R. A. Patrício, do Instituto Biológico, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. De acordo com José de Alencar, gerente das unidades de Franca (MG) e de Ibiraci (MG) da Campagro, a proposta é o de reforçar junto aos cafeicultores da região a importância das doenças fúngicas e bacterianas na cultura. Para o Engº Agrº Renato Pádua Andrade, RTV da BASF, tem-se verificado aumento consideravel da incidência de Mancha Aureolada, Mancha de Phoma e Cercosporiose nos cafezais da região. “Antes da palestra desta noite, a equipe BASF, a equipe Campagro e a pesquisadora Flávia Patrício fizeram questão de visitar in loco cafezais dos municípios de Altinópolis (SP), Franca (SP) e Ribeirão Corrente (SP). Detectamos a incidência destas doenças em todos as propriedades visitadas, o que nos preocupou muito”, analisou Renato. Segundo pesquisadora Flávia Patrício, a Mancha Aureolada (causada pela bactéria Pseudomonas syringae var. garcae) tem uma importância enorme na cafeicultura de altitude, como é o caso de praticamente todas as propriedades na Alta Mogiana. “É uma doença que precisa de ventos, elevada umidade e temperaturas amenas para ocasionar prejuízos e exige maior atenção do cafeicultor em lavouras novas até quatro anos de idade. Acima desta idade, a lavoura convive bem com a doença. Só volta a requerer atenção quando da realização de podas, quando a lavoura volta a ser considerada jovem novamente. É um problema sério após chuvas de pedras”, orienta. Com relação ao controle, Flávia indica rigor na seleção das mudas no viveiro; bem como utilização de quebra-ventos, uso de variedades resistentes; controle da adubação, evitando deficiência ou excesso de Nitrogênio; e a utilização de controle químico. Já para a Mancha de Phoma (causada pelo fungo Phoma sp.), o fungo ataca folhas, flores, frutos e ramos do cafeeiro,

Carlos Eduardo (Tota), Renato Jr., Renato Fenolio (gerente comercial BASF Café), Fernando Lago (gerente comercial Campagro), Renato Pádua Duarte (RTV BASF Café), João Carlos Seixas (Técnico em Desenvolvimento de Mercado BASF), Bruno Esper (ATV BASF Café) e Rafael Isaac (Consultor de Vendas Campagro Franca)

FOTOS: Revista Attalea Agronegócios

Campagro e BASF realizam palestra e reforçam a preocupação com doenças fúngicas e bacterianas

Fernando Lago, José de Alencar (diretor das unidades Franca/SP e Ibiraci/MG), Carlos Eduardo (sócio-diretor da Campagro) e Rafael Isaac.

produzindo lesões bem características. Os danos causados por essa doença se fazem refletir diretamente na produção uma vez que ocorre a morte dos botões florais, das brotações novas, queda de frutinhos e má granação dos frutos devido à desfolha, comprometendo o desenvolvimento e a futura produção da planta Para a Cercosporiose (causada pelo fungo Cercospora coffeicola), os sintomas característicos que conferiram as denominações dessa doença são manchas circulares de coloração castanho claro a escura, com o centro branco-acinzentada, quase sempre envolvidas por um halo amarelo. Causa prejuízos tanto na fase de viveiro (mudas), como de campo (plantas novas e adultas). As lesões funcionam como porta de entrada para outros fungos que depreciam a qualidade do produto. As condições climáticas como umidade relativa alta, temperaturas amenas, excesso de insolação, déficit hídrico e quaisquer outras condições que levem a planta a um estado nutricional deficiente ou desequilibrado favorecem a doença. Mais de 130 cafeicultores participaram do evento, que contou ainda com a participação de Carlos Eduardo, o Tóta, sócio-diretor da Campagro e da equipe BASF da região. A

Público seleto de cafeicultores prestigiaram o evento.


POLĂ?TICA

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Flávia R.A. Patricio 1; Irene M.G. Almeida 2; Luís O.S. Beriam 2; Masako T. Braghini 3; Luiz C. Fazuoli 3

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om o início das chuvas, a mancha aureolada, uma importante doença do cafeeiro causada pela bactéria Pseudomonas syringae pv. garcae, voltou a atacar severamente os cafezais, especialmente os situados em locais de elevada altitude, sujeitos à constante incidência de ventos. A doença foi constatada recentemente em lavouras de diversas regiões cafeeiras, principalmente do Estado de São Paulo, do Cerrado e do Sul de Minas Gerais. As lavouras mais atacadas são aquelas em formação ou que sofreram alguma poda. A bactéria deve ter permanecido nos ramos e em algumas folhas do cafeeiro e, com o retorno das chuvas, voltou a causar os sintomas severos observados nas lavouras. É provável que os sintomas estejam relacionados com a redução da temperatura, especialmente à noite, e da elevação da umidade relativa, que favorecem a penetra-

1 - Fitopatologista do Instituto Biológico, da Secretaria de Agricultura do Estado de SP. Campinas (SP). Email: flavia@biologico.sp.gov.br 2 - Centro Experimental do IB 3 - Instituto Agronômico

Inflorescências e rosetas com Mancha Aureolada

FOTOS: Instituto Biológico

Mancha Aureolada volta a preocupar cafeicultores

Folhas jovens atacadas pela Mancha Aureolada

ção da bactéria nas brotações mais jovens, mais suscetíveis (Figura 1). A ocorrência da doença nas lavouras com carga pendente pode comprometer parte da produção comprometida, pois a bactéria pode penetrar nas inflorescências, afetando as rosetas (Figura 2) e os frutos novos. SINTOMAS - Os sintomas da doença são caracterizados por lesões foliares de coloração parda, que podem ou não ser acompanhadas por um halo amarelado (Figura 3), seca de ramos e lesões nas rosetas, inflorescências e frutos novos, provocando, posteriormente, a desfolha dos ramos. No final do período das águas, a doença se restringe aos ramos, sendo esta uma estratégia de sobrevivência da bactéria. A mancha aureolada também incide sobre mudas em viveiros, causando lesões nas folhas e seca de hastes e ramos. A doença é mais importante em lavouras novas, com até 3 a 4 anos de idade. Nos últimos anos, a doença tem ocorrido com gravidade, causando, inclusive, a morte de plantas com até um ano de idade. A mancha aureolada, com certa frequencia, tem sido confundida com a mancha de phoma, causada por Phoma tarda, ou mesmo com distúrbios nutricionais ou climáticos. Este fato faz com que os danos sejam agravados, especialmente porque medidas adequadas de controle não são adotadas a tempo. Por esta razão, o diagnóstico correto da doença é fundamental para o seu controle. MANEJO DA DOENÇA - O manejo da mancha aureolada se inicia pela utilização de mudas sadias. Os viveiros devem ser instalados em locais adequados e protegidos contra ventos frios. A irrigação do viveiro deve ser monitorada, evitando-se vazamentos nos aspersores. Mudas com sintomas devem se isoladas das demais, para que a doença não se propague para as plântulas sadias. Caso a doença seja detectada no viveiro, todas as mudas devem ser protegidas com aplicações de fungicidas cúpricos (hidróxido de cobre) e/ou de antibiótico (como a casugamicina na dose de 300 mL/100 L de água), a cada 15 dias.


FOTOS: Instituto Biológico

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21º Encontro de Agrônomos da Região de Franca começa a ser organizado

Lesão característica da Mancha Aureolada nas folhas.

MEDIDAS EMERGENCIAIS - Aplicações de fungicidas cúpricos devem ser iniciadas imediatamente e repetidas a cada 20-30 dias, em lavouras que apresentam sintomas. Formulações com o hidróxido de cobre estão registradas para o controle dessa bacteriose em café. Sugere-se que sejam aplicadas na maior dose de registro e, se possível, com a adição de óleo mineral ou adesivo, para aumentar a fixação do cobre nas folhas, especialmente considerando a elevada incidência de chuvas nesta época do ano. Em nossos estudos, o oxicloreto de cobre, na dose de 4,0 kg/ha, foi o cúprico que forneceu o melhor controle da bactéria. Entretanto, há diversos cúpricos registrados para a cultura do café. O importante é que os cúpricos sejam utilizados nas suas maiores doses de registro, para garantir uma quantidade adequada de cobre nas folhas e ramos. O mesmo pode ser adotado para as misturas de produtos. Também é fundamental a regulagem dos equipamentos para que a calda aplicada seja bem distribuída na planta, tanto nos ramos produtivos, como naqueles com folhas mais jovens, especialmente da parte superior da planta, a mais afetada pela mancha aureolada.

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José de Alencar Coelho Junior, escolhido no ano passado o Engenheiro Agrônomo do ano.

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niciou neste mês de julho os preparativos da Comissão Organizadora para a realização do 21º Encontro Anual de Engenheiros Agrônomos da Região de Franca (SP). O tradicional evento, que reúne anualmente os profissionais engenheiros agrônomos da Alta Mogiana, será realizado em outubro, em data e local ainda serem definidos. No ano passado, 120 profissionais e seus familiares realizaram confraternização no Salão do AGABÊ. Cerca de 50 empresas do setor de agronegócios contribuiram financeiramente para o evento, que consagrou José de Alencar Coelho Junior, o Juninho, da Cocapec, como o Engenheiro Agrônomo do Ano. A Revista Attalea Agronegócios participa do evento desde 2007.

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O produtor deve fazer uma seleção rigorosa das mudas a serem levadas ao campo, e evitar o plantio de mudas com sintomas de mancha aureolada, especialmente em locais sujeitos aos ventos frios. Uma vez introduzida na lavoura, o controle da mancha aureolada é muito mais difícil. O plantio em locais sujeitos aos ventos frios deve ser muito bem planejado, considerando-se a necessidade de quebra-ventos. Entre as opções de quebra-ventos temporários sugerem-se o milho, a crotalária, o feijão guandu e outras. Como espécies permanentes podem ser utilizadas grevíleas, bananeiras, abacate, cedrinho, eucalipto e outras. Poucos estudos avaliaram a resistência de cultivares de cafeeiro a essa doença. As cultivares do grupo Mundo Novo mostram-se bastante suscetíveis à mancha aureolada; as cultivares do grupo Catuaí são moderadamente suscetíveis; do grupo Icatu tem resistência parcial e a variedade Geisha é resistente à mancha aureolada.


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m palestra realizada no início de julho, na Churrascaria Nono Mio, em Franca (SP), a Casa das Sementes, em parceria com as empresas Embrafós e Fertec, apresentou informações valiosíssimas aos cafeicultores da Alta Mogiana. O tema abordado foi a importância da manutenção da matéria orgânica nos solos, quer seja através da aplicação de adubos orgânicos, quer seja através de outras práticas de manejo. Um exemplo desta importância, mesmo na cafeicultura tradicional, reside no fato de que possui o poder de adsorver ou reter nutrientes, tais como potássio, cálcio, magnésio, manganês, ferro, cobre, zinco, amônio, fósforo, etc., liberando-os posteriormente para as plantas. Ao final da palestra, a Embrafós realizou o lançamento do ORGAMIX. “Trata-se de um produto rico em matéria orgânica vegetal, com nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio, enxofre, micronutrientes e o diferencial com MSP - Microorganismos Solubilizadores de Fósforo”, explica João Benetti, diretor da Embrafós.

FOTOS: Revista Attalea Agronegócios

Casa das Sementes, Embrafós e Fertec realizam palestra para cafeicultores

Fernando Paiva Oliveira (diretor da Fertec), João Benetti (diretor da Embrafós), Guilherme Pincerato (Casa das Sementes), Paulo Figueiredo (diretor da Casa das Sementes), Marta Bempe (diretora da Embrafós).

Os Engº Agrônomos Antônio Rigolin Junior (Casa das Sementes) e Luis Fernando Carvalho Paulino (Prefeitura Patrocínio Paulista/SP).

Moacir Luis Felício (cafeicultor), Paulo Figueiredo (Casa das Sementes), Ricardo Cunha (cafeicultor) e Luis Giovani Basso (Cafeeira Francana)


DESTAQUE

Cocapec entre as Melhores e Maiores do Agronegócio Nacional

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A Cocapec – A Cooperativa de Cafeicultores e Agrope-

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cuaristas está sediada no município de Franca (SP), principal cidade da região da Alta Mogiana. Partindo da proposta da doutrina cooperativista, de que as cooperativas são um meio de reforma do social através de um instrumento econômico, a Cocapec busca o desenvolvimento do setor agrícola. Atua numa área de 50 mil hectares de café, apoiando os seus 2 mil cooperados, na melhoria contínua do nível tecnológico da cafeicultura da Alta Mogiana e Sudoeste mineiro, participando em todas as fases da produção cafeeira até a apresentação do melhor café ao consumidor final. (FONTE: Luciene Reis, Cocapec). A

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ais uma vez a Cocapec figura no ranking nacional do Anuário da Revista Exame Melhores e Maiores 2011. Segundo a Exame as empresas são identificadas pelo sucesso que obtiveram na condução de seus negócios e na disputa de mercado com as concorrentes no ano que passou comparativamente ao exercício anterior. A diretoria da Cocapec comemorou com grande alegria a classificação da cooperativa como 2ª melhor do agronegócio café brasileiro. Está na 33ª posição em maior expansão nas vendas do agronegócio nacional. Alcançou o 186º lugar entre as maiores do agronegócio do Brasil, subindo 62 posições em relação a 2010 (248º) e, ainda está em 848º posição entre as 1000 maiores empresas do país em vendas. “Figurar neste ranking mostra os resultados do trabalho contínuo e da confiança e fidelidade de nossos 2 mil cooperados e dedicação dos nossos 200 colaboradores”, assegura o diretor secretário Ricardo Lima de Andrade. “É mérito de nossos comprometidos cooperados e colaboradores estarmos entre as melhores empresas do Brasil, consolidando o árduo trabalho da Cocapec nestes 26 anos”, diz. Para o Engº Agrº João Alves de Toledo Filho, presidente da Cocapec, este reconhecimento traz orgulho para todos que contribuíram para mais esta conquista.


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Repercussões socioeconômicas da adoção da mecanização da colheita na cafeicultura paulista

Celso Luis Rodrigues Vegro1; Vera Lúcia Ferraz dos Santos Francisco2; e José Alberto Ângelo3

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avanço da mecanização da colheita na cafeicultura brasileira tem sido aspecto de maior destaque no rol de tecnologias e inovações que são aplicadas aos sistemas de produção. Fatores como o encarecimento do emprego de mão de obra braçal nas lavouras, refletindo a política pública de recuperar o poder de compra do salário mínimo, induzem os cafeicultores à busca de alternativas para baratear as etapas do manejo em que é intensa a alocação de mão de obra, especialmente, na colheita. Recentes planilhas de custo de produção de café, calculadas para duas regiões: Piraju (SP) e Altinópolis (SP) indicam que a participação percentual da mão de obra na colheita e pós-colheita, dentro do custo operacional efetivo, contabilizados salários e encargos, somaram 43,0% para a primeira região e 45,3% na segunda. A dimensão desses percentuais demonstra a elevada participação da mão de obra empregada na colheita do café e justifica, em parte, os esforços de introduzir inovações que venham a reduzir parte dessa despesa. O legítimo esforço dos cafeicultores visando à melhoria da qualidade da bebida os obriga, necessariamente, a realizar a colheita em etapas para recolher o maior percentual de grão maduros e com isso valorizar seu produto pelos atributos de qualidade que reúne. Essa estratégia encarece ainda mais a colheita e pode se tornar economicamente inviável nas situações em que cafeicultor se depare com um mercado não receptivo ao pagamento de prêmios pela qualidade. Os sistemas de produção situados em condição de montanha são aqueles para os quais os custos de produção mais se elevaram, notadamente, pela dificuldade de introdução de máquinas

1 - Eng. Agr., MS Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade. Pesquisador Científico VI do IEAAPTA/SAA-SP; 2 - Pesquisadora Científica do Instituto de Economia Agrícola 3 - Consultoria/extensão - Cafe Point

Localização Geográfica dos Eixos Cafeeiros, Estado de São Paulo, 2010.

e equipamentos capazes de incrementar a produtividade do trabalho exigido na condução das lavouras, tornando esses sistemas produtivos característicos em mão de obra intensiva. Nos últimos anos, o desenvolvimento e a adoção dos equipamentos derriçadores portáteis, tem sido uma alternativa para a substituição de mão de obra de colheita nas lavouras. Pesquisa realizada entre 287 cafeicultores produtores de arábica evidenciou que houve redução no emprego de mão de obra contratada tanto permanente como temporária. O principal motivo alegado para essa diminuição foi a entrada da mecanização do

processo produtivo observado entre 12% dos entrevistados. A derriça mecânica, analisada por GARCIA, MATIELLO & FIORAVANTE em 2005 constataram o elevado rendimento do trabalho na colheita com o emprego desses equipamentos. Enquanto na colheita manual são gastos entre 47 a 54 dias homem para a colheita de um hectare, por meio das derriçadeiras esse tempo pode ser reduzido para 5,5 horas de derriça e 5 horas para a abanação mecânica dos grãos derriçados. Os autores concluem que com o emprego de derriçadeiras associada à abanação mecânica, podese reduzir em 60% nos custos de

TABELA 1 - Vantagens e desvantagens da introdução da colheita mecânica em cafezais.

Fonte: Elaborado a partir de SILVA, SALVADOR & PADUA (2002).


CAFÉ Tabela 2 - Número total de UPA’s produtora de café e número de UPA’s amostradas, São Paulo, nov.2010

Fonte: Elaborado a partir de dados básicos do LEVANTAMENTO (2007/08).

Metodologia - A fonte de dados analisados neste estudo foi obtida através da aplicação de uma amostra probabilística estratificada específica para cafeicultores sorteada sobre o Levantamento Censitário de Unidades

em 2010 onde a estratificação seguiu dois critérios: a) - geográfico segundo eixos de localização da cultura; b) - dimensional segundo tamanho do parque cafeeiro medido em hectares. A unidade amostral é a unidade de produção agropecuária que na maioria dos casos coincide com o imóvel rural. Portanto, a amostra é composta de 610 unidades amostrais distribuídas por estratos aleatórios (511) e censitários (99) (Tabela 2). As informações têm referencia o ano safra 2010/11 e o período de coleta das informações ocorreu entre novembro e dezembro de 2010 mediante aplicação de questionário estruturado na área que compõem a unidade de produção agropecuária. Para obtenção do volume colhido por meio de mecanização da operação, considerou-se que quando do emprego de máquinas (automotrizes ou arrasto) o percentual colhido atingia 80% do total colhido mecanicamente, com exceção da região das Montanhas da Mantiqueira em que esse percentual foi estimado em apenas 60% do total colhido. Para os casos do emprego de derriçadoras o percentual de café colhido por meio desse equipamento atinge 90% do total colhido independente da região focalizada. Resultados - Seja empregando deriçadoras ou máquinas automotrizes e de arrasto, a colheita mecânica do café em

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mão de obra na colheita. Em termos de custos totais, o emprego de equipamento de derriça permitiu uma economia de 30% nos custos de colheita. A redução de custos de colheita por meio da introdução de máquinas foi analisada por VEGRO et. alli em 2000. O estudo comparou diferentes sistemas de produção de café situados em território paulista, concluindo que a introdução de colhedoras automotrizes reduziu o custo efetivo de colheita em dois terços e de um terço quando considerado o custo operacional (que agrega além do desembolso efetivo a depreciação e dos juros de financiamento da máquina). Ao estudar a problemática da colheita na cafeicultura de montanha, SIVEIRA et al (2009), concluíram que a utilização de equipamentos de derriça permitiu incrementar a produtividade do trabalho “em média de duas a três vezes quando comparada à colheita manual”. Bastante aderente ao estudo acima citado, os autores registraram que a permuta da colheita manual para a mecânica uma redução de 27% nos custos unitários com a atividade (R$/sc). A derriça mecânica aumenta acentuadamente o volume de café colhido, sendo essa uma vantagem importante frente ao processo manual, ainda que possa restar um volume maior de café para ao repasse. Segundo SILVA, et. al. (2006), “é preferível derriçar rapidamente um menor volume de café (deixando um volume um pouco maior para o repasse manual), que derriçar um maior volume em velocidade operacional baixa. Além dos derriçadores portáteis, existem outros métodos de colheita mecânica como as máquinas tracionadas por trator e as colhedoras automotrizes. Essas máquinas somente podem ser empregadas em terrenos com declividade de até 15%. Ademais, válido inclusive para as derriçadoras, a colheita mecânica sempre depende da complementação por meio de trabalho manual. Esses mesmos autores delineiam as principais vantagens e desvantagens da colheita mecânica Tabela 1. Em sua questão sobre forma de colheita, o último Censo Agropecuário registrou que 71% ainda efetuavam sua colheita com emprego do trabalho manual. Todavia, em 2006, a colheita mecânica associada ou não à derriça manual já cobriam 24% do total de pés em produção. Nos Estados de Minas Gerais e São Paulo esse patamar já alcançava os 40%, enquanto no Paraná (igualmente produtor de arábica) esse percentual era próximo dos 10% (INSTITUTO, 2006).

de Produção Agropecuária (Projeto LUPA), realizado pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) por meio da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) e do Instituto de Economia Agrícola (IEA) em 2007/08. O plano amostral seguiu o delineamento descrito em FRANCISCO et al


FOTOS: Fernando Jardini

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São Paulo encontra-se bastante disseminada. Considerando a estimativa de produção para a safra 2010/11, 43,72% do total colhido já o eram feita mecanicamente. O cinturão produtivo mais adiantado é o da Alta Mogiana de Franca (SP), com 54,70% do volume da colheita sendo recolhida mecanicamente. A topografia local é francamente favorável à mecanização com o emprego de máquinas em todas as etapas do manejo, especialmente, na colheita que em geral é a que maior custo acrescenta ao produto (Tabela 3). Mesmo nas regiões mais montanhosas como a da Mantiqueira Paulista e no sudoeste de Ourinhos/Avaré, a mecanização da colheita já perfaz aproximadamente um terço da estimativa da quantidade total colhida nesses cinturões. Nesse caso, as derriçadoras são os principais equipamentos empregados, tendo em vista sua possibilidade de emprego em condições de acentuada declividade. A mecanização da colheita é um expediente adotado visando a redução com custos crescentes do emprego da mão de obra braçal. Ademais, na atualidade os cafeicultores encontram imensas dificuldades em arregimentar pessoal em suas próprias regiões, recorrendo com freqüência à contratação de trabalhadores rurais de outros estados, onerando ainda mais o custo da colheita. A percepção subjetiva dos cafeicultores que a adoção de máquinas na colheita implica em expressiva redução de custos foi colocada averiguada. Quando perguntados sobre qual foi o custo por saca colhida da colheita mecanizada, em geral, os resultados foram aderentes a realidade (Tabela 4). Para a colheita efetuada por meio de derriçadeiras, os custos mais elevados são proporcionais a quantidade de café produzido. Com o aumento do tempo empregado nessa tarefa, devido à carga apresentada pela planta, mais custosa se torna a operação. Devese ressaltar que depois de derriçado, o café caído no chão ou pano precisa ser abanado e ensacado, o que con-

Tabela 3 - Estimativa de produção de café 2010/11, produção colhida mecanicamente e percentual, Estado de São Paulo, nov.2010

1.Significância estatística de 13,2%. / 2.Significância estatística de 9,6%. Fonte: Elaborado a partir de dados básicos do LEVANTAMENTO (2007/08).

some mais tempo do operador e conseqüentemente incrementando o custo final da operação. No caso das máquinas automotrizes e de arrasto, os custos tendem a oscilar menos. O alto rendimento da máquina permite que quantidades variadas sejam recolhidas em tempos similares e, portanto, a custos parecidos. A trajetória ascendente de custos de colheita por meio do emprego de derriçadoras pode ser, aparentemente, explicado pelo maior volume de café sendo derriçado. O baixo rendimento operacional desses equipamentos (evidentemente frente às máquinas), fazer subir proporcionalmente seus custos conforme o patamar de produtividade. Excetuando-se os custos do emprego de derriçadeira em faixa superior de produtividade (mediana de R$91,77/ sc), todos os demais são muito inferiores aos custos contabilizados pelos empreendimentos que ainda persistem na colheita manual. Em Santa Rita do Sapucaí (MG), a preços de 2010, por exemplo, as despesas com colheita e pós-colheita somaram R$2.616,67/ha. Com produtividade de 25sc/ha, esse custo equivale a R$104,67/sc. Em Manhumirim (MG), tais despesas atingiram R$3.217,33/ha, ou R$128,69/sc, para igual produtividade. A mediana calculada não distinguiu os equipamentos próprios dos alugados/arrendados o que pode ser um viés contido nos números, pois os prestadores de serviços de colheita constituem-se em empresas que têm

TABELA 4 - Mediana do custo declarado por tipo de colheita e faixa de produtividade estimada, Estado de São Paulo, 2010. (em R$/sc 60 kg)

Fonte: Elaborado a partir de dados básicos do LEVANTAMENTO (2007/08).

por objetivo a obtenção de lucro com a atividade. Através do levantamento de campo também contabilizou-se o número de equipamentos e/ou máquinas nas UPA’s amostradas (Tabela 5). De posse desses números, tornou-se possível estimar o número, aproximado, de diárias economizadas em razão da disseminação da colheita mecânica em substituição da manual. Para tanto é necessário estabelecer hipóteses: a) derriçadora operando com dois funcionários (aquele que porta o equipamento mais o responsável pela abana e ensacamento dos frutos) substituem o trabalho manual de seis pessoas. Coeficiente de estimação 1:3; b) colhedora de arrasto operando com quatro funcionários (ao trator, na colhedora, no trator com carreta e sobre a carreta esparramando os grãos), substitui 60 trabalhadores. Coeficiente de estimação 1:15; e c) colhedora automotriz operando com três funcionários (operador da colhedora, condutor do trator e sobre a carreta na esparramação), substituem 75 trabalhadores. Coeficiente de estimação 1:25. Os números de máquinas atuando na colheita encontram-se somados o que implica em adotar uma média para as de arrasto e automotrizes. A razão de 1:20, aparentemente, pode ser empregada sem prejuízo dos resultados. No início da colheita os equipamentos e as máquinas não exibem um bom desempenho operacional, pois os frutos ainda se encontram firmemente presos aos ramos produtivos. Portanto, o mais usual é se iniciar com a colheita manual nos talhões de maturação precoce, utilizando as máquinas quando a maturação alcançar estágio mais adiantado considerando a média dos talhões em produção. Assim, os


CAFÉ TABELA 5 - Estimativa de diárias não pagas devido à adoção da mecanização da colheita, Estado de São Paulo, 2010

1 Trabalhadores mensalistas. Fonte: Elaborado a partir de dados básicos do LEVANTAMENTO (2007/08).

trabalhadores empregados na colheita com o uso de máquinas, o valor desembolsado pelos cafeicultores foi estimado em R$12.019.200, com economia de R$56.340.000 em diárias não pagas devido à substituição dos apanhadores de café pelas máquinas. Assim, a colheita mecânica (equipamentos e máquinas) pode ter obrigado a realização de um desembolso total de R$31.063.200 e provavelmente gerado uma economia nos gastos com a colheita de R$94.428.000 entre os cafeicultores aderentes a essa tecnologia de manejo. A correta decisão governamental em auferir ganhos reais ao salário mínimo acarreta, em contrapartida, igual pressão sobre as diárias pagas para os diaristas envolvidos em trabalhos agrícolas. Para a safra 2011/12, as diárias em São Paulo podem chegar a mais de R$50,00, consistindo em incentivo adicional para que mais máquinas sejam postas em operação nos cafezais. Considerações Finais - A adoção da mecanização da colheita do café incrementa a competitividade dessa atividade, pois as máquinas permitem que os cafeicultores realizem a mais custosa e penosa das tarefas a menores custos totais. As inovações, que continuamente são incorporadas a tais máquinas, vêm permitindo que também a qualidade do produto mecanicamente colhido melhore. Somados os fenôme-

nos fazem da mecanização da colheita do café imprimem trajetória ascendente ao processo. O sistema público de pesquisa precisa criar instrumentos capazes de mensurar continuamente esse processo. Conhecer como evolui a frota de máquinas e o número de equipamentos comercializados constitui-se em elemento imprescindível para uma melhor adequação tanto das estratégias de financiamento do segmento como de treinamento e capacitação da mão de obra. A mecanização da colheita do café também se constitui em espaço para novas oportunidades de negócios. Empresas constituídas com essa finalidade já são comuns nos cinturões produtores, concedendo a oportunidade de emprego das máquinas de colheita inclusive para os cafeicultores familiares com explorações que não suportariam investimento de tamanha magnitude. A tentativa de mensurar as repercussões na redistribuição da riqueza gerada pela cafeicultura paulista com a introdução das máquinas demanda o apoio de outros ramos do conhecimento. Também, apresenta ao Estado desafio ímpar em gerar condições econômicas para que aqueles que as máquinas excluíram encontrem oportunidades nesse mesmo segmento ou em outros intensivos em mão de obra. A

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cálculos de diárias pagas cobrirão o período de junho a agosto, com trabalho de 44 horas semanais, perfazendo 75 dias efetivamente trabalhados. Os números apurados não consideram a eventual de paralisação dos serviços de colheita por necessidade de manutenção nas máquinas e equipamentos, encontrando-se, provavelmente, superestimados em razão dessa omissão. Ademais, não se contabilizou eventuais bonificações por produtividade, política de recursos humanos comum em explorações de perfil mais empresarial. Tais vieses podem ser relativamente compensados, pela não computação das prováveis faltas que rotineiramente ocorrem quanto se contrata levas de trabalhadores. Outra suposição empregada na produção dessa estimativa é a não contabilização das despesas operacionais dessas máquinas e equipamentos (combustíveis, lubrificantes, peças de reparo e seguro e juros do financiamento). Em estudo anterior, constatou-se que esse agregado de despesas incrementa em aproximadamente 30% as despesas contabilizadas com o pagamento de seus operadores. No Estado de São Paulo, entre junho e agosto de 2010, o Instituto de Economia Agrícola estimava que o valor da diária para trabalhador braçal foi de R$30,00 ao dia. Assim, a projeção de desembolso dos cafeicultores paulistas que implementam sua colheita por meio do emprego das derriçadoras, aparentemente, alcançou R$19.044.000,00 enquanto o valor em diárias economizadas foi de R$38.088.000,00. Na operação das máquinas (automotrizes, arrasto e tratores) o usual é alocação de mensalistas na condução dessas operações. A mesma base de dados do Instituto de Economia Agrícola indicava que em junho de 2010 o salário de tratorista foi de R$800,00/ mês. Considerando que haviam 5.008


CAFÉ

Especialistas traçam perspectivas para o mercado de café

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urante o evento “Perspectivas para o Agribusiness em 2011 e 2012”, realizado pela BM&FBovespa e o MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), em maio, em São Paulo (SP), estiveram presentes para falar sobre as perspectivas do mercado de café, Rodrigo Correa da Newedge (palestrante), Celso Vegro do IEA (moderador) e Octávio Pires, da Louis Dreyfus Commodities Brasil (debatedor). Celso Vegro acredita que a cafeicultura vem passando por um momento formidável, com cotações em altos patamares, estoques baixos, consumo indo muito bem e qualidade do café melhorando. Apresentando o cenário do mercado de café de 2010 para cá, Rodrigo Correa aponta que as cotações do café subi1- Engenheira Agrônoma pela FCA/UNESP Botucatu e Analista de Mercado do CaféPoint.

ram significativamente e os diferenciais foram e estão sendo negociados a níveis bem acima da média histórica. Além disso, ele pondera que os estoques em bolsa estão descendentes e há certa dúvida em relação a recuperação da crise mundial. “Em 2011 as cotações tiveram a maior alta em 14 anos, sendo que o contrato de segundo vencimento teve a maior alta desde 1977, o que proporcionou aos produtores remuneração mais satisfatória, permitindo que investissem mais em suas lavouras, resultando em recuperação da produção de cafés suaves.” Segundo ele, o efeito do aumento de preços também deve gerar leve aumento da área plantada, uso de estoques, cobertura da indústria aquém do ideial e aperto do fluxo de caixa. Análise Conjuntural - Traçando uma análise do que vem acontecendo neste mercado, Rodrigo afirma que a demanda por robusta aumentou e seu diferencial subiu

Dedeagro e Agropec CP alertam cafeicultores em palestra da Bayer CropScience

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ais de cem cafeicultores prestigiaram a palestra do Prof. Edson Ampélio Pozza, da UFLA - Universidade Federal de Lavras (MG), realizada no último dia 15 de julho, no Tower Franca Hotel, em Franca (SP). O pesquisador abordou o tema “Manejo de Doenças do Cafeeiro na Florada”. A palestra foi organizada em conjunto pela Dedeagro e pela Agropec CP, revendas Bayer CropScience respectivamente em Franca (SP) e Cristais Paulista (SP). E o objetivo foi o de trazer informações que orientem os cafeicultores sobre o aumento da incidência de doenças fúngicas e bacterianas que incidem na lavoura do café, principalmente no período de florada. O palestrante apresentou as principais características da incidência da Cercosporiose e da Mancha de Phoma, bem como as respectivas orientações de manejo e controle das doenças. “A identificação do patógeno é imprescindível para que o controle químico seja feito corretamente, diminuindo o ataque da doença e evitando perdas de produção na próxima safra”, explica Márcio Lima, supervisor Bayer CropScience. O prof. Edson fez questão, ainda, de apresentar informações que diferenciam as doenças e os danos físicos e fisiológicos, como danos no pós-colheita, injúrias pelo frio, deficiência induzida de Fósforo e Potássio, deficiência de Boro, chuvas de pedra, perda da gema apical e superbrotamento. “Importante também ressaltar as orientações do Prof. Edson nos cuidados pré e no pós-florada para o café, uma realidade na região. Merece uma atenção primordial do cafeicultor, pois trata-se de um ‘seguro’ para a próxima colheita. Para isto, a Bayer CropSciente tem um portifólio de produtos que garantem a sanidade das lavouras”, diz.

FOTOS: Revista Attalea Agronegocios

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Natália S. S. Fernandes 1

O Engº Agrº Márcio Lima, supervisor Bayer na Alta Mogiana.

Muitos cafeicultores participaram da palestra.


FOTOS: Revista Attalea Agronegocios

CAFÉ

Perspectivas Futuras - Seguem abaixo os possíveis acontecimento que influenciariam o mercado daqui para frente, positiva ou negativamente. a) - Pontos positivos = fundos reduzindo posições compradas e podendo ficar vendidos; expectativa otimista em relação a produção mundial; com o passar dos anos o período de entressafra tem diminuído; demora em mudança política de juros americanos; e clima favorável. b) - Pontos negativos = fundos entrarem fortemente vendidos; apreciação do dólar; composição dos estoques em bolsa (como a qualidade não é mais tão boa, as cotações futuras podem não subir tanto); consumo estabilizar ou diminuir; subida de juros; mudança nos blends, com maior composição de robusta, pode ter afeito negativo para os preços do arábica. A safra brasileira 2011/12 será menor pelo bianualidade baixa, porém não tanto. Rodrigo destaca que há possibilidade de outras origens recuperarem suas produções, o que elevaria a oferta da commoditie.

Contrato “C” - O fato inédito de o Brasil poder entregar seu café na Bolsa de Nova York, causou certo receio das outras origens, que temem que o Brasil inunde o mercado com seu café, o que causaria queda de preços. Contudo, Rodrigo deixa claro que apenas serão aceitos na Bolsa os cafés não naturais, ou seja, o volume não é tão elevado assim ao ponto de inundar o mercado. Até o momento, o diferencial aprovado para entrega do café brasileiro não é atrativo, pois o custo para preparar este café e carregá-lo até lá são maiores, não compensando a entrega. Como solução para isso, Rodrigo sugere que a BM&FBovespa certifique armazéns nos destinos, colocando armazéns para o Brasil entregar café fora do país. Visão de Octávio Pires - Complementando o que foi apresentado por Rodrigo Correa, Octávio Pires define a situação como vunerável, devido ao desabastecimento momentâneo de café. Conforme cita Octávio, com apenas uma florada e meia nas lavouras brasileiras, a maturação está muito uniforme, o que vai contra a estrutura de preparação de CD (cereja descascado). “É muita carga para a estrutura de preparo de CD.” Para Octávio, os brasileiros tem que se preocupar agora com preço e qualidade. Diante da atual conjuntura de preços altos, o produtor está em dúvida se com aumento de renda ele aumenta a área de produção, faz mais cereja descascado, diversifica sua produção, entre outras ações. Octávio acredita que tudo isso A irá acontecer.

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significativamente, devido à escasses do árabica e alta dos preços desse tipo de café. Em função disso, foi visto uma substituição gradativa de café da Colômbia e Guatemala, por exemplo. “A safra grande do Brasil teve menos impacto do que se imaginava porque teve pouco café fino”, afirma Rodrigo. Outra análise feita por Rodrigo é em relação aos consumidores que começaram a ter nova percepção e mudaram o hábito de consumo, bebendo mais café em casa, pagando menos pelo produto. Para 2011/12, Rodrigo acredita numa tendência de que aumente a porcentagem de robusta nos blends, em função da falta de arábica seu preço valorizado. “Precisamos de uma safra brasileira maior”, exclama ele, explicando que se somados os volumes de venda de café para exportação, com consumo e estoques, sobra muito pouco café em estoque. Além do que os níveis dos estoques, tanto em países produtores como em consumidores, é muito baixo.

Resumindo, ele acredita que o mercado já se ajustou. “Os diferencias caíram e os preços em bolsa aumentaram”. “Teremos bons preços, talvez não ótimos”, afirma.


CAFÉ

Cafeeira Francana organiza visita a dia-de-campo da Vitória Fertilizantes

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A proposta também era conhecer um pouco mais da cafeicultura desenvolvida no Triângulo Mineiro. Após a apresentação realizada por Elias Pauliano Pereira Marques, RTV da Vitória Fertilizantes, o cafeicultor Antônio Carlos David mostrou aos presentes os resultados obtidos com sua tecnologia de manejo da Braquiária, do Bokashi e do Fertilizante

Vitória Classe A, com o intuito de fornecer às plantas nutrição adequada, bem como a umidade no período seco. A última etapa da viagem foi a visita à sede da Vitória Fertilizantes, em Patos de Minas (MG), onde os cafeicultores conheceram de perto as etapas de processamento do fertilizante orgânico. A

FOTOS: Revista Attalea Agronegocios

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o início de julho, Luis Giovani Basso, diretor da Cafeeira Francana (Franca/ SP) organizou uma caravana de cafeicultores da região de Franca para participar da apresentação dos resultados do experimento organizado pela Vitória Fertilizantes na Fazenda Boa Vista, zona rural de Araxá (MG), do cafeicultor Marcelo José Rios.

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Elias Pauliano Pereira Marques (Vitória Fertilizantes) inicia a apresentação, tendo ao fundo Luis Giovani Basso (Cafeeira Francana) e o cafeicultor Antônio Carlos David.

Elias Marques apresenta aos participantes os resultados do experimento com Fertilizante Vitória Classe A na Fazenda Boa Vista, em Araxá (MG).

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m palestra realizada este mês na Churrascaria Minuano, em Franca (SP), a Casa do Café, revenda Produquímica na Alta Mogiana trouxe Ithamar Prada Neto, Engº Agrônomo e gerente de Desenvolvimento da empresa, que apresentou novidades na área de nutrição do cafeeiro e fertilizantes de liberação lenta e controlada. O destaque foi a apresentação do Programa Nutricional Café Produquímica, com épocas e quantidades ideais de Acadian, Producote, Osmocote, Concorde, Profol, Starphos, Boromag, Polyblen e Solupotasse. “Estes fertilizantes são os únicos no mercado com liberação lenta e controlada. Apresentam ainda várias formulações disponíveis”, orienta o Engº Agrº André Siqueira Rodrigues

FOTO: Revista Attalea Agronegocios

Palestra da Casa do Café apresenta ‘Programa Nutricional Café’, da Produquímica.

Ithamar Prada Neto (Gerente de Desenvolvimento Técnico da Produquímica), Daniel Silva (representante Produquimica), Claudinei Borges (consultor Cotema), André Siqueira Rodrigues Alves (diretor da Casa do Café), Jamil Pereira (Casa do Café), Ana Cláudia Machado Silva (Casa do Café) e Lucas Sarreta (Casa do Café)

Alves, diretor da Casa do Café, que em agosto a Casa do Café inaugura novas

instalações, de frente à Rodovia Cândido Portinari, também em Franca (SP).


O composto orgânico e os seus benefícios para a agricultura

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FOTO: Revista Attalea Agronegocios

do com a umidade do solo. Por essa razão uma pilha de composto não é apenas um monte de resíduo orgânico empilhado ou acondicionado em um compartimento. É um modo de fornecer as condições adequadas aos microrganismos para que esses degradem a matéria orgânica e disponibilizem nutrientes para as plantas. O verdadeiro composto orgânico tem todo seu processo de fabricação controlada. Valores nutricionais, umidade, temperatura e peneiramento são os principais fatores que contribuem para o sucesso de obtenção de um bom produto final. Por meio disto, podendo ser acompanhadas por empresas certificadoras, garantindo toda a sua qualidade. Benefícios da Matéria Orgânica no solo: Fornecimento de Macro e

Micronutrientes; Melhora a absorção de Nutrientes e atividade enzimática; Atua na liberação do Fósforo complexado no solo; Aumenta a Capacidade de troca de cátions; Diminui a acidez e o alumínio tóxico; Controle de temperatura; Produção de ácidos orgânicos pela atividade microbiana; Melhora a estrutura do solo; Capacidade de retenção e infiltração de água; Melhora a aeração e drenagem; Proporciona melhor desenvolvimento do sistema radicular; Com uso adequado de acordo com bom posicionamento traz ao produtor rentabilidade e as lavouras melhores estruturas de plantas. De modo geral o composto orgânico contribui com vários benefícios na cafeicultura, substituindo parte da adubação mineral, fornecendo matéria orgânica com capacidade de retenção de umidade, contribuindo para as plantas ficarem mais resistentes no período da seca, melhorando vigor visando melhores resultados em produtividade e qualidade, e por fim, diminuindo a bienalidade da produção. A

EM TEMPO ELIAS PAULIANO PEREIRA MARQUES RTV Vitória Fertilizantes Tel. (34) 9941-9292 (Vivo) / (34) 9226-3008 (Tim)

elias@vitoriafertilizantes.com.br

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compostagem é o processo de transformação de materiais grosseiros, como fibras de resíduos naturais e animais, em materiais orgânicos utilizáveis na agricultura. Este processo envolve transformações extremamente complexas de natureza bioquímica, promovidas por equilíbrio entre microrganismos, ar e água. O Composto Orgânico fornece nutrientes minerais como nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio, enxofre que são assimilados em maiores quantidades pelas raízes. Ferro, zinco, cobre, manganês, boro, entre outros, são absorvidos em quantidades menores e, por isto, denominados de micronutrientes. Quanto mais diversificados os materiais com os quais o composto é feito, maior será a variedade de nutrientes. Os nutrientes do composto, ao contrário do que ocorre com os adubos químicos, são liberados lentamente, realizando a tão desejada “adubação de liberação controlada”. Em outras palavras, fornecer composto às plantas é permitir que elas retirem os nutrientes de que precisam de acordo com as suas necessidades ao longo do tempo, ao contrário dos adubos químicos que são altamente solúveis, que é disponibilizado de acor-

FERTILIZANTES


SILVICULTURA

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setor brasileiro de florestas plantadas desempenha um importante papel no cenário sócio-econômico do País, contribuindo de inúmeras formas por deter uma das maiores áreas de reflorestamento do mundo, equivalendo, em 2009, a 6.310.450 de hectares, apresentando um crescimento de 2,5% em relação ao total de 2008, com plantios constituídos pelos gêneros Pinus e Eucalyptus. A área de florestas plantadas no Brasil vem crescendo de 2 a 3% ao ano, para que a demanda crescente de madeira, para diferentes segmentos do setor produtivo, possa ser atendida. Até a década de 70, o eucalipto era considerado uma essência florestal praticamente livre de doenças. Porém, com a expansão das áreas de plantio para regiões quentes e úmidas, o plantio de espécies suscetíveis e a utilização dos mesmos locais para plantios sucessivos, um microclima favorável para a ocorrência de doenças foi formado. Inúmeros são os problemas causados, principalmente por fungos. Neste contexto, tem se destacado Puccinia psidii, agente causal da doença denominada ferrugem que, a partir da

Folha de Eucalipto atacada pela Ferrugem (Puccinia psidii)

década de 90, tem sido apontada como uma das principais doenças da cultura, resultando em severos danos às plantações, com redução na produção de celulose. No Brasil, as primeiras evidências da ocorrência do fungo ocorreram em 1929, porém o primeiro relato e descrição foram realizados somente em 1944, no Rio de Janeiro. Atualmente, é um dos principais patógenos responsáveis por gerar resultados negativos 1 - christianeceriani@biologico.sp.gov.br. Centro nos reflorestamentos de eucalipto do de P&D de Sanidade Vegetal. Estado de São Paulo. 2 - silas.lisboa@yahoo.com.br. Bolsista Iniciação Científica (CNPq/PIBIC). O fungo Puccinia psidii tem sua origem na América do Sul e, nas Américas, a doença ocorre desde o sul dos Estados Unidos até a Argentina, sendo considerada uma das doenças mais severas na cultura do eucalipto no Brasil. A doença incide em viveiro e, no campo, atinge plantas jovens com até 2 anos de idade, além de brotações após o corte raso, quando pode se tornar ainda mais importante, pois afeta Frutos de Goiaba atacados pela Ferrugem (Puccinia psidii)

FOTO: Instituto Biológico

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Christiane C. Aparecido¹; Silas L. do Vale²

FOTO: Carla Papai

Importância do Puccinia psidii para a cultura do Eucalipto no Estado de SP

de forma severa os tufos de brotações recém-emitidos dos tocos, o que pode resultar na morte total destas brotações, ocasionando a reforma do povoamento precocemente após o primeiro corte. Além do eucalipto, o microrganismo infecta os tecidos jovens de frutíferas nativas do Brasil, como, por exemplo, uvaia, araçazeiro, goiabeira, jabuticabeira e também espécies introduzidas como o jambeiro. Os sintomas da doença ocorrem, inicialmente, nos tecidos jovens de folhas e caule ainda em formação. Começam como pontuações cloróticas que se transformam em pústulas ou soros de coloração amarelo vivo. Estas pústulas podem coalescer, recobrindo a superfície das brotações do eucalipto, quando o ataque é intenso. Em consequência, os tecidos afetados morrem e secam, adquirindo coloração negra, como se fossem queimados. Dependendo das condições ambientais, a planta pode reagir emitindo novas brotações. No País, a doença constitui um sério problema, principalmente, devido à ocorrência de condições ambientais favoráveis (temperaturas amenas e umidade relativa bastante elevada) praticamente durante todo o ano,


SILVICULTURA Vale ressaltar que, atualmente, têm sido realizados estudos referentes à preservação das estruturas infectivas de Puccinia psidii em laboratório. Por ser um patógeno que necessita do hospedeiro para sobreviver, as pesquisas tornam-se complicadas devido à necessidade constante da existência de plantas adequadas à inoculação e multiplicação do patógeno. A existência de um método de preservação da viabilidade e patogenicidade do fungo poderá sanar essas dificuldades, proporcionando maior rapidez na realização das pesquisas. O conhecimento do comportamento biológico do patógeno possibilita a adoção correta de medidas de manejo e controle sendo que, no campo, o uso de fungicidas usualmente não se apresenta como medida economicamente viável, embora estudos recentes demonstrem resultados positivos para este controle com o fungicida Tebuconazol, tanto em termos de eficiência como viabilidade econômica. Devido à ampla variabilidade genética inter e intraespecífica, a principal recomendação de controle refere-se à seleção e plantio de clones, progênies ou espécies resistentes, como: Corymbia citriodora, Eucalyptus camaldulensis, E. pellita, entre outros. Em regiões nas quais as condições ambientais são favoráveis à ferrugem, deve-se evitar o plantio de E. grandis, E. cloeziana, E. globulus, E. phaeotricha. Em viveiros e jardins clonais, o controle de infecções intensas pode ser realizado com produtos químicos. Porém, aliandose medidas de controle ao manejo, é importante, também, que a presença de outras mirtáceas na área de plantio seja evitada. A

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e existência de mirtáceas nativas nas plantações de eucalipto, as quais atuam como importantes fontes de inóculo. As condições ambientais são importantes para o desenvolvimento da doença, porque favorecem a infecção, a formação de todas as estruturas infectivas e de resistência do patógeno (teliosporos, basidiosporos e urediniosporos), além da fenologia do hospedeiro. Como resultado, a doença pode se tornar fator limitante à produção e desenvolvimento da planta infectada. Devido à importância de Puccinia psidii quanto aos significativos prejuízos que pode causar, em tra-balho conjunto o Instituto Biológico e a Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA-UNESP), Campus de Botucatu, SP, têm realizados estudos em condições controladas visando conhecer mais adequadamente o comportamento do patógenos frente a diferentes condições ambientais e, também, observações em campo, a fim de que fosse verificado o comportamento do patógeno frente a diferentes hospedeiros e sob condições naturais. Para a realização das pesquisas em laboratório, é utilizado o germinatélio, que funciona como uma microcâmara úmida. Quanto ao estudo de campo, foram realizadas observações durante 1999 e 2000, em área da FCA-UNESP, avaliando-se a evolução dos sintomas de Puccinia psidii em diferentes espécies de mirtáceas, registrando-se diariamente umidade relativa do ar e temperaturas mínima e máxima. Os estudos em laboratório têm possibilitado constatar que as temperaturas mais adequadas à germinação das estruturas infectivas do patógeno variam entre 15ºC e 21ºC e, quanto mais velhas, menor é a porcentagem de geminação. As observações da evolução da ferrugem em campo permitiram verificar a ocorrência dos maiores picos sobre goiabeira em fevereiro; sobre Eucalyptus cloeziana em março e, sobre jambeiro (E. botryodes, E. urophylla e E. grandis), procedentes de Itatinga e Anhembi, em abril. Durante os meses de maior severidade, a temperatura média variou entre 21ºC e 24ºC e a umidade relativa foi superior a 70%. É importante ressaltar que 1999 foi o ano durante o qual ocorreram os ataques mais severos, enquanto que, em 2000, sobre as espécies de eucalipto, a doença foi ausente. Verifica-se, portanto, que todo o ciclo vital de Puccinia psidii é favorecido e depende da ocorrência de temperaturas amenas, variando de 15ºC a 24 ºC. Temperaturas muito elevadas são adversas ao patógeno e, caso a infecção já tenha ocorrido, induzem a formação das estruturas de resistência denominadas teliosporos. Porém, convém ressaltar que, conforme observado, sendo tais temperaturas excessivamente elevadas, menores quantidades de teliosporos se formam, além de ocorrer necrose de parte do tecido foliar e, posteriormente, senescência da folha infectada. Além disso, confirma-se que a presença de outras mirtáceas nas áreas de cultivo constitui, de fato, importante fonte de inóculo para início e/ou continuidade do processo infectivo, enquanto houver condições ambientais favoráveis.


artigo

Da passagem da escravidão ao manejo da mecanização no setor sucro-alcooleiro Olivier Genevieve - presidente da ONG Sucre-Ethique e Professor na

Escola de Comércio INSEEC. Lyon - Paris. [ogenevieve@sucre-ethique.org / ogenevieve@acucar-etico.org]

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om a autonomia da Europa graças ao açúcar tirado da beteraba e a construção de uma fonte própria de açúcar, o Brasil (primeiro país escravista das Américas, em número) não via mais utilidade na escravidão, o que provocou uma situação perigosíssima. Em 1850, Eusébio de Queiroz criou a lei contra o tráfico negreiro, que tinha trazido ao Brasil ao redor de 5 milhões de africanos. Basicamente para a cana, diferentemente dos Estados Unidos, que foi para o algodão. Entre outras coisas, pelo medo que o grande número de negros (3.500.000 para 1.500.000 brancos) viesse a perturbar a ordem estabelecida. Esta política se completou com o “branqueamento”, com a chegada dos migrantes europeus para o Brasil. De poucos efeitos práticos, a lei deu a liberdade aos filhos de escravos, mas deixava-os sob tutela dos senhores até 21 anos de idade. De fato, movimentos de rebelião dos escravos cortadores da cana marcaram a história do campo brasileiro. O mais famoso é o Quilombo dos Palmares, quando os Holandeses e os Portugueses queriam ter o Pernambuco para a riqueza do açúcar. Em 28 de setembro de 1871, a famosa “Lei do Ventre Livre”, do governo conservador do Visconde do Rio Branco, preparou o fim da escravidão, finalizada em 13 de maio de 1888 com a “Lei Áurea”. Uma aspecto menos conhecido da escravidão no Brasil foi o plano do governo imperial brasileiro em também resolver o problema via Guerra do Paraguai, maior conflito armado internacional ocorrido na América do Sul. O Brasil enviou à esta guerra em torno de 150 mil homens. Cerca de 50 mil não voltaram, sendo grande parte negros. Como se sabe, apesar de um veto feito pelo governo Lula em poder pesquisar este período da história brasileira, sabe-se que esta guerra provocou un “genocidio” contra o Indio Guarani, reduzindo o Paraguai em uma país das mulheres. Como os ingleses falam, a idéia era matar com uma pedra dois coelhos: o índio e o escravo inútil. O que não se escreve muito é que batalhões de negros foram armados oferecendo em troca a liberdade e para os proprietários destes escravos uma forma de nacionalização dos mesmos. A guarda pessoal de Duque de Caxias era esclusivamente composta de negros. No final da Guerra do Paraguai (1865-1870), os sobreviventes desta batalha de novos homens livres foram demo-

bilizados na Capital imperial do momento, o Rio de Janeiro, o que iniciou a construção das favelas. As consequências se sentem mais de 200 anos depois. No sertão Nordestino, terra da cana por excelência, teve também com a Guerra de Canudos (1986-1897) esta cruzada laica contra Antônio Conselheiro. Nesta região, historicamente caracterizada por latifúndios improdutivos, secas cíclicas e desemprego crônico, passava por uma grave crise econômica e social visto a decadência da cana de açucar. Milhares de sertanejos e ex-escravos partiram para Canudos, cidadela “liderada” pelo peregrino Antônio Conselheiro, unidos na crença numa salvação milagrosa que pouparia os humildes habitantes do sertão dos flagelos do clima e da exclusão econômica e social. O governo republicano erradicou o problema. Mais a tiente, nos anos 70 do século passado, as tentativas dos militares de colonização da Amazonia, via as transamazonicas, foram uma” solução” em resolver a decadência do Nordeste, construida em cima da cana de açúcar. Como analisamos, a historia do Brasil, que iniciou-se com a cana, não foi tão doce. Hoje em dia, um dos desafios sociais fica na mecanização do setor. Isso implica em um perda de centenas de milhares de fontes de renda para os cortadores de cana. De fato, a mecanizaçao é necessária, indispensável até para libertar o homem de um trabalho “escravo”. Todavia, a mecanização só pode ser vista como uma solução técnica, mas não humana: o que poderão fazer estes milhares de homens? Uma consequência a este fenômeno de “fuga em frente” foi decisão da justiça do MS, no início de julho deste ano, em resgatar 817 trabalhadores em condições análogas à escravidão numa fazenda no município de Naviraí (MS). Desse total, 542 são migrantes mineiros e pernambucanos e os outros 275 são indígenas de povos distintos. O pior desta história é que esta usina tem capital inglês. Isso é o segundo desafio do setor, a “land grabbing” ou seja o accaparamento das terras por capitais estrangeiros. Isso é o desafio econômico que será tratado num próximo artigo para a Revista Attalea Agronegócios. Isso é o desafio do atual governo: sem educação o Brasil ficaraá no Terceiro Mundo, apesar de ter uma riqueza do paraíso terrestre que descrevia Américo Vespuccio em 1504.


CANA-DE-AÇÚCAR

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Quermesse do Bom Jardim acontece em setembro

O

s cafeicultores do bairro rural do Bom Jardim, que abrange os municípios de Franca (SP) e Ribeirão Corrente (SP), informam e convidam para a tradicional Quermesse em Louvor a Nossa Senhora Aparecida. O evento acontece tradicionalmente no início do mês de setembro (dia 03) e é realizado na Capela do Bom Jardim. Prestigiem o evento.

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prática da monocultura varietal (o uso de uma única variedade de determinada cultura) deixa a lavoura muito vulnerável ao ataque de pragas e doenças e pode trazer problemas graves ao produtor. Se existe um único tipo de material genético em campo que é suscetível a um patógeno que esteja atacando a plantação, o agricultor pode ver a sua lavoura devastada. Para evitar esse problema na cultura de cana, novas variedades têm sido desenvolvidas. Entre essas variedades, três foram apresentadas pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC) na Agrishow 2011, que aconteceu em Ribeirão Preto (SP). Segundo Marcos Landell, diretor do Centro de Cana do IAC, essas variedades podem contribuir para a canavicultura nacional no sentido da diversificação do uso de variedades, que permite uma redução da incidência de pragas e doenças. A produtividade, de acordo com o diretor, é 10%superior, em média, mas é subjetiva porque depende do manejo do produtor e das influências climáticas. “Em relação à variedade padrão RB72454, que era a variedade mais cultivada na época das pesquisas, há uma produtividade superior que gira em torno de 10% a mais em diversos

FOTOS: IAC

Novas variedades de cana-de-açúcar resistentes à doenças

períodos de colheita”, afirma Landell. Landell diz que entre os lançamentos, duas são variedades consideradas precoces médias, que podem ser cultivadas para colheita no início da safra, ou seja, abril, maio e junho. Além disso, elas permitem que a colheita seja estendida até o inverno, ou seja, julho, agosto e final de setembro. A IAC SP955094 e a IAC SP963060, têm essas características. “A SP955094 responde melhor ao solo. Já a SP963060, suporta melhor ambientes desfavoráveis no mesmo período de safra. Já uma outra variedade, a IAC SP962042, é destinada para o meio final de safra. Normalmente, é utilizada em solos de média fertilidade para ambientes mais favoráveis”, completa Landel. De acordo com ele, todas as três novas variedades foram testadas em relação às principais doenças, como o carvão, escaldadura, mosaico e ferrugens, e contam com boa resistência. Já contra pragas, o diretor explica que, de um modo geral, a cana possui boa tolerância, mas existem alguns casos de multiplicação dessas pragas, o que para ele, é natural, já que a cana é perene e fica o ano inteiro no campo. Essas cultivares já estão a dis-

posição do produtor em todas as associações e empresas que auxiliaram o IAC nos quase 15 anos de pesquisa. Imaginamos que, nos próximos três anos, algumas dessas cultivares já terão áreas extensivas de cultivo, finaliza diz Landell. A

EM TEMPO IAC - INST. AGRONÔMICO DE CAMPINAS Tel. (19) 2137-0600 Publicado em: www.portaldiadecampo.com.br


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Edição 59 - Revista de Agronegócios - Julho/2011