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NOVA SÉRIE MF 200 ADVANCED

Os tratores líderes de mercado estão ainda melhores. A nova série MF 200 Advanced da Massey tem tratores mais robustos, de fácil manutenção e alto desempenho operacional. Conheça mais sobre a nova série MF 200 Advanced na sua concessionária Massey.

FOTOS: Nilson Konrad

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MASSEY FERGUSON é uma marca mundial da AGCO Corporation

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SEJA QUAL FOR A SUA ATIVIDADE


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Esta foi a edição mais difícil de concluir. Difícil pela quantidade, pela variedade e pela importância dos eventos, artigos técnicos e informações relevantes. Gostaria, em primeiro lugar, de parabenizar a Prefeitura de Franca, em especial o prefeito Sidnei Franco da Rocha pela belíssima reforma no recinto do Parque de Exposições “Fernando Costa”. A criação do Auditório “Fábio de Salles Meirelles” merece o nosso destaque: pela estrutura; pela homenagem a esta importante figura do cenário brasileiro, mas acima de tudo, por compreender a importância de melhor acolher criadores e eventos agropecuários. Aproveitamos também para parabenizar o excelente trabalho de Heitor de Lima, coordenador da Expoagro e responsável pelas atividades agropecuárias do município. A Expoagro 2008 (que abordaremos na próxima edição) mostra o fortalecimento do setor técnico do evento. A elevação absurda dos preços de insumos importantíssimos na produção agrícola (fertilizantes) e na pecuária (suplementos minerais) está assustando os produtores rurais, as indústrias e os poderes públicos. Se este custo mantiver a ascensão observada nos últimos seis meses, comprometerá as safras agrícolas e as atividades pecuárias em geral.

FOTO: Editora Attalea

Expoagro de Franca se fortalece com o apoio da prefeitura municipal

A Revista Attalea Agronegócios, registrada no Registro de Marcas e Patentes do INPI, é uma publicação mensal da Editora Attalea Revista de Agronegócios Ltda., com distribuição gratuita, reportagens atualizadas e foco regionalizado na Alta Mogiana, Triângulo, Sul e Sudoeste de Minas Gerais. TIRAGEM 5 mil exemplares EDITORA ATTALEA REVISTA DE AGRONEGÓCIOS LTDA. CNPJ nº 07.816.669/0001-03 Inscr. Municipal 44.024-8 Rua Professora Amália Pimentel, 2394, São José CEP: 14.403-440 - Franca (SP) Tel. (16) 3723-1830 revistadeagronegocios@netsite.com.br DIRETOR E EDITOR Eng. Agrº Carlos Arantes Corrêa cacoarantes@netsite.com.br

Retratamos, nesta edição, a participação de empresas sediadas na região da Alta Mogiana e que se destacaram na Agrishow 2008, como: Sami Máquinas Agrícolas; Oimasa; e LWS Equipamentos de Refrigeração, de Franca (SP), representante da marca gaúcha Eurolatte. Publicamos, também, dois artigos técnicos importantes. Um da Drª Josiane Ortolan, que aborda a utilização de ingredientes da agroindústria na alimentação animal, principalmente na atividade leiteira. Na pecuária de corte, o Dr. Ricardo Lopes, da APTA-Andradina (SP), aborda sobre a mortalidade embrionária na Transferência de Embriões. Abordaresmos, ainda, o leilão da Coonai, o dia-de-campo da Fertipar e o Congresso Francano de Agronegócios. Boa leitura a todos!

DIRETORA COMERCIAL Adriana Silva Dias (16) 9967-2486 adrianadias@netsite.com.br JORNALISTA RESPONSÁVEL Rejane Alves MtB 42.081 - SP PUBLICIDADE Adriana Silva Dias (16) 9967-2486 ASSESSORIA JURÍDICA Raquel Aparecida Marques OAB/SP 140.385 CTP E IMPRESSÃO Cristal Gráfica e Editora Rua Padre Anchieta, 1208, Centro Franca (SP) - Tel/Fax (16) 3711-0200 www.graficacristal.com.br CONTABILIDADE Escritório Contábil Labor Rua Campos Salles, 2385, Centro, Franca (SP) - Tel (16) 3722-3400 É PROIBIDA A REPRODUÇÃO PARCIAL OU TOTAL DE QUALQUER FORMA, INCLUINDO OS MEIOS ELETRÔNICOS, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO DO EDITOR. Os artigos técnicos e as opiniões e conceitos emitidos em matérias assinadas são de inteira responsabilidade de seus autores, não traduzindo necessariamente a opinião da REVISTA ATTALEA AGRONEGÓCIOS.

Foto da Capa: Editora Attalea CATALYNA FIV ALIA, premiada Reservada Campeã Fêmea Jovem na 39ª EXPOAGRO. Fazenda Nossa Senhora Aparecida, Pedregulho (SP).

Cartas ou Sugestões Editora Attalea Revista de Agronegócios Rua Profª Amália Pimentel, 2394. CEP 14.403-440, Franca (SP) ou revistadeagronegocios@netsite.com.br.


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como o sistema de piloto automático Auto-Guide e os tratores da série MF 6000 HD com os novos motores Sisu Diesel para a cana-de-açúcar. Também foi feito o anúncio dos finalistas da 7ª edição do Prêmio Massey Ferguson de Jornalismo, que podem ser conferidos no site www.massey. com.br . A Massey Ferguson é fabricada pela AGCO AGCO, maior fabricante de tratores da América Latina e a maior exportadora do produto do Brasil. Os tratores, colheitadeiras e implementos Massey Ferguson são exportados para mais de 90 países, com atuação destacada nos Estados Unidos, Argentina, Venezuela, Chile e África do Sul. As duas fábricas no Brasil ficam no Rio Grande do Sul: Canoas (tratores) e Santa Rosa (colheitadeiras). Os implementos são manufaturados em Ibirubá, pela Sfil, consagrada fabricante que recentemente passou a fazer parte da AGCO.

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às expectativas de mercado para este ano. Na avaliação da diretoria, o mercado de tratores no Brasil pode fechar 2008 com um aumento de aproximadamente 30% em relação ao ano passado. “Se os números que esperamos para este ano se confirmarem, será um resultado recorde, superando o ano de 2002”, afirma Carlito Eckert, diretor de Operações Comerciais da Massey Ferguson. Na Agrishow, a Massey Ferguson apresentou suas novidades tecnológicas, FOTO: Nilson Konrad

FOTO: Editora Attalea

FOTO: Nilson Konrad

Marca líder no mercado brasileiro de tratores há 47 anos, a Massey Ferguson considera positiva sua participação na Agrishow 2008. Segundo Fábio Piltcher, diretor de marketing da Massey Ferguson, o movimento de público esse ano ficou entre 20 e 25% superior ao do ano passado, embora a chuva dos últimos dias do evento tenha atrapalhado um pouco o movimento. O contato direto com os produtores rurais foi feito pelas maiores revendas da rede Massey Ferguson. O Grupo Oimasa - que representa a marca em 23 municípios da região da Alta Mogiana e em algumas cidades do interior de Goiás - esteve presente na Agrishow. Na quarta-feira, 30 de abril, a Massey Ferguson realizou um encontro com a imprensa na área de test drive, quando os jornalistas tiveram a oportunidade rara de operar os tratores e colheitadeiras da marca. Eles também foram apresentados

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Massey Ferguson faz balanço positivo da Agrishow 2008

Tel. (16) 3701-3342 Av. Wilson Sábio de Mello, 1945 Distrito Industrial - Franca (SP)

“SOLUÇÕES INTELIGENTES PARA NOSSOS CLIENTES”


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Também durante a Agrishow 2008, a Agritech, fabricante de tratores e microtratores Yanmar Agritech, lançou o trator compacto 1175, de 70 cavalos e 16 válvulas com super-redução, voltado especialmente para a cultura do café, colheita de cana e outras aplicações que necessitem de baixa velocidade. “Agora a linha de tratores para café está completa com o super-redução, máquina desenvolvida para culturas que exigem baixa velocidade, porém, sem perda de potência, como o café e a colheita de cana”, explica o gerente de marketing da Agritech, Pedro Lima. O projeto do 1175, o primeiro trator da marca com 70 cavalos de potência e o primeiro a levar para o campo 16 válvulas, foi inteiramente desenvolvido com tecnologia própria e envolveu um investimento de cerca de R$ 9,5 milhões. Outra novidade do 1175 é o número de marchas do trator, que aumentou de 9 para 12 e com o super redutor passa a ter 24 opções de velocidades, ampliando a adequação às necessidades de serviços. O trator pode ser usado, portanto, em diferentes ambientes e para variados serviços. O novo produto também eleva a capacidade de levante de implementos em até duas toneladas. “Nossa atuação concentra-se principalmente na fruticultura, horticultura, café e grãos, mas sentimos a necessidade de oferecer um trator de maior potência

FOTOS: Editora Attalea

Agritech lançou trator compacto de 70 cv para café e cana

O trator 1175 foi um dos equipamentos mais procurados no estande da Agritech

aos nossos clientes que vêm crescendo nestes mercados, e por isso, investimos no desenvolvimento do 1175”, destaca Lima. Todas as máquinas da marca estão aptas para se movimentar com o biodiesel B-5. Agritech e o mercado de tratores O mercado de tratores em geral, de 2003 a 2007, mesmo com a recente recuperação, registrou uma queda acumulada de 10% nas vendas, segundo

dados da Anfavea. A Agritech segue um caminho inverso. Nos últimos quatro anos acumulou um crescimento de 62% nas vendas e registrou um crescimento de 42% no quadro de colaboradores. Em 2003, a Agritech tinha uma participação no mercado de 2,3%. Fechou 2007 com uma participação de 4,2%. Com o lançamento do trator 1175, a empresa pretende chegar a uma participação de 5% do mercado. Agritech Lavrale Em Indaiatuba, no interior de São Paulo, a Agritech Lavrale planeja e controla todo o processo produtivo de tratores e microtratores que levam os motores e a marca Yanmar para o País, há 50 anos. Especializada em desenvolver produtos voltados a agricultura familiar a Agritech Lavrale é referência em tratores com potência de 50 cavalos, produzidos especialmente para atender necessidades de pequenas propriedades. A Agritech Lavrale faz parte do Grupo Francisco Stédile e surgiu com a cisão da Yanmar do Brasil. O Grupo Francisco Stédile, de Caxias do Sul (RS) é um dos mais respeitados conglomerados industriais do Brasil e engloba as empresas Agrale S.A., Germani Alimentos, Fazenda Três Rios e a Fundituba Indústria Metalúrgica.


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em tratores com potência de 50 cavalos, produzidos especialmente para atender necessidades de pequenas propriedades. O mercado de tratores em geral, de 2003 a 2007, mesmo com a recente

recuperação, registrou uma queda acumulada de 10% nas vendas, segundo dados da Anfavea. A Agritech segue um caminho inverso. Nos últimos quatro anos acumulou um crescimento de 62% nas vendas e registrou um crescimento de 42% no quadro de colaboradores. “No ano passado as vendas já melhoraram muito para os fabricantes de máquinas agrícolas, mas este ano está muito bom. Acredito que ascensão deva durar por um bom tempo e queremos tirar proveito dela para expandirmos ainda mais nosso mercado de atuação”, explica o gerente de marketing da Agritech, Pedro Lima.

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FOTO: Editora Attalea

A Agritech superou todas as suas expectativas de vendas durante a 15ª Agrishow. Durante o evento, que terminou dia 4 de maio, em Ribeirão Preto (SP), a empresa acumulou um crescimento de 50% nas vendas de tratores e microtratores Yanmar Agritech Agritech, voltados para agricultura familiar, em relação a 2007. Segundo o gerente de vendas da empresa, Nelson Watanabe, as vendas superaram as expectativas, sendo perceptível o crescimento do mercado. “Notamos também que a empresa está correspondendo à expectativa dos produtores, implantando novas tecnologias e proporcionando economia a eles”, afirma. A Agritech é referência

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Agritech acumula 50% de crescimento nas vendas durante a 15ª Agrishow


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A produção brasileira de café beneficiado deve atingir neste ano 45,54 milhões de sacas de 60 quilos. O volume representa 35% a mais que a safra anterior. Serão 34,70 milhões de sacas do tipo arábica e 10,84 milhões de conilon. Os números fazem parte do segundo levantamento da safra de café 2008, divulgado pela Conab Companhia Nacional de Abastecimento no início de maio. Esta é a segunda maior safra dos últimos 10 anos, ficando atrás apenas da produção histórica do ciclo 2002/03, quando alcançou 48,48 milhões. De acordo com a estatal, o rendimento é conseqüência da bienalidade positiva da cultura, que se altera entre um ano de alta, seguido por outro de baixa. Os

investimentos em tratos culturais e as chuvas, que ocorreram no fim de 2007 nas principais regiões produtoras, também contribuíram para resultado atual. O Sudeste responde por 84,32% da produção nacional. O maior destaque fica com Minas Gerais (22,9 milhões de sacas). O Espírito Santo ocupa o segundo lugar com 10,52 milhões de sacas, seguido por São Paulo com 4,7 milhões. Nas outras regiões, os maiores produtores são a Bahia e o Paraná que produzem, juntos, 4,62 milhões de sacas. A área total está estimada em 2,29 milhões de hectares, um crescimento de 1,08%, quando comparada à safra anterior. As terras cultivadas estão divididas em 91,95% com cafeeiros em produção e o restante com plantas ainda em formação.

FOTO: Editora Attalea

Safra brasileira de café supera 45 milhões de sacas

As cooperativas e os armazéns preparam para receber a safra

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SILVA & DINIZ COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO DE CAFÉ LTDA. Av. Wilson Sábio de Mello, 1490, São Joaquim

NOVOS TELEFONES Tel. (16) 3402-7026 / 3402-7027 3402-7028 / 3402-7029

se

A colheita começou na última quinzena de março e deve se estender até o início de outubro, dependendo da região. O pico ocorrerá entre maio e julho, quando 75% da colheita estarão concluídas. A pesquisa de campo foi realizada no período de 31 de março a 11 de abril e mobilizou 189 técnicos da estatal e de instituições parceiras. Foram entrevistados 2.750 representantes do setor, entre agricultores, cooperativas, órgãos públicos e privados. A avaliação do presidente do Caccer - Conselho das Associações de Cafeicultores do Cerrado, Francisco Sérgio de Assis é de que o número da Conab para a safra brasileira de café de 2008 ficou muito próximo da realidade. Segundo Sérgio de Assis, a safra do cerrado mineiro, estimada pela Conab em 4,47 milhões de sacas deve realmente ficar próxima a esses patamares. “A safra é boa, mas não é uma explosão produtiva”, afirmou o dirigente do Caccer, em entrevista à Agência SAFRAS. Destacou que conversou com exportadores, que fizeram tour pelas regiões produtoras, e que indicam que a safra deverá ficar entre 45 e 48 milhões de sacas. “Mas eu confirmo e trabalho com o número da Conab”, reiterou Sérgio de Assis. “Na lavoura, vemos claramente que o café não está com a roseta cheia”, caracteriza. A colheita no cerrado mineiro começa somente em junho. “A colheita no cerrado é zero ainda, o café está verde”, observa Francisco Sérgio de Assis.


Três Pontas, no Sul de Minas Gerais, é o maior município produtor de café do Brasil e do mundo, destinando, atualmente, cerca de 25 mil hectares à cafeicultura e colhendo aproximadamente 600 mil sacas de 60 kg do grão beneficiado. Contudo, essa amplitude cafeeira da cidade mineira começa a correr risco em função da entrada de outras culturas destinadas à agricultura não-alimentar, como etanol e biodiesel. Neste ano, uma empresa voltada à produção de biodiesel se instalou na região e com grandes ambições. Em uma primeira fase, essa indústria vem cultivando girassol e trabalhando na construção de silos, já pensando, para 2009, em dobrar os volumes iniciais. Além disso, municípios vizinhos, como São Sebastião do Paraíso e Cristais, também começam a vivenciar situação parecida, com a instalação de indústrias voltadas à produção de etanol, o que, conseqüentemente, vem fazendo crescer o 1

- Presidente do CNC - Conselho Nacional do Café

cultivo de cana na região, principalmente nas áreas planas. Ocorre que o avanço dessas culturas, convenhamos mais rentáveis, começa a ocupar o espaço da cafeicultura local, com estimativas de que o café já tenha sido erradicado em aproximadamente 3 mil hectares nos arredores de Três Pontas. Esse fato é alarmante e reflete a atual situação vivida pela atividade cafeeira nacional. Pois, apesar dos preços internacionais do café, em dólar, estarem em bons níveis, quando se faz a conversão para real, a atual taxa de câmbio adotada pelo governo tira qualquer possibilidade de lucro do cafeicultor brasileiro, o qual, em outras situações, sequer consegue cobrir seus custos de produção com a comercialização do produto. Tendo isso em vista, faz-se necessária a adoção de políticas que gerem renda ao cafeicultor brasileiro, sem as quais a atividade cafeeira se torna inviável no país, pois vai perder espaço para essas culturas destinadas à geração de biodiesel e etanol. No Sul de Minas, por exemplo, as usinas vêm pagando ao produtor mais de

R$ 1.000,00 por hectare cultivado com cana, com esse valor oscilando conforme a proximidade da lavoura com a indústria. Mas, tomando os R$ 1.000,00 como parâmetro, podemos pensar que o produtor de uma propriedade com 100 hectares destinados à cafeicultura, se optar pela cana em detrimento ao café, terá uma lucratividade de R$ 100.000,00, ao passo que, caso continue com o café, mesmo trabalhando intensamente nos cafezais, mal irá cobrir seus custos. Portanto, o avanço dessas outras culturas nos faz pensar em redução da área destinada à cafeicultura no Brasil e, conseqüentemente, da produção nacional. O mais agravante, porém, é que a enorme geração de empregos proporcionada pelo café em nosso país, envolvendo 8,4 milhões de pessoas ao ano, tenderá a cair, implicando diretamente na questão social. Ou o preço do café sobe, permitindo a continuidade da cafeicultura, ou estamos fadados a, gradativamente, reduzir nossos cafezais e nossa colheita a pontos insignificantes quando fazemos o comparativo com o demandado pelo consumo interno e pelas exportações.

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Gilson Ximenes 1

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Biodiesel começa a invadir zona cafeeira em MG


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Acarpa estima produção Maior fazenda de cafés de 620 mil sacas para a especiais do mundo região de Patrocínio começa colheita Em entrevista ao Informativo Coffee Break Break, a respeito do VIII Fórum sobre Mercado & Política de Café, o presidente da Acarpa - Associação dos Cafeicultores da Região de Patrocínio (MG), Wilson José de Oliveira, também destacou o atual momento enfrentado pelos cafeicultores. “Há 13 anos, o preço do café estava em torno de R$ 320 a saca de 60 kg. Hoje, estamos vendendo café a R$ 250, e com o câmbio totalmente defasado. Então, um dos problemas enfrentados pelo cafeicultor é esse e outro é o custo dos insumos, que subiu muito nos últimos dias. Isso tem levado uma intranqüilidade muito grande ao cafeicultor”, afirmou Oliveira. A expectativa, segundo o presidente da Acarpa, é que o preço possa se recuperar com o início do inverno e a possibilidade de ocorrerem geadas. “Já existem especulações a esse respeito”, comentou. Com relação à colheita no Cerrado Mineiro, o presidente da Acarpa informou que ela ainda está começando e está lenta, pois muitos grãos ainda estão verdes. “Em Patrocínio, por exemplo, cerca de 10% dos cafeicultores já estão colhendo e começaram no início de maio. A produção no município deverá ficar em torno de 620 mil sacas. E para todo o Cerrado Mineiro, a estimativa é de que a colheita chegue a 3,8 milhões de sacas no ano safra 2008/2009”, concluiu Wilson José de Oliveira.

Uma missa campal, iniciada às 7h do dia 16 de maio, na Fazenda Conquista, em Alfenas (MG), celebrou o início da colheita da Ipanema Coffees, uma das maiores empresas produtoras de cafés especiais do mundo. De acordo com o eng. agrônomo Eduardo Tassinari, diretor de Operações Agrícolas, a estimativa para esta safra 2008/2009 é uma produção de 150 mil sacas. Estão sendo contratados mais de mil “safristas”, como são chamados os trabalhadores temporários para a colheita, período que se estende até meados de agosto. A colheita, seletiva, começa pelos cafés Bourbons destinados à Starbucks Co., rede de cafeterias americana com a qual a Ipanema tem contrato de fornecimento fechado até 2010. Do total a ser colhido, 32 mil sacas serão produzidas pelos quatro parceiros preferenciais da Ipanema, que integram o programa Equal Partners. São as fazendas Novo Horizonte (Areado/MG), São Manoel dos Brejões (na divisa de São Sebastião da Grama/ SP com Poços de Caldas/MG), e Lambari e Irarema (Poços de Caldas/MG). De acordo com Washington Rodrigues, presidente da Ipanema, a proposta do Equal Partners é criar oportunidades comerciais para que pequenos produtores de café de alta qualidade possam exportar seus grãos com maior valor agregado.

CATI e prefeitura de Cristais Paulista organizam o 1º Encontro sobre Cafeicultura Os cafeicultores que participam do “Projeto de Viabilidade da Cafeicultura Familiar”, desenvolvido pelo EDR - Escritório de Desenvolvimento Rural de Franca, da Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, participaram no último dia 16 de maio do 1º Encontro sobre Cafeicultura. O evento foi organizado pela CATI - Coordenadoria de Assistência Técnica Integral e a Prefeitura de Cristais Paulista (SP).

FOTOS: Editora Attalea

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Apresentaram o projeto o Engº Agrº Paulo de Tarso Rosa de Andrade, diretor técnico do EDR-Franca; Hélio Kondo, prefeito de Cristais Paulista; o Engº Agrº Joel Leal Ribeiro, assessor técnico do EDR-Franca; e o Engº Agrº Sérgio Rocha Lima Diehl, da Casa da Agricultura de Pedregulho (SP). O evento contou ainda com a participação dos pesquisadores Maurício Domingues Nasser e Paulo Sérgio de Souza, da APTA de Mococa (SP), que apresentaram os resultados de pesquisas sobre “Monitoramento e Produtividade do Cafeeiro”, bem como sobre “Colheita e Qualidade do Café”.


FOTO: Divulgação

A Comissão Organizadora da Expocafé 2008 finaliza os últimos detalhes para a realização da maior feira da cafeicultura brasileira. O evento será realizado de 18 a 20 de junho, na Fazenda Experimental da Epamig - Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais, sediada no município de Três Pontas (MG). Em sua 11ª edição, a Expocafé espera reunir um público superior a 30 mil pessoas, entre cafeicultores, técnicos, pesquisadores, expositores, estudantes, visitantes e cerca de 140 empresas expositoras e representantes de diversas instituições. O Brasil ocupa a posição de maior produtor de café do mundo, bem como

a de maior exportador e de segundo maior consumidor. Dessa produção, o Estado de Minas Gerais é responsável por cerca de 50% e o sul de Minas por metade da produção do estado, caracterizando-o como maior região produtora do país. Idealizada e criada a partir de projetos

financiados pelo CNPq/ BIOEX-Café, a Expocafé surgiu como uma excepcional oportunidade para que produtores busquem novas tecnologias e conhecimentos fundamentais à sustentabilidade do agronegócio. O evento vem contribuindo de forma substancial no desenvolvimento da cafeicultura nacional, notadamente na região do sul de Minas, tornando-a mais competitiva. O objetivo da feira é levar aos empresários rurais tecnologias disponíveis e essenciais à competitividade e sustentabilidade do sistema produtivo e mostrar aos visitantes e interessados as diferentes oportunidades do agronegócio de café. Maiores informações no site: www.expocafe.com.br.

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Expocafé organiza últimos detalhes

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FOTOS: Viveiro Monte Alegre

• Cadastrado no RENASEM (Registro Nacional de Sementes e Mudas) do Ministério da Agricultura • Emissão de CFO (Certificado Fitossanitário de Origem)

Mudas de café produzidas no sistema convencional (saquinhos), tubetões e mudões para replantio. TEMOS TAMBÉM MUDAS DE EUCALIPTO SOB ENCOMENDA Encomendas pelos Fones: Fazenda Monte Alegre: (16) 3723-5784 André Cunha: (16) 9967-0804 / Luis Cláudio: (16) 9965-2657

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24 de maio: Dia Nacional do Café exemplo, são atitudes erradas que colocam por terra todo o trabalho de cafeicultores, industriais e varejistas. Ao contrário, sabendo armazenar e preparar corretamente a bebida, o consumidor obtém uma excelente xícara de café, ao mesmo tempo em que brinda os milhares de trabalhadores que se esforçaram para isso.

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FOTO: ABIC

‘Café Sustentável, ConsConsumidor ciente’ ciente’. É essa a mensagem que a ABIC – Associação Brasileira da Indústria de Café transmitiu durante as comemorações do Dia Nacional do Café, em 24 de maio. A entidade abraçou a causa de defesa do meio ambiente e da sustentabilidade no planeta, estimulando que o mesmo seja feito pelas torrefadoras, cafeicultores, exportadores, varejistas e pelos 91% dos brasileiros acima de 15 anos que consomem café diariamente. O café é uma bebida natural que, tomado regularmente e em doses moderadas, faz bem à saúde, dá prazer e energia. É por isso que, ao saborear uma xícara de café, os consumidores têm que ter em mente todos os caminhos percorridos pelos grãos até chegar a este momento único de prazer e aroma. Por traz de uma xícara de café, existe uma imensa cadeia produtiva que vem aprimorando, ano a ano e na prática, o conceito da sustentabilidade econômica, ambiental, ecológica e social. Em resumo, isso significa respeitar e preservar o meio ambiente, não utilizar mão-de-obra escrava ou infantil e gerar recursos para sustento e melhoria da qualidade de vida de todos os trabalhadores, familiares e comunidades.

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Os caminhos do café A cadeia produtiva do café começa lá na lavoura, onde os produtores investem nos tratos dos seus cafezais. Nesse mês de maio a colheita já começou em grande parte das regiões produtoras e é um período em que os cuidados se dão com os preparos dos lotes, secagem e armazenamento. O elo seguinte é o da indústria, que compra os cafés verdes (in natura), podendo ou não combinar grãos de diversas fazendas de uma mesma região ou até combinando grãos de Estados diferentes. Essa aquisição também é feita pelas firmas exportadoras, que criam blends para atender compradores de diversos países.

Qualidade

A etapa da indústria exige cuidado extremo, para garantir que a qualidade iniciada na lavoura seja mantida no processo de torra e moagem. Devidamente embalados, os grãos torrados ou torrados e moídos seguem depois para o varejo, principalmente supermercados, e também para pontos de consumo, como cafeterias, bares, restaurantes e hotéis. Alguns lugares, a exemplo de algumas cafeterias, compram diretamente o grão da lavoura e torram e moem na própria loja. Nos mercados e supermercados, onde a grande maioria das pessoas compra seus cafés, os cuidados referemse à exposição do produto: as embalagens devem ser colocadas em gôndolas próprias e distantes de itens que exalem perfumes ou odores fortes, como os de higiene e limpeza. Para atrair e facilitar a vida dos consumidores, as marcas devem ser expostas por categoria de produtos, iniciando-se pelos Cafés Gourmets, no alto, seguidas pelos Cafés Superiores e pelos Cafés Tradicionais. A cadeia café ainda inclui a casa, o consultório ou o escritório dos consumidores, locais em que eles próprios preparam suas bebidas, em coador de pano ou no filtro de papel, em cafeteiras elétricas ou máquinas para café ‘espresso’. Cabem a essas pessoas – assim como aos proprietários e atendentes dos pontos de consumo – o papel fundamental de garantir, nesta etapa final. a qualidade iniciada na lavoura e preservada pela indústria e pelo varejo. Guardar o pacote de café perto de produtos de limpeza, não deixar o pó de café na geladeira após aberto, ou utilizar água clorada, por

Em toda a cadeia produtiva a sustentabilidade vem sendo assegurada. A qualidade do grão é um item a mais nesse conceito econômico, social e ambiental, pois quanto melhor for o café, maior será a agregação de valor, favorecendo todos os elos e agentes do agronegócio. São fundamentais, portanto, os estudos realizados pelos centros de pesquisas, e coordenados nacionalmente pela Embrapa, por meio do Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café (CBP&D/ Café), que descobrem cada vez mais variedades de café com características que permitem ganhos de produtividade, maior proteção ambiental e economia de defensivos. Da mesma forma, existe todo um trabalho que envolve indústrias de embalagens, de equipamentos e serviços, cujos desenvolvimentos tecnológicos permitem racionalização de custos, manutenção da qualidade e melhor gestão nas lavouras, indústrias e firmas exportadoras. Todos esses esforços também atendem a um novo conceito, que é a do consumidor consciente: a pessoa que se mostra atenta para evitar desperdícios, como de água, energia elétrica e alimentos; se preocupa com reciclagem e destinação final do lixo, e que compra produtos sustentáveis, rejeitando os feitos de maneira imprópria. Essa é uma tendência mundial, já presente no Brasil, onde cresce o número de produtos certificados, que atestam a forma correta de sua fabricação. No café, existem diversas certificações para o grão verde: auditores visitam a propriedade e verificam se todos os quesitos de sustentabilidade foram cumpridos.


Fertipar realiza dia-de-campo no Viveiro Monte Alegre

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Em parceria com o Viveiro Monte Alegre, em Ribeirão Corrente (SP), de propriedade do Sr. Luis Cunha e dos filhos André e Luis Cláudio, a Fertipar Bandeirantes realizou a apresentação de dois produtos para os cafeicultores da região de Franca (SP). Numa palestra realizada no auditório do Café Terreiro, em Franca (SP), a empresa apresentou o SuperN. “Trata-se de um novo conceito de fertilizante nitrogenado, pois fornece o elemento no momento exato da necessidade da planta, independente O Engº Agrº Iran Franciscone, o Engº Sérgio das condições climáticas e de acordo Cavalari (Fertipar Bandeirantes) e André Cunha (Viveiro Monte Alegre). com o planejamento de aplicação”, afirmou o Engº Agrº Sérgio Moreira Já no dia seguinte, no dia-de-campo Apresenta como principal característica Cavalari, gerente comercial regional da realizado no Viveiro Monte Alegre, os o aumento do teor de fósforo a curto empresa. profissionais da Fertipar Bandeirantes prazo, associado a uma liberação gradual apresentaram os resultados da aplicação do elemento, permitindo maior aproveido Hiper Gafsa na lavoura de café. Trata- tamento do nutriente. No comparativo se do fosfato natural reativo mais com o Superfosfato Triplo, fornece mais conhecido no mundo. De origem nutrientes ao solo após 100 dias de sedimentar e orgânica, o Fosfato de Gafsa aplicação. Além disto, fornece cálcio, é proveniente da Tunísia, norte da África. enxofre e micronutrientes

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“O nível de fósforo da propriedade era muito baixo. Usei o Gafsa há três anos atrás e o fósforo atingiu um nível satisfatório, tanto é que no ano passado não precisei aplicar fósforo na lavoura de café”. Geraldo do Nascimento Junior. Sítio Tesouro (Itirapuã-SP)


Ingredientes da agroindústria na alimentação animal - Produtos e subprodutos do agronegócio -

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Sabemos que o melhor manejo alimentar para os animais de produção é quando conseguimos fazer com que o animal expresse seu potencial, seja em carne ou leite, com baixo custo, trazendo assim, o objetivo lógico do agronegócio, o lucro. Com essa lógica, iniciaremos uma série de artigos que sobre esse tema. A oferta e demanda de alimentos para a população humana nos países em desenvolvimento, exige crescimento da pecuária superior ao da agricultura. Estima-se que um terço dos cereais produzidos no mundo, se destina a alimentação dos animais domésticos. Assim, se deve recomendar e orientar cada vez mais, o uso de subprodutos e resíduos na alimentação animal, devidamente tratados e administrados na dieta dos ruminantes. Os subprodutos e resíduos agropecuários como cascas de soja, palhas, o bagaço de cana-de-açúcar, casca de arroz, etc. são materiais fibrosos e inevitavelmente produzidos devido a diversos cultivos e em especial aos cereais e cultura da cana-de-açúcar. A quantidade disponível destes materiais é muito grande em todo o mundo e basta dizer que se apenas 5% fossem utilizados de maneira correta na alimentação animal, poderia suprir as necessidades dos rebanhos existentes no mundo e assim atender as demandas de energia e proteínas da população mundial.

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A utilização de casca de soja na alimentação animal Introdução A utilização de subprodutos da agroindústria na alimentação animal visa à diminuição dos custos sem que o desempenho seja afetado. Neste contexto, a casca de soja vem sendo utilizada com sucesso como alimento alternativo para 1 - Médica veterinária, mestre em Qualidade e Produtividade Animal e doutoranda em Qualidade e Produtividade Animal pela FZEAUSP. Email: josiortolan@hotmail.com

tria de óleo de soja, com um custo relativamente baixo em relação principalmente com o milho. Isso possibilita a obtenção de farelos com 48 a 50% de proteína bruta (PB), ao invés de farelos com 42 a 50% de PB (Tambara et al., 1995) sendo que sua composição é influenciada pela eficiência deste processo. Ela apresenta um alto teor de FDN (60,3%) semelhante ao índice encontrado nas forrageiras, sendo assim um alimento energético eficiente, com bovinos de corte, principalmente nas baixos efeitos negativos sobre o rúmen, regiões produtoras de soja. A casca de soja quando comparado ao milho. é classificada como alimento volumoso, Varias formas de processamento porém sua degradação ruminal é mais podem ser feitas na casca de soja, inrápida que de outros alimentos volu- cluindo trituração, tostatgem e pelemosos, e mais lenta que os concentrados, tização. Mikled et al. (1990) avaliaram o e devido à sua disponibilidade de energia, efeito da tostagem e trituração da casca vem sendo utilizada na substituição total de soja sobre a digetibilidade em ovinos. ou parcial do milho. Os resultados mostram que as digesAs cascas de soja são consideradas tibilidades da MO, FB, ENN foram resíduos devido a sua baixa digestibilidade. maiores para a casca de soja não tostada, No entanto, a casca de soja tem sido con- porem nào houve diferença significativa siderada um suplemento energético, pois para digestibilidade e metabolismo seu fornecimentoaos ruminantes permite ruminal. desempenhos muitas vezes comparáveis Anderson et al., (1989b) conduziram ao milho, devido a boa digestibilidade da diversos experimentos para avaliar o efeiparede celular, basicamente composta to do processamento na digestibilidade por celulose (Hsu et al., 1987). Outros da casca de soja. Observaram que a peleautores a consideram um ingrediente tização (4.8mm) aumentou quase 4 vezes volumoso-concentrado (Tambara et al., mais a densidade da casca de soja (624.7 1995) por possuir fibra efetiva e dentro vs. 169.8kg/m3) tornando mais ecode certos limites, funcionar como grão nômico o transporte do material. Constade cereal em termos de disponibilidade tarão ainda, que a peletização não prode energia (Sawar et al.,1991; Nakamura voca alterações significativas na casca de e Owen, 1989). soja. A trituração também aumenta a densidade do material (361 Kg/m3), poProcessamento da casca de soja rém dependendo do tipo de peneira usada poderá haver reduçao demasiada no A casca da soja é uma película muito tamanho da particula levando á uma fina que recobre o grão, sendo separada redução na digestibilidade da casca de do embrião na indústria. Esta película é soja. Outros autores recomendaram o uso estraida do grão antes que ele sofra de peneira com crivo de 3.2 mm ou esmagamento para a obtenção do óleo. maiores. Sendo assim é um subproduto da indúsAs cascas de soja comercialmente disponíveis frequenTabela 1. - Níveis bromatológicos da casca do grão de soja temente apresentam 13 a 14% de PB, inPB (%) EE (%) NDT (%) FDN (%) dicando pelo menos 13,9 Casca de Soja 2,7 67,3 60,3 4 unidades percentuais de proteína Fonte: NRC para bovinos de leite (2001)


Conclusão Fica claro que a utilização do resíduo da indústria da soja (casca de soja) na alimentaçao animal é de extremo valor; Também, além de ser econômicamente mais viável, podendo substituir a utilização de outros ingredientes na ração. Bibliografia ANDERSON, S.J.; MERRILL, J.K.; KLOPFENSTEIN, T.J. Soybean hulls as an energy supplement for the grazing ruminant. Journal of Animal Science, v.66, n.11, p.2959-2964, 1988.

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Quicke et al. (1959), ao avaliarem a casca de soja, em ensaios in vitro, encontraram coeficiente de digestibilidade de 96% para a matéria seca, sugerindo que sua fração fibrosa possui alta digestibilidade, mesmo sendo constituída por 70% de parede celular.

BERNARD, J.K.; McNEILL, W.W. Effect of high fiber energy supplements on nutrient digestibility and milk production of lactating dairy cows. Journal of Dairy Science, v.74, p.991-995, 1991. GARLEB, K.A.; FAHNEY Jr., G.C.; LEWIS, S.M. et al. Chemical composition and digestibility of fiber fractions of certain by-product feedstuffs fed to ruminant. Journal of Animal Science, n.66, p.2650-2660, 1988. LUDDEN, P.A.; CECAVA, M.J.; HENDRIX, K.S. The value of soybean hulls as a replacement for corn in beef cattle diets formulated with or without added fat. Journal of Animal Science, n.73, p.2706-2711, 1995. MAcGREGOR, C.A.; OWEN, F.G.; McGILL, L.D. Effect of increasing ration fiber with soybean mill run on digestibility and lactation performance. Journal of Dairy Science, n.59, p.682-672, 1976. NAKAMURA, T.; OWEN, F.G. High amounts of soyhulls for pelleted concentrate diets. Journal of Dairy Science, n.72, p.988-994, 1989. QUICKE, G.V.; BENTLEY, C.G.; SCOTT, H.W. et al. Digestibility of soybean hulls and flakes and the in vitro digestibility of the cellulose in various milling by-products. Journal of Dairy Science, v.42, p.185-190, 1959. THIAGO, L.R.S; SILVA, J.M; FEIJÓ1,G.L.; et al. Substituição do milho pelo sorgo ou casca de soja em dietas para a engorda de bovinos em confinamento. REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA Anais (Cd-Room), Viçosa, MG. 2000.

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oriunda da contaminação do farelo ou pedaços de grão de soja (Kornegay, 1978; Anderson et al., 1988), podendo-se encontrar na literatura valores de até 16,5% de PB (Cunningham et al., 1993). Sua taxa de digestão é moderadamente rápida (6%/ h) e a extençao de digestão é de 93 a 95%, indicando que quanto maior o tempo de permanência no rúmen, maior será obtido (Anderson et al., 1988). É importante salientar que a maneira como a casca de soja é utilizada na formulação de rações, juntamente com o tipo de dieta (quantidades de volumosos e concentrados) influencia o seu valor energético e o desempenho dos animais. Ainda, a casca de soja possui grandes perspectivas de uso pela sua disponibilidade e valor nutricional. Segundo Garleb et al. (1988), a casca de soja poderia substituir o uso de forrageiras de alto valor nutricional, quando oferecida aos animais em quantidade controlada.


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A 15ª edição da Feira Internacional da Tecnologia Agrícola em Ação (Agrishow) que aconteceu de 28 de abril a 03 de maio, em Ribeirão Preto, marcou a força do setor de agronegócios. A Eurolatte como sempre, esteve presente nesse grande evento o qual vêm propiciando contatos importantes com diversas empresas seja fornecedores ou distribuidores ao redor do mundo. A empresa, fundada em 1998, adotou tecnologia de centros mais desenvolvidos na atividade leiteira do mundo, como Israel, Alemanha, Itália e EUA. A Eurolatte está sediada em Porto Alegre (RS), mas tem na LWS Equipamentos de Refrigeração, sediada em Franca (SP), o seu ponto de referência na Alta Mogiana, Triângulo, Sudoeste e Sul de Minas Gerais. A LWS Equipamentos possui referência nacional de qualidade no setor de metalurgia, na área de: Equipamentos em aço inox; Aquecedores de água para fogão a lenha; Torres e centrais de refrigeração industrial; Ordenhadeiras; Resfriadores para leite; Equipamentos para transmissão e receção e Peças de reposição. A empresa cria projetos para pequenos, médios e grandes produtores de leite. “Nossa missão é facilitar a vida do produtor, ajustando o equipamento de acordo com a quantidade e o capacidade de investimento do produtor”, afirma Luis Antonio da Silva, diretor da LWS. De acordo com Cláudio Afonso Denes, diretor da Eurolatte, a Agrishow propiciou contatos com produtores e empresários do Brasil e de várias partes do mundo, como: Venezuela, Peru, Colombia, Nigeria, Africa do Sul, Nova Zelandia, Rússia entre outros.

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LWS e Eurolatte apresentam tecnologias voltadas à grande e à pequena produção leiteira


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Organizada com méritos pela equipe da Prefeitura de Franca, chefiada por Heitor de Lima, contando com a assessoria da MGM Coordenação de Eventos, a Exposição do Gado Nelore - realizada durante a 39ª Expoagro de Franca - foi um sucesso. O jurado Carlos Eduardo Nassif, de Uberaba (MG), avaliou 155 animais entre machos e fêmeas, mais as progênies de pai e de mãe. Participaram ao todo 19 expositores, de 16 municípios brasileiros, obtendo um índice de 1,232. A Carpa Serrana (Brodówski/SP) conquistou o campeonato expositor, com 8 campeonatos, seguida de Toni Salloum e Filhos (Franca/SP) com 4 campeonatos e Flávio Augusto do Canto (São João da Boa Vista/SP), com 3 campeonatos. O destaque da exposição foi a primeira participação dos animais do ex-governador Orestes Quércia (Fazenda Nossa Senhora Aparecida, de Pedregulho/SP). Quércia conquistou três campeonatos e duas reservadas campeãs.

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Nelore é sucesso absoluto na 39ª Expoagro

Animais com padrão racial aprimorado promoveram disputas acirradas na pista central do Parque de Exposições “Fernando Costa”.

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Tony Salloum Filho recebe a premiação pelo touro ‘Deck do Arco Azul’ que , com um pouco mais de 29 meses e 1.150 kg de peso, conquistou o Grande Campeonato Macho.

Heitor de Lima foi um anfitrião sempre presente nas premiações, o que reforça o compromisso da administração municipal em fortalecer os eventos técnicos na Expoagro.

PRÓXIMA EDIÇÃO REBANA TE DA SABIA - Reservada Campeã Bezerra da Expoagro 2008; - 10 meses e 424 kg; - Fazenda Nossa Senhora Aparecida (Pedregulho/SP); - Orestes Quércia

Na próxima edição da Revista Attalea Agronegócios estaremos finalizando a cobertura completa da 39ª Expoagro. Destaque para as exposições de ovinos, gado gir leiteiro e girolando, bem como a realização do Torneio Leiteiro da Raça Gir Leiteiro, após mais de 50 anos. Destacaremos, também, a inauguração em Franca (SP) da sede da Embrapa - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. Conquista do Deputado Federal Marco Aurélio Ubiali (PSB), em parceria com a Coonai, Cocapec, Credicocapec, Sindicato Rural e Prefeitura de Franca.


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AURORA Campeã Novilha Maior Atual Bezerra Campeã Paulista 1º lugar na Megaleite 2007

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UNO DA SILVANIA - Campeão Touro Sênior nas exposições de Araxá (MG), Uberaba (MG) e Franca (SP) - Reservado Grande Campeão em Franca (SP)

CAÇADORA DE BRASÍLIA Campeã Vaca Adulta em Franca (SP) Melhor Úbere Adulto em Franca (SP) Reservada Grande Campeã em Franca (SP)

77 anos de tradição, seleção e criação de Gir Leiteiro • Plantel Gir Selecionado para Leite; • Venda permanente de Tourinhos, Novilhas, Matrizes e Embriões; • Melhor Expositora Expoagro Franca 2008.

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A Coonai está comemorando os resultados do 8º Leilão de Gado Leiteiro, que aconteceu em 17 de maio, no centro de eventos da cooperativa, em Patrocínio Paulista (SP). Foram vendidos 100% dos 62 animais colocados à disposição, distribuídos em 59 lotes, de 20 cooperados. O preço médio do leilão foi R$ 4.235, 62% superior ao do ano passado. Mais de 600 pessoas compareceram ao evento, lotando o recinto. Todos os lotes foram bem disputados, dando trabalho para o leiloeiro e para os pisteiros. A seleção do gado foi feita por técnicos da Coonai, seguindo os padrões de qualidade de cada raça e com garantia de sanidade de todos os animais. “A qualidade do gado e o bom momento do setor atraiu muitos compradores. O leilão está crescendo a cada ano e com solidez”, afirmou o gerente de assistência técnica da cooperativa Rogério Gerbasi. O grande destaque ficou para o lote 37: a vaca Vitória da Boa Fé, registrada, da Fazenda Boa Fé, do grupo Ma Shou Tao. O animal foi vendido por R$ 9.600,00 (em seis parcelas). Além de compra e venda de gado, parceiros da indústria veterinária, de alimentação animal, de maquinário e instituições de crédito agrícola estiveram presentes oferecendo boas oportunidades de negócios aos cooperados. Uma novilha foi sorteada no final do evento entre os 20 compradores. O grande vencedor foi Paulo Roberto Mengele, de Restinga (SP). “Conforme havíamos previsto, foi um dia de confraternização

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Leilão de gado leiteiro da Coonai supera em 62% o resultado do ano passado

e bons negócios, mesmo quem não comprou ou vendeu, aproveitou muito”, garante Rogério.

Várias empresas parceiras da Coonai montaram estandes no evento, assim como o Sebrae e o IBS.

Marcelo Avelar, vice-presidente e Eduardo Lopes de Freitas, presidente da Coonai


1. Perda embrionária precoce precoce: período que vai desde a concepção até o tempo de funcionalidade do corpo lúteo, (dia 15 a 17 do ciclo estral, em caso de não se apresentar prenhez); 2. Perda embrionária tardia tardia: estende-se até a fase de diferenciação dos tecidos, aproximadamente 42º dia da gestação; Oeste, 3. Perda fetal fetal: geralmente não se apresenta com maior regularidade e compreende até o termo da gestação. Esses autores concluíram que é possível atingir até 60% de perdas da gestação tendo em conta as duas fases de desenvolvimento: embrionário e fetal. Acredita-se que as perdas embrionárias em bovinos poderiam variar de rebanho para rebanho, influenciada por estímulos nocivos de origem infecciosos ou não infecciosos, alguns fatores genéticos, imunológicos, maternos e ambientais (Labérnia et al., 1996). Além das perdas do material genético é também apropriado incluir as perdas econômicas que poderiam ser acarretadas por um mau direcionamento na aplicação das biotécnicas. Dentro dos fatores associados de maior importância na reprodução bovina que podem causar grandes perdas embrionárias, uma refere-se ao deficiente mecanismo de reconhecimento materno da gestação, processo pelo qual o embrião sinaliza bioquimicamente sua presença ante a unidade materna (útero) prolon-

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A transferência de embriões (TE) no Brasil teve inicio na década dos anos 70, quando foram registrados os primeiros nascimentos por transferência de embrião congelado importado. De importador de tecnologia no início, o Brasil tornouse referência mundial na área, já no ano 2000 o número de transferências comunicadas foi Receptoras da raça Nelore, da Apta Extremo de 69.400, respondendo com Andradina (SP). o 13,13% do total de transferências do mundo. Embora a técnica de transferência de A partir deste ano observou-se um embriões em bovinos tenha evoluído no contínuo e expressivo aumento tanto da Brasil nos últimos anos, ainda a eficiência TE quanto da fertilização in vitro (FIV), da técnica é considerada baixa e depenatingindo assim no ano 2006, 196.663 dente de vários fatores que levam a altas embriões produzidos in vitro e 69.886 taxas de mortalidade embrionária, termo embriões produzidos in vivo (Viana e empregado para definir as perdas embriCamargo, 2007). onárias desde a concepção até o período Segundo a Sociedade Internacional de diferenciação dos tecidos, em torno de Transferência de Embriões (IETS) em do 42º dia da gestação (Dunne et al., 2005 o Brasil ocupou a segunda posição 2000). na aplicação da técnica. Com isso, os Vanrose et al, (2000) e Santos et al, programas de melhoramento genético (2004a) em extensa revisão, concluíram são os mais favorecidos e podendo ser que a maioria das perdas ocorre princiavaliados com maior rapidez e eficiência, palmente desde os primeiros dias da mesmo em pequenas populações de prenhez até o mecanismo de reconhecianimais (Christiansen, 1991). mento materno da gestação (entre o 15º 1 e 19º dia de gestação). - Mestrando Laboratório de Reprodução e Melhoramento Genético Animal da UENF, Estima-se uma mortalidade embrioCampos dos Goytacazes/RJ. Email nária neste período de 20 a 40% e no javiernarvaezvet@gmail.com período fetal (após do 42º dia da gestação) 2 - Pesquisador da Agência Paulista de as perdas da gestação poderiam atingir Tecnologia dos Agronegócios – APTA, Pólo Extremo Oeste, Andradina/SP. Email de 5 a 10%, situação que propõe os rldcosta@apta.sp.gov.br principais desafios biológicos para o 3 estabelecimento da prenhez. Segundo - Prof. Associado Laboratório de Reprodução e Melhoramento Genético Animal da UENF, Santos et al, (2004b) em outro trabalho Campos dos Goytacazes/RJ, rfontes@uenf.br

realizado, caracterizaram as perdas da gestação em três tipos:

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Héctor Javier Narváez 1 ; Ricardo Lopes Dias da Costa 2 ; Reginaldo da Silva Fontes 3

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Mortalidade Embrionária na Transferência de Embriões


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gando a funcionalidade do corpo early pregnancy in cattle. Reproduction of lúteo e manutenção da prenhez Domestic Animals, v.34, (Spencer et al., 2004). É amplamente conhecido que 269-274, 1999. essa função é realizada pelo 8.ODENSVIK, K.; GUSinterferon trofoblastico bovino TAFSSON, H.; KINDAHL, (bIFN-t) que faz inibição da H. The effect on luteolysis secreção pulsátil de PGF2á feita by intensive oral admipelas células endometriais do útero nistration of flunixin meglu(Demmers et al., 2001). mine in heifers. Animal Reproduction Science, O mecanismo é apresentado entre o 9º – 14º dia da gestação v.50, p. 35-44, 1998. pela eclosão e expansão do em9.SANTOS, J.E.P., brião com posterior alongamento JUCHEM, S.O., CERRI, até os pontos de adesão: epitélio R.L.A., GALVÃO, K.N., endometrial e as glândulas endoCHEBEL, R.C., THATReceptoras da raça Guzerá, da Apta Extremo Oeste, metriais (Mann et al., 1999 e CHER, W.W. Effect of bST Andradina (SP). Thatcher et al., 2001). and reproductive manaOutro aspecto relacionado que pode novas ferramentas desenvolvidas para gement on reproductive performance of levar de igual maneira apresentar perdas que se consiga melhorar as taxas de Holstein dairy cows. J Dairy Sci, v.87, da gestação refere-se a uma deficiente concepção e o Brasil destacar-se e p.868-881, 2004a. liberação de progesterona pelo corpo posicionar-se no mercado mundial. 10. SANTOS, J.E.P.; THATCHER, lúteo. Vários estudos já foram desenW.W.; CHEBEL, R.C.; CERRI, R.L.A.; volvidos visando utilização de diferentes GALVÃO, K.N. The effect of embryonic Referências bibliográficas tratamentos hormonais nas receptoras, death rates in cattle on the efficacy of em diferentes protocolos, que pode, levar 1. BINELLI, M.; THATCHER, estrus synchroni-zation programs. ao aumento da concentração plasmática W.W.; MATTOS, R.; ARUSELLI, P.S. Animal Reproduction Science, v.82de progesterona, pela indução da Antiluteolytic strategies to improve 83, p.513-535, 2004b. formação de corpos lúteos acessórios fertility in cattle. Theriogenology, 11. SCENNA, F.N.; HOCKETT, (Binelli et al., 2001 e Santos et al., 2004a). v.56, 1451-1463, 2001. M.E.; TOWNS, T.M.; SAXTON, A.M.; Estes autores propuseram várias 2. CHRISTIANSEN, L.G. Use of ROHRBACH, N.R.; WEHRMAN, M.E.; estratégias anti-luteolíticas, levando ao embryo transfer in future cattle breendin SCHRICK, F.N. Influence of a aumento dos índices da gestação, através schemes. Theriogenology, v.35, n.1. prostaglandin synthesis inhibitor da administração de somatotropina p.141-149, 1991. administred at embryo transfer on bovina (bST), gonadotrofina coriônica 3. DEMMERS, K.J.; DERECKA, pregnancy rates of recipient cows. humana (hCG), gonadotrofina coriônica K.; FLINT, A. Trophoblast interferon and Prostaglandins and other Lipid eqüina (eCG) e análogos sintéticos do pregnancy. Reproduction, v.121, p.41- Mediators, v.78, p.38-45, 2005. hormônio regulador das gonadotrofinas 49, 2001. 12. SPENCER, T.; JOHNSON, (GnRH). 4. DUNNE, L.D.; DISKIN, M.G.; G.A.; BAZER, F.W.; BURGHARDT, R.C. Vários outros trabalhos já vêm de- SREENAN, J.M. Embryo and foetal loss Implantation mechanisms: insights from senvolvendo alternativas para conseguir in beef heifers between day 14 of the sheep. Reproduction, v.128, p.657melhorar os índices da gestação por gestation and full term. Animal 668, 2004. 13. THATCHER, W.W.; MOREIinseminação artificial e TE mediante a Reproduction Science, v.58, n.1, RA, F.; SANTOS, J.E.P.; MATTOS, R.C.; aplicação de outros tipos de agentes anti- p.39-44, 2000. luteolíticos como são os antiinflamatórios 5. ELLI, M.; GAFFURI, B.; LOPES, F.L.; PANCARCI, S.M.; RISCO, não esteroidais, que têm como função FRIGERIO, A.; ZANARDELLI, M.; C.A. Effects of hormonal treatments on específica a inibição da síntese das COVINI, D.; CANDIANI, M.; VIGNALI, reproductive performance and embryo prostaglandinas, principalmente a M. Effect of a single dose of ibuprofen production. Theriogenology, v. 55, p. PGF2á, no período crítico da gestação. lysinate before embryo transfer on 75-89, 2001. (Odensvick et al., 1998, Elli et al., 2001 e pregnancy rates in cows. Journal of Reproduction and Fertility, v.121, 14. VANROOSE, G.; de KRUIF, Scenna et al., 2005). A.; Van SOOM, A. Embryonic mortality Embora a eficiência da TE propor- p.151-54, 2001. cione resultados baixos, pela alta taxa de 6. LABERNIA, J; LÓPES- and embryo-pathogen interactions. mortalidade embrionária que se apre- GATIUS, F; SANTOLARIA, P; LÓPES- Animal Reproduction Science, v.60senta nos primeiros dias da gestação, é BÉJAR, M; RUTLLANT, J. Influence of 61, p.131-143, 2000. importante ressaltar o avanço no ganho managament factors on pregnancy 15. VIANA, J.H.M.; CAMARGO, genético dos animais obtidos pela técnica, attrition in dairy cattle. a diminuição no intervalo de gerações e Theriogenology, v.45, n.6, p.1247- L.S.A. A produção de embriões bovinos no Brasil: uma nova realidade. Acta o alto valor econômico que podem 1253, 1996. alcançar os animais de maior destaque. 7. MANN, G.E.; LAMING, G.E. Scientiae Veterinariae, v.35 (Supl. Porém a técnica deve ser estimulada com The influence of progesterone during 3), p. s915-s924. 2007.

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fertilizantes de Davenport, em Iowa. “A situação está realmente no limite”. As companhias de fertilizantes acreditam que mais cedo ou mais tarde esse problema será resolvido, e frisam que pretendem construir diversas fábricas novas nos próximos anos, muitas delas no Oriente Médio, onde o gás natural é abundante. Mas isso provavelmente criará novos problemas no longo prazo, à medida que o mundo tornar-se mais dependente dos combustíveis fósseis para a produção de fertilizantes químicos. Além do mais, o uso intenso de fertilizantes químicos sem dúvida significará maior poluição dos cursos d’água. Especialistas em agricultura e desenvolvimento afirmam que o mundo conta com poucas alternativas para a sua dependência cada vez maior dos fertilizantes químicos. À medida que a população aumenta e uma classe média global em expansão exige mais alimentos, os fertilizantes são uma das estratégias mais eficientes para aumentar o volume das safras. Alguns especialistas calculam que os fertilizantes sintéticos feitos com gás natural já possibilitaram grandes

expansões das colheitas, e um crescimento de 30% a 40% da população mundial. Na África subsaariana, onde a fome há muito tempo é uma ameaça, a falta de fertilizantes é um dos motivos principais pelos quais a região está economicamente aquém do resto do mundo. As tentativas de fazer com que os fertilizantes chegassem às mãos dos agricultores africanos foram atrapalhadas pelos recentes aumentos de preços. “Trata-se de uma aritmética bem básica e direta: nos casos típicos, o uso de fertilizantes em uma área de um acre (0,405 hectares) gera um aumento de produtividade de uma tonelada”, diz Jeffrey D. Sachs, o economista da Universidade Columbia que se concentrou na erradicação da pobreza. “Esta é a diferença entre a vida e a morte”. A demanda por fertilizantes tem sido impulsionada por uma convergência de fatores, incluindo o crescimento populacional, a redução das reservas mundiais de grãos e o apetite pelo milho e pelo óleo de palmeira usados para a produção de biocombustíveis. Mas os especialistas afirmam que o maior fator é o aumento da demanda por comida, especialmente a carne, nos países do Terceiro Mundo. Países como o Vietnã promoveu, nas últimas duas décadas, reformas de mercado que permitiram que os agricultores tivessem acesso a fertilizantes e sementes de alta produtividade. As safras de arroz dobraram e as de milho triplicaram, possibilitando aos camponeses engordar a população cada vez maior de animais para abate do país.

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Após 1950, com a descoberta dos fertilizantes químicos, utilização generalizada destes adubos mais baratos contribuíram para que houvesse uma explosão agrícola em todo o mundo. As áreas de cultivo e, consequentemente, as safras dos principais alimentos aumentaram de volume. As dietas tornaram-se mais ricas. Mas agora esses ganhos estão sendo ameaçados em muitos países pela falta localizada e a disparada dos preços dos fertilizantes: o ingrediente mais essencial da agricultura moderna. No ano passado os preços de alguns fertilizantes quase triplicaram, impedindo que os produtores adquirissem todo o adubo necessário. Este é um dentre vários fatores que contribuíram para o aumento dos preços dos alimentos, algo que, de acordo com o Programa de Alimentação da Organização das Nações Unidas, ameaça fazem com que dezenas de milhões de indivíduos pobres tornem-se desnutridos. Nos Estados Unidos, fazendeiros do Estado de Iowa, desesperados para repor os nutrientes do solo, passaram a adotar cada vez mais a prática antiga de espalhar toneladas de esterco de porco nos seus campos de cultivo. Na Índia, o preço do fertilizante subsidiado para os agricultores disparou, provocando apelos por uma reforma da política agrícola. E na África, os planos para conter a fome com o aumento das safras ficaram subitamente ameaçados. A redução da oferta de fertilizantes vem se intensificando durante os últimos cinco anos. A demanda crescente por alimentos e biocombustíveis estimulou produtores de todas as regiões a plantar mais. E, como conseqüência, as fábricas e as minas de fertilizantes do mundo não conseguiram acompanhar o ritmo de crescimento da demanda por adubos. Alguns comerciantes do meio-oeste dos Estados Unidos viram os seus estoques de fertilizantes esgotarem-se no terceiro trimestre do ano passado, e eles continuam restringindo as vendas neste trimestre devido à carência do produto. “Se alguém quiser 10 mil toneladas para hoje, nós só venderemos 5.000, ou talvez apenas 3.000 toneladas”, afirma W. Scott Tinsman Jr., fabricante e comerciante de

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Falta de fertilizantes ameaça produção mundial de alimentos


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O consumo global de fertilizantes aumentou em média 31% de 1996 a 2008, impulsionado por uma expansão de 56% da demanda nos países em desenvolvimento, segundo a Associação Internacional da Indústria de Fertilizantes. “Os mercados estão pedindo aos agricultores que pisem no acelerador”, diz Michael R. Rahm, vice-presidente de análise de mercado e planejamento estratégico da Mosaic. “Eles aceleraram a produção, mas o mercado lhes disse para acelerar ainda mais”. O fertilizante é basicamente uma combinação de nutrientes adicionada ao solo para ajudar as plantas a crescer. Os três elementos mais importantes são nitrogênio, fósforo e potássio. Os dois últimos estão disponíveis há séculos, e atualmente provêm de minas. Mas o nitrogênio em uma forma que as plantas possam absorvê-lo era escasso. A falta de nitrogênio provocou safras magras durante séculos. Essa limitação acabou no início do século 20, com a invenção de uma técnica, atualmente alimentada principalmente com gás natural, que retira nitrogênio quimicamente inerte do ar e o converte em uma forma utilizável. Paralelamente à expansão do uso do fertilizante químico com nitrogênio, surgiram melhores variedades de plantas e aumentou a mecanização das lavouras. De 1900 a 2000, a produção mundial de alimentos aumentou 600%. Os cientistas dizem que esse aumento foi o fator principal para o crescimento da população mundial de 1,7 bilhão em 1900 para os atuais 6,7 bilhões de habitantes. Vaclav Smil, professor da Universidade de Manitoba, calcula que, sem os fertilizantes nitrogenados, não haveria comida suficiente para 40% da população mundial, pelo menos ao se adotar como referência as dietas atuais. Outros especialistas chegaram a números ligeiramente inferiores. Inicialmente, grande parte do aumento da produção de fertilizantes destinava-se a grãos como trigo e arroz, que são os ingredientes fundamentais de uma dieta básica. Mas, recentemente, com um crescimento econômico mundial de 5% ao ano, centenas de milhões de pessoas passaram a ganhar dinheiro suficiente para comprar mais carne de animais engordados com grãos. Isso ocorreu ao mesmo tempo em que a produção acelerada de biocombustíveis, como o etanol feito com milho, impôs uma nova pressão sobre as reservas de grãos.

Esses fatores geraram uma demanda crescente pelos fertilizantes, bem como preços mais altos por estes produtos. O preço do adubo químico fosfato de diamônia em um terminal em Tampa, na Flórida, saltou de US$ 393 a tonelada no ano passado para os atuais US$ 1.102, de acordo com a JPMorgan Securities, que acompanha os preços desse tipo de produto. A uréia, um tipo de fertilizante nitrogenado granulado aumentou de US$ 273 a tonelada no ano passado para US$ 505 a tonelada neste ano. Os fabricantes estão lutando para aumentar o fornecimento. Pelo menos 50 novas unidades para a produção de adubo nitrogenado estão em construção, e as minas de fósforo e potássio estão sendo expandidas. Mas esses projetos são caros e demorados, e por isso acredita-se que a oferta de fertilizantes continuará reduzida durante anos. Os fertilizantes têm uma importância vital em Iowa, onde os fazendeiros plantam mais milho do que em qualquer outro Estado norte-americano, e que depende dos adubos químicos para aumentar substancialmente as suas safras. Mas a combinação de preços altos e carência de adubo obrigou alguns fazendeiros a voltar a utilizar métodos antigos de adubação, o que transformou o esterco de porco em uma mercadoria cara. Os fazendeiros estão fazendo acordos para a construção de pocilgas às margens dos seus campos de milho e soja, para que tenham acesso rápido ao esterco. Em um passeio pela sua grande fazenda em Oxford Junction, no leste de Iowa, Jayson Willimack apontou para os futuros locais de duas instalações que acomodarão 2.400 porcos. O esterco substituirá os fertilizantes químicos em 400 acres (162 hectares), o que corresponde a cerca de 10% da sua fazenda, e permitirão que ele economize cerca de US$ 50 mil anualmente. “Toda economia, por menor que seja, ajuda”, disse ele. Tal estratégia tem grandes limitações o esterco contém tão pouco nitrogênio que são necessárias toneladas do produto por hectare. Isso significa que os fazendeiros de Iowa e do exterior terão pouca escolha a não ser pagar mais por adubos comerciais. Em muitos países, esses aumentos dos fertilizantes foram em grande parte compensados pela alta dos preços pagos pelas safras. Mas a inflação dos adubos criou uma crise nos países que subsidiam os fertilizantes utilizados pelos agricultores. Na Índia, por exemplo, o subsídio gover-

namental pode chegar a US$ 22 bilhões no ano que vem, comparados aos US$ 4 bilhões de três anos atrás. Isso provocou um clamor por reformas do programa do qual a Índia depende para garantir as suas reservas de alimento. Tão logo novos suprimentos tornem-se disponíveis, o uso cada vez maior de fertilizantes ainda causará dificuldades. Os grupos ambientais temem o aumento do uso de adubos químicos, especialmente o dos fertilizantes nitrogenados feitos com combustíveis fósseis. Como as plantas não absorvem todo o nitrogênio, grande parte dele vai parar em rios e aqüíferos. Essa infiltração há muito é vista como um grande problema no que se refere à poluição. E é um problema que cresce conforme aumenta a produção de alimentos. Um indicador dessa poluição é a quantidade cada vez maior de zonas mortas onde os rios encontram-se com o mar. No Golfo do México, por exemplo, o nitrogênio dos campos do Cinturão do Milho desce pelos rios e alimenta as plantas aquáticas no golfo. A explosão de algas remove o oxigênio da água, matando outros seres marinhos. “Mais de 400 dessas zonas mortas foram identificadas, das costas da China à Baía de Chesapeake, e a causa principal do fenômeno é a contaminação de cursos d’água por resíduos de fertilizantes”, afirma Robert J. Diaz, professor do Instituto de Ciência Marinha de Virgínia. “Nitrogênio é nitrogênio. Se ele estiver na terra, vai produzir milho. Mas na água, produzirá algas”, afirma Diaz. No início deste mês, um painel da ONU solicitou mudanças urgentes nas práticas agrícolas a fim de torná-las menos destrutivas, como por exemplo a rotação de culturas usando soja e outras leguminosas, que naturalmente acrescentam algum nitrogênio ao solo. Mas certos especialistas advertem que tais abordagens, embora úteis, serão insuficientes para atender à acelerada demanda mundial por alimentos e biocombustíveis. “Este é um problema básico: alimentar 6,6 bilhões de pessoas”, afirma Norman Borlaug, um cientista norte-americano que recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1970 devido ao seu papel para a disseminação das práticas de agricultura intensiva nos países pobres. “Sem fertilizantes químicos, esqueça. É fim de jogo”. (Extraído e modificado do THE NEW YORK TIMES)


De acordo com especialistas no setor, estes países não tem conseguido atender a crescente demanda mundial por fosfato. A cotação da rocha fosfatada pulou de US$ 47 a tonelada em 2005 para US$ 80 a tonelada em 2007 e US$ 220 em fevereiro de 2008. Mas não é apenas a escassez do fosfato que provocou o aumento nos insumos de fertilizantes e suplementos minerais. A falta de enxofre no mercado mundial interferiu diretamente no reajuste dos preços. O enxofre é a matéria-prima do ácido sulfúrico, principal ingrediente na reação química junto a rocha fosfatada e que produz o ácido fosfórico. Este ácido é a base para a produção do fosfato bicálcico e de adubos fosfatados. De acordo com Paulo Roberto de Carvalho e Silva, presidente da Andifós Associação Nacional das Indústrias de Fosfato na Alimentação Animal, a avidez do mercado internacional por fosfato principalmente pela China e Índia - fez com que os preços internacionais alcançassem níveis surpreendentes. “Em 2006, o preço da tonelada do enxofre

era de US$ 50, mas em fevereiro deste ano alcançou a incrível marca de US$ 600 a tonelada (aumento de 1.100% em pouco mais de um ano)”, diz. Com esta marca, o ácido fosfórico, que em dezembro de 2007 custava em torno de US$ 550 a tonelada, passou a valer US$ 1.400. Associado a tudo isto, registraram-se também aumentos no preço do barril do petróleo (que ultrapassou recentemente o patamar dos US$ 100), bem como nos fretes marítimos. O Sal Mineral Como no sal mineral o fosfato bicálcico chega a representar 60% da mistura, dá para entender o aumento nos preços do produto, que passou de R$ 26,00 para R$ 47,00 a saca com 90g de fósforo. Nas lojas agropecuárias consultadas, o reajuste da suplementação mineral, que representa 16,5% dos custos totais, chegou a 20,18% de dezembro para janeiro, considerando-se a média ponderada dos dez estados desta pesquisa. As maiores altas desse insumo correram no Mato Grosso (35%), Mato Grosso do Sul (29,22%), Paraná (28,78%) e no Pará (24,51%). O estado menos prejudicado foi o Rio Grande do Sul, registrando aumento de 6,46%. Do lado da demanda, grandes produtores agrícolas, como China, Estados Unidos, Índia e Brasil, têm ampliado o consumo de fertilizantes ano a ano, sinalizando o início de uma crise de abastecimento desses insumos. Com o

Tabela 1. - Impacto do aumento do bicálcico do sal mineral FOSFATO BICÁLCICO R $ / t Aumento Acumulado 21/12/2006 27/02/2007 25/05/2007 16/10/2007 30/01/2008 15/02/2008 01/03/2008

780,00 810,00 860,00 900,00 1.070,00 1.380,00 1.800,00

3,85% 6,17% 4,65% 18,89% 28,97% 30,43%

3,85% 10,26% 15,38% 37,18% 76,92% 130,77%

SAL COM 90g de FÓSFORO R$/sc Aumento Acumulado 26,40 27,70 27,75 28,40 30,00 35,80 43,00

Fonte: Cobrac - Cooperativa Agropecuária do Brasil Central

4,92% 0,18% 2,34% 5,63% 19,33% 20,11%

4,92% 5,11% 7,58% 13,64% 35,61% 62,88%

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O aumento nos preços dos fertilizantes não está afetando apenas os agricultores. Apenas nos cinco primeiros meses deste ano, os suplementos minerais - insumo importante na pecuária - praticamente dobraram de preço, acumulando reajuste médio de 60%. Como os suplementos minerais representam 15% dos custos de produção da pecuária nacional, criar boi ficou cerca de 7,5% mais caro. E olha que este não é o único insumo a ter reajuste. O aumento dos insumos é o maior já registrado pela pesquisa do CEPEA Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da USP. E o pior é que deve continuar em alta. O maior responsável pelo encarecimento deste insumo foi o ácido fosfórico, que é matéria-prima do fosfato bicálcico - componente principal do sal mineral. (veja tabela 1). O fósforo (também essencial em fertilizantes) é um nutriente em escassez no mercado mundial. “A exploração da rocha fosfática não tem acompanhado a expansão agrícola mundial”, afirma Marcos Baruselli, presidente da Asbram - Associação das Indústrias de Suplementos Minerais. Hoje, os maiores produtores de rocha fosfática são os Estados Unidos e a China, com 34 e 28 milhões de toneladas/ano, respectivamente. Contudo, eles consomem tudo que produzem e ainda importam. O Marrocos possui 3/4 das reservas mundiais de fosfato e é quem abastece o mercado mundial, totalizando cerca de 24 milhões de toneladas anuais, seguido da Rússia (11 milhões), Tunísia (8 milhões), Jordânia (7 milhões), África do Sul (3 milhões) e Israel (3 milhões). O Brasil produz cerca de 6 milhões de toneladas anuais, volume insuficiente para atender suas necessidades de fertilizantes. O país poderia produzir mais fosfato, pois possui reservas de 261,6 milhões de toneladas. Mas grande parte da rocha brasileira tem baixa concentração de fósforo (3% contra 30% da marroquina), o que frequentemente torna sua extração antieconômica.

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Aumento do sal mineral assusta pecuaristas


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intuito de conter a inflação, o governo chinês deve aumentar os investimentos no campo já em 2008.

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vez que a estatal operou acima de 90% da capacidade máxima de extração. Caso empresas que comercializam produtos que contém ácido fosfórico no Brasil se instalem naquele país, os intermediários poderão deixar de existir e, com eles, o preço da matéria-prima deverá ser menor. Segundo informações da Agência Nacional para Difusão de Adubos (Anda), se essas indústrias de fertilizantes decidirem manufaturar por lá, poderão vender aqui isentas de ICMS - importação de fertilizantes não paga ICMS. Contudo, a questão a ser respondida é se esses benefícios chegarão aos produtores no Brasil.

Figura 1 - Evolução acumulada dos preços da suplementação, dos fertilizantes e corretivos e da arroba do boi gordo no Brasil.

Em curto prazo, as perspectivas quanto aos preços do sal mineral não são favoráveis ao pecuarista brasileiro. Mas, em médio prazo, pode haver aumento da oferta. A capacidade de produção da estatal marroquina OCP Group, que é responsável por 47% da produção mundial do ácido fosfórico e de 9,5% do total mundial de fertilizantes, deve aumentar. Em fevereiro, a OCP anunciou a sua abertura a investimentos estrangeiros. A

Bünge, por exemplo, montou uma jointventure para a produção de derivados de fosfatos. Isso deve ampliar a extração e a oferta de fosfato no mercado uma

Sebrae Franca realiza 1º Congresso Francano do Agronegócio Um fórum de discussão e debates sobre as principais cadeias produtivas do agronegócio regional. Esta foi a proposta do 1º Congresso Francano do Agronegócio, realizado de 19 a 21 de maio, no Auditório “Fábio de Salles Meirelles”, no recinto do Parque de Exposições “Fernando Costa”, durante a 39ª Expoagro. O evento foi realizado pelo Sebrae-SP, tendo o apoio da Prefeitura de Franca; do IBS - Instituto Biosistêmico; da Uniata Cooperativa de Trabalho dos Profissionais do Setor Agropecuário e Afins da Região de Franca; e da CATI - Coordenadoria de Assistência Técnica Integral. Foram realizadas 15 palestras técnicas envolvendo a produção de leite, de cachaça, de café, de agricultura orgânica, de piscicultura, de hortifruticultura, apicultura e ovinocultura. “Não medimos esforços para trazer os melhores profissionais nas áreas abordadas no congresso”, afirma Evernon Reigada, consultor do Sebrae Franca e gestor do Programa SAI - Sistema Agroindustrial Integrado. As cadeias produtivas abordadas no congresso fazem parte do trabalho desenvolvido pelo Sebrae na área do agronegócio.

Painel da Agricultura Orgânica Orgânica:: Café:: Maurício Miarelli (Cocapec), Álvaro Werneck (Planeta Orgânico), Painel do Café Nelson Queiroz (moderador) e Milton Pucci (moderador, Franterra) e Fábio Fernando Taveira (Assoc. Produtores Moreira da Silva (UFLA) Orgânicos Franca e Região)

Painel da Apicultura: Radamés Zovaro (Zovaro), Álvaro Cirillo (moderador) e Gabriel Bacha (Sebrae)

Painel da Ovinocultura Ovinocultura:: William Wattie (cônsul da Nova Zelândia), Edson Siqueira (Alta Genetics) e Sérgio Berteli (moderador).

Painel da Cachaça: Marcelo Laurino, Painel da Hortifruticultura Hortifruticultura:: Vinicius Trobin fiscal federal do Ministério da Agri- (Pensa), Claudine Campanhol (moderadora) e cultura e Abastecimento. Marcos Villanueva (IBCE)


CONTABILIDADE RURAL

Admissão do Empregado Rural

10º) - Qual o procedimento a ser adotado caso o empregado recém-contratado não tenha recolhido a Contribuição Sindical? Na admissão de empregados durante o ano, a empresa verificará se o empregado já contribuiu em emprego anterior. Caso positivo, o empregador rural não deverá efetuar novo desconto, ficando, nessa hipótese, obrigado a anotar no livro ou ficha de registro de empregados a informação quanto ao desconto e recolhimento da contribuição pela empresa

11º) - É necessária a elaboração de um contrato de trabalho escrito? Não. Mas, para segurança das partes, é recomendável que, juntamente com a anotação da CTPS, seja procedida a elaboração de um contrato de trabalho escrito, contendo, no mínimo, os seguintes requisitos: a)- identificação completa do empregador e do empregado; b)- função do empregado; c) - período do contrato (exceto para o contrato por prazo indeterminado); d)- salário; e) - os descontos que, autorizados por lei, serão efetuados; f) - a periodicidade dos pagamentos (semanal, quinzenal ou mensal);

Escritório de Contabilidade Rural

ALVORADA CADASTRO NO INCRA (C.C.I.R.), I.T.R., IMPOSTO DE RENDA, DEPARTAMENTO PESSOAL, CONTABILIDADE E OUTROS 33 ANOS PRESTANDO SERVIÇOS CONTÁBEIS AOS PROPRIETÁRIOS RURAIS Rua Gonçalves Dias, 2258, Vila Nicácio Franca (SP) - PABX (16) 3723-5022 Email: ruralalvorada@netsite.com.br

g) - os adiantamentos e sua periodicidade; h) - condições de moradia e alimentação; i) - os horários de trabalho e os períodos de descanso; j) - a especificação das tarefas; k) - a proibição da ajuda de familiares, principalmente menores de 16 anos; l) - e demais condições de interesse das partes, permitidas em lei. 12º) - O empregador rural pode contratar mão-de-obra de outra cidade? Sim, desde que atendidos os requisitos previstos em lei. Caso contrário, o produtor rural ficará sujeito a multa do Ministério do Trabalho e Emprego MTE, entre outras penalidades. 13º) - Quais são os requisitos para a contratação da mão-de-obra em outra cidade? Sugere-se ao produtor rural que necessitar contratar mão-de-obra migrante siga algumas orientações dadas pelo MTE: a) - o recrutamento deverá ser feito diretamente pelo produtor rural ou seu preposto; b) - a assinatura da CTPS e a realização do exame médico admissional devem ser realizados no local da contratação; c) - deve-se elaborar uma listagem, em duas vias, com o nome e o número da CTPS de todos os empregados contratados, que deverá ser protocolada na Subdelegacia do Trabalho mais próxima do local onde estão sendo contratados os trabalhadores; d) - o empregador deverá custear o transporte, a alimentação e hospedagem dos trabalhadores até o local de trabalho e o retorno para a cidade de origem; e) - sugere-se ainda, que sejam informadas aos trabalhadores, no ato da contratação, as condições de trabalho, salário, forma de pagamento, as condições em que serão alojados (se for o caso), dentre outras; f) - para maior segurança das partes, deve-se celebrar um contrato por escrito, prevendo todas as condições de trabalho, no ato da contratação.

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9º) - No caso de contratação de safristas, apanhadores de café, quais os equipamentos de proteção básicos a serem fornecidos? Cabe ao empregador rural (recomenda-se a contratação de pessoal capacitado para tal verificação) avaliar as atividades a serem desenvolvidas em sua propriedade e com base nos resultados adotar as medidas de proteção, inclusive determinar quais os equipamentos a serem fornecidos aos empregados. Para o café, por exemplo: bota, peneira, luvas, óculos, chapéu ou outra proteção contra o sol, entre outros que o empregador rural julgar necessário.

anterior. Caso negativo, o empregador rural deverá efetuar o desconto de um dia do salário mínimo, no mês subseqüente ao da admissão. Por exemplo, o empregado admitido no mês de maio, sofrerá o desconto da contribuição sindical no mês de junho e o recolhimento ao sindicato será efetuado no mês de julho. Para os empregados admitidos nos meses de janeiro e fevereiro, o desconto deve ser realizado apenas no mês de março, juntamente com os demais empregados da empresa.

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Damos continuidade, nesta edição, às orientações para que o proprietário rural contrate empregados rurais sem maiores “dores-de-cabeça”.


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Edição 22 - Revista de Agronegócios - Maio/2008  

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