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1 Revista Attalea庐 Agroneg贸cios - Dez 2008 -


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Revista Eurolatte 700 / 1050 Attalea® Agronegócios

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Unidade de Vácuo

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- Dez 2008 -

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Attalea

3 Revista Attalea® Agronegócios

Venha conhecer a linha de tratores cafeeiros compactos

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- Dez 2008 -

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E D I T O R I A L

4 Revista Attalea® Agronegócios

O empresário e a falta de informação O ano de 2008 se encerra. Não foi um ano ruim; mesmo com todas as ‘pré-ocupações’ do segundo semestre. Registraram-se altas na produção e nas vendas em todos os setores do agronegócio. Contudo, mais do que nunca, a ‘esperança de um ano melhor’ não sai da cabeça de agricultores e empresários. Alguns setores do agronegócio brasileiro começam a sentir os reflexos da crise econômica mundial. Os preços dos insumos alternam altos-e-baixos, as indústrias diminuem as produções, demissões são anunciadas. Com tudo isto, a palavra-de-ordem é: ‘cautela’. Participei de uma palestra, no começo de dezembro, do consultor Marcelo Prado, em que este abordou o tema gestão empresarial na propriedade rural. Magistral sua explanação. Segundo ele, se um empresário não

conhecer a fundo o seu negócio, este está fadado a ‘perder dinheiro’. De acordo com Prado, a informação é a principal ‘arma’ de qualquer empresário. Pessoas informadas não são surpreendidas. Assim, perguntamos: você, produtor rural, tem informação suficiente para gerir o seu negócio? E você, empresário, utiliza-se dos meios de comunicação para chegar ao seu cliente? Crises financeiras sempre existiram e sempre existirão. Mas a característica principal de quem ‘está em crise’ é a má-gestão dos seus negócios. Alguns empresários confundem ‘cautela’ com ‘medo’. Outros, com mais visão de mercado, aproveitam a situação para fixar sua marca e seus produtos! Bom Natal e um excelente 2009!

A REGIÃO EM FATOS E IMAGENS

A Revista Attalea Agronegócios, registrada no Registro de Marcas e Patentes do INPI, é uma publicação mensal da Editora Attalea Revista de Agronegócios Ltda., com distribuição gratuita a produtores rurais, empresários e profissionais do setor de agronegócios, atingindo 85 municípios das regiões da Alta Mogiana, Sul e Sudoeste de Minas Gerais. EDITORA ATTALEA REVISTA DE AGRONEGÓCIOS LTDA. CNPJ nº 07.816.669/0001-03 Inscr. Municipal 44.024-8 R. Profª Amália Pimentel, 2394, São José - Franca (SP) CEP: 14.403-440

EMAIL’S revistadeagronegocios@netsite.com.br revistadeagronegocios@hotmail.com revistadeagronegocios@bol.com.br

NOVO TELEFONE (16) 3403-4992

- Dez 2008 -

DIRETOR E EDITOR Eng. Agrº Carlos Arantes Corrêa (16) 9126-4404 cacoarantes@netsite.com.br DIRETORA COMERCIAL e PUBLICIDADE Adriana Dias (16) 9967-2486 adrianadias@netsite.com.br CONTABILIDADE

Fazenda tradicional no município de Patrocínio Paulista (SP). Foto: Revista “Cidade em Revista”, publicado em 1955. (gentilmente autorizada a publicação pelo Departamento de Imprensa da prefeitura de Patrocínio Paulista) QUEM TIVER FOTOS ANTIGAS SOBRE O TEMA AGRONEGÓCIOS, DAS REGIÕES DA ALTA MOGIANA OU SUDOESTE MINEIRO, MANDE-NOS PARA PUBLICARMOS NESTA SEÇÃO.

CAPA

Foto da Capa:- Editora Attalea Córrego com matas ciliares preservadas. (São Sebastião do Paraíso/MG)

ERRAMOS

BLOG

Na edição anterior (nº 28, novembro/2008), por falha de edição, não foi inserido o logotipo da Campagro no evento de confraternização dos engenheiros agrônomos (págs. 12 a 14). A Campagro, filial de Franca (SP) sempre contribuiu para a realização do evento e é parceira do engenheiro agrônomo.

Acompanhe diariamente as novidades do agronegócio regional no novo Blog da Revista Attalea Agronegócios. www.revistadeagronegocios.zip.net

PORTAL PEABIRUS Participe do Peabirus, fórum gratuito de discussões sobre agronegócios e visite a página da Revista Attalea Agronegócios. www.peabirus.com.br/redes/ form/comunidade?id=1470

Escritório Contábil Labor R. Campos Salles, nº 2385, Centro - Franca (SP) Tel (16) 3722-3400 CTP E IMPRESSÃO Cristal Gráfica e Editora R. Padre Anchieta, 1208, Centro Franca (SP) - Tel. (16) 3711-0200 www.graficacristal.com.br ASSESSORIA JURÍDICA Raquel Aparecida Marques OAB/SP 140.385 É PROIBIDA A REPRODUÇÃO PARCIAL OU TOTAL DE QUALQUER FORMA, INCLUINDO OS MEIOS ELETRÔNICOS, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO DO EDITOR. Os artigos técnicos, as opiniões e os conceitos emitidos em matérias assinadas são de inteira responsabilidade de seus autores, não traduzindo necessariamente a opinião da REVISTA ATTALEA AGRONEGÓCIOS.

Cartas / Assinaturas Editora Attalea Revista de Agronegócios Rua Profª Amália Pimentel, 2394 São José - Franca (SP) CEP 14.403-440 revistadeagronegocios@netsite.com.br


Sami Máquinas inaugura nova concessionária em Franca FOTOS: Editora Attalea

Em uma loja ampla, com fachada de arquitetura moderna, a Sami Máquinas inaugurou no final do mês de novembro sua nova concessionária para a região de Franca (SP). Para esta inauguração, a diretoria ofereceu durante uma semana condições especiais para a aquisição de máquinas e implementos. Um jantar de confraternização oferecido aos parceiros e produtores rurais da região fechou com brilhantismo a inauguração da nova concessionária. Antigamente instalada às margens da Rodovia Cândido Portinari, a Sami Máquinas passa a ocupar agora uma ampla área no Distrito Industrial.Além da mar-

M Á Q U I N A S

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ca Yanmar-Agritech, a empresa também é representante das marcas Nogueira, Dria, Kamaq, Husqvarna, Honda e Dragão-Sol, oferecendo assim uma variedade de opções em tecnologia voltada à todos os tipos de culturas e atividades

para o agronegócio regional. Parabéns aos amigos Sami e Maria Elaine, com votos de muito sucesso e muitas vendas em 2009! A empresa planeja para breve inauguração de outra loja em São Sebastião do Paraíso (MG).

Revista Attalea® Agronegócios - Dez 2008 -


M Á Q U I N A S

YANMAR-AGRITEC

6 Revista Attalea® Agronegócios - Dez 2008 -

Relatório da ANFAVEA - Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, divulgado no começo de dezembro, informa que o ano de 2008 superou todas as expectativas para o setor de máquinas agrícolas. Mesmo recuando cerca de 21% em novembro frente ao mês anterior, as vendas de máquinas agrícolas no Brasil no período de janeiro a novembro acumularam um aumento de 42,8% na comparação com o mesmo período de 2007, alcançando a marca de 50.762 unidades. Aproveitando o ritmo das vendas, a indústria de máquinas agrícolas também registrou alta nos três primeiros trimestres do ano. Com 79.597 unidades produzidas neste ano, a indústria superou o ano anterior em 30,7%. A ‘cautela’ do mercado nos últimos dias pode provocar queda nestes percentuais, mas o volume produzido e comercializado contribui para que o setor de máquinas agrícolas esquecesse as dificuldades de anos anteriores.

AgroP.

TRAMONTINI

Em dezembro aconteceu a assinatura de convênio entre a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo e o Banco Nossa Caixa para operacionalização do Programa Pró-Trator Pró-Trator. O programa busca incentivar a aquisição de tratores novos, financiados em até cinco anos, com até três anos de carência (a ser definida pelo engenheiro agrônomo, com base na receita da atividade explorada) e juro zero, subsidiado pelo Governo de São Paulo, por meio do FEAP - Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista. Os tratores podem ter faixa de potência de 50cv, 75cv, 80cv, 100cv, e 120cv, com índice de nacionalização mínimo de 60%. Será permitida a aquisição de apenas um trator por beneficiário do programa. Os beneficiários são os produtores

Máquinas Agrícolas LTDA.

Av. Wilson Sábio de Mello, 1880, Vila Santa Elena (Distrito Industrial) CEP 14.406-781 - Franca (SP) - Fone/Fax: (16) 3724-4041 email: agroplfranca@agropl.com.br - www.agropl.com.br

MASSEY

FERGUSON

Programa Pró-Trator pode alavancar ainda mais o setor

.

Consultoria em Mecanização Aluguel e Venda Para Café e Eucalipto

FOTO: Divulgação

FOTO: Divulgação

FOTO: Divulgação

Vendas e fabricação de máquinas agrícolas batem recordes em 2008

REVENDEDOR AUTORIZADO

rurais com renda bruta agropecuária de até R$ 400 mil /ano que represente no mínimo 80% da sua renda bruta anual total. O Programa Pró-Trator tem o objetivo de melhorar a produtividade, competitividade e qualidade dos produtos agropecuários, e diminuir as desigualdades sociais para gerar oportunidades de emprego e renda. A CATI - Coordenadoria de Assistência Técnica Integral, é a entidade responsável pela habilitação inicial do produtor ao programa, através de suas unidades de atendimento (Escritórios Regionais e Casas da Agricultura). Caberá à Nossa Caixa a análise do crédito para aprovação do financiamento. Para maiores informações, o agricultor deve procurar a Casa da Agricultura do seu município.


Organizada pela equipe da Campagro, filial de Franca (SP), sob a coordenação de José de Alencar, foi realizada em dezembro, no Auditório “Fábio de Salles Meirelles”, no Parque de Exposições “Fernando Costa”, uma palestra da Compo do Brasil, abordando o tema: Fertilizantes de Liberação Lenta e Gradual. O engº agrº Edson de Toledo Oliveira apresentou o portifólio da empresa em fertilizantes, orientando cafeicultores e profissionais do setor quanto à forma de aplicação dos

produtos, bem como as diferenças entre os fertilizantes especiais de liberação lenta e controlada. “No processo físico, o grânulo do fertilizante é recoberto com uma película de cêra elástica (poligen) e sua liberação acontece de forma gradual e lenta quando o grânulo entra em contato com a umidade do solo. Já no processo químico, como o próprio nome diz, há uma reação química e o fertilizante é liberado de forma gradual, mas um pouco mais rápida”, explica Oliveira.

FOTOS: Editora Attalea

Fertilizante de liberação lenta e gradual é tema de palestra da Compo

N O T Í C I A S

COCAPEC e SEBRAE apresentam resultados do Diagnóstico 4C No hotel Shelton Inn, em Franca (SP), a COCAPEC - Cooperativa dos Cafeicultores e Agropecuaristas de Franca e Região apresentou a síntese dos resultados do Diagnóstico 4C, realizado pelo SEBRAE em 251 propriedades de cafeicultores cooperados, localizados nos 22 municípios da área de atuação da cooperativa. Estiveram presentes no evento cerca de 200 pessoas, entre cooperados e Carlos Sato (vice-presidente da COCAPEC), Ricardo profissionais do setor. Lima Andrade (secretário da COCAPEC), Iroá NoIroá Nogueira Arantes, gueira Arantes (gerente do Escritório Franca do SEgerente do Escritório do BRAE-SP), Marcelo Prado (consultor e palestrante da noite), Maurício Miarelli (presidente da COCASEBRAE em Franca e o PEC), Evernon Reigada (gestor de agronegócios do Engº Agrº Maurício Mia- Escritório Franca do SEBRAE-SP) e Plaucius de relli, diretor-presidente Figueiredo Seixas (coordenador Programa 4C na da COCAPEC e vice- C O C A P E C ) . presidente da OCESP COCAPEC. O consultor Marcelo Prado, Organização das Cooperativas do Estado de Uberlândia (MG), abrilhantou o evento de São Paulo foram os anfitriões do com uma palestra sensacional, abordando o evento. tema: “Gestão Empresarial na Propriedade A síntese dos resultados foi apresentada Rural”, com ênfase para a atual crise pelo Engº Agrº Plaucius de Figueiredo econômica mundial. Seixas, responsável pelo Programa 4C na

CURTAS • Programa de Avicultura Familiar da Prefeitura de Franca (SP) distribuiu 4.798 dúzias de ovos e 23 mil pintainhos (corte e postura) em dois anos de projeto. • CATI comemorou 41 anos com eventos abordando o tema: projetos para a agricultura familiar. • Programa Semeando-2008 premiou o aluno Johny Alves dos Santos, de São Sebastião do Paraíso (MG). • Cobrança pelo uso de água na zona rural foi tema de reunião de trabalho do Comitê de Bacias Hidrográficas dos Rios Sapucaí-Mirim e Grande em Franca (SP). • CAROL inaugurou filial em Uberaba (MG) ampliando sua atuação na captação de soja e comercialização de produtos. • Jussara inaugura laticínio em Araxá (MG), com investimento de R$ 30 milhões e geração de 150 empregos.

Rua Campos Salles, 2385 Centro - Franca (SP) Tel. (16) 3722-3400 - Fax (16) 3722-4027

Escritório Contábil

Rua José de Alencar, 1951 Estação - Franca (SP) Tel. (16) 3722-2125 - Fax (16) 3722-4938

ABERTURA DE FIRMAS, ESCRITAS FISCAIS E CONTABILIDADE EM GERAL

7 Revista Attalea® Agronegócios - Dez 2008 -


8 Revista Attalea® Agronegócios - Dez 2008 -

FAFRAM festeja 21 anos entre as melhores Vinicius A. M. Junior 1

de extensão rural ligados ao treinamento de uso correto de Em 25 de janeiro de defensivos e uma moderna 1971, foi constituída a Funcentral de recebimento de dação Educacional de Ituveembalagens de agrotóxicos rava - FEI, para gerir, admipara serem encaminhados a nistrar e manter a Faculdade reciclagem. de Filosofia, Ciências e Letras O campo de atuação do de Ituverava, uma Instituiengenheiro agrônomo é vasto ção de Ensino Superior que podendo atuar em univerhá mais de trinta anos vem sidades e faculdades como sendo responsável pela for(professor e pesquisador), mação de professores nas Vista aérea do bloco de salas de aulas da FAFRAM centros de pesquisa em agriáreas de Matemática, Letras, História e de pesquisa. Para o ensino prático a fa- cultura e pecuária, propriedades Pedagogia. culdade possui um setor de produção e agrícolas (agricultura, fibras e A experiência no ensino superior da desenvolvimento, localizada numa área zootecnia), empresas ligadas ao FEI aliada à necessidade de suporte téc- de 246,34 ha, no município vizinho de agronegócio, prestação de serviços em nico-científico para sustentar o desen- Buritizal (SP). meio ambiente (APPs, RIMA, Refloresvolvimento agroindustrial da região O curso de Agronomia da FAFRAM tamento, Etc), bancos (financiamentos norte do Estado de São Paulo, uma das tem o objetivo de capacitar o formando da produção, CPR, etc), seguradoras mais ricas, diversificadas e avançadas do em nossa instituição a atuar com compe- (seguros agrícolas), bolsa de mercapaís no setor de produção agropecuária, tência científica, tecnológica e de forma dorias e de futuros, perito judicial na mobilizou os agricultores, pecuaristas e criativa de modo a atender às neces- área de agronomia, cooperativas e assoempresários dessa região e resultou, em sidades da sociedade na produção de ciações de agricultores, empresas de 1987, na criação da Faculdade de Agro- alimentos, energia e fibras de maneira insumos (adubos e defensivos agrícolas), nomia “Dr. Francisco Maeda” – FA- sustentável com respeito integral ao portos e empresas de exportação e FRAM/FE, reconhecida pela Portaria meio ambiente, propondo soluções e importação de produtos agropecuários, Ministerial n º 1.456 de 01/10/92, publi- alternativas aos consumidores dos colégio agropecuários e de meio cada no D.O.U. de 05/10/92, hoje deno- serviços de agronomia. Nosso curso ambiente, setor de produção florestal e minada de Faculdade “Dr. Francisco tem a duração de quatro anos e meio, empresas produtoras de papel e celulose, Maeda”, conforme Portaria nº. 1.389- sendo o ultimo semestre dedicado ao setor de produção de agroenergia MEC, de 3 de junho de 2003, publicada estágio curricular supervisionado e (álcool e biodiesel) e agricultura orno D.O.U. de 4 de junho de 2003. durante os períodos finais do curso o gânica, biodinâmica e alternativa, entre Nesse pequeno período, a FAFRAM/ aluno tem que desenvolver um projeto outras opções de trabalho. FE, alinhou-se com as melhores do país, de pesquisa e defender sua monografia Portanto o mercado de trabalho o que pode ser comprovado pela atua- de trabalho de conclusão de curso para o Engenheiro Agrônomo é extenso ção e prestígios conquistados pelos seus (TCC). Além do estágio supervisionado e amplo, com inúmeras oportunidades formandos em Instituições Públicas e o aluno em nossa instituição tem opor- futuras, pois o consumo de alimentos, Privadas, além da nota quatro obtida tunidade de atuar em monitorias em fibras e energia têm lugar em todo o no ultimo ENADE. disciplinas e projetos de pesquisa e ex- mundo e esta na pauta de desenvolA FAFRAM conta com uma Fazen- tensão, para aprimoramento do proces- vimento de todos os países em relação da de Ensino e Pesquisas de 71,13 ha. so de ensino e aprendizagem. Atual- ao bem estar e segurança da população. Dispõe de excelente infra-estrutura em mente contamos com um quadro doNos últimos anos o perfil dos cursos salas de aulas teóricas e práticas, em cente qualificado e experiente com 90 de Engenharia Agronômica (Agronolaboratórios didáticos, de pesquisa e de % de mestres ou doutores, que além de mia) vem se adaptando a novas realidaextensão, além de prédios de Departa- experiência acadêmica e de pesquisa, des do mercado e evoluindo para valomentos, compreendendo os Núcleos de conta com experiência em empresas e rizar áreas como meio ambiente, sustenConteúdo Básicos, de Conteúdos Essen- propriedades agropecuárias. tabilidade, agroenergia e genética. Mas ciais e de Conteúdos Específicos, e uma A FAFRAM conta com modernos é certo que na FAFRAM além das novas biblioteca em constante atualização de laboratórios e Fazendas de pesquisa e tendências o tradicional é valorizado livros e revistas técnico-científicas espe- produção comercial para oferecer su- pois os conhecimentos básicos subsistem cializadas. Nessa fazenda, os alunos porte ao aprendizado prático. Outro as mudanças e dão sustentabilidade ao acompanham e desenvolvem projetos aspecto importante são os convênios novo modelo de profissional, mais 1 - Professor e Coordenador Curso de com empresas em todo o país para o eclético e focado nos grandes desafios Agronomia da FAFRAM – Ituverava (SP). desenvolvimento de pesquisa e estágios, relacionados no trinômio: alimentação Fone/PABX (16) 3729-9000. E-mail fafram@feituverava.com.br. além de uma forte tradição em projetos – energia - sustentabilidade. FOTO: Divulgação

L E I T E


F U N D A Ç Ã O EDUCACIONAL

Qualidade de Ensino, Pesquisa e Extensão AGRONOMIA - FAFRAM RESULTADO ENADE 2007

2ª MELHOR PARTICULAR DO BRASIL

Attalea

1º LUGAR NO SUDESTE BRASILEIRO

9 Revista Attalea® Agronegócios - Dez 2008 -

GEOPROCESSAMENTO e GEOREFERENCIAMENTO de IMÓVEIS URBANOS e RURAIS

AGRONEGÓCIO e DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

AGROINDÚSTRIA CANAVIEIRA

EDUCAÇÃO AMBIENTAL e RESPONSABILIDADE SOCIAL

AGROENERGIA e SUSTENTABILIDADE

CERTIFICAÇÃO e RASTREABILIDADE DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA e COMERCIALIZAÇÃO

ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO

DURAÇÃO: 12 MESES LETIVOS

AULAS QUINZENAIS

CORPO DOCENTE ESPECIALIZADO (IAC, ESALQ/USP, IEA, UNESP, FAFRAM/FE, FFLC/FE)


L E I T E

10 Revista Attalea® Agronegócios - Dez 2008 -

Como manejar sua capineira de forma correta A capineira como forma de suplementação volumosa do rebanho leiteiro ainda se constitui em alimento tradicional como complemento da pastagem na estação chuvosa e o principal volumoso, durante o período seco do ano, na maioria das propriedades que desenvolvem a atividade leiteira. No entanto, os resultados em termos de produção de leite são bastante variáveis. Essa variação na produção animal, é causada, quase sempre, pela utilização de forragem com diferentes idades, e que apresentam valores nutritivos muito diferentes, afetando, conseqüentemente o consumo diário dos animais. O capim-elefante é considerado uma das mais importantes forrageiras tropicais devido ao seu elevado potencial de produção de biomassa, boa adaptação aos diversos ecossistemas e boa aceitação pelo animal, sendo largamente utilizado na alimentação de rebanhos leiteiros sob diversas formas como: capineira, feno, silagem e, também, sob pastejo. É a forrageira mais indicada para a formação de capineiras, para corte e fornecimento de forragem verde picada no cocho, pois, além de uma elevada produtividade, apresenta as vantagens de propiciar maior aproveitamento da forragem produzida e uma redução de perdas no campo. Como desvantagem, apresenta uma rápida perda de qualidade decorrente do aumento da idade da planta, fator observado na maioria das forrageiras tropicais. Existem diversas cultivares de capim-elefante sendo utilizadas para corte e fornecimento no cocho, mas tanto a produtividade como a qualidade da forragem estão mais relacionadas com o manejo adequado do que com a cultivar utilizada. Entre as cultivares mais utilizadas para corte em propriedades produtoras de leite, pode-se citar a ‘Mineiro’, a ‘Napier’, a ‘Taiwan’, a ‘Cameroon’ e a cultivar ‘Roxo’, com plantas que apresentam diferentes tipos morfológicos. No entanto, certos produtores têm usado características individuais da

planta para orientar a melhor forma de uso das cultivares. Como exemplo, variedades com elevado grau de pilosidade não tem sido utilizadas na formação de capineiras, em face do desconforto pelo seu manuseio. Outros capins, como o ‘Venezuela’, o ‘Guatemala’ e o ‘Colonião’, têm sido utilizados, porém em menor escala e com produtividade mais baixa que a observada em capim-elefante. Utilização da capineira como forragem - Em geral, na maioria das propriedades leiteiras, as capineiras são mal manejadas; entretanto, quando manejada corretamente, poderá possibilitar utilização mais eficiente desse recurso forrageiro. É preciso, no entanto, relacionar a área disponível de capineira com o número de animais a serem arraçoados, devendo-se manejá-la durante todo o ano. Para tanto, a capineira deve ser manejada em talhões com diferentes alturas do capim, o que facilita o seu manejo, permite ao produtor estabelecer comparações entre os talhões e, também, possibilita estimar a quantidade de capim disponível a curto prazo. Em geral, com um hectare de capineira bem formada e manejada pode-se alimentar dez vacas de leite durante aproximadamente 120 dias, com uma produção diária de leite em torno de 6 kg/ vaca, exclusivamente com forragem da capineira. A inclusão de outros ingredientes na dieta, como os concentrados, dependerá do nível de produção do rebanho e do estágio de lactação dos animais.

Quando e como cortar - Os cortes podem ser realizados manual ou mecanicamente, quando o capimelefante estiver com 1,80 metros de altura ou a cada 60 dias, na época chuvosa; na época seca, cortá-lo com 1,50 metros. Esse manejo visa obter a melhor relação entre a quantidade e a qualidade da forragem, uma vez que tanto o rendimento forrageiro quanto o valor nutritivo são afetados pela idade da capineira e, conseqüentemente, influenciando o desempenho animal. Dessa maneira, quando a forragem verde é a única ou a principal fonte de alimento, esta deve apresentar elevada qualidade, propiciando ao animal consumir quantidades de energia e proteína que possibilitem bom desempenho em ganho de peso ou produção de leite. O capim-elefante deve ser cortado em quantidade suficiente para dois dias de fornecimento aos animais, para maior racionalidade no uso da mão-deobra da fazenda, mas nunca deixá-lo “passar” para cortá-lo no ano seguinte. Em caso de sobra de capim de um talhão, este deve ser cortado e fornecido para categorias animal menos exigentes. Uma outra alternativa seria cortá-lo e utilizá-lo para ensilagem, caso haja previsão de sobra de capim no período de maior crescimento. O corte manual deve ser feito rente ao solo, de preferência com enxada bem afiada, facilitando os cortes seguintes, o que não é conseguido quando se faz o corte a 10 ou 20 cm de altura. O corte baixo facilita a entrada de carroças e carretas na área para recolher o capim, além de propiciar brotação mais robusta. Numa capineira cujo manejo de cortes é alto, com cortes a 10 ou 20 cm, podem ocorrer problemas de esmagamento de plantas pelo tráfego de carroças ou carretas, prejudicando as gemas acima do nível do solo e, em conseqüência, à rebrota seguinte, com redução drástica na sua produtividade e longevidade. No corte mecanizado, a colhedeira tipo TAARUP ou similar deve ser aco-


plada ao trator, com engate para carreta ou vagão. Este equipamento, além do corte, faz uma picagem grosseira do material cortado, que é conduzido à carreta ou vagão forrageiro por meio de um tubo. No entanto, equipamentos do tipo TAARUP possuem um mecanismo de corte que abala a base da touceira, comprometendo a rebrota do capim-elefante e sua produtividade a médio prazo, devendo ser preteridos em relação àqueles que trabalham com sistemas de facas oscilantes, hoje os mais recomendados para essa prática. Transporte, picagem e fornecimento aos animais - O material cortado manualmente pode ser transportado por carroça ou carreta até o local onde se encontra a picadeira de forragem. O manejo da carreta ou carroça para recolhimento do capim cortado deverá ser orientado no sentido de evitar a entrada de máquinas nas áreas recémcortadas e em fase de rebrota. Dessa maneira, o corte deverá ser iniciado do fundo para a frente da capineira.

Em seguida processa-se a picagem do material, tendo-se o cuidado de verificar se as facas estão afiadas e a picadeira regulada de modo que pique o material no tamanho de 1-2 cm, considerado o ideal e que possibilita aos animais um aumento no consumo de forragem. Facas desreguladas e cegas permitem o corte do material em pedaços muito grandes, desfibrados e desuniformes, fazendo que o consumo pelo animal seja reduzido e haja sobra de forragem no cocho. Além disso, prejudica o equipamento com desgastes e aumento no consumo de combustível ou energia.

No caso do corte mecanizado, o capim é picado pela própria máquina na capineira, não necessitando fazer a operação anterior. Os mesmos cuidados no procedimento da regulagem e afiação das facas devem ser observados antes de cada corte mecânico de forragem na capineira. Para evitar problemas com o desgaste das facas e com a regulagem da picadeira, o proprietário deve seguir as recomendações de uso do fabricante. Uma vez cortada, a forragem deve ser colocada no cocho para os animais, em balaios ou material similar, em quantidade suficiente para que o consumo animal não seja restringido, podendo ser administrada em uma ou duas porções diárias. O consumo de forragem verde pelo animal é variável e dependente do seu teor em matéria seca e do uso ou não de alimento concentrado ou pasto, entre outros fatores. Um animal adulto consome entre 25 e 35 kg/ dia de forragem verde como alimento exclusivo, além do concentrado. (FONTE: Embrapa Gado de Leite)

11 Revista Attalea® Agronegócios - Dez 2008 -


12 Revista Attalea® Agronegócios - Dez 2008 -

Novas pragas ameaçam a cultura do eucalipto Nos últimos anos, as plantações de eucaliptos no Brasil têm enfrentado problemas com pragas exóticas, como o psilídeo de concha, identificado em 2003 e que até hoje vem dando dor de cabeça aos produtores. No final de 2007, outra praga foi encontrada em plantações brasileiras de eucaliptos: a vespa-de-galha. Trata-se de uma outra espécie da praga chamada Leptocybe invasa, que ataca especificamente Eucalyptus camaldulensis, mais usado para a produção de madeira e carvão vegetal e também o principal alvo do psilídeo de concha. A vespa de galha mede cerca de meio milímetro, é difícil de ser visualizada a olho nu e tem preferência por atacar as partes novas da planta, principalmente a gema apical e as folhas em início de desenvolvimento. Sua reprodução ocorre por partenogênese, ou seja, todos os insetos que nascem são fêmeas que vão continuar a atacar a planta e a se reproduzir. Seu potencial de ataque é muito grande. Ela põe os ovos dentro da planta que, com o passar do tempo, começam a formar o que se chama da galha, uma espécie de tumor que deforma as folhas e ramos, prejudica a circulação da seiva e leva a queda de folhas e secamento de ponteiras. Toda a parte apical da planta pode secar, impedindo o crescimento e reduzindo significativamente a produtividade. Somente em 2008 foi feita a identificação e a confirmação da ocorrência pelo professor Evoneo Berti Filho, da Esalq. “É uma das pragas do eucalipto de mais rápida disseminação no mundo”, afirma o professor Carlos Frederico Wilcken, da área de Defesa Fitossanitária da Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp, campus de Botucatu. O inseto é originário da Austrália e se disseminou pela Ásia. Atualmente, gera problemas na Índia e na China, dois países que têm se destacado na produção de eucalipto. A praga também chegou ao Oriente Médio, em Israel, subiu até a Europa e já é encontrada na Espanha, no norte da África, em Marrocos e, de maneira bastante intensa, na África do Sul. A ocorrência da vespa de galha no Brasil, mais especificamente no nordeste FOTO: Editora Attalea

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da Bahia, é o primeiro registro feito no continente americano. Apesar de haver outros meios os especialistas entendem que há uma probabilidade alta de essa introdução ter ocorrido de modo acidental por estrangeiros que visitam as culturas. Como a detecção foi restrita a uma área experimental, foi recomendada a erradicação das plantas. Todas as árvores e mudas, independentemente do valor do experimento, foram cortadas e a queimadas. Atualmente, estão sendo feitas as avaliações para saber se a medida foi suficiente e monitoramentos na região para investigar a possibilidade da disseminação para outras áreas. Existe a suspeita de que a vespa de galha esteja presente na região de Piracicaba. O professor Evoneo Berti Filho da Esalq/ USP estuda diretamente o problema, em busca da confirmação da ocorrência. Percevejo BronzeadoBronzeado-Também da Austrália vem o mais novo inimigo das florestas brasileiras de eucalipto: o percevejo bronzeado. O inseto foi encontrado na África em 2004 e só agora estão acontecendo os problemas mais sérios de desfolha e clorose nas árvores. Em 2005, o inseto foi encontrado na Argentina e depois no Uruguai. Em fevereiro deste ano um alerta fitossanitário foi encaminhado para várias empresas sobre um possível risco de introdução nas plantações localizadas em regiões fronteiriças. O percevejo bronzeado mede cerca de três milímetros e coloca seus ovos sobre as folhas. Quando eles eclodem as ninfas passam a sugar a seiva da planta. Inicialmente, as folhas atingidas ficam esbranquiçadas. Com o tempo, a planta

passa a ficar com tons marrons ou avermelhados. Daí o nome do inseto de percevejo “bronzeado”. Finalmente, ocorre a queda de folhas, que pode ser total nas plantas mais suscetíveis. A espécie mais suscetível é o Eucalyptus camaldulensis, mas o percevejo se adaptou muito bem aos clones híbridos como o urograndis, muito plantado no Brasil. Responsável pela detecção do psilídeo de concha em 2003, o professor Wilcken detectou o percevejo em dois municípios do Rio Grande do Sul. “Durante o inverno a praga foi vista, ainda sem provocar danos às plantas. Mas a tendência é que ela se espalhe durante o verão”, alerta o professor. A preocupação aumenta em razão da comprovação da ocorrência da praga também no Estado de São Paulo. “O ponto zero da ocorrência foi em Jaguariúna. Hoje, depois de dois meses de detecção, as árvores daquela região estão inteiramente desfolhadas. O dano é muito rápido”, relata o professor Wilcken. Combate - No momento da detecção de cada uma das pragas foi feito um comunicado oficial para a divisão de sanidade vegetal do Ministério da Agricultura. “Temos mantido contato freqüente com os técnicos do Ministério”, conta o professor. “Estamos elaborando programas para treinamento dos fiscais do Ministério da Agricultura para a detecção da praga”. Certamente, as medidas deverão envolver ações de fiscalização nas rodovias, consideradas os melhores canais para a disseminação do percevejo bronzeado. O inseto se instala nas folhas e nas cascas da madeira e seus ovos podem permanecer vivos durante um tempo considerável e serem transportados juntamente com a madeira. O transporte de mudas também pode colaborar para a disseminação. O ideal seria plantar mudas obtidas de viveiristas dentro de cada Estado, de forma a restringir a circulação de mudas dos locais em que o problema existe para outras regiões. Medidas de controle químico e biológico devem ser adotadas, mas ainda requerem estudos mais aprofundados. No início de setembro, um evento na Esalq/USP voltado para as novas pragas do eucalipto, convidou


pesquisadores para comentar a situação das plantações de Pinus que, em outros tempos, tiveram sua produtividade reduzida em razão de pragas exóticas. Segundo o professor Wilcken, durante o evento foi discu-tida a possibilidade de elaboração de um projeto cooperativo envolvendo empresas e pesquisadores ligados a instituições como a FCA/UNESP, a ESALQ/USP, a Embrapa Meio Ambiente e a Embrapa Florestas. “São pragas presentes em regiões isoladas e razoavelmente distantes umas das outras, como Bahia, São Paulo e Rio Grande do Sul. Por isso precisamos trabalhar do ponto de vista cooperativo para alcançar uma solução”. Uma das propostas para o combate das pragas é o controle biológico. “Vamos buscar informações de outros países, principalmente no país de origem das pragas, para fazer os estudos iniciais e a avaliação do risco da introdução dos inimigos naturais de cada inseto”, revela Wilcken. “Como são insetos não pertencentes à nossa fauna é difícil encontrarmos inimigos naturais nativos do Brasil que possam controlar esse tipo de praga”. A África do Sul já está importando da Austrália o inimigo natural do percevejo bronzeado. O professor Wilcken foi conhecer a experiência sulafricana e tem mantido contato freqüente com pesquisadores de lá para acompanhar os resultados das medidas de controle. Com relação à vespa de galha, Israel já fez a introdução dos inimigos naturais. Ainda em 2008, pesquisadores brasileiros devem fazer uma visita para conhecer os resultados lá obtidos e avaliar a possibilidade de adotar as mesmas medidas no Brasil. A extensão territorial e as variações climáticas do Brasil não permitem ter certeza do sucesso das medidas de controle biológico. Para combater o psilídeo de concha também foi utilizada a introdução de um inimigo natural. Em algumas regiões, como em São Paulo, a medida funcionou bem. Por outro lado, em Minas Gerais a praga continuou com infestações altas. O manejo integrado de pragas parece ser a melhor estratégia. “Estamos estudando vários métodos de controle e a possibilidade de integração entre eles”, explica o professor Wilcken. Os métodos potencias de

controle são a resistência das plantas, através da seleção de clones de eucaliptos resistentes, avaliação de inseticidas químicos para uso em situações emergenciais e avaliação de inseticidas biológicos. O professor Wilcken anunciou o início de estudos do uso de fungos entomopatogênicos, ou seja, fungos que causam doenças em insetos. “Vamos buscar selecionar cepas desses fungos que sejam capazes de controlar essas pragas, com maior potencial para o percevejo bronzeado”. Produção em risco - Atualmente, a espécie de eucalipto com maior destaque no Brasil são os híbridos de Eucalyptus urophylla e de E. grandis, também conhecido por “urograndis”. É um material híbrido, de rápido crescimento, grande uniformidade. “Teremos que fazer os estudos para verificar a suscetibilidade de cada clone a cada uma dessas novas pragas. É um trabalho que vai levar cerca de dois anos para

nos dar uma idéia geral dos riscos que estamos correndo”, afirma o professor Wilcken. Embora ainda não seja possível prever o potencial dos danos causados pelas novas pragas, os pesquisadores do setor têm uma certeza: o Eucalyptus camaldulensis muito plantado na região central do Brasil, devido à qualidade da madeira para produção de lenha e carvão, além de ser resistente à seca, é considerada hoje uma espécie condenada por essas pragas. A principal recomendação é evitar plantios com essa espécie, porque há alto risco grandes infestações, gerando perdas significativas aos produtores rurais. Os produtores terão que evitar a espécie até obterem material resistente ou conseguirem um inimigo natural eficiente. “Com três pragas diferentes é muito difícil obter resistência e leva-se tempo até que tenhamos todo um manejo para manter a produção sem o ataque das pragas”.

(FONTE: FEPAF - Fundação de Estudos e Pesquisas Agrícolas e Florestais)

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Adubação em Tempos de Crise Heitor Cantarella, Bernardo van Raij e José Antônio Quaggio 1 Nutrientes minerais tais como nitrogênio (N), fósforo (P), potássio (K), cálcio (Ca), magnésio (Mg), enxofre (S) etc, são essenciais para a produção agrícola, pois eles compõem cerca de 5% da massa seca das plantas. Assim, a cada colheita de grãos, frutas, hortaliças, fibras, madeira etc, parte dos elementos minerais retirados do solo é transportada para fora da fazenda. Como exemplo, uma tonelada de milho contém cerca de 30 kg nos nutrientes mais caros, N, P e K. Se os nutrientes removidos pelas colheitas não forem repostos, ocorre um declínio gradativo da fertilidade do solo e, em conseqüência, da produtividade. Esses elementos devem ser repostos na forma de fertilizantes minerais ou orgânicos para manter a capacidade produtiva do solo. O nitrogênio é um caso especial. Para algumas culturas, especialmente as leguminosas como a soja e o feijão, parte do N pode vir da atmosfera por meio da fixação biológica promovida por microrganismos associados às plantas. Mas, para a maioria das plantas cultivadas, também o N tem que ser fornecido na forma de fertilizantes minerais ou orgânicos. Para o bom aproveitamento dos nutrientes aplicados ou presentes no solo, o solo não pode ser muito ácido. Assim, além da adubação, é necessário fazer a calagem quando a acidez do solo é excessiva. O calcário, que tem a função de corrigir a acidez dos solos, tornando os nutrientes mais facilmente disponíveis para as plantas, também fornece nutrientes, tais como cálcio e magnésio. Além disso, o gesso, um produto que serve para atenuar os efeitos da acidez do subsolo sob as raízes das plantas, fornece cálcio e enxofre. A agricultura moderna, pelos custos envolvidos para altas produtividades, não pode mais ser realizada sem a aplicação de elevadas quantidades de nutrientes e corretivos. O consumo do

Brasil em fertilizantes do Brasil em 2007 foi, segundo a ANDA, de 11,0 milhões de toneladas de nutrientes. Isso representa em torno de 50,9 kg de nutrientes NPK por tonelada de produto agrícola, incluindo grãos, cana-de-açúcar, tubérculos, fibras e frutas. O crescimento vertiginoso da demanda por fertilizantes nos últimos anos, puxado pelo consumo crescente da China, Índia, Brasil e vários outros países asiáticos fez com os preços desses produtos aumentasse muito no mundo todo. O reequilíbrio entre oferta e procura deve levar algum tempo, pois a fabricação de fertilizantes requer grandes investimentos industriais com longo tempo de maturação uma vez que os insumos utilizados para a produção de fertilizantes são rochas ou minerais naturais processados (para P e K, por exemplo) ou gás natural ou outros derivados de petróleo (para o N). Isso significa que os preços dos adubos devem continuar altos pelo menos por mais uma ou duas safras. Apesar dos preços das principais commodities estarem em patamares elevados, com algumas exceções como a cana-de-açúcar, a relação de troca entre fertilizantes e insumos versus produtos agrícolas se tornou desfavorável para os agricultores. Assim, muitos agricultores deverão cortar custos, especialmente com fertilizantes. Mas como reduzir o uso de um insumo essencial para o desenvolvimento das plantas como os fertilizantes sem prejudicar a produtividade?

Calcário

Sem Fósforo

Com Fósforo

Sem calcário 3 t/ha 6 t/ha

400 1.755 2.194

843 1.983 2.495

Fazer análise do solo - O primeiro passo é fazer a análise do solo para ter um diagnóstico das necessidades específicas para produzir em cada gleba da propriedade e priorizar a aplicação dos nutrientes mais limitantes à produtividade, que são aqueles que darão os maiores retornos ao capital investido e, consequentemente lucro. Há muitos laboratórios de análise qualificados para oferecer um bom serviço, com métodos apropriados para os solos tropicais. A página do IAC na internet (www.iac. sp.gov.br) dispõe de uma lista de laboratórios que participam do Programa Interlaboratorial coordenado por aquele instituto e também tem detalhes sobre os métodos de análise e o modo de realizar a amostragem. Corrigir a acidez do solo - O segundo passo é fazer calagem se o solo estiver ácido. A análise do solo também permite a obtenção de indicações seguras sobre o tipo e a quantidade de calcário a aplicar para as diferentes culturas. Há dois aspectos importantes relativos à calagem: a) o preço do calcário, produzido e consumido localmente,

Tabela 2. - Limites de interpretação de teores de potássio, magnésio, fósforo e de enxofre em solos. Teor no Solo

P Resina K+ M g ++ Florestais P e r e n e s Anuais Hortaliças t r o c . - - - - - - - - - - - - - - - - - m g / d m 3- - - - - - - - - - - - - - - - -

Muito baixo Baixo Médio Alto Muito Alto

0-2 3-5 6-8 9-16 > 16

0-5 6-12 13-30 31-60 > 60

0-6 7-15 16-40 41-80 > 80

0-10 11-25 26-60 61-120 > 120

S

mmol/dm3

0,0-0,7 0,8-1,5 1,6-3,0 3,1-6,0 > 6,0

mg/dm3

0-4 5-8 >8

0-4 5-10 >10

Tabela 3. - Limites de interpretação dos teores de micronutrientes em solos. Teor no Solo

B

Cu

Fe

Mn

Zn

- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - m g / d m 3- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

1

- Pesquisadores do Centro de Solos e Recursos Ambientais, IAC - Instituto Agronômico, Campinas (SP). Emails: cantarella@iac.sp.gov.br, bvanraij@iac.sp. gov.br e quaggio@iac.sp.gov.br,

Tabela 1. - Produtividade de algodão (kg/ ha de algodão em caroço) em função da aplicação de calcário e fósforo.

Baixo Médio Alto

0-0,20 0,21-0,60 >0,60

0-0,2 0,3-0,8 >0,8

0-4 5-12 >12

0-1,2 1,3-5,0 >5,0

0-0,5 0,6-1,2 >1,2


Figura 1. Aumento de produção de milho em resposta à adubação com KCl em solos com diferentes teores de K. Aumento da Produção de Milho, t/ha

Muito baixo Baixo

2,5

Médio 2,0

Alto

1,5 1,0 0,5 0,0 -0,5 Kcl

Figura 2. Em solos com baixa disponibilidade de fósforo há resposta do milho à adubação, mas o patamar de produtividade é relativamente limitado. Em solos ricos (teores altos) as respostas são pequenas e a produtividade, mesmo sem adubo, tende a ser maior. P r o d u ç ã o d e G r ã o s

8.000 6.000 4.000 Sem Adubo

2.000

Com P

0 Muito baixo

baixo

Médio

Alto

algodoeiro foi muito boa, porque a correção da acidez do solo libera o fósforo nativo do solo que até então estava indisponível às plantas. Porém, o melhor resultado econômico foi obtido com a correção adequada do solo e doses ajustadas de fósforo. Existem vários outros exemplos da importância da calagem nos ganhos de eficiência da adubação que não podem ser esquecidos, especialmente neste momento delicado que vive a agricultura brasileira em função do aumento acentuado nos custos dos fertilizantes. Resultado marcante foi observado em outro ensaio conduzido pelo IAC com a cultura de milho em solo ácido do sul do Estado de São Paulo. Na ausência da calagem, ou seja com restrição ao crescimento do sistema radicular devido à acidez do solo, o milho não conseguiu absorver o nitrogênio aplicado reduzindo muito a eficiência do fertilizante.

Teor de P no Solo

não foi muito afetado pela crise dos fertilizantes e continua muito acessível ao produtor; b) o calcário ajuda a maximizar a eficiência de uso dos nutrientes pelas plantas. Desse modo, as plantas aproveitam melhor os adubos em solos com a acidez corrigida. Exemplo marcante da importância da calagem para o aumento da eficiência dos fertilizantes pode ser vista na Tabela 1 que reporta os resultados de ensaio de longa duração conduzido pelo IAC nos anos 80 com a cultura do algodão em solos de cerrado. Sem a calagem a produtividade de algodão não foi suficiente para viabilizar economicamente a atividade, mesmo com doses muito elevadas de fósforo. Por outro lado, somente com a calagem a produtividade do

Economizar adubo apenas com nutrientes menos limitantes - Está bem estabelecido pela pesquisa que solos nos quais a análise revela teores médios ou altos de um determinado nutriente, respondem Fipouco ou nada à sua aplicação (Figura 11). Por exemplo, a produção de milho praticamente não foi altera-da com a aplicação de potássio nos solos com teores altos ou médios des-se nutriente. Isso significa que o agricultor poderá diminuir a aplicação do elemento com teor alto, sem prejuízos na produtividade, e reduzir seu investimento ou direcioná-lo para a aquisição de nutrientes mais críticos para aquele solo específico.

O contrário acontece se o solo estiver deficiente (teores baixos ou muito baixos). Nesse caso, a aplicação do elemento em questão é importante para o aumento da produtividade e das chances de lucratividade com a atividade agropecuária. Em médio prazo manter a fertilidade do solo - É preciso deixar claro, no entanto, que o agricultor que reduzir a adubação em solos com teores médios ou altos estará sacando de sua poupança de fertilidade do solo, ou seja, dos nutrientes acumulados devido a adubações feitas em anos anteriores. Porém, em anos de custos desfavoráveis, essa é uma opção perfeitamente válida. No futuro, com preços de fertilizantes mais acessíveis, ele poderá recompor a fertilidade a níveis adequados pois, produzir em solos muito pobres não só requer maiores doses de insumos como também os patamares de produtividade serão menores, mesmo com adubações mais pesadas, como ilustram os dados da Figura 22, derivado de pesquisa conduzida no IAC. A análise do solo realizada periodicamente permite que o agricultor ajuste o manejo da adubação e da calagem de modo a não deixar a fertilidade do solo se deteriorar (os teores devem ser mantidos nas faixas médias e/ou altas) ou não desperdiçar recursos em insumos desnecessários (teores na faixa “muito alta” indicam que doses excessivas podem estar sendo aplicadas). Veja tabela 2 e 33. Assim, a análise do solo facilita a tomada de decisão para a compra de insumos de modo a otimizar a produtividade e a lucratividade da lavoura, sem comprometer a fertilidade do solo.

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Efeito do zinco no desenvolvimento inicial de cafeeiros em diferentes modos de fornecimento André Luis Alvarenga Garcia 1 Antônio Wander Rafael Garcia 1 O zinco é um micronutriente que atua na planta como ativador ou componentes de muitas enzimas (Raven et al., 1996). Está entre os seis micronutrientes considerados essenciais para o cafeeiro, sendo considerado o mais limitante à produção de café no Brasil (Malavolta et al., 1983). As plantas com deficiência de Zn apresentam atrofiamento dos cloroplastos, com interferência na formação da clorofila e do triptofano, que é o precursor do ácido indol-acético, hormônio de crescimento vegetal (Laun, 1975). Os sintomas visuais de deficiência são caracterizados pela redução dos internódios, folhas pequenas e estreitas, formação de rosetas, morte de gemas terminais, menor vingamento floral, seca de ponteiros, superbrotamento, folhas mais novas coriáceas e quebradiças, frutos menores, queda de frutos antes do amadurecimento e produção reduzida (Malavolta, Haag e Johnson, 1961). 1

- Engenheiro Agrônomo, Bolsista Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café. 2 - Engenheiro Agrônomo, Fiscal Federal Agropecuário, Pesquisador da Fundação ProCafé.

Problemas com deficiência de Zinco tem sido observado em função de diferentes fatores como solos com pH elevado, adubação fosfatada excessiva, de pobreza do material de origem ou devido à extração ou remoção pelas colheitas. Franco (1982) esclarece que a carência de Zn no cafeeiro não é devido apenas à sua falta no solo. Resultados em diferentes condições de solo mostram que o zinco é fortemente adsorvido a argila e também a outros minerais do solo, ocorrendo sua deficiência mesmo em níveis adequados em solos argilosos. O Zn é absorvido pelas raízes do cafeeiro na forma de cátion ou como parte de quelatos, sendo também possível sua absorção pelas folhas nas mesmas formas. Mediante as quantidades exigidas e a velocidade de absorção, sua correção é mais fácil e rápida pela adubação foliar com ZnSO4. Entretanto, alguns trabalhos têm evidenciado a ação positiva da aplicação de sulfato de zinco via solo em cafeeiros durante a fase de formação mesmo em solos argilosos. Este trabalho foi realizado com o objetivo de avaliar o desenvolvimento inicial de cafeeiros mediante o fornecimento de doses de Zinco sob diferentes formas de aplicação.

O experimento foi instalado em dezembro de 2006, em casa de vegetação, na Fazenda Experimental de Varginha (MG), MAPA/Fundação Procafé. Foram testados três doses de sulfato de zinco via solo (0,025; 0,05 e 0,1 g /L de solo); sulfato de zinco à 0,5% da solução de água somente via folha sendo 2, 3 e 4 aplicações e 0,05 g de ZnSO4 / l de solo mais 2, 3 e 4 foliares a 0,5% de concentração. Estas dosagens foram definidas mediante as reco-mendações de nutrição mineral para cafeeiros da 5aAproximação, a partir dos teores observados no substrato utilizado. O ensaio continha um total de dez tratamentos, onde a testemunha consistiu de um tratamento sem fornecimento de zinco. O experimento foi montado em vasos, de nove litros, preenchidos com terra de subsolo retirada abaixo de uma camada superficial de 20 cm e encaminhada para análise laboratorial, onde apresentou 1,1 ppm de Zn em sua concentração. A correção com calcáreo e cloreto de potássio foi realizada segundo análise do solo, seguindo as recomendações da 5ª Aproximação. Mudas da cultivar Catuai Amarelo IAC62 foram transplantadas para o vaso no estágio do 3° par de folhas. Foi realizado duas foliares com ácido bórico na concentração de 0,5% de solução e três adubações de cobertura com o fertilizante granulado 25-00-25 na dose de 6 g/ vaso. O fornecimento das diferentes doses de ZnSO4 foram realizadas mediante diluição do fertilizante em burrifador com água e aplicação em um volume determinado de substrato, visando melhor uniformidade de mistura. Já as foliares foram realizadas a cada 30 dias para quatro aplicações, a cada 45 dias para três aplicações e com um intervalo de 60 dias para a de duas aplicações, iniciadas 60 dias após o transplante.


Tabela 1. - Quantidade de Matéria seca, Zn analisado e mobilizado em plantas de coffea arabica cultivadas em vasos,

mediante diferentes doses e modos de fornecimento de Zn. Varginha, 2007. MAT. SECA (g) aérea raiz

TRATAMENTOS VIA SOLO VIA FOLHAS VIA SOLO E FOLHAS

Zn ANALISADO (ppm) aérea raiz

Zn MOBILIZADO (mg) aérea raiz total

testemunha 0,025 g ZnSO 4 /l solo 0,05 g ZnSO 4 /l solo 0,1 g ZnSO 4 /l solo 4 foliares 0,5% ZnSO 4 3 foliares 0,5% ZnSO 4 2 foliares 0,5% ZnSO 4

263 232 262 285 297 279 284

a a a a a a a

105 127 127 138 144 125 125

a a a a a a a

9,0 11,0 11,7 10,3 24,3 9,7 12,7

c c c c b c c

18,0 27,7 67,0 73,0 17,7 15,0 13,0

b b a a b b b

2,3 2,6 2,6 2,6 7,0 2,6 3,3

b b b b a b b

1,6 3,3 7,6 9,6 2,6 1,6 1,3

b b a a b b b

3,8 5,6 10,6 12,1 9,1 4,1 4,8

b b a a a b b

4 3 2

269 252 276

a a a

167 120 150

a a a

31,0 11,0 16,7

a c c

25,3 26,7 26,7

b b b

7,6 2,6 4,0

a b b

4,0 3,0 3,6

b b b

11,6 5,5 7,8

a b a

foliares foliares foliares

+ + +

0,05g 0,05g 0,05g

solo solo solo

As avaliações foram realizadas 4 meses após a última aplicação dos fertilizantes. As plantas de cada parcela foram retiradas dos vasos, lavadas e analisadas para as seguintes características: altura de plantas, diâmetro de caule, matéria seca total, análise mineral da planta inteira. As análises minerais foram realizadas no laboratório de analises químicas de solos e folhas da Fundação Procafé. O delineamento experimental foi o inteiramente casualizado, com três repetições. Cada parcela foi constituída de tres vasos de nove litros com três plantas cada. Foi utilizado o teste Scott-Knott para comparação das médias, considerando 5% de significância. Resultados - Dentre as variáveis avaliadas não foi constatado diferença significativa apenas na matéria seca da parte aérea e do sistema radicular, para os diferentes modos de fornecimento e doses de Zinco, inclusive em relação a testemunha. A análise química da parte aérea das plantas apresentou uma maior concentração de Zn (31 ppm) nas plantas que receberam 0,05g ZnSO4 /l solo com

mais 4 foliares, superiores as plantas do tratamento que receberam zn somente via folha em 4 foliares (24,3 Tabela 11). ppm)(Tabela Os demais tratamentos foram estatisticamente inferiores sem diferen-ça entre os mesmos para a análise química de Zn na parte aérea das plantas. Já no sistema radicular, os elevados teore de Zn observados nas plantas dos tratamentos que receberam 0,05 e 0,1 g ZnSO4 /l solo foram estatisticamente iguais e superiores a todos os demais tratamentos, que por sua vez não diferiram entre si. As maiores quantidades de Zn mobilizado foram observados nas plantas dos tratamentos que receberam 4 foliares com ou sem adição de Zn no solo Tabela 11), diferindo significativa(Tabela mente dos demais tratamentos que foram considerados semelhantes. Novamente, as maiores quantidades de Zn mobilizado foram observados nas plantas dos tratamentos que receberam 0,05 e 0,1 g ZnSO4 /l solo sendo estes considerados estatisticamentesiguais e superiores a todos os demais tratamentos, que por sua vez não diferiram entre si. Considerando toda a planta, a quantidade

de zinco mobilizado pelas plantas foi maior nos tratamentos que receberam 0,05 e 0,1 g ZnSO4 /l solo, somente 4 foliares e 0,05 g ZnSO4 com duas e 4 foliares. Os demais tratamentos não diferiram significativamente entre si. A reduzida quantidade de zinco que um cafeeiro necessita durante os primeiros meses de crescimento explica o fator de não haver diferença significativa em resposta aos diferentes incrementos analisados em laboratório. A quantidade de Zn presente no solo provavelmente tenha suprido as necessidades das plantas. Entretanto, há de se observar uma tendência de menor desenvolvimento do sistema radicular das plantas da testemunha, onde não se Tabela 11). aplicou o micronutriente (Tabela Conclusão - O fornecimento de Zn não influenciou na formação de matéria seca. A absorção de Zn ocorre mediante fornecimento via solo ou folha, com incremento nos teores da planta mediante fornecimento via solo e folha. (FONTE: Publicado nos Anais do 34º Congresso Brasileiro de Pesquisas Cafeeiras, de 4 a 7 de novembro, em Caxambu/MG).

C A F É

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M E R C A D O D E

Mercado Físico Café Arábica - Fonte Gazeta Mercantil e Café & Mercado. (Média mensal, R$ /sc 60kg) SÃO PAULO • Mogiana - Fino/Extra Fino - Bica Dura 6 • Marília/Garça - Bica Dura 6 - Bica Dura/Riada - Bica Rio 7

MINAS GERAIS

C A F É

• Sul/Sudoeste - Bica Fina - Bica Dura 6 - Cereja Desc. • Cerrado - Fino/Extra Fino - Bica Dura 6 - Cereja Desc.

JUL

ANO 2008 AGO SET OUT

Preços de Insumos Cafeicultura - Fonte IEA (Em R$)

Mês

Out/07 Jan/08 Ago/08 Out/08

• INSETICIDAS DE SOLO Verdadero 600WG (1kg) 424,31 Baysiston GR (20kg) 250,73 Temik 150 (20kg) 379,37 Actara 250WG (100g) 29,83

NOV

432,14 251,03 367,13 28,86

453,56 253,61 378,54 29,76

476,54 243,23 364,21 30,31

37,92 37,11

39,03 37,59

40,44 38,71

256,00 249,78 264,84 260,28 s/c 251,83 245,88 261,53 257,29 262,00 267,06 252,31 269,67 264,58 273,10

• FERRUGEM, PHOMA e CERCOSPORA Priori Xtra (1L) 124,33 124,45 Opera (1L) 82,26 83,73 Alto 100 (1L) 92,58 92,09 Folicur 200CE (1L) 63,68 61,61 Amistar (100g) 42,58 41,37 Opus (1L) 102,24 79,44

127,06 81,77 84,26 54,97 42,78 77,53

127,83 83,36 83,91 55,32 43,64 75,79

255,92 250,43 265,24 260,68 s/c 252,25 246,27 261,63 257,41 262,30 270,33 265,61 273,56 270,83 276,45

• HERBICIDAS Roundup (1L) Goal BR (1L) Trop (5L)

21,28 50,82 80,68

23,00 49,95 85,76

254,83 249,83 254,94 260,58 265,80 252,33 245,70 261,63 257,44 262,65

• BICHO-MINEIRO Decis 25CE (1L) Polytrin 400/40 CE (1L)

245,00 242,50 259,46 255,53 257,15 234,57 231,05 241,45 236,09 237,35 s/c 223,92 219,65 224,45 216,99

JUL

ANO 2008 AGO SET OUT

NOV

38,49 36,84

16,43 56,48 59,67

16,59 51,63 59,90

18 Revista Attalea® Agronegócios - Dez 2008 -

Principais Países Importadores - Fonte MIDC, ABIC e Café & Mercado CAFÉ VERDE Alemanha EUA Itália Bélgica Japão Espanha

CAFÉ SOLÚVEL EUA Rússia Ucrânia Reino Unido Japão Alemanha

TORRADO E MOÍDO

Jan a Out 2007 volume1 preço2 receita3

Jan a Out 2008 volume1 preço2 receita3

Variação 2007/2008 volume preço receita

4.093.715 3.742.739 2.158.056 967.749 1.590.868 656.877

3.970.383 3.565.600 2.142.183 1.768.867 1.359.550 813.100

-3,01% -4,73% -0,74% 82,78% -14,54% 23,78%

134,43 128,14 136,56 137,26 143,34 136,00

550.320 479.599 294.712 132.838 228.038 89.334

Jan a Out 2007 volume1 preço2 receita3 438.850 434.262 164.552 187.542 121.124 160.108

108,26 168,89 168,29 161,91 168,92 129,20

47.508 73.343 27.692 30.366 20.460 20.686

Jan a Out 2007 volume1 preço2 receita3

646.489 565.247 360.289 287.492 231.403 128.436

Jan a Out 2008 volume1 preço2 receita3 477.707 329.420 185.163 177.060 163.887 146.337

141,65 190,76 200,94 188,72 197,83 169,21

67.668 62.839 37.206 33.414 32.422 24.761

Jan a Out 2008 volume1 preço2 receita3

254,28 13.679 204,76 3.085 287,77 1.034 224,97 759 155,04 179 246,87 149 2 - Preços em US$/sc de

82.110 15.014 11.265 6.010 1.250 813 60kg; 3

21,12% 17,48% 23,71% 17,86% 23,16% 22,25% 18,41% 116,42% 18,74% 1,48% 16,15% 43,77%

Variação 2007/2008 volume preço receita 8,85% -24,14% 12,53% -5,59% 35,30% -8,60%

30,85% 42,43% 12,95% -14,32% 19,40% 34,36% 16,55% 10,04% 17,11% 58,46% 30,97% 19,70%

Variação 2007/2008 volume preço receita

288,13 23.658 52,63% 235,98 3.543 -0,36% 217,04 2.445 213,51% 255,26 1.534 78,07% 191,28 239 8,32% 338,18 275 34,59% - Receita em mil US$

13,31% 72,95% 15,25% 14,84% -24,58% 136,45% 13,46% 102,05% 23,37% 33,63% 36,99% 84,36%

20% 18% 11% 5% 8% 3%

19% 17% 10% 9% 7% 4%

Particip. Volume 2008 2007 12 MÉDIA 17% 17% 6% 7% 5% 6%

17% 12% 7% 6% 6% 5%

Particip. Volume 2008 2007 12 MÉDIA 65% 18% 4% 4% 1% 1%

66% 12% 9% 5% 1% 1%

Attalea

EUA 53.796 Itália 15.068 Argentina 3.593 Japão 3.375 Paraguai 1.154 Chile 604 1 -Volume em sacas de 60kg;

162,83 158,53 168,19 162,53 170,21 157,96

Particip. Volume 2008 2007 12 MÉDIA

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Cafés derivados de Híbrido de Timor surpreendem pela qualidade de bebida O híbrido natural entre as espécies Coffea arabica e Coffea canephora encontrado na Ilha de Timor - localizada entre o sudeste da Ásia e a Austrália - foi decisivo e valioso para os programas de melhoramento visando à resistência a Hemileia vastatrix, agente causador da ferrugem alaranjada do cafeeiro. Desde que introduzido no Brasil, no final da década de 60, numerosas progênies derivadas dos mais diversos cruzamentos resultaram no desenvolvimento de cultivares resistentes à ferrugem, selecionadas nas principais instituições de pesquisa. Agora, com o aprimoramento de análises de avaliação da qualidade da bebida e a intensificação de concursos, cultivares derivados de Híbrido de Timor têm surpreendido provadores e obtido bons resultados. Os resultados de pesquisas desmistificam a idéia de que cultivares derivados destes cruzamentos não teriam potencial para o mercado de cafés especiais. Destacam-se os estudos realizados na Empresa de Pesquisa Agropecuária de

Minas Gerais (Epamig), Universidade Federal de Viçosa (UFV), Universidade Federal de Lavras (Ufla), Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), todas instituições fundadoras do Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café (CBP&D/Café), coordenado pela Embrapa Café. Potencial para Especiais - Tese defendida por Marcelo Cláudio Pereira na Ufla concluiu que a ascendência das cultivares e progênies testadas, oriundas ou não do Híbrido de Timor, não apresentaram o desempenho qualitativo afetado. O trabalho analisou as características químicas, físico-químicas e sensoriais de 21 cultivares de cafeeiro arábica. A análise sensorial, realizada na Epamig, evidenciou como potenciais produtores de cafés especiais 11 materiais entre cultivares e progênies, sendo seis destes derivados de Híbrido de Timor. A análise seguiu a metodologia proposta pela Brazil Speciality Coffee Association (BSCA), tendo como atributos avaliados:

C A F É

bebida, doçura, corpo, acidez, sabor, gosto remanescente, balanço e aspecto. Foco de Estudos - Pesquisador da Epamig, Antônio Alves Pereira, o Tonico, é um dos grandes nomes do melhoramento do cafeeiro com ênfase na seleção de progênies derivados do Híbrido de Timor. A equipe coordenada por ele foi responsável pelo lançamento de oito cultivares de café. No Centro Tecnológico da Zona da Mata (CTZM) e na UFV são desenvolvidos projetos de pesquisa pertencentes ao Programa Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento do Café (PNP&D/ Café), coordenado pela Embrapa Café. Resultados de um desses estudos foram apresentados na última Conferência Internacional do Café (ASIC). Trabalho desenvolvido por pesquisadores da Epamig e UFV concluiu que novas cultivares derivadas de Híbrido de Timor, conduzidas em Três Pontas, São Sebastião do Paraíso e Patrocínio, em Minas Gerais, apresentam potencial para o mercado de cafés especiais.

19 Revista Attalea® Agronegócios - Dez 2008 -


C A F É

20 Revista Attalea® Agronegócios - Dez 2008 -

Seguindo a metodologia proposta pela BSCA, as cultivares ‘Catiguá MG2’, ‘Catiguá MG1’, ‘Araponga MG1’, ‘Sacramento MG1’ e a progênie ‘H419-6-2-5-3’ receberam pontuação acima de 90 numa escala de 100 pontos. Nova Imagem - Um dos juízes da Speciality Coffee Association of America (SCAA), Jorge Hiroki Wada, se surpreendeu ao provar uma amostra de ‘Catiguá MG2’, cultivado na Fazenda Experimental da Epamig, em Patrocínio (MG), em 2007. “Foi o melhor café que bebi durante todo o ano”, enfatiza. Seguindo a metodologia americana, a cultivar recebeu pontuação em torno de 90 pontos, que segundo o provador é algo extraordinário para um café cultivado nas condições do cerrado. Ele acrescentou que a amostra tinha acidez típica do Sul de Minas e aroma cítrico parecido com a laranja Bergamota.

A boa impressão da cultivar ‘Catiguá MG2’ também foi sentida pelo instrutor e chairman do comitê de normas técnicas da SCAA, Manuel Alves. “Esta foi a primeira vez em que um híbrido provou a um nível sensorial acima da média”, comenta o instrutor, lembrando que novas análises sensoriais devem ser realizadas para confirmação dos atributos de qualidade. Para Ensei Neto, engenheiro químico e consultor em Marketing e Qualidade de Cafés Especiais, em todo cruzamento há uma mescla das diferentes características inerentes a cada linha-mãe, sendo que uma mesma cultivar possui desempenho diferente em localidades distintas; sobremaneira com cultivares híbridos. Manejo Adequado - O programa de melhoramento do Iapar também utiliza uma linha de ‘Sarchimores Villa Sarchi’ x ‘Híbrido de

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Timor’ para o desenvolvimento de novas variedades, como foi o caso do ‘Iapar 59’, ‘IPR 98’, ‘IPR99’, ‘IPR 104’, ‘IPR107’ e ‘IPR 108’. De acordo com o pesquisador Tumoru Sera, para se obter o potencial de qualidade das cultivares com ascendência híbrida, devem ser respeitadas suas características fisiológicas, com cuidados especiais no manejo, utilização racional do espaçamento e adubação equilibrada. Segundo ele, materiais que levaram 30 anos de seleção muitas vezes não apresentam o potencial de qualidade esperado devido a manejos inadequados. Resgate Genealógico - O IAC acaba de lançar a publicação “Melhoramento Genético de Coffea Arabica: Transferência de genes de resistência a Hemileia vastrix do Híbrido de Timor para a cultivar Villa Sarchi de Coffea arabica”, de autoria do pesquisador do IAC, Luiz Carlos Fazuoli e do pesquisador do Centro de Investigação das Ferrugens do Cafeeiro (CIFC), Aníbal Jardim Bettencourt. A publicação faz um resgate histórico da população originada do Híbrido de Timor, com destaque para as cultivares desenvolvidas nos centros experimentais do IAC, EPAMIG, UFV, Iapar e Fundação Procafé/MAPA. O IAC recebeu do CIFC, a partir de 1968, numerosas progênies F2 e F3, derivadas dos mais diversos cruzamentos de Híbrido de Timor com cultivares de Coffeea arabica, que resultaram, em 2000, no lançamento das cultivares ‘Tupi’ e ‘Obatã’. No IAC, muitos cruzamentos foram também realizados entre ‘Híbrido de Timor CIFC 832/1’ e ‘CIFC 832/ 2’ com as cultivares ‘Catuaí’, ‘Mundo Novo’, ‘Acaiá’ e ‘Icatu’. A cultivar ‘Obatã’ mereceu destaque em trabalho desenvolvido pela estudante da Université de Rennes (França), Vanessa Paulain, orientada pelos pesquisadores do IAC, Therezinha de Jesus Salva e Oliveiro Guerreiro Filho. Em análise das variavéis que influenciam a qualidade do café em concursos promovidos pela BSCA, o ‘Obatã’ apresentou ótimo desempenho, com lotes finalistas em duas das três edições analisadas (2004 e 2006). Das amostras de ‘Obatã’ selecionadas nas primeiras fases dos concursos, grande porcentagem permaneceram até a fase final, com a chancela de um juri internacional. Para adquirir a publicação do IAC, os interessados podem ligar pra o Centro de Comunicação e Transferência de Conhecimento, no telefone (19) 32315422 ou acessar a página www.iac.sp.gov.br . (FONTE: Embrapa/Café)


Ruralistas vencem outra batalha ambiental punir os produtores que descumprissem a Lei de Crimes Ambientais, de 1998, com multas de até R$ 100 mil, a apreensão de animais, equipamentos e produtos, além da proibição da concessão de crédito rural - o item que mais incomodou o setor. “Sem averbação não há licença ambiental. E sem licença não tem financiamento rural”, afirmou o deputado federal Valdir Colatto (PMDB/SC). O recuo do governo abre brecha também para a ampliação das demandas dos ruralistas, que devem aproveitar o momento para emplacar algumas alterações na medida provisória que revisa o Código Florestal do país. “Hoje, a legislação não permite que o agricultor continue plantando. Por isso, este prazo maior para a averbação da Reserva Legal será propício para discutirmos o Código Florestal brasileiro, que deve ser uma lei mais abrangente”, disse Colatto. Os produtores queixam-se sobretudo do percentual de preservação verde exigido pelo Código, de 20%. Ele estabelece, entre outros pontos, a Reserva Legal, mecanismo de proteção ao ambiente e garantia da biodiversidade. São

obrigatórias ainda as Áreas de Preservação Permanente, que prevêem cobertura florestal em margens de rios (para evitar a erosão e o assoreamento), áreas de várzeas, encostas com declividade superior a 45 graus e topos de morros. Para os produtores rurais, no entanto, o cumprimento da medida inviabiliza a atividade agrícola, sobretudo em São Paulo e no Paraná. Estudo recente da Embrapa, diz o deputado, aponta que dos 280 milhões de hectares destinados hoje à agricultura e à pecuária cerca de 110 milhões teriam de ser convertido em florestas se o Código fosse cumprido à risca. “Sobrariam quase nada para a agricultura”, afirma Colatto. Para os ambientalistas, a discussão sobre o Código Florestal é infundada e a decisão desta semana do governo, errada. “É um governo esquizofrênico”, disse Sérgio Leitão, diretor de campanhas do Greenpeace Brasil. “O governo Lula agiu como sempre faz com as questões ambientais. A proteção do ambiente fica só no discurso”, disse. (FONTE: Valor Econômico).

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21 Revista Attalea® Agronegócios - Dez 2008 -

Attalea

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta semana o texto que substitui o decreto nº 6.514/2008, que trata dos crimes ambientais no país. O novo decreto, nº 6.686, publicado na primeira semana de dezembro no Diário Oficial, aumenta para um ano o prazo para a averbação em cartório de 20% da cobertura florestal das propriedades rurais, a chamada Reserva Legal. Os proprietários que já haviam recebido multas e sanções com a entrada em vigor da determinação, em julho passado, serão anistiados. As modificações no texto original são, acima de tudo, uma vitória da bancada ruralista no Congresso. Pressionado, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, já havia anunciado alterações no conteúdo do texto apenas um mês após sua publicação. “Quando a gente erra a mão, tem que consertar”, afirmou à época o ministro, durante audiência pública convocada para debater o tema com os deputados da Comissão de Agricultura. O decreto inicial instituía a obrigatoriedade da averbação da Reserva Legal em 120 dias e ainda ameaçava

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22 Revista Attalea® Agronegócios - Dez 2008 -

José Sidnei Gonçalves Sueli Alves Moreira Souza

1 2

A questão ambiental converte-se cada vez mais em elemento determinante da produção agropecuária. De um lado têm o crescimento da consciência ambiental de uma população majoritariamente urbanizada, gerando pressões fortes para alteração de procedimentos sobre como produzir no campo. De outro a expressão da classe média formadora de opinião publica pelo acesso constante aos meios de comunicação de massa induzem debates e comportamentos que afetam de maneira cada vez mais decisiva a produção agropecuária. E tais efeitos não estão restritos às exigências de qualidade, dada a busca por alimento seguro – livre de resíduos químicos indesejáveis ou de contaminação biológica –, mas passa a conduzir a adoção de procedimentos sobre a regulação da produção. Numa economia globalizada tais esses efeitos derivadas da manifestação da opinião pública não decorrem apenas da sociedade brasileira e dos movimentos ambientalistas internos, mas de manifestações tomadas em escala mundial. A discussão sobre o efeito estufa e as mudanças climáticas globais representa a grande pauta do momento atual, gerando principalmente pressões para o controle do desmatamento amazônico e para a sustentabilidade ambiental dos processos produtivos agropecuários. Em função disso, a resposta governamental tem sido no sentido da criminalização de dadas práticas consideradas incorretas do ponto de vista ambiental, o que acaba por erigir um arcabouço regulatório cada vez mais restritivo levando a relevante impacto econômico e social. Nesse caso o que se coloca para os estudiosos da agropecuá1

- Engenheiro Agrônomo, Doutor em Ciências Econômicas, Pesquisador Científico do Instituto de Economia Agrícola (IEA) da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (email: sydy@iea.sp.gov.br)

2

- Economista, Pesquisadora Científica do IEA/APTA (e-mail:sueli@iea.sp.gov.br).

FOTO: Fernando Ayres Rodrigues

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Reserva seria legal? Os impactos na agropecuária das recentes medidas federais de combate às infrações ambientais

Além das matas ciliares, conhecidas como APP - Área de Proteção Permanente (também importantes na preservação ambiental), a legislação ambiental brasileira exige a manutenção de áreas de reserva legal em cada propriedade.

ria, em especial para quem milita na economia aplicada à agricultura, consiste na busca de analisar os efeitos na estrutura produtiva desses novos instrumentos normativos e, propor outros caminhos que garantam a continuidade do cumprimento do papel central da agricultura para o desenvolvimento econômico, qual seja de propiciar oferta crescente de alimentos, energia e outras matérias-primas a preços cadentes. Dessa maneira, não há como deixar de levar em conta as mudanças nas normas de regulamentação da política ambiental, dados seus corolários produtivos. Nesse escopo se insere o recente Decreto Federal nº 6.514 de 22 de julho de 2008 que “dispõe sobre as infrações e sanções administrativas ao meio ambiente, estabelece o processo administrativo federal para apuração destas infrações”1. Em linhas gerais, esse novo instrumento legal não altera os elementos normativos das diversas faces de interação entre o meio ambiente e a produção agropecuária, conquanto endureça a punição de infrações e crimes ambientais, elevando de forma substancial os valores das multas e criando ordenamento de tramitação processual com maior diligência na aplicação das penalidades. Noutras palavras, o “espírito” do referido instrumento legal para a questão ambiental segue na linha correta de que “o crime não compensa” ao impingir pesadas perdas econômicas e

punições para o não cumprimento de normas vigentes. No caso da produção agropecuária, que se realiza em constante interação com a questão ambiental, há que se atentar para as “sanções restritivas de direitos”. Elas estão previstas no artigo 20 do referido Decreto Federal nº 6.514/2008, aplicáveis às pessoas físicas ou jurídicas e constituem-se na: “I - suspensão de registro, licença, permissão ou autorização; II cancelamento de registro, licença, permissão ou autorização; III - perda ou restrição de incentivos e benefícios fiscais; IV - perda ou suspensão da participação em linhas de financiamento em estabelecimentos oficiais de crédito; e V - proibição de contratar com a administração pública” O Parágrafo único desse artigo determina que “a autoridade ambiental fixará o período de vigência da sanção restritiva de direitos, que não poderá ser superior a três anos”. Assim, a existência de infração ambiental pode conduzir a medidas mais duras que alijam o infrator da prática de atividade econômica e nesse escopo enquadram-se as atividades agropecuárias. Muitos dos dispositivos do Decreto Federal nº 6.514/2008 impactam de forma profunda as práticas da atividade econômica da produção agropecuária e, por isso mesmo, devem ser objetos de atenção dos agentes produtivos. A


FOTOS: Editora Attalea

M E I O A M B I E N T E Situação típica em muitas propriedades brasileiras: ausência total de APP em um curso d´água.

magnitude das multas e a celeridade dos procedimentos e, principalmente, o amplo apoio da população urbanizada a tais medidas preservacionistas produzem a necessidade de que todos devem estar atentos, notadamente nos efeitos econômicos e sociais decorrentes das medidas preconizadas. Não que o referido Decreto tenha trazido algo novo no tocante ao conteúdo das normas legais, mas em função de que indica, tipifica como infração e impõe sanções elevadas para efeitos ambientais decorrentes de diversas práticas agropecuárias. Em poucas palavras, caminha-se para o confronto com o endurecimento da fiscalização. Isso mesmo para medidas controversas como as relativas às Reservas Legais. O artigo 55 fixa multa para quem “deixar de averbar a reserva legal”. Isso logo após outras normas ampliarem o controle sobre o uso da propriedade, uma que o artigo 51 prevê multa para quem “destruir, desmatar, danificar ou explorar floresta ou qualquer tipo de vegetação nativa ou de espécies nativas plantadas, em área de reserva legal ou servidão florestal, de domínio público ou privado, sem aprovação prévia do órgão ambiental competente ou em desacordo com a aprovação concedi, inclusive em planos de manejo florestal sustentável”. Isso literalmente torna praticamente intocáveis do ponto de vista do uso econômico os espaços das propriedades rurais co0nstiotuídos como Reserva Legal. Mesmo fora dos limites da Reserva Legal, no artigo 52 há multa para quem “desmatar, a corte raso, florestas ou demais formações nativas, fora da reserva legal, sem autorização da

Área de mata nativa bem preservada. A lei ambiental agora estabelece prazo para a averbação da Reserva Legal .

autoridade competente” e o artigo 53 também considera infração passível de multa “explorar ou danificar floresta, ou qualquer tipo de vegetação nativa ou de espécies nativas plantadas, localizada fora de área de reserva legal averbada, de domínio público ou privado, sem aprovação prévia do órgão ambiental competente ou em desacordo com a concedida ”. E mais ainda, o Parágrafo único do mesmo artigo 53 determina que “incide nas mesmas penas quem deixa de cumprir a reposição florestal obrigatória”. Em linhas gerais está consumado o cerco jurídico para que seja possível ação governamental de recomposição e preservação da Reserva Legal nas propriedades rurais, nos termos da legislação em vigor. Mais ainda, o Parágrafo Primeiro do artigo 55 constitui-se num dispositivo que impinge o cumprimento das normas relativas à Reserva Legal, uma vez que “no ato da lavratura do auto de infração, o agente autuante assinará

prazo de sessenta a noventa dias para o autuado promover o protocolo da solicitação administrativa visando à efetiva averbação da reserva legal junto ao órgão ambiental competente, sob pena de multa diária de R$ 50,00 (cinqüenta reais) a R$ 500,00 (quinhentos reais) por hectare ou fração da área da reserva”. Noutras palavras, isso conduz ao fato de que, uma vez autuado, nada mais resta ao proprietário rural senão o cumprimento da legislação ambiental sobre Reserva Legal. Dessa maneira, ainda que não tenha criado novo conteúdo normativo no que diz respeito ao instituto da Reserva Legal, o Decreto Federal nº 6.514 de 22 de julho de 2008 representa passo decisivo no sentido do cumprimento das normas em vigor. Isso a despeito de que, em regiões de colonização antiga como a maior parte do território paulista, o próprio Código Florestal (Lei Federal n. 4.771, de 15 de setembro de 1965, denominada Código Florestal,

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23 Revista Attalea® Agronegócios - Dez 2008 -


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24 Revista Attalea® Agronegócios - Dez 2008 -

alterada pela Lei Federal n. 7.803, de 18 de junho de 1989) seja posterior à ocupação produtiva dos espaços que deveriam ser destinados à preservação enquanto Reserva Legal. Portanto, as medidas referentes à Reserva Legal inseridas no Decreto Federal nº 6.514/2008, se for objeto de aplicação via fiscalização, ensejarão renhida resistência dos agropecuaristas e uma enorme gama de questionamentos jurídicos. No que diz respeito à recomposição da Reserva Legal, na ótica da agropecuária paulista, há importantes questões territoriais, econômicas e sociais a considerar, conforme demonstram trabalhos do Instituto de Economia Agrícola (IEA) apresentados recente conclave nacional de economia e sociologia aplicada á agricultura. Impactos da recoO primeiro, “Impactos mposição da reserva legal nas unidades hidrográficas, nas unidades de gerenciamento de recursos hídricos e nos vários perfis de municípios paulistas segundo a atividade agropecuária principal” 2 , mostra “que os impactos da recomposição da reserva legal não se distribuem de forma uniforme no território paulista, nem da ótica das unidades hidrográficas cada qual com características físicas peculiares. Também entre municípios há diferenças expressivas, dada a especialização regional que conduz a estruturas de produção agropecuária diferenciadas. Assim, não há como aplicar essa medida enquanto pressuposto genérico que ignora as diferenças geográficas e da produção agropecuária”. A visualização espacial dos impactos no uso do solo das grandes bacias hidrográficas paulista mostra que há uma enorme diferença entre as mesmas. Na Unidade Hidrográfica do Ribeira, que abrange todos os rios atlânticos do Litoral Sul incluindo a Baixada Santista, concentra a maior área de vegetação nativa preservada do Estado de São Paulo, somando 1,0 milhão de hectares num universo de 1,4 milhão de hectares, o que corresponde a 75,5% da superfície FOTO: Editora Attalea

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ocupada pelas propriedades rurais. Essa vegetação nativa regional corresponde a pouco menos de um terço de toda vegetação nativa estadual existente em propriedades rurais, representando o grande pulmão paulista. Os demais uso do solo incluem principalmente pastagens com 228,1 mil hectares, o reflorestamento com 52,4 mil hectares e as lavouras perenes (destaque para a banana) com 38,4 mil hectares. Quanto aos impactos da obrigatoriedade da recomposição da vegetação nativa verifica-se no Vale do Ribeira que dada a estrutura de ocupação do solo pelas propriedades rurais, seriam necessários apenas 409 hectares, o que teria impactos reduzidos no uso do solo da agropecuária regional, principalmente se ocorressem nas áreas de pastagens que em muitos espaços regionais ainda mantêm-se como de baixa produtividadeii. Na Unidade Hidrográfica do Paraíba, que abrange a parcela paulista da Bacia do Rio Paraíba do Sul e dos rios da Serra da Mantiqueira que fluem para o território mineiro, além dos rios atlânticos do Litoral Norte, também concentra expressiva área de vegetação nativa (336,1 mil hectares) como proporção da área total das propriedades rurais (1,1 milhão de hectares), com a cobertura natural correspondendo a 29,4% da área das propriedades, ou seja, compatível com o nível determinado pelo cumprimento da legislação (20% de Reserva Legal mais 7 a 10% de Áreas de Preservação Permanente). A recomposição das áreas de Reserva Legal nesse caso também poderão se dar em áreas de pastagens de baixa produtividade, sem

maiores impactos na renda e no emprego regionaisii. Na Unidade Hidrográfica do Paraná, que compreende toda a Bacia do Rio Paraná e e seus afluentes e subafluentes, concentra-se a maior parte do território paulista sendo também aquela em que o uso do solo pela agropecuária configurase como mais intenso. Nesse território, as propriedades rurais ocupam 19,4 milhões de hectares, dos quais 9,2 milhões com pastagens, 3,8 milhões com lavouras semiperenes (toda a área de cana e laranja), 2,6 milhões de hectares de lavouras anuais, 1,0 milhão de lavouras perenes e 936 mil hectares de reflorestamento. A vegetação nativa ocupa 1,8 milhão de hectares, ou seja a menor proporção da área total das propriedades rurais (9,1%), ensejando a ocorrência dos maiores impactos da obrigatoriedade de recomposição das Reservas Legais nas propriedades rurais. Nesse território agropecuário paulista, pela obrigatoriedade inserida no Decreto n° 50.889/ 2006, deveriam ser recompostas as Reservas Legais num total de 3,6 milhões de hectares, o que corresponde a 20,5% da área agropecuária e 18,6% da área das propriedades rurais. São limites impraticáveis que afetarão o espaço geográfico que concentra quase a totalidade da produção agropecuária paulistaii. Impactos da recomO segundo, “Impactos posição da reserva legal nas receitas tributárias estaduais e municipais cipais”3, mostra “que se aplicada tal como está desenhada haverá importantes impactos negativos na área agropecuária destinada a atividades econômicas e, por conseguinte, nas receitas estaduais e municipais, penalizando principalmente os municípios mais pobres”. Isso porque “ há um aprofundamento da disparidade de tratamento entre os municípios. Isso porque os 152 municípios com melhores indicadores do IPRS, no seu conjunto, passam a receber repasses que somam em 2005 o valor de R$ 7,7 bilhões, atingindo 80,3% dos valores repassados, enquanto que os 493 municípios com piores indicadores do IPRS passam a receber 19,7% dos


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recursos, ou seja, numa nítida transferência de recursos dos municípios mais carentes para os com melhores indicadores sociais e econômicos”. E “essa amplitude pode ser maior ainda se levar-se em conta que as recomposições da Reserva Legal tendem a concentrar-se nos municípios mais pobres que ficariam com menor espaço de uso econômico e com a perda de empregos., para que sejam mantidos a atividade econômica e os empregos dos municípios com melhores indicadores econômicos e sociais. ...Isso porque a medida de recomposição das áreas de Reserva Legal aprofunda essa iniqüidade latente” ii. Ademais, o conceito de reserva legal no Código Florestal referia-se a essa área como aquela ainda coberta por florestas ou vegetação nativa em 1965 que não poderiam ser suprimidas. O artigo 16 da Lei Federal 4.771/1965 tem a seguinte redação original: “As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: III - vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País”. Fica nítido que a norma sobre a reserva legal em nenhum momento estava referenciada à área da propriedade rural, pois tratava de forma explícita da obrigatoriedade de manutenção

de 20% da área coberta por vegetação que se pretendesse desmatar. Em função disso na esmagadora maioria das propriedades rurais paulistas ocorreu o estrito cumprimento da legislação, dada a ocupação da fronteira agropecuária estar consolidada nos anos 1970. Noutras palavras, o desmatamento realizado até então foi feito dentro das normas legais em vigor e, desde então, na agropecuária paulista, a reserva legal prevista no Código Florestal que incluía o que restava de vegetação nativa passível de ser suprimida nessa época acabou sendo preservada. Desde logo, não é demais reprisar que não há na esmagadora maioria das propriedades rurais paulistas o descumprimento do que está previsto no Código Florestal. Essa Lei Federal 4.771/ 1965 no período histórico em que foi sancionada reconheceu de forma explícita e coerente o direito adquirido dos proprietários rurais e, dado não haver sentido em legislação retroativa nesse caso, não

há reserva legal passível de exigência de recomposição, a não ser em casos isolados e irrelevantes em dimensão, na agropecuária paulista. Alterações posteriores não devem ferir esse direito adquirido que garante o não efeito retroativo da legislação. A primeira alteração relevante do Código Florestal veio por conta da Lei Federal n° 7.803, de 18 de junho de 1989, a qual além de introduzir o mecanismo de averbação, diferenciou o aludido limite mínimo elevando os percentuais para a região amazônica, com a manutenção ao limite de 20% de reserva legal de cada propriedade na realidade paulista. Sem entrar no mérito das disposições dessa mudança normativa sobre a reserva legal, o primeiro fato a ser considerado consiste em que a obrigatoriedade de averbação aplica-se às áreas de reserva legal existentes as quais, pelo princípio do valor adquirido pela não retroação dos dispositivos legais, tal como determina o artigo 16 da Lei Federal 4.771/1965 correspondem a 20% das matas existentes nas propriedades rurais na metade dos anos 1960, ou seja, a parcela muito reduzida do espaço territorial ocupado pela agropecuária paulista. Em função disso, há que se fazer minucioso estudo de recomposição das matas existentes à época de edição do Código Florestal para que se dê cumprimento da averbação exigida nos limites dos direitos adquiridos pelos proprietários rurais paulistas. Qualquer ato em sentido diferente implicaria em atuar desrespeitando direitos.

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Mais explicita alteração do conceito de reserva legal veio com a Medida Provisória n° 2.166-67, cuja primeira edição foi realizada em 24 de agosto de 2001 desde quando vem sendo objeto de sucessivas reedições, que, a pretexto de aperfeiçoar o Código Florestal, criou uma nova figura legal. O Inciso III do artigo 1° da Lei Federal n° 4.771, de 15 de setembro de 1965 pela MP n° 2.16667 passou a ter a seguinte redação: “Reserva Legal: área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas”. A questão consiste no fato de que essa nova redação introduz a associação da reserva legal à propriedade rural (“área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural”), o que não constava da redação original do Código Florestal que regulava o processo de incorporação de novas glebas à produção agropecuária (“ As florestas e outras formas de vegetação nativa nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica,, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal”. Fica nítido pelas redações, que se tratam de dispositivos jurídicos muito diferentes e, dado que não há sustentação para efeito retroativo de normas legais, apenas as ocorrências a partir de 24 de agosto de 2001 podem ser submetidas ao novo disciplinamento jurídico pois as reservas legais preconizadas em cada texto têm conteúdos técnicos e legais distintos, o que exclui desde logo a esmagadora maioria das propriedades rurais paulistas que não podem ser alcançadas pela nova norma pois isso representa uma afronta ao direito adquirido. Assim, no tocante á Reserva Legal face aos questionamentos jurídicos e aos elevados reflexos de regressividade embutidos na aplicação da norma para propriedades rurais de zonas de ocupação antiga como a agropecuária paulista, a opção pela lógica da atuação com base na fiscalização e punição vai produzir o acirramento dos conflitos sem que se obtenha os desejados progressos em ter-

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mos de ampliação da cobertura com vegetação nativa. Isso se mostra contraproducente no caso paulista onde, há mais de três décadas, não há fronteira agropecuária a ser ocupada para a expansão da produção agropecuária. Ao contrário, o que tem ocorrido é um lento processo de aumento da cobertura com vegetação nativa. Há que se discutir com mais seriedade para as zonas de colonização antiga como o território paulista, os atuais e inaplicáveis limites da Reserva Legal. Nesses casos, a

indução via mecanismos econômicos que ao menos amenizem os custos que a sociedade impinge aos proprietários rurais ao determinar níveis de preservação. Um dos mecanismos à disposição do Estado poderia ser a revisão do Imposto Territorial Rural (ITR), atualmente de inexpressiva importância fiscal, mas que revisto poderia ser um poderoso instrumento de indução de desejado perfil de ocupação do solo4. E com certeza seria mais eficaz que a opção pelo confronto entre a política ambiental e a produção agropecuária.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS - ENDNOTES 1

- Ver o DECRETO Nº 6.514, DE 22 DE JULHO DE 2008 pode ser obtido na íntegra em http://legislacao. planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/ Viw_Identificacao/DEC6.514-2008 2

- GONÇALVES, José Sidnei; CASTANHO FILHO, Eduardo Pires & SOUZA, Sueli Alves Moreira. Impactos da recomposição da reserva legal nas unidades hidrográficas, nas unidades de gerenciamento de recursos hídricos e nos vários perfis de municípios paulistas segundo a atividade agropeANAIS DO XLVI cuária principal.ANAIS CONGRESSO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ECONOMIA, ADMINISTRAÇÃO E SOCIOLOGIA RURAL , realizado em Rio Branco (AC), de 20a 23/07/2008, pela Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural (SOBER) (Resumos e integra em CD). (Publicado na íntegra em ftp://ftp.sp.gov.br/ftpiea/noticia/ sober/Sober7.pdf

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GONÇALVES, José Sidnei; CASTANHO FILHO, Eduardo Pires & SOUZA, Sueli Alves Moreira. Impactos da recomposição da reserva legal nas receitas tributárias estaduais e municipais. ANAIS DO XLVI CONGRESSO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ECONOMIA, ADMINISTRAÇÃO E SOCIOLOGIA RURAL RURAL, realizado na cidade de Rio Branco (AC), de 20 a 23 de julho de 2008, pela Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural (SOBER) (Resumos e íntegra em CD). (Publicado na íntegra em ftp:// ftp.sp.gov.br/ftpiea/noticia/sober/ Sober6.pdf 4

- GONÇALVES, José S.. Reservas: Incentivo a matas nativas em propriedades rurais rurais. IEA- APTA, São Paulo, agosto de 2006. (publicado na home-page http//www.iea.sp. gov.br gov.br).


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Parceria institucional viabiliza projeto de melhoramento genético de ovinos da raça Morada Nova para a região de Franca (SP)

LIVROS CACHAÇA DE ALAMBIQUE Autora: José Antônio Marques Pereira, Carlos Augusto Rosa e João Bosco Faria. Editora: LK Editora Contato: www. lkeditora. com.br.

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Olivardo Facó (EMBRAPA-Caprinos), Gustavo Rodrigues Alves (engenheiro agrônomo), Élbio Rodrigues Alves Filho (criador), Emílio Augusto e seu filho (criador), Márcio Beretta (criador), Sérgio Berteli (consultor agronegócios), Sérgio Novita (EMBRAPA-Sudeste), Márcio Armando Oliveira (ASPACO), Fernando Ubiali (criador), Milton Eugênio (criador) e Roberto Franco (criador).

No início de dezembro, no auditório “Fábio de Salles Meirelles”, no Parque de Exposições “Fernando Costa”, em Franca (SP), aconteceu uma reunião de trabalho envolvendo criadores de ovinos da raça Morada Nova, a EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária; o SEBRAE-SP – Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo; e a ASPACO – Associação Paulista de Criadores de Ovinos. O encontro de trabalho iniciou-se com uma série de visitas para uma préavaliação do plantel feita do pesquisador Olivardo Facó, da EMBRAPACaprinos, de Sobral (CE) e do diretor técnico da ASPACO, Márcio Armando Gomes de Oliveira, de São Manuel (SP), nas propriedades de seis criadores da região: Élbio Rodrigues Alves Filho (de Restinga/SP), Emílio Augusto Jorge Monteiro (Patrocínio Paulista/SP), Fernando Ubiali Jacinto (Itirapuã/SP), Milton Eugênio Jorge Monteiro (Patrocínio Paulista/SP), Márcio Beretta Gonzalez (Franca/SP) e Roberto Franco (Sales Oliveira/SP). A visita do pesquisador foi organizada pelo Escritório Regional do Sebrae de Franca,pelo Parcintec-Franca e pela EMBRAPA-Sudeste, de São Carlos (SP). Olivardo Facó apresentou a todos a proposta de implantação do GENECOC

– Programa de Melhoramento Genético de Caprinos e Ovinos de Corte, implantado pela EMBRAPA-Caprinos no Ceará a partir de 2003. “O GENECOC é um serviço de assessoria genética. A base do programa é estimular e assessorar os participantes na escrituração zootécnica de seus rebanhos, gerando informações seguras e confiáveis que possam ser utilizadas na seleção de seus animais. Para isto o programa utiliza um sistema de gerenciamento on-line, por meio de um software em rede, via internet. Este sistema permite aos criadores, o acesso aos dados de seu rebanho em qualquer computador com acesso a internet”, explicou Facó. De acordo com o pesquisador, mesmo tendo havido na região muitos cruzamentos com ovinos de outras raças, muitos exemplares mantiveram os padrões raciais característicos. “Com isto, nossa proposta não é ‘importar’ nenhum reprodutor ou matriz do Nordeste. Pretendemos iniciar o trabalho com os exemplares já adaptados aqui”, analisa Facó. Os criadores elogiaram a proposta e se mostraram muito interessados em aderir ao programa. Para tanto, devido aos recessos de final de ano, definiram a segunda quinzena de janeiro como o início dos trabalhos.

Os autores apresentam um trabalho inédito - o único com metodologia passo-a-passo existente no mercado - que vai orientar os leitores sobre os processos para a fabricação da cachaça de alambique, desde o conhecimento da matéria-prima, a determinação do ponto de maturação da cana, a higienização dos equipamentos, utensílios e instalações, a obtenção da cana, a extração do caldo, a preparação do fermento, a fermentação do mosto, a destilação do vinho, o armazenamento, envelhecimento, padronização e engarrafamento da cachaça até o controle de qualidade da bebida. VIABILIDADE ECONÔMICA DA CRIAÇÃO DE OVINOS DE CORTE Autor: Aurora Maria G. Gouveia, João Paulo A.H. e Juliana G.B.L. Ribeiro Editora: LK editora Contato: www. lkeditora. com.br.

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3349-

O livro apresenta um trabalho inédito, o único com metodologia passo-a-passo existente no mercado, que vai orientar os leitores sobre os processos necessários para se fazer um projeto de viabilidade econômica da criação de ovinos de corte, desde o conhecimento da ovinocultura de corte nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, a identificação da sua cadeia produtiva, o conhecimento dos tipos de custo, a elaboração do fluxo de caixa até a avaliação financeira e econômica do projeto.

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Edição 29 - Revista de Agronegócios - Dezembro/2008