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Attalea

Versatilidade e Evolução


EDITORIAL

Conhecimento e Tecnologia

FOTO: Editora Attalea

O mês de maio inicia com expectativa mais que elevada na agricultura e na pecuária regional. A colheita de cana-de-açúcar inicia com força e a safra de café promete uma grande produção, mesmo que os preços ainda sejam inferiores ao que o cafeicultor espera. Na pecuária de leite e de corte, os índices de aumento de consumo nos municípios continuam firmes, o que favorecem o aumento na produção. Com relação aos eventos agropecuárias, destaque maior para a 17ª AGRISHOW, que superou todas as expectativas e alcançou a cifra de R$ 1,15 bilhão em negócios efetivados. Foi a melhor de todas as edições, resultado inicialmente de uma brilhante organização, que resultou na ampliação do número de empresas expositoras, do número de visitantes e do número de negócios. Na cultura do milho, a edição deste mês traz informações importantes sobre três novos híbridos e uma nova variedade lançados pela EMBRAPA MILHO e SORGO. Na atividade leiteira, mostramos

a importância da qualificação da mãode-obra para o controle da mastite principal problema na pecuária e que reflete diretamente na produtividade e na rentabilidade. Na silvicultura, apresentamos novas informações sobre o aumento da incidência do Percevejo-Bronzeado na cultura do Eucalipto. Já na cafeicultura, destacamos o artigo do Dr. Hélio Casale sobre a Agricultura Alternativa, considerada por ele a 3ª via na produção agricola no Brasil e no mundo. Merece destaque, também, o artigo de Armando Matielli, presidente do SINCAL, onde somos colocados à refletir sobre a possibilidade do retorno da incidência de geadas nas regiões cafeeiras do país, graças a um possível resfriamento global. Buscando mostrar mais uma vez que a Revista Attalea Agronegócios possui conteúdo técnico, apresentamos artigo do Dr. João Braz Matiello, do MAPA/Pró-Café. Matiello retrata o Ciclo Bienal do Café. Boa Leitura!!!

A Revista Attalea Agronegócios, registrada no IPNI, é uma publicação mensal da Editora Attalea Revista de Agronegócios, com distribuição gratuita a produtores rurais, empresários e profissionais do setor de agronegócios, atingindo 85 municípios das regiões da Alta Mogiana, Triângulo e Sudoeste Mineiro

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EDITORA ATTALEA REVISTA DE AGRONEGÓCIOS LTDA. CNPJ nº 07.816.669/0001-03 Inscr. Municipal 44.024-8 www.revistadeagronegocios.com.br R. Profª Amália Pimentel, 2394, São José Tel. (16) 3025-2486 / (16) 3403-4992 CEP: 14.403-440 - FRANCA (SP) DIRETOR e EDITOR-CHEFE Engº Agrº Carlos Arantes Corrêa (16) 9126-4404 carlos@revistadeagronegocios.com.br cacoarantes@netsite.com.br DIRETORA COMERCIAL e PUBLICIDADE Adriana Dias Tel. (16) 3025-2486 / (16) 9967-2486 adriana@revistadeagronegocios.com.br adrianadias@netsite.com.br REDAÇÃO Tel. (16) 3025-2486 revista@revistadeagronegocios.com.br DIAGRAMAÇÃO e FOTOGRAFIA Equipe Editora Attalea

DEPARTAMENTO COMERCIAL Tel. (16) 3025-2486 vendas@revistadeagronegocios.com.br ASSESSORIA JURÍDICA Raquel Aparecida Marques OAB/SP 140.385 WEBSITE Alsite Design www.alsite.com.br Rua Bahia, nº 1167, Vila Aparecida Franca (SP) - Tel. (16) 3702-8496 CONTABILIDADE Escritório Contábil Labor Rua Maestro Tristão, nº 711, Higienópolis Franca (SP) - Tel. (16) 3406-3256 CTP e IMPRESSÃO Cristal Gráfica e Editora www.graficacristal.com.br R. Padre Anchieta, 1208, Centro Franca (SP) - Tel. (16) 3711-0200 É PROIBIDA A REPRODUÇÃO PARCIAL OU TOTAL DE QUALQUER FORMA, INCLUINDO OS MEIOS ELETRÔNICOS, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO DO EDITOR Os artigos técnicos, as opiniões e os conceitos emitidos em matérias assinadas são de inteira responsabilidade de seus autores, não traduzindo necessariamente a opinião da Revista Attalea Agronegócios.

NOVO TELEFONE

(16) 3025-2486 E-MAILS ROSA IGNEZ MISSAGLIA Agropecuarista. Mogi-Mirim (SP). “Estive na AGRISHOW e recebi um exemplar da revista. Sou agropecuarista de pequeno porte e o meu forte é o gado leiteiro. Estou também com 1.000 pés de limão e tenho outras pequenas atividades voltadas à criação de pássaros. Gostaria de assinar.” PAULO EDUARDO CERRI Produtora Rural. Batatais (SP). “Tenho interesse em receber a revista gratuitamente”. MARCOS POHLMANN Engenheiro Agrônomo. Iporã do Oeste (SC). “Solicito a gentileza de enviar gratuitamente a revista para a Prefeitura de Iporã”. WANDERSON CORDEIRO Técnico Agrícola. Unaí (MG). “Olá, tudo bem? Estou interessado em fazer a assinatura da revista. Estive na AGRISHOW e recebi um exemplar da mesma. JURACI JUNIOR DE OLIVEIRA Agricultor. São Sebastião do Paraíso (MG). “Gostaria de receber a revista”.

CARTAS TARCISO CAMARGO Médico Veterinário. Marília(SP) “Gostaria de receber exemplares da revista”. MAURO ANTONIO DE SOUZA Agropecuarista. Franca (SP) “Sou produtor de leite e de café e gostaria muito de receber em minha casa a Revista Attalea Agronegócios”.

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DESTAQUE

Para quem vive do agronegócio, nada como o som das máquinas e implementos agrícolas em ação. A AGRISHOW - Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação nasceu exatamente da necessidade de se ter uma feira dinâmica, onde o produtor pudesse comparar, na prática, como uma nova tecnologia pode alavancar sua produtividade. De 1993 pra cá, a feira cresceu e vem se aperfeiçoando a cada ano, mas sem perder o foco: o agronegócio. Realizada anualmente na cidade de Ribeirão Preto (SP), a AGRISHOW apresenta linhas de produtos e/ou serviços: máquinas e equipamentos agrícolas; (plantadeiras, colheitadeiras, tratores, equipamentos de irrigação, etc.) insumos (sementes, cor-

retivos, fertilizantes, defensivos); equipamentos de segurança; bovinocultura, caprinocultura, ovinocultura, suinocultura; genética; veículos, serviços; publicações técnicas, etc. No início de maio, a organizadora da 17ª AGRISHOW AGRISHOW, divulgou um balanço da feira realizada de 26 a 30 de abril de 2010. Para ela, esta foi considerada a maior edição da história, e consolidou o evento como plataforma de irradiação de tecnologia e palco de negócios. O aumento da feira em 50% totalizando uma área de 360 mil m² – ante os 240 mil m² da edição anterior – e as melhorias em infraestrutura como os novos acessos, estacionamentos, configuração da planta, praças de alimentação, áreas de descanso, sanitários, reformulação de rede elétrica e construção de novos

FOTOS: Editora Attalea

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Negócios fechados na Agrishow 2010 ultrapassam R$ 1 bilhão reservatórios de água foram sentidas por visitantes e expositores, e reconhecidas como fatores que facilitaram e impulsionaram os negócios. A edição de 2010 da AGRISHOW superou em pelo menos R$ 290 milhões a estimativa inicial de negócios prevista pela organização da feira e atingiu R$ 1,15 bilhão somente em financiamentos feitos por Bradesco, Banco do Brasil e Santander. O volume de negócios fechados ou iniciados no evento, porém, ultrapassa esse valor, já que não foram contabilizados os financiamentos fechados pelos bancos próprios das fabricantes de máquinas e veículos e as transações pagas à vista. Segundo a organização da feira, esses expositores mantém seus dados sob sigilo. A meta inicial de negócios pre-


DESTAQUE estrutura com mais conforto, agilidade e praticidade no novo formato da feira. Mesmo com um dia a menos, visitaram a feira 141 mil pessoas”, afirma a organização. “As áreas de estande cresceram de 102 mil m² para 167 mil m², um aumento de 67% depois de um ano de crise. Isso mostra a força do setor e a consolidação da AGRISHOW como vitrine do que há de mais moderno em termos de tecnologia, pois a agropecuária não existe sem tecnologia”, avalia o presidente do Conselho Consultivo da AGRISHOW AGRISHOW, Cesário Ramalho. Outra novidade da edição deste ano que agradou bastante foi a regionalização de alguns setores, como irri-

FOTOS: Editora Attalea

vista pela organização da feira era de R$ 860 milhões, e os números de 2010 confirmam o otimismo dos expositores e da organização do evento, após uma edição marcada pela ausência das grandes fabricantes de tratores e pela sombra da crise econômica em 2009. Além dos financiamentos, as rodadas de negócios promovidas durante a feira resultaram em US$ 34 milhões em contratos. A AGRISHOW de 2010 recebeu 730 empresas expositoras e 142 mil visitantes. “A AGRISHOW 2010 se caracterizou pela qualificação do público visitante, bastante focado em fazer negócios e que encontrou uma

gação, armazenagem, pecuária, áreas de testes-drives e tratores próximos às áreas dos bancos. Segundo os expositores, essa disposição logística facilitou o fechamento de negócios, pois os compradores puderam focar suas áreas de interesse. Os visitantes da AGRISHOW puderam verificar o desempenho das máquinas nas mais de 800 demonstrações de campo realizadas nos 100 hectares de áreas de dinâmicas e ficar atualizado sobre as novidades tecnológicas e tendências do agronegócio nos diversos eventos realizados no recinto da feira. Para o próximo ano, há uma previsão da feira iniciar em 2 de maio de 2011. A

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DESTAQUE

Ferguson Ferguson, A Massey marca líder no mer-

FOTO: Divulgação MF

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Massey Ferguson apresentou na Agrishow evolução na linha de tratores cado nacional, promoveu durante a 17ª AGRISHOW os novos tratores da nova série MF-4200. A novidade trouxe oito modelos com potência de 65 a 130cv, desenvolvidos com objetivo de proporcionar desempenho superior com a inclusão de um novo motor, proporcionando economia com a redução no consumo de combustível e baixo custo de manutenção, conforto com a simplicidade operacional e um novo design com linhas arrojadas. A série traz novos recursos. Vem equipada de tomada de potência independente, tanque de combustível plástico com maior capacidade, capô basculante, freio de acionamento hidráulico, plataforma de operação plana, levante hidráulico de maior capacidade e câmbio lateral em todos os modelos. A série MF-4200 substitui os tratores da série MF-200, líder de mercado há aproximadamente meio século. Um dos destaques é a Tomada de Potência Independente (TDPI) com acionamento hidráulico, sistema com a maior facilidade operacional do

mercado. Entre as boas novas, passa a ser padrão na série, plataforma plana com piso emborrachado, o que confere um maior conforto na operação reduzindo vibrações e ruídos. A fábrica leva ao mercado opções cabinadas ou plataformadas em todos os modelos. Para melhorar a servicibilidade e facilitar a manutenção, os oito modelos ganham capô basculante. Com ele, o acesso ao motor é feito de forma mais ágil, facilitando e estimulando as manutenções. O tanque de combustível produzido em plástico, o que diminui os riscos de contaminação do combustível, proporciona maior autonomia de trabalho com o acréscimo de 25 litros na capacidade, totalizando 100 litros.

Também standard, os tratores são equipados com freio de acionamento hidráulico, o que melhora a capacidade de frenagem. Com o lançamento, a Massey Ferguson reafirma seu compromisso com a versatilidade e evolução. A nova série chega em versões para grandes e pequenas propriedades. A fábrica desenhou unidades configuradas para o Programa Mais Alimentos Alimentos, projeto do governo federal que incentiva a Agricultura Familiar. Nesta modalidade, dentro da série MF4200, a indicação da Massey Ferguson é dos modelos MF-4265 (65 cv) e MF-4275 (75 cv). Para as operações que exigem tratores de maior potência, a empresa oferece os modelos MF-4292 (110 cv), MF-4297 (120 cv) e MF-4299 (130 cv); estes equipados com motores de quatro cilindros AGCO SISU POWER turboalimentados. A novidade foi planejada para conferir mais economia do que os seis cilindros que eram padrão na série anterior. O novo motor está preparado para operar alimentado inteiramente por biodiesel (B-100) A

John Deere apresentou inovações em todas as linhas de produtos na Agrishow estande da John Deere na O Agrishow apresentou lançamentos e inovações em todos os tipos de equipamentos de sua linha. O objetivo da empresa foi o de oferecer as mais avançadas soluções mecanizadas para os vários segmentos da produção agrícola nacional. A mais completa linha de colheitadeiras do mercado brasileiro, a nova Linha 70, foi o grande destaque do estande, com modelos tanto com o sistema de saca-palhas como com a tecnologia do rotor STS.

Novas plataformas de corte e de milho complementam os lançamentos para a colheita de grãos. Para os produtores de cana, a novidade foi a colhedora 3522, uma inovação no mercado que permite a colheita de duas linhas do canavial. Na área de tratores agrícolas, a John Deere também apresentou uma linha completa, com motores de 57 cv a 320 cv, que recebeu uma nova nomenclatura. Cinco novos modelos foram lançados: dois tratores médios (os modelos 6110D e 6125D) e três

modelos em novas faixas de potência: 165 cv, 225 cv e 270 cv, todos com a alta tecnologia já conhecida dos produtos John Deere Deere. A área do plantio apresentou dois lançamentos de alta capacidade de trabalho. As novas plantadeiras DB, com 45 linhas de plantio, e 2130 Dual FlexPro são as maiores no mercado brasileiro e seu alto rendimento será muito valorizado pelos produtores que cultivam grandes áreas na região dos cerrados. A


EVENTOS

Piumhi realiza 8ª Roda de Agronegócios R

FOTO: Editora Attalea

ealizada desde 2003 na tem data marcada para cidade de Piumhi (MG), ocorrer: 20, 21 e 22 de a Roda de Agronegócios Agronegócios, maio. tem como principal objetivo Contabilizando sua fortalecer o agronegócio da 8a edição, a Roda de Agronegócios de Piregião, gerando oportunidades umhi está se tornando de compra e venda de produtos. mais do que um evento Desde a sua primeira edicomercial, tem feito parção, a Roda de Agronegóte da cultura da região cios tem reunido produtores e do Oeste de Minas. As empresas fornecedoras de má- Flávio Filho, presidente da Coopiumhi; sua esposa maiores negociações quinas, equipamentos, insumos, Lillian; Helenice Miranda, secretária do Sindicato dos giram em torno do café, serviços e novas tecnologias de Produtores Rurais de Piumhi; e Carlos Arantes, diretor grão e pecuária, tanto de da Revista Attalea Agronegócios, em visita ao estande apoio a diversas áreas do setor, da revista na 17ª AGRISHOW. corte quanto leite, provisando sempre produtos de dutos fortes na economia bom preço e ótima qualidade. é uma grande chance para que o pro- da cidade de Piumhi. O evento é uma vitrine capaz dutor rural possa adquirir produtos Com o objetivo de fortalecer a de atrair os interesses de todas as ca- com melhores condições, podendo agricultura regional, gerando opordeias produtivas em busca de conhe- acompanhar e conhecer o que há de tunidades de compra, venda de procimento e negócios, promovendo mais moderno no agronegócio dutos e de relacionamento entre proprodutos e marcas junto aos diversos brasileiro. dutor e fornecedor. públicos, representados por produtoParticipam anualmente prodA 8ª Edição - Um dos eventos utores rurais e empresas fornecedoras res, empresários rurais, criadores e profissionais do setor. Sem dúvida esta regionais mais aguardados do ano já de máquinas, equipamentos,

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EVENTOS equipamentos participarão do evento. Elas serão representadas por profissionais do setor. Esta é uma oportunidade para que o produtor rural possa adquirir produtos com melhores condições de custo, possa acompanhar e conhecer as novidades do mundo da agricultura. Cada expositor terá um espaço reservado para a montagem de estande. Leilão de Gado Leiteiro No fechamento do evento no dia 22 de Maio, a partir das 16h30, no Tatersal “Nhô Carvalho”, acontece o 9º Leilão de Gado Leiteiro, promovido com o objetivo de gerar oportunidades de compra e venda de animais para os produtores de leite renovar seus plantéis, buscando ganhar qualidade genética no sentido de aumento de produtividade. Serão oferecidos lotes de bezerras, novilhas, vacas secas e em lactação. O Banco do Brasil disponibilizará recursos financeiros no montante de 1 milhão de reais a juros de 6,75% a.a. com 2 anos de prazo para pagamento em 2 parcelas anuais. A

14º Etapa do Circuito Mineiro de Cafeicultura O Circuito Mineiro da Cafeicultura surgiu do Encontro Sul Mineiro que se realiza em Lavras (MG) desde 1997. Inicialmente os encontros foram organizados em 22 cidades pólos do Sul de Minas, recebendo o nome de Circuito Sul Mineiro da Cafeicultura. Tiveram como objetivo sistematizar e organizar os encontros na área de cafeicultura da região, integrando as instituições públicas, privadas e os cafeicultores na busca do objetivo comum: melhorar a qualidade de produção, aumentar a produtividade, diminuir os custos de produção e por conseqüência, melhorar a renda dos cafeicultores, tudo dentro de uma visão de sustentabilidade. A

Parcintec-Franca realiza palestra sobre cogumelos pelo PARO rganizada CINTEC - Programa

A técnica chinesa Jun Cao (Jun= fungo Cao=grade Parceria de Inovações mínea), que foi adaptada ao Tecnológicas, foram reaBrasil pela Embrapa Recurlizadas duas palestras sobre sos Genéticos e Biotecnocogumelos, contando com logia, barateia a produção de a presença de uma das mais cogumelos comestíveis, já renomadas pesquisadoras que substitui os meios de culda EMBRAPA, Dra. Arailtivo tradicionais (troncos de de Fontes Urben, Doutora árvore ou serragem) pelo em Biologia, Mestre em uso de substrato de capim, Fitopalogia especializada junto com outros nutrientes. em Micologia e líder das Na questão sobre saúpesquisas de cogumelos Dr. Clóvis Biscegli (Coordenador do PARCINTEC- de, a Drª Arailde apresentou comestíveis e medicinais, o Franca), Drª Arailde Fontes Urben (palestrante), Regina informações econômicas evento tem o objetivo de Helena Carvalho Garcia (produtora de S.J.Rio Preto/ sobre o Cogumelo-Rei (Gatrazer mais informações SP) e o Engº Agrº Antônio Carlos (PARCINTEC-Franca) noderma lucidum), de onde sobre o cultivo e os benefícios do co- COCAPEC, COONAI, Prefeitura se extrai alcalóides utilizados no gumelo, sendo que este cultivo pode Municipal de Franca, EMBRAPA e tratamento de bronquites, insufiser mais uma fonte de renda na CATI. ciências hepáticas, hipertensão e antipropriedade. A pesquisadora ministrou duas carcinogênica. E também sobre o O evento foi realizado no dia palestras. A primeira abordou o tema Cogumelo-do-Sol (Agaricus blazei), 23 de abril, no auditório do Parque “Princípios e Cultivo de Cogumelos espécie nativa do Brasil utilizado pela de Exposições “Fernando Costa” e pela Técnica ‘JunCao’”, e a segunda medicina no combate de hemorrasendo organizado com o apoio da palestra discorreu sobre “Cogumelos gias, cólicas, feridas, asmas, além de COCAPEC – Cooperativa de Cafei- funcionais e sua importância na Saúde apresentar ações anti-tumoriais. A cultores e Agropecuarista, Credi- Humana”. FOTO: Editora Attalea

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insumos, serviços e novas tecnologias de apoio a diversas áreas do setor. Serão disponibilizados R$ 40 milhões para investimento e custeio, pelos agentes financeiros: Banco do Brasil, Bradesco, Santander, Sicoob Credifor e Sicoob CrediAlto. A Roda é uma promoção do Sindicato dos Produtores Rurais da cidade e ocorre no Parque de Exposições “Tonico Gabriel”. De acordo com o presidente do Sindicato Rural, Rafael Alves Tomé (Juninho Tomé), estimase que R$ 35 milhões devam ser movimentados no evento deste ano. Diversas atividades estão sendo preparadas para a edição deste ano. No dia 20 de maio, ocorrerá a 14ª etapa do Circuito Mineiro de Cafeicultura Cafeicultura, com palestras de profissionais especializados, entrega de certificados e concurso de pratos à base de café, além da abertura oficial da 8a edição da Roda de Agronegócios de Piumhi Piumhi, às 16 horas. No dia 21 e 22, seguem as negociações da roda. Várias empresas de serviços, marcas de produtos e


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LEITE

custa tratar uma vaca Q uanto com mastite? Nos EUA, estudos do National Mastitis Council já demonstraram prejuízos de aproximadamente US$ 200,00 para cada vaca infectada. Estimativas feitas no Brasil calcularam perdas de 17% do volume total de produção de leite em decorrência da doença. Se o número prevalecesse em 2008, por exemplo, quando a produção no país foi de 27 bilhões de litros, a perda seria de R$ 2,3 bilhões para o Brasil, segundo a Embrapa. Os graves prejuízos causados por essa inflamação na glândula mamária são bastante conhecidos na pecuária leiteira. Essa enfermidade acarreta em grandes perdas econômicas para os produtores, sobretudo por causa da redução na produção, dos gastos com medicamentos, do aumento da mão de obra e também das penalidades aplicadas. Em vista desse problema, a Ourofino Agronegócio realiza frequentemente treinamentos em propriedades para conscientizar sobre os cuidados com a higiene e com a saúde do animal. O SIGA (Soluções Integradas em Gestão Agropecuária), desenvolvido pelo departamento técnico de bovinos, ressalta a importância da qualificação dos funcionários que lidam diretamente com o rebanho. “A mastite pode ser transmitida por meio da ordenha pelas mãos do ordenhador, que estejam contaminadas por leite infectado, ou seja, pela falta de higiene. Cuidados básicos, como o uso de luvas descartáveis, limpeza e desinfecção adequada dos equipamentos e cama, além da alimentação adequada dos animais, podem prevenir a mastite”, afirma a médica veterinária e gerente técnica da Ourofino, Daniela Miyasaka. Para ajudar na prevenção à mastite, Miyasaka, que também é doutora em patologia animal, dá algumas dicas para o dia-a-dia na fazenda: 1) - Estabeleça uma sequência na linha de ordenha: FOTO: Divulgação

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Qualificação no campo contribui para a prevenção da mastite novilhas (vacas primíparas) de primeira cria; vacas que nunca tiveram mastite; vacas que tiveram mastite clínica há mais de seis meses; vacas que tiveram mastite clínica nos últimos seis meses; vacas com mastite subclínica. Separar do rebanho as vacas com mastite clínica e ordenhar separadamente. 2) - Realize diariamente o teste da caneca de fundo escuro, com leite retirado nos três primeiros jatos. Esse teste permite o diagnóstico da mastite clínica e diminui o índice de contaminação do leite. 3) - Faça a imersão dos tetos em solução desinfetante e deixe agir por 30 (trinta) segundos. 4) - Utilize o papel-toalha descartável para fazer a secagem dos tetos (utilizar um papel para cada teto). 5) - Coloque as teteiras e ajusteas. Retire as teteiras quando terminar o fluxo de leite. 6) - Para diminuir os casos da mastite, algumas terapias são essenciais: pré-dipping, pós-dipping e terapia da vaca seca. A Manifestação da Doença - A mastite pode ser causada por agentes contagiosos ou ambientais. No primeiro caso, a doença é transmitida de uma vaca infectada para uma vaca sadia, principalmente durante a ordenha. Já os agentes ambientais estão presentes no ambiente em que o animal vive. “A grande quantidade de matéria orgânica e umidade da cama do animal, por exemplo, pode provocar o aumento do número de bactérias. É um problema que pode ser evitado”, diz Daniela.

Pecuaristas de SP devem vacinar bois e búfalos com até 24 meses A estimativa é de vacinar quase cinco milhões de animais nesta primeira fase da campanha de 2010 de combate à Febre Aftosa. “O rebanho paulista não está entre os mais numerosos, comparado a outros estados produtores, 11,5 milhões de cabeças. Mas o estado tem condições favoráveis de abate e os maiores pontos de saída de produtos de origem animal do País. Por isso, é muito importante manter o gado vacinado contra a doença”, ressalta a chefe de Defesa Agropecuária, Patrícia Pozzetti. Na etapa de novembro, quando os animais de todas as idades precisam ser vacinados, a cobertura ficou em 97,85% do total do rebanho. Desde 1996, São Paulo não registra casos da doença. De acordo com Patrícia Pozzetti, 150 mil propriedades produtoras de bovinos estão cadastradas no Serviço de Defesa Agropecuária. O responsável pelo gado tem até 15 dias, após a campanha, para apresentar o comprovante em uma das 240 unidades de atendimento disponíveis. A Quanto à forma de manifestação, a mastite pode ser clínica ou subclínica. A mastite clínica apresenta sinais evidentes e por isso é de fácil diagnóstico, como aumento de temperatura, aparecimento de pus, grumos e mudanças nas características do leite. No caso da mastite subclínica, que não apresenta alterações visuais, é necessária a utilização de testes indiretos, como os exames com placas CMT – California Mastitis Test. (Fonte: Ourofino Agronegócios ). A


GRÃOS

Quatro novas cultivares de milho chegam ao mercado na próxima safra FOTO: Divulgação

animadoras para os produtores. A Embrapa Milho e Sorgo está lançando quatro novas cultivares que estarão disponíveis no mercado a partir de outubro e têm ótimos níveis de produtividade dentro dos seus tipos. São três híbridos (BRS 1055, BRS 3040 e BRS 1060) e uma variedade (BRS Caimbé), todos recomendados para qualquer região do Brasil, com exceção da Região Subtropical, que compreende o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Sul do Paraná. O grande destaque dos lançamentos é o BRS 1060, um híbrido de milho simples, de ciclo semiprecoce, grãos semidentados de cor avermelhada, de porte baixo, resistência ao nematóide Melodoygenes javanica e excelente produtividade. Além disso, ele é muito bom contra acamamento e quebramento, o que é muito importante para a colheita mecanizada. É recomendado para safra e safrinha, mas se destaca mais em safrinha e é o híbrido ideal para o produtor que tem alta tecnologia. Todos estes 4 lançamentos são muito bons em suas áreas, mas o BRS 1060 é o melhor. Ele tem porte mais baixo do que o BRS 1055 e é excelente para acamamento e quebramento. Em todos os testes feitos ele ficou sempre entre os mais produtivos, se destacando ainda mais na safrinha - destaca o melhorista Paulo Evaristo Guimarães, da Embrapa Milho e Sorgo. Outro híbrido simples de ciclo semiprecoce também recomendado principalmente para alta tecnologia é o BRS 1055, que tem porte mais alto e alta prolificidade, ou seja, tem alta frequência de plantas em ambientes bons, segundo Guimarães. O BRS 1055 também é um material muito produtivo, que pode superar as 12 toneladas por hectare, e com resistência ao nematóide Melodoygenes javanica. Sua produtividade responde melhor à safra (superando até o BRS 1060) do que à safrinha. Já o híbrido BRS 3040 é de ciclo precoce, triplo e por isso é recomendado para produtores com média tecnologia, mas também tem alta produtividade para um híbrido triplo, segundo Guimarães. O melhorista explica que os produtores devem sempre ficar atentos ao tipo de híbrido e à capacidade tecnológica que ele tem disponível em sua propriedade. Os híbridos simples são recomendados para os produtores que têm capacidade maior de investimento, porque as sementes são as mais caras do

mercado, mas as respostas de produtividade são as melhores. Os híbridos triplos são para o produtor com média tecnologia porque as sementes são um pouco mais baratas do que as de híbrido simples. Já as variedades são ideais para quem tem baixa tecnologia e não tem condição de comprar sementes caras. A produtividade de uma variedade vai sempre perder para um híbrido, em geral, mas a grande vantagem é o preço da semente - explica. A variedade de milho lançada pela Embrapa para a próxima safra é a BRS Caimbé que tem ciclo precoce, altura média de 2,4 metros, com boa resistência ao acamamento e quebramento, boa uniformidade e alta produtividade em relação às outras variedades de milho do mercado. O maior benefício de se plantar variedades é o aspecto econômico, não só porque as sementes são mais baratas, mas porque há também a possibilidade de o produtor utilizar os grãos como semente na safra seguinte. Os híbridos não têm esta vantagem porque há uma grande perda de produtividade nesta reutilização. A

Attalea

safra de milho deste A ano tem novidades

Presente no mercado desde 2005, a Rumo Certo atua como prestadora de serviço na área de corte e silagem milho, sorgo, aveia, milheto e capim. Atendendo atualmente clientes nos estados do PR, SC, GO, MT, SP, MG, MS, TO e com estrutura pronta para suprir as necessidades de clientes de todo o território nacional.

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13 ABR/2010


CAFEICULTURA

Fernando Jardine 1 oje em dia é muito comum a H aplicação de fosfitos em diversas culturas. Fosfitos (H2PO3) são sais de metal alcalino do ácido fosforoso. Pesquisas publicadas indicam que o fosfito é um eficiente agente de controle para um grande número de doenças causadas por várias espécies de fungos patogênicos, principalmente ao gênero Phytophora. O fosfito não tem efeito direto nas plantas se sua concentração, comparada com aquela requerida para controlar infecções na planta causadas pelo patógeno Phythophora, ou que restrinja o crescimento deste em meio estéril, for extremamente fitotoxico para a planta e não for fertilizante. Isto porque o tratamento com o fosfito não funciona em plantas com deficiência de fósforo devido distúrbios induzidos por enzimas e transportadores característicos da deficiências deste nutriente. A fonte normal de fósforo para as plantas são os ácidos fosfóricos (H3PO4), que ao reagirem com uma base formam os fosfatos (PO4). Os fosfitos tem como fonte de fósforo o ácido fosforoso (H3PO3) que ao reagir com uma base forma fosfitos (PO3). Os fosfatos (PO4) são pouco móveis no solo pois formam compostos insolúveis com Ca e Mg, tornando-se indisponíveis para as plantas principalmente na época que a planta mais necessita de fósforo, que é na florada. Quando aplicados via foliar levam 5 dias (sem chuva) para que a planta absorva 50% deste. A planta absorve 10% após 16 horas. Quando se aplica fosfatos via foliar em horas quentes ou em excesso, estes podem causar fitotoxidade nas plantas. No solo somente 1% do fosfato fica disponível. Os fosfitos possuem uma molécula de oxigênio a menos que os fosfatos e, por esse motivo, apresentam um alto grau de solubilidade e 1 - Engenheiro Agrônomo, Supervisor de Vendas da Nutriplant Ind. e Com. S/A. Tel.: (19) 9842.6762. www.nutriplant.com.br

FOTO: Nutriplant - Fernando Jardine

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O uso do fosfito na agricultura

Edmilson Bezerra (Casa das Sementes), o cafeicultor Toninho David e o engº agrônomo Fernando Jardine (Nutriplant).

mobilidade. Essa única característica confere aos fosfitos a habilidade de serem absorvidos rapidamente e se deslocarem através das membranas da planta, na folhagem e no sistema radicular. De 90 a 98% dos fosfitos, quando aplicados via foliar, são absorvidos de 3 a 20 horas após a aplicação. A planta requer menos energia para absorver o fosfito que o fosfato. É um excelente agente complexante que favorece a absorção de outros nutrientes como Ca, B, Zn, Mn e K. Os fosfitos transformam os aminoácidos das plantas em proteínas mais rapidamente; pode ser usado no controle de enfermidades devido as propriedades sanitárias, pois o íon fosfito (PO3) exerce por si só uma ação inibidora no desenvolvimento de infecção fúngicas (ação curativa) e por outra parte, induz a planta a formação de substâncias naturais de autodefesa (ação preventiva), as fitoalexinas. O íon fosfito é indicado no controle dos fungos do gênero Phytophora e dos fungos da podridão do colo, raiz, tronco e frutos. A persistência do íon fosfito na planta é de 30 a 90 dias em plantas perenes e de 15 a 30 dias em hortícolas e ornamentais. Indicações do Fosfito - Ele é indicado para:

a) - A aplicação do fosfito é indicada para todo tipo de cultivo, citros, café, frutas, hortícolas e ornamentais, pois tem as seguintes propriedades; b) - Prevenir e curar as enfermidades produzidas por fungos; c) - Melhorar o estado nutricional das plantas, especialmente nos momentos de maior atividade, estimulando o crescimento; d) - Prevenir e curar as deficiências e suas conseqüências. Métodos de Aplicação Aplicações foliares podem ser feitas usando equipamento aéreo ou terrestre. As doses de aplicação utilizadas vão de 200 a 500 ml/100l de água dependendo do fosfito escolhido, deve-se utilizar de 1000 a 1500 litros de calda por hectare. Aplicações no solo são feitas em fertirrigação por injeção do produto no sistema de irrigação a pequeno volume, usando micro-aspersores ou gotejadores, ou por injeção mecânica, usando aspersores comuns de alto volume. Recomendações comuns de aplicação estão na faixa de 3 a 9 litros/ ha, por aplicação, dependendo do fosfito usado, da cultura, das condições nutricionais é dos objetivos. O ácido fosforoso pela sua maior con-


CAFEICULTURA

FOTO: Nutriplant - Fernando Jardine

Cercospora coffeicola = o produto promove a redução de 35% no progresso da cercosporiose Hemileia vastatrix = o produto reduz em até 49% na severidade da Ferrugem do Cafeeiro. A Nutriplant Nutriplant, levando em consideração os fatores citados acima, possui em seu portifólio de produtos, a linha Foskalium (Produtos Base Ácido Fosforoso ) toda linha completa de fosfitos.

Os engº agrônomos Luis Fernando Paulino (Casa das Sementes) e Fernando Jardine (Nutriplant)

centração em fósforo se aplicará de 2 a 4 litros/ha. Aplicações - Devido ao seu caracter sistêmico, o fosfito é absorvido rapidamente pelas raízes, folhas e córtex do tronco, entre outras. Por isso os métodos de aplicação são muitos:- Pulverização foliar:-

Programa nutricional Nutriplant - Desenvolvemos este programa para a região de Franca (SP) na qual estamos tendo ótimos resultados com os produtores para café.

Aplicação diretamente sobre as partes afetadas; Por gotejamento: facilita a incorporação do produto pelas raízes; Em mudas: por imersão antes do transplante definitivo.

Pulverização de Verão Verão:• 2 aplicações de Flash + Aminonutri + Foskalium Cupper; • 2 aplicações de Flash + Aminonutri + Foskalium Manganese.

Aplicação Preventiva Phoma Costarricencis = o produto reduz em até 38% a Seca dos Ponteiros

Aplicação de Inverno : • 2 aplicação de Flash + Foskalium Manganese + Amoninutri A

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ESPECIAL

AGRICULTURA ALTERNATIVA – 3ª. VIA 16

Hélio Casale

1

ABR/2010

diversos agroecoO ssistemas, que são

unidades de área composta por seres vivos e não vivos, interagindo harmoniosamente e que estão sendo explorados na agricultura, vem sofrendo graves rupturas, motivadas principalmente pelo grande e desordenado aumento da população mundial, que a cada dia exige maior quantidade de alimentos para seu sustento e dos seus animais. À modernização da agricultura com mecanização intensiva, devem-se somar as mais recentes exigências das leis trabalhistas, ambientais e de seguridade social, empurrando para a periferia de grandes cidades inúmeros trabalhadores braçais. As necessidades são crescentes, restando aos que sobraram no campo, a missão de gerenciar cada vez melhor o processo de conversão de energia solar (fotossíntese), o emprego adequado dos fertilizantes, defensivos e combustível e o melhoramento genético de plantas cada vez mais adaptadas ao meio, para resultar em produção de alimentos, têxteis e outros. É sabido que todo o esforço humano para maximizar o processo de produção exige uso intensivo do solo, gerando benefícios de um lado e 1 - Engenheiro Agrônomo pela ESALQ, desde 1961.

custos do outro. Benefícios são visíveis principalmente no aumento da longevidade dos humanos e quanto aos custos, some-se a eventual degradação do solo, aumento da poluição do solo, do subsolo, do ar, redução da biodiversidade natural, mudanças de clima regional, desequilíbrio das pragas e moléstias, numa relação típica e direta de causa e efeito. É sabido que apenas cerca de 30% da superfície da terra é área própria para cultivos, sendo constituída principalmente por campos e florestas naturais, mas também pelos desertos e áreas alagadas, como as do Pantanal e da nossa Amazônia. Desses 30%, próximos dos 20%, são áreas ocupadas por pastagens, onde são criados os animais domésticos. No Brasil, dos 851 milhões de ha de área total, apenas 254 milhões

são usados para agricultura, sendo 18,8 milhões ocupados com culturas perenes (2,2%), 57,9 milhões ocupados com culturas anuais (6,8%), 5,6 milhões de ha com florestas plantadas (0,7%) e para a agropecuária cerca de 172,3 milhões de ha, ou seja, 20,2%, totalizando 254,6 milhões de ha, restando ainda 596,4 milhões de ha. Por esses números pode-se observar que o Brasil é um dos poucos países do mundo que ainda tem área disponível para ser agricultada. Por outro lado vale lembrar também que, dos 254,6 milhões de ha trabalhados, 9,1% dessa área já foi destinada para os assentamentos agrários, 12,4% para os indígenas e 2,9% para os quilombolas. Assentados, indígenas e quilombolas detém cerca de 24,4% das áreas agricultadas do País, somando 208 milhões de ha. Somente aos quilombolas é reservada área maior que as que vêm sendo ocupadas por cafeeiros em todo o Brasil; aos indígenas, área maior que a plantada com culturas anuais. A nível mundial, as melhores terras, as mais facilmente cultiváveis por meio da tecnologia existente, praticamente já estão ocupadas com cultivos, seja de anuais ou perenes. O Brasil é das poucas exceções. As práticas agrícolas praticadas em todo o mundo civilizado mudaram muito, principalmente nas últimas décadas. No Brasil nem se diga. Nossa agricultura se modernizou, podendo se comparar às mais avançadas do mundo atual. Ainda se observa muito desperdício de insumos básicos, ora pelo uso inadequado, por má distribuição, por emprego fora de hora, no local errado e assim por diante. Ignorância, a falta de assistência técnica, seja lá o que for, ainda podemos aperfeiçoar, em muito, o processo produtivo. Uma regrinha que tenho usado a mais de 30 anos, diz o seguinte – como profissionais de agronomia, nosso dever e obrigação são de


ESPECIAL medir, medir, medir para produzir economicamente sem poluir, sem destruir, sem causar danos irreversíveis. Analisar solo, analisar folhas, analisar compras, analisar as vendas, analisar efeito de certas práticas, enfim, não parar de medir em todas as fases do processo ano após ano. Na maneira como são feitas as práticas culturais em todo o mundo e no Brasil, se pode observar 3 vias principais, conforme a maior ou menor intensidade das atividades, a saber: 1ª. Via – Agricultura PréIndustrial = Conhecida como autosuficiente e de trabalho intensivo, onde os homens e os animais são a principal fonte de energia. Proporciona alimento para o agricultor e sua família, e para a venda ou troca em mercados locais, mas não produz excedente para exportação. Veja a representação gráfica abaixo. Atualmente, cerca de 60% das terras em cultivo no mundo ainda estão nessa categoria, sendo que a maioria delas se encontra nos países subdesenvolvidos da Ásia, África e da América do Sul, regiões com grandes populações humanas. Vale observar que esse sistema, mesmo quando bem adaptado, não tem dado superávit suficiente para alimentar a popu-

Agricultura nômade, itinerante, ou seja, quando a terra enfraquece, é abandonada e um novo lote é aberto e cultivado até que se esgote, num processo constante de busca renovada de solo fértil de origem. Praticamente nada de insumos trazidos de fora. Pragas e doenças por conta do controle natural. Baixa produção, pouca renda. Acomodação.

lação das grandes cidades. O fato presente é que a corrida por mais alimentos ameaça se tornar severa, conforme o custo dos subsídios que aumenta cada vez mais, e países incapazes de produzir seu próprio alimento vêm sendo forçados a importar de outros países com alimentos excedentes, isso se concretizando quando há dinheiro disponível para aquisição. Na falta deste, fome, miséria, brigas.

2ª. Via – Agricultura convencional ou industrial - Agricultura intensiva mecanizada, subsidiada com combustíveis, sendo que máquinas e produtos químicos como fertilizantes e defensivos fornecem o subsídio de energia. Esse tipo de agricultura produz alimentos que excedem as necessidades locais para exportação e venda, transformando alimento (milho, soja, trigo, café, algodão, açúcar) em mercadoria e numa importante força de mercado na economia, em vez de fornecer apenas bens e serviços básicos para a vida. É esse tipo de agricultura que mais estamos praticando no momento no Brasil, sendo importante reconhecer que tem aumentado em muito a safra de alimentos e fibras por ha. Esse é o lado bom da tecnologia, mas é importante ressaltar também pelos eventuais pontuais, aspectos negativos já ressaltados acima. Temos de trabalhar, produzir excedentes, mas sempre procurando deixar para nossos filhos, descendentes ou sucessores, uma terra muito melhor que aquela que encon-

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ESPECIAL

3ª. Via – Agricultura Alternativa = É a agricultura sustentável de baixa entrada, que dá ênfase a safras de produtos de sustento e lucro, ao mesmo tempo em que reduz a entrada de subsídios de combustíveis fósseis, pesticidas e fertilizantes. Esse tipo de agricultura já vem sendo praticado por muitos agricultores e está sendo intensificado em nosso país, onde se busca uma saída para a sobrevivência, aumento de lucros e a herança de um solo muito melhor que antes, ou seja, sem erosão, sem resíduos de fertilizantes, pesticidas, em nível de dano econômico, onde tudo é possível de se aplicar, desde que devidamente medido, visando produzir economicamente sem poluir, sem destruir, causando o mínimo de danos irreversíveis. Vejamos a representação gráfica que se assemelha em muito com a segunda via, mas que tem um detalhe muito interessante – insumos reduzidos. Por incrível que possa parecer, estamos, de maneira muito generalizada, ainda fazendo de 4 a 5 análises de solo para apenas 1 análise de folhas, enquanto em outros países, como Austrália e África do Sul, já estão fazendo análise da seiva das plantas. Comparando, eles estão na dianteira. Seria acaso? Dentre as mais diferentes práticas empregadas, a análise de folhas é prática que deve ser incrementada e certamente contribuirá para trazer, muito mais rapidamente, redução nos gastos com fertilizantes e defensivos. Utilizar os recursos que são disponibilizados aos cooperados e, conjuntamente com os técnicos locais, ajustar o emprego dos insumos, aumentando a produção das lavouras, reduzindo o custo de produção e conseguindo produtividade econômica, é o melhor e mais curto caminho para a agricultura atual. Procurar elevar a produtividade econômica reduzindo insumos, eliminando o desperdício. Essa é a 3ª. Via Via, chamada de alternativa, que devemos encampar e ajustar nos trabalhos do dia a dia.

A

Defensive e Plantytec apresentam bioestimulante para cafeicultores FOTO: Editora Attalea

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tramos. Uma tarefa para gigantes e como esta é uma terra de gigantes, nada mais a esperar.

Luciano Gasparini (Defensive), Fabiano Figueiredo (diretor Casa das Sementes).

realizada no dia 12 E mdepalestra maio, na Churrascaria Minuano, em Franca (SP), a Casa da Sementes organizou a presença de Luciano Gasparini, fisiologista vegetal e gerente de nutrição da Defensive fensive, empresa sediada em Jaboticabal (SP) e que trabalha com bioestimulantes para hortifruti e também com a cultura do café. Luciano apresentou a cafeicultores e engenheiros agrônomos da região o Seacrop Seacrop, bioestimulante natural, extraído da alga marinha Ascophyllum nodosum , que pode ser utilizado nos cultivos tradicionais e orgânicos. “O Seacrop atua diretamente nos processos bioquímicos das plantas, propiciando

Ferreira

(Plantytec),

Paulo

o aumento da síntese de proteínas e enzimas, estimulando processos de fotossíntese e, consequentemente, melhorando a retenção de água nas células, resultando em aumento qualitativo e quantitativo da produção”, explicou Luciano. Segundo o fisiologista, o Seacrop atua na cafeicultura de forma a contribuir diretamente nas plantas, reduzindo os efeitos da bieanualidade, aumentando as produções anuais e também a qualidade do produto final. A INFORMAÇÕES Casa das Sementes Tel. (16) 3721-3113 (16) 3723-3113

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EVENTOS

Dedeagro promove 1º Grande Encontro de Campo na Fazenda Água Limpa

19 ABR/2010

início de maio, N oa DEDEAGRO ea

FOTOS: Editora Attalea

campo, os resultados obtidos. Desejávamos, com este BAYER CROPSCIENevento, repassar tecnoloCE realizaram, no início gias e promover trocas de de maio, o 1º Grande experiências entre os Encontro de Campo Campo, cafeicultores e acho que tendo a Fazenda Água conseguimos, visto o púLimpa (estrada de Cristais blico que se fez presente”, Paulista-Jeriquara/SP), da afirmou Dedemo. família Diniz como base. Além dos estandes Participaram ainda as montados no terreirão da empresas Sami Máquifazenda, também foram nas, a Embrafós, a Fertec, montadas estações das a Arysta LifeScience e a empresas dentro dos taBiolchim. lhões de café da proprieDe acordo com o Os engº agrônomos: Antônio Luis Lucas Freitas, Márcio de dade. Ao final, foi realizada engº agrônomo e diretor Lima Freitas (Bayer) e João Dedemo (Dedeagro). uma palestra técnica e o da DEDEAGRO João Dedemo, o objetivo do evento foi tradicional churrasquinho. A o de apresentação das últimas inovações tecnológicas do ano agrícola anterior na cafeicultura. “Também foi um momento oportuno para que o agricultor visualizasse, em

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CAFEICULTURA

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oferecer aos amigos produtores, vem fortalecendo a cada ano sua parceria com a COMPO do Brasil empresa com o maior portifólio de fertilizantes especiais do mercado. Sendo assim a preocupação maior é proporcionar uma nutrição balanceada para sua lavoura com produtos formulados com matéria prima de altíssima qualidade, livres de metais pesados, cloretos e quaisquer outras moléculas que podem ser nocivas as plantas. Se tratando de fertilizantes especiais podemos citar os fertilizantes de liberação lenta e controlada aptos a esta tecnologia. Estes são liberados de

forma gradativa através de processos físicos ou químicos. No primeiro processo os grânulos dos nutrientes são recobertos por uma cera elástica chamada de Poligen (tecnologia COMPO COMPO) que permite sua liberação de forma lenta e gradual pelo processo de Difusão. Já no processo químico, processo este da maioria dos fertilizantes de lenta liberação que encontra no mercado, a liberação ocorre em função da hidrólise bacteriana, dificultando a determinação de um período que ocorre este processo. Acontece também na maioria dos casos uma liberação controlada, ou seja, liberação que foi controlada por algum fator natural, podendo ser

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em função da temperatura, umidade e pH do solo ou até mesmo do substrato que está em contato com o produto podendo aumentar ou diminuir este processo. Confira as vantagens dos fertilizantes de Liberação Lenta e Controlada: a) - Longo tempo de liberação do N em uma só aplicação; b) - Sem perdas por volatilização e lixiviação; c) - Confere maior poder de arranque; d) - Não queima raízes; e) - Menos mortalidade e mais uniformidade no talhão; PROPRIETÁRIO = Omar Coelho “Cabo Verde” (Passos/MG) FOTOS: Divulgação Campagro

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Fertilizantes Especiais: lavoura nutrida com tecnologia


CAFEICULTURA PROPRIETÁRIO = Rodrigo Freitas (Jeriquara/SP)

FOTOS: Divulgação Campagro

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FAZENDA TAMBORIL (Grupo Agromen) (Franca/SP)

f) - Não contamina o meio ambiente; g) - Evita replantio Alguns ensaios realizados com plantio de café foram montados na região de Franca (SP) com ótimos resultados obtidos. Na maioria dos ensaios notou-se que, onde foi aplicado o produto, as plantas realizam a primeira cruza (par de ramificações laterais ou primeiro par de ramos plagiotrópicos) bem antes das plantas tratadas com adubação convencional e até mesmo antes dos concorrentes.

Outras vantagens foram notadas como vigor, diâmetro de caule e a mais importante delas que é a altura das plantas, pois elas não limitam seu crescimento durante o período de estiagem. Aumente sua produtividade na próxima safra, nutrindo sua lavoura desde o início. Procure um Consultor Técnico de Vendas da CAMPAGRO e monte seu Programa Nutricional COMPO COMPO. Lavoura bem nutrida é sinal de alta produtividade.

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CAFEICULTURA

Ciclo bienal de produção de café no Brasil 22

J.B. Matiello

ABR/2010

1

cafeicultura brasileira é N amuito conhecida a caracterís-

tica de safras altas alternadas com baixas safras, o que se chama de ciclo bienal de produção de café. Esse ciclo afeta a oferta do produto exigindo a estocagem e carregamento de safra de um ano para outro, situação que traz dificuldades para a política cafeeira do país e para o produtor, que em certos anos tem pouca renda. O entendimento do ciclo bienal de produção do cafeeiro é importante, também, a nível agronômico, para adequação do manejo 1 - Engenheiro Agrônomo, MAPA/ Procafé.

da lavoura, de acordo com o ciclo; ou para modificá-lo, sendo que, atualmente, existem uma tendência de manejo por podas visando acentuar o ciclo, com safra zero. Quantificando o Ciclo O fenômeno da bienalidade de produção de café pode ser observado através das safras colhidas no Brasil Quadro 11). nos últimos 10 anos (Quadro Verifica-se que foram obtidas safras baixas, entre 28-39 milhões e altas entre 39-48 milhões, ou seja, com diferencial médio de 33%. Ao longo de muitos anos os diferenciais de produção nas safras de café são conhecidos e, muitas vezes, agravados por fenômenos climáticos. O Gráfico 1 mostra

Figura 1 - Evolução da produção brasileira de café em 45 anos (1960-2005) 70 60 50 40 30 20 10 0

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ANOS Em milhões de sacas

os picos de altos e baixos, desde os anos de 1960. Trabalho de pesquisa e análise estatística em experimentos realizados nas Fazendas Experimentais do ex-IBC (Instituto Brasileiro do Café), onde se computou a produtividade em parcelas de cafeeiros, bem tratadas, por 6 a 8 safras, mostrou que, na média, foi obtida uma safra baixa de cerca de 20% da safra alta, o que, então, para nossas condições por ser considerado um ciclo normal. Na cafeicultura como um todo, é lógico, a bienalidade não se expressa tão fortemente como se observou nas lavouras, pois dentro de uma propriedade, dentro das regiões e no país os ciclos das lavouras, em boa parte, são desencontrados. Não fosse assim, uma safra baixa corresponderia a 5 vezes menos que a alta. Causas dos Ciclos - As causas da produção de café diferenciada no Brasil podem ser explicadas fisiologicamente. Os cafeeiros cultivados a pleno sol produzem muito num ano, suas reservas são carreadas para a frutificação. Então, o crescimento dos ramos é prejudicado e a safra seguinte reduzida. Diz-se comumente que “o cafezal se veste um ano e no outro veste o seu dono”. Vejamos como ocorre o fenômeno:1º) - O cafeeiro possui uma iniciação floral abundante (muitas gemas e flores). 2º) - Ocorre uma baixa taxa de abcisão de frutos (a planta de café não derruba tantos frutos, como outras). Quadro 1 - Produção brasileira de café, nas safras de 2001 a 2010.

Cafeeira Mogiana

PRODUÇÕES

(anos)

(milhões de sacas)

2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 (est.) Médias das Baixas Médias das Altas 2 Médias Geral 3

Paulo A. Madi Comércio de Café

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SAFRAS

1 2 3

31 48 28 39 33 42 36 45 39 47 1 33,4 44,2 38,8 - Anos 2001, 2003, 2005, 2007 e 2009. - Anos 2002, 2004, 2006, 2008 e 2010. - 10 safras


CAFEICULTURA

FOTO: Editora Attalea

3º) - Se manifesta a força de drenagem das reservas de forma prioritária pelos frutos (endosperma das sementes é um dreno primário); 4º) - Se observa um desbalanço na razão folha/ fruto e, em consequência, uma competição entre o crescimento reprodutivo e o vegetativo (este último prejudicado com carga alta); 5º) - Nessa condição verifica-se o depauperamento, a seca dos ramos e morte de raízes (não se observa seca de ramos em cafeeiro jovens ou com frutos raleados); 6º) - A seca dos ramos é mais expressiva nos anos de safra alta, é agravada por aspectos nutricionais e por ataque de pragas e doenças. A lavoura, assim, fica com suas plantas estressadas pela carga, cresce menos e produz menos no ano seguinte. Seca de Ramos e Morte das Raízes - A seca de ramos ocorre devido ao desbalanço entre a disponibilidade e o consumo de assimilados (reservas da planta). Decorre da maior necessidade pelos frutos em relação à possibilidade de seu fornecimento, pela fotossíntese mais as reservas antes disponíveis. Um trabalho de pesquisa mostra que a maior influência é do nível de enfolhamento, que vai fazer a fotossíntese, do que das reservas. A seca de ramos é precedida da morte de raízes e se esta ocorre, em grau intenso, pode causar a trianualidade de produção, visto que sua recuperação é lenta. A morte de raízes leva à redução na absorção de água e de nutrientes. Por isso, um bom manejo de adubação e irrigação ajuda a reduzir os problemas. Como Reduzir ou Ampliar o Ciclo - Além dos cuidados de manejo dos cafeeiros, como a adubação, controle de pragas/doenças, irrigação, etc., visando manter a planta mais enfolhadas, existem alternativas para evitar o “stress” ou depauperamento que levam à baixa produtividade, no ano seguinte. Elas consistem, basicamente, em reduzir ligeiramente a produção alta por planta, através de espaçamentos menores, arborização, uso de material genético mais vigoroso e com padrão de florada mais diluídos, aplicação de podas e outros. Ultimamente, na cafeicultura empresarial, existe tendência a se promover um ciclo de produção mais pronunciado, visando uma safra muito alta e, depois, uma safra zero, com o auxílio de poda dos ramos produtivos. O Ciclo Bienal e as Estimativas de Safras - As estimativas das safras de café no Brasil vem sendo feitas, atualmente, na maioria das regiões produtoras, de forma subjetiva, o que reduz a sua confiabilidade. Em função disso, muitas empresas comerciais

também fazem suas previsões, sem metodologia apropriada, o que chamamos de “chutômetros”. Elas, por natureza, tendem a puxar as previsões para cima, sempre querendo safras mais altas. Os produtores, por sua vez, prejudicados por divulgações errôneas, não podem decidir bem o que fazer, se vendem logo ou se guardam o café. Assim, a pergunta é: “Onde está considerado o ciclo bienal de produção dos cafeeiros”. Respondemos que, na prática do mercado, ele foi simplesmente esquecido, já que a correta definição da oferta deveria, sempre, ser feita pela média de 2 safras. O processo natural da planta de café, cultivada a pleno sol, é ter frutificações muito diferenciadas de um ano para o outro, conforme já foi esclarecido fisiologicamente. A lavoura fica com suas plantas estressadas pela carga, cresce menos e produz menos no ano seguinte. O que alguns interessados não enxergam, talvez por que não querem, é o fato, incontestável de que se uma safra veio um pouco maior do que se esperava, por exemplo, 3 milhões de sacas a mais num ano, pode-se prever, na safra seguinte, essa quantia a menos. A

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CAFEICULTURA

Armando Matielli

1

diversos anos que não sofreH ámos mais com as geadas nos nossos cafezais que foram muito intensas nas décadas de sessenta e setenta com prejuízos considerados moderados, severos e severíssimos. As duas últimas geadas com intensidade severíssimas ocorreram em 1975 e 1979 as quais praticamente dizimaram os cafeeiros do Paraná, São Paulo e boa parte do Sul de Minas. Após esses dois eventos, ocorreram outras geadas de intensidades moderadas. Lembro-me perfeitamente da geada de 1979, especificamente no dia 31 de maio. Engenheiro Agrônomo recém formado, exercia atividades profissionais na Bayer e, naquela noite extremamente fria tive a sensação que havia ocorrido uma forte geada e, logo nas primeiras horas do dia procurei, em Machado (MG), o Dr. Pinheiro do IBC - Instituto Brasileiro do Café, que confirmou o evento como severíssimo. À tarde viajando no sentido de Poços de Caldas (MG) já percebia o grande prejuízo em toda região e, aquela geada ocorrida tão cedo, já em maio, liquidou nossos cafezais. 1 - Engº Agrônomo, cafeicultor em Guapé (MG ) e presidente-executivo da SINCAL.

FOTO: UEL - Universidade Estadual de Londrina

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SINCAL: Perigo de geadas nos cafezais

Haruo Ohara, em cafezal destruído no Paraná, nos anos 40

Estamos acompanhando a climatologia, principalmente com os pareceres técnicos do professor Luis Carlos Baldicero Molion, do Instituto de Ciências Atmosféricas da Universidade Federal de Alagoas, doutor em metereologia pela universidade do Wiscosin dos Estados Unidos e representante da América Latina junto à Organização Metereológica Mundial. Portanto, o curriculum do Dr. Molion é realmente relevante e, suas colocações técnicas são embasadas cientificamente e julga que há uma histeria mundial em relação ao clima imposta por Al Gore para ganhar as eleições americanas na disputa com o presidente Jorge W. Bush. Al Gore conta-

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minou o mundo com suas pseudos- preocupações, as quais continuam nas nossas cabeças, vendo ursos polares sobre camadas de gelos em derretimentos e, outros documentários alarmistas. Depois veio o tsunami, aí então, o mundo passou a crer que estamos totalmente desequilibrados ambientalmente. Para nós cafeicultores, graças a Deus, tivemos uma época de calmaria da violência das geadas e, em contra partida fomos fortemente atingidos por uma servidão econômica que nos prejudica com uma injustiça nunca vista na atividade cafeeira e, muito mais triste, pois, não advém de um evento climático natural, mas sim, de uma imposição escravistas dos demais elos da cafeicultura, que vivem num conluio, em detrimentos aos cafeicultores que foram enganados por falsas lideranças e falsos políticos. O Dr. Luis Carlos Baldicero Molion mostra que o termômetro da temperatura global é o oceano pacífico com seus 180.000.000 de quilômetros quadrados que corresponde aproximadamente a 35% da superfície terrestre que é de 510.000.000 quilômetros quadrados. De 1979 a 1998 o oceano pacífico esteve mais quente e, essa fase coincidiu com um período de temperatura mais elevadas no planeta. Mas, nesses últimos 10 anos o oceano pacífico está dando sinais de resfriamento culminando no momento com o sol que está entrando numa fase, cíclica, de menor produção de energia e perdendo atividade. Conclui-se que a partir, de agora teremos grandes riscos de ocorrência de geadas nas regiões cafeeiras com


CAFEICULTURA um período de resfriamento da terra e, com durabilidade para os próximos 20 anos e, logicamente nosso cinturão cafeeiro situa-se em grande parte da região sudeste com vulnerabilidade às geadas. Além do exposto, nossos cafeicultores de modo geral, esqueceram das geadas e plantaram muitas lavouras em locais baixos e vulneráveis. Lembro perfeitamente da nossa cafeicultura dos anos setenta e oitenta e, lá não víamos lavouras nas baixadas. Existe um levantamento climatológico, do extinto IBC, feito pelo professor e pesquisador de climatologia Eng. Agrônomo Ângelo Paes de Camargo que delineava exatamente os locais susceptíveis. Ninguém segue mais esse trabalho. Na próxima geada veremos os prejuízos dos incautos. Hoje, estamos amargando a nossa incompetência pelos preços baixos praticados no brasil enquanto, o mundo cafeeiro do arábica, praticamente todos os países produtores

vendem uma saca de café na faixa de R$ 480,00 até R$ 550,00, nós estamos vendendo de R$250,00 a R$270,00 / saca. Cafés de excelentes qualidades e, ainda por cima temos 50% de markte-share. De protagonista passamos à coadjuvante e arrastando prejuízos nunca vistos. Como fala o caboclo: “vai ser ruim pra lá”. Esses prejuízos e essa situação são de responsabilidade das nossas lideranças e dos falsospolíticos em conluio com os demais elos da cadeia e com o setor governamental que deveria acompanhar o café e, é caótico, cego e.... sem comentários. Estamos amargando os preços baixos e, nos próximos tempos, quando da ocorrência de uma geada, estaremos chorando por termos entregues nossos cafés por preços tão miseráveis. Ao Ministério da Agricultura que entregou o café à gente desqualificada e com visão curtíssima faz-se necessário uma mudança urgente nessa gestão, quem sabe voltar o café para o seu antigo gestor o Ministério da Indústria e Comércio Exterior.

A SINCAL adverte para todos esses aspectos políticos e técnicos e contatos que fizemos com o Dr. Molion, para parabenizá-lo de suas colaborações técnicas e, ele pediu que advertíssemos aos cafeicultores o risco da geada para esse ano, pois, o hemisfério norte está extremamente frio e esse é um sinal evidente do risco da geada, além de, considerar os outros fatores expostos. Isso realmente é preocupante, pois, desde a década de setenta e algo da década de oitenta não víamos as nevascas atingirem determinados locais na península ibérica como vem ocorrendo. Nos últimos dias até Roma foi acometida de nevasca que é algo raro. Senhores cafeicultores, administrem o máximo seus estoques de café, parem com essas trocas físicas que só beneficiam as multinacionais, exportadores e importadores. Prudência e precaução nunca são demais e fiquem preparados, a partir de maio, com medidas para amenizar os efeitos práticos das geadas. O Engº Agrônomo sabe como amenizá-las. A

25 ABR/2010


CAFEICULTURA

26 ABR/2010

FOTO: INFOBIBOS

em mudas de alta qualidade genética e sanitária, pois o sucesso da lavoura se inicia na escolha de uma boa muda. As tecnologias para isso existem e são empregadas nas diversas regiões brasileiras produtoras de café. Na medida que a ciência avança com seus trabalhos experimentais, as técnicas de produção de mudas são aperfeiçoadas e aplicadas em viveiros e posteriormente no próprio plantio. Para renovação do cafezal através da realização de um novo plantio na mesma área antes plantada com café, adotar descanso, pousio ou rotação de culturas com leguminosas de baixa suscetibilidade aos nematóides: Meloidogyne incógnita, M. paranaensis e M. exígua, por pelo menos dois anos. Os nematóides são pequenos vermes que atacam as raízes das mudas formando galhas, e apresentando sintomas de baixo desenvolvimento e amarelecimento com ataques em forma de reboleira na área de produção de mudas e em lavouras adultas. Um exemplo de controle de nematóides no cafezal seria o uso da leguminosa Mucuna-Preta, Stizolobium aterrimum , para assim diminuir o crescimento da população dessa terrível praga de solo, porque no momento que é constatado a presença

FOTOS: Editora Attalea

A importância da escolha correta das mudas na formação da lavoura de café formação e renovação do caN afezal, o produtor deve investir

do nematóide na área, a planta do cafeeiro vai conviver com a praga durante toda sua vida produtiva. Além disso, mesmo após a rotação de culturas, em áreas com nematóides, é obrigatório o uso de mudas enxertadas, o material utilizado e recomendado para porta-enxerto é o cultivar Apoatã – IAC 2258. Mudas - Tradicionalmente, as mudas de café eram, em sua grande maioria, produzidas com uma mistura de solo e fertilizantes químicos e orgânicos, em saquinhos plásticos preto. Devido principalmente à facilidade de disseminação de nematóides para cafezais ainda não contaminados com esta praga, a comercialização destas mudas tradicionais de café estão sendo substituídas por mudas produzidas em tubetes plásticos com substratos industrializados. No momento do plantio, as mudas de café devem apresentar as seguintes características: a) - mudas contendo de 3 a 5 Mudas de café produzidas em sacos plásticos. Modelo pares de folhas (sem tradicional de produção ainda muito utilizado. Viveiro experimental da APTA Polo Nordeste contar o par vulgarmente chamado Paulista, Mococa (SP)

de orelha-de-onça), com parte aérea bem formada, ausência de bifurcação e plantas tipo “macho”, caule torto e estiolamento. Esse porte da muda ajuda a diminuir os problemas de pósplantio como sensibilidade a seca, e prejuízos provocados pelo vento que podem ocasionar tumores e tombamento das mudas, o que exige estaqueamento individual, aumentando os custos; b) - ausência de pragas e doenças tanto na parte aérea como no sistema radicular, c) - ausência de deficiências minerais, d) - mudas aclimatadas a pleno Sol por pelo menos 20 dias, e) - mudas originadas de sementes certificadas oriundas de produtores registrados nas entidades fiscalizadoras, f) - presença da orelha-de-onça intacta e sadia (primeiro par de folhas que surge após a germinação); g) - sistema radicular bem formado com raíz principal reta sem enovelamento e as demais radicelas bem distribuídas ao longo do substrato, h) - parte aérea da muda com desenvolvimento vegetativo proporcional ao sistema radicular. i) - ausência de invasoras. Com relação à produção da muda cafeeira, cuidados


CAFEICULTURA

FOTOS: Editora Attalea

devem ser tomados para que calizadoras, não ocorrendo misessa tenha ótima qualidade. tura varietal num mesmo lote de Inicialmente na instalação do produção de mudas, controle de viveiro, deve-se evitar locais pureza e germinação. próximo às lavouras de café Normalmente os viveiros adulta, pois favorecem a entrada são credenciados ou registrados de doenças como a cercospoem Órgãos de Defesa Sanitária riose e pragas como o bicho Vegetal, como por exemplo, a mineiro. Coordenadoria de Defesa AgroRecomenda-se utilizar pecuária de São Paulo que possui substrato industrializado, com atualmente 70 viveiros de proausência de plantas invasoras e dução e comercialização de munematóides, apesar que a Viveiro de café interditado pela Defesa Sanitária das de café devidamente reprimeira pode ocorrer durante Vegetal devido à infestação de nematóides. gistrados e fiscalizados. a formação da muda devido a Os viveiros aptos e compresen-ça de pássaros, ventos e petentes trabalham com mudas pelos trabalhos manuais diários. formadas pelo processo de seOs cuidados fitossanitários meadura direta para evitar proem mudas cafeeiras também são blemas de entortamento de raíz, de grande importância, pois o “pião da raíz torto”, e trabalham maior veículo de propagação com rigoroso controle de pragas dos nematóides nocivos ao cae doenças. feeiro é a própria muda de café. Mudas de baixa qualidade O controle para essa praga de levam a um aumento no custo de solo tanto pelo substrato empreprodução por vários motivos: gado ou pela água de irrigação - aumento de gastos na deve ser rigoroso, pois a presenoperação de replantio devido a ça dos nematóides Meloidogy- Viveiro de mudas de café produzidas em tubetes, maior aquisição no número de isentas de nematóides. ne incógnita, M. paranaenmudas e aumenta o custo de transsis, M. exígua e M. coffei-cola Não compensa economizar porte; nas mudas de café já é motivo de nesta etapa. A melhor opção para o - necessidade de mais capinas ou condenação imediata do viveiro, cafeicultor não levar o nematóide pa- controle de mato durante a fase de proibindo a comercialização das ra sua lavoura é adquirir mudas pro- formação do cafeeiro porque diminui mesmas. É necessário, ainda, aper- venientes de viveiros que produzem o desenvolvimento inicial das plantas feiçoar ou buscar mão-de-obra espe- através de substratos. Além desta pra- (4 anos ou mais em vez de 3 anos para cializada para o enchimento dos reci- ga, o cafeicultor deve ficar atento às a primeira colheita significativa); pientes, para a semeadura e no pro- demais pragas e doenças da cultura. É - aumenta o número de aplicacesso de enxertia, caso deseja produzir importante enfatizar que viveiros ções de defensivos agrícolas para o mudas enxertadas. Recomenda-se que idôneos dão garantia de qualidade da controle de doenças e pragas; haja extre-ma atenção do cafeicultor muda; e se depois de realizado o - pela má formação do sistema nesta fase de escolha do viveiro onde plantio das mudas, a planta não for radicular e da parte aérea a absorção se efetuará a compra das mudas de bem conduzida, nunca poderemos de água, nutrientes e luz será afetada café, visto que grande parte dos vivei- garantir a boa produtividade. o que resultará em baixas produros que utilizam o método tradicional Viveiros idôneos adquirem se- tividades ao longo dos anos de prode produção de mudas de café (uso mentes certificadas, ou seja, são se- dução ( FONTE: Adaptado de de solo em sacos plásticos) estão mentes oriundas de produtores INFOBIBOS, artigo de Maurícontaminados com nematóides. credenciados nas entidades fis- cio Dominguez Nasser ). A

27 ABR/2010


SILVICULTURA

Eucaliptos começam a sofrer com avanço do Percevejo 28 ABR/2010

em nosso país desde 2008, o inseto vem se P resente dispersando rapidamente por diversos estados, evidenciando sua elevada capacidade para multiplicar-se e ocupar novas áreas. Os primeiros reflexos do seu potencial de danos começam a surgir nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Plantios comerciais de eucaliptos estão sendo intensamente atacados pelo inseto. O setor florestal brasileiro, em parceria com institutos de pesquisas e universidades estão mobilizados na busca de alternativas para conter o avanço desta praga e no desenvolvimento de estratégias para mitigar o seu impacto sobre os plantios de eucaliptos. O inseto - Seu nome científico é Thaumastocoris peregrinus Carpintero & Dellapé, 2006 (Hemiptera, Thaumastocoridae), mais conhecido como Percevejo Bronzeado. A origem deste nome popular é uma alusão ao sintoma associado à injúria do inseto, que causa um bronzeamento nas folhas do eucalipto. Trata-se de um inseto sugador, encontrado em grupo, principalmente na superfície abaxial das folhas. Os adultos são pequenos, com aproximadamente 3 mm de comprimento, corpo achatado e cor marrom clara. As ninfas recém eclodidas são amareladas e ao longo do desenvolvimento, tornam-se mais escurecidas. Seus olhos são vermelhos. Os ovos são pretos, achatados, com a região central côncava, depositados geralmente nas imperfeições

ou próximo à nervura central das folhas, em ramos, pecíolos, de forma isolada ou em grupos. O ciclo de vida de ovo até a morte do adulto é relativamente curto, com duração de aproximadamente 50 dias, podendo variar em função das condições climáticas e qualidade das plantas hospedeiras. A sobreposição de gerações é verificada ao longo do ano e uma grande quantidade de ninfas e adultos pode ocorrer nas folhas de eucaliptos. Característica peculiar desse percevejo é a rápida movimentação de ninfas e adultos pelas folhas por ocasião de alguma perturbação. Origem e detecção no Brasil - O inseto é originário da Austrália, onde era desconhecido até recentemente. No entanto, nos últimos oito anos tem se estabelecido como uma praga de eucaliptos plantados em áreas urbanas de Sydney. Sua ocorrência já foi registrada em plantações comerciais na África do Sul, Argentina, Uruguai e Paraguai. No Brasil, sua presença foi detectada primeiramente em São Francisco de Assis/RS, em maio de 2008 e posteriormente, em junho do mesmo ano, em Jaguariúna/SP. Na região Sul, a introdução da praga ocorreu provavelmente pela fronteira com Argentina e Uruguai, países onde a espécie já estava presente. Em São Paulo, acredita-se que o inseto tenha entrado pelos aeroportos de Viracopos (Campinas) e Guarulhos (São Paulo). Após sua detecção, o inseto vem se espalhando rapidamente pelo país, atacando plantios de eucaliptos em São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul. O Dano - Até o momento não existe uma estimativa dos danos desta praga aos plantios de eucalipto. Para se alimentar, o inseto raspa a superfície das folhas e suga a seiva. Altas infestações desse percevejo podem vir a causar redução considerável na taxa fotossintética, acarretando a queda das folhas e, em alguns casos extremos, a morte das árvores. No entanto, existe a possibilidade das árvores atacadas se recuperarem, emitindo novas brotações. Os sintomas associados ao dano são, inicialmente o prateamento das folhas, que evolui para o bronzeamento. Estes sintomas alteram nitidamente a coloração da copa das árvores, possibilitando sua identificação à distância. Como combater a praga - Podemos afirmar que até o momento, não existem estratégias eficientes para o controle do percevejo em plantios de eucalipto. As estratégias para combater o inseto ainda estão em fase de desenvolvimento. Na Austrália, há o registro de que a utilização de inseticida sistêmico (Imidacloprid) injetado no tronco das árvores é eficiente para o controle do percevejo bronzeado em áreas urbanas. No entanto, o uso do controle químico é uma medida questionável, sobretudo pelo impacto ambiental associado quando da aplicação de inseticidas em extensas áreas de plantio e também, por prejudicar o processo de certificação florestal. (FONTE: Portal Dia de Campo ) A


PREÇOS AGRÍCOLAS

O MERCADO DE CAFÉ Fino/Extra - Mogiana e Minas

1

MÊS

Cereja Descascado - Fino

29

Indicador CEPEA/ESALQ 1

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

1

ARÁBICA

ABR/2010

CONILLON

2008

2009

2010

2008

2009

2010

267,84 285,19 263,28 256,35 254,84 255,76 250,52 248,86 261,58 256,84 261,28 262,04

268,41 269,58 262,60 260,10 268,02 256,64 247,50 255,34 254,29 262,20 262,20 281,57

280,75 278,68 279,70 282,18

209,73 221,46 228,62 222,44 211,49 211,29 216,55 214,21 217,32 220,28 222,18 225,11

227,66 224,07 212,57 212,57 197,13 188,45 180,09 186,13 188,89 180,77 180,77 176,41

173,51 168,47 173,68 158,23

FONTE: Esalq/USP

1

- Em R$/saca 60kg

Evolução do Consumo Interno no Brasil

Boa Qualidade - Duros, Bem Preparados

1

Consumo Interno de Café no Brasil

ANO

Fechamento - Bolsa de Nova York

FONTE e ARTE: Escritório Carvalhaes /

1

1

1

- Em R$/saca de 60kg

1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009

CONSUMO (milhões sc) somente total torrado/ inclusive moído solúvel 10,6 11,0 12,2 12,6 13,0 13,3 12,9 14,1 14,6 15,4 16,1 16,7 17,4

9,1 9,3 10,1 11,0 11,5 12,2 12,7 13,2 13,6 14,0 13,7 14,9 15,5 16,3 17,1 17,7 18,4

1

CONSUMO (kg/hab.ano) kg kg café café verde torrado 3,62 3,65 3,88 4,16 4,30 4,51 4,67 4,76 4,88 4,83 4,65 5,01 5,14 5,34 5,53 5,64 5,81

2,89 2,92 3,11 3,33 3,44 3,61 3,73 3,81 3,91 3,86 3,72 4,01 4,11 4,27 4,42 4,51 4,65

FONTE: ABIC. Período = novembro a outubro, sacas de 60kg


PREÇOS AGRÍCOLAS

30

CANA-DE-AÇÚCAR

ABR/2010

MÊS JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

MENSAL 1 2008 2009

2007 0,3152 0,3028 0,3089 0,3217 0,2632 0,2299 0,2243 0,2268 0,2261 0,2174 0,2370 0,2418

FONTE: UDOP -

0,2402 0,2529 0,2628 0,2538 0,2506 0,2385 0,2493 0,2498 0,2685 0,2920 0,3015 0,3116

1

0,3238 0,3394 0,3211 0,2978 0,2802 0,2749 0,2993 0,3084 0,3375 0,3676 0,3744 0,3886

- Em R$/kg ATR //

2

2010

2007

CAMPO 2 2008 2009

0,4391 0,4726 0,4307 0,3888

38,29 37,90 37,63 35,13 31,65 29,34 28,05 27,36 26,91 26,42 26,38 26,46

26,46 26,55 26,74 27,71 27,53 26,93 26,97 27,02 27,41 28,02 28,54 28,97

- 109,19 kg ATR //

BOI GORDO MÊS JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

2009

vista prazo

74,61 74,85 76,19 77,24 80,52 91,53 92,79 92,05 88,82 90,79 88,39 82,20

84,01 81,54 77,54 80,03 79,47 80,85 81,39 77,92 77,25 77,18 74,35 74,64

75,70 77,03 79,03 82,33

1

30,93 27,79 27,19 26,62 27,43 26,88 27,76 24,56 23,78 22,32 20,51 20,75

29,55 29,66 29,87 30,95 30,75 30,08 30,13 30,19 30,61 31,30 31,88 32,36

2010 76,97 78,12 79,88 83,34

- Em R$/arroba (15kg)

MILHO e SOJA MÊS 2008

42,77 42,34 42,03 39,24 35,36 32,77 31,33 30,57 30,06 29,52 29,47 29,55

32,88 33,49 33,93 36,32 35,18 34,49 34,99 35,53 36,54 37,83 38,85 39,85

2010 41,22 42,47 42,59 47,42

1 1 BEZERRO BEZERRO

vista prazo 85,35 82,54 78,51 80,93 80,32 81,68 82,28 78,98 78,58 78,61 75,71 75,66

2007

36,91 38,02 38,13 42,45

1

2008 75,41 75,60 77,02 78,11 81,52 92,61 93,89 93,00 89,94 92,15 89,57 83,41

2010

- 121,97 kg ATR.

vista prazo

FONTE: Indicador CEPEA/Esalq

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

3

29,44 29,98 30,38 32,52 31,49 30,88 31,33 31,81 32,71 33,87 34,78 35,67

ESTEIRA 3 2008 2009

MÊS JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

2008

2009

2010

vista 1 peso 2 vista 1 peso 2 vista 1 peso 2 493,19 504,14 517,13 551,69 623,64 712,18 751,58 740,16 726,05 716,86 702,55 659,71

186,40 186,20 187,01 187,22 187,11 187,44 187,03 185,83 185,61 185,55 185,28 186,17

636,23 627,96 634,15 651,69 633,71 648,49 638,08 615,85 607,08 596,24 592,23 593,97

FONTE: Indicador CEPEA/Esalq

1

1

186,21 186,22 186,82 188,46 188,39 191,75 191,75 187,65 194,29 186,79 187,09 185,99

601,17 608,98 649,59 705,26

182,58 190,86 190,77 190,61

- Em R$/cabeça,; 2 - Em R$/kg

LEITE C

1

MILHO 1 2009 2010

SOJA 1 2008 2009 2010

MÊS 2005

2006

2007

2008

2009

2010

23,67 22,26 20,62 21,29 22,25 22,24 20,55 19,42 19,13 20,60 20,41 20,02

46,23 47,71 45,83 44,33 44,70 49,99 50,58 44,70 46,08 44,63 45,13 44,61

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

0,373 0,387 0,440 0,476 0,473 0,505 0,508 0,476 0,508 0,500 0,537

0,535 0,535 0,560 0,535 0,589 0,580 0,650 0,780 0,775 0,775 0,655 0,640

0,635 0,615 0,585 0,670 0,760 0,739 0,733 0,703 0,696 0,606 0,577 0,588

0,599 0,550 0,553 0,562 0,600 0,641 0,683 0,689 0,672 0,635 0,602 0,532

0,524 0,523 0,519 0,630

19,66 18,35 18,47 18,16

FONTE: Indicador CEPEA/Esalq

1

49,21 47,56 45,35 47,95 50,39 49,89 47,83 48,20 46,07 44,67 46,07 42,87

39,80 35,73 34,14 34,49

- Em R$/saca de 60kg

ESTADO DE SP - REGIÃO DE FRANCA (SP) 0,491 0,472 0,510 0,520 0,538 0,534 0,516 0,438 0,448 0,448 0,401 0,310

FONTE: FAESP / AEX Consultoria

1

- Em R$/Litro.


FIQUE DE OLHO

AGENDA DE EVENTOS MAIO 41ª EXPOAGRO - Exposição Agropecuária de Franca Dias: 14 a 23/05. Associação de Produtores Rurais. Local: Parque de Exposições “Fernando Costa”, Franca (SP). Tel: (16) 3724-7080. Contato: sede@franca.sp.gov.br. 18ª Seminário Internacional do Café Dias: 18 a 19/05. ACS. Local: Associação Comercial de Santos, Santos (SP). Tel: (13) 3212-8200. Contato: camila@acs.org.br 8ª RODA DE AGRONEGÓCIOS DE PIUMHI Dias: 20 a 22/05. Sindicato dos Produtores Rurais de Piumhi. Local: Parque de Exposições “Tonico Gabriel”, Piumhi (MG). Tel: (37) 3371-3732. Contato: www.rodadeagronegociosdepiumhi.com. br 18º CONGRESSO BRASILEIRO DE APICULTURA e 4º CONGRESSO BRASILEIRO DE MELIPONICULTURA Dias: 19 a 22/05. CBA e FEMAP. Local: Centro de Eventos do Pantanal, Cuiabá (MT). Tel: (51) 3308-7411. Contato: cba@brasilapicola.com.br 6ª BIOBRAZIL FAIR - Feira Internacional de Produtos Orgânicos e Agroecologia Dias: 20 a 23/05. FRANCAL. Local: Pavilhão da Bienal Parque Ibirapuera, São Paulo Franca (SP). Tel: (11) 2226-3100. Contato: www.biobrazilfair.com. br. 6ª SUPERAGRO MINAS Dias: 26/05 a 06/06. SEAPA, FAEMG, IMA, SEBRAE. Local: Parque da Gameleira, Belo Horizonte (MG). Tel: (31) www. 3334-5783 . Contato: superagro2010.com.br. SEMINÁRIO - Perspectivas e Tendências de Mercado para os Produtos Derivados de Cana de Açúcar Dias: 21/05. GELQ ESALQ-USP. Local: Anfiteatro “Dr. Urgel de Almeida Lima”, Piracicaba (SP). Tel: (19) 3417-6604. Contato: www.gelqesalq.com.br.

JUNHO SEMINÁRIO - Perspectivas do Brasil frente aos desafios da Sustentabilidade. Dias: 10 e 11/06. GELQ ESALQ-USP. Local: Pavilhão da Engenharia”, Piracicaba (SP). Tel: (19) 3417-6604. Contato: www.gelqesalq.com.br.

SIMCORTE – Simpósio Internacional de Produção de Gado de Corte Dias: 03 a 05/06. UFV. Local: Campus da Universidade Federal, Viçosa (MG). Tel: (31) 9246-1586. Contato: www.simcorte.com / simcorte@ufv.br ENCONTRO MA-SHOU-TAO PECUÁRIA 2010 Dias: 09 a 10/06. Grupo Boa-Fé – MaShou-Tao. Local: Fazenda Boa Fé, Conquista (MG). Tel: (34) 3318-1500. Contato: www.mashoutao.com.br / thiago@mashoutao.com.br 10º FÓRUM SOBRE MERCADO E POLÍTICA DE CAFÉ Dia: 11/06. ACARPA. Local: Centro de Excelência do Café do Cerrado, Patrocínio (MG). Tel: (34) 3831-8080. Contato: www.acarpa.com.br / gianny@acarpa.com.br 16ª FEICORTE - Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne. Dias: 15 a 19/06. AGROCENTRO. Local: Centro de Exposições Imigrantes. São Paulo (SP). Tel: (11) 5067-6767 . Contato: www.feicorte.com.br. 17ª HORTITEC - Exposição Técnica em Horticultura, Cultivo Protegido e Culturas Intensivas. Dias: 16 a 18/06. RBB Feiras e Eventos. Local: Recinto de Exposições. Holambra (SP). Tel: (19) 3802-4195 . Contato: www.hortitec.com.br. 13º EXPOCAFÉ – FEIRA NACIONAL DO CAFÉ – Mecanização e a Mudança no Processo Produtivo Dia: 16 a 18/06. EPAMIG. Local: Fazenda Experimental da EPAMIG, Três Pontas (MG). Tel: (31) 3489-5078. Contato: www.expocafe.com.br 1ª WORKSHOP DE GESTÃO AEROAGRICOLA Dias: 21 a 22/06. SINDAG. Local: Ribeirão Preto (SP). Tel: (51) 8182-1716. Contato: www.congressosindag.com. br. 4º WORKSHOP AGROENERGIA MATÉRIAS PRIMAS Dias: 29 a 30/06. IAC e APTA. Local: IAC Centro de Convenções da Canade-Açúcar, Ribeirão Preto (SP). Tel: (19) 3014-0148 . Contato: eabramides@ terra.com.br. CURSO DE CAPACITAÇÃO DE MANEJO DE PRAGAS NO TOMATEIRO Dias: 30/06. GRAVENA. Local: Gravena, Jaboticabal (SP). Tel: (16) 3203-2221 . Contato: sgravena@ gravena.com.br.

LIVROS FUNDAMENTOS DO SENSORIAMENTO REMOTO Autores: Mauricio Alves Moreira Editora: UFV Contato: Tel. (51) 3403-1155. www.agrolivros. com.br Escrito numa liguagem acessível e fartamente ilustrado, este livro trata de maneira objetiva o sensoriamento remoto. Na parte de coleta de dados, são discutidos detalhadamente os sistemas sensores utilizados níveis de solo, suborbital e orbital. Outro aspecto importante abordado é a base que ela fornece para interpretação visual de dados orbitais, assim como o estabelecimento de uma metodologia para tal. Propicia, ainda, as bases sobre o conhecimento do processamento digital de imagens, abrangendo realce, correção e retificações de imagens.

PARASITOLOGIA VETERINÁRIA Autor: Taylor et. al Edit.: Guanabara Contato: AGROLIVROS. Tel. (61) 3349-5107. www.agrolivros. com.br Algumas obras se perdem com o tempo, outras ficam cada vez melhores! É o caso de Urquhart | Parasitologia Veterinária, que agora passa a ser denominada Taylor | Urquhart - Parasitologia Veterinária. Nesta terceira edição, o conteúdo está mais completo e a consulta aos textos está mais fácil. A classificação dos parasitas foi atualizada e está de acordo com as alterações que ocorreram nos últimos anos. Um livro completo - para estudantes, profissionais e pesquisadores - que aborda os três aspectos da parasitologia: helmintologia (estudo dos vermes em geral), entomologia (estudo dos insetos) e protozoária (estudo dos protozoários). Foram expandidas as seções sobre protozoários e ectoparasitas e incorporada uma seleção mais ampla de parasitas, que também estão organizados pelos hospedeiros e por sistemas orgânicos nos quais são encontrados. Ao final de cada capítulo há referências cruzadas.

31 ABR/2010


32 ABR/2010


Edição 46 - Revista de Agronegócios - Maio/2010  

Edição 46 - Revista de Agronegócios - Maio/2010

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