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EPAMIG consolida Sistema de 4

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PRODUÇÃO EFICIENTE DE LEITE Sistema é eficiente para sistemas de pastagens

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Brasil é o sexto maior produtor mundial de leite. Minas Gerais destaca-se por ter o maior rebanho bovino leiteiro, além de ser o maior produtor nacional. O Estado produz 8,4 bilhões de litros, representando 27,3% do total produzido no Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Uma das principais características do rebanho bovino no Brasil é sua composição: 74% das vacas são mestiças e produzem 1.276 kg de leite por lactação. Minas possui 7,4 milhões de fêmeas, sendo 5,4 milhões cabeças em lactação, o maior plantel do país. A EPAMIG desenvolve pesquisas para o sistema de produção de leite com vacas mestiças há 14 anos. Esse sistema utiliza fêmeas F1 (cruzamento de Holandês x Zebu – HZ), mantidas em regime de pasto durante o verão e suplementadas em cocho com volumoso (tais como silagens de milho, sorgo e capineiras; os fenos, a cana-de-açúcar e as palhadas) durante o inverno. Na última década, a EPAMIG foi a empresa de pesquisa agropecuária que mais gerou tecnologias para o sistema de produção de leite em gado F1. As pesquisas da EPAMIG têm como base animais mestiços, que têm proximidade maior com a realidade do produtor mineiro e brasileiro. Embora seja o maior estado produtor de leite, Minas Gerais ainda apresenta baixos índices de produtividade. Segundo o pesquisador da EPAMIG José Reinaldo Mendes Ruas, a pecuária é uma atividade desenvolvida, principalmente, em sistema de pasto e este pasto está hoje com alto nível de degradação. “A EPAMIG, responsável pela pesquisa agropecuária de Minas Gerais, tem a oportunidade de contribuir para a mudança deste quadro”. O pesquisador conta que desde 1998 são desenvolvidas pesquisas em sistema de produção de leite na Fazenda Experi-

mental de Felixlândia (FEFX) e, atualmente, a Fazenda é referência devido aos diversos projetos desenvolvidos em parceria com Universidades e com apoio de diversas fontes fomentadoras estaduais e federais. A Fazenda de Felixlândia possui área de 890 hectares, com solos de cerrados em sua maior extensão. Além das pesquisas, são realizados na FEFX cursos, treinamentos, dias de campo e visitas técnicas, através do Programa Estadual da Cadeia Produtiva do Leite (Minas Leite), lançado em 2005. “A integração com a extensão é muito positiva, pois os profissionais da Emater têm mais contato com o produtor rural, que será o grande beneficiado com a utilização dessas novas técnicas”, afirma o gerente da FEFX, Arismar de Castro. O Minas Leite já atende a 1.036 propriedades de agricultores familiares do Estado. Em 2011, houve um crescimento de 62% em relação ao volume de fazendas incluídas até o ano anterior, segundo o coordenador do programa, Rodrigo Puccini Venturin. De acordo com o pesquisador José Reinaldo, nesses anos de pesquisa as avaliações econômicas apontaram que é possível produzir leite com rentabilidade. “Quando iniciamos as pesquisas em gado de leite F1, na FEFX, as vacas produziram em torno de 2.000 kg por lactação na primeira cria. Com a adoção das tecnologias geradas pelo próprio sistema - aumento de peso, amansamento, frequência de ordenha - essa produção ultrapassou 3.000 kg na primeira cria”, explica. Os resultados demonstraram que vacas F1 foram capazes de produzir bezerros de qualidade, quando considerados o ganho médio diário e o peso do desmame, podendo contribuir para a sustentabilidade da produção. “A venda desses bezerros pode complementar a receita da propriedade”, explica o pesquisador. A

e-mails RAQUEL MARQUES (rmarques1@uol.com.br) Advogada - Franca (SP). “Solicito a alteração no meu endereço, para eu poder continuar recebendo a Revista Attalea Agronegócios”. BSCA (marina@bsca.com.br) Instituição - Varginha (MG). “A BSCA mudou de endereço e gostaríamos de solicitar a modificação do mesmo, para continuar recebendo a Revista Attalea Agronegócios”. CLAUDIO FREITAG (claudirftg@bol.com.br) Agricultor - Pato Branco (PR). “Solicito atualização de endereço. Quero parabenizá-los pelas informações que nos repassam por meio da revista. Abraços”. AKIMAR APARECIDO VILELA (akimar_vilela@hotmail.com) Agropecuarista - Fernandópolis (SP). “Gostaria de receber a Revista Attalea Agronegócios”. LEUBER DA SILVA MENDES (leuber) Agricultor - Franca (SP). “Solicito alteração de endereço para continuar recebendo a Revista Attalea Agronegócios”. ROBERT LUCAS T. RESENDE (robertllucas@hotmail.com) Técnico em Meio Ambiente e Agronegócio - Carmo de Paranaíba (MG). “Gostaria de assinar a Revista Attalea Agronegócios”. RAUL ARCHANGELO (rarchangelo@bol.com.br) Agricultor - Uberaba (MG). “Sou produtor rural. Parabenizo todos vocês pela excelente revista. Um grande presente ao produtor rural. Gostaria de receber as próximas edições”.

ANTONIO COSTA DE SOUZA (antoniocs@hotmail.com) Cafeicultor - Três Pontas (MG). “Sou um pequeno produtor de café. Vi a revista Attalea Agronegócios com um amigo e gostaria de recebê-la. Gostei muito”. FLÁVIO JUNQUEIRA MEIRELLES (junqueirafilho@cafematodaonca.com. br) Agropecuarista - Pedregulho (SP). “Trabalho com a cultura do café, pecuária e cana-de-açúcar. Gostaria de receber a Revista Attalea Agronegócios”.


DESTAQUE: cafeicultura

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Artigo do Engº Agrº Renato Passos Brandão, do Grupo Bio Soja, aborda o manejo adequado da nutrição do cafeeiro. Segundo ele, é o ponto-chave para otimizar os pesados investimentos realizados na cafeicultura e proporcionar retornos econômicos ao cafeicultor. Neste artigo, o autor aborda a importância do diagnóstico da fertilidade do solo e a influência do cálcio no desenvolvimento do sistema radicular do cafeeiro.

EVENTOS

PETS

Especialista orienta: qual a melhor dieta para o seu PET

GESTÃO

(SP); a palestra da Cooparaíso em Altinópolis (SP); e, em especial, o evento realizado em Nuporanga (SP), organizado pela Cati em parceria com a Oimasa e Campagro, estimulando a Responsabilidade Sócio-Ambiental no que se refere à devolução de embalagens usadas de agrotóxicos. Também entre os eventos, destaque para a 5ª GIMA - Gincana Intermunicipal pelo Meio Ambiente, organizada pela Labareda Agropecuária, dos amigos Flávia Lancha e Gabriel Mei Alves de Oliveira. Interessantíssimo também o artigo do médico veterinário da Alta Genética, Jorge Dutra, sobre “Planejamento Estratégico em Fazendas: um alicerce para o futuro”. Ressaltamos, ainda a abordagem da Nutrinorte Presence sobre o universo PET e sobre o artigo exclusivo sobre as principais pragas da cultura do repolho, com orientações sobre o cultivo ecológico das mesmas. Boa Leitura!!!!

HORTALIÇAS

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m clima de muita preocupação, os cafeicultores da região da Alta Mogiana entram na fase mais importante da colheita. As chuvas dos últimos dias tem provocado muita correria entre os trabalhadores, na tentativa de evitar fermentações nos cafés espalhados nos terreiros das propriedades. Nesta edição destacamos o artigo do Engº Agrº Renato Passos Brandão, consultor do Grupo Bio Soja. O especialista aborda o manejo adequado da nutrição do cafeeiro, em especial o uso da gessagem e da calagem como a primeira etapa para cafeeiros em sistemas de alta produtividade. Também na cafeicultura, destaque para o artigo de Marcos Pimenta e Ronaldo Cabrera sobre o uso da Cal Virgem Dolomítica na cultura do café. Vários eventos também são abordados nesta edição, como os dias de campo da BASF em Ibiraci (MG) e da Campagro e Bio Soja em Santo Antônio da Alegria

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O alimento deve ser o mais completo possível, com formulação balanceada para cada porte e idade, pois um filhote tem necessidades de nutrição diferentes de um animal adulto.

Gincana Ecológica movimenta Alta Mogiana

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Com o objetivo de incentivar a responsabilidade sócio-ambiental das novas gerações com o meio ambiente, a Labareda Agropecuária realizou a 5ª GIMA - Gincana Intermunicipal pelo Meio Ambiente)

Planejamento Estratégico em Fazendas

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As propriedades agropecuárias brasileiras precisam ser administradas de forma efetivamente empresarial, com estratégias que favoreçam as mensurações mais eficazes dos resultados.

Controle de pragas na cultura do Repolho

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O repolho é uma hortaliça muito cultivada no Sul e Sudeste do Brasil. São várias as espécies de insetos que atacam a cultura do repolho. Nesta edição, destacamos as principais.

BASF apresenta Sistema AgCelence® Café

CAFÉ

Em época de preços oscilantes, COMEÇA COLHEITA DE CAFÉ

Calagem e Gessagem primeira etapa para cafeeiros em sistemas de alta produtividade

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O Sistema AgCelence® CAFÉ auxilia na proteção do cafeeiro de colheita a colheita, proporcionando melhor relação de transformação da água, luz e nutrientes em energia.

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MUNDO PET

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Elizangela Sobral 1

FOTO: Divulgação

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Especialista em nutrição animal orienta: QUAL A MELHOR DIETA PARA SEU PET? amos lá...primeiro qual o melhor alimento que podemos fornecer ao nosso cão ou gato? O alimento deve ser o mais completo possível, com formulação balanceada para cada porte e idade, pois um filhote tem necessidades de nutrição e de energia diferentes de um animal adulto, assim como um cãozinho de raça mini precisa de muito mais energia que um cão de raça gigante, por exemplo. O alimento seco ou a ração comercial varia de classificação, sendo avaliada pela indústria através dos níveis de garantia - que é a quantidade de macronutrientes como proteína, extrato etéreo = gordura, minerais, etc que são informados nos rótulos. Sendo assim, podemos ter desde rações à base de proteínas de origem vegetal e/ou misturadas à proteína de origem animal, como alimentos muito ricos, não só com os nutrientes conhecidos, mas com suplementos adicionais que colaboram para uma alimentação mais completa. Pelagem longa e densa exige maiores níveis de ômegas que são obtidos através de gorduras de boa qualidade como o óleo de salmão e linhaça, riquíssimo em ômega 3 e 6, algumas raças predispostas a problemas de pele também são beneficiadas com o acréscimo deste ingrediente. Mas tem muita coisa que podemos elucidar a respeito da escolha da dieta. Primordialmente, ração para cães é somente para cães e ração para gatos é essencialmente para gatos. Parece bobagem, mas muita gente faz a troca, imaginando que o cão ou o gato enjoa, ou porque tem cães e gatos na mesma casa e eles podem comer a comida um do outro! Mas, não pode. As dietas são equilibradas, mesmo sendo rações classificadas como mais simples (econômico ou standard). Gatos são extremamente mais exigentes com o alimento que os cães. 1 - Especialista Pet. Evialis do Brasil Nutrição Animal (www.evialis.com.br)

MITOS E VERDADES

Alimentos coloridos fazem mal a saúde? Não. Alimentos com corantes não fazem mal algum. Meu cão ou gato vê colorido? Siiiiiim! Eles podem ver algumas cores primárias. Mas não será isso que definirá se ele comerá esta ou aquela ração. A forma e o que vai nele é que determinam se o biscoito é mais gostoso, palatável ou não. Ração sem conservante, é melhor? Toda ração comercial necessita de conservantes porque são altamente fermentáveis (possuem em sua fórmula milho ou soja) para ter a forma que chamamos de “extrusada”. É como fazer um bolo sem a farinha de trigo ou de milho...ele não cresce. Sendo assim, o biscoito só tem forma e gosto se for bem extrusado e para tanto, dentre outras razões, é necessário que os conservantes estejam lá para proteger o alimento evitando que ele se contamine, e faça mal ao seu amiguinho. Alimento é coisa séria. Coma bem e viva mais... faça o mesmo pelo seu Pet! A


MUNDO PET

FOTOS: Divulgação

Precisam que em seu alimento tenha a Taurina que é um aminoácido essencial, enquanto que em cães quantidades não recomendadas podem trazer problemas de saúde. E muitas coisas os diferem... o “biscoito”(a partícula da ração) tem que ter crocância, aroma agradável pois os pets apreciam essas qualidades, afinal é isso que chamamos de palatabilidade. Parece complicado, mas ração para ser palatável nada mais é que um ração que seja atrativa, com cheiro bom, pela quantidade (e principalmente) pela qualidade de suas proteínas e sua gordura. Esta então torna o alimento uma delícia para eles! Mas cuidado, assim como para nós, muita gordura traz sobrepeso e desencadeia uma série de problemas futuros. Para os gatos, o formato do biscoito é CRUCIAL para que eles realmente apreciem sua refeição. Eles apreendem as partículas de uma forma diferente que os cães, principalmente se forem do gênero braquicefálico (focinho achatado como popularmente são conhecidos, os gatos Persas, Angorás...) tendo mais dificuldade em pegar com a língua. Desta forma, biscoitos que lembrem a forma redonda não são os mais apreciados, levando a um total desinteresse por parte do felino. Mas...por quê ração? Ração seca tem muitos benefícios. São práticas. Estão prontas para serem servidas não necessitando de aquecimento, acréscimo de carne ou vegetais, porque são formuladas para cada tipo de animal e de forma balanceada. Se o proprietário for tentar fazer a comida de seu ani-

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mal em casa, perderá muito tempo, e ainda caprichando, com quase toda certeza, ainda faltarão ingredientes para seu amigo. Nossa sensibilidade ao que é palatável é bem diferente à sensibilidade deles, por isso, nem sempre o que é gostoso pra nós é para eles, e vice-versa! Para dar uma vida mais saudável ao seu companheiro, nunca dê sobras de alimentos, rações úmidas (exceto que seja uma necessidade, um animal idoso com dentição fraca ou ausente), e procure orientações a respeito da dieta que está adquirindo. Fatores como raça, idade, condição física, atividade e particularidades do seu pet, que só você conhece, é que vão definir QUAL MELHOR alimento levar. No Brasil, ainda 60% dos animais de companhia se alimentam das sobras dos pratos. Isto significa, menos tempo de vida, mais idas ao veterinário ou problemas recorrentes de saúde e basicamente de pele. Alimentos secos e duros ajudam a manter a boca saudável, auxiliando na prevenção de tártaro ou prorrogando o aparecimento dele. Enlatados, snacks, bifinhos ou qualquer outro tipo de atrativos devem ser usados apenas como forma de premiação, na ajuda para o condicionamento, ou como simples forma de agrado. Mas nunca como fonte única ou maior parte do alimento. Eles não ficarão tristes... Pelo contrário. Ficarão muito saudáveis, satisfeitos e felizes por ter um dono tão atencioso assim! A


DESTAQUE

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Labareda Agropecuária: Gincana Ecológica MOVIMENTA CIDADES DA ALTA MOGIANA FOTOS: Labareda Agropecuária

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om o objetivo de incentivar a responsabilidade sócio-ambiental e a preocupação das novas gerações com o meio ambiente, a Labareda Agropecuária realizou no dia 26 de maio a 5ª Gima (Gincana Intermunicipal pelo Meio Ambiente). O evento, realizado na Fazenda Bom Jesus, em Cristais Paulista (SP), reuniu mais de 700 alunos do 4º e 5º ano de escolas públicas de Cristais Paulista (SP), Jeriquara (SP), Pedregulho (SP), Ribeirão Corrente (SP) e São José da Bela Vista (SP); e contou com a presença de prefeitos, autoridades e empresários da região. Durante a gincana as crianças participaram de provas relacionadas ao tema ‘Vamos Poupar o Planeta’, plantaram árvores e apresentaram danças, gritos de guerra e obras de arte. Desde fevereiro elas desenvolveram diversas ações sócio-ambientais com a comunidade para conscientizar a população. Entre as atividades, foram realizadas palestras, apagões para economizar energia, horta comunitária e troca de brinquedos. Os organizadores do evento estimam que 30 mil pessoas participam destas atividades. “Essas ações desenvolvidas com a comunidade movimentam a cidade toda. As crianças mobilizam a família e todo mundo participa. É muito importante”, comenta Flávia Lancha Oliveira, diretora da Labareda e idealizadora do projeto. As provas foram analisadas por uma comissão julgadora formada por cinco profissionais de diversas áreas de atuação: Camila Beghelli, professora, Eny Miranda, médica e escritora, Patrícia Milan, diretora executiva da ABAG-RP

(Associação Brasileira do Agronegócio da Região de Ribeirão Preto), Milton Cerqueira Pucci, diretor de relações públicas da AMSC (Associação dos Produtores de Cafés Especiais da Alta Mogiana) e Wellington Veríssimo, artista plástico. A grande vencedora da competição foi a cidade de Ribeirão Corrente, que conquistou o tri-campeonato. Estreante na gincana, São José da Bela Vista conseguiu o vice e Pedregulho o terceiro lugar. Mais de 70 bicicletas, doadas por empresas parceiras, foram sorteadas para as crianças que participaram do evento. Todas as escolas receberam computadores como prêmio pela participação (Por Thaici Martins - AMSC).


DESTAQUE

FOTOS: Labareda Agropecuária

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Empresas parcerias que colaboram com a GIMA desde a primeira edição foram homenageadas

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O prefeito de Ribeirão Corrente, Luiz da Cunha Sobrinho, comemora a vitória com a gestora da escola e os diretores da Labareda Agropecuária, Gabriel Afonso Oliveira e Flavia Lancha Oliveira


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Planejamento Estratégico em Fazendas: UM ALICERCE PARA O FUTURO.

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Jorge Duarte1

s propriedades agropecuárias brasileiras precisam ser administradas de forma efetivamente empresarial com estabelecimento de estratégias que, interligadas com os diferentes sistemas operacionais dos setores agrícola e/ou pecuário, favoreçam as mensurações mais eficazes dos resultados, organizando as ações gerenciais para que ocorra uma melhor comunicação interna, favorecendo o aumento da produção, da produtividade e da lucratividade. Um estudo de caso em fazendas mostrou resultados do uso do Balanced Scorecard como ferramenta de suporte para viabilizar essa forma de gerenciamento. Introdução Em tempos de instabilidade econômica mundial como a que atualmente vivemos, vem à tona o planejamento estratégico como elemento-chave na consistência e no processo de tomada de decisões em empresas de diferentes setores da economia. Os estudiosos da Administração desenvolveram nas últimas décadas diversas ferramentas gerenciais, teorias e pesquisas nesse sentido. Embora essa ampla gama de metodologias ou ferramentas de gestão tenham sido concebidas para auxiliar as empresas no desenvolvimento e no gerenciamento de suas estratégias e operações, o que se observa em termos gerais é a carência de um conceito ou de um modelo para orientar sua efetiva integração. Os gestores de hoje se defrontam com a questão de como conseguir que esses vários recursos de planejamento estratégico e de melhorias operacionais trabalhem juntos como um sistema coerente. A implementação de tais ferramentas é conduzida de forma isolada e com pouca integração e coordenação entre elas (KAPLAN; NORTON, 2008). A incapacidade de equilibrar a tensão entre as estratégias e as operações é generalizada no meio empresarial. Diversos estudos realizados nos últimos 25 anos indicam que 60 a 80% das empresas não atingem o sucesso previsto por suas novas estratégias (HBR, 2008). Nesse contexto, as propriedades agropecuárias brasileiras também precisam ser administradas de forma efetivamente empresarial com estabelecimento de estratégias que, interligadas com os diferentes sistemas operacionais dos setores agrícola e/ou pecuário, favoreçam as mensurações 1 - Formado em Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM/RS); MBA Executivo Internacional pelo Centro de Desenvolvimento Gerencial da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (CEAD/ UFRGS); Mestrado em Administração pela UFRGS. Realizou cursos focados em Business na HEC/Paris e na EADA/Barcelona. Atuou como coordenador técnico na URCAMP – Universidade Região de Campanha, por 5 anos; na Fundação Bradesco, por 7,5 anos e no NUPEEC – Núcleo de Pesquisa, Ensino e Extensão em Pecuária (UFPel/RS), por um ano. Atualmente ocupa o cargo de coordenador de Planejamento Estratégico da Alta Genetics, em Uberaba/MG. Email: jorge.duarte@altagenetics.com.

mais eficazes dos resultados, organizando as ações gerenciais para que ocorra uma melhor comunicação interna, favorecendo o aumento da produção, da produtividade e da lucratividade. O BSC O Balanced Scorecard (BSC) foi indicado em 1997 pela Harvard Business Review (HBR) como uma das ferramentas de administração mais importantes criadas nos últimos 75 anos. Seus principais conceitos estão orientados pela necessidade de as empresas terem suas ações focadas nas estratégias do negócio e seus objetivos estratégicos balanceados entre as dimensões financeira, clientes, processos internos, aprendizado e crescimento. Como o foco da ferramenta está relacionado com estratégia e sua execução, é esperado que uma boa utilização tenha impactos significativos nos resultados das empresas. Pesquisas realizadas pela consultoria Brain & Company (HSB, 2008) colocam o Balanced Scorecard (BSC) entre as 25 ferramentas mais populares nas empresas contemporâneas. O BSC, na verdade, revolucionou o meio empresarial nos últimos anos sendo adotado por empresas ligadas às áreas industrial e de serviços. Muitas empresas no mundo adotaram o BSC, dentre elas destacam-se a Pioneer Petroleum, Metrobank, FMC, North WesternMutual, Volvofinans. No Brasil, seu uso ainda é restrito a um grupo seleto de empresas dos setores metal-mecânico e industrial (Grupo Gerdau, Suzano, Oxiteno, Aracruz, Petrobrás), evoluindo rapidamente para empresas de serviços (Visanet, Bradesco, Unibanco, Banco do Brasil, Siemens, Unimed, SENAI). Robert Kaplan, professor da Harvard Business School, e David Norton, presidente da Balanced Scorecard Collaborative, criadores do BSC, consideram que, embora as organizações tenham indicadores similares típicos, é importante que elas desenvolvam indicadores de desempenho que sejam especificamente derivados das estratégias. Explicam que, em um bom sistema de indicadores, as medições devem ser interligadas de forma a comunicar um número reduzido de temas estratégicos amplos. Eles criaram e apresentaram a metodologia do Balanced Scorecard como ferramenta de gestão do desempenho para medir e colocar a estratégia em ação. Essa metodologia está organizada em torno de quatro perspectivas distintas: financeira, do cliente, interna e de aprendizado e crescimento. O nome reflete o equilíbrio entre os objetivos de curto e longo prazo, entre medidas financeiras e não financeiras, entre indicadores direcionadores e resultantes e entre as perspectivas interna e externa de desempenho. As abordagens das perspectivas para análise de desempenho preconizadas no BSC, e descritas na Figura 1, seguem os conceitos de seus criadores, Kaplan e Norton. Kaplan e Norton (2000) reconhecem que, ao desenvolver os conceitos do Balanced Scorecard, em 1992,


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achavam que o BSC tratava da mensuração. Atualmente, através da experiência e da adaptação de conceitos, as questões mais importantes do Balanced Scorecard estão relacionadas à contribuição da ferramenta na criação de empresas que estejam focadas na estratégia. Segundo os autores, as palavras-chave para isso são alinhamento e foco. Foram definidos cinco princípios para determinar empresas focadas na estratégia: • Traduzir a Estratégia em Termos Operacionais (ex: Mapa Estratégico) • Alinhar a Organização à Estratégia (ex: Sinergia Corporação e Unidades de Negócio) • Transformar a Estratégia em Tarefa de Todos (ex: Scorecards individuais) • Converter a Estratégia em Processo Contínuo (ex: aprendizado e feedback estratégicos) • Mobilizar a Mudança por meio da Liderança Executiva (ex: sistema gerencial estratégico) Um paradigma a ser quebrado. O Brasil, por qualquer ângulo que se analise o mercado, avançou significativamente no campo do agronegócio e atualmente lidera as exportações mundiais de várias commodities agrícolas. Todo esse avanço tecnológico registrado no campo, no entanto, não se reflete na gestão estratégica das empresas desse setor, principalmente as ligadas ao elo da produção agropecuária, que carecem da utilização de ferramentas da administração que permitam o alinhamento da estratégia com as operações, definindo um planejamento de longo prazo. Em tempo, a atividade agropecuária guarda em si características intrínsecas, influenciadas por fatores biológicos, climáticos, ambientais e culturais, que a distinguem de outros ramos de atividade econômica, cujos focos se restringem a sistemas de produção e de mercado. A realidade predominante na maioria das propriedades agropecuárias brasileiras atesta certo empirismo na sua gestão, caracterizada pelo foco em ações operacionais e em resultados financeiros, pela inexistência de uma ferramenta de gestão para mensuração de resultados, pela visão de curto prazo, pelo baixo profissionalismo nas equipes, pela falta de clareza na definição dos objetivos estratégicos e pela ausência de alinhamento estratégico em todos os níveis das empresas. Dentro da cadeia do agronegócio, o elo da agropecuária precisa ser organizado e gerenciado como qualquer outro setor da economia, sendo necessária para isso a quebra definitiva do paradigma de que as fazendas não precisam adotar um planejamento estratégico. Dentro da cadeia do agronegócio, o elo da agropecuária precisa ser organizado e gerenciado como qualquer outro setor da economia, sendo necessária para isso a quebra do paradigma de que as fazendas não precisam adotar um planejamento estratégico. Nesse sentido, cabe a seguinte indagação: é possível a adoção de ferramentas da administração em propriedades agropecuárias, alinhando estratégias e operações, e trazendo resultados mensuráveis? BSC em fazendas na prática Para comprovar a viabilidade do uso de ferramentas da administração para alinhamento da estratégia com as ope-

Figura 1. As 4 Perspectivas do BSC (Kaplan e Norton, 1997)

rações, tomam-se por base os resultados do estudo de caso sobre a aplicação do BSC em duas fazendas, localizadas nos municípios de Miranda (MS) e Formoso do Araguaia (TO). Serviram de base para esse estudo as entrevistas realizadas com seus principais gestores, pesquisa documental e análise de relatórios com dados de produção do setor pecuário dessas fazendas no período de 2006 a 2008, relativos à bovinocultura de corte, bovinocultura de leite, avicultura e suinocultura. A proposta dessa pesquisa foi analisar os resultados obtidos com a implementação do BSC nas fazendas da Fundação Bradesco de Bodoquena (MS) e de Canuanã (TO), iniciado em 2003, buscando elucidar aspectos diferenciados, fatores externos impactantes, pontos de convergência e pontos de divergência, bem como avaliar a aplicabilidade da metodologia do BSC no setor agropecuário. A análise dos resultados desse estudo seguiu quatro parâmetros, que balizaram a discussão em torno da aplicabilidade do BSC em propriedades agropecuárias: - Pelos resultados da pesquisa documental e das entrevistas com os principais gestores das fazendas sobre a implantação do BSC, analisou-se a sua convergência com os cinco princípios da organização focalizada na estratégia, preconizados por Kaplan e Norton (2001); - Pelos resultados das entrevistas com os principais gestores das fazendas, analisou-se o impacto da implantação do BSC nas melhores práticas de gestão (baseado em KAPLAN; NORTON, 2006); - Pelos resultados das entrevistas com os principais gestores das fazendas, analisou-se o impacto da implantação do BSC em termos de resultados no setor pecuário dessas fazendas (baseado em KAPLAN; NORTON, 2006); - Pelos resultados das medidas de produção pecuária estabelecidas no Mapa Estratégico de Produção Agropecuária das fazendas, analisou-se o desempenho da bovinocultura de corte, bovinocultura de leite, avicultura e suinocultura das fazendas, no período 2006 a 2008. Resultados Na primeira fase da análise de resultados, procurou-se identificar se o processo de implantação do Balanced Scorecard nessas fazendas seguiram os 5 princípios denominados por Kaplan e Norton (2000) da organização focalizada na estratégia. Observou-se nesse estudo de caso que o processo de


GESTÃO implantação foi convergente FIGURA 2: Relação entre o nível do impacto do BSC e as melhores práticas de gestão das fazendas com os princípios do BSC, da Fundação Bradesco. Fonte: DUARTE, 2010. sobretudo no que se refere ao alinhamento propiciado na obtenção de sinergias entre equipes, unidades, áreas e setores das fazendas em busca de atingir os objetivos estratégicos. Na segunda fase da análise dos resultados, procurou-se avaliar e mensurar o impacto da implantação do BSC na ótica desses gestores sobre as melhores práticas de gestão das fazendas. Como Escala de 1 a 5 pontos, sendo: 1= pouquíssimo; 2= pouco; 3= moderadamente; 4= muito; 5=muitíssimo. melhores práticas de gestão, foram consideradas as apregoadas por Kaplan e Norton ótica desses gestores sobre os resultados da gestão do setor (2006): práticas de mobilização e liderança executiva; práti- pecuário das fazendas. Como resultados de gestão no setor cas de alinhamento da estratégia com operações; práticas pecuário das fazendas, foram considerados os seguintes itens de gerenciamento; práticas de motivação de funcionários (adaptado de KAPLAN; NORTON, 2006): ajudou a mee práticas de tradução da estratégia. Os resultados estão lhorar os processos internos; aumentou a produtividade do demonstrados na Figura 2. setor; trouxe resultados em termos financeiros; favoreceu a Na percepção dos gestores, segundo a escala estabeleci- comunicação interna; favoreceu o aprendizado da equipe; da para a entrevista, a implantação do BSC impactou muito contribuiu para a criação de valores. Os gestores das fazendas entrevistados classificaram o em termos de gestão das melhores práticas no setor pecuário dessas fazendas, sobretudo no que se refere às práticas de nível de impacto do Balanced Scorecard nos resultados do alinhamento da estratégia com as operações e de gerencia- setor pecuário das fazendas, utilizando uma escala de 5 pontos, sendo: 1= pouquíssimo; 2= pouco; 3= moderadamente; mento. Na terceira fase da análise dos resultados, procurou- 4= muito; 5= muitíssimo. No que se refere ao impacto do BSC em termos de rese avaliar e mensurar o impacto da implantação do BSC na

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FIGURA 3: Relação entre o impacto do BSC e resultados no Setor Pecuário das fazendas da Fundação sultados no setor pecuário Bradesco. Fonte: DUARTE, 2010 das fazendas analisadas, verificaram-se diferenças entre as percepções dos gestores das fazendas analisadas. Na fazenda Bodoquena (MS), os gestores destacaram como melhores resultados que o impacto da implantação do BSC promoveu no setor pecuário a melhoria dos processos internos, aumento da produtividade e criação de valores. Já na fazenda Canuanã (TO), os gestores destacaram pecuária brasileira, servindo de alicerce para o futuro. A como melhores resultados que o impacto da implantação do análise dos resultados do estudo de caso apresentado como BSC promoveu no setor pecuário o favorecimento da comu- exemplo neste artigo foi de que a ferramenta da administranicação interna e do aprendizado da equipe. ção utilizada, no caso o BSC, mostrou-se eficiente e passível Os gestores de ambas as fazendas foram convergentes de ser utilizado em propriedades agropecuárias na medida na percepção de que a implantação do BSC trouxe resultados em que propiciou alinhamento da estratégia com as operapositivos em termos financeiros para o setor pecuário. ções, resultando na melhoria de seus processos gerenciais e Na quarta e última fase da análise dos resultados sobre produtivos. Verificou-se também que a sua forma de implea implantação do BSC nas fazendas, foram apresentados os mentação não diferiu da forma como já vem sendo adotado resultados obtidos nas medidas de desempenho da produção com sucesso em empresas do setor industrial e de serviços. estabelecidas para os objetivos estratégicos do setor pecuário A discussão sobre esse tema não se encerra por aqui. das fazendas da Fundação Bradesco, no período de 2006 a Esse artigo, enfim, lança bases para novos estudos e debates 2008. sobre o uso de ferramentas da administração em proprieDentro do Mapa de Produção Agropecuária das fazen- dades agropecuárias, bem como sobre a necessidade destas das analisadas, foram estabelecidos quatro Objetivos Estra- serem geridas de forma efetivamente empresarial. Assim, tégicos e oito Medidas para o acompanhamento e mensura- ampliamos o campo de análise e valorizamos o tema que a ção de desempenho da Produção Pecuária, cujos resultados cada dia demonstra ser atualizado. obtidos nesse período estão abaixo transcritos: Referências MEDIDAS OBJETIVO ESTRATÉGICO Bovinoc. de Corte Bovinoc. de Leite Avicultura Suinocultura

Índice de mortalidade e rendimento da carcaça Número de casos de mastite e índice de mortalidade Índice de mortalidade e rendimento da carcaça Índice de mortalidade e rendimento da carcaça

Em resumo, o estudo de caso revelou que, como resultados das metas desafiadoras preconizadas no mapa estratégico do BSC dessas fazendas, houve uma melhoria significativa na gestão de seus processos administrativos, resultando, no período analisado de três anos, em melhorias significativas na produtividade do setor pecuário dessas unidades: redução nos índices de mortalidade (1,31% na bovinocultura de corte, 5,63% na bovinocultura de leite, 1,25% na avicultura, 0,54% na suinocultura); aumento no rendimento de carcaça dos animais abatidos (6% em bovinos de corte, 2,56% em frangos, 1,62% em suínos) e redução de 6,33% nos casos de mastite bovina. O estudo de caso revelou que, como resultados das metas desafiadoras preconizadas pelo BSC das fazendas analisadas, houve uma melhoria significativa na gestão de seus processos administrativos, resultando, no período analisado de três anos, em melhorias na produtividade do setor pecuário. Considerações Finais A adoção de planejamento estratégico em fazendas precisa tornar-se cada vez mais uma realidade na agro-

BALANCED. HSM Managment, p.120-126, 11 nov/dez, 1998. BALANCED SCORECARD FUNCTIONAL STANDARDS: release 1.0 a. Balanced Scorecard Collaborative, Inc. Disponível em: <http://www.bscol.com/>. BALANCED SCORECARD REPORT. Disponível em: <http://www.bscreport.com.br/home.asp>. Acesso em: 07 jan. 2008. DUARTE, Jorge. O BSC aplicado nas escolas-fazenda da Fundação Bradesco. [Dissertação de Mestrado] Porto Alegre: PPGA/UFRGS, 2010. JUNIOR, H. S.; PROCHNIK, V. Experiências Comparadas de Implantação de Balanced Scorecard no Brasil, 2002. KAPLAN, Robert S.; NORTON, David P. A estratégia em ação: Balanced Scorecard. Rio de Janeiro: Campus, 1997. ______. Alinhamento: utilizando o Balanced Scorecard para criar sinergias. Rio de Janeiro: Campus, 2006. ______. Como dominar o Sistema de Gestão. Harvard Business Review, ed. Especial, p.35-53, jan., 2008. ______. Organização voltada para a Estratégia. Rio de Janeiro: Campus, 2001. ______. Mapas Estratégicos: convertendo ativos intangíveis em resultados tangíveis. Rio de Janeiro: Campus, 2004. PORTER, M. As cinco forças competitivas que moldam a estratégia. Harvard Business Review, ed. especial, p.54-69, jan., 2008. A


DESTAQUE

SILVERADO: especializada em botas e botinas MASCULINAS, FEMININAS E INFANTIS

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s amantes do universo country ganharam agora uma das mais completas lojas do setor: a Silverado. Tradicional indústria do ramo calçadista, especializada em botas e botinas masculinas, femininas e infantis e sediada na cidade de Franca (SP) - maior pólo produtor de calçados masculinos do país -, a Silverado procura, com a abertura desta loja, fidelizar o seu público country. No ramo há mais de 15 anos e com mais de 600 clientes no atacado em todo o território nacional (envolvendo revendas agropecuárias, lojas country e sapatarias), a Silverado tem por meta produzir calçados com ênfase no conforto, na beleza e na segurança. “Estamos consolidados no mercado atacadista nacional. Mas entendemos que na atual conjuntura econômica do Brasil, o cliente no varejo tem um po-

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tencial enorme. Por isso, decidimos abrir uma loja própria”, explica Luiz Ribeiro de Lima, diretor da empresa. Na Silverado, o cliente encontra a mais variada linha de botas em couros exóticos, além dos tradicionais couro de boi e de carneiro. “Além do calçado, temos toda a linha de vestuário country, além de selarias, laços, capas, fivelas e cintos”, afirma. Luiz. Mas para quem imagina que o alvo da empresa resume-se a abertura do espaço de comércio para o varejo está enganado. “Procuramos novos parceiros. Que tenham interesse em aumentar seus lucros. Para isto, em breve, abriremos a possibilidade de ser um franqueado Silverado”, diz. Solicite uma visita de um representante Silverado. A

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EVENTOS

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Recorde Mundial comprova organização da 43ª EXPOAGRO EM FRANCA (SP)

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Cordeiro, da Fazenda Vila Rica, em Cocalzinho (GO), com o animal “Mimosa FIV Vila Rica”, que produziu 42,072 quilos de leite na exposição de Araxá (MG). Os competidores dos torneios leiteiros participaram ainda do Torneio de Qualidade do Laticínios Jussara, que pagou o prêmio em dinheiro de R$ 600 para o primeiro lugar Girolando e R$ 400 para o Gir Leiteiro. “O Laticínios Jussara é parceiro da Expoagro há alguns anos, estimulando brilhantemente a criação de bovinos leiteiros, com disputas cada ano mais acirradas aqui no Torneio Leiteiro. Ressalto, ainda, o trabalho de responsabilidade social da empresa. Todo o leite produzido durante os torneios leiteiros serão distribuídos para a APAE e para o Fundo Social de Solidariedade de Franca”, explicou Alexandre Ferreira, então Secretário Municipal de Desenvolvimento. A 43ª EXPOAGRO contou ainda com a participação de mais de 1.000 animais em julgamento, envolvendo três raças de equinos (Árabe, Mangalarga e Mangalarga Marchador), três de bovinos (Nelore, Gir Leiteiro e Girolando) e dois torneios leiteiros (Girolando e Gir Leiteiro); a Copa Brasileira e a Copa Regional de Marcha de Muares; da Expocães; da Copa Regional de Hipismo; e do 5º Congresso Francano do Agronegócio. O evento foi realizado pela Associação dos Produtores Rurais do Paiolzinho, com o apoio da LWS RefriCom o apoio da LWS Refrigeração e do Laticínios Jussara, o criador Léo Machado recebe premiação das mãos de geração e do Laticínio JusAlexandre Ferreira, então Secretário Municipal de Desenvolvimento e de Saul Borges, jurado da raça Gir Leiteiro, sara pelo recorde mundial na produção de leite com a vaca Inami FIV. A

FOTOS: Prefeitura de Franca

remiando uma organização primorosa durante 18 dias ininterruptos da 43ª EXPOAGRO - Exposição Agropecuária de Franca (SP), a raça Gir Leiteiro conheceu o novo recorde mundial na produção de leite nas pistas do Parque de Exposições “Fernando Costa”. Durante o 5º Torneio Leiteiro da Raça Gir Leiteiro, a vaca “Iname FIV”, da Fazenda Mutum, de Alexânia (GO), foi a grande campeã do torneio e é a nova recordista mundial, com média diária de 44,34 kg. Inscrita na categoria Fêmea Jovem, o animal rendeu ao seu proprietário Leo Machado Ferreira um prêmio de R$ 4 mil. “Inami FIV” é filha de “Jaguar TE do Gavião” e da vaca “Palma TE F. Mutum”. O recorde anterior era de Dílson


MERCADO

Pesquisadores indicam Alternativas Naturais de CONTROLE DAS PRAGAS QUE ATACAM O REPOLHO FOTOS: A.P. Takematsu

áptera e a forma alada apresenta coloração verde com cabeça, antena e tórax pretos. Formam colônias na parte inferior das folhas. Prejuízos:- devido à formação de grandes colônias, os pulgões provocam enfraquecimento das plantas, pela contínua sucção de seiva. O sintoma típico da presença desses insetos é a presença de folhas totalmente engruvinhadas. Além dos prejuízos diretos, os pulgões podem ser transmissores de viroses.

Traça das Crucíferas (Plutella xylostella)

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Teresa Jocys 1; Akira P. Takematsu 2

egundo alguns historiadores, o repolho (Brassica oleracea var. capitata), uma hortaliça cultivada na Europa desde 5.000 anos a.C, na verdade é uma variedade de couve silvestre (Brassica oleracea var. silvestris). Consumido por quase todos os povos, cozido, refogado, em sopas, saladas cruas, em conservas (o tradicional chucrute alemão) e o conhecido ‘charutinho árabe’. O repolho é uma hortaliça muito cultivada, principalmente no sul e sudeste do Brasil. Segundo levantamento do Instituto de Economia Agrícola, de 2007, o cultivo dessa olerícola se dá em todo o Estado de São Paulo. Porém, apenas quatro regiões (Sorocaba, Mogi das Cruzes, São João da Boa Vista e São Paulo) concentraram a maior parte da produção. Da família das couves, tanto o verde como o roxo, superam em consumo o Brócolis, Couve de Bruxelas e Couve Flor. Várias espécies de insetos atacam a cultura do Repolho, como destacamos a seguir:-

LAGARTA DA COUVE (Ascia monuste orseis). O curuquerê da couve é uma lagarta que, quando completamente desenvolvida, mede cerca de 30 a 35 mm de comprimento, de cor cinza esverdeada. Alimenta-se das folhas e é muito voraz. Os adultos são borboletas com 50 mm de envergadura e as fêmeas põem seus ovos de coloração amarela na parte inferior das folhas. Prejuízos:causam grandes da-nos à produção, chegando a desfolhar quase que totalmente a planta. LAGARTA ROSCA (Agrotis ipsilon). Os adultos são mariposas com 35 mm de envergadura, com asas anteriores marrons e manchas pretas, as posteriores são semitransparentes. Os ovos de coloração branca são colocados nas folhas de onde eclodem pequenas lagartas de coloração marrom acinzentada escura, que atingem o tamanho máximo de 45 mm. Têm hábitos noturnos, se alimentado à noite e ficando abrigadas no solo durante o dia. Têm o hábito de se enrolar, daí surgindo seu nome popular de lagarta rosca. Prejuízos:as lagartas cortam as plantas rente ao solo reduzindo o número de plantas por área cultivada. LAGARTA FALSA-MEDIDEIRA (Trichoplusia ni). As lagartas atingem 30 mm de comprimento, de coloração verde e se locomovem como se estivessem medindo

PULGÃO DA COUVE (Brevicoryne brassicae) - As formas aladas são de coloração verde e cabeça e tórax pretos medindo 2 mm de comprimento; a forma áptera tem o corpo de coloração verde, com uma camada cerosa esbranquiçada. Formam grandes colônias na parte superior das folhas. PULGÃO VERDE (Myzus persicae).Também medem 2 mm de comprimento, a coloração é verde clara na forma 1 - Pesquisadora do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Sanidade Vegetal. Email: jocys@biologico.sp.gov.br. 2 - Pesquisador do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Sanidade Vegetal. Email: takematsu@biologico.sp.gov.br.

Pulgão da Couve (Brevicoryne brassicae) na forma áptera (sem asas)

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um palmo (o que lhes confere o mesmo nome popular) (Figura 3). Empupam-se na própria folha e tecem casulo envolto de teia branca. Os adultos são mariposas de coloração geral parda. Prejuízos:- perfuram as folhas, tornando-as impróprias para consumo.

FOTOS: A.P. Takematsu

HORTICULTURA

TRAÇA DAS CRUCÍFERAS (Plutella xylostella). O adulto da traça é uma mariposa de coloração parda. A fêmea deposita os ovos na página inferior das folhas, isolados ou em grupos de 2 ou 3. Esses ovos são minúscu- Lagarta Falta Medideira (Trichoplusia ni) e em início de estágio de metamorfose. los, arredondados e de coloração esverdeada. Após 3 ou 4 dias nascem as lagartinhas que penetram no amareladas no corpo. São conhecidos como vaquinhas ou interior da folha, onde permanecem por 2 ou 3 dias. Após patriotas. Prejuízos:- perfuram as folhas. esse período, abandonam a galeria e passam a alimentar-se da epiderme da página inferior da folha. As lagartas atingem MOSCA BRANCA (Bemisia tabaci). Apesar de serem o máximo desenvolvimento, com 8 a 10 mm de comprimen- conhecidos como moscas brancas, não são verdadeiramente to, 9 a 10 dias após a eclosão. São de coloração verde clara moscas, mas sim um Hemíptero da Família Alevroididae. com cabeça de cor parda e sobre o corpo notam-se pequenos São insetos pequenos, com 1 mm de comprimento, e 4 asas pelos escuros e esparsos. Para se transformarem em pupas, membranosas pulverulentas. As ninfas, em sua fase inicial, tecem um pequeno casulo na face inferior das fo-lhas. De- locomovem-se pelas folhas para, em seguida, fixaram-se de pois de 4 dias, emerge o adulto, para novo ciclo biológico. maneira semelhantes a cochonilhas. São insetos sugadores. Prejuízos:- atacam as plantas logo após o transplante das Prejuízos:- podem injetar toxinas e favorecer o aparecimudas, causando grandes danos, pois se alimentam da parte mento de fumagina, que prejudica atividade fotossintética externa ou interna das folhas, tornando, assim, o repolho da planta. impróprio para comercialização. A perda pode chegar até a 60%. MÉTODOS DE CONTROLE BROCA DA COUVE (Hellula phidilealis). Conhecido como broca da couve, o adulto é uma mariposa com asas pardacentas com faixas brancas e pontos pretos. As lagartas têm coloração verde clara com manchas marrons no sentido do comprimento. Prejuízos:- as lagartas perfuram as hastes das plantas, provocando seu secamento e conseqüente morte. VAQUINHA VERDE AMARELA (Diabrotica speciosa). A fêmea deste besouro faz postura no solo, onde eclodem larvas de coloração branco leitosa que atingem até 10 mm de comprimento.O adulto tem coloração verde, com 5 a 6 mm de comprimento, cabeça castanha e três manchas

Vaquinha Verde-Amarela (Diabrotica speciosa)

Para pequenas hortas domésticas ou orgânicas, métodos alternativos poderão ser usados como, por exemplo, a mistura de 5 g de sal de cozinha (1 colher de chá) para 20 mL de vinagre (1 colher de sopa) em 1 L de água. Acrescentar 2,5 mL (meia colher de chá) de detergente líquido. Pulverizar as plantas atacadas a cada 5 a 7 dias. Extrato de sementes de Nim também pode ser aplicado na cultura. Se as sementes não estiverem disponíveis para o horticultor, pode-se lançar mão de produtos formulados à base de Nim. Para aumentar a resistência das plantas contra as pragas pode-se aplicar um chá preparado a partir de 100 g de cavalinha seca ou 300 g da planta verde. Deixar macerando em 10 L de água por 24 horas, em seguida ferver por 10 minutos. Diluir em 90 L de água e regar ou pulverizar as plantas. O uso de formulações comerciais de Bacillus thuringiensis tem se mostrado eficiente para controle de lagartas. Após 24 a 72 horas do consumo das folhas tratadas, as lagartas param de se alimentar e, em seguida, morrem, libertando dessa forma mais Bacillus thuringiensis que poderão infectar novas lagartas. O emprego de produtos químicos requer os devidos cuidados, como a escolha do inseticida devidamente registrado para o controle da praga, leitura atenta da bula da embalagem, observação do período de carência (intervalo entre a última pulverização e a colheita), descarte adequado das embalagens vazias e uso de equipamento de proteção individual. Esses cuidados permitirão ao produtor oferecer ao mercado uma hortaliça de boa qualidade, diminuindo também os riscos de contaminação do solo, da água e do produto final, protegendo a saúde do produtor, sua família, trabalhaA dores rurais e do consumidor final.


HORTICULTURA

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CAFÉ

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Café Robusta amplia PARTICIPAÇÃO EM ‘BLENDS’

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stima-se que o café robusta, estigmatizado pela qualidade inferior ao da espécie arábica, já faça parte de praticamente metade dos blends de cafés industrializados no Brasil, algo entre 10 milhões e 11 milhões de sacas diante de um consumo doméstico anual estimado em 20 milhões de sacas. De acordo com o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), a participação do robusta nos blends no mercado nacional é de 50% a 55%, ante 20% há doze anos. Por isso, o salto é considerado importante na avaliação de representantes do setor. Já a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) calcula que a participação do robusta já alcança cerca de 40%. Os números foram apresentados na semana passada durante um evento internacional sobre o café robusta, também conhecido como conilon, no Espírito Santo, o maior produtor nacional da variedade, com cerca de 76% da safra. No mundo, a participação do robusta é estimada em 40% - há dez anos, a fatia era de 30% -, ante 60% do arábica nos blends de café industrializado. Segundo Enio Bergoli, secretário de Agricultura do Espírito Santo, alguns especialistas acreditam que entre dez e 15 anos, a composição de robusta e arábica será igualmente dividida nas bebidas. Guilherme Braga, diretor-geral do Cecafé, acredita que, no início, o aumento do uso do robusta nos blends se deu em função de preços mais baratos na comparação com o arábica. Depois, os grãos

foram escolhidos pela melhoria de sua qualidade. Braga explica que o rendimento do robusta é maior que o do arábica, e desmitifica a “fama” de produto ruim. Ele alega que, quando bem administrado,

Espírito Santo muda regra do ICMS do café para evitar fraudes

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governo estadual está apertando o cerco contra os sonegadores de ICMS nas operações de venda interestaduais de café. As empresas que praticaram fraudes e não conseguirem demonstrar a legalidade das operações vão perder o crédito do imposto. Levantamentos iniciais indicam apontam evasão de receita superior a R$ 75 milhões no ano de 2011. As novas regras já estão valendo e as alterações foram feitas por meio do Decreto nº 3025-R. As medidas, segundo o secretário estadual da Fazenda, Maurício Cézar Duque, vêm sendo adotadas há algum tempo para aperfeiçoar a legislação e “fechar os ralos para possíveis evasões fiscais”. Embora o secretário tenha evitado detalhar as informações a respeito das fraudes, sabe-se que não são muitas as empresas, menos de 15, que estão envolvidas nesse tipo de operação ilícita. As operações de compras com notas fiscais frias foram feitas basicamente com o Rio de janeiro. Um dos indícios de irregularidade nas operações foi o elevado volume de café adquirido no Rio de Janeiro, cerca de 3 milhões de sacas. Volume esse muito superior à produção daquele Estado, que é de cerca de 250 mil sacas. O Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV), segundo seu presidente Luiz Antônio Polese, recebe essas alterações de forma muito positiva porque contribuirão para separar definitivamente “a banda podre do café”. As exigências que estão no novo decreto vão, na prática, impedir a continuidade desse tipo de operação. De acordo com um dos artigos, o contribuinte do Espírito Santo que tiver adquirido café proveniente do Rio de Janeiro, no período de janeiro de 2010 a 30 de junho de 2012, terá prazo até 27 de julho próximo para apresentar cópias de vários documentos. (Fonte: RedeGazeta) A


CAFÉ o conilon não altera a bebida final. “É um bom parceiro no blend”, defende. Braga afirma que um robusta de qualidade é melhor do que algumas “sobras” de arábica utilizadas para a industrialização do produto, confirmando que os cafés especiais ainda são um mercado de nicho no Brasil. Outro argumento para atestar que a qualidade do café robusta evoluiu nos últimos cinco anos está na suspensão da restrição feita pela Abic, há três meses, do uso de robusta para a produção de café gourmet certificado no Programa de Qualidade do Café (PQC). Em 2004, no início do programa, a norma técnica proibia a utilização do grão para este fim. Agora, não existem nem limites de utilização para os blends. “Deixamos a critério da indústria, desde que o produto final tenha nota acima de 7,3 pontos numa escala de zero a dez para ser classificado como gourmet”, explica Nathan Herszkowicz, diretor-executivo da Abic. Herszkowicz observa que o consumo interno cresce a taxas de 3,5% a 4% ao ano, um indicativo de que a qualidade do café industrializado no mercado interno não decaiu. Para Herszkowicz, a fase do robusta é de transição para um produto de melhor qualidade, com alta tecnologia. Hoje o Brasil exporta café conilon gourmet comparado aos melhores grãos produzidos no mercado mundial. No ano passado, o país enviou 197 mil sacas de conilon diferenciado ante 2,47 milhões de sacas de conilon médios, de acordo com o Cecafé.

Algumas iniciativas de ponta com o uso de tecnologias, variedade clonais, podas, irrigação e nutrição adequadas são responsáveis pela produtividade de mais de 100 sacas por hectare, no Espírito Santo, enquanto a média está em torno de 30 a 34 sacas. “A tendência é crescer muito”, resume o secretário da Agricultura Enio Bergoli. Ele aponta que Brasil e Vietnã - maior produtor mundial de café robusta, que na safra 2011/12 produziu 17,385 milhões de sacas - são os únicos países capazes de aumentar a oferta do grão. A produção brasileira saltou de 6,26 milhões de sacas, em 2000/01, para 11,306 milhões na safra 2011/12. Os números para a colheita 2012/13 ainda são alvo de divergências. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta 12,3 milhões de sacas para uma safra total de café de 50,45 milhões de sacas, embora o mercado acredite em um desempenho superior. O número não fecharia as contas para a demanda interna estimada entre 10 e 11 milhões de sacas para os blends de torrado e moído; 3 milhões de sacas para a indústria de café solúvel e mais a exportação de pouco mais de 2 milhões de sacas. A soma superaria 16 milhões de sacas. Para Bergoli, o momento de maior demanda pelo robusta é um marco que credencia o Brasil como importante polo irradiador da variedade. Segundo ele, é preciso romper o preconceito da baixa qualidade, e pensar que o grão complementa o arábica. “O mercado está aberto para o conilon, não tenho dúvida de que vamos avançar pela qualidade”, diz. (Fonte: Valor Econômico). A

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EVENTOS

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Bio Soja em parceria com a Campagro realizou em 14 de junho uma palestra voltada a nutrição do cafeeiro no bairro Pinheiro, localizado na zona rural de Santo Antônio da Alegria (SP). A participação dos cafeicultores ficou acima das expectativas com o comparecimento de 38 produtores rurais. Além deles, contou-se com a participação da equipe de vendas da Campagro sob a coordenação de José de Alencar, gerente da filial de Franca (SP) e de Ibiraci (MG) Inicialmente, o consultor da Campagro, Rafael Isaac enfatizou a importância da integração cafeicultor e fornecedor de insumos agrícolas, com o intuito de alcançar os objetivos comuns: aumento de produtividade com rentabilidade. Posteriormente, o Engº Agrônomo Renato Passos Brandão, Gestor Agronômico do Grupo Bio Soja, abordou a importância da nutrição balanceada para uma cafeicultura sustentável e rentável. Na palestra, Renato orientou os participantes como que devem ser utilizados os fertilizantes Bio Soja nas adubações de solo antes do florescimento do cafeeiro: Fertium® Phós, NHT® Magnésio e Gran Mix Visão ou Gran Boro Mag. O Gestor Agronômico do Grupo Bio Soja, enfatizou a importância do Fertium® Phós no fornecimento de fósforo antes do florescimento do cafeeiro. O Fertium® Phós é um fertilizante organomineral na qual as substâncias húmicas (ácidos fúlvicos e ácidos húmicos) minimizam a fixação do FOTOS: Campagro e Bio Soja

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Nutrição balanceada em sistemas de alta produtividade PALESTRA EM SANTO ANTÔNIO DA ALEGRIA (SP)

fósforo nos solos aumentando a disponibilidade deste nutriente ao cafeeiro e consequentemente o seu desenvolvimento e produtividade. Além do Fertium® Phós como fornecedor de fósforo foi abordado também a importância do magnésio e do boro e as formas mais eficientes para o seu fornecimento ao cafeeiro. De forma similar ao fósforo, estes nutrientes também devem ser fornecidos antes do florescimento do cafeeiro e estimulam o desenvolvimento do cafeeiro. A Bio Soja possui três fertilizantes fornecedores de magnésio ao cafeeiro: NHT® Magnésio que deve ser aplicado via drench e nas pulverizações foliares, Gran Mix Visão e Gran Boro Mag que devem ser aplicados no solo. Segundo o Engº Agrônomo, Renato Brandão, a maioria dos solos cultivados com cafeeiro possui baixos teores de boro e é necessário o seu fornecimento para a obtenção de altas produtividades nesta cultura. De forma similar ao magnésio, o boro também pode ser fornecido no solo antes do florescimento, no drench e nas adubações foliares do cafeeiro. Ao longo da palestra, ocorreu uma grande interação entre o palestrante e os cafeicultores tornando-a extremamente dinâmica. Nas próximas semanas serão realizadas mais três palestras pela Bio Soja em parceria com a Campagro voltadas aos cafeicultores de Franca e região com o mesmo objetivo: levar informações técnicas que possam melhorar o manejo da nutrição do cafeeiro e aumentar a lucratividade da cafeicultura. A


CAFÉ

Café da Alta Mogiana é tema de orientação no NÚCLEO DA COOPARAÍSO EM ALTINÓPOLIS (SP)

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núcleo da Cooparaiso em Altinópolis (SP) recebeu no início de junho, o consultor de café que atua na região da Alta Mogiana, José Mário Jorge, que falou com exclusividade sobre o atual cenário do produto especificamente naquela região. Para ele, a précolheita, colheita e o pós-colheita da safra 2012/13 vão exigir maiores cuidados do produtor para que não haja perda de qualidade. “Nós já estávamos prevendo que seria uma colheita mais difícil porque havia rumores de entrada de frentes frias nessa época. Nessa região, a fase de colheita sempre foi marcada por seca bem definida, por isso está nos preocupando”, disse o consultor. Ele pontuou que colher o café com chuva torna a operação mais difícil, requerendo maiores cuidados para manter a qualidade. “Nós estamos em um ano de alta safra e nesta região da Alta Mogiana a bienalidade é bem definida, portanto a colheita deve utilizar todo o período útil, ou seja, até setembro. Com perda de dias com chuvas, provavelmente vai haver perda de produto, com certeza terá um pouco de perda também de qualidade e atrasa o manejo que fazemos aqui com bastante intensidade logo, que é a poda, que tem um calendário que não deve ser estender até setembro. Por-

tanto não será um ano tranquilo para planejar a colheita e os próximos tratos culturais”, disse José Mário, em Altinópolis. Quanto ao preço, José Mário diz que a maior parte do café que ainda será colhido deve ter boa qualidade, mas ressaltou que “a maioria dos produtores não incorporou na sua renda, infelizmente, os bons preços que aconteceram no ano passado. Estamos trabalhando com margem de lucro apertada, pois o custo de produção dessa região deve ficar em R$ 300, pelo fato da maioria das lavouras estar com intensa mecanização”, disse. José Mário ponderou que a questão do clima nunca é igual de um ano para outro. “No ano passado, por exemplo, as lavouras estavam indo bem até essa fase do ano. Do inverno de 2011 até o início das chuvas elas foram acometidas por uma infecção generalizada de doenças, principalmente bactérias, que já tirou um pouco do potencial desta safra. Neste ano, a preocupação é maior porque as condições normais de chuvas continuadas, de queda de temperatura (choque térmico, quando temperatura cai cerca de 15 graus de um dia para o outro) provoca queda de folhas e deixa a planta mais suscetível à doenças, portanto o ano que vem pode ser um ano de dificuldades”, alertou o consultor. A

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CAFÉ

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Nutrição do Cafeeiro (parte 1) - Calagem e Gessagem: PRIMEIRA ETAPA PARA CAFEEIROS PRODUTIVOS

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Renato Passos Brandão 1

esta edição e ao longo das próximas dez edições da Revista Attalea Agronegócios serão abordados assuntos pertinentes a nutrição do cafeeiro em sistemas de altas produtividades. Nestes sistemas, o manejo adequado da nutrição do cafeeiro é o ponto chave para otimizar os pesados investimentos realizados na cafeicultura e proporcionar retornos econômicos ao cafeicultor. Neste primeiro artigo será abordada inicialmente a importância do diagnóstico da fertilidade do solo e a influência do cálcio no desenvolvimento do sistema radicular do cafeeiro. Posteriormente, o foco será a importância da calagem e da gessagem do cafeeiro em sistemas de altas produtividades.

solo

1. Diagnóstico da fertilidade do

Em lavouras com alto potencial produtivo, é indispensável o monitoramento da fertilidade do solo e do estádio nutricional das plantas. Dentro deste contexto, torna-se necessário a amostragem do solo e das folhas do cafeeiro. Neste artigo, será abordada a análise de solo e as suas implicações no manejo nutricional do cafeeiro. Numa edição posterior será dada ênfase na amostragem foliar que é uma ferramenta essencial nos ajustes dos programas nutricionais no cafeeiro. 1.1. Análise de solo Atualmente, a análise de solo é uma ferramenta fundamental nos programas nutricionais do cafeeiro e é amplamente utilizada pela maioria dos cafeicultores. 1.2. Amostragem do solo A amostragem de solo é a primeira etapa para o estabelecimento de 1 – Engenheiro Agrônomo, Mestre em Solos e Nutrição de Plantas e Gestor Agronômico do Grupo Bio Soja. E-mail: renatobrandao@biosoja.com.br

um programa nutricional no cafeeiro. Os erros cometidos na amostragem do solo não podem ser corrigidos pelo laboratório. Uma amostragem do solo mal realizada proporcionará resultados que não condizem com a realidade e comprometerá a interpretação e a recomendação da calagem, gessagem e adubação no cafeeiro. Nas culturas perenes, dentre as quais o cafeeiro, é preciso considerar duas situações para a amostragem do solo: amostragem para a implantação da cultura e a amostragem em lavouras em formação e produção.

las com nutrientes); A amostragem deve ser realizada nas profundidades de 0 a 20, 20 a 40 e de 40 a 60 cm, para a avaliação da necessidade da correção da acidez em profundidade. As amostras simples devem ser coletadas entre 20 e 25 pontos por talhão uniforme para que a amostra composta seja representativa do talhão amostrado. A amostra composta que é a mistura das amostras simples deve ter pelo menos 250 g de solo.

b. Amostragem do solo para cafeeiro em formação e produção A amostragem do solo de cafeea. Amostragem do solo para im- iros em formação e produção deve leplantação do cafeeiro var em consideração os aspectos menPara que a amostra do solo seja cionados na implantação da cultura representativa, a área amostrada deve e também as informações relativas à ser a mais homogênea possível. Dividir cultura, tais como, cultivar, idade das a área em talhões uniformes levando plantas e produtividade do cafeeiro. em consideração os seguintes itens: A amostragem do solo deve ser • Vegetação nativa (por exemplo, realizada entre abril e junho de tal mata, cerrado e campo nativo); forma que os resultados estejam dis• Características do solo (cor e tex- poníveis para que o cafeicultor possa aplicar o calcário, gesso agrícola, fertura do solo); • Posição na topografia (topo do tilizantes fosfatados e fornecedores morro, meia encosta e baixada); de magnésio e boro antes do floresci• Histórico do talhão (calagem, mento do cafeeiro e possa programar gessagem, adubações de solo e foliares as demais adubações de solo e foliares. e pulverizações dos defensivos agrícoA amostragem do solo do talhão deve ser realizada na faixa aonde são aplicados os fertilizantes, geralmente sob a projeção da copa do cafeeiro (Figura 1). Em cafeeiros irrigados ou naqueles aonde são utilizadas doses pesadas de nutrientes, amostrar anualmente o solo nas profundidades de 0 a 10 e de 0 a 20 cm. Nos demais sistemas de cultivo, amostrar o solo a cada 2 anos. A cada três anos, amostrar também a profundidade de 20 a 40 cm e de 40 a 60cm para verificar as condições Figura 1. Local de amostragem do solo em cafeeiro em produção. químicas do solo em


CAFÉ profundidade. Os resultados da profundidade de 0 a 10 cm serão utilizados para a recomendação de calagem. Os resultados da profundidade de 0 a 20 cm serão utilizados para a recomendação da adubação de solo. Os resultados da profundidade de 20 a 40 e de 40 a 60 cm serão utilizados para a recomendação da gessagem. 2. Influência do cálcio no desenvolvimento do sistema radicular do cafeeiro O desenvolvimento das raízes do cafeeiro só ocorre nas camadas do solo com teor de cálcio em níveis adequados (Ca > 15 mmolc/dm3). Estudos realizados utilizando a técnica de raízes bifurcadas em caixas separadas com baixo e alto teor de cálcio demonstram a influência deste nutriente no crescimento do sistema radicular das plantas (Figura 2). Quando o fornecimento de cálcio pelo solo for insuficiente, o crescimento dos tecidos jovens do cafeeiro (raízes, folhas, flores e ramos) é interrompido, mesmo com teores adequados de cálcio nas folhas adultas. O cálcio não transloca dos tecidos mais velhos para os novos. Este nutriente possui baixíssima mobilidade no floema das plantas. Portanto, o cálcio deve estar bem distribuído ao longo do perfil do solo e em quantidades adequadas para promover maior desenvolvimento do sistema radicular do cafeeiro em profundidade e manter um fornecimento constantemente dos nutrientes e água ao longo do ciclo da cultura. Em camadas subsuperficiais do solo com alta saturação de alumínio (m > 30%), o cálcio minimiza os efeitos

a participação do fósforo, magnésio e boro na formação de um sistema radicular vigoroso no cafeeiro. Estes nutrientes serão abordados na próxima edição da Revista Attalea Agronegócios.

Figura 2. Efeito do cálcio no crescimento radicular, utilizando-se uma técnica de raízes bifurcadas em caixas separadas contendo alto e baixo teor de Ca (Fonte: Pavan, 1986).

prejudiciais do alumínio nas raízes do cafeeiro proporcionando maior desenvolvimento radicular e mantendo a sua morfologia. Uma maior quantidade de raízes do cafeeiro em camadas mais profundas do solo permite melhor aproveitamento da água e nutrientes, vital para o cafeeiro cultivado em regiões sujeitas a veranicos e secas prolongadas. Desta forma, os reflexos negativos destas condições ambientais adversas são minimizados proporcionando maiores produtividades no cafeeiro. Dentro deste contexto, o manejo adequado da calagem e da gessagem permite o desenvolvimento adequado do sistema radicular do cafeeiro em camadas mais profundas do solo e a obtenção de altas produtividades (Figura 3). É importante mencionar também

3. Calagem A acidez do solo e as suas implicações agronômicas é um dos principais fatores da baixa produtividade do cafe-eiro. Portanto, o primeiro passo para uma cafeicultura sustentável é a correção da acidez do solo utilizando adequadamente o calcário. Desta forma, teremos uma cafeicultura economicamente viável a curto, médio e a longo prazo. De maneira geral, os solos cultivados com cafeeiro são predominantemente ácidos e possuem baixa fertilidade natural com baixos teores de nutrientes ao longo do perfil do solo. Além disso, a maioria dos solos sob vegetação de Cerrado possui elevada saturação de alumínio trocável comprometendo seriamente o desenvolvimento do sistema radicular e a produtividade do cafeeiro. A utilização de fertilizantes nitrogenados acidifica os solos cultivados com o cafeeiro. São necessários cerca de 600 kg/ha de calcário com PRNT igual a 100% para corrigir a acidez gerada por 1.000 kg/ha de nitrato de amônio (330 kg/ha de N). 3.1. Benefícios da calagem • Aumenta a disponibilidade dos nutrientes, dentre os quais, o fósforo. O efeito da adubação fosfatada no cafeeiro é maior em lavouras devidamente calcariadas. A elevação do pH do solo para faixa adequada ao

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FOTOS: PROCAFÉ - 2011

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na profundidade de 30 cm; • p = 2,0. Calcário incorporado na profundidade de 40 cm; • p = 0,5. Calcário aplicado na superfície do solo.

dosagem do calcário é definida pelos resultados da análise de solo para evitar a aplicação de doses acima do adequado. A aplicação do calcário em excesso é tão ou mais prejudicial quanto a acidez elevada. Com a supercalagem ocorre diminuição na disponibilidade do fósforo e dos micronutrientes. Em solos com pH em água acima de 6,0 nos primeiros 10 cm, o uso de calcário é desnecessário e diminui a eficiência da adubação fosfatada com a transformação do fósforo solúvel (H2PO4-) em fósforo insolúvel, como o fosfato tricálcico [Ca3(PO4)2]. Entre os micronutrientes, o manganês é aquele que é mais afetado pelo excesso de calcário induzindo a deficiência deste nutriente principalmente em solos sob cerrado (Figura 4). Em solos com pH baixo, o manganês está na forma disponível (Mn2+), enquanto que em solos com pH mais elevado, predomina as formas não disponíveis às plantas (Mn3+, Mn4+ e Mn7+).

Em regiões montanhosas onde a incorporação do calcário é trabalhosa e o produto é aplicado a lanço na superfície Figura 3. Sistema radicular do cafeeiro bem desenvolvido. do solo, sem a devida cafeeiro aumenta os efeitos imediatos incorporação, reduzir a dosagem pela metade e realizar a aplicação no sulco e residuais dos fertilizantes fosfatados. • Fornece cálcio e magnésio ao de plantio (100 g por metro linear para cada 1 t/ha de calcário). A dosagem cafeeiro; • Reduz a toxicidade de al- máxima do calcário no sulco de plantio guns elementos químicos indesejáveis é de 300 g por metro linear. (alumínio trocável e metais pesados); 3.2.2. Calagem em cafeeiro em • Aumenta a atividade e o número de bactérias benéficas nos so- formação e produção los, acelerando a ciclagem de resíduos Para a recomendação da calagem vegetais e dos nutrientes nos solos. em cafeeiro em formação e produção será utilizada as informações da análise 4. Gessagem 3.2. Recomendações de uso de solo na profundidade de 0 a 10 cm. O calcário possui baixa mobiliA dosagem do calcário é definida Normalmente, nestas condições de dade no solo e a sua ação fica limitada pelos resultados da análise de solo e a- cultivo, o calcário é aplicado na super- às camadas superficiais do solo. Portualmente, o método mais utilizado na fície do solo não ocorrendo a sua in- tanto, a calagem não corrige a acidez e cafeicultura é o de saturação por bases corporação no solo. Neste caso, utilizar os baixos teores de cálcio nas camadas (V). como fator de correção (p) o índice 0,5. subsuperficiais. O calcário também não Realizar a calagem elevando a reduz a saturação de alumínio nas ca3.2.1. Calagem na implantação do saturação de bases a 60% utilizando madas mais profundas do solo. cafeeiro preferencialmente calcário dolomítico. Nestas condições, o cafeeiro fica Na implantação do cafeeiro, e- Se o teor de magnésio no solo for aci- com o seu sistema radicular muito conlevar a saturação de bases a 70%, ex- ma de 10 mmolc/dm3 ou 1 cmolc/dm3, centrado nas camadas superficiais ficeto nos solos sob vegetação de cerrado saturação do magnésio na CTC do solo cando muito susceptível aos veranicos onde o valor mais adequado é 60%. superior a 20% e a relação Ca/Mg for com perdas na produtividade. Utilizar preferencialmente cal- menor que 2,0; cário dolomítico para o fornecimento utilizar o calde doses adequadas de magnésio ao cário calcítico. Normalcafeeiro. Em cafezais com altas produtividades, recomenda-se manter o teor mente, nestas de de magnésio no solo em torno de 10 condições mmolc/dm3 ou 1 cmolc/dm3 e a satu- cultivo, o calração de magnésio na CTC do solo na cário é aplicado na superfície faixa de 12 a 15%. O calcário deve ser distribuído do solo. Neste utilizar uniformemente a lanço sobre a super- caso, fície do solo e incorporado na profun- como fator de didade mínima de 20 cm. Se possível, correção (p) o incorporar o calcário numa profundi- índice 0,5. 3.3. Sudade maior. Entretanto, quando incorporado em profundidades diferentes percalagem Conforme da mencionada anteriormente, utilizar comentado anum fator de correção (p). • p = 1,5. Calcário incorporado teriormente, a Figura 4. Deficiência de Mn em cafeeiro em solos sob cerrado.


CAFÉ Além disso, ocorre menor desenvolvimento das plantas e o cafeeiro aproveita menos os nutrientes que possuem maior mobilidade nos solos (N-nítrico, S-sulfato, boro e potássio). Dentro deste contexto, o gesso agrícola deve ser utilizado para a correção das camadas subsuperficiais com alta saturação de alumínio (m > 30%) e/ ou alto teor de alumínio trocável (Al > 5 mmolc/ dm3) e/ou baixos teores de cálcio (Ca < 5 mmolc/ dm3 ou 0,5 cmolc/dm3). A saturação do alumínio (m) é calculada utilizando a seguinte equação: m = Al / (SB + Al) x 100 onde: • m = quantidade de alumínio em relação a quantidade de bases mais alumínio (%) • Al = teor de alumínio determinado pela análise química (mmolc/dm3) • SB = soma de bases (cálcio, magnésio, potássio e sódio), mmolc/dm3 O gesso agrícola tem sido utilizado na cafeicultura como condicionador das camadas subsuperficiais melhorando o ambiente radicular para o pleno desenvolvimento das raízes do cafeeiro. Em solos ácidos e com alta saturação de alumínio, o gesso agrícola diminui a toxicidade do alumínio ao cafeeiro, reduzindo a atividade do Al3+ na solução do solo pelo aumento da quantidade de Ca2+ e SO42-. O incremento do teor de Ca2+ em profundidade aumenta a relação Ca : Al, o que resulta numa melhoria do ambiente radicular pela diminuição da atividade do alumínio. O gesso agrícola é um sal solúvel em água (2,5 g/L) e contém de 14 a 17% de enxofre e de 17 a 20% de cálcio na forma de sulfato de cálcio (CaSO4.2H2O). A água da chuva ou de irrigação é o agente transportador dos íons do gesso agrícola (Ca2+ e SO42-) para as camadas mais profundas do solo. Ao contrário do calcário, o gesso agrícola não tem efeito neutralizante, ou seja, a sua aplicação não substitui o calcário, pois o gesso não possui íons (carbonatos e hidroxilas) capazes de neutralizar a acidez do solo. 4.1. Benefícios do gesso agrícola • Fornecimento de enxofre e cálcio ao cafeeiro; • Correção das camadas subsuperficiais com altos teores de alumínio e/ou baixos teores de cálcio, melhorando o ambiente radicular das plantas 4.2. Recomendações de uso A recomendação do gesso agrícola é baseada no teor de argila dos solos e nos parâmetros comentados anteriores (teor e saturação de alumínio e o teor de cálcio nas camadas subsuperficiais). A equação utilizada para a recomendação de gesso agrícola para o cafeeiro está especificada

abaixo:

D.G. = 7,5 x teor de argila

onde: • D.G. = dose de gesso agrícola em t/ha • Teor de argila, mg/dm3 De maneira geral, as maiores dosagens do gesso agrícola são utilizadas em solos argilosos e as menores em solos arenosos. Em solos com teor de argila de 60%, a dosagem do gesso agrícola é de 4,5 t/ha. 5. Considerações gerais Ao longo das últimas décadas, ocorreu uma redução na rentabilidade da cafeicultura. Portanto, os cafeicultores têm que maximizar os investimentos realizados e neste processo é fundamental o conhecimento da fertilidade do solo e do estádio nutricional do cafeeiro. Teores adequados de cálcio ao longo do perfil do solo é a premissa básica para uma cafeicultura sustentável. O calcário e o gesso agrícola são produtos que devem ser utilizados antes dos fertilizantes de solo e foliares para maximização dos benefícios das adubações. Na próxima edição será abordada a importância do fósforo, magnésio e boro na formação de um sistema radicular vigoroso. Maiores informações: Entrar em contato com os representantes comerciais da Bio Soja (www.biosoja.com.br) ou através do E-mail biosoja@biosoja.com.br. A

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Marcos Pimenta1 ; Ronaldo Cabrera2 FOTO: Marcos Pimenta e Ronaldo Cabrera

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Utilização da Cal Virgem DOLOMÍTICA NO CAFEEIRO s solos de cerrado são naturalmente ácidos, devido à própria natureza de sua formação. Áreas antes consideradas marginais, por problemas de fertilidade natural, através da correção da fertilidade e uso de irrigação em zonas de elevado déficit hídrico passaram a ter interesse econômico na exploração agrícola. Para que os cafezais irrigados implantado nessas áreas apresentem produtividades satisfatórias e compensadoras com uma bienalidade pequena, é imprescindível uma boa correção. Porém observa-se que mesmo fazendo uso dessas práticas, muitas vezes não Figura 1: Lavoura antes da aplicação da CVD. atingem altas produtividades, pois o beneficio da fertilização e da calagem ocorre camada reção em profundidade sem a necessidade da incorporação. Muitas vezes o agricultor não faz monitoramento nuarável (0-20 cm), assim, o sistema radicular do cafeeiro se tricional através de análises foliares, com isso não consegue limita a uma camada pequena do solo. O não desenvolvimento radicular em profundidade detectar se está ocorrendo absorção de Ca e Mg. É comum ocorre devido à problemas de ordem física (compactação) observar solos muito bem corrigidos, porém os teores folie ou baixa disponibilidade de Cálcio e Magnésio em pro- ares de Ca e Mg estão abaixo do adequado, então não enfundidade. O problema de compactação pode ser resolvido tende a razão de uma baixa produtividade mesmo em solos através da subsolagem e uso de plantas de cobertura na en- corrigidos. Quando adota um manejo onde prioriza fontes mais trelinha do cafeeiro, enquanto o problema de correção com Ca e Mg em profundidade só é possível através da incorpo- solúveis, a produtividade sobe, pois o cálcio tem papel ração mecânica de corretivos, ou uso de fontes solúveis, que importantíssimo no pegamento, fixação da florada e um uma vez aplicadas em superfície percolam e corrigem em sistema radicular mais desenvolvido em solo corrigido profundamente, que absorve muito mais água e nutrientes. profundidade. O calcário é o principal corretivo de pH e fonte de Ca Raízes profundas reduzem impactos climáticos, estabilizam e Mg utilizado na agricultura brasileira, porém sua movi- a produtividade com menor bienalidade. Vale lembrar que mentação no perfil do solo é baixa, restringindo basicamente o cafeicultor faz “duas safras” no mesmo ano, ou seja, ele à correção superficial. Urge a necessidade de buscar fontes precisa cuidar da safra que está na planta e ainda fazer ramos alternativas de Ca e Mg com características de solubilidade e novos para produzir no próximo ano, o sucesso desta prática movimentação mais acentuadas do que o calcário, para ocor- só é conseguida com um bom equilíbrio nutricional e uma rer um bom fornecimento de Ca e Mg e a tão desejada cor- boa relação parte aérea x sistema radicular. Existem no mercado alguns insumos com maior so1 - Pimenta Assessoria Agrícola. Email: marcos@pimenta.agr.br 2 - Engenheiro Agrônomo M. Sc. Dr. Consultor em Agronomia. Email: radcalubilidade e maior mobilidade, como por exemplo, o brera@yahoo.com.br


Tabela 1: Características químicas da Cal Virgem Dolomita - CVD PARÂMETRO CaO MgO P.N. R.E. PRNT

% 58,16% 32,72% 188,00% 100,00% 188,00%

FOTO: Marcos Pimenta e Ronaldo Cabrera

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gesso agrícola (CaO 26% e S 15%), a magnesita (MgO 95%), cal virgem dolomitica (CVD) com 60% de CaO e 30% de MgO e o próprio nitrato de cálcio (19 % de Ca e 15% de N). Por outro lado existem muitos calcários de baixa reatividade e solubilidade, que limitam o fornecimento imediato de Ca e Mg. No oeste baiano, na região de Luis Eduardo Magalhães e Bar- Figura 2: Lavoura 65 dias depois da aplicação da CVD reiras, foram feitas algumas observações com uso de fontes mais solúveis de Ca e Mg. Na Tabela 2: Análise química do solo na camada de 0 a 20 cm Fazenda Milano, localizada no município de Barreiras – BA, antes e depois da aplicação da CVD. PARÂMETRO DE aplicou-se a CVD, buscando-se uma melhor disponibilizaÉPOCA SOLO 0-20cm 27/01/2011 02/04/2012 ção de Ca e Mg, pois já havia sido aplicado por dois anos PROFUNDIDADE ANTES CVD DEPOIS CVD consecutivos 1,0 Ton./ ha/ de calcário dolomitico sem inpH água 5,1 5,0 corporação, não havendo melhoria esperada nos solos e nas pH CaCl2 4,2 4,4 plantas. A figura 1 retrata a lavoura antes da aplicação da M.O. dag/Kg 2,1 1,5 CVD e a Tabela 1 reporta as características químicas da CVD. P mg/dm3 44,1 49,8 Após 65 dias de aplicado, percebeu-se a campo uma K mg/dm3 68,0 60,1 grande emissão de folhas novas, com uma coloração agora S mg/dm3 6,8 8,7 Ca cmolc/dm3 1,1 1,8 mais verde-escura, com ótimo crescimento dos grãos de Mg cmolc/dm3 0,4 0,5 café, percebendo que houve uma melhoria no solo após a Al cmolc/dm3 0,3 0,1 aplicação da CVD, fato este atestado pelas análises de solo. H + Al cmolc/dm3 4,3 2,8 Um problema sério observado na região é a escaldadura por CTC cmolc/dm3 6,0 5,2 insolação, que também foi amenizada após a aplicação de V % 28,0 48,0 fonte mais solúvel de Ca e Mg. m % 15,0 4,0 Devido ao seu valor alto do PRNT (Poder Relativo de K % CTC 3,0 3,0 Neutralização Total), a CVD traz como principal beneficio a Ca % CTC 18,0 35,0 disponibilização imediata de cálcio e magnésio ao solo, auMg % CTC 7,0 10,0 H + Al % CTC 72,0 52,0 mentando o pH com diminuição do hidrogênio e alumínio,

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CAFÉ Tabela 3: Resultado de análise foliar 65 dias após a aplicação

de CVD.

PARÂMETRO

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ÉPOCA 29/03/2012

NÍVEIS ADEQUADOS

N (g/Kg)

26,0

26-31

P (g/Kg)

1,4

1,5-1,9

K (g/Kg)

21,0

19-24

Ca (g/Kg)

15,0

15-18

Mg (g/Kg)

5,6

3,6-4,0

2,3

2,1-2,4

127,0

60-80

S (g/Kg) B (mg/ Kg) Zn (mg/ Kg)*

88,0

12-20

Fe (mg/ Kg)

84,0

110-300

Mn (mg/ Kg)

133,0

100-200

Cu (mg/ Kg)*

309,0

10-15

*Altos níveis de Zn e Cu é devido a uma pulverização recente contendo fontes com estes elementos.

aumentando a soma de bases no solo. Outro fator importante é a solubilidade da CVD, que pode ser aplicada via pivô central, permitindo à disponibilização imediata as plantas, em dosagens fracionadas, com um custo menor de aplicação. Outra forma de aplicação da CVD é na forma de drench (esguicho sob a copa das plantas), testado em plantios de maçã e ameixa na Chapada Diamantina – BA. Resultados obtidos nas lavouras de café irrigadas do oeste baiano corroboram com os resultados obtidos por Matiello em Pirapora – MG, onde houve aumento significativo dos níveis de cálcio, magnésio e potássio no solo, dando

assim melhores condições de desenvolvimento das plantas. Ao lado segue a Tabela 2 descrevendo os resultados das análises de solo, antes e depois da aplicação de CVD via solo. Percebe-se nos resultados da análise de solo retirada recente que houve aumento nos teores de Ca, Mg e da saturação de bases (V%), de 28% para 48%, tendo assim no solo melhores condições de crescimento das raízes e aproveitamento dos fertilizantes. Em São Paulo, na cultura da cana de açúcar, Cabrera & Bispo obtiveram excelentes resultados em termos de produtividade e correção de solo em profundidade com uso de Gesso Agrícola associado à Magnesita quando comparado com calcário. Estas informações conduzem a um manejo de fertilidade buscando o aprofundamento das raízes e a melhor eficiência e eficácia dos insumos. Com a instabilidade climática, onde está cada vez mais comum o déficit hídrico, e os altos custos de produção a competitividade agrícola começa ficar vulnerável, pois o potencial produtivo das plantas está limitado a um sistema radicular pouco desenvolvido e um subsolo pouco explorado que não permite maiores incrementos de produtividade A lucratividade da agricultura brasileira não pode estar associada às altas cotações das commodities e sim a uma produtividade embasada em uma fertilidade de solo corrigida em profundidade. O potencial produtivo das plantas já foi exaurido com o solo corrigido na camada superficial, para que ocorra um salto de produtividade é necessário corrigir o solo a pelo menos um metro de profundidade, ai sim haverá ganho de produtividade e lucratividade, e menor dependência de altos preços das commodities. Na Prática Vilmon Passos de Deus é gerente da Fazenda Milano, localizada no município de Barreiras (BA). Lá se produz café, feijão, milho e soja. Nestas terras ele aplicou a cal virgem dolomitica pela primeira vez na cultura do café nesse ano, em janeiro. Um pouco desta aplicação (30,0 Kg) aconteceu via pivô e o restante via calcariadeira, totalizando 200,0 Kg/ ha. Nos 600 hectares de plantio de café, o gerente observou que a absorção da planta foi melhor quando a aplicação foi feita via fertirrigação. Investimento O investimento no produto não foi muito alto, segundo Vilmon. “O que mais encareceu foi o frete. E o resultado compensou, com uma boa resposta comprovada pela análise de solo. Com a aplicação a lavoura teve seu aspecto melhorado especialmente o solo. A saturação de bases hoje é de 43%, visto que antes tínhamos apenas 15 ou 16%”, pontua. Ainda segundo ele, a lavoura criou mais folha. “O calcário demora para reagir, mas a CVD é mais solúvel. Por isso conseguimos um resultado mais rápido do que a aplicação de calcário comum. E aplicando a CVD, após o aumento da saturação de bases e regulagem do pH do solo não é preciso aplicar calcário em seguida”, diz. A


SILVICULTURA

Olimpia (SP) reúne 200 participantes em DIA DE CAMPO SOBRE SISTEMAS SILVIPASTORIS

C

erca de 200 produtores e técnicos participaram na final do mês de maio um dia de campo “Sistema Silvipastoril - Agregação de Valor à Pecuária”, realizado na unidade demonstrativa da fazenda Alto Alegre, em Olímpia (SP). O evento foi organizado pela CATI - Coordenadoria de Assistência Técnica Integral, vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, em parceria com a Embrapa Pecuária Sudeste. A primeira palestra coube à pesquisadora da Embrapa Maria Luiza Nicodemo, que falou de forma geral sobre funcionamento e benefícios do sistema silvipastoril. Em seguida, o pesquisador Wander Luís Borges, da APTA de Votuporanga (SP), mostrou a experiência de implantação do sistema no Noroeste de São Paulo. Já o veterinário Hamilton Santos Júnior, da CATI de Catanduva (SP), explicou a implantação do sistema na fazenda Alto Alegre. Durante todas as pa-lestras, os produtores

fizeram várias perguntas. As informações animaram alguns produtores que ainda não implantaram o sistema silvipastoril. Um deles é Adileu Carlos Aureliano, que tomou conhecimento do dia de campo pelo Sindicato Rural de Olímpia (SP). O pecuarista já tinha visto reportagens sobre ILPF na TV, e sempre observava o sistema da fazenda Alto Alegre, quando passava pela estrada. Agora, ele pensa em plantar 150 mil pés de eucalipto em 2013 para ter mais uma fonte de renda e se adaptar às exigências ambientais. “Já tinha esses planos, o dia de campo ajudou a esclarecer e dar coragem”, afirma. Para o analista de transferência de tecnologia Carlos Eduardo Santos, que acompanha a parceria com a CATI e a APTA pela Embrapa Pecuária Sudeste, os dias de campo são oportunidades únicas de mostrar a tecnologia de modo mais efetivo. “Aqui a experiência de uma propriedade comercial se mostra válida ”, diz. A

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EVENTOS

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10ª Roda de Agronegócios reuniu mais de 200 pessoas no Parque “Tonico Gabriel” durante a abertura oficial entre autoridades e visitantes. Estiveram presentes o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Piumhi (MG), José Donizetti Silva (o Detinho), a diretoria da entidade, o prefeito Arlindo Barbosa Neto (Marcinho Contador) e alguns vereadores. Também prestigiaram o evento, o secretário do Estado de Agricultura Pecuária e Abastecimento de Minas, Elmiro Nascimento, que na ocasião representou o governador Antônio Anastasia; o deputado e secretário de Transportes e Obras Públicas, Carlos Melles; o deputado e presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Cafeicultura, Diego Andrade; o deputado e presidente da Comissão de Agricultura da Assembléia de Minas Gerais, Antônio Carlos Arantes; o vice-presidente da Emater, Marcelo Lana Franco; o diretor tesoureiro da FAEMG, João Roberto Puliti e a diretora financeira da EPAMIG, Aline Barbosa de Castro. Após a abertura oficial, a Roda de Agronegócios prosseguiu com um Jantar Beneficente e o Desfile Garota Café, uma ação social dentro do evento que teve início esse ano e promete se repetir nas próximas edições. O encerramento do evento aconteceu no sábado, dia 26, com um Leilão de Gado Leiteiro realizado no tatersal do recinto e transmitido pelo Novo Canal. Uma centena de empresas expositoras participou dessa edição de 2012, evento que foi focado no agronegócio da região e contou com cerca de cinco agentes financeiros, os quais disponibilizaram linhas de crédito, auxiliando as ne-

FOTOS: Editora Attalea

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10ª Roda de Agronegócios de PIUMHI (MG) SUPERA EXPECTATIVAS

Helenice Miranda (ao centro), secretária-executiva do Sindicato dos Produtores Rurais de Piumhi (MG); com Baltazar Batista Alves, Lucas Adauto Carvalho, Eduardo de Assis Santos e Raul Fontes.

gociações que atingiram o número esperado pelos organizadores, apesar da atual crise econômica da Europa e valorização do dólar ocasionando uma alta de aproximadamente 30% nos fertilizantes e impactando na relação de troca de café x produto em 20%, conforme informaram. Para o presidente do sindicato, a 10ª edição da Roda de Agronegócios reforça o potencial do agronegócio em Piumhi e região, e mostra resultados positivos através de novas tecnologias fazendo com que esse evento sempre atinja os resultados esperados e se torne um sucesso a cada ano. (Fonte: Jornal O Ponto - Lidiane Siles) A


SILVICULTURA

Dia de Campo no Colégio Agrícola de Franca (SP) AVALIA CULTIVARES DE MILHO NO ESTADO DE SP

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o último dia 16 de maio, a ETEC Profº “Carmelino Corrêa Júnior” (Colégio Agrícola de Franca/SP) sediou o 4º Dia de Campo do Milho. A promoção foi da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, através da APTA - Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, por meio da CATI - Coordenadoria de Assistência Técnica Integral e do IAC - Instituto Agronômico de Campinas. O objetivo do Dia de Campo foi demonstrar os resultados de adaptabilidade de 38 cultivares de milhos híbridos e transgênicos na região centro do Estado de São Paulo (municípios de Franca, Batatais, Tietê, Mogi Mirim, Mococa e Casa Branca). O experimento adotado utilizou o formato de quatro repetições de cada cultivar, totalizando 152 parcelas. O campo experimental da região de Franca foi implantado no Colégio Agrícola, supervisionado pelo Engº Agrônomo Joel Leal Ribeiro, diretor técnico do EDR - Escritório de Desenvolvimento Rural de Franca e monitorado

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pelo professor do Colégio Agrícola, o Engº Agrônomo Joadir Antonio Dal Secco de Oliveira. De acordo com a Engª Agrônoma Gisele Pereira Avelar, Professora Coordenadora de Agropecuária no Colégio Agrícola de Franca, a realização do evento no Colégio Agrícola tem uma importância enorme. “Eventos como este preparam o nosso aluno para o mercado de trabalho e cumpre o papel social de nossa Escola junto à comunidade local e regional, contribuindo para o desenvolvimento de nossa agricultura”. O 4º Dia de Campo do Milho no Colégio Agrícola de Franca contou com a participação e patrocínio das empresas Dedeagro, Casa das Sementes, Bolsa Agronegócios e Cocapec, juntamente com Dekalb, Syngenta, Pioneer e Mosaic. Participaram do evento profissionais e técnicos do setor, produtores rurais, professores e estudantes da área de agropecuária do Colégio Agrícola de Franca. Os resultados deste experimento serão publicados pela CATI, em publicações oficiais. A

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AÇÃO AMBIENTAL

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reocupadas com a preservação ambiental, as Casas da Agricultura de Nuporanga, Morro Agudo, Ipuã, Guará e Aramina, pertencentes à CATI Regional Orlândia, desenvolveram o projeto de Devolução Solidária de Embalagens de Agrotóxicos Tríplice Lavadas. “É uma iniciativa para conscientizar os produtores sobre a importância de destinar corretamente as embalagens de agrotóxicos, evitando a contaminação do solo e da água por produtos químicos”, ressalta Arlindo Clemente Filho, engenheiro agrônomo da CATI Regional Orlândia (SP). O projeto teve início em 2006 e atualmente conta com a parceria da FAFRAM - Faculdade Francisco Maeda, de Ituverava (SP), com a Oimasa e a Campagro. “As embalagens depois de serem lavadas três vezes nas propriedades – tríplice lavagem – são encaminhadas para a Faculdade, onde são prensadas e vendidas para empresas recicladoras”. Por meio de divulgação em rádio, jornais, faixas publicitárias e visitas às propriedades, os agricultores são incentivados a participarem e, também, são conscientizados da importância da reciclagem. Assim, as embalagens que eram deixadas “em qualquer lugar”, na beira de córregos, nascentes, matas ou estradas, são destinadas à reciclagem. No mês passado, cerca de 50 produtores devolveram 11.232 embalagens vazias de agrotóxicos, em um evento organizado pela Casa da Agricultura de Nuporanga (SP). FOTOS: Oimasa

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Oimasa, Campagro, Fafram e Cati promovem projeto DE DEVOLUÇÃO SOLIDÁRIA DE EMBALAGENS

“Os produtores que entregaram embalagens, foram recepcionados com um café da manhã oferecido pela Oimasa, receberam um comprovante de devolução de embalagens vazias de agrotóxicos. Registrou-se o número de recipientes, o nome da propriedade e da empresa em que o produto foi comprado. Além disso, os participantes foram incentivados a doarem alimentos não perecíveis, que foram doados à Apae de Nuporanga e ao Programa Assistência à Criança Lar Esperança (Proacle), do município de São Joaquim da Barra (SP). “Iniciativas como essa conscientizam os produtores sobre a importância de destinar corretamente as embalagens de agrotóxicos. E são de extrema importância para os municípios abrangidos pela Regional de Orlândia, onde o consumo de agrotóxico é muito elevado”, ressalta o Engº Agrº Luiz Gustavo Lopes, diretor da Regional. A


EVENTOS

Para a Safra 2012/2013, BASF apresenta o SAC - SISTEMA AgCELENCE® CAFÉ

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FOTOS: Campagro

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BASF, em parceria com a Campagro (Filial de Ibiraci/MG), realizou em maio um “Dia de Campo em Cafeicultura”. O evento aconteceu no município de Ibiraci (MG), na propriedade Sítio Bela Vista, do Sr Guilherme Silva Peixoto e, contou com a presença de mais de 100 pessoas entre produtores e consultores da região. Os técnicos da empresa apresentaram o Portfólio BASF Café Safra 2012-2013 (Sistema AgCelence® CAFÉ) para todo o público presente. O SAC (Sistema AgCelence® CAFÉ) auxilia na proteção do cafeeiro de colheita a colheita, proporcionando melhor relação de transformação da água, luz e nutrientes em energia, consequentemente, aumentando a produtividade e a qualidade dos frutos. Os procedimentos do Sistema AgCelence® CAFÉ têm início logo após a colheita dos frutos, quando aparecerem os primeiros sinais da doença, com aplicação do fungicida Cantus® que ajuda garantir a proteção das folhas e ramos. Já nos períodos de pré e pós-florada são utilizados os fungicidas Cantus® e Comet®. Nesta fase, a proteção é importante para aumentar a proteção das flores e

pegamento dos frutos. A última etapa é a proteção dos frutos e folhas utlizando o consagrado fungicida Opera® que proporcionará, além do controle fitossanitário, uniformidade na maturação dos frutos, ou seja, maior quantidade de grãos cereja. “Os resultados mostram que se todos os procedimentos forem seguidos corretamente, pode haver um aumento de cerca de 10% na produtividade”, relata o RTV – BASF café, Renato P. Duarte. A eficácia do Sistema AgCelence® CAFÉ foi comprovada por meio de estudos realizados em mais de 60 áreas. As pesquisas comprovam que a combinação de folhas e ramos protegidos, bom pegamento de frutos e uniformidade na maturação acarretam em maior rendimento de grãos. Além de auxiliar no aumento da produção, a aplicação sequencial dos fungicidas Cantus®, Comet® e Opera® contribui para melhorar a qualidade do café”. Com este tipo de evento, a BASF tem a possibilidade de falar diretamente com os produtores, possibilitando que este tirem suas dúvidas, tornando a aplicação dos produtos A da empresa mais eficientes.


36 JUN 2012


Edição 70 - Revista de Agronegócios Junho/2012  

Edição 70 - Revista de Agronegócios Junho/2012

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