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notícias

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CRV-LAGOA tem novo OUROFINO inaugura escritório em Xangai gerente de produto O médico veterinário, criador, juiz oficial do Colégio Brasileiro de Jurados de Pista, Albert Johan Kuipers assumiu a gerência de Produto Leite para as raças Jersey, Pardo Suiço e Simental, além do programa CRV Lagoa Embryo Leite. “É com expectativa que venho assumir a função de gerente entre tantos nomes que vem desempenhando tão bem essa função dentro da empresa. É uma grande responsabilidade”, afirmou Albert. Informações: www. crvlagoa.com.br. Tel. (16) 2105-2299.

No ano em que completa 25 anos, o Grupo Ourofino Agronegócio inaugura seu escritório de representação em Xangai, na China. Atualmente, aquele país representa cerca de 75% das importações do Grupo Ourofino. A demanda atende às unidades de saúde animal (Cravinhos/SP) e defensivos agrícolas (Uberaba/MG). Os principais produtos importados são intermediários e princípios ativos para a agricultura e pecuária. Informações: www.ourofino.com - Tel. (16) 3518-2000.

ANDEF elege novo Conselho Diretor

Eletrólitos da SANEX para bezerras

João Sereno Lammel foi reeleito para o cargo de presidente do Conselho Diretor da ANDEF - Associação Nacional de Defesa Vegetal para o biênio 2012-2013. O Engº Agrônomo Lammel é diretor de Desenvolvimento de Negócios e Portifólio para a Améria Latina na DuPont. Laércio Giampani (Syngenta) e Eduardo Leduc (Basf) assumem a vice-presidência. Informações: www.andef.com.br. Tel. (11) 3087-5033.

Uma das fases mais críticas na produção de bezerras são as quatro primeiras semanas (neonatal), período em que os animais estão mais susceptíveis a problemas digestivos. A melhor forma de prevenir ou tratar e recuperar a perda de peso das bezerras é por meio da reidratação oral de eletrólitos. Para tanto, a Sanex desenvolveu o Eletrólito Protetor Desmame. Informações: www.sanex.com.br. Tel. (41) 3249-1874.

a história em imagens

UÉLEI DIMAS MAIA (ueleimaia@yahoo.com.br) Engº Agrônomo e Cafeicultor. Fazenda do Córrego - Santo Antônio da Alegria (SP). “Considero a revista muito boa e imprescindível para o agronegócio nacional. Faço parte de uma família de cafeicultores e gostaria de assinar a Revista Attalea Agronegócios. ALINE KUCHT (kuchtkucht@hotmail.com) Pecuarista. Aliança do Tocantis (TO). “Estou iniciando um confinamento bovino e um criatório equino no Estado do Tocantins e gostaria muito de receber a Revista Attalea Agronegócios”. VICENTE NUNES JUNIOR (vnunesjr@yahoo.com.br) Engenheiro Agrônomo. Patrocínio (MG). “Sou consultor do Projeto Educampo Café e gostaria de receber a Revista Attalea Agronegócios, como devo proceder pois gostei muito do material de vocês! FÁBIO FURLAN (fabiofur@hotmail.com) Gestor de Agronegócios. Ribeirão Preto (SP). “Gostaria de assinar a Revista Attalea Agronegócios”. ALMIR AP. JORDAN COLOMBO (almirjordan@yahoo.com.br) Cafeicultor. Patrocínio (MG). “Gostaria de assinar a Revista Attalea”. FLÁVIO VEZONO (fvezono@hotmail.com) Pecuarista. Barretos (SP). “Folheei a Revista Attalea Agronegócios em uma empresa e me interessei em recebê-la. Sou pecuarista em Itapagipe (MG), porém moro em Barretos (SP). MACIEL MENEZES GIOLO (macielmgiolo@bol.com.br) Estudante Agronegócios. Franca (SP). “Gostaria de receber sua revista. Tenho um sitio perto de Franca”. JULIANA DA SILVA MENEZES (anajuli_sm87@hotmail.com) Estudante - Alfenas (MG). “Quero assinar a revista. Sou estudante Técnico em Agropecuária e Mestranda em Ciência Animal”. ALEXANDRE BRANDÃO MARTINS (alexandrebmf70@yahoo.com.br) Avicultor. Leopoldina (MG). “Gostaria de receber a revista”.

Mapa de 1910 com as principais culturas agrícolas do Estado de SP. Em destaque, as áreas de produção de café (verde escuro no centro do mapa), mostrando a importância da cultura na região de Ribeirão Preto (SP) e São Carlos (SP). Na região de Franca, destaque para “Patrocínio do Sapucahy”, atual Patrocínio Paulista (SP).

ANDRÉA ROCHA ALVES (a.f.r.alves@hotmail.com) Cafeicultora - Astolfo Dutra (MG). “Gostaria de assinar a Revista Attalea Agronegócios.


EDITORIAL

EVENTOS PECUÁRIA

CAFÉ DA ALTA MOGIANA AGORA COM IG

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A região da Alta Mogiana conquistou o Selo de Origem e Procedência do INPI, o primeiro do Estado de São Paulo. Agora o café da Alta Mogiana tem suas fronteiras definidas e qualidade reconhecida. A AMSC gerenciará o uso do selo.

19ª AGRISHOW TERÁ 780 EXPOSITORES

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Evento acontecerá de 30 de abril a 4 de maio, em Ribeirão Preto (SP). Segundo a CNA, a estimativa de faturamento bruto da feira para este ano é superior a R$ 318 bilhões.

A PASTAGEM E OS SISTEMAS SILVIPASTORIS

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Para obter sucesso em sistemas silvipastoris, o agricultor necessita de estudos de mercado, produtos, espécies, arranjos e principalmente manejo da planta forrageira e dos animais.

CAFÉ

ADUBAÇÃO VERDE NO TRIÂNGULO MINEIRO

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Uma opção sustentável e que traz resultados contra o ataque de nematóides nas culturas de grãos são os adubos verdes. No verão, crotalária. No inverno, soja e aveia.

FLORADA UNIFORME COM A IRRIGAÇÃO (2)

CAFÉ

de café e os estoques mundiais são perigosamente baixos e de qualidade desconhecida. Especialistas apontam dois fatores responsáveis pela oscilação de preço: a saída de especuladores deste mercado e a crescente crise econômica européia. Ainda vale a dica aos cafeicultores: “Venda quando tiver necessidade; se não tiver, aguarde o momento certo!” Na edição deste mês, destaque para a AMSC - Associação dos Produtores de Café da Alta Mogiana, que divulgou a liberação pelo INPI do Selo de Indicação de Procedência para o café produzido na região da Alta Mogiana. Sonho de muitos anos, que beneficiará todos os cafeicultores. Que a união e a visão de futuro seja a meta de todas as associações, cooperativas, sindicatos e demais instituições da classe cafeeira dos 14 municípios aí representados. Na pecuária, apresentamos artigo que retrata a importância das pastagens em sistemas silvipastoris. No Triângulo Mineiro, mostramos também a importância da Adubação Verde na rotação de cultura no cultivo de grãos. Boa Leitura a todos!

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Segunda parte do artigo do engenheiro agrônomo André Luis Teixeira Fernandes, demonstrando o aumento da produtividade de cafeeiros em MG quando da utilização da irrigação.

EFEITO DO ESTRESSE HÍDRICO NO CAFEEIRO

CAFÉ

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s contratos de café na ICE Futures US em Nova Iorque caíram com força esta semana. Os preços são derrubados em um momento em que deveriam estimular cafeicultores a investir no aumento da produção. Mantive contato com vários cafeicultores da região de Franca (SP) e São Sebastião do Paraíso (MG) nestes últimos dias. Todos estavam apreensivos com a queda do preço da saca de café. Reclamaram que não venderam acreditando nas análises dos especialistas em mercado. Mas na verdade, é um contrasenso. Todos os fundamentos e previsões continuam apontando claramente para um frágil equilíbrio entre produção e consumo mundial. A OIC – Organização Internacional do Café estima produção mundial 2012 em 130,9 milhões de sacas e projeta um consumo de 139,1 milhões de sacas. Esta próxima safra brasileira, apesar de recorde, será suficiente apenas para atender nossas necessidades de embarque e consumo, sendo seguida por uma safra de ciclo baixo. Nossos principais concorrentes, Colômbia, Vietnã e Indonésia, enfrentam seguidos problemas com suas produções

EVENTOS

Café contraria previsões e mantém queda de preços

DESTAQUE

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Grande parte do parque cafeeiro do país encontra-se implantado em áreas que apresentam sérias limitações de ordem nutricional, incluindo também limitações de disponibilidade de água.

MÃO DE OBRA SERÁ DESAFIO EM 2012

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Pesquisa do Cafepoint aponta que o custo de mão de obra especializada é o principal desafio do setor em 2012. As incertezas climáticas e a importância da gestão de custos vieram a seguir.

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EVENTOS

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780 Expositores participarão da

19ª AGRISHOW

Feira atrai grandes compradores e amplia tecnologias

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om a crescente importância da agricultura para a economia brasileira, a Reed Exhibitions Alcantara Machado promove a Agrishow 2012 - 19ª Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação, que acontece de 30 de abril a 4 de maio, no Pólo Regional de Desenvolvimento Tecnológico dos Agronegócios, em Ribeirão Preto (SP). A feira concentra os principais players da indústria mundial em um ambiente de negócios profissional e inovador. Dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), estimam que o faturamento bruto da agropecuária brasileira deverá alcançar R$ 318,4 bilhões em 2012, sendo R$ 122,1 bilhões da produção da pecuária e R$ 196,4 bilhões dos produtos agrícolas. A Agrishow 2012 é o principal ponto de encontro para alavancar negócios do setor. Durante os cinco dias de feira, os compradores poderão conferir lançamentos de produtos e serviços, assistir as demonstrações de campo e participar dos test-drives oferecidos. A feira já se consolidou como o principal evento na agenda dos profissionais, autoridades e empresários do segmento, e este ano deve superar os recordes de público e negócios registrados na edição passada, que atingiu

R$ 1,755 bilhão durante a feira em 2011. A Revista Attalea Agronegócios participará com estande próprio (Pavilhão Coberto), apresentando ao público o que nossas empresas parceiras tem de novidade nos setores de máquinas, implementos e defensivos agrícolas, fertilizantes, pecuária de leite e de corte, cafeicultura, silvicultura, cultivo de grãos, horticultura e fruticultura. Com o objetivo de otimizar a visita dos compradores, os organizadores da feira viabilizaram a entrada do evento através de duas portarias (Norte e Sul), além de concentrar os expositores por área de atuação. Neste sentido, a configuração da planta foi regionalizada em dez segmentos: aviação, irrigação, ferramentas, caminhões/ônibus/transbordos, máquinas para construção, agricultura de precisão, armazenagem, pecuária, pneus e automobilístico. Este ano tanto a ocupação de área coberta como descoberta será ampliada. Os pavilhões cobertos (Oeste e Leste) estarão situados em posições estratégicas e o pavilhão Leste terá sua área total ampliada em 25%, totalizando 2.250 m2. Também serão realizadas melhorias em banheiros e áreas comuns: “As mudanças visam não só atender os visitantes, mas os

780 expositores da Agrishow. A feira já está praticamente comercializada e os visitantes podem esperar muitas novidades em soluções de tecnologia para seus negócios. Em virtude da crescente importância do agronegócio para a economia brasileira, é grande a probabilidade de superarmos os volumes de negócios registrados na edição passada”, afirma o diretor da Agrishow, José Danghesi. O interesse internacional também pode ser visto pela participação de países como Turquia, Portugal, Áustria, Itália, Índia, Estados Unidos e Argentina na feira. Promovida pela Reed Exhibitions Alcantara Machado, o evento é uma iniciativa da ABIMAQ (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) em conjunto com a ABAG (Associação Brasileira do Agribusiness), ANDA (Associação Nacional para Difusão de Adubos) e SRB (Sociedade Rural Brasileira). Além da presença das empresas de grande porte da cadeia do setor agrícola e industrial, a feira conta com a presença de agricultores, pecuaristas, executivos da agroindústria, gerentes comerciais e de marketing, pesquisadores, técnicos agrícolas, estudantes e profissionais de entidades de classe. A venda de ingressos estará disponível a partir do mês de março e poderá ser feita pelo site do evento www.agrishow.com.br. Acompanhe as novidades e outras notícias da Agrishow 2012 através do twitter (@ agrishowoficial). Faça parte deste evento. Divulgue o seu negócio e seus produtos na Revista Attalea Agronegócios e tenha o nome de sua empresa circulando na maior feira de tecnologia da Améria Latina. A


MÁQUINAS

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CONSÓRCIO NACIONAL YANMAR AGRITECH para tratores e implementos é uma ótima opção para o produtor mecanizar a propriedade

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onsórcio é uma ótima opção para quem quer adquirir máquinas e implementos agrícolas para mecanizar sua propriedade e obter índices superiores de produtividade na atividade. A Agritech, fabricante dos tratores Yanmar Agritech, em parceria com a administratora de consórcios Gaplan, oferece várias opções dessa modalidade para quem deseja adquirir máquinas e implementos agrícolas. Atualmente, a Yanmar Agritech conta com três Grupos de Consórcios com: um Grupo Nacional e dois grupos com entrega programada. O Grupo Nacional tem planos de até 100 meses e possui grande facilidade de pagamento

FOTO: Divulgação Agritech

Agritech disponibiliza, através da Sami Máquinas, ótimas opções de negócios

Modelo Yanmar Agritech 1155, Super-Estreito.

para o produtor, com parcelas reduzidas e pagamentos que podem ser mensais, trimestrais, semestrais ou anuais.

Os grupos com entregas programadas têm taxas reduzidas, sendo as mais atrativas do mercado, além da entrega da máquina num curto prazo. A Sami Máquinas Agrícolas, concessionária autorizada Yanmar Agritech, vem intensificando seus trabalhos na área de consórcios e espera neste ano um grande aumento no volume de venda de cotas. “As cotas de consórcio são ótimas alternativas para o produtor que planeja suas compras tanto no curto, quanto no longo prazo, pois as opções de pagamento e taxas reduzidas são grandes atrativos para nossos clientes”, afirma Máquinas, o diretor comercial da Sami Máquinas A Sami El Jurdi.

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PECUÁRIA

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A importância das pastagens em

SISTEMAS SILVIPASTORIS Estratégias e recomendações para um bom manejo FOTO: Divulgação

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Bruno Carneiro e Pedreira1, Vitor Del Alamo Guarda2 e Jorge Nunes Portela3

utilização de pastagens cultivadas ou florestas plantadas de maneira isolada representam uma modalidade de uso da terra cuja exploração é bem mais simples do que sistemas silvipastoris. Dessa forma, nestes sistemas integrados manter o equilíbrio entre os componentes (árvores, plantas forrageiras e herbívoros) e suas interações, além da relação com os fatores ambientais disponíveis, tornam a atividade mais complexa e dependente de um planejamento rigoroso. Para obtenção de sucesso é necessário estudos de mercado, produtos, espécies, arranjo e, principalmente, de manejo da planta forrageira e dos animais. Quando se trata de espécies forrageiras, é necessário conhecer sua tolerância e capacidade produtiva em ambientes sombreados. Além disso, o 1 - Pesquisador da EMBRAPA Agrossilvipastoril, Sinop (MT) 2 - Pesquisador Embrapa Pesca e Aquicultura. 3 - Pesquisa e Ensino. Bento Gonçalves (RS).

conhecimento das características morfofisiológicas e estruturais das plantas é de suma importância para que sejam escolhidas e manejadas adequadamente a fim de garantir a longevidade do sistema. A produção de forragem é afetada pela diminuição da radiação luminosa disponível para as plantas no sub-bosque e o fator luz só deixa de ser o mais importante, quando existem outras limitações mais fortes, como, por exemplo, limitação nutricional, fator que deve sempre ser corrigido. Outros fatores são água, temperatura e comprimento do dia reduzido, os quais comprometem a planta em qualquer sistema. Esses aspectos não inviabilizam, tampouco desencorajam o sistema silvipastoril, mas precisam ser entendidos. Nos dias atuais, em função de pressões econômicas e ambientais, qualquer atividade precisa ser economicamente viável e ambientalmente correta. Dessa forma, em locais onde a pressão econômica é mais forte e as questões ambientais não são um entrave, os sistemas ainda tendem a ser exclusivos. Nesses casos a silvicultura

ou a pecuária são conduzidos separadamente. No entanto, a verticalização (intensificação) da produção está cada vez mais em evidência, e com isso sistemas integrados de produção, normalmente iniciados em menor escala, são o primeiro passo para a diversificação das atividades na propriedade. Outro aspecto refere-se ao alto custo da terra em algumas regiões do país que faz com que se busquem alternativas de melhor aproveitamento do solo (não deixando áreas em pousio), obtendo maior retorno no sistema como um todo e melhorando o fluxo de caixa do projeto. Além disso, quando se propõe um sistema silvipastoril, é preciso ter conhecimento adequado para planejálo e gerenciá-lo. Nesse caso é preciso mensurar a quantidade de árvores versus perdas na produção de forragem, incluindo nesse processo o conhecimento de fisiologia de plantas forrageiras para que o manejo do pastejo seja feito de forma a garantir a perenidade da pastagem e, conseqüentemente, a economicidade do projeto. Neste ambiente está evidente que o efeito da sombra muda toda a dinâmica da planta forrageira, proporcionando aumentos na área foliar específica, na quantidade de lignina, no alongamento de colmos e na diminuição das reservas. Dessa forma, ao implantar um sistema silvipastoril, mais do que nunca, o respeito aos limites fisiológicos das plantas forrageiras, ao período de descanso e ao estande de plantas na área tornam-se aspectos ainda mais relevantes, que se negligenciados podem comprometer o sistema rapidamente. Nesse sentido, a quantidade e o formato de distribuição das árvores tornam-se fatores cruciais no processo. Algumas espécies de gramíneas de clima tropical foram submetidas a três níveis de sombreamento (0, 30 e 60%). De maneira geral, houve redução na produção em função da redução na quantidade de luz disponível. Brachiaria brizantha cv. Marandu; B. decumbens e Andropogon gayanus cv. Planatina apresentaram redução na produção, e no maior nível de sombra a produção caiu em 27%, 45% e 49%, respectivamente, decorrente da redução da radiação luminosa em ambiente sombreado. Melinis minutiflora e Setaria anceps cv. Kazungula


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CAFÉ

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não tiveram suas produções alteradas pelo sombreamento. Ainda nesse estudo, uma resposta interessante foi relatada com relação ao Panicum maximum cv. Vencedor, que a pleno sol e com 30% de som-

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bra apresentou produção semelhante, demonstrando o potencial dessa planta em sistemas silvipastoris. No entanto, quando submetido a 60% de sombra, sua produção reduziu em 28%. Por isso, a definição do espaçamento dos

O solo no Manejo

INTENSIVO DE PASTAGENS Pedro César Barbosa de Avelar1

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pastejo rotacionado é uma alternativa colocada à disposição da propriedade leiteira, que visa fornecer aos animais um pasto novo, abundante e de boa qualidade. Busca o aumento da eficiência econômica através de um manejo racional e intensivo do pasto, dentro de um planejamento alimentar da atividade. A produção leiteira deve ser competitiva como outras atividades agrícolas para progredir e para tanto necessita explorar com máxima eficiência todos os recursos existentes. Neste sentido, as pastagens constituem uma das estratégias mais promissoras para desenvolver sistemas de produção sustentáveis por possibilitar a melhor utilização dos insumos ao longo do tempo. A eficiência está condicionada a exploração racional de todos os fatores produtivos da propriedade, onde se busca resultados econômicos e socioambientais. A sustentabilidade está alicerçada num tripé, onde a questão econômica, aos nossos olhos e aos nossos bolsos, é o que mais pesa, mas a questão socioambiental é tão importante quanto, pois sustenta o sistema como um todo. O Tripé da Sustentabilidade é: Econômico, Social e Ambiental e Sistemas Agrícola. O solo é um dos recursos ambientais mais importantes do processo produtivo. Ele se intera num sistema que deve ser entendido e manipulado de forma global para garantir a sustentabilidade do sistema de produção. 1 - Engº Agrônomo, diretor do EDR Franca/SP, Escritório de Desenvolvimento Rural. Tel. (16) 3721-4366. Email: edr.franca@cati.sp.gov.br

SOLO - PLANTA - CLIMA ANIMAL - AÇÃO DO HOMEM = Um dos grandes entraves na obtenção de elevadas produtividades em pastagens tem sido a compactação e a degradação do solo. O correto manejo das pastagens deve estar atrelado ao bom manejo do solo, utilizando um sistema capaz de minimizar os impactos negativos da erosão, compactação e baixa infiltração da água. O super pastejo, assim como o sub pastejo são causas da degradação do pasto e da compactação do solo. O sub pastejo dos piquetes proporciona o sombreamento da base da touceira, o que prejudica o perfilhamento e rebrota das plantas. Ao contrário, o super pastejo pode provocar a redução da área fotossintética, esgotamento das reservas orgânicas, maior exposição do solo, provocando o aparecimento de ervas invasoras, compactação e redução da fertilidade do solo. O pisoteio causa uma compactação em profundidades de 7 a 10 cm o que pode ser corrigida pelo crescimento radicular do capim,quando o sistema for bem manejado. O sistema rotacionado estabelece um ciclo de pastejo, ou seja, os períodos de ocupação e descanso a serem adotados. Permite um controle rigoroso da colheita da forragem, proporcionando o melhor aproveitamento da pastagem, evitando a desuniformidade de pastejo e consequentemente a degradação do solo. No manejo intensivo de pastagens o diagnóstico ambiental deve ser realizado evidenciando aspectos como: Análise química e física do solo – Deverá ser feita pelo menos uma vez ao ano(março/abril), construindo um histórico da evolução da fertilidade. Escolha das espécies forrageiras

renques é de suma importância, para que se tenha ganho com a produção de madeira (árvores), conforto térmico para os animais, sem maiores perdas em produção de forragem. A – Implantar espécies forrageiras que sejam adaptadas às condições de solo, clima e manejo. Planejamento das correções e adubações do solo – Aplicar corretivos e fertilizantes buscando alcançar níveis de produtividade, mas evitando-se os impactos negativos, tanto no aspecto econômico (custo), quanto ambiental (contaminação dos mananciais, liberação de gases do efeito estufa). Aumentar os índices de matéria orgânica do solo – Beneficia as condições físicas (estrutura) e químicas (nutrientes) do solo; aumenta a capacidade de retenção de água, diminui perdas por erosão, incrementa a vida do solo pelo aumento de microorganismos. Em áreas de pastejo rotacionado bem manejadas existe a tendência da diminuição anual da reposição dos nutrientes, principalmente o fósforo e o potássio, pois o desempenho das pastagens tende a melhorar, principalmente pela incorporação de matéria orgânica, o que diminui os custos com adubações. A permanência dos animais nos piquetes uniformiza a distribuição dos resíduos, o que melhora e mantém a fauna do solo e a reciclagem de nutrientes, mantendo as condições desejáveis do solo. A adoção de sistemas agrícolas como o pastejo rotacionado intensivo deve ser vista como uma das ferramentas capazes de intensificar a eficácia da atividade leiteira e contribuir para a manutenção dos recursos naturais. Cabe aos atores envolvidos na atividade terem uma visão holística do sistema, principalmente quanto aos aspectos edafoclimáticos, para que os resultados sejam positivos e promissores. O objetivo maior do Projeto Cati Leite é conseguir sustentabilidade na atividade, com a produção basicamente em regime de pasto rotacionado, produzindo alimentos de alta qualidade, durante pelo menos 10 meses por ano e alta produtividade por hectare. A


TECNOLOGIA

Adubação Verde: economia e sustentabilidade para o solo

FOTO: Sementes Piraí

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DO TRIÂNGULO MINEIRO Rotação de cultura: sucesso no combate a nematóides José Aparecido Donizeti Carlos 1

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s nematóides estão aumentando significativamente em todas as regiões produtoras de soja e milho do Brasil. É questão de tempo para atingir o total das regiões do país. Mas, para combater essa praga, uma opção sustentável e que traz resultados contra esta epidemia são o uso de adubos verdes não hospedeiros. Pesquisas já revelaram o efeito positivo no controle de nematóides do 1 - Engenheiro Agrônomo – Piraí Sementes. Email: donizeti@pirai.com.br

cisto, de galha e lesão das raízes com as Crotalárias spectabilis e ochroleuca, as quais podem ser semeadas de outubro a março. Após a colheita de milho e soja, há um espaço de tempo para o plantio de coberturas de verão que, mesmo semeadas tardiamente, tem o efeito da rotação os quais consistem em: melhoria do solo, quebra de ciclo de pragas, doenças e nematóides. Já para os meses de abril e maio, existe a opção dos adubos verdes de inverno. Neste caso, as melhores espécies para o cultivo são: a aveia em sucessão a soja e o tremoço em sucessão

ao milho. Um casamento perfeito entre leguminosa e gramínea, que garante ganho de produtividade, economia de insumos e redução de pragas, doenças e nematóides. Adubação Verde na Rotação das Culturas - A tradição de rotacionar as culturas foi observada há mais de dois mil anos pelos chineses. A necessidade foi observada por causa do empobrecimento do solo, aumento de pragas, doenças, nematóides e, consequentemente, o aumento do custo de produção. A

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Viçosa (MG) abrigará o

8º SIMCORTE EM JUNHO Simpósio contará com pesquisadores internacionais

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á encontram-se abertas as inscrições para o 8º SIMCORTE – Simpósio de Produção de Gado de Corte e 4º Simpósio Internacional de Gado de Corte, que acontecerá nos dias 07, 08 e 09 de junho de 2012, na Universidade Federal de Viçosa (MG). O evento contará com os mais renomados pesquisadores do Austrália, Brasil, Estados Unidos e Europa. Serão 20 palestras abordando temas de grande relevância para o desenvolvimento da Pecuária Brasileira. As cinco primeiras edições do SIMCORTE contaram com programação temática abrangente, proporcionada pelos mais renomados palestrantes da área de Bovinocultura de Corte do país, que concederam a estudantes de ciências agrárias, profissionais e produtores rurais, a oportunidade de adquirir know how para incrementar a produção, a produtividade e a melhoria da qualidade da carne no Brasil, aumentando a competitividade no mercado nacional e internacional. Em sua primeira edição, o SIMCORTE, foi realizado em novembro de

1999 e contou com um público aproximado de 500 participantes. Na última edição, o simpósio contou com a participação de 650 pessoas. Os participantes do 8º SIMCORTE terão direito a tradução simultânea em todas as palestras. Confira algumas das principais palestras: • “Manejo Nutricional de Bovinos Confinados para Otimizar o Desempenho e Minimizar o Impacto Ambiental”, com o Dr. Noel Andy Cole – USDA-ARS CPRL, Bushland, TX • “Fibras Musculares e sua Relação com a Eficiência de Crescimento e a Qualidade da Carne Bovina”, com a Dra. Brigitte Picard – INRA, Clermont-Ferrand, França • “Desvendando a Microbiologia de Rúmen: Quais Ferramentas Práticas podem surgir a partir da Biologia Molecular?”, com o Prof. Bryan White – University of Illinois • “Aplicação de Sistemas de Exigências Nutricionais para Bovinos

em Pastejo, com ou sem Suplementação”, com o Dr. Stuart McLennan – Queensland Alliance for Agriculture & Food Innovation (QAAFI), University of Queensland. • “Programação Fetal em Bovinos de Corte: Otimizando Desempenho e Qualidade de Carcaça nos Primeiros Estágios de Vida”, com o Prof. Min Du, da Washington State University • “Bem Estar Animal e Manejo Pré-Abate a Nível de Indústria Frigorífica”, com a Profa. Janice Swanson – Michigan State University • “Gerência e Competitividade na Bovinocultura de Corte”, com Prof. Fabiano Alvim Barbosa – UFMG • “Gestão na Bovinocultura de Corte: a Experiência do Projeto em Tocantins”, com o Dr. José Daniel Tavares – SEBRAE / TO • “Instituições Inclusivas e Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável: o Caso do Agronegócio”, com o Dr. Alberto Duque Portugal – Fundação Dom Cabral / FDC • “Bovinocultura de Alto Desempenho com Sustentabilidade”, com o Prof. Mário Fonseca Paulino – UFV Confiram a programação completa e outras informações no site: www. simcorte.com A


CAFÉ

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Aprovada suspensão do

PIS/PASEP e COFINS Incidência ocorrerá apenas no café não torrado

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Plenário da Câmara aprovou o projeto de lei de conversão do deputado Júnior Coimbra para a Medida Provisória 545/11, que, entre outras medidas, altera as regras de incidência do PIS/Pasep e da Cofins sobre o café não torrado. Como foi admitida na forma de um projeto de lei de conversão, a matéria, agora, deverá ser votada pelo Senado. De acordo com o texto da MP 545, a venda de café não torrado contará com a suspensão do PIS/Pasep e da Cofins, exceto se ocorrer para o consumidor final. A medida também implica que os produtores que exportam café cru terão direito a descontar desses tributos um crédito presumido

equivalente a 10% das alíquotas. Por sua vez, as torrefadoras sujeitas ao regime não cumulativo poderão descontar do tributo a pagar um crédito correspondente a 80% das alíquotas, desde que o produto comprado seja usado exclusivamente para a produção de café torrado ou extratos, essências e concentrados do aromático. Ainda de acordo com a MP 545, o crédito presumido obtido poderá ser usado nos meses seguintes e, a cada trimestre, também se poderá utilizálo para a compensação de débitos de outros tributos caso haja sobras no desconto do PIS/Pasep e da Cofins. Além disso, os cafeicultores deixam de presumir crédito de 35% das alíquotas a que têm direito atualmente.

O Conselho Nacional do Café (CNC) comemora e agradece a aprovação da medida na Câmara e torce para que o mesmo ocorra no Senado Federal, uma vez que o texto dessa Medida Provisória corrige o perverso regime tributário anterior, no qual empresas estranhas ingressaram no mercado com o objetivo único de comprar café para revendê-lo e se apropriar dos créditos. Segundo o presidente executivo do CNC, Silas Brasileiro, a consolidação da medida, que ocorrerá com a aprovação no Senado, trará o reequilíbrio na relação comercial do café no Brasil, eliminando a concorrência desleal entre as grandes e pequenas torrefadoras, pois o novo sistema de tributação proporcionará maior transparência. “O mercado voltará a vender para o exterior ‘apenas o café a preço de café’ e não mais ‘café com crédito tributário’. Ou seja, o mercado não repassará para o consumidor externo os benefícios tributários e, em última instância, os produtores brasileiros, que pagam os impostos na compra de seus insumos, serão beneficiados em forma de melhores preços”, conclui. (Fonte: A Agrolink)

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Café da Alta Mogiana conquista

Municípios que compõem a Alta Mogiana

INDICAÇÃO DE PROCEDÊNCIA AMSC: “Fronteiras definidas e qualidade reconhecida”

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s cafeicultores da Alta Mogiana (região que inclui o município de Franca e outros 14 municípios no nordeste de São Paulo) são os primeiros do Estado a conquistar o Selo de Origem e Procedência do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Agora, o café da Alta Mogiana tem suas fronteiras definidas e qualidade reconhecida. No início de fevereiro, a região conquistou o selo de Indicação de Procedência, com base na indicação geográfica. Concedido pelo INPI, será gerenciado pela Associação dos Produtores de Cafés Especiais da Alta Mogiana (AMSC). O certificado de identificação geográfica é o terceiro concedido no país para a cultura do café - os outros

dois foram para as regiões do Cerrado Mineiro (em 2005) e Serra da Mantiqueira (em 2011). A partir de maio, todas as sacas de café produzidas na Alta Mogiana terão estampadas o selo que é uma garantia de qualidade para o consumidor. O vice-presidente da AMSC, Milton Cerqueira Pucci, diz que a identificação valoriza características próprias de cada origem. “Nossa peculiaridade é o equilíbrio entre corpo, doçura e acidez. Isso é o que nos diferencia dos demais cafés e passaremos a ser reconhecidos por isso, inclusive no exterior”, disse. Para receber o certificado, os produtores devem respeitar critérios como não possuir embargos trabalhistas ou ambientais e obter pelo menos 75 pontos na escala Associação Americana de Cafés Especiais (SCAA), que

avalia parâmetros como torra do café, concentração de elementos sólidos solúveis, aroma, fragrância, entre outros.

FOTO: AMSC

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Da esquerda para a direita: Antonio Luis Jamas (RC Brazil), Celso Vegro (IEA), Geraldo Nascimento Junior (CATI), Shigueiro Kondo (CATI), Gabriel Oliveira (tesoureiro da AMSC), Flavia Olivito Lancha Alves de Oliveira (associada da AMSC), Milton Cerqueira Pucci (Vice-presidente da AMSC), Lucileida Castro (diretora administrativa da AMSC), Julio Ferreira (Mogiana Specialty Coffees) e Calixto Jorge (Mogiana Specialty Coffees).


CAFÉ FOTO: AMSC

FOTO: Editora Attalea

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Engº Agrº Milton Cerqueira Pucci (Vice-presidente da AMSC), Engº Agrº Celso Vegro (Instituto de Economia Agrícola) e Gabriel Mei Alves de Oliveira (tesoureiro da AMSC).” André Cunha, presidente da AMSC

A AMSC será responsável pela auditoria dos lotes e dos critérios exigidos. “Isso não significa elitizar o selo. O produtor que tem um método simples de cultivo poderá receber desde que cumpra as normas, que não estão relacionadas a altos investimentos tecnológicos”, explica André Cunha, presidente da AMSC. Em 2011, a Alta Mogiana produziu 813 mil sacas de café beneficiado, em 53 mil hectares de lavouras. Segundo a Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento, a expectativa é que a produção dobre em 2012, colocando a região como líder paulista. Milton Pucci conta que a Associação lutava desde setembro de 2007 para conseguir a indicação. “Este selo é uma conquista de todos os produtores da região. É um marco histórico para a

Alta Mogiana”, comemora. “A partir de agora precisamos unir todas as forças da cafeicultura regional para fiscalizar o uso do selo, valorizar a indicação e fazer com que a conquista realmente agregue valor e proporcione um preço mais justo para o nosso café. Além de valorizar a região e movimentar a economia, a indicação de procedência é uma garantia para o consumidor pois atesta a qualidade do produto”, frisa Pucci. A região da Alta Mogiana engloba 15 municípios: Altinópolis, Batatais, Buritizal, Cajuru, Cristais Paulista, Franca, Itirapuã, Jeriquara, Nuporanga, Patrocínio Paulista, Pedregulho, Restinga, Ribeirão Corrente, Santo Antônio da Alegria e São José da Bela Vista. “A Indicação Geográfica é um tema recente no agronegócio brasileiro. Ganhou destaque a partir do final dos anos 1990, com a neces-

sidade de produzir grãos de qualidade e agregar valor”, comenta Lucileida Castro, diretora administrativa da AMSC. “É uma tendência no país. O Brasil, maior produtor e o segundo país no mercado de consumo de cafés, precisa deste reconhecimento para consolidar sua excelência neste setor”, afirma Pucci. Histórico - Fundada em 2005 por produtores de cafés especiais da Alta Mogiana, a AMSC conta com 40 associados e foi criada com o objetivo de valorizar cafés finos e de qualidade. A instituição é membro da Associação Brasileira das Origens Produtoras de Café e vai gerenciar a utilização do selo de procedência na região. A partir de agora, o selo virá nas sacas de cafés produzidos na Alta Mogiana, em ações de marketing e amplamente divulgado em feiras internacionais. A


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artigo

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AS INDICAÇÕES GEOGRÁFICAS

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uando pensamos em produtos de qualidade única, tendo em vista as características naturais, como o mesoclima de sua origem, e humanas, como o processamento manual e artesanal para obtenção do mesmo, sabemos exatamente de onde são provenientes, e estaremos, muito provavelmente, diante de um bem atestado com certificado de qualidade, que afirma sua origem e garante o controle rígido de suas características únicas. Juridicamente, esses produtos são designados por uma Indicação Geográfica. Também, muito possivelmente, ao escolhermos produtos de proveniência controlada e garantida, decidiremos dispor de um valor superior ao preço médio praticado pelo mercado, tendo em vista a confiança adquirida com a manutenção e controle das características inerentes ao produto durante décadas de comercialização e respeito ao consumidor. Alguns exemplos desses produtos de notável qualidade certificados e identificados como Indicações Geográficas, são o Champagne - o vinho espumante proveniente daquela região francesa; os magníficos vinhos tintos da região de Bordeaux, o presunto de Parma, os charutos cubanos, os queijos Roquefort e Grana Padano. As Indicações Geográficas constituem-se em uma das formas especiais de proteção a bens imateriais ou intangíveis, residentes em uma das especialidades do Direito, a Propriedade Intelectual. A Indicação Geográfica visa, principalmente, a distinguir a origem de um produto ou serviço, através da diferenciada qualidade e/ou a excelência da manufatura dos mesmos, ou através da fama de uma área geográfica pela comercialização ou obtenção de um determinado produto.

Alexandre Fragoso Machado - advogado de Momsen, Leonardos & Cia., pós-graduado em Direito da Propriedade Intelectual pela PUC-RJ, ex-Examinador de Marcos do INPI. [afmachado@leonardos.com.br] O assunto não é novo. Historicamente, produtos são rotulados e distinguidos desde os primórdios da era romana, quando seus Generais e o próprio “César” (Imperador) recebiam ânforas de vinho com a indicação da região de proveniência e produção controlada da bebida de sua preferência. A morte era a punição daqueles que traziam o vinho errado. Na metade do século XIX, a Europa, então, vivendo período de comprovado crescimento sócio-cultural pôde comprovar que o controle pela qualidade de sua principal bebida, o vinho, era assunto de mais alta relevância. A indicação de regiões em seus vinhos começava a agregar valor econômico ao produto, atribuindo-lhe reputação e identidade própria, tornando-o, a rigor, mais valioso. O vinho, considerado a mais preciosa riqueza da França, foi alvo da Alemanha nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Safras estupendas do século XIX foram sorrateiramente escondidas em caves por seus produtores, principalmente as dos bordoleses, através de paredes cobertas de teias de aranha. Ao longo do Século XX, com o advento da Globalização de mercados e organização de blocos econômicos, torna-se cada vez mais visível que produtos de qualidade superior vêm sendo oferecidos ao consumidor comum. Por outro lado, a cultura de proteção do registro de indicação geográfica no Brasil é uma das inovações da nova Lei de Propriedade Industrial, em vigor desde 1997. Logo, a legislação brasileira inovou ao conferir proteção legal às regiões produtivas brasileiras através do registro de Indicações Geográficas, o qual certifica a procedência dos

produtos, permitindo que aqueles, com comprovada qualidade, oriundos de determinadas regiões do país pudessem receber tal registro. De acordo com a Lei nº 9.279/96, a Lei da Propriedade Industrial vigente no Brasil, as indicações geográficas podem ser classificadas em uma simples dicotomia: a) denominação de origem; ou b) indicação de procedência. a) - A Denominação de Origem é caracterizada por uma área geográfica delimitada, precisamente demarcada, produtora de determinado produto influenciado por suas características geográficas (solo, sub-solo, vegetação), meteorológicas (mesoclima) e humanas (cultivo, tratamento, manufatura). Exemplos: Champagne, Borgougne, Alsace, Bordeaux, Parma, Cognac. b) - A Indicação de Procedência, por outro lado, aponta determinada área geográfica conhecida por produzir certo produto, ou seja, não há características naturais (clima, geografia,...) ou humanas, envolvidas na produção do mesmo. Exemplos: região de Franca (SP) para calçados, Sul da Bahia para charutos, Gramado e Canela (RS) para chocolates, queijos de Minas Gerais e Nova Friburgo (RJ). Até o presente momento, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), órgão do governo brasileiro responsável pela análise e concessão de tais registros, recentemente concedeu, de forma pioneira, a primeira Indicação Geográfica genuinamente brasileira – o Vale dos Vinhedos. O “Vale dos Vinhedos” é uma conhecida região da Serra Gaúcha produtora de vinhos finos, entre as cidades de Bento Gonçalves e Garibaldi. O empreendimento pioneiro foi representado pela APROVALE, a Associação dos Produtores do Vale dos Vinhedos, com o incentivo técnico


ARTIGO

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da EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), que após diversos anos de pesquisa na região, conseguiu identificar a área geográfica com carac-terísticas geoambientais ideais para a produção de vinhos finos. Mesmo com inovações comprovadas e com características determinantes na região delimitada, APROVALE e EMBRAPA decidiram solicitar, inicialmente, ao INPI, o reconhecimento da região do Vale dos Vinhedos como Indicação de Procedência, ou seja, uma área geográfica simplesmente conhecida pela produção e/ou comercialização de vinhos finos. A estratégia foi adotada com a intenção de se fortalecer as regras de controle de qualidade e fundamentar a excelência da região na produção de vinhos finos. Com o estabelecimento sedimentado e com a certeza da qualidade de seus produtos, a APROVALE pretende requerer junto ao INPI o reconhecimento de sua área geográfica delimitada como a primeira Denominação de Origem brasileira. A mais recente discussão no âmbito das Indicações Geográficas brasileiras é a questão envolvendo a

CACHAÇA. A bebida é notadamente uma aguardente extraída da cana de açúcar e mundialmente conhecida como proveniente do Brasil. Portanto, era de se esperar que os órgãos internacionais de registro reconhecessem que o termo CACHAÇA, por sua definição, não deveria ser concedido como um bem de propriedade industrial a quem quer que o requeresse. Todavia, o termo CACHAÇA vem sendo alvo de requerimento de marcas em diversos países do mundo, como também vem acontecendo com as frutas exóticas extraídas da Região Norte do Brasil, como o cupuaçu e o açaí. Dessa forma, o interesse nacional em se proteger o termo CACHAÇA mundialmente, tendo em vista o crescente volume de exportações da bebida genuinamente brasileira, vem tomando assento no campo das Indicações Geográficas. Politicamente, a intenção clara de proteção imediata da CACHAÇA levou o Governo brasileiro a publicar o Decreto nº 4.072/2002, o qual define o termo CACHAÇA como sendo a aguardente extraída da cana de açúcar

proveniente do Brasil, com algumas características organolépticas pré-estabelecidas. A Associação Brasileira da Propriedade Intelectual (ABPI), vem discutindo a possibilidade de se enquadrar a CACHAÇA como uma Indicação Geográfica brasileira. Para tanto, vem estudando legislações estrangeiras que já vislumbram com certa tradição o instituto das Denominações de Origem, como França, Itália, Portugal e Espanha. A ABPI também vem estudando a apresentação de um Projeto de Lei que visa a regulamentar as Denominações de Origem no Brasil. Sem sombra de dúvida, o Brasil, outrora denominado como país essencialmente agrícola, possui enorme potencial no desenvolvimento das Indicações Geográficas, tanto que a própria EMBRAPA, maior centro de pesquisa agropecuária da América Latina, já identificou mais de 30 (trinta) áreas geográficas com condições de abrigar centros de obtenção de produtos de qualidade superior, como exemplo, mangas e uvas no Vale do Rio São Francisco, maçãs do Planalto Central e o café do Cerrado de Minas. A

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EVENTOS

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Últimos estandes para a 4º SIMCAFÉ já tem

EXPOCAFÉ 2012

DATA DEFINIDA

venda de estandes para a 14ª EXPOCAFÉ teve início em dezembro e, até o momento, 85% dos 189 espaços disponíveis foram comercializados. “Para esta edição aumentamos a área e o número de estandes e estamos tendo um retorno bastante positivo dos expositores. Cem empresas já estão confirmadas”, informa o relações públicas Antônio Augusto Braighi, da Comissão de Organização e Comercialização. Na EXPOCAFÉ produtores e representantes da indústria têm a oportunidade de conhecer e adquirir novidades em máquinas, equipamentos e insumos, além de participarem de treinamentos e eventos paralelos sobre a cafeicultura. Em 2011, o evento recebeu mais de 22 mil visitantes e movimentou R$228 milhões em negócios. As atividades da EXPOCAFÉ 2012 terão início no dia 19 de junho com a realização do 3º Simpósio da Mecanização da Lavoura Cafeeira. O Simpósio é exclusivo para participantes previamente inscritos. A partir do dia 20, a feira será aberta ao público com a realização da exposição de equipamentos, máquinas e insumos e outros eventos paralelos, como as dinâmicas de campo e cursos de capacitação para operadores de máquinas. Informações: www.epamig.br e www.expocafe.com.br A

4º SIMCAFÉ - Simpósio do Agronegócio Café da Alta Mogiana, realizado anualmente pela COCAPEC - Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas, já tem data definida e será nos dias 18 e 19 de abril, no Salão de Evento do Castelinho, em Franca (SP) A proposta do SIMCAFÉ é buscar alternativas que contribuam para aumentar ainda mais a eficiência produtiva de seus cafeicultores e dos cooperados. O simpósio tem o objetivo despertar no empresário rural o interesse em informações ligadas aos processos de gestão de seu negócio, para que, da mesma forma que as tecnologias de produção foram adotadas, as ferramentas de gestão sejam desenvolvidas e implantadas nas propriedades. De acordo com Victor Alexandre Ferreira, coordenador da equipe organizadora do Simpósio, o contato com os parceiros já foi iniciado, bem como o convite aos palestrantes. “Já demos início aos preparativos e, muitos dos nossos parceiros apresentaram o interesse de mais uma vez participarem deste grande evento”, afirma Victor. Informações: www.cocapec.com.br A

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CAFÉ

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Como Uniformizar a Florada do Cafezal com o

USO DA IRRIGAÇÃO (2) Pesquisador esclarece os mistérios da florada do café André Luis Teixeira Fernandes1 3. FLORADA DO CAFEEIRO

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café se constitui numa espécie na qual todas as plantas individuais de uma certa extensão geográfica florescem simultaneamente. Todavia, acontecem várias floradas, desde algumas poucas nas regiões cafeeiras das latitudes médias, com época seca e fria

1 - Engº Agrônomo, Doutor em Engenharia de Água e Solo / Unicamp, Prof. Pesquisador da Universidade de Uberaba (MG), área de Irrigação e Drenagem, coordenador do Núcleo de Cafeicultura Irrigada da Embrapa Café, representante institucional Uniube / Embrapa Café, Pesq. do CNPq.

bem definidas, até várias ao longo do ano, nas regiões equatoriais chuvosas. Na região cafeeira do sudeste do Brasil, segundo o Prof. Alemar Braga Rena, da Universidade Federal de Viçosa, podem ocorrer de 3 a 4 floradas, ou mais, de intensidade e temporalidade variáveis. Esse hábito reprodutivo conduz a uma série de dificuldades práticas, algumas relacionadas com colheitas parciais prolongadas, outras com os controles efetivos de doenças e pragas dos frutos, podendo causar redução de produtividade e qualidade dos grãos. De acordo com o pesquisador Gopal, “a floração do cafeeiro (indução, evocação, diferenciação e antese) é um processo muito complexo e parece ser

uma resposta de efeitos cumulativos de fatores fisio-ecológicos e sobre a qual muitos aspectos estão ainda por ser revelados”. O fenômeno da floração é ainda um dos maiores mistérios da tecnologia cafeeira”. O seu conhecimento é fundamental para o agronegócio café. Não há no momento qualquer estudo verdadeiramente científico sendo realizado sobre a floração do cafeeiro, no Brasil, talvez no mundo. Segundo o Prof. Rena, da UFV, a grosso modo, são reconhecidas quatro fases distintas na floração do café: a) - iniciação floral: é precedido das reações fisiológicas da indução do estado florífero, que resultam na produção do “estímulo floral” e da “evocação” do meristema, resultando na formação da inflorescência. Estas gemas flrais só são visíveis quando no estádio E2 (Figura 5), ou seja, numa fase mais adiantada do desenvolvimento floral. b) - diferenciação floral e dormência do botão floral: os primórdios florais recém-diferenciados crescem de modo contínuo por um período de cerca de dois meses, até atingirem tamanho máximo de 4 a 6 mm no Estádio 4 (Figura 5), com uma pausa de semanas ou meses (dormência), depen-

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dendo das condições externas, principalmente chuvas ou irrigação. Este botão E4 é o único sensível aos fatores ambientais, especialmente hidratação ou frio, que conduzem à recuperação do crescimento e eventualmente à aber-tura da flor. Em condições de campo, a pausa de crescimento dos botões no estádio 4 coincide com a estação seca e com a redução do crescimento vegetativo, porém, ainda são contraditórios trabalhos que comprovem a importância de um déficit de água na cessação do crescimento dos botões florais. Em cafeeiros com irrigação constante, verifica-se que os botões florais se mantêm em dormência permanente, sendo necessário um período de seca para que haja a florada, quando os cafeeiros são novamente irrigados. Contudo, déficits de água podem desenvolver-se mesmo em cafeeiros irrigados continuamente, estando o tempo ensolarado, com o acontece em algumas regiões do Brasil, com solos arenosos e clima quente, como a região oeste do estado da Bahia. A adoção ou não de um período de déficit hídrico para uniformizar a florada do cafeeiro talvez seja um dos maiores gargalos da cafeicultura irrigada do Brasil. c) - abertura da flor, ou florada: em condições normais, os botões florais que entraram em dormência durante um período de seca, tão logo ocorra uma chuva de valor mínimo (chuva de florada), reiniciam imediatamente o seu crescimento, levando à abertura das flores. As floradas, na maioria das regiões cafeeiras coincidem com o início do rápido crescimento vegetativo

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Figura 5 - Estádios da floração do cafeeiro (Fonte: Prof. Alemar Braga Rena, UFV).

(agosto/setembro) e têm continuação durante a estação de crescimento máximo (novembro/dezembro). Chuvas e queda acentuada de temperatura estão geralmente associadas ao desencadeamento da abertura floral, porém, são necessários mais trabalhos de pesquisa que possam elucidar os efeitos de cada um destes fatores. “Um período de déficit hídrico é aparentemente essencial para liberar os botões florais da dormência, mas nem a presença da folha do nó nem um gradiente de potencial hídrico da

folha para o botão afetam o fenômeno de forma clara. A pesquisa nos mostra que:• O botão no estádio 4 entra em dormência verdadeira; • Não tem xilema desenvolvido. • Após o déficit hídrico, seguido da adição de água (hidratação), em 3 dias o xilema diferencia-se. • Ocorrem variações hormonais no interior do botão floral. • Crescimento é retomado e a flor abre-se de 8-14 dias, dependendo da temperatura e do grau de hidratação. • Somente gemas “maduras para a floração” (estádio 4) são sensíveis ao déficit hídrico. • Somente botões no estádio 4 desenvolve o xilema. 4. MAS, E NA PRÁTICA? Na prática, pode-se recomendar irrigação freqüente e abundante para evitar a floração (antese), seguida de déficit controlado, quando o maior número possível de botões esteja no estádio 4. Irrigar novamente de forma abundante para sincronizar a floração. É preciso muito cuidado no retorno da irrigação, já que a hidratação insuficiente do cafeeiro é muito prejudicial ao desenvolvimento. Talvez seja este um dos motivos da resistência dos cafeicultores em adotar um período de


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estresse hídrico para o cafeeiro. Alguns experimentos realizados pela Embrapa Cerrados foram muito importantes para viabilizar a utilização da sincronização da florada com déficit hídrico. No início, foi proposto déficit fixo, de 70 dias, para todas as regiões, tanto frias, como médias e quentes. Porém, esta prática já não é mais utilizada, pelo fato das características climáticas de cada uma das regiões cafeeiras brasileiras serem muito diferentes. Hoje, a paralisação da irrigação é feita em meados de junho, mas o retorno das irrigações depende da região, da situação da lavoura, das condições climáticas. Estes experimentos mudaram bastante o conceito inicial de que o déficit hídrico controlado poderia comprometer a produtividade ao se visar a qualidade. Se realizada adequadamente, é possível, com a paralisação da irrigação, no período adequado e no momento oportuno, é possível conseguir altas produtividades com qualidade. Especificamente na irrigação por gotejamento, ao invés de se interromper totalmente a irrigação, tem sido utilizado com sucesso a irrigação com déficit, que tem por princípio reduzir a lâmina de água aplicada ao cafeeiro durante um período (entre junho e agosto), com monitoramento da umidade do solo até 60 cm. Este procedimento tem permitido um ganho de qualidade, sem comprometer a produtividade do cafeeiro. 5. GERENCIAMENTO DA IRRIGAÇÃO Para que um projeto de irrigação do cafeeiro atinja seus objetivos, é necessário que além de um projeto adequado (dimensionamento e implantação), haja também um manejo eficiente

da irrigação. O conceito de manejo eficiente da irrigação é complexo, podendo assumir diversas faces, e no seu sentido mais amplo relaciona tanto o aspecto do manejo da água como também o manejo do equipamento, com o objetivo de adequar a quantidade de água a ser aplicada e o momento certo desta aplicação. O manejo adequado da irrigação tem por um lado o compromisso com a produtividade do cafeeiro, e por outro o uso eficiente da água e da energia, promovendo a conservação do meio ambiente. Para ilustrar o cálculo da quantidade de água necessária para cafeicultura irrigada, vamos considerar o caso da região Oeste da Bahia. Atualmente a cultura ocupa uma área aproximada de 15.000 ha. A região caracteriza-se por alta demanda evapotranspirativa, o que resulta no consumo médio da cultura do cafeeiro da ordem de 1600 mm. Considerando-se que as chuvas atendam 50% da demanda da cultura (800 mm), a quantidade de água a ser aplicada via sistema de irrigação atinge a cifra de 800 mm. Sabendo-se que 1 mm representa 1 L/m2 ou 10 metros cúbicos (m3 )/ha, é fácil concluir que serão necessários aplicar 8.000 m3 por cada hectare irrigado, ou 96.000.000 m3 (ou 96 trilhões de litros de água) na região como um todo. Para permitir um melhor entendimento do volume de água necessário para irrigar o cafeeiro no exemplo anterior, vamos compará-lo com o gasto de água para abastecer os habitantes de uma cidade. Tomando por base um consumo de 200 litros de água/habitante por dia, conclui-se que a quantidade de água gasta na irrigação do cafeeiro nesta região corresponde ao consumo de água de água de uma cidade de cerca de 1.315.068 de habitantes.

Os cálculos anteriores, apesar de simplificados, dão uma idéia do volume de água envolvido na agricultura irrigada, e reforçam a tese de que a gestão de recursos hídricos passa invariavelmente pela análise e conhecimento da irrigação. Outro ponto a considerar é a necessidade de conhecimento das características dos diversos sistemas de irrigação utilizados. Cada sistema interagindo com uma determinada situação local promove uma maior ou menor eficiência de irrigação, o que irá afetar o consumo de água total. Durante a evolução da cafeicultura irrigada no Brasil, diversos foram os enfoques adotados. Inicialmente a única preocupação era o aumento da produtividade. Atualmente, a modernização da agricultura mundial passa pelo conceito de agricultura sustentável, com a integração de todos os fatores que interferem na produção. Neste contexto é fundamental a utilização eficiente da água e conservação do meio ambiente, que vem sendo um dos grandes desafios da cafeicultura irrigada. Outro desafio atual é a conscientização de que cafeicultura irrigada não significa a mesma coisa que cafeicultura tradicional mais água. Por traz deste simples jogo de palavras escondese uma questão fundamental para o futuro da agricultura irrigada, e que vem sendo o motivo de vários insucessos na exploração agrícola. É importante a conscientização da necessidade uma reavaliação geral de conceitos e definições quando se inicia a exploração de uma cultura irrigada em uma área qualquer. Devem ser questionados aspectos básicos como: melhor variedade, espaçamento mais adequado, níveis de adubação tratos fitossanitários etc. Em síntese, é bem provável que uma série de atitudes e decisões adotadas sejam adequadas para a cafeicultura irrigada, mas não otimizam a produtividade e o lucro do produtor em condições irrigadas. Assim é necessário assim que haja maior disponibilidade de informações para a condução de uma determinada cultura em condições irrigadas, denominado como “pacotes tecnológicos”. Para isso é fundamental desenvolver um grande número de pesquisas que possam trazer informações confiáveis aos cafeicultores irrigantes. A


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Efeitos do estresse hídrico e da

DISPONIBILIDADE DE FÓSFORO NO CAFEEIRO

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Leandro da Silva1

rande parte do parque cafeeiro do país se encontra implantado em áreas que apresentam sérias limitações de ordem nutricional ao desenvolvimento das plantas (CORRÊA, 2001), incluindo também limitações de disponibilidade de água. Com a ocupação de solos de Cerrado associada à irrigação, a cafeicultura tem sido estendida para áreas onde a condição de déficit hídrico é uma constante (SANTINATO et al., 2008). Parte do sucesso da cafeicultura irrigada tem se justificado pela possibilidade de expansão da cultura em áreas antes limitadas pela deficiência hídrica ou distribuição irregular das chuvas, através de um manejo adequado dos recursos naturais solo-água. Em regiões tradicionais do parque cafeeiro a irrigação garante a produção em anos de baixa precipitação ou quando ocorrem veranicos nas fases críticas de desenvolvimento dos frutos (SANTINATO et al., 2008). Em geral a irrigação é

1 - Engenheiro Agrônomo, Mestre em Tecnologia de Produção Agrícola. Tel. (16) 9121-6287 / (35) 9998-1752

uma prática que, além de incrementar a produtividade, proporciona a obtenção de produto de melhor qualidade e melhor preço no mercado, fatos que também se constatam na cafeicultura irrigada (SANTINATO et al., 2008). A deficiência hídrica comum durante o cultivo das plantas, pode reduzir o fluxo de fósforo (P) para a parte aérea (MOUAT & NES, 1986). Esta paralisação do suprimento de P do solo para a planta é agravada quando o sistema radicular é pouco denso e a espécie possui baixa eficiência no uso do P (SANTOS et al., 2004). Sendo o cafeeiro uma planta sensível a desequilíbrios ambientais e nutricionais, tecnologias que permitam maior eficiência produtiva são desejáveis, fato esse que está diretamente relacionado com uma adubação equilibrada e com disponibilidade hídrica adequada para a cultura, de maneira que eventuais desequilíbrios não sejam prejudiciais na formação e produção do cafeeiro (SANTINATO et al., 2008). De fato, a redução da concentração de P reduz o crescimento e a produtividade vegetal, sendo que essa redução da força de dreno dada pela redução do crescimento impõe limi-

FOTO: Bolsa Agronegocios

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Estresse hídrico ocasionado durante o inverno comum em regiões cafeeiras.

tações à fotossíntese (PIETERS et al., 2001), cujos efeitos podem ser ampliados por modificações induzidas na respiração e no metabolismo de nitrogênio de plantas deficientes em P (FLÜGGE et al., 2003). A inibição da fotossíntese causada pelo suprimento inadequado de P tem origem na alta demanda de ATP (adenosina trifosfato) pelo crescimento vegetal e na função essencial de intermediários fosforilados nas reações de fixação do CO2 (STITT, 1990). As inovações tecnológicas envolvendo adubações com doses elevadas de P têm sido consideradas como uma forma de aumentar a aquisição deste elemento pelos cafeeiros, sob o argumento de alcançar maior produtividade e melhores índices de qualidade do produto final (GUERRA et al., 2007). Sendo o P um elemento importante para a formação do sistema radicular, sua presença é fundamental para o equilíbrio nutricional das plantas (RENA et al., 1986). A disponibilidade adequada de P proporciona cafeeiros bem desenvolvidos e vigorosos, o que em última instância determina boas produções. Além da extração de P do solo e da mobilização deste na planta serem relativamente pequenas, as adubações fosfatadas ainda devem considerar as perdas que ocorrem principalmente nos solos ácidos e com elevados teores de óxidos de ferro e alumínio, muito comuns nas condições brasileiras (RENA et al., 1986). A disponibilidade de P é reduzida pela fixação ao ferro, ao alumínio e ao cálcio, reduzindo sua difusão até as raízes (MALAVOLTA, 1980). Aplicações de doses elevadas de fertilizantes fosfatados são necessárias por ocasião do plantio, no entanto, as plantas extraem quantidades relativamente pequenas de P. Esse fato sugere que uma parte significativa dos fosfatos adicionados no solo estaria indisponível para o cafeeiro em crescimento (NOVAIS & SMYTH, 1999). Plantas cujo sistema radicular é bem desenvolvido apresentam capacidade de explorar um maior volume de terra, possibilitando aumento da absorção de nutrientes e água, benefício mais evidente em condições de veranicos (RENA et al., 1986). Assim como os demais elementos nutricionais, a disponibilidade adequada de P proporciona cafeeiros bem desenvolvidos e vigorosos, o que determina boas produções. De fato, alguns pesquisa


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dores têm observado respostas lineares e significativas da produtividade de cafeeiros com o aumento da adubação fosfatada além dos níveis recomendados, ocorrendo crescimento de novos nós e de radicelas superficiais, desenvolvimento de gemas reprodutivas, aumento da fixação dos frutos e redução da bienalidade da produção (GUERRA et al., 2007). De fato, a deficiência hídrica e a baixa disponibilidade de P são alguns dos mais importantes fatores limitantes ao crescimento das plantas em regiões tropicais (FAGERIA et al., 1997). O aprimoramento de técnicas de irrigação e adubação é dependente do conhecimento da fisiologia dos cafeeiros em condições específicas, tais como a baixa ou a alta disponibilidade de fósforo e a sua interação com a defici��ncia hídrica. Essa limitação ambiental ocorre com periodicidade ao longo do ciclo de cultivo do cafeeiro, ocorrendo naturalmente durante a estação de inverno no Estado de São Paulo e precedendo a fase de floração.

CORRÊA, J. B.; REIS JÚNIOR, R. A.; CARVALHO, J. G. de; GUIMARÃES, P. T. G. Avaliação da fertilidade do solo e do estado nutricional de cafeeiros do sul de Minas Gerais. Ciência e Agrotecnologia, v. 25, p. 1279-1286, 2001. FAGERIA, N.K.; BALIGAR, V.C.; JONES, C.A. Growth and mineral nutrition of field crops. New York: Marcel Dekker, 1997. 662p. FLÜGGE, U. I.; HÄUSLER, R. E.; LUDEWIG, F.; FISCHER, K.. Functional genomics of phosphate antiport systems of plastids. Physiologia Plantarum, v.118, p. 475482, 2003. GUERRA, A.F. ROCHA, O. C.; RODRIGUES, G. C.; SANZONOWICZ, C.; MERA, A. C.; CORDEIRO, A. Aprimoramento do sistema de produção de café (Coffea arabica L.) irrigado do cerrado. In: Simpósio de Pesquisa dos Cafés do Brasil, 5., 2007, Águas de Lindóia, Resumos expandidos... CBP&D/ Café, 2007, cd-rom. MALAVOLTA, E. Elementos de nutrição mineral de plantas. Piracicaba: Editora Ceres, 1980. 251p. MOUATT, M.C.H.; NES, P. Influence

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Cadeia produtiva vê

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financeiro, sobretudo com cooperativas, indústrias de insumos e tradings. É o que explica a dificuldade de se fazer um levantamento mais preciso das dívidas do setor.“Quanto maior a renda, maiores as chances de se resolverem esses passivos”, afirma Breno Mesquita, presidente da Comissão Nacional de Café da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Segundo ele, de agosto de 2010 para cá, quando os preços do produto começaram a melhorar, o fluxo de recursos para o pagamento das dívidas com os bancos melhorou muito. Segundo o Departamento de Café da Secretaria de Produção e Agroenergia do Ministério da Agricultura, dos compromissos com o Funcafé em 2011, R$ 269,01 milhões foram pagos antecipadamente, o equivalente a 13,25% de todo o fluxo de reembolsos ao fundo previsto para o ano, de R$ 2,03 bilhões. Em 2010, o pagamento antecipado havia somado R$ 220,86 milhões, ou 9,1% do fluxo estimado de R$ 2,4 bilhões. Apesar da melhora, a antecipação dos pagamentos perdeu fôlego entre julho e dezembro de 2011. No período, os pagamentos antecipados somaram R$ 83,22 milhões, uma queda de 55% em relação aos R$ 185,79 milhões pagos no primeiro semestre. O ex-secretário de Produção e Agroenergia, Manoel Bertone, afirma que as antecipações diminuíram pelo fato de a base financiada já ter sido calculada a preços mais elevados. “O produtor fez financiamento com um nível de preço mais elevado e não está se antecipando aos pagamentos, pois espera o auge da entressafra, quando considera que os preços serão melhores”, explica. Os cafeicultores ligados à Cooxupé estão obedecendo ao fluxo de pagamento normal - parcelas anuais, sem antecipações, segundo informou a assessoria de comunicação da cooperativa. Existem prorrogações feitas anteriormente que vão até 2020. Para o financiamento da safra 2012/2013, que começa em junho, a expectativa é que sejam disponibilizados R$ 2,8 bilhões pelo Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé). Na temporada passada, foram liberados cerca de

EQUALIZAÇÃO DAS DÍVIDAS Oferta restrita e demanda crescente animam o setor

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epois de dez anos de rentabilidade baixa, os cafeicultores brasileiros ficaram bem mais aliviados nas duas últimas safras. Impulsionados pela oferta restrita e demanda crescente, os preços internos do café praticamente dobraram entre 2010 e 2011 e, apesar da queda recente, prometem se sustentar em níveis elevados por algum tempo. O setor ainda carrega um grande passivo, acumulado durante os longos períodos de vacas magras. O montante da dívida, dizem as lideranças, é praticamente incalculável - a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e os Ministérios da Fazenda e Agricultura estão tentando levantar os números - mas aparentemente está sendo equalizado. “O endividamento já foi bem maior. Nas últimas safras houve um realinhamento e, hoje, a inadimplência é muito baixa”, afirma Ademiro Vian, diretor-adjunto da Febraban. Em determinados momentos, lembra, o crédito ao segmento também foi mais restrito. Vian pondera, porém, que a dívida do setor ainda é muito pulverizada e está mais concentrada fora do sistema


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R$ 1,9 bilhão, de acordo com o Ministério da Agricultura. “É importante ter recurso de colheita e estocagem para o produtor vender a safra gradativamente. Política para não deprimir preços é boa para o produtor e para o mercado”, diz Breno Mesquita. Ainda é cedo para concluir se a renda do cafeicultor na nova temporada será maior ou, pelo menos, igual à apurada no ciclo 2011/12 - de modo geral, suficiente para cobrir os custos de produção. Atualmente, a saca do produto de boa qualidade é negociada entre R$ 470 e R$ 490 no mercado físico, observa Eduardo Carvalhaes, analista de mercado do Escritório Carvalhaes. A expectativa é de que os preços continuem sustentados no mercado internacional. De dezembro de 2011 até o início de fevereiro, o valor do produto caiu de 5% a 6%, segundo o Escritório Carvalhaes. Nesta semana, o indicador de preços Cepea/Esalq para o café atingiu o menor patamar desde janeiro de 2011. Apesar da previsão de uma safra maior, Eduardo Carvalhaes afirma que não se nota uma corrida para plantar

mais café. “O produtor pensa muito antes de cultivar o grão, pois pode plantar no pico do mercado e colher com os preços em baixa”. Os custos de produção variam bastante, conforme apontam os dados apurados pela Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Universidade Federal de Lavras (UFLA). Em Santa Rita do Sapucaí (MG), por exemplo, o custo total por saca foi de R$ 408,47, com margem líquida de R$ 28,53, em 2011, contra um custo de R$ 380 e margem líquida de R$ 145 a saca, em 2010. Segundo a assessora técnica da superintendência técnica da CNA, Carolina Bazilli, o levantamento de 2012 será feito entre março e junho e consolidado apenas em setembro. Segundo ela, ainda não existe uma prévia das estimativas de custo, mas eles não devem mudar muito em relação a 2011. O primeiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado em janeiro, aponta que a safra de café 2012/2013 deve ficar entre 48,97 milhões e 52,27 milhões de sacas. O bom desempenho é explicado pela bienalidade da cultura

(ano de produção ruim seguido de colheita cheia) e pelos investimentos na lavoura. Contexto - A Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) acredita que não haverá excedente do grão no mercado interno em 2012. Apesar da previsão de uma safra brasileira maior, a queda da produção na Colômbia, América Central, África e Indonésia deve equilibrar o mercado, avalia Nathan Herszkowicz, diretor da Abic. Expectativa semelhante está presente na análise mensal do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/ESALQ) para o café. Com base em números do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o Cepea estima que o estoque inicial da safra 2012/13 não deve passar de 4 milhões de sacas. Para 2012, a indústria prevê um aumento de consumo entre 3,5% e 4%, o que significa um acréscimo de 700 a 800 mil sacas - mais um fator de sustentação dos preços. Os brasileiros devem consumir 20,5 milhões de sacas. O faturamento da indústria no ano passado foi de R$ 7 bilhões, alta de 19% A em relação a 2010.

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Maior desafio em 2012 será o

CUSTO DE MÃO DE OBRA Pesquisa do CaféPoint analisa o setor cafeeiro

N

Rafaela Vendemiatti1

o início de janeiro o CaféPoint lançou a seguinte enquete aos seus leitores: Qual será o principal desafio do setor cafeeiro em 2012? A pesquisa contou com a participação de 9 estados brasileiros, e 18,79% das respostas aprontaram como o principal desafio as dificul1 - Engª Agrônoma formada pela Unesp/Botucatu. Atua na empresa Agripoint, responsável pelo conteúdo do portal CaféPoint.

dades com custo de mão de obra especializada. Os leitores apontaram como segundo maior desafio, com 15,66%, as incertezas climáticas que nos últimos anos é preocupação em todas as regiões produtoras de café do mundo. A importância da gestão de custos na propriedade ficou em terceiro lugar com 10,02% das respostas. As preocupações com a mão de obra vêm sendo discutida com freqüência no setor. A atividade exige pessoas qualificadas e comprometidas. A burocracia existente

Gráfico 1 - Qual será o principal desafio do setor cafeeiro em 2012?

na contratação da mão de obra dificulta no sentido em que os trabalhadores temporários ganham maiores garantias de estabilidade em seus empregos fixos, portanto colocam em segundo plano os trabalhos temporários de safra, o que gera preocupação por parte dos produtores. Outras opções de desafios para 2012, além das indicadas pelo CaféPoint, foram sugeridas pelos leitores: Escassez de mão de obra; Queda na produtividade; Alto custo e monopólio dos insumos agrícolas; Conscientização da importância da qualidade; Controle de doenças e pragas; e Renovação das lavouras. Dentre os leitores participantes da enquete, os mineiros tiveram maior participação (46%), seguido dos paulistas (31%) e dos capixabas (12%). Comentários de Destaque 1 - “Nas constantes variações de diversos pontos do setor, o produtor precisa ser eficiente no momento de produzir com qualidade e diminuir custos.” 2 - “Transparência de preço e orientação ajudarão a contornar estes desafios. “ 3 - “Colheita manual para o café conilon, esse pode vir a ser nosso desafio. Ainda não temos máquinas apropriadas para essa cultura.” 4 - “Não só o custo, mas a falta de mão de obra será um desafio.” 5 - “Com relação aos problemas climáticos, não temos controle total sobre eles, portanto estamos bem expostos. No momento onde o cenário mundial aponta para o crescimento do consumo, acredito que o Brasil deve trabalhar mais na divulgação de nosso café, assim como os demais países da América Latina, cuja produção é menor que a brasileira, porém de maior valor agregado.” 6 - “Continuando as ações de marketing que vem sendo trabalhadas sob novos arranjos desde 2011, o novo ano precisa avançar no posicionamento dos diferentes cafés do Brasil. A ABOP Café terá um importante papel neste processo, bem como os trabalhos que outras entidades vêm desenvolvendo, precisam ser somadas num discurso único e mostrar ao mundo quem é o país do café. Neste processo, adequar as propriedades e gerenciar seus custos são os desafios internos da propriedade, pois não é porque os preços estão melhores que deveremos nos descuidar destas áreas.” 7 - “As certificadoras deverão ser mais atuantes e de fácil acesso para os pequenos produtores, acho que eles estão muitos distantes da realidade, porque o processo de certificação deve ser gradativo.” 8 - “União dos produtores, criação de regiões de origem controladas, exigir maior eficácia das cooperativas.”


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CAFÉ

9 - “Acredito que as incertezas Gráfico 2 - Participação por estado brasileiro climáticas têm colocado obstáculos às perspectivas da produção cafeeira, já que qualquer planejamento precisa levar em conta as alterações de clima que visivelmente tem alterado nossa capacidade de previsão de safra, que acaba não configurando o esperado. Também entendo a necessidade de se estabelecer uma estratégia de marketing eficiente para fortalecer especialmente uma percepção mais clara das qualidades do café brasileiro no mercado interno e no exterior, assim como estabelecer um planejamento estratégico, visando a adoção de tecnologias inovadoras que permitam ao cafeicultor a substituição do uso intensivo de mão de obra que cada vez mais vem onerando o custo de produção.” 10 -“Realizar um plantio sustentável, manter o nível va de granizo que acabou com as lavouras no município de de produção da lavoura alto e conseguir um preço final justo Itamogi, e não tem como fazer nada para prevenir, somente é o principal desafio da cafeicultura brasileira para 2012 .” rezar, e começar a colocar em prática ações, como o uso de 11 -“Os incentivos fiscais e financiamentos deveriam quebra vento, para diminuir a incidência de doenças.” beneficiar apenas os que andam em dia com sua obrigações 17 - “Para os cafeicultores das regiões de montanha o assumidas, e não ficar tentando acertar a situação dos inú- principal desafio é reduzir o custo de colheita! meros produtores que só querem prorrogação de dividas, 18 - “Diante de um quadro de altos custos de produção, sendo que com os preços que atingimos agora só não acer- principalmente no que concerne à mão de obra, e das exitou suas dividas quem não quis! Precisamos de incentivos gências de mercado quanto a práticas agrícolas sustentáveis para os que realmente acreditam no CAFÉ - nosso principal e rastreabilidade, há necessidade de novas tecnologias e produto!” inovações para o setor cafeeiro visando maior qualidade de 12 -“Hoje a burocracia existente na contratação da nosso produto.” (Fonte: www.cafepoint.com.br) A mão de obra no setor cafeeiro dificulta muito, no sentido de que os trabalhadores temporários estão ganhando maiores garantias de estabilidades em seus empregos e estão deixando de lado as temporadas da safra do café. O que traz grande aflição para os produtores e descontentamento para a categoria.” 13 -A mão de obra representa muito no custo de produção do café, particularmente, em lavoura de fixa produtividade, porque o trabalhador que trabalha por produção, cobra muito caro por unidade colhida quando não consegue colher muitas unidades por dia. Para que ele tenha uma renda boa é preciso cobrar mais por unidade.” 14 -“Administrar o custo de produção para poder investir em tecnologia, mecanizando o máximo as lavouras, devido a dificuldade de se obter mão de obra para o setor cafeeiro.” 15 -“Acredito que as três opções marcadas expressar minha preocupação com o aumento do consumo interno no Brasil, mas com os estoques baixos acredito que o problema estará em manter a qualidade dos cafés para o nosso consumo interno. Há uma grande dificuldade em manter uma qualidade devido à dificuldade em adquirir e manter o mesmo padrão dos blends. Com os estoques baixos e a expectativa de uma safra próxima de 50 milhões de sacas para 2012/13, acredito que os preços não deverão sofrer grandes mudanças. Qualquer contratempo climático no Brasil para as próximas safras poderá dar suporte para os preços.” 16 - “O momento da cafeicultura Brasileira é extremamente positivo, porém as condições climáticas é um grande desafio, pois não há ações técnicas e práticas para solucionar estes problemas a curto prazo. Por exemplo, caiu uma chu-

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EVENTOS

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Franca sediará em setembro

A 4ª EXPOVERDE

R$ 1,75 milhão de negócios atraem expositores

C

om grande expectativa, a Comissão Organizadora da 4ª EXPOVERDE - Feira de Máquinas e Implementos Agrícolas, Insumos, Flores, Frutas, Hortaliças, Plantas Nativas, Plantas Ornamentais, Plantas Medicinais e Agricultura Orgânica de Franca e Região já iniciou os preparativos para o evento, que acontecerá de 20 a 23 de setembro, no Parque de Exposições “Fernando Costa”, em Franca (SP). A realização é da Associação dos Produtores Rurais do Paiolzinho, com o apoio da Prefeitura de Franca, através da Secretaria Municipal de Desenvolvimento, “Buscamos, com este evento, firmar a EXPOVERDE como a principal feira de negócios da Alta Mogiana no segundo semestre, envolvendo as áreas agrícolas e de paisagismo”, explica Carlos Alberto Rodrigues, presidente da Associação do Paiolzinho. A feira conta com estande de empresas de produtos e serviços relacionados à agricultura (cultivo de grãos, mudas

frutíferas, sementes de hortaliças, irrigação, agricultura orgânica, plantas medicinais, insumos, máquinas e implementos agrícolas) e também o paisagismo (mudas de orquídeas, flores e demais plantas ornamentais, gramas, mudas de plantas nativas, pedras, decoração, jardinagem, madeira, gramas, etc.). Reunidas em um único espaço, as empresas que trabalham nestas áreas terão a oportunidade de mostrar produtos e serviços, atraindo um número maior de visi-

Cafeicultores avaliam trator New Holland durante a 3ª EXPOVERDE.

tantes, bem como comprovar a importância econômica destas atividades na economia local, responsáveis pela geração de riquezas e geração de empregos. No ano passado, a EXPOVERDE contabilizou R$ 1,75 milhão em negócios gerados durante o evento. E a agricultura foi o setor com maior destaque, principalmente com as empresas de máquinas e implementos e também irrigação. “Aos poucos, a feira vai se tornando referência regional, dando oportunidade para os agricultores de toda a região e também de Minas Gerais conhecerem e adquirirem máquinas, implementos, equipamentos, insumos e diversos outros serviços voltados à produção agrícola”, afirma Alexandre Ferreira, secretário municipal de Desenvolvimento. Para este ano, são mais de 60 espaços comerciais, dos quais 40% já foi comercializado antecipadamente, ainda no ano passado. “As empresas estão antecipando o fechamento dos estandes, o que agrada e muito a organização”, diz. O horário de funcionamento da 4ª EXPOVERDE será das 9 às 19 horas, com entrada gratuita. A Revista Attalea Agronegócios é parceira do evento desde a sua criação e manterá um estande próprio durante os quatro dias. Além da feira comercial, o visitante poderá ainda participar de várias palestras técnicas, uma confortável praça de alimentação. Sem falar no sorteio de prêmios. No ano passado, o agricultor Marcial de Souza Stefani, cafeicultor do sítio Retiro, zona rural de Ribeirão Corrente (SP), foi o ganhador de uma Carreta Agrícola Acton. “Para este ano, estudamos aumentar o valor do prêmio, mas dependemos dos patrocinadores. Quem sabe, com apoio, conseguiremos um trator!”, enaltece Alexandre Ferreira. Informações:- www.franca.sp.gov.br. Tel. (16) 37119482. Email: expoverde2012@hotmail.com A


CRÉDITO RURAL

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PREVER: Crédito Rural com

PROFISSIONALISMO

Empresa francana auxilia o produtor rural

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financiamento da atividade agrícola no Brasil é representado basicamente pelo Crédito Rural, que é uma linha de crédito que é disponibilizada ao produtor, cooperativa ou empresa rural para custeio, investimento e comercialização de produtos agrícolas. Esta linha de crédito estimula os investimentos, garante o valor de custeio da produção e comercialização e, conseqüentemente, fortelece o setor rural. Outro benefício decorrente do financiamento agrícola é que este propicia o desenvolvimento de tecnologias que irão promover a melhoria da produtividade e o aumento da produção.

Projeto - Cabe ao produtor rural decidir a necessidade de assistência técnica para elaboração do projeto e de orientações, salvo quando considerados indispensáveis pelo agente financiador ou quando exigidos em operações com recursos oficiais. A liberação do crédito do financiamento na sua maioria acontece seguindo com o cronograma financeiro do projeto apresentado para a concessão dos recursos. “O cronograma serve para dimensionar a quantidade e prazos como as parcelas serão liberadas de acordo com a necessidade do empreendimento”, explica o Engº Agrº Fernando

FOTO: Editora Attalea

Exigências e Garantias - Para a liberação de crédito, as instituições financiadoras exigem garantias de pagamento, que podem variar de acordo com a situação do tomador do financiamento, tais como penhora de produção, bens imóveis, hipoteca comum ou qualquer outro bem permitido pelo Conselho Monetário Nacional. Estas exigências variam de acordo

com a instituição financiadora, sendo que, normalmente, algumas exigências são comuns as diversas instituições, como a idoneidade do tomador, a elaboração de planos ou projetos com orçamentos, a capacitação de execução e um cronograma de desembolso e reembolso do valor tomado. A liberação do crédito normalmente se dá de acordo com o cronograma financeiro do projeto.

Os agrônomos Fernando Pavão e Milton Eugênio, diretores da PREVER Engenheiros Associados.

Pavão, diretor da PREVER Engenheiros Associados. A PREVER é uma empresa sediada em Franca (SP), credenciada junto ao Banco do Brasil e que presta serviços para produtores rurais visando a obtenção de financiamentos junto às instituições financeiras que trabalham com crédito rural (incluindo Banco Santander e Credicocapec). “Além da elaboração de projeto técnico, a PREVER realiza o estudo de viabilidade econômica, estabelece o limite de crédito (cadastro do cliente), elabora laudos de avaliação em propriedades rurais (móveis e imóveis) e também laudos de perícia judicial”, afirma o Engº Agrº Milton Eugênio Jorge Monteiro, sócio de Pavão na empresa. Com profissionalismo e agilidade, Fernando Pavão e Milton Eugênio atuam há mais de 15 anos desenvolvendo projetos na área de crédito rural para cafeicultores, pecuaristas, produtores de cana-de-açúcar e fruticultores da região de Franca (SP). “Colocamos todo o conhecimento da empresa à disposição do agricultor, para que o projeto seja bem elaborado, com planejamento adequado e a melhor opção para o seu negócio”, conclui Fernando Pavão. Pagamento do Financiamento O pagamento (à vista ou parcelado) é realizado após um período de carência, que varia de acordo com cultura ou criação e a atividade realizada e é programado de acordo com a capacidade de receita durante as épocas de produção. As taxas de juros utilizadas no crédito rural são, em geral, mais baixas que em financiamentos de outras modalidades e são determinadas pela instituição financiadora. A seguir, elaboramos algumas modalidades de financiamentos agrícolas, dos quais os produtores rurais podem utilizar-se do apoio da PREVER Engenheiros Associados. a) - Comercialização:- destina-se a assegurar ao produtor ou cooperativas os recursos necessários à colocação de seus produtos no mercado, podendo compreender a pré-comercialização, os descontos de Nota Promissória Rural e o Empréstimo do Governo Federal (EGF). b) - Custeio:- destina-se a cobrir despesas normais dos ciclos produti-

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CRÉDITO RURAL

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O Pronamp - Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural foi criado na safra 2010/2011, dispõe de recursos para custeio e investimento aos médios produtores rurais. Para a safra 2011/2012, o limite para enquadramento no programa aumentou para R$ 700 mil, favorecendo um maior número de produtores. O Pronamp substituiu o antigo Proger Rural, com mais recursos e condições facilitadas para contratação.

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FOTO: Editora Attalea

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vos de lavouras periódicas, de entressafra de lavouras permanentes ou da extração de produtos vegetais espontâneos, incluindo o beneficiamento primário da produção obtida e seu armazenamento no imóvel rural ou em cooperativa; de exploração pecuária; e de beneficiamento ou industrialização de produtos agropecuários. Divide-se em Custeio Agrícola, Custeio Pecuário e Custeio de Beneficiamento ou Industrialização. Financia-se até 100% do orçamento das despesas da exploração durante o ciclo produtivo dos animais, limitado a 70% da receita prevista para o empreendimento. c) - Investimentos:- destina-se às aplicações em me-lhorias, a aquisição de bens ou de serviços, cujo resultado será observado na melhoria das condições de produção a longo prazo. Divide-se em Pronamp, Procap-Agro, ModerAgro, ModerFrota, ModerInfra e Programa ABC.

O Procap-Agro - Programa de Capitalização de Cooperativas Agropecuárias é destinado às cooperativas de produção agropecuária, pesqueiras e aquícolas, que contam com recursos para a recuperação ou a reestruturação patrimonial. Os juros são de 6,75% ao ano e o prazo de pagamento, no caso de projetos para a integralização de cotas-partes, é de até seis anos, incluídos até dois anos de carência. Já o Moderagro - Programa de Modernização da Agricultura e Conservação de Recursos Naturais tem por objetivo fomentar os setores da apicultura, aquicultura, avicultura, cunicultura, floricultura, hortifruticultura, ovinocaprinocultura, pecuária leiteira, pesca, ranicultura, sericicultura e suinocultura. Inclui ainda fomentar ações relacionadas à defesa animal, particularmente o Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose (PNCEBT) e a implementação de sistema de rastreabilidade animal para alimentação. E também apoiar a recuperação de solos por meio do financiamento para aquisição, transporte, aplicação e incorporação de corretivos agrícolas. A taxa de juros é de 6,75% ao ano, incluída a remuneração da instituição financeira credenciada, de 3% ao ano. O prazo total é de até 10 anos, incluída a carência de até 3 anos. Os limites do financiamento são de até R$ 600 mil, por cliente, para empreendimentos individuais e até R$ 1,8 milhão por modalidade, em empreendimento coletivo, respeitado o limite individual por participante. Para a reposição de matrizes bovinas ou bubalinas, no âmbito do PNCEBT, limite de até R$ 120 mil, por cliente, e até R$ 3 mil, por animal. Já os itens de financiamento relacionados à pesca e aquicultura, limite de até R$ 600 mil, por cliente. O Moderfrota - Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras tem por objetivo financiar a aquisição de equipamentos novos ou usados (tratores e implementos associados, colhei-tadeiras e suas plataformas de corte, e equipamentos para preparo, secagem e beneficiamento de café). A taxa de juros é de 7,5% ao ano para os clientes que se enquadrem no ModerfrotaPronamp e de 9,5% a.a., para os demais clientes.


CRÉDITO RURAL

Nos financiamentos de equipamentos para preparo, secagem e beneficiamento de café, os produtores deverão ter renda bruta anual inferior a R$ 100 mil, com limite do financiamento de até R$ 40 mil, por cliente. O prazo de financiamento de equipamentos novos para café e implementos associados é de até 8 anos, com exceção de implementos agrícolas isolados, onde o prazo é de até 4 anos.

FOTO: Divulgação

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O ModerInfra - Programa de Incentivo à Irrigação e à Armazenagem tem por objetivos apoiar o desenvolvimento da agropecuária irrigada; ampliar a capacidade de armazenamento da produção; proteger a fruticultura em regiões de clima temperado; e apoiar a construção e ampliação das instalações destinadas à guarda de máquinas e implementos agrícolas e à estocagem de insumos a-gropecuários. São financiáveis os investimentos relacionados com todos os itens inerentes aos sistemas de irrigação e de armazenamento, de forma coletiva ou individual, implantação e recuperação de equipamentos e instalações para proteção de pomares contra a incidência de granizo e a construção e ampliação de instalações destinadas à guarda de máquinas e implementos agrícolas e à estocagem de insumos a-gropecuários. A taxa de juros é de 6,75% ao ano, com prazo total de até 12 anos, incluída a carência de até 3 anos. O limite do financiamento é de té R$ 1,3 milhão por cliente, para empreendimento individual, e até R$ 4 milhões, para empreendimento coletivo, respeitado o limite individual por participante. Já o Programa ABC - Programa para Redução da Emissão de Gases de Efeito Estufa na Agricultura tem por objetivos promover a redução das emissões de gases de efeito estufa oriundas das atividades a-gropecuárias; reduzir o desmatamento; aumentar a produção agropecuária em bases sustentáveis, como sistemas orgânicos de produção e plantio direto; a-dequar as propriedades rurais à legislação ambiental; ampliar a área de florestas cultivadas; e estimular a recuperação de áreas degradadas. Poderá ser financiado custeio associado ao investimento, limitado a até 30% do valor financiado, podendo ser ampliado para: i) - até 35% do valor financiado, quando destinado à implantação e manutenção de florestas comerciais ou recomposição de áreas de preservação permanente ou de reserva legal; ou ii) - até 40% do valor financiado, quando o projeto incluir a aquisição de animais e sêmen de bovinos, ovinos e caprinos, para reprodução, recria e terminação. Para o Programa ABC, a taxa de juros é de 5,5% ao ano e até R$ 1 milhão por cliente, por ano-safra. Já com relação aos prazos, estão foram estipulados assim: i) - Projetos para implantação de viveiros de mudas flo-

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restais = até 5 anos, incluindo até 2 anos de carência; ii) - Investimentos destinados à adequação ao sistema de agricultura orgânica, ao plantio direto “na palha”, à recuperação de pastagens e à implantação de sistemas produtivos de integração lavoura-pecuária, lavoura-floresta, pecuáriafloresta ou lavoura-pecuária-floresta = até 8 anos, estendendo-se até 12 anos quando a componente florestal estiver presente, incluindo até 3 anos de carência; iii) - Projetos para implantação, manutenção e manejo de florestas comerciais e para produção de carvão vegetal = até 12 anos, estendendo-se até 15 anos a critério da instituição financeira credenciada e quando a espécie florestal o justificar, incluindo até 8 anos de carência iv) - Projetos para recomposição e manutenção de áreas de preservação permanente ou de reserva legal = até 15 anos, incluindo até 1 ano de carência. A


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Edição 66 - Revista de Agronegócios - Fevereiro/2012