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ENTRE INDÍGENAS, AFRICANOS OU EUROPEUS, OS RITUAIS FÚNEBRES FALAM MAIS SOBRE A VIDA DO QUE SOBRE O FIM DE TODOS

JANEIRO A MARÇO

“Ninguém sabe o que é a morte, mas não faz muita diferença, porque também nunca sabemos o que é a vida.” A frase do escritor português António Lobo Antunes resume o sentimento coletivo de dúvida sobre os acontecimentos no pós-vida. Seria o fim? O retorno ao pó? O começo de uma nova fase ou uma experiência que atingiria apenas o corpo, ficando a consciência (ou alma) ativa? De um jeito ou de outro, é na morte em que nos igualamos: é o destino comum a todos nós. A interpretação sobre o que acontece depois do passamento varia de acordo com a cultura, as crenças religiosas e pessoais. Os rituais fúnebres celebrados no país traduzem as várias tradições culturais que se mesclaram no Brasil. O tema instiga pesquisadores de várias áreas do conhecimento, como Antropologia, Sociologia e História. É o caso de Loyanne Rocha, mestra em História Social pela UnB, que investigou os rituais de morte no século XVIII registrados na Paróquia de Nossa Senhora do Pilar de Ouro Preto (MG). Os temores acerca do porvir e os cuidados fúnebres, contudo, não foram inaugurados nas terras brasileiras pelos colonizadores

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Darcy Nº 21  

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