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JANEIRO A MARÇO

Sem energia elétrica, sinal de celular ou internet, as casas se misturam com a vegetação familiar que mora fora ou mandar um recado”, acrescenta Rosilda Alves da Silva. A escola, que abriga 45 alunos de São José e regiões vizinhas, fica bem no centro do povoado. Ao redor dela, o posto de saúde — que conta com uma auxiliar de enfermagem — dois bares, o centro de múltiplo uso, algumas casas e as duas igrejas nas mesmas imediações, uma de cada lado. Meninas e meninos correm pelas ruas, sobem em pés de fruta e as comem ali mesmo, no pé. “Não mexa nessa aí, menino! Está no quintal da vizinha”, ralha uma moradora. No povoado de São José, o transporte ágil de uma ponta a outra é feito de moto. Cada família tem, além do

quintal, a roça, que fica depois da Serra. Caminhando, leva-se muito tempo, mas a moto ajuda crianças, idosos e jovens adultos a ir trabalhar quase que diariamente na lavoura. De lá saem os ingredientes para a alimentação diária dos moradores da comunidade: mandioca, abóbora, cebola, alho, milho, rúcula, couve, alface, banana, beterraba, leite. Esses são itens para o ano todo. Pitomba, jabuticaba, abacate, abacaxi, cajamanga, mangaba, baquari, cajá e jaca, quando o cerrado floresce e fruteia. Carne não é item frequente no cardápio. Às vezes, ela é consumida refogada, assim que o animal é morto, mas é preciso transformá-la em carne seca ou charque, uma vez que a falta de geladeira não permite que o item dure muito tempo em condições para consumo. “Não faz bem comer carne todo

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Darcy Nº 21  

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