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JANEIRO A MARÇO

Cientistas monitoraram aspectos ecológicos na região do Araguaia

Barco-hotel de quase 30 metros de altura abrigou membros da expedição Biguá durante duas semanas

certo. Era tanta coisa que quase não bastava o espaço de uma kombi. Em outro veículo, itens congelados e suprimentos para alimentação lotavam o banco traseiro e o portamalas. O total é de 16 pessoas, entre elas o coordenador da expedição, oito doutorandos, um mestrando, três graduandos, além de um cozinheiro e a repórter da Darcy. Após mais de 500 quilômetros, rodados em oito horas, chega-se ao distrito de Luiz Alves (GO), um dos pontos de acesso ao Araguaia. Lá, o restante da equipe, com a professora da UFG Priscilla de Carvalho, dois barqueiros e o piloto principal da embarcação, se integra ao grupo. O sono perdido ao longo da viagem é recompensado pela vista da extensão de águas da planície. Reflexos do céu sobre a superfície fluvial embelezam ainda mais a paisagem, cercada pelo verde vívido das matas. Em Luiz Alves, o imenso barco-hotel azul e branco, feito em ferro e divisórias plásticas, está à espera. Com três andares, cinco dormitórios com banheiros, sala de estar com televisão e área de lazer no último piso, os ambientes da embarcação garantem certa comodidade, condições bem diferentes das encontradas por pesquisadores em outras saídas a campo. Uma cozinha equipada permite o preparo das refeições diárias. Stanislau Brandão, cozinheiro de mão cheia da

FUP, foi convidado para cuidar especialmente da dieta da tripulação. Quase todos os recintos do barco contam com ar-condicionado, o que alivia as altas temperaturas e a sensação incômoda provocada pela umidade, sobretudo no período da tarde. A estrutura foi providenciada graças ao financiamento da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP/DF), além de um aporte extra de recursos vindos do PPG-CA. “Com isso, ampliamos em 500% o número de projetos envolvidos. Realizamos as pesquisas em colaboração e com maior eficiência”, frisa Ludgero Vieira. Se, por um lado, certo conforto é dado aos pesquisadores, por outro, algumas limitações se aplicam aos afazeres diários. Fornecida por gerador, a energia elétrica tem consumo restrito a determinados horários, para a redução de gastos com combustível. Sinal de celular é raro, à medida que se distancia das cidades ribeirinhas. Sol intenso, chuvas esporádicas, ataque constante de mosquitos, horas exaustivas de trabalho, além da conciliação das demandas de diferentes pesquisas integram a lista de desafios rotineiros. Sem contar a frequente reorganização da logística, que engloba desde o gerenciamento da verba disponível ao abastecimento do barco e manutenção dos suprimentos.

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Darcy Nº 21  

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