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JANEIRO A MARÇO

O PARQUE NACIONAL Criado em 1961, com 625 mil hectares, o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros sofreu sucessivas reduções de tamanho até que, no início dos anos 1980, chegou a 65 mil hectares, cerca de 10% da área original. Após anos de embates em diferentes esferas sociais, além de entraves jurídicos, em 2017, o governo federal decretou a ampliação da unidade para 240 mil hectares. “Retomar a extensão do parque foi uma medida importante para a conservação do maior número possível de grupos biológicos, da paisagem e de processos ecológicos relacionados a serviços ecossistêmicos, como a polinização feita por insetos”, garante o biólogo e diretor do parque nacional, Fernando Tatagiba. Para reforçar a urgência da Colinas do Sul medida, ele alerta para substituição de ambientes naturais por grandes lavouras de monocultura, como milho, soja, eucalipto, que tem acontecido no eixo Chapada dos Veadeiros – Brasília. Segundo o gestor, quase 500 nascentes passaram a ser conservadas na nova zona de abrangência da unidade. “Não existe água sem conservação. Para a água nascer ou correr de forma limpa, é preciso conservar a paisagem ao redor. Não basta conservar a nascente ou a calha do rio, ela precisa se infiltrar no solo para aflorar em uma nascente”, detalha o biólogo. Em apelo à conservação, Tatagiba enfatiza: “Assim como não existe água sem conservação, não existe agricultura sem água”. Para além das necessidades humanas, ele lembra que “vivemos em um planeta com milhões de outras espécies, que não devem ser extintas em função do nosso padrão de ocupação e uso do planeta”.

Teresina de Goiás

Nova Roma

Cavalcante

Alto Paraíso de Goiás

São João d’Aliança

PARCERIA EM PROL DA NATUREZA Fruto de demanda da comunidade de Alto Paraíso e região, o Centro UnB Cerrado foi idealizado em 2005, durante as Conferências Estadual e Nacional do Meio Ambiente. Sua criação aconteceu em 2011. Desde então, o Centro tem fortalecido a parceria entre a Universidade e a comunidade local, imbuído da missão de apoiar o desenvolvimento sustentável e a conservação ambiental. Centenas de jovens e famílias já foram contemplados pelos cursos de extensão ofertados pelo centro. A unidade também realiza atividades de ensino, como a oferta de disciplinas de verão para estudantes de graduação da UnB, além de projetos de pesquisa. Em 2017, o centro formou a primeira turma de pós-graduados, com a Especialização em Sociobiodiversidade e Sustentabilidade no Cerrado.

A unidade enfrenta o desafio de estar em um espaço provisório. O edifício sede foi construído com fomento da Prefeitura de Alto Paraíso de Goiás. Entretanto, em razão de impasses jurídicos relativos à execução da obra por parte do governo municipal, as instalações ainda não puderam ser repassadas à Universidade. A questão é tratada no âmbito do governo municipal, sendo acompanhada com atenção pela administração superior da UnB. Parecer recente do Ministério Público aponta a viabilidade de entrega da obra e ocupação por parte da Universidade, enquanto o governo municipal segue nas tratativas jurídicas pendentes. “A principal meta da minha gestão é receber nosso edifício sede e estimular a UnB a usar da melhor maneira possível esse espaço”, afirma o diretor do centro, André Cunha.

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Darcy Nº 21  

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