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SETEMBRO A NOVEMBRO

do prédio, como salas de reunião, auditório e laboratórios ficam disponíveis para o uso dos empreendedores. A E-sport, startup incubada no centro entre outubro de 2016 e abril de 2018, trabalha com instrumentos para auxiliar a medição de avanços em reabilitação física e praticantes de esportes. Ela ganhou o Prêmio Tecnologias de Impacto 2017. Seu produto, o E-lastic, é resultado do aperfeiçoamento tecnológico de elásticos tradicionais utilizados em esportes e mede a quantidade de esforço do usuário. Sócio da E-Sport, João Macedo, 24, não tem dúvidas em reconhecer: “Tudo o que somos hoje é graças ao CDT”. Fernanda Teles, 28, aponta que capacitações de gestão, finanças e coaching na pré-incubação foram muito importantes para o desenvolvimento da startup: “No início do programa, tínhamos capacitações recorrentemente. Já nos últimos semestres, isso tornou-se muito raro. Era o caso de ter uma a cada semestre”. A CEO credita o problema ao corte de verbas do centro. O diretor do Centro de Desenvolvimento Tecnológico da UnB, Sanderson Cesar, explica que o CDT “está em contenção de gastos”, pois houve redução da captação de recursos próprios em função do teto orçamentário da PEC 95/2016. Sanderson afirma que no mundo todo, a maioria dos escritórios de transferência de tecnologia (TTO – Technology Transfer Offices) trabalha no vermelho: “Em 86% dos casos as universidades bancam o TTO. O CDT é um modelo nesse sentido, pois não é deficitário e, ao longo do tempo, tem um histórico de repassar recursos à Universidade”. Fernanda Teles aponta que a grande rotatividade da equipe responsável por avaliar o progresso das startups dificultava a percepção de avanço. “As equipes que nos acompanhavam eram formadas por estagiários. Quando o contrato deles com o centro acabava, um novo pessoal entrava. O problema não eram os estagiários, mas a dificuldade em prosseguir com as análises”. Renato testemunhou o mesmo problema: “Vinha uma equipe bacana, fazia um diagnóstico da Macofren e dizia em que áreas precisávamos melhorar. Eles falavam que voltariam dali a três meses. Depois, já era uma nova equipe, e o mesmo processo de diagnóstico começava”. Quanto a isso, Sanderson afirma que o problema é observado em todo o Brasil e ocorre porque a incubadora deve seguir o modelo de contratação do serviço público. “Infelizmente, não se contrata um ‘desenvolvedor de negócios’ num concurso público. A opção é utilizar mão de obra de alunos de cursos de empreendedorismo e inovação. O novo marco legal de inovação permite que as incubadoras se tornem pessoas jurídicas próprias, e isso deve facilitar essa questão”, diz o diretor do CDT. DE OLHO NO FUTURO Paulo Fillipe, de 26 anos, estudante do nono semestre de Engenharia Aeroespacial, acaba de entrar no programa de pré-incubação. O jovem empreendedor, junto a um colega que conheceu em viagem missionária, desenvolveu a FD Automata, startup idealizada para criar tecnologias que otimizem processos de produção. O primeiro produto pensado por Paulo foi uma impressora 3D. Ela é oito vezes maior do que as convencionais, com motor e bico capazes de imprimir em até cinco cores. “Nosso produto poderá ajudar arquitetos que, ao desejarem montar a maquete de um projeto maior, poderão imprimi-la inteiramente. Assim, economizarão o tempo de fazê-la à mão”, explica. O mercado de arquitetura é apenas o começo. “Pretendemos atender clientes que trabalham com peças personalizadas, como cosplayers, e incentivar o uso da impressora 3D por pessoas leigas.”

Para mim, o segredo de um negócio não é simplesmente esforço, mas preocupar-se com um valor de entrega para a sociedade Paulo Filipe

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Darcy Nº 20  
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