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SETEMBRO A NOVEMBRO

“Na minha cabeça sempre fui menina. Adoro bibelôs” ESTEFFANY RODRIGUES

identidade sexual”, a incongruência de gênero deixou de ser considerada condição de saúde mental a partir de 2018. A versão anterior é de maio de 1990 e a nova edição deve entrar em vigor somente em 2022. A mudança ainda não tem efeitos práticos nos procedimentos do Sistema Único de Saúde (SUS), mas atende a uma reivindicação antiga da população trans. Nesta nova classificação, as identidades trans deixam de ser consideradas transtorno de gênero e passam a ser diagnosticadas como incongruência de gênero, que é uma condição relativa à saúde sexual. No entendimento de Gabriel Graça, homem trans e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília, uma pessoa trans “corresponde a alguém que tem disforia de gênero, considerada pela Organização Mundial da Saúde como um transtorno que leva a pessoa a não se sentir confortável com o gênero que lhe foi designado socialmente”. Graça reflete que, “como é algo

que limita a expressão e a plena vivência do indivíduo, a disforia foi considerada um problema de saúde, que seria resolvida pela cirurgia de transgenitalização”. A gerente da Diversidade do Centro de Referência Especializado em Assistência Social (Creas) do Distrito Federal, Ana Carolina Silvério, observa que transexual e transgênero são termos ainda não pacificados no contexto LGBT e não são expressões sinônimas: “Pessoas transgênero estão nesse trânsito entre os dois gêneros. Elas podem não se reconhecer como mulher, não se reconhecer como homem. Não se reconhecem em nenhum dos gêneros ou se reconhecem nos dois gêneros”. O que as pessoas transexuais desejam também varia, mas o fato é que elas não estão felizes com o gênero atribuído em seu nascimento e querem passar pelo processo de mudança de gênero, não necessariamente até a cirurgia de transgenitalização; podem se submeter, por exemplo, a tratamento hormonal.

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Darcy Nº 20  
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