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Cultivar Máquinas • Edição Nº 109 • Ano X - Julho 2011 • ISSN - 1676-0158

Nossa capa

Test Drive - Yanmar 1155-4 SE

Testamos o compacto Yanmar 1155-4 SE, projetado para operações que necessitam de potência, mas que tem áreas com espaçamento e altura reduzidos

Destaques

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Índice

Volume adequado

Máquinas para fenação

Saiba como calcular corretamente o volume de calda para aplicações fitossanitárias em pomares

Conheça todas as máquinas utilizadas no processo de fenação, do corte ao enfardamento

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• Editor

• Coordenação Circulação

Gilvan Quevedo

Simone Lopes

• Redação

Charles Echer Carolina Simões Silveira

• Revisão

Aline Partzsch de Almeida

• Assistente

Grupo Cultivar de Publicações Ltda. www.revistacultivar.com.br

• Assinaturas

Luciane Mendes Natália Rodrigues

• Expedição

• Comercial

• Impressão:

Cristiano Ceia

Direção Newton Peter

Edson Krause Kunde Indústrias Gráficas Ltda.

NOSSOS TELEFONES: (53) • GERAL

3028.2000

• ASSINATURAS

3028.2070

• REDAÇÃO

3028.2060

C Cultivar

Ariani Baquini

• Design Gráfico e Diagramação

Pedro Batistin Sedeli Feijó José Luis Alves

Capa: Charles Echer

Matéria de capa

• MARKETING

3028.2065

www.revistacultivar.com.br cultivar@revistacultivar.com.br CNPJ : 02783227/0001-86 Insc. Est. 093/0309480

Rodando por aí

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Inspeção de pulverizadores

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Volume de calda em pomares

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Conservação de pneus agrícolas

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Valtra apresenta trator conceito Ants

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Test Drive - Yanmar 1155-4 SE

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Ficha Técnica - Valtra BS3020H

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Implementos para o processo de fenação

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Enxadas rotativas

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Escolha da potência em tratores

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Coluna Estatística Máquinas

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Assinatura anual (11 edições*): R$ 157,90 (*10 edições mensais + 1 edição conjunta em Dez/Jan)

Números atrasados: R$ 17,00 Assinatura Internacional: US$ 130,00 EUROS 110,00 Por falta de espaço, não publicamos as referências bibliográficas citadas pelos autores dos artigos que integram esta edição. Os interessados podem solicitá-las à redação pelo e-mail: cultivar@revistacultivar.com.br

Os artigos em Cultivar não representam nenhum consenso. Não esperamos que todos os leitores simpatizem ou concordem com o que encontrarem aqui. Muitos irão, fatalmente, discordar. Mas todos os colaboradores serão mantidos. Eles foram selecionados entre os melhores do país em cada área. Acreditamos que podemos fazer mais pelo entendimento dos assuntos quando expomos diferentes opiniões, para que o leitor julgue. Não aceitamos a responsabilidade por conceitos emitidos nos artigos. Aceitamos, apenas, a responsabilidade por ter dado aos autores a oportunidade de divulgar seus conhecimentos e expressar suas opiniões.

rodando por aí

Marketing

Estela Silva é a nova coordenadora de marketing das Linhas Automotivas, Industrial e Transportadora da Goodyear Engineered Products. Estela é administradora de empresas, pós-graduada em Marketing pela Universidade Mackenzie e trabalha há 11 anos na área de vendas de produtos automotivos Estela Silva da empresa.

FM Copling

A FM Copling, presente nas principais feiras agrícolas do país, disponibiliza no mercado uma diversificada linha de pulverizadores para todas as culturas do setor. Os pulverizadores Turbo 400 Mix para café, Guliver 6000 e Turbo 500 apresentam uma variedade de configurações que possibilitam maior versatilidade e multiuso na sua aplicação.

Doosan Infracore

Frederico Martins assumiu recentemente a gerência de Marketing da empresa Doosan Infracore, conglomerado sul-coreano do ramo de máquinas de construção. A empresa sul-coreana, proprietária das marcas Bobcat, Montabert e Moxy, está entre as cinco maiores empresas que fabricam equipamentos de construção em Frederico Martins todo o mundo.

Treinamento

A John Deere e o Senai do Mato Grosso do Sul assinaram um acordo de Parceria Técnica, em Campo Grande. Pelo acordo, a John Deere vai fornecer formação técnica inicial e aperfeiçoamento com foco em operação e manutenção de máquinas agrícolas para os instrutores do Senai. O gerente de treinamento da John Deere para a América do Sul, Eugênio Fronza, explica que a empresa busca com a parceria capacitar melhor os operadores na utilização dos equipamentos e, como consequência, entregar ao cliente um produto do qual ele possa tirar o máximo de produtividade

Eugênio Fronza e Jaime Verruck

Dia de Campo

D5000

A fábrica da John Deere Water em Uberlândia (MG) iniciou a produção do tubo gotejador D5000, apresentado para o mercado brasileiro em maio, no Agrishow de Ribeirão Preto (SP). O D5000 é o primeiro gotejador da marca John Deere no mundo. A fábrica de Uberlândia recebeu investimentos de mais de um milhão de dólares e passará a fabricar quatro produtos para irrigação de baixo volume: Hydrogol, Hydro PC, Hydro PCND e agora o D5000. O tubo D5000 é um produto indicado para áreas extensas, em culturas como cana, algodão, grãos e café.

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A Maxum, concessionária Case IH de Luís Eduardo Magalhães (BA), realizou em junho mais um Dia de Campo com clientes Case IH da região. No evento, a Maxum fez demonstrações técnicas da colheitadeira Axial-Flow 8120 com a plataforma Draper de 40 pés, adaptada para a cultura do feijão. Agricultores e técnicos conferiram também o sistema Advanced Farm System (AFS) de agricultura de precisão da Case IH. O encontro aconteceu na fazenda Sehn, na região da Garganta, área que fica na divisa entre Tocantins e Bahia.

Conbea 2011

De 24 a 28 de julho ocorre o XL Congresso Brasileiro de Engenharia Agrícola (Conbea) em Cuiabá, Mato Grosso. O evento deste ano tem como tema Geração de Tecnologias Inovadoras e o Desenvolvimento do Cerrado Brasileiro. Para o presidente da comissão organizadora, o pesquisador Daniel Marçal de Queiroz, o Conbea 2011 é uma grande oportunidade para que os profissionais da engenharia agrícola venham conhecer um pouco mais da pujança do Mato Grosso, um estado em constante evolução.

pulverizadores

Descalibrados

Fotos Marcelo da Costa Ferreira

Acompanhamento realizado por pesquisadores mostra dados alarmantes sobre estado de manutenção dos pulverizadores e regulagens de aplicação. Inspeção periódica poderia ser uma alternativa para garantir que detalhes e manutenções importantes ganhem a devida atenção

A

preocupação com a correta colocação do produto no alvo tem permeado o pensamento coletivo de técnicos e produtores da agropecuária, uma vez que a não atenção a este aspecto pode significar efeitos colaterais como a contaminação ambiental, o insucesso no tratamento fitossanitário, a necessidade de reaplicações que, naturalmente, significa aumento nos custos de produção e mais contaminação ambiental. Desta forma, um bom conhecimento do alvo da aplicação, da cultura a ser tratada, do clima da região e do momento da aplicação, do produto a ser utilizado e do equipamento, podem fazer toda a diferença. Especificamente falando dos equipamentos, é de extrema importância que estejam calibrados com especificidade para uma determinada aplicação, quer seja para uma cultura frutífera arbórea como nos laranjais, ou nas de baixo fuste como a da soja. Para

06

cada cultura, associada aos demais itens mencionados anteriormente, a calibração deve atender aos requisitos para a correta colocação do produto no alvo. Nesta calibração necessariamente deverá ser considerado o tamanho de gotas adequado para o problema fitossanitário a ser resolvido, bem como a sua distribuição, o

que norteará toda a configuração do equipamento, desde a seleção do modelo de ponta de pulverização, passando pela velocidade de trabalho, pelo volume de aplicação para uma adequada cobertura da superfície tratada, pelo uso ou não de adjuvantes e, dentre outros, pela pressão de trabalho, no caso de bicos de energia hidráulica.

Um tema de extrema importância é o estágio de conservação e manutenção dos pulverizadores

Exemplo de manômetro utilizado em calibrações a campo, em estágio precário de conservação

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Figura 1 - Variação no volume de aplicação de inseticida (L/ha). Volume esperado = 400L/ha. Rondonópolis (MT), 2004/05 e 05/06. Fonte: Mora, C.S., 2006

A filosofia da qualidade ajuda a diminuir perdas, defeitos em equipamentos e desperdícios

Aqui surge outro tema de extrema importância que é o estágio de conservação e manutenção dos pulverizadores. Tratando da pressão de trabalho, principal fator que interfere diretamente em todos os itens de qualidade para a produção e distribuição das gotas pelos bicos de energia hidráulica, há um componente responsável pela medição da situação da pressão no circuito hidráulico do pulverizador. O leitor já deve ter identificado que estamos falando sobre o manômetro. No Brasil não há um programa oficial de avaliações periódicas de pulverizadores. Isto resulta em dados dramáticos colhidos por diversos pesquisadores em diferentes regiões do país, todas com demonstrações muito preocupantes sobre a situação dos equipamentos disponíveis e mais utilizados para o tratamento fitossanitário. Voltando ao exemplo dos manômetros, um levantamento realizado na região de Jaboticabal, interior do estado de São Paulo, verificou que mais de 54% dos equipamentos vistoriados não possuíam manômetros ou estavam com o item avariado. Ora, sendo a pressão de trabalho a principal responsável pelos aspectos qualitativos da pulverização por energia hidráulica, a ausência do manômetro significa o total desconhecimento da situação de calibração do pulverizador e, portanto, um voo cego no que se refere à distribuição do produto fitossanitário em uma determinada cultura. Muitos operadores apostam na experiência que têm e afirmam que a posição do acelerador do trator, ou a do registro no regulador de pressão, ou ainda o “barulho” emitido pela ponta de pulverização são suficientes para caracterizar se a pressão ou a calibração do pulverizador estão corretas. Esta prática também tem se mostrado ineficiente, uma vez que já se verificou em avaliações um montante de mais de três quartos de pulverizadores com erros na taxa de aplicação, isto é, aplicando mais ou aplicando menos calda do que se preten-

Para o pesquisador Marcelo da Costa Ferreira, a inspeção periódica é uma questão essencial para o desempenho de um setor estratégico para o País

dia em uma determinada calibração. Em estudo com mais de 500 reabastecimentos realizados no Mato Grosso foram verificados menos de 10% das aplicações dentro da taxa esperada, com uma variação em torno de 20% para mais ou para menos do que o volume pretendido (Figura 1). Nestes casos fica patente a perda de recursos e os riscos associados, tanto de contaminação quanto de insucesso no tratamento fitossanitário. Práticas simples, no entanto, podem ser adotadas para diminuir os problemas com as falhas na calibração dos equipamentos. Uma delas é a preservação do manômetro através da utilização de um conjunto acoplado diretamente no conector do bico (ou porta-bico) do pulverizador e avaliar a pressão diretamente nesta posição, retirando o aparato após a medição. Isto permite uma medida mais exata da pressão e também preserva o manômetro, uma vez que é guardada tão logo a calibração esteja adequada. Uma lista de verificações praticada com frequência variável em função do item também pode ser utilizada para amenizar falhas com os equipamentos. Uma simples calibração de pneus do conjunto trator-pulverizador, até uma seleção mais cuidadosa do conjunto de filtros presente no circuito hidráulico pode significar resultados surpreendentes na assertividade das

aplicações e até mesmo no desempenho operacional das pulverizações. Atualmente há trabalhos que têm sido encorajados para a avaliação periódica, sendo realizados por empresas e cooperativas, em grupos de produtores, auxiliando no melhor entendimento dos impactos das boas práticas durante a aplicação de produtos fitossanitários. Entretanto, ainda são insipientes no Brasil. Uma vez que se trata de questão essencial para o desempenho de um setor estratégico para o País, pode-se sugerir também que os governos atuem com maior presença na exigência da habilitação técnica de operadores para o trabalho com a pulverização e na avaliação periódica de pulverizadores, como já acontece em mais de 20 países pelo mundo, de maneira consensual ou compulsória. A despeito disto ainda não ser uma realidade, não destitui os agropecuaristas de realizar estas atividades (habilitação e inspeções) já que isto significa uma considerável economia de recursos ambientais, sociais e econômicos, que se revertem em aumento da lucratividade para a fazenda e em economia de divisas para o Brasil. É o tipo de atitude que faz toda a diferença e os adeptos só .M têm a ganhar. Marcelo da Costa Ferreira, Unesp - Jaboticabal

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pulverizadores

Volume diferenciado

Massey Ferguson

Técnica antiga, mas ainda pouco utilizada no Brasil, o TRV (Tree Row Volume) é uma ferramenta interessante para adequar o volume de calda aplicado em plantas arbóreas, que auxilia a diminuir a quantidade de produto utilizado

O

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apenas, a superfície do terreno, como é feito para a pulverização em área total, usado para culturas anuais. O resultado dessas aplicações, na maioria das vezes culmina Agrale

volume de pulverização ou volume de calda a ser aplicado na área é a quantidade da mistura água mais defensivo a ser aplicada, uniformemente, em um hectare. Em plantas anuais, diversos estudos têm sido conduzidos com o intuito de determinar o melhor volume de calda a ser usado no controle de insetos, patógenos e plantas daninhas (Cunha e Pereira, 2009; Cunha et al, 2006; Juliatti et al, 2010). Já para plantas arbóreas, observa-se que existem poucos estudos relacionados ao volume de calda, uma das razões é a enorme variabilidade existente entre as diferentes espécies, tais como a altura e a densidade de plantas, diâmetro de copa, espaçamento entre linhas da cultura, entre outros. Todos estes fatores contribuem para aumentar as dificuldades em se estabelecer qual o melhor volume de calda a ser usado em plantas de porte elevado. Na prática, o que se observa é que muitos agricultores determinam o volume de pulverização levando-se em consideração,

O número de plantas necessárias para se determinar o TRV irá depender da uniformidade das árvores no talhão

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em volumes de calda, extremamente elevados, podendo ocasionar o escorrimento de agroquímicos, com queda no solo, nos cursos d’água, acarretando o aumento no custo de produção e na poluição ambiental. Assim, há a necessidade da utilização de metodologias para o estabelecimento do volume de pulverização que leve em conta a forma e o tamanho da planta. Um método alternativo que tem possibilitado determinar o volume de calda minimizando os possíveis impactos, anteriormente citado, é o método do TRV (Tree Row Volume), que leva em consideração o volume da copa das plantas. Por este método, a partir do espaçamento entre linhas e do diâmetro e altura da copa da planta determina-se o volume de calda a ser aplicado por unidade de área (Sutton e Unrath, 1984; Rüegg et al, 2001). Apesar de muito antigo este método é muito pouco utilizado ou desconhecido pelos agricultores brasileiros. As dimensões de altura e diâmetro das árvores e o espaçamento entre linhas de cultivo são empregados para se calcular o

Fotos Robson Sasaki

Nas fotos acima podemos ver exemplos da medição do espaçamento entre linhas de plantio, da altura do dossel e do diâmetro de copa

TRV (ver equação 1 no Box). A vantagem de se utilizar o método do volume de copa é que este considera o estádio de desenvolvimento das plantas, pois a área foliar de uma planta pode aumentar, significativamente, durante seu desenvolvimento (Siegfried et al, 2007). O diâmetro de copa varia de acordo com a cultura, sendo assim, sua determinação deve ser onde a copa apresentar maior diâmetro. O número de plantas necessárias

para se determinar o TRV irá depender da uniformidade das árvores no talhão. Não há um valor predeterminado, ficando a cargo do técnico responsável a medição de um total de plantas que melhor represente a área a ser tratada. Uma vez determinado o TRV, o volume de pulverização será determinado a partir do índice volumétrico (Tabela 1). O índice volumétrico é um valor predeterminado que deve ser selecionado pelo engenheiro agrônomo ou responsável técni-

co. Sua escolha irá variar, principalmente, com o volume da copa, a intensidade de ataque de insetos, a severidade da doença, os fatores meteorológicos, temperatura, umidade relativa, velocidade e direção do vento locais, tipo de cultura, idade da planta e equipamentos disponíveis. Sendo assim, não existe uma receita para a escolha do melhor índice volumétrico. Quando não se tem ideia do índice volumétrico a ser utilizado, este deve ser estimado e monitorado. Para

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realizar o monitoramento, devem-se utilizar etiquetas hidrosenssíveis, de tal modo que a densidade de gotas (inseticida: 20 a 30 gotas/ cm²; fungicida: 50 a 70 gotas/cm²; herbicida: 20 a 40 gotas/cm²) seja adequada ao tratamento realizado, caso o resultado não seja o esperado deve-se fazer novos testes monitorando o índice volumétrico. A grande variabilidade nas dimensões das plantas arbóreas proporcionará também grande variação no volume de calda aplicado. O desenvolvimento das plantas e a forma da copa, além de ser uma característica intrínseca da espécie, variam com o sistema de plantio adotado, idade, disponibilidade de recursos, condução da lavoura, entre outros. Experimentos realizados por Chaim et al, 2010; Núñez, 2010 e Auler et al, 2008, determinaram as dimensões das plantas de maçã, limão Tahiti e laranja Valência, utilizadas para se exemplificar o volume de pulverização (Tabela 2). Nas plantas de pequeno porte o método do TRV pode reduzir o uso de defensivos, enquanto que nas copas de árvores maiores, ajuda a garantir que o produto seja suficiente para alcançar o controle desejado (Maktelow e Praat, 1997). Evidências experimentais

Como calcular o TRV

P

ara calcular o TRV, o volume de linha das árvores, é necessário medir anteriormente as dimensões da altura e diâmetro das árvores e o espaçamento entre linhas de cultivo. Com estas medidas em mãos, basta aplicar a fórmula abaixo. Equação 1 TRV = HL 10000 E onde TRV = Volume da copa das plantas, (m³ ha-1); H = Altura do dossel (m); L = Diâmetro de copa (m); E = Espaçamento entre linhas (m). Após a determinação do volume de copa (TRV) e do índice volumétrico (IV), pode-se calcular o volume de pulverização (VP) a ser aplicado na área (Equação 2). VP = TRV IV 1000 onde VP = Volume de Pulverização (L/ha) TRV = Volume da copa das plantas (m³/ha); IV = Índice Volumétrico (mL/m).

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Jacto

têm demonstrado reduções médias de 15% a 50% no uso de defensivos, utilizando o método do TRV. Por outro lado, o controle, na maioria das vezes, é semelhante ou até superior, quando comparados com os métodos convencionais (dose constante por unidade de área) ou quando comparados com métodos que levam em consideração a altura da copa (Rüegg et al, 1999; Rüegg et al, 2001; Steffek et al, 2000). Utilizando-se o método do volume da copa, Gil et al (2007) obtiveram redução de 57% do volume aplicado sem afetar a deposição, a cobertura e a penetração no alvo. A redução nos volumes de calda aumenta a capacidade operacional dos pulverizadores, no entanto requer um aprimoramento da tecnologia de aplicação (Cunha et al, 2006). A redução do volume de pulverização diminui o custo de produ-

ção para o produtor e de saúde pública para a sociedade, custos com transporte, riscos de escorrimento do produto e menores .M impactos ambientais. Robson Shigueaki Sasaki, Mauri Martins Teixeira e Cleyton Batista de Alvarenga, UFV Tabela 1 - Índice Volumétrico (IV) para pulverização em culturas arbóreas IV (mL m-3) 120 100 70 50 30 10

Volume de calda Muito Alto Alto Médio Baixo Muito baixo Ultra baixo

Virginia Cooperative Extension Service, 1989 Spray Guide.

Tabela 2 - Exemplos de determinação do volume de pulverização utilizando o método do TRV Cultura Maçã

Limão Tahiti

Laranja Valência

Diâmetro de copa (m) 2,5 2,5 2,5 2,5 3,5 3,5 3,5 3,5 3,0 3,0 3,0 3,0

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Altura da planta (m) 3,5 3,5 3,5 3,5 3,5 3,5 3,5 3,5 3,3 3,3 3,3 3,3

Espaçamento entre linhas da cultura (m) 4,5 4,5 4,5 4,5 7,0 7,0 7,0 7,0 7,0 7,0 7,0 7,0

TRV (m3/ha) 19444,4 19444,4 19444,4 19444,4 17500,0 17500,0 17500,0 17500,0 14142,9 14142,9 14142,9 14142,9

IV (ml/m3) 100,0 70,0 50,0 30,0 100,0 70,0 50,0 30,0 100,0 70,0 50,0 30,0

Volume de pulverização (L/ha) 1944,4 1361,1 972,2 583,3 1750,0 1225,0 875,0 525,0 1414,3 990,0 707,1 424,3

pneus

Para rodar mais Por rodar em condições extremas, a vida útil dos pneus agrícolas está diretamente ligada à atenção que o operador dá à carga de trabalho e à pressão de inflação

CADA TRATOR, UM PNEU

Inicialmente vamos conhecer o pneu que está equipando o trator. Temos três configurações de trator: 4x2, 4x2 TDA e 4x4. Na configuração 4X2 a tração é exercida somente no eixo traseiro, por isso o pneu traseiro é do tipo R1 ou R2 e o dianteiro do tipo F1, F2 ou F3. Como exemplos destas configurações podemos citar as medidas 18.4-30 12PR R1 e 7.50-16 10 PR F2. A configuração 4x2 é com Tração Dianteira Assistida (TDA), mais

conhecida como trator traçado, ou seja, a tração é exercida nos eixos dianteiro e traseiro, onde os pneus dianteiros são do tipo R1 ou R2, porém, de tamanho menor que os pneus do eixo traseiro, também R1 ou R2 de tamanho maior que os dianteiros. Para estes modelos, as medidas podem ser 18.4-30 12PR R1 e 12.4-24 6PR R1. Nos modelos 4X4 a tração é exercida nos dois eixos, porém, com os pneus R1 ou R2 todos do mesmo tamanho 30.5L32 16PR R1. Tomemos por base um trator de 75cv traçado (tração dianteira assistida) com a seguinte configuração 14.9-24 12PR e 8.00-18 12PR ambos R1. Na entrega técnica, todas as informações sobre o bom funcionamento do trator são passadas ao operador, mas, às vezes, por uma série de razões, elas são

esquecidas. Por isso é importante retomar alguns tópicos para a correta manutenção dos pneus e ajustes que proporcionarão melhorias no desempenho do trator. Inicialmente, precisamos conhecer o peso do trator no eixo traseiro e no eixo dianteiro. O manual do trator traz estas informações referentes ao peso estático. Verifique se este peso contempla o lastro sólido. Se não contemplar, multiplique o número de contrapeso no eixo traseiro (lados esquerdo e direito) pelo peso de cada um que está estampado no disco e acrescente. O mesmo deve ser feito com o eixo dianteiro, só que neste caso os contrapesos estão colocados na dianteira do trator. Não esqueça que o tanque de combustível tem que estar cheio e de incluir o peso do operador. É importante sabermos este peso por eixo, para podermos inflar os pneus na pressão correta. No caso deste trator, a distribuição da carga mais indicada é 40% no eixo dianteiro e 60% no eixo traseiro. Desta forma, se o peso total do trator é

New Holland

P

raticamos atualmente uma agricultura de ponta, que utiliza todas as tecnologias disponíveis e, por isso mesmo, somos competitivos e estamos nos aperfeiçoando cada vez mais na arte de cultivar a terra. A agricultura familiar representa uma parcela considerável dentro da agricultura brasileira e muitas vezes o pequeno agricultor não tem acesso às informações importantes referentes ao processo produtivo. Pensando na importância de maximizar cada vez mais os processos produtivos, tanto na agricultura empresarial como na familiar, elaboramos um artigo que tem por objetivo dar dicas importantes para se obter o melhor desempenho do trator na atividade agrícola e aumentar a vida útil do pneu.

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Fotos Charles Echer

COMO ENTENDER A NOMENCLATURA DOS PNEUS

O

produtor poderá perguntar o que significam os números que compõem a medida do pneu? (Nomenclatura). Vejamos: 18.4-30 12 PR R1 ou R2 18.4: é a medida em polegadas da largura da secção. -: significa que o pneu é de construção diagonal 30: é o diâmetro nominal do aro em polegadas. 12PR: capacidade de carga, necessário consultar tabela R1: = tração normal (altura das barras de 5.000kg, o eixo dianteiro deverá pesar 2.000kg e o eixo traseiro 3.000kg. Sendo assim, temos a seguinte situação: Pneu 8.00-18 12PR carga máxima 1.250kg a 68lbs/pol2. Pneu 14.4-25 8PR carga máxima 1.760kg a 26lbs/pol2. Imaginemos que este trator seja novo e teve orientação para amaciar o motor e, com isso, deve trabalhar 100 horas com carga. Já vimos muitos pneus terem as barras quebradas por excesso de patinagem devido ao mau uso do trator durante o amaciamento do motor. Qualquer operação agrícola hoje deve ser feita com muita eficiência, a agricultura brasileira está num estágio que não se permite mais amadores na arte de cultivar a terra, mesmo em se tratando de agricultura familiar. Assim, o primeiro passo antes de começar qualquer atividade agrícola com o

nível 100) R2: = tração extra (altura das barras nível 200) 7.50-16 10PR F2 7.50: é a medida em polegadas da largura da secção. -: significa que a construção é diagonal 16: é o diâmetro nominal do aro em polegadas 10PR: capacidade de carga, necessário consultar tabela F2: F1 uma raia, F2 duas raias, F3 três ou mais raias trator é saber qual o índice de patinagem.

PATINAGEM

Uma locomotiva move 40 vagões carregados de minério de ferro, mesmo tendo as rodas e os trilhos em aço liso. Como isso é possível? A resposta é que nas rodas motrizes há um lastro, um peso que possibilita esta tração. O mesmo processo ocorre com o trator, se não tiver peso suficiente na roda motriz, ela patinará ao tracionar um implemento. O que é patinagem então? De uma maneira bem simples, podemos definir patinagem como a perda de velocidade. Esta perda é aceitável dentro dos seguintes parâmetros: quando o trator está equipado com pneu diagonal aceita-se um índice de patinagem de 8% a 20%, enquanto trator

É importante saber o peso por eixo para inflar os pneus com a pressão correta

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É preciso conhecer o peso do trator nos eixos traseiro e dianteiro, conforme especificado no manual

equipado com pneu radial este índice é de 7% a 15%. Lembre-se que o implemento a ser utilizado deve ser compatível com a potência do trator. Geralmente, tem-se o péssimo hábito de trabalhar com o trator no limite, ou seja, não deixamos nenhuma folga de potência, o que é prejudicial para os componentes da transmissão, pneus, consumo de combustível etc. (Ver Box sobre patinagem) É importante saber este índice para podermos obter o máximo da eficiência do trator. Se nesta operação o trator estiver

Figura 1 – Efeito da quantidade de ar dentro do pneu

Wanderley fala sobre os cuidados que o operador deve ter sobre a carga de trabalho e a pressão de inflação O pneu agrícola foi desenvolvido para trabalhar em solo que se deforma, daí a configuração das barras. Quando o trator trafega sobre “chão batido“ ou asfalto há um aquecimento excessivo das barras e um desgaste irregular acontece

Fotos Wanderley Marroni

com índice de 30% significa que o lastro está insuficiente, com isso, gasta-se mais combustível, promove um desgaste rápido nos pneus e há subaproveitamento do trator. Com índice abaixo de 4%, mostra que o trator está muito pesado, está carregando um peso desnecessário, consumindo mais combustível etc.

Você pode estar perguntando qual a importância de manter a pressão de inflação dos pneus? O ar pode ser considerado o combustível dos pneus. A Figura 1 faz uma análise de volume de ar dentro do pneu. Observe que a pressão especificada para as diferentes medidas de pneu está destacada em verde, temos então o volume de ar e a carga correspondente. Quando a pressão está mais baixa que a especificada e a carga continua a mesma, ocorrerão desgastes típicos desta situação, conforme veremos a seguir. Quando falamos de pressão de inflação,

temos que pensar na interação pneu, trator, implemento e operador. Pneu com baixa pressão apresenta rachaduras radiais nos costados e desgaste na parte externa das barras. Quando isto ocorrer, cheque a pressão dos pneus ao menos uma vez por semana, isto tem que ser feito com o pneu frio. Se o pneu estiver lastrado com água, o bico tem que estar na posição seis horas. O pneu agrícola foi desenvolvido para trabalhar em solo que se deforma, daí a configuração das barras. Quando o trator trafega sobre “chão batido” ou asfalto, há um aquecimento excessivo das barras e .M um desgaste irregular acontece. Wanderley Marroni, Maggion Ind. de Pneus e Máq. Ltda

COMO MEDIR A PATINAGEM?

É

Exemplos de desgastes causados por uso de inflações com pressões erradas

possível medir a patinagem de diversas maneiras, aqui usaremos como exemplo o tempo gasto para percorrer 100 metros com o implemento levantado e com o implemento abaixado, em modo de trabalho. Com o peso do trator devidamente balanceado, com a pressão de inflação dos pneus correta e com o implemento adequado, vá até a área que irá trabalhar e marque dois pontos distante 100 metros um do outro. Coloque a marcha e RPM de trabalho e, com o implemento levantado, comece a andar com o trator. Quando o pneu dianteiro estiver sob a primeira marca acione o cronômetro e quando atingir a segunda marca (100 metros) pare o cronômetro e anote o tempo (este será o tempo 1). Posteriormente, repete-se a operação com o implemento abaixado em

posição de trabalho. Novamente, acione o cronômetro quando o pneu atingir a primeira marca e, quando atingir a segunda marca, pare o cronômetro e anote o tempo (este será o tempo 2). Calcule o percentual de patinagem entre as duas operações usando a fórmula abaixo. Patinagem % = T2 - T1 x 100 T2

Tempo 1 = 1min 8seg e 65cent. = 68,65seg Tempo 2 = 1min 19seg e 85cent. = 79,89seg

Patinagem % = 79.89 - 68.65 = x 100 = 14% 79.89

Temos que neste caso o índice de patinagem foi de 14%. Como o trator está equipado com pneus diagonais, o índice de patinagem está dentro do esperado.

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tratores

Será assim? Trator conceito projetado pela Valtra chama a atenção por design futurístico, construção limpa e possibilidade de personalizar a máquina de modo diferente de como conhecemos os tratores atuais

também é o plural de ant ou formiga. O Ants é uma solução modular, composto por dois módulos básicos: a unidade de segurança, com potência de 100kW, e a unidade de trabalho, com potência de 200kW. Ambas podem funcionar em conjunto ou individualmente. Para tarefas de supervisão, a cabine pode ser instalada em ambas as máquinas. Quando tiver de executar trabalhos pesados que requeiram a participação do operador, os módulos podem ser interligados, ou seja, as rodas traseiras são ligadas a um calibre estreito, as rodas frontais da outra máquina são conduzidas lado a lado e as máquinas ficam interligadas. Assim, estará disponível uma condução estrutural com uma potência de 400kW. A cabine é a uma cápsula que pode ser ligada a ambos os módulos básicos. Pode ser rotacionado e colocado na parte da frente ou de trás do módulo básico, ou por cima deste. A cabine desce, permitindo que a atividade mais vulnerável a acidentes de trabalho do trator – entrar e sair da cabine – seja realizada de forma segura e simples. A interface do operador é muito simples. A maioria dos comandos é dada por voz. As informações importantes para a tarefa são apresentadas numa tela HUD (heads up display) nas janelas da cabine. A máquina possuirá uma grande capacidade de comunicação. A estrutura composta da cabine é segura e terá uma visão sem limitações em todas as direções. A funcionalidade tradicional TwinTrac da Valtra foi desenvolvida ao máximo, porque uma cabine móvel significa que o trator Ants não tem uma extremidade frontal ou traseira separada.

MOTOR E COMBUSTÍVEL

N

um primeiro olhar, ele parece uma peça do famoso brinquedo de montar Lego Star Wars ou Universe. Na verdade, trata-se de um protótipo de um trator do futuro, concebido pela Valtra como parte das comemorações dos 60 anos

de história. Apresentado em feiras pelo mundo, a partir deste ano, o conceito Valtra Ants, traça o que pode ser o futuro dos tratores nas próximas décadas, com máquinas mais dinâmicas, fáceis de utilizar, personalizáveis, inteligentes, ágeis e leves. Ants é uma sigla onde as letras A, N, T e S representam as atuais séries de modelos Valtra, mas, em inglês,

A tecnologia das energias dará grandes passos nas próximas décadas. A transmissão será eletrônica e a eletricidade será produzida de formas diferentes, através de baterias eficientes, células de combustível e geradores turbo, ou através de um motor de combustão de classe elevada que pode explorar o biocombustível ou o biodiesel. A fonte de energia terá o potencial de ser alternada de forma modular, quando for necessário.

O Ants é uma solução modular, composto por dois módulos básicos: a unidade de segurança, com potência de 100kW, e a unidade de trabalho, com potência de 200kW. Ambas podem funcionar em conjunto ou individualmente

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Fotos Valtra

O Ants examina a estrutura e a composição do solo, e aperfeiçoa a sua superfície de contato

A estrutura da máquina básica será leve. As rodas estão colocadas na extremidade dos eixos, que são utilizados para suspensão ativa e regulagem do vão livre, bem como para levantar e baixar implementos do chão. O vão livre mínimo destina-se aos trajetos em estrada, para oferecer melhor estabilidade. As rodas são inteligentes e a sua largura, ou o tamanho de superfície de contato, pode ser ajustada para evitar compactações da superfície do solo. O Ants examina a estrutura e a composição do solo e aperfeiçoa a sua superfície de contato. Quando as rodas se alargam, as garras tornam-se mais agressivas. Contudo, a superfície das rodas será otimizada para a condução em estrada na posição estreita.

A cabine desce, permitindo que a atividade mais vulnerável a acidentes de trabalho do trator – entrar e sair da cabine – seja realizada de forma segura e simples

Se for necessário utilizar o sistema hidráulico tradicional, este será à base de água e não à base de óleo como conhecemos atualmente. O trator conceito Ants foi construído numa escala de 1:5 e tem sido apresentado pela Lighthaus de Gothenburg, juntamente com o desenvolvimento de produtos Valtra.

A primeira apresentação deste trator aconteceu no aniversário de diamante da empresa e continuará sendo apresentado em 2011, em exposições de agricultura e maquinaria pelo mundo. Por enquanto ele é apenas um conceito de um futuro, quem sabe, não tão distante.

O vão livre mínimo destina-se aos trajetos em estrada, para oferecer melhor estabilidade

A interface do operador é muito simples. As informações importantes para a tarefa são apresentadas numa tela HUD

TRABALHO AUTOMATIZADO

A unidade de trabalho é da classe de potência 200kW e poderá realizar as suas tarefas sem supervisão. A unidade de segurança predefinida está equipada com uma cabine e realizará todas as tarefas. Ela está equipada com um braço telescópico duplo, que pode configurar o equipamento para diferentes tipos de trabalho. Também será mais fácil acessar espaços estreitos com a máquina, porque ela pode “encolher”. A maior parte dos comandos de trabalho da máquina será gerenciada por motores e atuadores elétricos.

A cabine é a uma cápsula que pode ser ligada a ambos os módulos básicos. Pode ser rotacionada e colocada na parte da frente ou de trás do módulo básico, ou por cima deste

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capa

Yanmar 1155–4 SE O Super Estreito da Yanmar, com 55cv de potência, mostrou-se estável em terrenos declivosos, valente no desempenho de funções que exigiram força e habilidoso nas manobras em áreas bastante reduzidas

F

oi na Serra gaúcha, mais especificamente no distrito de Ana Rech, a 12km do município de Caxias do Sul, que a equipe do Laboratório de Agrotecnologia do Núcleo de Ensaios de Máquinas

Agrícolas da Universidade Federal de Santa Maria esteve, a convite da Revista Cultivar Máquinas, para realizar o teste drive do trator Yanmar 1155-4 Super Estreito. A região, colonizada em sua grande parte por italianos

O Yanmar 1155-4 Super Estreito é ideal para trabalhos em locais de espaçamentos de altura e largura reduzidos, como parreirais e pomares

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e seus descentes, destaca-se no turismo do Rio Grande do Sul, pela famosa Rota da Uva e do Vinho, que oferece aos seus visitantes uma bela paisagem, que recorda a beleza natural do local de origem de seus colonizadores e a cultura da fabricação e degustação dos vinhos e das uvas finas de mesa. Além disto, pode-se fazer a apreciação de outras frutíferas adaptadas à região. Chegando a Caxias do Sul fomos recepcionados pelo pessoal da Unyterra Máquinas Agrícolas Ltda, maior revenda de tratores agrícolas Yanmar Agritech do Brasil, empresa esta que oferece através da mesma concessão uma gama de máquinas e implementos agrícolas, também em Montenegro, Porto Alegre e Vacaria. Com diversas opções, são oferecidos desde cultivadores motorizados a partir de 11cv até tratores de 75cv, roçadeiras, trituradores, pulverizadores, rebo-

Fotos Charles Echer

Estabilidade e força são duas características que se destacaram durante o teste

ques, além de utensílios de uso frequente pelos produtores. Juntamente com a equipe da Unyterra, nos deslocamos ao local do teste drive, em Ana Rech. Fomos recebidos pelo produtor Vilmar Fabro, um dos seis irmãos que atuam na propriedade e que nos contou um pouco sobre a história da família Fabro, no Brasil e particularmente no local. A geração que está agora no comando dos negócios começou na agricultura há 26 anos com o cultivo do pêssego e, em seguida, ampliou os negócios, diversificando as culturas produzidas. Atualmente na propriedade são produzidos, aproximadamente, 25 hectares de frutíferas,

O posto do operador tem boa posição do banco em relação aos comandos de mão e aos pedais, com alavancas de marcha posicionadas no centro

distribuídas entre ameixa, pêssego, caqui e uva, esta última representando uma área de quatro hectares, exclusivamente para mesa. Ao todo, são cinco variedades de uvas plantadas na propriedade, sendo a Rainha Itália o carro-chefe. Além de frutas, os irmãos produzem 35ha de cenoura e cinco hectares de beterraba. Vilmar Fabro trabalha exclusivamente com as uvas de mesa e os outros irmãos conduzem o restante das frutíferas e hortaliças em uma localidade denominada Vila Oliva. Os irmãos Fabro distribuem os produtos

diretamente aos mercados compradores, evitando assim a diminuição do lucro pela ação dos intermediários. No entanto, a uva recebe uma atenção especial, sendo vendida quase que exclusivamente dentro da propriedade, representando assim outro mercado explorado na propriedade, o do atendimento personalizado ao cliente. Através desta prática, está sendo possível criar um vínculo com o visitante, proporcionando a este escolher diretamente

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Fotos Charles Echer

Detalhe dos dois lados do motor. Na parte fria, estão localizados os filtros e os sedimentadores. Um detalhe interessante é a saída do escapamento, localizada na lateral do motor e saindo por baixo do trator

no parreiral o cacho de uva que deseja levar para casa. Com o intuito de diferenciar ainda mais o atendimento, Vilmar abre mão do que estiver fazendo para receber os visitantes e ainda oferece cestos artesanais que permitem que os cachos fiquem em uma posição de forma a não danificar os frutos durante a colheita. Nem há necessidade de mencionar que sua clientela é formada por gente de todo o país, que aproveita o turismo regional para saborear as uvas que se produzem no local. Em vista disto, nota-se a diferenciação do sistema de produção nos parreirais dos irmãos Fabro, onde o sistema de poda de condução em que as plantas formam uma espécie de Y possibilita a obtenção de cachos de qualidade e com bagas de tamanho diferenciado dos demais no mercado. A limpeza do solo, a condução das plantas (estrutura de madeira

de eucalipto tratado), o sistema de irrigação (gotejamento) e a cobertura dos parreirais (lona) chamam a atenção para o local. Estas práticas de condução oferecem um ambiente agradável e limpo para os visitantes. Atualmente está sendo coberto o segundo hectare dos parreirais e pretende-se cobrir outros dois nos próximos anos. Este sistema de produção fez com que os irmãos conseguissem alcançar uma produção máxima de 20 toneladas de uva. A família busca agora um diferencial que é a conquista de um selo de qualidade para que possa ampliar o marketing de seus produtos e consolidar no mercado o conceito que já goza com seus clientes habituais. Em termos de mecanização, a propriedade dispõe de todos os equipamentos necessários para a condução das frutíferas. Entre outras máquinas de diferentes marcas, há dois tratores agrícolas da marca Agritech Yanmar, um deles do ano de 1989, que foi o segundo da região, com 14.500 horas de uso, sem ter sido feita a reforma do motor e que ainda está em pleno uso, e um 1155-4 SE recentemente adquirido, que ainda está em fase de amaciamento, que foi o nosso trator de teste. O produtor nos contou que a manutenção básica é realizada por ele mesmo, e sempre que é preciso, o concessionário presta o serviço de assistência técnica, o que, segundo este produtor, é um diferencial que o auxilia a decidir-se pela marca.

O trator testado é um modelo 1155-4 SE 4x4 da marca Agritech Yanmar de 55cv, que tem como característica principal a utilização de rodados menores e bitola reduzida, que possibilitam a sua utilização em parreirais cobertos, como a propriedade dos irmãos Fabro. O espaço disponível para o deslocamento do trator, dentro do parreiral, constituía-se em uma seção transversal semelhante a um retângulo com 1,95m de altura e largura útil de trabalho de 2,70m.

Contrapesos bastante afastados do eixo dianteiro proporcionam maior estabilidade do trator

Principais pontos de manutenção periódica podem ser acessados facilmente com o capô basculante

Pega mãos dos dois lados do banco do operador facilitam o acesso ao posto de comando

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MOTOR

O motor que equipa este modelo é da marca Yanmar modelo 4TNV88-XAT de 40,5kW (55cv), com quatro cilindros, injeção direta e 2.189cc. O trator utilizado nos testes tinha apenas 44 horas de uso. O sistema de alimentação é de aspiração natural, contando com um pré-filtro e um filtro do tipo seco. No período de realização do teste verificamos excelente comportamento desse motor, principalmente no terreno declivoso da propriedade. Quando da sua utilização com implementos, que demandam boa parte da potência do motor, como um triturador, por exemplo, o mesmo respondeu muito bem a tal situação, demonstrando bom torque e mudando pouco seu comportamento. O motor possui bomba injetora em linha e um sistema muito interessante de abertura e fechamento do combustível que vem do

Plataforma possibilita o acesso à parte superior para manutenções periódicas no motor e no tanque

Em espaço bastante reduzido, o trator conseguiu sair e imediatamente entrar em linhas alternadas do parreiral, sem perdas significativas de tempo e sem utilizar auxílio de freios ou alguma outra manobra

tanque, localizado no próprio pré-filtro, o que facilita a manutenção periódica dos dois filtros de combustível. Com referência às capacidades, o tanque de combustível é capaz de comportar 44,5 litros de diesel e o cárter do motor 5,3 litros de óleo lubrificante. O escapamento dos gases provenientes do motor deste trator passa lateralmente ao motor e estende-se até a parte inferior traseira, o que, além de proteger o operador faz com que esses gases com alta temperatura não atinjam as plantas e venham a danificá-las, algo que pode ocorrer quando o escapamento é lateral. Para facilitar a manutenção, este modelo de trator conta com um capô de abertura vertical para frente, ficando o motor e vários de seus componentes e acessórios totalmente expostos para intervenções periódicas e corretivas.

A tomada de potência (TDP) é de acionamento mecânico e independente da embreagem principal, o que facilita em muito seu acionamento e desacionamento durante operações que requeiram o uso da TDP, oferecendo maior segurança e aumento da eficiência durante as operações. Essa TDP oferece 45,6cv no eixo estriado a uma velocidade nominal de 540rpm.

TRANSMISSÃO DO EIXO DIANTEIRO

Neste modelo, como sua versão é 4x4, o rodado dianteiro também é motriz e a transmissão do movimento que vem da caixa

de velocidades às reduções finais do eixo dianteiro é realizada por meio de engrenagens cônicas e não por cruzetas, o que oferece maior resistência a este componente e consequentemente diminuição da manutenção. O óleo é colocado neste componente por meio de um orifício posicionado na parte superior do eixo dianteiro. A árvore cardânica de transmissão do movimento ao eixo dianteiro é muito bem protegida através de uma tubulação parte metálica e parte plástica que a protege do contato com os agentes que a poderiam degradar, como solo e pedras e a própria umidade.

TRANSMISSÃO DE POTÊNCIA E TDP

A transmissão de potência do motor para os demais elementos que vão desenvolver a propulsão e a utilização na forma rotativa começa com uma embreagem bidisco-seco de 250mm de diâmetro, que é responsável pela transmissão do movimento motor à caixa de velocidades, dotada de oito marchas à frente e duas à ré, com engrenagens deslizantes, sendo um sistema robusto e adequado para tratores de pequeno porte e para os quais se exige grande resistência.

Centro gravitacional baixo e sistemas de contrapesos dianteiros distantes do eixo são diferenciais para manter o trator sempre agarrado ao solo nos terrenos acidentados da Serra gaúcha

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Fotos Charles Echer

Para manter o perfil baixo, foram utilizados pneus traseiros na medida 9.5-24 R1

O sistema hidráulico de três pontos é de categoria II com capacidade máxima de elevação de 850kg

No painel simples é possível monitorar as principais informações do trator

Como todo trator de pequeno porte e bitola reduzida o posto de operação costuma ser um problema na fase de projeto. No entanto, o 1155-4 SE acomoda bem uma pessoa de porte normal e se algo pode ser melhorado é a posição das alavancas de troca de marchas e regime, que mais cedo ou mais tarde terão que ser colocadas na lateral, para acomodar com mais facilidade as pernas do operador, facilitarlhe a movimentação na entrada e saída e para estabelecer uma plataforma plana. No mais, ressalta-se uma boa posição do banco em relação aos comandos de mão e pedais, com pega

mãos à disposição do operador tanto para facilitar o acesso como para acomodar-se durante o trabalho. Talvez a presença de um pequeno degrau colocado na lateral esquerda do trator seja interessante para auxiliar a subida ao posto de operação. Depois de sentado, o condutor tem uma ótima visibilidade, para frente e para as laterais e um amplo espelho colocado na esquerda do capô facilita o acompanhamento do trabalho com o implemento. Em termos de segurança, o fabricante colocou um arco de proteção ao capotamento bastante robusto, logo atrás do banco do operador e que pode ser colocado em duas posições, uma retraída que foi muito útil para o trabalho embaixo da área coberta e outra, na posição aberta, em que o operador fica completamente protegido, pois nesta posição há uma margem de segurança no caso de haver capotamento do trator. Nesta situação se recomenda a colocação do cinto de segurança. Testamos a manobrabilidade do 1155-4 desta versão, fazendo-o circular pelas apertadas linhas da produção de uva de mesa. Em espaço bastante reduzido, o trator conseguia sair e imediatamente entrar em linhas alternadas, sem perdas significativas de tempo. Além do mais, este procedimento de manobras de cabeceiras, em determinados casos, costuma agregar perigo extra, pois geralmente não são as áreas que recebem os melhores tratamentos, ocorrendo muitas vezes pequenas erosões, que dificultam o adequado movimento do equipamento. Está de parabéns a equipe de projeto que tomou duas medidas para facilitar a estabilidade longitudinal do modelo, a primeira é colocar os contrapesos dianteiros

A transmissão do eixo dianteiro é feita por engrenagens cônicas e não por cruzetas

Arco de proteção contra capotamento pode ser regulado, para possibilitar o tráfego em locais com altura reduzida

bastante afastados do eixo dianteiro, a segunda é a grande distância entre eixos em relação ao tamanho do trator. Estas duas características combinadas proporcionam boa estabilidade e fazem com que a dianteira não se despegue do terreno mesmo em grandes declividades. Outra característica positiva deste modelo que testamos é o perfil baixo que se conseguiu com a colocação de pneus traseiros na medida 9.5-24 R1 e dianteiros 6.0-14 R1. Estes pneus são os que normalmente equipam o modelo 1145-4 de apenas três cilindros e que tem porte ligeiramente menor. Para verificar todo o funcionamento do trator, montamos uma bateria de testes de campo. A primeira experiência foi vê-lo trabalhando com um pulverizador-atomizador marca Agritech, modelo PVU-400. Depois de abastecer o equipamento em um dos reservatórios existentes na propriedade, fomos para dentro da área coberta com lona, onde se produz uva de mesa no sistema bastante particular, desenvolvido e conduzido pela família. O desafio era circular com um trator de 55cv em um espaço confinado, realizando manobras em uma pequena rua. Se a distância entre eixos lhe desfavorece no raio de giro, o auxilia a manter o equilíbrio longitudinal, resultando em uma grande facilidade em fazer a manobra de cabeceira. A marcha utilizada foi a 4ª reduzida, a uma velocidade de aproximadamente 5,5km/h, não havendo necessidade de redução para a manobra. Por todos foi aprovado no teste de manobrabilidade e movimentação em espaço tão reduzido. Em outra atividade típica do sistema de produção, trabalhamos com uma roçadeira Agritech AT8130-ER, quando se pode colocar o arco de segurança na posição normal. A marcha utilizada era uma 3ª reduzida, a aproximadamente 4km/h e pudemos ver que seu rendimento sob uma condição de muita massa vegetal não provocava nenhuma alteração de rotação, o que demonstrava que o torque do motor era mais que suficiente. Aproveitamos esta operação para verificar a prontidão dos comandos do hidráulico, controlando o equipamento principalmente para protegê-lo das grandes pedras que afloravam da superfície do solo.

SISTEMA HIDRÁULICO

O sistema hidráulico de três pontos é de categoria II com capacidade máxima de elevação de 850kg e o controle realizado por meio de duas alavancas, sendo uma de controle de posição e outra de ondulação. A bomba tem vazão de 39 litros por minuto e pressão de serviço de 170kPa. Como item opcional podese ter o comando hidráulico.

POSTO DO CONDUTOR ERGONOMIA E SEGURANÇA

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O design do 1155-4 SE mantém as características dos demais tratores da Yanmar

Também aproveitamos a boa vontade do produtor para testar mais um equipamento, utilizado no seu sistema de produção, que era um triturador de resíduos, ou trincha, como é conhecido entre alguns agricultores. O equipamento também era da marca Agritech modelo TCL 140, com 1,40m de largura de trabalho e 12 martelos. É um equipamento bastante robusto que rompe a vegetação leve, galhos provenientes da poda e tem boa resistência mesmo na presença de pedras. É inclusive mais seguro que a roçadeira, nestas ocasiões, pois não projeta as pedras que encontra e sim as tritura. Enfim, colocamos o nosso trator de teste em diferentes operações e com resistências variáveis e saímos certos de que robustez e simplicidade de operação são qualidades

O test drive foi realizado na propriedade de Vilmar Fabro pela equipe do Nema da Universidade Federal de Santa Maria, com o apoio da revenda Unyterra, de Caxias do Sul

presentes neste modelo. No depoimento final do produtor, perguntamos sobre a sua imagem a respeito da marca e do trator. Muito depressa nos respondeu que, para ele é uma das melhores marcas que já trabalhou e que o ponto alto é o motor. Disse ainda que o trator de 1989 nunca teve nenhum problema mecânico, que merecesse menção. Seus elogios foram também dirigidos às dimensões do trator, que foram decisivas para a sua escolha. Quando já estávamos terminando o dia, com a satisfação de termos finalizado os

testes, nos chamou a atenção para o lema da Unyterra, colocado em um adesivo na lateral do trator: “Para o homem não deixar a terra”. Assim concluímos o teste com mais convicção, de que se deva dar todo o apoio aos pequenos produtores, para que não abandonem sua atividade e criem condições para que os des.M cendentes não saiam do meio rural. José Fernando Schlosser Ulisses Giacomini Frantz Rodrigo Lampert Ribas Nema - UFSM

ficha técnica

BS3020H

Lançado recentemente no mercado brasileiro, o primeiro pulverizador autopropelido da Valtra vem com configurações para lavouras de cana ou de grãos, com chassi que suporta o trabalho em terrenos acidentados

O

primeiro pulverizador autopropelido da Valtra, lançado este ano, tem um projeto que inclui tecnologia, robustez e precisão. O BS3020H traz consigo a filosofia que a empresa emprega no desenvolvimento dos tratores, que prometem desempenho mesmo em condições exigentes de trabalho. Alguns dos indicativos desta resistência é o chassi Flex-Frame e o sistema de transmissão hidrostática com tração cruzada, que proporcionam flexibilidade, resistência e maior capacidade de tração em diversas condições de solo e topografia. O BS3020H também é oferecido na versão Canavieira que possui 24 metros de barras divididas em sete seções e com rodado 18.4-26, características que propiciam menor compactação do solo.

MOTOR

O BS3020H está equipado motor AGCO Sisu Power 620DS, desenvolvido exclusivamente para aplicações agrícolas, com seis cilindros em linha turbo e bomba injetora rotativa Delphi. Suas principais promessas são alto desempenho, durabilidade e baixo custo operacional. As curvas de potência e torque garantem grande desempenho na faixa de rotação de traba-

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lho. Com potência constante entre 1.800 e 2.200rpm, é possível manter o ritmo de trabalho com menores rotações do motor, menor consumo de combustível, desgaste do motor reduzido e uma operação silenciosa. A câmara de admissão de ar possui um desenho do tipo vórtex, que provoca turbilhonamento, fragmentação e pressurização do ar. Isso possibilita a perfeita mistura do ar com o combustível, o que gera uma queima mais homogênea com menos emissão de poluentes. Este motor também está apto a operar com 100% de biodiesel (B100) considerando o diesel conforme ANP 42/2004.

CABINE

A cabine foi projetada para maximizar o conforto e a segurança do operador. O design oferece fácil acesso, amplo espaço interno e baixo nível de ruído e vibração. Os comandos

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Fotos Valtra

O BS3020H tem motor AGCO Sisu Power 620DS, desenvolvido exclusivamente para aplicações agrícolas

estão ergonomicamente dispostos com o intuito de diminuir a fadiga do operador. A cabine possui também área envidraçada de 5m2, o que permite uma melhor visibilidade de transporte e de trabalho, possibilitando a visualização dos pneus dianteiros e das barras de pulverização. O BS3020H possui um console ergonômico e integrado ao assento do operador que facilita o acesso aos controles da máquina e de pulverização. Para facilitar aplicações noturnas, as teclas têm iluminação individual. O sistema de ar-condicionado, dotado de filtro de carvão ativado, conta com saídas de ar distribuídas no teto da cabine. O piso da cabine é revestido com tapete de borracha, que garante ao operador um ambiente mais confortável e menos sujeito a vibrações e calor facilitando também a sua limpeza diária. O acesso à cabine é feito pela parte frontal do pulverizador através da escada com extensão e retração automática. Quando o freio de estacionamento é acionado a escada é estendida, e quando o freio é desacionado, a escada é recolhida. Desta forma, o operador não consegue sair da cabine sem

O BS3020H está equipado com o controlador GX-45, que é um sistema multifuncional com tela de 5”

estar com o freio de estacionamento acionado. A escada possui degraus antiderrapantes e dá acesso à plataforma superior, que possui guarda-corpo para segurança ao acesso à cabine e ao bocal superior de abastecimento do tanque de produto. A escada, a plataforma e o guarda-corpo foram projetados baseados na norma NR-31.

BARRAS

As barras de pulverização cobrem uma largura de 24m (18m com ponta recolhida) ou 28m (19m com ponta recolhida) e vem com fechamento automático de seções. Com acionamento por comando eletro-hidráulico, posicionado no manche, a barra pode variar a altura de aplicação de 0,55 a 1,95 metro. O quadro central pendular com elevação através de paralelogramo e amortecimento hidropneumático (acumulador de nitrogênio), aliado a um conjunto mola/amortecedor, oferece às barras maior absorção de impactos

A cabine foi projetada para maximizar o conforto e a segurança do operador. O design oferece fácil acesso, amplo espaço interno e baixos níveis de ruído e vibração

e melhor estabilidade durante a aplicação. Além do quadro central as barras de pulverização também possuem amortecimento hidropneumático (acumuladores de nitrogênio) para tornar a movimentação mais suave, garantindo maior vida útil ao sistema.

TRANSMISSÃO/SUSPENSÃO

O BS3020H é equipado com um sistema de transmissão hidrostática 4x4 cruzada permanente, com três velocidades. Este sistema faz com que a roda dianteira esquerda tracione em conjunto com a roda traseira direita e vice-versa, mantendo, assim, com o auxílio do chassi Flex-frame, o pulverizador sempre tracionando mesmo em terrenos mais úmidos. Esta característica permite também que o BS3020H trabalhe na velocidade mais

adequada para cada tipo de aplicação. O BS3020H vem equipado com suspensão pneumática ativa independente com quatro válvulas individuais de regulagem e barra estabilizadora que, combinadas com o chassi Flex Frame, garantem uma aplicação mais segura e confortável em qualquer tipo de solo e topografia.

CHASSI

O BS3020H está equipado com o exclusivo chassi Flex Frame, já utilizado no pulverizador RoGator, que tem como principais conceitos a utilização de aço, liga estrutural com alta resistência à ruptura, elevadas características de elasticidade e uniões por parafusos sem o uso de solda. Estas características proporcionam maior flexibilidade evitando trincas na estrutura da máquina e

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Fotos Valtra

Detalhe das barras de segurança que equipam as laterais da plataforma de acesso

O Pulverizador BS3020H está equipado com um tanque de produto rotomoldado em polietileno com capacidade nominal de três mil litros

nas barras. Outra característica que garante plena ação do sistema Flex Frame é não possuir eixos rígidos em relação ao chassi. Isto permite que o BS3020H transponha obstáculos de até 50cm sem nenhuma roda perder contato com o solo, permitindo um ângulo de torção do eixo em relação ao chassi de 12 graus. Nas concepções de chassis e eixos, foram utilizadas modernas ferramentas de análise de esforços e severos testes de laboratório e pista em condições extremas de operação. Mesmo trocando de rodado (380/90R46 para 320/85R38), o pulverizador continua com o vão livre de 1,5m, permitindo, assim, o tratamento de diversas culturas sem causar danos às mesmas. O Pulverizador BS3020H está equipado com um tanque de produto rotomoldado em polietileno com capacidade nominal de três mil litros. Este volume proporciona ao pulverizador grande autonomia na pulverização, mesmo quando utilizando

altas taxas de aplicação, permitindo que o pulverizador realize abastecimentos em maiores intervalos de tempo, possibilitando maior produtividade. O acesso ao bocal superior do tanque é feito pela plataforma superior, proporcionando grande segurança ao operador. O abastecimento de produto pode ser realizado pelo bocal superior no tanque ou pelo engate rápido para mangueiras de 2” e 3” na estação de recarga, se adequando ao sistema de abastecimento do cliente. No caso do abastecimento pelo bocal superior, o mesmo está equipado com uma tampa de inspeção com filtro, que facilita a operação e protege de impurezas o circuito de pulverização. O BS3020H ainda disponibiliza como item opcional bomba de recarga. A bomba de pulverização é do tipo centrífuga, com capacidade de 549L/min. Este tipo de bomba garante uma aplicação mais homogênea, sem efeito de “picos de pressão”. O BS3020H está equipado com o controlador GX-45, que é um sistema mul-

Detalhe da suspensão pneumática ativa independente com quatro válvulas individuais

O BS3020H transpõe obstáculos de até 50cm sem nenhuma roda perder contato com o solo

PULVERIZAÇÃO

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tifuncional com tela de 5”, que controla as funções de: pulverização, navegação (GPS), piloto automático hidráulico, fechamento automático das seções de barra. Estas ferramentas otimizam a eficiência da máquina reduzindo a fadiga do perador, aumentando a produtividade com qualidade na pulverização. A função de pulverização permite o controle com precisão da quantidade de produto químico aplicado. Esta função irá ajustar automaticamente a vazão do pulverizador para compensar a velocidade e o número de seções em uso, a fim de manter a taxa de aplicação desejada constante. Além da função de controle da pulverização, o monitor possui controle automático de seções da barra, que minimiza o desperdício de produto, desligando as seções em áreas já aplicadas e controlando a taxa no restante das seções. Isso garantirá uma pulverização correta e homogênea do produto em toda a área, além de deixar o operador livre para fazer manobras de cabeceira, gerando um maior rendimento operacional.

SERVICIBILIDADE

O capô basculante oferece fácil acesso a todos os componentes de manutenção diária do motor. O filtro de ar de alta capacidade está localizado na parte frontal, facilitando a sua troca quando necessário. A extração de pó é realizada na pré-limpeza, com exaustão pelo dreno, garantindo maior vida útil ao motor e maior intervalo entre as trocas do filtro de ar. O acesso para verificação do nível de óleo, filtros de combustível e filtro de óleo do motor, é realizado removendo as tampas laterais que são fixadas por engate rápido.

O Sistema AGCOMMAND é a nova solução de telemetria disponível nos equipamentos da Valtra

O BS3020H está equipado com o exclusivo chassi Flex Frame, já utilizado no pulverizador RoGator

Através do diagnóstico de falhas é possível realizar rapidamente um diagnóstico geral do sistema eletrônico do pulverizador. Os fusíveis e os relés estão localizados próximo ao operador, sendo necessário remover apenas uma trava de fixação para ter acesso aos mesmos.

TELEMETRIA

O Sistema AGCOMMAND é a nova solução de telemetria disponível nos equipamentos da Valtra. Ele possibilita conhecer

e gerenciar minuto a minuto, mesmo a distância, o desempenho do equipamento e as operações realizadas. Coleta automaticamente os dados que são enviados por meio de sinal de celular (GPRS), como: velocidade, hora do motor, direção de deslocamento, localização, status do pulverizador, motor

ligado ou desligado. As informações podem ser acessadas em qualquer computador conectado à internet e o programa oferece funções para visualizar a localização e o status atual do equipamento, comparar o desempenho de máquinas e operadores e gerar relatórios das atividades. .M

implementos

Do corte ao fardo

No processo de fenação, várias máquinas são necessárias para transformar as plantas em alimentos para os animais, sem perder os principais valores nutricionais. Conhecer cada equipamento e mantê-los devidamente regulados é fundamental para obter a máxima eficiência na operação

Kuhn

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as principais máquinas necessárias ao processo de fenação e destacar cuidados e regulagens que podem fazer a diferença em suas operações. Como comentado anteriormente, para produzir feno é preciso cortar, secar e enfadar a forragem, estes procedimentos podem ser realizados de forma mecanizada ou não. No sistema mecanizado, para cortar as forragens são utilizadas máquinas chamadas segadoras, dotadas de mecanismos de corte, podendo ser combinadas com condicionadoras, responsáveis pela maceração dos caules, o que acelera a secagem do material. Já na etapa da secagem e preparação do material, são utilizados os ancinhos, equipamentos que podem virar, esparramar e enleirar a forragem, acelerando a perda de umidade e facilitando o enfardamento. Para enfardar o material, etapa que tem o objetivo reduzir o volume e facilitar a armazenagem do mesmo, são utilizadas as enfardadoras, que podem ser de fardos redondos ou retangulares, grandes ou pequenos.

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A correta utilização e seleção destes equipamentos é fator fundamental para obtenção de um feno de qualidade. A seguir, serão apresentados e discutidos os principais aspectos inerentes ao processo e os equipamentos que compõem o “conjunto de fenação”.

SEGADORAS

As segadoras, responsáveis por cortar a forragem, possuem mecanismos para sustentação, Zilmer

Q

uando o assunto é produção bovina, independente da região do país, um problema a ser superado é a sazonalidade da oferta de forragens. Uma alternativa para contornar esta questão é a produção de feno, processo no qual a forragem é cortada, secada, enfardada e armazenada, servindo como base ou complemento da alimentação aos animais. A técnica consiste em reduzir rapidamente o teor de umidade das plantas, para níveis de 12 a 25%, chamado “ponto de feno”, onde a respiração das plantas cessa, e então é possível armazená-las mantendo suas propriedades nutricionais. A qualidade da forragem armazenada através da fenação depende das características das plantas processadas, no entanto, a operação depende do uso das máquinas que compõem o “conjunto de fenação”, e o manuseio correto destes equipamentos pode ser fundamental para obtenção de um feno de qualidade. Neste contexto, este artigo tem por objetivo apresentar

Segadora com barra de corte

acionamento e corte. Quanto à sustentação, podem ser montadas ou semimontadas, quando além de fixadas ao sistema de engate de três pontos do trator possuem rodas de sustentação, que auxiliam a regulagem da altura de corte. A maioria dos modelos oferecidos no mercado brasileiro é de acoplamento lateral, podendo existir, ainda, equipamentos posicionados posterior e frontalmente aos tratores. Em relação aos mecanismos de corte, os três principais modelos oferecidos no mercado nacional são: barra de corte, de tambores e discos picadores. As barras de corte empregadas em segadoras são semelhantes às das colhedoras de grãos, compostas por navalhas, dedos-guia e contrafacas. A vantagem destes equipamentos é que são de concepção simples, geralmente com custo de aquisição baixo e proporcionam um corte uniforme, com baixa demanda energética, podendo ser acionados por tratores de baixa potência. Sua principal limitação está relacionada à velocidade de trabalho, pois é menor em relação aos modelos que utilizam discos ou tambores para realização do corte. As segadoras de discos e tambores picadores podem desenvolver maiores velocidades de trabalho, quando comparadas com as que possuem barra de corte. Em contrapartida,

Lavrale

Kuhn

Segadora de discos e segadora de tambores

possuem uma maior demanda enérgica, necessitando de tratores de maior potência para seu acionamento. A largura de trabalho destes equipamentos é determinada pelo número e diâmetro dos discos ou tambores de corte, geralmente em números pares, estes mecanismos são dotados de facas posicionadas em sua periferia, fixas ou retráteis, que realizam o corte da forragem. A substituição e afiação das facas são simples e rápidas, o que confere maior praticidade de operação a estes equipamentos. A principal diferença entre as máquinas é em relação à ligação dos órgãos ativos, responsáveis pelo corte, com a estrutura de sustentação do equipamento. Nas segadoras de discos, estes são alinhados sobre uma barra, que trabalha rente ao solo, sua regulagem quanto à altura de corte é feita através do eixo do terceiro ponto do trator. Já nas segadoras de tambores, os órgãos ativos (discos e facas) são ligados à estrutura da máquina por meio de tambores, que possuem em sua base patins, que servem para manutenção da uniformidade de corte mesmo em terrenos ondulados. Quanto às regulagens deste tipo de maquinário, destaca-se altura de corte. Se esta for rasa em demasia, é provável que as ferramentas de

corte entrem em contato com o solo, causando avarias ao sistema e misturando segmentos de solo com o material. A altura de corte deve permitir que o máximo de forragem de qualidade seja aproveitado e, também, que a planta ainda tenha reservas para rebrotar, se for de interesse do produtor realizar mais de um corte por cultivo. Quanto à manutenção destes equipamentos, além da lubrificação das partes móveis e do tensionamento das correias e correntes, é importante que as facas ou navalhas sejam mantidas sempre afiadas, para que promovam o corte e não o dilaceramento da forragem. Sempre que possível, o corte deve ser realizado nas primeiras horas da manhã, quando não houver mais orvalho. Isso fará com que a forragem esteja exposta ao sol nas horas mais quentes do dia, acelerando a secagem. O ideal é cortar apenas a quantidade de material que pode ser processado em um dia, ou seja, virar e esparramar nas horas mais quentes e posteriormente enleirar. A perda de umidade das forragens acontece em duas etapas, em seguida ao corte os teores são reduzidos rapidamente a 60%-65%, e posteriormente reduz gradativamente ao ponto de feno (12%-25%), quando entra em equilíbrio

Kuhn

Detalhe dos rolos condicionadores que são utilizados para homogeneizar o tempo de secagem do material

com a umidade relativa do ar, e a respiração é cessada. Enquanto a planta está respirando, ou seja, até atingir o ponto de feno, está consumindo nutrientes e perdendo seu valor nutritivo como fonte de alimentação. Para acelerar este processo de secagem, existem as chamadas condicionadoras, que geralmente são combinadas com as segadoras. Estes equipamentos têm como função a maceração do material, aumentando sua superfície de contado com o ar e facilitando a perda de água do material. Dependendo das condições ambientais e da forragem em questão, o tempo de secagem até o ponto de feno pode ser reduzido em até quatro vezes com o condicionamento do material. O processo de condicionamento consiste na passagem da forragem cortada por entre dois rolos, lisos, estriados ou combinados, que então promovem o esmagamento da forragem. Outro papel importante do condicionamento do material é a homogeneização de tempo de secagem de folhas e caules. Sem este processo, por via de regra as folhas secam mais rapidamente, então quando os caules estão com a umidade ideal as folhas estão secas em excesso, aumentando as perdas no momento do enfardamento.

ANCINHOS

Após o corte e o condicionamento, é pre-

ciso manusear a forragem, esparramar, virar e enleirar, serviço realizado pelos ancinhos. Os principais tipos são os de descarga lateral, os de discos e os rotativos de eixos verticais. Os ancinhos de descarga lateral são caracterizados por um molinete, montado sobre um chassi, dotado de barras transversais e dentes, que realizam o movimento da forragem. Estes equipamentos, conforme o sentido de giro do molinete e da inclinação do mesmo em relação ao eixo de deslocamento, podem virar e esparramar ou enleirar o produto. Quando o molinete gira em sentido contrário às rodas, a forragem é descarregada lateralmente, formando uma leira. Quando o movimento é em sentido contrário, a forragem sai pela parte traseira, virada e esparramada. Para espalhar a forragem, o ângulo formado entre o molinete e o sentido de deslocamento deve ser de aproximadamente de 40º. Já quando o objetivo é enleirar o material, este ângulo deve ser de 60º. A manutenção destes equipamentos é bastante simples, baseando-se na necessidade de lubrificação das partes móveis, verificação da tensão das correias e correntes do sistema de transmissão e substituição dos dentes ou garfos avariados. Este aspecto combinado com sua versatilidade torna estes modelos de ancinhos práticos e versáteis. Outro modelo de ancinho disponível no

mercado brasileiro é o de discos, que possui um eixo horizontal onde são acoplados através de eixos verticais ligados a rotores ou discos, que possuem dentes em sua periferia e através da rotação destes mecanismos movimentam as forragens. A largura de trabalho destes equipamentos vai depender do número e do diâmetro dos discos, podendo desenvolver velocidades de até 11km/h, o que lhe confere grande capacidade operacional. A independência dos discos, proporcionada pelos eixos verticais de ligação com a estrutura de sustentação, garante um bom desempenho em terrenos irregulares. Outra vantagem destes equipamentos é que realizam um trabalho suave, acarretando menores perdas, principalmente quando se está trabalhando com espécies leguminosas, mais sensíveis e com maior propensão à perda de folhas no momento do manuseio. Os ancinhos de eixo vertical são os mais utilizados atualmente. Geralmente são equipamentos de arrasto, acoplados ao trator pela barra de tração e acionados pela TDP, possuem um ou mais rotores com eixo vertical apoiados sobre rodas de sustentação, que determinam a altura de trabalho. Estes equipamentos possuem defletores, que permitem selecionar o tipo de operação, ou seja, esparramar ou enleirar o material, e, ainda, determina a largura das leiras. A largura de trabalho vai depender do número de portagarfos (eixos verticais). A simplicidade com que realizam o trabalho de movimentação da forragem permite que sejam operados a grandes velocidades, geralmente limitadas pelas condições do terreno, garantindo uma boa capacidade operacional a estes equipamentos.

ENFARDADORAS

Quanto à manutenção, além da lubrificação das partes móveis e tensionamento das correias e correntes, é importante que as facas ou navalhas sejam mantidas sempre afiadas, para que promovam o corte e não o dilaceramento da forragem

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As enfardadoras são máquinas destinadas ao recolhimento, à prensagem e à amarração da forragem. Esta etapa do processo de fenação tem por objetivo reduzir o volume e facilitar a armazenagem do material. Os principais subsistemas das enfardadoras são os mecanismos recolhedores, de

alimentação, de compressão e de amarração. O recolhimento do material é realizado por dentes que giram tangencialmente ao cilindro recolhedor, transportando a forragem do chão até o mecanismo de alimentação. A altura de recolhimento é variável do tipo de forragem e das limitações impostas pelo terreno, no entanto, na maioria dos casos os dentes do mecanismo recolhedor devem ficar a 3cm do solo. É importante que o recolhimento seja realizado no mesmo sentido em que o corte foi feito, para minimizar as perdas nesta etapa do processo. O mecanismo de alimentação, que pode ser um transportador helicoidal ou garfos ligados a bielas, tem por função entregar a forragem recolhida ao sistema de compressão. É fundamental que exista um sincronismo entre o mecanismo de alimentação e de compressão, como forma de evitar danos às partes móveis da enfardadora. A uniformidade dos fardos vai depender do correto posicionamento dos garfos sobre a biela de alimentação, e da constância de material entregue ao sistema de alimentação pelo recolhimento. Daí a importância de se ter leiras bem formadas e uniformes. O mecanismo de compressão trabalha em sinergia com o sistema de amarração. A compressão dos fardos retangulares é realizada por um êmbolo acionado pela TDP do trator, seu comprimento é determinado por uma roda estrela, que gira pelo movimento do fardo na câ-

Claas

mara de compressão e aciona as agulhas e realiza a amarração pelos mecanismos atadores. Nas enfardadoras de fardos redondos, a preparação do fardo é realizada entre correias e roletes que giram contra uma série de correias paralelas independentes, quando o fardo é formado, é envolto por fios e solto por uma comporta traseira acionada hidraulicamente. Existem modelos de enfardadoras de fardos retangulares e redondos que, além da forma dos fardos, diferem quanto ao tamanho, podendo ser grandes ou pequenos. A vantagem de se trabalhar com fardos pequenos é que a tarefa pode ser realizada

manualmente, em contrapartida, com os fardos grandes todo sistema de transporte da forragem e alimentação do rebanho pode ser realizado mecanicamente, o que é interessante quando se trabalha em grandes escalas de produção. .M Gustavo José Bonotto Airton dos Santos Alonço Dauto Pivetta Carpes Leodário Montemezzo Junior Mariana Weber Rodrigues, Laserg/UFSM Mauro Fernando Pranke Ferreira, Faem/UFPel

implementos

Alta rotação

Figura 1 - Esquema de funcionamento dos órgãos ativos da enxada rotativa

Charles Echer

As enxadas rotativas são implementos simples, mas bastante versáteis que podem ser utilizadas em diversas aplicações nas atividades diárias numa propriedade rural

A

s enxadas rotativas são implementos que fazem o revolvimento do solo através de pequenas enxadas (lâminas ou facas), acionadas pela TDP e montadas no sistema de levante hidráulico do trator. Ao girar, as enxadas atacam a parede do sulco, cortando fatias de terra que são lançadas para trás e para cima, indo de encontro a uma placa protetora, possibilitando assim o destorroamento dos agregados (torrões). Assim como os demais implementos, as enxadas rotativas evoluíram no decorrer das décadas. Alguns fatores podem ser citados como os principais responsáveis pela evolução das enxadas rotativas, conforme abordaremos a seguir. Os arados, com órgãos ativos fixos (arados de aivecas) ou móveis (arados de discos), exigem considerável força de tração e uma complementação do trabalho executado, através de gradagem. Outro ponto é o fato de que a as enxadas rotativas, embora necessitem de torque relativamente alto, praticamente independem de força de tração e executam um trabalho completo, isto é, do arado e da grade de uma só vez. E, por fim, a incorporação de restos de cultura e vegetação de cobertura feita por arados e grades é deficiente e, em certas ocasiões, impraticável, como é o caso de palha de cana-de-açúcar. Com enxadas rotativas, adequadamente reguladas, esse

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Fotos Haroldo Fernandes

Figura 2 - Atuação das facas

Exemplo da utilização das rotativas no preparo de solo em áreas alagadas ou várzeas

trabalho é bem executado. Entre as principais funções das enxadas rotativas podemos destacar o controle de plantas daninhas, incorporação de restos culturais, fertilizantes e corretivos, e substituição de implementos convencionais de preparo do solo. Uma grande vantagem do uso deste implemento é a diminuição da patinagem dos pneus, pois ela gira no mesmo sentido da roda do trator. Em operações conjugadas a força de tração requerida pelo escarificador é, em parte, fornecida pela própria enxada rotativa, fazendo com que haja um aproveitamento integral da potência do motor do trator durante o trabalho. As enxadas rotativas possuem basicamente dois tipos de lâmina. As lâminas modelo “L” ou universal são utilizadas para trabalhos gerais em solos normais. Já as lâminas em “C” ou velozes servem para trabalhos em solos mais duros ou pegajosos. Os modelos mais leves de enxadas rotativas são utilizados para horticultura, onde os trabalhos atingem até 15cm de profundidade. Já os modelos mais pesados servem para trabalhos na faixa de 15 a 25cm de profundidade. As principais regulagens das enxadas rotativas estão relacionadas ao tipo de agregado (torrão) que se deseja obter, conforme veremos. De modo geral, quanto maior a velocidade do trator, maior será o tamanho dos agregados; quanto maior a altura da placa de impacto, maior será o diâmetro dos

agregados; quanto maior a velocidade do rotor, menor será o diâmetro dos agregados e quanto maior o número de lâminas por flange, menor será o diâmetro dos agregados. A placa de impacto também interfere no tamanho dos torrões, que vão ficando menores na medida em que a placa é fechada. As enxadas rotativas também podem ser configuradas como roto-encanteiradores, que são utilizados principalmente na horticultura. Nesta configuração, as enxadas recebem “saias” ou “asas” laterais que limitam a dispersão dos torrões e, à medida que ocorre a desagregação do solo, ocorre .M também formação dos canteiros. Haroldo Carlos Fernandes, Daniel Mariano Leite e Elcio das Graça Lacerda, Universidade Federal de Viçosa

Principais componentes

• Rotor: local onde são fixadas as facas; • Coroa de transmissão ou caixa seletora de velocidades: formado por engrenagens para seleção da velocidade do rotor; • Placa protetora (impacto): proteção e quebra dos agregados (torrões); • Lâminas ou facas: órgão responsável pelo corte da fatia de solo.

Figura 3 - Regulagens na abertura da placa de impacto e variação no tamanho do agregado

Pesquisadores falam sobre a versatilidade das enxadas no manejo diário

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tratores

Escolha num click

Programa computacional para calcular a potência requerida de máquinas e implementos agrícolas ajuda o produtor a definir qual o melhor implemento para cada trator

Valtra

C

om o aumento das populações e a necessidade de se produzir mais alimentos, com um número cada vez menor de pessoas empregadas na agricultura, as operações agrícolas começaram a ser mecanizadas e a grande variedade de máquinas agrícolas disponíveis hoje, para realizar estas operações, permite ao agricultor uma escolha adequada para atender a sua demanda. Porém, as características de cada modelo variam e podem interferir no desenvolvimento da cultura, negativamente ou positivamente desde o plantio até a colheita. Atualmente há a necessidade do aumento da eficiência em todos os setores da economia para a manutenção da competitividade, especialmente no setor agrícola. A otimização do projeto, a adequação de

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maquinário, as práticas de irrigação, o desenvolvimento de sistemas de informação geográfica e de posicionamento global e muitas outras técnicas estão proporcionado à agricultura ganhos crescentes, permitindo aumento da produção com redução de áreas cultivadas, insumos e danos ambientais.

INFORMÁTICA NO SETOR AGRÍCOLA

Ao oferecer vantagens no setor agrícola, com aumentos de produtividade, a informática também vem conquistando espaço neste setor. O uso dos computadores na agricultura aumentou consideravelmente nos últimos dez anos, período em que ocorreu rápido desenvolvimento na tecnologia, redução no tamanho do equipamento e no seu preço final. No caso do produtor rural, o computador auxilia na coleta, no arma-

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zenamento e no processamento de dados e informações de maneira mais eficiente nos mais variados processos produtivos do setor. Assim, a informação passa a ser extremamente valiosa e deve ser considerada como mais um insumo no processo produtivo. Atualmente, com o surgimento de empresas especializadas e o trabalho dos órgãos governamentais de pesquisa e de assistência técnica, já existe uma quantidade considerável de programas específicos voltados para o campo. Uma das ferramentas atuais mais usadas para o desenvolvimento de programas de comunicação via internet é o PHP (Hypertext Preprocessor). O fato de seu código ser executado no servidor permite que computadores com poucos recursos de

Figura 1 - Tela de seleção da operação agrícola e implemento utilizado

DESENVOLVIMENTO DO PROGRAMA

Visando facilitar e tornar de maneira mais rápida o cálculo da potência requerida de máquinas e implementos agrícolas, foi desenvolvido, no setor de Mecanização Agrícola da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf), um programa computacional para calcular, inicialmente, a força, e, posteriormente, a potência requerida. Dentre os implementos utilizados no

banco de dados, destacam-se implementos de preparo do solo – subsoladores e aplicadores de material orgânico, arados de aivecas, escarificadores, grades de discos de simples ação e de dupla ação tandem e offset, cortadores de palhada, cultivadores mecânicos e máquinas de semeadura. Utilizou-se a linguagem de programação voltada para internet PHP versão 5.0. O programa computacional para avaliação da demanda de potência desenvolvido apresenta uma tela inicial onde o usuário faz a seleção de operação agrícola e implemento utilizado (Figura 1). Em seguida, o usuário deve escolher o modelo de trator – 4x2, 4x2 TDA, 4x4 ou de esteiras, e tipo de solo, velocidade de operação, largura e profundidade de trabalho do implemento utilizado (Figura 2). Após a entrada dos dados, o programa exibe o resultado da potência exigida na barra de tração e no motor do trator (potência bruta) nas unidades de kW e cv (Figura 3). A partir do programa computacional desenvolvido, tornou-se possível a execução de tarefas para cálculos de avaliação

da demanda de potência de máquinas e implementos agrícolas utilizados em operações de campo, desde o preparo do solo até a implantação de culturas, de forma simplificada usando a internet, sem a necessidade de instalação de programas específicos. O programa desenvolvido permite livre acesso a qualquer usuário que se interessar, não possuindo senha ou regra para sua execução, porém, os códigos-fontes dos programas são indisponíveis aos usuários, protegendo os direitos autorais dos desenvolvedores. O programa apresenta a vantagem de ser oferecido sem a necessidade de arquivo de instalação, bastando o usuário ter acesso à internet. Porém, há a versão de instalação remota no modo PHP-GTK, caso o usuário não tenha acesso à internet. Para acessar o programa é necessário acessar: http://www.pabloklaver. com/potencia/ .M Pablo Pereira Corrêa Klaver, José Sá Vasconcelos Junior e Ricardo Ferreira Garcia, Uenf Landini

processamento executem-no. Este tipo de utilização torna mais fácil o uso do programa, uma vez que não existe a necessidade de instalação de arquivos específicos e o usuário pode ter acesso em locais diferentes ou acesso remoto utilizando algum dispositivo de conexão sem fio. O uso da informática e de programas computacionais no setor agrícola permite atingir objetivos específicos na área. Na mecanização agrícola, por exemplo, a seleção de máquinas e de implementos agrícolas adequados ao sistema de produção é um processo bastante complexo e pode ser auxiliado por meio da informática.

Figura 2 - Tela de seleção do trator, solo, velocidade de operação, largura e profundidade

Figura 3 - Tela de resultados

Para o produtor rural, o computador auxilia na coleta, no armazenamento e no processamento de dados e de informações de maneira mais eficiente e produtiva

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MÁQUINAS EM NÚMEROS

VENDAS INTERNAS DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS AUTOMOTRIZES NACIONAIS E IMPORTADAS - ATACADO Total Nacionais Importadas Tratores de rodas Nacionais Importados Tratores de esteiras Nacionais Importados Cultivadores motorizados Nacionais Importados Colheitadeiras Nacionais Importadas Retroescavadeiras Nacionais Importadas Mil unidades 2009 2010 2011

JAN 3,1 4,6 4,0

2011 MAI B 6.075 5.994 81 5.133 5.062 71 83 73 10 129 129 0 233 233 0 497 497 0

JUN A 5.632 5.501 131 4.605 4.504 101 110 83 27 119 119 0 250 248 2 548 547 1

Unidades

FEV 3,6 5,3 5,2

MAR 4,1 6,6 5,9

ABR 3,9 6,0 5,7

2010

JAN-JUN C 32.574 31.966 608 26.546 26.035 511 529 460 69 535 535 0 2.180 2.157 23 2.784 2.779 5 MAI 4,0 6,4 6,1

JUN 4,2 6,1 5,6

JUN D 6.060 6.015 45 5.139 5.110 29 110 95 15 175 175 0 189 188 1 447 447 0 JUL 4,8 6,4

JAN-JUN E 34.983 34.675 308 29.072 28.836 236 445 410 35 879 879 0 2.157 2.130 27 2.430 2.420 10 AGO 5,1 6,5

SET 5,4 6,1

Variações percentuais A/D -7,1 -8,5 191,1 -10,4 -11,9 248,3 0,0 -12,6 80,0 -32,0 -32,0 32,3 31,9 100,0 22,6 22,4 -

A/B -7,3 -8,2 61,7 -10,3 -11,0 42,3 32,5 13,7 170,0 -7,8 -7,8 7,3 6,4 10,3 10,1 OUT 6,2 5,9

NOV 5,3 4,7

DEZ 5,5 3,9

C/E -6,9 -7,8 97,4 -8,7 -9,7 116,5 18,9 12,2 97,1 -39,1 -39,1 1,1 1,3 -14,8 14,6 14,8 -50,0 ANO 55,3 68,5 32,6

MÁQUINAS AGRÍCOLAS AUTOMOTRIZES POR EMPRESA Unidades

2011 MAI B 6.075 5.133 152 140 891 1.319 1.233 1.202 196 233 47 38 51 71 26 129 83 497

JUN A 4.974 4.605 171 113 914 1.088 1.038 1.081 200 250 59 53 40 89 9 119 0 0

Total Tratores de rodas Agrale Case CNH John Deere Massey Ferguson (AGCO) New Holland CNH Valtra Yanmar Agritech Colheitadeiras Case CNH John Deere Massey Ferguson (AGCO) New Holland CNH Valtra Cultivadores motorizados (1) Tratores de esteiras (2) Retroescavadeiras (3)

2010

JAN-JUN C 31.916 26.546 870 713 5.037 7.204 5.478 6.217 1.027 2.180 306 841 332 593 108 535 419 2.236

JUN D 6.060 5.139 169 138 655 1.456 1.220 1.296 205 189 45 11 13 117 3 175 110 447

JAN-JUN E 34.983 29.072 989 589 3.871 8.890 6.353 7.138 1.242 2.157 302 656 318 784 97 879 445 2.430

Variações percentuais A/D -17,9 -10,4 1,2 -18,1 39,5 -25,3 -14,9 -16,6 -2,4 32,3 31,1 381,8 207,7 -23,9 200,0 -32,0 0,0 0,0

A/B -18,1 -10,3 12,5 -19,3 2,6 -17,5 -15,8 -10,1 2,0 7,3 25,5 39,5 -21,6 25,4 -65,4 -7,8 0,0 0,0

C/E -8,8 -8,7 -12,0 21,1 30,1 -19,0 -13,8 -12,9 -17,3 1,1 1,3 28,2 4,4 -24,4 11,3 -39,1 -5,8 -8,0

Fonte: ANFAVEA - Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores

(1) Empresas não associadas à Anfavea; (2) Caterpillar, New Holland CNH (sucede Fiatallis CNH a partir de 1º/02/05), Komatsu; (3) AGCO, Case CNH, Caterpillar, New Holland CNH (sucede Fiatallis CNH a partir de 1º/02/05).

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PRODUÇÃO DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS AUTOMOTRIZES Unidades Total Tratores de rodas Tratores de esteiras Cultivadores motorizados Colheitadeiras Retroescavadeiras Mil unidades 2009 2010 2011

JAN 4,7 5,9 5,3

2011 MAI B 7.216 5.975 316 30 251 644

JUN A 6.707 5.427 347 110 267 556 FEV 4,4 6,5 7,0

MAR 5,6 7,9 7,5

ABR 5,2 7,8 6,9

2010

JAN-JUN C 40.653 32.356 1.561 515 3.277 2.944 MAI 4,5 8,1 7,2

JUN 4,1 7,7 6,7

JUN D 7.693 6.494 172 170 342 515 JUL 5,6 8,5

JAN-JUN E 43.812 35.807 868 962 3.186 2.989 AGO 5,7 8,6

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SET 6,1 8,2

Variações percentuais A/D -12,8 -16,4 101,7 -35,3 -21,9 8,0

A/B -7,1 -9,2 9,8 266,7 6,4 -13,7 OUT 7,0 8,1

NOV 7,3 7,3

DEZ 6,2 4,2

C/E -7,2 -9,6 79,8 -46,5 2,9 -1,5 ANO 66,2 88,9 40,7


Revista Cultivar Máquinas