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_Eu olho, tu olhas, ele olha por cindy freitas | foto mauro marques

A gente pode notar uma pessoa também por um encanto particular dela ou até pela própria boa educação dela _Lembrei-me de uma frase de uma professora de Biologia que

tive ano passado: “gente, eu morro de medo da Cindy; parece que tudo que ela vê, ela pode colocar na revista”. Na hora, achei graça e, claro, não pude evitar rir. Mas dessa frase surgiu a inspiração para um assunto. Eu de fato observo pessoas em lugares cheios, quem nunca fez isso antes? Principalmente adolescentes mortos de tédio que resolvem brisar (ou seja: olhar com cara de paisagem para ninguém). Eventualmente seu olhar vai pousar numa pessoa específica, algumas vezes, principalmente quando se está numa sala de aula, shopping ou restaurante. Às vezes, a pessoa que supostamente está brisando está na verdade prestando muita atenção em algo ou alguém no meio de uma multidão. Talvez aquela criança dando escândalo no shopping, e a mãe do lado com aquela cara de quatro de paus. Talvez aquela pessoa que tenha uma característica que chame a atenção: é particularmente bonita, está com roupas chamativas, ou com um cachorrinho no colo. Ou então aquele homem de meia-idade falando no celular e você tentando decifrar a conversa dele (quem nunca fez isso?). Ele solta umas frases gritadas - porque adultos no nível pais só conversam berrando ao telefone - e logo em seguida abaixa o megafone ao recordar que está em lugar público. Se você imaginou a cena, provavelmente você também observa pessoas e presta atenção nos pequenos movimentos delas. Meu lugar favorito para observar pessoas é o restaurante. E realmente, por mais que todo mundo lá esteja supostamente fazendo o mesmo, sempre se consegue escutar a conversa de alguém (e tem assunto para todos os gostos, desde comentários sobre a moça que morreu na novela das 8 até casais discutindo a relação - e eles acham que ninguém escuta). Numa dessas, já passei uma boa meia hora observando a cara emburrada de uma mulher, que estava acompanhada de umas três crianças. Ela soltou apenas um sorrisinho medonho, que soou como “ai, como eu queria entregar essas crianças para a empregada e ir fazer as unhas do pé”. O pior é que adolescentes, quando reparam em alguma coisa, comentam com todo mundo. Todo mundo mesmo. Até lembro-me de uma amiga contando que estava num consultório médico e a atendente chamou o próximo paciente uma criança cujo nome era meio bizarro, para dizer o mínimo. A história foi contada e recontada por pelo menos uma semana, e até hoje motiva risos. Não que observações sejam estritamente negativas. A gente pode notar uma pessoa também por um encanto particular dela ou até pela própria boa educação dela. Essa, para mim, é a que mais chama a atenção e que realmente merece ser observada.

Cindy Figueiredo Freitas tem 16 anos e adora observar pessoas, conseguindo assim vários prováveis assuntos para seus textos.

_50 vida cult

Revista Cult edição 82  

Revista Cult com Luigi Baricelli - Edição de aniversário/ abril

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