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_O valor do tempo

por fábio machado e alexander siqueira| foto sxc

Quando o assunto é dinheiro, o tempo pode fazer toda diferença, para melhor ou para pior, a depender sempre de onde “guardamos” nossas reservas (...) Compositor de destinos; Tambor de todos os ritmos, Tempo, tempo, tempo, tempo; Entro num acordo contigo; Tempo, tempo, tempo, tempo (...)

_Esse é um trecho da letra “Oração ao tempo”, de Caetano

Veloso, uma linda canção que nos faz pensar e refletir sobre o “valor” do tempo. Quando o assunto é dinheiro, o tempo pode fazer toda diferença, para melhor ou para pior, a depender sempre de onde “guardamos” nossas reservas. Se estiver em um cofre ou embaixo do colchão, certamente estará perdendo valor, pois a inflação, também conhecida como perda do poder de compra da moeda, corroerá o valor desse dinheiro a cada segundo que se passar. Ao se falar em alocação de recursos, a primeira ideia que vem à cabeça é de que o capital empregado irá ter um retorno, o qual não fará a mínima diferença para mensuração de oportunidade desse capital, se não soubermos em quanto tempo ele retornará ou qual é o retorno por período empregado. Tanto no caso da inflação, que corrói o valor do dinheiro no tempo, quanto no caso da alocação de recursos em um investimento, para se saber o que foi perdido ou o que foi ganho, terá que se mensurar o tempo como fator decisivo na oportunidade deste capital. No momento em que decidimos realizar um investimento, sempre queremos saber qual o retorno de acordo com o risco que se corre. Como em todo investimento, entra o papel dos juros compostos: quanto mais tempo o capital for empregado maior será o montante final. No âmbito da educação financeira, este é um tema de forte apelo. Muitos autores dedicam seções inteiras de livros e cursos para apresentar uma matemática financeira que não excita os familiarizados, mas assusta muito os menos adeptos. Claro! À exceção de estudantes e profissionais de economia, administração, contabilidade e áreas afins, pouquíssimas pessoas andam por aí com uma calculadora financeira avaliando alternativas de financiamentos, empréstimos ou investimentos. E ninguém, nem mesmo os estudantes e

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profissionais citados, vai fazer essas contas usando lápis, a cabeça e uma calculadora comum. Então, o que fazer? Em primeiro lugar, é preciso avaliar as três variáveis de importância: o tempo, o montante de dinheiro e os juros. Compare-as ainda que não consiga fazer as contas. São elas que irão influenciar o valor da dívida ou do investimento. Em nosso trabalho, como consultores financeiros, costumamos dizer que o grande vilão de uma dívida são os juros. Por outro lado, o que mais impacta os investimentos é o tempo. Pensemos então um pouco sobre o valor do tempo. Imagine que duas pessoas decidam investir durante 30 anos R$ 250,00 por mês em uma aplicação com retorno de 1% ao mês. O primeiro realiza as aplicações nos primeiros 8 anos e depois para de aplicar, mas não retira o seu dinheiro, que fica rendendo 1% ao mês até cessar o prazo de 30 anos. O segundo posterga suas aplicações, priorizando a troca do seu veículo por um melhor e outros gastos em consumo, e não começa a aplicar antes que o primeiro pare. Depois, aplica os R$ 250,00 durante 22 anos na aplicação que rende 1% ao mês. Quem terá mais dinheiro ao final de 30 anos? O primeiro, que aplicou por 8 anos e depois manteve seu dinheiro aplicado? Ou o segundo, que postergou o investimento, mas em seguida aplicou durante 22 anos? O primeiro terá R$ 558.504,44. O segundo terá R$ 332.973,98. Portanto, o primeiro que fez aplicações em apenas 8 anos terá mais dinheiro a resgatar ao final do período do que o segundo, que aplicou durante 22 anos. Isso nos permite ratificar o velho ditado popular, que há muito nos ensinava: “nunca deixe para fazer amanhã aquilo que você pode fazer hoje”. Pense nisso e eduque-se para fazer uso consciente do dinheiro. O montante ideal para ser aplicado e começar a fazer investimentos pode ser que na sua concepção só chegue amanhã, porém o tempo não volta e por isso comece o quanto antes, pois no mínimo irá criar o hábito se educando a poupar e terá uma reserva para que ganhe juros ao invés de pagá-los em uma eventual necessidade. Assim nos ensina a canção: o tempo é um compositor de destinos.

Revista Cult edição 82  

Revista Cult com Luigi Baricelli - Edição de aniversário/ abril

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